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INTRODUÇÃO À 
ENGENHARIA DE 
SEGURANÇA DO 
TRABALHO
Unidade 1
História da 
Engenharia da 
Segurança do 
Trabalho
CEO 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Diretora Editorial 
ALESSANDRA FERREIRA
Gerente Editorial 
LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
ROSIVANY GOMES 
KARINE HERANI
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Rosivany Gomes
Olá. Sou a professora Rosivany Gomes. Sou pedagoga e 
mestre em Biociência, com uma experiência técnico-profissional 
na área de Segurança, Saúde e Meio Ambiente. Também atuo 
como consultora para empresas que precisam se adequar às 
exigências legais na área de Saúde, Segurança e Meio Ambiente. 
Ao longo da minha vida acadêmica, pude coordenar o curso de 
MBA em Sistema de Gestão Integrado em SMS. Também pude 
atuar em diferentes segmentos da Educação, como educação 
básica, cursos técnicos, cursos de graduação e de pós-graduação. 
Durante essa jornada, desenvolvi habilidades e competências 
como educadora, aprimorando meus conhecimentos em 
Metodologia Ativa, Aprendizagem Baseada em Projetos e Ensino 
a distância e a Educação em ambientes Virtuais, com o projeto 
“Recomendação de materiais didáticos baseada em estilos 
cognitivos de aprendizagem”. Atualmente, me dedico à formação 
técnica e profissional e à elaboração de materiais educacionais, 
associando teoria à prática, ou seja, aprender fazendo.
Karine Herani
Meu nome é Karine Herani. Sou advogada com mais de 22 
anos de experiência na área de consultoria jurídica empresarial e 
gestão de negócios, desenvolvimento de negócios, processos de 
inovação, negócios internacionais e gestão de projetos. Trabalho 
como consultora e tive oportunidade de atuar em diferentes 
setores da indústria, de alimentos a equipamentos, em três países 
diferentes. Estou imensamente feliz em iniciar com você essa 
jornada rumo a novos conhecimentos. 
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ESEsses ícones aparecerão em sua trilha de aprendizagem nos seguintes casos:
OBJETIVO
No início do 
desenvolvimento 
de uma nova 
competência. DEFINIÇÃO
Caso haja a 
necessidade de 
apresentar um novo 
conceito.
NOTA
Quando são 
necessárias 
observações ou 
complementações. IMPORTANTE
Se as observações 
escritas tiverem que 
ser priorizadas.
EXPLICANDO 
MELHOR
Se algo precisar ser 
melhor explicado ou 
detalhado. VOCÊ SABIA?
Se existirem 
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo.
SAIBA MAIS
Existência de 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundar seu 
conhecimento.
ACESSE
Se for preciso acessar 
sites para fazer 
downloads, assistir 
vídeos, ler textos ou 
ouvir podcasts. 
REFLITA
Se houver a 
necessidade de 
chamar a atenção 
sobre algo a 
ser refletido ou 
discutido.
RESUMINDO
Quando for preciso 
fazer um resumo 
cumulativo das últimas 
abordagens.
ATIVIDADES
Quando alguma 
atividade de 
autoaprendizagem 
for aplicada. TESTANDO
Quando uma 
competência é 
concluída e questões 
são explicadas.
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A evolução da engenharia de segurança ................................ 9
Evolução da formação profissional ................................................................22
Engenharia de segurança do trabalho moderna ......................................... 23
A segurança do trabalho no Brasil .................................................................24
Aspectos econômicos, políticos e sociais ............................. 28
Aspectos econômicos .......................................................................................28
Aspectos políticos ..............................................................................................31
Aspectos sociais .................................................................................................33
A história do prevencionismo ................................................ 37
Breve histórico ...................................................................................................37
Prevencionismo pré-revolução industrial ..................................................... 40
Prevencionismo pós-revolução industrial .....................................................42
Revolução 4.0 .....................................................................................................44
Entidades públicas e privadas ................................................ 47
Conceitos legais .................................................................................................47
Direitos e deveres prevencionistas ................................................................48
O papel do serviço especializado em engenharia e medicina do trabalho 
– SESMT ...............................................................................................................50
Terceiro setor .....................................................................................................54
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A segurança do trabalho é uma atividade multidisciplinar 
que engloba um conjunto de normas e procedimentos preventivos 
com finalidade de antecipar, reconhecer e avaliar os riscos 
existentes no ambiente ocupacional. A história do prevencionismo 
vem percorrendo uma longa estrada e objetiva a prevenção de 
acidentes, doenças ocupacionais e doenças do trabalho. Face aos 
danos e custos originados pelos acidentes de trabalho e doenças 
ocupacionais, as empresas precisaram compreender a necessidade 
da prevenção e adequação às exigências legais. Segundo o guia 
de leis trabalhistas, as Normas Regulamentadoras (NR) relativas à 
segurança e medicina do trabalho são de observância obrigatória 
pelas empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos da 
administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos 
Poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos 
pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Os profissionais 
da área de segurança atuam nas empresas tanto para o 
cumprimento da legislação pertinente, pois o não cumprimento 
acarretará ao empregador a aplicação das penalidades, quanto 
para atender as novas demandas neocapitalistas. Portanto, as 
normas regulamentadoras estão sendo atualizadas pela comissão 
Tripartite e os equipamentos de segurança se tornam cada vez 
mais anatômicos e resistentes. Mas, e as pessoas, acompanharam 
toda essa evolução? Ao longo desta unidade letiva você vai 
mergulhar neste universo prevencionista!
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Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo 
é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências 
profissionais até o término desta etapa de estudos:
1. Descrever a evolução da Engenharia da Segurança do 
Trabalho.
2. Conhecer os aspectos econômicos, políticos e sociais 
que norteiam o prevencionismo.
3. Discernir a história do prevencionismo no Brasil e no 
mundo.
4. Diferenciar os aspectos da segurança de trabalho nas 
entidades públicas e privadas e o trabalho do SESMT.
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A evolução da engenharia de 
segurança
OBJETIVO
Ao término deste capítulo, você será capaz de 
conhecer e analisar o contexto histórico da 
Segurança do Trabalho, as perspectivas para 
o futuro da segurança e da saúde do trabalho e 
compreender o papel da engenharia de segurança 
no contexto econômico, político e social.
A introdução à Segurança do Trabalho é fundamental para 
compreender e aplicar os princípios que visam garantir a integridade 
física e mental dos trabalhadores em seus ambientes laborais. 
Esta área abrange um conjunto de medidas, procedimentos e 
normas que têm como objetivo prevenir acidentes, minimizar 
riscos ocupacionais e promover condições saudáveis nos locais deessas novas condições não 
são menos propensas a causar doenças ocupacionais, como o es-
tresse ocupacional, a síndrome de burnout e os Distúrbios Osteo-
musculares Relacionados ao Trabalho (DORTs).
É essencial um processo contínuo de formação e informa-
ção sobre direitos e deveres para os trabalhadores atuarem em 
um ambiente que cumpra as condições de saúde e segurança no 
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trabalho, evitando assim que a busca pelo lucro prejudique a saú-
de e segurança.
VOCÊ SABIA?
A NR 04 passou por atualização em 2022, a portaria 
n.º 2318 trouxe alterações significativas, assim 
sendo chamada de nova NR 4. Uma das alterações 
mais relevantes, refere-se à obrigatoriedade de 
empresas com funcionários contratados sob 
regime CLT criar e manter os SESMT no local de 
trabalho, nos termos definidos na NR 4.
Nossa legislação trabalhista é composta de leis referentes 
à proteção à saúde do trabalho em esfera federal, estadual, 
distrital e municipal, não ficando as entidades desobrigadas ao 
cumprimento destas em detrimento a outras. Entre elas, podemos 
destacar a Constituição Federal, o Código Penal Brasileiro, a CLT, 
o Estatuto dos Servidores Públicos e a Portaria n.º 3.214/78 que 
regulamenta as NRs, entre outros requisitos legais. 
Determina-se que os empregadores implementem o SES-
MT, estando este submetido às ordens da empresa e a fiscalização 
da Secretaria do Trabalho (extinto MTE).
A normativa especifica em seu item 4.1 que as empresas 
privadas e públicas, assim como órgãos públicos da administração 
direta e indireta, incluindo os poderes Legislativo e Judiciário, que 
possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do 
Trabalho - CLT, são obrigados a manter Serviços Especializados 
em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho. Essa 
obrigação visa promover a saúde e preservar a integridade dos 
trabalhadores no ambiente laboral.
No entanto, a norma não especifica que a implementação 
e manutenção do SESMT devem aplicar-se exclusivamente a 
empresas que mantêm contratos de trabalho regidos pela CLT, o 
que pode levar a uma interpretação equivocada de que a criação 
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do SESMT seja dispensável em órgãos públicos da administração 
direta e indireta, bem como nos poderes Legislativo e Judiciário. 
De acordo com a NR 4:
4.2.1 As organizações e os órgãos públicos 
da administração direta e indireta, bem como 
os órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário 
e do Ministério Público, que possuam 
empregados regidos pelo Decreto-Lei nº 
5.452, de 1º de maio de 1943 - Consolidação 
das Leis do Trabalho - CLT, devem constituir 
e manter os SESMT, no local de trabalho, nos 
termos definidos nesta NR. (NR 4, 1978)
VOCÊ SABIA?
O SESMT é composto por profissionais da área de 
Saúde e Segurança do Trabalho, são eles:
a) Engenheiro de segurança do trabalho – enge-
nheiro ou arquiteto com especialização em Enge-
nharia de Segurança do Trabalho, em nível de pós-
-graduação.
b) Médico do trabalho – médico especializado em 
Medicina do Trabalho em nível de pós-graduação, 
ou residência médica em área de concentração em 
saúde do trabalhador ou denominação equivalen-
te, reconhecida pela Comissão Nacional de Resi-
dência Médica, do Ministério da Educação, ambos 
ministrados por universidade ou faculdade que 
mantenha curso de graduação em Medicina.
c) Enfermeiro do trabalho – enfermeiro com espe-
cialização em Enfermagem do Trabalho, em nível 
de pós-graduação, ministrado por universidade ou 
faculdade que mantenha curso de graduação em 
enfermagem.
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d) Auxiliar de enfermagem do trabalho - auxiliar de 
enfermagem ou técnico de enfermagem com qua-
lificação de auxiliar de enfermagem do trabalho, 
ministrado por instituição especializada reconheci-
da e autorizada pelo Ministério da Educação.
e) Técnico de Segurança do Trabalho - técnico com 
registro profissional expedido pelo Ministério do 
Trabalho (ENIT, 2016).
Serviço especializado em engenharia 
e medicina do trabalho – SESMT – 
Entidades privadas
Nos setores privados, muitos profissionais, além de 
receberem salários inadequados, enfrentam a desvirtuação de 
suas funções. Em alguns casos, não é permitido que exerçam suas 
atividades com autonomia em relação ao empregador. Em vez 
disso, servem como uma forma de a empresa ter alguém a quem 
pode delegar a responsabilidade pela ausência de condições 
seguras no ambiente de trabalho.
Para evitar essas práticas equivocadas em setores 
privados, o Estado, mediante fiscalização do trabalho exercida 
pelas Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs), orientam, notificam 
e, até mesmo, autuam as empresas de forma a garantir o real 
cumprimento da legislação.
Terceiro setor
Atualmente, é uma realidade na economia global o 
aumento da atuação das organizações do terceiro setor, o que 
leva ao crescimento de trabalhadores atuando em organizações 
sem fins lucrativos.
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E como funciona a legislação trabalhista prevencionista no 
terceiro setor?
DEFINIÇÃO
O terceiro setor é formado pelas organizações 
privadas que desenvolvem atividades em favor da 
sociedade, sem fins lucrativos, chamadas de ONG’s. 
Elas atuam independente dos demais setores, 
mesmo que possam receber investimentos ou 
trabalhar em parceria com eles (Albuquerque, 
2006).
Entre as entidades do terceiro setor, podemos apresentar 
contratos trabalhistas que regem o trabalho de organizações 
obedecendo às regras da CLT, observando os elementos que 
caracterizam a relação de emprego, tais como pessoalidade, 
continuidade, remuneração e subordinação hierárquica.
De acordo com a legislação brasileira, são considerados 
trabalhadores aqueles com contratos de trabalho por prazo 
indeterminado, desde que a natureza transitória do trabalho 
justifique a predeterminação do prazo, conforme previsto na CLT. 
Além disso, são contemplados os contratos de aprendizagem, 
conforme estabelecido pela Constituição Federal e pela CLT. A 
contratação de menores entre 14 e 18 anos de idade é autorizada, 
desde que estejam na condição de aprendizes, com contrato 
de trabalho especial, em conformidade com os requisitos da 
Lei n.º 10.097/2000. Também são considerados trabalhadores 
autônomos aqueles que realizam atividades de forma não 
exclusiva como pessoas físicas.
O artigo 14 da Lei n.º 8.213/1991 define empresa como 
a entidade, seja ela individual ou coletiva, que se responsabiliza 
pelo risco de um empreendimento econômico, seja este em áreas 
urbanas ou rurais, visando ou não o lucro. Desse modo, no contexto 
trabalhista, as organizações beneficentes são equiparadas a uma 
empresa. Além disso, conforme a Norma Regulamentadora 1, no 
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item 1.1, referente à segurança no trabalho, tais normas devem 
ser seguidas por todas as empresas, sejam elas de caráter privado 
ou público, com funcionários sob o regime da Consolidação das 
Leis do Trabalho (CLT). Portanto, é crucial que, diante de riscos 
no local de trabalho, sejam elaborados programas de gestão de 
risco que representem a real situação da organização beneficente 
e possíveis riscos enfrentados por seus funcionários.
RESUMINDO
E então, gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo 
deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Ao 
longo deste capítulo, foi possível traçar a evolução 
da Engenharia de Segurança, destacando-se a 
formação profissional e os avanços recentes na 
área, bem como sua contextualização no cenário 
brasileiro. Analisamos também os intricados 
aspectos econômicos, políticos e sociais que 
permeiam a segurança do trabalho, evidenciando 
como estes se entrelaçam e influenciam a prática 
profissional. A história do prevencionismo nosdeu uma perspectiva valiosa, demonstrando o 
percurso da segurança do trabalho desde épocas 
anteriores à Revolução Industrial até os desafios 
contemporâneos da Revolução 4.0. Finalmente, 
a abordagem das entidades públicas e privadas 
reforçou a relevância do entendimento jurídico e 
das responsabilidades envolvidas, com destaque 
para o papel essencial do SESMT em diferentes 
esferas. Refletimos também sobre a interação 
desses temas, mostrando que a segurança 
do trabalho é um campo multidisciplinar, em 
constante evolução, que demanda integração e 
atualização contínua de seus profissionais.
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ALBUQUERQUE, A. C. Terceiro setor: história e gestão de 
organizações. São Paulo: Summus Editorial, 2006.
ALVIM, M. B. A relação do homem com o trabalho na 
contemporaneidade: uma visão crítica fundamentada na Gestalt-
Terapia. Estudos & Pesquisas em Psicologia, Brasília, v. 6, n. 
2, out. 2006. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/
index.php/revispsi/article/view/11031/8734. Acesso em: 22 set. 
2020.
BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P. Segurança do Trabalho: guia 
prático e didático. São Paulo: Editora Saraiva, 2018.
BAZZO, W. A. Introdução à engenharia: conceitos, ferramentas e 
comportamentos. Trinidade: Editora UFSC, 2006.
ESCOLA NACIONAL DA INSPEÇÃO DO TRABALHO (ENIT). NR 4 – 
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medicina do trabalho. [s.l.], [s.d.]. Disponível em: https://enit.
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Acesso em: 2 out. 2020.
FERREIRA, P. A. O avanço da tecnologia e as transformações 
na sociedade. Portal da indústria, 11 out. 2017. Disponível 
em: https://noticias.portaldaindustria.com.br/artigos/paulo-
afonso-ferreira/o-avanco-da-tecnologia-e-as-transformacoes-na-
sociedade/. Acesso em: 30 set. 2020, 
FILGUEIRAS, V. A. Saúde e segurança do trabalho no Brasil. 
Brasília: Gráfica Moviento, 2017.
MACEDO, R. B. Segurança, saúde e medicina do trabalho. 
Curitiba: Iesde Brasil, 2012.
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58 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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MAFRA, F. Entidades políticas e administrativas. Âmbito jurídico, 28 
fev. 2005. Disponível em https://ambitojuridico.com.br/cadernos/
direito-administrativo/entidades-politicas-e-administrativas/#_
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MATOS, U. O.; MASCULO, F. S. Higiene e segurança do trabalho. 
Rio de janeiro: Elsevier; ABEPRO, 2011.
MORAES, G. SMSQRS – Teoria da vulnerabilidade. 2. ed. Rio de 
Janeiro: Gerenciamento Verde Editora, 2009, v. 1.
SILVEIRA, L. C.; VENTURA, D. F.; PINHEIRO, M. D. Toxicidade 
mercurial – Avaliação do sistema visual em indivíduos expostos a 
níveis tóxicos de mercúrio. Ciência e Cultura, v. 1, p. 35-37, 2004.
SUSSEKIND, A. Curso de direito do trabalho. Rio de Janeiro: 
Renovar, 2020.
	_Hlk148256881
	A evolução da engenharia de segurança
	Evolução da formação profissional
	Engenharia de segurança do trabalho moderna
	A segurança do trabalho no Brasil
	Aspectos econômicos, políticos e sociais 
	Aspectos econômicos
	Aspectos políticos
	Aspectos sociais
	A história do prevencionismo
	Breve histórico
	Prevencionismo pré-revolução industrial
	Prevencionismo pós-revolução industrial
	Revolução 4.0
	Entidades públicas e privadas
	Conceitos legais
	Direitos e deveres prevencionistas
	O papel do serviço especializado em engenharia e medicina do trabalho – SESMT
	Terceiro setortrabalho. Ao compreender a importância dessa área, as empresas 
podem cumprir com suas obrigações legais e éticas de cuidar de 
seus colaboradores e criar um ambiente produtivo e harmonioso, 
onde os funcionários se sintam valorizados e protegidos. O 
conhecimento sobre segurança do trabalho permeia diversos 
setores da sociedade, contribuindo para a construção de um 
ambiente laboral mais seguro e saudável para todos os envolvidos.
A evolução da engenharia de segurança do trabalho ao 
longo dos anos reflete uma jornada de progresso e aprimoramento 
das práticas voltadas para a proteção dos trabalhadores em 
diversos ambientes laborais. Inicialmente, a preocupação com a 
segurança no trabalho era limitada e pouca atenção era dada às 
condições adversas enfrentadas pelos trabalhadores. No entanto, 
com o tempo, a industrialização trouxe consigo um aumento 
significativo nos riscos ocupacionais e acidentes, exigindo a 
necessidade de medidas mais eficazes.
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IMPORTANTE
A engenharia de segurança do trabalho é um 
processo em permanente construção que exige 
dos profissionais da área de segurança (técnico de 
segurança do trabalho, engenheiro de segurança, 
médico e enfermeiro do trabalho) conhecimentos 
multidisciplinares sobre leis, decretos, normas e 
procedimentos relacionados à saúde e à segurança 
do trabalhador.
No século XIX e início do século XX, as preocupações 
com a segurança começaram a ganhar destaque, especialmente 
em setores industriais como a mineração e a construção civil. A 
formação de sindicatos e a pressão por melhores condições de 
trabalho contribuíram para a criação de leis e regulamentos de 
segurança, mas ainda faltava uma abordagem sistemática e 
técnica. Foi na segunda metade do século XX que a Engenharia 
de Segurança do Trabalho começou a se consolidar como uma 
disciplina estruturada e científica. A introdução de técnicas de 
análise de riscos, estudos de ergonomia, psicologia aplicada à 
segurança e a utilização de equipamentos de proteção individual 
(EPIs) marcaram esse período. A conscientização sobre os custos 
associados a acidentes de trabalho, tanto em termos humanos 
quanto financeiros, impulsionou a implementação de programas 
de prevenção mais robustos.
DEFINIÇÃO
Ergonomia é uma disciplina que visa projetar 
ambientes de trabalho, equipamentos e tarefas 
de forma a otimizar o conforto, a eficiência e 
a segurança dos trabalhadores. O estudo de 
ergonomia em segurança do trabalho envolve 
a análise dos aspectos físicos e cognitivos das 
atividades laborais, a fim de minimizar riscos 
de lesões, fadiga, desconforto e aumentar a 
produtividade.
11INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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Com o avanço tecnológico, a Engenharia de Segurança do 
Trabalho também abraçou a automação e a digitalização. Novas 
ferramentas, como simulações de segurança, análise de dados 
e inteligência artificial têm sido empregadas para identificar 
riscos, prever incidentes e melhorar a eficácia das estratégias de 
prevenção. Atualmente, a Engenharia de Segurança do Trabalho 
continua evoluindo em resposta às mudanças nas indústrias, nas 
regulamentações e nas demandas da sociedade. A integração 
de práticas de gestão, a preocupação crescente com a saúde 
mental dos trabalhadores e a abordagem holística da segurança, 
considerando fatores humanos, tecnológicos e organizacionais, 
são áreas em ascensão nesse campo.
A evolução da Engenharia de Segurança do Trabalho reflete 
um progresso contínuo na compreensão dos riscos ocupacionais 
e na busca por ambientes laborais mais seguros e saudáveis. A 
disciplina passou de uma abordagem reativa para uma visão 
proativa e multidisciplinar, contribuindo para a proteção efetiva 
dos trabalhadores em um mundo em constante transformação.
Para bem compreender a Engenharia de Segurança do 
Trabalho é preciso entender claramente em que consiste a área. 
Em um sentido geral, o trabalho se refere a uma atividade realizada 
por indivíduos com o objetivo de produzir algo, realizar tarefas 
específicas ou alcançar um resultado. Pode envolver esforço 
físico, mental ou ambos, dependendo da natureza da atividade. 
O trabalho desempenha um papel central na sociedade, sendo 
uma maneira pela qual as pessoas contribuem para a produção 
de bens, serviços e valor econômico.
Existem diferentes tipos de trabalho, incluindo trabalho 
remunerado e não remunerado. O trabalho remunerado é aquele 
pelo qual as pessoas recebem salários ou outros benefícios 
financeiros em troca de seus serviços. Isso inclui empregos 
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formais, freelancers, profissionais autônomos, e assim por diante. 
O trabalho não remunerado, por outro lado, envolve atividades 
que não são diretamente compensadas financeiramente, como 
tarefas domésticas, cuidados com a família e trabalho voluntário.
De acordo com Sussekind (2020): “Toda energia humana, 
física ou intelectual, empregada com um fim produtivo, constitui 
trabalho”.
Imagem 1.1 – Trabalho
Fonte: Freepik
Portanto, pode ser chamado de trabalhador qualquer 
pessoa que esteja envolvida em realizar uma atividade laboral, 
seja remunerada ou não. Geralmente, o termo é utilizado para 
descrever aqueles que participam ativamente na produção 
de bens, na prestação de serviços ou na realização de tarefas 
13INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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específicas. Aqui estão alguns exemplos de quem pode ser 
chamado de trabalhador:
1. Empregados – são aqueles que mantêm uma relação 
de emprego formal com um empregador, recebendo 
salário ou outra forma de remuneração em troca do 
trabalho realizado. Nesse caso, o trabalhador tem um 
contrato de trabalho registrado mediante carteira de 
trabalho pela consolidação das leis do trabalho – CLT 
ou estatutário, quando seu contrato é registrado em 
uma entidade pública. 
2. Autônomos – são profissionais que trabalham de forma 
independente, prestando serviços ou produzindo bens 
por conta própria. Eles não têm uma relação formal de 
emprego, mas podem ser contratados por projetos ou 
tarefas específicas.
3. Empreendedores – aqueles que possuem e gerenciam 
seus próprios negócios, envolvendo-se em atividades 
produtivas para atender às necessidades do mercado.
4. Freelancers – similar aos autônomos, os freelancers 
oferecem serviços especializados a várias empresas 
ou clientes, muitas vezes em base contratual ou por 
projeto.
IMPORTANTE
No Brasil, não existe uma lei específica que regu-
le exclusivamente o trabalho freelancer de forma 
direta. Trata-se de uma forma de trabalho autô-
nomo ou independente em que os profissionais 
oferecem seus serviços de maneira pontual ou por 
projeto, sem a formalização de um vínculo empre-
gatício.
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5. Trabalhadores temporários – são contratados por um 
período específico para suprir demandas sazonais ou 
projetos específicos em uma empresa.
6. Trabalhadores informais – pessoas que podem estar 
envolvidas em atividades de trabalho, mas que não 
têm uma relação formal de emprego e podem não ter 
proteções legais ou benefícios.
7. Voluntários – embora não sejam remunerados financei-
ramente, os voluntários ainda podem ser considerados 
trabalhadores, pois dedicam seu tempo e esforço para 
realizar tarefas em organizações sem fins lucrativos.
8. Trabalhadores domésticos – indivíduos que executam 
tarefas dentro de um ambiente doméstico, como em-
pregados domésticos, babás, cozinheiros, jardineiros, 
entre outros.
A relação do ser humano com o trabalho pode ser 
encontrada na história da humanidade de forma muito marcante, 
tanto nas relações sociais quanto na própria relação do homem 
com o meio, que se caracteriza como um importante registro 
da nossa evolução enquanto espécie. Walter Bazzo analisa o 
desenvolvimento das relações humanas e afirma que:
Analisando a história, logo percebemosque 
ela é de fato permeada de significativos de-
senvolvimentos que marcaram profundamen-
te o destino da humanidade. O controle do 
fogo, a domesticação dos animais, a invenção 
da agricultura, a criação de cidades, o desen-
volvimento da imprensa ou a construção de 
um avião comercial estão aí para comprovar 
esta interpretação. (Bazzo, 2006, p. 66)
15INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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Na pré-história, o homem apresentava uma relação 
extrativista com o meio e sua energia era consumida no trabalho 
de retirar do ambiente o fruto de sua sobrevivência. Ele precisava ir 
em busca da caça, do alimento e do abrigo, se expondo a diferentes 
situações de risco e vulnerabilidade. Ainda na pré-história, no 
período Neolítico, o homem começa a busca por proteção, por 
mais segurança em relação ao meio com o qual ele interage.
Essa busca leva o homem a desenvolver habilidades em 
talhar a pedra e, posteriormente, os metais, para fabricar suas 
armas de caça e de proteção. É também neste momento histórico 
que o homem trabalha na terra, cultivando, domesticando animais 
e produzindo alimentos. Com isso, tornam-se sedentários, 
formando pequenos grupos com objetivos em comum. 
Imagem 1.2 – Ferreiro
Fonte: Freepik
Podemos perceber, nesse momento, que o trabalho para o 
homem resulta de sua relação com o meio e com os outros, assim 
como das suas necessidades. Além disso, é pela força do trabalho 
16 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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que o homem constrói suas primeiras comunidades. A formação 
da comunidade também foi uma forma de gerar mais segurança 
e conforto, pois alguns podiam sair para caçar em bandos, com as 
armas confeccionadas, enquanto outros cuidavam das crianças, 
cultivavam a terra e cuidavam dos animais.
O homem não parou nas cavernas e continuou evoluindo, 
agregando conhecimento e aplicando suas descobertas para 
produzir mais e se sentir socialmente mais seguro. A força vital 
era a sua maior fonte de energia, até que o homem começou a 
dominar a energia da natureza, primeiro com o fogo, depois com 
a água e o vento.
Imagem 1.3 – O homem trabalha para sobreviver às adversidades do meio.
Fonte: Freepik
No estudo do ambiente de trabalho é preciso avaliar 
os pontos de tensão e conflitos que permeiam essas relações. 
Analisando pela ótica do trabalho, partimos da pedra lascada, 
passando pelos metais até o domínio do conhecimento técnico, 
com construção de máquinas, ainda que rudimentares. Por 
17INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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uma ótica social, partimos de uma sociedade caçadora/coletora, 
passamos para uma sociedade rural até chegarmos em ambientes 
urbanos, com novas relações de produção no sistema capitalista. 
Imagem 1.4 – Evolução do trabalho
Fonte: Freepik
O trabalho realizado atualmente encontra-se dentro de 
um contexto histórico. Um exemplo da evolução das relações de 
trabalho é compararmos o trabalho de um artesão medieval, que 
concentrava todo o trabalho de criar, planejar e modificar as peças 
produzidas, com a indústria metalúrgica atual, na qual há uma 
linha de produção mecanizada, objetivando a produtividade e a 
empregabilidade no setor. 
Uma importante transformação no trabalho é a criação 
do contrato de trabalho, pois não se busca apenas garantir a 
sobrevivência e sim o “salário” e o lucro. Nessa relação, o homem 
trabalha para outro homem e recebe algo em troca (Bazzo, 
2006). Durante a realização das tarefas contratadas, se não fosse 
constatado o êxito, conforme esperado pelo contratante, nada 
18 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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lhe era devolvido. A falta de segurança era responsabilidade do 
trabalhador e não de quem contratava o trabalho. 
Mas quando o homem começou em pensar na qualidade 
de vida no trabalho? Na sua segurança enquanto trabalha? 
Esta visão de segurança baseada em um contrato de 
trabalho é muito tardia em relação à classe trabalhadora, embora 
haja registro, gerado pelo conhecimento científico, datando de 
aproximadamente 350 a.C., sobre a segurança no trabalho, quando 
Aristóteles estudou os danos causados à saúde dos trabalhadores 
em forma de enfermidades e, principalmente, como evitá-las. 
Depois, a literatura reporta os estudos de Hipócrates, o pai da 
medicina, a respeito do envenenamento por chumbo no século XV 
e, séculos depois, em Roma, se volta a falar sobre envenenamento 
com enxofre, zinco e vapores ácidos. Nesses escritos, os autores 
relatam fatos, porém, a engenharia de Segurança do Trabalho 
surge para desenvolver técnicas de prevenção, com o objetivo de 
gerar maior qualidade de vida aos trabalhadores e aumento na 
produtividade para a gestão organizacional.
A preocupação com a qualidade de vida no trabalho tem 
raízes históricas profundas, mas a ênfase e o reconhecimento 
formal dessa questão têm evoluído ao longo do tempo. Aqui 
estão alguns marcos importantes na história da segurança e da 
qualidade de vida no trabalho:
19INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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Quadro 1.1 – Qualidade de vida no trabalho
Revolução 
Industrial 
(séculos XVIII 
e XIX)
Com o surgimento das fábricas e das condições de 
trabalho adversas durante a Revolução Industrial, 
começaram a surgir preocupações em relação às 
condições precárias e à exploração dos trabalhadores. 
Essa época viu o início de movimentos trabalhistas que 
buscavam melhores condições de trabalho, incluindo 
redução de jornada, segurança e salários justos.
Movimento 
de Relações 
Humanas 
(décadas de 
1920 a 1930)
Esse movimento trouxe à tona a importância das relações 
interpessoais no ambiente de trabalho. Estudos como 
a Experiência de Hawthorne destacaram que fatores 
psicossociais e relacionais influenciam a produtividade e o 
bem-estar dos trabalhadores.
Movimento 
de Qualidade 
Total 
(décadas de 
1950 a 1970)
Com a crescente complexidade das organizações, surgiu 
o movimento de qualidade total, que buscava melhorar a 
qualidade dos produtos e serviços, mas também promovia 
a melhoria das condições de trabalho e o envolvimento 
dos funcionários na tomada de decisões.
Anos 1970 ao 
fim do século 
XX
A partir da década de 1970, a qualidade de vida no 
trabalho ganhou ainda mais atenção, à medida que 
os estudos sobre estresse ocupacional, satisfação no 
trabalho, equilíbrio entre vida pessoal e profissional 
e aspectos ergonômicos foram se desenvolvendo. Os 
avanços na psicologia organizacional e na gestão de 
recursos humanos também influenciaram as abordagens 
de promoção do bem-estar dos trabalhadores.
Atualidade
A qualidade de vida no trabalho é reconhecida como um 
componente crucial para o sucesso das organizações e o 
bem-estar dos trabalhadores. Muitas empresas adotam 
práticas de gestão que promovem um ambiente saudável e 
equilibrado, incluindo flexibilidade de horários, programas 
de bem-estar, suporte à saúde mental e ergonomia no 
local de trabalho.
Fonte: Elaborado pela autoria (2023)
Bernardino Ramazzini descreve doenças relacionadas a 50 
profissões. Por suas importantes contribuições, é considerado o 
pai da Medicina do Trabalho (Macedo, 2012). 
20 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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Dados relacionados ao desenvolvimento de ações correti-
vas são gerados pela Engenharia de Segurança do Trabalho, para 
avaliar os riscos por meio de métodos qualitativos e quantitativos, 
de forma que possa controlar o aparecimento de doenças ocupa-
cionais e evitar acidentes.
O médico do trabalho auxilia na gestão de segurança, 
analisando e acompanhando a saúde do trabalhador mediante 
exames médicos ocupacionais (admissional, periódico, retorno ao 
trabalho, mudança de função e demissional) que ajudam em diag-
nósticos precoces.
Outro aspecto importante que devemos destacar na en-
genharia de segurança do trabalho é a prevenção de acidentes de 
trabalho, que além de garantir a integridade física, mental e social 
do colaborador,deve ser vista como um bom investimento de ca-
pital, já que garante a continuidade das operações e a redução de 
custos com acidentes.
Atualmente, podemos destacar a função do engenheiro de 
segurança do trabalho de produzir e manter atualizado o Perfil 
Profissional Previdenciário (PPP), documento que registra as ati-
vidades desenvolvidas pelos trabalhadores da empresa e que é 
utilizado para a análise da rescisão do contrato por desligamento 
e concessão de benefícios por incapacidade, usado durante a pe-
rícia realizada pelos médicos do INSS para comprovação do nexo 
causal.
A Engenharia de Segurança do Trabalho é uma realidade, 
porém, foram necessários mais de cem anos desde a primeira lei 
que garantia segurança aos trabalhadores para que a proteção 
fosse de fato ampliada para todos. 
21INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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IMPORTANTE
Uma das primeiras leis que garantiam a segurança 
aos trabalhadores foi a Factory Act, de 1802, 
promulgada no Reino Unido durante a Revolução 
Industrial. Essa lei foi uma das primeiras tentativas 
de regulamentar as condições de trabalho nas 
fábricas e indústrias emergentes, visando proteger 
os trabalhadores, especialmente as crianças, de 
abusos e condições adversas.
Apenas no século XX, depois da Primeira Guerra Mundial, 
foi criada a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a 
Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1919, com o início 
das suas operações impactando todo o mundo. Em 1958 e 
1959, a Conferência Internacional do Trabalho estabeleceu a 
Recomendação nº 112, o primeiro instrumento internacional em 
que se definiam as funções, a organização e os meios de ação dos 
serviços de medicina do trabalho. 
Na gestão de SST, realizada pela Engenharia de Segurança 
do Trabalho, podemos destacar a atenção às recomendações 
estabelecidas pela OIT em níveis globais e o atendimento às 
normas regulamentadoras nacionais, priorizando as práticas 
organizacionais que proporcionem aos trabalhadores a vivência 
do conceito de saúde, conforme estabelecido pela Organização 
Mundial de Saúde (OMS), entendida como bem-estar físico, mental 
e social e deflagrada por meio dos exames ocupacionais. 
22 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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ACESSE
Para conhecer a Convenção 155, que versa sobre a 
Segurança e a Saúde dos trabalhadores, acesse o 
link disponível aqui. 
Em um aspecto mais operacional, a Engenharia de 
Segurança do Trabalho deve priorizar as medidas de controle 
coletivas e organizacionais ou administrativas, utilizando medidas 
individuais como complementares no processo de antecipação, 
reconhecimento, avaliação e controle de risco, conforme prevê a 
NR 9 (ENIT, 2016).
Evolução da formação 
profissional
Assim como as máquinas e processos evoluíram, a 
formação profissional também precisou evoluir. Inicialmente, 
tínhamos o Assistente de Segurança do Trabalho, passando pelo 
Auxiliar de Segurança do Trabalho até chegarmos no Técnico de 
Segurança do Trabalho e no Engenheiro de Segurança do Trabalho.
O Auxiliar de Segurança no Trabalho é o profissional 
responsável por promover a segurança e a prevenção de riscos. 
Ele orienta os funcionários a utilizar os EPI’s de forma correta, 
estabelece normas de segurança, informa sobre meios de 
prevenção de acidentes, inspeciona áreas de trabalho a fim de 
verificar as condições do ambiente e verifica equipamentos usados 
https://www.ilo.org/brasilia/convencoes/WCMS_236163/lang--pt/index.htm
23INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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para determinar possíveis fatores de risco. O profissional trabalha 
diretamente com a área de saúde e segurança em empresas.
O Técnico de Segurança do Trabalho pode atuar em 
empresas, brigadas de incêndio e instituições públicas e privadas. 
Sua meta é preservar a segurança dos trabalhadores a partir de 
programas de prevenção, como a Comissão Interna de Prevenção 
de Acidentes (CIPA), que visa evitar que ocorram acidentes e 
doenças relacionadas ao trabalho.
O Engenheiro de Segurança do Trabalho desenvolve, 
testa e supervisiona sistemas, processos e métodos produtivos, 
gerenciando atividades de segurança no trabalho e do meio 
ambiente, gerenciando exposições a fatores ocupacionais de 
risco à saúde do trabalhador, planejando empreendimentos e 
atividades produtivas e coordenando equipes, treinamentos e 
atividades de trabalho.
O engenheiro é muito importante no dia a dia de uma 
sociedade, seja planejando ou executando projetos; área de 
segurança, esse profissional é fundamental para a busca de 
soluções, a concretização de ideias ou mesmo para a administração 
dos serviços necessários à execução da gestão de segurança. Não 
seria diferente na engenharia moderna, que se caracteriza pelo uso 
de ferramentas de gestão atrelados à aplicação de conhecimentos 
científicos para a solução de problemas (Alvim, 2006). 
Engenharia de segurança do 
trabalho moderna
A engenharia de segurança que vemos hoje está inserida 
em uma nova cultura organizacional, que iniciou durante 
uma reunião em Londres, em 1946, onde vinte e cinco países 
representantes decidiram criar uma organização internacional, a 
24 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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International Organization for Standardization (ISO), que tem como 
objetivo facilitar a coordenação de normas industriais. 
Atualmente, a Segurança e a Saúde Ocupacional são 
preocupações de todos os segmentos para reduzir e controlar 
acidentes de trabalho. As organizações querem servir os clientes 
com produtos de qualidade, garantir a prevenção no uso de 
máquinas e equipamentos e evitar qualquer tipo de erro. 
A segurança do trabalho no Brasil
A história da segurança do trabalho acompanha a 
Revolução Industrial nos países europeus e nos EUA, logo, não 
seria diferente no Brasil. Porém, assim como nos demais países 
em desenvolvimento, a Revolução Industrial no Brasil ocorreu 
de forma tardia, por volta de 1930. Pouco tempo depois, o país 
registrava o maior número de acidentes e mortes no trabalho 
(Macedo, 2012).
A primeira Revolução Industrial ocorreu, principalmente, 
entre meados do século XVIII e século XIX na Europa, com avanços 
tecnológicos, mecanização da produção e transformações 
socioeconômicas. No entanto, esses desenvolvimentos tiveram 
um impacto bastante limitado no Brasil durante esse período, 
devido à predominância da economia agrária e da escravização 
ainda vigente no país. Portanto, não há um “ano” específico 
para a primeira Revolução Industrial no Brasil, já que o país 
não experimentou as mesmas mudanças e avanços industriais 
característicos desse período nos países desenvolvidos.
Foi apenas após a Constituição Federal de 1988 que a 
legislação trabalhista começou a se adequar, embora desde 
1943 existissem leis para reger as relações de trabalho, como a 
Consolidação das Leis trabalhista (CLT) e, posteriormente, a Lei de 
Planos de Benefícios da Previdência Social. Em 1977 foi aprovada 
25INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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a Lei ordinária nº 6.514/77, relativa à Segurança e Medicina do 
Trabalho. 
Atualmente no Brasil, a legislação relativa à segurança e 
medicina do trabalho é regida principalmente pela Consolidação 
das Leis do Trabalho (CLT) (artigos 166 e 167) e pela Norma 
Regulamentadora número 4 (NR-4), que estabelece os Serviços 
Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina 
do Trabalho (SESMT) nas empresas. Além disso, existem outras 
Normas Regulamentadoras (NRs) que abordam especificamente 
a segurança e a saúde dos trabalhadores em diferentes setores 
e aspectos, como o uso de equipamentos de proteção individual, 
a prevenção de incêndios, o trabalho em espaços confinados, 
entre outros. São 38 normas regulamentadoras e, entre elas, 36 
continuam vigentes.
O artigo da Constituição Federal do Brasil que rege a 
competência para legislar sobre segurança e medicina do trabalho 
é o artigo 22, inciso I, que atribui competênciaprivativa à União 
(ou seja, ao Poder Legislativo Federal) para legislar sobre normas 
gerais de proteção ao trabalho, incluindo a segurança e a medicina 
do trabalho.
Esse dispositivo confere à União a autoridade exclusiva para 
criar leis que estabeleçam as normas gerais que regem a proteção 
dos trabalhadores no que diz respeito à segurança, medicina 
e condições de trabalho. No entanto, é importante mencionar 
que a União pode delegar a regulamentação específica dessas 
matérias aos órgãos competentes, como o Ministério do Trabalho, 
que elabora as Normas Regulamentadoras (NRs). Portanto, a 
competência para legislar sobre segurança e medicina do trabalho 
é compartilhada entre o Poder Legislativo, responsável por criar 
leis gerais, e o Ministério do Trabalho, responsável por criar as 
normas regulamentadoras específicas que detalham as diretrizes 
26 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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para a segurança e a medicina do trabalho em diferentes setores 
e situações.
ACESSE
Para conhecer as normas regulamentadoras 
vigentes, com suas devidas alterações textuais, 
acesse o link disponível aqui. 
RESUMINDO
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo 
deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
Você deve ter aprendido que a engenharia de 
segurança, ao longo dos anos, tem desempenhado 
um papel fundamental na promoção de ambientes 
mais seguros, tanto em contextos industriais 
quanto urbanos. Esta evolução é resultado de uma 
crescente conscientização sobre a importância 
da prevenção de acidentes, da integração de 
tecnologias avançadas e da necessidade de 
proteger tanto os trabalhadores quanto o público 
em geral. Historicamente, os primeiros esforços 
no campo da engenharia de segurança estavam 
focados na prevenção de acidentes em locais de 
trabalho, especialmente em setores de alto risco, 
como a mineração e a construção. No entanto, 
com o avanço tecnológico e a complexidade dos 
sistemas modernos, essa área se expandiu para 
abordar desafios em ambientes variados, desde 
a segurança de dados até a proteção contra 
desastres naturais. 
https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes
27INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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Um fator chave na evolução deste campo foi a 
integração de tecnologias emergentes, como 
sensores avançados, inteligência artificial e análise 
de Big Data, permitindo avaliações mais precisas 
dos riscos e implementação de soluções proativas. 
Além disso, a colaboração interdisciplinar entre 
engenheiros, profissionais da saúde e especialistas 
em comportamento humano aprofundou a 
compreensão das causas subjacentes aos 
acidentes e ajudou a desenvolver estratégias mais 
eficazes de prevenção. A engenharia de segurança, 
em sua trajetória evolutiva, não apenas tem 
salvaguardado vidas e propriedades, mas também 
tem permitido que a humanidade avance com 
confiança, explorando novas fronteiras e adotando 
inovações com a segurança de que os riscos são 
gerenciados de maneira eficiente. À medida 
que enfrentamos desafios crescentes em um 
mundo cada vez mais interconectado, o papel da 
engenharia de segurança continuará sendo crucial 
para garantir um futuro mais seguro para todos. 
28 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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Aspectos econômicos, políticos 
e sociais 
OBJETIVO
Ao término deste capítulo, você será capaz de 
conhecer os aspectos econômicos, políticos e 
sociais que estão envolvidos com os eventos 
históricos do prevencionismo. Como você 
imagina que viviam as pessoas que tiveram que 
migrar do campo (área rural) para as cidades 
(área urbana)? Como era a distribuição de renda 
entre a população? Como a política afeta o 
desenvolvimento do prevencionismo? Conhecer 
os aspectos políticos, sociais e econômicos é 
necessário para compreendermos o surgimento 
das leis e procedimentos de segurança, e é isso 
que faremos neste capítulo. Vamos viajar juntos 
pelo tempo. 
Aspectos econômicos
Como descrever os aspectos econômicos que envolvem 
as relações de trabalho e a segurança do trabalho? É simples: 
precisamos analisar as perdas e os custos com os afastamentos 
por acidentes e doenças ocupacionais. Mas será que esses valores 
sempre foram levados em consideração ou podemos apontar 
quando investir na segurança foi mais lucrativo do que pagar 
pelos custos dos afastamentos?
Podemos dividir os aspectos econômicos em dois 
períodos, o período pré-industrial e o pós-industrial, por isso, é tão 
importante nos dedicarmos ao estudo da segurança do trabalho 
após a Revolução Industrial.
No período pré-industrial, a morte e os acidentes nos 
ambientes de trabalho eram tão comuns devido aos inúmeros 
29INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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perigos enfrentados pelos trabalhadores, e eram tratados com 
fatos corriqueiros, sem grande impacto econômico. As políticas 
econômicas da época estavam mais preocupadas com os prejuízos 
gerados pelas guerras e pelas doenças por falta de condições 
básicas de saúde.
Mesmo com condições precárias de trabalho, exposição 
a condições de risco eminente, como o trato com animais e 
epidemias que assolavam as cidades, era vital para a economia 
que o trabalho não parasse. Nesse momento, não se cogitavam 
gasto com a prevenção dos acidentes ou com a qualidade de vida 
dos trabalhadores.
O período industrial se iniciou com a produção de teares 
para a indústria têxtil e a máquina a vapor. Essa revolução foi 
se propagando por toda a Europa, América do Norte e, mais 
posteriormente, na segunda metade do século XX, chegando aos 
países da Ásia, África e América do Sul. Embora temporalmente 
separadas, as condições relacionadas à segurança do trabalho são 
muito semelhantes, pois apenas após a Revolução Industrial que a 
segurança do trabalho ganha inquietação e significado em função 
do sistema econômico. 
Mas o que mudou na economia após a Revolução 
Industrial? Por que agora é economicamente viável investir em 
segurança? Como você, profissional de segurança do trabalho, 
explicaria as vantagens de investir em condições mais seguras 
de trabalho e qualidade de vida? Essa resposta pode ser dada 
entendendo que os investimentos feitos pelo poder público no 
processo de industrialização têm como finalidade tirar os países 
da condição de subdesenvolvimento, que requer, além das 
indústrias, uma sociedade com um poder de compra, ou seja, 
o aumento da renda per capita e melhores condições de vida. 
Uma sociedade industrializada que não investe nas condições 
30 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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de trabalho é uma sociedade com saldo negativo em relação aos 
custos com acidentes e doenças do trabalho.
Quando um trabalhador era afastado do sistema de 
produção, havia uma redução na produção da empresa e, 
consequentemente, dos lucros, além da paralisação da produção 
pelo tempo que levasse o afastamento do acidentado ou que 
fosse treinado outro para ficar em seu lugar.
Para o trabalhador, o afastamento também era 
economicamente prejudicial, pois mesmo com as legislações já 
implementadas que garantiam o direito à previdência social, as 
indenizações não eram suficientes para manter o padrão de vida.
Fica claro que obtemos um resultado negativo com os 
custos dos acidentes e das doenças ocupacionais, que superam 
os benefícios do processo industrializado. Por isso que a saúde 
e a segurança do trabalhador está ligada ao triângulo Empresa, 
Estado e Trabalhador (Barsano; Barbosa, 2018).
Atualmente, a comissão tripartite tem o objetivo de avaliar 
e propor medidas para implementação da Convenção nº 187 da 
Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Imagem 1.5 – Comissão tripartite
Estado
Empresa
TrabalhadorFonte: Elaborado pela autoria (2023)
31INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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Aspectos políticos
Analisar os diversos aspectos que envolvem a segurança 
do trabalho mostra a evolução dos valores morais e sociais 
dentro da cultura organizacional. Grande parte das mudanças 
organizacionais foi impulsionada por pensamentos políticos, 
atendendo às pressões de diversos fatores e agentes sociais, 
principalmente os aspectos econômicos. 
Podemos definir tecnicamente o ambiente ocupacional 
como um local que expõe os trabalhadores a riscos inerentes 
às suas atividades, como os riscos químicos, físicos e biológicos, 
causadores de acidentes e doenças ocupacionais, além daqueles 
relacionados ao ambiente de trabalho que podem induzir ou 
estimular o aparecimento de doenças do trabalho, cabendo 
ao Estado regulamentar os requisitos legais para garantir aos 
trabalhadores o direito de exercer suas atividades de forma segura 
e com qualidade de vida.
REFLITA
O Estado é capaz de garantir o valor da vida 
humana? Para responder a essa pergunta é preciso 
analisar os diferentes cenários políticos que nos 
são apresentados no passado e no presente. A 
revolução Francesa tinha como base os ideais de 
liberdade e igualdade. Nesse período, a burguesia 
e os trabalhadores lutavam contra um governo 
monarquista. 
Nesse contexto, o conceito de igualdade deveria ser 
concedido por um político constituinte, com representes da 
burguesia e do povo. Foi durante esse cenário que foram criados 
os conceitos de direita, aqueles que defendiam a monarquia 
sentavam-se à direita da câmara; e esquerda, pois os que 
defendiam a burguesia e os trabalhadores sentavam-se à esquerda 
da câmara. 
32 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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Atualmente, ainda usamos na política os conceitos de di-
reita e esquerda, hoje não mais pelo local que se encontram po-
sicionados no plenário, mas pela posição que assumem diante da 
sociedade, em favor ou contra os governantes.
No Brasil, podemos acompanhar os movimentos econômi-
cos, políticos e sociais que levaram a um posicionamento político 
em prol dos direitos dos trabalhadores.
No Brasil Colônia, a sociedade aceitava o trabalho escravo 
com naturalidade e as atividades econômicas estavam concentra-
das nos engenhos de açúcar e mineração. O poder político, por 
sua vez, era orquestrado pelos senhores de engenho, junto com 
os remanescentes da Corte Imperial. Não havia espaço para uma 
política voltada para a igualdade e a garantia de direitos. Mesmo 
após a abolição, as desigualdades sociais se mantiveram, fruto de 
uma política formada por uma burguesia latifundiária.
O processo de industrialização do Brasil foi tardio em re-
lação aos países europeus e da América no Norte, tendo sido im-
pulsionado pelo capital da cafeicultura e por uma burguesia que 
entendia este caminho como essencial para ultrapassar a posição 
de país subdesenvolvido. Nesse contexto, vemos uma sociedade 
massacrada pelo mercado, sem direitos trabalhistas, mesmo já 
havendo um movimento protecionista na Europa. Vemos traba-
lhadores brasileiros, homens, mulheres e crianças, trabalhando 
em condições insalubres e precárias.
Apenas após a Segunda Guerra Mundial surgem no Brasil 
as leis de proteção ao trabalhador, no governo de Getúlio Vargas 
(1945), sem muitas portarias regulamentadoras. Após este perío-
do, podemos destacar a Portaria nº 3.237/72, que regulamenta a 
obrigatoriedade do SESMT, baseada na Recomendação OIT 112 e 
a Portaria nº 3.214/78 que instituiu, junto ao extinto Ministério do 
Trabalho e Emprego, as Normas Regulamentadoras.
33INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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 Até a Constituição Federal de 1988 as empresas encontra-
vam dificuldades em implementar as ações que atendessem aos 
requisitos legais constituintes das NRs. O governa também não 
tinha elaborado instrumentos de fiscalização adequados. Na dé-
cada de 1990 temos a publicação da Portaria MTE02/92 (posterior-
mente revogada pela Instrução Normativa SRT nº3/2002), consti-
tuindo um sistema tripartite, composto por cinco representantes 
do governo, cinco dos empregadores e cinco dos empregados, 
incluindo a participação dos poderes políticos representados pelo 
Ministério da Saúde, Previdência e Assistência Social.
Foram longos anos até chegarmos nas últimas atualiza-
ções propostas pelas forças políticas atuais, que propuseram for-
tes mudanças nos direitos trabalhistas e previdenciários, incluin-
do alterações textuais e revogação de algumas NRs. 
Aspectos sociais
Os estudos socioeconômicos nos mostram que a 
Revolução Industrial gerou mais que uma sociedade mecanizada, 
abrindo novas fontes de trabalho, emprego, melhorias e soluções 
tecnológicas. Mas, como toda mudança também apresenta 
aspectos negativos, emergiram diversos problemas sociais. Isso 
porque os trabalhadores muitas vezes recebiam tratamentos 
desumanos, pois custavam pouco e poderiam ser facilmente 
trocados por outros mais acessíveis economicamente. Logo, não 
era socialmente e muito menos economicamente viável cultivar 
políticas prevencionistas. 
34 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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REFLITA
Supondo que um homem vivesse cerca de 50 a 
60 anos na primeira Revolução Industrial, se ele 
trabalhasse dos 15 aos 50 anos, seriam 35 anos de 
trabalho. Agora, considere que esta mesma pessoa 
sofresse um acidente e ficasse incapacitado aos 30 
anos de idade: seriam menos 15 anos de produção. 
Sem contar os acidentes que levavam à morte. 
Então, eu te pergunto, quanto vale a vida humana? 
Não muito diferente do cenário atual, valia o 
quanto podia produzir, portanto, era aceitável 
o trabalho infantil nas fábricas, por exemplo. 
Atualmente não existente em termos oficiais, o 
trabalho infantil ainda é combatido e proibido por 
lei e pela sociedade.
Vemos então que o trabalho tinha suas regras estabelecidas 
pelo empregador, que se beneficiava da lei da oferta e da procura 
para modificar as regras dos contratos de trabalho. Foi preciso 
o posicionamento político do Estado para estabelecer regras 
e condições de trabalho, mas ainda não preconizava uma visão 
de segurança no trabalho e sim uma ordem econômica e social 
(Matos; Masculo, 2011).
Podemos destacar diversos aspectos encontrados no 
ambiente de trabalho que impactavam diretamente na saúde, na 
segurança e também no ambiente e suas relações sociais como: 
falta de saneamento básico, ausência de higiene e organização, 
inexistência de proteção jurídica do trabalhador e degradação 
ambiental (Moraes, 2009).
As pressões sociais levaram a manifestações públicas 
contra o trabalho desumano, que resultaram na Lei de Prevenção 
da Saúde e da Moral (1802), que estabelecia a proteção dos 
trabalhadores, mas não teve efeitos práticos por falta de 
instrumentos para a sua aplicação efetiva. A legislação limitava a 
um máximo de doze horas de trabalho diário e proibia o trabalho 
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noturno. Também exigia a limpeza das paredes e a ventilação 
dos dormitórios, mas não estabelecia restrições quanto à idade 
mínima de admissão. Ou seja, a política prevencionista vem 
atrelada aos valores morais da sociedade. O direito do trabalho foi 
gradativamente estabelecendo critérios de segurança no trabalho, 
passando a estabelecer outras normas, muitas delas de origem 
sindicalista, como a proteção ao desemprego e negociações 
coletivas.
Aquele que é considerado um marco na legislação 
prevencionista da era industrial, a “Lei da fábrica”, na Inglaterra, 
proibia o trabalho noturno aos menores de 18 anos e preconizava 
que as fábricas deveriam ter escolas, que deveriam ser 
frequentadas por todos os trabalhadores menores de 13 anos. 
Além disso, a idade mínima para o trabalho era de 13 anos e um 
médico deveria atestar que o desenvolvimento físico da criança 
correspondia a sua idade cronológica, além de definir uma jornada 
de trabalhodiária de 12 horas. A lei foi ainda ampliada, em 1867, 
estipulando a proteção de máquinas e controle de poeiras nocivas. 
A inspeção médica nas fábricas iniciou em 1897, com a adoção de 
leis de compensação (Matos; Masculo, 2011). 
No século XX, vemos um movimento globalizado na 
busca de unificar conceitos relativos à responsabilidade social e 
segurança. A criação da OIT teve um papel relevante nas questões 
do trabalho, tanto no âmbito humanitário, lutando contra as 
situações injustas e degradantes de trabalho, quanto nas esferas 
econômica e política. 
Assim como os demais países que tiveram uma Revolução 
Industrial mais tardia, o Brasil ainda esbarra em fatores sociais, 
políticos e econômicos que limitam a aplicação e o cumprimento 
das exigências legais e políticas do prevencionismo. Como 
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consequência, a sociedade ainda se faz valer dos seus direitos 
trabalhistas por vias civis e criminais, mediante ações judiciais.
RESUMINDO
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza 
de que você realmente entendeu o tema de 
estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o 
que vimos. Você deve ter aprendido que quando 
se contextualiza a segurança do trabalho, não 
podemos apenas abordar os aspectos físicos do 
trabalhador, pois essa questão envolve também 
aspectos econômicos, políticos e sociais. As 
legislações trabalhistas precisam garantir a 
segurança física do trabalhador, evitando acidentes 
e doenças ocupacionais; combater o desemprego 
e as desigualdades sociais. Essa é uma forma de 
garantir direitos para o trabalhador e sua família, 
mas também de evidenciar o seu importante papel 
na sociedade. 
37INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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A história do prevencionismo
OBJETIVO
Ao término deste capítulo, você conhecerá alguns 
marcos importantes da caminhada prevencionista, 
mostrando sua relevância econômica, política 
e social até chegarmos ao século XX, com suas 
modernidades na revolução 4.0. E então? 
Preparado para desenvolver essa competência? 
Avante!
Breve histórico
A história prevencionista pode ser descrita como 
envolvente e reveladora, nos motivando cada vez mais a conhecer 
e entender os processos que permeiam seu contexto histórico 
e também social, principalmente quando evidenciamos saltos 
de conhecimentos técnicos e científicos e transformações 
tecnológicas inovadoras.
O advento das máquinas foi apenas o primeiro marco dessa 
longa jornada. Depois da primeira Revolução Industrial, tivemos 
ainda o descobrimento do poder energético dos combustíveis 
fósseis, o surgimento dos bancos e processadores de dados e 
até a incrível habilidade de transformar uma imagem digital em 
produtos 3D, que atrelados à inteligência artificial, proporcionam 
ao mundo um avanço nas relações do homem com o meio.
O vice-presidente da CNI, Paulo Afonso Ferreira, afirma 
que o Brasil precisa estar preparado para enfrentar os avanços 
tecnológicos e destaca a evolução das máquinas e os impactos na 
humanidade:
Por muito tempo temia-se o avanço 
tecnológico e não tínhamos a noção de onde 
poderíamos chegar. Falava-se em substituir o 
homem pela máquina, mas o que podemos 
38 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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perceber é que houve uma integração entre 
eles. O maior patrimônio das empresas é seu 
capital intelectual e de seus colaboradores. 
O ser humano, principalmente dotado de 
conhecimento, será sempre necessário 
na concepção de produtos, serviços e na 
interface com a máquina. (Ferreira, 2017) 
SAIBA MAIS
Para aprofundar o conhecimento a respeito das 
inovações tecnológicas e seus impactos na gestão 
de Saúde e Segurança do Trabalho (SST), acesso o 
texto disponível aqui.
Imagem 1.6 – Onde a globalização tecnológica pode nos levar?
Fonte: Pixabay
https://sesirs.org.br/saude-na-empresa/sst-o-que-voce-precisa-saber-sobre-na-industria-4-0
39INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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Como antecipar, reconhecer, avaliar e prevenir os novos 
riscos presentes nos ambientes de trabalho transformados pelas 
inovações tecnológicas? Esse é o grande desafio do profissional 
prevencionista no mercado atual. Há uma necessidade em 
desenvolver novas habilidades e competências para adequar 
os novos postos de trabalho, automatizados, conectados e 
globalizados, sem abrir mão da humanização desses setores. 
REFLITA
A NR 24 trata das condições mínimas sanitárias e 
do conforto nos locais de trabalho. Logo no item 
24.2.1 é estabelecido que as instalações sanitárias 
devem ser dotadas de lavatórios (local para lavar 
as mãos e fazer assepsia). Com a tecnologia, 
esses lavatórios, atualmente, podem ser dotados 
de torneiras com acionamento automático e 
secadores com sensores de presença e secagem 
por circuito de ventilação de ar. Todo este sistema 
evita a contaminação dos colaboradores ao tocar 
nos dispositivos de acionamento dos lavatórios 
e secadores. Vejam como a tecnologia pode ser 
positiva para o prevencionismo. E você? Como 
você adequaria a NR24, aos avanços tecnológicos 
em prol do prevencionismo?
Agora que já exercitamos nossas habilidades e competên-
cias na gestão de SST, vamos embarcar no conhecimento dos mar-
cos históricos, antes, durante e depois da Revolução Industrial, até 
chegarmos aos dias de hoje.
40 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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Prevencionismo pré-revolução 
industrial
Assim como a história do trabalho está diretamente ligada 
à história do homem, podemos dizer que os acidentes de trabalho 
fazem parte da humanidade, assim como as doenças ocupacionais.
Ao longo da história, o trabalho tem sido usado como um 
agente de abusos e acidentes, como no caso dos escravizados, 
de quem era exigido trabalho até a exaustão para a construção 
de cidades e monumentos ou os antigos artesãos medievais que 
tinham suas mãos lesionadas na confecção e modelagem de 
peças. Neste mesmo período, podemos pontuar o registro em 
papiros egípcios e greco-romanos de ocorrências de doenças 
ocupacionais, algumas ligadas aos agentes químicos e trabalhos 
manuais; e as tentativas de preveni-las.
Os avanços nos conhecimentos científicos à aplicação de 
técnicas não ocorreu em um único momento e muitos desses 
avanços estão ligados a filósofos e pensadores. Alguns marcos 
que podemos destacar são os escritos de Hipócrates, Aristóteles 
e Platão, se referindo a trabalhadores das minas de estanho, 
doenças de corredores e deformações do esqueleto em certas 
profissões, respectivamente. 
VOCÊ SABIA?
LO prevencionismo aparece nos escritos do 
filósofo Galeno, no século 2, fazendo menções à 
contaminação por substâncias tóxicas presentes 
nas minas e recomendando o uso de máscaras de 
bexigas.
Os conhecimentos científicos também eram usados para 
solucionar problemas com os artefatos produzidos, baseados em 
seu funcionamento, fenômenos físicos e químicos até chegarmos 
41INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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à construção de máquinas que aplicavam todo esse conhecimento 
adquirido para a otimização dos recursos e do meio.
No entanto, não vemos o prevencionismo seguir a mesma 
linha temporal na história. Considerando a higiene e a segurança 
ocupacional como avanços recentes, podemos afirmar que o 
prevencionismo tornou-se importante somente no período pós-
Revolução Industrial, pois, na Idade Média, ainda se nota a ausência 
prevencionista na sociedade europeia no período pré-revolução, 
que estava mais preocupada com as perdas e mortes ocorridas 
em função de guerras e epidemias. O fato de os trabalhadores 
das minas continuarem morrendo por intoxicação ou que os 
operadores da imprensa sofressem lesões ou perda total dos 
membros nas prensas não era um assunto relevante.
VOCÊ SABIA?
LO chapeleiro maluco de Alice no País das 
Maravilhas era exposto ao mercúrio durante a 
confecção de feltro, que resultava na instabilidadeemocional e irritabilidade (Silveira; Ventura; 
Pinheiro, 2004). 
A Idade Moderna é marcada por importantes acontecimen-
tos históricos, com a queda da Bastilha e a Revolução francesa, 
mas na história prevencionista ela se destaca pela obra de Berna-
dino Ramazzini, que descreve os agravos à saúde do trabalhador, 
sendo o primeiro a descrever detalhadamente sobre doenças 
ocupacionais. O autor coletou seus dados clínicos perguntando a 
cada paciente: “Qual o seu trabalho?”, o que lhe possibilitou buscar 
por medidas preventivas (Macedo, 2012).
Mas afinal, o que leva os empregados e empregadores a se 
importarem efetivamente com a saúde e a segurança no trabalho? 
Isso nós iremos descobrir percorrendo os eventos que ocorreram 
após a Revolução Industrial.
42 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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SAIBA MAIS
Na Alemanha e depois na França ocorreram 
eventos coletivos de intoxicação que levaram as 
pessoas a dançarem até a morte. Curioso para 
entender melhor esse estranho fenômeno? Para 
saber mais, acesse o link disponível aqui.
Prevencionismo pós-revolução 
industrial
Historicamente, podemos definir que a Revolução 
Industrial ocorreu no século XVIII, na Europa, e depois seguiu para 
a América do Norte. Como marco histórico, podemos destacar 
a invenção da máquina a vapor (1784), que trouxe um grande 
aumento da produtividade e, consequentemente, do consumo 
de bens. Porém, a revolução não trouxe apenas benefícios, mas 
também um grande custo para os trabalhadores, principalmente 
com os acidentes causados pela falta de treinamento e proteção 
para as máquinas, que muitas vezes levavam à morte.
Quando não era o óbito que resultava do ambiente de 
trabalho insalubre, era a perda da audição, devido aos elevados 
níveis de ruído, sem contar os problemas de saúde pública gerados 
pela má condição de higiene nos ambientes laborais.
A chegada das máquinas torna mais visível a até então 
distorcida linha que separava as classes sociais: de um lado os 
trabalhadores pobres e de outro os empregadores ricos. Para os 
pobres, a máquina compete com sua força de trabalho, enquanto 
https://youtu.be/f3wstFD9b7w
43INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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para os ricos ela é a fonte de mais lucro e menos gastos. A falta 
de uma legislação protecionista e o aumento da concentração 
populacional urbana gerou uma pressão social que obrigou 
políticos e legisladores, primeiramente na Inglaterra, com a lei de 
“Saúde moral dos aprendizes” e depois em outros países europeus, 
a introduzirem normas jurídicas, como a lei que protegia os 
acidentados e seus dependentes, criada na Alemanha em 1884. 
À medida que as fábricas ganhavam novas proporções, 
o acometimento de doenças ocupacionais e não ocupacionais 
cresciam, até que, em 1832, John Marshall contratou o primeiro 
médico para atuar em suas fábricas. Logo após, em 1833, foi 
decretado o Factory Act, considerado como a primeira legislação 
abrangendo as condições de trabalho nas fábricas. Somente em 
1844 é que foram acrescentados os itens referentes a proteções 
com máquinas e o registro de acidentes (Moraes, 2009).
O surgimento de novas linhas teóricas, os chamados 
pensamentos liberais, fez com que novos estudos, que incluíam 
a Ciência Social (1833) e a Higiene Social (1838), estimulassem 
a ampliação legal da Segurança do Trabalho, proporcionando 
modificações em leis já existentes, como a proteção para máquinas 
e a ventilação mecânica para controlar a poeira dos ambientes.
REFLITA
Você consegue relacionar o prevencionismo com os 
conhecimentos científicos? Pois é assim que pode-
mos entender o surgimento das leis que desenvolve-
ram a cultura prevencionista. Elas surgem a partir de 
uma pressão social acompanhada pela evolução do 
conhecimento. No momento que o homem é pres-
sionado, seja por condições de trabalho sub-huma-
nas, no caso dos pobres, ou por cobranças da socie-
dade, no caso dos ricos, o homem se vê necessitado 
de buscar novos conhecimentos, que proporcionam 
o surgimento de pensamentos prevencionistas que 
se materializam nas leis e, posteriormente, na consti-
tucionalização desses direitos e deveres.
44 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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No Brasil, há grande frequência de acidentes, acompanhada 
pelas doenças ocupacionais, ainda subnotificadas. Os índices 
são mais altos do que em outros países, principalmente quando 
comparados com os países europeus. Levando em conta que o 
processo industrial no Brasil se iniciou tardiamente, quando os 
países europeus já adotavam medidas prevencionistas era de se 
esperar que o Brasil assumisse tais medidas, mas, como afirma 
Filgueiras (2017), isso não aconteceu.
Embora as transformações europeias tenham influenciado 
o direito trabalhista brasileiro, junto com a entrada na Organização 
Internacional do Trabalho (1919), foi apenas após a Segunda 
Guerra Mundial que as primeiras leis de proteção ao trabalhador 
foram surgir. Os fatos marcantes no Brasil são a Consolidação das 
Leis Trabalhistas (CLT, 1943), a criação da Associação Brasileira 
de Prevenção de Acidentes (ABPA, 1945), a Fundacentro (1966), a 
obrigatoriedade dos Serviços Médicos e de Higiene e Segurança 
do Trabalho (1972) e a publicação das primeiras Normas 
Regulamentadoras (1978) (Matos; Masculo, 2011).
Revolução 4.0
A Imagem 1.7 apresenta as principais características das 
revoluções industriais ocorridas desde o século XVIII até o século XXI.
Imagem 1.7 – Evolução da indústria
1ª Revolução 
1.0
2ª Revolução 
2.0
3ª Revolução
Revolução 
4.0
Mecanização 
Energia hidráu-
lica
 Energia a 
vapor
Produção em 
massa
Linha de mon-
tagem
Eletricidade
Computação e 
automação
Inteligência 
artificial
Sistemas 
cibernéticos
Fonte: Elaborada pela autoria (2023)
45INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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A revolução 4.0 está transformando os processos 
industriais tradicionais e nos apresentando a indústria do futuro, 
logo, é de extrema importância entendê-la e discuti-la, para que 
possamos nos adaptar a essa nova onda.
A indústria 4.0 é um conceito de “fábricas inteligentes” 
que desenvolvem estratégias que permitem alinhar as novas 
tecnologias aos meios de produção. O conceito da Indústria 4.0 
se baseia no fato de que o uso de tecnologia e automação pode 
permitir mudanças nas etapas de produção, tornando cada etapa 
mais independente por meio de sistemas cibernéticos.
Mas você deve estar se perguntando, qual a relação da 
indústria 4.0 com a história do prevencionismo? Na Revolução 
1.0, foi preciso estabelecer os critérios de saúde e segurança 
nas indústrias; na Revolução 2.0 o prevencionismo apareceu 
voltado para ações globalizadas para atender às instituições 
internacionais OIT E ONU; na Revolução 3.0 as ações 
prevencionistas se voltam para a incorporação do cuidado 
com o meio ambiente com políticas de SMS e desenvolvimento 
sustentável. E na Revolução 4.0?
Esses são os novos capítulos que deveremos escrever para 
adequar-nos as mudanças nas relações de trabalho geradas pela 
Revolução 4.0. Haverá mudanças acompanhadas por desemprego 
e queda dos salários em função da substituição e extinção de 
alguns cargos nas indústrias, mas também haverá a criação de 
novas empresas e novas indústrias, porém, com um número 
reduzido de novos empregos, que surgirão, principalmente, para 
atender a demanda de criatividade e desenvolvimento de novas 
ideias.
Torna-se então indispensável, para entrar na concorrência 
das inovações, as empresas entrarem em modelos de gestão 
que auxiliem a tomada de decisão e as estratégias de negócio, 
46 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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adotando medidas proativas em sua gestão de saúde e segurança 
que se inicia no processo de seleção e contratação de profissionais 
que demonstrem habilidades prevencionistas, com a consciência 
da importância de cumprir regras de segurança e em prol da 
formação continuada de seus colaboradores,investindo em 
treinamentos e capacitação para atuarem com segurança diante 
das novas tecnologias e, assim, atendendo às expectativas dos 
stakeholders. 
RESUMINDO
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo 
deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
Você deve ter aprendido que o prevencionismo 
não se desenvolve de forma linear, mas se 
desenvolve em função de pressões sociais e novos 
conhecimentos científicos. A Revolução Industrial 
é um marco nessa história, pois no período pré-
revolução não havia ações legais e jurídicas a favor 
da segurança do trabalhador e no período pós-
revolução, com os movimentos sociais gerando 
forte apelo e respostas políticas e legais para as 
condições de trabalho, o prevencionismo começa 
a ganhar protagonismo. Vimos ainda que o 
prevencionismo não é algo estático, mas precisa 
estar em constante atualização e adequação às 
novas formas de relação de trabalho.
47INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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Entidades públicas e privadas
OBJETIVO
Ao término deste capítulo, você conhecerá o 
conceito de entidades públicas e privadas e os 
aspectos relevantes sobre a Saúde e Segurança do 
Trabalho, em especial sobre o SESMT. 
Conceitos legais
Atualmente, a prevenção de acidentes de doenças do 
trabalho está presente em diferentes setores de trabalho, com 
inúmeras leis criadas para garantir as condições de higiene, 
e segurança do trabalho. Vários setores estão envolvidos no 
processo de prevencionismo, todos com o objetivo de garantir e 
gerar melhorias nas condições de trabalho no Brasil. E como é a 
aplicação dessas leis pelas entidades públicas e privadas? Existem 
diferenças no âmbito legal? E a administração e fiscalização dessas 
entidades?
Para responder essas perguntas, é preciso estabelecer os 
conceitos de entidades públicas e privadas. Entidade é a pessoa 
jurídica, pública ou privada. As entidades são classificadas em 
estatais, autárquicas, fundacionais e paraestatais, que podem 
atuar em vários setores, inclusive com entidades prevencionistas 
(Mafra, 2005).
48 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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DEFINIÇÃO
As entidades estatais e as autárquicas são 
organizações jurídicas de direito público. As 
entidades fundacionais são pessoas jurídicas 
de direito público ou privado. As entidades 
fundacionais particulares podem ser criadas por 
autorização legal, enquanto que as fundações 
públicas são criadas por lei. As entidades 
empresariais são pessoas jurídicas de direito 
privado, sob o formato de economia mista ou 
empresas públicas. As entidades paraestatais são 
pessoas jurídicas de direito privado, os conhecidos 
sistemas autônomos (SESI, SENAC, SENAI etc.).
Primeiramente, abordaremos as responsabilidades atri-
buídas às atividades empregadoras, assim como seus direitos, 
conforme o estabelecido pela legislação do trabalho, por fim me-
ramente didático, abordaremos em uma segunda parte os deve-
res e direitos dos empregados.
Direitos e deveres 
prevencionistas
As entidades públicas e privadas, segundo o Código do 
Trabalho vigente em nosso país, apresentam direitos e deveres do 
empregador para a prevenção e reparação de acidentes e doenças 
profissionais, destacando:
Art. 281: o empregador é responsável por ga-
rantir a segurança e saúde dos trabalhadores 
no ambiente laboral, aplicando medidas pre-
ventivas com base em princípios gerais. Isso 
envolve a mobilização de recursos necessá-
rios, como prevenção técnica, treinamento, in-
formação e consulta aos trabalhadores, bem 
como a colaboração entre empregadores que 
compartilham o mesmo local de trabalho. A le-
49INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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gislação regula a organização e operação dos 
serviços de segurança e saúde no trabalho, 
que o empregador deve garantir.
Art. 282: o empregador tem a responsabilida-
de de informar os trabalhadores sobre aspec-
tos relevantes para a segurança, consultan-
do-os na preparação e aplicação de medidas 
preventivas. Além disso, deve garantir forma-
ção adequada para capacitar os trabalhadores 
a evitar riscos associados às suas atividades e 
permitir que os representantes dos trabalha-
dores desempenhem competentemente suas 
funções.
Art. 283: o empregador deve transferir a res-
ponsabilidade de reparação para entidades 
legalmente autorizadas a realizar o seguro, ex-
ceto no caso de danos decorrentes de doen-
ças profissionais causadas por assédio, nos 
quais a responsabilidade permanece com o 
empregador. Além disso, o empregador deve 
garantir que um trabalhador afetado por le-
são devido a acidente de trabalho ou doença 
profissional receba ocupação compatível em 
caso de redução de sua capacidade de traba-
lho ou de ganho.
As entidades públicas e privadas devem assegurar aos 
trabalhadores o direito à igualdade no acesso ao emprego, 
no trabalho e na formação profissional, direito à igualdade 
e não discriminação, condições de trabalho, proibição de 
discriminação e assédio, além da aplicação dos instrumentos 
de regulamentação coletiva e regulamentos internos. 
Podemos destacar ainda os direitos presentes no código do 
50 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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trabalho relacionados à prevenção e reparação de acidentes e 
doenças profissionais, entre os quais se destacam:
Art. 281: o trabalhador tem o direito de realizar 
suas atividades em um ambiente seguro e 
saudável. Para garantir isso, os trabalhadores 
devem obedecer às regulamentações de 
segurança e saúde no trabalho estabelecidas 
por lei, por acordos coletivos ou pelo 
empregador.
Art. 282: na promoção da segurança e saúde no 
trabalho em cada empresa, os trabalhadores 
são representados por representantes eleitos 
para essa finalidade ou, na ausência destes, 
pela comissão de trabalhadores.
Art. 283: o trabalhador e seus familiares têm 
direito à reparação por danos decorrentes de 
acidente de trabalho ou doença profissional. 
O Fundo de Acidentes de Trabalho assume 
a responsabilidade pelo pagamento de 
prestações em casos de acidentes de trabalho 
que a entidade responsável não pode cobrir 
devido a incapacidade econômica, conforme 
estabelecido por lei.
O papel do serviço especializado 
em engenharia e medicina do 
trabalho – SESMT
A existência de uma legislação prevencionista hoje no 
Brasil, que passa por atualizações e adequações às mudanças 
nas relações de trabalho, ressalta a importância do SESMT e de 
sua constante busca pela melhoria das condições de saúde e 
segurança no ambiente de trabalho.
51INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
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Aqui, destacamos a relação tripartite, governo, empresa 
e empregador, que apesar de investirem na saúde e segurança 
do trabalho, os trabalhadores ainda sofrem as consequências da 
exposição a riscos ocupacionais em ambientes laborais, assim 
como das condições inseguras que persistem como causas de 
acidentes no trabalho.
EXEMPLO: um motorista está direcionando sua carga por 
uma rodovia pública até seu destino, durante o trajeto, ele 
nota que o comando de frenagem não está funcionando 
com 100% de sua capacidade, neste caso, dizemos que o 
motorista está em uma condição insegura, ou seja, é uma 
situação no ambiente de trabalho que coloca em risco a 
integridade física e/ou a saúde das pessoas. São defeitos, 
falhas, irregularidades técnicas e falta de recursos de 
segurança. Acontece sem a interferência do trabalhador, 
pois ele está vulnerável a essas condições, mesmo que 
ele chegue ao destino sem que ocorra um acidente. Tais 
condições podem ser agravadas por atos não seguros 
– relacionado a falha humana – caso o motorista tenha 
ingerido bebida alcoólica ou faça uma ultrapassagem em 
local proibido, por exemplo.
Não podemos desconsiderar as novas tecnologias e ativi-
dades que constantemente surgem, trazendo consigo condições 
de trabalho diferenciadas. No entanto,

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