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Psicologia Social e Comunitária, O menor, Pessoa Idosa, Formas de Violência e Assédio Moral 
Wysllen thayelwisk
Professor e coordenador do curso de psicologia 
Crp 01/23247
O conceito de saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), engloba bem-estar físico, mental e social, sendo mais amplo do que a simples ausência de doenças. No entanto, há um questionamento sobre a dificuldade de atingir o "completo" bem-estar sugerido pela definição. A ideia de "equilíbrio" entre esses três aspectos pode ser mais realista.
A Constituição Federal Brasileira (art. 196) reforça que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, que deve ser garantido através de políticas sociais e econômicas que visem à redução de riscos e ao acesso universal a serviços de saúde.
A psicologia social comunitária se alinha a esse entendimento mais amplo da saúde. Ela vê o indivíduo como parte de um contexto social e cultural, o que implica na necessidade de uma abordagem coletiva para a promoção da saúde. De acordo com Bock, Teixeira e Furtado (2018), as políticas públicas são cruciais nesse sentido, buscando garantir que os cidadãos sejam tratados como participantes ativos no processo de construção da saúde, e não apenas como usuários de serviços.
A psicologia comunitária, nascida em 1965 nos Estados Unidos, se concentra em trabalhar com populações excluídas e na promoção da autogestão. Como destaca Montero (1982), seu objetivo é promover o controle dos indivíduos sobre seu ambiente social e resolver problemas comunitários através de organização e participação ativa. Esse processo envolve a superação de obstáculos internos e externos, como a "desesperança aprendida" e o paternalismo, promovendo a consciência crítica e a cooperação.
"menor"
A denominação "menor" ao se referir a crianças e adolescentes tem raízes históricas que refletem desigualdades sociais, exclusão e estigmatização. Ao longo dos séculos, o termo foi associado a um processo de marginalização de jovens que viviam em situação de vulnerabilidade, especialmente em contextos urbanos.
Período Colonial e Império
No Brasil colonial e durante o Império, a infância não era uma categoria socialmente reconhecida como hoje. Crianças e adolescentes, principalmente de origem pobre e escravizada, eram vistos como mão de obra desde cedo. Não havia uma distinção legal ou social entre crianças e adultos, e aqueles em situação de pobreza ou marginalização já eram tratados de forma diferente, com pouca proteção legal ou social.
Início da República e o Código de Menores de 1927
Com a proclamação da República em 1889 e a abolição da escravidão em 1888, houve uma crescente preocupação com o aumento da população pobre nas cidades. O termo "menor" passou a ser mais usado para se referir às crianças e adolescentes pobres, abandonados ou em conflito com a lei, associados à delinquência e à desordem social. Em 1927, foi promulgado o primeiro Código de Menores, também conhecido como Código Mello Mattos, que estabeleceu normas específicas para os "menores abandonados" ou "delinquentes". Este código tratava os menores em situação de vulnerabilidade social como objetos de controle do Estado, com ênfase na repressão e institucionalização.
O código de Menores de 1979
O Código de Menores de 1979 consolidou a visão punitiva e estigmatizante dos jovens pobres, reforçando a noção de que o "menor" era um indivíduo em risco ou infrator, necessitando de intervenção estatal. A lei tratava crianças e adolescentes como incapazes e objetos de medidas corretivas. O termo "menor" continuava a carregar um forte estigma, associando esses jovens à delinquência e à marginalidade, ao invés de serem vistos como sujeitos de direitos. Nessa época, a desigualdade social e a exclusão estavam no centro da política pública voltada para essa população, que era criminalizada pela sua pobreza e exclusão.
A constituição de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de 1990
A Constituição de 1988 e a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em 1990 marcaram uma mudança radical na maneira como crianças e adolescentes eram vistos e tratados pelo Estado e pela sociedade. A Constituição reconheceu crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, e o ECA consolidou essa visão, substituindo o termo "menor" por "criança" e "adolescente". Essas mudanças reforçaram a proteção integral, garantindo direitos civis, sociais e econômicos, sem discriminação.
Essa nova abordagem, fundamentada em princípios de igualdade e inclusão, buscou romper com a tradição de exclusão social e estigmatização, embora ainda hoje o termo "menor" seja utilizado de forma pejorativa em alguns contextos, perpetuando preconceitos.
Persistência de Desigualdade e Estigmatização
Apesar dos avanços legais, o uso do termo "menor" ainda persiste na linguagem cotidiana, muitas vezes como sinônimo de jovens pobres ou infratores, refletindo desigualdades sociais profundas e preconceitos arraigados. A exclusão social e a criminalização da juventude pobre permanecem como questões centrais, evidenciadas nas políticas de segurança pública e no tratamento discriminatório que muitas crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade continuam a enfrentar.
Portanto, a trajetória do termo "menor" ilustra um processo histórico de exclusão e estigmatização de crianças e adolescentes pobres, que foi sendo gradualmente transformado por conquistas legais, mas que ainda carrega resquícios de desigualdade social.
Envelhecimento e suas Implicações
O processo de envelhecimento é uma característica inerente à natureza humana, influenciado por fatores como genética, estilo de vida e doenças crônicas, que afetam a funcionalidade do corpo ao longo do tempo (Brasil, 2006). Segundo Veras e Oliveira (2018), idosos apresentam mais doenças crônicas, fragilidades e vulnerabilidades, além de menos recursos sociais e financeiros, o que leva a uma diminuição na capacidade funcional, mesmo na ausência de doenças graves.
Doenças Crônicas e a Saúde do Idoso
O aumento da população idosa e a diversidade dos perfis de morbidade e mortalidade intensificam a necessidade de uma abordagem de saúde multidisciplinar (Miranda, Mendes e Silva, 2016). Além disso, as doenças crônicas não transmissíveis contribuem significativamente para a perda de funcionalidade, especialmente nas atividades diárias (Brasil, 2006).
Cuidados e Qualidade de Vida
O maior desafio na atenção ao idoso é garantir que, apesar das limitações progressivas, ele possa viver com qualidade (Brasil, 2006). A sociedade e as famílias precisam reconhecer o valor e as potencialidades dos idosos, embora grande parte das dificuldades enfrentadas por eles seja resultado de uma cultura que ainda os desvaloriza.
Alterações Fisiológicas no Envelhecimento
O envelhecimento provoca alterações físicas, como perda de tônus muscular, alterações ósseas, redução de massa muscular e diminuição da acuidade visual e auditiva (Brasil, 2006). Além disso, há uma deterioração das funções cognitivas, como perda de memória e capacidade de cálculo, afetando diretamente a qualidade de vida dos idosos.
Autonomia, Independência e Dependência
A autonomia refere-se à capacidade de tomar decisões, enquanto a independência significa realizar atividades sem ajuda externa. Já a dependência implica a necessidade de assistência em atividades cotidianas (Brasil, 2006). Esses conceitos são cruciais para compreender o grau de cuidado que um idoso pode necessitar.
Envelhecimento Ativo
Pesquisas indicam que é possível envelhecer de forma mais ativa, mantendo equilíbrio biopsicossocial e qualidade de vida (Ferreira et al., 2012). Atividades físicas, fortalecimento de laços afetivos e participação social são fundamentais para promover o bem-estar e a independência funcional dos idosos. O envelhecimento saudável depende também de fatores demográficos, socioeconômicos e psicossociais (Ferreira et al., 2012).
Direitos Humanos e Proteção dos Idosos
Faleiros (2014) discute a invisibilidade social dos direitoshumanos das pessoas idosas, ressaltando que a velhice é muitas vezes negada por meio da discriminação e da naturalização do envelhecimento. Esse processo é reduzido aos aspectos biológicos e perdas de funcionalidade, como a capacidade para atividades diárias. A fragmentação da velhice, medida em escalas geriátricas, reflete a visão de que envelhecer significa “ser menos” (FALEIROS, 2014, p. 536).
“Envelhecer significa ser menos” FALEIROS
Diretos e Políticas de Proteção
O Brasil tem avançado na criação de medidas protetivas para os idosos, como a Política Nacional do Idoso (PNI), promulgada em 1994, e o Estatuto do Idoso (2003), que estabelecem direitos sociais fundamentais, como dignidade, saúde, educação e proteção judicial. A PNI, por exemplo, busca assegurar a participação ativa dos idosos na sociedade e garantir sua dignidade, como expresso no artigo 1º (BRASIL, 1994).
Os princípios dessa política incluem a responsabilidade da família, sociedade e Estado em assegurar os direitos dos idosos e combater qualquer forma de discriminação. Destaca-se que o idoso deve ser agente e destinatário das transformações sociais previstas (BRASIL, 1994). Para Couto (2016), é essencial a mobilização social para garantir a efetivação dessas leis e políticas, exigindo que a população compreenda e participe do controle social.
Violências 
As formas de violência enfrentadas pelos idosos são variadas e incluem violência física, psicológica, sexual, abandono, negligência e violência econômico-financeira. A violência invisível, aquela que não deixa marcas físicas, provoca sofrimento, depressão e medo, sendo muitas vezes subdiagnosticada e subnotificada (BRASIL, 2013).
Essa violência também pode ser estrutural, resultante das desigualdades sociais e discriminações que afetam principalmente os idosos desprovidos de recursos materiais (MINAYO, 2014). Camarano (2016) destaca que o sistema de garantias do Estatuto do Idoso é composto por várias instituições, incluindo o SUS, o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o Poder Judiciário.
Abusos físicos: esses são mais visíveis e podem ocorrer através de beliscões, tapas, agressões com uso de cinto, objetos caseiros, arma branca ou de fogo (BRASIL, 2013).
Abusos psicológicos: estão relacionados a todas as formas de menosprezo, “de desprezo e de preconceito e discriminação que trazem como consequência tristeza, isolamento, solidão, sofrimento mental e, frequentemente, depressão” (BRASIL, 2013, p. 40)
Violência sexual: está relacionada ao ato no jogo que ocorre durante as relações sexuais, sejam elas, hétero ou homossexuais, com o intuito de estimular a vítima ou aproveitá-la para obtenção de excitação sexual e práticas eróticas e ou pornográficas. Tais atividades são estabelecidas através do aliciamento, da violência física ou através de ameaças (BRASIL, 2013).
O Abandono
O abandono é uma das formas mais cruéis de violência contra os idosos, caracterizada por ações que os isolam ou privam de direitos básicos. Segundo Brasil (2013), isso inclui afastá-los de suas residências contra sua vontade, realocá-los para locais inadequados dentro da casa, como quartos nos fundos, ou colocá-los em instituições de longa permanência contra seu desejo, restringindo seu convívio familiar e seu direito de ir e vir.
Além disso, essa violência envolve a negligência em fornecer cuidados essenciais, como assistência médica, alimentação, hidratação e medicamentos, o que pode agravar a saúde dos idosos, contribuir para sua imobilidade e até mesmo acelerar sua morte. Essas práticas comprometem a dignidade e a qualidade de vida dos idosos, impactando profundamente sua personalidade e autonomia.
Atuação 
A Psicologia Jurídica no Brasil surgiu de forma recente, com seu primeiro marco oficial em 1980, quando psicólogos voluntários começaram a atuar no Tribunal de Justiça de São Paulo, prestando apoio familiar e buscando manter crianças no lar (CESCA, 2004). Desde então, a função do psicólogo jurídico se expandiu, contribuindo para a justiça por meio de seu conhecimento psicológico e atuando em políticas públicas, prevenindo violências e influenciando a interpretação de leis (LIMA, 2014).
De acordo com o Código de Ética Profissional dos Psicólogos (CFP, 2005), o psicólogo deve promover a dignidade e a liberdade humanas, combatendo negligências, violências e discriminações. A atuação profissional é vasta, incluindo entrevistas, audiências e visitas domiciliares, cada qual com objetivos e procedimentos específicos (CESCA, 2004). Documentos elaborados a partir dessas intervenções são essenciais para o sistema judiciário, auxiliando promotores e outros profissionais envolvidos (LIMA, 2014).
O Psicólogo Jurídico
O psicólogo jurídico atua em diversas áreas, como mediação de conflitos no direito de família, perícias em danos psíquicos e proteção de testemunhas, além de colaborar em casos de violência doméstica e direitos humanos (FRANÇA, 2004). Dentro de sua atuação como perito judicial, regularizada pelo Decreto n.º 53.964/1964, o psicólogo elabora laudos, pareceres e perícias em várias áreas do direito, como as varas cíveis e criminais, além de colaborar tecnicamente como assistente técnico (RABELO & SILVA, 2017).
Nos casos de violência contra idosos, o psicólogo pode realizar entrevistas, mediações e visitas domiciliares, visando não apenas punir, mas reestruturar a família por meio de uma abordagem interdisciplinar (CESCA, 2004). A mediação, regulamentada pela Lei 13.140/2015, tem se mostrado eficaz na resolução de conflitos familiares, promovendo a autonomia e solução dos problemas com menor custo emocional e financeiro (MULLER, BEIRAS & CRUZ, 2007).
Por fim, Miranda Junior (1998) destaca que os psicólogos ainda têm um longo caminho a percorrer na promoção dos direitos humanos, especialmente no que se refere à proteção e ao cuidado com os idosos. O trabalho contínuo e o envolvimento social são essenciais para assegurar que os direitos dessa população sejam respeitados e garantidos.
Assédio Moral
O assédio moral é definido como "a exposição do trabalhador a situações repetitivas, humilhantes e prolongadas no exercício de suas funções laborais" (Hirigoyen, 2009). Esse comportamento pode ocorrer de diferentes maneiras:
Assédio moral descendente: acontece "entre hierarquias distintas, do chefe para o subordinado", caracterizando-se por pressões excessivas e humilhações (Hirigoyen, 2009).
Assédio moral ascendente: ocorre "quando subordinados, geralmente em grupo, assediam um chefe", pressionando-o a tomar atitudes contrárias aos interesses da empresa ou saindo do cargo.
Assédio paritário: acontece "entre colegas no mesmo nível hierárquico", com o objetivo de eliminar concorrentes e isolar o assediado.
Fases do Assédio Moral
Conflito inicial: "divergências de opinião no ambiente de trabalho" são comuns, mas, sem resolução, podem evoluir para o assédio.
Estigmatização: o assediador começa a perseguir a vítima, utilizando insultos e humilhações, frequentemente de maneira velada (Hirigoyen, 2009).
Intervenção: a empresa pode realocar os envolvidos ou, em casos negativos, apoiar o assediador, perpetuando o conflito.
Exclusão: "o assediado pode ser excluído do ambiente laboral por exaustão física ou emocional" (Lima Filho, 2009).
Assediador
O assediador pode ter um perfil agressivo ou dissimulado, muitas vezes exibindo características narcisistas, sentindo prazer em "humilhar para demonstrar poder" (Hirigoyen, 2009). A vítima, por outro lado, não possui um perfil específico, sendo vista pelo assediador como incapaz.
No Brasil, embora ainda não exista uma lei federal específica sobre o assédio moral, "leis estaduais e a Constituição Federal garantem a defesa da dignidade do trabalhador como um direito fundamental" (Lima Filho, 2009).

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