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484 CAPÍTULO 27 HYMENOPTERA LINNAEUS, 1758 Gabriel A. R. Melo UFPR, Departamento de Zoologia, Curitiba, PR. https://orcid.org/0000-0001-9042-3899 Anamaria Dal Molin UFRN, Departamento de Microbiologia e Parasitologia, Natal, RN. https://orcid.org/0000-0003-0633-3888 Etimologia. Do grego hymen, hymenos = membrana; pteron = asa. Refere-se às asas membranosas dos membros da ordem. Diagnose. Holometábolos terrestres, com tamanho do corpo variando de 0,14 mm a cerca de 7 cm (a que se adiciona o compri- mento do ovipositor em fêmeas, que pode ser muito longo, especialmente em alguns Ichneumonoidea). Aparelho bucal do tipo mastigador ou mastigador-lambedor, com mandíbulas bem desenvolvidas; maxilas e lábio podendo formar o aparato lambedor; palpos livres e multiarticulados. Antenas quase sempre filiformes, raramente ultrapassando o comprimento do corpo. Olhos compostos e ocelos quase sempre presentes (ausentes em formas ápteras de hábitos hipogeicos). Pernas delgadas, normalmente do tipo cursorial; esporão tibial e basitarso da perna protorácica modificados em aparato para limpeza das antenas. Mesotórax mais desenvolvido que outros segmentos torácicos; tégula presente, recobrindo a base das asas; base do fêmur com trocantelo. Formas aladas com dois pares de asas membranosas; asas metatorácicas menores e acopladas durante o voo às mesotorácicas por um con- junto de ganchos (hâmulos); venação alar relativamente reduzida, veias em geral simples, não ramificadas; pterostigma presente, normalmente bem desenvolvido; formas pequenas com venação muito reduzida, vestigial; pilosidade recobrindo membrana alar reduzida. Tergo abdominal I sempre fundido ao metaposnoto; cerca de 90% das espécies da ordem (Apocrita) com tergo I incor- porado ao tórax funcional, formando o propódeo e com forte constrição entre os segmentos abdominais I e II; esterno abdominal I ausente. Ovipositor funcional do tipo ortopteroide, com os gonocoxitos e gonapófises dos segmentos abdominais VIII e IX bem desenvolvidos. Gonobase da genitália masculina em forma de anel. Cercos reduzidos, com apenas um artículo, ou ausentes. Órgãos visuais das larvas, quando presentes (em larvas fitófagas dos grupos basais), representados por um estema. Sistema haplo-diploide de determinação do sexo, com fêmeas diploides e machos haploides. Introdução. Os himenópteros são conhecidos popularmente como vespas, abelhas e formigas (“abelha” e “formiga” correspondem aqui, respectivamente, a membros das famílias Apidae e Formicidae, ao passo que o termo “vespa” se refere a todos os demais membros da ordem). Grande número de outros nomes populares também é aplicado a esses insetos, principalmente às espécies maiores e/ou sociais de Aculeata, como caba, marimbondo, mamangava, cavalo-do-cão, formiga-feiticeira, oncinha, saúva, entre muitos outros. Compilações de nomes populares para himenópteros foram organizadas por Ihering (1968) e Lenko & Papavero (1996). Nomes populares para as abelhas sociais sem ferrão foram listados por Camargo & Pedro (2007). Com mais de 150 mil espécies descritas (Aguiar et al. 2013), os Hymenoptera representam uma das quatro maiores ordens de insetos (megadiversas), juntamente com Coleoptera, Diptera e Lepidoptera. Com o desenvolvimento das tecnologias disponíveis de equipamentos ópticos, um número crescente de espécies de tamanho pequeno a diminuto (menores que 2 mm de comprimen- to) tem sido analisado e descrito mais adequadamente apenas recentemente. Assim, considerando o grande número de espécies desconhecidas, sobretudo nas regiões tropicais e especialmente algumas famílias de parasitoides, as estimativas de espécies viventes de Hymenoptera variam significativamente, de 300 mil a 3 milhões (Gaston et al. 1996). Os valores mais altos são atribuídos principalmente à especialização de parasitoides a suas gamas de hospedeiros (Huber 2009; Forbes et al. 2018). Pelos números com- https://doi.org/10.61818/56330464c27 Como citar: Melo, G.A.R.; Dal Molin, A. 2024. Cap. 27, Hymenoptera Linnaeus, 1758, pp. 484-545. In: Rafael, J.A.; Melo, G.A.R.; Carvalho, C.J.B. de; Casari, S. & Constantino, R. (eds). Insetos do Brasil: Diversidade e Taxonomia. 2ª ed. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus. 880 pp. Figitidae: Myrtopsen sp. Vespidae: Polistes sp. Pergidae: Sysygonia sp. Fo to : P . G ro ss i Fo to : G .A .R . M el o Fo to : G .A .R . M el o HYMENOPTERA 485 pilados no presente capítulo, a fauna brasileira contém 10.971 espécies descritas de Hymenoptera; estima-se que ocorram cerca de 70 mil. As estatísticas de Fernández (2006a) indicam 23.324 espécies de himenópteros descritas para a região Neotropical. Toda essa diversidade acumulou-se a partir do início da era Mesozoica, mais especificamente no Triássico superior, há 230 milhões de anos, idade aproximada dos registros fósseis mais antigos conhecidos de himenópteros (Rasnitsyn 2002). Embora os grupos mais basais sejam herbívoros, com biologia muito semelhante àquela apresentada por muitos lepidópteros, em que as formas jovens se alimentam de tecido vegetal, a maioria das espécies de Hymenoptera são vespas parasitoides. Esta ordem de insetos se destaca pela sua importância ecológica e econômica como polinizadores, sobretudo no caso das abelhas, e como inimigos naturais de outros insetos e aracnídeos. Os himenópteros mais conhecidos, como as formigas, abelhas e marimbondos, pertencem ao grupo dos aculeados (Aculeata), cujas fêmeas são dotadas de ferrão. Na região Neotropical, os Aculeata constituem elementos conspícuos da fauna, principal- mente pela diversidade e abundância das formas sociais. Os Hymenoptera são morfologicamente muito diversos. O grupo inclui desde os menores organismos multicelulares conhecidos, como os machos ápteros de Dicopomorpha echmep- terygis (Mymaridae), que medem apenas 139 μm (Mockford 1997), até as robustas Pepsis (Pompilidae), com 7 cm de com- primento corporal, e as longas Megarhyssa (Ichneumonidae), cujos ovipositores podem alcançar 15 cm de comprimento. A maioria das formas adultas em Hymenoptera apresenta acentu- ada esclerosação do integumento, com os escleritos fortemente justapostos ou mesmo fundidos. Apenas em grupos basais, como os Tenthredinoidea, as imagos possuem o integumento relativamente fino e com amplas regiões membranosas entre os escleritos. A coloração é variável, geralmente em tons de preto, marrom, amarelado ou alaranjado, e variações são consistentes dentro de cada subgrupo com relação à ocorrência ou não de coloração metálica; há também registros de coloração azul-clara, branca e mesmo fluorescente (Nemésio 2005), que pode ser devida tanto ao integumento quanto aos pelos. Em termos de relações filogenéticas, os Hymenoptera têm uma posição relativamente isolada dentro de Holometabola. O grupo é claramente monofilético, sendo que 18 sinapomorfias foram listadas por Vilhelmsen (1997) e Sharkey (2007). Entre elas, destacam-se a modificação do esporão da tíbia anterior para limpeza de antenas, o acoplamento de asas por hâmulos, e a associação do primeiro tergito abdominal com o metatórax (ver adiante, sob Morfologia). Biologicamente, os Hymenoptera também se diferenciam por apresentar um sistema haplo-diploi- de de determinação do sexo, com fêmeas diploides e machos haploides produzidos por partenogênese arrenótoca. Revisões sobre o estado do conhecimento dos Hymenopte- ra na região Neotropical foram organizadas por Fernández & Sharkey (2006) e Hanson & Gauld (2006). Goulet & Huber (1993) organizaram um apanhado abrangente para os grandes grupos (famílias e subfamílias) da fauna mundial, com chaves de identificação ilustradas. Morfologia (adultos). A presente seção constitui um glossário comentado e tem como objetivo apenas introduzir termos es- pecíficos empregados nas chaves de identificação que não estão explicados diretamente no texto das chaves nem no capítulo de Morfologia Externa, o qual recomendamos consultar paramaterial seco, parte ventral do metassoma quase sempre enrugada e murcha; em alguns casos, a porção lateral dos tergos dobra-se para baixo e encobre os esternos, dando a impressão de que o metassoma é esclerosado ventralmente). Célula costal da asa anterior obliterada, veias C e Sc+R contíguas ao longo de seu comprimento, com frequência veias completamente fundidas e formando uma veia ao longo da margem anterior da asa (Fig. 27.20) ............ ICHNEUMONOIDEA (parte) ... 60 — Tergos metassomais I e II quase sempre telescopados, articulando-se apenas pela membrana entre os tergos; se tergos I e II justapostos e articulados, então primeiro segmento metassomal formando um pecíolo e parte ventral do metassoma fortemente esclerosada e rígida. Célula costal da asa anterior quase sempre distinta, veias C e Sc+R separadas por uma área membranosa (como na Fig. 27.9), pelo menos em parte do seu comprimento, ou veia C ausente; raramente célula costal obliterada (em Rhopalosomatidae e espécies pequenas de Bethylinae, em Bethylidae) ...... 19 19(18). Célula costal aberta (veia C ausente) (Fig. 27.14) .............. ................................................... CYNIPOIDEA ... 83 — Célula costal fechada (veia C presente) ou obliterada ... 20 20(19). Antena com 12 ou 13 flagelômeros. Primeiro segmento me- tassomal formando um pecíolo longo e cilíndrico .............. 21 — Antena com menos de 12 flagelômeros. Primeiro segmen- to metassomal variável, frequentemente não formando um pecíolo cilíndrico .......................................... 22 21(20). Pecíolo metassomal menos de 3 x mais longo do que largo. Asa posterior com veia apenas ao longo da margem anterior, membrana desprovida de veias tubulares. Garras tarsais pectinadas ... PROCTOTRUPOIDEA ... Heloridae — Pecíolo metassomal mais de 3x mais longo do que largo. Asa posterior com conjunto de veias na membrana, além de venação ao longo da margem costal. Garras tarsais simples .... DIAPRIOIDEA ... Monomachidae 22(20). Asa posterior sem células fechadas. Clípeo muito curto, distância entre alvéolo antenal e margem anterior do clí- peo menor que diâmetro do alvéolo .................................. ....................................... CHRYSIDOIDEA (parte) ... 63 — Asa posterior com pelo menos uma célula fechada (como na Fig. 27.10). Clípeo mais longo, distância entre alvéolo antenal e margem anterior do clípeo maior que um diâmetro do alvéolo ............................................. 23 23(22). Asa anterior com 4-5 veias chegando próximo ou tocando sua margem apical, após o pterostigma. Segmentos metas- somais I e II telescopados, sem articulação rígida ou constrição entre eles ... CHRYSIDOIDEA ... Plumariidae — Asa anterior com três (raramente quatro) veias chegando próximo ou tocando a margem apical, após o pterostigma. Articulação entre segmentos metassomais I e II variável, muitas vezes com articulação rígida e constrição entre os dois segmentos ... 72 24(15). Contorno da margem dorsal posterior do pronoto fortemente angulado lateralmente, delimitando uma porção central transversal de duas porções longitudinais curtas, estas HYMENOPTERA 498 correspondendo aos lobos pronotais (como na Fig. 27.24). Corpo com cerdas ramificadas e plumosas. Tíbia e basitarso posteriores fortemente achatados ....... APOIDEA ... Apidae — Contorno da margem dorsal posterior do pronoto uniformemente côncavo (grau de concavidade variável, frequentemente acentuado). Corpo apenas com cerdas simples. Tíbia e basitarso posteriores cilíndricos .............. 25 25(24). Escutelo tão longo quanto ou mais longo que propódeo, em vista lateral. Metassoma frequentemente comprimido lateralmente (como nas Figs 27.72-75). Veia C ausente (célula costal aberta). Pterostigma ausente (Fig. 27.14) ................ ...................................................... CYNIPOIDEA ... 83 — Escutelo em geral mais curto que o propódeo, em vista lateral. Metassoma deprimido dorso-ventralmente ou muito alongado. Veia C quase sempre presente, célula costal fechada ou obliterada (raramente veia C ausente e célula costal aberta). Pterostigma quase sempre presente .................. 26 26(25). Célula costal da asa anterior obliterada, veias C e Sc+R contíguas ao longo de seu comprimento, veias completamente fundidas e formando uma veia ao longo da margem anterior da asa (Fig. 27.20). Esternos metassomais fracamente esclerosados (em material seco, parte ventral do metassoma quase sempre enrugada e murcha; em alguns casos, a porção lateral dos tergos dobra-se para baixo e encobre os esternos, dando a impressão de que o metassoma é esclerosado ventralmente) ........ ICHNEUMONOIDEA (parte) ... 60 — Célula costal da asa anterior quase sempre distinta, veias C e Sc+R separadas por uma área membranosa, pelo menos em parte do seu comprimento (como nas Figs 27.16- 18); raramente veia C ausente e célula costal aberta ou célula costal obliterada (neste último caso, as veias podem ainda ser individualizadas e os esternos metassomais são fortemente esclerosados) ........................................ 27 27(26). Antena com 12 ou 13 flagelômeros ............................. 28 — Antena com menos de 12 flagelômeros ....................... 29 28(27). Vespas grandes, com pelo menos 15 mm de comprimento (Fig. 27.77). Antenas muito longas, atingindo o ápice do metassoma nos machos ou a extremidade do 1º segmento metassomal nas fêmeas. Metassoma muito alongado, pelo menos 1,5x o comprimento da cabeça e mesossoma somados. Basitarso da perna posterior distintamente mais curto do que basitarso da perna média ............................ ......................... PROCTOTRUPOIDEA ... Pelecinidae — Vespas pequenas, tamanho em geral menor do que 5 mm. Antenas mais curtas, em geral não atingindo o ápice do metassoma. Metassoma mais curto, menos de 1,5x o comprimento da cabeça e do mesossoma somados (como na Fig. 27.79). Basitarso da perna posterior com comprimento semelhante ao basitarso da perna média ............................. ............................. DIAPRIOIDEA ... Diapriidae (parte) 29(27). Primeiro segmento metassomal nodular (isto é, mais largo na porção central e estreitando-se para as extremidades), quase sempre segundo segmento também nodular (como na Fig. 27.56) ... FORMICOIDEA ... Formicidae (parte) — Metassoma não peciolado ou se com pecíolo, então este cilíndrico (ou curto e difícil de ver), formado apenas pelo primeiro segmento ou por parte dele e sem constrição entre os segmentos .................................................... 30 30(29). Segundo tergo metassomal aparente distintamente mais longo que restante do metassoma. Metassoma peciolado, pecíolo formado pelo segmento I (como na Fig. 27.78). Fronte quase sempre protuberante na região de inserção das antenas (como na Fig. 27.79) .......................................... 31 — Segundo tergo metassomal mais curto que restante do metassoma. Metassoma não peciolado (como na Fig. 27.44) ou, se com pecíolo, este muito curto, formado apenas por parte do segmento I. Fronte quase sempre não protuberante, antenas raramente inseridas em uma pro- jeção ........................... CHRYSIDOIDEA (parte) ... 63 31(30). Pterostigma bem desenvolvido. Escapo mais curto do que primeiro flagelômero ....................................................... ................. PROCTOTRUPOIDEA ... Proctotrupidae — Pterostigma linear, não desenvolvido. Escapo pelo me-nos tão longo quanto primeiro flagelômero, frequentemen- te mais longo ... DIAPRIOIDEA ... Diapriidae (parte) 32(9). Venação da asa anterior mais desenvolvida (Fig. 27.14), veia Sc+R distintamente afastada da margem costal da asa anterior; primeira abcissa da veia M presente como uma veia transversal no terço basal da asa; veia estigmal (2r-rs mais Rs) fortemente angulada e terminando na margem anterior da asa ............... CYNIPOIDEA ... 83 — Venação da asa anterior muitosimplificada (como nas Figs 27.11-13) ou completamente ausente, veia Sc+R situada próximo à margem costal da asa anterior ou ausente; primeira abcissa da veia M ausente (em algumas espécies de Scelionidae e Chalcidoidea, essa veia pode estar indicada como uma veia nebulosa); veia estigmal ausente ou, se presente, muito curta (apenas 2r-rs) (como na Fig. 27.11) ou, quando mais longa (formada por 2r-rs mais Rs), em curva suave e nunca atingindo a margem anterior da asa como uma veia tubular (Fig. 27.13) ............... 33 33(32). Asa anterior com veia C fundida com Sc+R, formando uma veia larga e conspícua ao longo da margem costal da asa (Fig. 27.13). Veia estigmal longa (2r-rs mais Rs) e em curva suave. Tíbia anterior com dois esporões apicais ................ .......................................... CERAPHRONOIDEA ... 57 — Veia C ausente e Sc+R em posição submarginal (como nas Figs 27.11-12), deixando uma estreita célula costal aberta (raramente Sc+R quase marginal; nesse caso, asa posterior pedunculada), ou venação completamente ausente. Veia estigmal variável, frequentemente curta (apenas 2r-rs) (como nas Figs 27.11-12) ou ausente, raramente longa e em curva suave. Tíbia anterior com um esporão apical ....... 34 34(33). Cabeça fortemente prognata (como nas Figs 27.43, 27.49) e pronoto em vista dorsal mais longo que mesoscuto ou pterostigma bem desenvolvido e veia estigmal em curva e longa (como na Fig. 27.15) ...... CHRYSIDOIDEA (parte) ... 63 — Cabeça não prognata; se prognata, então pronoto mais curto que mesoscuto. Pterostigma reduzido ou ausente; se bem desenvolvido, então veia estigmal reta e curta (como nas Figs 27.11-12) ........................................... 35 35(34). Pronoto, em vista lateral, quase sempre afastado das tégulas (como nas Figs 27.24, 27.92-96). Metassoma usualmente não achatado dorso-ventralmente e sem carena lateral. Coloração do corpo variável, muitas vezes metálica. Inserção das antenas variável. Nas fêmeas, porção externa do ovipositor originando-se da parte ventral do metassoma (como nas Figs 27.94-95) ........ 36 — Pronoto, em vista lateral, prolongando-se até as tégulas. Metassoma quase sempre com achatamento dorso-ventral e frequentemente com uma carena lateral. Corpo com coloração não-metálica (exceto por reflexos metálicos em alguns Scelionidae). Antenas inseridas em uma protuberância no meio da fronte (como na Fig. 27.79) ou próximo à margem inferior da cabeça. Nas fêmeas, porção externa do ovipositor originando-se no ápice do metassoma .......... 37 HYMENOPTERA 499 36(35). Metassoma não peciolado ou pecíolo formado apenas pelo segmento I. Asa anterior quase sempre não espatulada (como na Fig. 27.11) e apenas com cerdas relativamente curtas na margem apical; se asa com aspecto espatulado e margeada por longas cerdas, então membrana alar não reticulada. Asa posterior mais desenvolvida e com membrana alar. Frequentemente com mais de 1 mm de comprimento ... CHALCIDOIDEA (parte) ... 86 — Metassoma com os dois primeiros segmentos estreitos e cilíndricos, formando um longo pecíolo. Asa anterior espatulada e com longas cerdas na margem apical (Fig. 27.81); membrana alar reticulada. Asa posterior extremamente reduzida, formada apenas pela veia basal, membrana alar ausente. Comprimento menor do que 0,8 mm .... MYMAROMMATOIDEA ... Mymarommatidae 37(35). Alvéolos antenais contíguos com a margem superior do clípeo ou separados da margem por uma distância menor que seu próprio diâmetro, região da fronte ao redor dos alvéolos não protuberante. Metassoma frequentemente não peciolado (como na Figs 27.70-71) ou segmento I formando um pecíolo curto ........... PLATYGASTROIDEA (parte) ..... 81 — Alvéolos antenais separados da margem superior do clípeo por uma distância maior que o diâmetro do alvéolo, quase sempre situados em uma protuberância da fronte (como na Fig. 27.79). Metassoma quase sempre com pecíolo bem desenvolvido, segmento I cilíndrico (Fig. 27.79) .............. DIAPRIOIDEA ... Diapriidae (parte) 38(1). Metassoma peciolado, segmento I nodular (ou seja, mais largo na porção central e estreitando-se para as extremidades) (Fig. 27.57), frequentemente segmento II também nodular (Fig. 27.56). Antenas geniculadas (ou seja, escapo formando um ângulo de 90° ou menos com o restante da antena), escapo mais longo que a metade do comprimento do flagelo ........... FORMICOIDEA ... Formicidae (parte) — Metassoma não peciolado (como nas Figs 27.50, 27.62) ou, se com pecíolo, então este cilíndrico (ou curto e difícil de ver), formado apenas pelo segmento I ou por parte dele e sem constrição entre os segmentos. Antenas quase sempre não-geniculadas, escapo em geral mais curto que a metade do comprimento do flagelo ............................... 39 39(38). Mesossoma extremamente modificado, com fusão completa dos escleritos (Fig. 27.62), sem indicação de qualquer sutura transversal em vista dorsal. Corpo coberto por pilosidade abundante (Fig. 27.62) e frequentemente com coloração contrastante e aposemática, pontuação pilígera muito grosseira, em geral formando fóveas profundas .. ...................................... VESPOIDEA ... Mutillidae — Mesossoma apenas com fusão parcial dos escleritos, pelo menos separação entre o pronoto e restante do mesossoma indicada por sutura transversal conspícua, muitas vezes outras suturas também presentes. Pilosidade do corpo em geral escassa e pontuação fina ou ausente ........... 40 40(39). Perna anterior bastante alongada, distintamente mais longa que perna média, seu ápice modificado em pinça raptorial formada pelo último tarsômero e por uma das garras (como na Fig. 27.50) ..... CHRYSIDOIDEA ... Dryinidae — Perna anterior com comprimento semelhante ao da perna média, desprovida de pinça apical ............................. 41 41(40). Machos encontrados apenas dentro de sicônios de figueiras (Ficus spp.) ........................................................ 42 — Fêmeas ou então machos não associados a figos ....... 43 42(41). Asas reduzidas, asa anterior com pterostigma e parte da venação presente ... ICHNEUMONOIDEA ... Braconidae — Asas completamente ausentes ou muito rudimentares e sem qualquer venação presente ..... CHALCIDOIDEA (parte) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86 43(41). Antena com 13 ou mais flagelômeros ....................... 44 — Antena com menos de 13 flagelômeros ...................... 45 44(43). Cabeça fortemente prognata, região de inserção das antenas projetada para frente. Pernas curtas e robustas, fêmur anterior fortemente inchado. Metassoma séssil ............................... ... CHRYSIDOIDEA ... Sclerogibbidae (parte) — Cabeça hipognata, região de inserção das antenas não projetada. Pernas delgadas, fêmur anterior não inchado. Metassoma peciolado ... ICHNEUMONOIDEA (parte) ... 60 45(43). Região de inserção das antenas distintamente protuberante e alinhada, em vista lateral, na metade dos olhos (como na Figs 27.51, 27.79) .............................................. 46 — Região de inserção das antenas não protuberante (se um pouco protuberante, então antenas, em vista lateral, sempre inseridas abaixo da margem inferior do olho) .......... 47 46(45). Cabeça, em vista lateral, subcônica (como na (Fig. 27.51). Antena com oito flagelômeros e filiforme, flagelômeros subiguais em comprimento. Tergo metassomal I mais curto que o II ...................... CHRYSIDOIDEA ... Embolemidae — Cabeça, em vista lateral, subesférica. Antena em geral com mais de oito flagelômeros e quase sempre clavada, flagelômeros basais curtos e apicais mais longos. Primeiro tergo metassomal aparente muito mais longo que demais tergos ............ DIAPRIOIDEA ... Diapriidae (parte) 47(45). Olhos compostos reduzidos ou ausentes, ocelos quase sempre ausentes. Mesossoma extremamente modificado, sem qualquer resquício das asasou tégulas; geralmente com uma forte constrição na base do propódeo ........ 48 — Olhos compostos bem desenvolvidos, ocupando mais da metade da face em vista lateral, ocelos normalmente presentes. Mesossoma em geral semelhante ao das formas aladas, frequentemente com asas vestigiais e tégulas presentes; base do propódeo sem constrição ou apenas levemente constrita .... 49 48(47). Corpo, em geral, com mais de 5 mm de comprimento. Comprimento do metassoma igual ou maior que o da cabeça e mesossoma juntos (como na fêmea da Fig. 27.65). Ápice do metassoma truncado, quase sempre formando um pigídio bastante elaborado ... VESPOIDEA ... Tiphiidae — Corpo, em geral, com menos de 5 mm de comprimento. Comprimento do metassoma menor que o da cabeça e mesossoma juntos. Ápice do metassoma afilado, sem formar um pigídio ... CHRYSIDOIDEA (parte) ... 63 49(47). Antenas não geniculadas e filiformes, escapo variável, mais curto que os flagelômeros basais em alguns grupos .... 50 — Antenas geniculadas e quase sempre clavadas, escapo muito mais longo que qualquer dos artículos seguintes ........ 51 50(49). Vespas com pelo menos 5 mm de comprimento. Antenas longas, com comprimento maior do que o da cabeça e mesossoma juntos ... VESPOIDEA ... Rhopalosomatidae — Vespas com menos de 5 mm de comprimento. Antenas curtas, seu comprimento apenas ultrapassando o da cabeça . . . CHRYSIDOIDEA . . . Bethylidae 51(49). Ovipositor externalizando-se a partir da região ventral do metassoma (como nas Figs 27.94-95). Coloração variável, podendo ser metálica em alguns grupos. Pronoto, em vista lateral, não se prolongando até as tégulas ... CHALCIDOIDEA (parte) ... 86 — Ovipositor externalizando-se a partir do ápice do metassoma (como nas Figs 27.37-38). Coloração nunca metálica. Pronoto, em vista lateral, prolongando-se até as tégulas ..... 52 HYMENOPTERA 500 52(51). Base do metassoma com carenas longitudinais ................ ........................................ CERAPHRONOIDEA ... 57 — Base do metassoma desprovida de carenas longitudinais ..... ................................ PLATYGASTROIDEA (parte) ... 81 53(4). TENTHREDINOIDEA. Flagelo antenal constituído por um e longo flagelômero, que pode ser bifurcado em machos de algumas espécies .............. Argidae — Flagelo antenal com três ou mais flagelômeros ............ 54 54(53). Veia 2r-rs presente na asa anterior (Fig. 27.4) .......... 55 — Veia 2r-rs ausente na asa anterior ........................... 56 55(54). Antena filiforme, ocasionalmente serreada ou subclavada, quase sempre com nove artículos. Vespas com corpo mais esguio e cilíndrico (Fig. 27.31) ......... Tenthredinidae (parte) — Antena capitada, com 5-6 artículos (Fig. 27.2). Vespas usualmente com corpo robusto, tórax com aspecto esférico (Figs 27.1, 27.29) .......................................... Cimbicidae 56(54). Célula anal ausente na asa posterior. Asa anterior com célula anal peciolada (como na Fig. 27.4) ou ausente. Antena variável, filiforme, serreada ou pectinada, curta, com 5 a 6 artículos ou com até 25 artículos, raramente com nove artículos ...................................... Pergidae — Célula anal presente na asa posterior (como na Fig. 27.5). Asa anterior com célula anal sempre presente, peciolada (como na Fig. 27.4) ou completa. Antena quase sempre com nove artículos .................... Tenthredinidae (parte) 57(33, 52). CERAPHRONOIDEA. Tíbia média com um esporão. Esporão mais longo da tíbia anterior com ápice não-bifurcado. Margem anterior do metassoma, em vista dorsal, apenas fracamente constrita. Antena com 5 a 9 flagelômeros. Notaulos ausentes. Pterostigma de tamanho variável, usualmente reduzido, linear (Figs 27.13, 27.37) ........ Ceraphronidae — Tíbia média com dois esporões. Esporão mais longo da tíbia anterior com ápice bifurcado. Margem anterior do metassoma, em vista dorsal, formando uma forte constrição. Antena com 9 flagelômeros. Mesoscuto normalmente com notaulos bem marcados (Fig. 27.22). Asa anterior usualmente com pterostigma bem desenvolvido (Figs 27.22, 27.38) ................................. Megaspilidae 58(14). EVANIOIDEA. Metassoma pequeno e curto, em vista lateral usualmente menor que o mesossoma (Fig. 27.42), nunca conspicuamente maior ou mais longo; primeiro segmento cilíndrico, tergo e esterno fusionados, formando um pecíolo estreito. Asa posterior com lóbulo jugal quase sempre presente e bem desenvolvido. Propleura vertical e relativamente curta, suas duas metades não unidas dorsalmente ....... Evaniidae — Metassoma de proporções normais ou bem alongado, em vista lateral mais longo que a soma do comprimento da cabeça e mesossoma (Figs 27.40-41); primeiro segmento cônico, tergo e esterno não-fusionados. Asa posterior sem lóbulo jugal. Propleura horizontal e alongada, metades unidas dorsalmente e formando um ‘pescoço’ ou ‘pecíolo’ entre a cabeça e restante do mesossoma ....... 58 59(58). Alvéolos antenais posicionados na metade ventral da face, próximo à margem inferior dos olhos. Veia 2m-cu presente na asa anterior. Tíbia posterior delgada, porção apical apenas um pouco mais engrossada do que a base (Fig. 27.40) ..... Aulacidae — Alvéolos antenais posicionados no meio da face, aproximadamente na metade do comprimento dos olhos. Veia 2m-cu ausente na asa anterior. Tíbia posterior claviforme, porção apical muito mais engrossada que a base (Fig. 27.41) ................................................................. Gasteruptiidae 60(11, 18, 26, 44). ICHNEUMONOIDEA. Asas completamente desenvolvidas .................................................... 61 — Ápteros ou braquípteros .................................................. 62 61(60). Asa anterior sem veia 2m-cu. Asa posterior com a célula radial (indicada por asterisco na Fig. 27.10) não se estendendo além do ponto de divergência entre as veias R e Rs ....... Braconidae — Asa anterior com veia 2m-cu distinta (como na Fig. 27.20), muito raramente ausente (Ophionellus Westwood, Anomalinae; Romaniella Cushman, Banchinae). Asa posterior com a célula radial alongada a ponto de ultrapassar o ponto de divergência entre as veias R e Rs ......... Ichneumonidae (parte) 62(60). Estrutura bucal do tipo ciclóstomo (com ampla escavação circular entre as mandíbulas) ou com mandíbulas do tipo exodonte (mandíbulas amplamente separadas quando fechadas) ........................................ Braconidae — Estrutura bucal não especializada .... Ichneumonidae (parte) 63(22, 30, 34, 48). CHRYSIDOIDEA. Antena com 13 ou mais flagelômeros. Fêmur anterior inchado (Fig. 27.48) na fêmea, de maneira bastante acentuada. Fêmea áptera e com a tíbia anterior alargada ....................... Sclerogibbidae — Antena com 8 a 11 flagelômeros. Fêmur anterior não alargado ou inchado. Fêmea alada, braquíptera ou áptera, sua tíbia anterior quase sempre delgada ............... 64 64(63). Antena com 8 flagelômeros. Garras tarsais simples. Asa posterior, quando presente, sem veia anal ................... 65 — Antena com 10 ou 11 flagelômeros. Garras tarsais variáveis, frequentemente bidentadas. Asa posterior, quando presente, com veia anal ............................................. 66 65(64). Cabeça, em vista lateral, subtriangular a subcônica (Fig. 27.51). Região de inserção das antenas distintamente protuberante e alinhada, em vista lateral, à metade do olho. Tarso anterior da fêmea normal, garras pequenas e de tamanhos semelhantes ....................... Embolemidae — Cabeça, em vista lateral, semiesférica a subtriangular (Figs 27.49-50). Região de inserção das antenas não protuberante e alinhada, em vista lateral próximo à margem inferior do olho. Tarso anterior da fêmea quase sempre modificado em pinça raptorial formada pelo último tarsômero e por uma das garras .................................. Dryinidae 66(64). Asa posterior, quando presente (macho apenas), com pelo menos duas células fechadas por veias tubulares.Flagelo com pilosidade ereta conspícua, mais desenvolvida nos machos (Fig. 27.46), cerdas mais longas que diâmetro do flagelo. Fêmea áptera; mesotórax em vista dorsal aproximadamente tão longo quanto pronoto; mesonoto e mesopleura completamente fundidos, sem indicação de sutura entre os escleritos .... Plumariidae — Asa posterior, quando presente (ambos os sexos), desprovida de células fechadas. Pilosidade do flagelo variável, em geral cerdas eretas mais curtas ou subiguais ao diâmetro do flagelo. Fêmea variável, quando áptera, mesotórax em vista dorsal conspicuamente mais curto que pronoto e sutura entre mesonoto e mesopleura distintamente indicada ... 67 67(66). Metassoma com menos de seis tergos expostos, porção apical nas fêmeas, quando exposta, em forma de um tubo articulado (Fig. 27.45). Integumento frequentemente com brilho metálico. Propódeo quase sempre com projeções laterais pontiagudas. Cabeça frequentemente hipognata. Pronoto separado das tégulas por uma expansão do mesoscuto ....... Chrysididae — Metassoma com seis ou sete tergos expostos, porção apical nas fêmeas, quando exposta, em forma de um ferrão pontiagudo (Fig. 27.47). Integumento raramente com brilho metálico. HYMENOPTERA 501 Propódeo sem projeções laterais. Cabeça frequentemente prognata. Pronoto, nas formas aladas, contatando as tégulas ... 68 68(67). Prosterno muito desenvolvido, sua superfície ventral ampla e em forma de losango. Margem anterior do pronoto não projetada, deixando a porção anterior da propleura exposta em vista dorsal. Trocanter anterior inserido ântero-lateralmente na coxa. Prepectos separados entre si e posicionados lateralmente no mesepisterno ... Scolebythidae — Prosterno quase sempre reduzido, sua superfície ventral pequena e triangular, raramente desenvolvido e em forma de losango. Margem anterior do pronoto projetada para frente e encobrindo a porção anterior da propleura em vista dorsal; se margem não projetada, então metades da propleura fundidas dorsalmente. Trocanter anterior inserido no ápice posterior da coxa. Prepectos fundidos entre si, formando uma borda contínua ao longo da margem anterior do mesepisterno .......................... Bethylidae 69(17). APOIDEA. Alvéolos antenais voltados para baixo, sua porção superior recoberta por uma forte expansão da fronte, algumas vezes margem apical das expansões unidas no meio e formando uma estrutura única ocupando a região entre os alvéolos. Região póstero-ventral do mesepisterno não expandida entre as coxas médias, côndilo da articulação medial, em geral, ocultado pela coxa, se exposto então bem afastado da linha média do corpo. Base da coxa média estreita e pedunculada. Carena omaular presente. Sulco mesepisternal ausente ....... Ampulicidae — Alvéolos antenais usualmente voltados para frente, sua margem superior não expandida ou apenas levemente expandida em comparação com margem inferior, raramente inclinados para baixo. Região póstero-ventral do mesepisterno expandida e formando uma aba entre as coxas médias, côndilo da articulação medial situado na margem da aba mesepisternal. Base da coxa média usualmente ampla, não pedunculada. Carena omaular variável, frequentemente ausente. Sulco mesepisternal, em geral, presente (como na Fig. 27.24), pelo menos na porção lateral logo abaixo da articulação da asa anterior ........... 70 70(69). Metassoma com pecíolo cilíndrico (Fig. 27.53), sem indicação de sutura lateral. Lobo jugal da asa posterior amplo, tão longo quanto lobo vanal, e contendo veia A3. Tergo apical sem qualquer placa pigidial. Coxa média sem carena lateral ......................... Sphecidae — Metassoma variável, frequentemente não-peciolado (como nas Figs 27.54-55), se peciolado então com indicação de sutura lateral (separação entre tergo e esterno) e asa posterior com lobo jugal bem mais curto que lobo vanal e veia A3 ausente. Tergo apical usualmente com uma placa pigidial (tergo VI nas fêmeas e tergo VII nos machos). Coxa média frequentemente com carena lateral, algumas vezes formando uma forte lamela ....... 71 71(70). Corpo coberto por cerdas (pelos) simples, sem ramificações. Tarsômero I da perna posterior aproximadamente tão largo quanto demais tarsômeros. Garras tarsais simples. Tíbia média com um ou dois esporões ......... Crabronidae — Corpo coberto por pilosidade plumosa (Fig. 27.55), se pilosidade pouco evidente, então pelo menos algumas cerdas (pelos) plumosas evidentes nas porções dorsolaterais do propódeo. Tarsômero I da perna posterior quase sempre distintamente mais largo que demais tarsômeros. Garras tarsais variáveis, frequentemente bífidas. Tíbia média com apenas um esporão (algumas vezes ausente) ...... Apidae 72(23). Metassoma peciolado (Figs 27.56-58), segmento I nodular (ou seja, mais largo na porção central e estreitando-se, em geral abruptamente, nas extremidades), frequentemente segmento II também nodular e/ou segmento III com uma distinta constrição na porção basal. Órbitas oculares internas retas ou levemente emarginadas. Tamanho dos olhos compostos variável, frequentemente pequenos e ocupando menos da metade da face, em vista lateral (como na Fig. 27.58). Integumento com coloração uniforme, variando de preto a castanho-claro, áreas pigmentadas de amarelo e com brilho metálico nunca presentes .... FORMICOIDEA ... Formicidae — Metassoma não-peciolado, ou se peciolado, então segmento I alongado (como na Fig. 27.60) ou atingindo sua maior espessura de modo gradual, segmentos II e III telescopados (como nas Figs 27.61, 27.64, 27.66), base do segmento III raramente com constrição evidente. Órbitas oculares internas variáveis, frequentemente com uma forte reentrância (como nas Fig. 27.7 e 27.66). Olhos compostos em geral ocupando mais da metade da face, em vista lateral (como nas Figs 27.60-61, 27.64-66). Integumento com coloração variável, frequentemente com áreas pigmentadas de amarelo (como nas Figs 27.65- 66) ou, mais raramente, com brilho metálico ...... 73 73(72). Vespas robustas e em geral grandes (pelo menos 10 mm de comprimento), fêmeas com pernas curtas e grossas (Fig. 27.59). Porção distal das asas finamente corrugada. Metepisterno expandido ventralmente, encobrindo a base das coxas posteriores, sua superfície nivelada com a porção ventral do mesepisterno. Base das coxas médias, bem como das posteriores, amplamente separadas entre si. Macho com três fortes espinhos projetando-se no ápice do metassoma ........ SCOLIOIDEA .... Scoliidae — Vespas em geral mais esguias e frequentemente com pernas alongadas e finas (como nas Figs 27.60-66), tamanho do corpo variável. Porção distal das asas não corrugada. Metepisterno não expandido e não encobrindo a base das coxas posteriores. Base das coxas médias e posteriores quase sempre contíguas. Macho com o ápice do metassoma variável, simples, com o último esterno em gancho ou com dois espinhos, nunca com três espinhos .......... 74 74(73). VESPOIDEA. Laterais do mesepisterno atravessadas longitudinalmente por uma linha reta diagonal, ou sulco estreito, passando pelo escrobo (Fig. 27.25). Pernas alongadas e esguias, principalmente as posteriores (Fig. 27.64). Órbitas internas retas ou levemente emarginadas, raramente com forte reentrância .................. Pompilidae — Laterais do mesepisterno sem linha ou sulco longitudinal, se sulco presente então largo e não atravessando toda a mesopleura. Pernas variáveis. Órbitas internas frequentemente com uma forte reentrância ............................................ 75 75(74). Órbitas internas retas, levemente emarginadas ou com uma reentrância rasa ................................................ 76 — Órbitas internas com uma forte reentrância, em forma de U ou V, em sua porção superior (como nas Figs 27.7, 27.66) ... 77 76(75). Corpo coberto por pilosidade abundante e longa, frequentemente com coloração contrastante e aposemática (Fig. 27.63). Integumento com coloração variandode preto a castanho-claro, sem áreas pigmentadas de amarelo. Garras tarsais das pernas médias e posteriores simples. Machos quase sempre com uma faixa estreita especializada de cerdas (pêlos) finas nas laterais do tergo II ....... Mutillidae (parte) — Corpo com pilosidade pouco desenvolvida e em geral inconspícua (Fig. 27.65). Integumento com coloração variável, frequentemente com áreas pigmentadas de amarelo (Fig. 27.65). Garras tarsais das pernas médias e posteriores bífidas. Machos sem faixa de cerdas nas laterais do tergo II ................... Tiphiidae (parte) HYMENOPTERA 502 77(75). Antena com uma ou duas cerdas eretas conspícuas na margem dorsal apical dos cinco flagelômeros basais. Célula costal da asa anterior obliterada, veias C e Sc+R contíguas ao longo de seu comprimento. Fêmeas com os quatro tarsômeros distais achatados e largos ..... Rhopalosomatidae — Antena desprovida de cerdas eretas conspícuas nos flagelômeros basais. Célula costal da asa anterior distinta, veias C e Sc+R separadas, pelo menos em parte do seu comprimento, por uma área membranosa. Fêmeas com os tarsômeros não especializados ......... 78 78(77). Asa anterior quase sempre dobrada longitudinalmente e com a célula 1M muito alongada, veia Cu, entre 1cu-a e 1m-cu, pelo menos 3,5 vezes mais longa que altura máxima da célula 1M. Porção do mesoscuto anterior à tangente passando pela borda anterior das tégulas mais longa que porção posterior (Fig. 27.6). Alvéolos antenais voltados para frente (Fig. 27.7), sua margem superior não expandida ou apenas levemente expandida em comparação com margem inferior ..... Vespidae — Asa anterior não dobrável longitudinalmente e com a célula 1M não muito alongada, veia Cu, entre 1cu-a e 1m-cu, menos de três vezes mais longa que altura máxima da célula 1M. Porção do mesoscuto anterior à tangente passando pela borda anterior das tégulas mais curta que porção posterior. Alvéolos antenais voltados para baixo ou para os lados e com sua porção superior recoberta por uma forte expansão da fronte ....... 79 79(78). Ápice do esterno VIII do macho em forma de gancho voltado para cima. Região posterior ventral do mesepisterno projetada para trás na forma de um par de abas que recobrem a base das coxas médias ......... Tiphiidae (parte) — Ápice do esterno VIII do macho não formando um gancho. Região posterior ventral do mesepisterno não projetada ... 80 80(79). Corpo coberto por pilosidade abundante e longa, frequentemente com coloração contrastante e aposemática (Fig. 27.63). Integumento com coloração variando de preto a castanho-claro, sem áreas pigmentadas de amarelo. Garras tarsais das pernas médias e posteriores simples. Metassoma peciolado (Fig. 27.63), tergo I muito mais curto e estreito que o seguinte. Machos quase sempre com uma faixa estreita especializada de cerdas finas nas laterais do tergo II .................... Mutillidae (parte) — Corpo com pilosidade curta e em geral pouco desenvolvida. Integumento preto, com áreas pigmentadas de amarelo (Fig. 27.66). Garras tarsais das pernas médias e posteriores com um dente ventral. Metassoma não peciolado (Fig. 27.66), tergo I tão largo quanto e mais longo que o seguinte. Machos sem faixa de cerdas nas laterais do tergo II ..... Sapygidae 81(37, 52). PLATYGASTROIDEA. Tergo metassomal II não distintamente mais longo que os demais, no máximo com aproximadamente o mesmo comprimento que o tergo III ............................ Scelionidae (parte) — Tergo metassomal II distintamente mais longo que os demais somados, sempre muito mais longo que tergo III ......... 82 82(81). Asa anterior sem veias ou, se veia submarginal presente, então esta não atinge a margem anterior da asa; veia estigmal ausente. Antena com 8 ou menos flagelômeros; macho com segundo flagelômero (às vezes o primeiro) modificado ... Platygastridae — Veia submarginal (Rs) da asa anterior atingindo a margem anterior da asa próximo ao centro, daí divergindo da margem (veia estigmal presente) (Fig. 27.12). Antena usualmente com 10 a 11 flagelômeros, raramente 8 ou menos; macho com terceiro flagelômero especializado ..... Scelionidae (parte) 83(14, 19, 25, 32). CYNIPOIDEA. Mesoscuto liso ou com esculturação fina, em geral sem fóveas ou cristas fortes; cristas transversais, quando presentes, fracas e irregulares. Pronoto em geral sem crista transversal. Vespas pequenas (Figs 27.74-75), com 1 a 6 mm de comprimento ........ 84 — Mesoscuto com esculturação grosseira, com fóveas e/ou com cristas transversais fortes. Pronoto com uma crista transversal distinta, pelo menos na porção central. Vespas relativamente grandes (Figs 27.72-73), com 5 a 30 mm de comprimento, em geral com mais de 10 mm ......................................... 85 84(83). Mesoscuto muito liso e polido, notaulos ausentes. Escutelo desprovido de fóveas ou sulco basais, uniformemente convexo, sem placa dorsal ovalada ou projeções espiniformes; axilas bem desenvolvidas e evidentes. Venação bastante reduzida, asa anterior desprovida de células fechadas, veias não atingindo margem costal. Vespas indutoras de galhas em ramos de Acacia e Prosopis (Mimosaceae) ....... Cynipidae — Sem a combinação de caracteres acima .......... Figitidae 85(83). Célula marginal pelo menos nove vezes mais longa que larga. Porções laterais do pronoto sem escultura foveada. Perna posterior com fêmur curto, seu comprimento aproximadamente igual ao da coxa e menor que o da tíbia. Metassoma alongado e fortemente comprimido lateralmente, em particular nas fêmeas (Fig. 27.72) ..... Ibaliidae — Célula marginal no máximo seis vezes mais longa do que larga. Porções laterais do pronoto pelo menos parcialmente com escultura foveada. Perna posterior com fêmur muito mais longo que a coxa e mais longo que a tíbia. Metassoma com contorno mais arredondado em vista lateral e não fortemente comprimido (Fig. 27.73) ................... Liopteridae 86(3, 36, 42, 51). CHALCIDOIDEA. Fêmur posterior grandemente inchado e em geral com margem ventral denteada (como nas Figs 27.86-87). Tíbia posterior distintamente encurvada ...... 87 — Fêmur posterior não fortemente inchado e em geral com margem ventral sem denteação (como nas Figs 27.89-94). Tíbia posterior em geral reta, raramente encurvada ........... 90 87(86). Prepecto reduzido, inconspícuo. Tégula variável, frequentemente alongada ou grande. Integumento normalmente sem brilho metálico ....................................................................... 88 — Prepecto bem desenvolvido. Tégula pequena. Integumento, em geral, com brilho metálico em pelo menos alguma porção do corpo ................................................................... 89 88(87). Borda posterior da gena arredondada na porção inferior. Tégula alongada e estreita. Asa anterior, em repouso, dobrada sobre si mesma ao longo de seu comprimento. Ovipositor frequentemente curvado sobre o metassoma e voltado para frente (Fig. 27.87). Machos com maior parte dos tergos metassomais fusionados ........... Leucospidae — Borda posterior da gena normalmente com um forte rebordo lamelado ou carenado na porção inferior. Tégula relativamente grande e arredondada. Asa anterior não dobrada. Ovipositor reto e voltado para trás. Tergos metassomais dos machos não fusionados ...... Chalcididae 89(87). Órbitas internas, em vista frontal, divergentes na porção inferior da face. Alvéolos antenais posicionados bem abaixo da metade da face ............................ Pteromalidae (parte) — Órbitas internas, em vista frontal, aproximadamente paralelas. Alvéolos antenais posicionados aproximadamente na metade da face ................................. Torymidae (parte) 90(86). Distância alvéolo-ocular quase sempre menor que distância interalveolar. Face frequentemente com linhas desenhando um H. Venação da asa anterior muito reduzida (Fig. 27.82), raramente se prolongando além da metade basal da asa, veias estigmal e pós-marginalquase sempre ausentes. Base da asa posterior peciolada, sem membrana ....... Mymaridae HYMENOPTERA 503 — Distância interalveolar em geral menor que a distância alvéolo- ocular. Face sem linhas em forma de H. Venação da asa anterior geralmente se estendendo além da metade basal da asa, veia estigmal quase sempre presente, embora às vezes muito curta. Base da asa posterior com membrana alar evidente ......... 91 91(90). Mesopleura conspicuamente convexa, com aspecto inchado, normalmente mais longa que alta em vista lateral (como na Fig. 27.90). Esporão da tíbia média grande, seu comprimento normalmente atingindo pelo menos a metade do basitarso. Basitarso da perna média em geral com uma ou mais fileiras de cerdas grossas ................ 92 — Mesopleura não convexa ou apenas fracamente convexa, normalmente mais alta que longa, em vista lateral (como nas Figs 27.91-94). Esporão da tíbia média não particularmente desenvolvido. Basitarso da perna média sem cerdas grossas ..... 94 92(91). Prepecto inchado, visível em vista dorsal, projetado para frente. Notaulos convergindo fortemente na parte posterior do mesoscuto, em geral unidos ......... Tanaostigmatidae — Prepecto plano, não visível em vista dorsal. Notaulos ausentes ou, quando presentes, em geral não se unindo posteriormente ..... 93 93(92). Coxa média inserida na metade anterior da mesopleura (mais próxima à coxa anterior). Asa anterior com veia marginal muito curta, normalmente mais curta que veia estigmal. Cercos deslocados para a região anterior do metassoma. Axilas alongadas transversalmente, tocando- se no meio do tórax .................................... Encyrtidae — Coxa média inserida na metade posterior da mesopleura (Fig. 27.90). Veia marginal mais longa que veia estigmal. Cercos em posição normal, na região posterior do metassoma. Axilas em geral não alongadas transversalmente e não se tocando no meio do tórax .............. Eupelmidae 94(91). Veia pós-marginal ausente na asa anterior, membrana alar frequentemente com fileiras retas de cerdas prolongando-se até o ápice da asa (Fig. 27.83). Tarsos com três tarsômeros .................................................... Trichogrammatidae — Veia pós-marginal presente ou ausente, membrana alar sem fileiras retas de cerdas prolongando-se até o ápice da asa. Tarsos com quatro ou cinco tarsômeros ............................. 95 95(94). Tarsos com quatro tarsômeros. Antena, em geral, com quatro ou menos flagelômeros funiculares, raramente com cinco ... 96 — Tarsos com cinco tarsômeros, tarso médio raramente com quatro tarsômeros. Antena variável, em geral com cinco ou mais flagelômeros funiculares ............................................ 97 96(95). Metassoma unido ao mesossoma sem constrição aparente. Esporão da tíbia anterior curvo e com ápice bífido. Vespas de tamanho diminuto, corpo em geral com 1 mm ou menos de comprimento. Integumento raramente com brilho metálico .......................... Aphelinidae (parte) — Constrição entre mesossoma e metassoma aparente. Esporão da tíbia anterior curto e reto. Tamanho do corpo e coloração do integumento muito variáveis ...... Eulophidae 97(95). Cabeça prognata, muito aplainada dorso-ventralmente. Mandíbula com um apêndice alongado sob a cabeça. Tíbias anterior e posterior mais curtas que respectivos fêmures ... ............................................................ Agaonidae (parte) — Cabeça normalmente hipognata, não aplainada dorso- ventralmente. Mandíbula sem apêndice projetando-se sob a cabeça. Tíbias igualmente ou mais longas que respectivos fêmures ................................................................................ 98 98(97). Pronoto não visível em vista dorsal, oculto pelo mesoscuto. Mandíbula falciforme. Metassoma sempre peciolado (Fig. 27.91). Escutelo frequentemente com projeções espiniformes, projeções muitas vezes bem longas (Fig. 27.91) .... Eucharitidae — Pronoto sempre visível em vista dorsal (como nas Figs 27.94-96). Mandíbula não falciforme. Metassoma e escutelo variáveis ... 99 99(98). Metassoma curto, com contorno triangular em vista lateral, com apenas dois a três segmentos principais. Corpo compacto, robusto (Fig. 27.92). Esculturação do mesossoma em geral grossa, com fóveas bem marcadas ...... Perilampidae — Formato do metassoma diferente, com mais de três segmentos principais. Formato do corpo e esculturação do mesossoma variáveis .................................... 100 100(99). Asa anterior com veia estigmal muito curta, raramente maior e engrossada. Coxa posterior, em geral, muito maior do que coxa anterior. Carena occipital geralmente presente ......... 101 — Asa anterior com veia estigmal normalmente mais longa. Coxa posterior em geral não muito maior do que coxa anterior. Carena occipital variável, frequentemente ausente ......... 102 101(100). Tergos com pontuações pilígeras grossas, formando fóveas. Ovipositor não se prolongando além do ápice do metassoma. Vespas muito raras ........... Ormyridae — Tergos com pontuação pilígera mais fina, não formando fóveas. Ovipositor em geral prolongando-se muito além do ápice do metassoma (Fig. 27.95). Vespas relativamente comuns ......................................... Torymidae (parte) 102(100). Pronoto, em vista dorsal, retangular, aproximadamente tão longo quanto o mesoscuto (Fig. 27.94). Integumento normalmente negro e/ou amarelo, raramente com brilho metálico. Esculturação do mesossoma frequentemente grossa e bem evidente (Fig. 27.94) ................. Eurytomidae — Pronoto em geral não tão desenvolvido, ou mais curto do que mesoscuto, raramente muito mais longo do que mesoscuto. Coloração do integumento variável. Mesossoma em geral com pontuação mais fina .............................. 103 103(104). Antena com clava muito longa, sem indicação dos flagelômeros individuais (Fig. 27.88); com dois a quatro flagelômeros anelares e sem funículo. Mesossoma polido; escutelo e axilas fundidos, formando um esclerito transversal estreito. Membrana da asa anterior praticamente glabra, apenas com uma fileira de cerdas longas na borda da asa ..... Signiphoridae — Antena não clavada ou, quando clavada, clava mais curta, com pelo menos um ou mais flagelômeros funiculares. Mesossoma em geral não tão liso; escutelo e axilas não fundidos. Membrana da asa anterior normalmente com cerdas pequenas ........ 104 104(103). Antena com quatro ou menos flagelômeros funiculares. Metassoma unido ao mesossoma sem constrição aparente. Notaulos completos ...... Aphelinidae (parte) — Antenas com pelos menos cinco flagelômeros funiculares; ou união entre mesossoma e metassoma com constrição evidente; ou notaulos incompletos ................ 105 105(104). Ovipositor pelo menos duas a três vezes mais longo que o comprimento do corpo; ou veia estigmal longa e quase perpendicular à veia marginal; ou parte posterior do metassoma curvada para baixo e bainha do ovipositor longa (aproximadamente tão longa quanto metassoma) e dirigida para baixo ou para frente ...... Agaonidae (parte) — Ovipositor nunca tão longo, menos de duas vezes mais longo que o corpo. Veia estigmal diferente. Bainha do ovipositor em geral mais curta que comprimento do metassoma, quando igualmente ou mais longa que metassoma, então dirigida para trás e não para baixo ..... Pteromalidae (parte) HYMENOPTERA 504 TENTHREDINOIDEA Uma das linhagens mais basais de Hymenoptera, os Ten- thredinoidea são amplamente distribuídos e constituem um grupo bastante diverso, com cerca de 7.500 espécies viventes (Taeger et al. 2010, 2018). Na grande maioria das espécies, as larvas alimentam-se de folhas de angiospermas, em condições expostas e, por isso, podem ser facilmente confundidas com larvas de Lepidoptera (Smith 2006a). Estudos envolvendo as relações filogenéticas entre as principais linhagens da superfa- mília revelaram que as famílias da classificação tradicional são monofiléticas, com exceçãode Tenthredinidae (Vilhelmsen 2001; Schulmeister 2003; Malm & Nyman 2015). Malm & Nyman (2015) reformularam o escopo de Tenthredinidae, de modo a corresponder a um grupo monofilético, e propuseram o reconhecimento de Heptamelidae, tratada previamente como uma tribo em Tenthredinidae. Sob esse novo arranjo, Tenthredi- noidea passou a conter sete famílias para a fauna vivente (Taeger et al. 2018). Argidae (Fig. 27.28). Apresenta distribuição cosmopolita, com maior riqueza na região Neotropical. Somam cerca de 900 espécies, agrupadas em 57 gêneros e seis subfamílias (Smith 1992, 2006a; Taeger et al. 2010, 2018). As larvas da maior parte das espécies alimentam-se exofiticamente e em muitas espécies desenvolvem-se gregariamente sobre a planta hospedeira (Smith 2006a). Um resumo das plantas hospedeiras na região Neotropi- cal foi apresentado por Smith (1992, 2006a). No Brasil, quatro espécies foram estudadas mais detalhadamente (Dias 1975, 1976; Boraschi et al. 2005; Badenes-Perez & Johnson 2007). Em três delas, ocorre cuidado parental por parte das fêmeas, guardando os ovos e, em duas das espécies, também as larvas jovens (Dias 1975, 1976; Boraschi et al. 2005). Durante todo o período larval, as larvas permanecem agregadas e, em duas das espécies estudadas, ao final do desenvolvimento tecem os casulos e empupam em grupo formando um aglomerado peculiar sobre o tronco das árvores hospedeiras (Dias 1976; Boraschi et al. 2005). A fauna da região Neotropical foi revisada por Smith (1992). Os 27 gêneros e 177 espécies presentes no Brasil podem ser identificados com as chaves em Smith (1992). Cimbicidae (Fig. 27.29). Grupo relativamente pequeno, com cerca de 200 espécies distribuídas em quatro subfamílias. Exibe um padrão peculiar de distribuição geográfica, com uma das quatro subfamílias restrita ao sul da América do Sul e as outras três com distribuição predominantemente holártica (Smith 1988, 2006a; Vilhelmsen 2019). As larvas são solitárias e ali- mentam-se de folhas (Smith 1988, 2006a). A única informação sobre plantas hospedeiras para espécies na região Neotropical refere-se ao registro de Pseudopachylosticta subflavata (Kirby) desenvolvendo-se em Pereskia (Cactaceae) (Paterson et al. 2014). Está representada no Brasil por Pachylostictinae (Smith 1988). Todos os cinco gêneros e nove espécies da subfamília estão presentes no país e podem ser identificados com as chaves em Smith (1988) e Vilhelmsen et al. (2018). Pergidae (Fig. 27.30). Ocorre na região Australiana e no continente americano. Contém cerca de 450 espécies e 59 gêneros (Smith 2006a; Taeger et al. 2010). Como em outros tentredinoideos, a maioria das espécies é fitófaga (Smith 1992, 1995, 2006a). Entretanto, são conhecidos casos de fungivoria (Smith 1995) e detritivoria em espécies com larvas gregárias que se locomovem a grandes distâncias pelo solo (Flores et al. 2000). Estudos feitos na Costa Rica em uma espécie de Perreyia Brullé mostraram que as larvas são detritívoras, alimentando-se de folhiço, possivelmente fazendo digestão de hifas de fungos (Flores et al. 2000). Uma compilação dos hábitos alimentares e das fontes de alimento de Pergidae no Novo Mundo foi apresen- tada por Smith (2006a). No Brasil, a biologia de duas espécies de Haplostegus Konow que se alimentam de folhas de Psidium (Myrtaceae) foi estudada por Pedrosa-Macedo (2000, 2007) e Pereira et al. (2009). Na região sul, agregações de larvas de Perreyia Brullé são conhecidas como ‘mata-porcos’ por causarem envenenamento, podendo levar à morte, quando ingeridas por animais (Camargo 1956; Soares et al. 2001; Neves & Pie 2018). A fauna da região Neotropical foi revisada por Smith (1990). Das 14 subfamílias reconhecidas por Smith (1990), oito estão presentes na América do Sul, seis delas no Brasil. A fauna brasi- leira contém 21 gêneros e cerca de 117 espécies, que podem ser identificadas, com exceção das espécies de Acordulecera Say, com as chaves em Smith (1990). Um catálogo para a fauna mundial foi publicado por Schmidt & Smith (2006). Tenthredinidae (Fig. 27.31). Relativamente grande e bastante diversificada, com cerca de 390 gêneros e mais de 5.700 espécies em todo o mundo. Entretanto, não é muito diversa na região Neotropical, tendo riqueza comparável à exibida por Argidae e Pergidae (Smith 2006a). Das sete subfamílias reconhecidas (Smith 2003a, 2006b), cinco ocorrem na região Neotropical: Allantinae, Blennocampinae, Heterarthrinae, Nematinae e Selandriinae, todas presentes no Brasil. As larvas da maior parte das espécies alimentam-se exofiticamente, tanto de forma solitária quanto gregária (Smith 2006a,b). Ao final do período de alimentação, as larvas caem ao solo e empupam no folhiço ou dentro do solo (Smith 2006b). As poucas informações sobre as plantas hospedeiras na região Neotropical foram compiladas por Smith (2006a). Identificação das subfamílias pode ser feita com as chaves em Smith (2003a, 2006a,b) e dos gêneros presentes nos neotró- picos com as chaves de Smith (2006b). Revisões até o nível de espécie estão disponíveis apenas para Nematinae (Smith 2003a; duas espécies no Brasil), Heterarthrinae (Smith 2003a; três) e Allantinae (Smith 2003b, 2014; 24). Não existem revisões para Blennocampinae e Selandriinae, as duas maiores subfamílias na região Neotropical, com cerca de, respectivamente, 105 e 165 espécies neotropicais descritas (Smith 2006b; Taeger et al. 2010). SIRICOIDEA De acordo com análises baseadas em dados moleculares mais recentes (Heraty et al. 2011; Branstetter et al. 2017; Peters et al. 2017), Xiphydriidae tem sido recuperada consistentemente no mesmo clado que Siricidae. Assim, adota-se aqui um conceito mais amplo de Siricoidea, para incluir essas duas famílias, além de Anaxyelidae. Siricidae (Fig. 27.32). Predominantemente holártica, com cerca de 130 espécies viventes (Taeger et al. 2010). Os adultos medem de 15 a 30 mm de comprimento. As larvas desenvolvem-se em madeira morta contendo um fungo simbiótico inoculado pelas HYMENOPTERA 505 fêmeas no momento da oviposição (Smith & Schiff 2002; Sli- ppers et al. 2012). As larvas então se alimentariam da madeira atacada pelo fungo, utilizando as celulases secretadas pelo fungo para digerir os fragmentos de madeira (Gauld & Bolton 1988; Smith 2006a,c). No continente americano, sua distribuição original estendia-se da América do Norte até o norte da América Central (Smith 1988, 2006a,c). Atualmente, são conhecidos registros para três espécies introduzidas na América do Sul (Ries 1946; Smith 1988, 2006a,c; Iede et al. 1988). No Brasil, Sirex noctilio Fabricius, uma espécie paleártica introduzida acidental- mente em tempos recentes, estabeleceu-se no sul e sudeste do País atacando árvores de Pinus (Iede et al. 1988; Iede & Zanetti 2007). Para Urocerus flavicornis (Fabricius), uma espécie nor- te-americana coletada em 1880 no Mato Grosso (Ries 1946), não há evidências de que tenha se estabelecido (Smith 1988). Xiphydriidae (Fig. 27.33). São amplamente distribuídos, ausentes apenas na África. Constituem uma família pequena e relativamente rara (Smith 1988), com cerca de 140 espécies viventes (Taeger et al. 2010, 2018). Os adultos podem ser obti- dos de madeira infestada mantida em gaiolas de criação ou mais raramente em armadilhas Malaise. As larvas desenvolvem-se em madeira morta, principalmente em ramos mais finos de árvores e arbustos (Smith 1988). As poucas evidências indicam que as fêmeas injetam esporos de um fungo simbiótico no momento da oviposição (Kajimura 2000). As larvas alimentam-se da ma- deira atacada pelo fungo, utilizando as celulases secretadas pelo fungo para digerir os fragmentos de madeira. Para as espécies sul-americanas, a única associação confirmada é a de Derecyrta araucariae Mecke, obtida a partir de galhos mortos de Araucaria angustifolia no Rio Grande do Sul (Mecke et al. 2001b). Este constitui o único registro confirmado da associação da família comuma gimnosperma, todos os registros prévios sendo com angiospermas. Está dividida em duas subfamílias, ambas pre- sentes na América do Sul. A fauna da região Neotropical foi revisada por Smith (1988). Apenas o gênero Derecyrta Smith, com três espécies, está presente no Brasil (Smith 1988; Mecke et al. 2001a). ORUSSOIDEA Orussidae (Fig. 27.34). A família tem distribuição cosmopolita, com 93 espécies alocadas em 15 a 17 gêneros, dependendo da classificação (atualizado de Taeger et al. 2010). Tradicionalmente são reconhecidas duas subfamílias, Orussinae e Ophrynopinae, sendo que a primeira corresponde a um grupo parafilético. Am- bas têm representantes na região Neotropical, sendo que apenas Ophrynopinae está presente no Brasil. São vespas parasitoides, atacando larvas xilófagas de Buprestidae e Cerambycidae, em Coleoptera, e de Siricidae e Xiphydriidae, em Hymenoptera (Vilhelmsen et al. 2001; Vilhelmsen 2004). Embora seu aparato ovipositor difira na morfologia e funcionamento daquele das fêmeas de Apocrita (Vilhelmsen et al. 2001), o comportamento parasitoide é considerado uma característica compartilhada entre os dois grupos. São insetos raramente coletados, podendo ser encontrados caminhando sobre madeira morta quando em busca de hospedeiros. No Brasil, Mecke et al. (2001b) criaram Ophry- nopus depressatus Smith de ramos de Araucaria infestados com larvas de Coleoptera e Hymenoptera (Xiphydriidae). Hipóteses filogenéticas para a família têm sido apresentadas nos diversos trabalhos publicados sobre o grupo (ver referências em Vilhelm- sen 2020). Smith (1988) e Vilhelmsen & Smith (2002) revisaram os gêneros e espécies neotropicais. Para o Brasil, são conhecidas oito espécies em dois gêneros, que podem ser identificadas com as chaves de Vilhelmsen et al. (2013) [ver também Vilhelmsen (2020) para alterações adicionais na classificado do grupo]. Figuras 27.28-33. Hábito, forma adulta, vista lateral. 28, Scobina Lepeletier & Serville, fêmea (Argidae); 29, Pachylosticta Klug, fêmea (Cimbicidae); 30, Perreyiella Conde, macho (Pergidae); 31, Arcoclypea Malaise, fêmea (Tenthredinidae); 32, Sirex Linnaeus, fêmea (Siricidae); 33, Derecyrta Smith, fêmea (Xiphydriidae). Escala = 5 mm. HYMENOPTERA 506 STEPHANOIDEA Stephanidae (Fig. 27.35). Trata-se de um grupo relictual de Apocrita, presente em todas as grandes regiões biogeográficas e com maior diversidade em áreas tropicais e subtropicais. Atualmente são reconhecidas cerca de 360 espécies viventes alocadas em 13 gêneros. Achterberg (2002) reconhece duas subfamílias, Schlettereriinae, contendo apenas o gênero Schlet- tererius Ashmead, e Stephaninae, contendo os demais gêneros da família. São vespas relativamente raras, podendo ser coletadas nas proximidades de galhos e troncos de árvores mortas caídas. As informações disponíveis indicam que são ectoparasitoides idiobiontes de larvas de Coleoptera, principalmente Ceramby- cidae e Buprestidae, bem como de Siricidae, em Hymenoptera (Aguiar 2006a,b). Informações detalhadas sobre a biologia de uma espécie europeia podem ser encontradas em Hausl-Ho- fstätter & Bojar (2016). No Brasil, apenas Stephaninae está presente, com três gêneros e 32 espécies (Aguiar 2004b). As espécies de Hemistephanus Enderlein podem ser identificadas com a chave de Aguiar (2004a) e as de Foenatopus Smith com a de Aguiar (2006c). MEGALYROIDEA Megalyridae (Fig. 27.36). Assim como Stephanidae e Ceraphro- noidea, constitui um grupo arcaico e isolado dentro de Apocrita. A fauna atual é composta de 62 espécies, em oito gêneros, dis- tribuídas principalmente nas regiões tropicais e subtropicais do hemisfério sul. São parasitoides primários em larvas ou pupas de Coleoptera, como Cerambycidae, Buprestidae e Bostrichidae; às vezes também atacam larvas de Crabronidae (Pemphredoninae) em seus ninhos de barro (Naumann 1987). A fauna neotropical possui apenas três gêneros, dois deles restritos ao Chile (Shaw 2006a,b). No Brasil, estão presentes cinco espécies, todas per- tencentes a Cryptalyra Shaw (Shaw 1987; Azevedo & Tavares 2006; Kawada et al. 2014). CERAPHRONOIDEA Representa um grupo relativamente isolado dentro de Apo- crita, com apenas duas famílias reconhecidas na fauna vivente, ambas com distribuição cosmopolita. Entretanto, a separação em famílias tem sido questionada a partir do reconhecimento de gêneros combinando características diagnósticas das duas famílias da classificação tradicional (Mikó et al. 2018). São vespas parasitoides de tamanho reduzido, corpo de modo geral medindo de 1 a 3 mm de comprimento, podendo ser menores ou, mais raramente, ter mais que 4 mm. Superficialmente assemelham-se aos Platygastroidea, principalmente Scelionidae. A presença de dois esporões na tíbia anterior é única entre os Apocrita e talvez constitua uma plesiomorfia e não uma reversão, como tem sido postulado. A fauna da região Neotropical é pouca estudada, com cerca de apenas 90 espécies descritas (Fernández 2006a). Ceraphronidae (Fig. 27.37). A família tem distribuição mundial e possui cerca de 350 espécies e 14 gêneros (Dessart 2006a). Os cerafronídeos exibem uma grande diversidade de hospedeiros e a biologia é conhecida apenas para uma pequena parte da família. Dessart (2006a) reconhece duas situações principais: (a) cerafronídeos que atacam hospedeiros pequenos vivendo em condições crípticas ou relativamente expostos sobre plantas; (b) os que atacam pré-pupas de insetos holometábolos, incluindo aquelas de outras vespas parasitoides. Na primeira situação estão principalmente Cecidomyiidae (Diptera) e Coniopterygidae (Neuroptera), bem como Psylloidea (Hemiptera) e Thysanopte- ra. Na segunda categoria, estão incluídas espécies de Coleoptera, Trichoptera e Hymenoptera (Braconidae, Ichneumonidae, Bethylidae e Dryinidae). É conhecido também um caso de parasitismo em vespas crabronídeas em que cinco larvas de uma espécie não-identificada de Ceraphron Jurine foram encontradas parasitando uma larva madura de Microstigmus Ducke (Melo & Campos 1993). A maior parte dos gêneros presentes no Novo Mundo pode ser identificada com a chave de Dessart (2006a). A fauna brasi- leira é muito mal conhecida e atualmente apenas quatro espécies descritas estão registradas no país. Megaspilidae (Fig. 27.38). Trata-se de um grupo amplamente distribuído, com cerca de 450 espécies alocadas em 11 gêne- ros e duas subfamílias (Dessart 2006b). Os Megaspilidae são primariamente ectoparasitoides em casulos ou pupas de Dipte- ra, mas também atacam Coccoidea (Hemiptera), Neuroptera, Coleoptera, Mecoptera, ou são hiperparasitoides em casulos de Aphidiinae (Braconidae) (Tavares 1996; Dessart 2006b). Dessart (2006b) forneceu chave para os gêneros presentes na região Neotropical e Johnson & Musetti (2004) catalogaram as espécies do mundo. Há apenas sete espécies registradas para o Brasil, embora a fauna seja muito mais diversa. A maior parte dessas espécies pode ser identificada com a chave de Pezzini & Köhler (2017). TRIGONALYOIDEA Trigonalyidae (Fig. 27.39). Trata-se de uma família pequena, com cerca de 120 espécies alocadas em 16 gêneros. A correta derivação do nome da família foi discutida por Engel & Lelej (2020), que sustentaram a grafia Trigonalyidae, e não Trigona- lidae como frequentemente adotada. A maior diversidade está concentrada nos trópicos, principalmente nas regiões Oriental e Neotropical (Carmean & Kimsey 1998). A biologia dos Tri- gonalyidae é bastante peculiar, com a maior parte das espécies agindo como hiperparasitoides de larvas de Ichneumonidae (Hymenoptera) e Tachinidae (Diptera) em seus hospedeiros primários. As fêmeas põem uma grande quantidade de ovos diminutos presos a folhas cujo tecido é consumido por larvas de Lepidoptera e Hymenoptera (Weinstein & Austin 1991; Carmean 2006a). Os ovos ingeridos juntos com o tecido foliar por lagartas de Lepidoptera ou de Hymenoptera, passam intactos pelo processo de mastigação e eclodem apenas quando dentrodo intestino da lagarta. As larvas de 1º. ínstar atravessam a pa- rede do intestino e permanecem em circulação pela hemolinfa. No caso das espécies que são parasitoides primários de lagartas de Hymenoptera, a larva prossegue o seu desenvolvimento, ao passo que aquelas que dependem de um hospedeiro secundário, aguardam até que a lagarta seja parasitada ou predada por uma vespa da família Vespidae. Nessa segunda situação, a larva do trigonalídeo completa o seu desenvolvimento após o parasitoide primário ter consumido seu hospedeiro ou após a lagarta predada ser consumida pela larva da vespa predadora. HYMENOPTERA 507 Carmean & Kimsey (1998) revisaram a classificação da família, reconhecendo apenas duas subfamílias, uma delas com um gênero somente, e forneceram chaves de identificação para os gêneros por região geográfica. Catalogação da fauna mundial foi publicada Weinstein & Austin (1991). No Brasil, são conhe- cidos cinco gêneros e 13 espécies (De Santis 1980; Carmean & Kimsey 1998; Santos et al. 2012). Não há revisão para a fauna presente no país, embora identificação até gênero possa ser feita com as chaves fornecidas por Carmean (2006a,b). EVANIOIDEA Inclui três famílias viventes, Aulacidae, Evaniidae e Gas- teruptiidae, em que a inserção do metassoma no propódeo está distintamente deslocada para cima, fazendo com que o metassoma se prenda à parte superior do propódeo, e não na região entre as coxas posteriores, como na grande maioria dos outros himenópteros apócritos. Apenas uns poucos grupos em famílias não relacionadas, como em Braconidae e Liopteridae, apresentam uma condição semelhante aos Evanioidea. As evidências que dão suporte à monofilia do grupo são relativa- mente escassas, principalmente pela acentuada divergência de Evaniidae em relação às outras duas famílias. Os fósseis mais antigos atribuídos à superfamília são do Jurássico (p. ex. Zhang & Rasnitsyn 2008), indicando uma separação bem antiga das demais linhagens de Apocrita. Aulacidae (Fig. 27.40). Embora com distribuição mundial, constituem um grupo pouco diverso e raramente coletado. Os adultos são encontrados sobre troncos e árvores mortas. São endoparasitoides cenobiontes de larvas xilófagas de coleópteros (principalmente Cerambycidae e Buprestidae) e de himenópteros Xiphydriidae (Gauld & Bolton 1988; Gauld 1995a; Jennings & Austin 2004). Há poucos estudos sobre a biologia do grupo, nenhum deles envolvendo espécies de nossa fauna. A classificação corrente para a família é bastante conserva- dora, sem o reconhecimento de subfamílias ou tribos para a fauna vivente. No estudo filogenético de Turrisi et al. (2009), apenas dois gêneros foram reconhecidos para a fauna atual, Aulacus Jurine e Pristaulacus Kieffer, a despeito dos resultados terem demonstrado a parafilia do primeiro gênero em relação ao segundo. A separação entre os gêneros pode ser feita com a chave de Smith (2006d). Smith (2001) apresentou um catálogo para toda a família, ao passo que Turrisi (2017) traz uma lista- gem das espécies, com indicação de sua distribuição nas grandes regiões biogeográficas. No Brasil, estão presentes 13 espécies de Figuras 27.34-42. Hábito, forma adulta, vista lateral. 34, Ophrynopus Konow, fêmea (Orussidae); 35, Hemistephanus Enderlein, fêmea (Stephanidae); 36, Cryptalyra Shaw, fêmea (Megalyridae); 37, Ceraphron Jurine, fêmea (Ceraphronidae); 38, Dendrocerus Ratzeburg, fêmea (Megaspilidae); 39, Trigonalys Westwood, fêmea (Trigonalyidae); 40, Pristaulacus Kieffer, fêmea (Aulacidae); 41, Gasteruption Latreille, fêmea (Gasteruptiidae) 42, Semaeomyia Bradley, fêmea (Evaniidae). Escala = 1 mm para Figs 36, 37, 38, 42; escala = 5 mm para Figs 34, 35, 39, 40, 41. HYMENOPTERA 508 Aulacus e 23 de Pristaulacus. Não há chaves de identificação para as espécies da fauna brasileira. Evaniidae (Fig. 27.42). Estão presentes em todo o mundo, sendo abundantes e diversificados nas florestas tropicais. Os adultos podem ser coletados em grande número por meio de varredura e com armadilhas de interceptação de voo. Todas as espécies estudadas desenvolvem-se em ootecas de baratas (Blattaria), com um ovo depositado por ooteca (Huben 1995). O primeiro ínstar larval em geral se desenvolve dentro de um ovo e os ínstares sub- sequentes atuam como predadores, consumindo todos os ovos na ooteca. Evania appendigaster (L.), uma espécie cosmopolita, é facilmente encontrada em áreas urbanas e ataca ootecas de várias espécies sinantrópicas de baratas, incluindo Periplaneta americana (L.) (Fox & Bressan-Nascimento 2006). Prosevania fuscipes (Illiger) também é considerada cosmopolita e pode estar presente no Brasil. As poucas associações conhecidas de gêneros de evanídeos com suas baratas hospedeiras foram sumariadas por Huben (1995) e Deans (2005). Não existe nenhum estudo sobre a biologia de espécies da fauna nativa do Brasil. A classificação presente da família é bastante conservadora, sem o reconhecimento formal de subfamílias ou tribos (Sha- ranowski et al. 2019). O catálogo mais recente para a fauna mundial foi apresentado por Deans (2005). A fauna da América do Sul é composta por 8 gêneros e 143 espécies, ao passo que no Brasil estão presentes 6 gêneros, contendo entre 54 a 60 espécies descritas. A maior parte dos gêneros pode ser identificada com as chaves de Deans & Huben (2003), Deans (2006) e Huben (2006). Gasteruptiidae (Fig. 27.41). São cosmopolitas, sendo a maior diversidade encontrada na Austrália. Os adultos não são cole- tados com frequência, podendo ser obtidos quando em visita a flores, por meio de armadilhas de interceptação de voo, ou quando próximos a ninhos dos seus hospedeiros. As larvas desenvolvem-se como cleptoparasitas em ninhos de abelhas solitárias (Gauld & Bolton 1988; Gauld 1995b; Jennings & Aus- tin 2004; Parslow et al. 2020). Há registros de vespas solitárias (Crabronidae e Vespidae) servindo como hospedeiros, porém essas associações têm sido questionadas e atribuídas a confusões causadas por reuso de cavidades para nidificação (Parslow et al. 2020). A larva de primeiro ínstar consome o ovo (ou larva jovem) do hospedeiro e os ínstares subsequentes alimentam-se das provisões depositadas na célula de cria do hospedeiro (pólen e néctar, no caso de abelhas, ou artrópodes, no caso de vespas). Pouco se conhece sobre a biologia de espécies brasileiras, havendo apenas o estudo de Macedo et al. (2012) com observações de Gasteruption Latreille parasitando Hylaeus Fabricius (Apidae, Colletinae) em ninhos armadilha. Além disso, fêmeas de Pseu- dofoenus Kieffer foram observadas em agregação de ninhos de abelhas da tribo Neopasiphaeini (Apidae, Colletinae) em Minas Gerais e Paraná (Melo et al. 2012). Está dividida em duas subfamílias, Gasteruptiinae, com quatro gêneros (Macedo 2009), e Hyptiogastrinae, com dois gêneros (Jennings & Austin 2000, 2002). As duas espécies de Pseudofoenus presentes no Brasil podem ser identificadas com a chave de Jennings & Austin (2002), ao passo que as 14 espécies de Gasteruptiinae podem ser reconhecidas com os trabalhos de Macedo (2009, 2011). CHRYSIDOIDEA A superfamília Chrysidoidea faz parte dos Hymenoptera Aculeata juntamente com o clado formado por Apoidea, Formicoidea, Scolioidea e Vespoidea. São reconhecidas sete famílias viventes em Chrysidoidea: Plumariidae, Bethylidae, Chrysididae, Scolebythidae, Sclerogibbidae, Embolemidae e Dryinidae. Contrariamente à evidência morfológica (Brothers & Carpenter 1993; Brothers 1999; Carpenter 1999), análises moleculares têm indicado que Chrysidoidea não formaria um grupo monofilético, sendo parafilética em relação aos Aculeata sensu stricto (Branstetter et al. 2017). As hipóteses filogenéticas para Chrysidoidea foram sumariadas por Melo & Lucena (2020). É possível que no futuro sejam reconhecidas duas superfamílias separadas, Chrysidoidea s.str., contendo, Bethylidae, Plumarii- dae, Chrysididae e Scolebythidae, e Dryinoidea, com Dryinidae, Embolemidaee Sclerogibbidae. A grande diversidade dos Chrysidoidea está contida nas famílias Bethylidae, Chrysididae e Dryinidae. As outras quatro famílias formam grupos pequenos e raramente coletados. Todas as sete famílias viventes reconhecidas em Chrysidoidea estão presentes na fauna brasileira. Bethylidae (Figs 27.43-44). Essa provavelmente é a maior famí- lia de Chrysidoidea, com representação a nível mundial, porém sendo mais diversa nas regiões tropicais. Na classificação corrente para o grupo, são reconhecidas cinco subfamílias para a fauna recente, Bethylinae, Epyrinae, Pristocerinae, Scleroderminae e Mesitiinae, das quais somente a última está ausente da região Neotropical (Azevedo et al. 2018). As fêmeas de muitas espé- cies podem ser aladas e de vida completamente livre, enquanto que em outras espécies são ápteras e de hábitos crípticos. Em algumas destas últimas tem se observado cópula forética. As informações disponíveis sobre a biologia dos betilídeos indicam que são parasitoides principalmente de larvas de Coleoptera e Lepidoptera vivendo em condições crípticas (Finnamore & Gauld 1995; Azevedo 2006). Revisão da fauna mundial em nível de gênero, com listagem de todas as espécies válidas, foi publicada por Azevedo et al. (2018). A fauna presente no Brasil contém 21 gêneros e cerca de 540 espécies (Azevedo 2020). A identificação das subfamílias e gêneros pode ser feita com a chave apresentada por Azevedo et al. (2018). Para muitos desses gêneros, a identificação em nível de espécie pode ser conduzida com base nas revisões disponíveis (ver Azevedo et al. 2018). Chrysididae (Fig. 27.45). Constituem um grupo diverso presente em todo o mundo, menos diversificado na Austrália (Kimsey & Bohart 1990). São reconhecidas quatro subfamílias, Cleptinae, Amiseginae, Chrysidinae e Loboscelidinae, apenas esta última ausente na fauna brasileira. A biologia do grupo foi revisada por Kimsey & Bohart (1990) e Kimsey (1995), sendo que as subfamílias diferem quanto aos hospedeiros e ao modo de parasitismo: Cleptinae ataca casulos de Diprionidae e Ten- thredinidae (Hymenoptera) contendo pré-pupas; Amiseginae e Loboscelidinae desenvolvem-se em ovos de Phasmatodea; os Chrysidinae são parasitas de larvas de abelhas e vespas que constroem ninhos ou, com mais frequência, atuam como cleptoparasitas alimentando-se das provisões nos ninhos dos hospedeiros. Excetuando-se alguns registros de hospedeiros de HYMENOPTERA 509 Chrysidinae, muito pouco é conhecido da biologia das espécies presentes no Brasil. A identificação dos gêneros presentes no Brasil pode ser feita com as chaves de Kimsey & Bohart (1990) e Kimsey (2006a). Estão presentes no país dois gêneros de Cleptinae, quatro de Amiseginae e 13 de Cleptinae, com um total de quase 160 espécies (Lucena & Zanella 2020). Dryinidae (Figs 27.49-50). Presente no mundo inteiro, a família é dividida em 12 subfamílias viventes: Aphelopinae, Anteoni- nae, Apoaphelopinae, Apodryininae, Bocchinae, Conganteo- ninae, Dryininae, Erwiinae, Gonatopodinae, Plesiodryininae, Thaumatodryinae e Transdryininae. É um grupo coletado com frequência em armadilhas Malaise (principalmente machos) e pratos amarelos, bem como por varredura. Todas as espécies são parasitas de hemípteros Auchenorrhyncha, principalmente de Cicadellidae, Flatidae e Delphacidae. A maioria das fêmeas utiliza as pinças raptoriais das pernas anteriores para se prender ao hospedeiro durante a oviposição, exceto em Aphelopinae e Erwiinae, em que as pernas anteriores não são modificadas. Inicialmente, as larvas desenvolvem-se internamente e, depois, externamente, protegidas por um saco (tilácio) formado pelas exúvias das sucessivas mudas. A empupação, dependendo do gru- po, ocorre dentro do solo ou em casulo colado sobre a vegetação (Olmi 1995). Uma compilação dos hospedeiros conhecidos para as espécies neotropicais foi apresentada em Olmi (2006a) e para a fauna mundial em Guglielmino et al. (2013). A fauna da região Neotropical foi revisada por Olmi & Virla (2014), com o reconhecimento de 22 gêneros e 482 espécies viventes. O grupo é conhecido por seu acentuado dimorfismo sexual, sendo que a taxonomia da família é baseada principal- mente nas fêmeas. A identificação das subfamílias, gêneros e espécies presentes nos neotrópicos pode ser feita com as chaves de Olmi & Virla (2014). Seis subfamílias, com 14 gêneros e 184 espécies, são conhecidas no Brasil. Embolemidae (Fig. 27.51). Está presente nas principais regiões biogeográficas do mundo, com três gêneros reconhecidos (Olmi et al. 2014), embora a separação entre eles seja controversa. Constitui um grupo raramente coletado nas regiões tropicais, em geral em armadilhas de interceptação de voo, armadilhas Malaise ou em armadilhas de solo (pitfall). As poucas informa- ções disponíveis indicam que os embolemídeos são parasitoides de hemípteros Auchenorrhyncha (Achilidae e Cixiidae), com desenvolvimento larval similar ao de Dryinidae (Bridwell 1958; Figuras 27.43-51. Hábito, forma adulta, vista lateral. 43, Rhabdepyris Kieffer, casal capturado em cópula (Bethylidae); 44, Pseudisobrachium Kieffer, macho (Bethylidae); 45, Chrysis Linnaeus, fêmea (Chrysididae); 46, Plumarius Philippi, macho (Plumariidae); 47, Clystopsenella Kieffer, fêmea (Scolebythidae); 48, Probethylus Ashmead, macho (Sclerogibbidae); 49, Dryinus Latreille, macho (Dryinidae); 50, Dryinus, fêmea; 51, Embolemus Westwood, macho (Embolemidae). Escala = 1 mm. HYMENOPTERA 510 Wharton 1989; Olmi 1996, 2006b; Guiguelmino & Buckle 2013). A fauna mundial foi revisada por Olmi (1996), porém várias espécies foram descritas posteriormente. Espécies brasileiras adicionais foram descritas por Amarante et al. (1999) e Azevedo & Amarante (2006). Atualmente são reconhecidas 52 espécies viventes. No Brasil estão presentes cinco espécies de Embolemus Westwood que podem ser identificadas com a chave de Azevedo & Amarante (2006). Plumariidae (Fig. 27.46). Ocorre na América do Sul e África (Roig-Alsina 1994). Nas áreas de ocorrência, os machos podem ser obtidos em grande número, atraídos por armadilhas lumi- nosas (Roig-Alsina 1994), com armadilhas Malaise e bandejas coloridas (Penteado-Dias & Scatolini 2003). As fêmeas são extremamente raras e apenas uns poucos exemplares são conhe- cidos (Evans 1966; Perez-D’Angelo 1974). Não há nenhuma informação sobre a biologia do grupo. Como as fêmeas são áp- teras e com hábitos hipogeicos, é possível que sejam parasitoides idiobiontes de larvas de Coleoptera que se desenvolvem no solo. Até recentemente, a família era considerada ausente na fau- na brasileira. Penteado-Dias & Scatolini (2003) descreveram a única espécie conhecida do Brasil, a partir de machos obtidos em bandejas amarelas e armadilhas Malaise em região de caatinga no Rio Grande do Norte. Registros adicionais para a Bahia e Ceará foram publicados posteriormente por Waichert et al. (2013), tendo sido também recentemente coletada em São Paulo (D. Lucena, inf. pess.). Sclerogibbidae (Fig. 27.48). Ocorre em todo o mundo, sendo mais abundante em áreas tropicais. Os adultos são raramente coletados, sendo que machos e fêmeas podem ser obtidos a partir de colônias dos hospedeiros e, mais raramente, os machos podem ser capturados com armadilhas de interceptação de voo. Uma revisão recente da biologia do grupo foi apresentada por Olmi (2005). Todos os registros disponíveis indicam que os esclerogi- bídeos são ectoparasitoides idiobiontes de Embioptera. As fêmeas são ápteras e com as pernas anteriores bastante robustas, uma característica possivelmente envolvida na imobilização do hospe- deiro. Um número variável de ovos (até 20) é colocado em um mesmo embióptero e as larvas desenvolvem-se modo gregário. A família foi revisada por Olmi (2005), que reconheceu ape- nas três gêneros para a fauna mundial. No Brasil, estão presentes três espécies pertencentes a dois gêneros, Probethylus Ashmead e Caenosclerogibba Yasumatsu.uma introdução geral. As principais estruturas são ilustradas de modo comparativo entre um Tenthredinoidea (Cimbicidae; Pachylosticta apicalis (Westwood)) (Figs 27.1-5) e um Apocrita (Vespidae; Polybia sericea (Olivier)) (Figs 27.6-10) a seguir. Os grupos mais basais de Hymenoptera (não-Apocrita) exibem o padrão básico de tagmose dos insetos, com cabeça, tórax e abdômen. Em Apocrita, o primeiro tergo abdominal se associa firmemente ao tórax, de modo que a literatura passa a se referir a cabeça, mesosoma e metassoma, seguindo Michener (1944), como detalhado adiante. As seções de morfologia externa em Gauld & Bolton (1988), Goulet & Huber (1993), Hanson & Gauld (1995, 2006) e Fernández & Sharkey (2006) podem ser consultadas como referências gerais. Estudos fundamentais sobre a morfologia externa de Hymenoptera foram apresentados, entre outros, por Snodgrass (1910, tórax; 1941, genitália masculina), Duncan (1939, Vespidae), Michener (1944, Apidae), Bigelow (1954, face), Camargo et al. (1967, Apidae), Urban (1967, Apidae), Smith (1970, genitália), Gibson (1985, mesosoma), Mason (1986, venação alar), Day (1988, Pompilidae), Ronquist & Nordlander (1989, morfologia do exoesqueleto, Ibaliidae), Quicke et al. (1994, ovipositor), Mikó et al. (2007, morfologia interna e musculatura, Scelionidae). Além desses, diversos estu- dos morfológicos comparativos para Hymenoptera são listados por Sharkey (2007). A maior parte da terminologia dos artigos aqui citados encontra-se indexada no glossário da Hymenoptera Anatomy Ontology (http://glossary.hymao.org) (Hymenoptera Anatomy Consortium s.d.), a qual também pode ser consultada como referência para o jargão diferenciado utilizado em diversos subgrupos. Cabeça. A região anterior ou frontal da cabeça, denominada face, contém duas grandes regiões: clípeo e fronte. A fronte constitui toda a porção da face acima do limite superior do clípeo até o vértice, incluindo a região contendo os alvéolos antenais. Em alguns grupos, como Apidae, a região entre o clípeo e os alvéolos antenais pode conter um par de linhas, denominadas suturas su- bantenais. A fronte, acima dos alvéolos antenais, pode apresentar escrobos antenais, formados por um sulco central ou um par de depressões alongadas, uma a cada lado da fronte, que recebem o escapo quando as antenas estão em repouso. O comprimento, largura e profundidade dos escrobos são bastante variáveis. Os olhos compostos, cuja margem é denominada órbita, são quase sempre bem desenvolvidos; podem estar reduzidos em alguns grupos, como fêmeas ápteras de Tiphiidae e Be- thylidae, ou completamente ausentes, como em operárias de alguns grupos de Formicidae. O espaço entre o olho composto e a base da mandíbula, denominado área malar, tem compri- mento bastante variável, dependendo do tamanho dos olhos e do desenvolvimento do aparato bucal. Na região posterior da cabeça, é comum a presença de uma carena occipital, separando o occipício do vértice e da gena. Alguns grupos, como Formicidae e Chalcidoidea, apresen- tam antenas geniculadas, em que o escapo forma um ângulo de 90° ou menos com o restante da antena. Em Chalcidoidea, HYMENOPTERA 486 frequentemente aplica-se uma terminologia específica para as diferentes regiões do flagelo: flagelômeros anelares, funículo e clava. Os flagelômeros anelares, ou ânulos, são artículos muito estreitos, situados entre o pedicelo e o funículo, que estão presen- tes em vários grupos, em número variável de 1 a 4. O funículo contém os flagelômeros de proporções regulares, ao passo que a clava corresponde à porção apical da antena, contendo 1 a 5 flagelômeros apicais mais largos que aqueles do funículo. Tórax/Mesossoma. O pronoto geralmente forma um arco na região anterior do tórax e sua porção póstero-dorsal encobre a margem anterior do mesonoto. Nos grupos basais, o espiráculo mesotorácico, situado lateralmente entre o pronoto e a meso- pleura, encontra-se exposto. Em Orussidae e na maioria dos Apocrita, a margem póstero-lateral do pronoto estende-se sobre o mesepisterno e forma um par de lobos pronotais que encobrem os espiráculos. Os lobos pronotais são bem desenvolvidos em Aculeata, principalmente nos Apoidea (Fig. 27.24). Em muitos grupos de Apocrita, a região posterior do pronoto pode estar diferenciada da porção anterior por um degrau ou desnível bem acentuado, delimitando assim uma faixa elevada à frente do mesoscuto, muitas vezes denominada colar pronotal. É comum haver uma carena margeando anteriormente o colar pronotal, denominada epomia ou carena epomial; a epomia pode estar restrita à porção dorsal ou estender-se lateralmente em direção aos cantos ventrais do esclerito. Nos grupos mais basais, o mesonoto apresenta-se como uma placa única, em que a separação entre a porção anterior do esclerito e o escutelo está indicada apenas por uma linha tênue (Fig. 27.1). Em Xiphydriidae, Orussidae e Apocrita, o mesonoto é subdividido por uma linha transversal de flexão em mesoscuto anterior, e axilas + escutelo, na parte posterior (Figs 27.22-23). O mesonoto (ou mesoscuto) pode ser atravessado por várias linhas e/ou sulcos longitudinais, dentre eles os notaulos. Os notaulos (Fig. 27.1) podem variar desde um par de linhas curtas restritas à porção anterior do esclerito até dois sulcos bem marcados, atravessando todo o esclerito, dividindo-o em lobos. A base das asas em Hymenoptera é recoberta pela tégula, um pequeno esclerito em forma de cúpula. A mesopleura em Hymenoptera praticamente coincide com o mesepisterno, sendo o mesepímero bastante reduzido, mesmo nas formas basais. Entre o pronoto e a porção ântero- lateral do mesepisterno, muitos grupos apresentam um pequeno esclerito, denominado prepecto. Em alguns grupos, como os Chalcidoidea, o prepecto é bastante desenvolvido, podendo ser facilmente observado, em vista lateral, como um esclerito triangular posicionado à frente da tégula (Figs 27.25-26). Na porção látero-posterior do mesepisterno de muitos Apocrita, pode estar presente uma pequena fóvea, denominada escrobo mesepisternal (Fig. 27.24), e que aparentemente corresponde à fóvea da apófise pleural. Diversos sulcos, linhas e carenas podem estar presentes no mesepisterno, recebendo denominações específicas, dependendo do grupo taxonômico. Em vários grupos, uma carena transver- sal pode estar presente ao longo da região de transição entre as superfícies anterior e lateral (e/ou ventral) do mesepisterno (abaixo do lobo pronotal), denominada carena epicnemial em Braconidae e outros grupos, ou carena omaular em Apoidea. Na Figuras 27.1-3. Morfologia externa de Pachylosticta apicalis (Westwood) (Cimbicidae), forma adulta. 1, Corpo, vista dorsal (pernas e asas omitidas); 2, Cabeça, vista frontal; 3, Tórax e base do abdômen, vista lateral (pernas, exceto coxas, e asas omitidas). HYMENOPTERA 487 porção látero-inferior do mesepisterno pode estar presente tam- bém um sulco ou carena longitudinal, denominado esternaulo, estendendo-se da carena epicnemial em direção à coxa média. Muitos Apoidea possuem um sulco oblíquo na porção lateral do mesepisterno, partindo da região abaixo da asa anterior e esten- dendo-se ventralmente em direção à coxa anterior, denominado sulco mesepisternal (Fig. 27.24). Outro sulco longitudinal ou oblíquo, porém direcionado para trás e atravessando o escrobo, é denominado sulco escrobal. O metatórax normalmente é bastante reduzido e fortemente ligado ao primeiro segmento abdominal, que é chamado de propódeo em Apocrita (ver adiante). Nos grupos basais de Hymenoptera, o metanoto pode possuir um par de cencros, estruturas circulares ou ovais situadas na porção sublateral do esclerito (Fig. 27.1), ausentes em Apocrita. A metapleura nor- malmente não é subdividida. A terminologia aplicada à venação de Hymenoptera encon- tra-se ilustrada nas Figuras 27.4-5, 9-11 e 20-21. As veias em Hymenoptera podem ser classificadas em três categorias: (1) tubular: veia pigmentadaScolebythidae (Fig. 27.47). São vespas praticamente restritas ao hemisfério sul, no continente americano chegando até Be- lize (Cambra & Azevedo 2003; Engel 2005a). Os adultos são raramente coletados, sendo obtidos de modo esporádico em armadilhas de interceptação de voo e Malaise, principalmente dentro de florestas. Os únicos dados da biologia da família deri- vados de observações diretas foram publicados em Melo (2000) para uma espécie brasileira, Pristapenesia stricta (Azevedo). Essa espécie é parasitoide idiobionte de larvas de anobiíneos (Cole- optera, Ptinidae). As fêmeas penetram nas galerias de madeira infestada com esses besouros e ovipositam de cinco a sete ovos por hospedeiro, sendo que as larvas se desenvolvem de modo gre- gário. Apenas um macho emerge em cada ninhada e copula com suas irmãs. As outras espécies de Scolebythidae aparentemente também atacam larvas de besouros xilófagos, principalmente Cerambycidae (Brothers 1981). No Brasil, ocorrem dois gêneros, Clystopsenella Kieffer e Pristapenesia Brues, cada um com uma espécie (Azevedo 1999; Brothers & Janzen 1999). A identificação dessas espécies pode ser feita com a chave apresentada em Azevedo (1999). APOIDEA Apoidea faz parte dos Aculeata sensu stricto, juntamente com Vespoidea, Scolioidea e Formicoidea. Nesse grupo há dimorfis- mo entre machos e fêmeas no número de flagelômeros (10 nas fêmeas e 11 nos machos, com poucas exceções) e internalização do tergo metassomal VII nas fêmeas, resultando em um metasso- ma com seis segmentos visíveis. As evidências apontam para uma relação de grupo-irmão entre Apoidea e Formicoidea, que por sua vez têm Scolioidea como grupo mais próximo (Branstetter et al. 2017; Peters et al. 2017). Nas classificações antigas, o nome Apoidea foi usado para englobar apenas as abelhas. Atualmente, o grupo inclui também as vespas aculeadas mais estreitamente relacionadas às abelhas, as vespas apoideas, tradicionalmente incluídas na superfamília parafilética ‘Sphecoidea’ (Brothers 1975). Adota-se aqui a classificação proposta por Melo (1999), com base em análises filogenéticas, que reconheceu cinco famílias em Apoidea: Am- pulicidae, Apidae, Crabronidae, Heterogynaidae e Sphecidae. Apenas Heterogynaidae, grupo constituído por menos 10 espé- cies e restrito ao Velho Mundo, não ocorre na fauna brasileira. Ampulicidae (Fig. 27.52). Estão presentes em todo o mundo, sendo mais abundantes e diversificados nas regiões tropicais. São vespas esguias, com pernas alongadas e morfologia especia- lizada, principalmente no gênero Ampulex Jurine. Constituem claramente uma linhagem distinta e basal dentro de Apoidea, exibindo grande número de plesiomorfias comparada à linhagem formada por Sphecidae, Crabronidae e Apidae, as quais exibem condições bastante modificadas em relação ao plano-básico de Aculeata, principalmente no tórax (Melo 1999). Em geral, os ampulicídeos são vespas relativamente raras, mais frequentemente associadas a florestas úmidas, uma característica relacionada ao comportamento de utilizarem baratas como presas para a prole. Os adultos podem ser coletados quando caminhando sobre a casca de árvores ou de troncos mortos. As fêmeas predam baratas (Blattaria), tanto formas imaturas quanto adultos, para desenvolvimento dos imaturos, sendo que, depois de capturada e ferroada, a presa é conduzida pela fêmea para uma cavidade previamente existente, em geral canais em madeira morta, gravetos ou mesmo cavidades no solo. Na sequência, a fêmea põe um ovo sobre a presa e fecha a entrada da cavidade com detritos. Apenas uma presa é estocada em cada célula de cria (Williams 1919, 1929, 1942; Gess 1984). A fauna brasileira contém três gêneros e 12 espécies (Amaran- te 2002). A identificação até gênero pode ser feita pelas chaves de Bohart & Menke (1976) e Menke & Fernández (1996). Não há revisão moderna para a fauna neotropical, embora uma parte das espécies brasileiras possa ser identificada pelos trabalhos de Kohl (1893), Bradley (1934) e Kimsey (1993). HYMENOPTERA 511 Apidae (Fig. 27.55). Apidae é usado aqui em seu sentido amplo, englobando todas as famílias de abelhas da classificação tradi- cional (como Michener 2000, 2007), que são tratadas como subfamílias (Melo & Gonçalves 2005). Esse sistema de classifica- ção permite a adoção de um nome formal, dentro da hierarquia lineana, aplicável às abelhas como um todo. Pela classificação tradicional, diferentes nomes alternativos têm sido aplicados ao conjunto de famílias, como Apiformes (por exemplo, Michener 2000, 2007) ou Anthophila (Engel 2005b), constituindo um inconveniente pelo uso de mais de um nome para o mesmo táxon. A família contém mais de 20 mil espécies descritas em todo o mundo e encontra-se dividida em sete subfamílias, cinco das quais ocorrem na fauna brasileira. De maneira semelhante às vespas apoideas, a maioria das abelhas escava ninhos no solo, onde solitariamente cada fêmea constrói células de cria que, entretanto, são estocadas com pólen e néctar, ao invés de artrópodes paralisados. As fêmeas possuem estruturas especializadas para transporte de pólen, que podem ser formadas por uma densa escova de cerdas, denominada escopa, localizada em geral nas pernas posteriores ou, mais raramente, nos esternos metassomais, ou ainda por uma depressão glabra na tíbia posterior margeada por cerdas longas, denominada de corbícula. As abelhas são também bem conhecidas por suas espécies sociais, como Apis mellifera L. e as abelhas sociais sem- -ferrão da tribo Meliponini (Melo 2020). Grande número de grupos também é formado por cleptoparasitas obrigatórios, em que as fêmeas não constroem seus próprios ninhos e invadem aqueles construídos por espécies solitárias para fazer postura nas células de cria (Rozen 2003). São conhecidos também parasitas sociais obrigatórios e cleptobióticos sociais. A literatura tratando da biologia de Apidae é extremamente extensa para ser aqui resumida. Uma introdução geral sobre a biologia de abelhas pode ser encontrada em O’Toole & Raw (1991) e Danforth et al. (2019), bem como nos capítulos iniciais de Michener (2000, 2007); informações adicionais e referências a trabalhos conduzidos com espécies brasileiras podem ser encontradas em Michener (1974), Roubik (1989), Moure et al. (2012), Danforth et al. (2019) e Grüter (2020). A fauna do Novo Mundo, incluindo aquela presente no Brasil, contém grande número de tribos endêmicas, muitas delas com distribuição predominantemente anfitropical. A fauna brasileira contém um total de 1.973 espécies (atualizado de Moure et al. 2012), sendo que os gêneros e subgêneros po- dem ser identificados com auxílio das chaves apresentadas por Silveira et al. (2002) e por Michener (2007). Não há revisão a nível específico para toda a fauna neotropical, embora umas poucas tribos maiores tenham sido completamente revisadas para a América do Sul, como Anthidiini (Megachilinae) e Eucerini (Apinae) [referências em Silveira et al. (2002), Michener (2007) e Moure et al. (2012)]. Chave para as subfamílias (adaptada de Silveira et al. 2002) 1. Palpos labiais com pelo menos os três últimos palpômeros cilíndricos, semelhantes entre si e aos palpômeros dos palpos maxilares; palpo maxilar originando-se além da metade da maxila, próximo a seu ápice. Sulco mesepisternal, quando presente, voltado para baixo e para frente, em geral estendendo-se a um ponto mais ventral que o escrobo. Coxa média parcialmente ocultada sob a pleura ................. 2 — Palpos labiais com os dois palpômeros basais achatados e alongados, os dois palpômeros distais pequenos, cilíndricos, semelhantes aos dos palpos maxilares e, em geral, em ângulo reto com os palpômeros basais; palpo maxilar originando-se anteriormente à metade da maxila, mais próximo de sua base. Sulco mesepisternal, quando presente, voltado para trás e unido ao sulco que passa pelo escrobo (exceto por algumas raras espécies cleptoparasitas de Apinae, que apresentamo sulco voltado para frente). Coxa média quase sempre inteiramente exposta ..................................................... 4 2(1). Glossa truncada, normalmente bilobada, às vezes profundamente bífida ................................. Colletinae — Glossa terminando em ponta aguda ........................... 3 3(2). Com apenas uma sutura subantenal, sem área subantenal definida. Área parocular superior sem uma região deprimida e formando uma fóvea. Asa anterior com primeira abcissa da veia M conspicuamente encurvada ou angulada. Integumento geralmente com forte brilho metálico ...................................................... Halictinae — Com área subantenal definida por duas suturas subantenais, se apenas uma sutura subantenal visível, então, abelhas grandes (15 mm ou mais de comprimento) robustas e, em geral, com coloração metálica no metassoma. Fóvea facial frequentemente presente na parocular superior. Asa anterior com primeira abcissa da veia M geralmente retilínea ou levemente encurvada. Coloração do integumento variável, brilho metálico, quando presente, restrito ao metassoma .............................. Andreninae 4(1). Labro sempre mais longo que largo. Sutura subantenal originando-se na margem externa do alvéolo antenal. Asa anterior sempre com duas células submarginais. Fêmea: escopa, quando presente, restrita aos esternos do metassoma ....................................... Megachilinae — Labro em geral mais largo que longo. Sutura subantenal originando-se na margem interna ou inferior do alvéolo antenal. Asa anterior normalmente com três células submarginais, ocasionalmente duas, raramente uma. Fêmea: escopa, quando presente, nas pernas posteriores, ou então, superfície externa da tíbia posterior com corbícula .... Apinae Crabronidae (Fig. 27.54). Grupo de vespas apoideas mais es- treitamente relacionado às abelhas (Melo 1999), compartilhando com elas muitas de suas características morfológicas e comporta- mentais. Está presente em todo o mundo. São reconhecidas cinco subfamílias (Melo 1999), Astatinae, Bembicinae, Crabroninae, Pemphredoninae e Philanthinae, todas presentes no Brasil. A maioria dos Crabronidae constrói ninhos no solo, com células de cria onde são estocadas presas paralisadas que servem de alimento para as larvas. Mais de 14 ordens de insetos, além de aranhas, são usadas como presas (Bohart & Menke 1976). Poucos grupos são secundariamente parasitoides idiobiontes, como as espécies de Larra Fabricius, ou exibem cleptoparasi- tismo obrigatório, como a tribo Nyssonini (Bembicinae). Uma compilação sobre a biologia de nidificação para os gêneros de Crabronidae foi apresentada por Bohart & Menke (1976); revisões gerais sobre a biologia de alguns grupos podem ser en- contradas também em Evans & O’Neill (1988, 2007) e O’Neill (2001). O comportamento social dos crabronídeos foi revisado por Melo (2000b). A revisão em nível genérico da fauna mundial apresentada por Bohart & Menke (1976), embora defasada, permite a identificação da maior parte dos gêneros encontrados no Brasil, HYMENOPTERA 512 bem como a chave de Menke & Fernández (1996). As espécies presentes na região Neotropical foram catalogadas por Amarante (2002); ver também adições e correções em Amarante (2005). Para o Brasil, são conhecidas cerca de 550 espécies. Não há re- visões gerais para toda a fauna, embora identificação até espécie seja possível para algumas tribos, por exemplo, Gorytini (Bem- bicinae) e Crabronini (Crabroninae), com auxílio de revisões indicadas em Amarante (2002). Sphecidae (Fig. 27.53). São vespas predadoras de porte avantaja- do, constituindo elementos conspícuos da fauna neotropical. O nome Sphecidae é usado aqui no seu sentido estrito, contendo apenas Sphecinae da classificação de Bohart & Menke (1976). De modo geral, os esfecídeos são vespas solitárias que constroem ninhos escavados no solo ou suspensos e construídos com barro. As presas utilizadas incluem aranhas e insetos das ordens Blattaria (baratas), Mantodea, Phasmatodea, Orthoptera e Lepidoptera (larvas). Uma compilação sobre a biologia de nidificação para os gêneros de Sphecidae foi apresentada por Bohart & Menke (1976); uma revisão geral sobre a biologia de alguns grupos pode ser encontrada também em O’Neill (2001). Trabalhos recentes sobre a biologia de espécies encontradas no Brasil incluem Garcia & Adis (1993), Gaimari & Martins (1996), Camilo et al. (1996) Figuras 27.52-63. Hábito, forma adulta, vista lateral. 52, Ampulex Jurine, fêmea (Ampulicidae); 53, Podium Fabricius, fêmea (Sphecidae); 54, Bembecinus Costa, fêmea (Crabronidae); 55, Thygater Holmberg, fêmea (Apidae); 56, Pseudomyrmex Lund, fêmea alada (Formicidae); 57, Acanthostichus Mayr, macho (Formicidae); 58, Gnamptogenys Roger, fêmea operária (Formicidae); 59, Campsomeris Lepeletier, fêmea (Scoliidae); 60, Mischocyttarus Saussure, fêmea (Vespidae); 61, Liosphex Townes, macho (Rhopalosomatidae); 62, Pseudomethoca Ashmead, fêmea (Mutillidae); 63, Sphaeropthalma Blake, macho (Mutillidae). Escala = 1 mm para Figs 56, 57, 58, 61, 63; demais figuras, escala = 5 mm. HYMENOPTERA 513 e Buschini & Woiski (2006). A identificação dos gêneros encontrados no Brasil pode ser feita pelas chaves de Bohart & Menke (1976) e Menke & Fernández (1996). As espécies presentes na região Neotropical foram catalogadas por Amarante (2002); ver também adições e correções em Amarante (2005). Para o Brasil, são listadas 88 espécies. Não há revisão moderna para a fauna neotropical, embora uma parte das espécies brasileiras possa ser identificada com auxílio de vários trabalhos indicados em Amarante (2002). FORMICOIDEA Formicidae (Figs 27.56-58). As formigas constituem talvez os elementos mais conspícuos da fauna de insetos nas regiões tropicais. É a única família de Hymenoptera em que todas as espécies são eussociais, existindo uma separação de castas entre as fêmeas, com uma fêmea (ou umas poucas fêmeas) com capacidade de reproduzir-se dentro da colônia (rainhas) e uma maioria de fêmeas estéreis (operárias) que se ocupam da manutenção da colônia. Em muitas espécies, mesmo as operárias podem ter diferentes subcastas de morfologia e funções distin- tas. A construção de ninhos é comum à maioria das espécies e existem desde ninhos pequenos e simples (como algumas espé- cies de Pseudomyrmex Lund, que ocupam o espaço interior de espinhos de plantas) até ninhos grandes e complexos como os das saúvas (gênero Atta Fabricius). Os ninhos mais conhecidos são subterrâneos, contudo muitas espécies constroem ninhos perfurando galhos, ocupando cavidades dentro da madeira ou ainda fazendo estruturas suspensas em plantas utilizando matéria vegetal ou até fungos. Existem algumas espécies que não constroem ninhos por terem comportamento nomádico (“formigas de correição”) ou por serem parasitas sociais de outras espécies de formigas. Nestas últimas, pode até existir uma perda secundária da socialidade, existindo só uma fêmea reprodutiva sem operárias que a acompanham. A alimentação das formigas é tão variada quanto a diversidade da família, existindo desde espécies predadoras e saprófagas até verdadeiros especialistas, que cultivam fungos para alimentar-se, como ocorre na tribo Attini. Muitas espécies são simbiontes de numerosas espécies de plantas ou insetos, aos quais protegem em troca de alimento (Longino & Hanson 1995). Revisão geral sobre a biologia e diferentes aspectos da organização social podem ser encontrados em Hölldobler & Wilson (1990). São reconhecidas atualmente 17 subfamílias para a fauna recente, sendo que 13 estão presentes na fauna brasileira. As subfamílias e gêneros presentes no Brasil podem ser identificados com as chaves apresentadas em Baccaro et al. (2015). Compi- lação da fauna mundial de formigas está em www.antweb.org Para o Brasil, são indicadas a presença de 1.580 espécies alocadas em 112 gêneros. Os sítios seguintes constituem importantes fontesde in- formações para os Formicidae na internet: www.antweb.org e www.antcat.org. Chave para as subfamílias, operárias (adaptada de Hanson & Longino 2006) 1. Metassoma com segmentos I e II reduzidos e/ou isolados do restante do metassoma, isto é, formando um pecíolo e pós-pecíolo (como na Fig. 27.56); pós-pecíolo às vezes um pouco maior que o pecíolo, porém sempre distintamente menor que segmento metassomal III ...... 2 — Metassoma com apenas segmento I distintamente reduzido (como na Fig. 27.58); segmento II não conspicuamente reduzido e, portanto, não formando um pós-pecíolo, embora muitas vezes com uma constrição na sua parte posterior e, assim, separado dos segmentos restantes ........... 5 2(1). Olhos ausentes ou representados por um omatídio. Alvéolos antenais não completamente encobertos por lóbulos frontais. Espiráculos dos tergos metassomais IV e V expostos, não ocultos sob tergo precedente ............... Dorylinae (parte) — Olhos normalmente com muitos omatídios. Alvéolos antenais usualmente encobertos (pelo menos parcialmente) por lóbulos frontais. Espiráculos dos tergos metassomais IV e V ocultos sob tergo precedente ..................... 3 3(2). Sutura entre pronoto e mesonoto presente. Olhos pelo menos tão longos quanto 0,4x o comprimento da face. Ocelos presentes. Borda superior do clípeo não se projetando para cima entre os alvéolos antenais .................. Pseudomyrmecinae — Pronoto completamente fundido ao mesonoto, sem indicação de sutura. Olhos, em geral muito mais curtos que 0,4x o comprimento da face. Ocelos quase sempre ausentes. Borda superior do clípeo projetando-se para cima e ocupando o espaço entre os alvéolos antenais .............................. 4 4(3). Escrobos antenais presentes. Olhos posicionados no extremo dorsal dos escrobos antenais, muito afastados dos alvéolos antenais. Antenas com cinco flagelômeros. Esporão das tíbias média e posterior pectinado. Formigas raramente coletadas ............................ Agroecomyrmecinae — Escrobos antenais raramente presentes. Olhos posicionados mais abaixo na cabeça, distância entre olhos e alvéolos menor do que comprimento do escapo. Antena com dois a dez flagelômeros. Esporão das tíbias média e posterior raramente pectinado. Formigas comuns ......... Myrmicinae 5(1). Ferrão presente. Gáster relativamente longo e cilíndrico, segmento metassomal II frequentemente com uma constrição na parte posterior e, assim, separado dos segmentos restantes; pecíolo metassomal quase sempre engrossado, frequentemente em forma de cubo, raramente muito curto e semelhante a uma escama ................. 6 — Ferrão ausente. Gáster frequentemente curto e subesférico, segmento metassomal II sempre confluente com segmento subsequente; pecíolo metassomal frequentemente muito curto e achatado no sentido ântero-posterior, com formato de escama ................................. 13 6(5). Tergo metassomal VI formando uma área pigidial aplainada e delimitada lateralmente por duas fileiras de cerdas curtas e muito grossas, em forma de espinho, fileiras de cerdas convergindo posteriormente em direção ao ápice do tergo ............................................... Dorylinae (parte) — Tergo metassomal VI sem pigídio ou, se com área pigidial, então não delimitada por duas fileiras de cerdas curtas espiniformes ....................................................................... 7 7(6). Constrição entre segmentos metassomais I e II pouco pronunciada, tergo I sem diferenciação de uma superfície posterior. Margem inferior do clípeo finamente denticulada ...................................................... Amblyoponinae — Constrição entre segmentos metassomais I e II bem pronunciada, tergo I com uma superfície posterior claramente definida. Margem inferior do clípeo não denticulada ........ 8 8(7). Alvéolos antenais voltados para frente, expostos e posicionados bem próximos à margem inferior da cabeça. Olhos muito http://www.antweb.org HYMENOPTERA 514 reduzidos ou ausentes. Sutura entre pronoto e mesonoto presente ou ausente. Formigas raramente coletadas ....... 9 — Alvéolos antenais voltados para os lados, pelo menos parcialmente cobertos por lóbulos frontais e posicionados mais acima em relação à margem inferior da cabeça. Olhos quase sempre bem desenvolvidos. Sutura entre pronoto e mesonoto frequentemente presente. Formigas em geral relativamente comuns ......................................... 10 9(8). Sutura entre pronoto e mesonoto ausente. Olhos muito reduzidos ou ausentes. Mandíbulas muito mais curtas que comprimento da cápsula cefálica ............. Proceratiinae — Sutura entre pronoto e mesonoto presente. Olhos ausentes. Mandíbulas mais longas que comprimento da cápsula cefálica ...................................... Martialinae 10(8). Bordas laterais do esterno metassomal VI margeadas por uma fileira de cerdas grossas curtas, formando um pente. Escrobos antenais prolongando-se acima dos olhos e dobrando-se para baixo atrás dos olhos. Formigas grandes e robustas, corpo com mais de 15 mm de comprimento ........... Paraponerinae — Bordas laterais do esterno metassomal VI não margeadas por cerdas grossas curtas. Escrobos antenais ausentes ou, quando presentes, com forma distinta. Tamanho do corpo variável, frequentemente com menos de 15 mm ......... 11 11(10). Alvéolos antenais frequentemente posicionados bem próximos entre si, superfície entre os lóbulos frontais no mesmo nível que bordas laterais dos lóbulos ou quando rebaixada, formando apenas um sulco estreito. Tergo do segmento metassomal III com comprimento semelhante ao do esterno correspondente ou apenas um pouco mais longo. Superfície da cabeça relativamente lisa, esculturação praticamente restrita à pontuação associada às cerdas ......... Ponerinae — Alvéolos antenais amplamente separados, superfície entre os lóbulos frontais rebaixada e relativamente plana. Tergo do segmento metassomal III quase sempre distintamente mais longo do que o esterno correspondente. Superfície da cabeça com esculturação bem desenvolvida, formando um padrão reticulado e/ou com numerosas carenas longitudinais ....... 12 12(11). Cabeça com carena longitudinal ao longo da linha média, estendendo-se do clípeo até o vértice. Abertura da glândula metapleural (situada na parte inferior do propódeo, perto da inserção do pecíolo metassomal) elíptica ou circular e voltada para os lados ou posteriormente ............... Heteroponerinae — Cabeça sem carena longitudinal ao longo da linha média, ou se carena presente, então curta e restrita ao clípeo. Abertura da glândula metapleural (situada na parte inferior do propódeo, perto da inserção do pecíolo metassomal) em forma de fenda e voltada para cima ........... Ectatomminae 13(5). Ápice do esterno metassomal VI modificado em acidoporo, com formato circular a semicircular e frequentemente semelhante a um pequeno cone guarnecido no ápice com um anel de cerdas; se ápice do esterno VI não visível, então alvéolos antenais afastados da sutura epistomal ........... Formicinae — Ápice do esterno metassomal VI sem acidoporo. Alvéolos antenais sempre em contato com a sutura epistomal ... Dolichoderinae SCOLIOIDEA Scoliidae (Fig. 27.59). Família relativamente pequena, embora de distribuição cosmopolita, contendo uma pequena subfamília, Proscoliinae, na região Paleártica e outra muito maior, Scoliinae, melhor representada principalmente nas regiões mais quentes do globo (Brothers & Finnamore 1993). Apenas a biologia de representantes de Scoliinae é conhecida, sendo as larvas ecto- parasitoides idiobiontes de larvas subterrâneas de Coleoptera, principalmente Scarabaeidae. As fêmeas são altamente adaptadas para cavar o solo e alcançar o hospedeiro que, quando localizado, é paralisado e recebe um ovo, sendo que algumas observações indicam que a vespa pode mover o hospedeiro mais profunda- mente e preparar uma câmara, antes da oviposição, paraservir de célula de cria (Finnamore & Hanson 1995). Os adultos podem ser vistos com frequência alimentando-se sobre flores e também se observam com frequência machos patrulhando determinadas áreas, principalmente grandes formigueiros de saúvas (gênero Atta) ou dormindo em agregações sobre a vegetação. Dois gê- neros de Scoliidae ocorrem na região Neotropical, não havendo revisão moderna para as Américas. No Brasil, devem existir pelo menos 30 espécies, sendo que parte delas pode ser identificada pela chave de Bradley (1945). VESPOIDEA O escopo da superfamília é aqui alterado para acomodar os resultados recentes derivados de análises com dados moleculares (Branstetter et al. 2017). Formicidae, Bradynobaenidae e Sco- liidae, previamente tratadas como famílias de Vespoidea com base na evidência morfológica (Brothers & Carpenter 1993; Brothers 1999), formaram um clado juntamente com Apoidea (Branstetter et al. 2017), tornando Vespoidea no sentido antigo parafilética. Mesmo assim, restam incertezas quanto à mono- filia de Vespoidea sob esse novo escopo e talvez no futuro seja necessária a divisão em duas superfamílias para seus dois clados principais: Vespoidea, que ficaria restrita a Rhopalosomatidae e Vespidae, e Mutilloidea, englobando as famílias Mutillidae, Pompilidae, Sapygidae, Sierolomorphidae e Tiphiidae. Das seis famílias aqui alocadas em Vespoidea, cinco delas estão presentes no Brasil. Apenas Sierolomorphidae encontra-se ausente. No continente americano, essa família ocorre na América do Norte e Central, chegando até a Costa Rica. De maneira geral, as dife- rentes famílias de Vespoidea constituem elementos conspícuos e diversificados dentro da fauna brasileira. Entre elas, Vespidae merece destaque por conter grande número de espécies com organização social complexa em que as colônias são compostas por uma ou mais rainhas e numerosas operárias. Mutillidae (Figs 27.62-63). Família numerosa e cosmopolita, com oito subfamílias: Myrmosinae, Pseudophotopsidinae, Ticoplinae, Rhopalomutillinae, Dasylabrinae, Myrmillinae, Mutillinae e Sphaeropthalminae (Pagliano et al. 2020), das quais somente as duas últimas estão presentes na região Neotropical. Exibe acentuado dimorfismo sexual, com fêmeas ápteras e machos alados, sendo que sua taxonomia é baseada principal- mente nas fêmeas. As larvas de Mutillidae são ectoparasitoides idiobiontes de imaturos de outros insetos em casulos, pupários e ootecas, principalmente pré-pupas e pupas de abelhas e vespas aculeadas que constroem ninhos. As fêmeas adultas, em parti- cular nas espécies de maior tamanho corporal, normalmente possuem coloração aposemática. Adultos de ambos os sexos pos- suem no abdômen órgãos estridulatórios usados para produzir sons quando molestados. Em alguns gêneros, em que o macho é maior do que a fêmea, pode ocorrer cópula forética, com o macho carregando a fêmea em voo. Informações sobre a biologia da família, incluindo compilação de hospedeiros conhecidos para gêneros neotropicais, podem ser encontradas em Brothers (1995, 2006a,b) e Luz et al. (2016). HYMENOPTERA 515 As subfamílias e tribos presentes no Brasil podem ser identi- ficadas com as chaves apresentadas em Brothers (1995, 2006a,b). Brothers (2006a) apresentou uma chave para identificar os gê- neros neotropicais. Catalogação da fauna mundial foi publicada por Pagliano et al. (2020). São listadas 526 espécies, distribuídas em 33 gêneros, com ocorrência no Brasil. Pompilidae (Fig. 27.64). Família grande e cosmopolita, con- tendo aproximadamente 5 mil espécies, distribuídas em cerca de 125 gêneros (Aguiar et al. 2013). São reconhecidas atualmente cinco subfamílias: Ceropalinae, Ctenocerinae, Notocyphinae, Pepsinae e Pompilinae (Waichert et al. 2015). Wasbauer (1995) e Fernández (2006b) apresentaram um sumário da biologia da fa- mília; trabalhos adicionais importantes são Evans (1953) e Evans & Yoshimoto (1962). Todas as espécies de biologia conhecida utilizam aranhas para a alimentação das suas larvas, tanto por captura ativa e paralisia permanente (Pepsinae e Pompilinae), como por paralisia temporária (Notocyphinae, em Pepsinae que são parasitoides cenobiontes e talvez Ctenocerinae) ou por com- portamento cleptoparasítico em ninhos de outros pompílideos (Ceropalinae e alguns grupos em Pepsinae e Pompilinae). Para fazer seus ninhos, as espécies caçadoras podem simplesmente Figuras 27.64-75. Hábito, forma adulta, vista lateral. 64, Notocyphus Smith, macho (Pompilidae); 65, Ammodromus Guérin, casal capturado em cópula (Tiphiidae); 66, Sapyga Latreille, fêmea (Sapygidae); 67, Allorhogas Gahan, fêmea (Braconidae); 68, Enicospilus Stevens, fêmea (Ichneumonidae); 69, Xorides Latreille, macho (Ichneumonidae); 70, Synopeas Foerster, fêmea (Platygastridae); 71, Acanthoscelio Ashmead, macho (Scelionidae); 72, Ibalia Latreille, fêmea (Ibaliidae); 73, Paramblynotus Cameron, fêmea (Liopteridae); 74, Acanthaegilips Ashmead, fêmea (Figitidae); 75, Ganaspis Foerster, fêmea (Figitidae). Escala = 1 mm para Figs 67, 70, 71, 74, 75; escala = 5 mm para Figs 64, 65, 66, 68, 69, 72, 73. HYMENOPTERA 516 aproveitar uma cavidade pré-existente, cavar uma cavidade própria no solo ou até construir ninhos de barro, como na tribo Ageniellini (Pepsinae). Como regra geral, cada célula de cria é aprovisionada com apenas uma aranha e um ovo é colocado na presa (Wasbauer 1995). No Brasil, são reconhecidos pelo menos 50 gêneros (ou subgêneros) e cerca de 340 espécies (Santos 2020). A identifi- cação de grande parte dos gêneros pode ser feita com as chaves de Fernández (2006b), exceto para Pepsini. Rhopalosomatidae (Fig. 27.61). Constituída por quatro gê- neros e 74 espécies, encontra-se distribuída principalmente em regiões tropicais e subtropicais do mundo. Pouco se conhece sobre a biologia, sendo que os escassos registros indicam que as larvas se desenvolvem como ectoparasitoides idiobiontes de Grylloidea (Gauld 2006). No caso do gênero Rhopalosoma Cresson, a larva desenvolve-se entre uma das pernas posteriores e o abdômen do hospedeiro e a empupação acontece no solo (Gurney 1953; Miller et al. 2019). Os três gêneros presentes no Novo Mundo são encontrados no Brasil. O país possui um total de 16 espécies que podem ser identificadas com as chaves de Townes (1977a), Lohrmann & Ohl (2010) e Lohrmann et al. (2012). Sapygidae (Fig. 27.66). Ocorrem em todo o mundo exceto Austrália. Está dividida em duas subfamílias, Fedtschenkiinae e Sapyginae, apenas a última presente na fauna Neotropical. Fedtschenkiinae desenvolve-se como idiobionte em larvas de Eumeninae (Vespidae) (Bohart & Schuster 1972), ao passo que os Sapyginae são cleptoparasitas principalmente em ninhos de abelhas, podendo atacar também Vespidae e Sphecidae (Pate 1947). São vespas raramente coletadas, podendo ser encontra- das em visita a flores ou, em maior número, quando associadas aos ninhos dos hospedeiros. O estudo mais detalhado sobre a biologia dos sapigíneos foi publicado por Torchio (1972). As fêmeas fazem postura, através do tampão de fechamento, em células de cria recém-aprovisionadas. A larva após a emergência arrasta-se dentro da célula e ataca ovos e outras larvas que pos- sam encontrar na célula. Apenas uma larva sobrevive por célula, alimentando das provisões armazenadas pelo hospedeiro. As únicas informações biológicas sobre espécies da fauna brasileira foram publicadas por Hurd & Moure (1961) e Alves-dos-Santos (2004). Os gêneros e parte das espécies neotropicais podem ser iden- tificados com a chave apresentada por Fernández & Sarmiento (2015). No Brasil, estão presentes dois gêneros e pelo menos quatro espécies. Tiphiidae (Fig. 27.65). Cosmopolita e relativamente hetero- gênea morfologicamente. Sua composição é aqui alterada para incluir as subfamílias Chyphotinae e Typhoctinae, previamente consideradas como parte de Bradynobaenidae (Brothers 2006c). A alocação dessas subfamílias em Bradynobaenidae não foi corroboradapela evidência molecular, que mostrou que estão associadas a Tiphiidae (Pilgrim et al 2008; Branstetter et al. 2017). Aqui elas são reunidas em uma subfamília, Chyphotinae, que passaria a ter duas tribos, Chyphotini e Typhoctini. Os sub- clados de Typhoctini poderiam ser reconhecidos como subtribos, Eotillina e Typhoctina. Com essas alterações, são reconhecidas aqui oito subfamílias em Tiphiidae: Brachycistidinae, Diammi- nae, Chyphotinae, Methochinae, Anthoboscinae, Myzininae, Thynninae e Tiphiinae. As duas primeiras estão ausentes da América do Sul, ao passo que a terceira possui representantes na Argentina e Chile. Methochinae, a despeito de ser citada para a América do Sul (Kimsey 2006; Kimsey & Brothers 2006), não tem qualquer registro conhecido para a região. A biologia dos Tiphiidae foi revisada por Kimsey (2006b). Os Diamminae são parasitoides de Gryllotalpidae (Orthoptera) e no restante da fa- mília as larvas são ectoparasitoides idiobiontes de Coleoptera. Os Methochinae e o gênero Pterombrus Smith (Myzininae) atacam larvas de Cicindelinae (Carabidae) e as outras subfamílias, em geral, larvas de Scarabaeidae de solo, com uns poucos registros também em Curculionidae, Cerambycidae e Tenebrionidae. Em Anthoboscinae, Tiphiinae e Myzininae, os machos têm sido observados patrulhando a vegetação à procura de fêmeas. Nos Thynninae, as fêmeas são ápteras e ocorre cópula forética, possuindo ambos os sexos especializações morfológicas que per- mitem ao macho carregar a fêmea durante o voo (por exemplo, Toro et al. 1979; Toro & Carvajal 1989). Embora não existam catálogos recentes ou revisões para todos os gêneros, a fauna brasileira inclui pelo menos 22 gêneros e cerca de 110 espécies descritas. A identificação dos gêneros das diferentes subfamílias pode ser feita com as chaves apresentadas por Kimsey & Brothers (2006). Chave para as subfamílias 1. Fronte não projetada sobre os alvéolos antenais. Fêmeas sempre aladas ................................................................ 2 — Fronte com uma forte projeção encobrindo os alvéolos antenais. Fêmeas aladas ou ápteras ................................ 3 2(1). Alvéolos antenais mais afastados entre si, distância entre eles maior do que metade de seu diâmetro. Mesoscuto com notaulos. Asa anterior da fêmea com célula marginal fechada (veia R presente ao longo da margem distalmente ao pterostigma). Tergo VI da fêmea coberto por cerdas grossas. Último esterno do macho não formando um gancho ...................................................... Anthoboscinae — Alvéolos antenais posicionados bem próximos entre si, praticamente contíguos. Mesoscuto sem indicação de notaulos. Asa anterior da fêmea com célula marginal aberta (veia R ausente ao longo da margem distalmente ao pterostigma). Tergo VI da fêmea com pilosidade esparsa ou formando uma fileira na base do esclerito. Último esterno do macho em formato de gancho voltado para cima .... Tiphiinae 3(1). Pedicelo muito curto e quase inteiramente alojado no ápice do escapo. Fêmeas aladas. Olhos dos machos com forte reentrância ao longo da órbita interna. Último esterno do macho em formato de gancho voltado para cima .............. Myzininae — Pedicelo mais evidente e exposto. Fêmeas ápteras (Fig. 27.65). Olhos dos machos com órbitas internas retas ou apenas suavemente sinuosas. Último esterno do macho não formando um gancho ..................................................... Thynninae Vespidae (Fig. 27.60). Amplamente diversificada e cosmo- polita, Vespidae passou a ter oito subfamílias reconhecidas a partir da análise de dados filogenômicos (Piekarski et al. 2018): Euparagiinae, Gayellinae, Masarinae, Eumeninae, Zethinae, Stenogastrinae, Polistinae e Vespinae. As cinco primeiras são compostas por espécies solitárias (e algumas poucas comunais) e as três últimas, por espécies sociais. Gayellinae, Masarinae, HYMENOPTERA 517 Eumeninae, Zethinae e Polistinae têm ocorrência natural na América do Sul, embora uma espécie de Vespinae tenha sido introduzida no Chile (Sarmiento & Carpenter 2006). Revisões gerais sobre a biologia da família podem ser en- contradas em West-Eberhard et al. (1995, 2006). Gess (1996) compilou a informação conhecida sobre a biologia dos Masarinae (incluindo Gayellinae). Cowan (1991) trata a biologia geral dos Eumeninae (incluindo Zethinae). Uma revisão da biologia dos vespídeos sociais foi apresentada em Ross & Matthews (1991) e em Prezoto et al. (2021). Todas as espécies da família constroem ninhos e, como regra geral, a oviposição é feita em uma célula de cria vazia, antes de qualquer processo de aprovisionamento, seja massivo (nas espécies solitárias) ou progressivo (nas espécies sociais). O alimento para a larva consiste, em geral, de insetos capturados ativamente pela fêmea, geralmente larvas de vida livre das ordens Lepidoptera ou Coleoptera, além de substâncias açucaradas (néctar e excretas de hemípteros) e até pedaços de carne de vertebrados, por algumas espécies sociais. Os masaríneos e gayellíneos constituem exceção e, de maneira semelhante às abelhas, aprovisionam seus ninhos com pólen e néctar. As fêmeas das espécies solitárias ou comunais escavam seus ninhos dentro de um substrato (solo, madeira, galhos) ou os constroem dentro de cavidades pré-existentes, ou constroem ninhos aéreos com barro ou com tecido vegetal mastigado. Nas espécies sociais, é comum a construção de favos de células feitas com fibra vegetal mastigada (usualmente referidos como ninhos de papel). Nesses casos, o ninho pode formar um favo livre, um favo coberto por uma parede do mesmo material ou uma série de favos empilhados dentro de uma cavidade ou cobertos por uma parede do próprio papel ou, em algumas espécies, de barro. Os Polistinae são eussociais, com diferenciação morfológica nula a leve entre operárias e rainhas. As espécies dos gêneros mais basais (Polistes Latreille, Mischocyttarus Saussure) normal- mente possuem somente uma rainha por colônia e os ninhos são fundados por uma fêmea solitária ou um pequeno grupo delas e as colônias são relativamente pequenas. Nos gêneros restantes, é comum a convivência de várias rainhas; os ninhos são fundados por enxames de rainhas e operárias e tendem a ser muito populosos. Os vespídeos sociais são bem conhecidos pela agressividade com a qual defendem os seus ninhos e as formas e cores de muitas espécies constituem o padrão básico de vários complexos miméticos abarcando numerosas famílias em várias ordens de insetos (West-Eberhard et al. 1995). No Brasil, estão presentes 54 gêneros e cerca de 740 espé- cies (Hermes et al. 2020). As espécies brasileiras de Masarinae e Gayellinae podem ser identificadas com as chaves de Hermes & Garcete-Barrett (2009) e Silveira (2015), e os gêneros neo- tropicais de Eumeninae, com as chaves de Carpenter & Gar- cete-Barrett (2002) e Sarmiento & Carpenter (2006). Embora várias espécies novas e mudanças taxonômicas tenham sido propostas nas últimas décadas, a revisão de Richards (1978) permite a identificação de grande parte das espécies de Polistinae da fauna brasileira. Chave para as subfamílias 1. Ápice da célula marginal da asa anterior amplamente afastado da margem costal. Asa anterior com duas ou três células submarginais e sem capacidade de dobrar-se longitudinalmente ......................................................... 2 — Ápice da célula marginal da asa anterior pouco ou não afastado da margem costal. Asa anterior sempre com três células submarginais e com capacidade de dobrar-se longitudinalmente .......................................................... 3 2(1). Asa anterior com duas células submarginais. Primeiro segmento metassomal não peciolado. Porção posterior do escutelo projetada sobre o metanoto ....... Masarinae — Asa anterior quase sempre com três células submarginais. Primeiro segmento metassomal formando um longo pecíolo. Porção posterior do escutelo não projetada sobre ometanoto ..................................................... Gayellinae 3(1). Cantos posteriores do mesoscuto distintamente projetados para trás, lateralmente às axilas, na forma de uma estreita projeção (paratégula) situada no nível da tégula. Garras tarsais fendidas. Coxas posteriores com carena longitudinal dorsal ........ 4 — Cantos posteriores do mesoscuto desprovidos de paratégulas ou, quando projeção presente, esta muito curta e situada abaixo da tégula. Garras tarsais simples. Coxas posteriores sem carena longitudinal dorsal ........................... Polistinae 4(3). Formato do primeiro segmento metassomal variável, quando peciolado a largura máxima situada na porção posterior do segmento. Segundo segmento metassomal sem estrangulamento basal evidente e, quando presente, encoberto pela porção posterior do primeiro segmento. Perna média com um esporão tibial ........................ Eumeninae — Primeiro segmento metassomal formando um pecíolo longo, sua largura máxima situada na porção central do segmento (ou seja, extremidades anterior e posterior mais estreitas do que porção central). Estrangulamento anterior do segundo segmento metassomal exposto, não encoberto pelo pecíolo. Perna média com um ou dois esporões tibiais .... Zethinae ICHNEUMONOIDEA As vespas icneumonoideas formam um grupo monofilético bem definido, consistentemente recuperado nas filogenias de Hymenoptera recentes (Sharkey 2007; Heraty et al. 2011; Peters et al. 2017 e outras), sendo tipicamente diferenciadas dos outros Apocrita não-Aculeata pelo corpo normalmente esguio, antenas longas (normalmente com mais de 11 flagelômeros), venação normalmente relativamente completa, com célula costal ausente ou obliterada (C e Sc+R normalmente fundidas ou adjacentes), esterno metasomal I (correspondente ao pecíolo) dividido com porção posterior fracamente esclerosada. Representantes são encontrados em todo o mundo. A superfamília inclui tanto idiobiontes quanto cenobiontes, ecto- e endoparasitoides, com diversos modos de vida (parasitoides de ovos, larvas, pupas, ovo-larvais, ovo-pupais, larvais-pupais, e mesmo de adultos), de forma que o grupo é objeto de uma quantidade considerá- vel de estudos sobre a evolução das estratégias de parasitismo e suas implicações morfofisiológicas (Quicke 1997). Destaca-se também a evolução da associação mutualista com polidnavírus tanto em Braconidae (bracovirus) quanto em Ichneumonidae (ichnovirus), que, com base em sequências de DNA viral, parece ter evoluído independentemente nas duas famílias (Strand & Burke 2014, 2015). Duas famílias são atualmente reconhecidas: Braconidae e Ichneumonidae. Alguns autores se referem a Aphidiidae e Apozygidae (que são consideradas subfamílias de Braconidae), Agriotypidae e Paxylommatidae (que são tratadas como sub- famílias de Ichneumonidae; Paxylommatinae também pode ser referida como Hybrizontinae). Mais recentemente, Quicke HYMENOPTERA 518 et al. (2020a) propuseram o reconhecimento de uma terceira família, Trachypetidae, um grupo restrito à Austrália até então posicionado como uma subfamília de Braconidae. A distinção entre Braconidae e Ichneumonidae frequentemente é feita com base na veia transversal 2m-cu da asa anterior (quase sempre ausente em Braconidae, quase sempre presente em Ichneumo- nidae) e a veia Rs+M (quase sempre presente em Braconidae, separando as células 1M e 1R1, e ausente em Ichneumonidae). Nas espécies ápteras, é possível observar a condição relativa dos tergos metassomais II e III (quase sempre suturados e imóveis em Braconidae, exceto Aphidiinae, e móveis em Ichneumonidae). No entanto, mesmo o posicionamento de alguns táxons entre as duas famílias tem sido questionado com base em evidências moleculares. Quicke et al. (2020b) apresentaram evidências moleculares de que Masoninae, até então tratada como subfa- mília de Braconidae (uma posição mantida aqui), pertenceria a Ichneumonidae. O primeiro registro de Masoninae para o Brasil foi publicado por Quicke et al. (2019). Note-se que existem variações na nomenclatura utilizada para a venação alar em Ichneumonoidea, as quais foram revisadas e discutidas por Eady (1974) e também ilustradas em Fernández & Sharkey (2006), o que afeta algumas das chaves de identificação disponíveis na literatura. O livro de Quicke (2015) apresenta uma revisão bastante completa do conhecimento produzido sobre a superfamília, incluindo discussões sobre biologia, história natural, morfologia, sistemática e ecologia. Braconidae (Fig. 27.67). Esta é uma das maiores famílias de Hymenoptera, com cerca de 23.000 espécies descritas (Chen & Van Achterberg 2019). No Brasil, são conhecidas 28 subfamílias de Braconidae, com 209 gêneros e 900 espécies (Shimbori et al. 2019). A distribuição é cosmopolita; até meados dos anos 2000 acreditava-se que Braconidae, assim como Ichneumonidae, era mais diversa em regiões temperadas, mas publicações recentes indicam que na realidade a disparidade no número de espécies descritas é mais provavelmente devida ao pouco conhecimento proporcional da fauna tropical (Jones et al. 2009; Santos & Quicke 2011; Quicke 2012). A maioria destas vespas costuma ser coletada através de armadilhas (sobretudo Malaise e Moericke), varredura, ou criação em laboratório de potenciais hospedeiros, principalmente lepidópteros imaturos. Algumas espécies de hábi- tos noturnos tendem a ser capturadas em armadilhas luminosas. A classificação dos Braconidae em subfamílias tem variado, com alguns autores reconhecendo até 50, mas frequentemente se separam dois grupos: “ciclóstomas” (em que o labro e parte inferior do clípeo são côncavos em relação à margem dorsal das mandíbulas, formando uma cavidade oral arredondada) e “não- ciclóstomas” (em que o labro normalmente é recoberto pelo clípeo, sendo que a cavidade oral não é arredondada). As discus- sões mais recentes a partir da filogenia tendem a indicar alguns grupos relativamente consistentes de subfamílias (Quicke 2015): “afidiinoides” (como Aphidiinae, endoparasitoides primários de pulgões); “ciclóstomos” ectoparasitoides (como Braconinae, Doryctinae e Hormiinae, parasitoides de Coleoptera, Lepi- doptera e Hymenoptera fitófagos) ou endoparasitoides (como Alysiinae e Opiinae, em Diptera, e Rogadinae, em Lepidoptera); “não-ciclóstomos microgastroides” (como Micrograstrinae, Cardiochilinae e Cheloninae, majoritariamente endoparasitoides cenobiontes de lepidópteros); e “não-ciclóstomos helconoides” (como Helconinae, na maioria endoparasitoides cenobiontes de besouros, especialmente Chrysomelidae e Curculionidae, além de lepidópteros; Agathidinae, que são endoparasitoides de lepidópteros, e Euphorinae, que atacam várias ordens). A associação com bracovirus (polidnavírus), que afetam o sistema imune dos hospedeiros, foi detectada em espécies do terceiro grupo (“microgastroides”). Mudanças recentes na classificação foram discutidas em contexto filogenético por Sharanowski et al. (2011) e Chen & Van Achterberg (2019) apresentam um histórico detalhado da sistemática do grupo. A grande maioria dos Braconidae cuja biologia é conhecida é parasitoide larval de insetos holometábolos, incluindo mi- nadores, galhadores, broqueadores e enroladores de folhas. As maiores exceções são Aphidiinae (parasitoides de pulgões) e Eu- phorinae, que além de Coleoptera (inclusive adultos), têm entre seus hospedeiros Hymenoptera sociais, Hemiptera, Psocoptera e Orthoptera. Fitófagos que se alimentam de sementes, inquilinos e mesmo indutores de galhas são conhecidos em Doryctinae e Mesostoinae. Quicke (2015, capit. 12) apresenta uma revisão detalhada do conhecimento acumulado sobre relações filogené- ticas, classificação, interações biológicas e desenvolvimento de cada uma das subfamílias reconhecidas. Aphidiinae, Braconinae e Microgastrinae são notáveis pela sua importância em programas de controle biológico. Cotesia Cameron (Microgastrinae) é um dos poucos exemplosde parasitoides cuja produção massal e distribuição com esse propósito está bem estabelecida no Brasil (Botelho & Macedo 2002). Quando a literatura é consultada a respeito da biologia, é importante ter em mente que os conceitos de diversas subfamí- lias têm sofrido mudanças nos últimos 20 anos (por exemplo, Agathidinae referenciados como Braconinae, e muitas alterações nas composições de Rogadinae, Hormiinae, Doryctinae, entre outros) (ver seções introdutórias sobre cada subfamília em Whar- ton et al. 2017). Para identificação de espécies, é recomendável sempre o contato com um especialista, uma vez que a literatura a respeito de hospedeiros está repleta de registros incorretos ou imprecisos (Shaw 1994; Noyes 1994). Wharton et al. (1997, 2017) contém chaves de identificação para subfamílias e gêneros das Américas (note-se que várias subfamílias estão ali agrupadas sob Hormiinae e Helconinae); Campos & Sharkey (2006) con- tém uma chave resumida para subfamílias registradas na Região Neotropical; van Achterberg (1993) fornece uma chave para subfamílias de todo o mundo. Versões interativas de chaves para subfamílias e gêneros foram disponibilizadas em inglês e espa- nhol por Sharkey (2011). Wharton & Yoder (2003) fornecem chaves interativas para identificação de parasitoides associados a moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae), incluindo vários braconídeos. Dada a precariedade de conhecimento da fauna neotropical, e considerando-se as revisões recentes nas delimi- tações das subfamílias de Braconidae, recomenda-se a consulta das ferramentas citadas acima com abrangência mais completa. Ichneumonidae (Figs 27.68-69). Esta família inclui o maior número de espécies descritas em Hymenoptera, cerca de 25.000 (Wahl 2015), com estimativas de que existam entre 60 e 100 mil (Gauld 2002). No Brasil, são conhecidas 28 das 39 subfamílias reconhecidas em Wahl (2015), 228 gêneros e 953 HYMENOPTERA 519 espécies (Fernandes et al. 2019). Apesar do número de espécies conhecidas para as regiões Paleártica e Neártica ser quase 5 vezes maior que para os neotrópicos (aproximadamente 3.000, com base em dados de Yu & Horstmann 1997), o que já foi atribuído a uma “distribuição anômala” de biodiversidade, atualmente acredita-se que isso seja apenas reflexo da falta de conhecimento da biodiversidade neotropical, especialmente tocante a espécies menores e cenobiontes (Jones et al. 2009; Santos & Quicke 2011; Veijalainen et al. 2012; Quicke 2012). Métodos de coleta comuns incluem varredura, armadilhas Malaise e Moericke. Em geral, Ichneumonidae são bons voadores, de forma que são frequentemente capturados em armadilhas de interceptação de voo. Certos grupos são também atraídos por armadilhas de luz. Algumas espécies chamam a atenção em campo devido ao seu padrão de cor do corpo e das asas, ou por mimetizarem outras espécies mais agressivas (vespas sociais ou pompílideos, por exemplo); muitas apresentam dimorfismo sexual na coloração. Além disso, as espécies de Rhyssinae estão entre os maiores hi- menópteros existentes devido à grande extensão de seu ovipositor (142 mm em Megarhyssa atrata), adaptado para alcançar larvas de Siricidae e demais hospedeiros que se localizam dentro de troncos de árvores. A maioria das espécies de Ichneumonidae são parasitoides de formas imaturas de insetos holometábolos. No entanto, há espécies consideradas predadoras (como aquelas que consomem os ovos no interior dos ovissacos de aranhas, ou que atravessam células de ninhos de himenópteros sociais, consumindo suas larvas), hiperparasitoides facultativos e fitófagos facultativos (inquilinos em galhas ou consumindo provisões de ninhos de abelhas). Existe uma boa quantidade de estudos a respeito de aspectos biológicos desta família em comparação a outros grupos de himenópteros não-aculeados, incluindo correlações entre nicho do hospedeiro e morfo-fisiologia da oviposição do parasitoide. Quicke (2015) apresenta um apanhado do estado atual de conhecimento das relações filogenéticas, relacionando com a biologia de cada subfamília. Com base nas filogenias mais recentes, são reconhecidos pelo menos três agrupamentos de subfamílias: “ichneumoniformes”, “ophioniformes” e “pim- pliformes”. O grupo das subfamílias ichneumoniformes (p. ex. Ichneumoninae, Cryptinae) consiste em geral de ecto- ou endoparasitoides de Lepidoptera; porém, Cryptinae apresenta uma diversidade maior de hábitos (ectoparasitoides, endopa- rasitoides ou predadores de ovos) e hospedeiros (Coleoptera, Hymenoptera e Lepidoptera, Araneae e Pseudoscorpionida), vários deles ilustrados e descritos por Clausen (1940) e Askew (1971). Tem-se incluído neste grupo também Pedunculinae, que parasita aracnídeos, e Brachycyrtinae, associado com Neuropte- ra. Ao menos um gênero, Agriotypus (paleártico, Agriotypinae) oviposita em Trichoptera, dentro d’água. O grupo das subfamí- lias ophioniformes (Ophioninae, Anomaloninae, Banchinae, Ctenopelmatinae, Cremastinae, Campopleginae, Tersilochinae e outras) é essencialmente formado por endoparasitoides, a maioria atacando Hymenoptera basais, embora haja grupos que parasitem Lepidoptera e Coleoptera. Partículas virais tipo polid- navirus (ichnovirus) associadas com o processo de parasitismo foram detectadas neste grupo, em Campopleginae e Banchinae. O grupo de subfamílias pimpliformes (Pimplinae, Rhyssinae, Diplazontinae, Orthocentrinae e outras) reúne uma maioria de endoparasitoides de Diptera; entretanto, Pimplinae apresenta diversidade também de hábitos e hospedeiros, e Rhyssinae são ectoparasitoides de himenópteros e besouros xilófagos. Apa- rentemente não se tem registro de representantes desta família atacando insetos hemimetábolos. Devido à frequência com que ocorre o hiperparasitismo, à baixa especificidade para hospedeiros comumente associada aos ectoparasitoides, e à frequente necessidade de fontes de nutrição e abrigo para os adultos, não há muitos casos de Ichneumonidae utilizados com sucesso em programas de controle biológico clás- sico ou inundativo; algumas espécies de cenobiontes foram estu- dadas para uso principalmente contra lepidópteros e coleópteros (Palácio & Wahl 2006). No entanto, estas vespas representam importantes elementos da fauna de inimigos naturais relevantes para o controle biológico natural e por conservação em agroe- cossistemas (Altieri et al. 1993; Aguiar-Menezes & Silva 2011). A classificação de Ichneumonidae tem particularidades devido à abordagem de nomenclatura adotada por Townes, cujos quatro volumes monográficos (Townes 1969, 1970a,b, 1971) constituem parte significativa da base da literatura ta- xonômica atual sobre o grupo. Townes não seguia as regras de nomenclatura convencionadas pelo ICZN, especialmente em relação à prioridade de nomes de nível de família, de forma que várias subfamílias são conhecidas por mais de um nome. Gauld (1995d), Palácio & Wahl (2006) e Quicke (2015) re- sumiram didaticamente essas diferenças em relação aos nomes atualmente aceitos. Ao longo das últimas décadas, uma quan- tidade considerável de mudanças também ocorreu em relação ao status de diversas subfamílias, tribos e o enquadramento de vários gêneros. No entanto, o catálogo e chave de Townes & Townes (1966) ainda servem como base para várias das chaves disponíveis atualmente; as publicações de Gauld sobre a fauna da Costa Rica (Gauld 1991, 1995d, 1997, 2000; Gauld et al. 1998, 2002) e de Wahl (2015) para gêneros da região Neártica também constituem importantes recursos para identificação de material brasileiro. Wahl (2015) inclui também chaves am- plamente ilustradas para subfamílias encontradas na América do Norte e América Central (http://www.amentinst.org/GIN/ Subfamily_Key/Subfamily_key_1_2015.08.17.pdf ). Um ca- tálogo mundial foi publicado por Yu & Hortsmann (1997); a versão digital correspondente (Yu 2012, em https://web.archi- ve.org/web/20180906195542/http://www.ichneumonoidea. name/) encontra-se desativada nomomento da produção deste texto (a lista de nomes da versão de 2009 foi incorporada ao Catalogue of Life, www.catalogueoflife.org). É possível realizar a identificação da maior parte das subfamílias com registro no Brasil utilizando-se as chaves citadas acima, atentando-se para as recentes mudanças na delimitação de várias delas. CYNIPOIDEA O reconhecimento da superfamília Cynipoidea como um grupo natural e sob o escopo adotado atualmente remonta a classificações propostas na segunda metade do século XIX. Em contraponto, a classificação interna do grupo somente começou a se consolidar nos últimos 25 anos, com a condução de análises formais investigando as relações filogenéticas entre os subgrupos principais (Ronquist 1995a, 1999). Uma sinopse para toda a superfamília foi publicada por Buffington et al. (2020), tendo HYMENOPTERA 520 sido mantida a classificação proposta por Ronquist (1995a), com cinco famílias viventes sendo reconhecidas: Austrocynipidae, Ibaliidae, Liopteridae, Figitidae e Cynipidae. Os Cynipoidea são informalmente divididos em dois grupos, os macrocinipoideos, contendo as três primeiras dessas famílias, e os microcinipoideos, contendo Figitidae e Cynipidae (Ronquist 1995a). As análises baseadas em dados morfológicos dão suporte à monofilia dos microcinipoides, ao passo que os macrocinipoideos constituiriam um grado basal (Ronquist 1995a, 1999). Liopteridae e Figitidae têm ocorrência natural no Brasil, ao passo que a presença de Ibaliidae se deve à introdução recente de uma espécie de Ibalia Latreille. Cynipidae possivelmente também está presente, porém sem registros confirmados (ver abaixo). Trabalhos importantes para uma introdução à taxono- mia de Cynipoidea na região Neotropical são as respectivas seções em Fernández & Sharkey (2006) e em Hanson & Gauld (2006) e a sinopse de Buffington et al. (2020) para a fauna mundial. Cynipidae. Constitui um grupo diverso no hemisfério norte e com uma grande riqueza de vespas indutoras de galhas em plantas. Contém 83 gêneros e mais de 1.570 espécies, sendo representada na porção sul da América do Sul apenas pelas tribos Eschatocerini e Paraulacini e por espécies introduzidas de Cynipini, Pediaspini e Phanacidini (Liu & Ronquist 2006; Pujade-Villar & Hanson 2006). Não existe nenhum registro confirmado de Cynipidae no Brasil, embora a literatura mais antiga indique sua presença no país, principalmente por incluir Myrtopsen Rübsaamen (Thrasorinae, Figitidae) nessa família. É possível, entretanto, que no futuro pelo menos uma espécie de Eschatocerus Mayr venha a ser coletada no Brasil, uma vez que sua planta hospedeira, Acacia caven (Molina) Molina (Fabace- ae), conhecida popularmente como espinilho, tem ocorrência no Rio Grande do Sul. O gênero Eschatocerus, encontrado na Argentina e Uruguai, está associado a plantas dos gêneros Prosopis e Acacia, induzindo grandes galhas em seus ramos (Díaz 1980; Nieves-Aldrey & San-Blas 2015). Figitidae (Figs 27.74-75). Grupo bastante diverso e distribuído em todo o mundo, a família Figitidae tem mais de 130 gêne- ros e quase 1.400 espécies descritas (Ronquist et al. 2006). A maior parte da riqueza da família está contida na subfamília Eucoilinae, que contém cerca de 50% das espécies descritas. Das 12 subfamílias atualmente reconhecidas (Buffington et al. 2020), oito estão presentes na América do Sul (Anacharitinae, Aspicerinae, Charipinae, Emargininae, Eucoilinae, Figitinae, Plectocynipinae e Thrasorinae), das quais, apenas Plectocyni- pinae não ocorre no Brasil. As informações disponíveis indicam que todos os figitídeos são parasitoides, podendo ser divididos em três grupos quanto à biologia: (1) parasitoides de larvas cecidógenas em galhas cau- sadas por Cynipidae e Chalcidoidea (Euceroptrinae, Mikeiinae, Parnipinae, Plectocynipinae e Thrasorinae); (2) parasitoides de himenópteros e neurópteros que atacam afídeos e psilídeos (Anacharitinae e Charipinae); (3) parasitoides de larvas de Dip- tera que se desenvolvem dentro de tecido vegetal ou de matéria orgânica em decomposição (demais subfamílias) (Ronquist et al. 2006). Na região Neotropical, os figitídeos são abundantes e podem ser obtidos em armadilhas Malaise, armadilhas de in- terceptação de voo e por coleta ativa por varredura, bem como pela criação de seus hospedeiros. Os poucos estudos de biologia da família no Brasil têm envolvido principalmente Eucoilinae associados às moscas-das-frutas (como Guimarães et al. 1999; Guimarães & Zucchi 2004) e a moscas que se desenvolvem em fezes de bovinos (por exemplo, Díaz et al. 2000; Marchiori 2008). De acordo com De Santis (1980), a fauna brasileira de Figitidae contém 69 espécies, e, mais recentemente, Díaz et al. (2002) citam 83 espécies. Não há revisão moderna para toda a família na região Neotropical que permita a identificação até gênero de todas as subfamílias, embora a revisão de Weld (1952) ainda possibilite a identificação de parte dos grupos. Revisões contendo chaves para gêneros e espécies de algumas subfamílias são indicados em Buffington et al. (2020). Chave para as subfamílias, adaptada de Ros-Farré & Pujade- -Villar (2007) 1. Escutelo com uma placa dorsal distintamente elevada em relação ao restante da superfície do escutelo, placa com contorno oval, em forma de gota ou alongada; superfície da placa escutelar com um orifício glandular situado no centro ou na metade posterior da placa .................. Eucoilinae — Escutelo com formato diferente ou, se com região central elevada, nunca formando uma placa equipada com orifício glandular na superfície dorsal .......................................... 2 2(1). Cabeça, em vista frontal, com contorno triangular; porção ocupada pelas peças bucais relativamente reduzida. Mandíbulas pequenas e amplamente sobrepostas. Placa pronotal vertical e definida por uma carena contínua de um lado a outro do pronoto ................ Anacharitinae — Cabeça, em vista frontal, com contorno quadrado ou arredondado; porção ocupada pelas peças bucais relativamente ampla. Mandíbulas maiores e com reduzida sobreposição. Carenas pronotais, quando presentes, não unidas na porção dorsal do pronoto ..................... 3 3(2). Porção medial da face com uma depressão oval conspícua abaixo dos alvéolos antenais. Tergo metassomal II com formato peculiar, porção dorsal alongada e projetada para trás sobre tergo III, porções laterais estreitas, margem posterior do tergo com contorno côncavo ............. Aspicerinae — Depressão facial ausente. Tergo metassomal II não modificado, porção dorsal apenas levemente projetada para trás, margem posterior do tergo com contorno convexo ..................... 4 4(3). Notaulos usualmente completamente ausentes. Superfície do corpo usualmente lisa e brilhante, sem esculturação evidente. Vespas pequenas, em geral corpo com 1 mm de comprimento ............................................................ 5 — Notaulos quase sempre pelo menos parcialmente presentes. Mesoscuto e mesopleura com pelo menos alguma escultu- ração evidente. Vespas maiores ......................................... 6 5(4). Margem apical da asa anterior com forte reentrância, tornando o ápice da asa bilobado. Escutelo alongado, frequentemente com uma carena submedial delimitando uma área oval central ................................ Emargininae — Margem apical da asa anterior sem reentrância, ápice da asa não bilobado. Escutelo semiglobular, sem uma carena submedial delimitando uma área oval central ...... Charipinae 6(4). Sulco supra-alveolar ausente. Tergo metassomal I bem evidente, formando um anel ou colar fortemente esclerosado, sua superfície de modo geral carenada longitudinalmente .... Figitinae — Com um sulco semicircular acima do alvéolo antenal. Tergo metassomal I, quando visível, nunca em forma de anel fortemente esclerosado, sua porção dorsal reduzida e com superfície lisa ................................. Thrasorinae HYMENOPTERA521 Ibaliidae (Fig. 27.72). Os ibalídeos constituem um pequeno grupo com três gêneros e 19 espécies, distribuído originalmente nas regiões Holártica e Oriental (Liu & Nordlander 1994; Ron- quist 1995b). São vespas relativamente grandes, com cerca de 10 a 20 mm de comprimento, e que parasitam imaturos de Siricidae (Liu & Nordlander 1994). As espécies foram revistas por Liu & Nordlander (1994). Ibalia leucospoides (Hochenwarth), de distribuição holártica, foi introduzida no Brasil aparentemente de modo acidental juntamente com o seu hospedeiro, a vespa- -da-madeira Sirex noctilio Fabricius (Carvalho 1993). Liopteridae (Fig. 27.73). Formam uma pequena família, com 10 gêneros e 182 espécies, amplamente distribuída no mundo, com a maioria das espécies sendo encontradas nas regiões tropi- cais. São vespas relativamente grandes (5 a 15 mm de compri- mento), porém raramente coletadas (Ronquist 1995b, 2006b). Pouco se conhece sobre a biologia da família e as evidências indiretas sugerem parasitismo de larvas de Coleoptera vivendo em tecido vegetal (Ronquist 1995b). A filogenia e classificação de Liopteridae foram investigadas por Ronquist (1995b), que reconheceu quatro subfamílias. Contudo, análises mais recentes com dados filogenômicos mostram que os Euceroptrinae, um pequeno grupo neártico atualmente alocado em Figitidae, saem como grupo-irmão de Liopteridae (Blaimer et al. 2020), o que justificaria a mudança de escopo de Liopteridae para abarcar também essa subfamília adicional. As duas subfamílias presentes na região Neotropical, Mayrellinae e Liopterinae, têm ocorrência no Brasil. A identi- ficação dos gêneros pode ser feita com as chaves de Ronquist (1995b, 2006b). Em Mayrellinae, a única espécie brasileira foi descrita por Liu et al. (2007). As espécies descritas de Liopterinae, um grupo restrito à região Neotropical com três gêneros, todos presentes no Brasil, podem ser identificadas pelos trabalhos de Hedicke & Kerrich (1940) e Pujade-Villar et al. (2000). De Santis (1980) catalogou 26 espécies para a fauna brasileira. Entre- tanto, considerando a lista apresentada por Ronquist (1995b) e espécies propostas mais recentemente (Pujade-Villhar et al. 2000; Liu et al. 2007), pelo menos 30 espécies estão registradas no país. PLATYGASTROIDEA As famílias platigastroideas com frequência eram incluídas entre os proctotrupoideos (Riek 1970; Gauld & Bolton 1988). Masner (1956) já havia sugerido sua separação, o que é suportado por características exclusivas como a estrutura de seu ovipositor e como ele se move em relação ao metassoma, em alguns casos havendo adaptações visíveis externamente como extensões dos tergos ou esternos metassomais para abrigar o ovipositor, e a ausência dos espiráculos (supostamente devido ao mecanismo de eversão tipo “fole”); também são característicos os sensores basicônicos na clava antenal das fêmeas, que aparentemente podem ter função secretora além de receptora (Austin et al. 2005; Masner & Arias-Penna 2006). Análises recentes suportam a superfamília como monofilética e dentro de um grupo maior, Proctotrupomorpha, em que estão incluídos não só os Proctotrupoidea s.s. como também Diaprioi- dea, Mymarommatoidea, Chalcidoidea e Cynipoidea (Sharkey et al. 2012; Peters et al. 2017 e outros). Normalmente são re- conhecidas duas famílias: Platygastridae e Scelionidae (Masner 1993a), mas estudos moleculares indicaram que Platygastridae tornaria Scelionidae parafilética (Murphy et al. 2007; Masner et al. 2007), embora a amostragem taxonômica e o suporte fossem baixos. Sharkey (2007) sinonimizou Scelionidae sob Platygas- tridae, reconhecendo apenas uma família em Platygastroidea. Porém, considerando a opção de especialistas no grupo em mantê-las separadas até que evidência filogenética mais robusta seja acumulada (Talamas & Buffington 2015; Popovici et al. 2017), e sua indicação de que dados não publicados possam de fato suportar a distinção das duas famílias, optamos por tratá-las aqui separadamente. DeSantis (1980) e Loiácono & Margaría (2002) catalogaram as espécies registradas no Brasil, incluindo distribuição e putativos hospedeiros. Arias (2002) listou os gêneros e espécies conhecidos da região Neotropical. Platygastridae (Fig. 27.70). São conhecidos cerca de 70 gêneros e pouco mais de 2.000 espécies (Johnson 2019), encontrados em todo o mundo; normalmente são coletados com armadilhas (Malaise, Malaise suspensas, Moericke); muitos foram obtidos com fumigação de dossel e varredura em diversos ambientes. No Brasil, foram registrados apenas 8 gêneros e 21 espécies (Oli- veira 2019), embora esteja claro que um número muito maior esteja por ser descrito (p. ex. Maia & Azevedo 2001, 2009). São vespas pequenas (1 a 2mm de comprimento, raramente até 5 mm devido à extensão do metassoma), de coloração preta ou acastanhada. O metassoma pode apresentar projeções que chamam a atenção do observador, como em Inostemma Haliday. A maioria das espécies são endoparasitoides cenobiontes solitários ou gregários; Platygastrinae normalmente associados a Cecidomyiidae (Diptera) galhadores, e Sceliotrachelinae também obtidos de cochonilhas, moscas-brancas (Hemiptera Sternorrhyncha), cigarrinhas fulguroideas (Hemiptera Au- chenorrhyncha), gorgulhos e outros besouros (Coleoptera). Parabaeus lenkoi De Santis é um registro distinto uma vez que foi obtida em associação com a formiga Discothyrea sexarticu- lata Borgmeier (Formicidae) (De Santis 1960). Normalmente a oviposição é feita em ovos e o adulto emerge de pupas ou estágios ninfais avançados, embora existam parasitoides idio- biontes de ovos (por exemplo, espécies de Fidiobia associadas a gorgulhos) (Austin et al. 2005). As larvas de primeiro ínstar podem apresentar morfologia distinta (“ciclopiforme”) (Clausen 1940; Gauld & Bolton 1988). A ocorrência de poliembrionia foi documentada para Platygaster zosine Walker. Poucas espécies foram estudadas ou liberadas com vistas ao controle biológico; p. ex. Fidiobia dominica Evans tem sido estudada para controle do gorgulho-dos-citros, Diaprepes abbreviatus L. (Coleoptera: Curculionidae) (Duncan et al. 2007). Masner & Arias-Penna (2006) apresentaram uma chave e comentários para as subfamílias; chaves de interesse específico (por exemplo, para espécies associadas a determinado hospedeiro ou grupo de hospedeiros) encontram-se dispersas na literatura. Masner & Huggert (1989) revisaram os gêneros anteriormente classificados em Inostemmatinae e os redistribuíram entre as duas subfamílias atualmente reconhecidas. Vlug (1995) catalo- gou as espécies conhecidas do mundo; dados taxonômicos, de distribuição e literatura também podem ser obtidos no catálogo digital em hol.osu.edu (Johnson 2019). Scelionidae (Fig. 27.71). Esta é a maior família em termos de riqueza de espécies entre aquelas já classificadas como “procto- HYMENOPTERA 522 trupoideos” (Masner 1995), com cerca de 195 gêneros e mais de 4.000 espécies descritas (Johnson 2019). No Brasil, são conheci- dos 29 gêneros e 111 espécies (Oliveira 2019). São reconhecidas três subfamílias: Scelioninae, Teleasinae e Telenominae; embora mais de 90% das espécies estejam em Scelioninae, a maior parte do que é conhecido sobre a biologia deste grupo é baseado em espécies de Telenominae. Em geral são vespas escuras, castanhas ou alaranjadas-avermelhadas, raramente com brilho metálico, medindo 0,5 a 2,5 mm de comprimento, embora algumas espé- cies constituam exceções e alcancem 10 mm de comprimento. São exclusivamente parasitoides de ovos, normalmente solitários. Há uma série de estudos documentando os vários mecanismos utilizados por fêmeas para localizar o hospedeiro e para prevenir a ocorrência de superparasitismo, incluindo marcação com feromônios, marcação física, bem como tera- tócitos (Vinson 1972; Godfray 1993; Masner 1995; Strand 2014; Konopka et al. 2018). Aparentemente não há registro de observação direta de hiperparasitoides, embora haja algumaevidência de hiperparasitismo facultativo com base na presença de mecônio, diferenças no formato de orifícios de saída, etc. Muitos são altamente específicos; o hábito do corpo é bastante variável na família e tende a estar associado com o formato do ovo do hospedeiro. Os escelionídeos atacam uma vasta gama de hospedeiros, incluindo aranhas (Arachnida: Araneae), Orthop- tera, Heteroptera, Lepidoptera e Coleoptera (Masner 1993a). A larva de primeiro ínstar, teleaforme, é característica para a família e apresenta mandíbulas bem desenvolvidas (ilustrada e descrita em Clausen 1940). Espécies de Telenomus Haliday e Trissolcus Ashmead são especialmente importantes economicamente; são usadas no controle biológico de Lepidoptera e de diversos percevejos (Hemiptera: Pentatomidae) (Corrêa-Ferreira & Moscardi 1996; Orr 1998; Corrêa-Ferreira 2002); Lomer et al. (2001) também mencionam Scelio para controle de gafanhotos (Orthoptera). Austin et al. (2005) revisaram as informações disponíveis sobre o histórico taxonômico, estudos filogenéticos, morfoló- gicos e biológicos para a família. Masner & Arias-Penna (2006) resumiram as informações disponíveis sobre a história natural de diversas espécies, apresentaram uma chave e diagnoses para subfamílias e uma chave para as tribos de Scelioninae. Masner (1976b) apresentou uma chave para gêneros do mundo; uma versão para gêneros da Costa Rica consta em Masner (1995). Johnson (1992) e Vlug (1995) catalogaram as espécies do mundo; essas informações estão entre os dados disponíveis digitalmente em hol.osu.edu (Johnson 2019). PROCTOTRUPOIDEA Estas vespas parasitoides tendem a apresentar o integumento bastante esclerosado, de coloração preta ou marrom-escura, e antenas filiformes; com exceção de Pelecinidae, os indivíduos tendem a ser pequenos, normalmente em torno de 5-8 mm de comprimento. O escopo desta superfamília tem sido alterado progressivamente há algum tempo, sendo que, em classificações mais antigas, abrangia também as famílias de Ceraphronoidea, Platygastroidea (removidas por Masner 1956; ver também Mas- ner 1993c) e Diaprioidea (removida por Sharkey 2007). Essa abrangência tem sido contradita tanto por dados morfológicos quanto moleculares. Atualmente Proctotrupoidea no seu sentido estrito inclui as famílias Proctotrupidae, Heloridae, Pelecinidae, Peradeniidae (registrada apenas na Austrália), Proctorenyxidae (registrada apenas no leste da Ásia), Roproniidae e Vanhorniidae. Com essa configuração, o grupo tem tido bom suporte como monofilético em praticamente todas as análises filogenéticas mais recentes (Sharkey 2007; Heraty et al. 2011; Sharkey et al. 2012; Klopfstein et al. 2013; Peters et al. 2017; Tang et al. 2019). Nau- mann & Masner (1985) apresentam uma chave para famílias de Proctotrupoidea s.l. O catálogo em Hymenoptera Online (hol. osu.edu) (Johnson 2019) contém informações para as espécies existentes e fósseis, incluindo distribuição e hospedeiros. Heloridae (Fig. 27.76). São conhecidas apenas 19 espécies atuais, todas no gênero Helorus Latreille, uma espécie fóssil de Helorus e nove gêneros fósseis (Johnson 2019). Somente Helorus brethesi Ogloblin foi mencionada por Costa Lima (1962) como provavelmente ocorrendo no Brasil, uma vez que foi descrita a partir de material da Argentina. Townes (1977b) realizou o registro formal da espécie no Brasil e indicou que sua distri- buição se estenderia do norte da Argentina até sul do México. Assim como em Proctotrupidae, os tergos metassomais 2 a 4 são fundidos. São endoparasitoides de Chrysopidae (Neuroptera) do tipo larval-pupal (Clancy 1946; Masner 1995), sendo que a oviposição é feita nas larvas, mas o parasitoide apenas começa a se desenvolver após o hospedeiro iniciar a produção de seu casulo. Townes (1977b) revisou o grupo e apresentou uma chave de identificação; uma chave mais atualizada foi publicada por He & Xu (2015) cobrindo 17 das 19 espécies. Pelecinidae (Fig. 27.77). Atualmente se conhece um gênero, Pe- lecinus, com três espécies que ocorrem apenas no Novo Mundo, revisadas por Johnson & Musetti (1999); duas delas com registro de ocorrência no Brasil (Loiácono & Margaría 2002). Porém, existem também 19 gêneros fósseis (Johnson 2019). Espécimes têm sido coletados com armadilhas tipo Moericke, Malaise e varredura. Na Mata Atlântica, foram coletados nos meses mais quentes do ano, sobretudo em janeiro (Lara & Perioto 2014). A razão sexual de Pelecinus polyturator (Drury) varia com a dis- tribuição geográfica, que se estende da Argentina até o Canadá, sendo que a fração de machos se reduz na parte norte da distri- buição (Johnson & Musetti 1998). Aguiar (1997) descreveu o comportamento sexual e Johnson et al. (1999) descreveram a larva da mesma espécie. O dimorfismo sexual é bastante evidente, principalmente devido à extensão do metassoma da fêmea, que pode chegar a 6 cm. As fêmeas utilizam seu longo metassoma para alcançar os hospedeiros, larvas de Scarabaeidae (Coleoptera) subterrâneas. As pupas são formadas externamente, sem casulo, com o ápice do metassoma inserido ventralmente na larva do hospedeiro (Lim et al. 1980). Este tipo de desenvolvimento apresenta semelhanças ao que ocorre em Proctotrupidae e He- loridae, o que foi usado como argumento para a classificação de Pelecinidae em Proctotrupoidea antes mesmo de análises filogenéticas mais aprofundadas corroborarem esse agrupamento. Proctotrupidae (Fig. 27.78). Esta é a única família de Procto- trupoidea que apresenta relativa riqueza específica, com cerca de 700 espécies descritas para a fauna mundial, classificadas em 30 gêneros existentes, mais 15 gêneros fósseis (Johnson 2019). São conhecidas 12 espécies com registro de ocorrência no Brasil, HYMENOPTERA 523 sendo 11 tratadas por Townes & Townes (1981) e uma fóssil, Protoprocto asodes Sharkey, da formação Santana (Darling & Sharkey 1990). Os tergos metassomais 2 a 4 são fundidos, dando ao metassoma um formato fusiforme com o ápice afilado e direcionado para baixo em muitas espécies; com frequência o pterostigma é grande e seguido de uma pequena célula marginal. São endoparasitoides solitários ou gregários de Coleoptera e Mycetophilidae (Diptera); Clausen (1940) menciona um registro incomum de obtenção a partir de um centípede. Comumente associados com madeira em decomposição e serrapilheira, razão pela qual além das armadilhas tradicionais para Hymenoptera (Malaise e Moericke), pode-se obter espécimes também em ar- madilhas tipo pitfall. As pupas são formadas externamente, sem casulo, com o ápice do metassoma inserido ventralmente na larva hospedeira. A larva e o desenvolvimento são descritos e ilustra- dos em Clausen (1940). Townes & Townes (1981) revisaram o grupo (incluindo Vanhorniidae como uma das subfamílias). Kolyada (2017) fornece uma lista com cópias eletrônicas de uma quantidade substancial de literatura sobre o grupo, bem como uma biblioteca de imagens (proctotrupidae.myspecies.info). Autores mais antigos (inclusive Townes) se referem a esta família como “Serphidae”; a Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN) rejeitou o nome Serphus Schrank, 1780 em favor de Proctotrupes Latreille, 1796 com base na frequência de uso estabelecida na época (ICZN 1946), sedimentando o uso de Proctotrupidae. DIAPRIOIDEA Diaprioidea foi separada de Proctotrupoidea s.s. e reestabele- cida mais recentemente como superfamília por Sharkey (2007) com base em uma série de análises filogenéticas desde Dowton & Austin (2001) e Castro & Dowton (2006), que indicavam que as famílias incluídas em Proctotrupoidea sensu lato não formariam um grupo monofilético e estariam associadas a diferentes clados dentro de Proctotrupomorpha (isto é, Chalcidoidea, Cynipoidea, Mymarommatoidea, Platygastroidea e Proctotrupoidea). Esses resultados têm sido corroborados em análises posteriores (Heraty et al. 2011; Sharkey et al. 2012; Klopfstein et al. 2013; Peters et al. 2017; Tang et al. 2019).constituída como um tubo ao longo da asa; (2) nebulosa: veia pigmentada, porém sem estrutura tubular; (3) espectral: veia vestigial, sem pigmentação, sendo indicada apenas por modificação da estrutura da membrana alar, como um sulco ou uma cresta. As veias tubulares e nebulosas podem ser observadas tanto sob luz refletida quanto transmitida, ao passo que as veias espectrais são observadas apenas sob luz refletida. O trecho de uma veia longitudinal delimitado pela intersecção com outras veias é denominado de abcissa. Como um recurso para simplificar a terminologia, é possível rotular as abcissas, numerando-as a partir de sua base, como por exemplo lRs ou 2M, respectivamente a primeira abcissa da veia Rs ou a segunda abcissa da veia M. Algumas modificações das veias recebem denominações específicas, como a bula, termo usado em Ichneumonoidea para denominar um curto trecho despig- mentado de uma veia e que corresponde à intersecção com uma dobra alar ou linha de flexão. Em Apocrita com venação alar mais desenvolvida, principalmente os Aculeata e Ichneumonoidea, algumas das células recebem nomes especiais (Figs 27.9, 27.21), como a célula marginal (também denominada radial em Ichneu- monoidea) e as células submarginais (denominadas cubitais em Ichneumonoidea). Para Chalcidoidea e alguns outros grupos com venação reduzida, como Platygastroidea, aplica-se uma terminologia própria para a venação alar, ilustrada na Fig. 27.11. Uma das sinapomorfias de Hymenoptera é a presença do trocantelo, que constitui a porção basal do fêmur, separada do restante do fêmur por uma linha ou por um sulco, e que se as- semelha a um segundo artículo do trocanter. Em muitos grupos de Apocrita, a indicação do trocantelo encontra-se obliterada ou foi totalmente perdida. Os grupos mais basais de Hymenoptera possuem um par de esporões no ápice de cada uma das tíbias. Na tíbia anterior, um dos esporões modificou-se para atuar como aparato de limpeza das antenas, sendo que a condição usual em Apocrita, com exceção dos Ceraphronoidea, é a presença de apenas um esporão na tíbia anterior. Abdômen/Metassoma. Mesmo nos grupos mais basais, o tergo abdominal I encontra-se firmemente preso ao metaposnoto e a curvatura para baixo, entre o tórax e o abdômen, dá-se entre os segmentos abdominais I e II. Nos grupos mais derivados de himenópteros (Apocrita), houve um estrangulamento entre esses dois segmentos abdominais, com a incorporação ao tórax do tergo I, que recebe o nome de propódeo. Como o tórax passa a incorporar parte do abdômen, representando uma alteração no padrão básico de tagmose, Michener (1944) propôs a adoção dos termos mesossoma (tórax mais o propódeo) para o tagma médio do corpo dos Apocrita e metassoma (abdômen sem o segmento I) para o tagma posterior. Além da associação do tergo I ao me- taposnoto e a perda do esterno I, são características adicionais da ordem a esclerosação da pleura e sua incorporação ao tergo correspondente, formando uma placa, em que os espiráculos se encontram nas porções laterais dos tergos, e os tergos encobrin- do parcialmente as porções laterais do esterno correspondente e parte do esterno subsequente. Desta forma, deve-se atentar para o fato de que em literatura sobre grupos basais, a expressão “tergo I” se refere ao primeiro tergo abdominal, enquanto em Apocrita frequentemente trata-se do primeiro tergo metassomal (segundo tergo abdominal). Nos Apocrita, o primeiro segmento do metassoma fre- quentemente é modificado, formando um pecíolo entre o mesossoma e o restante do metassoma. A morfologia do pecíolo é extremamente variável, podendo ser cônico (estreito na base e expandindo-se gradualmente em direção à porção posterior), tubular, anelar (estreito e curto) ou nodular (mais largo na porção central e estreitando-se para as extremidades). Em alguns grupos, o termo gáster é usado para referir-se ao restante do metassoma excluindo-se os segmentos do pecíolo (que pode envolver apenas o primeiro ou os dois primeiros segmentos metassomais). Outras modificações frequentes entre os Apocrita envolvem fusões e reduções de segmentos metassomais. Por essa razão, a contagem dos segmentos deve ser feita com muita cautela, por conta de fusões entre segmentos adjacentes, principalmente envolvendo os tergos. Em Ichneumonidae, a região ao longo da linha lateral do tergo I pode estar modificada em um sulco ou fóvea alongado, formando uma estrutura denominada glima. Em alguns grupos, o último tergo metassomal visível pode apresentar uma região diferenciada, geralmente formando uma Figuras 27.4-5. Morfologia externa de Pachylosticta apicalis (Westwood) (Cimbicidae). 4, Asa anterior; 5, Asa posterior. HYMENOPTERA 488 superfície posterior mais desenvolvida, denominada pigídio. Quando a região pigidial é delimitada por carenas ou se encon- tra mais elevada em relação ao restante do tergo, é denominada placa pigidial. O termo hipopígio pode ser utilizado, referindo-se ao último esterno metassomal visível, que às vezes também é denominado de placa subgenital. O ovipositor é alongado, em geral cilíndrico, e composto por uma estrutura central, formada pelas gonapófises dos seg- mentos VIII (porção ventral) e IX (porção dorsal), envolvidas por uma bainha derivada do gonocoxito (porção basal; muitas vezes oculta dentro do metassoma) e do gonóstilo (porção apical; em geral exposta e recoberta com cerdas curtas) do segmento IX. As gonapófises são frequentemente chamadas de valvas do ovipositor. O ovipositor pode estar exposto ou recolhido dentro do metassoma. A porção externalizada do ovipositor pode ser extremamente longa, muitas vezes ultrapassando o comprimento do restante do corpo. Hanson & Gauld (1995, 2006) incluíram em seus capítulos introdutórios discussões a respeito de diversas adaptações morfofuncionais na forma do ovipositor com rela- ção ao substrato em que é realizada a oviposição; por exemplo, ovipositores externalizados e longos podem se comportar como “brocas” ou “sondas”, enquanto ovipositores longos recolhidos dentro do metassoma podem desenrolar como “molas” ou serem evertidos como numa “injeção”. Em outros casos, o ovipositor pode ser curto, mas associado a um metassoma alongado ou telescopado, de forma que a fêmea ainda consegue alcançar um hospedeiro oculto (Pelecinidae, Diapriidae, Chrysididae, alguns Ichneumonidae em menor grau). Imaturos. Como em outros grupos de holometábolos, as fases imaturas em Hymenoptera correspondem a ovo, larva e pupa. Breves descrições são apresentadas abaixo; mais informações sobre imaturos foram sintetizadas por Clausen (1940), Hagen (1964), Evans (1987) e Quicke (1997). Ovo. Formato variando de ovoide a alongado e cilíndrico, de tamanho variável; às vezes provido de um pedicelo (em grupos como Chalcidoidea, Cynipoidea e Platygastroidea). Córion em geral impermeável, relativamente fino, flexível e liso, sem esculturação pronunciada. Alguns grupos de endoparasitoides possuem ovos hidrópicos, cujo córion é permeável e permite a absorção de líquidos do hospedeiro. A ocorrência de variação do tamanho dos ovos foi estudada por Iwata (1964). Nos grupos fitófagos basais, incluindo os xilófagos, os ovos são quase sempre postos dentro do substrato, exceto em alguns Argidae e Pergidae, cujos ovos ficam expostos sobre as folhas da planta hospedeira. Em Apocrita, os ovos ou são inseridos dentro do hospedeiro, no caso de endoparasitoides e espécies cecidogênicas, ou são postos sobre o hospedeiro, no caso de ec- toparasitoides e predadores. No caso dos predadores e da maioria dos ectoparasitoides, as presas ou o hospedeiro encontram-se em condições crípticas, estando, portanto, protegidos de outros predadores. Apenas uns poucos ectoparasitoides, como alguns Ichneumonidae que atacam aranhas e Apoidea ectoparasitoides de Gryllidae e Gryllotalpidae, ovipõem em hospedeiros expostos. Larva. As formas larvais de Hymenoptera apresentam uma grande diversidadeDiferentemente das propostas mais recentes, aqui Diaprioidea inclui também Austroniidae, além de Diapriidae, Maamingidae e Monomachidae, como já apontado por Rasnitsyn (1980) e Masner (1993). Os diaprioideos são vespas parasitoides pequenas a médias (1 a 18 mm, normalmente entre 5 e 10 mm), com as antenas inseridas na parte superior da face, que é reta e frequentemente proeminente, como um degrau (característica menos conspícua em Ismarinae e Monomachidae, mas ainda evidente nas inserções antenais). A delimitação adota- da aqui difere também do conceito de Diaprioidea utilizado por Rasnitsyn (1980), que incluía outras famílias hoje classificadas em outros grupos (como Mymaridae, Platygastridae, além dos fósseis Serphitidae). O catálogo digital em Hymenoptera Online (hol.osu.edu) (Johnson 2019) é provavelmente a fonte mais completa e atualizada de referências para o grupo. Diapriidae (Fig. 27.79). Esta família inclui cerca de 194 gêne- ros e pouco mais de 2.000 espécies (Johnson 2019), incluindo diversos fósseis. São reconhecidas aqui as quatro subfamílias da classificação tradicional: Ambositrinae, Belytinae, Diapriinae e Ismarinae (contendo apenas o gênero Ismarus Haliday). Is- marinae foi elevada ao status de família (Sharkey et al. 2012), contudo os resultados das análises envolvendo dados molecu- lares são ambíguos quanto ao posicionamento desse grupo. Os diapriídeos são vespas escuras ou castanhas, geralmente com entre 3 e 8 mm de comprimento, prontamente reconhecidas pela inserção das antenas na parte superior da face, que é protuberante e achatada, além da venação reduzida. As espécies cuja biologia é conhecida são endoparasitoides do tipo larval- -pupal ou pupal; a fêmea insere o metassoma em cavidades para procurar os hospedeiros (“metasomal prober” como descrito por Hanson & Gauld 1995). Ambositrinae e Belytinae estão associados a Sciaridae, Mycetophilidae e outros Diptera basais em fungos; Diapriinae foram obtidos de Diptera (Brachycera e Cyclorrhapha) e de besouros Staphylinidae (Coleoptera) (Mas- ner 1993c); há também registros de espécies atacando formigas (Lachaud & Passera 1982; Loiácono 1987); os Ismarinae são hiperparasitoides de Cicadellidae (Hemiptera) através de larvas de Dryinidae (Hymenoptera). Em geral, Diapriidae é muito abundante e constitui parte significativa de amostras de para- sitoides coletadas em folhiço (p. ex. Aguiar et al. 2006), bem como armadilhas tipo Moericke. Alguns gêneros são atraídos por armadilhas luminosas. Masner & Garcia (2002) revisaram os gêneros de Diapriinae do Novo Mundo. De Santis (1980) e Loiácono & Margaría (2002) catalogaram 31 gêneros e 84 espécies registradas no Brasil, incluindo distribuição e putativos hospedeiros. Quadros & Brandão (2017) revisaram os gêneros coletados na Floresta Atlântica brasileira. Masner (1976a) revisou o gênero Ismarus para o Novo Mundo; a chave foi atualizada para os neotrópicos em Comério et al. (2016). Versões digitais de diversas chaves de identificação publicadas, registros conhecidos de hospedeiros e fotografias em alta resolução estão disponíveis em www.diapriid.org (Yoder 2007). Monomachidae (Fig. 27.80). Os monomaquídeos são vespas parasitoides de aspecto bastante distinto entre os Diaprioidea; tanto fêmeas quanto machos possuem um longo pecíolo; as fêmeas com metassoma alongado e acuminado, enquanto ma- chos têm o gáster clavado. A coloração pode ser castanho-clara até verde clara. Aparentemente a família é de distribuição gon- dwânica, com o gênero Chasca Johnson & Musetti descrito dos Andes chilenos e peruanos, e a maioria absoluta das espécies de Monomachus Klug descrita dos neotrópicos (Musetti & Johnson 2004); outras 3 foram descritas da Austrália (Naumann 1985) e 2 da Nova Guiné (Musetti & Johnson 2000). São conhecidas 16 espécies para o Brasil. Perioto et al. (2016) relataram que em capturas com armadilhas Malaise, exemplares machos foram obtidos com muito mais frequência, e sobretudo entre os meses de junho e setembro, em áreas de floresta atlântica entre 350 m e 880 m acima do nível do mar; a distribuição geográfica e tempo- ral parece estar bastante associada com a de hospedeiros. Assim como Diapriidae, as espécies de Monomachidae cuja biologia foi estudada são endoparasitoides de Diptera. Duas espécies de Monomachus estão associadas a Chiromyza vittata Wiedemann (Diptera: Stratiomyidae), conhecida como mosca-das-raízes ou berne-das-raízes do café. Musetti & Johnson (2004) revisaram as espécies neotropicais de Monomachus (sem incluir Tetraconus Szépligeti); Johnson & Musetti (2012) revisaram o grupo, apre- HYMENOPTERA 524 sentaram uma chave para gêneros e complementaram a chave para espécies de Monomachus. MYMAROMMATOIDEA Mymarommatidae (Fig. 27.81). Esta superfamília tem sido tradicionalmente estudada em associação com Chalcidoidea (p. ex. Gibson 1993; Gibson et al. 1999), embora em filogenias recentes estas duas superfamílias não necessariamente sejam recuperadas como grupos irmãos; a posição normalmente é alternada com Diaprioidea (Castro & Dowton 2006; Heraty et al. 2011; Sharkey et al. 2012; Heraty et al. 2013). Gibson et al. (2007) revisaram Mymarommatoidea, reconhecendo duas famí- lias e seis gêneros, sendo três deles fósseis. Os gêneros existentes atualmente estão classificados em Mymarommatidae. Embora estejam entre os menores micro-himenópteros (0,3 a 0,8mm de comprimento), Mymarommatidae são relativamente fáceis de reconhecer devido à membrana hiperoccipital em forma de fole, e, nas formas aladas, as asas anteriores com formato semelhante a uma colher ou espátula e textura reticulada. Como em outras famílias de tamanho diminuto, as asas apresentam longas cerdas marginais. O grupo é cosmopolita, sendo que Penteado-Dias & Pasenow-Braga (2002) registraram a família em terrenos Figuras 27.76-87. Hábito, forma adulta, vista lateral. 76, Helorus Latreille, macho (Heloridae); 77, Pelecinus Latreille, fêmea (Pelecinidae); 78, Exallonyx Kieffer, fêmea (Proctotrupidae); 79, Szelenyiopria Fabricius, fêmea (Diapriidae); 80, Monomachus Klug, fêmea (Monomachidae); 81, Mymaromella Girault, fêmea (Mymarommatidae); 82, Acmopolynema Oglobin, fêmea (Mymaridae); 83, Trichogramma Westwood, macho (Trichogrammatidae); 84, Pegoscapus Cameron, fêmea (Agaonidae); 85, Aphelinus Dalman, fêmea (Aphelinidae); 86, Conura Spinola, fêmea (Chalcididae); 87, Leucospis Fabricius, fêmea (Leucospidae). Escala = 0,2 mm para Figs 81, 83, 85; escala = 1 mm para Figs 76, 78, 79, 82, 84; escala = 5 mm para Figs 77, 80, 86, 87. HYMENOPTERA 525 associados com o plantio de eucalipto no Brasil e Benassi et al. (2014) comunicaram a coleta em áreas de fruticultura. Registros incluem capturas em armadilhas tipo Malaise e Moericke, tanto em áreas de floresta úmida quanto em vegetação de mangue. A maioria dos espécimes conhecidos foram capturados em associação com hábitats úmidos e sombreados (Huber 1986). Gibson (1993) indicou que ao menos um espécime foi criado de material de orelha-de-pau (Fungi: Basidiomycota) e Huber et al. (2008) sugeriram que podem ser parasitoides de ovos de Psocoptera, uma hipótese confirmada pelo estudo de Honsberger et al. (2022). Gibson et al. (2007) forneceram uma chave para gêneros. Huber et al. (2008) revisaram as espécies de Mymaro- mella da América do Norte. CHALCIDOIDEA Esta é provavelmente a superfamília mais diversa em Hyme- noptera em termos de morfologia e de modos de vida, além de uma das mais abundantes. Em geral, são vespas de dimensões pequenas (0,5 a 3 mm de comprimento na maioria dos casos, podendo chegar a 25 mm); a coloração e esculturação do in- tegumento variam muito dependendo do táxon, bem como o aspecto geral do corpo, que pode apresentar modificações curiosas, como as antenas de Kapala Cameron (Eucharitidae) ou de Chrysoplatycerus Ashmead (Encyrtidae), o ovipositor de Cameronella Dalla Torre (Pteromalidae) e a cabeça de vespas- -de-figo agaoníneas. Algumas dascaracterísticas mais úteis para seu reconhecimento, além do tamanho e a venação reduzida a uma veia aparente (Fig. 27.11), são a visibilidade do prepecto, de forma que o pronoto não alcança a tégula (Fig. 27.23) (com algumas exceções), e a presença de sensores longitudinais nas antenas geniculadas. Apesar da extrema variação morfológica, a superfamília tem sido consistentemente recuperada como monofilética com alto suporte nas filogenias de Hymenoptera, tendo como grupo-irmão ou Mymarommatoidea ou Diaprioidea (Gibson 1986a; Sharkey 2007; Heraty et al. 2011; Sharkey et al. 2012; Klopfstein et al. 2013; Peters et al. 2017). A distri- buição deste grupo é cosmopolita. Há cerca de 23.000 espécies descritas (Noyes 2019), mas o número de espécies existentes na região neotropical é muito difícil de se estimar, tendo em vista o conhecimento taxonômico proporcionalmente muito precário e a disseminada ocorrência de espécies crípticas, contrastando com a existência de populações cujo isolamento reprodutivo é devido não à especiação, mas a microorganismos como Wol- bachia, entre outros fatores (p. ex. revisados por Gokhman 2018). Alguns calcidoideos, como Trichogramma Westwood e Nasonia Ashmead, são organismos-modelo para estudos sobre mecanismos moleculares da determinação do sexo e a influência de endossimbiontes na genética da especiação. Esta superfamília inclui tanto ecto- quando endoparasitoides, idiobiontes ou cenobiontes; ocorrem praticamente todos os tipos de nutrição enumerados por Hagen (1964: pp. 219-220; Grissell & Schauff 1997). Os hospedeiros conhecidos abrangem 13 ordens de insetos, além de aracnídeos (ácaros, carrapatos, aranhas, pseudoescorpiões), nematódeos galhadores (Nemato- da: Anguinidae) e plantas (espécies fitófagas são conhecidas em diversas famílias, sendo que a fitofagia pode ser obrigatória ou facultativa no caso de espécies inquilinas), e há tanto parasitoides primários quanto hiperparasitoides. Diversas espécies tiveram seus ciclos de vida e genética da determinação do sexo estudados mais detalhadamente (Quicke 1997; Heimpel & deBoer 2007), com implicações para a manutenção de linhagens em laborató- rio. Devido à sua diversidade e distribuição, Chalcidoidea é um grupo notável tanto em termos ecológicos quanto econômicos: são elementos importantes da fauna envolvida no controle biológico natural de outros artrópodos, e uma fração conside- rável dos programas de controle biológico clássico e aplicado envolveram calcidoideos das famílias Encyrtidae, Aphelinidae e Trichogrammatidae (Parra et al. 2002). Chalcidoidea podem ser obtidos usando todos os métodos de coleta indicados nas seções introdutórias deste capítulo, sendo que os mais comumente usados são a varredura e armadilhas tipo Malaise e Moericke. A classificação de Chalcidoidea já variou entre nove (Riek 1970) e 24 (Nikol’skaya 1952) famílias e 78 a 89 subfamílias (Heraty et al. 2013), tendo estabilizado em torno de 20 famílias entre o final da década de 1980 e cerca de 2010 (Bouček 1988b; Gibson 1993; Gibson et al. 1997; Gibson et al. 1999; Hanson & LaSalle 1995, 2006). Estudos filogenéticos mais recentes tornaram-se abrangentes o suficiente para que ao menos parte da classificação começasse a ser revista, especialmente com relação a famílias cuja monofilia estava sendo contestada há algum tempo, como Pteromalidae, Aphelinidae e Agaonidae s.l. (Gibson et al. 1999; Munro et al. 2011; Heraty et al. 2013). Apesar desses estudos terem corroborado a monofilia de diversas subfamílias e tribos (Heraty et al. 2013), a expectativa é de que haja mudanças significativas na classificação à medida que ocorra o estabeleci- mento de hipóteses mais sólidas sobre as relações filogenéticas entre esses grupos dentro dos próximos anos. Revisões gerais sobre Chalcidoidea em contexto filogenético são encontradas em Gibson et al. (1997) e Heraty et al. (2013). O manual de Grissell & Schauff (1997) para famílias neárti- cas ainda é um dos melhores textos introdutórios, cuja chave para famílias está disponível em formato digital via Internet (Seltmann et al. 2013). Gibson (2013) contém também um apanhado de referências e recursos essenciais por família e região geográfica. Embora literatura especificamente para o Brasil seja escassa, chaves úteis para identificação de famílias, subfamílias e gêneros estão disponíveis em Hanson & LaSalle (1995) (Costa Rica), Bouček (1988a) (Australásia), Gibson (1993) (mundo) e Gibson et al. (1997) (famílias e gêneros neárticos). A versão em disco da Universal Chalcidoidea Database (Noyes 2002) é provavelmente a última versão estática de um catálogo mundial para Chalcidoidea; o mesmo banco de dados atualizado está na Internet (Noyes 2019). Um portal de Internet com recursos di- gitais relevantes para a fauna brasileira está em desenvolvimento no endereço http://chalcidoidea.ufes.br (Tavares et al. 2019). Uma vez que muitos calcidoides são pequenos e frágeis, com corpos pouco esclerosados, é necessário cuidado adicional na conservação dos espécimes, que devem ser mantidos em etanol 90-100% ou secados quimicamente com HMDS, acetato de amila ou com secador de ponto crítico, nunca ao ar livre. Noyes (1982) descreve em detalhes métodos de captura e curadoria apropriados para o grupo. Assim como em outras superfamílias, há uma grande quantidade de registros de hospedeiros e identi- ficações errôneas na literatura que acabam sendo incorporadas a catálogos, de forma que se recomenda também o cuidado de preservar os restos de hospedeiros quando possível e mon- HYMENOPTERA 526 tá-los com os exemplares testemunho, além de sempre incluir informação a respeito de como e/ou por quem o material foi identificado nas publicações, a fim de diminuir as chances de propagar erros (Noyes 1994). Agaonidae (Fig. 27.84). Também conhecidas como vespas-de- -figo, atualmente inclui vespas polinizadoras (Agaonidae sensu stricto: Agaoninae, Tetrapusinae, Kradibiinae, etc.) e não-po- linizadoras (Sycophaginae), conforme as últimas revisões da classificação (Cruaud et al. 2010; Heraty et al. 2013). Outras quatro subfamílias de vespas não-polinizadoras também asso- ciadas a inflorescências de figueiras (Ficus spp.) foram incluídas anteriormente nesta família: Epichrysomallinae, Otitesellinae, Sycoecinae e Sycorictinae; após diversos estudos filogenéticos (Machado et al. 1996, Rasplus et al. 1998, Heraty et al. 2013) essas últimas quatro têm sido consideradas um clado em Pteromalidae. O grupo que inclui todas as subfamílias acima é referido por alguns autores como Agaonidae sensu lato e é demonstradamente polifilético. Muitos agaonídeos apresentam uma quantidade de modificações morfológicas chamativas, como o caso da cabeça da fêmea, utilizada para penetrar no sicônio, e os machos ápteros, cuja aparência praticamente não permite sequer que sejam identificados à primeira vista como vespas. A relação entre filogenias deste grupo e Ficus apresenta alto grau de congruência e diversos estudos usam a família como modelo para testar hipóteses sobre coevolução, mutualismo e relações entre características morfológicas e hábitos de vida das vespas (p. ex. Ramírez 1969; Cruaud et al. 2011, 2012; Elias et al. 2018; Wiebes 1979; Weiblen 1982). São encontradas prin- cipalmente nas áreas tropicais e subtropicais do mundo; muitas espécies foram introduzidas em associação com o transporte de espécies de Ficus. Os ciclos de vida de Agaonidae e de fenologia reprodutiva das figueiras estão intimamente associados. Apesar de existirem algumas espécies partenogenéticas, a reprodução sexuada das figueiras é dependente das vespas polinizadoras. As vespas polinizadoras, carregando o pólen do figo de onde nasceram, penetram nos sicônios através do ostíolo e realizam a oviposição diretamente nas flores, que estão no interior de um receptáculo côncavo carnoso que originará uma infrutescência (o figo propriamente dito). O ovário das flores tem crescimento diferenciadoem resposta ao ovo da vespa, formando uma galha. As larvas se desenvolvem no interior dos ovários das flores; os machos completam o desenvolvimento mais rapidamente e co- pulam com as fêmeas antes delas emergirem. Quando as vespas adultas emergem, as flores masculinas do figo estão abertas, de forma que as fêmeas ficam carregadas de pólen; elas então deixam o sicônio e serão atraídas por outros figos, reiniciando o ciclo. As vespas não-polinizadoras normalmente realizam a oviposição através da parede externa do figo, portanto sem haver o contato com as flores. Existem espécies que chegam a penetrar pelo ostíolo para ovipositar, mas estas não foram registradas nos neotrópicos (Cruaud et al. 2012). As vespas não-polinizadoras compreendem espécies tanto galhadoras quanto inquilinas. A coleta de Agaonidae pode ser feita mantendo-se figos em recipientes para emergência de indivíduos; eventualmente podem ser obtidos exemplares através da varredura ao redor de plantas hospedeiras e armadilhas. Grissell & Schauff (1997) relatam, também, que os Agaonidae são um dos únicos grupos de Hymenoptera atraídos por armadilhas de luz negra. A diver- sidade da fauna neotropical é pouco conhecida, assim como sua distribuição e biologia. Há aproximadamente 30 espécies em 6 gêneros registrados para o Brasil, a maioria sem informação sobre a planta hospedeira, sendo que a maioria das espécies co- nhecidas pertencem aos gêneros Pegoscapus e Idarnes. Ramírez (1970) e Wiebes (1995) estudaram a taxonomia de Agaonidae neotropicais; Bouček (1993) revisou is gêneros de Chalcidoi- dea associados a figueiras nas Américas. Pereira et al. (2010) apresentam um resumo comentado dos grupos neotropicais de vespas de figo e suas biologias. O portal FigWeb (Van Noort & Rasplus 2019) (www.figweb.org) inclui textos sobre a biologia dos diferentes grupos de vespas associadas a figos, além de chaves de identificação interativas. Aphelinidae (incluindo Eriaporidae e Azotidae) (Fig. 27.85). Os afelinídeos tendem a ser vespas muito pequenas, com menos de 2 mm de tamanho, de coloração clara a preta, normalmente sem reflexos metálicos. A diagnose é frequentemente dificultada pela variação em caracteres reducionais (p. ex. antenômeros) e diferenciação de alguns gêneros com relação a Encyrtidae, Eulo- phidae, Trichogrammatidae e Signiphoridae, como discutido por Gibson et al. (1999). São reconhecidas oito subfamílias, as quais têm sido individualmente recuperadas como monofiléticas em estudos moleculares (Munro et al. 2011; Heraty et al. 2013), mas não reunidas em um só grupo, motivo pelo qual são prováveis mudanças na classificação da família nos próximos anos. Cinco subfamílias têm registro no Brasil: Aphelininae, Coccophaginae, Calesinae, Eretmocerinae e Azotinae (esta última elevada ao nível de família por Heraty et al. 2013), com cerca de 80 espécies em 13 gêneros. São citados 17 gêneros para a região Neotropical (Polaszek & Hanson 2006), com a ressalva de que o número de espécies é indeterminado, devido principalmente aos complexos de espécies crípticas (p. ex. Heraty et al. 2007) e à dificuldade de identificação por conta da quantidade de material preservado em más condições. A maioria dos afelinídeos são parasitoides de ninfas de Sternorrhyncha (Hemiptera), especialmente cochonilhas, mos- cas-brancas e pulgões, mas há registros de associação com outros hemípteros e ovos de holometábolos (Polaszek 1991). A maioria das espécies para as quais se conhece a biologia são parasitoides primários, mas existem diversos exemplos de hiperparasitismo. Em Coccophaginae, existe ainda a particularidade de que machos e fêmeas frequentemente se desenvolvem em hospedeiros dife- rentes (heteronomia ou adelfoparasitismo), sendo que as fêmeas se desenvolvem como endoparasitoides primários de cochonilhas ou moscas-brancas, enquanto os machos podem se desenvolver como autoparasitoides (hiperparasitoides, desenvolvendo-se so- bre fêmeas da mesma espécie), aloparasitoides (hiperparasitoides desenvolvendo-se sobre outras espécies de parasitoides), parasi- toides dífagos (ectoparasitoides do mesmo hospedeiro em que as fêmeas são endoparasitoides) ou heterotróficos (parasitoides primários em hospedeiros diferentes). Viggiani (1984) e Hunter & Woolley (2001) apresentam revisões sobre particularidades deste tipo de biologia. Muito do que se sabe sobre a biologia de afelinídeos se deve aos estudos realizados em laboratório de espécies cogitadas para emprego em controle biológico. Diversas espécies, principalmente do gênero Encarsia, são utilizadas como http://www.figweb.org HYMENOPTERA 527 modelo para estudos sobre mudanças de comportamento repro- dutivo induzidas por microorganismos como Wolbachia, além de especificidade de hospedeiros e de condições ambientais. Este grupo contém também parte considerável, senão a maioria, das espécies utilizadas com sucesso em controle biológico (DeBach 1964; Waage & Greathead 1986, p. 305). Gêneros importantes nesse contexto são Aphelinus, Aphytis, Coccophagus e Encarsia. As fêmeas são sinovigênicas (dependem de alimentação para maturação dos ovos) e Rosen & DeBach (1979) descrevem que fêmeas podem macerar o hospedeiro com o ovipositor ou formar um tubo alimentar com as secreções de sua glândula acessória; adultos frequentemente se alimentam também de secreções açu- caradas como o melato (honeydew) liberado pelos hospedeiros. Por conta das associações de hospedeiro, são eficientes como métodos de coleta a manutenção dos mesmos em laboratório, além da varredura sobre plantas infestadas, e armadilhas de pratos amarelos (Moericke). Polaszek & Hanson (2006) apresentam uma revisão abran- gente sobre aspectos biológicos da família, seus hospedeiros e uma chave para subfamílias. Hayat (1983) apresenta uma chave para gêneros de todo o mundo; Woolley (1997) apresenta uma chave para gêneros da região Neártica. No entanto, a maior parte da literatura encontra-se dispersa, com revisões regionais, muitas vezes focadas em determinado grupo de hospedeiros. Tratamentos taxonômicos completos para gêneros são raros; por exemplo, Rosen & DeBach (1979) revisaram as espécies de Aphytis. Hayat (1998) apresenta uma revisão e chaves para diversos gêneros e grupos de espécies de Aphelinidae, embora a revisão seja focada no subcontinente indiano. Schauff et al. (1996) apresentam uma chave pictórica para Encarsia da América do Norte associadas a moscas-brancas. Hopper et al. (2012) e Shirley et al. (2017) publicaram chaves para espécies dos grupos mali e asychis de Aphelinus. Mottern et al. (2010) revisou a morfologia e taxonomia de Cales; chaves para grupos de espécies foram publicadas por Mottern & Heraty (2014) e Polaszek et al. (2015). Chalcididae (Fig. 27.86). Esta família inclui cerca de 1.500 espécies distribuídas pelo mundo todo, sendo que cerca de 260 delas (20 gêneros) têm registro de distribuição no Brasil. Estão entre os maiores calcidoides, com corpos robustos, podendo chegar a 2 cm de comprimento. Embora esta não seja uma característica exclusiva, a família é reconhecida pelo fêmur posterior expandido, com dentes na face ventral, contra o qual se encaixa uma metatíbia curva; o prepecto é pouco visível, consistindo de uma faixa estreita; geralmente o integumento apresenta coloração preta, amarela, ou tons avermelhados (rara- mente metálicos), e esculturação grosseira, umbilicada. Embora bem suportada morfologicamente, esta família não tem sido consistentemente recuperada como monofilética em análises moleculares (Heraty et al. 2013). A maioria das espécies para as quais a biologia é conhecida é parasitoide primário de pupas de insetos holometábolos, especialmente Lepidoptera e Diptera; há também hiperparasitoides, tanto obrigatórios quanto facul- tativos. Algumas espécies apresentam hábitos de vida curiosos, como as paleárticas Chalcis myrifex (Sulzer), que oviposita direta- mente em larvas aquáticas submersas de Stratiomyidae(Diptera) (Schremmer 1960) e Lasiochalcidia igiliensis (Masi), que usa as fortes pernas posteriores para manter abertas as mandíbulas de larvas de Myrmeleontidae (Neuroptera) enquanto oviposita (Steffan 1961; Askew 1971). Uma vez que diversas espécies são parasitoides de lepidópteros considerados pragas, bem como de moscas sinantrópicas, elas podem ser de algum interesse para o controle biológico; no entanto, foram pouco utilizadas em programas clássicos e aplicados. A manutenção de fontes de néctar para os adultos em meio a plantações é considerada uma maneira de assegurar o controle natural de certas pragas. Espécimes podem ser obtidos em armadilhas como Malaise e Moericke, por varredura, especialmente em áreas com plantas floridas, ou criados a partir de potenciais hospedeiros como pupas mantidas em recipientes em laboratório. Bouček (1992) revisou os gêneros da família encontrados na região Neotropical; Delvare (1992) apresenta uma filogenia e reclassificação para Chalcidini. Delvare & Arias-Penna (2006) apresentam chaves para subfamílias, tribos e gêneros neotropicais. Encyrtidae (Fig. 27.89). Esta é uma família extremamente diversa tanto em termos de hospedeiros quanto em morfologia, tendo sido descritas mais de 4.000 espécies para o mundo todo, com aproximadamente 470 a 500 gêneros válidos; no entanto, apenas cerca de 140 espécies em 68 gêneros foram formalmente registradas para o Brasil, e 560 para a região Neotropical. Como em outras famílias de vespas pequenas (a maioria dos encirtí- deos tem menos de 2,5 mm de comprimento) e grupos em que é comum a ocorrência de espécies crípticas, estes números sequer permitem esboçar a diversidade representada (Noyes 1989), tendo-se chegado a estimar que poderia haver mais de 15.000 espécies neotropicais (Noyes & Hanson 2006). Com este número de espécies, é altamente improvável que a família possa ser adequadamente revisada sem um esforço colaborativo multi-institucional e uma base filogenética satisfatória, a qual tem se provado especialmente difícil de ser elaborada dada a quantidade extrema de características homoplásticas encontradas em qualquer uma das tentativas até o presente. Ainda assim, a família tem sido bem suportada como monofilética, e relacionada a outras famílias de calcidoideos “saltadores”, Tanaostigmatidae e Eupelmidae (Gibson et al. 1999; Heraty et al. 2013). Além da mesopleura expandida, são também característicos os cercos posicionados anteriormente no metassoma (afastados do ápice), a ausência de notaulos (no máximo fracamente indicados), as margens anteriores das axilas em linha reta, dando ao escutelo um formato aproximadamente romboide, e a presença de linea calva na asa anterior, embora esta última seja uma característica compartilhada com outros táxons, como afelinídeos. Ocorrem indivíduos braquípteros com alguma frequência. A maioria das espécies comporta-se como endoparasitoides primários ou hiperparasitoides, especialmente de ninfas de cochonilhas (Hemiptera: Sternorrhyncha) (Noyes 1990). No entanto, as mais diversas associações de hospedeiros foram documentadas, incluindo carrapatos (Acarina: Ixodidae), outros ácaros, aranhas e todos os estágios de vida de oito ordens de insetos (Tashikawa 1981; Noyes & Hanson 2006). Os Tetracneminae geralmente são associados a Pseudococcidae (Hemiptera), enquanto os Encyrtinae apresentam uma variedade maior de hospedeiros. O grau de especificidade varia entre as muitas espécies. Na maioria dos casos são parasitoides solitários, mas espécies poliembriô- HYMENOPTERA 528 nicas como Copidosoma floridanum frequentemente produzem mais de 2.000 larvas por hospedeiro, podendo chegar a mais de 3000, a maior prole registrada para qualquer inseto (Alvarez 1997). Entre essas espécies, podem ser observadas “castas” lar- vais, com indivíduos que emergem antes e possuem mandíbulas bem desenvolvidas, especializadas para destruir outras larvas, mas que não completam o desenvolvimento. Existem espécies arrenótocas e telítocas e a produção ou não de machos pode ser influenciada pela temperatura e pela qualidade do hospedeiro (Noyes & Hanson 2006). Existem fêmeas que nascem com todos os ovos formados e outras que precisam se alimentar de fluidos do hospedeiro; esta alimentação da fêmea pode levar o potencial hospedeiro à morte. Encyrtidae, juntamente com Aphelinidae, representa uma porção significativa dos casos de sucesso no uso de parasitoides para controle biológico clássico e aplicado. No Brasil, foram introduzidas as espécies Apoanagyrus diversicornis, Acerophagus coccois e Aenasius vexans como parte do programa para controle da cochonilha-da-mandioca, Phenacoccus herreni (Hemiptera: Pseudococcidae) no Nordeste, e Ageniaspis citricola para controle de minador dos citros, Phyllocnistis citrella (Lepi- doptera: Gracillariidae) (Sá et al. 2002). Noyes (2006) enumera diversas introduções importantes, das quais talvez a mais notável seja o caso de Anagyrus lopezi, levado do Paraguai para a África para o controle de Phenacoccus manihoti, também em mandioca nos anos 1980. Encirtídeos são coletados frequentemente com qualquer um dos métodos relacionados neste capítulo, inclusive a manutenção de potenciais hospedeiros em laboratório, sendo particularmente produtivas varreduras em áreas de floresta secundária e campos. O conhecimento taxonômico das espécies neotropicais é esparso: DeSantis (1964) revisou algumas espécies argentinas; Noyes (1980) revisou os gêneros da região Neotro- pical e mais tarde expandiu significativamente o tratamento taxonômico com base na fauna da Costa Rica, incluindo chaves (Noyes 2000, 2004, 2010); Noyes & Hanson (2006) apresentam uma revisão comentada das biologias e hospedeiros dos grupos neotropicais e Noyes (2006) apresenta informações diagnósticas para as subfamílias e para gêneros selecionados. Eucharitidae (Fig. 27.91). Os eucaritídeos são vespas medianas para o padrão de Chalcidoidea, com 2 a 6 mm de comprimen- to. Robustas, muitas vezes chamam a atenção pelo aspecto do mesosoma (pronoto não visível dorsalmente, dando um aspecto “corcunda”), às vezes com processos se estendendo posteriormente, metassoma globular em vista lateral, com pecío- lo longo, e antenas por vezes ramificadas, com aspecto pectinado, serreado ou lobado. Existem cerca de 500 espécies em todo o mundo, sendo que 42 espécies representando 14 gêneros têm registro no Brasil. A família foi repetidamente recuperada como monofilética e irmã de Perilampidae em diversos estudos tanto baseados em dados morfológicos quanto moleculares (Gibson et al. 1999; Heraty et al. 2013). Estas famílias compartilham o modo de desenvolvimento hipermetamórfico em que o primeiro ínstar larval (Heraty & Darling 1984), conhecido como planídia ou triungulina, bem esclerosada, que se move ativamente até se prender a uma formiga ou outro inseto para ser transportada foreticamente até as larvas do hospedeiro (Clausen 1940, 1941). Todas as espécies de Eucharitidae são parasitoides de formigas (Formicidae). As planídias, uma vez no formigueiro, se aderem a larvas de formigas, mas não se alimentam até que a larva atinja o estágio de pupa. Os ínstares posteriores, himenopteriformes, e a pupa, misturam-se aos das formigas e são mantidos igualmente pelas operárias, que até mesmo ajudam os adultos a emergir. Este complexo ciclo biológico é compensado por uma alta fe- cundidade; há registro de fêmeas capazes de pôr até 15.000 ovos ao longo da vida. Algumas espécies da subfamília Oraseminae podem produzir algum dano econômico por prepararem fendas em tecido vegetal (“bicho-costureiro”, Tochetto 1942), nas quais realizam a oviposição, por exemplo em cascas de frutos (Heraty em Hanson & Gauld 2006: pp. 354-355), facilitando a oxidação (formação de manchas na casca) e a entrada de bactérias. Há também espécies que poderiam ser exploradas para o controle biológico, como parasitoides das formigas lava-pés (Solenopsis spp.),que são invasoras em áreas como o sul dos EUA, embora a necessidade de estabelecimento de hospedeiros intermediários seja uma dificuldade potencial. A coleta de espécimes muitas vezes depende de se conhecer o local de oviposição e/ou espécie hospedeira, muito embora adultos sejam coletados ocasional- mente em armadilhas. Grissell & Schauff (1997) mencionam que maior sucesso de coleta pode ser obtido quando é obser- vado o enxameamento para cópula, normalmente próximos a ninhos de formigas hospedeiras das quais os adultos estariam emergindo; neste período, as fêmeas podem ser encontradas nas flores próximas, ovipositando. Diversas revisões para grupos de espécies têm sido publicadas para Orasema e gêneros menores; Heraty (2002) revisou os gêneros do mundo; Torréns (2013) apresenta uma revisão da biologia de espécies da Argentina, várias das quais também ocorrem no Brasil; Santos et al. (2019) fornecem uma chave atualizada para os gêneros registrados nas Américas, registros das espécies para o Brasil e listam a literatura pertinente produzida. Eulophidae (Fig. 27.93). Eulophidae é a maior família em Chalcidoidea, com quase 5.000 espécies descritas em aproxi- madamente 300 gêneros para o mundo todo; para o Brasil, são conhecidas 203 espécies em 69 gêneros. Apesar de defi- nida essencialmente com base em características reducionais com relação ao número de tarsômeros (4) e artículos antenais (funículo com no máximo 5 artículos), exceto pelo esporão protibial, reto e simples, o grupo frequentemente é recuperado como monofilético com a exclusão de Trisecodes (Gauthier et al. 2000; Burks et al. 2011; Heraty et al. 2013). Os eulofídeos apresentam normalmente menos de 5 mm de comprimento e frequentemente são pouco esclerosadas, de coloração amarela a negra ou metálica. Gibson et al. (1999) discutiram as putativas sinapomorfias de cada uma das subfamílias; esta discussão foi levada adiante e testada com dados morfológicos e moleculares por Burks et al (2011). Vários hábitos de vida ocorrem em Eu- lophidae: há parasitoides de ovos, larvas e pupas de mais de 10 ordens de insetos (solitários, gregários, idiobiontes, cenobiontes, ectoparasitoides e endoparasitoides, sem predominância de ne- nhuma destas estratégias), inclusive aquáticos (p. ex. Burks 1968) e holometábolos adultos, predadores de ootecas de Arachnida e até mesmo de Nematoda (LaSalle & Schauff 1995). No entan- to, há um padrão entre os hospedeiros, predominando aqueles cujas larvas imaturas são abrigadas em galhas, minas ou caules, especialmente das ordens Lepidoptera, Coleoptera, Diptera e HYMENOPTERA 529 Hymenoptera. Alguns Eulophinae e Tetrastichinae podem ser fitófagos e induzir galhas. Apesar do grau de especificidade ser variável, Eulophidae é a terceira família de Chalcidoidea mais utilizada em controle biológico (Waage & Greathead 1986), principalmente contra minadores e Lepidoptera. Existem al- gumas espécies encontradas na região Neotropical (nativas ou introduzidas) que são parasitoides de uma série de insetos con- siderados pragas e podem ser importantes no controle das suas populações, tais como Aceratoneuromyia indica, parasitoide da mosca-das-frutas Anastrepha obliqua (Diptera); Zagrammosoma spp., parasitoides de Leucoptera coffeella (Lepidoptera); Apros- tocetus hagenowii, parasitoide de ootecas da barata Periplaneta americana (Blattodea) (LaSalle et al. 2006). Duas espécies foram importadas com vistas ao controle biológico: Pediobius sp. a par- tir do Benin para controle de Diatraea saccharalis (Lepidoptera) e Phymastichus coffea, contra a broca-do-café, Hypothenemus hampei (Coleoptera) (Sá et al. 2002). Algumas espécies que produzem galhas ou parasitam sementes são consideradas pragas, assim como os parasitoides de abelhas (Melittobia) (LaSalle et al. 2006). Este é um dos grupos de Chalcidoidea mais facilmente coletados e são frequentemente obtidos em praticamente todo tipo de armadilha ou por coleta ativa; além de galhas ou minas foliares coletadas e mantidas em laboratório. LaSalle & Schauff (1995) iniciaram uma revisão de espécies neotropicais; Hans- son (2002, 2004) revisou as espécies da Costa Rica, incluindo chaves; LaSalle et al. (2006) resumiram diversos aspectos sobre a biologia e hospedeiros da família. Hansson (2019) mantém um portal com informações e recursos para a identificação de Eulophidae neotropicais, incluindo chaves interativas, em www.neotropicaleulophidae.com. Eupelmidae (Fig. 27.90). São vespas que podem medir até quase 2 cm de comprimento, frequentemente com coloração ou reflexos metálicos; as fêmeas normalmente são reconhecidas prontamente pela modificação da estrutura do mesossoma, com a mesopleura ampliada (acropleura), as coxas médias próximas das posteriores e com músculos fortes para saltar. Por conta dessa configuração, os espécimes preparados muitas vezes exi- bem uma curvatura em “U”. No entanto, a acropleura não está presente em machos e nem em algumas fêmeas de grupos basais, dificultando sua separação de grupos semelhantes pertencentes a Pteromalidae (Gibson 1986b, 1989). O esporão da mesotíbia tende a ser curto e coberto de microcerdas; o mesotarso pode apresentar cerdas ou espinhos na face ventral. A parte ventral das margens internas dos olhos tendem a ser divergentes, como em Cleonyminae (Pteromalidae). De fato, em análises Figuras 27.88-96. Hábito, forma adulta, vista lateral. 88, Signiphora Ashmead, fêmea (Signiphoridae); 89, Encyrtidae, fêmea; 90, Oozetetes De Santis, fêmea (Eupelmidae); 91, Kapala Cameron, macho (Eucharitidae); 92, Perilampus Latreille, fêmea (Perilampidae); 93, Neohyperteles De Santis, fêmea (Eulophidae); 94, Prodecatoma Ashmead, fêmea (Eurytomidae); 95, Podagrion Spinola, fêmea, Torymidae; 96, Epistenia Westwood, macho (Pteromalidae). Escala = 0,2 mm para Figs 88, 89; demais escala = 1 mm. HYMENOPTERA 530 filogenéticas, Oodera (Cleonyminae) tem sido agrupada com Eupelmidae, que por sua vez parece formar um grado basal a Tanaostigmatidae + Encyrtidae, as duas outras famílias em que a mesopleura também é expandida (Gibson 2003; Heraty et al. 2013). Além disso, é comum a ocorrência de formas braquíp- teras ou mesmo ápteras. Há cerca de 950 espécies, das quais 60 espécies em 15 gêneros foram registradas no Brasil. Informações a respeito da biologia de espécies neotropicais são escassas; as poucas inferências feitas são embasadas em observações sobre espécies neárticas. A maioria parece ser ectoparasitoides idio- bionte ou predadores de artrópodos imaturos protegidos em ootecas ou em tecido vegetal. Calosotinae e Neanastatinae são ectoparasitoides de besouros xilófagos e este parece ser o hospe- deiro ancestral da família, pois todos os indivíduos apresentam as espículas tibiais encontradas em diversos grupos que atacam estes hospedeiros. Já os hospedeiros registrados para Eupelmi- nae abrangem Orthoptera, Blattodea, Mantodea, Hemiptera, Neuroptera, Coleoptera, Diptera, Lepidoptera, Hymenoptera e Arachnida; as larvas ectoparasitoides idiobiontes são vorazes e podem ser polífagas, atacando diversos hospedeiros desde que sejam fisicamente semelhantes (Gibson em Hanson & Gauld 2006: pp. 376-379). Algumas espécies que atacam ovos são endoparasitoides, enquanto outras podem se comportar como predadores dentro de ootecas. Muitas espécies de Eupelmidae são utilizadas como agentes de controle biológico e, apesar deste grupo não consistir de parasitoides espécie-específicos, a baixa especificidade às vezes é vantajosa para a criação em laboratório, como ocorre também com Trichogrammatidae. No entanto, o número de espécies utilizadas é limitado devido à tendência ao hiperparasitismo facultativo. Gibson (em Hanson & Gauld 2006: p. 378 e tabela 11.18) lista os gêneros neotropicais de Eu- pelmidae e seus respectivos hospedeiros, além de diversos exem- plos de relevância em termos de controle biológico, como pragas agrícolas como a cochonilha-negra Saissetia oleae (Hemiptera:Sternorrhyncha, Coccidae) (parasitadas por Lecaniobius utilis), baratas sinantrópicas como Periplaneta americana, Blattella e Supella (Blattodea) (parasitadas por Anastatus tenuipes) e vetores como Triatoma spp. (Hemiptera, Reduviidae) (parasitados por Anastatus excavatus). Além disso, diversas espécies foram usadas como modelo para estudos da musculatura e anatomia interna de vespas e o mecanismo dos seus saltos (Gibson 1986b). Espécimes são frequentemente coletados em armadilhas como Malaise ou criados a partir de hospedeiros. Gibson (1989) revisou a família, com ênfase nos gêneros de Calosotinae e Metapelmatinae, e posteriormente Eupelminae (Gibson 1995), além de diversas revisões para gêneros publicadas nos últimos anos. Eurytomidae (Fig. 27.94). Este grupo consiste em vespas em geral com menos de 1 cm de tamanho, em geral robustas, com integumento bem esclerosado de coloração preta, castanha, amarela ou avermelhada e esculturação grosseira no mesossoma e cabeça. O pronoto é considerado característico, com forma aproximadamente retangular em vista dorsal, mas os limites da família às vezes são considerados mal definidos em relação especialmente a Chalcididae e Pteromalidae. Gates (2008) dis- cutiu a aparente ausência de sinapomorfias para a família; apesar disso, o grupo tem sido recuperado como monofilético com bom suporte em análises filogenéticas mais recentes. Heraty et al. (2013) consideram que a família é mais proximamente rela- cionada a Chalcididae, Leucospidae e alguns Pteromalidae. São conhecidas aproximadamente 80 espécies em 23 gêneros para o Brasil. Há uma considerável diversidade com relação aos modos de vida destas espécies, sendo que há parasitoides (geralmente de holometábolos endofíticos), inquilinos (entomofitófagos) e fitófagos. Há também uma diversidade de modos de vida entre os parasitoides (idiobiontes, cenobiontes, solitários ou gregá- rios, hiperparasitoides facultativos ou não), havendo casos que correspondem a predação de ovos de aranhas, de Hemiptera e de Orthoptera, ou mesmo de larvas, como em Eurytoma rosae Nees, que se desenvolve em galhas de Cynipidae devorando larvas à medida que passa de uma câmara para outra (Clausen 1940; Gates & Hanson 2006). Os fitófagos podem se alimentar de sementes ou outras partes de uma grande variedade de plantas ou induzir galhas. Diversas espécies são consideradas pragas devido ao seu hábito fitófago; Bruchophagus podem ser encontradas em sementes de plantas como alfafa (Medicago sativa); Systole podem ser encontradas em sementes de Apiaceae utilizadas como temperos como o coentro (Coriandrum sativum); Tetramesa são consideradas pragas de cereais nos Estados Unidos, e várias Eury- toma são associadas a bulbos de orquídeas (Noyes 2002; Gates & Hanson 2006). Espécies fitófagas já foram cogitadas como agentes de controle biológico de plantas, como Eurytoma attiva contra Cordia spp. (Boraginaceae) e Prodecatoma carpophaga contra Psidium cattleianum (Dal Molin et al. 2004). Uma vez que este grupo é comumente associado a insetos endofíticos, além dos métodos de coletas comuns para Chalcidoidea, é possível obter indivíduos a partir da coleta de galhas em geral, sementes e varredura. Burks (1971) revisou e apresentou uma chave para os gêneros da família; Stage & Snelling (1986) revisaram as sub- famílias, com ênfase em Heimbrinae; Gates & Hanson (2006) apresentam uma chave para subfamílias e revisão de biologia e hospedeiros conhecidos para grupos neotropicais; Gates (2008) discutiu a classificação da família e revisou Rileyinae. Leucospidae (Fig. 27.87). São vespas de coloração negra ou castanha com detalhes em tons amarelados ou avermelhados; robustas, entre os maiores calcidoides (até 2 cm de comprimen- to), com integumento muito esclerosado, com esculturação grosseira, e que muitas vezes mimetizam vespas sociais tanto pelo fato de dobrarem as asas anteriores longitudinalmente quando em repouso quanto em seus movimentos. A configuração do ovipositor, quando bem desenvolvido, é muito característica, sendo direcionado para cima do metassoma. Assim como em Chalcididae, as pernas posteriores apresentam o fêmur bem desenvolvido e o prepecto é estreito, de difícil visualização. O grupo é demonstradamente monofilético; postula-se uma relação filogenética com Chalcididae e Eurytomidae (e os pteromalíde- os Cleonyminae, Leptofoeninae e Spalangiinae) (Heraty et al. 2013). A família é pequena, com menos de 150 espécies; são registrados apenas dois gêneros com 27 espécies para o Brasil. São ectoparasitoides de larvas ou pupas de Hymenoptera Aculeata que nidificam no solo ou em madeira; a perfuração da parede das células para oviposição pode levar até 3 horas (Clausen 1940). Um aspecto interessante da biologia é que geralmente eles não mimetizam sua espécie hospedeira, apesar de mimetizarem Acu- leata (Bouček 1974). Leucospidae podem ser obtidos a partir HYMENOPTERA 531 de ninhos-armadilha ou ninhos normais coletados e mantidos em laboratório; adultos também podem ser coletados em var- redura em flores de corola rasa (principalmente Umbelliferae, Asteraceae), quando podem ser confundidos com vespídeos da subfamília Eumeninae (Grissell & Schauff 1997). Bouček (1974) revisou toda a família em escala mundial. Lima & Dias (2018) revisaram as espécies de Leucospis das Américas. Mymaridae (Fig. 27.82). Os mimarídeos incluem os menores insetos em todo o grupo dos Hymenoptera, e mesmo os me- nores insetos conhecidos, geralmente com menos de 1,5 mm e raramente atingindo 5 mm de comprimento. São vespas deli- cadas, de exoesqueleto pouco esclerosado, com antenas e pernas relativamente longas, tipicamente reconhecíveis por uma sutura transversa membranosa abaixo do ocelo anterior e ao longo das margens internas dos olhos compostos, formando uma figura em “H” e asas posteriores normalmente reduzidas, em forma de pecíolo ou formadas somente pelo pecíolo. No entanto, alguns machos ápteros apresentam tamanha redução das partes do corpo que são difíceis de reconhecer até mesmo como vespas, como no caso de Dicopomorpha. Esta família é repetidamente recuperada como grupo-irmão de todos os outros Chalcidoidea (Gibson 1986a; Gibson et al. 1999; Heraty et al. 2011; Munro et al. 2011; Sharkey et al. 2011; Heraty et al. 2013). A família inclui em torno de 1.500 espécies em todo o mundo; para o Brasil, foram registradas 51 espécies em 18 gêneros. São vulgarmente conhecidas como “vespas-fada” ou “fairyflies” (Yoshimoto 1990). Tipicamente são de coloração amarelada a castanha, embora al- gumas espécies possam apresentar coloração vermelha viva. Todas as espécies de hábito conhecido são endoparasitoides de ovos de insetos. A maioria dos registros de hospedeiros correspondem a Auchenorrhyncha (Hemiptera), seguidos por outros Hemiptera (Coccoidea, Tingidae, Miridae), Coleoptera e Psocoptera. Pelo menos uma das espécies (Caraphractus cinctus) parasita ovos de Coleoptera aquáticos (Dytiscidae) e para tanto é capaz de nadar, utilizando suas asas como remos; os registros de hospedeiros e outros dados sobre a biologia de Mymaridae foram revisados por Huber (1986). Algumas espécies foram empregadas com sucesso para controle biológico de pragas, especialmente nos gêneros Anagrus e Anaphes, contra cigarrinhas (Hemiptera Cica- dellidae e Delphacidae) e besouros (Coleoptera Chrysomelidae e Curculionidae) (Huber 1986). A coleta de Mymaridae, como de outras famílias pequenas, exige que se use material e cuidados adequados, para preparar e triar armadilhas Malaise e Moericke, como usar tramas finas e atentar aos insetos menores; uma vez observados estes detalhes, tendem a ser comuns em amostras massais e mesmo de varredura. Ao contrário da maioria dos outros Chalcidoidea, normalmente é difícil obtê-los a partir de amostras de hospedeiros em laboratório. Annecke & Doutt (1961) apresentam uma chave para gêneros do mundo, embora atualmente esteja muito desatualizada; Viggiani(1988) revisou os grupos supraespecíficos com base na morfologia da genitália masculina; Yoshimoto (1990) inclui uma chave para gêneros do Novo Mundo; Huber (em Gibson et al. 1997) apresenta uma chave para os gêneros neárticos; Huber (em Hanson & Gauld 2006: tabela 11.22) lista os gêneros registrados nos neotrópicos, sua distribuição, hospedeiros conhecidos e referências relevantes para identificação; Huber (em Fernández & Sharkey 2006, p. 766) também apresenta uma chave simplificada para gêneros neotropicais mais comuns. Uma grande parte das espécies da América do Sul, inclusive do Brasil foi descrita e/ou teve seus hábitos registrados pelo argentino A. A. Ogloblin, que produziu revisões regionais e estudos da morfologia da família (Ogloblin 1960). Ormyridae. A maior parte das espécies conhecidas desta família (pouco mais de 100) têm distribuição oriental, sendo que apenas um dos três gêneros, Ormyrus, é conhecido a partir de quatro espécies na região Neotropical. Normalmente apresentam colo- ração metálica, com hábito típico, com a cabeça frequentemente direcionada para baixo e metassoma convexo, esculturado gros- seiramente com depressões (fóveas ou crênulas). Ormyridae é um grupo monofilético, que parece ser proximamente relacionado a Torymidae, e algumas subfamílias de Pteromalidae. Hanson (1995a) indica que provavelmente essas espécies são parasitoides idiobiontes, normalmente associados a galhas de Hymenoptera e Diptera. Apenas uma espécie de Ormyridae é formalmente conhecida para o Brasil, Ormyrus brasiliensis Ashmead; há pelo menos mais um registro recente em áreas pouco estudadas do centro-oeste brasileiro, obtido a partir de amostras de armadilhas (Shimbori et al. 2017). Não se sabe o hospedeiro de O. brasilien- sis, mas as demais espécies do Novo Mundo parecem ser todas associadas a galhas de cinipídeos em carvalhos (Quercus spp., Fagaceae) (Hanson 1992). Hanson (1992) menciona também um espécime não identificado obtido de galhas em Moquinea polymorpha (Asteraceae) no Rio Grande do Sul. Hanson (1992) publicou uma chave que compreende as espécies da América Central e do Norte. Perilampidae (Fig. 27.92). Os perilampídeos são vespas de coloração metálica ou negra, que podem variar de 1 mm até 1 cm de comprimento; o hábito robusto, de aparência compacta, lembra um pouco os Eucharitidae, embora o pronoto seja ao menos parcialmente visível dorsalmente e o metassoma não apresente um pecíolo alongado, bem como se assemelham superficialmente a Chrysididae, devido à coloração metálica. A relação de grupo-irmão com Eucharitidae tem sido verificada em diversas análises (resumidas em Gibson et al. 1999 e Heraty et al. 2013), às vezes incluindo Eutrichosomatinae (Pteromalidae). De fato, diversas vezes já foram recuperadas filogenias em que o grupo consiste em um grado envolvendo diferentes subgrupos de Eucharitidae e Perilampidae, sendo uma indicação de que poderiam ser tratadas como uma família. A classificação de grupos como Philomidinae e Akapalinae tem sido controversa, refletindo nas estimativas do número de espécies para a família (Heraty & Darling 2007; Heraty et al. 2019), mas os dois gêneros com registro formal para o Brasil (apenas 9 espécies), Perilampus e Euperilampus, são classificados em Perilampinae. Assim como Eucharitidae, os Perilampidae apresentam desenvol- vimento hipermetamórfico com larvas planídias, que procura e penetra ativamente nos hospedeiros (Heraty & Darling 1984). Euperilampus são hiperparasitoides de Lepidoptera através de Ichneumonidae; Perilampus apresentam diversas formas de vida, incluindo parasitoides primários de Coleoptera, Neuroptera e Hymenoptera basais, e hiperparasitoides de Lepidoptera e Or- thoptera através de Ichneumonoidea (Hymenoptera) ou Tachini- dae (Diptera); há pelo menos um registro de hiperparasitismo de HYMENOPTERA 532 Embioptera através de Sclerogibbidae (Hymenoptera) (Darling 2006). Como em Eucharitidae, as larvas somente começam a se alimentar do hospedeiro depois que ele empupa, caracteri- zando-se como cenobiontes, mesmo quando hiperparasitoides. Perilampidae são raramente capturados em armadilhas, mas podem ser eventualmente coletados em varreduras, uma vez que adultos tendem a se alimentar de néctar ou melato de pulgões. Bouček (1978) revisou alguns grupos de Perilampinae e Darling (1996) revisou os gêneros da família. Há chaves para os gêneros neotropicais (Darling 2006), para espécies de Chrysolampus (Darling 1986) e Euperilampus (Darling 1983). Pteromalidae (Fig. 27.96). Com quase 4.000 espécies distribu- ídas no mundo todo, esta família constitui um grupo de difícil delimitação, que basicamente inclui vespas que medem entre 1 e 7 mm de comprimento e normalmente não têm clara redução no número de antenômeros (geralmente 13, com 1 a 3 anelares e 5 a 7 funiculares) nem de tarsômeros (5, exceto em Idioporus). O grupo é claramente polifilético, sendo que estudos que apontam para o possível desmembramento desta família foram revisados e discutidos por Gibson et al. (1999) e Heraty et al. (2013). Em Heraty et al. (2013) foram identificadas nove linhagens diferen- tes, que nunca foram recuperadas como um grupo monofilético. Machos de Eupelmidae e Torymidae frequentemente são con- fundidos com Pteromalidae. Gibson (1993) apresenta uma lista de 39 grupos que já foram ou ainda são considerados subfamílias de Pteromalidae. As subfamílias aqui classificadas e com registro no Brasil são Asaphinae, Ceinae, Cerocephalinae, Cleonyminae, Colotrechninae, Diparinae, Epichrysomallinae, Erotolepsiinae, Eunotinae, Eutrichosomatinae, Herbertiinae, Leptofoeninae, Miscogastrinae, Ormocerinae, Otitesellinae, Pteromalinae, Spalangiinae e Sycoryctinae, com aproximadamente 160 espé- cies em 65 gêneros. A família inclui representantes fitófagos e entomófagos. Existem espécies galhadoras, inquilinas e diversos tipos de parasitoides atacando diversos grupos, principalmente Coleoptera (besouros xilófagos, como Curculionidae, Scolytidae e Cerambycidae), Hemiptera, Diptera galhadores, minadores e broqueadores, Hymenoptera Aculeata com ninhos em madeira ou no solo e também Neuroptera e Siphonaptera (Gibson 1993). Hanson (em Hanson & Gauld 1995: p. 355) apresenta uma visão geral dos hábitos de vida encontrados no grupo e exemplos de acordo com a estratégia de parasitismo apresentada por eles. São em sua maioria parasitoides idiobiontes, mas o grupo inclui cenobiontes, inquilinos, fitófagos galhadores ou não, hiperparasi- toides e até mesmo predadores. A maioria das fêmeas nasce com os ovos já formados, mas algumas assim mesmo se alimentam de hospedeiros, podendo inclusive formar tubos alimentares. Algumas espécies de Pteromalidae são utilizadas em controle biológico tanto clássico quanto inundativo, como Spalangia (Spalangiinae), Muscidifurax e Pachycrepoideus (Pteromalinae), amplamente utilizadas no controle de moscas associadas a excremento em estábulos, e Trichilogaster acaciaelongifoliae (Ormocerinae), utilizada no controle de uma planta invasora, Acacia longifolia, na África do Sul. Espécies do gênero Nasonia são usadas como modelos de estudos sobre fatores e mecanismos moleculares que afetam a proporção sexual em vespas, e tiveram seus genomas sequenciados (Nasonia Genome Working Group 2010). Alguns hiperparasitoides são considerados prejudiciais porque atacam parasitoides e predadores de pragas como Braco- nidae (Hymenoptera) e Syrphidae (Diptera). Os recursos para identificação são escassos em termos gerais. Bouček & Heydon (1997) apresentam uma chave para gêneros neárticos que co- bre uma parte daqueles que têm registro para o Brasil; Gibson (2003) revisou a subfamília Cleonyminae; Hanson & Heydon (2006) apresentam uma chave para subfamílias encontradas na região Neotropical e um resumo dos hospedeiros conhecidos para cada grupo. Signiphoridae (Fig. 27.88). Esta família é facilmente reconhecí- vel pelo escutelo transverso, propódeo com áreamediana trian- gular e a clava grande, não dividida, separada do pedicelo antenal apenas por 1 a 4 flagelômeros anelares. Os indivíduos medem no máximo 2 mm de comprimento, mas a grande maioria não ultrapassa 1,5 mm. A coloração normalmente varia do preto ao amarelado, podendo haver reflexos metálicos nas espécies mais escuras; a esculturação do integumento é rasa, frequentemente observável apenas em espécimes montados em lâminas de mi- croscópio. São registradas formalmente cerca de 20 espécies em 3 gêneros para o Brasil; revisões recentes indicam que a família deve alcançar pelo menos 100 espécies neotropicais, a maioria no gênero Signiphora. Dos quatro gêneros reconhecidos atualmente, apenas Chartocerus parece ser mais diverso no continente austra- liano e ilhas do Pacífico. A posição filogenética de Signiphoridae em relação a Aphelinidae tende a levantar questões sobre a sua classificação, dada a demonstrada relação de grupo-irmão com Azotinae, em Aphelinidae (Woolley 1988; Munro et al. 2011; Heraty et al. 2013). A maioria das espécies é endoparasitoide primário ou hiperparasitoide de Hemiptera Sternorrhyncha, sobretudo cochonilhas (Coccoidea), moscas-brancas (Aleyro- didae) e pupários de Diptera; há registros menos comuns de parasitismo de ovos de Heteroptera (Hemiptera) e Buprestidae (Coleoptera); a única espécie conhecida de Clytina associada com hospedeiros foi obtida de pupas de Chloropidae (Diptera) inquilinos em galha induzida em Phragmites (Poaceae). Uma das poucas espécies que tiveram seus ciclos de vida detalhadamente estudados, Signiphora borinquensis, tem os dois primeiros ínstares endoparasitoides e os dois seguintes, ectoparasitoides (Quezada et al. 1973). Normalmente os Signiphoridae não são utilizados em programas de controle biológico porque muitas espécies são hiperparasitoides; no passado, foram levantadas questões a respeito de seu papel como hiperparasitoides e seu potencial impacto sobre agentes de controle biológico já estabelecidos em áreas-alvo (Goergen & Neuenschwander 1992). No en- tanto, algumas espécies de Signiphora e Thysanus estão entre os parasitoides primários comumente obtidos em associação com cochonilhas Diaspididae (Hemiptera: Coccoidea). Espécimes normalmente são obtidos a partir de hospedeiros mantidos em laboratório, sobretudo aqueles coletados em culturas comerciais, além de armadilhas Malaise, Moericke e varredura principal- mente em vegetação nativa secundária; muitos também foram obtidos com fumigação de dossel florestal. Woolley (1988) revisou e incluiu chaves para os gêneros do grupo (não havendo suporte para a classificação em subfamílias); Woolley & Hanson (2006) resumiram as associações conhecidas com hospedeiros e com espécies de importância econômica e Woolley & Dal Molin (2017) revisaram as espécies do grupo flavopalliata de Signiphora. HYMENOPTERA 533 Tanaostigmatidae. São vespas com no máximo 5 mm de com- primento, compartilhando a característica da mesopleura dila- tada com Encyrtidae e Eupelmidae, além de Cynipencyrtus. Em análises filogenéticas, tem sido recuperada como parte do grupo que inclui as três famílias citadas e mais Oodera (Pteromalidae: Cleonyminae), sendo o grupo irmão de Cynipencyrtus + Encyr- tidae (Gibson et al. 1999; Heraty et al. 2013). São conhecidas menos de 100 espécies para o mundo todo, sendo mais de 70 do Novo Mundo, com 24 espécies registradas para o Brasil, em cinco gêneros. LaSalle (em Hanson & Gauld 2006: tabela 11.31) listou os hospedeiros conhecidos para as espécies neotropicais. Apesar de frequentemente descritos como fitófagos galhadores, há registro de algumas espécies que se comportam como inquili- nas em galhas de outros insetos, como Cecidomyiidae (Diptera) e Psylloidea (Hemiptera). Fernandes et al. (1987) registraram Tanaostigmodes fernandesi a partir de galhas de cecidomídeos em Machaerium aculeatum (Fabaceae). LaSalle (1987) revisou e incluiu chaves para os gêneros e espécies do mundo todo. Torymidae (incluindo Megastigminae) (Fig. 27.95). Esta família inclui aproximadamente 1000 espécies de vespas entre 1 e 8mm de comprimento, que frequentemente chamam a atenção pela sua coloração metálica ou amarela e ovipositores proporcio- nalmente longos entre os Chalcidoidea. Outras características diagnósticas são a veia estigmal curta (apesar do estigma poder ser bem desenvolvido) e placas cercais em forma de papilas. Há o registro de apenas 30 espécies no Brasil, distribuídas em 7 gê- neros. Grissell (1995) estudou as relações filogenéticas e revisou a conformação das subfamílias, reconhecendo Megastigminae e Toryminae; Janšta et al. (2017) revisaram essa classificação com base em dados moleculares, e elevaram a primeira ao nível de família. Via de regra, os Torymidae são associados a plantas, como fitófagos, inquilinos ou parasitoides de formas imaturas ocultas em tecido vegetal. A maioria das espécies cujo hospe- deiro é conhecido são entomófagas, especialmente parasitoides de Hymenoptera e Diptera galhadores; os Megastigminae são normalmente espécies fitófagas. Há exceções, como Podagrio- nini, que parasitam ootecas de Mantodea, e algumas espécies de hiperparasitoides facultativos. Hanson (em Hanson & Gauld 2006: p. 436) cita que diversas espécies de Megastigminae que se alimentam de sementes podem produzir impacto econômico, inclusive nos neotrópicos, onde atacam sementes de Ilex (Aqui- foliaceae) e Symplocus (Symplocaceae) (são mencionados também registros em coníferas holárticas); Megastigmus transvaalensis, uma espécie que aparentemente se associou a sementes de aroeira (Schinus terebinthifolius, Anacardiaceae) a partir de seu putativo hospedeiro nativo na África do Sul, Rhus sp. (Anacardiaceae) (Scheffer & Grissell 2003), foi registrada pela primeira vez no Brasil na década de 90 (Perioto 1999) e considera-se invasora capaz de produzir impacto em reflorestamentos por atacar duas espécies nativas de Schinus (Fernandes et al. 2014; Ferreira-Filho et al. 2015). Algumas espécies de Toryminae foram introduzidas nos EUA, Canadá, Austrália e Japão como agentes de controle biológico para controle de certas espécies galhadoras. Frequen- temente é possível obter Torymidae a partir de galhas coletadas e em varredura, além de armadilhas; aparentemente é possível utilizar painéis coloridos como isca, conforme relatado por Niwa (1995) para monitoramento. Grissell publicou uma chave para gêneros neárticos (Grissell 1997) e revisou Monodontomerus para o Novo Mundo (Grissell 2000); Hanson (2006) apresentou uma chave para gêneros neotropicais e uma revisão dos aspectos da biologia de algumas espécies (em Hanson & Gauld 2006: pp. 432-436); Janšta et al. (2018) revisaram a classificação da família em nível supragenérico e propuseram hipóteses biogeográficas para os subgrupos. Trichogrammatidae (Fig. 27.83). São vespas extremamente pequenas, com redução no número de antenômeros (máximo de 2 artículos funiculares) e de tarsômeros (3) como suas principais características, além do hábito característico, frequentemente com cerdas dispostas linearmente na asa anterior. Diversas espécies apresentam formas braquípteras ou ápteras. Tricho- grammatidae atualmente inclui pouco menos de 1.000 espécies em 83 gêneros; 57 espécies em 26 gêneros são conhecidas para o Brasil. Pelo menos uma delas, Trichogramma atopovirilia, foi intencionalmente importada tendo em vista a introdução no Nordeste para controle da lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugi- perda (Sá et al. 2002). As relações filogenéticas desta família não estão bem estabelecidas, embora tenha sido postulada como parte de um “grupo eulófide” que incluiria pelo menos Eulophidae, Aphelinidae, Signiphoridae e Tetracampidae. Alguns gêneros atualmente alocados em Aphelinidae, como Cales e Eretmocerus, parecem ser filogeneticamente mais próximos a Trichogramma- tidae. A ocorrência de espécies crípticas e variação intraespecífica são dois dos fatores que complicam ataxonomia da família, além da dificuldade da observação de caracteres morfológicos devido ao tamanho reduzido dos adultos. Trichogrammatidae são normalmente endoparasitoides primários solitários ou gre- gários de ovos, mas há relatos de hiperparasitoides facultativos e parasitismo larval em Cecidomyiidae (Diptera) (Noyes 2002). Os hospedeiros incluem insetos em diversas ordens. Apesar da maioria dos estudos ter sido realizada a respeito das espécies que parasitam lepidópteros de importância econômica, o parasitismo de Lepidoptera parece ser o caso de uma minoria dos gêneros nesta família (Pinto em Hanson & Gauld 1995). Existem in- clusive gêneros que atacam hospedeiros aquáticos, capazes de nadar, como Hydrophilita e Pretswichia, parasitoides de Odonata, Notonectidae (Hemiptera) e Dytiscidae (Coleoptera) (Pinto & Hanson 2006). Além da sua importância em programas de controle biológico, espécies de Trichogramma também foram amplamente utilizadas como modelo para estudos sobre diferen- ciação molecular de espécies crípticas (p. ex. Pinto et al. 2003) e influência de microorganismos como Wolbachia no processo de reprodução e mesmo de especiação (p. ex. Stouthamer & Kazmer 1994; Russell et al. 2017). Com relação à identificação, Pinto (1998) menciona que o desconhecimento da fauna local é um problema sério inclusive para o uso econômico destas vespas, porque existem espécies nativas que podem parasitar pragas agrícolas, mas continua-se realizando a liberação inundativa de parasitoides introduzidos (exóticos ao ambiente) que podem, inclusive, ser menos eficientes. O amplo uso de Trichogram- ma em programas de controle biológico se reflete na grande quantidade de trabalhos relacionados à produção massal destas vespas. Há uma revisão da família com chave para gêneros do mundo (Doutt & Viggianni 1968), embora desatualizada. Pinto (2006) revisou os gêneros da família nas Américas. As espécies de HYMENOPTERA 534 Trichogramma da América do Norte foram estudadas por Pinto (1998), e uma chave para as espécies da América do Sul desse gênero foi publicada por Querino & Zucchi (2019). Querino & Zucchi (2003a,b,c, 2005) caracterizaram diversas espécies de Trichogramma do Brasil, e sua aplicação em programas de controle biológico foi discutida por Parra & Zucchi (1997) e Zucchi & Parra (2004). Agradecimentos. O texto da presente edição foi elaborado a partir daquele da primeira edição, com as seções introdutórias tendo sido modificadas a partir de contribuições dos dois presentes autores. Os textos da primeira edição referentes a famílias sob a responsabilidade de colaboradores prévios foram substituídos por textos novos originais. GARM é grato aos colegas que colaboraram na edição anterior, em particular a Bolívar R. Garcete-Barrett, e a todos aqueles mencionados nos Agradecimentos da primeira edição envolvidos na elaboração de ilustrações, identificações de material e com fornecimento de literatura; agradece a Rodrigo Feitosa pelas sugestões na chave de subfamílias de Formicidae, a Rodrigo Gonçalves pelo auxílio com literatura, a André Martins pelo auxílio na obtenção de parte das fotografias que ilustram o capítulo, a Diego Barbosa e Marcelo Tavares pelo auxílio na obtenção e empréstimo do material fotografado de Heloridae e Megalyridae. ADM é grata a Daniell Fernandes (INPA), Eduardo Shimbori (ESALQ) e Bernardo Santos (MNHN) pelas informações para Ichneumonoidea; a Luciana Musetti (Ohio State University) e a Valmir A. Costa (Instituto Biológico) pelas informações sobre Proctotrupoidea; a Pâmella Saguiah, Ricieri Dall’Orto e alunos da disciplina de Insetos Entomófagos (UFES) pela revisão do texto e testes das chaves de identificação; a Marcelo T. Tavares (UFES), Jim Woolley (Texas A&M University), Roger Burks e John Heraty (University of California) pelos apontamentos pertinentes à seção sobre Chalcidoidea, a John Noyes (Natural History Museum, London) e Matt Yoder (Illinois Natural His- tory Survey) pelo acesso aos dados e seu trabalho na Universal Chalcidoidea Database; e a Bob Wharton (Texas A&M), John Huber (CANACOLL) e John LaSalle (in memoriam, Atlas of Living Australia) por terem cedido muitas das referências iniciais que possibilitaram o desenvolvimento deste texto. Referências bibliográficas Achterberg, C. van. 1993. Illustrated key to the subfamilies of the Braconidae. Zoologische Verhandelingen 283: 3-189. Achterberg, C. van. 2002. A revision of the Old World species of Megischus Brullé, Stephanus Jurine and Pseudomegischus gen. nov., with a key to the genera of the family Stephanidae (Hymenoptera: Stephanoidea). Zoologische Verhandelingen 339: 1-206. Agosti, D.; J.D. Majer; L.E. Alonso & T.R. Schultz (eds) 2000. 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Em vários grupos parasitoides, entretanto, pode ocorrer heteromorfose (hipermetamorfose), em que os primeiros ínstares larvais, principalmente o primeiro, podem diferir dos ínstares posteriores tanto morfológica quanto comportamentalmente. Informações sobre os diferentes tipos de larvas de primeiro ínstar de Apocrita parasitoides foram resumidas e ilustradas por Clausen (1940) e Quicke (1997). Alguns grupos de Chalcidoidea (Eucharitidae e Perilampidae) e de Ichneumonidae possuem planídias, larvas de primeiro ínstar bastante esclerosadas e vágeis, que se movem por meio de cerdas grossas na parte ventral do corpo. Evans (1987) apresenta a seguinte diagnose para larvas maduras de Hymenoptera: (1) cápsula cefálica quase sempre completa, algumas vezes sem esclerosação e sem pigmentação, podendo raramente estar afundada no tórax; (2) mandíbulas presentes, móveis no plano horizontal; (3) estema, quando presente, consistindo de um par de lentes simples (estema); (4) lábio com fiandeiras, estas exibindo forma variável (quando protuberante, geralmente formando uma abertura transversa ou projeções pares), ou fiandeiras ausentes; (5) em geral com 10 pares de espiráculos, embora muitos grupos exibam redução no número de pares; (6) pernas torácicas presentes ou ausentes; (7) pernas abdominais presentes ou ausentes; quando presentes, desprovidas de crochês e em número de 6 a 8 pares (o que auxilia sua distinção das larvas de Lepidoptera). Evans (1987) também apresenta informações sobre as larvas maduras de diferentes grupos de Hymenoptera, incluindo uma chave de identificação em nível de família. Os grupos fitófagos basais apresentam larvas oligopódes ou polípodes (“eruciformes”), com estema presente e com antenas multiarticuladas, ao passo que as larvas de Orussidae e Apocrita são ápodes (“himenopteriformes”), desprovidas de estema e com antena, quando presente, uniarticulada. Os grupos xilófagos (Siricoidea) possuem larvas com morfologia intermediária, com pernas torácicas reduzidas, pernas abdominais ausentes, desprovidas de estema e com antenas multiarticuladas. As larvas de Apocrita também diferem daquelas dos gru- pos mais basais, incluindo Orussidae, por possuírem a porção posterior do intestino médio fechada, isto é, sem conexão com o intestino posterior, durante todo o período de alimentação. Apenas após o término da alimentação, em geral próximo ao momento da formação da pupa, forma-se uma conexão entre os intestinos, permitindo que a larva elimine o alimento não digerido e os resíduos nitrogenados. Tradicionalmente, essa interrupção da conexão entre os intestinos médio e posterior nas larvas de Apocrita tem sido explicada como uma adaptação para evitar a contaminação do alimento com as próprias fezes, associada com a evolução do modo de vida parasitoide. Wharton et al. (2004), entretanto, consideraram que a interrupção poderia ser uma adaptação à aquisição de uma dieta predominantemente líquida pelos parasitoides, pois permitiria o aumento da eficiência da digestão e assimilação do alimento retirado do hospedeiro. As larvas maduras de muitos grupos de Hymenoptera tecem um casulo previamente à empupação com secreções protéicas (seda) produzidas por glândulas salivares, as quais se abrem em fiandeiras no lábio. Entre os grupos mais basais, a produção de casulos de seda está ausente em Pamphiliidae, Siricidae, Xiphy- driidae e Orussidae. Entre os Apocrita, a confecção de casulo está presente na maioria dos Ichneumonoidea e nos Aculeata; em Stephanidae, Ceraphronoidea, Proctotrupoidea, Cynipoidea e Chalcidoidea, ocorre raramente ou está completamente ausente. Pupa. Sempre adéctica e exarada. Biologia. Em relação ao modo de vida e alimentação das lar- vas, a grande maioria dos himenópteros pode ser colocada em três grandes categorias: herbívoros, parasitoides ou predadores. Aspectos gerais sobre cada um desses modos de vida foram re- sumidos por Gauld & Bolton (1988), Hanson & Gauld (1995, 2006) e Fernández & Sharkey (2006). Informações adicionais também podem ser obtidas em Waage & Greathead (1986, parasitoides), Evans (1987, formas imaturas), Godfray (1993, ecologia comportamental de parasitoides), Wagner & Raffa (1993, grupos basais xilófagos), Hawkins & Sheenan (1994, eco- logia de parasitoides), Quicke (1997, parasitoides), Gordh et al. (1999, biologia de parasitoides), Austin & Dowton (2000, uma coletânea de artigos sobre diversos aspectos em Hymenoptera), Pennacchio & Strand (2006, desenvolvimento) e Wajnberg et al. (2008, ecologia e desenvolvimento de parasitoides). Apesar de defasadas, as obras de Clausen (1940), Costa Lima (1960, 1962), Malyshev (1968) e Askew (1971) continuam sendo im- portantes fontes de informação, incluindo referências à literatura mais antiga sobre a biologia da ordem, dentre a qual se destacam principalmente os artigos de George Salt na primeira metade do século XX a respeito de parasitismo (listados em Fischer 1986). As larvas dos grupos mais basais de Hymenoptera, como os Tenthredinoidea, são basicamente fitófagas e alimentam-se de tecido vegetal de plantas vasculares, principalmente ramos novos e folhas de coníferas e de angiospermas. Os ovos são pos- tos dentro do tecido da planta e as larvas comumente exibem alimentação exofítica, permanecendo sobre a planta hospedeira durante todo o seu desenvolvimento. Como em muitos grupos de Lepidoptera com larvas fitófagas exofíticas, as larvas preci- Figuras 27.9-10. Morfologia externa de Polybia sericea (Olivier) (Vespidae). 9, Asa anterior (cruz: célula marginal; asteriscos: células submarginais); 10, Asa posterior (asterisco: célula radial). HYMENOPTERA 490 sam consumir uma grande quantidade de tecido vegetal para completar seu desenvolvimento, produzindo grande quantidade de resíduos que são eliminados continuamente como fezes. Ao terminar o período de alimentação, as larvas maduras descem ou simplesmente caem da planta hospedeira e enterram-se no solo, onde tecem casulos para empupar. Durante o período de alimentação, as larvas podem exibir comportamento solitário, em que cada larva permanece isolada de outras, ou gregário, em que várias larvas, quase sempre da mesma idade e frequentemente derivadas da postura de uma mesma fêmea, permanecem juntas sobre a planta hospedeira, alimentando-se e movendo-se sempre em grupo. Em alguns grupos neotropicais, como em Argidae, algumas espécies exi- bem comportamentos mais complexos, com fêmeas cuidando dos imaturos, guardando ovos e larvas jovens. Além disso, as larvas maduras de algumas dessas espécies podem permanecer agregadas e tecer casulos em grupo, formando um aglomerado sobre o tronco das árvores hospedeiras. Dentre as linhagens herbívoras mais basais de himenópteros ocorrem também grupos xilófagos, como Siricidae e Xiphydrii- dae, cujas fêmeas fazem postura dentro da madeira de árvores, tanto de coníferas quanto angiospermas, em geral em ramos e troncos danificados, moribundos ou recém-mortos. Durante a postura, as fêmeas inoculam na madeira um fungo simbiótico que é transportado dentro de um par de bolsas abdominais, cujo desenvolvimento contribui para a morte e digestão do tecido vegetal. As larvas são consideradas xilófagas e aparentemente alimentam-se18: 147-148. Camilo, E.; C.A. Garófalo & J.C. Serrano 1996. Biologia de Podium denticulatum Smith em ninhos armadilhas (Hymenoptera: Sphecidae: Sphecinae). Anais da Sociedade Entomológica do Brasil 25: 439-450. Campos, D.F. & M.J. Sharkey 2006. Familia Braconidae, pp. 331-384 In: F. Fernández & M.J. Sharkey (eds). Introducción a los Hymenoptera de la Región Neotropical. Bogotá, Sociedad Colombiana de Entomologia & Universidad Nacional de Colombia, xxx+894 pp. Carmean, D. 2006a. Familia Trigonalidae, pp. 212-216. In: P.E. Hanson & I.D. Gauld (eds). Hymenoptera de la Región Neotropical. Memoirs of the American Entomological Institute 77: x + 1-994. Carmean, D. 2006b. 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Como os Siricoidea constituem o grupo-irmão da linhagem que deu ori- gem a Orussidae + Apocrita, o modo de vida parasitoide muito possivelmente originou-se como uma derivação do hábito xiló- fago. Esta hipótese evolutiva é reforçada pelo fato de Orussidae e das linhagens basais de Apocrita parasitarem larvas de outros insetos xilófagos, incluindo membros de Siricoidea. As fêmeas dos himenópteros parasitoides põem seus ovos em outros artrópodes, que na maioria dos casos são formas jovens de outros insetos. As larvas consomem seus hospedeiros, levan- do-os à morte durante seu desenvolvimento. Por este motivo, é aplicado o termo “parasitoide”, em contraste tanto com “para- sita” (que obtém sua nutrição do hospedeiro normalmente sem Figuras 27.11-19. Asa anterior. 11, Prodecatoma Ashmead (Eurytomidae), com indicação de terminologia para venação; 12, Trimorus Foerster (Scelionidae); 13, Ceraphron Jurine (Ceraphronidae); 14, Prosaspicera Kieffer (Figitidae); 15, Aphelopus Dalman (Dryinidae); 16, Exallonyx Kieffer (Proctotrupidae); 17, Semaeomyia Bradley (Evaniidae); 18, Amisega Cameron (Chrysididae); 19, Monomachus Klug (Monomachidae). Figuras 27.20-21. Asa anterior de Pimpla Fabricius (Ichneumonidae), com indicação de terminologia associada à venação. 20, Veias; 21, Células (asterisco: areoleta). HYMENOPTERA 491 levá-lo à morte) quanto com “predador” (que mata e consome múltiplas presas ao longo de sua vida) (ver Godfray 1994, para discussão sobre nuances de interpretação sobre o termo). Nesse sentido, os parasitoides combinam características de predadores e parasitas propriamente ditos, embora difiram dos predadores, no sentido clássico, uma vez que consomem apenas um indivíduo como hospedeiro. Tradicionalmente, os himenópteros parasitoides têm sido classificados em ectoparasitoides e endoparasitoides. Nos ecto- parasitoides, os ovos são postos sobre o hospedeiro e as larvas, após a eclosão, desenvolvem-se externamente ao hospedeiro. Nos primeiros ínstares, as larvas consomem apenas líquidos, princi- palmente hemolinfa, sugados por uma pequena abertura feita com suas mandíbulas no integumento do hospedeiro. No final do desenvolvimento, as larvas tornam-se mais ativas, inserindo a região anterior do corpo dentro do hospedeiro e consumindo os tecidos internos, deixando em geral apenas o exoesqueleto. A larva madura frequentemente tece um casulo e empupa no mesmo local onde se encontrava o hospedeiro. No caso dos en- doparasitoides, os ovos são inseridos pelas fêmeas, com auxílio do ovipositor, dentro do corpo do hospedeiro, onde se desenvolvem as larvas. Durante todo o período de alimentação, a larva pode permanecer dentro do hospedeiro ou, nas fases finais, sair e completar a alimentação externamente. O local de empupação é variável entre os endoparasitoides, podendo ocorrer dentro dos restos do corpo ou do casulo do hospedeiro ou fora, com as larvas saindo pela parede do corpo do hospedeiro e tecendo um casulo, em geral sobre ou próximo aos restos do hospedeiro. Os parasitoides têm sido classificados também quanto ao efeito imediato do parasitismo sobre o desenvolvimento do hospedeiro, distinguindo-se idiobiontes e cenobiontes (sobre a transliteração correta do termo koinobiont, ver Dal Molin & Melo 2005). Os idiobiontes causam paralisia permanente ou morte imediata do hospedeiro e, assim, o impedem de continuar seu desenvolvimento, ao passo que os cenobiontes permitem que o hospedeiro continue se desenvolvendo, pelo menos por certo tempo, após ter sido parasitado, geralmente até atingir uma próxima fase de desenvolvimento. Além da diferença do efeito do parasitismo sobre o desenvolvimento do hospedeiro, os idio- biontes são, em geral, ectoparasitoides, atacando hospedeiros que se desenvolvem em locais protegidos, enquanto os cenobiontes são, em geral, endoparasitoides, associados a hospedeiros em situação mais exposta. As diferentes características associadas com cada uma das estratégias foram mais detalhadamente discutidas por Quicke (1997). Embora a maioria dos parasitoides seja solitária, com uma larva desenvolvendo-se em cada indivíduo hospedeiro, alguns grupos desenvolvem-se como parasitoides gregários. Nesse caso, duas ou mais larvas utilizam um mesmo indivíduo hospedeiro para seu desenvolvimento. O parasitismo gregário pode ocorrer por meio de oviposições múltiplas, quando vários ovos são postos em um indivíduo hospedeiro, ou por poliembrionia, quando um ovo, ao invés de desenvolver-se diretamente em apenas um embrião, se divide múltiplas vezes, de modo a formar grande número de células separadas, cada qual, por sua vez, se desenvolve em um embrião. Poliembrionia é conhecida em Braconidae, Dryinidae, Platygastridae e Encyrtidae. Em Hymenoptera, são conhecidos também hiperparasitoi- des, que são aqueles cujas larvas se desenvolvem sobre outros parasitoides. O parasitoide que serve de hospedeiro inicial é denominado primário. O hiperparasitismo pode ser facultativo, quando a espécie se comporta tanto como parasitoide primário quanto hiperparasitoide, ou obrigatório, quando a espécie se comporta apenas como hiperparasitoide. Casos de hiperparasi- tismo obrigatório são comuns em Trigonalyidae, Ichneumonidae, Chalcidoidea, Figitidae e Ceraphronoidea, ocorrendo também mais raramente em Diapriidae e Braconidae. A maioria dos hi- perparasitoides é formada por parasitoides secundários, uma vez que estão associadas com parasitoides primários. São conhecidos, contudo, casos facultativos de parasitismo terciário e quaternário. Com poucas exceções, envolvendo algumas espécies de parasitoides cujas larvas ativamente consomem mais de um hos- pedeiro, os himenópteros que se comportam tipicamente como predadores ocorrem apenas entre os Aculeata (Melo et al. 2011). Diferentemente de outros grupos de Apocrita, as fêmeas têm que entrar em contato direto com o hospedeiro para ferroá-lo (já que o ovipositor foi modificado em ferrão), causando sua paralisia, e assim fazer a postura. Na sua forma mais simplificada, quando Figuras 27.22-23. Morfologia externa, forma adulta. 22, Dendrocerus Ratzeburg (Megaspilidae), vista dorsal; 23, Detalhe do tórax de Derecyrta Smith (Xiphydriidae), vista dorsal. HYMENOPTERA 492 uma presa é usada para alimentar uma larva, um aculeado pre- dador difere de um ectoparasitoide idiobionte apenas pelo fato de relocar o hospedeiro, retirando-o do local onde se encontrava originalmente e ocultando-o em um novo local, que pode ou não sido previamente preparado para receber a presa. A relocação do hospedeiro em Aculeata quase sempre está associada com a construção ativa de ninhos, para onde as presas são transportadas e armazenadas. Os ninhos frequentemente são constituídos por galerias e câmaras escavadas no solo, sendo que o comportamento de construção de ninhos evoluiu três a quatro vezes independentemente em Aculeata, estando presente em Formicidae, Pompilidae, Vespidae e em Apoidea. Em todos esses grupos, entretanto, podem ser encontrados ninhos mais com- plexos, como ninhos aéreos construídos com material moldado pelas fêmeas, como barro, resinas ou fibras vegetais, misturado a secreções glandulares produzidas pelos insetos.Chilena 15: 123-130. Toro, H.; J.C. Magunacelaya & E. De La Hoz 1979. Factores mecanicos de la aislacion reproductiva de Thynninae (Hymenoptera – Tiphiidae). Acta Zoologica Lilloana 35: 475-498. Torréns, J. 2013. A review of the biology of Eucharitidae (Hymenoptera: Chalcidoidea) from Argentina. Psyche 2013: Article ID 926572, 1-14. Townes, H.K. 1969. The genera of Ichneumonidae. Part 1. Memoirs of the American Entomological Institute 11: 1-300. Townes, H.K. 1970a. The genera of Ichneumonidae. Part 2. Memoirs of the American Entomological Institute 12: 1-537. Townes, H.K. 1970b. The genera of Ichneumonidae. Part 3. Memoirs of the American Entomological Institute 13: 1-307. Townes, H.K. 1971. The genera of Ichneumonidae. Part 4. 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O aprovisionamento pode ser massal, quando o ovo é posto junto com todo o conjunto de presas ou com a quantida- de de pólen suficiente para o completo desenvolvimento de um imaturo, ou progressivo, quando a postura é feita em uma célula vazia ou apenas parcialmente aprovisionada e a alimentação da larva é feita gradualmente pelos adultos. As fêmeas da maioria dos Aculeata construtores de ninhos exibem comportamento solitário, em que um ninho é construído e aprovisionado por uma fêmea. Entre algumas dessas linhagens, entretanto, ocorre o comportamento social de compartilhamento por várias fêmeas de um mesmo ninho, em geral associado também à divisão de trabalho reprodutivo entre elas. O conjunto de fêmeas que compartilham um mesmo ninho é denominado de colônia. Em alguns grupos, como entre os Apidae, Vespidae e em todos os Formicidae, as colônias podem ser eussociais. Essas sociedades são compostas por duas castas: as operárias, fêmeas completa ou parcialmente estéreis, presentes em grande número e especializadas no cuidado da prole e manutenção do ninho, e uma ou poucas rainhas, fêmeas férteis especializadas na produção de ovos. Várias formas de parasitismo social surgiram entre os himenópteros sociais, principalmente em Formicidae, incluindo espécies cleptobióticas sociais obrigatórias, que invadem colônias de outras espécies para roubar o alimento armazenado. Várias formas de comportamento cleptoparasita são conhe- cidas entre os Hymenoptera. O termo cleptoparasitismo é aplicado para os casos em que o parasita usurpa o trabalho efetuado pelo hospedeiro na preparação do alimento larval, portanto adotando a mesma dieta larval do hospedeiro. De- pendendo do modo de vida, os imaturos do hospedeiro são mortos, direta ou indiretamente, durante o processo de pa- rasitismo. Espécies que exibem cleptoparasitismo obrigatório evoluíram independentemente em diversos grupos, podendo ser citados os muitos grupos de cleptoparasitas de ninhos em Aculeata e de inquilinos de himenópteros galhadores, além de inquilinismo em Siricidae e cleptoparasitismo entre parasitoides primários em Ichneumonidae e Eurytomidae. A situação mais comum é a de cleptoparasitas estreitamente relacionados aos seus hospedeiros. Entretanto, casos de parasitoides primários que evoluíram para cleptoparasitas em hospedeiros não relacionados filogeneticamente, com consequente mudança na dieta larval, são conhecidos em Gasteruptiidae, Chrysididae e Sapygidae. Nesses casos, ao invés de alimentar-se do imaturo do hospedeiro, a larva se alimenta diretamente das provisões colocadas nas células de cria do hospedeiro. Dentro de Apocrita, ocorreram vários casos de reversão a uma dieta larval herbívora, com desenvolvimento de fitofagia secundária, incluindo cecidogenia, parasitismo e predação de sementes, consumo de pólen e fungivoria. A cecidogenia (postura em tecido vegetal acompanhada da indução de galhas, com as larvas se alimentando do tecido formado no interior das galhas) é encontrada em Braconidae, Cynipidae e várias famílias de Chalcidoidea (Agaonidae, Eulophidae, Eurytomidae, Pteroma- lidae, Tanaostigmatidae e Torymidae). Parasitismo de sementes é conhecido em Braconidae e Chalcidoidea (Eurytomidae e Torymidae), enquanto predação de sementes foi registrada em Formicidae. O comportamento de coletar pólen para alimen- Figuras 27.24-25. Morfologia externa, forma adulta. 24, Detalhe do mesossoma de Liris Fabricius (Crabronidae), vista lateral; 25, Detalhe do mesossoma de Auplopus Spinola (Pompilidae), vista lateral. HYMENOPTERA 493 tação das larvas evoluiu independentemente na linhagem que deu origem aos Apidae e naquelas das subfamílias Gayellinae e Masarinae, em Vespidae. Cultivo de fungos e fungivoria como dieta larval ocorre na tribo Attini, em Formicidae. Classificação. Nas classificações tradicionais (como Riek 1970), a ordem Hymenoptera é dividida em duas subordens, Symphyta e Apocrita, a primeira contendo os himenópteros em que o ab- dômen se prende ao tórax por uma ampla conexão e a segunda, aqueles que possuem uma forte constrição entre o primeiro e o segundo segmentos abdominais e em que o primeiro tergo ab- dominal está fundido ao tórax, formando o propódeo. Estudos filogenéticos, entretanto, têm mostrado que, enquanto Apocrita constitui um grupo monofilético, a subordem Symphyta é cla- ramente parafilética e agrupa artificialmente as linhagens basais da ordem (Vilhelmsen 2001; Schulmeister 2003; Ronquist et al. 2012; Branstetter et al. 2017; Peters et al. 2017). Apocrita, por sua vez, também é dividida em dois grupos nas classifica- ções tradicionais, Parasitica e Aculeata. Aculeata contém os himenópteros em que o ovipositor encontra-se transformado em ferrão. De maneira semelhante ao constatado para as su- bordens da classificação tradicional, Aculeata é monofilética, mas Parasitica não. Enquanto Apocrita e Aculeata podem ser usados como nomes informais para subgrupos de Hymenoptera, seus equivalentes tradicionais, Symphyta e Parasitica, devem ser totalmente abolidos. Considerando a diversidade no hábito de vida (herbívoros, xilófagos e parasitoides) entre os grupos mais basais de Hymenoptera, tal classificação não possui utilidade para se referir a um grupo tão heterogêneo. As classificações modernas para Hymenoptera empregam a categoria de superfamília para as grandes divisões da ordem (como Gauld & Bolton 1988; Goulet & Huber 1993). Grande número de superfamílias tem sido reconhecido para a fauna vivente, algumas delas contendo uma família. Para a maioria delas, as evidências indicam que as famílias componentes cons- tituem grupos bem delimitados e monofiléticos. Revisões da classificação corrente para Hymenoptera foram publicadas por Sharkey (2007) e Sharkey et al. (2012). São listadas abaixo as 84 famílias de Hymenoptera aqui reconhecidas para a fauna vivente, 64 das quais com registro confirmado no Brasil e uma, Cynipidae, com ocorrência es- perada. O valor entre parênteses indica o número de espécies conhecidas para o Brasil; famílias sem qualquer indicação não possuem registro na fauna brasileira. Aquelas marcadas com asterisco representam famílias introduzidas em tempos recentes. Relações Filogenéticas. As relações filogenéticas de Hyme- noptera foram investigadas mais recentemente por Heraty et al. (2011), Sharkey et al. (2012), Klopfstein et al. (2013), Branstetter et al. (2017) e Peters et al. (2017). As relações entre os grupos basais encontram-se relativamente bem estabelecidas (Vilhelmsen 2001; Schulmeister 2003), com Xyelidae represen- tando o grupo-irmão dos demais Hymenoptera e os outros clados herbívoros (Tenthredinoidea, Pamphilioidea, Cephoidea) e xiló- fagos (Siricoidea) formando um grado em relação a Apocrita. A posição de Orussidae como grupo-irmão de Apocrita está bem corroborada, ao passo que as hipóteses para o relacionamento entre os grupos maiores de Apocrita permanecem instáveis, com vários arranjos alternativos. Há evidências de que as linhagens Xyeloidea Xyelidae Tenthredinoidea Argidae (177) Blasticotomidae Cimbicidae (9) Diprionidae Heptamelidae Pergidae (117) Tenthredinidae (130) Pamphilioidea Megalodontesidae Pamphiliidae Cephoidea Cephidae Siricoidea Anaxyelidae Siricidae* (1) Xiphydriidae (3) Orussoidea Orussidae (8) Stephanoidea Stephanidae (32) Megalyroidea Megalyridae (5) Ceraphronoidea Ceraphronidae (4) Megaspilidae (7) Trigonalyoidea Trigonalyidae (13) Evanioidea Aulacidae (36) Evaniidae (60) Gasteruptiidae (16) Chrysidoidea Bethylidae 540) Chrysididae (160) Dryinidae (184) Embolemidae (3) Plumariidae (1) Sclerogibbidae (3) Scolebythidae (2) Apoidea Ampulicidae (12) Apidae (1973) Crabronidae(550) Heterogynaidae Sphecidae (88) Formicoidea Formicidae (1580) Scolioidea Bradynobaenidae Scoliidae (30) Vespoidea Mutillidae (526) Pompilidae (340) Rhopalosomatidae (16) Sapygidae (4) Sierolomorphidae Tiphiidae (110) Vespidae (740) Ichneumonoidea Braconidae (900) Ichneumonidae (953) Platygastroidea Platygastridae (21) Scelionidae (111) Cynipoidea Austrocynipidae [Cynipidae] Figitidae (83) Ibaliidae* (1) Liopteridae (30) Proctotrupoidea Heloridae (1) Pelecinidae (2) Peradeniidae Proctorenyxidae Proctotrupidae (12) Roproniidae Vanhorniidae Diaprioidea Austroniidae Diapriidae (86) Maamingidae Monomachidae (16) Mymarommatoidea Mymarommatidae (1) Chalcidoidea Agaonidae (30) Aphelinidae (80) Chalcididae (260) Encyrtidae (140) Eucharitidae (38) Eulophidae (203) Eupelmidae (60) Eurytomidae (80) Leucospidae (27) Mymaridae (51) Ormyridae (1) Perilampidae (9) Pteromalidae (160) Rotoitidae Signiphoridae (20) Tanaostigmatidae (24) Tetracampidae Torymidae (30) Trichogrammatidae (57) HYMENOPTERA 494 principais de parasitoides (Platygastroidea, Cynipoidea, Proc- totrupoidea, Diaprioidea, Mymarommatoidea e Chalcidoidea) formariam um grupo monofilético, denominado Proctotrupo- morpha. As evidências mais recentes indicam que Ichneumo- noidea formaria o grupo-irmão de Proctotrupomorpha, e não de Aculeata como sugerido pelas análises morfológicas prévias. Outro agrupamento bem suportado pelos dados moleculares é a relação de Trigonalyidae como grupo-irmão de Aculeata, que por sua vez teriam Evanioidea como clado mais próximo. A posição filogenética de outros grupos de Apocrita com morfologia mais conservada (Stephanoidea, Megalyroidea e Ceraphronoidea) permanece mal estabelecida, com diferentes posições alternativas dependendo da investigação. Importância. Apesar de uma grande parte dos insetos de im- portância econômica ser considerada nociva ao ser humano, os Hymenoptera concentram o maior número de espécies consideradas benéficas. Entre as pragas, destaca-se a vespa-serra introduzida Sirex noctilio (Siricidae), de importância florestal e as formigas cortadeiras (Formicidae, Attini). Muitas vespas parasitoides são importantes na manutenção do controle natural de populações de espécies fitófagas e têm sido utilizadas com sucesso em programas de controle biológico de insetos-praga, proporcionando uma economia significativa de recursos em relação ao uso de inseticidas químicos e atingindo resultados mais permanentes (diversos exemplos listados por La Salle 1993, Parra et al. 2002, Heraty 2009). Programas de controle biológico no Brasil utilizando espécies de Trichogramma (Tri- chogrammatidae) e Cotesia (Braconidae) estão entre aqueles que obtiveram resultados mais significativos. Estes e outros exemplos foram listados por Parra (2014). A polinização de várias plantas cultivadas, em particular fruteiras, é essencialmente dependente de abelhas (Gauld & Bolton 1988; Roubik 1995; Kevan & Imperatriz-Fonseca 2006), o mais diversificado e importante grupo de insetos polinizadores, principalmente nas regiões tropicais (veja Silberbauer-Gottsberger & Gottsberger 1988; Bawa 1990). Além da importância ecológica e econômica, as formas mais complexas de organizações sociais conhecidas entre os insetos estão presentes nos Hymenoptera (Wilson 1971), tornando o grupo especialmente importante para estudos sobre a evolução dessas sociedades. Há também grande interesse nos Hymenoptera sociais por seu impacto ecológico em muitos ecossistemas, seja como predadores (formigas e marimbondos), polinizadores (abelhas sociais) ou mesmo como pragas (como as formigas saúva). LaSalle & Gauld (1993) compilaram diversos estudos que refletem sobre o papel dos himenópteros no meio ambiente e em termos de conservação. Coleta e Fixação. A grande diversidade de Hymenoptera im- plica em uma multitude de métodos de coleta e de preservação. Praticamente todos os métodos descritos no capítulo “Coleta, Montagem, Preservação e Métodos para Estudo” resultarão na captura de himenópteros em quantidade variável. Na maioria dos casos descritos abaixo, os exemplares capturados podem ser sacrificados em frasco letal ou conservados diretamente em álcool, dependendo do táxon ou do fim desejado. A conservação em álcool (etílico, de preferência acima de 80%) é recomendável para exemplares muito moles, muito pequenos ou destinados à extração de DNA, caso em que se deve dar preferência ao álcool absoluto. Coleta. A captura direta assistida com rede entomológica é o melhor método para coletar muitas das espécies medianas a grandes, principalmente em grupos como Tenthredinoidea, Chrysidoidea, Vespoidea, Apoidea, Ichneumonoidea e alguns Chalcidoidea e Proctotrupoidea maiores. É uma prática que permite ao coletor fazer importantes observações diretas sobre biologia e comportamento de espécies em particular. A coleta as- sistida com rede pode concentrar-se em plantas floridas, visitadas por diversas espécies de himenópteros, ou se estender a folhas e galhos da vegetação em geral e mesmo troncos de árvores (vivas ou, ainda melhor, quando moribundas ou mortas), que muitas espécies percorrem ou sobrevoam na busca de hospedeiros, presas ou patrulhando seus territórios. A rede de varredura, de malha extremamente fina, porém re- sistente, permite obter uma ampla gama de micro-himenópteros e ocasionalmente exemplares de espécies maiores. O movimento de varredura pode ser realizado focando em determinado grupo de plantas ou mesmo plantas individuais, ou sobre a vegetação em geral, sendo recomendável ao coletor incluir essas observa- Figuras 27.26-27. Morfologia externa, forma adulta. 26, Detalhe do mesossoma de Chalcedectus Walker (Pteromalidae), vista lateral; 27, Detalhe do metassoma de Cryptanura Brullé (Ichneumonidae), vista dorsal. HYMENOPTERA 495 ções nas anotações de campo. Redes modificadas em formato triangular, como aquela descrita em detalhe por Noyes (1982) permitem varreduras mais rentes ao solo, aumentando a cap- tura de himenópteros associados a insetos que se alimentam de plantas herbáceas e arbustivas, por exemplo, e que tendem a pular ou realizar voos curtos. Noyes (1982) também descreve o uso de uma tela posicionada em frente à rede para diminuir a entrada de fragmentos de plantas. Os exemplares capturados pela rede podem ser retirados utilizando-se um aspirador ento- mológico; esse método fornece exemplares de melhor qualidade; contudo, aspirando apenas as espécies visíveis, muitas espécies extremamente pequenas podem ser negligenciadas, podendo-se conservar o restante do conteúdo da rede em um frasco ou saco plástico com álcool para posterior separação exaustiva dos exemplares no laboratório. Outros métodos de coleta que fornecem importante infor- mação biológica são a coleta de ninhos (em Aculeata) e a captura e criação em laboratório de insetos ou mesmo material vegetal, como galhas, que poderiam estar parasitados por himenópteros. No primeiro caso, podemos obter dados sobre a arquitetura e conduta de nidificação das espécies e, em ambos os casos, po- demos obter informação sobre o desenvolvimento pré-imaginal, morfologia de larvas e pupas, e as relações entre os himenópteros e suas presas ou hospedeiros. No caso de coleta de ninhos de vespas e abelhas sociais, deve-se tomar todas as providências de segurança para uma coleta eficiente e evitar ferroadas, como uso de roupa e luvas protetoras, sacolas plásticas para coletar o ninho e ainda spray de piretroide para neutralizar o comportamento agressivo dos indivíduos. A coleta de séries de indivíduos asso- ciados a ninhos de vespas, abelhas e formigas permite também obter informações sobre a variabilidade intraespecífica. O uso de ninhos-armadilha, que podem consistir de blocos de madeira perfurados e divididos longitudinalmente para a ins- peção periódica, é um excelente método para estudar a biologia de numerosas espécies de aculeados solitários e outras espécies de artrópodes (parasitas,mutualistas, comensais, cleptoparasitas) as- sociadas aos seus ninhos. Para vespas e abelhas que fazem os seus ninhos no solo, pode-se utilizar armadilhas de emergência, que consistem de uma gaiola piramidal de tecido fino colocada acima da entrada do ninho ou grupo de ninhos a serem amostrados. Carne, substâncias açucaradas ou frutas fermentadas podem atuar como iscas que atraem principalmente algumas espécies de vespas sociais; iscas também são eficientes para capturar formigas. As armadilhas luminosas, amplamente utilizadas para coletar besouros e mariposas, permitem a obtenção de diver- sos himenópteros de hábitos noturnos, incluindo espécies de Ichneumonidae, Mutillidae, Vespidae, Diapriidae, Plumariidae e formas aladas de Formicidae. As bandejas coloridas (ou armadilhas de Moericke) são um método passivo importante para a coleta de himenópteros, principalmente aculeados de tamanho médio a pequeno e micro- -himenópteros. Para a coleta de himenópteros, é recomendável a utilização de uma grande quantidade (100-200) de bandejas de tamanho menor (aproximadamente 15 cm de diâmetro), distribuídas em áreas bem iluminadas, principalmente nas bordas de manchas de florestas, entre áreas abertas e vegetação. A cor mais utilizada é o amarelo, que demonstra ser eficiente para uma variedade de famílias; porém, outras cores como azul e branco podem ser utilizadas em levantamentos de determinados grupos, como no caso de polinizadores (por exemplo Sircom et al. 2018), e possivelmente podem refletir preferências ecológicas também de parasitoides. As bandejas contendo apenas água e algumas gotas de detergente, em dias de pouco calor, podem ser deixadas no campo por no máximo 24 horas, quando seus conteúdos devem ser coletados. Em climas muito quentes e/ou secos ou quando a intenção é deixar as bandejas por mais tempo no campo, é necessário misturar também conservantes como um pouco de propileno-fenoxetol ou substituir a água por solução salina concentrada, solução de propileno-glicol 50% ou uma solução fraca de formaldeído. Os insetos devem ser retirados das bandejas utilizando-se uma peneira muito fina e enxaguados com água limpa antes de serem transferidos para o álcool. Para maximizar a captura de micro-himenópteros, pode-se esvaziar o conteúdo das armadilhas coando com tecido fino (voil), que posteriormente é enxaguado, colocado em um recipiente com álcool e examinado mais detalhadamente em laboratório. As armadilhas Malaise constituem um dos métodos mais empregados e produtivos para a coleta massiva de himenóp- teros. São especialmente efetivas e insubstituíveis na captura de Ichneumonoidea e micro-himenópteros em geral, além de alguns grupos de Aculeata (como Chrysidoidea), embora se- jam relativamente pouco efetivas na coleta de abelhas e alguns grupos de vespas, como Sphecidae, Crabronidae, Ampulicidae, Tiphiidae, Scoliidae e vespídeos solitários, casos em que a coleta com rede é muito mais produtiva. A opção mais adequada para himenópteros é a coleta em via líquida, acoplando um frasco coletor contendo álcool 80% nas armadilhas. Se a armadilha precisar ser mantida em campo por longos períodos de tempo, pode-se adicionar uma pequena quantidade (uma colher) de glicerina ao álcool. Armadilhas de solo, pitfall e separadores de amostras de folhi- ço (funil de Berlese ou extrator de Winkler) permitem que seja coletada uma ampla fauna de micro-himenópteros e formigas que não são capturados por outros métodos. As armadilhas de interceptação de voo (window traps ou flight interception traps) são pouco utilizadas, mas podem favorecer a captura de espécies que voam próximo ao solo em famílias como Bethylidae, Ceraphronidae, Chrysididae, Diapriidae, Figitidae e Tiphiidae, e modificações foram descritas por Masner & Goulet (1981). Preservação. A maioria dos exemplares de Hymenoptera deve ser preservada em via seca. As espécies maiores devem ser mon- tadas em alfinetes e as menores, coladas em triângulos de papel, em pequenos retângulos, ou ainda diretamente no alfinete (este último método funciona melhor para espécies de tamanho médio e é muito utilizado para Ichneumonoidea e Apoidea). Muitos exemplares menores, e até séries de exemplares de tamanho médio a grande, podem ser conservados em líquido, geralmente álcool 80%-90%; nestes casos, é recomendável a manutenção do material em temperaturas baixas para desacelerar a perda de cor e enrijecimento dos espécimes, com sua consequente quebra. Em muitos casos, para evitar o encarquilhamento do material, a preparação de exemplares conservados em líquido para montagem a seco requer a secagem em aparelho de ponto crítico ou secagem química em hexametildisilazano (HMDS) ou HYMENOPTERA 496 acetato de amila. As formas imaturas requerem um tratamento especial, precisando primeiro ser sacrificadas e fixadas com água quente ou líquidos fixativos (como solução de Dietrich ou Kahle, fluido de Peterson ou fluido de Pampel) antes de serem transferidas para o álcool. Alguns himenópteros muito pequenos (menores que 1,5 mm), por exemplo, em famílias como Mymaridae, Trichogrammatidae, Aphelinidae e Encyrtidae, precisam ser montados em lâminas permanentes do inseto inteiro, frequentemente tendo algumas das suas partes (cabeça, antenas, asas) separadas na mesma lâmina. Em algumas famílias, pode ser necessária a preparação separada também de partes como pernas e genitálias para iden- tificação de espécies. Mais descrições sobre métodos de coleta para Hymenoptera podem ser encontradas em Gauld & Bolton (1988); Agosti et al. (2000) para formigas; Masner & García (2002) para micro-himenópteros, enfatizando Diapriidae; e Noyes (1982) para Chalcidoidea. Chave para as superfamílias de Hymenoptera que ocorrem no Brasil (adultos). A chave abaixo foi adaptada de Mason (1993) e Gauld & Hanson (1995a); para famílias de Tenthredinoidea, de Smith (1988); Ceraphronoidea, de Masner (2006a) e Gauld & Hanson (1995b); Evanioidea, de Gauld & Hanson (1995b); Ichneumonoidea, de Rieks (1970) e Gauld & Bolton (1988); Chrysidoidea, de Finnamore & Brothers (1993); Apoidea, de Melo (1999); Vespoidea, de Gauld (1995c); Proctotrupoidea e Diaprioidea, de Masner (1995, 2006b); Platygastroidea, de Masner (1995); Cynipoidea, de Ronquist (2006a); Chalcidoidea, de Hanson & LaSalle (2006). 1. Asas anteriores, quando direcionadas para trás, estendendo-se muito além do ápice do tórax ou do mesossoma e usualmente além do ápice do abdômen ou metassoma .......... 2 — Asas anteriores ausentes ou reduzidas, no máximo não se estendendo muito além do ápice do mesossoma ......... 38 2(1). Corpo, em vista dorsal, sem constrição ou apenas com uma fraca constrição próximo à sua metade, entre os segmentos abdominais I e II (algumas vezes, com um pouco de constrição em vista lateral) (Figs 27.1, 3). Tergo abdominal I formando uma placa dorsal na base do abdômen. Cencro usualmente presente no metanoto (Fig. 27.1) .... 3 — Corpo com constrição acentuada e usualmente evidente, tanto em vista dorsal quanto lateral, próximo à sua metade, entre os segmentos abdominais I e II, delimitando, assim, um mesossoma e um metassoma (Figs 27.6, 8) (a constrição pode não estar aparente em espécimes de algumas abelhas robustas em que o tergo metassomal I ajusta-se ao propódeo quando em repouso). Tergo abdominal I diferenciado em propódeo, formando uma placa na parte de trás do mesossoma. Cencro ausente (Fig. 27.6) ......... 7 3(2). Tamanho do corpo reduzido, com menos de 3 mm de comprimento. Asa anterior com apenas 1 a 2 veias e desprovida de células fechadas (Fig. 27.11) .......................... ........................................ CHALCIDOIDEA (parte) .. 86 — Tamanho do corpo maior, com 3 a 40 mm de com- primento. Asa anterior com numerosas veias e células fechadas (como na Fig. 27.4) .................................... 4 4(3). Vespas com integumento relativamente fino e muito brilhante, regiões membranosas entreos escleritos, em geral evidentes, dando um aspecto de fragilidade ao inseto (o abdômen e partes do tórax quase sempre se encontram enrugados em espécimes secos). Axilas não diferenciadas do mesoscuto, separação evidente apenas entre mesoscuto e escutelo (Fig. 27.1). Tamanho do corpo abaixo de 20 mm de comprimento ....... TENTHREDINOIDEA ... 53 — Vespas com integumento mais rígido e com esculturação forte e bem marcada (pontuação e carenas evidentes, pelo menos na cabeça e tórax), escleritos firmemente justapostos. Axilas diferenciadas do mesoscuto por uma linha de flexão transversal entre as bases das asas anteriores, esta linha separando o mesoscuto do escutelo + axilas (como na Fig. 27.23). Tamanho do corpo variável, muitas vezes com mais de 20 mm de comprimento ........... 5 5(4). Alvéolos antenais situados abaixo da margem inferior dos olhos. Cabeça com uma coroa de protuberâncias ao redor do ocelo médio (Fig. 27.34). Tergo abdominal I inteiro, não dividido ao meio .... ORUSSOIDEA ... Orussidae — Alvéolos antenais situados acima da margem inferior dos olhos. Cabeça sem protuberâncias ao redor dos ocelos. Tergo abdominal I fendido no meio ... SIRICOIDEA ... 6 6(5). SIRICOIDEA. Tergos abdominais arredondados lateralmente. Linha separando mesoscuto do escutelo + axilas oblíqua nas porções laterais ........... Siricidae — Tergos abdominais com uma quilha longitudinal a cada lado, separando uma porção lateral da porção dorsal do tergo. Linha separando mesoscuto do escutelo + axilas praticamente reta (Fig. 27.23) ....... Xiphydriidae 7(2). Cabeça globular, com uma coroa de projeções espiniformes ao redor do ocelo médio. Pronoto distintamente alongado anteriormente formando um ‘pescoço’ estreito entre a cabeça e restante do tórax. Corpo delgado, usualmente com 5 a 35 mm de comprimento. Nas fêmeas, ovipositor tão longo quanto ou mais longo que restante do corpo (Fig. 27.35). Coxa posterior mais larga na base, as duas articulações basais com a metapleura amplamente separadas e dispostas verticalmente uma em relação à outra. Fêmur posterior inchado e com fortes espinhos em sua superfície ventral ..... STEPHANOIDEA ... Stephanidae — Cabeça usualmente não globular, sem coroa de projeções espiniformes ao redor do ocelo médio. Pronoto quase sempre curto, raramente formando um ‘pescoço’ (apenas em alguns Evanioidea). Forma e tamanho do corpo variáveis, frequentemente robusto ou pequeno. Nas fêmeas, ovipositor muitas vezes curto ou oculto. Coxa posterior frequentemente exibindo forte constrição na base, as duas articulações basais com a metapleura usualmente próximas e dispostas obliquamente uma em relação à outra. Fêmur posterior variável, raramente com espinhos na superfície ventral ..... 8 8(7). Espiráculo mesotorácico deslocado anteriormente e circundado completamente pelo integumento do pronoto. Área malar com sulco profundo para encaixe do escapo, margem superior do sulco carenada. Antena com 12 flagelômeros. Vespas muito raramente coletadas (Fig. 27.36) ... MEGALYROIDEA ... Megalyridae — Espiráculo mesotorácico abrindo-se na margem posterior do pronoto, raramente circundado pelo integumento do pronoto. Área malar sem sulco para encaixe do escapo. Antena com número variável de flagelômeros, raramente 12 ...... 9 9(8). Asa anterior com venação mais desenvolvida, com uma ou mais células fechadas por veias tubulares conspícuas (como nas Figs 27.9, 27.16-20) ................................. 10 — Asa anterior com venação reduzida, sem qualquer célula fechada por veias tubulares, venação usualmente restrita à margem anterior da asa ou completamente ausente (como nas Figs 27.11-15) ................................................... 32 HYMENOPTERA 497 10(9). Antena com 14 ou mais flagelômeros ........................ 11 — Antena com menos de 14 flagelômeros (em Heloridae, Proctotrupoidea, a base do primeiro flagelômero encontra- se diferenciada em um anel, o que pode dar a impressão de haver um flagelômero anular adicional) ........ 13 11(10). Célula costal da asa anterior obliterada, veias C e Sc+R contíguas ao longo de seu comprimento, com frequência veias completamente fundidas, formando uma veia larga ao longo da margem anterior da asa (Fig. 27.20). Tergos metassomais I e II justapostos, articulando-se por um par de côndilos dorsolaterais na margem posterior do tergo I e na margem anterior do tergo II (Fig. 27.27) ou tergos totalmente fundidos formando uma placa ... ICHNEUMONOIDEA (parte) ... 60 — Célula costal da asa anterior distinta, veias C e Sc+R separadas, pelo menos em parte do seu comprimento, por uma área membranosa (como nas Figs 27.9, 16-19) (em espécies muito pequenas de Sclerogibbidae, com menos de 2 mm de comprimento, a célula costal pode estar quase completamente obliterada). Tergos metassomais I e II telescopados, articulando-se apenas pela membrana entre os tergos ...... 12 12(11). Asa anterior com nove ou dez células fechadas. Fêmur an- terior não modificado. Pterostigma bem desenvolvido ..................... TRIGONALYOIDEA ... Trigonalyidae — Asa anterior com menos de seis células fechadas. Fêmur anterior inchado, pelo menos duas vezes mais largo do que a tíbia. Pterostigma extremamente reduzido, inconspícuo ................ CHRYSIDOIDEA ... Sclerogibbidae (parte) 13(10). Inserção do metassoma no propódeo deslocada para cima, mais próxima do metanoto que da inserção das coxas posteriores (como na Figs 27.40-42) ............................ 14 — Inserção do metassoma no propódeo situada mais próxi- mo à inserção das coxas posteriores que do metanoto ... 15 14(13). Célula costal fechada (veia C presente, como na Fig. 27.17) ...................................................... EVANIOIDEA ... 58 — Célula costal aberta (veia C ausente, como na Fig. 27.14) ............................................... CYNIPOIDEA ... 83 15(13). Asa anterior com quatro ou mais células fechadas por veias tubulares (como nas Figs 27.9, 19) ................. 16 — Asa anterior com menos de quatro células fechadas por veias tubulares (como nas Figs 27.16-18) ................. 24 16(15). Metassoma com apenas três tergos expostos (Fig. 27.45). Corpo com brilho metálico evidente e quase sempre com pontuação pilígera grosseira ......... CHRYSIDOIDEA ... Chrysididae — Metassoma com mais de três tergos expostos. Coloração e pontuação variáveis ....................................... 17 17(16). Tégulas afastadas do pronoto, de modo que o mesoscuto entra em contato com a mesopleura (como na Fig. 27.24); se tégulas muito próximas ou encostadas no pronoto, então corpo com cerdas ramificadas e plumosas (a presença de abundante pilosidade plumosa dificulta visualizar os caracteres do pronoto). Contorno da margem dorsal posterior do pronoto fortemente angulado lateralmente, delimitando uma porção central transversal (quase sempre reta ou ligeiramente côncava, raramente acentuadamente côncava) de duas porções longitudinais curtas, estas correspondendo aos lobos pronotais (Fig. 27.24). Pronoto firmemente justaposto ao mesoscuto, seus cantos ventrais prolongados por detrás das coxas anteriores, formando um arco na frente do mesotórax ...... APOIDEA ... 69 — Tégulas em contato com o pronoto (como na Fig. 27.25); se ligeiramente afastadas, então apenas cerdas simples presentes. Contorno da margem dorsal posterior do pronoto uniformemente côncavo (grau de concavidade variável; comumente acentuado como na Fig. 27.6). Pronoto quase sempre sobrepassando a margem anterior do mesoscuto (como na Fig. 27.25), raramente justaposto, seus cantos ventrais terminando na altura da base das coxas anteriores, nunca formando um arco na frente do mesotórax ..... 18 18(17). Tergos metassomais I e II justapostos, articulando-se por um par de côndilos dorsolaterais na margem posterior do tergo I e na margem anterior do tergo II (Fig. 27.27). Esternos metassomais fracamente esclerosados, membranosos (em