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UNIAO - PNATE-Relatýrio-Final

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28 de setembro de 2021 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO DE APURAÇÃO 
Prefeitura Municipal de União/PI 
Exercício 2017 a 2020 (até abril) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Controladoria-Geral da União (CGU) 
Secretaria Federal de Controle Interno (SFC) 
 
RELATÓRIO DE APURAÇÃO 
Órgão: Ministério da Educação 
Unidade Examinada: Prefeitura Municipal de União/PI 
Município/UF: União/PI 
Relatório de Apuração: 822343 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Missão 
Elevar a credibilidade do Estado por meio da participação social, do controle 
interno governamental e do combate à corrupção em defesa da sociedade. 
 
Apuração 
O serviço de apuração consiste na execução de procedimentos com a finalidade 
de averiguar atos e fatos inquinados de ilegalidade ou de irregularidade 
praticados por agentes públicos ou privados, na utilização de recursos públicos 
federais. 
 
QUAL FOI O 
TRABALHO 
REALIZADO 
PELA CGU? 
Ação de Controle realizada no 
município de União/PI, em 
função de demanda externa, 
a fim de fiscalizar a gestão 
local do ente municipal na 
aplicação dos recursos 
transferidos pelo FNDE no 
âmbito do Programa Nacional 
de Transporte Escolar – 
PNATE, no período de janeiro 
de 2017 a abril de 2020 
 POR QUE A CGU REALIZOU ESSE 
TRABALHO? 
O trabalho foi realizado com a finalidade de 
apurar possíveis irregularidades na gestão do 
Programa Nacional de Transporte Escolar pelo 
município de União/PI, apontadas à 
Controladoria-Geral da União, que deram 
origem ao Processo SEI nº 
00216.100246/2018-92. 
 
 
 QUAIS AS CONCLUSÕES 
ALCANÇADAS PELA CGU? 
As análises apontam que a gestão do Pnate no 
município de União/PI está em desacordo com 
a legislação do programa, uma vez que foi 
constatada a contratação irregular de empresa 
para execução dos serviços de transporte 
escolar, por meio de dispensa de licitação 
fundamentada no inciso IV do art. 24 da Lei 
8.666/93, sem que houvesse previsão no 
Decreto Emergencial para a contratação desse 
tipo de serviço; subcontratação indevida dos 
serviços de transporte escolar; prorrogação 
indevida de contratos após o término da 
vigência; realização de pregão para contração 
de serviços de transporte escolar sem a 
elaboração de estudos técnicos preliminares 
para delimitação do objeto; sem pesquisa de 
preços de mercado a fim de balizar os valores 
estimativos da licitação; sem a indicação da 
idade máxima admitida dos veículos (ano de 
fabricação) no edital; contratação de empresa 
que não apresentou o número total de 
veículos exigidos no edital e que teve 85% dos 
veículos apresentados reprovados pela equipe 
de vistoria. 
 
 
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS 
 
CGU Controladoria-Geral da União 
CNPJ Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica 
CRLV Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo 
EIRELI Empresa Individual de Responsabilidade Limitada 
EPP Empresa de Pequeno Porte 
FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação 
PNATE Programa Nacional de Transporte Escolar 
RAIS Relação Anual de Informações Sociais 
SF Solicitação de Fiscalização 
SRP Sistema de Registro de Preços 
TC Tomada de Contas 
TCE Tribunal de Constas do Estado 
TCU Tribunal de Contas da União 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO 6 
RESULTADOS DOS EXAMES 7 
1. Contratação irregular de empresa para execução dos serviços de transporte escolar, 
fundamentada no inciso IV do art. 24 da Lei nº 8.666/93, sem previsão no decreto emergencial 
e subcontratação indevida dos serviços. 7 
2. Irregularidades no Pregão Presencial SRP nº 56/2017 e na execução dos contratos para 
execução dos serviços de transporte escolar. 9 
2.1. Falhas na formalização do Processo licitatório relativo ao Pregão SRP nº 56/2017, 
incluindo: ausência de estudos técnicos preliminares; ausência de pesquisa de preços; 
ausência de publicação do aviso de licitação; falta de indicação da idade máxima admitida dos 
veículos (ano de fabricação) no edital; e falta de assinaturas na Solicitação de Serviços. 11 
2.2. Ausência dos laudos de vistoria e documentação dos veículos da empresa Multikar 
Locadora de Veículos EIRELI-EPP, vencedora do lote II do Pregão nº 56/2017. 12 
2.3. Contratação de empresa que não apresentou o número total de veículos exigidos no edital 
e que teve 85% dos veículos apresentados reprovados pela equipe de vistoria, no Pregão nº 
56/2017. 13 
2.4. Subcontratação indevida dos serviços de transporte escolar no âmbito do Pregão nº 
56/2017. 15 
2.5. Prorrogação dos contratos nº 256/2017, nº 257/2017 e nº 307/2017 para execução de 
serviços de transporte escolar, após expiração do prazo de vigência. 17 
3- Falhas no processo licitatório nº 292/2018, relativo ao Pregão Presencial nº 1/2018 para 
contratação de serviços de transporte escolar. 18 
CONCLUSÃO 25 
ANEXOS 26 
I – Manifestação da Unidade Examinada e Análise da Equipe de Auditoria 26 
 
 
 
6 
 
INTRODUÇÃO 
 
Este relatório apresenta os resultados do trabalho da ação de controle desenvolvida pela 
Controladoria Regional da União no Estado do Piauí, no município de União/PI. 
Os recursos públicos fiscalizados destinados à Prefeitura Municipal de União foram 
repassados pelo FNDE relativos ao Programa Nacional de Transporte Escolar – Pnate, nos 
exercícios de 2017 a abril de 2020. A ação de controle originou-se a partir de demanda externa 
relatando supostas irregularidades na gestão local do Pnate no referido município, o que deu 
origem ao processo SEI nº 00216.100246/2018-92. 
Os procedimentos adotados tiveram como objetivo identificar possíveis falhas no uso dos 
recursos, bem como verificar a regularidade da aplicação das normas previstas na gestão do 
programa Nacional de Transporte escolar pela Prefeitura Municipal de União/PI, nos 
exercícios de 2017, 2018, 2019 e até abril de 2020. 
Os exames foram realizados em estrita observância às normas de fiscalização aplicáveis ao 
Serviço Público Federal, com a realização de análise dos documentos fornecidos pela 
Prefeitura Municipal de União/PI e coleta e análise de dados nos sistemas corporativos 
federais e no sistema Sagres do Tribunal de Contas do Estado do Piauí-TCE. 
 
Algumas análises ficaram comprometidas em face da não disponibilização de documentos 
solicitados pela equipe de fiscalização, a exemplo dos documentos de suporte à contratação 
da empresa Sousa Campelo Transportes Ltda que atuou no município no primeiro semestre 
do exercício de 2017; da documentação de suporte dos pagamentos realizados às empresas 
contratadas relativa aos exercícios de 2017 a 2020; documentação relativa aos veículos da 
empresa Sousa Campelo Transportes Ltda, que foi contratada no âmbito do Pregão Presencial 
nº 1/2018 e atuou nos exercícios de 2018, 2019 e 2020, incluindo relação dos veículos, CRLV, 
termos de cessão dos veículos sublocados, laudos de vistoria, relação dos motoristas, 
comprovantes de quilometragem, relatórios de fiscalização da execução dos serviços, atesto 
do setor responsável, etc. 
Os resultados pormenorizados dos trabalhos realizados estão apresentados no capítulo 
Resultado dos Exames. 
 
 
7 
 
RESULTADOS DOS EXAMES 
 
1. Contratação irregular de empresa para execução dos serviços de 
transporte escolar, fundamentada no inciso IV do art. 24 da Lei 
8.666/93, sem previsão no Decreto Emergencial e subcontratação 
indevida dos serviços. 
Verificou-se que em 2017 a Prefeitura de União efetuou pagamentos no valor de R$ 
122.997,00 com recursos do PNATE à empresaSousa Campelo Transportes Ltda, (BR 
Locadora), CNPJ 10.644.834/0001-93. 
Da análise da prestação de contas do Pnate, relativa ao exercício de 2017, verificou-se a 
existência das Notas de Empenho: NE nº 429001, de 29.04.2017, NE nº 623009, de 23.06.2017 
e NE nº 731006, de 31.07.2017, cujos valores empenhados em favor da referida empresa, 
seriam para custear o Contrato nº 54/2017, que teria decorrido de dispensa de licitação. 
Indagada por meio da SF nº 201900468/04, de 25.02.2021, quanto à documentação de 
suporte da contratação da empresa naquele exercício, a Prefeitura Municipal de União não 
apresentou resposta à solicitação da equipe de auditoria. 
Constam da prestação de contas analisada os seguintes pagamentos à empresa: 
Tabela 1: Pagamentos à empresa Sousa Campelo Transportes Ltda. no exercício de 2017 
com recursos do Pnate 
Nota Fiscal Data do 
pagamento 
Referência 
Nº Data 
emissão 
Valor (R$) 
2893 28.06.2017 83.483,40 29.06.2017 Locação de veículos tipo Van para transporte de 
professores e alunos da rede municipal de ensino, 
no período de 29.04.2017 a 31.05.2017 
2998 19.07.2017 27.165,60 07.08.2017 Locação de cinco micro-ônibus para transporte de 
alunos e professores da rede municipal de ensino, 
no período de 01.06.2017 a 30.06.2017 
3073 24.08.2017 12.348,00 30.08.2017 Locação de cinco micro-ônibus para transporte de 
alunos e professores da rede municipal de ensino, 
no período de 03.07.2017 a 14.07.2017 
Total 122.997,00 
Fonte: Prestação de contas do Pnate relativo ao exercício de 2017 
 
Além dos recursos do Pnate, constatou-se que a PM de União se utilizou também dos recursos 
do Fundeb para pagamento da referida empresa no exercício de 2017, no valor total de R$ 
480.737,60. 
Ressalta-se que foi solicitada à Prefeitura de União, por meio da SF nº 201900468/01, de 
14.05.2020, todos os contratos de transporte escolar bem como a relação dos veículos locados 
para transporte escolar e outros serviços para a Secretaria de Educação, independentemente 
 
8 
 
das fontes de pagamento, nos anos de 2017, 2018, 2019 e 2020, informando: Modelo/Tipo, 
Placa dos veículos, nome dos proprietários, nome e CPF dos motoristas. 
Em sua resposta, quanto aos veículos locados no exercício de 2017, a prefeitura apresentou 
relação contendo dezesseis veículos, sendo que, nenhum deles pertence a empresa Sousa 
Campelo. 
Quadro 1: Relação dos veículos utilizados no transporte escolar no ano de 2017 pela PM de 
União 
Modelo/Tipo Ano de 
Fabricação 
Placa Contratado Valor/mês 
(R$) 
ônibus 2002 LVT 6044 ***.256.473-** 2.200,00 
ônibus 1992 KVI 1155 Não informado 1034,00 
ônibus 1992 KGR 3555 ***.704.703-** 1.408,00 
ônibus 1996 HOO 7627 17.603.808/0001-66 880,00 
Micro ônibus 1998 LVN 1354 17.603.808/0001-66 888,00 
ônibus 1998 LVN 4184 ***.535.553-** 1.100,00 
Micro ônibus 2003 DMM 3634 ***.771.833-** 1496,00 
Micro ônibus 2001 JFP 0364 ***.960.861-** Não informado 
Iveco/Fiat 1998 CMR 3665 ***.110.514-** Não informado 
Scania/112 1989 HUG 7231 ***.860.733-** 1.056,00 
Renault/Van 2009 JHC 7590 ***.408.801-** 968,00 
Mercedes Benz/Senior 2003 DAO 9424 Não informado Não informado 
Kombi/VW 2007 LVW 2562 ***.385.902-** 748,00 
Mercedes Benz/OP1620 1997 BTB 7833 ***.852.953-** 1.188,00 
Mercedes Benz/1315 1991 KGZ 3206 Não informado 1.232,00 
Fiat/Maxvan 2004 LWF 9467 Não informado Não informado 
Fonte: anexo ao Ofício/Gab nº 38/2020, de 6.07.2020, em resposta à SF nº 201900468/01 
 
Em consulta ao sistema SAGRES/TCE, realizada em 05.03.2021, verificou-se que não consta 
pagamentos da Prefeitura para os proprietários dos veículos constantes na relação acima. 
A inexistência de veículos de propriedade da empresa Sousa Campelo Transportes Ltda., na 
relação de veículos informados pelo município, que teriam sido utilizados no transporte 
escolar no exercício de 2017 e a ausência de pagamentos para os proprietários desses 
veículos, indicam que houve subcontratação dos serviços por parte da empresa, o que 
contraria os artigos 72 e 78, da Lei nº 8.666/1993, bem como a Decisão nº 420/2002-Plenário, 
do Tribunal de Contas da União – TCU segundo a qual é ilegal e inconstitucional a 
subcontratação total, por contrariar os princípios constitucionais da moralidade e da eficiência 
(art. 37, caput, da Constituição Federal), o princípio da supremacia do interesse público e o 
dever geral de licitar (art. 37, inciso XXI, da Constituição). 
 
9 
 
É importante ressaltar que o Tribunal de Contas do Estado do Piauí, no Relatório de 
Fiscalização nº 217/2017, relativo ao processo TC/006437/2017, considerou irregular a 
contratação da empresa Sousa Campelo Transportes LTDA, por meio do Contrato nº 
054/2017, para prestação de serviços de transportes de alunos. A irregularidade deveu-se ao 
fato de que, a contratação teria se dado por dispensa de licitação, com fundamento no art. 
24, IV da Lei nº 8.666/93, ou seja, nos casos de emergência ou de calamidade pública. No 
entanto, no Decreto Emergencial n° 001/2017, de 06.01.2017, que estabeleceu o estado de 
calamidade pública no município e que foi posteriormente revogado pelo Decreto Municipal 
n° 16, de 17.02.2017, não constou a previsão de locação de veículos para transporte de alunos. 
De fato, verificou-se que, no extrato do Contrato nº 54/2017, publicado no Diário Oficial dos 
Municípios, em 11.05.2017, consta como fundamento para a contratação o Inciso IV do art. 
24 da Lei 8.666/93, o qual exige para as contratações diretas de serviços, nos casos de 
emergência ou calamidade pública, que seja caracterizada urgência de atendimento de 
situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, 
serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para os bens 
necessários ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa. 
No entanto, conforme arts. 1º e 2º do Decreto Emergencial n° 001/2017, publicado em 
6.1.2017 no Diário Oficial dos Municípios, dispensou-se a licitação para: aquisição de 
combustíveis e derivados de petróleo; aquisição de medicamentos; locação de veículos 
automotores para transportar a equipe do Programa Saúde da Família; aquisição de material 
de expediente; e contratação de serviços de limpeza e vigilância. Portanto, não havia previsão 
para contratação de serviços de transporte de alunos no citado instrumento. 
Além disso, a empresa Sousa Campelo Transportes Ltda., foi uma das apontadas na “Operação 
Topique”, deflagrada pela Polícia Federal e que contou com a participação da CGU e do 
Ministério Público Federal (MPF) e teve por objetivo desarticular uma organização criminosa 
suspeita de fraudar licitações e desviar recursos públicos destinados à prestação de serviços 
de transporte escolar ao Governo do Estado do Piauí e diversas prefeituras municipais dos 
Estados do Piauí e do Maranhão. 
Em face do exposto, conclui-se que houve irregularidade tanto na contratação da empresa 
Sousa Campelo Transportes Ltda, por meio de Dispensa de Licitação, com base no inciso IV do 
art. 24 da Lei 8.666/93, uma vez que não havia autorização legal para a contratação 
emergencial de serviços de transporte escolar, quanto na execução do Contrato nº 54/2017, 
posto que não foi identificado nenhum veículo da empresa contratada na relação dos veículos 
que efetuaram o transporte de alunos no exercício de 2017, indicando que houve 
subcontratação da totalidade do objeto pactuado. 
 
2. Irregularidades no Pregão SRP nº 56/2017 e na execução dos 
contratos para a execução dos serviços de transporte escolar. 
Para a execução dos serviços de transporte escolar a partir do segundo semestre de 2017 a 
Prefeitura Municipal de União optou pela realização de Registro de Preços para contratação 
de empresa especializada, por meio do Pregão Presencial SRP nº 56/2017, para tanto, foi 
aberto o Processo nº 2702/2017, em 13.06.2017. 
O objeto foi dividido em três lotes, conforme descrito a seguir: 
 
10 
 
Quadro 2: Itens do Pregão Presencial nº 56/2017Lote Tipo de Veículo Quantidade de veículos 
I Ônibus 15 
II Micro-ônibus 2 
III Van 15 
Fonte: edital do pregão presencial 56/2017 da Prefeitura de União 
Da análise da documentação apresentada, constataram-se as seguintes irregularidades: 
 
2.1. Falhas na formalização do processo licitatório relativo ao Pregão SRP nº 56/2017, 
incluindo: ausência de estudos técnicos preliminares; ausência de pesquisa de preços; 
ausência de publicação do aviso de licitação; falta de indicação da idade máxima admitida dos 
veículos (ano de fabricação) no edital do pregão; e falta de assinaturas na Solicitação de 
Serviços. 
a) Ausência de estudos técnicos preliminares ou levantamento de necessidades. 
A licitação foi iniciada sem que houvesse a realização de estudos preliminares baseados em 
levantamento de necessidades e/ou série histórica, por exemplo, que demonstrasse o 
quantitativo de alunos que utilizam transporte escolar, identificação e localização das escolas, 
bem como as rotas devidamente dimensionadas e caracterizadas, demonstrando a 
quantidade e o tipo de veículos necessários para atendimento da demanda. 
Verificou-se que, na Solicitação nº 349/2017 da Secretaria de Educação, constante no 
processo, a quantidade solicitada é de quinze veículos entre ônibus, micro-ônibus e vans, 
sendo que no Termo de Referência o quantitativo licitado foi de quinze ônibus, dois micro-
ônibus e quinze vans. 
Ressalta-se que a contratação sem a realização de estudos técnicos preliminares ou sem o 
devido dimensionamento do objeto ou dos serviços pode levar à uma aquisição que não 
atenda às necessidades da administração e consequentemente ao desperdício de recursos 
b) Ausência de pesquisa de preços. 
Embora conste a estimativa de custo dos serviços no Termo de Referência, não consta, no 
processo documentação relativa à pesquisa de preços junto ao mercado, ou bancos oficiais de 
preços, de forma que não restou comprovada a compatibilidade de tal estimativa com os 
preços praticados à época da contratação. 
Foram os seguintes os preços fixados no Termo de Referência: 
Quadro 3 – Itens do Pregão Presencial nº 56/2017 
Item Veículo Valor do km 
I Ônibus 4,77 
II Micro-ônibus 4,42 
III Van 4,42 
Fonte: Termo de Referência do Pregão 56/2017 
 
11 
 
É importante ressaltar que todo processo licitatório deve se iniciar com um planejamento, no 
qual a pesquisa de preços é peça essencial, com a função de aferir o valor que determinado 
produto ou serviço está custando no mercado e pelo qual a Administração Pública está 
disposta a pagar. A realização de licitação pública sem a devida pesquisa de preços infringe o 
art. 43, IV, da Lei 8.666/93, segundo o qual é indispensável que se faça, na fase interna da 
licitação, cotação ampla e detalhada de preços do objeto a ser contratado, visando aferir a 
compatibilidade dos preços orçados com aqueles praticados no mercado. 
 
c) Falta de comprovação de publicação do aviso de licitação. 
Não consta no processo que o aviso da licitação tenha sido publicado na imprensa oficial nem 
em jornal de grande circulação, em desacordo com o preconizado no art. 21 da Lei 8.666/93 
bem como no inciso I do art. 4º da Lei 10.520/2002. 
d) Falta de indicação da idade máxima admitida dos veículos (ano de fabricação) no edital do 
pregão. 
A Prefeitura de União não informou, nem no Edital nem no Termo de Referência, o tempo 
máximo de uso dos veículos que seria admitido na contratação, essa omissão levou à 
contratação de empresa cuja idade média dos veículos era de 17,5 anos, como é o caso dos 
veículos apresentados pela empresa Absolut. 
Ressalte-se que é recomendado pelo FNDE que os veículos utilizados no transporte escolar 
tenham no máximo sete anos de uso. 
 
e) Falta de assinaturas na Solicitação de Serviços. 
O Processo nº 2702/2017 foi iniciado com a Solicitação nº 349/2017, de 16.5.2017, na qual a 
Secretaria Municipal de Educação e Cultura solicita a “contratação de transporte tipo ônibus, 
micro-ônibus e vans, para atender as necessidades da secretaria municipal de União-PI”. Em 
que pese existirem campos específicos, o documento não traz assinaturas do solicitante, do 
ordenador de despesas e nem do responsável financeiro. 
 
2.2. Ausência dos laudos de vistoria e documentação dos veículos da empresa Multikar 
Locadora de Veículos EIRELI-EPP, vencedora do lote II do Pregão nº 56/2017. 
Segundo disposto na Ata da Terceira Sessão do Pregão nº 56/2017, datada de 01.08.2017, a 
empresa Multikar Locadora de Veículos EIRELI-EPP, CNPJ 26.709.948/0001-04, vencedora do 
Lote II do pregão, teve seus veículos, dois micro-ônibus, vistoriados e aprovados pela equipe 
responsável. Em que pese tal afirmativa, nem os laudos de vistoria nem a documentação dos 
veículos e dos motoristas constam do processo, e também não foram disponibilizados à 
equipe de fiscalização, embora tenham sido solicitados por meio da SF nº 201900468/04, de 
25.02.2021. 
De acordo com informações constantes do Processo Licitatório nº 2702/2017, a empresa teria 
apresentado para vistoria os micro-ônibus de placas MWR 3529 e JWY 3722, no entanto, em 
consulta realizada ao sistema do Denatran, em 08.04.2021, por meio do Sistema Macros, tais 
 
12 
 
veículos não constam como sendo ou tendo sido, em algum momento, de propriedade da 
empresa Multikar. 
Destaca-se que, quanto ao micro-ônibus Marcopolo/volare W8 On, de placa JWY 3722, 
constatou-se que é de propriedade da empresa F. Costa Transporte Rodoviário (J.J. Turismo), 
CNPJ 26.138.577/0001-58, que foi uma das participantes da licitação. 
 
2.3. Contratação de empresa que não apresentou o número total de veículos exigidos no edital 
e que teve 85% dos veículos apresentados reprovados pela equipe de vistoria, no Pregão nº 
56/2017. 
A Empresa Absolut Empreendimentos e Serviços Eireli-ME, CNPJ 22.220.295/0001-44, foi a 
vencedora dos lotes I e III do Pregão nº 56/2017. Dessa forma, a empresa deveria apresentar 
trinta veículos para a vistoria, sendo quinze ônibus (Lote I) e quinze vans (Lote III). No entanto, 
segundo documentação constante do processo, a empresa apresentou apenas vinte veículos, 
ou seja, dez a menos que o previsto no edital. 
Além disso, na vistoria realizada pela prefeitura, a empresa obteve apenas três veículos 
aprovados. Portanto, 85% dos veículos disponibilizados pela empresa para execução dos 
serviços de transporte escolar no município foram reprovados. As causas da não aprovação 
dos veículos está detalhada no quadro a seguir: 
Quadro 4: Veículos apresentados pela empresa Absolut Empreendimentos e Serviços 
Eireli-ME 
Tipo de 
veículo 
Placa Ano de 
fabricação 
Desconformidades Proprietário 
CPF/CNPJ 
status 
Ônibus NFV 9124 2005 Falta de cinto de segurança, 
extintor vencido, luz de seta 
sem funcionamento, porta 
sem acionamento 
automático 
73.641771/0001-31 Reprovado 
Ônibus LVJ 5713 1996 Falta de cinto de segurança, 
CRLV vencida, extintor 
vencido, luz de seta sem 
funcionamento 
***.523.503-** Reprovado 
Ônibus HPI 6147 2001 Falta de cinto de segurança ***.673.793-** Reprovado 
Ônibus KIE 1520 1997 Falta de cinto de segurança ***.673.793-** Reprovado 
Ônibus BXA 8370 1992 Falta de cinto de segurança e 
de buzina 
***.673.793-** Reprovado 
Ônibus KGZ 3206 1991 Falta de cinto de segurança e 
da faixa escolar, pneus com 
rachaduras 
***.157.623-** Reprovado 
Ônibus LVI 8224 1993 Falta de cinto de segurança, 
extintor vencido, sem faixa 
escolar 
***.134.203-** Reprovado 
 
13 
 
Tipo de 
veículo 
Placa Ano de 
fabricação 
Desconformidades Proprietário 
CPF/CNPJ 
status 
Ônibus HOO 4308 1995 Falta de cinto de segurança, 
extintor vencido, pneu sem 
condições de uso 
***.797.683-** Reprovado 
Ônibus HOO 7629 1996 Falta de cinto de segurança, 
extintor vencido. 
***.797.683-** Reprovado 
Ônibus MYF 8508 1999 Lanterna queimada, CRLV 
vencida 
***.230.283-** Aprovado 
Ônibus BTB 1596 1996 Sem faixa escolar, pneus em 
estado avançado de 
desgaste 
***.820.031-** Impossívelavaliar * 
Van (16 
passageiro
s) 
CNR 3928 1999 Sem cinto de segurança, Sem 
faixa escolar, pneus em 
estado avançado de 
desgaste 
***.373.063-** Reprovado 
Van (16 
passageiro
s) 
JFP 0364 2001 Faixa escolar fora do padrão, 
pneus desgastados 
***.309.801-** Aprovado 
Van (16 
passageiro
s) 
LWC 2578 2003 - ***.373.063-** Aprovado 
Van (16 
passageiro
s) 
LWK 7235 2003 Sem cinto de segurança, sem 
freio de estacionamento, 
extintor vencido 
***.245.303-** Reprovado 
Van (16 
passageiro
s) 
DEA 0734 2000 Faixa escolar fora do padrão, 
sem cinto de segurança, 
condutor sem habilitação na 
categoria D 
***.894.303-** Reprovado 
Van (16 
passageiro
s) 
NIA 7712 2008 Sem faixa escolar, para-brisa 
trincado, pneus em mau 
estado 
***.995.833-** Reprovado 
Van (15 
passageiro
s) 
NHU 5588 2007 Sem faixa escolar, sem cinto 
de segurança, sem extintor 
***.301.331-** Reprovado 
Van (16 
passageiro
s) 
LWA 5868 2001 Sem faixa escolar, sem cinto 
de segurança, sem freio de 
estacionamento, para-brisa 
trincado 
***.228.698-** Reprovado 
Van (9 
passageiro
s) 
LVW 2562 2007 Sem faixa escolar, sem 
equipamento registrador 
instantâneo de velocidade, 
pneus sem condições de uso, 
capacidade inferior ao 
número de alunos 
***.385.902-** Reprovado 
Fonte: Processo nº 01.0002702/2017, relativo ao Pregão Presencial SRP 56/2017 da P.M. de União 
Obs-1: os proprietários indicados no quadro são aqueles constantes do CRLV dos veículos, apostos no processo. 
 
14 
 
Obs-2:No formulário de avaliação do veículo de placa BTB 1596 foram marcados tanto o campo “Aprovado” 
quanto o “Reprovado”. 
O gestor municipal, por meio da SF nº 201900468/04, de 04.03.2021, foi instado a se 
pronunciar quanto a substituição ou não dos veículos da empresa em questão, momento em 
que foi solicitada toda a documentação relativa à execução do contrato com a referida 
empresa, no entanto, tal documentação não foi apresentada. 
Conforme observa-se no quadro anterior, a empresa apresentou um total de onze ônibus e 
nove vans, em desacordo com o quantitativo exigido no edital que era de quinze ônibus e 
quinze vans. 
Além disso, todos os veículos apresentados pela empresa, à exceção de um, possuíam 
desconformidades tais como: ausência de itens de segurança (cinto de segurança, extintor, 
freio de estacionamento), ausência da faixa horizontal na cor amarela (Faixa Escolar) ou 
possuíam a faixa fora do padrão, CRLV vencido, lanternas queimadas, pneus desgastados, etc. 
As falhas apontadas acima afrontam, além das exigências do Código Brasileiro de Trânsito, o 
regramento disposto no próprio Termo de Referência do pregão, cujo item 5.2.2, dispõe: 
5.2.2 Os veículos utilizados no transporte escolar devem possuir os seguintes 
requisitos: 
a) Cintos de segurança em boas condições e para todos os passageiros; 
b) Licenças, taxas, seguros e documentação em dia; 
c) Registrador de velocidade (tacógrafo), que é um aparelho instalado no painel do 
veículo que vai registrando a velocidade e as paradas do veículo em um disco de 
papel. Os discos devem ser 
trocados todos os dias e guardados pelo período de seis meses, porque serão 
exibidos ao Detran por ocasião da vistoria especial; 
d) Apresentação diferenciada, com pintura de faixa horizontal na cor amarela nas 
laterais e traseira, contendo a palavra “Escolar” na cor preta. 
 
Importante ressaltar que nenhum dos veículos apresentados pela empresa Absolut possui 
idade igual ou inferior a sete anos, sendo que, os veículos considerados aprovados de placas 
LWC 2578, JFP 0364 e MYF 8508, possuíam, no ano da contratação, catorze, dezesseis e 
dezoito anos de uso, respectivamente. Ressalte-se que a recomendação do FNDE é de que o 
tempo máximo de uso dos veículos utilizados no transporte escolar seja de sete anos. 
 
2.4. Subcontratação indevida dos serviços de transporte escolar no âmbito do Pregão nº 
56/2017. 
Em decorrência do Pregão Presencial e da Ata de Registro de Preços nº 56/2017, foram 
assinados, em 21.08.2017, entre o município de União/PI, por meio da Secretaria de Educação 
e Cultura e a empresa Absolut Empreendimentos e Serviços Eireli-ME, CNPJ 22.220.295/0001-
44, os Contratos nº 256/2017 e nº 307/2017, relativos aos lotes I e III do pregão, 
respectivamente. 
O Contrato nº 256/2017, foi assinado em 21.08.2017, com vigência de sessenta dias, com valor 
estimado mensal de R$ 46.851,20 e tinha por objeto a execução do transporte escolar dos 
alunos da rede municipal, em quinze veículos do tipo ônibus, em quinze rotas predefinidas. 
 
15 
 
Já o Contrato nº 307/2017, também assinado em 21.08.2017, com vigência de sessenta dias, 
teve valor mensal estimado de R$ 61.522,56 e tinha por objeto a execução do transporte 
escolar dos alunos da rede municipal, em quinze veículos do tipo van, em catorze rotas 
predefinidas. 
Da análise dos documentos (CRLV) dos veículos apresentados pela empresa Absolut para a 
vistoria, detalhados no quadro 4, verificou-se que nenhum destes é de propriedade da 
empresa Absolut, sendo a maioria, dezenove veículos, pertencentes a pessoas físicas e um 
pertencente a outra empresa. 
Além disso, indagada por meio da Solicitação de Fiscalização nº 201900468/01, de 14.05.2020, 
quanto aos veículos utilizados para o transporte de alunos em 2017, a Prefeitura apresentou 
relação contendo dezesseis veículos, dos quais três constam dentre aqueles apresentados 
pela Absolut para vistoria, no entanto, conforme já afirmado, os CRLVs dos veículos indicam 
que estes não são de propriedade daquela empresa. 
Ressalta-se que em consulta ao sistema SAGRES, em 05.03.2021 e 21.05.2021, verificou-se 
que não consta pagamentos realizados pela Prefeitura Municipal de União/PI, no exercício de 
2017, aos proprietários dos veículos constantes na relação apresentada pela Absolut, o que 
indica que estes atuavam por meio de subcontratação. 
Ressalta-se, ainda, que em consulta à Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), por meio 
do Sistema Macros, realizada em 8.4.2021, a empresa Absolut possuía, em 2017, apenas dois 
empregados, inexistindo, portanto, motoristas ligados à referida empresa executando, 
efetivamente, os serviços objeto dos contratos ajustados com a Prefeitura Municipal de 
União. 
Verificou-se que, no exercício de 2017, foram realizados pagamentos à empresa no valor total 
de R$ 316.005,12, relativos aos meses de agosto a novembro de 2017, dos quais R$ 68.181,44 
ocorreram com recursos do Pnate, por meio da Conta Corrente nº 14.765-6, Agência nº 243-
7, do Banco do Brasil. 
Cabe esclarecer que a Prefeitura de União, embora tenha sido solicitado por meio da SF nº 
201900468/07, de 06.04.2021, não apresentou a documentação de suporte aos pagamentos 
realizados, tais como relação dos veículos utilizados por rota, relação dos motoristas, 
comprovantes de quilometragem, relatórios de fiscalização da execução dos serviços, atesto 
do setor responsável, etc. 
Diante do exposto, conclui-se que houve irregularidade na contratação e execução dos 
serviços de transporte escolar no Município de União/PI, no exercício financeiro de 2017, uma 
vez que ficou evidenciada a subcontratação integral de todos os serviços objeto dos Contratos 
nº 256/2017 e nº 307/2017, inexistindo um único veículo de propriedade da empresa Absolut 
ou motorista funcionário da referida empresa que tenha executado, efetivamente, o serviço 
ajustado com a Prefeitura Municipal de União, fato que caracteriza descumprimento ao 
disposto no art. 72 da Lei nº 8.666/1993, uma vez que não houve previsão de subcontratação 
no edital da licitação nem nos instrumentos contratuais. 
 
16 
 
Segundo estipula a Lei nº 8.666/1993, art. 72 combinado com o art. 78, inciso VI, é vedado ao 
contratado subcontratar total ou parte dos serviços quando não admitidos no edital e no 
contrato, sendo motivo para a rescisão contratual. 
Além disso, na Decisão nº 420/2002-Plenário, o Tribunal de Contas da União – TCU deliberou 
que é ilegal e inconstitucional a subcontrataçãototal, por contrariar os princípios 
constitucionais da moralidade e da eficiência (art. 37, caput, da Constituição Federal), o 
princípio da supremacia do interesse público, o dever geral de licitar (art. 37, inciso XXI, da 
Constituição) e os art. 2º, 72 e 78, inciso VI, da Lei nº 8.666/1993. 
A jurisprudência do Tribunal é pacífica no sentido de afastar a possibilidade da subcontratação 
total do objeto pactuado, conforme demonstrado na decisão a seguir, proferida em 
julgamento de Tomada de Contas Especial: 
[...] Quanto a esse aspecto, o MP/TCU ressaltou que o art. 78, inciso VI, da Lei 
8.666/93, ‘estabelece como causa de rescisão contratual a subcontratação de objeto 
ajustado com a Administração não admitida no contrato e no edital’. Anotou, 
também, que a subcontratação somente é possível, nos termos do art. 72 da citada 
lei, ‘até o limite admitido, em cada caso, pela Administração’. E mais: ‘A 
subcontratação integral do objeto ajustado desnatura o certame licitatório 
destinado à contratação inicial e é repudiada pelo TCU, nos termos da jurisprudência 
[...]’. 
O relator endossou as conclusões do MP/TCU, no sentido de que o gestor 
responsável por autorizar a referida subcontratação merecia ser apenado. O 
Tribunal, então, ao acolher sua proposta, decidiu aplicar ao responsável multa no 
art. 58, inciso II, no valor de R$ 5.000,00. Precedentes mencionados. Acórdãos 
100/2004-TCU e 1748/2004-TCU, ambos do Plenário. (Acórdão nº 954/2012-
Plenário, TC 006.095/2004-4, rel. Min. Ana Arraes, 25 de abril de 2012). 
2.5. Prorrogação dos Contratos nº 256/2017, nº 257/2017 e nº 307/2017 para execução de 
serviços de transporte escolar, após expiração do prazo de vigência. 
Os Contratos nº 256/2017 e 307/2017, firmados com a empresa Absolut Empreendimentos e 
Serviços Eireli-ME, foram assinados em 21.08.2017, com vigência de sessenta dias, portanto, 
expirando em 21.10.2017. 
No entanto, os contratos citados, foram objeto de termos aditivos de prorrogação de prazo, 
assinados em 09.11.2017, fixando a nova vigência em 31.12.2017. Portanto a prorrogação 
desses instrumentos mostrou-se indevida uma vez que estes contratos já estavam com o 
prazo de vigência expirado desde 21.10.2017. 
Além disso, a publicação dos extratos dos contratos só ocorreu em 19.12.2017, no Diário 
Oficial dos Municípios, edição MMMCDLXXIX, página 203, portanto fora do prazo previsto no 
parágrafo único do art. 60 da Lei nº 8.666/93 e quando a vigência já havia expirado. 
A situação descrita acima repetiu-se no âmbito do Contrato nº 257/2017, firmado com a 
empresa Multikar Locadora de Veículos Eireli-EPP, vencedora do Lote II do Pregão, que foi 
assinado em 07.08.2017, com vigência de sessenta dias, portanto expirou em 07.10.2017. 
 
17 
 
Esse contrato foi objeto de dois aditamentos, o primeiro, assinado em 27.10.2017, que teve 
como objeto a “correção da rota do tipo de veículos micro-ônibus – Lote II, mantidas as 
mesmas condições contratuais, nos termos do artigo 65, §1º da Lei Federal nº 8.666/93 e suas 
alterações posteriores, suplementando ao valor inicial do contrato o montante de R$ 
74.342,40” e o segundo, assinado em 09.11.2017, para prorrogação da vigência até 
31.12.2017. Os aditivos foram publicados no Diário Oficial dos Municípios em 07.11.2017 e 
17.11.2017, respectivamente. 
Portanto, tanto a alteração da rota quanto a prorrogação do prazo de vigência foram 
efetuados quando já havia expirado a vigência do contrato, o que ocorreu em 07.10.2017, 
conforme já informado. Ademais, a publicação do extrato do Contrato no Diário Oficial dos 
Municípios, só ocorreu em 19.12.2017. 
Diante do exposto, conclui-se que a Prefeitura Municipal de União, descumpriu o disposto no 
parágrafo único do artigo 60 da Lei 8.666/93 uma vez que não providenciou a publicação dos 
extratos dos Contratos nº 256/2017, nº 257/2017 e nº 307/2017 na imprensa oficial, dentro 
do prazo ali previsto, qual seja: 
A publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na 
imprensa oficial, que é condição indispensável para sua eficácia, será providenciada 
pela Administração até o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua assinatura, para 
ocorrer no prazo de vinte dias daquela data, qualquer que seja o seu valor, ainda que 
sem ônus, ressalvado o disposto no art. 26 desta Lei. 
Ademais, uma vez que a vigência dos Contratos nº 256/2017, nº 257/2017 e nº 307/2017 já 
havia expirado quando da assinatura dos termos aditivos, tais aditamentos não tem nenhum 
valor legal, e portanto, os serviços executados pelas empresas após o dia 07.10.2017, no caso 
do Contrato nº 257/2017, e após o dia 21.10.2017, no casos dos Contratos nº 256/2017 e nº 
307/2017, não tiveram cobertura contratual. 
 
3- Falhas no processo licitatório nº 292/2018, relativo ao Pregão 
Presencial nº 1/2018 para contratação de serviços de transporte 
escolar. 
Para a execução dos serviços de transporte escolar no exercício de 2018, a Prefeitura 
Municipal de União promoveu a abertura de licitação na modalidade Pregão Presencial nº 
01/2018, do tipo menor preço por item. 
A licitação culminou com a contratação da Empresa Sousa Campelo Transportes Ltda., (BR 
Locadora), CNPJ 10.644.834/0001-93, por meio do Contrato nº 18/2018, assinado em 
28.02.2018, com vigência até 31.12.2018, o qual foi prorrogado até 18.12.2020, por meio de 
dois termos aditivos, o primeiro datado de 20.12.2018 e o segundo do dia 18.12.2019. 
Verificou-se que a Prefeitura de União utilizou cerca de 73% dos recursos do Pnate para 
custeio do contrato durante sua vigência, conforme detalhado a seguir: 
 
 
 
 
18 
 
Tabela 2: Recursos do Pnate para pagamento do Contrato nº 18/2018 
Exercício Recursos transferidos 
pelo FNDE 
Pagamentos Sousa 
Campelo (R$) 
% 
2018 166.123,89 146.000,00 88 
2019 235.968,08 235.853,18 100 
2020 283.756,77 118.315,82 42 
Total 685.848,74 500.169,00 73 
Fonte: Sistema de Prestação de Contas (SiGPC) do FNDE 
Da análise da documentação constante do Processo nº 292/2018, constataram-se as seguintes 
impropriedades: 
a) Ausência de estudos técnicos preliminares ou levantamento das reais necessidades. 
A licitação foi iniciada sem que houvesse a realização de estudos preliminares baseados em 
levantamento de necessidades e/ou série histórica, por exemplo, que demonstrasse o 
quantitativo de alunos que utilizam transporte escolar, identificação e localização das escolas, 
bem como as rotas devidamente dimensionadas e caracterizadas, demonstrando a 
quantidade e o tipo de veículos necessários para atendimento da demanda. 
Ressalta-se que a contratação sem a realização de estudos técnicos preliminares ou sem o 
devido dimensionamento do objeto ou dos serviços pode levar a uma aquisição que não 
atenda às necessidades da administração, e consequentemente ao desperdício de recursos, 
conforme já detalhado em itens anteriores deste relatório. 
 
b) A pesquisa de mercado não abrangeu todos os itens licitados. 
O objeto do Pregão Presencial nº 1/2018, segundo disposto no Termo de Referência, foi 
dividido em quatro itens: 
Quadro 5: Itens do Pregão Presencial nº 1/2018 
Lote Tipo de Veículo Quantidade de veículos 
I Embarcação com capacidade mínima de 15 passageiros 2 
II Micro-ônibus com capacidade mínima de 28 passageiros 7 
III Utilitário tipo Van capacidade mínima de 10 passageiros 20 
IV Ônibus com capacidade mínima de 48 passageiros 25 
Fonte: Termo de Referência do pregão presencial 1/2018 da Prefeitura de União 
Verificou-se que a prefeitura efetuou pesquisa de preços junto a três empresas do mercado, 
no entanto, a pesquisa abrangeu apena os Lotes de II a IV, ou seja, não houve pesquisa a fim 
de verificar o preço de mercado para locação das embarcações, mesmo assim, esse item teve 
seu valor estimado em R$ 15.000,00. 
A ampla pesquisa de preços permite a correta estimativa do custo do objeto a ser adquirido, 
define os recursos orçamentários suficientes para a cobertura das despesas contratuais e 
serve de balizamentopara a análise das propostas dos licitantes, sendo exigência do art. 43, 
IV, da Lei nº 8.666/93. 
 
19 
 
c) Tempo máximo de fabricação dos veículos foi fixado em dez anos em descordo com as 
recomendações do FNDE. 
Segundo recomendação do FNDE, presente no Guia do Transporte Escolar, os veículos para 
transporte escolar devem ter no máximo sete anos de uso, no entanto, Edital e Termo de 
Referência do Pregão nº 1/2018, exigiram que os veículos deveriam ter sido fabricados no 
mínimo em 2008, portanto com dez anos de fabricação em 2018, em desacordo com as 
recomendações do FNDE. 
 
d) Falta de clareza no Edital e no Termo de Referência quanto a forma de apresentação das 
propostas. 
No item 1.1 do Edital consta que o objeto da licitação é a contratação de empresa 
especializada para prestação de serviços de transporte escolar para atender a rede pública 
municipal de ensino conforme especificações e demais exigências previstas no edital e seus 
anexos. 
 
Quanto às exigências/forma para apresentação da proposta de preços, consta no Capítulo 5 
do Edital: 
 
5.3. As propostas deverão obedecer às especificações e condições previstas neste 
instrumento convocatório e seus anexos. A empresa deverá apresentar com a 
proposta toda documentação exigida nas especificações técnicas em anexo ao edital, 
sob pena de desclassificação. 
5.4. A proposta de preço deverá conter os seguintes elementos: 
a) nome, endereço, CNPJ e inscrição estadual/municipal; 
b) número do Pregão Presencial; 
c) descrição do objeto, de forma clara e sucinta, em conformidade com as 
especificações detalhadas em anexo neste edital; 
d) preço unitário dos itens, marca do Veículo a ser entregue para a locação, cotando-
se os itens discriminados, em moeda corrente nacional, em algarismo e por extenso. 
Nos preços propostos deverão estar incluídos, além do lucro, todas as despesas e 
custos, como por exemplo: tributos de qualquer natureza e todas as despesas, 
diretas ou indiretas, relacionadas com o objeto desta licitação. (grifei) 
 
O Edital e o Termo de Referência não deram informações suficientes e claras de como as 
empresas deveriam elaborar e apresentar suas propostas de preços. De acordo com o anexo 
do edital denominado “modelo de carta proposta comercial”, o licitante deveria informar no 
corpo do documento o valor total, por extenso e preencher a planilha de preços, composta 
por cinco colunas, conforme reproduzido a seguir: 
 
Quadro 6: Modelo de planilha de preços constante do processo relativo ao Pregão 
nº1/2018. 
Item Discriminação Quant. Valor do km 
rodado (exceto o 
barco que será 
milha náutica) 
Valor total mês 
1 Embarcação com capacidade de 
transporte mínimo de quinze 
passageiros 
02 
 
20 
 
Item Discriminação Quant. Valor do km 
rodado (exceto o 
barco que será 
milha náutica) 
Valor total mês 
2 Micro-ônibus para o transporte de 
alunos, com capacidade mínima de 28 
passageiros. 
07 
3 Utilitário tipo VAN, capacidade 
Mínima quinze passageiros 
20 
4 Utilitário tipo VAN, capacidade 
Mínima quinze passageiros 
25 
Fonte: anexo do edital do pregão nº 1/2018 
 
Observa-se que para se calcular o “valor total mês” seria necessário conhecer previamente o 
quantitativo mensal de quilômetros rodados para cada item, o que não foi disponibilizado na 
planilha da prefeitura. Além disso, não consta no edital nem no termo de referência, a 
indicação de que para o cálculo por mês deveria ser considerado um período de 22 dias letivos. 
 
Ressalta-se que para a obtenção do quantitativo de quilômetros de cada item seria necessário 
que as empresas licitantes consultassem as rotas disponibilizadas, as quais foram agrupadas 
em seis polos, e em seguida, somassem a quilometragem diária, por tipo de veículo. 
 
O fato citado causou divergências na forma de apresentação das propostas pelas licitantes e 
diferenças no quantitativo de quilômetros por item. Como exemplo citamos o item 4- Utilitário 
tipo Van, no qual verificou-se que cinco das dez empresas participantes da licitação, 
acrescentaram uma coluna na planilha modelo disponibilizada pela Prefeitura, com vistas a 
indicar o quantitativo diário de quilômetros rodados e as demais não indicaram esse 
quantitativo, conforme detalhado no quadro a seguir: 
 
Quadro 7: Quantidade diária de quilômetros rodados para o Item 4 do Pregão Presencial 
nº 1/2018. 
Empresa Quantidade diária de 
km rodado 
Valor unitário do km 
rodado 
Valor mensal 
(R$) 
Sousa Campelo 2.264 4,95 246.549,60 
JJ Produções 1.664 5,50 201.344,00 
DEP Locações e Serviços 1.664 5,40 197.683,20 
Master Serviços e Construções 1.594 3,90 155.415,00 
F das C Silva Nery Não informado 5,15 205.227,50 
Francisco Costa- J J Turismo 1.594 9,00 Não informado 
A & N Construções Não informado Não informado Não informado 
T-LOC locações de veículos e Transporte 
Ltda 
Não informado Não informado Não informado 
Absolut Empreendimentos Não informado Não informado 262.986,24 
Francisco Mourão Oliveira Junior -Alpha Não informado 3,59 125.894,12 
Fonte: propostas das licitantes do Pregão Presencial nº 1/2018 
 
21 
 
Conforme observa-se no quadro acima, foram informados três quantitativos diferentes para 
a coluna “quantidade diária de km rodado”, dentre as cinco empresas que preencheram esse 
valor. 
 
Conforme consta na Ata de Julgamento da Segunda Sessão do pregão realizada em 
22.02.2018, sete licitantes foram desclassificadas uma vez que suas propostas não atenderam 
ao Capítulo V do Edital - “Da Proposta de Preços”. Em que pese a pregoeira não ter esclarecido 
na Ata quais pontos específicos do Capítulo V do Edital, que abrange os itens de 5.1 a 5.15, 
pode se afirmar que a falta de clareza do edital levou as licitantes a elaborarem propostas de 
preços em desacordo com este, resultando na desclassificação de sete das dez empresas que 
participaram da licitação. 
 
e) Inconsistências na Ata de Julgamento da Segunda Sessão do Pregão Presencial nº 01/2018 
e na proposta readequada da empresa Sousa Campelo Transportes Ltda. 
 
Conforme consta na Ata de Julgamento da Segunda Sessão do pregão (fls. 470 a 475), realizada 
em 22.02.2018, as licitantes Francisco Mourão Oliveira Junior Eireli-EPP, Absolut 
Empreendimentos e Serviços Eireli-ME, TLOC Locação de Veículos e Transportes Ltda.-EPP, 
A&N Construções Ltda., F Costa Transporte Rodoviário-EPP, F das C Silva Nery e Master 
Serviços e Construções Eireli-ME foram desclassificadas, uma vez que suas propostas não 
atenderam ao Capítulo V do Edital, enquanto que as empresas Sousa Campelo Transportes 
Ltda.-ME, DEP Locações Serviços Eireli-ME e JJ Produções Ltda.-ME, foram classificadas para 
participar da rodada de lances. 
 
Em que pese a empresa Master Serviços e Construções Eireli-ME constar dentre as que 
tiveram suas propostas desclassificadas, esta aparece no mapa de lances como sendo a 
segunda classificada para os itens 2 e 3 da licitação (fl. 472 do processo). Vale ressaltar que 
apenas as empresas Master Serviços e Construções e Sousa Campelo Transportes Ltda., 
apresentaram cotação para os referidos itens. 
 
Logrando-se vencedora de três dos quatro itens do Pregão Presencial nº 1/2018 (o item 1 não 
obteve cotação), foi fixado prazo de até 48 horas para que a empresa Sousa Campelo 
Transportes Ltda.-ME apresentasse sua proposta readequada, conforme estipulado no edital. 
No entanto, constatou-se que o documento intitulado “Carta Proposta de Preço – 
Readequada” (fl. 481 do processo), que foi apresentado pela empresa, possui data de 
06.02.2018, portanto, anterior à realização da segunda sessão do pregão, que se deu em 
22.02.2018, conforme já citado. 
 
e) Ausência de laudos de vistoria; dos termos de cessão de uso dos veículos sublocados; dos 
CRLVs dos veículos próprios; e da relação de motoristas da empresa Sousa Campelo 
Transportes Ltda.-ME. 
 
Considerando que a empresa Sousa Campelo foi a vencedora dos itens 2, 3 e 4 do pregão, para 
dar cumprimento às regras editalícias, esta deveriacomprovar a propriedade de, pelo menos, 
26 veículos, sendo: Item 2 – sete micro-ônibus; Item 3 – vinte utilitários tipo van; e Item 4 – 
25 ônibus. 
 
 
22 
 
Conforme disposto no item 5.14 do edital, a empresa deveria entregar, no ato da assinatura 
do contrato, os termos de cessão de uso dos veículos que não fossem de sua propriedade, 
admitida a sublocação de até 50% da frota, o CRLV dos veículos de sua propriedade e a relação 
dos motoristas: 
5.14. Declarar expressamente que no ato de assinatura do contrato apresentará a 
frota exigida para a execução do Serviço, e entregará os termos de cessão de uso de 
veículos, conforme anexo – termo de cessão de uso, dos veículos que não forem de 
titularidade da contratante, bem como o CRLV dos que forem de sua propriedade, e 
ainda a relação dos motoristas em conformidade com as exigências constantes do 
termo de referência. 
 
Além disso, consta previsão na alínea “a” do item 3.5 do Termo de Referência, para que a 
Prefeitura efetuasse a vistoria dos veículos apresentados com vistas a verificar o atendimento 
às exigências ali elencadas: 
 
3.5. Os veículos destinados a prestação dos Serviços licitados deverão atender as 
Seguintes Exigências: 
a) Deverão estar em bom estado de conservação, reservando-se a prefeitura ao 
direito de efetuar vistoria nos mesmos no ato do recebimento; 
(...) 
 
Em que pese as exigências elencadas, no processo não consta: a relação dos veículos da 
empresa; os laudos de vistoria; os termos de cessão de uso dos veículos que não fossem de 
propriedade da licitante; o CRLV dos veículos próprios; e nem mesmo a relação dos 
motoristas. 
 
Destaca-se que o Contrato nº 18/2018, firmado entre a referida empresa e a Secretaria 
Municipal de Educação, foi assinado em 28.02.2018 e sofreu duas prorrogações sucessivas, 
fixando sua vigência até 18.12.2020. 
 
Ressalta-se que além dos documentos de suporte à contratação, também foi requerida a 
documentação relativa aos pagamentos realizados à empresa, por meio da SF nº 
2019000468/02, no entanto, até o encerramento dos trabalhos, não foram disponibilizados 
pelo gestor municipal. 
 
Dessa forma não foi possível verificar quantos e quais os veículos apresentados pela empresa 
Sousa Campelo para a realização dos serviços objeto do Contrato nº 18/2018, quantos e quais 
os veículos sublocados, bem como quais as condições físicas desses veículos, uma vez que não 
foram disponibilizados os laudos de vistoria. 
 
É importante registrar que a empresa Sousa Campelo Transportes Ltda., foi uma das 
apontadas como participante de uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações e 
desviar recursos públicos destinados à prestação de serviços de transporte escolar ao Governo 
do Estado do Piauí e diversas prefeituras municipais do Piauí e do Maranhão, no âmbito da 
“Operação Topique, conduzida pela Polícia Federal e que contou com a participação da CGU 
e do Ministério Público Federal. 
 
 
23 
 
CONCLUSÃO 
 
Com base nos exames realizados, pode-se concluir que: 
1- Houve contratação irregular da empresa Sousa Campelo para execução dos serviços de 
transporte escolar fundamentada no inciso IV do art. 24 da Lei 8.666/93, ou seja, nos casos de 
emergência ou de calamidade pública, mas sem que houvesse previsão no Decreto 
Emergencial; 
2 -Houve irregularidades no Pregão SRP nº 56/2017 para execução dos serviços de transporte 
escolar no exercício de 2017, uma vez que a licitação foi processada sem a elaboração de 
estudos técnicos preliminares para delimitação do objeto; sem pesquisa de preços de 
mercado a fim de balizar os valores estimativos da licitação; sem a comprovação da publicação 
do aviso de licitação na imprensa oficial; sem assinaturas na solicitação de serviços que deu 
origem ao processo; e sem a indicação da idade máxima admitida dos veículos (ano de 
fabricação) no edital; 
3 – No âmbito do Pregão SRP nº 56/2017 foi contratada empresa que não apresentou o 
número total de veículos exigidos no edital e que teve 85% dos veículos apresentados 
reprovados pela equipe de vistoria; 
4 – Houve subcontratação indevida dos serviços de transporte escolar no âmbito do Pregão 
nº 56/2017, pelas empresas contratadas, uma vez que estas não comprovaram a propriedade 
dos veículos apresentados para execução dos serviços; 
5. Houve prorrogação dos Contratos nº 256/2017, nº 257/2017 e nº 307/2017 para execução 
de serviços de transporte escolar, após expiração do prazo de vigência; 
6- Houve falhas no Pregão Presencial nº 1/2018 que deu suporte à contratação da empresa 
Sousa Campelo Transportes Ltda. para execução dos serviços de transporte escolar nos 
exercícios de 2018, 2019 e 2020, tendo sido constatado: a) que o processo se deu sem a 
elaboração de estudos técnicos preliminares ou levantamento de necessidades para 
delimitação do objeto; b) que a pesquisa de mercado não abrangeu todos os itens licitados; c) 
que o tempo máximo de fabricação dos veículos foi fixado em dez anos em descordo com as 
recomendações do FNDE; d) que a falta de clareza no edital e termo de referência quanto a 
forma de apresentação das propostas resultou na desclassificação de sete licitantes; e e) que 
foi considerada como segunda classificada, na fase de lances, empresa cuja proposta foi 
anteriormente desclassificada e que a proposta readequada da empresa vencedora do 
certame foi confeccionada antes da realização do pregão. 
Em face do exposto, a Prefeitura de União/PI deve adotar medidas com vistas a corrigir as 
falhas apontadas de forma a se adequar às diretrizes do Pnate, ressaltando que a regularidade 
das despesas, no que tange à documentação não apresentada à equipe de fiscalização, deve 
ser comprovada pelo município. 
 
 
 
 
 
24 
 
ANEXOS 
I – MANIFESTAÇÃO DA UNIDADE EXAMINADA E ANÁLISE DA EQUIPE 
DE AUDITORIA 
 
Por meio do Ofício Gab nº 189/2021, datado de 10.09.2021, a Prefeitura Municipal de 
União/PI, apresentou as seguintes manifestações: 
 
Achado nº 1. Contratação irregular de empresa para execução dos serviços de transporte 
escolar, no exercício de 2017, por meio de dispensa de licitação fundamentada no inciso IV 
do art. 24 da Lei 8.666/93, sem previsão no Decreto Emergencial e subcontratação indevida 
dos serviços. 
Manifestação da unidade examinada 
“[...] 
Quanto ao suporte de contratação da empresa Sousa Campelo, no valor de R$ R$ 122.997,00, 
o setor de licitação informou que ‘o contrato de nº 54/2017, refere-se a outro objeto, e que o 
documento de suporte para contratação de transporte encontrado nos arquivos é uma adesão 
à Ata de Registro de Preço nº 032/2016/PMT/2016-Timon- Processo administrativo nº 
0970/2016- Pregão Presencial nº 038/2016 CGCL: objeto Serviços de transporte (locação), já 
em anexo no item 1’.”. 
Análise da Equipe de Auditoria 
No Processo nº 001.0000303/2017 apresentado pela Prefeitura de União/PI, relativo à 
contratação da empresa Sousa Campelo decorrente da adesão à ata de registro de preços nº 
032/2016/PMT/2016 da Prefeitura Municipal de Timon/MA, constam três contratos que 
foram assinados com aquela empresa: Contratos nº 20/2017, nº 21/2017 e nº 22/2017, sendo 
que apenas o Contrato de nº 22/2017 é relativo à Secretaria de Educação. O objeto do referido 
contrato é a locação de três veículos tipo pick-up e um caminhão toco, sem motorista, 
portanto não são base para os pagamentos de transporte escolar identificados pela equipe de 
auditoria no Achado nº 01. 
Em sua manifestação o gestor municipal informa que “o contrato de nº 54/2017 refere-se a 
outro objeto”, no entanto não disponibilizou o contrato e nem informou qual é o objeto. 
Dessa forma reafirma-se que as Notas de Empenho: NE nº 429001, de 29.04.2017, NE nº 623009, 
de 23.06.2017 e NE nº 731006, de 31.07.2017, em favor da empresa Sousa Campelo Transporte 
Ltda, destinaram-se a custear o Contrato nº 54/2017, que foi decorrente de dispensa de licitação 
com fundamento no art. 24, IV da Lei 8.666/93, e deram suporte aos pagamentos faturadospela 
referida empresa, por meio das Notas Fiscais nº 2893, de 28.06.2017, nº 2998, de 19.07.2017, e 
nº 3073, de 24.08.2017. Trata-se, portanto, de contratação irregular uma vez que não havia 
previsão no Decreto Emergencial nº 001/2017 para esse tipo de contratação. 
 
 
25 
 
Achado nº 2. Irregularidades no Pregão SRP nº 56/2017 para a execução dos serviços de 
transporte escolar. 
Manifestação da unidade examinada 
“[...] 
b) Quanto à ausência dos laudos de vistoria e documentação de veículos da Empresa Multikar 
Locadora de Veículos Eireli, os documentos solicitados não foram localizados nos arquivos da 
Secretaria de Educação. 
c) Quanto à substituição dos veículos da empresa Absolut Empreendimentos e Serviços Eireli-
ME em questão, a atual gestão não mantém contrato vigente com os prestadores de serviços.” 
 
Análise da Equipe de Auditoria 
A Prefeitura Municipal de União não apresentou qualquer argumento com vistas a refutar os 
fatos apontados pela equipe de auditoria quanto às irregularidades na contratação das 
empresas de transporte escolar no âmbito do Pregão SRP nº 56/2017 para a execução dos 
serviços de transporte escolar, limitando-se a informar que não encontrou os laudos de 
vistoria dos veículos da empresa Multikar Locadora de Veículos Eireli e que não possui 
contrato vigente com a empresa Absolut Empreendimentos e Serviços Eireli-ME, cujos 
veículos foram reprovados quando da vistoria realizada sem que fosse comprovada a 
substituição dos mesmos. Em face do exposto reafirma-se o teor dos apontamentos do 
Achado nº 02. 
 
Achado nº 3. Falhas no processo licitatório nº 292/2018, relativo ao Pregão Presencial nº 
1/2018 para contratação de serviços de transporte escolar. 
Manifestação da unidade examinada 
“[...] 
7. Quanto às falhas no processo licitatório nº 292/2018, relativo ao Pregão Presencial nº 
1/2018 para contratação de serviços de Transportes Escolar da Empresa Sousa Campelo, 
seguem em anexo: 
a) A documentação de suporte de contratação da empresa, expedida pelo setor de licitação; 
b) Os pagamentos realizados à empresa que foram localizados nos balancetes; 
2018 - R$ 146.000,00 
2019 - R$ 235.853,18 
2020 - R$ 118.315,82” 
 
Análise da Equipe de Auditoria 
A Prefeitura Municipal de União não apresentou qualquer argumento com vistas a refutar os 
fatos apontados pela equipe de auditoria quanto às irregularidades apontadas no Pregão 
 
26 
 
Presencial nº 1/2018 para contratação de serviços de transporte escolar, limitando-se a 
reencaminhar o Contrato nº 18/2018 e seus aditivos e a documentação relativa aos 
pagamentos realizados para a empresa Sousa Campelo. Dessa forma, reafirma-se a ocorrência 
das falhas apontadas no Achado nº 3, quais sejam: 
a) Ausência de estudos técnicos preliminares ou levantamento das reais necessidades; 
b) A pesquisa de mercado não abrangeu todos os itens licitados; 
c) Tempo máximo de fabricação dos veículos foi fixado em dez anos em descordo com as 
recomendações do FNDE; 
d) Falta de clareza no Edital e no Termo de Referência quanto a forma de apresentação das 
propostas; 
e) Inconsistências na Ata de Julgamento da Segunda Sessão do Pregão Presencial nº 01/2018 e na 
proposta readequada da empresa Sousa Campelo Transportes Ltda; e 
e) Ausência de laudos de vistoria; dos termos de cessão de uso dos veículos sublocados; dos CRLVs 
dos veículos próprios; e da relação de motoristas da empresa Sousa Campelo Transportes Ltda.-
ME.

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