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DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 1 DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 2 Olá pessoal, aqui é o Professor Bruno Vasconcelos (@profbrunovasconcelos) e será uma honra passar esse lindo conteúdo para vocês. Ética já deixou de ser aquela matéria em que o aluno estudava duas semanas antes do dia da prova e conseguia acertar a maioria das questões apenas lendo o Estatuto (lei federal 8.906/94). Portanto, venho aqui com este material para lhe moldar conforme pede hoje o Exame da Ordem fazendo acertar as 8 (oito) questões de forma simples e leve. Pode confiar! Vamos verificar os dispositivos que vamos trabalhar dentro desse material: Estatuto do Advogado (lei 8.906/94) O Novo Código de Ética (RESOLUÇÃO N. 02/2015) O Regulamento Geral do Estatuto da OAB. Professor Bruno https://www.instagram.com/profbrunovasconcelos DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 3 1. Da Atividade de Advocacia - artigo 1º a 5ª do Estatuto Previsto no capítulo I do Estatuto, este já começa passando as funções privativas do advogado no seu artigo 1º. Ele aparentemente é fácil de compreender, mas é preciso demonstrar algumas observações e moldá-lo da forma que é cobrado. Explicação: Veja que segundo o inciso acima só advogado pode postular no poder judiciário, mas já vou te dar uma dica: todas as vezes que o examinador foi nessa parte ele sempre pediu a EXCEÇÃO. Explicação: Com certeza o professor de Direito Constitucional deve ter passado perfeitamente para você que em se tratando de Habeas Corpus, qualquer pessoa, sendo ela: nacional ou estrangeira e física ou jurídica pode impetrar. Observação: A única formalidade exigida é que o HC seja feito no idioma nacional. ATENÇÃO! Este assunto é de extrema importância, pois caiu cinco vezes vezes nos últimos seis exames. Art 1 - são atividades privativas de advocacia: I - a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais; Exemplo clássico: habeas corpus. O próprio §1º do mesmo artigo já prevê isso, vejamos: “Não se inclui na atividade privativa de advocacia a impetração de habeas corpus em qualquer instância ou tribunal.” Venha agora para essa jornada comigo onde analisamos a letra da lei e, logo depois, te passo dicas e macetes para esse assunto entrar na sua cabecinha. Vamos analisar primeiro o que diz a bendita lei: Vamos estudar o Estatuto e, ao mesmo tempo, ligá-lo ao Código de Ética e ao Regulamento Geral para você “matar” os três de forma simples e didática. Professor Bruno Habeas Corpus Qualquer pessoa pode Com ou sem advogado Gratuito DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 4 "II - as atividades de consultoria, assessoria e direção jurídicas." Estou falando do Art. 5º § 4º , vejamos: "As atividades de consultoria e assessoria jurídicas podem ser exercidas de modo verbal ou por escrito, a critério do advogado e do cliente, e independem de outorga de mandato ou de formalização por contrato de honorários." Isso mesmo que você entendeu: Se a questão perguntar se precisa de mandato ou contrato de honorários, você diz que “NÃO”; E se perguntar se consultoria pode ser verbal ou escrita, você diz que “SIM”. Vamos agora para o inciso II, onde vamos conhecer os atos extrajudiciais e, PRESTA ATENÇÃO, pois essa parte é uma queridinha do examinador. Já caiu duas vezes nas últimas 2 provas. Professor Bruno Observação: Além da Diretoria Jurídica, a Gerência Jurídica também está inclusa como ato privativo do advogado, porém esta informação se encontra prevista no artigo 7º do Regulamento Geral conforme será mostrado abaixo: “A função de diretoria e gerência jurídicas em qualquer empresa pública, privada ou paraestatal, inclusive em instituições financeiras, é privativa de advogado, não podendo ser exercida por quem não se encontre inscrito regularmente na OAB.” Assessoria Jurídica Consultoria Jurídica Diretor ou Gerente Jurídico FUNÇÕES PRIVATIVAS DO ADVOGADO Atenção, se liga na inovação! Galera, isso aqui é a minha aposta, pois o examinador ama duas coisas nesse assunto: inovação e exceção! Professor Bruno DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 5 Se liga em uma exceção que teu examinador tem um amor platônico: estou falando da hipótese onde um estudante não advogado pode fazer consultoria e assessoria, estou falando do fiel e sofrido ESTAGIÁRIO. Professor Bruno "Mas Prof. Bruno, como cairia isso na prova?" Te mostro agora: Professor Bruno Galera, observem que eles falam "regularmente inscrito", no próximo assunto vocês vão aprender que não é qualquer estudante de Direito que pode se inscrever como estagiário perante a OAB. Spoiler: só estudante nos últimos dois anos do curso de Direito poderá se inscrever como estagiário na OAB. Professor Bruno Veja o que informa o art. 3º § 2º : “O estagiário de advocacia, regularmente inscrito, pode praticar os atos previstos no art. 1º, na forma do regimento geral, em conjunto com advogado e sob responsabilidade deste.” Atenção 1: Quando vocês tiverem um estagiário e o autorizar, por exemplo, a fazer consultoria, lembre-se que a responsabilidade dos atos é do advogado. Atenção 2: Caso o estagiário ultrapasse os limites nas suas atribuições, ele responderá pela pena de censura, conforme alude o artigo 34 inciso XXXIX. Exemplo: O advogado autorizou a fazer apenas consultoria, e ele está fazendo consultoria e assessoria. FGV - 2019 - OAB - Exame da Ordem Unificado XXIX - Primeira Fase Júnior é bacharel em Direito. Formou-se no curso jurídico há seis meses e não prestou, ainda, o Exame de Ordem para sua inscrição como advogado, embora pretenda fazê-lo em breve. Por ora, Júnior é inscrito junto à OAB como estagiário e exerce estágio profissional de advocacia em certo escritório credenciado pela OAB, há um ano. Nesse exercício, poucas semanas atrás, juntamente com o advogado José dos Santos, devidamente inscrito como tal, prestou consultoria jurídica sobre determinado tema, solicitada por um cliente do escritório. Os atos foram assinados por ambos. Todavia, o cliente sentiu-se lesado nessa consultoria, alegando culpa grave na sua elaboração. Considerando o caso hipotético, bem como a disciplina do Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a opção correta. DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 6 A) Júnior não poderia atuar como estagiário e deverá responder em âmbito disciplinar por essa atuação indevida. Já a responsabilidade pelo conteúdo da atuação na atividade de consultoria praticada é de José. B) Júnior não poderia atuar como estagiário e deverá responder em âmbito disciplinar por essa atuação indevida. Já a responsabilidade pelo conteúdo da atuação na atividade de consultoria praticada é solidária entre Júnior e José. C) Júnior poderia atuar como estagiário. Já a responsabilidade pelo conteúdo da atuação na atividade de consultoria praticada é solidária entre Júnior e José. D) Júnior poderia atuar como estagiário. Já a responsabilidade pelo conteúdo da atuação na atividade de consultoria praticada é de José. Explicação: Observe que nada impede que o estagiário exerça a função de consultoria, porém seus atos ficam sob responsabilidade e supervisão do advogado responsável. RESPOSTA CORRETA: D Nulidade, só podem ser admitidos a registro, nos órgãos competentes, quando visados por advogados. Atenção: a obrigação do visto não é absoluta, pois a Lei Complementar 123 impõe que nos casos de microempresas e empresas de pequeno porte não precisam ser visados por advogado. Também deve ser verificado o Art. 2º Parágrafo único do Regulamento Geral que tem conexão com este assunto, vejamos: “Estão impedidos de exercer o ato de advocacia referido neste artigo (visto) os advogados que prestem serviços a órgãos ou entidades da Administração Pública direta ou indireta, da unidade federativa a que se vincule a Junta Comercial, ou a quaisquer repartições administrativas competentes para o mencionado registro.” DO VISTO DE PESSOA JURÍDICA. 2 EXCECÕES Adv. vinculado a juntanão pode. Micro ou empresa de pequeno porte não DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 7 § 3º É vedada a divulgação de advocacia em conjunto com outra atividade. Explicação: Tenha atenção neste parágrafo, observe que ele não impede que atividades distintas possam ser realizadas no mesmo local como contabilidade e advocacia, a proibição está ligada a divulgação conjunta. Com certeza, caro aluno, inclusive, uma imagem vale mais do que mil palavras: Bruno, pode me demonstrar um exemplo? Aluno Damásio Professor Bruno Observação: Existem casos onde o advogado terá uma margem de proibição (impedimento e incompatibilidade) para exercer determinadas profissões, porém, este assunto só será abordado depois. Art. 2º O advogado é indispensável à administração da justiça. § 1º No seu ministério privado, o advogado presta serviço público e exerce função social. § 2º No processo judicial, o advogado contribui, na postulação de decisão favorável ao seu constituinte, ao convencimento do julgador, e seus atos constituem múnus público. Explicação: Este parágrafo ostenta que a função do advogado não é só uma profissão como qualquer outra, mas sim uma peça essencial para o Estado Democrático de Direito. Não é a toa que veremos em seguida que, caso um advogado seja ofendido no exercício da profissão, poderá ser feito um pedido de desagravo por qualquer pessoa (artigo 18 do Regulamento Geral) sem precisar, inclusive, da concordância do ofendido (artigo 18 § 7º do Regulamento Geral). "Professor, que seria múnus público?" Trata-se de obrigação decorrente de acordo ou lei, sendo que, neste último caso, denomina-se múnus público. Professor Bruno DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 8 “§ 2º-A. No processo administrativo, o advogado contribui com a postulação de decisão favorável ao seu constituinte, e os seus atos constituem múnus público.” § 3º No exercício da profissão, o advogado é inviolável por seus atos e manifestações, nos limites desta lei. “Art. 2º-A. O advogado pode contribuir com o processo legislativo e com a elaboração de normas jurídicas, no âmbito dos Poderes da República.” Atenção, olha a inovação! Professor Bruno Explicação: Fala meu povo, se liga nessa inovação quentinha que chegou: o advogado já podia sim atuar em processo administrativo, mas agora, a lei impõe que a atuação dele constitui múnus público. Significado: O múnus público é uma obrigação imposta por lei, em atendimento ao poder público, que beneficia a coletividade e não pode ser recusado, exceto nos casos previstos em lei. Explicação: Lembrem-se, conforme a ADI 1.127-8, caso o advogado cometa crime de desacato contra autoridade, ele irá responder pelo ato mesmo no exercício da profissão. Que tal mais uma inovação? Trata-se o advogado poder atuar em processo legislativo na elaboração de normas jurídicas nos poderes da república, vejamos: Professor Bruno RESUMINDO: No processo administrativo, o advogado contribui com a postulação de decisão favorável ao seu constituinte, e os seus atos constituem múnus público. O advogado pode contribuir com o processo legislativo e com a elaboração de normas jurídicas. INOVAÇÕES LIGADAS AOS ATOS DO ADVOGADO DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 9 Que tal um exercício novinho? Professor Bruno Explicação: A questão jogou na cara uma das inovações, veja que ela tá perguntando simplesmente se o advogado pode atuar em uma processo legislativo, vemos assim que claro que ele pode. FGV - 2022 - OAB - Exame da Ordem Unificado XXXVI - Primeira Fase O advogado Francisco Campos, acadêmico respeitado no universo jurídico, por solicitação do Presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara de Deputados, realizou estudos e sugestões para a alteração de determinado diploma legal. Sobre a atividade realizada por Francisco Campos, assinale a afirmativa correta. A) A contribuição de Francisco dá-se como a de qualquer cidadão, não se configurando atividade da advocacia, dentre as elencadas no Estatuto da Advocacia e da OAB. B) É vedada ao advogado a atividade mencionada junto ao Poder Legislativo. C) A referida contribuição de Francisco é autorizada apenas se Francisco for titular de mandato eletivo, hipótese em que, no que se refere ao exercício da advocacia, ele estará impedido. D) Enquanto advogado, é legítimo a Francisco contribuir com a elaboração de normas jurídicas, no âmbito dos Poderes da República. RESPOSTA CORRETA: D Art. 3º O exercício da atividade de advocacia no território brasileiro e a denominação de advogado são privativos dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). § 1º Exercem atividade de advocacia, sujeitando-se ao regime desta lei, além do regime próprio a que se subordinem, os integrantes da Advocacia-Geral da União, da Procuradoria da Fazenda Nacional, da Defensoria Pública e das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e das respectivas entidades de administração indireta e fundacional. Atenção, se liga na inovação! Trata-se do artigo 3º-A. que foi inserido em agosto de 2020, ou seja, antes da publicação do edital da OABXXXII. Então tem tudo para cair na sua provinha. O artigo e seu parágrafo único se encontram aí embaixo e vou traduzi-lo para você. Vejamos: Professor Bruno DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 10 Art. 3º-A. Os serviços profissionais de advogado são, por sua natureza, técnicos e singulares, quando comprovada sua notória especialização, nos termos da lei. (Incluído pela Lei nº 14.039, de 2020). Parágrafo único. Considera-se notória especialização o profissional ou a sociedade de advogados cujo conceito no campo de sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiências, publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica ou de outros requisitos relacionados com suas atividades, permita inferir que o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato. (Incluído pela Lei nº 14.039, de 2020) "Mas professor, o que isso quer dizer?" Isso é a lei passando na cara da sociedade que o exercício do advogado não é um mero produto onde se escolhe o mais barato, mas sim de natureza subjetiva onde o valor dos honorários pode variar conforme a sua ideia, experiência, legado e outras características que o torne único. Professor Bruno Explicação: Observe que a natureza do serviço advocatício é técnica e singular. Explicação: Agora vem a parte mais polêmica. “Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial: II - para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 desta Lei, de natureza singular, com profissionais ou empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação; § 1o Considera-se de notória especialização o profissional ou empresa cujo conceito no campo de sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiências, publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica, ou de outros requisitos relacionados com suas atividades, permita inferir A tal “notória especialização”, que seu professor aqui fez questão de grifar no parágrafo acima, tem um significado muito importante. O motivo, caro aluna ou aluno, é porque se o exercício da advocacia pode ser considerado de notória especialização, a administração pública tem a opção de contratá-lo sem a exigência de licitação, não acredita? Vejamos o que mostra o artigo 25 da lei 8.666: Polêmica professor, mas por quê? Eita, professor, eu adoro uma polêmica, explique melhor aí. Detalha o motivo. Aluno Damásio Professor Bruno Professor Bruno Aluno Damásio DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 11 Explicação: Galera, típica estrutura de questão que tem tudo para cair na sua provinha, isto é, contar toda uma história, mas basta identificar determinadas palavras que você, amiguinho ou amiguinha, consegue acertar facilmente a questão.Vem comigo que eu vou te mostrar: O que aprendemos? A advocacia tem natureza singular e técnica, ou seja, advogado não é um produto e, além disso, pode ser qualificado com uma especialização notória. Diante disso, já descartamos as letras “a” e “b". Verifique que eu não informei nenhum tipo de tempo de exercício específico de exercício para o advogado pode ser reconhecido como notória especialização, basta preencher os requisitos informados no parágrafo único do art 3º A como estudamos. Então já retiramos a letra “c” também da jogada. Portanto: que o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato." "Mas professor, mas como esse artigo pode cair na prova?" Te mostro aqui e agora: Professor Bruno QUESTÃO DESENVOLVIDA PELO PROFESSOR BRUNO VASCONCELOS Mauro, advogado, atua em crimes contra a administração pública tendo uma experiência de mais de vinte e cinco anos no assunto, além de realizar palestras sobre o tema, abordar estudos exclusivos e ter toda uma equipe técnica diferenciada. No município X, onde Mauro reside, houve um caso de crime contra administração pública de grande complexidade que envolvia tipos de fraudes que são temas dos estudos de Mauro. Verificando a notória singularidade do advogado, o município pretende contratá-lo, e para isso usou o artigo 25 da lei 8.666 justificando que o caso em apreço seria inviável o uso da licitação. Conforme o caso narrado, podemos dizer que a município agiu de forma: A) Incorreta, pois a natureza do serviço de advocacia é objetiva e não verifica qualquer tipo de singularidade. B) Correta desde que Mauro tinha mais de 30 anos de advocacia. C) Incorreta, apesar da advocacia ter natureza singular ela não pode ser considerada de notória especialização. D) Correta, pois o serviço de advocacia tem natureza singular, e como Mauro tem habilidade única para atuar no caso, é evidente sua notória especialização para justificar sua contratação. RESPOSTA CORRETA: D DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 12 Art. 4º São nulos os atos privativos de advogado praticados por pessoa não inscrita na OAB, sem prejuízo das sanções civis, penais e administrativas. Parágrafo único. São também nulos os atos praticados por advogado impedido - no âmbito do impedimento - suspenso, licenciado ou que passar a exercer atividade incompatível com a advocacia. Explicação: Veja que o art 4º traz em sua estrutura cinco hipóteses em que caso a pessoa exerça um ato privativo do advogado, este será nulo. São eles: A) Pessoas não inscritas: o exercício da advocacia é privativo das pessoas inscritas no quadro de advogados da OAB. Caso não seja inscrito, logo não será advogado. B) Pessoas impedidas: temos aqui aquilo que a doutrina chama de proibição parcial, são hipóteses onde o advogado fica proibido a exercer sua profissão contra algumas pessoas em específico. Verificaremos com mais detalhes em um assunto posterior. C) Advogado suspenso: trata-se de uma punição que pode variar entre 30 dias e 12 meses (via de regra). D) Advogado licenciado: diferente da situação prevista na alternativa anterior, o afastamento do advogado aqui não é fruto de uma sanção e sim um direito. Ex: licença para se tratar de uma doença mental curável. E) Advogado incompatível: ao contrário do impedido, aqui a proibição é total, ocorre quando o advogado passa a exercer determinadas profissões que, caso ele exercesse junto à advocacia, poderia causar danos irreparáveis ao exercício da justiça. Ex: a pessoa ser Juiz e advogado ao mesmo tempo. ATENÇÃO: Para complementar a situação referente a atos de pessoas exercendo atos da advocacia de forma ilegal, vejamos o que informa o art. 4º do Regulamento Geral: “A prática de atos privativos de advocacia, por profissionais e sociedades não inscritos na OAB, constitui exercício ilegal da profissão. Parágrafo único. É defeso ao advogado prestar serviços de assessoria e consultoria jurídicas para terceiros, em sociedades que não possam ser registradas na OAB.” Explicação: Atenção, quando for mencionado o CPC a revogação será mediante despacho do magistrado, porém, caso seja levado em consideração o Estatuto, observe que não há menção do despacho judicial. Observação: Veja que quando se trata de URGÊNCIA (exemplo: risco de vida) se deve realizar o ato da advocacia com a menor burocracia possível. Para complementar este raciocínio, veja o que mostra o Art. 5º O advogado postula, em juízo ou fora dele, fazendo prova do mandato. § 1º O advogado, afirmando urgência, pode atuar sem procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de quinze dias, prorrogável por igual período. DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 13 art.14 do Código de Ética: “O advogado não deve aceitar procuração de quem já tenha patrono constituído, sem prévio conhecimento deste, salvo por motivo plenamente justificável ou para adoção de medidas judiciais urgentes e inadiáveis.” § 2º A procuração para o foro em geral habilita o advogado a praticar todos os atos judiciais, em qualquer juízo ou instância, salvo os que exijam poderes especiais.” § 3º O advogado que renunciar ao mandato continuará, durante os dez dias seguintes à notificação da renúncia, a representar o mandante, salvo se for substituído antes do término desse prazo. Explicação: Vamos falar da hipótese de renúncia, se liga que estou falando de três informações que devem ser seguidas. Vou mostrá-las agora: Para renunciar o mandato, advogado, você tem que se ligar nessas três informações: 1ª O advogado não justifica o motivo. (Art. 16 do Código de Ética) 2ª O advogado precisa apenas comunicar preferencialmente mediante carta. (Art. 6ª do Regulamento Geral) 2ª Após a renúncia, o advogado ainda fica vinculado com o antigo cliente pelo prazo de 10 dias, salvo quando o antigo cliente constituir um novo advogado dentro deste prazo. (Art. 5ª, § 3 do Estatuto) Atenção: Verifique que após a renúncia o advogado ainda ficará como defensor do cliente por 10 DIAS, SALVO se ele for substituído antes do término. Mas te pergunto, amiguinho ou amiguinha, se o advogado motivar, mas tal motivo não for justo? Poxa professor, agora o senhor me pegou, e agora? Aluno Damásio Professor Bruno Ai, irá responder pela pena de censura. Conforme o artigo 34, inciso X do Estatuto (lei 8.906/94). “XI - abandonar a causa sem justo motivo ou antes de decorridos dez dias da comunicação da renúncia; Professor Bruno DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 14 Daí você me pergunta: "Mas como vai na prova?" Relaxe, "homi", vou te mostrar agora: Professor Bruno FGV - 2015 - OAB - Exame da Ordem Unificado XVI - Primeira Fase João é advogado da sociedade empresária X Ltda., atuando em diversas causas do interesse da companhia. Ocorre que o controle da sociedade foi alienado para estrangeiros, que resolveram contratar novos profissionais em várias áreas, inclusive a jurídica. Por força dessa circunstância, rompeu-se a avença entre o advogado e o seu cliente. Assim, João renunciou ao mandato em todos os processos, comunicando formalmente o ato à cliente e houve novo contrato com renomado escritório de advocacia, que, em todos os processos, apresentou o instrumento mandato antes do término do prazo legal à retirada do advogado anterior. Na renúncia focalizada no enunciado, consoante o Estatuto da Advocacia, deve o advogado: A) Afastar-se imediatamente após a substituição por outro advogado. B) Funcionar como parecerista no processo pela continuidade da representação. C) Atuar em conjunto com o advogado sucessor por quinze dias. D) Aguardar dez dias para verificar a atuação dos seus sucessores. RESPOSTA CORRETA: A Explicação: Observe que a intenção do examinador foi lhe induzir ao erro te fazendo acreditar que João ficaria os 10 dias ainda vinculado, entretanto, verifique que o seu antigo cliente já estava constituído com outro escritório antes do encerramento do prazo. Portanto,o vínculo será desfeito, excluindo vínculo de João. Portanto: DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 15 Explicação: Observe que de fato seria necessário o aviso ao patrono da causa sobre a atuação, mas conforme o carro acima narrado, estamos falando de uma situação de urgência e, nesta hipótese, é dispensado o aviso como já foi demonstrado no artigo 14 do CED. Vejamos: “O advogado não deve aceitar procuração de quem já tenha patrono constituído, sem prévio conhecimento deste, salvo por motivo plenamente justificável ou para adoção de medidas judiciais urgentes e inadiáveis.” Portanto: FGV - 2019 - OAB - Exame da Ordem Unificado XXVIII - Primeira Fase Maria Lúcia é parte em um processo judicial que tramita em determinada Vara da Infância e Juventude, sendo defendida, nos autos, pelo advogado Jeremias, integrante da Sociedade de Advogados Y. No curso da lide, ela recebe a informação de que a criança, cujos interesses são debatidos no feito, encontra-se em proeminente situação de risco, por fato que ocorrera há poucas horas. Ocorre que o advogado Jeremias não se encontra na cidade naquela data. Por isso, Maria Lúcia procura o advogado Paulo, o qual, após analisar a situação, conclui ser necessário postular, imediatamente, medida de busca e apreensão do infante. Considerando o caso hipotético, assinale a afirmativa correta. A) Paulo poderá aceitar procuração de Maria Lúcia e postular a busca e apreensão, independentemente de prévio conhecimento de Jeremias ou da Sociedade de Advogados Y. B) Paulo poderá aceitar procuração de Maria Lúcia e postular a busca e apreensão, apenas após o prévio conhecimento de Jeremias, não sendo suficiente informar à Sociedade de Advogados Y, sob pena de cometimento de infração ética. C) Paulo poderá aceitar procuração de Maria Lúcia e postular a busca e apreensão, apenas após o prévio conhecimento de Jeremias ou da Sociedade de Advogados Y, sob pena de cometimento de infração ética. D) Paulo não poderá aceitar procuração de Maria Lúcia e postular a busca e apreensão, mesmo que seja promovido o prévio conhecimento de Jeremias e da Sociedade de Advogados Y, sem antes ocorrer a renúncia ou revogação do mandato, sob pena de cometimento de infração ética. RESPOSTA CORRETA: A DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 16 Atenção: Qual seria o número necessário de atos privativos do advogado para o ano computar como prática jurídica? Observe o que informa o art. 5º do regulamento geral: “Art. 5º Considera-se efetivo exercício da atividade de advocacia a participação anual mínima em cinco atos privativos previstos no artigo 1º do Estatuto, em causas ou questões distintas.” Observação: Para reforçar a importância da advocacia no meio jurídico, verifique o que alude o art 2º do novo código de ética: O advogado, indispensável à administração da Justiça, é defensor do Estado Democrático de Direito, dos direitos humanos e garantias fundamentais, da cidadania, da moralidade, da Justiça e da paz social, cumprindo-lhe exercer o seu ministério em consonância com a sua elevada função pública e com os valores que lhe são inerentes. Explicação: CORRETO, são nulos os atos privativos de advogado praticados por pessoa não inscrita na OAB, sem prejuízo das sanções civis, penais e administrativas. ERRADO, são nulos os atos praticados por advogado impedido. ERRADO, não abrange os que exijam poderes especiais. ERRADO, o prazo é de DEZ DIAS! Não esqueçam, viu! QUESTÕES DESENVOLVIDAS PELO PROFESSOR BRUNO VASCONCELOS 1. Sobre a atividade do advogado é correto informar que: A) São nulos os atos privativos de advogado praticados por pessoa não inscrita na OAB, sem prejuízo das sanções civis, penais e administrativas. B) Não são nulos os atos praticados por advogado impedido. C) Procuração para o foro em geral habilita o advogado a praticar todos os atos judiciais, em qualquer juízo ou instância, inclusive os que exijam poderes especiais. D) O advogado que renunciar ao mandato continuará, durante os quinze dias seguintes à notificação da renúncia, a representar o mandante, salvo se for substituído antes do término desse prazo. DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 17 Explicação: No exercício da profissão, o advogado é INviolável por seus atos e manifestações, nos limites desta lei. E já lhe adianto que devido a este direito, o advogado tem imunidade contra determinados CRIMES, conforme alude o art. 7 parágrafo 2º: “O advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria, difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte, no exercício de sua atividade, em juízo ou fora dele, sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB, pelos excessos que cometer. (Vide ADIN 1.127-8).” Observe que na questão da imunidade não estão inclusos os crimes de calúnia e desacato. 2. Sobre a atividade do advogado é incorreto informar que: A) É vedada a divulgação de advocacia em conjunto com outra atividade. B) No exercício da profissão, o advogado é inviolável por seus atos e manifestações, nos limites desta lei. C) O advogado, afirmando urgência, pode atuar sem procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de quinze dias, prorrogável por igual período. D) No exercício da profissão, o advogado é violável por seus atos e manifestações, nos limites desta lei. 3. Em obediência ao que dispõe o Regulamento Geral, Estatuto da Advocacia e da OAB, o advogado que, por motivos pessoais, não mais deseje continuar patrocinando determinada causa deve: A) Renunciar ao mandato e continuar representando seu cliente por trinta dias, salvo se este constituir novo advogado antes do término do prazo. B) Fazer um substabelecimento sem reservas de poderes para outro advogado e depois comunicar o fato ao cliente. C) Comunicar ao cliente a renúncia ao mandato e funcionar no processo nos dez dias subsequentes, caso outro advogado não se habilite antes. D) Comunicar ao cliente a desistência do mandato e indicar outro advogado para a causa, o qual deve ser, obrigatoriamente, contratado pelo cliente. DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 18 Explicação: O cliente deverá ter ciência da renúncia do mandato PREFERENCIALMENTE mediante carta com aviso de recepção. Seu constituinte deverá acompanhá-lo pelos 10 dias subsequentes, caso outro advogado não se habilite antes. Portanto: Explicação: Vamos lá, de fato é necessário um advogado conforme o artigo 1º §2º do Estatuto, mas (se liga na exceção) o parágrafo único do artigo 2º do Regulamento Geral demonstra um impedimento para o advogado exercer o ato abrigado da vista no documento. Vejamos: “Estão impedidos de exercer o ato de advocacia referido neste artigo os advogados que prestem serviços a órgãos ou entidades da Administração Pública direta ou indireta, da unidade federativa a que se vincule a Junta Comercial, ou a quaisquer repartições administrativas competentes para o mencionado registro.” OBSERVAÇÃO: Não esquecer que quando se tratar de microempresa e empresa de pequeno porte, o visto do advogado não será necessário, no entanto não foi isso o abordado na questão. Lembre-se só se limite nos dados da questão, cuidado para não inventar e ficar no “e se”. 4. Paulo Morais, advogado, foi procurado pelo amigo Gibson para visar um registro de determinada pessoa jurídica em uma junta comercial, tendo em vista que o advogado presta serviço para determinado órgão vinculado à própria. Paulo aceitou a proposta e ainda informa que devido a sua experiência, o ato será realizado de forma ainda mais eficiente. Conforme o que aludi o Regulamento Geral e o Estatuto, podemos dizer: A) Via de regra o advogado é dispensável para realizar tal ato, justificando a falta de necessidade de Gibson procurar Paulo. B) O visto do advogado é obrigatório e Paulo pode realizá-lo tranquilamente. C) O visto só necessita de advogado quando se trata de pessoa jurídica de grande porte. D) É necessário o visto do advogado, mas Paulo é impedido derealizar o ato, pois sua posição na prestação de serviço a órgão vinculado à junta o proíbe, conforme aludiu o Regulamento Geral. RESPOSTA CORRETA: C RESPOSTA CORRETA: D DOMINANDO ÉTICA COM PROF. BRUNO VASCONCELOS 19 https://damasio.com.br/m/curso-oab-completo?utm_source=hubspot&utm_medium=e-book&utm_campaign=dms-baixaram-ebook-etica&utm_term=dms-baixaram-ebook-etica