Prévia do material em texto
RESUMO – aula 00: DIREITO CONSTITUCIONAL 1. CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO • É a lei fundamental e suprema de um Estado, criada pela vontade soberana do povo. • Organiza o poder político, define os órgãos do governo, estabelece suas competências e enumera os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos. CONSTITUIÇÃO MATERIAL: Conjunto de normas que tratam de matérias importantes do Estado e direitos fundamentais. São as normas que têm substância tipicamente constitucional. CONSTITUIÇÃO FORMAL: Normas que estão no texto da Constituição, independentemente de serem essenciais ao funcionamento do Estado. Ex: Um exemplo é o artigo 242, §2º, que dispõe sobre o Colégio Pedro II, estabelecendo que o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, será mantido na órbita federal. Esse é um exemplo de norma formalmente constitucional, pois está presente no texto da Constituição, mas seu conteúdo não é essencial para a organização do Estado ou para os direitos fundamentais, tratando especificamente de uma escola. 2. ESTRUTURA DA CONSTITUIÇÃO A estrutura da Constituição pode ser dividida em três partes principais: • Preâmbulo: é a parte que antecede o texto constitucional propriamente dito. Tem como função definir as intenções do legislador constituinte. Introduz os princípios e valores fundamentais que guiam a Constituição. Não é norma constitucional e não é obrigatória sua reprodução pelos estados. Portanto, não serve de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade e não estabelece limites para o Poder Constituinte Derivado, seja ele Reformador ou Decorrente. • Parte Dogmática: é o texto constitucional propriamente dito, que prevê os direitos e deveres criados pelo Poder Constituinte. Trata-se do corpo permanente da Carta Magna, que, na CF/88, vai do art. 1º ao 250. É norma constitucional. • Disposições Transitórias: Normas que integram a nova ordem jurídica com a antiga, garantindo segurança jurídica na transição e evitando o colapso entre um ordenamento jurídico e outro. São normas formalmente constitucionais e possuem numeração própria. Assim como a parte dogmática, a parte transitória pode ser modificada por reforma constitucional. Além disso, também pode servir como paradigma para o controle de constitucionalidade das leis. 3. ELEMENTOS DA CONSTITUIÇÃO • Elementos Orgânicos: Regras sobre a estrutura e organização do Estado. Exemplos: Título III (Da Organização do Estado) e IV (Da Organização dos Poderes e do Sistema de Governo). • Elementos Limitativos: Normas que protegem os direitos fundamentais, limitando o poder do Estado. Exemplo: Título II (Dos Direitos e Garantias Fundamentais), exceto Capítulo II (Dos Direitos Sociais). • Elementos Socioideológicos: Estabelecem normas relacionadas ao bem-estar social e à intervenção do Estado na economia. Exemplos: Capítulo II do Título II (Dos Direitos Sociais), Títulos VII (Da Ordem Econômica e Financeira) e VIII (Da Ordem Social). • Elementos de Estabilização Constitucional: Normas que garantem a defesa da Constituição e do Estado democrático. Exemplos: art. 102, I, “a” (ação de inconstitucionalidade) e arts. 34 a 36 (intervenção). • Elementos Formais de Aplicabilidade: Normas que estabelecem as regras para a aplicação da Constituição. Exemplos: preâmbulo, disposições constitucionais transitórias e art. 5º, § 1º, que estabelece que as normas definidoras dos direitos e das garantias fundamentais têm aplicação imediata. 4. SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO A Constituição está no topo da hierarquia normativa, e todas as outras normas (leis, decretos etc.) devem estar de acordo com ela. Se houver conflito, a norma contrária à Constituição será considerada inconstitucional. A Constituição de 1988 é classificada como rígida, ou seja, sua alteração exige um processo legislativo mais dificultoso que o das leis comuns. 5. CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES • Quanto à Origem: o OUTORGADAS: Impostas sem participação popular. São ditatoriais, autocráticas. Ex: Constituições brasileiras de 1824, 1937 e 1967 e a EC nº 01/1969. Costuma-se nomear de "Cartas" as constituições outorgadas. o PROMULGADAS (Democráticas): Criadas com participação popular por meio de uma Assembleia Constituinte. Exemplos: Constituições brasileiras de 1891, 1934, 1946 e 1988 (atual). o CESARISTAS (Bonapartistas): Constituições que, embora outorgadas, necessitam de referendo popular para serem legitimadas. O texto constitucional é produzido sem participação popular, e o povo é chamado apenas para ratificar ou aprovar o documento. Esse tipo de constituição serve para conferir uma aparência de legitimidade a governos que, na prática, exercem poder autocrático. o DUALISTAS (Pactuadas): São constituições que surgem de um compromisso entre duas forças políticas em conflito, como uma monarquia enfraquecida e uma burguesia em ascensão. Elas limitam o poder do monarca e criam uma monarquia constitucional, em que o monarca é obrigado a compartilhar o poder com um parlamento ou outra instituição representativa. • Quanto à Forma: o ESCRITAS: Codificadas (unitárias): Todas as normas estão reunidas em um único documento, como a Constituição de 1988. o Legais (variadas, pluritextuais ou inorgânicas): As normas estão espalhadas em vários documentos diferentes. o NÃO ESCRITAS: Baseadas em costumes, jurisprudência e convenções. Ex. Constituição inglesa. • Quanto à Estabilidade: o IMUTÁVEIS: Não permitem alterações, sendo permanentes. o SUPER-RÍGIDAS: Têm um núcleo imutável (cláusulas pétreas); outras partes podem ser modificadas com mais dificuldade. o RÍGIDAS: Exigem um processo especial para alteração, diferente do usado para leis comuns (como a CF/88). o SEMIRRÍGIDAS: Algumas normas requerem processo especial, outras podem ser alteradas como leis ordinárias. o FLEXÍVEIS: Podem ser alteradas pelo mesmo processo das leis comuns. • Quanto ao Conteúdo: o MATERIAL: Normas que tratam de questões essenciais à organização do Estado. o FORMAL: Normas contidas no texto constitucional, sem importar seu conteúdo. • Quanto ao Modo de Elaboração: o DOGMÁTICAS (sistemáticas): São escritas e elaboradas em um momento específico por um órgão constituinte, refletindo os valores e princípios da época. Podem ser: o ORTODOXAS: Baseadas em uma única ideologia. o HETERODOXAS (Ecléticas): Incorporam várias ideologias, como a Constituição de 1988 no Brasil. o HISTÓRICAS (Costumeiras): Constituições não escritas que surgem de tradições e costumes ao longo do tempo, sem um momento específico de elaboração. Exemplo: Constituição inglesa. • Quanto à Extensão: o ANALÍTICA: Extensa e detalhada, abrangendo temas além dos essenciais. Exemplo: Constituição de 1988. o SINTÉTICA: Concisa, abordando apenas elementos fundamentais. Exemplo: Constituição dos EUA. • Quanto à Correspondência com a Realidade: o NORMATIVA: Regula efetivamente o poder político, refletindo a realidade. o NOMINATIVA (NOMINAL): Busca regular o poder, mas tem baixa efetividade. o SEMÂNTICA: Formaliza a situação de poder existente, sem intenção reguladora. • Quanto à Finalidade: o CONSTITUIÇÃO-GARANTIA: Protege liberdades e limita o poder estatal. o CONSTITUIÇÃO-DIRIGENTE: Traça diretrizes para a atuação do Estado, como a Constituição de 1988. o CONSTITUIÇÃO-BALANÇO: Reflete a situação atual de uma sociedade em determinado período, típica de regimes socialistas. • Quanto à Função Desempenhada: o CONSTITUIÇÃO-LEI: Equivale a uma lei comum, não rígida, servindo como diretriz. o CONSTITUIÇÃO-FUNDAMENTO: Base de toda atividade estatal, limitando o poder legislativo. o CONSTITUIÇÃO-QUADRO (MOLDURA): Define limites gerais para a atuação legislativa. • Quanto ao Conteúdo Ideológico: o LIBERAL: Foca em limitar o poder estatal e proteger liberdades individuais. o SOCIAL: Prioriza a igualdade e direitos sociais, com atuação positiva do Estado.• Quanto ao Local da Decretação: o HETEROCONSTITUIÇÃO: Criada fora do território onde será aplicada. o AUTOCONSTITUIÇÃO: Criada no próprio território onde terá vigência, como a Constituição de 1988 no Brasil. • Quanto ao Sistema: o PRINCIPIOLÓGICA: Baseada em princípios abstratos, que exigem regulamentação. o PRECEITUAL: Dominada por regras concretas e de fácil aplicação. 6. FORMA DE ESTADO – Unitário ou Federal? O Brasil adota o federalismo como forma de Estado. Isso significa que o poder é descentralizado e dividido entre entes federativos: União, Estados, Municípios e Distrito Federal. Cada um desses entes possui autonomia, mas todos estão subordinados à soberania nacional. 7. FORMA DE GOVERNO – Monarquia ou República? O Brasil tem a República como forma de governo, onde os governantes são eleitos pelo povo e exercem o poder de maneira temporária e representativa, com alternância de poder garantida. Na República, o chefe de Estado e o chefe de governo são eleitos e possuem mandato fixo. 8. REGIME POLÍTICO O regime político do Brasil é a democracia, um sistema no qual o poder emana do povo e é exercido diretamente ou por meio de representantes eleitos. No Brasil, a democracia é semidireta, combinando democracia representativa (eleição de representantes) com mecanismos de participação direta, como plebiscitos e referendos. Plebiscito: Acontece antes de criar uma norma. Os cidadãos votam para aprovar ou rejeitar uma proposta. Referendo: Acontece depois que a norma foi criada. Os cidadãos votam para confirmar ou não a validade da norma já estabelecida. 9. SISTEMA DE GOVERNO O Brasil adota o presidencialismo como sistema de governo. Nesse sistema, o Presidente da República exerce simultaneamente as funções de chefe de Estado e chefe de governo, sendo eleito diretamente pelo povo para um mandato de quatro anos, com possibilidade de reeleição. 10. APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: A doutrina americana divide as normas constitucionais quanto à sua aplicabilidade em duas espécies: NORMAS AUTOEXECUTÁVEIS (SELF-EXECUTING): Aplicáveis imediatamente, sem precisar de complementação legislativa. NORMAS NÃO AUTOEXECUTÁVEIS (NON-SELF- EXECUTING): Dependem de regulamentação para serem aplicadas, incluindo: • NORMAS PROGRAMÁTICAS: Estabelecem diretrizes para políticas públicas. • NORMAS DE ESTRUTURAÇÃO: Criam órgãos, mas deixam os detalhes de funcionamento para regulamentação. A partir da aplicabilidade das normas constitucionais, José Afonso da Silva classifica as normas constitucionais em três grupos: • EFICÁCIA PLENA: Produzem todos os seus efeitos imediatamente após a promulgação, sem necessidade de regulamentação. • EFICÁCIA CONTIDA: Produzem efeitos imediatos, mas podem ser restringidas por leis complementares ou infraconstitucionais. • EFICÁCIA LIMITADA: Dependem de regulamentação posterior para produzirem todos os seus efeitos. Segue ainda a classificação das normas constitucionais segundo Maria Helena Diniz: 1. Normas com Eficácia Absoluta: São as chamadas cláusulas pétreas, que não podem ser alteradas por emenda constitucional, como a forma federativa de Estado e os direitos e garantias individuais. 2. Normas com Eficácia Plena: Aplicáveis imediatamente, sem necessidade de regulamentação. Diferem das normas absolutas por poderem ser alteradas por emenda constitucional. 3. Normas com Eficácia Relativa Restringível: Podem ser aplicadas de forma imediata, mas têm sua eficácia limitada por leis infraconstitucionais ou pela própria Constituição. 4. Normas com Eficácia Relativa Complementável: Dependem de legislação infraconstitucional para produzir todos os seus efeitos. Alguns autores consideram, ainda, a existência de normas de eficácia exaurida, cujos efeitos se encerraram, como algumas disposições transitórias da CF/88. 11. HIERARQUIA DAS NORMAS • Pirâmide de Kelsen: Conceito do jurista Hans Kelsen, onde a Constituição é o topo (ou vértice) da pirâmide, sendo o fundamento de validade de todas as outras normas. Normas inferiores retiram sua validade das superiores e são chamadas de normas infraconstitucionais. • Normas Constitucionais: No topo, temos as normas constitucionais originárias (criação da própria Constituição) e derivadas (Emendas Constitucionais), ambas com o mesmo status hierárquico. Normas originárias não podem ser declaradas inconstitucionais, enquanto emendas podem, caso desrespeitem cláusulas pétreas (aspectos imutáveis da Constituição). • Tratados Internacionais de Direitos Humanos: Tratados de direitos humanos aprovados em cada Casa do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal), em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros (procedimento mais dificultoso) possuem status de emenda constitucional. Outros tratados de direitos humanos aprovados pelo rito ordinário (procedimento comum) têm status supralegal, situando-se abaixo da Constituição, mas acima das leis ordinárias. • LEIS INFRACONSTITUCIONAIS: Incluem leis complementares, ordinárias, delegadas, medidas provisórias e decretos autônomos, todos com o mesmo nível hierárquico, embora com campos de atuação diferentes. Leis complementares podem tratar temas de leis ordinárias, mas o contrário não é permitido, configurando inconstitucionalidade. • Normas Infralegais: Estão na base da pirâmide e incluem decretos regulamentares, portarias e instruções normativas. São normas secundárias, que não podem gerar direitos nem obrigações e devem respeitar as normas primárias para serem válidas. PONTOS IMPORTANTES ---------------------------------- • Leis Federais, Estaduais, Distritais e Municipais: Não têm hierarquia entre si. O conflito entre essas leis é resolvido com base na competência definida pela Constituição para cada ente (União, Estados ou Municípios). Em alguns casos, uma lei municipal pode prevalecer sobre uma lei federal. • Hierarquia das Constituições: A Constituição Federal está acima das Constituições Estaduais, que, por sua vez, estão acima das Leis Orgânicas dos Municípios. • Leis Complementares e Leis Ordinárias: Têm o mesmo nível hierárquico, mas atuam em campos diferentes. A lei complementar pode tratar de temas de lei ordinária, mas, ao fazê-lo, passa a seguir as regras das leis ordinárias e pode ser alterada por elas. Já as leis ordinárias não podem tratar de temas reservados às leis complementares. • Regimentos dos Tribunais, das Casas Legislativas (Senado e Câmara dos Deputados) e Resoluções do CNMP/CNJ: São equivalentes a leis ordinárias, mantendo o nível hierárquico. • Tenha bastante cuidado para não confundir os decretos autônomos (normas primárias, equiparadas às leis) com os decretos regulamentares (normas secundárias, infralegais). 12. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS Antes de tudo, é necessário que compreendamos dois conceitos: o de regras e o de princípios. REGRAS: São normas bem específicas que dizem exatamente o que deve ser feito. Elas precisam ser seguidas por completo, sem meio-termo. Quando há conflito entre regras, uma delas "vence" e a outra é deixada de lado. PRINCÍPIOS: São ideias gerais que orientam o que é certo ou justo. Eles não precisam ser seguidos de forma absoluta e podem ser equilibrados entre si. Quando dois princípios se chocam, nenhum deles é eliminado, mas se busca um meio-termo para respeitar ambos. Os princípios constitucionais, segundo Canotilho, podem ser de duas espécies: • PRINCÍPIOS POLÍTICO-CONSTITUCIONAIS: São decisões políticas que moldam a Constituição e definem as características principais do Brasil. Exemplos incluem a separação dos poderes, a união dos estados (federativa), o pluralismo político e a dignidade da pessoa humana. • PRINCÍPIOS JURÍDICO-CONSTITUCIONAIS: São princípios gerais que orientam o sistema jurídico e geralmente derivam dos princípios políticos, encontrando-sedispersos pelo texto constitucional. Exemplos incluem o devido processo legal, o juiz natural e o princípio da legalidade. Uma vez entendidos esses conceitos, passaremos à análise dos princípios fundamentais (político- constitucionais), responsáveis pela determinação das características essenciais do Estado brasileiro. Os princípios fundamentais são os valores que orientaram o Poder Constituinte Originário na elaboração da Constituição, ou seja, são suas escolhas políticas fundamentais. São eles: o Art. 1º: Fundamentos da República. o Art. 2º: Princípio da separação dos poderes. o Art. 3º: Objetivos fundamentais do país. o Art. 4º: Princípios do Brasil nas relações internacionais. ATENÇÃO! Ou seja, se um dos fundamentos (art. 1º), objetivos (art. 3º) ou princípios internacionais (art. 4º) ou mesmo o princípio da separação de Poderes (art. 2º) for chamado de "princípio fundamental", está correto, pois todos fazem parte dos PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS da Constituição. 12. FUNDAMENTOS DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (art. 1º) DICA: SOCIDIVAPLU • SOBERANIA: O poder de autodeterminação e independência do Brasil nas decisões internas e externas, não se subordina à vontade de outros Estados. • CIDADANIA: Garantia de participação política e direitos fundamentais aos cidadãos. • DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA: Proteção ao valor da vida e integridade do ser humano. STF: princípio supremo. IMPORTANTE! O princípio da dignidade da pessoa humana pode ser usado sozinho como base para decisões judiciais, sem precisar de regulamentação específica. Ele tem uma eficácia negativa, o que significa que qualquer norma que vá contra a dignidade humana pode ser considerada inválida. Esse princípio obriga o governo a criar políticas que garantam sua plena aplicação e respeito. Inclusive, devido à sua importância, o STF já usou o princípio da dignidade humana para fundamentar várias decisões importantes. Dentre elas: 1. União Homoafetiva: O STF reconheceu que casais do mesmo sexo formam uma família, com base na dignidade da pessoa humana e no direito de buscar a felicidade. A decisão garante os mesmos direitos que casais heterossexuais, respeitando os princípios de igualdade, liberdade e segurança jurídica. 2. Pesquisa com Células-Tronco: O STF decidiu que é permitido usar células-tronco de embriões não implantados em fertilização "in vitro" para pesquisas, sem violar a dignidade humana. Esses embriões, que seriam congelados ou descartados, podem ser utilizados para avanços científicos. 3. Exame de DNA em Paternidade: O STF afirma que forçar um pai a fazer exame de DNA em casos de investigação de paternidade viola a dignidade da pessoa humana. • VALORES SOCIAIS DO TRABALHO E DA LIVRE INICIATIVA: Equilíbrio entre a proteção dos trabalhadores e o incentivo à economia de mercado. Esse princípio permite a liberdade econômica, mas não exclui as regras de regulamentação do mercado e proteção ao consumidor. • PLURALISMO POLÍTICO: Garantia da diversidade de pensamentos e ideologias no sistema político. O Estado brasileiro garante a diversidade de ideias e a participação de diferentes grupos no processo político. Isso inclui a liberdade para criar e gerir partidos políticos e a liberdade de expressão. O STF defende que a crítica jornalística é protegida pelo pluralismo político, mas discursos de ódio, que buscam discriminar com base em raça, gênero ou religião, não são permitidos. 13. OBJETIVOS FUNDAMENTAIS DA REPÚBLICA 1. Construir uma sociedade livre, justa e solidária. 2. Garantir o desenvolvimento nacional. 3. Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. 4. Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. DICA: “CONGA ERRA PRO” ... Para lembrar.... Preste atenção nos verbos, sempre no infinitivo: construir, garantir, erradicar e promover. 14. PRINCÍPIOS NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS (art. 4º) O artigo 4º da Constituição Brasileira foi inspirado na Carta da ONU, escrita após a Segunda Guerra Mundial, com foco na busca pela paz. O Brasil defende a soberania dos povos, evitando interferir em suas decisões. A paz deve ser alcançada pela cooperação e pela solução pacífica de conflitos. A tragédia do Holocausto levou a ONU e o Brasil a priorizarem os direitos humanos e a rejeitarem o terrorismo e o racismo. Os princípios são: 1. Independência nacional. 2. Prevalência dos direitos humanos. 3. Autodeterminação dos povos. 4. Não-intervenção. 5. Igualdade entre os Estados. 6. Defesa da paz. 7. Solução pacífica dos conflitos. 8. Repúdio ao terrorismo e ao racismo. 9. Cooperação entre os povos para o progresso da humanidade. 10. Concessão de asilo político. IMPORTANTE: Como costuma ser cobrado esse artigo? Geralmente o examinador tenta confundir esses princípios com os objetivos expostos no art. 3º e os fundamentos da RFB, apresentados no art. 1º da Carta Magna. Então cuidado! -_- 15. SEPARAÇÃO DOS PODERES O poder no Brasil é dividido em três esferas independentes e harmônicas entre si: • Legislativo: Responsável por criar as leis (Congresso Nacional). • Executivo: Administra e executa as leis (Presidente, Governadores e Prefeitos). • Judiciário: Interpreta e aplica as leis, resolvendo conflitos (Juízes e Tribunais). Objetivo da Separação de Poderes: Evitar abusos de poder e proteger os direitos fundamentais, impedindo que todo o poder fique nas mãos de uma só pessoa. História: A ideia surgiu com Aristóteles (Obra “A Política”) e foi desenvolvida por John Locke e Montesquieu, que destacou a importância de dividir as funções do governo. Funções Estatais: No Brasil, os três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) representam funções diferentes do mesmo poder. A separação é flexível, ou seja, um poder pode exercer funções típicas de outro em situações específicas. Exemplo: o Executivo pode editar medidas provisórias, que é uma função legislativa. Independência e Harmonia: Os poderes são independentes, sem hierarquia entre eles, mas também cooperam entre si para expressar a vontade do Estado. Freios e Contrapesos: Permite que um poder interfira no outro de maneira controlada, garantindo equilíbrio. Exemplo: o Legislativo fiscaliza o Executivo, e o Judiciário pode avaliar a constitucionalidade das leis feitas pelo Legislativo. 16. QUESTÕES 1. “Trata-se de um princípio, cujo objetivo é evitar arbitrariedades e o desrespeito aos direitos fundamentais; baseia-se na premissa de que, quando o poder político está concentrado nas mãos de uma só pessoa, há uma tendência ao abuso do poder; é verdadeira técnica de limitação do poder estatal.” O conceito anterior refere-se ao princípio da: a) Legalidade. b) Segurança Jurídica. c) Soberania do Estado. d) Separação dos Poderes. 2. Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, EXCETO: a) Garantir o desenvolvimento nacional. b) Construir uma sociedade livre, justa e solidária. c) Promover a conscientização que a desigualdade social é inerente às ações públicas. d) Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. 3. Sobre os princípios fundamentais da República Federativa do Brasil, marque a alternativa INCORRETA. a) Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político são fundamentos da República Federativa do Brasil. b) A erradicação da pobreza e a defesa da paz são princípios que regem a República Federativa do Brasil nas suas relações internacionais. c) Construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil. d) A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina,visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. 4. “As normas constitucionais de eficácia ________________ têm aplicabilidade direta e imediata, mas possivelmente não integral.” 5. O Estado brasileiro tem, reiteradas vezes, recusado apoio a iniciativas de países ou organismos internacionais de legitimar a atuação militar em Estados nacionais reconhecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Ao atuar dessa forma, realiza-se o princípio constitucional do(a): a) repúdio ao terrorismo. b) concessão de cooperação. c) erradicação da desigualdade. d) autodeterminação dos povos. e) promoção do desenvolvimento.