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TEORIA DO ESTADO
Aula 1
A GÊNESE DO MODERNO
ESTADO.
A Gênese do Moderno Estado
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Ponto de Partida
Na atualidade, estamos acostumados a culpabilizar o Estado pela
maioria das questões que nos envolvem. Do preço dos combustíveis
ao pãozinho que consumimos na padaria, o Estado, no imaginário
comum, é sempre o responsável pelas mazelas e pela economia
que presenciamos. Por que os aspectos sociais e econômicos são
sempre cobrados do Estado no sentido amplo? O que nos leva a
observar de imediato o Estado como responsável pelo trato
econômico e social em nossas vidas? Se o Estado é o principal
responsável pela economia e seus aspectos contraditórios, não
bastaria trocar de governo ou governante para solucionar os
problemas? Veremos nesta aula que isso não é tão simples, e só
poderemos compreender os aspectos políticos da realidade
contemporânea se observarmos também a origem e a gênese do
Estado moderno. Ótimos estudos! 
Vamos Começar!
A desintegração do mundo feudal
O Estado moderno como o conhecemos surgiu da desintegração do
mundo feudal, do feudalismo europeu e dos conflitos presentes
naquele continente e que se acirraram a partir do século XVI. Isso
não quer dizer que seu surgimento tem data marcada no calendário,
e que a intensa troca comercial que se desenvolve a partir da crise
do feudalismo naquele continente não tenha modificado o cenário
para a formação do Estado moderno, muito pelo contrário. O que
ocorreu no continente Europeu naquele período marcou
definitivamente a história do mundo.
Mas a história do Estado moderno não se desenhou de maneira
idêntica em todos os países da Europa. Para compreender a sua
gênese, é preciso adicionar o entendimento do final da Idade Média
e da crise do sistema feudal e seus estamentos de maneira
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complexa, a fim de compreender que em cada porção do território
europeu esse feudalismo encontrou funcionamento próprio, o que
vai nos levar ao entendimento da história inglesa em um primeiro
momento.
Raquel Kritsch (2004) vai apontar os elementos do processo de
constituição do Estado moderno – entre os quais a noção de
soberania – que estão nos séculos finais do medievo e de
centralização da política de maneira desigual.
Essa nova realidade, que não se configurou ao mesmo tempo
nem por um processo único em toda a Europa, apresentou
algumas características comuns. Procura-se argumentar que
os conflitos entre os vários atores envolvidos nesse processo
foram, simultaneamente, de natureza política e jurídica, e que
nessa discussão construíram-se os alicerces legais e
ideológicos do poder do Estado, ao mesmo tempo em que se
determinou sua extensão (Kritsch 2004, p. 103).
Na Inglaterra podemos observar historicamente uma forma de
gestação do Estado moderno que mais está encaixada com a
realidade capitalista que será formatada com o processo da
Revolução Industrial. Portanto, trata-se de entender primeiro que o
Estado aparece como reflexo das forças sociais, do declínio do
feudalismo e a preservação do poder centralizado, e que:
não se configurou toda ao mesmo tempo nem por um
processo único em toda a Europa. […]
O novo poder desenvolveu-se antes na Inglaterra que no
continente. No caso inglês, a Coroa afirmou-se contra os
barões, internamente, e, no exterior, contra a Igreja. No
continente, as forças em confronto são fundamentalmente
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quatro: a monarquia nascente, o Império, o Papado e os
poderes locais (Kritsch, 2004, p. 103).
Mas de quem estamos falando? De quem era o poder e quais os
atores e personagens responsáveis pela transformação econômica,
jurídica e política que consolidou a forma de um Estado moderno?
Da Revolução de Avis em Portugal em 1383 à Revolução Inglesa do
século XVII, houve um longo caminho que só podemos
compreender a partir dos agentes comuns na história, que são:
1) a troupe do Estado (rei, ministros, burocratas, juízes,
coletores de impostos etc.); 
2) os elementos urbanos emergentes (artesãos e suas
corporações de ofício, comerciantes, prestadores de serviços
etc.); 
3) uma intelectualidade que, embora dividida partidariamente
e, portanto, dependente quase sempre ou da Igreja ou da
espada, passou a constituir um fator de poder; 
4) os grupos, em geral das camadas inferiores e muitas vezes
participantes de desordens e sublevações, envolvidos nos
movimentos heréticos ou de oposição às doutrinas religiosas
dominantes (Kritsch, 2004, p. 104).
Devido ao esgotamento das forças produtivas feudais, que não
sustentavam a intensa formação comercial que extrapolou a
fronteira e os muros do feudo, pudemos observar na história que a
formação dos agentes sociais responsáveis por uma nova forma de
sustentação do poder só puderam aparecer em novas condições de
produção, que encontravam no comércio uma intensidade nunca
vista e que expandiu as fronteiras territoriais, redesenhando o mapa
do mundo.
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Siga em Frente...
O mercantilismo e o colonialismo
Não podemos negar que a crise do modelo feudal europeu foi
também a derrocada de um tipo específico de sociedade que estava
baseada na produção agrícola e de subsistência em relações servis.
A formação de segmentos sociais capazes de acomodar o poder
centralizado nos mais variados países da Europa apareceu como
resultante dos conflitos ao final da Idade Média, que com a formação
de um enorme poder centralizado em Estados permitiu a expansão
territorial, o domínio, a exploração e o enriquecimento das regiões
que se formaram em Estados centralizados. Esse poder chega a tal
nível que o chamaremos, mais à frente na história, de absoluto.
Fato é que as transformações foram estruturais. Isso quer dizer:
transforma-se a forma econômica e de produção, transforma-se a
forma política e jurídica de maneira ampla e transforma-se a
sociedade em suas relações. O mercantilismo marcará a forma
econômica a partir da centralização e domínio dos Estados com o
declínio medieval, o Estado moderno encontra sua primeira forma
no absolutismo, e a sociedade estamental que caracterizou o
modelo feudal europeu será solapada e substituída a partir do
aparecimento da burguesia comercial:
Estavam eles muito interessados no assunto porque pensar
em termos de um Estado nacional, de todo um país em vez
de uma cidade, apresentava novos problemas. Era preciso
considerar não o que seria melhor para a cidade de
Southampton ou a cidade de Lyon ou a cidade de Amsterdã,
mas o que seria melhor para a Inglaterra, a França ou a
Holanda. Queriam transferir para o plano nacional os
princípios que haviam tornado as cidades ricas e importantes.
Tendo organizado o Estado político, voltaram suas atenções
para o Estado econômico. As coisas que escreveram e as leis
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que defenderam tinham, todas, um conteúdo nacional. Os
governos aprovaram leis que, no seu entender, trariam
riqueza e poder a toda a nação. Na busca de tal objetivo,
mantinham o olho em todos os aspectos da vida diária e
modificavam, moldavam e regulavam todas as atividades de
seus súditos (Huberman, 2017, p. 93).
A perguntaRio Grande, XVII, n. 129, out.
2014. Disponível em: http://www.ambito-juridico.com.br/site/?
n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=15286. Acesso em: 30 dez.
2023. 
Encerramento da Unidade
TEORIA DO ESTADO
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https://houaiss.uol.com.br/corporativo/apps/uol_www/v6-1/html/index.php#1
Videoaula de Encerramento
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Ponto de Chegada
Olá, estudante!
Para desenvolver a competência desta unidade, que é a de analisar
a importância da formação do Estado Moderno no cenário da
Europa Ocidental e a partir destes feitos, buscar comparar e
diferenciar os processos e as profundas transformações sócio-
históricas que contribuíram para a organização do Estado no
capitalismo, você deverá primeiramente conhecer os elementos
históricos de sua caracterização, os pensadores que a ciência
política estuda e os principais elementos que estabelecem relação
com o Estado na sua forma mais contemporânea.
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Com esse caminho, é possível enriquecer o nosso campo de
estudos em ciência política, a partir da gênese do Estado moderno
até a formação do capitalismo na sua forma industrial. O que temos
de ter como elemento fundamental na concepção dessa forma de
Estado que nos circula? Historicamente, a centralização do poder e
da força das armas e da violência, como destaca Max Weber (2001),
que
só se pode definir o Estado moderno, sociologicamente, em
última instância, por um meio que lhe é próprio, assim como a
toda associação política: a violência física.
Assim como uma formação própria, a partir do feudalismo de tipo
europeu.
O Estado seria, assim, uma “relação de dominação de
homens sobre homens” relação esta que estaria apoiada no
monopólio dos meios de coação legítima. A questão da
legitimidade torna-se fundamental, já que apenas ela seria a
garantia última da subsistência de uma associação política. A
força e a violência são essenciais na vida política, segundo
Weber. Essa afirmação da força e da violência como
categorias irredutíveis e autônomas da política aproximou
sociólogo alemão de Nicolau Maquiavel (Bianchi, 2014, p.
100).
Também destaca o campo teórico do materialismo histórico e
dialético, quando analisa a origem do Estado:
Como o Estado nasceu da necessidade de conter o
antagonismo das classes, e como, ao mesmo tempo, nasceu
em meio ao conflito delas, é, por regra geral, o Estado da
classe mais poderosa, da classe economicamente dominante,
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classe que, por intermédio dele, se converte também em
classe politicamente dominante e adquire novos meios para a
repressão e exploração da classe oprimida. Assim, o Estado
antigo foi, sobretudo, o Estado dos senhores de escravos
para manter os escravos subjugados; o Estado feudal foi o
órgão de que se valeu a nobreza para manter a sujeição dos
servos e camponeses dependentes; e o moderno Estado
representativo é o instrumento de que se serve o capital para
explorar o trabalho assalariado. Entretanto, por exceção há
períodos em que as lutas de classes se equilibram de tal
modo que o Poder do Estado, como mediador aparente,
adquire certa independência momentânea em face das
classes. Nesta situação, achava-se a monarquia absoluta dos
séculos XVII e XVIII, que controlava a balança entre a
nobreza e os cidadãos [...] (Engels, 1984, p. 177).
Em relação a essa forma moderna de Estado que foi sendo
construída a partir do declínio do modo de produção feudal europeu
e que genericamente reuniu as condições para o processo
capitalista que se formaria a partir dali, podemos mencionar o século
XVI como uma espécie de início de um processo de concentração
do poder político legalista, que só pôde ter se construído a partir do
núcleo duro da concepção de Estado como observamos.
Com o colapso medieval, surge o Renascimento, que
antecede a Idade Moderna. Nas cidades-estados italianas
surgem os primeiros Estados que apresentam os traços
essenciais do que convencionamos denominar hoje Estado
moderno. O Renascimento é a expressão cultural de um
longo e complexo processo histórico, resultado de uma nova
forma de interpretar a realidade (Dias, 2013, p. 58).
A primeira forma do Estado Moderno que surge é o Estado
absolutista, que pode ser definido 
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como o monopólio da força que atua sobre três planos:
jurídico, político, sociológico […]:
No plano jurídico, “com a afirmação do conceito de soberania
que confia ao estado o monopólio da produção de normas
jurídicas, pois não existe um direito vigente acima do Estado
que possa limitar sua vontade” [...] No plano político, o Estado
absolutista “tenta absorver toda a zona alheia a seu poder de
intervenção e controle, e impõe uniformidade legislativa e ad-
ministrativa contra toda forma de particularismo. [...] No plano
sociológico, o Estado absolutista “se apresenta como Estado
administrativo, na medida em que o príncipe tem a sua
disposição um instrumento operacional novo, a moderna
burocracia, que é uma máquina que atua de maneira racional
e eficiente com uma nova finalidade” (Dias, 2013, p. 63).
É nesse cenário que surgirão os contratualistas. Na existência desse
acordo tácito e que paira sobre a sociedade, na dimensão da
preservação daqueles direitos que os “homens” naturalmente têm e
que a todos deve regular na existência de um poder exterior e maior.
Com o avanço da era moderna, o processo de centralização do
poder político caminha em meio ao desenrolar de novas forças
produtivas, que vão amadurecendo de um intenso período comercial
à expansão marítima das colônias. O século XVIII ao mesmo tempo
que ilustra as maiores monarquias absolutas, também é marcado
pela contestação delas, pelo Iluminismo e as revoluções políticas.
As Constituições modernas e a sujeição da monarquia ao arcabouço
de leis próprias é uma característica do mundo moderno, das
revoluções políticas e burguesas na Europa. Elementos como a
Revolução Industrial, o liberalismo, a Revolução Inglesa, a
Revolução Americana e a Revolução Francesa são marcos
definidores para o mundo contemporâneo que conhecemos.
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A Revolução não começou como uma luta de classes, exceto
pelo campesinato, mas se tornou uma luta de classes, assim
como se tornou uma luta nacional. As classes não eram
puras, pois também se definiam por forças ideológicas,
militares e políticas. A Revolução se tornou burguesa e
nacional menos a partir da lógica do desenvolvimento dos
modos de produção, do feudal para o capitalista, e sim pelo
militarismo estatal (gerando dificuldades fiscais), da sua
incapacidade de institucionalizar as relações entre elites e
partidos em guerra, e da expansão das infraestruturas
ideológicas discursivas, sustentando princípios alternativos
(Mann, 2022, p. 6).
É pela reunião dessas condições que podemos falar em um mundo
contemporâneo, de relações legalistas e capitalistas, em que as
condições sociais, políticas e civis podem ser colocadas à figura do
“cidadão” moderno, porque o conceito de cidadania passa pelo rol
de direitose obrigações atribuídos a alguém pelo Estado. O fato de
atualmente podermos contestar, protestar e reclamar direitos advém
das revoluções modernas – se podemos contestar definições e
encaminhamentos políticos, de nos
organizarmos e reivindicarmos posicionamentos do Estado no
que se refere a demandas da população, entre muitas outras
coisas, iniciou-se com o processo revolucionário originário na
França (Feitosa, 2016, p. 21), por exemplo. 
É Hora de Praticar!
Segundo os autores estudados, o Estado se forma a partir do
contrato social estabelecido entre os homens, seja para garantir a
vida, a liberdade, ou a propriedade, o que faz do Estado um ente
presente entre os homens e regulamentador das atividades
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humanas. Isso não quer dizer que ele independa dos homens.
Vimos que há a sociedade política e a sociedade civil, e que esta,
para alguns autores, pode ser atuante no processo de fiscalização
do governo soberano. Para verificarmos a importância da formação
do Estado Moderno no cenário da Europa Ocidental e a partir destes
feitos, buscar comparar e diferenciar os processos e as profundas
transformações sócio-históricas que contribuíram para a
organização do Estado no capitalismo, imaginemos a situação da
Paula, que tem 24 anos, faz parte do movimento de saúde de São
Paulo e participa do Conselho Municipal de Saúde.
O Estado brasileiro é federalista e há funções diferentes para cada
um dos níveis da federação, como no caso da Saúde. A pasta da
saúde gera o Sistema Único de Saúde, o SUS. Criado
nacionalmente e garantido pela Constituição de 1988, o SUS é de
responsabilidade da União, dos Estados e dos municípios. O
Conselho Municipal de Saúde de São Paulo, entre outras atividades,
discute a distribuição dos recursos da saúde em âmbito municipal.
Esses recursos são de origem municipal, estadual e federal.
Paula considera que os recursos são poucos e gostaria de ampliá-
los. Como são definidos estes valores? Quem decide isso e de que
forma? Em suas pesquisas a respeito do assunto, Paula descobriu
que quem define isso é a Constituição e esta corresponsabilidade
tem a ver com o federalismo. Afinal, o que é a Constituição? Como
esta ideia de uma lei geral surgiu? Como e por que se definem as
diferentes responsabilidades de cada nível de governo com relação
à saúde e aos anseios da população?
Reflita
Diante do mundo que nos cerca, dos direitos e obrigações que nos
são atribuídos, poderíamos questionar o poder sem a presença do
Estado moderno?
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O que delimita que o espaço dos indivíduos possa ser delimitado e
demarcado, sem que nos consumamos em uma luta estéril?
Por que as leis da nossa época não são as mesmas leis que
formaram a sociedade capitalista a partir da Revolução Industrial e
das revoluções burguesas? 
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Resolução do estudo de caso
Você conheceu melhor as revoluções burguesas e a importância
que elas tiveram para sedimentar a Constituição como documento
que regulamenta a vida dos homens e impõe limite à atuação dos
governantes. Percebemos que o federalismo pode ser uma forma de
organização do Estado e que a Constituição é que deve estabelecer
os critérios e a autonomia de um Estado Federal. O Brasil é um país
federativo – organizado em União, Estados e municípios, cada um
dos entes federados tem responsabilidades, autonomia e limites nas
relações entre si. Como um país federativo, algumas políticas
públicas são descentralizadas, ou seja, têm origem na União, mas
são geridas por Estados e municípios, de forma autônoma. Essa
descentralização é garantida pela Constituição Federal de 1988. De
onde vem essa tradição de criar uma lei geral que determina os
pilares de um país, os direitos e as obrigações dos governantes? A
primeira dessas experiências, mais parecida com o que temos
atualmente veio da Inglaterra, com a Bill of Rights. Também a
Independência e a Constituição Americanas foram importantes para
a criação deste tipo de ordenamento legal. E a Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão, forjada durante a Revolução
Francesa, fecha as três principais experiências históricas que mais
nos influenciaram quanto ao federalismo e ao constitucionalismo.
Não podemos negar que para ajudar Paula, temos que resgatar a
importância desses fatos na construção do Estado Contemporâneo.
Com certeza essas ideias nos influenciaram a ponto de interferir até
em políticas setoriais específicas, como o SUS, que determina
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responsabilidades diferentes e compartilhadas para cada nível de
governo com relação à saúde pública brasileira.
Dê o play!
Assimile
Fonte: elaborada pelo autor. 
Referências
BIANCHI, Á. O conceito de estado em Max Weber. Lua Nova:
Revista de Cultura e Política, n. 92, p. 79–104, maio 2014.
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Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-64452014000200004.
Acesso em: 30 dez. 2023.
BORON, A. (org.). Filosofia política moderna: de Hobbes a Marx.
 Buenos Aires: Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais –
CLACSO, 2006.
DIAS, R. Ciência Política. São Paulo: Atlas S.A., 2013.
ENGELS, F. A origem da família da propriedade privada e do
Estado. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira S.A., 1984.
FEITOSA, S. Da Revolução Francesa até nossos dias: um olhar
histórico. Curitiba: Intersaberes, 2016.
MANN, M. As fontes do poder social: o surgimento das classes e
dos estados-nações, 1760-1914. São Paulo: Vozes, 2022.
WEBER, M. Política como vocação e ofício. São Paulo: Vozes,
2021.
WEBER, M. Ciência e Política: duas vocações. São Paulo: Cultrix,
2011. 
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https://doi.org/10.1590/S0102-64452014000200004a ser respondida no período era: o que torna um país
rico e poderoso? As respostas eram inúmeras, mas um elemento
apareceria em todas elas: ouro e prata. Portanto, acumular riqueza
parecia a forma de demarcar o poder. Essa foi a característica
central do mercantilismo e que marcou a origem do Estado em sua
acepção moderna. Um Estado forte era um Estado rico, e a riqueza
em ouro e prata parecia mais acertada.
O “metalismo” como é conhecido até hoje, foi a política econômica
adotada pelos Estados em países na gênese do Estado moderno
em sua forma absolutista, que foi a forma como os países
administraram a riqueza socialmente. Por esse motivo, talvez a
Espanha tenha sido, no século XVI, o mais rico e poderoso país do
mundo, por concentrar o poder econômico a partir do mercantilismo
e a exploração colonial que marca esse modelo de consolidação do
moderno Estado.
O mercantilismo não era um sistema no atual sentido da
palavra, mas antes diversas teorias econômicas aplicadas
pelo Estado em um momento ou outro, num esforço para
conseguir riqueza e poder. Os estadistas ocupavam-se do
problema não porque lhes agradasse pensar nele, mas
porque seus governos estavam sempre extremamente
interessados na questão – sempre quebrados e precisando
de dinheiro. (Huberman, 2017, p. 93).
A gênese da concepção de estado no ocidente
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A origem do Estado moderno é também a origem de um processo
intenso de exploração colonial. Com a política centralizada dos
Estados que buscavam cada vez mais o poder em riquezas no ouro
e na prata acumuladas, a exploração de novos territórios em
domínio e o extermínio das populações foi um traço marcante da
variável do poder na Europa e nos vários territórios explorados e
ocupados a partir do século XVI, prioritariamente. O Brasil é um
exemplo clássico.
A forma moderna de Estado da qual tratamos é essa de origem
europeia pela identificação, entre uma série de fatores, à formação
social e econômica que será chamada de capitalismo. Cada Estado
tem a sua própria formação, porém os elementos que caracterizam
melhor a ligação do tipo de Estado que atualmente conhecemos são
os que serão formados a partir dessa matriz, que reúne condições
de lutas históricas e a concentração do poder a partir de relações
comerciais e feudais, e que, por sua vez, reúnem algumas
características do Estado na antiguidade. Observe na passagem a
seguir alguns exemplos:
Na Península Ibérica, depois da vitória definitiva das armas
cristãs sobre os muçulmanos, nascem o reino de Aragão e o
de Portugal; consolidaram-se como estados fortes, mas por
meio de uma história inteiramente diversa, o reino de França
e o de Inglaterra – o primeiro, com a pressão da monarquia
sobre as classes feudais e por meio da exaltação do
elemento citadino; o segundo, com a aliança triunfante das
várias camadas sociais contra a monarquia –; no coração da
Europa, o reino da Alemanha, com a prevalência dos grandes
feudatários, acentuou cada vez mais uma política
nacionalista, enquanto um novo Estado dele destacou-se, a
Áustria; ao Norte, afirmaram-se os estados escandinavos,
com predomínio do reino da Dinamarca; surgiram os reinos
da Lituânia, da Polônia, da Rússia; enquanto ao Sul a
Hungria, a Sérvia, a Croácia, a Bulgária, a Romênia, a
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Albânia consolidaram-se como estados. Eram ordenamentos
políticos novos ou em renovação, que se ergueram sobre um
fundo turbulento de lutas gigantescas, em que os povos
europeus empenharam-se freqüentemente contra forças
extra-européias (dos muçulmanos no Sul aos mongóis no
Leste). E, como organismos jovens, não queriam sentir-se
ligados pelas amarras de ideologias tradicionais, embora,
note-se bem, como estados cristãos, vinculados à Igreja de
Roma, não podiam, pela estrutura mesma do mundo
medieval, ignorá-las (Calasso apud Kritsch, 2004, p. 106).
Portanto, a própria gênese do Estado moderno deve ser buscada:
para frente na exploração e domínio coloniais, e para trás, nas
características fundamentais da preservação do poder que surge
como forma de domínio alternativo à crise do feudalismo e dos
padrões de domínio na Europa, já que o processo de concentração
do poder em Estados foi a máxima recorrida para preservar os
estatutos e territórios. 
Vamos Exercitar?
A ligação que atualmente fazemos de maneira imediata, nas nossas
conversas menos científicas e no senso comum, atribuindo ao
Estado as mazelas e problemas da sociedade, está diretamente
ligada ao processo de formação do próprio Estado moderno. Você
verificou que, na sua constituição, o poder foi concentrado para
manter, de um lado, o domínio, e de outro, a acumulação
mercantilista. O Estado como agente econômico será mais bem
compreendido a partir da sua formatação contemporânea e como
produto das revoluções políticas na Europa – porém, da sua gênese
e dos elementos que circulam o século XVI vem a noção de que a
concentração econômica e política nos faz ligar o Estado moderno
com as questões econômicas produtoras das próprias
desigualdades atuais. Por esse motivo nosso estudo é tão
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importante. O atual momento capitalista só pode ser compreendido
se entendermos a origem e formação do próprio Estado moderno, e
esse é o papel do cientista político. 
Saiba Mais
Você sabia que a primeira forma centralizada de poder que se
consolidará independente e centralizada na forma de Estado
moderno surgiu em Portugal com a chamada Revolução de Avis?
Você pode orientar seus estudos pela compreensão da gênese e da
formação do Estado moderno com as referências que entendem o
Estado da maneira ocidental moderna, assim como pela Revolução
de Avis, na leitura do artigo indicado a seguir.
COSER, M. C. A dinastia de Avis e a construção da memória do
reino português: uma análise das crônicas oficiais. Cadernos de
Ciências Humanas - Especiaria, v. 10, n.18, p. 703-727, jul.-dez.
2007. 
Referências Bibliográficas
CALABREZ, F. Introdução à Economia Política: o percurso
histórico de uma ciência social. Curitiba: Intersaberes, 2020.
CAVAZZANI, A. L. M.; CUNHA, R. P.; GOMES, S. A. R. (org.).
América portuguesa: uma introdução à cultura, à sociedade e aos
poderes coloniais. Curitiba: Intersaberes, 2021.
COSER, M. C. A dinastia de Avis e a construção da memória do
reino português: uma análise das crônicas oficiais. Cadernos de
Ciências Humanas - Especiaria, v. 10, n.18, p. 703-727, jul.-dez.
2007. Disponível em:
https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/779.
Acesso em: 30 dez. 2023.
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https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/779
https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/779
https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/779
HUBERMAN, L. História da Riqueza do Homem. Rio de Janeiro:
LTC, 2017.
KRITSCH, R. Rumo ao Estado moderno: as raízes medievais de
alguns de seus elementos formadores. Revista de Sociologia e
Política, Curitiba, 23, p. 103-114, nov. 2004. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/rsocp/a/hjHJLbrbLmbP9nZ9CRBhrCP/abstract
/?lang=pt. Acesso em: 30 dez. 2023.
LE GOFF, J. Para uma outra Idade Média: tempo, trabalho e
cultura no Ocidente. Petrópolis: Vozes, 2014.
QUADROS, D. G.. O Estado na teoria política clássica: Platão,
Aristóteles, Maquiavel e os contratualistas. Curitiba: Intersaberes,
2016.
SANTOS, B. de S. Portugal: ensaio contra a autoflagelação. São
Paulo: Cortez, 2013
Aula 2
O CONTRATUALISMO
O Contratualismo
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profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
 
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Ponto de Partida
Quando falamos em contrato, a primeira coisa que pensamos são os
contratos de serviços que fazemos ao longo da vida. Ao comprar um
plano de saúde, assina-se um contrato. Ao se matricular em uma
escola privada, assina-se um contrato. Ao contratar um serviço de
reforma para a casa, assina-se um contrato. No entanto, a palavra
contrato vai além da mera relação comercial estabelecida entre as
partes: ele é um instrumento real ou virtual que rege as relações
entre os homens. Mas de onde se origina o poder regulador desse
imenso contrato que a todos organiza? O que faz que o Estado, por
meio da Justiça, intermedeie as relações entre as pessoas físicas e
jurídicas e entre o público e o privado? E quais são os motivos que
levam a recorrermos ao Estado, no caso, à polícia, quando há
ameaça à vida ou à propriedade privada? Para chegar a esse
entendimento, precisamos estudar o contratualismo. Seja bem-
vindo! 
Vamos Começar!
A origem do contratualismo
Voltaremos ao final da Idade Média, no início do século XIII. Há
indícios de que o Estado Moderno começa a constituir-se nesse
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período, na transição do feudalismo para o capitalismo (Schiera,
1998). No entanto, podemos dizer que a Idade Moderna se inicia
efetivamente no século XV, em 1453, com a tomada de
Constantinopla pelos turcos otomanos e o fim do domínio do Império
Romano. É importante estabelecer essa delimitação histórica –
Idade Média e Idade Moderna – quando falamos do Estado, pois o
fim da Idade Média marca o distanciamento do Estado da ordem
espiritual e sua aproximação da ordem material. Isso acontece em
função da constituição dos mercados e da formação das cidades, os
quais também modificam a estrutura da sociedade e,
consequentemente, exigem mudanças nas formas de exercício do
poder.
No período do feudalismo, o poder tinha por base a tradição,
corporificada no poder de Deus atribuído ao príncipe pelo clero,
poder este partilhado com os senhores feudais, responsáveis por
suas comunidades territoriais e pelo exercício do domínio do
príncipe. Os mercados e as cidades, em conjunto com camadas da
população que não estavam mais sob o jugo do poder feudal,
exigiam uma nova forma de Estado e de exercício do poder: um
Estado que atendesse às demandas dessas camadas, que
estivesse alinhado com o poder material das relações sociais ora
vigentes.
É nesse contexto que surge o Estado Moderno, com o objetivo de
regular as relações originadas em uma sociedade em transição,
assentada sob o poder material e o mercado, cujas camadas não
mais se identificam com a servidão e o poder senhorial. Essa nova
forma de Estado, seu surgimento e as bases que o constituem
tornaram-se preocupação de alguns pensadores dos séculos XVII e
XVIII, fomentando algumas teorias que tratam do Estado. Destacam-
se, nesse período, três pensadores, em especial: Thomas Hobbes,
John Locke e Jean-Jacques Rousseau.
Conhecidos como contratualistas, esses pensadores entenderam
que “os homens viveriam naturalmente, sem poder e sem
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organização – que somente surgiriam depois de um pacto firmado
por eles, estabelecendo as regras de convívio social e de
subordinação política” (Ribeiro, 2001, p. 53). O contrato estabelecido
pelos homens lhes garantiria o exercício de seus direitos naturais.
No entanto, cada um desses pensadores tinha sua definição para os
direitos naturais e seu entendimento de como o contrato social teria
sido estabelecido, e como ele sustenta o Estado na Idade Moderna.
Thomas Hobbes
Começaremos com Thomas Hobbes. Filósofo inglês, Hobbes viveu
entre o final do século XVI e um pouco da segunda metade do
século XVII (1588-1679) e escreveu uma obra fundamental para
entender a formação do Estado Moderno, O Leviatã, publicado em
1651. Em O Leviatã, obra clássica da filosofia política, Hobbes
afirma que os homens são semelhantes, dada sua natureza, e que,
por isso, nenhum pode triunfar totalmente sobre o outro. No entanto,
ele também aponta que os homens não conhecem uns aos outros,
fazendo com que suponham a ação dos outros homens.
Dessas suposições recíprocas, decorre que geralmente o
mais razoável para cada um é atacar o outro, ou para vencê-
lo, ou simplesmente para evitar um ataque possível: assim a
guerra se generaliza entre os homens. Por isso, se não há um
Estado controlando e reprimindo, fazer a guerra contra os
outros é a atitude mais racional que eu posso adotar (Ribeiro,
2001, p. 55).
Ao entender que no estado de natureza, sem a presença da
sociedade política formada pelo Estado, os homens lutam uns
contra os outros, Hobbes indica que o estado de natureza é um
estado de guerra. No entanto, o conflito entre os homens não é sem
fundamento. Segundo o pensador, as causas principais da luta entre
os homens são três: 
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primeiro, a competição; segundo, a desconfiança; e terceiro, a
glória (Ribeiro, 2001, p. 56). 
A guerra entre os homens, assim, é feita: pelo lucro, pela segurança,
e pela reputação, buscando seu direito à natureza.
O direito de natureza, a que os autores geralmente chamam
jus naturale, é a liberdade que cada homem possui de usar
seu próprio poder, da maneira que quiser, para a preservação
de sua própria natureza, ou seja, de sua vida, e
consequentemente de fazer tudo aquilo que seu próprio
julgamento e razão lhe indiquem como meios adequados a
esse fim [...] (Hobbes, 1988, p. 78).
Para garantir seu direito de natureza, o homem vive em estado de
guerra, lutando por sua honra, segurança e vida. O estado de
natureza é, então, estado de guerra.
Hobbes, no entanto, alerta que um dos preceitos da razão é a busca
constante da paz, podendo o homem usar as vantagens da guerra
para alcançá-la. Esta busca é a primeira e fundamental lei da
natureza, sendo, a segunda, o direito da natureza, a defesa de nós
mesmos. O conflito existente entre a busca da paz e a defesa da
vida conduz os homens a renunciarem ao seu direito de natureza,
em especial, à defesa de sua segurança e honra. Essa renúncia só
pode ser realizada mediante um pacto, do qual surge o Estado, o
qual deve ser:
[...] dotado de espada, armado, para forçar os homens ao
respeito (Ribeiro, 2001, p. 61). 
O Estado surge de um pacto entre os homens e o poder que dele
emana; é soberano.
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Dessa forma, para Hobbes, os homens criam o Estado. Mediante
um contrato entre os homens, eles conferem sua força a um homem
ou a uma assembleia de homens, que reduz todas as vontades a
uma só, a dos homens reunidos sob a autoridade do Estado. Os
homens transferem a esse homem ou a essa assembleia de
homens o direito de governar e de garantir seu direito natural, assim
como o autorizam a utilizar todas suas ações e estratégias. Quem
exerce o poder do Estado é chamado de soberano e tem poder
soberano, sendo os homens que renunciam ao seu direito de
garantir sua segurança e honra em favor do Estado, súditos do
soberano.
Uma pessoa de cujos atos uma grande multidão, mediante
pactos recíprocosuns com os outros, foi instituída por cada
um como autora, de modo a ela poder usar a força e os
recursos de todos, da maneira que considerar conveniente,
para assegurar a paz e a defesa comum (Hobbes, 1998, p.
106).
Ao mesmo tempo em que nasce o Estado, nasce a sociedade, visto
que o contrato firmado entre os homens é de associação (que funda
a sociedade) e de submissão (que funda o Estado). O Estado – a
sociedade política – é regida pelo soberano, cujo poder foi atribuído
pelos homens – a sociedade civil – a partir da renúncia de seu
poder. Assim, é possível dizer que em Hobbes, com o Estado nasce
a sociedade, pois ela é o fundamento da soberania, fundamentada
no poder de defender a vida e a honra dessa sociedade.
Essa renúncia que os homens fazem da garantia dos seus direitos
em favor do soberano nos leva a questionar: como ficam os valores
de igualdade e liberdade no Estado descrito por Hobbes? Conforme
o autor apresenta, a igualdade leva a guerra de todos contra todos,
pois sendo os homens iguais, eles querem a mesma coisa, o que
gera a competição. E a liberdade?
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Esta, para Hobbes, é limitada, pois ao delegar ao Estado sua
proteção, o homem perde seu direito de natureza e também sua
liberdade. Sua liberdade está assentada em fazer jus à sua
igualdade. Quando o homem delega ao Estado proteger a vida e
garantir a igualdade, delega também sua liberdade. O homem só
adquirirá novamente esta quando o soberano não conseguir
proteger a vida do homem, fator pelo qual este obedece ao
soberano. Nesse momento, 
desapareceu a razão que levava o súdito a obedecer. Esta é
a "verdadeira liberdade do súdito” (Ribeiro, 2001, p. 68).
A capa de O Leviatã, retrata o Estado em um corpo. A cabeça é o
soberano, armado para defesa dos homens, que formam o corpo do
Estado, a sociedade civil.
Siga em Frente...
John Locke
Outro importante pensador desse período foi John Locke. Para
Locke, diferente de Hobbes, os homens renunciam sua liberdade em
favor do Estado para que ele garanta sua segurança; eles vivem em
liberdade e igualdade no estado de natureza, que é um estado de
harmonia (Mello, 2001). John Locke foi um filósofo inglês que viveu
entre 1632 e 1704, e em sua obra Segundo Tratado do Governo
Civil, definiu que o Estado surge sob o contrato social para garantir
aos homens o usufruto dos seus direitos naturais, a saber, a
propriedade da vida, da liberdade e dos bens.
Para Thomas Hobbes, a propriedade surge com o Estado, que
controla o acesso e o uso da propriedade. Para John Locke, a
propriedade surge antes do Estado, 
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sendo uma instituição anterior à sociedade, é um direito
natural do indivíduo que não pode ser violado pelo Estado
(Mello, 2001, p. 85).
Para Locke, os homens eram livres e tinham a propriedade de si e
do seu trabalho. Ao trabalhar na terra, que fora dada por Deus a
todos os homens, eles incorporam seu trabalho à terra, tornando-a
sua propriedade – propriedade privada – obtendo sobre ela direitos
próprios. Dessa forma, o trabalho é fundamento da propriedade
privada.
Quanto mais o homem trabalha na terra, mais ele acumula
propriedades. Com o desenvolvimento dos mercados, cuja base é a
troca, a propriedade – que é daquele que nela trabalha – pode
também ser trocada. Com o desenvolvimento do capitalismo e da
moeda como base da troca, o homem pode acumular riquezas e
comprar propriedades, o que conduz a passagem da propriedade
baseada no trabalho à propriedade fundada na acumulação
possibilitada pelo advento do dinheiro.
Diante disso, a paz e a liberdade que existem no estado de natureza
de John Locke ficam ameaçadas – a ameaça à violação da
propriedade (da vida, da liberdade e dos bens) que:
na falta de lei estabelecida, de juiz imparcial e de força
coercitiva para impor a execução das sentenças [...], acaba
por colocar [...] os indivíduos singulares em estado de guerra
uns contra os outros (Mello, 2001, p. 86).
O contrato social surge da necessidade de livrar-se desses
“inconvenientes”, constituindo, assim, a sociedade política e civil,
cujo objetivo é preservar a propriedade e proteger a comunidade.
Para Locke, o contrato social é um pacto de consentimento, os
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homens concordam livremente em formar a sociedade política e a
sociedade civil:
para preservar e consolidar ainda mais os direitos que
possuíam originalmente no estado de natureza (Mello, 2001,
p. 86).
Dessa forma, forma-se o que Locke chama de Estado Civil, no qual
o contrato originário, estabelecido pelo consentimento do conjunto
dos homens, dá lugar ao princípio da maioria, e é estipulada uma
forma de governo. As formas de governo podem ser a monarquia
(governo de um), a oligarquia (governo de poucos) ou a democracia
(governo de muitos). Por fim, são estabelecidos os poderes: o poder
legislativo, considerado por Locke o poder supremo; o executivo,
exercido pelo príncipe; e o federativo, que pode também ser
exercido pelo príncipe e tem por objetivo cuidar das relações
exteriores do Estado. Todos esses fatores devem estar a favor da
proteção da propriedade.
Jean-Jacques Rousseau
Por fim, temos Jean-Jacques Rousseau. Filósofo e teórico político
suíço, Rousseau viveu entre 1712 e 1778 e escreveu uma das obras
mais importantes desse período, O Contrato Social. Sua obra inicia
com uma crítica à teoria do Estado de Locke. Rousseau diz que o
Estado, para Locke, garante aos sujeitos a prevalência dos direitos
naturais, em especial, a liberdade e a propriedade, no entanto,
produz a desigualdade.
Tal foi ou deveu ser a origem da sociedade e das leis, que
deram novos entraves ao fraco e novas forças ao rico,
destruíram irremediavelmente a liberdade natural, fixaram
para sempre a lei da propriedade e da desigualdade, fizeram
de uma usurpação sagaz um direito irrevogável e, para
proveito de alguns ambiciosos, sujeitaram doravante todo o
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gênero humano ao trabalho, à servidão e à miséria
(Nascimento 2001, p. 195).
Em O Contrato Social, Rousseau propõe apresentar quais são “as
condições de possibilidade de um pacto legítimo, através do qual os
homens, depois de terem perdido sua liberdade natural, ganhem,
em troca, a liberdade civil” (Nascimento, 2001, p. 195-196).
Nesse pacto, todos são iguais, pois cada membro do pacto renuncia
ou aliena-se de seus direitos em função da comunidade. O povo é
soberano, pois ele é igualitário, realizando-se, assim, a liberdade
civil, pois o povo é o agente que elabora as leis, às quais ele mesmo
se submete. 
Obedecer à lei que se prescreve a si mesmo é um ato de
liberdade (Nascimento, 2001, p. 196). 
Dessa maneira, submete-se à vontade geral e não à vontade de um
indivíduo ou um grupo de indivíduos em particular. Essa é a
condição primeira de legitimidade da vida política: a fundação por
meio do pacto legítimo feito pelos homens em condição de
igualdade e com alienação total.
A sociedade civil – corpo soberano do Estado que nasce do pacto
social – busca garantir a legitimidade do Estado. Para que essa
legitimidade permaneça e se fortaleça, é instituído o governo, o
corpo administrativo do Estado, que deve buscar garantir a vontade
geral do povo soberano.
Para Rousseau, antes de mais nada, impõe-se definir o
governo, o corpo administrativo do Estado, como funcionário
do soberano, como um órgão limitado pelo poder do povo e
não como um corpo autônomo ou então como o próprio poder
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máximo, confundindo-se neste caso com o soberano
(Nascimento, 2001, p. 197).
A representação aparece como a forma necessária para que o
governo funcione. No entanto, para que a representação não se
sobreponha ao exercício da vontade geral, deve-se tomar cuidado e
agir em constante vigilância, buscando a troca dos representantes
com o tempo.
Rousseau fecha a tríade dos contratualistas, fortalecendo a
importância do contrato social para a garantia dos direitos naturais.
Para o pensador, os principais direitos são a igualdade e a
liberdade, já para Hobbes é a vida e, para Locke, a propriedade dos
bens e da vida. Cada autor, em sua época e a seu modo, reforça a
importância do Estado para a garantia dos direitos e a construção da
sociedade civil, como responsável por acompanhar e fiscalizar o
Estado. Em Rousseau isso é mais forte, pois a sociedade política é
a alienação de todos os homens em favor da comunidade, e a
representação política deve garantir a igualdade de todos.
Como você viu, a sociedade civil é importante para os
contratualistas. A formação do Estado ou da sociedade política
implica a constituição da sociedade civil, formada pelos homens. Em
Locke e em Rousseau, a sociedade civil tem poder de fiscalizar o
governante, garantindo que os princípios do contrato social sejam
cumpridos. Em Hobbes, a sociedade civil é constituída de comum
acordo, no entanto, o governante é soberano e não tem seu poder
limitado pela sociedade civil.
Vamos Exercitar?
Compreendido o que são os direitos naturais para os contratualistas,
o papel do Estado em sua garantia e do contrato social em sua
sustentação, temos elementos para o entendimento de que o Estado
surge para defender os direitos naturais dos homens, que podem
ser a vida ou a propriedade. Para alguns autores, o Estado surge
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também para garantir a liberdade dos homens. Em todos os autores,
os homens que compõem a sociedade delegam ao Estado o poder
de defender e garantir seus direitos naturais. Se a propriedade
privada é um direito natural, como você viu em Locke, cabe ao
Estado defendê-la. Assim, quando algum ente privado – que pode
ser uma empresa ou um homem – sente-se prejudicado por outro
ente privado, ele pode recorrer ao Estado para que intervenha e
estabeleça os critérios para a resolução do problema existente entre
os entes. Essa compreensão sustenta inclusive vertentes do direito
e das constituições modernas. 
Saiba Mais
Os pensadores contratualistas são estudados até hoje pela
importância da análise do Estado e do poder. O poder do contrato só
pode ser visto nas teorias cada um ao seu tempo, até porque não é
possível transportar as condições objetivas do período em que
escreveram cada qual a sua obra e teoria. Aprofunde seus
conhecimentos com uma leitura interessante a respeito dos
contratualistas nos Capítulos 3 e 4 do trabalho indicado a seguir.
STANGUE, F. Tópicos de Filosofia moderna. Curitiba:
Intersaberes, 2017. 
Referências Bibliográficas
HOBBES, T. O Leviatã. São Paulo: Nova Cultura, 1998.
LOCKE, J. Carta sobre a tolerância. Petrópolis: Vozes, 2019.
LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo civil e outros
escritos. Petrópolis: Vozes, 2019.
MELLO, L. I. A. John Locke e o individualismo liberal. In: WEFFORT,
F. Os clássicos da política. São Paulo: Ática, 2001.
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NASCIMENTO, M. M. Rousseau: da servidão à liberdade. In:
WEFFORT, F. Os clássicos da política. São Paulo: Ática, 2001.
RIBEIRO, R. J. Hobbes: medo e esperança. In: WEFFORT, F. Os
clássicos da política. São Paulo: Ática, 2001. 
ROUSSEAU, J.-J. O contrato social. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 2011.
SCHIERA, P. Estado Moderno. In: BOBBIO, N.; MATEUCCI, N.;
PASQUINO, G. Dicionário de política. 11. ed. Brasília: Editora
Universidade de Brasília, 1998.
STANGUE, F. Tópicos de Filosofia moderna. Curitiba:
Intersaberes, 2017.
Aula 3
DO ESTADO MODERNO AO
CONTEMPORÂNEO
Do Estado Moderno ao
Contemporâneo
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você.
Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação
profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
 
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Ponto de Partida
“O Estado sou eu!” Uma frase atribuída ao rei Luís XIV, também
chamado de “Rei Sol”, que metaforicamente diz daquele que impõe
ordem e regularidade e propicia a vida de tudo e de todos. Seu
bisneto e sucessor, Luís XV, teria dito em um pronunciamento em 3
de março de 1766 a seguinte frase: “É exclusivamente na minha
pessoa que reside o poder soberano, cujo caráter próprio é o
espírito de conselho, de justiça e de razão”.
Caso isso tivesse sido dito por algum candidato à presidência do
Brasil no horário gratuito de propaganda eleitoral, um momento em
que as rádios e as TVs reproduzem as campanhas eleitorais, como
você teria reagido? Será que encararia com normalidade que uma
única pessoa se sinta capacitada a concentrar toda a autoridade e
soberania de um agrupamento político como uma nação? Como
será que ocorreu a consolidação de um poder tão grande nas mãos
de uma só pessoa?
Nesta aula vamos conversar e aprofundar os conteúdos de
formação e consolidação da primeira forma de Estado moderno e
seu declínio para o mundo contemporâneo, a partir do papel que as
revoluções políticas na Europa consolidaram para a nossa
realidade. 
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Vamos Começar!
O absolutismo
No escopo da fragmentação ocorrida já por volta do século XIII,
situaremos outra forma específica de exercício do poder: o
absolutismo. E se a um lado seu término é consensualmente
localizado na inauguração da Revolução Francesa, seu início não
pode ser atribuído a um evento único ou tão bem situado na história,
restando a compreensão de que teria emergido na transição do
sistema feudal para o Estado moderno, em que já se podia
experimentar o desenvolvimento de monarquias com nuances
nacionalistas.
Essa não fixação perpassa não apenas a origem do absolutismo,
mas também a sua própria ocorrência histórica, haja vista a intensa
heterogeneidade de suas experiências políticas. Assim, a
especificidade do absolutismo como uma forma de organização do
poder deve ser verificada no plano histórico e:
os parâmetros classificatórios mais óbvios e rentáveis
parecem ser os que estão ligados ao espaço cultural do
Ocidente europeu, no período histórico da Idade Moderna e
na forma institucional do Estado moderno (Schiera, 2004, p.
1).
Se não podemos empreender uma excessiva identificação do
absolutismo, o que podemos dizer dele? Qual é sua importância do
ponto de vista do entendimento da organização do poder e do
desenvolvimento do Estado?
Orientado por esses questionamentos, Schiera (2004) desenvolve
um argumento de cunho descritivo e outro que busca compreender
os princípios fundamentais do absolutismo:
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Do ponto de vista descritivo, podemos partir da definição de
Absolutismo como aquela forma de Governo em que o
detentor do poder exerce este último, sem dependência ou
controle de outros poderes, superiores ou inferiores (Schiera,
2004, p. 2).
Nesse sentido, o príncipe não encontraria limites para o exercício de
seu poder,seja dentro ou fora do Estado que estava emergindo.
Já em relação aos princípios fundamentais, Schiera (2004) destaca
o processo desecularização e racionalização da política e do poder.
Esse processo marca a perda da capacidade da Igreja Católica
Romana de se colocar como instituição política universal, fazendo
com que as bases do exercício do poder na Terra se desprendam do
poder divino e se fundamentem cada vez mais na razão. Assim:
O Absolutismo significa, também e sobretudo, a separação da
política da teologia e a conquista da autonomia daquela,
dentro de esquemas de compreensão e de critérios de juízos,
independentemente de qualquer avaliação religiosa ou moral
(Schiera, 2004, p. 2).
Na esteira do enfrentamento à detenção unilateral de poder por
parte da Igreja Católica, podemos destacar outras transformações
próprias da passagem da Idade Média para os tempos modernos, tal
como descritas por Châtelet, Duhamel e Pisier (2009, p. 35). São
elas:
1. Desenvolvimento da civilização urbana, comercial e
manufatureira. Resultando em novos tipos de sociabilidade e
de mentalidade mais condizentes com a vida na cidade do
que com a vida no campo. 2. Introdução de novas formas de
compreensão do mundo físico, seja pelas descobertas de
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Copérnico e Galileu, seja pela descoberta do Novo Mundo
pelas grandes navegações. 3. Resgate em novos moldes da
cultura vinda da Antiguidade greco-romana e o seu apreço
pela natureza e pelas indagações políticas.
Dessa forma, a intensa fragmentação, própria das relações feudais,
o processo de urbanização, o desenvolvimento do capitalismo
mercantil, as mudanças de paradigma advindas da descoberta de
novos povos e culturas e de novas formas de pensar possibilitaram
a desestruturação social e política do sistema feudal e a paulatina
estruturação de novos padrões de sociabilidade e formas de
organização – é o período de formação dos Estados nacionais.
Toda essa complexidade não pode deixar de ser vista à luz das
disputas políticas que emergiam entre a burguesia, um grupo social
oriundo das atividades comerciais típicas dos feudos, e os monarcas
feudais, pois se a esses últimos a descentralização vinha a
favorecer a manutenção de domínios materiais e simbólicos, para os
burgueses a descentralização obstaculizava o comércio por eles
empreendido. E ainda que não detalhemos as complexas relações
estabelecidas ao longo principalmente da Idade Moderna (1453-
1789) entre a burguesia e os monarcas absolutistas que tinham a
princípio um objetivo em comum – a centralização do poder –, cabe
destacar que a Revolução Francesa foi uma revolução burguesa
contra o antigo regime.
Siga em Frente...
O Iluminismo
O Iluminismo foi um movimento e uma forma de pensar que tem seu
início como resultante da revolução científica do final do século XVII,
e que coloca em forma de questionamento as concepções de
homem e de vida até então predominantes na Europa. A
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compreensão humana e da sociedade só poderia ser encontrada a
partir da ciência e da razão, da observação e da dedução.
John Locke, contratualista e empirista, já tinha deduções neste
sentido, pensando o comportamento político a partir do social. Para
ele,
as ideias não eram produto de uma percepção especial ou da
inspiração divina. Eram induzidas pela capacidade do homem
de processar a informação que recebia através dos sentidos
(Outhwaite; Bottomore, 1996, p. 375).
No século XVIII o Iluminismo ficou mais pronunciado. Os
pensadores, de maneira geral, com a expansão do conhecimento,
afirmarão que 
o que não se podia observar cientificamente só poderia ser
objeto de especulação e conjectura (Outhwaite; Bottomore,
1996, p. 375). 
O que fez com que esse século ficasse conhecido como a “era das
luzes”, uma alusão ao conhecimento em contraposição à Idade
Média.
Na dimensão econômica, os vetores liberais e do liberalismo em
John Locke foram potencializados por Adam Smith e a sua
economia política, que fazia a junção de leis gerais da economia
como queriam os fisiocratas, combatendo frente a frente as políticas
mercantilistas dos Estados absolutos. O contraste era evidente, em
um mundo em transformação acelerada, em que as classes sociais
também se modificavam.
No decorrer do século XVIII houve um salto quântico na
relação entre humanidade e ecossistema: foi o ponto em que
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começamos a deixar de ser passivos em relação à natureza.
Numa era de relativa abundância devido à expansão colonial
europeia, o aumento da população e, consequentemente, dos
meios de produção, e do sistema comercial e bancário, e
mesmo o surgimento dos grandes exércitos regulares ao
estilo moderno, surge a divisão do trabalho como resposta à
complexidade e mecanização industrial e militar. Convergiu
de maneira importante com o começo da mecanização da
indústria a física newtoniana, que inaugurou o fundamento
teórico da técnica moderna e do motor a vapor (Smith, 2017,
p. 3).
Na política, o avanço científico que o Iluminismo colocou estende-se
às concepções da ciência política e do realismo político colocado
por Maquiavel, considerando o campo teórico científico dos avanços
da ciência e do liberalismo, assim como as formas e tipos de
governo. 
O tipo de governo mais adequado a um Estado em particular
era determinado por seu tamanho, estrutura econômica e
situação geográfica (Outhwaite; Bottomore, 1996, p. 376).
Podemos observar que obras importantes da filosofia política
moderna forma concebidas no século XVIII, tendo como autores
políticos extraordinários como Kant e Burke, Rousseau e Hume. O
espírito das leis de Montesquieu é uma delas.
Era também explícito o propósito de educar
indiretamente o povo educando os seus
educadores, o que vale por dizer os legisladores.
À guisa de conclusão fundamental, Montesquieu
admitiu que escrevera esta obra apenas com o
único intuito de educar o educador por
excelência. Era esse o propósito último da
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ciência política que Montesquieu apresentou
(Morgado, 2018, p. 17).
Para a ciência política, o período iluminista deve ser visto pelos
avanços e recuos para o mundo contemporâneo, uma vez que
existia a crença das liberdades a partir do liberalismo e providências
universais. Fato é que esse movimento influenciou de maneira única
os vetores das revoluções políticas na Europa e a própria Revolução
Francesa, principalmente no último quarto do século XVIII.
O iluminismo podia optar pelo domínio
autocrático de um governo dedicado à
implementação de programas científicos, o que
se assumiu ser o caso, na Prússia, de Frederico
II, ou por fazer com que o poder político refletisse
as opiniões e crenças da população como um
todo, ou pelo menos dos proprietários de bens e
terras, como se acredita ter acontecido na Grã-
Bretanha (Outhwaite; Bottomore, 1996, p. 376).
A Revolução Francesa
A Revolução Francesa talvez seja a mais conhecida das revoluções.
Você já deve conhecer o bordão “Liberdade, Igualdade e
Fraternidade”, que foi o lema da Revolução Francesa e é
constantemente citado em lutas políticas.
A França do século XVIII era um país social e economicamente
desigual. Dividida em três estados – clero, nobreza e povo –, a
França da época era uma monarquia absolutista, com o rei sendo
soberano e absoluto no que concerne à política, à economia e à
justiça, por exemplo. Ao terceiro estado, o povo, cabia sustentar os
demais, via impostos. O povo era formado pela burguesia em suas
diferentes frações, os camponeses e os chamados sans-culottes –
aprendizes de ofícios, trabalhadores assalariados e desempregados.
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A formação da burguesia como classe social própria ao capitalismo
coloca desafios ao Estado, que precisa incorporar os anseios das
novas classes. No caso francês, a burguesia desejava ter mais
participação política e liberdade econômica. No entanto, o Estado
absolutista não dava tal liberdade, e ainda taxava o terceiro estado.
Em meio a uma crise econômica, o primeiro e o segundo estados
tentaram aumentar os impostos, garantindo as benesses da nobreza
e do clero. Dessa maneira, convocaram a Assembleia dos Estados
Gerais para discutir o aumento dos impostos. Diante da crise, com
alta nos preços de produtos da agricultura e desemprego no setor
urbano em função da concorrência com os produtos ingleses, o
povo não queria pagar pelos privilégios da nobreza e do clero.
Em maio de 1789, com o maior número de deputados que os outros
dois estados juntos, o terceiro estado, o povo, exigia que a votação
fosse por voto individual, enquanto nobreza e clero queriam que o
voto fosse por ordem social. Esse impasse deveria ser resolvido por
alteração na Constituição, o que não foi aceito, levando o terceiro
estado a sair da Assembleia dos Estados Gerais.
Em 14 de julho de 1789, o povo invadiu e tomou a Bastilha,
considerada um símbolo do poder absoluto do rei. Em 26 de agosto
de 1789, a Assembleia Nacional Constituinte, formada pelo povo,
proclamou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão,
utilizada até hoje na luta pelos direitos humanos, que entre outros
pontos declara ser direito dos homens a liberdade e a igualdade
perante a lei, e a liberdade de pensamento e opinião.
No entanto, a revolução não parou por aí. Em 1791 foi proclamada a
primeira Constituição do período, que colocava fim aos privilégios do
clero e da nobreza, separava efetivamente o Estado da Igreja e
criava os três poderes (executivo, legislativo e judiciário).
A Constituição teve reação do Rei Luís XVI, que reuniu esforços
para reestabelecer a monarquia absoluta. Mesmo com sua fuga e
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captura, a monarquia reagiu em 1792. A partir de contatos feitos
pelo rei, o exército austro-prussiano invadiu a França na tentativa de
retomar o poder e reestabelecer a monarquia absoluta. Além de ser
derrotado, Luís XVI viu os revolucionários franceses proclamarem a
República.
Nessa fase da revolução, o povo já estava dividido em girondinos –
alta burguesia – e jacobinos – pequena e média burguesia e
proletariado urbano. Quem governava era o líder jacobino
Robespierre. Durante seu governo uma nova Constituição foi
promulgada, assegurando o direito ao voto, ao trabalho e à rebelião.
No entanto, Robespierre não agradava aos girondinos, os quais o
prenderam e o guilhotinaram em 1794.
Com a ascensão da alta burguesia ao poder, uma nova Constituição
foi estabelecida, garantindo o poder da burguesia e ampliando seus
direitos políticos e econômicos. Ela determinava a continuidade da
República, que seria controlada pelo Diretório, composto por cinco
membros. O povo foi gradualmente afastado das decisões políticas.
Com prestígio, Napoleão Bonaparte passa a participar do governo
com o objetivo de consolidar o governo burguês. No entanto, em
1799, Napoleão Bonaparte, em um golpe, dissolveu o Diretório e
estabeleceu um novo governo chamado Consulado. O golpe de
Bonaparte ficou conhecido como 18 de Brumário e marcou o fim da
Revolução Francesa. Entenderemos mais o Bonapartismo adiante. 
Vamos Exercitar?
Vamos retomar a frase do rei Luís XIV “Eu sou o Estado” e de seu
bisneto e sucessor, Luís XV, “É exclusivamente na minha pessoa
que reside o poder soberano, cujo caráter próprio é o espírito de
conselho, de justiça e de razão”. Você se lembra que introduzimos a
partir desses dizeres a questão da concentração da autoridade por
uma única pessoa e em como nos sentiríamos desconfortáveis
atualmente se nos deparássemos com essa possibilidade?
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Tentaremos nos colocar no lugar de um indivíduo que vivia no
período de ocorrência das experiências absolutistas, para perceber
sua experiência. Morador de um dos muitos feudos existentes até
por volta do século XIII, essa pessoa começa a sentir os efeitos da
fragmentação do poder, especialmente pelo aumento de conflitos,
inclusive armados, na sua vida cotidiana. Isso porque com a
fragmentação vieram também as disputas pelo poder. Dos vestígios
desse descontentamento surge uma nova estrutura política, na qual
o rei se impõe como absoluto, capaz de neutralizar esses conflitos e
restaurar a paz a partir de uma base identitária comum e de uma
autoridade legítima, ou seja, a partir do Estado moderno.
As bases dessa forma de Estado formataram e constituíram uma
primeira forma de Estado moderno e que atualmente nos envolve. 
Saiba Mais
Conheça a história e a importância da Revolução Francesa e do
Iluminismo para o nosso mundo contemporâneo e a política
moderna em um estudo disponível na sua Biblioteca Virtual.
GRESPAN, J. Revolução Francesa e Iluminismo. São Paulo:
Contexto, 2014.
Referências Bibliográficas
CARVALHO, D. G. de. Revolução Francesa. São Paulo: Contexto,
2022.
CHÂTELET, F.; DUHAMEL, O.; PISIER, E. História das ideias
políticas. São Paulo: Zahar, 2009.
GRESPAN, J. Revolução Francesa e Iluminismo. São Paulo:
Contexto, 2014.
MORGADO, M. Introdução. In: MONTESQUIEU. Do Espírito das
Leis. Lisboa: Edições 70 Lda., 2018.
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OUTHWAITE, W.; BOTTOMORE, T. Dicionário do pensamento
social do século XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.
SCHIERA, P. Verbete absolutismo. In: BOBBIO, N.; MATTEUCCI,
N.; PASQUINO, G. (org.). Dicionário de política. V. 2. Brasília:
Editora Universidade de Brasília, 2004.
SMITH, A. A riqueza das nações: uma investigação sobre a
natureza e a causa da riqueza das nações. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 2017.
Aula 4
O CAPITALISMO E O
ESTADO MODERNO
O Capitalismo e o Estado Moderno
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Ponto de Partida
Como vimos na aula que tratou do contratualismo, o Estado se
forma a partir do contrato social estabelecido entre os homens, seja
para garantir a vida, a liberdade ou a propriedade, e se torna um
ente presente entre os homens e regulamentador das atividades
humanas. Isso não quer dizer que ele independa dos homens. Na
seção anterior, vimos que há a sociedade política e a sociedade
civil, e que esta, para alguns autores, pode ser atuante no processo
de fiscalização do governo soberano. Vamos exemplificar e imaginar
uma situação atual e hipotética em que o direito à moradia é
desrespeitado e isso impacta diretamente a política atual de
habitação brasileira.
Em uma área de ocupação na periferia de um grande centro urbano
brasileiro vivem 20 famílias. Essa área é considerada de
propriedade do município, mas é proibida a construção de moradias
por causa da legislação ambiental – a área é popularmente
conhecida como de “fundo de vale”. Como e de que forma o Estado,
por meio do poder público, pode administrar essa questão sem ferir
a garantia fundamental e constitucional da propriedade e da moradia
digna?
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Para entendermos esse ponto, precisamos compreenderefetivamente a gênese das leis na forma do Estado moderno e como
chegamos até este ponto na história.
Seja bem-vindo! 
Vamos Começar!
A gênese das leis no mundo moderno e as revoluções inglesas
Em aula anterior, você observou, a partir da visão dos
contratualistas, como surge o Estado. Pensadores como Thomas
Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau escreveram que o
Estado surge conforme os homens entendem que é preciso um ente
maior para salvaguardar seus direitos naturais, a saber, a vida
(Thomas Hobbes), a propriedade (John Locke), a liberdade e a
igualdade (Jean-Jacques Rousseau). Esse ente, denominado
Estado, é formado a partir do pacto feito pelos homens, que
delegam ao Estado a garantia dos seus direitos, os quais podem ser
feitos de diferentes formas e com ou sem a fiscalização dos
homens, denominados sociedade civil.
No entanto, esses pensadores pouco se dedicaram a pensar o
funcionamento do Estado, ou melhor, não consideraram que esse
ente evoluiria com o passar do tempo, assim como a sociedade civil
cresceria e exigiria do Estado novas formas de atuar. Apenas a
divisão dos poderes, como exposto por John Locke, não seria
suficiente. Outras formas de garantir ao Estado a soberania, e à
sociedade civil o poder de fiscalização, serão necessárias.
A Constituição é uma delas. Sua definição varia desde um
regulamento até um conjunto de leis fundamentais elaborado por
representantes do povo que regula as relações de representação –
governantes e governados –, determinando os limites entre os
poderes – legislativo, executivo e judiciário – e garantindo direitos
individuais e coletivos (Constituição, [s. d.]).
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Em que momento surgiu a Constituição e dela derivou toda uma
tese que resultou na teoria do Constitucionalismo? Para
entendermos, precisamos voltar ainda mais no tempo. Na seção
passada, voltamos ao início da Idade Moderna para
compreendermos a constituição do Estado Moderno. A primeira
experiência de Constituição é anterior a esse período, ainda na
Idade Média.
Neste momento, viajaremos para a Inglaterra do século XIII. Em
1215, os nobres ingleses promulgaram sua Magna Carta, com o
objetivo de limitar os poderes do rei João sem Terra (1199-1216),
que disputou poder com o rei Felipe Augusto, da França, com o
Papa Inocêncio III e com os nobres ingleses. Não obteve êxito em
suas disputas e, por isso, teve de assinar a Magna Carta. Esse
documento estabelecia, entre outros pontos, que o rei deveria
respeitar os direitos dos nobres e da Igreja e não poderia estipular
novos impostos sem o consentimento dos seus vassalos (Penna,
2013). Essa foi a primeira experiência da chamada Monarquia
Constitucional, colocando a monarquia, até então livre e sem limites
para exercício do poder, sob as regras de uma Constituição.
Alguns reis que vieram após João sem Terra tentaram ampliar os
poderes do monarca, no entanto, encontraram resistências de
nobres e vassalos da Coroa. Paulatinamente, a nobreza inglesa
perdeu poder econômico e uma nova classe surgiu: a burguesia.
Os reinados posteriores, em especial, de Henrique VIII (1509-1547)
e de Elizabeth I (1558-1603), possibilitaram a ampliação do poder da
burguesia. A fundação da Igreja Anglicana por Henrique VIII, que
retirou terras inglesas do clero católico, e a ampliação das atividades
mercantis por Elizabeth I agradaram a burguesia, que se sentia em
terreno favorável para ampliar seu poder econômico.
Após a morte de Elizabeth I, em 1603, teve início a Dinastia Stuart,
com Jaime I (1603- 1625), que trouxe a limitação de terras aos
camponeses. Após sua morte, assumiu Carlos I (1625-1649), que
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ampliou os poderes da nobreza. Ambos apontaram para um sentido
claramente contrário ao traçado pelos Tudor, de abertura da
economia a burgueses e a camponeses, o que representou uma
ameaça aos interesses comerciais dessas camadas da população.
Diante desse cenário, o que seria inimaginável em tempos atuais
aconteceu na Inglaterra de meados do século XVII. Burgueses e
camponeses uniram-se contra o poder real. A guerra civil, liderada
por Oliver Cromwell, colocou os partidários da nobreza sob um novo
governo, o Governo Cromwell, que estimulou o desenvolvimento dos
negócios da burguesia.
A morte de Cromwell resultou na restauração da dinastia Stuart, com
Jaime II. No entanto, Guilherme de Orange, genro de Jaime II, aliou-
se à burguesia e juntos deflagraram a Revolução Gloriosa. A derrota
da nobreza levou Guilherme de Orange ao poder, mas agora em
pacto com a burguesia. A Declaração dos Direitos ou Bill of Rights
foi assinada em 1689, limitando os poderes do rei e ampliando os do
Parlamento.
A partir desse momento, cabia ao parlamento a aprovação de
tributos, a manutenção de um exército permanente, a garantia
do exercício da Justiça pública entre outras medidas. A Bill of
Rights foi a primeira declaração dos direitos do cidadão,
enterrando definitivamente o absolutismo monárquico na
Inglaterra (Penna, 2013, p. 159-160).
A Bill of Rights pode ser considerada uma das primeiras
constituições do período moderno e marca a transição do
feudalismo para o capitalismo, fortalecendo a burguesia com uma
legislação comercial e administrativa.
Além da Revolução Gloriosa, outras revoluções ocorridas na Europa
e na América foram importantes para consolidar o Estado e o poder
da nascente burguesia.
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A Revolução Americana e o capitalismo
Vários ingleses migraram para a América após a Revolução
Gloriosa, instalando-se onde atualmente estão o Canadá e os
Estados Unidos da América. Vivendo como ingleses em terras
americanas, os imigrantes iniciaram um processo de colonização,
fundaram 13 colônias e gozavam de relativa liberdade econômica e
autonomia política.
A Guerra dos Sete Anos (1756-1763) mudou esse quadro, com o
conflito entre colonos, indígenas americanos, franceses, ingleses e
outros europeus. Os colonos permaneceram ao lado dos índios, o
que gerou mal-estar entre colônia e metrópole, resultando no
cerceamento das fronteiras aos colonos e na imposição de uma
série de impostos, como a Lei do Açúcar (1765).
Em resposta às ações da metrópole, os colonos se reuniram em
dois congressos continentais. No primeiro Congresso, realizado em
1774, foi decidido que as 13 colônias ali representadas realizariam
boicote total ao comércio inglês até a revogação dos impostos. Em
1775, a Inglaterra reagiu ao boicote com conflitos armados,
originando a Guerra de Independência e o segundo Congresso, que
resultou em rompimento das colônias com a Inglaterra e a formação
do Exército Continental, sob a liderança de George Washington.
Em 4 de julho de 1776, foi assinada a Declaração de Independência
dos Estados Unidos da América, por nomes como Thomas Jefferson
e Benjamin Franklin. A Guerra persistiu até 1783, quando foi
assinado o Tratado de Paris, no qual a Inglaterra reconheceu a
independência dos Estados Unidos e selou a paz entre os países
(Hobsbawn, 2007).
Para marcar esse novo período da história dos Estados Unidos,
agora como país independente, foi elaborada sua primeira e única
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Constituição. A Constituição norte-americana foi discutida e
aprovada em uma convenção realizada na Filadélfia, em 1787.
Considerada até hoje a Carta Magna dos Estados Unidos da
América, a Constituição norte-americana tem sete artigos e vinte e
sete emendas, nos quais estipula a divisão de poderes – executivo,
legislativo e judiciário – e define os Estados Unidos da América
como um país federalista, estabelecendo nosartigos de sua
Constituição os direitos e as responsabilidades dos estados
federados perante o Governo Federal.
O federalismo pode ser definido como “uma forma de organização
de Estado em que os entes federados são dotados de autonomia
administrativa, política, tributária e financeira necessárias para
manter o equilíbrio que se estabelece entre eles para a constituição
do Estado Federal” (Xavier; Xavier, 2014, [s. p.]). O que mantém o
Estado Federal é o pacto federativo, pelo qual os entes federados,
em comum acordo, se submetem ao poder central (o Estado
Federal) e perdem algumas autonomias, como da política externa e
da moeda, ou seja, por mais que os entes federados tenham
autonomia em diversas esferas, há algumas atribuições que são do
Estado Federal.
No caso dos Estados Unidos da América, a Constituição Federal
expressa as atribuições do federalismo, sendo considerado o
primeiro pacto federativo “[...] e, ao mesmo tempo, a experiência
constitucional mais importante” (Levi, 1998, p. 480). O poder do
povo – expresso na Constituição, que inicia com “Nós, o Povo” – foi
fundamental para o sucesso da Revolução Americana e para
fortalecer o federalismo e o constitucionalismo.
Liberalismo e capitalismo no mundo contemporâneo
Uma observação curiosa acerca da narrativa histórica é que no
mesmo ano da Independência dos Estados Unidos da América,
Adam Smith publica sua principal obra de economia política: A
riqueza das nações. Esse fato poderia ficar na curiosidade se os
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séculos não revelassem a “superpotência” capitalista que os
Estados Unidos da América consolidariam, na mesma direção dos
pressupostos do liberalismo e do iluminismo como adubo político,
filosófico, ideal e econômico – claro que à maneira própria, para
além dos países europeus.
Com a independência dos Estados Unidos, ocorrem uma série de
lutas e revoluções pela independência das colônias na América
Latina, que na passagem para o século XIX encontra nos ideais
revolucionários suas bandeiras, o federalismo e a própria construção
de vetores constitucionais que se formaiam a partir da “nova” forma
de poder e Estado na contemporaneidade.
A independência dos Estados Unidos, porém, tem um
significado mais amplo do que aquele que representa para a
própria sociedade daquele gigante norte-americano. Em
primeiro lugar, porque representou um exemplo prático da
brecha aberta por John Locke ao sugerir que os indivíduos
poderiam se rebelar contra a injustiça e a tirania mediante o
“apelo aos céus”. Em segundo lugar, porque foi um caso
pioneiro de uma comunidade política inteira constituída
fazendo referência às teorias de representação e liberdade
alimentadas pelos filósofos iluministas; como tal, é um
capítulo ímpar da história do liberalismo. O exemplo norte-
americano de 1776 inspiraria as independências de outras
colônias dos países europeus, especialmente na América
Latina, que somariam o impacto da literatura iluminista ao
sucesso concreto dos Patriotas norte-americanos – como
ficaram conhecidos os defensores da Independência, por
oposição aos Lealistas, fiéis à Coroa britânica (Berlanza,
2023, p. 81).
O capitalismo da era industrial começa de maneira avassaladora a
sua incursão no século XIX, e os fatores do quebra-cabeça se unem
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a partir da Revolução Industrial. A formação das classes sociais e o
modo de produção capitalista com o trabalho assalariado livre,
configuram uma etapa importante de consolidação do capitalismo,
que tem guarida na nova forma de Estado liberal. O liberalismo e as
lutas políticas do século XIX entram em nova fase, apesar dos
rescaldos do antigo regime que sempre se fizeram presentes nos
privilégios estamentais.
Uma observação panorâmica da história da tradição liberal
indica que o liberalismo como o conhecemos foi gestado em
alguns centros bastante particulares, notoriamente o Reino
Unido, a França, os Estados Unidos e a Alemanha. Esses
quatro países contribuíram, especialmente entre os séculos
XVII e XIX, com suas principais fontes teóricas. As vertentes
liberais neles desenvolvidas se manifestaram, de diferentes
formas, em outros países europeus, em algumas outras ex-
colônias britânicas e nos demais países do continente
americano, neste último caso influenciando a erupção de
processos de independência desses países em relação às
respectivas metrópoles (Berlanza, 2023, p. 321).
Da junção dos vetores econômicos e políticos transformados ao
longo dos processos revolucionários mais conhecidos na história,
podemos também constatar que o Estado, após as revoluções que
marcam o mundo moderno para o contemporâneo, transforma-se
com as características liberais centradas nos vetores legalistas e da
cidadania moderna, de maneira geral. Cabe a nós estudarmos mais
a fundo esses aspectos, dado que o faremos no decorrer das aulas.
É o nosso desafio! 
Vamos Exercitar?
Ao longo desta aula, você conheceu melhor as revoluções
burguesas e a importância que elas tiveram para sedimentar a
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Constituição como documento que regulamenta a vida dos homens
e impõe limite à atuação dos governantes. Você também viu que o
federalismo pode ser uma forma de organização do Estado, e que a
Constituição é que deve estabelecer os critérios e a autonomia de
um Estado Federal. Por isso, na situação hipotética que
desenvolvemos, o problema da moradia e da garantia de
propriedade se choca com fatores de uma economia capitalista. O
Brasil é um país federativo – organizado em União, Estados e
municípios, cada um dos entes federados tem responsabilidades,
autonomia e limites nas relações entre si. Como um país federativo,
algumas políticas públicas são descentralizadas, ou seja, têm
origem na União, mas são geridas por Estados e municípios, de
forma autônoma. Essa descentralização é garantida pela
Constituição Federal de 1988, que deve mediar e ser o instrumento
que busca igualdade mesmo no interior da dinâmica de uma
sociedade capitalista e suas desigualdades. 
Saiba Mais
Estado e liberalismo. Essa é uma relação que precisa ficar muito
nítida para estudo, pois toda a fundamentação de compreensão do
Estado no mundo contemporâneo depende disso. Então, vamos
estudar especificamente, com argumentos históricos, essa
narrativa? Faça o estudo e a leitura da obra.
BERLANZA, L. O Papel do Estado Segundo os Diversos
Liberalismos. São Paulo: Edições 70, 2023. 
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BERLANZA, L. O Papel do Estado Segundo os Diversos
Liberalismos. São Paulo: Edições 70, 2023.
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