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Contabilidade Avançada Benefícios a Empregados e Lucro Resultado por Ação Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Ernando Fagundes 1ª Edição Copyright © 2021, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Márcia Loch Sumário Benefícios a Empregados e Lucro Resultado por Ação Para Início de Conversa... ............................................................................... 4 Objetivos .................................................................................................... 4 1. Benefícios a Empregados .......................................................................... 5 1.1 Benefícios de Curto Prazo aos Empregados ................................ 6 1.2 Benefícios Pós-Emprego: Plano de Contribuição Definida ........................................................................... 8 1.3 Benefícios Pós-Emprego: Plano de Benefício Definido ................................................................................. 9 1.4 Outros Benefícios de Longo Prazo a Empregados .......................................................................................... 9 1.5 Benefícios Rescisórios ......................................................................... 10 2. Resultado por Ação ...................................................................................... 12 2.1 Mensuração ............................................................................................. 12 2.2 Apresentação e Divulgação ............................................................... 16 Referências .................................................................................................... 17 Contabilidade Avançada 3 Para Início de Conversa... Nesta unidade vamos abordar outros dois importantes assuntos: Benefícios a empregados e Resultado por ação. Inicialmente vamos discutir o que são benefícios a empregados e suas classificações. O Pronunciamento Técnico CPC 33 apresenta os procedimentos para contabilização e divulgação dos benefícios concedidos aos empregados por parte dos empregadores. Esse benefícios abrangem acordos formais entre os empregadores e empregados, dispositivos legais e ainda práticas informais que deem origem a uma obrigação construtiva. Em seguida, discutiremos o resultado por ação, de acordo com o Pronunciamento Contábil CPC 41. O CPC 41 estabelece princípios para a determinação e apresentação dos resultados por ação. É importante destacar que as empresas podem adotar diferentes políticas contábeis para a determinação do resultado. No entanto, os princípios estabelecidos pelo CPC 41 contribuem para melhorar as comparações de desempenho entre diferentes companhias no mesmo período, e os resultados dela mesma em períodos diferentes. Objetivos ▪ Traçar os benefícios a empregados. ▪ Calcular o lucro por ação. Contabilidade Avançada 4 1. Benefícios a Empregados De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 33 (2012), benefícios a empregados são “todas as formas de compensação proporcionadas pela entidade em troca de serviços prestados pelos seus empregados ou pela rescisão do contrato de trabalho”. Ou seja, esses benefícios abrangem salários, contribuições para a Previdência Social, licenças remuneradas, benefícios não monetários (planos de assistência, moradia, carros etc). AUMENTO DE SALÁRIO BENEFÍCIOS E BÔNUS SEGURO SOCIAL REFEIÇÕES FÉRIAS PAGAS PLANO DE SAÚDE PRÊMIO DE REALIZAÇÃO BOLSA DE FUNCIONÁRIO S BENEFÍCIOS A EMPREGADOS Figura 1: Benefícios a empregados. Fonte Dreamstime. De forma geral, esses benefícios podem ser proporcionados por planos de acordos formais estabelecidos entre o empregador e o empregado (seja individualmente ou de forma coletiva), por disposições legais, como algo estabelecido na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). E, também, a partir de práticas informais que darão origem a uma obrigação construtiva. “Os benefícios incluem os oferecidos tanto aos empregados quanto aos seus dependentes e que podem ser liquidados por meio de pagamentos (ou fornecimento de bens e serviços) feitos diretamente a empregados, seus cônjuges, filhos ou outros dependentes ou ainda por terceiros, como, por exemplo, entidades de seguro”. (CPC 33, 2012, n.p). Conforme o CPC, os benefícios a empregados podem ser classificados de grupos de acordo com algumas características: a. Benefícios de curto prazo. b. Benefícios pós-emprego com planos de contribuição definida. c. Benefícios pós-emprego com planos de benefício definido. d. Outros benefícios de longo prazo aos empregados. e. Benefícios rescisórios. Contabilidade Avançada 5 1.1 Benefícios de Curto Prazo aos Empregados Correspondem aos benefícios cuja liquidação espera-se que ocorra integralmente em até doze meses após o período referente às demonstrações contábeis em que os empregados prestarem o respectivo serviço (exceto benefícios rescisórios). Observe o seguinte exemplo: A empresa ABC contratou um empregado em 01 de julho de 2020, e o mesmo permaneceu na empresa até 25 de janeiro de 2021. Todos os benefícios decorrentes pelo serviço prestado entre 01 de julho de 2020 e 31 de dezembro de 2020 e que devem ser liquidados integralmente em até doze meses (31 de dezembro de 2021) após o término do período relativo às demonstrações contábeis (01 de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2020) serão de curto prazo. São exemplos desses ordenados, salários e contribuições para a Previdência Social, (b) licença anual remunerada e licença médica remunerada, participação nos lucros e bônus, assistência médica, moradia, carros e bens. O montante relacionado aos benefícios de curto prazo aos empregados devem ser reconhecidos pela entidade empregadora como passivo e como despesa, salvo exceções. Em relação às licenças remuneradas, as mesmas podem ser cumulativas ou não cumulativas. As licenças remuneradas cumulativas são aquelas que podem ser estendidas e utilizadas futuramente, caso não tenham sido utilizadas no exercício corrente, conforme o Exemplo A. Já as licenças remuneradas não cumulativas não são estendidas para o próximo exercício: elas expiram se o direito não for totalmente usufruído no período corrente, conforme o exemplo B. EXEMPLO A: A entidade tem 100 empregados, sendo que cada um tem direito a cinco dias de licença médica remunerada por ano. A licença médica não utilizada pode ser estendida por um ano-calendário. A licença médica é excluída, em primeiro lugar, do direito do ano corrente e, em seguida, adicionada ao saldo do ano anterior (base UEPS). Em 31 de dezembro de 20X1, o direito médio não utilizado será de dois dias por empregado. A entidade espera, baseada na experiência passada, que essa expectativa continue, e que 92 empregados não tirarão mais de cinco dias de licença médica remunerada em 20X2, e que os oito empregados restantes tirarão a média de seis dias e meio cada um. Contabilidade Avançada 6 A entidade espera pagar um adicional de 12 dias de auxílio-doença em consequência do direito não utilizado que tenha acumulado em 31 de dezembro de 20X1 (um dia e meio cada, para oito empregados). Portanto, a ela reconhece um passivo igual a 12 dias de auxílio-doença. EXEMPLO B: A empresa B não concede antecipadamente o direito a dias de trabalho de licença médica remunerada por ano. Essas licenças são usufruídas na medidaem que os empregados necessitam delas. Nesse caso, o direito passado não usufruído não aumenta o direito futuro. Então, a entidade não reconhece passivo nem despesa até a ocasião da ausência, porque o serviço do empregado não aumenta o valor do benefício. Outro caso especial é o caso dos planos de participação nos lucros e bônus. O montante do custo dessa participação deve ser reconhecido pela entidade apenas quando a entidade tiver a obrigação legal ou construtiva de fazer tais pagamentos em consequência de eventos passados, e a obrigação puder ser estimada de maneira confiável. “Uma obrigação, em conformidade com planos de participação nos lucros e bônus, resulta do serviço prestado pelo empregado e não de transação com os sócios da entidade. Portanto, a entidade deve reconhecer o custo dos planos de participação nos lucros e bônus não como distribuição de lucro, mas como despesa”. (CPC 33, 2012, n.p). EXEMPLO: Um plano de participação nos lucros requer que a entidade pague uma parcela específica do lucro líquido do ano aos empregados que trabalharam o ano todo. Se nenhum dos empregados se desligar durante o ano, o total dos pagamentos de participação nos lucros será de 3% do lucro líquido. A entidade estima que a taxa de rotatividade de pessoal reduza os pagamentos para 2,5% do lucro líquido. A entidade deve reconhecer um passivo e uma despesa de 2,5% do lucro líquido. “Se as obrigações de pagamento de participação nos lucros e de bônus não forem totalmente liquidadas dentro de doze meses após o final do período em que os empregados prestaram o respectivo serviço, esses pagamentos deverão ser considerados benefícios de longo prazo a empregados”. (CPC 33, 201, n.p). Contabilidade Avançada 7 Cabe destacar que o CPC 33 (2012) não exige divulgações específicas acerca de benefícios de curto prazo a empregados. No entanto, outros CPCs podem exigir, como é o caso do CPC 05 – Divulgação sobre Partes Relacionadas que exige divulgação acerca de benefícios concedidos aos administradores da entidade e do CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis que exige a divulgação de despesas com benefícios a empregados. Figura 2: O plano de participação nos lucros. Fonte: Dreamstime. 1.2 Benefícios Pós-Emprego: Plano de Contribuição Definida Os benefícios aos empregados pós-emprego com planos de contribuição definida se caracterizam pela limitação da responsabilidade da entidade apenas sobre a quantia que ela aceita contribuir para o fundo. Ou seja, o valor do benefício pós-emprego a ser recebido pelo empregado será determinado pelo montante de contribuições pagas pelo empregador (e, possivelmente, também pelo empregado) mais o retorno dos investimentos provenientes das contribuições. A entidade empregadora não é a responsável pelo montante do benefício a ser recebido pelo empregado. Ou seja, o risco atuarial (risco de que os benefícios sejam inferiores ao esperado) e o risco de investimento (risco de que os ativos investidos venham a ser insuficientes para cobrir os benefícios esperados) recaem sobre o empregado. A entidade empregadora deve reconhecer a contribuição devida quando o empregado tiver prestado serviços à entidade durante um período. Essa contribuição deverá ser reconhecida como passivo e como despesa, salvo exceções. “Quando as contribuições para plano de contribuição definida não são completamente liquidadas em até doze meses após o final do período da prestação de serviço pelo empregado, elas devem ser descontadas”, (CPC 33, 2012, n.p) Em relação aos benefícios pós-emprego com contribuição definida, a entidade empregadora deverá divulgar o montante reconhecido como despesa. Contabilidade Avançada 8 Figura 3: Benefícios pós-emprego com contribuição definida. Fonte: Dreamstime. 1.3 Benefícios Pós-Emprego: Plano de Benefício Definido Diferentemente dos benefícios pós-emprego com contribuição definida, nos benefícios pós-emprego com benefício definido, a responsabilidade da entidade empregadora recai sobre o montante do benefício que será recebido pelo empregado. Nesse caso, há uma garantia de retorno especificado sobre contribuições, seja direta ou indiretamente, vinculada ao plano, por exemplo. Isto é, a obrigação da entidade patrocinadora é a de fornecer os benefícios pactuados aos atuais e aos ex-empregados, e o risco atuarial e o de investimento recaem, substancialmente, sobre a entidade. Como a entidade assume, na essência, os riscos atuariais e de investimento associados ao plano, consequentemente, a despesa reconhecida de plano de benefício definido não é necessariamente o montante da contribuição devida relativa ao período. Dessa forma, a entidade empregadora deverá determinar o déficit ou superávit do plano, ou seja, por meio de técnica atuarial estimar os benefícios a serem pagos aos empregados. “A entidade deve determinar o valor líquido de passivo (ativo) de benefício definido com suficiente regularidade de modo que os montantes reconhecidos nas demonstrações contábeis não divirjam significativamente dos valores que seriam determinados no final do período”. (CPC 33, 2012, n.p) 1.4 Outros Benefícios de Longo Prazo a Empregados Outros benefícios de longo prazo aos empregados correspondem aos benefícios aos empregados que não sejam de curto prazo, benefícios pós-emprego e benefícios rescisórios. Alguns exemplos desses outros benefícios são: ausências remuneradas de longo prazo, como licença por tempo de serviço ou licença sabática; jubileu ou outros benefícios por tempo de serviço; benefícios de invalidez de longo prazo; participação nos lucros e bônus e remuneração diferida. Contabilidade Avançada 9 Nos casos desses outros benefícios de longo prazo a empregados, não existe o mesmo grau de incerteza do que a mensuração de benefícios pós- emprego. Assim, é requerido um método simplificado de contabilização no caso de outros benefícios de longo prazo a empregados. Para outros benefícios de longo prazo a empregados, a entidade deve reconhecer no resultado o montante líquido do custo do serviço, dos juros líquidos sobre o valor líquido de passivo (ativo) de benefício definido e remensurações do valor líquido de passivo (ativo) de benefício definido. Além disso, o CPC 33 não exige divulgações específicas sobre outros benefícios de longo prazo aos empregados. No entanto, o CPC 05 – Divulgação sobre Partes Relacionadas requer divulgações sobre benefícios a empregados para os administradores da entidade, e o CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis requer a divulgação das despesas de benefícios a empregados. 1.5 Benefícios Rescisórios O CPC 33 (2012) trata dos benefícios rescisórios separadamente de outros benefícios a empregados. Isso porque o evento gerador da obrigação é a rescisão do contrato de trabalho e não a prestação do serviço pelo empregado. Esses benefícios rescisórios resultam da decisão da entidade de rescindir o contrato de trabalho ou da decisão do empregado de aceitar uma oferta de benefícios por parte da entidade em troca da rescisão do contrato de trabalho. Os benefícios rescisórios são comumente pagos em uma única parcela. “Benefícios rescisórios não incluem benefícios aos empregados decorrentes da rescisão do contrato de trabalho a pedido do empregado sem uma oferta da entidade ou como resultado de aposentadoria compulsória, uma vez que esses benefícios são benefícios pós-emprego”. (CPC 33, 2012, n.p) A entidade deve reconhecer um passivo e uma despesa com benefícios rescisórios no momento em que a entidade não mais puder cancelar a oferta desses benefícios ou quando a entidade reconhecer os custos de reestruturação que estiver no alcance do CPC 25 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes e envolver o pagamento de benefícios rescisórios. A entidade deve mensurar benefícios rescisórios no reconhecimento inicial, mensurando e reconhecendo mudanças subsequentes, de acordo com a natureza do benefício a empregados.Caso a entidade espere que os benefícios rescisórios sejam integralmente liquidados em até doze meses após o período referente às demonstrações contábeis em que o benefício rescisório for reconhecido, ela deve aplicar os requisitos para benefícios de curto prazo a empregados. Contabilidade Avançada 10 Caso a entidade não espere que os benefícios rescisórios sejam integralmente liquidados em até doze meses após o período relativo às demonstrações contábeis, a entidade deve aplicar os requisitos para outros benefícios de longo prazo a empregados. Observe este exemplo: Em virtude de aquisição recente, a entidade planeja fechar uma fábrica dentro de dez meses e, naquela ocasião, rescindir os contratos de trabalho de todos os empregados restantes da fábrica. Como necessita do conhecimento dos empregados da fábrica para cumprir alguns contratos, a entidade anuncia um plano de rescisão, nos seguintes termos. Cada empregado que permanecer e prestar serviços até o fechamento da fábrica receberá, na data do desligamento, o pagamento em dinheiro de R$ 30.000. Empregados que saírem antes do fechamento da fábrica receberão R$ 10.000. A fábrica possui 120 empregados. No momento do anúncio do plano, a entidade espera que 20 deles saiam antes do fechamento. Portanto, as saídas de caixas totais esperadas em virtude do plano são de R$ 3.200.000 (ou seja, 20 * R$ 10.000 + 100 * R$ 30.000). Conforme exige o item 160, a entidade deve contabilizar benefícios fornecidos em troca da rescisão do contrato de trabalho, como benefícios rescisórios, e contabilizar benefícios fornecidos em troca de serviços, como benefícios de curto prazo aos empregados. Benefícios rescisórios: O benefício fornecido em troca da rescisão dos contratos de trabalho é de R$ 10.000. Este é o valor que a entidade teria de pagar ao rescindir os contratos de trabalho, independentemente de os empregados permanecerem e prestarem serviços até o fechamento da fábrica ou saírem antes. Embora os empregados possam sair antes do fechamento da fábrica, a rescisão do contrato de trabalho de todos os empregados é resultado da decisão da entidade de fechar a fábrica e dispensar seus empregados (ou seja, todos os empregados deixarão o emprego quando a fábrica for fechada). Portanto, a entidade reconhece um passivo de R$ 1.200.000 (ou seja, 120 * R$ 10.000) pelos benefícios rescisórios fornecidos de acordo com o plano de benefícios aos empregados quando o plano de rescisão for anunciado ou quando a entidade reconhecer os custos de reestruturação associados ao fechamento da fábrica, na data que ocorrer primeiro. Benefícios fornecidos em troca de serviços: Os benefícios adicionais que os empregados receberão se prestarem serviços durante todo o período de dez meses são obtidos em troca de serviços prestados ao longo desse período. Esses benefícios devem ser contabilizados pela entidade como sendo de curto prazo aos empregados porque espera liquidá-los em até doze meses após o período a que se referem as demonstrações contábeis. Neste exemplo, o desconto a valor presente não é necessário, de modo que a despesa de R$ 200.000 (ou seja, R$ 2.000.000 ÷ 10) é reconhecida a cada mês durante o período de serviço de dez meses, com o correspondente aumento no valor contábil do passivo. Contabilidade Avançada 11 O CPC 33 (2012) não exige divulgações específicas sobre benefícios rescisórios, mas o CPC 05 – Divulgação sobre Partes Relacionadas exige divulgações sobre os benefícios rescisórios de administradores da entidade e o CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis exige a divulgação das despesas de benefícios aos empregados. CONTRATO Bem-vindo! Ambiente de trabalho Figura 4: Benefícios fornecidos em troca de serviços. Fonte: Dreamstime. 2. Resultado por Ação Devemos destacar que o objetivo da mensuração e evidenciação do resultado por ação é proporcionar a medida da participação de cada ação da companhia no desempenho da entidade durante o período. 2.1 Mensuração De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 41 (2010), as companhias devem calcular o resultado básico por ação para o lucro ou prejuízo atribuível aos titulares de ações ordinárias da companhia. Esse resultado básico por ação é calculado por meio da divisão do lucro ou prejuízo atribuível a esses titulares de ações ordinárias da companhia pela média ponderada de ações ordinárias em poder dos acionistas durante o período (excluídas as mantidas em tesouraria). RESULTADO POR AÇÃO = LUCRO OU PREJUÍZO ATRIBUÍVEL AOS ACIONISTAS ORDINÁRIOS NÚMERO MÉDIO DE AÇÕES ORDINÁRIAS EM CIRCULAÇÃO É utilizada a média ponderada do número de ações ordinárias, pois esse número pode oscilar durante o período, de forma que se torna necessário o cálculo ponderado do número de ações ordinárias que estão com os acionistas no decorrer dos dias ao longo do período referente às demonstrações contábeis. A seguir, veja um exemplo do cálculo do número médio de ações ordinárias em circulação. Contabilidade Avançada 12 Ações emitidas Ações em tesouraria Ações em poder dos acionistas Saldo no início do ano (01/01) 6.000 1.000 5.000 Emissão de novas ações (30/06) 500 - 5.500 Compra de ações em tesouraria (31/08) - 500 5.000 Saldo no final do ano (31/12) 6.500 1.500 5.000 (5.000 x 6/12) + (5.500 x 2/12) + (5.000 x 4/12) = 5.083,3 ações Conforme o CPC 41 (2010), a ação ordinária é o instrumento patrimonial que está subordinado a todas as outras classes de instrumentos patrimoniais. Para as sociedades com sede no Brasil, deve ser considerada a definição de ação ordinária dada pela Lei das Sociedades por Ações, esta destaca que a ação ordinária garante a quem a possui, o direito ao voto e à participação nas decisões da companhia. O resultado atribuível aos titulares das ações ordinárias corresponde ao lucro ou prejuízo resultante das operações continuadas da companhia e atribuíveis à companhia. “No caso de balanço consolidado, o lucro ou prejuízo atribuível à companhia se refere à parcela da companhia controladora. Portanto, devem ser excluídas as participações dos não controladores”. (CPC 41, 2010) Também pode ser calculado o resultado diluído por ação. Este complementa o resultado básico por ação ao refletir os efeitos de todas as ações ordinárias potenciais diluidoras em circulação durante o período. Dessa forma, o lucro ou o prejuízo atribuível aos titulares de capital próprio ordinário da companhia deve ser aumentado pelo valor após tributos sobre dividendos e participação (se houver) reconhecidos no período em relação às ações ordinárias potenciais diluidoras. Além disso, de acordo com o CPC 41 (2010), o número médio ponderado de ações ordinárias totais com os acionistas deve ser aumentado pelo número médio ponderado de outras ações ordinárias que teriam estado em poder dos acionistas, assumindo a conversão de todas as ações ordinárias potenciais diluidoras. Conforme o CPC 41 (2010), a ação ordinária potencial é o instrumento financeiro ou outro contrato que dá ao seu titular o direito a ações ordinárias. Assim, no cálculo do resultado diluído por ação, o resultado atribuível aos titulares de ações ordinárias é ajustado a partir das Contabilidade Avançada 13 alterações das receitas ou despesas atribuíveis. O número ponderado de ações também é ajustado, incorporando o número ponderado de ações que seriam emitidas na conversão de todas as ações ordinárias potenciais diluidoras em ações ordinárias. “As ações ordinárias potenciais devem ser tratadas como diluidoras quando, e somente quando, a sua conversão em ações ordinárias possa diminuir o lucro por ação ou possa aumentar o prejuízo por ação proveniente das operações continuadas”. (CPC 41, 2010, n.p) A seguir, vejamos alguns exemplos práticos: Exemplo 1: A Souza Cruz S.A. é líder do mercado nacional de tabaco. É a maior produtora e distribuidora de cigarros do país. Sua estrutura de capital atual é bastante simples em relação ao Resultado poração, já que a mesma não apresenta variações no número médio ponderado de ações, logo os resultados básicos e diluídos por ação são iguais, existem apenas variações no numerador (lucro líquido) de períodos diferentes. Observe: 2010 2011 Numerador Básico (Lucro Líquido) 1.449.700.000 1.602.700.000 Denominador Básico (Média Ponderada de Ações) 1.528.450.500 1.528.450.500 Resultado Básico Por Ação 0,95 1,05 Numerador Diluído (Lucro Líquido) 1.449.700.000 1.602.700.000 Denominador Diluído (Média Ponderada de Ações) 1.528.450.500 1.528.450.500 Resultado Diluído Por Ação 0,95 1,05 Sendo assim, não havendo instrumentos de capital com a característica de conversibilidade em ações, a definição do resultado se torna simples, bastando dividir o lucro líquido atribuível aos acionistas pelo número médio ponderado de ações. O resultado básico e diluído por ação são, neste caso, iguais. Ainda deve-se destacar, conforme exposto nas notas explicativas da Souza Cruz, que, em 2011, ocorreu um desdobramento de ações na ordem de 400% (5 pra 1), consequentemente, a quantidade de ações passou de 305.690.100 para 1.528.450.500. A entidade informa que não ocorreram alterações no capital social, o desdobramento ocorreu com o intuito de conferir a liquidez das ações. Contabilidade Avançada 14 Como observado, o cálculo do resultado por ação apresentado considera o novo valor das ações para os dois períodos apresentados, e não apenas para 2011, condizente com o CPC 41, que determina em situações de desdobramento de ações considerar as alterações não apenas ao período em que o evento ocorre, mas sim para todos os períodos apresentados. Desse modo, o resultado pode ser comparado de forma confiável com o de outros períodos ou o de outras empresas. Exemplo 2: A Renner é a segunda maior rede de lojas de departamentos de vestuário no Brasil. Sua estrutura de capital é relativamente complexa em relação ao Resultado por ação, já que a mesma apresenta variações no número médio de ações em razão do incremento de seu plano de opção de compra de ações, que se trata da emissão de títulos de capital com a característica da opção de conversão em ações. O que afeta o resultado diluído por ação, afinal, os instrumentos potenciais diluidores devem ser incluídos no cálculo. Observe: 2010 2011 Numerador Básico (Lucro Líquido) 308.028.000 336.907.000 Denominador Básico (Média Ponderada de Ações) 121.981.000 122.494.000 Resultado Básico Por Ação 2,52 2,75 Numerador Diluído (Lucro Líquido) 308.028.000 336.907.000 Potencial Incremento nas Ações Ordinárias em Função do Plano de Opções de Ações 2.448.000 2.242.000 Denominador Diluído (Média Ponderada de Ações) 124.223.000 124.942.000 Resultado Diluído Por Ação 2,48 2,69 De acordo com o relatório financeiro da entidade em questão, na determinação do número de ações a serem agregadas ao resultado diluído por ação, foram consideradas premissas como o valor de mercado da ação, o preço de exercício da opção, a volatilidade do preço das ações da Companhia, a taxa de juros livre de riscos e o prazo de vigência do contrato. O que confirma que os conceitos definidos no CPC 41 para a avaliação de títulos de capital com opção de conversão em ações foram aplicados de forma coerente no exemplo citado. Os cálculos não foram expressados de forma mais detalhada por causa da falta de informações. Contabilidade Avançada 15 Figura 5: Relatório financeiro. Fonte: Dreamstime. 2.2 Apresentação e Divulgação De acordo com o CPC 41 (2010), a companhia deve apresentar os resultados por ação básicos e diluídos na demonstração do resultado. Esses resultados por ação referem-se ao lucro ou prejuízo das operações continuadas atribuível aos titulares de capital próprio ordinário da companhia. Esses resultados por ação devem ser apresentados para cada período para o qual seja apresentada demonstração do resultado. “A companhia que reportar operação descontinuada deve divulgar os resultados por ação básicos e diluídos relativamente à operação descontinuada, seja na própria demonstração do resultado ou em notas explicativas”. (CPC 41, 2010, n.p) Dessa forma, a companhia deve divulgar os valores usados como numeradores no cálculo dos resultados por ação básico e diluído, o número médio ponderado de ações ordinárias usado como denominador no cálculo dos resultados por ação básico e diluído, a conciliação desses denominadores uns com os outros, instrumentos que poderiam potencialmente diluir os resultados por ação básicos no futuro e a descrição das transações de ações ordinárias ou das transações de ações ordinárias potenciais que não tenham sido contabilizadas. Neste capítulo, estudamos os benefícios a empregados. Vimos como esses benefícios podem ser classificados, de acordo com determinadas características. Descobrimos os detalhes de cada um dentre eles: os benefícios de curto prazo, benefícios pós-emprego, outros benefícios de longo prazo e benefícios rescisórios. Vimos, também, que os benefícios pós-emprego podem ser classificados em benefícios com plano de contribuição definida e benefícios com plano de benefícios definido. Contabilidade Avançada 16 Além disso, outro assunto também muito importante: o resultado por ação. Discutimos porque é importante a apuração do resultado por ação e como essa mensuração é realizada. Aprendemos, também, sobre o resultado básico por ação e o resultado diluído por ação, por meio de exemplos comparativos entre esses dois tipos de resultados. Por fim, discutimos quais informações devem ser divulgadas pelas entidades acerca do resultado por ação e a forma como essas informações devem ser apresentadas. Referências BENDER, C. R. J. Resultado por ação – um estudo do CPC 41 na avaliação de resultados. Disponível em: https://repositorio.uniceub.br/jspui/ bitstream/235/7223/1/20904941.pdf. Acesso em: 28 jan. 2021. CPC. Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento Técnico CPC 33: Benefícios a Empregados. 2012. Disponível em: http://static.cpc. aatb.com.br/Documentos/350_CPC_33_R1_rev%2013.pdf . Acesso em: 04 jan. 2021. CPC. Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento Técnico CPC 41: Resultado por ação. 2010. Disponível em: http://static.cpc.aatb. com.br/Documentos/430_CPC_41_rev%2012.pdf . Acesso em: 07 jan. 2021. Contabilidade Avançada 17 https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/235/7223/1/20904941.pdf https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/235/7223/1/20904941.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/350_CPC_33_R1_rev%2013.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/350_CPC_33_R1_rev%2013.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/430_CPC_41_rev%2012.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/430_CPC_41_rev%2012.pdf Benefícios a Empregados e Lucro Resultado por Ação Para Início de Conversa... Objetivos 1. Benefícios a Empregados 1.1 Benefícios de Curto Prazo aos Empregados 1.2 Benefícios Pós-Emprego: Plano de Contribuição Definida 1.3 Benefícios Pós-Emprego: Plano de Benefício Definido 1.4 Outros Benefícios de Longo Prazo a Empregados 1.5 Benefícios Rescisórios 2. Resultado por Ação 2.1 Mensuração 2.2 Apresentação e Divulgação Referências