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DIREITO ELEITORAL AULA 6 Prof. Rogério Carlos Born CONVERSA INICIAL Nesta aula, vamos conhecer o direito partidário. Na primeira parte, analisaremos a criação, o apoio e a organização dos partidos e coligações. Na segunda parte, as normas de fidelidade e filiação partidária. Em seguida, estudaremos as finanças, a contabilidade e a prestação de contas. Depois, as convenções partidárias e o registro de candidatos. Por fim, faremos um resumo da lei eleitoral aplicável ao direito partidário. O direito partidário é dotado de autonomia em relação às demais áreas do direito, inclusive do direito eleitoral, apesar da estreita ligação entre elas. As diretrizes partidárias são enunciadas pelo art. 17 da Constituição da República (Brasil, 1988) e regulamentada pela Lei n. 9.096, de 19 de setembro de 1995 (Brasil, 1995). A Constituição veda a edição de medidas provisórias que versem acerca do direito partidário, haja vista que o art. 62, parágrafo 1º, I, a, impede o uso dessa espécie normativa para disciplinar matéria relativa à cidadania, direitos políticos, partidos e direito eleitoral. TEMA 1 – CRIAÇÃO, APOIO E ORGANIZAÇÃO DOS PARTIDOS E AS COLIGAÇÕES Os partidos possuem personalidade jurídica, uma vez que possuem a natureza de pessoa jurídica de direito privado, bem como a personalidade judiciária, uma vez que são legitimadas para atuar em juízo. Consequentemente, as divergências internas dos partidos deverão ser pacificadas na Justiça dos estados ou do Distrito Federal e não na Justiça Eleitoral, exceto se advierem reflexos no processo eleitoral. Saiba mais As divergências internas ocorrem normalmente quando se deseja aplicar uma sanção a um filiado, principalmente a expulsão e a eleição para cargos internos dos partidos, dentre outras situações. Os partidos possuem autonomia para definir sua estrutura interna e é livre a criação, fusão, incorporação e extinção. Deverão respeitar os princípios da soberania, da democracia, do pluripartidarismo, dos direitos humanos, devendo 3 possuir caráter nacional, serem mantidos apenas com recursos recebidos do fundo partidário e de doações de pessoas físicas, prestarem contas à Justiça Eleitoral e possuírem funcionamento parlamentar de acordo com a lei. A liberdade se estende para a fixação das normas internas sobre a estruturação de seus órgãos permanentes e provisórios, a adoção de critérios de escolha e o regime de suas coligações nas eleições majoritárias e a facultatividade quanto à vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal. Saiba mais A Emenda Constitucional n. 97/2017 alterou o art. 17, parágrafo 1º, da Constituição para proibir a formação de coligações nas eleições proporcionais. A criação de partidos deve observar o princípio do caráter nacional. Para isso, numa primeira etapa, os partidos adquirem a personalidade jurídica após a inscrição no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, do Distrito Federal. Para o deferimento, é exigido o apoio nacional com a subscrição de, no mínimo, cento e um fundadores com domicílio eleitoral em, pelo menos, um terço dos Estados e/ou do Distrito Federal (Lei n. 9.096/1995, art. 9º) (Brasil, 1995). Esse número deverá ser comprovado em listas organizadas por zonas eleitorais, e o número do título eleitoral deverá constar ao lado das assinaturas. O chefe de cada cartório eleitoral, dotado de fé pública, deverá reconhecer as firmas e certificar o número e atestar a regularidade dos títulos dos subscritores (Lei n. 9.096/1995, art. 9º, parágrafo 2º) (Brasil, 1995). Em recente decisão, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que a lei eleitoral não impede a coleta da autenticação das assinaturas por meio eletrônico, mas a Corte condicionou a eficácia da decisão ao desenvolvimento e criação de softwares próprios pela Secretaria de Informática. Os partidos registrados poderão credenciar delegados nacionais que representam a sigla perante quaisquer tribunais, juízes ou juntas eleitorais; estaduais e distrital perante os tribunais regionais e municipais perante o juiz eleitoral (Lei n. 9.096/1995, art. 11) (Brasil, 1995). No Congresso Nacional, nas assembleias legislativas, nas câmaras municipais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal, os partidos constituem as suas lideranças na forma de bancadas nas casas legislativas conforme as 4 disposições estatutárias partidárias e regimentais das respectivas casas (Lei n. 9.096/1995, art. 12) (Brasil, 1995). Saiba mais Nas casas legislativas normalmente se formam bancadas temáticas que defendem determinada corrente como a ruralista, a evangélica e até a bancada “da bala”. Na fusão e na incorporação, as agremiações partidárias extinguirão voluntariamente a sua personalidade jurídica quando se dissolva, incorpore-se ou venha a se fundir a outro na forma de seu estatuto (Lei n. 9.096/1995, arts. 27-29). As coligações são um acordo entre partidos a fim de otimizar o aumento de votos pela soma dos eleitores de cada agremiação, aumentar o tempo no horário eleitoral gratuito e dividir a arrecadação e as despesas de campanha. Para o Tribunal Superior Eleitoral, “a coligação existe a partir do acordo de vontades dos partidos políticos e não da homologação pela Justiça Eleitoral” (Brasil, 2005). Não possuem personalidade jurídica, mas são dotadas de personalidade judiciária, uma vez que possuem legitimidade para atuar em juízo. Funcionam como se fossem um só partido na atuação na Justiça Eleitoral e nas relações interpartidárias e, para isso, recebem todas as prerrogativas, deveres e obrigações de uma agremiação partidária no processo eleitoral (Lei n. 9.504/1997, art. 6º, parágrafo 1º) (Brasil, 1997). A Lei das Eleições fixa que o partido político coligado somente possui legitimidade para atuar de forma isolada no processo eleitoral quando questionar a validade da própria coligação, durante o período compreendido entre a data da convenção e o termo final do prazo para a impugnação do registro de candidatos (Lei n. 9.504/1997, art. 6º, parágrafo 4º). (Brasil, 1997) TEMA 2 – FIDELIDADE E FILIAÇÃO PARTIDÁRIA A filiação e a fidelidade partidária têm como fonte legislativa os arts. 16 a 26 da Lei n. 9.096, de 19 de setembro de 1995, que inicialmente estabelece que somente o eleitor que estiver no pleno gozo de seus direitos políticos poderá se filiar a uma agremiação partidária (Brasil, 1995). A filiação partidária se considera deferida no atendimento das regras estatutárias, sendo que os órgãos partidários deverão remeter aos juízes eleitorais, na segunda semana de abril e outubro, a relação dos nomes de todos 5 os seus filiados com a data de filiação, o número dos títulos e das seções em que estão inscritos. O juízo eleitoral determinará o cancelamento da filiação mais antiga se houver duplicidade (Lei n. 9.096/1995, art. 22, parágrafo único) (Brasil, 1995). O verbete 20 da Súmula do Tribunal Superior Eleitoral prevê que a prova de filiação partidária daquele cujo nome não constou da lista de filiados de que trata o art. 19 da Lei n. 9.096/1995, pode ser realizada por outros elementos de convicção, salvo quando se tratar de documentos produzidos unilateralmente, destituídos de fé pública. (Brasil, 2016) Poderá ser promovida a desfiliação voluntária em dois dias contados a partir da comunicação escrita do filiado ao órgão de direção municipal e ao juiz eleitoral da zona em que estiver inscrito, sendo dispensada aquela quando inexistir o diretório municipal ou comprovada impossibilidade de localização do representante do partido político (Lei n. 9.096/1995, art. 21) (Brasil, 1995). O cancelamento de ofício da filiação ocorre com a morte; a perda ou a suspensão dos direitos políticos, a expulsão; a filiação a outro partido, desde que a pessoa comuniqueo fato ao juiz da respectiva zona eleitoral e outras formas previstas no estatuto, com comunicação obrigatória ao atingido no prazo de 48 (quarenta e oito) horas da decisão (Lei n. 9.096/1995, art. 22) (Brasil, 1995). A Constituição exige como condição de elegibilidade que o candidato seja filiado e que possua domicílio eleitoral na respectiva circunscrição e a filiação seja deferida nos seis meses que antecedem às eleições (Constituição, art. 14, parágrafo 3º, V; Lei n. 9.54/1997, art. 9º) (Brasil, 1997), mas o partido poderá fixar prazos de filiação superiores e restabelecê-los, desde que a alteração não seja realizada no ano das eleições (Lei n. 9.096/1995, art. 20) (Brasil, 1995). A Constituição assegura aos partidos autonomia para definir as normas de fidelidade e disciplinas partidárias. (Constituição, art. 17, parágrafo 1º e a Lei n. 9.096/1995, arts. 23 a 26) (Brasil, 1995). O estatuto deverá tipificar os deveres partidários sujeitos à aplicação de medidas disciplinares. No preceito secundário, os filiados infratores estão sujeitos à expulsão e à suspensão do direito de voto nas reuniões internas (Lei n. 9.096/1995, art. 25) (Brasil, 1995). Também é obrigatória a existência de um procedimento disciplinar e um órgão competente para apuração e julgamento dos filiados e parlamentares pela violação dos deveres partidários (Lei n. 9.096/1995, art. 23) (Brasil, 1995). 6 Os integrantes das bancadas, na forma estatutária, devem subordinar sua ação parlamentar aos princípios doutrinários e programáticos e às diretrizes estabelecidas pelos órgãos de direção partidários (art. 24, Lei n. 9.096/1995) (Brasil, 1995). O parlamentar que deixar o partido pelo qual tenha sido eleito poderá perder o mandato que exerce na casa legislativa. O verbete 67, da Súmula do Tribunal Superior Eleitoral, prevê que “a perda do mandato em razão da desfiliação partidária não se aplica aos candidatos eleitos pelo sistema majoritário” (Brasil, 2016, grifo nosso). Entretanto, a Lei dos Partidos preserva a cadeira quando for comprovada que o parlamentar possuía uma justa causa para desfiliação (Lei n. 9.096/1995, art. 22-A, parágrafo único) (Brasil, 1995), como a mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário, a grave discriminação política pessoal etc. Para arrematar, existe janela partidária que permite 30 dias que antecede o prazo legal de filiação para concorrer à eleição que o filiado eleito troque de legenda e se mantenha no cargo até o término do mandato vigente. Na (Lei n. 9.096/1995, art. 22-A, parágrafo único, III) (Brasil, 1995). TEMA 3 – FINANÇAS, CONTABILIDADE E PRESTAÇÃO DE CONTAS A Constituição garante aos partidos o direito ao recebimento recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão ao passo que exige que o partido anualmente efetue a prestação de contas da origem e dos gastos, tanto do funcionamento normal quanto das despesas de campanha (Constituição, art. 17, III e parágrafo 3º) (Brasil, 1988). Também autoriza a formação do Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos, ou simplesmente o Fundo Partidário, que é a origem dos recursos para financiamento público das campanhas eleitorais (Constituição, art. 17, parágrafo 3º; Lei n. 9.096/1995, art. 7º, parágrafo 2º, 38 a 44) (Brasil, 1988; 1995) e que serve para a manutenção permanente do partido e também poderá parcialmente ser utilizado nas eleições enquanto o fundo eleitoral deverá ser utilizado necessariamente nas campanhas eleitorais. O Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos (Fundo Partidário), em relação às finanças, contabilidade e a prestação de contas da atividade permanente dos partidos, é constituído de multas e penalidades pecuniárias aplicadas em cumprimento da legislação eleitoral; de recursos 7 financeiros de caráter permanente ou eventual autorizados pela lei orçamentária; de doações de pessoas físicas e de dotações orçamentárias da União no valor nunca inferior a R$ 0,35 (trinta e cinco centavos) por eleitores inscrito em 31 de dezembro do ano anterior ao da proposta orçamentária (Lei n. 9.096/1995, art. 38). O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) foi criado pela Lei n. 13.487/2017, que inseriu os arts. 16-A a 16-D, na Lei n. 9.504/1997, sendo constituído por dotações orçamentárias da União no ano das eleições no valor definido pelo Tribunal Superior Eleitoral. No direito partidário, as finanças, a contabilidade e a prestação de contas possuem duas vertentes. A primeira é prevista pela Lei n. 9.096/1995, que versa sobre a atividade permanente dos partidos e a segunda, na Lei n. 9.504/1997, refere-se às campanhas eleitorais e se intercalam em poucas situações. O Tribunal Superior Eleitoral fará a distribuição aos órgãos nacionais dos partidos de 5% (cinco por cento) em partes iguais, a todos os partidos e 95% (noventa e cinco por cento) na proporção dos votos obtidos na última eleição para a Câmara dos Deputados (Lei n. 9.096/1995, art. 41-A) (Brasil, 1995). Os recursos do fundo partidário serão aplicados na manutenção das sedes e serviços do partido e pagamento de pessoal na proporção de 50% (cinquenta por cento) para o órgão nacional e 60% (sessenta por cento) para cada órgão estadual e municipal; no pagamento de despesas com alimentação, incluindo restaurantes e lanchonetes; na propaganda política e doutrinária; no alistamento de futuros filiados e nas campanhas eleitorais; 20% na criação e manutenção de instituto ou fundação de pesquisa e de doutrinação e educação política e 5% na criação e manutenção de programas de promoção e difusão da participação política das mulheres e “no pagamento de mensalidades, anuidades e congêneres devidos a organismos partidários internacionais que se destinem ao apoio à pesquisa, ao estudo e à doutrinação política, aos quais seja o partido político regularmente filiado” (Lei n. 9.096/1995, art. 44) (Brasil, 1995). Os balanços e as demonstrações de resultado devem ser encaminhados, respectivamente, ao Tribunal Superior Eleitoral, aos tribunais regionais eleitorais e aos juízes eleitorais até 30 de abril de cada ano, sendo publicados no Diário de Justiça Eletrônico e afixados em edital no cartório eleitoral. (Lei n. 9.096/1995, art. 32) (Brasil, 1995). 8 Os partidos são impedidos de receber, direta ou indiretamente, contribuição ou auxílio pecuniário ou estimável em dinheiro, inclusive através de propaganda ou publicidade, provenientes de governos estrangeiros; administração pública e pessoas jurídicas de qualquer natureza; sindicatos ou de pessoas físicas que exerçam função ou cargo público de livre nomeação e exoneração, ou cargo ou emprego público temporário que não sejam filiados. (Lei n. 9.096/1995, art. 31) (Brasil, 1995). A prestação de contas dos órgãos partidários tem caráter jurisdicional, ou seja, não é um procedimento administrativo, isto é, quando é apreciada, o juiz defere ou indefere como autoridade judicial e não como chefe administrativo de cartório. A desaprovação das contas implicará exclusivamente na devolução do valor irregular acrescido de multa de até 20% aplicável somente à esfera responsável de forma proporcional e razoável descontado das futuras parcelas do fundo partidário e não impedirá que o partido participe das eleições. (Lei n. 9.096/1995, art. 37) (Brasil, 1995). O partido ficará sujeito em consequência da violação de normas legais ou estatutárias, além da multa, à suspensão do recebimento das quotas do Fundo Partidário pelo recebimento de origem oculta até o esclarecimento convincente perante a Justiça Eleitoral; a suspensão por um a doze meses da participação no Fundo Partidário pela arrecadação de recursos de fontes vedadas (Lei n. 9.096/1995, art. 37, parágrafo 3º) (Brasil, 1995). A ausência de prestação de contas sujeitará os dirigentesas penas da lei e implicará na suspensão de novas cotas do Fundo Partidário enquanto perdurar a inadimplência. A arrecadação para ser utilizada deverá ser precedida de requerimento do registro de candidatura; da inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); de abertura de conta bancária específica; da emissão de recibos eleitorais nas doações estimáveis em dinheiro e pela internet (Lei n. 9.504/1997, art. 23, parágrafo 4º, III, b) (Brasil, 1997). As doações de pessoas físicas e de recursos próprios deverão obrigatoriamente ser realizadas por transferência bancária com a identificação do doador pelo cadastro de pessoas físicas (CPF) para os valores acima de R$ 1.064,10 (um mil e sessenta e quatro reais e dez centavos). 9 O financiamento coletivo (“vaquinhas”) deverá possuir o cadastro prévio na Justiça Eleitoral pela instituição arrecadadora, nos termos da regulamentação do Banco Central do Brasil; a identificação obrigatória com o nome completo e cadastro de pessoas físicas (CPF) de cada um dos doadores, o valor doado individualmente, a forma de pagamento e as datas; a disponibilização em sítio eletrônico de lista com identificação dos doadores; das respectivas quantias doadas e a emissão obrigatória de recibo para o doador; o envio imediato para a Justiça Eleitoral e para o candidato de todas as informações e a ampla ciência a candidatos e eleitores acerca das taxas pela realização do serviço (Lei n. 9.504/1997, art. 22-A, IV) (Brasil, 1997). Qualquer eleitor pode realizar pessoalmente gastos não reembolsáveis e não sujeitos à contabilização em apoio a candidato de sua preferência até o valor de R$ 1.064,10 (um mil e sessenta e quatro reais e dez centavos). (Lei 9.504/1997, art. 27) (Brasil, 1997). Nas eleições para prefeito, as despesas com a contratação direta ou terceirizada para prestação de atividades de militância e mobilização nas campanhas eleitorais não excederão a 1% do eleitorado em municípios com até 30 mil eleitores e serão acrescidos de uma contratação para cada mil eleitores que excederem o número de 30 mil eleitores nos demais municípios e no Distrito Federal (Lei n. 9.504/1997, arts. 100 e 100-A) (Brasil, 1997). Por exemplo, num município com 20 mil eleitores, o candidato somente poderá contratar até 200 cabos eleitorais (1% de 20 mil). Num município com 35 mil eleitores poderá contratar até 300 cabos eleitorais (1% de 20 mil) acrescidos mais 5 cabos eleitorais (5 mil divido por 1.000). Os candidatos e os partidos deverão obrigatoriamente fazer a prestação das contas dos recursos e gastos das campanhas eleitorais perante a Justiça Eleitoral (Lei n. 9.504/1997, arts. 28 a 32) (Brasil, 1997). Em relação aos comitês de campanha, a Leis das Eleições prevê: Art. 29. Ao receber as prestações de contas e demais informações dos candidatos às eleições majoritárias e dos candidatos às eleições proporcionais que optarem por prestar contas por seu intermédio, os comitês deverão: (Revogado tacitamente pela Emenda Constitucional 97/2017 que extinguiu as coligações para as eleições proporcionais). I - (revogado); (Redação dada pela Lei n. 13.165, de 2015) II - resumir as informações contidas na prestação de contas, de forma a apresentar demonstrativo consolidado das campanhas; III - encaminhar à Justiça Eleitoral, até o trigésimo dia posterior à realização das eleições, o conjunto das prestações de contas dos candidatos e do próprio comitê, na forma do artigo anterior, ressalvada a hipótese do inciso seguinte; 10 IV - havendo segundo turno, encaminhar a prestação de contas, referente aos 2 (dois) turnos, até o vigésimo dia posterior à sua realização. § 1º (Revogado). (Redação dada pela Lei n. 13.165, de 2015) § 2º A inobservância do prazo para encaminhamento das prestações de contas impede a diplomação dos eleitos, enquanto perdurar. § 3º Eventuais débitos de campanha não quitados até a data de apresentação da prestação de contas poderão ser assumidos pelo partido político, por decisão do seu órgão nacional de direção partidária. § 4º No caso do disposto no § 3º, o órgão partidário da respectiva circunscrição eleitoral passará a responder por todas as dívidas solidariamente com o candidato, hipótese em que a existência do débito não poderá ser considerada como causa para a rejeição das contas. (Brasil, 1997) Os partidos, as coligações e os candidatos são obrigados a divulgar em sítio eletrônico criado pela Justiça Eleitoral os recursos em dinheiro recebidos em até 72 (setenta e duas) horas do recebimento e um relatório das transferências do Fundo Partidário e Eleitoral, dos recursos em dinheiro e os estimáveis em dinheiro recebidos, bem como os gastos realizados em 15 de setembro do ano eleitoral (Lei n. 9.504/1997, art. 28, parágrafo 4º, II) (Brasil, 1997). A Justiça Eleitoral verificará a regularidade das contas de campanha, decidindo, após parecer do órgão de controle interno, pela aprovação, se estiverem regulares; pela aprovação com ressalvas, se verificadas erros sanáveis e que não comprometam a regularidade; pela desaprovação, se verificadas falhas que comprometam a regularidade ou pela não prestação, se não apresentadas as contas após a notificação para prestar extemporaneamente as contas em 72 (setenta e duas) horas. (Lei n. 9.096/1995, art. 30, parágrafo 3º, I a IV) (Brasil, 1995). Neste último caso, o candidato fica impedido de concorrer enquanto não apresentar as contas. Após a entrega extemporânea, ficará impedido de concorrer apenas na próxima eleição. Assim, um candidato a vereador que não apresentou as contas em 2012, se entregá-las em 2019, ficará impedido para concorrer somente nas eleições de 2020. TEMA 4 – CONVENÇÕES PARTIDÁRIAS E REGISTRO DE CANDIDATOS A realização das convenções e o registro de candidato são destinados à escolha dentre os pré-candidatos daqueles filiados que concorrerão aos cargos eletivos e à formação de coligações. As regras formais se encontram fixadas entre os arts. 7º a 16, da Lei n. 9.504/1997 (Brasil, 1997) e pelos estatutos dos partidos políticos. 11 As convenções são assembleias de filiados das agremiações partidárias com o escopo de, por meio de votação, escolher ou substituir os candidatos e deliberar sobre as coligações nas eleições e deverão ocorrer entre 20 de julho a 5 de agosto do ano eleitoral (Lei n. 9.504/1997, art. 8º) (Brasil, 1997). Os partidos possuem o prazo de até às 19 horas de 15 de agosto para efetuar o registro dos candidatos (Lei n. 9.504/1997, art. 11) (Brasil, 1997). Os pré-candidatos, para concorrer nas convenções, deverão estar filiados e possuir domicílio eleitoral na circunscrição nos seis meses anteriores às eleições (Lei n. 9.504/1997, art. 9º) (Brasil, 1997). O Tribunal Superior Eleitoral entende, de acordo com a Resolução n. 21.787/2004, pela “não exigência de prévia filiação partidária do militar da ativa, bastando o pedido de registro de candidatura após escolha em convenção partidária” (Brasil, 2004). As candidaturas não preenchidas nas convenções poderão ser preenchidas pelos órgãos de direção dos partidos até 30 dias antes da eleição (Lei n. 9.504/1997, art. 13). As condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade devem ser apuradas no momento do pedido de registro, ressalvadas as causas de afastamento da inelegibilidade que ocorrerem depois que o candidato efetuou o registro na Justiça Eleitoral Lei n. 9.504/1997, art. 11, parágrafo 10). Dentre as vagas do sistema proporcional, é obrigatória a observância das quotas de gênero, ou seja, cada partido ou coligação deverá observar, em cada sexo, o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas (Lei n. 9.504/1997, art. 10, parágrafo 3º). Para o Tribunal Superior Eleitoral, no Recurso n. 2.939/2012, “na impossibilidade de registro de candidaturas femininas nopercentual mínimo de 30%, o partido ou a coligação deve reduzir o número de candidatos do sexo masculino para adequar-se os respectivos percentuais” (Brasil, 2012). Saiba mais A Emenda Constitucional 97/2017 extinguiu as coligações para as eleições proporcionais. A Constituição, no art. 45, caput, estabelece que “a Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal” (Brasil, 1988). Também fixa que a representação na Câmara dos Deputados, por estado 12 e Distrito Federal, será de, no mínimo, 8 (Acre, Alagoas, Amapá, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins) e, no máximo, 70 deputados (apenas São Paulo) e se forem criados territórios, estes contarão com 4 parlamentares (art. 45, parágrafo 1º) (Brasil, 1988). A Lei Complementar n. 78/1993, art. 1º, regulamenta que o número de deputados será proporcional à população dos Estados e do Distrito Federal e que o número de deputados federais não ultrapassará quinhentos e treze representantes (Brasil, 1993). A Carta Magna fixa, em seu art. 27, que o número de Deputados à Assembleia Legislativa corresponderá ao triplo da representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze. (Brasil, 1988) De acordo com a Constituição, art. 32, parágrafo 3º, aos deputados distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art. 27 (Brasil, 1988). Embora o descritivo do cálculo seja confuso no texto constitucional, a fórmula é simples. No Distrito Federal e nos estados com até 12 deputados federais, basta multiplicar por 3 (três) o número de deputados federais (art. 10, II, Lei n. 9.504/1997) (Brasil, 1997). Nos estados com mais de 12 deputados federais, basta somar com 24 (vinte e quatro) o número de deputados federais. As agremiações partidárias poderão efetuar o registro de candidatos no total de até 150% (cento e cinquenta por cento) do número das cadeiras na Câmara dos Deputados, na Câmara Legislativa do Distrito Federal, nas assembleias legislativas (art. 10, I, Lei n. 9.504/1997) (Brasil, 1997). No entanto, no Distrito Federal e nos estados que possuem menos de 12 vagas na Câmara dos Deputados cada partido poderá registrar até 200% das respectivas vagas de candidatos a deputado federal, estadual ou distrital. O mesmo se aplica aos municípios com menos 100 mil eleitores, nos quais cada partido poderá lançar até 200% de candidatos em relação ao total de vagas disponíveis na câmara dos vereadores (Lei n. 9.504/1997, art. 10, II) (Brasil, 1997). Nas câmaras municipais, o número de vereadores é calculado numa fórmula complexa que conjuga a população do município e o comprometimento orçamentário e financeiro, de modo que os municípios poderão escolher entre 13 um número maior de vereadores com menor subsídio ou um número menor de vereadores com maior subsídio. O critério populacional está fixado da Constituição que, no art. 29, IV, em que se exemplifica com os munícipios de até 15 mil a habitantes que poderão contar com até 9 vereadores; os que possuem entre 15 mil até 30 mil habitantes que poderão contar até com 11 vereadores e, omitindo a faixa intermediária, chega-se ao número máximo de 55 vereadores nos municípios com mais de 8 milhões de habitantes (Brasil, 1988). Na compatibilização com o critério orçamentário-financeiro, o Poder Legislativo não poderá dispender mais que 70% de sua receita tributária e transferências recebidas no exercício anterior com folha de pagamento, o que inclui o subsídio de seus vereadores (Constituição, art. 29-A, parágrafo 1º) (Brasil, 1988). Nos municípios com mais de 100 mil eleitores, os partidos poderão registrar até 150% do número de lugares a preencher na Câmara Municipal (Lei n. 9.504/1997, art.10, caput) (Brasil, 1997). TEMA 5 – CONSULTANDO A LEGISLAÇÃO DIREITO PARTIDÁRIO Normas constitucionais Constituição, art. 17. Criação, fusão, incorporação e extinção Lei n. 9.096/1995, art. 2º, 8º a 11; 27 a 29. Personalidade jurídica, apoio e registro no Tribunal Superior Eleitoral Constituição, art. 17, parágrafo 2º. Lei n. 9.096/1995, art. 9º. Código Civil, art. 44, V. Instrução normativa n. 1.634/2016, da SRF, art. 1º. Coligações nas eleições majoritárias Constituição, art. 17, parágrafo 1º e 14, parágrafo 3º, V. Lei n. 9.504/1997, art. 6º. Emenda n. 97/2017. Filiação e fidelidade partidária Constituição, art. 17, parágrafo 1º. Lei n. 9.096/1995, art. 16 a 26. Resolução n. 22.610/2007, do Tribunal Superior Eleitoral. Finanças, contabilidade e prestação de contas Constituição, art. 17, III e parágrafo 3º. Lei n. 9.096/1995, arts. 30 a 37. Lei n. 9.504/1997, arts. 17 a 31. Leis n. 13.877/2019, 13.878/2019 e 13.488/2017 Fundo Especial de Financiamento de Campanha Lei n. 9.096/1995, art. 31, II, parte final. Lei n. 9.504/1997, arts. 16-C e 16-D. Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos - Fundo Partidário Constituição, art. 17, parágrafo 3º; Lei 9.096/1995, art. 7º, parágrafo 2º, 38 a 44 Convenções partidárias Lei n. 9.504/1997, arts. 7º a 9º. Registro de candidatos Lei n. 9.504/1997, arts. 10 a 16. 14 NA PRÁTICA Um eleitor encaminhou a ficha de filiação para determinado partido, mas o presidente da grei indeferiu imotivadamente o pedido. Analise se os poderes do presidente do partido e se esse indeferimento é lícito, bem como identifique qual é o órgão do Poder Judiciário competente para processar e julgar uma eventual demanda relativa ao requerimento. Nesse caso, o eleitor que teve a filiação indeferida deverá impetrar um mandado de segurança na Justiça comum estadual e não na Justiça Eleitoral, pois se trata de matéria interna corporis dos partidos. FINALIZANDO Nesta aula, foram analisados a criação, a fusão, a incorporação e a extinção dos partidos; a organização e os estatutos dos partidos; a natureza jurídica dos partidos e coligações; as normas de fidelidade partidária; o financiamento, a contabilidade e a prestação de contas dos partidos e campanhas; as convenções partidárias e os registros de candidatos. 15 REFERÊNCIAS BORN, R.C. Direito eleitoral militar. 3. ed. Curitiba: Juruá, 2014. _____. Direito eleitoral internacional e comunitário. 2. ed. Curitiba: Juruá, 2016. BORN, R. C.; KARPSTEIN, C. C. Direito eleitoral para concursos. 2. ed. Curitiba: IESDE, 2012. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 1988. _____. Lei n. 9.096, de 19 de setembro de 1995. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 20 set. 1995. _____. Lei n. 9.504, de 30 de setembro de 1997. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 1 out. 1997. _____. Lei Complementar n. 78 de 30 de dezembro de 1993. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 jan. 1993. BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Súmula n. 20, DJE, 24, 27 e 28 jun. 2016. _____. Súmula n. 67, DJE, 24, 27 e 28 jun. 2016. _____. Recurso Especial Eleitoral n. 25015 SP. DJ, 30 set. 2005. _____. Recurso Especial Eleitoral n. 2939. Publicado em sessão, 6 nov. 2012. _____. Resolução n. 21.787, de 1 de junho de 2004. Diário da Justiça, 5 jul. 2004.