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Prova de engenharia genética QUESTÃO: Num programa de melhoramento genético de plantas tem sido notado que ao longo dos anos uma determinada característica não vem atingindo ganhos genéticos reais, a planta em questão é autógama, de ciclo curto e permite obter quaisquer tipo de população segregante. Essa planta tem o genoma de referência disponível e projetos de RNAseq. A planta não tem centro de origem na América do sul mas dispõe de diversos bancos bancos de germoplasma espalhados ao redor do mundo, a característica em questão tem herança do tipo quantitativa. Construa estratégias considerando as técnicas de engenharia genética disponíveis que possam ampliar o ganho genético dessa planta nesta característica específica. Também indique as principais vantagens e desvantagens quanto ao tempo e custo com relação a adoção de sua estratégia. RESPOSTA: Considerando as informações contidas no enunciado da questão, chegamos à conclusão de que o programa de melhoramento genético que vinha sendo desenvolvido ao longo dos anos para essa determinada espécie de planta em questão era um programa de melhoramento clássico, e, que neste programa, apenas uma determinada característica (a característica X) não vinha atingido ganhos genéticos reais. A característica de interesse neste programa de melhoramento, possui herança quantitativa, ou seja, o fenótipo desejado é influenciado por diversos genes e sofre bastante influência ambiental, dificultando o melhoramento genético da planta por métodos convencionais. Em casos como essas plantas com genótipos diferentes podem apresentar fenótipos idênticos, portanto a seleção baseada na escolha por fenótipo muitas vezes pode não trazer os resultados esperados. Para aumentar as chances de ganho genético em caracteristicas quantitativas em um programa de melhoramento é importante que os experimentos sejam projetados de modo a diminuir a influência ambiental, os experimentos devem sofrer boa casualização, deve-se prestar atenção no delineamento utilizado a fim de que haja controle local e fazer realizar o maior número possível de repetições. O requisito básico da seleção no melhoramento de espécies autógamas é utilizarmos populações com variabilidade genética (diferentes genótipos), isto pode ser conseguido através da hibridação (fusão de gametas geneticamente diferentes, que resulta em indivíduos híbridos heterozigotos para um ou mais locus) ou cruzamento. O objetivo do melhoramento por hibridação é reunir em uma nova linhagem pura que podem apresentar as características Xs desejáveis A hibridação artificial de espécies autógamas objetiva reunir em uma nova linhagem pura, alelos favoráveis presentes em duas ou mais cultivares comerciais, linhagens elites de programas de melhoramento, em plantas introduzidas ou também, espécies relacionadas. Os híbridos resultantes podem ser conduzidos por autofecundações, por alguma técnica de avanço de gerações, até atingir homozigosidade e efetuar seleção de linhagens superiores. QTL (Quantitative trait Loci) Análise de QTL é um método estatístico que liga os dados fenotípicos e genotípicos para determinar em quais regiões específicas dos cromossomos se encontram as sequências responsáveis por fenótipos quantitativos. Para realizá-la é necessário se ter duas ou mais variedades de organismos geneticamente diferentes quanto a característica de interesse e marcadores genéticos consigam distinguir entre essas linhas parentais, O mapeamento dos QTL’s viabiliza a realização de estudos básicos no programa de melhoramento e a implementação da seleção assistida por marcadores, também auxilia no direcionamento dos cruzamentos, a identificação individual e a clonagem de QTL´s. O objetivo deste processo é identificar a ação, interação, número e localização exata destas regiões, para realizá-lo utiliza-se de análises estatísticas e de marcadores moleculares que ao proporcionarem um mapa do genoma oferecem a possibilidade de estudar a arquitetura dessas características, ou seja, identificar, mapear e medir a magnitude dos efeitos envolvidos no controle dessas características. Tem como desvantagem a necessidade de que os marcadores estejam associados fortemente aos genes de interesse e de que sejam estáveis. eQTL (expression Quantitative Trait Locus) eQTL diz respeito á uma região do cromossomo que contribui para uma porção da variação na produção de um determinado mRNA de indivíduos de uma população. Um gene pode ter múltiplos ou apenas um eQTL, o mapeamento dos eQTL quando combinados com os QTLs em análises de correlação permite determinar diretamente os possíveis genes responsáveis pela característica de interesse ( Druka et al, 2009). Esta análise traz como desvantagem o fato de ser trabalhosa (se faz necessário a análise do RNAseq de todos os indivíduos da população) e de ser uma análise estatística complexa e em desenvolvimento. Seleção assistida por marcadores Uma vez que os métodos convencionais de seleção não proporcionaram ganho genético para a caracteristica x, o próximo passo neste programa de melhoramento poderia ser o uso da a seleção assistida por marcadores moleculares (SAM), os marcadores moleculares do DNA podem ser uma ferramenta bastante útil se estreitamente ligados a esta característica x, pois permitem monitorar no processo de transferência de alelos desejáveis. Os dados das análises anteriores auxiliam na etapa de escolha dos genitores e o planejamento dos cruzamentos (que são etapas de fundamental importância para o sucesso de um programa de melhoramento), uma vez que com o conhecimento dos alelos de interesse, agora pode-se predizer os indivíduos que carregam ou não o maior número deles com uma maior segurança a fim de obter a progênie com o genótipo desejado. Uma vez que a decisão tenha sido de utilizar marcadores moleculares, uma série de outras questões surgem. Entre elas, as de que tipo de marcador utilizar e qual é o número mínimo de marcadores necessários para caracterizar um grupo de cultivares,as respostas baseiam-se muito na espécie em questão e nas técnicas já desenvolvidas. Em primeiro lugar, o nível de polimorfismo varia muito de uma espécie para outra, o número de variedades a serem caracterizadas,o polimorfismo detectado para uma espécie varia muito com o tipo de marcador utilizado. Outro aspecto importante é o número mínimo de indivíduos que deve ser analisado antes que o padrão molecular de um cultivar seja estabelecido. Em espécies que se reproduzem por autofecundação, encontrar variabilidade dentro de um cultivar é comum,nesse caso, é possível que a caracterização inicial seja feita com uma mistura de DNA de pelo menos 10 indivíduos, pois essa amostrará os alelos presentes no cultivar. É importante que esses indivíduos sejam em um momento testados separadamente, pelo menos para uma parte dos marcadores, para que seja estabelecido o nível de variabilidade existente dentro do cultivar. Existe pouca informação disponível a respeito da variação dentro do cultivar e do número mínimo de plantas que devem ser testadas para evitar o estabelecimento de um padrão molecular que não represente o cultivar em estudo. O fato é que variação dentro do cultivar existe e caberá ao pesquisador estudar e amostrar o germoplasma da espécie com que trabalha até que estabeleça o procedimento adequado de amostragem. A seleção genômica ampla (GWS) é um método que integra as ferramentas da genética quantitativa e as tecnologias genômicas em uso no melhoramento, propiciando grande salto qualitativo nos sistemas de avaliação genética. Esta nova abordagem experimental vem rapidamente mudando os paradigmas do melhoramento genético de plantas, causando verdadeira revolução na capacidade preditiva de forma a maximizar o ganho genético por unidade de tempo. Para isto,GWS enfatiza a predição simultânea dos efeitos genéticos de milhares de marcadores de DNA (SNP, DArT ou SSR) dispersos no genoma de um organismo, possibilitando capturar os efeitos da maioria os locos (tanto de pequenos quanto de grandes efeitos) e explicar quase a totalidade da variação genética do caráter quantitativo. Há duas estratégias básicas para uso de Seleção assistida em programas de melhoramento: i) retrocruzamento de alelos favoráveis em germoplasma elite, por meio de retrocruzamento assistido por marcadores (MABC); ii) predição de valores genéticos de indivíduos candidatos à seleção, por meio de seleção recorrente assistida por marcadores (MARS); A estratégia MARS possui como base o melhoramento de populações F2 por ciclo sucessivos de seleção assistida por marcadores; isto é, baseada em dados fenotípicos e moleculares em F2, seguido por três ou mais ciclos de seleção baseada exclusivamente em marcadores. Resultados de simulação mostram que esta estratégia contribui com respostas superiores às obtidas pela seleção fenotípica, quanto ao acúmulo de alelos favoráveis em genótipos ao longo dos ciclos de seleção. Por se enquadrar nos métodos de seleção assistida por marcadores, assim como o MABC, o método MARS utiliza apenas QTLs com efeitos significativos associados aos caracteres sob seleção. Para emprego de MAS como estratégia de melhoramento, há necessidade da determinação do número, posição e efeitos dos QTLs marcados. Têm-se verificado que MAS apresenta superioridade em relação à seleção fenotípica apenas quando o tamanho da população genotipada é muito grande, da ordem de 500 genótipos ou mais. Sabe-se, também, que a vantagem de MAS sobre a seleção fenotípica é proporcional à porcentagem da variância genética explicada pelo marcador. A questão chave, portanto, é determinar quantos marcadores/QTLs são responsáveis pela variação no caráter quantitativo e quantos são necessários para explicar a maior parte dessa variância genética. Para espécies autógamas, que a planta da situação presente, em que a seleção recorrente em geral não é aplicada rotineiramente devido à dificuldade de realização de cruzamentos e consequente limitação de sementes para uma seleção baseada em experimentos com repetições. A GWS também apresenta-se como bastante promissora, pois facilita a aplicação do método. A GWS pode ser implementada por meio do uso das tecnologias de marcadores moleculares atuais e uma população de estimação (EP) com indivíduos cuidadosamente selecionados e associados aos candidatos à seleção. Resultados de simulação e com dados reais têm revelado o grande potencial dessa estratégia em aumentar a eficiência do melhoramento. As plataformas de genotipagem vêm se tornando cada vez mais viáveis e financeiramente acessíveis aos programas de melhoramento de plantas, de forma a possibilitarem a aplicação de GWS na maioria das espécies de importância econômica, pelo menos em médio prazo. Como os custos de genotipagem continuam a reduzir, a seleção fenotípica tornará, comparativamente, mais onerosa para amplo número de caracteres de interesse. Uma vez estabelecido esse requisitos recomendamos a proteção do cultivar usando os próprios marcadores utilizados,a Lei de proteção de cultivares foi sancionada, em abril de 1997, com o objetivo de fortalecer e padronizar os direitos de propriedade intelectual. De acordo com a legislação, cultivar é a variedade de qualquer gênero ou espécie vegetal, que seja claramente distinguível de outras conhecidas por uma margem mínima de características descritas, pela denominação própria, homogeneidade, capacidade de se manter estável em gerações sucessivas, além de ser passível de utilização. REFERENCIAS Druka et al. Expression quantitative trait loci analysis in plants. Plant biotechnology Journal. V.8, n.1, Pages 10–27, January 2010. Júnior, Odilon P. M. SELEÇÃO GENÔMICA AMPLA (GWS) APLICADA AO MELHORAMENTO POPULACIONAL. 2013. Tese de Doutorado. Universidade Federal de Goiás. Disponível em: Acesso 9 jul 2017. Miles, C. & Wayne, M. Análise de locus (QTL) característica quantitativa . Educação de natureza, v.1 n.1, p. 208, 2008. Disponivel em: Acesso em 09 jul 2017. ● Ir para o conteúd Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento.Proteção de Cultivares.Disponivel em: Acesso em 09 jul 2017. http://www.agricultura.gov.br/assuntos/insumos-agropecuarios/insumos-agricolas/protecao-de-cultivar/protecao-de-cultivares#acontent Druka et al. Expression quantitative trait loci analysis in plants. Plant biotechnology Journal. V.8, n.1, Pages 10–27, January 2010.