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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA PSICANÁLISE: VIDA E AS 
OBRAS DO SIGMUND FREUD INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA 
PSICANÁLISE: VIDA E AS OBRAS DE 
SIGMUND FREUD 
 
 
 
 
 
 
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Sumário 
 
NOSSA HISTÓRIA ..................................................................................................... 3 
INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 4 
BIOGRAFIA DE SIGMUND FREUD........................................................................... 5 
INÍCIO DA CARREIRA PROFISSIONAL ................................................................... 6 
VIDA PESSOAL ......................................................................................................... 7 
MORTE ...................................................................................................................... 8 
TEORIAS DE FREUD ................................................................................................ 9 
OBRAS ..................................................................................................................... 10 
A PSICANÁLISE ...................................................................................................... 11 
ESTRUTURA E DINÂMICA DA PERSONALIDADE ................................................ 12 
OS NÍVEIS DA CONSCIÊNCIA OU MODELO TOPOLÓGICO DA MENTE (1ª 
TÓPICA) ................................................................................................................... 12 
MODELO ESTRUTURAL DA PERSONALIDADE (2ª TÓPICA) .............................. 14 
OS MECANISMOS DE DEFESA ............................................................................. 15 
AS FASES DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL ........................................ 17 
A FASE ORAL .......................................................................................................... 17 
A FASE ANAL .......................................................................................................... 18 
A FASE FÁLICA ....................................................................................................... 19 
O PERÍODO DE LATÊNCIA .................................................................................... 20 
A FASE GENITAL .................................................................................................... 21 
A TEORIA PSICANALÍTICA DOS TRANSTORNOS MENTAIS ............................... 21 
PSICANÁLISE: APLICAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ............................... 25 
REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 29 
 
 
 
 
 
 
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NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos 
que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, 
de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Introdução ao Estudo da Psicanálise: Vida e as Obras 
do Sigmund Freud 
 
Introdução 
 
Sigmund Freud (1856-1939) foi um médico vienense que alterou, 
radicalmente, o modo de pensar a vida psíquica. Sua contribuição é comparável à 
de Karl Marx na compreensão dos processos históricos e sociais. Freud ousou 
colocar os “processos misteriosos” do psiquismo, suas “regiões obscuras”, isto é, as 
fantasias, os sonhos, os esquecimentos, a interioridade do homem, como problemas 
científicos. A investigação sistemática desses problemas levou Freud à criação da 
Psicanálise. 
O termo psicanálise é usado para se referir a uma teoria, a um método de 
investigação e a uma prática profissional. Enquanto teoria, caracteriza-se por um 
conjunto de conhecimentos sistematizados sobre o funcionamento da vida psíquica. 
Freud publicou uma extensa obra, durante toda a sua vida, relatando suas 
descobertas e formulando leis gerais sobre a estrutura e o funcionamento da psique 
humana. 
A Psicanálise, enquanto método de investigação, caracteriza-se pelo método 
interpretativo, que busca o significado oculto daquilo que é manifesto por meio de 
ações e palavras ou pelas produções imaginárias, como os sonhos, os delírios, as 
associações livres, os atos falhos. 
 
 
 
 
 
5 
A prática profissional refere-se à forma de tratamento, a Análise, que busca o 
autoconhecimento ou a cura, que ocorre através desse autoconhecimento. 
Atualmente, o exercício da Psicanálise ocorre de muitas outras formas. Ou seja, é 
usada como base para psicoterapias, aconselhamento, orientação; é aplicada no 
trabalho com grupos, instituições. A Psicanálise também é um instrumento 
importante para a análise e compreensão de fenômenos sociais relevantes: as 
novas formas de sofrimento psíquico, o excesso de individualismo no mundo 
contemporâneo, a exacerbação da violência etc. 
Compreender a Psicanálise significa percorrer novamente o trajeto pessoal 
de Freud, desde a origem dessa ciência e durante grande parte de seu 
desenvolvimento. A relação entre autor e obra torna-se mais significativa quando 
descobrimos que grande parte de sua produção foi baseada em experiências 
pessoais, transcritas com rigor em várias de suas obras, como A interpretação dos 
sonhos e A psicopatologia da vida cotidiana, dentre outras. Compreender a 
Psicanálise significa, também, percorrer, no nível pessoal, a experiência inaugural 
de Freud e buscar “descobrir” as regiões obscuras da vida psíquica, vencendo as 
resistências interiores. 
 
Biografia de Sigmund Freud 
 
Sigmund Freud nasceu na cidade de Freiburg in Mähren, no dia 6 de maio de 
1856. A cidade em que Freud nasceu fazia parte do Império Austríaco (futuro 
Império Austro-Húngaro) e hoje se chama Příbor e faz parte do território da 
Tchéquia. O nome original de Freud era Sigismund Schlomo Freud (mudou seu 
nome para Sigmund em 1878). 
Freud foi o primeiro de oito filhos do casal de judeus formado por Jakob 
Freud e Amalia Nathansohn. Os outros filhos do casal, e irmãos de Freud, 
chamavam-se Julius, Anna, Regine, Marie, Esther, Pauline e Alexander. Quando 
ainda era uma criança pequena, os pais de Freud decidiram mudar-se para Viena, 
local onde Freud passou quase toda a sua vida. 
 
 
 
 
 
6 
Durante sua fase escolar, Freud ficou conhecido por ser um bom estudante, 
possuía boas notas, lia muito e tinha enorme facilidade para aprender idiomas. Os 
biógrafos de Freud falam que ele tinha ótimo desempenho em idiomas como 
francês, inglês, latim e grego, por exemplo. Em 1873, Freud concluiu o ensino médio 
e, com 17 anos, ingressou na Universidade de Viena. 
 
Início da carreira profissional 
 
Na Universidade de Viena, Freud estudava medicina e, a princípio, 
interessou-se pela bacteriologia. Tempos depois, Freud envolveu-se com pesquisas 
no laboratório de neurofisiologia, dedicando-se à dissecação de enguias macho 
para estudar o seu sistema reprodutivo. Depois se dedicou a estudos que faziam a 
comparação da estrutura do cérebro humano com a de outros animais. 
Em 1881,depois de quase nove anos de graduação, Freud conseguiu 
formar-se em medicina e, naquele ano, conseguiu um emprego no Hospital Geral de 
Viena. Freud continuou realizando suas pesquisas, que eram focadas no campo da 
neurologia, e logo começou a realizar palestras nessa área do conhecimento da 
medicina. 
O interesse de Freud voltava-se para as doenças psíquicas – chamadas na 
época de histeria. Freud considerava os tratamentos da época inadequados, pois 
associavam essas doenças a transtornos físicos. 
Um dos primeiros experimentos de Freud foi procurar tratar dores de cabeça 
e ansiedade por meio do uso de cocaína. Nessa época, drogas como cocaína e 
metanfetamina não eram proibidas e eram usadas indiscriminadamente por muitos. 
Freud chegou, inclusive, a auto administrar cocaína como parte do seu experimento. 
Inicialmente, ele acreditava que a cocaína era um meio eficaz de combater a 
ansiedade, mas acabou abandonando esse tratamento quando passou a ter 
conhecimento das consequências do uso dessa substância. Outro estudo 
promovido por Freud nessa fase de sua vida está relacionado com a afasia, 
 
 
 
 
 
7 
distúrbio neurológico em que a pessoa tem grande dificuldade com a formulação e 
compreensão da linguagem. 
Em 1885, Freud foi a Paris para realizar estudos com Jean-Martin Charcot, 
um importante neurologista da época. Charcot era conhecido por tratar os seus 
pacientes por meio da hipnose. O que Freud aprendeu com Charcot teve enorme 
peso para que ele formulasse suas teorias anos depois. 
 
Vida pessoal 
 
Em 1882, Freud conheceu Martha Bernays, amiga de uma de suas irmãs. 
Pouco tempo depois, iniciaram um relacionamento e, com dois meses de namoro, 
ficaram noivos. Em 1886, Freud e Martha casaram-se e, ao longo de sua vida, 
tiveram seis filhos: Mathilde, Jean-Martin, Oliver, Ernst, Sophie e Anna. Dois filhos 
de Freud, Ernst e Anna, tiveram grande sucesso em suas carreiras profissionais. O 
primeiro foi arquiteto, e a segunda seguiu os passos do pai e tornou-se psicanalista. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
Problemas com o nazismo 
Com a ascensão do nazismo, na década de 1930, Freud começou a enfrentar 
alguns problemas. Em 1933, alguns dos seus livros foram queimados pelos nazistas 
na Alemanha. Isso aconteceu por conta do antissemitismo do nazismo, que 
associava as ideias de Freud à decadência do “mundo moderno”. Por conta dessa 
ocasião, Freud escreveu ironicamente para um amigo dizendo: “Que progresso 
estamos fazendo! Na Idade Média, teriam me queimado na fogueira. Agora eles se 
contentam em queimar meus livros” 
Em 1938, Freud foi obrigado a fugir da Áustria, por conta do Anschluss, nome 
como ficou conhecida a anexação da Áustria à Alemanha Nazista. Como era judeu, 
Freud acabou tendo que se mudar para Londres, na Inglaterra, local onde faleceu 
pouco mais de um ano depois. 
A princípio, Freud estava relutante da ideia de se mudar de Viena, mas se 
convenceu da necessidade de abandonar a Áustria depois que sua filha, Anna 
Freud, foi presa temporariamente pela Gestapo, a polícia política do nazismo. 
Tempos depois, quatro das irmãs de Freud foram mortas em campos de 
concentração. 
 
Morte 
 
Durante sua juventude, Freud adquiriu o hábito de fumar, primeiro cigarros, 
depois, charutos. Esse hábito acabou fazendo com que Freud adquirisse câncer de 
boca na década de 1920. Freud passou por mais de 30 intervenções cirúrgicas no 
combate à doença e acabou tendo que retirar parte de sua mandíbula, passando a 
viver nos seus últimos anos com uma prótese. 
O câncer na boca de Freud passou a causar-lhe dores intensas. Por essa 
razão, convenceu seu amigo, Max Schur, a aplicar-lhe doses excessivas de morfina, 
que o levaram à morte em 23 de setembro de 1939. As casas em que Freud viveu 
 
 
 
 
 
9 
em Freiberg in Mähren, Viena e Londres foram transformadas em museus em 
homenagem ao seu legado. 
 
 
 
 
Teorias de Freud 
Ao longo de sua carreira, Freud ficou conhecido por formular inúmeras teorias 
que influenciaram de maneira considerável o campo da psicologia. A saber: 
Complexo de Édipo 
Freud continuou a dedicar-se ao estudo da mente humana e passou a se 
autoanalisar. Aplicando a psicanálise sobre si mesmo, ele conseguiu acessar 
memórias da sua infância, e essa autoanálise lhe permitiu formular a teoria do 
Complexo de Édipo. Freud realizou essa autoanálise após associar pesadelos e 
períodos depressivos que enfrentou com a morte de seu pai. 
No Complexo de Édipo, Freud argumentou que crianças do sexo masculino 
passam por uma fase em que se apaixonam pela sua mãe e, por isso, criam 
sentimentos hostis em relação a seus pais. Tempos depois, Carl Jung, famoso 
psicanalista influenciado por Freud, teorizou que isso também acontecia na relação 
de filhas com seus pais, o que ficou conhecido como Complexo de Electra. 
Freud também teorizou que, durante o Complexo de Édipo, o desejo sexual 
surge nas crianças e essa experiência se dá por meio de diferentes sintomas em 
meninos e meninas. Os meninos, segundo Freud, experimentam o “complexo da 
castração”, e as meninas experimentam a “inveja do pênis”. Essas teorias de Freud 
foram, posteriormente, bastante criticadas por outros psicanalistas. 
 
Outras teorias 
Ao longo de sua carreira, Freud teorizou ideias a respeito da interpretação 
dos sonhos e do papel destes em retratar desejos que são reprimidos na mente 
 
 
 
 
 
10 
humana ou memórias recentes que estão bloqueadas no inconsciente. A respeito do 
inconsciente, disse que a mente humana funciona como um iceberg, em que parte 
dos pensamentos é perceptível, e a outra parte, não. 
Com base nessa metáfora, formulou os conceitos de id, ego e superego. O id 
é o local da mente onde ficam os nossos impulsos e instintos. O ego é a parte lógica 
e racional da psique e é responsável pela tomada de decisões. O superego, por sua 
vez, é a parte da psique responsável pela repressão aos impulsos que são 
contrários às normas sociais. 
Obras 
Ao longo de sua carreira como psicanalista, Freud escreveu uma série de 
livros que são hoje um grande legado de sua obra. Dentre os livros escritos por 
Freud, podem ser destacados: 
→ A interpretação dos sonhos (1900); 
→ Sobre a psicopatologia da vida cotidiana (1901); 
→ Três ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905); 
→ Cinco lições de psicanálise (1910); 
→ Além do princípio do prazer (1920); 
→ O futuro de uma ilusão (1927); 
→ O mal-estar na civilização (1930). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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A Psicanálise 
Depois de ter contato com a hipnose como forma de tratamento, Freud 
procurou utilizá-la em seus pacientes. Isso aconteceu depois de ter aberto um 
consultório em Viena para tratar de “doenças nervosas”. O contato com a hipnose 
levou Freud a concluir, tempos depois, que as doenças mentais eram, de fato, 
causadas por distúrbios em uma parte que ele chamou de inconsciente. 
Freud passou a defender a ideia de que a forma de tratar essas doenças 
deveria acontecer por meio das palavras. Inicialmente, Freud hipnotizava seus 
pacientes e os incentivava a falar sobre todos os seus traumas. Esse procedimento 
ficou conhecido como “cura pela palavra” e foi resultado da influência de um 
neurologista chamado Josef Breuer. 
Breuer era um dos mais importantes neurologistas de Viena, e o relato dele a 
respeito de uma de suas pacientes teve grande impacto em Freud. Essa paciente, 
que sofria de depressão, era Bertha Pappenheim, também conhecida como Anna O. 
Breuer hipnotizava sua paciente e a orientava a falar sobre os seus sintomas e 
traumas, tendo como resultado a melhora do quadro de Anna O. 
Após esse caso, Freud passou a aplicar a “cura pela palavra” em seus 
próprios pacientes. Ele os incentivava a falar sobre os traumas e anotava tudo o que 
era dito pelos seus pacientes. Com o tempo, começou a identificar que a parte 
consciente da mente humana não tinha acesso a todasas lembranças e grande 
parte dos pensamentos ficava reprimida no “inconsciente”. Assim, o tratamento por 
meio da psicanálise só seria de fato eficaz se fosse possível acessar os 
pensamentos e traumas do inconsciente, levando-os para a consciência do 
paciente. 
Os atendimentos realizados por Freud aconteciam em um apartamento 
localizado no mesmo prédio (Berggasse 19) que ficava sua casa. Freud colocava 
seus pacientes em um sofá (chamado de divã), em uma posição em que não havia 
contato visual com os pacientes. Os resultados foram mostrando-se satisfatórios, e 
Freud começou a ganhar popularidade. Esses resultados foram importantes porque 
conseguiram provar a teoria de Freud a respeito da existência do inconsciente na 
mente humana. 
 
 
 
 
 
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Estrutura e dinâmica da personalidade 
Freud imaginava a psique (ou aparelho psíquico) do ser humano como um 
sistema de energia: cada pessoa é movida, segundo ele, por uma quantidade 
limitada de energia psíquica. Isso significa, por um lado, que se grande parte da 
energia for necessária para a realização de determinado objetivo (ex. expressão 
artística) ela não estará disponível para outros objetivos (ex. sexualidade); por outro 
lado, se a pessoa não puder dar vazão à sua energia por um canal (ex. 
sexualidade), terá de fazê-lo por outro (ex. expressão artística). 
Essa energia provém das pulsões (às vezes chamadas incorretamente de 
instintos). Segundo o autor, o ser humano possui duas pulsões inatas, a de vida 
(Eros) e a de morte. 
Essas duas pulsões opõem-se ao ideal da sociedade e, por isso, precisam 
ser controladas através da educação, considerando que a energia gerada pelas 
pulsões não é liberada de maneira direta. O ser humano é, assim, sexual e 
agressivo por natureza e a função da sociedade é amansar essas tendências 
naturais do homem. A situação de não poder dar vazão a essa energia gera no 
indivíduo um estado de tensão interna que necessita ser resolvido. Toda ação do 
homem é motivada, assim, pela busca hedonista de dar vazão à energia psíquica 
acumulada. 
 
Os níveis da consciência ou modelo topológico da mente (1ª Tópica) 
 
O ser humano, no entanto, não se dá conta de todo esse processo de 
geração e liberação de energia. Para explicar esse fato, Freud descreve três níveis 
de consciência: 
 O consciente, que abarca todos os fenômenos que em determinado momento 
podem ser percebidos de maneira consciente pelo indivíduo; 
 
 
 
 
 
13 
 O pré-consciente, refere-se aos fenômenos que não estão conscientes em 
determinado momento, mas podem tornar-se, se o indivíduo desejar se ocupar com 
eles; 
 O inconsciente, que diz respeito aos fenômenos e conteúdos que não são 
conscientes e somente sob circunstâncias muito especiais podem tornar-se. (O 
termo subconsciente é muitas vezes usado como sinônimo, apesar de ter sido 
abandonado pelo próprio Freud.) 
Freud não foi o primeiro a propor que parte da vida psíquica se desenvolve 
inconscientemente. Ele foi, no entanto, o primeiro a pesquisar profundamente esse 
território. Segundo ele, os desejos e pensamentos humanos produzem muitas vezes 
conteúdos que causariam medo ao indivíduo, se não fossem armazenados no 
inconsciente. Este tem assim uma função importantíssima de estabilização da vida 
consciente. Sua investigação levou-o a propor que o inconsciente é alógico (e por 
isso aberto a contradições); atemporal e aespacial (ou seja, conteúdos pertencentes 
a épocas ou espaços diferentes podem estar próximas). Os sonhos são vistos como 
expressão simbólica dos conteúdos inconscientes. 
Através da compreensão do conceito de inconsciente torna-se clara a 
compreensão da motivação na psicanálise clássica: muitos desejos, sentimentos e 
motivos são inconscientes, por serem muito dolorosos para se tornarem 
conscientes. No entanto esse conteúdo inconsciente influencia a experiência 
consciente da pessoa, por exemplo, através de atos falhos, comportamentos 
aparentemente irracionais, emoções inexplicáveis, medo, depressão, sentimento de 
culpa. Assim, os sentimentos, sonhos, desejos e motivos inconscientes influenciam 
e guiam o comportamento consciente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Modelo estrutural da personalidade (2ª Tópica) 
Freud desenvolveu mais tarde, (1923) um modelo estrutural da 
personalidade, em que o aparelho psíquico se organiza em três estruturas: 
 Id (em alemão: es, "ele, isso"): O id é a fonte da energia psíquica, a 
libido. O id é formado pelas pulsões, instintos, impulsos orgânicos e desejos 
inconscientes. Ele funciona segundo o princípio do prazer (Lustprinzip), ou seja, 
busca sempre o que produz prazer e evita o desprazer. Não faz planos, não espera, 
busca uma solução imediata para as tensões, não aceita frustrações e não conhece 
inibição. Ele não tem contato com a realidade e uma satisfação na fantasia pode ter 
o mesmo efeito de uma atingida través de uma ação. O id desconhece juízo, lógica, 
valores, ética ou moral, sendo exigente, impulsivo, cego, irracional, antissocial e 
dirigido ao prazer. O id é completamente inconsciente. 
 Ego (ich, "eu"): O ego desenvolve-se a partir do id com o objetivo de 
permitir que seus impulsos sejam eficientes, ou seja, levando em conta o mundo 
externo, por intermédio do chamado princípio da realidade. É esse princípio que 
introduz a razão, o planejamento e a espera ao comportamento humano. A 
satisfação das pulsões é retardada até o momento em que a realidade permita 
 
 
 
 
 
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satisfazê-las com um máximo de prazer e um mínimo de consequências negativas. 
A principal função do ego é buscar uma harmonização inicialmente entre os desejos 
do id e a supervisão/realidade/repressão do superego. 
 Superego (Über-Ich, "super-eu", "além-do-eu"): é a parte moral da 
mente humana e representa os valores da sociedade. 
O superego tem três objetivos: 
(1) reprimir, através de punição ou sentimento de culpa, qualquer impulso 
contrário às regras e ideais por ele ditados; 
(2) forçar o ego a se comportar de maneira moral, mesmo que irracional; e, 
(3) conduzir o indivíduo à perfeição, em gestos, pensamentos e palavras. O 
superego forma-se após o ego, durante o esforço da criança de introjetar os valores 
recebidos dos pais e da sociedade a fim de receber amor e afeição. Ele pode 
funcionar de uma maneira bastante primitiva, punindo o indivíduo não apenas por 
ações praticadas, mas também por pensamentos inaceitáveis; outra característica 
sua é o pensamento dualista (tudo ou nada, certo ou errado, sem meio-termo). O 
superego divide-se em dois subsistemas: o ego ideal, que dita o bem a ser 
procurado, e a consciência (Gewissen), que determina o mal a ser evitado. 
 
Os mecanismos de defesa 
O ego está constantemente sob tensão, nas suas tentativas de harmonizar os 
impulsos do id no mundo exterior e adequando-os à repressão do superego. 
Quando essa tensão (normalmente sob a forma de medo) se torna grande demais, 
ameaça a estabilidade do ego, que pode fazer uso dos mecanismos de defesa ou 
ajustamentos. Estas são estratégias do ego para diminuir o medo através de uma 
deformação da realidade - dessa forma o ego exclui da consciência conteúdos 
indesejados. Os mecanismos de defesa satisfazem os desejos do id apenas 
parcialmente, mas, para este, uma satisfação parcial é melhor do que nenhuma. 
Entre os mecanismos de defesa é preciso considerar, por um lado, os 
mecanismos bastante elaborados para defender o eu (ego), e por outro lado, os que 
estão simplesmente encarregados de defender a existência do narcisismo. Freud 
 
 
 
 
 
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(1937) diz que mecanismos defensivos falsificam a percepção interna do sujeito 
fornecendo somente uma representação imperfeita e deformada. 
Freud descreveu muitos mecanismos de defesa no decorrer da sua obra e 
seu trabalho foi continuado por sua filha Anna Freud; os principais mecanismos são: 
 Repressão é o processopelo qual se afastam da consciência conflitos 
e frustrações demasiadamente dolorosos para serem experimentados ou 
lembrados, reprimindo-os e recalcando-os para o inconsciente; o que é 
desagradável é, assim, esquecido; 
 Formação reativa consiste em ostentar um procedimento e externar 
sentimentos opostos aos impulsos verdadeiros, indesejados. 
 Projeção consiste em atribuir a outros as ideias e tendências que o 
sujeito não pode admitir como suas. 
 Regressão consiste em a pessoa retornar a comportamentos imaturos, 
característicos de fase de desenvolvimento que a pessoa já passou. 
 Fixação é um congelamento no desenvolvimento, que é impedido de 
continuar. Uma parte da líbido permanece ligada a um determinado estágio do 
desenvolvimento e não permite que a criança passe completamente para o próximo 
estágio. A fixação está relacionada com a regressão, uma vez que a probabilidade 
de uma regressão a um determinado estágio do desenvolvimento aumenta se a 
pessoa desenvolveu uma fixação por este. 
 Sublimação é a satisfação de um impulso inaceitável através de um 
comportamento socialmente aceito. 
 Identificação é o processo pelo qual um indivíduo assume uma 
característica de outro. Uma forma especial de identificação é a identificação com o 
agressor. 
 Deslocamento é o processo pelo qual agressões ou outros impulsos 
indesejáveis, não podendo ser direcionados à(s) pessoa(s) a que se referem, são 
direcionadas a terceiros. 
 
 
 
 
 
 
 
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As fases do desenvolvimento psicossexual 
 
Uma importante parte da teoria freudiana é dedicada ao desenvolvimento da 
personalidade. Duas hipóteses caracterizam sua teoria: 
Freud foi o primeiro a afirmar que os primeiros anos das vida são os mais 
importantes para o desenvolvimento da pessoa e o desenvolvimento do indivíduo se 
dá em fases ou estádios psicossexuais. Freud foi, assim, o primeiro autor a afirmar 
que as crianças também têm uma sexualidade. 
Freud descreve quatro fases distintas, pelas quais a criança passa em seu 
desenvolvimento. Cada uma dessas fases é definida pela região do corpo a que as 
pulsões se direcionam. Em cada fase surgem novas necessidades que exigem 
satisfação; a maneira como essas necessidades são satisfeitas determina como a 
criança se relaciona com outras pessoas e quais sentimentos ela tem para consigo 
mesma. A transição de uma fase para outra é biologicamente determinada, de tal 
forma que uma nova fase pode iniciar sem que os processos da fase anterior tenha 
se completado. As fases se seguem umas às outras em uma ordem fixa e, apesar 
de uma fase se desenvolver a partir da anterior, os processos desencadeados em 
uma fase nunca estão plenamente completos e continuam agindo durante toda a 
vida da pessoa. 
 
A fase oral 
 
A primeira fase do desenvolvimento é a fase oral, que se estende desde o 
nascimento até aproximadamente dois anos de vida. Nessa fase a criança vivencia 
prazer e dor através da satisfação (ou frustração) de pulsões orais, ou seja, pela 
boca. Essa satisfação se dá independente da satisfação da fome, mas inicialmente 
por ela. Assim, para a criança sugar, mastigar, comer, morder, cuspir etc. têm uma 
função ligada ao prazer, além de servirem à alimentação. 
Ao ser confrontada com frustrações a criança é obrigada a desenvolver 
mecanismos para lidar com tais frustrações. Esses mecanismos são a base da 
 
 
 
 
 
18 
futura personalidade da pessoa. Assim, uma satisfação insuficiente das pulsões 
orais pode conduzir a uma tendência para ansiedade e pessimismo; já uma 
excessiva satisfação pode levar, através de uma fixação nessa fase, a dificuldades 
de aceitar novos objetos como fonte de prazer/dor em fases posteriores, 
aumentando assim a probabilidade de uma regressão. 
A fase oral se divide em duas fases menores, definidas pelo nascimento dos 
dentes. Até então a criança se encontra em uma fase passiva-receptiva; com os 
primeiros dentes a criança passa a uma fase sádica-ativa através da possibilidade 
de morder. O principal objeto de ambas as fases, o seio materno, se torna, assim, 
um objeto ambivalente. Essa ambivalência caracteriza a maior parte dos 
relacionamentos humanos, tanto com pessoas como com objetos. 
A fase oral apresenta, assim, cinco modos de funcionamento que podem se 
desenvolver em características da personalidade adulta: 
→ O incorporar do alimento se mostra no adulto como um "incorporar" de 
saber ou poder, ou ainda como a capacidade de se identificar com outras pessoas 
ou de se integrar em grupos; 
→ O segurar o seio, não querendo se separar dele, se mostram 
posteriormente como persistência e perseverança ou ainda como decisão; 
→ Morder é o protótipo da destrutividade, assim do sarcasmo, cinismo e 
tirania; 
→ Cuspir se transforma em rejeição e 
→ O fechar a boca, impedindo a alimentação, conduz a rejeição, 
negatividade ou introversão. 
→ O principal processo na fase oral é a criação da ligação entre mãe e 
filho. 
A fase anal 
A segunda fase, segundo Freud, é a fase anal, que vai aproximadamente do 
primeiro ao terceiro ano de vida. Nessa fase a satisfação das pulsões se dirige ao 
ânus, ao controle da tensão intestinal. Nessa fase a criança tem de aprender o 
controle dos esfincteres sobre o ato de defecar e, dessa forma, deve aprender a 
lidar com a frustração do desejo de satisfazer suas necessidades imediatamente. 
 
 
 
 
 
19 
Como na fase oral, também os mecanismos desenvolvidos nesta fase 
influenciam o desenvolvimento da personalidade. O defecar imediato e 
descontrolado é o protótipo dos ataques de raiva; já uma educação muito rígida com 
relação à higiene pode conduzir tanto a uma tendência ao caos, aos descuido, à 
bagunça quanto a uma tendência a uma organização compulsiva e exageradamente 
controlada. 
Se a mãe faz elogios demais ao fato de a criança conseguir esperar até o 
banheiro, pode surgir uma ligação entre dar (as fezes) e receber amor, e a pessoa 
pode desenvolver generosidade; se a mãe supervaloriza essas necessidades 
biológicas, a criança pode se desenvolver criativa e produtiva ou, pelo contrário, se 
tornar depressiva, caso ela não corresponda às expectativas; crianças que se 
recusam a defecar podem se desenvolver como colecionadores, coletores ou 
avaros. 
 
A fase fálica 
A fase fálica, que vai dos três aos cinco anos de vida, se caracteriza segundo 
Freud pela importância da presença (ou, nas meninas, da ausência) do falo ou 
pênis; nessa fase prazer e desprazer estão, assim, centrados na região genital. As 
dificuldades dessa fase estão ligadas ao direcionamento da pulsão sexual ou 
libidinosa ao genitor do sexo oposto e aos problemas resultantes. A resolução desse 
conflito está relacionada ao complexo de Édipo e à identificação com o genitor de 
mesmo sexo. 
Freud desenvolveu sua teoria tendo sobretudo os meninos em vista, uma vez 
que, para ele, estes vivenciariam o conflito da fase fálica de maneira mais intensa e 
ameaçadora. Segundo Freud o menino deseja nessa fase ter a mãe só para si e 
não partilhá-la mais com o pai; ao mesmo tempo ele teme que o pai se vingue, 
castrando-o. A solução para esse conflito consiste na repressão tanto do desejo 
libidinoso com relação à mãe como dos sentimentos agressivos para com o pai; em 
um segundo momento realiza-se a identificação do menino com seu pai, o que os 
aproxima e conduz, assim, a uma internalização por parte do menino dos valores, 
convicções, interesses e posturas do pai. 
 
 
 
 
 
20 
O complexo de Édipo representa um importante passo na formação do 
superego e na socialização dos meninos, uma vez que o menino aprende a seguir 
os valores dos pais. Essa solução de compromisso permite que tanto o ego (através 
da diminuição do medo) e o id (por o menino poder possuir a mãe indiretamente 
através do pai, com o qual ele se identifica) sejam parcialmente satisfeitos. 
O conflito vivenciado pelas meninas é parecido, contudo commais 
possibilidades de solução. A menina deseja o próprio pai, em parte devido à inveja 
que sente por não ter um pênis (al. Penisneid); ela sente-se castrada e culpa à 
própria mãe por tê-la privado de um falo. Por outro lado, a mãe representa uma 
ameaça menos séria, uma vez que uma castração não é possível. Devido a essa 
situação diferente, a identificação da menina com a própria mãe é menos forte do 
que a do menino com seu pai e, por isso, as meninas teriam uma consciência 
menos desenvolvida - afirmação esta que foi rejeitada pela pesquisa empírica. 
Freud usou o termo "complexo de Édipo" para ambos os sexos; autores 
posteriores limitaram o uso da expressão aos meninos, reservando para as meninas 
o termo "complexo de Electra", mas que foi rejeitado por Freud no texto "Sobre a 
Sexualidade Feminina" de 1931. 
A apresentação do complexo de Édipo dada acima é, no entanto, 
simplificada. Na realidade o resultado da resolução do complexo de Édipo é sempre 
uma identificação como ambos os pais e a força de cada uma dessas identificações 
depende de diferentes fatores, como a relação entre os elementos masculinos e 
femininos na predisposição fisiológica da criança ou a intensidade do medo de 
castração ou da inveja do pênis. Além disso, a mãe mantém em ambos os sexos um 
papel primordial, permanecendo sempre o principal objeto da libido. 
 
O período de latência 
Depois da agitação dos primeiros anos de vida segue-se uma fase mais 
tranquila que se estende até a puberdade. Nessa fase a libido é desinvestida das 
fantasias e da sexualidade, tornando-as secundárias, mas reinvestida em outros 
meios como o desenvolvimento cognitivo, aprendizado, a assimilação de valores e 
 
 
 
 
 
21 
normas sociais que se tornam as atividades principais da criança, continuando o 
desenvolvimento do ego e do superego. 
A fase genital 
A última fase do desenvolvimento psicossocial é a fase genital, que se dá 
durante a adolescência. Nessa fase as pulsões sexuais, depois da longa fase de 
latência e acompanhando as mudanças corporais, despertam-se novamente, mas 
desta vez se dirigem a uma pessoa do sexo oposto, ou não (onde entra a questão 
da homossexualidade). 
Como se depreende da explanação anterior, a escolha do parceiro não se dá 
independente dos processos de desenvolvimento anteriores, mas é influenciada 
pela vivência nas fases anteriores. Além disso, apesar de continuarem agindo 
durante toda a vida do indivíduo, os conflitos internos típicos das fases anteriores 
atingem na fase genital uma relativa estabilidade conduzindo a pessoa a uma 
estrutura do ego que lhe permite enfrentar os desafios da idade adulta. 
 
A teoria psicanalítica dos transtornos mentais 
Os transtornos mentais caracterizam uma faixa que vai desde formas 
neuróticas leves até a loucura, na plenitude do seu termo. "Normal" seria aquela 
personalidade com capacidade de viver eficientemente, manter um relacionamento 
duradouro e emocionalmente satisfatório com outras pessoas, trabalhar 
produtivamente, repousar e divertir-se, ser capaz de mensurar, julgar e lidar com 
base realista suas qualidades e imperfeições, aceitando-as como são. 
No início de sua obra, Freud dividiu os transtornos emocionais, que então ele 
denominava psiconeuroses, em três categorias psicopatológicas: 
1) As neuroses atuais. 
2) As neuroses transferenciais, também conhecidas como psiconeuroses de 
defesa (que eram as histerias, as fobias e as obsessivas). 
3) As neuroses narcisistas (que constituem os atuais quadros psicóticos). De 
lá para cá, muita coisa modificou substancialmente. Os autores discutem a 
 
 
 
 
 
22 
adequação ou não do termo “perversão” para nomear uma determinada categoria 
de pacientes que apresentam uma série de características comuns e típicas entre 
eles, levando em conta o fato de que essa denominação tem o inconveniente de 
estar impregnada de “pré-conceitos”, especialmente os de ordem moral e ética, o 
que nem sempre faz jus à seriedade e à profundidade com que tais pacientes 
merecem ser compreendidos e analisados. 
Classificam-se os transtornos mentais em 3 grandes tipos básicos: 
Primeiro tipo: neuroses 
É a existência de tensão excessiva e prolongada, de conflito persistente ou 
de uma necessidade prolongadamente frustrada, é sinal de que na pessoa se 
configurou uma neurose. A neurose determina uma modificação, mas não uma 
desestruturação da personalidade e muito menos de perda de valores da realidade. 
Com o desenvolvimento da psicanálise, o conceito evoluiu, até finalmente 
encontrar lugar no interior de uma estrutura tripartite, ao lado da psicose e da 
perversão. Em consequência disso, do ponto de vista freudiano, classificam-se no 
registro da neurose a histeria, a fobia e a neurose obsessiva, às quais é preciso 
acrescentar a neurose atual, que abrange a neurose de angústia e a neurastenia, e 
a psiconeurose, que abarca a neurose de transferência e a neurose narcísica. 
Costuma-se catalogar os sintomas neuróticos em certas categorias, como: 
a) Histeria: quando um conflito psíquico encontra saída através de 
conversões. Neste tipo de neurose, a ideia conflitiva com o ego é convertida em 
sintomas físicos, como cegueira, mutismo, paralisias, etc; que não têm origens 
orgânicas. Atualmente a histeria foi banida dos manuais psiquiátricos, o que leva 
muitas pessoas da área de saúde, inclusive psicólogos, a acreditarem que a histeria 
não existe mais. Porém, a histeria ainda existe e sempre existirá, mesmo que os 
sintomas possam variar de acordo com a sociedade e o tempo a que se refere. Algo 
bastante específico da histeria é sua referência ao corpo e à sexualidade, 
especialmente com questão à "o que é uma mulher?". 
b) Ansiedade (de angústia): a pessoa é tomada por sentimentos 
generalizados e persistente de intensa angústia sem causa objetiva. Alguns 
 
 
 
 
 
23 
sintomas são: palpitações do coração, tremores, falta de ar, suor, náuseas. Há uma 
exagerada e ansiosa preocupação por si mesmo. 
c) Fobias: uma área da personalidade passa a operar por respostas de medo 
e ansiedade. Na angústia o medo é difuso e quando vem à tona é sinal de que já 
existia, há longo tempo. Se apresenta envolta em muita tensão, preocupação, 
excitação e desorganização do comportamento. Na reação fóbica, o medo se 
restringe a uma classe limitada de estímulos e representações objetais. Geralmente 
verifica-se a associação do medo a certos objetos, animais ou situações. 
d) Obsessiva-compulsiva: a obsessão é um termo que se refere a ideias que 
se impõem repetidamente à consciência. São por isto dificilmente controláveis. A 
compulsão refere-se a impulsos que levam à ação. Está intimamente ligada a uma 
desordem psicológica chamada transtorno obsessivo-compulsivo. 
 
Segundo tipo: psicoses 
Se o conceito de neurose é parte integrante do vocabulário da psicanálise, o 
da psicose aparece, a princípio, como um anexo proveniente do saber psiquiátrico, 
pautada numa concepção do sujeito que se organiza em torno da ideia de alienação 
e perda da razão. 
O psicótico pode se encontrar em estado de depressão, de extrema euforia 
ou de agitação. Em dado momento age de um modo e em outro se comporta de 
maneira totalmente diferente. Houve uma desestruturação da sua personalidade. O 
dado clínico para se aferir à psicose é a alteração dos juízos da realidade. O 
psicótico passa a perceber a realidade de maneira diferente, mas não menos real 
em sua percepção. Por isso afirma com convicção que tem percepções que nos 
parecem irreais não apoiadas nem justificadas na lógica e na razão. Nas psicoses, 
além da alteração do comportamento, são comuns alucinações (alterações dos 
órgãos dos sentidos: ouvir vozes, ver coisas, sentir cheiros ou toques) e delírios 
(alterações do pensamento sob forma de conspirações, perseguição, grandeza, 
riqueza, onipotência ou de predestinação). 
 As Psicoses se manifestam como:24 
a) Esquizofrenia: apatia emocional, carência de ambições, desorganização 
geral da personalidade, perda de interesse pela vida nas realizações pessoais e 
sociais. pensamento desorganizado, afeto superficial e inapropriado, riso insólito, 
bobice, infantilidade, hipocondria, delírios e alucinações transitórias. 
b) Maníaca-depressiva: caracteriza-se por perturbações psíquicas 
duradouras e intensas, decorrentes de uma perda ou de situações externas 
traumáticas. O estado maníaco pode ser leve ou agudo. É caracterizado por 
comportamento exacerbado, hipersexualidade. Os maníacos são cheios de energia, 
inquietos, barulhentos, falam alto e têm ideias bizarras, uma após outra. O estado 
depressivo, ao contrário, caracteriza-se por inatividade e desalento. Seus sintomas 
são: apatia, pesar, tristeza, desânimo, crises de choro, perda de interesse 
(embotamento afetivo) pelo trabalho, por amigos e família, bem como por suas 
distrações habituais. Torna-se lento na fala, não dorme bem à noite, perde o apetite, 
pode ficar um tanto irritado e muito preocupado. 
c) Paranoia: caracteriza-se sobretudo por ilusões fixas. É um sistema 
delirante. As ilusões de perseguição e de grandeza são mais duradouras do que na 
esquizofrenia paranoide. Os ressentimentos são profundos. É desconfiado, 
agressivo, egocêntrico e destruidor. Acredita que os fins justificam os meios e é 
incapaz de solicitar carinho. 
d) Psicose alcoólica: é habitualmente marcada por violenta intranquilidade, 
acompanhada de alucinações de uma natureza aterradora. 
 
Terceiro tipo: perversões 
Os perversos, ao vivenciarem o Complexo de Édipo, se recusam a aceitar a 
castração a eles imposta passando, então, há duas possibilidades: 
1) aferir que para eles não existe castração, assim, não existem limites 
sociais impostos às suas ações ou 
2) são eles que impõe os limites proveniente da castração aos outros. 
Atualmente são comumente relacionados às psicopatias, porém se relacionam mais 
 
 
 
 
 
25 
abrangentemente com todas as formas de ausência de empatia com o Outro - pela 
ausência de atuação do Superego. 
Essa estrutura favorece o aparecimento de outros sintomas, como o 
fetichismo e relações que objetificam o Outro, em troca de obtenção de prazer 
(parafilias). Retomado por Sigmund Freud a partir de 1896, o termo perversão foi 
definitivamente adotado como conceito pela psicanálise, que assim conservou a 
ideia de desvio sexual em relação a uma norma. Não obstante, nessa nova 
acepção, o conceito é desprovido de qualquer conotação pejorativa ou valorizadora 
e se inscreve, juntamente com a psicose e a neurose, numa estrutura tripartite. 
 
Psicanálise: aplicações e contribuições sociais 
A característica essencial do trabalho psicanalítico é o deciframento do 
inconsciente e a integração de seus conteúdos na consciência. Isto porque são 
estes conteúdos desconhecidos e inconscientes que determinam, em grande parte, 
a conduta dos homens e dos grupos, as dificuldades para viver, o mal-estar, o 
sofrimento. 
A finalidade deste trabalho investigativo é o autoconhecimento, que possibilita 
lidar com o sofrimento, criar mecanismos de superação das dificuldades, dos 
conflitos e dos submetimentos em direção a uma produção humana mais autônoma, 
criativa e gratificante de cada indivíduo, dos grupos, das instituições. 
Nesta tarefa, muitas vezes bastante desejada pelo paciente, é necessário 
que o psicanalista ajude a desmontar, pacientemente, as resistências inconscientes 
que obstaculizam a passagem dos conteúdos inconscientes para a consciência. A 
representação social (a ideia) da Psicanálise ainda é bastante estereotipada em 
nosso meio. 
Associamos a Psicanálise com o divã, com o trabalho de consultório 
excessivamente longo e só possível para as pessoas de alto poder aquisitivo. Esta 
ideia correspondeu, durante muito tempo, à prática nesta área que se restringia, 
exclusivamente, ao consultório. 
 
 
 
 
 
26 
Contudo, há várias décadas é possível constatar a contribuição da 
Psicanálise e dos psicanalistas em várias áreas da saúde mental. Historicamente, é 
importante lembrar a contribuição do [pg. 80] psiquiatra e psicanalista D. W. 
Winnicott, cujos programas radiofônicos transmitidos na Europa, durante a Segunda 
Guerra Mundial, orientavam os pais na criação dos filhos, ou a contribuição de Ana 
Freud para a Educação e, mais recentemente, as contribuições de Françoise Dolto 
e Maud Mannoni para o trabalho com crianças e adolescentes em instituições — 
hospitais, creches, abrigos. 
Atualmente, e inclusive no Brasil, os psicanalistas estão debatendo o alcance 
social da prática clínica visando torná-la acessível a amplos setores da sociedade. 
Eles também estão voltados para a pesquisa e produção de conhecimentos que 
possam ser úteis na compreensão de fenômenos sociais graves, como o aumento 
do envolvimento do adolescente com a criminalidade, o surgimento de novas 
(antigas?) formas de sofrimento produzidas pelo modo de existência no mundo 
contemporâneo, as drogadições, a anorexia, a síndrome do pânico, a excessiva 
medicalização do sofrimento, a sexualização da infância. 
Enfim, eles procuram compreender os novos modos de subjetivação e de 
existir, as novas expressões que o sofrimento psíquico assume. A partir desta 
compreensão e de suas observações, os psicanalistas tentam criar modalidades de 
intervenção no social que visam superar o mal-estar na civilização. 
Aliás, o próprio Freud, em várias de suas obras — O mal-estar na civilização, 
Reflexões para o tempo de guerra e morte — coloca questões sociais, e ainda 
atuais, como objeto de reflexão, ou seja, nos faz pensar e ver o que mais nos 
incomoda: a possibilidade constante de dissociação dos vínculos sociais. O método 
psicanalítico usado para desvendar o real, compreender o sintoma individual ou 
social e suas determinações, é o interpretativo. 
No caso da análise individual, o material de trabalho do analista são os 
sonhos, as associações livres, os atos falhos (os esquecimentos, as substituições 
de palavras etc.). Em cada um desses caminhos de acesso ao inconsciente, o que 
vale é a história pessoal. 
 
 
 
 
 
27 
Cada palavra, cada símbolo tem um significado particular para cada 
indivíduo, o qual só pode ser apreendido a partir de sua história, que é 
absolutamente única e singular. Por isso é que se diz que, a cada nova situação, 
realiza-se O sofrimento humano assume inúmeras expressões, novamente a 
experiência inaugurada por Freud, no início do século 20 — a experiência de tentar 
descobrir as regiões obscuras da vida psíquica. 
 
 
 
 
 
 
28 
VÍDEOS DE APOIO 
Após ter realizado a leitura do conteúdo da apostila, reserve um tempo para 
assistir aos vídeos disponibilizados abaixo, que servirão como embasamento para 
as próximas apostilas. 
Vídeo 1: História de Freud: O Polêmico e Revolucionário Pai da Psicanálise 
Disponível em: 
Sinopse: No Canal Conhecimento da Humanidade traz a história de Sigmund 
Freud, o pai da psicanálise. 
“Com uma longa carreira que passou por incentivar o uso da cocaína e 
desenvolver o polêmico conceito do Complexo de Édipo, Freud foi o revolucionário 
fundador da psicanálise, permitindo pela primeira vez um estudo científico e 
desmistificado dos elementos da mente humana.” 
 
Vídeo 2: Série Introdução a Psicanálise | Parte 1 - Prof. Arthur Mendes 
 Disponível em: 
Sinopse: Neste vídeo Prof Arthur Mendes fala sobre os princípios da 
Psicanálise, onde o discurso de falar tem a potência de realizar as mudanças na 
vida do indivíduo. 
 
Vídeo 3: 08 CURSO DE PSICANÁLISE - APLICAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES 
SOCIAIS 
Disponível em: 
Sinopse: IPPC- Instituto de Pesquisas Psicanalíticas de Campinas apresenta 
mais uma vídeo aula sobre a Psicanálise –aplicações e contribuições sociais 
 
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=XcoUuBI64J8
 
 
 
 
 
29 
REFERÊNCIAS 
 
FREUD, Sigmund. Além do Princípio do Prazer. [S.l.: s.n.]. 1920. 
 
FREUD. Uma nota sobre o inconsciente em Psicanálise (1912), Obras 
Psicológicas Completas de S. Freud, vol. XII). Rio de Janeiro: Imago, 1969. 
 
FREUD. O Ego e o Id (1923), Obras Psicológicas Completas de S. Freud, vol. XIX ). 
Rio de Janeiro: Imago, 1969. 
 
FREUD. A organização genital infantil – uma interpolação na teoria da 
sexualidade (1923). Obras Psicológicas Completas de S. Freud, vol. XIX ). Rio de 
Janeiro: Imago, 1969. 
 
FREUD. Sobre as teorias sexuais das crianças (1908). Obras Psicológicas 
Completas de S. Freud, vol. IX ). Rio de Janeiro: Imago, 1969. 
 
FREUD. Análise terminável e interminável (1937). Obras Psicológicas Completas 
de S. Freud, vol. XXIII ). Rio de Janeiro: Imago, 1969. 
 
PERVIN, Lawrence A.; CERVONE, Daniel & JOHN, Oliver (2005). 
Persönlichkeitstheorien. München: Reinhardt. 2005. 
 
CARVER, Charles S. & SCHEIER, Michael F. Perspectives on personality. 
Boston: Allyn and Bacon. 2000. 
 
FREUD, Sigmund (1937). Análise Terminável e Interminável. Edição Standard 
Brasileira das Obras Psicológicas Completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996. 
 
MILLER, Patrícia. Theorien der Entwicklungspsychologie. Heidelberg: 
Spektrum.1993. 
 
 ZIMERMAN, David E. Fundamentos Psicanalíticos: Teoria, Técnica, Clínica – 
Uma Abordagem Didática. Porto Alegre: Artmed, 2014. 
 
 ROUDINESCO, Elisabeth. Dicionário de Psicanálise. [S.l.]: Zahar, 1997. 
 
GOLDGRUB, Franklin. A Máquina do Fantasma – Aquisição de linguagem e 
constituição do sujeito. Piracicaba: UNIMEP, 2001. 
 
GOLDGRUB. A metáfora opaca - cinema, mito, sonho, interpretação. São Paulo: 
Casa do Psicólogo, 2004. 
 
SZASZ, Thomas S. A ética da Psicanálise (1965), Rio de Janeiro: Zahar Editores: 
1975.

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