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28 de setembro de 2021 RELATÓRIO DE APURAÇÃO Prefeitura Municipal de União/PI Exercício 2017 a 2020 (até abril) Controladoria-Geral da União (CGU) Secretaria Federal de Controle Interno (SFC) RELATÓRIO DE APURAÇÃO Órgão: Ministério da Educação Unidade Examinada: Prefeitura Municipal de União/PI Município/UF: União/PI Relatório de Apuração: 822343 Missão Elevar a credibilidade do Estado por meio da participação social, do controle interno governamental e do combate à corrupção em defesa da sociedade. Apuração O serviço de apuração consiste na execução de procedimentos com a finalidade de averiguar atos e fatos inquinados de ilegalidade ou de irregularidade praticados por agentes públicos ou privados, na utilização de recursos públicos federais. QUAL FOI O TRABALHO REALIZADO PELA CGU? Ação de Controle realizada no município de União/PI, em função de demanda externa, a fim de fiscalizar a gestão local do ente municipal na aplicação dos recursos transferidos pelo FNDE no âmbito do Programa Nacional de Transporte Escolar – PNATE, no período de janeiro de 2017 a abril de 2020 POR QUE A CGU REALIZOU ESSE TRABALHO? O trabalho foi realizado com a finalidade de apurar possíveis irregularidades na gestão do Programa Nacional de Transporte Escolar pelo município de União/PI, apontadas à Controladoria-Geral da União, que deram origem ao Processo SEI nº 00216.100246/2018-92. QUAIS AS CONCLUSÕES ALCANÇADAS PELA CGU? As análises apontam que a gestão do Pnate no município de União/PI está em desacordo com a legislação do programa, uma vez que foi constatada a contratação irregular de empresa para execução dos serviços de transporte escolar, por meio de dispensa de licitação fundamentada no inciso IV do art. 24 da Lei 8.666/93, sem que houvesse previsão no Decreto Emergencial para a contratação desse tipo de serviço; subcontratação indevida dos serviços de transporte escolar; prorrogação indevida de contratos após o término da vigência; realização de pregão para contração de serviços de transporte escolar sem a elaboração de estudos técnicos preliminares para delimitação do objeto; sem pesquisa de preços de mercado a fim de balizar os valores estimativos da licitação; sem a indicação da idade máxima admitida dos veículos (ano de fabricação) no edital; contratação de empresa que não apresentou o número total de veículos exigidos no edital e que teve 85% dos veículos apresentados reprovados pela equipe de vistoria. LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS CGU Controladoria-Geral da União CNPJ Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CRLV Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo EIRELI Empresa Individual de Responsabilidade Limitada EPP Empresa de Pequeno Porte FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação PNATE Programa Nacional de Transporte Escolar RAIS Relação Anual de Informações Sociais SF Solicitação de Fiscalização SRP Sistema de Registro de Preços TC Tomada de Contas TCE Tribunal de Constas do Estado TCU Tribunal de Contas da União SUMÁRIO INTRODUÇÃO 6 RESULTADOS DOS EXAMES 7 1. Contratação irregular de empresa para execução dos serviços de transporte escolar, fundamentada no inciso IV do art. 24 da Lei nº 8.666/93, sem previsão no decreto emergencial e subcontratação indevida dos serviços. 7 2. Irregularidades no Pregão Presencial SRP nº 56/2017 e na execução dos contratos para execução dos serviços de transporte escolar. 9 2.1. Falhas na formalização do Processo licitatório relativo ao Pregão SRP nº 56/2017, incluindo: ausência de estudos técnicos preliminares; ausência de pesquisa de preços; ausência de publicação do aviso de licitação; falta de indicação da idade máxima admitida dos veículos (ano de fabricação) no edital; e falta de assinaturas na Solicitação de Serviços. 11 2.2. Ausência dos laudos de vistoria e documentação dos veículos da empresa Multikar Locadora de Veículos EIRELI-EPP, vencedora do lote II do Pregão nº 56/2017. 12 2.3. Contratação de empresa que não apresentou o número total de veículos exigidos no edital e que teve 85% dos veículos apresentados reprovados pela equipe de vistoria, no Pregão nº 56/2017. 13 2.4. Subcontratação indevida dos serviços de transporte escolar no âmbito do Pregão nº 56/2017. 15 2.5. Prorrogação dos contratos nº 256/2017, nº 257/2017 e nº 307/2017 para execução de serviços de transporte escolar, após expiração do prazo de vigência. 17 3- Falhas no processo licitatório nº 292/2018, relativo ao Pregão Presencial nº 1/2018 para contratação de serviços de transporte escolar. 18 CONCLUSÃO 25 ANEXOS 26 I – Manifestação da Unidade Examinada e Análise da Equipe de Auditoria 26 6 INTRODUÇÃO Este relatório apresenta os resultados do trabalho da ação de controle desenvolvida pela Controladoria Regional da União no Estado do Piauí, no município de União/PI. Os recursos públicos fiscalizados destinados à Prefeitura Municipal de União foram repassados pelo FNDE relativos ao Programa Nacional de Transporte Escolar – Pnate, nos exercícios de 2017 a abril de 2020. A ação de controle originou-se a partir de demanda externa relatando supostas irregularidades na gestão local do Pnate no referido município, o que deu origem ao processo SEI nº 00216.100246/2018-92. Os procedimentos adotados tiveram como objetivo identificar possíveis falhas no uso dos recursos, bem como verificar a regularidade da aplicação das normas previstas na gestão do programa Nacional de Transporte escolar pela Prefeitura Municipal de União/PI, nos exercícios de 2017, 2018, 2019 e até abril de 2020. Os exames foram realizados em estrita observância às normas de fiscalização aplicáveis ao Serviço Público Federal, com a realização de análise dos documentos fornecidos pela Prefeitura Municipal de União/PI e coleta e análise de dados nos sistemas corporativos federais e no sistema Sagres do Tribunal de Contas do Estado do Piauí-TCE. Algumas análises ficaram comprometidas em face da não disponibilização de documentos solicitados pela equipe de fiscalização, a exemplo dos documentos de suporte à contratação da empresa Sousa Campelo Transportes Ltda que atuou no município no primeiro semestre do exercício de 2017; da documentação de suporte dos pagamentos realizados às empresas contratadas relativa aos exercícios de 2017 a 2020; documentação relativa aos veículos da empresa Sousa Campelo Transportes Ltda, que foi contratada no âmbito do Pregão Presencial nº 1/2018 e atuou nos exercícios de 2018, 2019 e 2020, incluindo relação dos veículos, CRLV, termos de cessão dos veículos sublocados, laudos de vistoria, relação dos motoristas, comprovantes de quilometragem, relatórios de fiscalização da execução dos serviços, atesto do setor responsável, etc. Os resultados pormenorizados dos trabalhos realizados estão apresentados no capítulo Resultado dos Exames. 7 RESULTADOS DOS EXAMES 1. Contratação irregular de empresa para execução dos serviços de transporte escolar, fundamentada no inciso IV do art. 24 da Lei 8.666/93, sem previsão no Decreto Emergencial e subcontratação indevida dos serviços. Verificou-se que em 2017 a Prefeitura de União efetuou pagamentos no valor de R$ 122.997,00 com recursos do PNATE à empresaSousa Campelo Transportes Ltda, (BR Locadora), CNPJ 10.644.834/0001-93. Da análise da prestação de contas do Pnate, relativa ao exercício de 2017, verificou-se a existência das Notas de Empenho: NE nº 429001, de 29.04.2017, NE nº 623009, de 23.06.2017 e NE nº 731006, de 31.07.2017, cujos valores empenhados em favor da referida empresa, seriam para custear o Contrato nº 54/2017, que teria decorrido de dispensa de licitação. Indagada por meio da SF nº 201900468/04, de 25.02.2021, quanto à documentação de suporte da contratação da empresa naquele exercício, a Prefeitura Municipal de União não apresentou resposta à solicitação da equipe de auditoria. Constam da prestação de contas analisada os seguintes pagamentos à empresa: Tabela 1: Pagamentos à empresa Sousa Campelo Transportes Ltda. no exercício de 2017 com recursos do Pnate Nota Fiscal Data do pagamento Referência Nº Data emissão Valor (R$) 2893 28.06.2017 83.483,40 29.06.2017 Locação de veículos tipo Van para transporte de professores e alunos da rede municipal de ensino, no período de 29.04.2017 a 31.05.2017 2998 19.07.2017 27.165,60 07.08.2017 Locação de cinco micro-ônibus para transporte de alunos e professores da rede municipal de ensino, no período de 01.06.2017 a 30.06.2017 3073 24.08.2017 12.348,00 30.08.2017 Locação de cinco micro-ônibus para transporte de alunos e professores da rede municipal de ensino, no período de 03.07.2017 a 14.07.2017 Total 122.997,00 Fonte: Prestação de contas do Pnate relativo ao exercício de 2017 Além dos recursos do Pnate, constatou-se que a PM de União se utilizou também dos recursos do Fundeb para pagamento da referida empresa no exercício de 2017, no valor total de R$ 480.737,60. Ressalta-se que foi solicitada à Prefeitura de União, por meio da SF nº 201900468/01, de 14.05.2020, todos os contratos de transporte escolar bem como a relação dos veículos locados para transporte escolar e outros serviços para a Secretaria de Educação, independentemente 8 das fontes de pagamento, nos anos de 2017, 2018, 2019 e 2020, informando: Modelo/Tipo, Placa dos veículos, nome dos proprietários, nome e CPF dos motoristas. Em sua resposta, quanto aos veículos locados no exercício de 2017, a prefeitura apresentou relação contendo dezesseis veículos, sendo que, nenhum deles pertence a empresa Sousa Campelo. Quadro 1: Relação dos veículos utilizados no transporte escolar no ano de 2017 pela PM de União Modelo/Tipo Ano de Fabricação Placa Contratado Valor/mês (R$) ônibus 2002 LVT 6044 ***.256.473-** 2.200,00 ônibus 1992 KVI 1155 Não informado 1034,00 ônibus 1992 KGR 3555 ***.704.703-** 1.408,00 ônibus 1996 HOO 7627 17.603.808/0001-66 880,00 Micro ônibus 1998 LVN 1354 17.603.808/0001-66 888,00 ônibus 1998 LVN 4184 ***.535.553-** 1.100,00 Micro ônibus 2003 DMM 3634 ***.771.833-** 1496,00 Micro ônibus 2001 JFP 0364 ***.960.861-** Não informado Iveco/Fiat 1998 CMR 3665 ***.110.514-** Não informado Scania/112 1989 HUG 7231 ***.860.733-** 1.056,00 Renault/Van 2009 JHC 7590 ***.408.801-** 968,00 Mercedes Benz/Senior 2003 DAO 9424 Não informado Não informado Kombi/VW 2007 LVW 2562 ***.385.902-** 748,00 Mercedes Benz/OP1620 1997 BTB 7833 ***.852.953-** 1.188,00 Mercedes Benz/1315 1991 KGZ 3206 Não informado 1.232,00 Fiat/Maxvan 2004 LWF 9467 Não informado Não informado Fonte: anexo ao Ofício/Gab nº 38/2020, de 6.07.2020, em resposta à SF nº 201900468/01 Em consulta ao sistema SAGRES/TCE, realizada em 05.03.2021, verificou-se que não consta pagamentos da Prefeitura para os proprietários dos veículos constantes na relação acima. A inexistência de veículos de propriedade da empresa Sousa Campelo Transportes Ltda., na relação de veículos informados pelo município, que teriam sido utilizados no transporte escolar no exercício de 2017 e a ausência de pagamentos para os proprietários desses veículos, indicam que houve subcontratação dos serviços por parte da empresa, o que contraria os artigos 72 e 78, da Lei nº 8.666/1993, bem como a Decisão nº 420/2002-Plenário, do Tribunal de Contas da União – TCU segundo a qual é ilegal e inconstitucional a subcontratação total, por contrariar os princípios constitucionais da moralidade e da eficiência (art. 37, caput, da Constituição Federal), o princípio da supremacia do interesse público e o dever geral de licitar (art. 37, inciso XXI, da Constituição). 9 É importante ressaltar que o Tribunal de Contas do Estado do Piauí, no Relatório de Fiscalização nº 217/2017, relativo ao processo TC/006437/2017, considerou irregular a contratação da empresa Sousa Campelo Transportes LTDA, por meio do Contrato nº 054/2017, para prestação de serviços de transportes de alunos. A irregularidade deveu-se ao fato de que, a contratação teria se dado por dispensa de licitação, com fundamento no art. 24, IV da Lei nº 8.666/93, ou seja, nos casos de emergência ou de calamidade pública. No entanto, no Decreto Emergencial n° 001/2017, de 06.01.2017, que estabeleceu o estado de calamidade pública no município e que foi posteriormente revogado pelo Decreto Municipal n° 16, de 17.02.2017, não constou a previsão de locação de veículos para transporte de alunos. De fato, verificou-se que, no extrato do Contrato nº 54/2017, publicado no Diário Oficial dos Municípios, em 11.05.2017, consta como fundamento para a contratação o Inciso IV do art. 24 da Lei 8.666/93, o qual exige para as contratações diretas de serviços, nos casos de emergência ou calamidade pública, que seja caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para os bens necessários ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa. No entanto, conforme arts. 1º e 2º do Decreto Emergencial n° 001/2017, publicado em 6.1.2017 no Diário Oficial dos Municípios, dispensou-se a licitação para: aquisição de combustíveis e derivados de petróleo; aquisição de medicamentos; locação de veículos automotores para transportar a equipe do Programa Saúde da Família; aquisição de material de expediente; e contratação de serviços de limpeza e vigilância. Portanto, não havia previsão para contratação de serviços de transporte de alunos no citado instrumento. Além disso, a empresa Sousa Campelo Transportes Ltda., foi uma das apontadas na “Operação Topique”, deflagrada pela Polícia Federal e que contou com a participação da CGU e do Ministério Público Federal (MPF) e teve por objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações e desviar recursos públicos destinados à prestação de serviços de transporte escolar ao Governo do Estado do Piauí e diversas prefeituras municipais dos Estados do Piauí e do Maranhão. Em face do exposto, conclui-se que houve irregularidade tanto na contratação da empresa Sousa Campelo Transportes Ltda, por meio de Dispensa de Licitação, com base no inciso IV do art. 24 da Lei 8.666/93, uma vez que não havia autorização legal para a contratação emergencial de serviços de transporte escolar, quanto na execução do Contrato nº 54/2017, posto que não foi identificado nenhum veículo da empresa contratada na relação dos veículos que efetuaram o transporte de alunos no exercício de 2017, indicando que houve subcontratação da totalidade do objeto pactuado. 2. Irregularidades no Pregão SRP nº 56/2017 e na execução dos contratos para a execução dos serviços de transporte escolar. Para a execução dos serviços de transporte escolar a partir do segundo semestre de 2017 a Prefeitura Municipal de União optou pela realização de Registro de Preços para contratação de empresa especializada, por meio do Pregão Presencial SRP nº 56/2017, para tanto, foi aberto o Processo nº 2702/2017, em 13.06.2017. O objeto foi dividido em três lotes, conforme descrito a seguir: 10 Quadro 2: Itens do Pregão Presencial nº 56/2017Lote Tipo de Veículo Quantidade de veículos I Ônibus 15 II Micro-ônibus 2 III Van 15 Fonte: edital do pregão presencial 56/2017 da Prefeitura de União Da análise da documentação apresentada, constataram-se as seguintes irregularidades: 2.1. Falhas na formalização do processo licitatório relativo ao Pregão SRP nº 56/2017, incluindo: ausência de estudos técnicos preliminares; ausência de pesquisa de preços; ausência de publicação do aviso de licitação; falta de indicação da idade máxima admitida dos veículos (ano de fabricação) no edital do pregão; e falta de assinaturas na Solicitação de Serviços. a) Ausência de estudos técnicos preliminares ou levantamento de necessidades. A licitação foi iniciada sem que houvesse a realização de estudos preliminares baseados em levantamento de necessidades e/ou série histórica, por exemplo, que demonstrasse o quantitativo de alunos que utilizam transporte escolar, identificação e localização das escolas, bem como as rotas devidamente dimensionadas e caracterizadas, demonstrando a quantidade e o tipo de veículos necessários para atendimento da demanda. Verificou-se que, na Solicitação nº 349/2017 da Secretaria de Educação, constante no processo, a quantidade solicitada é de quinze veículos entre ônibus, micro-ônibus e vans, sendo que no Termo de Referência o quantitativo licitado foi de quinze ônibus, dois micro- ônibus e quinze vans. Ressalta-se que a contratação sem a realização de estudos técnicos preliminares ou sem o devido dimensionamento do objeto ou dos serviços pode levar à uma aquisição que não atenda às necessidades da administração e consequentemente ao desperdício de recursos b) Ausência de pesquisa de preços. Embora conste a estimativa de custo dos serviços no Termo de Referência, não consta, no processo documentação relativa à pesquisa de preços junto ao mercado, ou bancos oficiais de preços, de forma que não restou comprovada a compatibilidade de tal estimativa com os preços praticados à época da contratação. Foram os seguintes os preços fixados no Termo de Referência: Quadro 3 – Itens do Pregão Presencial nº 56/2017 Item Veículo Valor do km I Ônibus 4,77 II Micro-ônibus 4,42 III Van 4,42 Fonte: Termo de Referência do Pregão 56/2017 11 É importante ressaltar que todo processo licitatório deve se iniciar com um planejamento, no qual a pesquisa de preços é peça essencial, com a função de aferir o valor que determinado produto ou serviço está custando no mercado e pelo qual a Administração Pública está disposta a pagar. A realização de licitação pública sem a devida pesquisa de preços infringe o art. 43, IV, da Lei 8.666/93, segundo o qual é indispensável que se faça, na fase interna da licitação, cotação ampla e detalhada de preços do objeto a ser contratado, visando aferir a compatibilidade dos preços orçados com aqueles praticados no mercado. c) Falta de comprovação de publicação do aviso de licitação. Não consta no processo que o aviso da licitação tenha sido publicado na imprensa oficial nem em jornal de grande circulação, em desacordo com o preconizado no art. 21 da Lei 8.666/93 bem como no inciso I do art. 4º da Lei 10.520/2002. d) Falta de indicação da idade máxima admitida dos veículos (ano de fabricação) no edital do pregão. A Prefeitura de União não informou, nem no Edital nem no Termo de Referência, o tempo máximo de uso dos veículos que seria admitido na contratação, essa omissão levou à contratação de empresa cuja idade média dos veículos era de 17,5 anos, como é o caso dos veículos apresentados pela empresa Absolut. Ressalte-se que é recomendado pelo FNDE que os veículos utilizados no transporte escolar tenham no máximo sete anos de uso. e) Falta de assinaturas na Solicitação de Serviços. O Processo nº 2702/2017 foi iniciado com a Solicitação nº 349/2017, de 16.5.2017, na qual a Secretaria Municipal de Educação e Cultura solicita a “contratação de transporte tipo ônibus, micro-ônibus e vans, para atender as necessidades da secretaria municipal de União-PI”. Em que pese existirem campos específicos, o documento não traz assinaturas do solicitante, do ordenador de despesas e nem do responsável financeiro. 2.2. Ausência dos laudos de vistoria e documentação dos veículos da empresa Multikar Locadora de Veículos EIRELI-EPP, vencedora do lote II do Pregão nº 56/2017. Segundo disposto na Ata da Terceira Sessão do Pregão nº 56/2017, datada de 01.08.2017, a empresa Multikar Locadora de Veículos EIRELI-EPP, CNPJ 26.709.948/0001-04, vencedora do Lote II do pregão, teve seus veículos, dois micro-ônibus, vistoriados e aprovados pela equipe responsável. Em que pese tal afirmativa, nem os laudos de vistoria nem a documentação dos veículos e dos motoristas constam do processo, e também não foram disponibilizados à equipe de fiscalização, embora tenham sido solicitados por meio da SF nº 201900468/04, de 25.02.2021. De acordo com informações constantes do Processo Licitatório nº 2702/2017, a empresa teria apresentado para vistoria os micro-ônibus de placas MWR 3529 e JWY 3722, no entanto, em consulta realizada ao sistema do Denatran, em 08.04.2021, por meio do Sistema Macros, tais 12 veículos não constam como sendo ou tendo sido, em algum momento, de propriedade da empresa Multikar. Destaca-se que, quanto ao micro-ônibus Marcopolo/volare W8 On, de placa JWY 3722, constatou-se que é de propriedade da empresa F. Costa Transporte Rodoviário (J.J. Turismo), CNPJ 26.138.577/0001-58, que foi uma das participantes da licitação. 2.3. Contratação de empresa que não apresentou o número total de veículos exigidos no edital e que teve 85% dos veículos apresentados reprovados pela equipe de vistoria, no Pregão nº 56/2017. A Empresa Absolut Empreendimentos e Serviços Eireli-ME, CNPJ 22.220.295/0001-44, foi a vencedora dos lotes I e III do Pregão nº 56/2017. Dessa forma, a empresa deveria apresentar trinta veículos para a vistoria, sendo quinze ônibus (Lote I) e quinze vans (Lote III). No entanto, segundo documentação constante do processo, a empresa apresentou apenas vinte veículos, ou seja, dez a menos que o previsto no edital. Além disso, na vistoria realizada pela prefeitura, a empresa obteve apenas três veículos aprovados. Portanto, 85% dos veículos disponibilizados pela empresa para execução dos serviços de transporte escolar no município foram reprovados. As causas da não aprovação dos veículos está detalhada no quadro a seguir: Quadro 4: Veículos apresentados pela empresa Absolut Empreendimentos e Serviços Eireli-ME Tipo de veículo Placa Ano de fabricação Desconformidades Proprietário CPF/CNPJ status Ônibus NFV 9124 2005 Falta de cinto de segurança, extintor vencido, luz de seta sem funcionamento, porta sem acionamento automático 73.641771/0001-31 Reprovado Ônibus LVJ 5713 1996 Falta de cinto de segurança, CRLV vencida, extintor vencido, luz de seta sem funcionamento ***.523.503-** Reprovado Ônibus HPI 6147 2001 Falta de cinto de segurança ***.673.793-** Reprovado Ônibus KIE 1520 1997 Falta de cinto de segurança ***.673.793-** Reprovado Ônibus BXA 8370 1992 Falta de cinto de segurança e de buzina ***.673.793-** Reprovado Ônibus KGZ 3206 1991 Falta de cinto de segurança e da faixa escolar, pneus com rachaduras ***.157.623-** Reprovado Ônibus LVI 8224 1993 Falta de cinto de segurança, extintor vencido, sem faixa escolar ***.134.203-** Reprovado 13 Tipo de veículo Placa Ano de fabricação Desconformidades Proprietário CPF/CNPJ status Ônibus HOO 4308 1995 Falta de cinto de segurança, extintor vencido, pneu sem condições de uso ***.797.683-** Reprovado Ônibus HOO 7629 1996 Falta de cinto de segurança, extintor vencido. ***.797.683-** Reprovado Ônibus MYF 8508 1999 Lanterna queimada, CRLV vencida ***.230.283-** Aprovado Ônibus BTB 1596 1996 Sem faixa escolar, pneus em estado avançado de desgaste ***.820.031-** Impossívelavaliar * Van (16 passageiro s) CNR 3928 1999 Sem cinto de segurança, Sem faixa escolar, pneus em estado avançado de desgaste ***.373.063-** Reprovado Van (16 passageiro s) JFP 0364 2001 Faixa escolar fora do padrão, pneus desgastados ***.309.801-** Aprovado Van (16 passageiro s) LWC 2578 2003 - ***.373.063-** Aprovado Van (16 passageiro s) LWK 7235 2003 Sem cinto de segurança, sem freio de estacionamento, extintor vencido ***.245.303-** Reprovado Van (16 passageiro s) DEA 0734 2000 Faixa escolar fora do padrão, sem cinto de segurança, condutor sem habilitação na categoria D ***.894.303-** Reprovado Van (16 passageiro s) NIA 7712 2008 Sem faixa escolar, para-brisa trincado, pneus em mau estado ***.995.833-** Reprovado Van (15 passageiro s) NHU 5588 2007 Sem faixa escolar, sem cinto de segurança, sem extintor ***.301.331-** Reprovado Van (16 passageiro s) LWA 5868 2001 Sem faixa escolar, sem cinto de segurança, sem freio de estacionamento, para-brisa trincado ***.228.698-** Reprovado Van (9 passageiro s) LVW 2562 2007 Sem faixa escolar, sem equipamento registrador instantâneo de velocidade, pneus sem condições de uso, capacidade inferior ao número de alunos ***.385.902-** Reprovado Fonte: Processo nº 01.0002702/2017, relativo ao Pregão Presencial SRP 56/2017 da P.M. de União Obs-1: os proprietários indicados no quadro são aqueles constantes do CRLV dos veículos, apostos no processo. 14 Obs-2:No formulário de avaliação do veículo de placa BTB 1596 foram marcados tanto o campo “Aprovado” quanto o “Reprovado”. O gestor municipal, por meio da SF nº 201900468/04, de 04.03.2021, foi instado a se pronunciar quanto a substituição ou não dos veículos da empresa em questão, momento em que foi solicitada toda a documentação relativa à execução do contrato com a referida empresa, no entanto, tal documentação não foi apresentada. Conforme observa-se no quadro anterior, a empresa apresentou um total de onze ônibus e nove vans, em desacordo com o quantitativo exigido no edital que era de quinze ônibus e quinze vans. Além disso, todos os veículos apresentados pela empresa, à exceção de um, possuíam desconformidades tais como: ausência de itens de segurança (cinto de segurança, extintor, freio de estacionamento), ausência da faixa horizontal na cor amarela (Faixa Escolar) ou possuíam a faixa fora do padrão, CRLV vencido, lanternas queimadas, pneus desgastados, etc. As falhas apontadas acima afrontam, além das exigências do Código Brasileiro de Trânsito, o regramento disposto no próprio Termo de Referência do pregão, cujo item 5.2.2, dispõe: 5.2.2 Os veículos utilizados no transporte escolar devem possuir os seguintes requisitos: a) Cintos de segurança em boas condições e para todos os passageiros; b) Licenças, taxas, seguros e documentação em dia; c) Registrador de velocidade (tacógrafo), que é um aparelho instalado no painel do veículo que vai registrando a velocidade e as paradas do veículo em um disco de papel. Os discos devem ser trocados todos os dias e guardados pelo período de seis meses, porque serão exibidos ao Detran por ocasião da vistoria especial; d) Apresentação diferenciada, com pintura de faixa horizontal na cor amarela nas laterais e traseira, contendo a palavra “Escolar” na cor preta. Importante ressaltar que nenhum dos veículos apresentados pela empresa Absolut possui idade igual ou inferior a sete anos, sendo que, os veículos considerados aprovados de placas LWC 2578, JFP 0364 e MYF 8508, possuíam, no ano da contratação, catorze, dezesseis e dezoito anos de uso, respectivamente. Ressalte-se que a recomendação do FNDE é de que o tempo máximo de uso dos veículos utilizados no transporte escolar seja de sete anos. 2.4. Subcontratação indevida dos serviços de transporte escolar no âmbito do Pregão nº 56/2017. Em decorrência do Pregão Presencial e da Ata de Registro de Preços nº 56/2017, foram assinados, em 21.08.2017, entre o município de União/PI, por meio da Secretaria de Educação e Cultura e a empresa Absolut Empreendimentos e Serviços Eireli-ME, CNPJ 22.220.295/0001- 44, os Contratos nº 256/2017 e nº 307/2017, relativos aos lotes I e III do pregão, respectivamente. O Contrato nº 256/2017, foi assinado em 21.08.2017, com vigência de sessenta dias, com valor estimado mensal de R$ 46.851,20 e tinha por objeto a execução do transporte escolar dos alunos da rede municipal, em quinze veículos do tipo ônibus, em quinze rotas predefinidas. 15 Já o Contrato nº 307/2017, também assinado em 21.08.2017, com vigência de sessenta dias, teve valor mensal estimado de R$ 61.522,56 e tinha por objeto a execução do transporte escolar dos alunos da rede municipal, em quinze veículos do tipo van, em catorze rotas predefinidas. Da análise dos documentos (CRLV) dos veículos apresentados pela empresa Absolut para a vistoria, detalhados no quadro 4, verificou-se que nenhum destes é de propriedade da empresa Absolut, sendo a maioria, dezenove veículos, pertencentes a pessoas físicas e um pertencente a outra empresa. Além disso, indagada por meio da Solicitação de Fiscalização nº 201900468/01, de 14.05.2020, quanto aos veículos utilizados para o transporte de alunos em 2017, a Prefeitura apresentou relação contendo dezesseis veículos, dos quais três constam dentre aqueles apresentados pela Absolut para vistoria, no entanto, conforme já afirmado, os CRLVs dos veículos indicam que estes não são de propriedade daquela empresa. Ressalta-se que em consulta ao sistema SAGRES, em 05.03.2021 e 21.05.2021, verificou-se que não consta pagamentos realizados pela Prefeitura Municipal de União/PI, no exercício de 2017, aos proprietários dos veículos constantes na relação apresentada pela Absolut, o que indica que estes atuavam por meio de subcontratação. Ressalta-se, ainda, que em consulta à Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), por meio do Sistema Macros, realizada em 8.4.2021, a empresa Absolut possuía, em 2017, apenas dois empregados, inexistindo, portanto, motoristas ligados à referida empresa executando, efetivamente, os serviços objeto dos contratos ajustados com a Prefeitura Municipal de União. Verificou-se que, no exercício de 2017, foram realizados pagamentos à empresa no valor total de R$ 316.005,12, relativos aos meses de agosto a novembro de 2017, dos quais R$ 68.181,44 ocorreram com recursos do Pnate, por meio da Conta Corrente nº 14.765-6, Agência nº 243- 7, do Banco do Brasil. Cabe esclarecer que a Prefeitura de União, embora tenha sido solicitado por meio da SF nº 201900468/07, de 06.04.2021, não apresentou a documentação de suporte aos pagamentos realizados, tais como relação dos veículos utilizados por rota, relação dos motoristas, comprovantes de quilometragem, relatórios de fiscalização da execução dos serviços, atesto do setor responsável, etc. Diante do exposto, conclui-se que houve irregularidade na contratação e execução dos serviços de transporte escolar no Município de União/PI, no exercício financeiro de 2017, uma vez que ficou evidenciada a subcontratação integral de todos os serviços objeto dos Contratos nº 256/2017 e nº 307/2017, inexistindo um único veículo de propriedade da empresa Absolut ou motorista funcionário da referida empresa que tenha executado, efetivamente, o serviço ajustado com a Prefeitura Municipal de União, fato que caracteriza descumprimento ao disposto no art. 72 da Lei nº 8.666/1993, uma vez que não houve previsão de subcontratação no edital da licitação nem nos instrumentos contratuais. 16 Segundo estipula a Lei nº 8.666/1993, art. 72 combinado com o art. 78, inciso VI, é vedado ao contratado subcontratar total ou parte dos serviços quando não admitidos no edital e no contrato, sendo motivo para a rescisão contratual. Além disso, na Decisão nº 420/2002-Plenário, o Tribunal de Contas da União – TCU deliberou que é ilegal e inconstitucional a subcontrataçãototal, por contrariar os princípios constitucionais da moralidade e da eficiência (art. 37, caput, da Constituição Federal), o princípio da supremacia do interesse público, o dever geral de licitar (art. 37, inciso XXI, da Constituição) e os art. 2º, 72 e 78, inciso VI, da Lei nº 8.666/1993. A jurisprudência do Tribunal é pacífica no sentido de afastar a possibilidade da subcontratação total do objeto pactuado, conforme demonstrado na decisão a seguir, proferida em julgamento de Tomada de Contas Especial: [...] Quanto a esse aspecto, o MP/TCU ressaltou que o art. 78, inciso VI, da Lei 8.666/93, ‘estabelece como causa de rescisão contratual a subcontratação de objeto ajustado com a Administração não admitida no contrato e no edital’. Anotou, também, que a subcontratação somente é possível, nos termos do art. 72 da citada lei, ‘até o limite admitido, em cada caso, pela Administração’. E mais: ‘A subcontratação integral do objeto ajustado desnatura o certame licitatório destinado à contratação inicial e é repudiada pelo TCU, nos termos da jurisprudência [...]’. O relator endossou as conclusões do MP/TCU, no sentido de que o gestor responsável por autorizar a referida subcontratação merecia ser apenado. O Tribunal, então, ao acolher sua proposta, decidiu aplicar ao responsável multa no art. 58, inciso II, no valor de R$ 5.000,00. Precedentes mencionados. Acórdãos 100/2004-TCU e 1748/2004-TCU, ambos do Plenário. (Acórdão nº 954/2012- Plenário, TC 006.095/2004-4, rel. Min. Ana Arraes, 25 de abril de 2012). 2.5. Prorrogação dos Contratos nº 256/2017, nº 257/2017 e nº 307/2017 para execução de serviços de transporte escolar, após expiração do prazo de vigência. Os Contratos nº 256/2017 e 307/2017, firmados com a empresa Absolut Empreendimentos e Serviços Eireli-ME, foram assinados em 21.08.2017, com vigência de sessenta dias, portanto, expirando em 21.10.2017. No entanto, os contratos citados, foram objeto de termos aditivos de prorrogação de prazo, assinados em 09.11.2017, fixando a nova vigência em 31.12.2017. Portanto a prorrogação desses instrumentos mostrou-se indevida uma vez que estes contratos já estavam com o prazo de vigência expirado desde 21.10.2017. Além disso, a publicação dos extratos dos contratos só ocorreu em 19.12.2017, no Diário Oficial dos Municípios, edição MMMCDLXXIX, página 203, portanto fora do prazo previsto no parágrafo único do art. 60 da Lei nº 8.666/93 e quando a vigência já havia expirado. A situação descrita acima repetiu-se no âmbito do Contrato nº 257/2017, firmado com a empresa Multikar Locadora de Veículos Eireli-EPP, vencedora do Lote II do Pregão, que foi assinado em 07.08.2017, com vigência de sessenta dias, portanto expirou em 07.10.2017. 17 Esse contrato foi objeto de dois aditamentos, o primeiro, assinado em 27.10.2017, que teve como objeto a “correção da rota do tipo de veículos micro-ônibus – Lote II, mantidas as mesmas condições contratuais, nos termos do artigo 65, §1º da Lei Federal nº 8.666/93 e suas alterações posteriores, suplementando ao valor inicial do contrato o montante de R$ 74.342,40” e o segundo, assinado em 09.11.2017, para prorrogação da vigência até 31.12.2017. Os aditivos foram publicados no Diário Oficial dos Municípios em 07.11.2017 e 17.11.2017, respectivamente. Portanto, tanto a alteração da rota quanto a prorrogação do prazo de vigência foram efetuados quando já havia expirado a vigência do contrato, o que ocorreu em 07.10.2017, conforme já informado. Ademais, a publicação do extrato do Contrato no Diário Oficial dos Municípios, só ocorreu em 19.12.2017. Diante do exposto, conclui-se que a Prefeitura Municipal de União, descumpriu o disposto no parágrafo único do artigo 60 da Lei 8.666/93 uma vez que não providenciou a publicação dos extratos dos Contratos nº 256/2017, nº 257/2017 e nº 307/2017 na imprensa oficial, dentro do prazo ali previsto, qual seja: A publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na imprensa oficial, que é condição indispensável para sua eficácia, será providenciada pela Administração até o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua assinatura, para ocorrer no prazo de vinte dias daquela data, qualquer que seja o seu valor, ainda que sem ônus, ressalvado o disposto no art. 26 desta Lei. Ademais, uma vez que a vigência dos Contratos nº 256/2017, nº 257/2017 e nº 307/2017 já havia expirado quando da assinatura dos termos aditivos, tais aditamentos não tem nenhum valor legal, e portanto, os serviços executados pelas empresas após o dia 07.10.2017, no caso do Contrato nº 257/2017, e após o dia 21.10.2017, no casos dos Contratos nº 256/2017 e nº 307/2017, não tiveram cobertura contratual. 3- Falhas no processo licitatório nº 292/2018, relativo ao Pregão Presencial nº 1/2018 para contratação de serviços de transporte escolar. Para a execução dos serviços de transporte escolar no exercício de 2018, a Prefeitura Municipal de União promoveu a abertura de licitação na modalidade Pregão Presencial nº 01/2018, do tipo menor preço por item. A licitação culminou com a contratação da Empresa Sousa Campelo Transportes Ltda., (BR Locadora), CNPJ 10.644.834/0001-93, por meio do Contrato nº 18/2018, assinado em 28.02.2018, com vigência até 31.12.2018, o qual foi prorrogado até 18.12.2020, por meio de dois termos aditivos, o primeiro datado de 20.12.2018 e o segundo do dia 18.12.2019. Verificou-se que a Prefeitura de União utilizou cerca de 73% dos recursos do Pnate para custeio do contrato durante sua vigência, conforme detalhado a seguir: 18 Tabela 2: Recursos do Pnate para pagamento do Contrato nº 18/2018 Exercício Recursos transferidos pelo FNDE Pagamentos Sousa Campelo (R$) % 2018 166.123,89 146.000,00 88 2019 235.968,08 235.853,18 100 2020 283.756,77 118.315,82 42 Total 685.848,74 500.169,00 73 Fonte: Sistema de Prestação de Contas (SiGPC) do FNDE Da análise da documentação constante do Processo nº 292/2018, constataram-se as seguintes impropriedades: a) Ausência de estudos técnicos preliminares ou levantamento das reais necessidades. A licitação foi iniciada sem que houvesse a realização de estudos preliminares baseados em levantamento de necessidades e/ou série histórica, por exemplo, que demonstrasse o quantitativo de alunos que utilizam transporte escolar, identificação e localização das escolas, bem como as rotas devidamente dimensionadas e caracterizadas, demonstrando a quantidade e o tipo de veículos necessários para atendimento da demanda. Ressalta-se que a contratação sem a realização de estudos técnicos preliminares ou sem o devido dimensionamento do objeto ou dos serviços pode levar a uma aquisição que não atenda às necessidades da administração, e consequentemente ao desperdício de recursos, conforme já detalhado em itens anteriores deste relatório. b) A pesquisa de mercado não abrangeu todos os itens licitados. O objeto do Pregão Presencial nº 1/2018, segundo disposto no Termo de Referência, foi dividido em quatro itens: Quadro 5: Itens do Pregão Presencial nº 1/2018 Lote Tipo de Veículo Quantidade de veículos I Embarcação com capacidade mínima de 15 passageiros 2 II Micro-ônibus com capacidade mínima de 28 passageiros 7 III Utilitário tipo Van capacidade mínima de 10 passageiros 20 IV Ônibus com capacidade mínima de 48 passageiros 25 Fonte: Termo de Referência do pregão presencial 1/2018 da Prefeitura de União Verificou-se que a prefeitura efetuou pesquisa de preços junto a três empresas do mercado, no entanto, a pesquisa abrangeu apena os Lotes de II a IV, ou seja, não houve pesquisa a fim de verificar o preço de mercado para locação das embarcações, mesmo assim, esse item teve seu valor estimado em R$ 15.000,00. A ampla pesquisa de preços permite a correta estimativa do custo do objeto a ser adquirido, define os recursos orçamentários suficientes para a cobertura das despesas contratuais e serve de balizamentopara a análise das propostas dos licitantes, sendo exigência do art. 43, IV, da Lei nº 8.666/93. 19 c) Tempo máximo de fabricação dos veículos foi fixado em dez anos em descordo com as recomendações do FNDE. Segundo recomendação do FNDE, presente no Guia do Transporte Escolar, os veículos para transporte escolar devem ter no máximo sete anos de uso, no entanto, Edital e Termo de Referência do Pregão nº 1/2018, exigiram que os veículos deveriam ter sido fabricados no mínimo em 2008, portanto com dez anos de fabricação em 2018, em desacordo com as recomendações do FNDE. d) Falta de clareza no Edital e no Termo de Referência quanto a forma de apresentação das propostas. No item 1.1 do Edital consta que o objeto da licitação é a contratação de empresa especializada para prestação de serviços de transporte escolar para atender a rede pública municipal de ensino conforme especificações e demais exigências previstas no edital e seus anexos. Quanto às exigências/forma para apresentação da proposta de preços, consta no Capítulo 5 do Edital: 5.3. As propostas deverão obedecer às especificações e condições previstas neste instrumento convocatório e seus anexos. A empresa deverá apresentar com a proposta toda documentação exigida nas especificações técnicas em anexo ao edital, sob pena de desclassificação. 5.4. A proposta de preço deverá conter os seguintes elementos: a) nome, endereço, CNPJ e inscrição estadual/municipal; b) número do Pregão Presencial; c) descrição do objeto, de forma clara e sucinta, em conformidade com as especificações detalhadas em anexo neste edital; d) preço unitário dos itens, marca do Veículo a ser entregue para a locação, cotando- se os itens discriminados, em moeda corrente nacional, em algarismo e por extenso. Nos preços propostos deverão estar incluídos, além do lucro, todas as despesas e custos, como por exemplo: tributos de qualquer natureza e todas as despesas, diretas ou indiretas, relacionadas com o objeto desta licitação. (grifei) O Edital e o Termo de Referência não deram informações suficientes e claras de como as empresas deveriam elaborar e apresentar suas propostas de preços. De acordo com o anexo do edital denominado “modelo de carta proposta comercial”, o licitante deveria informar no corpo do documento o valor total, por extenso e preencher a planilha de preços, composta por cinco colunas, conforme reproduzido a seguir: Quadro 6: Modelo de planilha de preços constante do processo relativo ao Pregão nº1/2018. Item Discriminação Quant. Valor do km rodado (exceto o barco que será milha náutica) Valor total mês 1 Embarcação com capacidade de transporte mínimo de quinze passageiros 02 20 Item Discriminação Quant. Valor do km rodado (exceto o barco que será milha náutica) Valor total mês 2 Micro-ônibus para o transporte de alunos, com capacidade mínima de 28 passageiros. 07 3 Utilitário tipo VAN, capacidade Mínima quinze passageiros 20 4 Utilitário tipo VAN, capacidade Mínima quinze passageiros 25 Fonte: anexo do edital do pregão nº 1/2018 Observa-se que para se calcular o “valor total mês” seria necessário conhecer previamente o quantitativo mensal de quilômetros rodados para cada item, o que não foi disponibilizado na planilha da prefeitura. Além disso, não consta no edital nem no termo de referência, a indicação de que para o cálculo por mês deveria ser considerado um período de 22 dias letivos. Ressalta-se que para a obtenção do quantitativo de quilômetros de cada item seria necessário que as empresas licitantes consultassem as rotas disponibilizadas, as quais foram agrupadas em seis polos, e em seguida, somassem a quilometragem diária, por tipo de veículo. O fato citado causou divergências na forma de apresentação das propostas pelas licitantes e diferenças no quantitativo de quilômetros por item. Como exemplo citamos o item 4- Utilitário tipo Van, no qual verificou-se que cinco das dez empresas participantes da licitação, acrescentaram uma coluna na planilha modelo disponibilizada pela Prefeitura, com vistas a indicar o quantitativo diário de quilômetros rodados e as demais não indicaram esse quantitativo, conforme detalhado no quadro a seguir: Quadro 7: Quantidade diária de quilômetros rodados para o Item 4 do Pregão Presencial nº 1/2018. Empresa Quantidade diária de km rodado Valor unitário do km rodado Valor mensal (R$) Sousa Campelo 2.264 4,95 246.549,60 JJ Produções 1.664 5,50 201.344,00 DEP Locações e Serviços 1.664 5,40 197.683,20 Master Serviços e Construções 1.594 3,90 155.415,00 F das C Silva Nery Não informado 5,15 205.227,50 Francisco Costa- J J Turismo 1.594 9,00 Não informado A & N Construções Não informado Não informado Não informado T-LOC locações de veículos e Transporte Ltda Não informado Não informado Não informado Absolut Empreendimentos Não informado Não informado 262.986,24 Francisco Mourão Oliveira Junior -Alpha Não informado 3,59 125.894,12 Fonte: propostas das licitantes do Pregão Presencial nº 1/2018 21 Conforme observa-se no quadro acima, foram informados três quantitativos diferentes para a coluna “quantidade diária de km rodado”, dentre as cinco empresas que preencheram esse valor. Conforme consta na Ata de Julgamento da Segunda Sessão do pregão realizada em 22.02.2018, sete licitantes foram desclassificadas uma vez que suas propostas não atenderam ao Capítulo V do Edital - “Da Proposta de Preços”. Em que pese a pregoeira não ter esclarecido na Ata quais pontos específicos do Capítulo V do Edital, que abrange os itens de 5.1 a 5.15, pode se afirmar que a falta de clareza do edital levou as licitantes a elaborarem propostas de preços em desacordo com este, resultando na desclassificação de sete das dez empresas que participaram da licitação. e) Inconsistências na Ata de Julgamento da Segunda Sessão do Pregão Presencial nº 01/2018 e na proposta readequada da empresa Sousa Campelo Transportes Ltda. Conforme consta na Ata de Julgamento da Segunda Sessão do pregão (fls. 470 a 475), realizada em 22.02.2018, as licitantes Francisco Mourão Oliveira Junior Eireli-EPP, Absolut Empreendimentos e Serviços Eireli-ME, TLOC Locação de Veículos e Transportes Ltda.-EPP, A&N Construções Ltda., F Costa Transporte Rodoviário-EPP, F das C Silva Nery e Master Serviços e Construções Eireli-ME foram desclassificadas, uma vez que suas propostas não atenderam ao Capítulo V do Edital, enquanto que as empresas Sousa Campelo Transportes Ltda.-ME, DEP Locações Serviços Eireli-ME e JJ Produções Ltda.-ME, foram classificadas para participar da rodada de lances. Em que pese a empresa Master Serviços e Construções Eireli-ME constar dentre as que tiveram suas propostas desclassificadas, esta aparece no mapa de lances como sendo a segunda classificada para os itens 2 e 3 da licitação (fl. 472 do processo). Vale ressaltar que apenas as empresas Master Serviços e Construções e Sousa Campelo Transportes Ltda., apresentaram cotação para os referidos itens. Logrando-se vencedora de três dos quatro itens do Pregão Presencial nº 1/2018 (o item 1 não obteve cotação), foi fixado prazo de até 48 horas para que a empresa Sousa Campelo Transportes Ltda.-ME apresentasse sua proposta readequada, conforme estipulado no edital. No entanto, constatou-se que o documento intitulado “Carta Proposta de Preço – Readequada” (fl. 481 do processo), que foi apresentado pela empresa, possui data de 06.02.2018, portanto, anterior à realização da segunda sessão do pregão, que se deu em 22.02.2018, conforme já citado. e) Ausência de laudos de vistoria; dos termos de cessão de uso dos veículos sublocados; dos CRLVs dos veículos próprios; e da relação de motoristas da empresa Sousa Campelo Transportes Ltda.-ME. Considerando que a empresa Sousa Campelo foi a vencedora dos itens 2, 3 e 4 do pregão, para dar cumprimento às regras editalícias, esta deveriacomprovar a propriedade de, pelo menos, 26 veículos, sendo: Item 2 – sete micro-ônibus; Item 3 – vinte utilitários tipo van; e Item 4 – 25 ônibus. 22 Conforme disposto no item 5.14 do edital, a empresa deveria entregar, no ato da assinatura do contrato, os termos de cessão de uso dos veículos que não fossem de sua propriedade, admitida a sublocação de até 50% da frota, o CRLV dos veículos de sua propriedade e a relação dos motoristas: 5.14. Declarar expressamente que no ato de assinatura do contrato apresentará a frota exigida para a execução do Serviço, e entregará os termos de cessão de uso de veículos, conforme anexo – termo de cessão de uso, dos veículos que não forem de titularidade da contratante, bem como o CRLV dos que forem de sua propriedade, e ainda a relação dos motoristas em conformidade com as exigências constantes do termo de referência. Além disso, consta previsão na alínea “a” do item 3.5 do Termo de Referência, para que a Prefeitura efetuasse a vistoria dos veículos apresentados com vistas a verificar o atendimento às exigências ali elencadas: 3.5. Os veículos destinados a prestação dos Serviços licitados deverão atender as Seguintes Exigências: a) Deverão estar em bom estado de conservação, reservando-se a prefeitura ao direito de efetuar vistoria nos mesmos no ato do recebimento; (...) Em que pese as exigências elencadas, no processo não consta: a relação dos veículos da empresa; os laudos de vistoria; os termos de cessão de uso dos veículos que não fossem de propriedade da licitante; o CRLV dos veículos próprios; e nem mesmo a relação dos motoristas. Destaca-se que o Contrato nº 18/2018, firmado entre a referida empresa e a Secretaria Municipal de Educação, foi assinado em 28.02.2018 e sofreu duas prorrogações sucessivas, fixando sua vigência até 18.12.2020. Ressalta-se que além dos documentos de suporte à contratação, também foi requerida a documentação relativa aos pagamentos realizados à empresa, por meio da SF nº 2019000468/02, no entanto, até o encerramento dos trabalhos, não foram disponibilizados pelo gestor municipal. Dessa forma não foi possível verificar quantos e quais os veículos apresentados pela empresa Sousa Campelo para a realização dos serviços objeto do Contrato nº 18/2018, quantos e quais os veículos sublocados, bem como quais as condições físicas desses veículos, uma vez que não foram disponibilizados os laudos de vistoria. É importante registrar que a empresa Sousa Campelo Transportes Ltda., foi uma das apontadas como participante de uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações e desviar recursos públicos destinados à prestação de serviços de transporte escolar ao Governo do Estado do Piauí e diversas prefeituras municipais do Piauí e do Maranhão, no âmbito da “Operação Topique, conduzida pela Polícia Federal e que contou com a participação da CGU e do Ministério Público Federal. 23 CONCLUSÃO Com base nos exames realizados, pode-se concluir que: 1- Houve contratação irregular da empresa Sousa Campelo para execução dos serviços de transporte escolar fundamentada no inciso IV do art. 24 da Lei 8.666/93, ou seja, nos casos de emergência ou de calamidade pública, mas sem que houvesse previsão no Decreto Emergencial; 2 -Houve irregularidades no Pregão SRP nº 56/2017 para execução dos serviços de transporte escolar no exercício de 2017, uma vez que a licitação foi processada sem a elaboração de estudos técnicos preliminares para delimitação do objeto; sem pesquisa de preços de mercado a fim de balizar os valores estimativos da licitação; sem a comprovação da publicação do aviso de licitação na imprensa oficial; sem assinaturas na solicitação de serviços que deu origem ao processo; e sem a indicação da idade máxima admitida dos veículos (ano de fabricação) no edital; 3 – No âmbito do Pregão SRP nº 56/2017 foi contratada empresa que não apresentou o número total de veículos exigidos no edital e que teve 85% dos veículos apresentados reprovados pela equipe de vistoria; 4 – Houve subcontratação indevida dos serviços de transporte escolar no âmbito do Pregão nº 56/2017, pelas empresas contratadas, uma vez que estas não comprovaram a propriedade dos veículos apresentados para execução dos serviços; 5. Houve prorrogação dos Contratos nº 256/2017, nº 257/2017 e nº 307/2017 para execução de serviços de transporte escolar, após expiração do prazo de vigência; 6- Houve falhas no Pregão Presencial nº 1/2018 que deu suporte à contratação da empresa Sousa Campelo Transportes Ltda. para execução dos serviços de transporte escolar nos exercícios de 2018, 2019 e 2020, tendo sido constatado: a) que o processo se deu sem a elaboração de estudos técnicos preliminares ou levantamento de necessidades para delimitação do objeto; b) que a pesquisa de mercado não abrangeu todos os itens licitados; c) que o tempo máximo de fabricação dos veículos foi fixado em dez anos em descordo com as recomendações do FNDE; d) que a falta de clareza no edital e termo de referência quanto a forma de apresentação das propostas resultou na desclassificação de sete licitantes; e e) que foi considerada como segunda classificada, na fase de lances, empresa cuja proposta foi anteriormente desclassificada e que a proposta readequada da empresa vencedora do certame foi confeccionada antes da realização do pregão. Em face do exposto, a Prefeitura de União/PI deve adotar medidas com vistas a corrigir as falhas apontadas de forma a se adequar às diretrizes do Pnate, ressaltando que a regularidade das despesas, no que tange à documentação não apresentada à equipe de fiscalização, deve ser comprovada pelo município. 24 ANEXOS I – MANIFESTAÇÃO DA UNIDADE EXAMINADA E ANÁLISE DA EQUIPE DE AUDITORIA Por meio do Ofício Gab nº 189/2021, datado de 10.09.2021, a Prefeitura Municipal de União/PI, apresentou as seguintes manifestações: Achado nº 1. Contratação irregular de empresa para execução dos serviços de transporte escolar, no exercício de 2017, por meio de dispensa de licitação fundamentada no inciso IV do art. 24 da Lei 8.666/93, sem previsão no Decreto Emergencial e subcontratação indevida dos serviços. Manifestação da unidade examinada “[...] Quanto ao suporte de contratação da empresa Sousa Campelo, no valor de R$ R$ 122.997,00, o setor de licitação informou que ‘o contrato de nº 54/2017, refere-se a outro objeto, e que o documento de suporte para contratação de transporte encontrado nos arquivos é uma adesão à Ata de Registro de Preço nº 032/2016/PMT/2016-Timon- Processo administrativo nº 0970/2016- Pregão Presencial nº 038/2016 CGCL: objeto Serviços de transporte (locação), já em anexo no item 1’.”. Análise da Equipe de Auditoria No Processo nº 001.0000303/2017 apresentado pela Prefeitura de União/PI, relativo à contratação da empresa Sousa Campelo decorrente da adesão à ata de registro de preços nº 032/2016/PMT/2016 da Prefeitura Municipal de Timon/MA, constam três contratos que foram assinados com aquela empresa: Contratos nº 20/2017, nº 21/2017 e nº 22/2017, sendo que apenas o Contrato de nº 22/2017 é relativo à Secretaria de Educação. O objeto do referido contrato é a locação de três veículos tipo pick-up e um caminhão toco, sem motorista, portanto não são base para os pagamentos de transporte escolar identificados pela equipe de auditoria no Achado nº 01. Em sua manifestação o gestor municipal informa que “o contrato de nº 54/2017 refere-se a outro objeto”, no entanto não disponibilizou o contrato e nem informou qual é o objeto. Dessa forma reafirma-se que as Notas de Empenho: NE nº 429001, de 29.04.2017, NE nº 623009, de 23.06.2017 e NE nº 731006, de 31.07.2017, em favor da empresa Sousa Campelo Transporte Ltda, destinaram-se a custear o Contrato nº 54/2017, que foi decorrente de dispensa de licitação com fundamento no art. 24, IV da Lei 8.666/93, e deram suporte aos pagamentos faturadospela referida empresa, por meio das Notas Fiscais nº 2893, de 28.06.2017, nº 2998, de 19.07.2017, e nº 3073, de 24.08.2017. Trata-se, portanto, de contratação irregular uma vez que não havia previsão no Decreto Emergencial nº 001/2017 para esse tipo de contratação. 25 Achado nº 2. Irregularidades no Pregão SRP nº 56/2017 para a execução dos serviços de transporte escolar. Manifestação da unidade examinada “[...] b) Quanto à ausência dos laudos de vistoria e documentação de veículos da Empresa Multikar Locadora de Veículos Eireli, os documentos solicitados não foram localizados nos arquivos da Secretaria de Educação. c) Quanto à substituição dos veículos da empresa Absolut Empreendimentos e Serviços Eireli- ME em questão, a atual gestão não mantém contrato vigente com os prestadores de serviços.” Análise da Equipe de Auditoria A Prefeitura Municipal de União não apresentou qualquer argumento com vistas a refutar os fatos apontados pela equipe de auditoria quanto às irregularidades na contratação das empresas de transporte escolar no âmbito do Pregão SRP nº 56/2017 para a execução dos serviços de transporte escolar, limitando-se a informar que não encontrou os laudos de vistoria dos veículos da empresa Multikar Locadora de Veículos Eireli e que não possui contrato vigente com a empresa Absolut Empreendimentos e Serviços Eireli-ME, cujos veículos foram reprovados quando da vistoria realizada sem que fosse comprovada a substituição dos mesmos. Em face do exposto reafirma-se o teor dos apontamentos do Achado nº 02. Achado nº 3. Falhas no processo licitatório nº 292/2018, relativo ao Pregão Presencial nº 1/2018 para contratação de serviços de transporte escolar. Manifestação da unidade examinada “[...] 7. Quanto às falhas no processo licitatório nº 292/2018, relativo ao Pregão Presencial nº 1/2018 para contratação de serviços de Transportes Escolar da Empresa Sousa Campelo, seguem em anexo: a) A documentação de suporte de contratação da empresa, expedida pelo setor de licitação; b) Os pagamentos realizados à empresa que foram localizados nos balancetes; 2018 - R$ 146.000,00 2019 - R$ 235.853,18 2020 - R$ 118.315,82” Análise da Equipe de Auditoria A Prefeitura Municipal de União não apresentou qualquer argumento com vistas a refutar os fatos apontados pela equipe de auditoria quanto às irregularidades apontadas no Pregão 26 Presencial nº 1/2018 para contratação de serviços de transporte escolar, limitando-se a reencaminhar o Contrato nº 18/2018 e seus aditivos e a documentação relativa aos pagamentos realizados para a empresa Sousa Campelo. Dessa forma, reafirma-se a ocorrência das falhas apontadas no Achado nº 3, quais sejam: a) Ausência de estudos técnicos preliminares ou levantamento das reais necessidades; b) A pesquisa de mercado não abrangeu todos os itens licitados; c) Tempo máximo de fabricação dos veículos foi fixado em dez anos em descordo com as recomendações do FNDE; d) Falta de clareza no Edital e no Termo de Referência quanto a forma de apresentação das propostas; e) Inconsistências na Ata de Julgamento da Segunda Sessão do Pregão Presencial nº 01/2018 e na proposta readequada da empresa Sousa Campelo Transportes Ltda; e e) Ausência de laudos de vistoria; dos termos de cessão de uso dos veículos sublocados; dos CRLVs dos veículos próprios; e da relação de motoristas da empresa Sousa Campelo Transportes Ltda.- ME.