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INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS 
FARMACÊUTICAS 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Vinícius Bednarczuk de Oliveira 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
 Nesse estudo, abordaremos diversos pontos ligados as Ciências 
Farmacêuticas, como: matriz curricular do curso, contexto histórico, conceitos 
básicos, áreas de atuação, origem dos medicamentos, formas farmacêuticas, 
classes terapêuticas, ética farmacêutica e âmbito profissional. 
 A pesquisa farmacêutica vai além da ciência, sendo um campo estratégico 
na busca por inovações terapêuticas. Nos laboratórios, os minuciosos estudos 
in vitro e os essenciais testes in vivo revelam a complexidade molecular e a 
interação entre fármacos e organismos. É um processo rigoroso de 
experimentação e confirmação, em que cada descoberta molecular representa 
um possível avanço na terapêutica e no cuidado ao paciente. Nessa jornada 
incansável, o farmacêutico desbrava fronteiras em busca de medicamentos mais 
seguros, eficazes e alinhados às necessidades da saúde pública. 
 Nesta etapa, vamos abordar desde as terminologias básicas utilizadas no 
âmbito farmacêutico até o desenvolvimento de um medicamento, abordando a 
pesquisa pré-clínica. Assim, abordaremos os seguintes tópicos: 
 Terminologias básicas; 
 Alopatia e homeopatia; 
 Origem de novos fármacos; 
 Pesquisa farmacêutica; 
 Pesquisa pré-clínica. 
TEMA 1 – TERMINOLOGIAS BÁSICAS DA ÁREA FARMACÊUTICA 
A terminologia farmacêutica compreende um vasto conjunto de termos 
especializados que são essenciais para a prática e entendimento no campo da 
farmácia. Desde definições básicas até conceitos mais complexos, esses termos 
são fundamentais para uma comunicação precisa e eficaz entre profissionais da 
área e para garantir a segurança e eficiência no manuseio de medicamentos e 
produtos farmacêuticos. Entre os termos mais comuns, destacam-se: 
 Fármaco – Uma substância química definida, com propriedades ativas, 
produzindo efeitos terapêuticos; 
 Droga – Qualquer substância que interaja com o organismo produzindo 
algum efeito, seja positivo ou negativo; 
 
 
3 
 Medicamento – Fármaco utilizado com fins terapêuticos ou de 
diagnóstico. Muitas substâncias podem ser consideradas medicamentos 
ou não, depende da finalidade com que são utilizadas; 
 Remédio (re = novamente; medior = curar): qualquer ação que traga 
benefícios para o organismo humano, podendo ser categorizado em três 
divisões: 
o o Químico: substância animal, vegetal, mineral ou sintética com 
finalidade terapêutica; 
o o Físico: são procedimento que envolvam ações físicas como 
ginástica, massagem, acupuntura, banhos, etc. 
o o Psicológico: são ações que envolvam benefícios por um viés 
psicológico, como a fé ou crença; tratamento com psicoterapeuta. 
 Placebo (placeo = agradar): tudo o que é feito com intenção benéfica para 
aliviar o sofrimento: fármaco/medicamento/droga/remédio (em 
concentração pequena ou mesmo na sua ausência. 
 Farmacodinâmica: área que estuda o mecanismo de ação dos fármacos 
no organismo humano. 
 Farmacocinética: área que estuda a absorção, distribuição, metabolização 
e excreção de fármacos no organismo humano. 
 Farmacologia pré-clínica: estuda a eficácia e reações adversas de 
medicamentos (RAM) dos fármacos nos animais (mamíferos). 
 Farmacologia clínica: estuda eficácia e RAM do fármaco no homem 
(voluntário sadio; voluntário doente). 
 Reação adversa a medicamento (RAM): é qualquer resposta prejudicial 
ou indesejável a um medicamento, que ocorre nas doses usualmente 
empregadas no homem para profilaxia (prevenção), diagnóstico, terapia 
da doença ou para a modificação de funções fisiológicas. 
 Farmacognosia (gnósis = conhecimento): estudo das substâncias ativas 
animais, vegetais e minerais no estado natural e suas fontes. 
 Farmacoterapia (assistência farmacêutica): orientação do uso racional de 
medicamentos. 
 Fitoterapia: uso de plantas medicinais e seus derivados vegetais como os 
medicamentos fitoterápicos no tratamento das mais diversas patologias. 
 Farmacotécnica: área que estuda o preparo e conservação do 
medicamento em formas farmacêuticas. 
 
 
4 
 Farmacoepidemiologia: estudo das RAM, do risco/benefício e custo dos 
medicamentos numa população. 
 Farmacovigilância: detecção de RAM, validade, concentração, 
apresentação, eficácia farmacológica, industrialização, comercialização, 
custo, controle de qualidade de medicamentos já aprovados e licenciados 
pelo Ministério da Saúde. 
 ANVISA: Agência Nacional de Vigilância Sanitária, órgão responsável 
pela legislação de medicamentos no Brasil. 
 Drogaria: local de dispensação e comércio de drogas na sua embalagem 
original. 
 Farmácia: local de manipulação de fórmulas magistrais e oficiais, de 
comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, 
compreendendo a dispensação e o atendimento privativo de unidade 
hospitalar ou de qualquer outra equivalente de assistência médica. 
Esses termos formam a base da terminologia farmacêutica, mas o 
espectro é vasto e inclui áreas como a farmacodinâmica e a farmacocinética, 
que estudam os mecanismos de ação dos fármacos no organismo e o 
comportamento desses fármacos no corpo, respectivamente. 
Além disso, há outras áreas importantes, como a farmacologia pré-clínica 
e clínica, que analisam a eficácia e possíveis reações adversas dos 
medicamentos em humanos e animais. A fitoterapia, farmacoepidemiologia, 
farmacovigilância e farmacognosia são áreas igualmente relevantes que 
enriquecem o panorama da prática farmacêutica. 
Esses conceitos são fundamentais para a atuação do farmacêutico, pois 
permitem uma compreensão mais profunda sobre o funcionamento dos 
medicamentos, seu impacto no organismo e a importância de sua utilização 
racional. No curso de Farmácia, essas terminologias são estudadas em 
profundidade, capacitando o profissional para uma prática segura, ética e eficaz 
no cuidado à saúde. 
Um exemplo adicional dessas terminologias é o estudo da maceração, 
decocção e infusão, conceitos cruciais na disciplina de farmacognosia, que 
exploram o preparo de substâncias vegetais para a elaboração de 
medicamentos fitoterápicos. 
Compreender e dominar as terminologias é essencial para uma atuação 
competente e responsável do farmacêutico no cenário da saúde, garantindo o 
 
 
5 
uso adequado dos medicamentos e contribuindo para o bem-estar e segurança 
dos pacientes. 
TEMA 2 – ALOPATIA E HOMEOPATIA 
A alopatia e a homeopatia representam duas abordagens contrastantes 
no campo da medicina, cada uma com suas próprias filosofias, princípios e 
métodos terapêuticos. 
 Alopatia: é a forma convencional de medicina praticada pela maioria dos 
profissionais de saúde no mundo ocidental. Essa abordagem baseia-se 
no princípio de que substâncias que causam sintomas semelhantes aos 
da doença podem ser usadas para tratá-la. Os tratamentos são 
direcionados para aliviar os sintomas específicos da doença, muitas 
vezes utilizando medicamentos que agem de maneira oposta aos 
sintomas apresentados pelo paciente. A alopatia é largamente apoiada 
por evidências científicas e se utiliza de medicamentos sintéticos ou 
substâncias químicas. 
 Homeopatia: por outro lado, a homeopatia é uma abordagem terapêutica 
que se baseia no princípio da "lei dos semelhantes". Segundo esse 
princípio, uma substância que provoca determinados sintomas em uma 
pessoa saudável pode, em doses extremamente diluídas, curar os 
mesmos sintomas em uma pessoa doente. Os medicamentos 
homeopáticos são diluídos repetidamente para atingir níveis 
extremamente baixos de substância ativa. A homeopatia tem como foco 
a pessoa como um todo, buscando identificar e tratar a causa subjacente 
da doença, não apenas seus sintomas. 
Ambas as abordagens têm seus adeptos e críticos. A alopatia é 
amplamente aceita e utilizada na medicina convencional, apoiada por uma vastabase de evidências científicas. Por outro lado, a homeopatia é vista por alguns 
como uma medicina complementar ou alternativa, sendo objeto de debates e 
discussões em termos de eficácia e validade científica. 
A escolha entre alopatia e homeopatia muitas vezes está relacionada à 
preferência pessoal, experiências individuais, e ao tipo de tratamento que um 
paciente busca. Enquanto a alopatia é mais voltada para tratamentos 
sintomáticos, a homeopatia visa uma abordagem holística, considerando não 
 
 
6 
apenas os sintomas, mas também o estado mental, emocional e físico do 
paciente. 
Independentemente da escolha, é importante que o paciente busque 
orientação médica adequada e informada, entendendo os princípios e as 
diferenças entre essas abordagens para tomar decisões conscientes sobre seu 
tratamento e cuidados com a saúde. 
2.1 Princípios da Alopatia e Homeopatia 
Alopatia e homeopatia representam dois sistemas terapêuticos com 
fundamentos e abordagens distintas na prática médica. 
Quadro 1 – Princípios da alopatia e homeopatia 
Alopatia Homeopatia 
Trata os sintomas por meio de 
medicamentos que agem de forma 
oposta aos sinais da doença. 
Baseia-se no princípio da similitude, 
usando substâncias que provocam 
sintomas semelhantes aos da 
doença para tratá-la. 
Utiliza medicamentos geralmente 
derivados de substâncias sintéticas e 
são testados com base em evidências 
científicas. 
Emprega medicamentos altamente 
diluídos, por meio de processos de 
dinamização. 
Foca na supressão dos sintomas para 
alívio imediato e busca direcionar o 
tratamento para os sintomas 
específicos. 
Considera o indivíduo em sua 
totalidade, tratando não apenas os 
sintomas, mas também as causas 
subjacentes da doença. 
A abordagem é mais direcionada para 
o tratamento de doenças agudas e 
crônicas. 
Visa tratar doenças crônicas e 
agudas, considerando aspectos 
físicos, emocionais e mentais do 
paciente. 
Fonte: Vinícius Bednarczuk de Oliveira, 2023. 
O quadro anterior ilustra os princípios fundamentais que norteiam a 
alopatia e a homeopatia, mostrando suas diferenças essenciais na forma como 
encaram e tratam as condições de saúde. Esses sistemas terapêuticos, embora 
distintos, têm sido aplicados na prática médica, despertando debates e 
 
 
7 
discussões sobre sua eficácia e alcance no cuidado aos pacientes. A escolha 
entre esses métodos muitas vezes é baseada nas preferências pessoais do 
paciente, nas condições de saúde e nas respostas individuais a cada tratamento. 
A seguir estão alguns exemplos do emprego desses dois sistemas 
terapêuticos: 
 Alopatia: 
o Analgésicos para dor: a alopatia frequentemente utiliza analgésicos 
convencionais, como o paracetamol ou o ibuprofeno, para aliviar dores, 
como dores de cabeça ou dores musculares. 
o Antibióticos para infecções: em casos de infecções bacterianas, a 
alopatia prescreve antibióticos, como a amoxicilina ou a azitromicina, 
para combater a infecção. 
o Medicamentos anti-hipertensivos: Para controlar a pressão arterial em 
pacientes com hipertensão, são prescritos medicamentos como 
inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou 
bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA). 
 Homeopatia: 
o Arnica montana para contusões: a arnica montana, em forma 
homeopática, é usada para tratar contusões, hematomas e dores 
musculares após traumas físicos. 
o Belladonna para febres altas: Belladonna é um remédio homeopático 
frequentemente usado para febres altas, especialmente em casos de 
febres repentinas e quentes, com pele vermelha. 
o Arsenicum album para distúrbios gastrointestinais: esse medicamento 
homeopático é utilizado para tratar distúrbios gastrointestinais, como 
diarreia ou vômitos, quando há sintomas como fraqueza extrema e 
ansiedade. 
Esses exemplos ilustram diferentes abordagens terapêuticas entre a 
alopatia e a homeopatia. A alopatia utiliza medicamentos que têm o objetivo de 
suprimir ou combater diretamente os sintomas da doença, enquanto a 
homeopatia emprega substâncias altamente diluídas, visando tratar a pessoa 
como um todo, buscando atenuar os sintomas e promover a capacidade natural 
de cura do organismo. 
 
 
 
8 
TEMA 3 – ORIGEM DOS MEDICAMENTOS 
A busca por soluções terapêuticas e curativas tem sido uma constante na 
história da humanidade, impulsionando a descoberta e o desenvolvimento de 
medicamentos. Essas substâncias terapêuticas têm origens diversas e são 
classificadas principalmente em três categorias: medicamentos de origem 
natural, semissintéticos e sintéticos, cada um com particularidades em sua 
obtenção e propriedades terapêuticas. 
3.1 Medicamentos de origem natural 
Os medicamentos de origem natural são obtidos diretamente de fontes 
naturais, incluindo plantas, animais e minerais. A fitoterapia, por exemplo, faz 
uso de plantas medicinais conhecidas por suas propriedades terapêuticas, como 
a valeriana para indução do sono ou a equinácea para fortalecer o sistema 
imunológico. Esses medicamentos preservam os componentes originais da fonte 
natural e, muitas vezes, são utilizados na forma de extratos, tinturas, chás ou 
óleos essenciais. 
Além disso, substâncias como a heparina, um anticoagulante, são 
extraídas do tecido pulmonar de animais, como o porco. Esse tipo de 
medicamento natural, embora possa variar em eficácia dependendo da colheita 
ou produção, possui uma riqueza de compostos ativos que podem fornecer uma 
gama diversificada de efeitos terapêuticos. 
No Quadro 2, são apresentados exemplos de substâncias de origem 
natural e sua ação. 
Quadro 2 – Exemplos de medicamentos de origem natural e sua ação 
Medicamento de 
Origem Natural 
Fonte 
Natural 
Ação Farmacológica 
Morfina Papoula (Papaver 
somniferum) 
Analgésico potente, utilizado 
para alívio de dores intensas, 
como as causadas por câncer ou 
pós-cirúrgicas. 
Artemisinina Artemísia 
(Artemisia annua) 
Antimalárico eficaz no 
tratamento de malária, 
 
 
9 
especialmente contra cepas 
resistentes aos medicamentos 
comuns. 
Quinina Casca de cinchona 
(Cinchona spp.) 
Antiparasitário e febrífugo, 
utilizado no tratamento da 
malária e na redução de febres. 
Digoxina 
(Digitálicos) 
Dedaleira (Digitalis 
purpurea) 
Cardiotônico, usado para tratar 
insuficiência cardíaca 
congestiva e problemas 
cardíacos. 
Paclitaxel (Taxol) Casca do teixo 
(Taxus spp.) 
Agente antineoplásico, utilizado 
no tratamento de vários tipos de 
câncer, como o de mama e 
ovário. 
Ciclosporina Fungo 
(Tolypocladium 
inflatum) 
Imunossupressor, empregado 
para prevenir a rejeição de 
órgãos transplantados e no 
tratamento de doenças 
autoimunes. 
Fonte: Vinícius Bednarczuk de Oliveira, 2023. 
3.2 Medicamentos semissintéticos 
Os medicamentos semissintéticos têm origem em substâncias naturais 
modificadas em laboratório. Uma porção da molécula do composto original é 
alterada, o que resulta em um medicamento com propriedades terapêuticas 
aprimoradas. Um exemplo clássico é a penicilina, inicialmente obtida de fungos 
do gênero Penicillium. Por meio de processos de modificação química, a 
estrutura da penicilina foi alterada, gerando antibióticos mais eficazes e estáveis, 
como a amoxicilina e a ampicilina. 
Esses medicamentos semissintéticos frequentemente conservam 
algumas características benéficas da substância original, enquanto ajustam 
propriedades específicas para atender às necessidades terapêuticas 
contemporâneas. 
No Quadro 3, são apresentados exemplos de substâncias de origem 
semissintética e sua ação. 
 
 
10 
Quadro 3 – Exemplos de medicamentos de origem natural e sua ação 
Medicamento de 
Origem Semissintética 
Fonte Original Ação 
Farmacológica 
Amoxicilina Penicilina natural 
modificada 
Antibiótico usado no 
tratamento de infecções 
bacterianas, como 
infecções urinárias, otites 
e sinusites. 
Morfina Semissintética Morfina naturalmodificada 
Analgésico potente, 
utilizado para alívio de 
dores intensas, como as 
causadas por câncer ou 
pós-cirúrgicas. 
Codeína Semissintética Codeína natural 
modificada 
Analgésico utilizado para 
alívio de dores 
moderadas e para 
supressão de tosse. 
Cefalotina Cefalosporina 
modificada 
Antibiótico 
cefalosporínico utilizado 
no tratamento de 
infecções bacterianas, 
especialmente infecções 
de pele e tecidos moles. 
Fonte: Vinícius Bednarczuk de Oliveira, 2023. 
3.3 Medicamentos sintéticos 
Os medicamentos sintéticos são totalmente produzidos em laboratório, 
sem base em substâncias naturais. São criados a partir de reações químicas 
controladas para formar compostos específicos. O paracetamol, utilizado como 
analgésico e antipirético, e o ibuprofeno, um anti-inflamatório não esteroide, são 
exemplos de medicamentos sintéticos amplamente empregados na prática 
médica. 
 
 
11 
Por não terem origem natural, os medicamentos sintéticos podem ser 
mais facilmente padronizados e controlados em termos de pureza, eficácia e 
efeitos colaterais, o que os torna valiosos na medicina moderna. 
No Quadro 4, são apresentados exemplos de substâncias de origem 
natural e sua ação. 
Quadro 4 – Exemplos de medicamentos de origem sintética e sua ação 
Medicamento de 
Origem Sintética 
Ação Farmacológica 
Paracetamol Analgésico e antipirético, utilizado para alívio de dores 
leves a moderadas e redução de febre. 
Omeprazol Inibidor da bomba de prótons, utilizado no tratamento de 
úlceras gástricas e refluxo gastroesofágico. 
Metformina Hipoglicemiante oral, utilizado no tratamento do diabetes 
tipo 2 para reduzir os níveis de glicose no sangue. 
Ibuprofeno Analgésico, antipirético e anti-inflamatório, usado para 
alívio de dores e inflamações. 
Atorvastatina Estatina usada no tratamento de hipercolesterolemia, 
reduzindo os níveis de colesterol no sangue. 
Sildenafil Vasodilatador usado no tratamento da disfunção erétil, 
aumentando o fluxo sanguíneo para o pênis. 
Fonte: Vinícius Bednarczuk de Oliveira, 2023. 
TEMA 4 – PESQUISA FARMACÊUTICA PARA NOVOS MEDICAMENTOS 
A pesquisa farmacêutica, essencial para o desenvolvimento de novos 
medicamentos, é um processo complexo e multifacetado que abrange diversas 
etapas. Inicialmente, há a fase de descoberta, onde cientistas buscam identificar 
compostos promissores que possam ter potencial terapêutico. Esse estágio pode 
levar anos e envolver uma análise extensiva de moléculas, por vezes milhares 
delas, antes que uma seja escolhida para avançar para as próximas fases. 
Uma vez identificado um composto com potencial, inicia-se a fase de 
desenvolvimento pré-clínico, onde são conduzidos testes in vitro e in vivo para 
avaliar a segurança, eficácia e toxicidade do composto. Esses testes são cruciais 
para garantir a viabilidade do medicamento e podem durar vários anos. 
 
 
12 
Após esses estágios, o composto pode entrar nos ensaios clínicos, que 
compreendem três fases. A Fase 1 envolve testes em um pequeno número de 
voluntários saudáveis para determinar a segurança e a dosagem. A Fase 2 
expande o estudo para um grupo maior de pacientes para avaliar a eficácia e 
possíveis efeitos colaterais. Já a Fase 3 é realizada em um número muito maior 
de pacientes para confirmar a eficácia, monitorar efeitos adversos e determinar 
benefícios comparados a tratamentos existentes. 
Todo esse processo é longo e caro. Estima-se que possa levar em média 
10-15 anos, com custos que podem ultrapassar bilhões de dólares para um único 
medicamento chegar ao mercado. Além disso, a maioria dos medicamentos que 
são testados acaba não sendo aprovada para comercialização, o que aumenta 
ainda mais os custos e a complexidade da pesquisa farmacêutica. 
TEMA 5 – PESQUISA PRÉ-CLÍNICA: IN VIVO E IN VITRO 
A pesquisa pré-clínica é um estágio essencial no desenvolvimento e na 
avaliação de novos medicamentos e tratamentos. Este estágio envolve uma 
série de estudos laboratoriais e experimentos conduzidos em modelos 
biológicos, que são divididos principalmente em dois métodos distintos: in vivo e 
in vitro. 
A pesquisa in vivo compreende estudos realizados em organismos vivos, 
como animais de laboratório, visando compreender como um organismo 
responde a uma substância ou tratamento em um ambiente completo e funcional. 
Esses estudos oferecem uma compreensão mais integral e contextualizada das 
interações entre o organismo e o composto testado, fornecendo informações 
cruciais sobre a eficácia, toxicidade e farmacocinética de um fármaco em um 
sistema biológico complexo. 
Por outro lado, a pesquisa in vitro é conduzida em um ambiente controlado 
de laboratório, utilizando células ou tecidos isolados do organismo, permitindo 
uma análise detalhada e específica dos efeitos de uma substância ou tratamento 
em nível celular ou molecular. Esses estudos são fundamentais para investigar 
mecanismos de ação, avaliar interações e testar a eficácia e segurança de novos 
compostos em condições controladas. 
Ambos os métodos são complementares e desempenham papéis cruciais 
no processo de descoberta e desenvolvimento de medicamentos. Enquanto a 
pesquisa in vivo proporciona uma compreensão mais abrangente do 
 
 
13 
funcionamento do organismo, a in vitro permite estudos mais detalhados e 
específicos a nível celular, estabelecendo uma base sólida para transição aos 
ensaios clínicos e para o posterior uso terapêutico. 
Esses testes pré-clínicos (Figura 1) são fundamentais para garantir a 
segurança e eficácia de um medicamento antes de sua aplicação em ensaios 
clínicos humanos. Fornecem dados valiosos para reduzir o risco de efeitos 
adversos inesperados, aumentar as chances de sucesso na fase clínica e 
otimizar o desenvolvimento de terapias mais seguras e eficazes. Em última 
análise, a pesquisa pré-clínica é um alicerce indispensável para o avanço seguro 
e efetivo da farmacologia e da medicina. 
Figura 1 – Ensaios pré-clínicos realizados na pesquisa de novos medicamentos 
 
Fonte: Vinícius Bednarczuk de Oliveira, 2023. 
A fase pré-clínica é composta por testes em laboratório (em situações 
artificiais e em animais de experimentação) e sua conclusão pode durar anos. A 
fase clínica é composta por quatro fases sucessivas e necessárias para a 
aprovação da nova medicação da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária), no Brasil, pelo FDA (Federal Food and Drug Administration), nos 
Estados Unidos e pelo EMA (European Medicines Agency), para posterior 
liberação e disponibilização para uso geral. 
A pesquisa farmacêutica utiliza uma variedade de métodos para avaliar a 
eficácia, segurança e comportamento dos medicamentos. Entre esses métodos, 
En
sa
io
s 
P
ré
-c
lín
ic
o
s 
Definição da estrutura 
química
Ensaios farmacológicos 
(mecanismo de ação)
Toxicidade
 
 
14 
destacam-se os testes in vitro e in vivo. Os testes in vitro são conduzidos em 
ambientes controlados de laboratório, utilizando células ou tecidos isolados para 
estudar os efeitos de substâncias em nível celular ou molecular. Por outro lado, 
os testes in vivo são realizados em organismos vivos, como animais de 
laboratório, para entender como um organismo responde a um tratamento em 
um contexto mais complexo. Aqui estão exemplos de testes in vitro e in vivo: 
Quadro 5 – Exemplos de testes in vitro e in vivo 
Testes In Vitro Exemplo 
Teste de Citotoxicidade Avaliação do potencial tóxico em células 
Estudo de Metabolismo Análise de como uma substância é 
processada 
Cultura de Células Estudar respostas celulares em diferentes 
meios 
Testes In Vivo Exemplo 
Teste de Toxicidade Avaliação de efeitos tóxicos em animais 
Estudo de Eficácia Verificar se um medicamento funciona em 
animais 
Farmacocinética Analisar a absorção e metabolismo de 
substâncias 
Fonte: Vinícius Bednarczuk de Oliveira, 2023. 
Todas as substâncias para uso médico devem ter uma indicaçãoespecífica, em função de seu efeito biológico desejado para o qual se elabora 
um ensaio clínico. Um novo produto só é levado à experimentação em seres 
humanos depois de conhecidos seus aspectos químicos, farmacológicos, 
mecanismos de ação e toxicidade em provas pré-clínicas, in vitro ou em modelos 
experimentais quando disponíveis. O desenho do protocolo clínico e a 
documentação dos estudos devem seguir as recomendações dos órgãos 
normativos e de vigilância de medicamentos do país, para que os resultados 
possam ser considerados válidos para aprovação do produto. 
NA PRÁTICA 
1. Novos medicamentos sempre estão sendo desenvolvidos, e a ANVISA é 
a agência responsável pela regulação destes medicamentos no Brasil. 
 
 
15 
Entre no site da ANVISA e procure no site quais medicamentos estão em 
fase de desenvolvimento e para qual finalidade este futuro medicamento 
poderá ser utilizado. No site abaixo, clique na situação autorizados e em 
ok. Disponível em: 
. Acesso em: 27 nov. 2023. 
2. No portal da ANVISA são postadas as notificações de farmacovigilância, 
entre no site e veja as últimas três notificações e qual o motivo que levou 
a inclusão destes alertas. Disponível em: 
. Acesso em: 27 nov. 2023. 
FINALIZANDO 
Neste material, vimos a importância da pesquisa farmacêutica, ao qual 
emergem aspectos cruciais que fundamentam o desenvolvimento de novos 
tratamentos. Os testes in vitro e in vivo representam pilares distintos e essenciais 
neste processo. A pesquisa in vitro, realizada em ambientes controlados de 
laboratório, oferece uma análise detalhada do comportamento de substâncias a 
nível celular, permitindo a compreensão dos mecanismos de ação e interações 
moleculares. Por outro lado, os estudos in vivo apresentam um olhar mais 
abrangente, permitindo avaliar o comportamento das substâncias em 
organismos vivos, possibilitando a compreensão dos efeitos sistêmicos e 
interações complexas em contextos biológicos reais. 
Essas etapas representam não apenas fases isoladas, mas elementos 
vitais na validação e compreensão dos potenciais terapêuticos de novas 
substâncias. São os pilares do desenvolvimento farmacêutico, respaldando não 
somente a descoberta, mas também a segurança e a eficácia dos 
medicamentos. A pesquisa farmacêutica, permeada pela meticulosidade técnica 
e pelo comprometimento científico, delineia uma trilha promissora para avanços 
na saúde, na qual cada avanço é uma contribuição tangível para terapias mais 
aprimoradas e confiáveis. 
 
 
 
 
 
 
 
16 
 
 
 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
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2015. 
BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução n. 586, de 29 de agosto de 
2013. Regula a prescrição farmacêutica e dá outras providências. Diário Oficial 
da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 26 set. 2013. Seção 1, p.136-8. 
CARNEIRO, A. V. Como avaliar a investigação clínica. O exemplo da avaliação 
crítica de um ensaio clínico. Jornal Português de Gastrenterologia, v. 15, n. 1, 
p. 30-36, 2008. 
CIPOLLE, R. J.; STRAND, L. M.; MORLEY, P. C. O exercício do cuidado 
farmacêutico. Brasília: Conselho Federal de Farmácia, 2006. 
DE CARVALHO, A. P. V.; SILVA, V.; GRANDE, A. J. Avaliação do risco de viés 
de ensaios clínicos randomizados pela ferramenta da colaboração 
Cochrane. Revista Diagnóstico e Tratamento, v. 18, n. 1, p. 38-44, 2013. 
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