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A “Storia della musica nel Brasile” de Vincenzo Cernicchiaro em edição
crítica, traduzida e comentada
Conference Paper · July 2023
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2 authors, including:
João Vicente Vidal
Federal University of Rio de Janeiro
5 PUBLICATIONS   1 CITATION   
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All content following this page was uploaded by João Vicente Vidal on 25 November 2024.
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UFRJ | Escola de Música | PPGM | PROMUS 
 
Anais da XIX Semana do Cravo 
A Storia della musica nel Brasile de Vincenzo Cernicchiaro 
em edição crítica, traduzida e comentada1 
 
João Vidal 
Programa de Pós-Graduação em Música da UFRJ 
joaovidal@musica.ufrj.br 
 
Giulio Draghi 
Programa de Pós-Graduação em Música da UFRJ 
giulio.draghi@musica.ufrj.br 
 
Resumo: O artigo relata o trabalho de edição crítica realizado na produção da primeira tradução integral 
e comentada de uma das mais importantes referências da historiografia musical brasileira do século XX: 
a Storia della musica nel Brasile: dai tempi coloniali sino ai nostri giorni (1549-1925) de Vincenzo 
Cernicchiaro, publicada em Milão em 1926. Apresentando os fundamentos filológicos adotados a partir 
de Emanuel Araújo (2019), o relato é complementado por comentários em torno da necessidade de uma 
completa revisão das concepções sobre a fonte ainda hoje difundidas no campo musical e por um 
delineamento do potencial de Cernicchiaro como subsídio para a pesquisa musical brasileira no século 
XXI. 
 
Palavras-chave: Edição crítica. História da música no Brasil. Vincenzo Cernicchiaro. 
 
Vincenzo Cernicchiaro’s Storia della musica nel Brasile in a critical, translated and commented 
edition 
 
Abstract: The article reports the work of critical editing carried out in producing the first complete and 
commented translation of one of the most important references of Brazilian 20th-century musical 
historiography: Vincenzo Cernicchiaro’s Storia della musica nel Brasile: dai tempi coloniali sino ai 
nostri giorni (1549-1925), published in Milan in 1926. Presenting the adopted philological foundations 
based on Emanuel Araújo (2019), the report is complemented by comments on the need for a full revision 
of the conceptions about the source still current in the musical field and by an outline of Cernicchiaro’s 
potential as a resource for 21st-century Brazilian musical research. 
 
Keywords: Critical Edition. Music History in Brazil. Vincenzo Cernicchiaro. 
 
1. A Storia della musica nel Brasile: uma obra incompreendida 
Escrita em italiano e impressa em Milão em 1926, não obstante a cidadania brasileira 
de seu autor, a Storia della musica nel Brasile: dai tempi coloniali sino ai nostri giorni (1549-
1925) de Vincenzo Cernicchiaro (1854-1928) cedo converteu-se em peça fundamental dos estudos 
musicais brasileiros, informando todas as gerações posteriores de musicólogos do país. Figura de 
proa da vida musical do Segundo Reinado e da Velha República, com prestígio e força atuante 
junto às suas mais importantes instituições e personalidades, Cernicchiaro testemunhou um dos 
mais ricos períodos da história da música do país. Tal experiência, determinando sua forma mentis 
e a orientação geral de seu trabalho de pesquisa, levou a uma história marcada tanto por uma severa 
crítica da música coeva, quanto por um desmedido louvor de compositores de tempos pregressos, 
com a notável figura de Carlos Gomes ao centro. Um paradoxo paira porém sobre o livro de 
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Anais da XIX Semana do Cravo 
Cernicchiaro: muito embora seja reconhecido hoje como um dos mais importantes marcos da 
historiografia musical brasileira, ainda assim podemos afirmar tratar-se de obra ainda 
insuficientemente conhecida ou compreendida. Tal constatação pode ser descrita, desde já – as 
evidências levando os autores a ela serão revistas, à frente –, como hipótese inicial e conclusão 
final do trabalho empreendido com o objetivo de tornar a fonte acessível a pesquisadores, 
estudantes e interessados lusófonos, “realizando assim com atraso de décadas uma intenção dos 
anos 20”,2 como colocou a questão Antonio Alexandre Bispo, aliás um dos poucos pesquisadores 
brasileiros a ter reconhecido o efetivo valor da mensagem de Cernicchiaro. (Mais recentemente, a 
lacuna foi apontada por Rubens Ricciardi, que escrevendo há pouco mais de duas décadas 
comentava ser “muito necessária uma segunda edição deste livro histórico, desta vez traduzido para 
o português e tornando-se também a primeira edição brasileira, com a introdução de comentários 
críticos histórico-musicológicos e averiguação de fontes, numa pesquisa ampla sobre os dados 
levantados” (RICCIARDI, 2000, p. 145)3.) 
Iniciado em 2016, o trabalho conjunto de Giulio Draghi e João Vidal tinha por objetivo 
realizar uma revisão geral de uma primeira versão da tradução do livro, produzida pelo primeiro 
dez anos antes, por razões e em circunstâncias inusitadas, com a redação de uma introdução que 
situasse autor e obra minimamente para o leitor contemporâneo. Poucos meses de trabalho foram 
suficientes para modificar por completo tal proposta, uma vez que logo ficou claro para ambos que 
a compreensão da mensagem geral do autor e de passagens específicas (e por vezes nebulosas) do 
livro demandariam necessariamente a adição de comentários musicológicos ao texto na forma de 
notas dos editores. Iniciado este trabalho, verificou-se então a necessidade de melhor transmitir o 
conteúdo original em si, o que levou ambos a empreender uma completa reelaboração da tradução 
originalmente produzida, com substanciais alterações e aperfeiçoamentos, muito no espírito 
“Urtext” das edições musicais modernas, com a preservação da intenção original do autor até os 
menores detalhes da pontuação. 
Com isso, inevitavelmente somou-se às tarefas de produção de um aparatocrítico e 
tradução fiel do texto um terceiro desafio: a correção da grafia de centenas de nomes próprios, 
títulos de obras e todo um espectro de outros elementos textuais revelados imprecisos pela pesquisa 
em fontes primárias empreendida para a redação das centenas de notas explicativas e de referência 
dos editores. Foi esta pesquisa, finalmente, que levou os obcecados pesquisadores, ao longo de 
cinco anos de trabalho conjunto, a uma investigação completa das fontes de que Cernicchiaro 
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Anais da XIX Semana do Cravo 
valera-se para a consecução de seu magnum opus historiográfico – um relato abrangente da qual 
fixou-se por fim também na alentada introdução oferecida nesta edição. O trabalho de crítica 
textual empreendido caracterizou-se, portanto, pela tríplice proposta de oferecer a melhor tradução 
possível do original, reconstituir a integridade do texto, e contextualizar ou comentar o volume a 
cada momento, esclarecendo tanto quanto possível a “situação hermenêutica” concreta de quem o 
concebeu. 
O texto que segue divide-se em três partes principais: a primeira apresentando os 
fundamentos filológicos do trabalho de edição crítica do livro de Cernicchiaro; a segunda 
argumentando pela necessidade de uma completa revisão das concepções sobre a fonte ainda hoje 
difundidas no campo musical; e a terceira, finalmente, delineando perspectivas futuras para a 
pesquisa musical brasileira ensejadas por uma reconsideração, em seu âmbito, da Storia della 
musica nel Brasile de Cernicchiaro. O artigo sintetiza e complementa temas expostos e 
aprofundados na seção pré-textual da edição crítica, traduzida e comentada do livro, ou seja, no 
ensaio introdutório Entre universalismo e idealità latina – A historiografia musical brasileira de 
Vincenzo Cernicchiaro (VIDAL; DRAGHI, 2022) e nos comentários sobre a edição contido no 
subseção seguinte, Aviso sobre a presente edição (esta cobrindo em grande parte questões 
organológicas enfrentadas no processo de tradução do livro). 
 
2. O trabalho de edição crítica da Storia della musica nel Brasile 
Como acima colocado, a proposta fundamental a nortear os editores foi a de realizar 
uma edição crítica, traduzida e comentada da obra em questão que não deixasse de jogar luz sobre 
o próprio autor e seu contexto histórico, o que se procurou fazer não apenas nas numerosas (e por 
vezes alentadas) notas de rodapé da edição, mas também e sobretudo no estudo introdutório já 
referido. Cumpre porém esclarecer como a tradução apresentada caracteriza-se como edição 
crítica, e não apenas como uma simples tradução. O que importa, neste caso, é a adoção de 
princípios editoriais característicos de um trabalho propriamente filológico, princípios bem 
sumariados pelo historiador, tradutor e editor brasileiro Emanuel Araújo em sua influente obra A 
construção do livro: princípios da técnica de editoração (2019). São três os principais aspectos do 
trabalho de edição crítica aqui descrito: 
(1) Trabalho com foco na recensio (recensão) e emendatio (correção) do texto. Como 
sustenta Araújo, “continuam válidas (e eficientes) as normas estabelecidas pelo primeiro grande 
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sistematizador da crítica textual, Karl Lachmann (1793-1851); basicamente, ele estabeleceu que a 
fidedignidade de um texto se apoiava na recensão e na correção” (Araújo, 2019, p. 186, grifo 
nosso). Trata-se aqui do “objetivo de tornar inteligível o texto” (Paul Mass apud Araújo, 2019, p. 
199). Como ensina Araújo, “o que, em filologia, se chama ‘recensão’ (recensio) é o julgamento de 
todos os testemunhos que auxiliam a reconstituição do texto [...]” (Araújo, 2019, p. 186) – se a 
tradição apresenta apenas um códice, como no caso de Cernicchiaro, impõe-se o escrutínio pontual 
e rigoroso da única fonte que se possui. Por outro lado, temos “o trabalho de correção (emendatio) 
[...] consist[indo], em essência, na justa avaliação da crítica textual, i.e., na verificação de erros ou 
no levantamento de conjeturas quando da impossibilidade absoluta de correção segura” (Araújo, 
2019, p. 191-192). Neste ponto, duas classes maiores de correção apresentam-se, no trabalho de 
edição da Storia della musica nel Brasile: correções da grafia de nomes próprios, títulos de obras 
e toda uma ampla gama de substantivos próprios e comuns; e correções de citações de terceiros 
realizadas por Cernicchiaro – correções de ambos os tipos foram realizadas sempre que possível e 
somente com suficiente respaldo documental (como pormenorizado abaixo). 
(2) Trabalho baseado em um codex unicus, mas com collatio (colação) baseada nas 
múltiplas fontes manuscritas, impressas e hemerográficas do próprio autor. Como sustenta 
Emanuel Araújo, “em edições críticas, o editor deve recorrer, em benefício das correções, a [...] 
pré-origina[is]” (ARAÚJO, 2019, p. 58). Temos no processo de tradução para o vernáculo da Storia 
della musica nel Brasile um exemplo de edição crítica baseada em codex unicus (um só 
testemunho, ou fonte), considerada por Araújo “relativamente rara” (2019, p. 187) – considerando 
que a edição original de 1926 constitui a única fonte da obra (ignora-se o paradeiro do texto 
manuscrito), os editores optaram por considerar como “pré-originais”, no caso, as próprias fontes 
a que Cernicchiaro recorreu, nas passagens que citou, parafraseou, traduziu ou modificou. Somente 
assim, a juízo dos autores, seria possível observar o princípio pretendido pela edição crítica “de 
que se deve oferecer ao leitor um texto mais próximo possível da forma última concebida pelo 
autor” (ARAÚJO, 2019, p. 186, grifo nosso), escapando ao “respeito cego ao texto [original] [...] 
a ponto de conservar-se um erro óbvio – tipográfico ou mesmo do autor”, atitude que segundo 
Araújo “não se justifica sob nenhum ponto de vista” (ARAÚJO, 2019, p. 264). Em uma edição 
crítica, como ensina o autor, “se pretende apresentar um texto despojado de erros sob a forma mais 
clara possível” (ARAÚJO, 2019, p. 264, grifo nosso). Resultados da collatio codicum em questão 
são portanto as já referidas correções de citações de terceiros realizadas por Cernicchiaro, citações 
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que no original de 1926 assumem, surpreendentemente, formas diversas: da transcrição precisa, 
ipsis litteris, à livre paráfrase ou mesmo colagem de trechos diversos de uma fonte qualquer. Graças 
à moderna tecnologia da informação, foi possível lançar mão nesta tarefa de uma vasta gama de 
fontes de época encontradas em repositórios digitais modernos, e complementarmente de obras 
musicológicas de referência padrão. Entre as bases digitais sem as quais o trabalho aqui descrito 
não teria sido possível contam-se a Hemeroteca Digital Brasileira da Fundação Biblioteca Nacional 
do Rio de Janeiro, a Biblioteca Digital da Biblioteca Nacional (BNDIGITAL), a Biblioteca Digital 
da Bibliothèque Nationale de France (“Gallica”), o Acervo Digital da Biblioteca Brasiliana Guita 
e José Mindlin (Brasiliana Digital da USP), a Biblioteca de Literaturas de Língua Portuguesa da 
Universidade Federal de Santa Catarina, a Biblioteca Digital Luso-Brasileira das Bibliotecas 
Nacionais do Brasil e de Portugal, as coleções digitais da Bayerische Staatsbibliothek de Munique 
e da Library of Congress em Washington, a biblioteca digital do International Music Score Library 
Project (IMSLP – a assim chamada “Petrucci Music Library”, rica em primeiras edições de obras 
citadas por Cernicchiaro), e finalmente os vastos arquivos do Internet Archive. Entre as obras de 
referência modernas, consultadas em suas bases físicas e digitais, destacamos o The New Grove 
Dictionary of Music and Musicians (Londres, 1980 e 2001), a enciclopédia Die Musik in 
Geschichte und Gegenwart (MGG) (Kassel, 1994-2008), o Großes Sänger-Lexikon, v. 1-7 (Berna,2003) e o Brockhaus Riemann Musiklexikon (Mainz, 1989-1995). O resultado deste processo, 
podemos dizer sem receio, é quase uma reconstituição completa do trabalho originalmente 
concebido por Cernicchiaro. Importante sublinhar, porém, que a correção da grafia dos elementos 
aqui descritos, embora não tivesse a princípio a pretensão de avançar até a checagem da veracidade 
dos fatos relatados por Cernicchiaro, muitas vezes terminou por fazê-lo. 
(3) Apresentação do texto traduzido com aparato crítico incorporado. Segundo 
Emanuel Araújo, conta-se, entre “as formas possíveis pelas quais se oferecem textos antigos à 
divulgação” (ARAÚJO, 2019, p. 266), precisamente o tipo edição crítica caraterizado pela 
apresentação e edição do texto “por meio de composição gráfica com aparato crítico do editor no 
próprio miolo do texto [...] [pelo qual] o texto recebe [...] interferências de sinais (colchetes, 
parênteses, reticências etc.) para indicar a intervenção do editor no original; [...] [com a] 
imprescindível [...] presença de breves notas que [...] esclareçam passagens e termos obscuros. [...] 
A esse tipo de publicação chama-se de edição crítica” (ARAÚJO, 2019, p. 227, grifo nosso). Dito 
resumidamente, o aparato crítico incorporado à edição da tradução comentada da Storia della 
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musica nel Brasile inclui a inserção da tradicional indicação “sic” para as imprecisões factuais mais 
flagrantes contidas na obra, quando possível com a informação correta entre colchetes (“[ ]”), a 
utilização de colchetes também para delimitar claramente as intervenções dos editores no texto 
original, e, para uma mais fácil correlação da edição traduzida com o texto original em italiano, a 
indicação também entre colchetes dos números de páginas do original de 1926. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 1: Capa e contracapa da edição crítica, traduzida e comentada por Giulio Draghi e João Vidal da Storia della 
musica nel Brasile: dai tempi coloniali sino ai nostri giorni (1549-1925) de Vincenzo Cernicchiaro, publicada em 
2022 pela Ricercare Editora em coedição com a Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 
 
3. Necessidade de uma recepção renovada da Storia della musica nel Brasile 
O que revela-se, finalmente, e com a reconstituição – e consequente “redescoberta” – 
do trabalho de Cernicchiaro em sua Storia della musica nel Brasile, é a inadequação de algumas 
crenças em torno do livro ainda hoje sedimentadas no campo musical. Listemos algumas das 
concepções persistentes, e a nosso juízo equivocadas, colocadas em circulação ao longo dos quase 
cem anos que nos separam da primeira publicação do livro em Milão e em grande medida ainda 
presentes nos estudos musicais brasileiros. Os itens e as citações que seguem não pretendem, 
absolutamente, apresentar um levantamento exaustivo dos possíveis pontos de vista e tópicos para 
discussão, no contexto de uma história da recepção e do impacto do pensamento histórico-musical 
de Cernicchiaro (ainda por ser escrita). Constituem ao contrário um delineamento inicial de um 
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Anais da XIX Semana do Cravo 
debate que muito tem a revelar sobre a historiografia musical brasileira e seus praticantes 
modernos: 
(1) Inicialmente, encontramos a noção da Storia della musica nel Brasile como obra 
de caráter “memorial”, ou seja, tão imprecisa quanto teriam sido as memórias de seu provecto 
autor. Neste sentido, encontramos na literatura musicológica brasileira comentários como o do 
musicólogo Diósnio Machado Neto, por exemplo, para quem a obra de Cernicchiaro, considerada 
por ele “a primeira grande compilação [brasileira] de fatos musicais e relação de músicos”, teria 
sido “concebida como pesquisa em fontes empíricas” (MACHADO NETO, 2011, p. 102, grifo 
nosso) – a afirmação de que tal compilação teria realizada “por um músico italiano” valeria 
considerações à parte, entre outras coisas do ponto de vista das particularidades dos processos de 
construção da identidade nacional brasileira no século XIX. A categorização revela-se porém 
duvidosa, frente à constatação de que Cernicchiaro procedeu de fato um colossal trabalho 
arquivístico e de revisão bibliográfica, e assim de pesquisa com fontes primárias e secundárias 
(muito embora não raro intercalado ou fundido em passagens de cunho memorialista, cumpre 
reconhecer), trabalho aliás conduzido, para os padrões da época, com surpreendente 
profissionalismo e elegância: 
 
Como percebido porém no (longo e árduo) trabalho de tradução do livro para o português, 
com averiguação de fontes, correção da grafia de nomes próprios, localidades, obras 
musicais etc. (afetados na edição original por um número verdadeiramente incomum de 
erros tipográficos) e elaboração de comentários histórico-musicológicos visando à 
publicação de sua primeira edição no vernáculo, mais justo seria reconhecer que 
Cernicchiaro procede, ao contrário, embora distante dos padrões acadêmicos modernos, 
de um intenso trabalho de pesquisa em fontes primárias e secundárias, apenas 
parcimoniosamente creditadas em notas de rodapé ou menções no corpo do texto. 
(VIDAL; DRAGHI, 2022, p. lxi). 
 
Como analisado no subitem Fontes de pesquisa de Cernicchiaro do ensaio introdutório 
Entre universalismo e idealità latina – A historiografia musical brasileira de Vincenzo 
Cernicchiaro, colabora para uma visão mais clara do trabalho de pesquisa do autor uma 
sistematização de suas fontes de pesquisa em seis categorias distintas: (a) fontes formativas, isto é, 
que proveram modelos para Cernicchiaro; (b) fontes de referência musicológica; (c) fontes de 
referência histórica; (d) fontes de referência científica; (e) fontes referência literária (incluindo 
fontes clássicas e teológicas); e (f) fontes primárias diversas (manuscritos, epistolários, 
comunicações pessoais etc.). Das seis categorias, apenas a última poderia testemunhar o empirismo 
percebido por Machado Neto. 
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Anais da XIX Semana do Cravo 
(2) Uma segunda concepção relacionada à Storia della musica nel Brasile de 
Cernicchiaro refere-se à imputação a ela de um suposto caráter de obra referência, pelo qual o livro 
se assemelharia a obras dos tipos enciclopédia, compêndio ou dicionário. A partir de uma 
consideração aprofundada de seu arco total e argumento de fundo, contudo, somos levados hoje a 
reconhecer tratar-se muito mais 
 
de uma clássica master narrative [...], cujo nexo revela-se somente na totalidade, ao longo 
da qual o autor desvela suas bem determinadas noções de uma “verdade” histórico-
musical universal – encarnada principalmente em uma “idealità” artística italiana ou mais 
amplamente latina (Bispo, 2016), mas também nos clássicos germânicos, de Bach a 
Mendelssohn (VIDAL; DRAGHI, 2018, p. 123) 
 
Em outras palavras, o que Cernicchiaro oferece ao seu leitor é não um conjunto de 
informações compiladas sobre temas diversos da história musical do país, mas antes uma 
Weltanschauung completa e acabada. Pode-se discutir a pertinência ou validade de sua visão, e no 
limite sua possibilidade de vigência no tempo atual; não é possível porém negar sua consistência, 
e para além disso os múltiplos significados do trabalho empreendido pelo autor. 
(3) Como corolário do item anterior, pelo qual o valor da Storia della musica nel 
Brasile se limitaria ao oferecimento de dados básicos sobre os diversos temas abordados pelo autor, 
constatamos o descrédito do livro como interpretação histórica. Segundo compreendemos, trata-
se aqui de uma consequência das intransigentes posições que o autor tomou no debate estético de 
sua época, e especialmente “da sua rejeição de tudo que o modernismo pudesse ter de mais caro, a 
começar pela figura central (na década de 1920) de Heitor Villa-Lobos” (VIDAL; DRAGHI, 2018, 
p. 123). Emerge neste ponto, portanto, a noçãode que a postura de Cernicchiaro teria sido 
“ideológica” (CASTAGNA, 2007, p. 5). Valeria refletir aqui, contudo, sobre as imbricações de 
ideologia e cientificidade. É preciso reconhecer, inicialmente, que a cientificidade de Cernicchiaro 
não é a nossa (como não é também nossa a sua ideologia); perpassa ela (sua cientificidade) um 
caráter crítico que, não sendo mera idiossincrasia sua, encontra-se condensada na conhecida 
fórmula de “studio storico-critico”, razoavelmente difundida na Itália oitocentista e não sem razão 
(considerando as possibilidades que oferecia para “falar-se o que se pensa”). Se “violações da 
lógica histórica e científica” (VIDAL; DRAGHI, 2022, p. lxxxiii) podem ser identificadas no livro, 
e de fato podem, tal deve-se não a uma fragilidade da interpretação histórica, mas inversamente à 
sua natureza particular, que permanece contudo digna de consideração como testemunho de uma 
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época. Com efeito, é precisamente a ideologia inerente ao pensamento histórico de Cernicchiaro 
que nos levou a caracterizar sua Storia della musica nel Brasile como uma “master narrative”: 
 
ao contrário da simples narrativa, que pretende apresentar um quadro mais ou menos 
amplo a partir de múltiplos relatos menores, a metanarrativa almeja oferecer não uma 
exposição abrangente de um conjunto de fatos qualquer, mas para além disso uma 
compreensão sistemática do seu objeto baseada em uma visão de mundo particular e 
acabada – por ensejaram a objetivação de opiniões com o propósito de convertê-las em 
(ou impô-las como...) compreensões gerais, metanarrativas jamais serão isentas de 
ideologia (VIDAL; DRAGHI, 2022, p. lxxxviii, grifo dos autores) 
 
Uma pesquisa histórica baseada em fontes indo “da literatura clássica antiga à pesquisa 
científica e humanística coeva, passando por monumentos da história luso-brasileira dos séculos 
XVI e XVII, por contribuições de importantes sociedades científicas, como o Instituto Geográfico 
e Histórico Brasileiro, pela literatura musical francesa e a crítica musical italiana dos séculos XVIII 
e XIX, e finalmente por uma série de fontes primárias da música brasileira ainda hoje pouco 
visitadas ou mesmo já desaparecidas” (VIDAL; DRAGHI, 2022, p. xlix) – produto da ciência de 
Cernicchiaro – e a construção de uma visão de mundo propugnando rumos estéticos e institucionais 
para a música brasileira – produto de sua ideologia – afiguram-se em Cernicchiaro como as duas 
faces de uma mesma moeda. Para edificar-se pela primeira, é preciso compreender e aceitar a 
segunda – constatação aliás válida para a obra uma vasta plêiade de pensadores, ao longo da 
história. 
(4) A percepção de que Cernicchiaro estaria entre aqueles autores que “consideraram 
principalmente a música de tradição escrita e seus antecedentes históricos”, em contraste com 
aqueles que, como Guilherme de Mello, Renato Almeida e Mário de Andrade, teriam destinado 
“espaço significativo para as culturas musicais populares” (CASTAGNA, 2019, p. 38). Neste 
ponto, valer sublinhar que Cernicchiaro dedica espaço substancial de seu livro às práticas musicais 
populares e folclóricas, e ainda à compilação e apresentação do que de mais recente havia na 
pesquisa da música indígena no Brasil. O livro contém capítulos dedicados exclusivamente à 
música indígena e à modinha, por exemplo, e cita em outros nomes fundamentais da cultura popular 
brasileira como Joaquim Antonio Callado, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e Catulo da 
Paixão Cearense, entre outros. Surpreende, aqui, a opinião altamente favorável e elogiosa que 
expressa sobre tais figuras. Sobre Nazareth, por exemplo, comenta Cernicchiaro como: 
 
[seu] talento manteve-se sempre em ambiente modesto, embora tivesse podido transpor 
com vantagem a soleira daquele centro onde os artistas de aptidões não maiores que as 
suas, na composição e na arte pianística, atingiram alturas admiráveis. Talento espontâneo 
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no gosto típico da música de dança, compôs uma infinidade de excelentes obras 
(CERNICCHIARO, 1926, p. 417; CERNICCHIARO, 2022, p. 454). 
 
Digna de futuros estudos será a proposta de Cernicchiaro de explorar a interpenetração 
possível dos diversos estratos da realidade musical brasileira, em especial da música indígena, da 
música popular urbana e da música de concerto – ponto em que Cernicchiaro diverge, para sua 
maior vantagem, precisamente de Mello (!), cujo livro pioneiro A música no Brasil: desde os 
tempos coloniais até o primeiro decênio da República (1908) ficaria marcado, como comenta 
Samuel Araújo, pela “omissão do trabalho de compositores tais como Joaquim Antonio Callado, 
Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth, que compuseram todos música na fronteira entre os sons 
das ruas e aqueles das salas de concerto” (ARAÚJO, 2000, p. 118). Em outras palavras, verifica-
se aqui que Cernicchiaro efetivamente reconheceu “o fato de que estes compositores já haviam 
construído sólidas pontes entre diferenças étnicas e sociais, em sua música” (ibid.). 
(5) Seguindo outra tendência, temos a noção de que o livro de Cernicchiaro estaria, 
para além das imprecisões já apontadas, “crivado de [...] nomes redigidos de forma criativa” 
(VERMES, 2012, p. 334, grifo nosso). Como verificado no processo de tradução, e especialmente 
no confronto dos dados reportados por Cernicchiaro com as fontes de pesquisa do próprio autor, as 
imprecisões existem, mas não devem ser creditadas, absolutamente, a uma “redação criativa” de 
qualquer espécie; tal visão desqualifica injustamente Cernicchiaro, cuja capacidade de historiador 
parece ter sido, com a edição crítica em tela, finalmente atestada. Vejamos, a título de exemplo 
randômico, o que encontramos no Capítulo XIX, Antônio Carlos Gomes (1836-1896) sobre o 
violinista, compositor e empresário junto ao Teatro Comunale de Bolonha Giovanni Bolelli, figura 
decerto suficientemente familiar a Cernicchiaro, como integrante do círculo mais próximo de 
Gomes, e ademais como aluno do Conservatório de Milão: seu nome surge na edição original de 
1926 alternadamente como “Bonoli”, “Boselli” e “Baselli”, o que dificilmente deva ser creditado 
– pelas razões já elencadas, e rememoradas no item a seguir – a Cernicchiaro mesmo. 
(6) Na mesma linha do ponto anterior, a noção ainda menos aceitável de que 
Cernicchiaro teria “chega[do] ao ponto de fazer erros de tradução na leitura de Mello e daí criar 
gente que nunca existiu e multiplicar canções” (VEIGA, 2010, p. 14 apud ASSIS ARAÚJO, 2020, 
p. 161). A assertiva bizarra é facilmente contraditada pelo exame detalhado da relação do livro de 
Cernicchiaro com aquele de Mello, de modo que a crítica de Manoel Veiga alinha-se mais à 
vertente crítica abraçada por alguns dos primeiros recenseadores da obra no Brasil, que buscaram 
desacreditar o esforço do autor apontando suas imprecisões textuais; aos autores de sua edição 
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crítica, traduzida e comentada resta claro, porém, que as falhas com os quais o leitor atento depara-
se ao longo de seu texto, são muito mais provavelmente de responsabilidade de falhas tipográficas: 
tanto aquelas contidas nas fontes primárias em que Cernicchiaro baseou sua pesquisa (sobretudo 
no âmbito da fontes hemerográficas), quanto aquelas em que nitidamente incorreu a editora 
milanesa à qual seu manuscrito foi confiado em 1925. 
Como dito acima, possam servir estes breves apontamentos como ponto de partida para 
uma necessária reavaliação do impacto do pensamento histórico-musical brasileiro de Cernicchiaro 
a partir da publicação de sua Storia della musica nel Brasile em 1926. Considerando o que já 
sabemos sobre o efetivo aproveitamento feito por gerações de estudiosos, uma história de sua 
recepção será também uma história do pensamento musicológiconacional. Com efeito, mesmo 
existindo até bem recentemente somente em idioma estrangeiro e com enorme número de 
imprecisões (como já dito creditáveis em grande parte a falhas de tipografia, e não exclusivamente 
ao autor), resta clara a importância da Storia della musica nel Brasile para o desenvolvimento da 
pesquisa musical no país. Foi apenas em um momento posterior no século XX, caracterizado por 
uma maior profissionalização da musicologia no Brasil, que Cernicchiaro veio a ser 
desconsiderado, e em alguns casos até mesmo anatematizado. Mónica Vermes descreveu este 
processo e suas premissas, bem como a oportunidade de revisitar Cernicchiaro, por tudo que 
oferece e por tudo que possibilita a pesquisas futuras (ainda que na forma de lacunas, ou seja, de 
caminhos vislumbrados mas não perseguidos): 
 
Seguido por outras sínteses históricas que dentro da mesma tradição, às quais serviu como 
base em alguma medida, e que apresentam um crescente cuidado com a precisão factual, 
Cernicchiaro foi sendo deixado de lado como obsoleto na ilusão de que empreitadas 
posteriores possuíam a objetividade que lhe faltava. Hoje podemos perceber com clareza 
quanto outras obras que se lhe seguiram estão marcadas – como não poderia deixar de ser 
– por sua temporalidade e peculiar anacronismo. Parece-nos momento oportuno para 
retomar essa fonte e explorar o que nos ensina sobre a vida musical carioca de seu tempo 
nesses dois planos: o que registra em suas páginas e o que revela em sua estrutura e no 
que omite (VERMES, 2012, p. 338). 
 
4. Perspectivas futuras 
Como subsídio para a pesquisa musical brasileira no século XXI, consideramos o 
potencial de Cernicchiaro significativo: seja como possibilidade de um contraponto às tendências 
historiográficas que pari passu a modernização do país a partir da década de 1930 dominaram as 
discussões no campo, em outras palavras pela capacidade de “remeter o leitor moderno, ainda que 
indiretamente, aos debates da vida intelectual oitocentista brasileira – uma agenda de estudos 
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sobremaneira relevante para uma disciplina como a musicologia, ainda hoje marcada pela 
hegemonia da mentalidade de 1922” (VIDAL; DRAGHI, 2022, p. lxx), seja pela valorização que 
propõe da música brasileira do século XIX, em especial de suas formas “híbridas” (aquelas 
colocadas no que se convencionou chamar de “fronteira entre o clássico e o popular”, ou seja 
constituídas como “sólidas pontes entre diferenças étnicas e sociais” (ARAÚJO, 2000, p. 118)), 
seja finalmente pela abordagem particularmente produtiva de considerar a música no Brasil, e não 
apenas a música brasileira (ponto sutil, mas implicando a significativa proposta de compreender a 
singularidade brasileira em contexto transnacional, e não mais o Brasil em referência a si mesmo 
– claramente uma tendência intelectual do modernismo brasileiro). 
O que prevalece, por fim? O que resulta maior, na Storia della musica nel Brasile de 
Vincenzo Cernicchiaro, as qualidades que a elevam e os defeitos que a afligem, para usar expressão 
própria do autor? Oferecendo à pesquisa musical brasileira um texto completo em português, em 
edição comentada e corrigida, e assim em forma talvez mais fiel às intenções do autor do que aquele 
que resultou da jornada verdadeiramente heroica de um músico já septuagenário à sua terra natal, 
em 1925, os editores da edição crítica aqui apresentada esperam, tão somente, que cada leitor possa 
decidi-lo por si. Que seja ao menos reconhecida a Cernicchiaro, a partir de uma recepção renovada 
deste que é um dos mais importantes títulos da historiografia musical brasileira, “a sã consciência 
de ter buscado no passado e no presente um conjunto de elementos sobre a arte e sobre os artistas 
que possa produzir bons frutos no futuro” (CERNICCHIARO, 1926, p. 4; CERNICCHIARO, 
2022, p. 2, grifo nosso). Neste caso, caberia aos historiadores do presente inspirar-se no pertinaz 
exemplo de Cernicchiaro, com o que se afirmará também o seu princípio norteador – uma vez mais, 
historia magistra vitae. 
 
Referências 
ARAÚJO, Emanuel. A construção do livro: princípios da técnica de editoração. 2. ed. 
revista e atualizada. Rio de Janeiro: Lexikon Editora e Fundação Biblioteca Nacional, 
Coordenadoria de Editoração, 2019. 
ARAÚJO, Samuel. Brazilian Identities and Musical Performances, in: Diogenes, v. 
48, n. 191, 2000, p. 115-125. 
ASSIS ARAÚJO, Pedro Ivo Vieira e. Novas ações musicológicas em prol do 
patrimônio musical no Brasil, in: ICTUS Music Journal, v. 14, n. 2, 2020, p. 155-179. 
CASTAGNA, Paulo. Raízes da crise no ensino de história da música: o caso de São 
Paulo, in: VERMES, Mónica; HOLLER, Marcos (Org.). Perspectivas para a pesquisa e o ensino 
em história da música na contemporaneidade. São Paulo: Associação Nacional de Pesquisa e Pós-
Graduação em Música (ANPPOM), 2019. p. 9-58. 
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Anais da XIX Semana do Cravo 
CASTAGNA, Paulo (Ed.). Um século de música brasileira, de José Rodrigues 
Barbosa [reedição da série de textos publicados em O Estado de S. Paulo de 9 a 19 de setembro 
de 1922, com introdução e notas do editor]. São Paulo: Relatório de Pesquisa Trienal para o 
Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (UNESP), 2007. 
CERNICCHIARO, Vincenzo. Storia della musica nel Brasile: Dai tempi coloniali sino 
ai nostri giorni (1549-1925). Milão: Stab. Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926. 
CERNICCHIARO, Vincenzo. História da música no Brasil: dos tempos coloniais aos 
nossos dias (1549-1925). Edição crítica, tradução, introdução e notas por Giulio Draghi e João 
Vidal, apresentação de Antonio Alexandre Bispo. Rio de Janeiro: Ricercare Editora e Fundação 
Biblioteca Nacional, Coordenadoria de Editoração, 2022. 
MACHADO NETO, Diósnio. Em vão vigiam as sentinelas: cânones e rupturas na 
historiografia musical brasileira sobre o período colonial. 322 p. Tese (Livre Docência). 
Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Departamento de Música, 
Ribeirão Preto, 2011. 
MELLO, Guilherme Theodoro Pereira de. A música no Brasil: desde os tempos 
coloniais até o primeiro decênio da República. Bahia: Tipografia de S. Joaquim, 1908. 
RICCIARDI, Rubens Russomano. Manuel Dias de Oliveira. Um compositor brasileiro 
dos tempos coloniais – partituras e documentos. São Paulo, 2000. 142 f. Tese (Doutorado em 
Música). Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, 2000. 
VIDAL, João; DRAGHI, Giulio. “... con tutte le qualità che lo innalzano e i difetti che 
l’affliggono...” – O Instituto Nacional de Música de Vincenzo Cernicchiaro, in: Revista Brasileira 
de Música, v. 31, n. 1, 2018, p. 121-139. 
VIDAL, João; DRAGHI, Giulio. Entre universalismo e idealità latina – A 
historiografia musical brasileira de Vincenzo Cernicchiaro, in: CERNICCHIARO, Vincenzo. 
História da música no Brasil: dos tempos coloniais aos nossos dias (1549-1925). Edição crítica, 
tradução, introdução e notas por Giulio Draghi e João Vidal, apresentação de Antonio Alexandre 
Bispo. Rio de Janeiro: Ricercare Editora e Fundação Biblioteca Nacional, Coordenadoria de 
Editoração, 2022. p. xxix-ci. 
VERMES, Mónica. A Storia della musica nel Brasile de Vincenzo Cernicchiaro (1926), 
in: Lodo, Gabriela et al. (Org.). Anais do VII Encontro de História da Arte: Os caminhos da história 
da arte desde Giorgio Vasari. Campinas: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da 
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), 2012, p. 334-339. 
 
 
1 Pela viabilização da publicação da edição crítica, traduzida e comentada a que o artigo se refere, os autores 
expressam seus agradecimentos à Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, na figura do Coordenador Geral 
de seu Centro de Pesquisa e Editoração, prof. Elton Gomes dos Reis, e à Ricercare Editora, responsáveis pela 
coedição no âmbito do “Edital de Chamada PúblicaN.º 02 CPE-2018” da FBN. 
2 Os autores agradecem ao prof. Antonio Alexandre Bispo, Presidente do ISMPS (Institut für Studien der 
Musikkultur des Portugiesischen Sprachraumes), pela apresentação oferecida à publicação objeto deste artigo. 
3 Segundo Ricciardi, tal trabalho teria sido preliminarmente (isto é, na década de 1990) desenvolvido pela Art 
Editora, “não sendo levado a cabo por dificuldades editoriais” (RICCIARDI, 2000, p. 145). 
View publication stats
https://www.researchgate.net/publication/386104106

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