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BENEDICTO MONTEIRO E A LEITURA DE AQUELE UM – AUTOR/LEITOR – INSTALAÇÃO[footnoteRef:2] [2: Artigo produzido como pré-requisito avaliativo da disciplina Teoria do Texto Narrativo, orientado pela Profa. Dra. Ivone dos Santos Veloso.] Darcenira Caldas Corrêa Balieiro[footnoteRef:3] [3: Graduandos do curso de Letras - Língua Portuguesa, turma 2022, do Polo Universitário Sergio Maneschy, Faculdade de Linguagem, Campus Universitário do Tocantins/Cametá/UFPA.] Elizete Carvalho Gonçalves Jacyara Julyane Capela Lobato Kássia Pinto Barbosa. 1. INTRODUÇÃO A literatura tem o poder de captar a essência de um povo, de revelar sua história, cultura e identidade. Nesse contexto, o escritor paraense Benedicto Monteiro é apresentado como uma das vozes mais significativas da literatura amazônica. Sua biografia e sua tetralogia amazônica são objetos de estudo desta pesquisa qualitativa de cunho bibliográfico, realizada como requisito parcial do processo de avaliação da disciplina Teoria do Texto Narrativo, ministrada pela Profa. Dra. Ivone dos Santos Veloso. Dividido em quatro partes, este trabalho tem como objetivo apresentar e explicar sobre a vida do escritor amazônico Benedicto Monteiro e sua obra “Aquele um”. Primeiramente, será abordada a biografia do autor, buscando compreender as influências que moldaram sua escrita e sua visão de mundo. A terceira parte deste trabalho explorará os pontos de contato entre o autor Benedicto Monteiro e Miguel dos Santos Prazeres personagem do livro "Aquele Um". Será investigada a maneira como Monteiro se insere e se identifica com seu protagonista, buscando compreender a relação entre a realidade e a ficção presente na obra. Por fim, a quarta e última parte trará as impressões de leitura dessa obra, revelando as experiências e reflexões pessoais diante do universo literário criado pelo escritor paraense. Dessa forma, espera-se que este trabalho possa contribuir para a compreensão da literatura amazônica e da obra de Benedicto Monteiro, enriquecendo o debate e a disseminação da produção literária regional. A pesquisa empreendida demonstra a importância de conhecer e valorizar os escritores e suas obras, especialmente aqueles que de forma singular representam e narram a rica diversidade cultural da região amazônica. 2. BENEDICTO MONTEIRO - BIOGRAFIA Benedicto Monteiro, filho de Ludgero Burlamaqui Monteiro e Heribertina Batista Monteiro, estudou no grupo escolar de Alenquer durante o primário e cursou o ensino médio no Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré, em Belém. Iniciou seus estudos de direito na Universidade do Brasil, hoje conhecida como Universidade Federal do Rio de Janeiro. Formou-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Pará, atualmente Universidade Federal do Pará. Exerceu a magistratura e o Ministério Público, além de ter sido eleito deputado estadual por duas legislaturas. Também ocupou o cargo de secretário de Estado de Obras, Terras e Águas, mas foi cassado durante o Golpe Militar de 1964. Em 1945, publicou seu primeiro livro de poesias, intitulado Bandeira Branca, no Rio de Janeiro. As obras de Benedicto Monteiro são dedicadas à sua fascinante visão do Verde Vagomundo da Amazônia. Em sua cidade natal, atuou como vereador e em funções judiciárias. Foi Deputado estadual e Deputado federal Constituinte, participando da Assembleia Nacional Constituinte. Ele se dedicou às causas agrárias, defendendo os direitos dos trabalhadores rurais, e compôs o hino O Canto do Lavrador. Foi o primeiro Procurador Geral do Estado do Pará e criou e instalou a Defensoria Pública no Pará. Além disso, foi advogado atuante na área agrária e escreveu um livro sobre Direito Agrário. Nos últimos anos de sua vida, dedicou-se à sua atividade literária e a projetos culturais e de defesa do meio ambiente. Benedicto Monteiro era casado com Wanda Marques Monteiro e teve cinco filhos: Aldanery, Ana Luiza, Wanda Benedicta, Benedicto Filho e Dulcinez. Foi membro da Academia Paraense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Pará. 3. OBRAS · Bandeira branca (1945) · Verdevagomundo (1972) · O Minossauro · A terceira margem (1983) · Aquele um (1985) · O carro dos milagres (1975) · Direito agrário e processo fundiário · O Cancioneiro do Dalcídio · Transtempo (1993) · Maria de todos os rios · Como se faz um guerrilheiro · Discurso sobre a corda · Poesia do Texto · Aruanã · Cobra-grande · Estudos regionais · A Terceira dimensão da mulher (2002) · História do Pará 4. TETRALOGIA AMAZÔNICA Na Tetralogia Amazônia de Benedicto Monteiro, estão inseridos quatro de suas melhores obras românticas, estas retratam um personagem caboclo que, demostra as diferentes vivências da amazônida. Tendo como protagonista principal Miguel dos Santos Prazeres, “o caboclo”, que em suas andanças por esta vastidão de terra, que é a Amazônia, viveu muitos momentos que serão contados para outras pessoas, quem foi e como viu em meios aos caminhos da vida, no “correr terra”, como assim referia-se. Dentro de suas obras podemos encontrar elementos marcantes, a floresta, a religiosidade, o caboclo, a enchente e os igarapés. A composição da referida Tetralogia Amazônia, está sendo traduzida para fins de trabalhos acadêmicos, como objeto de tesse de mestrados e doutorados na Europa, precisamente na Itália, Alemanha, Holanda e Portugal. Seus romances estão sendo conhecido nacionalmente e internacionalmente, por suas exuberantes narrativas dentro do contexto amazônico. Sua Tetralogia amazônica e composta pelas obras: o “Verde Vagomundo” do ano de (1972), que tem como narrativa a volta de um militar, o Major Antônio, que chega à Amazônia, a fim de resolver uma questão da venda de umas terras a ele pertencentes. Este viajante traz consigo um gravador onde pretende u a fala dos habitantes locais e suas histórias, como se jamais tivesse pertencido a este meio. A segunda obra é “O Minossauro” do ano de (1975), que trata sobre o fabuloso verde vagomundo da Amazônia, visto "por dentro" e revelado "de dentro", em sua realidade total, multifacética - ecológica, humana, social e psicológica. Sua obra realiza um desbravamento no sentido inverso da já legendária estrada, uma verdadeira picada cultural transamazônica que nasce nos igarapés e atinge os centros urbanos deste País-Continente. “A Terceira Margem” do ano de (1983), nos traz um cenário de uma Amazônia violenta, projeta-se um personagem memorável, cuja busca serve para a descoberta dos limites da linguagem. E, em várias linguagens, é discutida a cidade do futuro e o destino imprevisto para a aventura do homem. Tendo como quarta obra dentro da Tetralogia Amazônia, “Aquele Um” do ano de (1985), retrata a verdadeira história da vida de Miguel dos Santos Prazeres, vulgo “Afilhado do Diabo”, também conhecido como “Cabra da Peste”, narrado por ele mesmo a uma major do Exército, a um geólogo, a um geógrafo e ao próprio. Oba que revela com extrema lucidez o universo do caboclo amazônida, homem conhecedor da sua realidade e do cenário que nos é apresentado, de forma definitiva, nesta obra de narrativa universal, atada a um regionalismo raro. 5. PONTOS DE CONTATO ENTRE O AUTOR E O PERSONAGEM Os pontos de contato entre o autor e o personagem são os elementos que conectam o escritor e o personagem criado por ele. São como os fios invisíveis que unem a mente do autor à sua criação. Esses pontos podem ser emocionais, psicológicos, físicos ou até mesmo simbólicos. Eles representam os sentimentos, pensamentos, ações, experiências e traços de personalidade que o autor atribui ao seu personagem. Esses pontos de contato são cruciais para que o autor possa transmitir suas ideias e mensagens através do personagem, e para que o leitor possa se identificar e se relacionar com ele. É como se o autor e o personagem compartilhassem uma conexão especial que torna a história mais envolvente e realista. Na obra “Aquele Um”, de Benedicto Monteiro, o autor e o narrador se cruzam nos seguintes pontos: Primeiro, Benedicto Monteiro nasceu na cidade de Alenquer noPará e, o narrador personagem, Miguel dos Santos Prazeres, também nasceu na cidade de Alenquer. O segundo cruzamento, a prisão de Benedicto Monteiro e de Miguel dos Santos aconteceu no período do regime militar de1964 no Brasil (Ditadura Militar). A notícia da prisão do autor quanto do narrador personagem chega até a população da cidade de Alenquer através dos noticiários transmitidos pelos rádios e os dois são cassados na floresta de Alenquer. Esses são alguns cruzamentos entre o autor e o narrador. 6. IMPRESSÕES DE LEITURA DA OBRA “AQUELE UM” Selecionamos algumas partes do livro "Aquele um" para analisar e compartilhar nossas impressões. A primeira passagem aborda uma conversa entre Miguel e um geógrafo, no final do livro. Miguel conta a história de quando decidiu ter vários filhos, com o objetivo de "povoar o mundo". No entanto, a maneira como ele escolheu realizar isso foge da realidade atual e, muitas vezes, parece ser "machista". Miguel decide escolher várias mulheres de diferentes nacionalidades e raças, facilitado pelo fato de trabalhar em um barco viajante. Um dos requisitos que ele impõe é que essas mulheres sejam virgens, para que ele possa ter filhos com elas. Isso nos causa uma certa revolta, pois ele trata as mulheres como objetos descartáveis, utilizando-as apenas para satisfazer seus desejos sexuais e abandonando-as grávidas e desamparadas, negligenciando seus filhos. A segunda passagem acontece quando Miguel compartilha sua história com um geólogo, descrevendo seu retorno para casa e o encontro com seu pai, que trabalhava como capataz em uma fazenda. Ele relata o acidente que levou seu pai à morte e, em meio a essa grande tristeza, Miguel percebe o quanto sua mãe precisava dele. Essa passagem nos faz refletir sobre a importância de valorizar nossos pais, irmãos e familiares, ressaltando a importância de aproveitar o momento e celebrar a vida das pessoas ao nosso redor, pois ninguém é imortal. REFERÊNCIAS BENEDICTO MONTEIRO. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2023. Disponível em: . Acesso em: 03 set. 2023. FURTADO, R. F. “Aqui, todo mundo é andarilho”: o rompimento com a noção de unidade amazônica no romance maria de todos os rios, de Benedicto Monteiro. Revista de Literatura, História e Memória, [S. l.], v. 19, n. 33, 2023. DOI: 10.48075/rlhm.v19i33.30704. Disponível em: https://saber.unioeste.br/index.php/rlhm/article/view/30704. Acesso em: 4 set. 2023. Monteiro, Benedicto. Aquele um. 3ª ed. Belém: CEJUP, 1995. 223p.