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ILUSTRISSÍMO (A) SENHOR (A) DIRETOR (A) DO DETRAN/ES Notificação nº: .... Matheus Moises Vasconcelos Silva, brasileiro, solteiro, programador, inscrito no CPF sob o nº142.915.557-41, documento de identidade nº 3200061, residente e domiciliado rua Campinas N17, quadra 44 bairro Marcilio de Noronha, Viana-ES, vem respeitosamente perante sua presença interpor RECURSO ADMINISTRATIVO DE NOTIFICAÇÃO DE AUTUAÇÃO DE INFRAÇÃO DE TRÂNSITO , contra o auto de infração de trânsito, praticado em 15/02/2020, às 00:39, na Avenida Alexandre Buaiz, Vitória-ES..., nos termos que seguem: DOS FATOS E FUNDAMENTOS: a) Recusa por suspostamente infrigir o art. 165-A do CTB. Em 15/02/2020, às 00:39, o recorrente, quando na direção do veículo Gol, placa DLL 1366, foi abordado na Avenida Alexandre Buaiz, Vitória-ES, tendo a autoridade policial lhe requerido que se submetesse ao exame de alcoolemia, conhecido como teste do bafômetro. Diante da simples recusa, foi autuado por supostamente infringir o art. 165-A do Código de Trânsito Brasileiro ( CTB), in verbis: Art. 165-A. Recusar-se a ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa, na forma estabelecida pelo art. 277. [...]. Ocorre que, a recusa em submeter-se ao teste do bafômetro não implica, por si só, em inexorável reconhecimento de estado de embriaguez, sob pena de violação da vedação a autoincriminação, do direito ao silêncio, da ampla defesa e do princípio da presunção de inocência (art. 5º, II [2], LIV [3], LV [4], LVII [5] e LXIII [6], da CRFB/88; art. 8, 2, g [7], da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e art. 14, 3, g [8] do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos). Além disso, se o indivíduo não pode ser compelido a se autoincriminar, nemo tenetur se detegere, não pode ser obrigado a efetuar o teste do bafômetro, competindo à autoridade fiscalizadora provar a embriaguez a fim de aplicar as sanções previstas pelo art. 165 do CTB (leia-se 165-A) através dos mecanismos dispostos pelo artigo 277 do mesmo diploma, que assim dispõem: Art. 277. O condutor de veículo automotor envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trânsito poderá ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que, por meios técnicos ou científicos, na forma disciplinada pelo Contran, permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa que determine dependência. [...] § 2o A infração prevista no art. 165 também poderá ser caracterizada mediante imagem, vídeo, constatação de sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade psicomotora ou produção de quaisquer outras provas em direito admitidas. § 3º Serão aplicadas as penalidades e medidas administrativas estabelecidas no art. 165-A deste Código ao condutor que se recusar a se submeter a qualquer dos procedimentos previstos no caput deste artigo. Portanto, na ausência do teste de alcoolemia, caberia à autoridade policial no momento da abordagem a produção de outras provas do suposto estado de embriaguez da Recorrente por meios diversos, tais como o exame pericial, a comprovação testemunhal ou, até mesmo, a descrição do estado físico e mental da abordada. Fato é que não há qualquer menção sequer de tentativa de realização de prova indireta que pudesse atestar o estado de ebriedade da condutora no momento da abordagem. Ademais, a infração deverá ser comprovada pela autoridade policial por meios previamente regulamentos pelo CONTRAN nos termos do art. 280 do CTB, senão vejamos: Art. 280. Ocorrendo infração prevista na legislação de trânsito, lavrar-se-á auto de infração, do qual constará: [...] § 2º A infração deverá ser comprovada por declaração da autoridade ou do agente da autoridade de trânsito, por aparelho eletrônico ou por equipamento audiovisual, reações químicas ou qualquer outro meio tecnologicamente disponível, previamente regulamentado pelo CONTRAN. Em obediência à disposição legal supramencionada, foi editada a Resolução Nº 432, de 23 de janeiro de 2013 pelo CONTRAN, dispondo sobre os procedimentos a serem adotados pelas autoridades de trânsito e seus agentes na fiscalização do consumo de álcool para aplicação do disposto nos arts. 165, 276, 277 e 306 do CTB. A Resolução é indiscutivelmente objetiva. Destacamos: Art. 3º A confirmação da alteração da capacidade psicomotora em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência dar-se-á por meio de, pelo menos, UM dos seguintes procedimentos a serem realizados no condutor de veículo automotor: Evidentemente denota-se que nenhum dos procedimentos descritos nesse art. 3º foram realizados na Recorrente, em flagrante violação da norma. Senão vejamos: I – exame de sangue; II – exames realizados por laboratórios especializados, indicados pelo órgão ou entidade de trânsito competente ou pela Polícia Judiciária, em caso de consumo de outras substâncias psicoativas que determinem dependência; III – teste em aparelho destinado à medição do teor alcoólico no ar alveolar (etilômetro); IV – verificação dos sinais que indiquem a alteração da capacidade psicomotora do condutor. § 1º Além do disposto nos incisos deste artigo, também poderão ser utilizados prova testemunhal, imagem, vídeo ou qualquer outro meio de prova em direito admitido. § 2º Nos procedimentos de fiscalização deve-se priorizar a utilização do teste com etilômetro. [...] E ainda: Art. 5º Os sinais de alteração da capacidade psicomotora poderão ser verificados por: I – exame clínico com laudo conclusivo e firmado por médico perito; ou II – constatação, pelo agente da Autoridade de Trânsito, dos sinais de alteração da capacidade psicomotora nos termos do Anexo II. § 1º Para confirmação da alteração da capacidade psicomotora pelo agente da Autoridade de Trânsito, deverá ser considerado não somente um sinal, mas um conjunto de sinais que comprovem a situação do condutor. § 2º Os sinais de alteração da capacidade psicomotora de que trata o inciso II DEVERÃO SER DESCRITOS NO AUTO DE INFRAÇÃO ou em termo específico que contenha as informações mínimas indicadas no Anexo II, o qual deverá acompanhar o auto de infração. Diante da recusa do recorrente em assinar Auto de Infração, o Agente Autuador lavrou o auto de infração e o termo de constatação de alcoolemia, sem registrar nenhuma prova da capacidade psicomotora alterada. Em resumo, o Agente Autuador sem sequer comprovar a capacidade psicomotora alterada do recorrente, lavrou a multa, ainda que este, não desrespeitasse a legislação de trânsito. a) Notificação com Data Intempestiva a da Infração O Requerente recebeu a notificação expedida em 14/03/2023, por supostamente ter infringido o art. 218, inciso I, da CTB, na data de 15/02/2020, às 00 h 39 min. Entretanto, intempestiva é a presente autuação, se não vejamos: Primeiramente, urge destacar-se que a notificação sob o nº BA0002E5836 fora a primeira e única notificação desta infração acima referida, ocorrida em 15/02/2020. Em segundo, a Lei é clara e objetiva quando estabelece que o lapso de tempo entre a lavratura do Auto de Infração e a notificação via postal deve ser de trinta (30) dias, conforme dispõe o Art. 281, II do Código de Trânsito Brasileiro, onde diz: [...] Parágrafo único. O Auto de Infração será arquivado e seu registro julgado insubsistente: [...] II – se, no prazo máximo de trinta dias, não for expedida a notificação da autuação. (grifo meu) O presente AIT está caracterizado pela NULIDADE disposta no Artigo nº 37da Constituição Federal: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.” Ora vislumbra-se que o órgão Autuador não observou o prazo limite estipulado pelo CTB, não cumprindo com o dever da legalidade. Por ser patente a irregularidade que norteia o AIT em tela, com base no Art. 281, parágrafo único, I do Código de Trânsito Brasileiro, este deve ser arquivado e consequentemente, seu registro deve ser julgado insubsistente. Diante do exposto, requer: a) SEJA ACOLHIDO O PRESENTE RECURSO, dentro do prazo legal e com base na Lei nº 9.503/97, para, depois de apreciado e julgado, seja considerado totalmente procedente a fim de declarar a nulidade do Auto de Infração de Trânsito de nº BA00025836, cancelando as penalidades dele decorrentes; b) SEJA A INFRAÇÃO JULGADA INSUBSISTENTE por afrontar o art. 281, § Único, II do CTB, bem como a Resolução do CONTRAN nº 619/2016 c/c Art. 37 da Constituição Federal de 1988, pela notificação ter sido expedida fora do prazo legal; c) SE ASSIM NÃO FOR O ENTENDIMENTO DA VSª, que seja o auto de infração desconsiderado, haja vista que o Recorrente não estava incurso no artigo 165 do CTB, pois o recorrente não se encontrava alcoolizado. c) CASO NÃO JULGADO O PRESENTE RECURSO NO PRAZO LEGAL, seja-lhe concedido o efeito suspensivo, forte no art. 285, § 3º do CTB. Termos em que espera deferimento. Vitoria-ES, 22 de setembro de 2023. ____________________________________________ MATHEUS MOISES VASCONCELOS SILVA