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LEI MARIA DA PENHA LEI 11340/2006 Lei Maria da Penha- Lei 11340/2006 Caso concreto: Maria da Penha Maia Fernandes, farmacêutica, era casada com um professor universitário e economista. Por duas vezes, seu marido tentou matá-la. Na primeira vezes, em 29 de maio de 1983, simulou um assalto fazendo uso de uma espingarda. Como resultado ela ficou paraplégica. Após alguns dias, eletrocutou-a por meio de uma descarga elétrica enquanto tomava banho. 1983- início das investigações 1984-oferecimento da denúncia 1991- condenação pelo Tribunal do júri a oito anos de prisão 1996- novo julgamento cuja a pena imposta foi de dez anos e seis meses de prisão 2002- liberado após cumprir apenas dois anos de prisão. Aspectos Gerais Da Lei Maria da Penha 1994- Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Violência Doméstica contra a Mulher- “ Convenção de Belém do Pará” 2001- Julgamento do caso Maria da Penha pela OEA, primeira condenação do Brasil por violação dos direitos humanos 2004- Decreto 5030 institui o grupo de trabalho da Secretaria Especial de Políticas para mulheres para discutir o tema e elaborar o projeto de lei 2004- Encaminhamento projeto de Lei 4559 à Câmara pela Secretaria Especial de Política para as mulheres 2006- Projeto substitutivo após emendas para sanção presidencial em 19/07/2006 2006- Sancionada a Lei 11340 em 07 de agosto de 2006. Tratados Internacionais I Conferência Mundial sobre a Mulher (1975); dessa Conferência resultou a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher. Esse documento foi adotado pela Assembleia Geral da ONU (1979). A Convenção prevê a possibilidade de ações afirmativas abarcando áreas como o trabalho, saúde, educação, direitos civis e políticos, estereótipos sexuais, prostituição e família. Esse foi o primeiro instrumento internacional que dispõe amplamente sobre os direitos humanos da mulher. Tem dois propósitos: promover os direitos da mulher na busca da igualdade de gênero e reprimir quaisquer discriminações contra a mulher. II Conferência Mundial sobre a Mulher (1980): avaliou o Plano elaborado pela primeira conferência e incorporou outras preocupações, como a questão do emprego, saúde e educação das mulheres. III Conferência Mundial sobre a Mulher (1985): teve como objetivo avaliar os resultados da Década das Nações Unidas para a Mulher. Tratados Internacionais Conferência de Direitos Humanos das Nações Unidas (1993): definiu formalmente a violência contra a mulher como violação aos direitos humanos. Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Doméstica- Convenção de Belém do Pará (1994): define a violência contra a mulher como (art. 1º ) – qualquer ação ou conduta baseada, no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como no privado. A convenção foi ratificada pelo Brasil em 1995, sendo aprovada pelo Congresso Nacional e promulgada pelo Presidente da República em 1996. IV Conferência Mundial sobre a Mulher (1995): resultou a Plataforma de Ações que afirma a necessidade de se adotar um modelo de desenvolvimento centrado nas pessoas e não nos bens. 5 Os direitos enunciados em tratados e convenções internacionais têm aplicabilidade imediata e natureza constitucional (art. 5º , parágrafos 1º e 2º da Constituição Federal). Os atos, tratados, convenções ou pactos internacionais devidamente aprovados pelo Legislativo e promulgados pelo Presidente da República ingressam no ordenamento jurídico como leis ordinárias, incorporando-se ao sistema jurídico infraconstitucional (art. 49, I e 84, VIII da CF). Entretanto, o art. 5º , parágrafo 3º da CF ensejou a constitucionalização dos tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos, para que essas normas se transformem em emenda constitucional precisa respeitar o quorum de aprovação das emendas. Os tratados anteriores a EC 45/04 concluídos mediante processo simples foram elevados pelo Congresso Constituinte à categoria dos tratados de nível constitucional. Entretanto, a Lei Maria da Penha, que veio regulamentar direitos assegurados a nível internacional, ratificados pelo Brasil por meio de tratados sobre direitos humanos tem natureza supralegal. Art. 6º da Lei declara que a violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das formas de violação dos direitos humanos. Finalidades da Lei Maria da Penha Art. 1º Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. Resumindo o art. 1º: 1ª Finalidade: Prevenir/coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. 2ª Finalidade: Assistir a mulher vítima de violência doméstica e familiar. 3ª Finalidade: Proteger a mulher vítima de violência doméstica e familiar. 4ª Finalidade: Criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a mulher. Natureza Jurídica da Lei A Lei Maria da Penha é multidisciplinar, está relacionada ao direito penal, processual penal, ao direito civil, processual civil, trabalhista, previdenciário. E os dispositivos penais e processuais penais são minoria. Sujeitos da Lei Sujeito ativo: o agressor pode ser um homem como outra mulher. Verifica-se na união heterossexual como na homossexual. Basta estar o vínculo caracterizado como relação doméstica, de relação familiar ou de afetividade, o legislador priorizou à criação de mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica contra a mulher, sem importar o gênero do agressor. Sujeito passivo: a vítima da violência é necessariamente MULHER. Art. 2º . Toda MULHER, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social. Assim, lésbicas, transexuais, travestis e transgêneros, que tenham identidade social com o sexo feminino estão abrangidas pela Lei Maria da Penha. Não só esposas, companheiras ou amantes estão no âmbito de abrangência do delito de violência doméstica. Filhas e netas do agressor, sua mãe, sogra, avó ou qualquer outra parente do sexo feminino com que o agressor tenha um vínculo de natureza familiar. O STJ reconheceu como doméstica a violência contra a cunhada (STJ, HC 172634 DF2010/0087535-0, 5ª T., j. 06/03/2012, rel. Mina. Laurita Vaz). O transexual definitivamente operado, que alterou o registro, inclusive com mudança do nome, é protegido pela Lei (posição do STJ). E quando as vítimas são de sexos diferentes? Se a vítima for mulher, aplica-se o Código Penal (para punir) + Lei Maria da Penha (para assistência e proteção). Já foi reconhecido que na união homoafetiva é possível a concessão de medida protetiva, quando um dos parceiros é vítima de violência (Rio de Grande do Sul- 23/02/2011- www.direitohomoafetivo.com.br). Se a vítima for homem, aplica-se somente o Código Penal (para punir). Atenção: art. 129, parágrafo 11 do CP prevê a majorante ao crime cometido contra pessoa portadora de deficiência. Seja de que sexo for o deficiente físico. A Constitucionalidade da proteção à mulher Corrente da INCONSTITUCIONALIDADE: ofende o art. 226, da CF, mais precisamente, seus parágrafos 5º e 8º. § 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher. Lei Maria da Penha ofende a isonomia familiar. Ela dámais direitos para a mulher do que para o homem. Essa corrente entende que a Lei Maria da Penha ofende o art. 226, § 5º, eis que direitos entre homem e mulher tem que ser exercidos igualmente. § 8º - O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações. O § 8º quer uma proteção para todos os membros da família. Não só para a mulher. Isso significa que a Lei Maria da Penha ficou aquém do mandamento constitucional. O que a Constituição quer é assegurar a proteção à família na pessoa de cada um dos que a integram, homem ou mulher. E por que a Lei Maria da Penha só assegura essa assistência à mulher? Essa corrente diz que a Lei Maria da Penha é um retrocesso!! Os adeptos dessa corrente dizem que o homem sempre foi discriminado pela legislação. E dá exemplos de artigos que discriminaram o homem: eram o antigo delito chamado “atentado ao pudor mediante fraude” e “tráfico de mulheres”. Corrente da CONSTITUCIONALIDADE: temos dois Sistemas de Proteção: Sistema de Proteção Geral – Não tem destinatário certo. Sistema de Proteção Especial – Tem destinatário certo. A Lei Maria da Penha está no sistema de proteção especial, tem destinatário certo. Considera uma desigualdade de fato e não uma igualdade formal prevista na Constituição (art. 5º , I da CF). É uma ação afirmativa. Ação Declaratória de Constitucionalidade 19-DF, (j. 09/02/2012, rel. Min. Marco Aurélio): a Corte reconheceu a existência de relevante controvérsia jurisprudencial sobre a constitucionalidade. Quanto ao mérito, reiterou que a Lei dá efetividade ao art. 226, parágrafo 8º da CF: o Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações. Com este fundamento proclamou a constitucionalidade do art. 1º da Lei ao criar mecanismos específicos para coibir e prevenir a violência contra a mulher estabelece medidas especiais de proteção, assistência e punição, tomando por base o gênero da vítima, utilizou o meio adequado e necessário para formatar o preceito constitucional. Da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no GÊNERO que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial. Violência de gênero é o conceito mais amplo, abrangendo vítimas como mulheres, crianças e adolescentes de ambos os sexos. No exercício da função patriarcal, os homens detêm o poder de determinar a conduta das categorias sociais nomeadas, recebendo autorização ou, pelo menos, tolerância da sociedade para punir o que se lhes apresenta como desvio. Usa-se o conceito de dominação-exploração ou exploração-dominação, porque se concebe o processo de sujeição de uma categoria social com duas dimensões: a da dominação e a da exploração (Saffioti, p. 117). Os homens estão, permanentemente, autorizados a realizar seu projeto de dominação-exploração das mulheres, mesmo que, para isto, precisem utilizar-se de sua força física. Pode-se considerar este fato como uma contradição entre a permissão para a prática privada da justiça e a consideração de qualquer tipo de violência como crime. Tome-se o exemplo da lesão corporal dolosa (LCD). Seu autor está sujeito a punição desde que a violência perpetrada deixe marcas no corpo da vítima. Quando isto não ocorre, há necessidade de prova testemunhal. Mulheres e homens podem aprender a conviver mantendo relações sociais compatíveis com a dignidade humana, respeitando suas diferenças desde que as estruturas da sociedade acolham e promovam toda pessoa humana, independentemente de sexo, raça/etnia e outras diversidades. As relações sociais são construídas e não dadas pela natureza. As diferenças biológicas não podem ser usadas como justificativa para manter a opressão e, por conseguinte, a desigualdade. As feministas trouxeram novas premissas com a utilização de gênero: "igualdade na diferença'. Ou seja, queremos igualdade de direitos, de condições e de oportunidades. Mas queremos manter nossas diferenças (Teles, p. 54) O art. 5º quer dizer que só é abrangida pela Lei Maria da Penha a violência preconceito. O juiz só pode aplicar a Lei Maria da Penha se estiver diante de uma violência preconceito, se estiver diante de uma violência discriminação. O juiz só pode aplicar a Lei Maria da Penha se a mulher estiver em situação de hipossuficiência. Do contrário, não aplica a Lei Maria da Penha. Ao repudiar a tolerância estatal e o tratamento discriminatório concernente à violência contra a mulher, a Lei Maria da Penha constitui conquista histórica na afirmação dos direitos humanos das mulheres. Sua plena implementação surge como imperativo de justiça e respeito aos direitos das vítimas desta grave violação dos direitos das mulheres brasileiras. Definição dos espaços onde o agir configura violência doméstica Art. 5º , I -- no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas; O inciso I exige que a agressão ocorra no ambiente caseiro, dispensando vínculo familiar. Isso significa que está abrangida a empregada doméstica. Ela está abrangida pela Lei Maria da Penha. Como alerta Guilherme Nucci, a mulher agredida no âmbito da unidade doméstica dever fazer parte da relação familiar. Não seria lógico que qualquer mulher bastando esta na casa de alguém, onde há relação doméstica entre terceiros, se agredida, gerasse a aplicação da agravante trazida pela Lei Maria da Penha. Art. 5º , II - - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa; A lei inovou ao trazer, para o âmbito infraconstitucional, a ideia de que a família não é constituída por imposição da lei, mas sim, por vontade dos seus próprios membros. Pela primeira vez uma lei define o que é família, iniciativa que não teve o Código Civil. O conceito corresponde ao formato atual dos vínculos familiares que têm por elemento identificador o elemento afetivo de sua origem. Inclui a família constituída pelo casamento, pela união estável, a família monoparental, as anaparentais (formadas entre irmão), as homoafetivas (constituídas por pessoas do mesmo sexo) e as famílias paralelas (quando o homem mantém duas famílias). Vínculos de parentesco (arts. 1591, 1592 e 1593 do CC). Essa expressão legal alcança igualmente a filiação socioafetiva. Art. 5º , III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação. O inciso III admite a Lei Maria da Penha em qualquer relação íntima de afeto. Aqui não se refere a unidade doméstica ou âmbito familiar. É qualquer outra relação íntima de afeto. O inciso III foi além do espírito das convenções e da própria lei que quer proteger a mulher no ambiente doméstico (inciso I) e familiar (inciso II). Extrapolou até as convenções. Esse inciso permite-se abranger namorados e ex-namorados, desde que a agressão tenha ocorrido em razão daquela convivência comum. Ex-marido e ex-mulher, amantes. Essa é a posição do STJ e tem enunciado nesse sentido no TJ/SP. O STJ já decidiu que a Lei Maria da Penha se aplica para ex-namorados (CC 103813 de 03/08/09) ( HC 92875-RS (2007/0247593-0). Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual. Maria Berenice Dias defende: “ainda que a Lei tenha por finalidade proteger a mulher, acabou por cunhar um novo conceito de família, independentemente do sexo dos parceiros. Invocando o princípio da igualdade e a proibição da discriminação, constitucionalmente consagrados, juiz gaúcho reconheceu que a união entre dois homens se encontra ao abrigoda Lei Maria da Penha aplicando medidas protetivas”. Preferível uma interpretação condizente com “nomen juris” da Lei, restringindo-se a tutela somente as relações homoafetivas femininas. Formas de violência Doméstica e Familiar conta a Mulher O art. 7º traz cinco formas de violência e ainda diz “dentre outras”: Inciso I – Violência física Inciso II – Violência psicológica Inciso III – Violência sexual Inciso IV – Violência patrimonial Inciso V – Violência moral I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal; Esse inciso I, quando fala em violência física, vai desde uma vias de fato até um homicídio. Por violência física entendemos desde a forma mais insignificante de violar a saúde de alguém até a forma mais drástica, que é ceifar a vida. Não só a integridade física, mas também a saúde corporal são protegidas juridicamente pela lei penal (art. 129 do CP). A violência doméstica já configura forma qualificada de lesão corporal (art. 129, parágrafo 9º do CP). A Lei Maria da Penha limitou-se a alterar a pena desse delito, diminuiu a pena mínima e aumento a pena máxima: de seis meses a um ano, a pena passou para de três meses a três anos. II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação; A proteção é da autoestima e da saúde psicológica. Tal previsão não existia na legislação pátria, sendo a violência psicológica incorporada. III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos; A Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Doméstica também reconheceu a violência sexual como violência contra a mulher. A tendência sempre foi identificar o exercício da sexualidade como um dos deveres do casamento (era um débito conjugal). O Código Penal é mais severo com relação ao crimes perpetrados com o abuso da autoridade decorrente de relações domésticas (art. 61, II, e, f). Além dos crimes contra a dignidade sexual (estupro, violação sexual mediante fraude, assédio sexual, estupro de vulnerável). Todos esses delitos, se cometidos contra pessoas de identidade feminina, no âmbito das relações domésticas, familiares ou de afeto constituem violência doméstica, e o agente submete-se à Lei Maria da Penha. Aplica-se também o art. 226, II do CP que prevê aumento de pena. IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades; A violência patrimonial encontra definição no Código Penal entre os delitos contra o patrimônio como furto, dano, apropriação indébita. Não se aplicam as imunidades absolutas ou relativas dos arts. 181 e 182 do CP quando a vítima é mulher e mantém com o autor da infração vínculo de natureza familiar (Maria Berenice Dias). O fato de haver violência patrimonial como espécie de violência doméstica, não impede a imunidade do art. 181, do CP. O legislador, se quisesse impedir a imunidade, o teria feito expressamente, como o fez no estatuto do idoso, que também trabalha com violência de gênero. Então, cuidado com isso. Se a Lei Maria da Penha quisesse impedir essa imunidade, ela teria incluído o inciso IV ao art. 183. Se ela assim não fez, não podemos interpretar em sentido contrário. Vejam que na violência de gênero do idoso, constou. Na violência de gênero da mulher, não constou (Rogerio Sanches). V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. A violência moral encontra proteção penal nos delitos contra a honra (arts. 138, 139 e 140). A violência moral é sempre um afronta a autoestima e ao reconhecimento social, apresentando-se na forma de desqualificação, inferiorização ou ridicularização. De modo geral, violência psicológica e violência moral são concomitantes e dão ensejo, na seara cível, a ação indenizatória por dano material e moral. Das Medidas Integradas de Prevenção Art. 8º A política pública que visa coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher far-se-á por meio de um conjunto articulado de ações da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e de ações não-governamentais, tendo por diretrizes: III - o respeito, nos meios de comunicação social, dos valores éticos e sociais da pessoa e da família, de forma a coibir os papéis estereotipados que legitimem ou exacerbem a violência doméstica e familiar, de acordo com o estabelecido no inciso III do art. 1º, no inciso IV do art. 3º e no inciso IV do art. 221 da Constituição Federal; IV - a implementação de atendimento policial especializado para as mulheres, em particular nas Delegacias de Atendimento à Mulher; IX - o destaque, nos currículos escolares de todos os níveis de ensino, para os conteúdos relativos aos direitos humanos, à eqüidade de gênero e de raça ou etnia e ao problema da violência doméstica e familiar contra a mulher. Da Assistência à Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar Art. 9º A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar será prestada de forma articulada e conforme os princípios e as diretrizes previstos na Lei Orgânica da Assistência Social, no Sistema Único de Saúde, no Sistema Único de Segurança Pública, entre outras normas e políticas públicas de proteção, e emergencialmente quando for o caso. A mulher vítima tem tríplice assistência: Assistência social Assistência à saúde (SUS) Assistência à segurança (arts. 11 e 12 da Lei) § 2º O juiz assegurará à mulher em situação de violência doméstica e familiar, para preservar sua integridade física e psicológica: I - acesso prioritário à remoção quando servidora pública, integrante da administração direta ou indireta; II - manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o afastamento do local de trabalho, por até seis meses. Medidas Protetivas de Urgência- Natureza jurídica O fim das medias protetivas é proteger direitos fundamentais, evitando a continuidade da violência e das situações que a favorecem. Não são preparatórias de qualquer ação judicial. Logo, as medidas protetivas não são acessórias de processos principais e nem a eles se vinculam. Assemelham-se aos Writs constitucionais que protegem os direitos fundamentais do indivíduo. São medidas cautelares inominadas que visam garantir direitos fundamentais e coibir a violência no âmbito das relações familiares, conforme preconiza a Constituição Federal (art. 226, parágrafo 8º da CF). Perduram enquanto houver necessidade. Possuem como pressupostos: fumus boni juris e periculum in mora. No art. 24, IV da Lei quando o juiz determinar ao agressor a prestação de caução, pode estabelecer prazo para a vítima intentar a ação de indenização, sob pena de perda de eficácia da medida. Medidas Protetivas de Urgência Art. 18. Recebido o expediente com o pedido da ofendida, caberá ao juiz, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas: I - conhecer do expediente e do pedido e decidirsobre as medidas protetivas de urgência; II - determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência judiciária, quando for o caso; III - comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis. O Ministério Público deve requerer a aplicação de medidas protetivas ou a revisão das que já foram concedidas, de modo a assegurar proteção à vítima (art. 18, III, art. 19, paráfrafo 3º ). Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida. O juiz pode concedê-las, após o requerimento das medidas protetivas pela vítima. O juiz adotará as medidas que entender necessárias, para tornar efetiva a proteção. A lei processual civil admite a imposição de multa diária, independentemente de pedido do autor, bem como a determinação de busca e apreensão, remoção de pessoas e coisas, desfazimento de obras, requisição de força policial . Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida. § 4º As medidas protetivas de urgência serão concedidas em juízo de cognição sumária a partir do depoimento da ofendida perante a autoridade policial ou da apresentação de suas alegações escritas e poderão ser indeferidas no caso de avaliação pela autoridade de inexistência de risco à integridade física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral da ofendida ou de seus dependentes. (Incluído pela Lei nº 14.550, de 2023) § 5º As medidas protetivas de urgência serão concedidas independentemente da tipificação penal da violência, do ajuizamento de ação penal ou cível, da existência de inquérito policial ou do registro de boletim de ocorrência. (Incluído pela Lei nº 14.550, de 2023) § 6º As medidas protetivas de urgência vigorarão enquanto persistir risco à integridade física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral da ofendida ou de seus dependentes. (Incluído pela Lei nº 14.550, de 2023) A alteração legislativa mostra-se harmônica com o entendimento de que as medidas protetivas de urgência possuem a natureza jurídica de tutela inibitória, porquanto satisfativas e autônomas, visando proteger a mulher em situação de risco de violência doméstica, sem qualquer instrumentalidade a um processo principal e sem que estejam atreladas a um tipo penal. Nas palavras de Berenice Dias, "o fim das medidas protetivas é proteger direitos fundamentais, evitando a continuidade da violência e situações que a favorecem. Não são, necessariamente, preparatórias de qualquer ação judicial. Não visam processos, mas pessoas" O juízo de cognição sumária, inerente às tutelas de urgência (artigo 300 do CPC), devem estar presentes o fumus boni iuris e o periculum in mora. O fumus boni iuris diz respeito ao standard probatório para a concessão das medidas protetivas de urgência, que, por um juízo de ponderação de interesses efetuado pelo legislador, corresponde à palavra da ofendida. Com isso, eventual indeferimento de medida protetiva sob a alegação de que o requerimento está baseado apenas na palavra da vítima constituirá fundamentação inidônea. Trata-se de importante alteração legislativa, que, na esteira do protocolo de julgamento com perspectiva de gênero adotado pela Resolução CNJ nº 492/2023, visa evitar a reprodução de estereótipos de desqualificação da palavra da mulher, próprios de uma sociedade estruturalmente machista. No que concerne ao periculum libertatis, o legislador condicionou o indeferimento das medidas protetivas à avaliação de inexistência de risco à integridade física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral da ofendida ou de seus dependentes. Ou seja, não é ônus da ofendida a demonstração da probabilidade de dano, mas sim do julgador a demonstração da inexistência de situação de risco. Em caso de dúvida, portanto, ela deverá ser revertida em prol da proteção da mulher para fins de rompimento do ciclo de violência. A decisão de revogação exige a prévia oitiva da vítima para avaliação quanto à cessação efetiva da situação de risco, inclusive nas hipóteses de extinção de punibilidade, arquivamento de inquérito policial ou mesmo prolação de sentença absolutória. Tal entendimento foi recentemente acolhido pela 3ª Seção do STJ, no REsp 1.775.341-SP, em decisão publicada no Informativo de Jurisprudência nº 770/2023, em caso paradigmático de atuação da Defensoria Pública de São Paulo. Conforme assentado, antes do encerramento da cautelar protetiva, a defesa deve ser ouvida, notadamente para que a situação fática seja devidamente apresentada ao juízo competente, que, diante da relevância da palavra da vítima, verificará a necessidade de prorrogação/concessão das medidas, independentemente da extinção de punibilidade do autor. Das Medidas Protetivas de Urgência que obrigam o Agressor Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras: I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003; II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; III - proibição de determinadas condutas, entre as quais: a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor; b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; c) frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida; IV - restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar; V - prestação de alimentos provisionais ou provisórios. A conduta de descumprir medida protetiva de urgência prevista na Lei Maria da Penha configura crime? Antes da Lei nº 13.641/2018: NÃO Depois da Lei nº 13.641/2018 (atualmente): SIM Antes da alteração, o STJ entendia que o descumprimento de medida protetiva de urgência prevista na Lei Maria da Penha (art. 22 da Lei 11.340/2006) não configurava infração penal. O agente não respondia nem mesmo por crime de desobediência (art. 330 do CP). Foi inserido novo tipo penal na Lei Maria da Penha prevendo como crime essa conduta: Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência previstas nesta Lei: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos. Lei 14.994/24 Na Lei Maria da Penha, a pena para o crime de descumprimento de medida protetiva passa a ser de 2 a 5 anos de reclusão e multa. Das Medidas Protetivas de Urgência à Ofendida Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras medidas: I - encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento; II - determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio, após afastamento do agressor; III - determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos; IV - determinar a separação de corpos. O encaminhamento da vítima e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento pode ser determinado pelo juiz (art. 23,I) ou pela autoridade policial (art. 11, III). Como o Ministério Público tem direito de requisitar serviços públicos de segurança (art. 26, II), pode determinar o recolhimento da ofendida. Tanto o afastamento do local de trabalho como a garantia de remoção e a manutenção do vínculo empregatício também são medidas que visam preservar a integridade física e psicológica da vítima (art. 9º , parágrafo 2º I e II). Pode, ainda, incluir os serviços de contracepção de emergência, a profilaxia das doenças sexualmente transmissíveis e da AIDS e outros procedimentos médicos necessários e cabíveis nos casos deviolência sexual (art. 9º , parágrafo 3º Lei 11340/06). Art. 20. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal, caberá a prisão preventiva do agressor, decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial. O art. 20, para ser aplicável, o legislador precisou mudar o art. 313, IV, do CPP: Art. 313 - Em qualquer das circunstâncias, previstas no artigo anterior, será admitida a decretação da prisão preventiva nos crimes dolosos: IV - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos da lei específica, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência. (Acrescentado pela L-011.340-2006) Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras medidas: VI – conceder à ofendida auxílio-aluguel, com valor fixado em função de sua situação de vulnerabilidade social e econômica, por período não superior a 6 (seis) meses. (Incluído pela Lei nº 14.674, de 2023) Competência do Júri Os crimes dolosos contra a vida são julgados pelo Tribunal do Júri. Porém sendo a vítima mulher e tendo o fato acontecido em decorrência de vínculo doméstico, a instrução do processo deve ocorre nas varas especializadas de combate à violência doméstica, contudo a sentença de pronúncia cabe ao presidente do Tribunal do Júri (art. 407, CPP). O deslocamento da ação ocorrerá após a inquirição das testemunhas e do oferecimento das alegações finais. Decisão proferida pelo STJ foi confirmada pelo STF (STJ, HC 73161/SC. 5ª T. ,j. 29/08/2007, rel. Min. Jane Silva) (HC 92538MC/SC) Procedimento Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995. Todo e qualquer crime cometidos com violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da pena prevista não serão submetidos a Lei dos Juizados Especiais. Sumula 536 do STJ. Resta proibida a aplicação das medidas despenalizadoras, como: Composição civil dos danos; Transação penal Suspensão condicional do processo Lesão Corporal Leve Qual é ação penal cabível? A natureza jurídica da ação penal relativa ao crime de lesão corporal leve resultante de violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada (STF, ADI 4424, j. 09/02/2012, Min. Marco Aurélio). Súmula 542 do STJ. Art. 17. É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa. Incabível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos como a prestação pecuniária (art. 43, I do CP) e muito menos em prestação de outra natureza (cesta básica), mesmo contando com a concordância da vítima (art. 45, parágrafo 2º do CP). Art. 35. A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios poderão criar e promover, no limite das respectivas competências: (Vide Lei nº 14.316, de 2022) I - centros de atendimento integral e multidisciplinar para mulheres e respectivos dependentes em situação de violência doméstica e familiar; II - casas-abrigos para mulheres e respectivos dependentes menores em situação de violência doméstica e familiar; III - delegacias, núcleos de defensoria pública, serviços de saúde e centros de perícia médico-legal especializados no atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar; IV - programas e campanhas de enfrentamento da violência doméstica e familiar; V - centros de educação e de reabilitação para os agressores. Art. 38-A. O juiz competente providenciará o registro da medida protetiva de urgência. (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) Parágrafo único. As medidas protetivas de urgência serão, após sua concessão, imediatamente registradas em banco de dados mantido e regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça, garantido o acesso instantâneo do Ministério Público, da Defensoria Pública e dos órgãos de segurança pública e de assistência social, com vistas à fiscalização e à efetividade das medidas protetivas. (Redação dada Lei nº 14.310, de 2022) Art. 40-A. Esta Lei será aplicada a todas as situações previstas no seu art. 5º, independentemente da causa ou da motivação dos atos de violência e da condição do ofensor ou da ofendida. (Incluído pela Lei nº 14.550, de 2023) A nova Lei 14.994/24 trouxe mudanças significativas nos efeitos extrapenais da condenação, especialmente em relação ao exercício de função pública e ao poder familiar. Confira as principais alterações: 1 – O feminicídio passa a ser crime autônomo. A pena de reclusão aumenta e passa a ser de 20 a 40 anos. Acaba com a convivência da figura privilegiada do homicídio e com a incidência da qualificadora do motivo fútil ou torpe. 2 – O crime de ameaça terá a pena aplicada em dobro se cometido contra a mulher por razões da condição do sexo feminino e a ação penal NÃO dependerá de representação da ofendida. 3 - Crimes de injúria, calúnia e difamação praticados por razões da condição do sexo feminino terão a pena aplicada em dobro. 4 – Os crimes de lesão corporal praticados contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou contra pessoa com quem o réu tenha convivido, a pena passa a ser de reclusão de 2 a 5 anos. 5 - Na contravenção penal de vias de fato, quando praticada contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, a pena será aumentada do triplo. 6 - Altera-se apenas formalmente a Lei dos Crimes Hediondos, para indicar o novo artigo da lei da figura autônoma de feminicídio. O feminicídio já era e segue sendo hediondo . 7 – Na Lei Maria da Penha, a pena para o crime de descumprimento de medida protetiva passa a ser de 2 a 5 anos de reclusão e multa. 8 - O feminicida terá de cumprir 55% da pena para usufruir da progressão de regime, ou seja, no mínimo 11 anos. Antes era 50% de 12 anos no mínimo, ou seja, 6 anos. Vale também para o réu primário. Fica vedada a liberdade condicional. 9 – Torna-se o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica em caso de saída temporária. 10 - O condenado não poderá contar com visita íntima ou conjugal. 11 – Caso um presidiário ou preso provisório por crime de violência doméstica ou familiar ameaçar ou praticar novas violências contra a vítima ou seus familiares durante o cumprimento da pena, ele será transferido para presídio distante do local de residência da vítima. ANDRADE, Isabela Piacentini. A execução das sentenças da Corte Interamericana. Revista Brasileira de Direito Internacional, Curitiba, v.3, n.3, jan./jun. 2006. 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