Logo Passei Direto
Buscar

unid_4-1

Unidade didática sobre a formação sócio-histórica do Brasil (1946–2024). Analisa experiências democráticas (1945–1964), o golpe de 1964 e o regime militar, a redemocratização e a Constituição de 1988; políticas, direitos civis, sociais e trabalhistas, e governos de Dutra a Bolsonaro, incluindo o retorno de Lula.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

O Estado Republicano II: 
as Experiências 
Democráticas e o Regime 
Militar de 1964
Leonardo Octavio Belinelli
O Estado Republicano II: as 
Experiências Democráticas 
e o Regime Militar de 1964
2
Introdução
Neste conteúdo, vamos estudar o período que vai de 1946 a 2024. Como revela o 
nome do conteúdo, uma das grandes questões do Brasil neste largo período de tempo 
é, sem dúvida, as dificuldades e as potencialidades do processo de implantação do 
regime democrático de governo.
De modo mais específico, aprenderemos os principais aspectos políticos, sociais 
e econômicos do período democrático compreendido entre 1945 e 1964. Depois, 
buscaremos compreender as razões do golpe civil-militar de 1964 e a estrutura 
político-administrativa e econômica que surgiu durante o período de vigência da 
ditadura militar. Se, como mencionamos, uma das questões principais da história 
brasileira do século XX é a democracia, não poderemos deixar de lado o debate 
acerca dos seus direitos fundamentais (civis, políticos e sociais) durante o período.
Em seguida, examinaremos o processo de redemocratização do país, que culminou na 
Constituição de 1988, não à toa chamada de Constituição Cidadã. Com isso, abrimos 
o estudo do novo período democrático brasileiro. Depois, passaremos a examinar 
os governos de José Sarney, Fernando Collor de Mello e Itamar Franco, com um foco 
específico: a crise econômica inflacionária pela qual o Brasil passava e as tentativas 
desses governos para superá-la.
Como sabemos, foi durante o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso 
que essa crise foi superada. A partir de então, iniciou-se uma nova fase na política 
nacional, que incluiu também os dois primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da 
Silva, além dos governos de Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e, mais 
recentemente, o retorno de Lula à presidência. Ao longo desse período, os debates 
políticos têm girado em torno da relação entre os direitos sociais e trabalhistas e uma 
política econômica de orientação liberal.
Agregaremos a isso o estudo sobre a relevância da democracia e os impactos que os 
escândalos de corrupção descobertos produzem em alguns de seus principais pilares.
3
Objetivos da Aprendizagem
• Analisar os principais aspectos econômicos, políticos e sociais do interstício 
democrático entre 1945 e 1964;
• Entender o contexto interno e externo que levaram ao golpe civil-militar de 1964;
• Analisar a estrutura político-administrativa e as políticas econômicas adota-
das durante o regime militar;
• Compreender os limites dos direitos políticos e civis ao longo do regime e o 
papel dos movimentos culturais e sociais no período;
• Analisar as políticas sociais e trabalhistas dos governos militares;
• Caracterizar o processo de redemocratização do país e os movimentos so-
ciais e políticos que conduziram à Constituição de 1988;
• Analisar as políticas econômicas dos governos Sarney, Collor e Itamar;
• Contextualizar os governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC), Luiz Iná-
cio Lula da Silva (primeiros dois mandatos), Dilma Rousseff, Michel Temer, 
Jair Bolsonaro e o atual terceiro governo de Lula, em relação ao Estado de-
mocrático de direito, aos direitos sociais e trabalhistas, e às políticas eco-
nômicas liberais.
• Refletir sobre a importância da democracia e os escândalos de corrupção 
que afetam as instituições e conquistas da sociedade brasileira.
4
A Democratização do País e os Governos de Dutra 
e Vargas 
Em outubro de 1945, Getúlio Vargas foi forçado a renunciar à tentativa de concorrer 
à presidência do país nas eleições que marcariam sua redemocratização. Nelas, o 
general Eurico Gaspar Dutra (PSD) foi eleito presidente do Brasil. Essas eleições 
também foram responsáveis por eleger os deputados federais e senadores para 
compor a Assembleia Constituinte, responsável por elaborar uma nova constituição 
democrática para o Brasil. O novo texto constitucional foi promulgado em 18 de 
setembro de 1946 e ficaria vigente até 1967. 
No que diz respeito aos direitos da cidadania, foram garantidos os direitos civis 
fundamentais – liberdades de expressão, religiosa, deslocamento, associação e 
de pensamento.
• No campo dos direitos políticos, foi garantido o direito de voto aos maiores 
de 18 anos – com exclusão dos analfabetos e militares de baixa patente (ca-
bos e soldados).
• No campo dos direitos trabalhistas/sociais, foram mantidos aqueles promo-
vidos por Vargas. O governo continuava a controlar os sindicatos, mas ga-
rantiu-se o direito de greve. As greves poderiam ser realizadas se aprovadas 
pelo Justiça do Trabalho.
Foram duas as principais marcas do governo Dutra: o alinhamento às políticas norte-
americanas e a liberalização da economia. No que se refere ao primeiro tema, em 
boa medida, tratou-se dos efeitos da recém-surgida Guerra Fria, um dos resultados 
do fim da Segunda Guerra Mundial. Diante das tensões políticas e ideológicas 
surgidas, Dutra optou pelo alinhamento com o bloco liderado pelos Estados Unidos, 
razão pela qual rompeu relações diplomáticas com a União Soviética e cassou o 
Partido Comunista Brasileiro (PCB). No que se refere à liberalização econômica, o 
governo Dutra abriu a economia local para empresas estrangeiras, o que dificultava 
a industrialização brasileira, decisão que desagradou os industriais brasileiros e os 
setores nacionalistas.
Getúlio Vargas (PTB) venceu a eleição presidencial para suceder Dutra. O retorno 
de Vargas à presidência do país foi marcado por sua grande popularidade. Nele, 
duas balizas se destacaram: o nacionalismo no plano econômico e o trabalhismo 
em assuntos sociais e políticos. No que se refere à economia, Vargas passou a 
defender a ideia de que o desenvolvimento do Brasil ocorreria apenas se a exploração 
econômica estrangeira sobre o país fosse combatida. 
5
Essa postura desagradou fortemente os Estados Unidos, os representantes das empresas 
estrangeiras no país e os empresários brasileiros que estavam associados a elas. Como 
consequência, o conflito político-brasileiro foi organizado em torno de duas posições: 
os nacionalistas, que apoiavam Vargas, e os internacionalistas, seus críticos e adeptos 
do liberalismo econômico (CARVALHO, 2016, p.132). Esse conflito teve dois episódios 
destacados: a chamada Campanha do Petróleo e a Lei de Lucros Extraordinários.
Campanha do Petróleo 
Ficou conhecida assim porque os setores nacionalistas defendiam que a 
exploração do petróleo encontrado em território brasileiro deveria ser feita 
por uma empresa estatal nacional. Já os internacionalistas defendiam que a 
exploração poderia ser feita por empresas estrangeiras. O conflito resultou na 
criação, em 1953, da Petrobras.
Lei de Lucros Extraordinários
Apresentada em 1953, estabelecia que as remessas de lucros de empresas 
estrangeiras do Brasil deveriam ser limitadas a 8% do valor total deles. A lei foi 
barrada pelo congresso nacional e sob a influência da pressão internacional.
No campo dos assuntos político-sociais, Vargas apoiou-se no seu programa 
econômico industrializante para formular ideias especialmente direcionadas para os 
setores populares urbanos, o que gerou fortíssima reação nos setores empresariais. 
Insatisfeitos, empresários locais, críticos do nacionalismo, representantes 
estrangeiros e outros pouco simpáticos à industrialização do país passaram a 
organizar fortes críticas ao governo Vargas. 
Nesse aspecto, destacou-se Carlos Lacerda, um jornalista e político vinculado à 
União Democrática Nacional (UDN), partido de oposição ao governo. Em seu Tribuna 
da Imprensa, Lacerda liderou uma oposição renhida ao governo Vargas. A situação 
de Vargas piorou depois do atentado sofrido por Lacerda, em 5 de agosto de 1954, na 
Rua Toneleros, no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro. As investigações indicaram 
que o mandante foi o chefe da guarda presidencial. Como consequência, Vargas 
passou a ser o principal suspeito de ser o organizador do atentado. Não foram 
encontradas provas de queVargas haveria se vinculado ao crime. Como resultado, 
Vargas suicidou-se na madrugada de 24 de agosto de 1954, deixando uma carta 
testamento e revoltando setores populares favoráveis ao seu governo.
6
Dos Anos Dourados aos Anos de Chumbo: do 
Desenvolvimentismo de JK às Reformas de Base 
de Jango
Juscelino Kubitschek (PSD-PTB), conhecido como JK, venceu a eleição presidencial de 
3 de outubro de 1955. Sob seu governo, o Brasil entrou em uma fase de modernização 
e progresso. Orientado pelo seu slogan – 50 anos em 5 –, JK conduziu o processo de 
industrialização do país por meio da conjugação de recursos públicos e privados. O 
grande representante do desenvolvimentismo de JK foi o Plano de Metas, apresentado 
em 1956 (FAUSTO, 2009, p. 425-426).
• Entre os seus resultados, a criação das usinas hidrelétricas de Furnas e Três 
Marias, a ampliação das fábricas de automóveis, a construção de rodovias e 
a intensificação da exploração petrolífera.
• Às empresas estrangeiras couberam a exploração de diversos setores indus-
triais, como farmacêuticos, eletrodomésticos e automotivos.
• Durante o governo JK, a construção de Brasília representava uma síntese de 
todas essas mudanças. 
Ao refletir a ideia de prosperidade nacional na mudança de hábitos e preferências das 
pessoas, o período JK ficou conhecido como anos dourados. Foram neles que a TV 
começou a se disseminar entre a população brasileira. No campo teatral, apareciam 
os chamados teatros de revista; no cinema, vigoravam as chanchadas. Tudo isso 
se refletia na ampliação da indústria cultural brasileira. O rádio também teve grande 
importância, pois transmitia a todo território nacional as novidades recém-chegadas 
aos núcleos metropolitanos. 
Figura 1: Juscelino Kubitschek
Fonte: Wikimedia.org
7
Entretanto, a modernização teve altos custos econômicos e sociais. Os empréstimos 
estrangeiros feitos para realizar obras infraestruturais aumentaram a dívida 
externa e geraram inflação e aumento no custo de vida da população. Além disso, 
a industrialização promovida pelo período JK estimulou a ida de pessoas do campo 
para cidades, o que gerou o início do chamado inchaço urbano. 
A disputa para suceder a Juscelino Kubitschek, ocorrida em 1960, foi vencida por 
Jânio Quadros, candidato independente, porém apoiado pela UDN. Embora tenha 
sido extremamente sagaz na construção de seu personagem público, Quadros era 
desprovido de planos claros para a condução da política e da economia brasileiras. 
Além disso, Jânio se mostrou incapaz de entender a dinâmica de funcionamento 
de um regime republicano organizado a partir de base congressual (FAUSTO, 2009, 
p.439-440). Quadros renunciou ainda em 1961.
Figura 2: Jânio Quadros
Fonte: Wikimedia.org
Seu sucessor natural seria João Goulart (PTB), vice-presidente eleito do país. Diante da 
sua identificação com a esquerda, diversos setores conservadores se organizaram para 
impedir sua posse (CARVALHO, 2016, p.139). Depois de algumas tentativas frustradas, 
esses setores conseguiram modificar o sistema brasileiro de governo. Instalado em 2 
de setembro de 1961, o parlamentarismo permitia a posse de João Goulart, conhecido 
como apelidado de Jango, mas sem os poderes de seus predecessores. 
Porém, por vários motivos, o parlamentarismo mostrou-se pouco adequado à 
dinâmica política do país, como indica o fato de ter tido três primeiros-ministros 
em cerca de 20 meses. O plebiscito confirmatório, que seria realizado em 1965, foi 
adiantado para janeiro de 1963. Nele, o regime parlamentarista foi reprovado pela 
população. 
8
Figura 3: João Goulart
Fonte: Wikimedia.org
Com a volta do presidencialismo, Goulart se tornou presidente com os mesmos poderes 
dos seus antecessores. Para enfrentar os problemas econômicos, em 1962, Goulart 
apresentou o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, formulado pelo 
economista Celso Furtado, então ministro do Planejamento (FAUSTO, 2009, p. 455-
456). Nele, estavam previstas medidas que visavam melhorar a distribuição de renda, 
como desapropriação de latifúndios improdutivos. 
O plano também tinha como objetivos diminuir a dívida externa brasileira e reduzir 
a inflação. Porém, a polarização social e a resistência da crise fizeram o projeto 
naufragar. Diante do fracasso do Plano Trienal, Goulart, em comício de 13 de março 
de 1964, com mais de 300 mil pessoas presentes na Central do Brasil (RJ), apresentou 
um conjunto de reformas que ficaram conhecidas como reformas de base. Entre elas, 
estavam as reformas agrária e urbana, além das educacional, tributária e eleitoral. 
Setores da sociedade se movimentavam (CARVALHO, 2016, p.141-2). Contra Goulart, 
e um suposto comunismo no Brasil,ocorreu a Marcha da Família com Deus pela 
Liberdade, ocorrida no dia 19 de março de 1964 na cidade de São Paulo O episódio 
forneceu as bases de sustentação para um golpe militar.
No final do mês, em 31 de março, eclodiu o movimento militar que daria fim ao 
governo Goulart. Por ter sido fortemente apoiado por diversos setores da sociedade 
civil, os historiadores têm preferido dizer que se tratou de um golpe civil-militar e 
não apenas militar.
9
Discurso na Central 
do Brasil (13 de março)
Discurso de Jango 
no Automóvel Clube
 (30 de março)
Início do Golpe 
Militar (31 de março)
Consolidação do 
golpe (1º de abril)
Marcha da Família 
com Deus pela 
Liberdade (19 de março)
Revolta dos Marinheiros 
(24 de março)
Quadro 1: Cronologia do golpe civil-militar
Fonte: Elaborado pelo autor (2019)
O Golpe Civil-militar de 1964 e os Governos Militares
Figura 4: Humberto de Alencar Castelo Branco
Fonte: Wikimedia.org
Em 2 de abril de 1964, foram designados um representante de cada uma das Forças 
Armadas para compor o Comando Supremo da Revolução. Em 9 de abril, foi outorgado 
o Ato Institucional nº 1 (AI-1). Os Atos Institucionais (AIs) eram as ferramentas pelas 
quais os militares decretavam mudanças na ordem política e civil do país durante 
o período em que governaram. Dois dias depois, de outorgado o AI-1, o general 
Humberto Castelo Branco foi eleito, pelo Congresso Nacional, presidente do Brasil. 
O regime contou com apoio de empresários nacionais e estrangeiros, bem como dos 
Estados Unidos. Uma das razões foi a adesão dos militares brasileiros à Doutrina de 
Segurança Nacional, conjunto de ideias formuladas a partir de conceitos elaborados 
10
por militares norte-americanos e aplicado na Escola Superior de Guerra. O foco dessa 
doutrina era o combate ao socialismo e ao comunismo. Foram vários os resultados 
da adesão dos militares brasileiros à Doutrina de Segurança Nacional, entre os quais 
o rompimento de relações diplomáticas com Cuba e a extinção da Lei de Remessa de 
Lucros, aprovada por Goulart.
Figura 5: Artur da Costa e Silva
Fonte: Wikimedia.org
Com a impopularidade das medidas econômicas pelo governo, as oposições ao regime 
tiveram bons resultados nas eleições estaduais de 1965. Em resposta, surgiram o 
Ato Institucional nº 2 (AI-2), em outubro de 1965, e o Ato Institucional nº 3 (AI-3) em 
fevereiro do ano seguinte. (CARVALHO, 2016, p.165).
Em 3 de outubro de 1966, o general Artur da Costa e Silva foi referendado como 
substituto de Castelo Branco. No final do mesmo ano, surgiu o Ato Institucional nº 4 
(AI-4). Em 24 de janeiro, seria promulgada Constituição de 1967. Em março de 1967, 
Costa e Silva tomou posse. No mesmo mês, aprovada a Lei de Segurança Nacional, que 
permitia qualificar como inimigos da pátria aqueles que faziam oposição ao governo. 
Depois de um período de desorganização, os movimentos sociais brasileiros voltaram 
a atuar no governo Costa e Silva. Em 1968, foram iniciadas greves nas siderúrgicas 
Belgo-Mineira (Contagem-MG) e na Cobrasma (Osasco-SP). Os operários queriam 
a reposição das perdas salariais causadas pelo arrocho oriundo das políticas 
econômicas do governo. Ambas foram duramente reprimidas pelas forças policiais. 
Ainda em 1968, ocorreu a conhecida Passeata dos Cem Mil, um protesto contra oassassinato de um estudante pela polícia.
• Abril de 1964
11
 � Modificava a Constituição de 1946 e dava ao Executivo poderes para, por prazo 
determinado, cassar parlamentares e os direitos políticos de qualquer cidadão, 
produzir modificações na Constituição e suspender temporariamente todos os 
direitos e garantias dos indivíduos sem autorização do Congresso.
• Outubro de 1965
 � Estipulava eleições indiretas para o Congresso e extinguia os partidos existen-
tes, além de conferir novos poderes ao presidente da República. Foram criadas 
a Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o Movimento Democrático Brasileiro 
(MDB).
• Fevereiro de 1966 
 � O AI-3 extinguiu as eleições diretas para governadores e prefeitos de capitais.
• Outubro de 1966
 � Dava poderes ao governo para elaborar uma nova constituição.
Como reaçãoao crescimento dos movimentos democráticos de oposição. , em 
dezembro de 1968, o governo decretou o fechamento do Congresso e o Ato Institucional 
nº 5 (AI-5). Com ele, começou o período mais sombrio da ditadura militar. O AI-5 
permitia ao presidente declarar estado de sítio, intervir em estados e munícipios, 
cassar mandatos, suspender direitos, demitir funcionários públicos, entre outros 
atos. As ações persecutórias do governo aumentaram fortemente.
Costa e Silva foi obrigado a se afastar da presidência devido a problemas de saúde. 
Em outubro de 1969, o Congresso foi reaberto, sem os deputados cassados pelo AI-5. 
No mesmo mês, o general Emílio Garrastazu Médici tomou posse como presidente do 
país. Seu governo foi marcado pela repressão política, razão pela qual ficou conhecido 
como anos de chumbo, e pelo milagre econômico (CARVALHO, 2016, p.166-7).
Figura 6: Emílio Garrastazu Médici
Fonte: Wikimedia.org
12
Com o chamado “fechamento” do regime, alguns grupos políticos passaram a entender 
que a única forma de retirar os militares do poder seria pela luta armada. Entre os 
mais famosos representantes dos grupos guerrilheiros estão Carlos Marighella, 
líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), e Carlos Lamarca, da Vanguarda Popular 
Revolucionária (VPR). Esmagados pelas forças repressivas, milhares de membros 
dessas organizações e de outras foram torturados e mortos. A luta do regime contra 
os movimentos de esquerda foi, em geral, escondida pela censura imposta pelo 
regime à imprensa. Ao mesmo tempo, o governo, valendo-se da popularização das 
TVs, investiu cada vez mais em propaganda oficial. 
No quesito econômico, o governo Médici foi marcado por grandes projetos de 
infraestruturas. Dirigida pelo ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto, a economia 
brasileira cresceu a altas taxas durante o período, em boa medida como resultado 
dos aumentos da produção de energia, das exportações e da produção industrial. 
O fortalecimento da economia nesse período foi possibilitado pelos empréstimos 
tomados no estrangeiro, que permitiam investimentos. A contraface desse 
crescimento foi a adoção do arrocho salarial para os trabalhadores, impossibilitados 
de se manifestarem devido à repressão do regime. 
Em 1973, no entanto, a mudança no cenário internacional passou a minar as bases do 
“milagre econômico”. A crise do petróleo de 1973 gerou um forte aumento no preço 
dessa matéria-prima, o que desestabilizou a economia mundial. Assim, a dívida externa 
brasileira passou a aumentar vertiginosamente, bem como a inflação. Com isso, 
começou a crise que daria fim ao regime militar. Mas isso não aconteceria rapidamente.
13
Fim do Regime Militar e a Redemocratização do 
País
Figura 7: Ernesto Geisel
Fonte: Wikimedia.org
O general Ernesto Geisel tomou posse em março de 1974. Geisel era do grupo de 
militares favoráveis à devolução do poder aos civis. Por isso, chegou a afirmar que 
promoveria a “abertura democrática” de modo “gradual, lento e seguro”. Uma primeira 
medida no sentido democratizante foi a redução da censura e a realização de eleições 
diretas para senadores, deputados e vereadores em 1974. Porém, o resultado das 
eleições assustou os militares: o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) registrou 
um espetacular aumento de cadeiras nas eleições. Diante disso, Geisel recuou. 
Os problemas econômicos do país e as denúncias da oposição sobre os acontecimentos 
ocorridos nas dependências do Destacamento de Operações de Informações – Centro 
de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), como o assassinato de Vladimir Herzog, 
poderiam enfraquecer ainda mais o governo. 
Em junho de 1976, foi colocada em prática a chamada Lei Falcão, que limitava a 
propaganda eleitoral no rádio e nas TVs. O objetivo era impedir o debate político 
público, responsável pelo crescimento do MDB.
Praticamente um ano depois, o governo fechou o Congresso por duas semanas e 
decretou o chamado Pacote de Abril, que estabelecia que um terço dos senadores 
seriam eleitos indiretamente.
14
Por isso, esses políticos ficaram conhecidos como senadores 
biônicos. Eleitos indiretamente, sempre votavam a favor do governo.
Curiosidade
 
Apesar dos esforços do governo, nas eleições de 1978, o MDB fez uma bancada 
senatorial maior do que o partido do governo e quase empatou nas cadeiras da 
Câmara Federal. Em seguida, Geisel revogou o AI-5.
Figura 8: João Baptista de Figueiredo
Fonte: Wikimedia.org
Em 15 de março de 1979, o general João Baptista de Oliveira Figueiredo assumiu 
o governo. Neste contexto, os movimentos sociais – setores da Igreja, estudantes, 
associações científicas, advogados, entre outros – começaram a se organizar para 
pressionar o regime pela abertura democrática. Um grande representante deles 
foi aquele que ficaria conhecido como novo sindicalismo, organizado a partir das 
montadoras de caminhões na região do ABC paulista.
• Lei da Anistia (1979) 
 � O primeiro gesto em direção à abertura dada pelo governo Figueiredo foi a Lei da 
Anistia, promulgada em agosto de 1979. A anistia beneficiava, inclusive, os seto-
res militares que haviam cometido crimes durante o regime, mas não favoreceu 
os militares que foram excluídos das Forças Armadas por não concordarem com 
o regime de exceção.
15
• Lei Orgânica dos Partidos (1979) e a criação do multipartidarismo
 � Em novembro do mesmo ano, o Congresso, por meio de uma nova Lei Orgânica 
dos Partidos, acabou com o bipartidarismo e instalou o multipartidarismo – me-
dida que visava dividir a oposição concentrada no MDB.
Da Lei Orgânica dos Partidos resultaram os seguintes partidos: o Partido 
Democrático Social (PDS), herdeiro da Arena; o Partido do Movimento Democrático 
Brasileiro (PMDB); o Partido dos Trabalhadores (PT), resultado dos movimentos do 
Novo Sindicalismo; o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o Partido Democrático 
Trabalhista (PDT), herdeiro do PTB de Vargas, e o Partido Popular (PP), que logo foi 
incorporado ao PMDB (CARVALHO, 2016, p.180).
Posse de Ernesto 
Geisel (março de 1974)
Revogação do 
AI-5 (1978)
Posse de 
Figueiredo (1979)
Lei Orgânica 
dos Partidos (1979)
Lei da Anistia (1979)
Eleições 
(novembro de 1974)
Lei Falcão 
(junho de 1976)
Pacote de Abril 
(abril de 1977)
Quadro 2: Cronologia parcial do processo de abertura
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Em 1982, ocorreu a primeira eleição para os cargos de governadores desde 1964. 
Com o mandato de Figueiredo se encerrando em 1985, setores da sociedade civil e da 
política brasileira começaram a organizar movimentos para pressionar pela eleição 
presidencial direta. Assim, surgiu a campanha das Diretas Já!, cujo objetivo era fazer 
com que o Congresso Nacional aprovasse uma proposta de emenda constitucional, 
apresentada pelo deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT), em março de 1983, que 
reestabelecesse a eleição direta para presidente da República. 
16
Entre janeiro e abril de 1984, milhões de pessoas saíram às ruas para pressionar o 
governo a aprová-la. Os setores governistas não queriam a outorga da emenda. A 
votação da emenda foi marcada para 25 de abril de 1984. Cercado pelas Forças Armadas, 
o Congresso não aprovou aemenda Dante de Oliveira com os votos necessários. 
Assim, foram organizadas eleições indiretas. Apresentaram-se como candidatos 
Paulo Maluf (PDS) e Tancredo Neves (PMDB), apoiado também por frações dissidentes 
do partido do governo. Por essa razão, seu vice era José Sarney, saído do PDS para 
ingressar no PMDB. Em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves venceu a eleição. 
Porém, não chegou a assumir a presidência. Em 14 de março, foi internado e morreu 
cerca de um mês depois, em 21 de abril.
Figura 9: José Sarney
Fonte: Wikimedia.org
Em seu lugar, tomou posse José Sarney. Embora fosse um político de trajetória 
vinculada ao regime militar, Sarney cumpriu os acordos firmados por Tancredo Neves 
e deu alguns passos decisivos na democratização do país. Em maio de 1985, aprovou 
um conjunto de reformas, tais como a garantia do direito de voto aos analfabetos 
e a instauração da eleição direta, em dois turnos, para presidente da República e 
prefeitos de capitais e de cidades consideradas de “área de segurança nacional”. 
Em junho de 1986, Sarney enviou ao Congresso a proposta de convocação de 
uma Assembleia Nacional Constituinte (ANC), instalada em fevereiro de 1987 e 
promulgadora da nova carta constitucional em 5 de outubro de 1988. Pela sua ampla 
garantia de direitos e participação de diferentes movimentos e atores sociais ficou 
conhecida como Constituição Cidadã. 
17
Os Governos de José Sarney e Collor de Melo
Outra frente marcante do governo Sarney foi o combate à forte crise econômica 
herdada do período militar. Em fevereiro de 1986, foi apresentado o Plano Cruzado, 
um conjunto de medidas que visavam combater a inflação galopante. Entre elas, 
estavam o congelamento de preços, a extinção da correção monetária, a criação de 
uma nova moeda (acabava o cruzeiro e era criado o cruzado) e o congelamento dos 
salários, embora reajustados sempre que a inflação atingisse 20%. 
O plano, no entanto, não deu certo. Diante disso, em janeiro de 1987, o governo 
interrompeu o pagamento da dívida externa do país, a qual atingia mais de US$ 100 
bilhões. Foi no contexto marcado tanto pela crise econômica como pelas expectativas 
democráticas que ocorreram as eleições de 1989, vencidas por Fernando Collor 
de Mello (PRN). Entre suas propostas, estavam a aplicação do receituário liberal à 
economia brasileira (privatizações, abertura econômica, desregulamentação, entre 
outras) e aquilo que ficou conhecido como “caça aos marajás”; isto é, a moralização 
do serviço público. 
Figura 10: Fernando Collor de Mello
Fonte: Wikimedia.org
Ao assumir o governo, em março de 1990, Collor de Mello apresentou um modelo 
econômico que ficou designado como Plano Collor. Entre as medidas tomadas, 
estavam: bloqueio de contas/aplicações financeiras em bancos; confisco de 80% do 
dinheiro em circulação (incluindo as poupanças das pessoas) e uma nova moeda 
(terminava o período do cruzado e voltava o cruzeiro). Simultaneamente, Collor 
facilitou a entrada de produtos e capitais estrangeiros, demitiu funcionários públicos e 
extinguiu diversos setores, como autarquias e fundações. Esse conjunto de medidas, 
no entanto, não deu resultado. A inflação voltou a crescer e a economia regrediu. 
18
Em maio de 1992, foi criada a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar 
denúncias sobre operações obscuras de pessoas ligadas ao presidente. Dela resultou 
a divulgação de diversas operações feitas por Paulo César Farias, ex-tesoureiro da 
campanha de Fernando Collor. 
Os estudantes brasileiros pressionaram pela queda do presidente por meio 
daquele movimento denominado de caras-pintadas, chamado assim porque seus 
componentes pintavam seus rostos de verde e amarelo. O relatório da CPI incriminou 
o presidente, o que abriu caminho para o impeachment. Collor renunciou em 29 de 
dezembro, durante a sessão do Senado, que o julgava. Ainda assim, teve seus direitos 
políticos cassados por oito anos. 
De Itamar Franco a Fernando Henrique Cardoso: 
Política Econômica Ortodoxa e Estabilidade 
Monetária
Vice-presidente de Collor, Itamar Franco (PMDB) assumiu a presidência. Diante do 
agravamento da crise econômica, o governo Franco trocou seu ministro da Fazenda 
algumas vezes. O último a assumir a pasta foi Fernando Henrique Cardoso (PSDB). No 
final de 1993, Cardoso apresentou um novo pacote econômico, intitulado Plano Real, 
devido ao nome da moeda a que daria origem (SCHWARCZ; STARLING, 2015, p. 626-627). 
O plano visava combater, por etapas, a inflação do país. Em meados de 1994, entrou 
em circulação o real, com consequências imediatas. Em junho de 1994, a inflação 
mensal era de 50%; no mês seguinte, quando o real entrou em circulação, caiu para 
4%. A inflação total do segundo semestre de 1994 foi de cerca de 20%, um forte 
contraste com a inflação anual de 1993, que chegou a atingir 2000%.
O governo Itamar Franco também sofreu denúncias de corrupção. A mais famosa 
delas foi a investigada pela CPI do Orçamento, que revelou a existência de uma rede 
de tráfico de influência que desviava dinheiro do orçamento público da União, o 
chamado escândalo dos anões do orçamento. 
Com o sucesso do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso venceu as eleições 
presidenciais de 1994. Nessas condições, ficaria no cargo até 1999. Todavia, por 
meio de uma emenda constitucional aprovada em 1997, presidente, governadores 
e prefeitos poderiam disputar uma reeleição. Assim, Cardoso voltou a concorrer à 
eleição de 1999, sendo novamente eleito. 
19
No plano econômico, os mandatos de FHC foram marcados pela continuação do 
combate à inflação, iniciado na elaboração do Plano Real e pela formulação do 
programa de reforma do Estado. No que se refere ao primeiro aspecto, destaca-se 
uma política econômica de juros altos, cujo objetivo era impedir uma sobrecirculação 
de moeda. Vejamos agora como se deu a Reforma do Estado.
A ideia central do governo era transformar o papel do Estado: ele deixaria de ser 
produtor direto de bens e serviços para se tornar um Estado regulador.
Isso faria com que restasse maior parcela do orçamento público para áreas como 
educação, segurança e saúde, por exemplo. Por outro lado, o dinheiro arrecadado com 
as privatizações poderia ser usado para o abatimento da dívida externa brasileira.
Com essas justificativas, foram vendidas empresas como Telebrás, Eletrobrás, Vale do 
Rio Doce e criadas agências reguladoras, como Agência Nacional de Telecomunicações 
(Anatel) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), entre outras.
Os governos de Fernando Henrique Cardoso também foram assolados por problemas 
de corrupção, como revelam as CPIs do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) e 
dos bancos. Também foram lançadas suspeitas, baseadas em gravações telefônicas, 
de compra de votos para a aprovação da emenda constitucional que permitiu a 
reeleição. Essas suspeitas não foram comprovadas.
O final do segundo governo FHC foi marcado por uma crise de fornecimento de 
energia, o que resultou em “apagões”, pelo crescimento das dívidas externa e interna 
e pelo ressurgimento de pressões inflacionárias. Todos esses fatos colocaram em 
xeque a eficiência do processo de privatização levado a cabo pelo governo.
Os Governos Lula e Dilma: Avanços, Retrocessos e 
Crises
Segundo colocado nas eleições de 1989, 1994 e 1998, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) 
foi eleito em 2002 e reeleito em 2006. Os governos Lula, como teriam sido nomeados, 
foram marcados tanto pela continuidade da política econômica herdada de Fernando 
Henrique Cardoso como por avanços na área social.
20
Figura 11: Luís Inácio Lula da Silva
Fonte: Wikimedia.org
Para se eleger em 2002, Lula se comprometeu a continuar a implementar a 
orientação econômica de seu antecessor. Ao cumprir o prometido, o governo 
conseguiu tranquilizar os mercados e empresários temerosos de uma virada radical 
à esquerda. Com isso, a inflação foi mantida sob controle, as exportações cresceram 
e o desemprego diminuiu. No primeiro governo, a taxa média decrescimento do PIB 
foi cerca de 50% maior do que no último mandato de Fernando Henrique Cardoso. 
O primeiro mandato de Lula também foi caracterizado por denúncias de corrupção, 
como as CPIs dos Correio e dos Bingos. Mas a que atingiu maior repercussão foi a do 
pagamento para deputados de outros partidos se posicionarem a favor do governo 
em votações no Congresso. O escândalo, estourado em 2005, ficou conhecido como 
mensalão e deu origem a uma CPI para investigá-lo. Embora as investigações tenham 
sido inconclusivas, alguns deputados renunciaram e outros foram casados. Por 
ação da Procuradoria Geral da República, a denúncia foi levada ao Supremo Tribunal 
Federal que, em 2012, julgou o processo e condenou diversos envolvidos. 
Apesar disso, os bons resultados econômicos e uma política social redistributiva 
propiciaram a reeleição de Lula. Diante da profunda crise mundial em 2008, o 
governo tomou medidas econômicas que possibilitaram um escape momentâneo de 
suas consequências, o que garantiu o bom funcionamento da economia. Por esses 
motivos, Lula terminou o segundo mandato com uma popularidade na casa dos 80%, 
fator decisivo para que sua ex-ministra, Dilma Rousseff (PT), vencesse a disputa 
sucessória e se tornasse a primeira mulher eleita a governar o Brasil. 
21
Figura 12: Dilma Rousseff
Fonte: Wikimedia.org
No primeiro governo de Dilma Rousseff, foram demandados esforços para manter as 
políticas adotadas no período Lula. Porém, os efeitos da crise mundial de 2008 começaram 
a se intensificar no país, como revela, entre outros, a queda do crescimento do PIB e o 
aumento da inflação. Por outro lado, a manutenção de uma alta taxa de emprego tornou 
a situação menos ruim. O julgamento do mensalão causou impacto em seu governo.
Para se contrapor à retração da economia, o governo Dilma Rousseff elaborou um 
conjunto de políticas econômicas intitulado nova matriz econômica, cujo objetivo 
era promover a industrialização do país. Porém, o cenário internacional adverso e a 
oposição de vários setores empresariais às políticas fizeram com que os resultados 
fossem muito abaixo do esperado e causassem grande endividamento público.
Ainda assim, Dilma Rousseff foi reeleita em disputa acirrada contra Aécio Neves 
(PSDB). Em situação política frágil, tentou mudar a direção da economia ao designar 
um economista liberal-ortodoxo, Joaquim Levy, para o comando do Ministério da 
Fazenda. Isso não foi suficiente. A fragilidade econômica e a ascensão de uma forte 
oposição nas ruas foram decisivas para seu impeachment, causado pelo que ficou 
apelidado de pedaladas fiscais, mecanismo pelo qual o governo atrasa o repasse 
de verbas para bancos públicos e privados e, assim, passa uma imagem distorcida 
das contas públicas. Existe um forte debate a respeito da legitimidade ou não da 
deposição de Dilma Rousseff, concretizado em agosto de 2016. 
22
Michel Temer, Jair Bolsonaro e o Retorno de Lula
Após o impeachment de Dilma Rousseff, o então vice-presidente Michel Temer 
é empossado presidente. Temer propôs uma série de medidas liberalizantes com 
o objetivo de revisar direitos estabelecidos pela Constituição de 1988, o que se 
evidenciou na reforma trabalhista de 2017. Essa reforma buscou flexibilizar o núcleo 
da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), promovendo mudanças que visavam 
reduzir encargos sobre os empregadores e aumentar a competitividade no mercado. 
Temer também tentou avançar com a reforma da previdência, porém, sua frágil posição 
política, abalada por escândalos de corrupção, limitou seu sucesso no Congresso.
O clima de insatisfação e desilusão com a política brasileira intensificou-se durante o 
governo Temer, criando um terreno fértil para o crescimento de discursos autoritários 
e anti-establishment. O desgaste das instituições democráticas foi um fator 
importante nas eleições de 2018, que culminaram com a vitória de Jair Bolsonaro 
(PSL). Seu discurso populista, marcado pela crítica às elites políticas tradicionais e 
a defesa de pautas conservadoras, encontrou eco em uma sociedade polarizada e 
desconfiada das estruturas democráticas.
O governo Bolsonaro (2019-2022) foi caracterizado por uma gestão marcada pela 
militarização de cargos estratégicos, frequentes confrontos com a imprensa e atritos 
com o Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a pandemia de covid-19, suas políticas 
de saúde e o negacionismo em relação à gravidade da crise geraram controvérsias, 
resultando em uma gestão criticada no cenário internacional. O governo também 
avançou com reformas de cunho liberal, como a reforma da previdência em 2019, 
dando continuidade à agenda econômica herdada de Temer.
Em outubro de 2022, Bolsonaro foi derrotado nas urnas pelo ex-presidente Luiz Inácio 
Lula da Silva, que voltou ao cargo para seu terceiro mandato em 2023. O retorno 
de Lula à presidência reacendeu debates sobre a relação entre direitos sociais e 
trabalhistas e as políticas econômicas liberais. Lula, agora em um cenário de grande 
polarização, busca equilibrar a retomada de programas sociais com a necessidade 
de responsabilidade fiscal, enquanto enfrenta desafios econômicos e políticos tanto 
no cenário nacional quanto internacional.
23
Conclusão
Neste conteúdo, examinamos os aspectos políticos fundamentais da história 
brasileira entre 1946 e 2024. No caso da democracia de 1946-1964, vimos as 
principais diretrizes políticas, econômicas e sociais dos governos do período.
No período militar (1964-1988), estudamos os principais mecanismos pelos quais 
o regime instalou o estado de exceção, que só terminaria em 1988. Entre eles, 
destacamos a Doutrina de Segurança Nacional, os Atos Institucionais, a Constituição 
de 1967 e as legislações políticas do período. Não deixamos de lado, entretanto, os 
aspectos econômicos, muito importantes para compreender aquela época. 
Depois da transição representada pelo governo Sarney, durante o qual foi elaborada 
a Constituição de 1988, vimos como os governos seguintes lidaram com o 
problema econômico da inflação, praticamente resolvido com o Plano Real. Depois, 
descortinamos a tensão entre orientação liberal na economia, as políticas sociais 
e a crise de 2008, produtora de abalos que duram até hoje. Um aspecto também 
ressaltado foi a existência de diversos escândalos de corrupção nos governos da 
Nova República, os quais colaboram para o sentimento generalizado de desencanto 
com a política brasileira.
Para fixação do conteúdo, cabe destacar os principais tópicos tratados nesse 
conteúdo:
A democratização do país no pós-Estado Novo: os governos Dutra e Vargas.
• Do desenvolvimentismo de JK às reformas de base de João Goulart.
• O golpe civil-militar de 1964 e a instalação dos governos militares.
O desgaste do regime militar e a abertura: a Nova República.
• Os governos de José Sarney e Collor de Melo: o problema econômico.
• Os governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso: política econômi-
ca ortodoxa e estabilidade monetária.
• Os governos Lula e Dilma: avanços, retrocessos e crises.
• Michel Temer, Jair Bolsonaro e o retorno de Lula.
24
Para saber mais sobre a história dos direitos da cidadania no Brasil, 
veja: CARVALHO, J. M.. Cidadania no Brasil: o longo caminho Rio 
de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016 [edição atualizada]. Para o 
estudo das memórias do período militar, o site do Arquivo Nacional 
Memórias Reveladas, do Ministério da Justiça e Segurança 
Pública, é uma referência. Disponível no link.
Saiba mais
https://www.gov.br/memoriasreveladas/pt-br
25
Referências 
CARVALHO, J.M. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização 
Brasileira, 2016.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2009.
FERREIRA, J.; DELGADO, L. de A. N. (Orgs.). O Brasil republicano. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira, 2012. 4 v. 
MOTA, C. G. (Org.). Brasil em perspectiva. São Paulo: Difel, 1982.
SCHWARCZ, L. M.; STARLING, H. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das 
Letras, 2015.
	_Hlk516134770_Hlk195168
	_Hlk194351
	_Hlk195414
	_GoBack
	_Hlk198008

Mais conteúdos dessa disciplina