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Erro de tipo Quando o agente erra (por desconhecimento ou falso conhecimento) sobre os elementos objetivos do tipo, ou seja, o agente não conhece todos os elementos a que, de acordo com o respectivo tipo legal de crime, se deveria estender o dolo. Obs. vencível – poderia ter evitado o erro. Exemplo 2 – Pescador submarino, dispara seu arpão contra companheiro que, na água turva, confundira com peixe de avantajado porte. Obs. invencível – não teve dolo Exemplo 3 – vítima enfia a mão no bolso para tirar um lenço, e o agente, supondo que ela vai sacar uma arma, imagina-se em legítima defesa (erro incidente sobre situação de fato descrita como elementar de tipo permissivo). No caso, o erro sobre o dado da realização faz com que o sujeito imaginasse a presença de um elemento imprescindível para a excludente de ilicitude (o requisito da agressão iminente). Tipos de delitos putativos (segundo a doutrina). A – Delito putativo por erro de tipo: quando o agente, por equívoco, imagina estar praticando todos os elementares do crime quando, na verdade, não está. (vide exemplo acima). O erro aqui se refere ao fato. B – Delito putativo por erro de proibição: ocorre quando o agente supõe estar praticando um crime, mas na realidade não há norma incriminadora definindo o fato. O erro aqui se refere à existência de norma penal incriminadora. C – Delito putativo por obra de agente provocador: súmula 145 STF – não há crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível sua consumação. Também conhecido por delito de ensaio de experiência de flagrante preparado. Formas de erro de tipo 3.1 – Essencial: é o que incide sobre elementares ou circunstâncias do crime, de forma que o agente não tem consciência de que está cometendo um delito. Se subdivide em: A – Vencível ou inescusável: quando o agente poderia tê-lo evitado se agisse com o cuidado necessário no caso concreto. Consequência: nessa modalidade, o erro de tipo exclui o dolo, mas o agente responde por crime culposo. B – Invencível ou escusável: quando se verifica que o agente não poderia tê-lo evitado, uma vez que empregou as diligências normais na hipótese concreta. ● Nesse caso, consequência: excluem-se o dolo e a culpa.Se o erro recai sobre uma elementar, exclui-se o crime. Se recair sobre uma qualificadora ou causa de aumento de pena, desconsideram-se estas. Acidental: é aquele que recai sobre elementos secundários e irrelevantes da figura típica e não impede a responsabilização do agente, que sabe estar cometendo uma infração penal. Por isso, o agente responde por crime. Se subdivide em: A – Erro sobre o objeto: o agente imagina estar atingindo um objeto material, mas atinge outro. Exemplo: o agente que ingressa na casa da vítima para furtar um aparelho de vídeo e, por estar escuro no local, acaba pegando uma TV. O erro é irrelevante e o agente responde pelo crime (dolo). B – Erro sobre a pessoa: o agente com a conduta criminosa visa a certa pessoa mas por equívoco atinge outra. Exemplo: querendo matar João, o sujeito efetua um disparo com José que muito se assemelha fisicamente a João. Nesse caso, o agente responde por crime. Exceção: artigo 20, parágrafo 3º CP: devem-se levar em conta, para fim de aplicação da pena, as qualidades da pessoa que o agente pretendia atingir e não as da efetivamente atingida. Exemplo: mãe sob a influência do estado puerperal, resolve matar o próprio filho, logo após o parto. Dirige-se para o berçário e lá provoca a morte de outro recém-nascido, supondo ser o seu. Nesse caso deve a mãe ser responsabilizada por infanticídio e não homicídio. C – Erro na execução (ABERRATIO ICTUS): ocorre quando o agente, querendo atingir determinada pessoa, efetua o golpe, mas, por má pontaria ou por outro motivo qualquer (desvio do projétil), da vítima, etc.), acaba atingindo pessoa diversa da que se pretendia. Nesse caso, o artigo 73 CP estabelece que o sujeito responsável pelo crime, levando-se em conta as condições da última que pretendia atingir. Crime de tentativa O agente inicia a execução do crime, mas, não o consuma por vontade alheia. Requisitos Punição: a tentativa é punida com a pena do crime consumado, diminuída de um a dois terços ☆A causa de diminuição de pena é obrigatória.☆ Quanto mais próximo da consumação do crime, menor será reduzido sua pena; Exceção: Art. 352 CP- punição igual de crime tentado e consumado é chamado de crime tentado. Iter criminis (caminho do crime) ● Cogitação ● Preparação ● Execução ● Consumação Cogitação: a lei não pune, pois, o agente apenas mentaliza o ato ilícito sem o praticar. Preparação: o agente mentalizou e se prepara para praticar o crime. Ex: Comprar uma arma para realizar um assalto ao banco. ☆ O legislador pode transformar os atos de preparação como um tipo penal☆ Ex: Art. 291°- petrechos para falsificação de moeda. Ex: um agente conduzir até um motel para praticar o crime de estupro de vulnerável, mas, não chega a execução (a praticar) essa conduta criminosa. Pois, a polícia federal é acionada, este não responderá por crime de estupro de vulnerável tão pouco o crime de tentativa de estupro. Desistência voluntária Art. 15°- Desistência voluntária e arrependimento eficaz. O agente que, voluntariamente desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados. Ex: Alguém que pretende matar uma pessoa, mas desiste de atirar após acertar a perna. Arrependimento eficaz Ocorre quando o agente inicia a prática de um delito, mas se arrepende e age para impedir o resultado. Ex: Alguém envenenar uma pessoa com a intenção de matá-la, mas, ao se arrepender, administra um antídoto que salva a vida da vítima. Arrependimento posterior à consumação Art. 16°- Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços. Crime cometido sem violência ou grave ameaça – a lei só se refere à violência dolosa, podendo a diminuição ser aplicada aos crimes culposos em que há violência (homicídio e lesão corporal culposa). B) Reparação do dano ou restituição da coisa: deve sempre ser integral, a não ser que a vítima ou seus herdeiros aceitem parte, renunciando ao restante. C) Voluntariedade do agente: não significa espontaneidade. Mas a decisão tem que partir do agente, sem coação, moral ou material. D) Até o recebimento da denúncia/queixa – se posterior, é circunstância atenuante genérica (artigo 65, III, b). Artigo 17 – CP – Crime Impossível, Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime. A conduta do agente nunca levaria a consumação do crime. Ex: Tentar matar alguém com uma bexiga. 2. Natureza jurídica: causa geradora da atipicidade; 3. Ineficácia absoluta do meio: é a escolha de um meio de execução que jamais levará o crime à consumação. Excludentes da ilicitude ☆Legítima defesa; ☆Estado de necessidade; ☆Estrito cumprimento do dever legal; ☆Exercício regular do direito. Tipos permissivos da exclusão da ilicitude: Aborto, para salvar a vida da gestante ou se for gravidez devido a estupro; Art. 128°, I e II. Crimes de injúria e difamação, art.124° CP; Crime de constrangimento ilegal, se é feita uma cirurgia Sem o consentimento da vítima ou de seu representante Legal. Art.143°parágrafo 3° I e II. Violação de domicílio, quando um crime está ali sendo cometido em domicílio. Art. 150° parágrafo 3° II. ILÍCITO: consiste na contrariedade entre o fato e a lei. Fato meramente ilícito é aquele contrário a lei. INJUSTO: é a contrariedade do fato em relação aosentimento social de justiça, ou seja, aquilo que o homem médio tem por certo, justo. Estado de necessidade Art. 24° CP- Estado de necessidade quem pratica o fato criminoso para salvar de perigo atual (que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar) direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. Requisitos: ● O perigo deve ser atual; ● O perigo deve ser eminente; ● O perigo deve ameaçar o direito próprio ou alheio; ● Situação de perigo, não tenha sido causada voluntariamente pelo agente; ● Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo. Quanto ao elemento subjetivo do agente 1 – Estado de necessidade real: quando existe efetivamente a situação de perigo; 2 – Estado de necessidade putativo: quando a situação de risco é imaginada por erro do agente (discriminantes putativas). Quanto ao 3º que sofre a ofensa: 1 – Estado de necessidade defensivo: quando se sacrifica bem jurídico pertencente à própria pessoa que criou a situação de perigo. 2 – Estado de necessidade agressivo: sacrifica-se bem de 3º inocente, de pessoa que não criou a situação de perigo. Legítima defesa- art. 25° CP Repelir injusta agressão, atual ou iminente, a direito próprio ou alheio, usando moderadamente dos meios necessários. Requisitos: A – Existência de uma agressão: não pode ser confundida com uma simples provocação. A agressão é o efetivo ataque contra os bens jurídicos de alguém. A agressão deve ser um ataque provocado e praticado por pessoa humana. Não vale animal. Agressão injusta: é uma agressão ilícita sem justifica, como exemplo, o outro ir lá e atacar uma pessoa do nada. ● Nesse caso, cabe Legítima defesa as pessoas inimputáveis, como, doentes mentais, menores de idade. Legítima defesa putativa: Uma pessoa imaginar que o outro estar caminhado até ela para agredir, mas, isso não passa de uma confusão em seus pensamentos. Legítima defesa real de legítima defesa putativa: o agente pensa que está defendendo-se, mas na verdade acaba praticando um ato injusto. Exemplo: uma pessoa atira em um parente que está entrando em sua casa, supondo tratar-se de um assalto. O parente que também está armado, reage e mata o 1º agressor. Legítima defesa contra agressão culposa: não importa a postura subjetiva do agente em relação ao fato (dolo/culpa), mas tão somente a injustiça da agressão. Tipos de agressão Agressão atual: é a que está ocorrendo, efetivo ataque já em curso – Reação defensiva. Agressão iminente: é a que está prestes a ocorrer. A agressão não começou a ser produzida, mas deve iniciar a qualquer momento. Agressão futura: a lei não admite legítima defesa. Agressão passada: não cabe também legítima defesa. Trata-se de vingança. É permitido a legítima defesa no resguardo de qualquer bem jurídico: vida, integridade corporal, patrimônio, honra, etc… Utilização dos meios necessários: são os mecanismos/ materiais para a defesa. Moderação: O sujeito deve agir com moderação, ou seja, não ir além do necessário para proteger o bem jurídico agredido. Obs. reação suficiente para repelir a agressão. ☆Só poderá ser reconhecida a legítima defesa se ficar demonstrado que o agente tinha ciência de que estava agindo acobertado por ela, ou seja, que está ciente da presença de seus requisitos. Excesso É a intensificação desnecessária de uma conduta inicialmente justificada. DOLOSO: O agente ao se defender de uma injusta agressão, emprega meio que sabe ser desnecessário ou desproporcional. Exemplo: ao defender-se de um tapa, o sujeito mata a facadas o agressor. CULPOSO: ocorre quando o agente deixa a posição de defesa e parte para um ataque após ter dominado seu agressor. ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL – artigo 23, III, 1ª parte 1 – Conceito: realiza-se um fato típico, por força do desempenho de uma obrigação imposta por lei. Exemplo: 1 - oficial de justiça que apreende bens para penhora. Exemplo 2 – policial que prende fugitivo privando-o de sua liberdade em cumprimento de ordem judicial. Dever legal: compreende toda e qualquer obrigação (direta ou indireta) derivada de lei. Pode constar de decreto, regulamento e de decisões judiciais. Alcance da excludente: dirige-se a funcionários ou agentes públicos que agem por ordem de lei. Não fica excluído o particular que exerce função pública (jurado, mesário, perito, etc.). Crime culposo: não admite estrito cumprimento do dever legal. A lei não obriga à imprudência, negligência ou imperícia. EXERCÍCIO REGULAR DO DIREITO – Artigo 23, III 1 – Conceito: consiste na atuação do agente dentro dos limites conferidos pelo ordenamento legal. O sujeito não comete crime por estar exercitando uma prerrogativa a ele conferida pela lei. Exemplo: prisão em flagrante por particular. OFENDÍCULOS: são aparatos visíveis destinados à defesa da propriedade ou de qualquer outro bem jurídico. Exemplo: pontas de lança no portão, cacos de vidro em cima do muro, cerca elétrica com aviso (sem aviso é crime culposo),.