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10.- A existência da justiça eleitoral e da justiça constitucional. 11.- Os “riscos” envolvidos na justiça constitucional. 12.- A importância da vontade política na construção da justiça constitucional: o consenso é melhor que as cotas. 13.- Importância do “autocontrole” ou autocontenção e da justiça constitucional respondendo ao princípio da “justiça solicitada”. 14.- Importância de um desenho técnico adequado da justiça constitucional. Uma justiça constitucional digna. 16.- Uma justiça constitucional aberta. 1.- Abordagem RESUMO: 1.- Abordagem 2.- Hoje, a Justiça Constitucional só pode ser concebida como um conceito material ou substantivo 3.- A justiça constitucional surge como uma “garantia”, mas é antes de tudo um mecanismo de interpretação, e não uma garantia. 4.- A justiça constitucional como elemento de legitimidade democrática. 5.- A justiça constitucional como elemento de transformação jurídica: o ordenamento jurídico atual é diferente. A legalidade foi reforçada pela ideia de constitucionalidade. 6.- Não existe um modelo único de justiça constitucional, mas o sistema tende a se fechar em um órgão especializado. 7.- Embora existam diferenças, existe um núcleo de poderes que definem a justiça constitucional. 8.- A jurisdição constitucional estende-se, em qualquer caso, aos juízes e tribunais ordinários, ainda que variem os mecanismos técnicos de articulação. 9.- A “coexistência” entre jurisdição ordinária e jurisdição constitucional deve resolver-se numa certa supremacia lógico- funcional desta última. NA AMÉRICA LATINA (*) pelo Dr. Pablo Pérez Tremps JUSTIÇA CONSTITUCIONAL HOJE. REFERÊNCIA ESPECIAL O tema que me pediram para discutir é a situação atual da justiça constitucional, especialmente na América Latina. Trata-se, portanto, de uma exposição geral cuja finalidade visa tão somente enquadrar este tema, que, desde já, é preciso dizer, representa uma das questões mais importantes do Direito Público neste final do século XX e, certamente, neste início do século XXI. O ponto de partida da exposição parece-me ser um só: a confirmação da grande expansão que os mecanismos de justiça constitucional tiveram nos últimos tempos em todo o mundo e particularmente na América Latina (1). É significativo, a este respeito, que a maioria das abundantes reformas constitucionais totais ou parciais realizadas nas décadas de 1980 e 1990 na América Latina tenham incorporado ou reforçado instituições de justiça constitucional (2). Como exemplo simples, pode-se recordar que até o México, com um sistema jurisdicional bem consolidado há mais ou menos um século e meio, converteu o seu Tribunal Supremo de Justiça da Nação, originalmente concebido como um tribunal supremo tradicional, num autêntico tribunal constitucional nas suas reformas de 1994-1995 (3). Machine Translated by Google Tradicionalmente, a justiça constitucional era concebida como um conceito formal, o que provavelmente se devia a um certo “eurocentrismo jurídico”. De fato, durante boa parte do século XX, a justiça constitucional foi uma justiça constitucional concentrada, concebida mais ou menos segundo o modelo que Hans Kelsen havia desenvolvido durante a década de 1920 e que foi originalmente incorporado nas constituições tcheca e, sobretudo, austríaca, e, portanto, como uma justiça constitucional residente em um órgão ad hoc, o que contrastava com o outro grande modelo de controle constitucional das leis, o modelo difuso americano ou revisão judicial, consagrado nos Estados Unidos pelo Juiz Marshall desde o caso Marbury v. Madison em 1803 com base nos precedentes de controle constitucional das leis estaduais. Entretanto, atualmente, manter essa dicotomia entre o modelo concentrado ou kelseniano e o modelo difuso ou norte-americano é muito difícil, pois a mesma divisão foi superada pelo desenvolvimento de outros modelos nos quais técnicas processuais de controle concentrado coexistem com técnicas de controle difuso, e nos quais órgãos jurisdicionais ad hoc coexistem, e às vezes são integrados, com órgãos judiciais ordinários que desempenham tarefas de defesa e controle de constitucionalidade. E essa ruptura dos cânones tradicionais da justiça constitucional ocorre, de forma muito significativa, na América Latina, e um bom exemplo disso é o caso de El Salvador, onde o órgão especializado da justiça constitucional, a Câmara Constitucional, está integrado à Suprema Corte de Justiça. A consequência conceitual dessa superação da dicotomia tradicional entre justiça constitucional europeia concentrada e justiça constitucional norte- americana difusa é que, hoje, a justiça constitucional não pode mais ser identificada com base em elementos formais ou institucionais; O conceito de “justiça constitucional” deve ser necessariamente entendido como um conceito material e substantivo, que não é outro senão o conjunto de técnicas que visam garantir e interpretar a constituição por meio de mecanismos jurisdicionais, quaisquer que sejam. 2.- HOJE A JUSTIÇA CONSTITUCIONAL SÓ PODE SER CONCEBIDA COMO UM CONCEITO MATERIAL OU SUBSTANTIVO. Esse fenômeno de expansão da justiça constitucional deve nos levar a fazer algumas perguntas sobre seu significado, funções e os problemas que ela levanta. Mas antes, e com o único propósito de esclarecer a exposição, devemos fazer uma pausa, ainda que breve, para especificar o que entendemos por justiça constitucional. 3.- A JUSTIÇA CONSTITUCIONAL SURGE COMO UMA “GARANTIA”, MAS É ACIMA DE TUDO UM MECANISMO DE INTERPRETAÇÃO, MAIS DO QUE UMA GARANTIA. Definido o significado em que a justiça constitucional deve ser entendida hoje, devemos nos deter em uma segunda característica da situação atual desta instituição jurídica, que é aquela relacionada à função ou funções que ela desempenha. Como é sabido, a justiça constitucional, sobretudo na sua concepção kelseniana, surge numa situação de crise da ideia de constituição, como mais um mecanismo de fortalecimento e garantia dos princípios e valores constitucionais, e muito significativamente dos direitos fundamentais e dos direitos das minorias face às maiorias parlamentares. E, em muitos sistemas jurídicos, a introdução de mecanismos de justiça Machine Translated by Google Certamente, o papel de garante ou defensor da constituição que a justiça constitucional representa é muito importante e útil nos processos de transição política de regimes autoritários para sistemas democráticos autênticos. Isso explica, em grande parte, o grande papel que os tribunais, cortes e câmaras constitucionais desempenharam no processo de renovação do constitucionalismo latino-americano vivido nas últimas décadas, processo que, não se pode esquecer, nada mais foi do que a culminância formal da tentativa de encerrar décadas de autoritarismo e regimes de fato que, em algumas ocasiões, chegaram a levar a guerras civis. Essas instituições de justiça constitucional foram criadas com a firme vontade de contribuirpara a tarefa de defender as constituições nacionais e estabelecer os valores nelas consagrados. Mas, ao mesmo tempo, onde a crise está felizmente desaparecendo ou diminuindo e o risco de regressão democrática está diminuindo e se afastando, a justiça constitucional continua a desempenhar um papel muito importante para o sistema político e jurídico, embora de uma maneira diferente. Nesses casos, a defesa da constituição é “desdramatizada” e se torna uma tarefa de interpretação e atualização do conteúdo constitucional, extremamente valiosa para a manutenção do vigor democrático. Em outras palavras, não se trata mais apenas, ou mesmo primariamente, de "proteger" a Constituição contra ataques autoritários, mas de protegê-la contra possíveis lesões que não questionem o próprio sistema constitucional e, sobretudo, de enriquecer seus conteúdos, de adaptá-los à evolução da própria sociedade, de ser não apenas ou mesmo primariamente o garantidor da Constituição, mas o intérprete da Constituição. Infelizmente, em alguns casos, as situações de “fraqueza constitucional” perduram por muito tempo e, portanto, o que se espera dos tribunais constitucionais, seja qual for o nome que tenham, é justamente, e sobretudo, que eles impeçam os ataques à Constituição, ataques que muitas vezes podem destruir a liberdade. Um bom exemplo disso pode ser visto, sem dúvida, na reação exemplar do Tribunal Constitucional da Guatemala, reagindo à tentativa de autogolpe do Presidente Serrano, reação que contribuiu decisivamente para seu fracasso e, portanto, para a manutenção do sistema democrático. Mas também houve exemplos do oposto (5). Consciente do papel que o Tribunal Constitucional poderia desempenhar na defesa da constituição e do sistema democrático, o regime peruano do presidente Fujimori não teve escrúpulos em forçar a expulsão de alguns dos juízes constitucionais, expulsão somente sanada com sua reintegração no cargo em uma decisão que impôs não apenas a justiça humana, mas a própria credibilidade dos valores constitucionais (6). constitucional responde a essa mesma ideia de criação de um “garantidor da Constituição”, nas palavras do próprio Kelsen (4), em situações de crise ou de fragilidade constitucional. 4.- A JUSTIÇA CONSTITUCIONAL COMO ELEMENTO DE LEGITIMIDADE DEMOCRÁTICA. A próxima questão que gostaria de abordar é o papel que a justiça constitucional desempenha ou pode desempenhar na legitimação do sistema democrático. Se nos antigos e consolidados sistemas jurídicos com instituições de justiça constitucional há um certo debate sobre qual é o fundamento democrático da existência e do funcionamento da justiça constitucional (7), em outros países, e especialmente em alguns países latino- americanos, a questão é, em certo sentido, o oposto, ou seja, que a justiça constitucional se torna um elemento muito importante da Machine Translated by Google Com efeito, e como é sabido, num Estado democrático a legitimidade do sistema é, por definição, uma legitimidade popular que deve ser articulada, sobretudo, através de um poder legislativo eleito pelo povo e, nos sistemas presidencialistas, por um poder executivo também nascido das urnas. No entanto, também é lugar-comum que, em muitos países latino-americanos, haja uma certa crise de legitimidade das instituições, maior ou menor conforme o caso, e que responde a um complexo de razões que seria impossível resumir agora: crise dos partidos políticos, abuso sistemático de poder, elementos estruturais econômicos, práticas mais ou menos generalizadas de corrupção política, etc. Pois bem, o que aconteceu em alguns casos é que essas brechas de legitimidade foram ocupadas, em parte, por outros organismos, especialmente por defensores dos direitos humanos (pense-se, por exemplo, no caso do Peru) e, pelo que interessa agora, por órgãos de justiça constitucional, que, dada a falta de "impulso" democrático dos poderes tradicionais, foram levados a ocupar uma posição institucional que não é a que inicialmente lhes corresponde; Um exemplo paradigmático disso é o Tribunal Constitucional colombiano, instituição de reconhecido prestígio no país e no exterior, mas acentuada, sem dúvida, pela fraca legitimidade dos poderes tradicionais do Estado diante da profunda situação de crise do país andino-caribenho. Este fenômeno da justiça constitucional como elemento legitimador do sistema tem um lado positivo, na medida em que contribui objetivamente para sustentar o Estado democrático, mas também um lado negativo, porque envolve forçar uma instituição em certo sentido, tirando-a de seu lugar natural, com os riscos que isso acarreta. Em todo caso, a solução para essas situações não virá da modificação da justiça constitucional, mas da restauração de um equilíbrio institucional adequado, baseado no fortalecimento dos demais poderes do Estado. Se assim é, não é por culpa da justiça constitucional em si, mas porque ela vem “cobrir” as lacunas que outras instituições deixam nesse processo de legitimação. legitimidade do sistema democrático. Isso, embora possa parecer paradoxal, ainda é algo preocupante. Esta afirmação precisa ser esclarecida. Não se trata, evidentemente, de saber se é prejudicial à justiça constitucional atuar como um elemento de legitimidade do Estado de direito; Pelo contrário, esta é precisamente uma das tarefas que devem ser cumpridas. O que é preocupante é que a importância que a justiça constitucional tem no processo de legitimação do Estado democrático é, por vezes, excessiva. 5.- A JUSTIÇA CONSTITUCIONAL COMO ELEMENTO DE TRANSFORMAÇÃO JURÍDICA: A ORDEM HOJE É DIFERENTE. A LEGALIDADE FOI FORTALECIDA PELA IDEIA DE CONSTITUCIONALIDADE. Agora, colocando-nos num campo mais jurídico-formal, a próxima ideia que acredito que nos permite identificar o papel da justiça constitucional hoje é o seu papel como elemento de transformação do sistema jurídico. De fato, os sistemas jurídicos latino-americanos, como muitos europeus, apesar de inseridos em sistemas institucionais presidencialistas, basearam-se nas categorias tradicionais do direito continental e, especialmente, na posição central do direito, como expressão da vontade geral, segundo a antiga concepção de Rousseau. Entretanto, o surgimento da justiça constitucional ocasionou certa transformação do ordenamento jurídico, que se impregna de princípios e valores constitucionais graças, em especial, à atuação cotidiana da justiça constitucional. Em outras palavras Machine Translated by Google Como já mencionado, a justiça constitucional, em termos de sua organização, não pode ser reduzida aos dois modelos tradicionais de justiça constitucional concentrada e justiça constitucional difusa. Em todo o mundo, e particularmente na América Latina, surgiram sistemas tributários baseados em ambos os modelos teóricos, que misturam elementos de ambos, e que os misturam de maneiras muito diferentes. Concentrando- nos unicamente na posição institucional do órgãoresponsável pela justiça constitucional, seja de forma exclusiva ou como encerramento de um sistema difuso, e simplificando, podemos identificar três sistemas organizacionais de justiça constitucional na América Latina. Sistema de tribunal constitucional ad hoc. Em vários países existe um tribunal constitucional que detém, seja ou não um monopólio da justiça constitucional, mas que se situa fora do poder judicial, como um órgão não só especializado, mas também especial. É o caso da Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guatemala ou Peru. 6.- NÃO EXISTE UM MODELO ÚNICO DE JUSTIÇA CONSTITUCIONAL, MAS O SISTEMA TENDÊNCIA A FECHAR COM UM ÓRGÃO ESPECIALIZADO. Dessa forma, a antiga ideia de “legalidade” é reforçada, e em parte substituída, pela ideia de “constitucionalidade”. A concepção tradicional da constituição como norma meramente organizativa e, em certo sentido, situada num parâmetro quase metajurídico do ponto de vista material, é substituída por uma concepção da constituição entendida como norma diretamente efetiva tanto nos seus mandatos organizativos ou institucionais, como nos de natureza material e substantiva. Os valores e princípios constitucionais, é preciso ressaltar, projetam-se em todo o ordenamento jurídico, em grande parte pela atuação da justiça constitucional, que, por meio de seus diversos poderes, vem rever e dar uma nova leitura a todo o ordenamento jurídico. Deter-nos mais sobre esta questão, magnificamente apresentada há alguns anos por García de Enterría (8), levar-nos-ia muito longe, e claramente para além do objectivo desta intervenção; Basta, portanto, registrar aqui esta nova concepção “constitucional” do ordenamento jurídico, que depende da ação da justiça constitucional e só faz sentido graças a essa ação. Sistema de órgãos especializados dentro do poder judiciário. Em outros países, também se mantém o princípio de que o órgão responsável pela justiça constitucional é um órgão especializado, mas inserido no próprio Poder Judiciário. Este é o caso não apenas de El Salvador, mas também da Costa Rica, Nicarágua, Paraguai e Venezuela, grupo ao qual Honduras acaba de se juntar. Sistema de atribuição de justiça constitucional a órgãos judiciários não especializados. Um terceiro grupo é o de países nos quais a justiça constitucional é funcional e institucionalmente "confundida" com a justiça comum; É o caso da Argentina, Brasil, México, Panamá, República Dominicana e Uruguai. Duas observações adicionais podem ser feitas nesta seção. Por um lado, em muitos países o fato de haver um tribunal especializado não significa que outros órgãos, e em particular o Supremo Tribunal, não tenham jurisdição. Machine Translated by Google A conclusão a ser tirada do que foi exposto até aqui é que, qualquer que seja o modelo de justiça constitucional adotado, há uma tendência de que esse sistema seja fechado por um órgão especializado, de uma forma ou de outra, em matéria constitucional, o que é relevante para obter certa unidade no trabalho de interpretação da constituição; Esta questão será abordada novamente mais tarde. 7.- EMBORA EXISTAM DIFERENÇAS, HÁ UM NÚCLEO DE COMPETÊNCIAS QUE DEFINE A JUSTIÇA CONSTITUCIONAL. Do ponto de vista político-organizacional, pode-se concluir também que a escolha por um modelo ou outro não tem consequências práticas excessivas justamente pelo grau de concentração que se busca. Portanto, a discussão que periodicamente surge em alguns países sobre a conveniência de reconverter um tribunal constitucional em uma câmara constitucional, como às vezes acontece na Colômbia ou no Equador, é uma discussão em grande parte artificial e, às vezes, uma cortina de fumaça para encobrir problemas que pouco têm a ver com a configuração orgânica da justiça constitucional; Isso depende mais dos princípios maiores de decisões mais ou menos circunstanciais que dependem de cada país e sistema legal. O que é relevante não é tanto como ele é organizado, mas que ele seja eficaz e independente, e eficácia e independência podem ser alcançadas a partir de qualquer modelo. também na área da justiça constitucional, em especial, a declaração de inconstitucionalidade de leis com efeitos gerais (Nicarágua ou Paraguai, por exemplo). A segunda observação a ser feita, e aquela que mais me interessa destacar agora, é que, mesmo neste último grupo de países onde não há órgãos de justiça constitucional formalmente especializados, há uma tendência para que os órgãos supremos do judiciário se especializem como órgãos de justiça constitucional; Isso fica claro, como já foi observado, no caso do México, mas também em outros casos em que, mesmo sem a existência de órgãos especializados, o Supremo Tribunal como um todo recebe poderes exclusivos em matéria constitucional. Voltando agora ao campo da definição material da justiça constitucional, como já indicado, há múltiplas variações entre alguns modelos de justiça constitucional e outros no que diz respeito aos seus poderes. Apesar dessas variações, existem alguns elementos que permitem determinar um núcleo comum de competências para identificar a função da justiça constitucional. Essa definição, por sua vez, é de grande utilidade dogmática, pois permite abordar, de um lado, uma análise da teoria geral da justiça constitucional e, de outro, estudos de direito comparado nesse mesmo campo. O núcleo comum de poderes da justiça constitucional é definido por dois tipos de competências: a) Por um lado, a justiça constitucional, através de mecanismos processuais ou outros, e com efeitos certos ou outros, envolve a possibilidade de controlar a constitucionalidade das leis (e eventualmente de outras normas), isto é, a adequação entre elas e a norma fundamental. Este é, como se sabe, o elemento central que historicamente nos permite identificar a justiça constitucional como mecanismo de aplicação e defesa da Constituição, e continua sendo de grande importância para esse fim. Machine Translated by Google Vale destacar, neste ponto, que o “amparo”, assim concebido, é um elemento que, se não é exclusivo do constitucionalismo latino-americano, é aquele em que este tem um desenvolvimento histórico e atual mais rico. 8.- A JURISDIÇÃO CONSTITUCIONAL ALCANÇA, EM QUALQUER CASO, OS JUÍZES E TRIBUNAIS COMUNS, MESMO QUE OS MECANISMOS TÉCNICOS DE ARTICULAÇÃO VARIAM. c) Há um terceiro elemento de jurisdição que, embora não seja necessário para a definição da justiça constitucional, é bastante comum, difundindo-se progressivamente nos diferentes ordenamentos jurídicos como jurisdição de justiça constitucional: são aqueles processos conflituosos em que o tribunal constitucional atua como árbitro, seja em conflitos entre poderes do Estado, seja em conflitos entre entidades territoriais, ou em ambos. Obviamente, esse segundo tipo de conflito, o de distribuição territorial de poderes, é característico dos sistemas federativos, mas não ocorre exclusivamenteneles, como mostram os exemplos da Nicarágua e do Paraguai. b) Mas, junto a isso, há uma segunda tarefa que é central na função desenvolvida pela justiça constitucional, especialmente na América Latina e em todo o constitucionalismo de língua espanhola. Trata-se da defesa dos direitos fundamentais, defesa que se realiza por meio de diferentes mecanismos processuais que, genericamente, podem ser definidos como “tutela”, conceito que deve incluir todas as ações de proteção específica de direitos fundamentais, qualquer que seja a denominação que recebam em cada ordenamento jurídico: recursos e ações de tutela ou curatela, habeas corpus e habeas data são as ações mais comuns. Com base na configuração que estamos fazendo, a próxima ideia que gostaria de focar é que a jurisdição constitucional, mesmo onde há órgãos específicos de justiça constitucional, se estende a todos os juízes e tribunais. De fato, se historicamente os modelos de justiça constitucional concentrada e difusa foram por vezes apresentados como modelos que pressupunham, no primeiro caso, o monopólio da aplicação da Constituição pelo tribunal constitucional, e no segundo uma equiparação funcional de todos os juízes e tribunais nessa tarefa, essa diferença, supondo que alguma vez realmente tenha sido assim, não está mais presente hoje. De fato, mesmo nos sistemas de justiça constitucional em que há um órgão ad hoc de justiça constitucional, ele atua como um encerramento do sistema ou, no máximo, como detentor exclusivo de alguma competência. Mas a ideia de que a Constituição deve ser aplicada em todos os tipos de relações jurídicas e, portanto, em todos os tipos de julgamento, é uma ideia que se tornou realidade e que converte, pelo menos potencialmente, qualquer órgão judicial em um juiz constitucional. E não pode ser de outro modo, na medida em que, como se viu, vem tomando forma uma concepção normativa da constituição, que não só limita o legislador, mas atua como o próprio chefe da ordem; Trata-se de um sistema de normas que encontra seu ápice e as regras formais e materiais que o estruturam na constituição; Isto é tanto norma normarum quanto lex legis. E é neste ponto, muito provavelmente, onde o constitucionalismo latino-americano atinge sua maior originalidade, já que a maioria dos sistemas jurídicos, como o salvadorenho, conta com um controle concentrado da constitucionalidade das leis, com efeitos gerais, e um controle difuso que pode ser exercido por qualquer juiz ou tribunal. Machine Translated by Google Outra questão é que, como a Constituição é uma norma que pode ser aplicada diretamente por qualquer juiz ou tribunal, a atuação desses tribunais deve ser ordenada do ponto de vista processual de forma adequada, principalmente quando há um tribunal constitucional especializado. E essa articulação não só levanta problemas técnicos, mas, muitas vezes, até mesmo problemas políticos. Com efeito, os sistemas de articulação dos diferentes órgãos jurisdicionais na tarefa de aplicar a constituição variam muito de um sistema jurídico para outro, especialmente, é preciso ressaltar, onde existe um órgão especializado de justiça constitucional, um tribunal constitucional. De qualquer forma, essa variedade de soluções técnicas também tende a evidenciar a necessidade de que o sistema seja regido por uma finalidade intrínseca ao Estado de Direito: garantir a unidade interpretativa da constituição, pois, sendo a constituição uma só e o ordenamento jurídico um só, não há espaço para mecanismos díspares de interpretação constitucional independente. Onde não há órgãos especializados de justiça constitucional, essa unidade interpretativa é garantida pela própria estrutura do poder judiciário e pela existência, logicamente, de uma corte ou tribunal supremo. Entretanto, quando há um tribunal constitucional especializado, existe o risco de dupla interpretação. E a solução processual para evitar isso, por razões lógicas, deve se basear na supremacia funcional do órgão de justiça constitucional. Por outras palavras, se foi criado um órgão especializado de justiça constitucional, é precisamente porque se supõe que lhe caberá estabelecer a palavra final em matéria de interpretação constitucional (9). 9.- A "COEXISTÊNCIA" ENTRE A JURISDIÇÃO ORDINÁRIA E A JURISDIÇÃO CONSTITUCIONAL DEVE SER RESOLVIDA EM CERTA SUPREMACIA LÓGICO-FUNCIONAL DA SEGUNDA. para o caso específico. Essa coexistência de técnicas levanta, sem dúvida, uma série de questões técnicas que tornariam esta exposição excessivamente longa e prolixa e que, portanto, prefiro deixar de lado. Mas, de qualquer forma, creio que cabe destacar, reiterando o que já foi dito, que essa é uma característica muito própria do constitucionalismo latino-americano e, por outro lado, que, para além de questões técnicas, é uma manifestação dessa cultura da Constituição como norma jurídica que se projeta em todo tipo de relações jurídicas. As técnicas através das quais esse efeito unificador da interpretação constitucional pode ser buscado são diversas. Duas delas merecem destaque. Por um lado, que o ordenamento jurídico confere efeitos especiais (erga omnes) às decisões do tribunal constitucional. A segunda é articular, de uma forma ou de outra, e com maior ou menor abrangência, a possibilidade de o tribunal constitucional “rever” as decisões dos juízes e tribunais ordinários. Sem menosprezar a utilidade da primeira, é a segunda técnica, a da “revisão”, que melhor garante essa unidade interpretativa e que melhor permite que os valores e princípios constitucionais, e sobretudo os direitos fundamentais, permeiem a ação de todos os órgãos judiciários. Por outro lado, a possibilidade de revisão pode suscitar problemas técnicos e políticos, principalmente entre os órgãos especializados da justiça constitucional e os da jurisdição ordinária. No entanto, uma coordenação cuidadosa entre os dois pode ajudar a evitar ou superar esses problemas. Machine Translated by Google 11.- OS “RISCOS” QUE A JUSTIÇA CONSTITUCIONAL ENVOLVE. Uma jurisdição constitucional como a atual, e definida nos termos em que foi feita, acarreta, sem dúvida, riscos para o correto funcionamento do sistema jurídico-político. Elas devem ser brevemente mencionadas, ainda que sejam questões bem conhecidas e que podem apresentar, e de fato apresentam, perfis próprios em diferentes ordenamentos jurídicos. a) Em primeiro lugar, a justiça constitucional, por definição, carrega consigo um risco de politização dada a importância e a natureza das questões que frequentemente resolve, ainda que esta resolução deva estar sempre sujeita aos cânones legais. b) Em segundo lugar, e intimamente ligado ao anterior, a existência da justiça constitucional traz consigo um certo perigo de invadir as esferas de ação dos poderes tradicionais do Estado, sejam eles executivos, legislativos ou judiciais. Em alguns países, essa separação nãoexclui a possibilidade de revisão de suas decisões, pelo menos as mais importantes, pelo tribunal constitucional. Em outros, porém, a separação entre a justiça eleitoral e o judiciário, e mesmo a justiça constitucional, foi levada ao extremo de excluir qualquer possível controle das decisões do primeiro pelos tribunais ordinários e/ou constitucionais. Mesmo entendendo a lógica que pode existir por trás dessa decisão, não há dúvidas de que essa exclusão, quando radical, abre caminho para a "fuga constitucional", ou seja, para uma ação que não esteja rigorosamente em conformidade com os parâmetros constitucionais ou que esses parâmetros sejam definidos de forma diferente da jurisdição constitucional. Parece, portanto, mais adequado que, ainda que excepcionalmente, a justiça eleitoral possa ter suas decisões revistas pela justiça constitucional, garantindo assim a unidade na aplicação da Constituição. Como é sabido, um elemento jurídico tipicamente latino-americano que vem se espalhando com sucesso por muitos países é a criação do que se convencionou chamar de “justiça eleitoral”, seja qual for o nome (às vezes até “poder eleitoral”), uma justiça que se organiza de forma autônoma e fora do poder judiciário. 10.- A EXISTÊNCIA DA JUSTIÇA ELEITORAL E DA JUSTIÇA CONSTITUCIONAL. c) Em terceiro lugar, e colocando as coisas em outra ordem de coisas, a existência de uma justiça constitucional especializada também traz o risco de sobrecarregá-la de trabalho. Isso é lógico se considerarmos a posição central que a constituição ocupa no sistema jurídico, como já foi mencionado, e a prática da maioria dos países deixa isso claro. Listados os riscos mais importantes, as últimas seções desta apresentação se concentrarão em tentar apontar os instrumentos para evitar que esses riscos se tornem realidade ou, pelo menos, reduzi-los ao máximo. Machine Translated by Google De fato, a função jurisdicional sempre exige força: um país com um bom sistema jurisdicional é um país legal e politicamente seguro, com tudo o que isso implica. Portanto, construir um poder judicial, em geral, e uma jurisdição constitucional, em particular, com ampla legitimidade por trás, ainda que possa implicar um risco de decisões pontuais desfavoráveis aos demais poderes do Estado, acaba sendo um “investimento” político na estabilidade do sistema difícil de melhorar. Para tornar realidade essa ampla legitimidade, é melhor um sistema de nomeação de juízes constitucionais que busque o maior consenso possível do que um sistema puro de “cotas” entre os diferentes setores políticos, que em certa medida apenas reproduz a relação de forças destes em uma função que deve responder a outra lógica de legitimidade. Certamente, os juízes constitucionais não são e não podem ser seres politicamente assépticos; Pelo contrário, devem ser capazes de refletir as diversas sensibilidades da sociedade em que atuam, porque somente assim seu trabalho de interpretação constitucional será verdadeiramente útil e eficaz. Mas uma coisa é um juiz motivado ideologicamente e outra é um juiz sujeito à disciplina deste ou daquele partido; O primeiro pode e deve permanecer independente; o segundo não. É verdade que a linha entre um juiz e outro nem sempre é fácil de traçar, mas prestígio, formação jurídica e qualidade intelectual e humana costumam ser mais propriedade do primeiro do que do segundo. A primeira coisa que a experiência comparada nos ensina é que o sucesso da justiça constitucional depende em grande parte da existência de uma vontade política genuína para configurar adequadamente a justiça constitucional. E, apesar do que se possa pensar, a longo prazo, o sistema prefere uma justiça constitucional robusta, do ponto de vista de sua legitimidade, a uma fraca: uma simples olhada no que aconteceu nos últimos anos com o tribunal constitucional peruano, e ao que já nos referimos, creio que dispensa qualquer consideração adicional. 12.- A IMPORTÂNCIA DA VONTADE POLÍTICA NA CONFIGURAÇÃO DA JUSTIÇA CONSTITUCIONAL: O CONSENSO É MELHOR QUE AS COTAS. 13.- IMPORTÂNCIA DO “AUTOCONTROLE” OU AUTOCONTENÇÃO E QUE A JUSTIÇA CONSTITUCIONAL RESPONDE AO PRINCÍPIO DA “JUSTIÇA REQUERIDA”. Como é sabido, em todo o jogo de poderes do Estado democrático, e especialmente no que se refere aos órgãos que estão no topo desses poderes, a regra do "autocontrole" é necessária, por mais bem definidas que estejam as atribuições de cada um deles e por mais bem configurados constitucionalmente os pesos e contrapesos, os freios e contrapesos. Quando se trata de analisar a função dos órgãos judiciais em geral, e dos tribunais constitucionais em particular, a regra do autocontrole é ainda mais imperativa, se possível, pois é difícil avaliar os poderes jurisdicionais em um Estado que afirma ser regido precisamente pela Lei. Muito já foi dito e escrito sobre esse assunto, mas não faz muito sentido entrar em detalhes aqui. Basta, pois, lembrar que o bom funcionamento da justiça constitucional exige autocontrole por parte de quem a encarna, pois sua função não é impedir que os demais poderes atuem, mas sim permitir e ajudar a que o façam, delimitando, ainda que com base nas correspondentes disposições constitucionais, as regras mínimas às quais devem aderir. E esse autocontrole pode ser favorecido Machine Translated by Google Outro elemento central que convida ou leva ao autocontrole está na boa técnica jurisprudencial. De fato, a necessidade de motivar adequadamente as decisões judiciais não é apenas uma garantia para quem busca justiça, mas também para o próprio sistema. O tribunal, tribunal ou câmara constitucional que mantém critérios claros e transparentes em sua jurisprudência não apenas ganha credibilidade como também está lançando as bases para uma ação coerente e, portanto, não arbitrária, porque a instituição não poderá dizer branco hoje e preto amanhã sem um alto custo de credibilidade. É verdade que qualquer órgão judicial, incluindo os de justiça constitucional, deve, por vezes, qualificar e até mesmo alterar os seus critérios; Isso está na própria essência de sua função, mas será novamente a motivação correta que deverá explicar a correção intelectual dessa mudança, removendo qualquer dúvida de arbitrariedade. 14.- IMPORTÂNCIA DE UM ADEQUADO DESENHO TÉCNICO DE JUSTIÇA CONSTITUCIONAL. Nessa ordem de coisas, por exemplo, parece adequado que, como “contrapeso” institucional, a justiça constitucional responda ao princípio da “justiça solicitada”, ou seja, que ela deve sempre agir a pedido de uma parte e nunca (ou apenas em casos muito limitados e excepcionais) ex officio. Trata-se de regra que ajuda a amenizar os riscos de atuação excessiva da justiça constitucional, pois sua atuação ex officio aumenta seu potencial expansivo. Ora, logicamente, este princípio deve ser acompanhado, por sua vez, de um correto desenho da legitimidade para a instauraçãode processos constitucionais, pois, se assim não fosse, a própria eficácia da instituição poderia ser anulada. por alguns mecanismos legais, bem como pelo bom trabalho das pessoas que incorporam uma instituição. A próxima ordem de reflexões que gostaria de fazer está relacionada ao desenho técnico da justiça constitucional. Isso deve ser adequado para evitar incorrer nos riscos mencionados anteriormente. É verdade que não existem receitas "mágicas", que não existem regras, e que cada país, cada cultura jurídica, levando em conta suas próprias características históricas, econômicas, demográficas, etc., deve buscar a obtenção ótima desse desígnio técnico. Entretanto, a partir da experiência comparativa, algumas ideias que devem ser mantidas em mente podem ser deduzidas. Em primeiro lugar, a celeridade na aplicação da justiça constitucional, aliada à necessária prudência já mencionada, é fonte de legitimidade da própria justiça constitucional e, portanto, de todo o sistema institucional. Para isso, é necessário conceber procedimentos ágeis que excluam os recursos meramente dilatórios e que permitam, entre outras coisas, a inadmissibilidade in liminar de questões cuja inviabilidade seja prima facie evidente, seja por razões processuais ou substantivas (10). Uma segunda ideia a ter em mente é que a existência da justiça constitucional deve ser corretamente articulada do ponto de vista processual com o restante das funções jurisdicionais, pois, de outra forma, dada a posição da constituição como regra básica do sistema jurídico, qualquer conflito jurídico pode se tornar processualmente um conflito constitucional, com tudo o que isso implicaria. É necessário que a protecção dos direitos e das situações jurídicas funcione adequadamente e, em particular, a dos direitos e das situações jurídicas que ligam o cidadão ao seu meio. Machine Translated by Google Uma terceira ideia a considerar é a conveniência de dar continuidade aos órgãos de justiça constitucional. De fato, a justiça constitucional, como qualquer órgão jurisdicional criador de jurisprudência, necessita de repouso para consolidar essa jurisprudência e linhas de ação coerentes que, embora obviamente não devam excluir mudanças de direção quando necessárias, tenham continuidade. As fórmulas para se alcançar tal continuidade são variadas, sendo mais fácil identificar mecanismos e práticas que, ao contrário, não favorecem a estabilidade institucional dos órgãos de justiça constitucional. Um elemento-chave, embora não o único, é a forma temporária como são nomeadas as pessoas que devem ser responsáveis por concretizar a justiça constitucional. Uma renovação completa e simultânea de todos os membros de um tribunal ou câmara constitucional (como é o caso, por exemplo, do Equador) significa abrir longos períodos em que todo o tribunal fica “pendente” da sua renovação, com a natural redução do ritmo de trabalho; Mas, além disso, se a nova designação trouxer um tribunal sem elementos pessoais de continuidade, ou com poucos elementos pessoais de continuidade, isso dificultará a manutenção de linhas jurisprudenciais estáveis. Por isso, o sistema de renovações parciais parece preferível, pois não só está mais em consonância com a independência do órgão como também favorece a sua estabilidade jurisprudencial. A próxima reflexão que gostaria de fazer não se refere à “qualidade” técnica da justiça constitucional, mas à sua “qualidade”. A atuação correta da jurisdição constitucional exige a dignificação da função e do órgão que a exerce. Obviamente, essa dignidade é alcançada por muitos meios diferentes; O primeiro já foi mencionado: nomear pessoas tecnicamente preparadas para encarná-lo e com a maior legitimidade possível perante os demais poderes públicos. Mas, além disso, a dignidade exige provisão adequada de pessoal e recursos materiais e reconhecimento institucional da importância de um tribunal constitucional. Em suma, trata-se de gerar uma cultura jurídica e política de justiça constitucional como elemento central da cultura constitucional. 15.- UMA JUSTIÇA CONSTITUCIONAL DIGNA. administração. Uma boa definição da jurisdição contencioso-administrativa e dos mecanismos de controle ordinário dos poderes públicos, portanto, não só é necessária para o bom funcionamento do Estado de Direito, mas, além disso, é uma condição prévia para o bom funcionamento da justiça constitucional, que, de outra forma, acaba se tornando mais uma jurisdição contencioso-administrativa do que uma jurisdição constitucional, como demonstra a experiência de vários países, como, por exemplo, a Nicarágua (11). 16.- UMA JUSTIÇA CONSTITUCIONAL ABERTA. A última reflexão que gostaria de fazer é a que se refere à necessidade de “abrir” a justiça constitucional, e de abri-la em vários sentidos. Acabei de salientar a importância de construir uma cultura de justiça constitucional como elemento central da cultura jurídica. E estudos comparativos podem contribuir muito para isso (12). De fato, temos muita sorte de pertencer a uma comunidade de estados que compartilham uma língua e possuem culturas jurídicas muito semelhantes. Isso nos dá o potencial de nos educar, de detectar erros e soluções nas experiências de outras pessoas, o que torna o método comparativo muito mais do que uma conveniência, uma necessidade. Devemos, portanto, pedir ajuda às nossas instituições. Machine Translated by Google Não vou analisar nem mesmo elencar as múltiplas questões suscitadas pela coexistência entre jurisdição constitucional e jurisdições internacionais, especialmente, e no que se refere à América Latina, a existência do sistema interamericano encabeçado pela Corte Interamericana (13). O papel de impulso e orientação que esta Corte vem desempenhando para o constitucionalismo na América Latina é algo evidente e digno não apenas de destaque, mas de análise e até mesmo de promoção. Em algumas ocasiões, essa coexistência entre tribunais constitucionais e a Corte Interamericana tem sido vista como fonte de conflitos reais ou potenciais; Mas, mesmo que haja um pouco disso, acho que o saldo dessa convivência é extremamente positivo. A implementação de uma cultura jurisprudencial de direitos humanos deve muito à Corte Interamericana, que não apenas fornece categorias jurídicas e interpretativas, mas também, ocasionalmente, abre caminhos para tornar efetiva a proteção de direitos que seriam muito difíceis, senão impossíveis de serem alcançados dentro do sistema jurídico interno; Considere, para dar apenas um exemplo, a importância que diversas decisões tiveram em relação aos efeitos da legislação nacional de anistia. Mas também não se deve esquecer que o trabalho da Corte Interamericana não é um trabalho que se constrói sobre o nada; Suas decisões sempre tratam de problemas que surgiram inicialmente em um sistema jurídico específico e que quase sempre receberam uma resposta nesse sistema jurídico; Isto faz comque a relação entre jurisdição interamericana e jurisdição nacional (o que equivale quase a dizer jurisdição constitucional neste campo) seja uma relação recíproca, de ida e volta, na qual não só os conflitos, mas também as categorias para resolvê-los passam de um plano ao outro, enriquecendo ambos (14). Mas a abertura da justiça constitucional não deve ser realizada apenas a partir dessa perspectiva estritamente comparativa. Outra linha de abertura, especialmente no que se refere à tarefa de defesa dos direitos fundamentais, encontra-se no processo de internacionalização dos direitos humanos. Este é um tema que vem sendo amplamente discutido na doutrina das últimas décadas, embora ainda não esteja encerrado. para tornar realidade este estudo comparativo, que permita reflexões conjuntas e a troca de experiências e ciências. Há ainda um terceiro campo no qual parece claro que a justiça constitucional deve se abrir. Como é sabido, e assim como em outras partes do mundo, também no continente americano foram abertos processos de integração supranacional, como demonstram realidades como o MERCOSUL, a Comunidade Andina ou o Sistema de Integração Centro-Americana. Claro que esses processos ainda são tímidos do ponto de vista jurídico, mas já deram alguns passos, passos que a história não só não vai parar como vai acelerar. As questões jurídicas suscitadas pelos processos de integração em relação às regulamentações tributárias estaduais da velha ideia de soberania, hoje, se não questionada, pelo menos relativizada, são muito complexas. A justiça constitucional, se observarmos o que aconteceu onde os processos de integração mais avançaram, deve desempenhar um papel muito importante, consistindo, por um lado, em garantir que essa integração seja respeitosa da democracia e da liberdade e, por outro, em assumir as novas categorias jurídicas que a integração gera para projetá-las nos sistemas jurídicos nacionais. Conceitos como igualdade, unidade de mercado, livre circulação, liberdade de residência... para citar apenas alguns, terão que ser reformulados. Machine Translated by Google 7. Sobre esta questão, ver, por exemplo, V. Farreres, Constitutional Justice and Democracy, Centre for Constitutional Studies, 1997. NOTAS * Este trabalho é baseado em uma conferência proferida na Universidade Centro-Americana José Simón Cañas, em San Salvador; Gostaria de aproveitar esta oportunidade para agradecer à referida Universidade pelo gentil convite para lecioná-lo. 8. Ver sua obra “A Constituição como norma e o Tribunal Constitucional”, Civitas, Madri 1981. de Madri 1. Ver, por exemplo, Eguiguren Praeli, F. "Tribunais Constitucionais na América Latina: Uma Visão Comparativa", CIEDLA, Buenos Aires 2000, ou, limitado à América Central, R. Hernández Valle e P. Pérez Tremps (Drts.), Justiça Constitucional como Elemento de Consolidação Democrática na América Central, Tirant Lo Blanch, Valência 2000. 9. Sobre esta questão, ver com mais detalhes, e referindo-se especialmente ao caso da Espanha, P. Pérez Tremps, "Tribunal Constitucional y Poder Judicial", Centro de Estudios Madrid 1985. Constitucional, 2. Essas questões podem ser acompanhadas por meio do "Anuário de Direito Constitucional Latino-Americano", publicado há vários anos pela Fundação Konrad Adenauer, ou do Anuário Ibero-Americano de Justiça Constitucional, também publicado há vários anos pelo Centro de Estudos Políticos e Constitucionais. 10. Ver sobre o assunto P. Pérez Tremps, "Admissão em processos constitucionais. Considerações de Direito Comparado", na obra coletiva Estudios de Derecho Público. Homenagem a Juan José Ruiz-Rico, Tecnos, Madrid, 1997, vol. 1381-1393. II 3. Sobre a reforma no México, ver, por exemplo, JR Cossío Díaz, “Justiça Constitucional no México”, in Anuário Ibero-Americano de Justiça Constitucional, Centro de Estudos Constitucionais, Madri, 1997, pp. 221-253. normal págs. 4. H. Kelsen, “A garantia jurisdicional da Constituição (justiça constitucional)”, Revue de Droit Public et Science Politique, 1929, pp. 197 e ss. pode Possivelmente a primeira tradução para o espanhol desta obra foi feita por R. S, Tamayo e Salmorán, e publicado no Anuário Jurídico I, Instituto de Pesquisas Jurídicas da UNAM, 1974, pp. 470 e segs. um Isso conclui a apresentação de algumas ideias para debate. Ainda há muito a dizer, mas espero que estas palavras sirvam pelo menos para incentivar a discussão. 5. Sobre esta questão, veja JM García Laguardia, "Justiça constitucional e defesa da democracia. O golpe de estado na Guatemala em 1993", Constitutional Issues. Revista Mexicana de Direito Constitucional nº 2, 2000; 6. Veja a esse respeito, por exemplo, F. Eguiguren Praeli “Relações entre o Judiciário e o Tribunal Constitucional no Peru: A evolução do modelo e novos problemas” em Estudios Constitucionales, Ara Edts., Lima 2002, pp. 367-370. Sobre o retorno do Abad, http://www.uc3m.es/uc3m/inst/MGP/JCI/02-elperu.html. verso Machine Translated by Google 13. Ver, por exemplo, C. Ayala Corao, “Da proteção constitucional à proteção interamericana como instituições de proteção dos direitos humanos”, Caracas 1998. 14. Ver a este respeito, por exemplo, P. Pérez Tremps, “Garantias constitucionais e jurisdição internacional na proteção dos direitos fundamentais”, Anuário da Faculdade de Direito da Universidade da Extremadura 10, 1992, pp. 73-86. 12. Uma visão comparada da justiça constitucional nos países de língua espanhola e portuguesa é o que se pretende oferecer em "Justiça Constitucional na América Latina". 11. Ver R. Hernández Valle e P. Pérez Tremps, “A justiça constitucional como elemento de consolidação democrática na América Central”, cit., pp. ... Machine Translated by Google