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Questões Comentadas 27 praticado com um dos especiais fins de agir das alíneas “a” (“com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa”) e “b” (“para provocar ação ou omissão de natureza criminosa”), ou com o especial motivo de agir da alínea “c” (“em razão de discriminação racial ou religiosa”). Verificada a ausência desses dados anímicos, o crime de tortura do art. 1°, inciso I, não se completa, do ponto de vista típico, embora possa dar origem a fato criminoso de qualificação jurídica diversa, como, por exemplo, lesão corporal, constrangimento ilegal, sequestro, etc. É o que ocorre, por exemplo, num trote em faculdade. C) Não está tipificado o crime de tortura por falta de especial fim de agir, sendo a conduta atípica. (errado) De acordo Renato Brasileiro (p. 989, 2020) com o advento da Constituição Federal de 1988 após um longo período de ditadura militar, durante o qual inúmeras pessoas foram torturadas, era de se esperar uma nítida preocupação do constituinte em coibir tal prática. Essa expectativa restou consolidada em alguns dispositivos constitucionais, quais sejam: a) o art. 5°, inciso III, dispõe que ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante; b)o mandado de criminalização do inciso XLIII do art. 5° determina que a lei deverá considerar inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem. Em relação a lei de tortura, 9.455/97, tem-se: Art. 1º Constitui crime de tortura: I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental: k) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa; l) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; m) em razão de discriminação racial ou religiosa; II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. Pena - reclusão, de dois a oito anos. Renato Brasileiro (p. 990, 2020) afirma que o núcleo do tipo (verbo da descrição da conduta na lei penal) é constranger, que significa retirar de alguém sua liberdade de autodeterminação. Constranger significa, então, submeter, subjugar, obrigar, compelir, forçar alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. Esse constrangimento contra alguém (qualquer pessoa) deve ser praticado com violência ou grave ameaça. Vejamos o conceito desses meios de execução: n) violência: a violência à pessoa, também denominada de vis corporalis ou vis absoluta, significa a violência física empregada pela força contra o corpo de alguém. É desne- cessário que da violência resulte lesão corporal, merecendo consignar que, se esta sobrevier, desde que grave ou gravíssima, incidirá a qualificadora prevista no §3° do art. 1º da Lei n. 9.455/97. A lesão leve é absorvida pelo crime previsto no caput; o) grave ameaça: também chamada de vis compulsiva ou vis relativa, é a violência mo- ral capaz de causar temor na vítima, de forma a viciar sua vontade e incapacitar sua resistência. A vítima, neste caso, experimenta um fundado receio de grave e iminente mal, seja físico ou moral, que possa atingir a si próprio ou pessoas que lhe são afetas.