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1 
ANDRÉ BUENO · CARLOS EDUARDO CAMPOS · AIRAN BORGES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ENSINO DE HISTÓRIA ANTIGA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Reitor: 
Prof. Dr. Marcelo Augusto Santos Turine - UFMS 
Vice-Reitora: 
Profa. Dra. Camila Celeste Brandão Ferreira Ítavo 
Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Esporte: 
Prof. Dr. Marcelo Fernandes. 
Direção da Faculdade de Ciências Humanas: 
Profa. Dra. Vivina Dias Sol Queiroz 
Coordenação do Curso de História: 
Prof. Dr. Cleverson Rodrigues 
 
 
Edições Especiais Sobre Ontens 
Comissão Editorial & Científica 
Dulceli Tonet Estacheski [UFMS] 
Everton Crema [UNESPAR] 
Carla Fernanda da Silva [UFPR] 
Carlos Eduardo Costa Campos [UFMS] 
Gustavo Durão [UFPI] 
José Maria Neto [UPE] 
Leandro Hecko [UFMS] 
Luis Filipe Bantim [UFRJ] 
Maria Elizabeth Bueno de Godoy [UEAP] 
Maytê R. Vieira [UFPR] 
Nathália Junqueira [UFMS] 
Rodrigo Otávio dos Santos [UNINTER] 
Thiago Zardini [Saberes] 
Vanessa Cristina Chucailo [UNIRIO] 
Washington Santos Nascimento [UERJ] 
 
Rede: 
www.revistasobreontes.site 
 
 
 
Coordenador do ATRIVM / UFMS: 
Prof. Dr. Carlos Eduardo da Costa Campos 
 
Rede: https://www.atrivmufms.com/ 
 
Ficha Catalográfica 
 
Bueno, André; Campos, Carlos Eduardo; Borges, Airan (org.) 
Ensino de História Antiga. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Sobre 
Ontens/UFMS, 2020. ISBN: 978-65-00-02134-9 160pp. 
 
Ensino de História; História Antiga; Antiguidade Clássica. 
 
 
 
 
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Sumário 
POR UM ENSINO DOS ESTUDOS DA ANTIGUIDADE - REFLEXÕES ................................................. 5 
O USO DA ARTE NO ENSINO DA ANTIGUIDADE TARDIA por Ana Lucia Santos Coelho e Ygor 
Klain Belchior ................................................................................................................................. 8 
PHYSIS EN LA ANTIGUA GRECIA por Arturo S. Sanz .................................................................... 17 
ENSINO DE HISTÓRIA ANTIGA E AS POTENCIALIDADES DA CULTURA MATERIAL: EXPERIÊNCIAS 
E REFLEXÕES por Airan dos Santos Borges e Carlos Eduardo da Costa Campos ........................ 23 
REFLEXÕES SOBRE O DIÁLOGO PARA OS ESTUDOS DA ANTIGUIDADE por Cristina de Souza 
Agostini ........................................................................................................................................ 36 
A BNCC E O ESTUDO DA ÁFRICA E DO EXTREMO ORIENTE ANTIGOS NOS ANOS FINAIS DO 
ENSINO FUNDAMENTAL: RETROCEDEMOS? por Leandro Mendonça Barbosa .......................... 44 
A HQ “OS 300 DE ESPARTA” E O ENSINO DE HISTÓRIA – CONSIDERAÇÕES, IDEIAS E 
ALTERNATIVAS por Luis Filipe Bantim de Assumpção ................................................................ 50 
POR UM MUNDO ANTIGO DE CONTATOS: UMA PROPOSTA DE USO DO FILME ALEXANDRIA EM 
SALA DE AULA por Thiago de Almeida Lourenço Cardoso Pires ................................................. 62 
O LUGAR DA ANTIGUIDADE NOS PROGRAMAS DE HISTÓRIA: DA DISSOLUÇÃO DO CURRÍCULO 
HUMANÍSTICO AOS DEABATES SOBRE A BNCC por Alessandro Mortaio Gregori ...................... 67 
REVISTA EM QUADRINHOS COMO RECURSO DIDÁTICO À DISCIPLINA DE HISTÓRIA ANTIGA por 
Allef Gustavo Silva dos Santos .................................................................................................... 75 
HELENISMO E AS SOCIEDADES CLÁSSICAS OCIDENTAIS: UMA BREVE REFLEXÃO por Avelino 
Gambim Júnior ............................................................................................................................ 81 
UMA PONTE PARA A ANTIGUIDADE: O PENSAMENTO FILOSÓFICO GREGO NA LITERATURA 
INFANTOJUVENIL por Benigna Ingred Aurelia Bezerril e Krishna Luchetti ................................. 86 
O ENSINO DAS LETRAS CLÁSSICAS PARA O ESTUDO DA ANTIGUIDADE – UMA PROPOSTA 
METODOLÓGICA por Carlos Eduardo Schmitt ............................................................................ 93 
A HISTÓRIA ANTIGA PRESENTE NO LIVRO DIDÁTICO por Carolina Lima Costa .......................... 98 
PIBID EM PRÁTICA: METODOLOGIA PARA TRABALHAR A CULTURA DO EGITO ANTIGO NO 
ENSINO FUNDAMENTAL por Cibeli Grochoski e Milliann Carla Strona ..................................... 104 
O ENSINO DA ANTIGUIDADE ROMANA: UMA REVISÃO HISTORIOGRÁFICA DE REPRESENTAÇÕES 
EM LIVROS DIDÁTICOS por Daniel Roberto Duarte Granetto ................................................... 111 
A RIQUEZA DO CONTINENTE AFRICANO: UMA EXPERIÊNCIA EM SALA DE AULA por Isabele 
Fogaça de Almeida .................................................................................................................... 118 
UM PASSEIO PELA ANTIGUIDADE CLÁSSICA: RECONSTRUINDO O PASSADO COM O ASSASSIN’S 
CREED ODYSSEY DISCOVERY TOUR por Isaias Luis dos Santos Junior ....................................... 126 
 
4 
RELATO DE EXPERIÊNCIIA: 0,50 CENTAVOS DE GRÉCIA ANTIGA, A APRENDIZAGEM 
SIGNIFICATIVA E OS USOS DO PASSADO por Jacquelyne Taís Farias Queiroz .......................... 133 
NÓS E OS ANTIGOS: USOS DA LITERATURA CLÁSSICA EM MANUAIS DE ENSINO DE HISTÓRIA 
OITOCENTISTAS por José Petrúcio de Farias Júnior e Gizeli da Conceição Lima ...................... 137 
POSSIBILIDADE DE DIÁLOGO ENTRE HISTORIOGRAFIA E ENSINO DE HISTÓRIA A PARTIR DO 
LIVRO DIDÁTICO: UM ESTUDO DE CASO SOBRE O EGITO ANTIGO por Raimundo Nonato Santos 
de Sousa e Ruan David Santos Almeida .................................................................................... 146 
ENTENDENDO E REFLETINDO: EDUCAÇÃO NA CHINA ANTIGA E SEUS POSSÍVEIS 
ENSINAMENTOS PARA O AMBIENTE ESCOLAR BRASILEIRO por Ruan David Santos Almeida.153 
 
 
 
5 
POR UM ENSINO DOS ESTUDOS DA ANTIGUIDADE - REFLEXÕES 
 
A coletânea, intitulada Ensino de História Antiga, demonstra a importância 
da cooperatividade entre pessoas e instituições. Nesse sentido, o diálogo 
entre a UERJ, UFMS, UNESPAR e UPE, que sediaram o evento e a publicação 
com participação de mais de mil comunicadores e dois mil leitores 
reafirmam o nosso compromisso com o conhecimento científico em tempos 
tão obscuros. Logo, os textos contidos nessa obra devem ser 
compreendidos como o resultado de um processo educativo, cultural e 
científico. Acreditamos que uma atividade dessa natureza viabiliza a relação 
ativa e transformadora entre a Universidade e a sociedade ao promover a 
democratização do saber, tornando-o disponível para todos. 
 
Em um período instável e nebuloso quanto ao nosso presente e futuro, 
notamos que muitas justificativas são utilizadas para explicar nossa 
atualidade. Em algumas delas, o Mundo Antigo é acessado como um lugar 
de autoridade, detentor de exemplos que podem inspirar o tempo presente. 
A presente proposta não tem como objetivo defender a canonicidade da 
História Antiga. Para nós os estudos sobre a Antiguidade figuram como um 
poderoso instrumento de reflexão para os pesquisadores e discentes 
contemporâneos ao possibilitar o alargamento das distintas visões de 
mundo que compõem a contemporaneidade. Desta feita, compreendemos 
que o ensino e a pesquisa desse vasto Mundo Antigo contribuem de modo 
ímpar para a construção de uma consciência histórica plural e diversificada. 
 
Como foi evidenciado entre os anos de 2015 e 2017 nos debates [e 
embates] que contextualizaram a seleção dos conteúdos históricos que 
integrariam a BNCC dos Ensinos Fundamental e Médio, é urgente a 
necessidade de se rever tanto a forma quanto o conteúdo que integram os 
Estudos Clássicos ensinados nas escolas contemporâneas. O primeiro passo 
em direção à isso consiste no rompimento com a falsa oposição entre a 
academia e as instituições escolares, materializada na metáfora que 
observa a Universidade como um “castelo de marfim”, isto é, como um 
lugar inacessível aos “não iniciados”. 
 
Neste evento, defendemos a necessidade de ir além das interpretações 
historiográficas. Acreditamos na importância de um movimento conjunto 
entre as pesquisas e o ensino do Mundo Antigo, com a finalidade de 
desenvolverações práticas e direcionadas para a comunidade escolar. 
Assim, esperamos que as experiências aqui compartilhadas sirvam de 
inspiração para a promoção de outras práticas pedagógicas entre os 
professores do magistério superior e da rede básica, bem como discentes 
em formação. Frente a isso, nas conferências e comunicações enviadas, é 
possível observar um Ensino de História Antiga problematizador e conectado 
com a nossa realidade. As experiências aqui agrupadas evidenciam 
abordagens dinâmicas e criativas que reafirmam a viabilidade das ações 
conjuntas entre os grupos de pesquisa dedicados à Antiguidade nas IES e 
as Instituições Escolares, destacando, assim, as contribuições dos 
especialistas em Antiguidade tanto para os cursos de licenciatura, como 
para o aperfeiçoamento de professores. 
 
6 
A mesa Ensino de História Antiga foi organizada em local ideal, a saber, a 
rede de internet; garantindo, assim, o longo alcance das discussões. 
Ademais, foi possível integrar professores e pesquisadores de áreas como 
História, Arqueologia, Educação, Literatura, Filosofia, Artes, que tem como 
interesse comum os Estudos Clássicos. A partir deste “encontro”, foram 
criadas as condições para realização de discussões e debates relativos ao 
estado atual das pesquisas e práticas de ensino, além de permitir a difusão 
de seus resultados. Com esse intento, são previstas as realizações de 
conferências e comunicações com professores e especialistas nacionais e 
internacionais, atrelados a temática do simpósio. 
 
As conferências e as comunicações asseguram o compromisso com a 
cientificidade, com a sociedade acadêmica, bem como com os que estão 
fora do meio acadêmico. Abrindo a seção das conferências, destacamos o 
texto dos professores Ana Lucia Santos Coelho e Ygor Klain Belchior, 
intitulado O Uso da Arte no Ensino da Antiguidade Tardia Ressaltamos, no 
qual os autores fornecem instigantes análises sobre as imagens que 
contribuem para a contextualização e conhecimento de práticas 
socioculturais da Antiguidade Tardia. 
 
Airan dos Santos Borges e Carlos Eduardo da Costa Campos 
problematizaram as articulações entre a cultura material e o ensino da 
Antiguidade no texto O Ensino de História Antiga e as Potencialidades da 
Cultura Material: experiências e reflexões. Nele, os autores analisaram o 
emprego da cultura material para o Ensino de História, bem com 
apresentaram duas experiências desenvolvidas com as comunidades 
universitária e escolar de Caicó – RN e Coxim – MS. 
 
Arturo Sánchez Sanz, nosso convidado internacional, contribui com os 
debates através do texto Physis en la Antigua Grecia, no qual problematiza 
as questões de gênero e propõe outros olhares para esse tema, auxiliando 
no alargamento dos debates para o Ensino. 
 
O texto Reflexões sobre o Diálogo para os Estudos da Antiguidade de 
Cristina de Souza Agostini é um convite para pensarmos tanto o diálogo em 
sala de aula como a vida cotidiana, sobretudo, por realizar importantes 
reflexões no campo filosófico que contribuem diretamente para a 
compreensão do papel do diálogo, na Antiguidade e atualmente. 
 
Já Leandro Mendonça Barbosa dedicou-se à análise do texto da BNCC 
destacando diversos pontos sobre os estudos da África Antiga e do Extremo 
Oriente Antigo. Logo, o artigo A BNCC e o Estudo da África e do Extremo 
Oriente Antigos nos Anos Finais do Ensino Fundamental: Retrocedemos? 
provoca e propõe um convite para a comunidade escolar e universitária 
debater e produzir medidas de ação. 
 
Luis Filipe Bantim de Assumpção nos introduz ao estudo das mídias no 
artigo A HQ “Os 300 de Esparta” e o Ensino de História – considerações, 
ideias e alternativas. Neste texto o autor fornece um estudo valioso e que 
pode ser empregado com os alunos, especialmente por possibilitar a 
 
7 
construção do ensino com uma linguagem que é aproximada dos 
educandos. Além disso, o estudo de Assumpção possibilita outra perspectiva 
ao tradicional ensino atenocêntrico realizado nas escolas. 
 
Encerramos os textos dos conferencistas com a proposta de Thiago de 
Almeida Lourenço Cardoso Pires intitulada Por um Mundo Antigo de 
Contatos: uma proposta de uso do filme Alexandria em sala de aula. Neste 
estudo, Pires analisa o filme Alexandria como instrumento de Ensino de 
História Antiga e destaca elementos para o leitor pensar nas redes de 
contatos que havia na Antiguidade. 
 
Ressaltamos que a presente obra também conta com textos oriundos das 
comunicações da Mesa de Ensino de História Antiga, o que proporciona ao 
leitor conhecer algumas ações de projetos desenvolvidos no contexto do 
PIBID; dos Estágios Supervisionados; de Projetos de Extensão e 
Pedagógicos; bem como reflexões teóricas para Antiguidade. Em linhas 
gerais, as produções revelam inquietações e são propositivas no que diz 
respeito a defesa de novas práticas para o ensino da História Antiga nos 
diversos níveis do ensino brasileiro. Desta feita, as análises comungam de 
um objetivo comum, a saber: reconhecer as contribuições do Mundo Antigo 
para a compreensão de conceitos e produções culturais presentes nas 
experiências sociopolíticas atuais. 
 
Frente a isso, a presente proposta dialoga com outras experiências desse 
tipo e que foram desenvolvidas em diversas universidades federais e 
estaduais do Brasil. Para citar alguns exemplos, recordamos os projetos da 
UNESP – Assis, coordenados pela Profª Drª Andréa Rossi e as Oficinas 
Pedagógicas em História Antiga. No caso da Antiguidade Clássica e Egípcia 
na UFRJ, salientamos as atividades promovidas pela Profª Drª Regina Maria 
da Cunha Bustamante. No âmbito da USP, tivemos os projetos educativos 
em História Antiga coordenados pela Profª Drª Maria Beatriz Borba 
Florenzano e pela Profª Drª Maria Isabel Fleming junto ao Museu de 
Arqueologia e Etnologia. Em todas essas experiências, a História Antiga foi 
vista como um espaço de reflexão crítica de temas caros ao mundo 
contemporâneo, um locus de identificação e problematização de inúmeras 
Referências culturais – vistas, então, de modo mais amplo. Esta produção 
pretende, portanto, unir-se a elas. 
 
Profa. Dra. Airan dos Santos Borges – UFRN / Ceres 
Prof. Dr. Carlos Eduardo da Costa Campos – UFMS / FACH 
 
 
 
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HELENISMO E AS SOCIEDADES CLÁSSICAS OCIDENTAIS: UMA 
BREVE REFLEXÃO 
Avelino Gambim Júnior 
 
Já alertava Marc Bloch [2001] que o ofício do historiador não é buscar as 
origens, já que o historiador é fruto de seu tempo, com suas preocupações 
e anseios. Logo, ao estudar a história social das sociedades antigas 
devemos primeiro nos indagar como este tema tem sido apropriado pela 
historiografia ocidental e o porquê da antiguidade Grécia e Roma ter este 
apreço tão grande nos estudos históricos, às vezes em detrimento de outras 
sociedades antigas, não apenas no “velho mundo”, mas igualmente no 
“novo mundo”. 
 
A Antiguidade clássica, aqui entendida como uma periodização tradicional 
que ressalta as sociedades grega e romana liga-se de muitas maneiras à 
sociedade moderna ocidental [Funari 2002, 2004], fazendo parte da nossa 
história enquanto colonizados por europeus e sendo antepassados dos 
mesmos. Temos um elo de identidade enquanto cultura ocidental européia 
que nós latino americanos herdamos, já que os europeus elegeram a 
cultura greco-romana como um ideal de cultura e sociedade [Pinsky, 2010]. 
 
Primeiramente devemos explanar brevemente sobre o legado cultural, a 
política, o pensamento e a mitologia dos gregos e romanos da antiguidade, 
e em seguida explicar o que é o Helenismo e comparar com a nossa 
sociedade hoje globalizada, cujos elementos culturais das sociedades greco-
romanas herdados são muitos, a começar pela própria língua portuguesa, 
por exemplo, que apesar de ter outras contribuições de outros povos na 
península ibérica, teve o latim como base, latim falado pelos antigos 
romanos, além de várias palavras de origem grega, que também fazem 
parte de nossa língua eé claro a ideia de democracia e república, provindos 
da Grécia e Roma Antiga. 
 
Apesar de a “Magna Grécia” ter sido formada por colônias em todo o 
Mediterrâneo ocidental, que além de incluir colônias no sul da Itália, 
também incluía colônias na França e na Espanha, por exemplo, é somente a 
partir do período que vai do século IV a.C. com as conquistas de Filipe II e 
seu filho Alexandre da Macedônia até a conquista romana da Grécia no 
século II a.C. que elementos culturais como a política, filosofia e a mitologia 
influenciaram vastas áreas desde o oriente do mediterrâneo, o Egito na 
África e extendendo-se pelo oriente, incluindo a Mesopotâmia e chegando 
até a Índia [Funari, 2003]. 
 
É importante frizar que durante o período helenístico, a convivência de 
inúmeros povos, com dezenas de línguas e culturas diferentes, era 
governada por elites macedônicas que se comunicavam através da língua 
grega [Funari, 2003], fazendo com que houvesse uma profunda e 
gigantesca troca cultural. O helenismo não deve ser simplesmente encarado 
como mais um período da história, ou mesmo dar importância somente aos 
gregos neste processo, já que foram fundados importantes centros culturais 
da época como Alexandria, no Egito e Antioquia na Síria [Silva, 2015]. 
 
82 
Essa profusão e troca cultural só irá acelerar mais e se expandir por todo o 
Mediterrâneo e a outros locais como a Europa Ocidental, o oriente médio, e 
o norte da África, a partir do século I a.C. Lembrando que o sul da Itália já 
havia sido colonizado pelos Gregos, e quando os romanos conquistaram a 
Grécia, as elites aprendiam o grego e liam e discutiam suas obras na 
filosofia, na política, nos códigos jurídicos, na arquitetura e o plano 
ortogonal das cidades e na mitologia, porém com uma reelaboração própria 
dos romanos que absorviam e transformavam muitas das culturas que 
tiveram contato [Funari, 2003], pensando neste aspecto a própria Roma 
imperial pode ser considerada como um centro helenístico [Silva, 2015]. 
 
Mas como a cultura greco-romana chegou até nós? Primeiramente, ao 
falarmos de cultura ocidental, de Europa, é comum também falarmos de 
tradição judaico-cristã, já que estes se conectam na antiguidade, no período 
helenístico grego e imperial romano [Silk, 1984], lembrando que conceitos 
importantes foram incluídos no judaísmo e no próprio cristianismo, além do 
fato de Roma ter adotado o cristianismo como religião oficial, de modo que 
o mundo greco romano sempre esteve presente como legado à Europa, 
primeiramente colonizada e posteriormente tendo adotado também o 
cristianismo [Funari, 2003]. 
 
Apesar de sempre presentes ao longo da Idade Média europeia, ora 
pensada como um passado decadente, ora lembrada como uma herança 
cultural, será apenas no renascimento que as formas de expressão das 
sociedades clássicas ocidentais, nos idos dos séculos XIV e XV, 
principalmente na Itália, cresceram na Europa de maneira mais explicita, 
como uma valorização de um passado romantizado das antigas Grécia e 
Roma, através da inspiração na literatura, na filosofia, das artes plásticas e 
da arquitetura, o que trará profunda influencia na formação do que 
chamamos de mundo ocidental estando ligado a importantes conceitos 
como Humanismo e Reforma [Silva, 2015], e ao nascimento ainda 
incipiente de um colecionismo, através da escavação [pagas por mecenas] e 
violação de tumbas dos antigos romanos [como foi imortalizado pelo pintor 
Caravagio] que daria origem aos gabinetes de curiosidades durante o 
iluminismo [Trigger, 1992] que daria origem aos primeiros museus no 
século XIX [Schwarcz, 1993]. 
 
Será no iluminismo no século XVIII, que os discursos de um elo de 
identidade e inspiração nessas sociedades, irá ganhar mais ímpeto e força, 
influenciando enormemente a filosofia segundo um momento que a Europa 
vivia, da ascensão da burguesia e questionamento do antigo regime, que 
culminará na Revolução Francesa [Funari, 2003; Silva, 2015]. Já na 
América, especificamente nos EUA, servirá de inspiração no ideal de um 
sistema político republicano além de inspirar na arquitetura ortogonal das 
cidades da América espanhola [Funari, 2003]. 
 
Até hoje a cultura Greco romana é reapropriada pela cultura ocidental, 
muitas vezes em detrimento de outras culturas antigas e infelizmente sendo 
utilizada como discurso de uma pretensa superioridade racial e cultual dos 
gregos e romanos, embasados nos conhecimentos científicos da época 
 
83 
como o evolucionismo social que dividia sociedades humanas em selvagens, 
bárbaros e civilizados [Morgan, 1877] e as teorias racistas que explicavam 
que além de um pretenso “milagre grego” de uma superioridade cultural, a 
cultura grega seria “superior” também devido uma questão de uma 
“superioridade racial” da raça branca, fortemente influenciados pelo 
darwinismo social [Schwarcz 1993], que será constantemente retomada, 
como o caso mais emblemático já no século XX, na Alemanha Nazista 
inspirada na Grécia Antiga, e novamente na América do Norte, nos Estados 
Unidos, dessa vez inspirados no imperialismo romano [Funari, 2003]. 
 
Em relação a este “milagre grego”, como bem coloca Funari [2003], esta é 
uma verdadeira falácia, já que cai no erro gravíssimo de negar que as 
culturas clássicas foram igualmente influenciadas por outras culturas, como 
os egípcios e a mesopotâmia. Na realidade estes discursos de 
superioridade, sempre foram utilizados politicamente para justificar ora o 
imperialismo e neocolonialismo, assim como regimes nazifascistas 
[Schwarcz, 1993; Funari, 2003]. 
 
As culturas não morrem, mas se transformam, mudam as sociedades e se 
tornam em outras, mas é importante se dar conta da profunda influencia 
destas sociedades greco romanas sobre o pensamento ocidental, ao mesmo 
tempo que devemos dar-nos conta que os contextos onde a filosofia, 
mitologia, política, arquitetura e artes plásticas estavam inseridos são 
imensamente diferentes da sociedade ocidental da atualidade e 
reapropriados e resignificados de acordo com uma lógica judaico cristã, 
ocidental e capitalista. 
 
O que foi exposto permite refletirmos como a cultura, a política, o 
pensamento filosófico e a mitologia, iniciada pela “globalização” do 
helenismo e império romano sempre serviram como alegorias para as 
diferentes ideologias e interesses modernos ocidentais, em trânsito ao longo 
da história, sendo ultimamente apropriado por discursos que seguem uma 
lógica capitalista [Doberstein, 2002], o que apenas demonstra que os 
discursos e a subjetividade de quem conta uma história de acordo com a 
época e os atores sociais envolvidos nesta construção. 
 
Fica-nos apenas uma pergunta: Se é importante estudar as sociedades 
Gregas e Romanas [e de fato é importante], por que não é feito o mesmo 
com as sociedades antigas da América Latina? As sociedades Maia, Inca e 
Asteca, por exemplo, foram identificadas como sociedades clássicas, 
inclusive com elementos que a caracterizariam com um modo de produção 
asiático [Marx, 1867; Cardoso, 1986; Cardoso & Bouzon, 1990]. Talvez, 
uma primeira resposta poderia ser para fazermos estudos comparativos, 
tirando toda a carga evolucionista social e darwinista social [Trigger, 2003], 
entre o “velho mundo” [incluindo não apenas Grécia e oma, mas a África e 
extremo oriente] e o “Novo Mundo”, incluindo também as sociedades 
indígenas da América Latina, como por exemplo, os dados trazidos pela 
arqueologia sobre as sociedades amazônicas [Roosevelt, 1992, 1993; 
Schaan, 2004; Gomes, 2017; Rostain, 2012]. 
 
 
84 
Uma chave para refletirmos sobre isso seria através de um pensamento 
decolonial, indo de encontro com o que tem se defendido como giro 
decolonial [Ballestrini, 2013] onde se poderia discutir uma história indígena 
no continente latino americano como as sociedades indígenas [Carneiro da 
Cunha, 1993] e também africanas e afrodescentes [Reis & Andrade, 2018], 
ponderadas por pensadores latinos respondendo a questõesque sejam de 
nosso interesse e condigam com a nossa realidade, e não apenas como um 
passado ibérico europeu como uma forma de superação do padrão mundial 
de poder capitalista, no que podemos propor uma maior interculturalidade 
[Reis & Andrade, 2018] na pesquisa, ensino e extensão referentes ao 
estudo das sociedades antigas. 
 
Sem abandonar o legado dessas culturas greco-romanas, também 
estudadas sob uma perspectiva pós-colonialista, crítica e interdisciplinar 
[Garraffoni, Funari & Pinto, 2010], devemos buscar formas de estudar a 
Antiguidade para além do colonialismo e euro centrismo levando em 
consideração, as diversas sociedades antigas do continente Africano, assim 
como as sociedades da Antiguidade dos Andes, do Caribe, da Amazônia, 
enfim do continente americano como um todo. 
 
Referências 
Me. Avelino Gambim Júnior é professor substituto no Curso de História 
Universidade Federal do Amapá [UNIFAP]. Arqueólogo colaborador no 
Centro de Estudos e Pesquisas Arqueológicas da Universidade Federal do 
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