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AULA 01 – DIREITO PROCESSUAL CONSTITUCIONAL TEORIA GERAL DAS GARANTIAS CONSTITUCIONAIS INTRODUÇÃO Perceber que os valores mais caros da humanidade merecem ser organizados em um documento jurídico dotado de força normativa hierarquicamente superior às demais normas de ordenamento, bem como, reconhecer a Constituição enquanto documento supremo do ordenamento jurídico, justifica a estrutura constitucional de proteção aos direitos fundamentais arquitetada nos moldes atuais. Na CF/88 , logo no preâmbulo, já é percebido a importância da matéria: Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. Que demonstra o propósito de se instituir um “Estado democrático de direito” destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade e a segurança, bem como, nas demais normas que apresentam os direitos fundamentais enquanto condições necessárias para a construção e o exercício de todos os demais direitos previstos no ordenamento jurídico. ➢ Os direitos e garantias fundamentais são essenciais nos Estados Democráticos de Direito. Este estudo visa apresentar seus conceitos, classificação e caracterização na Constituição Federal de 1988. ➢ No seu Conceito de Direitos Fundamentais Os direitos fundamentais são direitos humanos positivados na ordem jurídica interna de um país. Relacionam-se com a dignidade humana, considerada um axioma fundamental (FERNANDES, 2010, p. 235). ➢ Marcelo Novelino (2010, p. 370) destaca que a dignidade humana é um atributo inerente, não concedido pelo ordenamento jurídico, mas interdependente dos direitos fundamentais. CORRENTES SOBRE DIREITOS FUNDAMENTAIS ➢ LIBERAL: Segundo a qual são direitos fundamentais somente aqueles que garantem as liberdades públicas dos cidadãos e limitam o poder do Estado. ➢ COMUNITARISTA: Segundo a qual são direitos fundamentais aqueles escolhidos como os mais importantes por uma dada sociedade. OS DIREITOS FUNDAMENTAIS SÃO ORGANIZADOS POR DIMENSÕES HISTÓRICAS: 1. Direitos de liberdade (Revoluções Americana e Francesa, 1789). 2. Direitos de igualdade (Revolução Russa, 1917; Constituições Mexicana e de Weimar). 3. Direitos coletivos (ONU, 1945; Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948). A PRIMEIRA DIMENSÃO: ➢ A primeira dimensão de direitos fundamentais diz respeito ao direito de liberdade e à limitação do poder do Estado de intervenção na esfera individual. Trata-se dos direitos individuais de viés liberal, reconhecidos solenemente na Declaração Francesa de Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, que Fábio Konder Comparato (2010, p. 86) denomina de “certidão de nascimento dos direitos humanos”. Seu reconhecimento decorreu da luta burguesa contra o absolutismo monárquico, fundada em teorias iluministas, e os fatos históricos mais relevantes desse momento foram a Revolução Americana (1787) e a Revolução Francesa (1789). A SEGUNDA DIMENSÃO: ➢ A segunda dimensão de direitos fundamentais se refere ao direito de igualdade, resultado das lutas sociais por melhores condições de trabalho, no início do século XX, cujos documentos e fatos mais importantes são o Manifesto Comunista, a Revolução socialista russa (1917), a Constituição Mexicana (1917), a Constituição de Weimar (1919) e a Encíclica papal Rerum Novarum. Nesse momento histórico foram reconhecidos os direitos sociais, econômicos e culturais, direitos exigíveis do Estado, visto que não há como exercer a liberdade em uma sociedade desigual. A TERCEIRA DIMENSÃO: • A terceira dimensão de direitos veio a ser reconhecida após a Segunda Guerra Mundial, quando os horrores do nazismo foram revelados, trazendo a necessidade de se garantir direitos coletivos, difusos e transindividuais. O fato mais importante desse momento histórico foi a criação da Organização das Nações Unidas, em 1945, e a aprovação de sua primeira Resolução, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. • É mister ressaltar que todas essas dimensões de direitos foram incorporadas aos ordenamentos jurídicos nacionais em momentos distintos em cada País, quando passaram a ser considerados direitos fundamentais. Novas Dimensões de Direitos Paulo Bonavides (apud Novelino, 2010, p. 356) identifica: 4ª Dimensão: pluralismo jurídico e democracia. Trabalha temas como a: Globalização, Clonagem, Pesquisa Científica e Bioética. • Dependem da concretização da sociedade aberta no futuro, em sua dimensão de máxima universalidade, para a qual parece o mundo inclinar-se no plano de todas as relações de convivência. • Noberto Bobbio, por sua vez, identifica nesta quarta dimensão, os direitos relacionados aos efeitos cada vez mais traumáticos da pesquisa biológica, que permitirá manipulações do patrimônio genético dos indivíduos. 5ª Dimensão: direito à paz. Destaca a paz como um direito fundamental de quinta dimensão, legitima de estabelecimento de ordem, liberdade e do bem comum na convivência dos povos, identificada por Paulo Bonavides, como papel central de supremo direito da HUMANIDADE. Os direitos fundamentais são bens jurídicos tutelados pela Constituição Federal, de cunho DECLARATÓRIO. Por sua vez, as garantias fundamentais são instrumentos de proteção de um determinado direito também previsto na Constituição, de cunho ASSEGURATÓRIO. Características dos direitos fundamentais: UNIVERSALIDADE: Aponta a existência de um núcleo mínimo de direitos que deve estar presente em todo lugar e para todas as pessoas. HISTORICIDADE: Os direitos fundamentais apresentam-se como um corpo de benesses e prerrogativas que somente faz sentido se contextualizando num determinado período histórico. INDIVISIBILIDADE: Os direitos fundamentais formam um sistema harmônico, coerente e indissociável, o que importa na impossibilidade de compartimentalização dos mesmos, seja na tarefa interpretativa, seja na de aplicação às circunstâncias concretas. IMPRESCRITIBILIDADE/ INALIENABILIDADE: Direitos fundamentais, não são passíveis de alienação, não se pode dispor, tampouco, prescrevem. Inalienabilidade é característica que exclui quaisquer atos de disposição, quer material – destruição física do bem -, quer jurídica – renúncia, compra e venda ou doação. RELATIVIDADE: O exercício dos direitos fundamentais não raro, acarreta conflitos com outros direitos constitucionalmente previstos e resguardados, dada a circunstância de nenhum direito ser absoluto ou prevalecer perante os demais abstrato. INVIOLABILIDADE: Esta característica confirma a impossibilidade de desrespeito aos direitos fundamentais por determinação ou por atos de autoridade, sob pena de responsabilização civil, administrativamente e criminal. COMPLEMENTABILIDADE: Direitos fundamentais, não são interpretados isoladamente, de maneira isolada, ao contrário, devem ser conjugados, reconhecendo-se que compõem um sistema único – pensado pelo legislador, no intuito de oportunizar a máxima proteção do valor “dignidade da pessoa humana”. EFETIVIDADE: A atuação dos Poderes Públicos deve se pautar (sempre) na necessidade de se efetivar os direitos e garantias institucionalizados, inclusive, por meio da utilização de mecanismos coercitivos, se necessário for. INTERDEPENDÊNCIA: As previsões constitucionais que se traduzem em direitos fundamentais possuem interseções/ ligações intrínsecas, com o intuito óbvio de intensificar a proteção engendrada pelocatálogo de direitos.