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Resumo APS 02

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1 
 
Internato APS 02 – Sarah Yumi S. Nishikawa 
Resumo para N1 Nacional 
 
Temas APS 2 – 2023/2 
 
1. Atenção Primária à Saúde e Estratégia de Saúde da Família 
2. Medicina da Família e Comunidade e Programa Mais Médicos 
3. Análise de métodos diagnósticos e estudos epidemiológicos 
4. Medicina legal (principais documentos médicos) 
5. Medicina baseada em evidências 
6. Visitas domiciliares e atenção domiciliar na ESF 
7. Doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) 
8. Complexidade e integralidade na APS e DCNT 
9. Atendimento por recursos digitais e telemedicina 
10. Diabetes Mellitus (DM) 
11. Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) 
12. Violência e maus-tratos contra crianças e adolescentes 
13. Política Nacional de Promoção à Saúde 
14. Programa de vacinação 
15. Violência sexual e autoprovocada 
16. Doenças de notificação compulsória 
17. Saúde do trabalhador e CAT 
 
Tema 01 – Atenção Primária à Saúde e ESF 
 A atenção primária à saúde é o primeiro contato da assistência continuada centrada na pessoa, de 
forma a satisfazer suas necessidades de saúde, que só refere os casos muito incomuns que exigem atuação 
mais especializada (Atenção Primária à Saúde = Atenção Básica). Trata-se do primeiro nível de atenção em 
saúde e se caracteriza por um conjunto de ações se saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a 
promoção e a proteção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de 
danos e manutenção de saúde. 
 A atenção básica tem como objetivo o desenvolvimento de uma atenção integral que impacte 
positivamente na situação de saúde das coletividades. Além disso, a APS coordena os cuidados quando a 
população recebe assistência em outro nível de atenção (primeiro contato, integralidade, longitudinalidade 
e coordenação). Dessa forma, as diretrizes da APS são a regionalização e hierarquização (Redes de Atenção 
à Saúde), territorialização e adscrição, população adscrita, cuidado centrado na pessoa, resolutividade, 
longitudinalidade do cuidado, coordenação do cuidado, ordenação das redes e participação da comunidade. 
 Atributos essenciais da APS: 1° contato, integralidade, longitudinalidade, coordenação do cuidado. 
 Atributos derivados da APS: orientação familiar, orientação comunitária, competência cultural. 
 Princípios da APS: universalidade, integralidade, equidade. 
 
Definição de território e territorialização  Responsabilização sanitária  Porta de entrada preferencial  
Adscrição de usuários e desenvolvimento de vínculo  Acesso universal e não excludente  Acolhimento 
 
 
2 
Financiamento da APS: 
a. CAPITAÇÃO PONDERADA: número de pessoas cadastradas e ajuste por vulnerabilidade 
socioeconômica, perfil de idade e classificação rural-urbana. 
b. PAGAMENTO POR DESEMPENHO: resultado de indicadores recalculados a cada quatro competências. 
c. INCENTIVO PARA AÇÕES ESTRATÉGICAS: custeio de ações, programas e estratégias como Programa 
Saúde na Hora e Equipe de Saúde Bucal, entre outros. 
 
Estratégia de Saúde da Família (ESF): 
 A ESF é a principal estratégia para a organização da APS. Iniciada em 1994, visa à ampliação da 
cobertura populacional e à regionalização da atenção. Deve ser a porta de entrada do sistema de saúde, 
aprofundando os processos de territorialização e adscrição da clientela. As equipes da ESF são compostas 
por no mínimo 1 médico generalista ou especialista em saúde da família + 1 enfermeiro + 1 técnico/auxiliar 
de enfermagem + 4 a 6 agentes comunitários em saúde. A equipe de saúde bucal é composta por 1 cirurgião 
dentista e 1 auxiliar de consultório. 
 As principais características da Estratégia de Saúde da Família são a territorialização (área de 
abrangência da ESF), adscrição da clientela (cada equipe deve ser responsável pela média de 3.000 pessoas; 
máximo de 4.000) e jornada de trabalho de 30 a 40 horas/semanais. É necessário que a equipe esteja 
preparada para lidar com problemas de alta complexidade com baixa densidade de recursos, ou seja, 
equipamentos reduzidos com o máximo de resolutividade. 
Linha do Tempo no Desenvolvimento da Atenção Básica: 
 Modelo Flexneriano (Americano): curativo; reducionismo biológico; atenção individual; medicina com 
foco na doença; uso indiscriminado de tecnologia; baixa resolutividade. 
 Relatório Dawson (Inglaterra): 1920; primeiro relato de organização doe um sistema de saúde; centros 
de saúde primários; próximos a residência das pessoas; composto de médico generalista, centros de 
especialidade e hospitais, equipes suplementares treinadas; influenciou a criação do NHS (1948). 
 Declaração Alma-Ata: 1978; visa as desigualdades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e 
regiões desfavoráveis. Procura responder às necessidades e problemas de saúde mais prevalentes 
(doenças infectocontagiosas, desnutrição/fome, mortalidade materno-infantil. 
Alterações no 
Financiamento 
da APS 
 
 
 
3 
 Conferência e Carta de Ottawa: 1986; a conferencia teve como objetivo discutir o futuro da saúde 
pública e introduzir o conceito de promoção da saúde. A carta teve objetivo de estabelecer políticas 
saudáveis, criar ambientes favoráveis a saúde, desenvolver competências pessoais, reforçar a ação 
comunitária e reorientar os serviços de saúde. 
 
Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF): 
 O NASF-AB tem como objetivo a ampliação da abrangência e do escopo das ações da APS. É 
composta por diversos profissionais da saúde que buscam dar suporte clínico, pedagógico e sanitário para 
as Estratégias de Saúde da Família e a atenção básica, atuando em conjunto com essas equipes e realizando 
o apoio matricial (gestão de trabalho entre equipe de referência e de apoio, compartilhamento de saberes 
sobre demandas e planejamento conjunto de ações. 
 
Desafios da Atenção Básica/Atenção Primária em Saúde: 
 Financiamento insuficiente; infraestrutura inadequada; baixa informatização do serviço. 
 Necessidade de ampliar o acesso, reduzir o tempo de espera e garantir a atenção nos grupos vulneráveis. 
 Necessidade de melhorar a qualidade dos serviços, incluindo o acolhimento, a resolubilidade e a 
longitudinalidade do cuidado (atributos da APS). 
 Pouca atuação da promoção da saúde e no desenvolvimento de ações intersetoriais (equipes saturadas). 
 Poucos avanços no modelo de atenção e na mudança que se faz necessária ante os modelos 
administrativos vigentes, requalificando a gestão. 
 Inadequadas condições e relações de trabalho, mercado de trabalho predatório e sem direitos trabalhistas 
ou limitados pela reforma da previdência, déficit de provimento de profissões e contexto de baixo 
investimento nos trabalhadores (dificulta a fixação de médicos nas equipes da APS). 
Ferramentas 
do NASF-AB 
Carta de Ottawa 
e Promoção da 
Saúde 
 
 
 
4 
Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP): 
 O método clínico centrado na pessoa é uma estratégia de atendimento em saúde que explora 
simultaneamente no adoecimento (ideias, expectativas, sentimentos, efeitos da funcionalidade) e na doença. 
Ele apresenta como objetivo compreender o paciente como um todo em sua individualidade, a fim de 
encontrar um terreno comum para a realização de decisões mútuas no tratamento conseguindo, assim, uma 
melhor incorporação da promoção em saúde e prevenção de agravos e incrementando uma melhor 
relação/vinculo entre médico-paciente. 
 
Tema 02 – Medicina da Família e Comunidade e Programa Mais Médicos 
 A constituição cidadã de 1988, baseada na declaração de Alma-Ata, foi o alicerce necessário para a 
criação do SUS. Com o amadurecimento do sistema e outras políticas, temos na atenção básica/APS (PNAB 
2017) o modelo de reorganização do sistema de saúde brasileiro. Assim, o estabelecimento deste nível de 
complexidadese dá com a institucionalização da PNPS, por meio da portaria MS/GM 
nº 687/2006, a qual se propõe a ser uma política transversal com vistas a favorecer o diálogo entre os diversos 
setores do governo, setores privados e sociedade, compondo redes de compromisso e corresponsabilidade 
quanto à qualidade de vida da população. Abaixo estão descritos os objetivos propostos pela política: 
Eixos da 
PNPS 
 
 
 
28 
 Promover a qualidade de vida e reduzir as vulnerabilidades e os riscos à saúde, relacionados aos seus 
determinantes e condicionantes. 
 Incorporar ações de promoção da saúde na AB. 
 Ampliar a autonomia e a corresponsabilidade de sujeitos, coletividades e poder público para minimizar 
e/ou extinguir as desigualdades. 
 Promover entendimento da concepção ampliada de saúde entre seus trabalhadores. 
 Contribuir para a resolubilidade do sistema (qualidade – eficácia – eficiência – segurança de ações do PS). 
 Estimular alternativas inovadoras e socialmente inclusivas das ações de PS. 
 Valorizar o uso de espaços públicos para o desenvolvimento das ações de PS. 
 Favorecer a preservação do meio ambiente e a promoção de ambientes mais seguros e saudáveis. 
 Contribuir na elaboração de políticas públicas integradas para a melhoria da qualidade de vida. 
 Ampliar os processos de integração, com base na cooperação, solidariedade e gestão democrática. 
 Prevenir fatores determinantes e/ou condicionantes de doenças e agravos. 
 Estimular a adoção de modos de viver não violentos e desenvolver uma cultura de paz no país. 
 
Valores e Princípios da PNPS: 
a. Reconhece a subjetividade das pessoas e dos coletivos no processo de atenção e cuidado em saúde. 
b. Considera a solidariedade, a felicidade, a ética, o respeito às diversidades, a humanização, a 
corresponsabilidade, a justiça e a inclusão social como valores fundantes. 
c. Adota como princípios a equidade, a participação social, a autonomia, o empoderamento, a 
intersetorialidade, a intrassetorialidade, a sustentabilidade, a integralidade e a territorialidade. 
Diretrizes da PNPS: 
a. O estímulo à cooperação e à articulação intrassetorial e intersetorial para ampliar a atuação sobre 
determinantes e condicionantes da saúde. 
b. O fomento ao planejamento de ações territorializadas de promoção da saúde com base no 
reconhecimento de contextos locais e no respeito às diversidades, a fim de favorecer a construção de 
espaços de produção social, ambientes saudáveis e a busca da equidade, da garantia dos direitos. 
c. Incentivo à gestão democrática, participativa e transparente para fortalecer a participação, o controle 
social e as corresponsabilidades de sujeitos, coletividades, instituições e de esferas governamentais. 
d. A ampliação da governança no desenvolvimento de ações de promoção da saúde que sejam sustentáveis 
nas dimensões política, social, cultural, econômica e ambiental. 
e. Estímulo à pesquisa, à produção e à difusão de experiências, conhecimentos e evidências que apoiem a 
tomada de decisão, a autonomia e a construção compartilhada de ações de promoção da saúde. 
f. Apoio à formação e à educação permanente em promoção da saúde para ampliar o compromisso e a 
capacidade crítica e reflexiva dos gestores e trabalhadores de saúde. 
g. A incorporação das intervenções de promoção da saúde no modelo de atenção à saúde, especialmente 
no cotidiano dos serviços de atenção básica em saúde, por meio de ações intersetoriais. 
h. A organização dos processos de gestão e de planejamento das variadas ações intersetoriais, como forma 
de fortalecer e promover a implantação da PNPS na Rede de Atenção à Saúde (RAS). 
Portaria 
da PNPS 
 
 
 
29 
Tema 14 – Programa de Vacinação 
O Calendário Nacional de Vacinação no Brasil é elaborado e atualizado pelo MS e é projetado para 
proteger a população contra diversas doenças infecciosas. Abaixo, segue um resumo das principais vacinas 
incluídas no calendário, suas indicações, contraindicações, efeitos adversos e faixa etária recomendada: 
BCG (Bacilo Calmette-Guérin): 
 Indicação: Protege contra a tuberculose, especialmente em crianças. 
 Contraindicação: Pessoas imunodeprimidas. 
 Efeitos Adversos: Inchaço no local da aplicação, febre baixa. 
 Faixa Etária: Recém-nascidos até 4 anos. 
Hepatite B: 
 Indicação: Prevenção da hepatite B, uma infecção do fígado. 
 Contraindicação: Raros casos de alergia a componentes da vacina. 
 Efeitos Adversos: Dor no local da aplicação. 
 Faixa Etária: Recém-nascidos até adultos. 
Pentavalente (DTP-Hib-HB): 
 Indicação: Protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e outras doenças. 
 Contraindicação: Alergia grave a doses anteriores. 
 Efeitos Adversos: Febre, dor no local da aplicação. 
 Faixa Etária: Crianças em múltiplas doses durante a infância. 
VIP (Vacina Inativada Poliomielite): 
 Indicação: Prevenção da poliomielite (paralisia infantil). 
 Contraindicação: Alergia grave a doses anteriores. 
 Efeitos Adversos: Dor no local da aplicação. 
 Faixa Etária: Recém-nascidos até crianças. 
Tríplice Viral (SCR): 
 Indicação: Protege contra sarampo, caxumba e rubéola. 
 Contraindicação: Gravidez e alergia a componentes da vacina. 
 Efeitos Adversos: Febre baixa, vermelhidão no local da aplicação. 
 Faixa Etária: Crianças e adolescentes. 
Tetra Viral (SCR + Varicela): 
 Indicação: Protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora). 
 Contraindicação: Gravidez e alergia a componentes da vacina. 
 Efeitos Adversos: Febre, vermelhidão no local da aplicação. 
 Faixa Etária: Crianças e adolescentes. 
DTP (Difteria, Tétano e Coqueluche acelular): 
 Indicação: Reforço contra difteria, tétano e coqueluche. 
 Contraindicação: Alergia grave a doses anteriores. 
 Efeitos Adversos: Febre, dor no local da aplicação. 
 Faixa Etária: Crianças em múltiplas doses durante a infância. 
 
 
30 
Hepatite A: 
 Indicação: Prevenção da hepatite A. 
 Contraindicação: Alergia grave a doses anteriores. 
 Efeitos Adversos: Dor no local da aplicação. 
 Faixa Etária: Crianças e adolescentes. 
HPV (Papilomavírus Humano): 
 Indicação: Prevenção do câncer cervical e outras doenças relacionadas ao HPV. 
 Contraindicação: Alergia a componentes da vacina. 
 Efeitos Adversos: Dor no local da aplicação. 
 Faixa Etária: Meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. 
Meningocócica C: 
 Indicação: Prevenção contra a doença meningocócica do tipo C. 
 Contraindicação: Alergia a componentes da vacina. 
 Efeitos Adversos: Dor no local da aplicação. 
 Faixa Etária: Crianças e adolescentes. 
Idade Vacinas 
Ao nascer BCG 
Hepatite B 
2 meses Pentavalente 1ª dose 
Poliomielite 1ª dose (VIP) 
Pneumocócica conjugada 1ª dose 
Rotavírus 1ª dose 
3 meses Meningocócica C conjugada 1ª dose 
4 meses Pentavalente 2ª dose 
Poliomielite 2ª dose (VIP) 
Pneumocócica conjugada 2ª dose 
Rotavírus 2ª dose 
5 meses Menongocócica C conjugada 2ª dose 
6 meses Pentavalente 3ª dose 
Poliomielite 3ª dose 
9 meses Febre amarela 
12 meses Pneumocócica conjugada reforço 
Meningocócica C conjugada reforço 
Tríplice viral 1ª dose 
15 meses DTP 1° reforço 
Poliomielite 1° reforço 
Varicela 2ª dose 
Febre amarela (reforço para crianças que receberam dose única entre 9 meses e 5 anos) 
9 a 14 anos HPV 2 doses 
Meningocócica C 2° reforço ou dose única 
Adolescentes, 
adultos e 
idosos 
Hepatite B (3 doses a depender da situação vacinal) 
Febre amarela (dose única caso nunca tenha sido vacinado) 
Tríplice viral (2 doses até os 29 anos ou 1 dose em > 30 anos; idade máxima de 59 anos) 
dT (reforço a cada 10 anos) 
 
 
31 
HPV (homens e mulheres de 9 a 26 anos de idade com HIV/AIDS, transplantados e 
pacientes oncológicos; esquema de 3 doses, com 0, 2 e 6 meses) 
dTpa (gestantes a partir da 20ª semanas) 
Outras Gripe sazonal (vacinação anual) 
Raiva (profilaxia pós-exposição) 
COVID-19Tema 15 – Violência Sexual e Autoprovocada 
 Considera-se como violência, para fins de notificação, “o uso intencional de força física ou do poder, 
real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade que 
resulte ou tenha possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento 
ou privação”. Ou seja, é qualquer conduta – ação ou omissão – de caráter intencional que cause ou venha a 
causar dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político, 
econômico ou patrimonial. A OMS estabelece uma tipologia de três grandes grupos, segundo quem comete 
o ato violento: violência contra si mesmo (autoprovocada ou autoinfligida), violência interpessoal (doméstica 
e comunitária) e violência coletiva (grupos políticos, organizações terroristas, milícias). 
a. VIOLÊNCIA PROVOCADA OU AUTOINFLIGIDA: compreende ideação suicida, autoagressões, tentativas 
de suicídio e suicídios. Embora a ideação suicida não seja objeto de notificação no Viva, requer ações de 
atenção integral em saúde. 
b. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA OU INTRAFAMILIAR: ocorre entre os parceiros íntimos e entre os membros 
da família, principalmente no ambiente da casa, mas não unicamente. É toda ação ou omissão que 
prejudique o bem-estar, integridade física/psicológica/liberdade e direito ao pleno desenvolvimento. 
Pode ser cometida dentro ou fora de casa por algum membro da família, incluindo pessoas que passam 
a assumir função parental, ainda que sem laços de consanguinidade, e que tenham relação de poder. Não 
se refere apenas ao espaço físico onde a violência ocorre, mas, também, às relações em que se constrói 
e efetua. Esse tipo de violência inclui outros membros do grupo, sem função parental, que convivam no 
espaço doméstico. Incluem-se aí empregados, pessoas que convivem esporadicamente, agregados. 
c. VIOLÊNCIA EXTRAFAMILIAR OU COMUNITÁRIA: aquela que ocorre no ambiente social em geral, entre 
conhecidos ou desconhecidos. É praticada por meio de agressão às pessoas, por atentado à sua 
integridade e vida e/ou a seus bens, e constitui objeto de prevenção e repressão por parte das forças de 
segurança pública e do sistema de justiça (polícias, Ministério Público e Poder Judiciário). 
 
Notificação dos 
Casos de Violência 
 
 
 
32 
Notificação da Violência: 
A ficha de notificação individual é estruturada, respectivamente, em dez blocos, sendo eles: Dados 
Gerais, Notificação Individual, Dados de Residência, Dados da Pessoa Atendida, Dados da Ocorrência, 
Violência, Violência Sexual, Dados do Provável Autor da Violência, Encaminhamento e Dados Finais; além de 
campos destinados para informações complementares e observações. A notificação individual de violência 
interpessoal e autoprovocada é compulsória nos casos cujas vítimas são crianças, adolescentes, mulheres e 
pessoas idosas. O Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes incluiu também os indígenas, as pessoas 
com deficiência e a população LGBT, considerando a maior vulnerabilidade desses grupos. Esta ficha não se 
aplica à violência extrafamiliar cujas vítimas sejam adultos (20 a 59 anos) do sexo masculino. 
 
Tema 16 – Doenças de Notificação Compulsória 
 A notificação compulsória é uma forma de comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada 
pelos médicos, profissionais de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou 
privados, sobre a ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento de saúde pública, 
descritos no anexo, podendo ser imediata ou semanal. Nesse sentido, o objetivo da notificação é permitir 
que as autoridades de saúde pública monitorem a disseminação das doenças e implementem medidas 
preventivas para reduzir o risco de transmissão para outras pessoas. Quando um caso suspeito ou confirmado 
é relatado às autoridades sanitárias, elas podem iniciar uma investigação para determinar a causa da doença 
e identificar outras pessoas que possam ter sido expostas. 
Além disso, as autoridades sanitárias podem implementar medidas preventivas, como quarentena, 
imunização e desinfecção, para reduzir a propagação da doença. A notificação compulsória também é 
importante para a coleta de dados epidemiológicos e para o monitoramento da eficácia das medidas de 
controle e prevenção. Isso permite que as autoridades de saúde pública tomem decisões informadas sobre 
políticas de saúde e planejamento de recursos. As doenças de notificação compulsória devem ser registradas 
diretamente no SINAN – Sistema de Informações de Agravos de Notificação, que foi desenvolvido pelo MS 
com o objetivo de monitorar e acompanhar as doenças e agravos de notificação compulsória em todo o país. 
Classificação de Agravos para Necessidade de Notificação: 
 Potencial de disseminação, magnitude, gravidade, severidade, transcendência da doença ou do agravo. 
 Vulnerabilidade na população. 
 Potencial para surto ou epidemia. 
 Doença ou agravo de causa desconhecida. 
 Alteração de padrão de comportamento de doenças já conhecidas. 
Tipos de Notificação Compulsória: 
 NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA IMEDIATA: realizada em até 24 horas, contadas a partir do 
conhecimento da ocorrência de doença, agravo ou evento de saúde pública, pelo meio de comunicação 
mais rápido disponível. 
 NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA SEMANAL: realizada em até 7 dias, a partir do conhecimento da 
ocorrência de doença ou agravo. 
 NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA NEGATIVA: comunicação semanal realizada pelo responsável pelo 
estabelecimento de saúde à autoridade de saúde, informando que na semana epidemiológica não foi 
identificado nenhuma doença, agravo ou evento de saúde pública constante da Lista de Notificação. 
 
 
33 
Mnemônico para Doenças e Agravos de Notificação: 
Doenças e Agravos de Notificação Compulsória 
Peste, raiva, peçonhentos, toxoplasmose, doença de Creutzfeldt-Jacob. 
Doença de Chagas, hanseníase, esquistossomose, leishmaniose, acidentes/doenças 
do trabalho, óbito materno-infantil, violência. 
Dengue, chikungunia, zika, malária, leptospirose, hantavírus, febre tifoide, febre 
maculosa, febre hemorrágica. 
Antraz, botulismo, tularemia. 
Agrotóxicos, metais pesados, gases tóxicos. 
VIPS (varíola, influenza, poliomielite, sars). 
Só para não perder o mnemônico... 
Tuberculose, hepatite, tétano, rotavírus, coqueluche, febre amarela, sarampo (do 
calendário vacinal, exceto caxumba!) 
Sífilis, SIDA, síndrome do corrimento uretral masculino, síndrome neurológica pós-
infecção febril exantemática e “sinistra” cólera. 
a. AGRAVO: qualquer dano à integridade física ou mental do indivíduo, provocado por circunstâncias 
nocivas, tais como acidentes, intoxicações por substâncias químicas, abuso de drogas ou lesões 
decorrentes de violências interpessoais, como agressões e maus tratos, e lesão autoprovocada. 
b. DOENÇA: enfermidade ou estado clínico, independente de origem ou fonte, que represente ou possa 
representar um dano significativo para os seres humanos. 
c. EPIZOOTIA: doença ou morte de animal que possa apresentar riscos à saúde pública. 
d. EVENTO DE SAÚDE PÚBLICA (ESP): situação que pode constituir potencial ameaça à saúde pública, 
como a ocorrência de surto ou epidemia, doença ou agravo de causa desconhecida, alteração no padrão 
clínico epidemiológico das doenças conhecidas, considerando o potencial de disseminação, a magnitude, 
a gravidade, a severidade, a transcendência e a vulnerabilidade, bem como epizootias ou agravos 
decorrentes de desastres ou acidentes. 
 
 
Tema 17 – Saúde do Trabalhador e Comunicação de Acidentes de Trabalho 
 A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (PNSTT), regulamentada pela Portaria 
GM/MS número 1821, de 23 de agosto de 2012, possui em sua legislação a estrutura dividida nas seguintes 
Dados sobre 
Notificação 
Compulsória34 
partes: Finalidade, Princípios e Diretrizes, Objetivos, Estratégias, Responsabilidades (dos gestores do SUS, dos 
CEREST e das equipes técnicas), Avaliação e Monitoramento, Financiamento e Anexos. 
A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora tem por finalidade: definir os 
princípios, as diretrizes e as estratégias a serem observados nas três esferas de gestão do SUS – federal, 
estadual e municipal, para o desenvolvimento das ações de atenção integral à Saúde do Trabalhador, com 
ênfase na vigilância, visando a promoção e a proteção da saúde dos trabalhadores e a redução da 
morbimortalidade decorrente dos modelos de desenvolvimento e dos processos produtivos. Todos os 
trabalhadores, homens e mulheres, independentemente de: sua localização, de sua forma de inserção no 
mercado de trabalho e de seu vínculo empregatício (assalariado, autônomo, avulso, temporário, 
cooperativados, aprendiz, estagiário, doméstico, aposentado ou desempregado), são sujeitos desta política 
e tem o trabalho como um dos determinantes do processo saúde-doença. 
 CAPÍTULO 1 – ART 5°: universalidade, integralidade, participação da comunidade, dos trabalhadores e 
do controle social, descentralização, hierarquização, equidade e precaução. 
 
Normas Regulamentadoras (NRs): 
 Define os direitos sociais dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de 
sua condição social, a fim da redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene 
e segurança. Dessa maneira, cabe as normas regulamentadoras auxiliar na segurança do trabalho, com 
Fluxograma de 
Atendimento nos 
Acidentes de 
Trabalho 
 
 
 
35 
obrigações, direitos e deveres a serem cumpridos, tanto por empregadores quanto por trabalhadores. Os 
principais objetivos são manter um serviço sadio e seguro e prevenir doenças e acidentes de trabalho. 
a. NR 04 – SERVIÇO ESPECIALIZADO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO 
(SESMT): serviço implantado dentro das empresas. Equipe de profissionais especializados em serviço de 
segurança do trabalho. Promover a saúde e a integridade do trabalhador no local de trabalho. Os 
integrantes do SESMT são – médico do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, enfermeiro do 
trabalho, técnico de segurança do trabalho e auxiliar de enfermagem do trabalho. 
b. NR 05 – COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES (CIPA): representantes do empregador 
e dos empregados. Os membros da CIPA são eleitos, com mandato de 1 ano; estabilidade no emprego. 
Realiza a verificação nos ambientes de trabalho, promove anualmente a SIPAT (+ SESMT), colabora com 
a implantação do PPRA e do PCMSO e elabora mapa de riscos. 
c. NR 06 – EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI): cabe a empresa fornecer os EPIs de forma 
gratuita, adequada para o risco e em bom estado de conservação e funcionamento. Os equipamentos 
devem ser de uso individual, a fim de proteger a saúde e a integridade física do trabalhador. 
d. NR 07 – PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL (PCMSO): prevenção, 
rastreamento e diagnóstico precoce de agravos à saúde reacionados ao trabalho. Deve ser planejado com 
base nos riscos identificados (PCMSO articulado com o PPRA). A realização de exames ocupacionais é 
obrigatória e deve ser realizada na admissão, na demissão, no retorno ao trabalho, na mudança de função 
e periódico, a fim da obtenção de atestado de saúde ocupacional (ASO) como trabalhador apto ou inapto. 
Realizar exame clínico do trabalhador + exames complementares (se necessário), como por exemplo a 
audiometria na exposição a ruídos, a dosagem de mercúrio urinário aos xpostos a essa substância, 
radiografia de tórax e espirometria para aqueles com contato cm aerodispersóides fibrogênicos. 
e. NR 09 – PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS (PPRA): antecipação, reconhecimento 
e controle da ocorrência de riscos ambientais no local de trabalho. Os riscos ambientais podem ser físicos, 
químicos, biológicos, ergonômicos, mecânicos e outros. 
 
Acidentes de Trabalho: 
 Os acidentes de trabalho são um grande desafio para a saúde pública no Brasil, com custo 
socioeconômico para os trabalhadores, as famílias, as empresas e a economia do país. A lei número 8.213/91, 
no artigo 19, define que o acidente trabalhista ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, 
gerando lesão corporal ou perturbação funcional nos empregados. Podem, inclusive, levar a morte ou 
perda/redução permanente ou temporária da capacidade para o exercício da profissão. Consideram-se 
doenças profissionais, quando desencadeadas pelo exercício do trabalho peculiar a uma determinada 
atividade (silicose, saturnismo) e doenças do trabalho (ocupacionais), quando em função de condições 
Tipos de 
Riscos 
 
 
 
36 
especiais em que o trabalho é realizado (DORT, PAINPSE). Valem-se ainda os acidentes sofridos no local e 
horário do trabalho e os acidentes de trajeto. 
 
Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT): 
A Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), no direito brasileiro, é um documento emitido para 
reconhecer um acidente de trabalho, um acidente de trajeto ou uma doença ocupacional. Deve ser emitida 
pela empresa no prazo de 1 dia útil, ou, se ocorreu óbito, imediatamente. Pode também ser emitida - mesmo 
fora do prazo - pelo médico, pelo familiar, por um dependente do segurado, pelo sindicato ou por uma 
autoridade pública; nesse caso o INSS enviará uma carta à empresa para que emita sua CAT. 
A comunicação será feita ao INSS por intermédio do formulário, preenchido em 4 vias, com a seguinte 
destinação: 1ª via, ao INSS; 2ª via, ao segurado ou dependente; 3ª via, ao sindicato dos trabalhadores; e 4ª 
via, à empresa. Deve ser emitida independentemente de haver ou não necessidade de afastamento do 
acidentado. A emissão da CAT para a previdência social não desobriga a notificação ao SINAN. 
 
 
Classificação da 
Comunicação de 
Acidente de 
Trabalho 
 
Exemplosé entendido enquanto ordenador e porta de entrada, tendo as ESFs elencadas como modelo 
a ser seguido. Dessa maneira, com o desenvolvimento da APS, surge a especialidade do médico da família. 
A Medicina da Família e Comunidade (MFC) é uma especialidade médica que é responsável pela 
prestação de assistência à saúde, de forma integral para as pessoas, as famílias e a comunidade. A aplicação 
dos conhecimentos do MFC é orientada por 4 princípios que governam as ações de acordo com a 
necessidade da comunidade. Esses princípios são: ser um clínico qualificado, ter em sua prática clínica 
influencia na comunidade em que atua, ser recurso de uma população definida e ter na relação médico e 
paciente um aspecto essencial da atuação. 
Programa de Valorização da Atenção Básica (PROVAB): 
 O PROVAB foi um programa instituído com objetivo de 
incentivar os jovens médicos e os egressos das faculdades de medicina 
a fazer a especialidade de MFC e trabalhar na APS. Pagava bolsa de 
R$10 mil e dava 10% de pontos na residência. Assim, o médico devia 
atuar em localidades de maior carência, durante um período de 12 
meses supervisionados, sendo obrigatória a participação em curso de 
especialização em AB/APS. Dessa maneira, a carga horária semanal era 
de 32h de atendimento na UBS e 8h no curso de formação obrigatório. 
Esse programa foi substituição pelo Mais Médicos (PMM) em 2013. 
Programa Mais Médicos (PMM): 
O PMM foi o programa de provimento, sendo instituído através da Lei n° 12.871/2013, como uma 
resposta de proposta imediata e emergência à falta de médicos e destaque aos eixos com medidas 
estruturantes (com resposta aos problemas de curto, médio e longa prazo). Tem como objetivos a diminuição 
da carência de médicos nas regiões prioritárias para o 
SUS, o fortalecimento da prestação de serviços na AB, o 
aprimoramento da formação médica no país e o 
desenvolvimento de maior experiência no campo de 
prática médica durante a formação, a ampliação da 
inserção do médico na UBS, o fortalecimento da política 
de educação permanente com integração do ensino-pesquisa e a promoção da troca de experiências entre 
profissionais brasileiros e estrangeiros. Esse programa conta com três eixos, dispostos abaixo: 
 
 
5 
a. PROVIMENTO EMERGENCIAL: recrutar e alocar profissionais para a AB, disponibilizar aos participantes 
um conjunto de incentivos educacionais, monetários e formativos. Treinamento em serviço. Curso de 
especialização e supervisão (um tutor para cada 10 médicos, vinculados a um superior de IES). Pontuação 
adicional na nota de exames de residência etc. 
b. INFRAESTRUTURA: em 5 anos, dotar as USF com qualidade de equipamentos e infraestrutura a serem 
definidas nos planos plurianuais (de cada prefeitura). Alta rotatividade de médicos nas equipes. Articulado 
a um programa que já existia de melhoria das unidades, o “Requalifica SUS”. 
c. EDUCAÇÃO: universalização da residência médica (2018), com vagas que dialogam com as necessidades 
do SUS, porque em todo o mundo são os sistemas de saúde que orientam a necessidade de formação 
dos profissionais nas mais variadas áreas, sendo preferenciais as vagas e MFC. 
O funcionamento do PMM ocorre com a definição de regiões com maior necessidade e 
vulnerabilidade pelo Ministério da Saúde, com posterior abertura de editais para os municípios (assinatura 
do termo de compromisso e solicitação de vagas pelo município). Ele respeita a prioridade de seleção de 
médicos de forma ordenada, sendo ela a seguinte: 1° profissionais brasileiros ou estrangeiros com registro no 
Brasil > 2° profissionais brasileiros formados no exterior sem registro no Brasil > 3° estrangeiros formados no 
exterior sem registro no Brasil > 4° médicos cooperados (acordo OPAS-Cuba). 
 Promover o acesso universal, igualitário e gratuito da população às ações e aos serviços do SUS; 
 Fortalecer a atenção primária à saúde (APS); 
 Valorizar os médicos da APS (plano de carreira, sob o modelo de CLT após a reforma da previdência); 
 Aumento da provisão de médicos em locais de difícil provimento ou de alta vulnerabilidade; 
 Desenvolver e intensificar a formação de médicos especialistas em MFC (após 2 anos de serviço como 
MpB – Médicos pelo Brasil – pode ser realizada a prova de título, na contramão dos 4 anos de prática 
necessários para qualquer titulação e sem a menção aos outros eixos estruturantes da formação); 
 Estimular a presença de médicos no SUS. 
 
Acordo OPAS-Cuba: 
O ministério da saúde cria um mecanismo de revalidação do diploma de médicos estrangeiros para a 
atuação apenas na APS. Dessa forma, médicos que não tinham registo recebiam do MS a concessão do 
registro único para atuação nesse cenário. Apresentava durabilidade de até 3 anos, sendo prorrogável por 
mais 3. Algumas exigências do programa são: comunicação em português, legislação e características 
específicas para a atuação nos serviços de AB no SUS, sem provas classificatórias e sim um cadastro no qual 
os profissionais eram chamados na medida em que se inscreviam. 
Agência para o Desenvolvimento da APS (ADAPS): 
 Agencia criada para executar o programa mais médicos pelo Brasil, sob a orientação técnica e 
supervisão do Ministério da Saúde, mas sob a égide de pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, 
de interesse coletivo e de utilidade pública (ponto de choque – criar uma agência privada para regulamentar 
um serviço público dentro do SUS). Apresentava como objetivo promover, no âmbito nacional, a execução 
Diferenças 
entre PMM 
x MpB 
 
 
6 
de políticas de desenvolvimento da APS, com ênfase na saúde da família, nos locais de difícil provimento ou 
alta vulnerabilidade, na valorização da presença de médicos na APS do SUS, na promoção da formação 
profissional e na incorporação de tecnologias assistenciais e de gestão relacionadas à APS. 
 COMPOSIÇÃO DA ADAPS: conselho deliberativo + diretoria executiva + conselho fiscal. 
Contratações no Programa Médicos pelo Brasil: 
a. MÉDICOS TUTORES: MFC ou clínica médica; realizam prova escrita. 40 horas/semana, distribuídas entre 
atividades assistências e de ensino e serviço. Salário inicial de R$15.750 e contratação via CLT e benefícios. 
b. MÉDICOS: prova escrita, curso de formação e prova final para habilitação de título de especialista em 
MFC. Ao longo dos 2 primeiros anos no programa, os profissionais contratados como bolsistas atuam na 
assistência e realizam curso de especialização em MFC para o desenvolvimento de competências. No 
período, recebem bolsa-formação de R$15.000 mais benefícios. 
 
Tema 03 – Análise de Métodos Diagnósticos e Estudos Epidemiológicos 
 Os métodos diagnósticos são processos analíticos que se valem ao especialista para analisar um 
processo ou quadro clínico, com o objetivo de chegar a uma conclusão. Dessa maneira, os parâmetros 
utilizados para a sua definição são: sensibilidade, especificidade, valor preditivo negativo e positivo. 
a. SENSIBILIDADE: proporção de testes positivos com as pessoas verdadeiramente positivas para uma 
determinada doença. Baixo índice de falsos negativos. Um exemplo são os testes usados para o 
rastreamento populacional (SENSIBILIDADE = A / A + B  A é o n° de testes positivos e B o n° de 
pacientes negativos no teste que estavam positivos para a doença). 
b. ESPECIFICIDADE: proporção de testes negativos com as pessoas verdadeiramente negativas para uma 
determinada doença. Baixo índice de falsos positivos. Um exemplo são os testes de gravidez 
(ESPECIFICIDADE = C / C + D  C é o n° de testes negativos e D o n° de pacientes positivos no teste 
que estavam negativos para a doença). 
c. VALOR PREDITIVO NEGATIVO: aquele capaz de expressar a probabilidade de um paciente com teste 
negativo não possuir, de fato, a doença investigada. O valor preditivo foca nos testes. (VPN = TestN / 
ToTN  TestN é o n° de testes verdadeiramente negativos e ToTN o n° total detestes negativos). 
d. VALOR PREDITIVO POSITIVO: aquele capaz de expressar a probabilidade de um paciente com teste 
positivo possuir, de fato a doença investigada. O valor preditivo foca nos testes. (VPP = TestP / ToTP  
TestP é o n° de testes verdadeiramente positivos e ToTP o n° total de testes positivos). 
Em suma, a sensibilidade está para o valor preditivo negativo (se um teste for sensível, poucos 
pacientes falsos negativos vão ocorrer; VPN aumenta). Por outro lado, a especificidade está para o valor 
preditivo positivo (se um teste for específico, poucos pacientes falso positivos vão ocorrer; VPP aumenta). 
 
 
Exemplo 
 
 
7 
Tipos de Estudo: 
a. RELATO DE CASO: é feito com casos raros; é retrospectivo, observacional e descritivo. 
b. ESTUDO COORTE: seleção da população em expostos e não expostos; é observacional e analítico; pode 
ser prospectivo ou retrospectivo; SEM intervenção terapêutica. 
c. ENSAIOS CLÍNICOS: são testes de intervenção em saúde; são analíticos, prospectivos e experimentais; 
uso de um grupo controle; randomização; pode ser feito com o uso de estudos cegos (simples – paciente, 
duplo – pesquisadores, triplo – estatístico, quadruplo etc); COM intervenção terapêutica. 
 
 
Tema 04 – Medicina Legal (Principais Documentos Médicos) 
 Documentos médicos se configuram como toda anotação que apresenta a finalidade de reproduzir e 
representar uma manifestação do pensamento, baseada em critérios médico-legais. Eles são emitidos por 
peritos habilitados e decorrem do processo de exame médico. Geralmente esses documentos são 
apresentados por escrito e tem o objetivo de esclarecer questões judiciais. Abaixo estão exemplificados os 
principais documentos utilizados na prática da medicina. 
Atestado Médico: 
 O atestado médico é a declaração objetiva e resumida de determinado fato médico, resultante de 
avaliação prévia realizada no paciente. Possui objetivo de informar um estado de sanidade ou de doença para 
fins de licença, dispensa ou outros. Ela deve ser emitida em papel timbrado ou no próprio receituário médico, 
devendo ser carimbada e assinada pelo médico responsável. O atestado apresenta algumas classificações: 
a. OFICIOSO: dados nos interesses de pessoas físicas ou jurídicas. Por exemplo, os utilizados para justificar 
ausência em aulas ou serviços. 
b. ADMINISTRATIVO: quando destinado a fatos relativos ao servidor público. Por exemplo, concessão de 
licenças, aposentadoria, concurso público. 
c. JUDICIÁRIO: quando é solicitado pela justiça. 
Vale relembrar que algumas questões relacionadas com a emissão de atestado são vedadas na prática 
médica, como: expedir documento médico sem ter praticado ato profissional que o justifique; atestar como 
forma de obter vantagem; deixar de fornecer laudo médico ao paciente ou representante legal quando aquele 
for transferido para continuidade do tratamento; e deixar de atestar atos executados. 
Declaração de Óbito: 
 A declaração de óbito é o documento base do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério 
da Saúde (SIM/MS). Ela é composta de 3 vias, pré-numerada sequencialmente e fornecidas pelo MS às 
Classificação 
dos Tipos de 
Estudo 
 
 
8 
secretarias estaduais e municipais. A DO é indispensável para o assentamento do óbito junto ao cartório de 
registro civil e, consequentemente, ara o sepultamento ou cremação após a morte. A declaração deve ser 
preenchida pelos profissionais habilitados, conforme esquema a seguir: 
a. MORTE NATURAL COM ASSISTÊNCIA MÉDICA E CAUSA BEM DEFINIDA: médico assistente ou 
plantonista ou outro médico indicado pela instituição. 
b. MORTE NATURAL SEM ASSISTÊNCIA OU COM CAUSA MAL DEFINIDA: serviço de verificação de óbito 
(SVO). 
c. PACIENTE EM TRATAMENTO SOB REGIME DOMICILIAR: médico da estratégia da saúde da família a 
qual ele pertencia ou o serviço de verificação de óbito (SVO). 
d. MORTE VIOLÊNTA: instituto médico-legal (IML). 
Deve estar contido no preenchimento da DO todas as doenças, estados mórbidos ou lesões que 
produziram a morte do paciente ou que levaram a ela, e as circunstâncias do acidente ou da violência que as 
produziu. A causa básica da morte resume-se na doença ou lesão que iniciou a cadeia de acontecimentos 
patológicos que conduziram diretamente para a morte do paciente. Já a causa terminal ou imediata, 
representa o evento mais recente que levou diretamente à morte e é consequência das causas intermediária 
e básica. 
 
Exemplos  
1. Mulher 27 anos, atendida na emergência às 22h com quadro de queda da PA, hemoglobina de 7 g/l, 
volume globular de 28%, dor à palpação de abdome, distensão abdominal e macicez de decúbito. Às 23h, 
foi encaminhada para laparotomia e recebeu 2 unidades de concentrado de hemácias. Na cirurgia, sofreu 
parada cardíaca. Durante a laparotomia, constatou-se quadro de gravidez ectópica rota. 
 
2. Paciente diabético não insulino dependente, deu entrada no pronto-socorro às 10:00 com história de 
vômitos sanguinolentos desde 6:00 da manhã. Desde 8:00 com tonturas e desmaios. Ao exame físico, 
descorado 3+/4+, e PA de 0 mmHg. A família conta que paciente é etilista há 10 anos e que dois anos 
atrás esteve internado com hematêmese, sendo diagnosticado cirrose hepática e varizes de esôfago após 
exame endoscópico. Às 12:00 de hoje, apresentou parada cardiorrespiratória e teve o óbito verificado 
pelo médico plantonista, após o insucesso das manobras de reanimação. 
Estrutura 
da D.O. 
 
 
9 
 
Prontuário Médico: 
 O prontuário médico constitui o acervo documental do paciente, que é padronizado, organizado e 
conciso e refere-se ao registro dos cuidados médicos prestados, assim como os documentos pertinentes a 
essa assistência. Mesmo sendo um documento criado para interesses médicos, o prontuário pode produzir 
efeitos jurídicos de grande significado médico-legal. Caso o paciente ou representante legal solicite esse 
documento, o mesmo deve ser fornecido pela instituição. 
Parecer Médico: 
 O parecer é um documento de natureza subjetiva, que expressa a opinião, mesmo que fundamentada, 
de um profissional. Eles podem ser meramente oficioso, particular ou encomendados pelas partes com o 
objetivo de reforçar uma tese e, por isso, devem ser analisados com cautela e raramente se sobrepõem aos 
exames oficiais. É muito utilizado na contestação de uma perícia já realizada (perícia deducendi). Esse 
documento é composto de quatro partes, que estão descritas abaixo. 
a. PREÂMBULO: local onde consta a qualificação do médico que foi consultado. 
b. EXPOSIÇÃO: transcrição dos quesitos e do objeto da consulta realizada. 
c. DISCUSSÃO: é a parte mais importante do documento; local onde os fatos apresentados são analisados 
em minúcias. 
d. CONCLUSÃO: onde o modo de ver do parecerista (médico) dá as respostas aos quesitos formulados. 
Notificação Médica: 
 É a comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada pelos médicos, profissionais da saúde 
ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou privados, sobre a ocorrência de suspeita ou 
confirmação de doença, agravo ou evento de saúde pública. Pode ser realizada de forma imediata (em até 
24 horas) ou semanal. São importantes por auxiliarem o poder público na avaliação de impacto e adoção de 
medidas concernentes ao planejamento em questão de saúde pública, definindo prioridades de intervenção. 
Peste, raiva, peçonhentos, toxoplasmose, doença de Creutzfeldt-Jacob. 
Doença de Chagas, hanseníase, esquistossomose, leishmaniose, acidentes/doenças 
do trabalho, óbito materno-infantil, violência. 
Dengue, chikungunia, zika, malária, leptospirose, hantavírus, febre tifoide, febre 
maculosa, febre hemorrágica. 
Antraz, botulismo, tularemia. 
Agrotóxicos, metais pesados, gases tóxicos. 
VIPS (varíola, influenza, poliomielite,sars). 
Só para não perder o mnemônico... 
Tuberculose, hepatite, tétano, rotavírus, coqueluche, febre amarela, sarampo (do 
calendário vacinal, exceto caxumba!) 
Sífilis, SIDA, síndrome do corrimento uretral masculino, síndrome neurológica pós-
infecção febril exantemática e “sinistra” cólera. 
 
 
10 
Relatório Médico-Legal: 
 Descrição mais minuciosa de uma perícia médica a fim de responder à solicitação da autoridade 
policial ou judiciária frente ao inquérito. São resultantes da atuação médico legal. Pode ser classificado como 
auto (relatório ditado ao escrivão ou ao escrevente na presença do delegado ou juiz; é realizada durante ou 
logo após) ou laudo (é elaborado pelo médico; é o mais comum dos relatórios; posterior a perícia). 
 
Tema 05 – Medicina Baseada em Evidências 
 A medicina baseada em evidências trata-se de uma prática clínica que visa à tomada de decisões a 
partir de evidências científicas atualizadas e testadas pelo método científico. Dessa maneira, são informações 
confiáveis e seguras para serem aplicadas na prática médica. Para sua correta utilização, quatro passos devem 
ser seguidos (pergunta correta  evidências científicas  avaliar as evidências  aplicar a evidência na 
prática), que serão melhor definidos abaixo. Define-se MBE como o emprego consciencioso, explícito e 
judicioso da melhor evidência disponível na tomada de decisões sobre os cuidados de saúde de um paciente 
e requer a integração da melhor evidência com a competência clínica e os valores e as circunstâncias. 
a. PERGUNTA CORRETA: deve ser clara, objetiva, delimitada ao tema e/ou contexto em que se deseja obter 
as respostas. Por exemplo – paciente com diarreia iniciada há 2 dias acompanhada de náuseas, vômitos 
e dor abdominal. 
b. EVIDÊNCIA CIENTÍFICA: as medidas terapêuticas possuem embasamento científico? Busca ampla de 
artigos, com estratégia de busca sensível, em diferentes bases de dados. Busca, seleção e extração de 
dados por pelo menos dois pesquisadores independentes. 
c. AVALIAR AS EVIDÊNCIAS: questionar os estudos quanto sua qualidade. 
d. APLICAR NA PRÁTICA: aplicas as evidências na pratica seguindo guidelines e diretrizes. 
 
A revisão sistemática é um tipo de estudo que se propõe a responder uma pergunta específica de 
forma objetiva e imparcial, através do uso de métodos sistemáticos e definidos a priori na identificação e na 
Hierarquia 
de Evidências 
dos Métodos 
de Estudo 
 
 
 
11 
seleção dos estudos, na extração de dados e na análise dos resultados. Outro tipo de estudo significativo 
para análises é a metanálise, método estatístico que se propõe a agregar o resultado de dois ou mais estudos 
independentes, sobre uma mesma pesquisa, combinando resultados em uma medida sumária. 
 
Tema 06 – Visitas Domiciliares e Atenção Domiciliar na ESF 
Conceitos Importantes na Atenção Domiciliar (AD): 
 ATENÇÃO DOMICILIAR: é a categoria mais ampla, que inclui as outras e pode também ser denominada 
de atendimento ou cuidado domiciliar. Baseia-se na interação do profissional com o paciente, sua família 
e/ou seu cuidador e se constitui em um conjunto de atividades realizadas no domicílio de forma 
programada e continuada. Envolve ações de promoção à saúde, incluindo a prática de políticas 
econômicas e sociais que influenciem o processo saúde-doença. Tem caráter ambulatorial e envolve 
ações preventivas e ações curativo-assistenciais. 
 ASSISTÊNCIA DOMICILIAR: está ligada a todo e qualquer atendimento a domicílio realizado por 
profissionais que integram a equipe de saúde. Não leva em conta a complexidade ou o objetivo do 
atendimento, que pode ir de uma orientação simples até um suporte ventilatório invasivo domiciliar. 
 ATENDIMENTO DOMICILIAR: categoria diretamente relacionada à atuação profissional no domicílio, 
que pode ser operacionalizada por meio da visita e da internação domiciliar. Envolve atividades que vão 
da educação e prevenção a recuperação e manutenção da saúde das pessoas e seus familiares no 
contexto de suas residências. Abrange ou não cuidados multiprofissionais e pode ser semelhante a um 
consultório em casa. Atenção mais pontual e temporária, ligada a casos agudos. 
 VISITA DOMICILIAR: prioriza o diagnóstico da realidade do indivíduo e as ações educativas. É 
geralmente programada e utilizada com o intuito de subsidiar intervenções ou o planejamento de ações. 
 INTERNAÇÃO DOMICILIAR: é uma categoria mais específica, que envolve o uso de aparato tecnológico 
em domicílio, de acordo com as necessidades de cada situação. Não substitui a internação hospitalar, 
mas pode ser constituída como uma continuidade desta, de forma temporária. 
 ACOMPANHAMENTO DOMICILIAR: cuidado no domicílio para pessoas que necessitam de contatos 
frequentes e programáveis com a equipe. Por exemplo, portadores de doenças crônicas com deficiência 
física, doentes em fase terminal, idosos com dificuldade de locomoção ou morando sozinhos, egressos 
do hospital que necessitam de acompanhamento por condição que os incapacite a comparecer na UBS. 
 VIGILÂNCIA DOMICILIAR: comparecimento de integrante da equipe até o domicílio para a realização 
de ações de promoção, prevenção, educação e busca ativa da população de sua área de responsabilidade, 
geralmente vinculadas à vigilância em saúde que a UBS desenvolve. Por exemplo, visitas às puérperas, 
busca de recém-nascidos, busca ativa dos programas de prioridades, abordagem familiar para 
diagnóstico e tratamento (plano terapêutico singular). 
 
Representação 
Esquemática da 
Atenção 
Domiciliar 
 
 
 
12 
Atribuições da Equipe de AD: 
 Trabalhar em equipe multiprofissional e integrada à rede de atenção à saúde. 
 Identificar e treinar familiares e/ou cuidadores, respeitando limites e potencialidades. 
 Abordar o cuidador como sujeito do processo e executor. 
 Acolher a demanda de dúvida dos usuários e dos familiares. 
 Ser responsável ela emissão do atestado de óbito. 
 Manter-se atualizado sobre as intercorrências (internações, procedimentos, mudanças no quadro basal). 
Modalidades de Atenção Domiciliar: 
 A portaria GM/MS 2.527/2011, redefine a atenção domiciliar do SUS, orientando a organização do 
atendimento em modalidades de cuidados, que podem ser classificadas como AD 1 (baixa complexidade), 
AD 2 (média complexidade) e AD 3 (alta complexidade), melhores explicadas na tabela abaixo. 
 
Serviço de Atenção Domiciliar (SAD): 
 A prestação de assistência à saúde na modalidade AD 2 e AD 3 é de responsabilidade da equipe 
multiprofissional de atenção domiciliar (EMAD) e da equipe multiprofissional de apoio (EMAP). O EMAD é 
composto por 1 ou 2 médicos + 1 ou 2 enfermeiros + auxiliares/técnicos de enfermagem + fisioterapeuta 
e/ou assistente social. Já o EMAP, possui três dos seguintes profissionais – assistente social, fisioterapeuta, 
fonoaudiólogo, nutricionista, odontólogo, psicólogo, farmacêutico e terapeuta ocupacional. 
 
 
13 
 Na realidade, a própria equipe de saúde da família realiza a elaboração da lista de pacientes que 
necessitam da atenção domiciliar permanentemente e provisoriamente. Algumas questões a serem levadas 
são o alto grau de dificuldade no acesso ao local de atendimento ou de insegurança para a equipe e a 
ausência de condições ambientais e de higiene necessárias para o cuidado e o tratamento. Além disso, é 
necessário que haja a elaboração de um consentimento formal do paciente ou da família/cuidador por meio 
da assinatura do termo de consentimento padronizado. 
 
Tema 07 – Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) 
 As Doenças Crônicas Não Transmissíveis são grupos de doenças que se caracterizam por terem uma 
etiologia incerta, múltiplos fatores de risco, longos períodos de latência, curso prolongado e por estarem 
associadas a deficiências eincapacidades funcionais. São as maiores causas de morbimortalidade no mundo. 
Os principais grupos de DCNT são as doenças do aparelho circulatório, câncer, doenças respiratórias 
crônicas e diabetes. Essas doenças têm em comum um conjunto de fatores de risco modificáveis, passíveis 
de ações de prevenção. Esses fatores são principalmente: tabagismo, inatividade física, consumo excessivo 
de álcool e outras drogas, obesidade, dislipidemias e a alimentação inadequada. 
 
A vigilância das DCNT visa conhecer a magnitude e a tendência dessas doenças e de seus fatores de 
risco para apoiar as políticas públicas de promoção da saúde direcionadas à modificação dos fatores de risco 
supracitados, bem como para subsidiar a organização dos serviços de saúde. Ressalta-se que as ações de 
promoção da saúde e de prevenção das DCNT são desenvolvidas de forma intersetorial e, no setor saúde, 
envolve, principalmente, a atenção primária. 
 
Tema 08 – Complexidade e Integralidade na APS e DCNT 
As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são fundamentais para a coordenação e a integração dos serviços 
e das ações em saúde. Dessa maneira, cabe a elas a integralidade e a qualidade do cuidado à saúde. As RASs 
consistem em um programa de organização do conjunto de serviços e ações em distintas densidades 
tecnológicas que, integradas por meio de estruturas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir 
a integralidade do cuidado as pessoas de uma região em saúde. Os serviços de saúde são constituídos por 
pontos de atenção à saúde (locais de prestação de serviço), como: UBS, unidade de cuidado intensivo, 
hospital, ambulatório de cirurgia, ambulatório de atenção especializada e serviço de atenção domiciliar. 
 REGIÃO DE SAÚDE: espaço geográfico contínuo, preferencialmente delimitado a partir de identidades 
culturais, econômicas, sociais, de redes de comunicação e infraestrutura de transportes compartilhados, 
com a fim de permitir a organização, o planejamento e a execução das ações e dos serviços necessários. 
Alguns atributos das RAS são: população e território definidos com amplo conhecimento de suas 
necessidades e preferencias (determinam a oferta dos serviços de saúde); extensa gama de estabelecimentos 
Fatores de Risco 
para DCNT 
 
 
 
14 
que prestam serviços de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, gestão de casos, reabilitação e 
cuidados paliativos e integram os programas com foco em doenças e populações específicas; integração, 
continuidade e coordenação do cuidado; atenção centrada no indivíduo, na família e na comunidade; 
definição de objetivos a curto, médio e longo prazos; gestão integrada dos sistemas de apoio administrativo, 
clínico e logístico; financiamento tripartite, garantido e suficiente de acordo com as metas da rede; ação 
intersetorial e abordagem dos determinantes da saúde. Os componentes dessa rede estão descritos abaixo: 
a. SERVIÇOS DE AB/APS: centro de comunicações da rede, tendo um papel chave na estruturação desta, 
como ordenadora e coordenadora do cuidado, além de realizar o cuidado integral e contínuo da 
população que está sob sua responsabilidade, além de ser a porta de entrada. 
b. SERVIÇOS DE ATENÇÃO ESPECIALIZADA: conjunto de diversos pontos de atenção de atenção, com 
diferentes densidades tecnológicas, que incluem ações e serviços de urgência, ambulatoriais, 
especializados e hospitalares, sendo apoio e complemento dos serviços de AB. 
c. SERVIÇOS DE URGÊNCIA/EMERGÊNCIA: conjunto de ações voltadas aos usuários que necessitem de 
cuidados imediatos nos diferentes pontos de atenção, inclusive de acolhimento aos usuários que 
apresentem agudização as condições crônicas. 
 
Portaria n° 252/2013: 
A relevância das condições crônicas como necessidade de saúde levou à publicação dessa portaria, 
que instituiu a Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas no âmbito do SUS. O seu objetivo é 
promover a reorganização do cuidado e sua qualificação, ampliando, assim, as estratégias de cuidado e a 
promoção da saúde/prevenção de desenvolvimento de doenças crônicas e agravos. O plano de ações 
estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas no Brasil é estruturado em três eixos, que são: 
vigilância, informação, avaliação e monitoramento; promoção da saúde; e cuidado integral. 
Princípios e Diretrizes das RAS para a População com DCNT: 
 Propiciar o acesso e o acolhimento aos usuários com doenças crônicas em todos os pontos de atenção. 
 Humanização da atenção, buscando a efetivação de um modelo centrado no usuário. 
 Articulação entre diversos serviços e ações de saúde. 
 Atuação territorial, com definição e organização da rede nas atenções de saúde, por meio da identificação 
das necessidades com os indicadores da estrutura, processo e desempenho. 
Rede de 
Atenção à 
Saúde 
 
 
 
15 
 Autonomia dos usuários, com constituição de estratégias de apoio ao autocuidado. 
 Regulação articulada entre os componentes da rede, garantindo equidade e integralidade do cuidado. 
 Formação profissional e educação permanente, por meio de atividades que visem à aquisição de 
conhecimentos, habilidades e atitudes dos profissionais de saúde para qualificação do cuidado, de acordo 
com a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. 
Plano de Ações Estratégicas para Enfrentamento de DCNT: 
 Promover o desenvolvimento e a implementação de políticas públicas efetivas, integradas, sustentáveis e 
baseadas em evidências para a prevenção e o controle das DCNT e seus fatores de risco, além de 
fortalecer os serviços de saúde voltados às doenças crônicas. 
 Vigilância, informação e monitoramento. 
 Promoção da saúde; cuidado integral. 
 Atenção integral à saúde; vigilância em saúde; ambientes e territórios saudáveis; desenvolvimento 
saudável; equidade em saúde; saúde mental; gestão do conhecimento e informação para a saúde; 
inovação em saúde; educação e comunicação em saúde. 
 
Tema 09 – Atendimento por Recursos Digitais e Telemedicina 
Telessaúde: 
 A telessaúde, como componente da Estratégia de Saúde Digital (ESD) para o Brasil, tem como 
finalidade a expansão e a melhoria da rede de serviços de saúde, sobretudo da APS, e sua integração com os 
demais níveis de atenção, fortalecendo as Redes de Atenção à Saúde do SUS. Para definir essa prática, foi 
criada a Portaria n° 9795/2019, em que o MS estabeleceu as diretrizes da telessaúde no Brasil, por meio do 
Departamento de Saúde Digital no âmbito do SUS: 
 Transpor barreiras socioeconômicas, culturais e geográficas para que os serviços e as informações em 
saúde cheguem a toda a população; 
 Maior satisfação do usuário, maior qualidade do cuidado e menor custo para o SUS; 
 Atender aos princípios básicos de qualidade dos cuidados de saúde: segura, oportuna, efetiva, eficiente, 
equitativa e centrada no paciente; 
 Reduzir filas de espera e reduzir tempo para atendimentos ou diagnósticos especializados; 
 Evitar deslocamentos desnecessários de pacientes e de profissionais de saúde. 
Programa Telessaúde Brasil Redes: 
 Trata-se de uma iniciativa em âmbito nacional que busca melhorar a qualidade do atendimento e da 
atenção básica no SUS, integrando o ensino e o serviço por meio de ferramentas de tecnologias da 
informação que oferecem condições para promover a teleassistência e a teleducação. 
a. OBJETIVOS: melhora da qualidade do atendimento na APS, com resultados positivos na resolubilidade 
do nível primário de atenção, expressiva redução dos custos e do tempo de deslocamento; fixação de 
profissionais em locais de difícil acesso; melhor agilidade no atendimento; otimização de recursos do SUS. 
b. ESTRUTURA: Núcleo de Telessaúde Técnico Científico (instituições formadoras e de gestão e/ou serviços 
de saúde responsáveispela formulação e gestão das teleconsultorias, telediagnósticos e 2ª opnião 
formativa); Ponto de Telessaúde (serviços de saúde através dos quais os trabalhadores e profissionais do 
SUS demandem teleconsultoria e telediagnóstico). 
 
 
16 
 Teleconsultoria: consulta registrada e realizada entre trabalhadores, profissionais e gestores da área 
dasaúde, por meio de instrumentos de telecomunicação bidirecional, com o fim de esclarecer dúvidas 
sobre procedimentos clínicos, ações de saúde e questões relativas ao processo de trabalho. Pode ser 
realizado de forma síncroma (chat, web, videoconferência) ou assíncrona (mensagens off-line). 
 Telediagnóstico: serviço autônomo que utiliza das tecnologias de informação e comunicação (TICs) 
para realizar serviços de apoio ao diagnóstico através de distância. 
 Teleducação: conferências, aulas e cursos, ministrados por meio do uso de TICs. 
 Segunda opinião formativa: resposta sistematizada, construída com base em revisão bibliográfica, 
nas melhoras evidências científicas e clínicas e no papel ordenador da APS, para perguntas originadas 
das teleconsultorias e selecionadas a partir de critérios de relevância e pertinência em relação às 
diretrizes do SUS. 
Telemedicina: 
 Atividade médica mediada pelo uso das Tecnologias Digitais, de Informação e de Comunicação (TDCI), 
com fim de prestação de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões, gestão e promoção 
da saúde. Para tanto, a resolução n° 2314/2022 prevê que o atendimento pode ser realizado através de sete 
modalidades, que serão descritas abaixo: 
a. TELECONSULTA: consulta médica não presencial por meio das TDIC, com médico e paciente estão 
distantes e utilizam a plataforma de videoconferência para o ato médico; depois da consulta concluída, 
assinar o prontuário digital, solicitar exames, fazer prescrições digitais e enviar diretamente ao paciente 
por e-mail ou por SMS (mensagem). 
b. TELEINTERCONSULTA: troca de informações entre médicos, com o auxílio de TDIC, com ou sem a 
presença do paciente, para auxílio diagnóstico ou terapêutico, clínico ou cirúrgico. 
c. TELEDIAGNÓSTICO: emissão de laudo a distância ou parecer por médico com registro de qualificação 
de especialista (RQE) na área relacionada ao procedimento (p. ex: médico radiologista), em atenção à 
solicitação do médico assistente. 
d. TELECIRURGIA: realização de procedimentos cirúrgicos a distância, com utilização de equipamento 
médico robótico e mediada por tecnologias interativas seguras. 
e. TELEMONITORAMENTO/TELEVIGILÂNCIA MÉDICA: ato realizado sob coordenação, indicação, 
orientação e supervisão por médico para monitoramento ou vigilância a distância de parâmetros de saúde 
e/ou doença por meio de avaliação clínica e/ou aquisição direta de imagens, sinais e dados de 
equipamentos e/ou dispositivos agregados ou implantáveis nos pacientes. 
f. TELETRIAGEM MÉDICA: ato médico com avaliação dos sintomas do paciente, a distância, para realização 
ambulatorial ou hospitalar, com definição e direcionamento do paciente ao tipo adequado de assistência 
que necessita ou para um especialista. 
g. TELECONSULTORIA MÉDICA: ato de consultoria mediado por TDIC entre médicos, gestores e outros 
profissionais, com a fim de prestar esclarecimento sobre procedimentos administrativos e ações de saúde. 
 
Prestação de serviços de saúde à 
distância, por meio das Tecnologias 
da Informação e Comunicação (TICs). 
Dis respeito a um campo abrangente, 
que envolve serviços em teleducação, 
redes de epidemiologia e gestão. 
 
 
Faz parte desses serviços, 
pois usa a internet, 
softwares e plataformas 
específicas para ofertar 
laudos médicos a distância. 
 
Proposta da OMS para unificar 
informações sobre o paciente. 
Tem como objetivo aumentar a 
qualidade e ampliar o acesso. 
Visa melhorar o fluxo de 
informações. Por exemplo, o PEC. 
 
 
17 
Segurança e Privacidade de Dados – Resolução n° 2314/2022 – Artigo 3: 
 Para garantir o respeito ao sigilo médico na relação com o paciente, os dados e as imagens contidas 
nos prontuários devem ser preservados. Além disso, segurança, garantia de trabalho, integridade, 
autenticidade, confidencialidade, privacidade e sigilo profissional das informações deve atender a lei (LGPD) 
e as normas do CFM. O atendimento deve ser registrado em prontuários físicos ou em sistemas de 
informação, no Sistema de Registro Eletrônico de Saúde (SRES), atendendo aos padrões de representação, 
terminologia e interoperabilidade. 
Autonomia na Decisão Médica – Resolução n° 2314/2022 – Artigo 4: 
 Médicos devidamente cadastrados nos conselhos regionais de medicina terão autonomia para decidir 
sobre o uso ou não de telemedicina ou para indicar atendimento presencial quando julgar necessário. Em 
conformidade com as normas éticas e legais, a autonomia está limitada ao princípio de benefício e cuidado. 
Autorização do Paciente – Resolução n° 2314/2022 – Artigo 15: 
 Paciente ou representante legal devem autorizar o serviço de telemedicina e a transmissão de suas 
imagens e dados por meio do consentimento livre e esclarecido, autorizando-o por meio eletrônico ou 
gravando a leitura do texto. A autorização deve ser parte do Sistema de Registro Eletrônico de Saúde (SRES). 
Fiscalização – Resolução n° 2314/2022 – Artigo 17: 
 As empresas prestadoras desse serviço devem ter sede estabelecida em território brasileiro e inscrição 
no CRM do estado em que estão sediadas, tal como responsabilidade técnica do médico regularmente 
inscrito nesse mesmo conselho. A fiscalização será realizada pelos CRMs, que também manterão a vigilância 
e a avaliação das práticas em termos de qualidade do atendimento, da relação médico-paciente e do sigilo. 
 
 
Tema 10 – DM Centrada na Pessoa 
 DM é uma síndrome caracterizada por hiperglicemia crônica, resultante de defeitos na ação da 
insulina, na secreção de insulina ou em ambas. Essa doença pode ser classificada em DM tipo 1 (destruição 
de células beta-pancreáticas, sendo a maioria dos casos por origem autoimune), DM tipo 2 (defeitos na 
secreção e na ação da insulina; 90% dos casos de diabetes), DM gestacional (defeitos na secreção e ação de 
insulina na gestação) e outros tipos específicos de DM (defeito ou processo subjacente específicos). 
Manifestações Clínicas: 
 A maioria dos pacientes é assintomático nos estágios iniciais e a hipergliceridemia geralmente é 
detectada nos exames laboratoriais de rotina. Quando presentes, os principais sintomas são os P’s, com 
Patamares 
de Atuação 
para a 
Telemedicina 
 
 
 
18 
poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso. Outros sintomas que podem estar presentes são a noctúria, 
turvação visual, infecções de urina, infecções genitais e outros. A cetoacidose diabética (DM 1) e o coma 
hiperismolar não cetótico (DM 2) são as formas de apresentação mais graves da patologia e podem exigir que 
ocorra remoção imediata dos pacientes para tratamento em unidades de emergência. No exame físico, em 
geral os pacientes não apresentam alterações ao diagnóstico, mas pode ocorrer a presença de Acantose 
nigricans que denota à resistência insulínica. 
 
 
Fatores de Risco: 
Alguns fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus são: sobrepeso ou obesidade, 
dislipidemia, triglicerídios > 250 mg/dl, hipertensão arterial sistêmica (HAS), doença aterosclerótica, pré-
diabetes, estigmas de resistência insulínica (Acantose nigricans), sedentarismo, história familiar de diabete 
mellitus em parentes de 1° grau, mulheres com DM gestacional, síndrome dos ovários policísticos (SOP). 
Diagnóstico: 
O diagnóstico da diabete mellitus é realizado de acordo com o quadro clínico de cada paciente, 
conforme descrito abaixo. Além disso, os exames de rastreamento indicados são:glicemia de jejum, 
hemoglobina glicada (HbA1c) e glicemia 2 horas após a sobrecarga de 75 g de glicose anidra (TOTG-2h). Em 
algumas raras situações, em especial em adultos jovens, é necessário solicitar anticorpos anti-ilhota (ICA, do 
inglês islet-cell antibody), anti-insulina (IAA) e antidescarboxilase do ácido glutâmico (anti-GAD) para 
diferenciar DM 1 e DM 2 (presentes no tipo 1). Se apenas glicemia de jejum, não é diagnóstico para DM. 
a. EM UMA MESMA AMOSTRA DE SANGUE: Glicemia jejum ≥126 mg/dL e HbA1c ≥6,5%. 
b. DOIS EXAMES ALTERADOS: Glicemia jejum ≥126 mg/dL ou HbA1c ≥ 6,5% ou TOTG-2h ≥200 mg/dL. Se 
apenas um exame estiver alterado, este deve ser repetido para confirmação. 
c. PRÉ-DIABETES: Glicemia jejum entre 100 e 125 mg/dL ou HbA1c entre 5,7 e 6,4% ou TOTG-2h entre 140 
e 199 mg/dL. 
Manifestações Clínicas 
da DM tipo 1 
 
Manifestações Clínicas 
da DM tipo 2 
 
 
 
19 
 
Rastreamento: 
É recomendado o rastreamento para todos os indivíduos com 45 anos ou mais, mesmo sem fatores 
de risco, e para indivíduos com sobrepeso/obesidade que tenham pelo menos um fator de risco adicional 
para DM 2. A repetição deve ser considerada em intervalos de, no mínimo, três anos. E em adultos com 
exames normais, porém mais de um fator de risco para DM 2, deve ser considerado repetir o rastreamento 
laboratorial em intervalo não superior a 12 meses. 
a. SINTOMÁTICOS: em caso de sintomas inequívocos de hiperglicemia (poliúria, polifagia, polidipsia e 
emagrecimento), a glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL confirma o diagnóstico, sem necessidade de outros 
exames para comprovação. 
b. ASSINTOMÁTICOS: o rastreamento é recomendado para todos os pacientes sem fator de risco com 
idade ≥ 35 anos e para aqueles de qualquer faixa etária com sobrepeso ou obesidade que possuam fator 
de risco adicional. Também indicado em pacientes com alterações pancreáticas, endocrinopatias, infecção 
pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), doença periodontal ou esteatose hepática. 
 
Tratamento: 
 O tratamento não farmacológico é feito com o foco nas mudanças no estilo de vida (MEV). Para isso, 
é importante que o paciente realize atividades físicas (ao menos 150 minutos por semana de atividade de 
intensidade moderada a intensa), redução do peso (IMC deve estar entre 18,5 a 24,9), dieta, moderar/cessar 
o tabagismo e o etilismo, entre outros. Pacientes com sobrepeso ou obesos devem emagrecer pelo menos 
5% do seu peso. Além disso, é importante que o profissional de saúde oriente para o cuidado com os pés. 
Critérios de 
Rastreamento 
para DM 
 
Critérios 
Diagnósticos 
para DM 
 
 
 
20 
Por outro lado, o tratamento farmacológico varia de acordo com o tipo de classificação da DM. Os 
antidiabéticos orais mais utilizados no SUS são as biguanidas (metformina), as sulfanilureias (glibenclamida, 
glicazida) e as insulinas (NPH, regular). 
a. DM 1: Para um controle adequado e para evitar cetoacidose e coma, é necessária a insulinização plena, 
com múltiplas doses ao dia, associando a insulina basal a bolus de insulina ultrarrápida ou rápida. É um 
esquema complexo que exige o acompanhamento por especialista experiente nessa técnica. 
b. DM 2: O tratamento é feito em etapas, com complexidade crescente. O tratamento inicial indicado é a 
MEV associada ao uso de metformina. Caso o controle esteja inadequado, mesmo com essas medidas, 
recomenda-se a introdução progressiva de outros fármacos, evoluindo também para insulinoterapia. 
Medicação Especificações Importantes 
Baixo custo (geralmente disponível no SUS), sem risco de hipoglicemia, 
neutra em relação ao peso, contraindicada se TFGe 2, pode causar diarreia, 
náuseas e deficiência de vitamina B12. 
Baixo custo (geralmente disponível no SUS), risco elevado de hipoglicemia 
(menor risco com Gliclazida MR), pode causar ganho de peso. 
Custo intermediário, sem risco de hipoglicemia, pode causar ganho de 
peso e retenção hídrica; contraindicada em insuficiências cardíaca (classes 
III e IV) e hepática. 
Custo intermediário, pode causar perda de peso e provoca efeitos 
gastrintestinais importantes (flatulência, diarreia). 
Custo intermediário, neutros em relação ao peso, podem ser utilizados 
quando função renal reduzida (para ajuste da dose, avaliar bulas 
individualmente. Linagliptina não necessita de ajuste), podem causar dor 
articular e deve-se descontinuar o uso caso suspeita de pancreatite. 
Potencial risco de insuficiência cardíaca com a Saxagliptina. 
Custos elevados, sem risco de hipoglicemia, podem causar perda de peso, 
apresentam benefício cardiovascular, associam-se à redução na 
progressão de doença renal (avaliar bulas individualmente para valores de 
TFGe permitidos), podem provocar infecção geniturinária, depleção de 
volume e, raramente, gangrena de Fournier e cetoacidose. 
Custos elevados, sem risco de hipoglicemia, podem causar perda de peso, 
apresentam benefícios cardiovasculares e renais (Dulaglutida, Liraglutida 
e Semaglutida), podem provocar efeitos gastrintestinais indesejáveis, 
como náuseas, vômitos e diarreia. 
Custo variável de baixo (NPH e regular geralmente disponíveis no SUS) a 
elevado (análogos). Podem causar ganho de peso, apresentam risco 
elevado de hipoglicemia e deve-se ajustar. 
Alguns fatores que impactam na escolha do tratamento dos pacientes são: doenças renais, 
cardiovascular e/ou alterações visuais; efeitos adversos; influência no peso corporal; custo inicial e de 
manutenção; complexidade do regime terapêutico; expectativa de vida; auxílio de terceiros na administração 
e outros. A abordagem terapêutica centrada na pessoa permite um melhor entendimento das questões 
pessoais do paciente, do seu entorno, suas motivações e suas crenças. A individualização do tratamento 
possibilita alcançar desfechos mais favoráveis e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida. O alvo 
do tratamento visa o bem-estar e o alcance de valores de glicemia e hemoglobina glicada próximos aos 
normais. O diabetes mellitus tipo 2 deve ser acompanhado regularmente com monitorização do tratamento 
e rastreamento de complicações crônicas segundo indicação. 
 
 
21 
 
Complicações Crônicas: 
As complicações crônicas do DM são decorrentes principalmente do controle inadequado, do tempo 
de evolução e de fatores genéticos da doença. As complicações crônicas microvasculares englobam a 
nefropatia diabética, a retinopatia diabética e a neuropatia diabética. Os pacientes podem apresentar 
complicações crônicas no momento do diagnóstico, portanto devem ser avaliadas já na primeira consulta. As 
complicações crônicas macrovasculares, como o próprio nome diz, são resultantes de alterações nos grandes 
vasos e causam infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e doença vascular periférica. 
a. RETINOPATIA DIABÉTICA: Avaliação anual, podendo ser menor caso haja retinopatia ou maculopatia. 
b. NEFROPATIA DIABÉTICA: Avaliação anual de albuminúria (relação albumina/creatinina urinárias em 
amostra única) e dosagem de creatinina sérica para o cálculo da taxa de filtração glomerular estimada. 
c. PÉ DIABÉTICO: Avaliar mediante exame físico, com indicação de testes de neurocondução, quando 
houver dúvida diagnóstica. 
 
Tema 11 – HAS Centrada na Pessoa 
 A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é definida como a ocorrência de elevação da pressão arterial 
de forma crônica, o que leva ao desenvolvimento de lesões crônicas de órgãos e risco aumentado para 
eventos cardiovasculares e cerebrovasculares. Trata-se de uma condição clínica multifatorial definida como 
uma pressão arterial sustentada maior ou igual a 140 mmHg sistólica e 90 mmHg diastólica. Cerca de 90% 
dos pacientes com PA elevada não tem uma única causa reversível, por isso o termo Hipertensão Primária. 
Entretanto, a maioria desses pacientes apresenta comportamentos como consumo excessivo de calorias, sal, 
álcool e falta de atividade física, o que contribui para a hipertensão. FATORES DE RISCO: idade > 60 anos, sobrepeso/obesidade, aumento da circunferência abdominal, 
sedentarismo, tabagismo, etilismo, dislipidemia, intolerância à glicose/DM, síndrome metabólica, doença 
arterial obstrutiva periférica, história familiar/genética, redução do n° de néfrons, dieta rica em sódio (> 
3000 mg/dia), hipovitaminose D, fatores socioeconômicos, transtornos de personalidade e depressão. 
Algoritmo para 
Tratamento da DM 2 
 
 
 
22 
 DROGAS QUE PODEM CONTRIBUIR PARA A HAS: antiinflamatórios não esteroides, anticoncepcionais 
com altas doses de estrogênio, antidepressivos (tricíclicos e ISRS), corticoides, estimulantes, anfetaminas, 
metanfetaminas, cocaína, drogas simpaticomiméticas, descongestionantes nasais (pseudoefedrina), 
eritropoietina, ciclosporina. 
Classificação da HAS em Estágios: 
 PRÉ-HIPERTENSÃO: PAS entre 121 e 139 e/ou PAD entre 81 e 89 mmHg. 
 HIPERTENSÃO ESTÁGIO 1: PAS 140 – 159 mmHg PAD 90 – 99 mmHg. 
 HIPERTENSÃO ESTÁGIO 2: PAS 160 – 179 mmHg PAD 100 – 109 mmHg. 
 HIPERTENSÃO ESTÁGIO 3: PAS ≥ 180 mmHg PAD ≥ 110 mmHg. 
 HIPERTENSÃO MASCARADA: valores normais de PA no consultório, mas PA elevada no MAPA ou MRPA. 
 HIPERTENSÃO DO AVENTAL BRANCO: valores anormais da PA no consultório, mas com valores 
normais no MAPA ou MRPA. 
 
Diagnóstico: 
Será considerado hipertenso o paciente que mantiver pressões ≥140x90 mmHg em, pelo menos, duas 
consultas espaçadas em dias ou semanas. Pacientes classificados como hipertensão estágio 3 (≥180x110 
mmHg) podem receber o diagnóstico na primeira consulta. 
a. MONITORIZAÇÃO AMBULATORIAL (MAPA): Método que permite a aferição da pressão arterial 
durante o dia e a noite, por meio de medidas, geralmente, a cada 15-20 minutos durante o dia e a cada 
30-60 minutos durante o sono. Pode diagnosticar e confirmar o diagnóstico de hipertensão, bem como 
identificar casos de hipertensão do jaleco branco e hipertensão mascarada. 
b. MONITORIZAÇÃO RESIDENCIAL (MRPA): Método de medida da pressão arterial na residência do 
paciente com esfigmomanômetro digital certificado, por cinco dias (com três medidas pela manhã e três 
medidas à tarde), podendo ser realizado por profissional ou pelo próprio paciente treinado. Considera-
se normal uma média de pressões. 
Estabelecido o diagnóstico de hipertensão arterial, alguns exames devem ser solicitados, sendo eles 
os seguintes: eletrólitos e função renal, glicemia de jejum, perfil lipídico, ácido úrico, urinálise, 
microalbuminúria ou estimativa de proteína em amostra, hemograma completi, hormônio tireoidiano, 
eletrocardiograma e cálculo do risco cardiovascular. Outros exames devem ser solicitados caso acredite-se 
Classificação 
da HAS 
 
 
 
23 
ser necessária a investigação adiciona, sendo eles os seguintes: ecocardiograma, ultrassonografia de carótidas 
e vertebrais, investigação de hipertensão secundária (quando o quadro tem início antes dos 30 anos). 
Tratamento: 
 O tratamento é realizado com estratégias não farmacológicas (MEV) e farmacológicas. Na maioria dos 
indivíduos é preconizado os dois tipos de tratamento, já que a adesão das medidas comportamentais a médio e longo 
prazo costumam ser mínimas. A decisão terapêutica deve ser baseada no nível da PA, presença de fatores de risco, 
lesão de órgão alvo ou doença cardiovascular. A terapia não farmacológica deve ser tentada por 3 meses nos 
hipertensos com risco baixo e 6 meses nos hipertensos com risco moderado. É fundamental acompanhar esses 
indivíduos para avaliar a adesão ao tratamento não farmacológico. 
 
A terapia não-medicamentosa envolve o controle ponderal, medidas nutricionais (controle do consumo de 
sódio, alimentação com fibras, ácidos graxos insaturados, oleaginosas, laticínios e etc), prática de atividade física, 
cessação do tabagismo, redução do consumo de álcool e controle do estresse. O risco cardiovascular deve ser avaliado 
em todo paciente hipertenso, pois auxilia na decisão terapêutica e no prognóstico. A estratificação do RCV do 
hipertenso é baseada na avaliação é determinar o risco global diretamente relacionado à hipertensão. 
Medicação Especificações Importantes 
Ação: efeitos natriuréticos com diminuição do volume extracelular e redução da 
resistência vascular periférica. 
Representantes: hidroclorotiazida, clortalidona, indapamida. 
Efeitos adversos: fraqueza, câimbras, hipovolemia, disfunção erétil, hipopotassemia, 
aumento do ácido úrico. 
Observações: deve-se da preferência aos diuréticos tiazídicos ou similares 
(clortalidona, hidroclorotiazida e indapamida) em doses baixas. Usar os diuréticos de 
alça (furosemida e bumetanida) em casos de insuficiência renal e edema. Poupadores 
de potássio (espironolactona e amilorida) são usados em associação com tiazídicos. 
Tratamento 
Farmacológico 
da HAS 
 
 
 
24 
Ação: estímulo de receptores alfa 2 envolvidos nos mecanismos simpatoinibitórios. 
Diminuem a atividade simpática e o reflexo dos barorreceptores contribuindo para 
bradicardia relativa; reduz níveis plasmáticos de renina e retêm fluidos. 
Representantes: metildopa, clonidina, guanabenzo, monoxidina e rilmenidina. 
Efeitos adversos: sonolência, sedação, boca seca, fadiga, hipotensão postural e 
disfunção erétil. Metildopa pode provocar reações autoimunes como febre, 
galactorreia e disfunção hepática. Clonidina apresenta maior risco de efeito rebote. 
Observações: uso de clonidina pode ser favorável em casos associados a sd das 
pernas inquietas, retirada de opioides, diarreia associada a neuropatia diabética. 
Ação: diminuição do DC e secreção de renina com readaptação dos barorreceptores 
e diminuição das catecolaminas. 
Representantes: propranolol, atenolol, metoprolol, carvedilol. 
Efeitos adversos: broncoespasmo, bradicardia, vasoconstrição periférica, insônia, 
pesadelos, depressão psíquica, astenia e disfunção sexual. 
Observações: os BB de primeira e segunda geração são contraindicados nos 
pacientes com asma, DPOC e bloqueio atrioventricular de 2 e 3º grau. 
Ação: antagonistas competitivos dos receptores alfa 1 pós-sinápticos levando a 
redução da RVP e do DC. 
Representantes: doxazosina, prazosina e terazosina. 
Efeitos adversos: hipotensão sintomática na primeira dose, incontinência urinária. 
Observações: efeito hipotensor discreto, usado em associação. 
Ação: relaxam a musculatura lisa arterial e levando a redução da RVP. 
Representantes: hidralazina e minoxidil 
Efeitos adversos: cefaléia, taquicardia reflexa e reação lúpus like. 
Observações: Hirsutismo com monoxidil ocorre em cerca de 80% dos pacientes. 
Ação: redução da RVP devido a redução do cálcio intracelular. 
BCC di-idropiridínicos: efeito vasodilatador predominante, com mínima interferência 
na frequência e na função sistólica. 
BCC não di-idropiridínicos: menor efeito vasodilatador, e podem ser 
bradicardizantes e antiarrítmicos, o que restringe seu uso a alguns casos específicos 
Representantes: BCC di-idropiridínicos (amlodipino, nifedipino, felodipino, 
nitrendipino, manidipino, lercanidipino, levanlodipino, lacidipino isradipino, 
nisoldipino, nimodipino). Não di-idropiridínicos (verapamil e diltiazem). 
Efeitos adversos: edema maleolar, cefaléia, rubor facial, hipertrofia gengival. 
Observações: em geral são usados como uma alternativa aos BBs quando esses não 
puderem ser utilizados, ou mesmo, em associação, quando em angina refratária. 
Ação: inibição da enzima conversora de angiotensina I, impedindo a transformação 
de angiotensina I em angiotensina II, de ação vasoconstritora. 
Representantes: captopril, enalapril, ramipril, lisinopril. 
Efeitos adversos: tosse seca, elevação da uréia e creatinina, hipopotassemia em 
pacientes com insuficiência renal e diabéticos. 
Observações: retardam o declínio da função renal em pacientes com nefropatia 
diabética ou de outras etiologias. Seu uso é contraindicadona gravidez. 
Ação: antagonizam a ação da angiotensina II por meio do bloqueio específico dos 
receptores AT1, responsáveis pelas ações vasoconstritoras, proliferativas e 
estimuladoras da liberação de aldosterona, próprias da angiotensina I 
Representantes: losartana, valsartana, candesartrana, olmesartrana, telmisartrana. 
Efeitos adversos: são incomuns. Exantema raramente observado. 
Observações: contraindicado na gravidez. 
 
 
25 
Ação: inibição direta da ação da renina com consequente diminuição da formação de 
angiotensina II. 
Representantes: alisquireno. 
Efeitos adversos: rash cutâneo, diarréia, tosse. 
Observações: contraindicado na gravidez. 
 
Situações Especiais: 
 HIPERTENSÃO MALIGNA: Complicação grave da HAS não tratada. Mais comum no sexo masculino, 
jovens, negros e com predisposição genética. Incide em 1% dos hipertensos. Ocorre comprometimento 
rapidamente progressivo (em geral, em meses) de órgão-alvo por isquemia (cérebro, coração e rim). 
 HIPERTENSÃO RESISTENTE: Hipertensão não controlada, a despeito da utilização de três anti-
hipertensivos em doses máximas de classes diferentes, sendo um deles um diurético (se tolerado); ou 
hipertensão controlada com quatro ou mais classes de anti-hipertensivos. 
 HIPERTENSÃO REFRATÁRIA: Hipertensão não controlada, a despeito de terapia otimizada máxima (uso 
de cinco drogas ou mais em doses otimizadas, incluindo a Clortalidona/Indapamida e a Espironolactona). 
 HIPERTENSÃO SECUNDÁRIA: Elevação de pressão arterial secundária a outras doenças. Geralmente, se 
resolve quando o fator causal é retirado. 
 EMERGÊNCIA OU URGÊNCIA HIPERTENSIVA: Elevação súbita de pressão arterial, geralmente com 
valores >180 x 120 mmHg, podendo levar a uma emergência (lesão aguda de órgão-alvo) ou urgência 
hipertensiva (sem lesão aguda de órgão-alvo). Paciente assintomático na urgência hipertensiva pode ser 
manejado na APS. 
Lesões em Órgãos-Alvo: 
Órgão Síndrome Clínica Manifestações Clínicas 
Insuficiência Cardíaca Dispneia aos esforços, ortopneia, palpitações, edema de MMII 
Insuficiência Renal Edema matutino, palidez, perda de peso, noctúria, redução do 
volume urinário. 
Retinopatia 
Hipertensiva 
Embaçamento visual, estocomas visuais, diminuição da 
acuidade visual. 
Doença 
Cerebrovascular 
Paresia, plegia, parestesias. 
Combinações 
Possíveis de Anti-
Hipertensivos 
 
 
 
26 
Tema 12 – Violência e Maus-Tratos contra Crianças e Adolescentes 
A violência/maus-tratos contra crianças e adolescentes pode ser definida como toda ação ou omissão, 
conscientemente aplicada ou não, que venha a lhe provocar dor (física ou emocional). Quando essa violência 
é exercida por parte de familiares ou pessoas na condição de cuidadores/responsáveis é chamada de 
violência doméstica ou intrafamiliar. Existem 4 principais categorias: 
a. VIOLÊNCIA FÍSICA: prática de qualquer ação, única ou repetida, com uso da força contra o outro de 
forma intencional, cometida por um indivíduo mais velho do que a criança ou adolescente, com o objetivo 
de ferir, lesar ou destruir a vítima, provocando danos físicos, deixando ou não marcas evidentes. 
b. NEGLIGÊNCIA OU OMISSÃO DO CUIDAR: atitudes de omissão para com a criança ou adolescente, de 
forma crônica, praticados por seus cuidadores/responsáveis, comprometendo higiene, nutrição, saúde, 
educação, proteção e afeto, em vários aspectos e níveis de gravidade, sendo o abandono o grau máximo. 
c. VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA: submissão da criança ou adolescente a ações verbais ou atitudes que visem 
a humilhação e desqualificação, culpabilização, indiferença, rejeição ameaça e outros que possam levar 
danos ao seu desenvolvimento psíquico, moral e/ou social. Pode também ser por interferência negativa 
do cuidador/responsável nas competências intelectuais e sociais da criança, por meio de isolamento, 
terror, abandono, cobrança indevida, discriminação, desrespeito e corrupção. 
d. VIOLÊNCIA SEXUAL: uso da criança ou adolescente para gratificação sexual pelo adulto ou adolescente 
mais velho, incluindo atos ou jogos sexuais hétero ou homossexuais, variando desde a erotização precoce 
até o sexo propriamente dito. Considera-se estupro de vulnerável qualquer ato sexual envolvendo 
crianças ou adolescentes menores de 14 anos e qualquer outros que por alguma razão tenha 
incapacidade física ou mental de oferecer resistência. 
Conduta: 
 O pediatra ou profissional da saúde deve estar apto para identificar suspeitas de violência contra 
crianças e adolescentes, além de assegurar o diagnóstico, o tratamento e os meios de proteção adequados 
para as situações de risco de maus-tratos. É importante definir os níveis de gravidade de acordo com os tipos 
e a extensão das lesões. Sempre acolher a vítima e não se deixar intimidar por atitudes agressivas dos 
cuidadores e responsáveis (reforçam as suspeitas de agressão). 
 
 Diante de quadro de suspeita de agressão, a notificação de suspeita ou confirmação, definida pelo 
Estatuto da Criança e do Adolescente e pelo Ministério da Saúde, deve ser obrigatoriamente realizada. Atos 
de violência sexual devem ser sempre comunicados ao Conselho Tutelar e aos órgãos de segurança 
(delegacia) e justiça (vara de crimes, vara da infância e da adolescência). Devem ser rediginas no mínimo 2 
notificações: conselho tutelar (medidas protetoras às supostas vítimas) e SINAN (estabelecimento do perfil 
epidemiológico da violência). 
Prognóstico e Prevenção: 
 Dependendo do da idade, da intensidade e do tempo de exposição a violência, esses atos podem 
resultar em alterações na formação da criança, desencadeando danos no desenvolvimento físico, moral, 
Fluxograma 
para 
Notificação 
 
 
 
27 
intelectual ou psicossocial. Já a prevenção, deve ser realizada quando maiores fatores de risco para maus-
tratos, como ausência, perda ou diminuição dos vínculos entre vítima e responsáveis, e com 
acompanhamento adequado e longitudinal da família, a fim de contribuir para a manutenção do vínculo e 
evitar o desenvolvimento de violência. 
 
Tema 13 – Política Nacional de Promoção à Saúde 
 O processo saúde-adoecimento é decorrente de múltiplos e complexos aspectos, cabendo ao setor 
Saúde torná-los cada vez mais visíveis. Desta forma, na perspectiva da promoção da saúde, a articulação 
intersetorial deve estimular e impulsionar os demais setores a considerar, na construção de suas políticas 
específicas, os fatores e as condições de vulnerabilidade, os riscos e as potencialidades da saúde que afetam 
a vida da população, responsabilizando, assim, todos os setores e fazendo com que a saúde componha as 
agendas de todas as políticas públicas. 
Propõe-se, então, que as intervenções em saúde ampliem seu escopo, tomando como objeto os 
problemas e as necessidades de saúde e seus determinantes e condicionantes, de modo que a organização 
da atenção e do cuidado envolva, ao mesmo tempo, as ações e os serviços que operem sobre a saúde e o 
adoecimento, com um olhar para além dos muros das unidades de saúde e do sistema de saúde, incidindo 
sobre as condições de vida e favorecendo a ampliação de escolhas saudáveis. 
A saúde exige a participação ativa de todos os sujeitos na análise e na formulação de ações que visem 
à sua promoção. Assim, a abordagem da promoção da saúde aponta para o desenvolvimento de políticas 
públicas e para a produção e disseminação de conhecimentos e práticas de saúde de forma compartilhada e 
participativa. Neste sentido, a Política Nacional de Promoção da Saúde – em seu processo de implementação 
nas várias esferas de gestão do SUS e na interação entre o setor Sanitário e os demais setores das políticas 
públicas e da sociedade – vem para provocar mudanças nos modos de organizar, planejar, realizar, analisar 
e avaliar o trabalho em saúde. 
 
Objetivos da PNPS: 
A culminância deste processo

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