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FRAUDES NAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DAS AMERICANAS: QUESTÕES 
ÉTICAS E RESPONSABILIDADE CORPORATIVA 
 
Americanas: relatório aponta mais de R$ 40 bilhões entre fraudes e lançamentos 
indevidos; entenda o caso 
 
Empresa admitiu fraude de antigos executivos pela primeira vez e detalhou o esquema 
nas demonstrações financeiras cinco meses após escândalo contábil vir a público. 
 
Fachada das Lojas Americanas em Franca, no interior de SP. — Foto: IGOR DO 
VALE/ESTADÃO 
 
As fraudes e lançamentos indevidos encontrados nas demonstrações financeiras da 
Americanas e informados pela companhia nesta terça-feira (13), somam mais de R$ 40 
bilhões em números preliminares e não auditados. 
O valor considera também operações de crédito e financiamento contabilizados de 
forma inadequada no balanço da varejista. A empresa está em recuperação judicial, 
após encontrar o rombo contábil no início deste ano. 
Segundo a empresa, as fraudes nas demonstrações financeiras se davam por meio da 
chamada Verba de Propaganda Cooperada (VPC) — uma quantia negociada entre a 
indústria e o varejo e que serve, entre outras coisas, para cobrir eventuais custos com 
publicidade e propaganda. 
Além disso, de acordo com a Americanas, também foram encontradas operações de 
crédito e financiamentos feitos pela companhia junto a instituições financeiras e 
fornecedores que não foram contabilizados de forma adequada. 
 
Quais foram as fraudes? 
 
Segundo comunicado divulgado pela companhia nesta terça-feira (13), as fraudes das 
demonstrações financeiras se davam predominantemente por meio dos contratos de 
Verba de Propaganda Cooperada (VPC). 
Esses contratos normalmente são firmados entre a indústria e o varejo — ou seja, são 
pagos pelos fornecedores aos revendedores ou empresas atacadistas e varejistas — e, 
além de serem usadas para cobrir eventuais custos com publicidade e propaganda, 
também servem para impulsionar as vendas de determinados produtos. 
Nesses acordos, os varejistas e revendedores estipulam um preço fechado para esse 
tipo de contrato, no qual podem negociar um planejamento de marketing e detalhes 
sobre a apresentação do produto do fabricante nas lojas — como prateleiras e gôndolas 
com espaços privilegiados e anúncios específicos nos corredores, por exemplo. 
No caso da Americanas, no entanto, esses contratos teriam sido criados artificialmente, 
sem a contratação por parte de fornecedores, e lançados no balanço de maneira a 
melhorar os resultados operacionais da companhia. 
"Esses lançamentos, feitos durante um significativo período, atingiram, em números 
preliminares e não auditados, o saldo de R$ 21,7 bilhões em 30 de setembro de 2022", 
informou a Americanas em comunicado. 
Ainda segundo a empresa, uma série de financiamentos ainda foram contratados e 
contabilizados de forma inadequada no balanço, sendo eles (também em números 
preliminares e não auditados): 
● R$ 18,4 bilhões em operações de risco sacado, forfait ou confirming (entenda os 
termos aqui); 
● R$ 2,2 bilhões em operações de financiamento de capital de giro. 
"A indevida contabilização dessas operações de financiamento nos demonstrativos 
financeiros da Americanas não permitiu a correta determinação do grau de 
endividamento da Companhia ao longo do tempo", disse a companhia em comunicado. 
Por fim, a Americanas ainda informou que foram identificados lançamentos 
inadequados oriundos de juros sobre operações financeiras. Esses lançamentos 
deveriam ter transitado pelo resultado da companhia ao longo do tempo e somaram R$ 
3,6 bilhões em 30 de setembro de 2022. 
A companhia ainda reforçou que todos esses valores são preliminares, não auditados e 
ainda estão sujeitos a alterações. 
"O efeito desses ajustes nos resultados da Companhia ao longo do tempo ainda está 
sendo apurado, mas a expectativa da Administração é de que o impacto nos resultados 
mais recentes seja significativo", disse a empresa. 
 
Quem estava envolvido nas fraudes 
 
Em seu comunicado, a Americanas indicou que as fraudes foram feitas pela diretoria 
anterior da companhia. 
De acordo com a empresa, o relatório feito por seus assessores jurídicos e apresentado 
ao Conselho de Administração indica a participação das seguintes pessoas: 
● Miguel Gutierrez, ex-presidente da Americanas que ficou no cargo por 20 anos e foi 
substituído por Sergio Rial em janeiro deste ano; 
● Anna Christina Ramos Saicali, ex-presidente da Ame Digital; 
● José Timótheo de Barros, ex-diretor responsável por lojas físicas; 
● Márcio Cruz Meirelles, ex-diretor de plataformas digitais; 
● Fábio da Silva Abrate, ex-diretor de relação com investidores da B2W e ex-diretor 
da Ame Digital; 
● Flávia Carneiro, que atuava na controladoria da empresa; 
● Marcelo da Silva Nunes, ex-diretor financeiro da B2W. 
De acordo com a Americanas, todos os colaboradores identificados foram afastados de 
suas funções executivas em fevereiro. 
 
Quais os próximos passos da companhia? 
 
De acordo com o comunicado, o Conselho de Administração da Americanas orientou a 
companhia e os assessores a apresentarem o relatório a todas as autoridades 
competentes e avaliar as medidas cabíveis, visando ao "ressarcimento dos danos 
causados pela fraude em suas demonstrações financeiras". 
Além disso, o atual presidente da empresa, Leonardo Coelho Pereira, participou de uma 
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados nesta terça-feira 
para tratar sobre o caso. 
Pereira apresentou documentos e trocas de e-mails referentes à diretoria anterior e que, 
segundo o executivo, demonstram as irregularidades. Segundo Pereira, os contratos de 
VPC foram usados para contrabalançar as operações de risco sacado no balanço. 
"Os dois mitigaram os efeitos da fraude de R$ 20 bilhões no balanço da companhia. 
Para não haver confusão, R$ 40 bilhões é a dívida que está na recuperação judicial e 
R$ 20 bilhões é o tamanho da fraude", afirmou durante depoimento. 
 
 
Diante desse contexto, é fundamental refletir sobre os aspectos éticos envolvidos. A 
Americanas poderia ter evitado essas fraudes por meio da implementação de controles 
internos mais rigorosos, incluindo a supervisão adequada das práticas contábeis. Além 
disso, uma cultura corporativa que valorize a ética, a transparência e a responsabilidade 
é essencial para prevenir irregularidades e garantir a conformidade com os princípios 
éticos. 
 
Considerando o caso da Americanas, como você avalia a responsabilidade da empresa 
na prevenção de fraudes e na garantia da integridade das demonstrações financeiras? 
Quais medidas éticas a empresa poderia ter adotado para evitar essa situação?

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