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1 NUTRIÇÃO DE PLANTAS E FERTILIDADE DO SOLO 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empre- sários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade ofere- cendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participa- ção no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 Sumário NUTRIÇÃO DE PLANTAS E FERTILIDADE DO SOLO .............................................. 1 NOSSA HISTÓRIA ............................................................................................................ 2 O MANEJO DA ADUBAÇÃO VISANDO O EQUILÍBRIO E RESISTÊNCIA DAS PLANTAS........................................................................................................................... 4 ACOMPANHE NO ESQUEMA ABAIXO AS FASES DO PLANTIO ECOLÓGICO DE ÁRVORES ........................................................................................................................ 19 RECUPERAÇÃO DE ÁRVORES E POMARES ADUBAÇÃO EM EQUILÍBRIO DE BASES EM ÁREA TOTAL, OU EM ÁREA DE 45º COM O SOLO: ........................... 22 ÁREA A SER ADUBADA .............................................................................................. 23 BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................. 25 file://///192.168.4.5/v/Pedagogico/Controle%20-%20Cursos/POSTAGEM/CIÊNCIAS%20AGRÁRIAS%20E%20VETERINÁRIA/AGRICULTURA%20DE%20PRECISÃO/NUTRIÇÃO%20DE%20PLANTAS%20E%20FERTILIDADE%20DO%20SOLO/NUTRIÇÃO%20DE%20PLANTAS%20E%20FERTILIDADE%20DO%20SOLO-%20nova.docx%23_Toc60823844 4 O MANEJO DA ADUBAÇÃO VISANDO O EQUILÍBRIO E RESISTÊNCIA DAS PLANTAS A teoria da trofobiose de Francis Chaboussou (trofo=alimento e biose=exis- tência de vida) quer dizer: Todo e qualquer ser vivo só sobrevive se houver ali- mento adequado disponível para ele. Em outras palavras, a planta ou parte da planta cultivada só será atacada por insetos, ácaros, nematoides, fungos e bactérias quando houver na seiva, exa- tamente o alimento que eles precisam. Este alimento é constituído, principal- mente, por aminoácidos, açucares redutores, esteróis, vitaminas e outras subs- tâncias simples livres e solúveis, pois os insetos e fungos possuem poucas enzi- mas e estas apenas conseguem digerir substâncias simples presentes na seiva da planta. Os teores e principalmente a proporção destas substâncias relacionados com os teores de nutrientes minerais na seiva são determinantes na maior ou menor susceptibilidade das plantas aos parasitas. Para que a planta tenha uma quantidade maior de aminoácidos (substâncias simples), basta tratá-la de maneira 5 errada: adubações desequilibradas, aplicações de agrotóxicos, estresses, podas etc. Portanto, um vegetal bem alimentado e manejado considerando todas as suas necessidades e equilíbrios, dificilmente será atacado por “pragas e “doenças”. As ditas pragas e doenças, morrem de fome numa planta equilibrada. Podemos tro- car o nome de pragas e doenças para indicadores de mau manejo. Insetos, ácaros, nematoides, fungos, bactérias e vírus são a consequência e não a causa do problema. Desta forma, em agricultura sustentável (orgânica) tratamos as causas para que os resultados sejam os mais duradouros e equilibra- dos possíveis. Existe por trás desta teoria, uma base bioquímica onde as enzimas responsáveis por processos importantes da planta quando na ausência de alguns nutrientes (metais) e condições ambientais, perdem sua capacidade de catalisar as reações, diminuindo sua eficiência. Desta forma algumas substâncias ficam acumuladas na planta e servem de alimentos para os insetos. Na agricultura orgânica, o simples fato de se buscar uma produção vegetal e animal mais equilibrada e sadia, nos leva a pensar e agir diferentemente da agricultura convencional, principalmente no manejo da fertili- dade dos solos. A busca por um alimento com maior valor biológico e com propriedades organolépticas melhores, nos levou a buscar outras formas de fertilização dos so- los mais equilibradas que levam em conta as proporções dos nutrientes no solo e não só os teores totais. Sabe-se que o Cálcio e o Magnésio tem uma estreita relação com a absorção do potássio e consequentemente com o ataque de pragas e doenças. Da mesma forma o enxofre com o nitrogênio, o boro com o cálcio e potássio, o zinco com o fósforo, entre outras relações que direta ou indiretamente afetam a produção e sanidade das culturas e criações (ZIMMER, 2000, PRIMA- VESI, 1986, ABREU JR. 1998). A melhoria da fertilidade do solo e o controle das pragas, doenças e ervas invasoras não são feitos com produtos, como por exemplo um fertilizante NPK 4- 14-8 ou alguns agrotóxicos como 2,4-D, benlate e malathion, mas sim por um processo, onde os conceitos citados acima são aplicados racionalmente e de ma- neira conjunta, com o intuito de minimizar os efeitos destes agentes biológicos. Entendendo assim, a agricultura passa a ter menos mistérios e os seus profissionais responsáveis passam a ter um papel fundamental na orientação do 6 controle de pragas e doenças dos cultivos agrícolas. Para que não sejam enten- didas como uma catástrofe enviado pela natureza, mas um fator que pode ser manejado adequadamente quando se entende as relações clima, solo, planta, praga/doença, organismos benéficos e ações do homem. As práticas sustentáveis da agricultura se baseiam em conceitos ecológi- cos sólidos e podem ser divididas em dois grandes grupos: Medidas a serem to- madas antes do plantio • Fazer o Manejo Integrado da Fertilidade do Solo e Nutrição da Planta, onde a queima de qualquer resto de palhada e/ ou vegetação é a pior prática quando se deseja alcançar a sustentabilidade agrí- cola. A compostagem de todo material disponível na propriedade é sempre desejável. • Preparo do solo, deve ser precedido da avaliação da compactação, dando sempre preferência ao plantio direto e mecanização reduzida, mantendo a cobertura de palha e/ou matéria orgânica na superfície do solo para que ocorra a decomposição aeróbica e desenvolvi- mento de organismos benéficos. Realizar a adubação no sentido amplo do termo, com muito critério pois como se sabe, o excesso de um nutriente provoca a deficiência induzida de outro e quase sempre isto está associado ao ataque de pragas e doenças. Há uma relação direta entre deficiências, excessos e aumento da suscep- tibilidade das plantas a pragas e doenças. Veja tabela abaixo: 7 Deve-se dar preferência a nutrientes quelatizados; aqueles ligados a molé- culas de matéria orgânica, pois possuem a qualidade de liberar paulatinamente as quantidades necessárias às plantas, promover a vida benéfica no solo e de 8 não se perder facilmente com as chuvas. Para isso, acrescentar aos estercos, biofertilizantes e tortas, os elementos que são carentesno solo e planta. A colocação de fertilizantes solúveis diretamente no solo, sem fazer adu- bação verde ou acrescentar matéria orgânica compostada ou húmus de minhoca, não é sustentável a longo prazo, pois os fertilizantes solúveis irão se perder por lixiviação e/ou fixação, não irão promover uma vida ativa e benéfica ás plantas e vão predispô-las às pragas e doenças. É unânime entre os agricultores mais experientes, a relação entre melhoria do solo em matéria orgânica e diminuição de pragas e doenças (Seminário sobre novas tendências de manejo do solo Húmus e Microrganismos - 1996). Após a instalação da cultura no campo, ao se fazer a adubação de cober- tura, pode se utilizar compostos orgânicos mais solúveis e ricos em nutrientes, como o esterco de galinha, a torta de mamona, Bokashi, biofertilizantes e nutrien- tes quelatizados. • Rotação racional de culturas, com características diferentes de ex- tração de nutrientes, evitando-se sempre os afeitos alelopáticos; • Consorciação de plantas companheiras (Ex. abóbora e milho, batata e alho) e/ou de plantas repelentes às pragas (Ex. tomateiro e cravo de defunto, alho japonês); • Plantio de cercas vivas, quebra-ventos e preservação de áreas de refúgio da fauna benéfica. A orientação é utilizar-se diversas plantas nativas que produzam flores e frutos em abundância para que os organismos benéficos tenham alimentos em períodos de “entressa- fra de pragas”. • Escolha culturas adaptadas aos fatores limitantes (clima, solo, dis- ponibilidade e água etc) bem como de cultivares, variedades e es- pécies resistentes e/ou rústicas às doenças e pragas mais comuns na região. Basear a escolha nas características do clima dos centros de origem das espécies, por exemplo a batata nos Andes, o tomate no México e assim por diante. • Plantio e cultivo de plantas inseticidas, nematicida, fungicidas e in- dutoras de resistência, como o Nim (Azadirachta indica), Cravo-de- 9 defunto (Tagetes erecta) Manjericão (Ocimum micranthum), Prima- vera (Bougainvillea glaba), respectivamente, para utilização na pre- paração de extratos e biopreparados que serão utilizados na prote- ção dos cultivos. • Iniciar a preparação de caldas fermentadas e infusões que estimu- lam e promovem a melhor nutrição e consequentemente uma me- lhor proteção das plantas, pois muitas vezes estes preparados ne- cessitam de alguns dias para a completa elaboração (Ex.: Biofertili- zante, chorume). • E todas as recomendações citadas, deve-se ressaltar que o agrotó- xico não deve ser considerado como medida preventiva. Neste novo enfoque e visão se diz equilíbrio de bases do solo e não cala- gem e adubação, onde os diferentes tipos de calcário e adubos são utilizados com mais critério e não apenas o econômico. Fazer cálculos de calagem e adubação conforme preconizados pela pes- quisa técnica convencional, nem sempre será sinônimo de sucesso e sanidade 10 das culturas, pois os resultados dos experimentos levou-se em conta apenas as quantidades de matéria seca produzidos pela planta; ou seja usou-se a balança de medida de massa. Pouco se avaliou quanto uma calagem e relação Ca/Mg afeta a vida do solo, microrganismos, coloides, lixiviação, perda de outros nutrien- tes, resistência a pragas e doenças, resistência a seca e vento, promoção de sa- úde animal, valor biológico, capacidade do alimento satisfazer os animais etc. Plantas que foram cultivadas em solos que receberam adubação (orgâ- nica+mineral) com base no equilíbrio de bases, proporções dos nutrientes na CTC e não somente no conteúdo total dos elementos, foram mais resistentes a pragas e doenças e os animais (porquinho da Índia e galinhas) que as consumiram, ga- nharam mais peso consumindo menos; em relação às mesmas plantas cultivadas sob adubação tradicional (calagem + adubação química), segundo experimentos de Wiliam Albrecht citado por Zimmer (2000). Isso pode ser creditado ao maior valor biológico dos alimentos cultivados em solos equilibrados. No boletim Técnico 100 do IAC, consta: “A relação Ca/Mg não é um fator que precisa ser levado em conta na calagem, desde que seja ga- rantido um teor adequado de Mg. A importância do equilíbrio de bases no solo para a produção das culturas tem sido muito discutida, nos últimos anos, no País. Existem recomendações téc- nicas para ajustar a relação Ca/Mg para valores entre 3 e 4, sem nenhuma sus- tentação experimental. Ao contrário, os resultados experimentais sobre este as- sunto, tanto nacionais como internacionais, tem demonstrado que a relação Ca/Mg tem pouca importância para a produção das culturas dentro de um intervalo amplo de 0, 5:1 até 30:1, desde que os teores desses nutrientes no solo não sejam próximos aos limites de deficiência”. 11 Para agricultura orgânica as proporções dos nutrientes tem muita impor- tância, pois afeta diretamente a saúde das plantas e vida do sistema vivo solo. Quanto aos resultados experimentais, acho que os fertilistas brasileiros nunca le- ram Albrecht. O excesso de magnésio presente em solos que receberam exclusivamente calcário dolomitico provoca: perda de nitrogênio pela formação de nitrato de mag- nésio, altamente lixiviavel no solo, competição com o potássio na absorção pela planta, diminuição da floculação do solo, compactação e maior pegajosidade do solo. Segundo o boletim “O solo pode ser até considerado um organismo vivo’’. Para os orgânicos isso não há dúvidas, pois o solo e um sistema vivo com- parado ao rumem de uma vaca. Quando alimentamos uma vaca com palhas, são os microrganismos presentes no rumem que o digerem e transformam as celulo- ses e ligninas em substancias assimiláveis pelo animal, da mesma forma deve ser encarado o solo. Analisando sob este enfoque, formas de nutrientes que levam cloro em sua composição, afetam a vida no solo, pois cloro é um poderoso bacte- ricida. O cloro não se torna bonzinho ao se colocá-lo no solo. 12 Ele mata microbios onde quer que esteja Por exemplo, o cloreto de potás- sio tem em sua composição além do potássio (55%), cloro (45%) e por isso que seu uso na agricultura orgânica não é permitido, bem como de outros cloretos. Os solos brasileiros possuem baixa quantidade de Matéria Orgânica (M.O.) e Boro. O primeiro diminui a retenção e adsorção de nutrientes no solo, diminui vida e diversidade de organismos no solo, ciclagem de nutrientes, bem como di- minui aeração, a retenção de água e penetração das raízes no solo, aumenta a compactação, ou seja, diminui o volume de solo explorado pelas raízes e conse- quentemente aumentam as chances das plantas passarem fome e sede. O boro, quando ausente ou em baixa quantidade, reduz crescimento das raízes e ocasiona quase os mesmos efeitos na planta, descritos acima; além de diminuir a translocação de foto assimilados, pagamento e enchimento de frutos. O pH não é um parâmetro tão importante, mas consequência do atendi- mento dos demais níveis. Se fosse tão importante ao se colocar uma planta em água com pH 7 ela se desenvolveria bem sem precisar dos nutrientes. Algumas regras importantes para aplicação prática do conceito de Equilíbrio de Bases: • Não acrescentar mais de 2,5 t/ha de calcário por ano. • Não colocar todos os nutrientes nas proporções ideais logo no pri- meiro ano, pois ao se acrescentar adubos orgânicos e adubos ver- des, os microrganismos passam por um período de estresse para conseguirem agir no sentido de equilíbrio do solo. • Fazer composição de calcários, cinzas, fosfatos naturais e pós de rocha, no sentido de se atender as proporções sugeridas pela ta- bela. • Acrescentar fosfato natural e pôs de rocha sempre em conjunto com matéria orgânica, seja composto, biofertilizantes ou chorume. O manejo da fertilidade do solo inicia-se pela amostragem correta e análise química, física e biológica do solo realizadoem laboratórios confiáveis. Com o resultado de analise, poderemos inferir algumas características como: Magnésio acima de 15% da CTC – plantas amareladas e solo pegajoso e com lentidão na infiltração de água Potássio (K) além de 7% da CTC – presença de caruru como principal planta espontânea Enxofre (S), solos pobres promovem aparecimento de ácaros em plantas e carrapatos em animais; Boro abaixo de 0,5 ppm – proble- mas sérios de pragas em brotações e pagamento de frutos Cálcio abaixo de 30% 13 da CTC – alta incidência e predominância de capins como plantas espontâneas e problemas de ataque de cochonilhas em arvores. Cobre abaixo de 1 ppm – problemas sérios de doenças Todas estas infor- mações são correlacionadas nos trazem informações para aferirmos o resultado da análise de solo, pois se no solo amostrado apresentar bastante caruru (Ama- ranthus) como planta espontânea e na análise o potássio estiver abaixo de 5% da CTC, deve-se duvidar deste resultado, do laboratório ou da amostragem reali- zada. Com a proliferação e facilidade de uso de extratos vegetais e caldas ferti- protetoras com relativo sucesso no controle de pragas e doenças tanto no orgâ- nico como no sistema convencional de produção agrícola, há uma negligência na questão equilíbrio do solo e nutrição das plantas, base de todo controle e preven- ção de parasitas. Willian Albrecht teve uma questão que na década de 50 o inco- modava: O que é um solo equilibrado? Estudando matéria orgânica e a resposta das plantas ao seu acréscimo ao solo, estabeleceu que a resposta estaria ai. Estabe- leceu as proporções dos nutrientes na matéria orgânica e testou esta proporção em solos lavados (areia), acrescentando os nutrientes nas quantidades relativas semelhantes a matéria orgânica humificada. Escreveu cerca de 600 trabalhos ci- entíficos publicados nas mais importantes revistas da época. 14 Para a maioria das plantas estas proporções e teores satisfazem tanto a vegetação como a produção; porem para plantas lenhosas (arvores frutíferas), palmáceas, banana a proporção do potássio deve ser de 5,5 a 7% da C.T.C. 15 Uma forma de se interpretar uma análise de solo e calcular as necessida- des e realizar uma recomendação técnica de construção da fertilidade do solo será apresentado na pratica. Há, hoje, um pequeno programa de computador construído pelo técnico da CATI, Paulo César Montalvao que traz de maneira sim- ples um cálculo de Equilíbrio de Bases, sem no entanto, trazer uma recomenda- ção fechada que substitua o agrônomo ou o profissional da ciência agrária. O resultado final aparece as carências de óxidos de cálcio, magnésio e quantidade dos elementos potássio, fósforo, enxofre, boro, ferro, manganês, co- bre e zinco, deixando a formulação e decisão da escolha do melhor adubo, insumo a cargo do agrônomo. Ca 2,3 mEq/100mL Mg 0,5 mEq/100mL 16 K 0,2 mEq/100mL C.T.C. = 6,0 mEq/100mL M.O. = 2,1 % P = 6 mg/dm3 S = 5 mg/dm3 B = 0,2 mg/dm3 Cu = 1,2 mg/dm3 Fe = 34 mg/dm3 Mn = 12 mg/dm3 Zn = 3 mg/dm3 Colocando os valores no programa, obtém-se as quantidade necessárias dos nutrientes: Um exemplo de cálculo de recomendação: Calcário Calcítico com 60% de CaO, 1,0% de MgO e PRNT 80%: 391 / 60% = 651 / 80% = 814 Kg/ha, ou seja 81 gramas / m2 o magnésio = 651 * 0,5% = 65 Kg/ha. O potássio pode ser colocado via cinzas: 7,82 / 3% = 260 Kg/ha Os micronutrientes: Ex. Boro, falta 1,6 Kg/ha, se colocarmos bórax (11% de B) 1,6 / 11% = 14,5 Kg/ha Deve-se colocar esta quantidade dividido em pelo menos 3 vezes no ano, espalhado em área total, misturado com biofertilizantes diluído. Temos tido algumas experiências positivas com a utilização destes concei- tos na recomendação de adubação em frutíferas e hortaliças. Um exemplo posi- tivo foi a cultura de acerola do Sr. Klaus Bouillon em Indaiatuba. Já no primeiro ano de adubação segundo equilíbrio de bases, a produção foi 20% maior e atual- mente já conseguiu o selo orgânico, ou seja no período de conversão da produção de convencional para orgânico, houve aumento na produção. Com equilíbrio de bases isso é possível. A pulverização de Nim foi mais eficiente e se utilizou menos vezes no perí- odo, em comparação com o ano anterior. O Nim, embora venha sendo utilizado em agricultura orgânica e convencional, os resultados melhores vem sendo obtido na razão direta do equilíbrio do solo. Por exemplo, em cultivo convencional de tomate o Nim não conseguiu controlar a broca do ponteiro. O agricultor havia feito calagem com calcário dolomitico na dosagem 3 ve- zes maior que a recomendação tradicional. Nem mesmo o agrotóxico utilizado por 17 ele na área convencional, controlou o ataque da praga. Da mesma forma, um cul- tivo orgânico teve o mesmo problema, porém em análise de solo, constatou o teor baixo de Boro, embora o de Cálcio estivesse alto. A baixa quantidade de Boro no solo afeta a absorção e transporte de K, Ca e foto assimilados, deixando as bro- tações frágeis e tenras, sem resistência às pragas. Assim como os agrotóxicos, os extratos vegetais têm limitações quanto à eficiência no controle de parasitas e são altamente dependente do estado de equilíbrio dos nutrientes do solo e da planta. A trofobiose não é novidade, mas é fundamental ressaltar a sua importân- cia na expressão da resistência das plantas e ressaltar a sua dependência no nível de eficiência dos extratos utilizados pela agricultura orgânica. Plantio Ecológico de Árvores Os plantios de árvores atualmente tem tido insucessos ou alta porcentagem de falha no pegamento das mudas, isso se deve ao fato das pessoas ainda plantarem em covas. Experiências práticas mostram que plantios em berços, o índice de pegamento é de quase 100%, muito diferente dos plantio em covas onde se trabalham com índices de no máximo 92%. 18 Cabe-nos diferenciar cova e berço: 19 ACOMPANHE NO ESQUEMA ABAIXO AS FASES DO PLANTIO ECO- LÓGICO DE ÁRVORES Abertura, adubação do berço, plantio e condução inicial da muda Sistema BERÇO ESPLÊNDIDO Desenhos e esquemas no arquivo Berço 2 No plantio de 20 mudas fazer berços e não covas, separar as 2 camadas de solo e colocar o ma- terial orgânico (composto, esterco, resto de culturas) na superfície para que possa sofrer decomposição aeróbia. Se for colocada abaixo de 20 cm haverá fermentação anaeróbia, produ- zindo gases tóxicos como o sulfídrico, metano, monóxido de carbono e substân- cias fétidas e igualmente tóxicas como putrefacina e cadaverina, causando intoxi- cação das mudas, e consequente amarelecimento e morte ou vulnerabilização de seu sistema de defesa, aparecendo pragas e doenças. O tempo entre o preparo do berço e plantio não precisa ser de 2 meses, como para as covas, pois você não está misturando o composto em todo o solo, mas apenas na superfície. Pode-se realizar o plantio no mesmo momento da abertura e preparo do berço. Mudas de árvores plantadas em covas com esterco misturado em todo o solo amarelecem e sofrem diminuição do desenvolvimento no início, isto já não acontece quando se planta em berço. Desta forma se ganha 2 meses na estação chuvosa, tendo como resultado uma planta mais bem pega e desenvolvida com maiores chances de sobrevivên- cia no período seco, diminuindo a dependência da irrigação. Na adubação de ma- nutenção e produção das árvores frutíferas, deve-se espalhar em toda a área e não só na projeção da copa, a fim de promover o desenvolvimento de raízes em todo o solo, fazendo a planta explorar mais nutrientes e água. O mato e outras plantas entre as árvores será adubado sim, mas periodi- camente roçado e pulverizado biofertilizantes para acelerar a decomposição. Não haverá competição, mas uma reciclagem contínua dos nutrientes, contribuindo para o aumento do teor de matéria orgânicae vida do solo, aumentando a sus- tentabilidade do sistema. Para implantação de pomares em grandes áreas, realizar o plantio de es- pécies de adubos verdes 1 mês antes do plantio das mudas. Protege a muda do sol forte e mantém o solo coberto. Ao final da estação chuvosa, cortar as ramas dos adubos verdes e deixar sobre o solo, protegendo-o Para implantação de ma- tas ciliares, fazer o berço e semear guandu + crotalária pelo menos 1 mês antes do plantio das mudas. Retirar algumas plantas de adubo verde do centro do berço e plantar a muda. Deve-se abolir o uso de herbicidas, pois além de matar a vida do solo afeta o sistema de defesa da planta e contamina o ambiente. 21 Roçar o mato entre as linhas e colocar cobertura morta embaixo das saias das árvores afim de abafar o crescimento das plantas espontâneas. Deve-se dar preferência a instalação de adubação verde permanente como Arachis pintoi (amendoim forrageiro), uma leguminosa nativa do Brasil central, que além de fixar nitrogênio, suprime o crescimento do mato e protege o solo da erosão e excesso de calor. É recomendável a aplicação de pós de rocha magmáticas e paramagné- ticas em todo o pomar, plantas e solo a fim de promover maior atividade e micro- vida no agro ecossistema Para controle de doenças fazer uso de biofertilizantes e extrato de húmus que promovem o aumento de microrganismos benéficos, que quando são pulve- rizados sobre as plantas, ocupam os sítios de entrada da planta e competem por alimentos com os patógenos, diminuindo as chances de desenvolvimento de do- enças nas plantas. Quanto ao controle de pragas, faz-se o uso de extrato de Nim, alho, ta- getes, timbó, calda sulfocálcica, viçosa, bordalesa, entomopatógenos (Beauveria bassiana, Metharizium anisopleae, Bacillus thurigiensis), extrato pirolenhoso, ar- madilhas com feromônio e/ou alimentícias, ensacamento de frutos etc. Consulte um agrônomo que tenha conhecimentos de agricultura sustentável e observe mais a natureza, está sempre nos ensina sem esconder nada. 22 RECUPERAÇÃO DE ÁRVORES E POMARES ADUBAÇÃO EM EQUILÍ- BRIO DE BASES EM ÁREA TOTAL, OU EM ÁREA DE 45º COM O SOLO: 23 ÁREA A SER ADUBADA Fazer sempre adubação no sentido de encorajar as raízes a explorar maior volume de terra e consequentemente água. Desta forma a árvore dependerá me- nos de adubos e irrigação. Dependerá menos dos humanos para sobreviver. Adubação de projeção de copa limita as raízes a uma certa distância e volume de solo, aumentando os desequilíbrios nutricionais e a vulnerabilidade a falta de água. Adubação de projeção de copa é como temperar a carne de chur- rasco fazendo um montinho de sal em uma das pontas da peça. Em um dos lados fica salgado demais e outro sem sal algum, apenas uma faixa em torno do montinho é possível se apreciar. 24 25 BIBLIOGRAFIA ABREU JUNIOR, H. et alli. Práticas alternativas de Controle de Pragas e Doenças na Agricultura, Campinas, Gráfica Editora EMOPI, 115pp., 1998. AMBROSANO, J.A. ; ABREU JUNIOR, H; OSTERROHT, von M. & D’AN- DREA, P.A. , Processos de Proteção de plantas: Controle Ecológico de Pragas e Doenças, resumos, vários autores198p. Ed. Agroecológica, Botucatu, SP, 2000. CHABOUSSOU, F. Plantas doentes pelo uso de agrotóxicos: a teoria da Trofobiose; tradução Guazzelli, M.J., Porto Alegre: L&M, 256p. 1987. PRIMAVESI, A.M. , Manejo Ecológico dos solos, 9 ed., São Paulo, Nobel, 1986. RAIJ, B. van; CANTARELLA, H.; QUAGGIO, J.A. & FURLANI, A.M.C., eds. Recomendações de adubação e calagem para o estado de São Paulo, 2 ed. Cam- pinas, . Boletim 100.Instituto Agronômico & Fundação IAC, 285pp 1996 SCHMUTTERER, H. The Neem Tree, source of unique products for inte- grated pest manegement, medicine, industry and other purposes, Cambridge; To- quio: VCH, 696pp, 1995. ZIMMER, G.F. The biological Farmer, a complete guide to the sustainable & profitable biological system of farming. Ed. Acres, Texas, USA, 352pp., 2000. ALBRECHT, W. A. Albrecht, William A. Soil Fertility And Animal Health. Webster City, Iowa: Fred Hahne Printing Co, 1958. Reprinted by Acres, USA as The Albrecht Papers, Vol. II, currently in print Albrecht, William A. "Loss Of Soil Organic Matter And Its Restoration". Soils and Men: USDA Yearbook of Agriculture. Washington, D.C., United States Department of Agriculture, 1938.