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Organização do Estado Profª. Me. Natalia Valença @nataliavalenca 1 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 3 2. FEDERALISMO 3 3. FEDERALISMO BRASILEIRO 5 4. UNIÃO 7 5. OS ESTADOS FEDERADOS 7 5.1 PRINCÍPIO DA SIMETRIA 9 5.2 HIERARQUIA ENTRE AS NORMAS 10 6. OSMUNICÍPIOS 11 7. O DISTRITO FEDERAL 12 8. OS TERRITÓRIOS 13 09. Dúvidas frequentes 13 10. LEGISLAÇÃO DO TEMA E JURISPRUDÊNCIAS RESUMIDAS 13 11. REFERÊNCIAS 15 2 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 1. INTRODUÇÃO Inicialmente, é preciso deixar claro que a Organização do Estado não se confunde com a Organização dos Poderes. Vejamos: Organização do ESTADO → organização dos entes que compõem o Estado federativo (União, Estados, DF e Municípios) Organização dos PODERES → organização do Poder Legislativo, Executivo e Judiciário O tema desta aula tem como principal dispositivo o artigo 1º e 18 da CRFB/88 que necessita de uma leitura com atenção. Art. 1º. A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui pios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos (...)” → A FORMA DE ESTADO é a federação. Formada pela união indissolúvel, ou seja, nenhum dos entes pode se declarar independente e criar um novo Estado. Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. → O art. 18 traz a organização político-administrativa. → Os Municípios têmmenos autonomia em relação aos outros entes. 2. FEDERALISMO O federalismo é uma das formas de organização do Estado, mas não é a única. Segundo José Afonso da Silva “o modo de exercício do poder político em função do território dá origem ao conceito de forma de Estado.”. 3 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 Analisemos, portanto, as demais formas de Estado para, depois, nos atermos ao federalismo: → No ESTADO UNITÁRIO não há repartição em entes. O Estado é uma unidade, sem repartição de competência interna, isto é, de poder. A divisão de um Estado em províncias, por exemplo, não retira a sua característica como unitário, pois isso se trata de uma mera divisão territorial e não de poder. Portanto, no estado UNITÁRIO, somente um núcleo irá concentrar todas as competências. → O ESTADO CONFEDERADO é a soma de vários estados unitários, que se unem, mas não abrem mão da soberania nem da autonomia. A ideia, aqui, é que um Estado proteja o outro de ameaças externas. É uma espécie de aliança para a autoproteção, ainda que cada Estado permaneça com a sua autonomia. → O ESTADO FEDERAL/FEDERADO é formado pela soma de várias unidades federativas, que se unem abrindo mão da soberania e de parte de sua autonomia. Em outras palavras, trata-se de um Estado repartido em várias unidades federativas que possuem uma certa autonomia. Contudo, somente a União é detentora da soberania, isto é, somente a União pode representar o Estado internacionalmente, tem ainda, certa autonomia. AUTONOMIA → COMPETÊNCIA INTERNA Dividida entre todos os entes SOBERANIA → ATUAÇÃO EXTERNA (INTERNACIONAL) Apenas da União O tanto de autonomia que cada ente possui depende da Constituição de cada país. Por exemplo, pela CRFB/88, existe um certo equilíbrio entre os entes. Já nos EUA, os Estados-membros da federação são mais “independentes”. Essa diferença decorre da formação histórica de cada país. 4 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 Vale destacar que os Estados não são subordinados à União, são entes diferentes que somados, formam o Brasil. CUIDADO!! São diversos os exemplos práticos destes modelos no direito comparado, mas tenha cuidado para não se confundir. Na sua prova, só é relevante como isso funciona no Brasil! 3. FEDERALISMO BRASILEIRO Como visto, o Brasil adota o modelo de Estado Federal. Tal é a importância do federalismo para o Brasil que a CRFB/88 o elegeu como cláusula pétrea. Ou seja, nenhuma emenda constitucional pode alterar o Brasil para um estado unitário, por exemplo, nem mesmo a vontade da maioria da população. Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: (...) § 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; Para não esquecer! Constituição da República FEDERATIVA do Brasil. Apenas a União e os Estados são entes federativos. A sigla de cada Estado-membro remete a uma unidade federativa. Assim, quando solicitada a “UF” de nascimento, busca-se saber o Estado em que a pessoa nasceu. EX.: UF de nascimento: PE (Pernambuco). Os Municípios não são UF’s, mas têm algumas competências definidas pela CRFB/88, portanto possuem uma certa autonomia (poder de administração). Os municípios não são Unidades Federativas (UF), são entes (sentido geral) que participam da organização do Estado, mas não são Unidades Federativos (sentido estrito). Uma Unidade Federativa tem autonomia constitucional, o que só acontece com os Estados, haja vista que os Municípios só têm Lei Orgânica, não tem Constituição, e estão previstos pela CRFB/88 apenas como entes dentro da organização do Estado. Ente: sentido geral Unidade federativa: sentido estrito São Entes que participam da organização da CRFB/88: 5 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 União, Estados, DF eMunicípios (art. 1º) São Unidades Federativas que participam da organização e tem autonomia constitucional: União, Estados e DF. Os Territórios não fazem parte da organização federativa, apesar de fazerem parte da organização política do Estado e serem mencionados pelo art. 18 da CRFB/88. Atualmente, não existe nenhum Território no Brasil. Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. § 1º Brasília é a Capital Federal. § 2º Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar. § 3º Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar. § 4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei. → Há três hipóteses no §3º, dois Estados se unirem, formando um novo Estado; um único Estado dividir-se em dois; e parte de um Estado desmembrar-se e anexar a um outro Estado. 6 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 → A população envolvida na incorporação, subdivisão ou desmembramento de Estado deverá ser consultada mediante plebiscito. Além disso, deve ter aprovação do CN por lei COMPLEMENTAR. A mesma lógica se repete para os Municípios, mas, nesse caso, a criação, incorporação, fusão e desmembramento será feita por lei ESTADUAL. → O §4º, relaciona-se aos municípios, a consulta prévia também é por meio de plebiscito. Acrescenta-se que nos casos dos municípios é indispensável Estudos de Viabilidade Municipal para analisar se há condições da criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios. 4. UNIÃO A UNIÃO é o ente federativo que representa a federação (que é a junção dos estados). A soberania da qual Estados-Membros abrem mão é concentrada na União, que representará o país do ponto de vista internacional.Por exemplo, apenas a União pode, por meio do Presidente da República, assinar Tratado Internacional, ou ainda, jamais um Estado Federado poderá declarar guerra a outro país. A União terá a soberania nacional + autonomia (fixada pelas normas de competência da Constituição). Por exemplo, lei federal é uma atuação da União. 5. OS ESTADOS FEDERADOS Os Estados Federados são as Unidades Federativas. Não possuem soberania (que é a dimensão internacional do Estado - país), mas somente autonomia, de acordo com a Repartição de Competências Constitucionais. ARTIGO SUPER IMPORTANTE: ART. 25 DA CRFB/88 Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição. Este artigo fundamenta a autonomia dos ESTADOS, pois prevê a possibilidade de se adotar uma Constituição Estadual. Contudo, o seu conteúdo (e, consequentemente, a atuação do Estado) sempre deverá observar os princípios previstos pela Constituição Federal. Por exemplo, o princípio da separação dos poderes. 7 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 O princípio da simetria determina que as normas de repetição obrigatória devem se repetir, no que couber, no âmbito estadual. Por exemplo, se há o Presidente da República no âmbito Federal, haverá o Governador no âmbito estadual. Se há o Congresso Nacional, no âmbito federal, no âmbito estadual, haverá a Assembleia Legislativa. Ou seja, a Constituição Federal permanece no ápice do ordenamento jurídico. Nesse sentido, o art. 11 do ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias) prevê os poderes das Constituições dos Estados. Art. 11. Cada Assembléia Legislativa, com poderes constituintes, elaborará a Constituição do Estado, no prazo de um ano, contado da promulgação da Constituição Federal, obedecidos os princípios desta. Parágrafo único. Promulgada a Constituição do Estado, caberá à Câmara Municipal, no prazo de seis meses, votar a Lei Orgânica respectiva, em dois turnos de discussão e votação, respeitado o disposto na Constituição Federal e na Constituição Estadual. Pelo dispositivo, cada Estado da federação precisou criar a sua Constituição até 1989, prazo seguido corretamente por todos os Estados. OBS.: O ADCT é uma espécie de anexo da Constituição Federal que disciplinou a transição do regime militar para o regime democrático em que vivemos atualmente. O parágrafo único do artigo em questão traz a possibilidade de osMUNICÍPIOS criarem a sua respectiva Lei Orgânica. Os Municípios não têm Constituição própria, pois não possuem o exercício do Poder Constituinte e não são unidades federativos. Apesar disso, as Leis Orgânicas Municipais (art. 29, caput, da CRFB/88) funcionarão como uma “constituição do município” e devem se subordinar tanto à Constituição Federal quanto à Constituição do Estado. ASSEMBLEIA LEGISLATIVA → cria a Constituição Estadual CÂMARAMUNICIPAL → cria a Lei Orgânica doMunicípio Os Estados Federados possuem as seguintes espécies de autonomia: ● AUTOGOVERNO: exercício dos três Poderes em âmbito estadual. EX.: Tribunal de Justiça (PJ); Governador de Estado (PE); Assembleia Legislativa (PL); ● AUTO-ORGANIZAÇÃO: com constituição estadual; 8 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 ● AUTONOMIA LEGISLATIVA: autonomia para promulgar leis; ● AUTONOMIA TRIBUTÁRIA E ORÇAMENTÁRIA: com a possibilidade de criação de tributos e organização financeira; ● AUTONOMIA ADMINISTRATIVA: assim como ocorre no âmbito da União, os Estados terão um quadro próprio de servidores públicos estaduais. Em regra, as autonomias que a União puder ter, os Estados também poderão ter, mas em seu âmbito estadual. É quase como se fossem “equivalentes”, mas lembrando sempre que os Estados-membros não possuem soberania. A autonomia dos estados, no entanto, encontra alguns LIMITES: → Limites previstos, expressamente, na CRFB/88 sobre repartição de competências. → Princípio da simetria: em alguns momentos, a CRFB/88 determina que os Estados devem “copiar” o que ocorre no âmbito da União, com as devidas proporções e na dimensão cabível. 5.1 PRINCÍPIO DA SIMETRIA Pelo princípio da simetria, a Constituição Federal determina a observância pelos Estados das regras dadas à União. Em outras palavras, o que acontece no âmbito da União, a CRFB/88 determina que aconteça da mesma forma simetricamente nos Estados. EX.: O Governador do Estado está para o Estado assim como o Presidente da República está para a União Federal. O Governador do Estado tem autonomia para nomear os Secretários, assim como, o Presidente tem autonomia para nomear seus Ministros. EX.: As Assembleias Legislativas estão para o Estado assim como o Congresso Nacional está para a União Federal. EX.: Os Tribunais de Justiça estão para o Estado assim como o STF está para a União Federal. Inclusive, quando formos falar sobre controle de constitucionalidade, esse tema também será mencionado, pois os Estados-membros contam com uma ação específica para controle: a representação de inconstitucionalidade. 9 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 ELEIÇÕES E SIMETRIA Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de 4 (quatro) anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em 6 de janeiro do ano subsequente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77 desta Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021) ATENÇÃO para a novidade legislativa!! A posse do Governador e do Vice-Governador não ocorre mais no dia 1º de janeiro, mas sim no dia 6 de janeiro, em razão da mudança realizada pela EC nº 111. Pela mesma emenda, a posse do Presidente e do Vice-Presidente da República também foi alterada, mas para o dia 5 de janeiro, conforme art. 82 da CRFB/88. Essa mudança, contudo, só começará a valer na posse de 2027, conforme art. 4º da própria Emenda Constitucional nº 111. Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á, simultaneamente, no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente. Note que o art. 28 e o art. 77 são muito semelhantes, mas um se refere aos Estados e o outro à União. O princípio da simetria é justamente isso: a repetição aos Estados domesmo “modelo” adotado pela União. 5.2 HIERARQUIA ENTRE AS NORMAS ATENÇÃO! Tema que já caiu na prova da OAB! Não há hierarquia entre União e Estados Federados. Ambos são equivalentes, não havendo supremacia de um sobre o outro. O mesmo ocorre com as normas. 10 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm#art77 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm#art77 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc111.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc111.htm#art1 Portanto, não se esqueça: NÃO HÁ HIERARQUIA ENTRE AS NORMAS ESTADUAIS E FEDERAIS. MAS TODO O ORDENAMENTO BRASILEIRO DEVERÁ ESTAR TOTALMENTE EM CONFORMIDADE COM A CRFB/88. EX.: A CRFB/88 diz que uma norma sobre determinado tema deve ser estadual, mas é editada uma norma federal em seu lugar. O fato de ela ser federal não anula o vício à CRFB/88, pois como não há hierarquia entre as normas, a lei federal se sobrepõe à estadual violando o tema de sua competência. Essa lei federal será, portanto, inconstitucional. A equivalência das normas infraconstitucionais se fundamenta na supremacia da Constituição Federal sobre o ordenamento jurídico nacional. Trata-se da teoria do Poder Constituinte e a supremacia constitucional de Hans Kelsen. 6. OSMUNICÍPIOS Os Municípios não são unidades federativas, como os Estados,mas compõem a estrutura e organização federativa, são, portanto, entes federativos. Diferentemente dos Estados, os municípios não são plenamente autônomos, mas terão algumas competências para autoadministração. OBS.: Sob o ponto de vista do federalismo, entende-se que o Município não tem amesma autonomia que os demais entes. EX.: Não têm Poder Judiciário próprio; e possuem apenas algumas competências legislativas. Contudo, apesar das limitações nas competências a eles atribuídas, em relação ao federalismo brasileiro, dizemos que os Municípios possuem certa autonomia (art. 18 da CRFB/88). 11 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 UNIÃO soberania total e parcela de autonomia. ESTADOS apenas parcela de autonomia (não possui soberania). MUNICÍPIOS não possui soberania nem autonomia plena, mas apenas um poder de auto-organização através das competências atribuídas pela CRFB/88 (“certa autonomia”). Pode-se dizer, portanto, que os Municípios possuem as seguintes características de autonomia: ● AUTOGOVERNO: há Poder Legislativo (com os vereadores nas Câmaras Municipais) e Poder Executivo (com o prefeito), mas não há Poder Judiciário em âmbito municipal. ● AUTOLEGISLAÇÃO: terão a sua própria Lei Orgânica (não há constituição) e legislações municipais observando as regras de competência, com certa capacidade tributária também (apesar de não ser “completa”). 7. O DISTRITO FEDERAL O DF possui Câmara Legislativa (Poder Legislativo Estadual), Governador (Poder Executivo Estadual), mas, diferentemente dos Estados, não possui Poder Judiciário próprio, que é organizado pelo Congresso Nacional. Em relação à autonomia legislativa, o DF acumula as atribuições de Estado e de Município. Contudo, ATENÇÃO: o DF não terá Constituição, mas sim Lei Orgânica do Distrito Federal (art. 32 da CRFB/88). O Poder Judiciário do DF e os órgãos essenciais à Administração da Justiça são organizados pelo próprio Congresso Nacional (art. 48, IX da CRFB/88). De modo geral, a sua autonomia sofre algumas restrições, tais como as que estão previstas no art. 21, XIII e XIV, CRFB/88. Art. 21. Compete à União: (...) XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e a Defensoria Pública dos Territórios; XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia penal, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio; 12 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 8. OS TERRITÓRIOS Os territórios não fazem parte da organização federativa, mas integram a organização político-administrativa do Estado Federado Brasileiro. Além disso, os territórios não têm autonomia. São apenas uma descentralização da própria União Federal. Atualmente, o Brasil não possui territórios federais e não há pretensão de que sejam criados (essa criação costuma ocorrer quando a Constituição é bem recente). OBS.: Normalmente, o Território serve para uma situação transitória até a incorporação a um Estado-membro. 09. Dúvidas frequentes Quem fica na presidência entre o dia 01/01 e 05/01? A data da posse do Presidente é 01/01, mas pela emenda 111 passou a ser 05/01. A emenda coloca que a nova data só valerá a partir de 2027, então por enquanto temos essas duas datas. Qual a diferença entre União e República Federativa? A República Federativa do Brasil é o TODO, composta pela União, Estados Membros, Municípios, Distrito Federal e Territórios. É uma pessoa jurídica de direito público internacional. Já a União é uma pessoa jurídica de direito público interno, é uma das entidades que forma esse todo, o Estado Federal, e que, por determinação constitucional (art. 21 , I , CF) tem a competência exclusiva de representá-lo nas suas relações internacionais. 10. LEGISLAÇÃO DO TEMA E JURISPRUDÊNCIAS RESUMIDAS ✔ Art. 18 da CRFB/88: Organização político-administrativa; ✔ Art. 60, §4º, inc. I, da CRFB/88; ✔ Art. 25 da CRFB/88: Princípio da Simetria; ✔ Art. 11 do ADCT: Constituição Estadual; ✔ Art. 29, caput, da CRFB/88 - LOM; ✔ Art. 28 da CRFB/88; ✔ Art. 82 da CRFB/88; ✔ Art. 77 da CRFB/88; 13 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 ✔ Art. 32 da CRFB/88; ✔ Art. 48, IX, da CRFB/88; ✔ Art. 21, XIII e XIV, CRFB/88. "Viola a autonomia dos Municípios (art. 29, IV, da CF/1988) lei estadual que fixa número de vereadores ou a forma como essa fixação deve ser feita.” [ADI 692, rel. min. Joaquim Barbosa, j. 2-8-2004, P, DJ de 1º-10-2004.] "A observância das regras federais não fere autonomia estadual." [ADI 1.546, rel. min. Nelson Jobim, j. 3-12-1998, P, DJ de 6-4-2001.] "É incompatível com a Constituição Federal ato normativo estadual que amplie as atribuições de fiscalização do Legislativo local e o rol de autoridades submetidas à solicitação de informações.” [ADI 5.289, rel. min. Marco Aurelio, j. 7-6-2021, P, Informativo 1.020.] “Revela-se inconstitucional, porque ofensivo aos postulados da Federação e da separação de poderes, o diploma legislativo estadual, que, ao estabelecer vinculação subordinante do Estado-membro, para efeito de reajuste da remuneração do seu funcionalismo, torna impositiva, no plano local, a aplicação automática de índices de atualização monetária editados, mediante regras de caráter heterônomo, pela União Federal.” [AO 366, rel. min. Celso de Mello, j. 22-4-1997, 1ª T, DJ de 8-9-2006.] ADI 668, rel. min. Dias To�oli, j. 19-2-2014, P, DJE de 28-3-2014 "Normas que, dispondo sobre servidores públicos do Estado, padecem de inconstitucionalidade formal, por inobservância da reserva de iniciativa legislativa ao chefe do Poder Executivo, corolário da separação dos poderes, imposta aos Estados pelo art. 25 da CF e, especialmente, ao constituinte estadual, pelo art. 11 de seu ADCT.” [ADI 483, rel. min. Ilmar Galvão, j. 25-4-2001, P, DJ de 29-6-2001.] "(...) Lei Orgânica do Distrito Federal. (...) A Lei Orgânica tem força e autoridade equivalentes a um verdadeiro estatuto constitucional, podendo ser equiparada às Constituições promulgadas pelos Estados-membros, como assentado no julgamento que deferiu a medida cautelar nesta ação direta.” [ADI 980, rel. min. Menezes Direito, j. 6-3-2008, P, DJE de 1-8-2008.] 14 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 11. REFERÊNCIAS Direito Constitucional: Teoria História e Métodos de Trabalho (2021) - Claudio Pereira De Souza Neto e Daniel Sarmento; Curso de Direito Constitucional (2022) - Gilmar Ferreira Mendes (Autor), Paulo Gustavo Gonet Branco; Manual de Direito Constitucional (2022) - Eduardo Rodrigues dos Santos; Prática Processual Constitucional Para 2ª Fase OAB: Modelos Completos e Teoria Simplificada (2022) - Caroline Müller Bitencourt e Janriê Reck. 15 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26