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INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO Unidade 1 História da Engenharia da Segurança do Trabalho CEO DAVID LIRA STEPHEN BARROS Diretora Editorial ALESSANDRA FERREIRA Gerente Editorial LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria ROSIVANY GOMES KARINE HERANI 4 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 A U TO RI A Rosivany Gomes Olá. Sou a professora Rosivany Gomes. Sou pedagoga e mestre em Biociência, com uma experiência técnico-profissional na área de Segurança, Saúde e Meio Ambiente. Também atuo como consultora para empresas que precisam se adequar às exigências legais na área de Saúde, Segurança e Meio Ambiente. Ao longo da minha vida acadêmica, pude coordenar o curso de MBA em Sistema de Gestão Integrado em SMS. Também pude atuar em diferentes segmentos da Educação, como educação básica, cursos técnicos, cursos de graduação e de pós-graduação. Durante essa jornada, desenvolvi habilidades e competências como educadora, aprimorando meus conhecimentos em Metodologia Ativa, Aprendizagem Baseada em Projetos e Ensino a distância e a Educação em ambientes Virtuais, com o projeto “Recomendação de materiais didáticos baseada em estilos cognitivos de aprendizagem”. Atualmente, me dedico à formação técnica e profissional e à elaboração de materiais educacionais, associando teoria à prática, ou seja, aprender fazendo. Karine Herani Meu nome é Karine Herani. Sou advogada com mais de 22 anos de experiência na área de consultoria jurídica empresarial e gestão de negócios, desenvolvimento de negócios, processos de inovação, negócios internacionais e gestão de projetos. Trabalho como consultora e tive oportunidade de atuar em diferentes setores da indústria, de alimentos a equipamentos, em três países diferentes. Estou imensamente feliz em iniciar com você essa jornada rumo a novos conhecimentos. 5INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 ÍC O N ESEsses ícones aparecerão em sua trilha de aprendizagem nos seguintes casos: OBJETIVO No início do desenvolvimento de uma nova competência. DEFINIÇÃO Caso haja a necessidade de apresentar um novo conceito. NOTA Quando são necessárias observações ou complementações. IMPORTANTE Se as observações escritas tiverem que ser priorizadas. EXPLICANDO MELHOR Se algo precisar ser melhor explicado ou detalhado. VOCÊ SABIA? Se existirem curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo. SAIBA MAIS Existência de textos, referências bibliográficas e links para aprofundar seu conhecimento. ACESSE Se for preciso acessar sites para fazer downloads, assistir vídeos, ler textos ou ouvir podcasts. REFLITA Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido. RESUMINDO Quando for preciso fazer um resumo cumulativo das últimas abordagens. ATIVIDADES Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada. TESTANDO Quando uma competência é concluída e questões são explicadas. 6 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 SU M Á RI O A evolução da engenharia de segurança ................................ 9 Evolução da formação profissional ................................................................22 Engenharia de segurança do trabalho moderna ......................................... 23 A segurança do trabalho no Brasil .................................................................24 Aspectos econômicos, políticos e sociais ............................. 28 Aspectos econômicos .......................................................................................28 Aspectos políticos ..............................................................................................31 Aspectos sociais .................................................................................................33 A história do prevencionismo ................................................ 37 Breve histórico ...................................................................................................37 Prevencionismo pré-revolução industrial ..................................................... 40 Prevencionismo pós-revolução industrial .....................................................42 Revolução 4.0 .....................................................................................................44 Entidades públicas e privadas ................................................ 47 Conceitos legais .................................................................................................47 Direitos e deveres prevencionistas ................................................................48 O papel do serviço especializado em engenharia e medicina do trabalho – SESMT ...............................................................................................................50 Terceiro setor .....................................................................................................54 7INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 A PR ES EN TA ÇÃ O A segurança do trabalho é uma atividade multidisciplinar que engloba um conjunto de normas e procedimentos preventivos com finalidade de antecipar, reconhecer e avaliar os riscos existentes no ambiente ocupacional. A história do prevencionismo vem percorrendo uma longa estrada e objetiva a prevenção de acidentes, doenças ocupacionais e doenças do trabalho. Face aos danos e custos originados pelos acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, as empresas precisaram compreender a necessidade da prevenção e adequação às exigências legais. Segundo o guia de leis trabalhistas, as Normas Regulamentadoras (NR) relativas à segurança e medicina do trabalho são de observância obrigatória pelas empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Os profissionais da área de segurança atuam nas empresas tanto para o cumprimento da legislação pertinente, pois o não cumprimento acarretará ao empregador a aplicação das penalidades, quanto para atender as novas demandas neocapitalistas. Portanto, as normas regulamentadoras estão sendo atualizadas pela comissão Tripartite e os equipamentos de segurança se tornam cada vez mais anatômicos e resistentes. Mas, e as pessoas, acompanharam toda essa evolução? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo prevencionista! 8 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 O BJ ET IV O S Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Descrever a evolução da Engenharia da Segurança do Trabalho. 2. Conhecer os aspectos econômicos, políticos e sociais que norteiam o prevencionismo. 3. Discernir a história do prevencionismo no Brasil e no mundo. 4. Diferenciar os aspectos da segurança de trabalho nas entidades públicas e privadas e o trabalho do SESMT. 9INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 A evolução da engenharia de segurança OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de conhecer e analisar o contexto histórico da Segurança do Trabalho, as perspectivas para o futuro da segurança e da saúde do trabalho e compreender o papel da engenharia de segurança no contexto econômico, político e social. A introdução à Segurança do Trabalho é fundamental para compreender e aplicar os princípios que visam garantir a integridade física e mental dos trabalhadores em seus ambientes laborais. Esta área abrange um conjunto de medidas, procedimentos e normas que têm como objetivo prevenir acidentes, minimizar riscos ocupacionais e promover condições saudáveis nos locais deessas novas condições não são menos propensas a causar doenças ocupacionais, como o es- tresse ocupacional, a síndrome de burnout e os Distúrbios Osteo- musculares Relacionados ao Trabalho (DORTs). É essencial um processo contínuo de formação e informa- ção sobre direitos e deveres para os trabalhadores atuarem em um ambiente que cumpra as condições de saúde e segurança no 52 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 trabalho, evitando assim que a busca pelo lucro prejudique a saú- de e segurança. VOCÊ SABIA? A NR 04 passou por atualização em 2022, a portaria n.º 2318 trouxe alterações significativas, assim sendo chamada de nova NR 4. Uma das alterações mais relevantes, refere-se à obrigatoriedade de empresas com funcionários contratados sob regime CLT criar e manter os SESMT no local de trabalho, nos termos definidos na NR 4. Nossa legislação trabalhista é composta de leis referentes à proteção à saúde do trabalho em esfera federal, estadual, distrital e municipal, não ficando as entidades desobrigadas ao cumprimento destas em detrimento a outras. Entre elas, podemos destacar a Constituição Federal, o Código Penal Brasileiro, a CLT, o Estatuto dos Servidores Públicos e a Portaria n.º 3.214/78 que regulamenta as NRs, entre outros requisitos legais. Determina-se que os empregadores implementem o SES- MT, estando este submetido às ordens da empresa e a fiscalização da Secretaria do Trabalho (extinto MTE). A normativa especifica em seu item 4.1 que as empresas privadas e públicas, assim como órgãos públicos da administração direta e indireta, incluindo os poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, são obrigados a manter Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho. Essa obrigação visa promover a saúde e preservar a integridade dos trabalhadores no ambiente laboral. No entanto, a norma não especifica que a implementação e manutenção do SESMT devem aplicar-se exclusivamente a empresas que mantêm contratos de trabalho regidos pela CLT, o que pode levar a uma interpretação equivocada de que a criação 53INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 do SESMT seja dispensável em órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como nos poderes Legislativo e Judiciário. De acordo com a NR 4: 4.2.1 As organizações e os órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como os órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário e do Ministério Público, que possuam empregados regidos pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 - Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, devem constituir e manter os SESMT, no local de trabalho, nos termos definidos nesta NR. (NR 4, 1978) VOCÊ SABIA? O SESMT é composto por profissionais da área de Saúde e Segurança do Trabalho, são eles: a) Engenheiro de segurança do trabalho – enge- nheiro ou arquiteto com especialização em Enge- nharia de Segurança do Trabalho, em nível de pós- -graduação. b) Médico do trabalho – médico especializado em Medicina do Trabalho em nível de pós-graduação, ou residência médica em área de concentração em saúde do trabalhador ou denominação equivalen- te, reconhecida pela Comissão Nacional de Resi- dência Médica, do Ministério da Educação, ambos ministrados por universidade ou faculdade que mantenha curso de graduação em Medicina. c) Enfermeiro do trabalho – enfermeiro com espe- cialização em Enfermagem do Trabalho, em nível de pós-graduação, ministrado por universidade ou faculdade que mantenha curso de graduação em enfermagem. 54 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 d) Auxiliar de enfermagem do trabalho - auxiliar de enfermagem ou técnico de enfermagem com qua- lificação de auxiliar de enfermagem do trabalho, ministrado por instituição especializada reconheci- da e autorizada pelo Ministério da Educação. e) Técnico de Segurança do Trabalho - técnico com registro profissional expedido pelo Ministério do Trabalho (ENIT, 2016). Serviço especializado em engenharia e medicina do trabalho – SESMT – Entidades privadas Nos setores privados, muitos profissionais, além de receberem salários inadequados, enfrentam a desvirtuação de suas funções. Em alguns casos, não é permitido que exerçam suas atividades com autonomia em relação ao empregador. Em vez disso, servem como uma forma de a empresa ter alguém a quem pode delegar a responsabilidade pela ausência de condições seguras no ambiente de trabalho. Para evitar essas práticas equivocadas em setores privados, o Estado, mediante fiscalização do trabalho exercida pelas Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs), orientam, notificam e, até mesmo, autuam as empresas de forma a garantir o real cumprimento da legislação. Terceiro setor Atualmente, é uma realidade na economia global o aumento da atuação das organizações do terceiro setor, o que leva ao crescimento de trabalhadores atuando em organizações sem fins lucrativos. 55INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 E como funciona a legislação trabalhista prevencionista no terceiro setor? DEFINIÇÃO O terceiro setor é formado pelas organizações privadas que desenvolvem atividades em favor da sociedade, sem fins lucrativos, chamadas de ONG’s. Elas atuam independente dos demais setores, mesmo que possam receber investimentos ou trabalhar em parceria com eles (Albuquerque, 2006). Entre as entidades do terceiro setor, podemos apresentar contratos trabalhistas que regem o trabalho de organizações obedecendo às regras da CLT, observando os elementos que caracterizam a relação de emprego, tais como pessoalidade, continuidade, remuneração e subordinação hierárquica. De acordo com a legislação brasileira, são considerados trabalhadores aqueles com contratos de trabalho por prazo indeterminado, desde que a natureza transitória do trabalho justifique a predeterminação do prazo, conforme previsto na CLT. Além disso, são contemplados os contratos de aprendizagem, conforme estabelecido pela Constituição Federal e pela CLT. A contratação de menores entre 14 e 18 anos de idade é autorizada, desde que estejam na condição de aprendizes, com contrato de trabalho especial, em conformidade com os requisitos da Lei n.º 10.097/2000. Também são considerados trabalhadores autônomos aqueles que realizam atividades de forma não exclusiva como pessoas físicas. O artigo 14 da Lei n.º 8.213/1991 define empresa como a entidade, seja ela individual ou coletiva, que se responsabiliza pelo risco de um empreendimento econômico, seja este em áreas urbanas ou rurais, visando ou não o lucro. Desse modo, no contexto trabalhista, as organizações beneficentes são equiparadas a uma empresa. Além disso, conforme a Norma Regulamentadora 1, no 56 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 item 1.1, referente à segurança no trabalho, tais normas devem ser seguidas por todas as empresas, sejam elas de caráter privado ou público, com funcionários sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Portanto, é crucial que, diante de riscos no local de trabalho, sejam elaborados programas de gestão de risco que representem a real situação da organização beneficente e possíveis riscos enfrentados por seus funcionários. RESUMINDO E então, gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Ao longo deste capítulo, foi possível traçar a evolução da Engenharia de Segurança, destacando-se a formação profissional e os avanços recentes na área, bem como sua contextualização no cenário brasileiro. Analisamos também os intricados aspectos econômicos, políticos e sociais que permeiam a segurança do trabalho, evidenciando como estes se entrelaçam e influenciam a prática profissional. A história do prevencionismo nosdeu uma perspectiva valiosa, demonstrando o percurso da segurança do trabalho desde épocas anteriores à Revolução Industrial até os desafios contemporâneos da Revolução 4.0. Finalmente, a abordagem das entidades públicas e privadas reforçou a relevância do entendimento jurídico e das responsabilidades envolvidas, com destaque para o papel essencial do SESMT em diferentes esferas. Refletimos também sobre a interação desses temas, mostrando que a segurança do trabalho é um campo multidisciplinar, em constante evolução, que demanda integração e atualização contínua de seus profissionais. 57INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 ALBUQUERQUE, A. C. Terceiro setor: história e gestão de organizações. São Paulo: Summus Editorial, 2006. ALVIM, M. B. A relação do homem com o trabalho na contemporaneidade: uma visão crítica fundamentada na Gestalt- Terapia. Estudos & Pesquisas em Psicologia, Brasília, v. 6, n. 2, out. 2006. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/ index.php/revispsi/article/view/11031/8734. Acesso em: 22 set. 2020. BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P. Segurança do Trabalho: guia prático e didático. São Paulo: Editora Saraiva, 2018. BAZZO, W. A. Introdução à engenharia: conceitos, ferramentas e comportamentos. Trinidade: Editora UFSC, 2006. ESCOLA NACIONAL DA INSPEÇÃO DO TRABALHO (ENIT). NR 4 – Serviços especializados em engenharia de segurança e em medicina do trabalho. [s.l.], [s.d.]. Disponível em: https://enit. trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-04.pdf. Acesso em: 2 out. 2020. FERREIRA, P. A. O avanço da tecnologia e as transformações na sociedade. Portal da indústria, 11 out. 2017. Disponível em: https://noticias.portaldaindustria.com.br/artigos/paulo- afonso-ferreira/o-avanco-da-tecnologia-e-as-transformacoes-na- sociedade/. Acesso em: 30 set. 2020, FILGUEIRAS, V. A. Saúde e segurança do trabalho no Brasil. Brasília: Gráfica Moviento, 2017. MACEDO, R. B. Segurança, saúde e medicina do trabalho. Curitiba: Iesde Brasil, 2012. RE FE RÊ N CI A S 58 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 MAFRA, F. Entidades políticas e administrativas. Âmbito jurídico, 28 fev. 2005. Disponível em https://ambitojuridico.com.br/cadernos/ direito-administrativo/entidades-politicas-e-administrativas/#_ ftn1. Acesso em: 2 out. 2020. MATOS, U. O.; MASCULO, F. S. Higiene e segurança do trabalho. Rio de janeiro: Elsevier; ABEPRO, 2011. MORAES, G. SMSQRS – Teoria da vulnerabilidade. 2. ed. Rio de Janeiro: Gerenciamento Verde Editora, 2009, v. 1. SILVEIRA, L. C.; VENTURA, D. F.; PINHEIRO, M. D. Toxicidade mercurial – Avaliação do sistema visual em indivíduos expostos a níveis tóxicos de mercúrio. Ciência e Cultura, v. 1, p. 35-37, 2004. SUSSEKIND, A. Curso de direito do trabalho. Rio de Janeiro: Renovar, 2020. _Hlk148256881 A evolução da engenharia de segurança Evolução da formação profissional Engenharia de segurança do trabalho moderna A segurança do trabalho no Brasil Aspectos econômicos, políticos e sociais Aspectos econômicos Aspectos políticos Aspectos sociais A história do prevencionismo Breve histórico Prevencionismo pré-revolução industrial Prevencionismo pós-revolução industrial Revolução 4.0 Entidades públicas e privadas Conceitos legais Direitos e deveres prevencionistas O papel do serviço especializado em engenharia e medicina do trabalho – SESMT Terceiro setortrabalho. Ao compreender a importância dessa área, as empresas podem cumprir com suas obrigações legais e éticas de cuidar de seus colaboradores e criar um ambiente produtivo e harmonioso, onde os funcionários se sintam valorizados e protegidos. O conhecimento sobre segurança do trabalho permeia diversos setores da sociedade, contribuindo para a construção de um ambiente laboral mais seguro e saudável para todos os envolvidos. A evolução da engenharia de segurança do trabalho ao longo dos anos reflete uma jornada de progresso e aprimoramento das práticas voltadas para a proteção dos trabalhadores em diversos ambientes laborais. Inicialmente, a preocupação com a segurança no trabalho era limitada e pouca atenção era dada às condições adversas enfrentadas pelos trabalhadores. No entanto, com o tempo, a industrialização trouxe consigo um aumento significativo nos riscos ocupacionais e acidentes, exigindo a necessidade de medidas mais eficazes. 10 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 IMPORTANTE A engenharia de segurança do trabalho é um processo em permanente construção que exige dos profissionais da área de segurança (técnico de segurança do trabalho, engenheiro de segurança, médico e enfermeiro do trabalho) conhecimentos multidisciplinares sobre leis, decretos, normas e procedimentos relacionados à saúde e à segurança do trabalhador. No século XIX e início do século XX, as preocupações com a segurança começaram a ganhar destaque, especialmente em setores industriais como a mineração e a construção civil. A formação de sindicatos e a pressão por melhores condições de trabalho contribuíram para a criação de leis e regulamentos de segurança, mas ainda faltava uma abordagem sistemática e técnica. Foi na segunda metade do século XX que a Engenharia de Segurança do Trabalho começou a se consolidar como uma disciplina estruturada e científica. A introdução de técnicas de análise de riscos, estudos de ergonomia, psicologia aplicada à segurança e a utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) marcaram esse período. A conscientização sobre os custos associados a acidentes de trabalho, tanto em termos humanos quanto financeiros, impulsionou a implementação de programas de prevenção mais robustos. DEFINIÇÃO Ergonomia é uma disciplina que visa projetar ambientes de trabalho, equipamentos e tarefas de forma a otimizar o conforto, a eficiência e a segurança dos trabalhadores. O estudo de ergonomia em segurança do trabalho envolve a análise dos aspectos físicos e cognitivos das atividades laborais, a fim de minimizar riscos de lesões, fadiga, desconforto e aumentar a produtividade. 11INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 Com o avanço tecnológico, a Engenharia de Segurança do Trabalho também abraçou a automação e a digitalização. Novas ferramentas, como simulações de segurança, análise de dados e inteligência artificial têm sido empregadas para identificar riscos, prever incidentes e melhorar a eficácia das estratégias de prevenção. Atualmente, a Engenharia de Segurança do Trabalho continua evoluindo em resposta às mudanças nas indústrias, nas regulamentações e nas demandas da sociedade. A integração de práticas de gestão, a preocupação crescente com a saúde mental dos trabalhadores e a abordagem holística da segurança, considerando fatores humanos, tecnológicos e organizacionais, são áreas em ascensão nesse campo. A evolução da Engenharia de Segurança do Trabalho reflete um progresso contínuo na compreensão dos riscos ocupacionais e na busca por ambientes laborais mais seguros e saudáveis. A disciplina passou de uma abordagem reativa para uma visão proativa e multidisciplinar, contribuindo para a proteção efetiva dos trabalhadores em um mundo em constante transformação. Para bem compreender a Engenharia de Segurança do Trabalho é preciso entender claramente em que consiste a área. Em um sentido geral, o trabalho se refere a uma atividade realizada por indivíduos com o objetivo de produzir algo, realizar tarefas específicas ou alcançar um resultado. Pode envolver esforço físico, mental ou ambos, dependendo da natureza da atividade. O trabalho desempenha um papel central na sociedade, sendo uma maneira pela qual as pessoas contribuem para a produção de bens, serviços e valor econômico. Existem diferentes tipos de trabalho, incluindo trabalho remunerado e não remunerado. O trabalho remunerado é aquele pelo qual as pessoas recebem salários ou outros benefícios financeiros em troca de seus serviços. Isso inclui empregos 12 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 formais, freelancers, profissionais autônomos, e assim por diante. O trabalho não remunerado, por outro lado, envolve atividades que não são diretamente compensadas financeiramente, como tarefas domésticas, cuidados com a família e trabalho voluntário. De acordo com Sussekind (2020): “Toda energia humana, física ou intelectual, empregada com um fim produtivo, constitui trabalho”. Imagem 1.1 – Trabalho Fonte: Freepik Portanto, pode ser chamado de trabalhador qualquer pessoa que esteja envolvida em realizar uma atividade laboral, seja remunerada ou não. Geralmente, o termo é utilizado para descrever aqueles que participam ativamente na produção de bens, na prestação de serviços ou na realização de tarefas 13INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 específicas. Aqui estão alguns exemplos de quem pode ser chamado de trabalhador: 1. Empregados – são aqueles que mantêm uma relação de emprego formal com um empregador, recebendo salário ou outra forma de remuneração em troca do trabalho realizado. Nesse caso, o trabalhador tem um contrato de trabalho registrado mediante carteira de trabalho pela consolidação das leis do trabalho – CLT ou estatutário, quando seu contrato é registrado em uma entidade pública. 2. Autônomos – são profissionais que trabalham de forma independente, prestando serviços ou produzindo bens por conta própria. Eles não têm uma relação formal de emprego, mas podem ser contratados por projetos ou tarefas específicas. 3. Empreendedores – aqueles que possuem e gerenciam seus próprios negócios, envolvendo-se em atividades produtivas para atender às necessidades do mercado. 4. Freelancers – similar aos autônomos, os freelancers oferecem serviços especializados a várias empresas ou clientes, muitas vezes em base contratual ou por projeto. IMPORTANTE No Brasil, não existe uma lei específica que regu- le exclusivamente o trabalho freelancer de forma direta. Trata-se de uma forma de trabalho autô- nomo ou independente em que os profissionais oferecem seus serviços de maneira pontual ou por projeto, sem a formalização de um vínculo empre- gatício. 14 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 5. Trabalhadores temporários – são contratados por um período específico para suprir demandas sazonais ou projetos específicos em uma empresa. 6. Trabalhadores informais – pessoas que podem estar envolvidas em atividades de trabalho, mas que não têm uma relação formal de emprego e podem não ter proteções legais ou benefícios. 7. Voluntários – embora não sejam remunerados financei- ramente, os voluntários ainda podem ser considerados trabalhadores, pois dedicam seu tempo e esforço para realizar tarefas em organizações sem fins lucrativos. 8. Trabalhadores domésticos – indivíduos que executam tarefas dentro de um ambiente doméstico, como em- pregados domésticos, babás, cozinheiros, jardineiros, entre outros. A relação do ser humano com o trabalho pode ser encontrada na história da humanidade de forma muito marcante, tanto nas relações sociais quanto na própria relação do homem com o meio, que se caracteriza como um importante registro da nossa evolução enquanto espécie. Walter Bazzo analisa o desenvolvimento das relações humanas e afirma que: Analisando a história, logo percebemosque ela é de fato permeada de significativos de- senvolvimentos que marcaram profundamen- te o destino da humanidade. O controle do fogo, a domesticação dos animais, a invenção da agricultura, a criação de cidades, o desen- volvimento da imprensa ou a construção de um avião comercial estão aí para comprovar esta interpretação. (Bazzo, 2006, p. 66) 15INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 Na pré-história, o homem apresentava uma relação extrativista com o meio e sua energia era consumida no trabalho de retirar do ambiente o fruto de sua sobrevivência. Ele precisava ir em busca da caça, do alimento e do abrigo, se expondo a diferentes situações de risco e vulnerabilidade. Ainda na pré-história, no período Neolítico, o homem começa a busca por proteção, por mais segurança em relação ao meio com o qual ele interage. Essa busca leva o homem a desenvolver habilidades em talhar a pedra e, posteriormente, os metais, para fabricar suas armas de caça e de proteção. É também neste momento histórico que o homem trabalha na terra, cultivando, domesticando animais e produzindo alimentos. Com isso, tornam-se sedentários, formando pequenos grupos com objetivos em comum. Imagem 1.2 – Ferreiro Fonte: Freepik Podemos perceber, nesse momento, que o trabalho para o homem resulta de sua relação com o meio e com os outros, assim como das suas necessidades. Além disso, é pela força do trabalho 16 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 que o homem constrói suas primeiras comunidades. A formação da comunidade também foi uma forma de gerar mais segurança e conforto, pois alguns podiam sair para caçar em bandos, com as armas confeccionadas, enquanto outros cuidavam das crianças, cultivavam a terra e cuidavam dos animais. O homem não parou nas cavernas e continuou evoluindo, agregando conhecimento e aplicando suas descobertas para produzir mais e se sentir socialmente mais seguro. A força vital era a sua maior fonte de energia, até que o homem começou a dominar a energia da natureza, primeiro com o fogo, depois com a água e o vento. Imagem 1.3 – O homem trabalha para sobreviver às adversidades do meio. Fonte: Freepik No estudo do ambiente de trabalho é preciso avaliar os pontos de tensão e conflitos que permeiam essas relações. Analisando pela ótica do trabalho, partimos da pedra lascada, passando pelos metais até o domínio do conhecimento técnico, com construção de máquinas, ainda que rudimentares. Por 17INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 uma ótica social, partimos de uma sociedade caçadora/coletora, passamos para uma sociedade rural até chegarmos em ambientes urbanos, com novas relações de produção no sistema capitalista. Imagem 1.4 – Evolução do trabalho Fonte: Freepik O trabalho realizado atualmente encontra-se dentro de um contexto histórico. Um exemplo da evolução das relações de trabalho é compararmos o trabalho de um artesão medieval, que concentrava todo o trabalho de criar, planejar e modificar as peças produzidas, com a indústria metalúrgica atual, na qual há uma linha de produção mecanizada, objetivando a produtividade e a empregabilidade no setor. Uma importante transformação no trabalho é a criação do contrato de trabalho, pois não se busca apenas garantir a sobrevivência e sim o “salário” e o lucro. Nessa relação, o homem trabalha para outro homem e recebe algo em troca (Bazzo, 2006). Durante a realização das tarefas contratadas, se não fosse constatado o êxito, conforme esperado pelo contratante, nada 18 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 lhe era devolvido. A falta de segurança era responsabilidade do trabalhador e não de quem contratava o trabalho. Mas quando o homem começou em pensar na qualidade de vida no trabalho? Na sua segurança enquanto trabalha? Esta visão de segurança baseada em um contrato de trabalho é muito tardia em relação à classe trabalhadora, embora haja registro, gerado pelo conhecimento científico, datando de aproximadamente 350 a.C., sobre a segurança no trabalho, quando Aristóteles estudou os danos causados à saúde dos trabalhadores em forma de enfermidades e, principalmente, como evitá-las. Depois, a literatura reporta os estudos de Hipócrates, o pai da medicina, a respeito do envenenamento por chumbo no século XV e, séculos depois, em Roma, se volta a falar sobre envenenamento com enxofre, zinco e vapores ácidos. Nesses escritos, os autores relatam fatos, porém, a engenharia de Segurança do Trabalho surge para desenvolver técnicas de prevenção, com o objetivo de gerar maior qualidade de vida aos trabalhadores e aumento na produtividade para a gestão organizacional. A preocupação com a qualidade de vida no trabalho tem raízes históricas profundas, mas a ênfase e o reconhecimento formal dessa questão têm evoluído ao longo do tempo. Aqui estão alguns marcos importantes na história da segurança e da qualidade de vida no trabalho: 19INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 Quadro 1.1 – Qualidade de vida no trabalho Revolução Industrial (séculos XVIII e XIX) Com o surgimento das fábricas e das condições de trabalho adversas durante a Revolução Industrial, começaram a surgir preocupações em relação às condições precárias e à exploração dos trabalhadores. Essa época viu o início de movimentos trabalhistas que buscavam melhores condições de trabalho, incluindo redução de jornada, segurança e salários justos. Movimento de Relações Humanas (décadas de 1920 a 1930) Esse movimento trouxe à tona a importância das relações interpessoais no ambiente de trabalho. Estudos como a Experiência de Hawthorne destacaram que fatores psicossociais e relacionais influenciam a produtividade e o bem-estar dos trabalhadores. Movimento de Qualidade Total (décadas de 1950 a 1970) Com a crescente complexidade das organizações, surgiu o movimento de qualidade total, que buscava melhorar a qualidade dos produtos e serviços, mas também promovia a melhoria das condições de trabalho e o envolvimento dos funcionários na tomada de decisões. Anos 1970 ao fim do século XX A partir da década de 1970, a qualidade de vida no trabalho ganhou ainda mais atenção, à medida que os estudos sobre estresse ocupacional, satisfação no trabalho, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e aspectos ergonômicos foram se desenvolvendo. Os avanços na psicologia organizacional e na gestão de recursos humanos também influenciaram as abordagens de promoção do bem-estar dos trabalhadores. Atualidade A qualidade de vida no trabalho é reconhecida como um componente crucial para o sucesso das organizações e o bem-estar dos trabalhadores. Muitas empresas adotam práticas de gestão que promovem um ambiente saudável e equilibrado, incluindo flexibilidade de horários, programas de bem-estar, suporte à saúde mental e ergonomia no local de trabalho. Fonte: Elaborado pela autoria (2023) Bernardino Ramazzini descreve doenças relacionadas a 50 profissões. Por suas importantes contribuições, é considerado o pai da Medicina do Trabalho (Macedo, 2012). 20 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 Dados relacionados ao desenvolvimento de ações correti- vas são gerados pela Engenharia de Segurança do Trabalho, para avaliar os riscos por meio de métodos qualitativos e quantitativos, de forma que possa controlar o aparecimento de doenças ocupa- cionais e evitar acidentes. O médico do trabalho auxilia na gestão de segurança, analisando e acompanhando a saúde do trabalhador mediante exames médicos ocupacionais (admissional, periódico, retorno ao trabalho, mudança de função e demissional) que ajudam em diag- nósticos precoces. Outro aspecto importante que devemos destacar na en- genharia de segurança do trabalho é a prevenção de acidentes de trabalho, que além de garantir a integridade física, mental e social do colaborador,deve ser vista como um bom investimento de ca- pital, já que garante a continuidade das operações e a redução de custos com acidentes. Atualmente, podemos destacar a função do engenheiro de segurança do trabalho de produzir e manter atualizado o Perfil Profissional Previdenciário (PPP), documento que registra as ati- vidades desenvolvidas pelos trabalhadores da empresa e que é utilizado para a análise da rescisão do contrato por desligamento e concessão de benefícios por incapacidade, usado durante a pe- rícia realizada pelos médicos do INSS para comprovação do nexo causal. A Engenharia de Segurança do Trabalho é uma realidade, porém, foram necessários mais de cem anos desde a primeira lei que garantia segurança aos trabalhadores para que a proteção fosse de fato ampliada para todos. 21INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 IMPORTANTE Uma das primeiras leis que garantiam a segurança aos trabalhadores foi a Factory Act, de 1802, promulgada no Reino Unido durante a Revolução Industrial. Essa lei foi uma das primeiras tentativas de regulamentar as condições de trabalho nas fábricas e indústrias emergentes, visando proteger os trabalhadores, especialmente as crianças, de abusos e condições adversas. Apenas no século XX, depois da Primeira Guerra Mundial, foi criada a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1919, com o início das suas operações impactando todo o mundo. Em 1958 e 1959, a Conferência Internacional do Trabalho estabeleceu a Recomendação nº 112, o primeiro instrumento internacional em que se definiam as funções, a organização e os meios de ação dos serviços de medicina do trabalho. Na gestão de SST, realizada pela Engenharia de Segurança do Trabalho, podemos destacar a atenção às recomendações estabelecidas pela OIT em níveis globais e o atendimento às normas regulamentadoras nacionais, priorizando as práticas organizacionais que proporcionem aos trabalhadores a vivência do conceito de saúde, conforme estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), entendida como bem-estar físico, mental e social e deflagrada por meio dos exames ocupacionais. 22 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 ACESSE Para conhecer a Convenção 155, que versa sobre a Segurança e a Saúde dos trabalhadores, acesse o link disponível aqui. Em um aspecto mais operacional, a Engenharia de Segurança do Trabalho deve priorizar as medidas de controle coletivas e organizacionais ou administrativas, utilizando medidas individuais como complementares no processo de antecipação, reconhecimento, avaliação e controle de risco, conforme prevê a NR 9 (ENIT, 2016). Evolução da formação profissional Assim como as máquinas e processos evoluíram, a formação profissional também precisou evoluir. Inicialmente, tínhamos o Assistente de Segurança do Trabalho, passando pelo Auxiliar de Segurança do Trabalho até chegarmos no Técnico de Segurança do Trabalho e no Engenheiro de Segurança do Trabalho. O Auxiliar de Segurança no Trabalho é o profissional responsável por promover a segurança e a prevenção de riscos. Ele orienta os funcionários a utilizar os EPI’s de forma correta, estabelece normas de segurança, informa sobre meios de prevenção de acidentes, inspeciona áreas de trabalho a fim de verificar as condições do ambiente e verifica equipamentos usados https://www.ilo.org/brasilia/convencoes/WCMS_236163/lang--pt/index.htm 23INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 para determinar possíveis fatores de risco. O profissional trabalha diretamente com a área de saúde e segurança em empresas. O Técnico de Segurança do Trabalho pode atuar em empresas, brigadas de incêndio e instituições públicas e privadas. Sua meta é preservar a segurança dos trabalhadores a partir de programas de prevenção, como a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), que visa evitar que ocorram acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. O Engenheiro de Segurança do Trabalho desenvolve, testa e supervisiona sistemas, processos e métodos produtivos, gerenciando atividades de segurança no trabalho e do meio ambiente, gerenciando exposições a fatores ocupacionais de risco à saúde do trabalhador, planejando empreendimentos e atividades produtivas e coordenando equipes, treinamentos e atividades de trabalho. O engenheiro é muito importante no dia a dia de uma sociedade, seja planejando ou executando projetos; área de segurança, esse profissional é fundamental para a busca de soluções, a concretização de ideias ou mesmo para a administração dos serviços necessários à execução da gestão de segurança. Não seria diferente na engenharia moderna, que se caracteriza pelo uso de ferramentas de gestão atrelados à aplicação de conhecimentos científicos para a solução de problemas (Alvim, 2006). Engenharia de segurança do trabalho moderna A engenharia de segurança que vemos hoje está inserida em uma nova cultura organizacional, que iniciou durante uma reunião em Londres, em 1946, onde vinte e cinco países representantes decidiram criar uma organização internacional, a 24 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 International Organization for Standardization (ISO), que tem como objetivo facilitar a coordenação de normas industriais. Atualmente, a Segurança e a Saúde Ocupacional são preocupações de todos os segmentos para reduzir e controlar acidentes de trabalho. As organizações querem servir os clientes com produtos de qualidade, garantir a prevenção no uso de máquinas e equipamentos e evitar qualquer tipo de erro. A segurança do trabalho no Brasil A história da segurança do trabalho acompanha a Revolução Industrial nos países europeus e nos EUA, logo, não seria diferente no Brasil. Porém, assim como nos demais países em desenvolvimento, a Revolução Industrial no Brasil ocorreu de forma tardia, por volta de 1930. Pouco tempo depois, o país registrava o maior número de acidentes e mortes no trabalho (Macedo, 2012). A primeira Revolução Industrial ocorreu, principalmente, entre meados do século XVIII e século XIX na Europa, com avanços tecnológicos, mecanização da produção e transformações socioeconômicas. No entanto, esses desenvolvimentos tiveram um impacto bastante limitado no Brasil durante esse período, devido à predominância da economia agrária e da escravização ainda vigente no país. Portanto, não há um “ano” específico para a primeira Revolução Industrial no Brasil, já que o país não experimentou as mesmas mudanças e avanços industriais característicos desse período nos países desenvolvidos. Foi apenas após a Constituição Federal de 1988 que a legislação trabalhista começou a se adequar, embora desde 1943 existissem leis para reger as relações de trabalho, como a Consolidação das Leis trabalhista (CLT) e, posteriormente, a Lei de Planos de Benefícios da Previdência Social. Em 1977 foi aprovada 25INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 a Lei ordinária nº 6.514/77, relativa à Segurança e Medicina do Trabalho. Atualmente no Brasil, a legislação relativa à segurança e medicina do trabalho é regida principalmente pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) (artigos 166 e 167) e pela Norma Regulamentadora número 4 (NR-4), que estabelece os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) nas empresas. Além disso, existem outras Normas Regulamentadoras (NRs) que abordam especificamente a segurança e a saúde dos trabalhadores em diferentes setores e aspectos, como o uso de equipamentos de proteção individual, a prevenção de incêndios, o trabalho em espaços confinados, entre outros. São 38 normas regulamentadoras e, entre elas, 36 continuam vigentes. O artigo da Constituição Federal do Brasil que rege a competência para legislar sobre segurança e medicina do trabalho é o artigo 22, inciso I, que atribui competênciaprivativa à União (ou seja, ao Poder Legislativo Federal) para legislar sobre normas gerais de proteção ao trabalho, incluindo a segurança e a medicina do trabalho. Esse dispositivo confere à União a autoridade exclusiva para criar leis que estabeleçam as normas gerais que regem a proteção dos trabalhadores no que diz respeito à segurança, medicina e condições de trabalho. No entanto, é importante mencionar que a União pode delegar a regulamentação específica dessas matérias aos órgãos competentes, como o Ministério do Trabalho, que elabora as Normas Regulamentadoras (NRs). Portanto, a competência para legislar sobre segurança e medicina do trabalho é compartilhada entre o Poder Legislativo, responsável por criar leis gerais, e o Ministério do Trabalho, responsável por criar as normas regulamentadoras específicas que detalham as diretrizes 26 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 para a segurança e a medicina do trabalho em diferentes setores e situações. ACESSE Para conhecer as normas regulamentadoras vigentes, com suas devidas alterações textuais, acesse o link disponível aqui. RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a engenharia de segurança, ao longo dos anos, tem desempenhado um papel fundamental na promoção de ambientes mais seguros, tanto em contextos industriais quanto urbanos. Esta evolução é resultado de uma crescente conscientização sobre a importância da prevenção de acidentes, da integração de tecnologias avançadas e da necessidade de proteger tanto os trabalhadores quanto o público em geral. Historicamente, os primeiros esforços no campo da engenharia de segurança estavam focados na prevenção de acidentes em locais de trabalho, especialmente em setores de alto risco, como a mineração e a construção. No entanto, com o avanço tecnológico e a complexidade dos sistemas modernos, essa área se expandiu para abordar desafios em ambientes variados, desde a segurança de dados até a proteção contra desastres naturais. https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes 27INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 Um fator chave na evolução deste campo foi a integração de tecnologias emergentes, como sensores avançados, inteligência artificial e análise de Big Data, permitindo avaliações mais precisas dos riscos e implementação de soluções proativas. Além disso, a colaboração interdisciplinar entre engenheiros, profissionais da saúde e especialistas em comportamento humano aprofundou a compreensão das causas subjacentes aos acidentes e ajudou a desenvolver estratégias mais eficazes de prevenção. A engenharia de segurança, em sua trajetória evolutiva, não apenas tem salvaguardado vidas e propriedades, mas também tem permitido que a humanidade avance com confiança, explorando novas fronteiras e adotando inovações com a segurança de que os riscos são gerenciados de maneira eficiente. À medida que enfrentamos desafios crescentes em um mundo cada vez mais interconectado, o papel da engenharia de segurança continuará sendo crucial para garantir um futuro mais seguro para todos. 28 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 Aspectos econômicos, políticos e sociais OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de conhecer os aspectos econômicos, políticos e sociais que estão envolvidos com os eventos históricos do prevencionismo. Como você imagina que viviam as pessoas que tiveram que migrar do campo (área rural) para as cidades (área urbana)? Como era a distribuição de renda entre a população? Como a política afeta o desenvolvimento do prevencionismo? Conhecer os aspectos políticos, sociais e econômicos é necessário para compreendermos o surgimento das leis e procedimentos de segurança, e é isso que faremos neste capítulo. Vamos viajar juntos pelo tempo. Aspectos econômicos Como descrever os aspectos econômicos que envolvem as relações de trabalho e a segurança do trabalho? É simples: precisamos analisar as perdas e os custos com os afastamentos por acidentes e doenças ocupacionais. Mas será que esses valores sempre foram levados em consideração ou podemos apontar quando investir na segurança foi mais lucrativo do que pagar pelos custos dos afastamentos? Podemos dividir os aspectos econômicos em dois períodos, o período pré-industrial e o pós-industrial, por isso, é tão importante nos dedicarmos ao estudo da segurança do trabalho após a Revolução Industrial. No período pré-industrial, a morte e os acidentes nos ambientes de trabalho eram tão comuns devido aos inúmeros 29INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 perigos enfrentados pelos trabalhadores, e eram tratados com fatos corriqueiros, sem grande impacto econômico. As políticas econômicas da época estavam mais preocupadas com os prejuízos gerados pelas guerras e pelas doenças por falta de condições básicas de saúde. Mesmo com condições precárias de trabalho, exposição a condições de risco eminente, como o trato com animais e epidemias que assolavam as cidades, era vital para a economia que o trabalho não parasse. Nesse momento, não se cogitavam gasto com a prevenção dos acidentes ou com a qualidade de vida dos trabalhadores. O período industrial se iniciou com a produção de teares para a indústria têxtil e a máquina a vapor. Essa revolução foi se propagando por toda a Europa, América do Norte e, mais posteriormente, na segunda metade do século XX, chegando aos países da Ásia, África e América do Sul. Embora temporalmente separadas, as condições relacionadas à segurança do trabalho são muito semelhantes, pois apenas após a Revolução Industrial que a segurança do trabalho ganha inquietação e significado em função do sistema econômico. Mas o que mudou na economia após a Revolução Industrial? Por que agora é economicamente viável investir em segurança? Como você, profissional de segurança do trabalho, explicaria as vantagens de investir em condições mais seguras de trabalho e qualidade de vida? Essa resposta pode ser dada entendendo que os investimentos feitos pelo poder público no processo de industrialização têm como finalidade tirar os países da condição de subdesenvolvimento, que requer, além das indústrias, uma sociedade com um poder de compra, ou seja, o aumento da renda per capita e melhores condições de vida. Uma sociedade industrializada que não investe nas condições 30 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 de trabalho é uma sociedade com saldo negativo em relação aos custos com acidentes e doenças do trabalho. Quando um trabalhador era afastado do sistema de produção, havia uma redução na produção da empresa e, consequentemente, dos lucros, além da paralisação da produção pelo tempo que levasse o afastamento do acidentado ou que fosse treinado outro para ficar em seu lugar. Para o trabalhador, o afastamento também era economicamente prejudicial, pois mesmo com as legislações já implementadas que garantiam o direito à previdência social, as indenizações não eram suficientes para manter o padrão de vida. Fica claro que obtemos um resultado negativo com os custos dos acidentes e das doenças ocupacionais, que superam os benefícios do processo industrializado. Por isso que a saúde e a segurança do trabalhador está ligada ao triângulo Empresa, Estado e Trabalhador (Barsano; Barbosa, 2018). Atualmente, a comissão tripartite tem o objetivo de avaliar e propor medidas para implementação da Convenção nº 187 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Imagem 1.5 – Comissão tripartite Estado Empresa TrabalhadorFonte: Elaborado pela autoria (2023) 31INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 Aspectos políticos Analisar os diversos aspectos que envolvem a segurança do trabalho mostra a evolução dos valores morais e sociais dentro da cultura organizacional. Grande parte das mudanças organizacionais foi impulsionada por pensamentos políticos, atendendo às pressões de diversos fatores e agentes sociais, principalmente os aspectos econômicos. Podemos definir tecnicamente o ambiente ocupacional como um local que expõe os trabalhadores a riscos inerentes às suas atividades, como os riscos químicos, físicos e biológicos, causadores de acidentes e doenças ocupacionais, além daqueles relacionados ao ambiente de trabalho que podem induzir ou estimular o aparecimento de doenças do trabalho, cabendo ao Estado regulamentar os requisitos legais para garantir aos trabalhadores o direito de exercer suas atividades de forma segura e com qualidade de vida. REFLITA O Estado é capaz de garantir o valor da vida humana? Para responder a essa pergunta é preciso analisar os diferentes cenários políticos que nos são apresentados no passado e no presente. A revolução Francesa tinha como base os ideais de liberdade e igualdade. Nesse período, a burguesia e os trabalhadores lutavam contra um governo monarquista. Nesse contexto, o conceito de igualdade deveria ser concedido por um político constituinte, com representes da burguesia e do povo. Foi durante esse cenário que foram criados os conceitos de direita, aqueles que defendiam a monarquia sentavam-se à direita da câmara; e esquerda, pois os que defendiam a burguesia e os trabalhadores sentavam-se à esquerda da câmara. 32 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 Atualmente, ainda usamos na política os conceitos de di- reita e esquerda, hoje não mais pelo local que se encontram po- sicionados no plenário, mas pela posição que assumem diante da sociedade, em favor ou contra os governantes. No Brasil, podemos acompanhar os movimentos econômi- cos, políticos e sociais que levaram a um posicionamento político em prol dos direitos dos trabalhadores. No Brasil Colônia, a sociedade aceitava o trabalho escravo com naturalidade e as atividades econômicas estavam concentra- das nos engenhos de açúcar e mineração. O poder político, por sua vez, era orquestrado pelos senhores de engenho, junto com os remanescentes da Corte Imperial. Não havia espaço para uma política voltada para a igualdade e a garantia de direitos. Mesmo após a abolição, as desigualdades sociais se mantiveram, fruto de uma política formada por uma burguesia latifundiária. O processo de industrialização do Brasil foi tardio em re- lação aos países europeus e da América no Norte, tendo sido im- pulsionado pelo capital da cafeicultura e por uma burguesia que entendia este caminho como essencial para ultrapassar a posição de país subdesenvolvido. Nesse contexto, vemos uma sociedade massacrada pelo mercado, sem direitos trabalhistas, mesmo já havendo um movimento protecionista na Europa. Vemos traba- lhadores brasileiros, homens, mulheres e crianças, trabalhando em condições insalubres e precárias. Apenas após a Segunda Guerra Mundial surgem no Brasil as leis de proteção ao trabalhador, no governo de Getúlio Vargas (1945), sem muitas portarias regulamentadoras. Após este perío- do, podemos destacar a Portaria nº 3.237/72, que regulamenta a obrigatoriedade do SESMT, baseada na Recomendação OIT 112 e a Portaria nº 3.214/78 que instituiu, junto ao extinto Ministério do Trabalho e Emprego, as Normas Regulamentadoras. 33INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 Até a Constituição Federal de 1988 as empresas encontra- vam dificuldades em implementar as ações que atendessem aos requisitos legais constituintes das NRs. O governa também não tinha elaborado instrumentos de fiscalização adequados. Na dé- cada de 1990 temos a publicação da Portaria MTE02/92 (posterior- mente revogada pela Instrução Normativa SRT nº3/2002), consti- tuindo um sistema tripartite, composto por cinco representantes do governo, cinco dos empregadores e cinco dos empregados, incluindo a participação dos poderes políticos representados pelo Ministério da Saúde, Previdência e Assistência Social. Foram longos anos até chegarmos nas últimas atualiza- ções propostas pelas forças políticas atuais, que propuseram for- tes mudanças nos direitos trabalhistas e previdenciários, incluin- do alterações textuais e revogação de algumas NRs. Aspectos sociais Os estudos socioeconômicos nos mostram que a Revolução Industrial gerou mais que uma sociedade mecanizada, abrindo novas fontes de trabalho, emprego, melhorias e soluções tecnológicas. Mas, como toda mudança também apresenta aspectos negativos, emergiram diversos problemas sociais. Isso porque os trabalhadores muitas vezes recebiam tratamentos desumanos, pois custavam pouco e poderiam ser facilmente trocados por outros mais acessíveis economicamente. Logo, não era socialmente e muito menos economicamente viável cultivar políticas prevencionistas. 34 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 REFLITA Supondo que um homem vivesse cerca de 50 a 60 anos na primeira Revolução Industrial, se ele trabalhasse dos 15 aos 50 anos, seriam 35 anos de trabalho. Agora, considere que esta mesma pessoa sofresse um acidente e ficasse incapacitado aos 30 anos de idade: seriam menos 15 anos de produção. Sem contar os acidentes que levavam à morte. Então, eu te pergunto, quanto vale a vida humana? Não muito diferente do cenário atual, valia o quanto podia produzir, portanto, era aceitável o trabalho infantil nas fábricas, por exemplo. Atualmente não existente em termos oficiais, o trabalho infantil ainda é combatido e proibido por lei e pela sociedade. Vemos então que o trabalho tinha suas regras estabelecidas pelo empregador, que se beneficiava da lei da oferta e da procura para modificar as regras dos contratos de trabalho. Foi preciso o posicionamento político do Estado para estabelecer regras e condições de trabalho, mas ainda não preconizava uma visão de segurança no trabalho e sim uma ordem econômica e social (Matos; Masculo, 2011). Podemos destacar diversos aspectos encontrados no ambiente de trabalho que impactavam diretamente na saúde, na segurança e também no ambiente e suas relações sociais como: falta de saneamento básico, ausência de higiene e organização, inexistência de proteção jurídica do trabalhador e degradação ambiental (Moraes, 2009). As pressões sociais levaram a manifestações públicas contra o trabalho desumano, que resultaram na Lei de Prevenção da Saúde e da Moral (1802), que estabelecia a proteção dos trabalhadores, mas não teve efeitos práticos por falta de instrumentos para a sua aplicação efetiva. A legislação limitava a um máximo de doze horas de trabalho diário e proibia o trabalho 35INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 noturno. Também exigia a limpeza das paredes e a ventilação dos dormitórios, mas não estabelecia restrições quanto à idade mínima de admissão. Ou seja, a política prevencionista vem atrelada aos valores morais da sociedade. O direito do trabalho foi gradativamente estabelecendo critérios de segurança no trabalho, passando a estabelecer outras normas, muitas delas de origem sindicalista, como a proteção ao desemprego e negociações coletivas. Aquele que é considerado um marco na legislação prevencionista da era industrial, a “Lei da fábrica”, na Inglaterra, proibia o trabalho noturno aos menores de 18 anos e preconizava que as fábricas deveriam ter escolas, que deveriam ser frequentadas por todos os trabalhadores menores de 13 anos. Além disso, a idade mínima para o trabalho era de 13 anos e um médico deveria atestar que o desenvolvimento físico da criança correspondia a sua idade cronológica, além de definir uma jornada de trabalhodiária de 12 horas. A lei foi ainda ampliada, em 1867, estipulando a proteção de máquinas e controle de poeiras nocivas. A inspeção médica nas fábricas iniciou em 1897, com a adoção de leis de compensação (Matos; Masculo, 2011). No século XX, vemos um movimento globalizado na busca de unificar conceitos relativos à responsabilidade social e segurança. A criação da OIT teve um papel relevante nas questões do trabalho, tanto no âmbito humanitário, lutando contra as situações injustas e degradantes de trabalho, quanto nas esferas econômica e política. Assim como os demais países que tiveram uma Revolução Industrial mais tardia, o Brasil ainda esbarra em fatores sociais, políticos e econômicos que limitam a aplicação e o cumprimento das exigências legais e políticas do prevencionismo. Como 36 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 consequência, a sociedade ainda se faz valer dos seus direitos trabalhistas por vias civis e criminais, mediante ações judiciais. RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que quando se contextualiza a segurança do trabalho, não podemos apenas abordar os aspectos físicos do trabalhador, pois essa questão envolve também aspectos econômicos, políticos e sociais. As legislações trabalhistas precisam garantir a segurança física do trabalhador, evitando acidentes e doenças ocupacionais; combater o desemprego e as desigualdades sociais. Essa é uma forma de garantir direitos para o trabalhador e sua família, mas também de evidenciar o seu importante papel na sociedade. 37INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 A história do prevencionismo OBJETIVO Ao término deste capítulo, você conhecerá alguns marcos importantes da caminhada prevencionista, mostrando sua relevância econômica, política e social até chegarmos ao século XX, com suas modernidades na revolução 4.0. E então? Preparado para desenvolver essa competência? Avante! Breve histórico A história prevencionista pode ser descrita como envolvente e reveladora, nos motivando cada vez mais a conhecer e entender os processos que permeiam seu contexto histórico e também social, principalmente quando evidenciamos saltos de conhecimentos técnicos e científicos e transformações tecnológicas inovadoras. O advento das máquinas foi apenas o primeiro marco dessa longa jornada. Depois da primeira Revolução Industrial, tivemos ainda o descobrimento do poder energético dos combustíveis fósseis, o surgimento dos bancos e processadores de dados e até a incrível habilidade de transformar uma imagem digital em produtos 3D, que atrelados à inteligência artificial, proporcionam ao mundo um avanço nas relações do homem com o meio. O vice-presidente da CNI, Paulo Afonso Ferreira, afirma que o Brasil precisa estar preparado para enfrentar os avanços tecnológicos e destaca a evolução das máquinas e os impactos na humanidade: Por muito tempo temia-se o avanço tecnológico e não tínhamos a noção de onde poderíamos chegar. Falava-se em substituir o homem pela máquina, mas o que podemos 38 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 perceber é que houve uma integração entre eles. O maior patrimônio das empresas é seu capital intelectual e de seus colaboradores. O ser humano, principalmente dotado de conhecimento, será sempre necessário na concepção de produtos, serviços e na interface com a máquina. (Ferreira, 2017) SAIBA MAIS Para aprofundar o conhecimento a respeito das inovações tecnológicas e seus impactos na gestão de Saúde e Segurança do Trabalho (SST), acesso o texto disponível aqui. Imagem 1.6 – Onde a globalização tecnológica pode nos levar? Fonte: Pixabay https://sesirs.org.br/saude-na-empresa/sst-o-que-voce-precisa-saber-sobre-na-industria-4-0 39INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 Como antecipar, reconhecer, avaliar e prevenir os novos riscos presentes nos ambientes de trabalho transformados pelas inovações tecnológicas? Esse é o grande desafio do profissional prevencionista no mercado atual. Há uma necessidade em desenvolver novas habilidades e competências para adequar os novos postos de trabalho, automatizados, conectados e globalizados, sem abrir mão da humanização desses setores. REFLITA A NR 24 trata das condições mínimas sanitárias e do conforto nos locais de trabalho. Logo no item 24.2.1 é estabelecido que as instalações sanitárias devem ser dotadas de lavatórios (local para lavar as mãos e fazer assepsia). Com a tecnologia, esses lavatórios, atualmente, podem ser dotados de torneiras com acionamento automático e secadores com sensores de presença e secagem por circuito de ventilação de ar. Todo este sistema evita a contaminação dos colaboradores ao tocar nos dispositivos de acionamento dos lavatórios e secadores. Vejam como a tecnologia pode ser positiva para o prevencionismo. E você? Como você adequaria a NR24, aos avanços tecnológicos em prol do prevencionismo? Agora que já exercitamos nossas habilidades e competên- cias na gestão de SST, vamos embarcar no conhecimento dos mar- cos históricos, antes, durante e depois da Revolução Industrial, até chegarmos aos dias de hoje. 40 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 Prevencionismo pré-revolução industrial Assim como a história do trabalho está diretamente ligada à história do homem, podemos dizer que os acidentes de trabalho fazem parte da humanidade, assim como as doenças ocupacionais. Ao longo da história, o trabalho tem sido usado como um agente de abusos e acidentes, como no caso dos escravizados, de quem era exigido trabalho até a exaustão para a construção de cidades e monumentos ou os antigos artesãos medievais que tinham suas mãos lesionadas na confecção e modelagem de peças. Neste mesmo período, podemos pontuar o registro em papiros egípcios e greco-romanos de ocorrências de doenças ocupacionais, algumas ligadas aos agentes químicos e trabalhos manuais; e as tentativas de preveni-las. Os avanços nos conhecimentos científicos à aplicação de técnicas não ocorreu em um único momento e muitos desses avanços estão ligados a filósofos e pensadores. Alguns marcos que podemos destacar são os escritos de Hipócrates, Aristóteles e Platão, se referindo a trabalhadores das minas de estanho, doenças de corredores e deformações do esqueleto em certas profissões, respectivamente. VOCÊ SABIA? LO prevencionismo aparece nos escritos do filósofo Galeno, no século 2, fazendo menções à contaminação por substâncias tóxicas presentes nas minas e recomendando o uso de máscaras de bexigas. Os conhecimentos científicos também eram usados para solucionar problemas com os artefatos produzidos, baseados em seu funcionamento, fenômenos físicos e químicos até chegarmos 41INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 à construção de máquinas que aplicavam todo esse conhecimento adquirido para a otimização dos recursos e do meio. No entanto, não vemos o prevencionismo seguir a mesma linha temporal na história. Considerando a higiene e a segurança ocupacional como avanços recentes, podemos afirmar que o prevencionismo tornou-se importante somente no período pós- Revolução Industrial, pois, na Idade Média, ainda se nota a ausência prevencionista na sociedade europeia no período pré-revolução, que estava mais preocupada com as perdas e mortes ocorridas em função de guerras e epidemias. O fato de os trabalhadores das minas continuarem morrendo por intoxicação ou que os operadores da imprensa sofressem lesões ou perda total dos membros nas prensas não era um assunto relevante. VOCÊ SABIA? LO chapeleiro maluco de Alice no País das Maravilhas era exposto ao mercúrio durante a confecção de feltro, que resultava na instabilidadeemocional e irritabilidade (Silveira; Ventura; Pinheiro, 2004). A Idade Moderna é marcada por importantes acontecimen- tos históricos, com a queda da Bastilha e a Revolução francesa, mas na história prevencionista ela se destaca pela obra de Berna- dino Ramazzini, que descreve os agravos à saúde do trabalhador, sendo o primeiro a descrever detalhadamente sobre doenças ocupacionais. O autor coletou seus dados clínicos perguntando a cada paciente: “Qual o seu trabalho?”, o que lhe possibilitou buscar por medidas preventivas (Macedo, 2012). Mas afinal, o que leva os empregados e empregadores a se importarem efetivamente com a saúde e a segurança no trabalho? Isso nós iremos descobrir percorrendo os eventos que ocorreram após a Revolução Industrial. 42 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 SAIBA MAIS Na Alemanha e depois na França ocorreram eventos coletivos de intoxicação que levaram as pessoas a dançarem até a morte. Curioso para entender melhor esse estranho fenômeno? Para saber mais, acesse o link disponível aqui. Prevencionismo pós-revolução industrial Historicamente, podemos definir que a Revolução Industrial ocorreu no século XVIII, na Europa, e depois seguiu para a América do Norte. Como marco histórico, podemos destacar a invenção da máquina a vapor (1784), que trouxe um grande aumento da produtividade e, consequentemente, do consumo de bens. Porém, a revolução não trouxe apenas benefícios, mas também um grande custo para os trabalhadores, principalmente com os acidentes causados pela falta de treinamento e proteção para as máquinas, que muitas vezes levavam à morte. Quando não era o óbito que resultava do ambiente de trabalho insalubre, era a perda da audição, devido aos elevados níveis de ruído, sem contar os problemas de saúde pública gerados pela má condição de higiene nos ambientes laborais. A chegada das máquinas torna mais visível a até então distorcida linha que separava as classes sociais: de um lado os trabalhadores pobres e de outro os empregadores ricos. Para os pobres, a máquina compete com sua força de trabalho, enquanto https://youtu.be/f3wstFD9b7w 43INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 para os ricos ela é a fonte de mais lucro e menos gastos. A falta de uma legislação protecionista e o aumento da concentração populacional urbana gerou uma pressão social que obrigou políticos e legisladores, primeiramente na Inglaterra, com a lei de “Saúde moral dos aprendizes” e depois em outros países europeus, a introduzirem normas jurídicas, como a lei que protegia os acidentados e seus dependentes, criada na Alemanha em 1884. À medida que as fábricas ganhavam novas proporções, o acometimento de doenças ocupacionais e não ocupacionais cresciam, até que, em 1832, John Marshall contratou o primeiro médico para atuar em suas fábricas. Logo após, em 1833, foi decretado o Factory Act, considerado como a primeira legislação abrangendo as condições de trabalho nas fábricas. Somente em 1844 é que foram acrescentados os itens referentes a proteções com máquinas e o registro de acidentes (Moraes, 2009). O surgimento de novas linhas teóricas, os chamados pensamentos liberais, fez com que novos estudos, que incluíam a Ciência Social (1833) e a Higiene Social (1838), estimulassem a ampliação legal da Segurança do Trabalho, proporcionando modificações em leis já existentes, como a proteção para máquinas e a ventilação mecânica para controlar a poeira dos ambientes. REFLITA Você consegue relacionar o prevencionismo com os conhecimentos científicos? Pois é assim que pode- mos entender o surgimento das leis que desenvolve- ram a cultura prevencionista. Elas surgem a partir de uma pressão social acompanhada pela evolução do conhecimento. No momento que o homem é pres- sionado, seja por condições de trabalho sub-huma- nas, no caso dos pobres, ou por cobranças da socie- dade, no caso dos ricos, o homem se vê necessitado de buscar novos conhecimentos, que proporcionam o surgimento de pensamentos prevencionistas que se materializam nas leis e, posteriormente, na consti- tucionalização desses direitos e deveres. 44 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 No Brasil, há grande frequência de acidentes, acompanhada pelas doenças ocupacionais, ainda subnotificadas. Os índices são mais altos do que em outros países, principalmente quando comparados com os países europeus. Levando em conta que o processo industrial no Brasil se iniciou tardiamente, quando os países europeus já adotavam medidas prevencionistas era de se esperar que o Brasil assumisse tais medidas, mas, como afirma Filgueiras (2017), isso não aconteceu. Embora as transformações europeias tenham influenciado o direito trabalhista brasileiro, junto com a entrada na Organização Internacional do Trabalho (1919), foi apenas após a Segunda Guerra Mundial que as primeiras leis de proteção ao trabalhador foram surgir. Os fatos marcantes no Brasil são a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT, 1943), a criação da Associação Brasileira de Prevenção de Acidentes (ABPA, 1945), a Fundacentro (1966), a obrigatoriedade dos Serviços Médicos e de Higiene e Segurança do Trabalho (1972) e a publicação das primeiras Normas Regulamentadoras (1978) (Matos; Masculo, 2011). Revolução 4.0 A Imagem 1.7 apresenta as principais características das revoluções industriais ocorridas desde o século XVIII até o século XXI. Imagem 1.7 – Evolução da indústria 1ª Revolução 1.0 2ª Revolução 2.0 3ª Revolução Revolução 4.0 Mecanização Energia hidráu- lica Energia a vapor Produção em massa Linha de mon- tagem Eletricidade Computação e automação Inteligência artificial Sistemas cibernéticos Fonte: Elaborada pela autoria (2023) 45INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 A revolução 4.0 está transformando os processos industriais tradicionais e nos apresentando a indústria do futuro, logo, é de extrema importância entendê-la e discuti-la, para que possamos nos adaptar a essa nova onda. A indústria 4.0 é um conceito de “fábricas inteligentes” que desenvolvem estratégias que permitem alinhar as novas tecnologias aos meios de produção. O conceito da Indústria 4.0 se baseia no fato de que o uso de tecnologia e automação pode permitir mudanças nas etapas de produção, tornando cada etapa mais independente por meio de sistemas cibernéticos. Mas você deve estar se perguntando, qual a relação da indústria 4.0 com a história do prevencionismo? Na Revolução 1.0, foi preciso estabelecer os critérios de saúde e segurança nas indústrias; na Revolução 2.0 o prevencionismo apareceu voltado para ações globalizadas para atender às instituições internacionais OIT E ONU; na Revolução 3.0 as ações prevencionistas se voltam para a incorporação do cuidado com o meio ambiente com políticas de SMS e desenvolvimento sustentável. E na Revolução 4.0? Esses são os novos capítulos que deveremos escrever para adequar-nos as mudanças nas relações de trabalho geradas pela Revolução 4.0. Haverá mudanças acompanhadas por desemprego e queda dos salários em função da substituição e extinção de alguns cargos nas indústrias, mas também haverá a criação de novas empresas e novas indústrias, porém, com um número reduzido de novos empregos, que surgirão, principalmente, para atender a demanda de criatividade e desenvolvimento de novas ideias. Torna-se então indispensável, para entrar na concorrência das inovações, as empresas entrarem em modelos de gestão que auxiliem a tomada de decisão e as estratégias de negócio, 46 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 adotando medidas proativas em sua gestão de saúde e segurança que se inicia no processo de seleção e contratação de profissionais que demonstrem habilidades prevencionistas, com a consciência da importância de cumprir regras de segurança e em prol da formação continuada de seus colaboradores,investindo em treinamentos e capacitação para atuarem com segurança diante das novas tecnologias e, assim, atendendo às expectativas dos stakeholders. RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o prevencionismo não se desenvolve de forma linear, mas se desenvolve em função de pressões sociais e novos conhecimentos científicos. A Revolução Industrial é um marco nessa história, pois no período pré- revolução não havia ações legais e jurídicas a favor da segurança do trabalhador e no período pós- revolução, com os movimentos sociais gerando forte apelo e respostas políticas e legais para as condições de trabalho, o prevencionismo começa a ganhar protagonismo. Vimos ainda que o prevencionismo não é algo estático, mas precisa estar em constante atualização e adequação às novas formas de relação de trabalho. 47INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 Entidades públicas e privadas OBJETIVO Ao término deste capítulo, você conhecerá o conceito de entidades públicas e privadas e os aspectos relevantes sobre a Saúde e Segurança do Trabalho, em especial sobre o SESMT. Conceitos legais Atualmente, a prevenção de acidentes de doenças do trabalho está presente em diferentes setores de trabalho, com inúmeras leis criadas para garantir as condições de higiene, e segurança do trabalho. Vários setores estão envolvidos no processo de prevencionismo, todos com o objetivo de garantir e gerar melhorias nas condições de trabalho no Brasil. E como é a aplicação dessas leis pelas entidades públicas e privadas? Existem diferenças no âmbito legal? E a administração e fiscalização dessas entidades? Para responder essas perguntas, é preciso estabelecer os conceitos de entidades públicas e privadas. Entidade é a pessoa jurídica, pública ou privada. As entidades são classificadas em estatais, autárquicas, fundacionais e paraestatais, que podem atuar em vários setores, inclusive com entidades prevencionistas (Mafra, 2005). 48 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 DEFINIÇÃO As entidades estatais e as autárquicas são organizações jurídicas de direito público. As entidades fundacionais são pessoas jurídicas de direito público ou privado. As entidades fundacionais particulares podem ser criadas por autorização legal, enquanto que as fundações públicas são criadas por lei. As entidades empresariais são pessoas jurídicas de direito privado, sob o formato de economia mista ou empresas públicas. As entidades paraestatais são pessoas jurídicas de direito privado, os conhecidos sistemas autônomos (SESI, SENAC, SENAI etc.). Primeiramente, abordaremos as responsabilidades atri- buídas às atividades empregadoras, assim como seus direitos, conforme o estabelecido pela legislação do trabalho, por fim me- ramente didático, abordaremos em uma segunda parte os deve- res e direitos dos empregados. Direitos e deveres prevencionistas As entidades públicas e privadas, segundo o Código do Trabalho vigente em nosso país, apresentam direitos e deveres do empregador para a prevenção e reparação de acidentes e doenças profissionais, destacando: Art. 281: o empregador é responsável por ga- rantir a segurança e saúde dos trabalhadores no ambiente laboral, aplicando medidas pre- ventivas com base em princípios gerais. Isso envolve a mobilização de recursos necessá- rios, como prevenção técnica, treinamento, in- formação e consulta aos trabalhadores, bem como a colaboração entre empregadores que compartilham o mesmo local de trabalho. A le- 49INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 gislação regula a organização e operação dos serviços de segurança e saúde no trabalho, que o empregador deve garantir. Art. 282: o empregador tem a responsabilida- de de informar os trabalhadores sobre aspec- tos relevantes para a segurança, consultan- do-os na preparação e aplicação de medidas preventivas. Além disso, deve garantir forma- ção adequada para capacitar os trabalhadores a evitar riscos associados às suas atividades e permitir que os representantes dos trabalha- dores desempenhem competentemente suas funções. Art. 283: o empregador deve transferir a res- ponsabilidade de reparação para entidades legalmente autorizadas a realizar o seguro, ex- ceto no caso de danos decorrentes de doen- ças profissionais causadas por assédio, nos quais a responsabilidade permanece com o empregador. Além disso, o empregador deve garantir que um trabalhador afetado por le- são devido a acidente de trabalho ou doença profissional receba ocupação compatível em caso de redução de sua capacidade de traba- lho ou de ganho. As entidades públicas e privadas devem assegurar aos trabalhadores o direito à igualdade no acesso ao emprego, no trabalho e na formação profissional, direito à igualdade e não discriminação, condições de trabalho, proibição de discriminação e assédio, além da aplicação dos instrumentos de regulamentação coletiva e regulamentos internos. Podemos destacar ainda os direitos presentes no código do 50 INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 trabalho relacionados à prevenção e reparação de acidentes e doenças profissionais, entre os quais se destacam: Art. 281: o trabalhador tem o direito de realizar suas atividades em um ambiente seguro e saudável. Para garantir isso, os trabalhadores devem obedecer às regulamentações de segurança e saúde no trabalho estabelecidas por lei, por acordos coletivos ou pelo empregador. Art. 282: na promoção da segurança e saúde no trabalho em cada empresa, os trabalhadores são representados por representantes eleitos para essa finalidade ou, na ausência destes, pela comissão de trabalhadores. Art. 283: o trabalhador e seus familiares têm direito à reparação por danos decorrentes de acidente de trabalho ou doença profissional. O Fundo de Acidentes de Trabalho assume a responsabilidade pelo pagamento de prestações em casos de acidentes de trabalho que a entidade responsável não pode cobrir devido a incapacidade econômica, conforme estabelecido por lei. O papel do serviço especializado em engenharia e medicina do trabalho – SESMT A existência de uma legislação prevencionista hoje no Brasil, que passa por atualizações e adequações às mudanças nas relações de trabalho, ressalta a importância do SESMT e de sua constante busca pela melhoria das condições de saúde e segurança no ambiente de trabalho. 51INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO U ni da de 1 Aqui, destacamos a relação tripartite, governo, empresa e empregador, que apesar de investirem na saúde e segurança do trabalho, os trabalhadores ainda sofrem as consequências da exposição a riscos ocupacionais em ambientes laborais, assim como das condições inseguras que persistem como causas de acidentes no trabalho. EXEMPLO: um motorista está direcionando sua carga por uma rodovia pública até seu destino, durante o trajeto, ele nota que o comando de frenagem não está funcionando com 100% de sua capacidade, neste caso, dizemos que o motorista está em uma condição insegura, ou seja, é uma situação no ambiente de trabalho que coloca em risco a integridade física e/ou a saúde das pessoas. São defeitos, falhas, irregularidades técnicas e falta de recursos de segurança. Acontece sem a interferência do trabalhador, pois ele está vulnerável a essas condições, mesmo que ele chegue ao destino sem que ocorra um acidente. Tais condições podem ser agravadas por atos não seguros – relacionado a falha humana – caso o motorista tenha ingerido bebida alcoólica ou faça uma ultrapassagem em local proibido, por exemplo. Não podemos desconsiderar as novas tecnologias e ativi- dades que constantemente surgem, trazendo consigo condições de trabalho diferenciadas. No entanto,