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PRECIPITAÇÃO 19/09/16 Aspectos Gerais • O regime hidrológico ou a produção de água de uma região (bacia hidrográfica) é determinado por fatores de natureza climática ou hidrometeorológica (precipitação, evaporação, temperatura, umidade do ar, vento, etc.) e por suas características físicas, geológicas e topográficas. Temperatura, umidade e vento são importantes pela influência que exercem na precipitação e evaporação. • A topografia é importante pela sua influência na precipitação, além do que determina a ocorrência de lagos e pântanos e influi (juntamente com o solo e a vegetação) na definição da velocidade do escoamento superficial. As características geológicas, além de influenciarem a topografia, definem o local do armazenamento (superficial ou subterrâneo) da água proveniente da precipitação. • Para o hidrologista, a precipitação corresponde à água proveniente do vapor d’água da atmosfera que se deposita na superfície da terra sob diferentes formas, como chuva, granizo, neve, neblina, orvalho ou geada. Assim, trataremos da precipitação sob a forma de chuva, por ser incomum a ocorrência de neve no Brasil e pelo fato de que as demais formas pouco contribuem para o regime hidrológico de uma região. • A importância do estudo da distribuição e dos modos de ocorrência da precipitação está no fato dela se constituir no principal input na aplicação do balanço hídrico em uma dada região hidrológica. Formação das precipitações • A atmosfera, camada gasosa que envolve a Terra, é constituída por uma mistura complexa de gases que varia em função do tempo, da situação geográfica, da altitude e das estações do ano. De maneira simples, pode-se considerar •atmosfera = ar seco + vapor d’água + partículas sólidas em suspensão. • A composição média do ar seco é de 99% de nitrogênio mais oxigênio, 0,93% de argônio, 0,03% de dióxido de carbono e o restante de neônio, hélio, criptônio, xenônio, ozônio, hidrogênio, radônio e outros gases. A composição do vapor d’água na atmosfera varia de região para região, estando entre 0% nas regiões desérticas e 4% em regiões de florestas tropicais. As partículas sólidas em suspensão (aerossóis) têm origem no solo (sais de origem orgânica e inorgânica), em explosões vulcânicas, na combustão de gás, carvão e petróleo, na queima de meteoros na atmosfera, etc. Formação •A formação das precipitações está ligada à ascensão de massas de ar úmido. Essa ascensão provoca um resfriamento dinâmico, ou adiabático, que pode fazer o vapor atingir o seu ponto de saturação, também chamado nível de condensação – o ar expande nas zonas de menor pressão. •A partir do nível de condensação, em condições favoráveis e com a existência de núcleos higroscópios2, o vapor d’água condensa, formando minúsculas gotas em torno desses núcleos. •Enquanto as gotas não possuírem peso suficiente para vencer a resistência do ar, elas ficarão mantidas em suspensão, na forma de nuvens e nevoeiros. Somente quando atingem tamanho suficiente para vencer a resistência do ar, elas se deslocam em direção ao solo. • Dentre os processos de crescimento das gotas mais importantes estão os mecanismos de coalescência3 e de difusão do vapor. Tipos As precipitações são classificadas de acordo com as condições que produzem o movimento vertical (ascensão) do ar. Essas condições são criadas em função de fatores tais como convecção térmica, relevo e ação frontal de massas de ar. Assim, tem-se três tipos principais de precipitação, que são: a) precipitações convectivas; b) precipitações orográficas; c) precipitações ciclônicas (ou frontais). •PRECIPITAÇÕES CONVECTIVAS •O aquecimento desigual da superfície terrestre provoca o aparecimento de camadas de ar com densidades diferentes, o que gera uma estratificação térmica da atmosfera em equilíbrio instável. Se esse equilíbrio é quebrado por qualquer motivo (vento, superaquecimento, etc.), ocorre uma ascensão brusca e violenta do ar menos denso, capaz de atingir grandes altitudes •As precipitações convectivas, típicas de regiões tropicais, caracterizam-se por ser de grande intensidade e curta duração, concentrando-se em pequenas áreas. São, por isso, importantes em projetos desenvolvidos em pequenas bacias, e na análise de problemas de drenagem de maneira geral (cálculo de bueiros, galerias de águas pluviais, etc.), envolvendo problemas de controle da erosão. •Florianópolis verão 2008 Cariri paraibano - 2008 •PRECIPITAÇÕES OROGRÁFICAS •As precipitações orográficas resultam da ascensão mecânica de correntes de ar úmido horizontais sobre barreiras naturais, tais como montanhas. Quando os ventos quentes e úmidos, que geralmente sopram do oceano para o continente, encontram uma barreira montanhosa, elevam-se e se resfriam adiabaticamente havendo condensação do vapor, formação de nuvens e ocorrência de chuvas. Essas chuvas são de pequena intensidade, grande duração e cobrem pequenas áreas. Se os ventos conseguem ultrapassar a barreira montanhosa, do lado oposto projeta-se uma sombra pluviométrica, dando lugar às áreas secas, ou semiáridas, causadas pelo ar seco, já que a umidade foi descarregada na encosta oposta •PRECIPITAÇÕES CICLÔNICAS OU FRONTAIS •As precipitações ciclônicas ou frontais são aquelas que ocorrem ao longo da superfície de descontinuidade que separa duas massas de ar de temperatura e umidade diferentes. Essas massas de ar têm movimento da região de alta pressão para a região de baixa pressão, causado pelo aquecimento desigual da superfície terrestre. •A precipitação frontal resulta da ascensão do ar quente sobre o ar frio na zona de contato das duas massas de ar de características diferentes. É decorrente de uma frente quente, quando o ar frio é substituído por ar mais quente, ou de uma frente fria, quando o ar quente é empurrado e substituído pelo ar frio. •As precipitações ciclônicas são de longa duração e apresentam intensidades de baixa a moderada, espalhando-se por grandes áreas. São responsáveis pela produção de grandes volumes de água e interessam mais nos projetos de hidrelétricas, de controle de cheias e de navegação. •RESUMO DOS TIPOS DE CHUVAS Grandezas e medidas das precipitações •As grandezas que caracterizam as precipitações são a altura pluviométrica, a intensidade, a duração e a frequência da precipitação. •A altura pluviométrica, normalmente representada pelas letras h ou P, é a medida da altura da lâmina de água de chuva acumulada sobre uma superfície plana, horizontal e impermeável. Esta altura é, normalmente, expressa em milímetros e determinada pelo uso de aparelhos denominados pluviômetros. •Acima do recipiente do pluviômetro é colocado um funil com um anel receptor biselado, que define a área de interceptação. O anel deve ficar bem horizontal. •Em princípio, a altura pluviométrica fornecida pelo aparelho não depende da área de interceptação. Contudo, deve-se ter cuidado para não se enganar no cálculo da lâmina precipitada, que pode ser obtida de: P = 10 x Vol / A , onde P é a precipitação acumulada em mm, Vol é o volume recolhido em cm3 (ou ml) e A é a área de interceptação do anel em cm2. Existem provetas que são calibradas diretamente em milímetros para medir o volume de água coletado. A precisão de todas as medições de precipitação é o décimo de milímetro. •A intensidade da precipitação, i, é medida pela relação entre a altura pluviométrica e a duração da precipitação: i = ∆P /∆t • . Geralmente, é expressa em mm/h, mm/min ou mm/dia. Na expressão anterior, a intensidade da precipitação corresponde a um valor médio no intervalo A variabilidade temporal dos eventos chuvosos torna necessário o uso de equipamento automático, que permite medir asintensidades das chuvas durante intervalos de tempo inferiores àqueles obtidos com as observações manuais feitas com os pluviômetros. Assim, para a intensidade da precipitação, utilizam-se aparelhos que registram as alturas no decorrer do tempo, sendo estes chamados pluviógrafos. No Brasil, o modelo mais usado é o de sifão, de fabricação Fuess (superfície receptora de 200cm2) cujo esquema é mostrado na Figura a seguir, com fotos do aparelho em operação também mostrados nas Figuras seguintes. Existem, ainda, os tipos basculante de balança, etc. •Pluviógrafo com reservatório equipado com bóia e sifão •Pluviógrafo tipo sifão em operação •Tambor registrador do pluviógrafo •Pluviógrafo de cubas basculantes • Ao registro contínuo da precipitação dá-se o nome de pluviograma, ou registro pluviográfico. Na Figura abaixo apresenta-se um pluviograma típico. Com esse pluviograma quantifica-se a altura pluviométrica, assim como a intensidade da chuva nos intervalos de tempo considerados dentro da sua duração. Em geral, com a resolução dos pluviógrafos mecânicos convencionais consegue-se extrair informações da precipitação em intervalos de tempo superiores a 5min. •ESTAÇÃO PLUVIOGRÁFICA Como exemplo, constrói-se uma Tabela para os valores das alturas pluviométricas e das intensidades de chuva obtidos do pluviograma, para cada intervalo de tempo considerado. Com os valores levantados pode-se, ainda, construir o hietograma da chuva, tomando-se intervalos de tempo, no caso, de 10min. Para uma chuva por exemplo, tem-se que a sua duração é de aproximadamente 50min, e o total precipitado é de 15,7mm. A intensidade pluviométrica média é obtida dividindo-se o total precipitado pela duração da chuva: no exemplo, iméd = 15,7x(60/50)=18,8mm/h. •A duração da precipitação, que aqui será denotada por t ou td, constitui-se também em importante grandeza a caracterizar as chuvas. Ela corresponde ao período de tempo durante o qual a chuva cai. As unidades normalmente utilizadas para a duração da precipitação são o minuto ou a hora. •A precipitação é um fenômeno do tipo aleatório. Por isso, a frequência com que ocorrem determinadas precipitações deve ser conhecida para uso em projetos associados ao aproveitamento dos recursos hídricos ou de controle do impacto causado por chuvas intensas. •Numa bacia hidrográfica, 40 mm de chuva é pouco se ocorrer ao longo de um mês, mas é muito se ocorrer em 1 hora • Tempo de retorno No médio de anos durante o qual espera-se que a precipitação analisada seja igualada ou superada seu inverso é a probabilidade de um fenômeno igual ou superior ao analisado, se apresentar em um ano qualquer • Chuvas intensas são mais raras • Chuvas fracas são mais freqüentes • Por exemplo: − Todos os anos ocorrem alguns eventos de 10 mm em 1 dia em Porto Alegre. − Chuvas de 180 mm em 1 dia ocorrem uma vez a cada 10 ou 20 anos, em média. Frequência Série de dados de chuva de um posto pluviométrico na Região Sul Bloco Freqüência P = zero 5597 P•120 mm • 50+70= 120 mm • 120/2 = 60 mm • Pmédia = 60 mm •Obs.: Forte precipitação •junto ao divisor não •está sendo considerada • Problemas da média •Posto 1 •1600 mm •Posto 2 •1400 mm •Posto 3 •900 mm •Posto 1 •1600 mm •Posto 2 •1400 mm •Posto 3 900 mm •900 •1000 •1200 •1300 •1700 •1400 •1200 •1100 •1700 •1600 •1500 •SIG www.cruzeirodosul.edu.br