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3. AULA DE CRIMINOLOGIA
26/03
· 🧠 Reflexão inicial sobre o Direito
O professor provoca os alunos veteranos com a clássica pergunta: “O que é direito?”, destacando a banalização da pergunta e a busca por respostas além das tradicionais, como “direito achado na rua”.
· 👮‍♂️ Crítica à responsabilização individual
Critica-se a tendência de culpar o indivíduo em abordagens policiais desproporcionais, ignorando a macroestrutura que molda o agente público.
· 🧩 Todo posto tem um pressuposto
Citando Hegel, reforça-se que toda ação parte de uma estrutura anterior. O agente público age condicionado por sua formação e inserção social.
· 🧬 Interseção entre Direito e Psicanálise
Apresenta uma tese que une Direito e Psicanálise (ex: Mal de Arquivo), onde a cultura de extermínio é construída simbolicamente, reforçando práticas violentas.
· 🧻 Exemplo do “Xandão”
Traz o caso de Alexandre de Moraes como exemplo de desproporcionalidade penal, para discutir o conceito de razoabilidade nas penas.
· 🏛️ Crítica à origem tradicional do Direito Penal
Rejeita abordagens clássicas como Código de Hamurabi e Lei das Doze Tábuas como início do Direito Penal, considerando-as éticas e não jurídicas no sentido moderno.
· 📚 Rejeição ao historicismo legalista tradicional
Defende que a punição, como entendida hoje, é uma construção recente (século XV), e que os livros tradicionais não abordam isso de forma crítica.
· 📖 Indicação de leitura: Alessandro Baratta
Recomenda a leitura de Baratta, um criminólogo marxista que oferece um recorte crítico da história penal.
· ⚙️ Método de Marx: Crítica da Economia Política
Destaca que o método de Marx não é apenas o materialismo histórico, mas a crítica da economia política — fundamental para análise jurídica e social.
· 🔄 Movimento dialético
Explica que o método marxista é dialético, um processo de constante transformação, desde os pré-socráticos até os modernos como Hegel e Marx.
· 🧾 Crítica como método de análise do Direito
O método marxista é essencial para entender a formação histórica do sistema penal e sua função de controle social.
· ⚖️ Criminologia como ciência sócio-normativa
Define criminologia como campo que busca as razões e os motivos da construção simbólica e concreta do crime.
· 🔺 Tríade das ciências penais integrais
Apresenta a tríade:
· Dogmática Penal
· Criminologia
· Política Criminal
Essa tríade forma as ciências penais integrais, um tema frequente em concursos.
· 👤 Referência a Hans Kelsen
Cita Kelsen como o austríaco mais famoso do Direito, contrastando com outros pensadores que viviam na mesma época, como Freud e até Hitler.
· 📆 Código Penal de 1940 e Francisco Campos
Apresenta Francisco Campos como o autor do Código Penal de 1940 e da CLT, destacando sua influência autoritária.
· 📘 Conceito de norma penal
Desafia os alunos a conceituarem norma penal com base nos estudos anteriores, ressaltando a importância de leitura e interpretação crítica.
· 📜 Definição de norma jurídica no positivismo jurídico
É aquilo que orienta a conduta dos indivíduos, estabelecendo o que deve ser feito e as consequências para quem não cumpre.
· ⚖️ Normas e sanções
Uma norma jurídica é aquela que aplica uma sanção qualificada. Nem toda norma com sanção é jurídica (exemplo: repreensão estética ou moral).
· 🚓 Exemplo de norma penal
Norma penal define crimes e estipula penas – há uma relação clara de causa e consequência (ex: matar alguém → pena de 20 a 35 anos).
· 🏛️ Competências legislativas
Exemplo: artigo 21 da Constituição – compete à União legislar sobre Direito Penal. Já o Direito Penitenciário pode ser regulado pela União, Estados e Municípios.
· 🧠 Pirâmide de Kelsen e norma hipotética fundamental
A famosa pirâmide kelseniana é uma construção doutrinária, atribuída a seu aluno Carlos Cossio, não diretamente encontrada nas obras de Kelsen.
· 🧱 Validade em cascata
Cada norma jurídica tem sua validade fundada em outra superior: norma secundária depende da primária, que depende da Constituição, que depende da norma hipotética fundamental.
· 🔬 Teoria pura do direito (Kelsen)
Tentativa de transformar o direito em ciência. Requer dois elementos:
· Objeto: norma jurídica isolada
· Método: pureza metodológica
· 🚫 Método da pureza
Busca eliminar todas as influências axiológicas (valores), sociológicas, políticas, morais, religiosas etc., focando apenas na forma da norma.
· 📚 Base filosófica kantiana
Kelsen se inspira na Crítica da Razão Prática de Kant, separando o "ser" (fato) do "dever ser" (norma), conectando os dois por meio do imperativo categórico.
· 🏗️ Importância da base teórica
Uma formação sólida em teoria jurídica é essencial para a prática. Sem isso, não se consegue desconstruir ou interpretar adequadamente atos jurídicos.
· 🎯 Aplicação prática e concursos
Mesmo em concursos públicos, perguntas sobre conceitos fundamentais (como “o que é norma jurídica”) são comuns e exigem domínio da base teórica.
· 🧪 Definição final de norma jurídica segundo o positivismo jurídico
Norma jurídica é toda prescrição que vincula um dever ser a um fato, com possibilidade de sanção qualificada.
· 🧑‍⚖️ Prescrição normativa exige autoridade competente e procedimento adequado
Toda norma jurídica só é válida se for produzida por uma autoridade competente e conforme o procedimento legal previsto.
· 📌 Autoridade competente + procedimento adequado = sanção válida
A sanção jurídica só é legítima se respeitar esses dois critérios, e isso diferencia uma norma jurídica de outras prescrições.
· 📜 Exemplo do Código Penal
A União, como autoridade competente, editou o Código Penal conforme o procedimento constitucional, garantindo sua validade.
· 🏛️ Vereador não pode legislar sobre drogas
Um vereador não tem competência legal para legislar sobre política nacional de drogas, pois isso cabe à União.
· 🔥 Referência a Alexandre de Moraes
Um exemplo ilustrativo é o vídeo em que Alexandre de Moraes combate uma plantação de maconha — mostrando o simbolismo do combate às drogas mesmo por autoridades.
· ⚖️ Três níveis da norma jurídica: validade, vigência e eficácia
Esses são os pilares da norma:
▪️ Validade: norma feita por autoridade competente e conforme o procedimento
▪️ Vigência: norma em vigor, capaz de produzir efeitos
▪️ Eficácia: norma efetivamente aplicada e respeitada
· 📚 Estrutura da norma jurídica
Composta por um antecedente fático (situação real) e um consequente jurídico (efeito normativo), com possível sanção.
· ✅ Sanção não é sinônimo de punição
Pode ser positiva, como descontos por pagamento antecipado de tributos (IPTU) ou isenções (como IPVA para carros antigos).
· 💡 Sanção como consequência normativa
Isenções, imunidades e benefícios fiscais são formas de sanção positivas.
· 🧠 Conhecimento de Kelsen é uma vantagem estratégica
Dominar a teoria pura do direito ajuda o profissional a ter argumentos jurídicos sólidos — inclusive em direito tributário e processual.
· ⚠️ Exemplo de norma inválida
Se uma autoridade assina um ato fora de sua competência (como um vice durante férias do titular), o ato é inválido.
· 🏥 Exemplo na pandemia: toque de recolher
Municípios não tinham competência para decretar isoladamente medidas como toque de recolher — isso violava o princípio da autoridade competente.
· 🧾 ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade)
Julgada pelo STF, serve para declarar a inconstitucionalidade de normas feitas por autoridade incompetente ou em desrespeito ao procedimento.
· 🏢 Conhecimento da estrutura administrativa é essencial
Saber quem tem competência dentro de um órgão evita atos inválidos e responsabilizações indevidas.
· 🚫 Julgamentos com vícios de forma são anuláveis
Exemplo: erros formais no julgamento do triplex de Lula evidenciam a necessidade de respeitar formas e procedimentos legais.
· 📉 Sem prova, sem condenação
Convicção pessoal não substitui a necessidade de provas no processo penal — seguir o procedimento adequado é indispensável.
📚 AUSÊNCIA DE PROVA E O DIREITO PENAL
· ⚖️ Prova material é essencial em crimes com dignidade sexual
Em até 48h apóso crime, deve-se realizar exames físicos para coletar vestígios (ex: sêmen, microlesões). Passado esse tempo, perde-se a chance de produzir prova pericial.
· 😔 Vítimas muitas vezes não denunciam imediatamente
A vergonha, o medo e a culpa fazem com que muitas mulheres não procurem ajuda nesse período crucial, o que leva à perda de provas materiais.
· 👂 Resta apenas a prova testemunhal
Quando não há corpo de delito, o que sobra é a palavra da vítima – o que exige análise de credibilidade e reconhecimento do "local de fala".
· 🧩 Indício não é prova
Indício é apenas a “pista” de uma prova – não pode ser usado isoladamente para condenação, pois isso seria adotar um modelo inquisitorial.
· 🕯️ Exemplo histórico: Joana D’Arc
Foi condenada apenas com base em indícios, seguindo um manual inquisitorial da Igreja (Malleus Maleficarum), sem direito à defesa adequada.
🧠 AÇÕES JUDICIAIS E DURAÇÃO DO PROCESSO
· 🚨 “Virar réu” não significa culpa
Indica apenas que há indício suficiente para abrir processo penal – não significa condenação.
· 👩‍⚖️ Provas devem passar pelo crivo judicial
Inclusive as delações premiadas, que só têm valor se confirmadas em juízo; do contrário, continuam sendo apenas indícios.
· 📉 Condenar apenas com indício é regressão jurídica
Viola os princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo contrário ao modelo garantista do processo penal brasileiro.
· 🧘 Evitar julgamentos midiáticos e comemorações de prisões
A justiça penal exige serenidade. Prisões não são motivo de comemoração, mas sim etapas de um processo que deve ser justo.
🏛️ VALIDADE, VIGÊNCIA E EFICÁCIA DAS NORMAS
· 🧾 Validade
Uma norma é válida se for criada pela autoridade competente, conforme procedimento adequado.
· 📆 Vigência
Diz respeito ao momento em que a norma entra no ordenamento jurídico e passa a poder produzir efeitos.
· 🔍 Eficácia
Refere-se à aplicação concreta da norma na realidade social – se de fato ela é respeitada e cumpre seu papel.
⚙️ ORDENAMENTO JURÍDICO: PRINCÍPIOS E FUNÇÕES
· 🧱 Conjunto de normas válidas e vigentes
Forma o ordenamento jurídico, base estruturante do sistema legal de um país.
· 🔗 Pretensão de coerência
O sistema jurídico não pode conter contradições internas. Quando há conflito entre normas, aplica-se a resolução por:
· Hierarquia
· Especificidade
· Cronologia
· 🧩 Antinomias devem ser solucionadas
Conflitos aparentes entre normas são resolvidos com técnicas próprias, assegurando a harmonia interna do ordenamento.
· 🌐 Pretensão de completude
O sistema deve prever resposta para todas as situações. Em caso de lacunas, aplica-se:
· 📚 Analogia
· 🔁 Costumes
· ⚖️ Princípios gerais do direito
· 🤝 Equidade
🧠 REFLEXÕES FINAIS E HUMOR JURÍDICO
· ❤️ Ordenamento jurídico ideal: coerente e completo
Como em um bom relacionamento: sem contradições e com presença suficiente para lidar com todas as situações.
· 😄 Piadas jurídicas fazem sentido só entre juristas
Brincadeiras como “você é meu ordenamento jurídico” funcionam apenas entre colegas de Direito — cuidado com outros cursos!
· 📚 Importância dos Clássicos
Clássicos são fundamentais para compreender o Direito; perduram no tempo porque apresentam ideias consistentes, como o sistema de Kelsen.
· 🎓 Entender o Contraditório
É essencial estudar teorias opostas à sua (como os liberais e neoliberais, mesmo sendo marxista) para fortalecer ou revisar suas próprias convicções.
· 👨‍🏫 Referência Inspiradora
O professor Wilton B. Leonel influenciou o autor a valorizar simplicidade e profundidade, mostrando que aparência não define competência.
· ⚖️ Definição de Direito
A compreensão da punição começa com a pergunta: “O que é Direito?”, sendo fundamental dominar conceitos como norma jurídica, antecedente e sanção.
· 🧠 Base Teórica é Fundamental
O domínio da teoria de base é essencial para o sucesso acadêmico e profissional em Direito, inclusive em provas como a OAB.
· 📖 Sugestão de Leitura
O livro Clássicos da Teoria do Direito, de Adrian Sgarbry, é recomendado como porta de entrada para entender Kelsen de forma condensada.
· 🧩 Leitura com Método
A obra Teoria Pura do Direito deve ser lida com método, pois é estruturada cuidadosamente. Assim, o leitor compreenderá e apreciará melhor Kelsen.
· 🌍 Transição para o Pós-positivismo
Após entender Kelsen, o próximo passo é o estudo do pós-positivismo, que será abordado em disciplinas como Teoria da Constituição e Direitos Humanos.

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