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2018 Título: Coleção Super Material: Anatomia Módulo 1 Editor: Guilherme Melo Revisão de texto: Lindsay Viola Diagramação: caixadedesign.com Capa: Mateus Machado Conselho Editorial: Caio Vinicius Menezes Nunes, Paulo Costa Lima, Sandra de Quadros Uzêda, Silvio José Albergaria da Silva Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Tuxped Serviços Editoriais (São Paulo, SP) M515a Meireles Neto, Ilson (org.) Anatomia - Módulo 01 / Organizador: Ilson Meireles Neto.– 1. ed.– Salvador, BA : Editora Sanar, 2021. 256 p.; 17x24 cm. (Coleção Super Material). Inclui bibliografia. ISBN 978-65-89822-02-8. 1. Anatomia. 2. Medicina. 3. Sanarflix. 4. Super Material. I. Título. II. Assunto. III. Meireles Neto, Ilson. CDD: 611 CDU: 611 ÍNDICE PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO 1. Medicina. 2. Medicina. Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário Pedro Anizio Gomes - CRB-8 8846 Editora Sanar Ltda. Rua Alceu Amoroso Lima, 172 Caminho das Árvores Edf. Salvador Office e Pool, 3º andar. CEP: 41820-770 – Salvador/BA Telefone: 0800 337 6262 sanarsaude.com atendimento@sanar.com Coordenador ILSON MEIRELES NETO CRM BA - 35068 Coordenador Pedagógico SANAR Graduação em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública Revisores AMANDA RISTOW REINERT Graduação em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) ANA CLARA DE FREITAS BRITO ARÊAS Acadêmica do curso de Medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública ANNA MARIA EUGENIA PRIETO SCUCATO Graduação em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública BRUNA RODRIGUES DE SANTANA PISANESCHI MARQUES Acadêmica do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) DIANA CASTRO DE JESUS LIMA Acadêmica do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) GABRIEL LIMA SILVA Acadêmico do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) GEOVALDO BARRETO CORREIA JUNIOR Acadêmico do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) LAURA MARIA DA CRUZ BATISTA Acadêmica do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Autores – Módulo 1 – Anatomia Emilly Virgínia Costa Borges Gustavo Silveira Santana Franco Laura Maria da Cruz Batista Leticia Agatha Cruz do Espirito Santo Márcio José Leão Nunes Filho Paula Maltez Ribeiro Guedes Pedro Henrique Andrade Araújo Salvatore Barletta PREFÁCIO Os primeiros semestres dos cursos universitários têm importância decisiva para a motivação dos estudantes e se constituem no momento privilegiado para despertar seu entusiasmo. Além de ser o primeiro contato do estudante com os conhecimentos básicos da medicina, esse início da formação, o ciclo básico, proporciona também o desenvolvimento de um raciocínio científico sólido e crítico, tendo um papel muito relevante como verdadeiro alicerce para a graduação e atuação na prática clínica. É por isso que nossa equipe assumiu o desafio de estimular o processo de aprendizagem do ciclo básico e de otimizar o estudo dos estudantes de Medicina. Dessa forma, a Sanar traz a coleção de Super Material de Anatomia com conteúdo selecionado dos principais temas, oferecendo-o de forma fluida e didática, com textos, mapas mentais, figuras e fluxogramas embasados em artigos atualizados e livros clássicos. Essa ferramenta enfatiza, assim, nosso comprometimento com uma educação transformadora e nossa consciência da importância do ciclo básico na formação do profissional médico. Boa leitura! 1. INTRODUÇÃO À ANATOMIA HUMANA 1. INTRODUÇÃO E DEFINIÇÃO A anatomia é a ciência que estuda macro e microscopicamente as estruturas morfológicas do corpo e as correlações entre elas. Foi estudada inicialmente por dissecação, a secção cuidadosa das estruturas do corpo para o estudo de suas relações. Atualmente, inúmeras técnicas de imagem também contribuem para o avanço do conhecimento anatômico. A simples observação de um grupo de pessoas nos evidencia as diferenças morfológicas entre cada indivíduo. Tais diferenças podem apresentar-se externamente ou em qualquer dos sistemas do organismo, sem representar algum prejuizo funcional. Podem ser decorrentes tanto das características individuais, quanto da idade, do sexo, da raça, do tipo constitucional e da evolução. Algumas variações morfológicas podem levar a prejuízo funcional e, nesse caso, denominamos de anomalia e não apenas de variação. Se a anomalia for tão acentuada de modo a deformar profundamente a construção do corpo do indivíduo, sendo, em geral, incompatível com a vida, denomina-se monstruosidade. Ô 2. TERMINOLOGIA ANATÔMICA Tem como objetivo descrever a posição anatômica, relacionar os nomes anatômicos e os nomes comuns correspondentes para várias regiões do corpo humano, definir os planos e cortes anatômicos e os termos de posição e direção utilizados para descrever o corpo humano de forma padronizada. Além da terminologia, a posição anatômica também é padronizada, evitando possíveis confusões ou equívocos. As descrições de qualquer parte do corpo humano partem do princípio de que ele está em uma posição padronizada de referência chamada posição anatômica, na qual o indivíduo se mantém ereto de frente para o observador, com a cabeça e os olhos voltados diretamente para frente. Os membros inferiores estão paralelos, os pés estão retos sobre o chão e direcionados para frente. Os membros superiores ficam ao lado do corpo, com as palmas voltadas para frente (Figura 1). Outros termos são utilizados para o corpo deitado. Se o corpo está com o rosto voltado para baixo, ele está em decúbito ventral. Se o corpo está com o rosto voltado para cima, ele está em decúbito dorsal. Figura 1. Posição anatômica. Fonte: Lazuin/Shutterstock.com Se Liga! Fazer com que a pessoa fique em posição anatômica padrão permite que os termos anatômicos sejam definidos claramente, de modo que qualquer parte do corpo possa ser descrita em relação à outra. 3. TERMOS DIRECIONAIS Para localizar as várias estruturas corporais são utilizados termos direcionais específicos, palavras que descrevem a posição de uma parte do corpo em relação à outra. Esses termos são agrupados em pares com significados opostos (Figura 2). Superior refere-se a uma estrutura situada mais perto do vértice, o ponto mais alto do crânio. Inferior refere-se a uma estrutura situada mais perto da planta do pé. Cranial está relacionado com o crânio e é um termo útil para indicar direção, que significa em direção à cabeça. Caudal também é um termo útil indicador de direção, que significa em direção à região dos pés. Posterior (dorsal) designa a superfície posterior do corpo ou mais perto do dorso. Anterior (ventral) designa a superfície frontal do corpo. Figura 2. Termos anatômicos direcionais. Fonte: Excellent Dream/Shutterstock.com Medial é usado para indicar que uma estrutura está mais perto do plano mediano do corpo. Ao contrário, lateral indica que uma estrutura está mais distante do plano mediano. Termos associados descrevem posições intermediárias: inferomedial significa mais perto dos pés e do plano mediano. Superolateral significa mais perto da cabeça e mais distante do plano mediano. Se Liga! É importante compreender que os termos direcionais têm significados relativos: eles só fazem sentido quando utilizados para descrever a posição de uma estrutura em 4. TERMOS DE LATERALIDADE Estruturas pares que têm elementos direito e esquerdo (p. ex., os pulmões) são bilaterais, enquanto aquelas presentes apenas de um lado são unilaterais. A designação específica do elemento direito ou esquerdo das estruturas bilaterais é fundamental. Ipsilateral refere-se a algo situado do mesmo lado do corpo que outra estrutura; por exemplo, a mão direita e o pé direito são ipsilaterais. Contralateral significa que está no lado do corpo oposto a outra estrutura; a mão direita é contralateral à mão esquerda. Ô relação à outra. Por exemplo,onde irradiam as lâminas brancas do cerebelo, revestidas externamente por uma fina camada de substância cinzenta, o córtex cerebelar. No interior do corpo medular há quatro pares de núcleos de substância cinzenta, que são os núcleos centrais do cerebelo: denteado, interpósito (dividido em emboliforme e globoso) e o fastigial. Figura 23. Secção sagital mediana do cerebelo. Fonte: SubstanceTproductions/Shutterstock.com A divisão do cerebelo em lóbulos não tem nenhum significado funcional e sua importância é apenas topográfica. A nomenclatura dos lóbulos e fissuras do cerebelo é bastante confusa, havendo considerável divergência entre os autores. Os lóbulos recebem denominações diferentes no vérmis e nos hemisférios. As tonsilas são evidentes na face inferior do cerebelo e preojetam-se medialmente sobre a face dorsal do bulbo. Essa relação é importante, pois em certos casos de hipertensão craniana as tonsilas podem comprimir o bulbo com graves consequências. Se liga! Os núcleos centrais do cerebelo têm grande importância funcional e clínica. Deles saem todas as fibras nervosas eferentes do cerebelo. Se liga! Isso decorre, por exemplo, de acidente nas punções lombares, quando a retirada do liquor diminui subitamente a pressão no espaço subaracnóideo da medula. Nesse caso, estando aumentada a pressão intracraniana, as tonsilas podem ser deslocadas Os lóbulos do cerebelo podem ser agrupados em estruturas maiores, os lobos separados pelas fissuras posterolateral e prima. Chega-se, assim, a uma divisão transversal em que a fissura posterolateral divide o cerebelo em um lobo flóculo-nodular e o corpo do cerebelo. Este, por sua vez, é dividido em lobo anterior e lobo posterior pela fissura prima. São três pedúnculos cerebelares: superior, médio e inferior. O pedúnculo cerebelar superior liga o cerebelo ao mesencéfalo. O pedúnculo cerebelar médio é um enorme feixe de fibras que liga o cerebelo à ponte e constitui a parede dorsolateral da metade cranial do IV ventrículo. Considera-se como limite entre a ponte e o pedúnculo caudalmente, penetrando no forame magno e comprimindo o bulbo, o que pode ser fatal. cerebelar o ponto de emergência do nervo trigêmeo. O pedúnculo cerebelar inferior liga o cerebelo à medula. Composto por seis regiões para fins de descrição (1) Telencéfalo • Maior parte do cérebro. • Ocupar a fossa craniana anterior e média. • Dois hemisférios, separados por fissura cerebral longitudinal. • Conectado por feixe de fibras transversais na base da fissura longitudinal: corpo caloso. • Cavidade em cada hemisfério = ventrículo. • Composto por quatro lóbulos • • Lóbulo frontal. • • Envolvido em função mental superior. • • Contém centros de fala e idioma. • Lobo parietal • • Inicia o movimento. • • Envolvido na percepção. • Lobo temporal • • Envolvido em memória, audição e fala. • Lobo occipital • • Contém córtex visual. • Cada lobo marcado por dobras (giros) e ranhuras (sulcos). (2) Diencéfalo • Composto de: • • Epitálamo. • • Tálamo. • • Hipotálamo. • Circunda o terceiro ventrículo cerebral entre as metades direita e esquerda. (3) Mesencéfalo • Na junção das fossas cranianas médias e posteriores. • Contém canal estreito: aqueduto cerebral. (4) Ponte • Encontrado na região anterior da cavidade craniana posterior. • Contém cavidade que contribui para o quarto ventrículo. (5) Bulbo • Encontra-se na fossa craniana posterior. • Contínuo com medula espinhal. • Contém porção inferior do quarto ventrículo. (6) Cerebelo • Dorsal à ponte e medula. • Abaixo do cérebro posterior. • Composto por dois hemisférios laterais conectados por vérmis na linha média. • Importante em: • • Manutenção do equilíbrio, postura e coordenação. • • Momento e força da contração dos músculos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MACHADO, A.; HAERTEL, L. M. Neuroanatomia funcional: 3. Ed. São Paulo: Atheneu, 2014. NETTER, Frank H. Atlas de anatomia humana: 6. Ed. Philadelphia: Elsevier, 2014. TORTORA, Gerard J. Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 4 ed. Porto Alegre. Artmed, 2004. 574 p. MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. 4. ANATOMIA DO CEREBELO 1. INTRODUÇÃO O cerebelo consiste em uma estrutura globosa com dois hemisférios que apresentam dobras paralelas transversais (folhas) separadas por fissuras. Ele ocupa cerca de ¼ do volume craniano, e contém 80% do total de neurônios do cérebro. Fica situado dorsalmente ao bulbo e à ponte, contribuindo para a formação do teto do IV ventrículo. Repousa sobre a fossa cerebelar do osso occipital e separa-se do cérebro pela tenda do cerebelo, formado pela dura-máter. Comunica-se diretamente com a medula e tronco encefálico. Com essa quantidade de neurônios já podemos supor sua importância funcional, dentre elas: manutenção da postura, equilíbrio, coordenação de movimentos e aprendizagem de habilidades motoras. Todas são funções motoras, porém estudos mostram o envolvimento em funções cognitivas. Saiba mais! Inicialmente, considerava-se que o cerebelo tinha apenas funções motoras, porém como veremos existe participação também em funções cognitivas, executadas pelo cerebrocerebelo. Mostra-se que existem conexões com a área pré-frontal do córtex, evidenciando funções não motoras, relacionadas à memória, como resolver quebra-cabeça, jogo da memória etc Localização Fossa posterior, abaixo do tentório do cerebelo, dorsal ao bulbo e ponte. Arquitetura Similar à do cérebro. Composto pelo córtex, substância branca e estruturas nucleares profundas. Função Coordenação de movimentos e manutenção do equilíbrio. Significância clínica Pacientes vão cursar com prejuízos na coordenação, fala desarticulada e desequilíbrio da marcha (mais acentuado em lesões na linha mediana). Quadro 1. Visão geral do cerebelo. Fonte: Adaptado de Netter, 2008. 2. ASPECTOS ANATÔMICOS Visão externa Se ficou curioso para saber mais sobre isso, nós separamos este artigo para aprofundar o tema: Cerrejón, M. Barrios; Olmos, J. Gupardia. Relação do cerebelo com as funções cognitivas: evidências neuroanatomicas, clínicas e de neuroimagem. Rev Neurol, 2001; 33: 582-591. O cerebelo é dividido em: vérmis e nos hemisférios cerebelares direito e esquerdo. A superfície do cerebelo apresenta sulcos na direção transversal, que delimitam lâminas finas, denominadas folhas do cerebelo. Os lobos são delimitados pelas fissuras do cerebelo. Figura 1. Anatomia do Cerebelo. Fonte: Autoria própria O cerebelo possui 17 lóbulos e 8 fissuras. Os mais importantes são os lóbulos: nódulo, flóculo e tonsila; e dentre as fissuras: posterolaterais e prima. O cerebelo possui uma organização somatotópica, em que o corpo está representado três vezes, separado pelas fissuras, recebendo, assim, os recebendo nomes: lobo anterior, posterior e flóculo-nodular. Essa divisão também pode ser longitudinal: hemisférios laterais, paraverme, verme e lóbulo flóculo-nodular, representado também na Figura 3. Visão interna Internamente, o cerebelo é constituído pelo corpo medular (no centro, formado por substância branca) e revestido externamente pelo córtex cerebelar (substância cinza). No interior do corpo medular existem quatro pares de núcleos de substância cinzenta, que são os núcleos centrais do cerebelo): denteado, interpósito (subdividido em emboliforme e globoso) e fastigial. Deles saem todas as fibras eferentes do cerebelo. No córtex cerebelar distinguem-se as seguintes camadas: • molecular: a camada molecular é formada por fibras de direção paralela e contém dois tipos de neurônios, as células estreladas e as células em cesto. • média (células de Purkinje): a camada média é formada por uma fileira de células de Purkinje. • granular: a camada granular é constituía, principalmente, por numerosas células granulares (células pequenas com pouco citoplasma) que possuem muitos dentritos e um axônio queatravessa a camada média e se bifurca na camada molecular, constituindo as fibras paralelas, que se dispõem no eixo da folha cerebelar. Essas fibras paralelas vão estabelecer sinapse com as células de Purkinje, assim cada célula granular tem comunicação com um grande número de células de Purkinje. Conceito: A célula de Purkinje é o elemento dominante do processo de informação cerebelar. Recebeu esse nome em homenagem ao fisiologista tcheco Johannes Purkinje, que as descreveu em 1837. As células de Purkinje são neurônios multipolares (piriformes e grandes), dotados de dendritos que se ramificam na camada molecular, e de um axônio que sai em direção oposta. Em conjunto formam o único sistema eferente cerebelar, funcionando como moduladoras das informações aferentes que chegam ao córtex cerebelar. Figura 2. Células de purkinje do cerebelo Fonte: vetpathologist/Shutterstock.com Comunicações O cerebelo vai se comunicar com o resto do sistema nervoso pelos pedúnculos; no total, ele possui três: pedúnculo cerebelar superior, médio e inferior (Figura 3). PEDÚNCULO CEREBELAR SIGNIFICâNCIA FUNCIONAL Superior Transporta primariamente impulsos de saída do cerebelo Médio Transporta EXCLUSIVAMENTE impulsos que entram no cerebelo Inferior Transporta primariamente impulsos que entram no cerebelo Quadro 2. Pedúnculos do cerebelo. Fonte: Adaptado de Netter, 2008. Figura 3. Pedúnculos do cerebelo. Fonte: Morphart Creation/Shutterstock.com Vascularização Existem três grandes artérias que estão relacionadas com a vascularização do cerebelo: duas artérias cerebrais, que se unem na base da ponte dando origem à artéria basilar. Dois pares de artérias surgem da artéria basilar: artéria cerebelar superior e artéria cerebelar anterior e inferior e o terceiro par, artéria cerebelar posterior inferior; que surgem através das artérias cerebrais; no qual vão irrigar locais diferentes do cerebelo: ARTÉRIA ORIGEM IRRIGAÇÃO A. Cerebelar superior a. Basilar Metade superior A. Cerebelar anterior inferior a. Basilar Anteroinferior a. Cerebelar posterior inferior a. Vertebrais Posteroinferior 3. ESTRUTURA E FUNÇÃO DO CEREBELO Divisão funcional Funcionalmente, baseado nas conexões do córtex com os núcleos centrais, podemos dividir o cerebelo em três partes, para Se liga! A importância prática da vascularização do cerebelo é devido ao acidente vascular cerebral, principalmente o isquêmico, É necessário procurar a artéria que foi acometida correlacionando com o acometimento clínico apresentado. melhor estudá-las: vestibulocerebelo, espinocerebelo, cerebrocerebelo. DIVISÃO CONEXÕES AFERENTES CONEXÕES EFERENTES Vestibulocerebelo Chegam pelo fascículo vestibulocerebelar, tendo origem nos núcleos vestibulares e se distribuem ao lobo floculonodular. Trazem informações da parte vestibular do ouvido interno sobre a posição da cabeça. Importante para equilíbrio e postura. Projetam-se para o núcleos vestibulares medial e lateral. Pelo lateral vai para os vestibulosespinhais que controla musculatura para manutenção do equilíbrio e marcha. As medials vão controlar movimentos da cabeça e oculares. Se liga! A divisão baseada nas conexões do córtex com os núcleos centrais, veio para substituir a divisão filogenética do cerebelo (arqui, paleo e neocerebelo), uma vez que se tinha muita dificuldade de conceituar o paleocerebelo. O uso dos termos da divisão filogenética é desaconselhado pela Comissão de Terminologia da Sociedade Brasileira de Anatomia. DIVISÃO CONEXÕES AFERENTES CONEXÕES EFERENTES Espinocerebelo Penetrando pelos pedúnculos superior e inferior e fazem conexões pelos tratos espinocerebelar anterior e posterior. O posterior vai receber sinais de propriocepção e pelo anterior vai receber sinais motores que chegam à medula pelo trato corticoespinhal. Fazem sinapse com o núcleo interpósito, que vai para o núcleo rubro e tálamo. O rubro influencia neurônios motores e o tálamo, que vão para áreas motoras do córtex cerebral. Os dois vão exercer influência sobre os neurônios motores da medula situados do mesmo lado, controlando músculos distais responsáveis por movimentos delicados. Cerebrocerebelo Penetram pelo pedúnculo cerebelar médio, pelas fibras pontinas, levando informações oriundas de áreas motoras e não motoras do córtex cerebral. Fazem sinapse no núcleo denteado, levando para o tálamo (do lado oposto) e depois para as áreas motoras do córtex cerebral, onde se origina o trato corticoespinhal. Age sobre a musculatura distal, responsável por movimento delicado. Quadro 4. Divisão funcional do cerebelo. Fonte: Elaborada pelo autor. Aspectos funcionais As principais funções do cerebelo são: manutenção do equilíbrio e postura, controle do tônus muscular, controle dos movimentos voluntários, aprendizagem motora e funções cognitivas específicas. • Manutenção do equilíbrio e postura: o vestibulocerebelo promove contração adequada dos músculos axiais e proximais dos membros, de modo a manter o equilíbrio e postura. • Controle do tônus muscular: mantido, principalmente, pelos núcleos denteado e interposto. A perda do tônus é um dos sintomas de descerebelização. • Controle dos movimentos voluntários: o cerebelo controla o planejamento (pelo cerebrocerebelo) de movimentos e faz correção do movimento já em execução (pelo espinocerebelo). • Aprendizagem motora: há evidencias de que fibras olivocerebelares, que chegam ao córtex como fibras trepadeiras e fazem sinapse diretamente com os células de Purkinje, possam modular sua excitabilidade nesta conexão, e, assim, modificar as respostas por tempo prolongado aos estímulos, criando um padrão de atividade apropriado. 4. APLICAÇÃO CLÍNICA Quando o cerebelo é lesado, os principais sintomas observados são: ataxia (incoordenação de movimentos), perda de equilíbrio, hipotonia (diminuição do tônus da musculatura esquelética). Se o envolvimento é global, é possível ver todos esses sintomas e do cerebrocerebelo. As síndromes cerebelares podem ser divididas em três, de acordo com a divisão funcional: síndromes do vestíbulo, do espino e do cerebrocerebelo. SíNDROME SINTOMAS Vestibulocerebelo Marcha atáxica (base alargada e movimentos irregulares) + perda de controle dos movimentos oculares durante a rotação de cabeça (nistagmo). Espinocerebelo Erros na execução motora (ataxia de membros). A área afetada deixa de processar informações proprioceptivas dos feixes espinocerebelares + nistagmo + alteração na fala (disartria) Cerebrocerebelo Ligados ao movimento: atraso no início do movimento + decomposição do movimento multiarticular + disdiadococinesia + rechaço + tremor + dismetria Quadro 5. Sintomas das síndromes cerebelares. Fonte: Elaborada pelo autor. As etiologias podem ser bem variadas e se comportar de maneira diferentes. Vamos relembrar as principais: Se liga! É possível ver esses sintomas em casos de embriaguez aguda. Isso acontece porque pois o álcool tem efeito tóxico sobre as células de Purkinje. ETIOLOGIA HISTÓRIA EXEMPLOSETIOLOGIA HISTÓRIA EXEMPLOS Vascular Início súbito, agudo. Mantém quadro ou melhora discreta. AVCi ou AVCh. Processo expansivo Crônico, piora progressiva. Comum em crianças. Neoplasias, neuroinfecções (neurotoxoplasmose, criptococose, tuberculose). Degenerativo Crônico, piora progressiva lenta. Ataxias cerebelares hereditárias. Intoxicação Agudo/Crônico Relação causal. Fenitoína, carbamazepina. Quadro 6. Causas dos distúrbios cerebelares. Fonte: Elaborada pelo autor. Saiba mais! É a manobra de Holmes (do rebote) é um dado semiológico bastante útil na constatação de alteração cerebelar dos membros superiores. Realiza-se a flexão do antebraço contra resistência oposta pelo examinador, que bruscamente a relaxa. O paciente terá incapacidade de abortar um movimento quando se retira a oposição a este. Fonte: Meneses.2011. Ê REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS Machado, ABM. Neuroanatomia funcional. 3 ed. SP. Atheneu. 2013. Lent, Roberto. Cem bilhões de neurônios?. Conceitos fundamentais de neurociências; 2 ed. Atheneu. 2010. Netter. Rubin, Michael. Neuroanatomia Essencial. Elsevier. 1 ed. 2008. Meneses, Murilo S. Neuroanatomia Aplicada. 3ª ed. Guanabara Koogan. 2011 Greenberg, David A. et al. Neurologia Clinica. 8 ed. 2014 Kandel, Eric. R; et al. Principles of Neural Science. Fifth Edition. 2013. 5. ANATOMIA DA CABEÇA E PESCOÇO ANATOMIA DA CABEÇA 1. ESTRUTURAS ÓSSEAS DO CRÂNIO E DA FACE O crânio é o esqueleto da cabeça, a área mais nobre do corpo humano, sendo uma das partes mais coesas e resistentes, devido à sua constituição óssea fechada, que funciona como uma caixa para os componentes do Sistema nervoso Central que se encontram dentro da cavidade craniana. O estudo detalhado de suas estruturas nos dá um importante arcabouço para avaliações clínicas, de diagnóstico por imagem e cirúrgicas. Como veremos neste material, as regiões cefálicas e cervicais, apesar de terem uma grande quantidade de estruturas, têm relações lógicas que facilitam o entendimento do tema. Para o estudo dos componentes ósseos dessa região do corpo, é necessário o entendimento de algumas nomenclaturas utilizadas. Por exemplo, o termo “processo” significa o prolongamento de um osso até outro osso, como o “processo frontal da maxila”, que é um prolongamento do osso maxila até o osso frontal. Nesse sentido, é válido relembrar também que “forames” são passagens para estruturas vasculonervosas, “fossas” são depressões ocasionadas pela fixação de outras estruturas e “túberes e tubérculos” são elevações onde se fixam estruturas. 2. VISCEROCRÂNIO X NEUROCRÂNIO Os ossos presentes no crânio podem ser divididos em dois grandes grupos: neurocrânio e viscerocrânio. O primeiro grupo é responsável por abrigar o encéfalo e seus envoltórios, além da parte proximal dos nervos cranianos, sendo composto por 8 ossos, sendo que 4 são ímpares (osso etmoide, osso occipital, osso esfenoide, osso frontal) e 2 são pares (ossos parietais e ossos temporais). Enquanto isso, os ossos do viscerocrânio formam a parte anterior do crânio, que circunda a cavidade oral, a cavidade nasal e grande parte da cavidade orbital; somando um total de 14 ossos, sendo 2 destes ímpares (osso mandíbula e osso vômer) e 6 pares (ossos maxilares, ossos das conchas nasais inferiores, ossos zigomáticos, ossos palatinos, ossos nasais, ossos lacrimais). Diversos ossos do crânio são pneumáticos, ou seja, apresentam cavidades aéreas em seu interior, com o possível intuito de redução de peso desses componentes. Na posição anatômica, o crânio se encontra no plano orbitomeatal, ou seja, a margem inferior da órbita ocular está nivelada com a margem superior do poro acústico externo. 3. VISÕES DO CRÂNIO Vista frontal Figura 1. Vista craniana frontal. Fonte: stihii/Shutterstock.com na vista frontal do crânio é possível observar os ossos: frontal, maxilares, nasais, zigomáticos, parietais, mandíbula, esfenoide, temporais, lacrimais, etmoide, vômer e osso da concha nasal inferior. É possível visualizar o osso frontal em sua totalidade anterior com suas estruturas visíveis: glabela, região entre as sobrancelhas, acima da raiz do nariz; processo zigomático, que se articula com o osso zigomático, contribuindo com a formação da cavidade ocular; incisura (quando aberta) ou forame (quando fechado) supraorbital, que dá passagem à vasos e nervos supraorbitais; arcos superciliares, regiões protuberantes acima das margens supraorbitais. Sendo possível observar também sua contribuição para formação da cavidade ocular, com sua face orbital, além da articulação com os ossos esfenoide, etmoide, zigomático, maxilares e lacrimal, assim como sua articulação com os ossos nasais e parietais. Nessa vista também é possível observar os ossos maxilares em sua extensão, se articulando com os ossos: frontal, nasais, zigomáticos, etmoide e lacrimais. Pode-se observar estruturas típicas de tal osso, como: forame infraorbital, por onde passam os vasos e nervo infraorbitais; processo frontal, que se articula com o osso frontal e ossos nasais; abertura Piriforme, recesso composto pelos ossos maxilares e nasais, onde o nariz externo se implanta. Ademais, podemos ver: a contribuição dos ossos maxilares na cavidade ocular; os processos alveolares, onde se insere a arcada dental superior; e a espinha nasal anterior, na extremidade inferior da abertura piriforme. Pode-se observar também a face anterior do osso zigomático, que se articula, na imagem, com os ossos: frontal, maxilar, esfenoide e temporais. faz-se importante destacar as estruturas: forame zigomaticofacial, por onde passam vasos e nervos homônimos; processo frontal do osso zigomático, pelo qual se articula com o osso frontal; processo temporal do osso zigomático, pelo qual se articula com o osso temporal; e sua face orbital, com a qual contribui para formação da cavidade ocular. ademais, é possível ver a extensão do osso mandibular, com observação fácil de seu corpo e ramo. Dentre as estruturas visíveis estão ainda: tubérculo mentual, uma proeminência óssea localizada na extremidade inferior do osso; e o forame mentual, por onde passam o nervo e os vasos mentuais. 4. VISTA LATERAL Figura 4. Vista craniana lateral. Fonte: stihii/Shutterstock.com Na vista lateral, é possível observar os ossos: mandíbula, maxila, temporal, occipital, parietal, frontal, esfenoide, zigomático, etmoide, lacrimal e nasal. Nessa visão, podemos ver a totalidade externa do osso temporal e algumas de suas mais relevantes estruturas, como: processo zigomático do osso temporal, que se articula com o processo temporal do osso zigomático, formando o arco zigomático; processo mastoide e processo estiloide, que servem como locais para inserção de tendões musculares; a fossa mandibular e o tubérculo articular, estruturas da articulação temporomandibular (ATM), que se articulam com a cabeça da mandíbula, permitindo a mobilidade do osso mandíbula; região constituída pelos ossos temporal, frontal, esfenoide e parietal, chamada fossa temporal, onde se localiza o músculo mastigatório temporal; processo coronoide, local de inserção do músculo temporal; processo estiloide do osso temporal, que serve de inserção para músculos da região cervical; além da abertura do meato acústico externo e sulco da artéria temporal média. Podemos também ver as articulações de tal osso com os ossos: occipital, mandíbula e esfenoide. Ademais, é possível observar, na vista lateral, as linhas temporais superior e Inferior, situadas nos ossos frontal e parietal, que servem de inserção para músculos e fáscias. 5. VISTA INFERIOR Figura 5. Vista inferior da base do crânio. Fonte: stihii/Shutterstock.com Na vista inferior, é possível observar os ossos: occipital, parietal, temporal, esfenoide, vômer, palatino, maxila, frontal e zigomático. Em posição centroposterior, temos o osso occipital em sua extensão inferior, com as estruturas visíveis: forame magno, por onde passam medula, meninges e estruturas vasculares associadas; tubérculo faríngeo, local de fixação da rafe faríngea; côndilos Occipitais, que são as faces articulares que se ligam à primeira vértebra cervical C1 – atlas; canal do nervo hipoglosso, por onde passa o nervo hipoglosso (NC XII); canal condilar, que dá passagem a veia emissária condilar posterior, servindo como elo entre o plexo venoso suboccipital e o seio sigmóideo; linhas nucais inferior e posterior, locais de inserção de músculos cervicais; protuberância occipital externa, região elevada onde se encontra um importante ponto craniométrico, o ínio; e crista occipital externa, que corresponde, externamente, ao local da confluência dos seios. Além disso, na extensão de sua articulação com o osso temporal, são observáveis as estruturas: forame mastóideo, por onde passam a veia emissáriamastóidea e a artéria meníngea posterior; fossa jugular com o forame jugular profundamente, pelo qual passam os nervos glossofaríngeo (NC IX), vago (NC X), acessório (NC XI) e veia jugular interna; forame lacerado, formado com contribuição do osso esfenoide, que dá passagem ao nervo petroso maior. Também é possível observar estruturas presentes no osso temporal em sua visão inferior, como: abertura externa do canal carotídeo, por onde passam artéria carótida interna e plexo carotídeo autônomo; canalículo timpânico, por onde passa o ramo do nervo glossofaríngeo (NC IX); canalículo mastóideo, por onde passa o ramo auricular do nervo vago (NC X); forame estilomastóideo, por onde passa o nervo facial (NC VII); incisura mastóidea, deixada pela inserção do músculo digástrico. além das estruturas: processo zigomático, tubérculo articular, fossa mandibular, abertura do meato acústico externo, processo estiloide, processo mastóideo e sulco da artéria occipital. Nessa visão também é visível a estrutura do palato duro, composto por duas lâminas ósseas: processo palatino da maxila e lâmina horizontal do osso palatino, unidas pela sutura palatina transversa; sendo o lado direito e esquerdo unidos pela sutura palatina mediana. Nessa estrutura é possível observar também: fossa incisiva, por onde passam o nervo nasopalatino e a artéria esfenopalatina; forames palatinos maior e menor, por onde passam estruturas vasculonervosas homônimas. Além disso, pode ser visto também o limite posterior da cavidade nasal: os cóanos nasais, divididos pelas asas do osso vômer em lado direito e esquerdo. Ademais, é possível observar estruturas do osso esfenoide, como suas lâminas medials e laterais, sua asa maior e suas estruturas, que serão detalhadas no corpo deste material. 6. VISTA DA CALVÁRIA Nas vistas interna e externa da calvária, é possível observar os ossos: Frontal, parietais, occipital, assim como suas suturas e pontos craniométricos. Além disso, na visão externa é possível observar os forames parietais, por onde passam veias emissárias. Na vista interna, também são observáveis as estruturas: sulco do seio sagital superior, que atravessa os três ossos da calvária na linha mediana; sulco dos ramos dos vasos meníngeos médios nos ossos frontal e parietais; fovéolas granulares, impressões das granulações aracnóideas, pequenos prolongamentos da meninge aracnoide, responsáveis pela absorção de liquor. 7. VISTA INTERNA DA BASE DO CRÂNIO Na vista interna da base do crânio é possível observar os ossos: frontal, etmoide, esfenoide, temporal, parietal e occipital. Para o melhor entendimento da visão da base do crânio é importante destacar a divisão anatômica convencionada em três fossas: anterior, média e posterior. Em toda extensão da visão é possível observar sulcos dos vasos meníngeos anteriores, médios e posteriores. A fossa anterior tem sua extensão desde o osso frontal, anteriormente, até a crista esfenoidal, composta pelas asas menores do osso esfenoide. Tem como estruturas visíveis: sulco do seio sagital superior, que se estende, superiormente, desde o osso frontal até o osso occipital, por toda extensão da calvária craniana; crista etmoidal e lâmina cribiforme do osso etmoide, onde os bulbos olfatórios se acomodam; forame cego, entre a crista frontal e etmoidal, por onde passa a veia emissária para o seio sagital superior; e forames etmoidais anteriores e posteriores, por onde passam nervos e vasos homônimos. A fossa média tem sua extensão entre a crista esfenoidal e o sulco do seio petroso superior, impresso na margem superior da parte petrosa do temporal. Podemos visualizar a superfície superior do osso esfenoide, tornando visíveis as estruturas: asa maior; asa menor; processo clinoide anterior; jugo esfenoidal; sulco pré-quiasmático, deixado pelos nervos ópticos; sela turca e suas estruturas que se situam medialmente na fossa média do crânio; clivo, um declive composto pelos ossos esfenoide e occipital, conduzindo até o forame magno; sulco carótico, deixado pela artéria carótida interna; canal óptico, por onde passam nervo óptico e artéria oftálmica; fissura orbital superior, por onde passam nervo oculomotor (NC III), nervo troclear (NC IV), ramos lacrimal, frontal e nasociliar do nervo oftálmico (nc v), nervo abducente (NC VI) e veia oftálmica superior; forame redondo, por onde passa o nervo maxilar (NC V); forame oval, por onde passam nervo mandibular, artéria meníngea acessória e, ocasionalmente, nervo petroso menor; forame espinhoso, por onde passam vasos meníngeos médios e ramo meníngeo do nervo mandibular; forame lacerado, que é fechado por cartilagem. Além disso, são visíveis estruturas do osso temporal, como os sulcos dos nervos petroso maior e menor; impressão do nervo trigêmeo; canal carótico, que dá passagem a artéria carótida interna e plexo carótico interno; e hiatos dos nervos petroso maior e menor. A fossa posterior tem sua extensão desde o sulco do seio petroso superior até o osso occipital. tem como estruturas visíveis, no osso temporal, o sulco do seio sigmoide; meato acústico interno, que dá passagem ao nervo facial (NC VII), nervo vestibulococlear (NC VIII) e artéria labiríntica; abertura externa do canalículo do vestíbulo, por onde passa o ducto endolinfático; forame jugular, por onde passam seio petroso inferior, nervo glossofaríngeo (NC IX), nervo vago (NC X), nervo acessório (NC XI), seio sigmoide e artéria meníngea posterior. Já no osso occipital, podemos ver a crista occipital interna; protuberância occipital interna; côndilos; canal do nervo hipoglosso (NC XII); forame magno, que dá passagem ao bulbo, meninges, artérias vertebrais, ramos meníngeos das artérias vertebrais e ramos espinhais dos nervos acessórios (NC XI); além de diversas impressões de estruturas vasculares, como sulcos dos seios transverso, petroso inferior e occipital. Para melhor entendimento dos forames da base do crânio, trazemos a figura a seguir que traz o conteúdo de cada passagem. 8. SELA TURCA A sela turca é uma estrutura localizada no osso esfenoide, em sua região superior, acima do corpo do osso e do seio cavernoso, entre o tubérculo da sela turca e dorso da sela turca, posicionada na porção mediana da fossa média do crânio. Tal sela é o local onde a glândula hipófise se aloja, sendo envolvida pelo seio cavernoso e estruturas adjacentes. 9. SUTURAS E PONTOS CRANIOMÉTRICOS As articulações fibrosas entre ossos do neurocrânio são chamadas de suturas cranianas e estão listadas a seguir: • Sutura coronal: articulação entre ossos frontal e parietais. Saiba mais! Devido à proximidade da hipófise com o quiasma óptico, como pode ser visto na figura 10, em casos de tumores de hipófise, tal estrutura pode ser pressionada levando a quadros clínicos compostos por sintomas visuais. Além disso, como também pode ser observado na imagem, a proximidade entre o seio esfenoidal e o seio cavernoso justifica a ocorrência de sinusites complicadas, conduzindo a quadros de meningite. • Sutura sagital: articulação entre ossos parietais direito e esquerdo. • Sutura lambdóidea: articulação entre ossos parietais e occipital. • Sutura escamosa: articulação entre parte escamosa do osso temporal com osso occipital. • Pontos craniométricos são processos utilizados para medição, comparação e descrição da topografia craniana e estão descritos a seguir: • Bregma: Junção das suturas coronal e sagital. • Lambda: Junção das suturas Lambdóidea e sagital. • Ptério: Junção, em formato de H, entre os ossos esfenoide, parietal, frontal e temporal (parte escamosa). • Astério: Junção entre as a sutura lambdóidea, parietomastóidea, occiptomastóidea, ou seja, representa a junção entre três suturas. • Násio: Junção entre ossos nasais e frontal. • Vértice: Ponto mais alto da calvária, próximo ao ponto médio da calvária. • Glabela: Proeminência lisa no osso frontal superiormente à raiz do nariz. parte comprojeção mais anterior da fronte. • Ínio: Ponto mais proeminente da protuberância occipital externa. Saiba mais! Em neonatos, os ossos da calvária craniana estão ligados uns aos outros por membranas fibrosas, formando recessos ósseos chamados de fontículos ou fontanelas. Existem 4 fontículos: anterior, entre os ossos frontal e parietais; posterior, entre os ossos parietais e Occipitais; posterolateral, localizado onde se situa o astério; e anterolateral, entre ossos parietal, temporal e esfenoide. Tais recessos dão ao crânio do neonato a flexibilidade necessária durante o parto normal, no qual as metades do osso frontal tornam-se planas, o osso occipital é alongado e leva a uma sobreposição dos ossos parietais. Figura 6. O fechamento da fontanela do recém-nascido. Fonte: Artemida-psy/Shutterstock.com Além disso, no crânio do neonato, podemos observar suturas extras, como a sutura frontal, 10. NARIZ E SEIOS DA FACE O nariz (nariz externo e cavidade nasal) se localiza no centro da face e é responsável pela comunicação do ambiente externo com a nasofaringe, necessária para a ventilação do sistema respiratório, tendo importante papel de aquecimento e filtração do ar inspirado, devido à presença de vibrissas nasais que, quando persistente passa a ser conhecida como sutura metópica, e sutura da mandíbula. O acompanhamento dessas suturas e fontículos tem grande importância na clínica pediátrica, visto que possibilita a monitoração do desenvolvimento craniano da criança. Cada fontículo tem seu período correto de fechamento. No fontículo anterior esse período é, aproximadamente, aos 18 meses; fontículo posterior, posterolateral e anterolateral se fecham até os 12 meses; já as suturas frontal e mandibular começam a se fundir aos dois anos. O fechamento antecipado desses fontículos leva a problemas no desenvolvimento craniano. Dentre esses distúrbios de desenvolvimento, existem a escafocefalia, na qual a sutura sagital se fecha prematuramente, no qual o fontículo anterior é pequeno ou ausente; plagiocefalia, no qual há fechamento unilateral das suturas coronal e lambdóidea, gerando torção e assimetria no crânio; e oxicefalia, na qual há fechamento antecipado da sutura coronal. (pequenos pelos). Além disso, também é a região responsável pelo sentido especial do olfato, devido aos prolongamentos do bulbo olfatório, presentes em sua lâmina crivosa, localizada no teto da cavidade. Dessa forma, divide-se a cavidade nasal em 2 áreas: Respiratória, correspondente aos 2/3 inferiores da cavidade, e olfatória, corresponde ao 1/3 superior da cavidade. Figura 7. Cavidade Nasal. Fonte: gritsalak karalak/Shutterstock.com O órgão nasal se estende desde o ápice do nariz até os cóanos nasais, orifícios de passagem do ar para nasofaringe, sendo composto por paredes ósseas e cartilaginosas e dividido pelo septo nasal, constituído pela cartilagem do septo nasal, osso vômer e lâmina perpendicular do osso etmoide, em cavidades direita e esquerda. Além disso, o nariz pode ser dividido, anatomicamente, em nariz externo e nariz interno, também conhecido como cavidade nasal. O nariz externo tem como constituintes a raiz do nariz, o dorso do nariz, suas asas direita e esquerda, que conduzem, distalmente, até o ápice do nariz; além disso, é presente a região chamada de base do nariz, onde se situam as narinas, aberturas responsáveis pela passagem de ar para o dentro da cavidade nasal. Quanto à passagem de ar pela cavidade nasal, temos quatro espaços destinados a essa função em cada cavidade nasal, os meatos nasais: Comum (espaço situado entre conchas nasais e septo nasal); inferior (espaço situado abaixo da concha nasal inferior), onde se situa a abertura do ducto nasolacrimal que, por sua vez, é um ducto comunicante entre cavidade ocular e nasal; médio (espaço situado entre conchas nasais inferior e média), onde se localizam as estruturas de drenagem: infundíbulo etmoidal, hiato semilunar, bolha etmoidal, processo uncinado e orifício do seio maxilar; e superior (espaço situado entre conchas nasais média e superior), além do recesso esfenoetmoidal. Figura 8. Anatomia do nariz. Fonte: solar22/Shutterstock.com O nariz externo é composto por uma maioria de componentes cartilaginosos e uma minoria de componentes ósseos, sendo recoberto por pele externa e internamente, até a região do vestíbulo do nariz, onde passa a ser revestido por uma túnica mucosa. no que diz respeito à sua parte óssea, o nariz externo se acopla na face por meio de aberturas piriformes formadas pelos ossos maxilares e ossos nasais, que se prolongam superiormente e contribuem com a região do dorso do nariz. Dentre as estruturas cartilaginosas podemos destacar os prolongamentos do septo nasal, chamados de processos laterais da cartilagem do septo nasal, que contribuem majoritariamente para a região das asas nasais. Além disso, são presentes cartilagens em formato de U, que podem alargar ou estreitar a abertura nasal, de acordo com a ação muscular, conhecidas como cartilagens alares. Dentre elas, há as cartilagens alares maiores, divididas entre ramo lateral e medial, bilateralmente, contribuindo para a formação do ápice do nariz e narinas, que são a entrada de ar para a cavidade nasal. Além disso, no nariz externo, o septo nasal, responsável por dividir a cavidade em duas partes, é composto pela cartilagem do septo nasal. Existem ainda as cartilagens alares menores, tecido fibroadiposo e cartilagens acessórias. Figura 9. Cavidade craniana. Fonte: stihii/Shutterstock.com Por sua vez, a cavidade nasal é constituída por paredes superior, inferior, lateral e medial, sendo essa última a única parede que apresenta contribuição cartilaginosa, visto que é composta, em parte, pela cartilagem do septo nasal. • Parede Superior: também chamada de teto da cavidade nasal, tal parede é composta totalmente por estruturas ósseas, recebendo contribuições dos ossos: nasal, frontal (por meio da espinha nasal do osso frontal), etmoide (por meio da lâmina cribiforme do osso etmoide) e esfenoide (por meio do corpo do esfenoide). • Parede inferior: também chamada de assoalho da cavidade nasal, tal parede é composta pelos ossos maxila (por meio do processo palatino da maxila), anteriormente, e palatino (por meio da lâmina horizontal do processo palatino). • Parede medial: também chamado de septo nasal, tal parede é a única a ter contribuição tanto óssea quanto cartilaginosa. Dessa forma, seu componente cartilaginoso é o septo nasal, que se alonga posteriormente até as estruturas ósseas. Tais estruturas são compostas pelos ossos: vômer inferiormente e etmoide (por meio da lâmina perpendicular do osso etmoide) superiormente. • Parede lateral: a parede lateral tem contribuição, anteriormente, do osso maxila, com sua face nasal, e palatino, com sua lâmina perpendicular, que forma a parede lateral posteriormente. Além disso, é de suma necessidade destacar a importância das estruturas chamadas conchas nasais: conchas nasais superior e média, constituídas pelo osso etmoide, e concha nasal inferior, constituída por um osso homônimo. como já dito, o crânio apresenta alguns ossos pneumáticos, ou seja, que apresentam cavidades ocas em seu interior, para uma redução de peso desses componentes. Tais cavidades, quando se comunicam com a cavidade nasal são conhecidas como seios paranasais. Tais seios são nomeados de acordo com os ossos nos quais estão localizados. São encontrados seios paranasais nos ossos frontal, esfenoidal, etmoidal (podendo ser conhecido pela nomenclatura de células etmoidais) e maxila. • Seio frontal: são seios geralmente identificáveis até os 7 anos de idade, localizados posteriormente aos arcos superciliares e raiz do nariz, medindo cerca de 5 mm. • Seio esfenoidal: são seios localizados no corpo do osso esfenoide, sendo derivados de células etmoidais inferiores que invadem o osso esfenoide, por volta dos 2 anosde idade. Deve-se destacar sua importância clínica devido à sua proximidade a estruturas nobres. • Seio etmoidal: também conhecido como células etmoidais. Localizado entre cavidade nasal e órbitas, não é visível em radiografias até os 2 anos de idade e são divididas, de acordo com sua drenagem para cavidade nasal em: células etmoidais anteriores, médias e posteriores. Figura 10. Anatomia do nariz e seios da face. Fonte: Alila Medical Media/Shutterstock.com. • Seio maxilar: Os seios maxilares, situados nos corpos dos ossos maxilas, são os maiores seios paranasais do corpo humano, apresentando ápice, que avança em direção ao osso zigomático. base, que constitui, inferiormente, a parede lateral da cavidade nasal. teto, composto pelo assoalho da órbita. e assoalho, formado pela parte alveolar da maxila. Cada seio paranasal obedece a uma ordem de drenagem para cavidade nasal, como podemos observar no fluxograma a seguir: Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição Saiba mais! Epistaxe Crônica: A região anterior do nariz conta com a anastomose de quatro a cinco artérias nasais, que geram uma área extrema vascularizada, conhecida como área de Kiesselbach, sendo comumente relacionada a epistaxes crônicas de etiologia desconhecida. 11. ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR Figura 11. Ligamentos da articulação temporomandibular. Fonre: Alex Mit/Shutterstock.com A articulação temporomandibular (ATM) é uma articulação sinovial do tipo gínglimo, responsável pela mobilidade do osso mandíbula, sendo composta pelos movimentos de translação (protusão e retrusão), pequena rotação, além da flexão (elevação) e extensão (abaixamento), vital para mastigação. Tal articulação é composta por 3 componentes ósseos: tubérculo articular e fossa mandibular do osso temporal, superiormente, e cabeça da mandíbula, inferiormente, que são separados pelo disco articular da ATM. A articulação conta também com três ligamentos, responsáveis pela estabilização e sustentação da articulação, os ligamentos: lateral, estilomandibular e esfenomandibular, sendo este o principal mecanismo responsável pela sustentação passiva da mandíbula. Para melhor entendimento de cada grupamento muscular nas ações sobre a ATM, observe o quadro abaixo: Movimentos Músculos Elevação Temporal, masseter e pterigóideo medial Depressão Pterigóideo lateral, músculos supra-hióideos e infra-hióideos Protusão Pterigóideo lateral, masseter e pterigóideo medial Retrusão Temporal (fibras oblíquas posteriores e quase horizontais) e masseter Movimentos laterais Temporal do mesmo lado, pterigóideos do lado oposto e masseter Quadro 1. Movimentação da ATM. Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. 12. ESTRUTURAS MUSCULARES DO CRÂNIO Os músculos cranianos podem ser divididos em músculos craniofaciais, responsáveis pela mímica facial, e músculos mastigatórios, responsáveis pela mastigação. Os músculos craniofaciais têm seu funcionamento baseado em ação semelhante a um esfíncter ou ação dilatadora dos orifícios orofaciais. Para melhor estudo dos músculos craniofaciais, podemos dividi-los em 4 grupos: (1) epicranianos, (2) circunorbitais e palpebrais, (3) nasais e (4) bucolabiais. Dentro do grupo dos músculos epicranianos estão os músculos localizados na região superior do crânio, que recobrem o neurocrânio; dentre eles estão os músculos: frontal, occipital e temporoparietal. Os músculos frontal e occipital são unidos por uma estrutura fascial chamada de gálea aponeurótica, que conjuga o movimento dos dois músculos, motivo pelo qual alguns autores consideram ambos os músculos como um só: o músculo occipitofrontal. Figura 12. Músculos da face. Fonte: Gehrke/Shutterstock.com Músculos Origem Inserção Função Inervação Frontal Aponeurose epicraniana Pele e tecido subcutâneo dos supercílios e testa Eleva os supercílios e pele da fronte. Trabalha em sinergia com músculo occipital Ramos temporais do nervo facial (VII) Occipital 2/3 laterais Aponeurose Retrai o Ramo da linha nucal superior do osso occipital e processo mastoide do osso temporal epicraniana couro cabeludo. Trabalha em sinergia com músculo frontal auricular posterior do nervo facial (VII) Temporoparietal Fáscia temporal e pele da região temporal Aponeurose epicraniana Movimenta o escalpo e traciona para trás a pele das têmporas Movimenta o escalpo e traciona para trás a pele das têmporas Quadro 2. Músculos epicranianos. Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. No grupo dos músculos circunorbitais / palpebrais estão os músculos situados em torno das cavidades oculares. Dentre eles estão os músculos: orbicular do olho e corrugador do supercílio. MÚSCULOS ORIGEM INSERÇÃO FUNÇÃO INERVAÇÃO Orbicular do olho Margem orbital medial, ligamento palpebral Órbita e rafe palpebral lateral Fecha as pálpebras de forma abrupta (piscar) ou de forma suave Ramos temporal e zigomático do nervo facial (VII) medial, osso lacrimal Corrugador do supercílio Extremidade medial do arco superciliar Pele superior ao meio da margem supraorbital e arco superciliar Abduz o supercílio inferiormente, criando rugas verticais acima da raiz do nariz, típicas da mímica facial de preocupação Ramos temporais do nervo facial (VII) Quadro 3. Músculos circunorbitais. Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. No grupo dos músculos nasais estão os músculos situados na região nasal, sendo responsáveis pela movimentação do nariz externo, presentes na mímica facial. Dentre eles estão os músculos: Ppócero, nasal, abaixador do septo nasal, levantador do lábio superior e da asa do nariz. Músculos Origem Inserção Função Inervação Músculos Origem Inserção Função Inervação Prócero Fáscia aponeurótica sobre ossos nasais Pele sobre a glabela do osso frontal Abaixa a extremidade medial do supercílio, enruga pele do dorso do nariz Ramos temporal, zigomático e bucal (menor contribuição) do nervo facial (VII) Nasal Parte transversa: maxila lateralmente à fossa incisiva e à parte alar parte alar: maxila acima dos dentes incisivo lateral e canino Parte transversa: Aponeurose sobre osso nasal Parte alar: Pele da asa do nariz, acima da cartilagem alar maior Parte transversa: Enruga pele do dorso do nariz Parte alar: Abaixa a asa lateralmente, dilatando a abertura nasal anterior Ramos zigomático e bucal do nervo facial (VII) Abaixador do septo nasal Maxila, acima dos dentes incisivos e da espinha nasal anterior Parte móvel do septo nasal e ramo medial da cartilagem alar maior. Abaixa a porção inferior do septo nasal Ramo zigomático e bucal do nervo facial (VII) Músculos Origem Inserção Função Inervação Levantador do lábio superior e asa do nariz Processo frontal da maxila Cartilagem alar maior Abaixa a asa lateralmente, dilatando a abertura nasal anterior Ramos zigomático e bucal superior do nervo facial (VII) Quadro 4. Músculos nasais. Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. Músculos Origem Inserção Função Inervação Orbicular da boca Parte medial da maxila e mandíbula, modíolo da boca e pele perioral Mucosa dos lábios Fechar a rima da boca, contração fásica protrai os lábios ramos bucal e mandibular do nervo facial (VII) Levantador do lábio superior Maxila e osso zigomático acima do forame infraorbital Porção muscular do lábio superior Músculo dilatador da boca, retrai e everte lábio superior e aprofundam sulco nasolabial ramos zigomático e bucal do nervo facial (VII) Músculos Origem Inserção Função Inervação Abaixador do lábio inferior Linha oblíqua da mandíbula Pele do lábio inferiorMúsculo dilatador da boca, retrai e everte lábio inferior ramo mandibular do nervo facial (VII) Levantador do ângulo da boca Fossa canina da maxila abaixo do forame infraorbital Ângulo da boca (modíolo) Músculo dilatador da boca, alarga rima, como em um sorriso com dentes à mostra ramos zigomático e bucal do nervo facial (VII) Abaixador do ângulo da boca Tubérculo mentual da mandíbula e linha oblíqua Ângulo da boca (modíolo) Músculo dilatador da boca, abaixa a comissura labial bilateralmente ramos bucal e mandibular do nervo facial (VII) Zigomático maior Parte lateral do osso zigomático, anterior à sutura zigomaticotemporal Ângulo da boca (modíolo) Músculo dilatador da boca, eleva comissura labial bilateralmente Ramos zigomático e bucal do nervo facial (VII) Músculos Origem Inserção Função Inervação Zigomático menor Parte anterior do osso zigomático, posterior à sutura zigomaticomaxilar Pele do lábio superior Músculo dilatador da boca, retrai e everte lábio superior e aprofundam sulco nasolabial Ramos zigomático e bucal do nervo facial (VII) Bucinador Mandíbula, processos alveolares da maxila e mandíbula, rafe Pterigomandibular Ângulo da boca (modíolo) Importante para mastigação por manter alimento dentro das faces oclusais, resiste a distensão Ramo bucal do nervo facial (VII) Risório Fáscia parotídea e pele da boca Ângulo da boca (modíolo) Músculo dilatador da boca, abaixa a comissura labial bilateralmente Ramo bucal do nervo facial (VII) Mentual Fossa incisiva da mandíbula Pele do queixo Eleva e protrai o lábio inferior, eleva a pele do queixo. Ramo mandibular do nervo facial (VII) Quadro 5. Músculos bucolabiais. Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. No grupo dos músculos Bucolabiais estão os músculos com ações relacionadas a movimentação dos lábios. Dentre eles estão: orbicular da boca, Levantador do lábio superior, abaixador do lábio inferior, levantador do ângulo da boca, abaixador do ângulo da boca, zigomático maior, zigomático menor, bucinador, risório e mentual. Além dos músculos craniofaciais, responsáveis pela mímica facial, existem os músculos mastigatórios, utilizados na mastigação, movimento de vital importância na digestão alimentar. Dentre os músculos mastigatórios estão: músculo masseter, músculo temporal, músculo pterigóideo medial, músculo pterigóideo lateral. Músculos Origem Inserção Função Inervação Masseter Aponeurose do processo maxilar do osso zigomático e arco zigomático Ângulo inferior, superfície lateral e parte superior do ramo da mandíbula, além do seu processo coronoide Eleva a mandíbula, fechando a boca, contribui com protusão mandibular Nervo massetérico do nervo Trigêmeo (V) Músculos Origem Inserção Função Inervação Temporal Fossa temporal acima da linha temporal inferior e fáscia temporal Processo coronóide da mandíbula e margem anterior do ramo da mandíbula Eleva a mandíbula, fechando a boca, contribui com retração da mandíbula Nervos temporais profundos do nervo trigêmeo (V) Pterigóideo medial Cabeça profunda: face medial da lâmina lateral do processo pterigoide do osso esfenoide Cabeça superficial: túber da maxila e processo piramidal do osso palatino Parte posteroinferior da superfície medial do ângulo e ramo da mandíbula Atua sinergicamente com o músculo masseter para elevar a mandíbula; contribui para a protrusão Nervo pterigóideos medial do nervo trigêmeo (V) Músculos Origem Inserção Função Inervação Pterigóideo lateral Cabeça superior: porção infratemporal da asa maior do osso esfenoide¹; Cabeça inferior: superfície lateral da lâmina lateral do processo pterigoide¹ Fóvea pterigóidea (do colo da mandíbula) Agindo bilateralmente, protrai a mandíbula e abaixa o queixo; agindo unilateralmente, balança a mandíbula para o outro lado; unilateral alternadamente produz maiores movimentos laterais de mastigação Nervos pterigóideos laterais do nervo trigêmeo (V) Quadro 6. Músculos mastigatórios. Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. ANATOMIA DO PESCOÇO Figura 13. Músculos do pescoço. Fonte: Mister_X/Shutterstock.com Para melhor estudo das estruturas cervicais, o pescoço é subdividido em trígonos e fossas, utilizando músculos e estruturas ósseas como referenciais para divisão; dentre tais trígonos e regiões estão: região esternocleidomastóidea, onde se localizam: Músculo esternocleidomastóideo (ecom), veia jugular externa, nervos auricular magno e cervical transverso; fossa supraclavicular menor, onde está a veia jugular interna; região cervical posterior, onde se localizam músculo trapézio e ramos cutâneos dos ramos posteriores dos nervos espinais cervicais; região occipital, que conta com a veia jugular externa, troncos do plexo braquial e linfonodo cervical; trígono omoclavicular, onde se localizam a glândula submandibular, linfonodos submandibulares, nervos hipoglosso e milo-hióideo; trígono submentual, onde se encontram linfonodos homônimos; trígono carotídeo, contendo a artéria carótida comum, veia jugular interna, nervo vago, acessório e hipoglosso; e trígono muscular, onde é possível observar os músculos Esternotireóideo, esterno- hióideo, glândulas tireoide e paratireoides. 1. ESTRUTURAS ÓSSEAS DO PESCOÇO Figura 14. Vértebra típica. Fonte: stihii/Shutterstock.com A coluna vertebral é uma ligação curva formada pelo conjunto das vértebras e dos discos intervertebrais, que se estende da base do crânio ao ápice do cóccix, sendo o principal componente do esqueleto axial, com medida de cerca de 60-70 cm de extensão. A coluna tem, habitualmente, 33 segmentos vertebrais, divididos em 7 vértebras cervicais, 12 vértebras torácicas, 5 vértebras lombares, 5 vértebras sacrais e 4 vértebras coccígeas. Tais vértebras têm estrutura geral composta por corpo vertebral, anteriormente; arco vertebral, posteriormente; processo espinhoso, mediano, posteriormente; processos transversos, posterolateralmente; processos articulares superiores e inferiores com suas faces articulares. A junção do arco vertebral e da face posterior do corpo vertebral forma o forame vertebral e a sucessão de tais passagens constitui o canal vertebral, por onde a medula espinhal se alonga inferiormente. Figura 15. Vértebra cervical típica. Fonte: stihii/Shutterstock.com As vértebras cervicais são as vértebras que possuem maior amplitude e variedade de movimento, além de serem as menores vértebras. Possuem características típicas, obedecidas pelas vértebras C3-C6. Tais características são: corpo vertebral pequeno e largo; presença de processo espinhoso curto, horizontal e bífido; processos transversos com tubérculos anterior e posterior; forames transversários em seus processos transversos, por onde passam artérias vertebrais; sulco do nervo espinhal; forame vertebral largo e triangular. Figura 16. Vértebras C1 e C2. Fonte: stihii/Shutterstock.com Ao analisarmos a vértebra atípica C1, conhecida como atlas, devemos nos atentar às características de ausência de um corpo vertebral e processo espinhoso; presença de faces articulares superiores e inferiores, como duas massas laterais, de tubérculo para inserção do ligamento transverso do atlas; e presença da fóvea do dente, que serve de articulação para o processo odontoide do áxis (C2). Já ao analisar a vértebra atípica C2, conhecida como áxis, devemos nos atentar à presença de um processo odontoide ou dente, que possibilita que tal vértebra sirva como o eixo de rotação horizontal da cabeça. Figura 17. Osso hioide. Fonte: stihii/Shutterstock.com Por último, ao analisarmos a vértebra C7, devemos nos atentar ao seu processo espinhoso longo e pontiagudo, que leva a sua fácil visualização na superfícieposterior do pescoço, como a vértebra mais proeminente. Além disso, possui forames transversários menores ou ausentes. Além disso, é importante ressaltar o osso hioide, composto por corpo, cornos maiores e menores, servindo de inserção proximal e distal de diversos músculos cervicais. Saiba mais! As raízes nervosas dorsais dos nervos espinhais cervicais inferiores conduzem à formação de uma estrutura nervosa de suma importância: o plexo braquial, responsável pela inervação dos membros superiores. O plexo é formado pelas raízes dos nervos C5 – T1, podendo ter contribuição da raiz de C4, sendo assim chamado de pré-fixado, ou ter contribuição de T2, sendo então chamado de pós-fixado. Figura 18. Plexo braquial. Fonte: Alila Medical Media/Shutterstock.com 2. FÁSCIAS CERVICAIS O pescoço é uma região do corpo repleta de áreas nobres, sendo dividido por suas fáscias em compartimentos. No total, existem 5 lâminas, que são: lâmina subcutânea do pescoço, que é a camada mais superficial da região cervical; lâmina superficial, que adentra ainda mais nas estruturas cervicais, tendo íntimo contato com outras estruturas; lâmina pré-traqueal, na qual se localizam as vísceras cervicais, como traqueia, esôfago, glândula tireoide, faringe, laringe, etc; lâmina pré-vertebral, que envolve os grupamentos musculares e estruturas mais centrais da região cervical; Se liga! Os nervos espinhais cervicais são nomeados de acordo com a vértebra localizada inferiormente, por exemplo, o nervo espinhal C1 tem sua saída acima da vértebra C1; enquanto os nervos espinhais torácicos têm sua nomenclatura relacionada com a vértebra localizada superiormente, por exemplo, o nervo espinhal T2 tem sua saída abaixo da vértebra T2. Tal convenção de nomenclatura levou a uma falha: o nervo localizado abaixo da vértebra C7 não teria nome, porém foi convencionado que tal nervo seria conhecido como nervo espinhal C8. fáscia alar e bainha carotídea, que envolvem as artérias carótidas comuns, veia jugular interna e nervo vago. No compartimento mais superficial, é possível observar o músculo platisma, envolto pela fáscia de tecido subcutâneo do pescoço. Em sequência, adentrando mais uma fáscia, a fáscia superficial, podemos observar os músculos: esternocleidomastóideo (ecom), anteriormente, e trapézio, posteriormente. Dessa forma, podemos agrupar tais músculos como do grupo de músculos cervicais superficiais. Músculos Origem Inserção Função Inervação Conceito! Músculos Para melhor estudo dos músculos cervicais, devemos entender alguns conceitos lógicos acerca de nomenclatura: alguns músculos cervicais têm seu nome baseado em suas origens (inserção proximal) e inserções (inserção distal), como, por exemplo, o músculo estilo-hioide, que tem sua origem no processo estiloide do osso temporal e inserção no osso hioide. Dessa forma, quando os músculos tiverem esse tipo de nomenclatura, é uma boa estratégia pensar no macete “músculo origem-inserção”. Músculos Origem Inserção Função Inervação Platisma Pele inferior à clavícula e da parte superior do tórax Mandíbula e músculos da face junto à boca Tensiona a pele do pescoço Nervo facial (VII) Ecom “Parte esternal”: superfície anterior do manúbrio “Parte clavicular”: superfície superior do 1/3 medial da clavícula Superfície lateral do Processo mastoide; metade lateral da linha nucal superior do osso occipital Bilateralmente: Flexiona a cabeça, eleva a parede torácica Unilateralmente: Roda a cabeça para o lado oposto Nervo acessório (XI) Músculos Origem Inserção Função Inervação Trapézio Terço medial da linha nucal superior, protuberância occipital externa, ligamento nucal, processos espinhosos das vértebras cvii a txii, e processos espinhosos lombares e sacrais Terço lateral da Clavícula, acrômio e espinha da escápula Eleva, retrai e gira a escápula superiormente Fibras descendentes: elevam o cíngulo do membro superior, mantêm o nível dos ombros contra a gravidade ou a resistência Fibras transversas: retraem a escápula Fibras ascendentes: abaixam os ombros Nervo acessório (XI) Quadro 7. Músculos cervicais superficiais. Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. O próximo grupo muscular é composto pelos músculos situados entre a lâmina superficial e lâmina pré-traqueal. Tal grupo muscular é dividido em dois grupos, conforme a posição dos músculos em relação ao osso hioide: supra-hióideos e infra-hióideos. O primeiro grupo é composto pelos músculos: milo-hióideo, gênio-hióideo, estilo-hióideo e digástrico. O segundo grupo é composto pelos músculos: esterno-hióideos, Esternotireóideo, omo-hióideo e tireo-hióideo. Músculos Origem Inserção Função Inervação Milo-hióideo Linha milohioidea da mandíbula “Rafe mediana” no assoalho da boca e corpo do osso hioide Eleva o osso hioide, a base da língua, o assoalho da boca; abaixa a mandíbula Nervo milo- hióideo, ramo do nervo mandibular (V) Gênio- hióideo Superfície posterior do Corpo da mandíbula Superfície anterior do corpo do osso hioide Eleva o osso hioide e abaixa a mandíbula Ramo de C1, por meio do nervo hipoglosso (NC XII) Estilo- hióideo Superfície posterior do processo estiloide Corpo do osso hioide, na junção com o corno maior Eleva o osso hioide e a base da língua Nervo facial (VII) Músculos Origem Inserção Função Inervação Digástrico Ventre anterior: Fossa digástrica da mandíbula Ventre posterior: Incisura mastóidea do osso temporal Tendão intermédio fixo no corpo do osso hioide Eleva o osso hioide e a base da língua; estabiliza o osso hioide; abre a boca pelo abaixamento da mandíbula Ventre anterior: nervo milohióideo Ventre posterior: nervo facial Quadro 8. Músculos cervicais infra-hióideos. Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. Músculos Origem Inserção Função Inervação Esterno-hióideo Superfície posterior do manúbrio do esterno, ligamento esternoclavicular posterior, extremidade medial da clavícula Parte medial da margem inferior do corpo do osso hioide Abaixa a laringe e o osso hioide; estabiliza o osso hioide Alça cervical Músculos Origem Inserção Função Inervação Omo-hióideo Ventre inferior: Da margem superior da escápula e do “ligamento supraescapular”, terminando no tendão sob o músculo esternocleidomastóideo Ventre superior: tendão sob o músculo ecom Ventre inferior: tendão intermédio Ventre superior: Corpo do osso hioide Estabiliza o osso hioide e abaixa esse osso Alça cervical Esternotireóideo Superfície posterior do manúbrio do esterno, inferior e profundamente à inserção do músculo esterno-hióideo, extremidade da primeira cartilagem costal Linha oblíqua na lâmina da cartilagem tireóidea Abaixa a laringe e a cartilagem tireóidea Alça cervical Tireo-hióideo Linha oblíqua na lâmina da cartilagem Tireóidea Margem inferior do corpo e no corno maior do osso hioide Abaixa a laringe e o osso hioide. Eleva a cartilagem tireóidea Ramo tireohióideo do nervo espinal c=C1, via nervo hipoglosso (NC XII) Quadro 9. Músculos cervicais infra-hióideos. Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. Seguindo para planos mais profundos, chegamos aos músculos localizados internamente à lâmina pré-vertebral. Para melhor análise desses músculos, tal grupo muscular é dividido em regiões anteriores (pré-vertebrais) e laterais (vertebrais laterais). O grupo pré-vertebral é composto pelos músculos: longo do pescoço, longo da cabeça, reto anterior da cabeça e escaleno anterior. Já o grupo vertebral lateral é composto pelos músculos: reto lateral da cabeça, esplênio da cabeça, esplênio do pescoço, levantador da escápula, escaleno médio e escaleno posterior. Músculos Origem InserçãoFunção Inervação Longo do Pescoço “Porção vertical”: vértebras C5 - T3 “Porção oblíqua inferior”: vértebras T1 - T3 “Porção oblíqua superior”: Tubérculos anteriores dos processos transversos das vértebras C3-C5 Vértebras C2- C4 Tubérculos anteriores dos processos transversos das vértebras C5-C6 Tubérculo do arco anterior do atlas (C1) Bilateralmente: flexiona e auxilia na rotação das vértebras cervicais e da cabeça. Unilateralmente: Flexiona lateralmente a parte cervical da coluna vertebral Ramo anterior dos nervos espinais cervicais (C2- C8) Músculos Origem Inserção Função Inervação Longo da Cabeça Tubérculo anterior dos Processos transversos de C3-C6 Superfície inferior da parte basilar do osso Occipital Flexiona e auxilia a rotação das vértebras cervicais e da Cabeça Ramo anterior dos nervos cervicais C1- C4 Reto Anterior da Cabeça Massa lateral do atlas (C1) Base do osso occipital anterior ao forame Magno Flexiona a cabeça Ramos anteriores dos nervos espinais cervicais (C1- C2) Escaleno Anterior Tubérculos anteriores dos Processos Transversos de C3-C6 Tubérculo do músculo Escaleno anterior, na 1ª costela Eleva a 1ª costela; inclina a parte cervical da coluna vertebral Ramos anteriores dos nervos espinais cervicais (C5- C8) Quadro 10. Músculos cervicais pré-vertebrais. Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. Músculos Origem Inserção Função Inervação Esplênio do Pescoço Ligamento nucal e processos espinhosos de C7-T6 Tubérculos dos processos transversos de C1-C3 Isoladamente: fletem e rodam a cabeça para o mesmo lado. Em conjunto: estendem a Nervos espinhais do segmento correspondente cabeça e o pescoço Reto Lateral da Cabeça Superfície superior do processo transverso do atlas (C1) Superfície inferior do Processo Jugular do Osso Occipital Inclina a cabeça para o mesmo lado (flexão lateral) Ramos anteriores dos nervos espinais cervicais (C1- C2) Esplênio da cabeça Ligamento nucal e processos espinhosos de c7-t6 Processo mastoide do osso temporal e terço lateral da linha nucal superior do osso occipital Flete lateralmente e gira a cabeça e o pescoço para o mesmo lado; agindo bilateralmente, estende a cabeça e o pescoço Ramos posteriores dos nervos espinais cervicais intermédios Levantador da escápula Tubérculos posteriores dos processos transversos das vértebras c2-c6 Parte superior da margem medial da escápula Rotação da escápula para baixo e inclinação da cavidade glenoidal inferiormente por meio de rotação da escápula Nervo dorsal da escápula c5 e nervos espinais cervicais c3-c4 Escaleno médio Tubérculos posteriores dos processos Superfície superior da 1ª costela (posterior ao Eleva a 1ª costela; inclina a parte cervical Ramos anteriores dos nervos espinais cervicais transversos de c5-c7 sulco dos vasos subclávios) da coluna vertebral Escaleno posterior Tubérculos posteriores dos processos transversos de c5-c7 Superfície externa da 2ª costela (posterior à inserção do músculo Serrátil anterior) Eleva a 2ª costela; inclina a parte cervical da coluna vertebral Ramos anteriores dos nervos espinais cervicais c7 e c8 Quadro 11. Músculos cervicais vertebrais laterais. Fonte: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. 3. VASCULARIZAÇÃO ARTERIAL DA CABEÇA E PESCOÇO A vascularização arterial da região da cabeça e pescoço é feita pelas artérias carótidas interna e externa e alguns ramos cervicais das artérias subclávias. Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. 4. DRENAGEM VENOSA DA CABEÇA E PESCOÇO A drenagem venosa na região cervical e craniana é feita pelas veias jugulares interna e externa e suas afluentes. Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição. 5. DRENAGEM LINFÁTICA DA CABEÇA E PESCOÇO Os vasos linfáticos do pescoço e da cabeça drenam para linfonodos dispostos em dois grupos: superficial e profundo. Os linfonodos superficiais, situados na junção da cabeça e do pescoço, formam o chamado colar linfático pericervical. Estes estão localizados no trígono anterior, dispondo-se ao longo do trajeto da veia jugular anterior e no trígono posterior, onde acompanham a veia jugular externa. Os linfonodos cervicais profundos, por sua vez, formam uma cadeia de linfonodos dispostos ao longo da veia jugular interna e costumam ser divididos em grupo superior e inferior. Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição 6. INERVAÇÃO DA CABEÇA E PESCOÇO A inervação cervical e craniana é feita principalmente por nervos crania com contribuição dos nervos espinhais. Figura 19. Nervo facial. Fonte: Alila Medical Media/Shutterstock.com Figura 20. Nervo trigêmeo. Fonte: Alila Medical Media/Shutterstock.com Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição Fontes: Moore, 7ª edição; Gray’s, 40ª edição; Prometheus 3ª edição; Netter, 6ª edição REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MOORE, Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000. SOBOTTA, Johannes. Atlas de Anatomia Humana. 21ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. GRAY, Henry. Gray’s anatomia: a base anatômica da prática clínica. 40ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2010. Prometheus atlas de anatomia: órgãos internos. 2. ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. 3 v. Volume 1 Site https://human.biodigital.com , para construção das imagens 6. PAREDE TORÁCICA E MEDIASTINO 1. INTRODUÇÃO O tórax, ou parede torácica, é a parte do tronco situada entre o pescoço e o abdome, que contém os principais órgãos dos sistemas respiratório e circulatório. É uma das regiões mais dinâmicas do corpo, que altera seu volume a cada movimento respiratório, aumentando durante a inspiração e diminuindo na expiração, devido à contração e ao relaxamento dos músculos torácicos, abdominais e o diafragma. O tórax é dividido em mediastino, que é a cavidade central que abriga as vísceras torácicas (exceto os pulmões), e nas cavidades pulmonares direita e esquerda (de cada lado do mediastino). A maior parte da cavidade torácica é ocupada pelos pulmões, sendo o restante ocupado pelo coração, vasos e outras estruturas responsáveis pela condução do ar e do sangue que entram e saem através dos pulmões (traqueia e brônquios). Figura 1. Parede torácica. Fonte: SciePro/Shutterstock.com As mamas também estão localizadas na parede torácica, apesar de fazerem parte do sistema reprodutor. O termo peito normalmente se refere à parte superior do tronco, mais larga na parte superior por conta do cíngulo do membro superior/musculatura peitoral e escapular. As mamas ocupam a maior parte do peito das mulheres. A parede torácica é formada pela caixa torácica (esqueleto torácico), músculos que se estendem até as costelas, pele e músculos da superfície anterolateral, que na parte posterior são estruturas englobadas como pertencentes ao dorso. 2. PAREDE TORÁCICA Esqueleto torácico O esqueleto torácico forma a caixa torácica, que protege as vísceras torácicas e alguns órgãos abdominais, resiste às pressões internas negativas geradas pela retração elástica dos pulmões e pelos movimentos inspiratórios, além de proporcionar sustentação de peso e fixação para os membros superiores e músculos do abdome, pescoço,dorso e músculos da respiração. Apesar da rigidez, o esqueleto torácico também dispõe de certa flexibilidade proporcionada por suas articulações e pequena espessura, o que evita fraturas em casos de choques e compressões externas, bem como permite que a caixa mude de formato o a respiração. A caixa torácica é composta por 12 pares de costelas e cartilagens costais, 12 vértebras torácicas (e seus discos intervertebrais) e o esterno. Costelas, cartilagens e espaços intercostais As costelas são ossos planos e curvos, que formam a maior parte do esqueleto torácico. Existem três tipos de costelas, que podem ser classificadas em típicas e atípicas. As costelas verdadeiras, também chamadas de vertebrocostais, compreendem as costelas de 1 a 7 e são fixadas no esterno diretamente por suas cartilagens costais. As costelas falsas são a 8ª, 9ª e geralmente a 10ª costelas, também chamadas de vertebrocondrais, têm suas cartilagens unidas à cartilagem das costelas acima, ligando- se indiretamente ao esterno. As costelas flutuantes correspondem à 11ª, 12ª e, em alguns casos, a 10ª costela não têm conexão com o esterno, terminando na musculatura abdominal posterior, sendo chamadas de costelas livres ou vertebrais. Figura 2. Esqueleto torácico. Fonte: N.Vinoth Narasingam/Shutterstock.com As costelas típicas são constituídas pelas 3ª a 9ª costelas e são assim denominadas por possuírem: • Cabeça da costela: formato cuneiforme, com duas faces articulares, que se articulam uma com a vértebra horizontal (de mesmo número) e a outra com a vértebra acima dela. Essas faces são separadas pela crista da cabeça da costela. • Colo da costela: porção que une a cabeça da costela ao corpo no nível do tubérculo • Tubérculo da costela: fica na junção do colo e do corpo, com uma face articular, que se liga ao processo transverso da vértebra correspondente, e uma face não articular que serve como local de fixação do ligamento costotransversário • Corpo da costela (diáfise): é fino, plano e curvo, com curvatura mais acentuada no ângulo da costela, o qual demarca o limite lateral de fixação nas costelas dos músculos profundos do dorso. Na parte interno, há ainda o sulco da costela, que serve de proteção para nervos e vasos intercostais. Figura 3. Anatomia da costela. Fonte: N.Vinoth Narasingam/Shutterstock.com Figura 4. Anatomia das vértebras lombares. Fonte: stihii/Shutterstock.com As costelas atípicas são as 1ª, 2ª, 10ª, 11ª e 12ª costelas e são chamadas assim pois possuem características específicas: • 1ª costela: mais larga, com corpo quase horizontal, mais curta e mais curva das 7 costelas verdadeiras. Como apenas se articula com a vértebra T1, possui apenas uma face articular em sua cabeça, e dois sulcos transversais para os vasos subclávios. Entre esses sulcos, há o tubérculo do músculo escaleno anterior, fixação para o músculo de mesmo nome. • 2ª costela: possui corpo mais fino, menos curvo e mais longo que a 1ª costela. Sua cabeça possui duas faces articulares (para T1 e T2), e possui a tuberosidade do músculo serrátil anterior, região rugosa onde se insere parte desse músculo. • 10ª a 12ª costela: possuem apenas uma face articular, que se articula com uma única vértebra, e com exceção da 10ª, são curtas e não possuem colo nem tubérculo. As cartilagens costais prolongam as costelas anteriormente (em direção ao esterno) e contribuem para a elasticidade da parede torácica. Elas aumentam de comprimento da 1ª à 7ª, e depois diminui gradualmente. Além disso, as 7 primeiras costelas possuem fixação direta e independente ao esterno, enquanto da 8ª à 10ª se articulam com as cartilagens costais superiores a elas, formando uma margem costal. A 11ª e a 12ª cartilagens costais protegem as extremidades anteriores dessas costelas e não se fixam a nenhum osso ou cartilagem. E as cartilagens da 1ª à 10ª costelas fixam a parte anterior das costelas ao esterno, o que limita seu movimento, diferente da parte posterior, que é capaz de girar ao redor do eixo transversal da costela. Separando as costelas e as cartilagens costais, há os espaços intercostais, que são nomeados de acordo com a costela de sua margem superior. Existem 11 espaços intercostais e 11 músculos intercostais, assim, essas regiões abrigam músculos e membranas intercostais, e dois conjuntos (principal e colateral) de vasos sanguíneos e nervos intercostais, identificados pelo mesmo número atribuído ao espaço. Esses espaços intercostais se alargam mais durante a inspiração, e podem ser mais alargados por extensão e/ou flexão lateral da coluna torácica para o lado oposto. Abaixo da 12ª costela, não há mais costelas, e assim esse espaço é chamado de subcostal, sendo o ramo anterior do nervo espinal T12 o nervo subcostal. Relembrando As costelas são chamadas de verdadeiras, falsas ou flutuantes de acordo com a forma que se ligam ou não ao esterno. Assim, as costelas verdadeiras se unem diretamente ao esterno com suas cartilagens costais, as costelas falsas são unidas indiretamente ao esterno ao se ligarem, por suas cartilagens, às cartilagens das costelas acima delas, e as costelas falsas não se unem ao esterno. Já a diferenciação entre costelas Vértebras torácicas típicas e atípicas está relacionado aos componentes anatômicos dessas costelas (corpo, colo etc). As vértebras torácicas compreendem as vértebras de T1 a T12, que podem ser agrupadas em vértebras típicas e atípicas. A maioria das vértebras é típica (T2-T9), ou seja, possuem corpo vertebral, arcos vertebrais e sete processos que servem para conexão com músculos e articulações. As características das vértebras torácicas típicas são: • Fóveas costais bilaterais (hemifóveas) nos corpos vertebrais, normalmente em pares, um inferior e outro superior, as quais se articulam com a cabeça das costelas. Essas fóveas ficam nas laterais dos discos intervertebrais (IV) interpostos. Duas hemifóveas, uma hemifóvea inferior na vértebra superior e uma hemifóvea superior na fóvea inferior, se unem à margem posterolateral do disco IV entre duas vértebras, formando uma cavidade que se articula com a cabeça da costela de mesmo número (p. ex., cabeça da 5ª costela com a fóvea costal superior da vértebra T5). • Fóveas costais dos processos transversos, que se articulam com os tubérculos das costelas (exceto em 2 ou 3 vértebras torácicas inferiores). • Processos espinhosos longos, com inclinação inferior, que normalmente sobrepõem as vértebras inferiores adjacentes, cobrindo os intervalos entre as lâminas. Isso protege o canal vertebral e medula espinhal da entrada de objetos cortantes. • As faces articulares superiores das vértebras torácicas típicas dos processos articulares superiores são voltadas no sentido posterolateral, enquanto as faces articulares inferiores dos processos articulares inferiores têm sentido anteromedial. Os planos articulares bilaterais entre as faces articulares de vértebras torácicas adjacentes formam um arco com um eixo de rotação no corpo vertebral como centro, o que permite a realização de movimentos rotatórios que são limitados pela caixa torácica. Já as vértebras torácicas atípicas, que são T1, T10, T11 e T12, possuem fóveas costais inteiras no lugar de hemifóveas e algumas apresentam características específicas: • T1: não possui hemifóveas superiores pois a vértebra C7 não possui hemifóveas para articular. Assim, T1 tem uma hemifóvea costal inferior típica e a 1ª costela articula-se apenas com T1 (e não T1 e C7). • T10: tem apenas um par bilateral de fóveas costais interiras que ficam em parte no corpo e em parte no pedículo. • T11 e T12: têm apenas um par de hemifóveas costais em seus pedículos. Esterno O esterno é um osso plano e alongado, situado na parte anterior e intermediária da caixa torácica, ficando sobre as vísceras do mediastino, como o coração, as protegendo. Esse osso possui três partes – manúbrio, corpo e processoo joelho é superior ao tornozelo, embora ambos estejam localizados na metade inferior do corpo. 5. PLANOS E EIXOS ANATÔMICOS Os planos são estruturas imaginárias que atravessam o corpo, seccionando-o na posição anatômica. O plano mediano é vertical, e corta o corpo longitudinalmente, dividindo-o corpo nas metades direita e esquerda. Os planos sagitais são planos verticais que atravessam o corpo paralelamente ao plano mediano. Os planos frontais/coronais também são planos verticais que atravessam o corpo, dividindo-o em partes anterior e posterior. Os planos transversos/axiais são planos horizontais que dividem o corpo em partes superior e inferior (Figura 3). Figura 3. Planos anatômicos. Fonte: Excellent Dream/Shutterstock.com Os eixos do corpo humano são linhas imaginárias traçadas no indivíduo e se dividem em três. O eixo sagital (anteroposterior) cruza o corpo no sentido anterior para posterior. O eixo longitudinal (craniocaudal) cruza o corpo no sentido craniocaudal. Já o eixo tranversal (laterolateral) segue o sentido laterolateral, por exemplo. O principal uso dos planos e eixos anatômicos é descrever cortes. Os cortes longitudinais são feitos no sentido do comprimento ou paralelos ao eixo longitudinal do corpo ou de uma de suas partes, e o termo é aplicado sem levar em conta a posição do corpo. Os cortes transversos são “fatias” do corpo ou de suas partes perpendiculares ao eixo longitudinal aos mesmos. Os cortes oblíquos são “fatias” do corpo ou de suas partes que não são feitas ao longo de um dos planos anatômicos já mencionados. Se Liga! Como o eixo longitudinal do pé é horizontal, o corte transverso do pé está no plano frontal. 6. TERMOS DE MOVIMENTO Vários termos descrevem os movimentos dos membros e de outras partes do corpo. A maioria dos movimentos é definida em relação à posição anatômica e ocorrem dentro de planos anatômicos específicos, ao redor dos eixos alinhados com esses planos. Também podem ser avaliados em pares de movimentos opostos, como flexão e extensão, que geralmente ocorrem em planos sagitais em torno de um eixo transverso. Flexão indica curvatura ou diminuição do ângulo entre os ossos ou partes do corpo. Na maioria das articulações refere- se ao movimento em direção anterior. Extensão indica retificação ou aumento do ângulo entre os ossos ou as partes do corpo. Geralmente ocorre em direção posterior. As flexões laterais direita e esquerda (curvatura lateral) são formas especiais de abdução apenas para o pescoço e o tronco. Figura 4. Termos de movimento. Fonte: Auttapon Wongtakeaw/Shutterstock.com A flexão dorsal, ou dorsiflexão, descreve a flexão na articulação do tornozelo, como ao levantar os dedos do chão. A flexão plantar curva o pé e os dedos em direção ao solo, como ao ficar na ponta dos pés. Os movimentos de abdução e adução geralmente ocorrem em um plano frontal em torno de um eixo Se Liga! Na articulação do joelho observamos uma exceção à regra, pois a flexão deste refere-se ao movimento posterior e a extensão, ao movimento anterior. anteroposterior. Com exceção dos dedos, a abdução significa afastamento do plano mediano e a adução significa a aproximação desse mesmo plano. Na abdução dos dedos o termo significa afastá-los em relação ao 3º dedo (médio), em posição neutra, ou movimento de afastamento dos dedos dos pés em relação ao 2o dedo, em posição neutra. O 3º dedo da mão e o 2º dedo do pé fazem o movimento de abdução medial ou lateral em relação à posição neutra. A adução dos dedos é o oposto – a aproximação dos dedos, das mãos ou dos pés, em direção ao 3º dedo da mão ou ao 2º dedo do pé, em posição neutra. A rotação é o giro ou a revolução de uma parte do corpo ao redor de seu eixo longitudinal, como ao virar a cabeça para o lado. A rotação medial (interna) aproxima a face anterior de um membro do plano mediano, ao passo que a rotação lateral (externa) afasta a face anterior do plano mediano. A pronação e a supinação são os movimentos de rotação do antebraço e da mão. A pronação causa a rotação medial do rádio, de modo que a palma da mão fique voltada posteriormente e o dorso, anteriormente. A supinação é o movimento inverso, o qual volta o antebraço e a mão para posição anatômica após a pronação. A eversão afasta a planta do pé do plano mediano, girando-a lateralmente. Já a inversão move a planta do pé em direção ao plano mediano. Oposição é o movimento no qual a polpa do polega é aproximada da polpa de outro dedo. Esse movimento é o chamado movimento de pinça. Reposição descreve o movimento de retorno do polegar para sua posição anatômica. Protrusão é um movimento anterior (para a frente) como na protrusão da mandíbula, dos lábios ou da língua. Retrusão é um movimento posterior (para trás). A elevação desloca uma parte para cima. A depressão desloca uma parte para baixo. 7. REGIÕES ANATÔMICAS O corpo humano é dividido em algumas partes principais, são elas: a cabeça, o pescoço, o tronco, os membros superiores e os membros inferiores. A cabeça consiste no crânio e na face. O crânio envolve e protege o encéfalo; a face é a parte frontal da cabeça, e inclui olhos, nariz, boca, fronte, bochechas e mento. O pescoço sustenta a cabeça, unindo-a ao tronco. O tronco consiste em tórax, abdome e pelve. Cada membro superior está unido ao tronco e consiste em ombro, axila, braço, antebraço, punho e mão. Cada membro inferior também está unido ao tronco e consiste em nádega, coxa, perna, tornozelo e pé. A região inguinal é a área na superfície anterior do corpo, marcada por uma prega de cada lado, na qual o tronco se liga às coxas. Regiões e quadrantes abdominopélvicos Para descrever a localização dos muitos órgãos abdominais e pélvicos mais facilmente, são utilizados dois métodos de divisão da cavidade abdominopélvica em áreas menores. No primeiro método, dois planos horizontais e duas linhas verticais, alinhados como um jogo da velha, dividem essa cavidade em nove regiões abdominopélvicas. O plano horizontal superior (plano subcostal), é traçado imediatamente inferior às costelas; o plano horizontal inferior (plano intertubercular), é traçado imediatamente inferior à parte superior dos ossos do quadril. As duas linhas verticais são as linhas medioclaviculares esquerda e direita, por meio dos pontos médios das clavículas e medials às papilas mamárias. Os nomes das nove regiões abdominopélvicas são: hipocôndrio direito, epigástrio, hipocôndrio esquerdo, lateral (ou fossa ilíaca) direita, umbilical, lateral (ou fossa ilíaca) esquerda, inguinal direita, hipogástrio (púbica) e inguinal esquerda. O segundo método é mais simples e divide a cavidade abdominopélvica em quadrantes. Nesse método, uma linha sagital através do plano mediano e uma linha horizontal atravessam o umbigo. Os nomes dos quadrantes abdominopélvicos são: quadrante superior direito (QSD), quadrante superior esquerdo (QSE), quadrante inferior direito (QID) e quadrante inferior esquerdo (QIE). Figura 5. Regiões da cavidade abdominopélvica, Fonte: joshya/Shutterstock.com Se liga! A divisão em nove regiões é utilizada para estudos anatômicos; a divisão em Ê quadrantes é utilizada para designar o local de dor, de tumores ou de alguma outra anomalia. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS Gerard J. Tortora; Bryan Derrickson. Princípios de anatomia e fisiologia. Tradução: Ana Cavalcanti C. Botelho et al. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. Keith L. Moore, Arthur F. Dalley, Anne M.R. Agur. Anatomia orientada para a clínica. Tradução: Claudia Lucia Caetano de Araujo. 7. ed. Rio de Janeiro: Koogan, 2014. Standring, Susan. Gray’s anatomia. Tradução: Denise Costa Rodrigues et al. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humana básica. São Paulo: Atheneu, 2000. 2. INTRODUÇÃO À NEUROANATOMIA 1. ALGUNS ASPECTOS FILOGÊNICOS DO SISTEMA NERVOSO O sistema nervoso é um dos principais agentes responsáveisxifoide – que são unidas por sincondroses, articulações cartilagíneas que ossificam na meia-idade. O manúbrio é a parte mais espessa do esterno, cujo centro côncavo, chamado de incisura jugular (supraesternal) pode ser facilmente palpada. A incisura se aprofunda nas extremidades esternais (medials) da clavícula e formam as articulações esternoclaviculares. O manúbrio se articula também com a 1ª costela (sincondrose da primeira costela) e com o corpo do esterno, com o qual forma o ângulo do esterno (sínfise manubrioesternal). O corpo do esterno é longo, estreito e mais fino que o manúbrio, situado na altura das vértebras. Sua largura varia de acordo com as incisuras costais, onde as costelas se articulam com o esterno. Em pessoas jovens, o corpo do esterno possui quatro esternebras, que são estruturas primárias do esterno, que se articulam entre si por articulações cartilagíneas primárias (sincondroses esternais) e começam a fundir entre a puberdade e os 25 anos de idade. Em adultos, a superfície anterior possui três cristas transversais variáveis, que são as linhas de fusão das estérnebras. O processo xifoide é a menor parte do esterno, localizado na fossa epigástrica (nível de T10), indicando o limite inferior da parte central da cavidade torácica (sínfise xifoesternal), além de servir de referência para o limite superior do fígado, centro tendíneo do diafragma e margem inferior do coração. O processo xifoide pode ser pontiagudo, rombo, bífido, curvo ou defletido para um dos lados. É cartilaginoso em jovens e ossifica por volta dos 40 anos, sendo que em pessoas idosas pode se fundir ao corpo do esterno na sínfise xifoesternal, onde forma o ângulo infraesternal da abertura inferior do tórax. Figura 5. Esterno. Fonte: Sakurra/Shutterstock.com Saiba mais! A parede torácica possui dois grupos de articulações: articulações costovertebrais e articulações esternocostais. As articulações costovertebrais são formadas pela junção das costelas com a coluna vertebral, sendo divididas em articulações das cabeças das costelas e articulações costotransversárias. Já as articulações esternocostais são aquelas formadas pela união entre as cartilagens costais e o esterno. Vale ressaltar que problemas de mobilidade em Músculos torácicos todas as articulações aqui mencionadas podem comprometer os movimentos respiratórios. Os verdadeiros músculos da parede torácica são o músculo serrátil posterior, músculos levantadores das costelas, músculos subcostais e músculo transverso do tórax. No entanto, alguns músculos do abdome (anterolaterais – músculo oblíquo externo e músculo reto do abdome), dorso e pescoço (músculo escalenos) inserem-se na caixa torácica, que são os músculos toracoapendiculares, os quais se estendem até os membros superiores. Além disso, o tórax também conta com os músculos intercostais, os quais também participam dos movimentos respiratórios. Figura 6. Músculos torácicos – Vista anterior. Fonte: stihii/Shutterstock.com. Os músculos toracoapendiculares que cobrem a caixa torácica formam o leito da mama, ficando situados na parede torácica e por isso podem ser considerados dessa parte, mas funcionalmente são músculos dos membros superiores, recebendo a inervação correspondente a esses membros. As glândulas mamárias ficam apoiadas no músculo peitoral maior, na parede anterior do tórax. Os músculos toracoapendiculares incluem os músculos peitorais maior e menor, músculo serrátil anterior, músculo trapézio, músculo latíssimo do dorso, entre outros; e alguns deles, como os músculos peitoral maior e menor e a parte inferior do serrátil anterior, atuam como músculos acessórios da respiração, ajudando a elevar as costelas para expandir a caixa torácica na inspiração forçada. O músculo serrátil posterior, que se divide didaticamente em serrátil posterior superior e inferior, é descrito como músculo inspiratório, no entanto, estudos recentes indicam que a função principal desses músculos pode não ser motora, mas sim proprioceptiva, sendo apontados como causadores de dor crônica nas síndromes de dor miofascial, principalmente o serrátil posterior superior. Os músculos levantadores das costelas são 12 músculos em formato de leque que elevam as costelas, mas que Se liga! Propriocepção é a capacidade de reconhecer a localização espacial do corpo e a posição de cada parte do corpo em relação às demais. parece ter pouca contribuição na inspiração normal, acreditando-se que seu papel seja relacionado ao movimento vertebral e/ou na propriocepção. Os músculos subcostais apresentam formas e tamanho variáveis, sendo normalmente mais desenvolvidos na parede inferior do tórax. Esses músculos se estendem da superfície interna do ângulo da costela até a superfície interna da segunda ou terceira costela inferior a ela. Assim, os músculos intercostais cruzam um ou dois espaços intercostais e se unem aos músculos intercostais internos, seguindo a mesma direção que eles. Os músculos transversos do tórax possuem quatro ou cinco alças em sentido superolateral, saindo da parte inferior do esterno. A parte inferior desses músculos é contínua com os músculos transversos do abdome, e parecem ter uma função expiratória fraca, além de fornecer informações proprioceptivas. Figura 7. Músculos torácicos – Vista posterior. Fonte: stihii/Shutterstock.com Sobre os músculos intercostais, como já mencionado, ocupam os espaços intercostais, sendo divididos em intercostais externos, que cobrem a superfície, intercostais internos, que revestem a camada interna, e intercostais íntimos, que são fibras mais profundas dos intercostais internos. • Músculos intercostais externos (11 pares): seguem inferoanteriormente da costela acima à costela abaixo, são contínuos com os músculos oblíquos externos do abdome e são mais ativos na inspiração. • Músculos intercostais internos (11 pares): são perpendiculares aos intercostais externos, com fibras seguindo em direção inferoposterior, dos sulcos costais até as margens superiores das costelas interiores a eles. Na parte posterior entre as costelas, esses músculos são substituídos pelas membranas intercostais internas. Os músculos intercostais internos inferiores são contínuos com os músculos oblíquos internos do abdome. Esses músculos são mais fracos que os intercostais externos e são mais ativos durante a expiração. • Músculos intercostais íntimos: são separados dos intercostais internos pelos nervos e vasos intercostais, passando entre as superfícies internas de costelas adjacentes. Acredita-se que a função desses músculos é a mesma dos intercostais internos. Embora os músculos intercostais externos e internos sejam ativos durante a inspiração e expiração, respectivamente, a maior parte de sua atividade é isométrica, aumentando o tônus sem gerar movimento. O papel desses músculos na movimentação das costelas parece estar relacionado principalmente à respiração forçada, sendo que sua principal função na respiração é dar sustentação ao espaço intercostal (aumentando seu tônus ou sua rigidez), resistindo ao movimento paradoxal, sobretudo durante a inspiração, quando as pressões torácicas internas são mínimas (mais negativas – ver boxe abaixo sobre movimento paradoxal). Além dos músculos citados, a cavidade torácica apresenta ainda o músculo diafragma, que a separa da cavidade abdominal. O diafragma controla o volume e a pressão interna da cavidade torácica, constituindo a base da respiração. Durante a inspiração, o diafragma se contrai e desce, com isso as costelas sobem, aumentando o volume da caixa torácica (reduzindo a pressão intratorácica) e forçando o ar a entrar nos pulmões. Na expiração, o diafragma relaxa, reduzindo o volume e aumentando a Saiba mais! Movimento paradoxal é mais visível após trauma raquimedular alto, quando há paralisia flácida inicial de todo o tronco, mas o diafragma continua ativo – nessas circunstâncias, a capacidadevital é comprometida pela incursão (paradoxal) da parede torácica durante a inspiração. Algumas semanas depois, a paralisia se torna espástica (aumenta o tônus muscular), a parede torácica enrijece e a capacidade vital aumenta. pressão intratorácica, expelindo o ar. O diafragma é o principal músculo da inspiração. Inervação da parede torácica A parede torácica é inervada por 12 pares de nervos espinais torácicos, os quais se dividem em ramos primários anterior e posterior. Assim, os ramos anteriores dos nervos T1 a T11 formam os nervos intercostais, enquanto o ramo anterior de T12 forma o nervo subcostal, que segue inferiormente à 12ª costela. Os ramos posteriores dos nervos espinais torácicos são laterais aos processos articulares das vértebras torácicas, e suprem as articulações, os músculos profundos e a pele do dorso do tórax. Os nervos intercostais podem ser divididos em típicos e atípicos. Os nervos intercostais típicos (3º ao 6º nervos) possuem ramos: comunicantes, colaterais, cutâneos laterais, cutâneos anteriores e musculares, que basicamente se diferem em sua origem e/ou função. Já os nervos intercostais atípicos apresentam algumas características específicas: • O ramo anterior de T1 se divide em grande parte superior e uma parte inferior pequena. A parte superior se une ao plexo braquial, enquanto a parte inferior se torna o 1º nervo intercostal. • O 1º nervo intercostal não tem ramo cutâneo anterior e muitas vezes também não tem o ramo cutâneo lateral. • O 2º (e as vezes o 3º nervo intercostal) origina um grande ramo cutâneo lateral chamado de nervo intercostobraquial. • Os 7º-11º nervos intercostais, nas suas porções fora do espaço intercostal, formam os nervos toracoabdominais. A maioria dos nervos de T2 a T12 supre um dermátomo do tronco. O grupo de músculos supridos pelos ramos posterior e anterior de cada par de nervos torácicos constitui um miótomo. Assim, os miótomos dos nervos T2 a T11 incluem os músculos intercostal, subcostal, transverso do tórax, levantador da costela e serrátil posterior associados ao espaço intercostal, que inclui o nervo intercostal, além de uma parte dos músculos profundos do dorso. Vascularização da parede torácica As artérias que irrigam a parede torácica se originam da aorta (parte torácica), subclávia e artéria axilar e, normalmente, a distribuição dos vasos dessa região seguem os espaços intercostais, paralelamente às costelas. A parte torácica da aorta origina as artérias intercostais posteriores e subcostais, a artéria subclávia dá origem às artérias torácica interna e intercostal suprema e a artéria axilar origina a artéria torácica superior e a artéria torácica lateral. As artérias intercostais atravessam a parede torácica pelas costelas. Assim, os espaços intercostais, com exceção dos 10º e 11º espaços, são irrigados por uma grande artéria intercostal posterior, com seu ramo colateral, e um pequeno par de artérias intercostais anteriores. As artérias intercostais posteriores emitem um ramo posterior que acompanha o ramo correspondente do nervo espinal para suprir a medula espinal, a coluna vertebral, os músculos do dorso e a pele. Essas artérias acompanham os nervos intercostais através dos espaços intercostais, ficando entre a veia e nervo intercostais. Além disso, as artérias intercostais posteriores do 1º e do 2º espaços intercostais originam-se da artéria intercostal suprema, que é um ramo da artéria subclávia. As artérias torácicas internas (mamária internas) se originam na base do pescoço e terminam no 6º espaço intercostal, tocando a pleura parietal posteriormente, e dividindo-se nas artérias epigástrica superior e musculofrênica. Essas artérias também dão origem diretamente às artérias intercostais anteriores, que suprem os seis espaços intercostais superiores – artéria musculofrênica origina as artérias intercostais anteriores do 7º ao 9º espaço intercostal. Figura 8. Vascularização torácica. Fonte: Autoria própria As artérias intercostais anteriores irrigam as partes anteriores dos nove espaços intercostais superiores, além dos músculos intercostais, de onde enviam ramos para os músculos peitorais, mamas e a pele. Além disso, as intercostais anteriores estão ausentes nos dois espaços intercostais inferiores, os quais são supridos apenas pelas artérias intercostais posteriores e seus ramos colaterais. As veias intercostais acompanham as artérias e os nervos intercostais e estão em posição superior nos sulcos das costelas. Há 11 veias intercostais posteriores e uma veia subcostal de cada lado. As veias intercostais posteriores se unem às veias intercostais anteriores, tributárias das veias torácicas internas, que por sua vez acompanham as artérias torácicas internas. À medida que se aproximam da coluna vertebral, as veias intercostais posteriores recebem um afluente posterior, que acompanha o ramo posterior do nervo espinal daquele nível, e uma veia intervertebral, que drena os plexos venosos vertebrais associados à coluna. A maioria das veias intercostais posteriores termina no sistema venoso ázigo/hemiázigo, que desemboca na veia casa superior (VCS). A veia intercostal superior direita é tipicamente a última tributária da veia ázigo, antes de sua entrada na VCS, mas a veia intercostal superior esquerda drena para a veia braquiocefálica esquerda. A veia braquiocefálica esquerda também recebe, junto com a veia braquiocefálica direita o sangue das veias intercostais posteriores do 1º espaço intercostal. Mamas e linfonodos torácicos As mamas são formadas por tecido glandular e tecido fibroso, integrados a uma matriz adiposa, a qual determina seu tamanho em não lactantes. São estruturas presentes tanto em homens quanto em mulheres, porém apenas nas mulheres são bem desenvolvidas e participam do sistema reprodutor feminino. As mamas possuem uma parte mais proeminente e pigmentada, chamada de aréola, cujo centro é formado pelas papilas mamárias. As glândulas mamárias ficam no tecido subcutâneo, em cima dos músculos peitorais maior e menor, como já mencionado. Essas glândulas são fixadas à derme pelos ligamentos suspensores da mama. As mamas começam a aumentar durante a puberdade por conta do desenvolvimento glandular, mas também principalmente pelo aumento de deposição de gordura nessa região. O parênquima mamário é formado por ductos lactíferos, que dão origem de 15 a 20 lóbulos da glândula mamária. Esses ductos têm aberturas independentes, e cada um deles possui uma parte dilatada chamada de seio lactífero, onde se acumulam gotículas de leite – quando o lactente suga, essas gotículas são expelidas e ocorre o reflexo da ejeção do leite, ou seja, o leite é secretado na boca do bebê, não sugado por ele. As mamas são inervadas pelos ramos cutâneos anteriores e laterais dos 4º, 5º e 6º nervos intercostais e recebem vascularização dos ramos mamários medials de ramos perfurantes e ramos intercostais anteriores da artéria torácica interna; artérias torácica lateral e toracoacromial e artérias intercostais posteriores. Sua drenagem venosa é feita principalmente pela veia axilar. A drenagem linfática das mamas é feita para o plexo linfático subareolar. A maior parte da linfa desse plexo, principalmente dos quadrantes superiores, é drenada para os linfonodos axilares, passando ou não primeiros pelos linfonodos anteriores ou peitorais. A parte restante da linfa drena para os linfonodos paraesternais, principalmente a linfa dos quadrantes medials da mama, enquanto a linfa dos quadrantes inferiores pode drenar para linfonodos abdominais (linfonodos frênicos inferiores subdiafragmáticos). Por fim, a linfa da pele da mama drena para os linfonodos axilares, cervicais profundos inferiores, infraclaviculares e paraesternais. A linfa dos linfonodos axilares drena para os linfonodos claviculares e então para o tronco linfático subclávio. Os linfonodos paraesternais drenam para os troncoslinfáticos broncomediastinais e esses troncos ductose juntam com o tronco linfático jugular, formando o ducto linfático direito, que entra no ducto torácico do lado esquerdo. Entretanto, na maioria dos casos, esses troncos se abrem, de forma independente, na junção das veias jugular interna e subclávia, chegando até as veias braquiocefálicas direita e esquerda. É importante o conhecimento desse sistema devido à grande frequência de metástases do câncer de mama provenientes da drenagem linfática. Figura 9. Linfonodos torácicos. Fonte: Autoria própria 3. MEDIASTINO O mediastino compreende a cavidade central do tórax, que separa as cavidades pulmonares direita e esquerda, e se estende do esterno e cartilagens costais à coluna vertebral, e da raiz do pescoço ao diafragma, horizontalmente. Esse compartimento cerca todas vísceras torácicas, exceto os pulmões e as pleuras, e por isso sofre com as alterações dinâmicas do coração e esôfago, por exemplo. Além do coração e esôfago, o mediastino também engloba as partes torácicas dos grandes vasos, traqueia e timo. O mediastino pode ser dividido em superior e inferior, cujo limite é determinado por uma linha imaginária que passa pelo ângulo esternal e margem inferior do disco IV de T4 e T5 (plano transverso do tórax). Por fim, o mediastino inferior, que fica entre o plano transverso do tórax e diafragma, pode ser dividido em anterior, médio e posterior pelo pericárdio. O pericárdio, o coração e as raízes dos grandes vasos formam o mediastino médio. Figura 13. Mediastino. Fonte: Autoria própria O mediastino superior contém o timo, os grandes vasos, e a continuação inferior das vísceras cervicais (traqueia e esôfago), ducto torácio e troncos linfáticos, bem como os vasos e os nervos que suprem as estruturas dessa região. A prinicipal invervação do mediastino superior vem dos nervos vagos, que saem do crânio e descem no pescoço posterolateralmente às artérias carótidas comuns. O nervo vago direito (NVD) dá origem ao nervo laríngeo recorrente direito. Próximo à raiz do pulmão direito, divide-se em ramos para o plexo pulmonar direito. Geralmente, o NVD deixa essa plexo como um único nervo e segue até esôfago, onde se divide e envia fibras par o plexo esofágico. O NVD também origina ramos que suprem o plexo cardíaco. O nervo vago esquerdo (NVE) desce no pescoço e segue posterolateralmente à artéra carótida comum esquerda. É separado lateralmente do nervo frênico pela veia intercostal superior esquerda. O NVE emite o nervo laríngeo recorrente esquerdo e próximo à raiz do pulmão esquerdo, divide-se em ramos que contribuem para o plexo pulmonar esquerdo. O NVE emite ramos que se juntam às fibras dos NVD no plexo esofágico. Os nervos frênicos suprem o diafragma com fibras motoras e sensitivas. Também enviam fibras sensitivas para o pericárdio e a parte mediastinal da pleura parietal. – a posição dos nervos frênicos anterior às raízes dos pulmões é importante para diferenciá-los dos nervos vagos, que seguem posteriormente às raízes dos pulmões. Timo O timo é um órgão linfoide, localizado posteriormente ao manúbrio do esterno, responsável pela maturação de linfócitos T. Após a puberdade, esse órgão sofre involução gradual e é substituído por gordura em sua maior parte. A maior parte da irrigação arterial do timo é feita pelos ramos intercostais anteriores e mediastinais anteriores das artérias torácicas internas. Sua drenagem venosa termina nas veias braquiocefálica esquerda, torácica interna e tireóidea inferior, e seus vasos linfáticos drenam para nos linfonodos paraesternais, braquiocefálicos e traqueobronquiais. Grandes vasos Compreendem as veias braquiocefálicas e veia cava superior (VCS); o arco da aorta, com as raízes de seus principais ramos – tronco braquiocefélico, artéria carótida comum esquerda e artéria subclávia; e os nervos relacionados – vago, frênico e nervos do plexo cardíaco. A união das veias jugular interna e subclávia formam as veias braquicefálicas direita e esquerda, posteriormente às articulações esternoclaviculares, que por sua vez formam a VCS. O comprimento da veia braquicefálica direita é maior que da esquerda, porque essa passa do lado esquerdo para o direito, anteriormente às raízes dos três principais ramos do arco da aorta. As veias braquicefálicas conduzem o sangue da cabeça, pescoço e membros superiores para o átrio direito. A VCS conduz o sangue de todas as estruturas superiores ao diafragma, exceto dos pulmões e do coração. Situa-se ao lado direito do mediastino superior, terminando no nível da 3ª cartilagem costal, quando entra no átrio direito. Os ramos da parte ascendente da aorta são as artérias coronárias, originadas no seio da aorta. O arco da aorta é a continuação de sua parte ascendente, cuja terminação forma a parte torácica (descendente) da aorta. O tronco braquiocefálico é o maior ramo do arco da aorta, que se divide nas artérias carótidas comum direita e subclávia direita. Figura 14. Aorta. Fonte: lotan/Shutterstock.com O mediastino inferior compreende a parte torácica da aorta, o ducto torácico e os troncos linfáticos, esôfago, além dos vasos , linfonodos e nervos da região. O pericárdio, como já mencionado, subdivide essa cavidade em partes anterior, média e posterior, sendo a parte média formado pelo pericárdio e seu conteúdo. O mediastino anterior é a menor das partes do mediastino inferior, situada entre o esterno e os músculos transverso do tórax e o pericárdio posteriormente. Esse compartimento é limitado pelo diafragma, sendo formado por tecido conjuntivo frouxo, gordura, vasos linfáticos, alguns linfonodos e ramos dos vasos torácicos internos. Em crianças, o mediastino anterior contém uma parte do timo. O pericárdio, que forma o mediastino médio, é uma membrana fibrosserosa que reveste o coração e as raízes dos grandes vasos (parte ascendente da aorta, tronco pulmonar e VCS). Ele é formado por duas camadas, uma fibrosa (externa), que possui uma lâmina parietal e outra visceral, e uma camada serosa, composta basicamente por mesotélio e que reveste a superficie interna do pericardio fibroso e superfíice externa do coração. O pericárdio fibroso é contínuo com o centro tendíneo do diafragma e com a túnica adventícia dos grandes vasos. O pericárdio é suprido principalmente pela artéria pericardicofrênica e sua drenagem venosa é feita pelas veias pericardicofrênicas e algumas tributárias do sistema ázigo. O mediastino posterior por sua vez, compreende a parte torácica da aorta, o ducto torácico e os troncos linfáticos, o esôfago e outras estruturas adjacentes. A parte torácica da aorta é a continuação do arco da aorta. É circundada pelo plexo aórtico torácico, uma rede nervosa autônoma. A parte torácica da aorta situa-se posteriormente à raiz do pulmão esquerdo, pericárdio e esôfago, e entra no abdome através do hiato aórtico no diafragma, onde se torna aorta abdominal. O ducto torácico, que ascende através do hiato aórtico no diafragma, é o maior canal linfático do corpo. Transporta a maior parte da linfa do corpo para o sistema venoso: dos membros inferiores, cavidades pélvica e abdominal, membro superior esquerdo e lado direito do tórax, cabeça e pescoço, ou seja, toda a linfa, exceto do quadrante superior direito. O sistema venoso ázigo, principal drenagem venosa do mediastino, fica situado de cada lado da coluna vertebral, drena as paredes do dorso e toracoabdominais e as vísceras do mediastino. A veia ázigo e sua principal tributária, a hemiázigo, geralmente têm origem em raízes da VCI e/ou veia renal, que se fundem com as veias lombares ascendentes. Sua inervação é feita pelos nervos frênicos, vagos e troncos simpáticos. A veia ázigo forma uma via colateral ente as VCS e VCI e drena sangue das paredes posteriores do tórax e abdome. Além das veias intercostais posteriores, a veia ázigo comunica-se com os plexos venosos vertebrais que drenam odorso, as vértebras e as estruturas no canal vertebral. O mediastino posterior é inervado pelos nervos esplâncnicos torácicos inferiores (nervos esplâncnicos maior, menor e imo), que são parte dos nervos esplâncnicos abdominopélvicos porque suprem as vísceras inferiores ao diafragma. São responsáveis pela inervação simpática da maioria das vísceras abdominais. Se liga! Complicações associadas ao tórax Tórax instável: causado por fraturas múltiplas das costelas que acabam permitindo o livre movimento de um segmento considerável da parede torácica anterior e/ou lateral. O segmento livre move-se para dentro com a inspiração e para fora com a expiração (movimento paradoxal do tórax). É uma lesão bastante dolorosa, que compromete a ventilação e consequentemente a oxigenação sanguínea. Ê Coartação da aorta: estreitamento anormal (estenose) do arco da aorta ou de sua parte torácica, causando uma obstrução do fluxo sanguíneo para a parte inferior do corpo. Quando a coartação situa-se abaixo do ligamento arterial (coartação pós-ductal), geralmente há desenvolvimento de circulação colateral entre as partes proximal e disal da aorta através das artérias intercostais torácicas internas, prolongando a vida do portador desse tipo de coartação por muitos anos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MOORE, et al. Anatomia orientada para Clínica. 7ªed Drake, et al. Gray’s Anatomia Clínica para Estudantes. 3ªed Goldman-Cecil. Medicina. 24ªed 7. VIAS ÁEREAS 1. INTRODUÇÃO As vias aéreas são responsáveis pelo transporte de ar até os pulmões, onde ocorrem as trocas gasosas que vão oxigenar o sangue. Os componentes da via aérea participam, ainda, do sistema de fonação e percepção olfatória. Pode ser dividida anatomicamente em duas porções: via aérea superior, que se situa fora da cavidade torácica e é constituída pela cavidade nasal, faringe e laringe; e a via aérea inferior, que consiste em traqueia, brônquios, brionquíolos e alvéolos. De acordo com sua função, as porções da via aérea podem ainda ser classificadas em porção condutora e respiratória. Figura 1. Trato respiratório. Fonte: first vector trend/Shutterstock.com 2. CAVIDADE NASAL A cavidade nasal possui a função de aquecer, umidificar e filtrar o ar, constituindo-se numa barreira protetora, além de estar relacionada ao olfato. A cavidade nasal faz parte do nariz, juntamente com a porção externa e os seios paranasais. Compõe a primeira região das vias aéreas (parte condutora), comunicando a entrada de ar com a nasofaringe, posteriormente, através das coanas. A mucosa da cavidade nasal pode ser dividida em porções: o terço superior tem a função olfatória; já os terços inferiores fazem parte da via respiratória propriamente dita. Quais limites anatômicos da cavidade nasal? • Superior: ossos frontonasal, etmoidal e esfenoidal. • Inferior: processo palatino da maxila e lâmina horizontal do processo palatino. • Lateral: conchas nasais (superior, média e inferior). • Medial: septos nasais. A cavidade nasal é divida ao meio pelo septo nasal, o qual é constituído em parte por cartilagem e parte por osso (lâmina perpendicular do osso etmoide e vômer). As conchas nasais (superior, média e inferior), encontradas na parede lateral, formam os meatos, responsáveis pelo turbilhonamento do ar, relacionados às funções de aquecimento, umidificação e filtração do ar. Os seios paranasais são estruturas importantes de drenagem para a cavidade nasal e são constituídos de ossos pneumáticos. São eles: • Esfenoidal: drenagem para o recesso esfenoetmoidal. • Frontal e maxilar: drenagem para o meato nasal médio. • Etmoidal: drenagem para meato nasal superior. A vascularização da cavidade nasal acontece da seguinte forma: • Suprimento arterial da parede medial e lateral: • • Artéria etmoidal anterior e posterior (da Artéria oftálmica). Relembrando O ar que passa pela cavidade nasal adentra os seios paranasais através dos óstios. Estes podem ser obstruídos por algum processo inflamatório ou infeccioso, pelo acúmulo de secreções. Esse quadro muito comum é chamado de sinusite. • • Artéria esfenopalatina e palatina maior (da Artéria maxilar). • • Ramo septal da art. Labial superior (da Artéria facial). • Irrigação venosa: realizada pelo plexo venoso submucoso, que drena para as veias esfenopalatina, facial e oftálmica. A inervação da região posteroinferior é feita pelo nervo maxilar (nervo nasopalatino e palatino maior); já a porção anterossuperior é inervada pelo nervo oftálmico (nervos etmoidais anterior e posterior). Saiba mais! O nervo olfatório, associado ao olfato, surge no epitélio olfatório, na parte superior das paredes da cavidade nasal. As fibras atravessam a lâmina cribiforme e terminam no bulbo olfatório. 3. FARINGE E LARINGE Faringe A faringe é um órgão tubular, comum ao sistema respiratório e digestório, que tem a função de conduzir o ar para as vias aéreas e direcionar o alimento para o esôfago para o processo de deglutição. Pode ser dividida em nasofaringe, orofaringe e laringolaringe e, apresenta como limites anatômicos: • Superior: base do crânio (processo basilar do occipital). • Inferior: cartilagem cricoide. • Posterior: vértebra C6. A nasofaringe é a porção superior da faringe, a única em que só há passagem de ar (já que se situa acima do nível da cavidade oral). Se comunica com a cavidade nasal pelas coanas e com o sistema auditivo pelo óstio faríngeo da tuba auditiva (que está anterior à tonsila faríngea). Possui as seguintes funções: • Conduzir o ar para as vias aéreas. • Equilibrar o gradiente de pressão entre a tuba auditiva e a faringe (através do óstio faríngeo da tuba auditiva). Saiba mais! A tonsila faríngea, conhecida popularmente como adenoide, juntamente com as tonsilas palatinas e linguais, formam o anel tonsilar da parte superior da faringe, importante tecido de defesa da região. A orofaringe é a porção que se encontra entre o palato mole e a porção superior da glote, tendo como limites: superiormente, palato mole; inferiormente, base da língua; e lateralmente, arco palatoglosso e palatofaríngeo. Nessa região há ainda as tonsilas palatinas. A orofaringe tem função digestória, por participar no processo de deglutição. Já a laringofaringe, a porção inferior, localiza-se entre a porção superior da epiglote e a cartilagem cricoide, posteriormente à laringe, e se continua inferiormente com o esôfago. Possui uma pequena depressão, chamada de recesso piriforme, por onde passam ramos dos nervos laríngeo interno e laríngeo recorrente. Os músculos da faringe são divididos em camada externa e interna. A camada externa é formada por 3 músculos constritores (superior, médio e inferior), que envolvem a faringe de forma circular e têm a função de contração na deglutição. Enquanto isso, a camada interna é formada por músculos longitudinais (palatofaríngeo, salpingofaríngeo e estilofaríngeo), que levantam e encurtam a faringe durante a fala e a deglutição. A irrigação arterial da faringe é feita por ramos da carótida externa (artéria faríngea ascendente, ramos da artéria facial, maxilar e lingual), superiormente, e pelo ramo faríngeo da artéria tireóidea inferior, na sua porção inferior. A drenagem venosa é feita pelas veias faciais, linguais e plexo pterigoide, que drenam para a jugular externa. A inervação motora da faringe é feita, na maior parte, pelo plexo faríngeo, exceto o músculo estilofaríngeo (nervo glossofaríngeo) e tensor do véu palatino (trigêmeo). A parte sensitiva é realizada pelo glossofaríngeo. Laringe A laringe é formada por 9 cartilagens unidas por membranas e ligamentos e contém as pregas vocais, responsáveis pela fonação. Se une à parte inferior da faringe (laringofaringe) pelo ádito da laringe, ligando-a à traqueia. Tem a função principal de proteger as vias respiratórias, principalmente durante a deglutição, servindo de esfíncter das vias aéreas inferiores para mantê-laspérvias. As cartilagens que formam a laringe são: tireóidea, cricóidea, epiglótica (ímpares) e os pares de aritenóidea, corniculada e cuneiforme. A cartilagem tireóidea é a maior, e os dois terços inferiores de suas duas lâminas formam a proeminência laríngea, que é chamada de “pomo de Adão”. A margem posterior de cada lâmina forma os cornos superior e inferior. A margem superior e os cornos superiores se ligam ao osso hioide pela membrana tíreo- hióidea, de onde se originam os ligamentos tíreo-hiódeos. Saiba mais! Entre a cartilagem tireóidea e a cartilagem cricóidea há o ligamento cricotireóideo, onde é realizada a cricotireoidostomia, tanto a cirúrgica, como a por punção. Figura 2. Cartilagens da laringe. Fonte: VectorMine/Shutterstock.com Os músculos da laringe são divididos em extrínsecos e intrínsecos. Os extrínsecos são o infra-hióideo (movimentação para baixo) e supra-hióideo (movimento para cima); já os intrínsecos são o cricotireóideo, cricotireóideo posterior, aritenóideos transverso e oblíquo, tireoepiglótico, tireoaritenóideo, cricoaritenóideo lateral, ariepiglótico e cricoaritenóideo posterior. A irrigação é feita da seguinte forma: • Artéria laríngea superior: face interna da laringe. • Artéria cricotireóidea: músculo cricotireóideo. • Artéria laríngea inferior: porção inferior. A drenagem venosa é feita pelas veias laríngeas superior e inferior, que drenam para a jugular interna e braquicefálica esquerda, respectivamente. A inervação dos músculos intrínsecos é feita pelo nervo laríngeo recorrente; o nervo laríngeo interno é sensitivo e autônomo, responsável por inervar a cavidade média e o vestíbulo da laringe. Já o nervo laríngeo externo é motor, responsável pelos músculos cricotireóideo e constritor inferior da laringe. 4. TRAQUEIA E BRÔNQUIOS Traqueia A traqueia é a primeira parte da via aérea inferior, formada por um tubo fibrocartilagenoso, que se estende da laringe até o tórax. Possui um epitélio rico em cílios, capaz de expulsar o muco contendo resíduos e poluente para a faringe, de onde é expelido para fora ou deglutido (reflexo da tosse). A traqueia é formada por anéis de cartilagens traqueais em formato de C (incompletos posteriormente), os quais a mantém pérvia e cuja abertura posterior é coberto pelo músculo traqueal involuntário. A ligação dos anéis cartilagenosos é feita pelos anéis anulares. A irrigação arterial da parte superior da traqueia é feita por ramos do tronco tireocervical; a parte inferior recebe a mesma irrigação dos brônquios (adiante). A drenagem venosa superior e média é realizada pelo plexo tireóideo inferior e pelas veias traqueais; a porção inferior é feita pelas veias brônquicas, que drenam para o sistema ázigo. A drenagem linfática é feita pelos linfonodos pré- traqueais (porção anterior, tanto superior como inferiormente) e paratraqueais (que fazem a ligação entre a drenagem cervical e hilar), que drenam para as veias subclávias. A inervação simpática é feita pelo tronco simpático (T2- T4), enquanto a parassimpática, pelo nervo vago e laríngeo recorrente. Brônquios Inferiormente, a traqueia se bifurca nos brônquios principais direito e esquerdo na carina. O brônquio principal direito é mais retificado e possui um diâmetro maior, sendo o principal brônquio a ser acometido em situações de corpo estranho ou broncoaspiração. Ele se bifurca inferiormente em brônquio lobar superior, médio e inferior, os quais vão em direção aos 3 lobos presentes no pulmão direito. Já o brônquio principal esquerdo é mais horizontalizado e com menor diâmetro, o que diminui as chances de ser acometido pelas eventualidades já citadas. Divide-se em brônquio lobar superior e inferior, já que o pulmão esquerdo possui apenas 2 lobos, como veremos adiante. Os brônquios lobares dão origem então aos brônquios segmentares, que continuam nos intrasegmentares e, por fim, nos bronquíolos e sáculos alveolares. A partir dos brônquios intrasegmentares, a estrutura cartilagenosa perde sua continuidade, desaparecendo em definitivo nos bronquíolos. Figura 3. Traqueia e brônquios. Fonte: Vecton/Shutterstock.com A irrigação arterial da parte inferior da traqueia e dos brônquios principais é feita por vasos diretos da aorta torácica, as artérias brônquicas. A drenagem venosa é realizada pelas veias brônquicas, que drenam para o sistema ázigo. A drenagem linfática dos brônquios principais é feita pelos linfonodos traqueobronquiais e broncopulmonares, que drenam para o ducto linfático direito e ducto torácico. A inervação é feita pelos plexos pulmonares anterior e posterior. Pulmões O pulmão é um órgão duplo essencial à vida, que realiza as funções de ventilação e hematose, permitindo a troca e a difusão de oxigênio e gás carbônico visando a homeostasia orgânica. São órgãos intratorácicos de consistência macia, hilelástica e esponjosa. O mediastino promove a separação entre o pulmão direito e o esquerdo. Em relação à forma, ambos os pulmões apresentam ápice e base, localizados acima do diafragma. O pulmão direito possui três lobos e duas fissuras. O lobo superior direito é separado pela fissura horizontal do lobo médio. A fissura oblíqua separa o lobo médio do lobo inferior. Enquanto isso, o pulmão esquerdo apresenta apenas dois lobos (superior e inferior), que são separados pela fissura oblíqua esquerda. Podemos considerar a região da língula como um correspondente ao lobo médio do lado direito. Porém, o pulmão esquerdo não possui lobo médio! Figura 4. Lobos e segmentos dos pulmões. Fonte: Olga Bolbot/Shutterstock.com Cada pulmão pode ser dividido em três faces, que são: • Face mediastinal: formato côncavo e em contato com o mediastino e o hilo pulmonar. • Face diafragmática: segmento apoiado no diafragma, correspondendo à base pulmonar. e • Face costal: em contato com as vértebras torácicas. A região do hilo pulmonar está localizada na porção mediastinal e corresponde à região de entrada da artéria pulmonar, veia pulmonar e brônquio principal. O hilo esquerdo está localizado em posição mais alta quando comparado ao direito. A pleura se divide em pleura visceral e parietal; entre elas há um espaço virtual, que quando ocorre o acúmulo de líquido recebe o nome de derrame pleural. Figura 5. Pleura visceral e parietal. Fonte: Blamb/Shutterstock.com A irrigação arterial pulmonar e pleural é realizada pelas artérias brônquicas direita e esquerda. Parte da drenagem venosa é realizada pelas veias bronquiais, e o restante pelas veias pulmonares. A veia bronquial direita drena para a veia ázigo, enquanto a esquerda drena para a hemiázigo acessória. A drenagem linfática é feita pelo plexo linfático pulmonar, que drena para os linfonodos hilares, broncopulmonares, traqueobronquiais superiores e inferiores e, por fim, aos troncos linfáticos broncomediastinais direito e esquerdo. A inervação do pulmão é feita por fibras simpáticas e parassimpáticas do nervo vago; já a pleura parietal é inervada pelos nervos intercostais e frênico. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DANGELO. J.G.; FATTINI, C.A. Anatomia Humana Sistêmica e Segmentar. 2ª ed.: São Paulo. Atheneu, 2005. MOORE, Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. SABINSTON. Tratado de Cirurgia. 19ª edição, 2015. 8. ANATOMIA DO CORAÇÃO E AORTA ANATOMIA DO CORAÇÃO 1. INTRODUÇÃO O sistema circulatório transporta líquido por todo o corpo; é formado pelo coração, pelos vasos sanguíneos e vasos linfáticos. O coração e os vasos sanguíneos formam a rede de transporte de sangue. Por intermédio desse sistema, o coração bombeia sangue ao longo da vasta rede de vasos sanguíneos do corpo. O coração é uma bomba dupla de sucção e pressão, que impulsiona o sangue pela dupla alça infinita formada pelos circuitos pulmonar e sistêmico. As câmaras direitas do coração servem ao primeiro, e as câmaras esquerdas, ao segundo. Ocoração tem o formato de uma pirâmide inclinada, com o ápice em direção anteroinferior e para a esquerda, e a base oposta ao ápice (posterior). Cada lado do coração tem uma câmara de recepção (átrio) e uma câmara de sucção, compressão e expulsão (ventrículo). Tem o tamanho um pouco maior do que uma mão fechada. As câmaras bilaterais (portanto, os circuitos sistêmicos de alta pressão e pulmonar de baixa pressão) são separadas por um septo cardíaco formado principalmente por tecido muscular, mas parcialmente membranáceo. O coração está localizado no tórax. A cavidade torácica por sua vez pode ser dividida em três partes. Duas cavidades pleurais (onde estão os pulmões) e um mediastino (que está entre as cavidades pleurais). O mediastino pode ainda ser superior (região acima do pericárdio, presente da vértebra T1 à T4) e inferior (região logo abaixo do início do pericárdio, presente da vértebra T5 até o músculo diafragma). O mediastino inferior ainda pode ser subdividido em três partes. Anterior (que contém o timo), médio (que contém o coração) e posterior (que contém o esôfago e aorta torácica). Figura 1. Localização anatômica do coração. Fonte: first vector trend/Shutterstock.com Conceito: Com isso, podemos então definir que o coração anatomicamente se encontra no mediastino médio da cavidade torácica, voltado de trás para diante, para a esquerda e para baixo. Como correlações anatômicas temos, que o coração está superior ao músculo diafragma, medialmente aos pulmões, posterior ao osso esterno, anterior ao esôfago e inferior à veia cava superior. O pericárdio é um tecido em forma de saco que envolve todo o coração e as raízes dos seus vasos (artéria aorta, veia cava superior, veia cava inferior, tronco pulmonar e veias pulmonares). O pericárdio é considerado um tecido fribrosseroso por possuir duas porções: o pericárdio fibroso (externo), que possui apenas uma camada, e o seroso (interno) que possui duas. As duas camadas do pericárdio seroso são separadas pela cavidade pericárdica, na qual se encontra um líquido lubrificante que faz parte do sistema hidrostático cardíaco que diminui o atrito do coração com os tecidos adjacentes. O coração pode ser dividido em três camadas. O endocárdio, o miocárdio e o epicárdio. • Endocárdio: é uma lâmina fina presente em toda a superfície interna do órgão e suas valvas, podendo ser granular ou liso (granular quando contém trabéculas e liso quando não as tem). • Miocárdio: é a parte muscular da parede do órgão e está entre o endocárdio e o pericárdio. Ele é muito visível no septo interventricular, além de possuir células especializadas nos ventrículos. essas células, dispostas em orientação perpendicular ao tecido de revestimento, aumentam a força de contração. • Epicárdio: faz parte na verdade do próprio pericárdio, sendo apresentado como a lâmina visceral do pericárdio seroso. O esqueleto fibroso do coração é um arcabouço de tecido fibroso que forma os anéis fibrosos das valvas e o trígonos fibrosos esquerdo e direito, que estão entre a valva da aorta e valva mitral, e valva da aorta e valva tricúspide respectivamente. É nesse esqueleto que as fibras musculares cardíacas se fixam. O esqueleto fibroso tem sua importância, pois mantém os óstios das valvas sempre abertos, impedindo que ocorra uma distensão pelo aumento da pressão dentro do órgão. Fornece também uma inserção fixa para as válvulas das valvas. Se liga! Uma outra importante função está no potencial de ação, como o esqueleto fibroso não tem condutância elétrica, ele funciona como um isolante. Esse papel isolante impede que o impulso elétrico dos átrios chegue até o O coração externo é comumente dividido em ápice, base e mais três faces: esternocostal, diafragmática e pulmonar. A base está constituída dos átrios direito e esquerdo. As veias cavas superior e inferior e as veias pulmonares penetram no coração pela base. É também a porção posterior do coração em posição anatômica. O ápice é contralateral a base e é frequentemente arredondada, formada pela parte inferolateral do ventrículo esquerdo e é onde ocorre o batimento apical (pulsação máxima do coração). • Face esternocostal (anterior): A face esternocostal é formada principalmente pelo ventrículo direito. Nele também se encontram o cone arterial (ou infundíbulo) que se tornará o tronco pulmonar. • Face pulmonar (esquerda): formada principalmente pelo ventrículo esquerdo, ela causa a impressão cardíaca do pulmão esquerdo. • Face pulmonar (direita): Formada principalmente pelo átrio direito. • Face diafragmática (inferior): É formada principalmente pelo ventrículo esquerdo e parcialmente pelo ventrículo direito e repousa, principalmente, sobre o centro tendíneo do diafragma. ventrículo antes de passar pelo nódulo atrioventricular. Figura 2. Coração. Fonte: ilusmedical/Shutterstock.com O coração possui ainda quatro margens: direita, inferior, superior e esquerda. • Margem direita: é uma margem ligeiramente convexa, formada pelo átrio direito e se estende entre a veia cava superior e veia cava inferior. • Margem inferior: quase horizontal, formada pelo ventrículo direito e parte do ventrículo esquerdo. • Margem superior: formada pelos átrios, aurículas direita e esquerda anteriormente. Saem dessa margem a parte ascendente da aorta e o tronco pulmonar e a veia cava superior entra pelo seu lado direito. • Margem esquerda: quase vertical, é formada pelo ventrículo esquerdo e parte da aurícula esquerda. 2. FLUXO SANGUÍNEO ATRAVÉS DO CORAÇÃO O fluxo sanguíneo através do coração é bastante lógico. Ele acontece com o ciclo cardíaco, que consiste em contrações e relaxamentos periódicos do miocárdio atrial e ventricular (tecido muscular cardíaco). A contração do miocárdio é chamada de sístole, enquanto o seu relaxamento é chamado de diástole. Note que sempre que os átrios se contraem, os ventrículos se relaxam, e vice- versa. Vamos traduzir em palavras o fluxo cardíaco do coração: • O átrio direito recebe sangue desoxigenado das veias cavas superior e inferior e do seio coronário. • O átrio direito contrai, empurrando sangue através da valva atrioventricular direita até o ventrículo direito. O ventrículo então se contrai, passando o sangue para o tronco pulmonar através da valva pulmonar, até que o sangue chegue aos pulmões. • Nos pulmões o sangue é oxigenado e em seguida se move de volta ao coração, entrando no átrio esquerdo através das veias pulmonares. • O átrio esquerdo se contrai e empurra o sangue para o ventrículo esquerdo através da valva atrioventricular esquerda. • O ventrículo esquerdo empurra o sangue oxigenado através da valva aórtica para a aorta, a partir da qual o sangue é distribuído para todo o corpo. O ciclo cardíaco é controlado involuntariamente por um plexo autonômico nervoso chamado de plexo cardíaco. Se liga! São duas circulações acontecendo em paralelo: a pulmonar, que vai oxigenar o sangue, e a sistêmica, que vai levar sangue para o organismo. 3. ÁTRIO DIREITO O átrio direito forma a margem direita do coração e recebe sangue venoso da veia cava superior (VCS), veia cava inferior (VCI) e seio coronário. A aurícula direita, que tem formato de uma orelha, é uma bolsa muscular cônica que se projeta do átrio direito como uma câmara adicional, aumenta a capacidade do átrio e se superpõe à parte ascendente da aorta. O interior do átrio direito apresenta: • Uma parte posterior lisa, com paredes finas (o seio das veias cavas), onde se abrem as veias cavas (VCS e VCI) e o seio coronário, que trazem sangue pouco oxigenado para o coração. • Uma parede anterior muscular, rugosa, que é formada pelos músculos pectíneos. • Um óstio AV direito, através do qual o átrio direito transfere para o ventrículo direito o sangue pouco oxigenado que recebeu. Figura 3. Corte transversal do coração. Fonte: ilusmedical/Shutterstock.com As partes lisa e áspera da paredeatrial são separadas externamente por um sulco vertical superficial, o sulco terminal, e internamente por uma crista vertical, denominada crista terminal. A VCS se abre na parte superior do átrio direito no nível da 3ª cartilagem costal direita. A VCI se abre na parte inferior do átrio direito quase alinhada com a VCS, no nível aproximado da 5ª cartilagem costal. O óstio do seio coronário, um tronco venoso curto que recebe a maioria das veias cardíacas, situa-se entre o óstio AV direito e o óstio da VCI. O triângulo de Koch é uma área triangular da parede septal. Usualmente a parte septal do nodo atrioventricular se localiza nessa região, assim como a porção inicial do feixe de His. É uma região delimitada pelo óstio do seio coronário, o tendão da veia cava inferior (ou tendão de Todaro) e a inserção da válvula septal da valva tricúspide. Figura 4. Triângulo de Koch. Fonte: asia11m/Shutterstock.com O septo interatrial que separa os átrios tem uma depressão oval, do tamanho da impressão digital de um polegar, a fossa oval, que é um remanescente do forame oval e sua valva no feto. O sangue da veia cava superior (VCS) é direcionado para o óstio atrioventricular direito, enquanto o sangue da veia cava inferior (VCI) é direcionado para a fossa oval, como era antes do nascimento. 4. VENTRÍCULO DIREITO O ventrículo direito forma grande parte da face esternocostal do coração, uma pequena parte da face diafragmática e quase toda a margem inferior do coração. Afila-se superiormente e forma um cone arterial chamado infundíbulo, que conduz ao tronco pulmonar. No ventrículo direito existem elevações musculares irregulares, as trabéculas cárneas, em sua face interna. Uma crista muscular espessa, a crista supraventricular, separa a parede Se liga! O forame oval é um orifício que comunica o lado direito com o lado esquerdo do coração. Durante a gestação, é essa comunicação que possibilita que o feto receba o sangue oxigenado da mãe para se desenvolver, uma vez que seus pulmões ainda não funcionam. Logo após o nascimento, há o fechamento natural do forame oval. No entanto, em uma minoria de pessoas esse fechamento natural não ocorre e o forame oval continua aberto, ou seja, patente, ao longo da vida. muscular rugosa na parte de entrada da câmara da parede lisa do cone arterial, ou parte de saída. A parte de entrada do ventrículo recebe sangue do átrio direito através do óstio AV direito (tricúspide), localizado posteriormente ao corpo do esterno no nível do 4º e 5º espaços intercostais. O óstio AV direito é circundado por um dos anéis fibrosos do esqueleto fibroso do coração. O anel fibroso mantém o calibre do óstio constante (suficientemente grande para permitir a passagem das pontas de três dedos), resistindo à dilatação que poderia resultar da passagem de sangue através dele com pressões variadas. A valva atrioventricular direita (tricúspide) protege o óstio AV direito. As bases das válvulas estão fixadas ao anel fibroso ao redor do óstio. Como o anel fibroso mantém o calibre do óstio, as válvulas fixadas se tocam da mesma forma a cada batimento cardíaco. As cordas tendíneas fixam-se às margens livres e às superfícies ventriculares das válvulas anterior, posterior e septal, de forma semelhante à fixação das cordas em um paraquedas. As cordas tendíneas originam-se dos ápices dos músculos papilares, que são projeções musculares cônicas com bases fixadas à parede ventricular. Os músculos papilares começam a se contrair antes da contração do ventrículo direito, tensionando as cordas tendíneas e aproximando as válvulas. Como as cordas estão fixadas a faces adjacentes de duas válvulas, elas evitam a separação das válvulas e sua inversão quando é aplicada tensão às cordas tendíneas e mantida durante toda a contração ventricular (sístole) – isto é, impede o prolapso (entrada no átrio direito) das válvulas da valva atrioventricular direita quando a pressão ventricular aumenta. Assim, a regurgitação (fluxo retrógrado) de sangue do ventrículo direito para o átrio direito durante a sístole ventricular é impedida pelas válvulas. Três músculos papilares no ventrículo direito correspondem às válvulas da valva atrioventricular direita: • O músculo papilar anterior, o maior e mais proeminente, origina-se da parede anterior do ventrículo direito. suas cordas tendíneas se fixam nas válvulas anterior e posterior da valva atrioventricular direita. • O músculo papilar posterior, menor do que o músculo anterior, pode ter várias partes. origina-se da parede inferior do ventrículo direito, e suas cordas tendíneas se fixam nas válvulas posterior e septal da valva atrioventricular direita. Se liga! O aparelho valvar consiste de: um anel fibroso (ânulo fibroso) em torno do óstio atrioventricular; da valva (constituída de várias válvulas ou cúspides – cada cúspide se insere no anel fibroso que constitui o óstio); as cordas tendíneas, que ligam as válvulas aos músculos papilares (como os tendões ligam o musculo ao osso) e os músculos papilares. • O músculo papilar septal origina-se do septo interventricular e suas cordas tendíneas se fixam às válvulas anterior e septal da valva atrioventricular direita. O septo interventricular (SIV), composto por duas partes, a muscular e a membranácea, é uma divisória oblíqua forte entre os ventrículos direito e esquerdo, formando parte das paredes de cada um. A trabécula septomarginal (banda moderadora) é um feixe muscular curvo que atravessa o ventrículo direito da parte inferior do SIV até a base do músculo papilar anterior. Essa trabécula é importante porque conduz parte do ramo direito do fascículo AV, uma parte do complexo estimulante do coração até o músculo papilar anterior. Esse “atalho” através da câmara parece reduzir o tempo de condução, permitindo a contração coordenada do músculo papilar anterior. 5. ÁTRIO ESQUERDO O átrio esquerdo forma a maior parte da base do coração. Os pares de veias pulmonares direita e esquerda, avalvulares, entram no átrio de paredes finas. Possui uma porção de paredes lisas a partir da incorporação do desenvolvimento de uma porção das veias pulmonares e um apêndice auricular que é sulcado pelos músculos pectinados e que era o átrio esquerdo primitivo. A aurícula esquerda muscular, de formato tubular e sua parede trabeculada com músculos pectíneos, forma a parte superior da margem esquerda do coração e cavalga a raiz do tronco pulmonar. Uma depressão semilunar no septo interatrial indica o assoalho da fossa oval; a crista adjacente é a valva do forame oval. O interior do átrio esquerdo apresenta: • Uma parte maior com paredes lisas e uma aurícula muscular menor, contendo músculos pectíneos. • Quatro veias pulmonares (duas superiores e duas inferiores) que entram em sua parede posterior lisa. • Uma parede ligeiramente mais espessa do que a do átrio direito. • Um septo interatrial que se inclina posteriormente e para a direita • Um óstio atrioventricular esquerdo através do qual o átrio esquerdo transfere o sangue rico em oxigênio que recebe das veias pulmonares para o ventrículo esquerdo. 6. VENTRÍCULO ESQUERDO O ventrículo esquerdo forma o ápice do coração, quase toda a sua face esquerda (pulmonar) e margem esquerda e a maior parte da face diafragmática. Como a pressão arterial é muito maior na circulação sistêmica do que na circulação pulmonar, o ventrículo esquerdo (VE) trabalha mais do que o ventrículo direito (VD). Consequentemente, o VE tem quase o dobro da espessura do VD. Suas paredes são revestidas por trabéculas cárneas que são mais finas e mais numerosas do que as do ventrículo direito. O VE contém apenas dois músculos papilares, anterior e posterior, que se ligam aos dois folhetos da válvula atrioventricular esquerda (ou mitral) por meio das cordas tendíneas. A valva atrioventricular esquerda (mitral ou bicúspide) tem duas válvulas, anterior e posterior. A valva atrioventricularesquerda está localizada posteriormente ao esterno, no nível da 4a cartilagem costal. Cada uma de suas válvulas recebe cordas tendíneas de mais de um músculo papilar. Esses músculos e suas cordas sustentam a valva atrioventricular esquerda, permitindo que as válvulas resistam à pressão gerada durante contrações (bombeamento) do ventrículo esquerdo. As cordas tendíneas tornam-se tensas logo antes e durante a sístole, impedindo que as válvulas sejam empurradas para o átrio esquerdo. A corrente sanguínea sofre duas mudanças de trajeto perpendiculares durante sua passagem pelo ventrículo que, juntas, resultam em mudança de direção de 180°. Essa inversão de fluxo ocorre ao redor da válvula anterior da valva atrioventricular esquerda. A valva da aorta, situada entre o ventrículo esquerdo e a parte ascendente da aorta, é posicionada obliquamente. Está localizada posteriormente ao lado esquerdo, do esterno, no nível do 3º espaço intercostal. Existem dilatações na parede da aorta abaixo de cada cúspide: os seios da aorta. A artéria coronária direita se origina no seio aórtico direito, enquanto a artéria coronária esquerda se origina no seio aórtico esquerdo. Ventrículo direito Ventrículo esquerdo Uma valva tricúspide Uma valva bicúspide Uma face septal trabeculada Uma face septal lisa Uma crista supraventricular Nenhuma crista Presença do infundíbulo Ausência do infundíbulo Duas câmaras Hipertrofia muscular Quadro 1. Diferenças entre os ventrículos. Fonte: Autoria própria 7. VALVAS DO TRONCO PULMONAR E DA AORTA As três válvulas semilunares da valva do tronco pulmonar (anterior, direita e esquerda), como as válvulas semilunares da valva da aorta (posterior, direita e esquerda), são côncavas ao serem observadas de cima. As válvulas semilunares não têm cordas tendíneas para sustentá-las. Têm área menor do que as válvulas das valvas AV, e a força exercida sobre elas é menor que a metade da força exercida sobre as válvulas das valvas atrioventriculares direita e esquerda. As válvulas projetam-se para a artéria, mas são pressionadas em direção (e não contra) às suas paredes quando o sangue deixa o ventrículo. Após o relaxamento do ventrículo (diástole), a retração elástica da parede do tronco pulmonar ou da aorta força o sangue de volta para o coração. No entanto, as válvulas fecham-se com um estalido, quando há inversão do fluxo sanguíneo. Elas se aproximam para fechar por completo o óstio, sustentando umas às outras quando suas bases se tocam e evitando o retorno de qualquer quantidade significativa de sangue para o ventrículo. A margem de cada válvula é mais espessa na região de contato, formando a lúnula; o ápice da margem livre angulada é ainda mais espesso, formando o nódulo. Imediatamente superior a cada válvula semilunar, as paredes das origens do tronco pulmonar e da aorta são ligeiramente dilatadas, formando um seio. Os seios da aorta e do tronco pulmonar são os espaços na origem do tronco pulmonar e da parte ascendente da aorta entre a parede dilatada do vaso e cada válvula semilunar. O sangue presente nos seios e a dilatação da parede impedem a adesão das válvulas à parede do vaso, o que poderia impedir o fechamento. A abertura da artéria coronária direita é no seio da aorta direito e a abertura da artéria coronária esquerda é no seio da aorta esquerdo. Nenhuma artéria origina-se do seio da aorta posterior (não coronário). 8. VASCULATURA DO CORAÇÃO As artérias coronárias e as veias cardíacas são as responsáveis pela vasculatura do coração. O endocárdio e parte do tecido subendocárdico recebem nutrientes e oxigênio por difusão ou microvascularização diretamente das câmaras cardíacas. Os vasos sanguíneos percorrem a superfície do coração abaixo do epicárdio e parte deles estão entranhados no miocárdio. Irrigação arterial do coração As artérias coronárias direita e esquerda, são originadas dos seios da aorta correspondentes e irrigam o miocárdio e o epicárdio, seguindo por lados opostos ao tronco pulmonar. A artéria coronária direita (ACD) após se originar do seio da aorta direito, segue para o lado direito do tronco pulmonar, vai até o sulco coronário e depois segue em direção ao ápice, sem alcançá-lo. Nesse trajeto, origina, geralmente, o ramo do nó sinoatrial (SA) ascendente (irriga o nó sinoatrial) e o ramo marginal direito (irriga margem direita do coração). A ACD vai ainda para a esquerda após emitir o ramo marginal direito e continua no sulco coronário até a face posterior do coração. Na parte anterior da cruz do coração, onde há junção dos septos interatrial e interventricular, a ACD origina o ramo do nó atrioventricular (irriga o nó AV). Outra ramo proveniente da ACD é o ramo interventricular posterior, que passa pelo sulco interventricular posterior em direção ao ápice e envia os ramos interventriculares septais, que perfuram o septo IV. A artéria coronária esquerda (ACE) se origina do seio da aorta esquerdo, passa pela aurícula esquerda e lado esquerdo do tronco pulmonar e segue para o sulco coronário. Cerca de 40% das pessoas vai ter o ramo circunflexo da ACE originando o ramo do nó SA, que ascende até a face posterior do átrio esquerdo e vai até o nó SA. No sulco coronário, a ACE divide-se em dois ramos: ramo interventricular anterior (ou descendente anterior esquerda – DAE) e o ramo circunflexo. O ramo IV anterior segue pelo sulco IV e vai até o ápice do coração, faz a volta na margem inferior do coração e depois se anastomosa com o ramo IV posterior da ACD. Algumas pessoas ainda têm o ramo lateral originado pelo ramo IV, que segue na face anterior do coração. O ramo circunflexo, acompanha o sulco coronário pela margem esquerda do coração e vai até a face posterior, terminando no sulco coronário antes de chegar até a cruz do coração. A ACD costuma irrigar os nós SA e AV, o miocárdio da parede externa do ventrículo direito (exceto sua face anterior), a face diafragmática do ventrículo esquerdo e o terço posterior do septo interventricular. Em geral, a ACE supre os dois terços anteriores do SIV (inclusive o feixe AV de tecido conectivo), a parede anterior do ventrículo direito e a parede externa do ventrículo esquerdo (exceto sua face diafragmática). O domínio da vasculatura arterial coronariana é definido pela artéria que origina o ramo interventricular posterior, sendo que a coronária direita mais comumente desempenha esse papel (67% dos casos). Os leitos capilares do miocárdio drenam principalmente para o átrio direito por intermédio de veias que deságuam no seio coronário. No entanto, as veias também podem entrar diretamente nas câmaras através das veias cardíacas mínimas. Nenhuma das duas vias tem válvulas. Figura 5. Artéria coronária direita. Fonte: asia11m/Shutterstock.com Artéria coronária esquerda Artéria coronária direita Átrio esquerdo Átrio direito A maior parte do ventrículo esquerdo A maior parte do ventrículo direito Parte do ventrículo direito Superfície diafragmática do ventrículo esquerdo Septo interventricular Parte dos septos interatrial e interventricular Nó SA (40% das pessoas) Nó SA (60% das pessoas) Nó AV Quadro 2. Irrigação das artérias coronárias. Fonte: Moore KL. Se liga! Algumas pessoas desenvolvem a capacidade de desenvolver uma circulação colateral. Geralmente os ramos das artérias coronarianas são terminais funcionais, ou seja, irrigam regiões do miocárdio que não têm anastomoses suficientes com outros grandes ramos para manter um tecido, caso ocorra uma oclusão. Porém, podemos observar que na maioria das pessoas, pode haver o desenvolvimento de anastomoses entre os ramos das artérias subepicárdicas ou miocárdicas e entre elas e os vasos torácicos. Saiba mais! A angina do peito é a dor originada do coração. Ela pode ser Drenagem venosa do coração A drenagem venosa do coração é governada primariamente pelo seio coronário, com auxílio secundário das veias cardíacasanteriores, que entram diretamente no caracterizada como uma dor em aperto, no fundo do tórax, constritiva e transitória, que pode durar de 15 segundos a 15 minutos, de intensidade moderada. Essa dor muitas vezes é resultante do estreitamento das artérias coronárias. Ocorre uma diminuição do fluxo sanguíneo coronariano, com redução da oferta de oxigênio para as células musculares estriadas cardíacas. O metabolismo anaeróbio dos miócitos leva ao acúmulo de ácido lático, que ativa os receptores álgicos do músculo. Atividades que podem levar ao aumento da atividade cardíaca são: exercício físico vigoroso, exposição súbita ao frio e estresse. A angina é aliviada ao repouso, cerca de 1 a 2 minutos. Pode ser administrada nitroglicerina sublingual, que dilata as coronárias e aumenta o fluxo sanguíneo local, reduzindo então sintomas. No infarto, a dor é bem maior que a angina e ela não desaparece ao repouso. átrio direito, e das veias cardíacas menores, que se abrem diretamente no interior das câmaras cardíacas. O seio coronário cursa transversalmente ao longo da superfície posterior do coração, no sulco coronário, e é uma veia particularmente larga, uma vez que recebe sangue da: veia cardíaca maior, veia cardíaca média, veias cardíacas menores, veia marginal esquerda, veias ventriculares posteriores esquerdas. As veias cardíacas maiores cursam superiormente no sulco interventricular anterior, e entram o seio coronário pelo lado esquerdo. A veia cardíaca média, também conhecida como veia interventricular posterior, também drena para o seio coronário, entretanto, entra pelo lado oposto após cursar no sulco interventricular posterior. Se liga! Doença arterial coronária é um dos muitos termos, incluindo doença cardíaca isquêmica e doença cardíaca aterosclerótica, usado para descrever o estreitamento das paredes internas das artérias que suprem o coração. Essa condição é muito grave, e pode se mostrar fatal, uma vez que é o principal tipo de doença cardíaca e a causa mais frequente de infarto do miocárdio. O sintoma mais óbvio da estenose da artéria coronária é angina, ou dor no tórax, na região do coração, que está situado atrás da margem esquerda do esterno. Fatores de risco para a aquisição desta condição incluem: hipertensão, hipercolesterolemia, tabagismo, hiperglicemia, fatores hemostáticos, genética, altos níveis de lipoproteína, sedentarismo, etilismo, estresse, baixos níveis dietéticos de antioxidantes, obesidade, baixos níveis de hemoglobinas, idade avançada. Um diagnóstico positivo é obtido através de vários exames cardiológicos, incluindo um teste ergométrico, eletrocardiograma, ecocardiograma, para mencionar alguns. Medidas preventivas incluem uma dieta balanceada, associada a exercícios físicos regulares. O tratamento para os que já sofrem da doença inclui vários medicamentos e algumas vezes envolve intervenções cirúrgicas. 9. COMPLEXO ESTIMULANTE DO CORAÇÃO O complexo estimulante do coração é formado por nós intrínsecos especializados geradores de estímulos rítmicos e por feixes de músculo cardíaco modificado que conduzem os impulsos. O resultado é a contração coordenada dos átrios e ventrículos. O complexo estimulante consiste em tecido nodal, que inicia os batimentos cardíacos e coordena contrações das quatro câmaras, e fibras condutoras muito especializadas para conduzi-los rapidamente para as diferentes áreas do coração. A seguir, os impulsos são propagados pelas células musculares estriadas cardíacas, de modo que haja contração simultânea das paredes das câmaras. Conceito: O complexo estimulante do coração gera e transmite os impulsos que produzem as contrações coordenadas do ciclo cardíaco. Se liga! O coração tem dois tipos de células, as células miocárdicas, também denominadas células funcionais, que quando estimuladas eletricamente são capazes de se contrair, e as células marcapasso, responsáveis pela geração e pela condução dos estímulos elétricos. Os tecidos especializados que geram e conduzem impulsos elétricos através do coração, são o nó sinoatrial (nó SA), nó atrioventricular (nó AV), feixe de His e fibras de Purkinje. Figura 6. Complexo estimulante do coração. Fonte: Blamb/Shutterstock.com O nó SA está localizado na parede posterior do átrio direito, onde a veia cava chega ao coração. O nó AV está na porção inferior do septo interatrial. O feixe de His está no topo do septo interventricular, esse feixe se divide no interior da parede dos ventrículos denominando-se fibras de Purkinje, causando a contração simultânea dos ventrículos. A regulação da ritmicidade do coração ocorre no nó SA ou marca passo do coração, emitindo um impulso aproximadamente 70 vezes por minuto. Essa ritmicidade ocorre porque as membranas das fibras do nó SA são muito permeáveis ao sódio, que passa para o interior das fibras, fazendo com que o potencial da membrana em repouso passe para o valor positivo até atingir seu limiar transformando em potencial de ação. O sinal de contração do nó SA propaga-se miogenicamente (através da musculatura) de ambos os átrios. Centésimos de segundos depois, o impulso atinge o nó AV, que retarda o impulso para que os átrios forcem a passagem de sangue para os ventrículos. O nó AV então distribui o sinal para os ventrículos através do fascículo AV. Na junção das partes membranácea e muscular do septo interventricular (SIV), o fascículo AV divide-se em ramos direito e esquerdo. Esses ramos prosseguem de cada lado do SIV muscular profundamente ao endocárdio e depois se ramificam em ramos subendocárdicos (Fibras de Purkinje), que se estendem até as paredes dos respectivos ventrículos. Conceito: A geração e a condução de impulsos podem ser resumidas da seguinte A frequência de geração e a velocidade de condução são aumentadas pela parte simpática e inibidas pela parte parassimpática da divisão autônoma do sistema nervoso para atender às demandas ou poupar energia. O nó sinoatrial (SA), gerador de impulsos, e o nó atrioventricular (AV), transmissor, geralmente são irrigados por ramos dos nós da ACD. O fascículo atrioventricular e seus ramos são irrigados principalmente por ramos septais da ACE. A oclusão de qualquer artéria coronária subsequente infarto do nó ou do tecido condutor pode exigir a inserção de um marcapasso cardíaco artificial. forma: • O nó SA inicia um impulso que é rapidamente conduzido para as fibras musculares cardíacas nos átrios, causando sua contração. • O impulso propaga-se por condução miogênica, que transmite rapidamente o impulso do nó SA para o nó AV. • O sinal é distribuído do nó AV através do fascículo AV e seus ramos (os ramos direito e esquerdo), que seguem de cada lado do SIV e suprem os ramos subendocárdicos para os músculos papilares e as paredes dos ventrículos. O efeito da divisão autônoma do sistema nervoso sobre as artérias coronárias é paradoxal. O controle da atividade cardíaca é feito pelo sistema nervoso simpático e parassimpático, que inervam de forma abundante o coração, além de fibras aferentes viscerais que conduzem fibras reflexas e nociceptivas provenientes do coração. A estimulação simpática causa vasodilatação e a estimulação parassimpática, vasoconstrição. Os impulsos elétricos que passam pelo complexo estimulante do coração podem ser registrados pelo eletrocardiograma. Onda P é a despolarização das fibras atriais do nó SA, o complexo QRS é a despolarização dos ventrículos e a onda T é a repolarização dos ventrículos, iniciando assim um novo ciclo cardíaco. Sobre a inervação do coração, refere-se à rede de nervos responsáveis pelo funcionamento do coração. O coração é inervado por fibras simpáticas e parassimpáticas do ramo autonômico do sistema nervoso periférico. A rede de nervos que irriga o coração recebe contribuições dos nervos vago direito e esquerdo, além de contribuições Se liga! O marcapasso consiste em um gerador de pulsoou bateria, um fio (derivação) e um eletrodo. Os marcapassos produzem impulsos elétricos que iniciam contrações ventriculares em uma frequência predeterminada. do tronco simpático. Estes são responsáveis por influenciar a frequência cardíaca, o débito cardíaco e as forças de contração do coração. Plexo cardíaco É uma rede de nervos, incluindo os sistemas simpático e parassimpático. Inervação parassimpática As fibras parassimpáticas são originadas do nervo vago e são responsáveis por reduzir a frequência cardíaca, reduzir a força das contrações cardíacas e dilatar os vasos coronários. Inervação Simpática As fibras simpáticas têm origem na coluna celular intermediolateral da medula torácica, entre T1 e T5, antes de se fundir ao tronco simpático e são responsáveis por aumentar a frequência cardíaca, aumentar a força de contratilidade cardíaca e promover a constrição dos vasos coronários. Quadro 3. Inervação do coração. Fonte: Elaborada pelo autor. A estimulação simpática é responsável por: • Aumentar dinâmica e funcionalidade do coração através do aumento da frequência cardíaca, da condução do impulso, da força da contratilidade e do fluxo sanguíneo pelos vasos coronários. • Aumentar a frequência de despolarização das células marca-passo e a condução atrioventricular. • A estimulação parassimpática é responsável por: • Diminuir a dinâmica do coração por meio da diminuição da frequência cardíaca, redução da força de contração e constrição das artérias coronárias, para poupar energia em períodos de maior demanda. • As fibras parassimpáticas liberam acetilcolina que se liga aos receptores muscarínicos resultando em redução da frequência de despolarização das células marcapasso e a condução atrioventricular além de diminuição da contração atrial. Se liga! Lesões aos grandes nervos que formam o plexo cardíaco podem causar doenças compensatórias. Por exemplo, como os ramos do nervo vago estão diretamente relacionados à inervação autonômica do coração, em caso de lesão nesta topografia o coração perderá sua capacidade de autorregulação, resultando em um aumento da frequência cardíaca (taquicardia). A mesma lógica se aplica ao sistema simpático. Se liga! Dor referida cardíaca: O coração é insensível ao toque, secção, frio e calor, porém, a isquemia e o acúmulo de produtos metabólicos estimulam as terminações nervosas no miocárdio. As fibras álgicas aferentes seguem em direção central nos ramos cervicais intermediários e inferiores e nos ramos cardíacos torácicos do tronco simpático. Os axônios dos neurônios sensitivos primários entram nos segmentos medulares de T1 a T4 ou T5, principalmente do lado esquerdo. Quando um estímulo nocivo originário do coração é percebido como dor originada em uma parte do corpo, como o membro superior esquerdo, esse fenômeno é denominado dor referida cardíaca. Essa dor referida visceral vai ser transmitida por fibras viscerais aferentes que acompanham as fibras simpáticas e geralmente são referidas em estruturas somáticas ou áreas em que o membro tenha fibras com corpos celulares no mesmo gânglio vertebral e processos centrais que entrem na medula através das mesmas raízes posteriores. A angina, por exemplo, é percebida como uma dor irradiada das regiões subesternal e peitoral esquerda, além do ombro esquerdo e face medial do membro superior esquerdo. Essa região é inervada pelo nervo cutâneo medial do braço. Tal nervo tem seus segmentos da medula espinhal (T1-T3) comuns às terminações viscerais aferentes para as artérias coronárias. Além disso, esses neurônios podem fazer sinapses e conduzir impulsos para neurônios do lado direito de áreas comparáveis da medula. Assim, a dor de origem cardíaca, que embora geralmente seja à esquerda, também pode se manifestar no lado direito, em ambos os lados ou até no dorso. Figura 7. Áreas de dor referida cardíaca. Fonte: Blamb/Shutterstock.com ANATOMIA DA AORTA 1. AORTA A aorta surge no nível do anel valvar aórtico e termina na bifurcação aórtica, aproximadamente no nível da cicatriz umbilical (nível de L4). A aorta tem quatro divisões principais: aorta ascendente, arco aórtico, aorta torácica descendente e aorta abdominal (Figuras 19 e 20). • Aorta ascendente: encontra-se quase inteiramente dentro do saco pericárdico. Por ser uma estrutura intrapericárdica, ela se situa inferiormente ao plano transverso do tórax, sendo considerada como parte do conteúdo do mediastino médio (parte do mediastino inferior). • Os folhetos da valva aórtica estão relacionados a três seios. as artérias coronárias direita e esquerda surgem dos seios aórticos direito e esquerdo, respectivamente, sendo seus únicos ramos (Figura 21). A aorta ascendente encontra-se posterior e à direita da artéria pulmonar. • Arco aórtico: Percorre sobre a artéria pulmonar direita e o brônquio esquerdo. De sua porção superior, são emitidas o tronco braquiocefálico, a artéria carótida comum esquerda e artéria subclávia esquerda, nessa ordem. • O ligamento arterial representa o remanescente fibrótico obstruído do canal arterial fetal (artéria ductal), que une a artéria pulmonar proximal esquerda à superfície inferior do arco aórtico. • Aorta torácica descendente: Guarda relação com a superfície anterior esquerda da coluna vertebral e fica adjacente ao esôfago e ao átrio esquerdo. Seus ramos posterolaterais são as artérias intercostais bilaterais e os ramos anteriores incluem as artérias brônquica, esofágica, mediastinal, pericárdica e frênica superior. As artérias brônquicas, mais comumente duas esquerdas e uma direita, irrigam as paredes brônquicas e as paredes dos vasos arteriais e venosos pulmonares. Raramente, as artérias brônquicas podem surgir de artérias intercostais ou subclávia ou, raramente, de uma artéria coronária. Termina (com a mudança de nome para parte abdominal da aorta) anteriormente à margem inferior da vértebra T12 e entra no abdome através do hiato aórtico no diafragma. • Aorta Abdominal: Percorre ao longo da superfície anterior esquerda da coluna vertebral e fica adjacente à veia cava inferior. Os principais ramos laterais (retroperitoneais) incluem as artérias renais, adrenais, lombar direita e esquerda e frênica inferior. As artérias gonadais surgem um pouco mais anteriormente, mas permanecem retroperitoneais. Os ramos intraperitoneais surgem anteriormente e incluem o tronco celíaco (com seus ramos gástrico, esplênico e hepático esquerdo) e as artérias mesentéricas superior e inferior. Os ramos aórticos distais incluem as artérias ilíacas comuns direita e esquerda e uma pequena artéria sacral média. Figura 7. Aorta torácica. Fonte: lotan/Shutterstock.com REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. NETTER, Frank H. Atlas de anatomia humana: 6. Ed. Philadelphia: Elsevier, 2014. Murphy JG, Lloyd MA. Mayo Clinic Cardiology: Concise Textbook. 4th ed. New York: Mayo Clinic Scientific Press and Oxford University Press, 2013. Table of Contents Capa Créditos Autores PREFÁCIO 1. Introdução à ANATOMIA HUMANA 1. Introdução e Definição 2. Terminologia Anatômica 3. Termos Direcionais 4. Termos de Lateralidade 5. Planos e Eixos Anatômicos 6. Termos de Movimento 7. Regiões Anatômicas Referências Bibliograficas 2. Introdução à neuroanatomia 1. ALGUNS ASPECTOS FILOGÊNICOS DO SISTEMA NERVOSO 2. PLANOS ANATÔMICOS 3. DIVISÕES DO SISTEMA NERVOSO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 3. Anatomia macroscópica do encéfalo (neuroanatomia) 1. INTRODUÇÃO 2. DIENCÉFALO 3. Telencéfalo 4. TRONCO ENCEFÁLICO 5. CEREBELO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 4. Anatomia do cerebelo 1. Introdução 2. Aspectos anatômicos 3. Estrutura e função do cerebelo 4. Aplicação clínica Referências Bibliográficas 5. Anatomia da cabeça e pescoço ANATOMIA DA CABEÇA 1. ESTRUTURAS ÓSSEAS DO CRÂNIO E DA FACE 2. VISCEROCRÂNIOpelas extraordinárias capacidades humanas, além dos processos de perceber, agir, aprender e lembrar. Tais atividades só foram possíveis por meio da atividade de bilhões de células componentes do tecido neuronal (neurônios e neuroglias), conferindo a nós a consciência, o pensamento e o comportamento. Dessa forma, a neuroanatomia entra como o estudo de tal sistema, num parâmetro macroscópico, observando suas generalidades e particularidades. Além disso, é importante sabermos que esse sistema está intimamente relacionado ao processo evolutivo dos seres vivos, de tal forma, que a sua adaptação foi possível a partir do desenvolvimentos de três propriedades básicas: • Irritabilidade: é a propriedade de uma célula de ser sensível ao meio ambiente, dando origem a um impulso. • Condutibilidade: consiste na condução desse impulso pelo meio interno. • Contratilidade: é a resposta do ser vivo ao estímulo inicial. É importante lembrarmos que essa propriedade está presente em todos os seres vivos. Até os seres menos complexos, como as amebas, ao serem tocadas com micromanipulador, se afastam do ponto em que ocorreu o toque Para que isso ocorra, elas tiveram que sentir o estímulo, conduzir a informação no seu corpo unicelular, projetando seus pseudópodes e reagir. Entenderam? Figura 1. Ameba emitindo pseudópodes. FonteRattiya Thongdumhyu/Shutterstock.com Com o aparecimento de seres mais complexos, como os animais, suas células, que obedecem a essas propriedades, se especializaram – as células da contratilidade se tornaram as musculares primitivas, passando a ocupar posições mais internas nesses organismos, perdendo, assim, contato com o meio externo. No entanto, na superfície externa desses animais, surgiram células bem diferenciadas, sendo elas responsáveis pela captação de estímulos (irritabilidade), os redirecionando-os para as células musculares (condutibilidade). Essas novas células, especializadas tanto na irritabilidade como na condutibilidade, consistem nos primeiros neurônios. Esse tipo celular, sendo a unidade fundamental, com função básica de receber, processar e transmitir informação, é responsável pela captação da informação, conduzi-la ao SNC (sistema nervoso central) e retransmiti-la para os órgãos alvos no corpo. Ademais, a depender de sua função, ela pode ser considerada: Aferente: são aferentes ou sensitivos os neurônios, fibras ou nervos que trazem impulsos a uma determinada área do sistema nervoso. Eferentes: são eferentes ou motores os que levam impulsos dessa área. 2. PLANOS ANATÔMICOS Focando um parâmetro microscópico, a visualização da divisão anatômica do sistema nervoso é muito facilitada com o entendimento da tridimensionalidade de suas estruturas em nosso organismo. Para isso, vamos voltar aos conceitos de plano anatômico, não sendo restrito ao estudo da neuroanatomia, mas muito utilizado na interpretação da neuroimagem. Temos em número de 3 planos anatômicos principais: Figura 2.Imagens de uma TC de crânio e representações de planos anatômicos em cortes axial, coronal e sagital. Fonte: samunella/Shutterstock.com 3. DIVISÕES DO SISTEMA NERVOSO O sistema nervoso pode ser organizado a partir de diferentes critérios: um anatômico, um filogenético e outro funcional, bem como segundo a segmentação ou metameria. Divisão anatômica O sistema nervoso é dividido anatomicamente num componente central e num periférico. O sistema nervoso central (SNC) consiste nas estruturas nervosas localizadas dentro do esqueleto axial, sendo elas: a cavidade craniana e o canal vertebral. Respectivamente a esses espaços, temos as seguintes estruturas que compõem o SNC: o encéfalo e a medula espinhal. Juntos, eles formam o neuroeixo. A estrutura mais cranial, o encéfalo, corresponde à verdadeira maquinaria no funcionamento do nosso corpo, sendo a porção mais central dentro do crânio. Ela ainda é subdividida em: • Cérebro: formado pela união do telencéfalo com o diencéfalo. • Cerebelo. • Tronco encefálico Figura 3. Superfície medial do cérebro. Fonte: Vasilisa Tsoy/Shutterstock.com Se liga! O nosso cérebro é organizado em giros, que são partes do córtex de substância cinzenta, delimitados pelas depressões que percorrem o córtex cerebral, os sulcos, permitindo o aumento de sua superfície sem aumento considerável do seu volume. Neste material, vamos apenas introduzir e definir cada um desses componentes do SNC, para, quando formos estudar cada qual em seus respectivos materiais, teremos uma noção básica de sua definição, anatomia e função. Beleza? Então, começando pelo cérebro, sabemos que ele é composto pelo telencéfalo e pelo diencéfalo. A primeira estrutura consiste em dois hemisférios corticais e na lâmina terminal. Cada hemisfério possui 3 polos (frontal, temporal e occipital), 3 margens (superior, medial e inferior), 5 lobos (frontal, parietal, temporal, occipital e insular – sendo o último “escondido” pelo parênquima cortical) e 3 faces (dorsolateral, medial e inferior). E são nessas faces que encontramos os sulcos e os giros, que serão melhor estudados em próximos resumos. Profundamente a esse córtex, temos as estruturas subcorticais, formadas tanto por substância branca (na qual encontramos as fibras das vias ascendentes e descendentes) quanto por substância cinzenta, sendo ela reunida nos núcleos da base (são eles: caudado, putâmen, globo pálido etc). Figura 4. Vista lateral de um hemisfério cerebral esquerdo com seus polos e lobos em cores diferentes. Fonte: Andrii_M/Shutterstock.com Já o outro componente do cérebro, o diencéfalo, diferente do telencéfalo, é uma estrutura ímpar localizada na porção cerebral mais inferior, sendo compreendida por: tálamo – um grande centro de retransmissão de fibras entre o nosso córtex e estruturas subcorticais; hipotálamo – grande regulador da homeostase; subtálamo – que atua no circuito motor de forma subsidiária; e epitálamo – relacionado com a sincronização do ritmo circadiano. O cerebelo, por sua vez, segue uma topografia anatômica semelhante ao cérebro: possui dois hemisférios, unidos agora por um vérmis, localizado na linha mediana; seu córtex cerebelar é percorrido por sulcos, delimitando folhas (e não giros!). Diferente das demais estruturas já citadas, que estão localizadas no compartimento supratentorial da base do crânio, o cerebelo se encontra no compartimento infratentorial. Ele é dividido em lobo flóculo-nodular, lobo anterior e lobo posterior. Na semiologia neurológica, testamos a funcionalidade do cerebelo principalmente durante os exames de coordenação e equilíbrio. Já como estrutura mais caudal do encéfalo, temos o tronco encefálico, também sendo a porção mais primitiva dentre as outras. O tronco está intimamente relacionado com o funcionamento da homeostase do corpo, sendo de extrema importância para a manutenção da vida. Podemos evidenciar isso, por exemplo, por meio dos exames feitos para diagnosticar morte encefálica, que testam se o tronco está funcionante ou não. Profundamente a ele, temos diversos núcleos de pares cranianos, além da formação reticular. Num ponto de vista anatômico, o tronco encefálico é dividido em, no sentido craniocaudal: mesencéfalo, ponte e bulbo. É bom lembrarmos que internamente ao encéfalo, temos estruturas chamadas de ventrículos encefálicos, por onde circula o liquor, diminuindo o efeito do peso do encéfalo além de fornecer proteção mecânica a seus componentes. Conceito: Ventrículos encefálicos são cavidades localizadas internamente ao encéfalo, revestidas de epitélio epididimário, por onde percorrer o liquor cefalorraquidiano (LCR). São em número de quatro cavidades, duas pares (ventrículos laterais) e duas ímpares (terceiro e quarto ventrículo), que são ligadas uma as outras por diversos canais, formando o sistema ventricular. Na prática! Sabemos que a análise clínica do liquor em ambiente hospitalar nos ajuda a identificarmos possíveis patologiasx NEUROCRÂNIO 3. VISÕES DO CRÂNIO 4. VISTA LATERAL 5. VISTA INFERIOR 6. VISTA DA CALVÁRIA 7. VISTA INTERNA DA BASE DO CRÂNIO 8. SELA TURCA 9. SUTURAS E PONTOS CRANIOMÉTRICOS 10. NARIZ E SEIOS DA FACE 11. ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR 12. ESTRUTURAS MUSCULARES DO CRÂNIO ANATOMIA DO PESCOÇO 1. ESTRUTURAS ÓSSEAS DO PESCOÇO 2. Fáscias Cervicais 3. VASCULARIZAÇÃO ARTERIAL DA CABEÇA E PESCOÇO 4. DRENAGEM VENOSA DA CABEÇA E PESCOÇO 5. DRENAGEM LINFÁTICA DA CABEÇA E PESCOÇO 6. INERVAÇÃO DA CABEÇA E PESCOÇO Referências Bibliográficas 6. parede torácica e mediastino 1. INTRODUÇÃO 2. PAREDE TORÁCICA 3. MEDIASTINO Referências Bibliográficas 7. vias áereas 1. INTRODUÇÃO 2. CAVIDADE NASAL 3. FARINGE E LARINGE 4. TRAQUEIA E BRÔNQUIOS Referências Bibliográficas 8. anatomia do coração e aorta ANATOMIA DO CORAÇÃO 1. INTRODUÇÃO 2. FLUXO SANGUÍNEO ATRAVÉS DO CORAÇÃO 3. ÁTRIO DIREITO 4. VENTRÍCULO DIREITO 5. ÁTRIO ESQUERDO 6. VENTRÍCULO ESQUERDO 7. VALVAS DO TRONCO PULMONAR E DA AORTA 8. VASCULATURA DO CORAÇÃO 9. COMPLEXO ESTIMULANTE DO CORAÇÃO ANATOMIA DA AORTA 1. AORTA Referências Bibliográficasque possam afetar o funcionamento homeostático de nosso SNC, como, por exemplo, a meningite. Dessa forma, para ser analisada sua composição e/ou cultura, o LCR deve ser recolhido OU por punção occipital (referencial anatômico: abaixo do crânio, recolhendo o liquor da cisterna magna) OU por punção lombar (referencial anatômico: entre L3-L4 ou L4-L5). Figura 5. Representações dos exames de coleta de LCR por punção lombar. Fonte: Aldona Griskeviciene/Shutterstock.com Como último componente do SNC, temos o mais caudal e primitivo, que é a medula espinhal. Ela consiste numa massa cilindroide de tecido nervoso situado dentro do canal vertebral da coluna, limitada superiormente pelo bulbo, ao nível do forame magno, e inferiormente até a vértebra L2. Na prática! O conhecimento da topografia medular na coluna é importante para a investigação clínica de patologias que podem afetar tanto essa estrutura do SNC como suas raízes, principalmente em pacientes com cervicalgia ou lombalgia. Para isso, utilizam-se exames de ressonância magnética, que Já o sistema nervoso periférico (SNP) é formado pelas estruturas localizadas fora desse esqueleto. Essas estruturas são os nervos, os gânglios e as terminações motoras e sensitivas. Nervos consistem em cordões esbranquiçados que atuam unindo o SNC aos órgãos periféricos. A depender da porção do SNC que estamos estudando, esse nervo pode ser dividido em: nervos cranianos, caso estejam ligados ao encéfalo; e nervos espinhais, se estiverem ligados à medula espinhal; No entanto, em relação à sua funcionalidade, são divididos em: nervos motores, sensitivos ou mistos (quando sua composição possui fibras tanto sensitivas como nervosas). Já os gânglios, correspondem ao aglomerado de corpos neuronais localizados fora do SNC. Da mesma forma que os nervos, os gânglios também são caracterizados como sensitivos ou motores (participam do sistema nervoso autônomo). Por fim, as terminações nervosas, localizadas na extremidade das fibras constituintes dos nervos, também segue a mesma divisão: uma motora, formada pela placa motora; e uma sensitiva, composta pelos exteroceptores (recebem estímulos do meio externo), visceroceptores (recebem estímulos dos órgãos internos) e proprioceptores (informam o SNC sobre a posição do corpo ou sobre a força necessária para a coordenação). permitem analisar a medula e as partes moles das articulações da coluna. Figura 6. Estruturas nervosas periféricas por transparência no corpo humano. Fonte: Systemoff/Shutterstock.com Figura 7. Embrião durante a neurulação. Relembrando O sistema nervoso se desenvolve a partir do folheto embrionário mais externo, o ectoderma, que, ao ser induzido pela notocorda, se espessando, forma a placa neural. Essa estrutura começa a sofrer invaginações sucessivas, formando a goteira neural. Por fim, ao se fechar, essa goteira se torna o tubo neural, estrutura responsável pela origem do SNC. Conceito: Notocorda consiste numa estrutura celular presente durante o desenvolvimento embriológico dos animais cordados, atuando como eixo de sustentação craniocaudal na região posterior do embrião. Além de induzir a formação do tubo neural, ela é substituída pela coluna vertebral, nos vertebrados, ou se persiste como sustentação em outros animais não vertebrados desse grupo. Fonte: Betty Ray/Shutterstock.com Desde o início de sua formação, o tubo neural não possui calibre uniforme. Sendo assim, sua dilatação possui certas irregularidades, formando distintas estruturas do nosso SNC. A parte cranial, que formará o arquencéfalo ou encéfalo primitivo, se dilata à medida que ocorre seu desenvolvimento, diferente da porção mais caudal, que dá origem à medula primitiva. Vale ressaltar que não existe apenas um par de dilatações bilaterais no arquencéfalo e sim três vesículas encefálicas primitivas. De cranial para caudal, temos: • Prosencéfalo: com o desenvolvimento do embrião, é formado deste duas vesículas, o telencéfalo e o diencéfalo. • • Durante o desenvolvimento do prosencéfalo, as vesículas telencefálicas laterais crescem muito mais que as diencefálicas, ao ponto que, ao completar a formação do SNC do embrião, os hemisférios cerebrais oriundos do telencéfalo escondem quase completamente a parte mediana dele mesmo, além do diencéfalo. • Mesencéfalo: durante o desenvolvimento embrionário, ele não se modifica. • Rombencéfalo: dará origem ao metencéfalo (formando a ponte e o cerebelo) e ao mielencéfalo (formando o bulbo). Figura 8. Desenvolvimento do cérebro. Fonte: Veronika By/Shutterstock.com Se liga! Diante o exposto, fica evidente a extrema importância do período fetal para a formação e desenvolvimento do sistema nervoso central, ao ponto que fatores externos como substâncias teratogênicas, alguns medicamentos, álcool, irradiação, drogas e infecções congênitas podem interferir ativamente nas etapas desse processo. Caso ocorram no primeiro trimestre da gestação, essas interferências podem afetar o processo de proliferação neuronal, resultando numa diminuição do número de células nervosas e/ou em microcefalia. Já se ocorrem no segundo ou no terceiro, a interferência será na fase de organização neuronal, redução na quantidade de sinapses e ocasionar quadros de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e cognitivo do feto. Mas não devemos nos restringir a essas substâncias nocivas: durante a desnutrição materna ou nos primeiros anos de vida da criança, diante a interferências externas ao feto ou lactente, respectivamente, o processo de mielinização do sistema nervoso será prejudicado, podendo resultar em atrasos na aquisição de habilidades e no desenvolvimento neuropsicomotor normal da criança. Atrasos que podem, muitas vezes, ser irreversíveis. Divisão fisiológica O sistema nervoso, a partir de um viés fisiológico, pode ser dividido em sistema nervoso somático e sistema nervoso visceral. Enquanto o primeiro está relacionado com a forma que o organismo interage com o meio ambiente externo a ele, o segundo está relacionado com o controle das vísceras par a homeostasia corpórea. Além dessas diferenças, tanto a divisão somática, como a divisão visceral possuem um componente aferente e um outro eferente. No caso do somático, seu componente aferente é responsável por conduzir ao SNC os impulsos originados nos receptores periféricos, informando-os acerca do mecanismo externo que causou essa irritação. Já o eferente atua levando as informações processadas nos centros nervosos até os nossos músculos estriados esqueléticos, realizando os movimentos voluntários. Temos como exemplo de uma ação cooperativa entre esses dois componentes o arco reflexo. Figura 9. Arco reflexo. Fonte: EreborMountain/Shutterstock.com Em relação ao visceral, tanto o aferente como o eferente atuam na integração das diversas vísceras visando a manutenção da constância do nosso meio interno. Sendo assim, o componente aferente é responsável por conduzir os impulsos nervosos originados em nossos visceroceptores até o nosso SNC. Já o eferente, atua levando tais impulsos até nossas vísceras, enviando a resposta processada em nosso centro nervoso até glândulas, músculos lisos ou músculo estriado cardíaco. Figura 10. O reflexo de alongamento. Fonte: joshya/Shutterstock.com Esse componente visceral motor é denominado de sistema nervoso autônomo (SNA), que pode ser dividido em simpático, relacionado com os processos fisiológicos durante momentos de “luta ou fuga”, e em parassimpático, responsável por estimular ações que permitem ao organismo. Num viés anatômico, podemos ressaltar ainda algumas diferenças principais entre o sistema nervoso simpático do parassimpático, como podemos ver no quadro a seguir. Componentes do sna Simpático Parassimpático Origem Toracolombar Craniossacral (T1 à l2) (Tronco encefálico e S2 à S4) Localização do gânglio Próximo ao SNC Próxima à víscera Fibras pré-ganglionaresCurta Longa Fibras pós-ganglionares Longa Curta Neurotransmissores (sinapse com gânglio) Acetilcolina Acetilcolina Neurotransmissores (sinapse com víscera) Noradrenalina* Acetilcolina Quadro 1. Diferenças anatômicas e farmacológicas entre os sistemas simático e parassinpático. *Acetilcolina também está no simpático como neurotransmissor visceral nas glândulas sudoríparas e vasculatura dos músculos estriados. Como já foi dito, o sistema nervoso simpático responde a situações de estresse, estimulando ações como: taquicardia e taquipneia, hipertensão, sudorese, hiperglicemia, diminuição da motilidade e digestão. Anatomicamente, ele é formado pelo tronco simpático, pelos nervos esplâncnicos e pelos gânglios pré-vertebrais. • O tronco simpático corresponde à cadeia de gânglios paravertebrais unidos por ramos interganglionares que se estende da base do crânio ao cóccix bilateralmente. Por esse tronco, passam fibras simpáticas pré-ganglionares e pós- ganglionares. • Os nervos esplâncnicos são cordões esbranquiçados formados pelas fibras pré- ganglionares que passam pelo tronco SEM realizar sinapse a nível paravertebral. • Por fim, os gânglios pré-vertebrais são o conjunto de corpos neuronais localizados anteriormente a coluna vertebral, onde as fibras pré- ganglionares dos nervos esplâncnicos realizam sinapse. Já o sistema nervoso parassimpático permite ao corpo responder a situações de calma, realizando as ações opostas ao simpático: bradicardia e bradipneia, anidríase, hipoglicemia, aumento da motilidade e digestão. Anatomicamente, ele é formado pelos núcleos de alguns pares cranianos, além dos nervos esplâncnicos pélvicos. Dentre esses núcleos, nós temos: • Núcleo de Edinger-Westphal – nervo oculomotor (III), que inerva os músculos intrínsecos da pupila. • Núcleo salivatório superior – nervo facial (VII), que inerva as glândulas submandibulares e sublinguais. • Núcleo lacrimal – nervo facial (VII), que inerva a glândula lacrimal. • Núcleo salivatório inferior – nervo glossofaríngeo (IX), que inerva as glândulas parótidas. • Núcleo motor dorsal do vago – nervo vago (X), responsável pelas funções parassimpática do trato digestório e cardiorrespiratório. • Núcleo ambíguo – nervo vago (X), que inerva a laringe e a faringe. Na prática! Lesões, que afetam o gânglio cervicotorácico (estrelado) ou os plexos autônomos situados ao longo das artérias da cabeça e pescoço, repercutem numa tríade clínica ipsilateral caracterizada por miose pupilar, ptose palpebral e anidrose (supressão da transpiração). Essa tríade consiste na síndrome de Horner. Esses achados decorrem de uma disfunção simpática ipsilateral à lesão, tendo como patologias de bases principais o tumor de Pancoast (carcinoma brônquico no ápice pulmonar que comprime o gânglio do tronco simpático) e a dissecção aguda da artéria carótida interna. Divisão com base na segmentação ou metameria Relembrando Galera, se lembram do conceito de “metameria”? Então, metameria ou segmentação corporal consiste na organização do corpo animal em segmentos semelhantes ao longo de seu comprimento. A segmentação no sistema nervoso é feita a partir da correlação dentre as suas estruturas e de suas conexões com os nervos. Portanto, o sistema nervoso segmentar consiste nas porções do SNC que estão relacionadas diretamente com os nervos, como tronco encefálico e medula, bem como todas as estruturas do sistema nervoso periférico. Já o sistema nervoso suprassegmentar, é composto pelas estruturas superiores ao segmentar que não possui tal metameria, sendo formado pelo cérebro e pelo cerebelo. No entanto, sabemos que do cérebro são enviadas fibras que compõem os nervos olfatórios e ópticos, respectivamente no telencéfalo e no diencéfalo. No entanto, por eles não serem nervos típicos, eles estão excluídos dos critérios necessários para o sistema segmentar. Diante o que foi estudado, podemos observar que nas estruturas do suprassegmentar podemos encontrar córtex de substância cinzenta externamente à substância branca, enquanto as do segmentar não possui córtex, tendo sua substância cinzenta localizada interiormente à substância branca, formando núcleos. Essa organização de núcleos neuronais dentro de substância branca não é restrita ao segmentar, já que, profundamente no cérebro, encontramos os famosos núcleos da base, já citados anteriormente. Por fim, em relação à sua evolução, o segmentar surgiu antes do suprassegmentar e, de modo funcional, está subordinado a ele. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MACHADO, A.B.M. Neuroanatomia Funcional, 3ª ed., 2014. MENESES, M.S. Neuroanatomia Aplicada, 3ª ed., 2011. GRAY, H. Gray’s Anatomy, 41st, 2016. BAEHR, M. Duus’ Diagnóstico Topográfico em Neurologia, 5ª ed., 2015. 6KANDEL, E. R. Princípios de neurociências, 5ª ed. 2014 3. ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 1. INTRODUÇÃO O sistema nervoso central é aquele que se localiza dentro do esqueleto axial (cavidade craniana e canal vertebral). Assim, encéfalo e medula constituem o sistema nervoso central. No encéfalo temos cérebro, cerebelo e tronco encefálico. O tronco encefálico é formado pelo mesencéfalo, pela ponte e pelo bulbo. A ponte separa o bulbo, situado caudalmente, do mesencéfalo, situado cranialmente. Dorsalmente à ponte e ao bulbo, localiza-se o cerebelo. Conceito: Encéfalo é o conjunto de estruturas que estão anatomicamente e fisiologicamente ligadas do qual fazem parte o cérebro, o cerebelo e o tronco encefálico, constituindo, juntamente com a medula, o sistema nervoso central. Figura 1. Partes componentes do sistema nervoso central. Fonte: Vasilisa Tsoy/Shutterstock.com Entenda também a divisão do sistema nervoso em sistema nervoso central e sistema nervoso periférico. No sistema nervoso central há regiões com alta concentração de corpos celulares de neurônios e regiões com alta concentração de prolongamentos de neurônios, principalmente axônios. As regiões com grande concentração de corpos celulares de neurônios têm coloração acinzentada, sendo por isso denominadas substância cinzenta do sistema nervoso central. Por sua vez, as regiões com uma grande quantidade de prolongamentos de neurônios (axônios) possuem grande quantidade de fibras nervosas mielinizadas e por essa razão apresentam coloração esbranquiçada. Constituem a substância branca do sistema nervoso central. Enquanto que a substância cinzenta é o local de recepção e de integração de informações e respostas, a substância branca constitui as vias de comunicação entre o sistema nervoso central e os locais externos ao sistema nervoso central. É também via de comunicação entre diferentes regiões do sistema nervoso central. A substância cinzenta está presente principalmente na periferia do órgão, logo abaixo de sua superfície, formando o córtex cerebral; e no interior do cérebro, em aglomerados de diferentes tamanhos denominados núcleos. A substância branca ocupa o interior do órgão, abaixo do córtex e em torno dos núcleos. Figura 2. Representação da sustância branca e cinzenta em corte coronal Fonte: Vasilisa Tsoy/Shutterstock.com 2. DIENCÉFALO O diencéfalo e o telencéfalo formam o cérebro, que corresponde à porção mais desenvolvida do encéfalo. O telencéfalo encobre quase completamente o diencéfalo, que permanece em situação mediana, podendo ser visto apenas na face inferior do cérebro. O diencéfalo compreende as seguintes partes: tálamo, hipotálamo, epitálamo e subtálamo, todas em relação ao III ventrículo. Tálamo Os tálamos são duas massas volumosas de substância cinzenta, de formato ovoide, dispostas uma de cada lado na porção laterodorsal do diencéfalo, unidas pela aderência intertalâmica e que delimitam a parte posterior do terceiro ventrículo. A extremidade posterior, maior que a anterior, apresenta uma grande eminência, o pulvinar, que se projeta sobre os corpos geniculados. O corpo geniculadomedial faz parte da via auditiva e o lateral da via óptica, sendo denominados por alguns autores como metatálamo, que o consideram uma divisão do diencéfalo. A face lateral do tálamo é separada do telencéfalo pela cápsula interna, um compacto feixe de fibras que liga o córtex cerebral a centros nervosos subcorticais. A face inferior do tálamo continua com o hipotálamo e o subtálamo. Figura 3. Núcleos da base do cérebro. Fonte: NatthapongSachan/Shutterstock.com O tálamo é um dos mais importantes centros de integração de impulsos nervosos. Atualmente acredita-se que algumas sensações dolorosas, térmicas e táteis são identificadas conscientemente ao nível do tálamo. Por meio de suas inúmeras interligações, é possível que esse centro se relacione também com o controle da vigília e do sono. Hipotálamo O hipotálamo é uma área relativamente pequena – cerca de 4 cm3 do tecido nervoso – situada abaixo do tálamo. As estruturas que formam o hipotálamo e que estão localizadas nas paredes laterais e no assoalho do III ventrículo são: quiasma óptico, infundíbulo, túber cinéreo e corpos mamilares (de sentido anterior para posterior). 1. Quiasma óptico: localiza-se no assoalho do III ventrículo, em sua porção anterior e recebe fibras dos nervos ópticos (II par), que em parte cruzam e Se liga! Síndrome talâmica: trata-se de uma condição que surge após o derrame talâmico, um acidente vascular cerebral (AVC) que causa danos ao tálamo. Caracteriza-se por hemiplegia (paralisia da metade sagital do corpo, seja direita ou esquerda), hemianestesia (anestesia ou perda da sensibilidade em metade sagital do corpo), hemiataxia (perda ou descontrole da coordenação em metade sagital do corpo) e astereognosia (perda da capacidade de reconhecer objetos pelo tato) e dores no lado hemiplégico. continuam nos tratos ópticos e se dirigem para os corpos geniculados laterais. 2. Infundíbulo: formação de formato cônico, que se prende ao túber cinéreo. A sua extremidade superior dilata-se para constituir a eminência mediana do túber cinéreo, enquanto sua extremidade inferior continua com o processo infundibular, ou lobo nervoso da neuro-hipófise. 3. Túber cinéreo: massa convexa de substância cinzenta que se localiza entre os corpos mamilares e o quiasma óptico. É a região onde se prende o infundíbulo. 4. Corpos mamilares: são duas eminências de formato arredondado, dispostas lado a lado, formadas por substância cinzenta. Possui importantes funções, relacionadas sobretudo com o controle da atividade visceral, regula o sistema nervoso autônomo, as glândulas endócrinas, controla o equilíbrio de líquidos e eletrólitos, sendo o principal responsável pela homeostase. Figura 4. Estruturas do hipotálamo. Fonte: medicalstocks/Shutterstock.com Se liga! O hipotálamo é uma estrutura responsável por interagir com o sistema nervoso autônomo e o sistema neuroendócrino, e integra respostas aferentes internas/externas com a análise do córtex cerebral. Lesões Epitálamo Localiza-se mais posteriormente ao III ventrículo, abaixo do tálamo. A glândula pineal é a sua estrutura mais evidente, sendo uma glândula endócrina mediana de forma piriforme, que repousa sobre o teto do mesencéfalo. Sua base prende-se anteriormente a dois feixes transversais de fibras que cruzam o plano mediano, a comissura posterior e a comissura das habênulas. Recesso pineal é um pequeno prolongamento da cavidade ventricular que penetra na glândula entre as comissuras. A comissura posterior localiza-se no ponto em que o aqueduto cerebral se liga ao III ventrículo e é considerada como limite entre o diencéfalo e o mesencéfalo. hipotalâmicas são geralmente associadas a síndromes endócrinas disseminadas e distúrbios motores, emocionais, metabólicos e viscerais. Se liga! A glândula pineal produz o hormônio melatonina, que diminui com a idade e influi sobre o ritmo sazonal e circadiano, sobre o ciclo sono-vigília e sobre a reprodução. Apresenta um padrão de secreção dia-noite, sensível à luminosidade, com início de elevação no início da noite e queda no final. Uma via neural Figura 5. Estruturas do epitálamo. Fonte: medicalstocks/Shutterstock.com Subtálamo O subtálamo é a zona de transição entre o diencéfalo e o tegmento do mesencéfalo. É considerado a menor complexa envolve as células ganglionares da retina que se conectam aos pinealócitos. formação diencéfalica, e sua principal formação é o núcleo subtalâmico, relacionado com o controle do movimento somático. Em relação à sua localização, é limitado lateralmente pela cápsula interna, medialmente pelo hipotálamo e superiormente pelo tálamo. 3. TELENCÉFALO O telencéfalo compreende os dois hemisférios cerebrais e a lâmina terminal situada na porção anterior do III ventrículo. Os dois hemisférios, afastados pela fissura longitudinal, são unidos por uma larga faixa de fibras comissurais, o corpo caloso. A superfície do cérebro, córtex cerebral, apresenta depressões denominadas sulcos, que delimitam os giros cerebrais. Os sulcos mais importantes dos hemisférios cerebrais são o sulco lateral (de Sylvius) e o sulco central (de Rolando). Saiba mais! A existência dos sulcos permite considerável aumento de superfície sem grande aumento do volume cerebral. Cerca de dois terços da área ocupada pelo córtex cerebral estão “escondidos” nos sulcos. Os sulcos ajudam a delimitar os lobos cerebrais, que recebem o nome de acordo com a sua localização em relação aos ossos do crânio: frontal, temporal, parietal e occipital. Além desses, existe a ínsula, situada profundamente no sulco lateral e que não tem relação imediata com os ossos do crânio. Se liga! A divisão em lobos, embora de grande importância clínica, não corresponde a uma divisão funcional, exceto pelo lobo occipital, que está todo, direta ou indiretamente, relacionado com a visão. Figura 6. Lobos do cérebro. Fonte: Olga Bolbot/Shutterstock.com Face dorsolateral É a maior face cerebral e contém os 5 lobos cerebrais: frontal, temporal, parietal, occipital e ínsula. No lobo frontal, existem 3 sulcos principais: pré-central, frontal superior e o frontal inferior. Entre o sulco central e sulco pré-central, está o giro pré-central, onde se localiza a principal área motora do cérebro. Além desse importante giro, o lobo frontal possui os giros frontal superior, frontal médio e frontal inferior. O giro frontal inferior do hemisfério cerebral esquerdo é denominado giro de Broca, e aí se localiza, na maior parte das pessoas, uma das áreas de linguagem do cérebro. Além disso, o giro frontal inferior pode ser dividido em três partes: orbital, triangular e opercular. No lobo temporal, existem dois sulcos principais: temporal superior e temporal inferior. Nesse lobo, evidencia-se a área da audição localizada no giro temporal transverso anterior, que é a porção posterior do giro temporal superior, visível afastando-se os lábios do sulco lateral. Os giros existentes no lobo temporal são: • Giro temporal superior: entre os sulcos lateral e temporal superior. • Giro temporal médio: entre os sulcos temporal superior e temporal inferior. • Giro temporal inferior: abaixo do sulco temporal inferior. • Giros temporais transversos: localizados no assoalho do sulco lateral. • O lobo parietal possui 2 sulcos principais: pós- central e intraparietal. Além disso, possui 3 giros: • Giro pós-central: entre os sulcos central e pós- central, onde se localiza uma das mais importantes áreas sensitivas do córtex, a área somestésica. • Giro supramarginal: curvado, em torno da extremidade posterior do sulco lateral. • Giro angular: curvado em torno da porção terminal e ascendente do sulco temporal superior. O lobo occipital se localiza na face dorsolateral do cérebro, ocupando uma área pequena. Apresenta giros e sulcos irregulares. A ínsula pode ser observada ao se afastar os lábios do sulco lateral. Esse lobo cerebral é o de menor crescimentodurante o desenvolvimento, por isso fica recoberto pelos lobos vizinhos (frontal, temporal e parietal). Apresenta alguns sulcos e giros, dentre eles: sulco circular da ínsula, sulco central da ínsula, giros curtos e giro longo da ínsula. Face medial Seccionando o cérebro no plano sagital mediano é possível visualizar estruturas como o corpo caloso (conjunto de fibras mielínicas que formam a maior comissura inter- hemisférica), o fórnix e o septo pelúcido. 1. Corpo caloso: conjunto de fibras mielínicas que cruzam o plano sagital e mediano e penetram de cada lado no centro branco medular, unindo áreas simétricas do córtex de cada hemisfério cerebral. Divide-se em: tronco, que se dilata posteriormente no esplênio e se flete anteriormente em direção à base do cérebro para constituir o joelho que se afila, e para formar o rostro do corpo caloso, que termina na comissura anterior. Entre a comissura anterior e o quiasma óptico há a lâmina terminal, substância branca fina que une os hemisférios cerebrais e forma o limite anterior do III ventrículo. 2. Fórnix: feixe complexo de fibras, não pode ser visto em toda a sua extensão no corte sagital. Emerge abaixo do esplênio do corpo caloso. Constituído por duas metades laterais e simétricas, unidas no trajeto do corpo caloso. Divide-se em: corpo do fórnix, no qual suas duas metades se unem; colunas do fórnix, extremidades que se afastam anteriormente; pernas do fórnix: extremidades que se afastam posteriormente. As colunas do fórnix terminam no corpo mamilar correspondente, cruzando a parte lateral do III ventrículo. As pernas divergem e penetram em cada lado do corno inferior do ventrículo lateral, onde se ligam ao hipocampo. 3. Septo pelúcio: estende-se entre o corpo caloso e o fórnix, separa os dois ventrículos laterais. O lobo occipital, visto na face medial, possui dois sulcos: • Sulco parietoccipital separa o lobo parietal do occipital. • Sulco calcarino: localizado na face medial do lobo occipital. Nos lábios desse sulco localiza-se a área visual. • Além disso, possui alguns giros: • Cúneos: giro de forma triangular, entre o sulco parietoccipital e o sulco calcarino. • Giro occipitotemporal: abaixo do sulco calcarino, continua anteriormente com o giro para-hipocampal no lobo temporal. Os lobos frontal e parietal, vistos na face medial, possuem alguns sulcos: • Sulco do corpo caloso: começa abaixo do rostro do corpo caloso, contorna o tronco e o esplênio, onde continua, já no lobo temporal, com o sulco do hipocampo. • Sulco do cíngulo: curso paralelo ao sulco do corpo caloso, do qual é separado pelo giro do cíngulo. Posteriormente divide-se em dois ramos: • • Ramo marginal: que se curva na direção da margem superior do hemisfério. • • Sulco subparietal: que continua posteriormente na direção do sulco do cíngulo. • Sulco paracentral: destacando-se do sulco do cíngulo em direção à margem superior do hemisfério. Na face medial superior do lobo frontal e parietal encontra-se o lóbulo paracentral. Nas partes anterior e posterior dessa estrutura localizam-se, respectivamente, as áreas motora e sensitiva, relacionadas com a perna e o pé. Figura 7. Face medial de um hemisfério cerebral. Fonte: Tefi/Shutterstock.com Face inferior A face inferior do lobo temporal apresenta três sulcos principais, de direção longitudinal: • Sulco occipitotemporal: juntamente com o sulco temporal inferior limita o giro temporal inferior. Medialmente, se limita com o sulco colateral, o giro occipitotemporal lateral. • Sulco colateral: pode ser contínuo com o sulco rinal. Inicia-se próximo ao polo occipital e se dirige para frente, delimitando com o sulco calcarino e o sulco do hipocampo, respectivamente, o giro occipitotemporal medial e o giro para- hipocampal, cuja porção anterior se curva em torno do sulco do hipocampo para formar o úncus. • Sulco do hipocampo: A face inferior do lobo frontal apresenta um único sulco importante, o sulco olfatório, que aloja o bulbo olfatório, estrutura que recebe os filamentos que constituem o nervo olfatório, I par craniano. Se liga! A parte anterior do giro para- hipocampal é a área entorrinal, relacionada com a memória, e uma das primeiras regiões do cérebro a serem lesadas na doença de Alzheimer. Figura 8. Face inferior do cérebro. Fonte: Tefi/Shutterstock.com Se liga! O bulbo olfatório, de formato ovoide e achatado, composto por substância cinzenta, continua posteriormente com o trato olfatório e ambos se alojam no sulco olfatório. O trato se bifurca, posteriormente, e forma as estrias olfatórias medial e lateral, que delimitam o Ventrículos laterais Os hemisférios cerebrais possuem cavidades revestidas de epêndima e contendo líquido cerebroespinhal, os ventrículos laterais esquerdo e direito, que se comunicam com o III ventrículo pelo respectivo forame interventricular. Divisões do ventrículo lateral são: • Corno anterior: possui como limites: • • Anterior e superior: corpo caloso. • • Posterior: Forame interventricular. • • Medial: septo pelúcido. • • Lateral e assoalho: cabeça do caudado • Corpo: estende-se de dentro do lobo parietal. Possui como limites: • • Superior: corpo Caloso. • • Posterior: esplênio do corpo caloso. trígono olfatório. Atrás do trígono e adiante do trato óptico, localiza-se a substância perfurada anterior, por onde passam pequenos vasos. • • Medial: septo pelúcido. • • Lateral e inferior: fórnix, tálamo, veia tálamo estriada, estria terminal e caudado. • Corno posterior: estende-se para dentro do lobo occipital. Tem como limite o corpo caloso em toda sua formação. • Corno inferior: curva-se inferiormente e depois anteriormente em direção ao polo temporal a partir do trígono colateral. Possui como limites: • • Inferior: sulco colateral e hipocampo. • • Superomedial: cauda do caudado, estria terminal e corpo amigdaloide. • • Anterior, posterior e lateral: substância branca. • Hipocampo: acima do giro para-hipocampal. Constituído de arqueocorte, tem funções relacionadas à memória. Liga-se às pernas do fórnix por um feixe de fibras situadas ao longo de sua borda medial, a fímbria do hipocampo. Estruturas subcorticais Além do córtex, já descrito, o telencéfalo compreende também estruturas subcorticais como os núcleos da base e a substância branca. Os núcleos da base são corpos neuronais, ou seja, substância cinzenta, e tem atuação na modulação da atividade motora. Compõem os núcleos da base: o núcleo caudado, núcleo lentiforme o claustrum, o corpo amigdaloide (ou amígdala) e o núcleo accumbens. Na extremidade da cauda do núcleo caudado, observa-se discreta eminência arredondada formada pela amígdala cerebral. • Núcleo caudado: possui cabeça, corpo e cauda. A cabeça do núcleo caudado se funde com a parte anterior do putâmen e forma então o corpo estriado, que tem relação com a motricidade. • Núcleo lentiforme: localizado lateral e anteriormente ao tálamo. Formado pelo putâmen e globo pálido. O globo pálido é dividido pela lâmina medular medial em segmento interno e segmento externo. • Claustrum: se localiza próximo ao córtex da ínsula. Tem como relação medial a cápsula externa e como relação lateral extrema. • Corpo amigdaloide: localizado na parte anterior do lobo temporal e tem relação com as emoções e principalmente com o medo. • Núcleo accumbens: situado na zona de união entre o caudado e o putâmen. Importante área de prazer do cérebro. Figura 9. Núcleos da base. Fonte:Alila Medical Media/Shutterstock.com A substância branca é formada por fibras mielínicas que ligam o córtex cerebral a centros subcorticais (fibras de projeção) e unem áreas corticais situadas em pontos diferentes do cérebro (fibras de associação). As fibras de associação abrangem as comissuras telencefálicas: corpo caloso, comissura anterior e comissura do fórnix. As fibras de projeção se dispõem em dois feixes: o fórnix e a cápsula interna. O fórnix uneo córtex do hipocampo ao corpo mamilar e contribui pouco para a formação do centro medular branco. A cápsula interna possui a grande maioria das fibras que saem e entram no córtex cerebral. Essas fibras formam um feixe compacto que separa o núcleo lentiforme (lateralmente) do núcleo caudado e do tálamo (medialmente). Acima dos núcleos, as fibras da cápsula interna passam a construir a coroa radiada. A cápsula interna possui uma perna anterior, situada entre a cabeça do núcleo caudado e o núcleo lentiforme, e uma perna posterior, maior, localizada entre o núcleo lentiforme e o tálamo. Estas duas porções encontram-se e formam um ângulo que constitui o joelho da cápsula interna. Figura 10. Secção horizontal do cérebro. Fonte: NatthapongSachan/Shutterstock.com 4. TRONCO ENCEFÁLICO O tronco encefálico interpõe-se entre a medula e o diencéfalo, situando-se ventralmente ao cerebelo. Na sua constituição entram corpos de neurônios que se agrupam em núcleos e fibras nervosas, que, por sua vez, se agrupam em feixes denominados tratos, fascículos ou lemniscos. Conceito: Se liga nessas definições: • Tratos: feixe de fibras nervosas que possuem aproximadamente a mesma Muitos dos núcleos do tronco encefálico recebem ou emitem fibras nervosas que entram na constituição dos nervos cranianos. Dos 12 pares de nervos cranianos, 10 fazem conexão no tronco encefálico. A identificação desses nervos e de sua emergência do tronco encefálico é um aspecto importante do estudo desse segmento do sistema nervoso central. O tronco encefálico se divide em: bulbo, situado caudalmente: mesencéfalo, situado cranialmente; e ponte, situada entre ambos. Bulbo O bulbo ou medula oblonga tem a forma de um tronco de cone, cuja menor extremidade continua caudalmente com a medula espinhal. Não há uma linha de demarcação nítida entre medula e bulbo, por isso, considera-se que o limite entre eles está num plano horizontal que passa imediatamente acima do filamento radicular mais cranial do primeiro nervo cervical, o que corresponde ao nível do forame magno do osso occipital. O limite superior do bulbo se faz em um sulco horizontal visível no contorno ventral do origem e têm a mesma função e destino. • Fascículos: refere-se a um trato mais compacto. • Lemnisco: significa fita e é empregado para feixes de fibras sensitivas que levam impulsos ao tálamo. órgão, o sulco bulbo-pontino, que é a margem inferior da ponte. Figura 11. Vista anterior do tronco encefálico. Fonte: stihii/Shutterstock.com A superfície do bulbo é percorrida longitudinalmente por sulcos que continuam com os sulcos da medula. Esses sulcos delimitam as áreas anterior (ventral), lateral e posterior (dorsal) do bulbo, que aparecem como uma continuação direta dos funículos da medula. De cada lado da fissura mediana anterior existe uma eminência alongada, a pirâmide, formada por um feixe compacto de fibras nervosas descendentes que ligam as áreas motoras do cérebro aos neurônios motores da medula, que será estudado com o nome de trato corticoespinhal ou trato piramidal. Na parte caudal do bulbo, as fibras desse trato cruzam obliquamente o plano mediano em feixes interdigitados que obliteram a fissura mediana anterior e constituem a decussação das pirâmides. Se liga! Decussação é a formação anatômica constituída por fibras nervosas que cruzam obliquamente o plano mediano e que têm aproximadamente a mesma direção (ex: pirâmides). Já as fibras da comissura cruzam perpendicularmente e têm direções opostas (ex.: corpo caloso). Entre os sulcos lateral anterior e lateral posterior temos a área lateral do bulbo, onde se observa uma eminência oval, a oliva, formada por uma grande massa de substância cinzenta, o núcleo olivar inferior, situado logo abaixo da superfície. Ventralmente à oliva emergem do sulco lateral anterior os filamentos radiculares do nervo hipoglosso, XII par craniano. Do sulco lateral posterior emergem os filamentos radiculares, que se unem para formar os nervos glossofaríngeo (IX par) e vago (X par), além dos filamentos que constituem a raiz craniana ou bulbar do nervo acessório (XI par), que se une com a raiz espinhal advinda da medula. A metade caudal do bulbo ou porção fechada do bulbo é percorrida por um estreito canal, continuação direta do canal central da medula. Este canal se abre para formar o IV ventrículo, cujo assoalho é em parte constituído pela metade rostral, ou porção aberta do bulbo. Se liga! O núcleo olivar inferior liga-se ao cerebelo poe meio das fibras olivocerebelares e estão envolvidas na aprendizagem motora. Figura 12. Vista lateral do tronco encefálico. Fonte: stihii/Shutterstock.com O sulco mediano posterior termina na metade do bulbo, devido ao afastamento de seus lábios, que contribuem para a formação dos limites laterais do IV ventrículo. Entre esse sulco e o sulco lateral posterior está situada a área posterior do bulbo, continuação do funículo posterior da medula e, como este, dividida em fascículo grácil e fascículo cuneiforme pelo sulco intermédio posterior. Esses fascículos são constituídos por fibras nervosas ascendentes, provenientes da medula, que terminam em duas massas de substância cinzenta, os núcleos grácil e cuneiforme, situados na parte mais cranial dos respectivos fascículos, onde determinam o aparecimento de duas eminências, o tubérculo do núcleo grácil, medialmente, e o tubérculo do núcleo cuneiforme, lateralmente. Essas eminências são separadas por conta do surgimento do IV ventrículo, continuando-se cranialmente no pedúnculo cerebelar inferior. Ponte A ponte está localizada entre o bulbo e o mesencéfalo. Está situada ventralmente ao cerebelo e repousa sobre parte basilar do osso occipital e o dorso da sela túrcica do esfenoide. Sua base, situada ventralmente, apresenta estriação transversal em virtude da presença de numerosos feixes de fibras transversais que a percorrem. Estas fibras convergem de cada lado para formar um volumoso feixe, o pedúnculo cerebelar médio, que penetra no hemisfério cerebelar correspondente. Conceito: O pedúnculo cerebelar inferior é uma estrutura constituída por grosso feixe de fibras de conexão entre o bulbo e a medula com o cerebelo. Considera-se como limite entre a ponte e o braço da ponte o ponto de emergência do nervo trigêmeo, V par craniano. Essa emergência se faz por duas raízes, a raiz sensitiva do nervo trigêmeo e a raiz motora do nervo trigêmeo. Percorrendo longitudinalmente a superfície ventral da ponte existe um sulco, o sulco basilar, que geralmente aloja a artéria basilar. A parte ventral da ponte é separada do bulbo pelo sulco bulbo-pontino, de onde saem de cada lado a partir da linha mediana o VI, VII e VIII pares cranianos. O VI par, nervo abducente, emerge entre a ponte e a pirâmide do bulbo. O VIII par, nervo vestibulococlear, emerge lateralmente, próximo a um pequeno lóbulo do cerebelo, denominado flóculo. O VII par, nervo facial, emerge medialmente ao VIII par, com o qual mantém relações muito íntimas. Entre os dois, emerge o nervo intermédio, que é a raiz sensitiva do VII par. Se liga! O pedúnculo cerebelar médio só apresenta fibras aferentes que chegam dos núcleos pontinos. Se liga! A síndrome ângulo ponto-cerebelar ocorre em casos de tumores que acometem A parte dorsal da ponte não apresenta linha de demarcação com a parte dorsal da porção aberta do bulbo, constituindo ambas o assoalho do IV ventrículo. Quarto ventrículo O quarto ventrículo é uma cavidade que tem uma forma losângica e está situada entre o bulbo e a ponte ventralmente, e o cerebelo, dorsalmente. Continua caudalmente com o canal central do bulbo e cranialmente com o aqueduto cerebral, por meio do qual o IV ventrículo, se comunica com o III ventrículo. A cavidade do IV ventrículo se prolonga de cada lado para formar os recessos laterais, situados na superfície dorsal do pedúnculo cerebelar inferior. Esses recessos se comunicamde cada lado com o espaço subaracnóideo por meio das aberturas laterais do IV ventrículo (forames de Luschka). Há também uma abertura mediana do IV ventrículo (forame de Magendie), situado no meio da metade caudal do tecto do ventriculo. Por meio dessas cavidades o líquido cerebroespinhal, que enche a cavidade ventricular, passa para o espaço subaracnóideo. Assoalho do IV ventrículo: tem forma losângica e é formado pela parte dorsal da ponte e da porção aberta do bulbo. Limita-se inferolateralmente pelos pedúnculos cerebelares inferiores e pelos tubérculos do núcleo grácil e do núcleo cuneiforme. Limita-se superolateralmente pelos essa área. É bem rica em sintomatologia devido à grande quantidade de raízes nervosas presentes nessa área. pedúnculos cerebelares superiores, ou braços conjuntivos, compactos feixes de fibras nervosas que, saindo de cada hemisfério cerebelar, fletem-se cranialmente e convergem para penetrar no mesencéfalo. O assoalho é percorrido em toda a sua extensão pelo sulco mediano, que se perde cranialmente no aqueduto cerebral e caudalmente no canal central do bulbo. De cada lado do sulco mediano existe a eminência medial, limitada lateralmente pelo sulco limitante. Esse sulco separa os núcleos motores, derivados da lâmina basal e situados medialmente, dos núcleos sensitivos, VI, derivados da lâmina alar e situados lateralmente. De cada lado, o sulco limitante se alarga para consumir duas depressões, a fóvea superior e a fóvea inferior. Medialmente à fóvea superior, a eminência medial dilata-se para constituir de cada lado uma elevação arredondada, o colículo facial, formado por fibras do nervo facial, que nesse nível contornam o núcleo do nervo abducente. Na parte caudal da eminência medial observa-se uma pequena área triangular de vértice inferior, o trígono do nervo hipoglosso, correspondente ao núcleo do nervo hipoglosso. Lateralmente ao trígono e caudalmente à fóvea inferior, existe uma outra área triangular de coloração ligeiramente acinzentada, o trígono do nervo vago, que corresponde ao núcleo dorsal do vago. Lateralmente ao sulco limitante há uma grande área triangular que se estende de cada lado, a área vestibular, correspondendo aos núcleos vestibulares do nervo vestibulococlear. Cruzando transversalmente a área vestibular para se perderem no sulco mediano, frequentemente existem finas cordas de fibras nervosas que constituem as estrias medulares do IV ventrículo. Estendendo-se do fóvea superior em direção ao aqueduto cerebral, lateralmente à eminência medial, encontra-se o locus coeruleus, área de coloração ligeiramente escura cuja função se relaciona com o mecanismo do sono. Assoalho do IV ventrículo: a metade cranial do teto do IV ventrículo é constituída por uma fina lâmina de substância branca, o véu medular superior, que se estende entre os dois pedúnculos cerebelares superiores. Em sua metade caudal, o teto do IV ventrículo é constituído pela tela corioide, estrutura formada pela união do epitélio ependimário, que reveste internamente o ventrículo, com a pia-máter, que reforça externamente esse epitélio. A tela corioide emite projeções vascularizadas e irregulares, que se invaginam na cavidade ventricular para formar o plexo corioide do IV ventrículo. Mesencéfalo Se liga! Os plexos coroides produzem o líquido cerebroespinhal que se acumula na cavidade ventricular, passando ao espaço subaracnóideo por meio das aberturas laterais e da abertura mediana do IV ventrículo. Pelas aberturas laterais próximas do flóculo do cerebelo exterioriza-se uma pequena porção do plexo corioide do IV ventrículo. O mesencéfalo localiza-se entre a ponte e o cérebro, do qual é separado por um plano que liga os corpos mamilares, pertencentes ao diencéfalo, à comissura posterior. É atravessado por um estreito canal, o aqueduto cerebral, que une o III ao IV ventrículo. O teto do mesencéfalo localiza-se dorsalmente ao aqueduto; ventralmente temos os dois pedúnculos cerebrais, que, por sua vez, se dividem em uma parte dorsal, o tegmento (predominantemente celular), e outra ventral, a base do pedúnculo (formada de fibras longitudinais). Em uma secção transversal do mesencéfalo pode ser observado que o tegmento é separado da base por uma área escura, a substância negra, formada por neurônios compostos por melanina. Correspondendo à substância negra na superfície do mesencéfalo existem dois sulcos longitudinais: um lateral, sulco lateral do mesencéfalo, e outro medial, sulco medial do pedúnculo cerebral. Esses sulcos marcam na superfície o Se liga! Uma característica importante da maioria dos neurônios da substância negra é que eles utilizam como neurotransmissor a dopamina. A degeneração dos neurônios dopaminérgicos da substância negra está associada às perturbações motoras que caracterizam a Doença de Parkinson. limite entre base e tegmento do pedúnculo cerebral. Do sulco medial emerge o nervo oculomotor, III par craniano. Figura 19. Secção transversal do mesencéfalo. Fonte: logika600/Shutterstock.com O teto do mesencéfalo apresenta quatro eminências arredondadas na vista dorsal, os colículos superiores e inferiores, separados por dois sulcos perpendiculares em forma de cruz. Na parte anterior do ramo longitudinal da cruz aloja-se o corpo pineal que, entretanto, pertence ao diencéfalo. Caudalmente a cada colículo inferior emerge o IV par craniano, nervo troclear. O nervo troclear, único dos pares cranianos que emerge dorsalmente, contorna o mesencéfalo para surgir ventralmente entre a ponte e o mesencéfalo. Cada colículo se liga a uma pequena eminência oval do diencéfalo, o corpo geniculado, por meio de estruturas alongadas que são feixes de fibras nervosas denominados braços dos colículos. O colículo inferior se liga ao corpo geniculado medial pelo braço do colículo inferior, e faz parte da via auditiva. O colículo superior se liga ao corpo geniculado lateral pelo braço do colículo superior, e faz parte da via óptica. Vistos ventralmente, os pedúnculos cerebrais aparecem como dois grandes feixes de fibras que surgem na borda superior da ponte e divergem cranialmente para penetrar profundamente no cérebro. Delimitam, assim, uma profunda depressão triangular, a fossa interpeduncular, limitada anteriormente por duas eminências pertencentes ao diencéfalo, os corpos mamilares. Do sulco medial do pedúnculo emerge de cada lado o nervo oculomotor. 5. CEREBELO O cerebelo situa-se dorsalmente ao bulbo e à ponte, contribuindo para a formação do teto do IV ventrículo. Repousa sobre a fossa cerebelar do osso occipital e está separado do lobo occipital do cérebro por uma prega da dura-máter denominada tenda do cerebelo. Liga-se à medula e ao bulbo pelo pedúnculo cerebelar inferior e à ponte e mesencéfalo pelos pedúnculos cerebelares médio e superior, respectivamente. O cerebelo é importante para a manutenção da postura, equilíbrio, coordenação dos movimentos e aprendizagem de habilidades motoras. Distingue-se no cerebelo o vérmis, porção ímpar e mediana, ligado a duas grandes massas laterais que são os hemisférios cerebelares. O vérmis é pouco separado dos hemisférios na face dorsal do cerebelo, o que não ocorre na face ventral, onde dois sulcos bem evidentes o separam das partes laterais. Curiosidade! Cerebelo vem do latim e significa pequeno cérebro. Figura 22. Vista dorsal e ventral do cerebelo. Fonte: Autoria própria A superfície do cerebelo apresenta sulcos de direção predominantemente transversal, que delimitam lâminas finas denominadas folhas do cerebelo. Existem também Curiosidade! Embora tenha fundamentalmente função motora, estudos recentes demonstraram que está também envolvido em algumas funções cognitivas. sulcos mais pronunciados, as fissuras do cerebelo, que delimitam lóbulos, cada um deles podendo conter várias folhas. O cerebelo é constituído de um centro de substância branca, o corpo medular do cerebelo, de