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Aula 2 - Conceito de Tributo 
 
1. Código Tributário Nacional 
De acordo com o CTN (Art. 3º), “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em 
moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, 
instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. 
 
 
 
1.1. O Tributo é uma Obrigação de Pagar Dinheiro 
 
O tributo é o objeto de uma prestação jurídica; como qualquer outra prestação jurídica 
obrigacional, será exercida a pretensão por alguém que possui capacidade ativa para exigir 
coercitivamente do sujeito passivo obrigacional. 
 
O Tributo é expressado em dinheiro, nunca em dar outros bens fungíveis ou infungíveis; a 
obrigação tributária principal de pagar tributo é manifestada mediante entrega ao Fisco de 
moeda. Quando o CTN se refere a “moeda ou cujo valor nela se possa exprimir” não tem a 
intenção de instituir uma obrigação tributária de dar outra coisa que não seja moeda, mas 
tão somente de permitir que o legislador que institua o tributo venha a estabelecer um 
“valor” que possa revelar a quantidade de moeda que deve ser paga a título de tributo. 
 
Em outras palavras, “valor que possa exprimir a moeda” é um valor que possa manifestar, 
revelar ou fazer conhecida a moeda. Digamos que o tributo seja “50 valores de referência 
X” e que a Lei diga que “1 valor de referência X” corresponde a Y reais (moeda); esse é um 
exemplo de como a Lei pode estabelecer o pagamento de um tributo em um “valor” (ou 
referência) que possa ser convertido, manifestado ou expressado em dinheiro. O que 
interessa, em todo o caso, é que o tributo, ao fim e ao cabo, é moeda (dinheiro). 
 
1.2. A Origem ‘ex lege’ da Prestação Compulsória de Pagar Tributo 
 
Quem busca um mútuo, por exemplo, vai até uma agência bancária e acerta a celebração 
de um contrato; aquele que pretende adquirir um determinado imóvel vai até o 
promitente vendedor e celebra uma promessa de compra e venda, após todas as 
tratativas prévias. 
O contrato é a fonte por excelência das obrigações, mas a Lei também pode fazer nascer a 
relação jurídica obrigacional; é o caso do tributo. Ninguém procura o auditor fiscal para 
com ele acertar o pagamento de um tributo, tampouco promove prévias tratativas com o 
representante do fisco para se obrigar a pagar um determinado tributo. 
 
O tributo se impõe ao sujeito passivo, como obrigação jurídica, ‘ex lege’. Isso significa que 
o tributo nasce da Lei, e não como manifestação de vontade dos que ao seu pagamento se 
obrigam. Não há manifestação de vontade nem do sujeito passivo, tampouco do sujeito 
ativo; como veremos, o sujeito ativo também está vinculado, por inflexão legal direta, 
a cobrar o tributo. 
 
1.3. O Tributo não Constitui Sanção de Ato Ilícito 
 
Tendo a vocação de viabilizar o Estado e custear os serviços públicos, o tributo não tem 
como pressuposto um agir ilícito. O tributo, para surgir como obrigação, pode até 
desconsiderar se o ato que configura o seu nascimento seja decorrente de um agir lícito 
ou ilícito. Assim, “auferir renda” é uma inflexão abstrata normativa que, quando ocorre no 
mundo da vida (no mundo real), faz nascer uma obrigação tributária. 
 
É dizer, “auferir renda” é um fato que gera uma obrigação tributária, pois subsume-se a 
uma previsão hipotética normativa. Se essa renda advém de um agir ilícito (como a venda 
de drogas) ou lícito (como o exercício de um emprego formal), não importa: o fato que 
gera uma obrigação tributária é interpretado objetivamente. 
 
1.4. O Tributo é Cobrado Mediante Atividade Administrativa Plenamente Vinculada 
 
Por fim, podemos dizer que se cobra o tributo como uma atividade não discricionária; o 
fiscal não lhe cobra um tributo porque é um cara do mal, tampouco “alivia” a cobrança 
por ser um cara do bem. 
 
Em termos de inflexão normativa, quando uma obrigação nasce diretamente por 
imposição legal, não há bom e mal: o fiscal cobra o tributo que a Lei faz surgir, sendo um 
mero instrumento dessa norma impositiva. Portanto, a obrigação que tem por objeto o 
pagamento de um tributo nasce antes de qualquer atividade administrativa; ela nasce 
independente de qualquer acordo, tratativa ou reunião entre as partes. 
 
A obrigação surge, como dito linhas acima, pela ocorrência de um fato da vida que se 
amolda a uma norma hipotética. “Auferir renda”, diz a norma hipotética; se alguém, de 
carne e osso, obtém a renda, esse fato gera uma obrigação. 
 
2. Conceito doutrinário 
 
Diante do desenvolvimento das partes integrantes para o estabelecimento de um conceito 
de tributo, acima desenvolvidas, podemos dizer que tributos são prestações em dinheiro, 
que o Estado, no exercício de seu poder de império, exige e deriva do patrimônio do 
contribuinte com o objetivo de obter recursos para se viabilizar e cumprir os seus fins. De 
acordo com Paulsen: 
 
(...) Cuida-se de prestação em dinheiro exigida compulsoriamente, pelos entes 
políticos ou por outras pessoas jurídicas de direito público, de pessoas físicas 
ou jurídicas, com ou sem promessa de devolução, forte na ocorrência de 
situação estabelecida por lei que revele sua capacidade contributiva ou que 
consubstancie atividade estatal a elas diretamente relacionada, com vista à 
obtenção de recursos para o financiamento geral do Estado, para o 
financiamento de fins específicos realizados e promovidos pelo próprio Estado 
ou por terceiros em prol do interesse público (PAULSEN, Leandro. Curso de 
direito tributário completo. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2019). 
 
3. Espécies Tributárias 
 
Assim, embora a Constituição Federal não contenha nenhum dispositivo que diga “os 
tributos são”, a partir da análise dos artigos acima transcritos, podemos dizer que OS 
TRIBUTOS SÃO: 
• Impostos; 
• Taxas; 
• Contribuição de melhoria; 
• Empréstimos compulsórios; 
• Contribuições. 
 
a. O Imposto 
Os impostos são tributos que incidem sobre revelações de riquezas do contribuinte, 
cujas normas de distribuição de competência estão nos Artigos 153, 155 e 156 da 
Constituição Federal. Os fatos geradores dos impostos são, portanto, situações 
relacionadas ao contribuinte (art. 16 do CTN) – e não ao Estado – como 
exteriorizações de riqueza ou da atividade econômica desenvolvida. Isso significa dizer 
que se tratam de tributos não vinculados a qualquer atividade do Poder Público. CTN: 
 
Art. 16. Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma 
situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa 
ao contribuinte. 
O montante da exação será calculado tendo em conta as materialidades sobre as quais 
incide; por exemplo, tributada a propriedade, a base de cálculo será o seu valor venal, 
na circulação de mercadorias, o valor da operação 
Relevante destacar que os impostos, por estarem dissociados de qualquer atuação 
específica do Estado, servem ao custeio dos serviços públicos universais – como a 
varrição de ruas e calçadas (espaço públicos, utilizados por todos) – e o seu produto, 
por essa razão, estará necessariamente dissociado de qualquer órgão, fundo ou 
despesa, nos exatos termos do artigo 167, IV, da CF/88, e com as exceções nele 
descritas: 
 
Há alguns impostos cuja finalidade preponderante não é arrecadatória. A doutrina 
ressalta que todo tributo possui funções fiscal e extrafiscal; alguns, 
preponderantemente fiscais, outros, extrafiscais ou regulatórios. 
 
Impostos fiscais têm preponderante função arrecadatória; já os preordenados à 
função extrafiscal servem primordialmente como regulação do mercado, como 
forma de intervenção do Estado sobre o domínio econômico. 
 
São considerados extrafiscais os tributos federais sobre: importação de produtos 
estrangeiros (II), exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados 
(IE), operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores 
mobiliários (IOF)e produtos industrializados (IPI) 
 
b. Taxas 
Por uma questão de isonomia e justiça fiscal, as taxas são tributos cobrados de alguém 
que fez uso específico de um serviço estatal (serviço singular). Ou seja, nesse caso, 
como o Estado se direciona a fornecer um interesse individual, não seria justo que o 
custo fosse dividido por todos, com base nas receitas dos impostos. 
 
Dessa forma, as taxas servem para remunerar um serviço específico e divisível 
experimentado pelo cidadão, sendo, portanto, tributo vinculado a um agir estatal. 
 
De acordo com o estabelecido no art. 77 do CTN, taxa é o tributo que tem como falo 
gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, eletiva ou potencial, de 
serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte. (MACHADO, Hugo de 
Brito. Curso de direito tributário. 27 ed. São Paulo: Malheiros, 2004. P. 68). 
 
Há duas espécies de taxas: as de polícia e as de serviço. 
 
A taxa, espécie de tributo vinculado, tendo em vista o critério jurídico do aspecto 
material do fato gerador, que Geraldo Ataliba denomina de hipóteses de incidência 
(Hipótese de incidência tributária. 4. ed. Revista dos Tribunais, 1991. p. 128 et seq.), 
ou é de polícia, decorrente do exercício do poder de polícia, ou é de serviço, 
resultante da utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e 
divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição (CF, art. 145, II). 
 
A materialidade do fato gerador da taxa, ou de sua hipótese de incidência, é, “sempre 
e necessariamente um fato produzido pelo Estado, na esfera jurídica do próprio 
Estado, em referibilidade ao administrado” (ATALIBA, Geraldo. Sistema tributário na 
Constituição de 1988. Revista de Direito Tributário, 51/140), ou “uma atuação estatal 
diretamente referida ao contribuinte”, que “pode consistir ou num serviço público ou 
num ato de polícia” (CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de direito constitucional 
tributário. 2. ed. RT, 1991. p. 243). 
 
Assim, as taxas têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a 
utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao 
contribuinte ou posto à sua disposição. 
 
c. Contribuições de Melhoria 
 
Dentro da ideia de justiça comutativa, não é razoável que uma obra pública causadora 
de considerável e específica valorização de imóveis privados seja custeada por todos 
os contribuintes. 
 
Nesse sentido, realizada a obra pública da qual decorra particular enriquecimento de 
determinados contribuintes, estes podem ser chamados ao seu custeio, de modo que 
os recursos daí derivados sejam reaplicados em prestações estatais que favoreçam a 
todos, atendendo assim ao ideal de justiça fiscal. 
 
Assim, prevista no Artigo 145, III, da Constituição Federal, e Artigo 81 do CTN, como 
tributo de competência comum – a ser cobrado pelo ente político executor da obra – 
a contribuição de melhoria revela-se como um tributo vinculado a um agir específico 
do Poder Público: obra pública da qual decorra valorização imobiliária específica. 
 
d. Empréstimos Compulsórios 
 
A validação constitucional dos empréstimos compulsórios está na sua finalidade: gerar 
recursos para situações de calamidade pública ou guerra externa, ou para 
investimento nacional relevante e urgente, nos exatos termos do Artigo 148 da CF/88 
– determinando ainda que o tributo é de arrecadação vinculada: 
 
Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir 
empréstimos compulsórios: I – para atender a despesas 
extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa 
ou sua iminência; II – no caso de investimento público de caráter 
urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no 
art. 150, III, “b”. 
 
Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo 
compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua 
instituição. 
 
e. Contribuições 
 
Existem situações nas quais o Estado age com referência a determinado grupo de 
contribuintes. Em verdade, tais ações estatais não possuem a referibilidade direta das 
taxas, mas não são genéricas (universais) para serem custeadas pela receita dos 
impostos. 
 
São medidas com finalidades específicas, dentro da ordem social, custeadas através 
de tributo denominado contribuição. O Estado Liberal não tinha a preocupação em 
promover ações interventivas no domínio econômico ou entregar prestações positivas 
aos seus cidadãos. 
 
A ideia do liberalismo era diminuir o espaço do Estado, de modo que impostos, taxas 
e contribuições de melhorias bastavam como espécies tributárias para fazer frente às 
despesas de um Estado Liberal. Com o advento do Estado Social, a Administração 
Pública passa a gerenciar a entrega de prestações positivas à sociedade, de modo a 
trazer ‘segurança social’ – ou seguridade social (previdência, assistência, saúde) -, bem 
como o Estado para a intervir sobre o domínio econômico.

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