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DIREITO PREVIDENCIARIO – N1 1ª Fase - Assistência Social: 1543: Primeira Santa Casa criada, marcando o início da assistência social no Brasil. 1824: A Constituição Imperial prevê os socorros públicos como ação assistencial (Art. 179). 2ª Fase - Seguro Social: 1891: A Constituição brasileira prevê aposentadoria por invalidez para servidores públicos em caso de acidente. 1919: Primeira Lei de Acidentes de Trabalho com seguros privados. 1923: Lei Eloy Chaves cria as Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs) para ferroviários. 1933: Governo Getúlio Vargas começa a estatizar a previdência, criando os IAPs por categoria profissional. 3ª Fase - Seguridade Social: 1934: Constituição prevê a tríplice forma de custeio (governo, empresa e trabalhador). 1988: Constituição Federal cria a Seguridade Social, composta pelos subsistemas de Saúde, Assistência Social e Previdência. 1990: Criação do INSS pela fusão do IAPAS e INPS. Seguridade Social na Constituição de 1988: Art. 194: A Seguridade Social é composta por ações do governo e da sociedade, visando saúde, previdência e assistência social. Princípios Constitucionais da Seguridade Social: Solidariedade: Proteção coletiva. Universalidade: Direito de todos, com exceção de alguns benefícios específicos. Isonomia: Equivalência de benefícios entre urbanos e rurais. Seletividade e Distributividade: Prioriza as necessidades essenciais. Irredutibilidade dos Benefícios: Não pode haver redução dos benefícios. Equidade no Custeio: Contribuições diferenciadas conforme a capacidade econômica. Direito à Saúde (Art. 196): Dever do Estado: Garantir acesso à saúde pública a todos os cidadãos. Responsabilidade Solidária: União, Estados, Distrito Federal e Municípios são solidariamente responsáveis pelos serviços de saúde. Sistema Único de Saúde (SUS): Organização: Regionalizado e hierarquizado, com diferentes níveis de complexidade. Diretrizes: Descentralização, atendimento integral, e participação da comunidade. Financiamento do SUS: Recursos: Vêm do orçamento da seguridade social, com contribuições de diferentes esferas de governo. Assistência à Saúde e Iniciativa Privada: Liberdade de Iniciativa: A iniciativa privada pode complementar o SUS, mas sem fins lucrativos. Assistência Social: Definição: Direito do cidadão e dever do Estado, conforme o Art. 1º da LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social). Objetivo: Prover proteção e dignidade a indivíduos e famílias em vulnerabilidade social Princípios Fundamentais da Assistência Social: Universalidade: Direito garantido a todos. Igualdade: Atendimento sem discriminação. Prioridade: Foco nas populações mais vulneráveis. Respeito à Dignidade: Garantir qualidade nos serviços. Promoção da Convivência Familiar e Comunitária: Incentivar o apoio dentro das famílias e comunidades. Benefícios e Serviços de Assistência Social: Benefícios em Dinheiro: BPC/LOAS, Bolsa Família. Serviços: Habilitação de PCDs, acolhimento institucional. Sistema Único de Assistência Social (SUAS): Descentralização: Coordenação federal, execução estadual e municipal. Participação Social: Sociedade civil participa na formulação e execução das políticas. BPC-LOAS e Auxílio-Inclusão: BPC-LOAS: Garantia de um salário mínimo mensal para idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade. Auxílio-Inclusão: Benefício assistencial para pessoas com deficiência moderada ou grave que passam a exercer atividade remunerada. Regimes de Previdência Social: Regime Geral de Previdência Social (RGPS): Para trabalhadores da iniciativa privada. Regime Próprio de Previdência Social (RPPS): Exclusivo para servidores públicos. Regime de Previdência Complementar (RPC): Complementa os regimes públicos. Finalidade e Princípios Básicos da Previdência Social: Universalidade de Participação: Todos devem ter acesso. Uniformidade e Equivalência: Direitos iguais entre trabalhadores urbanos e rurais. Seletividade e Distributividade: Prioriza os mais necessitados. Correção Monetária: Benefícios corrigidos de acordo com a inflação. Legislação Previdenciária: Conjunto de normas que regulam a relação jurídico-previdenciária, abrangendo filiação, custeio e benefícios. Autonomia do Direito Previdenciário: O Direito Previdenciário é um ramo autônomo, voltado à proteção social dos cidadãos. Competência Legislativa: A União tem competência para legislar sobre a Seguridade Social, com possibilidade de competência concorrente entre União, Estados e Municípios. Vigência e Aplicação das Normas Vigência: O período durante o qual uma norma é válida. Para normas previdenciárias, a vigência ocorre em 45 dias após sua publicação, salvo disposições contrárias. Princípios Importantes Tempus Regit Actum: As normas se aplicam conforme o momento em que o ato jurídico foi praticado. Territorialidade: As normas previdenciárias se aplicam dentro do Brasil, salvo acordos internacionais. Interpretação das Normas Métodos de Interpretação: Gramatical: Interpretação das palavras conforme seu significado usual. Teleológica: Considera a finalidade da norma. Sistemática: Analisa a norma dentro do contexto geral do ordenamento jurídico. Histórica: Considera o contexto histórico de criação da norma. Integração das Normas Quando há omissões na legislação, utilizam-se métodos como analogia, equidade, costumes, e princípios gerais do direito para suprir lacunas. Reforma Previdenciária de 2019 (EC 103/19) Objetivo: Reduzir o déficit previdenciário com medidas como: - Idade mínima para aposentadoria (62 anos para mulheres e 65 anos para homens). - Combate a fraudes e aumento da cobrança de grandes devedores. - Redução das desigualdades entre diferentes categorias de trabalhadores. Espécies de Regras Introduzidas pela Reforma Regras Permanentes: Aplicáveis após a reforma. Regras Transitórias: Para adaptação ao novo regime. Regras de Transição: Para quem já estava no sistema antes da reforma e ainda não preencheu os requisitos de aposentadoria. Direito Adquirido As pessoas que já preencheram os requisitos de aposentadoria até a data da reforma garantem seus direitos conforme as regras anteriores. Financiamento da Seguridade Social Princípios Constitucionais: Equidade: Participação justa no custeio. Diversidade: Múltiplas fontes de financiamento. Prévia fonte de custeio: Exige fontes de custeio antes da expansão de benefícios. Anterioridade nonagesimal: Contribuições exigidas após 90 dias de publicação da lei. Outras Fontes de Receita: Multas, juros, doações, e participação em leilões de bens apreendidos. Contribuintes da Seguridade Social Empregadores e Contratantes: Contribuem com a cota patronal. Segurados: Contribuem de forma direta, com alíquotas variando entre 5% e 20%. Microempreendedores Individuais (MEI): Pagam uma alíquota reduzida de 5%. Arrecadação e Recolhimento das Contribuições Empresas: Devem recolher as contribuições dos empregados até o dia 20 do mês subsequente. Empregador Doméstico: Deve recolher as contribuições do empregado doméstico até o dia 20 do mês subsequente. Imunidade, Isenção, Remissão e Anistia Imunidade: Limitação constitucional ao poder de tributar. Isenção: Exclusão do crédito tributário. Remissão: Extinção da dívida tributária. Anistia: Exclusão de infrações tributárias. Vedações Constitucionais Proibição de Contratar com o Poder Público: Empresas em débito com a seguridade social não podem contratar com o poder público ou receber incentivos fiscais. Resumo para Prova: Beneficiários do RGPS Segurados do RGPS: Segurados Obrigatórios: Pessoas que exercem atividades remuneradas e são obrigadas a contribuir. Segurados Facultativos:Pessoas que, embora não exerçam atividades remuneradas, optam por se filiar ao RGPS para ter acesso à proteção social. Categorias de Segurados Segurados Obrigatórios: Empregado: Trabalhador com vínculo empregatício, incluindo temporários e aprendizes. Doméstico: Trabalhador que presta serviços à residência de uma pessoa ou família. Avulso: Trabalhador com vínculo intermitente através de sindicatos. Contribuinte Individual: Profissionais autônomos como médicos, advogados. Segurado Especial: Trabalhadores rurais sem vínculo empregatício. Segurados Facultativos: Pessoas como estudantes, donas de casa e presidiários que não exercem atividade remunerada, mas optam por contribuir. Contribuinte Individual Definição: Pessoas que exercem atividade remunerada, mas não se encaixam em outras categorias de segurados obrigatórios, como profissionais autônomos e microempreendedores individuais. Trabalhador Avulso Definição: O trabalhador avulso é aquele que presta serviços, tanto em áreas urbanas quanto rurais, a várias empresas, mas sem vínculo empregatício direto, sendo intermediado por sindicatos ou organismos de gestão de mão-de- obra (OGMO). Exemplos de Atividades: Portuárias: Movimentação de carga em portos (como capatazia, estiva, vigilância de embarcação e conserto de carga). Indústria: Carregadores de bagagem em portos, ensacadores de produtos (café, cacau), ou trabalhadores na indústria de extração de sal. Vinculação: O trabalhador avulso realiza atividades sem vínculo empregatício direto, com a intermediação de sindicatos, que gerenciam a alocação de mão-de-obra. Segurado Especial (Art. 11, VII, Lei 8.213/91) Definição e Requisitos: Pessoa que reside em imóvel rural ou em aglomerado urbano/rural próximo e exerce atividades em regime de economia familiar, essencial para sua subsistência e desenvolvimento socioeconômico. A atividade deve ser executada sem a utilização de empregados permanentes, podendo haver o auxílio eventual de terceiros. Contratação de Empregados: Pode contratar empregados, mas o número de membros da família não pode ultrapassar 120 pessoas por dia no ano civil. Atividades que caracterizam o Segurado Especial: Agropecuária (com área de até 4 módulos fiscais). Extrativismo vegetal. Pescador artesanal. Cônjuge, companheiro ou filho maior de 16 anos de produtor ou pescador, desde que comprovada a participação ativa. Manutenção e Exclusão da Condição de Segurado Especial: Não perde a condição de segurado especial ao participar de cooperativas ou realizar atividades turísticas até 120 dias por ano. A condição é excluída se o segurado deixar de residir no imóvel rural ou passar a ser segurado de outro regime previdenciário Dependentes do RGPS (Art. 16 da Lei 8.213/91) Classes de Dependentes: 1ª Classe: Cônjuge, companheiro(a), filhos (biológicos ou adotivos), e ex- cônjuge/companheiro (com dependência econômica comprovada). 2ª Classe: Pais. 3ª Classe: Irmãos (não emancipados, menores de 21 anos ou inválidos). Definições: Cônjuge: Pode ser dependente após o divórcio se houver pensão alimentícia. Companheiro(a): União estável comprovada com início de prova material. Filhos: Dependentes até 21 anos ou inválidos; inclui enteados e menores sob guarda. Relações Familiares Não Convencionais: Parceiro homoafetivo é reconhecido como dependente. Perda de Qualidade de Dependente: Para o cônjuge: pelo divórcio, separação ou falecimento. Para o companheiro(a): cessação da união estável. Para filhos e irmãos: ao atingirem 21 anos, salvo se inválidos. Adoção: Rompe o vínculo com os pais biológicos, exceto em caso de adoção de enteado.