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70 Unidade III Unidade III 5 ASPECTOS OPERACIONAIS EM AGÊNCIAS DE VIAGENS O fato de as agências representarem diversos tipos de serviços turísticos aos turistas as leva a ter que contar com uma estrutura administrativa profissional e com colaboradores que possuam conhecimento operacional e tecnológico da atividade turística, pois cada fornecedor e sua área correlata, como meios de hospedagem ou transporte aéreo, envolvem linguagem, características, legislação, procedimentos operacionais, prazos e descontos promocionais específicos. Além disso, tendo em vista os novos desafios das agências de viagens (conforme também observado anteriormente), exige-se desses profissionais uma qualificação cada vez maior para continuarem a encantar e fidelizar os seus clientes, exercendo predomínio sobre seus concorrentes. Figura 47 – Transporte aéreo: mercado com linguagem e dinâmica própria 5.1 Atividades e perfil profissional do agente de viagens Entre as atividades pertinentes aos agentes de viagens, destacam-se: • elaboração de roteiros de viagens para diversos níveis e ocasiões para seus clientes; • atendimento aos clientes por meio de vendas de passagens e pacotes turísticos; • organização de excursões aéreas e rodoviárias; • verificação e negociação de preços e condições de pagamento com meios de hospedagem; 71 AGÊNCIAS DE VIAGENS • reserva e emissão de passagens aéreas e rodoviárias; • informações e venda de cruzeiros marítimos; • venda de ingressos de parques temáticos; • informações sobre rotas dos voos, escalas, horários e tarifas, fazendo cálculo de milhagem; • venda e promoção de excursões e pacotes turísticos; • informações sobre documentação de viagem; • montagem de roteiros personalizados; • entrega de passagens, vouchers e seguros de viagens; • contratação de empresas de transporte para traslado; • locação de automóvel; • reserva, solicitação e venda de espetáculos de entretenimento; • informações sobre as localizações dos hotéis, clima do lugar de destino, hábitos da população nativa, moeda, visto e câmbio (em caso de viagens internacionais). Figura 48 – Agente de viagens 72 Unidade III Para conseguir executar todas essas funções com primazia, entende-se que o agente de viagens deva possuir como atributos: boa apresentação pessoal; vestuário adequado ao ambiente de trabalho; postura profissional, tranquila e compenetrada; ser comunicativo(a) e atento(a) a linguagem e dicção ao falar pessoalmente ou por telefone; preocupação constante com a organização; iniciativa, criatividade e flexibilidade para a solução de problemas diversos; alto poder de concentração; conhecimento total do produto comercializado; curiosidade e vontade de aprender sempre; conhecimentos profundos de geografia; conhecimentos gerais e atuais (história, política, economia); conhecimentos técnicos na utilização/manuseio das ferramentas das agências, como os GDSs e procedimentos operacionais (emissão de bilhetes, linguagem de mercado, cálculo de tarifa); visão empreendedora; disposição a aceitar constantemente novos desafios; gosto por trabalho sem horário e rotina rígidos; além de conhecimento sobre marketing. Além das exigências desses atributos, o agente de viagens deve, na sua rotina de trabalho, sempre buscar: organização de materiais, espaço e atividades; pasta e/ou endereços eletrônicos atualizados de produtos e serviços representados; agenda atualizada e organizada de contatos de diversos fornecedores (empresas aéreas, meios de hospedagem, seguros, operadoras de turismo e consolidadores) com fácil acesso; cadastro de passageiros atualizado a cada seis meses; ficha de reserva de viagens organizada e facilmente encontrada; além de caderno de anotações gerais (rascunho) ou bloco de anotações digital (como o OneNote da Microsoft, por exemplo) para não esquecer prazos de reservas, solicitações e compromissos firmados com os clientes. Lembrete Os consolidadores consistem num tipo de agência que representa especificamente as empresas aéreas, por meio de cálculo de tarifas e revenda de passagens aéreas para agências de viagens de pequeno porte. Percebe-se então que as atribuições de um agente não são simples, nem se conquistam em pouco tempo. Para ser um profissional desse nicho, é necessário atualmente empenho, dedicação, perseverança e gosto por essa área, que ao mesmo tempo nos desafia e nos encanta com suas diversas possibilidades de atuação e conhecimento. Além da necessidade de possuir conhecimento sempre atualizado sobre clientes, produtos e o mercado, tanto de turismo como de assuntos gerais, como economia, política, meio ambiente e sociedade, o agente de viagens moderno deve saber trabalhar atualmente com uma série de ferramentas que o ajudam a melhor desenvolver suas tarefas. Seja por desinteresse ou desconhecimento, essas ferramentas são muitas vezes ignoradas ou temidas pelos profissionais, uma realidade que precisa ser rapidamente modificada, pois os benefícios que trazem devem ser compreendidos pelos profissionais das agências o mais rápido possível, uma vez que a competitividade presente nesse mercado obriga as empresas a otimizarem todo o recurso disponível em prol da conquista do seu cliente e da consequente sobrevivência no mercado. 73 AGÊNCIAS DE VIAGENS Nesse sentido, torna-se essencial compreender quais são e como funcionam as principais ferramentas disponibilizadas, assim como os cuidados necessários para sua correta utilização para um trabalho mais eficiente e competitivo por parte das agências de viagens. 5.2 Principais ferramentas das agências de viagens 5.2.1 Internet A internet pode ser considerada atualmente uma das ferramentas mais poderosas, mas por incrível que pareça ainda é considerada por muitos profissionais algo que poderá substituí-los. Como comentado anteriormente, a internet deve ser encarada pelos agentes como uma oportunidade de negócios, pois permite uma série de ações que resultam principalmente em economia de tempo nas transações e redução de custos de comunicação, um dos maiores gastos de uma agência de viagens. Figura 49 – Browsers utilizados para acesso à internet Um dos grandes benefícios dessa ferramenta é a diversidade da sua utilização, pois pode servir de várias formas aos agentes de viagens, como: • acesso a informações sobre destinos turísticos (através das home pages de destinos do mundo inteiro) e sobre serviços como roteiros, documentação de viagem, pacotes oferecidos por operadores turísticos, empresas aéreas e terrestres, hotéis e cruzeiros; • levantamento de informações sobre detalhes de determinado serviço turístico, como a visão tridimensional de um quarto de hotel; • consulta a blogs produzidos por viajantes experientes, com dicas valiosas sobre diferentes destinos turísticos, as quais os agentes de viagens podem utilizar como base no atendimento aos clientes. 74 Unidade III Saiba mais Estão descritos a seguir alguns sites interessantes para consulta sobre destinos turísticos e empresas ligadas ao mercado de turismo. Agetur. Disponível em: https://bit.ly/3rXN3sm. Acesso em: 17 mar. 2021. Costão do Santinho. Disponível em: https://bit.ly/2QgSN2v. Acesso em: 17 mar. 2021. (Site de hotéis com visão tridimensional dos quartos.) Schultz. Disponível em: https://bit.ly/3bTRhvl. Acesso em: 17 mar. 2021. (Documentação exigida para visitar determinados países.) Secretaria de Turismo e Lazer do Estado de Pernambuco. Disponível em: https://bit.ly/3eU9iM3. Acesso em: 17 mar. 2021. Viaje na Viagem. Disponível em: https://www.viajenaviagem.com/. Acesso em: 17 mar. 2021. (Blog de viajantes.) Visual Turismo. Disponível em: https://bit.ly/3cGaKyU. Acesso em: 17 mar. 2021. Além desses benefícios, a internet permite ao agente transmitir aos seus clientes os endereços eletrônicos de serviços como hotéis e destinos turísticos, para que o cliente possa os visualizar em casa ou no trabalho e ter mais opções ou maior confiabilidade na sua decisão de compra. A internetpermite também ao agente de viagens ter acesso a informações sobre concorrentes, novos produtos, tendências, indicadores econômicos e ambiente externo de forma rápida. Também permite ao agente se comunicar, reservar os serviços solicitados pelos clientes de forma rápida e muito mais barata com seus fornecedores (hotéis, operadoras, cruzeiros, consolidadores), e falar com seus clientes através de e-mails ou por meio de tele ou videoconferências em plataformas como WhatsApp, Zoom, Google Meeting, Microsoft Teams, Skype, entre outras. A utilidade da ferramenta internet se torna decisiva ao cotidiano dos agentes quando nos atentamos ao fato de que a interatividade e a possibilidade de atualização constante das informações disponibilizadas são duas características inerentes da internet, ou seja, sua utilização pelos agentes diminui sensivelmente a margem de erro das informações prestadas aos clientes. Além disso, os endereços eletrônicos de organizações e destinos turísticos existentes permitem interagir com esses canais de informação, seja através de reservas, dúvidas, comentários ou reclamações sobre os serviços e informações disponibilizadas. 75 AGÊNCIAS DE VIAGENS Figura 50 – Videoconferência – facilidade para interação dos agentes de viagens com clientes e fornecedores Podemos afirmar de forma categórica que a rede mundial de computadores se mostrou uma grande aliada dos agentes de viagens. Entretanto, sua utilização requer cuidados tanto por parte dos profissionais das agências como dos proprietários. Os e-mails recebidos dos fornecedores, apesar de serem muito úteis como fonte de informação e atualização, devem ser filtrados e corretamente organizados dentro da empresa, para que os agentes não percam seu tempo lendo informações desnecessárias ou repetitivas ou percam, entre arquivos ou diretórios desorganizados, mensagens relevantes e decisivas no fechamento de uma negociação, como uma nova condição de parcelamento de uma tarifa aérea, por exemplo. Além disso, é necessário entender a necessidade de os proprietários de agências criarem sistemas para gerenciar e fiscalizar o acesso à internet pelos seus agentes de viagens, pois muitos desses funcionários, despreparados e sem uma visão profissional mais acurada, podem preencher seu horário de trabalho acessando e-mails particulares, visitando páginas com conteúdo totalmente incoerente com seu ambiente de trabalho ou permanecendo por horas em redes sociais (Facebook ou Instagram, por exemplo), ou em plataformas de trocas de mensagens instantâneas (como o WhatsApp), acessando vídeos ou trocando informações que pouco contribuem para o seu trabalho. 76 Unidade III Figura 51 – Ícones de redes sociais Deve-se ter a ciência de que o uso da internet tende a ser cada vez maior pelas agências de viagens; seja no acesso aos serviços necessários à organização das viagens de seus clientes ou na própria autodivulgação através da rede mundial, é um processo irreversível. Sendo assim, o conhecimento acurado do maior número de endereços eletrônicos pelo agente de viagens é cada vez mais essencial ao seu sucesso profissional e necessário à sobrevivência das agências de viagens de todo o mundo. 5.2.2 GDS – Global Distribution System Conhecidos usualmente no mercado como Sistema Globais de Distribuição ou ainda por Sistemas de Reserva por Computador, os GDSs permitem aos agentes de viagens, através de um computador instalado na agência, o acesso a uma grande diversidade de serviços turísticos, sem a necessidade de ligações telefônicas, troca de e-mails ou consulta a materiais analógicos de fornecedores de serviços turísticos para obter informações. Basicamente, o GDS consiste num grande mainframe instalado em alguma localidade que armazena todas as informações de horários de voos e disponibilidade de lugares de empresas aéreas, hotéis, locadoras de veículos, cruzeiros marítimos, casas de show e até passeios turísticos de todos os lugares do mundo. 77 AGÊNCIAS DE VIAGENS Lembrete Mainframe é um computador de grande porte capaz de armazenar e processar grande volume de informações. O termo faz uma analogia ao gabinete principal que abrigava a unidade central de processamento nos primeiros computadores. Além disso, os GDSs permitem confirmação instantânea de reservas, já que esses sistemas estão conectados em tempo real com os sistemas dos fornecedores. A rápida confirmação de lugares é especialmente importante quando o cliente está diante dos agentes de viagens de forma presencial, por meio de aplicativos de mensagens ou por telefone, mormente quando se trata de clientes de negócios, que esperam e necessitam de agilidade no atendimento Destaca-se atualmente no mercado de turismo a diversidade funcional desses sistemas dentro de uma agência de viagens, pois através do GDS é possível acessar e reservar passagens aéreas nacionais e internacionais, com informações sobre horários de voos, frequência, equipamento, serviço de bordo previsto, escalas previstas, além de reservas de assentos e cálculo de tarifas. Também é possível pelo sistema fazer e saber sobre reservas em hotéis; reservas em trens; conversão de moedas estrangeiras; reservas em locadoras de veículos; reservas de cruzeiros marítimos; informações sobre vistos consulares; condições climáticas dos destinos; além da emissão de bilhetes aéreos via e-ticket. Observação O e-ticket é um bilhete de passagem virtual que substituiu o bilhete tradicional, impresso. Permite ao passageiro se apresentar no check-in do aeroporto apenas com um código (fornecido pela empresa aérea e/ou agência de viagem) e documento pessoal. Os GDSs são na verdade um avanço dos Sistemas de Reservas das Empresas Aéreas (CRS), pois agregam num só sistema diversos serviços turísticos, ao contrário dos antigos CRSs, que limitavam sua utilização a reservas de apenas uma ou algumas empresas aéreas. Quadro 1 – Principais diferenças entre CRS e GDS CRS GDS Relativo ao sistema de uma companhia. Usado internamente pelas empresas aéreas Sistema Global de Distribuição. Contém informações de todas as companhias. Um número crescente de agências brasileiras tem adotado o uso dos GDSs para seu trabalho, pois essa tecnologia está se tornando cada vez mais acessível às empresas em virtude principalmente 78 Unidade III da internet, que permitiu seu acesso por um login e uma senha fornecidos pelo sistema, sem a necessidade de instalação de equipamentos próprios das empresas provedoras dos GDSs, o que encarecia o fornecimento dessa tecnologia às agências. Além disso, a cada ano os GDSs têm ampliado suas possibilidades, agregando um número maior de serviços e empresas conveniadas. Somado a isso, vem se facilitando sua utilização, criando-se softwares que agilizam e facilitam as operações de seus usuários cada vez mais. No Brasil, em especial, os GDSs têm investido na produção de acessos em português e parcerias com empresas brasileiras, além da diversificação de serviços e conveniências principalmente aos clientes de negócios vinculados às agências por meio de contas corporativas. Tal fato deve ser analisado com muita atenção, pois a existência de um GDS em uma agência de viagens já não se traduz em grande diferencial. Por outro lado, ainda, o que se vê é que poucos profissionais ou proprietários de agências de viagens dominam ou conhecem todas as possibilidades de um GDS, limitando muitas vezes seu uso apenas às reservas aéreas. Essa atitude passiva das agências em relação ao aproveitamento maior dos GDS se agrava ainda mais quando observamos que o pagamento pela utilização dos GDS ocorre em virtude da sua própria utilização, ou seja, quanto mais trechos, diárias ou serviços são reservados e confirmados através dos GDSs, menos as agências pagam pelo sistema. Existem até casos de agências de viagens (especialmente aquelas que são especializadas em contas corporativas) que emitem tantos trechos pelos GDSs que esses sistemas acabam pagando para quea agência os continue utilizando em larga escala dependendo de seu contrato e produtividade. Nesse caso, uma agência pode receber do GDS incentivos que vão desde R$ 100 mil a mais de R$ 1 milhão caso produza x número de segmentos num determinado período estabelecido em contrato. O incentivo dos GDSs para que as agências de viagens o utilizem com mais frequência ocorre porque a maior parte das receitas das empresas fornecedoras desses sistemas não é proveniente das agências, mas dos próprios fornecedores de serviços turísticos (empresas aéreas, hotéis, cruzeiros marítimos, operadoras de viagens, empresas de trens, consolidadores e locadoras de veículos, dentre outros) que usam os sistemas para facilitar a comercialização de seus produtos junto aos agentes de viagens, obtendo assim um aumento expressivo de seu mercado e vendas. Cada segmento realizado pelos agentes de viagens gera aproximadamente US$ 4,00 de receita para o GDS pago por um de seus fornecedores. O modelo de negócios consolidado pelos GDS acabou sendo relativamente simples: gerenciar transações de compra e venda entre agências e produtores (companhias aéreas, hotéis, locadoras), cobrando do vendedor uma taxa conhecida como booking fee para cada segmento ou unidade distribuída através do sistema. Nesse sentido, os GDSs já foram comparados a prateleiras de turismo, pois fornecem o espaço necessário para que os fornecedores coloquem suas mercadorias à disposição dos agentes de viagens, responsabilizando-se exclusivamente pela qualidade da transação de compra e venda, mas nunca pela qualidade do serviço prestado (MARIN, 2004, p. 131). 79 AGÊNCIAS DE VIAGENS Atualmente, três empresas dominam o serviço de GDS no mercado de turismo, os norte-americanos Sabre Corporation, Travelport (resultado da fusão dos GDSs americanos Galileo e Worldspan), além do GDS europeu Amadeus IT Group. É interessante observar que todos os GDSs foram criados por empresas aéreas, que detinham a tecnologia para reservas por computador, em função dos CRSs, mas ao longo do tempo os GDSs se tornaram ramificações das empresas aéreas tão grandes e complexas que foi necessário o seu desmembramento das empresas-mães para posteriormente se tornarem grupos independentes. A seguir, apresenta-se uma breve descrição de cada um dos três maiores GDSs no mercado. Quadro 2 – Principais GDSs existentes no mercado GDS Ano de criação País/região-sede Empresas aéreas fundadoras Sabre 1976 Estados Unidos American Airlines Amadeus 1987 Europa Lufthansa (Alemanha), Air France (Francesa), Iberia (Espanha) e Scandinavian Airlines (Dinamarca) Travelport 2001 Estados Unidos Delta Airlines (Worldspan) e United Airlines (Galileo) 5.2.2.1 Procedimento de reservas – o código Airimp Tendo em vista a realidade dos GDSs, torna-se evidente a importância de os agentes de viagens conhecerem sua funcionalidade e potencialidade. Pensando-se nisso, relacionamos aqui os principais procedimentos de reservas realizáveis em quaisquer GDSs, por meio do domínio de uma linguagem conhecida como Airimp. Essa linguagem é atualmente aplicada pelas empresas de turismo do mundo inteiro, pois facilita a comunicação entre os diferentes setores ligados à atividade turística em distintos lugares do planeta. Vale ressaltar que todos os códigos e procedimentos da linguagem Airimp são baseados na língua inglesa, a exemplo do que acontece com a própria terminologia técnica usada em agência de viagens (ver glossário adiante). Dessa forma, o entendimento, mesmo que básico, da língua inglesa ajudará a melhor compreender os termos aqui ensinados. Observação Para unificar a linguagem utilizada entre os fornecedores de serviços turísticos e as agências de viagens, foi criada pela International Air Transport Association (Iata) uma linguagem universal de reservas e procedimento em turismo, conhecida como Airimp (A4A/Iata Reservations Interline Message Procedures). 80 Unidade III Vale destacar que o objetivo não é fornecer um treinamento completo de utilização de determinado GDS, mas oferecer parâmetros de linguagem e procedimentos que sem dúvida facilitarão o aprendizado quando for utilizar um GDS na prática, em uma agência. Dessa forma, serão apresentados a seguir os principais códigos utilizados em reservas (principalmente aéreas), através de uma linguagem fácil e interativa. Após a solicitação do serviço pelo cliente, a primeira medida tomada pelo agente de viagens é verificar a disponibilidade do serviço desejado junto aos fornecedores. Feito isso, deve-se executar, o mais rápido possível, a reserva do serviço turístico desejado pelo agente e cliente correspondente. Esse procedimento, embora pareça simples em um primeiro momento, requer do agente de viagens cuidados específicos e procedimentos técnicos para que não ocorra nenhum erro entre agentes e fornecedores, o que comprometeria a viagem do passageiro em questão, gerando danos muitas vezes irreversíveis de imagem da agência no mercado, sem contar os eventuais processos jurídicos derivados do erro em questão. Campos obrigatórios necessários para fazer uma reserva Toda reserva, seja qual for o serviço turístico solicitado, ou o meio pelo qual se solicita (telefone, GDS, internet) necessita de algumas informações básicas, as quais chamamos de campos obrigatórios. Esses campos são mostrados no quadro a seguir. Quadro 3 – Campos necessários para uma reserva Campo Descrição Nome Nomes dos passageiros Segmento Número do voo/navio/trem, data e trecho previsto Contato Telefone/e-mail de quem solicitou a reserva Recebimento Quem executou e/ou alterou a reserva Prazo Data-limite para aquisição da reserva (após essa data, caso não seja comprado o trecho solicitado, a reserva será cancelada) Observações Campo livre para informações adicionais sobre o passageiro (cartão de milhas, alimentação especial, lua de mel, aniversário, VIP, CIP) Observação Os clientes VIP (very important people) são pessoas famosas em qualquer meio ou lugar. Os clientes CIP (commercially important people) são pessoas conhecidas dentro de uma empresa ou determinado mercado, como diretores ou presidentes de corporações. Alguns dos campos (informações) observados no quadro acima merecem um detalhamento maior, uma vez que envolvem procedimento e linguagem técnica e específica. 81 AGÊNCIAS DE VIAGENS • Campo nome do passageiro: para melhor compreensão das empresas de turismo envolvidas na viagem, os nomes dos passageiros devem seguir uma ordem preestabelecida da seguinte forma: — quantidade de passageiros de mesmo sobrenome; — último sobrenome; — primeiro nome do passageiro ou nomes separados por barras quando houver mesmo sobrenome. Quadro 4 – Principais GDSs existentes no mercado Nome do passageiro na reserva Padrão AIRIMIP Fábio Pozati 1POZATI / FABIOMR Danielle Amanda Ayres Fábio Pozati 2POZATI / DANIELLEMRS / FABIOMR José Luiz Silva Rita de Carvalho 1SILVA / JOSÉ LUIZMR 1CARVALHO / RITAMRS No caso dos nomes, o termo “MR” é utilizado para homens, “CHD” usa-se para crianças entre 2 e 12 anos (pagam normalmente 75% da tarifa de um adulto); “INF” é utilizado para crianças de até 2 anos (pagam 10% da tarifa de um adulto, mas não tem o direito de ocupar um assento), enquanto “MRS” é empregado quando se trata de mulheres • Campo segmento: usado principalmente em trechos aéreos, deve ser composto de: — Sigla da companhia aérea: cada empresa transportadora é codificada através de duas letras ou letra/número, por exemplo: Quadro 5 – Código das empresas aéreas segundo linguagem Airimp Cia aérea Sigla Alitalia AZ American Airlines AA British Airways BA Continental Airlines CO Air France AF Delta Airlines DL Gol G3 KLM KL Lufthansa LH Latam Brasil JJ United Airlines UA TAP TP 82 Unidade III Figura 52 – Painel informativo no aeroporto com códigos das empresas aéreas — Número do voo: composto de até 4 dígitos. — Classe do voo: pode ser de reserva (Primeira, Executiva, Econômica) ou relativaa tarifa promocional (geralmente na classe econômica), em que cada classe ou tarifa é representada por uma letra predeterminada pela cia. aérea (F, C, Y, M, S). — Dia da viagem: com dois algarismos para o dia e três letras para o mês, que é codificado com base na língua inglesa: Quadro 6 – Meses do ano segundo linguagem Airimp JAN = janeiro MAY = maio SEP = setembro FEB = fevereiro JUN = junho OCT = outubro MAR = março JUL = julho NOV = novembro APR = abril AUG = agosto DEC = dezembro — Origem/destino: descrição das cidades de origem e destino – sempre devem ser codificadas por três letras predeterminadas pelo código Airimp. Abaixo descrevem-se alguns códigos de cidades e/ou de aeroportos (para os casos de cidades com mais de um aeroporto), que são únicos e reconhecidos no mundo inteiro: Quadro 7 – Códigos das cidades/aeroportos segundo linguagem Airimp Cidade Código Cidade Código Atenas ATH Brasília BSB Aracaju AJU Campo Grande CGR Aruba ARU Zurique ZRH Barcelona BCN Cuiabá CGB Bruxelas BRU Porto Alegre POA Buenos Aires BUE Miami MIA 83 AGÊNCIAS DE VIAGENS Cidade Código Cidade Código Florianópolis FLN Ilhéus IOS Fortaleza FOR João Pessoa JPA Foz do Iguaçu IGU Salvador SSA Nova Iorque John Kennedy/Nova Iorque LaGuardia/Nova Iorque Newark NYC JFK LGA EWR Maceió Manaus Natal Teresina MCZ MAO NAT THE Recife REC Porto Seguro BPS Rio Branco RBR Belém BEL Rio de Janeiro Santos Dumont/Rio de Janeiro Galeão/Rio de Janeiro RIO SDU GIG Paris Charles de Gaulle/Paris Orly/Paris PAR CDG ORL Santiago SCL Orlando COM São Luiz SLZ Heathrow/Londres LHR São Paulo Congonhas/São Paulo Guarulhos/São Paulo SÃO CGH GRU Belo Horizonte Pampulha/Belo Horizonte Confins/Belo Horizonte BHZ PLU CNF Vitória VIX Porto Velho PVH Saiba mais A relação completa dos códigos das cidades e empresas aéreas codificadas pode ser encontrada em diversas páginas eletrônicas ligadas à área de turismo, como a Channel Tour: Channel Tour. Disponível em: https://bit.ly/3cDMZr6. Acesso em: 18 mar. 2021. Tanto os códigos das cidades (origem/destino) como das empresas aéreas não precisam ser decorados, uma vez que estão dispostos em guias de turismo, sites e GDSs. Entretanto, em virtude da constante utilização dessa terminologia no seu dia a dia em agências de viagens, eles serão naturalmente absorvidos com o tempo. — Horário do voo: horário de saída (departure) e chegada do voo (arrival). É sempre considerada a hora local da origem e do destino. 84 Unidade III Figura 53 – Passageira observa horários de voos em aeroporto — Situação de reserva: nem toda reserva é sinal de lugar garantido no voo, pois existem casos em que o passageiro é reservado em lista de espera. Dessa forma, para cada situação de reserva do passageiro, existe uma codificação específica. Os principais códigos são: Quadro 8 – Status de reserva segundo linguagem Airimp HK >> Passageiro confirmado HL >> Passageiro em lista de espera KL >> Passageiro confirmado da lista de espera — Número de passageiros: quantidade de passageiros presentes em uma reserva. Exemplo de reserva codificada Tendo em vista as informações antes mencionadas, descreve-se a seguir uma reserva para o passageiro FÁBIO POZATI de São Paulo (Aeroporto de Guarulhos) até Nova Iorque (Aeroporto de Newark) pela Continental Airlines, no voo 356 (lê-se três, cinco, meia), classe econômica, no dia 11 de julho, com saída às 11h00 (horário local de São Paulo) e chegada às 22h00 (horário local de Nova Iorque). Quem solicitou a reserva foi a Sra. Danielle da agência de viagens Pozatur (telefone comercial (11) 97777-3333) e o prazo para adquirir o bilhete é dia 01 de julho. No exemplo citado e seguindo a linguagem Airimp, a reserva ficaria descrita da seguinte forma: 85 AGÊNCIAS DE VIAGENS 1POZATI / FABIOMR CO 356 Y 11JUL GRUEWR 1100 2200 HK1 POZATUR / DANIELLE TEL: (11) 97777-3333 PRAZO: 01JUL/1600 OBS: CARTÃO MILHAS NRO: 385459845 Vale lembrar que a ordem e a forma específica das informações citadas no exemplo podem mudar de sistema para sistema. De qualquer forma, os campos obrigatórios, assim como o padrão de linguagem utilizado, são universais e se empregam em qualquer sistema, ou seja, as informações dispostas no exemplo fictício podem, sem sombra de dúvidas, ser facilmente entendidas por qualquer profissional de turismo em qualquer lugar do mundo. Além da codificação existente, a própria transmissão das informações segue um padrão fonético preestabelecido. Esse padrão, chamado de alfabético fonético internacional, é um instrumento imprescindível em turismo, pois permite a correta comunicação de dados (sobrenome do passageiro, nome do passageiro, número do voo, mês correto, nome do hotel), diminuindo sensivelmente erros operacionais que podem comprometer a viagem do passageiro. Além disso, esse eficiente instrumento permite aumentar a velocidade das transações, pois é fácil de ser usado e não gera dúvidas entre agentes de viagens e fornecedores. No alfabeto fonético internacional, todas as letras são soletradas de forma única, sem margens para interpretações dúbias, principalmente numa reserva elaborada via fone. Quadro 9 – Letras do alfabeto expressas por meio do alfabeto fonético A – Alfa J – Juliette S – Sierra B – Bravo K – Kilo T – Tango C – Charlie L – Lima U – Uniforme D – Delta M – Mike V – Vitor E – Eco N – November W – Whisky F – Fox O – Oscar X – Xadrez G – Golf P – Papa Y – Yankee H – Hotel Q – Quebec Z – Zulu I – Índia R – Romeu Ao utilizarmos o alfabeto fonético internacional para o nome “Amoroso” soletraríamos suas letras da seguinte forma: Alfa, Mike, Oscar, Romeu, Oscar, Sierra, Oscar. Para se familiarizar mais facilmente com essa ferramenta, procure no seu dia a dia soletrar, utilizando o alfabeto fonético internacional, o seu nome, placas de carros ou de parentes e amigos. 86 Unidade III Dessa forma, você ficará muito mais familiarizado e verá as vantagens que esse sistema pode trazer, seja na sua vida profissional ou até mesmo pessoal. 5.2.3 Revistas e informativos São encontradas no mercado algumas publicações ligadas ao turismo que permitem aos agentes de viagens um conhecimento muito mais abrangente sobre os destinos e serviços turísticos comercializados no seu dia a dia. As revistas e os informativos evoluíram e se diversificaram na mesma proporção da consolidação do turismo e das viagens em nosso cotidiano. Atualmente existem tantas publicações (analógicas e digitais, tanto nacionais como internacionais) ligadas ao tema, que seria impossível relacioná-las aqui por completo. Além disso, com o rápido crescimento da atividade turística surgiram no mercado muitas publicações de conteúdo e veracidade duvidosos, que devem ser consultados pelos agentes de viagens com ressalvas. De todas as publicações analógicas nacionais existentes, destacam-se as revistas Viagem e Turismo e Qual Viagem. Esses informativos foram ressaltados em virtude da idoneidade, veracidade e credibilidade geralmente encontrada em seu conteúdo, sendo, portanto, publicações com informações credenciadas a serem retransmitidas pelos agentes de viagens com total segurança aos seus clientes. Saiba mais Para obter mais informações sobre as publicações indicadas acesse os seguintes sites: Revista Qual Viagem. Disponível em: https://bit.ly/3194BWR. Acesso em: 18 mar. 2021. Revista Viagem e Turismo. Disponível em: https://bit.ly/3ltiIPS. Acesso em: 18 mar. 2021. 5.2.4 Participação em eventos A participação em eventos relacionados ao mercado de turismo é considerada algo essencial para a atualização e aprimoramento dos agentes de viagens. Trata-se de uma oportunidade única para obtenção de ótimas oportunidades e parcerias junto aos fornecedores, treinamento, conhecimento de novidades do mercado, discussões sobre dificuldades e desafios do setor, além da troca de experiência com colegas de profissão. Destacam-se, entre os inúmeros existentes, a Expo Abav, consideradao maior evento de turismo realizado no Brasil, ou, ainda, eventos regionais, como o da Associação das Agências de Viagens do Interior do Estado de São Paulo (Aviesp), realizado 87 AGÊNCIAS DE VIAGENS em Campinas/SP, e o da Associação dos Agentes de Viagem de Ribeirão Preto e Região (Avirrp), realizado em Ribeirão Preto/SP. Tais eventos são importantes tendo em vista a alta participação do interior do estado de São Paulo no mercado turístico emissor nacional. Figura 54 – Estande do Rio Grande do Norte na Aviesp Além disso, muitas empresas de turismo oferecem constantemente workshops, cursos e treinamentos (presenciais e a distância) para atualização dos agentes de viagens. Observação Os workshops são encontros onde existem exposições do produto a ser comercializado. Podem fazer parte de um evento de maior amplitude. 5.3 Cálculo de tarifas aéreas e emissão de bilhetes No mercado de turismo, são normalmente encontrados dois tipos de tarifas: aqueles referentes à classe de serviço e aqueles referentes ao desconto promocional oferecido pelas empresas aéreas. As tarifas referentes à classe de serviço geralmente são divididas em três: primeira classe, executiva e econômica. As principais diferenças entre as três classes se concentram no tamanho e conforto do assento, alimentação servida e qualidade do atendimento dos comissários, que possuem normalmente treinamentos de níveis diferenciados para cada uma das categorias de serviços oferecidas pelas empresas aéreas. 88 Unidade III Para melhor entendimento, tente visualizar a primeira classe do Boeing 777 da empresa aérea Emirates (Emirados Árabes Unidos), onde as poltronas podem virar “camas” e o passageiro têm à disposição pelo menos três tipos de menus com três tipos de serviço cada um (entrada ou couvert, refeição principal e sobremesa). Figura 55 – Aeronave Boeing 777 da Emirates Linhas Aéreas Esses alimentos ainda podem ser acompanhados de um legítimo champagne servido por comissários especialmente treinados para atender passageiros de primeira classe. Figura 56 – Balde com champanhes 89 AGÊNCIAS DE VIAGENS Já na classe econômica do mesmo voo, o passageiro encontra poltronas como inclinação reduzida, espaço mínimo para as pernas e serviço de bordo simplificado, com apenas uma opção de refeição, onde o máximo que se pode pedir para um acompanhamento é uma cerveja. Obviamente, a diferença expressiva na qualidade do serviço prestado em um mesmo voo reflete-se nas tarifas cobradas pela companhia aérea, pois enquanto o passageiro da primeira classe pagará em média US$ 6.090,00 em um voo de São Paulo a Miami (ida e volta), o passageiro da classe econômica desembolsará por volta de US$ 561,00 para voar no mesmo avião o mesmo trecho. Figura 57 – Miami, estado da Flórida, Estados Unidos 5.3.1 Tarifas com descontos promocionais Os voos domésticos disponibilizados no mercado brasileiro e mundial normalmente não oferecem classes executivas ou de primeira categoria. O que se verifica de fato é apenas a existência da classe econômica. A classe econômica, por sua vez, é normalmente subdividida pelas empresas aéreas em preços diferenciados, chamados de classes ou tarifas promocionais. Os preços dessas classes ou tarifas promocionais ocorrem basicamente através da “lei da oferta e da procura”, ou seja, quanto antes o passageiro ou agente de viagens solicitar sua reserva em determinado voo, maiores serão suas chances de conseguir tarifas mais baratas no voo. A dinâmica e operacionalização de cobrança das tarifas promocionais funciona da seguinte forma: a cada trecho aéreo ofertado pela empresa aérea existe uma tarifa básica sem desconto, chamada de tarifa cheia ou tarifa “yankee” (Y); a partir desse valor são oferecidos os descontos promocionais; assim cada desconto promocional é representado por uma letra (escolhida aleatoriamente pelas empresas aéreas), podendo variar de 10% a 60% de desconto em relação à tarifa cheia. A cada voo, dia, horário e trecho ofertado, as empresas aéreas oferecem um número determinado de lugares em cada classe promocional. Dessa forma, quanto mais procurado o voo para determinado destino num determinado dia, menor será a disponibilidade de lugares com preços menores, ou seja, quanto maior a procura, maior o preço encontrado, e vice-versa. 90 Unidade III Para melhor entendimento, considere o seguinte exemplo: Tabela 3 – Exemplo de cálculo de tarifa promocional Empresa aérea: Latam Valor da tarifa cheia: R$ 1.000,00 Trecho: São Paulo – Salvador (ida) Classe promocional mais barata disponível: (M) – 20% de desconto Valor da tarifa cobrada: R$ 1.000,00 – (20% de desconto) = R$ 800,00 Deve-se entender que essa estratégia ocorre para que as empresas aéreas possam otimizar a demanda existente em alta temporada e ao mesmo tempo estimular o consumo em baixa temporada. Deve-se entender também que em um mesmo voo podem ser encontrados passageiros que usufruem do mesmo serviço pagando valores distintos, pois seus agentes reservaram os voos em datas ou momentos diferentes. Além dos valores das tarifas aéreas (que normalmente podem ser parcelados através de cartões de crédito), o agente não pode se esquecer de adicionar à cobrança da tarifa a taxa de embarque aeroportuário, cobrada pelos aeroportos em que o passageiro apenas embarca. Esses valores variam de acordo com a categoria do aeroporto, pois quanto mais moderno e estruturado for, maior será a taxa de embarque cobrada. Vale lembrar ainda que essa taxa se diferencia em embarques nacionais e internacionais. Figura 58 – Sala de embarque de aeroporto Saiba mais A relação completa das tarifas aeroportuárias cobradas pelos aeroportos brasileiros pode ser encontrada no site da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Anac. Disponível em: https://bit.ly/3cQfa6B. Acesso em: 18 mar. 2021. 91 AGÊNCIAS DE VIAGENS 5.4 Glossário técnico das agências de viagens O mercado de turismo (agências de viagens, operadoras de turismo, transportadoras aéreas, terrestres e marítimas, meios de hospedagem e serviços em geral) possui uma linguagem própria, universal e uniforme. Essa linguagem é baseada em expressões inglesas que podem ser aplicadas em qualquer lugar do mundo, facilitando a comunicação entre agentes e fornecedores turísticos, aumentando assim a rapidez das informações. Saber essa linguagem técnica, bem como o significado de determinadas expressões, é algo fundamental na profissão do agente de viagens. Por essa razão, apresentamos as expressões mais utilizadas por agentes fornecedores turísticos. É importante lembrar que nem todos os termos conhecidos no mercado foram aqui mencionados, pois muitos são excessivamente específicos e exclusivos a situações não corriqueiras. Procurou-se, então, destacar os termos considerados essenciais no mercado, cuja utilização e conhecimento é comum a todos os profissionais de turismo, ligados direta e/ou indiretamente às agências de viagens. Para melhor acompanhamento e direcionamento, os termos estão apresentados por ordem alfabética: A compartir: Termo utilizado para indicar que um passageiro que viaja sozinho estará dividindo o quarto com outro passageiro. Accompanied baggage: Bagagem transportada na mesma aeronave que o passageiro, podendo ser arrolada (quando transportada ou despachada pelos passageiros para ser transportada no compartimento de carga da aeronave, estando sob responsabilidade da empresa aérea) e não arrolada ou bagagem de mão, quando essa bagagem é transportada pelo passageiro na cabine da aeronave, ficando sob sua própria responsabilidade. Figura 59 – Bagagem despachada pelos passageiros de transporte aéreo 92 Unidade III Uma das tendências do transporte aéreo (iniciada pelas empresas aéreas do tipo low fare) é a cobrança de qualquer tipo de bagagem despachada pelos passageiros. Por conta disso, muitos turistas têm optado em levar apenas sua bagagem de mão, que ainda é transportada gratuitamente. Por outro lado, é sempre bom lembrarque essa bagagem tem limite de peso e dimensões. A bagagem de mão deve ter as seguintes dimensões máximas, tanto em voos nacionais quanto internacionais: 55 cm x 35 cm x 25 cm (incluindo alças, rodinhas e bolsos externos). É preciso respeitar também o peso-limite de 10 kg para voos dentro do Brasil ou que tenham o país como origem ou destino. Observação As empresas aéreas low fare são aquelas que procuram a redução de custo em suas operações, não oferecendo ou cobrando por serviços considerados supérfluos, como alimentação a bordo. A empresa referência nesse segmento é a Ryanair, com sede na Irlanda. Figura 60 – Aeronaves da Ryanair estacionadas no aeroporto Além disso, objetos líquidos e cortantes não podem ser levados a bordo, necessitando então serem despachados na bagagem arrolada, pois, caso contrário, ficarão retidos no próprio aeroporto, mais especificamente na entrada para a sala de embarque, em função da rigorosa fiscalização existente nesse local, desde os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Não se recomenda, ainda, despachar objetos de valor, pois, caso a bagagem seja extraviada, o eventual ressarcimento da empresa aérea será em função do peso da bagagem e não em relação aos itens que havia nela, ou seja, segundo a Convenção de Varsóvia de 1929, que determinou as regras desse caso para as companhias aéreas, o ressarcimento por uma bagagem extraviada contendo um quilo de sal será o mesmo de uma bagagem contendo um quilo de ouro. Além da perda material em si, o extravio de bagagem pode gerar um série de transtornos, como a falta de roupas no decorrer da viagem, por isso alguns cuidados para reduzir as chances disso ocorrer são sempre recomendados e devem ser informados pelos agentes de viagens aos seus 93 AGÊNCIAS DE VIAGENS clientes, como a necessidade de colocar identificação de bagagem na sua parte externa e interna, utilizar malas de cores mais chamativas ou que tenham algum elemento diferenciado, como um adesivo ou uma fita, e sempre fotografar a bagagem para facilitar sua identificação. Devemos nos lembrar ainda que o extravio da bagagem, caso ocorra, deverá ser imediatamente reportado à agência fiscalizadora de transporte aéreo (no Brasil a Anac tem essa função), que costuma ter um balcão de atendimento ao lado das esteiras de bagagem (conhecida como área de “Restituição de Bagagem”). Caso o viajante não faça esse reporte e deixe essa área em direção à rua poderá perder o direito ao ressarcimento da sua bagagem. Figura 61 – Esteira disponível na área de restituição de bagagem em aeroportos Aeronave: Avião. Também pode ser chamada de equipamento. Albergue: Tipo de hospedagem econômica (geralmente coletiva) encontrado no Brasil e principalmente no exterior. Atualmente chamado de hostel international. Figura 62 – Unidade habitacional típica de um hostel 94 Unidade III Alfândega (custom): Departamento da Receita Federal encarregado de vistoriar bagagens e mercadorias que saem ou chegam a determinado país. Bilhete de passagem: Contrato de transporte estabelecido entre uma empresa aérea e um passageiro. Geralmente é individual e não transferível. Brunch: Café da manhã reforçado, que inclui pratos quentes e começa a ser servido em geral a partir das 11 horas. Cabana/challet: Apartamento separado do corpo principal do hotel. Geralmente é dividido em quarto, sala e cozinha. Cash: Pagamento à vista, em dinheiro. Charter (fretamento): Aluguel de uma aeronave para a operação de um voo considerado não regular. Nesse tipo de produto, o passageiro geralmente não pode remarcar o bilhete ou ter o bilhete endossado por outra companhia aérea. Café da manhã continental: Café básico, com pães, torradas e leites. Figura 63 – Café da manhã continental 95 AGÊNCIAS DE VIAGENS Cabine: Acomodação em navio, que pode ser interna (sem escotilhas ou janelas) ou externas (com escotilhas ou terraços). Figura 64 – Cabine de navio de cruzeiro Check-in: Procedimento de embarque realizado no aeroporto junto à empresa aérea. Pode também estar relacionado ao procedimento de entrada do hotel. Figura 65 – Placa de indicação de área de check-in em aeroporto Check-out: Procedimento de saída do hotel realizado na recepção. Checkroom: Verificação do apartamento (frigobar) realizada pelo hotel no check-out. 96 Unidade III Code sharing: Acordo entre companhias aéreas para a operação conjunta de alguns trechos, a fim de economizar custos, principalmente de equipamento (aeronaves, combustível) e pessoal (comissários). Concierge: Serviço de portaria social do hotel. Conexão: Troca de voo/aeronave que ocorre no processo de transporte de um passageiro ou equipamento entre dois pontos (origem e destino). Connecting rooms: Dois ou mais apartamentos interligados que permitem que os hóspedes se comuniquem sem necessidade de usar o corredor. City by night: Passeio noturno pela cidade. City tour: Passeio pela cidade realizado por meio de ônibus adaptado para esse fim, com janelas sem divisórias (panorâmicas) ou um ônibus com dois andares, com o seu andar superior sem teto para melhor visibilidade. Pode também ser chamado de sightseeing (passeio turístico). Figura 66 – Tipo de ônibus utilizado para city tour ou sightseeing Conta-corrente: Compra de serviços em uma empresa prestadora de serviços turísticos por parte de uma pessoa física ou jurídica. Correntista: Cliente que se utiliza do sistema de conta-corrente. Cota: Quantidade de mercadoria ou valor comprado no exterior isento de imposto federal Double (DBL): Designa apartamento duplo com cama de casal. 97 AGÊNCIAS DE VIAGENS Figura 67 – Apartamento duplo (double) de hotel Departure: Partida de um voo. Deck: Refere-se ao andar ou nível do navio. Dólar turismo: Cotação usada para cálculos de preços da parte terrestre de um pacote turístico e para a compra da moeda pelo turista. Duty-free shop: Lojas localizadas geralmente em aeroportos e portos onde não é cobrado o imposto governamental e, portanto, os produtos são mais baratos. Early check-in: Entrada no hotel antes das 12 horas (Brasil), sem pagamento de taxa adicional. E-ticket: Bilhete de passagem virtual emitido por companhias aéreas no lugar do tradicional bilhete de papel. Consiste em um código (sequência alfanumérica), fornecido pela empresa aérea após o pagamento da passagem pelo passageiro ou agência, que deve ser apresentado pelo passageiro no check-in junto a um documento de identificação (RG, passaporte). Equipamento: Marca e tipo de uma aeronave. Europass/Eurail Pass: Tipos de passes ferroviários para a Europa com tarifas especiais para estrangeiros; são vendidos exclusivamente para não europeus a fim de estimular o uso desse tipo de transportes (mais barato) pela Europa. Excesso de bagagem: Peso excedente ao limite da franquia estipulada pela empresa aérea. Nesse caso, é cobrado um por cento da tarifa do trecho (sem desconto – tarifa cheia) para cada quilo excedido pelo passageiro. 98 Unidade III Excursão: Viagem programada, incluindo vários tipos de serviços turísticos, geralmente em grupo. Exchange/change (câmbio): Operação de conversão de valores expressos em moeda de um país pelo equivalente em moeda do outro. Também pode se referir à casa de câmbio (troca de dinheiro), existente normalmente em aeroportos, portos, terminais ferroviários ou centros de cidades turísticas. Figura 68 – Casa de câmbio localizada em aeroporto English breakfast: Café completo, com sucos, cereais, ovos, frutas etc. Figura 69 – English breakfast 99 AGÊNCIAS DE VIAGENS Localizador da reserva (LOC): Código alfanumérico fornecido pela companhia aérea ou GDS para localizar facilmente uma reserva efetuada. Lembrete Os GDSs permitem aos agentes de viagens reservar rapidamente diversos serviços turísticos, como passagens aéreas, hotéis e locações diretamente no sistema. Os maiores GDSs do mercado são Sabre, Amadeus e Travelport. MAP: Regime de alimentação oferecido por hotéis empacotes de viagens conhecido como meia-pensão, em que estão inclusos café da manhã e mais uma refeição, que geralmente é o jantar, pois durante o dia os turistas estão envolvidos em algum passeio, longe do meio de hospedagem. Milhagem: Sistema utilizado pelas empresas aéreas para premiar os passageiros ou empresas mais frequentes. Pode ocorrer em forma de passagens gratuitas ou upgrades. Non-stop: Voo direto, sem escala ou parada em determinada cidade. No-show: passageiro ou agência de viagens que realiza reserva em uma companhia aérea e não comparece na data e horário previsto/reservado; tal atitude provoca prejuízo a empresas aéreas, que não conseguem recuperar a ocupação do assento reservado e não preenchido. OP: Ordem de passagem ou ordem de pagamento, ou pedido de emissão de um bilhete internacional ou nacional. Trata-se de um documento enviado das agências de turismo para um consolidador ou empresa aérea Overbooking: Reservas efetuadas em número superior à capacidade. Estratégia realizada geralmente por companhias aéreas para reduzir os prejuízos ocasionados pelo no-show. Pacote de viagens: Conjunto de serviços resumidos em um preço final, incluindo transporte aéreo ou rodoviário, hotel, traslados e city tour. Pax: O mesmo que passageiro. Tarifa balcão (rate): Diária cobrada diretamente pelos hotéis sem desconto a hóspedes que chegam ao hotel sem reserva. O nome é referente à tabela de preços que está disponibilizada na recepção dos hotéis. Tendo em vista a urgência da necessidade do cliente, a tarifa balcão normalmente possui um valor muito mais alto que as diárias cobradas quando são feitas reservas com antecedência. 100 Unidade III Figura 70 – Recepção do hotel com tarifas balcão (rates) descritas ao fundo Tarifa acordo: Diária promocional oferecida por agências através de acordos comerciais com determinados hotéis ou redes hoteleiras. Tarifa net (preço neto): Tarifa cobrada pelos fornecedores sem comissão inclusa. Tour: O mesmo que excursão ou passeio. Lembrete A excursão refere-se a um passeio recreativo, de estudo ou de observação, por lugares mais ou menos próximos de uma cidade, povoação. Geralmente é realizada em grupos. Trade: Conjunto de organizações, associações e empresas ligadas à atividade turística. Transfer/traslados: Transporte de passageiros entre aeroportos, portos, estações rodoviárias, ferroviárias e hotéis. Oferecidos geralmente por operadoras de turismo em pacotes de viagens. Transfer in: Traslado do pax do aeroporto até o hotel. Transfer out: Traslado do pax do hotel ao aeroporto. Traveler’s check: Cheque de viagem que pode ser comprado em qualquer casa de câmbio do país, mediante apresentação do passaporte e da passagem aérea. É aceito na maioria das lojas, hotéis e restaurantes do mundo. 101 AGÊNCIAS DE VIAGENS Upgrade: Transferência de uma classe para outra imediatamente superior sem pagamento de taxa adicional. VIP (very important people): Pessoa muito importante, com atendimento diferenciado e sala de espera especial nos aeroportos. Figura 71 – Sala VIP de aeroporto Visto: Autorização fornecida pelo consulado para a entrada no país. Voucher: Cupom ou ordem de serviço turístico terrestre, emitido pela agência operadora ou sua representante local. 6 AS ENTIDADES REPRESENTATIVAS DO SETOR Os desafios e as oportunidades ocorridos nos últimos anos no mercado de agências de turismo têm deixado o setor tumultuado e por muitas vezes desorientado. Assim como diversos setores econômicos, muitas empresas de turismo fecharam e abriram suas portas nos últimos anos. Tal fato tornou ainda mais decisiva a participação e o envolvimento das entidades setoriais, que, independentemente da classificação e origem de seus associados e coligados, têm a função primordial de regulamentar, controlar e auxiliar seus representados, principalmente em momentos de profunda alteração e turbulência, como o que se tem verificado nos últimos tempos. Dessa forma, saber e entender as funções das entidades que têm ligação direta ou indireta com as agências de viagens torna-se essencial ao seu aprendizado, pois permitirá analisar criticamente a utilidade dessas entidades, assim como o cumprimento de seus objetivos e ideais aos mais variados tipos de agências de turismo. Além disso, muitas entidades disponibilizam informações e pesquisas a respeito das agências, permitindo assim um conhecimento ainda mais amplo e consistente sobre 102 Unidade III a disciplina, sendo necessário apenas acessar (pessoalmente, por telefone, site ou e-mail) uma ou mais entidades a seguir discriminadas. Vale ressaltar ainda que muitas entidades descritas podem não apresentar, num primeiro momento, uma associação direta com as agências de viagens, mas isso não impede de destacá-las e procurar uma melhor compreensão de sua finalidade e atuação, pois representam produtos e empresas comercializados frequentemente, levando, portanto, a um envolvimento dos agentes de viagens, mesmo que de forma indireta, com essas entidades. Além disso, muitas agências acabam se associando a tais entidades a fim de conseguir vantagens competitivas em relação a seus concorrentes, através de acordos exclusivos obtidos por meio de negociações entre agentes associados, entidades representativas e fornecedores associados. A seguir são descritas as associações que mais se relacionam, de forma direta ou indireta, com os agentes de viagens no Brasil. ABIH – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Entidade que promove cursos de treinamento e reciclagem de hoteleiros, além de encontros para troca e atualização de informações entre agentes de viagens, operadoras de turismo, hotéis e empresas aéreas. Abla – Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis A Abla representa os interesses das locadoras de automóveis brasileiras com a missão de promover o desenvolvimento e a divulgação da atividade para fortalecer o setor de locadoras de automóveis. Além disso, promove encontros e reuniões junto aos agentes de viagens, a fim de discutir melhores formas de otimizar o comércio de locação de veículos, muito solicitado pelos agentes de viagens, tanto no Brasil como no exterior. Abav – Associação Brasileira de Agências de Viagens Maior entidade representativa dos agentes de viagens e turismo no Brasil. Destaca-se por ser responsável por normalizar o mercado de agências de viagens nacional e representar os interesses dessas agências junto às entidades públicas nacionais. Além disso, promove cursos de aprimoramento dos profissionais das agências e organiza o maior evento de turismo no Brasil, a Expo Abav, que é realizado atualmente em São Paulo/SP com periodicidade anual. 103 AGÊNCIAS DE VIAGENS Figura 72 – Expo Abav – São Paulo/SP Anac – Agência Nacional de Aviação Civil Considerado o órgão máximo da aviação civil brasileira, tem como atribuições principais a autorização e controle das rotas nacionais assim como o monitoramento do atendimento prestado pelas empresas aéreas no Brasil, acatando e averiguando eventuais reclamações de seus passageiros. Trata-se de um órgão importante aos agentes de viagens, na medida em que publica portarias e decisões que irão interferir diretamente no mercado de transporte aéreo, que consiste atualmente no produto mais comercializado pelas agências de turismo brasileiro. Figura 73 – Logomarca Anac – Agência Nacional de Aviação Civil Asta – Associação Americana de Agentes de Viagens (American Society of Travel Advisors) Com sede em Nova Iorque, nos Estados Unidos, consiste atualmente na maior associação de classe de agentes de viagens em todo o mundo. Apresenta funções e atribuições similares às da Abav, com destaque a suas pesquisas e estudos, muito respeitados pelo mercado de turismo em todo o mundo. 104 Unidade III Figura 74 – Nova Iorque, Estados Unidos – sede da Asta Aviesp – Associação das Agências de Viagens do Interior do Estado de São Paulo Entidade regional vinculada às agências de viagens do interiorpaulista. Assim como a Abav, promove encontros e feiras de turismo (Aviesp Expo) destinados a troca e atualização de informações entre agentes, operadoras de turismo, meios de hospedagem e empresas aéreas. Além disso, regulariza e supervisiona o funcionamento das agências localizadas no interior do estado de São Paulo, considerado o segundo maior mercado emissor de turistas no Brasil, segundo o Ministério do Turismo (2019). Saiba mais Para obter mais informações sobre as entidades descritas acesse os seguintes links: Abav. Disponível em: https://bit.ly/30XkxLt. Acesso em: 19 mar. 2021. ABIH. Disponível em: http://www.abih.com.br. Acesso em: 19 mar. 2021. Abla. Disponível em: https://bit.ly/3eWpTis. Acesso em: 19 mar. 2021. Anac. Disponível em: https://bit.ly/2OOENMX. Acesso em: 19 mar. 2021. Asta. Disponível em: https://bit.ly/3cionp7. Acesso em: 24 mar. 2021. Aviesp. Disponível em: https://bit.ly/3r1P8Cc. Acesso em: 19 mar. 2021. 105 AGÊNCIAS DE VIAGENS Figura 75 – Acesso ao aplicativo da Aviesp Belta – Associação Brasileira de Agências de Turismo em Estudo e Línguas (Brazilian Educational & Language Travel Association) Essa associação reúne as operadoras de turismo e agências de viagens especializadas em comercializar intercâmbios, estágios e cursos para brasileiros no exterior. Destaca-se na organização de eventos e reuniões para apresentar novos produtos e promoções aos agentes de viagens revendedores assim como clientes interessados em realizar viagens de intercâmbio. Braztoa – Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Brazilian Tour Operators Association) Entidade que une e representa os interesses das operadoras de turismo brasileiras. Assim como a Abav, essa entidade também promove encontros, eventos e reuniões do setor de turismo, defendendo os interesses comuns dos operadores nacionais junto aos fornecedores de serviços turísticos brasileiros e mundiais. Clia – Associação Internacional de Linhas de Cruzeiros (Cruise Lines International Association) Principal entidade de cruzeiros marítimos no mundo, apresenta como responsabilidades a normalização e o controle das atividades de cruzeiros, além da obtenção de dados a respeito do mercado e a realização de encontros periódicos com seus associados para discussão e análise das tendências e desafios do setor de cruzeiros. A associação também promove encontros e treinamento dos agentes para estimular a comercialização de um maior número de cruzeiros pelas empresas, uma vez que a maior parte dos passageiros de cruzeiros compram seus roteiros por meio de agências de turismo espalhadas em todo o mundo. 106 Unidade III Embratur – Instituto Brasileiro de Turismo Instituição que apresenta atualmente como principal responsabilidade a divulgação e promoção do país e de seu turismo dentro e fora do mercado nacional. Além disso, através do acesso ao seu site, pode-se obter informações a respeito de estudos e pesquisas sobre demanda/oferta e tipos de turistas de diferentes destinos nacionais. Para as agências de viagens, é uma entidade fundamental, pois representa um canal de estímulo ao maior número de viagens nacionais e internacionais. Iata – Associação Internacional de Transportadores Aéreos (International Air Transport Association) Trata-se da principal associação do transporte aéreo internacional, responsável por regularizar, normalizar e determinar as leis, preços, regras, linguagem e dinâmica da aviação mundial. A associação também é responsável pelo controle de toda emissão de bilhetes internacionais, pelo treinamento, cadastro e controle de emissores internacionais, assim como pela autorização das agências de turismo que podem emitir bilhetes internacionais. MTur – Ministério do Turismo O Ministério do Turismo fornece, autoriza e regulamenta a abertura e o funcionamento de novas agências de viagens por meio de suas representações regionais/estaduais e regulamenta sua atividade por meio do Cadastur, dando assim credibilidade a essas agências para a obtenção de crédito e acesso aos inúmeros tipos de fornecedores existentes no mercado de turismo. É de responsabilidade do MTur idealizar políticas públicas, planejamento estratégico de marketing e roteiros turísticos, os quais podem contribuir para o aumento da visitação dos destinos e a melhor estrutura das destinações para receber turistas nacionais e internacionais. Além disso, cabe a esse ministério fornecer informações atualizadas sobre a demanda turística nacional e internacional que visita o Brasil, além de realizar cursos, presenciais e a distância, que capacitem os agentes de viagens e demais profissionais da cadeia produtiva do turismo. Sindetur – Sindicato das Empresas de Turismo Sindicato patronal que engloba todas as empresas diretamente relacionadas com a prática do turismo. Destaca-se pela publicação Turismo em números, que traz importantes informações sobre o mercado de turismo, que podem ajudar no planejamento estratégico das agências de viagens. 107 AGÊNCIAS DE VIAGENS Saiba mais Para obter mais informações sobre as entidades descritas acesse os seguintes links: Belta. Disponível em: http://www.belta.org.br. Acesso em: 19 mar. 2021. Braztoa. Disponível em: http://www.braztoa.com.br. Acesso em: 19 mar. 2021. Clia Brasil. Disponível em: https://abremar.com.br. Acesso em: 19 mar. 2021. Embratur. Disponível em: https://bit.ly/3s3Apbn. Acesso em: 19 mar. 2021. Iata. Disponível em: https://bit.ly/3cM2CwZ. Acesso em: 19 mar. 2021. Ministério do Turismo. Disponível em: https://bit.ly/3s2oGd5. Acesso em: 19 mar. 2021. Sindetur. Disponível em: https://bit.ly/3s5ulPv. Acesso em: 19 mar. 2021. Resumo No decorrer da unidade de estudo, foram abordados num primeiro momento os aspectos operacionais relacionados ao cotidiano das agências de viagens, com destaque para as atividades e o perfil profissional dos agentes e as principais ferramentas utilizadas atualmente por eles para prestar um serviço qualificado perante seus clientes. Aprendemos que as atividades realizadas por uma agência vão muito além da reserva e emissão das passagens aéreas ou pacotes turísticos, mas abordam atualmente uma diversidade de serviços e possibilidades, como a reserva e venda de cruzeiros marítimos, meios de hospedagem, locação de automóveis, seguros de viagens, entre outros. Para que esses serviços sejam prestados da melhor forma possível, é fundamental que o agente se utilize dos mais diversos tipos de ferramentas para se manter informado e atualizado, e entre essas ferramentas foram destacadas no decorrer da unidade a internet, o GDS, o código Airimp, um tipo de linguagem utilizado para a elaboração e o entendimento de reservas, além da consulta constante a revistas e informativos especializados no 108 Unidade III mercado de turismo, a participação em eventos do setor, e finalmente o entendimento, domínio e constante utilização da linguagem técnica empregada no mercado de turismo, que facilita e agiliza o entendimento entre os agentes de viagens e fornecedores de serviços turísticos, como empresas aéreas, meios de hospedagem, empresas de cruzeiros e operadores turísticos. A seguir, foram apresentadas as principais entidades representativas do setor, como a Abav, a Braztoa e a ABIH. Vale destacar que a associação das agências de viagens a um maior número de entidades trará vantagens competitivas importantes, como aumento da capacitação profissional de seus agentes de viagens, atualização constante, acesso aos dados do mercado, além da maior credibilidade junto aos seus parceiros comerciais, fornecedores e acima de tudo clientes, que costumam relacionar a qualidade de um prestador de serviço ou empresa a quantidade e tipos de associações que ela possui no mercado em que atua. Nesse caso, será importante demonstrar essas associações em todas as formas de comunicação entre as agências e seus clientes, por meio de certificados expostos nas paredes da loja do empreendimento, no site, nose-mails e em qualquer outro material de comunicação existente. Exercícios Questão 1. (Enade 2018) Leia o texto a seguir. O turismo é um dos instrumentos mais importantes de impulso da economia de diversos países; no Brasil, não é diferente. Na maioria dos casos, garante o crescimento econômico e social da região, possibilitando, assim, geração de empregos e uma distribuição de renda de forma mais ampla. Mesmo que a desigualdade ainda seja enorme em nosso país, a atividade turística pode amenizar as disparidades econômicas e sociais. SPITZ, C. et al. IDH: com desigualdade, Brasil cai 27% em índice de qualidade de vida. O Globo, 24 jul. 2014. Disponível em: https://glo.bo/39eTzUr. Acesso em: 25 mar. 2021. Adaptado. A partir das informações do texto, avalie as asserções e a relação proposta entre elas. I – A atividade turística constitui um investimento inicial gerador de um efeito multiplicador na economia local e, por extensão, regional. Porque II – Investir no turismo é uma alternativa positiva para os municípios que buscam complementar sua economia, elevando o índice de desenvolvimento humano local. 109 AGÊNCIAS DE VIAGENS É correto afirmar que: A) As duas asserções são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira. B) As duas asserções são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira. C) A primeira asserção é verdadeira, e a segunda é falsa. D) A primeira asserção é falsa, e a segunda é verdadeira. E) As duas asserções são falsas. Resposta correta: alternativa B. Análise da questão A primeira asserção é verdadeira, pois uma localidade que desenvolve atrativos turísticos proporciona um efeito econômico positivo, visto que contribui para a entrada de recursos financeiros por meio dos gastos que os turistas promovem, repercutindo positivamente na localidade e na região. A segunda asserção é igualmente verdadeira, pois os recursos provenientes do turismo incrementam a atividade econômica das localidades. A segunda asserção não justifica a primeira. Questão 2. Leia o texto a seguir. Tarifas mais baratas, fácil acesso à informação e praticidade: esses são alguns possíveis argumentos de quem procura fechar viagens sempre por conta própria, na tela de um celular ou de um computador, em vez de buscar o auxílio de agências especializadas. Além disso, outra prática comum são potenciais viajantes que vão às agências, tiram dúvidas e buscam informações, mas têm a real intenção de fechar individualmente o roteiro, normalmente por considerarem ser mais vantajoso financeiramente. De certo modo, é verdade, as informações estão, em sua maioria, na rede universal on-line, acessíveis pelo próprio computador de casa. Sites de reservas on-line podem trazer boas opções de hotéis, e diversos buscadores de passagens oferecem voos de várias companhias aéreas. Até mesmo os blogs têm se tornado uma fonte comum entre viajantes, também intensificando a discussão de como blogueiros e agentes podem atuar juntos. Porém, por mais que a internet facilite o acesso a milhões de dados, a grande questão é a confiança e a segurança que a fonte de informação fornece. Não é à toa que buscadores enfrentam reclamações de voos cancelados ou valores desatualizados, e não são poucos os que chegam ao hotel reservado em sites de reservas e não encontram o serviço prometido. Além disso, aqueles que fecham tudo por conta própria, e durante a viagem se encontram em algum imprevisto ou em situações de desespero, não têm uma pessoa de confiança a quem recorrer. E é nesse momento que entra o agente. No meio da nebulosa rede de informações 110 Unidade III fornecidas pela internet, é ele que saberá identificar e organizar os dados necessários para o roteiro, e conseguirá distinguir para o viajante o seguro e confiável, do incerto e duvidoso. RAMOS, L. Agência × internet: como o agente pode bater o meio digital. Panrotas, 13 fev. 2017. Disponível em: https://bit.ly/3lxnoV0. Acesso em: 25 mar. 2021. Figura 76 Disponível em: https://bit.ly/3tAZieP. Acesso em: 19 mar. 2021. Com base no texto, avalie as afirmativas. I – A internet pode ser considerada atualmente uma das ferramentas mais poderosas dos viajantes e, inevitavelmente, substituirá o papel dos agentes de viagens. II – De modo geral, o turista deve planejar a sua viagem por conta própria, utilizando a internet ao seu favor, e acionar os agentes de viagens exclusivamente no caso de imprevistos. III – As mudanças tecnológicas ocorridas recentemente não impactaram de forma significativa os agentes de viagem, visto que o receio dos turistas perante as reservas on-line aumentou. IV – A internet deve ser considerada pelos agentes de viagens uma oportunidade de negócios, uma vez que ela oferece economia de tempo nas transações e redução de custos de comunicação, que são gastos expressivos de uma agência de viagens. É correto apenas o que se afirma em: A) I. B) IV. C) I e II. D) II e III. E) III e IV. Resposta correta: alternativa B. 111 AGÊNCIAS DE VIAGENS Análise das afirmativas I – Afirmativa incorreta. Justificativa: a internet é uma ferramenta de grande valia para o turista; no entanto, a expertise do agente de turismo é fundamental para o sucesso da experiência turística. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: o turista pode fazer uso da internet para pesquisas e buscas e contar com o conhecimento e a contribuição do agente de turismo para que a viagem seja bem-sucedida e que os imprevistos sejam minimizados. III – Afirmativa incorreta. Justificativa: o texto não afirma que houve aumento do receio dos turistas em relação às reservas on-line, ressalta apenas que a questão da confiança e da segurança da fonte pode representar a diferença entre uma experiência positiva e uma experiência negativa para o turista. IV – Afirmativa correta. Justificativa: o agente de viagens deve usar seu conhecimento e experiência para prestar um serviço de “consultoria de viagem”, utilizar os recursos tecnológicos a seu favor, de forma a aumentar a produtividade e a excelência na prestação do serviço.