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HISTÓRIAHISTÓRIA CAP. 06 AS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: EGITO E OS REINOS DA NÚBIA Exportado em: 24/04/2025 Escaneie com o leitor de QR Code da busca de capítulos na aba ConteúdoConteúdo VER CAPÍTULOVER CAPÍTULO SLIDES DO CAPÍTULOSLIDES DO CAPÍTULO Rotina de pensamento ROTINA DE PENSAMENTO Estátua de Heródoto no Parlamento Austríaco, em Viena. Pe-Jo O historiador grego Heródoto (484-425 a.C.) é considerado o pai da História por ser a primeira pessoa que se preocupou em registrar os acontecimentos e as próprias percepções sobre as sociedades de sua época. Ele viajou por diversas partes do mundo, entrando em contato com diferentes civilizações, como o Para começar e refletirPara começar e refletir 1 Império Persa, a Babilônia, a Fenícia e o Egito. Foi a partir da experiência que vivenciou no Egito, no século V a.C., que Heródoto registrou uma famosa frase que ouviu dos sacerdotes daquela região: O Egito é a Dádiva do Nilo. FOERSTE, Erineu; JESUS. José Pacheco de. Educação do Campo: 35 Anos dos Ceier's – culturas, saberes e pesquisas. Curitiba: Editora Appris, 2020. Glossário Dádiva: presente dado espontaneamente, sem ter sido pedido. Rio Nilo: um dos rios mais extensos do planeta. Ele nasce no interior do continente africano, na Ruanda e na Etiópia, e deságua no Mar Mediterrâneo. A partir das informações do glossário acima, releia a famosa frase de Heródoto com atenção para realizar a rotina de pensamento proposta: 1. Individualmente, reflita sobre a frase de Heródoto e anote suas reflexões. Na sua opinião, o que os sacerdotes queriam informar com ela? 2. Em duplas ou em pequenos grupos, troquem suas ideias. Ao ouvir seu(sua) colega, anote as ideias que chamaram a sua atenção. Ao final das trocas das percepções, selecionem as ideias que o grupo julgar mais interessante sobre a frase analisada. 3. Para finalizar a atividade, compartilhem com os(as) demais colegas as ideias selecionadas no passo anterior. Na rotina de pensamento da página anterior, você e seus(suas) colegas analisaram a famosa frase registrada por Heródoto há mais de dois mil anos, a qual ressalta a importância do Rio Nilo para o Egito na Antiguidade. De maneira geral, a frase indica que a civilização egípcia só se desenvolveu porque o Rio Nilo proporcionava as condições necessárias para a garantia da sobrevivência dos grupos A importância do Rio NiloA importância do Rio Nilo 2 humanos naquela região. Para entender a influência desse rio no dia a dia das primeiras civilizações africanas, observe o mapa a seguir, que apresenta os principais rios existentes no continente africano. Localize-o e observe a extensão do Rio Nilo e as áreas que ele atravessa. Mapa hidrográfico do continente africano. d-maps.com / Reprodução O Rio Nilo atravessa uma grande extensão no nordeste do continente africano. Ele nasce nos atuais territórios de Ruanda e Etiópia e deságua no Mar Mediterrâneo. Agora, observe as imagens do álbum a seguir, que apresentam perspectivas do continente africano obtidas via satélite. Essas imagens permitem observar o tipo de solo e a vegetação ao longo do Rio Nilo. 3 Imagem do continente africano obtida via satélite, com destaque para a localização do Rio Nilo. Wikimedia Commons 4 Imagem capturada por satélite do curso e o delta do Rio Nilo. SRStudio/Shutterstock Na imagem 1, observamos uma grande faixa amarela na porção norte do continente africano. Boa parte dessa região pertence ao Deserto do Saara. Na imagem 2, que destaca o curso do Rio Nilo, é possível identificar um contorno verde que acompanha o rio. Esse contorno verde indica a presença de vegetação em meio ao Deserto do Saara, a qual existe devido ao Rio Nilo. Na Antiguidade, as cheias deixavam as margens do Rio Nilo férteis, o que atraía vários povos, que se fixavam na beira do rio. Então, ao longo dos séculos, nas margens do Rio Nilo, se desenvolveram a civilização egípcia e os reinos da Núbia – como é denominada a região africana ao sul do Egito, que atualmente corresponde ao norte do Sudão. O desenvolvimento dessas primeiras civilizações africanas será o tema abordado neste capítulo. 5 Rio Nilo, Luxor, Egito. Alexandree/Shutterstock O Rio Nilo ofereceu às civilizações que se desenvolveram nas suas margens as condições necessárias para a sobrevivência naquela região, como abastecimento de água e acesso ao solo fértil. Esses povos também desempenharam um importante papel de integração naquela região do continente: a navegação no Rio Nilo favorecia o contato e o comércio com os povos que viviam nas porções oeste, centro e sul da África. Além disso, essa região também era caminho para as populações que viajavam pelas rotas saarianas ou que seguiam rumo ao Mediterrâneo. Glossário Rotas saarianas: caminhos de caravanas comerciais que cruzavam o Deserto do Saara. Saiba mais: o maior rio do mundo Pesquisas de campo atuais apontam que o Rio Amazonas é o mais extenso do mundo. Até pouco tempo, esse título era dado ao Nilo. Entretanto, estudos recentes têm colocado em xeque essa teoria, fazendo com que o Rio Nilo passe a ser considerado o segundo mais extenso do planeta. Se desejar saber mais sobre o assunto, sugerimos a leitura da matéria “Nilo ou Amazonas? Qual é o maior rio do mundo?”. Como analisamos na rotina de pensamento inicial e na página de introdução, o Rio Nilo foi fundamental para a formação da sociedade egípcia na Antiguidade, pois a região norte do O Rio Nilo e a civilização egípciaO Rio Nilo e a civilização egípcia 6 https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2023/04/nilo-ou-amazonas-qual-e-o-maior-rio-do-mundo continente africano apresenta extensas áreas desérticas. Rio Nilo atualmente. Nebojsa Markovic/Shutterstock Estudiosos(as) acreditam que esse processo de desertificação foi ampliado devido a fenômenos climáticos que ocorreram durante o período Neolítico, incentivando o deslocamento de diversas populações para regiões onde existiam rios, lagos e oásis. Segundo os(as) historiadores(as), foi dessa maneira que ocorreu a ocupação das áreas próximas ao Nilo e a formação das primeiras sociedades na região. As cheias anuais permitiram que a região desértica às margens do Nilo se tornasse um lugar bastante rico para a agricultura, incentivando o aumento da população. Além de plantar alimentos nas áreas fertilizadas pelos alagamentos, os egípcios desenvolveram estruturas para o transporte de água a outras regiões, como diques, canais, barragens e sistemas de irrigação. 7 ► Organizando as ideias: diques, canais, barragens e sistemas de irrigação Diques são estruturas construídas em terrenos paralelos a cursos d'água doce ou salgada, utilizadas para controlar ou impedir alagamentos e expandir a área de cultivo. Os diques dificultam que, nos períodos de cheia, a água alague um local. Eles também podem deter uma parte da água e dificultar o assoreamento do rio. Os canais são cursos d’água construídos pela ação humana. Costumam ser abertos com a construção de uma grande vala próxima a um rio, lago ou mar, permitindo o desvio de águas para regiões sem abastecimento. As barragens ou represas são estruturas construídas nos rios ou lagos para represar a água. Elas podem ser erguidas em áreas com ocorrências de muitas chuvas e alagamentos. Os diques e os canais podem ser usados para criar sistemas de irrigação, isto é, estruturas que transportam a água até as áreas de plantio que precisam ser regadas. Glossário assoreamento: aumento do leito de um rio pelo acúmulo de sedimentos e resíduos levados pelas águas das chuvas. O ciclo das águas do Nilo e o Egito Antigo No início, os povos que formaram a civilização egípcia não conheciam a nascente do Rio Nilo e não compreendiam o ciclo de mudanças em seu volume de água durante o ano. Com o passar do tempo, através da observação da natureza, esses povos compreenderam as transformações do nível das águas do Rio Nilo e usaram esse conhecimentopara organizar o cultivo de alimentos em suas margens. Quando o volume do Nilo subia e o rio transbordava, geralmente no final de junho devido ao início da temporada de chuvas, as terras ficavam submersas até o final de outubro. Esse fenômeno beneficiava a população, já que as águas que avançavam sobre as regiões desérticas eram ricas em húmus, fertilizando as terras próximas às margens do rio. Glossário 8 ► Húmus: matéria orgânica resultante da decomposição de plantas e animais mortos. No solo, ela fertiliza o terreno, deixando-o excelente para a agricultura. Quando o nível do rio começava a baixar, geralmente no início do mês de novembro, os agricultores iniciavam as atividades de plantação nas terras que haviam sido alagadas e estavam em ótimas condições para o cultivo. Quanto maior a região atingida pelas cheias do rio, maiores seriam a área de cultivo e a colheita a ser obtida pelos agricultores. 9 Desde o princípio da ocupação humana nas áreas próximas ao Nilo, as populações que ali se estabeleceram passaram a desenvolver e a usar vários tipos de embarcação para cruzar suas águas. Como o Nilo atravessava toda a extensão do território ocupado por esses povos, ele funcionava como uma espécie de estrada, ligando diversas regiões pertencentes às comunidades que ali se estabeleceram. Nessas viagens, os egípcios transportavam alimentos, que seriam comercializados ou trocados por outros produtos. Também levavam materiais, como pedra e argila, usados na construção de moradias, templos e edifícios. Localizado no centro do território, os egípcios compreendiam o Nilo como um divisor natural, que separava a região em duas áreas. A parte leste, onde nasce o Sol, era considerada o Império dos Vivos, e a parte oeste, onde o Sol se põe, era vista como o Império dos Mortos. Por essa razão, muitos cemitérios egípcios foram construídos na margem esquerda do Nilo. Ilustração egípcia de embarcação que demonstra as riquezas da fauna e da flora em torno do Rio Nilo. tan_tan/Shutterstock Saiba mais: os nilômetros e o calendário egípcio O método para medir as cheias do Nilo 10 Nilômetro descoberto em 2010 na Avenida das Esfinges, no templo de Luxor, no Egito. De acordo com os(as) arqueólogos(as), a construção tem mais de 2 mil anos. The Supreme Council of Antiquities A dependência das cheias do Nilo era tão grande que, com o tempo, os egípcios desenvolveram técnicas para medir o volume das inundações e, com isso, estimar a produtividade agrícola de cada ano. Foi assim que construíram os chamados nilômetros. Os nilômetros eram poços muito fundos e, nos períodos da cheia, a água no interior deles subia. De acordo com o nível atingido, era possível ter ideia do tamanho da inundação daquele ano. Assim, observando o nível dos nilômetros, os egípcios poderiam estimar a quantidade das colheitas e identificar a quantidade de impostos que seriam arrecadados com a produção agrícola. A organização do tempo dos egípcios Observando o céu, a população que vivia às margens do Nilo percebeu que as cheias do rio começavam no período em que era possível ver a estrela Sirius ao anoitecer. As pessoas também notaram que o aparecimento dessa estrela em uma mesma posição nos céus acontecia a cada 365 dias. Então, para conseguirem se guiar, criaram um calendário com 365 dias de duração. O calendário era dividido em três estações. Cada estação durava 120 dias. Para completar os 365 dias, acrescentavam-se cinco dias à última estação. Esses dias complementares eram considerados os dias em que os deuses haviam nascido. As estações do calendário seguiam o ciclo do Nilo. A primeira delas referia-se à época das cheias e chamava-se Akhet (de meados de julho a meados de novembro), era a época da irrigação da terra. Em seguida, vinha a estação da vazante, Peret (de 11 meados de novembro a meados de março), quando as águas do Nilo retornavam ao leito, e homens e mulheres aravam o solo e plantavam as sementes. Em seguida, vinha a estação Shemu (de meados de março a meados de julho), época das secas, quando era realizada a colheita das plantações, antes que começasse a nova cheia. Reprodução colorida do teto do templo de Hathor, em Dendera, no Egito. Nesse local, os sacerdotes faziam suas observações astronômicas. Dainis Derics/Shutterstock Estima-se que os primeiros grupos humanos chegaram por volta de 5000 a.C. às áreas próximas ao Rio Nilo. No início, esses povos se organizavam de maneira coletiva e cooperativista, isto é, não havia diferença social entre os integrantes do grupo nem propriedade privada. Ao longo do tempo, com o crescimento dos povoados, as necessidades de organização causaram mudanças na estrutura das comunidades. Diversos grupos se uniram, dando origem a uma organização social maior, formada por pequenos reinos denominados nomo. O início da diferenciação social e da organização política no Egito Antigo Com o crescimento dos nomos (pequenas parcelas do território), aconteceu a divisão do A formação política e os períodos históricos doA formação política e os períodos históricos do Antigo EgitoAntigo Egito 12 trabalho. Havia pessoas que cuidavam do cultivo agrícola; outras, da construção de diques e canais. Também havia pessoas encarregadas de construir armazéns para guardar os alimentos, entre outras ocupações. Algumas dessas pessoas se destacaram e assumiram cargos voltados à administração da sociedade. O cargo mais importante era o do nomarca, como era chamado o líder do nomo. Ao longo do tempo, os nomarcas mais eficientes em administrar sua região e assegurar alimentos aos moradores passaram a ser vistos como deuses. Assim, os governantes acumularam funções políticas e religiosas. A necessidade de melhorar a organização incentivou a união de alguns desses nomos. Por volta de 3500 a.C., todo o território egípcio estava organizado em apenas dois grandes reinos: o Baixo Egito, localizado ao norte, na região do delta do Nilo, e o Alto Egito, localizado ao sul, no vale do Nilo. Esses dois reinos foram unificados por Menés (também conhecido como Narmer), o governante do Alto Egito, por volta de 3200 a.C. Com essa unificação, o poder político passou a ser exercido por uma única pessoa, surgindo a figura do faraó, uma mistura de rei e deus. A subordinação dos reinos a um único rei (faraó) marcou o início da fase imperial da civilização egípcia. A partir de então, o governante deveria administrar uma área extensa e populosa. A união dos territórios favoreceu a integração dessas regiões e a redução dos conflitos entre grupos distintos, e facilitou a organização do trabalho e a administração dos bens produzidos pela sociedade. A imagem a seguir representa a transição do poder político dos nomarcas para os faraós. A coroa era um símbolo de poder político no Egito Antigo. O nomarca do Alto Egito usava uma coroa branca, enquanto o do Baixo Egito usava uma coroa vermelha. Quando houve a unificação dos dois reinos, os faraós passaram a utilizar uma coroa dupla, com as duas cores, simbolizando o poder sobre as duas regiões. Reprodução Os períodos históricos da civilização egípcia Após a formação do império, a civilização egípcia se desenvolveu por aproximadamente 3 mil anos. Esse período foi marcado pela sucessão de diversos faraós e por guerras, ora para 13 ► ► expandir, ora para defender o território. Os(As) historiadores(as) costumam dividir a história da civilização egípcia em três períodos, de acordo com mudanças políticas que ocorreram no Egito Antigo. Antigo Império (3200 a.C. a 2300 a.C.): iniciado com a união do Alto e do Baixo Egito em um único reino, realizada pelo faraó Menés. A capital do reino situava-se em Mênfis, no norte do território. O Antigo Império caracterizou-se pela expansão egípcia em direção ao sul, com a conquista de terras da Núbia. Essa fase foi marcada pela estabilidade política, e também pelo desenvolvimento do comércio e de diversas práticas artísticas. Pouco tempo antes daunificação, ocorreu o desenvolvimento da linguagem escrita na civilização egípcia, o que ampliou o controle dos bens e da administração da sociedade. Também foi durante o Antigo Império que ocorreu a construção das primeiras pirâmides, utilizadas como local de sepultamento dos faraós e das camadas mais altas da sociedade. No final do período, uma série de revoltas ocasionadas por disputas entre líderes locais afetou a estabilidade do governo faraônico. As revoltas causaram guerras entre os diferentes grupos sociais, que perduraram até o início do período seguinte. As Pirâmides de Gizé e a Grande Esfinge, no atual Cairo, no Egito. Mountains Hunter/Shutterstock Médio Império (2055 a.C. a 1650 a.C.): sob o comando de Mentuhotep, o poder faraônico voltou ao Egito e a civilização passou por um período de estabilidade política. O faraó Mentuhotep se estabeleceu na cidade de Tebas (atual Luxor), transferindo a capital para o sul do território. Foi um período de esplendor da arte egípcia e também de prosperidade para a sociedade. Por volta de 1700 a.C., o período do Médio Império chegou ao fim com a invasão dos hicsos, povo do continente asiático, onde atualmente se localizam a Síria e a Palestina. Os hicsos conquistaram parte do Egito e transferiram a capital do Império para a cidade de Aváris, na região do delta do Nilo, no norte do continente. Eles permaneceram no Egito cerca de 200 anos, até serem expulsos por líderes egípcios do norte, que restabeleceram o poder dos faraós em 1580 a.C. 14 ► Relevo egípcio que representa o faraó Mentuhotep. Pertence ao templo de Deir el-Bahari. Reprodução/Wikimedia Commons Novo Império (1550 a.C. a 1069 a.C): com a expulsão dos hicsos, o Egito voltou a ser comandado pelos egípcios, que instalaram a capital novamente em Tebas, onde ergueram o Complexo de Templos de Karnak, composto de vários templos em homenagem aos deuses, dentre eles o Templo de Amon. Essa fase foi marcada pela expansão do Império Egípcio, com a conquista de territórios no continente asiático e a reconquista de regiões pertencentes à Núbia. Foi o período em que governaram conhecidos faraós, como Akhenaton (1352 a.C.-1336 a.C.), que implantou, ainda que de forma provisória, a crença em um único deus, e Ramsés II, que teve mais de 100 filhos e governou por 66 anos, de 1279 a.C. a 1213 a.C. Durante esse período, os faraós também construíram grandes obras como demonstração de poder político e cultural. Ruínas da avenida principal do Tempo de Karnak. Mountains Hunter/Shutterstock Ao final do Novo Império, os egípcios sofreram invasões de diferentes povos. Em 750 a.C., soldados núbios, originários do Reino de Cuxe (ou Kush), dominaram todo o território do Egito. Por conta da proximidade cultural com os egípcios, os cuxitas deram continuidade às grandes obras iniciadas em governos anteriores. Os cuxitas conseguiram se manter no poder por aproximadamente um século, mas não puderam resistir às constantes invasões estrangeiras, como a dos assírios, em 664 a.C. Depois deles, o território foi ocupado por líbios, persas, macedônios e romanos. 15 Agora é com você Questão 01 Após a unificação dos reinos, a história egípcia divide-se em três fases. Cite um fato importante de cada fase. 1.a) Antigo Império (3100–2200 a.C.) 1.b) Médio Império (2100–1800 a.C.) 1.c) Novo Império (1600–525 a.C.) Você conhece o termo sociedade estratificada? Para você, como são as sociedades que apresentam essa característica? A imagem a seguir apresenta de forma ilustrada a ideia de sociedade estratificada no Egito Antigo. Observe-a com atenção e troque ideias com seus(suas) colegas e professor(a) sobre as suas percepções. A estratificada sociedade do Egito Antigo: faraó, vizirA estratificada sociedade do Egito Antigo: faraó, vizir e sacerdotes, soldados e escribase sacerdotes, soldados e escribas 16 Com a diferenciação das funções e dos papéis sociais no Egito, as pessoas eram tratadas e representadas de modo diferente. Por essa razão, algumas ilustrações do período representam as personagens em tamanhos diferentes: quanto maior a sua importância na sociedade, maior a sua proporção nas pinturas. matrioshka/Shutterstock Observe que, na imagem acima, os deuses Hórus (com a cabeça de falcão) e Anúbis (com a cabeça de chacal) são representados no mesmo tamanho que o faraó e a sua esposa, que estão sentados, vestidos de branco, e segurando símbolos egípcios, como a chave da vida eterna e um ramo de papiro. As sacerdotisas, mulheres ajoelhadas diante dos deuses que navegam no Rio Nilo, são menores que os deuses e os governantes e maiores que os camponeses. Essa diferença de tamanho na ilustração indica que a sociedade egípcia era estratificada. Isso significa que existia uma hierarquia entre as pessoas, ou seja, alguns grupos eram considerados socialmente mais importantes do que outros. Muitos(as) historiadores(as) representam as sociedades estratificadas na forma de pirâmide social. As pessoas que se encontravam mais próximas do topo (um grupo muito pequeno) tinham maior importância social; as que se encontravam mais próximas da base (a maioria) tinham menor importância social. Dica O uso da figura de uma pirâmide para representar as sociedades hierárquicas não tem relação com as famosas construções funerárias do Egito Antigo. Embora tenham o mesmo formato geométrico, as pirâmides sociais ilustram a hierarquia das classes sociais, enquanto as pirâmides funerárias serviam como túmulos, especialmente para os faraós do Antigo Império. 17 ► Observe a representação da sociedade hierárquica do Egito Antigo na pirâmide social ilustrada a seguir. Representação ilustrada da pirâmide social egípcia. Reprodução Nos próximos tópicos, vamos analisar as características gerais das classes sociais do Egito Antigo: Faraó e família: no topo da pirâmide, estavam o faraó e seus familiares (esposa, filhos, pais e outros parentes). Entre essas pessoas, o faraó era a mais importante e, por muito tempo, foi considerado, inclusive, um deus. O faraó era o chefe de governo e o proprietário de tudo que existia no Egito: as terras, os produtos cultivados, os animais, entre outros elementos. Ele também era o chefe de todos os sacerdotes, o líder das forças militares e o principal juiz naquela sociedade. Os faraós eram representados em estátuas, desenhos, tumbas ou relevos inscritos nas paredes dos templos. Nessas representações, a sua figura se destaca das demais, pois apresenta características e símbolos relacionados ao seu poder. Fotografia da fachada do templo de Abu Simbel, em Aswan. Cada estátua do faraó Ramsés II tem cerca de 20 metros de altura, ilustrando o poder político, social e religioso dos líderes políticos do Egito. Beyond the Road Prod/Shutterstock 18 ► ► Vizir e sacerdotes: na pirâmide social egípcia, abaixo do faraó e de sua família, estavam os altos funcionários, que ocupavam diferentes posições na hierarquia social e auxiliavam o faraó na administração do Egito. Os sumos sacerdotes, por exemplo, eram responsáveis pelos grandes templos, sendo os únicos autorizados a se aproximar das estátuas dos deuses nos santuários, e tinham grande poder entre a população. Outra posição social de destaque era a de vizir, uma espécie de primeiro-ministro encarregado de supervisionar toda a administração egípcia. Era o funcionário administrativo de cargo mais elevado, uma pessoa de confiança do faraó e que respondia unicamente ao monarca. Ilustração em papiro retirado do Livro dos Mortos, na qual sacerdotes e sacerdotisas realizam uma das cerimônias do processo de mumificação. British Museum/Wikimedia Commons Soldados: tinham a responsabilidade de manter a segurança do território. Para as camadas mais baixas da sociedade egípcia, a profissão de soldado representava uma possibilidade de ascensão social. À medida que os egípcios conquistavam novos territórios, os soldados se tornaram cada vez mais valorizados na sociedade.19 ► Representação do exército egípcio em escultura de madeira. Peça encontrada na tumba do nomarca Mesehti. Atualmente, pertence ao acervo do Museu do Cairo. Reprodução Escribas: assim como os altos funcionários do governo, os escribas estavam entre os poucos egípcios que sabiam ler e escrever. O trabalho dos escribas, na maior parte das vezes, era burocrático. Eles eram responsáveis por controlar o que era produzido (as colheitas, o volume de cereais armazenados, o tamanho da área cultivada e o número de cabeças de gado, por exemplo), registrar os impostos pagos pela população (indicavam quanto da produção deveria ser destinado ao faraó), cuidar dos projetos de construção, como os diques e os canais de irrigação e fazer cópias ou escrever os textos religiosos. Os escribas também deveriam calcular e indicar a quantidade de produtos que poderia ser comercializada em trocas realizadas entre as diferentes regiões do Império e, também, entre os egípcios e as civilizações vizinhas. 20 ► Escultura Escriba sentado, produzida no Antigo Egito. O prestígio dos escribas pode ser percebido pela grande quantidade de estátuas produzidas no Egito para representá-los. Costumavam ser retratados sentados no chão, com as pernas cruzadas e com seus materiais de trabalho em mãos: pincéis, paleta, tintas preta e vermelha e folhas de papiro, nas quais escreviam seus textos. Gbaotic/Wikimedia Commons Na página anterior analisamos as camadas que estavam na parte superior da pirâmide social egípcia. Nesta página vamos dar continuidade aos nossos estudos, analisando as classes menos prestigiadas na estratificada sociedade do Egito Antigo. Comerciantes: levavam os produtos de uma região para outra, garantindo o abastecimento de todo o Império de acordo com a necessidade de cada local e facilitando o comércio no interior do território egípcio. Quando se tratava do comércio com civilizações estrangeiras, as negociações costumavam ser realizadas pelo próprio faraó, que conduzia uma expedição para transportar até o local de destino os produtos que seriam vendidos. A estratificada sociedade do Egito Antigo:A estratificada sociedade do Egito Antigo: comerciantes, artesãos, camponeses e escravizadoscomerciantes, artesãos, camponeses e escravizados 21 ► Ilustração que representa as caravanas dos comerciantes egípcios que transportavam mercadorias de uma região para outra na beira do Rio Nilo. Ingotr/Shutterstock Artesãos: pessoas que realizavam atividades especializadas, como carpinteiros, marceneiros, ourives, oleiros, tecelões e vidreiros. Muitos trabalhavam diretamente para o faraó, pois eram os únicos que podiam ter contato com as riquezas do reino. Pintura egípcia que retrata artesãos trabalhando. The Yorck Project (2002) 10.000 Meisterwerke der Malerei (DVD-ROM), distributed by DIRECTMEDIA Publishing GmbH. 22 ► Organizando as ideias: os ofícios dos artesãos do Egito Antigo Os carpinteiros trabalhavam com o processo de corte e preparação da madeira empregada na construção de moradias, esculturas e objetos de uso cotidiano. Os marceneiros utilizavam a madeira para a criação de móveis e outros utensílios. Os ourives trabalhavam com a manipulação de metais, como ouro e prata, para a fabricação de joias e outros objetos. Os oleiros desenvolviam objetos de barro e de cerâmica, como tijolos, potes, vasilhas etc. Por fim, os tecelões trabalhavam com o trançamento de fios para a confecção de tecidos. Esses são alguns exemplos de atividades exercidas por artesãos no Egito Antigo. Além dessas profissões, existiam outros ofícios que exigiam conhecimento especializado, muitos dos quais continuam presentes em sociedades da atualidade. Camponeses: denominados felás, compunham a maioria da população do Antigo Egito. Eles eram os responsáveis por produzir os alimentos consumidos pela população através da agricultura e pecuária. Eles criavam animais, como ovelhas, cabras, porcos e diversos tipos de aves. Na época do plantio, cultivavam trigo, cevada, centeio, papiro e linho. O trigo e o centeio eram usados no preparo do pão, enquanto a cevada permitia a produção de cerveja. Do papiro, eram extraídas fibras para a fabricação de cordas e de uma espécie de papel, e o linho era empregado na confecção de fios e tecidos. Cena de camponeses no túmulo de Menna, localizado no Vale dos Nobres, em Luxor, no Egito. hemro/Shutterstock Nas épocas das cheias, os camponeses não podiam cultivar a terra e eram convocados para ser os "trabalhadores do faraó", em um sistema de servidão coletiva. 23 ► Glossário Servidão coletiva: sistema de trabalho no qual a pessoa tem uma relação de dependência, ficando obrigada a cumprir uma função ou serviço. Os felás eram recrutados em suas vilas e cidades e enviados para auxiliar nas construções de templos, palácios e pirâmides. Enquanto realizavam o trabalho, eram instalados em acampamentos onde recebiam alimentação e moradia. Esse trabalho era compreendido como um pagamento de impostos, obrigatórios para os membros da sociedade egípcia. Se os camponeses se recusassem a prestar o serviço, poderiam receber punições severas, como a condenação à escravidão. Ilustração de trabalhadores construindo as pirâmides, um exemplo de servidão coletiva nas épocas das cheias do Nilo. SofiaV/Shutterstock Escravizados: classe social formada por pessoas capturadas em guerras pelo exército egípcio e por indivíduos que não conseguiam pagar suas dívidas ou deviam impostos ao governo. Esses trabalhadores costumavam ser empregados em diversas atividades, de acordo com suas habilidades profissionais. Também foi frequente o emprego de escravizados na construção de obras públicas, pirâmides e templos religiosos. 24 Baixo-relevo no templo de Abu Simbel que retrata prisioneiros de guerra escravizados. imagoDens/Shutterstock Agora é com você Questão 01 Em relação à sociedade egípcia, responda corretamente às perguntas. 1.a) Que grupos sociais faziam parte das camadas dominantes? 1.b) A quem pertencia a maior parte das terras no Antigo Egito? Quem as cultivava? 1.c) Qual era a função dos escribas? O sistema de escrita desenvolvido pelos egípcios e as pirâmides são elementos marcantes, os quais vêm à nossa mente quando pensamos no Egito Antigo. Esses temas serão abordados nesta página do capítulo. Os sistemas de escrita do Egito Antigo A escrita e as pirâmides do EgitoA escrita e as pirâmides do Egito 25 • • Hieróglifos egípcios na parede do Templo de Karnak, em Luxor. Paul Vinten/Shutterstock Assim como os mesopotâmicos e os chineses, os egípcios desenvolveram um dos mais antigos sistemas de escrita da História da humanidade. Segundo alguns(algumas) estudiosos(as), a escrita egípcia foi criada na época da união do Alto e do Baixo Egito, com o objetivo de ajudar na administração do império, possibilitando o registro de fatos e a transmissão de comunicados a quem estava em regiões mais distantes. Ao longo do tempo, a escrita egípcia passou por várias mudanças, dando origem a diferentes sistemas. O primeiro sistema de escrita é conhecido como escrita hieroglífica. Essa escrita é encontrada, por exemplo, nas paredes das tumbas dos faraós ou nas paredes dos templos egípcios. Era formada por um conjunto de símbolos – chamados hieróglifos – que representavam palavras. Assim, o desenho de uma coruja, por exemplo, significava a palavra coruja. O número de hieróglifos era grande – cerca de 2 mil –, porém, era difícil utilizá-los para expressar ideias abstratas, como amor, fome, raiva, tristeza etc. Por isso, com o tempo, os hieróglifos passaram a representar o som das palavras. Esses hieróglifos que representam o som são chamados de fonogramas. Para representar o nome do deus Osíris, por exemplo, os egípcios passaram a utilizar dois hieróglifos: o de um trono e o de um olho. Trono, em egípcio antigo, pronunciava-se wos e olho, iri. Lidos em conjunto, formavam o nome Osíris. E, para não deixar dúvidas, depois dos doishieróglifos, os egípcios acrescentavam o desenho de uma bandeira, o que significava que aquela palavra referia-se a um deus. 26 • • Hieróglifos egípcios esculpidos em pedra. Fedor Selivanov/Shutterstock Com o tempo, essa escrita passou por transformações e adaptações, e os egípcios criaram, por volta do século XXVII a.C., a escrita hierática, com traços mais simples. Esse sistema era formado por 24 símbolos, sendo que cada um representava um som. Esse tipo de escrita foi utilizado por mais de 2 mil anos, e a maior parte dos documentos que chegou às sociedades atuais foi redigida nesse sistema. Fragmento de um papiro funerário com texto na escrita hierática. Werner Forman Archive No século VII a.C., os egípcios inventaram um sistema de escrita ainda mais simples, chamado demótico, utilizado até o século IV d.C., aproximadamente. 27 Exemplo de escrita demótica, também denominada escrita do povo. Morphart Creation/Shutterstock As pirâmides do Egito Como citamos no início da página, as pirâmides são um dos principais símbolos da civilização egípcia. Elas foram construídas para serem os túmulos das pessoas que tinham grande prestígio social no Egito Antigo, especialmente os faraós. Vista de parte da Necrópole de Gizé na atualidade, onde estão as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, além da Esfinge e de diversas tumbas. Don Mammoser/Shutterstock Fotografia da Mastaba de Mereruka, em Saqqara, no Egito. Mister_Knight/Shutterstock Entretanto, ao longo do tempo, os egípcios construíram diferentes tipos de túmulo. No Antigo Império, os nobres e, no início, também os faraós, eram enterrados nas mastabas. 28 Esse tipo de túmulo era uma construção que, vista de fora, assemelhava-se a uma casa. No interior da mastaba, eram colocadas uma estátua, considerada a personificação do morto, e oferendas para sua vida após a morte. Visando fortalecer o poder dos faraós, e contando com uma grande quantidade de matéria- prima e mão de obra, Imhotep, vizir (conselheiro) do faraó Djoser, da terceira dinastia, realizou uma mudança radical na arquitetura dessas construções. Imhotep pode ser considerado o primeiro arquiteto de nome conhecido na História, responsável pelo planejamento de pirâmides, como as de Saqqara, que se tornaram símbolo do poder faraônico. O processo de desenvolvimento técnico e arquitetônico chegou ao seu auge com a construção das pirâmides dos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos (formando as pirâmides de Gizé). Por sua imponência, essas construções reforçavam a importância do império egípcio e o desenvolvimento de sua civilização perante a população e os povos vizinhos. Essas construções exemplificam o desenvolvimento arquitetônico, matemático e astronômico dos egípcios. Devemos considerar a organização social e política do Egito, a qual contava com o trabalho de milhares de pessoas. Essa organização permitiu a existência da civilização egípcia na Antiguidade por vários milênios. Fotografia da primeira pirâmide em degraus construída para ser o túmulo do faraó Netjeryhet Djoser Zoser. Punnawit Suwattananun/Shutterstock 29 Vista da cidade do Cairo, capital do Egito, na atualidade, com as pirâmides de Gizé ao fundo. Prin Adulyatham/Shutterstock Leia e analise Questão 01 Em um antigo documento egiṕcio, um pai dá o seguinte conselho ao filho: "Decide-te pela escrita e estarás protegido do trabalho árduo de qualquer tipo; poderás ser um magistrado de elevada reputação. O escriba está livre dos trabalhos manuais [...] é ele quem dá ordens [...]. Não tens na mão a palheta do escriba? É ela que estabelece a diferença entre o que és e o homem que segura o remo." KOSHIBA, Luiz. Histo ́ria: origens, estrutura e processo. Sa ̃o Paulo: Atual, 2000. A partir do texto, comente sobre a importância do domínio da escrita nas sociedades antigas. A religião no Egito Antigo e a crença na vida após aA religião no Egito Antigo e a crença na vida após a mortemorte 30 Ilustração dos principais deuses da mitologia egípcia. GoodStudio/Shutterstock Os egípcios acreditavam na existência de inúmeros deuses; eram, portanto, politeístas. Cada deus podia ser representado de diferentes formas. Tot, deus da escrita e da sabedoria, por exemplo, era retratado com a cabeça do pássaro íbis. Seth, deus da guerra, tinha uma cabeça de falcão. Anúbis, o deus dos mortos, era representado como um chacal. Ilustração do deus Rá. Vladimir Zadvinskii/Shutterstock A principal divindade do panteão egípcio era o deus-Sol, visto como uma poderosa força de vida. Ele era chamado de Rá (ou Amon-Rá) e costumava ser representado de diferentes maneiras: sob a forma de um escaravelho segurando o disco solar, como um carneiro ou como um falcão, tendo um disco solar sobre sua cabeça. Glossário Panteão: conjunto de deuses de um povo. 31 Cada cidade egípcia costumava ter seu próprio deus, e os moradores o veneravam e erguiam templos consagrados a ele. Os templos funcionavam como uma pequena cidade, pois abrigavam muitas pessoas, como artesãos, agricultores, funcionários, além dos próprios sacerdotes. A pessoa mais importante dentro do templo era o sumo sacerdote, representante direto do faraó. A população da cidade podia frequentar os templos, mas havia locais em que as pessoas não podiam entrar, como o cômodo onde estava a estátua do deus local. Havia momentos em que o povo podia ver a estátua do deus da cidade, como nos festivais religiosos, que aconteciam todos os anos e podiam durar até um mês. Nesse período, a estátua era retirada de seu local no templo e colocada em um barco, que seguia em procissão pelo Rio Nilo, como você pode observar na ilustração a seguir. Representação do Festival de Opet, celebração religiosa egípcia. Q-files Encyclopedia A vida após a morte Para os egípcios, a vida não acabava com a morte. Eles acreditavam que existia uma vida no Além, porém, para ter direito a ela, havia algumas condições. Segundo a crença, ao morrer, as pessoas passavam por uma jornada com vários perigos. Após viajar pelo mundo dos mortos, chegava-se ao reino de Duat (Terra dos Deuses). O morto tinha que passar por sete portões, recitando corretamente um feitiço mágico a cada parada. Se bem-sucedido, o morto chegava ao salão de Osíris, o local do julgamento. Se, nesse julgamento, fosse constatado que o morto havia sido uma pessoa justa e praticado boas ações, ele teria direito à imortalidade. 32 Ilustração do julgamento de Osíris, uma das principais passagens do Livro dos Mortos. OlgaChernyak/Shutterstock A Mumificação Para os egípcios, contudo, não bastava que o falecido passasse pelo julgamento de Osíris. Havia ainda a necessidade de se preservar o corpo da pessoa morta, para que sua alma pudesse renascer na eternidade. Por essa razão, os egípcios mumificavam seus mortos. A mumificação era um ritual que, do início até sua conclusão, levava cerca de 70 dias. Era feita pelos sacerdotes, que retiravam os órgãos internos do morto e passavam várias substâncias em seu corpo antes de envolvê-lo em um tecido de linho. Dos órgãos retirados, os egípcios mumificavam também o estômago, o intestino, o fígado e o pulmão, pois acreditavam que seriam necessários na vida pós-morte. Os órgãos ficavam guardados em pequenos vasos, conhecidos como canopos. O infográfico a seguir apresenta as principais etapas do processo de mumificação: O processo de mumificação levava cerca de 70 dias e era feito pelos sacerdotes. Somente as pessoas das classes mais altas eram mumificadas. Indefinida A cerimônia do enterro também era marcada por diversos rituais. Os egípcios acreditavam 33 que, em sua vida após a morte, as pessoas necessitariam dos objetos que utilizavam em vida. Por isso, os mortos eram enterrados com variados objetos do dia a dia, como móveis, joias, vasilhas e até charretes, como a que foi encontrada no túmulo do faraó Tutancâmon. Também houve casos de faraós enterrados com seus criados, pois os egípcios acreditavam queeles precisavam dessas pessoas para servir-lhes em sua vida no Além. Fotografia da tumba de Tutancâmon, uma das poucas encontradas intactas por arqueólogos(as) nas primeiras décadas do século XX. Harry Burton Acesse: tumba de Tutancâmon 34 Réplica da máscara mortuária de Tutancâmon. Carsten Frenzl/Wikimedia Commons Na matéria “Seis fotos incríveis da abertura da tumba de Tutancâmon”, publicada pela revista Galileu, você pode conferir algumas fotografias colorizadas do local que serviu de morada para o corpo do faraó durante milhares de anos. Você também pode conferir informações sobre a descoberta do local e os inúmeros objetos encontrados junto aos restos mortais do faraó. Glossário Colorizar: colorir, com a provável cor real, fotografias ou filmes originalmente capturados em preto e branco. Questão 01 Além de ser fundamental para o desenvolvimento da agricultura egípcia, o Nilo era fonte Pratique: Pratique: o Rio Nilo e a civilização egípciao Rio Nilo e a civilização egípcia 35 https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/06/6-fotos-incriveis-da-abertura-da-tumba-de-tutancamon.html de crenças religiosas para a população que vivia em suas margens. Uma delas relacionava- se às margens direita e esquerda do rio. Qual era essa crença? Questão 02 Por que se pode dizer que a sociedade egípcia era estratificada? Explique e dê exemplos. Questão 03 A escrita foi criada em diferentes lugares do mundo, entre eles, o Egito. Como ocorreu o processo de invenção da escrita egípcia? Escreva, resumidamente, as fases pelas quais ela passou. Questão 04 Cite três características da religião egípcia. Questão 05 Entre as construções mais conhecidas dos antigos egípcios estão as pirâmides. Qual era a finalidade dessas construções? Na introdução deste capítulo, você conheceu o Rio Nilo e a civilização egípcia, que se desenvolveu entorno dele. Agora, você irá conhecer os povos da Núbia e a formação do Reino de Cuxe, também localizados no continente africano, ao sul do território egípcio. Observe a imagem a seguir para realizar a rotina de pensamento. Povos da NúbiaPovos da Núbia 36 Rotina de pensamento ROTINA DE PENSAMENTO Hussain Warraich/Shutterstock 1. Descreva em detalhes o que você vê na imagem. 2. Em que os elementos presentes na imagem fazem você pensar? Por quê? 3. Quais perguntas e curiosidades vêm à sua mente ao observar a paisagem e as construções presentes na imagem? As construções existentes no sítio arqueológico de Meroé, observadas na página anterior, são importantes fontes de estudo para historiadores(as) que buscam compreender o modo de vida e as características dos reinos da Núbia, região localizada ao sul do território originalmente ocupado pelos egípcios, onde atualmente fica o Sudão. Nessa região, desenvolveram-se sociedades que compartilharam algumas características culturais com o Egito Antigo. A imagem a seguir apresenta a localização de duas grandes cidades desenvolvidas pelos núbios: Napata e Meroé. Na imagem também é possível observar a proximidade geográfica entre o Egito e a Núbia, e toda a extensão do Rio Nilo. Reinos da NúbiaReinos da Núbia 37 Ilustração do Egito e dos reinos da Núbia. Universidade Federal Rural de Pernambuco Origens das sociedades núbias As sociedades da Núbia surgiram cerca de 4000 a.C., organizando-se em comunidades seminômades. Além das atividades de coleta e caça, esses povos realizavam a criação de ovelhas, cabras e alguns bovinos, mas ainda não praticavam a agricultura. Estudiosos(as) acreditam que esses grupos teriam se desenvolvido perto da fronteira com o Egito e que são originários de povos do vale central do Nilo. 38 Os povos da Núbia apresentavam a pele bem escura, característica que deu origem à palavra sudão, que, em árabe, significa terra de negros. Assim como a egípcia, a civilização núbia foi uma das mais importantes da Antiguidade. Ilustração de origem egípcia que representa os povos da Núbia. Reprodução Glossário Seminômade: grupo de pessoas que temporariamente se desloca de uma região a outra. Sedentário: grupo de pessoas fixado em determinada região. Durante o processo de formação desses povos, os contatos entre egípcios e núbios foram pacíficos. Por serem povos vizinhos, o comércio era uma prática comum entre eles. As riquezas naturais da Núbia fascinavam os egípcios, principalmente as mercadorias consideradas de luxo na época, como ouro, incenso, marfim, ébano, óleos e pedras semipreciosas. De modo semelhante às sociedades egípcias, os povos da Núbia também se estabeleceram ao longo do curso do Rio Nilo, ocupando as suas margens. Glossário Pacífico: tranquilo, em paz. As sociedades núbias se desenvolveram junto ao crescimento da civilização egípcia. Em 3100 a.C., as riquezas das sociedades núbias atraíram a atenção dos egípcios, que conquistaram essa região e a integraram aos seus domínios. O período de ocupação egípcia, contudo, não impediu que essa civilização se desenvolvesse. Ainda que sob o controle egípcio, os núbios desenvolveram seus próprios modos de organização social e política. Por conta das relações que estabeleceram com os egípcios e da sua integração com diversas 39 civilizações africanas, os núbios expressaram em sua cultura diversas características comuns tanto aos povos do norte do continente quanto aos que viviam ao sul do Deserto do Saara. Durante o período em que os egípcios sofreram a invasão dos hicsos, povos da Ásia, o Reino núbio de Cuxe se destacou pelo desenvolvimento da agricultura e do comércio. Saiba mais: o Nilo O Nilo foi extremamente importante para as sociedades núbias porque, além de oferecer água e solo fértil, devido às inundações anuais, também serviu de via de passagem para diversos produtos, favorecendo o comércio estabelecido com as comunidades do Egito. Os núbios comercializavam produtos como incensos, pelos de animais e até pedras para a construção de templos. Em troca, obtinham produtos como conchas e cobre. O Reino de Cuxe se organizou por volta de 1700 a.C. Nesse período, a invasão dos hicsos ao Egito favoreceu o desenvolvimento da sociedade cuxita, pois ela pôde se estabelecer independentemente do controle político egípcio. Originalmente, o território núbio que deu origem ao Reino de Cuxe tinha a cidade de Kerma como capital. No período em que ocorreu a independência do domínio egípcio, os cuxitas transferiram a capital do reino para Napata. Napata funcionava como um ponto de abastecimento para o comércio local e era muito influenciada culturalmente pelo Egito. A cidade também era um importante centro religioso: a montanha de Jebel Barkal era considerada sagrada tanto para os núbios quanto para os egípcios, que construíram ali um templo em homenagem ao deus Amon. A cidade de Napata, devido à sua relevância comercial, assim como outras regiões do reino cuxita, concentrava muitos egípcios, que influenciavam os hábitos e costumes locais. A escrita dos cuxitas, por exemplo, era a hieroglífica, e seus governantes, tal como os faraós, eram considerados divindades. Assim como a cultura egípcia estava presente entre os povos da Núbia, o Egito também recebia diversas influências da cultura núbia. O Reino de CuxeO Reino de Cuxe 40 No mapa a seguir, é possível observar o território onde se formou o Reino de Cuxe e a localização das cidades de Napata e Méroe. O Reino de Cuxe comercializava com o Egito e as sociedades ao sul de seu território. Mapa das regiões ocupadas por povos da Núbia durante a Antiguidade. Adelson Malaquias/AMA Arte & Designer Por volta de 2000 a.C., os egípcios recuperaram a sua autonomia política, expulsando os hicsos de seu território. Com a restauração do poder dos faraós, o Egito avançou novamente sobre a região da Núbia, conquistando o Reino de Cuxe. Ao ser incorporado ao Império Egípcio, Cuxe tornou-se um vice-reino do Egito. Do domínio egípcio sobre Cuxe ao domínio cuxita sobre o Egito Durante a longa dominação egípcia,houve a construção de templos em toda a Núbia, incluindo os vice-reinos. Ao redor dos templos, novas cidades se desenvolveram, ocorrendo um intenso intercâmbio cultural entre os egípcios e os núbios. Glossário 41 Intercâmbio: troca. Os egípcios montaram um sistema administrativo que necessitava de escribas, sacerdotes, soldados e artesãos para auxiliar em sua manutenção e assegurar a lealdade e o apoio dos líderes nativos. Isso não impediu que os cuxitas desenvolvessem traços culturais independentes dos do Egito. A história de Cuxe não é marcada apenas pelo domínio dos egípcios sobre os povos da Núbia. Por volta do ano 1000 a.C., ocorreu o enfraquecimento da influência egípcia na região e, em 760 a.C., houve um momento de inversão de poder: o Reino de Cuxe dominou o Egito. Atendendo ao chamado de sacerdotes egípcios, o exército núbio avançou sobre o Egito para conter invasões estrangeiras sobre o Império. A partir de então, os cuxitas passaram a governar tanto o Império Egípcio quanto o reino núbio. Os reis núbios governaram o Egito até aproximadamente 650 a.C., quando os assírios promoveram uma grande invasão ao Egito, na qual o exército núbio foi derrotado. Os cuxitas regressaram, então, aos territórios da Núbia, onde seu reino continuou a se desenvolver. Por volta de 590 a.C., a capital foi transferida de Napata para Meroé, uma cidade ao sul de Cuxe, próxima ao Mar Vermelho. Estatuetas que representam os faraós de origem núbia, os quais exerceram poder político no Egito durante a administração cuxita. Reprodução 42 Agora é com você Questão 01 Descreva a influência egípcia sobre Napata citando exemplos de aspectos culturais, religiosos e políticos. Assim como Napata, Meroé era um importante centro comercial e também um dos principais polos de produção de objetos de ferro no continente africano. A sociedade meroíta enriqueceu graças ao comércio e às rotas das caravanas de camelos que atravessavam o continente e passavam pela região. Apesar da mudança do centro político do reino para Meroé, a cidade de Napata continuou como um importante centro econômico e religioso na região. Após o retorno dos cuxitas para a Núbia, os contatos com a civilização egípcia foram reduzidos, ao mesmo tempo que as relações comerciais e culturais com outros povos, como persas, indianos, sírios, gregos e romanos, foram ampliadas. Os cuxitas construíram em Meroé inúmeros templos, palácios e cemitérios públicos. Nessa região, também foram construídas diversas pirâmides, semelhantes às egípcias, mas com características próprias, ligadas às tradições culturais núbias. Na fotografia, pirâmides de Meroé, no Sudão, uma demonstração da influência egípcia na cultura cuxita. hecke61/Shutterstock O Reino Cuxita de MeroéO Reino Cuxita de Meroé 43 Apesar de as pirâmides serem consideradas uma característica marcante da civilização egípcia, a Núbia concentrou a maior quantidade dessas construções. Além das pirâmides, os núbios de Meroé também desenvolveram um sistema próprio de escrita, conhecido como escrita meroíta. Ele era composto de 23 caracteres, e a leitura era feita da esquerda para a direita. Para separar uma palavra da outra, eram utilizados pontos. Até o presente, os(as) estudiosos(as) ainda não identificaram o significado de todos os seus símbolos. A sociedade meroíta Assim como os egípcios, os núbios também acreditavam que os governantes possuíam uma origem divina: o rei, quando não era tido como um deus, era concebido como um representante das divindades na Terra. Os cuxitas acreditavam que a fertilidade do solo, as chuvas e o bem-estar da comunidade dependiam da vontade de seu monarca. Quando ele adoecia, era um desastre para o reino, pois tudo poderia ruir. Ao falecer, o rei era enterrado com uma rica e elaborada cerimônia. Raramente via-se o soberano em público. Geralmente, ele dava audiências posicionado atrás de uma espécie de cortina e comunicava-se essencialmente por meio de porta-vozes. Além disso, não podia ser visto realizando atividades humanas comuns, como comer e beber. 44 Pedestal de arenito representando a rainha Amanitere. Encontrado no sítio arqueológico de Wad Ban Naga, no Sudão. Wikimedia Commons Abaixo do rei, havia uma hierarquia de grandes funcionários (nobres), sacerdotes e militares, que se ocupavam da corte e impunham a ordem e os tributos aos súditos das comunidades camponesas, submetidas ao regime da servidão coletiva. As mulheres tinham grande prestígio na sociedade, e algumas chegaram a ocupar altas posições administrativas e religiosas. As mulheres pertencentes à família real eram chamadas de candaces. Elas exerciam grande influência religiosa e política no reino. Também eram responsáveis pela educação das crianças, além da administração da casa e dos assuntos da família. Algumas candaces chegaram a ocupar a posição de rainhas, como Amanirenas. Sob o seu comando, os cuxitas alcançaram grandes vitórias sobre o exército romano, que empreendeu campanhas com o intuito de dominar os territórios núbios. Em 23 a.C., com um poderoso exército, Amanirenas conseguiu barrar a expansão romana no reino, que se manteve 45 independente até 350 d.C., quando foi dominado pelo Império de Axum. Expressando ideias: as sociedades do Nilo no passado e no presente PRÁTICA ATIVA A matéria "Cheia histórica do rio Nilo ameaça pirâmides no Sudão", publicada pela Revista Superinteressante, informa sobre uma grande enchente do Rio Nilo, ocorrida em 2020, que afetou principalmente os povos do Sudão, onde, durante a Antiguidade, a civilização da Núbia se desenvolveu. Leia a matéria e converse com os(as) colegas sobre os tópicos a seguir. 1. Os principais impactos dessa enchente na atualidade. 2. A importância da preservação dos vestígios arqueológicos mencionados na matéria para as sociedades do presente. 3. A importância do Rio Nilo para as sociedades do passado e do presente. 4. O modo de vida das sociedades que viviam ao redor do Nilo na Antiguidade. Ao final da discussão, elabore um cartaz com as principais características das sociedades núbias e do Reino de Cuxe. Também destaque a importância do Rio Nilo no passado e no presente. Questão 01 Quais eram as principais atividades realizadas nas sociedades núbias por volta do ano 4000 a.C.? Questão 02 A partir da imagem e legenda, responda às questões a seguir. Pratique: Pratique: características sociais e políticas da Núbiacaracterísticas sociais e políticas da Núbia 46 https://super.abril.com.br/sociedade/cheia-historica-do-rio-nilo-ameaca-piramides-no-sudao/ Pirâmides de Méroe, Sudão. zampe238/Shutterstock 2.a) Onde estão localizadas e quais povos da Antiguidade construíram as pirâmides de Méroe? 2.b) É possível dizer que os povos que construíram as pirâmides de Méroe sofreram influências culturais de outros povos? Qual(is)? Questão 03 A partir do que você estudou no capítulo, explique a importância do Rio Nilo para o comércio praticado entre os povos da Núbia e do Egito. Questão 04 O Reino de Cuxe e o Egito tiveram relações comerciais e um intenso intercâmbio cultural por séculos. Cite exemplos de como os egípcios influenciaram os cuxitas. Questão 05 Com base nos assuntos que estudamos neste capítulo, desenvolva um pequeno texto apresentando semelhanças e diferenças entre as civilizações da Núbia e do Egito durante a Antiguidade. A importância do Rio Nilo ResumoResumo 47 • A importância do Rio Nilo Localizado no noroeste do continente africano, o Rio Nilo, o maior em extensão do planeta, ofereceu para as civilizações que se desenvolveram nas suas margens no período da Antiguidade as condições necessárias para a sobrevivência naquela região, como abastecimento de água e acesso ao solo fértil.As duas principais civilizações que se desenvolveram nas margens do Rio Nilo foram a egípcia e a núbia. Fotografia via satélite do Rio Nilo. Emre Akkoyun/Shutterstock A civilização egípcia O ciclo das águas A civilizaçãoegípcia era dependente das áreas férteis às margens do Nilo para o desenvolvimento da agricultura e organizou sua sociedade com base no ciclo das águas. Regime hídrico do rio Nilo Marcos Aurelio Quando o volume do Nilo subia e o rio transbordava, geralmente entre o final do mês de junho até o final de outubro, as águas que avançavam sobre as regiões desérticas eram muito ricas em húmus e fertilizavam as terras próximas às margens de seu curso. 48 • • • • Quando o nível do rio começava a baixar, geralmente no início do mês de novembro, os agricultores iniciavam as atividades de plantação nas terras que haviam sido alagadas e estavam em ótimas condições para o cultivo. Características políticas e sociais do Egito Parte frontal da Paleta de Narmer, placa esculpida com a representação de Narmer, considerado o primeiro faraó por unificar o Baixo e o Alto Egito em um único império. Shutterstock Com a unificação dos nomos (pequenas parcelas do território), ocorreu a formação de dois reinos: o Baixo Egito e o Alto Egito. O crescimento da civilização egípcia resultou na unificação do Baixo e do Alto Egito pelo rei Narmer, considerado o primeiro faraó, formando o Império Egípcio. Além de exercer a liderança política, o faraó era visto pelos egípcios como um deus. Por essa razão, no Antigo Egito, não havia separação entre o poder político e o 49 poder religioso, o que o caracterizava como um governo teocrático. Após se tornar um império, o Egito passou por momentos de estabilidade e instabilidade política, que marcaram o longo período de existência dessa civilização. Nesse intervalo, os egípcios ampliaram seu território, promoveram guerras, sofreram invasões e até o domínio de outros povos, como os núbios, que governaram o Império Egípcio por mais de um século. Pirâmide social egípcia A sociedade egípcia era estratificada, com grande desigualdade entre as funções e os direitos e deveres de cada classe social. Macrovector/Shutterstock Religião e escrita no Egito Antigo Os egípcios cultuavam vários deuses. Além disso, acreditavam na vida após a morte. Por essa razão, desenvolveram diversos rituais que previam a preparação do morto para a vida no Além, como a mumificação e a construção de monumentos funerários, como as 50 pirâmides. Pintura do Egito Antigo que retrata o processo de mumificação. matrioshka/Shutterstock Os egípcios desenvolveram um sistema de escrita que passou por diversas mudanças. O primeiro se baseou em hieróglifos, o segundo deu origem à escrita hierática e, por fim, foi desenvolvido o sistema demótico. Parede com hieróglifos egípcios. Fedor Selivanov/Shutterstock Os núbios Os povos da Núbia e a importância do Rio Nilo 51 Ruínas de um templo em Meroé, atual Sudão. evenfh/Shutterstock Ao sul do território egípcio, na região da Núbia, desenvolveu-se uma civilização com grande proximidade cultural ao Egito Antigo, a qual deu origem a um grande reino conhecido como Cuxe. Terceira catarata do Rio Nilo, Sudão. Homo Cosmicos/Shutterstock Inicialmente, os povos da Núbia se fixaram na costa do Rio Nilo, organizando-se em comunidades seminômades. Realizavam atividades de coleta, caça, criação de ovelhas, cabras e de alguns bovinos. O Egito e os reinos da Núbia 52 Esfinge de Ramsés ll. Templo Speos, Núbia. dcaillat/Shutterstock Houve intensa atividade comercial entre povos da Núbia e do Egito. Os povos da Núbia receberam diversas influências culturais, religiosas e políticas dos egípcios. Da mesma forma, o Egito também foi influenciado pela cultura núbia. 53 Localização do Antigo Egito e reinos da Núbia. Illustrator76/Shutterstock A importância dos núbios se deve, entre outros fatores, à grande circulação de pessoas e embarcações, vindas de diversas regiões do continente africano em seu território. Isso permitiu que a civilização núbia integrasse elementos de diversos povos africanos, além de cumprir a função de mediadora cultural entre diferentes civilizações. 54 HISTÓRIA VER CAPÍTULO SLIDES DO CAPÍTULO Para começar e refletir A importância do Rio Nilo O Rio Nilo e a civilização egípcia A formação política e os períodos históricos do Antigo Egito A estratificada sociedade do Egito Antigo: faraó, vizir e sacerdotes, soldados e escribas A estratificada sociedade do Egito Antigo: comerciantes, artesãos, camponeses e escravizados A escrita e as pirâmides do Egito A religião no Egito Antigo e a crença na vida após a morte Pratique: o Rio Nilo e a civilização egípcia Povos da Núbia Reinos da Núbia O Reino de Cuxe O Reino Cuxita de Meroé Pratique: características sociais e políticas da Núbia Resumo