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TEORIA GERAL DAS EMPRESAS
EMPRESÁRIO INDIVIDUAL
1 Empresário Individual
O empreendedor individual, microempresário e empresário de pequeno porte é um
ramo de empresas que mais cresce no Brasil. É dotado de algumas vantagens que
a lei estabelece com o objetivo de incentivar os autônomos e pessoas que não
estão formalizadas a se registrarem e constituírem um CNPJ, além de todas as
vantagens de uma empresa formal.
1.1 Definição de Empresário Individual
Inicialmente vamos começar nosso estudo conhecendo sobre a definição do que é
um Empresário. De acordo com o Código Civil, expresso pela Lei n. 10.406, de
2002, define o Empresário Individual como:
Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de
natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou
colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.
Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas
Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade.
Art. 968. A inscrição do empresário far-se-á mediante requerimento que contenha:
I - o seu nome, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o regime de
bens;
II - a firma, com a respectiva assinatura autógrafa;
II - a firma, com a respectiva assinatura autógrafa que poderá ser substituída pela
assinatura autenticada com certificação digital ou meio equivalente que comprove a
sua autenticidade, ressalvado o disposto no inciso I do § 1º do art. 4º da Lei
Complementar n. 123, de 14 de dezembro de 2006;
III - o capital;
IV - o objeto e a sede da empresa. (BRASIL, 2002, s. p)
Como podemos observar o empresário é qualquer pessoa física que exerça
determinada atividade econômica, excluindo os casos de pessoas que realizam
atividades artísticas e intelectual. Para ser considerado como empresário, é
necessário que a pessoa física registre a empresa no órgão competente, que nesse
caso é o Registro Público de Empresas Mercantis.
Para registrar a empresa alguns documentos básicos são necessários, como
documentos pessoais, comprovante de residência, declaração de bens e
identificação do estado civil da pessoa física. Para compor o registro é necessário a
identificação do objeto social da empresa, seu endereço e o capital social que irá
compor o seu patrimônio.
A Constituição Federal, de 1988, trata sobre o livre exercício de qualquer profissão,
como um direito fundamental dos brasileiros e está descrita no artigo a seguir:
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as
qualificações profissionais que a lei estabelecer;
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte,
quando necessário ao exercício profissional; (BRASIL, 1988, s. p)
Como podemos ver no artigo expresso, a Constituição garante que qualquer pessoa
poderá exercer qualquer trabalho, desde sejam preenchidos os pré-requisitos da
profissão. Por exemplo, para abrir um escritório de contabilidade, a pessoa deverá
ser registrada no Conselho Federal de Contabilidade, ou para abrir um consultório
médico, deverá ser registrada no Conselho Regional de Medicina.
No que diz respeito ao Empresário Individual, existe um regimento jurídico que trata
especificamente sobre o tema, referente à Lei n. 12.441, de 11 de julho de 2011:
Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por
uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado,
que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-mínimo vigente no País.
§ 1º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "EIRELI"
após a firma ou a denominação social da empresa individual de responsabilidade
limitada.
§ 2º A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade limitada
somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade.
§ 3º A empresa individual de responsabilidade limitada também poderá resultar da
concentração das quotas de outra modalidade societária num único sócio,
independentemente das razões que motivaram tal concentração.
§ 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada
constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração
decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca
ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade
profissional.
§ 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade limitada, no que couber,
as regras previstas para as sociedades limitadas. (BRASIL, 2011, s. p)
Diante da definição apresentada, podemos destacar algumas informações
importantes no momento de definir o empresário individual. Primeiramente, é
importante ter em mente que para ser considerada uma empresa individual, ela
deverá ter apenas um sócio, que é o empresário, e ao final do nome empresarial
deve conter a expressão EIRELI, além disso o empresário só poderá ter uma única
empresa e poderá dividir o capital social em quotas.
O ramo de atividade da empresa poderá ser em qualquer área, desde prestação de
serviço até comércio, ou atividades profissionais, como escritório de contabilidade,
de advocacia, entre outros. Além disso, todas as garantias da empresa limitada
serão abrangidas nas empresas individuais, como a garantia da proteção jurídica de
seus bens, direitos, além de sobre seu patrimônio.
Além disso, o empresário individual deverá seguir todas as obrigações quanto à
apresentação de balanços patrimoniais, pagamento de tributos, e guarda dos livros
fiscais. Caso o empresário queira aderir sócios ao seu estabelecimento, ele deverá
obedecer ao que diz a Lei n. 10.406, de 2002:
§3º Caso venha a admitir sócios, o empresário individual poderá solicitar ao
Registro Público de Empresas Mercantis a transformação de seu registro de
empresário para registro de sociedade empresária, observado, no que couber, o
disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código. (BRASIL, 2002, s.p)
Sendo assim, entendemos que caso o empresário queira modificar a empresa com
a entrada de outro sócio, ele deverá se dirigir novamente ao Registro Público de
Empresas Mercantis e transformar a empresa individual em sociedade empresária,
ou sociedade limitada.
1.2 Requisitos para ser Empresário
Para ser um empresário individual no Brasil, a pessoa jurídica deverá seguir alguns
critérios predefinidos, que estão relacionados na Lei n 10.406, de 10 de janeiro de
2002:
Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo
da capacidade civil e não forem legalmente impedidos.
Art. 973. A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário,
se a exercer, responderá pelas obrigações contraídas.
Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido,
continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo
autor de herança.
§1º Nos casos deste artigo, precederá autorização judicial, após exame das
circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da conveniência em continuá-la,
podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou
representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos
por terceiros.
§2º Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o incapaz já possuía,
ao tempo da sucessão ou da interdição, desde que estranhos ao acervo daquela,
devendo tais fatos constar do alvará que conceder a autorização.
§3º O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais
deverá registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade que envolva sócio
incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os seguintes pressupostos:
(Incluído pela Lei n. 12.399, de 2011). (BRASIL, 2011, s. p)
Primeiramente, podemos observar que para ter os requisitos de ser um empresário
individual, a pessoafísica deverá inicialmente estar em gozo da capacidade civil,
isso quer dizer que deverá ser uma pessoa maior de 18 anos. Porém existem
alguns casos particulares em que a pessoa pode se tornar empresário com menos
de 18 anos, que são os casos das pessoas emancipadas, no entanto, ela deve ter
mais de 16 anos.
Ainda existem casos de pessoas consideradas incapazes, que são aquelas que
possuem alguma limitação física, psicológica ou intelectual. Temos também os
casos de pessoas que são viciadas ou classificadas como alcoólatras.
Além disso, o empresário não pode estar enquadrado em nenhuma hipótese de
impedimento legal, que são, por exemplo:
Diante dos impedimentos trazidos pela lei, fica claro que o legislador visa a proteger
as pessoas físicas. Quanto a empresas de pessoas com autoridade para se
beneficiar em alguns casos, por exemplo, imagine que o Presidente da República
seja o dono de uma empresa individual, diante do poder que ele possui, ele poderá
criar alguma lei que venha trazer benefícios ao seu empreendimento, e foi pensando
nessas questões que o legislador estabeleceu esses critérios de impedimentos.
Além desses impedimentos trazidos pela legislação, temos um caso particular
quanto a estrangeiros, que são impedidos de exercer determinados tipos de
atividade. Estes impedimentos também vão garantir uma segurança para os
brasileiros, como atividades relativas a recursos minerais, atividade jornalística, ou
serem proprietários de embarcação nacional, entre outros.
A Controladoria Geral da União, buscando responder a alguns questionamentos quanto aos
impedimentos dos empresários, lançou uma nota denominada Requisitos e Impedimentos
Pessoais, que trata sobre o tema e que vale a pena serem estudadas.
2 Formalização do Empresário
A formalização da empresa é o primeiro passo de uma boa execução das suas
atividades, pois o empresário só terá sucesso se estiver oficialmente formalizado.
Apenas, dessa forma, poderá operar suas atividades comerciais. Estudaremos os
itens a seguir para saber quais os procedimentos de sua formalização.
2.1 Definição de Formalização
Inicialmente vamos entender que o processo de formalização das empresas,
garante uma série de benefícios, como a possibilidade de contratação de
empregados, ou a participação em processos de licitações públicas e, até mesmo, a
garantia de manter suas atividades de forma correta, tendo os privilégios de todas
as garantias constitucionais.
Atualmente, existem formas práticas para formalização das empresas,
principalmente quando as empresas são de empresário individual,
microempreendedor ou de empreendedor individual. O site do Portal do
Empreendedor – MEI possui uma plataforma prática de formalização, indicando e
orientando passo a passo, mostrando o que o empresário pode fazer para se
formalizar, de forma bastante simplificada e eficaz.
Além do Portal do Empreendedor, o empresário que deseja se formalizar poderá
procurar um contador, com as documentações obrigatórias, e seguir a orientação do
profissional, que irá definir o melhor método e enquadramento para sua atividade
profissional.
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, SEBRAE, criou em
sua plataforma online, um Roteiro para Registro de Empresa Individual, o qual
descreve todos os passos que o empresário deverá seguir para se formalizar, que
vale a pena serem estudados.
De acordo com o Portal do Empreendedor, a formalização da empresa é um
processo que gera vida a empresa, e é a partir dele que a empresa passa a exercer
suas atividades perante os órgãos do Governo, como a Receita Federal, as Juntas
Comerciais, entre outros.
A legislação brasileira, por meio da Lei n. 11.598, de 2007, simplifica o processo de
formalização da empresa, conforme descrito abaixo:
Art. 1° Esta Lei estabelece normas gerais de simplificação e integração do processo de
registro e legalização de empresários e pessoas jurídicas no âmbito da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (BRASIL, 2007, s.p)
Essa Lei traz vantagens como a criação da Central de Atendimento Empresarial –
Fácil, que de acordo com a Lei n. 11.598, de 2007:
serão instaladas preferencialmente nas capitais e funcionarão como centros
integrados para a orientação, registro e a legalização de empresários e pessoas
jurídicas, com o fim de promover a integração, em um mesmo espaço físico, dos
serviços prestados pelos órgãos que integrem, localmente, a Redesim. (BRASIL,
2007, s.p)
Além da criação da Central de Atendimento Empresarial, a legislação traz algumas
simplificações quanto a:
Art. 11. O Poder Executivo Federal criará e manterá, na rede mundial de
computadores – internet, sistema pelo qual:
I - será provida orientação e informação sobre etapas e requisitos para
processamento de registro, inscrição, alteração e baixa de pessoas jurídicas ou
empresários, bem como sobre a elaboração de instrumentos legais pertinentes;
II - sempre que o meio eletrônico permitir que sejam realizados com segurança,
serão prestados os serviços prévios ou posteriores à protocolização dos
documentos exigidos, inclusive o preenchimento da ficha cadastral única a que se
refere o art. 9o desta Lei;
III - poderá o usuário acompanhar os processos de seu interesse.
Parágrafo único. O sistema mencionado no caput deste artigo deverá contemplar o
conjunto de ações que devam ser realizadas envolvendo os órgãos e entidades da
administração federal, estadual, do Distrito Federal e municipal, observado o
disposto no art. 2o desta Lei, aos quais caberá a responsabilidade pela formação,
atualização e incorporação de conteúdo ao sistema. (BRASIL, 2007, s.p)
Diante do exposto, é importante destacar que o Governo Federal tem criado métodos e
procedimentos, que visam a simplificar o processo de formalização das empresas, com
o objetivo de que todos as pessoas físicas que queiram constituir um CNPJ, sejam
orientadas e auxiliadas da melhor forma, para que se formalizem, garantindo todos as
vantagens e benefícios da formalização.
2.2 Estatuto
Após ser formalizado, as pessoas jurídicas têm que seguir alguns procedimentos para
manter a sua empresa em funcionamento, e não incorrer em atos que prejudiquem a
sua atividade empresarial.
Foi criada uma Lei Complementar que regulamenta sobre alguns procedimentos e
vantagens que os empresários individuais e as empresas de pequeno porte deverão
seguir, que é o que vamos ver a seguir, na Lei Complementar n. 123, de 2006:
Art. 1° Esta Lei Complementar estabelece normas gerais relativas ao tratamento
diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de
pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, especialmente no que se refere:
I - à apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação,
inclusive obrigações acessórias;
II - ao cumprimento de obrigações trabalhistas e previdenciárias, inclusive
obrigações acessórias;
III - ao acesso a crédito e ao mercado, inclusive quanto à preferência nas aquisições
de bens e serviços pelos Poderes Públicos, à tecnologia, ao associativismo e às
regras de inclusão.
IV - ao cadastro nacional único de contribuintes a que se refere o inciso IV do
parágrafo único do art. 146, in fine, da Constituição Federal. (BRASIL, 2006, s.p.)
Como podemos observar, a Lei apresenta algumas vantagens para empresários
individuais e microempreendedor que se formalizarem, como uma arrecadação de
impostos simplificado, em que o empresário pode por meio de um único documento,
recolher os impostos de competência federal, estadual e municipal.
Além da vantagem quanto à arrecadação dos impostos, a Lei garante o acesso a
créditos e concede vantagens no quesito de licitações públicas, no qual essas
empresas têm vantagens sobre as demais, no que diz respeito à aquisição de bens
e serviços para os órgãos públicos.
A legislação também trata sobre os critérios de classificação de uma empresa, como
microempresa,ou empresa de pequeno porte, que é o que vamos ver, na Lei n. 123,
de 2007:
Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou
empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a
empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o
art. 966 da Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente
registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas
Jurídicas, conforme o caso, desde que:
I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou
inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e
II - no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita
bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a
R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais).
§ 1º Considera-se receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o
produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos
serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as
vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.
§ 2º No caso de início de atividade no próprio ano-calendário, o limite a que se
refere o caput deste artigo será proporcional ao número de meses em que a
microempresa ou a empresa de pequeno porte houver exercido atividade, inclusive
as frações de meses.
§ 3º O enquadramento do empresário ou da sociedade simples ou empresária
como microempresa ou empresa de pequeno porte bem como o seu
desenquadramento não implicarão alteração, denúncia ou qualquer restrição em
relação a contratos por elas anteriormente firmados. (BRASIL, 2007, s.p.)
Fica claro que uma empresa será classificada como microempresa, se a mesma,
durante um ano de funcionamento, faturar um valor de até R$ 360.000,00, acima
desse valor e até o limite de R$ 4.800.000,00 será classificada como empresa de
pequeno porte. Ambos os tipos de empresas podem ser classificados para o
empresário individual, que é a empresa de apenas um proprietário.
No que diz respeito às vantagens nas licitações públicas, as empresas classificadas
como micro e empresas de pequeno porte terão as seguintes vantagens, de acordo
com a Lei n. 123, de 2007:
Art. 44. Nas licitações será assegurada, como critério de desempate, preferência de
contratação para as microempresas e empresas de pequeno porte.
§ 1° Entende-se por empate aquelas situações em que as propostas apresentadas
pelas microempresas e empresas de pequeno porte sejam iguais ou até 10% (dez
por cento) superiores à proposta mais bem classificada.
§ 2° Na modalidade de pregão, o intervalo percentual estabelecido no § 1° deste
artigo será de até 5% (cinco por cento) superior ao melhor preço.
Art. 45. Para efeito do disposto no art. 44 desta Lei Complementar, ocorrendo o
empate, proceder-se-á da seguinte forma:
I - a microempresa ou empresa de pequeno porte mais bem classificada poderá
apresentar proposta de preço inferior àquela considerada vencedora do certame,
situação em que será adjudicado em seu favor o objeto licitado;
II - não ocorrendo a contratação da microempresa ou empresa de pequeno porte, na
forma do inciso I do caput deste artigo, serão convocadas as remanescentes que
porventura se enquadrem na hipótese dos §§ 1°e 2°do art. 44 desta Lei
Complementar, na ordem classificatória, para o exercício do mesmo direito;
III - no caso de equivalência dos valores apresentados pelas microempresas e
empresas de pequeno porte que se encontrem nos intervalos estabelecidos nos §§
1°e 2° do art. 44 desta Lei Complementar, será realizado sorteio entre elas para que
se identifique aquela que primeiro poderá apresentar melhor oferta. (BRASIL, 2007,
s.p.)
As empresas classificadas como micro e empresas de pequeno porte, serão
consideradas como empatadas no processo licitatório, mesmo que os valores de
suas pospostas de preços sejam superiores a 10% de outras empresas, e em casos
específicos de licitações pregão, o valor de empate será considerado se tiver até 5%
acima das demais empresas.
Caso a empresa esteja diante desse empate, será solicitada a mesma se ela cobre
o valor da proposta mais bem classificada, e caso aceite, ela será a vencedora do
certame licitatório. Se houver mais de uma empresa classificada como micro ou
empresa de pequeno porte, será realizado um sorteio, e a empresa sorteada terá a
vantagem de cobrir o valor da proposta mais bem classificada.
Outro benefício das micro e pequenas empresas, é quanto ao acesso aos mercados
externos, e de acordo com a Lei n. 123, de 2007:
Art. 49-A. A microempresa e a empresa de pequeno porte beneficiárias do
SIMPLES usufruirão de regime de exportação que contemplará procedimentos
simplificados de habilitação, licenciamento, despacho aduaneiro e câmbio, na forma
do regulamento.
Parágrafo único. As pessoas jurídicas prestadoras de serviço de logística
internacional, quando contratadas pelas empresas descritas nesta Lei
Complementar, estão autorizadas a realizar atividades relativas a licenciamento
administrativo, despacho aduaneiro, consolidação e desconsolidação de carga e a
contratar seguro, câmbio, transporte e armazenagem de mercadorias, objeto da
prestação do serviço, de forma simplificada e por meio eletrônico, na forma de
regulamento. (BRASIL, 2007, s.p.)
Quanto à exportação de mercadorias, as micro e pequenas empresas terão vantagens com
o regime de tributação do Simples Nacional, pois poderão realizar procedimentos
simplificados e eletrônicos, além de ter benefícios quanto à habilitação e licenciamento.
3 Obrigações do Empresário
Na nossa vida tudo é cercado de direitos e deveres, nós, pessoas físicas, estamos
sujeitos às regras para conviver em sociedade, e com as empresas isso não é
diferente. Assim como todas as vantagens da formalização do empresário individual,
também temos as obrigações e são elas que vamos estudar a seguir.
3.1 Deveres da Empresa
A primeira obrigação do empresário individual é quanto à inscrição no Registro Público,
e essa obrigação está descrita no Código Civil. Caso o empresário não a cumpra, ele
fica impedido de se beneficiar de todas as vantagens atribuídas às empresas.
Outra obrigação da empresa é a escrituração da movimentação da empresa, o
empresário deverá realizar o registro das suas atividades, demonstrando todos os
lançamentos que ocorrem no seu estabelecimento. Por exemplo, o empresário deverá
ter um livro para registrar suas vendas, compras, movimentações com devoluções de
mercadorias, impostos, despesas e receitas.
Além de escriturar, a empresa deverá apresentar anualmente um relatório de suas
atividades, contendo o balanço patrimonial, as demonstrações do resultado do exercício,
o valor do faturamento do lucro da empresa, ou prejuízo, bem como o registro do
pagamento dos tributos e impostos.
Esses deveres servem não só para os empresários estarem em dias com os órgãos
de fiscalização do Governo Federal, mas também para que possam ter um sistema
de fiscalização interno na empresa, e através da escrituração, dos relatórios, e
registros, possam realizar um planejamento tributário e desenvolver um sistema
eficiente de gestão.
De acordo com a Lei n. 10.406, de 2002:
Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um
sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme
de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar
anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico.
§ 1º Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério
dos interessados. (BRASIL, 2002, s.p.).
3.2 Demonstrações Contábeis
As demonstrações contábeis acompanham a realidade de todas as empresas,
inclusive dos empresários individuais, microempresas e empresas de pequeno
porte. Inicialmente vamos entender o conceito de demonstrações contábeis, de
acordo com o Manual de Contabilidade, 2011, as demonstrações contábeis são:
São relatórios, organizadossinteticamente, onde se resumem as informações
contábeis de forma metódica, atendendo cada um a uma finalidade especifica,
evidenciando os fatos patrimoniais e a uma situação da empresa, elaborados ao
final de um determinado período de tempo. As demonstrações contábeis
obrigatórias, ... são:
Balanço patrimonial – BP
Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA
Demonstração dos Fluxos de Caixa – DFC
Demonstração do Valor Adicionado – DVA (VELTER, F; MISSAGIA, L. R, 2011, p.
8)
Essas são as principais demonstrações que a empresa deve elaborar, e cada uma
serve para descrever um tipo de conta contábil da empesa.
O balanço patrimonial é uma demonstração que revela a situação estática da
empresa, e é elaborado uma vez por ano, geralmente no final do exercício social.
Essa demonstração consta o conjunto de ativos da empresa, ou seja, todos os bens
e direitos que a empresa possui, e todos os passivos, as obrigações e as contas do
patrimônio líquido da empresa.
A demonstração do resultado do exercício revela todas as despesas e as receitas
da empesa, é uma demonstração que ao final do seu lançamento vai resultar no
valor do lucro ou prejuízo da empresa, e é considerada uma demonstração mais
dinâmica, uma vez que as despesas e receitas estão em constante modificações.
A demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados vai revelar todas as
modificações do lucro da empesa, contendo todos os lançamentos de ajustes do
lucro, os valores que serão relacionados com as reservas legais, reservas de
contingência, entre outras obrigatórias.
A demonstração do fluxo de caixa demonstra as modificações ocorridas
exclusivamente na conta caixa e retrata como essa conta foi alterada ao longo do
período contábil. A demonstração do valor adicionado é uma demonstração mais
específica, e não é obrigatório para a maioria das empesas, pois ela revela o
lançamento das riquezas da empresa, como foi distribuído, e lançado.
4 Livros Fiscais
Os livros fiscais fazem parte da realidade de todas as pessoas jurídicas do Brasil,
pois é nesses livros que são lançadas todas as modificações da empresa, seu
registro, além de apresentar o histórico do lançamento de cada conta, os valores,
datas, sendo alguns obrigatórios e outros são opcionais, exatamente o que veremos
a seguir.
4.1 Livros Obrigatórios
A legislação trata de alguns livros obrigatórios para as empresas, no entanto, ela separa
os livros pelo regime de tributação que a empresa escolher, quanto maior o faturamento
da empresa, e mais complexo o seu regime de tributação, mais livros obrigatórios ela irá
necessitar. Veremos alguns livros mais utilizados nas empresas.
De acordo com a Lei n. 10.406, de 2002:
Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que
pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica.
Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o
lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico.
Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as
fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticadas no Registro Público de
Empresas Mercantis.
Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário,
ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios.
Art. 1.182. Sem prejuízo do disposto no art. 1.174 , a escrituração ficará sob a
responsabilidade de contabilista legalmente habilitado, salvo se nenhum houver na
localidade. (BRASIL, 2002, s.p)
O Livro Diário é um dos mais completos da empresa, e o seu conceito está muito
ligado ao termo diário que nós conhecemos, pois ele é um livro que estão contidos
todos os principais registros do dia a dia da empresa.
O Manual de Contabilidade, 2011, define o livro diário como o livro que:
serão lançadas, com individualização, clareza e caracterização do documento
respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas
ao exercício da empresa. Admite-se a escrituração resumida do Diário, com totais
que não excedam o período de trinta dias. (VELTER; MISSAGIA, 2011, p.154)
Conforme exposto o Livro Diário é de fundamental importância dentro do ambiente
organizacional, além de registrar os lançamentos descritos nele também ficam
registrados o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício.
O livro de registro de duplicatas é um dos obrigatórios e registra todas as vendas
parceladas, com prazo superior a 30 trinta dias. Está exigido na Lei n. 5.474/68, no
artigo 19, que diz:
Art . 19. A adoção do regime de vendas de que trata o art. 2º desta Lei obriga o
vendedor a ter e a escriturar o Livro de Registro de Duplicatas.
§ 1º No Registro de Duplicatas serão escrituradas, cronologicamente, todas as
duplicatas emitidas, com o número de ordem, data e valor das faturas originárias e
data de sua expedição; nome e domicílio do comprador; anotações das reformas;
prorrogações e outras circunstâncias necessárias. (BRASIL, 1968, s.p.)
Os lançamentos neste livro não deverão conter nenhum tipo de rasura, borrões ou
emendas, as retificações deverão ser feitas também por meio de lançamentos.
4.2 Livros não obrigatórios
Como vimos, os livros fiscais auxiliam a empresa na manutenção de suas atividades,
veremos alguns dos principais livros que não são obrigatórios para a maioria das
empresas.
O livro razão é considerado um dos mais importantes livros de escrituração, esse livro
fiscal é obrigatório para empresas que optarem pelo regime fiscal de Lucro Real.
A obrigatoriedade desse livro fiscal, para as empresas que aderiram o Lucro Real, está
prevista na Lei n. 8.218/91, no artigo 14, o qual no seu parágrafo único atribui uma
penalidade para empresas que não mantiverem esse livro nos registros.
O Livro de Apuração do Lucro Real, LALUR, é onde encontramos todas as
informações referente ao lucro da empresa. Esse livro é obrigatório também para
empresas com regime fiscal de lucro real e é dividido em duas partes.
A Receita Federal expediu em 2012, um Manual de informações referente aos
lançamentos, nesse livro, que diz:
a) Parte A, destinada aos lançamentos de ajuste do lucro líquido do período
(adições, exclusões e compensações), tendo como fecho a transcrição da
demonstração do lucro real; e
b) Parte B, destinada exclusivamente ao controle dos valores que não constem da
escrituração comercial, mas que devam influenciar a determinação do lucro real de
períodos futuros. (Receita Federal, 2012, p. 02)
O LALUR é o livro que discrimina as adições, exclusões e compensações, e são
lançadas na Parte A do Livro, e as vendas que influenciaram o Lucro Real, deverão
ser lançadas na Parte B.
Temos também o Livro de Registro de Inventário, que registra todas as mercadorias
da empresa, as matérias-primas e os produtos em estoque e em elaboração.
Por fim, vale destacar que existem inúmeros livros que auxiliam as empresas,
estudamos apenas alguns deles, todos têm um importante papel de auxiliar os
gestores no processo de planejamento das empresas.
É ISSO AÍ!
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
● entender o conceito de empresário individual e os requisitos para se tornar
um empresário;
● estudar sobre a formalização do empresário e o estatuto que rege essas
empresas;
● compreender os deveres dos empresários e aprender sobre as
demonstrações;
● aprender sobre os livros fiscais;
● conhecer os livros obrigatórios e não obrigatórios.
REFERÊNCIAS
BRASIL, Constituição Da República Federativa Do Brasil, de 1988. Atos das
Disposições Constitucionais Transitórias. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm acesso em:
16 fev. 2020.
BRASIL, Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm acesso em: 16 fev. 2020.
BRASIL, Lei n. 5.474, de 18 de julho de 1968.Dispõe sobre as Duplicatas, e dá outras
providências. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5474compilado.htm acesso em: 16 fev. 2020.
BRASIL, Lei n. 12.441, de 11 de julho de 2011. Altera a Lei n. 10.406, de 10 de janeiro
de 2002 (Código Civil),[...] Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/L12441.htm acesso em: 16
fev. 2020.
BRASIL, Lei n. 11.598, de 03 de dezembro de 2007. Estabelece as diretrizes e
procedimentos para simplificação e integração do processo de registro[...] Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11598.htm acesso
em: 16 fev. 2020.
BRASIL, Lei Complementar n. 123, de 14 de dezembro de 2006. Institui o estatuto da
Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte;[...] Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm acesso em: 16 fev. 2020.
PORTAL DO EMPREENDEDOR. Requisitos e Impedimentos Pessoais. Disponível:
http://www.consultaesic.cgu.gov.br/busca/dados/Lists/Pedido/Attachments/410295/RESP
OSTA_PEDIDO_Requisitos%20e%20Impedimentos%20Pessoais%20Portal%20do%20
Empreendedor.pdf Acesso em: 11 jul. 2020.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm
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RECEITA FEDERAL, Lalur. Disponível em:
http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2012/CapituloVII-Escrituracao20
12.pdf, acesso em: 16/02/2020.
SEBRAE; Roteiro para registro de EMPRESA INDIVIDUAL. Disponível:
https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/PE/Anexos/CONSTITUIÇÃO%
20EMPRESARIO%20INDIVIDUAL%20-%20ROTEIRO.pdf Acesso em: 11 jul. 2020.
VELTER, F; MISSAGIA, L. R. Manual de Contabilidade 2011. 8. Ed. Rio de Janeiro,
Elsevier. 2011.
http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2012/CapituloVII-Escrituracao2012.pdf
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https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/PE/Anexos/CONSTITUI%C3%87%C3%83O%20EMPRESARIO%20INDIVIDUAL%20-%20ROTEIRO.pdf
https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/PE/Anexos/CONSTITUI%C3%87%C3%83O%20EMPRESARIO%20INDIVIDUAL%20-%20ROTEIRO.pdf

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