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2018
 
Título: Coleção Super Material: Anatomia Módulo 1
Editor: Guilherme Melo
Revisão de texto: Lindsay Viola
Diagramação: caixadedesign.com
Capa: Mateus Machado
Conselho Editorial: Caio Vinicius Menezes Nunes, Paulo Costa Lima, Sandra de
Quadros Uzêda, Silvio José Albergaria da Silva
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Tuxped Serviços Editoriais (São Paulo, SP)
M515a
  Meireles Neto, Ilson (org.)
  Anatomia - Módulo 01 / Organizador: Ilson Meireles Neto.– 1. ed.– Salvador, BA
: Editora Sanar, 2021. 256 p.; 17x24 cm. (Coleção Super Material).
  Inclui bibliografia.
  ISBN 978-65-89822-02-8.
  1. Anatomia. 2. Medicina. 3. Sanarflix. 4. Super Material. I. Título. II. Assunto. III.
Meireles Neto, Ilson.
CDD: 611
  CDU: 611
ÍNDICE PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO
1. Medicina.
2. Medicina.
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário Pedro Anizio Gomes - CRB-8
8846
 
Editora Sanar Ltda.
Rua Alceu Amoroso Lima, 172
Caminho das Árvores
Edf. Salvador Office e Pool, 3º andar.
CEP: 41820-770 – Salvador/BA
Telefone: 0800 337 6262
sanarsaude.com
atendimento@sanar.com
 
 
Coordenador
ILSON MEIRELES NETO
CRM BA - 35068
Coordenador Pedagógico SANAR
Graduação em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina
e Saúde Pública
 
Revisores
AMANDA RISTOW REINERT
Graduação em Medicina pela Universidade Federal da
Bahia (UFBA)
ANA CLARA DE FREITAS BRITO ARÊAS
Acadêmica do curso de Medicina da Escola Bahiana de
Medicina e Saúde Pública
ANNA MARIA EUGENIA PRIETO SCUCATO
Graduação em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina
e Saúde Pública
BRUNA RODRIGUES DE SANTANA
PISANESCHI MARQUES
Acadêmica do curso de Medicina da Universidade Federal
da Bahia (UFBA)
DIANA CASTRO DE JESUS LIMA
Acadêmica do curso de Medicina da Universidade Federal
da Bahia (UFBA)
GABRIEL LIMA SILVA
Acadêmico do curso de Medicina da Universidade Federal
da Bahia (UFBA)
GEOVALDO BARRETO CORREIA JUNIOR
Acadêmico do curso de Medicina da Universidade Federal
da Bahia (UFBA)
LAURA MARIA DA CRUZ BATISTA
Acadêmica do curso de Medicina da Universidade Federal
da Bahia (UFBA)
 
Autores – Módulo 1 – Anatomia
Emilly Virgínia Costa Borges
Gustavo Silveira Santana Franco
Laura Maria da Cruz Batista
Leticia Agatha Cruz do Espirito Santo
Márcio José Leão Nunes Filho
Paula Maltez Ribeiro Guedes
Pedro Henrique Andrade Araújo
Salvatore Barletta
 
 
 
PREFÁCIO
Os primeiros semestres dos cursos universitários têm
importância decisiva para a motivação dos estudantes e se
constituem no momento privilegiado para despertar seu
entusiasmo.
Além de ser o primeiro contato do estudante com os
conhecimentos básicos da medicina, esse início da
formação, o ciclo básico, proporciona também o
desenvolvimento de um raciocínio científico sólido e crítico,
tendo um papel muito relevante como verdadeiro alicerce
para a graduação e atuação na prática clínica.
É por isso que nossa equipe assumiu o desafio de
estimular o processo de aprendizagem do ciclo básico e de
otimizar o estudo dos estudantes de Medicina.
Dessa forma, a Sanar traz a coleção de Super Material de
Anatomia com conteúdo selecionado dos principais temas,
oferecendo-o de forma fluida e didática, com textos, mapas
mentais, figuras e fluxogramas embasados em artigos
atualizados e livros clássicos.
Essa ferramenta enfatiza, assim, nosso comprometimento
com uma educação transformadora e nossa consciência da
importância do ciclo básico na formação do profissional
médico.
Boa leitura!
1. INTRODUÇÃO À ANATOMIA
HUMANA
1. INTRODUÇÃO E DEFINIÇÃO
A anatomia é a ciência que estuda macro e
microscopicamente as estruturas morfológicas do corpo e as
correlações entre elas. Foi estudada inicialmente por
dissecação, a secção cuidadosa das estruturas do corpo para
o estudo de suas relações. Atualmente, inúmeras técnicas de
imagem também contribuem para o avanço do
conhecimento anatômico.
A simples observação de um grupo de pessoas nos
evidencia as diferenças morfológicas entre cada indivíduo.
Tais diferenças podem apresentar-se externamente ou em
qualquer dos sistemas do organismo, sem representar algum
prejuizo funcional. Podem ser decorrentes tanto das
características individuais, quanto da idade, do sexo, da
raça, do tipo constitucional e da evolução.
Algumas variações morfológicas podem levar a prejuízo
funcional e, nesse caso, denominamos de anomalia e não
apenas de variação. Se a anomalia for tão acentuada de
modo a deformar profundamente a construção do corpo do
indivíduo, sendo, em geral, incompatível com a vida,
denomina-se monstruosidade.
Ô
2. TERMINOLOGIA ANATÔMICA
Tem como objetivo descrever a posição anatômica,
relacionar os nomes anatômicos e os nomes comuns
correspondentes para várias regiões do corpo humano,
definir os planos e cortes anatômicos e os termos de posição
e direção utilizados para descrever o corpo humano de forma
padronizada. Além da terminologia, a posição anatômica
também é padronizada, evitando possíveis confusões ou
equívocos.
As descrições de qualquer parte do corpo humano partem
do princípio de que ele está em uma posição padronizada de
referência chamada posição anatômica, na qual o
indivíduo se mantém ereto de frente para o observador, com
a cabeça e os olhos voltados diretamente para frente. Os
membros inferiores estão paralelos, os pés estão retos sobre
o chão e direcionados para frente. Os membros superiores
ficam ao lado do corpo, com as palmas voltadas para frente
(Figura 1).
Outros termos são utilizados para o corpo deitado. Se o
corpo está com o rosto voltado para baixo, ele está em
decúbito ventral. Se o corpo está com o rosto voltado para
cima, ele está em decúbito dorsal.
Figura 1. Posição anatômica.
Fonte: Lazuin/Shutterstock.com
Se Liga! Fazer com que a pessoa fique em
posição anatômica padrão permite que os
termos anatômicos sejam definidos claramente,
de modo que qualquer parte do corpo possa ser
descrita em relação à outra.
3. TERMOS DIRECIONAIS
Para localizar as várias estruturas corporais são utilizados
termos direcionais específicos, palavras que descrevem a
posição de uma parte do corpo em relação à outra. Esses
termos são agrupados em pares com significados opostos
(Figura 2).
Superior refere-se a uma estrutura situada mais perto do
vértice, o ponto mais alto do crânio. Inferior refere-se a
uma estrutura situada mais perto da planta do pé.
Cranial está relacionado com o crânio e é um termo útil
para indicar direção, que significa em direção à cabeça.
Caudal também é um termo útil indicador de direção, que
significa em direção à região dos pés.
Posterior (dorsal) designa a superfície posterior do corpo
ou mais perto do dorso. Anterior (ventral) designa a
superfície frontal do corpo.
Figura 2. Termos anatômicos direcionais.
Fonte: Excellent Dream/Shutterstock.com
Medial é usado para indicar que uma estrutura está mais
perto do plano mediano do corpo. Ao contrário, lateral
indica que uma estrutura está mais distante do plano
mediano.
Termos associados descrevem posições intermediárias:
inferomedial significa mais perto dos pés e do plano
mediano. Superolateral significa mais perto da cabeça e
mais distante do plano mediano.
Se Liga! É importante compreender que os
termos direcionais têm significados relativos:
eles só fazem sentido quando utilizados para
descrever a posição de uma estrutura em
4. TERMOS DE LATERALIDADE
Estruturas pares que têm elementos direito e esquerdo (p.
ex., os pulmões) são bilaterais, enquanto aquelas presentes
apenas de um lado são unilaterais. A designação específica
do elemento direito ou esquerdo das estruturas bilaterais é
fundamental. Ipsilateral refere-se a algo situado do mesmo
lado do corpo que outra estrutura; por exemplo, a mão
direita e o pé direito são ipsilaterais. Contralateral significa
que está no lado do corpo oposto a outra estrutura; a mão
direita é contralateral à mão esquerda.
Ô
relação à outra. Por exemplo,onde irradiam as
lâminas brancas do cerebelo, revestidas externamente por
uma fina camada de substância cinzenta, o córtex cerebelar.
No interior do corpo medular há quatro pares de núcleos de
substância cinzenta, que são os núcleos centrais do
cerebelo: denteado, interpósito (dividido em emboliforme e
globoso) e o fastigial.
Figura 23. Secção sagital mediana do cerebelo.
Fonte: SubstanceTproductions/Shutterstock.com
A divisão do cerebelo em lóbulos não tem nenhum
significado funcional e sua importância é apenas topográfica.
A nomenclatura dos lóbulos e fissuras do cerebelo é
bastante confusa, havendo considerável divergência entre os
autores. Os lóbulos recebem denominações diferentes no
vérmis e nos hemisférios.
As tonsilas são evidentes na face inferior do cerebelo e
preojetam-se medialmente sobre a face dorsal do bulbo.
Essa relação é importante, pois em certos casos de
hipertensão craniana as tonsilas podem comprimir o bulbo
com graves consequências.
Se liga! Os núcleos centrais do cerebelo têm
grande importância funcional e clínica. Deles
saem todas as fibras nervosas eferentes do
cerebelo.
Se liga! Isso decorre, por exemplo, de
acidente nas punções lombares, quando a
retirada do liquor diminui subitamente a
pressão no espaço subaracnóideo da medula.
Nesse caso, estando aumentada a pressão
intracraniana, as tonsilas podem ser deslocadas
Os lóbulos do cerebelo podem ser agrupados em
estruturas maiores, os lobos separados pelas fissuras
posterolateral e prima. Chega-se, assim, a uma divisão
transversal em que a fissura posterolateral divide o cerebelo
em um lobo flóculo-nodular e o corpo do cerebelo. Este, por
sua vez, é dividido em lobo anterior e lobo posterior pela
fissura prima.
São três pedúnculos cerebelares: superior, médio e
inferior. O pedúnculo cerebelar superior liga o cerebelo ao
mesencéfalo. O pedúnculo cerebelar médio é um enorme
feixe de fibras que liga o cerebelo à ponte e constitui a
parede dorsolateral da metade cranial do IV ventrículo.
Considera-se como limite entre a ponte e o pedúnculo
caudalmente, penetrando no forame magno e
comprimindo o bulbo, o que pode ser fatal.
cerebelar o ponto de emergência do nervo trigêmeo. O
pedúnculo cerebelar inferior liga o cerebelo à medula.
Composto por seis regiões para fins de descrição
(1) Telencéfalo
• Maior parte do cérebro.
• Ocupar a fossa craniana anterior e média.
• Dois hemisférios, separados por fissura cerebral
longitudinal.
• Conectado por feixe de fibras transversais na base
da fissura longitudinal: corpo caloso.
• Cavidade em cada hemisfério = ventrículo.
• Composto por quatro lóbulos
• • Lóbulo frontal.
• • Envolvido em função mental superior.
• • Contém centros de fala e idioma.
• Lobo parietal
• • Inicia o movimento.
• • Envolvido na percepção.
• Lobo temporal
• • Envolvido em memória, audição e fala.
• Lobo occipital
• • Contém córtex visual.
• Cada lobo marcado por dobras (giros) e ranhuras
(sulcos).
(2) Diencéfalo
• Composto de:
• • Epitálamo.
• • Tálamo.
• • Hipotálamo.
• Circunda o terceiro ventrículo cerebral entre as
metades direita e esquerda.
(3) Mesencéfalo
• Na junção das fossas cranianas médias e
posteriores.
• Contém canal estreito: aqueduto cerebral.
(4) Ponte
• Encontrado na região anterior da cavidade craniana
posterior.
• Contém cavidade que contribui para o quarto
ventrículo.
(5) Bulbo
• Encontra-se na fossa craniana posterior.
• Contínuo com medula espinhal.
• Contém porção inferior do quarto ventrículo.
(6) Cerebelo
• Dorsal à ponte e medula.
• Abaixo do cérebro posterior.
• Composto por dois hemisférios laterais conectados
por vérmis na linha média.
• Importante em:
• • Manutenção do equilíbrio, postura e coordenação.
• • Momento e força da contração dos músculos.
REFERÊNCIAS  BIBLIOGRÁFICAS
MACHADO, A.; HAERTEL, L. M. Neuroanatomia funcional: 3.
Ed. São Paulo: Atheneu, 2014.
NETTER, Frank H. Atlas de anatomia humana: 6. Ed.
Philadelphia: Elsevier, 2014.
TORTORA, Gerard J. Fundamentos de Anatomia e
Fisiologia. 4 ed. Porto Alegre. Artmed, 2004. 574 p.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. Rio
de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
4. ANATOMIA DO CEREBELO
1. INTRODUÇÃO
O cerebelo consiste em uma estrutura globosa com dois
hemisférios que apresentam dobras paralelas transversais
(folhas) separadas por fissuras. Ele ocupa cerca de ¼ do volume
craniano, e contém 80% do total de neurônios do cérebro. Fica
situado dorsalmente ao bulbo e à ponte, contribuindo para a
formação do teto do IV ventrículo. Repousa sobre a fossa
cerebelar do osso occipital e separa-se do cérebro pela tenda do
cerebelo, formado pela dura-máter. Comunica-se diretamente
com a medula e tronco encefálico.
Com essa quantidade de neurônios já podemos supor sua
importância funcional, dentre elas: manutenção da postura,
equilíbrio, coordenação de movimentos e aprendizagem de
habilidades motoras. Todas são funções motoras, porém estudos
mostram o envolvimento em funções cognitivas.
Saiba mais! Inicialmente, considerava-se que o
cerebelo tinha apenas funções motoras, porém
como veremos existe participação também em
funções cognitivas, executadas pelo
cerebrocerebelo. Mostra-se que existem conexões
com a área pré-frontal do córtex, evidenciando
funções não motoras, relacionadas à memória,
como resolver quebra-cabeça, jogo da memória etc
 
 
Localização
Fossa posterior, abaixo do tentório do cerebelo, dorsal ao bulbo e
ponte.
Arquitetura
Similar à do cérebro. Composto pelo córtex, substância branca e
estruturas nucleares profundas.
Função Coordenação de movimentos e manutenção do equilíbrio.
Significância
clínica
Pacientes vão cursar com prejuízos na coordenação, fala
desarticulada e desequilíbrio da marcha (mais acentuado em
lesões na linha mediana).
 
Quadro 1. Visão geral do cerebelo.
Fonte: Adaptado de Netter, 2008.
2. ASPECTOS ANATÔMICOS
Visão externa
Se ficou curioso para saber mais sobre isso, nós
separamos este artigo para aprofundar o tema:
Cerrejón, M. Barrios; Olmos, J. Gupardia. Relação do
cerebelo com as funções cognitivas: evidências
neuroanatomicas, clínicas e de neuroimagem. Rev
Neurol, 2001; 33: 582-591.
 
O cerebelo é dividido em: vérmis e nos hemisférios cerebelares
direito e esquerdo. A superfície do cerebelo apresenta sulcos na
direção transversal, que delimitam lâminas finas, denominadas
folhas do cerebelo. Os lobos são delimitados pelas fissuras do
cerebelo.
 
Figura 1. Anatomia do Cerebelo.
Fonte: Autoria própria
 
O cerebelo possui 17 lóbulos e 8 fissuras. Os mais importantes
são os lóbulos: nódulo, flóculo e tonsila; e dentre as fissuras:
posterolaterais e prima.
O cerebelo possui uma organização somatotópica, em que o
corpo está representado três vezes, separado pelas fissuras,
recebendo, assim, os recebendo nomes: lobo anterior, posterior e
flóculo-nodular. Essa divisão também pode ser longitudinal:
hemisférios laterais, paraverme, verme e lóbulo flóculo-nodular,
representado também na Figura 3.
Visão interna
Internamente, o cerebelo é constituído pelo corpo medular (no
centro, formado por substância branca) e revestido
externamente pelo córtex cerebelar (substância cinza).
No interior do corpo medular existem quatro pares de
núcleos de substância cinzenta, que são os núcleos centrais do
cerebelo): denteado, interpósito (subdividido em emboliforme e
globoso) e fastigial. Deles saem todas as fibras eferentes do
cerebelo.
No córtex cerebelar distinguem-se as seguintes camadas:
• molecular: a camada molecular é formada por fibras de
direção paralela e contém dois tipos de neurônios, as
células estreladas e as células em cesto.
• média (células de Purkinje): a camada média é
formada por uma fileira de células de Purkinje.
• granular: a camada granular é constituía,
principalmente, por numerosas células granulares (células
pequenas com pouco citoplasma) que possuem muitos
dentritos e um axônio queatravessa a camada média e se
bifurca na camada molecular, constituindo as fibras
paralelas, que se dispõem no eixo da folha cerebelar. Essas
fibras paralelas vão estabelecer sinapse com as células de
Purkinje, assim cada célula granular tem comunicação com
um grande número de células de Purkinje.
 
Conceito: A célula de Purkinje é o elemento
dominante do processo de informação cerebelar.
Recebeu esse nome em homenagem ao fisiologista
tcheco Johannes Purkinje, que as descreveu em
1837. As células de Purkinje são neurônios
multipolares (piriformes e grandes), dotados de
dendritos que se ramificam na camada molecular, e
de um axônio que sai em direção oposta. Em
conjunto formam o único sistema eferente
cerebelar, funcionando como moduladoras das
informações aferentes que chegam ao córtex
cerebelar.
 
Figura 2. Células de purkinje do cerebelo
Fonte: vetpathologist/Shutterstock.com
Comunicações
O cerebelo vai se comunicar com o resto do sistema nervoso
pelos pedúnculos; no total, ele possui três: pedúnculo cerebelar
superior, médio e inferior (Figura 3).
PEDÚNCULO CEREBELAR SIGNIFICâNCIA FUNCIONAL
Superior
Transporta primariamente impulsos de
saída do cerebelo
Médio
Transporta EXCLUSIVAMENTE impulsos
que entram no cerebelo
Inferior
Transporta primariamente impulsos que
entram no cerebelo
 
Quadro 2. Pedúnculos do cerebelo.
Fonte: Adaptado de Netter, 2008.
Figura 3. Pedúnculos do cerebelo.
Fonte: Morphart Creation/Shutterstock.com
Vascularização
Existem três grandes artérias que estão relacionadas com a
vascularização do cerebelo: duas artérias cerebrais, que se unem
na base da ponte dando origem à artéria basilar. Dois pares de
artérias surgem da artéria basilar: artéria cerebelar superior e
artéria cerebelar anterior e inferior e o terceiro par, artéria
cerebelar posterior inferior; que surgem através das artérias
cerebrais; no qual vão irrigar locais diferentes do cerebelo:
ARTÉRIA ORIGEM IRRIGAÇÃO
A. Cerebelar superior a. Basilar Metade superior
A. Cerebelar anterior
inferior
a. Basilar Anteroinferior
a. Cerebelar posterior
inferior
a. Vertebrais Posteroinferior
 
3. ESTRUTURA E FUNÇÃO DO
CEREBELO
Divisão funcional
Funcionalmente, baseado nas conexões do córtex com os
núcleos centrais, podemos dividir o cerebelo em três partes, para
Se liga! A importância prática da vascularização
do cerebelo é devido ao acidente vascular cerebral,
principalmente o isquêmico, É necessário procurar a
artéria que foi acometida correlacionando com o
acometimento clínico apresentado.
melhor estudá-las: vestibulocerebelo, espinocerebelo,
cerebrocerebelo.
DIVISÃO CONEXÕES AFERENTES CONEXÕES EFERENTES
Vestibulocerebelo
Chegam  pelo fascículo
vestibulocerebelar, tendo
origem nos núcleos
vestibulares e se distribuem
ao lobo floculonodular.
Trazem informações da
parte vestibular do ouvido
interno sobre a posição da
cabeça. Importante para
equilíbrio e postura.
Projetam-se para o núcleos
vestibulares medial e
lateral. Pelo lateral vai para
os vestibulosespinhais que
controla musculatura para
manutenção do equilíbrio e
marcha. As medials vão
controlar movimentos da
cabeça e oculares.
Se liga! A divisão baseada nas conexões do
córtex com os núcleos centrais, veio para substituir
a divisão filogenética do cerebelo (arqui, paleo e
neocerebelo), uma vez que se tinha muita
dificuldade de conceituar o paleocerebelo. O uso
dos termos da divisão filogenética é
desaconselhado pela Comissão de Terminologia da
Sociedade Brasileira de Anatomia.
DIVISÃO CONEXÕES AFERENTES CONEXÕES EFERENTES
Espinocerebelo
Penetrando pelos
pedúnculos superior e
inferior e fazem conexões
pelos tratos espinocerebelar
anterior e posterior. O
posterior vai receber sinais
de propriocepção e pelo
anterior vai receber sinais
motores que chegam à
medula pelo trato
corticoespinhal.
Fazem sinapse com o núcleo
interpósito, que vai para o
núcleo rubro e tálamo. O
rubro influencia neurônios
motores e o tálamo, que vão
para áreas motoras do
córtex cerebral. Os dois vão
exercer influência sobre os
neurônios motores da
medula situados do mesmo
lado, controlando músculos
distais responsáveis por
movimentos delicados.
Cerebrocerebelo
Penetram pelo pedúnculo
cerebelar médio, pelas
fibras pontinas, levando
informações oriundas de
áreas motoras e não
motoras do córtex cerebral.
Fazem sinapse no núcleo
denteado, levando para o
tálamo (do lado oposto) e
depois para as áreas
motoras do córtex cerebral,
onde se origina o trato
corticoespinhal. Age sobre a
musculatura distal,
responsável por movimento
delicado.
 
 
Quadro 4. Divisão funcional do cerebelo. Fonte: Elaborada pelo autor.
Aspectos funcionais
As principais funções do cerebelo são: manutenção do
equilíbrio e postura, controle do tônus muscular, controle dos
movimentos voluntários, aprendizagem motora e funções
cognitivas específicas.
• Manutenção do equilíbrio e postura: o
vestibulocerebelo promove contração adequada dos
músculos axiais e proximais dos membros, de modo a
manter o equilíbrio e postura.
• Controle do tônus muscular: mantido, principalmente,
pelos núcleos denteado e interposto. A perda do tônus é
um dos sintomas de descerebelização.
• Controle dos movimentos voluntários: o cerebelo
controla o planejamento (pelo cerebrocerebelo) de
movimentos e faz correção do movimento já em execução
(pelo espinocerebelo).
• Aprendizagem motora: há evidencias de que fibras
olivocerebelares, que chegam ao córtex como fibras
trepadeiras e fazem sinapse diretamente com os células de
Purkinje, possam modular sua excitabilidade nesta
conexão, e, assim, modificar as respostas por tempo
prolongado aos estímulos, criando um padrão de atividade
apropriado.
4. APLICAÇÃO CLÍNICA
Quando o cerebelo é lesado, os principais sintomas observados
são: ataxia (incoordenação de movimentos), perda de equilíbrio,
hipotonia (diminuição do tônus da musculatura esquelética). Se o
envolvimento é global, é possível ver todos esses sintomas e do
cerebrocerebelo.
As síndromes cerebelares podem ser divididas em três, de
acordo com a divisão funcional: síndromes do vestíbulo, do
espino e do cerebrocerebelo.
SíNDROME SINTOMAS
Vestibulocerebelo
Marcha atáxica (base alargada e movimentos irregulares)
+ perda de controle dos movimentos oculares durante a
rotação de cabeça (nistagmo).
Espinocerebelo
Erros na execução motora (ataxia de membros). A área
afetada deixa de processar informações proprioceptivas
dos feixes espinocerebelares + nistagmo + alteração na
fala (disartria)
Cerebrocerebelo
Ligados ao movimento: atraso no início do movimento +
decomposição do movimento multiarticular +
disdiadococinesia + rechaço + tremor + dismetria
 
Quadro 5. Sintomas das síndromes cerebelares. Fonte: Elaborada pelo autor.
As etiologias podem ser bem variadas e se comportar de
maneira diferentes. Vamos relembrar as principais:
Se liga! É possível ver esses sintomas em casos
de embriaguez aguda. Isso acontece porque pois o
álcool tem efeito tóxico sobre as células de Purkinje.
ETIOLOGIA HISTÓRIA EXEMPLOSETIOLOGIA HISTÓRIA EXEMPLOS
Vascular
Início súbito, agudo.
Mantém quadro ou
melhora discreta.
AVCi ou AVCh.
Processo
expansivo
Crônico, piora
progressiva.
Comum em crianças. Neoplasias,
neuroinfecções
(neurotoxoplasmose, criptococose,
tuberculose).
Degenerativo
Crônico, piora
progressiva lenta.
Ataxias cerebelares hereditárias.
Intoxicação
Agudo/Crônico
Relação causal.
Fenitoína, carbamazepina.
 
 
Quadro 6. Causas dos distúrbios cerebelares. Fonte: Elaborada pelo autor.
Saiba mais! É a manobra de Holmes (do
rebote) é um dado semiológico bastante útil na
constatação de alteração cerebelar dos membros
superiores. Realiza-se a flexão do antebraço contra
resistência oposta pelo examinador, que
bruscamente a relaxa. O paciente terá incapacidade
de abortar um movimento quando se retira a
oposição a este.
Fonte: Meneses.2011.
Ê
REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS
 
Machado, ABM. Neuroanatomia funcional. 3 ed. SP. Atheneu.
2013.
Lent, Roberto. Cem bilhões de neurônios?. Conceitos
fundamentais de neurociências; 2 ed. Atheneu. 2010.
Netter. Rubin, Michael. Neuroanatomia Essencial. Elsevier. 1 ed.
2008.
Meneses, Murilo S. Neuroanatomia Aplicada. 3ª ed. Guanabara
Koogan. 2011
Greenberg, David A. et al. Neurologia Clinica. 8 ed. 2014
Kandel, Eric. R; et al. Principles of Neural Science. Fifth Edition.
2013.
5. ANATOMIA DA CABEÇA E
PESCOÇO
ANATOMIA DA CABEÇA 
1. ESTRUTURAS ÓSSEAS DO
CRÂNIO E DA FACE
O crânio é o esqueleto da cabeça, a área mais nobre do
corpo humano, sendo uma das partes mais coesas e
resistentes, devido à sua constituição óssea fechada, que
funciona como uma caixa para os componentes do Sistema
nervoso Central que se encontram dentro da cavidade
craniana. O estudo detalhado de suas estruturas nos dá um
importante arcabouço para avaliações clínicas, de diagnóstico
por imagem e cirúrgicas. Como veremos neste material, as
regiões cefálicas e cervicais, apesar de terem uma grande
quantidade de estruturas, têm relações lógicas que facilitam o
entendimento do tema.
Para o estudo dos componentes ósseos dessa região do
corpo, é necessário o entendimento de algumas
nomenclaturas utilizadas. Por exemplo, o termo “processo”
significa o prolongamento de um osso até outro osso, como o
“processo frontal da maxila”, que é um prolongamento do osso
maxila até o osso frontal. Nesse sentido, é válido relembrar
também que “forames” são passagens para estruturas
vasculonervosas, “fossas” são depressões ocasionadas pela
fixação de outras estruturas e “túberes e tubérculos” são
elevações onde se fixam estruturas.
2. VISCEROCRÂNIO X
NEUROCRÂNIO
Os ossos presentes no crânio podem ser divididos em dois
grandes grupos: neurocrânio e viscerocrânio. O primeiro
grupo é responsável por abrigar o encéfalo e seus envoltórios,
além da parte proximal dos nervos cranianos, sendo composto
por 8 ossos, sendo que 4 são ímpares (osso etmoide, osso
occipital, osso esfenoide, osso frontal) e 2 são pares (ossos
parietais e ossos temporais).
Enquanto isso, os ossos do viscerocrânio formam a parte
anterior do crânio, que circunda a cavidade oral, a cavidade
nasal e grande parte da cavidade orbital; somando um total de
14 ossos, sendo 2 destes ímpares (osso mandíbula e osso
vômer) e 6 pares (ossos maxilares, ossos das conchas nasais
inferiores, ossos zigomáticos, ossos palatinos, ossos nasais,
ossos lacrimais).
Diversos ossos do crânio são pneumáticos, ou seja,
apresentam cavidades aéreas em seu interior, com o possível
intuito de redução de peso desses componentes. Na posição
anatômica, o crânio se encontra no plano orbitomeatal, ou
seja, a margem inferior da órbita ocular está nivelada com a
margem superior do poro acústico externo.
3. VISÕES DO CRÂNIO
Vista frontal
Figura 1. Vista craniana frontal.
Fonte: stihii/Shutterstock.com
na vista frontal do crânio é possível observar os ossos:
frontal, maxilares, nasais, zigomáticos, parietais, mandíbula,
esfenoide, temporais, lacrimais, etmoide, vômer e osso da
concha nasal inferior. É possível visualizar o osso frontal em
sua totalidade anterior com suas estruturas visíveis: glabela,
região entre as sobrancelhas, acima da raiz do nariz; processo
zigomático, que se articula com o osso zigomático,
contribuindo com a formação da cavidade ocular; incisura
(quando aberta) ou forame (quando fechado) supraorbital, que
dá passagem à vasos e nervos supraorbitais; arcos
superciliares, regiões protuberantes acima das margens
supraorbitais. Sendo possível observar também sua
contribuição para formação da cavidade ocular, com sua face
orbital, além da articulação com os ossos esfenoide, etmoide,
zigomático, maxilares e lacrimal, assim como sua articulação
com os ossos nasais e parietais.
Nessa vista também é possível observar os ossos maxilares
em sua extensão, se articulando com os ossos: frontal, nasais,
zigomáticos, etmoide e lacrimais. Pode-se observar estruturas
típicas de tal osso, como: forame infraorbital, por onde passam
os vasos e nervo infraorbitais; processo frontal, que se articula
com o osso frontal e ossos nasais; abertura Piriforme, recesso
composto pelos ossos maxilares e nasais, onde o nariz externo
se implanta. Ademais, podemos ver: a contribuição dos ossos
maxilares na cavidade ocular; os processos alveolares, onde se
insere a arcada dental superior; e a espinha nasal anterior, na
extremidade inferior da abertura piriforme.
Pode-se observar também a face anterior do osso
zigomático, que se articula, na imagem, com os ossos: frontal,
maxilar, esfenoide e temporais. faz-se importante destacar as
estruturas: forame zigomaticofacial, por onde passam vasos e
nervos homônimos; processo frontal do osso zigomático, pelo
qual se articula com o osso frontal; processo temporal do osso
zigomático, pelo qual se articula com o osso temporal; e sua
face orbital, com a qual contribui para formação da cavidade
ocular. ademais, é possível ver a extensão do osso mandibular,
com observação fácil de seu corpo e ramo. Dentre as
estruturas visíveis estão ainda: tubérculo mentual, uma
proeminência óssea localizada na extremidade inferior do
osso; e o forame mentual, por onde passam o nervo e os vasos
mentuais. 
4. VISTA LATERAL
Figura 4. Vista craniana lateral.
Fonte: stihii/Shutterstock.com
Na vista lateral, é possível observar os ossos: mandíbula,
maxila, temporal, occipital, parietal, frontal, esfenoide,
zigomático, etmoide, lacrimal e nasal. Nessa visão, podemos
ver a totalidade externa do osso temporal e algumas de suas
mais relevantes estruturas, como: processo zigomático do osso
temporal, que se articula com o processo temporal do osso
zigomático, formando o arco zigomático; processo mastoide e
processo estiloide, que servem como locais para inserção de
tendões musculares; a fossa mandibular e o tubérculo
articular, estruturas da articulação temporomandibular (ATM),
que se articulam com a cabeça da mandíbula, permitindo a
mobilidade do osso mandíbula; região constituída pelos ossos
temporal, frontal, esfenoide e parietal, chamada fossa
temporal, onde se localiza o músculo mastigatório temporal;
processo coronoide, local de inserção do músculo temporal;
processo estiloide do osso temporal, que serve de inserção
para músculos da região cervical; além da abertura do meato
acústico externo e sulco da artéria temporal média. Podemos
também ver as articulações de tal osso com os ossos: occipital,
mandíbula e esfenoide. Ademais, é possível observar, na vista
lateral, as linhas temporais superior e Inferior, situadas nos
ossos frontal e parietal, que servem de inserção para músculos
e fáscias.
5. VISTA INFERIOR
Figura 5. Vista inferior da base do crânio.
Fonte: stihii/Shutterstock.com
Na vista inferior, é possível observar os ossos: occipital,
parietal, temporal, esfenoide, vômer, palatino, maxila, frontal e
zigomático. Em posição centroposterior, temos o osso occipital
em sua extensão inferior, com as estruturas visíveis: forame
magno, por onde passam medula, meninges e estruturas
vasculares associadas; tubérculo faríngeo, local de fixação da
rafe faríngea; côndilos Occipitais, que são as faces articulares
que se ligam à primeira vértebra cervical C1 – atlas; canal do
nervo hipoglosso, por onde passa o nervo hipoglosso (NC XII);
canal condilar, que dá passagem a veia emissária condilar
posterior, servindo como elo entre o plexo venoso suboccipital
e o seio sigmóideo; linhas nucais inferior e posterior, locais de
inserção de músculos cervicais; protuberância occipital
externa, região elevada onde se encontra um importante
ponto craniométrico, o ínio; e crista occipital externa, que
corresponde, externamente, ao local da confluência dos seios.
Além disso, na extensão de sua articulação com o osso
temporal, são observáveis as estruturas: forame mastóideo,
por onde passam a veia emissáriamastóidea e a artéria
meníngea posterior; fossa jugular com o forame jugular
profundamente, pelo qual passam os nervos glossofaríngeo
(NC IX), vago (NC X), acessório (NC XI) e veia jugular interna;
forame lacerado, formado com contribuição do osso esfenoide,
que dá passagem ao nervo petroso maior.
Também é possível observar estruturas presentes no osso
temporal em sua visão inferior, como: abertura externa do
canal carotídeo, por onde passam artéria carótida interna e
plexo carotídeo autônomo; canalículo timpânico, por onde
passa o ramo do nervo glossofaríngeo (NC IX); canalículo
mastóideo, por onde passa o ramo auricular do nervo vago (NC
X); forame estilomastóideo, por onde passa o nervo facial (NC
VII); incisura mastóidea, deixada pela inserção do músculo
digástrico. além das estruturas: processo zigomático, tubérculo
articular, fossa mandibular, abertura do meato acústico
externo, processo estiloide, processo mastóideo e sulco da
artéria occipital.
Nessa visão também é visível a estrutura do palato duro,
composto por duas lâminas ósseas: processo palatino da
maxila e lâmina horizontal do osso palatino, unidas pela sutura
palatina transversa; sendo o lado direito e esquerdo unidos
pela sutura palatina mediana. Nessa estrutura é possível
observar também: fossa incisiva, por onde passam o nervo
nasopalatino e a artéria esfenopalatina; forames palatinos
maior e menor, por onde passam estruturas vasculonervosas
homônimas. Além disso, pode ser visto também o limite
posterior da cavidade nasal: os cóanos nasais, divididos pelas
asas do osso vômer em lado direito e esquerdo. Ademais, é
possível observar estruturas do osso esfenoide, como suas
lâminas medials e laterais, sua asa maior e suas estruturas,
que serão detalhadas no corpo deste material.
6. VISTA DA CALVÁRIA
Nas vistas interna e externa da calvária, é possível observar
os ossos: Frontal, parietais, occipital, assim como suas suturas
e pontos craniométricos. Além disso, na visão externa é
possível observar os forames parietais, por onde passam veias
emissárias. Na vista interna, também são observáveis as
estruturas: sulco do seio sagital superior, que atravessa os três
ossos da calvária na linha mediana; sulco dos ramos dos vasos
meníngeos médios nos ossos frontal e parietais; fovéolas
granulares, impressões das granulações aracnóideas,
pequenos prolongamentos da meninge aracnoide,
responsáveis pela absorção de liquor. 
7. VISTA INTERNA DA BASE DO
CRÂNIO
Na vista interna da base do crânio é possível observar os
ossos: frontal, etmoide, esfenoide, temporal, parietal e
occipital. Para o melhor entendimento da visão da base do
crânio é importante destacar a divisão anatômica
convencionada em três fossas: anterior, média e posterior. Em
toda extensão da visão é possível observar sulcos dos vasos
meníngeos anteriores, médios e posteriores.
A fossa anterior tem sua extensão desde o osso frontal,
anteriormente, até a crista esfenoidal, composta pelas asas
menores do osso esfenoide. Tem como estruturas visíveis:
sulco do seio sagital superior, que se estende, superiormente,
desde o osso frontal até o osso occipital, por toda extensão da
calvária craniana; crista etmoidal e lâmina cribiforme do osso
etmoide, onde os bulbos olfatórios se acomodam; forame
cego, entre a crista frontal e etmoidal, por onde passa a veia
emissária para o seio sagital superior; e forames etmoidais
anteriores e posteriores, por onde passam nervos e vasos
homônimos.
A fossa média tem sua extensão entre a crista esfenoidal e o
sulco do seio petroso superior, impresso na margem superior
da parte petrosa do temporal. Podemos visualizar a superfície
superior do osso esfenoide, tornando visíveis as estruturas: asa
maior; asa menor; processo clinoide anterior; jugo esfenoidal;
sulco pré-quiasmático, deixado pelos nervos ópticos; sela turca
e suas estruturas que se situam medialmente na fossa média
do crânio; clivo, um declive composto pelos ossos esfenoide e
occipital, conduzindo até o forame magno; sulco carótico,
deixado pela artéria carótida interna; canal óptico, por onde
passam nervo óptico e artéria oftálmica; fissura orbital
superior, por onde passam nervo oculomotor (NC III), nervo
troclear (NC IV), ramos lacrimal, frontal e nasociliar do nervo
oftálmico (nc v), nervo abducente (NC VI) e veia oftálmica
superior; forame redondo, por onde passa o nervo maxilar (NC
V); forame oval, por onde passam nervo mandibular, artéria
meníngea acessória e, ocasionalmente, nervo petroso menor;
forame espinhoso, por onde passam vasos meníngeos médios
e ramo meníngeo do nervo mandibular; forame lacerado, que
é fechado por cartilagem. Além disso, são visíveis estruturas
do osso temporal, como os sulcos dos nervos petroso maior e
menor; impressão do nervo trigêmeo; canal carótico, que dá
passagem a artéria carótida interna e plexo carótico interno; e
hiatos dos nervos petroso maior e menor.
A fossa posterior tem sua extensão desde o sulco do seio
petroso superior até o osso occipital. tem como estruturas
visíveis, no osso temporal, o sulco do seio sigmoide; meato
acústico interno, que dá passagem ao nervo facial (NC VII),
nervo vestibulococlear (NC VIII) e artéria labiríntica; abertura
externa do canalículo do vestíbulo, por onde passa o ducto
endolinfático; forame jugular, por onde passam seio petroso
inferior, nervo glossofaríngeo (NC IX), nervo vago (NC X), nervo
acessório (NC XI), seio sigmoide e artéria meníngea posterior.
Já no osso occipital, podemos ver a crista occipital interna;
protuberância occipital interna; côndilos; canal do nervo
hipoglosso (NC XII); forame magno, que dá passagem ao
bulbo, meninges, artérias vertebrais, ramos meníngeos das
artérias vertebrais e ramos espinhais dos nervos acessórios
(NC XI); além de diversas impressões de estruturas vasculares,
como sulcos dos seios transverso, petroso inferior e occipital.
Para melhor entendimento dos forames da base do crânio,
trazemos a figura a seguir que traz o conteúdo de cada
passagem.
8. SELA TURCA
A sela turca é uma estrutura localizada no osso esfenoide,
em sua região superior, acima do corpo do osso e do seio
cavernoso, entre o tubérculo da sela turca e dorso da sela
turca, posicionada na porção mediana da fossa média do
crânio. Tal sela é o local onde a glândula hipófise se aloja,
sendo envolvida pelo seio cavernoso e estruturas adjacentes.
9. SUTURAS E PONTOS
CRANIOMÉTRICOS
As articulações fibrosas entre ossos do neurocrânio são
chamadas de suturas cranianas e estão listadas a seguir:
• Sutura coronal: articulação entre ossos frontal e
parietais.
Saiba mais! Devido à proximidade da
hipófise com o quiasma óptico, como pode ser
visto na figura 10, em casos de tumores de
hipófise, tal estrutura pode ser pressionada
levando a quadros clínicos compostos por
sintomas visuais. Além disso, como também pode
ser observado na imagem, a proximidade entre o
seio esfenoidal e o seio cavernoso justifica a
ocorrência de sinusites complicadas, conduzindo
a quadros de meningite.
• Sutura sagital: articulação entre ossos parietais
direito e esquerdo.
• Sutura lambdóidea: articulação entre ossos parietais
e occipital.
• Sutura escamosa: articulação entre parte escamosa
do osso temporal com osso occipital.
• Pontos craniométricos são processos utilizados para
medição, comparação e descrição da topografia
craniana e estão descritos a seguir:
• Bregma: Junção das suturas coronal e sagital.
• Lambda: Junção das suturas Lambdóidea e sagital.
• Ptério: Junção, em formato de H, entre os ossos
esfenoide, parietal, frontal e temporal (parte
escamosa).
• Astério: Junção entre as a sutura lambdóidea,
parietomastóidea, occiptomastóidea, ou seja,
representa a junção entre três suturas.
• Násio: Junção entre ossos nasais e frontal.
• Vértice: Ponto mais alto da calvária, próximo ao ponto
médio da calvária.
• Glabela: Proeminência lisa no osso frontal
superiormente à raiz do nariz. parte comprojeção mais
anterior da fronte.
• Ínio: Ponto mais proeminente da protuberância
occipital externa.
Saiba mais! Em neonatos, os ossos da
calvária craniana estão ligados uns aos outros por
membranas fibrosas, formando recessos ósseos
chamados de fontículos ou fontanelas. Existem 4
fontículos: anterior, entre os ossos frontal e
parietais; posterior, entre os ossos parietais e
Occipitais; posterolateral, localizado onde se situa
o astério; e anterolateral, entre ossos parietal,
temporal e esfenoide. Tais recessos dão ao crânio
do neonato a flexibilidade necessária durante o
parto normal, no qual as metades do osso frontal
tornam-se planas, o osso occipital é alongado e
leva a uma sobreposição dos ossos parietais.
Figura 6. O fechamento da fontanela do recém-nascido.
Fonte: Artemida-psy/Shutterstock.com
Além disso, no crânio do neonato, podemos
observar suturas extras, como a sutura frontal,
10. NARIZ E SEIOS DA FACE
O nariz (nariz externo e cavidade nasal) se localiza no centro
da face e é responsável pela comunicação do ambiente
externo com a nasofaringe, necessária para a ventilação do
sistema respiratório, tendo importante papel de aquecimento e
filtração do ar inspirado, devido à presença de vibrissas nasais
que, quando persistente passa a ser conhecida
como sutura metópica, e sutura da mandíbula. O
acompanhamento dessas suturas e fontículos tem
grande importância na clínica pediátrica, visto
que possibilita a monitoração do desenvolvimento
craniano da criança. Cada fontículo tem seu
período correto de fechamento. No fontículo
anterior esse período é, aproximadamente, aos
18 meses; fontículo posterior, posterolateral e
anterolateral se fecham até os 12 meses; já as
suturas frontal e mandibular começam a se fundir
aos dois anos. O fechamento antecipado desses
fontículos leva a problemas no desenvolvimento
craniano. Dentre esses distúrbios de
desenvolvimento, existem a escafocefalia, na
qual a sutura sagital se fecha prematuramente,
no qual o fontículo anterior é pequeno ou
ausente; plagiocefalia, no qual há fechamento
unilateral das suturas coronal e lambdóidea,
gerando torção e assimetria no crânio; e
oxicefalia, na qual há fechamento antecipado da
sutura coronal.
(pequenos pelos). Além disso, também é a região responsável
pelo sentido especial do olfato, devido aos prolongamentos do
bulbo olfatório, presentes em sua lâmina crivosa, localizada no
teto da cavidade. Dessa forma, divide-se a cavidade nasal em
2 áreas: Respiratória, correspondente aos 2/3 inferiores da
cavidade, e olfatória, corresponde ao 1/3 superior da cavidade.
Figura 7. Cavidade Nasal.
Fonte: gritsalak karalak/Shutterstock.com
O órgão nasal se estende desde o ápice do nariz até os
cóanos nasais, orifícios de passagem do ar para nasofaringe,
sendo composto por paredes ósseas e cartilaginosas e dividido
pelo septo nasal, constituído pela cartilagem do septo nasal,
osso vômer e lâmina perpendicular do osso etmoide, em
cavidades direita e esquerda. Além disso, o nariz pode ser
dividido, anatomicamente, em nariz externo e nariz interno,
também conhecido como cavidade nasal. O nariz externo tem
como constituintes a raiz do nariz, o dorso do nariz, suas asas
direita e esquerda, que conduzem, distalmente, até o ápice do
nariz; além disso, é presente a região chamada de base do
nariz, onde se situam as narinas, aberturas responsáveis pela
passagem de ar para o dentro da cavidade nasal. Quanto à
passagem de ar pela cavidade nasal, temos quatro espaços
destinados a essa função em cada cavidade nasal, os meatos
nasais: Comum (espaço situado entre conchas nasais e septo
nasal); inferior (espaço situado abaixo da concha nasal
inferior), onde se situa a abertura do ducto nasolacrimal que,
por sua vez, é um ducto comunicante entre cavidade ocular e
nasal; médio (espaço situado entre conchas nasais inferior e
média), onde se localizam as estruturas de drenagem:
infundíbulo etmoidal, hiato semilunar, bolha etmoidal,
processo uncinado e orifício do seio maxilar; e superior (espaço
situado entre conchas nasais média e superior), além do
recesso esfenoetmoidal.
Figura 8. Anatomia do nariz.
Fonte: solar22/Shutterstock.com
O nariz externo é composto por uma maioria de
componentes cartilaginosos e uma minoria de componentes
ósseos, sendo recoberto por pele externa e internamente, até
a região do vestíbulo do nariz, onde passa a ser revestido por
uma túnica mucosa. no que diz respeito à sua parte óssea, o
nariz externo se acopla na face por meio de aberturas
piriformes formadas pelos ossos maxilares e ossos nasais, que
se prolongam superiormente e contribuem com a região do
dorso do nariz. Dentre as estruturas cartilaginosas podemos
destacar os prolongamentos do septo nasal, chamados de
processos laterais da cartilagem do septo nasal, que
contribuem majoritariamente para a região das asas nasais.
Além disso, são presentes cartilagens em formato de U, que
podem alargar ou estreitar a abertura nasal, de acordo com a
ação muscular, conhecidas como cartilagens alares. Dentre
elas, há as cartilagens alares maiores, divididas entre ramo
lateral e medial, bilateralmente, contribuindo para a formação
do ápice do nariz e narinas, que são a entrada de ar para a
cavidade nasal. Além disso, no nariz externo, o septo nasal,
responsável por dividir a cavidade em duas partes, é composto
pela cartilagem do septo nasal. Existem ainda as cartilagens
alares menores, tecido fibroadiposo e cartilagens acessórias.
Figura 9. Cavidade craniana.
Fonte: stihii/Shutterstock.com
Por sua vez, a cavidade nasal é constituída por paredes
superior, inferior, lateral e medial, sendo essa última a única
parede que apresenta contribuição cartilaginosa, visto que é
composta, em parte, pela cartilagem do septo nasal.
• Parede Superior: também chamada de teto da
cavidade nasal, tal parede é composta totalmente por
estruturas ósseas, recebendo contribuições dos ossos:
nasal, frontal (por meio da espinha nasal do osso
frontal), etmoide (por meio da lâmina cribiforme do
osso etmoide) e esfenoide (por meio do corpo do
esfenoide).
• Parede inferior: também chamada de assoalho da
cavidade nasal, tal parede é composta pelos ossos
maxila (por meio do processo palatino da maxila),
anteriormente, e palatino (por meio da lâmina
horizontal do processo palatino).
• Parede medial: também chamado de septo nasal, tal
parede é a única a ter contribuição tanto óssea quanto
cartilaginosa. Dessa forma, seu componente
cartilaginoso é o septo nasal, que se alonga
posteriormente até as estruturas ósseas. Tais
estruturas são compostas pelos ossos: vômer
inferiormente e etmoide (por meio da lâmina
perpendicular do osso etmoide) superiormente. 
• Parede lateral: a parede lateral tem contribuição,
anteriormente, do osso maxila, com sua face nasal, e
palatino, com sua lâmina perpendicular, que forma a
parede lateral posteriormente. Além disso, é de suma
necessidade destacar a importância das estruturas
chamadas conchas nasais: conchas nasais superior e
média, constituídas pelo osso etmoide, e concha nasal
inferior, constituída por um osso homônimo. como já
dito, o crânio apresenta alguns ossos pneumáticos, ou
seja, que apresentam cavidades ocas em seu interior,
para uma redução de peso desses componentes. Tais
cavidades, quando se comunicam com a cavidade
nasal são conhecidas como seios paranasais. Tais seios
são nomeados de acordo com os ossos nos quais estão
localizados. São encontrados seios paranasais nos
ossos frontal, esfenoidal, etmoidal (podendo ser
conhecido pela nomenclatura de células etmoidais) e
maxila. 
• Seio frontal: são seios geralmente identificáveis até
os 7 anos de idade, localizados posteriormente aos
arcos superciliares e raiz do nariz, medindo cerca de 5
mm.
• Seio esfenoidal: são seios localizados no corpo do
osso esfenoide, sendo derivados de células etmoidais
inferiores que invadem o osso esfenoide, por volta dos
2 anosde idade. Deve-se destacar sua importância
clínica devido à sua proximidade a estruturas nobres.
• Seio etmoidal: também conhecido como células
etmoidais. Localizado entre cavidade nasal e órbitas,
não é visível em radiografias até os 2 anos de idade e
são divididas, de acordo com sua drenagem para
cavidade nasal em: células etmoidais anteriores,
médias e posteriores.
Figura 10. Anatomia do nariz e seios da face.
Fonte: Alila Medical Media/Shutterstock.com.
• Seio maxilar: Os seios maxilares, situados nos
corpos dos ossos maxilas, são os maiores seios
paranasais do corpo humano, apresentando ápice, que
avança em direção ao osso zigomático. base, que
constitui, inferiormente, a parede lateral da cavidade
nasal. teto, composto pelo assoalho da órbita. e
assoalho, formado pela parte alveolar da maxila.
Cada seio paranasal obedece a uma ordem de drenagem
para cavidade nasal, como podemos observar no fluxograma a
seguir:
Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição
Saiba mais! Epistaxe Crônica: A região
anterior do nariz conta com a anastomose de
quatro a cinco artérias nasais, que geram uma
área extrema vascularizada, conhecida como área
de Kiesselbach, sendo comumente relacionada a
epistaxes crônicas de etiologia desconhecida.
11. ARTICULAÇÃO
TEMPOROMANDIBULAR
Figura 11. Ligamentos da articulação temporomandibular.
Fonre: Alex Mit/Shutterstock.com
A articulação temporomandibular (ATM) é uma articulação
sinovial do tipo gínglimo, responsável pela mobilidade do osso
mandíbula, sendo composta pelos movimentos de translação
(protusão e retrusão), pequena rotação, além da flexão
(elevação) e extensão (abaixamento), vital para mastigação.
Tal articulação é composta por 3 componentes ósseos:
tubérculo articular e fossa mandibular do osso temporal,
superiormente, e cabeça da mandíbula, inferiormente, que são
separados pelo disco articular da ATM. A articulação conta
também com três ligamentos, responsáveis pela estabilização
e sustentação da articulação, os ligamentos: lateral,
estilomandibular e esfenomandibular, sendo este o principal
mecanismo responsável pela sustentação passiva da
mandíbula.
Para melhor entendimento de cada grupamento muscular
nas ações sobre a ATM, observe o quadro abaixo:
Movimentos Músculos
Elevação Temporal, masseter e pterigóideo medial
Depressão
Pterigóideo lateral, músculos supra-hióideos e
infra-hióideos
Protusão Pterigóideo lateral, masseter e pterigóideo medial
Retrusão
Temporal (fibras oblíquas posteriores e quase
horizontais) e masseter
Movimentos laterais
Temporal do mesmo lado, pterigóideos do lado
oposto e masseter
Quadro 1. Movimentação da ATM.
Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
12. ESTRUTURAS MUSCULARES
DO CRÂNIO
Os músculos cranianos podem ser divididos em músculos
craniofaciais, responsáveis pela mímica facial, e músculos
mastigatórios, responsáveis pela mastigação. Os músculos
craniofaciais têm seu funcionamento baseado em ação
semelhante a um esfíncter ou ação dilatadora dos orifícios
orofaciais. Para melhor estudo dos músculos craniofaciais,
podemos dividi-los em 4 grupos: (1) epicranianos, (2)
circunorbitais e palpebrais, (3) nasais e (4) bucolabiais.
Dentro do grupo dos músculos epicranianos estão os
músculos localizados na região superior do crânio, que
recobrem o neurocrânio; dentre eles estão os músculos:
frontal, occipital e temporoparietal. Os músculos frontal e
occipital são unidos por uma estrutura fascial chamada de
gálea aponeurótica, que conjuga o movimento dos dois
músculos, motivo pelo qual alguns autores consideram ambos
os músculos como um só: o músculo occipitofrontal.
Figura 12. Músculos da face.
Fonte: Gehrke/Shutterstock.com
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Frontal
Aponeurose
epicraniana
Pele e tecido
subcutâneo
dos
supercílios e
testa
Eleva os
supercílios e
pele da
fronte.
Trabalha em
sinergia
com
músculo
occipital
Ramos
temporais
do nervo
facial (VII)
Occipital 2/3 laterais Aponeurose Retrai o Ramo
da linha
nucal
superior do
osso
occipital e
processo
mastoide do
osso
temporal
epicraniana couro
cabeludo.
Trabalha em
sinergia
com
músculo
frontal
auricular
posterior do
nervo facial
(VII)
Temporoparietal
Fáscia
temporal e
pele da
região
temporal
Aponeurose
epicraniana
Movimenta
o escalpo e
traciona
para trás a
pele das
têmporas
Movimenta
o escalpo e
traciona
para trás a
pele das
têmporas
Quadro 2. Músculos epicranianos.
Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
No grupo dos músculos circunorbitais / palpebrais estão
os músculos situados em torno das cavidades oculares. Dentre
eles estão os músculos: orbicular do olho e corrugador do
supercílio.
MÚSCULOS ORIGEM INSERÇÃO FUNÇÃO INERVAÇÃO
Orbicular do
olho
Margem
orbital
medial,
ligamento
palpebral
Órbita e rafe
palpebral
lateral
Fecha as
pálpebras de
forma abrupta
(piscar) ou de
forma suave
Ramos
temporal e
zigomático
do nervo
facial (VII)
medial, osso
lacrimal
Corrugador
do supercílio
Extremidade
medial do
arco
superciliar
Pele superior
ao meio da
margem
supraorbital
e arco
superciliar 
Abduz o
supercílio
inferiormente,
criando rugas
verticais
acima da raiz
do nariz,
típicas da
mímica facial
de
preocupação
Ramos
temporais
do nervo
facial (VII) 
Quadro 3. Músculos circunorbitais.
Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
No grupo dos músculos nasais estão os músculos situados
na região nasal, sendo responsáveis pela movimentação do
nariz externo, presentes na mímica facial. Dentre eles estão os
músculos: Ppócero, nasal, abaixador do septo nasal,
levantador do lábio superior e da asa do nariz.
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Prócero
Fáscia
aponeurótica
sobre ossos
nasais
Pele sobre a
glabela do
osso frontal
Abaixa a
extremidade
medial do
supercílio,
enruga pele
do dorso do
nariz
Ramos
temporal,
zigomático e
bucal (menor
contribuição) 
do nervo
facial (VII)
Nasal
Parte
transversa:
maxila
lateralmente
à fossa
incisiva e à
parte alar 
parte alar:
maxila acima
dos dentes
incisivo
lateral e
canino
Parte
transversa:
Aponeurose
sobre osso
nasal
Parte alar:
Pele da asa
do nariz,
acima da
cartilagem
alar maior
Parte
transversa:
Enruga pele
do dorso do
nariz
Parte alar:
Abaixa a asa
lateralmente,
dilatando a
abertura
nasal anterior
Ramos
zigomático e
bucal do
nervo facial
(VII)
Abaixador
do septo
nasal
Maxila, acima
dos dentes
incisivos e da
espinha nasal
anterior
Parte móvel
do septo
nasal e ramo
medial da
cartilagem
alar maior.
Abaixa a
porção
inferior do
septo nasal
Ramo
zigomático e
bucal do
nervo facial
(VII)
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Levantador
do lábio
superior e
asa do
nariz
Processo
frontal da
maxila
Cartilagem
alar maior
Abaixa a asa
lateralmente,
dilatando a
abertura
nasal anterior
Ramos
zigomático e
bucal superior
do nervo
facial (VII)
Quadro 4. Músculos nasais.
Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Orbicular da
boca
Parte medial da
maxila e
mandíbula, modíolo
da boca e pele
perioral
Mucosa dos
lábios
Fechar a rima
da boca,
contração
fásica protrai
os lábios
ramos bucal e
mandibular
do nervo
facial (VII)
Levantador
do lábio
superior
Maxila e osso
zigomático acima
do forame
infraorbital
Porção
muscular do
lábio
superior
Músculo
dilatador da
boca, retrai e
everte lábio
superior e
aprofundam
sulco
nasolabial
ramos
zigomático e
bucal do
nervo facial
(VII)
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Abaixador
do lábio
inferior
Linha oblíqua da
mandíbula
Pele do lábio
inferiorMúsculo
dilatador da
boca, retrai e
everte lábio
inferior
ramo
mandibular
do nervo
facial (VII)
Levantador
do ângulo
da boca
Fossa canina da
maxila abaixo do
forame infraorbital
Ângulo da
boca
(modíolo)
Músculo
dilatador da
boca, alarga
rima, como em
um sorriso com
dentes à
mostra
ramos
zigomático e
bucal do
nervo facial
(VII)
Abaixador
do ângulo
da boca
Tubérculo mentual
da mandíbula e
linha oblíqua
Ângulo da
boca
(modíolo)
Músculo
dilatador da
boca, abaixa a
comissura
labial
bilateralmente
ramos bucal e
mandibular
do nervo
facial (VII)
Zigomático
maior
Parte lateral do
osso zigomático,
anterior à sutura
zigomaticotemporal
Ângulo da
boca
(modíolo)
Músculo
dilatador da
boca, eleva
comissura
labial
bilateralmente
Ramos
zigomático e
bucal do
nervo facial
(VII)
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Zigomático
menor
Parte anterior do
osso zigomático,
posterior à sutura
zigomaticomaxilar
Pele do lábio
superior
Músculo
dilatador da
boca, retrai e
everte lábio
superior e
aprofundam
sulco
nasolabial
Ramos
zigomático e
bucal do
nervo facial
(VII)
Bucinador
Mandíbula,
processos
alveolares da
maxila e
mandíbula, rafe
Pterigomandibular
Ângulo da
boca
(modíolo)
Importante
para
mastigação por
manter
alimento
dentro das
faces oclusais,
resiste a
distensão
Ramo bucal
do nervo
facial (VII)
Risório
Fáscia parotídea e
pele da
boca
Ângulo da
boca
(modíolo)
Músculo
dilatador da
boca, abaixa a
comissura
labial
bilateralmente
Ramo bucal
do nervo
facial (VII)
Mentual
Fossa incisiva da
mandíbula
Pele do
queixo
Eleva e protrai
o lábio inferior,
eleva a pele do
queixo.
Ramo
mandibular
do nervo
facial (VII)
Quadro 5. Músculos bucolabiais.
Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
No grupo dos músculos Bucolabiais estão os músculos
com ações relacionadas a movimentação dos lábios. Dentre
eles estão: orbicular da boca, Levantador do lábio superior,
abaixador do lábio inferior, levantador do ângulo da boca,
abaixador do ângulo da boca, zigomático maior, zigomático
menor, bucinador, risório e mentual.
Além dos músculos craniofaciais, responsáveis pela mímica
facial, existem os músculos mastigatórios, utilizados na
mastigação, movimento de vital importância na digestão
alimentar. Dentre os músculos mastigatórios estão: músculo
masseter, músculo temporal, músculo pterigóideo medial,
músculo pterigóideo lateral.
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Masseter
Aponeurose do
processo
maxilar do
osso
zigomático e
arco
zigomático
Ângulo inferior,
superfície
lateral e parte
superior do
ramo da
mandíbula,
além do seu
processo
coronoide
Eleva a
mandíbula,
fechando a
boca, contribui
com protusão
mandibular
Nervo
massetérico
do nervo
Trigêmeo (V)
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Temporal
Fossa temporal
acima da linha
temporal
inferior e
fáscia
temporal
Processo
coronóide da
mandíbula e
margem
anterior do
ramo da
mandíbula
Eleva a
mandíbula,
fechando a
boca, contribui
com retração da
mandíbula
Nervos
temporais
profundos do
nervo
trigêmeo (V)
Pterigóideo
medial
Cabeça
profunda: face
medial da
lâmina lateral
do processo
pterigoide do
osso esfenoide
Cabeça
superficial:
túber da
maxila e
processo
piramidal do
osso palatino
Parte
posteroinferior
da superfície
medial do
ângulo e ramo
da mandíbula
Atua
sinergicamente
com o músculo
masseter para
elevar a
mandíbula;
contribui para a
protrusão
Nervo
pterigóideos
medial do
nervo
trigêmeo (V)
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Pterigóideo
lateral
Cabeça
superior:
porção
infratemporal
da asa maior
do osso
esfenoide¹;
Cabeça
inferior:
superfície
lateral da
lâmina lateral
do processo
pterigoide¹
Fóvea
pterigóidea (do
colo da
mandíbula)
Agindo
bilateralmente,
protrai a
mandíbula e
abaixa o queixo;
agindo
unilateralmente,
balança a
mandíbula para
o outro lado;
unilateral
alternadamente
produz maiores
movimentos
laterais de
mastigação
Nervos
pterigóideos
laterais do
nervo
trigêmeo (V)
Quadro 6. Músculos mastigatórios.
Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
ANATOMIA DO PESCOÇO
Figura 13. Músculos do pescoço.
Fonte: Mister_X/Shutterstock.com
Para melhor estudo das estruturas cervicais, o pescoço é
subdividido em trígonos e fossas, utilizando músculos e
estruturas ósseas como referenciais para divisão; dentre tais
trígonos e regiões estão: região esternocleidomastóidea,
onde se localizam: Músculo esternocleidomastóideo (ecom),
veia jugular externa, nervos auricular magno e cervical
transverso; fossa supraclavicular menor, onde está a veia
jugular interna; região cervical posterior, onde se localizam
músculo trapézio e ramos cutâneos dos ramos posteriores dos
nervos espinais cervicais; região occipital, que conta com a
veia jugular externa, troncos do plexo braquial e linfonodo
cervical; trígono omoclavicular, onde se localizam a
glândula submandibular, linfonodos submandibulares, nervos
hipoglosso e milo-hióideo; trígono submentual, onde se
encontram linfonodos homônimos; trígono carotídeo,
contendo a artéria carótida comum, veia jugular interna, nervo
vago, acessório e hipoglosso; e trígono muscular, onde é
possível observar os músculos Esternotireóideo, esterno-
hióideo, glândulas tireoide e paratireoides.
1. ESTRUTURAS ÓSSEAS DO
PESCOÇO
Figura 14. Vértebra típica.
Fonte: stihii/Shutterstock.com
A coluna vertebral é uma ligação curva formada pelo
conjunto das vértebras e dos discos intervertebrais, que se
estende da base do crânio ao ápice do cóccix, sendo o
principal componente do esqueleto axial, com medida de cerca
de 60-70 cm de extensão. A coluna tem, habitualmente, 33
segmentos vertebrais, divididos em 7 vértebras cervicais, 12
vértebras torácicas, 5 vértebras lombares, 5 vértebras sacrais
e 4 vértebras coccígeas. Tais vértebras têm estrutura geral
composta por corpo vertebral, anteriormente; arco vertebral,
posteriormente; processo espinhoso, mediano, posteriormente;
processos transversos, posterolateralmente; processos
articulares superiores e inferiores com suas faces articulares. A
junção do arco vertebral e da face posterior do corpo vertebral
forma o forame vertebral e a sucessão de tais passagens
constitui o canal vertebral, por onde a medula espinhal se
alonga inferiormente.
Figura 15. Vértebra cervical típica.
Fonte: stihii/Shutterstock.com
As vértebras cervicais são as vértebras que possuem maior
amplitude e variedade de movimento, além de serem as
menores vértebras. Possuem características típicas,
obedecidas pelas vértebras C3-C6. Tais características são:
corpo vertebral pequeno e largo; presença de processo
espinhoso curto, horizontal e bífido; processos transversos com
tubérculos anterior e posterior; forames transversários em
seus processos transversos, por onde passam artérias
vertebrais; sulco do nervo espinhal; forame vertebral largo e
triangular. 
Figura 16. Vértebras C1 e C2.
Fonte: stihii/Shutterstock.com
Ao analisarmos a vértebra atípica C1, conhecida como atlas,
devemos nos atentar às características de ausência de um
corpo vertebral e processo espinhoso; presença de faces
articulares superiores e inferiores, como duas massas laterais,
de tubérculo para inserção do ligamento transverso do atlas; e
presença da fóvea do dente, que serve de articulação para o
processo odontoide do áxis (C2). 
Já ao analisar a vértebra atípica C2, conhecida como áxis,
devemos nos atentar à presença de um processo odontoide ou
dente, que possibilita que tal vértebra sirva como o eixo de
rotação horizontal da cabeça.
Figura 17. Osso hioide.
Fonte: stihii/Shutterstock.com
Por último, ao analisarmos a vértebra C7, devemos nos
atentar ao seu processo espinhoso longo e pontiagudo, que
leva a sua fácil visualização na superfícieposterior do pescoço,
como a vértebra mais proeminente. Além disso, possui
forames transversários menores ou ausentes.
Além disso, é importante ressaltar o osso hioide, composto
por corpo, cornos maiores e menores, servindo de inserção
proximal e distal de diversos músculos cervicais.
Saiba mais! As raízes nervosas dorsais dos
nervos espinhais cervicais inferiores conduzem à
formação de uma estrutura nervosa de suma
importância: o plexo braquial, responsável pela
inervação dos membros superiores. O plexo é
formado pelas raízes dos nervos C5 – T1, podendo
ter contribuição da raiz de C4, sendo assim
chamado de pré-fixado, ou ter contribuição de T2,
sendo então chamado de pós-fixado.
Figura 18. Plexo braquial.
Fonte: Alila Medical Media/Shutterstock.com
2. FÁSCIAS CERVICAIS
O pescoço é uma região do corpo repleta de áreas nobres,
sendo dividido por suas fáscias em compartimentos. No total,
existem 5 lâminas, que são: lâmina subcutânea do
pescoço, que é a camada mais superficial da região cervical;
lâmina superficial, que adentra ainda mais nas estruturas
cervicais, tendo íntimo contato com outras estruturas; lâmina
pré-traqueal, na qual se localizam as vísceras cervicais, como
traqueia, esôfago, glândula tireoide, faringe, laringe, etc;
lâmina pré-vertebral, que envolve os grupamentos
musculares e estruturas mais centrais da região cervical;
Se liga! Os nervos espinhais cervicais são
nomeados de acordo com a vértebra localizada
inferiormente, por exemplo, o nervo espinhal C1
tem sua saída acima da vértebra C1; enquanto os
nervos espinhais torácicos têm sua nomenclatura
relacionada com a vértebra localizada
superiormente, por exemplo, o nervo espinhal T2
tem sua saída abaixo da vértebra T2. Tal
convenção de nomenclatura levou a uma falha: o
nervo localizado abaixo da vértebra C7 não teria
nome, porém foi convencionado que tal nervo
seria conhecido como nervo espinhal C8.
fáscia alar e bainha carotídea, que envolvem as artérias
carótidas comuns, veia jugular interna e nervo vago.
No compartimento mais superficial, é possível observar o
músculo platisma, envolto pela fáscia de tecido subcutâneo do
pescoço. Em sequência, adentrando mais uma fáscia, a fáscia
superficial, podemos observar os músculos:
esternocleidomastóideo (ecom), anteriormente, e trapézio,
posteriormente. Dessa forma, podemos agrupar tais músculos
como do grupo de músculos cervicais superficiais.
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Conceito! Músculos Para melhor estudo
dos músculos cervicais, devemos entender alguns
conceitos lógicos acerca de nomenclatura: alguns
músculos cervicais têm seu nome baseado em
suas origens (inserção proximal) e inserções
(inserção distal), como, por exemplo, o músculo
estilo-hioide, que tem sua origem no processo
estiloide do osso temporal e inserção no osso
hioide. Dessa forma, quando os músculos tiverem
esse tipo de nomenclatura, é uma boa estratégia
pensar no macete “músculo origem-inserção”.
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Platisma
Pele inferior à
clavícula e da
parte superior
do tórax
Mandíbula e
músculos da
face junto à
boca
Tensiona a pele
do pescoço
Nervo facial
(VII)
Ecom
“Parte
esternal”:
superfície
anterior do
manúbrio
“Parte
clavicular”:
superfície
superior do 1/3
medial da
clavícula
Superfície
lateral do
Processo
mastoide;
metade lateral
da linha nucal
superior do
osso occipital
Bilateralmente:
Flexiona a
cabeça, eleva a
parede torácica
Unilateralmente:
Roda a cabeça
para o lado
oposto
Nervo
acessório (XI)
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Trapézio
Terço medial da
linha nucal
superior,
protuberância
occipital
externa,
ligamento
nucal,
processos
espinhosos das
vértebras cvii a
txii, e
processos
espinhosos
lombares e
sacrais
Terço lateral
da
Clavícula,
acrômio e
espinha da
escápula
Eleva, retrai e
gira a escápula
superiormente
Fibras
descendentes:
elevam o
cíngulo do
membro
superior,
mantêm o nível
dos ombros
contra a
gravidade ou a
resistência
Fibras
transversas:
retraem a
escápula
Fibras
ascendentes:
abaixam os
ombros
Nervo
acessório (XI)
Quadro 7. Músculos cervicais superficiais.
Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
O próximo grupo muscular é composto pelos músculos
situados entre a lâmina superficial e lâmina pré-traqueal. Tal
grupo muscular é dividido em dois grupos, conforme a posição
dos músculos em relação ao osso hioide: supra-hióideos e
infra-hióideos. O primeiro grupo é composto pelos músculos:
milo-hióideo, gênio-hióideo, estilo-hióideo e digástrico. O
segundo grupo é composto pelos músculos: esterno-hióideos,
Esternotireóideo, omo-hióideo e tireo-hióideo.
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Milo-hióideo
Linha
milohioidea da
mandíbula
“Rafe
mediana” no
assoalho da
boca e corpo
do osso hioide
Eleva o osso
hioide, a base
da língua, o
assoalho da
boca; abaixa a
mandíbula
Nervo milo-
hióideo, ramo
do nervo
mandibular (V)
Gênio-
hióideo
Superfície
posterior do
Corpo da
mandíbula
Superfície
anterior do
corpo do osso
hioide
Eleva o osso
hioide e abaixa
a mandíbula
Ramo de C1,
por meio do
nervo
hipoglosso
(NC XII)
Estilo-
hióideo
Superfície
posterior do
processo
estiloide
Corpo do osso
hioide, na
junção com o
corno maior
Eleva o osso
hioide e a base
da língua
Nervo facial
(VII)
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Digástrico
Ventre
anterior:
Fossa
digástrica da
mandíbula
Ventre
posterior:
Incisura
mastóidea do
osso temporal
Tendão
intermédio
fixo no corpo
do osso hioide
Eleva o osso
hioide e a base
da língua;
estabiliza o
osso hioide;
abre a boca
pelo
abaixamento
da mandíbula
Ventre
anterior:
nervo
milohióideo
Ventre
posterior:
nervo facial
Quadro 8. Músculos cervicais infra-hióideos. 
Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Esterno-hióideo
Superfície posterior do
manúbrio do esterno,
ligamento
esternoclavicular
posterior, extremidade
medial da clavícula
Parte
medial da
margem
inferior do
corpo do
osso hioide
Abaixa a
laringe e o
osso
hioide;
estabiliza o
osso hioide
Alça
cervical
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Omo-hióideo
Ventre inferior:
Da margem superior da
escápula e do
“ligamento
supraescapular”,
terminando no tendão
sob o músculo
esternocleidomastóideo
Ventre superior: tendão
sob o músculo ecom
Ventre
inferior:
tendão
intermédio
Ventre
superior:
Corpo do
osso hioide
Estabiliza o
osso hioide
e abaixa
esse osso
Alça
cervical
Esternotireóideo
Superfície posterior do
manúbrio do esterno,
inferior e
profundamente à
inserção do músculo
esterno-hióideo,
extremidade da
primeira cartilagem
costal
Linha
oblíqua na
lâmina da
cartilagem
tireóidea
Abaixa a
laringe e a
cartilagem
tireóidea
Alça
cervical
Tireo-hióideo
Linha oblíqua na lâmina
da cartilagem
Tireóidea
Margem
inferior do
corpo e no
corno
maior do
osso hioide
Abaixa a
laringe e o
osso
hioide.
Eleva a
cartilagem
tireóidea
Ramo
tireohióideo
do nervo
espinal
c=C1, via
nervo
hipoglosso
(NC XII)
Quadro 9. Músculos cervicais infra-hióideos. 
Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição. 
Seguindo para planos mais profundos, chegamos aos
músculos localizados internamente à lâmina pré-vertebral.
Para melhor análise desses músculos, tal grupo muscular é
dividido em regiões anteriores (pré-vertebrais) e laterais
(vertebrais laterais). O grupo pré-vertebral é composto
pelos músculos: longo do pescoço, longo da cabeça, reto
anterior da cabeça e escaleno anterior. Já o grupo vertebral
lateral é composto pelos músculos: reto lateral da cabeça,
esplênio da cabeça, esplênio do pescoço, levantador da
escápula, escaleno médio e escaleno posterior.
Músculos Origem InserçãoFunção Inervação
Longo do
Pescoço
“Porção
vertical”:
vértebras C5 -
T3
“Porção oblíqua
inferior”:
vértebras T1 -
T3
“Porção oblíqua
superior”:
Tubérculos
anteriores dos
processos
transversos
das vértebras
C3-C5
Vértebras C2-
C4
Tubérculos
anteriores dos
processos
transversos
das vértebras
C5-C6
Tubérculo do
arco anterior
do atlas (C1)
Bilateralmente:
flexiona e
auxilia na
rotação das
vértebras
cervicais e da
cabeça.
Unilateralmente:
Flexiona
lateralmente a
parte cervical da
coluna vertebral
Ramo anterior
dos nervos
espinais
cervicais (C2-
C8)
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Longo da
Cabeça
Tubérculo
anterior dos
Processos
transversos de
C3-C6
Superfície
inferior da
parte basilar
do osso
Occipital
Flexiona e
auxilia a rotação
das vértebras
cervicais e da
Cabeça
Ramo anterior
dos nervos
cervicais C1-
C4
Reto
Anterior da
Cabeça
Massa lateral
do atlas (C1)
Base do osso
occipital
anterior ao
forame Magno
Flexiona a
cabeça
Ramos
anteriores dos
nervos
espinais
cervicais (C1-
C2)
Escaleno
Anterior
Tubérculos
anteriores dos
Processos
Transversos de
C3-C6
Tubérculo do
músculo
Escaleno
anterior, na 1ª
costela
Eleva a 1ª
costela; inclina a
parte cervical da
coluna vertebral
Ramos
anteriores dos
nervos
espinais
cervicais (C5-
C8)
Quadro 10. Músculos cervicais pré-vertebrais.
Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
Músculos Origem Inserção Função Inervação
Esplênio do
Pescoço
Ligamento
nucal e
processos
espinhosos de
C7-T6
Tubérculos dos
processos
transversos de
C1-C3
Isoladamente:
fletem e rodam
a cabeça para o
mesmo lado.
Em conjunto:
estendem a
Nervos
espinhais do
segmento
correspondente
cabeça e o
pescoço
Reto Lateral
da Cabeça
Superfície
superior do
processo
transverso do
atlas (C1)
Superfície
inferior do
Processo
Jugular do
Osso Occipital
Inclina a cabeça
para o mesmo
lado (flexão
lateral)
Ramos
anteriores dos
nervos espinais
cervicais  (C1-
C2)
Esplênio da
cabeça
Ligamento
nucal e
processos
espinhosos de
c7-t6
Processo
mastoide do
osso temporal
e terço lateral
da linha nucal
superior do
osso occipital
Flete
lateralmente e
gira a cabeça e
o pescoço para
o mesmo lado;
agindo
bilateralmente,
estende a
cabeça e o
pescoço
Ramos
posteriores dos
nervos espinais
cervicais
intermédios
Levantador
da escápula
Tubérculos
posteriores
dos processos
transversos
das vértebras
c2-c6
Parte superior
da margem
medial da
escápula
Rotação da
escápula para
baixo e
inclinação da
cavidade
glenoidal
inferiormente
por meio de
rotação da
escápula
Nervo dorsal da
escápula c5 e
nervos espinais
cervicais c3-c4
Escaleno
médio
Tubérculos
posteriores
dos processos
Superfície
superior da 1ª
costela
(posterior ao
Eleva a 1ª
costela; inclina
a parte cervical
Ramos
anteriores dos
nervos espinais
cervicais
transversos de
c5-c7
sulco dos
vasos
subclávios)
da coluna
vertebral
Escaleno
posterior
Tubérculos
posteriores
dos processos
transversos de
c5-c7
Superfície
externa da 2ª
costela
(posterior à
inserção do
músculo
Serrátil
anterior)
Eleva a 2ª
costela; inclina
a parte cervical
da coluna
vertebral
Ramos
anteriores dos
nervos espinais
cervicais c7 e
c8
Quadro 11. Músculos cervicais vertebrais laterais.
Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
3. VASCULARIZAÇÃO ARTERIAL DA
CABEÇA E PESCOÇO
A vascularização arterial da região da cabeça e pescoço é
feita pelas artérias carótidas interna e externa e alguns ramos
cervicais das artérias subclávias.
Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
4. DRENAGEM VENOSA DA
CABEÇA E PESCOÇO
A drenagem venosa na região cervical e craniana é feita
pelas veias jugulares interna e externa e suas afluentes.
Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição.
5. DRENAGEM LINFÁTICA DA
CABEÇA E PESCOÇO
Os vasos linfáticos do pescoço e da cabeça drenam para
linfonodos dispostos em dois grupos: superficial e profundo. Os
linfonodos superficiais, situados na junção da cabeça e do
pescoço, formam o chamado colar linfático pericervical. Estes
estão localizados no trígono anterior, dispondo-se ao longo do
trajeto da veia jugular anterior e no trígono posterior, onde
acompanham a veia jugular externa. Os linfonodos cervicais
profundos, por sua vez, formam uma cadeia de linfonodos
dispostos ao longo da veia jugular interna e costumam ser
divididos em grupo superior e inferior.
Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição
6. INERVAÇÃO DA CABEÇA E
PESCOÇO
A inervação cervical e craniana é feita principalmente por
nervos crania com contribuição dos nervos espinhais.
Figura 19. Nervo facial.
Fonte: Alila Medical Media/Shutterstock.com
Figura 20. Nervo trigêmeo.
Fonte: Alila Medical Media/Shutterstock.com
Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição
Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª
edição
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MOORE, Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio
de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto
Alegre: Artmed, 2000.
SOBOTTA, Johannes. Atlas de Anatomia Humana. 21ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
GRAY, Henry. Gray’s anatomia: a base anatômica da prática
clínica. 40ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2010.
Prometheus atlas de anatomia: órgãos internos. 2. ed. rev.
ampl. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. 3 v. Volume 1
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imagens
6. PAREDE TORÁCICA E
MEDIASTINO
1. INTRODUÇÃO
O tórax, ou parede torácica, é a parte do tronco situada
entre o pescoço e o abdome, que contém os principais
órgãos dos sistemas respiratório e circulatório. É uma das
regiões mais dinâmicas do corpo, que altera seu volume a
cada movimento respiratório, aumentando durante a
inspiração e diminuindo na expiração, devido à contração e
ao relaxamento dos músculos torácicos, abdominais e o
diafragma.
O tórax é dividido em mediastino, que é a cavidade
central que abriga as vísceras torácicas (exceto os pulmões),
e nas cavidades pulmonares direita e esquerda (de cada lado
do mediastino). A maior parte da cavidade torácica é
ocupada pelos pulmões, sendo o restante ocupado pelo
coração, vasos e outras estruturas responsáveis pela
condução do ar e do sangue que entram e saem através dos
pulmões (traqueia e brônquios).
Figura 1. Parede torácica.
Fonte: SciePro/Shutterstock.com
As mamas também estão localizadas na parede torácica,
apesar de fazerem parte do sistema reprodutor. O termo
peito normalmente se refere à parte superior do tronco, mais
larga na parte superior por conta do cíngulo do membro
superior/musculatura peitoral e escapular. As mamas
ocupam a maior parte do peito das mulheres.
A parede torácica é formada pela caixa torácica (esqueleto
torácico), músculos que se estendem até as costelas, pele e
músculos da superfície anterolateral, que na parte posterior
são estruturas englobadas como pertencentes ao dorso.
2. PAREDE TORÁCICA
Esqueleto torácico
O esqueleto torácico forma a caixa torácica, que protege
as vísceras torácicas e alguns órgãos abdominais, resiste às
pressões internas negativas geradas pela retração elástica
dos pulmões e pelos movimentos inspiratórios, além de
proporcionar sustentação de peso e fixação para os
membros superiores e músculos do abdome, pescoço,dorso
e músculos da respiração. 
Apesar da rigidez, o esqueleto torácico também dispõe de
certa flexibilidade proporcionada por suas articulações e
pequena espessura, o que evita fraturas em casos de
choques e compressões externas, bem como permite que a
caixa mude de formato o a respiração.
A caixa torácica é composta por 12 pares de costelas e
cartilagens costais, 12 vértebras torácicas (e seus discos
intervertebrais) e o esterno.
Costelas, cartilagens e espaços
intercostais
As costelas são ossos planos e curvos, que formam a
maior parte do esqueleto torácico. Existem três tipos de
costelas, que podem ser classificadas em típicas e atípicas.
As costelas verdadeiras, também chamadas de
vertebrocostais, compreendem as costelas de 1 a 7 e são
fixadas no esterno diretamente por suas cartilagens costais.
As costelas falsas são a 8ª, 9ª e geralmente a 10ª
costelas, também chamadas de vertebrocondrais, têm suas
cartilagens unidas à cartilagem das costelas acima, ligando-
se indiretamente ao esterno.
As costelas flutuantes correspondem à 11ª, 12ª e, em
alguns casos, a 10ª costela não têm conexão com o esterno,
terminando na musculatura abdominal posterior, sendo
chamadas de costelas livres ou vertebrais.
Figura 2. Esqueleto torácico.
Fonte: N.Vinoth Narasingam/Shutterstock.com
As costelas típicas são constituídas pelas 3ª a 9ª costelas
e são assim denominadas por possuírem:
• Cabeça da costela: formato cuneiforme, com
duas faces articulares, que se articulam uma com a
vértebra horizontal (de mesmo número) e a outra
com a vértebra acima dela. Essas faces são
separadas pela crista da cabeça da costela.
• Colo da costela: porção que une a cabeça da
costela ao corpo no nível do tubérculo
• Tubérculo da costela: fica na junção do colo e do
corpo, com uma face articular, que se liga ao
processo transverso da vértebra correspondente, e
uma face não articular que serve como local de
fixação do ligamento costotransversário
• Corpo da costela (diáfise): é fino, plano e curvo,
com curvatura mais acentuada no ângulo da costela,
o qual demarca o limite lateral de fixação nas
costelas dos músculos profundos do dorso. Na parte
interno, há ainda o sulco da costela, que serve de
proteção para nervos e vasos intercostais.
Figura 3. Anatomia da costela.
Fonte: N.Vinoth Narasingam/Shutterstock.com
Figura 4. Anatomia das vértebras lombares.
Fonte: stihii/Shutterstock.com
As costelas atípicas são as 1ª, 2ª, 10ª, 11ª e 12ª costelas e
são chamadas assim pois possuem características
específicas:
• 1ª costela: mais larga, com corpo quase
horizontal, mais curta e mais curva das 7 costelas
verdadeiras. Como apenas se articula com a vértebra
T1, possui apenas uma face articular em sua cabeça,
e dois sulcos transversais para os vasos subclávios.
Entre esses sulcos, há o tubérculo do músculo
escaleno anterior, fixação para o músculo de mesmo
nome.
• 2ª costela: possui corpo mais fino, menos curvo e
mais longo que a 1ª costela. Sua cabeça possui duas
faces articulares (para T1 e T2), e possui a
tuberosidade do músculo serrátil anterior, região
rugosa onde se insere parte desse músculo.
• 10ª a 12ª costela: possuem apenas uma face
articular, que se articula com uma única vértebra, e
com exceção da 10ª, são curtas e não possuem colo
nem tubérculo.
As cartilagens costais prolongam as costelas
anteriormente (em direção ao esterno) e contribuem para a
elasticidade da parede torácica. Elas aumentam de
comprimento da 1ª à 7ª, e depois diminui gradualmente.
Além disso, as 7 primeiras costelas possuem fixação direta e
independente ao esterno, enquanto da 8ª à 10ª se articulam
com as cartilagens costais superiores a elas, formando uma
margem costal. A 11ª e a 12ª cartilagens costais protegem
as extremidades anteriores dessas costelas e não se fixam a
nenhum osso ou cartilagem. E as cartilagens da 1ª à 10ª
costelas fixam a parte anterior das costelas ao esterno, o
que limita seu movimento, diferente da parte posterior, que
é capaz de girar ao redor do eixo transversal da costela.
Separando as costelas e as cartilagens costais, há os
espaços intercostais, que são nomeados de acordo com a
costela de sua margem superior. Existem 11 espaços
intercostais e 11 músculos intercostais, assim, essas regiões
abrigam músculos e membranas intercostais, e dois
conjuntos (principal e colateral) de vasos sanguíneos e
nervos intercostais, identificados pelo mesmo número
atribuído ao espaço. Esses espaços intercostais se alargam
mais durante a inspiração, e podem ser mais alargados por
extensão e/ou flexão lateral da coluna torácica para o lado
oposto.
Abaixo da 12ª costela, não há mais costelas, e assim esse
espaço é chamado de subcostal, sendo o ramo anterior do
nervo espinal T12 o nervo subcostal.
Relembrando As costelas são chamadas
de verdadeiras, falsas ou flutuantes de acordo
com a forma que se ligam ou não ao esterno.
Assim, as costelas verdadeiras se unem
diretamente ao esterno com suas cartilagens
costais, as costelas falsas são unidas
indiretamente ao esterno ao se ligarem, por
suas cartilagens, às cartilagens das costelas
acima delas, e as costelas falsas não se unem
ao esterno. Já a diferenciação entre costelas
Vértebras torácicas
típicas e atípicas está relacionado aos
componentes anatômicos dessas costelas
(corpo, colo etc).
As vértebras torácicas compreendem as vértebras de T1 a
T12, que podem ser agrupadas em vértebras típicas e
atípicas. A maioria das vértebras é típica (T2-T9), ou seja,
possuem corpo vertebral, arcos vertebrais e sete processos
que servem para conexão com músculos e articulações. As
características das vértebras torácicas típicas são:
• Fóveas costais bilaterais (hemifóveas) nos corpos
vertebrais, normalmente em pares, um inferior e
outro superior, as quais se articulam com a cabeça
das costelas. Essas fóveas ficam nas laterais dos
discos intervertebrais (IV) interpostos. Duas
hemifóveas, uma hemifóvea inferior na vértebra
superior e uma hemifóvea superior na fóvea inferior,
se unem à margem posterolateral do disco IV entre
duas vértebras, formando uma cavidade que se
articula com a cabeça da costela de mesmo número
(p. ex., cabeça da 5ª costela com a fóvea costal
superior da vértebra T5).
• Fóveas costais dos processos transversos, que se
articulam com os tubérculos das costelas (exceto em
2 ou 3 vértebras torácicas inferiores).
• Processos espinhosos longos, com inclinação
inferior, que normalmente sobrepõem as vértebras
inferiores adjacentes, cobrindo os intervalos entre as
lâminas. Isso protege o canal vertebral e medula
espinhal da entrada de objetos cortantes.
• As faces articulares superiores das vértebras
torácicas típicas dos processos articulares superiores
são voltadas no sentido posterolateral, enquanto as
faces articulares inferiores dos processos articulares
inferiores têm sentido anteromedial. Os planos
articulares bilaterais entre as faces articulares de
vértebras torácicas adjacentes formam um arco com
um eixo de rotação no corpo vertebral como centro,
o que permite a realização de movimentos rotatórios
que são limitados pela caixa torácica.
Já as vértebras torácicas atípicas, que são T1, T10, T11 e
T12, possuem fóveas costais inteiras no lugar de hemifóveas
e algumas apresentam características específicas:
• T1: não possui hemifóveas superiores pois a
vértebra C7 não possui hemifóveas para articular.
Assim, T1 tem uma hemifóvea costal inferior típica e
a 1ª costela articula-se apenas com T1 (e não T1 e
C7).
• T10: tem apenas um par bilateral de fóveas costais
interiras que ficam em parte no corpo e em parte no
pedículo.
• T11 e T12: têm apenas um par de hemifóveas
costais em seus pedículos.
Esterno
O esterno é um osso plano e alongado, situado na parte
anterior e intermediária da caixa torácica, ficando sobre as
vísceras do mediastino, como o coração, as protegendo.
Esse osso possui três partes –  manúbrio, corpo e processoo joelho é superior
ao tornozelo, embora ambos estejam
localizados na metade inferior do corpo.
5. PLANOS E EIXOS ANATÔMICOS
Os planos são estruturas imaginárias que atravessam o
corpo, seccionando-o na posição anatômica.
O plano mediano é vertical, e corta o corpo
longitudinalmente, dividindo-o corpo nas metades direita e
esquerda. Os planos sagitais são planos verticais que
atravessam o corpo paralelamente ao plano mediano. Os
planos frontais/coronais também são planos verticais que
atravessam o corpo, dividindo-o em partes anterior e
posterior. Os planos transversos/axiais são planos
horizontais que dividem o corpo em partes superior e inferior
(Figura 3).
Figura 3. Planos anatômicos.
Fonte: Excellent Dream/Shutterstock.com
Os eixos do corpo humano são linhas imaginárias traçadas
no indivíduo e se dividem em três.
O eixo sagital (anteroposterior) cruza o corpo no
sentido anterior para posterior. O eixo longitudinal
(craniocaudal) cruza o corpo no sentido craniocaudal. Já o
eixo tranversal (laterolateral) segue o sentido
laterolateral, por exemplo.
O principal uso dos planos e eixos anatômicos é descrever
cortes.
Os cortes longitudinais são feitos no sentido do
comprimento ou paralelos ao eixo longitudinal do corpo ou
de uma de suas partes, e o termo é aplicado sem levar em
conta a posição do corpo. Os cortes transversos são
“fatias” do corpo ou de suas partes perpendiculares ao eixo
longitudinal aos mesmos. Os cortes oblíquos são “fatias”
do corpo ou de suas partes que não são feitas ao longo de
um dos planos anatômicos já mencionados.
  Se Liga! Como o eixo longitudinal do pé é
horizontal, o corte transverso do pé está no
plano frontal.
6. TERMOS DE MOVIMENTO
Vários termos descrevem os movimentos dos membros e
de outras partes do corpo. A maioria dos movimentos é
definida em relação à posição anatômica e ocorrem dentro
de planos anatômicos específicos, ao redor dos eixos
alinhados com esses planos. Também podem ser avaliados
em pares de movimentos opostos, como flexão e extensão,
que geralmente ocorrem em planos sagitais em torno de um
eixo transverso.
Flexão indica curvatura ou diminuição do ângulo entre os
ossos ou partes do corpo. Na maioria das articulações refere-
se ao movimento em direção anterior. Extensão indica
retificação ou aumento do ângulo entre os ossos ou as
partes do corpo. Geralmente ocorre em direção posterior. As
flexões laterais direita e esquerda (curvatura lateral) são
formas especiais de abdução apenas para o pescoço e o
tronco.
Figura 4. Termos de movimento.
Fonte: Auttapon Wongtakeaw/Shutterstock.com
A flexão dorsal, ou dorsiflexão, descreve a flexão na
articulação do tornozelo, como ao levantar os dedos do chão.
A flexão plantar curva o pé e os dedos em direção ao solo,
como ao ficar na ponta dos pés.
Os movimentos de abdução e adução geralmente
ocorrem em um plano frontal em torno de um eixo
Se Liga! Na articulação do joelho
observamos uma exceção à regra, pois a flexão
deste refere-se ao movimento posterior e a
extensão, ao movimento anterior.
anteroposterior. Com exceção dos dedos, a abdução significa
afastamento do plano mediano e a adução significa a
aproximação desse mesmo plano.
Na abdução dos dedos o termo significa afastá-los em
relação ao 3º dedo (médio), em posição neutra, ou
movimento de afastamento dos dedos dos pés em relação
ao 2o dedo, em posição neutra. O 3º dedo da mão e o 2º
dedo do pé fazem o movimento de abdução medial ou
lateral em relação à posição neutra. A adução dos dedos é o
oposto – a aproximação dos dedos, das mãos ou dos pés, em
direção ao 3º dedo da mão ou ao 2º dedo do pé, em posição
neutra.
A rotação é o giro ou a revolução de uma parte do corpo
ao redor de seu eixo longitudinal, como ao virar a cabeça
para o lado. A rotação medial (interna) aproxima a face
anterior de um membro do plano mediano, ao passo que a
rotação lateral (externa) afasta a face anterior do plano
mediano.
A pronação e a supinação são os movimentos de
rotação do antebraço e da mão. A pronação causa a rotação
medial do rádio, de modo que a palma da mão fique voltada
posteriormente e o dorso, anteriormente. A supinação é o
movimento inverso, o qual volta o antebraço e a mão para
posição anatômica após a pronação.
A eversão afasta a planta do pé do plano mediano,
girando-a lateralmente. Já a inversão move a planta do pé
em direção ao plano mediano.
Oposição é o movimento no qual a polpa do polega é
aproximada da polpa de outro dedo. Esse movimento é o
chamado movimento de pinça. Reposição descreve o
movimento de retorno do polegar para sua posição
anatômica.
Protrusão é um movimento anterior (para a frente) como
na protrusão da mandíbula, dos lábios ou da língua.
Retrusão é um movimento posterior (para trás).
A elevação desloca uma parte para cima. A depressão
desloca uma parte para baixo.
7. REGIÕES ANATÔMICAS
O corpo humano é dividido em algumas partes principais,
são elas: a cabeça, o pescoço, o tronco, os membros
superiores e os membros inferiores.
A cabeça consiste no crânio e na face. O crânio envolve e
protege o encéfalo; a face é a parte frontal da cabeça, e
inclui olhos, nariz, boca, fronte, bochechas e mento. O
pescoço sustenta a cabeça, unindo-a ao tronco. O tronco
consiste em tórax, abdome e pelve. Cada membro
superior está unido ao tronco e consiste em ombro, axila,
braço, antebraço, punho e mão. Cada membro inferior
também está unido ao tronco e consiste em nádega, coxa,
perna, tornozelo e pé. A região inguinal é a área na
superfície anterior do corpo, marcada por uma prega de
cada lado, na qual o tronco se liga às coxas.
Regiões e quadrantes abdominopélvicos
Para descrever a localização dos muitos órgãos
abdominais e pélvicos mais facilmente, são utilizados dois
métodos de divisão da cavidade abdominopélvica em áreas
menores.
No primeiro método, dois planos horizontais e duas linhas
verticais, alinhados como um jogo da velha, dividem essa
cavidade em nove regiões abdominopélvicas. O plano
horizontal superior (plano subcostal), é traçado
imediatamente inferior às costelas; o plano horizontal
inferior (plano intertubercular), é traçado imediatamente
inferior à parte superior dos ossos do quadril. As duas linhas
verticais são as linhas medioclaviculares esquerda e direita,
por meio  dos pontos médios das clavículas e medials às
papilas mamárias. Os nomes das nove regiões
abdominopélvicas são: hipocôndrio direito, epigástrio,
hipocôndrio esquerdo, lateral (ou fossa ilíaca) direita,
umbilical, lateral (ou fossa ilíaca) esquerda, inguinal
direita, hipogástrio (púbica) e inguinal esquerda.
O segundo método é mais simples e divide a cavidade
abdominopélvica em quadrantes. Nesse método, uma linha
sagital através do plano mediano e uma linha horizontal
atravessam o umbigo. Os nomes dos quadrantes
abdominopélvicos são: quadrante superior direito (QSD),
quadrante superior esquerdo (QSE), quadrante
inferior direito (QID) e quadrante inferior esquerdo
(QIE).
Figura 5. Regiões da cavidade abdominopélvica,
Fonte: joshya/Shutterstock.com
Se liga! A divisão em nove regiões é
utilizada para estudos anatômicos; a divisão em
Ê
quadrantes é utilizada para designar o local de
dor, de tumores ou de alguma outra anomalia.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
Gerard J. Tortora; Bryan Derrickson. Princípios de
anatomia e fisiologia. Tradução: Ana Cavalcanti C. Botelho
et al. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
Keith L. Moore, Arthur F. Dalley, Anne M.R. Agur. Anatomia
orientada para a clínica. Tradução: Claudia Lucia Caetano
de Araujo. 7. ed. Rio de Janeiro: Koogan, 2014.
Standring, Susan. Gray’s anatomia. Tradução: Denise Costa
Rodrigues et al. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humana básica.
São Paulo: Atheneu, 2000.
2. INTRODUÇÃO À
NEUROANATOMIA
1. ALGUNS ASPECTOS
FILOGÊNICOS DO SISTEMA
NERVOSO
O sistema nervoso é um dos principais agentes
responsáveisxifoide – que são unidas por sincondroses, articulações
cartilagíneas que ossificam na meia-idade.
O manúbrio é a parte mais espessa do esterno, cujo centro
côncavo, chamado de incisura jugular (supraesternal) pode
ser facilmente palpada. A incisura se aprofunda nas
extremidades esternais (medials) da clavícula e formam as
articulações esternoclaviculares. O manúbrio se articula
também com a 1ª costela (sincondrose da primeira costela)
e com o corpo do esterno, com o qual forma o ângulo do
esterno (sínfise manubrioesternal).
O corpo do esterno é longo, estreito e mais fino que o
manúbrio, situado na altura das vértebras. Sua largura varia
de acordo com as incisuras costais, onde as costelas se
articulam com o esterno. Em pessoas jovens, o corpo do
esterno possui quatro esternebras, que são estruturas
primárias do esterno, que se articulam entre si por
articulações cartilagíneas primárias (sincondroses esternais)
e começam a fundir entre a puberdade e os 25 anos de
idade. Em adultos, a superfície anterior possui três cristas
transversais variáveis, que são as linhas de fusão das
estérnebras.
O processo xifoide é a menor parte do esterno, localizado
na fossa epigástrica (nível de T10), indicando o limite inferior
da parte central da cavidade torácica (sínfise xifoesternal),
além de servir de referência para o limite superior do fígado,
centro tendíneo do diafragma e margem inferior do coração.
O processo xifoide pode ser pontiagudo, rombo, bífido, curvo
ou defletido para um dos lados. É cartilaginoso em jovens e
ossifica por volta dos 40 anos, sendo que em pessoas idosas
pode se fundir ao corpo do esterno na sínfise xifoesternal,
onde forma o ângulo infraesternal da abertura inferior do
tórax.
Figura 5. Esterno.
Fonte: Sakurra/Shutterstock.com
Saiba mais! A parede torácica possui dois
grupos de articulações: articulações
costovertebrais e articulações esternocostais.
As articulações costovertebrais são formadas
pela junção das costelas com a coluna
vertebral, sendo divididas em articulações das
cabeças das costelas e articulações
costotransversárias. Já as articulações
esternocostais são aquelas formadas pela união
entre as cartilagens costais e o esterno. Vale
ressaltar que problemas de mobilidade em
Músculos torácicos
todas as articulações aqui mencionadas podem
comprometer os movimentos respiratórios.
Os verdadeiros músculos da parede torácica são o
músculo serrátil posterior, músculos levantadores das
costelas, músculos subcostais e músculo transverso do
tórax. No entanto, alguns músculos do abdome
(anterolaterais – músculo oblíquo externo e músculo reto do
abdome), dorso e pescoço (músculo escalenos) inserem-se
na caixa torácica, que são os músculos toracoapendiculares,
os quais se estendem até os membros superiores. Além
disso, o tórax também conta com os músculos intercostais,
os quais também participam dos movimentos respiratórios.
Figura 6. Músculos torácicos – Vista anterior.
Fonte: stihii/Shutterstock.com.
Os músculos toracoapendiculares que cobrem a caixa
torácica formam o leito da mama, ficando situados na
parede torácica e por isso podem ser considerados dessa
parte, mas funcionalmente são músculos dos membros
superiores, recebendo a inervação correspondente a esses
membros. As glândulas mamárias ficam apoiadas no
músculo peitoral maior, na parede anterior do tórax. Os
músculos toracoapendiculares incluem os músculos peitorais
maior e menor, músculo serrátil anterior, músculo trapézio,
músculo latíssimo do dorso, entre outros; e alguns deles,
como os músculos peitoral maior e menor e a parte inferior
do serrátil anterior, atuam como músculos acessórios da
respiração, ajudando a elevar as costelas para expandir a
caixa torácica na inspiração forçada.
O músculo serrátil posterior, que se divide didaticamente
em serrátil posterior superior e inferior, é descrito como
músculo inspiratório, no entanto, estudos recentes indicam
que a função principal desses músculos pode não ser
motora, mas sim proprioceptiva, sendo apontados como
causadores de dor crônica nas síndromes de dor miofascial,
principalmente o serrátil posterior superior.
Os músculos levantadores das costelas são 12 músculos
em formato de leque que elevam as costelas, mas que
Se liga! Propriocepção é a capacidade de
reconhecer a localização espacial do corpo e a
posição de cada parte do corpo em relação às
demais.
parece ter pouca contribuição na inspiração normal,
acreditando-se que seu papel seja relacionado ao
movimento vertebral e/ou na propriocepção.
Os músculos subcostais apresentam formas e tamanho
variáveis, sendo normalmente mais desenvolvidos na parede
inferior do tórax. Esses músculos se estendem da superfície
interna do ângulo da costela até a superfície interna da
segunda ou terceira costela inferior a ela. Assim, os
músculos intercostais cruzam um ou dois espaços
intercostais e se unem aos músculos intercostais internos,
seguindo a mesma direção que eles.
Os músculos transversos do tórax possuem quatro ou
cinco alças em sentido superolateral, saindo da parte inferior
do esterno. A parte inferior desses músculos é contínua com
os músculos transversos do abdome, e parecem ter uma
função expiratória fraca, além de fornecer informações
proprioceptivas.
Figura 7. Músculos torácicos – Vista posterior.
Fonte: stihii/Shutterstock.com
Sobre os músculos intercostais, como já mencionado,
ocupam os espaços intercostais, sendo divididos em
intercostais externos, que cobrem a superfície, intercostais
internos, que revestem a camada interna, e intercostais
íntimos, que são fibras mais profundas dos intercostais
internos.
• Músculos intercostais externos (11 pares):
seguem inferoanteriormente da costela acima à
costela abaixo, são contínuos com os músculos
oblíquos externos do abdome e são mais ativos na
inspiração.
• Músculos intercostais internos (11 pares): são
perpendiculares aos intercostais externos, com fibras
seguindo em direção inferoposterior, dos sulcos
costais até as margens superiores das costelas
interiores a eles. Na parte posterior entre as costelas,
esses músculos são substituídos pelas membranas
intercostais internas. Os músculos intercostais
internos inferiores são contínuos com os músculos
oblíquos internos do abdome. Esses músculos são
mais fracos que os intercostais externos e são mais
ativos durante a expiração.
• Músculos intercostais íntimos: são separados
dos intercostais internos pelos nervos e vasos
intercostais, passando entre as superfícies internas
de costelas adjacentes. Acredita-se que a função
desses músculos é a mesma dos intercostais
internos.
Embora os músculos intercostais externos e internos
sejam ativos durante a inspiração e expiração,
respectivamente, a maior parte de sua atividade é
isométrica, aumentando o tônus sem gerar movimento. O
papel desses músculos na movimentação das costelas
parece estar relacionado principalmente à respiração
forçada, sendo que sua principal função na respiração é dar
sustentação ao espaço intercostal (aumentando seu tônus
ou sua rigidez), resistindo ao movimento paradoxal,
sobretudo durante a inspiração, quando as pressões
torácicas internas são mínimas (mais negativas – ver boxe
abaixo sobre movimento paradoxal).
Além dos músculos citados, a cavidade torácica apresenta
ainda o músculo diafragma, que a separa da cavidade
abdominal. O diafragma controla o volume e a pressão
interna da cavidade torácica, constituindo a base da
respiração. Durante a inspiração, o diafragma se contrai e
desce, com isso as costelas sobem, aumentando o volume
da caixa torácica (reduzindo a pressão intratorácica) e
forçando o ar a entrar nos pulmões. Na expiração, o
diafragma relaxa, reduzindo o volume e aumentando a
Saiba mais! Movimento paradoxal é
mais visível após trauma raquimedular alto,
quando há paralisia flácida inicial de todo o
tronco, mas o diafragma continua ativo – nessas
circunstâncias, a capacidadevital é
comprometida pela incursão (paradoxal) da
parede torácica durante a inspiração. Algumas
semanas depois, a paralisia se torna espástica
(aumenta o tônus muscular), a parede torácica
enrijece e a capacidade vital aumenta.
pressão intratorácica, expelindo o ar. O diafragma é o
principal músculo da inspiração.
Inervação da parede torácica
A parede torácica é inervada por 12 pares de nervos
espinais torácicos, os quais se dividem em ramos primários
anterior e posterior. Assim, os ramos anteriores dos nervos
T1 a T11 formam os nervos intercostais, enquanto o ramo
anterior de T12 forma o nervo subcostal, que segue
inferiormente à 12ª costela. Os ramos posteriores dos nervos
espinais torácicos são laterais aos processos articulares das
vértebras torácicas, e suprem as articulações, os músculos
profundos e a pele do dorso do tórax.
Os nervos intercostais podem ser divididos em típicos e
atípicos. Os nervos intercostais típicos (3º ao 6º nervos)
possuem ramos: comunicantes, colaterais, cutâneos laterais,
cutâneos anteriores e musculares, que basicamente se
diferem em sua origem e/ou função.
Já os nervos intercostais atípicos apresentam algumas
características específicas:
• O ramo anterior de T1 se divide em grande parte
superior e uma parte inferior pequena. A parte
superior se une ao plexo braquial, enquanto a parte
inferior se torna o 1º nervo intercostal.
• O 1º nervo intercostal não tem ramo cutâneo
anterior e muitas vezes também não tem o ramo
cutâneo lateral.
• O 2º (e as vezes o 3º nervo intercostal) origina um
grande ramo cutâneo lateral chamado de nervo
intercostobraquial.
• Os 7º-11º nervos intercostais, nas suas porções
fora do espaço intercostal, formam os nervos
toracoabdominais.
A maioria dos nervos de T2 a T12 supre um dermátomo do
tronco. O grupo de músculos supridos pelos ramos posterior
e anterior de cada par de nervos torácicos constitui um
miótomo. Assim, os miótomos dos nervos T2 a T11 incluem
os músculos intercostal, subcostal, transverso do tórax,
levantador da costela e serrátil posterior associados ao
espaço intercostal, que inclui o nervo intercostal, além de
uma parte dos músculos profundos do dorso.
Vascularização da parede torácica
As artérias que irrigam a parede torácica se originam da
aorta (parte torácica), subclávia e artéria axilar e,
normalmente, a distribuição dos vasos dessa região seguem
os espaços intercostais, paralelamente às costelas.
A parte torácica da aorta origina as artérias intercostais
posteriores e subcostais, a artéria subclávia dá origem às
artérias torácica interna e intercostal suprema e a artéria
axilar origina a artéria torácica superior e a artéria torácica
lateral.
As artérias intercostais atravessam a parede torácica
pelas costelas. Assim, os espaços intercostais, com exceção
dos 10º e 11º espaços, são irrigados por uma grande artéria
intercostal posterior, com seu ramo colateral, e um pequeno
par de artérias intercostais anteriores.
As artérias intercostais posteriores emitem um ramo
posterior que acompanha o ramo correspondente do nervo
espinal para suprir a medula espinal, a coluna vertebral, os
músculos do dorso e a pele. Essas artérias acompanham os
nervos intercostais através dos espaços intercostais, ficando
entre a veia e nervo intercostais. Além disso, as artérias
intercostais posteriores do 1º e do 2º espaços intercostais
originam-se da artéria intercostal suprema, que é um ramo
da artéria subclávia.
As artérias torácicas internas (mamária internas) se
originam na base do pescoço e terminam no 6º espaço
intercostal, tocando a pleura parietal posteriormente, e
dividindo-se nas artérias epigástrica superior e
musculofrênica. Essas artérias também dão origem
diretamente às artérias intercostais anteriores, que suprem
os seis espaços intercostais superiores – artéria
musculofrênica origina as artérias intercostais anteriores do
7º ao 9º espaço intercostal.
Figura 8. Vascularização torácica.
Fonte: Autoria própria
As artérias intercostais anteriores irrigam as partes
anteriores dos nove espaços intercostais superiores, além
dos músculos intercostais, de onde enviam ramos para os
músculos peitorais, mamas e a pele. Além disso, as
intercostais anteriores estão ausentes nos dois espaços
intercostais inferiores, os quais são supridos apenas pelas
artérias intercostais posteriores e seus ramos colaterais.
As veias intercostais acompanham as artérias e os nervos
intercostais e estão em posição superior nos sulcos das
costelas. Há 11 veias intercostais posteriores e uma veia
subcostal de cada lado. As veias intercostais posteriores se
unem às veias intercostais anteriores, tributárias das veias
torácicas internas, que por sua vez acompanham as artérias
torácicas internas.
À medida que se aproximam da coluna vertebral, as veias
intercostais posteriores recebem um afluente posterior, que
acompanha o ramo posterior do nervo espinal daquele nível,
e uma veia intervertebral, que drena os plexos venosos
vertebrais associados à coluna.
A maioria das veias intercostais posteriores termina no
sistema venoso ázigo/hemiázigo, que desemboca na veia
casa superior (VCS). A veia intercostal superior direita é
tipicamente a última tributária da veia ázigo, antes de sua
entrada na VCS, mas a veia intercostal superior esquerda
drena para a veia braquiocefálica esquerda. A veia
braquiocefálica esquerda também recebe, junto com a veia
braquiocefálica direita o sangue das veias intercostais
posteriores do 1º espaço intercostal. 
Mamas e linfonodos torácicos
As mamas são formadas por tecido glandular e tecido
fibroso, integrados a uma matriz adiposa, a qual determina
seu tamanho em não lactantes. São estruturas presentes
tanto em homens quanto em mulheres, porém apenas nas
mulheres são bem desenvolvidas e participam do sistema
reprodutor feminino.
As mamas possuem uma parte mais proeminente e
pigmentada, chamada de aréola, cujo centro é formado
pelas papilas mamárias. As glândulas mamárias ficam no
tecido subcutâneo, em cima dos músculos peitorais maior e
menor, como já mencionado. Essas glândulas são fixadas à
derme pelos ligamentos suspensores da mama.
As mamas começam a aumentar durante a puberdade por
conta do desenvolvimento glandular, mas também
principalmente pelo aumento de deposição de gordura nessa
região.
O parênquima mamário é formado por ductos lactíferos,
que dão origem de 15 a 20 lóbulos da glândula mamária.
Esses ductos têm aberturas independentes, e cada um deles
possui uma parte dilatada chamada de seio lactífero, onde
se acumulam gotículas de leite – quando o lactente suga,
essas gotículas são expelidas e ocorre o reflexo da ejeção do
leite, ou seja, o leite é secretado na boca do bebê, não
sugado por ele.
As mamas são inervadas pelos ramos cutâneos anteriores
e laterais dos 4º, 5º e 6º nervos intercostais e recebem
vascularização dos ramos mamários medials de ramos
perfurantes e ramos intercostais anteriores da artéria
torácica interna; artérias torácica lateral e toracoacromial e
artérias intercostais posteriores. Sua drenagem venosa é
feita principalmente pela veia axilar.
A drenagem linfática das mamas é feita para o plexo
linfático subareolar. A maior parte da linfa desse plexo,
principalmente dos quadrantes superiores, é drenada para
os linfonodos axilares, passando ou não primeiros pelos
linfonodos anteriores ou peitorais. A parte restante da linfa
drena para os linfonodos paraesternais, principalmente a
linfa dos quadrantes medials da mama, enquanto a linfa dos
quadrantes inferiores pode drenar para linfonodos
abdominais (linfonodos frênicos inferiores
subdiafragmáticos). Por fim, a linfa da pele da mama drena
para os linfonodos axilares, cervicais profundos inferiores,
infraclaviculares e paraesternais.
A linfa dos linfonodos axilares drena para os linfonodos
claviculares e então para o tronco linfático subclávio. Os
linfonodos paraesternais drenam para os troncoslinfáticos
broncomediastinais e esses troncos ductose juntam com o
tronco linfático jugular, formando o ducto linfático direito,
que entra no ducto torácico do lado esquerdo. Entretanto, na
maioria dos casos, esses troncos se abrem, de forma
independente, na junção das veias jugular interna e
subclávia, chegando até as veias braquiocefálicas direita e
esquerda. É importante o conhecimento desse sistema
devido à grande frequência de metástases do câncer de
mama provenientes da drenagem linfática.
Figura 9. Linfonodos torácicos.
Fonte: Autoria própria
3. MEDIASTINO
O mediastino compreende a cavidade central do tórax,
que separa as cavidades pulmonares direita e esquerda, e se
estende do esterno e cartilagens costais à coluna vertebral,
e da raiz do pescoço ao diafragma, horizontalmente.
Esse compartimento cerca todas vísceras torácicas, exceto
os pulmões e as pleuras, e por isso sofre com as alterações
dinâmicas do coração e esôfago, por exemplo. Além do
coração e esôfago, o mediastino também engloba as partes
torácicas dos grandes vasos, traqueia e timo.
O mediastino pode ser dividido em superior e inferior, cujo
limite é determinado por uma linha imaginária que passa
pelo ângulo esternal e margem inferior do disco IV de T4 e
T5 (plano transverso do tórax). Por fim, o mediastino inferior,
que fica entre o plano transverso do tórax e diafragma, pode
ser dividido em anterior, médio e posterior pelo pericárdio. O
pericárdio, o coração e as raízes dos grandes vasos formam
o mediastino médio.
Figura 13. Mediastino.
Fonte: Autoria própria
O mediastino superior contém o timo, os grandes vasos, e
a continuação inferior das vísceras cervicais (traqueia e
esôfago), ducto torácio e troncos linfáticos, bem como os
vasos e os nervos que suprem as estruturas dessa região.
A prinicipal invervação do mediastino superior vem dos
nervos vagos, que saem do crânio e descem no pescoço
posterolateralmente às artérias carótidas comuns. O nervo
vago direito (NVD) dá origem ao nervo laríngeo recorrente
direito. Próximo à raiz do pulmão direito, divide-se em ramos
para o plexo pulmonar direito. Geralmente, o NVD deixa essa
plexo como um único nervo e segue até  esôfago, onde se
divide e envia fibras par o plexo esofágico. O NVD também
origina ramos que suprem o plexo cardíaco.
O nervo vago esquerdo (NVE) desce no pescoço e segue
posterolateralmente à artéra carótida comum esquerda. É
separado lateralmente do nervo frênico pela veia intercostal
superior esquerda. O NVE emite o nervo laríngeo recorrente
esquerdo e próximo à raiz do pulmão esquerdo, divide-se em
ramos que contribuem para o plexo pulmonar esquerdo. O
NVE emite ramos que se juntam às fibras dos NVD no plexo
esofágico.
Os nervos frênicos suprem o diafragma com fibras
motoras e sensitivas. Também enviam fibras sensitivas para
o pericárdio e a parte mediastinal da pleura parietal. – a
posição dos nervos frênicos anterior às raízes dos pulmões é
importante para diferenciá-los dos nervos vagos, que
seguem posteriormente às raízes dos pulmões.
Timo
O timo é um órgão linfoide, localizado posteriormente ao
manúbrio do esterno, responsável pela maturação de
linfócitos T. Após a puberdade, esse órgão sofre involução
gradual e é substituído por gordura em sua maior parte.
A maior parte da irrigação arterial do timo é feita pelos
ramos intercostais anteriores e mediastinais anteriores das
artérias torácicas internas. Sua drenagem venosa termina
nas veias braquiocefálica esquerda, torácica interna e
tireóidea inferior, e seus vasos linfáticos drenam para nos
linfonodos paraesternais, braquiocefálicos e
traqueobronquiais.
Grandes vasos
Compreendem as veias braquiocefálicas e veia cava
superior (VCS); o arco da aorta, com as raízes de seus
principais ramos – tronco braquiocefélico, artéria carótida
comum esquerda e artéria subclávia; e os nervos
relacionados – vago, frênico e nervos do plexo cardíaco.
A união das veias jugular interna e subclávia formam as
veias braquicefálicas direita e esquerda, posteriormente às
articulações esternoclaviculares, que por sua vez formam a
VCS. O comprimento da veia braquicefálica direita é maior
que da esquerda, porque essa passa do lado esquerdo para
o direito, anteriormente às raízes dos três principais ramos
do arco da aorta. As veias braquicefálicas conduzem o
sangue da cabeça, pescoço e membros superiores para o
átrio direito.
A VCS conduz o sangue de todas as estruturas superiores
ao diafragma, exceto dos pulmões e do coração. Situa-se ao
lado direito do mediastino superior, terminando no nível da
3ª cartilagem costal, quando entra no átrio direito.
Os ramos da parte ascendente da aorta são as artérias
coronárias, originadas no seio da aorta. O arco da aorta é a
continuação de sua parte ascendente, cuja terminação forma
a parte torácica (descendente) da aorta. O tronco
braquiocefálico é o maior ramo do arco da aorta, que se
divide nas artérias carótidas comum direita e subclávia
direita.
Figura 14. Aorta.
Fonte: lotan/Shutterstock.com
O mediastino inferior compreende a parte torácica da
aorta, o ducto torácico e os troncos linfáticos, esôfago, além
dos vasos , linfonodos e nervos da região. O pericárdio, como
já mencionado, subdivide essa cavidade em partes anterior,
média e posterior, sendo a parte média formado pelo
pericárdio e seu conteúdo.
O mediastino anterior é a menor das partes do mediastino
inferior, situada entre o esterno e os músculos transverso do
tórax e o pericárdio posteriormente. Esse compartimento é
limitado pelo diafragma, sendo formado por tecido
conjuntivo frouxo, gordura, vasos linfáticos, alguns
linfonodos e ramos dos vasos torácicos internos. Em
crianças, o mediastino anterior contém uma parte do timo.
O pericárdio, que forma o mediastino médio, é uma
membrana fibrosserosa que reveste o coração e as raízes
dos grandes vasos (parte ascendente da aorta, tronco
pulmonar e VCS). Ele é formado por duas camadas, uma
fibrosa (externa), que possui uma lâmina parietal e outra
visceral, e uma camada serosa, composta basicamente por
mesotélio e que reveste a superficie interna do pericardio
fibroso e superfíice externa do coração. O pericárdio fibroso
é contínuo com o centro tendíneo do diafragma e com a
túnica adventícia dos grandes vasos. O pericárdio é suprido
principalmente pela artéria pericardicofrênica e sua
drenagem venosa é feita pelas veias pericardicofrênicas e
algumas tributárias do sistema ázigo.
O mediastino posterior por sua vez, compreende a parte
torácica da aorta, o ducto torácico e os troncos linfáticos, o
esôfago e outras estruturas adjacentes. A parte torácica da
aorta é a continuação do arco da aorta. É circundada pelo
plexo aórtico torácico, uma rede nervosa autônoma. A parte
torácica da aorta situa-se posteriormente à raiz do pulmão
esquerdo, pericárdio e esôfago, e entra no abdome através
do hiato aórtico no diafragma, onde se torna aorta
abdominal.
O ducto torácico, que ascende através do hiato aórtico no
diafragma, é o maior canal linfático do corpo. Transporta a
maior parte da linfa do corpo para o sistema venoso: dos
membros inferiores, cavidades pélvica e abdominal, membro
superior esquerdo e lado direito do tórax, cabeça e pescoço,
ou seja, toda a linfa, exceto do quadrante superior direito.
O sistema venoso ázigo, principal drenagem venosa do
mediastino, fica situado de cada lado da coluna vertebral,
drena as paredes do dorso e toracoabdominais e as vísceras
do mediastino. A veia ázigo e sua principal tributária,  a
hemiázigo, geralmente têm origem em raízes da VCI e/ou
veia renal, que se fundem com as veias lombares
ascendentes. Sua inervação é feita pelos nervos frênicos,
vagos e troncos simpáticos. A veia ázigo forma uma via
colateral ente as VCS e VCI e drena sangue das paredes
posteriores do tórax e abdome. Além das veias intercostais
posteriores, a veia ázigo comunica-se com os plexos venosos
vertebrais que drenam odorso, as vértebras e as estruturas
no canal vertebral.
O mediastino posterior é inervado pelos nervos
esplâncnicos torácicos inferiores (nervos esplâncnicos maior,
menor e imo), que são parte dos nervos esplâncnicos
abdominopélvicos porque suprem as vísceras inferiores ao
diafragma. São responsáveis pela inervação simpática da
maioria das vísceras abdominais.
Se liga! Complicações associadas
ao tórax  Tórax instável: causado por
fraturas múltiplas das costelas que acabam
permitindo o livre movimento de um segmento
considerável da parede torácica anterior e/ou
lateral. O segmento livre move-se para dentro
com a inspiração e para fora com a expiração
(movimento paradoxal do tórax). É uma lesão
bastante dolorosa, que compromete a
ventilação e consequentemente a oxigenação
sanguínea.
Ê
Coartação da aorta: estreitamento anormal
(estenose) do arco da aorta ou de sua parte
torácica, causando uma obstrução do fluxo
sanguíneo para a parte inferior do corpo.
Quando a coartação situa-se abaixo do
ligamento arterial (coartação pós-ductal),
geralmente há desenvolvimento de circulação
colateral entre as partes proximal e disal da
aorta através das artérias intercostais torácicas
internas, prolongando a vida do portador desse
tipo de coartação por muitos anos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MOORE, et al. Anatomia orientada para Clínica. 7ªed
Drake, et al. Gray’s Anatomia Clínica para Estudantes. 3ªed
Goldman-Cecil. Medicina. 24ªed
7. VIAS ÁEREAS
1. INTRODUÇÃO
As vias aéreas são responsáveis pelo transporte de ar até
os pulmões, onde ocorrem as trocas gasosas que vão
oxigenar o sangue. Os componentes da via aérea participam,
ainda, do sistema de fonação e percepção olfatória.
Pode ser dividida anatomicamente em duas porções: via
aérea superior, que se situa fora da cavidade torácica e é
constituída pela cavidade nasal, faringe e laringe; e a via
aérea inferior, que consiste em traqueia, brônquios,
brionquíolos e alvéolos. De acordo com sua função, as
porções da via aérea podem ainda ser classificadas em
porção condutora e respiratória.
Figura 1. Trato respiratório.
Fonte: first vector trend/Shutterstock.com
2. CAVIDADE NASAL
A cavidade nasal possui a função de aquecer, umidificar
e filtrar o ar, constituindo-se numa barreira protetora, além
de estar relacionada ao olfato. A cavidade nasal faz parte do
nariz, juntamente com a porção externa e os seios
paranasais.
Compõe a primeira região das vias aéreas (parte
condutora), comunicando a entrada de ar com a nasofaringe,
posteriormente, através das coanas. A mucosa da cavidade
nasal pode ser dividida em porções: o terço superior tem a
função olfatória; já os terços inferiores fazem parte da via
respiratória propriamente dita.
Quais limites anatômicos da cavidade nasal?
• Superior: ossos frontonasal, etmoidal e esfenoidal.
• Inferior: processo palatino da maxila e lâmina
horizontal do processo palatino.
• Lateral: conchas nasais (superior, média e inferior).
• Medial: septos nasais.
A cavidade nasal é divida ao meio pelo septo nasal, o
qual é constituído em parte por cartilagem e parte por osso
(lâmina perpendicular do osso etmoide e vômer). As
conchas nasais (superior, média e inferior), encontradas na
parede lateral, formam os meatos, responsáveis pelo
turbilhonamento do ar, relacionados às funções de
aquecimento, umidificação e filtração do ar.
Os seios paranasais são estruturas importantes de
drenagem para a cavidade nasal e são constituídos de ossos
pneumáticos. São eles:
• Esfenoidal: drenagem para o recesso
esfenoetmoidal.
• Frontal e maxilar: drenagem para o meato nasal
médio.
• Etmoidal: drenagem para meato nasal superior.
A vascularização da cavidade nasal acontece da
seguinte forma:
• Suprimento arterial da parede medial e lateral:
• • Artéria etmoidal anterior e posterior (da Artéria
oftálmica).
Relembrando O ar que passa pela
cavidade nasal adentra os seios paranasais
através dos óstios. Estes podem ser obstruídos
por algum processo inflamatório ou infeccioso,
pelo acúmulo de secreções. Esse quadro muito
comum é chamado de sinusite.
• • Artéria esfenopalatina e palatina maior (da
Artéria maxilar).
• • Ramo septal da art. Labial superior (da Artéria
facial). 
• Irrigação venosa: realizada pelo plexo venoso
submucoso, que drena para as veias esfenopalatina,
facial e oftálmica.
A inervação da região posteroinferior é feita pelo nervo
maxilar (nervo nasopalatino e palatino maior); já a porção
anterossuperior é inervada pelo nervo oftálmico (nervos
etmoidais anterior e posterior).
Saiba mais! O nervo olfatório, associado ao
olfato, surge no epitélio olfatório, na parte
superior das paredes da cavidade nasal. As
fibras atravessam a lâmina cribiforme e
terminam no bulbo olfatório.
3. FARINGE E LARINGE
Faringe
A faringe é um órgão tubular, comum ao sistema
respiratório e digestório, que tem a função de conduzir o ar
para as vias aéreas e direcionar o alimento para o esôfago
para o processo de deglutição. Pode ser dividida em
nasofaringe, orofaringe e laringolaringe e, apresenta como
limites anatômicos:
• Superior: base do crânio (processo basilar do
occipital).
• Inferior: cartilagem cricoide.
• Posterior: vértebra C6.
A nasofaringe é a porção superior da faringe, a única em
que só há passagem de ar (já que se situa acima do nível da
cavidade oral). Se comunica com a cavidade nasal pelas
coanas e com o sistema auditivo pelo óstio faríngeo da tuba
auditiva (que está anterior à tonsila faríngea). Possui as
seguintes funções:
• Conduzir o ar para as vias aéreas.
• Equilibrar o gradiente de pressão entre a tuba
auditiva e a faringe (através do óstio faríngeo da
tuba auditiva).
Saiba mais! A tonsila faríngea, conhecida
popularmente como adenoide, juntamente com
as tonsilas palatinas e linguais, formam o anel
tonsilar da parte superior da faringe, importante
tecido de defesa da região.
A orofaringe é a porção que se encontra entre o palato
mole e a porção superior da glote, tendo como limites:
superiormente, palato mole; inferiormente, base da língua; e
lateralmente, arco palatoglosso e palatofaríngeo. Nessa
região há ainda as tonsilas palatinas. A orofaringe tem
função digestória, por participar no processo de deglutição.
Já a laringofaringe, a porção inferior, localiza-se entre a
porção superior da epiglote e a cartilagem cricoide,
posteriormente à laringe, e se continua inferiormente com o
esôfago. Possui uma pequena depressão, chamada de
recesso piriforme, por onde passam ramos dos nervos
laríngeo interno e laríngeo recorrente.
Os músculos da faringe são divididos em camada
externa e interna. A camada externa é formada por 3
músculos constritores (superior, médio e inferior), que
envolvem a faringe de forma circular e têm a função de
contração na deglutição. Enquanto isso, a camada interna é
formada por músculos longitudinais (palatofaríngeo,
salpingofaríngeo e estilofaríngeo), que levantam e encurtam
a faringe durante a fala e a deglutição.
A irrigação arterial da faringe é feita por ramos da
carótida externa (artéria faríngea ascendente, ramos da
artéria facial, maxilar e lingual), superiormente, e pelo ramo
faríngeo da artéria tireóidea inferior, na sua porção inferior. A
drenagem venosa é feita pelas veias faciais, linguais e
plexo pterigoide, que drenam para a jugular externa.
A inervação motora da faringe é feita, na maior parte,
pelo plexo faríngeo, exceto o músculo estilofaríngeo (nervo
glossofaríngeo) e tensor do véu palatino (trigêmeo). A parte
sensitiva é realizada pelo glossofaríngeo.
Laringe
A laringe é formada por 9 cartilagens unidas por
membranas e ligamentos e contém as pregas vocais,
responsáveis pela fonação. Se une à parte inferior da faringe
(laringofaringe) pelo ádito da laringe, ligando-a à traqueia.
Tem a função principal de proteger as vias respiratórias,
principalmente durante a deglutição, servindo de esfíncter
das vias aéreas inferiores para mantê-laspérvias.
As cartilagens que formam a laringe são: tireóidea,
cricóidea, epiglótica (ímpares) e os pares de aritenóidea,
corniculada e cuneiforme. A cartilagem tireóidea é a
maior, e os dois terços inferiores de suas duas lâminas
formam a proeminência laríngea, que é chamada de “pomo
de Adão”. A margem posterior de cada lâmina forma os
cornos superior e inferior. A margem superior e os cornos
superiores se ligam ao osso hioide pela membrana tíreo-
hióidea, de onde se originam os ligamentos tíreo-hiódeos.
Saiba mais! Entre a cartilagem tireóidea e
a cartilagem cricóidea há o ligamento
cricotireóideo, onde é realizada a
cricotireoidostomia, tanto a cirúrgica, como a
por punção.
Figura 2. Cartilagens da laringe.
Fonte: VectorMine/Shutterstock.com
Os músculos da laringe são divididos em extrínsecos e
intrínsecos. Os extrínsecos são o infra-hióideo
(movimentação para baixo) e supra-hióideo (movimento
para cima); já os intrínsecos são o cricotireóideo,
cricotireóideo posterior, aritenóideos transverso e oblíquo,
tireoepiglótico, tireoaritenóideo, cricoaritenóideo lateral,
ariepiglótico e cricoaritenóideo posterior.
A irrigação é feita da seguinte forma:
• Artéria laríngea superior: face interna da laringe.
• Artéria cricotireóidea: músculo cricotireóideo.
• Artéria laríngea inferior: porção inferior.
A drenagem venosa é feita pelas veias laríngeas
superior e inferior, que drenam para a jugular interna e
braquicefálica esquerda, respectivamente.
A inervação dos músculos intrínsecos é feita pelo nervo
laríngeo recorrente; o nervo laríngeo interno é sensitivo e
autônomo, responsável por inervar a cavidade média e o
vestíbulo da laringe. Já o nervo laríngeo externo é motor,
responsável pelos músculos cricotireóideo e constritor
inferior da laringe.
4. TRAQUEIA E BRÔNQUIOS
Traqueia
A traqueia é a primeira parte da via aérea inferior,
formada por um tubo fibrocartilagenoso, que se estende da
laringe até o tórax. Possui um epitélio rico em cílios, capaz
de expulsar o muco contendo resíduos e poluente para a
faringe, de onde é expelido para fora ou deglutido (reflexo
da tosse).
A traqueia é formada por anéis de cartilagens traqueais
em formato de C (incompletos posteriormente), os quais a
mantém pérvia e cuja abertura posterior é coberto pelo
músculo traqueal involuntário. A ligação dos anéis
cartilagenosos é feita pelos anéis anulares. 
A irrigação arterial da parte superior da traqueia é feita
por ramos do tronco tireocervical; a parte inferior recebe a
mesma irrigação dos brônquios (adiante). A drenagem
venosa superior e média é realizada pelo plexo tireóideo
inferior e pelas veias traqueais; a porção inferior é feita pelas
veias brônquicas, que drenam para o sistema ázigo.
A drenagem linfática é feita pelos linfonodos pré-
traqueais (porção anterior, tanto superior como
inferiormente) e paratraqueais (que fazem a ligação entre a
drenagem cervical e hilar), que drenam para as veias
subclávias.
A inervação simpática é feita pelo tronco simpático (T2-
T4), enquanto a parassimpática, pelo nervo vago e laríngeo
recorrente.
Brônquios
Inferiormente, a traqueia se bifurca nos brônquios
principais direito e esquerdo na carina. O brônquio
principal direito é mais retificado e possui um diâmetro
maior, sendo o principal brônquio a ser acometido em
situações de corpo estranho ou broncoaspiração. Ele se 
bifurca inferiormente em brônquio lobar superior, médio e
inferior, os quais vão em direção aos 3 lobos presentes no
pulmão direito.
Já o brônquio principal esquerdo é mais
horizontalizado e com menor diâmetro, o que diminui as
chances de ser acometido pelas eventualidades já citadas.
Divide-se em brônquio lobar superior e inferior, já que o
pulmão esquerdo possui apenas 2 lobos, como veremos
adiante.
Os brônquios lobares dão origem então aos brônquios
segmentares, que continuam nos intrasegmentares e,
por fim, nos bronquíolos e sáculos alveolares. A partir
dos brônquios intrasegmentares, a estrutura cartilagenosa
perde sua continuidade, desaparecendo em definitivo nos
bronquíolos.
Figura 3. Traqueia e brônquios.
Fonte: Vecton/Shutterstock.com
A irrigação arterial da parte inferior da traqueia e dos
brônquios principais é feita por vasos diretos da aorta
torácica, as artérias brônquicas. A drenagem venosa é
realizada pelas veias brônquicas, que drenam para o sistema
ázigo.
A drenagem linfática dos brônquios principais é feita
pelos linfonodos traqueobronquiais e broncopulmonares, que
drenam para o ducto linfático direito e ducto torácico. A
inervação é feita pelos plexos pulmonares anterior e
posterior. 
Pulmões
O pulmão é um órgão duplo essencial à vida, que realiza
as funções de ventilação e hematose, permitindo a troca e a
difusão de oxigênio e gás carbônico visando a homeostasia
orgânica.
São órgãos intratorácicos de consistência macia,
hilelástica e esponjosa. O mediastino promove a separação
entre o pulmão direito e o esquerdo. Em relação à forma,
ambos os pulmões apresentam ápice e base, localizados
acima do diafragma.
O pulmão direito possui três lobos e duas fissuras. O
lobo superior direito é separado pela fissura horizontal do
lobo médio. A fissura oblíqua separa o lobo médio do lobo
inferior. 
Enquanto isso, o pulmão esquerdo apresenta apenas
dois lobos (superior e inferior), que são separados pela
fissura oblíqua esquerda. Podemos considerar a região da
língula como um correspondente ao lobo médio do lado
direito. Porém, o pulmão esquerdo não possui lobo médio!
Figura 4. Lobos e segmentos dos pulmões.
Fonte: Olga Bolbot/Shutterstock.com
Cada pulmão pode ser dividido em três faces, que são:
• Face mediastinal: formato côncavo e em contato
com o mediastino e o hilo pulmonar.
• Face diafragmática: segmento apoiado no
diafragma, correspondendo à base pulmonar. e
• Face costal: em contato com as vértebras torácicas.
A região do hilo pulmonar está localizada na porção
mediastinal e corresponde à região de entrada da artéria
pulmonar, veia pulmonar e brônquio principal. O hilo
esquerdo está localizado em posição mais alta quando
comparado ao direito.
A pleura se divide em pleura visceral e parietal; entre
elas há um espaço virtual, que quando ocorre o acúmulo de
líquido recebe o nome de derrame pleural.
Figura 5. Pleura visceral e parietal.
Fonte: Blamb/Shutterstock.com
A irrigação arterial pulmonar e pleural é realizada pelas
artérias brônquicas direita e esquerda. Parte da drenagem
venosa é realizada pelas veias bronquiais, e o restante
pelas veias pulmonares. A veia bronquial direita drena para a
veia ázigo, enquanto a esquerda drena para a hemiázigo
acessória.
A drenagem linfática é feita pelo plexo linfático
pulmonar, que drena para os linfonodos hilares,
broncopulmonares, traqueobronquiais superiores e inferiores
e, por fim, aos troncos linfáticos broncomediastinais direito e
esquerdo.
A inervação do pulmão é feita por fibras simpáticas e
parassimpáticas do nervo vago; já a pleura parietal é
inervada pelos nervos intercostais e frênico.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DANGELO. J.G.; FATTINI, C.A. Anatomia Humana Sistêmica
e Segmentar. 2ª ed.: São Paulo. Atheneu, 2005.
MOORE, Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7ª
ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
SABINSTON. Tratado de Cirurgia. 19ª edição, 2015.
 
 
8. ANATOMIA DO CORAÇÃO E
AORTA
 
ANATOMIA DO CORAÇÃO
 
1. INTRODUÇÃO
O sistema circulatório transporta líquido por todo o corpo;
é formado pelo coração, pelos vasos sanguíneos e vasos
linfáticos. O coração e os vasos sanguíneos formam a rede
de transporte de sangue. Por intermédio desse sistema, o
coração bombeia sangue ao longo da vasta rede de vasos
sanguíneos do corpo.
O coração é uma bomba dupla de sucção e pressão, que
impulsiona o sangue pela dupla alça infinita formada pelos
circuitos pulmonar e sistêmico. As câmaras direitas do
coração servem ao primeiro, e as câmaras esquerdas, ao
segundo.
Ocoração tem o formato de uma pirâmide inclinada, com
o ápice em direção anteroinferior e para a esquerda, e a
base oposta ao ápice (posterior). Cada lado do coração tem
uma câmara de recepção (átrio) e uma câmara de sucção,
compressão e expulsão (ventrículo). Tem o tamanho um
pouco maior do que uma mão fechada.
As câmaras bilaterais (portanto, os circuitos sistêmicos de
alta pressão e pulmonar de baixa pressão) são separadas
por um septo cardíaco formado principalmente por tecido
muscular, mas parcialmente membranáceo.
O coração está localizado no tórax. A cavidade torácica
por sua vez pode ser dividida em três partes. Duas
cavidades pleurais (onde estão os pulmões) e um mediastino
(que está entre as cavidades pleurais). O mediastino pode
ainda ser superior (região acima do pericárdio, presente da
vértebra T1 à T4) e inferior (região logo abaixo do início do
pericárdio, presente da vértebra T5 até o músculo
diafragma). O mediastino inferior ainda pode ser subdividido
em três partes. Anterior (que contém o timo), médio (que
contém o coração) e posterior (que contém o esôfago e
aorta torácica).
Figura 1. Localização anatômica do coração.
Fonte: first vector trend/Shutterstock.com
Conceito: Com isso, podemos então definir
que o coração anatomicamente se encontra no
mediastino médio da cavidade torácica, voltado
de trás para diante, para a esquerda e para
baixo. Como correlações anatômicas temos, que
o coração está superior ao músculo diafragma,
medialmente aos pulmões, posterior ao osso
esterno, anterior ao esôfago e inferior à veia
cava superior.
 
O pericárdio é um tecido em forma de saco que envolve
todo o coração e as raízes dos seus vasos (artéria aorta, veia
cava superior, veia cava inferior, tronco pulmonar e veias
pulmonares). O pericárdio é considerado um tecido
fribrosseroso por possuir duas porções: o pericárdio fibroso
(externo), que possui apenas uma camada, e o seroso
(interno) que possui duas.
As duas camadas do pericárdio seroso são separadas pela
cavidade pericárdica, na qual se encontra um líquido
lubrificante que faz parte do sistema hidrostático cardíaco
que diminui o atrito do coração com os tecidos adjacentes. 
O coração pode ser dividido em três camadas. O
endocárdio, o miocárdio e o epicárdio.
• Endocárdio: é uma lâmina fina presente em toda a
superfície interna do órgão e suas valvas, podendo ser
granular ou liso (granular quando contém trabéculas e
liso quando não as tem).
• Miocárdio: é a parte muscular da parede do órgão e
está entre o endocárdio e o pericárdio. Ele é muito
visível no septo interventricular, além de possuir
células especializadas nos ventrículos. essas células,
dispostas em orientação perpendicular ao tecido de
revestimento, aumentam a força de contração.
• Epicárdio: faz parte na verdade do próprio
pericárdio, sendo apresentado como a lâmina visceral
do pericárdio seroso.
O esqueleto fibroso do coração é um arcabouço de
tecido fibroso que forma os anéis fibrosos das valvas e o
trígonos fibrosos esquerdo e direito, que estão entre a valva
da aorta e valva mitral, e valva da aorta e valva tricúspide
respectivamente. É nesse esqueleto que as fibras
musculares cardíacas se fixam.
O esqueleto fibroso tem sua importância, pois mantém os
óstios das valvas sempre abertos, impedindo que ocorra
uma distensão pelo aumento da pressão dentro do órgão.
Fornece também uma inserção fixa para as válvulas das
valvas.
Se liga! Uma outra importante função está
no potencial de ação, como o esqueleto fibroso
não tem condutância elétrica, ele funciona
como um isolante. Esse papel isolante impede
que o impulso elétrico dos átrios chegue até o
 
O coração externo é comumente dividido em ápice, base
e mais três faces: esternocostal, diafragmática e pulmonar. A
base está constituída dos átrios direito e esquerdo. As veias
cavas superior e inferior e as veias pulmonares penetram no
coração pela base. É também a porção posterior do coração
em posição anatômica. O ápice é contralateral a base e é
frequentemente arredondada, formada pela parte
inferolateral do ventrículo esquerdo e é onde ocorre o
batimento apical (pulsação máxima do coração).
• Face esternocostal (anterior): A face
esternocostal é formada principalmente pelo ventrículo
direito. Nele também se encontram o cone arterial (ou
infundíbulo) que se tornará o tronco pulmonar.
• Face pulmonar (esquerda): formada
principalmente pelo ventrículo esquerdo, ela causa a
impressão cardíaca do pulmão esquerdo.
• Face pulmonar (direita): Formada principalmente
pelo átrio direito.
• Face diafragmática (inferior): É formada
principalmente pelo ventrículo esquerdo e
parcialmente pelo ventrículo direito e repousa,
principalmente, sobre o centro tendíneo do diafragma.
ventrículo antes de passar pelo nódulo
atrioventricular.
Figura 2. Coração.
Fonte: ilusmedical/Shutterstock.com
O coração possui ainda quatro margens: direita, inferior,
superior e esquerda.
• Margem direita: é uma margem ligeiramente
convexa, formada pelo átrio direito e se estende entre
a veia cava superior e veia cava inferior.
• Margem inferior: quase horizontal, formada pelo
ventrículo direito e parte do ventrículo esquerdo.
• Margem superior: formada pelos átrios, aurículas
direita e esquerda anteriormente. Saem dessa margem
a parte ascendente da aorta e o tronco pulmonar e a
veia cava superior entra pelo seu lado direito.
• Margem esquerda: quase vertical, é formada pelo
ventrículo esquerdo e parte da aurícula esquerda.
 
2. FLUXO SANGUÍNEO ATRAVÉS
DO CORAÇÃO
O fluxo sanguíneo através do coração é bastante lógico.
Ele acontece com o ciclo cardíaco, que consiste em
contrações e relaxamentos periódicos do miocárdio atrial e
ventricular (tecido muscular cardíaco). A contração do
miocárdio é chamada de sístole, enquanto o seu
relaxamento é chamado de diástole. Note que sempre que
os átrios se contraem, os ventrículos se relaxam, e vice-
versa.
Vamos traduzir em palavras o fluxo cardíaco do coração:
• O átrio direito recebe sangue desoxigenado das veias
cavas superior e inferior e do seio coronário.
• O átrio direito contrai, empurrando sangue através
da valva atrioventricular direita até o ventrículo direito.
O ventrículo então se contrai, passando o sangue para
o tronco pulmonar através da valva pulmonar, até que
o sangue chegue aos pulmões.
• Nos pulmões o sangue é oxigenado e em seguida se
move de volta ao coração, entrando no átrio esquerdo
através das veias pulmonares.
• O átrio esquerdo se contrai e empurra o sangue para
o ventrículo esquerdo através da valva atrioventricular
esquerda.
• O ventrículo esquerdo empurra o sangue oxigenado
através da valva aórtica para a aorta, a partir da qual o
sangue é distribuído para todo o corpo.
O ciclo cardíaco é controlado involuntariamente por um
plexo autonômico nervoso chamado de plexo cardíaco.
 
Se liga! São duas circulações acontecendo
em paralelo: a pulmonar, que vai oxigenar o
sangue, e a sistêmica, que vai levar sangue
para o organismo.
3. ÁTRIO DIREITO
O átrio direito forma a margem direita do coração e recebe
sangue venoso da veia cava superior (VCS), veia cava
inferior (VCI) e seio coronário. A aurícula direita, que tem
formato de uma orelha, é uma bolsa muscular cônica que se
projeta do átrio direito como uma câmara adicional, aumenta
a capacidade do átrio e se superpõe à parte ascendente da
aorta.
O interior do átrio direito apresenta:
• Uma parte posterior lisa, com paredes finas (o seio
das veias cavas), onde se abrem as veias cavas (VCS e
VCI) e o seio coronário, que trazem sangue pouco
oxigenado para o coração.
• Uma parede anterior muscular, rugosa, que é
formada pelos músculos pectíneos.
• Um óstio AV direito, através do qual o átrio direito
transfere para o ventrículo direito o sangue pouco
oxigenado que recebeu.
Figura 3. Corte transversal do coração.
Fonte: ilusmedical/Shutterstock.com
As partes lisa e áspera da paredeatrial são separadas
externamente por um sulco vertical superficial, o sulco
terminal, e internamente por uma crista vertical,
denominada crista terminal. A VCS se abre na parte
superior do átrio direito no nível da 3ª cartilagem costal
direita. A VCI se abre na parte inferior do átrio direito quase
alinhada com a VCS, no nível aproximado da 5ª cartilagem
costal.
O óstio do seio coronário, um tronco venoso curto que
recebe a maioria das veias cardíacas, situa-se entre o óstio
AV direito e o óstio da VCI.
O triângulo de Koch é uma área triangular da parede
septal. Usualmente a parte septal do nodo atrioventricular se
localiza nessa região, assim como a porção inicial do feixe de
His. É uma região delimitada pelo óstio do seio coronário, o
tendão da veia cava inferior (ou tendão de Todaro) e a
inserção da válvula septal da valva tricúspide.
Figura 4. Triângulo de Koch.
Fonte: asia11m/Shutterstock.com
O septo interatrial que separa os átrios tem uma
depressão oval, do tamanho da impressão digital de um
polegar, a fossa oval, que é um remanescente do forame
oval e sua valva no feto. O sangue da veia cava superior
(VCS) é direcionado para o óstio atrioventricular direito,
enquanto o sangue da veia cava inferior (VCI) é direcionado
para a fossa oval, como era antes do nascimento.
 
4. VENTRÍCULO DIREITO
O ventrículo direito forma grande parte da face
esternocostal do coração, uma pequena parte da face
diafragmática e quase toda a margem inferior do coração.
Afila-se superiormente e forma um cone arterial chamado
infundíbulo, que conduz ao tronco pulmonar. No ventrículo
direito existem elevações musculares irregulares, as
trabéculas cárneas, em sua face interna. Uma crista
muscular espessa, a crista supraventricular, separa a parede
Se liga! O forame oval é um orifício que
comunica o lado direito com o lado esquerdo do
coração. Durante a gestação, é essa
comunicação que possibilita que o feto receba o
sangue oxigenado da mãe para se desenvolver,
uma vez que seus pulmões ainda não
funcionam.
Logo após o nascimento, há o fechamento
natural do forame oval. No entanto, em uma
minoria de pessoas esse fechamento natural
não ocorre e o forame oval continua aberto, ou
seja, patente, ao longo da vida.
muscular rugosa na parte de entrada da câmara da parede
lisa do cone arterial, ou parte de saída. A parte de entrada
do ventrículo recebe sangue do átrio direito através do óstio
AV direito (tricúspide), localizado posteriormente ao corpo do
esterno no nível do 4º e 5º espaços intercostais. O óstio AV
direito é circundado por um dos anéis fibrosos do esqueleto
fibroso do coração. O anel fibroso mantém o calibre do óstio
constante (suficientemente grande para permitir a
passagem das pontas de três dedos), resistindo à dilatação
que poderia resultar da passagem de sangue através dele
com pressões variadas.
A valva atrioventricular direita (tricúspide) protege o óstio
AV direito. As bases das válvulas estão fixadas ao anel
fibroso ao redor do óstio.
Como o anel fibroso mantém o calibre do óstio, as válvulas
fixadas se tocam da mesma forma a cada batimento
cardíaco. As cordas tendíneas fixam-se às margens livres e
às superfícies ventriculares das válvulas anterior, posterior e
septal, de forma semelhante à fixação das cordas em um
paraquedas. As cordas tendíneas originam-se dos ápices dos
músculos papilares, que são projeções musculares cônicas
com bases fixadas à parede ventricular. Os músculos
papilares começam a se contrair antes da contração do
ventrículo direito, tensionando as cordas tendíneas e
aproximando as válvulas. Como as cordas estão fixadas a
faces adjacentes de duas válvulas, elas evitam a separação
das válvulas e sua inversão quando é aplicada tensão às
cordas tendíneas e mantida durante toda a contração
ventricular (sístole) – isto é, impede o prolapso (entrada no
átrio direito) das válvulas da valva atrioventricular direita
quando a pressão ventricular aumenta. Assim, a
regurgitação (fluxo retrógrado) de sangue do ventrículo
direito para o átrio direito durante a sístole ventricular é
impedida pelas válvulas.
Três músculos papilares no ventrículo direito
correspondem às válvulas da valva atrioventricular direita:
• O músculo papilar anterior, o maior e mais
proeminente, origina-se da parede anterior do
ventrículo direito. suas cordas tendíneas se fixam nas
válvulas anterior e posterior da valva atrioventricular
direita.
• O músculo papilar posterior, menor do que o
músculo anterior, pode ter várias partes. origina-se da
parede inferior do ventrículo direito, e suas cordas
tendíneas se fixam nas válvulas posterior e septal da
valva atrioventricular direita.
Se liga! O aparelho valvar consiste de: um
anel fibroso (ânulo fibroso) em torno do óstio
atrioventricular; da valva (constituída de várias
válvulas ou cúspides –  cada cúspide se insere
no anel fibroso que constitui o óstio); as cordas
tendíneas, que ligam as válvulas aos músculos
papilares (como os tendões ligam o musculo ao
osso) e os músculos papilares.
• O músculo papilar septal origina-se do septo
interventricular e suas cordas tendíneas se fixam às
válvulas anterior e septal da valva atrioventricular
direita.
O septo interventricular (SIV), composto por duas
partes, a muscular e a membranácea, é uma divisória
oblíqua forte entre os ventrículos direito e esquerdo,
formando parte das paredes de cada um.
A trabécula septomarginal (banda moderadora) é um feixe
muscular curvo que atravessa o ventrículo direito da parte
inferior do SIV até a base do músculo papilar anterior. Essa
trabécula é importante porque conduz parte do ramo direito
do fascículo AV, uma parte do complexo estimulante do
coração até o músculo papilar anterior. Esse “atalho” através
da câmara parece reduzir o tempo de condução, permitindo
a contração coordenada do músculo papilar anterior.
 
5. ÁTRIO ESQUERDO
O átrio esquerdo forma a maior parte da base do coração.
Os pares de veias pulmonares direita e esquerda,
avalvulares, entram no átrio de paredes finas. Possui uma
porção de paredes lisas a partir da incorporação do
desenvolvimento de uma porção das veias pulmonares e um
apêndice auricular que é sulcado pelos músculos pectinados
e que era o átrio esquerdo primitivo.
A aurícula esquerda muscular, de formato tubular e sua
parede trabeculada com músculos pectíneos, forma a parte
superior da margem esquerda do coração e cavalga a raiz do
tronco pulmonar. Uma depressão semilunar no septo
interatrial indica o assoalho da fossa oval; a crista adjacente
é a valva do forame oval.
O interior do átrio esquerdo apresenta:
• Uma parte maior com paredes lisas e uma aurícula
muscular menor, contendo músculos pectíneos.
• Quatro veias pulmonares (duas superiores e duas
inferiores) que entram em sua parede posterior lisa.
• Uma parede ligeiramente mais espessa do que a do
átrio direito.
• Um septo interatrial que se inclina posteriormente e
para a direita
• Um óstio atrioventricular esquerdo através do qual o
átrio esquerdo transfere o sangue rico em oxigênio que
recebe das veias pulmonares para o ventrículo
esquerdo.
 
6. VENTRÍCULO ESQUERDO
O ventrículo esquerdo forma o ápice do coração, quase
toda a sua face esquerda (pulmonar) e margem esquerda e a
maior parte da face diafragmática. Como a pressão arterial é
muito maior na circulação sistêmica do que na circulação
pulmonar, o ventrículo esquerdo (VE) trabalha mais do que o
ventrículo direito (VD). Consequentemente, o VE tem quase
o dobro da espessura do VD. Suas paredes são revestidas
por trabéculas cárneas que são mais finas e mais numerosas
do que as do ventrículo direito.
O VE contém apenas dois músculos papilares, anterior e
posterior, que se ligam aos dois folhetos da válvula
atrioventricular esquerda (ou mitral) por meio das cordas
tendíneas.
A valva atrioventricular esquerda (mitral ou
bicúspide) tem duas válvulas, anterior e posterior. A valva
atrioventricularesquerda está localizada posteriormente ao
esterno, no nível da 4a cartilagem costal. Cada uma de suas
válvulas recebe cordas tendíneas de mais de um músculo
papilar. Esses músculos e suas cordas sustentam a valva
atrioventricular esquerda, permitindo que as válvulas
resistam à pressão gerada durante contrações
(bombeamento) do ventrículo esquerdo. As cordas tendíneas
tornam-se tensas logo antes e durante a sístole, impedindo
que as válvulas sejam empurradas para o átrio esquerdo. A
corrente sanguínea sofre duas mudanças de trajeto
perpendiculares durante sua passagem pelo ventrículo que,
juntas, resultam em mudança de direção de 180°. Essa
inversão de fluxo ocorre ao redor da válvula anterior da
valva atrioventricular esquerda.
A valva da aorta, situada entre o ventrículo esquerdo e a
parte ascendente da aorta, é posicionada obliquamente.
Está localizada posteriormente ao lado esquerdo, do esterno,
no nível do 3º espaço intercostal.
Existem dilatações na parede da aorta abaixo de cada
cúspide: os seios da aorta. A artéria coronária direita se
origina no seio aórtico direito, enquanto a artéria coronária
esquerda se origina no seio aórtico esquerdo.
Ventrículo direito Ventrículo esquerdo
Uma valva tricúspide Uma valva bicúspide
Uma face septal trabeculada Uma face septal lisa
Uma crista supraventricular Nenhuma crista
Presença do infundíbulo Ausência do infundíbulo
Duas câmaras Hipertrofia muscular
 
 
Quadro 1. Diferenças entre os ventrículos.
Fonte: Autoria própria 
 
7. VALVAS DO TRONCO
PULMONAR E DA AORTA
As três válvulas semilunares da valva do tronco pulmonar
(anterior, direita e esquerda), como as válvulas semilunares
da valva da aorta (posterior, direita e esquerda), são
côncavas ao serem observadas de cima. As válvulas
semilunares não têm cordas tendíneas para sustentá-las.
Têm área menor do que as válvulas das valvas AV, e a força
exercida sobre elas é menor que a metade da força exercida
sobre as válvulas das valvas atrioventriculares direita e
esquerda.
As válvulas projetam-se para a artéria, mas são
pressionadas em direção (e não contra) às suas paredes
quando o sangue deixa o ventrículo. Após o relaxamento do
ventrículo (diástole), a retração elástica da parede do tronco
pulmonar ou da aorta força o sangue de volta para o
coração. No entanto, as válvulas fecham-se com um estalido,
quando há inversão do fluxo sanguíneo. Elas se aproximam
para fechar por completo o óstio, sustentando umas às
outras quando suas bases se tocam e evitando o retorno de
qualquer quantidade significativa de sangue para o
ventrículo.
A margem de cada válvula é mais espessa na região de
contato, formando a lúnula; o ápice da margem livre
angulada é ainda mais espesso, formando o nódulo.
Imediatamente superior a cada válvula semilunar, as
paredes das origens do tronco pulmonar e da aorta são
ligeiramente dilatadas, formando um seio. Os seios da aorta
e do tronco pulmonar são os espaços na origem do tronco
pulmonar e da parte ascendente da aorta entre a parede
dilatada do vaso e cada válvula semilunar. O sangue
presente nos seios e a dilatação da parede impedem a
adesão das válvulas à parede do vaso, o que poderia impedir
o fechamento. A abertura da artéria coronária direita é no
seio da aorta direito e a abertura da artéria coronária
esquerda é no seio da aorta esquerdo. Nenhuma artéria
origina-se do seio da aorta posterior (não coronário).
 
8. VASCULATURA DO CORAÇÃO
As artérias coronárias e as veias cardíacas são as
responsáveis pela vasculatura do coração. O endocárdio e
parte do tecido subendocárdico recebem nutrientes e
oxigênio por difusão ou microvascularização diretamente das
câmaras cardíacas. Os vasos sanguíneos percorrem a
superfície do coração abaixo do epicárdio e parte deles estão
entranhados no miocárdio.
Irrigação arterial do coração
As artérias coronárias direita e esquerda, são originadas
dos seios da aorta correspondentes e irrigam o miocárdio e o
epicárdio, seguindo por lados opostos ao tronco pulmonar.
A artéria coronária direita (ACD) após se originar do
seio da aorta direito, segue para o lado direito do tronco
pulmonar, vai até o sulco coronário e depois segue em
direção ao ápice, sem alcançá-lo. Nesse trajeto, origina,
geralmente, o ramo do nó sinoatrial (SA) ascendente
(irriga o nó sinoatrial) e o ramo marginal direito (irriga
margem direita do coração). A ACD vai ainda para a
esquerda após emitir o ramo marginal direito e continua no
sulco coronário até a face posterior do coração. Na parte
anterior da cruz do coração, onde há junção dos septos
interatrial e interventricular, a ACD origina o ramo do nó
atrioventricular (irriga o nó AV). Outra ramo proveniente
da ACD é o ramo interventricular posterior, que passa
pelo sulco interventricular posterior em direção ao ápice e
envia os ramos interventriculares septais, que perfuram o
septo IV.
A artéria coronária esquerda (ACE) se origina do seio
da aorta esquerdo, passa pela aurícula esquerda e lado
esquerdo do tronco pulmonar e segue para o sulco coronário.
Cerca de 40% das pessoas vai ter o ramo circunflexo da ACE
originando o ramo do nó SA, que ascende até a face
posterior do átrio esquerdo e vai até o nó SA.
No sulco coronário, a ACE divide-se em dois ramos: ramo
interventricular anterior  (ou descendente anterior
esquerda – DAE) e o ramo circunflexo. O ramo IV anterior
segue pelo sulco IV e vai até o ápice do coração, faz a volta
na margem inferior do coração e depois se anastomosa com
o ramo IV posterior da ACD. Algumas pessoas ainda têm o
ramo lateral originado pelo ramo IV, que segue na face
anterior do coração.
O ramo circunflexo, acompanha o sulco coronário pela
margem esquerda do coração e vai até a face posterior,
terminando no sulco coronário antes de chegar até a cruz do
coração.
A ACD costuma irrigar os nós SA e AV, o miocárdio da
parede externa do ventrículo direito (exceto sua face
anterior), a face diafragmática do ventrículo esquerdo e o
terço posterior do septo interventricular.
Em geral, a ACE supre os dois terços anteriores do SIV
(inclusive o feixe AV de tecido conectivo), a parede anterior
do ventrículo direito e a parede externa do ventrículo
esquerdo (exceto sua face diafragmática).
O domínio da vasculatura arterial coronariana é definido
pela artéria que origina o ramo interventricular posterior,
sendo que a coronária direita mais comumente desempenha
esse papel (67% dos casos).
Os leitos capilares do miocárdio drenam principalmente
para o átrio direito por intermédio de veias que deságuam
no seio coronário. No entanto, as veias também podem
entrar diretamente nas câmaras através das veias cardíacas
mínimas. Nenhuma das duas vias tem válvulas.
Figura 5. Artéria coronária direita.
Fonte: asia11m/Shutterstock.com
Artéria coronária esquerda Artéria coronária direita
Átrio esquerdo Átrio direito
A maior parte do ventrículo
esquerdo
A maior parte do ventrículo direito
Parte do ventrículo direito Superfície diafragmática do
ventrículo esquerdo
Septo interventricular
Parte dos septos interatrial e
interventricular
Nó SA (40% das pessoas) Nó SA (60% das pessoas)
  Nó AV
Quadro 2. Irrigação das artérias coronárias.
Fonte: Moore KL.
Se liga! Algumas pessoas desenvolvem a
capacidade de desenvolver uma circulação
colateral. Geralmente os ramos das artérias
coronarianas são terminais funcionais, ou seja,
irrigam regiões do miocárdio que não têm
anastomoses suficientes com outros grandes
ramos para manter um tecido, caso ocorra uma
oclusão. Porém, podemos observar que na
maioria das pessoas, pode haver o
desenvolvimento de anastomoses entre os
ramos das artérias subepicárdicas ou
miocárdicas e entre elas e os vasos torácicos.
Saiba mais! A angina do peito é a dor
originada do coração. Ela pode ser
 
Drenagem venosa do coração
A drenagem venosa do coração é governada
primariamente pelo seio coronário, com auxílio secundário
das veias cardíacasanteriores, que entram diretamente no
caracterizada como uma dor em aperto, no
fundo do tórax, constritiva e transitória, que
pode durar de 15 segundos a 15 minutos, de
intensidade moderada. Essa dor muitas vezes é
resultante do estreitamento das artérias
coronárias. Ocorre uma diminuição do fluxo
sanguíneo coronariano, com redução da oferta
de oxigênio para as células musculares
estriadas cardíacas. O metabolismo anaeróbio
dos miócitos leva ao acúmulo de ácido lático,
que ativa os receptores álgicos do músculo.
Atividades que podem levar ao aumento da
atividade cardíaca são: exercício físico vigoroso,
exposição súbita ao frio e estresse.
A angina é aliviada ao repouso, cerca de 1 a 2
minutos. Pode ser administrada nitroglicerina
sublingual, que dilata as coronárias e aumenta
o fluxo sanguíneo local, reduzindo então
sintomas.
No infarto, a dor é bem maior que a angina e
ela não desaparece ao repouso.
átrio direito, e das veias cardíacas menores, que se abrem
diretamente no interior das câmaras cardíacas.
O seio coronário cursa transversalmente ao longo da
superfície posterior do coração, no sulco coronário, e é uma
veia particularmente larga, uma vez que recebe sangue da:
veia cardíaca maior, veia cardíaca média, veias cardíacas
menores, veia marginal esquerda, veias ventriculares
posteriores esquerdas.
As veias cardíacas maiores cursam superiormente no sulco
interventricular anterior, e entram o seio coronário pelo lado
esquerdo. A veia cardíaca média, também conhecida como
veia interventricular posterior, também drena para o seio
coronário, entretanto, entra pelo lado oposto após cursar no
sulco interventricular posterior. 
Se liga! Doença arterial coronária é um dos
muitos termos, incluindo doença cardíaca
isquêmica e doença cardíaca aterosclerótica,
usado para descrever o estreitamento das
paredes internas das artérias que suprem o
coração.
Essa condição é muito grave, e pode se mostrar
fatal, uma vez que é o principal tipo de doença
cardíaca e a causa mais frequente de infarto do
miocárdio.
O sintoma mais óbvio da estenose da artéria
coronária é angina, ou dor no tórax, na região
do coração, que está situado atrás da margem
esquerda do esterno.
Fatores de risco para a aquisição desta condição
incluem: hipertensão, hipercolesterolemia,
tabagismo, hiperglicemia, fatores hemostáticos,
genética, altos níveis de lipoproteína,
sedentarismo, etilismo, estresse, baixos níveis
dietéticos de antioxidantes, obesidade, baixos
níveis de hemoglobinas, idade avançada.
Um diagnóstico positivo é obtido através de
vários exames cardiológicos, incluindo um teste
ergométrico, eletrocardiograma,
ecocardiograma, para mencionar alguns.
Medidas preventivas incluem uma dieta
balanceada, associada a exercícios físicos
regulares.
O tratamento para os que já sofrem da doença
inclui vários medicamentos e algumas vezes
envolve intervenções cirúrgicas.
 
9. COMPLEXO ESTIMULANTE DO
CORAÇÃO
O complexo estimulante do coração é formado por nós
intrínsecos especializados geradores de estímulos rítmicos e
por feixes de músculo cardíaco modificado que conduzem os
impulsos. O resultado é a contração coordenada dos átrios e
ventrículos.
 
O complexo estimulante consiste em tecido nodal, que
inicia os batimentos cardíacos e coordena contrações das
quatro câmaras, e fibras condutoras muito especializadas
para conduzi-los rapidamente para as diferentes áreas do
coração. A seguir, os impulsos são propagados pelas células
musculares estriadas cardíacas, de modo que haja contração
simultânea das paredes das câmaras.
Conceito: O complexo estimulante do
coração gera e transmite os impulsos que
produzem as contrações coordenadas do ciclo
cardíaco.
Se liga! O coração tem dois tipos de células,
as células miocárdicas, também
denominadas células funcionais, que quando
estimuladas eletricamente são capazes de se
contrair, e as células marcapasso,
responsáveis pela geração e pela condução dos
estímulos elétricos. Os tecidos especializados
que geram e conduzem impulsos elétricos
através do coração, são o nó sinoatrial (nó
SA), nó atrioventricular (nó AV), feixe de
His e fibras de Purkinje.
Figura 6. Complexo estimulante do coração.
Fonte: Blamb/Shutterstock.com
O nó SA está localizado na parede posterior do átrio
direito, onde a veia cava chega ao coração. O nó AV está na
porção inferior do septo interatrial. O feixe de His está no
topo do septo interventricular, esse feixe se divide no
interior da parede dos ventrículos denominando-se fibras
de Purkinje, causando a contração simultânea dos
ventrículos.
A regulação da ritmicidade do coração ocorre no nó SA ou
marca passo do coração, emitindo um impulso
aproximadamente 70 vezes por minuto. Essa ritmicidade
ocorre porque as membranas das fibras do nó SA são muito
permeáveis ao sódio, que passa para o interior das fibras,
fazendo com que o potencial da membrana em repouso
passe para o valor positivo até atingir seu limiar
transformando em potencial de ação.
O sinal de contração do nó SA propaga-se
miogenicamente (através da musculatura) de ambos os
átrios. Centésimos de segundos depois, o impulso atinge o
nó AV, que retarda o impulso para que os átrios forcem a
passagem de sangue para os ventrículos. O nó AV então
distribui o sinal para os ventrículos através do fascículo AV.
Na junção das partes membranácea e muscular do septo
interventricular (SIV), o fascículo AV divide-se em ramos
direito e esquerdo. Esses ramos prosseguem de cada lado
do SIV muscular profundamente ao endocárdio e depois se
ramificam em ramos subendocárdicos (Fibras de Purkinje),
que se estendem até as paredes dos respectivos ventrículos.
Conceito: A geração e a condução de
impulsos podem ser resumidas da seguinte
A frequência de geração e a velocidade de condução são
aumentadas pela parte simpática e inibidas pela parte
parassimpática da divisão autônoma do sistema nervoso
para atender às demandas ou poupar energia.
O nó sinoatrial (SA), gerador de impulsos, e o nó
atrioventricular (AV), transmissor, geralmente são irrigados
por ramos dos nós da ACD. O fascículo atrioventricular e
seus ramos são irrigados principalmente por ramos septais
da ACE.
A oclusão de qualquer artéria coronária subsequente
infarto do nó ou do tecido condutor pode exigir a inserção de
um marcapasso cardíaco artificial.
forma:
• O nó SA inicia um impulso que é
rapidamente conduzido para as fibras
musculares cardíacas nos átrios, causando
sua contração.
• O impulso propaga-se por condução
miogênica, que transmite rapidamente o
impulso do nó SA para o nó AV.
• O sinal é distribuído do nó AV através do
fascículo AV e seus ramos (os ramos direito
e esquerdo), que seguem de cada lado do
SIV e suprem os ramos subendocárdicos
para os músculos papilares e as paredes
dos ventrículos.
 
O efeito da divisão autônoma do sistema nervoso sobre as
artérias coronárias é paradoxal. O controle da atividade
cardíaca é feito pelo sistema nervoso simpático e
parassimpático, que inervam de forma abundante o coração,
além de fibras aferentes viscerais que conduzem fibras
reflexas e nociceptivas provenientes do coração. A
estimulação simpática causa vasodilatação e a estimulação
parassimpática, vasoconstrição.
Os impulsos elétricos que passam pelo complexo
estimulante do coração podem ser registrados pelo
eletrocardiograma. Onda P é a despolarização das fibras
atriais do nó SA, o complexo QRS é a despolarização dos
ventrículos e a onda T é a repolarização dos ventrículos,
iniciando assim um novo ciclo cardíaco.
Sobre a inervação do coração, refere-se à rede de nervos
responsáveis pelo funcionamento do coração. O coração é
inervado por fibras simpáticas e parassimpáticas do ramo
autonômico do sistema nervoso periférico.
A rede de nervos que irriga o coração recebe contribuições
dos nervos vago direito e esquerdo, além de contribuições
Se liga! O marcapasso consiste em um
gerador de pulsoou bateria, um fio (derivação)
e um eletrodo. Os marcapassos produzem
impulsos elétricos que iniciam contrações
ventriculares em uma frequência
predeterminada.
do tronco simpático. Estes são responsáveis por influenciar a
frequência cardíaca, o débito cardíaco e as forças de
contração do coração.
Plexo cardíaco
É uma rede de nervos, incluindo os sistemas simpático e
parassimpático.
Inervação
parassimpática
As fibras parassimpáticas são originadas do nervo vago e
são responsáveis por reduzir a frequência cardíaca, reduzir
a força das contrações cardíacas e dilatar os vasos
coronários.
Inervação
Simpática
As fibras simpáticas têm origem na coluna celular
intermediolateral da medula torácica, entre T1 e T5, antes
de se fundir ao tronco simpático e são responsáveis por
aumentar a frequência cardíaca, aumentar a força de
contratilidade cardíaca e promover a constrição dos vasos
coronários.
 
Quadro 3. Inervação do coração.
Fonte: Elaborada pelo autor.
A estimulação simpática é responsável por:
• Aumentar dinâmica e funcionalidade do coração
através do aumento da frequência cardíaca, da
condução do impulso, da força da contratilidade e do
fluxo sanguíneo pelos vasos coronários.
• Aumentar a frequência de despolarização das células
marca-passo e a condução atrioventricular.
• A estimulação parassimpática é responsável por:
• Diminuir a dinâmica do coração por meio da
diminuição da frequência cardíaca, redução da força de
contração e constrição das artérias coronárias, para
poupar energia em períodos de maior demanda.
• As fibras parassimpáticas liberam acetilcolina que se
liga aos receptores muscarínicos resultando em
redução da frequência de despolarização das células
marcapasso e a condução atrioventricular além de
diminuição da contração atrial.
Se liga! Lesões aos grandes nervos que
formam o plexo cardíaco podem causar doenças
compensatórias. Por exemplo, como os ramos
do nervo vago estão diretamente relacionados à
inervação autonômica do coração, em caso de
lesão nesta topografia o coração perderá sua
capacidade de autorregulação, resultando em
um aumento da frequência cardíaca
(taquicardia). A mesma lógica se aplica ao
sistema simpático.
 
Se liga! Dor referida cardíaca: O coração
é insensível ao toque, secção, frio e calor,
porém, a isquemia e o acúmulo de produtos
metabólicos estimulam as terminações
nervosas no miocárdio. As fibras álgicas
aferentes seguem em direção central nos ramos
cervicais intermediários e inferiores e nos ramos
cardíacos torácicos do tronco simpático. Os
axônios dos neurônios sensitivos primários
entram nos segmentos medulares de T1 a T4 ou
T5, principalmente do lado esquerdo. Quando
um estímulo nocivo originário do coração é
percebido como dor originada em uma parte do
corpo, como o membro superior esquerdo, esse
fenômeno é denominado dor referida
cardíaca. Essa dor referida visceral vai ser
transmitida por fibras viscerais aferentes que
acompanham as fibras simpáticas e geralmente
são referidas em estruturas somáticas ou áreas
em que o membro tenha fibras com corpos
celulares no mesmo gânglio vertebral e
processos centrais que entrem na medula
através das mesmas raízes posteriores. A
angina, por exemplo, é percebida como uma dor
irradiada das regiões subesternal e peitoral
esquerda, além do ombro esquerdo e face
medial do membro superior esquerdo. Essa
região é inervada pelo nervo cutâneo medial do
braço. Tal nervo tem seus segmentos da medula
espinhal (T1-T3) comuns às terminações
viscerais aferentes para as artérias coronárias.
Além disso, esses neurônios podem fazer
 
sinapses e conduzir impulsos para neurônios do
lado direito de áreas comparáveis da medula.
Assim, a dor de origem cardíaca, que embora
geralmente seja à esquerda, também pode se
manifestar no lado direito, em ambos os lados
ou até no dorso.
Figura 7. Áreas de dor referida cardíaca.
Fonte: Blamb/Shutterstock.com
 
ANATOMIA DA AORTA
 
1. AORTA
A aorta surge no nível do anel valvar aórtico e termina na
bifurcação aórtica, aproximadamente no nível da cicatriz
umbilical (nível de L4). A aorta tem quatro divisões
principais: aorta ascendente, arco aórtico, aorta
torácica descendente e aorta abdominal (Figuras 19 e
20).
• Aorta ascendente: encontra-se quase inteiramente
dentro do saco pericárdico.  Por ser uma estrutura
intrapericárdica, ela se situa inferiormente ao plano
transverso do tórax, sendo considerada como parte do
conteúdo do mediastino médio (parte do mediastino
inferior).
• Os folhetos da valva aórtica estão relacionados a três
seios. as artérias coronárias direita e esquerda surgem
dos seios aórticos direito e esquerdo, respectivamente,
sendo seus únicos ramos (Figura 21). A aorta
ascendente encontra-se posterior e à direita da artéria
pulmonar.
• Arco aórtico: Percorre sobre a artéria pulmonar
direita e o brônquio esquerdo. De sua porção superior,
são emitidas o tronco braquiocefálico, a artéria
carótida comum esquerda e artéria subclávia
esquerda, nessa ordem.
• O ligamento arterial representa o remanescente
fibrótico obstruído do canal arterial fetal (artéria
ductal), que une a artéria pulmonar proximal esquerda
à superfície inferior do arco aórtico.
• Aorta torácica descendente: Guarda relação com
a superfície anterior esquerda da coluna vertebral e
fica adjacente ao esôfago e ao átrio esquerdo. Seus
ramos posterolaterais são as artérias intercostais
bilaterais e os ramos anteriores incluem as artérias
brônquica, esofágica, mediastinal, pericárdica e
frênica superior. As artérias brônquicas, mais
comumente duas esquerdas e uma direita, irrigam as
paredes brônquicas e as paredes dos vasos arteriais e
venosos pulmonares. Raramente, as artérias
brônquicas podem surgir de artérias intercostais ou
subclávia ou, raramente, de uma artéria coronária.
Termina (com a mudança de nome para parte abdominal
da aorta) anteriormente à margem inferior da vértebra T12 e
entra no abdome através do hiato aórtico no diafragma.
• Aorta Abdominal: Percorre ao longo da superfície
anterior esquerda da coluna vertebral e fica adjacente
à veia cava inferior. Os principais ramos laterais
(retroperitoneais) incluem as artérias renais,
adrenais, lombar direita e esquerda e frênica
inferior. As artérias gonadais surgem um pouco
mais anteriormente, mas permanecem
retroperitoneais. Os ramos intraperitoneais surgem
anteriormente e incluem o tronco celíaco (com seus
ramos gástrico, esplênico e hepático esquerdo) e
as artérias mesentéricas superior e inferior. Os
ramos aórticos distais incluem as artérias ilíacas
comuns direita e esquerda e uma pequena artéria
sacral média.
Figura 7. Aorta torácica.
Fonte: lotan/Shutterstock.com 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. Rio
de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
NETTER, Frank H. Atlas de anatomia humana: 6. Ed.
Philadelphia: Elsevier, 2014.
Murphy JG, Lloyd MA. Mayo Clinic Cardiology: Concise
Textbook. 4th ed.  New York: Mayo Clinic Scientific Press and
Oxford University Press, 2013.
Table of Contents
Capa
Créditos
Autores
PREFÁCIO
1. Introdução à ANATOMIA HUMANA
1. Introdução e Definição
2. Terminologia Anatômica
3. Termos Direcionais
4. Termos de Lateralidade
5. Planos e Eixos Anatômicos
6. Termos de Movimento
7. Regiões Anatômicas
Referências Bibliograficas
2. Introdução à neuroanatomia
1. ALGUNS ASPECTOS FILOGÊNICOS DO SISTEMA
NERVOSO
2. PLANOS ANATÔMICOS
3. DIVISÕES DO SISTEMA NERVOSO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
3. Anatomia macroscópica do encéfalo (neuroanatomia)
1. INTRODUÇÃO
2. DIENCÉFALO
3. Telencéfalo
4. TRONCO ENCEFÁLICO
5. CEREBELO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
4. Anatomia do cerebelo
1. Introdução
2. Aspectos anatômicos
3. Estrutura e função do cerebelo
4. Aplicação clínica
Referências Bibliográficas
5. Anatomia da cabeça e pescoço
ANATOMIA DA CABEÇA
1. ESTRUTURAS ÓSSEAS DO CRÂNIO E DA FACE
2. VISCEROCRÂNIOpelas extraordinárias capacidades humanas,
além dos processos de perceber, agir, aprender e lembrar.
Tais atividades só foram possíveis por meio da atividade de
bilhões de células componentes do tecido neuronal
(neurônios e neuroglias), conferindo a nós a consciência, o
pensamento e o comportamento.
Dessa forma, a neuroanatomia entra como o estudo de tal
sistema, num parâmetro macroscópico, observando suas
generalidades e particularidades. Além disso, é importante
sabermos que esse sistema está intimamente relacionado ao
processo evolutivo dos seres vivos, de tal forma, que a sua
adaptação foi possível a partir do desenvolvimentos de três
propriedades básicas:
• Irritabilidade: é a propriedade de uma célula de
ser sensível ao meio ambiente, dando origem a um
impulso.
• Condutibilidade: consiste na condução desse
impulso pelo meio interno.
• Contratilidade: é a resposta do ser vivo ao
estímulo inicial.
É importante lembrarmos que essa propriedade está
presente em todos os seres vivos. Até os seres menos
complexos, como as amebas, ao serem tocadas com
micromanipulador, se afastam do ponto em que ocorreu o
toque Para que isso ocorra, elas tiveram que sentir o
estímulo, conduzir a informação no seu corpo unicelular,
projetando seus pseudópodes e reagir. Entenderam?
Figura 1. Ameba emitindo pseudópodes.
FonteRattiya Thongdumhyu/Shutterstock.com
Com o aparecimento de seres mais complexos, como os
animais, suas células, que obedecem a essas propriedades,
se especializaram – as células da contratilidade se tornaram
as musculares primitivas, passando a ocupar posições mais
internas nesses organismos, perdendo, assim, contato com o
meio externo. No entanto, na superfície externa desses
animais, surgiram células bem diferenciadas, sendo elas
responsáveis pela captação de estímulos (irritabilidade), os
redirecionando-os para as células musculares
(condutibilidade).
Essas novas células, especializadas tanto na irritabilidade
como na condutibilidade, consistem nos primeiros
neurônios. Esse tipo celular, sendo a unidade fundamental,
com função básica de receber, processar e transmitir
informação, é responsável pela captação da informação,
conduzi-la ao SNC (sistema nervoso central) e retransmiti-la
para os órgãos alvos no corpo. Ademais, a depender de sua
função, ela pode ser considerada:
Aferente: são aferentes ou sensitivos os neurônios, fibras
ou nervos que trazem impulsos a uma determinada área do
sistema nervoso.
Eferentes: são eferentes ou motores os que levam
impulsos dessa área.
2. PLANOS ANATÔMICOS
Focando um parâmetro microscópico, a visualização da
divisão anatômica do sistema nervoso é muito facilitada com
o entendimento da tridimensionalidade de suas estruturas
em nosso organismo. Para isso, vamos voltar aos conceitos
de plano anatômico, não sendo restrito ao estudo da
neuroanatomia, mas muito utilizado na interpretação da
neuroimagem. Temos em número de 3 planos anatômicos
principais:
Figura 2.Imagens de uma TC de crânio e representações de planos anatômicos
em cortes axial, coronal e sagital.
Fonte: samunella/Shutterstock.com
3. DIVISÕES DO SISTEMA
NERVOSO
O sistema nervoso pode ser organizado a partir de
diferentes critérios: um anatômico, um filogenético e outro
funcional, bem como segundo a segmentação ou metameria.
Divisão anatômica
O sistema nervoso é dividido anatomicamente num
componente central e num periférico.
O sistema nervoso central (SNC) consiste nas
estruturas nervosas localizadas dentro do esqueleto axial,
sendo elas: a cavidade craniana e o canal vertebral.
Respectivamente a esses espaços, temos as seguintes
estruturas que compõem o SNC: o encéfalo e a medula
espinhal. Juntos, eles formam o neuroeixo.
A estrutura mais cranial, o encéfalo, corresponde à
verdadeira maquinaria no funcionamento do nosso corpo,
sendo a porção mais central dentro do crânio. Ela ainda é
subdividida em:
• Cérebro: formado pela união do telencéfalo com o
diencéfalo.
• Cerebelo.
• Tronco encefálico
Figura 3. Superfície medial do cérebro.
Fonte: Vasilisa Tsoy/Shutterstock.com
Se liga! O nosso cérebro é organizado em
giros, que são partes do córtex de substância
cinzenta, delimitados pelas depressões que
percorrem o córtex cerebral, os sulcos,
permitindo o aumento de sua superfície sem
aumento considerável do seu volume.
Neste material, vamos apenas introduzir e definir cada um
desses componentes do SNC, para, quando formos estudar
cada qual em seus respectivos materiais, teremos uma
noção básica de sua definição, anatomia e função. Beleza?
Então, começando pelo cérebro, sabemos que ele é
composto pelo telencéfalo e pelo diencéfalo. A primeira
estrutura consiste em dois hemisférios corticais e na lâmina
terminal. Cada hemisfério possui 3 polos (frontal, temporal
e occipital), 3 margens (superior, medial e inferior), 5
lobos (frontal, parietal, temporal, occipital e insular – sendo
o último “escondido” pelo parênquima cortical) e 3 faces
(dorsolateral, medial e inferior). E são nessas faces que
encontramos os sulcos e os giros, que serão melhor
estudados em próximos resumos.
Profundamente a esse córtex, temos as
estruturas subcorticais, formadas tanto por
substância branca (na qual encontramos as
fibras das vias ascendentes e descendentes)
quanto por substância cinzenta, sendo ela
reunida nos núcleos da base (são eles:
caudado, putâmen, globo pálido etc).
Figura 4. Vista lateral de um hemisfério cerebral esquerdo com seus polos e
lobos em cores diferentes.
Fonte: Andrii_M/Shutterstock.com
Já o outro componente do cérebro, o diencéfalo, diferente
do telencéfalo, é uma estrutura ímpar localizada na porção
cerebral mais inferior, sendo compreendida por: tálamo –
um grande centro de retransmissão de fibras entre o nosso
córtex e estruturas subcorticais; hipotálamo – grande
regulador da homeostase; subtálamo – que atua no circuito
motor de forma subsidiária; e epitálamo – relacionado com
a sincronização do ritmo circadiano.
O cerebelo, por sua vez, segue uma topografia anatômica
semelhante ao cérebro: possui dois hemisférios, unidos
agora por um vérmis, localizado na linha mediana; seu
córtex cerebelar é percorrido por sulcos, delimitando folhas
(e não giros!). Diferente das demais estruturas já citadas,
que estão localizadas no compartimento supratentorial da
base do crânio, o cerebelo se encontra no compartimento
infratentorial. Ele é dividido em lobo flóculo-nodular, lobo
anterior e lobo posterior. Na semiologia neurológica,
testamos a funcionalidade do cerebelo principalmente
durante os exames de coordenação e equilíbrio.
Já como estrutura mais caudal do encéfalo, temos o
tronco encefálico, também sendo a porção mais primitiva
dentre as outras. O tronco está intimamente relacionado
com o funcionamento da homeostase do corpo, sendo de
extrema importância para a manutenção da vida. Podemos
evidenciar isso, por exemplo, por meio dos exames feitos
para diagnosticar morte encefálica, que testam se o tronco
está funcionante ou não. Profundamente a ele, temos
diversos núcleos de pares cranianos, além da formação
reticular. Num ponto de vista anatômico, o tronco encefálico
é dividido em, no sentido craniocaudal: mesencéfalo,
ponte e bulbo.
É bom lembrarmos que internamente ao encéfalo, temos
estruturas chamadas de ventrículos encefálicos, por onde
circula o liquor, diminuindo o efeito do peso do encéfalo
além de fornecer proteção mecânica a seus componentes.
Conceito: Ventrículos encefálicos são
cavidades localizadas internamente ao
encéfalo, revestidas de epitélio epididimário,
por onde percorrer o liquor cefalorraquidiano
(LCR). São em número de quatro cavidades,
duas pares (ventrículos laterais) e duas ímpares
(terceiro e quarto ventrículo), que são ligadas
uma as outras por diversos canais, formando o
sistema ventricular.
Na prática! Sabemos que a análise clínica
do liquor em ambiente hospitalar nos ajuda a
identificarmos possíveis patologiasx NEUROCRÂNIO
3. VISÕES DO CRÂNIO
4. VISTA LATERAL
5. VISTA INFERIOR
6. VISTA DA CALVÁRIA
7. VISTA INTERNA DA BASE DO CRÂNIO
8. SELA TURCA
9. SUTURAS E PONTOS CRANIOMÉTRICOS
10. NARIZ E SEIOS DA FACE
11. ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR
12. ESTRUTURAS MUSCULARES DO CRÂNIO
ANATOMIA DO PESCOÇO
1. ESTRUTURAS ÓSSEAS DO PESCOÇO
2. Fáscias Cervicais
3. VASCULARIZAÇÃO ARTERIAL DA CABEÇA E
PESCOÇO
4. DRENAGEM VENOSA DA CABEÇA E PESCOÇO
5. DRENAGEM LINFÁTICA DA CABEÇA E
PESCOÇO
6. INERVAÇÃO DA CABEÇA E PESCOÇO
Referências Bibliográficas
6. parede torácica e mediastino
1. INTRODUÇÃO
2. PAREDE TORÁCICA
3. MEDIASTINO
Referências Bibliográficas
7. vias áereas
1. INTRODUÇÃO
2. CAVIDADE NASAL
3. FARINGE E LARINGE
4. TRAQUEIA E BRÔNQUIOS
Referências Bibliográficas
8. anatomia do coração e aorta
ANATOMIA DO CORAÇÃO
1. INTRODUÇÃO
2. FLUXO SANGUÍNEO ATRAVÉS DO CORAÇÃO
3. ÁTRIO DIREITO
4. VENTRÍCULO DIREITO
5. ÁTRIO ESQUERDO
6. VENTRÍCULO ESQUERDO
7. VALVAS DO TRONCO PULMONAR E DA AORTA
8. VASCULATURA DO CORAÇÃO
9. COMPLEXO ESTIMULANTE DO CORAÇÃO
ANATOMIA DA AORTA
1. AORTA
Referências Bibliográficasque possam
afetar o funcionamento homeostático de nosso
SNC, como, por exemplo, a meningite. Dessa
forma, para ser analisada sua composição e/ou
cultura, o LCR deve ser recolhido OU por
punção occipital (referencial anatômico:
abaixo do crânio, recolhendo o liquor da
cisterna magna) OU por punção lombar
(referencial anatômico: entre L3-L4 ou L4-L5).
Figura 5. Representações dos exames de coleta de LCR por punção lombar.
Fonte: Aldona Griskeviciene/Shutterstock.com
Como último componente do SNC, temos o mais caudal e
primitivo, que é a medula espinhal. Ela consiste numa
massa cilindroide de tecido nervoso situado dentro do canal
vertebral da coluna, limitada superiormente pelo bulbo, ao
nível do forame magno, e inferiormente até a vértebra L2.
Na prática! O conhecimento da topografia
medular na coluna é importante para a
investigação clínica de patologias que podem
afetar tanto essa estrutura do SNC como suas
raízes, principalmente em pacientes com
cervicalgia ou lombalgia. Para isso, utilizam-se
exames de ressonância magnética, que
Já o sistema nervoso periférico (SNP) é formado pelas
estruturas localizadas fora desse esqueleto. Essas estruturas
são os nervos, os gânglios e as terminações motoras e
sensitivas.
Nervos consistem em cordões esbranquiçados que atuam
unindo o SNC aos órgãos periféricos.
A depender da porção do SNC que estamos estudando,
esse nervo pode ser dividido em: nervos cranianos, caso
estejam ligados ao encéfalo; e nervos espinhais, se
estiverem ligados à medula espinhal;
No entanto, em relação à sua funcionalidade, são divididos
em: nervos motores, sensitivos ou mistos (quando sua
composição possui fibras tanto sensitivas como nervosas).
Já os gânglios, correspondem ao aglomerado de corpos
neuronais localizados fora do SNC. Da mesma forma que os
nervos, os gânglios também são caracterizados como
sensitivos ou motores (participam do sistema nervoso
autônomo).
Por fim, as terminações nervosas, localizadas na
extremidade das fibras constituintes dos nervos, também
segue a mesma divisão: uma motora, formada pela placa
motora; e uma sensitiva, composta pelos exteroceptores
(recebem estímulos do meio externo), visceroceptores
(recebem estímulos dos órgãos internos) e proprioceptores
(informam o SNC sobre a posição do corpo ou sobre a força
necessária para a coordenação).
permitem analisar a medula e as partes moles
das articulações da coluna.
Figura 6. Estruturas nervosas periféricas por transparência no corpo humano.
Fonte: Systemoff/Shutterstock.com
Figura 7. Embrião durante a neurulação.
Relembrando O sistema nervoso se
desenvolve a partir do folheto embrionário mais
externo, o ectoderma, que, ao ser induzido
pela notocorda, se espessando, forma a placa
neural. Essa estrutura começa a sofrer
invaginações sucessivas, formando a goteira
neural. Por fim, ao se fechar, essa goteira se
torna o tubo neural, estrutura responsável
pela origem do SNC.
Conceito: Notocorda consiste numa estrutura
celular presente durante o desenvolvimento
embriológico dos animais cordados, atuando como
eixo de sustentação craniocaudal na região
posterior do embrião. Além de induzir a formação
do tubo neural, ela é substituída pela coluna
vertebral, nos vertebrados, ou se persiste como
sustentação em outros animais não vertebrados
desse grupo.
Fonte: Betty Ray/Shutterstock.com
Desde o início de sua formação, o tubo neural não possui
calibre uniforme. Sendo assim, sua dilatação possui certas
irregularidades, formando distintas estruturas do nosso SNC.
A parte cranial, que formará o arquencéfalo ou encéfalo
primitivo, se dilata à medida que ocorre seu
desenvolvimento, diferente da porção mais caudal, que dá
origem à medula primitiva.
Vale ressaltar que não existe apenas um par de dilatações
bilaterais no arquencéfalo e sim três vesículas encefálicas
primitivas. De cranial para caudal, temos:
• Prosencéfalo: com o desenvolvimento do
embrião, é formado deste duas vesículas, o
telencéfalo e o diencéfalo.
• • Durante o desenvolvimento do prosencéfalo, as
vesículas telencefálicas laterais crescem muito
mais que as diencefálicas, ao ponto que, ao
completar a formação do SNC do embrião, os
hemisférios cerebrais oriundos do telencéfalo
escondem quase completamente a parte mediana
dele mesmo, além do diencéfalo.
• Mesencéfalo: durante o desenvolvimento
embrionário, ele não se modifica.
• Rombencéfalo: dará origem ao metencéfalo
(formando a ponte e o cerebelo) e ao mielencéfalo
(formando o bulbo).
Figura 8. Desenvolvimento do cérebro.
Fonte: Veronika By/Shutterstock.com
Se liga! Diante o exposto, fica evidente a extrema
importância do período fetal para a formação e
desenvolvimento do sistema nervoso central, ao ponto
que fatores externos como substâncias teratogênicas,
alguns medicamentos, álcool, irradiação, drogas e
infecções congênitas podem interferir ativamente nas
etapas desse processo. Caso ocorram no primeiro
trimestre da gestação, essas interferências podem
afetar o processo de proliferação neuronal, resultando
numa diminuição do número de células nervosas e/ou
em microcefalia. Já se ocorrem no segundo ou no
terceiro, a interferência será na fase de organização
neuronal, redução na quantidade de sinapses e ocasionar
quadros de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor
e cognitivo do feto.
Mas não devemos nos restringir a essas substâncias
nocivas: durante a desnutrição materna ou nos primeiros
anos de vida da criança, diante a interferências externas
ao feto ou lactente, respectivamente, o processo de
mielinização do sistema nervoso será prejudicado,
podendo resultar em atrasos na aquisição de habilidades
e no desenvolvimento neuropsicomotor normal da
criança. Atrasos que podem, muitas vezes, ser
irreversíveis.
Divisão fisiológica
O sistema nervoso, a partir de um viés fisiológico, pode
ser dividido em sistema nervoso somático e sistema
nervoso visceral. Enquanto o primeiro está relacionado
com a forma que o organismo interage com o meio ambiente
externo a ele, o segundo está relacionado com o controle
das vísceras par a homeostasia corpórea. Além dessas
diferenças, tanto a divisão somática, como a divisão visceral
possuem um componente aferente e um outro eferente.
No caso do somático, seu componente aferente é
responsável por conduzir ao SNC os impulsos originados nos
receptores periféricos, informando-os acerca do mecanismo
externo que causou essa irritação. Já o eferente atua
levando as informações processadas nos centros nervosos
até os nossos músculos estriados esqueléticos, realizando os
movimentos voluntários. Temos como exemplo de uma ação
cooperativa entre esses dois componentes o arco reflexo.
Figura 9. Arco reflexo.
Fonte: EreborMountain/Shutterstock.com
Em relação ao visceral, tanto o aferente como o eferente
atuam na integração das diversas vísceras visando a
manutenção da constância do nosso meio interno. Sendo
assim, o componente aferente é responsável por conduzir
os impulsos nervosos originados em nossos visceroceptores
até o nosso SNC. Já o eferente, atua levando tais impulsos
até nossas vísceras, enviando a resposta processada em
nosso centro nervoso até glândulas, músculos lisos ou
músculo estriado cardíaco.
Figura 10. O reflexo de alongamento.
Fonte: joshya/Shutterstock.com
Esse componente visceral motor é denominado de
sistema nervoso autônomo (SNA), que pode ser dividido
em simpático, relacionado com os processos fisiológicos
durante momentos de “luta ou fuga”, e em
parassimpático, responsável por estimular ações que
permitem ao organismo. Num viés anatômico, podemos
ressaltar ainda algumas diferenças principais entre o sistema
nervoso simpático do parassimpático, como podemos ver no
quadro a seguir.
Componentes do sna Simpático Parassimpático
Origem Toracolombar Craniossacral
(T1 à l2) (Tronco encefálico e S2 à
S4)
Localização
do gânglio
Próximo
ao SNC
Próxima à
víscera
Fibras
pré-ganglionaresCurta Longa
Fibras
pós-ganglionares
Longa Curta
Neurotransmissores
(sinapse com gânglio)
Acetilcolina Acetilcolina
Neurotransmissores
(sinapse com víscera)
Noradrenalina* Acetilcolina
Quadro 1. Diferenças anatômicas e farmacológicas entre os sistemas simático e
parassinpático. *Acetilcolina também está no simpático como neurotransmissor
visceral nas glândulas sudoríparas e vasculatura dos músculos estriados.
Como já foi dito, o sistema nervoso simpático responde a
situações de estresse, estimulando ações como: taquicardia
e taquipneia, hipertensão, sudorese, hiperglicemia,
diminuição da motilidade e digestão. Anatomicamente, ele é
formado pelo tronco simpático, pelos nervos
esplâncnicos e pelos gânglios pré-vertebrais.
• O tronco simpático corresponde à cadeia de
gânglios paravertebrais unidos por ramos
interganglionares que se estende da base do crânio
ao cóccix bilateralmente. Por esse tronco, passam
fibras simpáticas pré-ganglionares e pós-
ganglionares.
• Os nervos esplâncnicos são cordões
esbranquiçados formados pelas fibras pré-
ganglionares que passam pelo tronco SEM realizar
sinapse a nível paravertebral.
• Por fim, os gânglios pré-vertebrais são o
conjunto de corpos neuronais localizados
anteriormente a coluna vertebral, onde as fibras pré-
ganglionares dos nervos esplâncnicos realizam
sinapse.
Já o sistema nervoso parassimpático permite ao corpo
responder a situações de calma, realizando as ações opostas
ao simpático: bradicardia e bradipneia, anidríase,
hipoglicemia, aumento da motilidade e digestão.
Anatomicamente, ele é formado pelos núcleos de alguns
pares cranianos, além dos nervos esplâncnicos
pélvicos. Dentre esses núcleos, nós temos:
• Núcleo de Edinger-Westphal –  nervo
oculomotor (III), que inerva os músculos
intrínsecos da pupila.
• Núcleo salivatório superior –  nervo facial
(VII), que inerva as glândulas submandibulares e
sublinguais.
• Núcleo lacrimal – nervo facial (VII), que inerva
a glândula lacrimal.
• Núcleo salivatório inferior –  nervo
glossofaríngeo (IX), que inerva as glândulas
parótidas.
• Núcleo motor dorsal do vago – nervo vago (X),
responsável pelas funções parassimpática do trato
digestório e cardiorrespiratório.
• Núcleo ambíguo – nervo vago (X), que inerva a
laringe e a faringe.
Na prática! Lesões, que afetam o gânglio
cervicotorácico (estrelado) ou os plexos
autônomos situados ao longo das artérias da
cabeça e pescoço, repercutem numa tríade
clínica ipsilateral caracterizada por miose
pupilar, ptose palpebral e anidrose (supressão
da transpiração). Essa tríade consiste na
síndrome de Horner. Esses achados decorrem
de uma disfunção simpática ipsilateral à lesão,
tendo como patologias de bases principais o
tumor de Pancoast (carcinoma brônquico no
ápice pulmonar que comprime o gânglio do
tronco simpático) e a dissecção aguda da
artéria carótida interna.
Divisão com base na segmentação ou
metameria
Relembrando Galera, se lembram do
conceito de “metameria”? Então, metameria ou
segmentação corporal consiste na organização
do corpo animal em segmentos semelhantes ao
longo de seu comprimento.
A segmentação no sistema nervoso é feita a partir da
correlação dentre as suas estruturas e de suas conexões
com os nervos. Portanto, o sistema nervoso segmentar
consiste nas porções do SNC que estão relacionadas
diretamente com os nervos, como tronco encefálico e
medula, bem como todas as estruturas do sistema nervoso
periférico. Já o sistema nervoso suprassegmentar, é
composto pelas estruturas superiores ao segmentar que não
possui tal metameria, sendo formado pelo cérebro e pelo
cerebelo.
No entanto, sabemos que do cérebro são enviadas fibras
que compõem os nervos olfatórios e ópticos,
respectivamente no telencéfalo e no diencéfalo. No entanto,
por eles não serem nervos típicos, eles estão excluídos dos
critérios necessários para o sistema segmentar.
Diante o que foi estudado, podemos observar que nas
estruturas do suprassegmentar podemos encontrar córtex
de substância cinzenta externamente à substância branca,
enquanto as do segmentar não possui córtex, tendo sua
substância cinzenta localizada interiormente à substância
branca, formando núcleos. Essa organização de núcleos
neuronais dentro de substância branca não é restrita ao
segmentar, já que, profundamente no cérebro, encontramos
os famosos núcleos da base, já citados anteriormente.
Por fim, em relação à sua evolução, o segmentar surgiu
antes do suprassegmentar e, de modo funcional, está
subordinado a ele.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MACHADO, A.B.M. Neuroanatomia Funcional, 3ª ed.,
2014.
MENESES, M.S. Neuroanatomia Aplicada, 3ª ed., 2011.
GRAY, H. Gray’s Anatomy, 41st, 2016.
BAEHR, M. Duus’ Diagnóstico Topográfico em Neurologia,
5ª ed., 2015.
6KANDEL, E. R. Princípios de neurociências, 5ª ed. 2014
3. ANATOMIA MACROSCÓPICA
DO ENCÉFALO
(NEUROANATOMIA)
1. INTRODUÇÃO
O sistema nervoso central é aquele que se localiza dentro
do esqueleto axial (cavidade craniana e canal vertebral).
Assim, encéfalo e medula constituem o sistema nervoso
central. No encéfalo temos cérebro, cerebelo e tronco
encefálico. O tronco encefálico é formado pelo
mesencéfalo, pela ponte e pelo bulbo. A ponte separa o
bulbo, situado caudalmente, do mesencéfalo, situado
cranialmente. Dorsalmente à ponte e ao bulbo, localiza-se o
cerebelo.
Conceito: Encéfalo é o conjunto de
estruturas que estão anatomicamente e
fisiologicamente ligadas do qual fazem parte o
cérebro, o cerebelo e o tronco encefálico,
constituindo, juntamente com a medula, o
sistema nervoso central.
Figura 1. Partes componentes do sistema nervoso central.
Fonte: Vasilisa Tsoy/Shutterstock.com
Entenda também a divisão do sistema nervoso em sistema
nervoso central e sistema nervoso periférico.
No sistema nervoso central há regiões com alta
concentração de corpos celulares de neurônios e regiões
com alta concentração de prolongamentos de neurônios,
principalmente axônios.
As regiões com grande concentração de corpos celulares
de neurônios têm coloração acinzentada, sendo por isso
denominadas  substância cinzenta  do sistema nervoso
central.
Por sua vez, as regiões com uma grande quantidade de
prolongamentos de neurônios (axônios) possuem grande
quantidade de fibras nervosas mielinizadas e por essa razão
apresentam coloração esbranquiçada. Constituem
a substância branca do sistema nervoso central.
Enquanto que a substância cinzenta é o local de recepção
e de integração de informações e respostas, a substância
branca constitui as vias de comunicação entre o sistema
nervoso central e os locais externos ao sistema nervoso
central. É também via de comunicação entre diferentes
regiões do sistema nervoso central.
A  substância cinzenta  está presente principalmente na
periferia do órgão, logo abaixo de sua superfície, formando o
córtex cerebral; e no interior do cérebro, em aglomerados de
diferentes tamanhos denominados núcleos. A  substância
branca  ocupa o interior do órgão, abaixo do córtex e em
torno dos núcleos.
Figura 2.  Representação da sustância branca e cinzenta em corte coronal
Fonte: Vasilisa Tsoy/Shutterstock.com
2. DIENCÉFALO
O diencéfalo e o telencéfalo formam o cérebro, que
corresponde à porção mais desenvolvida do encéfalo. O
telencéfalo encobre quase completamente o diencéfalo, que
permanece em situação mediana, podendo ser visto apenas
na face inferior do cérebro. O diencéfalo compreende as
seguintes partes: tálamo, hipotálamo, epitálamo e
subtálamo, todas em relação ao III ventrículo.
Tálamo
Os tálamos são duas massas volumosas de substância
cinzenta, de formato ovoide, dispostas uma de cada lado na
porção laterodorsal do diencéfalo, unidas pela aderência
intertalâmica e que delimitam a parte posterior do terceiro
ventrículo. A extremidade posterior, maior que a anterior,
apresenta uma grande eminência, o pulvinar, que se projeta
sobre os corpos geniculados. O corpo geniculadomedial faz
parte da via auditiva e o lateral da via óptica, sendo
denominados por alguns autores como metatálamo, que o
consideram uma divisão do diencéfalo.
A face lateral do tálamo é separada do telencéfalo pela
cápsula interna, um compacto feixe de fibras que liga o
córtex cerebral a centros nervosos subcorticais.
A face inferior do tálamo continua com o hipotálamo e o
subtálamo.
Figura 3. Núcleos da base do cérebro.
Fonte: NatthapongSachan/Shutterstock.com
O tálamo é um dos mais importantes centros de
integração de impulsos nervosos. Atualmente acredita-se
que algumas sensações dolorosas, térmicas e táteis são
identificadas conscientemente ao nível do tálamo. Por meio
de suas inúmeras interligações, é possível que esse centro
se relacione também com o controle da vigília e do sono.
Hipotálamo
O hipotálamo é uma área relativamente pequena – cerca
de 4 cm3 do tecido nervoso –  situada abaixo do tálamo. As
estruturas que formam o hipotálamo e que estão localizadas
nas paredes laterais e no assoalho do III ventrículo são:
quiasma óptico, infundíbulo, túber cinéreo e corpos
mamilares (de sentido anterior para posterior). 
1. Quiasma óptico: localiza-se no assoalho do III
ventrículo, em sua porção anterior e recebe fibras
dos nervos ópticos (II par), que em parte cruzam e
Se liga! Síndrome talâmica: trata-se de uma
condição que surge após o derrame talâmico,
um acidente vascular cerebral (AVC) que causa
danos ao tálamo. Caracteriza-se por hemiplegia
(paralisia da metade sagital do corpo, seja
direita ou esquerda), hemianestesia (anestesia
ou perda da sensibilidade em metade sagital do
corpo), hemiataxia (perda ou descontrole da
coordenação em metade sagital do corpo) e
astereognosia (perda da capacidade de
reconhecer objetos pelo tato) e dores no lado
hemiplégico.
continuam nos tratos ópticos e se dirigem para os
corpos geniculados laterais.
2. Infundíbulo: formação de formato cônico, que se
prende ao túber cinéreo. A sua extremidade superior
dilata-se para constituir a eminência mediana do
túber cinéreo, enquanto sua extremidade inferior
continua com o processo infundibular, ou lobo
nervoso da neuro-hipófise.
3. Túber cinéreo: massa convexa de substância
cinzenta que se localiza entre os corpos mamilares e
o quiasma óptico. É a região onde se prende o
infundíbulo.
4. Corpos mamilares: são duas eminências de formato
arredondado, dispostas lado a lado, formadas por
substância cinzenta.
Possui importantes funções, relacionadas sobretudo com o
controle da atividade visceral, regula o sistema nervoso
autônomo, as glândulas endócrinas, controla o equilíbrio de
líquidos e eletrólitos, sendo o principal responsável pela
homeostase.
Figura 4. Estruturas do hipotálamo.
Fonte: medicalstocks/Shutterstock.com
Se liga! O hipotálamo é uma estrutura
responsável por interagir com o sistema
nervoso autônomo e o sistema neuroendócrino,
e integra respostas aferentes internas/externas
com a análise do córtex cerebral. Lesões
Epitálamo
Localiza-se mais posteriormente ao III ventrículo, abaixo
do tálamo. A glândula pineal é a sua estrutura mais
evidente, sendo uma glândula endócrina mediana de forma
piriforme, que repousa sobre o teto do mesencéfalo. Sua
base prende-se anteriormente a dois feixes transversais de
fibras que cruzam o plano mediano, a comissura posterior e
a comissura das habênulas.
Recesso pineal é um pequeno prolongamento da cavidade
ventricular que penetra na glândula entre as comissuras. A
comissura posterior localiza-se no ponto em que o aqueduto
cerebral se liga ao III ventrículo e é considerada como limite
entre o diencéfalo e o mesencéfalo.
hipotalâmicas são geralmente associadas a
síndromes endócrinas disseminadas e distúrbios
motores, emocionais, metabólicos e viscerais.
Se liga! A glândula pineal produz o hormônio
melatonina, que diminui com a idade e influi
sobre o ritmo sazonal e circadiano, sobre o ciclo
sono-vigília e sobre a reprodução. Apresenta um
padrão de secreção dia-noite, sensível à
luminosidade, com início de elevação no início
da noite e queda no final. Uma via neural
Figura 5. Estruturas do epitálamo.
Fonte: medicalstocks/Shutterstock.com
Subtálamo
O subtálamo é a zona de transição entre o diencéfalo e o
tegmento do mesencéfalo. É considerado a  menor
complexa envolve as células ganglionares da
retina que se conectam aos pinealócitos.
formação  diencéfalica, e sua principal formação é o  núcleo
subtalâmico, relacionado com o  controle do movimento
somático.
Em relação à sua localização, é limitado lateralmente pela
cápsula interna, medialmente pelo hipotálamo e
superiormente pelo tálamo.
3. TELENCÉFALO
O telencéfalo compreende os dois hemisférios cerebrais e
a lâmina terminal situada na porção anterior do III ventrículo.
Os dois hemisférios, afastados pela fissura longitudinal, são
unidos por uma larga faixa de fibras comissurais, o corpo
caloso.
A superfície do cérebro, córtex cerebral, apresenta
depressões denominadas sulcos, que delimitam os giros
cerebrais.
Os sulcos mais importantes dos hemisférios cerebrais são
o sulco lateral (de Sylvius) e o sulco central (de Rolando).
Saiba mais! A existência dos sulcos
permite considerável aumento de superfície
sem grande aumento do  volume cerebral.
Cerca de dois terços da área ocupada pelo
córtex cerebral estão “escondidos” nos sulcos.
Os sulcos ajudam a delimitar os lobos cerebrais, que
recebem o nome de acordo com a sua localização em
relação aos ossos do crânio: frontal, temporal, parietal e
occipital. Além desses, existe a ínsula, situada
profundamente no sulco lateral e que não tem relação
imediata com os ossos do crânio.
Se liga! A divisão em lobos, embora de
grande importância clínica, não corresponde a
uma divisão funcional, exceto pelo lobo
occipital, que está todo, direta ou
indiretamente, relacionado com a visão.
Figura 6. Lobos do cérebro.
Fonte: Olga Bolbot/Shutterstock.com
Face dorsolateral
É a maior face cerebral e contém os 5 lobos cerebrais:
frontal, temporal, parietal, occipital e ínsula.
No lobo frontal, existem 3 sulcos principais: pré-central,
frontal superior e o frontal inferior. Entre o sulco central e
sulco pré-central, está o giro pré-central, onde se localiza a
principal área motora do cérebro. Além desse importante
giro, o lobo frontal possui os giros frontal superior, frontal
médio e frontal inferior. O giro frontal inferior do
hemisfério cerebral esquerdo é denominado giro de Broca,
e aí se localiza, na maior parte das pessoas, uma das áreas
de linguagem do cérebro. Além disso, o giro frontal inferior
pode ser dividido em três partes: orbital, triangular e
opercular.
No lobo temporal, existem dois sulcos principais:
temporal superior e temporal inferior. Nesse lobo,
evidencia-se a área da audição localizada no giro temporal
transverso anterior, que é a porção posterior do giro
temporal superior, visível afastando-se os lábios do sulco
lateral.
Os giros existentes no lobo temporal são:
• Giro temporal superior: entre os sulcos lateral e
temporal superior.
• Giro temporal médio: entre os sulcos temporal
superior e temporal inferior.
• Giro temporal inferior: abaixo do sulco temporal
inferior.
• Giros temporais transversos: localizados no
assoalho do sulco lateral.
• O lobo parietal possui 2 sulcos principais: pós-
central e intraparietal. Além disso, possui 3 giros:
• Giro pós-central: entre os sulcos central e pós-
central, onde se localiza uma das mais importantes
áreas sensitivas do córtex, a área somestésica.
• Giro supramarginal: curvado, em torno da
extremidade posterior do sulco lateral.
• Giro angular: curvado em torno da porção terminal
e ascendente do sulco temporal superior.
O lobo occipital se localiza na face dorsolateral do
cérebro, ocupando uma área pequena. Apresenta giros e
sulcos irregulares.
A ínsula pode ser observada ao se afastar os lábios do
sulco lateral. Esse lobo cerebral é o de menor crescimentodurante o desenvolvimento, por isso fica recoberto pelos
lobos vizinhos (frontal, temporal e parietal).
Apresenta alguns sulcos e giros, dentre eles: sulco circular
da ínsula, sulco central da ínsula, giros curtos e giro longo da
ínsula.
Face medial
Seccionando o cérebro no plano sagital mediano é possível
visualizar estruturas como o corpo caloso (conjunto de
fibras mielínicas que formam a maior comissura inter-
hemisférica), o fórnix e o septo pelúcido.
1. Corpo caloso: conjunto de fibras mielínicas que
cruzam o plano sagital e mediano e penetram de
cada lado no centro branco medular, unindo áreas
simétricas do córtex de cada hemisfério cerebral.
Divide-se em: tronco, que se dilata posteriormente
no esplênio e se flete anteriormente em direção à
base do cérebro para constituir o joelho que se afila,
e para formar o rostro do corpo caloso, que termina
na comissura anterior. Entre a comissura anterior e o
quiasma óptico há a lâmina terminal, substância
branca fina que une os hemisférios cerebrais e forma
o limite anterior do III ventrículo.
2. Fórnix: feixe complexo de fibras, não pode ser visto
em toda a sua extensão no corte sagital. Emerge
abaixo do esplênio do corpo caloso. Constituído por
duas metades laterais e simétricas, unidas no trajeto
do corpo caloso. Divide-se em: corpo do fórnix, no
qual suas duas metades se unem; colunas do
fórnix, extremidades que se afastam anteriormente;
pernas do fórnix: extremidades que se afastam
posteriormente.  As colunas do fórnix terminam no
corpo mamilar correspondente, cruzando a parte
lateral do III ventrículo. As pernas divergem e
penetram em cada lado do corno inferior do
ventrículo lateral, onde se ligam ao hipocampo.
3. Septo pelúcio: estende-se entre o corpo caloso e o
fórnix, separa os dois ventrículos laterais.
O lobo occipital, visto na face medial, possui dois sulcos:
• Sulco parietoccipital separa o lobo parietal do
occipital.
• Sulco calcarino: localizado na face medial do lobo
occipital. Nos lábios desse sulco localiza-se a área
visual.
• Além disso, possui alguns giros:
• Cúneos: giro de forma triangular, entre o sulco
parietoccipital e o sulco calcarino.
• Giro occipitotemporal: abaixo do sulco calcarino,
continua anteriormente com o giro para-hipocampal
no lobo temporal.
Os lobos frontal e parietal, vistos na face medial,
possuem alguns sulcos:
• Sulco do corpo caloso: começa abaixo do rostro
do corpo caloso, contorna o tronco e o esplênio, onde
continua, já no lobo temporal, com o sulco do
hipocampo.
• Sulco do cíngulo: curso paralelo ao sulco do
corpo caloso, do qual é separado pelo giro do
cíngulo. Posteriormente divide-se em dois ramos:
• • Ramo marginal: que se curva na direção da
margem superior do hemisfério.
• • Sulco subparietal: que continua posteriormente
na direção do sulco do cíngulo.
• Sulco paracentral: destacando-se do sulco do
cíngulo em direção à margem superior do hemisfério.
Na face medial superior do lobo frontal e parietal
encontra-se o lóbulo paracentral. Nas partes
anterior e posterior dessa estrutura localizam-se,
respectivamente, as áreas motora e sensitiva,
relacionadas com a perna e o pé.
Figura 7. Face medial de um hemisfério cerebral.
Fonte: Tefi/Shutterstock.com
Face inferior
A face inferior do lobo temporal apresenta três sulcos
principais, de direção longitudinal:
• Sulco occipitotemporal: juntamente com o sulco
temporal inferior limita o giro temporal inferior.
Medialmente, se limita com o sulco colateral, o giro
occipitotemporal lateral.
• Sulco colateral: pode ser contínuo com o sulco
rinal. Inicia-se próximo ao polo occipital e se dirige
para frente, delimitando com o sulco calcarino e o
sulco do hipocampo, respectivamente, o giro
occipitotemporal medial e o giro para-
hipocampal, cuja porção anterior se curva em torno
do sulco do hipocampo para formar o úncus.
• Sulco do hipocampo: A face inferior do lobo
frontal apresenta um único sulco importante, o
sulco olfatório, que aloja o bulbo olfatório,
estrutura que recebe os filamentos que constituem o
nervo olfatório, I par craniano.
Se liga! A parte anterior do giro para-
hipocampal é a área entorrinal, relacionada com
a memória, e uma das primeiras regiões do
cérebro a serem lesadas na doença de
Alzheimer.
Figura 8. Face inferior do cérebro.
Fonte: Tefi/Shutterstock.com
Se liga! O bulbo olfatório, de formato ovoide
e achatado, composto por substância cinzenta,
continua posteriormente com o trato olfatório e
ambos se alojam no sulco olfatório. O trato se
bifurca, posteriormente, e forma as estrias
olfatórias medial e lateral, que delimitam o
Ventrículos laterais
Os hemisférios cerebrais possuem cavidades revestidas de
epêndima e contendo líquido cerebroespinhal, os
ventrículos laterais esquerdo e direito, que se
comunicam com o III ventrículo pelo respectivo forame
interventricular. Divisões do ventrículo lateral são:
• Corno anterior: possui como limites:
• • Anterior e superior: corpo caloso.
• • Posterior: Forame interventricular. 
• • Medial: septo pelúcido.
• • Lateral e assoalho: cabeça do caudado
• Corpo: estende-se de dentro do lobo parietal.
Possui como limites:
• • Superior: corpo Caloso.
• • Posterior: esplênio do corpo caloso.
trígono olfatório. Atrás do trígono e adiante do
trato óptico, localiza-se a substância perfurada
anterior, por onde passam pequenos vasos.
• • Medial: septo pelúcido.
• • Lateral e inferior: fórnix, tálamo, veia tálamo
estriada, estria terminal e caudado.
• Corno posterior: estende-se para dentro do lobo
occipital. Tem como limite o corpo caloso em toda
sua formação.
• Corno inferior: curva-se inferiormente e depois
anteriormente em direção ao polo temporal a partir
do trígono colateral. Possui como limites:
• • Inferior: sulco colateral e hipocampo.
• • Superomedial: cauda do caudado, estria terminal
e corpo amigdaloide.
• • Anterior, posterior e lateral: substância branca.
• Hipocampo: acima do giro para-hipocampal.
Constituído de arqueocorte, tem funções
relacionadas à memória. Liga-se às pernas do fórnix
por um feixe de fibras situadas ao longo de sua
borda medial, a fímbria do hipocampo.
Estruturas subcorticais
Além do córtex, já descrito, o telencéfalo compreende
também estruturas subcorticais como os núcleos da base e a
substância branca.
Os núcleos da base são corpos neuronais, ou seja,
substância cinzenta, e tem atuação na modulação da
atividade motora. Compõem os núcleos da base: o núcleo
caudado, núcleo lentiforme o claustrum, o corpo amigdaloide
(ou amígdala) e o núcleo accumbens.
Na extremidade da cauda do núcleo caudado, observa-se
discreta eminência arredondada formada pela amígdala
cerebral.
• Núcleo caudado: possui cabeça, corpo e cauda. A
cabeça do núcleo caudado se funde com a parte
anterior do putâmen e forma então o corpo estriado,
que tem relação com a motricidade.
• Núcleo lentiforme: localizado lateral e
anteriormente ao tálamo. Formado pelo putâmen e
globo pálido. O globo pálido é dividido pela lâmina
medular medial em segmento interno e segmento
externo.
• Claustrum: se localiza próximo ao córtex da
ínsula. Tem como relação medial a cápsula externa e
como relação lateral extrema.
• Corpo amigdaloide: localizado na parte anterior
do lobo temporal e tem relação com as emoções e
principalmente com o medo.
• Núcleo accumbens: situado na zona de união
entre o caudado e o putâmen. Importante área de
prazer do cérebro.
Figura 9. Núcleos da base.
Fonte:Alila Medical Media/Shutterstock.com
A substância branca é formada por fibras mielínicas que
ligam o córtex cerebral a centros subcorticais (fibras de
projeção) e unem áreas corticais situadas em pontos
diferentes do cérebro (fibras de associação). As fibras de
associação abrangem as comissuras telencefálicas: corpo
caloso, comissura anterior e comissura do fórnix. As fibras de
projeção se dispõem em dois feixes: o fórnix e a cápsula
interna. O fórnix uneo córtex do hipocampo ao corpo
mamilar e contribui pouco para a formação do centro
medular branco.
A cápsula interna possui a grande maioria das fibras que
saem e entram no córtex cerebral. Essas fibras formam um
feixe compacto que separa o núcleo lentiforme
(lateralmente) do núcleo caudado e do tálamo
(medialmente). Acima dos núcleos, as fibras da cápsula
interna passam a construir a coroa radiada. A cápsula
interna possui uma perna anterior, situada entre a cabeça do
núcleo caudado e o núcleo lentiforme, e uma perna
posterior, maior, localizada entre o núcleo lentiforme e o
tálamo. Estas duas porções encontram-se e formam um
ângulo que constitui o joelho da cápsula interna.
Figura 10. Secção horizontal do cérebro.
Fonte: NatthapongSachan/Shutterstock.com
4. TRONCO ENCEFÁLICO
O tronco encefálico interpõe-se entre a medula e o
diencéfalo, situando-se ventralmente ao cerebelo. Na sua
constituição entram corpos de neurônios que se agrupam
em núcleos e fibras nervosas, que, por sua vez, se agrupam
em feixes denominados tratos, fascículos ou lemniscos.
Conceito: Se liga nessas definições:
• Tratos: feixe de fibras nervosas que
possuem aproximadamente a mesma
Muitos dos núcleos do tronco encefálico recebem ou
emitem fibras nervosas que entram na constituição dos
nervos cranianos. Dos 12 pares de nervos cranianos, 10
fazem conexão no tronco encefálico. A identificação desses
nervos e de sua emergência do tronco encefálico é um
aspecto importante do estudo desse segmento do sistema
nervoso central.
O tronco encefálico se divide em: bulbo, situado
caudalmente: mesencéfalo, situado cranialmente; e ponte,
situada entre ambos.
Bulbo
O bulbo ou medula oblonga tem a forma de um tronco de
cone, cuja menor extremidade continua caudalmente com a
medula espinhal. Não há uma linha de demarcação nítida
entre medula e bulbo, por isso, considera-se que o limite
entre eles está num plano horizontal que passa
imediatamente acima do filamento radicular mais cranial do
primeiro nervo cervical, o que corresponde ao nível do
forame magno do osso occipital. O limite superior do bulbo
se faz em um sulco horizontal visível no contorno ventral do
origem e têm a mesma função e destino.
• Fascículos: refere-se a um trato mais
compacto.
• Lemnisco: significa fita e é empregado
para feixes de fibras sensitivas que levam
impulsos ao tálamo.
órgão, o sulco bulbo-pontino, que é a margem inferior da
ponte.
Figura 11. Vista anterior do tronco encefálico.
Fonte: stihii/Shutterstock.com
A superfície do bulbo é percorrida longitudinalmente por
sulcos que continuam com os sulcos da medula. Esses sulcos
delimitam as áreas anterior (ventral), lateral e posterior
(dorsal) do bulbo, que aparecem como uma continuação
direta dos funículos da medula.
De cada lado da fissura mediana anterior existe uma
eminência alongada, a pirâmide, formada por um feixe
compacto de fibras nervosas descendentes que ligam as
áreas motoras do cérebro aos neurônios motores da medula,
que será estudado com o nome de trato corticoespinhal ou
trato piramidal. Na parte caudal do bulbo, as fibras desse
trato cruzam obliquamente o plano mediano em feixes
interdigitados que obliteram a fissura mediana anterior e
constituem a decussação das pirâmides.
Se liga! Decussação é a formação anatômica
constituída por fibras nervosas que cruzam
obliquamente o plano mediano e que têm
aproximadamente a mesma direção (ex:
pirâmides). Já as fibras da comissura cruzam
perpendicularmente e têm direções opostas
(ex.: corpo caloso).
Entre os sulcos lateral anterior e lateral posterior temos a
área lateral do bulbo, onde se observa uma eminência oval,
a oliva, formada por uma grande massa de substância
cinzenta, o núcleo olivar inferior, situado logo abaixo da
superfície. Ventralmente à oliva emergem do sulco lateral
anterior os filamentos radiculares do nervo hipoglosso, XII
par craniano.
Do sulco lateral posterior emergem os filamentos
radiculares, que se unem para formar os nervos
glossofaríngeo (IX par) e vago (X par), além dos filamentos
que constituem a raiz craniana ou bulbar do nervo acessório
(XI par), que se une com a raiz espinhal advinda da medula.
A metade caudal do bulbo ou porção fechada do bulbo é
percorrida por um estreito canal, continuação direta do canal
central da medula. Este canal se abre para formar o IV
ventrículo, cujo assoalho é em parte constituído pela metade
rostral, ou porção aberta do bulbo.
Se liga! O núcleo olivar inferior liga-se ao
cerebelo poe meio das fibras olivocerebelares e
estão envolvidas na aprendizagem motora.
Figura 12. Vista lateral do tronco encefálico.
Fonte: stihii/Shutterstock.com
O sulco mediano posterior termina na metade do bulbo,
devido ao afastamento de seus lábios, que contribuem para
a formação dos limites laterais do IV ventrículo. Entre esse
sulco e o sulco lateral posterior está situada a área posterior
do bulbo, continuação do funículo posterior da medula e,
como este, dividida em fascículo grácil e fascículo
cuneiforme pelo sulco intermédio posterior.
Esses fascículos são constituídos por fibras nervosas
ascendentes, provenientes da medula, que terminam em
duas massas de substância cinzenta, os núcleos grácil e
cuneiforme, situados na parte mais cranial dos respectivos
fascículos, onde determinam o aparecimento de duas
eminências, o tubérculo do núcleo grácil, medialmente, e o
tubérculo do núcleo cuneiforme, lateralmente. Essas
eminências são separadas por conta do surgimento do IV
ventrículo, continuando-se cranialmente no pedúnculo
cerebelar inferior.
Ponte
A ponte está localizada entre o bulbo e o mesencéfalo.
Está situada ventralmente ao cerebelo e repousa sobre parte
basilar do osso occipital e o dorso da sela túrcica do
esfenoide. Sua base, situada ventralmente, apresenta
estriação transversal em virtude da presença de numerosos
feixes de fibras transversais que a percorrem. Estas fibras
convergem de cada lado para formar um volumoso feixe, o
pedúnculo cerebelar médio, que penetra no hemisfério
cerebelar correspondente. 
Conceito: O pedúnculo cerebelar inferior é
uma estrutura constituída por grosso feixe de
fibras de conexão entre o bulbo e a medula com
o cerebelo.
Considera-se como limite entre a ponte e o braço da ponte
o ponto de emergência do nervo trigêmeo, V par craniano.
Essa emergência se faz por duas raízes, a raiz sensitiva do
nervo trigêmeo e a raiz motora do nervo trigêmeo.
Percorrendo longitudinalmente a superfície ventral da ponte
existe um sulco, o sulco basilar, que geralmente aloja a
artéria basilar.
A parte ventral da ponte é separada do bulbo pelo sulco
bulbo-pontino, de onde saem de cada lado a partir da linha
mediana o VI, VII e VIII pares cranianos. O VI par, nervo
abducente, emerge entre a ponte e a pirâmide do bulbo. O
VIII par, nervo vestibulococlear, emerge lateralmente,
próximo a um pequeno lóbulo do cerebelo, denominado
flóculo. O VII par, nervo facial, emerge medialmente ao VIII
par, com o qual mantém relações muito íntimas. Entre os
dois, emerge o nervo intermédio, que é a raiz sensitiva do VII
par.
Se liga! O pedúnculo cerebelar médio só
apresenta fibras aferentes que chegam dos
núcleos pontinos.
Se liga! A síndrome ângulo ponto-cerebelar
ocorre em casos de tumores que acometem
A parte dorsal da ponte não apresenta linha de
demarcação com a parte dorsal da porção aberta do bulbo,
constituindo ambas o assoalho do IV ventrículo.
Quarto ventrículo
O quarto ventrículo é uma cavidade que tem uma forma
losângica e está situada entre o bulbo e a ponte
ventralmente, e o cerebelo, dorsalmente. Continua
caudalmente com o canal central do bulbo e cranialmente
com o aqueduto cerebral, por meio do qual o IV ventrículo,
se comunica com o III ventrículo. A cavidade do IV ventrículo
se prolonga de cada lado para formar os recessos laterais,
situados na superfície dorsal do pedúnculo cerebelar inferior.
Esses recessos se comunicamde cada lado com o espaço
subaracnóideo por meio das aberturas laterais do IV
ventrículo (forames de Luschka). Há também uma abertura
mediana do IV ventrículo (forame de Magendie), situado no
meio da metade caudal do tecto do ventriculo. Por meio
dessas cavidades o líquido cerebroespinhal, que enche a
cavidade ventricular, passa para o espaço subaracnóideo.
Assoalho do IV ventrículo: tem forma losângica e é
formado pela parte dorsal da ponte e da porção aberta do
bulbo. Limita-se inferolateralmente pelos pedúnculos
cerebelares inferiores e pelos tubérculos do núcleo grácil e
do núcleo cuneiforme. Limita-se superolateralmente pelos
essa área. É bem rica em sintomatologia devido
à grande quantidade de raízes nervosas
presentes nessa área.
pedúnculos cerebelares superiores, ou braços conjuntivos,
compactos feixes de fibras nervosas que, saindo de cada
hemisfério cerebelar, fletem-se cranialmente e convergem
para penetrar no mesencéfalo.
O assoalho é percorrido em toda a sua extensão pelo sulco
mediano, que se perde cranialmente no aqueduto cerebral e
caudalmente no canal central do bulbo. De cada lado do
sulco mediano existe a eminência medial, limitada
lateralmente pelo sulco limitante. Esse sulco separa os
núcleos motores, derivados da lâmina basal e situados
medialmente, dos núcleos sensitivos, VI, derivados da
lâmina alar e situados lateralmente.
De cada lado, o sulco limitante se alarga para consumir
duas depressões, a fóvea superior e a fóvea inferior.
Medialmente à fóvea superior, a eminência medial dilata-se
para constituir de cada lado uma elevação arredondada, o
colículo facial, formado por fibras do nervo facial, que nesse
nível contornam o núcleo do nervo abducente. Na parte
caudal da eminência medial observa-se uma pequena área
triangular de vértice inferior, o trígono do nervo hipoglosso,
correspondente ao núcleo do nervo hipoglosso. Lateralmente
ao trígono e caudalmente à fóvea inferior, existe uma outra
área triangular de coloração ligeiramente acinzentada, o
trígono do nervo vago, que corresponde ao núcleo dorsal do
vago.
Lateralmente ao sulco limitante há uma grande área
triangular que se estende de cada lado, a área vestibular,
correspondendo aos núcleos vestibulares do nervo
vestibulococlear. Cruzando transversalmente a área
vestibular para se perderem no sulco mediano,
frequentemente existem finas cordas de fibras nervosas que
constituem as estrias medulares do IV ventrículo.
Estendendo-se do fóvea superior em direção ao aqueduto
cerebral, lateralmente à eminência medial, encontra-se o
locus coeruleus, área de coloração ligeiramente escura cuja
função se relaciona com o mecanismo do sono.
Assoalho do IV ventrículo: a metade cranial do teto do
IV ventrículo é constituída por uma fina lâmina de substância
branca, o véu medular superior, que se estende entre os dois
pedúnculos cerebelares superiores. Em sua metade caudal, o
teto do IV ventrículo é constituído pela tela corioide,
estrutura formada pela união do epitélio ependimário, que
reveste internamente o ventrículo, com a pia-máter, que
reforça externamente esse epitélio. A tela corioide emite
projeções vascularizadas e irregulares, que se invaginam na
cavidade ventricular para formar o plexo corioide do IV
ventrículo.
Mesencéfalo
Se liga! Os plexos coroides produzem o
líquido cerebroespinhal que se acumula na
cavidade ventricular, passando ao espaço
subaracnóideo por meio das aberturas laterais e
da abertura mediana do IV ventrículo. Pelas
aberturas laterais próximas do flóculo do
cerebelo exterioriza-se uma pequena porção do
plexo corioide do IV ventrículo.
O mesencéfalo localiza-se entre a ponte e o cérebro, do
qual é separado por um plano que liga os corpos mamilares,
pertencentes ao diencéfalo, à comissura posterior. É
atravessado por um estreito canal, o aqueduto cerebral, que
une o III ao IV ventrículo. O teto do mesencéfalo localiza-se
dorsalmente ao aqueduto; ventralmente temos os dois
pedúnculos cerebrais, que, por sua vez, se dividem em uma
parte dorsal, o tegmento (predominantemente celular), e
outra ventral, a base do pedúnculo (formada de fibras
longitudinais).
Em uma secção transversal do mesencéfalo pode ser
observado que o tegmento é separado da base por uma área
escura, a substância negra, formada por neurônios
compostos por melanina.
Correspondendo à substância negra na superfície do
mesencéfalo existem dois sulcos longitudinais: um lateral,
sulco lateral do mesencéfalo, e outro medial, sulco medial do
pedúnculo cerebral. Esses sulcos marcam na superfície o
Se liga! Uma característica importante da
maioria dos neurônios da substância negra é
que eles utilizam como neurotransmissor a
dopamina. A degeneração dos neurônios
dopaminérgicos da substância negra está
associada às perturbações motoras que
caracterizam a Doença de Parkinson.
limite entre base e tegmento do pedúnculo cerebral. Do
sulco medial emerge o nervo oculomotor, III par craniano.
Figura 19. Secção transversal do mesencéfalo.
Fonte: logika600/Shutterstock.com
O teto do mesencéfalo apresenta quatro eminências
arredondadas na vista dorsal, os colículos superiores e
inferiores, separados por dois sulcos perpendiculares em
forma de cruz. Na parte anterior do ramo longitudinal da
cruz aloja-se o corpo pineal que, entretanto, pertence ao
diencéfalo. Caudalmente a cada colículo inferior emerge o IV
par craniano, nervo troclear. O nervo troclear, único dos
pares cranianos que emerge dorsalmente, contorna o
mesencéfalo para surgir ventralmente entre a ponte e o
mesencéfalo.
Cada colículo se liga a uma pequena eminência oval do
diencéfalo, o corpo geniculado, por meio de estruturas
alongadas que são feixes de fibras nervosas denominados
braços dos colículos. O colículo inferior se liga ao corpo
geniculado medial pelo braço do colículo inferior, e faz parte
da via auditiva. O colículo superior se liga ao corpo
geniculado lateral pelo braço do colículo superior, e faz parte
da via óptica.
Vistos ventralmente, os pedúnculos cerebrais aparecem
como dois grandes feixes de fibras que surgem na borda
superior da ponte e divergem cranialmente para penetrar
profundamente no cérebro. Delimitam, assim, uma profunda
depressão triangular, a fossa interpeduncular, limitada
anteriormente por duas eminências pertencentes ao
diencéfalo, os corpos mamilares. Do sulco medial do
pedúnculo emerge de cada lado o nervo oculomotor.
5. CEREBELO
O cerebelo situa-se dorsalmente ao bulbo e à ponte,
contribuindo para a formação do teto do IV ventrículo.
Repousa sobre a fossa cerebelar do osso occipital e está
separado do lobo occipital do cérebro por uma prega da
dura-máter denominada tenda do cerebelo. Liga-se à medula
e ao bulbo pelo pedúnculo cerebelar inferior e à ponte e
mesencéfalo pelos pedúnculos cerebelares médio e superior,
respectivamente.
O cerebelo é importante para a manutenção da postura,
equilíbrio, coordenação dos movimentos e aprendizagem de
habilidades motoras.
Distingue-se no cerebelo o vérmis, porção ímpar e
mediana,  ligado a duas grandes massas laterais que são os
hemisférios cerebelares. O vérmis é pouco separado dos
hemisférios na face dorsal do cerebelo, o que não ocorre na
face ventral, onde dois sulcos bem evidentes o separam das
partes laterais.
Curiosidade! Cerebelo vem do latim e
significa pequeno cérebro.
Figura 22. Vista dorsal e ventral do cerebelo.
Fonte: Autoria própria
A superfície do cerebelo apresenta sulcos de direção
predominantemente transversal, que delimitam lâminas
finas denominadas folhas do cerebelo. Existem também
Curiosidade! Embora tenha
fundamentalmente função motora, estudos
recentes demonstraram que está também
envolvido em algumas funções cognitivas.
sulcos mais pronunciados, as fissuras do cerebelo, que
delimitam lóbulos, cada um deles podendo conter várias
folhas.
O cerebelo é constituído de um centro de substância
branca, o corpo medular do cerebelo, de

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