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1 Internato APS 02 – Sarah Yumi S. Nishikawa Resumo para N1 Nacional Temas APS 2 – 2023/2 1. Atenção Primária à Saúde e Estratégia de Saúde da Família 2. Medicina da Família e Comunidade e Programa Mais Médicos 3. Análise de métodos diagnósticos e estudos epidemiológicos 4. Medicina legal (principais documentos médicos) 5. Medicina baseada em evidências 6. Visitas domiciliares e atenção domiciliar na ESF 7. Doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) 8. Complexidade e integralidade na APS e DCNT 9. Atendimento por recursos digitais e telemedicina 10. Diabetes Mellitus (DM) 11. Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) 12. Violência e maus-tratos contra crianças e adolescentes 13. Política Nacional de Promoção à Saúde 14. Programa de vacinação 15. Violência sexual e autoprovocada 16. Doenças de notificação compulsória 17. Saúde do trabalhador e CAT Tema 01 – Atenção Primária à Saúde e ESF A atenção primária à saúde é o primeiro contato da assistência continuada centrada na pessoa, de forma a satisfazer suas necessidades de saúde, que só refere os casos muito incomuns que exigem atuação mais especializada (Atenção Primária à Saúde = Atenção Básica). Trata-se do primeiro nível de atenção em saúde e se caracteriza por um conjunto de ações se saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos e manutenção de saúde. A atenção básica tem como objetivo o desenvolvimento de uma atenção integral que impacte positivamente na situação de saúde das coletividades. Além disso, a APS coordena os cuidados quando a população recebe assistência em outro nível de atenção (primeiro contato, integralidade, longitudinalidade e coordenação). Dessa forma, as diretrizes da APS são a regionalização e hierarquização (Redes de Atenção à Saúde), territorialização e adscrição, população adscrita, cuidado centrado na pessoa, resolutividade, longitudinalidade do cuidado, coordenação do cuidado, ordenação das redes e participação da comunidade. Atributos essenciais da APS: 1° contato, integralidade, longitudinalidade, coordenação do cuidado. Atributos derivados da APS: orientação familiar, orientação comunitária, competência cultural. Princípios da APS: universalidade, integralidade, equidade. Definição de território e territorialização Responsabilização sanitária Porta de entrada preferencial Adscrição de usuários e desenvolvimento de vínculo Acesso universal e não excludente Acolhimento 2 Financiamento da APS: a. CAPITAÇÃO PONDERADA: número de pessoas cadastradas e ajuste por vulnerabilidade socioeconômica, perfil de idade e classificação rural-urbana. b. PAGAMENTO POR DESEMPENHO: resultado de indicadores recalculados a cada quatro competências. c. INCENTIVO PARA AÇÕES ESTRATÉGICAS: custeio de ações, programas e estratégias como Programa Saúde na Hora e Equipe de Saúde Bucal, entre outros. Estratégia de Saúde da Família (ESF): A ESF é a principal estratégia para a organização da APS. Iniciada em 1994, visa à ampliação da cobertura populacional e à regionalização da atenção. Deve ser a porta de entrada do sistema de saúde, aprofundando os processos de territorialização e adscrição da clientela. As equipes da ESF são compostas por no mínimo 1 médico generalista ou especialista em saúde da família + 1 enfermeiro + 1 técnico/auxiliar de enfermagem + 4 a 6 agentes comunitários em saúde. A equipe de saúde bucal é composta por 1 cirurgião dentista e 1 auxiliar de consultório. As principais características da Estratégia de Saúde da Família são a territorialização (área de abrangência da ESF), adscrição da clientela (cada equipe deve ser responsável pela média de 3.000 pessoas; máximo de 4.000) e jornada de trabalho de 30 a 40 horas/semanais. É necessário que a equipe esteja preparada para lidar com problemas de alta complexidade com baixa densidade de recursos, ou seja, equipamentos reduzidos com o máximo de resolutividade. Linha do Tempo no Desenvolvimento da Atenção Básica: Modelo Flexneriano (Americano): curativo; reducionismo biológico; atenção individual; medicina com foco na doença; uso indiscriminado de tecnologia; baixa resolutividade. Relatório Dawson (Inglaterra): 1920; primeiro relato de organização doe um sistema de saúde; centros de saúde primários; próximos a residência das pessoas; composto de médico generalista, centros de especialidade e hospitais, equipes suplementares treinadas; influenciou a criação do NHS (1948). Declaração Alma-Ata: 1978; visa as desigualdades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e regiões desfavoráveis. Procura responder às necessidades e problemas de saúde mais prevalentes (doenças infectocontagiosas, desnutrição/fome, mortalidade materno-infantil. Alterações no Financiamento da APS 3 Conferência e Carta de Ottawa: 1986; a conferencia teve como objetivo discutir o futuro da saúde pública e introduzir o conceito de promoção da saúde. A carta teve objetivo de estabelecer políticas saudáveis, criar ambientes favoráveis a saúde, desenvolver competências pessoais, reforçar a ação comunitária e reorientar os serviços de saúde. Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF): O NASF-AB tem como objetivo a ampliação da abrangência e do escopo das ações da APS. É composta por diversos profissionais da saúde que buscam dar suporte clínico, pedagógico e sanitário para as Estratégias de Saúde da Família e a atenção básica, atuando em conjunto com essas equipes e realizando o apoio matricial (gestão de trabalho entre equipe de referência e de apoio, compartilhamento de saberes sobre demandas e planejamento conjunto de ações. Desafios da Atenção Básica/Atenção Primária em Saúde: Financiamento insuficiente; infraestrutura inadequada; baixa informatização do serviço. Necessidade de ampliar o acesso, reduzir o tempo de espera e garantir a atenção nos grupos vulneráveis. Necessidade de melhorar a qualidade dos serviços, incluindo o acolhimento, a resolubilidade e a longitudinalidade do cuidado (atributos da APS). Pouca atuação da promoção da saúde e no desenvolvimento de ações intersetoriais (equipes saturadas). Poucos avanços no modelo de atenção e na mudança que se faz necessária ante os modelos administrativos vigentes, requalificando a gestão. Inadequadas condições e relações de trabalho, mercado de trabalho predatório e sem direitos trabalhistas ou limitados pela reforma da previdência, déficit de provimento de profissões e contexto de baixo investimento nos trabalhadores (dificulta a fixação de médicos nas equipes da APS). Ferramentas do NASF-AB Carta de Ottawa e Promoção da Saúde 4 Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP): O método clínico centrado na pessoa é uma estratégia de atendimento em saúde que explora simultaneamente no adoecimento (ideias, expectativas, sentimentos, efeitos da funcionalidade) e na doença. Ele apresenta como objetivo compreender o paciente como um todo em sua individualidade, a fim de encontrar um terreno comum para a realização de decisões mútuas no tratamento conseguindo, assim, uma melhor incorporação da promoção em saúde e prevenção de agravos e incrementando uma melhor relação/vinculo entre médico-paciente. Tema 02 – Medicina da Família e Comunidade e Programa Mais Médicos A constituição cidadã de 1988, baseada na declaração de Alma-Ata, foi o alicerce necessário para a criação do SUS. Com o amadurecimento do sistema e outras políticas, temos na atenção básica/APS (PNAB 2017) o modelo de reorganização do sistema de saúde brasileiro. Assim, o estabelecimento deste nível de complexidadese dá com a institucionalização da PNPS, por meio da portaria MS/GM nº 687/2006, a qual se propõe a ser uma política transversal com vistas a favorecer o diálogo entre os diversos setores do governo, setores privados e sociedade, compondo redes de compromisso e corresponsabilidade quanto à qualidade de vida da população. Abaixo estão descritos os objetivos propostos pela política: Eixos da PNPS 28 Promover a qualidade de vida e reduzir as vulnerabilidades e os riscos à saúde, relacionados aos seus determinantes e condicionantes. Incorporar ações de promoção da saúde na AB. Ampliar a autonomia e a corresponsabilidade de sujeitos, coletividades e poder público para minimizar e/ou extinguir as desigualdades. Promover entendimento da concepção ampliada de saúde entre seus trabalhadores. Contribuir para a resolubilidade do sistema (qualidade – eficácia – eficiência – segurança de ações do PS). Estimular alternativas inovadoras e socialmente inclusivas das ações de PS. Valorizar o uso de espaços públicos para o desenvolvimento das ações de PS. Favorecer a preservação do meio ambiente e a promoção de ambientes mais seguros e saudáveis. Contribuir na elaboração de políticas públicas integradas para a melhoria da qualidade de vida. Ampliar os processos de integração, com base na cooperação, solidariedade e gestão democrática. Prevenir fatores determinantes e/ou condicionantes de doenças e agravos. Estimular a adoção de modos de viver não violentos e desenvolver uma cultura de paz no país. Valores e Princípios da PNPS: a. Reconhece a subjetividade das pessoas e dos coletivos no processo de atenção e cuidado em saúde. b. Considera a solidariedade, a felicidade, a ética, o respeito às diversidades, a humanização, a corresponsabilidade, a justiça e a inclusão social como valores fundantes. c. Adota como princípios a equidade, a participação social, a autonomia, o empoderamento, a intersetorialidade, a intrassetorialidade, a sustentabilidade, a integralidade e a territorialidade. Diretrizes da PNPS: a. O estímulo à cooperação e à articulação intrassetorial e intersetorial para ampliar a atuação sobre determinantes e condicionantes da saúde. b. O fomento ao planejamento de ações territorializadas de promoção da saúde com base no reconhecimento de contextos locais e no respeito às diversidades, a fim de favorecer a construção de espaços de produção social, ambientes saudáveis e a busca da equidade, da garantia dos direitos. c. Incentivo à gestão democrática, participativa e transparente para fortalecer a participação, o controle social e as corresponsabilidades de sujeitos, coletividades, instituições e de esferas governamentais. d. A ampliação da governança no desenvolvimento de ações de promoção da saúde que sejam sustentáveis nas dimensões política, social, cultural, econômica e ambiental. e. Estímulo à pesquisa, à produção e à difusão de experiências, conhecimentos e evidências que apoiem a tomada de decisão, a autonomia e a construção compartilhada de ações de promoção da saúde. f. Apoio à formação e à educação permanente em promoção da saúde para ampliar o compromisso e a capacidade crítica e reflexiva dos gestores e trabalhadores de saúde. g. A incorporação das intervenções de promoção da saúde no modelo de atenção à saúde, especialmente no cotidiano dos serviços de atenção básica em saúde, por meio de ações intersetoriais. h. A organização dos processos de gestão e de planejamento das variadas ações intersetoriais, como forma de fortalecer e promover a implantação da PNPS na Rede de Atenção à Saúde (RAS). Portaria da PNPS 29 Tema 14 – Programa de Vacinação O Calendário Nacional de Vacinação no Brasil é elaborado e atualizado pelo MS e é projetado para proteger a população contra diversas doenças infecciosas. Abaixo, segue um resumo das principais vacinas incluídas no calendário, suas indicações, contraindicações, efeitos adversos e faixa etária recomendada: BCG (Bacilo Calmette-Guérin): Indicação: Protege contra a tuberculose, especialmente em crianças. Contraindicação: Pessoas imunodeprimidas. Efeitos Adversos: Inchaço no local da aplicação, febre baixa. Faixa Etária: Recém-nascidos até 4 anos. Hepatite B: Indicação: Prevenção da hepatite B, uma infecção do fígado. Contraindicação: Raros casos de alergia a componentes da vacina. Efeitos Adversos: Dor no local da aplicação. Faixa Etária: Recém-nascidos até adultos. Pentavalente (DTP-Hib-HB): Indicação: Protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e outras doenças. Contraindicação: Alergia grave a doses anteriores. Efeitos Adversos: Febre, dor no local da aplicação. Faixa Etária: Crianças em múltiplas doses durante a infância. VIP (Vacina Inativada Poliomielite): Indicação: Prevenção da poliomielite (paralisia infantil). Contraindicação: Alergia grave a doses anteriores. Efeitos Adversos: Dor no local da aplicação. Faixa Etária: Recém-nascidos até crianças. Tríplice Viral (SCR): Indicação: Protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Contraindicação: Gravidez e alergia a componentes da vacina. Efeitos Adversos: Febre baixa, vermelhidão no local da aplicação. Faixa Etária: Crianças e adolescentes. Tetra Viral (SCR + Varicela): Indicação: Protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora). Contraindicação: Gravidez e alergia a componentes da vacina. Efeitos Adversos: Febre, vermelhidão no local da aplicação. Faixa Etária: Crianças e adolescentes. DTP (Difteria, Tétano e Coqueluche acelular): Indicação: Reforço contra difteria, tétano e coqueluche. Contraindicação: Alergia grave a doses anteriores. Efeitos Adversos: Febre, dor no local da aplicação. Faixa Etária: Crianças em múltiplas doses durante a infância. 30 Hepatite A: Indicação: Prevenção da hepatite A. Contraindicação: Alergia grave a doses anteriores. Efeitos Adversos: Dor no local da aplicação. Faixa Etária: Crianças e adolescentes. HPV (Papilomavírus Humano): Indicação: Prevenção do câncer cervical e outras doenças relacionadas ao HPV. Contraindicação: Alergia a componentes da vacina. Efeitos Adversos: Dor no local da aplicação. Faixa Etária: Meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Meningocócica C: Indicação: Prevenção contra a doença meningocócica do tipo C. Contraindicação: Alergia a componentes da vacina. Efeitos Adversos: Dor no local da aplicação. Faixa Etária: Crianças e adolescentes. Idade Vacinas Ao nascer BCG Hepatite B 2 meses Pentavalente 1ª dose Poliomielite 1ª dose (VIP) Pneumocócica conjugada 1ª dose Rotavírus 1ª dose 3 meses Meningocócica C conjugada 1ª dose 4 meses Pentavalente 2ª dose Poliomielite 2ª dose (VIP) Pneumocócica conjugada 2ª dose Rotavírus 2ª dose 5 meses Menongocócica C conjugada 2ª dose 6 meses Pentavalente 3ª dose Poliomielite 3ª dose 9 meses Febre amarela 12 meses Pneumocócica conjugada reforço Meningocócica C conjugada reforço Tríplice viral 1ª dose 15 meses DTP 1° reforço Poliomielite 1° reforço Varicela 2ª dose Febre amarela (reforço para crianças que receberam dose única entre 9 meses e 5 anos) 9 a 14 anos HPV 2 doses Meningocócica C 2° reforço ou dose única Adolescentes, adultos e idosos Hepatite B (3 doses a depender da situação vacinal) Febre amarela (dose única caso nunca tenha sido vacinado) Tríplice viral (2 doses até os 29 anos ou 1 dose em > 30 anos; idade máxima de 59 anos) dT (reforço a cada 10 anos) 31 HPV (homens e mulheres de 9 a 26 anos de idade com HIV/AIDS, transplantados e pacientes oncológicos; esquema de 3 doses, com 0, 2 e 6 meses) dTpa (gestantes a partir da 20ª semanas) Outras Gripe sazonal (vacinação anual) Raiva (profilaxia pós-exposição) COVID-19Tema 15 – Violência Sexual e Autoprovocada Considera-se como violência, para fins de notificação, “o uso intencional de força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade que resulte ou tenha possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação”. Ou seja, é qualquer conduta – ação ou omissão – de caráter intencional que cause ou venha a causar dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político, econômico ou patrimonial. A OMS estabelece uma tipologia de três grandes grupos, segundo quem comete o ato violento: violência contra si mesmo (autoprovocada ou autoinfligida), violência interpessoal (doméstica e comunitária) e violência coletiva (grupos políticos, organizações terroristas, milícias). a. VIOLÊNCIA PROVOCADA OU AUTOINFLIGIDA: compreende ideação suicida, autoagressões, tentativas de suicídio e suicídios. Embora a ideação suicida não seja objeto de notificação no Viva, requer ações de atenção integral em saúde. b. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA OU INTRAFAMILIAR: ocorre entre os parceiros íntimos e entre os membros da família, principalmente no ambiente da casa, mas não unicamente. É toda ação ou omissão que prejudique o bem-estar, integridade física/psicológica/liberdade e direito ao pleno desenvolvimento. Pode ser cometida dentro ou fora de casa por algum membro da família, incluindo pessoas que passam a assumir função parental, ainda que sem laços de consanguinidade, e que tenham relação de poder. Não se refere apenas ao espaço físico onde a violência ocorre, mas, também, às relações em que se constrói e efetua. Esse tipo de violência inclui outros membros do grupo, sem função parental, que convivam no espaço doméstico. Incluem-se aí empregados, pessoas que convivem esporadicamente, agregados. c. VIOLÊNCIA EXTRAFAMILIAR OU COMUNITÁRIA: aquela que ocorre no ambiente social em geral, entre conhecidos ou desconhecidos. É praticada por meio de agressão às pessoas, por atentado à sua integridade e vida e/ou a seus bens, e constitui objeto de prevenção e repressão por parte das forças de segurança pública e do sistema de justiça (polícias, Ministério Público e Poder Judiciário). Notificação dos Casos de Violência 32 Notificação da Violência: A ficha de notificação individual é estruturada, respectivamente, em dez blocos, sendo eles: Dados Gerais, Notificação Individual, Dados de Residência, Dados da Pessoa Atendida, Dados da Ocorrência, Violência, Violência Sexual, Dados do Provável Autor da Violência, Encaminhamento e Dados Finais; além de campos destinados para informações complementares e observações. A notificação individual de violência interpessoal e autoprovocada é compulsória nos casos cujas vítimas são crianças, adolescentes, mulheres e pessoas idosas. O Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes incluiu também os indígenas, as pessoas com deficiência e a população LGBT, considerando a maior vulnerabilidade desses grupos. Esta ficha não se aplica à violência extrafamiliar cujas vítimas sejam adultos (20 a 59 anos) do sexo masculino. Tema 16 – Doenças de Notificação Compulsória A notificação compulsória é uma forma de comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada pelos médicos, profissionais de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou privados, sobre a ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento de saúde pública, descritos no anexo, podendo ser imediata ou semanal. Nesse sentido, o objetivo da notificação é permitir que as autoridades de saúde pública monitorem a disseminação das doenças e implementem medidas preventivas para reduzir o risco de transmissão para outras pessoas. Quando um caso suspeito ou confirmado é relatado às autoridades sanitárias, elas podem iniciar uma investigação para determinar a causa da doença e identificar outras pessoas que possam ter sido expostas. Além disso, as autoridades sanitárias podem implementar medidas preventivas, como quarentena, imunização e desinfecção, para reduzir a propagação da doença. A notificação compulsória também é importante para a coleta de dados epidemiológicos e para o monitoramento da eficácia das medidas de controle e prevenção. Isso permite que as autoridades de saúde pública tomem decisões informadas sobre políticas de saúde e planejamento de recursos. As doenças de notificação compulsória devem ser registradas diretamente no SINAN – Sistema de Informações de Agravos de Notificação, que foi desenvolvido pelo MS com o objetivo de monitorar e acompanhar as doenças e agravos de notificação compulsória em todo o país. Classificação de Agravos para Necessidade de Notificação: Potencial de disseminação, magnitude, gravidade, severidade, transcendência da doença ou do agravo. Vulnerabilidade na população. Potencial para surto ou epidemia. Doença ou agravo de causa desconhecida. Alteração de padrão de comportamento de doenças já conhecidas. Tipos de Notificação Compulsória: NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA IMEDIATA: realizada em até 24 horas, contadas a partir do conhecimento da ocorrência de doença, agravo ou evento de saúde pública, pelo meio de comunicação mais rápido disponível. NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA SEMANAL: realizada em até 7 dias, a partir do conhecimento da ocorrência de doença ou agravo. NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA NEGATIVA: comunicação semanal realizada pelo responsável pelo estabelecimento de saúde à autoridade de saúde, informando que na semana epidemiológica não foi identificado nenhuma doença, agravo ou evento de saúde pública constante da Lista de Notificação. 33 Mnemônico para Doenças e Agravos de Notificação: Doenças e Agravos de Notificação Compulsória Peste, raiva, peçonhentos, toxoplasmose, doença de Creutzfeldt-Jacob. Doença de Chagas, hanseníase, esquistossomose, leishmaniose, acidentes/doenças do trabalho, óbito materno-infantil, violência. Dengue, chikungunia, zika, malária, leptospirose, hantavírus, febre tifoide, febre maculosa, febre hemorrágica. Antraz, botulismo, tularemia. Agrotóxicos, metais pesados, gases tóxicos. VIPS (varíola, influenza, poliomielite, sars). Só para não perder o mnemônico... Tuberculose, hepatite, tétano, rotavírus, coqueluche, febre amarela, sarampo (do calendário vacinal, exceto caxumba!) Sífilis, SIDA, síndrome do corrimento uretral masculino, síndrome neurológica pós- infecção febril exantemática e “sinistra” cólera. a. AGRAVO: qualquer dano à integridade física ou mental do indivíduo, provocado por circunstâncias nocivas, tais como acidentes, intoxicações por substâncias químicas, abuso de drogas ou lesões decorrentes de violências interpessoais, como agressões e maus tratos, e lesão autoprovocada. b. DOENÇA: enfermidade ou estado clínico, independente de origem ou fonte, que represente ou possa representar um dano significativo para os seres humanos. c. EPIZOOTIA: doença ou morte de animal que possa apresentar riscos à saúde pública. d. EVENTO DE SAÚDE PÚBLICA (ESP): situação que pode constituir potencial ameaça à saúde pública, como a ocorrência de surto ou epidemia, doença ou agravo de causa desconhecida, alteração no padrão clínico epidemiológico das doenças conhecidas, considerando o potencial de disseminação, a magnitude, a gravidade, a severidade, a transcendência e a vulnerabilidade, bem como epizootias ou agravos decorrentes de desastres ou acidentes. Tema 17 – Saúde do Trabalhador e Comunicação de Acidentes de Trabalho A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (PNSTT), regulamentada pela Portaria GM/MS número 1821, de 23 de agosto de 2012, possui em sua legislação a estrutura dividida nas seguintes Dados sobre Notificação Compulsória34 partes: Finalidade, Princípios e Diretrizes, Objetivos, Estratégias, Responsabilidades (dos gestores do SUS, dos CEREST e das equipes técnicas), Avaliação e Monitoramento, Financiamento e Anexos. A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora tem por finalidade: definir os princípios, as diretrizes e as estratégias a serem observados nas três esferas de gestão do SUS – federal, estadual e municipal, para o desenvolvimento das ações de atenção integral à Saúde do Trabalhador, com ênfase na vigilância, visando a promoção e a proteção da saúde dos trabalhadores e a redução da morbimortalidade decorrente dos modelos de desenvolvimento e dos processos produtivos. Todos os trabalhadores, homens e mulheres, independentemente de: sua localização, de sua forma de inserção no mercado de trabalho e de seu vínculo empregatício (assalariado, autônomo, avulso, temporário, cooperativados, aprendiz, estagiário, doméstico, aposentado ou desempregado), são sujeitos desta política e tem o trabalho como um dos determinantes do processo saúde-doença. CAPÍTULO 1 – ART 5°: universalidade, integralidade, participação da comunidade, dos trabalhadores e do controle social, descentralização, hierarquização, equidade e precaução. Normas Regulamentadoras (NRs): Define os direitos sociais dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social, a fim da redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. Dessa maneira, cabe as normas regulamentadoras auxiliar na segurança do trabalho, com Fluxograma de Atendimento nos Acidentes de Trabalho 35 obrigações, direitos e deveres a serem cumpridos, tanto por empregadores quanto por trabalhadores. Os principais objetivos são manter um serviço sadio e seguro e prevenir doenças e acidentes de trabalho. a. NR 04 – SERVIÇO ESPECIALIZADO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO (SESMT): serviço implantado dentro das empresas. Equipe de profissionais especializados em serviço de segurança do trabalho. Promover a saúde e a integridade do trabalhador no local de trabalho. Os integrantes do SESMT são – médico do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, enfermeiro do trabalho, técnico de segurança do trabalho e auxiliar de enfermagem do trabalho. b. NR 05 – COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES (CIPA): representantes do empregador e dos empregados. Os membros da CIPA são eleitos, com mandato de 1 ano; estabilidade no emprego. Realiza a verificação nos ambientes de trabalho, promove anualmente a SIPAT (+ SESMT), colabora com a implantação do PPRA e do PCMSO e elabora mapa de riscos. c. NR 06 – EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI): cabe a empresa fornecer os EPIs de forma gratuita, adequada para o risco e em bom estado de conservação e funcionamento. Os equipamentos devem ser de uso individual, a fim de proteger a saúde e a integridade física do trabalhador. d. NR 07 – PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL (PCMSO): prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce de agravos à saúde reacionados ao trabalho. Deve ser planejado com base nos riscos identificados (PCMSO articulado com o PPRA). A realização de exames ocupacionais é obrigatória e deve ser realizada na admissão, na demissão, no retorno ao trabalho, na mudança de função e periódico, a fim da obtenção de atestado de saúde ocupacional (ASO) como trabalhador apto ou inapto. Realizar exame clínico do trabalhador + exames complementares (se necessário), como por exemplo a audiometria na exposição a ruídos, a dosagem de mercúrio urinário aos xpostos a essa substância, radiografia de tórax e espirometria para aqueles com contato cm aerodispersóides fibrogênicos. e. NR 09 – PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS (PPRA): antecipação, reconhecimento e controle da ocorrência de riscos ambientais no local de trabalho. Os riscos ambientais podem ser físicos, químicos, biológicos, ergonômicos, mecânicos e outros. Acidentes de Trabalho: Os acidentes de trabalho são um grande desafio para a saúde pública no Brasil, com custo socioeconômico para os trabalhadores, as famílias, as empresas e a economia do país. A lei número 8.213/91, no artigo 19, define que o acidente trabalhista ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, gerando lesão corporal ou perturbação funcional nos empregados. Podem, inclusive, levar a morte ou perda/redução permanente ou temporária da capacidade para o exercício da profissão. Consideram-se doenças profissionais, quando desencadeadas pelo exercício do trabalho peculiar a uma determinada atividade (silicose, saturnismo) e doenças do trabalho (ocupacionais), quando em função de condições Tipos de Riscos 36 especiais em que o trabalho é realizado (DORT, PAINPSE). Valem-se ainda os acidentes sofridos no local e horário do trabalho e os acidentes de trajeto. Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT): A Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), no direito brasileiro, é um documento emitido para reconhecer um acidente de trabalho, um acidente de trajeto ou uma doença ocupacional. Deve ser emitida pela empresa no prazo de 1 dia útil, ou, se ocorreu óbito, imediatamente. Pode também ser emitida - mesmo fora do prazo - pelo médico, pelo familiar, por um dependente do segurado, pelo sindicato ou por uma autoridade pública; nesse caso o INSS enviará uma carta à empresa para que emita sua CAT. A comunicação será feita ao INSS por intermédio do formulário, preenchido em 4 vias, com a seguinte destinação: 1ª via, ao INSS; 2ª via, ao segurado ou dependente; 3ª via, ao sindicato dos trabalhadores; e 4ª via, à empresa. Deve ser emitida independentemente de haver ou não necessidade de afastamento do acidentado. A emissão da CAT para a previdência social não desobriga a notificação ao SINAN. Classificação da Comunicação de Acidente de Trabalho Exemplosé entendido enquanto ordenador e porta de entrada, tendo as ESFs elencadas como modelo a ser seguido. Dessa maneira, com o desenvolvimento da APS, surge a especialidade do médico da família. A Medicina da Família e Comunidade (MFC) é uma especialidade médica que é responsável pela prestação de assistência à saúde, de forma integral para as pessoas, as famílias e a comunidade. A aplicação dos conhecimentos do MFC é orientada por 4 princípios que governam as ações de acordo com a necessidade da comunidade. Esses princípios são: ser um clínico qualificado, ter em sua prática clínica influencia na comunidade em que atua, ser recurso de uma população definida e ter na relação médico e paciente um aspecto essencial da atuação. Programa de Valorização da Atenção Básica (PROVAB): O PROVAB foi um programa instituído com objetivo de incentivar os jovens médicos e os egressos das faculdades de medicina a fazer a especialidade de MFC e trabalhar na APS. Pagava bolsa de R$10 mil e dava 10% de pontos na residência. Assim, o médico devia atuar em localidades de maior carência, durante um período de 12 meses supervisionados, sendo obrigatória a participação em curso de especialização em AB/APS. Dessa maneira, a carga horária semanal era de 32h de atendimento na UBS e 8h no curso de formação obrigatório. Esse programa foi substituição pelo Mais Médicos (PMM) em 2013. Programa Mais Médicos (PMM): O PMM foi o programa de provimento, sendo instituído através da Lei n° 12.871/2013, como uma resposta de proposta imediata e emergência à falta de médicos e destaque aos eixos com medidas estruturantes (com resposta aos problemas de curto, médio e longa prazo). Tem como objetivos a diminuição da carência de médicos nas regiões prioritárias para o SUS, o fortalecimento da prestação de serviços na AB, o aprimoramento da formação médica no país e o desenvolvimento de maior experiência no campo de prática médica durante a formação, a ampliação da inserção do médico na UBS, o fortalecimento da política de educação permanente com integração do ensino-pesquisa e a promoção da troca de experiências entre profissionais brasileiros e estrangeiros. Esse programa conta com três eixos, dispostos abaixo: 5 a. PROVIMENTO EMERGENCIAL: recrutar e alocar profissionais para a AB, disponibilizar aos participantes um conjunto de incentivos educacionais, monetários e formativos. Treinamento em serviço. Curso de especialização e supervisão (um tutor para cada 10 médicos, vinculados a um superior de IES). Pontuação adicional na nota de exames de residência etc. b. INFRAESTRUTURA: em 5 anos, dotar as USF com qualidade de equipamentos e infraestrutura a serem definidas nos planos plurianuais (de cada prefeitura). Alta rotatividade de médicos nas equipes. Articulado a um programa que já existia de melhoria das unidades, o “Requalifica SUS”. c. EDUCAÇÃO: universalização da residência médica (2018), com vagas que dialogam com as necessidades do SUS, porque em todo o mundo são os sistemas de saúde que orientam a necessidade de formação dos profissionais nas mais variadas áreas, sendo preferenciais as vagas e MFC. O funcionamento do PMM ocorre com a definição de regiões com maior necessidade e vulnerabilidade pelo Ministério da Saúde, com posterior abertura de editais para os municípios (assinatura do termo de compromisso e solicitação de vagas pelo município). Ele respeita a prioridade de seleção de médicos de forma ordenada, sendo ela a seguinte: 1° profissionais brasileiros ou estrangeiros com registro no Brasil > 2° profissionais brasileiros formados no exterior sem registro no Brasil > 3° estrangeiros formados no exterior sem registro no Brasil > 4° médicos cooperados (acordo OPAS-Cuba). Promover o acesso universal, igualitário e gratuito da população às ações e aos serviços do SUS; Fortalecer a atenção primária à saúde (APS); Valorizar os médicos da APS (plano de carreira, sob o modelo de CLT após a reforma da previdência); Aumento da provisão de médicos em locais de difícil provimento ou de alta vulnerabilidade; Desenvolver e intensificar a formação de médicos especialistas em MFC (após 2 anos de serviço como MpB – Médicos pelo Brasil – pode ser realizada a prova de título, na contramão dos 4 anos de prática necessários para qualquer titulação e sem a menção aos outros eixos estruturantes da formação); Estimular a presença de médicos no SUS. Acordo OPAS-Cuba: O ministério da saúde cria um mecanismo de revalidação do diploma de médicos estrangeiros para a atuação apenas na APS. Dessa forma, médicos que não tinham registo recebiam do MS a concessão do registro único para atuação nesse cenário. Apresentava durabilidade de até 3 anos, sendo prorrogável por mais 3. Algumas exigências do programa são: comunicação em português, legislação e características específicas para a atuação nos serviços de AB no SUS, sem provas classificatórias e sim um cadastro no qual os profissionais eram chamados na medida em que se inscreviam. Agência para o Desenvolvimento da APS (ADAPS): Agencia criada para executar o programa mais médicos pelo Brasil, sob a orientação técnica e supervisão do Ministério da Saúde, mas sob a égide de pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, de interesse coletivo e de utilidade pública (ponto de choque – criar uma agência privada para regulamentar um serviço público dentro do SUS). Apresentava como objetivo promover, no âmbito nacional, a execução Diferenças entre PMM x MpB 6 de políticas de desenvolvimento da APS, com ênfase na saúde da família, nos locais de difícil provimento ou alta vulnerabilidade, na valorização da presença de médicos na APS do SUS, na promoção da formação profissional e na incorporação de tecnologias assistenciais e de gestão relacionadas à APS. COMPOSIÇÃO DA ADAPS: conselho deliberativo + diretoria executiva + conselho fiscal. Contratações no Programa Médicos pelo Brasil: a. MÉDICOS TUTORES: MFC ou clínica médica; realizam prova escrita. 40 horas/semana, distribuídas entre atividades assistências e de ensino e serviço. Salário inicial de R$15.750 e contratação via CLT e benefícios. b. MÉDICOS: prova escrita, curso de formação e prova final para habilitação de título de especialista em MFC. Ao longo dos 2 primeiros anos no programa, os profissionais contratados como bolsistas atuam na assistência e realizam curso de especialização em MFC para o desenvolvimento de competências. No período, recebem bolsa-formação de R$15.000 mais benefícios. Tema 03 – Análise de Métodos Diagnósticos e Estudos Epidemiológicos Os métodos diagnósticos são processos analíticos que se valem ao especialista para analisar um processo ou quadro clínico, com o objetivo de chegar a uma conclusão. Dessa maneira, os parâmetros utilizados para a sua definição são: sensibilidade, especificidade, valor preditivo negativo e positivo. a. SENSIBILIDADE: proporção de testes positivos com as pessoas verdadeiramente positivas para uma determinada doença. Baixo índice de falsos negativos. Um exemplo são os testes usados para o rastreamento populacional (SENSIBILIDADE = A / A + B A é o n° de testes positivos e B o n° de pacientes negativos no teste que estavam positivos para a doença). b. ESPECIFICIDADE: proporção de testes negativos com as pessoas verdadeiramente negativas para uma determinada doença. Baixo índice de falsos positivos. Um exemplo são os testes de gravidez (ESPECIFICIDADE = C / C + D C é o n° de testes negativos e D o n° de pacientes positivos no teste que estavam negativos para a doença). c. VALOR PREDITIVO NEGATIVO: aquele capaz de expressar a probabilidade de um paciente com teste negativo não possuir, de fato, a doença investigada. O valor preditivo foca nos testes. (VPN = TestN / ToTN TestN é o n° de testes verdadeiramente negativos e ToTN o n° total detestes negativos). d. VALOR PREDITIVO POSITIVO: aquele capaz de expressar a probabilidade de um paciente com teste positivo possuir, de fato a doença investigada. O valor preditivo foca nos testes. (VPP = TestP / ToTP TestP é o n° de testes verdadeiramente positivos e ToTP o n° total de testes positivos). Em suma, a sensibilidade está para o valor preditivo negativo (se um teste for sensível, poucos pacientes falsos negativos vão ocorrer; VPN aumenta). Por outro lado, a especificidade está para o valor preditivo positivo (se um teste for específico, poucos pacientes falso positivos vão ocorrer; VPP aumenta). Exemplo 7 Tipos de Estudo: a. RELATO DE CASO: é feito com casos raros; é retrospectivo, observacional e descritivo. b. ESTUDO COORTE: seleção da população em expostos e não expostos; é observacional e analítico; pode ser prospectivo ou retrospectivo; SEM intervenção terapêutica. c. ENSAIOS CLÍNICOS: são testes de intervenção em saúde; são analíticos, prospectivos e experimentais; uso de um grupo controle; randomização; pode ser feito com o uso de estudos cegos (simples – paciente, duplo – pesquisadores, triplo – estatístico, quadruplo etc); COM intervenção terapêutica. Tema 04 – Medicina Legal (Principais Documentos Médicos) Documentos médicos se configuram como toda anotação que apresenta a finalidade de reproduzir e representar uma manifestação do pensamento, baseada em critérios médico-legais. Eles são emitidos por peritos habilitados e decorrem do processo de exame médico. Geralmente esses documentos são apresentados por escrito e tem o objetivo de esclarecer questões judiciais. Abaixo estão exemplificados os principais documentos utilizados na prática da medicina. Atestado Médico: O atestado médico é a declaração objetiva e resumida de determinado fato médico, resultante de avaliação prévia realizada no paciente. Possui objetivo de informar um estado de sanidade ou de doença para fins de licença, dispensa ou outros. Ela deve ser emitida em papel timbrado ou no próprio receituário médico, devendo ser carimbada e assinada pelo médico responsável. O atestado apresenta algumas classificações: a. OFICIOSO: dados nos interesses de pessoas físicas ou jurídicas. Por exemplo, os utilizados para justificar ausência em aulas ou serviços. b. ADMINISTRATIVO: quando destinado a fatos relativos ao servidor público. Por exemplo, concessão de licenças, aposentadoria, concurso público. c. JUDICIÁRIO: quando é solicitado pela justiça. Vale relembrar que algumas questões relacionadas com a emissão de atestado são vedadas na prática médica, como: expedir documento médico sem ter praticado ato profissional que o justifique; atestar como forma de obter vantagem; deixar de fornecer laudo médico ao paciente ou representante legal quando aquele for transferido para continuidade do tratamento; e deixar de atestar atos executados. Declaração de Óbito: A declaração de óbito é o documento base do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM/MS). Ela é composta de 3 vias, pré-numerada sequencialmente e fornecidas pelo MS às Classificação dos Tipos de Estudo 8 secretarias estaduais e municipais. A DO é indispensável para o assentamento do óbito junto ao cartório de registro civil e, consequentemente, ara o sepultamento ou cremação após a morte. A declaração deve ser preenchida pelos profissionais habilitados, conforme esquema a seguir: a. MORTE NATURAL COM ASSISTÊNCIA MÉDICA E CAUSA BEM DEFINIDA: médico assistente ou plantonista ou outro médico indicado pela instituição. b. MORTE NATURAL SEM ASSISTÊNCIA OU COM CAUSA MAL DEFINIDA: serviço de verificação de óbito (SVO). c. PACIENTE EM TRATAMENTO SOB REGIME DOMICILIAR: médico da estratégia da saúde da família a qual ele pertencia ou o serviço de verificação de óbito (SVO). d. MORTE VIOLÊNTA: instituto médico-legal (IML). Deve estar contido no preenchimento da DO todas as doenças, estados mórbidos ou lesões que produziram a morte do paciente ou que levaram a ela, e as circunstâncias do acidente ou da violência que as produziu. A causa básica da morte resume-se na doença ou lesão que iniciou a cadeia de acontecimentos patológicos que conduziram diretamente para a morte do paciente. Já a causa terminal ou imediata, representa o evento mais recente que levou diretamente à morte e é consequência das causas intermediária e básica. Exemplos 1. Mulher 27 anos, atendida na emergência às 22h com quadro de queda da PA, hemoglobina de 7 g/l, volume globular de 28%, dor à palpação de abdome, distensão abdominal e macicez de decúbito. Às 23h, foi encaminhada para laparotomia e recebeu 2 unidades de concentrado de hemácias. Na cirurgia, sofreu parada cardíaca. Durante a laparotomia, constatou-se quadro de gravidez ectópica rota. 2. Paciente diabético não insulino dependente, deu entrada no pronto-socorro às 10:00 com história de vômitos sanguinolentos desde 6:00 da manhã. Desde 8:00 com tonturas e desmaios. Ao exame físico, descorado 3+/4+, e PA de 0 mmHg. A família conta que paciente é etilista há 10 anos e que dois anos atrás esteve internado com hematêmese, sendo diagnosticado cirrose hepática e varizes de esôfago após exame endoscópico. Às 12:00 de hoje, apresentou parada cardiorrespiratória e teve o óbito verificado pelo médico plantonista, após o insucesso das manobras de reanimação. Estrutura da D.O. 9 Prontuário Médico: O prontuário médico constitui o acervo documental do paciente, que é padronizado, organizado e conciso e refere-se ao registro dos cuidados médicos prestados, assim como os documentos pertinentes a essa assistência. Mesmo sendo um documento criado para interesses médicos, o prontuário pode produzir efeitos jurídicos de grande significado médico-legal. Caso o paciente ou representante legal solicite esse documento, o mesmo deve ser fornecido pela instituição. Parecer Médico: O parecer é um documento de natureza subjetiva, que expressa a opinião, mesmo que fundamentada, de um profissional. Eles podem ser meramente oficioso, particular ou encomendados pelas partes com o objetivo de reforçar uma tese e, por isso, devem ser analisados com cautela e raramente se sobrepõem aos exames oficiais. É muito utilizado na contestação de uma perícia já realizada (perícia deducendi). Esse documento é composto de quatro partes, que estão descritas abaixo. a. PREÂMBULO: local onde consta a qualificação do médico que foi consultado. b. EXPOSIÇÃO: transcrição dos quesitos e do objeto da consulta realizada. c. DISCUSSÃO: é a parte mais importante do documento; local onde os fatos apresentados são analisados em minúcias. d. CONCLUSÃO: onde o modo de ver do parecerista (médico) dá as respostas aos quesitos formulados. Notificação Médica: É a comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada pelos médicos, profissionais da saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou privados, sobre a ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento de saúde pública. Pode ser realizada de forma imediata (em até 24 horas) ou semanal. São importantes por auxiliarem o poder público na avaliação de impacto e adoção de medidas concernentes ao planejamento em questão de saúde pública, definindo prioridades de intervenção. Peste, raiva, peçonhentos, toxoplasmose, doença de Creutzfeldt-Jacob. Doença de Chagas, hanseníase, esquistossomose, leishmaniose, acidentes/doenças do trabalho, óbito materno-infantil, violência. Dengue, chikungunia, zika, malária, leptospirose, hantavírus, febre tifoide, febre maculosa, febre hemorrágica. Antraz, botulismo, tularemia. Agrotóxicos, metais pesados, gases tóxicos. VIPS (varíola, influenza, poliomielite,sars). Só para não perder o mnemônico... Tuberculose, hepatite, tétano, rotavírus, coqueluche, febre amarela, sarampo (do calendário vacinal, exceto caxumba!) Sífilis, SIDA, síndrome do corrimento uretral masculino, síndrome neurológica pós- infecção febril exantemática e “sinistra” cólera. 10 Relatório Médico-Legal: Descrição mais minuciosa de uma perícia médica a fim de responder à solicitação da autoridade policial ou judiciária frente ao inquérito. São resultantes da atuação médico legal. Pode ser classificado como auto (relatório ditado ao escrivão ou ao escrevente na presença do delegado ou juiz; é realizada durante ou logo após) ou laudo (é elaborado pelo médico; é o mais comum dos relatórios; posterior a perícia). Tema 05 – Medicina Baseada em Evidências A medicina baseada em evidências trata-se de uma prática clínica que visa à tomada de decisões a partir de evidências científicas atualizadas e testadas pelo método científico. Dessa maneira, são informações confiáveis e seguras para serem aplicadas na prática médica. Para sua correta utilização, quatro passos devem ser seguidos (pergunta correta evidências científicas avaliar as evidências aplicar a evidência na prática), que serão melhor definidos abaixo. Define-se MBE como o emprego consciencioso, explícito e judicioso da melhor evidência disponível na tomada de decisões sobre os cuidados de saúde de um paciente e requer a integração da melhor evidência com a competência clínica e os valores e as circunstâncias. a. PERGUNTA CORRETA: deve ser clara, objetiva, delimitada ao tema e/ou contexto em que se deseja obter as respostas. Por exemplo – paciente com diarreia iniciada há 2 dias acompanhada de náuseas, vômitos e dor abdominal. b. EVIDÊNCIA CIENTÍFICA: as medidas terapêuticas possuem embasamento científico? Busca ampla de artigos, com estratégia de busca sensível, em diferentes bases de dados. Busca, seleção e extração de dados por pelo menos dois pesquisadores independentes. c. AVALIAR AS EVIDÊNCIAS: questionar os estudos quanto sua qualidade. d. APLICAR NA PRÁTICA: aplicas as evidências na pratica seguindo guidelines e diretrizes. A revisão sistemática é um tipo de estudo que se propõe a responder uma pergunta específica de forma objetiva e imparcial, através do uso de métodos sistemáticos e definidos a priori na identificação e na Hierarquia de Evidências dos Métodos de Estudo 11 seleção dos estudos, na extração de dados e na análise dos resultados. Outro tipo de estudo significativo para análises é a metanálise, método estatístico que se propõe a agregar o resultado de dois ou mais estudos independentes, sobre uma mesma pesquisa, combinando resultados em uma medida sumária. Tema 06 – Visitas Domiciliares e Atenção Domiciliar na ESF Conceitos Importantes na Atenção Domiciliar (AD): ATENÇÃO DOMICILIAR: é a categoria mais ampla, que inclui as outras e pode também ser denominada de atendimento ou cuidado domiciliar. Baseia-se na interação do profissional com o paciente, sua família e/ou seu cuidador e se constitui em um conjunto de atividades realizadas no domicílio de forma programada e continuada. Envolve ações de promoção à saúde, incluindo a prática de políticas econômicas e sociais que influenciem o processo saúde-doença. Tem caráter ambulatorial e envolve ações preventivas e ações curativo-assistenciais. ASSISTÊNCIA DOMICILIAR: está ligada a todo e qualquer atendimento a domicílio realizado por profissionais que integram a equipe de saúde. Não leva em conta a complexidade ou o objetivo do atendimento, que pode ir de uma orientação simples até um suporte ventilatório invasivo domiciliar. ATENDIMENTO DOMICILIAR: categoria diretamente relacionada à atuação profissional no domicílio, que pode ser operacionalizada por meio da visita e da internação domiciliar. Envolve atividades que vão da educação e prevenção a recuperação e manutenção da saúde das pessoas e seus familiares no contexto de suas residências. Abrange ou não cuidados multiprofissionais e pode ser semelhante a um consultório em casa. Atenção mais pontual e temporária, ligada a casos agudos. VISITA DOMICILIAR: prioriza o diagnóstico da realidade do indivíduo e as ações educativas. É geralmente programada e utilizada com o intuito de subsidiar intervenções ou o planejamento de ações. INTERNAÇÃO DOMICILIAR: é uma categoria mais específica, que envolve o uso de aparato tecnológico em domicílio, de acordo com as necessidades de cada situação. Não substitui a internação hospitalar, mas pode ser constituída como uma continuidade desta, de forma temporária. ACOMPANHAMENTO DOMICILIAR: cuidado no domicílio para pessoas que necessitam de contatos frequentes e programáveis com a equipe. Por exemplo, portadores de doenças crônicas com deficiência física, doentes em fase terminal, idosos com dificuldade de locomoção ou morando sozinhos, egressos do hospital que necessitam de acompanhamento por condição que os incapacite a comparecer na UBS. VIGILÂNCIA DOMICILIAR: comparecimento de integrante da equipe até o domicílio para a realização de ações de promoção, prevenção, educação e busca ativa da população de sua área de responsabilidade, geralmente vinculadas à vigilância em saúde que a UBS desenvolve. Por exemplo, visitas às puérperas, busca de recém-nascidos, busca ativa dos programas de prioridades, abordagem familiar para diagnóstico e tratamento (plano terapêutico singular). Representação Esquemática da Atenção Domiciliar 12 Atribuições da Equipe de AD: Trabalhar em equipe multiprofissional e integrada à rede de atenção à saúde. Identificar e treinar familiares e/ou cuidadores, respeitando limites e potencialidades. Abordar o cuidador como sujeito do processo e executor. Acolher a demanda de dúvida dos usuários e dos familiares. Ser responsável ela emissão do atestado de óbito. Manter-se atualizado sobre as intercorrências (internações, procedimentos, mudanças no quadro basal). Modalidades de Atenção Domiciliar: A portaria GM/MS 2.527/2011, redefine a atenção domiciliar do SUS, orientando a organização do atendimento em modalidades de cuidados, que podem ser classificadas como AD 1 (baixa complexidade), AD 2 (média complexidade) e AD 3 (alta complexidade), melhores explicadas na tabela abaixo. Serviço de Atenção Domiciliar (SAD): A prestação de assistência à saúde na modalidade AD 2 e AD 3 é de responsabilidade da equipe multiprofissional de atenção domiciliar (EMAD) e da equipe multiprofissional de apoio (EMAP). O EMAD é composto por 1 ou 2 médicos + 1 ou 2 enfermeiros + auxiliares/técnicos de enfermagem + fisioterapeuta e/ou assistente social. Já o EMAP, possui três dos seguintes profissionais – assistente social, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, odontólogo, psicólogo, farmacêutico e terapeuta ocupacional. 13 Na realidade, a própria equipe de saúde da família realiza a elaboração da lista de pacientes que necessitam da atenção domiciliar permanentemente e provisoriamente. Algumas questões a serem levadas são o alto grau de dificuldade no acesso ao local de atendimento ou de insegurança para a equipe e a ausência de condições ambientais e de higiene necessárias para o cuidado e o tratamento. Além disso, é necessário que haja a elaboração de um consentimento formal do paciente ou da família/cuidador por meio da assinatura do termo de consentimento padronizado. Tema 07 – Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) As Doenças Crônicas Não Transmissíveis são grupos de doenças que se caracterizam por terem uma etiologia incerta, múltiplos fatores de risco, longos períodos de latência, curso prolongado e por estarem associadas a deficiências eincapacidades funcionais. São as maiores causas de morbimortalidade no mundo. Os principais grupos de DCNT são as doenças do aparelho circulatório, câncer, doenças respiratórias crônicas e diabetes. Essas doenças têm em comum um conjunto de fatores de risco modificáveis, passíveis de ações de prevenção. Esses fatores são principalmente: tabagismo, inatividade física, consumo excessivo de álcool e outras drogas, obesidade, dislipidemias e a alimentação inadequada. A vigilância das DCNT visa conhecer a magnitude e a tendência dessas doenças e de seus fatores de risco para apoiar as políticas públicas de promoção da saúde direcionadas à modificação dos fatores de risco supracitados, bem como para subsidiar a organização dos serviços de saúde. Ressalta-se que as ações de promoção da saúde e de prevenção das DCNT são desenvolvidas de forma intersetorial e, no setor saúde, envolve, principalmente, a atenção primária. Tema 08 – Complexidade e Integralidade na APS e DCNT As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são fundamentais para a coordenação e a integração dos serviços e das ações em saúde. Dessa maneira, cabe a elas a integralidade e a qualidade do cuidado à saúde. As RASs consistem em um programa de organização do conjunto de serviços e ações em distintas densidades tecnológicas que, integradas por meio de estruturas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado as pessoas de uma região em saúde. Os serviços de saúde são constituídos por pontos de atenção à saúde (locais de prestação de serviço), como: UBS, unidade de cuidado intensivo, hospital, ambulatório de cirurgia, ambulatório de atenção especializada e serviço de atenção domiciliar. REGIÃO DE SAÚDE: espaço geográfico contínuo, preferencialmente delimitado a partir de identidades culturais, econômicas, sociais, de redes de comunicação e infraestrutura de transportes compartilhados, com a fim de permitir a organização, o planejamento e a execução das ações e dos serviços necessários. Alguns atributos das RAS são: população e território definidos com amplo conhecimento de suas necessidades e preferencias (determinam a oferta dos serviços de saúde); extensa gama de estabelecimentos Fatores de Risco para DCNT 14 que prestam serviços de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, gestão de casos, reabilitação e cuidados paliativos e integram os programas com foco em doenças e populações específicas; integração, continuidade e coordenação do cuidado; atenção centrada no indivíduo, na família e na comunidade; definição de objetivos a curto, médio e longo prazos; gestão integrada dos sistemas de apoio administrativo, clínico e logístico; financiamento tripartite, garantido e suficiente de acordo com as metas da rede; ação intersetorial e abordagem dos determinantes da saúde. Os componentes dessa rede estão descritos abaixo: a. SERVIÇOS DE AB/APS: centro de comunicações da rede, tendo um papel chave na estruturação desta, como ordenadora e coordenadora do cuidado, além de realizar o cuidado integral e contínuo da população que está sob sua responsabilidade, além de ser a porta de entrada. b. SERVIÇOS DE ATENÇÃO ESPECIALIZADA: conjunto de diversos pontos de atenção de atenção, com diferentes densidades tecnológicas, que incluem ações e serviços de urgência, ambulatoriais, especializados e hospitalares, sendo apoio e complemento dos serviços de AB. c. SERVIÇOS DE URGÊNCIA/EMERGÊNCIA: conjunto de ações voltadas aos usuários que necessitem de cuidados imediatos nos diferentes pontos de atenção, inclusive de acolhimento aos usuários que apresentem agudização as condições crônicas. Portaria n° 252/2013: A relevância das condições crônicas como necessidade de saúde levou à publicação dessa portaria, que instituiu a Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas no âmbito do SUS. O seu objetivo é promover a reorganização do cuidado e sua qualificação, ampliando, assim, as estratégias de cuidado e a promoção da saúde/prevenção de desenvolvimento de doenças crônicas e agravos. O plano de ações estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas no Brasil é estruturado em três eixos, que são: vigilância, informação, avaliação e monitoramento; promoção da saúde; e cuidado integral. Princípios e Diretrizes das RAS para a População com DCNT: Propiciar o acesso e o acolhimento aos usuários com doenças crônicas em todos os pontos de atenção. Humanização da atenção, buscando a efetivação de um modelo centrado no usuário. Articulação entre diversos serviços e ações de saúde. Atuação territorial, com definição e organização da rede nas atenções de saúde, por meio da identificação das necessidades com os indicadores da estrutura, processo e desempenho. Rede de Atenção à Saúde 15 Autonomia dos usuários, com constituição de estratégias de apoio ao autocuidado. Regulação articulada entre os componentes da rede, garantindo equidade e integralidade do cuidado. Formação profissional e educação permanente, por meio de atividades que visem à aquisição de conhecimentos, habilidades e atitudes dos profissionais de saúde para qualificação do cuidado, de acordo com a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Plano de Ações Estratégicas para Enfrentamento de DCNT: Promover o desenvolvimento e a implementação de políticas públicas efetivas, integradas, sustentáveis e baseadas em evidências para a prevenção e o controle das DCNT e seus fatores de risco, além de fortalecer os serviços de saúde voltados às doenças crônicas. Vigilância, informação e monitoramento. Promoção da saúde; cuidado integral. Atenção integral à saúde; vigilância em saúde; ambientes e territórios saudáveis; desenvolvimento saudável; equidade em saúde; saúde mental; gestão do conhecimento e informação para a saúde; inovação em saúde; educação e comunicação em saúde. Tema 09 – Atendimento por Recursos Digitais e Telemedicina Telessaúde: A telessaúde, como componente da Estratégia de Saúde Digital (ESD) para o Brasil, tem como finalidade a expansão e a melhoria da rede de serviços de saúde, sobretudo da APS, e sua integração com os demais níveis de atenção, fortalecendo as Redes de Atenção à Saúde do SUS. Para definir essa prática, foi criada a Portaria n° 9795/2019, em que o MS estabeleceu as diretrizes da telessaúde no Brasil, por meio do Departamento de Saúde Digital no âmbito do SUS: Transpor barreiras socioeconômicas, culturais e geográficas para que os serviços e as informações em saúde cheguem a toda a população; Maior satisfação do usuário, maior qualidade do cuidado e menor custo para o SUS; Atender aos princípios básicos de qualidade dos cuidados de saúde: segura, oportuna, efetiva, eficiente, equitativa e centrada no paciente; Reduzir filas de espera e reduzir tempo para atendimentos ou diagnósticos especializados; Evitar deslocamentos desnecessários de pacientes e de profissionais de saúde. Programa Telessaúde Brasil Redes: Trata-se de uma iniciativa em âmbito nacional que busca melhorar a qualidade do atendimento e da atenção básica no SUS, integrando o ensino e o serviço por meio de ferramentas de tecnologias da informação que oferecem condições para promover a teleassistência e a teleducação. a. OBJETIVOS: melhora da qualidade do atendimento na APS, com resultados positivos na resolubilidade do nível primário de atenção, expressiva redução dos custos e do tempo de deslocamento; fixação de profissionais em locais de difícil acesso; melhor agilidade no atendimento; otimização de recursos do SUS. b. ESTRUTURA: Núcleo de Telessaúde Técnico Científico (instituições formadoras e de gestão e/ou serviços de saúde responsáveispela formulação e gestão das teleconsultorias, telediagnósticos e 2ª opnião formativa); Ponto de Telessaúde (serviços de saúde através dos quais os trabalhadores e profissionais do SUS demandem teleconsultoria e telediagnóstico). 16 Teleconsultoria: consulta registrada e realizada entre trabalhadores, profissionais e gestores da área dasaúde, por meio de instrumentos de telecomunicação bidirecional, com o fim de esclarecer dúvidas sobre procedimentos clínicos, ações de saúde e questões relativas ao processo de trabalho. Pode ser realizado de forma síncroma (chat, web, videoconferência) ou assíncrona (mensagens off-line). Telediagnóstico: serviço autônomo que utiliza das tecnologias de informação e comunicação (TICs) para realizar serviços de apoio ao diagnóstico através de distância. Teleducação: conferências, aulas e cursos, ministrados por meio do uso de TICs. Segunda opinião formativa: resposta sistematizada, construída com base em revisão bibliográfica, nas melhoras evidências científicas e clínicas e no papel ordenador da APS, para perguntas originadas das teleconsultorias e selecionadas a partir de critérios de relevância e pertinência em relação às diretrizes do SUS. Telemedicina: Atividade médica mediada pelo uso das Tecnologias Digitais, de Informação e de Comunicação (TDCI), com fim de prestação de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões, gestão e promoção da saúde. Para tanto, a resolução n° 2314/2022 prevê que o atendimento pode ser realizado através de sete modalidades, que serão descritas abaixo: a. TELECONSULTA: consulta médica não presencial por meio das TDIC, com médico e paciente estão distantes e utilizam a plataforma de videoconferência para o ato médico; depois da consulta concluída, assinar o prontuário digital, solicitar exames, fazer prescrições digitais e enviar diretamente ao paciente por e-mail ou por SMS (mensagem). b. TELEINTERCONSULTA: troca de informações entre médicos, com o auxílio de TDIC, com ou sem a presença do paciente, para auxílio diagnóstico ou terapêutico, clínico ou cirúrgico. c. TELEDIAGNÓSTICO: emissão de laudo a distância ou parecer por médico com registro de qualificação de especialista (RQE) na área relacionada ao procedimento (p. ex: médico radiologista), em atenção à solicitação do médico assistente. d. TELECIRURGIA: realização de procedimentos cirúrgicos a distância, com utilização de equipamento médico robótico e mediada por tecnologias interativas seguras. e. TELEMONITORAMENTO/TELEVIGILÂNCIA MÉDICA: ato realizado sob coordenação, indicação, orientação e supervisão por médico para monitoramento ou vigilância a distância de parâmetros de saúde e/ou doença por meio de avaliação clínica e/ou aquisição direta de imagens, sinais e dados de equipamentos e/ou dispositivos agregados ou implantáveis nos pacientes. f. TELETRIAGEM MÉDICA: ato médico com avaliação dos sintomas do paciente, a distância, para realização ambulatorial ou hospitalar, com definição e direcionamento do paciente ao tipo adequado de assistência que necessita ou para um especialista. g. TELECONSULTORIA MÉDICA: ato de consultoria mediado por TDIC entre médicos, gestores e outros profissionais, com a fim de prestar esclarecimento sobre procedimentos administrativos e ações de saúde. Prestação de serviços de saúde à distância, por meio das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). Dis respeito a um campo abrangente, que envolve serviços em teleducação, redes de epidemiologia e gestão. Faz parte desses serviços, pois usa a internet, softwares e plataformas específicas para ofertar laudos médicos a distância. Proposta da OMS para unificar informações sobre o paciente. Tem como objetivo aumentar a qualidade e ampliar o acesso. Visa melhorar o fluxo de informações. Por exemplo, o PEC. 17 Segurança e Privacidade de Dados – Resolução n° 2314/2022 – Artigo 3: Para garantir o respeito ao sigilo médico na relação com o paciente, os dados e as imagens contidas nos prontuários devem ser preservados. Além disso, segurança, garantia de trabalho, integridade, autenticidade, confidencialidade, privacidade e sigilo profissional das informações deve atender a lei (LGPD) e as normas do CFM. O atendimento deve ser registrado em prontuários físicos ou em sistemas de informação, no Sistema de Registro Eletrônico de Saúde (SRES), atendendo aos padrões de representação, terminologia e interoperabilidade. Autonomia na Decisão Médica – Resolução n° 2314/2022 – Artigo 4: Médicos devidamente cadastrados nos conselhos regionais de medicina terão autonomia para decidir sobre o uso ou não de telemedicina ou para indicar atendimento presencial quando julgar necessário. Em conformidade com as normas éticas e legais, a autonomia está limitada ao princípio de benefício e cuidado. Autorização do Paciente – Resolução n° 2314/2022 – Artigo 15: Paciente ou representante legal devem autorizar o serviço de telemedicina e a transmissão de suas imagens e dados por meio do consentimento livre e esclarecido, autorizando-o por meio eletrônico ou gravando a leitura do texto. A autorização deve ser parte do Sistema de Registro Eletrônico de Saúde (SRES). Fiscalização – Resolução n° 2314/2022 – Artigo 17: As empresas prestadoras desse serviço devem ter sede estabelecida em território brasileiro e inscrição no CRM do estado em que estão sediadas, tal como responsabilidade técnica do médico regularmente inscrito nesse mesmo conselho. A fiscalização será realizada pelos CRMs, que também manterão a vigilância e a avaliação das práticas em termos de qualidade do atendimento, da relação médico-paciente e do sigilo. Tema 10 – DM Centrada na Pessoa DM é uma síndrome caracterizada por hiperglicemia crônica, resultante de defeitos na ação da insulina, na secreção de insulina ou em ambas. Essa doença pode ser classificada em DM tipo 1 (destruição de células beta-pancreáticas, sendo a maioria dos casos por origem autoimune), DM tipo 2 (defeitos na secreção e na ação da insulina; 90% dos casos de diabetes), DM gestacional (defeitos na secreção e ação de insulina na gestação) e outros tipos específicos de DM (defeito ou processo subjacente específicos). Manifestações Clínicas: A maioria dos pacientes é assintomático nos estágios iniciais e a hipergliceridemia geralmente é detectada nos exames laboratoriais de rotina. Quando presentes, os principais sintomas são os P’s, com Patamares de Atuação para a Telemedicina 18 poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso. Outros sintomas que podem estar presentes são a noctúria, turvação visual, infecções de urina, infecções genitais e outros. A cetoacidose diabética (DM 1) e o coma hiperismolar não cetótico (DM 2) são as formas de apresentação mais graves da patologia e podem exigir que ocorra remoção imediata dos pacientes para tratamento em unidades de emergência. No exame físico, em geral os pacientes não apresentam alterações ao diagnóstico, mas pode ocorrer a presença de Acantose nigricans que denota à resistência insulínica. Fatores de Risco: Alguns fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus são: sobrepeso ou obesidade, dislipidemia, triglicerídios > 250 mg/dl, hipertensão arterial sistêmica (HAS), doença aterosclerótica, pré- diabetes, estigmas de resistência insulínica (Acantose nigricans), sedentarismo, história familiar de diabete mellitus em parentes de 1° grau, mulheres com DM gestacional, síndrome dos ovários policísticos (SOP). Diagnóstico: O diagnóstico da diabete mellitus é realizado de acordo com o quadro clínico de cada paciente, conforme descrito abaixo. Além disso, os exames de rastreamento indicados são:glicemia de jejum, hemoglobina glicada (HbA1c) e glicemia 2 horas após a sobrecarga de 75 g de glicose anidra (TOTG-2h). Em algumas raras situações, em especial em adultos jovens, é necessário solicitar anticorpos anti-ilhota (ICA, do inglês islet-cell antibody), anti-insulina (IAA) e antidescarboxilase do ácido glutâmico (anti-GAD) para diferenciar DM 1 e DM 2 (presentes no tipo 1). Se apenas glicemia de jejum, não é diagnóstico para DM. a. EM UMA MESMA AMOSTRA DE SANGUE: Glicemia jejum ≥126 mg/dL e HbA1c ≥6,5%. b. DOIS EXAMES ALTERADOS: Glicemia jejum ≥126 mg/dL ou HbA1c ≥ 6,5% ou TOTG-2h ≥200 mg/dL. Se apenas um exame estiver alterado, este deve ser repetido para confirmação. c. PRÉ-DIABETES: Glicemia jejum entre 100 e 125 mg/dL ou HbA1c entre 5,7 e 6,4% ou TOTG-2h entre 140 e 199 mg/dL. Manifestações Clínicas da DM tipo 1 Manifestações Clínicas da DM tipo 2 19 Rastreamento: É recomendado o rastreamento para todos os indivíduos com 45 anos ou mais, mesmo sem fatores de risco, e para indivíduos com sobrepeso/obesidade que tenham pelo menos um fator de risco adicional para DM 2. A repetição deve ser considerada em intervalos de, no mínimo, três anos. E em adultos com exames normais, porém mais de um fator de risco para DM 2, deve ser considerado repetir o rastreamento laboratorial em intervalo não superior a 12 meses. a. SINTOMÁTICOS: em caso de sintomas inequívocos de hiperglicemia (poliúria, polifagia, polidipsia e emagrecimento), a glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL confirma o diagnóstico, sem necessidade de outros exames para comprovação. b. ASSINTOMÁTICOS: o rastreamento é recomendado para todos os pacientes sem fator de risco com idade ≥ 35 anos e para aqueles de qualquer faixa etária com sobrepeso ou obesidade que possuam fator de risco adicional. Também indicado em pacientes com alterações pancreáticas, endocrinopatias, infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), doença periodontal ou esteatose hepática. Tratamento: O tratamento não farmacológico é feito com o foco nas mudanças no estilo de vida (MEV). Para isso, é importante que o paciente realize atividades físicas (ao menos 150 minutos por semana de atividade de intensidade moderada a intensa), redução do peso (IMC deve estar entre 18,5 a 24,9), dieta, moderar/cessar o tabagismo e o etilismo, entre outros. Pacientes com sobrepeso ou obesos devem emagrecer pelo menos 5% do seu peso. Além disso, é importante que o profissional de saúde oriente para o cuidado com os pés. Critérios de Rastreamento para DM Critérios Diagnósticos para DM 20 Por outro lado, o tratamento farmacológico varia de acordo com o tipo de classificação da DM. Os antidiabéticos orais mais utilizados no SUS são as biguanidas (metformina), as sulfanilureias (glibenclamida, glicazida) e as insulinas (NPH, regular). a. DM 1: Para um controle adequado e para evitar cetoacidose e coma, é necessária a insulinização plena, com múltiplas doses ao dia, associando a insulina basal a bolus de insulina ultrarrápida ou rápida. É um esquema complexo que exige o acompanhamento por especialista experiente nessa técnica. b. DM 2: O tratamento é feito em etapas, com complexidade crescente. O tratamento inicial indicado é a MEV associada ao uso de metformina. Caso o controle esteja inadequado, mesmo com essas medidas, recomenda-se a introdução progressiva de outros fármacos, evoluindo também para insulinoterapia. Medicação Especificações Importantes Baixo custo (geralmente disponível no SUS), sem risco de hipoglicemia, neutra em relação ao peso, contraindicada se TFGe 2, pode causar diarreia, náuseas e deficiência de vitamina B12. Baixo custo (geralmente disponível no SUS), risco elevado de hipoglicemia (menor risco com Gliclazida MR), pode causar ganho de peso. Custo intermediário, sem risco de hipoglicemia, pode causar ganho de peso e retenção hídrica; contraindicada em insuficiências cardíaca (classes III e IV) e hepática. Custo intermediário, pode causar perda de peso e provoca efeitos gastrintestinais importantes (flatulência, diarreia). Custo intermediário, neutros em relação ao peso, podem ser utilizados quando função renal reduzida (para ajuste da dose, avaliar bulas individualmente. Linagliptina não necessita de ajuste), podem causar dor articular e deve-se descontinuar o uso caso suspeita de pancreatite. Potencial risco de insuficiência cardíaca com a Saxagliptina. Custos elevados, sem risco de hipoglicemia, podem causar perda de peso, apresentam benefício cardiovascular, associam-se à redução na progressão de doença renal (avaliar bulas individualmente para valores de TFGe permitidos), podem provocar infecção geniturinária, depleção de volume e, raramente, gangrena de Fournier e cetoacidose. Custos elevados, sem risco de hipoglicemia, podem causar perda de peso, apresentam benefícios cardiovasculares e renais (Dulaglutida, Liraglutida e Semaglutida), podem provocar efeitos gastrintestinais indesejáveis, como náuseas, vômitos e diarreia. Custo variável de baixo (NPH e regular geralmente disponíveis no SUS) a elevado (análogos). Podem causar ganho de peso, apresentam risco elevado de hipoglicemia e deve-se ajustar. Alguns fatores que impactam na escolha do tratamento dos pacientes são: doenças renais, cardiovascular e/ou alterações visuais; efeitos adversos; influência no peso corporal; custo inicial e de manutenção; complexidade do regime terapêutico; expectativa de vida; auxílio de terceiros na administração e outros. A abordagem terapêutica centrada na pessoa permite um melhor entendimento das questões pessoais do paciente, do seu entorno, suas motivações e suas crenças. A individualização do tratamento possibilita alcançar desfechos mais favoráveis e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida. O alvo do tratamento visa o bem-estar e o alcance de valores de glicemia e hemoglobina glicada próximos aos normais. O diabetes mellitus tipo 2 deve ser acompanhado regularmente com monitorização do tratamento e rastreamento de complicações crônicas segundo indicação. 21 Complicações Crônicas: As complicações crônicas do DM são decorrentes principalmente do controle inadequado, do tempo de evolução e de fatores genéticos da doença. As complicações crônicas microvasculares englobam a nefropatia diabética, a retinopatia diabética e a neuropatia diabética. Os pacientes podem apresentar complicações crônicas no momento do diagnóstico, portanto devem ser avaliadas já na primeira consulta. As complicações crônicas macrovasculares, como o próprio nome diz, são resultantes de alterações nos grandes vasos e causam infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e doença vascular periférica. a. RETINOPATIA DIABÉTICA: Avaliação anual, podendo ser menor caso haja retinopatia ou maculopatia. b. NEFROPATIA DIABÉTICA: Avaliação anual de albuminúria (relação albumina/creatinina urinárias em amostra única) e dosagem de creatinina sérica para o cálculo da taxa de filtração glomerular estimada. c. PÉ DIABÉTICO: Avaliar mediante exame físico, com indicação de testes de neurocondução, quando houver dúvida diagnóstica. Tema 11 – HAS Centrada na Pessoa A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é definida como a ocorrência de elevação da pressão arterial de forma crônica, o que leva ao desenvolvimento de lesões crônicas de órgãos e risco aumentado para eventos cardiovasculares e cerebrovasculares. Trata-se de uma condição clínica multifatorial definida como uma pressão arterial sustentada maior ou igual a 140 mmHg sistólica e 90 mmHg diastólica. Cerca de 90% dos pacientes com PA elevada não tem uma única causa reversível, por isso o termo Hipertensão Primária. Entretanto, a maioria desses pacientes apresenta comportamentos como consumo excessivo de calorias, sal, álcool e falta de atividade física, o que contribui para a hipertensão. FATORES DE RISCO: idade > 60 anos, sobrepeso/obesidade, aumento da circunferência abdominal, sedentarismo, tabagismo, etilismo, dislipidemia, intolerância à glicose/DM, síndrome metabólica, doença arterial obstrutiva periférica, história familiar/genética, redução do n° de néfrons, dieta rica em sódio (> 3000 mg/dia), hipovitaminose D, fatores socioeconômicos, transtornos de personalidade e depressão. Algoritmo para Tratamento da DM 2 22 DROGAS QUE PODEM CONTRIBUIR PARA A HAS: antiinflamatórios não esteroides, anticoncepcionais com altas doses de estrogênio, antidepressivos (tricíclicos e ISRS), corticoides, estimulantes, anfetaminas, metanfetaminas, cocaína, drogas simpaticomiméticas, descongestionantes nasais (pseudoefedrina), eritropoietina, ciclosporina. Classificação da HAS em Estágios: PRÉ-HIPERTENSÃO: PAS entre 121 e 139 e/ou PAD entre 81 e 89 mmHg. HIPERTENSÃO ESTÁGIO 1: PAS 140 – 159 mmHg PAD 90 – 99 mmHg. HIPERTENSÃO ESTÁGIO 2: PAS 160 – 179 mmHg PAD 100 – 109 mmHg. HIPERTENSÃO ESTÁGIO 3: PAS ≥ 180 mmHg PAD ≥ 110 mmHg. HIPERTENSÃO MASCARADA: valores normais de PA no consultório, mas PA elevada no MAPA ou MRPA. HIPERTENSÃO DO AVENTAL BRANCO: valores anormais da PA no consultório, mas com valores normais no MAPA ou MRPA. Diagnóstico: Será considerado hipertenso o paciente que mantiver pressões ≥140x90 mmHg em, pelo menos, duas consultas espaçadas em dias ou semanas. Pacientes classificados como hipertensão estágio 3 (≥180x110 mmHg) podem receber o diagnóstico na primeira consulta. a. MONITORIZAÇÃO AMBULATORIAL (MAPA): Método que permite a aferição da pressão arterial durante o dia e a noite, por meio de medidas, geralmente, a cada 15-20 minutos durante o dia e a cada 30-60 minutos durante o sono. Pode diagnosticar e confirmar o diagnóstico de hipertensão, bem como identificar casos de hipertensão do jaleco branco e hipertensão mascarada. b. MONITORIZAÇÃO RESIDENCIAL (MRPA): Método de medida da pressão arterial na residência do paciente com esfigmomanômetro digital certificado, por cinco dias (com três medidas pela manhã e três medidas à tarde), podendo ser realizado por profissional ou pelo próprio paciente treinado. Considera- se normal uma média de pressões. Estabelecido o diagnóstico de hipertensão arterial, alguns exames devem ser solicitados, sendo eles os seguintes: eletrólitos e função renal, glicemia de jejum, perfil lipídico, ácido úrico, urinálise, microalbuminúria ou estimativa de proteína em amostra, hemograma completi, hormônio tireoidiano, eletrocardiograma e cálculo do risco cardiovascular. Outros exames devem ser solicitados caso acredite-se Classificação da HAS 23 ser necessária a investigação adiciona, sendo eles os seguintes: ecocardiograma, ultrassonografia de carótidas e vertebrais, investigação de hipertensão secundária (quando o quadro tem início antes dos 30 anos). Tratamento: O tratamento é realizado com estratégias não farmacológicas (MEV) e farmacológicas. Na maioria dos indivíduos é preconizado os dois tipos de tratamento, já que a adesão das medidas comportamentais a médio e longo prazo costumam ser mínimas. A decisão terapêutica deve ser baseada no nível da PA, presença de fatores de risco, lesão de órgão alvo ou doença cardiovascular. A terapia não farmacológica deve ser tentada por 3 meses nos hipertensos com risco baixo e 6 meses nos hipertensos com risco moderado. É fundamental acompanhar esses indivíduos para avaliar a adesão ao tratamento não farmacológico. A terapia não-medicamentosa envolve o controle ponderal, medidas nutricionais (controle do consumo de sódio, alimentação com fibras, ácidos graxos insaturados, oleaginosas, laticínios e etc), prática de atividade física, cessação do tabagismo, redução do consumo de álcool e controle do estresse. O risco cardiovascular deve ser avaliado em todo paciente hipertenso, pois auxilia na decisão terapêutica e no prognóstico. A estratificação do RCV do hipertenso é baseada na avaliação é determinar o risco global diretamente relacionado à hipertensão. Medicação Especificações Importantes Ação: efeitos natriuréticos com diminuição do volume extracelular e redução da resistência vascular periférica. Representantes: hidroclorotiazida, clortalidona, indapamida. Efeitos adversos: fraqueza, câimbras, hipovolemia, disfunção erétil, hipopotassemia, aumento do ácido úrico. Observações: deve-se da preferência aos diuréticos tiazídicos ou similares (clortalidona, hidroclorotiazida e indapamida) em doses baixas. Usar os diuréticos de alça (furosemida e bumetanida) em casos de insuficiência renal e edema. Poupadores de potássio (espironolactona e amilorida) são usados em associação com tiazídicos. Tratamento Farmacológico da HAS 24 Ação: estímulo de receptores alfa 2 envolvidos nos mecanismos simpatoinibitórios. Diminuem a atividade simpática e o reflexo dos barorreceptores contribuindo para bradicardia relativa; reduz níveis plasmáticos de renina e retêm fluidos. Representantes: metildopa, clonidina, guanabenzo, monoxidina e rilmenidina. Efeitos adversos: sonolência, sedação, boca seca, fadiga, hipotensão postural e disfunção erétil. Metildopa pode provocar reações autoimunes como febre, galactorreia e disfunção hepática. Clonidina apresenta maior risco de efeito rebote. Observações: uso de clonidina pode ser favorável em casos associados a sd das pernas inquietas, retirada de opioides, diarreia associada a neuropatia diabética. Ação: diminuição do DC e secreção de renina com readaptação dos barorreceptores e diminuição das catecolaminas. Representantes: propranolol, atenolol, metoprolol, carvedilol. Efeitos adversos: broncoespasmo, bradicardia, vasoconstrição periférica, insônia, pesadelos, depressão psíquica, astenia e disfunção sexual. Observações: os BB de primeira e segunda geração são contraindicados nos pacientes com asma, DPOC e bloqueio atrioventricular de 2 e 3º grau. Ação: antagonistas competitivos dos receptores alfa 1 pós-sinápticos levando a redução da RVP e do DC. Representantes: doxazosina, prazosina e terazosina. Efeitos adversos: hipotensão sintomática na primeira dose, incontinência urinária. Observações: efeito hipotensor discreto, usado em associação. Ação: relaxam a musculatura lisa arterial e levando a redução da RVP. Representantes: hidralazina e minoxidil Efeitos adversos: cefaléia, taquicardia reflexa e reação lúpus like. Observações: Hirsutismo com monoxidil ocorre em cerca de 80% dos pacientes. Ação: redução da RVP devido a redução do cálcio intracelular. BCC di-idropiridínicos: efeito vasodilatador predominante, com mínima interferência na frequência e na função sistólica. BCC não di-idropiridínicos: menor efeito vasodilatador, e podem ser bradicardizantes e antiarrítmicos, o que restringe seu uso a alguns casos específicos Representantes: BCC di-idropiridínicos (amlodipino, nifedipino, felodipino, nitrendipino, manidipino, lercanidipino, levanlodipino, lacidipino isradipino, nisoldipino, nimodipino). Não di-idropiridínicos (verapamil e diltiazem). Efeitos adversos: edema maleolar, cefaléia, rubor facial, hipertrofia gengival. Observações: em geral são usados como uma alternativa aos BBs quando esses não puderem ser utilizados, ou mesmo, em associação, quando em angina refratária. Ação: inibição da enzima conversora de angiotensina I, impedindo a transformação de angiotensina I em angiotensina II, de ação vasoconstritora. Representantes: captopril, enalapril, ramipril, lisinopril. Efeitos adversos: tosse seca, elevação da uréia e creatinina, hipopotassemia em pacientes com insuficiência renal e diabéticos. Observações: retardam o declínio da função renal em pacientes com nefropatia diabética ou de outras etiologias. Seu uso é contraindicadona gravidez. Ação: antagonizam a ação da angiotensina II por meio do bloqueio específico dos receptores AT1, responsáveis pelas ações vasoconstritoras, proliferativas e estimuladoras da liberação de aldosterona, próprias da angiotensina I Representantes: losartana, valsartana, candesartrana, olmesartrana, telmisartrana. Efeitos adversos: são incomuns. Exantema raramente observado. Observações: contraindicado na gravidez. 25 Ação: inibição direta da ação da renina com consequente diminuição da formação de angiotensina II. Representantes: alisquireno. Efeitos adversos: rash cutâneo, diarréia, tosse. Observações: contraindicado na gravidez. Situações Especiais: HIPERTENSÃO MALIGNA: Complicação grave da HAS não tratada. Mais comum no sexo masculino, jovens, negros e com predisposição genética. Incide em 1% dos hipertensos. Ocorre comprometimento rapidamente progressivo (em geral, em meses) de órgão-alvo por isquemia (cérebro, coração e rim). HIPERTENSÃO RESISTENTE: Hipertensão não controlada, a despeito da utilização de três anti- hipertensivos em doses máximas de classes diferentes, sendo um deles um diurético (se tolerado); ou hipertensão controlada com quatro ou mais classes de anti-hipertensivos. HIPERTENSÃO REFRATÁRIA: Hipertensão não controlada, a despeito de terapia otimizada máxima (uso de cinco drogas ou mais em doses otimizadas, incluindo a Clortalidona/Indapamida e a Espironolactona). HIPERTENSÃO SECUNDÁRIA: Elevação de pressão arterial secundária a outras doenças. Geralmente, se resolve quando o fator causal é retirado. EMERGÊNCIA OU URGÊNCIA HIPERTENSIVA: Elevação súbita de pressão arterial, geralmente com valores >180 x 120 mmHg, podendo levar a uma emergência (lesão aguda de órgão-alvo) ou urgência hipertensiva (sem lesão aguda de órgão-alvo). Paciente assintomático na urgência hipertensiva pode ser manejado na APS. Lesões em Órgãos-Alvo: Órgão Síndrome Clínica Manifestações Clínicas Insuficiência Cardíaca Dispneia aos esforços, ortopneia, palpitações, edema de MMII Insuficiência Renal Edema matutino, palidez, perda de peso, noctúria, redução do volume urinário. Retinopatia Hipertensiva Embaçamento visual, estocomas visuais, diminuição da acuidade visual. Doença Cerebrovascular Paresia, plegia, parestesias. Combinações Possíveis de Anti- Hipertensivos 26 Tema 12 – Violência e Maus-Tratos contra Crianças e Adolescentes A violência/maus-tratos contra crianças e adolescentes pode ser definida como toda ação ou omissão, conscientemente aplicada ou não, que venha a lhe provocar dor (física ou emocional). Quando essa violência é exercida por parte de familiares ou pessoas na condição de cuidadores/responsáveis é chamada de violência doméstica ou intrafamiliar. Existem 4 principais categorias: a. VIOLÊNCIA FÍSICA: prática de qualquer ação, única ou repetida, com uso da força contra o outro de forma intencional, cometida por um indivíduo mais velho do que a criança ou adolescente, com o objetivo de ferir, lesar ou destruir a vítima, provocando danos físicos, deixando ou não marcas evidentes. b. NEGLIGÊNCIA OU OMISSÃO DO CUIDAR: atitudes de omissão para com a criança ou adolescente, de forma crônica, praticados por seus cuidadores/responsáveis, comprometendo higiene, nutrição, saúde, educação, proteção e afeto, em vários aspectos e níveis de gravidade, sendo o abandono o grau máximo. c. VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA: submissão da criança ou adolescente a ações verbais ou atitudes que visem a humilhação e desqualificação, culpabilização, indiferença, rejeição ameaça e outros que possam levar danos ao seu desenvolvimento psíquico, moral e/ou social. Pode também ser por interferência negativa do cuidador/responsável nas competências intelectuais e sociais da criança, por meio de isolamento, terror, abandono, cobrança indevida, discriminação, desrespeito e corrupção. d. VIOLÊNCIA SEXUAL: uso da criança ou adolescente para gratificação sexual pelo adulto ou adolescente mais velho, incluindo atos ou jogos sexuais hétero ou homossexuais, variando desde a erotização precoce até o sexo propriamente dito. Considera-se estupro de vulnerável qualquer ato sexual envolvendo crianças ou adolescentes menores de 14 anos e qualquer outros que por alguma razão tenha incapacidade física ou mental de oferecer resistência. Conduta: O pediatra ou profissional da saúde deve estar apto para identificar suspeitas de violência contra crianças e adolescentes, além de assegurar o diagnóstico, o tratamento e os meios de proteção adequados para as situações de risco de maus-tratos. É importante definir os níveis de gravidade de acordo com os tipos e a extensão das lesões. Sempre acolher a vítima e não se deixar intimidar por atitudes agressivas dos cuidadores e responsáveis (reforçam as suspeitas de agressão). Diante de quadro de suspeita de agressão, a notificação de suspeita ou confirmação, definida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pelo Ministério da Saúde, deve ser obrigatoriamente realizada. Atos de violência sexual devem ser sempre comunicados ao Conselho Tutelar e aos órgãos de segurança (delegacia) e justiça (vara de crimes, vara da infância e da adolescência). Devem ser rediginas no mínimo 2 notificações: conselho tutelar (medidas protetoras às supostas vítimas) e SINAN (estabelecimento do perfil epidemiológico da violência). Prognóstico e Prevenção: Dependendo do da idade, da intensidade e do tempo de exposição a violência, esses atos podem resultar em alterações na formação da criança, desencadeando danos no desenvolvimento físico, moral, Fluxograma para Notificação 27 intelectual ou psicossocial. Já a prevenção, deve ser realizada quando maiores fatores de risco para maus- tratos, como ausência, perda ou diminuição dos vínculos entre vítima e responsáveis, e com acompanhamento adequado e longitudinal da família, a fim de contribuir para a manutenção do vínculo e evitar o desenvolvimento de violência. Tema 13 – Política Nacional de Promoção à Saúde O processo saúde-adoecimento é decorrente de múltiplos e complexos aspectos, cabendo ao setor Saúde torná-los cada vez mais visíveis. Desta forma, na perspectiva da promoção da saúde, a articulação intersetorial deve estimular e impulsionar os demais setores a considerar, na construção de suas políticas específicas, os fatores e as condições de vulnerabilidade, os riscos e as potencialidades da saúde que afetam a vida da população, responsabilizando, assim, todos os setores e fazendo com que a saúde componha as agendas de todas as políticas públicas. Propõe-se, então, que as intervenções em saúde ampliem seu escopo, tomando como objeto os problemas e as necessidades de saúde e seus determinantes e condicionantes, de modo que a organização da atenção e do cuidado envolva, ao mesmo tempo, as ações e os serviços que operem sobre a saúde e o adoecimento, com um olhar para além dos muros das unidades de saúde e do sistema de saúde, incidindo sobre as condições de vida e favorecendo a ampliação de escolhas saudáveis. A saúde exige a participação ativa de todos os sujeitos na análise e na formulação de ações que visem à sua promoção. Assim, a abordagem da promoção da saúde aponta para o desenvolvimento de políticas públicas e para a produção e disseminação de conhecimentos e práticas de saúde de forma compartilhada e participativa. Neste sentido, a Política Nacional de Promoção da Saúde – em seu processo de implementação nas várias esferas de gestão do SUS e na interação entre o setor Sanitário e os demais setores das políticas públicas e da sociedade – vem para provocar mudanças nos modos de organizar, planejar, realizar, analisar e avaliar o trabalho em saúde. Objetivos da PNPS: A culminância deste processo