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Anatomia do sistema urinário
Apresentação anatômica e funcional dos elementos do sistema urinário.
Prof. Marcio Antonio Babinski
1. Itens iniciais
Propósito
Entender os aspectos morfofuncionais do sistema urinário e seus constituintes como um elemento
fundamental para o profissional da área de saúde.
Objetivos
Reconhecer os conceitos gerais sobre o sistema urinário e o rim.
Identificar os elementos de armazenamento e condução do sistema urinário.
Introdução
O metabolismo gera uma variedade de produtos residuais (escórias nitrogenadas) que, além de
desnecessários para o organismo, ainda podem se tornar tóxicos caso se acumulem. O corpo conta com a
presença de alguns mecanismos especializados em remover esses resíduos, como, por exemplo, a respiração,
digestão e até o suor (uremia). No entanto, o sistema urinário é o principal meio de excreção de resíduos
nocivos.
 
Os rins são órgãos que separam os resíduos metabólicos do sangue. Os outros órgãos do sistema urinário
servem apenas para o transporte, o armazenamento e a eliminação da urina. Contudo, as tarefas dos rins vão
muito além da excreção de resíduos.
 
Eles também desempenham papéis indispensáveis em:
 
Regulação do volume e da pressão sanguínea.
Formação de eritropoetina, renina, calcitriol.
Controle dos gases e pH sanguíneo.
Equilíbrio de eletrólitos.
 
Pela realização dessas tarefas, os rins têm uma relação fisiológica muito parecida com a dos sistemas
endócrino, circulatório e respiratório. Neste conteúdo, estudaremos a composição anatômica do sistema
urinário.
 
No módulo 1, dissertaremos a respeito das generalidades desse sistema e de seu papel no organismo,
falando, em seguida, sobre os rins. Já no módulo 2, exploraremos anatomicamente os elementos que
armazenam e conduzem a urina.
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1. Conceitos do sistema urinário e o rim
Generalidades sobre o sistema urinário
O sistema urinário tem como principal função remover os resíduos metabólicos (escórias nitrogenadas) do
sangue e eliminá-los na urina. Esse sistema é composto por seis órgãos principais:
 
Dois rins.
Dois ureteres.
Bexiga urinária.
Uretra.
 
O trato urinário tem relações especialmente importantes com o útero e a vagina no caso das mulheres e com a
próstata para os homens.
Digrama do sistema urinário.
Embora a função primária do sistema urinário seja a excreção, ele também é capaz de realizar outras funções.
Listaremos algumas delas a seguir:
Filtrar o plasma sanguíneo, que gira em torno de 170L/dia, excretando os resíduos metabólicos tóxicos.
Reabsorver de água que compõe a urina e alguns eletrólitos, como sódio e potássio.
Regular o volume sanguíneo, a pressão e a osmolaridade, regulando a produção de água (via sistema
renina-angiotensina-aldosterona).
Regular o equilíbrio eletrolítico e o ácido-básico dos fluidos corporais.
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Secretar hormônios, como, por exemplo, a eritropoietina (EPO), que estimula a produção de glóbulos
vermelhos e, portanto, suporta a capacidade de transporte de oxigênio do sangue.
Contribuir para a homeostase do cálcio e o metabolismo ósseo, realizando uma etapa na síntese do
hormônio calcitriol (forma ativa da vitamina D).
Eliminar o excesso de hormônios e drogas do sangue, limitando, assim, sua ação.
Desintoxicar o corpo, eliminando os radicais livres.
Ajudar, em condições de extrema desnutrição, a sustentar o nível de glicose no sangue, sintetizando a
glicose a partir de aminoácidos (um processo denominado gliconeogênese).
Secretar hormônios
Outros hormônios também são secretados pelos rins como a renina e o calcitriol.
Todas essas funções são realizadas pelos rins. Eles constituem, desse modo, os principais órgãos do sistema
urinário. Os demais que compõem esse sistema possuem somente o papel de armazenar e conduzir a urina,
não tendo relação direta com os processos metabólicos citados acima.
Função principal do sistema urinário, a excreção é o processo de extração e eliminação de resíduos
dos fluidos corporais, evitando, com isso, o “envenenamento” metabólico do corpo.
Os rins excretam moléculas contendo nitrogênio, chamadas de resíduos nitrogenados. O mais abundante
deles é a ureia, um produto do metabolismo das proteínas. Se os rins não funcionam adequadamente,
desenvolve-se uma condição conhecida como azotemia, na qual a concentração de ureia no sangue é
anormalmente alta.
 
Na insuficiência renal grave, a azotemia progride para a uremia, uma síndrome de diarreia, vômitos, dispneia
(dificuldade para respirar) e arritmia cardíaca. Convulsões, coma e até a morte podem ocorrer em poucos dias,
ressaltando a importância da função renal adequada.
Saiba mais
O tratamento utilizado mediante perda de função renal é a diálise, que busca fazer o papel do rim de
filtrar o sangue. 
Rins
Conceitos e principais características
O rim é um órgão que contém cerca de um milhão de unidades morfofuncionais chamadas de néfrons. Na
comparação com objetos de uso pessoal, ele tem o tamanho aproximado de uma barra de sabonete.
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Conheceremos a seguir as medidas de um rim:
Massa: Cerca de 150g.
Comprimento: Por volta de 12cm de comprimento do polo
superior ao inferior.
Largura: 6cm da margem (borda) lateral à medial (hilo).
Espessura: 3cm da face anterior à posterior.
Formato: Reniforme (forma de um grão de feijão).
Os rins são órgãos pares do corpo. Retroperitoneais, esses órgãos permanecem obliquamente situados na
parede posterior do abdome: enquanto seus polos (extremidades) superiores estão mais próximo do plano
mediano, os inferiores ficam mais distantes, criando, assim, um eixo renal de aproximadamente 30°. Eles se
encontram no tecido conjuntivo retroperitoneal imediatamente lateral em relação à coluna vertebral.
Saiba mais
Na posição anatômica, os rins estendem-se aproximadamente desde a décima segunda vértebra
torácica (T12), que fica na parte superior da coluna, até a terceira vértebra lombar (L3), que está
embaixo. 
O rim direito está um pouco mais para baixo que o esquerdo por causa de sua relação com o fígado. Apesar da
semelhança de ambos em tamanho e forma, o rim esquerdo é um órgão mais longo e delgado que o direito e
está mais próximo da linha média do corpo.
Por sua topografia vertebral, os rins têm uma proximidade com os nervos ílio-hipogástrico e ílio-
inguinal (T12 e L1) do plexo lombar.
Atenção
Isso explica a razão pela qual doenças renais, como a pielonefrite (inflamação nos rins) ou as
nefrolitíases (cálculo renal ou “pedra nos rins”), podem causar uma dor que irradia para a região inguinal,
pois esses nervos, entre outros, suprem a inervação sensitiva da região inguinal. 
A superfície lateral do rim é convexa, enquanto a medial é côncava e possui uma fenda, o chamado hilo renal
(nível de L2). Esse hilo permite a passagem de:
 
Nervos renais.
Vasos sanguíneos.
Vasos linfáticos.
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Ureter.
 
O rim é protegido por três camadas de tecido conjuntivo:
 
Uma fáscia renal fibrosa, imediatamente profunda em relação ao peritônio parietal, liga o rim e os
órgãos associados à parede abdominal.
 
A cápsula de gordura perirrenal, uma camada de tecido adiposo, que protege o rim e o mantém no
lugar.
 
Uma cápsula fibrosa (fáscia de Gerota), que envolve o rim e se ancora no hilo, protegendo o órgão de
traumas e infecções.
 
Os rins são suspensos por fibras de colágeno que se estendem da cápsula fibrosa, por meio da gordura, até a
fáscia renal. Essa fáscia é fundida com o peritônio na porção anterior e, posteriormente, com a fáscia dos
músculos lombares. Apesar dessas “ancoragens”, os rins caem cerca de 3cm quando se passa da posição
deitada para a de pé. cama pela manhã. Em algumas circunstâncias, os rins podem cair ainda mais, causando
surgimento de sintomas. 
 
Veremos um exemplo disso com mais detalhes na seção denominada Nota clínica: nefroptose.
O parênquima renal circunda uma cavidade medial, o seio renal, que é ocupada por vasos sanguíneos e
linfáticos, nervose estruturas coletoras de urina. O tecido adiposo preenche o espaço restante no seio e
mantém essas estruturas no lugar.
 
O parênquima é dividido em duas zonas:
Um córtex
Situado mais externamente, tem cerca de 1cm
de espessura.
Uma medula
Localizada internamente, está voltada para o
seio.
Colunas renais
Extensões do córtex denominadas colunas renais projetam-se em direção ao seio e dividem a medula
de 9 a 12 pirâmides renais. Cada pirâmide é cônica, com uma base larga voltada para o córtex. No
ápice da pirâmide renal, encontra-se a papila renal.
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Lobo renal
Uma pirâmide e o córtex sobrejacente constituem um lobo renal. A papila de cada pirâmide renal
goteja urina em uma estrutura coletora de urina chamada de cálice menor (geralmente, um rim possui
de 9 a 12 cálices menores). Esses cálices menores se juntam, formando de 3 a 4 cálices maiores.
Pelve renal
Por fim, os maiores se unem e formam uma estrutura dilatada denominada pelve renal. Já o ureter é
uma continuação tubular da pelve (do grego pielo. Vem daí a expressão “sistema coletor pielocalicial”)
renal, que drena a urina para a bexiga urinária.
Anatomia do rim (esquerdo).
Como os rins removem os resíduos do sangue, regulando seu volume e sua composição iônica, não é
surpreendente eles serem abundantemente supridos dos vasos sanguíneos. Embora constituam menos de
0,5% da massa corporal total, rins recebem entre 20 e 25% do débito cardíaco (volume de sangue ejetado
pelo coração em 1 minuto) em repouso pelas artérias renais direita e esquerda.
Dentro do rim, a artéria renal se divide em várias artérias, as quais, por sua vez, suprem cinco
diferentes segmentos (áreas) do rim.
Primeiramente, a artéria renal emite, no hilo renal, um ramo anterior. Diversas ramificações dele irrigam, do
sentido cranial para o inferior, quatro segmentos:
 
Superior
Antessuperior
Anteinferior
Inferior
 
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Já o ramo posterior da artéria renal irriga o segmento posterior do rim. Cada ramo arterial segmentar emite
vários ramos que, após entrarem no parênquima, passam pelas colunas renais entre os lobos renais como 
artérias interlobares.
 
Um lobo renal consiste em:
 
Uma pirâmide renal, parte da coluna renal em cada lado da pirâmide renal.
O córtex renal na base dessa pirâmide (como já vimos anteriormente).
Nota clínica: plano avascular de Brodel
A artéria renal se divide em dois ramos: anterior e posterior. A escassez relativa de vasos
sanguíneos na face posterior do parênquima renal cria o chamado "plano avascular de Brodel",
também conhecido como linha branca de Brodel. Esse plano está localizado posteriormente (30°)
em relação à margem convexa lateral do rim (plano coronal/frontal), estando próximo dos cálices do
segmento posterior. Ele permite uma via de acesso relativamente segura ao sistema pélvico-
cicatricial para a realização de nefrostomia sem sangramentos.
Artérias interlobares
Na base das pirâmides renais, as artérias interlobares (conhecidas como artérias arqueadas) formam
um arco entre a medula renal e o córtex. As divisões dessas artérias produzem uma série de artérias
radiadas corticais que se irradiam para fora e entram no córtex renal.
Arteríolas aferentes
No córtex renal, elas emitem ramos conhecidos como arteríolas aferentes. Cada néfron recebe uma
arteríola e se organiza em uma rede capilar enovelada em forma de bola chamada de glomérulo.
Capilares glomerulares
Os capilares glomerulares, então, se reúnem para formar uma arteríola eferente. Essa arteríola carrega
o sangue para fora do glomérulo. Os capilares glomerulares são únicos entre os capilares do corpo,
pois estão posicionados entre duas arteríolas em vez de ficarem entre uma arteríola e uma vênula.
Glomérulos
Por serem redes capilares e desempenharem um papel importante na formação da urina, os
glomérulos são considerados parte dos sistemas cardiovascular e urinário. As arteríolas eferentes
dividem-se para formar os capilares que circundam as partes tubulares do néfron no córtex renal.
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Capilares peritubulares
Estendendo-se ao longo de algumas arteríolas eferentes, longos capilares em forma de alça
(chamados de vasos retos) suprem as porções tubulares do néfron na medula renal. Os capilares
peritubulares se reúnem eventualmente para formar veias irradiadas corticais, as quais também
recebem sangue dos vasos retos.
Veias interlobares
Em seguida, o sangue é drenado pelas veias arqueadas, para as veias interlobares, que correm entre
as pirâmides renais. Múltiplas veias contribuem para a formação das veias renais esquerda e direita,
ambas anteriores às artérias renais.
Atenção
A veia renal esquerda, mais longa, cruza a linha média, que é anterior à aorta abdominal e posterior à
artéria mesentérica superior. Ela pode ser comprimida por essa pinça aortomesentérica ou por um
aneurisma em qualquer um desses dois vasos. 
A drenagem linfática de cada rim segue em direção aos nódulos aórticos laterais (lombares) ao redor da
origem da artéria renal. Envolvido em torno de cada artéria renal está um plexo renal de nervos e gânglios. O
plexo segue os ramos dessa artéria até o rim, emitindo fibras nervosas para os vasos sanguíneos e túbulos
convolutos dos néfrons. O plexo renal inclui:
 
Inervação simpática
Inervação parassimpática
Fibras aferentes da dor dos rins a caminho da medula espinhal
 
Os nervos simpáticos originam-se do plexo aórtico abdominal (especialmente de seus gânglios mesentéricos
superiores e celíacos). Eles controlam o fluxo sanguíneo renal e a taxa de produção de urina: quando a
pressão arterial cai, estimulam os rins a secretarem a renina, uma enzima que ativa os mecanismos hormonais
para restaurar a pressão arterial. A inervação parassimpática provém dos nervos vagos.
Néfron
Os néfrons são as unidades morfofuncionais dos rins. Cada néfron consiste em duas partes:
 
Um corpúsculo renal (onde o plasma sanguíneo é filtrado).
Um túbulo renal (no qual passa o fluido filtrado).
 
Intimamente associado a um néfron está o suprimento sanguíneo dele. Como vimos anteriormente, o rim
contém cerca de um milhão de néfrons.
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Por se tratar de uma estrutura microscópica, estudaremos apenas seus conceitos gerais.
Os dois componentes de um corpúsculo renal são:
 
Glomérulo (rede capilar);
 
Cápsula glomerular (ou cápsula de Bowman), uma cúpula epitelial de parede dupla que envolve os
capilares glomerulares.
 
O plasma sanguíneo é filtrado na cápsula glomerular; em seguida, o líquido filtrado passa para o túbulo renal,
que possui três seções principais.
 
Na ordem em que o fluido passa por eles, o túbulo renal consiste em:
 
Túbulo contorcido proximal
Alça renal ou alça de Henle
Túbulo contorcido distal
 
Proximal denota a parte do túbulo próximo da cápsula glomerular; distal, a parte que está mais longe. O
corpúsculo renal e os dois túbulos contorcidos ficam dentro do córtex renal. A alça de néfron se estende até a
medula renal, faz uma curva fechada e retorna a esse córtex.
 
Os túbulos contorcidos distais de vários néfrons esvaziam-se em um único duto coletor. Os dutos de coleta
então se unem e convergem em várias centenas de grandes dutos papilares, que drenam para os cálices
menores via papila renal.
Por meio da medula renal, os dutos coletores e papilares se estendem do córtex renal até a pelve
renal. Vejamos a figura a seguir:
Esquema de um néfron.
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Nota clínica: nefroptose
A nefroptose (ou rim flutuante) é caracterizada pelo deslocamento inferior ou pela queda do rim. Ela
ocorre quando ele escorrega de sua posição normal por três motivos:
Falta de sustentação na topografia
Órgãos adjacentes
Sua fáscia
A nefroptose se desenvolve mais frequentemente em pessoas muito magras com deficiência da cápsula
adiposa ou da fáscia renal. Ela é perigosa, já que o ureter pode dobrar e bloquear o fluxo de urina.
O acúmulo de urina resultante exerce pressão sobre os rins, o que danifica o tecido. A torção do
ureter também causa dor. A nefroptose é muitocomum.
Saiba mais
Cerca de uma em cada quatro pessoas apresenta algum grau de enfraquecimento das faixas fibrosas
que mantêm o rim no lugar. Isso é 10 vezes mais comum em mulheres do que em homens. 
Nota clínica: nefrolitíase
Um cálculo renal é uma massa sólida e dura formada por cálcio, fosfato, ácido úrico e proteína.
Formados na pelve renal, os cálculos renais geralmente são pequenos o suficiente para passar
despercebidos no fluxo urinário. Alguns, no entanto, crescem até alguns centímetros e podem
bloquear a pelve renal ou o ureter, o que pode levar à destruição dos néfrons à medida que aumenta
a pressão no rim.
Quando o cálculo é grande e irregular, ao descer pelo ureter, estimula fortes contrações que podem ser
extremamente dolorosas. Também é possível lesar a mucosa do ureter e causar hematúria (sangue na urina).
As causas dos cálculos renais incluem:
 
Hipercalcemia (excesso de cálcio no sangue)
Desidratação
Desequilíbrios de pH
Infecções frequentes do trato urinário
Aumento da próstata, causando retenção de urina (intravesical)
 
Os cálculos renais, às vezes, são tratados com medicamentos para a dissolução de pedras, mas casos do tipo
podem requerer sua remoção cirúrgica.
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Exemplo
Uma técnica não cirúrgica denominada litotripsia usa o ultrassom para pulverizar os cálculos em grânulos
finos facilmente eliminados na urina. 
Conceitos gerais do sistema urinário e do rim
O especialista Jose Carlos Siciliano fará resumo do módulo, abordando todos os subtópicos descritos neste
módulo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Dos nervos citados abaixo, quais estão envolvidos com a dor irradiada na nefrolitíase? Aponte a alternativa
correta.
A
Nervo ílio-hipogástrico e nervo hipogástrico.
B
Nervo ílio-inguinal e nervo parassimpático.
C
Nervo vago e nervo hipoglosso.
D
Nervo renal e nervo do néfron.
E
Nervo renal e nervo capsular de Bowman.
A alternativa A está correta.
A proximidade do rim com os nervos ílio-hipogástrico e ílio-inguinal (plexo lombar) explica a razão pela qual
as doenças renais, como a pielonefrite ou as nefrolitíases, podem causar dores que se espalham para a
região inguinal (trajeto dos nervos).
Questão 2
O melhor local para a realização de uma nefrostomia sem sangramentos é chamado de linha branca avascular
de Brodel. Entre os segmentos listados a seguir, assinale o segmento renal associado corretamente:
A
Próximo dos cálices do segmento anterior.
B
Próximo dos cálices do segmento anterossuperior.
C
Próximo dos cálices do segmento anteroinferior.
D
Próximo dos cálices do segmento inferior.
E
Próximo dos cálices do segmento posterior.
A alternativa E está correta.
O plano avascular de Brodel está localizado na porção posterior (30°) à margem convexa lateral do rim
(plano coronal/frontal) e próximo dos cálices do segmento posterior.
2. Armazenamento e condução do sistema urinário
Ureteres
Conceitos e principais características
A pelve renal leva a urina para o ureter, um tubo musculomembranoso retroperitoneal que se estende até a
vesícula urinária (bexiga). O ponto de união entre essa pelve e o ureter é conhecido como junção
ureteropélvica, enquanto o de entrada do ureter na bexiga urinária é denominado junção ureterovesical.
 
O ureter tem cerca de 25cm de comprimento e atinge um diâmetro máximo de cerca de 1,7cm próximo da
bexiga. Já o lúmen é muito estreito e, como já vimos, facilmente obstruído por urolitíase (cálculos renais).
Durante seu trajeto, o ureter possui três pontos de estreitamento:
 
Na junção ureteropélvica.
Ao cruzar os vasos ilíacos comuns na pelve.
Na junção ureterovesical.
Nessas regiões, sua luz torna-se mais estreita. Cálculos renais ainda podem causar obstrução com
mais facilidade.
Os ureteres passam em uma posição posterior em relação à bexiga e entram nela por baixo, penetrando
obliquamente por sua parede muscular e abrindo-se em seu assoalho. Uma pequena aba da mucosa da
bexiga atua como uma válvula na abertura de cada ureter para impedir que a urina retorne para ele quando a
bexiga se contrai. O ureter possui três camadas:
 
Uma mucosa interna.
Uma camada muscular média.
Uma camada chamada adventícia externa.
Epitélio de transição
O epitélio de transição reveste o trato urinário, começando nos cálices menores dos rins e se
estendendo por ureteres, bexiga urinária e parte da uretra.
Músculo
O músculo consiste em duas camadas de músculo liso ao longo da maior parte do comprimento do
ureter, mas uma terceira camada aparece na parte inferior dele. A muscular interna, por sua vez, é
composta por células musculares longitudinais.
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Células
As células na próxima camada superficial após a muscular interna têm arranjo circular, enquanto a
terceira e mais externa camada no ureter inferior é novamente longitudinal. Ondas peristálticas de
contração na musculatura conduzem a urina da pelve renal para a bexiga.
A adventícia do ureter é uma camada de tecido conjuntivo que adere o ureter aos tecidos circundantes. Ele se
mistura com:
 
A cápsula do rim na extremidade superior.
O tecido conjuntivo da parede da bexiga na extremidade inferior.
Ilustração da trajetória do ureter. Note a relação dele com os vasos ilíacos comuns e
sua entrada na bexiga urinária.
Os ureteres recebem ramos arteriais de vasos adjacentes à medida que passam em direção à bexiga.
Observemos agora suas três porções ou partes:
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Porção superior
Irrigada por ramos das artérias renais.
Parte média
Recebe ramos da aorta abdominal, das artérias gonadais e das artérias ilíacas comuns.
Parte inferior
Recebe ramos das artérias ilíacas internas.
Dica
As veias seguem esse mesmo padrão. 
Os vasos linfáticos que drenam a parte superior de cada ureter vão para os linfonodos lombares. Na porção
média, a drenagem é feita para os linfonodos associados aos vasos ilíacos comuns. Já na parte inferior de
cada ureter, a linfa drena para os linfonodos associados aos vasos ilíacos externos e internos.
 
Por meio de nervos que seguem os vasos sanguíneos, a inervação do ureter é feita por estes plexos:
 
Renal
Aórtico
Hipogástrico superior
Hipogástrico inferior
 
As fibras eferentes viscerais vêm de fontes simpáticas e parassimpáticas, enquanto as aferentes viscerais
retornam aos níveis da medula espinhal de T11 a L2. Geralmente relacionada com a distensão do ureter, a dor
ureteral se refere a áreas cutâneas supridas pelos níveis da medula espinhal de T11 a L2.
 
Essas áreas cutâneas incluem:
 
A parede abdominal posterior e lateral abaixo das costelas e acima da crista ilíaca.
A região púbica.
O escroto nos homens.
Os grandes lábios nas mulheres.
A face anterior da porção proximal da coxa.
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Nota clínica: ureter duplo
A duplicação ureteral é a anormalidade congênita mais comum associada ao trato urinário,
ocorrendo em cerca de 1% da população. Ela pode ocorrer unilateral ou bilateralmente, podendo
ainda ser parcial ou completa. Nesse caso, os ureteres parcialmente duplicados se fundem em um
único ureter próximo da bexiga urinária (também conhecido como ureter bífido).
Já na duplicação completa, os ureteres duplicados podem formar o ureterocele, o ureter ectópico ou
o ureter ortotópico. O ectópico é capaz de causar complicações severas.
Exemplo
Em vez de desaguar na bexiga, o deságue pode ocorrer no útero e na vagina, exigindo uma intervenção
cirúrgica. 
As duplicações completas também estão associadas a um risco aumentado de:
 
Infecção do trato urinário (ITU).
Obstrução.
Refluxo vesicoureteral.
Nota clínica: lesões cirúrgicas no ureter
Os ureteres podem ser lesionados durante cirurgias abdominais, retroperitoneais, pélvicas ou
ginecológicas, como resultado da interrupção inadvertida de seu suprimento sanguíneo. A
identificação pela pelve durante todo o seu percurso configura uma medida preventiva importante.
As anastomoses longitudinais entreos ramos arteriais que suprem os ureteres são geralmente adequadas
para manter o suprimento sanguíneo ao longo deles, porém, às vezes, isso não acontece. A tração do ureter
durante a cirurgia pode causar uma ruptura tardia dele.
Vesícula urinária
Conceitos e principais características
A vesícula urinária (bexiga) é o elemento mais anterior das vísceras pélvicas. Embora esteja inteiramente
situado na cavidade pélvica quando vazia, ela se expande superiormente para a cavidade abdominal ao ficar
cheia.
 
Com o formato de um cone, uma bexiga vazia possui:
 
Um ápice.
Uma base.
Uma superfície superior
Duas superfícies ínferolaterais.
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A bexiga urinária está situada atrás da sínfise púbica e abaixo do peritônio, sendo revestida por ele somente
em sua superfície superior. O ápice da bexiga é direcionado para a sínfise púbica, estrutura conhecida como
ligamento umbilical mediano (um remanescente embrionário do úraco) contínuo, a partir do ápice em direção
ao umbigo.
A base da bexiga tem a forma de um triângulo (cone)
invertido e está voltada posteriormente. Os dois ureteres
entram nela em cada um dos cantos superiores da base,
enquanto a uretra drena inferiormente pelo canto inferior da
base.
No interior, o revestimento da mucosa na base da bexiga é
liso e firmemente preso à camada de músculo liso
subjacente da parede ― ao contrário de outras partes dela,
onde é dobrada e fracamente presa à parede. A área
triangular lisa entre os óstios (aberturas) dos ureteres e da
uretra no interior da bexiga é conhecida como trígono vesical, um local frequentemente afetado por infecções.
Anatomia da bexiga urinária.
As superfícies inferolaterais da bexiga estão situadas entre os seguintes músculos:
 
Levantadores do ânus do diafragma pélvico
Obturadores internos
 
A superfície superior é ligeiramente abaulada quando a bexiga está vazia. Essa superfície, como vimos,
aumenta à medida que a bexiga se enche. A bexiga possui um colo, região onde surge a uretra. Essa é a parte
mais fixa dela. Além disso, ela é ancorada na posição por um par de faixas fibromusculares resistentes que
conectam o colo e a parte pélvica da uretra ao aspecto posteroinferior de cada osso púbico.
• 
• 
Ligamentos pubovesicais 
Nas mulheres, essas bandas fibromusculares
são ― com a membrana perineal e os
músculos associados ― denominadas 
ligamentos pubovesicais.
Ligamentos puboprostáticos 
Já nos homens, as bandas
fibromusculares emparelhadas são
conhecidas como ligamentos
puboprostáticos, por se misturarem
com a cápsula fibrosa da próstata.
A bexiga urinária comporta, em média, de 300 a 500mL, podendo armazenar até 1500mL de urina antes de se
esvaziar. Essa capacidade é menor nas mulheres, porque o útero ocupa o espaço imediatamente superior ao
da bexiga urinária. Falaremos mais adiante sobre o reflexo de micção.
 
Três camadas constituem a parede da bexiga urinária. A mais profunda é a mucosa, que é uma membrana
mucosa composta de epitélio de transição e uma lâmina própria subjacente semelhante à dos ureteres. Ao
redor da mucosa está a camada muscular. Denominada músculo detrusor de urina, ela consiste em três
subgrupos de fibras musculares lisas:
 
Longitudinal interna
Circular média
Longitudinal externa
 
A camada mais superficial da bexiga urinária nas superfícies posterior e inferior é a adventícia, formada de
tecido conjuntivo areolar e contínua em relação à dos ureteres. Sobre a superfície superior da bexiga urinária
está a serosa, uma camada de peritônio, conforme abordamos anteriormente.
 
A bexiga urinária é irrigada por duas artérias:
Artéria vesical superior
Surge da porção patente da artéria umbilical.
Artéria vesical inferior
Provém da artéria ilíaca interna.
Atenção
A artéria vesical inferior é inexistente em mulheres: quem supre o território dela é a artéria vaginal. 
A drenagem venosa segue a arterial, drenando para um plexo venoso vesical que termina na veia ilíaca interna.
A linfa, por sua vez, drena para os linfonodos ilíacos externos. A bexiga urinária recebe sua inervação sensitiva
e motora dos:
 
Plexos hipogástricos superior e inferior.
Nervos esplâncnicos pélvicos.
A eliminação de urina da bexiga urinária é chamada de micção. Ela ocorre por meio de uma
combinação de contrações musculares involuntárias e voluntárias.
Quando o volume de urina na bexiga urinária excede de 200 a 400mL, a pressão dentro dela aumenta
consideravelmente.
• 
• 
• 
• 
• 
• 
 
Com isso, os receptores de estiramento em sua parede transmitem impulsos nervosos para a medula
espinal.
 
Esses impulsos se propagam para o centro de micção nos segmentos S2 e S3 da medula espinal
sacral, disparando um reflexo espinal denominado reflexo de micção.
 
Nesse arco reflexo, os impulsos parassimpáticos do centro de micção se propagam para a parede da bexiga
urinária e do esfíncter uretral interno. Os impulsos nervosos causam uma contração do músculo detrusor de
urina e o relaxamento desse esfíncter. Simultaneamente, o centro de micção inibe os neurônios motores
somáticos que inervam o músculo esquelético no esfíncter uretral externo. Com a contração da parede da
bexiga urinária e o relaxamento dos esfíncteres, ocorre a micção.
Atenção
O enchimento da bexiga urinária causa uma sensação de plenitude que inicia um desejo consciente de
urinar antes que o reflexo de micção realmente ocorra. 
Embora o esvaziamento da bexiga urinária seja um reflexo, aprendemos, na primeira infância, a iniciá-lo e a
interrompê-lo voluntariamente. Por intermédio do controle aprendido do músculo esfíncter uretral externo e de
certos músculos do assoalho pélvico, o córtex cerebral pode iniciar a micção ou retardar sua ocorrência por
um período limitado.
Nota clínica: incontinência urinária
A falta de controle voluntário sobre a micção é chamada de incontinência urinária. Em bebês e
crianças de dois a três anos de idade, a incontinência é normal, já que os neurônios do esfíncter
uretral externo não estão completamente desenvolvidos. A micção ocorre sempre que a bexiga
urinária está suficientemente distendida para estimular o reflexo de micção. A incontinência urinária
também ocorre em adultos e, com maior frequência, em indivíduos idosos.
Existem quatro tipos de incontinência urinária:
Estresse
A incontinência de estresse (esforço) é o tipo mais comum de incontinência em mulheres jovens e de
meia-idade, sendo o resultado da fraqueza dos músculos profundos do assoalho pélvico. Com isso,
qualquer estresse físico que aumente a pressão abdominal causa o vazamento de urina da bexiga
urinária.
Tosse, espirro, riso, exercícios, esforço, levantamento de objetos pesados e gravidez.
• 
• 
Urgência
Mais comum em pessoas idosas, a incontinência de urgência é caracterizada por uma urgência
abrupta e intensa de urinar seguida por uma perda involuntária de urina.
Transbordamento
A incontinência por transbordamento refere-se ao vazamento involuntário de pequenas quantidades
de urina causado por algum tipo de bloqueio ou por contrações fracas da musculatura da bexiga
urinária. Quando o fluxo de urina é bloqueado, a bexiga urinária fica cheia demais. Com isso, a
pressão interna aumenta até que pequenas quantidades dela comecem a sair.
Por conta de uma próstata aumentada, de pedras nos rins ou quando os músculos da bexiga urinária
não podem mais se contrair.
Funcional
A incontinência funcional é o extravasamento de urina resultante da incapacidade de chegar a tempo
ao banheiro. Isso resulta de algumas condições de saúde.
Acidente vascular cerebral, artrite severa ou doença de Alzheimer.
Uretra
Conceitos e principais características
Última porção da parte de condução do sistema urinário, a uretra é um tubo que possui diferenças
significativas entre homens e mulheres.
Uretra masculina
Com 15 a 20cm de comprimento, ela conta com três porções:
Uretra prostática
Começa na bexiga urinária, passando através da próstata por cerca de 2,5cm. Durante o orgasmo, o
homem recebe o sêmen das glândulas reprodutivas.Uretra membranosa
É constituída por uma porção curta (0,5cm) de parede fina por onde a uretra passa através do
assoalho muscular da cavidade pélvica.
Uretra esponjosa (uretra peniana)
Com cerca de 15cm de comprimento, ela passa pelo corpo esponjoso do pênis até o orifício uretral
externo. Nessa porção, a uretra se dilata e forma uma região chamada de fossa navicular.
Uretra masculina. Note o tamanho da uretra e sua trajetória.
Alguns autores ainda consideram a presença de uma porção anterior à prostática chamada de uretra
pré-prostática ou intramural.
Uretra feminina
Dessa forma, a uretra prostática possui orifícios correspondentes à abertura dos dois dutos ejaculatórios
responsáveis pelo transporte de espermatozoides e de outros componentes do sêmen. Essa região é
denominada colículo seminal (Verumontanum). No colículo seminal, também existe o utrículo prostático, um
orifício de fundo cego correspondente, na mulher, ao útero. A uretra prostática é frequentemente alvo de
obstrução em casos de hiperplasia prostática benigna, prejudicando o fluxo de urina.
Estrutura e Localização 
Na mulher, a uretra tem de 3 a 4cm de
comprimento e está ligada à parede anterior
da vagina por um tecido conjuntivo fibroso.
Sua abertura, o orifício uretral externo, fica
entre o orifício vaginal e o clitóris.
Diferenças entre a Uretra Masculina e
Feminina 
A uretra masculina participa tanto do
sistema reprodutor (pois permite a
passagem de sêmen) quanto do
urinário (uma vez que possibilita a
passagem de urina). A feminina, por sua
vez, tem função relacionada somente ao
sistema urinário.
Corte coronal demonstrando algumas estruturas relacionadas à uretra.
Repare na imagem a seguir dos dois orifícios dos dutos ejaculatórios e do utrículo prostático. Essa região é a
do colículo seminal. As glândulas bulbouretrais estão presentes perto do esfíncter externo da uretra.
Corte destacando a uretra prostática e as camadas da bexiga.
Uretra feminina. Note o tamanho da uretra e a relação da bexiga urinária com o
útero.
A uretra esponjosa recebe o produto das glândulas bulbouretrais (de Cowper), cujo objetivo é neutralizar a
acidez da uretra esponjosa e prepará-la para a passagem dos espermatozoides. Essa uretra ainda possui
diversos orifícios que correspondem aos dutos das glândulas uretrais (glândulas de Littré), que são
responsáveis por secretar muco e impedir lesões na mucosa. Reduzidas a um par na mulher, as glândulas
uretrais são chamadas de glândulas de Skene.
Nota clínica: hipospadias
A hipospadia é um defeito congênito urogenital no qual a abertura uretral fica localizada mais
próxima do que sua localização usual na ponta da glande. Ela é a segunda atipicidade congênita
mais comum, existindo proporcionalmente em cada bebê de um grupo de 300 bebês do sexo
masculino. De 75% a 87% dos casos ocorrem na forma distal ou tipo coronal, ou seja, com o meato
urinário mais próximo da extremidade da glande peniana (como consta nas imagens anteriores).
A hipospadia pode ser de três tipos:
 
Tipo coronal
Trata-se do primeiro e mais frequente (87% dos casos).
 
Tipo peniano-escrotal
Com 10% dos casos, ele é assim chamado pelo fato de que a uretra termina ali ― e não há conduto urinário na
porção distal peniana. Os restantes são uretrais e ficam transformados numa banda fibrosa que origina uma
curva em flexão. O tipo peniano-escrotal é um caso de solução difícil, precisando de dois ou três tempos
operatórios.
 
Tipo perineal
Seus casos são graves: neles, o pênis apresenta uma forma amorfa.
• 
• 
• 
Nos casos de hipospadias proximais (escrotais e perineais) associadas à criptorquidia bilateral
(testículos que não desceram), é obrigatória a realização do diagnóstico diferencial com intersexo
antes do tratamento.
Nos dois sexos, a mucosa tem um epitélio:
 
De transição: Na região próximo da bexiga.
Escamoso: Estratificado próximo do orifício externo.
Colunar: Entre os dois epitélios, existem áreas de epitélio colunar estratificado e pseudoestratificado na
uretra masculina, e somente de pseudoestratificado na feminina.
 
Tanto no homem quanto na mulher, o músculo detrusor de urina da bexiga urinária é mais grosso na região
próximo da uretra para formar o esfíncter uretral interno, que comprime a uretra e retém a urina na bexiga.
Como esse esfíncter é composto de músculo liso, ele está, como apontamos anteriormente, sob controle
involuntário. Após passar pelo assoalho pélvico, a uretra é circundada por um esfíncter uretral externo do
músculo esquelético, que fornece controle voluntário sobre a eliminação da urina.
Nota clínica: cistites
O comprimento relativamente curto da uretra nas mulheres torna-as mais suscetíveis a infecções da
bexiga que os homens. O principal sintoma da ITU, no caso delas, é usualmente a inflamação da
bexiga (cistite). Essa infecção pode ser controlada, na maioria das situações, por antimicrobianos
orais, sendo resolvida sem complicações.
Em crianças menores, a ITU pode se espalhar através dos ureteres para os rins (pielonefrite),
ocorrendo a lesão renal e a subsequente insuficiência renal aguda (IRA) ― e, às vezes, até uma
falência renal (IRC). Nessas situações, o diagnóstico precoce e o tratamento são de fundamental
importância.
Elementos de armazenamento e condução do sistema urinário
O especialista José Carlos Siciliano fará um resumo abordando todos os subtópicos descritos neste módulo.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Na mulher, os ureteres recebem ramos arteriais de vasos adjacentes à medida que passam pelo abdome em
direção à bexiga. Quanto à origem dos ramos arteriais, assinale a alternativa incorreta:
A
Artérias renais
• 
• 
• 
B
Aorta
C
Artérias gonadais
D
Artérias ilíacas comuns
E
Artéria vesical inferior
A alternativa E está correta.
Os ureteres são uma fonte de nutrição arterial na sua porção superior por ramos das artérias renais. Sua
parte média recebe ramos da aorta abdominal, das artérias gonadais e das artérias ilíacas comuns; a
inferior, das artérias ilíacas internas. Dessa maneira, as artérias vesicais inferiores não existem na mulher,
sendo substituídas pelas vaginais inferiores responsáveis por nutrir a vesícula urinária ― e não o ureter.
Questão 2
Com relação ao conhecimento sobre as hipospadias, é correto afirmar que:
A
As hipospadias, classificadas como anteriores ou distais, são raras e representam 10% de todas as
hipospadias.
B
Nos casos de hipospadias proximais (escrotais e perineais) associadas à criptorquidia bilateral, é obrigatório o
diagnóstico diferencial com intersexo antes do tratamento.
C
Atualmente, a mucosa bucal é utilizada para a reconstrução uretral em todos os pacientes portadores de
hipospadia proximal.
D
As hipospadias proximais são tratadas por meio da cirurgia de “transgenitalização” para o sexo feminino.
E
Devido aos péssimos resultados, a correção cirúrgica da hipospadia é contraindicada para os casos proximais.
A alternativa B está correta.
Hipospadias são malformações congênitas com três tipos: coronal (distal), o mais comum; peniano-
escrotal; e o de forma perineal, tipo grave no qual o pênis apresenta uma forma amorfa. Nos casos de
hipospadias proximais (escrotais e perineais) associadas à criptorquidia bilateral, é obrigatório haver o
diagnóstico diferencial com intersexo antes do tratamento.
3. Conclusão
Considerações finais
Vimos neste conteúdo que o sistema urinário, além de produzir urina e, como consequência disso, expulsar
resíduos metabólicos, participa, graças às inúmeras funções do rim, de processos essenciais para a
homeostase. O rim, afinal, é capaz de regular a osmolaridade, a pressão sanguínea e os níveis de glicose via
gliconeogênese, além de, entre tantas outras funções, produzir hormônios.
 
Em seguida, analisamos a anatomia do rim e sua relação com o peritônio, assim como a posição dele dentro
da cavidade abdominal. Estudamos sua arquitetura externa e interna, além de seu sistema produtore coletor
de urina: o néfron, os cálices menores e maiores e a pelve renal.
 
Também abordamos a parte do sistema urinário responsável pela condução (ureteres e uretra) e pelo
armazenamento (bexiga urinária) de urina. Verificamos que os ureteres são tubos longos que possuem
relações anatômicas com várias estruturas da cavidade abdominal e pélvica.
 
Perscrutamos ainda a anatomia externa e interna da bexiga urinária, verificando sua inervação e como ocorre
o reflexo de micção. Por fim, discutimos a respeito da anatomia da uretra e descrevemos as diferenças entre a
uretra masculina e a feminina.
Podcast
Agora, o especialista José Carlos Siciliano Oliveira encerra com um resumo do conteúdo.
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Busque no YouTube as seguintes animações em vídeo:
 
 a) Com narração em inglês e legenda em português, esta animação detalha o processo de formação de urina,
com ênfase na estrutura do néfron:
 
ALILA MEDICAL MEDIA. Formation of urine ‒ nephron function, animation. Publicado em: 7 out. 2020.
Consultado na internet em: 28 maio 2021.
 
 b) Em 3D, esta animação do sistema urinário tem narração e legenda em inglês:
 
CREATIVE LEARNING. Human urinary system ‒ 3D animation ‒ Biology. Publicado em: 4 mar. 2016. Consultado
na internet em: 28 maio 2021.
 
 c) Esta animação explica o processo de diálise:
 
HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN. O que é diálise? Publicado em: 13 set. 2011. Consultado na internet
em: 28 maio 2021.
 
Leia este artigo a respeito de algumas anomalias congênitas do trato urinário:
 
MARANHÃO, C. P. de M. et al. Anomalias congênitas do trato urinário superior: novas imagens das mesmas
doenças. In: Radiologia brasileira. v. 46. n. 1. Publicado em: fev. 2013. Consultado na internet em: 28 maio
2021.
Referências
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GARDNER, E.; GRAY, D. J.; O'RAHILLY, R. R. Anatomia ‒ estudo regional do corpo humano. 4. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 1978.
 
GRAY, H.; GOSS, C. M. Anatomia. 29. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1977.
 
JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
 
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SALADIN, K. S. Human anatomy. 5. ed. Nova York: McGraw Hill, 2017.
 
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SNELL, R. S. Clinical anatomy by regions. 9. ed. Londres: Lippincott Williams & Wilkins, 2012.
 
TESTUT, L.; LATARJET, A. Tratado de anatomía humana. 9 ed. Barcelona: Salvat, 1958.
 
TESTUT, L.; JACOB, O. Tratado de anatomía topográfica con aplicaciones médicoquirúrgicas. 8 ed. Madri:
Salvat, 1952.
 
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Principles of anatomy & physiology. 14. ed. Nova Jersey: John Wiley & Sons,
2014.
	Anatomia do sistema urinário
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Conceitos do sistema urinário e o rim
	Generalidades sobre o sistema urinário
	Saiba mais
	Rins
	Conceitos e principais características
	Saiba mais
	Atenção
	Um córtex
	Uma medula
	Colunas renais
	Lobo renal
	Pelve renal
	Nota clínica: plano avascular de Brodel
	Artérias interlobares
	Arteríolas aferentes
	Capilares glomerulares
	Glomérulos
	Capilares peritubulares
	Veias interlobares
	Atenção
	Néfron
	Nota clínica: nefroptose
	Saiba mais
	Nota clínica: nefrolitíase
	Exemplo
	Conceitos gerais do sistema urinário e do rim
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Armazenamento e condução do sistema urinário
	Ureteres
	Conceitos e principais características
	Epitélio de transição
	Músculo
	Células
	Porção superior
	Parte média
	Parte inferior
	Dica
	Nota clínica: ureter duplo
	Exemplo
	Nota clínica: lesões cirúrgicas no ureter
	Vesícula urinária
	Conceitos e principais características
	Artéria vesical superior
	Artéria vesical inferior
	Atenção
	Atenção
	Nota clínica: incontinência urinária
	Estresse
	Urgência
	Transbordamento
	Funcional
	Uretra
	Conceitos e principais características
	Uretra masculina
	Uretra prostática
	Uretra membranosa
	Uretra esponjosa (uretra peniana)
	Uretra feminina
	Nota clínica: hipospadias
	Nota clínica: cistites
	Elementos de armazenamento e condução do sistema urinário
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referências

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