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Discurso dométodo para passar em vestibulares brasileiros 1. Todos os métodos e ofícios aqui descritos são percepções baseadas em minhas experiências individuais, e aplicam-se unicamente e exclusivamente a mim, cabendo a cada um que lê-lo alterá-lo para suas disposições e subjetividades. 2. Nada do que está escrito aqui é dado como factual, podendo ser alterado (e devendo sê-lo) com o passar do tempo. 3. A disposição dos conteúdos tem dois focos prioritários: como passar no vestibular e como dividir as áreas do conhecimento em blocos gerais que facilitam o processo de aprendizado. Sobre as disciplinas escolares Enganaram-lhe a sua vida toda. Não existem mais de dez disciplinas nas cargas horárias, na realidade existem apenas quatro, que são divididas em sub-tópicos e ramos. Entender esse conceito é fundamental pois fazê-lo separa os processosmentais. Matemática e suas Tecnologias Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ciências da Natureza Ciências Humanas À medida que você estuda, você percebe que cada parte dessas quatro coisas divide-se em coisas menores. Essas coisas menores em coisas ainda menores. E assim por diante. Fazer isso é dividir os problemas nas menores partes possíveis, separando desde o mais simples até o mais complexo. Todavia, você não precisa se preocupar em fazê-lo, eu já o fiz para você. Sua única preocupação é aprender a usar algum programa capaz de ler markdown. Com isso, você poderá ler os quatro arquivos em markdown que eu disponibilizei, referente a cada uma das quatro partes do conhecimento. Eu recomendo que utilize o Joplin. Como um extra, adicionei playlists que você pode seguir para cada um dos sub-sub-tópicos das matérias, de maneira que mesmo que você não tenha acesso a material algum será capaz de ter aulas, bastando ter internet. Porém isso não é suficiente para aprender. É necessário um método capaz de te explicar como estudar, e não somente o que estudar. A divisão em blocos Devido à maneira que seu cérebro trabalha, você unicamente conseguirá memorizar as coisas à longo prazo quando duas coisas são satisfeitas: quando o objeto é completamente lúcido em sua mente e quando você o revê corriqueiramente. Disso, efetivam-se duas regras: 1. Uma coisa é lúcida na mente quando ela é evidente, fácil de diferenciar. Desse modo, algo só é evidente quando é separado em divisões, ou melhor, blocos. Isso se aplica às disciplinas. Portanto, tendo como base a enumeração anterior que fiz, siga cada tópico e ache a melhor maneira de separá-las mentalmente. E se for necessário, dividir em partes ainda menores. 2. Você deve rever. Para isso, a melhor estratégia é pegar a enumeração anterior e, à medida que estudá-las, reger uma nota de 0% a 100% sobre o quanto você sabe daquele assunto. No arquivo markdown, você terá uma linha de 0 a 100% que você poderá colocar seu conhecimento no assunto. Os assuntos que você tem menor nota devem ser revistos primeiro que aqueles que você tem nota maior. Isso garantirá que você sempre revisará os assuntos que mais tem dificuldade em entender. Caso não consiga entender um assunto de jeito nenhum, separe-o em blocos menores e reveja-os detalhadamente, e se necessário volte a teoria à fase anterior. Essa prática se chama revisão ativa. Existe, porém, um caso de exceção que uma memória se mantém a longo prazo: quando ela é marcante ao cérebro, e geralmente ligado às emoções. Por isso, a frase “o primeiro beijo a gente nunca esquece” é muito verdadeira. Isso pode ser usado para os estudos, como em frases mnemônicas comuns à memorização de fórmulas físicas e matemáticas. Observe a Equação de Torricelli: v2 = v02 + 2aΔS Uma frase frequente associada é “Vivi vovó mais dois anões em um triângulo sexual”. Basta imaginar a cena que é fácil perceber por que é mais fácil decorar a fórmula desse modo. Sobre os Estudos Você deve montar um cronograma de estudos e revisá-lo toda semana para a semana posterior. Isso incluí quais serão as matérias que você vai estudar em cada dia e por qual quantidade de horas. A recomendação geral é sempre: – Não estude por mais de 4h/dia e não menos que 1h/dia. – Ao final de cada estudo, faça exercícios. – Guarde um dia da semana para revisar as matérias da semana anterior . – Guarde um dia da semana para descansar. – Guarde um dia a cada duas semanas para fazer um “simulado”. – Intercale o estudo com as outras atividades. Não faça grandes períodos de estudos seguidos. – Separe algumas horas para a leitura obrigatória. Sobre o método de estudo Ao passo que você passar a seguir o método descrito, você encará dois problemas principais: o primeiro é que a lista de conteúdos é grande demais. A segunda é que embora você consiga aprender bem nesse método, verá que você não consegue rápido o suficiente. Esse método em si só é válido se você não tiver noção sobre nada, o que é realmente difícil. Portanto, para resolver esse problema, aplicaremos o Princípio de Pareto ou Princípio do 80/20. Esse conceito situa que 80% dos resultados que você obtém resultam de 20% do seu esforço ao fazer uma ação de maneira aleatória. E, consequentemente, 20% dos resultados de 80% do seu esforço. É por isso que somente estudar brutalmente não resulta em grandes resultados. Isso significa que você deve focar naquilo que é mais relevante. Desse modo, você deve partir de uma análise individual, que eu não posso fazer para você, mas que mostrarei como fiz a minha. Suponhamos que quero fazer Ciências da Computação na Universidade de São Paulo cujo principal ingresso de entrada é a Fuvest. A prova da Fuvest é dividida em duas fases, sendo a última em duas partes: 1. 90 Questões de Conhecimentos Gerais (Todas as matérias) 2. 12 Questões de Linguagens 3. 12 Questões de Disciplinas Específicas. A nota é calculada do seguinte modo: a primeira fase vale de 0-100 pontos e cada questão vale um ponto. A sua nota da primeira fase é dada pela equação (n=número de acertos na prova): 𝑛𝑜𝑡𝑎 = 𝑛 90 ∗ 100 Por conseguinte, a nota máxima da primeira fase é 100 pontos. Na segunda fase, cada uma das provas também vale 100 pontos. Isso significa que os pontos totais da Fuvest é 300. Para conseguir a nota “final” portanto, basta somar as três notas finais, dividir por três, e multiplicar por mil. 𝑁𝑜𝑡𝑎 𝐹𝑖𝑛𝑎𝑙 = 𝑛1 + 𝑛2 + 𝑛3 3 ∗ 1000 Supondo que eu faça o curso de Ciências da Computação, a última fase terá seis questões de Matemática e seis questões de Física, e essa parte valerá 100 pontos, que é a mesma quantidade de pontos que na primeira fase. Assim, se as sub-disciplinas (matemática, química, biologia, física, história, geografia, filosofia, sociologia, literatura, inglês, língua portuguesa e artes) são divididas de forma igualitária, cada disciplina, na primeira fase da prova, valerá: 100 12 ≃ 8,3 𝑝𝑜𝑛𝑡𝑜𝑠 Enquanto que, na segunda fase, somente a disciplina matemática valerá 50 pontos. Assim, é possível estimar a relevância de cada disciplina para o curso que você quer fazer. Por exemplo, somando a relevância da matemática (Rm) e a relevância da geografia (Rg) para o curso, teremos que: 𝑅𝑚 = 50 𝑝𝑡𝑠 + 8,3 𝑝𝑡𝑠 = 58,3 𝑝𝑡𝑠 𝑅𝑔 = 0𝑝𝑡𝑠 + 8,3 𝑝𝑡𝑠 = 8,3 𝑝𝑡𝑠 Logo descobriremos que matemática é 702,4% mais relevante que geografia para Ciências da Computação, e portanto para cada aula de Geografia que você deverá ter, você deverá ter sete de matemática. 𝑅𝑚 𝑅𝑔 = 58,3 8,3 ≃ 7,024 Faça isso com cada uma das matérias do curso que você quer. Você obterá a relevância deles. Porém, não se esqueça de alguns detalhes: A prova de Linguagens da segunda fase também vale 100 pontos. Porém, alguns sub-tópicos nunca apareceram nessa prova: inglês e artes, e você tem uma disciplina extra que valerá 50 pontos, a Redação. Logo, a pontuação de Linguagens na segunda fase será de 25 pontos para Língua Portuguesa e 25 pontos para Literatura. Literatura terá um adicional: as questões são voltadas aos livros de leitura obrigatória, e não somente para as escolas literárias em si. Existemassuntos que nunca apareceram em provas de 1ª fase ou nunca apareceram na 2ª fase e assuntos que nunca apareceram na prova como um todo. Note que na lista que montei há todos os assuntos, até mesmo aqueles que nunca caíram nenhuma vez nas provas. Assim, uma tabela conceitual sobre as matérias em relação ao curso de Ciências da Computação e emrelação àpontuação total da prova (300pontos) é facilmentemontada. Ciências Humanas Matéria Pontuação Máxima Relevância Filosofia 8,3 2,76% Sociologia 8,3 2,76% Geografia 8,3 2,76% História 8,3 2,76% Ciências daNatureza eMatemática Matéria Pontuação Máxima Relevância Física 58,3 19,43% Biologia 8,3 2,76% Química 8,3 2,76% Matemática 58,3 19,43% Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Matéria Pontuação Máxima (pts) Relevância Língua Portuguesa 33,3 11,09% Inglês 8,3 2,76% Artes 8,3 2,76% Literatura 33,3 11,09% Redação 50 16,66% Fazer isso reduzirá em ordens de magnitude o que você deve estudar e fará você focar no que lhe é relevante. Porém, isso não é suficiente: ainda assim as matérias são grandes demais. O próximo passo para reduzir o esforço e maximizar o resultado é fazer uma análise de frequência x base dos assuntos x dificuldade do assunto. Sobre a dificuldade dos assuntos Não existem assuntos difíceis. Todos os tipos de conhecimento são passíveis de serem conhecidos por seres humanos em suas normais faculdades mentais. O que determina a dificuldade de um assunto é quanto tempo você levará para aprendê-lo. Pessoas consideradas inteligentes não têm uma maior capacidade de aprender, elas simplesmente têm maior eficiência em fazê-lo, e isso é relativo. Existem assuntos que naturalmente levam mais tempo para serem aprendidos e outros que menos. Um exemplo clássico é você imaginar duas situações de aprendizado: no primeiro cenário você dedicará 10 minutos do seu dia para aprender movimento uniforme. No segundo cenário você dedicará 20 horas para aprender movimento uniformemente variado. Veja que, na escala evolutiva do conhecimento de Física, o assunto “Movimento Uniforme” vem antes de “Movimento Uniformemente Variado” mas a diferença nas horas de estudo farão com que você aprenda MUV, mas não MU. Isso é a dificuldade, relativa ao tempo de aprender, e não ao tópico em si. Por isso, o tempo que você leva para aprender certo assunto é relevante, porque o seu tempo é limitado. Sobre a base dos assuntos Agora que você já sabe a divisão em blocos, a relevância dos assuntos para o seu curso e a dificuldade dos assuntos, você chegará a um problema fundamental: as bases dos assuntos. Base é aquilo que é o mínimo necessário para você conseguir chegar a níveis maiores. Embora isso pareça óbvio, ter bases sólidas auxilia na organização mental mais do que estudar um assunto que requer mais tempo. Por essa razão, se você chegar a um assunto dado como incompreensível (tal como quando você lê uma questão e não entende nem de qual bloco de assunto está sendo perguntado) é porque você não tem a base para responder àquela questão. Não é difícil explorar as bases dos assuntos, e lhe demonstrarei com as bases da matemática. Quatro operações fundamentais > Fração e Decimais > Potência e Radiciação > Função Geral > Função Afim > Função Quadrática > Polinômios Desse modo, se você não for capaz de somar e subtrair, não será capaz de dividir, e não será capaz de potencializar, e não será capaz de elevar uma variável a uma potência, e não será capaz de resolver uma equação de 1º grau, e não será capaz de aplicar a fórmula de Bháskara e não será capaz de realizar uma divisão polinomial, e não será capaz de calcular a multiplicidade de um raiz. A análise de frequência Agora que você tem todo o necessário para começar a estudar para o vestibular, mas ainda lhe restam dois problemas. O primeiro deles é que a quantidade de matérias ainda é extremamente grande e não necessariamente somente estudar física porque é muito relevante ao seu curso será eficiente. Todo vestibular tem um cheat code oculto. Esse cheat code é que as matérias não são distribuídas de forma igualitária, e você pode abusar disso a seu bel-prazer. Na pasta “Fuvest Assuntos” você terá de cada disciplina. Tomemos como exemplo a Física na Fuvest. 1. Dinâmica (22,67%) 2. Eletrodinâmica (10,67%) 3. Óptica Geométrica (10,67%) 4. Cinemática (9,33%) 5. Eletrostática (6,67%) 6. Calorimetria (5,33%) 7. Hidrostática (5,33%) 8. Termodinâmica (4%) 9. Acústica (2,67%) 10. Física Quântica (2,67%) 11. Gravitação (2,67%) 12. Ondulatória (2,67%) 13. Dilatação Térmica (1,33%) 14. Chuveiros e Resistências (1,33%) 15. Vetores (1,33%) Isso revela que estudar dinâmica é, por exemplo, oito vezes mais relevante que estudar ondulatória, em que este último é um assunto extremamente longo e de pouca relevância. Isso lhe mostrará quais partes você deverá priorizar. Sobre as aulas, os exercícios e a revisão Uma frase cômica foi postada no jornal A folha de São Paulo há alguns anos atrás. “No Brasil, há muitos alunos mas pouco estudantes.” A relevância dessa frase é imensa. Um aluno é aquele que assiste às aulas. Um estudante é aquele que estuda. Assistir às aulas é um processo passivo e coletivo. Estudar é um processo ativo e individual. Você não estuda com os outros, você estuda sozinho. Isso resulta na seguinte curva, chamada “Curva do Esquecimento”. Por isso, como diversos trabalhos a respeito desse tópico já foram feitos, Esse Artigo auxilia em deixar a curva neste aspecto: https://colaborae.com.br/blog/2020/01/14/repeticao-espacada/ Além disso, para lhe ajudar ainda mais, está também um livro “1001 questões para fazer antes de passar no Enem”, que também são válidas para a Fuvest. Outra dica boa é refazer as provas antigas da Fuvest, começando pelas mais novas. Sabendo da divisão em blocos, métodos de estudo, critérios de pontuação e relevância, a dificuldade relativa dos assuntos, a análise de frequência, exercícios e como reter as informações à longo prazo, você será capaz de passar no curso que você quer. Estude, dedique-se, leia, aprenda, melhore os métodos, descubra novas coisas, discuta, exercite. Lembre-se que o que mais importa em tudo isso é a constância. Você é capaz de conseguir. “O inimigomais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo.” Friedrich Nietzsche, Assim Falou Zaratustra