Prévia do material em texto
8. Balística Forense
8. Balística Forense 1/47
Prof. Alexandre Herculano
8 Balística Forense
Curso Interativo de Criminalística para
Carreiras Jurídicas
Documento última vez atualizado em 01/06/2024 às 16:13.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 2/47
3
5
47
Índice
8.1) Balística Forense
8.2) Armas de Fogo
8.3) Incapacitação
8. Balística Forense
8. Balística Forense 3/47
Balística Forense
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
A Balística Forense é uma parte da Física/Química aplicada à Criminalística que estuda as
armas de fogo, sua munição e os efeitos dos disparos (trajetória, os meios que atravessam) por
elas produzidos, sempre que tiverem uma relação direta ou indireta com infrações penais,
visando esclarecer e provar sua ocorrência. Pode ser dividida em balística interna, externa e de
ferimentos, onde cada uma possui seu referencial de estudo.
A Balística Forense é uma disciplina, integrante da criminalística, que estuda as armas de fogo,
sua munição e os efeitos dos tiros por elas produzidos, sempre que tiverem uma relação direta
ou indireta com infrações penais, visando esclarecer e provar sua ocorrência.
Segundo os estudos que são submetidos à Balística Forense, esta pode ser dividida em: balística
interna, balística externa e balística dos efeitos. Vejamos cada uma:
Balística interna: conhecida também como balística interior, é a parte da balística que
estuda a estrutura, mecanismos e funcionamento das armas de fogo, o tipo de metal usado
na sua fabricação bem como, a sua resistência às pressões desenvolvidas na ocasião do
tiro. As armas de fogo são criteriosamente analisadas nesse ramo da balística forense,
assim sendo, além do estudo do funcionamento das armas, da sua estrutura e mecanismos,
este ramo da balística descreve até mesmo as técnicas do tiro;
Balística externa: conhecida também como balística exterior, estuda a trajetória do
projétil, desde a saída da boca do cano da arma até a sua parada final (repouso). A balística
exterior analisa as condições do movimento, velocidade inicial do projétil, sua forma,
massa, superfície, resistência do ar, a ação da gravidade e os seus movimentos intrínsecos;
Balística dos efeitos: conhecida também como balística terminal ou balística do ferimento,
estuda os efeitos gerados pelo projétil desde que abandona a boca do cano até atingir o
alvo. Quando nos referimos aos tipos de instrumentos que podem produzir lesões no
homem, citamos os perfuro-contundentes, isto é, aqueles que perfuram e contundem
simultaneamente, e temos como exemplo as lesões causadas pelas “armas de fogo”. Esses
instrumentos causam lesões perfuro-contusas.
(FUNIVERSA - SPTC-GO - Médico Legista de 3º Classe) A Balística, ao estudar os
projéteis de arma de fogo, englobando o seu movimento, as forças envolvidas na sua
impulsão, a trajetória e os efeitos finais, pode ser dividida em Balística interna, externa e
8. Balística Forense
8. Balística Forense 4/47
terminal. Tal estudo fornece elementos importantes para a análise pericial do corpo de
delito, notadamente na avaliação dos efeitos produzidos pelos projéteis de alta energia.
Com relação a esse assunto, assinale a alternativa correta.
A) A Balística interna, ao estudar a estrutura e os mecanismos das armas, bem como a
composição da munição a ser empregada, apresenta relação direta com o
conhecimento dos efeitos produzidos pelo arrasto, pelo coeficiente balístico e pela
estabilidade dos projéteis de alta energia.
B) O deslocamento dos tecidos no corpo humano, quando são percutidos por projéteis
de alta energia, resulta na formação das ondas de choque, que são diretamente
responsáveis pelo poder lesivo desses projéteis.
C) A análise do orifício de saída de um projétil de arma de fogo de alta energia não
apresenta relação com os estudos de Balística externa, uma vez que suas características
são influenciadas pelo comportamento do projétil a partir do momento em que atinge o
corpo da vítima.
D) A Balística terminal estuda os efeitos e as lesões provocadas pelos projéteis de arma
de fogo no ser humano, apresentando grande interesse ao médico-legista.
E) Estudos de Balística externa, envolvendo a trajetória, os movimentos, os fatores que
interferem na estabilidade, na direção e no alcance dos projéteis, permitiram que se
comprovasse que projéteis de alta e média energia se comportam de maneira idêntica
e, com isso, determinam feridas perfurocontusas semelhantes.
Comentários: A alternativa D é o gabarito da questão.
Na balística forense, para armas de fogo, existem dois métodos de identificação: identificação
direta e a identificação indireta. Na identificação direta ou imediata, o exame é realizado nela
própria, ou seja, das suas características e peculiaridades distintivas (tipo, calibre, etc.). Já na
identificação indireta ocorre o exame é feito através de estudo comparativo de características
deixadas pela arma nos elementos de sua munição. Na identificação indireta, usam-se métodos
comparativos macro e microscópicos nas deformações verificadas nos elementos da munição
da arma questionada ou suspeita.
Conceito de Balística
Trata-se da disciplina que estuda basicamente as armas de fogo, as munições, os fenômenos
e os efeitos de seus disparos, com finalidade de auxiliar o Poder Judiciário.
Podemos dizer que a Balística: “é a parte do conhecimento criminalístico e médico-legal que
tem por objeto especial o estudo das armas de fogo, da munição e dos fenômenos e efeitos
próprios dos tiros dessas armas, no que tiverem de útil ao esclarecimento e à prova de
questões de fato, no interesse da justiça”.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 5/47
Armas de Fogo
Conceito de Balística
Trata-se da disciplina que estuda basicamente as armas de fogo, as munições, os fenômenos
e os efeitos de seus disparos, com finalidade de auxiliar o Poder Judiciário.
Podemos dizer que a Balística: “é a parte do conhecimento criminalístico e médico-legal que
tem por objeto especial o estudo das armas de fogo, da munição e dos fenômenos e efeitos
próprios dos tiros dessas armas, no que tiverem de útil ao esclarecimento e à prova de
questões de fato, no interesse da justiça”.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Trata-se da disciplina que estuda basicamente as armas de fogo, as munições, os fenômenos
e os efeitos de seus disparos, com finalidade de auxiliar o Poder Judiciário.
Podemos dizer que a Balística: “é a parte do conhecimento criminalístico e médico-legal que
tem por objeto especial o estudo das armas de fogo, da munição e dos fenômenos e efeitos
próprios dos tiros dessas armas, no que tiverem de útil ao esclarecimento e à prova de
questões de fato, no interesse da justiça”.
(2018 – NUCEPE – PC-PI - Delegado de Polícia) A balística “é a ciência que estuda o
movimento dos projéteis, particularmente os disparos por armas leves e canhões”. Em
relação à balística forense, marque a alternativa INCORRETA:
a) As armas portáteis também conhecidas por individuais, são aquelas que podem ser
transportadas e acionadas por uma só pessoa.
b) Em relação às armas automáticas tanto o funcionamento como o disparo são
automáticos.
c) A percussão é o choque de dois corpos; no cão o percurssor atinge a espoleta para
transmitir fogo à pólvora.
d) Projétil é a parte da munição destinada a atingir o alvo.
e) Quanto ao municiamento, na arma de retrocarga a munição é colocada pela parte
anterior do cano.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 6/47
Comentários: A alternativa E é o gabarito da questão. A alternativa errada é a “e”, uma
vez que na arma de retrocarga a munição é colocada pela parte posterior do cano, não
anterior. Na arma de antecarga é que a munição é colocada pela parte anterior do cano.
Classificação das armas
Quanto ao efeito
Leve
Segundo São aquelas que possuem peso e volume relativamente reduzidos, podendo ser
transportadas geralmente por um homem, além de possuírem o seu calibred) O orifício de entrada produzido por um projétil com incidência oblíqua é um círculo
perfeito, assim como suas orlas.
e) Em todo orifício de entrada, sempre haverá orla de escoriação.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 43/47
Comentários: A alternativa C é o gabarito da questão. A afirmação correta encontra-se
na letra “c”. Vejamos por que as demais estão erradas:
- Letra “a”: A orla de escoriação (não de enxugo) é resultado do descolamento da
epiderme provocado pela ação contundente do projétil;
- Letra “b”: A orla de enxugo (não de escoriação) é resultado do contato do projétil com
a derme durante a penetração, deixando nela a sujeira que carrega em sua superfície;
- Letra “d”: Nessa situação hipotética, o formato do orifício de entrada não será circular;
- Letra “e”: Nem sempre haverá orla de escoriação em um orifício de entrada.
(2018 – CESPE – EBSERH - Técnico em Necrópsia) Julgue o seguinte item, de acordo
com as características das lesões produzidas por projéteis de arma de fogo.
A presença de tatuagem circunjacente ao orifício de entrada do projétil, produzida por
pólvora, indica que o disparo ocorreu encostado ao corpo.
Comentários: A assertiva está ERRADA. A presença de tatuagem ou zona de tatuagem
circunjacente ao orifício de entrada do projétil, produzida por pólvora, indica que o
disparo ocorreu a curta distância, não encostado.
(2018 – UEG – PC-GO - Delegado de Polícia) Tendo em vista a relevância da
determinação da distância de um disparo com arma de fogo, bem como a necessidade
de conhecimento acerca dos elementos do disparo na saída da arma, para a verificação
de um tiro a curta distância (queima-roupa), quando observados os sinais na pele da
vítima, também deverá ser levado em consideração o seguinte aspecto:
a) a zona de chamuscamento é um sinal indispensável nesse caso.
b) o orifício de entrada do PAF apresentará bordas nitidamente chamuscadas.
c) a zona de tatuagem será o marcador do limite dessa distância.
d) a orla de escoriação será simétrica em relação ao orifício de entrada do PAF.
e) o sinal de Werkgartner é um parâmetro a ser levado em conta.
Comentários: A alternativa é o gabarito da questão. a)Zona de chamuscamento é um
sinal indispensável nesse caso.
Errado. A Zona de Chamuscamento é dispensável. Fala-se em Zona de
Chamuscamento, quando o disparo é muito próximo (média de até 5 cm) e, os gases
super aquecidos que saem da boca do cano
8. Balística Forense
8. Balística Forense 44/47
(2018 – NUCEPE – PC-PI - Delegado de Polícia) A balística “é a ciência que estuda o
movimento dos projéteis, particularmente os disparos por armas leves e canhões”. Em
relação à balística forense, marque a alternativa INCORRETA:
a) As armas portáteis também conhecidas por individuais, são aquelas que podem ser
transportadas e acionadas por uma só pessoa.
b) Em relação às armas automáticas tanto o funcionamento como o disparo são
automáticos.
c) A percussão é o choque de dois corpos; no cão o percurssor atinge a espoleta para
transmitir fogo à pólvora.
d) Projétil é a parte da munição destinada a atingir o alvo.
e) Quanto ao municiamento, na arma de retrocarga a munição é colocada pela parte
anterior do cano.
Comentários: A alternativa é o gabarito da questão. or queimar os pelos e a pele.
b)O orifício de entrada PAF apresentará bordas nitidamente chamuscadas.
Errado. Quase nunca esse fenômeno acontece.
c)A zona de tatuagem será o marcador do limite dessa distância.
A alternativa está extremamente confusa, porém, dentre todas as opções analisada,
parece-nos a mais próxima de um gabarito. Vale lembrar que a Zona de Tatuagem,
ocorre quando a pólvora não queimada (em combustão), penetra na pele deixando
marca definitiva, gerando a chamada Zona de Tatuagem.
d)A orla de escoriação será simétrica em relação ao orifício de entrada do PAF.
A alternativa gera várias interpretações. Contudo, entendemos estar errada, uma vez
que a Orla de escoriação poderá ser assimétrica. Anote-se que, o projétil ao penetrar a
pele, faz um movimento giratório esfolando-a, dando origem à Orla de Escoriação,
também conhecida como Orla de Fish.
e)O sinal de Werkgartner é um parâmetro levado em conta.
Errado. Trata-se de característica do disparo encostado e não a curta distancia. Nos tiros
encontados, pode haver uma queimadura ao redor do orifício de entrada, causada pelo
cano e pela mira da arma, ambos aquecidos pelo disparo. Por vezes, o desenho da mira
grafado na pele, permite identificar se a arma foi pistola ou revolvér. Fala-se neste caso
em Sinal de Werkgartner.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 45/47
(2017 – FUNDATEC – IGP-RS - Perito Médico Legista) Sobre ferimentos produzidos
por projéteis de arma de fogo, analise as assertivas a seguir:
I. O número de ferimentos de entrada encontrados no corpo da vítima deve ser igual ao
número de projéteis que atingem o corpo da vítima.
II. A ordem em que penetraram os projéteis de arma de fogo no corpo da vítima,
quando forem vários os tiros, deve sempre fazer parte do laudo.
III. Para caracterizar um ferimento como produzido por tiro à curta distância, o perito
médico-legista deve demonstrar a presença, no ferimento, de orla de queimadura, orla
de esfumaçamento e orla de verdadeira tatuagem.
IV. A orla de escoriação é uma característica dos ferimentos de entrada de projéteis de
arma de fogo, não sendo encontrada nos ferimentos de saída de projéteis de arma de
fogo.
Quais estão INCORRETAS?
a) Apenas I.
b) Apenas IV.
c) Apenas I e II.
d) Apenas II e III.
e) I, II, III e IV.
Comentários: A alternativa E é o gabarito da questão. Vamos analisar as assertivas.
I- INCORRETO - Não é tão raro encontrar situações em que um único projétil é capaz
de transfixar vários segmentos ou partes do corpo, com orifícios de entrada e saída,
constituindo o que se poderia chamar de “trajeto em chuleio" ou “trajeto em alinhavo".
Por exemplo, transfixar um braço, uma mama, a outra mama e o outro braço, ou outras
variantes. Nesses casos a primeira ferida de entrada chama-se “ferida primária" e as
demais “feridas secundárias" ou “feridas de reentrada".
II- INCORRETO - a ordem nem sempre poderá ser aferida.
III- INCORRETO - em regra, nas LESÕES DE ENTRADA: Em regra apresentam: bordas
viradas para dentro, diâmetro menor do que o do projétil, forma arredondada ou elíptica,
orla de escoriação, enxugo ou equimose. Nos tiros a curta distância apresentam orla de
tatuagem, orla ou zona de esfumaçamento/tisnado. Já os tiros à queima roupa
apresentam orla de queimadura/chamuscamento.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 46/47
Destaca-se que poderia haver um anteparo que modificaria esse cenário.
IV- INCORRETO - pode haver um anteparo na saída produzindo o sinal de Romanesi.
Sinal de Romanesi: escoriação na saída – quando o orifício de saída está encostado em
algum lugar. O projetil sai, mas encontra resistência e provoca escoriação.
(2018 – CESPE – Polícia Federal - Perito Criminal) Julgue o seguinte item, a respeito
de lesões produzidas por projéteis de arma de fogo.
Lesões estreladas podem ocorrer em entradas ou saídas de projéteis de arma de fogo.
Comentários: A assertiva está CORRETA. BURACO DE MINA ou CÂMARA DE MINA DE
HOFFMAN-disparos efetuados em contato com o CRÂNIO, o projétil perfura a PELE e
abre caminho para o s elementos do cone de explosão. Prossegue seu caminho e
perfura a calota craniana. Os gases não atravessam o osso- a pele estoura de dentro
para fora- ferida de forma estrelada irregular, bordas solapadas (MINADAS,
DESTRUIDAS) com paredes escurecidas pelo depósito dos resíduos de pólvora.
As lesões por projéteis em VÍSCERAS MACIÇAS, como o fígado e os rins, costumam ter
forma estrelada na entrada e na saída e trajeto constituído por tecidos muito lacerados-
REDE VASCULAR MTO RICA + FOÇA CENTRIPETA = “JOGAR PEDRA NO RIO" LESÃO
ENTRADA ARTÉRIAS DE GROSSO CALIBRE - forma estrelada irregular quando
observadas pelatúnica interna. Se o projétil passar de raspão no vaso , a lesão terá
forma de fenda irregular, com pequenas roturas que se estendem perpendicularmente a
partir da lesão principal.
O orifício de saída costuma ser maior e tem forma variada (vem com menor quantidade
de energia, por vezes, deformado, ou em posição diferente da com que entrou. Pode,
inclusive, estar acompanhado por fragmentos de tecido a ele aderidos), podendo ser
uma ferida estrelada, uma fenda ou outro padrão qualquer. Pode, inclusive, ser circular e
escoriada se o projétil imprensar a pele contra algum anteparo.
(2018 – CESPE – EBSERH - Técnico em Necrópsia) Julgue o seguinte item, de acordo
com as características das lesões produzidas por projéteis de arma de fogo.
A excentricidade da escoriação circunjacente ao orifício de entrada de projétil de arma
de fogo indica que o trajeto do projétil foi inclinado em relação à pele.
Comentários: A assertiva está CORRETA. A assertiva está correta. Segundo Genival, “A
orla de escoriação, ou anel de Fisch (...). Essa orla tem aspecto concêntrico nos orifícios
arredondados, e em crescente ou meia lua, nos ferimentos ovalares. Seu exame
detalhado é muito importante, pois pode esclarecer a direção do tiro. Nos tiros
perpendiculares ao corpo, a orla de escoriação é concêntrica, e, quando inclinados, tem
a forma oblíqua. É um sinal comprovador de entrada de bala a qualquer distância."
8. Balística Forense
8. Balística Forense 47/47
Incapacitação
Referências e links deste capítulo
1 https://www.gov.br/pf/pt-br
(FRANÇA, Genival Veloso de. Medicina Legal, Editora Guanabara Koogan, 10ª edição,
2015, p. 271)
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Segundo Tocchetto, o poder de incapacitação ou poder de parada (stopping power) é a
capacidade que o projetil possui, durante o impacto, de incapacitar uma pessoa ou um animal,
instantaneamente, impedindo que continue a fazer o que estava fazendo no momento do
impacto (“instantaneamente” significa dentro de um a dois segundos).
O autor cita que as razões para a eficiência do projetil, quanto ao seu poder de incapacitação,
são várias, mas principalmente que o projetil destrua tecidos ou órgãos cuja destruição
ocasione severo dano ao suprimento de oxigênio carregado pelo sangue ao cérebro. Os
projetis que mais afetaram o ser humano são aqueles que ocasionam maiores danos ao sistema
vascular ou ao sistema nervoso e produzem uma maior cavidade permanente. Projetis dotados
de energia que possibilite uma grande penetração, como ogiva deformante e explosiva, são os
que produzem, em regra, uma cavidade permanente significativa.
Tocchetto destaca em sua obra que o dano ao sistema vascular pode ser ocasionado por
rompimento dos vasos sanguíneos. O dano é ocasionado por rompimento dos vasos
sanguíneos. O dano é ocasionado tanto pelo projetil e/ou por fragmentos do projetil, ou
fragmento de ossos ou corpos estranhos trazidos para dentro do corpo pelo projetil.
Geralmente a perda sanguínea é um mecanismo muito lento, mas há casos em que pode surtir
um efeito imediato.
Para o autor, o efeito mais rápido é notado quando o projetil atinge áreas de grande inervação.
Já a quebra de ossos e do suporte da estrutura do esqueleto é um mecanismo que causa
colapso instantâneo, mas geralmente não resulta numa bem-sucedida parada da ação
agressora. Como regra geral, disparos destinados especificamente a quebrar ossos não podem
ser considerados confiantes para produzir parada da ação agressora, pois, apesar de derrubar, o
agressor ainda poderá estar em condições de continuar disparando sua arma.inferior ou igual a
.50, ou seja, 12,7mm.
Pesada
São aquelas empregadas em operações militares em proveito da ação de um grupo de homens,
devido ao seu poderoso efeito destrutivo sobre o alvo e geralmente ao uso de poderosos meios
de lançamento ou de cargas de projeção.
Quanto ao tamanho
Curta
São aquelas de pouco peso, dimensões reduzidas, de fácil manejo e porte.
Longa
São aquelas de dimensões e peso maiores que as curtas, podendo ser portáteis e não portáteis.
Fonte: https://www.gov.br/pf/pt-br [1]
Quanto à portabilidade
De porte
As “armas de fogo de dimensões e peso reduzidos que podem ser disparadas pelo atirador com
apenas uma de suas mãos, a exemplo de pistolas, revólveres e garruchas”
Portátil
As “armas de fogo que, devido às suas dimensões ou ao seu peso, podem ser transportadas por
uma pessoa, tais como fuzil, carabina e espingarda”
Não portátil
https://www.gov.br/pf/pt-br
https://www.gov.br/pf/pt-br
https://www.gov.br/pf/pt-br
https://www.gov.br/pf/pt-br
https://www.gov.br/pf/pt-br
8. Balística Forense
8. Balística Forense 7/47
As “armas de fogo que, devido às suas dimensões ou ao seu peso, precisam ser transportadas
por mais de uma pessoa, com a utilização de veículos, automotores ou não, ou sejam fixadas
em estruturas permanentes”
Quanto ao emprego
Individual
É aquela que pode ser utilizada por um único indivíduo.
Coletivo
É aquela que necessita de mais de um operador para o seu emprego com pleno rendimento.
Quanto ao sistema de alimentação e carregamento
Antecarga
Aquela em que o carregamento é feito pela boca do cano.
Retrocarga manual
Aquelas em que o carregamento é feito pela parte posterior do cano, com emprego da força
muscular do atirador.
Retrocarga automática
Aquelas em que o carregamento é feito pela parte posterior do cano, em regra por meio do
aproveitamento da energia do disparo, dispensando a intervenção humana.
Quanto ao funcionamento
Repetição Arma
“Em que a recarga exige a ação mecânica do atirador sobre um componente para a
continuidade do tiro” (Anexo III do Decreto nº 10.030/2019).
Semiautomática Arma
“Que realiza, automaticamente, todas as operações de funcionamento com exceção do disparo,
exigindo, para isso, novo acionamento do gatilho” (Anexo III do Decreto nº 10.030/2019).
Automática Arma
“Em que o carregamento, o disparo e todas as operações de funcionamento ocorrem
continuamente enquanto o gatilho estiver sendo acionado” (Anexo III do Decreto nº
10.030/2019).
8. Balística Forense
8. Balística Forense 8/47
Estriações
As estriações (alma) do cano: as almas são a parte interna do cano e podem ser lisas ou
estriadas (raiadas). Os raiamentos permitem que o projétil se movimente rotacionalmente no
sentido dextrogiro (direita) ou no sentido sinistrogiro (esquerda).
Essas estriações podem ser divididas em primária, secundária e terciária. Vejamos:
Estriação primária (representada por ranhuras maiores);
Estriação secundária ou lateral ou fina de características secundárias (ranhuras
microscópicas);
Estriação terciária (que resulta do desgaste das raias provocado pelo uso intenso ou
inadequado).
Estriações são ranhuras provocadas pelo atrito do projétil influenciado pelas cristas e
pelas raias do cano. São classificadas em primárias, secundárias e terciárias. Sobre esse
assunto em Balística Forense, marque a opção INCORRETA,
8. Balística Forense
8. Balística Forense 9/47
A) Estriação primária é representada por ranhuras menores.
B) Estriação secundária é representada por ranhuras minúsculas.
C) Estriação lateral é representada por ranhuras microscópicas.
D) Tais elementos são de extrema importância quando se trata de microcomparação
balística, para que se possa verificar se determinado projétil de arma de fogo possui as
mesmas estriações de outro, denotando-se, por via de consequência, que foram
expelidos pelo mesmo cano de uma arma.
E) Estriação terciária que resulta do desgaste das raias provocado pelo uso intenso ou
inadequado.
Comentários: Gabarito: A.
Vejamos:
- Estriação primária (representada por ranhuras maiores);
- Estriação secundária ou lateral ou fina de características secundárias (ranhuras
microscópicas);
- Estriação terciária (que resulta do desgaste das raias provocado pelo uso intenso ou
inadequado).
Revólver
O revolver pode ser definido como uma arma curta, de repetição, não automática. O
comprimento do cano, o número de raias e sua direção, capacidade do tambor e o tipo de
mecanismo, variam de arma para arma e são particularidades que servem para sua
identificação. Na imagem abaixo podemos observar um típico revólver calibre 38, cuja
característica principal é a de apresentar um único cano e várias câmaras de combustão
(tambor).
8. Balística Forense
8. Balística Forense 10/47
O mecanismo de ação de um revólver ocorre da seguinte forma: o disparo ocorre quando o
cão é liberado pela pressão ao gatilho e seu percussor atinge a espoleta na base do cartucho,
iniciando o processo de disparo do projétil. Na sequência, para a realização de um segundo
disparo, novamente é pressionado o gatilho que afasta o cão e ao mesmo tempo rotaciona o
tambor, alinhando nova câmara de combustão (carregada com outro cartucho), e o processo se
repete.
Desta forma, os revólveres podem funcionar em ação simples ou dupla: na ação simples o
agente recua manualmente o cão até sua posição máxima posterior, engatilhando a arma,
bastando leve pressão no atilho para que este (cão) se libere, o que irá produzir o disparo. Já na
ação dupla, o agente pela pressão ao gatilho faz com que o cão recue em um primeiro
estágio, ao mesmo tempo em que o tambor é rotacionado, e em segundo momento libera o
cão para o disparo, tudo em uma única sequência. Exemplo de revólveres: 32, 38, Magnum 44,
etc.
(2017 – FUNDATEC – IGP-RS - Perito Criminal) Em relação ao revólver encontrado no
local, durante a sua descrição no Laudo, o Perito Criminal deverá fazer constar as
seguintes características, EXCETO:
a) Marca e modelo
b) Calibre nominal e/ou real.
c) Número de série do carregador.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 11/47
d) Estado de conservação.
e) Comprimento do cano.
Comentários: A alternativa C é o gabarito da questão. Atente-se para o fato de que
revólver não possui carregador, como possuem as pistolas.
Calibre real é o diâmetro da boca das armas de fogo raiadas. O Calibre nominal é essa
referência dada pelo fabricante da arma.
Pistolas Semiautomáticas
A pistola é uma arma de fogo de porte, leve, de cano curto, raiado e que se pode manejar com
uma só mão. É uma arma pequena e de fácil manuseio, feita originalmente para uso pessoal em
ações de pequeno alcance.
Definida também como arma curta, as pistolas apresentam as mesmas características dos
revólveres, porém com diferença básica de não possuírem tambor e sim pente de alimentação
da câmara de combustão única. Por essa característica são chamadas de semiautomáticas, em
face de usarem os gases do disparo anterior para ejetar o cartucho disparado e recarregar um
novo em sua câmara de combustão.
No revólver esta força é perdida uma vez que a culatra é fixa e serve apenas para impedir que
o estojo saia pela parte de trás, já as pistolas utilizam-se desta força, levando para trás o
ferrolho, como dito, retiram e ejetam o cartucho velho e pela força da mola existente no pente
posicionam novo projétil, em uma única e rápida sequência, deixando o cão em posição
8. Balística Forense
8. Balística Forense 12/47
engatilhado. Bastando, desta forma leve pressão no gatilho para novo disparo. Existem também
alguns modelos totalmente automáticos, que podem disparar vários tiros enquanto se mantiver
o gatilho pressionado. Exemplos de pistolas: Glock; .40 ; e 9mm.
Escopeta e Espingarda
O termo escopeta é designado às armas de cano curto e grosso calibre e alma lisa, ou seja,
cano sem raias (diferente dos revólveres e pistolas que os tem raiado), e segundo leciona Del
Campo, o termo espingardaé para as de cano longo, alma lisa e calibres menores. Geralmente
de uso militar ou bélico, possui normalmente um único barril de tiro e um recarregador externo
que deve ser acionado manualmente para preparar o próximo disparo. Costuma-se referir às
escopetas como a famosa “12”, uma alusão ao conhecido modelo PKS-12.
Outras Armas de Fogo
Carabina
De origem italiana, é uma arma portátil e de repetição, com cano longo e de alma raiada. O
cano mede entre 45 cm a 51 cm. Seu comprimento menor, o a faz diferente das espingardas e
escopetas. A alimentação e o carregamento das carabinas são feitos pelo sistema de alavanca.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 13/47
(2015 – FUNCAB - PC-AC - Médico-Legista) No disparo de arma de fogo produzido
por fuzil, a principal característica que determina a gravidade das lesões é o (a):
A) formato pontiagudo do projétil
B) capacidade de fragmentação do projétil
C) calibre do projétil
D) massa do projétil
E) velocidade do projétil
Comentários: A alternativa E é o gabarito da questão. Os ferimentos de entrada
produzidos por esses projéteis de alta velocidade foram mudando de forma, podendo
apresentar vultosas áreas de destruição dos tecidos atingidos, deixando à mostra regiões
ou estruturas mais profundas, com orifícios muito maiores que o diâmetro do projétil.
Outras vezes, a orla de escoriação está ausente ou pouco nítida, e as bordas do orifício
são irregulares e apresentam radiações. Quando encontram maior resistência, como,
por exemplo, no tecido ósseo, apresentam-se como verdadeiras explosões. Os
ferimentos de saída, na maioria das vezes, têm a forma de rasgões, como se a pele
fosse puxada e rasgada.
(2017 – FUNDATEC – IGP-RS - Perito Médico Legista) De acordo com a SENASP,
quando da análise de cartuchos íntegros de arma de fogo, o Perito Criminal deverá
descrever em seu Laudo:
I. O calibre nominal.
II. As características da cápsula de espoletamento.
III. A numeração de série e/ou montagem.
IV. O tipo de raiamento.
V. O tipo de projétil.
Quais estão corretas?
a) Apenas I e II.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 14/47
b) Apenas I e III.
c) Apenas III e IV.
d) Apenas I, II e V.
e) Apenas II, IV e V.
Comentários: A alternativa D é o gabarito da questão. A descrição dos cartuchos de
cada grupo deverá conter, no mínimo, as seguintes características:
A – Quantidade
B – Calibre nominal
C – Fabricante e país de origem- quando avaliável
D – Características da cápsula de espoletamento
E – Características do estojo
F – Tipo de projétil
G – Número de lote (quando existir)
H – Estado de conservação
I – Se é original de fábrica ou se apresenta sinais de recarga.
Munição
O termo munição é o que designa o cartucho como um todo considerado. Este é composto
por: estojo; espoleta (com mistura iniciadora); pólvora (propelente); projétil (propriamente dito);
e o embuchamento (no caso de arma de alma lisa).
Dessa forma, a munição é o conjunto de cartuchos necessários ou disponíveis para uma arma
ou uma ação qualquer em que serão usadas arma de fogo. Cartucho é o conjunto do projétil e
os componentes necessários para lançá-lo, no disparo.
Estojo
Trata-se de um componente indispensável às armas modernas. O estojo possibilita que todos os
componentes necessários ao disparo fiquem unidos em uma peça facilitando o manejo da arma
e acelera o intervalo em cada disparo. Atualmente, a maioria dos estojos são construídos em
metais não-ferrosos, principalmente o latão, mas também são encontrados estojos construídos
com diversos tipos de materiais como plásticos (munição de treinamento e de espingardas),
papelão (espingardas) e outros. A forma do estojo é muito importante, pois as armas modernas
são construídas de forma a aproveitar as suas características físicas.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 15/47
(estojo calibre .45 encontrado ao lado de vítima de homicídio)
Espoleta (com mistura iniciadora)
A espoleta é um recipiente que contém a mistura detonante e iniciadora. A mistura detonante,
é um composto que queima com facilidade, bastando o atrito gerado pelo amassamento da
espoleta contra a bigorna, provocada pelo percussor (cão). A queima dessa mistura gera calor,
que passa para o propelente, através de pequenos furos no estojo, chamados eventos.
Pólvora (propelente)
Propelente ou carga de projeção é a fonte de energia química capaz de arremessar o projétil a
frente, imprimindo-lhe grande velocidade, aumentada pelos raios do cano que o faz girar sobre
seu próprio eixo de forma a romper mais facilmente a resistência do ar.
A energia é produzida pelos gases resultantes da queima do propelente, que possuem volume
muito maior que o sólido original e seu rápido aumento de volume de matéria no interior do
estojo gera grande pressão para impulsionar o projétil.
A queima do propelente no interior do estojo, gera pressão suficiente para destacar o projétil e
avançá-lo pelo cano, sem causar danos à arma. Atualmente, o propelente usado nos cartuchos
é a pólvora química ou pólvora sem fumaça. Desenvolvida no final do século passado, substituiu
com grande eficiência a pólvora negra, que hoje é usada apenas em velhas armas de caça e
réplicas. Esse tipo de pólvora produz pouca fumaça e muito menos resíduos que sua
precursora, além de ser capaz de gerar muito mais pressão, com pequenas quantidades.
Projétil
O projétil é o que conhecemos vulgarmente por “bala”. Os primeiros foram esféricos, hoje, os
projéteis podem ser de inúmeros tipos: cilíndricos, cônicos, ogivais, etc.Projétil é qualquer
8. Balística Forense
8. Balística Forense 16/47
objeto sólido que pode ser ou foi arremessado, lançado. No universo das armas de defesa, o
projétil é a parte do cartucho que será lançada através do cano.
O projétil pode ser dividido em três partes:
1 - Ponta: parte superior do projétil, fica presa sempre exposta, fora do estojo;
2 - Base: parte inferior do projétil, fica presa no estojo e está sujeita à ação dos gases
resultantes da queima da pólvora;
3 - Corpo: cilíndrico, geralmente contém canaletas destinadas a receber graxa ou para
aumentar a fixação do projétil ao estojo.
(2014 – VUNESP - PC-SP - Médico Legista) Na balística forense, os elementos
utilizados na identificação direta da arma de fogo são:
A) tipo, calibre, deformidade impressa no estojo.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 17/47
B) brasões, número de série e deformidade do estojo.
C) fabricante, deformidade da espoleta, calibre.
D) escudos, tipo, deformidade na espoleta.
E) tipo, calibre, número de série.
Comentários: A alternativa E é o gabarito da questão. Na balística forense, para armas
de fogo, existem dois métodos de identificação: identificação direta e a identificação
indireta. Na identificação direta ou imediata, o exame é realizado nela própria, ou seja,
das suas características e peculiaridades distintivas (tipo, calibre, etc.). Já na
identificação indireta ocorre o exame é feito através de estudo comparativo de
características deixadas pela arma nos elementos de sua munição. Na identificação
indireta, usam-se métodos comparativos macro e microscópicos nas deformações
verificadas nos elementos da munição da arma questionada ou suspeita.
(2017 – FUNDATEC – IGP-RS - Perito Criminal) A equipe Pericial é acionada para o
atendimento de uma ocorrência de suicídio por disparo de arma de fogo. Ao chegar no
local, havia uma equipe da Polícia Civil, chefiada pela Autoridade Policial, aguardando a
chegada da Perícia. De acordo com relatos dos policiais presentes, tratava-se de um
escritório onde um importante advogado criminalista teria sido encontrado morto por
sua secretária.
Foram fatos observados pelo Perito Criminal:
• Ausência de vestígios de arrombamento dos meios de acesso ao interior do imóvel e
ausência de sinais de luta e/ou busca em seu interior.
• Cadáver jazia sentado sobre uma cadeira com a cabeça pendente para trás e para a
direita.
• Sobre o piso,junto aos pés da vítima, havia um revólver de calibre 32 contendo em
seu tambor dois (02) estojos com marca de percussão em suas espoletas, além de três
(03) cartuchos íntegros.
• Notou-se manchas de sangue por espirro, impregnação e escorrimento na porção
anterior da camisa que a vítima vestia, assim como manchas de sangue por acúmulo
sobre o piso sob a cadeira em que a vítima se encontrava.
• Durante o exame perinecroscópico, foram observados dois (02) ferimentos
perfurocontusos compatíveis com entradas de projetis de arma de fogo (ambos os
ferimentos apresentavam zona de esfumaçamento): um ferimento na região auricular
esquerda e um ferimento na região mentoniana (queixo).
8. Balística Forense
8. Balística Forense 18/47
De acordo com a SENASP, quando da análise de cartuchos íntegros de arma de fogo, o
Perito Criminal deverá descrever em seu Laudo:
I. O calibre nominal.
II. As características da cápsula de espoletamento.
III. A numeração de série e/ou montagem.
IV. O tipo de raiamento.
V. O tipo de projétil.
Quais estão corretas?
a) Apenas I e II.
b) Apenas I e III.
c) Apenas III e IV.
d) Apenas I, II e V.
e) Apenas II, IV e V.
Comentários: A alternativa D é o gabarito da questão. A descrição dos cartuchos de
cada grupo deverá conter, no mínimo, as seguintes características:
A – Quantidade
B – Calibre nominal
C – Fabricante e país de origem- quando avaliável
D – Características da cápsula de espoletamento
E – Características do estojo
F – Tipo de projétil
G – Número de lote (quando existir)
H – Estado de conservação
I – Se é original de fábrica ou se apresenta sinais de recarga.
(2018 – CESPE – Polícia Federal - Perito Criminal) Julgue o seguinte item, a respeito
de lesões produzidas por projéteis de arma de fogo.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 19/47
Situação hipotética: Em uma perícia cadavérica de vítima de disparo de arma de fogo
único no crânio, observou-se que o núcleo havia se separado da respectiva camisa.
Esses elementos balísticos foram recolhidos para exame; entretanto, um deles se
perdeu. Assertiva: Nessa situação, a perda pericial será maior, caso o extravio seja da
camisa.
Comentários: A assertiva está CORRETA. A camisa de um projétil consiste, em regra,
em um revestimento metálico presente em alguns projéteis. Se cobrir toda a superfície
do projétil terá o nome de projétil encamisado. Caso cubra parte dela, semiencamisado.
A camisa de um projétil é de suma importância para a realização do confronto balístico
e verificação de qual arma foi utilizada.
(2017 – IESES – IGP-SC - Perito Criminal) Considerando os revólveres e pistolas de
fabricação Nacional posteriores ao ano 2000 qual o item verdadeiro:
a) Os revólveres realizam disparos em ação dupla ou simples, por sua vez as pistolas
somente realizam disparos em ação simples.
b) Caso ocorra o disparo destas armas de fogo e por alguma falha o projétil não seja
expelido cano afora o atirador poderá efetuar novo disparo uma vez que nenhum dano
ocorrerá ao equipamento.
c) Os revólveres de calibre 38 SPL poderão ser utilizados para disparos com munição
especificada 38 SPL +P+, assim como as pistolas de calibre 380 ACP poderão ser
utilizadas para disparos com munição 380 ACP +P.
d) Nenhuma arma curta de porte descrita no enunciado poderá utilizar munições com
características +P ou +P+.
Comentários: A alternativa C é o gabarito da questão. A questão avalia os
conhecimentos do candidato sobre Balística Forense, vejamos:
A) ERRADO. O mecanismo de disparo das pistolas pode ser de ação simples ou de ação
dupla, assim como nos revólveres.
B) ERRADO. Caso o disparo seja feito, mas o projétil não seja expelido cano afora,
poderá ocorrer um incidente de tiro; não é possível afirmar que nenhum dano ocorrerá
ao equipamento.
C) CERTO. Embora seja possível, atirar com munições "+P" em revólveres que não
possuem essa especificação pode ser perigoso e resultar em lesões corporais graves ou
mortes. Nesse caso, os cartuchos apresentam a mesma aparência exterior (dimensões),
mas com propriedades balísticas diferentes.
D) ERRADO. Armas de fogo curtas (revólveres, pistolas) podem utilizar munições
classificadas como +P (Plus-P) ou +P+. No entanto, é preciso ressaltar que não se
8. Balística Forense
8. Balística Forense 20/47
reconhece a classificação "+P+", pois seu uso pode ser muito perigoso e provocar falhas
séries nas armas de fogo.
Lesões Produzidas por Projéteis de Arma de Fogo (PAF)
Após as noções gerais de balística, vamos analisar as lesões causadas por instrumentos
perfurocontundentes, isto é, aqueles que perfuram e contundem simultaneamente. Esses
ferimentos apresentam bordas irregulares, com grande predomínio da profundidade sobre a
superfície e caráter penetrante ou transfixante.
As lesões perfurocontusas mais típicas são aquelas produzidas por projéteis acionadas por arma
de fogo, estes, agindo por impulsão e rotação, determinam a formação de um orifício e de
zonas de contorno junto a pele. A forma desse orifício e de suas zonas de contorno depende
da incidência do tiro (oblíquo, perpendicular, tangencial) e de sua distância.
O verdadeiro agente vulnerante das lesões perfurocontusas, no caso de armas de fogo, é o
projétil, sempre impulsionados pela carga, pela força expansiva dos gases, que ocorre no
momento da deflagração, do disparo ou da detonação do tiro, da combustão da pólvora.
O projétil de arma de fogo é um agente mecânico, perfurocontundente, que determina uma
lesão de natureza perfurocontusa. O estudo das lesões produzidas pela ação de projéteis,
unitários ou múltiplos, de arma de fogo apresenta relevância especial, primeiro porque
constituem número expressivo de ocorrências, em grande número de etiologia criminosa.
Além disso, pela multiplicidade de facetas e características, geralmente fornecem elementos
preciosos à investigação, determinação da causa jurídica do evento ou ainda da possível autoria.
Na análise dos ferimentos produzidos por projéteis de arma de fogo, quatro são os pontos que
devem merecer atenção:
determinação e descrição dos ferimentos de entrada e saída;
a trajetória do projétil no interior do corpo, bem como a descrição das lesões internas;
a orientação do disparo em relação à posição do corpo; e
a distância provável do disparo.
(2017 – IESES – IGP-SC - Perito Criminal) Considerando as munições de armas de
fogo de porte à venda no Brasil, em específico, as munições para revólveres de calibre
38 SPL e pistolas de calibre 380 ACP é verdadeiro afirmar que:
8. Balística Forense
8. Balística Forense 21/47
I. Todos estes revólveres e pistolas utilizam somente munição de fogo central.
II. Estes revólveres podem utilizar munições montadas com espoletas do tipo Boxer.
III. Estas pistolas utilizam munições nacionais originais com propelentes de base tripla.
IV. As munições utilizadas por estes revólveres e pistolas podem ser utilizadas em outras
armas de fogo existentes.
a) Somente o Item I está correto.
b) Somente o Item II está incorreto.
c) Somente o item IV está correto.
d) Somente o item III está incorreto.
Comentários: A alternativa D é o gabarito da questão.
I. CERTO. As armas de percussão central (fogo central) são aquelas que possuem a
espoleta ou a cápsula de espoletamento embutida no centro do seu culote ou base
metálica. A redação do item não é muito clara, mas levando em conta que o enunciado
pede em relação às "armas de fogo de porte à venda no Brasil, em específico as
munições para revólveres de calibre 38 SPL e pistolas de calibre 380 ACP", o item está
certo pois as armas citadas são de percussão central. No entanto, em uma análise mais
generalista da afirmativa, ela estaria incorreta, pois existem revólveres obsoletos de
percussão diferente da central (ex. Lefaucheux).
II. CERTO. Existem basicamente três tipos de espoletas, denominadas berdan, boxer e
bateria. As espoletas tipo boxer são constituídas por uma cápsula de espoletamento
metálicaque contém a mistura iniciadora e a bigorna. A preferência atual, devido à
facilidade de extração, é o uso da espoleta do tipo boxer. Os revólveres citados podem
utilizar munições com espoleta do tipo boxer.
III. ERRADO. O propelente de base tripla (pólvora preta) é uma mistura de salitre, carvão
vegetal e enxofre. Essa base é antiga, não sendo comumente usada na atualidade. Os
cartuchos citados usam, em sua maioria, propelente de base simples (nitrocelulose).
IV. CERTO. Um mesmo tipo de munição pode ser usado em várias armas diferentes,
dentre as que comportarem o calibre específico.
Ferimentos de entrada
As características dos ferimentos de entrada produzidos por projéteis de arma de fogo
dependem, basicamente, de três fatores principais, quais sejam:
8. Balística Forense
8. Balística Forense 22/47
tipo de munição empregada (projétil unitário ou projéteis múltiplos);
ângulo de incidência;
e distância de tiro.
(2012 – FUNCAB - PC-RO - Médico Legista) Um cadáver apresenta um ferimento
transfixante por projétil de arma de fogo na região toracodorsal. Quais as características
observadas no orifício de entrada do projétil?
A) Ausência de orla de escoriação, bordas bem delimitadas.
B) Diâmetro regular, bordas evertidas.
C) Orla de escoriação, bordas invertidas.
D) Bordas evertidas, sangramento profuso.
E) Formato irregular, zona de esfumaçamento.
Comentários: A alternativa C é o gabarito da questão. Vejamos a tabela com as
diferenças entre o orifício de entrada e de saída.
Entrada Saída
Regular Dilacerado
Invertido Evertido
Proporcional ao projétil Desproporcional ao pojétil
Com orlas e zonas Sem orlas e zonas
Há pouco sangramento Há muito sangramento
(CEFET-BA - 2008 - PC-BA - Delegado de Polícia) Num ferimento de entrada de
projétil de arma de fogo, geralmente se encontra a presença de
A) bordas evertidas e zona de chamuscamento.
B) bordas invertidas e abundante sangramento.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 23/47
C) ferimento de forma irregular e zona de esfumaçamento,
D) ferimento de forma regular e bordas invertidas.
E) sangramento abundante e ferimento de forma irregular.
Comentários: A alternativa D é o gabarito da questão. Vamos fazer então a um pequeno
resumo:
FERIMENTO DE ENTRADA FERIMENTO DE SAÍDA
Forma arredondada (regular) Forma irregular ("rombo")
Borda invertida Borda evertida
Possui as orlas e zonas Não possuem orlas e zonas
O diâmetro é proporcional ao projétil O diâmetro é desproporcional
Há pouco sangramento Há muito sangramento
Ferimentos de saída
Os ferimentos de saída somente existem, por óbvio, se o projétil transfixar o corpo. Como
regra, o ferimento de saída é irregular, maior que o de entrada, até porque o projétil
frequentemente se deforma em sua passagem pelos tecidos orgânicos, e tem as bordas
voltadas para fora. Alguns projéteis especiais, de alta energia, com velocidades superiores a
750 m/s, em razão das ondas de choque produzidas pelo seu deslocamento, costumam
produzir ferimentos de saída de grandes proporções.
Vejamos no quadro abaixo as características dos ferimentos de entrada e saída.
Entrada Saída
Regular Dilacerado
Invertido Evertido
Proporcional ao projétil Desproporcional ao pojétil (maior)
8. Balística Forense
8. Balística Forense 24/47
Com orlas e zonas Sem orlas e zonas
Há pouco sangramento Há muito sangramento
(2012 – UEG - PC-GO - Delegado de Polícia) Quando o projétil de arma de fogo é
transfixante observa-se, no corpo humano, um segundo orifício, ou seja, o orifício de
saída, cuja lesão apresenta a seguinte característica:
A) orla de escoriação e halo de enxugo.
B) forma e bordas da ferida são regulares.
C) normalmente diâmetro maior do que o de entrada.
D) sangramento menor em relação ao orifício de entrada.
Comentários: A alternativa C é o gabarito da questão. Vejamos no quadro abaixo as
características dos ferimentos de entrada e saída.
(Médico Legista – 2017 – IGP-PR) Assinale a alternativa correta que apresenta as
características de lesão de saída produzida por disparo de projétil de arma de fogo.
a) Forma regular, bordas invertidas, menor sangramento, apresenta orla de escoriação e
halo de enxugo
b) Forma irregular, bordas evertidas, maior sangramento, não apresenta orla de
escoriação nem halo de enxugo
c) Forma regular, bordas evertidas, maior sangramento, não apresenta orla de
escoriação nem halo de enxugo
8. Balística Forense
8. Balística Forense 25/47
d) Forma irregular, bordas invertidas, menor sangramento, não apresenta orla de
escoriação nem halo de enxugo
e) Forma regular, bordas evertidas, maior sangramento, apresenta orla de escoriação e
halo de enxugo
Comentários: A alternativa B é o gabarito da questão. Vejamos, novamente, no quadro
abaixo as características dos ferimentos de entrada e saída.
Ferimentos produzidos por projéteis múltiplos (balins)
Nos disparos efetuados com cartuchos de munição de projéteis múltiplos (armas de alma lisa),
o aspecto da lesão depende, basicamente, da distância em que foram realizados e da
consequente abertura do cone de dispersão. Em tiros muito próximos ou encostados, os
projéteis múltiplos causam grande destruição tecidual, muitas vezes acompanhada de
significativa perda de substância.
Nos disparos efetuados a distância, o que observamos é a existência de lesões múltiplas, como
se produzidas por vários disparos unitários, distribuídas ao redor de um ponto central, e que se
afastam mais uma da outra quanto maior for a distância entre o atirador e o alvo.
O ângulo de tiro irá determinar o formato da lesão única (se o tiro for a curta distância) ou do
desenho formado pela distribuição das múltiplas lesões (nos tiros a distância), que poderá ser
circular, nos disparos perpendiculares ao alvo, e elíptico ou cônico, quando a carga de projéteis
incidir de maneira oblíqua sobre o alvo.
Ferimentos produzidos por projéteis unitários
A lesão de entrada produzida por projétil de arma de fogo é geralmente circular, na
dependência do ângulo de incidência e das linhas de tensão que atuam sobre a pele (Leis de
Filhós e Langer). Excepcionalmente, podem ter formato diverso, atípico, quando o projétil se
deforma, ou perde sua trajetória, para penetrar no corpo com sua face lateral, cilíndrica,
determinando, assim, um ferimento de entrada com formato de letra “D”.
A lesão também terá conformação atípica quando o projétil atingir tangencialmente a pele, “de
raspão”, hipótese em que o ferimento irá apresentar-se como uma escoriação de formato
alongado. Nesse caso, é claro, não se pode falar em ferimento de entrada, pois o projétil não
penetrou o corpo.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 26/47
Apesar de haver certa correspondência de forma entre a seção do projétil e o ferimento, não é
possível determinar o calibre da arma pelo diâmetro da lesão, visto que, em razão da
elasticidade da pele e das linhas de tensão, o orifício de entrada pode ser menor, maior ou igual
ao diâmetro do projétil que lhe deu origem.
O ferimento de entrada tem geralmente bordos invertidos, voltados para o interior do corpo,
característica contrária à dos ferimentos de saída, que possuem as bordas evertidas, levantadas,
indicando claramente o sentido de sua trajetória. Como exceção, temos a câmara de
Hoffmann ou câmara de mina, observada nos tiros encostados em regiões que recobrem
tábuas ósseas, em que o ferimento de entrada tem os bordos evertidos, voltados para fora.
Além do aspecto morfológico, ao redor dos ferimentosde entrada produzidos por projéteis de
arma de fogo, podemos observar algumas espécies de orlas (ou halos) e zonas, fenômenos que
se apresentam de fundamental importância tanto para a caracterização da natureza do
ferimento como para a determinação da distância em que foi realizado o disparo. As orlas (ou
halos) são regiões circunscritas, regulares, que circundam o ferimento como pequenas
auréolas, dando-lhe características especiais que permitem diferenciar as lesões produzidas por
projétil de outras determinadas por instrumentos diversos. As zonas compreendem áreas
maiores, irregulares, que podem ou não estar presentes e que terão importância fundamental
na determinação da distância do disparo.
O diâmetro dessas lesões pode ser maior do que o do projétil em face de explosão dos tecidos
pelo efeito “de mina", e suas bordas algumas vezes voltadas para fora, devido ao levantamento
dos tecidos pela explosão dos gases. Estes tiros ainda podem ser caracterizados pelo sinal do
schusskanol representado pelo esfumaçamento das paredes do conduto produzido pelo projétil
entre as lâminas interna e extema de um osso chato, a exemplo dos ossos do crânio.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 27/47
O diagnóstico diferencial entre o ferimento de entrada e o de saída no piano ósseo,
principalmente nos ossos do crânio, é feito pelo sinal de funil de Bonnet ou do cone truncado
de Pousold. Na lâmina externa do osso, o ferimento de entrada é arredondado, regular e em
forma de “sacabocado”. Na lâmina interna, o ferimento é irregular, maior do que o da lâmina
externa e com bisel intemo bem definido, dando à perfuração a forma de um funil ou de um
tronco de cone. O ferimento de saída é exatamente o contrário, como um amplo bisel externo,
repetindo a forma de tronco de cone, mas, desta vez, com a base voltada para fora.
Nos itens 9.8.5 e 9.8.6 abordaremos os efeitos primários do tiro (causados pelos projéteis) e
efeitos secundários do tiro (causados pelos gases aquecidos e partículas expelidas da arma de
fogo).
Orlas ou halos de contusão, escoriação e enxugo
A pele é constituída por duas camadas distintas, a epiderme e a derme. A primeira é mais fina
e menos elástica, rompendo-se de imediato pelo embate do projétil. A segunda, a derme, mais
elástica, acompanha o projétil, encapsulando-o parcialmente antes de se romper, para depois
voltar à posição original.
Orla de contusão
Em que pese o projétil ser mais ou menos pontiagudo, para ele penetrar ao corpo, tem que
forçar a pele, produzindo ali uma contusão, assim, a primeira orla produzida é a de contusão,
que corresponde a “região equimótica” decorrente da lesão ocasionada pelo embate do projétil
na pele. Trata-se de um halo róseo que circunda o orifício de entrada e que é mais evidente
nas pessoas de pele clara, sendo difícil de observar em peles de tonalidade mais escura.
Orla de escoriação
Como a epiderme é menos elástica que a derme, após a passagem do projétil é possível
observar uma pequena retração com consequente exposição da derme, como se tivéssemos
dois anéis, um, de diâmetro maior, formado pela ruptura da epiderme (orla de contusão), e um
outro, de diâmetro menor, formado pela exposição da derme.
A esse anel (de exposição da derme) denominamos orla ou halo de escoriação. A orla de
escoriação é originada durante a formação do túnel de penetração do projétil, quando
pequenos vasos sanguíneos são tracionados e rompidos, formando escoriações em torno do
ferimento. Esta orla, que consiste um túnel hemorrágico, permite determinar o trajeto do
projétil.
Orla de enxugo
Quando o projétil passa pelo cano da arma, ele “se suja” com as impurezas ali existentes, e ao
atravessar a pele, “se lava e enxuga”, deixando na epiderme a sua marca. É caracterizada por
uma aréola apergaminhada, milimétrica, que circunda a borda do orifício, resultante do impacto
e da pressão rotatória feita pelo projétil contra a pele, antes de rompê-la, limpando-o da
ferrugem, óleo ou fumaça que traz. E geralmente de cor escura, circular nos tiros
perpendiculares e ovular ou elíptica nos tiros oblíquos.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 28/47
Assim, ao atravessar a derme, o projétil literalmente se enxuga. Limpa-se das sujeiras e
impurezas trazidas do cano da arma, restos de pólvora e fuligem depositados em sua superfície,
deixando na derme um anel enegrecido a que se convencionou chamar de orla de enxugo e
que normalmente impede que observemos a orla de escoriação, que fica parcialmente
sobreposta a ela. O chamado anel de FISCH constitui uma superposição destas duas orlas.
(orifício de entrada em tiro a distância)
(2018 – INSTITUTO AOCP – ITEP-RN - Técnico de Necrópsia) A seguinte imagem
mostra um orifício produzido por projétil de arma de fogo. A orla escurecida,
denominada orla de enxugo, resulta de
8. Balística Forense
8. Balística Forense 29/47
a) ressecamento do tegumento, pela passagem rápida do projétil.
b) sujidades do projétil, que aderem ao tegumento durante a entrada do projétil.
c) grânulos de pólvora incombusta, que aderem ao tegumento durante a entrada do
projétil.
d) gases aquecidos, que acompanham o projétil em seu trajeto e carbonizam a borda do
orifício.
e) escoriação e eversão da epiderme, provocadas pelos gases que acompanham o
projétil.
Comentários: A alternativa B é o gabarito da questão. Halo ou orla de enxugo
corresponde a sujidades do projétil, que aderem ao tegumento durante a entrada do
projétil. Quando o projétil passa pelo cano da arma, ele “se suja” com as impurezas ali
existentes, e ao atravessar a pele, “se lava e enxuga”, deixando na epiderme a sua marca.
Zonas de chamuscamento, esfumaçamento e tatuagem
8. Balística Forense
8. Balística Forense 30/47
Quando uma arma é disparada, juntamente com o projétil são expelidos pela boca do cano um
considerável volume de gases em alta temperatura e em combustão, certa quantidade de
fumaça (que varia de acordo com o propelente utilizado) e pequenos grãos de pólvora, assim
como micropartículas metálicas oriundas da abrasão do projétil no cano da arma.
Esses componentes são impelidos juntamente com o projétil, mas, como têm massa
infinitamente menor, não possuem energia cinética para ir além de uns poucos centímetros da
boca do cano da arma, podendo não atingir o alvo.
Zona de chamuscamento
Resulta da ação do calor e dos gases quentes que saem pelo cano da arma, queimando os
pelos e a epiderme. Também é chamada de “zona de queimadura”. Se o disparo for efetuado
muito próximo do alvo, algo em torno de 5 cm, poderemos ter a zona de chamuscamento, que
nada mais é que uma região onde a pele é literalmente queimada pela chama que sai pela boca
do cano da arma.
Zona de esfumaçamento
Para uma distância maior, de até 30 cm, a fumaça decorrente do disparo poderá atingir o alvo
e depositar-se ao redor do ferimento de entrada, produzindo a chamada zona de
esfumaçamento. Finalmente, e exatamente porque têm massa maior que as partículas de
fuligem, restam os grãos de pólvora e as partículas metálicas decorrentes da abrasão do projétil
no cano da arma, que incidem sobre o alvo como verdadeiros projéteis secundários, por vezes
incrustando-se na pele de tal maneira que formam verdadeiras tatuagens (zona de tatuagem).
(zona de esfumaçamento)
8. Balística Forense
8. Balística Forense 31/47
Zona de tatuagem
Finalmente, e exatamente porque têm massa maior que as partículas de fuligem, restam os
grãos de pólvora e as partículas metálicas decorrentes da abrasão do projétil no cano da arma,
que incidem sobre o alvo como verdadeiros projéteis secundários, por vezes incrustando-se na
pele de tal maneira que formam verdadeiras tatuagens (zona de tatuagem).
Os fenômenos aqui observados ocorrem porque o calor, a fumaça e os grânulos de pólvora
combusta ou em combustão, além de outras impurezas que saem do cano da arma, alcançam a
pele. São as hipóteses dos famosos “tiros à queima roupa” (curtadistância).
(zona de tatuagem
(Médico Legista – 2017 – IGP-PR) Em relação a lesões produzidas por instrumento
perfurocontundente, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta.
I. Os orifícios de entrada nos tiros a curta distância têm forma arredondada ou ovalar.
II. Nos ferimentos de tiros a curta distância, não podem ser percebidos halo de enxugo e
aréola equimótica.
III. O diâmetro dos orifícios de entrada nos tiros a curta distância é tipicamente menor que o
do projétil.
IV. A zona de tatuagem é um sinal indiscutível de orifício de entrada em tiros a curta distância.
Estão corretas as afirmativas:
a) I e II, apenas
b) II e III, apenas
8. Balística Forense
8. Balística Forense 32/47
c) I, III e IV, apenas
d) I e IV, apenas
e) III e IV, apenas
Comentários: A alternativa C é o gabarito da questão. Conforme estudamos, nos ferimentos de
tiros a curta distância, são ser percebidos halo de enxugo e aréola equimótica sim, são os
efeitos primários do tiro.
(Médico Legista – 2017 – IGP-PR) O médico legista, ao analisar um ferimento perfurocontuso
ocasionado por disparo de arma de fogo nas costas do cadáver, verificou principalmente as
seguintes características: forma ovalar e halo de tatuagem concentrado na parte inferior e
disperso na parte superior. Assinale a alternativa que representa uma conclusão correta do
médico legista com base nessas características analisadas.
a) O disparo foi encostado e inclinado de cima para baixo
b) O disparo foi encostado e inclinado de baixo para cima
c) O disparo foi a curta distância e inclinado de cima para baixo
d) O disparo foi à distância e inclinado de cima para baixo
e) O disparo foi a curta distância e inclinado de baixo para cima
Comentários: A alternativa E é o gabarito da questão. Pode ser resultante de tiro encostado, a
curta distância ou a distância.
Ferimentos de entrada nos tiros encostados – estes ferimentos, com plano ósseo logo abaixo,
têm forma irregular, denteada ou com entalhes, devido à ação resultante dos gases que
descolam e dilaceram os tecidos. Isso ocorre porque os gases da explosão penetram no
ferimento e refluem ao encontrar a resistência do plano ósseo. É muito comum nos tiros
encostados na fronte e chama-se câmara de mina de Hoffmann. A expressão melhor seria
golpe de mina.
Na redondeza do ferimento, nota-se crepitação gasosa da tela subcutânea proveniente da
infiltração dos gases. Em geral, não há zona de tatuagem nem de esfumaçamento, pois todos os
elementos da carga penetram pelo orifício da bala e, por isso, suas vertentes mostram-se
enegrecidas e desgarradas, com aspecto de cratera de mina. Nos tiros dados no crânio,
costelas e escápulas, principalmente quando a arma está sobre a pele, pode-se encontrar um
halo fuliginoso na lâmina externa do osso referente ao orifício de entrada (sinal de Benassi).
Como este sinal é constituído por um halo de fuligem de contorno suave sobre a superfície
externa do crânio, precisamente sobre o periósteo (membrana fibrosa que reveste os ossos) e
não uma zona de tatuagem por impregnação da pólvora não combusta, pode apresentar-
seborrado ou desaparecer com a lavagem.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 33/47
Sua tendência é desparecer, isto quando as partes moles que cobrem aqueles ossos forem
afetados pela putrefação cadavérica e o crânio ficar esqueletizado. Os tiros encostados ainda
permitem deixar impresso na pele o chamado sinal de Werkgaertner, representado pelo
desenho da boca e da massa de mira do cano, produzido por sua ação contundente ou pelo
seu aquecimento.
O diâmetro dessas lesões pode ser maior do que o do projétil em face de explosão dos tecidos
pelo efeito “de mina”, e suas bordas algumas vezes voltadas para fora, devido ao levantamento
dos tecidos pela explosão dos gases. Estes tiros ainda podem ser caracterizados pelo sinal do
“schusskanol”, representado pelo esfumaçamento das paredes do conduto produzido pelo
projétil entre as lâminas interna e externa de um osso chato, a exemplo dos ossos do crânio.
É importante, como aconselha Gisbert Calabuig, para um diagnóstico seguro de tiro encostado,
encontrar carboxi-hemoglobina no sangue do ferimento, assim como nitratos da pólvora,
nitritos de sua degradação e enxofre decorrente da combustão da pólvora.
Ferimentos de entrada nos tiros a curta distância - estes ferimentos podem mostrar: forma
arredondada ou elíptica, orla de escoriação, bordas invertidas, halo de enxugo, halo ou zona de
tatuagem, orla ou zona de esfumaçamento, zona de queimadura, aréola equimótica e zona de
compressão de gases.
Diz-se que um tiro é a curta distância quando, desferido contra um alvo, além da lesão de
entrada produzida pelo impacto do projétil (efeito primário) são encontradas manifestações
provocadas pela ação dos resíduos de combustão ou semicombustão da pólvora e das
partículas sólidas do próprio projétil expelido pelo cano da arma (efeitos secundários). Quando
além das zonas de tatuagens e de esfumaçamento há alterações produzidas pela elevada
temperatura dos gases, como crestação de pelos e cabelos (entortilhados e quebradiços),
manifestações de queimadura sobre a pele (apergaminhada e escura ou amarelada) e zona de
compressão de gases (no vivo), considera-se essa forma de tiro a curta distância como à
queima-roupa.
O conceito de tiro a curta distância não diz respeito a essa ou aquela extensão entre a boca da
arma e o alvo, referido às vezes, em distância fixa determinada em centímetros. Esse conceito
deve ser eminentemente prático e admitido até quando se podem evidenciar os estigmas dos
efeitos secundários.
A orla de escoriação ou de contusão, em tais ferimentos, deve-se ao arrancamento da
epiderme motivado pelo movimento rotatório do projétil antes de penetrar no corpo. Apresenta-
se, portanto, como uma orla escoriada ou desepitelizada em redor do ponto de impacto na
pele. Todavia, se o projétil encontra um obstáculo antes de penetrar no corpo, perde parte ou o
todo do movimento e rotação, desmotivando assim a formação da orla de escoriação.
O halo ou zona de tatuagem é mais ou menos arredondado nos tiros perpendiculares, ou em
forma de crescente, nos oblíquos. Essa tatuagem varia de cor, forma, extensão e intensidade
conforme a pólvora. É resultante da impregnação de grãos de pólvora incombustos que
alcançam o corpo. Pela análise desse halo, a perícia pode determinar a distância exata do tiro,
8. Balística Forense
8. Balística Forense 34/47
usando-se a mesma arma e a mesma munição em vários tiros de prova, até alcançar um halo
de mesmo diâmetro que o original.
Serve para orientar a perícia quanto à posição da vítima e do agressor. Nos tiros oblíquos, a
tatuagem é mais intensa e menos extensa do lado do ângulo menor de inclinação da arma. A
tatuagem é um sinal indiscutível de orifício de entrada em tiros a curta distância. Nas armas
com “compensador de recuo”, tanto o halo de tatuagem como a orla de esfumaçamento e a
zona de queimadura sofrem alterações.
(2018 – CESPE – PC-MA - Médico Legista) Um cadáver foi encontrado em um campo
aberto. Na perícia do local, observou-se que a vítima havia sido executada sem vestes e
com um único tiro na região frontal da cabeça, naquele mesmo local. O orifício de
entrada do projétil tinha forma arredondada, orla de escoriação, bordas invertidas, halo
de enxugo, halo de tatuagem, orla de esfumaçamento, zona de queimadura, aréola
equimótica e zona de compressão de gases.
A propósito dessas informações, assinale a opção correta.
a) Conforme a descrição das características do orifício de entrada, o tiro em questão foi
disparado de curta distância, à queima-roupa.
b) Considerados o anteparo ósseo da região atingida e a zona de compressão de gases,
é correto concluir que ocorreu o que, popularmente, é chamado de “tiro encostado” —
disparo com o cano da arma encostado ao corpo da vítima.
c) As características de entrada do projétil são suficientes para se concluir que o tiro foidisparado de longa distância, mas insuficientes para se calcular a exata distância entre
atirador e vítima.
d) Devido às características do orifício de entrada, é correto afirmar que o tiro em
apreço foi dado com projétil de alta energia.
e) O halo de tatuagem constitui um efeito primário, razão por que o tiro em questão
pode ter sido disparado tanto de longa quanto de curta distância.
Comentários: A alternativa A é o gabarito da questão. Entre as informações dadas
acerca das características do orifício de entrada estão halo de tatuagem, orla de
esfumaçamento, zona de queimadura, que correspondem a elementos secundários do
tiro presentes nos tiros a curta distância ou queima-roupa.
Disparos encostados
8. Balística Forense
8. Balística Forense 35/47
Nos disparos encostados temos de diferenciar duas situações distintas: os disparos que atingem
unicamente tecidos moles e os que incidem sobre partes do corpo que recobrem ossos planos,
por exemplo, os do crânio. Quando o disparo encostado atinge unicamente tecidos moles,
além do projétil, todos os demais elementos penetram no ferimento, causando uma lesão
interna de grande monta.
As zonas de chamuscamento, esfumaçamento e tatuagem ficam todas no interior do corpo,
mas o orifício de entrada permanece com sua configuração circular ou elíptica, com bordas
invertidas. Por vezes, na dependência da força com que a arma foi pressionada sobre a região
atingida, é possível evidenciar a marca do cano sobre a pele. Isso é chamado de “Sinal de
Werkgaertner” (imagem abaixo). Esses ferimentos são frequentemente observados em
suicídios.
(“Sinal de Werkgaertner” – tiro encostado)
Neste tipo de disparo, o cano da arma fica intimamente encostado no alvo. O ferimento de
entrada caracteriza-se por ser um orifício de bordas denteadas, desarranjadas e invertidas,
sendo este último elemento decorrente da violenta força expansiva dos gases. A presença de
pólvora na porção inicial do trajeto torna o orifício enegrecido.
Outra característica, que pode aparecer, é Sinal de Benassi que é a Impregnação de pólvora e
chumbo na tábua óssea do crânio nos tiros disparados encostados.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 36/47
(2017 – FUNDATEC – IGP-RS - Perito Médico Legista) O perito médico-legista
escalado para o plantão inicia o exame cadavérico de uma vítima do sexo masculino, 20
anos, com ferimentos por projetis de arma de fogo. A vítima chegou à sala de necropsia
sem vestes, que foram retiradas na sala de emergência do pronto-socorro pela equipe
de atendimento médico e não foram encaminhadas ao serviço de medicina legal. O
perito médico-legista observou em região mamária esquerda, altura do 5° intercosto,
linha hemiclavicular, ferimento arredondado, bordos escoriados, concêntricos e
invertidos, 1,0 cm de diâmetro. Não foram observadas outras lesões compatíveis com
ação violenta recente no corpo da vítima. Assinale a alternativa INCORRETA sobre esse
caso.
a) O perito médico-legista descreverá no laudo que se trata de uma lesão
perfurocontusa.
b) É função do perito médico-legista determinar o trajeto do projétil de arma de fogo no
interior do corpo da vítima.
c) O perito médico-legista afirmará que o tiro foi efetuado a distância do ponto de vista
médico-legal.
d) Os bordos do ferimento escoriados descritos no enunciado correspondem à orla de
escoriação causada pelo projétil de arma de fogo ao romper a pele e penetrar no corpo
da vítima.
e) O diâmetro da ferida, nos ferimentos de entrada de tiros, é quase sempre menor que
o diâmetro do projétil.
Comentários: A alternativa C é o gabarito da questão. O perito médico-legista, uma vez
que não examinou as vestes da vítima para constatar a presença ou ausência de
elementos secundários do tiro, não poderá atestar que se tratou de um tiro foi efetuado
a distância.
(FUMARC - 2011 - PC-MG - Escrivão de Polícia Civil) Considerando as lesões
produzidas por projéteis de arma de fogo, o diagnóstico diferencial entre o ferimento de
entrada e o de saída no plano ósseo craniano, é feito pelo sinal de
A) Bonnet.
B) Carrara.
C) Strassmann.
8. Balística Forense
8. Balística Forense 37/47
D) “Terraza” de Hoffmann.
Comentários: A alternativa A é o gabarito da questão. Aqui temos um novidade na nossa
aula, o Sinal do Funil de Bonnet: quando o projétil atravessa um osso chato (exemplo:
costela, esterno, etc.), ao entrar no mesmo provoca um orifício do mesmo diâmetro seu,
mas ao sair, provoca um orifício bem maior, dando um aspecto de V invertido, ou de um
funil. Nos outros três sinais (Carrara, Strassmann e Terraza de Hoffmann) são lesões
causadas por martelo.
Fratura "Perfurante" de Strassmann: é o afundamento ósseo do segmento golpeado,
reproduzindo a forma e a dimensão do objeto contundente.
Sinal do "Mapa-mundi" de Carrara: é o afundamento parcial e uniforme com inúmeras
fisuras, em forma de arcos e meridionais.
Sinal em "Terraza" de Hoffmann: traumatismo tangencial; produz uma fratura de forma
triangular com a base aderia à porção óssea vizinha e com o vértice solto e dirigido para
dento da cavidade craniana.
(FUNCAB - 2012 - PC-RO - Médico Legista) A descrição de um orifício de entrada de
projétil de arma de fogo com buraco de mina de Hoffmann, escoriação de massa de
mira (sinal de Werkgartner), zona de esfumaçamento, zona de tatuagem, equimoses e
queimaduras, está relacionada com:
A) tiro disparado a grande distância.
B) tiro disparado de arma de fogo de grosso calibre.
C) tiro disparado a curta distância.
D) lesão produzida por projéteis múltiplos.
E) tiro encostado.
Comentários: A alternativa E é o gabarito da questão. Como vimos:
- Tiros com arma apoiada ou encostados
São os tiros disparados com a boca do cano da arma contatando intimamente com a
superfície do alvo. Determinam no organismo ferida de entrada em “câmara de mina”,
pela ação da força viva do projétil aumentando a pressão hidrostática, pela violenta
expansão dos gases de explosão anfractuando os tegumentos, pelo escurecimento do
orifício de entrada e do início do trajeto por deposição de pólvora incombusta e/ou
comburida e pelo negro de fumo (ou seja, a marca da boca do canio). Essa marca de
queimadura também é conhecida como sinal de puppe-werkgartner.
- Tiros a curta distância ou à queima-roupa
8. Balística Forense
8. Balística Forense 38/47
Determinam orifício de entrada irregular, igual ou, como ocorre fre quentemente, por
ainda atuar a violenta ação expansiva dos gases, maior do que o calibre do projétil. A
zona de tatuagem supõe disparo à distância de 30 a 75 centímetros, ou mais; presente o
negro de fumo circundando estelarmente o orifício de entrada, admite a distância de 10
a 30 centímetros. Orla de contusão e zona de tatuagem circulares ao redor do orifício
de entrada indicam plano de tiro perpendicular à pele; serão ovaladas ou elípticas nos
tiros de direção oblíqua em que o orifício de entrada da bala ocupa o polo oposto da
orla de contusão e da tatuagem.
- Tiros de longe ou de longa distância
O orifício de entrada é habitualmente menor do que o diâmetro do projétil, de aspecto
circular, quando o agente perfurocontundente incidir perpendicularmente sobre a
superfície da pele, e oblíquo, ovalado, ou fusiforme, quando atingir alvos inclinados ou
abaulados. Excetuadas a orla de contusão, o halo de enxugo e a aréola equimótica (nem
sempre presente), todos os demais elementos de vizinhança não podem absolutamente
ser encontrados na ferida de entrada.
(Médico Legista – 2017 – IGP-PR) Em relação a lesões produzidas por instrumento
perfurocontundente, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta.
I. Os orifícios de entrada nos tiros encostados têm forma irregular, denteada ou com
entalhe.
II. O diâmetro dos orifícios de entrada nos tiros encostados é sempre menor que o do
projétil.
III. Os tiros encostados permitem deixar impresso o desenho da boca eda alça de mira
na pele, através de um alo de tatuagem e esfumaçamento, conhecido como sinal de
Benassi.
IV. Em geral, nos ferimentos de tiros encostados, não há zona de tatuagem nem
esfumaçamento.
Estão corretas as afirmativas:
a) I e II, apenas
b) I, III e IV, apenas
c) II e III, apenas
d) III e IV, apenas
e) I e IV, apenas
8. Balística Forense
8. Balística Forense 39/47
Comentários: A alternativa E é o gabarito da questão. O item II está errado, pois o
diâmetro é maior. Já no item III, o sinal não é o de Benassi e sim de Puppe-
Werkgaertner.
(2012 - PC-SP - Delegado de Polícia) O sinal de Werkgaertner é:
A) o halo fuliginoso deixado sobre as peças ósseas nos disparos encostados.
B) a zona de tatuagem deixada pela pólvora sobre a pele nos disparos a curta distância.
C) o ângulo oblíquo do orifício de entrada nos disparos efetuados a longa distância.
D) o desenho da boca e da alça de mira da arma sobre a pele.
E) o arrancamento da epiderme causado pela rotação do projétil sobre a pele.
Comentários: A alternativa D é o gabarito da questão. Por vezes, na dependência da
força com que a arma foi pressionada sobre a região atingida, é possível evidenciar a
marca do cano sobre a pele. Isso é chamado de “Sinal de Werkgaertner” Esses
ferimentos são frequentemente observados em suicídios.
Neste tipo de disparo, o cano da arma fica intimamente encostado no alvo. O ferimento
de entrada caracteriza-se por ser um orifício de bordas denteadas, desarranjadas e
invertidas, sendo este último elemento decorrente da violenta força expansiva dos
gases. A presença de pólvora na porção inicial do trajeto torna o orifício enegrecido.
(Médico Legista – 2017 – IGP-PR) Em relação a lesões produzidas por instrumento
perfurocontundente, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta.
I. Os orifícios de entrada nos tiros encostados têm forma irregular, denteada ou com
entalhe.
II. O diâmetro dos orifícios de entrada nos tiros encostados é sempre menor que o do
projétil.
III. Os tiros encostados permitem deixar impresso o desenho da boca e da alça de mira
na pele, através de um alo de tatuagem e esfumaçamento, conhecido como sinal de
Benassi.
IV. Em geral, nos ferimentos de tiros encostados, não há zona de tatuagem nem
esfumaçamento.
Estão corretas as afirmativas:
a) I e II, apenas
8. Balística Forense
8. Balística Forense 40/47
b) I, III e IV, apenas
c) II e III, apenas
d) III e IV, apenas
e) I e IV, apenas
Comentários: A alternativa E é o gabarito da questão. O item II está errado, pois o
diâmetro é maior. Já no item III, o sinal não é o de Benassi e sim de Puppe-
Werkgaertner.
(Médico Legista – 2017 – IGP-PR) Em relação a lesões produzidas por instrumento
perfurocontundente, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta.
I. Os orifícios de entrada nos tiros a curta distância têm forma arredondada ou ovalar.
II. Nos ferimentos de tiros a curta distância, não podem ser percebidos halo de enxugo e
aréola equimótica.
III. O diâmetro dos orifícios de entrada nos tiros a curta distância é tipicamente menor
que o do projétil.
IV. A zona de tatuagem é um sinal indiscutível de orifício de entrada em tiros a curta
distância.
Estão corretas as afirmativas:
a) I e II, apenas
b) II e III, apenas
c) I, III e IV, apenas
d) I e IV, apenas
e) III e IV, apenas
Comentários: A alternativa C é o gabarito da questão. Conforme estudamos, nos
ferimentos de tiros a curta distância, são ser percebidos halo de enxugo e aréola
equimótica sim, são os efeitos primários do tiro.
(2017 – CESPE – DPE-AL - Defensor Público) Um médico-legista foi chamado para
avaliar um ferimento ocasionado pela entrada de um projétil de revólver na mão de uma
vítima. O perito, informado de que não havia anteparos ou obstáculos próximos ao
8. Balística Forense
8. Balística Forense 41/47
indivíduo atingido bem como não havia nenhuma peça de vestuário cobrindo a região
corporal atingida, analisou e descreveu a lesão como compatível com disparo efetuado
a longa distância.
Nessa situação hipotética, a característica cutânea que possibilitou ao perito identificar a
distância do disparo do projétil denomina-se
a) orla de esfumaçamento.
b) halo de tatuagem.
c) bordas evertidas.
d) zona de queimadura.
e) aréola equimótica
Comentários: A alternativa E é o gabarito da questão. O orifício de entrada de projétil
de arma de fogo disparado a longa distância apresentará, bordas invertidas e os efeitos
primários do tiro, quais sejam: orla de contusão ou auréola equimótica, halo de enxugo e
orla de escoriação. Os efeitos secundários do tiro (zona de tatuagem, zona de
esfumaçamento e zona de queimadura) não estrão presentes.
Na questão, apenas a letra “e” apresenta achado compatível com disparo efetuado a
longa distância.
(2018 – NUCEPE – PC-PI - Perito Médico Legista) Assinale a alternativa INCORRETA
quanto às lesões provocadas por projétil de arma de fogo:
a) Nos ferimentos por projéteis de arma de fogo, se costuma ter orlas de contusão e
enxugo no orifício de entrada.
b) Nos ferimentos por arma de fogo com arma encostada, se costuma ter câmara de
mina de Hoffman e zona de esfumaçamento. Também pode haver, se tiver osso
subjacente, sinal de Benassi.
c) São características de ferimento de entrada causado por projétil de arma de fogo:
bordas evertidas e ausência de orlas ou zonas.
d) No tiro à queima-roupa se costuma ter zona de tatuagem.
e) Em tiros à distância, não se tem zona de tatuagem, de esfumaçamento.
Comentários: A alternativa C é o gabarito da questão. Como vimos:
- Tiros com arma apoiada ou encostados
8. Balística Forense
8. Balística Forense 42/47
São os tiros disparados com a boca do cano da arma contatando intimamente com a
superfície do alvo. Determinam no organismo ferida de entrada em “câmara de mina”,
pela ação da força viva do projétil aumentando a pressão hidrostática, pela violenta
expansão dos gases de explosão anfractuando os tegumentos, pelo escurecimento do
orifício de entrada e do início do trajeto por deposição de pólvora incombusta e/ou
comburida e pelo negro de fumo (ou seja, a marca da boca do canio). Essa marca de
queimadura também é conhecida como sinal de puppe-werkgartner.
- Tiros a curta distância ou à queima-roupa
Determinam orifício de entrada irregular, igual ou, como ocorre fre quentemente, por
ainda atuar a violenta ação expansiva dos gases, maior do que o calibre do projétil. A
zona de tatuagem supõe disparo à distância de 30 a 75 centímetros, ou mais; presente o
negro de fumo circundando estelarmente o orifício de entrada, admite a distância de 10
a 30 centímetros. Orla de contusão e zona de tatuagem circulares ao redor do orifício
de entrada indicam plano de tiro perpendicular à pele; serão ovaladas ou elípticas nos
tiros de direção oblíqua em que o orifício de entrada da bala ocupa o polo oposto da
orla de contusão e da tatuagem.
- Tiros de longe ou de longa distância
O orifício de entrada é habitualmente menor do que o diâmetro do projétil, de aspecto
circular, quando o agente perfurocontundente incidir perpendicularmente sobre a
superfície da pele, e oblíquo, ovalado, ou fusiforme, quando atingir alvos inclinados ou
abaulados. Excetuadas a orla de contusão, o halo de enxugo e a aréola equimótica (nem
sempre presente), todos os demais elementos de vizinhança não podem absolutamente
ser encontrados na ferida de entrada.
(2018 – NUCEPE – PC-PI - Perito Médico Legista) Com relação aos orifícios de
entrada dos projéteis de arma de fogo, marque a alternativa CORRETA.
a) A orla de enxugo é resultado do descolamento da epiderme provocado pela ação
contundente do projétil.
b) A orla de escoriação é resultado do contato do projétil com a derme durante a
penetração, deixando nela a sujeira que carrega em sua superfície.
c) Em regiões de pele espessa, como a palma da mão, o orifício de entrada pode ter
forma estrelada irregular.