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PROJETO LÁCTEOS SAF/UFV volume I exigências e potencialidades da cadeia de leite UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA VIÇOSA UFV 2022 22 | VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL JAIR MESSIAS BOLSONARO Presidente da República TEREZA CRISTINA CORREA DA COSTA DIAS Ministra de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MARCIO CANDIDO ALVES Secretário de Agricultura Familiar MÁRCIO DE ANDRADE MADALENA Diretor do Departamento de Cooperativismo e Acesso a Mercados FABIANA DURGANT SILVA Coordenação-Geral de Cooperativismo UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA DEMETRIUS DAVID DA SILVA Reitor da Universidade Federal de Viçosa REJANE NASCENTES Vice-Reitora da Universidade Federal de Viçosa Coordenação do Projeto Lácteos SAF/UFV JOSÉ AMBRÓSIO FERREIRA NETO BRÍCIO DOS SANTOS REIS Organização da Coleção Projeto Lácteos SAF/UFV RONALDO PEREZ LUIZA CARLA VIDIGAL CASTRO POLYANA PIZZI ROTTA VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 33 © UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA Departamento de Economia Rural Departamento de Nutrição e Saúde Departamento de Tecnologia de Alimentos Departamento de Zootecnia ELABORAÇÃO DE CONTEÚDO Antônio Paulo de Oliveira Neto Bernardo Magalhães Martins Emille Rocha Bernardino de Almeida Prata Erica Beatriz Schultz Hans Dohry Cornélio da Silva Lorraina Stefanie Moreira de Paula Luiza Carla Vidigal Castro Polyana Pizzi Rotta Ronaldo Perez Sílvia Oliveira Lopes Vani Maria Fonseca Pedrosa REVISÃO TÉCNICA Bruno de Sousa Corradi PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Carlos Joaquim Einloft Editora Asa Pequena REVISÃO ORTOGRÁFICA E GRAMATICAL Lívia Martins Todos os direitos são reservados à UFV, permitindo-se a reprodução, desde que citada a fonte. O produto foi realizado no âmbito do TED nº 26/2018, MAPA/UFV. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é exclusiva dos autores. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Exigências e potencialidades da cadeia de leite / organização Polyana Pizzi Rotta, Luiza Carla Vidigal Castro, Ronaldo Perez ; coordenação Brício dos Santos Reis, José Ambrósio Ferreira Neto. -- Viçosa, MG : Editora Asa Pequena, 2022. -- (Projeto lácteos SAF/UFV ; v. 1) Vários autores. Bibliografia. ISBN 978-65-84589-06-3 1. Agricultura familiar 2. Cadeia alimentares (Ecologia) 3. Capacitação profissional 4. Derivados de leite 5. Economia agrícola 6. Leite - Beneficiamento 7. Produção - Planejamento - Estudo e ensino I. Rotta, Polyana Pizzi. II. Castro, Luiza Carla Vidigal. III. Perez, Ronaldo. IV. Reis, Brício dos Santos. V. Ferreira Neto, José Ambrósio. VI. Série. 22-102168 CDD-637.1 Índices para catálogo sistemático: 1. Produção de leite e derivados : Engenharia de produção : Tecnologia 637.1 Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964 44 | VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite apresentação A pecuária leiteira está presente em quase todos os municí- pios brasileiros e é responsável pela geração de renda de muitos estabelecimentos rurais. No entanto, os pequenos produtores enfrentam muitos desafios, desde o volume de leite produzido até o escoamento da produção. Como forma de enfrentar essas dificuldades e aumentar a ren- tabilidade do produtor rural, pode-se proceder à transformação do leite em produtos lácteos, agregando valor e ampliando o acesso a mercados que valorizam os produtos artesanais e da agricultura familiar e que garantam a segurança alimentar e nu- tricional dos consumidores. Diante disso, toda a experiência e tradição da Universidade Fe- deral de Viçosa, na área de Leite, está sendo disponibilizada com o curso de “Produção Artesanal de Leite e derivados: da Proprie- dade Rural à Segurança Alimentar e Nutricional do Consumidor”, o qual pretende capacitar técnicos, produtores e profissionais envolvidos na cadeia produtiva de lácteos quanto aos aspectos de sanidade animal e custos de produção, práticas tecnológicas (queijos, requeijões, bebidas lácteas, doce de leite) e boas práti- cas de fabricação, formas de acesso a mercados a partir do co- nhecimento de exigências, comportamento dos consumidores, características dos canais de compras institucionais, característi- cas nutricionais dos produtos e promoção da segurança alimen- tar e nutricional dos consumidores. O curso dispõe de materiais didáticos próprios, divididos em 3 volumes, elaborados por uma equipe de especialistas dos Departamentos de Nutrição e Saúde, Tecnologia de Alimentos e Zootecnia da UFV. A elaboração desse rico material pedagógico e técnico só foi possível graças ao convênio firmado entre a Secretaria de Agri- VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 55 cultura Familiar e Cooperativismo (SAF), do Ministério da Agri- cultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e a Universidade Fe- deral de Viçosa (UFV). Com recursos provenientes do Termo de Execução Descentralizada (TED) n.º 26/2018, professores e pes- quisadores da UFV, embasados nos objetivos propostos pelo MAPA, produziram os três volumes que serão usados como re- ferências bibliográficas básicas no processo de capacitação de diversos agentes de extensão rural que atuam na cadeia produ- tiva de lácteos no Brasil. O volume 1 aborda as formas de adesão da agricultura familiar às políticas públicas e a articulação dos sistemas alimentares na promoção da segurança alimentar e nutricional; a certificação livre de brucelose e tuberculose, que atesta o cumprimento das condições sanitárias e garante a oferta ao consumidor de pro- dutos de baixo risco sanitário; a gestão de custos na atividade leiteira; as legislações para rotulagem e registro dos produtos; as exigências dos consumidores e os canais de comercialização para produtos lácteos; e a indicação geográfica como forma de agregar valor aos produtos tradicionais. As práticas e controles para obtenção de leite e derivados com higiene e qualidade são detalhadas no volume 2. Já o volume 3 apresenta as práticas tecnológicas para a produção de quei- jo, requeijão, bebidas lácteas e doce de leite, seguindo as boas práticas de fabricação, bem como as possibilidades de inserção de lácteos na alimentação humana, de forma a garantir a segu- rança alimentar e nutricional dos consumidores. O curso está plenamente integrado aos Objetivos de Desenvol- vimento Sustentável (ODS) definidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas, estando em consonância com oito deles, a saber: 66 | VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite A capacitação contribuirá para o aprofundamento de conhe- cimentos e o desenvolvimento de habilidades técnicas de produção e gestão de lácteos, englobando, assim, relevantes aspectos em todas as etapas da cadeia produtiva do leite, da propriedade rural à mesa do consumidor. Os organizadores VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 77 prefácio O líquido fisiológico branco, opaco, secretado pela glândula mamária das fêmeas mamíferas é importante fonte de proteínas e minerais essenciais, com ação imunológica e um balanço nutricional único, cujo consumo é promotor do crescimento e manutenção de várias espécies, incluindo a es- pécie humana. Em resumo, de forma mais objetiva e até poéti- ca, podemos dizer que o leite é o “suco” da vida. A relação do homem com outros mamíferos é milenar, bem como a domesticação e a utilização do leite destas espécies, havendo diversas evidências comprobatórias de tais feitos. Ao longo da história, o homem aprimorou essa relação, adquiriu conhecimento e desenvolveu tecnologias, fazendo com que o leite e seus derivados pudessem ser produzidos e consumidos em praticamente todo o globo terrestre. No Brasil - país gigante em território e potência agroambien- tal - a diversidade também se reflete na produção de lácteos. Somosculinária pode “contar” uma história (ALIANÇA PELA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA E SAUDÁVEL, 2021) e, assim, identificado esta possibilidade, cria-se mais uma oportunidade para o agri- cultor vender o seu produto. Além disso, a organização de “circuitos curtos” de comer- cialização estabelece tanto uma proximidade geográfica como de troca de saberes entre o agricultor familiar e o consumidor. Esta interação é uma conquista, uma vez que permite a incorporação de noções de solidariedade, afetividade e estabelecimento de confiança, repercutindo na SAN (MODEL; DENARDIN, 2014; FERREIRA NETO; REIS; RODRIGUES et al., 2019). Programa Alimenta Bra- sil (PAB), foi instituído pelo Decreto nº 10.880 de 2 de dezembro de 2021 e pela Lei 14.284 de 29 de dezembro de 2021. sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 3131 5. PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR (PNAE) E PROGRAMA ALIMENTA BRASIL (PAB) O PNAE e o PAB surgem de ações intersetoriais que bus- cam operacionalizar a relação agricultura familiar, dispo- nibilidade e acesso aos alimentos, atendendo ao que é preconizado na LOSAN. A priorização da temática da SAN no Brasil se deu após os anos de 2003, com a articulação da Estratégia Fome Zero (Figura 1.5). O PNAE e o PAB contemplam os quatro eixos principais da estratégia, uma vez que as ações destes programas visam ampliação da produção, geração de renda para os agricul- tores familiares, aumento na disponibilidade de alimentos na região com impacto no preço, o que pode ser um facili- tador de acesso (CARMAGO; BACCARIN; SILVA, 2013). Em 2014, o Brasil saiu do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Esse êxito foi relacionado, dentre outros fatores, à am- ESTRATÉGIA FOME ZERO Articulação, mobilização e controle social Geração de renda Acesso aos alimentos Fortalecimento da agricultura familiar Figura 1.5 Eixos articuladores da Estratégia Fome Zero. Fonte: Adaptado de Brasil, 2003. sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 3232 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite pliação dos programas como PNAE e o extinto Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que trouxeram um po- tencial articulador relacionado à alimentação e geração de renda, o que contribuiu para a promoção do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA). Com o PNAE e o extinto PAA (atual PAB) foram criados mecanismos de gestão que permitiram a realização da compra direta de alimen tos dos agricultores familiares, mediante a certificação desses pela Declaração de Apti- dão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricul- tura Familiar – PRONAF (DAP). A DAP está em processo de substituição pelo CAF - Cadastro Nacional da Agricul- tura Familiar, de acordo com as portarias 264 e 387 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (FR- REIRA NETO; REIS; RODRIGUES et al., 2019; MAPA, 2021a; MAPA 2021b). Com isso, os agricultores familiares podem vender seus alimentos sem necessidade de processo da licitação. Dessa forma, esses programas democratizam e descentralizam as compras públicas, facilitando o acesso dos agricultores familiares ao mercado institucional (CA- MARGO; BACCARIN; SILVA, 2013). As características dos programas estão descritas na Figura 1.6. 6. COMPREENDENDO O PROGRAMA NACIO- NAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR (PNAE) O PNAE, como mencionado anteriormente, caracteriza- -se como uma das principais estratégias de promoção da SAN, uma vez que suas ações atingem dois públicos vul- neráveis segundo uma concepção social e biológica: agri- cultores familiares e estudantes do ensino público. sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 3333 Público atendido Origem dos alimentos adquiridos Como se dá o controle social Orçamento Modalida- des Objetivos Figura 1.6 Característica de execução do Programa Nacio- nal de Alimentação Escolar (PNAE) e Programa Alimenta Brasil (PAB). Fonte: Adaptado de Brasil (2009) e Brasil (2021). A compreensão da evolução histórica do programa, base- ada em suas leis, decretos e resoluções, permite entender como o PNAE concretiza-se como umas principais estra- tégias de promoção da SAN no Brasil (TRIVELLATO, 2018; TRIVELLATO, 2019; PRIORE et al., 2021). Contribuir para o crescimento e o desenvolvimento biopsicossocial, a aprendizagem, o rendimento escolar e a formação de hábitos alimentares saudáveis dos alunos, por meio de ações de educação alimentar e nutricional e da oferta de refeições que cumpram as necessidades nutricionais durante o período letivo. Promover o acesso à alimentação e incentivar a agricultura familiar. Pessoas e/ou entidades em situa- ção de vulnerabilidade e insegu- rança alimentar e nutricional. 100% advindos da agricultura familiar. Conselhos, preferencialmente o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (nacional, estadual, distrital e municipal). Varia segundo a modalidade, Ministério da Cidadania e/ou recurso próprio da instituição. Doação simultânea, Compra direta, Incentivo à produção e ao consumo de leite, Apoio à formação de estoques e Compra institucional Estudantes de escolas públicas. 30% advindos da agricultura familiar. Conselho de Alimentação Escolar (CAE). Governo Federal com contrapartida do município. - PNAE Programa Nacional de Alimentação Escolar PAB Programa Alimenta Brasil sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 3434 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite A adesão ao PNAE é unânime, uma vez que espera-se que todas as escolas públicas tenham cadastro no Cen- so Escolar realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC). Tam- bém é contemplado pelo PNAE, segundo a Resolução do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) nº 06/2020, aquelas instituições de “educação básica, das entidades filantrópicas ou por elas mantidas, inclusive as de educação especial e confessionais; e entidades comu- nitárias, conveniadas com o poder público”. A autarquia responsável pela coordenação do programa é o FNDE, órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC). A entidade executora são Estados e Municípios, que asse- guram a utilização e prestação de contas do recurso ad- vindo do FNDE e a sua complementação, independente da forma de administração. A gestão para execução do programa é dividida em quatro modalidades (Figura 1.7). Serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentraliza- da (BRASIL, 1967). Figura 1.7 Modalidades de ges- tão do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Fonte: Adaptado de Brasil (2021). Semidescentralizada ou parcialmente escolarizada Terceirização Centralizada Descentralizada ou escolarizada Entidades Executoras (Estados e Municípios) são responsáveis por realizar todo o procedimento de compra e distribuição dos alimentos. Entidades Executoras repassam os recursos para as escolas, responsáveis pela compra dos alimentos. Entidades Executoras compram parte dos ali- mentos e repassam parte dos recursos às escolas para que elas adquiram mais alimentos. Nessa modalidade, as Entidades Executoras fornecem os alimentos não perecíveis e as escolas são responsáveis pela compra dos perecíveis. Entidades Executoras repassam os recursos para empresas responsáveis pela alimentação escolar. Somente poderá utilizar os recursos repassados pelo FNDE à conta do PNAE para o pagamento dos gêneros alimentícios, ficando as demais des- pesas a cargo, com recursos próprios. Entidade deve realizar licitações distintas,sendo uma para a aquisição de gêneros e outra para serviços. sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 3535 fique atento Para o cálculo do recurso do PNAE são utilizadas informações do Censo Escolar do ano anterior, carga horária de 800 horas de aula, distribuídas em 200 dias letivos. O valor repassado pela União a Estados e Municípios por aluno e dia letivo são diferentes, segundo a modalidade de ensino da instituição (BRASIL, 2021): • Creches: R$ 1,07 • Pré-escola: R$ 0,53 • Escolas indígenas e quilombolas: R$ 0,64 • Ensino fundamental e médio: R$ 0,36 • Educação de jovens e adultos: R$ 0,32 • Ensino integral: R$ 1,07 • Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral: R$ 2,00 • Alunos que frequentam o Atendimento Educacional Especializado no contraturno: R$ 0,53 O valor financeiro do PNAE visa a oferta de alimentação adequada e saudável, além da promoção de ações de educação alimentar e nutricional. A fiscalização fica a car- go do Conselho de Alimentação Escolar (CAE), FNDE, Tri- bunal de Contas da União (TCU), Controladoria Geral da União (CGU) e pelo Ministério Público. Segundo a Lei nº 11.947 (2009), 30% das compras de alimentos do progra- ma devem advir da agricultura familiar, de compra direta do produtor por chamada pública (ver Anexos - Modelo 1), dispensa de processos licitatórios, o que facilita o aces- so deste grupo ao programa, além de estimular o desen- volvimento local. Na Figura 1.8 descreve-se como deve ser o processo de elaboração de uma chamada pública, definida pela Reso- lução nº 06, de 08 de maio de 2020 como: o procedimento administrativo voltado à sele- ção de proposta específica para aquisição de gêneros alimentícios provenientes da Agricul- tura Familiar e/ou Empreendedores Familiares Rurais ou suas organizações (BRASIL, 2020). “” sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 3636 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite É importante ressaltar a articulação com órgãos parceiros dos Estados e Municípios como entidades de assistência técnica e extensão rural e Secretaria Municipal de Educação, especialmente com o nutricionista Responsável Técnico (RT) pelo PNAE para o êxito das chamadas públicas. A articulação com o nutricionista é importante, pois é o RT para o plane- jamento de cardápio (Figura 1.8) que deverá estar alinhado com a vocação agrícola ou agropecuária e a safra dos alimen- tos, fortalecendo, assim, as redes de troca de informações para alcançar o agricultor familiar (TRIVELLATO, 2018). Para êxito da Chamada Pública é necessário a utilização de propostas de venda que considere se é um grupo for- mal (Anexo - Modelo 2), informal (Anexo - Modelo 3) e/ou agricultor individual (Anexo - Modelo 4). A documentação exigida está apresentada na Figura 1.9, de acordo com a categoria que o agricultor se insere. O Quadro 1.1 apresenta algumas dúvidas comuns relacio- nadas com a execução do PNAE. Levantamento da vocação agrícola da região Elaboração dos cardápios Pesquisa de preços Requisição de alimentos, cronograma de entrega Elaboração do edital CHAMADA PÚBLICA Figura 1.8 Fluxo do processo para elaboração de uma Cha- mada Pública. Fonte: Adaptado de Trivellato (2018) e Brasil (2020). fique atento • Grupo Formal: organização produtiva que possui Declaração de Aptidão ao PRONAF (DAP) jurídica e que fornece de forma conjunta; • Grupo Informal: agricultores familiates que possuem DAP Física, mas são organizados em grupos para o fornecimento de forma conjunta; • Fornecedor individual: agricultores familiares que possuem DAP Física e que fornecem indi- vidualmente. sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 3737 Figura 1.9 Documentação obrigatória para participar do Pro- grama Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Fonte: Adaptado de Ferreira Neto; Reis; Rodrigues et al., 2019. GRUPOS FORMAIS GRUPOS INFORMAIS FORNECEDORES INDIVIDUAIS • CNPJ; • Extrato da DAP Jurídica para asso- ciações e cooperativas, emitido nos últimos 60 dias; • Prova de regularidade com a Fazenda Federal, relativa à Seguridade Social e ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço – FGTS; • Cópias do estatuto e ata de posse da atual diretoria da entidade registrada no órgão competente; • Projeto de venda assinado pelo seu representante legal; • Declaração de que os gêneros alimen- tícios a serem entregues são produzi- dos pelos associados/cooperados; • Declaração do seu representante le- gal de responsabilidade pelo controle do atendimento do limite individual de venda de seus cooperados/asso- ciados; • Prova de atendimento de requisitos previstos em lei específica, quando for o caso. • CPF; • DAP Física de cada agri- cultor familiar participan- te, emitida nos últimos 60 dias; • Projeto de venda com assinatura de todos os agricultores participantes; • Declaração de que os gêneros alimentícios a serem entregues são produzidos pelos agricultores familiares relacionados no projeto de venda; • Prova de atendimento de requisitos previstos em lei específica, quando for o caso • CPF; • DAP Física do agricultor familiar participante, emitida nos últimos 60 dias; • Projeto de venda com a assinatura do agricultor participante; • Declaração de que os gêneros alimentícios a serem entregues são oriundos de produção própria; • Prova de atendimento de requisitos previstos em lei específica, quan- do for o caso. Quadro 1.1 Perguntas e respostas sobre o PNAE. Pergunta Resposta Escolas Estaduais são entidades executoras? Sim, Escolas Estaduais são entidades executoras. O limite de venda é R$ 40.000,00 por agri- cultor ou grupo por ano, independente da entidade executora? O limite é por entidade executora e depende se ela é municipal ou estadual. Exemplo: Considere 2 municípios (X e Y) de um mesmo estado (Z). Um mesmo agricultor, ou grupo, pode vender R$ 40.000,00 para o município X e R$ 40.000,00 para o município Y. Porém, um mesmo agricultor, ou grupo, se for fornece- dor de escolas estaduais, só pode vender R$ 40.000,00 somando os dois, pois, neste caso, a entidade executora é o Estado (Z). Produtos da agroin- dústria, como pães, bolos, biscoitos preci- sam de selo? Não precisam de selo, precisam de Alvará Sanitário! De acordo com a legislação, “o estabelecimento deve ter Alvará Sanitário ou Licença de Funcionamento. Portanto, deve-se exigir obrigatoriamente a cópia do Alvará Sanitário do estabelecimento e a cópia do registro do produto, nos casos cabíveis, sendo que durante a execução do projeto devem ser exigidas as cópias da renovação desses documentos, caso expire a validade dos documentos recebidos anteriormente à formalização da proposta de participação” (RDC N.º 27/2010 da ANVISA). Alimentos de origem animal, como queijo e leite, precisam de selo para serem fornecidos para o PNAE? Sim, precisam de selo! De acordo com a legislação, “o estabelecimento deve estar registrado no Serviço de Ins- peção Federal (SIF), Serviço de Inspeção Estadual (SIE), Sistema de Inspeção Municipal (SIM) ou registrado pelos serviços de inspeção que aderiram ao Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária por meio do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produ- tos de Origem Animal (SISBI/POA). Portanto, deve ser exigida obrigatoriamente a cópia do registro desse estabelecimento, sendo que durante a execução do projeto deve ser exigida a cópia da renovação do registro, caso expire a validade desse documento recebido anteriormente à formalização da proposta de participação”. Adaptado da da Resolução CD/FNDE 06/2020 e Resolução CD/FNDE 21/2021. sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 3838 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 7. COMPREENDENDO O PROGRAMAALIMENTA BRASIL (PAB) A Lei nº 14.284 de 29 de dezembro de 2021 (BRASIL, 2021b) instituiu o Programa Alimenta Brasil (Figura 1.10), tendo suas origens baseadas nas estratégias e ações do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O PAB tem tem como beneficiários consumidores (BRA- SIL, 2021a): • os indivíduos em situação de vulnerabilidade social; • os indivíduos assistidos pela rede socioassistencial; pela rede pública de ensino e de saúde; pelos equi- pamentos públicos de alimentação e nutrição; e pelas demais ações de alimentação e de nutrição financia- das pelo Poder Público; ou • que estejam sob custódia do Estado em estabeleci- mentos prisionais e em unidades de internação do sis- tema socioeducativo. A evolução histórica do PAA deu-se início com a pro- mulgação da LOSAN (2006), trazendo a importância da fique atento EQUIPAMENTOS PÚBLICOS DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO (EPAN) - são espaços que au- xiliam na promoção da alimentação adequada e saudável por meio de distribuição de gêneros alimentícios, incluindo aqueles provenientes da agricultura familiar e/ou de refeições nutritivas e saudáveis. Exemplos: • Banco de Alimentos: que recebem alimentos de doações diversas (supermercados, indús- trias) e de compras da Agricultura Familiar realizadas por meio do PAA para serem distribuí- dos para entidades assistenciais. • Armazéns, Mercados Municipais e Feiras Livres: espaços para comercialização dos produtos da agricultura familiar. • Restaurantes Populares: Unidade de Alimentação e Nutrição para produção e distribuição de refeições nutritivas e de baixo custo para pessoas em situação de insegurança alimentar. Fonte: Adaptado de REDESAN (2010). sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 3939 FINALIDADES DO PROGRAMA ALIMENTA BRASIL I. incentivar a agricultura familiar e promover a sua inclusão econômica e social, com fomento à produção sustentável, ao processamento e à industrialização de alimentos e à geração de renda; II. incentivar o consumo e a valorização dos alimentos produzidos pela agricultura familiar; III. promover o acesso à alimentação, em quantidade, qualidade e regularidade necessárias, às pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional, sob a perspectiva do direito humano à alimentação adequada e saudável; IV. promover o abastecimento alimentar, por meio de compras governamentais de alimentos, V. apoiar a formação de estoques pelas cooperativas e demais organizações formais da agricul- tura familiar; VI. fortalecer circuitos locais e regionais e redes de comercialização. Figura 1.10 Finalidades do Programa Alimenta Brasil. Fonte: Lei nº 14.284 de 29 de dezembro de 2021criação de ações de SAN que abrangessem questões de disponibilidade, acesso, estabilidade e utilização. A agri- cultura familiar pode ser um veículo de contribuição na organização destas ações. O PAA foi um dos principais programas vinculados à Es- tratégia Fome Zero, tendo a sua continuidade de ações com o PAB. Foi, inicialmente, organizado para atender a compra de produtos advindos diretamente da agricultura familiar e organização de estoques governamentais para distribuição às famílias em situação de vulnerabilidade social. Foi institucionalizado graças a mobilização social de agricultores que visavam ampliação de mercados, ga- rantia de preço e renda (ASSIS; PRIORE; FRANCESCHINI, 2017). Portanto, foi o PAA que deu início ao processo ar- ticulador de inserção da agricultura familiar em Equipa- mentos Públicos de Alimentação e Nutrição. A Figura 1.11 apresenta o mapa dos municípios aderidos ao PAA em 2021, antes da instituição do PAB. Algumas barreiras institucionais foram derrubadas com a implementação do PAA, e agora com o PAB, como a com- pra por Chamada Pública, assim como ocorre no PNAE, o sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 4040 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Figura 1.11 Mapa dos municí- pios aderidos ao PAA em 2021. Fonte: Ministério da Cidadania. que favoreceu a inserção da agricultura familiar (GRISA; SCHNEIDER, 2014). O limite anual de venda por agricul- tor é baixo (Quadro 1.2), o que gera maior número de fornecedores beneficia- dos, que são os agricultores familiares e os demais benefi- ciários que se enquadrem nas disposições da Lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006. A implementação do PAA e do PAB trou- xe, ainda, um incentivo à organização formal da agricultura familiar por meio de associações e cooperativas, viabilizando a inserção no pro- grama, uma vez que têm prioridade no acesso ao mesmo (COSTA; AMORIN JÚNIOR, SILVA, 2015). Entre os anos de 2003 e 2013 houve um investimento de mais de R$ 5 bilhões em compras da agricultura familiar e adquiridas cerca de 4 milhões de toneladas de 578 ti- pos de alimentos (CAMPOS et al., 2014), sendo que os mais representativos foram leite e derivados, hortaliças e frutas, feijão, arroz, cereais, castanhas, mandioca, car- nes, pescados, ovos, sucos e polpas de frutas (CAMARA INTERMINISTERIAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRI- CIONAL, 2014). fique atento O PAB traz dois perfis de beneficiários: população em situação de insegurança alimentar e nutricional, ou seja, grupos em vulnerabilidade social e o outro dito como beneficiários forne- cedores, que são os agricultores familiares e os demais beneficiários que se enquadrem nas disposições da Lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006. Ou seja, as ações do PAB contribuem para redução da pobreza e fome no campo, promoção de alimentação diversificada e pode ser um facilitador de acesso aos alimentos (KEPPLE, 2014; BRASIL, 2021b). sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 4141 Q ua dr o 1. 2 As m od al id ad es d o Pr og ra m a Al im en ta B ra sil (P AB ), su as fo rm as d e ac es so , l im ite s d e ve nd a, o rig em d os re cu rs os e p rin ci pa is aç õe s M od al id ad e Fo rm a de ac es so Li m ite a nu al O rig em d o Re - cu rs o Aç õe s Co m pr a da A gr ic ul tu ra Fa m ili ar p ar a Do aç ão Si m ul tâ ne a In di vi du al R$ 1 2 m il Go ve rn am en ta l Re sp on sá ve l pe la d oa çã o de p ro du to s ad qu iri do s da a gr icu ltu ra fa m ili ar a p es so as e m s itu aç ão d e in se gu ra nç a al im en ta r e nu tr i- ci on al . O rg an iza çõ es (c oo pe ra tiv as / as so ci aç õe s) R$ 2 .0 00 .0 00 ,0 0 (d oi s m ilh õe s d e re ai s) Fo rm aç ão d e Es to qu es In di vi du al R$ 1 2 m il Go ve rn am en ta l Di sp on ib ili za re cu rs os p ar a qu e or ga ni za çõ es d a ag ric ul tu ra fa m i- lia r c om pr em p ro du to s d e se us a gr ic ul to re s, b en efi ci em e m an te - nh am e m e st oq ue p ró pr io , v isa nd o ag re ga çã o de va lo r à p ro du çã o e su st en ta çã o de p re ço s p ar a co m er ci al iza çã o. O rg an iza çõ es (c oo pe ra tiv as / as so ci aç õe s) R$ 2 .0 00 .0 00 ,0 0 (d oi s m ilh õe s d e re ai s) Co m pr a Di re ta d a Ag ri- cu ltu ra F am ili ar – C DA F In di vi du al R$ 1 2 m il Go ve rn am en ta l Vo lta da à a qu isi çã o de p ro du to s e m si tu aç ão d e ba ix a de p re ço o u em fu nç ão d a ne ce ss id ad e de a te nd er à s d em an da s d e al im en to s de p ro gr am as e d e po pu la çõ es e m s itu aç ão d e in se gu ra nç a al i- m en ta r e n ut ric io na l. O rg an iza çõ es (c oo pe ra tiv as / as so ci aç õe s) In ce nti vo à P ro du çã o e Co ns um o de Lei te In di vi du al R$ 3 0 m il Go ve rn am en ta l As se gu ra a d ist rib ui çã o gr at ui ta d e le ite e m a çõ es d e co m ba te à fo m e e à de sn ut riç ão d e pe ss oa s em s itu aç ão d e in se gu ra nç a al i- m en ta r e n ut ric io na l e fo rt al ec er a p ro du çã o le ite ira . A te nd e ao s es ta do s d o N or de st e e M in as G er ai s. O rg an iza çõ es (c oo pe ra tiv as / as so ci aç õe s) Co m pr a In sti tu ci on al In di vi du al R$ 3 0 m il Re cu rs o pr óp rio da in sti tu iç ão Co m pr a vo lta da p ar a o at en di m en to d e de m an da s re gu la re s de co ns um o de a lim en to s po r pa rt e de in sti tu iç õe s da U ni ão , E st a- do s, D ist rit o Fe de ra l e M un ic íp io s. O rg an iza çõ es (c oo pe ra tiv as / as so ci aç õe s) R$ 6 .0 00 .0 00 ,0 0 (s ei s m ilh õe s d e re ai s) Fo nt e: C O N AB ; P rio re e t a l. (2 02 1) ; B RA SI L (2 02 1a ) e B RA SI L (2 02 1b ). sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 4242 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 8. COMPREENDENDO O PAA/PAB – MODALIDADE DE INCENTIVO À PRODUÇÃO E CONSUMO DE LEITE Esta modalidade tem por objetivo aumentar o consumo de leite de famílias em situação de insegurança alimen- tar e nutricional e ampliar a produção de leite dos agri- cultores familiares (Figura 1.12). Entre os alimentos que podem ser adquiridos nesta modalidade estão o leite de vaca e cabra e devem ser adequados segundo as normas sanitárias (SECRETARIA ESPECIAL DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL, 2020). Os Estados que podem participar desta modalidade são os que possuem, pelo menos, um muni- cípio na região do semiárido brasileiro (Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Minas Gerais), sendo que em Minas Gerais englo- ba as regiões norte e nordeste do estado (BRASIL. 2020a). A execução desta modalidade dá-se pela parceria entre as Unidades Executoras e laticínios. Estes estabelecimen- tos ficam responsáveis por coletar, pasteurizar, embalar e fazer o transporte do leite até os pontos de distribuição às famílias em situação de insegurança alimentar e nutri- cional. Figura 1.12 Os objetivos da modalidade de Incentivo a produção e consumo de leite. Fonte: Brasil, 2020. OBJETIVOS DA MODALIDADE DE INCENTIVO A PRODUÇÃO E CONSUMO DE LEITE • Contribuir com complementação para o abastecimento alimentar de famílias que estejam em situação de vulnerabilidade social e/ou estado de insegurança alimentar e nutricional por meio da distribuição gratuita de leite • Fortalece o setor produtivo local e a agricultura familiar, garantindo a compra do leite dos agri- cultores familiares com prioridade para aqueles agrupados em organizações fornecedores e/ou inscritos no Cadastro Único para o Programas Sociais do Governo Federal – CadÚnico, a preços justos • Incorporar o produto leite aos demais circuitos de abastecimento do PAA por meio do atendi- mento a instituições formalmente constituídas caracterizadas como Unidades Recebedora tais como definidas em Resolução do Grupo Gestor do PAA que dispõe acerca da destinação de alimentos adquiridos no âmbito do Programa. sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 4343 Segundo a Secretaria Especial do Desenvolvimento Social (2020), os beneficiários consumidores são: indivíduos em situação de insegurança alimen- tar e nutricional, aqueles atendidos pela rede socioassistencial, pelos equipamentos de ali- mentação e nutrição, pelas demais ações de ali- mentação e de nutrição financiadas pelo Poder Público e, em condições específicas definidas pelo Grupo Gestor do PAA, aqueles atendidos pela rede pública de ensino e de saúde e que estejam sob custódia do Estado em estabeleci- mentos prisionais e em unidades de internação do sistema socioeducativo (SECRETARIA ESPE- CIAL DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL, 2020). As famílias beneficiárias do programa poderão receber até sete litros de leite por semana (BRASIL, 2020). A participação do agricultor familiar no programa leite é condicionada a ter a DAP e comprovar a vacinação dos animais. O agricultor pode receber, anualmente, até R$ 30.000,00 (trinta mil reais) por unidade familiar, não sen- do cumulativo caso ele não consiga atender o máximo de valor disponível. 9. ESTABELECIMENTO DE OUTROS SISTEMAS AGROALIMENTARES LOCAIS Além dos mercados institucionais, têm-se os mercados informais, como as feiras, para a inserção e incentivo à participação da agricultura familiar. Nestes locais é possí- vel estabelecer uma relação de proximidade com o agri- cultor, permitindo o compartilhamento de significados do alimento comercializado. Estas relações estabelecidas entre produtor-consumidor contribuem para construção “” sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 4444 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite social de mercados, dando autonomia ao agricultor, além de poder perpassar por princípios de economia solidária e de agroecologia (VEDANA, 2013; SILVA, 2019; VERANO, 2019). A inserção de alimentos ditos como tradicionais neste es- paço de troca, não somente de comercialização que são as feiras, oportunizam ao agricultor a inserção de alimen- tos como queijos e doces. 10. REFERÊNCIAS ALIANÇA PELA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA E SAUDÁVEL. Comida, memória e afeto: Minas Gerais 300 anos/ Organizado por Pires et al. Belo Horizonte: Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável – Núcleo MG, 2021 p. 69. ASSIS, S. C. R.; PRIORE, S. E.; FRANCESCHINI, S. C. C. Impacto do Programa de Aquisição de Alimentos na Segurança Alimentar e Nutricional dos agricultores. Ciênc. saúde coletiva, 2017, vol. 22, n. 2, pp. 617-626. BRASIL, Decreto Nº 10.880, de 2 de dezembro de 2021. Regulamenta o Programa Alimenta Brasil, instituído pela Medida Provisória nº 1.061, de 9 de agosto de 2021. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, agosto. 2021a. BRASIL, Lei nº 11.326 de 24 de julho 2006. Estabelece as diretrizes para a formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, jul. 2006b. BRASIL, Lei nº 11.346 de 24 de julho de 2006. Cria o Sis- tema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN com vistas em assegurar o direito humano sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 4545 à alimentação adequada e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, jul. 2006a. BRASIL. Lei nº 11.947 de 16 de julho de 2009. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2009. BRASIL, Lei nº 14.284, de 29 de dezembro de 2021. Ins- titui o Programa Auxílio Brasil e o Programa Alimenta Brasil. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, dezembro. 2021b. BRASIL. Ministério da Educação. Fundo Nacional do De- senvolvimento da Educação. Resolução CD/FNDE nº 6 de 8 de maio de 2020. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar aos alunos da educação básica no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2020. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Balanço de Avaliação da Execução do Programa de Aquisição de Alimentos - PAA 2003 a 2010. Brasília; 2010. BRASIL, Resolução Nº 82, de 1 de julho de 2020. Estabele- ce as normas que regem a modalidade à Produção e aoconsumo de Leite PAA – Leite do Programa de Aquisi- ção de Alimentos – PAA. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, julho. 2020 (a). BRASIL, Resolução nº 85, de 10 de agosto de 2020. Altera a Resolução nº 82 de 1 de julho de 2020, que esta- belece as normas que regem a modalidade Incentivo à Produção e ao Consumo de Leite PAA - Leite do Programa de Aquisição de Alimentos - PAA. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, agosto. 2020 (b) sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 4646 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite CAMARGO, R.A.L.; BACCARIN, J. G.; SILVA, D. B. P. O papel do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no fortalecimento da agricultura familiar e promoção da segurança alimentar e nutricional. Temas de Adminis- tração Pública. 2013. CAMPOS, A.; MULLER, L.; RAHAL, L. S.; SCHRODER, M.; DEL PORTO, E. B.; KROEFF, D. R. A inclusão produtiva rural no plano Brasil Sem Miséria: síntese da experi- ência recente em políticas públicas para o atendimen- to dos mais pobres no rural brasileiro. In: Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). O Brasil sem Miséria. Brasília: MDS. p. 447-466, 2014. COSTA, B. A. L. AMORIM JUNIOR, P. C.; SILVA, M. C. As Cooperativas de Agricultura Familiar e o Mercado de Compras Governamentais em Minas Gerais. Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 53, n. 1, p. 109- 126, 2015. FERREIRA NETO, J.A.; REIS, B. S; RODRIGUES, A.X. et al. Políticas Públicas e Agricultura Familiar. Caracterís- ticas e mecanismos de acesso. Viçosa, MG: Ed. UFV, 2019. 161p FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNI- TED NATIONS - FAO. The state of food security and nutrition in the world. Transforming food systems for affordable healthy diets. Rome, 2020. FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNI- TED NATIONS - FAO. Questões sociais e de gênero. Disponível em: http://www.fao.org/dairy-production- -products/socio-economics/social-and-gender-issues/ en/. Acesso em 09 de março de 2021. GRISA, C. SCHNEIDER, S. Três gerações de políticas públi- cas para a agricultura familiar e formas de interação entre sociedade e estado no Brasil. Rev. Econ. Sociol. Rural. v. 52, 2014. sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 4747 HIGH LEVEL PANEL OF EXPERTS ON FOOD SECURITY AND NUTRITION - HLPE. Sustainable agricultural develop- ment for food security and nutrition: what roles for livestock? A report by the High Level Panel of Experts on Food Security and Nutrition of the Committee on World Food Security, Rome, 2016. KEPPLE, A. W. O estado da segurança alimentar e nutricional no Brasil: Um retrato multidimensional. Brasília: FAO, Relatório, 2014. MALUF, R. 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OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DO MILÊNIO - ODS. Os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável. Disponível em: http://www.agenda2030. com.br/ods/12/. Acesso em: 29 nov. 2020. sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 4848 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite PRIORE, S. E.; TRIVELLATO, P. T.; LOPES, S. O. et al. Comercialização da Agricultura Familiar no desen- volvimento da Segurança Alimentar e Nutricional, FUNARBE, p. 185, 2021 (no prelo). SCHNEIDER, S.; FERRARI, D. V. Cadeias curtas, coopera- ção e produtos de qualidade na agricultura familiar – o processo de relocalização da produção agroali- mentar em Santa Catarina. Organizações Rurais & Agroindustriais, v. 17, n. 1, p. 56-71, 2015. SECRETARIA ESPECIAL DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL. Secretaria nacional de inclusão social e produtiva. Re- solução nº 82, de 1º de julho de 2020. Estabelece as normas que regem a modalidade Incentivo à Produ- ção e ao Consumo de Leite PAA - Leite do Programa de Aquisição de Alimentos- PAA. SILVA, R. N. Feira de agricultura familiar e economia soli- dária: implementação, desenvolvimento e situação de (in) segurança alimentar e nutricional das famílias expositoras. (Dissertação) Mestrado em Agroecologia. Universidade Federal de Viçosa, Viçosa-MG, 2019. 177p. TRIVELLATO, P. T. et al. Food and nutrition (in) security in families of farmers who supply the National School Feeding Program. Revista de Nutrição, Campinas, v. 32, p. 1-10, 2019. TRIVELLATO, P. T. Programa Nacional de Alimentação Es- colar (PNAE): participação da agricultura familiar em Viçosa-MG e a situação de (in) segurança alimentar e nutricional de famílias de agricultores fornecedores. (Dissertação) Mestrado em Agroecologia. Universida- de Federal de Viçosa, Viçosa-MG, 2018. 211 p. VEDANA, V. Fazer a feira e ser feirante: a construção co- tidiana do trabalho em mercados de rua no contexto urbano. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 19, n. 39, p. 41-68, 2013. sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 4949 VERANO, T. C. Feiras municipais como alternativa de co- mercialização para agricultores familiares. (Disserta- ção) Mestrado em Agronegócio. Universidade Federal de Goiás, Goiânia-GO, 2019. 95 p. sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 5050 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite ANEXOS1 MODELO 1 - PROPOSTA DE PESQUISA DE PREÇO PARA O PNAE Pr od ut os M er ca do 1 N om e: CN PJ : En de re ço : M er ca do 2 N om e: CN PJ : En de re ço : M er ca do 3 N om e: CN PJ : En de re ço : Pr eç o M éd io Pr eç o de Aq ui si çã o 1 Veja anexos da Resolução nº 06 de 2020 do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação do Ministério da Educação. "Priori- zar os mercados da agricultura familiar, como feiras livres e outros. Na definição dos preços de aquisição dos gêneros alimentícios da Agricultura Familiar e/ou dos Empreendedores Familiares Rurais ou suas organizações, a Entidade Executora deverá considerar todos os insumos exigidos, tais como despesas com frete, embalagens, encargos e quaisquer outros necessários para o fornecimen- to do produto. Estas despesas deverão ser acrescidas ao preço médio para definir o preço de aquisição” (BRASIL, 2020). sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 5151 MODELO 2 – PROJETO DE VENDA GRUPOS FORMAIS PR O JE TO D E VE N DA D E G ÊN ER O S AL IM EN TÍ CI O S DA A G RI CU LT U RA FA M IL IA R PA RA A LI M EN TA ÇÃ O E SC O LA R/ PN AE ID EN TI FI CA ÇÃ O D A PR O PO ST A DE A TE N DI M EN TO A O E DI TA L/ CH AM AD A PÚ BL IC A N º- - I – Id en tifi ca çã o do s f or ne ce do re s - G ru po fo rm al 1. N om e do P ro po ne nt e 2. C N PJ 3. E nd er eç o 4. M un ic íp io /U F 5. E -m ai l6. Te le fo ne 7. C EP 8. N º DA P Ju ríd ic a 9. B an co 10 . A gê nc ia C or re nt e 11 . C on ta N º da C on ta 12 . N º de A ss oc ia do s 13 . N º de A ss oc ia do s d e ac or do c om a L ei n º 11 .3 26 /2 00 6 14 . N º de A ss oc ia do s c om D AP F ísi ca 15 . N om e do re pr es en ta nt e le ga l 16 .C PF 17 .D DD /T el ef on e 18 . E nd er eç o 19 . M un ic íp io /U F ID EN TI FI CA ÇÃ O D A EN TI DA DE E XE CU TO RA D O P N AE /F N DE /M EC 1. N om e da E nti da de 2. C N PJ 3. M un ic íp io /U F 4. E nd er eç o 5. D DD /T el ef on e 6. N om e do re pr es en ta nt e e e- m ai l 7. C PF RE LA ÇÃ O D E PR O DU TO S 1. Pr od ut o 2. U ni da de 3. Q ua nti da de 4. P re ço d e Aq ui siç ão * 5. C ro no gr am a de E nt re ga d os p ro du to s 4. 1. U ni tá rio 4. 2. To ta l 1 2 3 4 5 6 O bs .: * Pr eç o pu bl ic ad o no E di ta l n º __ _/ __ __ (o m es m o qu e co ns ta n a Ch am ad a Pú bl ic a) . De cl ar o es ta r d e ac or do c om a s c on di çõ es e st ab el ec id as n es te p ro je to e q ue a s i nf or m aç õe s a ci m a co nf er em c om a s c on di çõ es d e fo rn ec im en to . Lo ca l e D at a: As sin at ur a do R ep re se nt an te d o Gr up o Fo rm al Te le fo ne /E -m ai l: sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 5252 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite MODELO 3 – PROJETO DE VENDA GRUPOS INFORMAIS PR O JE TO D E VE N DA D E G ÊN ER O S AL IM EN TÍ CI O S DA A G RI CU LT U RA FA M IL IA R PA RA A LI M EN TA ÇÃ O E SC O LA R/ PN AE ID EN TI FI CA ÇÃ O D A PR O PO ST A DE A TE N DI M EN TO A O E DI TA L/ CH AM AD A PÚ BL IC A N º- - I – Id en tifi ca çã o do s f or ne ce do re s - G ru po in fo rm al 1. N om e do P ro po ne nt e 2. C N PJ 3. E nd er eç o 4. M un ic íp io /U F 5. C EP 6. E -m ai l 7. Te le fo ne 8. O rg an iza do p or E nti da de A rti cu la do ra ( ) S im ( ) N ão 9. N om e da E nti da de A rti cu la do ra (q ua nd o ho uv er ) 10 . E -m ai l/T el ef on e Ii – fo rn ec ed or es p ar tic ip an te s 1. N om e do A gr ic ul to r( a) F am ili ar 2. C PF 3. D AP 4. B an co 5. N º Ag ên ci a 6. N º Co nt a Co rr en te ID EN TI FI CA ÇÃ O D A EN TI DA DE E XE CU TO RA D O P N AE /F N DE /M EC 1. N om e da E nti da de 2. C N PJ 3. M un ic íp io /U F 4. E nd er eç o 5. D DD /T el ef on e 6. N om e do re pr es en ta nt e e e- m ai l 7. C PF RE LA ÇÃ O D E FO RN EC ED O RE S E PR O DU TO S 1. Id en tifi ca çã o do a gr ic ul to r 2. P ro du to 3. U ni da de 4. Q ua nti da de 5. P re ço d e Aq ui siç ão * 6. Va lo r To ta l (p or a gr ic ul to r) e va lo r t ot al d o pr oj et o 5. 1. U ni tá rio 5. 2. To ta l O bs .: * Pr eç o pu bl ic ad o no E di ta l n º __ _/ __ __ (o m es m o qu e co ns ta n a Ch am ad a Pú bl ic a) . co nti nu a. .. sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 5353 TO TA LI ZA ÇÃ O P O R PR O DU TO 1. P ro du to 2. U ni da de 3. Q ua nti da de 4. P re ço /U ni da de 5. V al or To ta l p or P ro du to 6. C ro no gr am a de E nt re ga d os Pr od ut os De cl ar o es ta r d e ac or do c om a s c on di çõ es e st ab el ec id as n es te p ro je to e q ue a s i nf or m aç õe s a ci m a co nf er em c om a s c on di çõ es d e fo rn ec im en to . Lo ca l e D at a: As sin at ur a do R ep re se nt an te d o Gr up o In fo rm al Te le fo ne /E -m ai l: Lo ca l e D at a: Ag ric ul to re s ( as ) F or ne ce do re s ( as ) d o Gr up o In fo rm al As sin at ur a 1. 2. 3. ... co nti nu aç ão sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 5454 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite MODELO 4 – PROJETO DE VENDA AGRICULTOR INDIVIDUAL PR O JE TO D E VE N DA D E G ÊN ER O S AL IM EN TÍ CI O S DA A G RI CU LT U RA FA M IL IA R PA RA A LI M EN TA ÇÃ O E SC O LA R/ PN AE ID EN TI FI CA ÇÃ O D A PR O PO ST A DE A TE N DI M EN TO A O E DI TA L/ CH AM AD A PÚ BL IC A N º- - I – Id en tifi ca çã o do fo rn ec ed or – A gr ic ul to r i nd iv id ua l 1. N om e do P ro po ne nt e 2. C N PJ 3. E nd er eç o 4. M un ic íp io /U F 5. C EP 6. N º da D AP F ísi ca 7. Te le fo ne 8. E -m ai l ( se h ou ve r) 9. B an co 10 . N º da A gê nc ia 11 . N º da C on ta C or re nt e RE LA ÇÃ O D E PR O DU TO S 1. Pr od ut o 2. U ni da de 3. Q ua nti da de 4. P re ço d e Aq ui siç ão * 5. C ro no gr am a de E nt re ga d os pr od ut os 4. 1. U ni tá rio 4. 2. To ta l 1 2 3 4 5 6 O bs .: * Pr eç o pu bl ic ad o no E di ta l n º __ _/ __ __ (o m es m o qu e co ns ta n a Ch am ad a Pú bl ic a) . ID EN TI FI CA ÇÃ O D A EN TI DA DE E XE CU TO RA D O P N AE /F N DE /M EC 1. N om e da E nti da de 2. C N PJ 3. M un ic íp io /U F 4. E nd er eç o 5. D DD /T el ef on e 6. N om e do re pr es en ta nt e e e- m ai l 7. C PF De cl ar o es ta r d e ac or do c om a s c on di çõ es e st ab el ec id as n es te p ro je to e q ue a s i nf or m aç õe s a ci m a co nf er em c om a s c on di çõ es d e fo rn ec im en to . Lo ca l e D at a: As sin at ur a do R ep re se nt an te d o Gr up o Fo rm al Te le fo ne /E -m ai l: 2 Ca pít ul o 2 Polyana Pizzi Rotta Doutora em Zootecnia, professora do Departamento de Zootecnia - UFV Lorraina Stefanie Moreira De Paula Graduanda em Medicina Veterinária - UFV Erica Beatriz Schultz Doutora em Zootecnia, professora do Departamento de Zootecnia - UFV Antônio Paulo De Oliveira Neto Doutorando em Zootecnia - UFV Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 5555 sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 5656 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 5757 1. HISTÓRICO DA BRUCELOSE E DA TUBERCULOSE A brucelose é uma antropozoonose, ou seja, uma doen- ça própria de animais, que é transmitida a humanos e, portanto, é importante para a saúde pública, visto que seu tratamento necessita de uso de antimicrobianos por um período prolongado. Ela também gera prejuízos eco- nômicos na pecuária leiteira por causar abortos, redução da produtividade de leite, aumento no intervalo de partos e gerar restrições comerciais, tanto de animais quanto de seus produtos e derivados, de forma que o prejuízo gerado é difícil de ser mensurado (NICOLETTI, 2010; OIE, 2018). A doença foi diagnosticada pela primeira vez no Brasil em 1914 por Dantos Seixas no Rio de Janeiro. A partir daí, estudos foram realizados identificando foco da doença e outros animais soropositivos. Diante dessa circunstânciae do relato de disseminação da doença para todo o país, estipulando uma prevalência de 10 a 20%, propostas fo- ram lançadas para conter essa dispersão. Então, por volta da década de 1940, medidas nacionais foram instaladas a partir da demanda e de propostas baseadas em pro- gramas de outros países. De início criou-se o Decreto de Lei n°6922 de 4 de outubro de 1944, que estabeleceu a identificação de bovinos vacinados, seguido pela regula- mentação de importação e exportação de animais, que deveriam ser soronegativos com repetição dos testes na fronteira. Foi criado outro regulamento de Controle de Trânsito interno de animais, permitindo apenas o trans- porte de positivos para os frigoríficos, e aqueles destina- dos à exposição deveriam ser livres da doença. Em 1976 houve a criação da Portaria n° 23 (MAPA) que previa a notificação dos focos, com abate dos animais po- Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 5858 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite sitivos e vacinação de fêmeas entre três e oito meses de idade (PAULIN e FERREIRA NETO, 2002). É válido destacar que, nesse período, apenas os estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul se empenharam na implementação do programa de controle de brucelose bovina. Mais tarde, a vacinação passou a ser obrigatória para as bezerras de quatro a oito meses e a realização de teste sorológico em todos os plantéis com marcação dos vacinados e dos ani- mais reagentes (PAULIN e FERREIRA NETO, 2002). Em Minas Gerais realizou-se, primeiramente, um estudo em fêmeas bovinas com mais de um ano de idade, re- velando que 6,7% dos animais eram positivos aos testes e que havia, pelo menos, um animal positivo em 20,5% das propriedades analisadas. Em virtude disso, a vacina- ção que antes era voluntária para bezerras de três a oito meses, logo se tornou obrigatória para bovinos em 1994 (PAULIN e FERREIRA NETO, 2002). No entanto, ainda tem sido negligenciada em caprinos. A tuberculose bovina é importante para a saúde públi- ca por fazer parte do complexo que integra o Mycobac- terium tuberculosis. Ela possui especial importância em locais com alto consumo de leite e derivados não pasteu- rizados ou não fervidos, entre pessoas que residem em áreas rurais e em profissionais do campo (veterinários, ordenhadores, funcionários de frigoríficos, entre outros) (BRASIL, 2019). Segundo Ferreira Neto e Bernardi (1997) citado por Júnior e Souza (2008), a doença em humanos começou a ser in- vestigada em 1810 ao relacionar a ocorrência de escró- fula (tuberculose linfática) em crianças que consumiam leite de vaca, porém relacionando equivocadamente tal sintomas a fatores nutricionais. Ademais, Klencke (1846) Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 5959 notou uma maior frequência de linfadenite tuberculosa em crianças amamentadas com leite de vaca ao invés de leite materno, concluindo, dessa forma, que o leite pode- ria ser a fonte da doença. Mais tarde, Villemin, em 1865, inoculou o material coletado de vacas doentes em coe- lhos e conseguiu, dessa forma, reproduzir a tuberculose experimentalmente (FERREIRA NETO e BERNARDI, 1997, apud JÚNIOR e SOUZA, 2008). Ainda, em 1882 Robert Koch cultivou o agente responsá- vel pela doença nos bovinos e homens, corando-o pela fucsina-anilina e isolando-o em meio de cultura e o deno- minou “Tuberkelbacillen" (bacilo da tuberculose)” (ROXO, 1996). A partir de 1911 foi reconhecido que a tuberculose apresentava um risco para saúde pública e, com isso, vá- rios países iniciaram programas de controle da doença. Tais medidas incluem rotinas de inspeção de carnes, pas- teurização do leite e medidas de controle da doença nas populações de animais. Diante disso, por representar um fator de risco para a ca- deia produtiva do leite e da carne, estar diretamente re- lacionada com a segurança alimentar e nutricional e com a própria imagem do país perante o mercado mundial, após anos de medidas com baixa eficácia, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) instituiu o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelo- se e Tuberculose (PNCEBT) (POESTER, 2009). Dessa forma, foi possível determinar um padrão a ser seguido por cada Unidade Federativa, cujo embasamento é condizente com condutas internacionais, e que também são adaptá- veis às condições heterogêneas do país. Tal programa foi desenvolvido com o objetivo de diminuir a prevalência e incidência das doenças. Para isso, utiliza-se medidas com- pulsórias que consistem na vacinação de bezerras entre Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 6060 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite três e oito meses de idade e o controle do trânsito de ani- mais e como medida de adesão voluntária, a certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose, asso- ciadas a medidas complementares necessárias para que o programa seja efetivo (MAPA, 2006). Em conjunto com essas ações, em pequenos ruminantes (ovinos e caprinos) com o objetivo de fiscalizar, prevenir, controlar e, quando possível, estabelecer ações para er- radicar as principais doenças, como a brucelose e tuber- culose, foi lançado o Programa Nacional de Sanidade de Caprinos e Ovinos (PNSCO) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), através da Instrução Normativa Nº 87, em 10 de dezembro de 2004. Ao longo dos anos, cada país adequou a distribuição de recursos à sua realidade. Dentre os programas de contro- le e erradicação no mundo, estratégias como vacinação, realização de testes e abates de soropositivos, utilizados de forma associada ou não, foram frequentemente apli- cados e geraram resultados significativos no controle e/ ou erradicação da doença. Além dessas, outras ações complementares foram empregadas e envolviam diver- sos aspectos, a depender do país, tais como: vigilância, registro e identificação de animais, controle de transpor- te baseados em testes, credenciamento de veterinários e laboratórios, supervisão sobre a aplicação de vacinas e abate de animais positivos, educação e conscientização para produtores, suporte legal e cooperação entre vários departamentos (ZHANG et al., 2018). O Brasil adota gran- de parte dessas medidas. A realização de teste com abate de animais positivos é um método que visa a erradicação da doença. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 6161 2. PREVALÊNCIA DA BRUCELOSE E DA TUBERCULOSE NO BRASIL Antes da instalação do programa, a prevalência das doen- ças no país era desconhecida e não havia meios padroni- zados para o levantamento desse dado a nível nacional. No entanto, após o lançamento do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose e o PNSCO, o MAPA e o Centro Colaborador em Saúde Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Uni- versidade de São Paulo (FMVZ/USP) padronizaram a me- todologia para realizar os estudos transversais em todas as unidades federativas (UF) do país para, assim, conhe- cer a prevalência da brucelose e tuberculose em bovinos e os fatores de riscos. Com esse levantamento e após a revisão do regulamento técnico, o PNCEBT começou a utilizar a classificação das UFs de acordo com as prevalências de brucelose e tuber- culose. Essa classificação serviu como base para a deter- minação de risco para as duas doenças e, com isso, definir estratégias obrigatórias de saneamento para serem ado- tadas por cada estado visando baixar tais prevalências, nos termos da Instrução Normativa SDA nº 10/2017. Esse levantamento foi muito importante para conhe- cer a real situação dos estados brasileiros. A partir dele, foi possível também traçar a medida comple- mentar de saneamento correspondente à situaçãode cada local. Nas UFs classe E é previsto que a vacinação tenha cobertura acima de 80% e que seja desenvolvi- do estudo soroepidemiológico de brucelose. Nas UFs D e C, também é requisitada a vacinação de 80% dos animais. Na classe B, 80% dos animais devem ser va- cinados, com saneamento obrigatório dos focos de- Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 6262 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite tectados e vigilância epidemiológica para detecção de focos. Em UFs de classe A é obrigatório o saneamento em focos detectados, mais a vigilância epidemiológica para detecção de focos (BRASIL, 2020). Tabela 2.1 Classificação das UFs de acordo com grau de risco para Brucelose e Tuberculose. UF BRUCELOSE TUBERCULOSE Acre E E Alagoas E E Amapá E E Amazonas E E Bahia B A Ceará E E Distrito Federal B C Espírito Santo C D Goiás D C Maranhão D E Mato Grosso D A Mato Grosso do Sul D A Minas Gerais B C Pará E E Paraíba B E Paraná B B Pernambuco B B Piauí E E Rio de Janeiro D E Rio Grande do Norte E E Rio Grande do Sul B E Rondônia D B Roraima E B Santa Catarina A E São Paulo D A Sergipe D E Tocantins C A Fonte: BRASIL, 2017. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 6363 Tabela 2.2 Classificação de risco para brucelose bovina e bubalina. Focos preva- lência (%) Classe Nível Inicial Qualidade da execução das ações Baixa Média Alta semelhan- tes em bovinos e caprinos. Ao atingirem a maturidade sexual, por haver a produção do Eritritol, este potencializa o crescimento da bactéria no útero e nos testículos. O sinal mais característico são os abortos que ocor- rem após o quinto mês de gestação em va- cas e novilhas e no terceiro e quarto mês de gestação de cabras e cabritas. Além disso, pode ocorrer metrites, mastites, inchaço da glândula mamária para a região do umbigo, retenção de placenta e sangramento da vul- va. Em geral, o aborto ocorre na gestação inicial, ou seja, na gestação após a infecção. Depois do primeiro aborto, cerca de 90% das vacas infectadas continuam crônicas, permanecendo, assim, com a bactéria alojada no tecido do úbere ou nódulos linfáticos durante toda sua vida, (PREEZ, 2015; PRIYANKA et al., 2019). Nos touros e bodes, a febre é a principal manifestação clínica, mas observa-se, também, inflamação dos órgãos genitais, como testículo, epidídimo, vasos deferentes, e redução da fertilidade. 3.2. Tuberculose A tuberculose é uma doença zoonótica causada pela bac- téria Mycobacterium bovis que provoca lesões granuloma- tosas afetando as espécies bovinas e bubalinas (BRASIL, Figura 2.7 Ingestão de colostro por bezerro e cabrito, repre- senta um meio de contami- nação. Fotos: Victória Bozi (Bezerro); Erica Schultz (Cabrito). Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 7070 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 2017). O homem pode se infectar, principalmente, pelo consumo de leite cru. Embora hospedeiros primários se- jam os bovinos, a bactéria Mycobacterium bovis pode le- var a ocorrência de tuberculose em caprinos, assim como Mycobacterium avium e o Mycobacterium tuberculosis. A bactéria é um Bacilo Álcool-Ácido Resistente (BAAR), ou Ziehl-Neelsen (ZN) positivos. São microrganismos intrace- lulares, aeróbios, imóveis e, apesar de não esporulados, as características da sua membrana celular os tornam hi- drófobos, ou seja, aversos a água e resistentes a adversi- dades do ambiente (QUINN et al., 2005). A principal forma de contaminação é pela via orofaríngea, tanto para caprinos quanto em bovinos. As vias transpla- centárias, intrauterinas e coito são consideradas inexis- tentes e muito raras em bovinos e caprinos. Além disso, a bactéria pode ser eliminada pelas fezes, leite, corrimento nasal, respiração, urina, secreção uterina, vaginais e sê- men (O'REILLY, 1995; ROXO, 1997). Mycobacterium bovis pode permanecer no ambiente, mas sem replicação, devido sua resistência razoável ao Figura 2.8 Bezerros recém nascidos podem ser uma fonte de contaminação, por isso é necessário cuidado ao manejá- -los. Foto: Victória Bozi. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 7171 calor, dessecação e a vários desinfetantes, como compos- tos quaternários de amônia e clorexidina, que podem ser ineficazes na sua destruição, sendo o cloro razoavelmente eficiente (ROXO, 2014). As características clínicas e patológicas em caprinos são si- milares ao que ocorrem com os bovinos, sendo relatado: anorexia, aumento do volume de linfonodos, disfunção respiratória com tosse, diarreia aguda ou crônica, dimi- nuição da produção de leite, perda de peso progressiva, levando a caquexia. 4. EXIGÊNCIAS LEGAIS PARA PROPRIEDADE LIVRE DE BRUCELOSE E TUBERCULOSE O certificado de propriedade livre de brucelose e/ou tu- berculose é de adesão voluntária e tem validade nacional. Vale ressaltar que este certificado é específico para bovi- nos, sendo inexistente uma certificação para os caprino- cultores. Para adquirir, o produtor deve entrar em conta- to com a unidade local de serviço veterinário estadual na qual a fazenda está cadastrada, onde realizará uma solici- tação formal para dar início ao processo. Depois é neces- sário apresentação de resultados diagnósticos e vistorias na propriedade. Por exemplo, em Minas Gerais essa certificação é realiza- da pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), que cor- responde à unidade local de Serviço Veterinário Estadual. O produtor deve procurar o escritório do Instituto ao qual pertence sua propriedade, acompanhado por um médi- co veterinário habilitado que possui permissão para exe- cutar determinadas atividades do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCE- BT), sob supervisão do serviço veterinário oficial. O pro- Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 7272 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite dutor deverá preencher os formulários de requerimento e termos de compromisso e, assim, após vistoria oficial do órgão estadual, dar início ao processo de certificação. Para adquirir a certificação pelo IMA é necessário cumprir 5 etapas: 1) solicitar certificação; 2) receber vistoria; 3) en- tregar resultado do 1° exame; 4) entregar resultado do 2° exame e 5) receber parecer final e certificado. O tempo para conclusão total do processo poderá demorar cerca de 14 meses, podendo variar de acordo com o intervalo entre os exames realizados nos animais. O processo pode variar em cada estado, porém os requisitos são os mesmos. Qualquer propriedade que tem o interesse em receber a certificação de livre de brucelose tem que cumprir os se- guintes requisitos: I. Todas as fêmeas do seu rebanho, entre três e oito me- ses de idade, devem ser vacinadas contra a brucelose; II. Devem entregar dois testes consecutivos de todo o rebanho para brucelose, obtendo em ambos o resul- tado negativo, sendo o intervalo entre o primeiro e o segundo teste de seis a doze meses. O primeiro exame pode ser feito em laboratório particular. O segundo deverá ser realizado em laboratório da Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária. Para certificação de livre de tuberculose é necessário que o estabelecimento de criação entregue dois testes de rebanho negativos consecutivos, realizado em animais a partir de seis semanas de idade, em um intervalo de seis a doze meses entre o primeiro e o segundo teste. As propriedades sem bovinos e que irão adquirir animais exclusivamente de criadouros certificados como livres de Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 7373 brucelose e/ou tuberculose, estão dispensados da realiza- ção dos testes diagnósticos (PNCEBT). 4.1. Manutenção do certificado O produtor que tem interesse em manter o certificado de seu estabelecimento deve apresentar ao serviço veteriná- rio oficial testes negativos de diagnóstico de acordo com a certificação da sua fazenda. Ele terá intervalo máximo de doze meses para realização e apresentação desses re- sultados negativos ao órgão oficial, que é composto por autoridades veterinárias, pertencentes ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) ou aos Serviços Veterinários Estaduais, como o IMA, em Minas Gerais. Esse período poderá ser estendido a critério do serviço veterinário oficial, desde que não ocorra irregu- laridades que comprometam a condição sanitária já es- tabelecida. Em casos de resultados inconclusivos nos testes de ma- nutenção e havendo a necessidade de realizar novo teste de diagnóstico, o prazo para apresentação de resultados negativos poderá ser prorrogado, por no máximo, sessen- ta dias para brucelose e noventa dias para tuberculose. Ao alcançar a condição de estabelecimento de criação li- vre de brucelose e/ou tuberculose é obrigatório a execu- ção das medidas de controle e erradicação das doenças. Deverá receber acompanhamento técnico de médico ve- terinário habilitado e possuir um método de identificação individual dos animais, de forma a garantir o monitora- mento dos testes de cada animal do rebanho e arcar com todos os custos de controle.Nesta condição, o médico veterinário oficial poderá, a qualquer momento e sem compromisso com o proprietário, realizar os testes de diagnóstico, tanto para brucelose quanto para tuberculo- Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 7474 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite se, para verificar e validar a condição sanitária do estabe- lecimento, já certificado ou em certificação. 4.2. Suspensão do certificado O certificado de propriedade livre de brucelose e/ou tu- berculose poderá ser suspenso temporariamente caso ocorra a detecção da doença no estabelecimento. Além disso, para brucelose, o não cumprimento das se- guintes normas também resultará em suspensão: • É permitida apenas a entrada de animais na proprieda- de oriundos de estabelecimento de criação certificado livre de brucelose, ou mediante realização de dois tes- tes de diagnóstico para brucelose, cumprindo os se- guintes requisitos: → os dois testes deverão ter resultado negativo; → o primeiro teste deverá ser realizado durante os trinta dias que antecedem o embarque e o segundo teste até sessenta dias após o ingresso no estabelecimen- to de criação de destino. Poderá ter intervalo mínimo de trinta dias entre os testes, sendo que os animais deverão permanecer isolados desde o ingresso no es- tabelecimento até o segundo resultado negativo; → caso não seja possível manter os animais isolados no estabelecimento de criação de destino, os dois testes poderão ser efetuados durante os sessenta dias que antecedem o embarque, em um intervalo de trinta a sessenta dias entre os testes; e → os testes serão realizados por médico veterinário habilitado ou por laboratório da Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária. Ademais, animais oriundos de propriedade livre, que retornam de aglomerações, ficam excluídos da obriga- Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 7575 toriedade de realização dos testes especificados ante- riormente. 4.3. Retorno a condição de livre de brucelose Para retorno à condição de livre de brucelose é necessá- rio obter dois testes de rebanho negativos consecutivos, realizados com intervalo de trinta a noventa dias, sendo o primeiro efetuado de trinta a noventa dias após o aba- te sanitário ou a eutanásia do(s) positivo(s). A colheita de sangue para o segundo teste deverá ser acompanhada por médico veterinário do serviço veterinário estadual e os testes deverão ser efetuados em laboratório da Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários do Sistema Unifi- cado de Atenção à Sanidade Agropecuária. 4.4. Retorno a condição de livre de tuberculose Para retorno à condição de livre de tuberculose é neces- sário obter dois testes de rebanho negativos, realizados com intervalo de noventa a cento e vinte dias, sendo o primeiro realizado de sessenta a noventa dias após o aba- te sanitário ou a eutanásia do(s) positivo(s). A realização do segundo teste de rebanho deverá ser acompanhada por médico veterinário do serviço veterinário estadual. Em ambas as circunstâncias, a unidade local do serviço veterinário estadual deverá ser informada pelo médico veterinário habilitado, com antecedência mínima de sete dias, da data da colheita de sangue para o exame brucelo- se e/ou a data da realização do teste de tuberculose. 4.5. Trânsito de animais de propriedades certificadas Para qualquer finalidade de trânsito, deverá constar no campo 17 da Guia de Transporte de Animais (GTA) a infor- mação de que os animais são procedentes de Propriedade Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 7676 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Livre de Brucelose e Tuberculose. Além disso, os animais oriundos de tais propriedades estão isentos da realização dos testes diagnósticos para serem transportados. 4.6. Cancelamento do certificado O certificado poderá ser cancelado a pedido do produtor ou caso ocorra o descumprimento das normas estabele- cidas. 5. MEDIDAS SANITÁRIAS COMPULSÓRIAS E AÇÕES DE ADESÃO VOLUNTÁRIA 5.1. Medidas compulsórias do PNCEBT 5.1.1. Vacinação No Brasil, a medida compulsória de vacinação de bezerras de três a oito meses (Figura 2.9) pode ser entendida como uma medida de controle, visando a redução da incidência da doença, ou seja, reduzir o número de novos casos e, com isso, reduzir a prevalência, que é o número total de casos de uma determinada população de bovinos, o que reduzirá, consequentemente, o número de casos em hu- manos (NICOLETTI, 2010). Esse método é frequentemente utilizado em programas de controle e tem demonstrado correlação direta na redução de animais positivos na fa- zenda. A vacinação, como visto em outros países, pode controlar a doença, mas sozinha não pode erradicá-la. Além disso, segundo Zinsstag et al. (2005) é recomendado que as campanhas de vacinação em massa contra bruce- lose alcancem pelo menos 80% de cobertura para serem eficazes. Apesar da importância da vacinação em bovinos, o MAPA estabeleceu desde 2004 que não há nenhuma va- cinação obrigatória para caprinos estabelecida no Brasil. Em quase 20 anos de Programa, a vacinação em nível nacional vem atingindo índices satisfatórios, próximo ou Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 7777 superior a 80% de cobertura vacinal, de- monstrando a consolidação do programa, sobretudo nas UFs cuja pecuária é expressi- va. Esse dado foi publicado pelo MAPA em 2020 por meio de um Diagnóstico Situacio- nal, revelando os resultados obtidos até o presente momento com o PNCEBT. O ín- dice vacinal das UFs pode ser conferido na Figura 2.10. 5.1.2. Controle de trânsito de animais O controle do trânsito de animais prevê a necessidade de comprovação de vacinação contra brucelose no estabelecimento de criação de origem dos animais, para qual- quer finalidade de transporte. Além de obrigatória a tal comprovação, é preciso que os bovinos sejam negativos aos testes quando necessitarem de trânsito interesta- dual destinados à reprodução, participação em aglomerações ou destinados aos esta- dos classificados como risco muito baixo ou risco desprezível para brucelose, conforme a Tabela 2.2 deste capítulo. Animais oriun- dos de estados classificados como risco muito baixo, risco desprezível ou de estabelecimentos certificados como li- vre podem ser dispensados dos exames. A apresentação dos resultados negativos aos testes não é obrigatória para a finalidade de transporte de animais para abate imediato. A movimentação de animais positivos por todo país pode significar uma importante forma de disseminação da do- ença, assim como o egresso de animais na propriedade sem comprovação da vacina e dos testes com resultados Figura 2.9 Aplicação da vacina. Foto: Victória Bozi. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 7878 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Meta Índice vacinal 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% MT PE RRMS MG PARS PR PIPA AC SE RNTO RJ AMGO BA ALRO SP MAES DF AP CE Figura 2.10 Índice vacinal de brucelose em bezerras de 3 a 8 meses por UF em 2018 do Brasil. Fonte: Brasil, 2020. negativos. Segundo Zhang (2018), após estudos do histó- rico de 23 países, foi concluído que em três deles a en- trada da brucelose ocorreu pela introdução de animais de outros países com estado de doença desconhecido. No Brasil, Mota et al. (2016) expõem que é necessário a atenção de produtores, sobretudo daqueles com pecuá- ria extensiva, sobre a importância do controle sanitário na comercialização, substituição e aquisição de novos animais na propriedade. Devido a produção extensiva ser caracterizada pelo transporte mais intenso,um dos grandes produtores mundiais de leite. Muitas propriedades dispõem de tecnologia e produtividade que po- dem ser referências mundiais. Temos exemplos de cooperativas que foram responsáveis por organizar grandes bacias leiteiras, que transformaram muitas regiões de nosso país, gerando ren- da e garantindo uma produção organizada, com importante participação no abastecimento do mercado interno e externo. Muitos produtores de queijos artesanais resgataram aspectos culturais regionais, agregando valor ao seu produto, conquis- tando mercado e, mais recentemente, medalhas. Produzimos leite e derivados de bovinos (bos taurus e bos indicus), bubali- nos, caprinos, ovinos e, havendo demanda e necessidade, não seria nenhuma surpresa se viéssemos a nos tornar referência em produção de leite de outras espécies. 88 | VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Este setor é envolvente e complexo. Seu desenvolvimento está diretamente ligado ao conhecimento das mais diversas áreas: sanidade animal, segurança alimentar, políticas públicas, aces- so a mercados, gestão de propriedade, tecnologia de alimentos, entre tantas outras. Nesta esteira, o Ministério da Agricultura e a Universidade Federal de Viçosa, mais uma vez, se valem da parceria SAF/UFV para apresentar o Projeto Lácteos, onde pre- tendemos capacitar, ouvir, discutir e auxiliar na geração de solu- ções. Nosso objetivo é que, após essa experiência, cada cursista possa cruzar a porteira de uma propriedade leiteira ou adentrar em uma agroindústria levando um pouco do conhecimento e vivência adquiridos. Márcio de Andrade Madalena Médico Veterinário Diretor de Cooperativismo e Acesso a Mercados Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 99 sumário CAPÍTULO 1 SISTEMAS ALIMENTARES SUSTENTÁVEIS E AGRICULTURA FAMILIAR .................................................. 19 1. CONTEXTUALIZAÇÃO ............................................................................................................ 21 2. CADEIAS CURTAS DE COMERCIALIZAÇÃO E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 24 3. ARTICULAÇÃO DO SISTEMA ALIMENTAR NA PROMOÇÃO DA SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL ........................................................................................................................ 25 4. INSERÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR NOS MERCADOS ................................................ 29 5. PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR (PNAE) E PROGRAMA ALIMENTA BRASIL (PAB) .......................................................................................................................... 31 6. COMPREENDENDO O PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR (PNAE) ...... 32 7. COMPREENDENDO O PROGRAMA ALIMENTA BRASIL (PAB) ............................................ 38 8. COMPREENDENDO O PAA/PAB – MODALIDADE DE INCENTIVO À PRODUÇÃO E CONSUMO DE LEITE .............................................................................................................. 42 9. ESTABELECIMENTO DE OUTROS SISTEMAS AGROALIMENTARES LOCAIS ....................... 43 10. REFERÊNCIAS ......................................................................................................................... 44 ANEXOS ........................................................................................................................................ 50 MODELO 1 - PROPOSTA DE PESQUISA DE PREÇO PARA O PNAE ...................................... 50 MODELO 2 - PROJETO DE VENDA - GRUPOS FORMAIS ........................................................... 51 MODELO 3 - PROJETO DE VENDA - GRUPOS INFORMAIS ....................................................... 52 MODELO 4 - PROJETO DE VENDA - AGRICULTOR INDIVIDUAL .............................................. 54 CAPÍTULO 2 CERTIFICAÇÃO PARA REBANHOS LIVRE DE BRUCELOSE E TUBERCULOSE ........................................... 55 1. HISTÓRICO DA BRUCELOSE E DA TUBERCULOSE ............................................................... 57 2. PREVALÊNCIA DA BRUCELOSE E DA TUBERCULOSE NO BRASIL ....................................... 61 3. ETIOLOGIA DAS DOENÇAS ................................................................................................... 68 3.1. Brucelose ........................................................................................................................ 68 3.2. Tuberculose ..................................................................................................................... 69 4. EXIGÊNCIAS LEGAIS PARA PROPRIEDADE LIVRE DE BRUCELOSE E TUBERCULOSE ..... 71 4.1. Manutenção do certificado ............................................................................................. 73 4.2. Suspensão do certificado ................................................................................................ 74 4.3. Retorno a condição de livre de brucelose ....................................................................... 75 4.4. Retorno a condição de livre de tuberculose .................................................................... 75 4.5. Trânsito de animais de propriedades certificadas ............................................................ 75 4.6. Cancelamento do certificado .......................................................................................... 76 5. MEDIDAS SANITÁRIAS COMPULSÓRIAS E AÇÕES DE ADESÃO VOLUNTÁRIA .................. 76 5.1. Medidas compulsórias do PNCEBT .................................................................................. 76 5.1.1. Vacinação ............................................................................................................... 76 5.1.2. Controle de trânsito de animais ............................................................................. 77 5.1.3. Certificação de condição livre de brucelose ........................................................... 78 5.2. Normas e métodos de vacinação de brucelose ............................................................... 79 1010 | VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 5.2.1. Cuidados com a vacinação ...................................................................................... 81 5.2.2. Planejamento .......................................................................................................... 82 5.2.3. Compra da vacina .................................................................................................. 83 5.2.4. Sobre a vacina ......................................................................................................... 83 5.2.5. Cuidados com as vacinas ....................................................................................... 84 5.2.6. Preparação das instalações .................................................................................... 85 5.2.7. Preparação dos equipamentos .............................................................................. 85 5.2.7.1. Seringas ........................................................................................................ 86 5.2.7.2. Agulhas de pistola ......................................................................................... 87 5.2.7.3. Descarte de agulhas e seringas descartáveis ................................................ 87 5.2.8. Dia do manejo ......................................................................................................... 88 5.2.9. Condução e manejo dos animais no curral ............................................................ 89 5.3. Formas de vacinação ....................................................................................................... 89 5.4. Marcação dos animais ..................................................................................................... 91 6. DIFERENÇAS ENTRE OS EXAMESisso poderá proporcionar maior contato dos animais com fontes de infecções e locais contaminados, importando o agente para o estabelecimento. 5.1.3. Certificação de condição livre de brucelose A certificação de condição livre de brucelose é uma ação de adesão voluntária no programa, cujos princípios téc- nicos estabelecidos são condizentes com o Código Zoos- sanitário Internacional e, por isso, é aceito internacio- nalmente. Além disso, a sua implementação no Brasil foi ajustada para se adequar à realidade dos sistemas de produção. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 7979 O produtor que faz uso desse recurso obtém como be- nefícios diretos: a não exigência de testes diagnósticos para o trânsito interestadual e participação de eventos, valorização comercial dos animais e produtos derivados, maior segurança trabalhista e acesso à exportação. Mes- mo com essas vantagens, ainda há uma baixa adesão de pecuaristas ao certificado, isto porque todas as medi- das a serem tomadas são arcadas pelo próprio produ- tor, incluindo o abate de animais positivos. Logo, para uma boa adesão é importante que eles tenham algo que os motive a seguir tais procedimentos e isso pode ser alcançado por estímulos econômicos e públicos (LEITE, 2012). Com o reconhecimento do Brasil como país livre de aftosa com vacinação, isso poderá significar um maior direcionamento de esforços para o PNCEBT. Outro tipo de estímulo pode ser pela preocupação da sociedade em relação à qualidade de produtos e à saúde humana e animal, como é o caso da Lei nº 13.860, de 18 de julho de 2019, que dispõe sobre a elaboração e co- mercialização de queijos artesanais. Nela está determi- nado, a partir de 2019, que a elaboração desses queijos de leite cru ficará restrita aos estabelecimentos certifica- dos como livre de brucelose e tuberculose. As queijarias terão um prazo de três anos para se adequarem. 5.2. Normas e métodos de vacinação de brucelose A vacina deve ser efetuada por um médico veterinário cadastrado pelo serviço veterinário estadual (SVE), po- dendo ter o auxílio de vacinadores cadastrados sob sua supervisão e encargo, sendo todo o procedimento de sua responsabilidade técnica. Na ausência desses, ou por alta demanda, o serviço veterinário oficial poderá exercer essa função. Alguns estados que utilizam essa medida em Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 8080 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite algumas de suas regiões são: Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará e Sergipe. É obrigatória a vacinação, em dose única, das fêmeas na faixa etária de três a oito meses de idade. Elas devem receber a vacina B19 ou poderá ser substituída pela va- cina contendo a amostra RB51. Os machos, independen- temente da idade, nunca devem ser vacinados. A vacina com a cepa B19, quando administrada em animais adul- tos, pode desenvolver títulos de anticorpos persistentes, podendo gerar resultados falso-positivos e causar abortos (LAGE, 2008; OIE, 2018). No caso de animais com mais de oito me- ses, que necessitem de regularização ou que estão em áreas de foco da doença, deverão receber a vacina contendo a cepa RB51, caracterizada pela ausência de indu- ção da formação de anticorpos aglutinan- tes, sendo proibida a utilização da vacina B19 nesses casos. Os estados classificados como A são dis- pensados da obrigatoriedade de vacinação, de acordo com as Tabelas 2.1 e 2.2 deste capítulo. Em 2021, apenas Santa Catarina possui essa condição no Brasil. Vale ressaltar que propriedades que pos- suem certificação devem realizar a vacina- ção, para manutenção do certificado. Em casos em que o acesso à propriedade seja limitado por alguma condição geo- gráfica adversa em algum período do ano, Figura 2.11 Vacinação de fêmea bovina. Foto: Victória Bozi. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 8181 impossibilitando a regularidade da vacinação de fêmeas com menos de oito meses de idade, é liberado a utilização da vacina com amostra RB51, sendo necessária a compro- vação anual. Essas áreas são incluídas pela proposta téc- nica, elaborada pelo serviço veterinário estadual, e deve ser aprovada pelo Departamento de Saúde Animal (DSA). Por exemplo: o Instituto de Defesa Agropecuário do Mato Grosso (InDEA) orienta os produtores rurais do baixo Pan- tanal Mato-Grossense, que devido às condições do ecos- sistema da região, podem optar por esse esquema de va- cinação, realizando-o somente no segundo semestre, em bezerras com mais de três meses, utilizando a marcação com o V no lado esquerdo da cara. Outro ponto importante é que o recebimento do leite cru em estabelecimentos de leite e derivados fica condi- cionado às propriedades que estejam com as vacinas do rebanho regularizadas. 5.2.1. Cuidados com a Vacinação A vacinação para brucelose consiste em uma medida com- pulsória do PNCETB e, assim como qualquer outro manejo, pode gerar estresse e aversão aos animais ao serem ma- nipulados. Por isso, o ideal é buscar medidas racionais de manipulação que tornem a ocasião menos estressante. É importante a compreensão de que animais assustados entendem a situação como perigo, tendendo a expres- sar comportamentos agressivos, oferecendo riscos tanto para eles próprios quanto para os manejadores. Além de estender o tempo de trabalho, provocam lesões, fraturas, cortes e causam danos nas instalações. Para a vacinação ocorrer de forma eficiente, é importante que o produtor se atente a algumas questões que ocorrem antes, durante e após o procedimento, dentre elas estão: planejamen- Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 8282 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite to, tipos de vacinas, cuidados com as vacinas, preparação das instalações, preparação dos equipamentos, condução e manejo dos animais no curral e forma de vacinação. 5.2.2. Planejamento Antes de tudo, o proprietário deve fazer um planejamen- to de todo o processo. Para isso, é importante definir um funcionário responsável pela organização dos trabalhos. Ele deverá, também, definir o médico veterinário que será responsável pela vacina e conferir, quando necessá- rio, se os auxiliares estão cadastrados no SVE do estado de atuação do médico veterinário. A responsabilidade do treinamento dos auxiliares e vacinadores pode ser consul- tada na Tabela 2.4. Outros pontos que devem ser definidos são: data e ho- rário das vacinas, levando em consideração aspectos cli- máticos, evitando chuvas e horários quentes do dia, além dos aspectos imunológicos dos animais que podem inter- ferir na eficiência da mesma; quantidade de animais, tipo de vacina, quantidade de doses utilizadas, considerando 3% de perda, local da vacinação e preparação das instala- ções e equipamentos, bem como treinamento da equipe. Tabela 2.4 Responsabilidade do treinamento de auxiliares e vacinadores. Responsabilidade do Treinamento Unidade Federativa SVE MA e RJ SVE e SFA PE SVE e SENAR AC, BA, ES e TO SENAR MT e PA MVC AL, AP, AM, DF, GO, MG, MS. PR, PI, RN, RO, RR e SE Não aplicável CE, PB, RS, SC e SP Legenda: SVE: Serviço veterinário estadual; SFA: Superintendências Federais de Agricultura; SE- NAR: Serviço Nacional de Aprendizagem Rural; MVC: Médico veterinário cadastrado. Fonte: BRASIL, 2020. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 8383 É importante que no período de vacinação não ocorram outras atividades concomitantes e o manejo dos animais seja proporcional ao rebanho da fazenda, levando em consideração a capacidade de suporte dos currais e das instalações, de forma a garantir o bem-estar. 5.2.3. Compra da vacinaA compra, tanto da B19 quanto da RB51, é permitida somente mediante apresentação do receituário emitido pelo médico veterinário cadastrado. Vacinas como a Elbergs Ver já foram recomendadas in- ternacionalmente e se demonstraram eficientes para os caprinos em fêmeas de três a seis meses de idade, porém não há vacina de brucelose caprina a nível nacional. 5.2.4. Sobre a vacina As vacinas para brucelose contêm o microrganismo vivo atenuado, com capacidade de se multiplicar no hospe- deiro, gerando resposta imune específica. Essa resposta é semelhante àquela que ocorre quando o animal é in- fectado naturalmente pelo agente. Porém, ela não deve gerar a doença ou, se gerar, ocorrer de forma subclínica e autolimitante. Ela deve desencadear uma resposta imune celular, que é muito importante para o combate de agen- tes intracelulares como a Brucella. No momento da vacinação é importante observar a con- dição de saúde dos animais, que devem estar em perfei- to estado, pois mesmo um grupo de animais vacinados adequadamente, 5% deles não ficarão imunizados. Por isso é importante investir em atitudes complementares, como descarte correto das carcaças contaminadas, aba- te de animais positivos e limpeza e desinfecção de locais contaminados para reduzir possíveis contatos futuros dos animais não imunizados com fontes de contaminação. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 8484 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 5.2.5. Cuidados com as vacinas As vacinas devem ser bem condicionadas e manipuladas para garantia da ação e para evitar acidentes. • Conservação: seguir a recomendação do fabricante. Quando indicarem a refrigeração, devem ser condi- cionadas a temperatura de 2 a 8°C e não devem ser estocadas na porta de geladeiras. Ao comprar, deve-se certificar que elas fiquem bem armazenadas, respei- tando essa temperatura durante o transporte da casa agropecuária, até o armazenamento definitivo, garan- tindo, também, proteção do sol. Assim como esse con- dicionamento deve ser mantido durante o transporte da vacina ao local de vacinação e durante o processo. • Refrigeração: cuidado para não congelar a vacina. Elas não devem ser armazenadas em congelador • Manipulação: atenção ao manipulá-la, pois as amostras vacinais são patogênicas às pessoas, que podem se contaminar e de- senvolver a doença (Figura 2.12). • Validade: atenção à data de validade de- terminada na embalagem para garantia de eficácia. • Descarte: fazer o descarte correto em lo- cal apropriado e incinerar as que estiverem vencidas. • Cuidados no dia do manejo: no dia do manejo é imprescindível mantê-las refrige- radas durante todo o tempo, podendo uti- lizar para isso recipientes limpos que sejam abertos somente para reposição das serin- gas, com gelo em garrafas ou bolsas de gel congelado. Nas Figuras 2.13 e 2.14 são de- monstradas formas de armazenamento das vacinas durante o manejo. Figura 2.12 Manipulação da vacina. Foto: Victória Bozi. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 8585 Figura 2.13 Recipiente das vacinas em caixa de isopor com bolsas de gel congeladas. Foto: Victória Bozi. Figura 2.14 Caixa de isopor fechada para guardar vacinas durante o manejo. Foto: Victória Bozi. Figura 2.15 Tronco de con- tenção em bom estado de conservação e limpo. Fotos: Victória Bozi. 5.2.6. Preparação das instalações Alguns dias antes da vacinação é indicado a avaliação do tronco de contenção e porteiras a fim de certificar o bom funcionamento (Figura 2.15), observar se o local está es- corregadio e passar pelo percurso dos animais, de forma a identificar e corrigir situações que podem machucá- -los, tais como pregos, ara- mes, tábuas, pedras soltas, entre outros. Esse tipo de cuidado pode resultar em maior agilidade e diminuir os acidentes. 5.2.7. Preparação dos equipamentos Seringas e agulhas são os equipamentos mais impor- tantes para a vacinação. Mas, além deles, é importante se preocupar com o descarte dos materiais, armazena- mento e esterilização. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 8686 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 5.2.7.1. Seringas • Tipos de seringas: pode ser utilizada tanto a pistola automática quanto seringas descartáveis (Figura 2.16). Recomenda-se o uso de pelo menos duas pistolas no manejo, em boas condições. Já as seringas descartá- veis devem ser trocadas a cada animal. • Regulação da pistola: a pistola deve ser regulada para aplicar o volume de vacina recomendado pelo fabri- cante. • Seringas carregadas: durante a atividade, ao optar em manter as seringas carregadas como reservas, elas de- vem ser colocadas em caixa térmica (alumínio, isopor, plástico) com gelo, de preferência em garrafas ou bol- sas de gel congelados, para garantir a temperatura de refrigeração e evitar contaminação com água suja e, assim, não interferir na ação das vacinas. A caixa deve ficar abrigada do sol e sempre com a tampa fechada. Para facilitar a retirada, deixe as seringas deitadas na posição horizontal. • Cuidados finais: ao final do trabalho, as pistolas auto- máticas devem ser limpas antes de serem guardadas. Deve-se desmontar toda a seringa e lavar com deter- gente neutro quando a vacina for oleosa e com água quando for aquosa, enxaguando sempre em abundân- cia. Após isso, ferva as partes de metal e vidro e deixe desmontada até que seque. Depois lubrifi- que, monte e guarde em local protegido. O des- carte de seringas descar- táveis será explicado nos tópicos seguintes, pois deve ser realizado junta- mente com a agulha. Figura 2.16 Seringas descartá- veis e pistola automática para vacinação. Fotos: Victória Bozi. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 8787 5.2.7.2. Agulhas de pistola • Verificação das agulhas: antes de iniciar o processo, certifique-se que as agulhas estão em número sufi- ciente. Não poderão estar tortas, enferrujadas ou com o fio gasto (ponta romba), por isso deverão ser des- cartadas e trocadas por novas. Além disso, devem ser substituídas conforme a indicação do fabricante, mes- mo que não apresentem defeitos. • Cuidados: ao utilizar agulhas descartáveis, o ideal é que seja destinada uma para cada animal. Já no caso de pistolas, devem ser trocadas e esterilizadas a cada recarga da seringa. • Esterilização de agulhas (pistola): a esterilização de- verá ser feita com água fervente aquecida com o uso de ebulidor ou fogareiro, utilizando como recipiente uma vasilha de metal e, para pegar as agulhas na água fervendo, uma pinça. ATENÇÃO: nunca utilizar pinça de metal se usar o ebulidor elétrico. O uso de desinfe- tantes para esterilizar as agulhas é proibido, porque os resíduos podem inativar a vacina. → Apenas as agulhas da pistola podem ser coloca- das na água fervente, onde deverão permanecer pelo menos 20 minutos, para garantia da esteri- lização. Depois disso, deverão ser retiradas e co- locadas em papel absorvente limpo, tampadas, para esfriarem e secarem, para serem usadas no- vamente. • Escolha da agulha: o ideal é que seja de acordo com a categoria do animal (Tabela 2.5). 5.2.7.3. Descarte de agulhas e seringas descartáveis Após utilizar agulha e seringa descartáveis, deve-se des- fazer-se delas ainda acopladas, imediatamente após o uso, sem necessidade de retirar a agulha manualmente Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 8888 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite ou reencapá-la. Busca-se, assim, a prevenção de aciden- tes com o material vacinal. O recipiente de destino deve ser rígido, resistente a per- furação e vazamento, com tampa e apropriadamente identificado com o símbolo internacionalde risco bio- lógico (Figura 2.17), contendo o texto de “PERFURO- CORTANTE”, indicando o risco que apresenta o resíduo. Deve ser descartado quando sua capacidade atingir 2/3 de preenchimento ou quando o lixo atingir cinco centí- metros de distância da boca. Essa medida é importante para prevenir punções acidentais no ato do descarte das agulhas. É proibida a reutilização ou esvaziamento do recipiente de descarte. Quando a capacidade de enchimento chegar nos limites determinados, os descartadores devem ser embrulhados em sacos brancos leitosos, colocados em local apropriado para serem captados pela entidade res- ponsável pelo recolhimento desse tipo de material. 5.2.8. Dia do manejo No dia do manejo, é importante deixar o local organizado, dispondo de mesa ou bancada suporte (Figura 2.18) para deixar todos os equipamentos, a vasilha para esterilização, com acesso fácil à água, para trocas frequentes para man- Tabela 2.5 Especificações da agulha, via de administração e da categoria de animal. Produto a ser aplicado Categoria animal Via de administração* Especificações da agulha ** Vacina aquosa Bezerras Subcutânea 10x15 Vacina aquosa Vacas/ novilhas Subcutânea 15x15 Vacina aquosa Bezerras Intramuscular 20x15 ou 25x15 Vacina aquosa Vacas/ novilhas Intramuscular 30x15 ou 40x15 *conferir a via de administração na recomendação do fabricante; ** especificação da agulha: o primeiro número é referente ao comprimento e o segundo ao calibre ou grossura da agulha. Fonte: adaptado de COSTA et al., 2013. Figura 2.17 Símbolo internacio- nal de risco biológico. Abaixo dele é necessário escrever “Perfurocortante”. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 8989 tê-la limpa, a caixa térmica em local sombreado e facilidade de acesso aos descartadores de seringas e agulhas. 5.2.9. Condução e manejo dos animais no curral A preocupação com a vacinação deve iniciar já na separação e condução dos animais ao curral. Por se tratar de “uma quebra” da rotina, é interessante que ocorra de maneira calma, sem gri- tos, obedecendo o ritmo dos animais, evitando o estresse e os acidentes du- rante a manipulação. Prefira conduzir lotes pequenos ou animais do mesmo grupo e categoria (Figura 2.19). Em ocasiões de espera, garanta o acesso livre a água de qualidade, alimento e sombra. Para facilitar e garantir a segurança na vacinação, é importante que os bovi- nos sejam contidos adequadamente (Figura 2.20) e a equipe de trabalho, treinada previamen- te, deve estar bem posicionada com as suas funções bem estabelecidas. 5.3. Formas de vacinação Como exposto neste tópico, a vacinação deve ser feita somente por profissionais cadastrados, ocorrendo após o animal ser devidamente contido. A via de aplicação utilizada deverá seguir a recomendação do fabricante e o tipo de agulha mais bem indicado para cada categoria animal. Figura 2.18 Ambiente prepara- do para manejo. Foto: Victória Bozi. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 9090 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Figura 2.19 Condução tranquila. Foto: Victória Bozi. Figura 2.20 Exemplo de contenção em tronco. Fotos: Victória Bozi. Para a via subcutânea, deve-se aplicar na tábua do pes- coço, puxando a pele do pescoço, deixando o conjunto seringa-agulha paralelo ao corpo do animal (Figura 2.21). Após a inoculação nesse posicionamento, retira-se a agu- lha. É importante se certificar que a agulha atravessou so- mente o couro e que não atingiu o músculo, nesses casos tire a agulha e introduza novamente. No caso da vacinação intramuscular, o conjunto seringa- -agulha fica em posição perpendicular ao corpo do animal e a introdução da agulha, do tamanho recomendado, de- verá ser feita até atingir o músculo, como demonstra a Figura 2.22. Após a vacinação dos devidos animais, o produtor deverá receber um atestado de comprovação emitido pelo mé- dico veterinário. Esse documento deve ser, obrigatoria- mente, apresentado ao serviço veterinário estadual no mínimo uma vez por semestre. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 9191 Figura 2.21 Aplicação subcutânea. Foto: Victória Bozi. Figura 2.22 Aplicação Intramuscular. Fotos: Victória Bozi. 5.4. Marcação dos animais A marcação das fêmeas vacinadas entre três e oito meses de idade é obrigatória, no lado esquerdo da cara. Utili- zando para isso ferro candente ou nitrogênio líquido. Fêmeas vacina- das com a vacina B19 deverão ser marcadas com o algarismo final do ano de vacinação (Figura 2.23). Já as fêmeas vacinadas com a RB51 são marcadas com um V no lado esquerdo da cara (Figura 2.24). Fêmeas destinadas ao Registro Ge- nealógico, devidamente identifica- das e fêmeas identificadas indivi- Figura 2.23 Fêmeas marca- da com o algarismo no lado esquerdo da cara. Foto: Victória Bozi. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 9292 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Figura 2.24 “V” para marcação para ani- mais vacinados com RB51. Foto: adaptado de MAPA, 2017. Figura 2.25 Marcação de bezerra com ferro quente. Legenda: 1: Ferro marcador; 2: Aquecimento do ferro; 3: Animal contido; 4: Marcação com o ferro quente; 5:Após retirada do ferro, já com a marca; 6: Aplicação de spray repelente. Fotos: Victória Bozi. dualmente por meio de sistema padronizado pelo serviço veterinário estadual e aprovado pelo DSA, não são obriga- das a receberem a marcação. 4c m 3mm 11 44 22 55 33 66 Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 9393 6. DIFERENÇAS ENTRE OS EXAMES DE BRUCELOSE E TUBERCULOSE Os exames de brucelose e tuberculose fazem parte das ações sanitárias adotadas pelo PNCEBT e PNSCO, em que os casos de animais positivos aos testes são notificados. O recolhimento desse dado é muito importante para moni- torar as doenças em cada estado e verificar, a nível nacio- nal, a efetividade dos programas em cumprir seu objetivo. A partir dele foi possível realizar inquéritos soroepidemio- lógicos e epidemiológicos para definir a prevalência de casos e focos da brucelose e tuberculose, contribuindo, assim, com a elaboração de um diagnóstico situacional do PNCEBT. Os dados já foram divulgados pelo MAPA e, com isso, é possível analisar a condição de cada estado. 6.1. Sobre os diagnósticos para Brucelose e Tuberculose De forma geral, a brucelose animal pode ser diagnosticada pelos métodos direto e indireto, ocorrendo de forma associada ou não a diagnósticos clínicos baseados em si- nais como: • nascimento de bezerros debilitados; • problemas reprodutivos em fêmeas e machos; • abortos; • histórico do rebanho, levando em conta dados epidemiológicos. Porém, apesar de muito difundidos, os si- nais clínicos da doença não são patogno- mônicos, ou seja, não são específicos da enfermidade e podem ser observados em diversas outras (OIE, 2003; DANA, 2019). Assim como a brucelose, a tuberculose não Figura 2.26 Coleta de sangue para exame diagnóstico. Foto: Victória Bozi. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 9494 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite possui sinais clínicos específicos que definem a doença e, em alguns casos, se desenvolve de forma subclínica ou quando os animais são submetidos a situações de estres- se. Muitas vezes, o diagnóstico é definido após a morte do animal por necropsias ou em inspeções sanitárias em abatedouros, técnicas histopatológicas e bacteriológicas (RAMOS et al., 2015; OIE, 2018). Segundo a Instrução Normativa n°10/17, os exames de brucelose utilizados pelo PNCEBT são técnicas indiretas sorológicas. Elas são consideradasas mais importantes para o rastreamento do agente e, por serem menos com- plexas, são permitidas aos veterinários devidamente ha- bilitados, além do serviço oficial e laboratórios da Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários do Sistema Uni- ficado de Atenção à Saúde Agropecuária. Nesses tipos de testes são utilizados a bactéria atenuada ou fragmento purificado, como lipopolissacarídeo, o principal envolvido, ou proteínas de membrana. Eles servem para a detecção de anticorpos produzidos pelo hospedeiro contra o mi- crorganismo quando acontece a infecção (DANA, 2019). Para a tuberculose são utilizados os testes alérgicos de tuberculização intradérmica, que são baseados na reação de hipersensibilidade de tipo retardado (HTR) no animal vivo, ao inocular as tuberculinas PPD (Derivado Proteico Purificado) bovina ou aviária. É considerado um método indireto, imunológico, baseado na resposta imune celular, mediada, principalmente, por linfócitos T e pode revelar infecções incipientes, com três a oito semanas após conta- to com M. bovis (MONAGHAN et al., 1994; DE LA RUA-DO- MENECH et al., 2006; RAMOS et al., 2015; BRASIL, 2017). Os testes de brucelose são realizados em fêmeas com ida- de igual ou superior a vinte e quatro meses, se vacinadas Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 9595 com B19. Fêmeas vacinadas com RB51 e machos podem ser testados após atingirem oito meses de idade. Em ca- prinos utiliza-se os mesmos testes que em bovinos, mas não há protocolos de testagem estabelecidos. Eloy (2000) reportou que para as fêmeas caprinas a recomendação é de realizar os testes no final de gestação e pós-lactação, obtendo maior concentração de anticorpos. Os testes de tuberculose são aplicados em bovinos com idade igual ou superior a seis semanas. Em ambas as do- enças, as fêmeas que obtiverem resultados negativos, no intervalo de quinze dias antes até quinze dias depois do parto ou aborto, deverão ser retestadas em um intervalo entre trinta e sessenta dias após o parto ou aborto para brucelose e em um intervalo mínimo de sessenta dias para tuberculose. Em animais de três a oito meses de idade, a amostra B19 induz a produção de anticorpos da classe IgG que atingem o pico em 16-32 dias após a vacinação e, mesmo após 6 meses, podem ser encontrados em valores consideráveis no soro. Em bovinos adultos essa determinação do pico não foi bem definida, porém neles os níveis desse anti- corpo podem persistir por mais tempo. Além disso, vacas sorologicamente positivas, ou seja, infectadas, possuem predominantemente anticorpos do tipo IgG no soro e em valores muito maiores do que em animais vacinados. Logo, por essa imunoglobulina ser a mais representativa, ela é a mais utilizada em testes diagnósticos. Por isso é importante que a vacinação ocorra em animais mais jo- vens, para que os níveis de anticorpos reduzam suficien- temente e não gere dificuldades na interpretação dos resultados dos testes (BEH, 1974; POESTER et al., 2010; DANA, 2019). Enquanto o teste para brucelose depende da detecção da resposta humoral, a resposta imunológi- Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 9696 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite ca predominante na tuberculose é a celular e tem como principais agentes os linfócitos T. Por causa deles que é de- senvolvido o aspecto marcante da cronicidade da doença, que é a formação de granulomas em nódulos linfáticos, distribuídos na cabeça e do tórax, além do pulmão, baço, fígado e extensões das cavidades corporais (DE KANTOR e RITACCO, 2006). 6.2. Exames para Brucelose Os testes diagnósticos definidos pelo PNCETB para bru- celose estão descritos na Tabela 2.6. Os casos de resul- tados positivos e inconclusivos devem ser notificados ao serviço veterinário estadual do município da propriedade atendida. As amostras dos testes deverão ser colhidas por médico veterinário habilitado ou oficial. 6.2.1. Teste do Anel em Leite (TAL) Este teste tem como base a aglutinação de anticorpos lác- teos da classe IgM anti-Brucella. Nele, a amostra utilizada é composta pelo leite de vários animais, o que permite realizar a triagem de uma quantidade maior de bovinos ao mesmo tempo. Neste método, em um tubo de ensaio, Tabela 2.6 Testes para brucelose segundo o PNCEBT. Tipo de Teste Uso Quem realiza Antígeno Acidificado Tampo- nado (AAT) Rotina/ triagem Médico veterinário habilitado ou oficial; ou Laboratório da Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários do Sistema Unificado de Aten- ção à Sanidade Agropecuária; Teste do Anel em Leite (TAL) Monitoramento do rebanho Serviço veterinário oficial ou por médico vete- rinário habilitado; 2-Mercaptoetanol (2-ME) Confirmatório Laboratório da Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários do Sistema Unificado de Aten- ção à Sanidade Agropecuária. Fixação de Complemento* Confirmatório Teste de Polarização Fluores- cente (FPA) Confirmatório ou único *utilizado para o trânsito internacional de animais. Fonte: MAPA (2017). Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 9797 o antígeno corado é adicionado ao leite. Quando há anti- corpos anti-Brucella, eles reagirão com o antígeno e isso formará uma malha de complexo contendo esses dois componentes, que será carregada pelos glóbulos de gor- dura pela diferença de densidade. O resultado positivo é caracterizado pela presença de um anel, cuja intensidade da cor é maior ou igual que a da coluna do leite. Resul- tados falso-positivos poderão ocorrer devido a distúrbios anormais, mastites, baixas concentrações de IgM e IgA láctea, que pode ser provocada após abortos ou partos (colostro), leite ácidos ou por falta de fatores de agrupa- mento de gordura. Nesses casos, os animais do estabele- cimento de criação deverão ser testados sorologicamen- te por testes individuais (MAPA, 2006; MOL et al., 2012; DANA, 2019). O teste é considerado não reagente quando a intensidade da cor do anel for menor que a da coluna de leite (BRASIL, 2017). 6.2.2. Antígeno Acidificado Tamponado (AAT) Neste teste, uma parte do soro do animal, onde estão presentes os seus anticorpos, é colocada em uma placa. Em seguida é adicionado o antígeno, que corresponde a uma parte da membrana da bactéria (Lipopolissacarídeo liso), corado com rosa bengala a um pH ácido, de mais ou menos 3,65. (MORGAN et al., 1969; POESTER, 2010). A acidificação do meio é importante para prevenir a ligação de IgM, facilitando a aglutinação da IgG ao antígeno, o que aumenta a especificidade do teste. Isso significa que aumenta a chance de determinar melhor os animais ver- dadeiramente negativos (MOL et al., 2012). Quando ocorre a aglutinação entre o antígeno e o anticor- po, ou seja, uma ligação entre eles, há a precipitação da amostra. Erros podem acontecer quando os animais sub- metidos ao teste receberam previamente a vacina B19. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 9898 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Ela é capaz de gerar resultados falso-positivos, ou seja, uma reação que é desencadeada por causa da resposta vacinal e não pelo microrganismo em si. Em todo caso, qualquer aglutinação classifica o animal como reagen- te, logo, o resultado é considerado positivo e a ausência de reação é considerada negativo (POESTER et al., 2010; BRASIL, 2017). Animais reagentes deverão, em até trinta dias, ser subme- tidos a teste confirmatório ou, a critério do médico vete- rinário responsável pela coleta e do proprietário dos ani- mais, serem destinados ao abate sanitário ou à eutanásia. 6.2.3. Teste do 2-Mercaptoetanol (2-ME) É utilizado como teste confirmatório em animais reagen- tes ao teste do AAT e deve ser realizado em laboratório oficial credenciado.O 2-mercaptoetanol é um composto químico tóxico utili- zado para reduzir pontes de dissulfeto e que requer cui- dados durante sua manipulação. Neste procedimento, ele Figura 2.27 Adição do corante rosa Bengala ao soro. Foto: Gislaine Aparecida de Souza. Figura 2.28 Mistura do corante ao soro. Foto: Gislaine Aparecida de Souza. Figura 2.29 Leitura dos resultados. Foto: Gislaine Aparecida de Souza. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 9999 reage com o IgM do soro, produzindo moléculas mono- méricas com capacidade reduzida de aglutinar e isso faz aumentar a especificidade do teste. Com essas moléculas alteradas, é possível, então, quantificar a concentração de IgG. Porém, em casos de reação com essa molécula, po- dem ocorrer resultados falso-negativos. Erros de diagnós- tico podem acontecer também, quando os animais sub- metidos ao teste receberem previamente a vacina B19 (MOL et al., 2012; POESTER et al., 2010). A interpretação do teste obedece às Tabelas 2.7 e 2.8. Feita a leitura, os animais considerados reagentes incon- clusivos poderão: • Serem retestados em um intervalo de trinta a sessen- ta dias com o mesmo teste e receberem classificação como reagentes positivos, caso apresentem no reteste resultado positivo ou segundo resultado inconclusivo; Tabela 2.7 Interpretação do teste 2-ME para fêmeas com idade igual ou superior a vinte e quatro me- ses, vacinadas com B19 entre três e oito meses de idade. Teste de aglutinação lenta (UI/ml) Teste do 2-ME (UI/ml) Interpretação ≤ 50esse tipo de infecção. Como consequência, poderá ser visto o endurecimento e inchaço gradual no local da inoculação cerca de 72 horas depois. O endurecimento e engrossamento da pele po- dem ser medidos quantitativamente e são utilizados para confirmar o diagnóstico. Já em animais normais, não in- fectados, o contato com a tuberculina não provoca res- postas significativas (MAPA, 2006). Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 104104 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Os resultados positivos e inconclusivos devem ser noti- ficados ao serviço veterinário estadual do município da propriedade atendida em até um dia útil. 6.3.1. Teste cervical simples 1. Para ser realizado é preciso demarcar o local da ino- culação da tuberculina na região cervical ou na região escapular, por tricotomia, e fazer a medição da espes- sura da dobra da pele com cutímetro em milímetro. 2. Feito isso, realiza-se a inoculação intradérmica de tu- berculina PPD bovina, na dosagem de 0,1 mL. 3. Após setenta e duas horas, podendo variar seis horas para mais ou para menos, deve-se realizar nova medi- da da espessura da dobra da pele com cutímetro em milímetro. 4. O aumento da espessura da dobra da pele (∆B) será calculado subtraindo-se da medida da dobra da pele setenta e duas horas, podendo variar seis horas para mais ou para menos após a inoculação, a medida da dobra da pele no dia da inoculação da tuberculina PPD bovina; 5. Os resultados são interpretados de acordo com a Ta- bela 2.11. A critério do médico veterinário responsável pela reali- zação do exame e do proprietário, os animais inconclusi- vos e positivos poderão ser submetidos ao Teste Cervical Tabela 2.10 Testes diagnósticos de tuberculose e recomendações. Tipo de teste Uso Tipo de produção Teste cervical simples Rotina Pecuária de leite Teste da prega caudal Triagem Exclusivo da pecuária de corte Teste cervical comparativo Triagem/ Confirmatório Pecuária de Leite e Corte Fonte: COSTA et al. (2013); BRASIL (2017). Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 105105 Tabela 2.11 Interpretação do teste cervical simples em bovinos e caprinos. BOVINOS ∆B(mm) Sensibilidade Consistência Outras alterações Interpretação 0 a 1,9 - - - Negativo 2,0 a 3,9 Pouca dor Endurecida Delimitada Inconclusivo 2,0 a 3,9 Muita dor Macia Exsudato, necrose Positivo ≥ 4,0 - - - Positivo CAPRINOS ∆B(mm) Interpretação ≤ 1,7 Negativa 1,8 a 3,8 Inconclusiva ≥3,9 Positivo Fonte: BRASIL, 2017 e da Silva et al. (2006). Comparativo em um intervalo de sessenta a noventa dias, destinados ao abate sanitário ou à eutanásia. 6.3.2. Teste cervical comparativo Este teste é utilizado para diferenciar animais infectados por M. bovis daqueles expostos a outros tipos de micobac- térias ambientais. Ele possui maior especificidade quando comparado aos testes mais simples e, por isso, é mais indi- cado para rebanhos com alta frequência de reações inespe- cíficas, que geram resultados falso-positivos (MAPA, 2006). 1. Para ser realizado é preciso demarcar o local da ino- culação da tuberculina na região cervical ou na região escapular, por tricotomia, e fazer a medição da espes- sura da dobra da pele com cutímetro em milímetro; 2. Feito isso, realiza-se a inoculação intradérmica de tu- berculina PPD bovina e aviária, na dosagem de 0,1 mL. As aplicações devem ocorrer em pontos distintos com uma distância entre eles de quinze a vinte centíme- tros, sendo a PPD aviária inoculada cranialmente e a PPD bovina caudalmente. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 106106 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 3. Após setenta e duas horas, variando seis horas para mais e para menos, deve-se realizar nova medida da es- pessura da dobra da pele com cutímetro em milímetro. 4. O aumento da espessura da dobra da pele será calcula- do subtraindo-se da medida da dobra da pele setenta e duas horas, variando seis horas para mais e para menos após a inoculação, a medida da dobra da pele no dia da inoculação para a tuberculina PPD aviária (∆A) e a tuberculina PPD bovina (∆B); sendo que a diferença de aumento da dobra da pele provocada pela inoculação da tuberculina PPD bovina (∆B) e da tuberculina PPD aviária (∆A) será calculada subtraindo-se ∆A de ∆B; 5. Os resultados do teste serão interpretados de acordo com a Tabela 2.12. Os animais que obtiverem resultado inclusivo poderão re- petir o teste em um intervalo de sessenta a noventa dias ou, a critério do médico veterinário responsável pela re- alização do exame e do proprietário, serem considerados positivos e destinados ao abate sanitário ou à eutanásia. Serão classificados como positivos aqueles animais que obtiverem dois resultados inconclusivos consecutivos. Tabela 2.12 Interpretação do teste cervical comparativo em bovinos e caprinos. ∆B(mm) Interpretação BOVINOS ≤ 1,90 Negativo 2,0 a 3,9 Incoclusivo Positivo CAPRINOS ≤ 1,8 Negativa 1,9 a 2,4 Inconclusiva ≥ 2,5 Positiva Fonte: BRASIL, 2017 e da Silva et al. (2006). Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 107107 Figura 2.31 Etapas do teste cervical comparativo. Legenda: 1. Cutímetro, seringas e navalha; 2. Trico- tomia da área de aplicação; 3. Distanciamento dos pontos de aplicação da tuberculina; 4. Medição da pele com cutímetro antes da aplicação; 5. Seringa para tuberculina PPD bovina; 6. Inoculação da tuber- culina PPD bovina; 7. Seringa para tuberculina PPD aviária; 8. inoculação da tuberculina PPD aviária; 9. Medição da pele após 72 horas para comparação. Fotos: Victória Bozi. 11 44 77 22 55 88 33 66 99 Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 108108 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 6.4. Marcação de animais positivos Bovinos reagentes positivos tanto no teste de diagnós- tico para brucelose ou tuberculose serão marcados a ferro candente ou nitrogênio líquido, no lado di- reito da cara com um “P” contido num círculo. A Figura 2.32 informa as dimensões que devem ser utilizadas no ferro para marcação. Esses animais deverão ser isolados do rebanho, afastados da produção leiteira e abatidos em estabelecimentos sob inspeção oficial. 7. RESUMINDO • Classificação das Unidades Federativas de acordo com o grau de risco para as doenças (Tabela 2.1). • Forma de contaminação: a via oral é a mais importan- te, sendo a ingestão de leite contaminado um risco tanto animal quanto humano. • Onde a bactéria pode ser encontrada: → Brucelose: fetos abortados; bezerros e cabritos recém-nascidos (Figura 2.8); anexos embrionários (como placenta); secreções uterinas após o parto ou aborto; leite de vacas e cabras contaminadas. → Tuberculose: fezes, leite, corrimento nasal, respira- ção, urina, secreção uterina, vaginais e sêmen. • Sinais clínicos: → Brucelose: em fêmeas caprinas e ovinas podem ocorrer aborto após o quinto mês de gestação, metrites, mastites, inchaço da glândula mamária para a região do umbigo, retenção de placenta e sangramento da vulva. Em machos bovinos e capri- nos a febre é o principal sinal clínico, mas observa- -se, também, inflamação dos órgãos genitais como testículo, epidídimo, vasos deferentes e redução da fertilidade. 8cm 3mm 4mm Figura 2.32 Forma utilizada para marcar animais positivos. Fonte: BRASIL, 2017. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 109109 → Tuberculose: anorexia, aumento do volume de lin- fonodos, disfunção respiratória com tosse, diarreia aguda ou crônica, diminuição da produção de leite, perda de peso progressiva, levando a caquexia. • Exigências para propriedade se tornarcertificada como livre de: → Brucelose: fêmeas bovinas entre três a oito meses de idade vacinadas e apresentar dois testes conse- cutivos de todo rebanho com o resultado negativo. → Tuberculose: obter dois testes de rebanho conse- cutivos com resultado negativo. • Para manutenção do certificado: → O produtor deve apresentar testes negativos de diagnósticos de acordo com a certificação da sua fazenda. Ele terá intervalo máximo de doze meses para realização e apresentação desses resultados negativos ao órgão oficial. • Suspensão do certificado: → Ocorrerá em caso de detecção da doença no esta- belecimento; e → Descumprimento das normas descritas nesse ma- terial. • Medidas sanitárias compulsórias: → Vacinação das fêmeas bovinas com três a oito me- ses de idade; → Apresentação de resultados negativos aos testes diagnósticos para transporte de animais. • Medidas de ação voluntária: → Certificação de propriedade livre de brucelose e tu- berculose. • Marcação dos animais: → Utiliza-se o “V” no lado esquerdo da cara para fê- meas vacinadas com a RB51. → Utiliza-se o algarismo final do ano para fêmeas de três a oito meses vacinadas com B19. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 110110 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite → Utiliza-se o “P” para marcar animais que testaram positivos nos exames. → Fêmeas destinadas ao Registro Genealógico, devi- damente identificadas e fêmeas identificadas indi- vidualmente por meio de sistema padronizado pelo serviço veterinário estadual e aprovado pelo DSA, não são obrigadas a receberem a marcação. Observações quanto aos caprinos: os sintomas e teste são similares aos de bovinos. Não há protocolos de identi- ficação, bem como vacinação de brucelose para caprinos. As principais medidas sanitárias são a identificação, isola- mento e descarte, além da manutenção de boas práticas de higiene e biosseguridade. Quadro 2.1 Exames para brucelose. Tipo de Teste Uso Quem realiza Antígeno Acidificado Tamponado (AAT) Rotina/ triagem Médico veterinário habilitado ou oficial; ou Laboratório da Rede Nacional de Laborató- rios Agropecuários do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária; Teste do Anel em Leite (TAL) Monitoramento do rebanho Serviço veterinário oficial ou por médico veterinário habilitado 2-Mercaptoetanol (2-ME) Confirmatório Laboratório da Rede Nacional de Laborató- rios Agropecuários do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária. Fixação de Complemento* Confirmatório Teste de Polarização Fluorescente (FPA) Confirmatório ou único Fonte: Elaborado pelos autores. Quadro 2.2 Exames para tuberculose. Tipo de teste Uso Tipo de produção Teste cervical simples Rotina Pecuária de leite (caprinos e bovinos) Teste da prega caudal Triagem Exclusivo da pecuária de corte Teste cervical comparativo Triagem/confirmatório Pecuária de leite e corte e caprinos Fonte: Elaborado pelos autores. Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 111111 8. REFERÊNCIAS AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolu- ção RDC n° 306 de 07 de dezembro de 2004. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para o Gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Brasília: Diário Ofi- cial da União n° 237, seção 1, 2004. BEH. K. J. Quantitative distribution of Brucella Antibody amongst immunoglobulin classes in vaccinated and infected cattle. Ver. vet. Sci, v. 17, n° 1-4, 1974. BRASIL. Instrução Normativa DAS n°10, de 3 de março de 2017. 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Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil / Ministério da Saúde, Secreta- ria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilân- Certificação para Rebanhos Livre de Brucelose e Tuberculose CAPÍTULO 2 112112 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite cia das Doenças Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2019. 364 p. il. BENESI, F. J.; PINHEIRO, P. C.; SAKAMOTO, S. M.; ROXO, E.; BENITES, E. H.; BIRGEL JUNIOR, E. H.; GREGORY, L. Relato de caso: Tuberculose em caprino (Capra hir- cus). Arq. Inst. Biol., São Paulo, v. 75, n. 2, p. 217-220, abr./jun., 2008. COSTA, M. J. R. P. da; TOLEDO, L. M.; SCHMIDEK, A. Boas práticas de manejo: vacinação. Editora Funep, Jaboti- cabal. 2013, p. 31. COSTA, M. J. R. P. Relação entre manejo racional e bem- -estar bovino. Visão Agrícola, v. 3, p. 32-33, 2005. DANA, T. D. Review on Epidemiology, Diagnosis Control and Prevention of Brucellosis. 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A velocidade com que as mudanças estão ocorrendo tem forçado produtores, gerentes e profissionais do meio rural a aprimorar conhecimentos em técnicas de organi- zação e liderança para alcançar eficiência produtiva, ou seja, produzir de tal forma a obter maior lucro e, assim, aumentar a renda da família. Podemos definir gestão como o ato de administrar, pla- nejar, organizar, executar e controlar as operações dentro da propriedade rural. Tendo em vista esse conceito, pode- mos compreender a importância da gestão, pois ela pro- porciona ao gestor ferramentas necessárias para tomar decisões de forma mais assertiva, podendo definir obje- tivos, organizar o processo, executar as atividades para atingir o objetivo e, por fim, controlar assegurando a exe- cução e a modificação do planejamento, se necessário. Dentre muitas ferramentas utilizadas para auxiliar na to- mada de decisão, existem diversos indicadores que tem por objetivo medir a eficiência de um empreendimento. Por isto, neste módulo, abordaremos os indicadores pro- dutivos, reprodutivos e econômicos que, se interpretados e corrigidos de maneira correta, colaboram para o suces- so de uma propriedade leiteira. A base para todos os levantamentos a serem discutidos a seguir é a coleta de dados diários e/ou mensais nas pro- priedades leiteiras, o que chamamos de escrituração zoo- técnica. Se os dados básicos não forem registrados de for- ma rotineira e organizada não conseguiremos proceder os cálculos dos indicadores que serão abordados neste GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 122122 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite módulo. Por isso, ao final deste material, deixamos uma caderneta de campo para ser preenchida no dia a dia das propriedades, com todas as informações básicas para que possamos ter os indicadores zootécnicos e econômicos. 2. INDICADORES ZOOTÉCNICOS Na produção animal, os indicadores zootécnicos são uma ferramenta fundamental para o gestor, pois refletem em forma numérica o desempenho nas diferentes fases do sistema de produção (cria, recria e produção de leite). Os indicadores dentro do agronegócio podem ser aplicados na propriedade leiteira, por isso iremos apresentar a se- guir quais dados devem ser coletados, quais cálculos po- demos aplicar com essas informações e como utilizá-las para gerenciar a propriedade. A partir dos índices zootéc- nicos podemos estabelecer metas, criar meios, verificar os resultados e ter parâmetros quantitativos para tomar decisões. 2.1. Ganho médio diário O ganho médio diário (GMD) consiste na variação do peso corporal em um intervalo de tempo, calculado conforme a Equação 1. É um indicador importante para o planeja- mento de uma propriedade leiteira, pois, por exemplo, ao controlar o ganho de peso das fêmeas é possível estipular a idade da primeira cobertura, consequentemente, a ida- de do primeiro parto, reduzindo o período improdutivo. Sabendo que há valores ideais para as diversas espécies, como caprinos e bovinos, para cada fase fisiológica é reco- mendável a pesagem uma vez por mês para acompanhar Equação 1 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 123123 colocando em prática Novilha Peso mês anterior (Kg) Data da pesagem Peso mês atual (kg) Data da pesagem Intervalo em dias entre pesagens Diferença de peso entre pesagens (kg) Chumbada 342 25/02 359 25/03 28 17 Baleia 280 25/02 286 25/03 28 6 Mansinha 317 25/02 332 25/03 28 5 Pretinha 295 25/02 308 25/03 28 13 Princesa 313 25/02 334 25/03 28 21 o desenvolvimento do animal, identificar precocemente os problemas nutricionais, entre outras questões que po- dem impactar o desempenho produtivo e reprodutivo do animal. Normalmente, o GMD é calculado no intervalo de 30 e 60 dias, devido à necessidade de identificar o início de algum problema, encontrando mais facilmente a possível razão, tais como exemplo: mudança de loteamento e abertura de um novo silo. Desta forma é possível acompanhar o desempenho dos animais em diferentes momentos. Um exemplo prático é a ocorrência de GMD acima do pla- nejado em um mês (ganho este atrelado às diversas vari- áveis que, a título de exemplo, colocaremos a mudança para uma dieta de maior qualidade nutricional). Porém, ao analisarmos o GMD de 60 dias, encontramos um valor próximo ao desejável. Então, temos que o GMD em 30 dias foi resultado de ganho compensatório, que no caso GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 124124 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite não representa um problema, mas, caso não fosse calcu- lado o GMD de 60 dias, teríamos como recomendação a restrição da dieta para o animal, agravando o problema. O GMD, na fase de cria (período entre o nascimento a desmama), tanto para fêmeas caprinas ou bovinas, tem correlação positiva com a sobrevivência, o desenvolvi- mento da glândula mamária e com a produção futura de leite (LOHAKARE; SÜDEKUM; PATTANAIK, 2012). Ou seja, o ajuste no ganho de peso e manejo alimentar nessa fase resultará em redução da mortalidade e período improdu- tivo, bom desenvolvimento da glândula mamária e uma maior produção de leite na primeira lactação. Na fase de recria (desmama até o primeiro parto), o controle do GMD também é determinante no desenvol- vimento da glândula mamária e no início do período re- produtivo. Devido às mudanças hormonais na fase pré- -púbere até a puberdade, estima-se que entre 3 e 10 meses de idade para bovinos leiteiros e 2 a 6 meses para cabras, o crescimento da glândula mamária é mais acele- rado (até 3,5 vezes maior) que o tecido muscular (COSTA et al., 2012). Assim, elevados ganhos de peso resultam em deposição de gordura na glândula mamária, redução da deposição de parênquima (tecido que será responsá- vel pela produção de leite) e tais efeitos resultam em uma menor produção de leite durante a vida produtiva do ani- mal (LOHAKARE; SÜDEKUM; PATTANAIK, 2012). Apresentaremos a seguir exemplos de controle do GMD de novilhas em intervalos de 30 e 60 dias. Podemos ve- rificar a facilidade de identificação de animais com GMD insatisfatórios ou acima dos limites pré-estabelecidos no planejamento, facilitando, assim, a tomada de decisão (Fi- gura 3.1 e Tabela 3.1). Para as novilhas da raça Holandesa GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 125125 espera-se um GMD de 0,9 kg e é possível observar que a novilha Esmeralda não atingiu esse valor para a avaliação dos últimos 60 dias. Tal fato é absolutamente normal no rebanho e se deve, principalmente, aos problemas sani- tários e ao mérito genético do animal. Ainda, a novilha Mimosa apresentou um GMD acima do recomendado e isso poderá prejudicar a sua futura lactação caso a dieta não esteja balanceada em níveis de energia e proteína. Com o monitoramento do GMD aos 30 e 60 dias podemos entender como o manejo alimentar e sanitário estarão afetando o desenvolvimento das novilhas. Todo cuidado é necessário para que elas sejam bem criadas e, assim, possam ser excelentes vacas no futuro. Tabela 3.1 Exemplos de ganho médio diário discriminado para novilhas leiteiras. Novilhas Pesagem em função do mês Julho Agosto Setembro GMD 30 d GMD 60 d Mimosa 251 297 324 0,9 1,2 Estrelinha 270 309 336 0,9 1,1 Princesa 250 288 315 0,9 1,08 Esmeralda 289,5 305,5 332,5 0,9 0,7 Média do lote 265,13 299,87 326,88 0,9 1,02 Fonte: Elaborado pelos autores. Peso (kg) GMD esperado (0,9kg) GMD 60 dias (kg) GMD 30 dias (kg) G M D e m k g Pe so e m k g Minosa EstrelinhaPrincesa Esmeralda 340 335 330 325 320 315 310 305 300 1,3 1,1 1,1 1 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 Figura 3.1 Ganho médio diário discriminado por novilha. Fonte: Elaborado pelos autores. GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 126126 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite A Figura 3.2 apresenta o controle do GMD por meio de gráficos discriminado por lote, possibilitando a identifica- ção de lotes com valores insatisfatórios e/ou com ganhos excessivos, sendo importante cruzar essa informação com idade, status reprodutivo e peso do animal, para melhor ajustar as metas desejáveis. Considerando no exemplo anterior um rebanho da raça Holandesa, podemos notar que o lote 1 apresentou um GMD insatisfatório, ou seja, abaixo de 0,9 kg/dia, ganho considerado ideal a depender do estágio de crescimen- to que o animal se encontra (ALTA CRIA, 2020). Portanto, deve-se investigar as possíveis causas, tais como: falha na formulação da dieta; superlotação do lote, resultando em disputa por alimento; má distribuição do alimento no co- cho, que também causará disputa por alimentos; falha na mistura da dieta. O lote 02 apresenta um GMD de 0,7 kg/d. Ao correlacio- narmos o peso médio do lote com a possível idade dos ani- mais, notaremos que o GMD está ideal para essa fase de crescimento (3 a 10 meses de vida, fase esta que ganhos acima de 0,7 kg/dia podem resultar em deposição de gor- dura na glândula mamária, como já vimos anteriormente). G M D e m k g Lote 1 Lote 2 Lote 3 Lote 4 Lote 5 Lote 6 Lote 7 1,8 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 700 600 500 400 300 200 100 0 Pe so e m k g Peso médio (kg) GMD esperado (0,9kg) GMD 30 dias (kg) Figura 3.2 Exemplo de ganho médio diário discriminado por lote. Fonte: Elaborado pelos autores. GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 127127 GMD esperado (0,240 kg/dia) GMD 30 Figura 3.3 Ganho médio diário (GMD) de cabritas leiteiras na fase de cria (50, 51 e 52 exem- plificam o número de registro das cabritas). Fonte: Elaborado pelos autores. Os lotes 3, 4, 5 e 6 encontram-se com o GMD satisfató- rio. Já o lote 7 está com um GMD muito acima do ideal. Correlacionando com o peso do animal, podemos notar um possível sobrepeso, sendo recomendado investigar o status reprodutivo e possíveis causas, tais como: falha no fornecimento da dieta, dieta desbalanceada (excesso de energia) e, se necessário, realizar o ajuste no forneci- mento de alimento para que o animal reduza o seu peso, pois o sobrepeso em diferentes fases fisiológicas pode resultar em menor produção e maior risco de incidência de doenças. Da mesma forma que para bovinos, um exemplo de cál- culo de ganho médio diário pós-pesagem para cabritas leiteiras na fase cria é demonstrado na Figura 3.3. O GMD esperado para cabritas entre 2 a 4 meses de idade varia de 0,120 a 0,250 kg/dia (RAMOS et al., 2004). No exemplo é possível verificar essa variabilidade em relação ao ganho de peso, chamando a atenção para a necessida- de de controle do manejo, principalmente alimentar, para que as cabritas não apresentem perda de massa corporal ou sobrepeso. A redução da massa corporal, ou o sobre- peso, em cabras em diferentes fases fisiológicas, como a G an ho m éd io d iá ri o (k g /d ia ) 50 51 52 0,250 0,248 0,248 0,244 0,242 0,240 0,238 0,236 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 128128 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite cria, também tem como consequência a redução da pro- dução e da vida produtiva, além do aumento de proble- mas metabólicos e reprodutivos. 2.2. Peso ao desmame O peso ao desmame tem relação direta com outros indi- cadores, como idade e peso na cobertura, e vida produti- va. A tomada de decisão para desaleitar uma bezerra ou cabrita leva em consideração três fatores que podem ser analisados de forma conjunta ou isoladamente, sendo es- tes: idade, consumo de ração e peso corporal. O consumo de ração é o principal indicador. Cabritas leiteiras das ra- ças Saanen e Alpina no período de desaleitamento devem estar consumindo por volta de 10 g/kg de peso corporal de concentrado (GUEVARA et al., 2018). Por exemplo, uma cabrita desmamada com 12 kg deve consumir por volta de 0,12 kg /dia de concentrado e 0,38 kg/dia de feno de tifton 85, equivalente a aproximadamente 4% do peso corporal. Porém, o ideal é que, além do consumo para o desmame, considere o peso e a idade, possibilitando a assertividade no desaleitamento, reduzindo o estresse causado neste período, otimizando, assim, o desempenho e reduzindo o período de cria. Para alcançar tais métricas temos que planejar o GMD, para que no 60º dia de vida a bezerra tenha dobrado seu peso ao nascimento (AZEVEDO et al., 2020), chegando no peso ideal ao desmame, que varia de 68 a 110 kg a depen- der da raça. Para caprinos, o peso ao desmame ideal deve ser de 3 a 4 vezes o peso ao nascimento, com idades entre 60 a 120 dias. Podemos observar um exemplo para cabras e bezerras na Tabela 3.2. GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 129129 Já para bezerras Holandesa, ao calcularmos o GMD do nascimento até os 60º dias de vida (GMD = (80 – 40)/ 60 = 0,66), podemos notar que o GMD ficou um pouco abaixo do satisfatório, que seria no mínimo 0,7 kg/dia e no má- ximo 0,9 kg/dia, porém foi compensado com o ganho dos 60 aos 90 dias, atingindo o valor de 0,78 kg/dia de GMD durante a fase de cria. Chamando a atenção que estes pa- râmetros variam de acordo com a raça, com o planeja- mento nutricional e sanitário de cada propriedade. 2.3. Peso e idade a primeira cobertura Como já vimos anteriormente, o GMD é um dos principais indicadores técnicos na pecuária leiteira. É a partir dele que é feito o planejamento reprodutivo do rebanho, escolhen- do indicadores como idade à primeira cobertura e idade ao primeiro parto. Porém, sabemos que o peso é um dos principais influenciadores da puberdade (período no qual se inicia a vida reprodutiva do animal), por isso a pesagem e acompanhamento do ganho de peso é importante. Antes de definirmos como realizar a previsão da idade para a primeira cobertura, abordaremos a fórmula de cál- Tabela 3.2 Planejamento do ganho médio diário e peso na desmama. BEZERRA HOLANDESA Peso ao nascimento (kg) 40 Peso mínimo no 60º dia de vida (kg) 80 Peso mínimo ao desmame (kg) 90 dias 110 GMD na fase de cria (kg) 0,78 CABRITA SAANEN Peso ao nascimento (kg) 4,4 Peso aos 60 dias (kg) 13,5 Peso a desmama (kg) 80 dias 14,1 GMD na fase de cria (kg) 0,12 Fonte: Elaborado pelos autores. GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 130130 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite culo do ganho de peso ponderal (GPP). O GPP é o indica- dor que mensura o ganho de peso durante todo o período de vida do animal, demonstrado na Equação 2. Porém, é importante nos atentarmos para o fato de que a pecuária de leite possui três fases distintas (cria, recria e lactação), com instalações, manejos e dietas diferentes. Portanto, espera-se um ganho diferente entre elas e o GPP pode ocultar tais problemas, como por exemplo, um ganho de peso não satisfatório durante a fase de cria e um ganho acima do desejável na fase de recria. Veremos mais à frente que os ganhos indesejados podem causar proble- mas produtivos e reprodutivos para o animal, mas o GPP é um indicador importante para estimar o desempenho durante a vida do animal. Todavia, requer cuidados em sua análise e deve ser realizado em conjunto com outros indicadores já citados. A equação 2 mostra como esse cál- culo deve ser feito. Ou simplesmente, A forma para previsão de idade para a primeira coberturaDE BRUCELOSE E TUBERCULOSE .................................. 93 6.1. Sobre os diagnósticos para Brucelose e Tuberculose ...................................................... 93 6.2. Exames para Brucelose ................................................................................................... 96 6.2.1. Teste do Anel em Leite (TAL) ................................................................................... 96 6.2.2. Antígeno Acidificado Tamponado (AAT) ................................................................. 97 6.2.3. Teste do 2-Mercaptoetanol (2-ME) ......................................................................... 98 6.2.4. Teste de Fixação de Complemento ...................................................................... 100 6.2.5. Teste de Polarização Fluorescente (FPA) .............................................................. 101 6.3. Exames para Tuberculose .............................................................................................. 102 6.3.1. Teste cervical simples ........................................................................................... 104 6.3.2. Teste cervical comparativo ................................................................................... 105 6.4. Marcação de animais positivos ..................................................................................... 108 7. RESUMINDO ........................................................................................................................ 108 8. REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 111 CAPÍTULO 3 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA ......................................................... 119 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 121 2. INDICADORES ZOOTÉCNICOS ............................................................................................. 122 2.1. Ganho médio diário ....................................................................................................... 122 2.2. Peso ao desmame .......................................................................................................... 128 2.3. Peso e idade a primeira cobertura ................................................................................. 129 2.4. Idade ao primeiro parto ................................................................................................. 132 2.5. Peso e condição corporal ao primeiro parto .................................................................. 135 2.6. Produção de leite em 305 dias ...................................................................................... 137 3. TAXA DE MORTALIDADE .................................................................................................... 141 3.1. Taxa de mortalidade de animais jovens ......................................................................... 142 3.2. Taxa de mortalidade de animais adultos ........................................................................ 143 3.3. Taxa de morbidade ........................................................................................................ 144 3.4. Taxa de descarte............................................................................................................. 145 3.5. Receita menos o custo com alimentação (RMCA) ......................................................... 147 4. INDICADORES REPRODUTIVOS .......................................................................................... 151 4.1. Taxa de serviço ............................................................................................................... 151 VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 1111 4.2. Taxa de eficiência do inseminador ................................................................................. 153 4.3. Taxa de concepção ........................................................................................................ 154 4.4. Taxa de prenhez ............................................................................................................. 156 4.5. Taxa de reabsorção embrionária ................................................................................... 160 4.6. Taxa de natalidade ......................................................................................................... 161 4.7. Período de serviço ......................................................................................................... 162 4.8. Taxa de aborto ............................................................................................................... 163 4.9. Resumo dos indicadores zootécnicos para caprinos e bovinos ..................................... 165 5. INDICADORES ECONÔMICOS ............................................................................................ 166 5.1. Renda bruta da atividade leiteira ................................................................................... 166 5.2. Renda bruta do leite ...................................................................................................... 167 5.3. Variação do inventário animal ....................................................................................... 168 5.4. Custo da atividade leiteira ............................................................................................. 171 5.5. Custo do leite ................................................................................................................. 176 6. RESULTADOS ECONÔMICOS ............................................................................................... 177 6.1. Margem bruta ................................................................................................................ 177 6.2. Margem líquida .............................................................................................................. 179 6.3. Lucro .............................................................................................................................. 180 6.4. Taxa de retorno do capital ............................................................................................. 182 6.5. Taxa de retorno do capital sem a terra .......................................................................... 182 6.6. Taxa de retorno do capital com a terra .......................................................................... 183 6.7. Ponto de cobertura operacional total (PCOT) ................................................................ 184 6.8. Ponto de cobertura total (PCT) ...................................................................................... 185 6.9. Taxa de giro do capital empatado .................................................................................. 185 6.10. Relação benefício/custo ............................................................................................... 186 6.11. Capital empatado por unidade produzida ................................................................... 186 7. BENCHMARKING ................................................................................................................. 187 8. REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 191 ANEXOS ...................................................................................................................................... 195 Caderno de campo ................................................................................................................ 195 CAPÍTULO 4 EXIGÊNCIAS E OPORTUNIDADES DE COMERCIALIZAÇÃO ............................................................ 207 1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................................consiste na seguinte equação: Equação 2 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 131131 colocando em prática Boneca: nascida em 17/01/2020 com 35 kg, peso atual de 220 kg, data do cálculo 01/03/2021. O peso à 1ª cobertura é um indicador que varia de acordo com espécie, raça e idade. Algumas raças não possuem esse padrão específico, havendo, então, variação em ani- mais com o mesmo grau de sangue, como, por exemplo, o gado mestiço Holandês-zebu. Porém, mesmo diante de tal desafio, temos médias de 350 kg para Holandês (al- gumas literaturas já abordam 330 kg), 350 kg para pardo suíço, com idades variando de 13 a 15 meses, 250 kg para Jersey, estimando-se uma idade de 12 a 13 meses, e 380 kg para mestiço Holandês-zebu com a idade de 20 me- ses (BAILEY; MURPHY, 1998). Essas idades são as médias encontradas para as principais raças bovinas utilizadas na pecuária leiteira. Devemos procurar de forma adequada o início ótimo da vida reprodutiva do animal, evitando que os animais emprenhem muito cedo, pois isso terá um reflexo negativo na produção futura de leite ou que o animal emprenhe tardiamente, pois terá uma menor pro- dução futura de leite, menor tempo de vida produtiva e reprodutiva. Para cabras leiteiras, o primeiro cio fértil ocorre por volta de quatro meses de idade. No entanto, não é recomen- dável a entrada das fêmeas na reprodução, pois estarão em crescimento e com média de 20 a 25 kg, a depender do tipo de sistema de produção. Animais jovens, quando = 0,45 = 450 gramas 244 + 409 = 653 dias = = 21,5 meses de idade GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 132132 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite submetidos à cobertura, podem apresentar subdesenvol- vimento visto que a gestação aumenta em até 45% as exi- gências nutricionais do animal. Com intuito de balizar a idade e o peso da primeira cober- tura, o GPP é utilizado no acompanhamento das taxas de ganho de peso e do desenvolvimento do animal. Este indi- cador possibilita predizer a idade com que as fêmeas irão atingir entre 55 a 60% do peso corporal adulto da raça e serão direcionadas à reprodução, seja por monta natural ou inseminação (FONSECA et al., 2014). Por exemplo, cabras da raça Saanen com 50 kg de peso adulto estarão aptas à reprodução por volta de 30 a 35 kg. Considerando o peso no nascimento de 3,5 kg, o manejo precisa ser ajustado para manutenção da taxa de ganho de peso do nascimento até a reprodução de aproximada- mente 0,15 kg/dia. Desta forma, é possível atingir o peso para a primeira cobertura entre seis e oito meses. Vale ressaltar que em sistemas extensivos, ou seja, sem plane- jamento alimentar, tem-se como consequência a redução na taxa de ganho de peso por dia, aumentando a idade da primeira cobertura por volta de 12 a 17 meses. 2.4. Idade ao primeiro parto A idade ao primeiro parto (IPP) consiste no período entre o nascimento até o primeiro parto. Este indicador é im- portante, pois quanto menor a IPP: • Menor será o tempo que o animal ficará improdutivo no rebanho; • Menor será o custo com o animal de reposição; • Maior será a vida produtiva do animal, assim, diluindo custos, otimizando produção e reprodução (MOHD NOR et al., 2015). GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 133133 Porém, a IPP está relacionada a diversos índices, como o GMD, idade à primeira cobertura ou inseminação e a composição do rebanho. Como já mencionado, o GMD está diretamente relacio- nado ao desenvolvimento do animal, na idade da puber- dade e, consequentemente, na idade ao primeiro parto. Portanto, para que possamos reduzir a IPP, primeiramente devemos proporcionar um manejo nutricional adequado para as diferentes fases de vida do animal. Quanto à idade ao primeiro parto, valores ideais ficam em torno de 23 e 24 meses para a raça Holandesa, pois, assim, será possível aumentar o número de vacas em lactação e aumentan- do a produção de leite, uma vez que a novilha se torna produtiva. Impactos financeiros também ocorrerão nos custos com a recria, havendo uma diminuição dos gas- tos, principalmente com alimentação. Além disso, focar nessa meta resultará em aumento na taxa de natalidade gerando, portanto, oportunidade de descarte voluntário (descarte das vacas menos produtivas e que dão menor retorno econômico ao produtor). Na Tabela 3.3 temos as referências para peso nas diver- sas fases de vida, discriminado por raça. Como já citado anteriormente, a IPP depende do ganho médio diário, portanto, também na Tabela 3.3 foram citados valores re- ferências de GMD discriminado por raça para alcançar a IPP entre 22 e 25 meses. Relacionando-se o aumento na produção de leite com a idade ao primeiro parto, temos que em diversas fazendas analisadas pelo índice Ideagri do Leite Brasileiro (um sis- tema de Benchmarking que mostra os índices que podem ser utilizados para comparar diferentes propriedades e que nos ajuda a entender os índices das melhores e mais GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 134134 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite eficientes fazendas de leite do Brasil) foi evidenciado que novilhas que pariram entre 23 e 25 meses obtiveram pro- dução de leite maior comparativamente com as que pari- ram mais tardiamente (Figura 3.4). Já a idade ao primeiro parto de cabras leiteiras, como da raça Saanen ou Alpina, ficará em torno de 11 a 13 meses em sistema de produção que mantém a taxa de ganho de peso até a cobertura entre 0,15 kg por dia. Caso a cabrita inicie a estação reprodutiva entre seis e oito meses, so- Tabela 3.3 Valores referência para peso e idade ao primeiro parto. PESO NAS DIVERSAS FASES Raças Peso ao nascimento Peso à aptidão reprodutiva Peso ao parto Holandesa 40 350 611 Girolando 35 380 590 RELAÇÃO IDADE AO PRIMEIRO PARTO E GMD NECESSÁRIO Idade ao Primeiro Parto - IPP GMD necessário (Holandesa) GMD necessário (Girolando*) 22 meses 1,0 kg/dia - 23 meses 0,85 kg/dia - 24 meses 0,7 kg/dia - 25 meses 0,6 kg/dia 0,6 kg/dia *Para a raça Girolando não é recomendado que a idade ao primeiro parto seja inferior a 25 meses, pois animais dessa raça levam mais tempo para atingir a maturidade sexual e, assim, aptidão à reprodução. Fonte: Elaborado pelos autores. Pr o d uç ão d e le it e to ta l ( L) Idade ao primeiro parto 25 meses 26 meses 27 meses 28 meses 29 meses 30 meses 8600 8400 8200 8000 7800 7600 7400 7200 7000 6800 6600 Figura 3.4 Produção de leite total relacionado com idade ao primeiro parto. Fonte: Adaptado da Coluna IILB Revista Leite Integral – No tempo certo, março 2020. GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 135135 mado aos cinco meses de gestação, teremos a idade ao primeiro parto de onze a treze meses. Em sistemas de produção extensivos, devido à redução das taxas de ga- nho de peso por dia, as fêmeas caprinas atingem o peso à cobertura por volta de 12 a 17 meses, tendo, então, sua idade ao primeiro parto por volta de 17 a 22 meses. 2.5. Peso e condição corporal ao primeiro parto O controle do peso corporal é importante durante toda a vida do animal, pois será usado para diversos parâmetros e está associado também à nutrição e saúde do animal. O peso ao parto, por sua vez, além de indicar boas con- dições de manejo nutricional, também é importante para prevenir e minimizar doenças no pós-parto. Assim, para o manejo de novilhas, recomenda-se que estas devam che- gar ao parto com 94% do peso adulto, reduzindo os possí- veis problemas no período de transição (período que cor- responde aos 21 dias anteriores ao parto e se estende 21 dias pós-parto (HOFFMAN et al., 2017)). Então, devemos traçarestratégias nutricionais para controlar o ganho de peso durante os diversos estágios de crescimento do ani- mal, sendo este controle diretamente relacionado à idade da primeira cobertura e ao primeiro parto. No manejo de cabritas, durante a gestação até o parto, devem atingir aproximadamente 90% do peso adulto da raça. A pesagem das cabras deve ser acompanhada da avaliação da condição corporal, evitando ganhos exces- sivos que podem levar a distúrbios metabólicos, como a toxemia da gestação e cetose (ROSA et al., 2017). Exemplo para bovinos: Consideremos uma novilha da raça Holandesa que che- gou à puberdade com o peso corporal de 350 kg e 14 me- ses de idade. Logo, espera-se que ao ser inseminada ou GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 136136 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite coberta (com prenhez positiva) a idade ao primeiro parto seja de 23 meses (são 9 meses de gestação). Sabendo que o peso corporal de um animal adulto desta raça é de 650 kg, temos que em 9 meses o GMD médio deverá ser de aproximadamente 0,9 kg para que o animal chegue ao parto com 611 kg (Tabela 3.4). Exemplo para caprinos: Ao analisar uma cabrita da raça Saanen (peso adulto de 50 kg) coberta aos 8 meses e pesando aproximadamente 30 kg, ao longo de cinco meses do período gestacional para atingir os 90% do peso adulto no parto, ou seja, 45 kg, a cabrita terá que obter um ganho médio de 0,10 kg/ dia (Tabela 3.5). O monitoramento do peso das vacas também é importan- te, entretanto, este está atrelado ao indicador de escore de condição corporal (ECC), que varia de 1 a 5, onde es- Tabela 3.4 Planejamento para alcançar o peso ao parto para bovinos Novilha de raça Holandesa Idade da primeira cobertura (meses) 14 Peso na primeira cobertura (kg) 350 Idade ao primeiro parto (meses) 23 Peso adulto (kg) 650 GMD necessário da cobertura ao parto (kg) 0,9 Peso ideal ao primeiro parto (kg) 611 Fonte: Elaborado pelos autores. Tabela 3.5 Planejamento para alcançar o peso ao parto para caprinos Cabrita Saanen Peso adulto (kg) 50 Peso a cobertura (kg) 30 Peso ao primeiro parto (kg) 45 Ganho médio diário (kg) 0,1 Fonte: Elaborado pelos autores. GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 137137 core 1 significa que o animal está muito magro (sem gor- dura) e o escore 5 significa que o animal está muito gordo (gordura excessiva depositada). Essa avaliação é realiza- da de forma subjetiva e avalia-se a deposição de gordura nos animais. Vacas com escores elevados tendem a ter o balanço energético negativo após o parto mais intenso do que vacas que parem com o ECC em níveis desejados (2,75-3,25). Ou seja, essas vacas estarão em maior déficit energético, com maior quebra de gordura corporal e, con- sequentemente, mais suscetíveis às doenças metabólicas. A avaliação da condição corporal reflete o status nutricio- nal e o acúmulo de reservas corporais das fêmeas. Em ca- prinos, o escore de condição corporal é realizado pela pal- pação dos processos transversos e espinhosos da região dorsal atribuindo valores de 1 (animal magro) a 5 (animal gordo) com escala de 0,5. No parto, o escore corporal deve ser 3 a 3,25. Cabras que estão em boas condições corpo- rais apresentam maior produção de leite e melhor quali- dade do colostro, além de reduzir a incidência de distúr- bios metabólicos como cetose (Maia & Nogueira, 2019). 2.6. Produção de leite em 305 dias A duração da lactação é contada em dias ou em meses, do momento do parto até a secagem da vaca ou da cabra (quando o animal cessa sua produção), sendo subdividi- da em três períodos: ascendente, pico e descendente. A curva de lactação, juntamente com outros fatores como persistência de lactação (capacidade em manter níveis de produção de leite semelhante à do pico de produção), de- terminam como será a produção total aos 305 dias (esse período é mundialmente usado como padrão referência a título de comparação entre diferentes animais e/ou re- banhos). Tal fator é relevante devido ao seu impacto di- reto na parte econômico-financeira de uma propriedade GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 138138 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite leiteira, então, o ideal é que uma lactação tenha duração de 305 dias, sendo os outros 60 dias do ano destinados para o animal descansar e se recuperar para uma próxima lactação. Quando o animal está no período de 60 dias de descanso, o chamamos de “vaca seca”. Ainda, para uma maior produção de leite em 305 dias, a persistência de lactação (capacidade da vaca em manter a produção de leite elevada) precisa ser a maior possível, demonstrando alta aptidão leiteira do animal para manter níveis de pro- dução elevados. No entanto, animais mestiços e cruzados com alto grau de sangue zebuíno, normalmente têm o pe- ríodo de lactação variando de 210 a 240 dias. Para se obter a produção por lactação é necessário rea- lizar o controle leiteiro (anotação da produção individual de leite no dia), que pode ser feito de forma diária, se- manal ou mensal, assim teremos a produção de leite de cada animal. O ideal é que seja realizado, no mínimo, o controle semanal para melhor monitoramento da produ- ção e saúde dos animais, além dos ajustes que possam ser feitos quando necessários. Sabemos que a produção total deve ser a maior possível, mas esse fator varia de acordo com a raça utilizada e o tipo de sistema produtivo adotado (pastagem, semicon- finamento, confinamento). Porém, de acordo com a re- lação genética e sistema produtivo, estima-se que, para vacas, essa produção pode variar entre 3.000 L, podendo chegar até 12.000 L em 305 dias, sendo 3.000 L para siste- mas menos intensivos e com raças mais rústicas e 12.000 L para sistema intensivos, com raças com maior aptidão leiteira (por exemplo, a Holandesa). Já as fêmeas caprinas leiteiras, como da raça Alpina, produzem em média 610 L podendo algumas fêmeas de maior qualidade genética chegar a 1220 L em 305 dias. GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 139139 A seguir temos exemplos de curvas de lactação de animais na 1ª, 2ª e 3ª lactação (Figura 3.5) e de cabras multíparas (Figura 3.6). Observem que a cada lactação a produção de leite aumenta, chegando ao máximo na 3ª lactação. Apesar de não estar representado, a partir da 3ª lactação temos uma queda na produção de leite. Isso ocorre devido a me- nor capacidade produtiva das células mamárias e aos ani- mais apresentarem mais problemas de saúde com a idade. A persistência de lactação apresenta diferenciação genéti- ca tornando-se, assim, uma característica alternativa para determinar a seleção do rebanho. Os ganhos atrelados a seleção a partir dessa característica são, principalmente: • Redução nos custos com alimentos concentrados; • Redução de afecções reprodutivas; • Aumento da saúde e na produção total de leite. Entretanto, a persistência de lactação pode ser influencia- da por diversos fatores, tais como: estação de parto (onde Figura 3.5 Exemplos de curva de lactação. Fonte: Elaborado pelos autores. Pr o d uç ão d e le it e (k g /d ia ) dias em lactação 0 50 100 150 200 250 300 30 25 20 15 10 5 0 1ª lactação 2ª lactação 3ª lactação GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 140140 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 0 25 50 75 100 125 Dias em lactação 150 175 200 225 250 275 300 26,6 2,4 2,2 2 1,8 1,6 1,4 1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 Pr o d uç ão d e le it e (k g /d ia ) Figura 3.6 Produção de leite de cabra Saanen ao longo de 305 dias. Fonte: Elaborado pelos autores. o clima é o principal fator relevante), período de serviço (tempo necessário para emprenhar uma vaca depois doparto) e, de forma indireta, o período da gestação, em que vacas com gestação acima do 5º mês e que se en- contram na fase de declínio da lactação apresentam uma queda de produção mais acentuada do que vacas vazias na mesma fase de lactação. Também existe relação entre a persistência de lactação e a taxa de concepção, em que vacas com alta produção de leite no pico de produção e que tiveram variações na produção de leite no período que foram inseminadas apresentam redução na taxa de concepção. A Figura 3.7 exemplifica três cenários de persistência de lactação com o intuito de testar o efeito da taxa de declí- nio. O cenário 1 ilustra: • Menor taxa de declínio; • Maior taxa de persistência; • Maior produção de leite total. GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 141141 Figura 3.7 Curvas de lacta- ção com diferentes níveis de persistência. Fonte: Elaborado pelos autores.O cenário 2 apresenta: • Moderada taxa de declínio; • Moderada taxa de persistência; • Moderada produção total de leite. O cenário 3 ilustra: • Baixa persistência; • Alta taxa de declínio; • Baixa produção total. Vale ressaltar que as alterações na taxa de declínio são, principalmente, resultados de possíveis fatores externos ou de manejos. 3. TAXA DE MORTALIDADE A taxa de mortalidade é um indicador que possibilita facil- mente a identificação de problemas causados por doen- ças, nas instalações ou condições de manejo, também au- 25,00 23,00 21,00 19,00 17,00 15,00 13,00 11,00 9,00 7,00 5,00 3,00 1,00 1 10 19 28 37 46 55 64 73 82 91 10 0 10 9 11 8 12 7 13 6 14 5 15 4 16 3 17 2 18 1 19 0 19 9 20 8 21 7 22 6 23 5 24 4 25 3 26 2 27 1 28 0 28 9 29 8 Pr o d uç ão d e le it e (k g /d ia ) dias em lactação Cenário 1 - persistência alta Cenário 2 - persistência razoável Cenário 3 - persistência baixa GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 142142 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite xilia na identificação das categorias mais afetadas, sendo possível estabelecer protocolos para correções. 3.1. Taxa de mortalidade de animais jovens: A fase de cria (bezerro ou cabrito) pode ser compreendida desde o nascimento até a desmama. Ela corresponde a uma fase sensível e que precisa de uma maior atenção e manejo, pois os resultados obtidos nela influenciarão to- das as fases subsequentes do ciclo produtivo (NOGUEIRA e PEIXOTO, 2019). Logo após o nascimento, a adoção de práticas de manejo, como colostragem e cura de umbigo, são fundamentais para garantir a sobrevivência da cria. Essa taxa pode ser calculada conforme Equação 1. Negligências nessa fase podem refletir de forma negativa na fase adulta dos animais, porém sabemos que os ani- mais, principalmente na fase de cria, estão mais suscep- tíveis à enfermidade. Por falta de resistência, o risco do animal vir a óbito aumenta, então consideramos valores aceitáveis de mortalidade até 5% para cria e 2% para a re- cria de novilhas e cabritas, sendo o cálculo representado pela Equação 2. colocando em prática Em uma fazenda, vinte bezerras nasceram no último ano, duas morreram, uma por pneumonia e outra por diarreia. x 100 = 10% Equação 1 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 143143 Uma simulação do impacto do aumento da mortalidade sobre a margem bruta de uma produção de caprinos lei- teiros é demonstrada na Tabela 3.6. Podemos observar que quanto maior a mortalidade, menor será a margem bruta da atividade. Por isso é de extrema importância realizarmos os procedimentos sanitários e alimentares adequados com os animais recém-nascidos para garantir imunidade e diminuir o risco de doenças e mortes. 3.2. Taxa de mortalidade de animais adultos Após passar pelos diversos desafios das fases de cria e recria, espera-se que o animal, ao chegar na fase adulta, tenha baixas afecções, tendo baixo impacto negativo na colocando em prática Uma propriedade leiteira manteve 35 novilhas na recria em média no último ano, uma morreu, acometida por tristeza parasitária. x 100 = 2,8% Tabela 3.6 Variações da taxa de mortalidade anual sobre a margem bruta no sistema de produção de caprinos. Variáveis Taxa de mortalidade (%) 8 10 12 Número de cabritas vivas (cria/recria) 105,6 86,4 67,2 Receita (R$) 9923,20 7100,80 4278,40 Venda de matrizes (animais) 32,8 23,2 13,6 Margem Bruta (R$) 171913,00 169091,00 166268,00 Margem Líquida (R$) 69433,20 66610,80 63788,40 Fonte: KOMBAT, 2020. Equação 2 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 144144 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite sua vida produtiva, dessa forma garantindo ganhos para a propriedade. Então, espera-se que essa taxa seja a menor possível, estando abaixo de 1%. 3.3. Taxa de morbidade A taxa de morbidade quantifica o número de indivíduos afe- tados por uma doença em relação ao total da população pre- sente no mesmo local, ou seja, essa taxa pode ser calculada para doenças específicas no rebanho (normalmente é calcu- lada para as doenças de maior incidência), podendo também ser separado por categoria de animais. Temos, portanto: colocando em prática colocando em prática Uma propriedade leiteira com 15 vacas em lactação em média no último ano, uma morreu devi- do a deslocamento de abomaso no pós-parto. x 100 = 6,6% Uma propriedade leiteira manteve 35 novilhas na recria em média no último ano, 5 foram aco- metidas por tristeza parasitária. = 14,3% Equação 3 Equação 4 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 145145 Tal índice tem por objetivo demonstrar o número de casos novos da doença, em um determinado período, avaliando a frequência em que ocorrem novos casos de uma deter- minada doença, sendo o ideal para essa taxa o menor va- lor possível, demonstrando bons desempenhos sanitários na propriedade. Como exemplo de doenças que podem elevar a taxa de morbidade em caprinos, temos a toxemia da gestação, responsável por até 18,5 % das doenças na fase de gesta- ção e consequente perdas econômicas, devido aos gastos com tratamento, redução na produção de leite e da efici- ência reprodutiva, além do aumento no descarte involun- tário (LIMA et al., 2012). 3.4. Taxa de descarte O descarte de vacas consiste na retirada do animal do rebanho, podendo ser um descarte de natureza voluntá- ria ou involuntária. O primeiro se dá devido aos critérios técnicos que constate a ineficiência econômica do animal, idade avançada, doenças comuns do rebanho (mastite e/ ou problemas de casco) ou grande número de fêmeas jo- vens para entrar no rebanho produtivo e falta de espaço para permanecer com todas as vacas na propriedade. A segunda é atrelada às doenças graves, como lesões (re- quer o descarte imediato, pois o animal fica impossibili- tado de ficar em pé e/ou andar). A taxa descarte deve ser calculada conforme Equação 5. A taxa de descarte é um fator importante para a evolução do rebanho e está atrelada a diversos indicadores técnicos Equação 5 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 146146 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite colocando em prática Uma propriedade leiteira com vinte vacas em lactação em média no último ano, uma foi descar- tada por não emprenhar e outra por mastite crônica. e econômicos. Entre eles podemos destacar a taxa de na- talidade, que por sua vez influenciará o número de animais de reposição disponíveis. A reposição indicará o número de animais que poderão ser descartados e a taxa de descar- te nos indicará quantos animais recém-nascidos devemos manter na propriedade para se tornarem a reposição. Para uma taxa de descarte de 10% seria necessário reter 35% dasbezerras recém-nascidas. Em propriedades que apresentem 25% de taxa de descarte, o ideal seria manter 73% das bezerras recém-nascidas e para as propriedades com 40% de taxa de descarte haveria a necessidade em reter 100% das bezerras nascidas. Essas taxas podem va- riar largamente e esses valores são apenas exemplos con- siderando baixa mortalidade das bezerras e alta eficiência reprodutiva das vacas. Dessa forma, para um correto pla- nejamento a longo prazo é de suma importância conhe- cer esses números e planejar como será a criação e venda de animais, uma vez que a atividade leiteira não é feita apenas da renda do leite, sendo necessária também o aporte financeiro que se obtém com a venda de animais, seja animais jovens ou vacas para descarte. Estudos mostram que reter 73% das bezerras resulta em uma redução nos custos de cerca de 6,5% ao ano em com- paração com as propriedades que criaram 100% das bezer- ras. Porém, vale ressaltar que a retenção de animais está x 100 = 10% GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 147147 diretamente relacionada à margem de segurança para ga- rantir que não faltem animais de reposição na propriedade. Nas cabras leiteiras a taxa de retenção é um pouco menor, pois as cabras têm maior prolificidade (número de cabri- tos por fêmea) entre 1,2 a 1,5 cabritos por fêmea ao ano. Dessa forma, a taxa de descarte média recomendável está em torno de 10 a 20%, sendo a taxa de retenção por volta de 19 a 35% de cabritas para 1,2 de prolificidade. 3.5. Receita menos o custo com alimentação (RMCA) O gasto com alimentação é o principal componente dos custos operacionais efetivos (custos variáveis) de um em- preendimento leiteiro e é importante mensurar e acom- panhar essa variável para maximizar as chances de alcan- çar a eficiência econômica da atividade. Assim, a principal medida para auxiliar na tomada de decisão é o indicador de receita menos o custo com alimentação (RMCA) que pode ser calculado de forma separada, ou seja, calcular para cada animal do rebanho ou de forma média, tendo a receita média por vaca ou cabra/dia menos os custos médios com alimentação do rebanho por dia (incluindo vaca ou cabra seca, novilha, bezerra e cabrita). O resulta- do obtido dessa subtração é a quantia que sobra para pa- gar os demais custos da atividade. Quanto maior o RMCA, maiores são as chances de uma propriedade ser lucrativa, pois ele tem uma relação direta com diversos fatores pro- dutivos e econômicos, tais como: produção de leite, preço do leite, custo dos insumos relacionados à alimentação, porcentagem de vaca em lactação, dentre outros. A seguir apresentaremos as fórmulas de cálculo, junta- mente com alguns exemplos práticos de análise de cená- rios. GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 148148 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Então, diante desse índice podemos fazer diversas aná- lises utilizando essas variáveis. Juntamente com outros indicadores, esse pode auxiliar na decisão de secar um animal e/ou descartá-lo, pelo fato de a receita obtida com o animal não cobrir os custos com a alimentação. RMCA individual: RMCA média: colocando em prática colocando em prática Uma vaca está produzindo, em média, 15 litros de leite por dia e a fazenda recebeu R$1,50 pelo litro do leite no último mês. Essa vaca está recebendo 5 quilos de concentrado e 30 kg de silagem de milho. A ração concentrada custa R$1,30 o quilo e a silagem custou R$0,15 o quilo. Receita = 15*R$1,50 = R$22,50 Custo = (5*R$1,30) + (30*R$0,15) = R$6,50 + R$4,50 = R$11,00 RMCA dessa vaca = R$22,50 – R$11,00 = R$11,50 Uma fazenda com média produção diária de 21 litros, que fornece média de 7 kg de ração con- centrada e 30 quilos de silagem por vaca por dia, o valor recebido pelo litro de leite foi de R$1,40. O custo do quilo do concentrado é de R$1,30 e da silagem R$0,10 o quilo. Receita = 21*R$1,40 = R$29,40 Custo = (7*R$1,30) + (30*R$0,10) = R$9,10 + R$3,00 = R$12,10 RMCA média dessa fazenda = R$29,40 – R$12,10 = R$17,30 Equação 6 Equação 7 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 149149 Permite analisar preço do leite, produção média diária e custo de insumos, sendo de suma importância uma aná- lise acurada desses fatores para identificar quais interfe- rem de forma positiva ou negativa na RCMA. Como por exemplo, se o indicador vacas em lactação sobre o total de animais do rebanho estiver abaixo da porcentagem ideal (e, consequentemente, com cada estrutura de custos, ou seja, um sistema mais intensificado requer margens de RMCA maiores, pois possui maiores custos com depre- ciações. Por outro lado, em sistemas menos tecnificados, apesar da maior necessidade de mão de obra, espera-se que a margem de RMCA seja menor devido ao menor cus- to com ração, depreciação, dentre outros. 4. INDICADORES REPRODUTIVOS Para o sucesso da pecuária leiteira, é preciso que a repro- dução seja eficiente, pois é um dos pilares para alcançar a eficiência produtiva, visto que determina o número de animais para abate, reposição, seleção, descarte involun- tário e voluntário e produção de leite. Devido a sua re- levância iremos demonstrar os indicadores de eficiência reprodutiva na produção de cabras e vacas leiteiras. 4.1. Taxa de serviço A taxa de serviço é obtida pela divisão entre o número de vacas inseminadas ou cobertas e número de vacas aptas no rebanho (vacas que já podem entrar para a reprodu- ção) em um período de 21 dias. As vacas aptas são aque- les animais não prenhes que já iniciaram sua vida cícli- ca (estão apresentando cio), vacas que já passaram pelo período de espera voluntário (PEV, normalmente 45 a 60 dias pós-parto em vacas ou até 90 dias pós-parto para ca- bras), estando inseminadas ou não, ou seja, estarão aptas as seguintes categorias: • Novilhas que já atingiram a puberdade e estão vazias ou inseminadas; • Vacas fora do PEV que estão vazias ou inseminadas (considera-se também as inseminadas, pois há a possi- bilidade do animal repetir o cio). GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 152152 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite O ciclo reprodutivo de cabras também tem duração de 21 dias. Logo, para o cálculo da taxa de serviço, também é possível calcular o intervalo entre cabras inseminadas ou cobertas em relação ao número de cabras aptas nesse pe- ríodo. A recomendação é que a taxa de serviço fique entre 70 a 80% durante a estação reprodutiva para as cabras. No entanto, chamamos a atenção na particularidade dos caprinos quanto à reprodução. A cabras são poliéstricas es- tacionárias (apresentam vários cios em uma época do ano) de dias curtos, sendo a estacionalidade reprodutiva pronun- ciada em diferentes regiões do país. Nos estados mais pró- ximos à linha do Equador, como os do Nordeste, os animais não apresentam estacionalidade reprodutiva. Entretanto, animais da região Sudeste apresentam essa particularida- de. Logo, em regiões como a cidade de Viçosa, em Minas Gerais, cabras adultas, como as da raça Saanen e Alpina, estarão aptas apenas dentro da estação reprodutiva natu- ral, que acontece entre os meses de março a junho, ou seja, ficarão prenhes apenas nesses meses, enquanto as cabras do Nordeste podem emprenhar em qualquer mês do ano. A taxa de serviço serve para medir a eficiência na identi- ficação de cio dos animais e a concretização da monta ou inseminação artificial, sendo ideal uma taxa de serviço aci- ma de 50% para que não comprometa os demais índices da propriedade. Assim, temos que a taxa de serviço deve ser a maior possível, o que demonstrará bons parâmetros na identificação de cio e pode ser calculada com a Equação 8: Equação 8 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 153153 colocando em prática Em uma propriedade leiteira foram inseminadas, em um dado mês, 4 vacas, sendo que tinham 10 possíveis de serem inseminadas, ou seja, excluindo as que já estavam prenhes e as que estavam em PEV. 4.2. Taxa de eficiência do inseminador A biotécnica reprodutiva mais utilizada para bovinos e ca- prinos é a inseminação artificial. A taxa de eficiência do inseminador (pessoal responsável por realizar a insemina- ção artificial na propriedade) procura mensurar o percen- tual de assertividade, ou seja, a cada número “x” de vacas inseminadas por determinada pessoa, quantas ficam pre- nhes. Essa taxa é importante para se otimizar a eficiência reprodutiva de uma propriedade, também possibilitando a identificação da necessidade de se ofertar um curso de reciclagem para o inseminador, sendo importante avaliar a forma como ele maneja o sêmen e a forma que os ani- mais estão sendo manejados antes e após a inseminação. Esse é um dos fatores decisivos para se ter uma boa taxa de concepção e, assim, consequentemente, uma taxa de prenhez satisfatória. Equação 9 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 154154 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite colocando em prática Em uma propriedade leiteira foram inseminadas, em um dado, mês quatro vacas, sendo que dessas apenas uma foi confirmada como prenhe. Todas elas foram inseminadas pelo Sr. Geraldo, dono da propriedade. 4.3. Taxa de concepção A taxa de concepção é o resultado da relação entre o nú- mero de fêmeas que tiveram diagnóstico de gestação po- sitivo sobre o número de fêmeas que foram inseminadas em um determinado período multiplicado por 100. Com isso, teremos o percentual de fertilidade das vacas ou ca- bras do rebanho, sendo possível calcular de duas manei- ras: 1) taxa de concepção por ciclo estral ou 2) taxa de concepção anual. Essa taxa nos mostra mais do que a con- cepção, ela reflete a qualidade técnica do inseminador, a precisão na identificação de cio, do manejo alimentar e do manejo sanitário correto. Para calcular a taxa de concepção anual é necessário que a propriedade faça, pelo menos, um diagnóstico de gesta- ção, assim teremos a relação de animais que ficaram ges- tantes sobre os que foram expostos a reprodução ao me- nos uma vez durante o ano, sendo a principal vantagem do indicador a precisão e a facilidade na interpretação dos resultados. Equação 10 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 155155 colocando em prática Em uma propriedade leiteira, 50 animais foram inseminados ao menos uma vez no ano, sendo que 20 deles tiveram a gestação confirmada no diagnóstico 30 dias após a inseminação. Já a taxa de concepção por ciclo estral (série de mudanças fisiológicas recorrentes que são induzidas por hormônios reprodutivos) nos permite acompanhar o desempenho reprodutivo no período de 21 dias (período em que ocor- re um ciclo estral), sem a necessidade de concluir um pe- ríodo de um ano para obter os resultados. Entretanto, os resultados das taxas de concepções mensais por si só não são eficientes para uma avaliação precisa da realidade do rebanho, sendo importante, ao final de um ano, realizar- mos uma média dos resultados parciais para chegarmos a um resultado de desempenho médio do rebanho. A taxa de concepção na primeira inseminação pode indicar o ní- vel de precocidade sexual do rebanho e também o nível de recuperação da vaca no PEV, pois, após o término do PEV, se o animal concebe novamente na primeira inse- minação ou cobertura, podemos notar que houve uma boa involução uterina e, possivelmente, baixo impacto de afecções no pós-parto (caso tenha ocorrido), possibili- tando o retorno normal da vida cíclica do animal com de- sempenho satisfatório e, consequentemente, com grande retorno econômico e reprodutivo. Equação 11 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 156156 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite colocando em prática Em um dado mês, foram inseminadas cinco novilhas e três dessas foram confirmadas como pre- nhes, sendo que uma delas foi a primeira inseminação recebida. Sabendo que esses fatores são decisivos para que se te- nha uma boa taxa de concepção, devemos traçar estraté- gias para identificar e corrigir eventuais falhas, revisando o programa de inseminação artificial ou mesmo a monta natural, em propriedades menos tecnificadas. Outros pontos que devemos nos atentar é sobre o inter- valoentre as inseminações: se for abaixo de 18 dias pode ser sinal de falha na identificação de cio, se for acima de 24 dias pode ser sinal de mortalidade embrionária ou, também, falha na identificação de cio. Outros fatores a serem monitorados seriam a avaliação de vacas em pós- -parto, possíveis doenças reprodutivas, desbalanços da dieta, que pode ser avaliado pela análise do nitrogênio ureico no leite (NUL), onde níveis elevados prejudicam o sistema reprodutivo da fêmea. 4.4. Taxa de prenhez A taxa de prenhez é um indicador que possibilita mensu- rar e corrigir, a curto prazo, o desempenho reprodutivo do rebanho, pois ele mede tal eficiência no período de Equação 12 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 157157 21 dias, sendo composto pelo número de vacas ou cabras com diagnóstico de gestação positivo (prenhes) dividido pelo número de animais aptos do rebanho, ou seja, que já saíram do PEV. Outra forma de calcular seria pela multipli- cação da taxa de concepção e taxa de serviço no período de 21 dias, uma vez que tais taxas levam em consideração todas as variáveis envolvidas na taxa de prenhez, utilizan- do as seguintes fórmulas: colocando em prática Em uma propriedade leiteira, a taxa de concepção foi de 40% e a de serviço foi de 50%, então: ou Outra forma de mensurar a taxa de prenhez é pelo cálculo da taxa de prenhez anual, mais usual na caprinocultura, porém será necessária a realização de um segundo diag- nóstico de gestação que deve ser feito entre os 45º e 60º dias de gestação, a fim de confirmar a prenhez. Dessa for- ma teremos a Equação 14: Equação 13 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 158158 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite colocando em prática Em uma propriedade leiteira, 50 animais foram inseminados ao menos uma vez no ano, sendo que 15 tiveram a gestação confirmada no diagnóstico aos 60 dias após a inseminação Enfim, temos que para melhorar a taxa de prenhez é ne- cessário, primeiramente, um bom manejo no pós-parto para obter uma rápida involução uterina e, assim, o ani- mal voltar a ciclar rapidamente para que se consiga em- prenhá-lo novamente após o PEV. É importante que seja respeitado tal período no pós-parto dos animais, que va- ria de acordo com alguns fatores. Entre eles pode-se des- tacar: raça, grau de sangue e ordem de parto, mas, em ge- ral, esse período varia de 45 a 60 dias. Desse modo, todos os fatores que aumentam a taxa de serviço e concepção irão impactar positivamente a taxa de prenhez, uma vez que essa taxa é o produto das duas e, por consequência, a saúde financeira da propriedade, pois mais animais em- prenhando representam mais animais nascendo e, assim, um aumento do rebanho (Tabela 3.9). Conforme discutido, a taxa de prenhez possui uma relação diretamente proporcional com taxa de serviço e concep- ção, ou seja, a cada ciclo de 21 dias, se a taxa de servi- ço e concepção aumentarem, a taxa de prenhez também irá aumentar, visto que não é eficiente possuir uma taxa de serviço alta e concepção baixa, pois a taxa de prenhez Equação 14 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 159159 Tabela 3.9 Variações na taxa de serviço, taxa de concepção e resultado da taxa de prenhez. Taxa de serviço Taxa de concepção Taxa de prenhez 20% 10% 2% 25% 15% 4% 30% 25% 8% 40% 35% 14% 45% 40% 18% 50% 45% 23% 70% 50% 35% 75% 55% 41% 80% 65% 52% Fonte: Elaborado pelos autores. Tabela 3.10 Simulação na variação na taxa de prenhez na margem líquida de cabras leiteiras. Variáveis Taxa de prenhez 60% 70% 80% 90% Fêmeas gestantes 60 70 80 90 Produção de leite/ano 64.050 74.725 85.400 96.075 Receita com leite (R$) 118.493,00 138.241,00 157.990,00 177.739,00 Fonte: Elaborado pelos autores. continuará insatisfatória. Enfim, ambas as taxas devem ser trabalhadas em conjunto para obter melhores resultados, sendo a taxa de serviço a mais fácil de corrigir a curto pra- zo, pois adequações de manejo que facilitem a expressão de cios e treinamento de identificação com a equipe en- volvida na atividade são mais fáceis de serem realizadas. Em caprinos, devido a estacionalidade reprodutiva e a concentração da reprodução em determinadas épocas do ano, como final do verão e outono, a taxa de prenhez anual é mais utilizada. O ideal é que essa taxa de prenhez fique entre 70 a 80% a depender do nível tecnológico do sistema de produção. Na Tabela 3.10 está um exemplo de simulação do efeito da oscilação da taxa de prenhez sobre a receita de um rebanho de 100 cabras, considerando a produção de leite média de 3,5 litros por dia. GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 160160 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 4.5. Taxa de reabsorção embrionária As perdas embrionárias causam impacto negativo no desempenho econômico e reprodutivo de uma proprie- dade. Podemos definir como reabsorção embrionária o período que compreende a concepção até os 45 dias pós-concepção, sendo dividida entre reabsorção precoce se ocorrer até os 25 dias após a concepção e dos 25 aos 45 dias é considerado reabsorção tardia. Para o cálculo, a Equação 15 é indicada: Para calcular o número de mortes embrionárias é neces- sário realizar dois diagnósticos de gestação, sendo um até 30 dias e outro de 45 a 60 dias de gestação, e a diferença entre o número de animais prenhes na primeira e na se- gunda avaliação será o número de reabsorção embrioná- ria. colocando em prática Em uma propriedade leiteira, 50 animais foram inseminados ao menos uma vez no ano, sendo que 20 desses animais tiveram diagnóstico de gestação aos 30 dias após inseminação artificial e 15 permaneceram com a confirmação do diagnóstico de prenhes aos 60 dias após a inseminação. 25% 20 – 15 = 5 Equação 15 Equação 16 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 161161 Este período é considerado crucial devido aos fatores que podem levar à interrupção da gestação. Dentre vários fa- tores, podemos destacar a necessidade de um ambiente uterino propício para receber o embrião, pois ele pode ser facilmente afetado devido à alteração da temperatura uterina, não favorecendo o desenvolvimento do mesmo; infecção pelo vírus da Diarreia Viral Bovina (BVD), podendo causar morte embrionária; baixos níveis de progesterona que aumentam a chance de reabsorção embrionária e es- core de condição corporal fora do padrão, pois animais que ganham peso de forma controlada tendem a manter a ges- tação com mais facilidade do que vacas que perdem ECC. 4.6. Taxa de natalidade A taxa de natalidade reflete o número de bezerras(os) ou cabritas(os) vivos de uma propriedade durante o ano, excluindo os natimortos (animais que nascem mortos ou morrem em até 48 horas após o nascimento). Essa taxa é importante para identificar possíveis problemas no pré- -parto, durante o parto ou nas primeiras horas pós-parto, uma vez que elevados casos de natimortos indicam pos- síveis alterações como: distorção no parto, falha nutricio- nal, falha de manejo e ou afecções reprodutivas. Outro ponto importante dessa taxa é o impacto dela sobre a evolução do rebanho (este associado com a idade ao pri- meiro parto e taxa de descarte) e a redução do intervalo de parto. Portanto, podemos afirmar que a redução na taxa de natalidade vai impactar na evolução do rebanho e aumentar o intervalo entre partos. A taxa de natalidade pode ser calculada das seguintes formas: Equação 17 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 162162 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Em que: CV = Crias vivas – natimortos TF = Total de fêmeas aptas à reprodução Em que: 12 = meses do ano IEP = Intervalo entrepartos (meses) Chamando a atenção para criação de caprinos leiteiros, o IEP médio é de 12 meses (MAIA & NOGUEIRA, 2019), quando considerado somente a estação de luz natural. Entretanto, a utilização de técnicas de sincronização e in- dução do estro (exemplo: utilização de hormônios, mani- pulação do fotoperíodo, efeito macho) permitem reduzir esse período para oito meses em média em cabras leitei- ras, intensificando a produção e melhorando a produtivi- dade do rebanho. 4.7. Período de serviço O período de serviço é o período compreendido entre o parto e a nova concepção, ou seja, o número de dias entre o parto e a nova gestação, sendo que o limite varia em função do sistema de produção. Porém, o ideal seria um período de até 90 dias para que não comprometa outros indicadores, tal como o intervalo entre partos. colocando em prática Em determinada propriedade nasceram doze bezerros vivos em um ano, dois nasceram mortos e um morreu um dia depois do nascimento. Quinze vacas estavam aptas à reprodução. Então: = 60% Equação 18 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 163163 São inúmeros fatores que podem impactar de forma ne- gativa esse indicador, a começar pelas disfunções ocor- ridas no pós-parto, doenças metabólicas, manejo nutri- cional deficiente no pré ou pós-parto e baixa ingestão de matéria seca (fato que é comum no período de transição), podendo também ter relação com a alta produção de lei- te e a exigência nutricional para tal. Esses fatores, isola- dos ou em conjunto, acarretam aumento do intervalo en- tre partos e, consequentemente, reduzem o número de animais em lactação. 4.8. Taxa de aborto É considerado aborto a perda gestacional ocorrida entre o 46 a 250º dias de gestação na vaca e do 35 a 120º dias de gestação na cabra. Apesar de ter uma representativida- de percentual geralmente baixa, tal fator representa uma grande perda econômica. Portanto, devemos procurar manter essa taxa abaixo dos 5% anual, buscando sempre o mínimo possível. As principais causas de abortos são: doenças infecciosas, alterações genéticas, estresse térmi- co e agentes tóxicos (Tabela 3.11). Por fim, a taxa de aborto anual pode ser calculada com base nas taxas de prenhes e natalidade, cujo resultado é a razão entre o número de abortos no ano e o número de DG (diagnóstico de gestação) positivo no 60º dia de gestação. Portanto, Equação 19 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 164164 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Tabela 3.11 Principais causas de aborto em rebanhos leiteiros. Nutricional Descrição Micotoxinas As micotoxinas são diversas e podem estar presentes na silagem e nos alimentos concentrados (milho, soja), ou seja, na alimentação do reba- nho. Sua principal ação é a intoxicação do animal e diversos sintomas que variam de acordo com a micotoxina, podendo acarretar o aborto. Toxemia da gestação É uma doença de ordem metabólica recorrente devido ao aumento das exigências nutricionais no terço final de gestação concomitante com a incapacidade de ingestão suficiente de nutrientes. Alterações genéticas Causam anomalias físicas no feto, ou seja, alteram sua aparência, podendo levar ao aborto devido ao não desenvolvimento do feto. Doenças infecciosas Descrição Mastite ambiental Podem atingir o feto e a placenta pelo sistema circulatório, sendo o aborto mais comum até o 135º dia de gestação em vacas que apresentaram masti- te nos primeiros 45 dias de gestação. Brucelose É causada por bactérias do gênero Brucela, tendo como principal caracte- rística o aborto no terço final da gestação, mas também pode apresentar outros sinais subclínicos como queda na produção de leite. Deve-se ter muito cuidado, pois é uma zoonose e, assim, pode ser transmitida para o humano. Neosporose Causada pelo parasitária Neospora caninum, além de ser uma zoonose, tal parasita é o agente causador de abortos em fêmeas bovinas, podendo ocorrer em qualquer estágio da gestação e, mesmo que ocorra o parto, a fêmea pode transmitir a doença para o bezerro. Rinotraqueíte infec- ciosa bovina (IBR) Esse vírus pode acometer apenas um animal ou contaminar o rebanho de forma comunitária, ocasionando o aborto em qualquer época da gestação. Toxoplasmose A toxoplasmose é uma zoonose de ampla distribuição mundial, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. Nos caprinos pode levar a abortos, natimortos, mumificação fetal e nascimento de crias debilitadas. Leptospirose Leptospirose é uma doença bacteriana causada pelo gênero Leptospira, transmitida, principalmente, pela urina de animais infectados. Em caprinos é uma doença que pode causar perdas econômicas devido à ocorrência de abortamentos, natimortalidade e diminuição da produção de leite. Fonte: Elaborado pelos autores. colocando em prática Em determinada propriedade, ocorreram 5 abortos no ano e foram confirmados 90 diagnósticos de gestação aos 60 dias após a inseminação ou cobertura, então: GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 165165 4.9. Resumo dos indicadores zootécnicos para caprinos e bovinos A Tabela 3.12 apresenta um compilado dos índices zoo- técnicos recomendados para caprinos e bovinos leiteiros. Tabela 3.12 Índices zootécnicos recomendados para sistemas de produção da caprinocultura e bovi- nocultura leiteira. Índices Zootécnicos Descrição Metas para caprinos Metas para bovinos Taxa de detec- ção de cio Relação entre o número de fêmeas que apresentam cio e o número de fêmeas aptas à reprodução > 90% >90% Taxa de serviço Relação de fêmeas inseminadas pelo total de fêmeas aptas à reprodução >87,5% >50% Taxa de fertili- dade Relação entre o número de fêmeas prenhas e o número de fêmeas cobertas > 80% >35% Taxa de prenhez Taxa de serviço multiplicada pela taxa de concepção > 70% > 17% Taxa de natali- dade Relação entre as crias nascidas e o número de fêmeas prenhes > 90% >95% Prolificidade Número de crias nascidas e o número total de fêmeas aptas à reprodução 1,2 crias/ parto 1 cria/parto Intervalo entre partos (IEP) Período compreendido entre dois partos consecutivos 12 meses 12 meses Taxa de mortali- dade (cria) Relação entre o número de cabritos (as) ou bezerras (os) mortos e o número de cabritos (as) ou bezerras (os) nascidos 3 kg 30-40 kg Peso ao des- mame Para caprinos deve ser considerado de 3 a 4 vezes o peso ao nascimento > 12 kg 68-110 kg Idade à des- mama Consiste na idade cujo cabrito(a) ou bezerro(a) é desmamado(a) 60 dias 90 dias Peso à 1ª monta Deve ser considerado de 60 a 70% da massa corporal de uma cabra adulta e para bovinos cerca de 50% do peso adulto 30-35 kg 250-380 kg (de acordo com a raça) Período de lactação Consiste no período entre o início e término da lactação 8-10 meses 10 meses Produção de leite diária Relação entre a produção total de leite em uma lactação e o período de lactação 3-4 litros/dia 10-30 litros/ dia Taxa de des- carte Relação entre os indivíduos que foram eliminados e introduzidos no rebanho e o número efetivo de animais existentes no período 10-20% 25% Total de fêmeas em lactação Consiste na proporção entre as fêmeas em lactação e o total do rebanho de fêmeas 80-90% do rebanho 40% do rebanho Fonte: Elaborado pelos autores. GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 166166 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 5. INDICADORES ECONÔMICOS O custo de produção envolve todos os fatores de produ- ção utilizadosna fabricação de um bem ou serviço. Tal de- finição nos permite apropriar ao custo de produção todas as despesas, tais como aquisição de matéria-prima, mão de obra, depreciação, entre outros. Sendo assim, se bem empregado, torna-se uma ferramenta importante para o produtor na tomada de decisão pelo fato da possibilidade de mensurar a eficiência econômica do seu empreendi- mento. Quando se trata de produção de leite devemos nos atentar a algumas particularidades da atividade, pois, normalmente, a produção ocorre simultaneamente à produção de leite e à venda de animais, dificultando a separação do custo da atividade que envolve a produção de leite mais venda de animais e o custo do leite. Outros fatores que requerem atenção são: as grandes partici- pações da mão de obra familiar, altos investimentos em terra e maquinários. Além disso, é importante definir bem o período de análise para que não se incorra em erros na apropriação dos custos, envolvendo todos os custos relacionados à atividade (GOMES, 1999). Por isso sugere-se sempre o período de 12 meses para análise econômica da atividade, pois engloba os meses de plan- tio e colheita de milho ou outra forrageira para confec- ção de silagem, etapa de grandes investimentos e gastos com a atividade. 5.1. Renda bruta da atividade leiteira A renda bruta da atividade leiteira é composta pela quan- tidade de produtos vendidos multiplicada pelo preço de venda durante o ciclo produtivo analisado. A atividade leiteira possui diversas fontes de renda, como: venda de GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 167167 Tabela 3.13 Exemplo de cálculo da receita bruta da atividade leiteira. Descrição Quantidade Preço unit. Valor total Venda de leite (L/ano) 36.504,00 R$ 1,40 R$ 51.105,60 Venda de animais (cabeça/ano) 5 R$ 3.000,00 R$ 15.000,00 Venda de silagem (kg/ano) 3.000,00 R$ 0,12 R$ 360,00 Renda bruta da atividade leiteira (R$/ano) R$ 66.465,60 Fonte: Elaborado pelos autores. colocando em prática Uma propriedade produz 100 litros de leite por dia em média (multiplicaremos por 30,42 para achar a produção mensal e depois por 12 para encontrarmos a produção anual) com preço médio de venda a R$ 1,40/L. Essa propriedade vendeu também 5 novilhas no ano (preço médio de R$ 3.000,00) e 3 toneladas de silagem de milho para o vizinho (R$0,12/kg). A renda bruta da ativida- de, ou seja, a soma de tudo que foi vendido, pode ser feita como está na Tabela 3.13. leite, venda de animais, esterco, excedentes de volumoso e outros, possuindo um ciclo produtivo de um ano, para que compreenda todas as atividades produtivas e os perí- odos de sazonalidade. Portanto, a renda bruta da atividade leiteira é dada pelo somatório do leite vendido ao ano (corrigido pelo preço do leite que varia mensalmente), pela venda de animais e outros possíveis excedentes da propriedade. 5.2. Renda bruta do leite É possível mensurar a renda bruta de cada atividade se- parada, mas aqui daremos ênfase apenas na renda bruta do leite, pois será importante no cálculo de custo de pro- dução do leite e em sua análise financeira-econômica. A metodologia usada é simplesmente a multiplicação da quantidade produzida ao ano pelo preço do litro de leite, porém alguns autores recomendam incluir o leite para bezerra ou cabrita e o volume consumido pelos co- GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 168168 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite laboradores envolvidos na atividade por entender que existe um custo de oportunidade atrelado a este. Entre- tanto, se tal metodologia for adotada, deve-se incluir nos desembolsos o valor referente a este consumo. A renda bruta será, então, o resultado da multiplicação do volume de leite produzido pelo preço do litro de leite (GOMES, 2006). Não há efeito da inclusão ou não do consumo de leite na propriedade na conta final entre receita e desembolsos. Entretanto, adiante mostraremos que ocorrerá um efeito na participação da renda bruta do leite em relação à ren- da bruta da atividade leiteira e tal fator pode influenciar o custo de produção do leite, por isso fica a cargo do gestor ou técnico que assiste a propriedade decidir qual meto- dologia adotar. colocando em prática Tomando nosso exemplo anterior de renda bruta da atividade leiteira, a renda bruta do leite no ano seria de R$ 51.105,60. Se dividirmos esse valor pela renda bruta da atividade leiteira, teremos: Isso nos mostra que o leite representa 76,9% das receitas da atividade leiteira. Quanto mais especializado em produção de leite for o rebanho, maior será essa participação. Enquanto que se o rebanho tiver aptidão de corte e leite a participação da venda dos animais será maior na renda da atividade, o mesmo ocorre para quem vende genética e também tem na venda de animais importante receita. 5.3. Variação do inventário animal Na pecuária leiteira é extremamente importante a repo- sição das vacas ou cabras. Portanto, é uma atividade que ocorre uma variação do inventário animal muito grande, em que pode haver a venda excessiva dos animais (que GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 169169 são subprodutos do leite) que impacta positivamente na renda bruta e ao mesmo tempo representa uma redução patrimonial da propriedade ou a retenção exagerada de animais, causando prejuízo econômico. Para evitar tais problemas, deve-se ter o rebanho esta- bilizado ou incluir a variação do inventário animal (VIA) na composição da renda bruta da atividade leiteira. A VIA é calculada pela (quantidade final × preços por categoria – quantidade inicial × preços por categoria – quantidade comprada × preço por compra), ou seja, a VIA em linhas gerais é: Sabemos que quanto mais especialidade leiteira o reba- nho tiver, ou seja, características que preconizem o volu- me de leite, espera-se que seja maior a representação da renda bruta do leite, ao contrário, se a genética não pre- conizar grandes volumes de leite, espera-se que a repre- sentatividade da renda bruta do leite seja menor, então, para definir o uso da VIA ou não, usa-se as recomenda- ções apresentadas na Tabela 3.14. Para chegarmos na participação da renda bruta do leite, dividimos a renda bruta do leite pela renda bruta da ati- vidade leiteira. Assim, se encontrarmos um valor próximo ao de referência, recomenda-se a utilização da VIA. Equação 20 Equação 21 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 170170 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Tabela 3.14 Referências de participação da renda bruta do leite e genética para definir a utilização da VIA. Grau de sangue Participação da RB1 do leite na RB da atividade Holandês Puro > 90% Gado mestiço (≥7/8HZ ativer aptidão de corte e leite, a participação da venda dos animais será maior na renda da atividade, o mesmo ocorre para quem vende genética e também tem na venda de animais importante receita. Considerando que o rebanho fosse Girolando, a quantidade de animais e outros valores sugeridos a seguir, e observando a Tabela 3.15, estaria dentro da faixa de refe- rência para esse tipo de gado, entre 70 e 80%, dessa forma devemos considerar a variação do inventário animal (VIA) Continuando a aplicação da VIA nas receitas, percebemos que o rebanho tinha valor de R$109 mil no início do ano e de R$113 mil no final, valorização de 4 mil reais. Devemos incluir essa valorização na nossa receita da atividade: GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 171171 Exemplo de cálculo da renda bruta da atividade leiteira, considerando a VIA Venda de leite (L/ano) 36.504,00 R$ 1,40 R$ 51.105,60 Venda de animais (cabeça/ano) 5,00 R$ 3.000,00 R$ 15.000,00 Venda de silagem (kg/ano) 3.000,00 R$ 0,12 R$ 360,00 VIA R$4.000,00 Renda bruta da atividade leiteira (R$/ano) R$ 70.465,60 5.4. Custo da atividade leiteira O custo da atividade leiteira é a soma de todos os insumos e serviços (terra, capital e trabalho) utilizados para formar a produção dos produtos da atividade. Usaremos a meto- dologia do Instituto de Economia Aplicada (IEA) que se- para os custos de produção em custo operacional efetivo, custo operacional total e custo total. O custo operacional efetivo (COE) são todas as despesas, ou seja, todos os custos que geram desembolso do produ- tor, como material de ordenha, alimentação do rebanho, mão de obra contratada, medicamentos e outros. O custo operacional total (COT) é composto pelo COE, acrescido a depreciação de forrageiras não anuais, benfei- torias, máquinas, reprodutores, animais de serviço e, por último, devemos acrescentar o custo com a mão de obra familiar (salário digno para todos os envolvidos na ativida- de leiteira). Uma observação deve ser feita quanto a depre- ciação de terra que não devemos realizar, devido ao enten- dimento de que será feito um manejo correto impedindo a depreciação. Pelo contrário, seguindo a lógica do mercado, a terra valoriza. Ainda, ao considerarmos o custo total com o rebanho completo, para facilitar a metodologia, não pre- cisamos depreciar as vacas ou as cabras, pois entende-se que há uma equivalência entre a apreciação das novilhas ou cabritas e a depreciação das vacas ou cabras. GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 172172 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite A parte relativa ao custo operacional total requer muita cau- tela devido à grande flexibilidade de escolhas, como, por exemplo, qual metodologia de depreciação adotar e qual o salário dos membros familiares envolvidos na atividade. A depreciação é o custo para substituir os bens quando se tem o esgotamento físico ou econômico, podendo ser a depreciação linear ou exponencial. Ambos os métodos chegam no mesmo valor final do bem, porém varia o im- pacto no decorrer dos anos como mostraremos a seguir. • Depreciação Linear: consiste no valor total do bem novo subtraído o valor de sucata do bem dividido pelo total de anos de vida útil. Vale ressaltar que esse tipo de depreciação é constante durante todos os anos. Em linhas gerais, é incorreto afirmar que um bem per- de o mesmo valor no decorrer do tempo, porém utili- za-se tal método a fim de simplificar o entendimento e a mensuração. A fórmula para encontrar o valor de depreciação linear de um bem é: Em que: Vi= valor inicial do bem Vf = valor final do bem (valor de sucata) • Depreciação exponencial: neste método a deprecia- ção não é constante, isto é, decresce com o passar dos anos, sendo o primeiro ano o valor mais alto e o último o valor mais baixo, ou seja, a depreciação exponencial decresce a uma taxa fixa, sobre o preço atual do bem e é calculado da seguinte forma: Equação 22 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 173173 Em que: N = número de vida útil do bem Vf = valor final do bem (valor de sucata) Vi = valor inicial colocando em prática Vamos calcular a depreciação de um trator pelo método da depreciação linear: essa máquina foi comprada nova por R$100.000,00. Consideraremos o valor final de sucata de R$20.000,00 e uma vida útil de 20 anos. Então teremos: Por ano esse trator desvaloriza R$4.000,00 e deveríamos reservar esse valor para que, ao final da vida útil, consigamos comprar outro. O mesmo raciocínio deve ser feito para todas as máquinas, equipamentos, benfeitorias e forrageiras não anuais (exemplo: capineira e canavial). Para animais não precisa realizar a depreciação, pois enquanto as vacas depreciam, as novilhas apreciam e irão ser a reposição. Caso não se faça cria e recria na propriedade deve-se depreciar as vacas e para animais de serviço deve ser feita também. Na Tabela 3.16 exemplificamos as duas metodologias pela simulação em 20 anos para analisar o comportamento da depreciação no decorrer dos anos. Como podemos notar, o resultado de ambas as meto- dologias é igual, porém a taxa de desconto por ano é diferente, causando um impacto inicial maior nos custos de produção quando se utiliza o método exponencial e um impacto constante no decorrer dos anos no método linear. Equação 23 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 174174 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Tabela 3.16 Simulação da depreciação linear e exponencial. Vida útil Depreciação linear (R$) Valor descontado na depreciação Linear (R$) Depreciação ex- ponencial (R$) Valor descontado na depreciação Exponencial (Tx= 7,73%) (R$) Ano 0 80.000,00 - 80.000,00 - Ano 1 76.800,00 3.200,00 73.814,47 6.185,53 Ano 2 73.600,00 3.200,00 68.107,19 5.707,27 Ano 3 70.400,00 3.200,00 62.841,20 5.265,99 Ano 4 67.200,00 3.200,00 57.982,37 4.858,83 Ano 5 64.000,00 3.200,00 53.499,22 4.483,15 Ano 6 60.800,00 3.200,00 49.362,71 4.136,52 Ano 7 57.600,00 3.200,00 45.546,03 3.816,68 Ano 8 54.400,00 3.200,00 42.024,44 3.521,58 Ano 9 51.200,00 3.200,00 38.775,15 3.249,30 Ano 10 48.000,00 3.200,00 35.777,09 2.998,06 Ano 11 44.800,00 3.200,00 33.010,83 2.766,25 Ano 12 41.600,00 3.200,00 30.458,46 2.552,37 Ano 13 38.400,00 3.200,00 28.103,44 2.355,02 Ano 14 35.200,00 3.200,00 25.930,51 2.172,93 Ano 15 32.000,00 3.200,00 23.925,58 2.004,93 Ano 16 28.800,00 3.200,00 22.075,67 1.849,91 Ano 17 25.600,00 3.200,00 20.368,80 1.706,87 Ano 18 22.400,00 3.200,00 18.793,90 1.574,90 Ano 19 19.200,00 3.200,00 17.340,77 1.453,13 Ano 20 16.000,00 3.200,00 16.000,00 1.340,77 Fonte: Elaborado pelos autores. Por fim, o custo total (CT) é composto pelo COT e custo de oportunidade (remuneração do capital). Tal custo de oportunidade refere-se aos juros reais de uma outra ativi- dade ou investimento em produtos financeiros (poupan- ça, bolsa de valores, por exemplo) multiplicado o capital estável empatado na atividade (benfeitorias, máquinas, animais e forrageiras não anuais), isto é, o rendimento mínimo que a atividade tem que proporcionar para que o investimento seja atrativo. GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 175175 Um exemplo de quão atrativa a atividade precisa estar em relação à rentabilidade é a comparação com a taxa básica de Juros do Brasil (SELIC) somada à inflação com principal indicador o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em janeiro de 2021 o Banco Central manteve a SELIC a 2% ao ano, com projeção até o final para 4,5 % ao ano. Já o IPCA fechou o ano de 2020 com 4,52% no ano. Logo, a atividade leiteira bem gerida, seja na produção de leite caprino ou bovino, deve ter retorno maior doque a soma da taxa básica de juros mais a inflação que ficou em torno de 6,5% ao ano. Dessa forma, valores acima do 6,5% para o ano de 2020 indicam uma atividade leiteira bem-sucedida. colocando em prática Vamos considerar os valores da Tabela 3.17 para exemplificar os indicadores econômicos já discutidos de uma propriedade leiteira durante um ano. Por fim, podemos concluir que, apesar de haver possibilidades de melhora em alguns indicado- res, principalmente nos indicadores zootécnicos, como o de vacas em lactação/total de vacas, que deveria ser por volta de 83% indicando bom intervalo entre partos, o sistema produtivo se mostra eficiente em controlar custos. Consequentemente, é também eficiente economicamen- te como mostraremos mais a diante neste capítulo. Tabela 3.17 Indicadores de eficiência. N° Indicador Unidade Valores 1 Produção média de leite L/dia 262,12 2 Área usada para pecuária Ha 6,76 3 Vacas em lactação (média mensal) Cab./mês 16,50 4 Total de vacas (média mensal) Cab./mês 18,75 5 Total do rebanho (média mensal) Cab./mês 35,64 6 Produção / vaca em lactação (1 ÷ 3) L/dia 15,89 7 Produção / total de vacas (1 ÷ 4) L/dia 13,98 8 Vacas em lactação / total de vacas (3 ÷ 4) % 88,00% 9 Vacas em lactação / rebanho (3 ÷ 5) % 46,30% continua... GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 176176 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite N° Indicador Unidade Valores 10 Vacas em lactação / área para pecuária (3 ÷ 2) Vacas/ha 2,44 11 Renda bruta da atividade leiteira $/Ano R$ 165.705,10 12 Renda bruta do leite $/Ano R$ 130.035,10 13 Preço médio do leite $/L R$ 1,36 14 Custo operacional efetivo da atividade leiteira $/Ano R$ 76.136,00 15 Custo operacional total da atividade leiteira $/Ano R$ 125.339,07 16 Custo total da atividade leiteira $/Ano R$ 126.781,47 17 Custo operacional efetivo do leite $/L R$ 0,62 18 Custo operacional total do leite $/L R$ 1,03 19 Custo total do leite $/L R$ 1,04 20 Lucro total da atividade (11 - 16) $/Ano R$ 38.923,63 21 Lucro unitário (13 - 19) $/L R$ 0,32 22 Lucro em equivalente litros de leite (20 ÷ 13) L/Ano R$ 28.638,56 23 Renda do leite/Renda atividade (12 ÷ 11) % 78,5% Fonte: Elaborado pelos autores. colocando em prática Vamos tomar como exemplo a mesma propriedade utilizada no último item para realizar os resultados econômicos conforme Tabela 3.18. 5.5. Custo do leite Para calcular o custo do leite adotaremos uma metodolo- gia abordada por Gomes (1998) que se refere à utilização da participação da renda do leite em relação à renda da atividade para mensurar o custo do leite, ou seja, o custo do leite é dado da seguinte forma: Equação 24 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 177177 Tabela 3.18 Indicadores econômicos. Indicador Unidade Valores Preço médio do leite $/L R$ 1,36 Custo operacional efetivo (COE) da atividade leiteira $/Ano R$ 76.136,00 Custo operacional total (COT) da atividade leiteira $/Ano R$ 125.339,07 Custo total (CT) da atividade leiteira $/Ano R$ 126.781,47 Custo operacional efetivo (COE) do leite $/L R$ 0,62 Custo operacional total (COT) do leite $/L R$ 1,03 Custo total (CT) do leite $/L R$ 1,04 COE do leite/preço do leite % 46% COT do leite/preço do leite % 76% CT do leite/preço do leite % 76,51% Fonte: Elaborado pelos autores. 6. RESULTADOS ECONÔMICOS 6.1. Margem bruta A margem bruta é dada pela subtração entre renda bruta e custo operacional efetivo, podendo ser calculada para atividade leiteira e para o leite. Com isso, teremos mar- gem bruta unitária para o leite, sendo importante essa divisão para conhecer os resultados da propriedade com o leite, portanto: ou Equação 25 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 178178 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite colocando em prática R$ 165.705,10 $ 76.136,00 = R$ 89.569,10 = R$ 70.258,34 Por considerar apenas os custos operacionais efetivos, que são os desembolsos que ocorrem durante o ciclo pro- dutivo, considera-se a margem bruta como de curto pra- zo, tendo as seguintes interpretações: • MB > 0: quando a margem bruta é positiva, indica que a atividade leiteira consegue pagar todos os desem- bolsos e sobra uma parte para cobrir as depreciações e a mão de obra familiar. Portanto, devemos avançar nas análises para concluir se é uma cobertura total ou parcial. • MB=0: quando a margem bruta é igual a zero, enten- de-se que a atividade é viável a curto prazo, pois o pro- dutor consegue pagar todos os desembolsos, porém não paga a mão de obra familiar e nem consegue pa- gar as depreciações, isto é, a médio prazo tende a se descapitalizar e, possivelmente, sair da atividade, uma vez que não conseguirá renovar seus bens utilizados para produzir ou por insatisfação pessoal, por se de- dicar na produção e não sobrar dinheiro (pró-labore). • MB0: quando a margem líquida é maior que zero, sig- nifica que a atividade cobre todas as despesas efeti- vas, assim sendo viável no curto prazo, paga todas as depreciações, a mão de obra familiar, sendo viável a médio prazo e ainda tem sobras financeiras. Portanto, Equação 26 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 180180 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite devemos seguir a análise para apurar as condições da empresa a longo prazo pelo lucro ou prejuízo. • ML=0: a margem líquida igual a zero significa que o COE e o COT foram totalmente cobertos, sendo a ativi- dade viável a curto e médio prazos, porém a longo pra- zo a atividade tende a perda de competitividade. Por- tanto, se tal situação se mantiver constante, o sistema produtivo não irá acompanhar o mercado e, natural- mente, o produtor poderá deixar a atividade, uma vez que a atividade não paga o seu custo de oportunidade. • ML209 2. EXIGÊNCIAS LEGAIS QUANTO À ROTULAGEM DOS PRODUTOS ..................................... 210 2.1. O que é a rotulagem dos alimentos e qual a sua importância? ..................................... 210 2.2. Quais alimentos devem ser rotulados? .......................................................................... 212 2.3. Quais os componentes/elementos de um rótulo? ......................................................... 213 2.4. Quais os dispositivos legais que estabelecem informações obrigatórias na rotulagem de alimentos? ...................................................................................................................... 214 2.5. Como deve ser feita a rotulagem dos alimentos? .......................................................... 214 2.6. Quais as informações obrigatórias na rotulagem dos alimentos? ................................. 217 2.7. O que não deve conter nos rótulos? .............................................................................. 220 2.8. Como deve ser elaborada a Rotulagem Nutricional? ..................................................... 221 2.9. O que é a Tabela de Informação Nutricional? Como ela deve ser elaborada?............... 222 2.10. O que é a Rotulagem Nutricional Frontal? Como e quando ela deve ser elaborada? . 224 3. EXIGÊNCIAS DE CONSERVAÇÃO E PROTEÇÃO DAS EMBALAGENS ................................. 226 1212 | VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 3.1. O que é a embalagem de um alimento? ........................................................................ 226 3.2. Como são classificadas as embalagens? ........................................................................ 227 3.3. Como as embalagens contribuem para a conservação dos alimentos? ......................... 228 3.4. Como escolher a embalagem do meu produto? ............................................................ 230 3.5. Quais as alternativas de embalagem para o meu produto? .......................................... 233 3.5.1. Embalagem de queijos artesanais ........................................................................ 233 3.5.2. Embalagem de doce de leite................................................................................. 234 3.5.3. Embalagens de bebidas lácteas e iogurtes ........................................................... 236 3.5.4. Embalagens de ricota ............................................................................................ 236 4. CARACTERÍSTICAS E EXIGÊNCIAS DOS CONSUMIDORES E CANAIS DE COMERCIALIZAÇÃO PARA PRODUTOS LÁCTEOS .............................................................. 237 4.1. Marketing: o caminho do sucesso comercial ................................................................. 237 4.2. Como se posicionar no mercado? .................................................................................. 238 4.3. Características e exigências dos consumidores de produtos lácteos artesanais .... 238 4.4. Como atender às expectativas e necessidades dos consumidores? ............................. 242 4.5. O marketing na prática: como promover a venda dos seus produtos? .......................... 243 4.6. Embalagens: identidade visual do produto .................................................................... 243 4.7. Canais de comercialização para produtos lácteos.......................................................... 245 4.7.1. Canais tradicionais de comercialização ................................................................. 245 4.7.1.1. Cadeias curtas de comercialização .............................................................. 246 4.7.1.2. Mercados institucionais .............................................................................. 247 4.7.1.3. Atacadistas e supermercados ...................................................................... 247 4.7.2. Marketing digital ................................................................................................... 248 5. REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 250 CAPÍTULO 5 INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS (IG): QUEIJOS ARTESANAIS ............................................................. 253 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 255 2. O REGISTRO ......................................................................................................................... 259 2.1. Procedimentos, conforme guia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) quanto à construção de Indicação Geográfica ................................................... 260 2.2. Documentação ............................................................................................................... 261 2.3 Caderno de especificações técnicas ................................................................................ 264 2.4. Descrição do mecanismo de controle ........................................................................... 265 3. PASSO A PASSO DA ORGANIZAÇÃO E REQUERIMENTO PARA INDICAÇÃO GEOGRÁFICA ...266 4. EXEMPLOS E EXPERIÊNCIAS COM AS INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS DE PRODUTOS LÁCTEOS JÁ CONSOLIDADOS ............................................................................................ 272 4.1. Informações das primeiras indicações geográficas brasileiras de queijos ..................... 278 4.1.1. Indicação Geográfica - Canastra............................................................................ 278 4.1.2. Indicação Geográfica - Serro ................................................................................. 282 5. BENEFÍCIOS E PREOCUPAÇÕES DE IMPLANTAÇÃO DE UMA INDICAÇÃO GEOGRÁFICA 283 6. APLICAÇÃO NA PRÁTICA DO RESGATE CULTURAL E DA IMPLANTAÇÃO DE INDICAÇÃO GEOGRÁFICA ...................................................................................................................... 286 6.1. Ações para o resgate ...................................................................................................... 290 6.2 Formação do Mercado .................................................................................................... 299 7. FORTALECIMENTO INSTITUCIONAL DA CADEIA PRODUTIVA .......................................... 304 8. REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 308 VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 1313 lista de figuras CAPÍTULO 1 Figura 1.1 Diretrizes da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PNSAN) ................. 22 Figura 1.2 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ............................................................. 23 Figura 1.3 Marco conceitual: relação entre agricultura sustentável, desenvolvimento e segurança alimentar e nutricional. ................................................................................................................ 27 Figura 1.4 Contribuição dos agricultores familiares produ tores e beneficiadores do leite na organização do Sistema Alimentar no atendimento aos Objetivos do Desenvolvi mento Sustentável (ODS 1 e ODS2). ......................................................................................................... 29 Figura 1.5 Eixos articuladores da Estratégia Fome Zero. ..................................................................... 31 Figura 1.6 Característica de execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e Programa Alimenta Brasil (PAB). .................................................................................................. 33 Figura 1.7 Modalidades de gestão do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). ............... 34 Figura 1.8 Fluxo do processo para elaboração de uma Chamada Pública. .......................................... 36 Figura 1.9 DocumentaçãoAlém disso, após pagar as despesas efetivas, a depreciação, o pró-labore e o custo de capital, a empresa rural ainda conseguiu agregar capital econômico ao seu patrimônio (lucro de R$ 30.511,65). R$ 165.705,10 R$ 126.781,47 = R$ 38.923,63 = R$ 30.511,65 Interpretações: • Lucro > 0: conhecido também como lucro supernor- mal, o lucro positivo indica que a empresa paga todos os seus fatores de produção, inclusive o custo de opor- tunidade e ainda lhe sobra recursos, ou seja, é a situ- ação em que a empresa está aumentando seu capital, podendo ser revertido em novos investimentos e/ou ampliação. • Lucro = 0: este é o lucro normal, em que o empreendi- mento é viável a curto, médio e longo prazos, pois é o ponto que há a cobertura total dos custos de produção e custo de oportunidade, porém a empresa se mante- rá estável no decorrer dos anos. • Lucro 0 indica que a ativida- de paga seu COE e COT, porém não é atrativa a longo prazo, pois não remunera seu capital, isto é, apenas é um prejuízo econômico, em que para o proprietário do GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 182182 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite capital é mais rentável manter seu capital investido em outra atividade que lhe proporcione um rendimento maior. 6.4. Taxa de retorno do capital A taxa de retorno do capital é o indicador que demonstra a rentabilidade do investimento, ou seja, mostra o per- centual de rendimento que o capital gera em relação ao capital investido (empatado) na atividade (neste caso na pecuária de leite). Portanto, esse indicador serve para analisar vários investimentos a fim de escolher o mais rentável, sendo essa taxa de retorno do capital calculada considerando a terra ou sem considerá-la. 6.5. Taxa de retorno do capital sem a terra Ao considerarmos a taxa de retorno do capital sem a ter- ra, teremos como estoque de capital as benfeitorias, má- quinas, animais e forrageiras não anuais, sendo essa aná- lise importante para se comparar a mesma atividade em diversas regiões, como, por exemplo, a pecuária leiteira em Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, pois ao isolar o fa- tor terra, teremos a eficiência de cada região ou produtor em produzir leite. colocando em prática O capital empatado, sem considerar o valor da terra na propriedade que temos usado de exem- plo, foi de R$ 188.178,33, que é dado pelo somatório do capital empatado em benfeitorias, máquinas, animais e forrageiras não anuais, como demonstrado na Tabela 3.19. Equação 28 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 183183 colocando em prática O capital empatado, sem considerar o valor da terra na propriedade que temos usado de exem- plo, foi de R$323.378,33, obtido pelo somatório do capital empatado em benfeitorias, máqui- nas, animais, forrageiras não anuais e terra, como demonstrado na Tabela 3.20. Tabela 3.19 Exemplo de cálculo do estoque de capital sem terra. Estoque de capital sem terra Valores (R$) Benfeitorias R$47.044,58 Máquinas R$37.635,67 Animais R$94.089,17 Forrageiras não anuais R$9.408,92 Total R$188.178,33 Fonte: Elaborado pelos autores. 6.6. Taxa de retorno do capital com a terra A taxa de retorno do capital com a terra tem a margem lí- quida da atividade leiteira dividida pelo estoque de capital que é formado pelas benfeitorias, máquinas, animais, forra- geiras não anuais e a terra. Essa análise serve para comparar a rentabilidade de diversos investimentos em uma mesma região, como, por exemplo, uma propriedade que pretende iniciar os investimentos e está em dúvida entre pecuária lei- teira, café ou soja. Nesse caso, a taxa de retorno do capital com a terra é um bom norte para orientar a escolha a partir da atividade que apresentar maior rentabilidade. Equação 29 Equação 30 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 184184 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Tabela 3.20 Exemplo de cálculo do estoque de capital com terra. Estoque de capital com terra Valores (R$) Benfeitorias R$47.044,58 Máquinas R$37.635,67 Animais R$94.089,17 Forrageiras não anuais R$9.408,92 Estoque de capital em terra R$135.200,00 Total R$323.378,33 Fonte: Elaborado pelos autores. 6.7. Ponto de cobertura operacional total (PCOT) O PCOT é o ponto em que as receitas são iguais ao custo operacional total. Tal análise é importante para conhecer o nível de produção diária que paga todas as despesas operacionais, restando, então, somente o custo de opor- tunidade a ser quitado. colocando em prática Quantos litros o produtor que estamos analisando precisaria produzir considerando o preço do leite médio recebido para pagar todos os custos operacionais (ou seja, considerando deprecia- ção e mão de obra familiar)? = 253 litros por dia Equação 31 Equação 32 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 185185 colocando em prática Quantos litros o produtor que estamos analisando precisaria produzir considerando o preço do leite médio recebido para pagar todos os custos (considerando até o custo de oportunidade)? 6.8. Ponto de cobertura total (PCT) O ponto de cobertura total é onde ocorre o lucro normal, ou seja, a receita bruta se iguala ao custo total, tendo, en- tão, o volume de leite diário necessário para pagar todos os custos da atividade. = 255 litros por dia 6.9. Taxa de giro do capital empatado A taxa de giro mede a capacidade do capital empatado em gerar receita, portanto, mede quantos anos será necessário para que a empresa gere a receita equivalente ao seu pa- trimônio, normalmente apresentado em valor percentual. colocando em prática Portanto, temos que, por ano, gira de receita um pouco mais da metade do capital empatado. Trazendo o valor percentual para anos, teríamos que é necessário aproximadamente 1 ano, 11 meses e alguns dias para que o empreendimento gere de receita o seu capital empatado. = 51,2% Equação 33 Equação 34 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 186186 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 6.10. Relação benefício/custo A relação benefício/custo mede o retorno obtido por cada R$ 1,00 investido na atividade, assim, valores acima de 1 indicam relação positiva, isto é, a cada um real investido a atividade paga o investimento e tem um certo lucro. Se o resultado for abaixo de 1, indica prejuízo, isto é, a cada um real investido, a atividade retorna menos do que foi empatado. Portanto: colocando em prática colocando em prática = 1,3 6.11. Capital empatado por unidade produzida O capital empatado mede a eficiência na utilização dos recursos, isto é, o valor monetário empatado na atividade necessário para produzir cada litro de leite. Equação 35 Equação 36 GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 187187 Deixamos abaixo algumas considerações gerais para que se possa aumentar receitas e reduzir custos na atividade leiteira, sendo possível maximizar o lucro. De forma geral: Para aumentar a receita o produtor pode: • Processar o leite na fazenda e transformá-lo em deri- vados; • Se unir a outros produtores para aumentar o volume de venda para conseguir valores mais atrativos pelo leite (quanto maior a produção, maior será o valor pago pelo litro do leite); • Realizar contratos de venda com laticínios prevendo o pagamento de valores referência, como o CEPEA; • Melhorar a qualidade do leite em termos de contagem de células somáticas e contagem bacteriana total e re- ceber bonificações. Para diminuir os custos o produtor pode: • Melhorar os índices reprodutivos, pois quanto mais cedo emprenhamos uma vaca ou cabra, menor será o custo com esse animal; • Comprar insumosno momento mais adequado, fazen- do planejamentos para isso; • Comprar alimentos em conjunto com outros produto- res para maior poder de negociação com os vendedo- res; • Descartar vacas com problemas sanitários e reprodu- tivos do rebanho. 7. BENCHMARKING O benchmarking pode ser definido como o processo de avaliação de um empreendimento em comparação a ou- tros do mesmo ramo, isto é, à concorrência. Na pecuária leiteira, o benchmark pode ser discriminado por região, extrato de produção, custos, rentabilidade e/ou outro GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 188188 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite indicador, sendo importante a utilização para mensurar eficiência, implementar mudanças com intuito de melho- rar o sistema de produção ou a empresa, otimizando os resultados. Nas Tabelas 3.21 e 3.22 apresentaremos um benchma- rking extraído de um estudo que procurou avaliar a efici- ência produtiva e econômica da pecuária leiteira em três regiões do Brasil, sendo elas o Triângulo Mineiro, Centro e Sul. Esse estudo avaliou 124 propriedades, com diversos sistemas produtivos e níveis de produção. Após aferir os indicadores técnicos e econômicos, o benchmarking foi discriminado por região e por extratos (inferior, interme- diário e superior), compreendendo respectivamente os 25% menos eficientes, os 50% as propriedades com efi- ciência mediana e os 25% mais eficientes. Os resultados obtidos podem ser observados na Tabela 3.21. Como podemos notar, o estudo constatou diferença míni- ma entre as propriedades e, assim, as três regiões se mos- traram competitivas na produção de leite. Porém, alguns detalhes, como gasto com alimentos, medicamentos, de- preciação e mão de obra familiar e contratada diferencia- ram as propriedades em termos de eficiência (Figura 3.8). Figura 3.8 Custo de produção de leite anual. Fonte: Elaborado pelos autores. Pa rt ic ip aç ão n o c us to d o le it e (% ) Central Sul Triângulo Inferior Interme- -diária Superior 100 80 60 40 20 0 Depreciação MDO Familiar MDO Contratada Outros Medicamentos Volumoso Concentrado GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 189189 Ta be la 3 .2 1 Pa rti ci pa çã o da re nd a do le ite n a re nd a br ut a da a tiv id ad e le ite ira . Ite m Ce nt ra l = 3 4 fa ze nd as Su l= 5 4 fa ze nd as Tr iâ ng ul o = 36 fa ze nd as M éd ia M áx . M ín . M éd ia M áx . M ín . M éd ia M áx . M ín . PL L /d 1. 99 3, 88 9. 02 5, 15 23 9, 44 2. 60 6, 38 12 .0 86 ,3 6 28 1, 49 1. 52 2, 96 3. 56 0, 46 42 4, 63 PL L /a no 72 7. 76 5, 60 3. 29 4. 18 0, 00 87 .3 69 ,0 0 95 1. 33 0, 01 4. 41 1. 52 1, 00 10 2. 74 5, 00 55 5. 88 0, 81 1. 29 9. 56 8, 00 15 4. 99 1, 00 Ár ea 13 9, 98 97 8, 84 8, 92 76 ,9 3 26 2, 01 8, 00 57 ,9 4 21 8, 00 14 ,9 0 VL 11 2, 84 55 2, 33 14 ,2 5 14 4, 01 40 9, 67 19 ,4 2 74 ,6 5 14 6, 17 20 ,1 7 TV 13 8, 56 67 9, 00 19 ,0 0 13 7, 57 50 5, 00 23 ,4 2 89 ,3 2 17 4, 58 23 ,7 5 TA R 30 5, 40 1. 60 9, 08 48 ,7 5 26 0, 30 93 0, 25 32 ,9 2 17 5, 57 37 5, 08 44 ,9 2 Dh 4, 94 25 ,0 7 1, 17 5, 15 16 ,9 9 1, 00 3, 22 5, 64 1, 33 E. c ap ita l c / te rr a (R $) 59 1. 73 0, 81 5. 58 5. 38 8, 25 37 .9 73 ,2 1 55 5. 96 2, 22 1. 82 7. 28 4, 93 73 .1 39 ,9 3 39 8. 91 2, 47 1. 31 9. 85 7, 51 10 8. 56 3, 02 E. c ap ita l s / te rr a (R S) 26 1. 06 0, 92 1. 19 2. 99 8, 72 29 .8 80 ,5 1 30 0. 67 0, 04 1. 11 5. 59 9, 37 39 .1 17 ,1 1 16 7. 50 0, 22 47 4. 88 5, 47 56 .9 09 ,5 3 PL (l /d )= pr od uç ão d e le ite d iá ria ; P L (l/ an o) =p ro du çã o de le ite e m 3 65 d ia s; V L= Va ca s e m la ct aç ão ; T V= To ta l d e va ca s; T AR =T ot al d e an im ai s d o re ba nh o; D h= d ia h om em ; E .c ap ita l c / te rr a= Es to qu e de c ap ita l c om te rr a; E . c ap ita l s / t er ra = Es to qu e de c ap ita l s em te rr a. F on te : E la bo ra do p el os a ut or es . GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 190190 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Tabela 3.22 Participação da renda do leite na renda bruta da atividade leiteira Indicadores zootécnicos Item Central Sul Triângulo Vacas em lactação/total de vacas (%) 82,97 83,73 85,47 Vacas em lactação/total do rebanho (%) 42,77 46,77 45,69 Vaca em lactação/área usada para pecuária (cabeça/ha) 1,25 1,88 1,86 Vacas em lactação por funcionário (cabeça) 23,86 24,30 25,78 Produção de leite/intervalo de parto (L/d) 17,07 18,70 20,10 Produção de leite/vaca em lactação (%) 21,97 24,06 24,26 Produção de leite/total de vacas (%) 18,27 20,22 20,69 Produção de leite por funcionário (L) 524,18 573,69 611,63 Produção de leite/área usada para pecuária (L/ano/ha) 10.805,00 16.793,00 16.482,00 Indicadores econômicos Concentrado/COT (%) 41,56 37,9% 42,00 Volumoso/COT (%) 11,88 14,6% 14,63 Medicamentos/COT (%) 44,40 3,34 3,62 Outros/COT (%) 23,86 26,42 23,27 MDO Contratada/COT (%) 9,93 8,95 7,50 MDO familiar/COT (%) 4,80 3,11 4,44 Depreciação /COT (%) 4,45 4,78 4,91 Taxa de retorno do capital sem terra (%) 4,60 5,80 6,80 Taxa de retorno com terra (%) 2,40 3,20 3,20 Taxa de giro (%) 22,80 26,60 25,00 Fonte: Elaborado pelos autores. A Figura 3.8 distingue as propriedades por região e pela composição de eficiência, como mencionado na intro- dução dessa unidade. Observa-se que 25% das fazendas mais eficientes, ou seja, as 31 melhores fazendas do es- tudo apresentaram um menor impacto dos itens de de- preciação e mão de obra no custo de produção, isto é, as melhores fazendas do conjunto das três regiões são efi- cientes na utilização dos recursos humanos, tendo maior produtividade por funcionário. Também foi observado que tais propriedades mantêm apenas a quantidade ne- cessária dos seguintes itens: maquinário, instalações, ani- mais de serviço, instalações e outros, reduzindo o impac- GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 191191 to da depreciação nos custos operacionais totais. Ou seja, os mais eficientes gastaram, em geral, mais com os outros itens de consumo, mostrando que os produtores eficien- tes priorizaram o que de fato gera retorno em produção e em receitas e economizaram em pontos onerosos que não influenciam positivamente as receitas. Vimos nessa unidade os indicadores zootécnicos, repro- dutivos e econômicos que são de suma importância para o monitoramento da atividade leiteira. Devemos ter em mente que tudo pode ser anotado e controlado para que possamos entender onde estão as falhas dos sistemas e, assim, tomarmos decisões que possam reverter um pro- blema que a propriedade pode estar passando. Para isso, precisamos anotar, fazer os cálculos e interpretar os resul- tados, buscando sempre termos uma atividade que seja economicamente viável. 8. REFERÊNCIAS AZEVEDO, R. et al. Padrão Ouro de bezerras leiteiras. 1a ed. Uberaba - MG: [s.n.]. BAILEY, T.; MURPHY, J. Monitoring Dairy Heifer Growth. 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GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 193193 GOMES, S. Perguntas e Respostas sobre o custo de pro- dução de leite. p. 1-4, 2001. GOMES, S. T. Cuidados no cálculo do custo de produção de leite. Departamento de Economia Rural - UFV, p. 1–11, 1999. GOMES, T. Custo de produzir leite. p. 0-1, 1998. GOMES, T. Notas sobre o cálculo do custo da produção de bovinos de leite. 2006. GONCALVES, A.ndré L.uigi et al . Avaliação de sistemas de produção de caprinos leiteiros na Região Sudeste do Brasil. R. Bras. Zootec., Viçosa , v. 37, n. 2, p. 366-376, Feb. 2008. GROSSMAN, M.; HARTZ, S. M.; KOOPS, W. J. Persistency of lactation yield: A novel approach. Journal of Dairy Science, v. 82, n. 10, p. 2192–2197, 1999. GUEVARA, C. E. et al. Modelos não lineares para descre- ver o consumo, deposição de nutrientes no corpo e crescimento de cabritos Saanen x Alpina. Archivos de zootecnia, v. 67, n. 257, p. 41-53, 2018. 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GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 195195 ANEXOS CADERNO DE CAMPO CO N TR O LE D E N AS CI M EN TO S N om e/ Br in co Da ta Se xo Pa i M ãe Ra ça Pe so (k g) GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 196196 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite PL AN EJ AM EN TO D A FA SE D E CR IA An im al Da ta na sc im en to Pe so na sc im en to Pe so 6 0 di as Da ta d es m am e Id ad e de sm am e Pe so d es m am e GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 197197 AC O M PA N HA M EN TO D E PE SA G EM D A RE CR IA Pe sa ge ns M es es : Ja n. Fe v. M ar . Ab r. M ai . Ju n. Ju l. Ag o. Se t. O ut . N ov . De z. Da ta : An im al Pe so (k g) GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 198198 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite CO N TR O LE R EP RO DU TI VO An im al Ca te go ria N ° d e se rv iç os Da ta To ur o/ Sê m en Ti po d e sê m en ¹ In se m i- -n ad or DG 3 0 di as ² DG 6 0 di as ³ Da ta ab or to -C at eg or ia : N ov ilh a ou v ac a; S er vi ço s: q ua nt as in se m in aç õe s a rti fic ia is ou c ob er tu ra s j á fo ra m fe ita s L eg en da : 1. S ex ad o ou c on ve nc io na l; 2. D ia gn os - tic o de p re nh ez n o 30 º di a de g es ta çã o; 3 . D ia gn os tic o de p re nh ez n o 60 º di a de g es ta çã o GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 199199 CO N TR O LE D E DE SC AR TE S E M O RT ES An im al Ca te go ria ¹ Da ta d a m or te o u de sc ar te M oti vo d a m or te o u de sc ar te Le ge nd a: 1 . B ez er ra , n ov ilh a ou v ac a GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 200200 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite IN VE N TÁ RI O D E TE RR AS N UA S O cu pa çã o da s á re as In íc io d o an o Fi na l d o an o Q ua nti da de (h a) Va lo r t er ra n ua / ha (R $) Va lo r t ot al (R $) Q ua nti da de (h a) Va lo r/ ha (R $) Va lo r t ot al (R $) GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 201201 IN VE N TÁ RI O D E CU LT U RA S PE RE N ES Cu ltu ra (c an av ia l, pa st ag em , c ap in ei ra ) Q ua nti da de (h a) Va lo r d e fo rm aç ão p or he ct ar e (R $) To ta l i nv es tid o (R $) Da ta d a im pl an ta çã o GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 202202 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite IN VE N TÁ RI O D E BE N FE IT O RI AS Be nf ei to ria s U ni da de Ár ea /Q td e. Da do s d o be m n ov oDa do s d o be m u sa do Va lo r un itá rio Va lo r t ot al Da ta d a co ns tr uç ão Fo i re fo rm ad o? Da ta d a re fo rm a Va lo r d a re fo rm a GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 203203 IN VE N TÁ RI O D E M ÁQ U IN AS M áq ui na Q ua nti da de Da do s d a m áq ui na n ov a Da do s d a m áq ui na u sa da Va lo r un itá rio Va lo r t ot al Da ta aq ui si çã o Va lo r a tu al Fo i re fo rm ad a? Da ta d a re fo rm a Va lo r d a re fo rm a GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 204204 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite IN VE N TÁ RI O D E AN IM AI S DE P RO DU ÇÃ O E T RA BA LH O Es pé ci e (B ov in o, e qu in o, m ua r) Ca te go ria In íc io d o an o Fi na l d o an o Q ua nti da de Va lo r ( R$ ) Q ua nti da de Va lo r ( R$ ) GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 205205 LA N ÇA M EN TO D E G AS TO S M EN SA IS * Da ta Ite m (O q ue fo i co m pr ad o) Va lo r u ni tá rio Q ua nti da de Va lo r t ot al O bs er va çõ es *P ar a ca da m ês d ev e se r f ei ta u m a pl an ilh a de ss a GESTÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PROPRIEDADE LEITEIRA CAPÍTULO 3 206206 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite LA N ÇA M EN TO D E RE CE IT AS M EN SA IS Fo nt e Pe sa ge ns Ja n. Fe v. M ar . Ab r. M ai . Ju n. Ju l. Ag o. Se t. O ut . N ov . De z. Le ite Vo lu m e R$ /L To ta l ( R$ ) An im ai s Q ua nti da de To ta l ( R$ ) Si la ge m To n. R$ /t on . To ta l ( R$ ) Es te rc o To n. R$ /t on . To ta l ( R$ ) 4 Ca pít ul o 4 Emille Rocha Bernardino de Almeida Prata Doutor em Ciência e Tecnologia de Alimentos, Professor do Departamento de tecnologia de Alimentos - UFV Exigências e Oportunidades de Comercialização VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 207207 Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 208208 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 209209 1. INTRODUÇÃO P ara que possa ser disponibilizado aos consumido- res, os produtos lácteos precisam atender diversas exigências dos órgãos de regulamentação, além de exigências locais de comercialização, bem como dos con- sumidores. Porém, estas exigências, ao serem atendidas, possibilitam que o mercado de comercialização se amplie, saindo da venda, muitas vezes informal (na propriedade ou em feiras livres), para comercialização em supermerca- dos e lojas especializadas. Além da ampliação dos pontos comerciais, também se tem a ampliação de região geo- gráfica, saindo de mercados locais e permitindo atender mercados de outras regiões e estados. O primeiro aspecto dessas exigências é o registro do estabe- lecimento e dos produtos e depende do mercado atendido, ou seja, deve ser municipal, estadual e/ou federal. O registro garante segurança ao consumo, pois indica que o estabeleci- mento produtor atende procedimentos de boas práticas de fabricação e é supervisionado por profissional capacitado. O registro do produto também atende às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), garantindo que os produtos são produzidos de acordo com os requisitos exigidos pelos Regulamento Téc- nicos de Identidade e Qualidade (RTIQ), conforme regras e normas para comunicação do produto ao consumidor a partir da rotulagem do alimento. Dentro dessas regras e normas, temos exigências de comunicação ao consumi- dor por meio do rótulo dos produtos. Além disso, em função do transporte, exposição e arma- zenamento do produto, outras requisições são adiciona- Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 210210 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite das, como: exigências de embalagens, para dar proteção contra possíveis contaminações ou danos; e exigências tecnológicas, como maturação, secagem, temperaturas no transporte, armazenamento, comercialização e na casa dos consumidores. Cada um desses aspectos, ao serem introduzidos na ca- deia de consumo, garantem não somente segurança para o consumidor, mas também a oportunidade para os pro- dutores ampliarem o seu mercado consumidor. 2. EXIGÊNCIAS LEGAIS QUANTO À ROTULAGEM DOS PRODUTOS 2.1. O que é a rotulagem dos alimentos e qual a sua importância? Para ilustrarmos o quanto é importante a rotulagem dos alimentos, iniciaremos nossa jornada contando uma pe- quena história: É hora do almoço e uma família brasileira senta-se à mesa, todos com muita fome. No centro da mesa, uma linda lasanha coberta de queijo gratinado. Então, subitamente, um jovem adolescente pergunta: “Tem cebola?”. A mãe responde ao seu filho: “Tem sim!” e o jovem, então, faz um pedido: “Pode fazer uma ome- lete para mim?”. Essa é uma cena comum nas famílias, pois todos nós te- mos as nossas preferências e limitações em nossa alimen- tação: • Existem ingredientes e alimentos que não gostamos ou não queremos consumir; • Existem ingredientes e alimentos que não considera- mos saudáveis para a nossa alimentação; Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 211211 • Existem pessoas que são alérgicas a certos ingredien- tes e não podem consumi-los, pois oferecem risco à sua saúde; • Existem cuidados de higiene na manipulação dos ali- mentos que esperamos que os produtores cumpram; • Desejamos saber a quantidade de alimento que es- tamos comprando no mercado (peso, volume e/ou quantas unidades). Pensando na cena do almoço que contamos anteriormen- te, qual seria a diferença se a lasanha fosse preparada em nossa casa ou se ela fosse industrializada? A diferença é que os responsáveis pela produção industrial da lasanha não estariam presentes para responder à pergunta do jo- vem! É um direito de todos saber exatamente o que estamos consumindo. Então, a única maneira de esclarecer ao consumidor a respeito do conteúdo e das características dos alimentos industrializados é declarando essas informações nos ró- tulos. Afinal, o que são os rótulos? A Resolução RDC nº 259 de 2002 da ANVISA conceitua os rótulos como sendo “toda inscrição, legenda e ima- gem ou toda matéria descritiva ou gráfica que esteja escrita, impressa, estampada, gravada ou colada so- bre a embalagem do alimento”. Mas a importância da rotulagem não para por aqui! Po- demos imaginar outra cena comum no cotidiano de todos nós que acrescenta outra percepção da importância da rotulagem dos alimentos. Imaginem o seguinte: um con- Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 212212 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite sumidor chega ao mercado e deseja comprar um queijo parmesão! Então, ele chega à gôndola e vê uma enorme quantidade de queijos à venda. Qual o produto que ele irá comprar? Certamente, o rótulo dos produtos exerce muita influência na escolha do consumidor. Eles podem ser in- formativos e também atrativos. Dessa forma, o consumidor pode preferir: • Um queijo que tenha origem em uma região específica (ou seja, que tenha uma identificação geográfica); • Ou que seja produzido a partir de leite cru; • Ou que seja um produto da agricultura familiar; • Ou que seja importado. Tudo isso e muito mais pode ser informado pelos rótulos e influenciar a escolha do consumidor. Mas nem sempre são as informações técnicas disponíveis nos rótulos que determinama compra dos produtos. Os rótulos podem também servir como atrativos ao cliente por conta de imagens e ilustrações agradáveis e sugestivas, bem como de informações que auxiliem a decisão do consumidor. Os rótulos dos alimentos são o principal instrumento de comunicação com o consumidor e, por isso, tem muita importância para o sucesso na comercialização de produtos alimentícios. A rotulagem correta é também importante para o pro- dutor para evitar problemas com a fiscalização. Existem itens que são obrigatórios nos rótulos e existem itens que são proibidos. 2.2. Quais alimentos devem ser rotulados? Deve ser rotulado todo alimento que seja embalado na ausência do cliente e comercializado pronto para oferta ao consumidor, qualquer que seja sua origem. Define-se Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 213213 como consumidor “toda pessoa física ou jurídica que ad- quire ou utiliza alimentos”. Os produtos de origem animal, quando comer- cializados a granel diretamente ao consumidor, serão expostos acompanhados de folhetos ou cartazes, contendo as informações previstas para o rótulo de acordo com a legislação vigen- te (Instrução Normativa 16/2015/MAPA). 2.3. Quais os componentes/elementos de um rótulo? As embalagens dos alimentos podem ter muitos formatos e características que requerem definições claras de como devem ser dispostas as informações nos rótulos. Dessa forma, faz-se necessário padronizar a rotulagem de ma- neira que as regulamentações sejam aplicáveis a todos os casos possíveis. As partes de um rótulo são denominadas de painéis. Um rótulo pode ter apenas um painel que contenha todas as informações do produto ou ter as informações apresenta- das em outros painéis. Os painéis de um rótulo são: painel principal, compreendendo o painel frontal; o painel late- ral e o painel secundário. A Instrução Normativa 05/2002 do MAPA define os ele- mentos de um rótulo como sendo: • Painel principal: é a parte da rotulagem onde se apre- senta, de forma mais relevante, a denominação de venda e marca ou o logotipo, caso existam. • Painel frontal: é a parte do painel principal imedia- tamente colocado ou mais facilmente visível ao com- prador, em condições habituais de exposição à venda. Considera-se, ainda, parte do painel frontal as tampas metálicas que vedam as garrafas e os filmes plásticos “” Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 214214 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite ou laminados utilizados para vedação de vasilhames em forma de garrafa ou de corpo. • Painel lateral: é a parte do painel principal, contíguo ao painel frontal, onde deverão estar dispostas as in- formações de natureza obrigatória. • Painel secundário: é a parte do rótulo, não habitual- mente visível ao comprador, nas condições de exposição à venda, onde deverão estar expressas as informações facultativas ou obrigatórias, a critério da autoridade competente, bem como as etiquetas ou outras infor- mações escritas que constam da embalagem. 2.4. Quais os dispositivos legais que estabelecem informações obrigatórias na rotulagem de alimentos? As informações obrigatórias que devem constar nos rótu- los dos alimentos são estabelecidas pela legislação bra- sileira nos dispositivos legais detalhados no Quadro 4.1. Adicionalmente, o MAPA (Ministério da Agricultura, Pe- cuária e Abastecimento promulgou a Instrução Norma- tiva nº 22/2005 que trata do Regulamento Técnico para Rotulagem de Produto de Origem Animal Embalado. 2.5. Como deve ser feita a rotulagem dos alimentos? De acordo com os termos do Decreto-lei 986/69, os ró- tulos deverão mencionar em caracteres perfeitamente legíveis: I. A qualidade, a natureza e o tipo do alimento, obser- vadas a definição, a descrição e a classificação esta- belecida no respectivo padrão de identidade e qua- lidade ou no rótulo arquivado no órgão competente do Ministério da Saúde, no caso de alimento de fan- tasia ou artificial ou de alimento não padronizado; Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 215215 Quadro 4.1 Principais dispositivos legais referentes a rotulagem de alimentos no Brasil. Dispositivo Descrição Decreto-lei 986/1969/ BRASIL Institui normas básicas sobre alimentos, tratando, inclusive, dos prin- cípios a serem observados em sua rotulagem. Resolução RDC 259/2002/ ANVISA Estabelece o Regulamento Técnico sobre Rotulagem de Alimentos Embalados. Resolução RDC 123/2004/ ANVISA Estabelece que alimentos fabricados seguindo tecnologias caracte- rísticas de diferentes lugares geográficos, para obter alimentos com propriedades sensoriais semelhantes ou parecidas com aquelas que são típicas de certas zonas reconhecidas, na denominação do alimen- to deve figurar a expressão "tipo". Instrução normativa 75/2020/ANVISA Estabelece os requisitos técnicos para declaração da rotulagem nutri- cional nos alimentos embalados. Resolução RDC 429/2020/ ANVISA Dispõe sobre a rotulagem nutricional dos alimentos embalados. Resolução RDC 460/2020/ ANVISA Dispõe sobre os requisitos sanitários das fórmulas dietoterápicas para erros inatos do metabolismo. Resolução RDC 26/ 2015/ ANVISA Estabelece os requisitos para rotulagem obrigatória dos principais alimentos que causam alergias alimentares (exemplo: contém leite). Lei 10.674/03/BRASIL Obriga que os produtos alimentícios comercializados informem sobre a presença de glúten, como medida preventiva e de controle da doença celíaca. Resolução RDC 135/2017/ ANVISA Rotulagem de alimentos para dietas com restrição de lactose (altera- da pela Resolução 460/2020/ANVISA). Portaria 157/2002/ INMETRO Regulamento Técnico Metrológico estabelecendo a forma de expres- sar o conteúdo líquido a ser utilizado nos produtos pré-medidos. Fonte: Elaborado pelo autor. II. Nome e/ou a marca do alimento; III. Nome do fabricante ou produtor; IV. Sede da fábrica ou local de produção; V. Número de registro do alimento no órgão compe- tente do Ministério da Saúde; VI. Indicação do emprego de aditivo intencional, men- cionando-o expressamente ou indicando o código de identificação correspondente com a especificação da classe a que pertencer; VII. Número de identificação da partida, lote ou data de fabricação, quando se tratar de alimento perecível; VIII. O peso ou o volume líquido; IX. Outras indicações que venham a ser fixadas em re- gulamentos. Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 216216 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite • Os rótulos de alimentos que contiverem corantes artificiais deverão trazer na rotularem a declaração "Colorido Artificialmente". • Os rótulos de alimentos adicionados de essências naturais ou artificiais, com o objetivo de reforçar ou reconstituir o sabor natural do alimento deverão trazer a declaração do "Contém Aromatizante...", seguido do código correspondente e da declaração "Aromatizado Artificialmente", no caso de ser em- pregado aroma artificial. • Os rótulos dos alimentos elaborados com essências naturais deverão trazer as indicações "Sabor de..." e "Contém Aromatizante", seguido do código cor- respondente. • Os rótulos dos alimentos elaborados com essências artificiais deverão trazer a indicação "Sabor Imita- ção ou Artificial de..." seguido da declaração "Aro- matizado Artificialmente". Sempre que for necessário mencionar o emprego des- ses aditivos, a declaração deverá constar do painel principal do rótulo do produto em forma facilmente legível. Os rótulos dos alimentos enriquecidos e dos alimentos dietéticos e de alimentos irradiados deverão trazer a res- pectiva indicação em caracteres facilmente legíveis. A declaração de "Alimento Dietético" deverá ser acom- panhada da indicação do tipo de regime a que se destina o produto expresso em linguagem de fácil entendimento(exemplo: dietas com restrição calórica, dietas com restri- ção de sal etc.). Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 217217 Os rótulos de alimentos que contenham lactose deverão indicar a presença da substância, conforme as disposições do regulamento (Lei nº 13.305, de 2016). Ainda, os rótu- los de alimentos cujo teor original de lactose tenha sido alterado deverão informar o teor de lactose remanescen- te, conforme as disposições do regulamento. Não poderão constar da rotulagem denominações, desig- nações, nomes geográficos, símbolos, figuras, desenhos ou indicações que possibilitem interpretação falsa, erro ou confusão quanto à origem, procedência, natureza, composição ou qualidade do alimento, ou que lhe atri- buam qualidades ou características nutritivas superiores àquelas que realmente possuem. 2.6. Quais as informações obrigatórias na rotulagem dos alimentos? As informações obrigatórias nos rótulos de produtos em- balados dividem-se em itens que devem constar obrigato- riamente no painel principal e aquelas que podem constar em quaisquer partes do rótulo. Na Figura 4.1 ilustramos os elementos que devem constar nos rótulos de alimen- tos. Em complementação, esses elementos são descritos nos Quadros 2 e 3. Os itens que devem constar obrigatoriamente no painel principal podem ser observados no Quadro 4.2. Já os itens obrigatórias, que podem constar em qualquer pai- nel do rótulo (frontal, lateral ou secundário), podem ser visualizados no Quadro 4.3. O tamanho das letras e números da rotulagem obriga- tória, exceto a indicação da denominação (nome) de venda do produto de origem animal e dos conteúdos líquidos, não será inferior a 1mm. Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 218218 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Quadro 4.2 Descrição dos elementos obrigatórios nos rótulos de alimentos. 1 Denominação de venda do produto (nome do produto) • Indicado no painel principal do rótulo; • Conforme RIISPOA, RTIQ (Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade) ou outras regulamentações; • Adicionalmente, pode ser empregada uma denominação consa- grada, de fantasia, de fábrica ou uma marca registrada. 2 Marca comercial do produto • Nome fantasia e símbolos que identificam o produto de um esta- belecimento específico. 3 País de origem • Em caso de produto nacional utiliza-se a expressão “Indústria Bra- sileira”. 4 Conteúdo líquido • Produtos embalados e medidos sem a presença do consumidor de- vem ter seu conteúdo líquido indicado no painel frontal do rótulo; • Conteúdo líquido é a quantidade de produto na embalagem, ex- cluindo a embalagem e qualquer outro objeto acondicionado com esse produto; • A declaração deve atender o estabelecido nos Regulamentos Téc- nicos específicos; • A Portaria 157/2002 da ANVISA determina regras adicionais para a declaração de conteúdo (tamanho mínimo dos algarismos e mo- dos de escrita permitidos). 5 Rotulagem nutri- cional frontal • A legislação brasileira atual exige que seja informado no painel frontal dos rótulos de alimentos, advertências nutricionais, confor- me descrito no item 2.10. Figura 4.1 Exemplo ilustrativo de rótulo com painel único (prin- cipal). Fonte: IMA. * Os queijos arte- sanais são isentos de apresentar rotulagem nutricional frontal (Item 5 do Quadro 2). 11 22 33 44 55 66 77 88 99 1010 1111 1212 1313 1414 1515 Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 219219 Quadro 4.3 Elementos obrigatórios isentos de constar no painel principal do rótulo de alimentos. 6 Origem ou procedência • Nome do estabelecimento produtor (razão social); • Endereço completo e estado de origem; • CNPJ ou cadastro de produtor rural; • Para identificar a origem deve ser utilizada uma das seguintes expres- sões: "fabricado em... ", "produto ..." ou "indústria ...". 7 Lista de ingredientes • Deve constar no rótulo a lista dos ingredientes em ordem decrescente da respectiva proporção; • Ingredientes compostos (elaborados com dois ou mais ingredientes) podem ser declarados como tal na lista de ingredientes, acompanhado imediatamente da lista de seus ingredientes entre parênteses e em ordem decrescente de proporção; • Ingredientes que possuam regulamento técnico específico e represen- tem menos que 25% do alimento não precisam de declaração dos seus ingredientes, exceto aditivos alimentares com função tecnológica; • A água deve ser declarada na lista de ingredientes; • Pode ser empregado o nome genérico para os ingredientes que per- tencem a certas classes de produtos (exemplo: queijos); • Os aditivos alimentares devem ser declarados fazendo parte da lista de ingredientes; • Os aditivos devem ser declarados citando-se a função principal (exem- plo: conservante) e nome completo e/ou número ins (sistema interna- cional de numeração, codex alimentarius fao/oms); • A portaria svs/ms 540/97 determina os limites e a numeração ins dos aditivos; • Os aditivos alimentares devem ser declarados depois dos ingredientes. 8 Identificação do Lote • Todo rótulo deve ter impresso, gravado ou marcado de qualquer outro modo, uma indicação em código ou linguagem clara que permita iden- tificar o lote a que pertence o alimento; • Para indicação do lote pode ser utilizado: a. Um código chave precedido da letra "L" b. A data de fabricação ou embalagem do produto. 9 Validade • Caso não esteja previsto de outra maneira em um Regulamento Técni- co específico, deve ser declarado o "prazo de validade"; • O prazo de validade deve ser declarado por meio de uma das seguintes expressões: a) "consumir antes de..." b) "válido até..." c) "validade..." d) "val.: ..." e) "vence..." f) "vencimento..." g) "vto.: ...” h) “venc.: ...." i) "consumir preferencialmente antes de...". 10 Modo de conservação • Nos rótulos das embalagens de alimentos que exijam condições espe- ciais para sua conservação, devem ser declaradas as precauções neces- sárias para manter suas características normais: a) Indicar temperaturas máxima e mínima para a conservação do ali- mento e o tempo que o produtor garante a durabilidade nessas con- dições; • O mesmo é aplicado para alimentos que podem se alterar depois de abertas suas embalagens. continua... Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 220220 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 11 Preparo e instruções de uso do produto • Quando necessário, o rótulo deve conter as instruções sobre o modo apropriado de uso, incluídos a reconstituição, o descongelamento ou o tratamento que deve ser dado pelo consumidor. 12 Classificação do estabeleci- mento • De acordo com a classificação oficial quando do registro do mesmo. 13 Número de registro do produto • Deve-se declarar o número do registro e o serviço de inspeção (SIM, SIE ou SIF). 14 Carimbo do Serviço de Inspeção • Deve-se apresentar o carimbo do serviço de inspeção de acordo com a legislação adequada; • No caso de registro no SELO ARTE, deve-se constar o carimbo. 15 Proteção de consumidores com restrição de dieta • Declarar se o alimento contém glúten; • Declarar se o alimento contém ingredientes alergênicos; • Declarar se o alimento contém lactose; • Declarar se o alimento contém fenilalanina (quando no produto hou- ver a adição de aspartame). Fonte: Elaborado pelo autor. ...continuação 2.7. O que não deve conter nos rótulos? De acordo com a IN 22/2005, os produtos de origem ani- mal embalados não devem conter alegações e represen- tações gráficas que induzam o consumidor ao engano. fique atento IN 22/205 Os rótulos de alimentos não devem conter as seguintes informações enganosas: a) Utilize vocábulos, sinais, denominações, símbolos, emble- mas, ilustrações ou outras representações gráficas que pos- sam tornar as informações falsas,incorretas, insuficientes ou que possa induzir o consumidor a equívoco, erro, confusão ou engano em relação à verdadeira natureza, composição, procedência, tipo, qualidade, quantidade, validade, rendi- mento ou forma de uso do produto de origem animal; Exemplo: imagens de fruta em um iogurte que só contém aroma. b) Atribua efeitos ou propriedades que não possuam ou não possam ser demonstradas; Exemplo: alegações do tipo “Emagrece”, “Bom para o coração” etc. c) Destaque a presença ou ausência de componentes que sejam intrínsecos ou próprios de produtos de origem animal de igual natureza, exceto nos casos previstos em regulamen- tos técnicos específicos; Exemplo: alegação de que um queijo possui proteínas do leite ou que a ricota é rica em proteínas do soro de leite. Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 221221 d) Ressalte, em certos tipos de produtos de origem animal processado, a presença de componentes que sejam adicio- nadas como ingredientes em todos os produtos de origem animal com tecnologia de fabricação semelhante; Exemplo: alegação de que um queijo ou uma bebida láctea contém leite. e) Ressalte qualidades que possam induzir a engano com relação a reais ou supostas propriedades terapêuticas que alguns componentes ou ingredientes tenham ou possam ter quando consumidos em quantidades diferentes daquelas que se encontram no produto de origem animal ou quando consumidos sob forma farmacêutica; Exemplo: alegação de que o consumo de leite fermentado mantém o equilí- brio do intestino e fortalece do sistema de defesa do organismo. f) Indique que o produto de origem animal possui proprieda- des medicinais ou terapêuticas; Exemplo: alegação de que um alimento previne o câncer. g) Aconselhe seu consumo como estimulante para melhorar a saúde, para prevenir doenças ou com ação curativa. Exemplo: alegação de que o consumo de ricota previne a obesidade. As denominações geográficas de um país, de uma re- gião ou de uma população, reconhecidas como lugares onde são fabricados produtos de origem animal com determinadas características, não podem ser usadas na rotulagem ou na propaganda de produtos de origem animal fabricados em outros lugares que possam in- duzir o consumidor a erro, equívoco ou engano (exem- plo: chamar de queijo canastra o queijo minas artesanal produzido em outras regiões). 2.8. Como deve ser elaborada a Rotulagem Nutricional? Chamamos de rotulagem nutricional o conjunto de decla- rações destinadas a “informar ao consumidor as proprie- dades nutricionais do alimento” e compreende: • A tabela de informação nutricional; • A rotulagem nutricional frontal; • As alegações nutricionais. A declaração da tabela de informação nutricional é obri- gatória nos rótulos dos alimentos embalados na ausência Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 222222 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite dos consumidores, inclusive aqueles destinados exclusi- vamente ao processamento industrial ou aos serviços de alimentação. Dentre os alimentos que estão excluídos da rotulagem nutricional, destaca-se, no contexto dos produtos lác- teos: • Alimentos com embalagem cuja superfície seja me- nor ou igual a 100 cm2; • Produtos fracionados no estabelecimento, comer- cializados como pré-medidos (exemplo: queijos); • Alimentos preparados e embalados em estabeleci- mentos comerciais (lanchonetes, padarias...), pron- tos para o consumo como sanduíches e sobremesas do tipo mousse ou flan. Essa regra não se aplica para produtos comercializados para outros estabeleci- mentos. 2.9. O que é a Tabela de Informação Nutricional? Como ela deve ser elaborada? A Tabela de Informação Nutricional contém a “relação padronizada do conteúdo energético, de nutrientes e de substâncias bioativas presentes no alimento”. Apresentamos na Figura 4.2 um modelo de Tabela de Infor- mação Nutricional (tipo vertical), no qual se encontram dis- criminadas as informações nutricionais obrigatórias para a elaboração dessas tabelas. Outros formatos de tabelas são permitidos pela legislação, conforme os modelos disponí- veis na Instrução Normativa 75/2020 da Anvisa. A fim de esclarecermos os elementos essenciais da Tabela de Informação Nutricional, apresentamos em seguida al- gumas definições importantes (Quadro 4.4). Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 223223 INFORMAÇÃO NUTRICIONAL Porções por embalagem: .... porções Porção: XXXg (medida caseira) 100g XXXg %VD(*) Valor energético (kcal) Carboidratos totais (g) Açúcares totais (g) Açúcares adicionados (g) Proteínas Gorduras totais (g) Gorduras saturadas (g) Gorduras trans (g) Fibra alimentar (g) Sódio (mg) Nutrientes adicionados (mg ou mcg) [1] Nutrientes com alegação (mg ou mcg) [2] (*) Percentual de valores diários fornecidos pela porção [1] nutriente essencial (>5% do VDR) ou substância bioativa adicionados. [2] nutriente ou substância bioativa que seja objeto de alegações nutricionais, funcionais ou de saúde. quantos forem necessários não faz parte da tabela Figura 4.2 Modelo de Tabela de Informação Nutricional (tipo vertical). O conteúdo nutricional dos alimentos deve ser informa- do ao consumidor considerando-se os nutrientes conti- dos em 100 g (ou 100 mL) de produto e em uma porção de referência, conforme os procedimentos detalhados em seguida. Adicionalmente, deve-se informar uma medida caseira que represente para o consumidor a quantidade de pro- duto que corresponde aproximadamente à porção de referência. Exemplo: Porção de 165 mL de leite = 1 copo americano de leite. A fim de esclarecermos os elementos essenciais da Tabela de Informação Nutricional, apresentamos em seguida al- gumas definições importantes (Quadro 4.4). Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 224224 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite A elaboração de rótulos, bem como da Tabela de In- formação Nutricional, requer competências técnicas de profissionais habilitados. Recomendamos procurar assistência junto às entidades de Assistência Técnica Rural (ATER). 2.10. O que é a Rotulagem Nutricional Frontal? Como e quando ela deve ser elaborada? A legislação brasileira atual exige que seja informado, no painel frontal dos rótulos de alimentos, advertências nutricionais (conforme modelo apresentado em segui- da), nos casos em que as quantidades de açúcares adi- cionados, gorduras saturadas ou sódio sejam iguais ou superiores aos limites definidos no Anexo XV da Instrução Normativa 75/2020. Essa medida visa auxiliar os consumidores na escolha e na quantidade consumida dos alimentos em relação a estes nutrientes, com a finalidade de prevenir o aumento da Quadro 4.4 Elementos essenciais da Tabela de Informação Nutricional. Porção Quantidade de alimento utilizada como referência para fins de rotulagem nutricional. Medida caseira Forma de quantificação da porção do alimento por meio de utensílios, unidades ou outras formas usadas pelo consumidor. Valores diários de referência (VDR) Valores baseados em dados científicos sobre as necessidades nutricionais ou sobre a redução do risco de doenças crônicas não transmissíveis que são aplicados na rotulagem nutricional e nas alegações de propriedades funcionais e de saúde. Percentual de valores diários (%VD) Quantidade percentual do nutriente ou valor calórico, em relação ao VDR, contido em uma porção de referência do produto. Substância bioativa Nutriente ou não nutriente consumido normalmente como componente de um alimento que possui ação metabólica ou fisiológica específica no organismo humano. Alegações nutricionais Qualquer declaração, com exceção da tabela de informação nutricional e da rotulagem nutricional frontal, que indique que um alimento possui propriedades nutricionaispositivas relativas ao seu valor energético ou ao conteúdo de nutrientes. Fonte: Elaborado pelo autor. Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 225225 obesidade e do risco de doenças crônicas associadas à ali- mentação (exemplo: hipertensão arterial). Os limites de açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio para fins de declaração da rotulagem nutricional frontal estão detalhados no Quadro 4.5 e, na sequência, é apresentada uma figura ilustrativa do padrão estabe- lecido na legislação para a rotulagem nutricional frontal (Figura 4.3). A declaração de advertências nutricionais frontais é proi- bida em alguns alimentos, conforme disposto no Anexo XVI da Instrução Normativa 75/2020. No caso de leite e produtos derivados, aplica-se essa restrição aos alimen- tos descritos no Quadro 4.6. Quadro 4.5 Limites de açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio para fins de declaração da rotulagem nutricional frontal. Nutrientes Alimentos sólidos ou semissólidos Alimentos líquidos Açúcares adicionados Quantidade maior ou igual a 15 g de açúcares adicionados por 100 g do alimento. Quantidade maior ou igual a 7,5 g de açúcares adicionados por 100 ml do alimento. Gorduras saturadas Quantidade maior ou igual a 6 g de gor- duras saturadas por 100 g do alimento. Quantidade maior ou igual a 3 g de gorduras saturadas por 100 mL do alimento. Sódio Quantidade maior ou igual a 600 mg de sódio por 100 g do alimento. Quantidade maior ou igual a 300 mg de sódio por 100 ml do alimento. Fonte: IN 75/2020/ANVISA Figura 4.3 Exemplos de rotula- gem nutricional frontal. Fonte: IN 75/2020/ANVISA. Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 226226 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Quadro 4.6 Alimentos para os quais é proibida a declaração de advertências nutricionais frontais. Leites de todas as espécies de animais mamíferos. Leites fermentados, desde que não sejam adicionados de ingredientes opcionais que agreguem açúcares adicionados ou valor nutricional significativo de gorduras saturadas ou de sódio ao pro- duto, conforme Anexo IV desta Instrução Normativa. Queijos, desde que não sejam adicionados de ingredientes opcionais que agreguem açúcares adi- cionados ou valor nutricional significativo de gorduras saturadas ou de sódio ao produto, confor- me Anexo IV desta Instrução Normativa. Leite em pó. Fonte: IN 75/2020/ANVISA Entretanto, caso os alimentos listados acima sejam adicio- nados de açúcares, gorduras saturadas ou sódio em sua formulação, deve-se fazer a declaração de advertências nutricionais se o valor original desses nutrientes for alte- rado pela adição desses ingredientes. A declaração de advertências nutricionais frontais é op- cional para os seguintes produtos: I. Alimentos em embalagens com área de painel prin- cipal inferior a 35 cm2; II. Alimentos embalados nos pontos de venda a pedido do consumidor; III. Alimentos embalados que sejam preparados ou fracio- nados e comercializados no próprio estabelecimento. 3. EXIGÊNCIAS DE CONSERVAÇÃO E PROTEÇÃO DAS EMBALAGENS 3.1. O que é a embalagem de um alimento? De acordo com o Decreto-Lei 986/1969, define-se emba- lagem como sendo “qualquer forma pela qual o alimento tenha sido acondicionado, guardado ou envasado”. Do ponto de vista técnico, as embalagens dos alimentos são destinadas à proteção e conservação do alimento duran- te a sua estocagem, transporte e comercialização. Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 227227 As embalagens dos alimentos são fundamentais para a qualidade e para o sucesso comercial dos produtos ali- mentícios. Podemos distinguir cinco funções básicas das embalagens, conforme disposto no Quadro 4.7. 3.2. Como são classificadas as embalagens? As embalagens podem ser classificadas de acordo com a sua função, conforme discriminado no Quadro 4.8. Adicionalmente, as embalagens podem ser classificadas em função de suas propriedades. As classificações mais comuns são baseadas na rigidez da embalagem ou em função de atributos de conservação (atmosfera gasosa in- terna, atividade da embalagem), conforme discriminado nos Quadros 4.9 e 4.10. Quadro 4.7 Funções básicas das embalagens de alimentos. Contenção e porcionamento Permite fracionar os alimentos em porções individuais ou em porções de ta- manho adequado para a comercialização do produto. Por exemplo, a venda de leite pasteurizado em porções de 5 L seria impraticável para grande parte das famílias que não consumiriam todo o produto antes do mesmo azedar. Proteção Protege os alimentos contra danos físicos (esmagamento, pancadas) e contamina- ção (química, física ou microbiológica) durante o transporte e o armazenamento. Conservação Estabelece uma barreira contra a contaminação do produto e contribui com a conservação dos alimentos mantendo um ambiente interno favorável a manutenção da qualidade do alimento (exemplo: ausência de oxigênio, barreira contra a desidratação etc.). Informação Comunicar ao consumidor informações a respeito do alimento (rotulagem). Marketing Atrair os consumidores e fomentar as vendas do produto. Fonte: Elaborado pelo autor. Quadro 4.8 Classificação das embalagens por função. Primária Refere-se à embalagem que entra em contato direto com o produto e tem como função a contenção e porcionamento do produto. É normalmente a unidade de venda no atacado. Secundária Refere-se à embalagem utilizada para proteger e conter um determinado núme- ro de unidades de produto (conjunto de embalagens primárias). É, normalmen- te, a unidade de venda no varejo. Terciária Refere-se às caixas e aos containers utilizados no transporte de produtos, seja diretamente em suas embalagens primárias ou em embalagens secundárias. É normalmente a unidade de transporte de produtos. Fonte: Elaborado pelo autor. Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 228228 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 3.3. Como as embalagens contribuem para a conservação dos alimentos? Para compreendermos como as embalagens podem con- tribuir para a conservação dos alimentos, precisamos pri- meiramente entender quais são as vias de deterioração dos alimentos. Ela é resultado de alterações químicas ou físicas que resultam na destruição parcial ou total de suas propriedades e características essenciais (cor, sabor, tex- tura, propriedades nutricionais e inocuidade). A deterio- ração dos alimentos pode ocorrer pela ação de agentes físicos e químicos ou biológicos, conforme ilustrado na Figura 4.4. Quadro 4.9 Classificação das embalagens pela rigidez. Rígida Construídas em material duro, oferecem boa resistência a impactos e compres- são e aceitam empilhamento. Exemplo: vidro, plásticos, metais etc. Semiflexível Construídas em material com dureza intermediária, oferecem resistência me- diana a impactos, compressão e empilhamento. Exemplo: garrafas e potes de plástico, embalagens laminadas (como de leite UHT). Flexível Construídas em material totalmente flexível, oferecem baixa resistência a impactos e compressão e são susceptíveis a deformação. Exemplo: filmes plás- ticos (ex. filme PVC em queijos), sachês, sacolas, etc. Fonte: Elaborado pelo autor. Quadro 4.10 Classificação das embalagens em função da atmosfera gasosa. Atmosfera natural A atmosfera gasosa interna é a mesma do ambiente externo e os materiais de construção da embalagem permitem troca gasosa com o meio. Os alimentos podem receber ou perder umidade, aromas e oxigênio do ambiente. Exemplo: embalagem de queijos em redes ou papel. Atmosfera modificada Os materiais de construção da embalagem permitem pouca troca gasosa com o meio, de modo que a atmosfera interna da embalagem é alterada pelo próprio alimento. Exemplo: embalagem de queijos em filmes plásticos. Osqueijos são alimentos vivos (possuem atividade microbiológica) e podem alterar a atmosfe- ra interna da embalagem. Atmosfera controlada Recebem injeção de gases no momento do envase do produto, sendo a atmos- fera interna determinada pelo processo tecnológico. Os materiais de constru- ção da embalagem permitem pouca troca gasosa com o meio e favorecem a manutenção da atmosfera inicial. Embalagens a vácuo O ar é retirado da embalagem no momento do envase. Exemplo: embalagem de queijos em filme termoencolhível. Fonte: Elaborado pelo autor. Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 229229 O Quadro 4.11 apresenta os principais fatores respon- sáveis pela deterioração do leite e dos produtos lácteos. No Quadro 4.12 são discriminadas as alternativas tecno- lógicas que podem ser utilizadas nas embalagens para a conservação dos alimentos, seja pela contenção do pro- cesso de deterioração ou pela diminuição da velocidade do processo de deterioração causado por cada um dos respectivos fatores. Figura 4.4 Rotas de deteriora- ção dos alimentos. Fonte: Elaborado pelo autor. Deterioração Biológica Física • Perda ou ganho de umidade • Luz, calor e radiações • Contaminação microbiológica • Reações enzimáticas • Escurecimento não enzimático • Reações com o oxigênioQuímica Quadro 4.11 Vias de deterioração de produtos lácteos que podem ser contidas ou retardadas pela tecnologia de embalagem. Fator Descrição Deterioração microbiológica • Causada pela atividade de microrganismos no alimento (bactérias, fungos e leveduras). • Podem estar associadas com a perda de inocuidade do alimento (risco à saúde). Rancificação • Oxidação da gordura do leite por meio de reação com o oxigênio. • Catalisada pela presença de luz. Desidratação • Perda ou absorção de umidade, formação de crosta na superfície do alimento ou amolecimento do alimento. Alteração do aroma • Alteração do aroma pela permeabilidade de compostos aromáticos do meio externo para o meio interno (exemplo: leite que fica na geladeira e adquire sabor anormal). Danos e contaminação dos alimentos por pragas • Danos físicos, contaminação com fragmentos (pelos etc.), fezes, larvas e contaminação microbiológica. Fonte: Elaborado pelo autor. Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 230230 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Quadro 4.12 Alternativas tecnológicas que podem ser utilizadas nas embalagens para a conservação dos alimentos. Fator Efeito da embalagem Tipo de embalagem Deterioração microbiológica • Redução da concentração de oxigênio na embalagem (eficaz no controle de fungos). • Embalagem a vácuo; • Embalagem com atmosfera controlada. Rancificação • Proteção contra incidência de luz; • Redução da concentração de oxigênio na embalagem. • Embalagem a vácuo (proteção contra o oxigênio); • Embalagem com atmosfera controlada (proteção contra o oxigênio); • Embalagem laminada aluminizada (pro- teção contra luz e radiações); • Embalagens metálicas (proteção contra luz e radiações). Desidratação • Barreira contra perda ou absorção de umidade pela embalagem. • Embalagem de vidro; • Embalagens metálicas; • Embalagens de plástico impermeável a umidade (filme PVC, polietileno, polipro- pileno.). Alteração do aroma • Barreira contra a difusão de aromas do exterior. • Embalagem de vidro; • Filmes plásticos com múltiplas camadas. Danos e contami- nação dos alimen- tos por pragas • Barreira física contra o acesso de pragas pela embalagem. • Embalagens de vidro; • Embalagens metálicas; • Embalagens de plástico. Fonte: Elaborado pelo autor. 3.4. Como escolher a embalagem do meu produto? A escolha da embalagem de um produto deve ser feita considerando-se diversos fatores de interesse do produ- tor e do consumidor. Devemos ter atenção aos requisitos legais referentes às embalagens de alimentos, especial- mente em relação aos materiais que entram em conta- to com os alimentos. Ainda, deve ser considerada a ade- quação dos materiais selecionados para a embalagem às condições de processamento (exemplo: envase a quente), transporte (exemplo: resistência mecânica), armazena- mento (exemplo: preservação do alimento) e uso preten- dido dos produtos (exemplo: praticidade). O Quadro 4.13 apresenta um conjunto de perguntas que devem ser respondidas no momento de decisão do tipo Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 231231 Quadro 4.13 Perguntas para orientação no processo de escolha de embalagens. Atributo da embalagem Pergunta orientadora Considerações Conteúdo A embalagem é apropriada ao conteúdo? As embalagens devem ser apropriadas a constitui- ção do produto (líquido ou sólido, viscoso, granula- do etc.), sua sensibilidade (frágil ou robusto, sensí- vel à luz etc.), dentre outras características. A embalagem permite o fracionamento do produto nas porções desejadas? A embalagem selecionada deve permitir o porcio- namento do produto nas quantidades pretendidas para a sua comercialização. Segurança O material na embalagem é apropriado para ter contato com o alimento? Devemos seguir as exigências legais referentes aos materiais de embalagem que podem ser utilizados para ter contato com cada tipo de alimento. As em- balagens devem ser atóxicas e compatíveis com o produto (para que não haja migração de compostos que químicos para o produto). A embalagem escolhida per- mite a proteção do alimento contra contaminações? Devemos considerar as condições de transporte, armazenamento e uso do produto para avaliar se a embalagem escolhida oferece proteção suficiente para garantir a inocuidade do produto. Integridade A embalagem selecionada protege o produto contra danos mecânicos? Devemos considerar a rigidez necessária para a em- balagem em função das condições de transporte, armazenamento e uso do produto para evitar que o mesmo sofra danos indesejáveis. A embalagem selecionada protege o produto contra alterações em suas proprie- dades físicas? Devemos avaliar se podem ocorrer interações en- tre a embalagem e o alimento que possam alterar o produto ou a embalagem (exemplo: desidratação do produto, absorção de gordura pela embalagem, absorção de cheiro etc.). Apresentação do produto A embalagem selecionada permite apresentar o produ- to da forma desejada? Os produtores desejam que alguns produtos possam ser vistos pelo consumidor, sendo nesses casos im- portante que as embalagens sejam translúcidas. Em outros casos, pode ser interessante para o produtor que as embalagens sejam atrativas ao consumidor pelas suas características de design (imagens, forma- tos e materiais que agreguem valor ao produto). A embalagem permite uma boa alocação do produto nas prateleiras dos postos de venda? Devemos considerar a forma como pretendemos apresentar os produtos ao consumidor nos postos de venda. Se se desejarmos que os produtos sejam dispostos em pé, a rigidez da embalagem deve ser considerada. Ainda, deve-se considerar se o produ- to será disposto para venda de forma empilhada. Adequação ao processa- mento A embalagem resiste às con- dições de processamento? Considerar se a ocorrerá envase a quente. Considerar se a embalagem facilita ou dificulta o processo de envase. continua... Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 232232 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Atributo da embalagem Pergunta orientadora Considerações Conservação A embalagem contribui para a conservação do produto? Devemos considerar a tecnologia necessária para a conservação do produto embalado. Deve-se ter atenção às condições da atmosfera no interior da embalagem, dá proteção contra a luz e a permeabi- lidade da embalagem aos gases e a água. Praticidade A embalagem permite abertura efechamento facilitados? Muitos produtos são consumidos em pequenas porções, o que exige do consumidor abrir e fechar a embalagem para coleta de porções sem prejudi- car a qualidade do alimento. O sistema de abertura e fechamento das embalagens deve proporcionar praticidade ao consumidor. A embalagem é fácil de manusear? Uma alternativa para proporcionar praticidade ao consumidor consiste em projetar embalagens de fá- cil manuseio. Por exemplo, o uso de alças ou forma- to da embalagem que dê segurança no manuseio pelo consumidor é aconselhável. A embalagem é adequada para o uso pretendido pelo consumidor? Alguns alimentos são consumidos em porções indi- viduais e, muitas vezes, fora do ambiente domésti- co, em que o uso pelo consumidor, sem a neces- sidade de talheres e outros recursos domésticos, podem trazer mais praticidade para o cliente. A es- colha do tamanho da porção, do sistema de aber- tura, do uso da própria embalagem como suporte para o consumo do alimento são elementos impor- tantes a serem considerados. Descarte e reciclagem A embalagem é reciclável? Os consumidores estão cada dia mais preocupados com a responsabilidade ambiental das empresas, sendo recomendável que os materiais das embala- gens sejam biodegradáveis ou recicláveis. Custo A embalagem torna o pro- duto muito caro? Devemos escolher embalagens que sejam compa- tíveis com o preço esperado do produto. Dentre as embalagens com preço acessível, qual resulta em melhor manutenção da qualidade? Fonte: Elaborado pelo autor. ...continuação de embalagem a ser utilizado em um produto, conside- rando-se os diversos atributos esperados de uma emba- lagem. Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 233233 3.5. Quais as alternativas de embalagem para o meu produto? 3.5.1. Embalagem de queijos artesanais O queijo é um alimento vivo, de maneira que a sua em- balagem deve respeitar, e até favorecer, a sua maturação e contribuir para a manutenção das suas propriedades sensoriais. No caso de queijos de umidade elevada, conservados sob refrigeração, a permeabilidade das embalagens aos gases tem menor importância, sendo desejável o uso de filmes impermeáveis à água para preservar a umidade do produ- to. Ainda, embalagens a vácuo previnem crescimento de fungos e leveduras na casca. No caso de queijos artesanais, as embalagens devem pro- porcionar a troca de gases com o ambiente. Os queijos mais úmidos podem ter problemas de umidade na cas- ca (crescimento de microrganismos) se as embalagens retiverem umidade suficiente, e ocorrer condensação de água dentro da embalagem, favorecendo crescimento de microrganismos na casca (fungos e leveduras principal- mente). Pode ocorrer também retenção de gases e cheiro de amônia. Por essa razão, para os queijos artesanais a permeabilida- de das embalagens é muito importante. Alguns materiais, como o papel, propiciam boa permeabilidade, mas podem absorver umidade e gordura e serem comprometidos ao longo do armazenamento. Por outro lado, esses queijos são armazenados a temperatura ambiente e podem per- der umidade e desidratarem ao longo do tempo, compro- metendo a textura do produto. Um equilíbrio entre a per- meabilidade aos gases e à agua deve ser almejado. Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 234234 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Apresentamos no Quadro 4.14 algumas alternativas de embalagem de queijos. 3.5.2. Embalagem de doce de leite As embalagens de doce de leite devem ser escolhidas em função de aspectos tecnológicos de sua produção. doce de leite em barra pode ser embalado em unidades individuais ou em recipientes contendo várias unidades de produto. Dessa forma, dependendo da escolha de porcionamento do produto, diferentes possibilidades de embalagem devem ser consideradas. As opções de recipiente são: bandejas de isopor revestidas por filme de PVC, potes de plástico ou sacos de polipropileno. Já o doce de leite pastoso pode ser acondicionado em po- tes de vidro, de plástico ou metálicos. Cada uma dessas alternativas apresenta vantagens e desvantagens para o produtor. Quadro 4.14 Perfil das embalagens mais comumente utilizadas para queijos. Embalagem Vantagem Desvantagem Filme de PVC • Baixo custo; • Facilidade no embalamento; • O produto fica visível. • Baixa permeabilidade; • Não transmite aparência de produto “premium”. Filmes termoencolhíveis • Diminui crescimento de fun- gos e leveduras na casca; • O produto fica visível; • Filmes com permeabilidades diversas adequados para cada caso. • Investimento em equipamento; • Custo mais elevado. Embalagem de papel manteiga • Baixo custo; • Boa permeabilidade a gases e água. • O produto não é visível; • Pode encharcar com a gordura do queijo; • Mais trabalhosas que os filmes. Revestimentos comestíveis • Boa permeabilidade; • Características diferenciadas na maturação (maior umidade); • Apresentação “premium”. • Alto custo; • Produto não é visível; • Mais trabalhosas. Embalagens rígi- das (latas, tigelas) • Apresentação “premium”. • Custo elevado; • Podem dificultar a permeabilidade (mas há solução); • Depende de soluções tecnológicas. Fonte: Elaborado pelo autor. Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 235235 Quadro 4.15 Perfil das embalagens mais comumente utilizadas para doce de leite. Embalagem Vantagem Desvantagem Bandeja de isopor com filme de PVC (exclusivo para doce de leite em barra) • Baixo custo; • Facilidade no embalamento; • O produto fica visível. • Não transmite aparência de produ- to “premium”; • Resulta em alterações na textura (aumento de dureza e textura que- bradiça). Sacos de polietileno (exclusivo para doce de leite em barra) • Baixo custo; • Baixa permeabilidade à água; • Boa conservação da textura. • O produto não é visível; • Pode encharcar com a gordura do queijo; • Mais trabalhosas que os filmes. Potes de polipro- pileno • O produto fica visível; • Reduz alterações de textura em doce de leite em barra. • Não permite esterilização da emba- lagem (doce de leite pastoso). Potes de vidro • O produto fica visível; • Aparência de produto “pre- mium”; • Pode ser esterilizada; • Excelente conservação do produto; • Não interage com o alimento (inocuidade). • Alto custo; • Peso elevado; • Risco de quebra. Lata de folha de flandres • Boa vedação (hermeticidade); • Proteção contra a luz (vida de prateleira estendida); • Praticidade de abertura; • Resistência no transporte; • Boa qualidade de impressão do rótulo. • O produto não fica visível; • Requer investimento em equipa- mento para recravação (fechamen- to da lata); • Mais pesado para o transporte. • Embalagens com impressão prévia; • Processo mais complexo. Fonte: Elaborado pelo autor. O doce de leite em barra pode endurecer e tornar-se que- bradiço devido à perda de umidade decorrente de per- meabilidade à água da embalagem. Ainda, existe a pos- sibilidade de desenvolvimento de fungos filamentosos (bolores) na superfície do doce de leite, sendo importante a exaustão dos gases da embalagem no momento do en- vase do produto, especialmente para o doce de leite pas- toso. Apresentamos no Quadro 4.15 algumas alternativas de embalagem de doce de leite. Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 236236 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 3.5.3. Embalagens de bebidas lácteas e iogurtes Os leites fermentados e o iogurte são embalados em reci- pientes plásticos (potes, copos ou garrafas) com baixa per- meabilidade ao oxigênio, opacas (sem passagem de luz) e resistentes à acidez do iogurte. O lacre das embalagens deve ser bem feito para prevenir a entrada de oxigênio na embalagem. Apresentamos no Quadro 4.16 algumas alternativas de embalagem de iogurtes e bebidasobrigatória para participar do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). .......................................................................................................................................... 37 Figura 1.10 Finalidades do Programa Alimenta Brasil. ........................................................................ 39 Figura 1.11 Mapa dos municípios aderidos ao PAA em 2021. ............................................................ 40 Figura 1.12 Os objetivos da modalidade de Incentivo a produção e consumo de leite. .................... 42 CAPÍTULO 2 Figura 2.1 Prevalências de casos de brucelose no 1º e 2º inquéritos por UF (%). ............................... 64 Figura 2.2 Prevalência de casos de brucelose por UF. ......................................................................... 65 Figura 2.3 Prevalências de focos de brucelose no 1º e 2º inquéritos por UF. ..................................... 65 Figura 2.4 Prevalência de focos de brucelose bovina por UF............................................................... 66 Figura 2.5 Prevalência de casos de tuberculose bovina por UF. .......................................................... 66 Figura 2.6 Prevalência de focos de tuberculose bovina por UF. .......................................................... 67 Figura 2.7 Ingestão de colostro por bezerro e cabrito, representa um meio de contaminação. ......... 69 Figura 2.8 Bezerros recém nascidos podem ser uma fonte de contaminação, por isso é necessário cuidado ao manejá-los. ................................................................................................................. 70 Figura 2.9 Aplicação da vacina............................................................................................................. 77 Figura 2.10 Índice vacinal de brucelose em bezerras de 3 a 8 meses por UF em 2018 do Brasil. ....... 78 Figura 2.11 Vacinação de fêmea bovina. ............................................................................................ 80 Figura 2.12 Manipulação da vacina. ................................................................................................... 84 Figura 2.13 Recipiente das vacinas em caixa de isopor com bolsas de gel congeladas. ...................... 85 Figura 2.14 Caixa de isopor fechada para guardar vacinas durante o manejo. ................................... 85 Figura 2.15 Tronco de contenção em bom estado de conservação e limpo. ....................................... 85 Figura 2.16 Seringas descartáveis e pistola automática para vacinação. ............................................ 86 Figura 2.17 Símbolo internacional de risco biológico .......................................................................... 88 Figura 2.18 Ambiente preparado para manejo. .................................................................................. 89 Figura 2.19 Condução tranquila. ......................................................................................................... 90 Figura 2.20 Exemplo de contenção em tronco. .................................................................................. 90 Figura 2.21 Aplicação subcutânea. ..................................................................................................... 91 Figura 2.22 Aplicação Intramuscular. .................................................................................................. 91 Figura 2.23 Fêmeas marcada com o algarismo no lado esquerdo da cara. ........................................ 91 1414 | VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Figura 2.24 “V” para marcação para animais vacinados com RB51. .................................................. 92 Figura 2.25 Marcação de bezerra com ferro quente ........................................................................... 92 Figura 2.26 Coleta de sangue para exame diagnóstico. ...................................................................... 93 Figura 2.27 Adição do corante rosa Bengala ao soro. ......................................................................... 98 Figura 2.28 Mistura do corante ao soro. ............................................................................................. 98 Figura 2.29 Leitura dos resultados. ..................................................................................................... 98 Figura 2.30 Esquema de diagnóstico indireto da brucelose. ............................................................. 103 Figura 2.31 Etapas do teste cervical comparativo ............................................................................. 107 Figura 2.32 Forma utilizada para marcar animais positivos. ............................................................. 108 CAPITULO 3 Figura 3.1 Ganho médio diário discriminado por novilha. ................................................................ 125 Figura 3.2 Exemplo de ganho médio diário discriminado por lote. ................................................... 126 Figura 3.3 Ganho médio diário (GMD) de cabritas leiteiras na fase de cria (50, 51 e 52 exemplificam o número de registro das cabritas). ............................................................................................... 127 Figura 3.4 Produção de leite total relacionado com idade ao primeiro parto. ................................. 134 Figura 3.5 Exemplos de curva de lactação. ....................................................................................... 139 Figura 3.6 Produção de leite de cabra Saanen ao longo de 305 dias. ............................................... 140 Figura 3.7 Curvas de lactação com diferentes níveis de persistência. .............................................. 141 Figura 3.8 Custo de produção de leite anual. ................................................................................... 188 CAPÍTULO 4 Figura 4.1 Exemplo ilustrativo de rótulo com painel único (principal). ............................................. 218 Figura 4.2 Modelo de Tabela de Informação Nutricional (tipo vertical). .......................................... 223 Figura 4.3 Exemplos de rotulagem nutricional frontal. .................................................................... 225 Figura 4.4 Rotas de deterioração dos alimentos. ............................................................................. 229 Figura 4.5 Quatro pilares do marketing. ........................................................................................... 244 CAPÍTULO 5 Figura 5.1 Tela do INPI contendo os links e modelos de requerimentos quanto a e indicações geográficas. ................................................................................................................................. 262 Figura 5.2 Queijos Artesanais do Brasil. ............................................................................................ 273 Figura 5.3 Imagem oficial do site da Indicação de Procedência do Queijo da Canastra. ................... 278 Figura 5.4 Mapa da região demarcada pela Indicação Geográfica – Canastra. ................................ 279 Figura 5.5 Imagem oficial do site da Indicação de Procedência do Queijo do Serro. ........................ 282 Figura 5.6 Mapa da região demarcada pela Indicação Geográfica – Serro. ...................................... 283 Figura 5.7 Dimensão do Patrimônio Material do Entre Serras .......................................................... 288 Figura 5.8 Seminário Fazenda do Engenho. ...................................................................................... 291 Figura 5.9 Queijo do Caraça após o resgate (meia cura e curado). .................................................. 293 Figura 5.10 Queijo curado com fungos: Queijo do Frei Rosário. ...................................................... 296 Figura 5.11 Cave do Queijo do Frei Rosário/Serra da Piedade, Caeté/MG. ...................................... 296 Figura 5.12 Livroslácteas. 3.5.4. Embalagens de ricota As características das embalagens de ricota são seme- lhantes àquelas utilizadas para os queijos frescos, sendo utilizados normalmente embalagens plásticas flexíveis (PEBD - polietileno de baixa densidade) ou filmes plás- ticos termoencolhíveis, de acordo com a possibilidade e necessidade do produtor. A embalagem sob vácuo (filmes termoencolhíveis) aumenta a durabilidade do produto. A legislação brasileira de alimentos e embalagens é bastante rigorosa e, para atendê-la, recomendamos que se busque auxílio de profissionais especializados. Quadro 4.16 Perfil das embalagens mais comumente utilizadas para iogurtes e bebidas lácteas. Embalagem Vantagem Desvantagem Potes de PET (polietileno) • Leves; • Transparente, permite visibilidade do produto; • Empresas multinacionais têm investido nessas embalagens; • Aparência de produto “premium”. • Transparência pode in- terferir com a qualidade. Potes e garrafas de polipropileno (PP) • Opacas; • Elevada resistência mecânica; • Bom desempenho na preservação do sabor. • Sem diferencial, uso co- mum no mercado. Embalagem flexível tipo chupetinha (PEBD) • Prática; • Porção individual; • Baixo custo. • Associado com produtos de menor qualidade. Fonte: Elaborado pelo autor. Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 237237 4. CARACTERÍSTICAS E EXIGÊNCIAS DOS CONSUMIDORES E CANAIS DE COMERCIALI- ZAÇÃO PARA PRODUTOS LÁCTEOS 4.1. Marketing: o caminho do sucesso comercial Uma empresa não sobrevive somente pela produção de bons produtos, é preciso vender os seus produtos! Como vivemos em um mundo globalizado, no qual a concorrên- cia é inevitável e cresce a cada dia, é um desafio para as empresas encontrar meios para criar valor para os seus clientes e conquistar o seu espaço no mercado. Essa pre- missa vale também para os empreendimentos da Agricul- tura Familiar. É claro que oferecer um produto excelente é o primeiro passo no caminho do sucesso comercial! Mas existem outras iniciativas que são fundamentais para conquistar- mos os objetivos de qualquer empreendimento humano. Como podemos conhecer e aplicar essas iniciativas em nossas práticas comerciais? O marketing é o ramo da ciência da administração que es- tuda as relações entre produtor e clientes e as ferramen- tas que podem ser utilizadas para promover estratégias de crescimento e sustentabilidade dos negócios. Toda a ideia do marketing gira em torno do posiciona- mento da empresa no mercado, ou seja, a forma pela qual a empresa quer ser percebida pelos seus clientes. Chamamos esse processo de posicionamento de marca. O posicionamento de marca é um processo de constru- ção da reputação da empresa, por meio de iniciativas que tenham o potencial de promover a admiração pela Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 238238 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite marca e determinar o lugar que a empresa ocupará no coração e na mente das pessoas. Construir a reputação de uma empresa é semelhante à construção da reputação de uma pessoa na sociedade. Podemos imaginar que um indivíduo pode ser conside- rado pelas pessoas do seu círculo de convivência como responsável, amigável, confiável, competente, dentre outras qualidades humanas, a partir de suas práticas como cidadão. Da mesma forma, as empresas constro- em a sua reputação! É mais fácil perder a reputação do que conquistá-la. Dessa forma, o trabalho de marketing em qualquer em- presa deve ser constante. 4.2. Como se posicionar no mercado? O posicionamento da empresa e sua marca começa na ini- ciativa do seu líder. No caso das empresas da Agricultura Familiar, o produtor que tem o poder de determinar como se espera que o consumidor perceba o seu produto e os valores que a empresa representa e promove. O Quadro 4.17 apresenta um roteiro para a implementação de uma estratégia de posicionamento no mercado. 4.3. Características e exigências dos consumidores de produtos lácteos artesanais O sucesso de qualquer negócio depende do conhecimen- to do perfil dos clientes e suas necessidades e expecta- tivas. Essa premissa vale também para os produtores de alimentos artesanais que devem aproveitar as tendências de consumo e promover melhorias no seu negócio que lhes permitam adequar os seus produtos para atender às exigências dos consumidores e explorar melhor os canais Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 239239 Quadro 4.17 Roteiro para a implementação de uma estratégia de posicionamento no mercado. 1⁰ Definir a visão da empresa A visão da empresa sintetiza os valores e princípios que a liderança re- conhece e deseja cumprir como missão. Exemplo: produzir alimentos excelentes em qualidade e segurança, que representem os valores as- sumidos pela empresa de honestidade, respeito à tradição familiar e comunitária e contribuam para o desenvolvimento econômico dos agri- cultores familiares e a preservação ambiental. 2⁰ Estabelecer os obje- tivos da empresa A declaração explícita das iniciativas que se pretende cumprir para fa- zer valer a visão da empresa. Exemplo: produzir alimentos autênticos e saudáveis e contribuo para a qualidade nutricional da alimentação das pessoas. 3⁰ Preparar-se para cumprir esses obje- tivos sempre Consiste nas ações necessárias para preparar a empresa e as pessoas no cumprimento dos objetivos. Exemplo: implantar o BPF para garantir a inocuidade dos alimentos e cumprir o objetivo de oferecer alimentos seguros ao consumidor. 4⁰ Estabelecer uma identidade visu- al e histórica da empresa Consiste em desenvolver a logomarca, os slogans e rótulos dos produ- tos que tenha um potencial de demonstrar ao consumidor os elementos declarados na visão da empresa. Uma retrospectiva histórica da tradi- ção familiar e da origem dos produtos da empresa pode contribuir para sua identidade junto ao consumidor. 5⁰ Transmitir aos clien- tes a sua posição pela comunicação e pela constância de suas práticas Utilizar de recursos diversos como as mídias sociais, a participação em eventos e feiras, propagandas e comunicação direta com o consumidor para a transmissão da identidade da empresa. A consistência das prá- ticas da empresa em relação aos seus objetivos constrói e mantém a reputação da empresa junto ao consumidor. 6⁰ Construir um rela- cionamento com os clientes Os meios de comunicação podem ser utilizados como instrumento para receber dos clientes feedback a respeito dos produtos e da imagem da empresa. Exemplo: o instrumento mais comum para o cumprimento dessa desse princípio é o sistema de atendimento ao consumidor (SAC), que pode ser operacionalizado pelas pequenas empresas de alimentos pelo uso de sites na internet ou contas no WhatsApp. Fonte: Elaborado pelo autor. de comunicação com os clientes e os canais de comercia- lização. CONHECER O SEU CLIENTE E O SEU MERCADO É UM DIFERENCIAL COMPETITIVO. O perfil dos consumidores de alimentos no Brasil vem se alterando ao longo dos anos, no sentido de valorizar os produtos alimentícios artesanais que tenham origem na Agricultura Familiar e na produção orgânica de alimentos. Diversos fatores contribuíram para essa mudança de valo- Exigências e Oportunidades de Comercialização CAPÍTULO 4 240240 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite res dos consumidores brasileiros, dentre os quais o prin- cipal agente de transformação é a ampliação do acesso à informação por meio da internet e das redes sociais e, consequentemente, a influência cultural que esses meios de comunicação exercem nas pessoas. Nesse sentido, ressaltam-se tendências no comportamento dos consu- midores (Quadro 4.18). O panorama do mercado consumidor de produtos arte- sanais no Brasil abre caminho para o pequeno produtor agregar valorcaixa (1889 a 1901). ............................................................................................. 297 Figura 5.13 Citação de comércio de caixas de Queijo do Atacadista Casa Rocha, em Santa Bárbara 297 Figura 5.14 Publicação Faculdade Senac Minas/ Revista Primórdios da Cozinha Mineira, Artigo publicado sobre os fundamentos históricos para o resgate do QMA – “Entre Serras”. ............. 298 Figura 5.15 Degustação Festival de Gastronomia e Cultura de Tiradentes, 2018. ............................ 299 Figura 5.16 Degustação festival de Tiradentes, 2018. ...................................................................... 299 VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 1515 Figura 5.17 Degustação do queijo durante o Concurso (2019). ........................................................ 301 Figura 5.18 Comércio do queijo durante o Concurso (2019). ........................................................... 303 Figura 5.19 Microrregiões reconhecidas pela produção de Queijos Artesanais no estado de Minas Gerais. ........................................................................................................................................ 303 Figura 5.20 Cadeia Produtiva da Gastronomia do estado de Minas Gerais. ..................................... 306 Figura 5.21 Concurso Queijo Entre Serras. ....................................................................................... 307 lista de quadros e tabelas CAPÍTULO 1 Quadro 1.1 Perguntas e respostas sobre o PNAE. ............................................................................... 37 Quadro 1.2 As modalidades do Programa Alimenta Brasil (PAB), suas formas de acesso, limites de venda, origem dos recursos e principais ações ............................................................................. 41 CAPÍTULO 2 Tabela 2.1 Classificação das UFs de acordo com grau de risco para Brucelose e Tuberculose. ....................62 Tabela 2.2 Classificação de risco para brucelose bovina e bubalina. .............................................................63 Tabela 2.3 Classificação de risco para tuberculose bovina e bubalina. ..........................................................63 Tabela 2.4 Responsabilidade do treinamento de auxiliares e vacinadores. ..................................................82 Tabela 2.5 Especificações da agulha, via de administração e da categoria de animal. .................................88 Tabela 2.6 Testes para brucelose segundo o PNCEBT. ....................................................................................96 Tabela 2.7 Interpretação do teste 2-ME para fêmeas com idade igual ou superior a vinte e quatro meses, vacinadas com B19 entre três e oito meses de idade. .............................................................................99 Tabela 2.8 Interpretação do teste do 2-ME para machos e para fêmeas com idade superior a oito meses vacinadas com a RB51 ou não vacinadas. ................................................................................................99 Tabela 2.9 Interpretação da prova de Fixação de Complemento. ................................................................100 Tabela 2.10 Testes diagnósticos de tuberculose e recomendações. ............................................................104 Tabela 2.11 Interpretação do teste cervical simples em bovinos e caprinos. ..............................................105 Tabela 2.12 Interpretação do teste cervical comparativo em bovinos e caprinos. .....................................106 Quadro 2.1 Exames para brucelose. ..............................................................................................................110 Quadro 2.2 Exames para tuberculose. ..........................................................................................................110 CAPÍTULO 3 Tabela 3.1 Exemplos de ganho médio diário discriminado para novilhas leiteiras............................ 125 Tabela 3.2 Planejamento do ganho média diário e peso na desmama. ............................................ 129 Tabela 3.3 Valores referência para peso e idade ao primeiro parto. ................................................. 134 Tabela 3.4 Planejamento para alcançar o peso ao parto para bovinos ............................................. 136 Tabela 3.5 Planejamento para alcançar o peso ao parto para caprinos ............................................ 136 Tabela 3.6 Variações da taxa de mortalidade anual sobre a margem bruta no sistema de produção de caprinos. ...................................................................................................................................... 143 Tabela 3.7 Receita menos custo com alimentação médio do rebanho. ............................................ 149 Tabela 3.8 Receita menos custo com alimentação (R$) de acordo com variações no preço do leite e no nível de produção. ................................................................................................................. 150 Tabela 3.9 Variações na taxa de serviço, taxa de concepção e resultado da taxa de prenhez. ...................159 Tabela 3.10 Simulação na variação na taxa de prenhez na margem líquida de cabras leiteiras. ....... 159 1616 | VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Tabela 3.11 Principais causas de aborto em rebanhos leiteiros. ....................................................... 164 Tabela 3.12 Índices zootécnicos recomendados para sistemas de produção da caprinocultura e bovinocultura leiteira. ................................................................................................................. 165 Tabela 3.13 Exemplo de cálculo da receita bruta da atividade leiteira.............................................. 167 Tabela 3.14 Referências de participação da renda bruta do leite e genética para definir a utilização da VIA. .............................................................................................................................................. 170 Tabela 3.15 Exemplo de cálculo da receita bruta da atividade leiteira.............................................. 170 Tabela 3.16 Simulação da depreciação linear e exponencial............................................................. 174 Tabela 3.17 Indicadores de eficiência. ............................................................................................... 175 Tabela 3.18 Indicadores econômicos. ................................................................................................ 177 Tabela 3.19 Exemplo de cálculo do estoque de capital sem terra. .................................................... 183 Tabela 3.20 Exemplo de cálculo do estoque de capital com terra. .................................................... 184 Tabela 3.21 Participação da renda do leite na renda bruta da atividade leiteira. ............................. 189 Tabela 3.22 Participação da renda do leite na renda bruta da atividade leiteira ............................. 190 CAPÍTULO 4 Quadro 4.1 Principais dispositivos legais referentes a rotulagem de alimentos no Brasil. ................ 215 Quadro 4.2 Descrição dos elementos obrigatórios nos rótulos de alimentos. .................................. 218 Quadro 4.3 Elementos obrigatórios isentos de constar no painel principal do rótulo de alimentos. 219 Quadro 4.4 Elementos essenciais da Tabela de Informação Nutricional. .......................................... 224 Quadro 4.5 Limites de açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio para fins de declaração da rotulagem nutricional frontal. ..................................................................................................... 225 Quadro 4.6 Alimentos para os quais é proibida a declaração de advertências nutricionais frontais. 226 Quadro 4.7 Funções básicas das embalagens de alimentos. ............................................................. 227 Quadro 4.8 Classificaçãodas embalagens por função. ..................................................................... 227 Quadro 4.9 Classificação das embalagens pela rigidez. .................................................................... 228 Quadro 4.10 Classificação das embalagens em função da atmosfera gasosa. .................................. 228 Quadro 4.11 Vias de deterioração de produtos lácteos que podem ser contidas ou retardadas pela tecnologia de embalagem. .......................................................................................................... 229 Quadro 4.12 Alternativas tecnológicas que podem ser utilizadas nas embalagens para a conservação dos alimentos. ............................................................................................................................. 230 Quadro 4.13 Perguntas para orientação no processo de escolha de embalagens. ........................... 231 Quadro 4.14 Perfil das embalagens mais comumente utilizadas para queijos. ................................ 234 Quadro 4.15 Perfil das embalagens mais comumente utilizadas para doce de leite. ....................... 235 Quadro 4.16 Perfil das embalagens mais comumente utilizadas para iogurtes e bebidas lácteas. .. 236 Quadro 4.17 Roteiro para a implementação de uma estratégia de posicionamento no mercado.... 239 Quadro 4.18 Tendências no comportamento dos consumidores de alimentos no Brasil. ................ 240 Quadro 4.19 Como agregar valor aos produtos artesanais? ............................................................. 241 Quadro 4.20 Requisitos que devem ser considerados no projeto dos produtos............................... 242 Quadro 4.21 Canais de comercialização de cadeia curta. ................................................................. 246 Quadro 4.22 Principais canais para o marketing digital. ................................................................... 249 CAPÍTULO 5 Quadro 5.1 Benefícios e prejuízos das IGs para consumidores e produtores. .................................. 284 VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 1717 lista de siglas 2-ME - 2-Mercaptoetanol AAT - Antígeno Acidificado Tamponado ADPIC - Acordo de Propriedade Intelectual Relacionado ao Comércio ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária APROCAN - Associação dos Produtores de Queijo Canastra BAAR - Bacilo Álcool-Ácido Resistente BVD - Diarreia Viral Bovina CAE - Conselho de Alimentação Escolar CAF - Cadastro Nacional da Agricultura Familiar CGU - Controladoria Geral da União CNC - Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo CNPJ - Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica COE - Custo Operacional Efetivo COT - Custo Operacional Total CPF - Cadastro de Pessoa Física CT - Custo Total DAP - Declaração de Aptidão ao Pronaf DAS - Desenvolvimento Agrícola Sustentável DG - Diagnóstico de Gestação Dh - Dia homem DHAA - Direito Humano à Alimentação Adequada DO - Denominação de Origem DSA - Departamento de Saúde Animal ECC - Escore de Condição Corporal EMATER - Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EPAN - Equipamentos Públicos de Alimentação e Nutrição FMVZ/USP - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo FNDE - Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FPA - Teste de Polarização Fluorescente GMD - Ganho Médio Diário GPP - Ganho de Peso Ponderal GRU - Guia de Recolhimento da União GTA - Guia de Transporte de Animais HTR - Hipersensibilidade de Tipo Retardado HZ - Holandês-Zebu IA - Inseminação Artificial IEA - Instituto de Economia Aplicada IEP - Intervalo entre Partos IG - Indicação Geográfica IMA - Instituto Mineiro de Agropecuária IN - Instrução Normativa InDEA - Instituto de Defesa Agropecuário do Mato Grosso INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial IP - Indicação de Procedência IPCA - Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 1818 | VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional IPP - Idade ao Primeiro Parto LOSAN - Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MB - Margem Bruta MDO - Mão de Obra MEC - Ministério da Educação ML - Margem Líquida MVC - Médico Veterinário Cadastrado NUL - Nitrogênio Uréico do Leite ODS - Objetivo de Desenvolvimento Sustentável OMC - Organização Mundial do Comércio PAA - Programa de Aquisição de Alimentos PAB - Programa Alimenta Brasil PC - Puro por Cruza PCOT - Ponto de Cobertura Operacional Total PCT - Ponto de Cobertura Total PEV - Período de Espera Voluntário PL - Produção de Leite PNAE - Programa Nacional de Alimentação Escolar PNCEBT - Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose PNSAN - Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional PNSCO - Programa Nacional de Sanidade de Caprinos e Ovinos PPD - Derivado Proteico Purificado QMA - Queijo Minas Artesanal RB - Renda Bruta RIISPOA - Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária dos Produtos de Origem Animal RMCA - Receita Menos Custo com Alimentação RT - Responsável Técnico RTIQ - Regulamento Técnicos de Identidade e Qualidade SAN - Segurança Alimentar e Nutricional SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAR - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SFA - Superintendências Federais de Agricultura SIE - Serviço de Inspeção Estadual SIF - Serviço de Inspeção Federal SIM - Serviço de Inspeção Municipal SVE - Serviço Veterinário Estadual TAL - Teste do Anel em Leite TAR - Total de Animais do Rebanho TCU - Tribunal de Contas da União TRCCT - Taxa de Retorno do Capital com a Terra TRCST - Taxa de Retorno do Capital sem a Terra TV - Total de Vacas UF - Unidades Federativas Vf - Valor final do bem Vi - Valor inicial do bem VIA - Variação do Inventário Animal VL - Vacas em Lactação ZN - Ziehl-Neelsen 1 VOLUME 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 1919 Ca pít ul o 1 Sílvia Oliveira Lopes Mestre em Agroecologia e Doutoranda em Ciência da Nutrição - UFV Luiza Carla Vidigal Castro Doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos, professora do Departamento de Nutrição e Saúde - UFV SISTEMAS ALIMENTARES SUSTENTÁVEIS E AGRICULTURA FAMILIAR sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 2020 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite EDUCAÇÃO E GOVERNANÇA PARTICIPATIVA EM EMPREENDIMENTOS COLETIVOS Ca pít ul o 1 sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 2121 1. CONTEXTUALIZAÇÃO A Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) é um tema que tem sido bastante debatido nos últimos anos, uma vez que as discussões se aprofundaram na bus- ca por alternativas que permitam o seu alcance. Segundo a definição dada pela Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN), Lei n° 11.346/ 2006, a SAN consiste: na realização do direito de todos ao acesso re- gular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e so- cialmente sustentáveis (BRASIL, 2006a). Há uma abordagem complexa inserida nesta definição, uma vez que, para estar em situação de SAN, são necessá- rios processos de articulação por meio de políticas e ações abordando: disponibilidade, acesso, qualidade, constância no seu oferecimento e respeito à sociobiodiversidade, ou seja, compreende a importância do desenvolvimento de ações que vão da produção ao consumo (BRASIL, 2006a). Com isso, uma das ações mais promissoras para a promo- ção da SAN é a valorizaçãoda agricultura familiar, que está definida pela Lei nº 11.326/2006, como: aquela que não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais; utilize predominantemente mão-de-obra da própria fa- mília nas atividades econômicas do seu estabele- cimento ou empreendimento; tenha percentual mínimo da renda familiar originada de atividades econômicas do seu estabelecimento ou empre- endimento e dirija seu estabelecimento ou em- preendimento com sua família (BRASIL, 2006b) “ “ ” ” sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 2222 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite A utilização de programas para auxiliar na ampliação de mercados para a agricultura familiar, como o Programa Na- cional de Alimentação Escolar (PNAE) e Programa Alimenta Brasil (PAB), tem contribuído para o atendimento às diretri- zes da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricio- nal (PNSAN), pilares articuladores da organização das ações de SAN (Figura 1.1). Essas diretrizes visam o aumento e a regularidade na oferta dos alimentos, garantindo acesso da população a alimento de qualidade, além de contribuir com a geração de renda dos agricultores familiares. Promoção do acesso universal à alimentação adequada e saudável, com prioridade para as famílias e pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional: Promoção do abastecimento e estruturação de sistemas sustentáveis e des- centralizados, de base agroecológica, de produção, extração, processamento e distribuição de alimentos; Instituição de processos permanentes de educação alimentar e nutricional, pesquisa e formação nas áreas de segurança alimentar e nutricional e do direito humano à alimentação adequada; Promoção, universalização e coordenação das ações de segurança alimentar e nutricional voltadas para quilombolas e demais povos e comunidades tradicio- nais, povos indígenas e assentados da reforma agrária; Fortalecimento das ações de alimentação e nutrição em todos os níveis da atenção à saúde, de modo articulado às demais ações de segurança alimentar e nutricional; Promoção do acesso universal à água de qualidade e em quantidade suficiente, com prioridade para as famílias em situação de insegurança hídrica e para a produção de alimentos da agricultura familiar e da pesca e aquicultura; Apoio a iniciativas de promoção da soberania alimentar, segurança alimentar e nutricional e do direito humano à alimentação adequada em âmbito interna- cional; Monitoramento da realização do Direito Humano à Alimentação Adequada. POLÍTICA DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL Figura 1.1 Diretrizes da Política Nacional de Segurança Alimen- tar e Nutricional (PNSAN). Fonte: Brasil, 2010; Figura elabora- da pelas autoras. sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 2323 Figura 1.2 Objetivos de Desen- volvimento Sustentável (ODS). Fonte: OPAS, 2015. Outra articulação complementar à PNSAN, em nível mun- dial, são os dezessete “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Milênio (ODS)”, para alcance até o ano de 2030. Dentre os dezessete, têm-se o “Erradicação da po- breza” (objetivo 1) e “Fome Zero e Agricultura Sustentá- vel” (objetivo 2) trazendo por finalidade “erradicar a po- breza extrema para todas as pessoas em todos os lugares” e “acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentá- vel”, respectivamente (Figura 1.2). Para o seu atendimen- to, dentre outros fatores, está o apoio aos agricultores familiares com a organização de mercados, de “cadeias curtas de comercialização”, acesso à terra, crédito e apoio à biodiversidade (FAO, 2020). sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 2424 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite Você sabia? Existem dois tipos de “cadeias curtas de comercialização”. • Primeiro tipo: acontece em relações face a face, como feiras livres, vendas em domicílio, casa do produtor, rotas temáticas. • Segundo tipo: possui a característica de proximidade espacial, ou seja, é aquela em que os produtos identificados e reconhecidos como “produtos coloniais” são de pequenas agroin- dústrias rurais familiares. Estes são vendidos nos mercados locais e regionais em pequenas casas de varejo, mercearias e restaurantes. 2. CADEIAS CURTAS DE COMERCIALIZAÇÃO E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL A discussão da organização das “cadeias curtas de co- mercialização”, caracterizada como uma cadeia de abas- tecimento, procura estabelecer uma relação entre pro- dutor-consumidor. Esta relação permite ao consumidor conhecer a origem do alimento e estabelecer valor das tradições na produção, preparo e significado para aque- le alimento ao invés de apenas o tipo de alimento em si (MARSDEN; BANKS; BRISTOW, 2000). A articulação social e econômica das “cadeias curtas de comercialização” pode contribuir para maior inserção dos agricultores familiares no mercado, em especial aqueles que trabalham com a pecuária leiteira. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, 2016), mais de 150 milhões de estabe- lecimentos rurais pelo mundo estão envolvidos na produ- ção leiteira, em especial de vacas, búfalas, cabras, ovelhas e camelas. Os fatores que influenciam a escolha da espé- cie leiteira são a demanda de mercado e de gastos (ração, água e clima) e tradição dietética (FAO, 2021). fique atento Fonte: FERREIRA NETO; REIS; RODRIGUES et al. (2019). sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 2525 curiosidade A produção de leite de vaca é amplamente distribuida em diferentes ambientes. Porém, há outras espécies leiteiras que se adequam melhor a determinados ambientes. Por exemplo, ove- lhas permitem a produção de leite em regiões semi-áridas ao redor do Mediterrâneo, cabras em regiões com solos pobres na África, éguas nas estepes da Ásia Central, camelas em terras áridas, búfalas em regiões tropicais úmidas e iaques em áreas altas montanhosas como o Platô Tibetano (FAO, 2021). O Brasil é o 5º maior produtor de leite no mundo, fica atrás apenas da Índia, Estados Unidos da América, China e Paquistão (FAO, 2016). A produção de leite realizada, em especial pela agricultura familiar, permite a geração de emprego e renda, sendo uma ferramenta de promoção da SAN (FAO, 2021). Uma temática importante a ser ressaltada na produção lei- teira é a questão de gênero, uma vez que, tradicionalmen- te, há incorporação das mulheres no cuidado aos animais, na ordenha, ao processamento e à comercialização. Este trabalho feminino, em muitos casos, é invisibilizado pelo fato de a mão de obra não ser remunerada e se comportar como extensão do ambiente doméstico, já que a produção do leite também faz parte da alimentação da família. À me- dida que a produção do leite e derivados tem maior impor- tância para a renda da família, menor é a visibilidade do en- volvimento das mulheres na produção do leite (FAO, 2021). 3. ARTICULAÇÃO DO SISTEMA ALIMENTAR NA PROMOÇÃO DA SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL A compreensão do Sistema Alimentar é complexa quando se insere a temática da produção do leite e derivados como veículo de organização deste sistema no contexto de pro- sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 2626 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite moção da SAN. Para melhor compreensão, é necessário considerar alguns pontos, como a sazonalidade, deficiência na infraestrutura de coleta, transporte e processamento, e dificuldade de inserção dos produtos no mercado pelos agri- cultores familiares. Estes pontos podem trazer como des- fecho a insegurança alimentar e nutricional, caso não haja uma intervenção de programas e estratégias. Isso porqueo acesso aos mercados pelos agricultores familiares pode ser limitado ou não ocorrer, o que gera a diminuição na sua renda e o oferecimento de produtos com qualidade com- prometida, em especial a higiênico-sanitária, dentre outros fatores que podem comprometer a SAN do consumidor. A discussão sobre o Sistema Alimentar possibilita avaliar ainda as relações para um Desenvolvimento Agrícola Sus- tentável (DAS), trazendo a concepção de um sistema di- nâmico que exige processos de transição para alcance das dimensões da SAN: Disponibilidade, Acesso, Utilização e Estabilidade (Figura 1.3). As TENDÊNCIAS apresentadas na Figura 1.3 se relacionam entre si, se modificando e contribuindo com a concepção dos DESAFIOS, dentre eles, por exemplo, as desigualda- des sociais, perdas e desperdícios de alimentos. Assim, estes desafios impactam o DAS, compreendida pela Efi- ciência, Resiliência, Responsabilidade Social e Equidade. As tendências ou fatores que contribuem para moldar os DESAFIOS são aqueles que participam de uma dinâmica social, como mudanças demográficas e distribuição de renda que se relaciona com o crescimento econômico, além de poder sofrer alterações geradas por processos de urbanização, inserção de tecnologias e alterações no se- tor agroalimentar, podendo tudo isso estar relacionado a alterações de hábitos alimentares (Figura 1.3). sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 2727 TENDÊNCIAS DESAFIOS DESENVOLVIMENTO AGRÍCOLA SUSTETÁVEL SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL Disponibilidade Eficiência Resiliência Equidade Responsabilidade social Perdas e desperdícios de alimentos Mudanças demográficas Alterações nos hábitos alimentares Tecnologia Distribuição de renda Alterações no setor agroalimentar Urbanização Alterações no comércio internacional Crescimento econômico Variação dos preços Bem estar animal Emprego Saúde Vulnerabilidade Acesso a mercados Uso e posse da terra Recursos/ escassez Problemas sociais/ desigualdades EstabilidadeUtilização Acesso Figura 1.3 Marco conceitu- al: relação entre agricultura sustentável, desenvolvimen- to e segurança alimentar e nutricional. Fonte: Adaptado de HLPE (2016). A interpretação dos DESAFIOS e TENDÊNCIAS caracteri- zam-se como uma alternativa para ações de promoção da SAN (Figura 1.3). A incorporação de estratégias como PNAE, PAA, feiras e criação de cooperativas para proces- samento e beneficiamento do leite são uma destas al- ternativas. Estas estratégias trazem uma concepção de valorização do agricultor familiar e, ao mesmo tempo, o oferecimento de produtos de qualidade aos beneficiários sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 2828 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite do programa/ação alcançando, assim, de forma efetiva a promoção da SAN. A inserção de práticas que valorizam a Soberania Alimen- tar e o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA), como a priorização dos “circuitos curtos de comercializa- ção”, são alternativas capazes de contribuir com a promo- ção da alimentação saudável e, ainda, incentivar a econo- mia local. O reconhecimento dos alimentos adquiridos de produtores locais auxilia na conscientização da necessida- de de uma produção que respeite o meio ambiente, além de uma familiarização com a origem do alimento e sua “trajetória até a mesa”. Como os agricultores familiares, que têm suas atividades baseadas na produção e beneficiamento do leite, podem contribuir com a organização de um Sistema Alimentar que promova a SAN e atenda aos ODS 1 e 2? A Figura 1.4 pode responder! Soberania Alimentar: "[…] o direito dos povos definirem suas próprias políticas e estratégias sustentáveis de produção, distribui- ção e consumo de alimentos que garantam o direito à alimentação para toda a população, com base na pequena e média produção, respeitando suas próprias culturas e a diversidade dos modos camponeses, pesqueiros e indígenas de produção agropecuária, de comercialização e gestão dos espaços rurais, nos quais a mulher desempenha um papel fundamental" Direito Humano à Alimentação Adequada: consiste no acesso físico e econômico de todas as pessoas aos alimentos e aos recur- sos, como emprego ou terra, para garantir esse acesso de modo contínuo. Esse direito inclui a água e as diversas formas de acesso a ela na sua compreensão e realização. Ao afirmar que a alimen- tação deve ser adequada entende-se que ela seja adequada ao contexto e às condições culturais, sociais, econômicas, climáticas e ecológicas de cada pessoa, etnia, cultura ou grupo social. (Fórum Mundial sobre Soberania Alimentar, Havana, 2001). sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite | 2929 Disponibilidade de alimentos (com qualidade nutricional e higiênico-sanitária) Acesso (facilitar o acesso dos agricultores aos mercados, o que contribuirá com a disponibilidade, além de organizar mecanismos que permitam a população adquirir este alimento) Sustentabilidade (criar estratégias para minimizar os impactos na degradação da terra, poluição do ar e da água, perda de biodiversidade e gestão eficiente de dejetos) Gestão/capacitação (organização financeira e humana que permita a continuidade do empreendimento) Estabilidade (manutenção da produção ao longo do ano, assim pode ocorrer maior controle dos preços para que um maior número de pessoas possam ter acesso) Utilização (oferecer aos animais condições de produzirem o leite de forma a preservar seu aporte nutricional e, assim, contribuir com a sua inserção da alimentação humana) Figura 1.4 Contribuição dos agricultores familiares produ- tores e beneficiadores do leite na organização do Sistema Alimentar no atendimento aos Objetivos do Desenvolvi mento Sustentável (ODS 1 e ODS2). Fonte: Elaborado pelas autoras. 4. INSERÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR NOS MERCADOS A agricultura familiar tem algumas dificuldades de inserção em mercados tradicionais, como supermercados. Isso se deve ao fato de muitas vezes não possuírem escala de pro- dução para que consigam manter a regularidade no abaste- cimento destes locais, assim, a organização de estratégias que consigam atender as especificidades dos agricultores podem ser uma forma eficaz de inseri-los nos mercados. Diante disso, foram criadas e ampliadas as possibilidades de articulação da agricultura familiar por meio de sua inser- ção em programas e ações governamentais, contribuindo, assim, para o seu desenvolvimento (BRASIL, 2003; BRASIL, sistemas alimentares sustentáveis e agricultura familiar CAPÍTULO 1 3030 | volume 1 - exigências e potencialidades da cadeia de leite 2009; MALUF, 2015). Como exemplo, temos o PAB instituí- do em 2021, e a obrigatoriedade de compra de pelo menos 30% dos alimentos serem advindos da agricultura familiar pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A garantia destes mercados aos agricultores familiares são promotores de SAN, uma vez que estas estratégias articu- ladas contribuem para o desenvolvimento social local. Entretanto, mesmo ocorrendo a incorporação da agricul- tura familiar nos programas e a criação de outros merca- dos, como as feiras, ainda se faz necessária a organização de outras estratégias que contribuam com a autonomia dos agricultores. Uma alternativa é a substituição de in- sumos na produção (sementes, fertilizantes e agrotóxicos) e agregação de valor à matéria-prima. A exemplo, os pro- dutores de leite podem vender, também, o doce de leite e outros produtos lácteos (SCHNEIDER; FERRARI, 2015; FER- REIRA NETO; REIS; RODRIGUES et al., 2019). Essas ações de agregação de valor permitem ao agricul- tor inserir produtos diferenciados no mercado e/ou mes- mo tradicionais. Um produto ou uma preparação