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Título II: Dos Direitos e Garantias Fundamentais: Capítulo I: Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos; Os direitos fundamentais representam os interesses jurídicos protegidos pela Constituição Federal, com natureza declaratória. Por outro lado, as garantias fundamentais são meios de resguardar um específico direito, também consagradas na Constituição, com caráter assecuratório. Dessa forma, a Constituição Federal assegura o direito à liberdade de locomoção (art. 5º, XV) como um direito fundamental e, diante de qualquer restrição ilegal a essa liberdade, a mesma Constituição estabelece a garantia do habeas corpus (art. 5º, LXVIII). DIFERENÇA ENTRE DIREITOS E GARANTIAS GARANTIAS FUNDAMENTAIS - Mecanismos estabelecidos na Constituição Federal para garantir o exercício de um específico direito fundamental (por exemplo, para preservar o direito fundamental à liberdade de locomoção, a Constituição prevê o habeas corpus) possuem uma natureza assecuratória. DIREITOS FUNDAMENTAIS - Interesses jurídicos protegidos pela Constituição Federal, tais como vida, liberdade de locomoção e direito de reunião, possuem uma natureza declaratória. Embora não haja consenso total na doutrina sobre o tema em análise, é possível destacar que algumas características dos direitos e garantias fundamentais incluem: Historicidade: Refere-se ao fato de que os direitos e garantias fundamentais foram desenvolvidos ao longo da história, não sendo criados em um momento específico. Essa característica está relacionada à evolução desses direitos, um aspecto que será explorado posteriormente. Universalidade: Os direitos e garantias fundamentais são destinados a todas as pessoas. A universalidade será abordada mais detalhadamente ao discutirmos os destinatários desses direitos e garantias fundamentais. Relatividade: Os direitos e garantias fundamentais não são absolutos, mas sim relativos. Embora parte da doutrina reconheça que certos direitos podem ser considerados absolutos, como a proibição de tortura e tratamento desumano, ou a vedação à extradição de brasileiro nato, de modo geral, esses direitos devem ser compreendidos como relativos. A relatividade dos direitos e garantias fundamentais será explorada em maior profundidade ao abordarmos a teoria dos limites desses direitos. Irrenunciabilidade: Os direitos e garantias fundamentais não podem ser renunciados, embora seja possível optar por não exercê-los. A doutrina, contudo, admite uma renúncia temporária a um direito fundamental específico, como exemplificado em "reality shows", nos quais os participantes temporariamente abrem mão de seu direito à intimidade. Inalienabilidade: Os direitos e garantias fundamentais não podem ser objeto de negociação, pois não possuem conteúdo patrimonial. Imprescritibilidade: Os direitos e garantias fundamentais não se extinguem com o decorrer do tempo. Relacionada à característica histórica, abordaremos a classificação dos direitos e garantias fundamentais em primeira, segunda e terceira gerações (ou dimensões). Para isso, adotaremos o critério cronológico, considerando o momento em que esses direitos foram reconhecidos como fundamentais e incorporados às constituições ao redor do mundo. É relevante mencionar que alguns estudiosos preferem a utilização do termo "dimensão" em vez de "geração", argumentando que o termo geração poderia sugerir a ideia de que o surgimento de uma nova geração resultaria na superação da anterior, o que não corresponde à classificação proposta. Na realidade, as gerações são cumulativas. Esta informação é crucial, pois já foi abordada em avaliações! Para fins de exame, podemos considerar sinônimos os termos geração e dimensão ao se referir à evolução dos direitos e garantias fundamentais ao longo do tempo. Direitos Fundamentais de Primeira Geração Originados nas revoluções liberais do final do século XVIII, notadamente na Revolução Francesa e na Independência dos Estados Unidos da América, esses direitos surgiram com o objetivo de restringir o poder absoluto do Estado, promovendo o respeito às liberdades públicas. Esse contexto marcou a criação de um novo modelo de Estado conhecido como Estado Liberal. Esses direitos são caracterizados como negativos, uma vez que demandam uma abstenção por parte do Estado (um não fazer), visando proteger as liberdades públicas. Seus destinatários são os súditos, ou seja, o povo, servindo como meio de defesa contra ações opressoras do Estado. São denominados direitos civis e políticos, estando intrinsecamente ligados ao ideal de liberdade. Direitos Fundamentais de Segunda Geração Tiveram sua origem no início do século XX, em meio ao surgimento do Estado Social durante a Revolução Industrial, em contraposição ao modelo do Estado Liberal. Esses direitos são caracterizados como positivos, uma vez que passaram a demandar uma atuação ativa por parte do Estado (um fazer). Referem-se aos direitos sociais, culturais e econômicos, estando intrinsecamente ligados ao ideal de igualdade. Direitos Fundamentais de Terceira Geração Finalmente, na segunda metade do século XX, emergiram os direitos de terceira geração, conhecidos como "direitos metaindividuais" (ou transindividuais), associados ao princípio de fraternidade (ou solidariedade). Assim como os direitos de segunda geração, esses direitos são positivos e estão vinculados ao contexto do Estado Social. Incluem, por exemplo, o direito à preservação do meio ambiente, à autodeterminação dos povos, à paz, ao progresso da humanidade, bem como à proteção do patrimônio histórico e cultural, entre outros. Com isso em mente, abordaremos os denominados direitos de quarta e quinta gerações. No entanto, é crucial ressaltar que não há consenso absoluto nessa matéria, sendo um tema bastante controverso e, por essa razão, não tem sido frequentemente abordado em provas. Nas ocasiões em que foi mencionado, o examinador muitas vezes recorreu à doutrina de Paulo Bonavides. Assim, exploraremos essa perspectiva. Direitos Fundamentais de Quarta Geração Conforme argumentado por Paulo Bonavides, os direitos fundamentais de quarta geração estão associados à democracia, à informação e ao pluralismo (ou diversidade). Esses direitos surgem a partir do fenômeno da globalização política. É possível que a banca aborde a quarta geração à luz das ideias do filósofo italiano Norberto Bobbio. Segundo ele, os direitos de quarta geração estão relacionados aos avanços da engenharia genética. Direitos Fundamentais de Quinta Geração Paulo Bonavides argumenta, adicionalmente, que o direito à paz (previsto no art. 4º, VI) constituiria um direito fundamental de quinta geração. De modo geral, o direito à paz é classificado como de terceira geração, uma vez que é considerado um direito metaindividual. A concepção de que a paz seria um direito de quinta geração é uma perspectiva específica defendida por Paulo Bonavides. A progressão dos direitos e garantias fundamentais ao longo do tempo está intrinsecamente conectada à evolução do constitucionalismo, que, por sua vez, representa a história do Direito Constitucional. Vamos explorar esse vínculo. Desde sempre, existiu a concepção da existência de uma norma jurídica suprema, posicionada acima das demais normas, que delineasse a estruturação do Estado. Refere-se ao período conhecido como constitucionalismo antigo, cujas raízes históricas remontam ao povo hebreu. Nesse contexto, observamos a instituição, ainda que de forma incipiente, de restrições ao poder político em um Estado teocrático, que adota uma religião oficial. No entanto, o movimento conhecido como constitucionalismo moderno emergiu somente no final do século XVIII, impulsionado pelas ideias revolucionárias franco-americanas, com o propósito de restringir o poder estatal absoluto. Seu marco histórico está na elaboração das Constituições dos Estados Unidos da América em 1787 e daFrança em 1791. Essas ideias revolucionárias buscaram romper com a arbitrariedade característica do Estado Absolutista, o qual detinha poderes ilimitados, para introduzir um novo modelo de Estado denominado Estado Liberal, também conhecido como Estado Moderno, com seu poder delimitado pela instituição da separação dos poderes e pela definição de um rol mínimo de direitos e garantias fundamentais. A característica distintiva do constitucionalismo moderno foi a criação de constituições (normas jurídicas supremas) com o propósito de restringir o exercício do poder estatal, anteriormente absoluto. Para alcançar esse objetivo, foram concebidas constituições escritas e rígidas, inspiradas nos princípios do Iluminismo e na salvaguarda das liberdades públicas. Esses valores eram elementos centrais do liberalismo político e econômico predominantes na época, buscando impor limites ao exercício do poder estatal. Pode-se designar o constitucionalismo moderno como o movimento político, jurídico e ideológico que concebeu a estruturação do Estado e a limitação do exercício de seu poder, concretizadas por meio da elaboração de uma constituição escrita e rígida destinada a representar sua lei fundamental. O teor dessas primeiras constituições escritas e rígidas, orientadas pelo liberalismo, consistia na estipulação de normas sobre a organização do Estado, a prática e a restrição do poder estatal, garantidas pela enumeração de direitos e garantias fundamentais dos indivíduos, bem como pela separação dos Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário). Essa fase do constitucionalismo moderno corresponde à consolidação da primeira geração dos direitos fundamentais, associada ao ideal de liberdade: os direitos civis e políticos. No início do século XX, com o surgimento da ideologia socialista no contexto da crescente Revolução Industrial, surge a necessidade de concretizar a igualdade de oportunidades para todos os membros da sociedade, uma vez que a igualdade formal não desempenhava mais seu papel social. A partir desse ponto, desenvolve-se a segunda geração dos direitos e garantias fundamentais (direitos sociais, econômicos e culturais), notadamente com a promulgação da Constituição Mexicana de 1917 e da Constituição Alemã de 1919 (conhecida como Constituição de Weimar), fundamentadas no ideal da igualdade material. Nesse cenário, o Estado abandona seu ideal abstencionista (modelo de Estado Liberal que permanece inerte e não intervencionista), passando a intervir no corpo social com o objetivo de corrigir as desigualdades existentes. Os entes políticos passam a implementar políticas públicas para garantir o desfrute de direitos como saúde, moradia, previdência e educação. Essa nova fase inaugura o constitucionalismo contemporâneo. No Brasil, o constitucionalismo contemporâneo teve origem com a promulgação da Constituição Federal de 1934, a terceira Constituição Brasileira e a primeira a abordar questões relacionadas à ordem econômica e social. Sua fonte inspiradora foi a Constituição Alemã de 1919, conhecida como a Constituição de Weimar. Na metade do século XX, as constituições passaram a considerar os interesses metaindividuais, transcendendo a mera individualidade dos membros de uma sociedade. Surgiram assim os direitos transindividuais, englobando os direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos. Dessa maneira, foi estabelecida a terceira geração dos direitos e garantias fundamentais, caracterizados pelo ideal de fraternidade (solidariedade). Exemplos desses direitos incluem o direito a um meio ambiente equilibrado, ao desenvolvimento, ao progresso da humanidade, à paz social e à comunicação entre os povos. Em suma, esse breve histórico abordou a transição do Estado Liberal para o Estado Social, do constitucionalismo antigo para o contemporâneo, e dos direitos e garantias fundamentais de primeira geração para os de terceira geração. Agora, vamos explorar quem são os beneficiários dos direitos e garantias fundamentais, com um alerta prévio para a atenção especial ao conteúdo do artigo 5º. Destinatários dos Direitos e Garantias Fundamentais A interpretação literal do caput do art. 5º pode levar a um equívoco substancial. A norma estabelece que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes [...]". A abordagem mais apropriada dessa norma constitucional não conduz à conclusão de que apenas brasileiros e estrangeiros residentes são destinatários dos direitos e garantias fundamentais. Na verdade, todas as pessoas físicas (nacionais, estrangeiras - residentes ou não - e até mesmo apátridas, referindo-se àqueles sem nenhuma nacionalidade) e jurídicas (de direito público ou privado) são destinatárias dos direitos e garantias fundamentais presentes em nossa Constituição Federal, desde que o direito em questão seja compatível com a sua natureza. Essa observação final é relevante. De fato, de maneira genérica, podemos afirmar que todas as pessoas físicas e jurídicas são destinatárias dos direitos e garantias fundamentais estabelecidos em nossa Constituição Federal. No entanto, é importante destacar que não se aplicam direitos políticos a estrangeiros, e tampouco se pode atribuir o direito à saúde a uma empresa, uma vez que esses direitos não são compatíveis com a natureza jurídica dessas entidades. Eficácia Horizontal ou Eficácia Externa Para abordar essa parte da teoria geral, é necessário adentrar um pouco na história geral. Vamos lá! Na sua origem, no final do século XVIII, os direitos e garantias fundamentais foram concebidos para regular exclusivamente as relações entre o Estado e o particular, ou seja, foram elaborados para proteger os súditos (o povo) contra a ação opressora do Estado. Nessa fase, a eficácia dos direitos e garantias fundamentais era considerada vertical, pois se aplicava apenas às relações entre o Estado e seus súditos, com o Estado posicionado acima do povo. Contudo, a evolução constitucional possibilitou a extensão desses direitos também às relações privadas ou horizontais entre pessoas privadas. Em outras palavras, embora os direitos e garantias fundamentais tenham sido originalmente criados para regular as relações verticais entre o Estado e seus súditos, ao longo do tempo, passaram a ser aplicados nas relações horizontais entre pessoas privadas, fenômeno conhecido como eficácia horizontal dos direitos e garantias fundamentais. Tenho notado certa dificuldade na compreensão da eficácia horizontal dos direitos fundamentais, especialmente por parte daqueles que estão estudando Direito Constitucional pela primeira vez. Então, vamos tentar ser mais elucidativos. Consideramos o princípio fundamental da dignidade da pessoa humana. Quando esse princípio foi incluído na Constituição Federal pela primeira vez, a ideia era de que o Estado não poderia tratar as pessoas de maneira desumana, representando a eficácia vertical, considerando que o Estado está acima das pessoas. Com a evolução da aplicação dos direitos fundamentais também nas relações privadas, o respeito à dignidade da pessoa humana passou a ser observado inclusive nas relações horizontais, fenômeno denominado eficácia horizontal, onde os participantes estão no mesmo patamar. Vamos exemplificar: considere uma residência que emprega uma empregada doméstica. O empregador tem a responsabilidade de tratá-la com dignidade, pois, nessa relação privada, é essencial observar o princípio da dignidade da pessoa humana. Isso representa a eficácia horizontal dos direitos fundamentais, onde empregador e empregada estão em um mesmo plano e devem se tratar com dignidade, uma vez que esse princípio fundamental é de aplicação obrigatória nas relações jurídicas privadas. Outro exemplo, extraído da jurisprudênciado Supremo Tribunal Federal (STF), refere-se à impossibilidade de expulsar um associado sem a observância do devido processo legal. O STF decidiu que uma associação só pode desvincular um associado se garantir a ele o direito ao contraditório e à ampla defesa. Nessa situação, associação e associado estão em um mesmo nível. Trata-se, portanto, de uma relação horizontal entre pessoas privadas. Mesmo assim, o STF entendeu que, nessa relação horizontal, é imperativo respeitar os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Teoria dos Limites dos Limites dos Direitos Fundamentais Já é conhecido que os direitos fundamentais, em sua essência, são geralmente não absolutos, apresentando a característica da relatividade. Isso significa que, em princípio, é possível impor limites à extensão desses direitos. No entanto, essa possibilidade encontra sua restrição na preservação do "núcleo essencial" do direito fundamental. Essa abordagem é denominada teoria dos limites dos limites dos direitos fundamentais, também conhecida na doutrina alemã como Schranken-Schranken. Conforme essa teoria, a restrição a um direito fundamental, derivada da própria Constituição, só é válida se o núcleo essencial do direito fundamental for respeitado. O núcleo essencial representa o conteúdo mínimo e intangível do direito fundamental, que deve ser protegido em todas as circunstâncias, sob pena de criar uma situação inconstitucional grave. Vamos considerar um exemplo hipotético, mas esclarecedor. Atualmente, qualquer pessoa que atenda aos requisitos do aplicativo pode dirigir um carro compartilhado e fazer disso sua profissão. No entanto, o art. 5º, inc. XIII, estabelece que "é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer". Em outras palavras, o Congresso Nacional tem a possibilidade de criar uma lei para restringir a profissão de motorista de aplicativo. Contudo, essa autoridade de restrição encontra limites na preservação do núcleo essencial da liberdade profissional. Assim, se o Congresso Nacional violar o núcleo essencial da liberdade profissional, essa restrição será considerada inconstitucional, pois desrespeita a teoria dos limites dos limites dos direitos fundamentais. Por exemplo, se uma lei federal determinar que apenas quem tiver carteira de motorista há mais de 30 anos e nunca tiver cometido infração de trânsito pode dirigir carro compartilhado, isso poderia ser considerado uma restrição tão severa que comprometeria o núcleo essencial da liberdade profissional. Mesmo possuindo o poder de restringir os direitos fundamentais, essa limitação encontra seus limites na preservação do núcleo essencial do direito fundamental. Colisão entre Direitos Fundamentais – Aplicação do Princípio da Proporcionalidade Vamos novamente ao exemplo hipotético (inusitado, mas esclarecedor). Suponha que em um determinado município ocorra um número excessivo de crimes cometidos por adolescentes. O Juiz da Infância e da Juventude desta comarca emite uma portaria que proíbe crianças e adolescentes de saírem de suas casas após as 20 horas. Nessa medida, temos dois direitos igualmente fundamentais em conflito: de um lado, a segurança pública, e de outro, a liberdade de locomoção. Para avaliarmos se a portaria do juiz é (ou não) proporcional, é necessário utilizar os três "filtros": 1) adequação; 2) necessidade; e 3) proporcionalidade em sentido estrito. A portaria do juiz é adequada? Sim, ao proibir os jovens de permanecerem nas ruas após às 20 horas, isso poderia reduzir a delinquência juvenil, alcançando o objetivo pretendido. Entretanto, a portaria é necessária? Em outras palavras, existiria outro meio menos gravoso para alcançar o mesmo objetivo? Entendo que a portaria é desnecessária, pois há alternativas menos onerosas, como reforçar o policiamento nas ruas. Por fim, a portaria do juiz passa pelo crivo da proporcionalidade em sentido estrito? Também entendo que não. Ao ponderar os prejuízos causados e os benefícios obtidos, os malefícios da portaria parecem superar as vantagens. Portanto, na minha visão (podendo haver opiniões divergentes), a medida adotada pelo juiz é desproporcional e não deveria ser aplicada. Concluo que, no caso apresentado, deve-se priorizar a liberdade de locomoção em detrimento da segurança pública. Concorda? Essa é a aplicação do princípio da proporcionalidade para resolver possíveis conflitos entre direitos fundamentais em casos específicos. Outro exemplo pode ser extraído da Lei nº 13.301, de 2016. O art. 1º, § 1º, IV, desta lei prevê a possibilidade de ingresso forçado em imóveis públicos e particulares, em situações de abandono, ausência ou recusa de pessoa que possa permitir o acesso de agente público, regularmente designado e identificado, quando se mostrar essencial para a contenção de doenças. Trata-se de uma prerrogativa legal para relativizar a inviolabilidade domiciliar como medida de controle do mosquito transmissor do vírus da dengue, chikungunya e zika. Nesse cenário, temos, por um lado, o direito à inviolabilidade domiciliar e, por outro, o direito à saúde pública. Qual deveria prevalecer? Na minha opinião, neste caso específico, o direito da coletividade à saúde pública deveria predominar. Ao analisar a lei sob a perspectiva da proporcionalidade, ela seria adequada, já que o acesso forçado permitiria o controle da proliferação do mosquito. Não vislumbro uma medida menos gravosa para atingir o objetivo de conter as doenças transmitidas pelo mosquito, tornando a lei necessária. Por fim, em uma análise de custo-benefício, preservar a saúde pública da comunidade afetada é mais significativo do que manter a inviolabilidade domiciliar. Os Quatro Status de Jellinek Com o intuito de elucidar a crucial função desempenhada pelos direitos e garantias fundamentais, Georg Jellinek desenvolveu, no final do século XIX, a doutrina dos quatro status nos quais o indivíduo pode se encontrar diante do Estado: o status passivo, o status negativo, o status positivo e o status ativo. Analisemos cada um deles: a) Status passivo ou subjectionis: Quando o indivíduo está em posição de subordinação aos poderes públicos, caracterizando-se como detentor de deveres para com o Estado (por exemplo: a Constituição Federal proíbe o voto para menores de 16 anos. Todos os jovens que não tenham atingido essa idade mínima devem se subordinar a essa proibição e não poderão votar); b) Status negativo ou status libertatis: Caracterizado por um espaço de liberdade de atuação dos indivíduos sem ingerências dos poderes públicos (por exemplo: o Estado deve respeitar o direito à liberdade de locomoção de seus súditos); c) Status positivo ou status civitatis: Posição que coloca o indivíduo em situação de exigir do Estado uma atuação positiva em seu favor (por exemplo: o Estado tem o dever de prestar um serviço de saúde pública de qualidade); d) Status ativo: Situação em que o indivíduo pode influenciar na formação da vontade estatal, correspondendo ao exercício dos direitos políticos manifestados principalmente por meio do voto (por exemplo: conforme mencionado, o direito constitucional ao voto é uma manifestação do "status" ativo). RESUMÃO Direitos e Garantias Fundamentais: O conceito abrangente de "direitos e garantias fundamentais" engloba cinco categorias específicas, representadas pelos capítulos do Título II da Constituição Federal: a) Capítulo 1: direitos e deveres individuais e coletivos; b) Capítulo 2: direitos sociais; c) Capítulo 3: nacionalidade; d) Capítulo 4: direitos políticos; e) Capítulo 5: partidos políticos. Distinção entre Direitos e Garantias Fundamentais: Os direitos fundamentais são os valores jurídicos protegidos pela Constituição Federal, possuindo uma natureza declaratória. Por outro lado, as garantias fundamentais são meios de resguardarum determinado direito, também estipulados na Constituição, apresentando uma natureza assecuratória. Direitos Fundamentais X Direitos Humanos: Os direitos fundamentais são consagrados na Constituição Federal de um país específico, enquanto os direitos humanos, universalmente reconhecidos, são garantidos por tratados internacionais, constituindo normas jurídicas de alcance global. Características dos Direitos e Garantias Fundamentais: Historicidade: Refere-se à origem dos direitos e garantias fundamentais ao longo da história; Universalidade: Destina-se a todas as pessoas, independentemente de qualquer distinção; Relatividade: Não são absolutos, mas sim relativos, sujeitos a certas limitações; Irrenunciabilidade: Não podem ser renunciados, embora seu exercício possa ser abstido; Inalienabilidade: Não são passíveis de negociação, pois carecem de conteúdo patrimonial; Imprescritibilidade: Não se extinguem pelo decurso do tempo. Direitos Fundamentais de Primeira Geração: Originados nas revoluções liberais do final do século XVIII, como a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos da América, esses direitos visavam restringir o poder absoluto do Estado, promovendo o respeito às liberdades públicas. No contexto da criação do Estado Liberal, são direitos negativos, demandando uma abstenção do Estado em favor das liberdades públicas. Seus beneficiários são os súditos (o povo), servindo como salvaguarda contra a opressão estatal. Esses direitos, associados ao ideal de liberdade, abrangem os direitos civis e políticos. Questões 1 - Uma norma constitucional autoaplicável, restringível, mas com aplicabilidade direta e imediata, será uma norma: A) De eficácia absoluta. B) De eficácia plena. C) De eficácia limitada. D) De eficácia contida. E) De eficácia diferida. 2 - Quem deve respeitar os direitos e garantias fundamentais? Essa questão refere-se aos sujeitos passivos ou destinatários das obrigações de observância e proteção ativa que decorrem dos direitos e garantias, por mais abstratos e indefinidos que sejam. Sobre os destinatários dos direitos fundamentais, analise as afirmativas abaixo e dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F). ( ) Os direitos fundamentais, em regra, destinam-se a proteção dos estrangeiros residentes no país e, também, dos de passagem pelo País. ( ) Os direitos fundamentais destinam-se à proteção dos apátridas. ( ) Os direitos fundamentais destinam-se à proteção das pessoas jurídicas, observadas suas particularidades. ( ) O destinatário principal do dever de respeitar os direitos dos indivíduos é o Estado no sentido mais amplo do termo. Sendo, também, atualmente possível ter como destinatário um particular a partir do reconhecimento do efeito horizontal dos direitos fundamentais. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo. A) V, V, V, V B) V, V, F, F C) V, F, F, V D) F, F, V, V E) F, V, V, F 3 - Os direitos e as garantias fundamentais constituem a base de um Estado de Direito. São eles inalienáveis e imprescindíveis à própria condição humana, devendo respeitá-los não só o Estado, mas também os particulares, como se vem reconhecendo jurisprudencialmente. Como legitimados ativos, também é amplo o rol de seus beneficiários: além das pessoas físicas nacionais, também o são as pessoas jurídicas e, no que couber, mesmo os estrangeiros (não-nacionais). Acerca do disciplinamento dos direitos e das garantias fundamentais na Constituição Federal de 1988, assinale a alternativa correta. A) Não tendo os direitos fundamentais caráter absoluto, pode o Estado, em face da limitação ao direito de expressão e da prerrogativa de fiscalização das concessões públicas, desde que sob a forma legislativa, determinar cortes nas programações televisivas que atentem, notoriamente, contra o interesse da infância e da juventude. B) Em face da indisponibilidade dos direitos fundamentais, não é possível um particular, por exemplo, dar entrevista pública acerca de dados de sua intimidade para divulgação pública. C) A inviolabilidade de domicílio é um conceito amplo: não se limita aos lugares de habitação coletiva ou temporária, abrange até mesmo um barco, ou mesmo um quarto de motel; não contempla, somente, locais em que é franqueado acesso ao público em geral, como um restaurante. D) Decorrente da amplitude do direito fundamental à necessária licitude nos processos, judiciais ou administrativos, a simples existência de qualquer prova ilícita nos autos é suficiente para anular o procedimento. E) O direito fundamental à reunião enseja necessário aviso prévio à Administração, que, todavia, não encontra possibilidade de vetá-lo, senão garantir o devido aparato para a segurança dos manifestantes bem como da sociedade que circunde o ato público. 4 - São direitos fundamentais, previstos na Constituição Federal: A) a liberdade de reunião e as normas de proteção trabalhista. B) o meio ambiente e a defesa dos consumidores. C) a saúde e a educação. D) a liberdade de reunião e a assistência social. E) as liberdades de expressão e de credo. https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes?discipline_ids%5B%5D=3&modality_ids%5B%5D=1&q=S%C3%A3o%20direitos%20fundamentais%2C%20previstos%20na%20Constitui%C3%A7%C3%A3o%20Federal&subject_ids%5B%5D=49&subject_ids%5B%5D=8827&subject_ids%5B%5D=18351&subject_ids%5B%5D=21364#question-belt-525534-teacher-tab https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes?discipline_ids%5B%5D=3&modality_ids%5B%5D=1&q=S%C3%A3o%20direitos%20fundamentais%2C%20previstos%20na%20Constitui%C3%A7%C3%A3o%20Federal&subject_ids%5B%5D=49&subject_ids%5B%5D=8827&subject_ids%5B%5D=18351&subject_ids%5B%5D=21364#question-belt-525534-teacher-tab 5 – A respeito dos direitos e das garantias fundamentais, assinale a opção correta. A) Os direitos sociais, econômicos e culturais são, atualmente, classificados como direitos fundamentais de terceira geração. B) O direito ao meio ambiente equilibrado e o direito à autodeterminação dos povos são exemplos de direitos classificados como de segunda geração. C) A comissão parlamentar de inquérito tem autonomia para determinar a busca e a apreensão em domicílio alheio, com o objetivo de coletar provas que interessem ao poder público. D) A entrada em domicílio, sem o consentimento do morador, é permitida durante o dia e a noite, desde que haja autorização judicial. E) A doutrina moderna classifica os direitos civis e políticos como direitos fundamentais de primeira geração. 6 - Os direitos destinados a assegurar a soberania popular mediante a possibilidade de interferência direta ou indireta nas decisões políticas do Estado são direitos A) políticos de primeira dimensão. B) políticos de terceira dimensão. C) políticos de segunda geração. D) sociais de segunda geração. E) sociais de primeira dimensão. 7 - De acordo com a Constituição Federal, quando dos direitos e garantias fundamentais, ela traz que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, e garante aos brasileiros a inviolabilidade do direito à: A) Soberania. B) Cidadania. C) Propriedade. D) Solidariedade. https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes?discipline_ids%5B%5D=3&modality_ids%5B%5D=1&q=A%20respeito%20dos%20direitos%20e%20das%20garantias%20fundamentais%2C%20assinale%20a%20op%C3%A7%C3%A3o%20correta&subject_ids%5B%5D=49&subject_ids%5B%5D=8827&subject_ids%5B%5D=18351&subject_ids%5B%5D=21364#question-belt-606719-teacher-tab https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes?discipline_ids%5B%5D=3&modality_ids%5B%5D=1&q=A%20respeito%20dos%20direitos%20e%20das%20garantias%20fundamentais%2C%20assinale%20a%20op%C3%A7%C3%A3o%20correta&subject_ids%5B%5D=49&subject_ids%5B%5D=8827&subject_ids%5B%5D=18351&subject_ids%5B%5D=21364#question-belt-606719-teacher-tab8 - Nos termos do Art. 5º da Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país. Nesse sentido, assinale a alternativa CORRETA: A) São admissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. B) É livre a manifestação do pensando, sendo autorizado o direito ao anonimato. C) Homens e mulheres são iguais em direitos, mas suas obrigações deverão ser medidas de acordo com sua força física e habilidades. D) É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. 9 - Segundo a Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: A) não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião. B) as entidades associativas, mesmo sem autorização expressa, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente. C) às presidiárias, serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação, desde que apresentem bom comportamento. D) as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação contida. 10 - De acordo com o Art. 5º da Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes, à exceção de um. Assinale-o. A) Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. B) Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. C) A tortura é admissível em casos de risco à segurança nacional. D) É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. E) É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo. 1 D 2 A 3 C 4 B 5 E 6 A 7 C 8 D 9 A 10 C