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Disciplina: Direito Processual Penal 
Professora: Carolina Máximo 
Monitor: Rodrigo de Souza Fonseca 
Aula: Sistemas Processuais, Princípios, Aplicação e Integração da Lei 
Processual Penal 
 
 
 
1. Conceito e Características de Direito Processual Penal 
 
Conceito: Direito Processual Penal é um conjunto de normas (regras e princípios), que 
regula a prestação jurisdicional na aplicação do direito penal objetivo. Passar pelo 
crivo do processo para poder cumprir uma pena, quando há uma transgressão penal. 
 
Características do Direito Processual Penal: normativo, autônomo (apesar de servir de 
instrumento para o direito penal) e instrumental (instrumento necessário para se 
chegar a uma pena). 
 
2. Sistemas Processuais Penais 
 
a) Inquisitório - (Idade Média – Romana, confusão entre poder e religião). Réu já 
condenado antes do processo. Juiz figura como acusador e julgador, ou seja, era ele 
quem construía as provas. Não democrático. Juiz não imparcial. 
 
- CONCENTRAÇÃO de funções. 
- PARCIAL. 
- CONFISSÃO. 
- TORTURA. 
- SIGILOSO. 
- ESCRITA. 
- RÉU COMO OBJETO (SEM AMPLA DEFESA/CONTRADITÓRO). 
- TARIFADO (VALOR DAS PROVAS PRÉ-DEFINDO). 
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b) Acusatório – (Pós-Revoluções). Mais democrático, processo com feição pública, 
Juiz somente como julgador. Tem-se um órgão acusatório (MP). 
 
- DESCONCENTRAÇÃO. 
- IMPARCIAL. 
- PERSSUAÇÃO RACIONAL. 
- TORTURA CRIMINALIZADA. 
- PÚBLICO + ORALIDADE. 
- RÉU SUJEITO DE DIREITOS. 
- DIREITO DE DEFESA. 
 
c) Misto – (Origem Francesa – Era Napoleônica) – Inquisitório + Acusatório. 
Inquisitório na primeira fase, onde o réu não goze de tantos direitos. Na segunda fase, 
há o sistema acusatório. 
 
Qual é o sistema adotado meu Brasil? ACUSATÓRIO. Art. 3º A, CPP, deixa expresso 
que o sistema é o Acusatório não ortodoxo (não puro, há traços inquisitórios). Art. 129 
CF – órgão acusatório é o MP. 
 
OBS: Iniciativa Probatória do Juiz: o art. 3º-A veda a iniciativa do juiz na fase de 
investigação, no entanto, o STF decidiu que “O juiz pode determinar a realização de 
diligências suplementares, para o fim de dirimir dúvida sobre questão relevante 
para o julgamento do mérito”. ADIs 6298, 6299, 6300, 6305. 
 
 
Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na 
fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação. 
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) (Vide ADI 6.298) (Vide ADI 
6.300) (Vide ADI 6.305) 
 
OBS: O sistema acusário é subdivido em um sistema adversarial (juiz não pode ter 
iniciativa probatória) e inquisitorial (no inquisitorial o juiz pode ter iniciativa probatória 
de ofício para dirimir dúvida relevante). O Brasil estaria posicionado em um sistema 
acusatório, não ortodóxo de vertente inquisitorial. 
 
3. Princípios Constitucionais ao Direito Processual Penal 
 
 Explícitos 
 
a) Presunção de Inocência (ou da não culpabilidade) 
 
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Art. 5º, LVII, CF/88 - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de 
sentença penal condenatória; 
 
 Regra Probatória (in dubio pro reo) 
 
Restando dúvida razoável, o juiz deverá absorver o réu. 
 
 Regra de Tratamento 
 
Além do tratamento, as cautelares só devem ser aplicadas se houver fundamento, 
demonstrando de forma concreta e individualizada, não podendo usar como 
fundamento o quantum de pena em abstrato. 
 
OBS: ADC 42, 44 e 54 – Cumprimento de pena após o transito em julgado de 
sentença penal condenatória. 
 
Art. 492, e, CPP 
 
e) mandará o acusado recolher-se ou recomendá-lo-á à prisão em que se encontra, se 
presentes os requisitos da prisão preventiva, ou, no caso de condenação a uma pena 
igual ou superior a 15 (quinze) anos de reclusão, determinará a execução provisória 
das penas, com expedição do mandado de prisão, se for o caso, sem prejuízo do 
conhecimento de recursos que vierem a ser interpostos; (Redação dada pela Lei nº 
13.964, de 2019) (Vigência) 
 
§ 4º A apelação interposta contra decisão condenatória do Tribunal do Júri a uma 
pena igual ou superior a 15 (quinze) anos de reclusão não terá efeito suspensivo. 
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) 
 
§ 5º Excepcionalmente, poderá o tribunal atribuir efeito suspensivo à apelação de que 
trata o § 4º deste artigo, quando verificado cumulativamente que o recurso: (Incluído 
pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) 
 
I - não tem propósito meramente protelatório; e (Incluído pela Lei nº 13.964, de 
2019) (Vigência) 
 
II - levanta questão substancial e que pode resultar em absolvição, anulação da 
sentença, novo julgamento ou redução da pena para patamar inferior a 15 (quinze) 
anos de reclusão. 
 
 
 
STJ – Já ficou entendimento no sentido da ilegalidade do art. 492, CPP. 
 
STF – Ainda não decidiu a questão. 
 
Para a doutrina, este artigo é violador da presunção de inocência. 
 
b) Igualdade Processual 
 
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O réu nunca vai estar em igualdade de condições, pois é impossível estar em 
igualdade com o aparato estatal, mas fala-se em paridade de armas, pois é o que se 
objetiva com o processo penal. 
 
c) Ampla Defesa 
 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral 
são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela 
inerentes; 
 
 Defesa Técnica (processual ou específica); 
 Autodefesa (material ou genérica) – Possibilidade do réu apresentar a sua 
defesa, sua versão ou exercer o seu direito ao silencia. Audiência, presença e 
capacidade postulatória autônoma (HC e recursos). 
 
Súmulas 707 – STF; 523 – STF; 705 – STF. 
 
d) Plenitude de DefesaÉ diferente da ampla defesa, prevista apenas para o Tribunal do Júri, conferindo a 
possibilidade ao réu de figurar teses extrajurídicas. 
 
OBS: Vedação a tese da legítima defesa da honra, por se tratar de tese que acabava 
convencendo os jurados, mas fere a ideologia de gênero. 
 
e) Favor Rei 
 
Modula a tomada de decisões judiciais e influencia na edição das próprias normas. 
Protege o acuda em casos de normas lacunosas. 
 
Art. 615, §1º, CPP 
 
§ 1º Em todos os julgamentos em matéria penal ou processual penal em órgãos 
colegiados, havendo empate, prevalecerá a decisão mais favorável ao indivíduo 
imputado, proclamando-se de imediato esse resultado, ainda que, nas hipóteses de 
vaga aberta a ser preenchida, de impedimento, de suspeição ou de ausência, tenha 
sido o julgamento tomado sem a totalidade dos integrantes do colegiado. (Redação 
dada pela Lei nº 14.836, de 2024) 
 
f) Contraditório 
 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral 
são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela 
inerentes; 
 
Trata-se de um princípio das partes, ou seja, o direito que as partes possuem de 
reagir. 
 
 Direito à Informação 
 Direito de Participação 
 
OBS: Contraditório para a prova (real) x Contraditório sobre a prova (diferido) 
 
Prova durante o processo é produzida em contraditório. 
 
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Contraditório diferido ocorre nos casos de provas cautelares, irrepetíveis ou 
antecipadas, onde a defesa terá acesso a tais provas posteriormente a sua produção, 
após a instauração do processo. 
 
g) Juiz Natural 
 
Saber qual juízo irá julgá-lo, bem como a vedação ao juízo ou tribunal de exceção. 
 
h) Publicidade 
 
Os processos em segredo de justiça são a exceção. 
 
“Assegura o controle tanto interno quanto externo da atividade judiciária. Com base 
nela os procedimentos de formulação de hipóteses e de averiguação da 
responsabilidade penal devem desenvolver-se à luz do sol, sob o controle da opinião 
pública e sobretudo do imputado e de seu defensor. Trata-se do requisito seguramente 
mais elementar e evidente do método acusatório”. FERRAJOLI, Luigi. 
 
 REGRA: Publicidade ampla, plena, popular, absoluta ou geral: Atos 
processuais praticados perante as partes e, ainda, abertos todo o público; 
 
 EXCEÇÃO: Publicidade restrita ou interna: Quando há alguma limitação à 
publicidade. Os atos processuais (todos ou parte deles) são realizados 
somente perante as pessoas diretamente interessadas no feito e seus 
respectivos procuradores, ou ainda, somente perante estes. 
CF, art. 93, IX: todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e 
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a 
presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente 
a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no 
sigilo não prejudique o interesse público à informação; 
 
CPP, 792, § 1o Se da publicidade da audiência, da sessão ou do ato processual, 
puder resultar escândalo, inconveniente grave ou perigo de perturbação da ordem, o 
juiz, ou o tribunal, câmara, ou turma, poderá, de ofício ou a requerimento da parte ou 
do Ministério Público, determinar que o ato seja realizado a portas fechadas, limitando 
o número de pessoas que possam estar presentes 
 
i) Vedação das Provas Ilícitas 
 
j) Economia Processual, Celeridade, Duração Racional do Processo 
 
k) Devido Processo Legal 
 
O processo é uma garantia do cidadão, visa proteger o cidadão do arbítrio estatal. 
 
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 Implícitos 
 
São oriundos de um desdobramento lógico sistemático ou estão previstos nos tratados 
e convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário. 
 
a) Não Autoincriminação (NEMO TENETUR SE DETEGERE) 
 
Não está previsto na CF/88. 
 
Apenas o direito ao silêncio, que é uma vertente da não autoincriminação, está 
previsto na CF/88. 
 
CF, art. 5º, LXIII; Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (art. 14.3, “g”), 
Convenção Americana sobre Direitos Humanos (art. 8º, §2º, “g”). 
 
 Direito ao silêncio ou Direito de Ficar Calado; 
 
 Direito de não ser constrangido a confessar a prática de ilícito penal 
 
 Inexigibilidade de dizer a verdade (S. 522. STJ: atribuir falsa identidade. 
Conduta típica) 
 
Não significa direito de mentir. Caso ele minta, não haverá crime, salvo, se a mentira 
configura conduta típica (documentos, fraude processual, etc). 
 
 Direito de não praticar qualquer comportamento ativo que possa incriminá-lo 
 
 Direito de não produzir nenhuma prova incriminadora invasiva 
 
Formas de Exercício 
 
 Total 
 
 Parcial: Horizontal ou Momentâneo (Se cala totalmente em um interrogatório e 
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resolve falar em outro); ou Vertical (Responde a algumas perguntas e a outras 
não, em um mesmo interrogatório). 
 
É ilegal o encerramento do interrogatório do paciente que se nega a responder aos 
questionamentos do juiz instrutor antes de oportunizar as indagações pela defesa. 
 
STJ. 6ª Turma. HC 703.978-SC, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador 
convocado do TRF 1ª Região), julgado em 05/04/2022 (Info 732). 
 
b) Iniciativa das Partes e Adstrição 
 
O juiz se mantém inerte para preservar sua imparcialidade. 
 
c) Duplo Grau de Jurisdição 
 
Direito e possibilidade de recorrer, previsto no Pacto de São José da Costa Rica. 
 
Os réus que se submetem ao foro por prerrogativa de função também gozam deste 
direito ao duplo grau de jurisdição, através dos recursos previstos no regimento interno 
do STF. 
 
d) Juiz Imparcial 
 
Não se confunde com um juiz neutro. 
 
e) Promotor Natural 
 
O promotor naturalnão está previsto expressamente na CF/88. 
 
f) Obrigatoriedade e Indisponibilidade da Ação Penal Pública 
 
Não cabe o MP fazer juízo de valor sobre denunciar ou não, havendo o crime, deverá 
o órgão acusatório seguir os trâmites legais. 
 
Uma vez ajuizada a ação penal, não pode o MP desistir dela e nem de recurso por 
ventura apresentado. 
 
g) Oficialidade 
 
A persecução penal é guiada por órgãos oficiais. 
 
h) Oficiosidade 
 
Atuar de ofício, sem provocação. 
 
Diante de uma ação penal pública incondicionada, os órgãos oficiais devem agir de 
ofício. 
 
i) Proporcionalidade 
 
j) Intranscendência 
 
A intranscendência penal está prevista na CF/88, já a processual é implícita. 
 
O processo não pode passar da pessoa do condenado. 
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k) Ne bis in idem 
 
Ninguém pode ser processado duas vezes pelo mesmo fato, ainda que se esteja 
inconformado com o resultado do processo. 
 
l) Vedação da Revisão Pro Societate 
 
Apenas o réu pode ajuizar a revisão criminal, ação autônoma de impugnação, visando 
desconstituir uma sentença condenatória transitada em julgado, apresentando provas 
novas ou demonstrando erros ou injustiças ocorridas ao longo do processo. 
 
 
 
ENUNCIADO DAS SÚMULAS: 
 
AMPLA DEFESA - 523, STF: No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade 
absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. 
 
AMPLA DEFESA - 705, STF: A renúncia do réu ao direito de apelação, manifestada 
sem a assistência do defensor, não impede o conhecimento da apelação por este 
interposta. 
 
AMPLA DEFESA - 707, STF: Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado 
para oferecer contrarazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a 
suprindo a nomeação de defensor dativo. 
 
NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO - 522, STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade 
perante autoridade policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa. 
 
4. Aplicação da Lei Processual Penal (Espaço e Tempo) 
 
a) Expaço  Territorialidade (Art. 1º, CPP) 
 
Atividade jurisdicional é um dos aspectos da soberania nacional. 
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Excepcionalmente, há situações em que a lei processual penal de um Estado pode ser 
aplicada fora dos limites territoriais: 
 
- Território Nullius; 
- Quando houver autorização do Estado onde deva ser praticado o ato processual; 
- Em caso de guerra, em território ocupado. 
 
Art. 1o O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este Código, 
ressalvados: 
 
I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional; (Imunidade 
Diplomática e Consular) 
 
II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de 
Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do 
Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, 
§ 2º, e 100); 
 
III - os processos da competência da Justiça Militar; (deveria incluir a Justiça Eleitoral) 
 
IV - os processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 122, no 17); 
 
V - os processos por crimes de imprensa. (Vide ADPF nº 130) 
 
Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos 
incisos IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo 
diverso. 
 
CF, art. 5º, § 4º: O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a 
cuja criação tenha manifestado adesão. 
 
Criado para julgar os chefes de Estado que praticam atos contra a ordem democrática 
ou contra a ordem constitucional. 
 
Outras exceções (pós 1941) : Crimes Eleitorais; Competência Originária dos Tribunais 
– L. 8.038/90; Lei 9.099/95; Crimes Falimentares - L. 11.105/01; Estatuto do Idoso; 
Maria da Penha; Lei de Drogas. 
 
b) Tempo  Imediata Aplicação – Tempus Regit Actum (art. 2º) 
 
Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos 
atos realizados sob a vigência da lei anterior. 
 
Efeitos: 
 
- Os atos processuais praticados sob a vigência da lei anterior são considerados 
válidos; 
 
- As normas processuais têm aplicação imediata, regulando o desenrolar restante do 
Processo. 
 
c) Normas Processuais 
 
- Normas Genuinamente Processuais: Norma pura, aplica-se o art. 2º do CPP. 
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- Normas Processuais Materiais (Mistas ou Híbridas): Versam sobre conteúdo 
processual e sobre conteúdo penal. A estas normas existe uma regência penal, ou 
seja, aplica-se o princípio da irretroatividade da norma penal mais gravosa em seu 
conteúdo material e o princípio da imediatidade de aplicação da norma processual ao 
conteúdo processual. 
 
O que são normas híbridas? 
 
Corrente Restritiva: conteúdo da pretensão punitiva. Direito de queixa ou 
representação, prescrição e decadência, ao perdão, à perempção. 
 
Corrente Ampliativa: condições de procedibilidade, que disciplinem constituição e 
competência dos tribunais, que tratem dos meios de prova e sua eficácia probatória, 
dos graus de recurso, da liberdade condicional, da prisão preventiva, da fiança, das 
modalidades de execução da pena e todas as demais normas que tenham por 
conteúdo matéria que seja direito ou garantia constitucional do cidadão. 
 
 Consequências da Norma Processual Mista 
 
- Se benéfica ao réu: Retroage ou ultra age. 
 
- Se maléfica ao réu: Imediata aplicação. 
 
c.1) Sistemas de Aplicação da Lei Penal no Tempo 
 
Hoje é adotado o sistema de isolamento dos atos processuais, mas existem outros 
sistemas. 
 
 Unidade Processual: Processo regido do início ao fim por uma mesma norma, 
independente de revogação. 
 Fases Processuais: Cada fase do processo é regida por uma norma específica. 
 Isolamento dos Atos Processuais:Um mesmo processo pode ser regido por 
diferentes normas. Adotado pelo Brasil. 
 
c.2) Normas Heterotópicas (Ex: art. 186, CPP – Interrogatório) 
 
Trata-se de uma norma com conteúdo penal, prevista no código de processo penal, ou 
vice-versa. 
 
c.3) Normas sobre Recursos: data da publicação do ato decisório. 
 
Imediata aplicação a partir da data de publicação do ato decisório, ou seja, a lei que 
rege o recurso é aquela da data da publicação da sentença ou do ato decisório, ainda 
que na fluência do prazo o recurso seja extinto por outra norma. 
 
c.4) Normas sobre prisão e liberdade: art. 2º, Lei de Introdução ao CPP: “À prisão 
preventiva e à fiança aplicar-se-ão os dispositivos que forem mais favoráveis”. 
 
Norma híbrida ou mista, se for mais favorável irá retroagir. 
 
d) Interpretação da Lei Processual Penal 
 
Art. 3o A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, 
bem como o suplemento dos princípios gerais de direito. (CPP) 
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Integração da Lei Processual Penal 
 
Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os 
costumes e os princípios gerais de direito. (LINDB) 
 
Costumes – Praeter Leges – Aquele que se coaduna com o ordenamento jurídico. 
 
Interpretação: buscar o efetivo alcance do enunciado normativo. 
 
Classificação: 
 
 
 
 
 Interpretação Extensiva 
 
Observar a norma e perceber o seu alcance normativo, sem precisar se socorrer a 
outras normas. 
 
581, I, CPP: Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: 
I - que não receber a denúncia ou a queixa; (+ ADITAMENTO) 
V - que conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar inidônea a fiança, indeferir 
requerimento de prisão preventiva ou revogá-la, conceder liberdade provisória ou 
relaxar a prisão em flagrante; 
 
As hipóteses de cabimento de recurso em sentido estrito trazidas pelo art. 581 do CPP 
são: 
 
* exaustivas (taxativas); 
* admitem interpretação extensiva 
* não admitem interpretação analógica. 
 
A decisão do juiz que revoga a medida cautelar diversa da prisão de comparecimento 
periódico em juízo (art. 319, I, do CPP) pode ser impugnada por meio de RESE? 
 
SIM, com base na intepretação extensiva do art. 581, V. 
 
O inciso V expressamente permite RESE contra a decisão do juiz que revogar prisão 
preventiva. Esta decisão é similar ao ato de revogar medida cautelar diversa da prisão. 
Logo, permite-se a interpretação extensiva neste caso. 
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Em suma: é cabível recurso em sentido estrito contra decisão que revoga medida 
cautelar diversa da prisão. 
 
STJ. 6ª Turma. REsp 1628262/RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 
13/12/2016 (Info 596). 
 
 Interpretação Analógica 
 
Interpretação analógica: 
 
Art. 80. Será facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem sido 
praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo 
excessivo número de acusados e para não Ihes prolongar a prisão provisória, ou 
por outro motivo relevante, o juiz reputar conveniente a separação. 
 
Art. 185, § 2o Excepcionalmente, o juiz, por decisão fundamentada, de ofício ou a 
requerimento das partes, poderá realizar o interrogatório do réu preso por sistema de 
videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em 
tempo real, desde que a medida seja necessária para atender a uma das seguintes 
finalidades. 
 
 Analogia 
 
É possível a fixação de astreintes em desfavor de terceiros, não participantes do 
processo, pela demora ou não cumprimento de ordem emanada do Juízo Criminal. 
STJ. 3ª Seção. REsp 1.568.445-PR, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Rel. Acd. Min. 
Ribeiro Dantas, julgado em 24/06/2020 (Info 677). 
 
Astreintes: 536 e 537, CPC. (não confundir com multa por litigância de má-fé). 
 
 
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