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Parte III Plano - estabilidade monetária com endividamento e baixo crescimento : Mexico inicio 97 Argentina MAR - iMA 578Introdução Há consenso entre os analistas de ter sido o Plano Real o programa de estabilização mais engenhoso que foi implementado no Brasil desde que, a partir da década de 1980, a economia brasileira passou a defrontar-se com seguidas ondas de instabilidade provocadas da dívida externa e 2 pelo enfraquecimento das estruturas de financiamento do setor público, e 3 a ser submetida, diante da iminência de ingressar num quadro hiperinfla- cionário, a terapias anti-inflacionárias de cunho ortodoxo e/ou heterodoxo. Tendo obtido sucesso no combate à inflação, o Plano Real não conse- F guirá, contudo abrir as portas do país para o crescimento econômico. Em parte, a desastrada política econômica que se apoiou no aumento do endividamento - interno e externo na sua primeira fase (1994-1998) para garantir a estabilidade de preços. Em parte, a instabilidade que se abateu so- bre a economia internacional, a partir da crise da economia mexicana, e que depois se estendeu para outros mercados - Sudeste Asiático, Rússia, Ar- gentina etc. -, mantendo sob permanente tensão as economias emergentes. Mesmo quando, a partir de 1999, foram modificadas as bases do mode- lo de estabilização, visando corrigir os acentuados desequilíbrios ocorridos na primeira fase, a herança deixada pelo alto nível de endividamento, bem como o compromisso assumido com respeito às novas regras estabeleci- das para a política fiscal de dar sustentabilidade à dívida pública, irá operar como "trava" do crescimento econômico. A estabilidade monetária, que de- veria estabelecer uma ponte para o ingresso da economia numa trajetória de 11-x crescimento sustentado tornou-se, assim, um fim em si mesmo. Com isso,a estagnação continuou a dominar os horizontes da economia brasileira, entremeada de pequenos e breves surtos de expansão possibilitada por uma conjuntura econômica internacional favorável. Nessa terceira parte, este trabalho dedica-se à análise do Plano Real des- de o seu lançamento, examinando o ambiente econômico da época, sua arquitetura, a política econômica de sua administração, bem como as causas que conduziram o país a uma situação de elevado nível de endividamento e de baixo crescimento. No capítulo 1, dedicado ao exame da primeira fase do Plano (1994- 1998), procura-se analisar como alguns dos membros da equipe econômica, responsável pela sua implementação, inebriados pelo seu êxito inicial no combate à inflação e apoiados em teses equivocadas sobre os efeitos dos desequilíbrios externos sobre a economia e as expectativas dos agentes eco- nômicos, deixaram o país navegar rumo ao desastre do endividamento, sem corrigir seu rumo. No capítulo 2, cuja análise se estende de 1999 até 2002, investiga-se como o país, ao subordinar-se às regras fiscais do novo paradigma teó- rico que passou a ser dominante na década de os pilares do modelo de estabilização para acomodá-las e garantir a sustentabilida- de da dívida pública, por meio da geração de elevados superávits fiscais primários, praticamente renunciou ao crescimento econômico, asfixiado por uma carga tributária em elevação, altas taxas de juros e precária e insuficiente infraestrutura econômica decorrente do baixo nível de inves- timentos públicos. O capítulo 3 analisa a economia e a política econômica no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006) e procura compreender por que seu governo abandonou as bandeiras mais progres- sistas anteriormente defendidas de crescimento com justiça social, para render-se ao credo ortodoxo e dar continuidade ao modelo econômico do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), até mesmo radicalizando-o, sabidamente de natureza anticrescimento. Analisa ainda como, apesar dis- so, favorecido pelo excepcional desempenho da economia mundial, nele 124se conseguiu alcançar taxas mais positivas de crescimento, ainda que dis- tantes das obtidas pelas economias emergentes. E como também foi pos- sível, menos pela "competência" da política econômica e mais por uma de fatores externos favoráveis, reduzir, de forma expressiva, o alto grau de vulnerabilidade externa da economia, embora sem remover um dos principais obstáculos ao crescimento sustentado: a fragilidade fis- cal do Estado brasileiro. 125