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TEMAS EMERGENTES EM 
ENGENHARIA AMBIENTAL 
Liane Yuri Kondo Nakada 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3 CRÉDITOS DE CARBONO 
Apresentação 
Prezado (a) estudante, 
Neste bloco, serão apresentados conceitos relacionados ao tema emergente de 
créditos de carbono, incluindo os inventários de carbono, os escopos de emissões, as 
tecnologias de mitigação de emissões de carbono, e o mercado de carbono. 
Bons estudos! 
3.1 Inventários de carbono 
No contexto de combate às mudanças climáticas, organismos internacionais, governos 
e organizações não-governamentais propõem diversas medidas para auxiliar no 
atendimento às metas de reduções de emissões de gases de efeito estufa (GEE). De 
modo geral, o conjunto dessas medidas refere-se à “gestão de carbono”, que 
contempla as seguintes ações: calcular, reduzir, compensar e comunicar, e pode ser 
entendida como uma gestão cíclica (Figura 3.1). 
 
Figura 3.1 – Ciclo da gestão de carbono como elemento de gestão em organizações. 
O inventário de emissões de GEE é uma ferramenta que contribui para a primeira ação 
do ciclo da gestão do carbono, que é calcular as emissões de um determinado emissor. 
O inventário fornece um diagnóstico, que permite identificar a quantidade e o local 
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3 
 
das emissões de gases de efeito estufa da cadeia produtiva de uma organização, de 
uma atividade, de um processo ou de um setor econômico. O inventário também pode 
ser entendido como a “pegada de carbono” de uma organização ou como uma métrica 
para o impacto climático. 
Inventários de GEE podem ser utilizados para a quantificação de emissões de um 
município ou mesmo de um Estado ou país. Como exemplos, temos os inventários das 
cidades de Belo Horizonte, João Pessoa, Fortaleza, São Paulo, e do Estado de São 
Paulo. 
As razões para uma organização fazer um inventário de gases de GEE são variados, 
incluindo as seguintes: 
• Atendimento a exigências legais: O inventário de emissões de GEE é um dos 
instrumentos mencionados na Política Nacional sobre Mudança do Clima – 
PNMC (lei nº 12.187/2009) para alcançar as metas de redução de emissões. 
Diante disso, algumas Políticas Estaduais de Mudanças Climáticas foram 
promulgadas, criando novas exigências legais quanto a elaboração e divulgação 
de inventários de GEE. No Rio de Janeiro, o Instituto Estadual de Meio 
Ambiente (INEA), por meio da Resolução INEA/PRES nº 64 de 12 de dezembro 
de 2012, indica a apresentação de inventários de GEE como requisitos para o 
licenciamento ambiental de alguns setores como indústrias petroquímicas, 
siderúrgicas, aterros sanitários entre outros. No Estado de São Paulo, a Decisão 
da Diretoria nº 35/2021/P, de 13 de abril de 2021, da Companhia Ambiental do 
Estado de São Paulo (CETESB), apresenta os critérios para elaboração dos 
inventários de GEE de setores que deverão entregá-los para a CETESB. A 
tendência é que novas exigências sejam criadas ao longo do tempo; 
• Governança corporativa: O uso de inventários de emissões de GEE como 
instrumentos de gestão permite que as organizações atuem de forma proativa 
quanto a riscos e impactos de suas ações; 
• Demanda de Mercado: A inserção de inventários de emissões de GEE em 
relatórios de sustentabilidade é uma tendência crescente, assim, as 
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organizações fazem a divulgação de informações transparentes, para 
investidores e outras partes interessadas, em busca de reconhecimento de suas 
ações e ganhos de imagem; 
• Oportunidades de redução de custos: A redução de emissões de GEE, em geral, 
é acompanhada de redução de uso de combustíveis, diminuição de desperdício 
de materiais, redução da geração de resíduos, aumento de eficiência 
energética e, por isso, também é uma oportunidade de redução de custos. 
Programas e normas específicos foram criados para padronizar a elaboração de 
inventários de GEE. Atualmente, o programa Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol) 
é a principal fonte de diretrizes para identificação e contabilização de emissões de GEE. 
No Brasil, o Programa Brasileiro GHG Protocol foi criado como uma adaptação do 
programa internacional ao contexto nacional, em uma iniciativa da FGV e WRI, em 
parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o Conselho Empresarial Brasileiro para o 
Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o World Business Council for Sustainable 
Development (WBSCD), e 27 Empresas Fundadoras. Esse programa é compatível com a 
norma NBR ISO 14.064-2:2007, que apresenta especificação e orientação para projetos 
para quantificação, monitoramento e elaboração de relatórios de redução de emissões 
ou da melhoria de remoções de gases de efeito estufa. 
Para cálculo e quantificação de emissões, devem ser seguidas as orientações do IPCC 
Guidelines for National Greenhouse Gases para os métodos de cálculo. Visto que essas 
orientações estão em constante atualização, é de fundamental importância consultar o 
website do programa para verificar as diretrizes mais recentes. 
Além de ser uma fonte de orientações e diretrizes para a elaboração de inventários de 
GEE, o Programa Brasileiro GHG Protocol é um sistema de relato e registro público de 
emissões, em que as organizações podem publicar seus inventários e submetê-los a 
um processo de verificação por terceira parte, buscando a obtenção de diferentes 
selos – ouro, prata ou bronze – dependendo do histórico, da quantidade e do nível das 
informações apresentadas. 
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De forma geral, o inventário de GEE segue alguns princípios norteadores (Figura 3.2), 
que têm a função de conferir credibilidade ao inventário e assegurar a conformidade 
com normas e metodologias internacionais. 
 
Figura 3.2 – Princípios norteadores para a elaboração de inventários de GEE. 
Respeitando os princípios norteadores, a elaboração de inventários de GEE pode ser 
resumida em 7 etapas metodológicas, apresentadas a seguir: 
1. Definição de abrangência: também conhecida como definição de fronteiras. Nessa 
etapa, devem ser estabelecidas duas fronteiras: organizacional e operacional. 
A fronteira organizacional busca definir os limites da organização, incluindo possíveis 
subsidiárias do negócio. Já a fronteira operacional, representa as operações nas quais 
existem fontes e sumidouros de GEE – como veículos, edifícios e fábricas. A elaboração 
adequada das fronteiras permite que sejam agrupadas emissões diretas e indiretas, e 
que os escopos das emissões sejam definidos adequadamente. 
Os escopos de emissões referem-se às fontes das emissões, que também são 
classificadas em diretas e indiretas (Figura 3.3). O escopo 1 representa as emissões 
diretas, que ocorrem em fontes que são propriedade ou controladas pela organização 
inventariante. O escopo 2 representa as emissões indiretas, que ocorrem em fontes de 
• Deve-se assegurar que o inventário de GEE represente
adequadamente as emissões do processo analisado, e
atenda às necessidades de tomada de decisão de seus
usuários.
Relevância
•Deve-se registrar todas as fontes geradoras de GEE, dentro dos limites 
estabelecidos para o inventário.
Completud
e
•Deve-se tratar todos os assuntos relevantes de forma coerente, com base 
em evidências objetivas.
Transparên
cia
•Deve-se assegurar, por meio de dados e estimativas apropriadas, que a 
quantificação de GEE não esteja subestimada ou superestimada.Acuidade
•Deve-se utilizar metodologias reconhecidas e que permitam comparações 
com emissões de outros processos similares.Consistência
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propriedade ou controladas por terceiros, oriundas de energia elétrica ou térmica 
adquirida pela organização inventariante. Por fim, o escopo 3 é o mais abrangente, 
pois representa as emissões indiretas, que não são responsabilidade direta da 
organização inventariante, como aquelas geradas por fornecedores. 
As emissões provenientes do escopo 3 tem contabilização opcional. Bastante 
complexas, essas emissões são divididas em 15 categorias, que, por suavez, são 
classificadas como upstream – relacionadas a bens e serviços adquiridos pelas 
organizações – e downstream – relacionadas a bens e serviços vendidos. 
 
Fonte: VectorMine via Shutterstock. 
Figura 3.3 – Escopos de emissões. 
2. Definição do período de referência e ano-base: o período de referência, também 
conhecido como fronteira temporal, é o recorte temporal da quantificação de 
emissões, normalmente, é um recorte anual. Já o ano-base representa o inventário 
utilizado como referência para comparação da evolução de emissões de GEE. O ano-
base é um elemento fundamental para a avaliação da efetividade de medidas de 
redução de emissões, ou mesmo para a identificação de aumento de emissões de GEE. 
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3. Identificação ou revalidação de fontes e sumidouros de GEE: após a definição das 
fronteiras, é importante identificar as fontes e os sumidouros de GEE no primeiro 
inventário e revalidá-los nos seguintes. As fontes de emissões de GEE são os processos 
ou unidades físicas da organização que emitem algum tipo de GEE para a atmosfera, e 
os sumidouros de GEE são processos ou unidades da organização que removem GEE da 
atmosfera. 
4. Coleta de informações: a coleta de dados é uma das etapas que mais demanda 
tempo, pois necessita do envolvimento de diversos setores da organização, para um 
levantamento detalhado de todos os registros que auxiliem na quantificação de 
emissões de GEE, que inclui desde dados fiscais até planilhas de controle de 
abastecimento de equipamentos. 
5. Cálculo de emissões e remoções: após a identificação das fontes e dos seus 
respectivos dados, são realizados os cálculos das emissões de GEE. A forma mais 
comum de cálculo é a multiplicação de dados de fontes de GEE por fatores de emissão. 
Esses fatores são anualmente verificados e divulgados pelo IPCC ou outros órgãos 
intergovernamentais, ou podem ser desenvolvidos para a situação específica da 
organização – nesse caso devem ser subsidiados por técnicas comprovadamente 
confiáveis. 
6. Cálculo de incertezas: devem ser levantadas as possíveis incertezas, derivadas de 
erros em equipamentos de medição, variações nos fatores de emissão e nos métodos 
de cálculo. Recomenda-se a utilização de modelos de propagação de incertezas. 
7. Apresentação dos resultados: após a finalização dos cálculos, é necessário redigir 
relatórios para a apresentação dos resultados. Além do GHG Protocol, outras 
iniciativas voluntárias possibilitam a transparência da divulgação dos resultados de 
emissões, como o Carbon Disclosure Project1 (CDP), a Global Reporting Initiative (GRI), 
índices de sustentabilidade de bolsas de valores, ou iniciativas locais como Programa 
Brasileiro GHG Protocol, Huella Chile, e Huella de Carbono Perú. 
 
1 O CDP é uma organização sem fins lucrativos que administra um sistema de divulgação global para 
investidores, empresas, cidades, estados e regiões para gerenciar seus impactos ambientais - https://la-
pt.cdp.net/. 
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3.2 Tecnologias de mitigação de emissões de carbono 
Após as devidas quantificações de emissões de GEE, e a divulgação de seus inventários, 
as organizações, ou demais setores da sociedade, podem optar pela implantação de 
medidas para a redução das emissões de GEE. Essas medidas podem ser técnicas, 
administrativas ou compensatórias. 
De modo geral, as medidas que visam reduções das emissões de GEE podem ser 
diretas ou indiretas. As medidas diretas referem-se a modificações nos processos 
produtivos, incluindo inovações tecnológicas, que quando implantadas em cadeias 
produtivas, aumentam a eficiência dos processos e, consequentemente, reduzem as 
emissões de GEE. As medidas indiretas são as chamadas medidas compensatórias, e, 
geralmente, estão associadas a sumidouros ou armazenamento de carbono em 
diferentes matrizes. 
Para a redução de emissões de GEE de forma direta, podemos citar medidas que 
contribuem para melhorar a eficiência energética, que pode ser obtida em quatro 
níveis: 1) Eficiência da extração de energia primária; 2) Eficiência da conversão de 
energia primária em energia secundária; 3) Eficiência na distribuição de energia aos 
usuários; e 4) Eficiência de conversão em serviços. Os níveis 2 e 4 são aqueles com 
maiores perspectivas de redução. 
Para melhorar a eficiência energética é comum que haja inovação tecnológica, tanto 
pela introdução de novos equipamentos, máquinas ou produtos, quanto por novas 
formas de gestão do processo produtivo. Ao longo do tempo, a introdução de 
lâmpadas e motores mais eficientes, eletrodomésticos novos, e sistemas de 
automação que otimizam sistemas de distribuição, transporte e geração de energia, já 
vem aumentando a eficiência energética e, consequentemente, contribuindo para uma 
redução nas emissões de GEE provenientes da geração de energia. 
Outras medidas diretas para redução de emissões de GEE incluem: mudanças de 
combustível, melhoria na eficiência de equipamentos industriais, uso de fontes 
renováveis de energia. Vale mencionar que que embora a matriz elétrica brasileira seja 
predominantemente baseada em fontes hídricas, as termoelétricas são cada vez mais 
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acionadas, devido aos episódios de secas. Assim, a geração de energia renovável, além 
da hidrelétrica, como por exemplo, por fonte solar e eólica, também é apontada como 
uma alternativa tecnológica. 
As frotas veiculares desempenham importante papel nas emissões de GEE, e ações 
como a eletrificação de frotas, ou alteração para combustíveis menos poluentes – 
como o etanol – têm bastante efetividade na redução de GEE. 
Medidas administrativas que busquem evitar a emissão de CO2 também podem ser 
consideradas medidas diretas. Nesse sentido, podemos citar medidas que busquem a 
redução e o controle dos desmatamentos, tais como: mecanismos de compensação 
ambiental, como é o caso do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA); Redução das 
Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD+); aumento de 
produtividade agrícola; ordenamento territorial; e controle de queimadas. 
Dentre as medidas indiretas podemos apontar o armazenamento de carbono em 
sumidouros, a partir de tecnologias de captura e armazenamento de CO2 (CCS - Carbon 
Capture and Storage). De modo geral, as tecnologias conhecidas como CCS são 
constituídas basicamente de três etapas (Figura 3.4): 1) captura do CO2 de correntes 
gasosas emitidas durante a produção de energia, em processos industriais ou através 
do processamento de combustíveis; 2) transporte do CO2 por dutovias ou tanques; e 3) 
armazenamento em lençóis profundos de águas salinas, jazidas esgotadas de petróleo 
e gás, ou minas de carvão. 
 
Fonte: VectorMine Shutterstock. 
Figura 3.4 – Representação das etapas de captura e armazenamento de CO2 
(tecnologia CCS). 
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A tecnologia CCS é reconhecida como uma alternativa capaz de reduzir as emissões de 
GEE em grande escala, entretanto sua introdução ainda é um desafio devido ao grande 
gasto energético necessário para promover a separação e a purificação do CO2 nos 
processos de captura do CO2. Os estudos para desenvolvimento e otimização das 
tecnologias de captura de CO2 buscam melhorar a eficiência energética desse 
processo, coincidindo com as medidas diretas. Uma série de tecnologias pode ser 
utilizada para CCS, como: absorção química ou física, adsorção, destilação criogênica, 
chemical looping, etc. 
Os principais meios de transporte de CO2 proveniente de tecnologias de captura são os 
carbodutos, o transporte rodoviário e por navios. Por esses meios, o carbono 
capturado é levado ao local dos sumidouros. Cada tipo de transporte demanda que o 
CO2 esteja em determinada condição, sendo que unidades de liquefação são 
necessárias para transporte em navios, e a compressão é aplicada ao transporte em 
dutos. 
Por fim, o armazenamento geológico do CO2 pode ocorrer em: camadasde carvão; 
aquíferos salinos profundos; cavernas de sal; diretamente nos oceanos; em formato de 
carbonatos, pelo processo de carbonatação mineral; ou também pode ser empregado 
em reservatórios de petróleo e gás com baixas taxas de recuperação. A aplicação de 
CO2 em processos de recuperação de recursos como petróleo e gás já é utilizada pela 
indústria há algum tempo, pois possibilita maiores taxas de retirada. Esses processos 
são chamados de RAP (recuperação avançada de petróleo) e RAG (recuperação 
avançada de gás). 
O sequestro de CO2 a partir do crescimento vegetal em florestas também é uma 
alternativa para o armazenamento de carbono. Um estudo publicado no início de 2021 
concluiu que as florestas do mundo sequestraram cerca de duas vezes mais dióxido de 
carbono do que emitiram entre 2001 e 2019. As florestas são consideradas uma via de 
mão dupla para as medidas de redução de emissões, pois tanto podem “sequestrar” 
grandes quantidades de carbono enquanto crescem, como podem se tornar fontes de 
emissão de carbono para a atmosfera no caso de desmatamento e queimadas. Por 
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isso, ações que estimulem o crescimento de florestas podem ser consideradas como 
formas de armazenamento de CO2. 
3.3 Mercado de carbono 
Há casos em que as medidas diretas ou indiretas não são suficientes para que as 
organizações consigam alcançar metas de redução de emissões de CO2, seja por 
inviabilidade técnica, econômica ou de gestão. Para esses casos existem programas de 
compensação de emissões, que constituem um mercado recente, chamado de 
mercado de carbono. Por não caracterizarem medidas de redução nas fontes de 
emissões de CO2, são controversas, entretanto são comuns, pois já há critérios bem 
estabelecidos, e essas medidas podem estar relacionados a outras medidas 
socioambientais. 
O mercado de carbono teve início com a assinatura do Protocolo de Kyoto em 1997, e 
a criação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), por meio do qual países 
considerados desenvolvidos incentivavam a adoção de práticas de baixo carbono em 
países em desenvolvimento, a partir de subsídios financeiros. Os países desenvolvidos 
tinham metas de redução de emissões de carbono, enquanto os países em 
desenvolvimento não assumiram compromissos nesse sentido. 
Após a assinatura do protocolo de Kyoto, muitas mudanças aconteceram, inclusive no 
mercado de carbono criado a partir dos MDL, com a possível atribuição de 
responsabilidade de redução de emissões de GEE a países em desenvolvimento. De 
forma geral, o mercado de carbono acabou se desenvolvendo em duas frentes: o 
mercado regulado e o mercado voluntário, de modo que os dois baseiam-se em 
fundamentos semelhantes. 
Para a entrada no mercado de carbono é necessário desenvolver um projeto de 
carbono, o qual é uma iniciativa que busca reduzir as emissões de GEE a partir da 
implantação de processos, sistemas, tecnologias ou medidas que são diferentes da 
prática comum. Esse projeto será subsidiado por uma organização ou uma empresa, 
que deseja compensar o CO2 emitido em suas dependências. Caso a alteração 
proposta não seja inovadora ou seja usada como prática comum na região, esse 
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projeto não será contemplado com o subsídio. São exemplos de projetos de carbono: 
projetos para geração de igual quantidade de energia – elétrica ou térmica; projetos 
para uma dada produção industrial; ou mesmo projetos que busquem evitar o 
desmatamento (REDD+). 
O subsídio para os projetos de carbono ocorre por meio da compra de créditos, sendo 
1 crédito de carbono correspondente a 1 tonelada de CO2 equivalente que deixa de ser 
emitido para a atmosfera, ou seja, ao se evitar a emissão de 1 tonelada de CO2 
equivalente para a atmosfera é gerado 1 crédito de carbono (1tCO2e) (Figura 3.5). 
Esses créditos são comercializados nos mercados regulado ou voluntário. Antes da 
geração dos créditos de carbono é necessário que os projetos passem por criteriosos 
processos de validação e certificação independentes, de terceira parte. 
 
Fonte: Tasha Vector via Shutterstock. 
Figura 3.5 – Representação de um crédito de carbono para o mercado de carbono. 
O mercado regulado está relacionado principalmente às tratativas internacionais 
iniciadas com o protocolo de Kyoto. Nesse mercado, existe uma série de etapas para 
validação dos projetos de carbono, o que pode levar o processo a demorar até 3 anos. 
O mercado voluntário, por sua vez, independe das regulamentações nacionais ou 
internacionais, sendo um mercado livre regido por “standards”, ou padrões de 
verificação (Tabela 3.1), que estabelecem critérios e regras para a geração e 
comercialização dos créditos de carbono. Ainda que o mercado voluntário tenha 
etapas bem definidas de validação por terceira parte, a menor complexidade de suas 
etapas faz com que a aprovação de um projeto de carbono leve cerca de metade do 
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tempo do mercado regulado. Uma desvantagem do mercado voluntário é a grande 
volatilidade do preço do crédito, por se tratar de um mercado livre. Em compensação, 
projetos que agreguem valor social à redução de emissões de GEE tendem a gerar 
créditos mais valorizados, ou mais facilmente comercializados. 
Tabela 3.1 – Exemplos de “standards” e associações que geram os padrões de 
cerificações do mercado voluntário de carbono. 
Nome do padrão de verificação Link para acesso das informações 
SocialCarbon® https://www.socialcarbon.org/ 
Gold Standard® https://www.goldstandard.org/ 
Verified Carbon Standard (VCS) https://verra.org/project/vcs-program/ 
Plan Vivo https://www.planvivo.org/ 
American Carbon Registry https://americancarbonregistry.org/ 
Climate Action Reserve https://www.climateactionreserve.org/ 
 
Com base no MDL e regulamentações da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre 
a Mudança do Clima (UNFCCC) os projetos de carbono podem ser desenvolvidos em 15 
diferentes áreas setoriais: produção de energia, distribuição de energia, demanda de 
energia, indústrias de manufatura, indústria química, construção, transporte, 
mineração, produção de metais, emissões fugitivas de combustíveis, emissões fugitivas 
da produção e consumo de halocarbonos e hexafluoreto de enxofre, uso de solventes, 
manuseio e descarte de resíduos, florestamento e reflorestamento, agricultura. 
Por fim, as orientações básicas para o planejamento da implantação de projetos de 
carbono passam por quatro avaliações iniciais: 
Viabilidade técnica: nessa etapa deve-se avaliar se existe tecnologia, profissionais 
capacitados para operar a tecnologia, formas de monitoramento e manutenção 
específica do que for implantado. 
Viabilidade econômica: nessa etapa deve-se avaliar os custos da tecnologia 
selecionada, e se sua implementação e manutenção são financeiramente viáveis. 
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Aplicabilidade do padrão e da metodologia: nessa etapa deve-se optar por padrão 
MDL ou algum específico do mercado voluntário, e avaliar se é possível seguir e 
atender todas as exigências para geração dos créditos de carbono. 
Geração de créditos: deve-se avaliar se a geração de créditos de carbono será 
suficiente para viabilizar o projeto. 
Conclusão 
Neste bloco, vimos o que são os inventários de carbono, suas finalidades e as diretrizes 
para a sua elaboração. Vimos também os escopos de emissões, e exemplos de 
tecnologias de mitigação de emissões de carbono. Estudamos o ciclo da gestão de 
carbono, aprendemos o que são os créditos de carbono, e como podem ser 
comercializados no mercado de carbono. 
REFERÊNCIAS 
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CETESB - COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO. DECISÃO DE 
DIRETORIA Nº 035/2021/P, de 13 de abril de 2021. 
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dezembro de 2012 
RATHMANN, R. (org.). Opções transversais para mitigação de emissões de gases de 
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BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. 
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(http://antigo.joaopessoa.pb.gov.br/secretarias/semam/inventario-gee/), Fortaleza 
(https://urbanismoemeioambiente.fortaleza.ce.gov.br/urbanismo-e-meio-
ambiente/571-inventarios-de-emissoes-de-gases-do-efeito-estufa-gee), São Paulo 
(https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/noticias/?p=32
6713) e do Estado de São Paulo (https://cetesb.sp.gov.br/inventario-gee-sp/). 
Programa Brasileiro GHG Protocol é um sistema de relato e registro público de 
emissões (https://registropublicodeemissoes.fgv.br/

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