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RESUMO – aula 00: 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
1. CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO 
 
• É a lei fundamental e suprema de um Estado, 
criada pela vontade soberana do povo. 
• Organiza o poder político, define os órgãos do 
governo, estabelece suas competências e 
enumera os direitos e garantias fundamentais 
dos cidadãos. 
CONSTITUIÇÃO MATERIAL: Conjunto de normas 
que tratam de matérias importantes do Estado e 
direitos fundamentais. São as normas que têm 
substância tipicamente constitucional. 
CONSTITUIÇÃO FORMAL: Normas que estão no 
texto da Constituição, independentemente de 
serem essenciais ao funcionamento do Estado. 
Ex: Um exemplo é o artigo 242, §2º, que dispõe sobre 
o Colégio Pedro II, estabelecendo que o Colégio 
Pedro II, no Rio de Janeiro, será mantido na órbita 
federal. Esse é um exemplo de norma formalmente 
constitucional, pois está presente no texto da 
Constituição, mas seu conteúdo não é essencial 
para a organização do Estado ou para os direitos 
fundamentais, tratando especificamente de uma 
escola. 
2. ESTRUTURA DA CONSTITUIÇÃO 
A estrutura da Constituição pode ser dividida em três 
partes principais: 
• Preâmbulo: é a parte que antecede o texto 
constitucional propriamente dito. Tem como função 
definir as intenções do legislador constituinte. 
Introduz os princípios e valores fundamentais que 
guiam a Constituição. Não é norma constitucional e 
não é obrigatória sua reprodução pelos estados. 
Portanto, não serve de parâmetro para a declaração 
de inconstitucionalidade e não estabelece limites 
para o Poder Constituinte Derivado, seja ele 
Reformador ou Decorrente. 
• Parte Dogmática: é o texto constitucional 
propriamente dito, que prevê os direitos e deveres 
criados pelo Poder Constituinte. Trata-se do corpo 
permanente da Carta Magna, que, na CF/88, vai do 
art. 1º ao 250. É norma constitucional. 
• Disposições Transitórias: Normas que integram a 
nova ordem jurídica com a antiga, garantindo 
segurança jurídica na transição e evitando o 
colapso entre um ordenamento jurídico e outro. 
São normas formalmente constitucionais e 
possuem numeração própria. Assim como a parte 
dogmática, a parte transitória pode ser modificada 
por reforma constitucional. Além disso, também 
pode servir como paradigma para o controle de 
constitucionalidade das leis. 
3. ELEMENTOS DA CONSTITUIÇÃO 
• Elementos Orgânicos: Regras sobre a estrutura e 
organização do Estado. Exemplos: Título III (Da 
Organização do Estado) e IV (Da Organização dos 
Poderes e do Sistema de Governo). 
• Elementos Limitativos: Normas que protegem os 
direitos fundamentais, limitando o poder do 
Estado. Exemplo: Título II (Dos Direitos e Garantias 
Fundamentais), exceto Capítulo II (Dos Direitos 
Sociais). 
• Elementos Socioideológicos: Estabelecem 
normas relacionadas ao bem-estar social e à 
intervenção do Estado na economia. Exemplos: 
Capítulo II do Título II (Dos Direitos Sociais), Títulos 
VII (Da Ordem Econômica e Financeira) e VIII (Da 
Ordem Social). 
• Elementos de Estabilização Constitucional: 
Normas que garantem a defesa da Constituição e 
do Estado democrático. Exemplos: art. 102, I, “a” 
(ação de inconstitucionalidade) e arts. 34 a 36 
(intervenção). 
• Elementos Formais de Aplicabilidade: Normas 
que estabelecem as regras para a aplicação da 
Constituição. Exemplos: preâmbulo, disposições 
constitucionais transitórias e art. 5º, § 1º, que 
estabelece que as normas definidoras dos direitos 
e das garantias fundamentais têm aplicação 
imediata. 
4. SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO 
A Constituição está no topo da hierarquia 
normativa, e todas as outras normas (leis, 
decretos etc.) devem estar de acordo com ela. 
Se houver conflito, a norma contrária à 
Constituição será considerada inconstitucional. 
A Constituição de 1988 é classificada como rígida, 
ou seja, sua alteração exige um processo 
legislativo mais dificultoso que o das leis comuns. 
5. CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES 
• Quanto à Origem: 
o OUTORGADAS: Impostas sem participação popular. 
São ditatoriais, autocráticas. Ex: Constituições 
brasileiras de 1824, 1937 e 1967 e a EC nº 01/1969. 
Costuma-se nomear de "Cartas" as constituições 
outorgadas. 
o PROMULGADAS (Democráticas): Criadas com 
participação popular por meio de uma Assembleia 
Constituinte. Exemplos: Constituições brasileiras de 
1891, 1934, 1946 e 1988 (atual). 
o CESARISTAS (Bonapartistas): Constituições que, 
embora outorgadas, necessitam de referendo 
popular para serem legitimadas. O texto 
constitucional é produzido sem participação 
popular, e o povo é chamado apenas para ratificar ou 
aprovar o documento. Esse tipo de constituição 
serve para conferir uma aparência de legitimidade a 
governos que, na prática, exercem poder 
autocrático. 
o DUALISTAS (Pactuadas): São constituições que 
surgem de um compromisso entre duas forças 
políticas em conflito, como uma monarquia 
enfraquecida e uma burguesia em ascensão. Elas 
limitam o poder do monarca e criam uma monarquia 
constitucional, em que o monarca é obrigado a 
compartilhar o poder com um parlamento ou outra 
instituição representativa. 
• Quanto à Forma: 
o ESCRITAS: 
Codificadas (unitárias): Todas as normas estão 
reunidas em um único documento, como a 
Constituição de 1988. 
o Legais (variadas, pluritextuais ou inorgânicas): As 
normas estão espalhadas em vários documentos 
diferentes. 
o NÃO ESCRITAS: Baseadas em costumes, 
jurisprudência e convenções. Ex. Constituição 
inglesa. 
• Quanto à Estabilidade: 
o IMUTÁVEIS: Não permitem alterações, sendo 
permanentes. 
o SUPER-RÍGIDAS: Têm um núcleo imutável 
(cláusulas pétreas); outras partes podem ser 
modificadas com mais dificuldade. 
o RÍGIDAS: Exigem um processo especial para 
alteração, diferente do usado para leis comuns 
(como a CF/88). 
o SEMIRRÍGIDAS: Algumas normas requerem 
processo especial, outras podem ser alteradas 
como leis ordinárias. 
o FLEXÍVEIS: Podem ser alteradas pelo mesmo 
processo das leis comuns. 
• Quanto ao Conteúdo: 
o MATERIAL: Normas que tratam de questões 
essenciais à organização do Estado. 
o FORMAL: Normas contidas no texto constitucional, 
sem importar seu conteúdo. 
• Quanto ao Modo de Elaboração: 
o DOGMÁTICAS (sistemáticas): São escritas e 
elaboradas em um momento específico por um 
órgão constituinte, refletindo os valores e princípios 
da época. Podem ser: 
o ORTODOXAS: Baseadas em uma única 
ideologia. 
o HETERODOXAS (Ecléticas): Incorporam várias 
ideologias, como a Constituição de 1988 no 
Brasil. 
o HISTÓRICAS (Costumeiras): Constituições não 
escritas que surgem de tradições e costumes ao 
longo do tempo, sem um momento específico de 
elaboração. Exemplo: Constituição inglesa. 
• Quanto à Extensão: 
o ANALÍTICA: Extensa e detalhada, abrangendo temas 
além dos essenciais. Exemplo: Constituição de 
1988. 
o SINTÉTICA: Concisa, abordando apenas elementos 
fundamentais. Exemplo: Constituição dos EUA. 
• Quanto à Correspondência com a Realidade: 
o NORMATIVA: Regula efetivamente o poder político, 
refletindo a realidade. 
o NOMINATIVA (NOMINAL): Busca regular o poder, 
mas tem baixa efetividade. 
o SEMÂNTICA: Formaliza a situação de poder 
existente, sem intenção reguladora. 
 
• Quanto à Finalidade: 
o CONSTITUIÇÃO-GARANTIA: Protege liberdades e 
limita o poder estatal. 
o CONSTITUIÇÃO-DIRIGENTE: Traça diretrizes para a 
atuação do Estado, como a Constituição de 1988. 
o CONSTITUIÇÃO-BALANÇO: Reflete a situação atual 
de uma sociedade em determinado período, típica 
de regimes socialistas. 
• Quanto à Função Desempenhada: 
o CONSTITUIÇÃO-LEI: Equivale a uma lei comum, não 
rígida, servindo como diretriz. 
o CONSTITUIÇÃO-FUNDAMENTO: Base de toda 
atividade estatal, limitando o poder legislativo. 
o CONSTITUIÇÃO-QUADRO (MOLDURA): Define 
limites gerais para a atuação legislativa. 
• Quanto ao Conteúdo Ideológico: 
o LIBERAL: Foca em limitar o poder estatal e proteger 
liberdades individuais. 
o SOCIAL: Prioriza a igualdade e direitos sociais, 
com atuação positiva do Estado.• Quanto ao Local da Decretação: 
o HETEROCONSTITUIÇÃO: Criada fora do território 
onde será aplicada. 
o AUTOCONSTITUIÇÃO: Criada no próprio território 
onde terá vigência, como a Constituição de 1988 no 
Brasil. 
• Quanto ao Sistema: 
o PRINCIPIOLÓGICA: Baseada em princípios 
abstratos, que exigem regulamentação. 
o PRECEITUAL: Dominada por regras concretas e de 
fácil aplicação. 
6. FORMA DE ESTADO – Unitário ou Federal? 
O Brasil adota o federalismo como forma de Estado. 
Isso significa que o poder é descentralizado e 
dividido entre entes federativos: União, Estados, 
Municípios e Distrito Federal. Cada um desses 
entes possui autonomia, mas todos estão 
subordinados à soberania nacional. 
7. FORMA DE GOVERNO – Monarquia ou República? 
O Brasil tem a República como forma de governo, 
onde os governantes são eleitos pelo povo e exercem 
o poder de maneira temporária e representativa, 
com alternância de poder garantida. Na República, o 
chefe de Estado e o chefe de governo são eleitos e 
possuem mandato fixo. 
8. REGIME POLÍTICO 
O regime político do Brasil é a democracia, um 
sistema no qual o poder emana do povo e é exercido 
diretamente ou por meio de representantes eleitos. 
No Brasil, a democracia é semidireta, combinando 
democracia representativa (eleição de 
representantes) com mecanismos de participação 
direta, como plebiscitos e referendos. 
 Plebiscito: Acontece antes de criar uma norma. Os 
cidadãos votam para aprovar ou rejeitar uma 
proposta. 
Referendo: Acontece depois que a norma foi 
criada. Os cidadãos votam para confirmar ou não a 
validade da norma já estabelecida. 
9. SISTEMA DE GOVERNO 
O Brasil adota o presidencialismo como sistema de 
governo. Nesse sistema, o Presidente da República 
exerce simultaneamente as funções de chefe de 
Estado e chefe de governo, sendo eleito diretamente 
pelo povo para um mandato de quatro anos, com 
possibilidade de reeleição. 
10. APLICABILIDADE DAS NORMAS 
CONSTITUCIONAIS: 
A doutrina americana divide as normas 
constitucionais quanto à sua aplicabilidade em duas 
espécies: 
NORMAS AUTOEXECUTÁVEIS (SELF-EXECUTING): 
Aplicáveis imediatamente, sem precisar de 
complementação legislativa. 
NORMAS NÃO AUTOEXECUTÁVEIS (NON-SELF-
EXECUTING): Dependem de regulamentação para 
serem aplicadas, incluindo: 
• NORMAS PROGRAMÁTICAS: Estabelecem 
diretrizes para políticas públicas. 
• NORMAS DE ESTRUTURAÇÃO: Criam 
órgãos, mas deixam os detalhes de 
funcionamento para regulamentação. 
A partir da aplicabilidade das normas 
constitucionais, José Afonso da Silva classifica as 
normas constitucionais em três grupos: 
• EFICÁCIA PLENA: Produzem todos os seus efeitos 
imediatamente após a promulgação, sem 
necessidade de regulamentação. 
• EFICÁCIA CONTIDA: Produzem efeitos imediatos, 
mas podem ser restringidas por leis 
complementares ou infraconstitucionais. 
• EFICÁCIA LIMITADA: Dependem de 
regulamentação posterior para produzirem todos 
os seus efeitos. 
Segue ainda a classificação das normas 
constitucionais segundo Maria Helena Diniz: 
1. Normas com Eficácia Absoluta: São as 
chamadas cláusulas pétreas, que não podem 
ser alteradas por emenda constitucional, 
como a forma federativa de Estado e os 
direitos e garantias individuais. 
2. Normas com Eficácia Plena: Aplicáveis 
imediatamente, sem necessidade de 
regulamentação. Diferem das normas 
absolutas por poderem ser alteradas por 
emenda constitucional. 
3. Normas com Eficácia Relativa Restringível: 
Podem ser aplicadas de forma imediata, mas 
têm sua eficácia limitada por leis 
infraconstitucionais ou pela própria 
Constituição. 
4. Normas com Eficácia Relativa 
Complementável: Dependem de legislação 
infraconstitucional para produzir todos os 
seus efeitos. 
Alguns autores consideram, ainda, a existência de 
normas de eficácia exaurida, cujos efeitos se 
encerraram, como algumas disposições 
transitórias da CF/88. 
11. HIERARQUIA DAS NORMAS 
• Pirâmide de Kelsen: Conceito do jurista Hans 
Kelsen, onde a Constituição é o topo (ou vértice) da 
pirâmide, sendo o fundamento de validade de todas 
as outras normas. Normas inferiores retiram sua 
validade das superiores e são chamadas de normas 
infraconstitucionais. 
• Normas Constitucionais: No topo, temos as 
normas constitucionais originárias (criação da 
própria Constituição) e derivadas (Emendas 
Constitucionais), ambas com o mesmo status 
hierárquico. Normas originárias não podem ser 
declaradas inconstitucionais, enquanto 
emendas podem, caso desrespeitem cláusulas 
pétreas (aspectos imutáveis da Constituição). 
• Tratados Internacionais de Direitos Humanos: 
Tratados de direitos humanos aprovados em cada 
Casa do Congresso Nacional (Câmara dos 
Deputados e Senado Federal), em dois turnos, por 
três quintos dos votos dos respectivos membros 
(procedimento mais dificultoso) possuem status de 
emenda constitucional. 
 
Outros tratados de direitos humanos aprovados pelo 
rito ordinário (procedimento comum) têm status 
supralegal, situando-se abaixo da Constituição, mas 
acima das leis ordinárias. 
• LEIS INFRACONSTITUCIONAIS: Incluem leis 
complementares, ordinárias, delegadas, medidas 
provisórias e decretos autônomos, todos com o 
mesmo nível hierárquico, embora com campos de 
atuação diferentes. Leis complementares podem 
tratar temas de leis ordinárias, mas o contrário não é 
permitido, configurando inconstitucionalidade. 
• Normas Infralegais: Estão na base da pirâmide e 
incluem decretos regulamentares, portarias e 
instruções normativas. São normas secundárias, 
que não podem gerar direitos nem obrigações e 
devem respeitar as normas primárias para serem 
válidas. 
 
PONTOS IMPORTANTES ---------------------------------- 
 
• Leis Federais, Estaduais, Distritais e Municipais: 
Não têm hierarquia entre si. O conflito entre essas 
leis é resolvido com base na competência definida 
pela Constituição para cada ente (União, Estados 
ou Municípios). Em alguns casos, uma lei municipal 
pode prevalecer sobre uma lei federal. 
 
• Hierarquia das Constituições: A Constituição 
Federal está acima das Constituições Estaduais, 
que, por sua vez, estão acima das Leis Orgânicas dos 
Municípios. 
 
• Leis Complementares e Leis Ordinárias: Têm o 
mesmo nível hierárquico, mas atuam em campos 
diferentes. A lei complementar pode tratar de temas 
de lei ordinária, mas, ao fazê-lo, passa a seguir as 
regras das leis ordinárias e pode ser alterada por 
elas. Já as leis ordinárias não podem tratar de temas 
reservados às leis complementares. 
 
• Regimentos dos Tribunais, das Casas Legislativas 
(Senado e Câmara dos Deputados) e Resoluções 
do CNMP/CNJ: São equivalentes a leis ordinárias, 
mantendo o nível hierárquico. 
 
• Tenha bastante cuidado para não confundir os 
decretos autônomos (normas primárias, 
equiparadas às leis) com os decretos 
regulamentares (normas secundárias, 
infralegais). 
 
 
12. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 
Antes de tudo, é necessário que compreendamos 
dois conceitos: o de regras e o de princípios. 
REGRAS: São normas bem específicas que dizem 
exatamente o que deve ser feito. Elas precisam ser 
seguidas por completo, sem meio-termo. Quando 
há conflito entre regras, uma delas "vence" e a 
outra é deixada de lado. 
PRINCÍPIOS: São ideias gerais que orientam o que 
é certo ou justo. Eles não precisam ser seguidos de 
forma absoluta e podem ser equilibrados entre si. 
Quando dois princípios se chocam, nenhum deles 
é eliminado, mas se busca um meio-termo para 
respeitar ambos. 
 
Os princípios constitucionais, segundo Canotilho, 
podem ser de duas espécies: 
• PRINCÍPIOS POLÍTICO-CONSTITUCIONAIS: São 
decisões políticas que moldam a Constituição e 
definem as características principais do Brasil. 
Exemplos incluem a separação dos poderes, a 
união dos estados (federativa), o pluralismo 
político e a dignidade da pessoa humana. 
 
• PRINCÍPIOS JURÍDICO-CONSTITUCIONAIS: São 
princípios gerais que orientam o sistema jurídico e 
geralmente derivam dos princípios políticos, 
encontrando-sedispersos pelo texto 
constitucional. Exemplos incluem o devido 
 
processo legal, o juiz natural e o princípio da 
legalidade. 
Uma vez entendidos esses conceitos, passaremos à 
análise dos princípios fundamentais (político-
constitucionais), responsáveis pela determinação 
das características essenciais do Estado brasileiro. 
Os princípios fundamentais são os valores que 
orientaram o Poder Constituinte Originário na 
elaboração da Constituição, ou seja, são suas 
escolhas políticas fundamentais. São eles: 
o Art. 1º: Fundamentos da República. 
o Art. 2º: Princípio da separação dos poderes. 
o Art. 3º: Objetivos fundamentais do país. 
o Art. 4º: Princípios do Brasil nas relações 
internacionais. 
ATENÇÃO! 
Ou seja, se um dos fundamentos (art. 1º), objetivos 
(art. 3º) ou princípios internacionais (art. 4º) ou 
mesmo o princípio da separação de Poderes (art. 
2º) for chamado de "princípio fundamental", está 
correto, pois todos fazem parte dos PRINCÍPIOS 
FUNDAMENTAIS da Constituição. 
 
 
12. FUNDAMENTOS DA REPÚBLICA 
FEDERATIVA DO BRASIL (art. 1º) 
DICA: SOCIDIVAPLU 
• SOBERANIA: O poder de autodeterminação e 
independência do Brasil nas decisões internas e 
externas, não se subordina à vontade de outros 
Estados. 
• CIDADANIA: Garantia de participação política e 
direitos fundamentais aos cidadãos. 
• DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA: Proteção ao 
valor da vida e integridade do ser humano. STF: 
princípio supremo. 
IMPORTANTE! O princípio da dignidade da pessoa 
humana pode ser usado sozinho como base para 
decisões judiciais, sem precisar de regulamentação 
específica. Ele tem uma eficácia negativa, o que 
significa que qualquer norma que vá contra a 
dignidade humana pode ser considerada inválida. 
Esse princípio obriga o governo a criar políticas que 
garantam sua plena aplicação e respeito. Inclusive, 
devido à sua importância, o STF já usou o princípio 
da dignidade humana para fundamentar várias 
decisões importantes. Dentre elas: 
1. União Homoafetiva: O STF reconheceu que casais 
do mesmo sexo formam uma família, com base na 
dignidade da pessoa humana e no direito de buscar 
a felicidade. A decisão garante os mesmos direitos 
que casais heterossexuais, respeitando os 
princípios de igualdade, liberdade e segurança 
jurídica. 
 
2. Pesquisa com Células-Tronco: O STF decidiu que 
é permitido usar células-tronco de embriões não 
implantados em fertilização "in vitro" para 
pesquisas, sem violar a dignidade humana. Esses 
embriões, que seriam congelados ou descartados, 
podem ser utilizados para avanços científicos. 
 
3. Exame de DNA em Paternidade: O STF afirma que 
forçar um pai a fazer exame de DNA em casos de 
investigação de paternidade viola a dignidade da 
pessoa humana. 
 
• VALORES SOCIAIS DO TRABALHO E DA LIVRE 
INICIATIVA: Equilíbrio entre a proteção dos 
trabalhadores e o incentivo à economia de 
mercado. Esse princípio permite a liberdade 
econômica, mas não exclui as regras de 
regulamentação do mercado e proteção ao 
consumidor. 
• PLURALISMO POLÍTICO: Garantia da diversidade 
de pensamentos e ideologias no sistema político. O 
Estado brasileiro garante a diversidade de ideias e 
a participação de diferentes grupos no processo 
político. Isso inclui a liberdade para criar e gerir 
partidos políticos e a liberdade de expressão. O 
STF defende que a crítica jornalística é protegida 
pelo pluralismo político, mas discursos de ódio, 
que buscam discriminar com base em raça, 
gênero ou religião, não são permitidos. 
 
13. OBJETIVOS FUNDAMENTAIS DA 
REPÚBLICA 
1. Construir uma sociedade livre, justa e solidária. 
2. Garantir o desenvolvimento nacional. 
3. Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir 
as desigualdades sociais e regionais. 
4. Promover o bem de todos, sem preconceitos de 
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras 
formas de discriminação. 
DICA: “CONGA ERRA PRO” ... Para lembrar.... Preste 
atenção nos verbos, sempre no infinitivo: construir, 
garantir, erradicar e promover. 
 
14. PRINCÍPIOS NAS RELAÇÕES 
INTERNACIONAIS (art. 4º) 
O artigo 4º da Constituição Brasileira foi inspirado na 
Carta da ONU, escrita após a Segunda Guerra 
Mundial, com foco na busca pela paz. O Brasil 
defende a soberania dos povos, evitando interferir 
em suas decisões. A paz deve ser alcançada pela 
cooperação e pela solução pacífica de conflitos. A 
tragédia do Holocausto levou a ONU e o Brasil a 
priorizarem os direitos humanos e a rejeitarem o 
terrorismo e o racismo. Os princípios são: 
1. Independência nacional. 
2. Prevalência dos direitos humanos. 
3. Autodeterminação dos povos. 
4. Não-intervenção. 
5. Igualdade entre os Estados. 
6. Defesa da paz. 
7. Solução pacífica dos conflitos. 
8. Repúdio ao terrorismo e ao racismo. 
9. Cooperação entre os povos para o progresso da 
humanidade. 
10. Concessão de asilo político. 
IMPORTANTE: Como costuma ser cobrado esse 
artigo? Geralmente o examinador tenta confundir 
esses princípios com os objetivos expostos no art. 3º 
e os fundamentos da RFB, apresentados no art. 1º da 
Carta Magna. Então cuidado! -_- 
 
15. SEPARAÇÃO DOS PODERES 
O poder no Brasil é dividido em três esferas 
independentes e harmônicas entre si: 
• Legislativo: Responsável por criar as leis (Congresso 
Nacional). 
• Executivo: Administra e executa as leis (Presidente, 
Governadores e Prefeitos). 
• Judiciário: Interpreta e aplica as leis, resolvendo 
conflitos (Juízes e Tribunais). 
Objetivo da Separação de Poderes: Evitar abusos 
de poder e proteger os direitos fundamentais, 
impedindo que todo o poder fique nas mãos de 
uma só pessoa. 
História: A ideia surgiu com Aristóteles (Obra “A 
Política”) e foi desenvolvida por John Locke e 
 Montesquieu, que destacou a importância de 
dividir as funções do governo. 
Funções Estatais: No Brasil, os três poderes 
(Legislativo, Executivo e Judiciário) representam 
funções diferentes do mesmo poder. A separação 
é flexível, ou seja, um poder pode exercer funções 
típicas de outro em situações específicas. 
Exemplo: o Executivo pode editar medidas 
provisórias, que é uma função legislativa. 
Independência e Harmonia: Os poderes são 
independentes, sem hierarquia entre eles, mas 
também cooperam entre si para expressar a 
vontade do Estado. 
Freios e Contrapesos: Permite que um poder 
interfira no outro de maneira controlada, 
garantindo equilíbrio. Exemplo: o Legislativo 
fiscaliza o Executivo, e o Judiciário pode avaliar a 
constitucionalidade das leis feitas pelo Legislativo. 
16. QUESTÕES 
1. “Trata-se de um princípio, cujo objetivo é evitar 
arbitrariedades e o desrespeito aos direitos 
fundamentais; baseia-se na premissa de que, 
quando o poder político está concentrado nas 
mãos de uma só pessoa, há uma tendência ao 
abuso do poder; é verdadeira técnica de limitação 
do poder estatal.” 
O conceito anterior refere-se ao princípio da: 
a) Legalidade. 
b) Segurança Jurídica. 
c) Soberania do Estado. 
d) Separação dos Poderes. 
2. Constituem objetivos fundamentais da 
República Federativa do Brasil, EXCETO: 
a) Garantir o desenvolvimento nacional. 
b) Construir uma sociedade livre, justa e solidária. 
c) Promover a conscientização que a desigualdade 
social é inerente às ações públicas. 
d) Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as 
desigualdades sociais e regionais. 
3. Sobre os princípios fundamentais da República 
Federativa do Brasil, marque a alternativa 
INCORRETA. 
a) Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e 
o pluralismo político são fundamentos da República 
Federativa do Brasil. 
b) A erradicação da pobreza e a defesa da paz são 
princípios que regem a República Federativa do Brasil 
nas suas relações internacionais. 
c) Construir uma sociedade livre, justa e solidária e 
garantir o desenvolvimento nacional constituem 
objetivos fundamentais da República Federativa do 
Brasil. 
d) A República Federativa do Brasil buscará a 
integração econômica, política, social e cultural dos 
povos da América Latina,visando à formação de uma 
comunidade latino-americana de nações. 
4. “As normas constitucionais de eficácia 
________________ têm aplicabilidade direta e imediata, 
mas possivelmente não integral.” 
5. O Estado brasileiro tem, reiteradas vezes, recusado 
apoio a iniciativas de países ou organismos 
internacionais de legitimar a atuação militar em 
Estados nacionais reconhecidos pela Organização 
das Nações Unidas (ONU). Ao atuar dessa forma, 
realiza-se o princípio constitucional do(a): 
a) repúdio ao terrorismo. 
b) concessão de cooperação. 
c) erradicação da desigualdade. 
d) autodeterminação dos povos. 
e) promoção do desenvolvimento.

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