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FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS Falência É um processo judicial de liquidação · Via de regra, o número de passivos é maior do que o número de ativos, considerando o espectro monetário · Em tese, não se pode fazer novos contratos no período de liquidação, visto que a empresa está se declarando perante terceiros o processo de cunho extintivo que a empresa passa. A única opção de celebrar novos contratos é no caso de serem essenciais para a liquidação · A fase te liquidação tem caráter obrigatório, visto que é a única forma de não ter essa fase seria se a empresa não possuísse patrimônio O direto falimentar entra em cena quando a liquidação resulta no saldo negativo para a empresa. Nos casos de valores baixos, os sócios podem suprir o montante que falta a ser pago. Mas quando eles estão impossibilitados de completar o valor negativo, entra-se com o pedido de AUTOFALÊNCIA (os indivíduos ficam impossibilitados de exercer atividade empresarial e ainda ficam sob fiscalização do MP), no intuito de proteger o patrimônio pessoal. Aprovadas as contas, o juiz profere a sentença de quebra (falência) Requisitos para entrar com o pedido de falência: 1. Dívida maior do que 40 salários-mínimos; 2. Título executivo PROTESTADO para fins falimentares 3. Em caso de dívida menor do que 40 salários-mínimos, posso entrar com litisconsórcio com outro credor OU eu tento executar primeiro, tiro uma certidão para fins falimentares dizendo que não foi possível e tento pedir a falência Ato falimentar: no caso de comprovação de ato falimentar (sei que não vou ter dinheiro então antes de me executarem eu começo a vender minhas coisas por um preço menor = fraude contra credores), será decretada a falência do devedor, nos termos do art. 94, III da Lei 11.101 Linha do tempo da falência 1. Petição de falência – pagar depósito elisivo OU contestar em 10 dias – o processo deve ocorrer no principal estabelecimento do devedor, ou seja, onde são tomadas as principais decisões, principais negócio e operações ocorrem 2. Contestação 3. Sentença de quebra (equivalente a dissolução) a. Juiz escolhe o administrador judicial b. Fixa o termo legal da falência (período suspeito) c. Comunica a JC e as Fazendas (aqui a empresa começa a ser chamada de BB Pães e Doces Massa Falida d. EDITAL 4. 1° Edital – 15 dias para o credor se habilitar e apresentar petição de divergência 5. 2° Edital - pós 45 dias (10 dias para impugnar, se perder o prazo para se habilitar, vai pedir habilitação retardatária em autos apartados) 6. 3° Edital – quadro geral de credores 7. Arrecadação de bens e realização de ativos 8. Pagamento dos credores em ordem legal a. Trabalhadores b. Garantia real c. Fiscal d. Quirografários 9. Prestação de contas 10. Juiz da uma sentença de homologação 11. O administrador judicial apresenta um relatório final 12. Juiz da uma sentença de encerramento a. Bye bye administrador judicial b. Comunicação da JC e Fazendas sobre a extinção Recuperação Judicial O que é? É um benefício que empresas podem usar para superar crises econômico-financeiras para a manutenção de suas atividades (tanto é que entra em RJ as empresas ativas) Qual a competência? Juízo do principal estabelecimento do devedor, ou seja, o lugar onde se encontra o maior número de negócios da empresa, onde são tomadas as principais decisões Requisitos para solicitar RJ 1. Ter atividade regular empresarial há mais de 2 anos (comprova regularidade com o registro na JC) 2. Não ser falido, e se foi, estejam declaradas extintas as responsabilidades por sentença transitada em julgado 3. Não ter, HÁ MENOS DE 5 ANOS, obtido concessão de RJ 4. Não ter, HÁ MENOS DE 5 ANOS, obtido concessão de RJ com base no plano especial (é o plano destinado para micro e pequenas empresas) 5. Não ter sido condenado, ou não ter como administrador ou sócio, pessoa condenada por crime falimentar Quem não pode pedir RJ? · Empresa pública e sociedade de economia mista · Instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência de saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores Processamento da RJ Classes 1. Trabalhadores 2. Garantia real 3. Quirografários 4. Titulares de micro e pequenas empresas Como é o voto? – art. 38: o voto do credor será proporcional ao valor do seu crédito, menos nas deliberações sobre o plano de RJ – regra geral: voto por crédito Art. 45 - A. As deliberações da assembleia-geral de credores previstas nesta Lei poderão ser substituídas pela comprovação da adesão de credores que representem mais da metade do valor dos créditos sujeitos à recuperação judicial, observadas as exceções previstas nesta Lei. § 2º As deliberações sobre a constituição do Comitê de Credores poderão ser substituídas por documento que comprove a adesão da maioria dos créditos de cada conjunto de credores previsto no art. 26 desta Lei. · Para dificultar a malandragem, o legislador pegou as 4 classes e colocou requisitos específicos para dificultar a combinação intencional por parte da recuperanda · Classe I e IV: voto por cabeça INDEPENDENTEMENTE do crédito – deixar os trabalhadores em igualdade · Classe II e III: maioria por cabeça + crédito Depois de receber o plano, sai um edital com prazo de 30 dias para objeção dos credores Quanto tempo para convocar uma assembleia? · Antecedência mínima de 15 dias, VIA EDITAL (para instalar quórum de crédito, mas da metade da classe) e a segunda convocação (com intervalo de 5 dias) com qualquer número de credores presentes Conciliação e mediação, pode? Sim! é a permissão para, de maneira cautelar, conseguir o efeito do stay period para poder ter tempo de negociar com os credores · Se o juiz deferir, o devedor se compromete a não entrar com um pedido de RJ nos próximos 360 dias -> se entrar, os credores tem o direito de cobrar a dívida na íntegra Deveres do AJ · Tem mais trabalho na falência do que na RJ, porque na RJ a empresa continua operando (AJ fica mais como um fiscal) enquanto na falência ele precisa levantar os ativos e administrar a massa falida · Prazo para vender os bens pós quebra: 180 dias · Falência e RJ · a) enviar correspondência aos credores constantes na relação de que trata o inciso III do caput do art. 51, o inciso III do caput do art. 99 ou o inciso II do caput do art. 105 desta Lei, comunicando a data do pedido de recuperação judicial ou da decretação da falência, a natureza, o valor e a classificação dada ao crédito; · b) fornecer, com presteza, todas as informações pedidas pelos credores interessados; · c) dar extratos dos livros do devedor, que merecerão fé de ofício, a fim de servirem de fundamento nas habilitações e impugnações de créditos; · d) exigir dos credores, do devedor ou seus administradores quaisquer informações; · e) elaborar a relação de credores de que trata o § 2º do art. 7º desta Lei; · f) consolidar o quadro-geral de credores nos termos do art. 18 desta Lei; · g) requerer ao juiz convocação da assembléia-geral de credores nos casos previstos nesta Lei ou quando entender necessária sua ouvida para a tomada de decisões; · h) contratar, mediante autorização judicial, profissionais ou empresas especializadas para, quando necessário, auxiliá-lo no exercício de suas funções; · i) manifestar-se nos casos previstos nesta Lei; · j) estimular, sempre que possível, a conciliação, a mediação e outros métodos alternativos de solução de conflitos relacionados à recuperação judicial e à falência, respeitados os direitos de terceiros, na forma do § 3º do art. 3º da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil); · k) manter endereço eletrônico na internet, com informações atualizadas sobre os processos de falência e de recuperação judicial, com a opção de consulta às peças principais do processo, salvo decisão judicial em sentido contrário; · l) manter endereço eletrônico específico para o recebimento de pedidos de habilitação ou a apresentaçãode divergências, ambos em âmbito administrativo, com modelos que poderão ser utilizados pelos credores, salvo decisão judicial em sentido contrário; · m) providenciar, no prazo máximo de 15 (quinze) dias, as respostas aos ofícios e às solicitações enviadas por outros juízos e órgãos públicos, sem necessidade de prévia deliberação do juízo; · Falência · a) avisar, pelo órgão oficial, o lugar e hora em que, diariamente, os credores terão à sua disposição os livros e documentos do falido; · b) examinar a escrituração do devedor; · c) relacionar os processos e assumir a representação judicial e extrajudicial, incluídos os processos arbitrais, da massa falida; (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) · d) receber e abrir a correspondência dirigida ao devedor, entregando a ele o que não for assunto de interesse da massa; · e) apresentar, no prazo de 40 (quarenta) dias, contado da assinatura do termo de compromisso, prorrogável por igual período, relatório sobre as causas e circunstâncias que conduziram à situação de falência, no qual apontará a responsabilidade civil e penal dos envolvidos, observado o disposto no art. 186 desta Lei; · f) arrecadar os bens e documentos do devedor e elaborar o auto de arrecadação, nos termos dos arts. 108 e 110 desta Lei; · g) avaliar os bens arrecadados; · h) contratar avaliadores, de preferência oficiais, mediante autorização judicial, para a avaliação dos bens caso entenda não ter condições técnicas para a tarefa; · i) praticar os atos necessários à realização do ativo e ao pagamento dos credores; · j) proceder à venda de todos os bens da massa falida no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da juntada do auto de arrecadação, sob pena de destituição, salvo por impossibilidade fundamentada, reconhecida por decisão judicial; (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) · l) praticar todos os atos conservatórios de direitos e ações, diligenciar a cobrança de dívidas e dar a respectiva quitação; · m) remir, em benefício da massa e mediante autorização judicial, bens apenhados, penhorados ou legalmente retidos; · n) representar a massa falida em juízo, contratando, se necessário, advogado, cujos honorários serão previamente ajustados e aprovados pelo Comitê de Credores; · o) requerer todas as medidas e diligências que forem necessárias para o cumprimento desta Lei, a proteção da massa ou a eficiência da administração; · p) apresentar ao juiz para juntada aos autos, até o 10º (décimo) dia do mês seguinte ao vencido, conta demonstrativa da administração, que especifique com clareza a receita e a despesa; · q) entregar ao seu substituto todos os bens e documentos da massa em seu poder, sob pena de responsabilidade; · r) prestar contas ao final do processo, quando for substituído, destituído ou renunciar ao cargo. · s) arrecadar os valores dos depósitos realizados em processos administrativos ou judiciais nos quais o falido figure como parte, oriundos de penhoras, de bloqueios, de apreensões, de leilões, de alienação judicial e de outras hipóteses de constrição judicial, ressalvado o disposto nas Leis nos 9.703, de 17 de novembro de 1998, e 12.099, de 27 de novembro de 2009, e na Lei Complementar nº 151, de 5 de agosto de 2015. · RJ · a) fiscalizar as atividades do devedor e o cumprimento do plano de recuperação judicial; · b) requerer a falência no caso de descumprimento de obrigação assumida no plano de recuperação; · c) apresentar ao juiz, para juntada aos autos, relatório mensal das atividades do devedor, fiscalizando a veracidade e a conformidade das informações prestadas pelo devedor; · d) apresentar o relatório sobre a execução do plano de recuperação, de que trata o inciso III do caput do art. 63 desta Lei; · e) fiscalizar o decurso das tratativas e a regularidade das negociações entre devedor e credores; · f) assegurar que devedor e credores não adotem expedientes dilatórios, inúteis ou, em geral, prejudiciais ao regular andamento das negociações; · g) assegurar que as negociações realizadas entre devedor e credores sejam regidas pelos termos convencionados entre os interessados ou, na falta de acordo, pelas regras propostas pelo administrador judicial e homologadas pelo juiz, observado o princípio da boa-fé para solução construtiva de consensos, que acarretem maior efetividade econômico-financeira e proveito social para os agentes econômicos envolvidos; · h) apresentar, para juntada aos autos, e publicar no endereço eletrônico específico relatório mensal das atividades do devedor e relatório sobre o plano de recuperação judicial, no prazo de até 15 (quinze) dias contado da apresentação do plano, fiscalizando a veracidade e a conformidade das informações prestadas pelo devedor, além de informar eventual ocorrência das condutas previstas no art. 64 desta Lei; CADERNO DO EDU Dissolução Extrajudicial – art. 1.033 CC Dissolução Judicial – art. 1.034 CC O que é uma dissolução? Falta de interesse dos sócios em permanecer em sociedade O que é uma extinção? É o fim da existência da sociedade -> averbação do registro para baixa da sociedade Exemplo: BB Pães e Doces Ltda – Boris possui 90%, Bryan possui 10% e Matheus é o administrador – os sócios sinalizaram a dissolução da sociedade e comunicaram Matheus – Matheus muito formalista decidiu convocar uma reunião, publicando um edital de convocação dos sócios para tratar dos seguintes pontos: 1) dissolução da sociedade; 2) liquidação – os sócios decidiram por Matheus ser o liquidante – há a confecção de uma ata que é levada a registro na JC, fazendo constar na denominação social ou firma a expressão “em liquidação” – realizam-se os ativos (transformar as coisas em dinheiro), paga-se o passivo (credores), distribui o eventual resíduo (na proporção das cotas) e, após, é convocada nova reunião para prestação de contas – caso aprovadas, há a elaboração de um distrato da sociedade, o qual é levado para arquivamento na JC Linha do tempo: BB Pães e Doces (interesse na dissolução) -> Reunião (pauta: dissolução e liquidação) -> Ata de Deliberação (formalização da dissolução e nomeação do Liquidante, no caso, Matheus) -> Agrega-se a expressão em liquidação (BB Pães e Doces “em liquidação) -> Na liquidação: liquidante arrecada os bens, os avalia e os realiza (leilão, venda direta, doação, transmissão de propriedade) -> Pagamento dos passivos -> Partilha dos bens na proporção da participação societária (caso houver saldo) -> Prestação de contas (nova reunião/assembleia para aprovação das contas) -> Ata + Distrato Societário na JC -> Na JC será dada a baixa e haverá a extinção da empresa Nota: · Dissolução e extinção são momentos temporais distintos · Pode-se desfazer o estado de liquidação Recordando: Firma: utiliza-se o nome ou sobrenome de um ou de todos os sócios, abreviado ou não – não se utiliza objeto social (Bruno Boris & Cia Ltda.) Denominação social: utiliza-se o objeto da sociedade acompanhado de uma expressão de uso comum. Caso haja mais de uma atividade, deverá ser escolhida uma delas (BB Investimentos Financeiros Ltda.) Falência Conceito: falência e autofalência é um procedimento judicial decorrente da falta de liquidez da sociedade empresária. Trata-se de um procedimento com um viés de “execução coletiva/concursal”. Foi criada para assegurar a igualdade de oportunidade aos credores (princípio do conditio creditorium) de um empresário ou sociedade empresária insolvente e insuscetível de RJ. EXTRA: a doutrina diz que um dos pressupostos para a instauração de processo judicial de falência é o estado de insolvência JURÍDICA, não o de insolvência econômica, uma vez que não é necessário que o requerente demonstre o tamanho do passivo em relação ao seu ativo (viés econômico), basta que atenda aos requisitos previstos no art. 94 da Lei de Falências Requisitos (art. 94) · Dívida maior do que 40 salários-mínimos · Título executivo protestado para fins falimentares (afim de constituir mora) · Se a dívida for menos do que 40 salários-mínimos, os credorespodem entrar com litisconsórcio para atingir o valor Linha do tempo da falência 1. Petição inicial (no pedido o autor pode requerer a citação para contestar a ação, pagamento (depósito elisivo) no prazo de 10 dias OU que apresente plano de RJ) 2. Contestação 3. SENTENÇA DE QUEBRA (equivalente a dissolução, início da fase falimentar) – aqui ocorre: a. Afastamento dos sócios b. Nomeação do adm. judicial c. Comunicação as Fazendas, JC (inclusão da expressão “massa falida”) e MP d. Definição do termo legal da falência (período suspeito, que consiste na retroação dos efeitos da falência e na fiscalização do período pré-falimentar) e. Publicação do edital 4. Arrecadação dos bens pelo adm. judicial – auto de arrecadação 5. Realização dos ativos – alienação por leilão (regra) 6. Pagamento aos habilitados – caso insuficiente, paga-se proporcionalmente ao débito a. Trabalhista b. Credor de garantia real c. Fiscal d. Quirografários 7. Prestação de contas 8. Homologação das contas por Sentença 9. Apresentação do relatório final do processo principal 10. Sentença de encerramento a. Destituição do adm. judicial b. Comunicação à JC para extinção Há três formas de pedir falência – art. 94 I – sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida materializada em título ou títulos executivos protestados cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na data do pedido de falência; II – executado por qualquer quantia líquida, não paga, não deposita e não nomeia à penhora bens suficientes dentro do prazo legal; III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de recuperação judicial: (pedido decorrente de atos falimentares ou de fraude contra credores) – fraude contra credores · Petição inicial · Contestação · SENTENÇA DE QUEBRA – FASE FALIMENTAR · Nomeação do AJ · Fixação do Termo Legal da Falência: não poderá retroagir por mais de 90 dias do primeiro protesto por falta de pagamento; na falta de protesto, não poderá retroagir mais de 90 dias da petição inicial ou da convolação da RJ em falência (período suspeito) · Ordenará AO FALIDO que apresente, no prazo máximo de 5 dias, relação nominal de credores, sob pena de desobediência · Suspensão de todas as execuções contra o falido · Proibição de qualquer prática de ato de disposição e oneração de seus bens, submetendo-os à autorização judicial e do comitê de credores, se houver · Comunicação à RFB e ao RPE para a anotação de falência no registro do devedor e para que nele conste “massa falida” · Comunicação às Fazendas e MP · 15 dias para a habilitação dos credores JUNTO AO AJ DE FORMA ADMINISTRATIVA ou para apresentar petição de divergência -> caso haja retardatários, a habilitação deverá ser feita POR VIA JUDICIAL -> caso haja a publicação do segundo edital, de habilitados, ainda contenha divergência, deverá o credor se habilitar judicialmente (será admitida a impugnação ao edital e não haverá custas, diferente dos retardatários, que ajuizarão pedidos de habilitação os quais obedecerão ao procedimento comum do CPC) · Homologação do quadro geral de credores · Há a possibilidade de se habilitar após a homologação do quadro geral de credores, porém o pedido seguirá o rito de conhecimento Onde entrar com o pedido de falência? Principal ESTABELECIMENTO da empresa (local das principais decisões e operações da empresa) ENTENDENDO MELHOR OS EDITAIS DA FALÊNCIA Art. 99. A sentença (de quebra) que decretar a falência do devedor, dentre outras determinações: (é a sentença que decreta a falência, não a que a extingue) III – ordenará AO FALIDO que apresente, no prazo máximo de 5 (cinco) dias, relação nominal dos credores, indicando endereço, importância, natureza e classificação dos respectivos créditos, se esta já não se encontrar nos autos, sob pena de desobediência; § 1º O juiz ordenará a publicação de edital eletrônico com a íntegra da decisão que decreta a falência e a relação de credores apresentada PELO FALIDO · Basicamente o primeiro edital tem a participação apenas do falido ************Publicação do 1º Edital (não é um tópico, é o evento em si)************* Art. 7º A verificação dos créditos será realizada pelo ADMINISTRADOR JUDICIAL (nomeado com a sentença de quebra), com base nos livros contábeis e documentos comerciais e fiscais do devedor e nos documentos que lhe forem apresentados pelos credores, podendo contar com o auxílio de profissionais ou empresas especializadas. §1º Publicado o edital previsto no art. 52, § 1º, ou no parágrafo único do art. 99 (este) desta Lei, os credores terão o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar ao ADMINISTRADOR JUDICIAL suas habilitações ou suas divergências quanto aos créditos relacionados. § 2º O ADMINISTRADOR JUDICIAL, com base nas informações e documentos colhidos na forma do caput e do § 1º deste artigo, fará publicar edital (o administrador judicial, em jornal de grande circulação e tudo mais) contendo a relação de credores no prazo de 45 (quarenta e cinco) dias, contado do fim do prazo do § 1º deste artigo (os 15 dias), devendo indicar o local, o horário e o prazo comum em que as pessoas indicadas no art. 8º desta Lei terão acesso aos documentos que fundamentaram a elaboração dessa relação. IMPORTANTE: não confundir os prazos – os credores terão 15 dias para se habilitarem junto ao AJ após a publicação do 1º edital (publicado pelo juízo em razão da apresentação dos credores e de seus respectivos créditos pelo FALIDO) ************Publicação do 2º Edital (quadro geral de credores, digamos, provisório)************** Art. 8º No prazo de 10 (dez) dias, contado da publicação da relação referida no art. 7º, §2º (o segundo edital), desta Lei, o Comitê, qualquer credor, o devedor ou seus sócios ou o Ministério Público podem apresentar AO JUIZ impugnação contra a relação de credores, apontando a ausência de qualquer crédito ou manifestando-se contra a legitimidade, importância ou classificação de crédito relacionado. ***********Publicação de 3º Edital (Homologação do quadro geral de credores)************** COMO FUNCIONA OS PEDIDOS DE HABILITAÇÃO POSTERIORES À HOMOLOGAÇÃO DO QGC? Os pedidos serão recebidos, mas correrão como incidentes processuais e seguirão o procedimento comum do CPC (Boris chama de mar das habilitações) Recuperação Judicial Conceito (art. 47) – benefício legal que as empresas podem utilizar, obedecendo alguns critérios, para superarem as crises econômicas-financeiras e se reestabelecerem Requisitos para requerer RJ (art. 48) · Atividade empresarial registrada e comprovada há 2 anos · Não ser falido, e se for, estejam extintas, por meio de sentença transitada em julgado, as responsabilidades · Não ter, há menos de 5 anos, obtido concessão de RJ · Não ter, há menos de 5 anos, obtido concessão de RJ por meio de plano especial · Não ter sido condenado, ou não ter como adm. ou sócio, pessoas condenadas por crimes falimentares Quem não pode pedir (falência e RJ) – há leis específicas para a liquidação dessas instituições, pois possuem relevante interesse social e necessitam maior segurança jurídica para o procedimento · Empresa pública e sociedade de economia mista · Instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores Linha do tempo 1. Petição inicial (fase de processamento) – foro: principal estabelecimento do devedor, pois pode convolar em falência 2. Recebimento da petição – deferir processamento a. Comunicar JC b. Nomeação de Adm. Judicial c. Prazo de 60 dias para apresentar Plano de RJ (se não apresentar, convola em falência) d. Publicação do edital e. Stay period – proteção/suspensão por 180 dias contra eventuais cobranças e ou execuções de exigência das dívidas – exceto dívida fiscal) 3. Publicação do 1 Edital (decisão do processamento da RJ) a. Relação de credores – prazo para eventuais habilitações:15 dias b. 30 dias para apresentar objeção ao plano de RJ Obs 1: a relação de credores é apresentada pelo próprio devedor na petição inicial. A publicação desse edital é determinada pelo juiz e partir dela os credores têm 15 dias para impugná-lo ou apresentar suas habilitações, PARA O ADMINISTRADOR JUDICIAL. Depois de apresentadas, o AJ tem o prazo de 45 dias para apresentar a relação de credores que servirá como base para o QGC Obs 2: haverá também a publicação do processamento da RJ (não do plano de RJ) Obs 3: 30 dias para apresentar objeção ao plano de RJ – aqui são 30 dias para impugnação JUDICIAL sobre o plano de RJ, conforme art. 55, contados da publicação da relação de credores, ou seja, da segunda lista de credores. Porém ainda não tem plano aqui. Se já tiver, conta-se 30 dias da publicação do QG + plano 4. Publicação do 2 edital pelo ADMINISTRADOR JUDICIAL (impugnação em 10 dias) a. Credor retardatário: se for apresentada impugnação antes da homologação do QGC, será recebida a impugnação. Depois da homologação, seguirá o procedimento ordinário do CPC 5. Publicação do 3 edital pelo ADMINISTRADOR JUDICIAL (QGC) 6. Convocação de Assembleia Geral dos Credores (AGC) 7. Decisão de concessão a. Homologa o plano b. Concede a recuperação e dá início ao prazo bienal (fiscalização) – são de dois anos, pois seguindo o requisito inicial, há uma presunção de que este período seja justamente para a empresa se reestabelecer 8. Sentença de encerramento a. Exoneração do AJ b. Comunicação às Fazendas, JC (reconhece a novação da dívida – transformação das dívidas em título executivo judicial) 9. No descumprimento há a sentença de quebra (convolação em falência). É ofertado ao AJ administrar o processo de falência + publicação dos editais (igual os da recuperação – procedimento normal de falência após a quebra) Stay period: qual a lógica? É você resolver a RJ em até 180 dias, de modo a abarcar os credores dentro do plano de RJ, protegendo a empresa recuperanda neste período Somente a empresa pode pedir recuperação -> apresentado o plano, 30 dias para impugnar -> se ninguém apresentar nada, o plano é homologado pelo juiz e ele não poderá se opor Caso haja impugnação: Art. 56. Havendo objeção de qualquer credor ao plano de recuperação judicial, o juiz convocará a assembléia-geral de credores para deliberar sobre o plano de recuperação. § 1º A data designada para a realização da assembléia-geral não excederá 150 (cento e cinqüenta) dias contados do deferimento do processamento da recuperação judicial. A assembleia será instalada, em 1ª convocação com a presença de credores titulares de mais da metade dos créditos de cada classe, computadas pelo valor e em 2ª convocação com qualquer número Quórum de votação para a RJ – art. 45 Classe I (trabalhadores) e IV (micro ou pequenas empresas) – voto por cabeça, independente do crédito Classe II (possuidores de garantia real) e II (quirografários) – voto por cabeça + crédito – mais da metade Art. 45. Nas deliberações sobre o plano de recuperação judicial, todas as classes de credores referidas no art. 41 desta Lei deverão aprovar a proposta. § 1º Em cada uma das classes referidas nos incisos II (garantia real) e III (quirografários) do art. 41 desta Lei, a proposta deverá ser aprovada por credores que representem mais da metade do valor total dos créditos (crédito) presentes à assembléia e, cumulativamente, pela maioria simples dos credores presentes (cabeça). § 2º Nas classes previstas nos incisos I (trabalhadores) e IV (microempresas ou EPP’s) do art. 41 desta Lei, a proposta deverá ser aprovada pela maioria simples dos credores presentes (voto por cabeça), independentemente do valor de seu crédito. ***Banco está sujeito a falência?*** · Teste: não · Discursiva: não está sujeita a falência, mas está sujeita à disposições específicas de uma Lei, sob a autorização do Banco Central (Intervenção -> Liquidação -> Eventualmente, uma falência) CONSOLIDAÇÃO PROCESSUAL E CONSOLIDAÇÃO SUBSTANCIAL – trabalhinho em sala Na falência é possível a consolidação processual – art. 82-A É possível a consolidação substancial na RJ? · É possível se já estiverem em consolidação processual e houver confusão patrimonial, garantias cruzadas, identidade parcial de sócios ou dependência econômica Mas e se as empresas não estiverem em consolidação processual? · Primeiro deve ter a desconsideração da personalidade jurídica (demonstrar a confusão patrimonial, por exemplo), depois os devedores integrantes do grupo econômico devem ser citados para contestarem o pedido Comitê de Credores Consiste em aumentar a participação dos credores e garantir uma efetiva fiscalização da atividade do devedor É um órgão composto por 4 classes (trabalhistas, com garantias reais ou privilégios especiais, quirografários e com privilégios gerais, micro e pequenas empresas) e cada uma delas escolhe 1 representante -> o juiz não chama todos os credores para se manifestarem, chama apenas o representante de cada classe e esse falará em nome do comitê (o membro do comitê tem responsabilidades parecidas com o AJ – tem responsabilidade subjetiva) · É um órgão facultativo, e aumentou os poderes da AGC (sua criação não esvaziou os poderes da AGC, que permaneceu como órgão que coexistiria com o comitê) · NÃO PODE SER CONSIDERADO AUXILIAR DA AGC – possui funções distintas às atribuídas à AG. Não possui apenas função deliberativa, o comitê possui poderem para impugnar os créditos, para contestar os pedidos de restituição · Emite pareceres · Fiscaliza tanto o AJ quanto o recuperando · Se não houver comitê, o juiz realizará essas funções · Se não cumprir com os deveres e realizar um ato improbo, responde pelos prejuízos causados (responsabilidade civil) Meios de RJ A nova Lei inovou ao permitir que o empresário em crise utilize quaisquer meios LÍCITOS para sua reestruturação, diferentemente da antiga lei que limitava os mecanismos à prorrogação de prazos e perdão parcial de dívidas por meio da concordata. A RJ passou a ser um instrumento voltado não apenas à superação de uma crise momentânea de liquidez, mas à reestruturação profunda do negócio, considerando seu setor, estrutura produtiva, tipo de crédito e natureza da crise enfrentada. Embora o art. 50 da lei de falências e RJ traga exemplos de meios de RJ, a empresa pode propor outras medidas, inclusive combinando-as, desde que respeite a lei e trate com isonomia os credores de uma mesma classe. Os meios escolhidos devem ser expressamente descritos no plano de RJ, pois descrições genéricas são ineficazes e exigem uma nova aprovação específica dos credores. A deliberação da AGC, por si só, não é suficiente para legitimar o uso de determinado meio se este não estiver claramente especificado. A RJ como forma de auto estruturação requer manifestação válida da vontade da empresa, conforme os trâmites da legislação societária e aos acordos de sócios ou acionistas. Eventuais abusos, como vetos infundados ou mau uso do direito de preferência, podem ser judicialmente afastados, mas os requisitos legais devem estar devidamente cumpridos. O princípio da preservação da empresa não autoriza, por si só, a desconsideração da estrutura societária, o pedido de recuperação deve ser legítimo e respeitar aos procedimentos internos da companhia, salvo em situações de abuso de direito reconhecido judicialmente. Ainda, o art. 50 apresenta um rol exemplificativo dos meios que a empresa em RJ pode adotar para superar sua crise, desde que respeitada a legislação aplicável. Entre esses meios estão: · Concessão de prazos e condições especiais para o pagamento das dívidas · Reorganização da administração da empresa; · Possibilidade de os credores influenciarem na gestão · Aumento de capital · Venda de ativos · Redução de custos trabalhistas via negociação coletiva O art. também disciplina questões específicas, como a necessidade de aprovação do credor para a substituição ou suspensão de garantias reais e para a alteração na indexação cambial de dívidas em moeda estrangeira. Estabelece ainda que,em determinadas operações (como a conversão de dívidas em capital ou troca de administração) não haverá a sucessão de responsabilidades. Por fim, permite o parcelamento do IRPJ e da CSLL sobre ganhos de capital obtidos na venda de ativos, observando critérios do plano, com base na legislação tributária. Plano Especial É uma modalidade simplificada de RJ para micro e pequenas empresas. Esse plano tem como objetivo principal facilitar o acesso à recuperação judicial por meio de um procedimento menos complexo e mais rapidinho · Usar o plano especial é facultativo. Se eu sou micro ou pequena empresa eu posso usar a RJ normal se eu quiser · AJ recebe apenas 2% das dívidas envolvidas – a empresa paga menos por ser menor (porém depende do faturamento da empresa também) · Permite o parcelamento em até 36x e deságio (diminuição do valor) de até 50% · Recai nos mesmos créditos do procedimento ordinário · Exige estar inscrito na JC (produtor rural deve se inscrever e comprovar amos de trabalho afim de utilizar o plano especial) · NÃO TEM PERÍODO DE STAY, mas pode pedir suspensão · NÃO TEM ASSEMBLEIA GERAL DOS CREDORES – menos custo e mais agilidade, eles resolvem os pedidos e manifestações por meio de petição · Objeção do plano tem o mesmo prazo – AJ faz o relatório e manda para o juiz · Se 50% dos credores votarem contra o plano = convolação em falência · Existe período bienal · Existe sentença após o cumprimento das obrigações Principais pontos · Art. 70: micro e pequenas empresas podem apresentar plano de RJ desde que declarem essa intenção na petição inicial. Apenas os créditos que constarem no plano são habilitados na RJ · Art. 70-A: produtor rural com valor de causa de até R$ 4,8 milhões também pode usar o plano especial · Art. 71: o plano especial deve ser apresentado no prazo legal e deve conter: · Todos os créditos existentes na data do pedido, exceto os fiscais, os de repasse oficial e os protegidos por garantias específicas · Parcelamento em até 36x, com juros pela taxa SELIC e a possibilidade de abatimento do valor das dívidas · Pagamento da primeira parcela em até 180 dias após o pedido · Necessidade de autorização judicial (depois do AJ e do comitê de credores falar) para o aumento de despesas ou contratação de empregados · Parágrafo único do art. 71: o plano especial não suspende prescrições ou ações relativas a créditos não abrangidos no plano · Art. 72: NÃO HÁ ASSEMBLEIA GERAL DE CREDORES PARA A APROVAÇÃO DO PLANO. O juiz concede a RJ se os requisitos forem cumpridos. Porem se os credores detentores da maioria dos créditos em qualquer classe apresentarem objeção, o juiz pode negar a RJ e decretar a falência Atos Revogáveis e Atos Ineficazes Ineficácia: a eficácia é PRESUMIDA, assim, o que não nasce no mundo jurídico é ineficaz – mas não é nulidade Revogáveis: tem validade no mundo jurídico, comprovar o vício mediante prova (conluio fraudulento) Ineficácia dos Atos – art. 129 São considerados ineficazes em relação à massa falida, ainda que não haja má-fé ou intenção de fraudar, os seguintes atos praticados dentro do termo legal (90 dias antes do pedido da falência): I. Pagamento de dívidas não vencidas, por qualquer forma de extinção da obrigação II. Pagamento de dívidas vencidas, por forma diversa da contratada III. Constituição de garantias reais para dívidas pré-existentes IV. Atos gratuitos praticados nos 2 anos anteriores à falência V. Renuncia a herança ou legado nesse mesmo período VI. Venda de estabelecimento sem quitação dos credores oi oposição desses em 30 dias VII. Registros ou averbações de direitos reais feitos após a decretação de falência, sem prenotação anterior O juiz poderá declarar a ineficácia de ofício, em contestação ou ação própria Revogação de Atos Fraudulentos (atos revogáveis) – art. 130 Serão revogáveis os atos prati8cados com a intenção de prejudicar os credores, mediante prova de · Conluio entre devedor e terceiro · Prejuízo efetivo à massa falida Obs: pode provar sobre a conduta – quem teve boa fé fica com os bens Exceção à Ineficácia e à Revogação – art. 131 Não poderão ser declarados ineficazes ou revogados os atos referidos nos incisos I, II, III e VI do art. 129 quando previstos e realizados conforme plano de recuperação judicial ou extrajudicial aprovado. Essa previsão foi alterada pela Lei n° 14.112/2020, ampliando a proteção a atos realizados também na recuperação extrajudicial. Ação Revocatória – art. 132 a 138 · Prazo: deve ser ajuizada no prazo de 3 anos da decretação da falência (art. 132) · Legitimados: AJ, qualquer credor ou MP · Polo passivo: todos os que participaram do ato, foram beneficiados ou tinham ciência da fraude (art. 133) · Procedimento: deve tramitar no juízo da falência e seguir o procedimento comum do CPC (art. 134) · Efeitos da sentença: devolução dos bens à massa falida ou seu valor de mercados, com perdas e danos (art. 135) · Boa-fé: o terceiro de boa-fé pode buscar ressarcimento (art. 136, § 2º) · Exceção: atos de securitização não serão revogados, preservando os direitos dos investidores (art. 136, § 1º) · Medidas cautelares: o juiz pode decretar sequestro dos bens envolvidos (art. 137) · Atos com base em decisão judicial: podem ser revogados, desde que observada a ressalva do art. 131 Ação Pauliana É uma ação jurídica que visa anular atos fraudulentos feitos por um devedor para prejudicar seus credores. Está prevista no CC (arts. 158 a 165) e permite que o credor recupere bens do devedor que foram alienados ou onerados fraudulentamente Requisitos · Existência de uma dívida certa do credor · O devedor deve ter praticado atos fraudulentos para prejudicar os credores (como vender bens ou fazer negócios simulados) Prazo: 4 anos, contados a partir do momento em que o credor souber do ato fraudulento Efeitos: anula o ato fraudulento e devolve os bens ao patrimônio do devedor para pagamento de dívidas. O devedor ainda pode ser responsabilizado por perdas e danos Procedimento: o credor apresenta uma ação no tribunal e se a fraude for comprovada, o juiz pode reverter os autos fraudulentos e restaurar os bens Pedidos de Restituição Na Falência Art. 85. O proprietário de bem arrecadado no processo de falência ou que se encontre em poder do devedor na data da decretação da falência poderá pedir sua restituição. Parágrafo único. Também pode ser pedida a restituição de coisa vendida a crédito e entregue ao devedor nos 15 (quinze) dias anteriores ao requerimento de sua falência, se ainda não alienada. Restituição em dinheiro – art. 86 I. Quando o bem não existir mais no momento do pedido, o requerente receberá o valor da avaliação oi preço de venda, ambos atualizados II. Em adiantamento a contrato de câmbio para exportação, conforme Lei n° 4.728/65 III. De valores pagos de boa-fé em contratos revogados ou ineficazes, nos termos do art. 136 da lei de falências IV. Às Fazendas Públicas, relativamente a tributos passíveis de retenção na fonte, de descontos de terceiros ou de sub-rogação, além de valores recebidos por agentes arrecadadores e não recolhidos aos cofres públicos Parágrafo único: foi revogado, mas antes previa que as restituições só seriam feitas após o pagamento de créditos trabalhistas salariais. Com a revogação essa limitação foi eliminada, permitindo mais agilidade na restituição em dinheiro. Procedimento · Art. 87: o pedido deve ser fundamentado e descrever bem. O juiz determina autuação em apartado e intimação do falido, comitê, credores e AJ, que terão prazo sucessivo de 5 dias para manifestação · Art. 88: se deferido, o juiz ordena a entrega do bem em 48 HORAS. Se não houver contestação, não há condenação da massa ao pagamento dos honorários · Art. 89: se o pedido for negado, o requerente será incluído no QGC, na classificação correspondente · Art. 90: cabe apelação da sentença que decidir o pedido, SEM EFEITO SUSPENSIVO. O requerente poderá receber o bem antes do TJ, desde que preste caução · Art. 91: o pedido suspende a disponibilidade do bem atré a decisão definitiva. Caso não haja saldo suficientepara a restituição em dinheiro, realiza-se rateio proporcional aos requerentes · Art. 92: o requerente que tiver êxito no pedido deverá ressarcir a massa ou quem arcou com as despesas da conservação do bem · Art. 93: quando não for cabível pedido de restituição, o interessado poderá ajuizar embargos de terceiro, conforme CPC A reforma promovida pela lei 14.112/2020 retirou o limite que subordinava as restituições em dinheiro ao pagamento prévio de créditos trabalhistas salarias, tornando o processo mais rápido. O restante do procedimento permanece com garantias processuais, respeitando a ampla defesa e o contraditório RESTITUIÇÃO CONCURSAL E EXTRACONCURSAL A restituição extraconcursal ocorre quando um bem arrecadado na falência pertence a um terceiro e deve ser devolvido, COM PRIORIDADE, por não integrar a massa falida. Baseia-se no direito de propriedade, e o bem é restituído antes de qualquer pagamento aos credores Já a restituição concursal ocorre quando o pedido de restituição é negado pelo juiz, e o requerente passa a ser tratado como credor, sendo incluído no QGA. Nesse caso ele recebe conforme a ordem legal de pagamentos e a disponibilidade de recursos Por que a distinção é importante? A extraconcursal exclui o bem da falência, enquanto a concursal transforma o pedido de crédito sujeito ao concurso de credores. Critério Restituição Extraconcursal Crédito Concursal (após negativa de restituição) Objeto Bem ou valor de terceiro Valor devido pelo falido Ingresso no processo Pedido de restituição (arts. 85 a 93) Habilitação de crédito (arts. 7 a 20 da LREF) Natureza jurídica Direito de propriedade Crédito sujeito à falência Prioridade de pagamento Antes de qualquer credor Conforme a classe do crédito (art. 83 da LREF) Integra a massa falida? Não Sim Do Pagamento O pagamento dos credores na falência é realizado diretamento pelo Juízo Universal, com os recursos depositados em conta judicial após a consolidação do QGC. Esse quadro pode ser consolidado sem a necessidade de TJ de todas as impugnações. O rateio pode ser feito por guia de levantamento ou por transferência dos valores para a conta de cada credor. Para maior celeridade, o AJ pode ser autorizado a realizar os pgtos diretamente, conforme o plano de distribuição ou para cobrir as despesas da massa falida. Os pgtos são feitos mediante rateio, ou seja, os recursos disponíveis são divididos proporcionalmente entre os credores de uma mesma classe, sem a exigência de pgto integral de todos os créditos de uma classe antes de iniciar o pgto de da classe anterior. A ordem legal de pagamento segue uma sequência de prioridades · Inicialmente são devolvidos os bens pertencentes a terceiros (não posso considerar como parte dos ativos uma coisa que não me pertence) · Credores extraconcursais (despesas necessárias à administração da falência e à continuidade das atividades) · Créditos trabalhistas (até 5 salários-mínimos por trabalhador) · Financiadores da RJ e os créditos extraconcursais · Por último são pagos os créditos concursais, conforme art. 83 Após o pagamento dos créditos concursais, se houver saldo remanescente, ele será destinado ao pagamento de juros vencidos após a falência, exceto para debentures e créditos com garantia real. O saldo final, se houver, será entregue ao falido Aspecto Créditos Concursais Créditos Extraconcursais Momento de origem Antes da decretação da falência Após a decretação da falência Participam do rateio geral Sim Não Ordem de pagamento Após os extraconcursais (Art. 83) Antes dos concursais (Art. 84) Exemplos típicos Tributos, fornecedores, empréstimos Salários recentes, despesas da massa falida O art. 149 estabelece que, após as restituições e o pagamento dos créditos extraconcursais, os valores obtidos com a venda dos ativos serão usados para pagar os credores conforme a classificação estabelecida no art. 83. Caso haja reserva de importâncias, elas ficam depositadas até o julgamento definitivo do crédito. Se o crédito não for reconhecido, os valores serão redistribuídos entre os credores restantes. Credores que não retirarem os valores no prazo de 60 dias após a intimação terão os recursos redistribuídos Art. 150 define que as despesas antecipadas essenciais para a administração da falência serão pagas pelo AJ com os recursos disponíveis Art. 151 determina que o crédito trabalhista de natureza ESTRITAMENTE SALARIAL, limitados a 5 salários-mínimos por trabalhador, serão pagos assim que houver disponibilidade em caixa Art. 152 preve que se houver dolo ou má-fé na constituição do crédito ou garantia, o credor deverá devolver EM DOBRO os valores recebidos, acrescidos de juros legais Art. 153 estabelece que, após o pagamento de todos os credores, o saldo remanescente (se houver) será entregue ao falido Realização de Ativos Ou seja, forma de ganhar dinheiro AJ arrecada os bens -> Ação Revocatória (revoga os bens e arrecada) Auto de arrecadação -> realização de ativos -> transformação em dinheiro Forma mais comum na falência = LEILÃO · AJ pode recusar o leilão devido a complexidade de vender os bens de froma integral, mas também tem a opção de vender de forma separada (o leilão vende as coisas em bloco, mas em último caso pode vender separado) · No 1° leilão o bem não pode ser avaliado em menos de 50% do seu valor · Se o AJ não conseguir vender, adjudica ou doa seguindo a ordem de classe dos credores · Independe da lista de credores homologada – realiza de forma concomitante ao quadro · No direito falimentar não se aplica o conceito de preço vil, porque o AJ precisa vender TODOS os bens e não ficar com nenhum bem · Quando você adquire o bem por meio de leilão falimentar, você recebe ele limpo, ou seja, sem dívidas tributárias, trabalhistas (agora, se você tiver uma relação com o falido, essa proteção não se aplica) A fase de realização do ativo, regulada pelos arts. 139 a 145, consiste na alienação dos bens do falido visando o pagamento dos credores Conforme art. 139, a realização do ativo te início IMEDIATAMENTE após a arrecadação dos bens. O art. 140 define as formas preferenciais de alienação, priorizando a venda da empresa como um todo, suas filias, blocos de bens e, por fim, bens individualizados. A alienação pode ocorrer de múltiplas formas, sem a necessidade de formação previa do QGC, visando eficiência e celeridade Art. 141 estabelece que os bens vendidos estão livrer de ônus e o arrematante não assume dívidas da massa, inclusive as trabalhistas e tributárias, salvo se essa pessoa tiver relação com o falido (como sócios, parentes ou agentes fraudulentos). Os empregados contratados pelo arrematante formam novos vínculos O art. 143 trata das impugnações à arrematação, permitindo contestação por qualquer interessado, desde que apresentada em 48 HORA. Para impugnações sobre o valor, é necessário apresentar proposta firme superior e caução de 10% -> impugnação infundada pode ser penalizada Os arts. 144 e 144-A permitem ao juiz autorizar outras modalidades de alienação, inclusive doação de bens sem valor de mercado, ou sua devolução ao falido, caso não haja interessados O art. 145 passou a permitir que os credores adquiram os bens por meio de adjudicação, constituição de sociedade ou fundo de investimento, inclusive com conversão de dívida em capital. Aplica-se a eles as mesmas garantias da alienação judicial, como ausência de sucessão nas obrigações do falido (empregados podem adquirir a empresa por meio de uma nova sociedade que será convertido e, capital social a fim de adjudicar) Encerramento e Extinção A fase final do processo falimentar compreende o encerramento da falência e a extinção das obrigações do falido. Essa etapa está regulada pelos art. 154 a 160, os quais foram substancialmente modificados pela reforma da lei 14.112/2020, que revogou dispositivos importantes e modificou os procedimentos Apresentação das contas e relatório final (arts. 154 a 156): o AJ deve apresentar suas contas ao juiz no prazo de 30 dias após a realização total dos ativose a distribuição dos credores (art. 154). O procedimento inclui publicação de aviso, possibilidade de impugnações, manifestação do MP e sentença que julga as contas · Após o julgamento das contas, apresenta-se o relatório final (art. 155), detalhando os ativos, passivo e pagamentos · O encerramento da falência ocorre por sentença judicial (art. 156), que passou a determinar a intimação eletrônica das Fazendas e a baixa do CNPJ da falida. QUANDO SE EXTINGUE AS OBRIGAÇÕES DO FALIDO? Qual ele paga todos os créditos OU paga até 25% dos quirografários · Inciso V: decurso de 3 anos da decretação da falência, com ressalvas quanto à utilização de bens arrecadados · Inciso V: encerramento da falência nos termos do art. 114-A ou 156 Procedimento para extinção (art. 159): o falido pode requerer a declaração de extinção das obrigações, mesmo antes do encerramento da falência · O procedimento foi modificado: os interessados podem apenas apontar inconsistências formas e objetivas e o juiz deve decidir em 15 dias Extensão aos sócios (art. 160): sócio com responsabilidade ilimitada pode requerer a extinção de duas obrigações, caso preenchido os requisitos legais Autos apartados -> por meio de incidental -> 30 dias para apresentar as contas · Sem ativo não tem interesse de continuar · 10 dias para impugnar o relatório · Juiz homologou -> relatório final (resumo das contas) -> declarada extinta Sentença de encerramento – relatório final das contas · Pode apelas em 15 dias · AJ é exonerado · Edital de encerramento – comunicação às Fazendas e JC Cumprimento das obrigações: pagamentos de todos os créditos ou até 25% dos quirografários Recuperação Extrajudicial O devedor que atender aos requisitos do art. 48 pode propor a recuperação extrajudicial. Com a nova redação do art. 161, §1°, ficou permitida a inclusão dos créditos trabalhista e por acidente de trabalho, desde que haja negociação coletiva com o sindicato, porém manteve a exclusão dos créditos tributários. A recuperação extrajudicial não pode antecipar o pagamento das dívidas, tratar de forma desigual os credores não sujeitos, ser requerida se houver RJ em andamento ou homologada há menos de 2 anos, ou suspender ações e execuções por credores não sujeitos O art. 162 estabelece os requisitos documentais mínimos para o pedido de homologação judicial O art. 163 sofreu alteração significativa: antes exigia a adesão de 3/5 dos credores de cada espécie, agora exige mais da metade dos credores por espécie. Permite o envolvimento de diferentes espécies de crédito, conforme art. 83. Define regras especificas para o cálculo do percentual de adesão, necessidade de anuência expressa para a suspensão de garantias reais e variação cambial. Amplia documentos exigidos e permite o inicio do procedimento com 1/3 dos créditos, devendo alcançar quórum no prazo de 90 dias. Aplica-se a suspensão das ações apenas às espécies de créditos abrangidas. O art. 164 também foi alterado quando à forma de publicidade, que passou de edital em meio impresso para edital eletrônico. Os credores tem 30 dias para a impugnação, que so pode ser fundamentada na ausência de quórum mínimo, em atos fraudulentos ou em descumprimento de exigências legais. A homologação será indeferida em caso de simulação de crédito ou vício de representação. Da sentença cabe apelação, sem efeito suspensivo O art. 165 dispõe que o plano só produzirá efeitos após a homologação judicial. Contudo é possível que os efeitos sejam produzidos antes, EXCLUSIVAMENTE em relação aos credores signatários. Se o plano for rejeitado, os credores retomam seus direitos nas condições originais, descontados os valores já pagos O art. 166 admite a alienação judicial de unidades produtivas na recuperação extrajudicial, aplicando-se, no que couber, o art. 142 Por fim, o art. 167 esclarece que a recuperação extrajudicial não exclui a possibilidade de outras formas de acordo privado entre devedor e credores Primeiro negocia com os credores fora do processo -> apresenta o plano antes -> concordam -> assinam na audiência – leva no judiciário = mais rápido · O plano não precisa ter 100% de aderência A petição inicial é a mesma coisa e necessita dos mesmos documentos -> juiz recebe a petição inicial -> publica edital para o restante dos credores impugnarem o quórum ou ilegalidades do plano -> sem objeções -> homologação NÃO TEM AJ! -> negocia antes -> plano homologado -> cumprimento do plano -> período bienal Pode negociar TODOS os créditos · Obs: créditos trabalhistas precisa do Sindicato interferindo (se houver né) A expressão “pas condicio creditório” refere-se a uma condição ou situação de igualdade entre os credores no contexto de uma RJ, falência ou outro processo que envolva negociação de dívidas. Ela busca garantir que os credores sejam tratados de forma justa, sem que haja favorecimento indevido entre eles No âmbito da RJ ou extrajudicial, a condição de igualdade entre os credores é essencial para que o devedor consiga negociar suas dívidas de forma equilibrada e sem comprometer o direito dos credores, respeitando os princípios da ordem de preferência dos créditos e tratamento equânime Em uma RJ, por exemplo, o devedor não pode privilegiar um grupo de credores em relação a outros, salvo quando permitido pela legislação. Essa igualdade de tratamento visa garantir que os credores, independentemente da natureza do crédito, possam negociar e ser pagos de forma proporcional dentro dos limites e condições estabelecidos por lei. Assim a pás condicio creditório é fundamental para assegurar que o p´rocesso de recuperação seja justo e transparente com todos os envolvidos Quam não consta no plano não será afetado e não responde · Sem STAY · Deságio é maior – menos acordos · Credor fiduciário pode pegar o bem devido em qualquer momento (diferente da RJ judicial) · Assinou o protocolo não pode desistir de forma individual, precisa ser unanime · Constitui título executivo · Não convola em falência, preciso entrar com um pedido de falência autônomo · Quórum é +50% dos credores só crédito, sem forma especial Videoaula – falência e rj RJ existe para impedir que a emprenha venha a falência. Se o plano de RJ não for aprovado, ou se a empresa não conseguir cumprir com as condições acordadas, ai sim o juiz vai decretar a falência (deve fechar a as portas e vender os ativos para pagar as dívidas) A RJ é a reorganização da empresa, que está passando por uma crise, mas ainda tem condições de se manter em funcionamento. Já a falência é a sua liquidação (Lei 11.101) Juízo: principal estabelecimento do devedor, ou seja, o local onde são tomadas as principais decisões da empresa RJ extrajudicial: busca renegociar as dívidas fora das vias judiciais -> a empresa e os credores negociam diretamente os meios que serão usados para negociar e pagar as dívidas -> devem colocar essas ideias em um plano que deve ser homologado pelo juiz RJ judicial: a empresa ajuíza esse pedido de recuperação na justiça, no momento que percebe que está em crise e que se continuar assim pode convolar em falência (só entra se o juiz entender que ela possui capacidade de reverter a situação, caso o contrário, o juiz decreta a falência) Falência é decretada pela justiça quando as dívidas impedem o continuamento das atividades da empresa FALÊNCIA RECUPERAÇÃO JUDICIAL · Todos os ativos serão vendidos e liquidados para que os débitos dos credores sejam pagos · É a última opção, só quando não tem mais jeito para evitar o fim da empresa · AJ (nomeado pelo juiz) – passa a administrar os bens que compõe a massa falida. Deve zelar pelo bom estado dos bens, para conseguir um valor pecuniário · A empresa continua com as suas atividades (patrimônio fica protegido) · Empresa não pode mais operar e sua sede é lacrada, além disso seus bens são destinados ao pagamento dos credores · AJ (nomeado pelo juiz) – age como fiscal do poder judiciário, avaliar os pareceres, fluxo de caixa e as atividades da empresa, cumprimento do plano image1.png