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APG - S16P1 
1. Estudar a embriogênese do trato digestório 
1. Origem Embrionária 
O trato digestório se origina principalmente do endoderma, uma das três camadas germinativas 
formadas na gástrula. 
 • Endoderma: reveste o interior do tubo digestivo e forma o epitélio da mucosa gastrointestinal 
(GI). 
 • Mesoderma esplâncnico: dá origem aos músculos lisos, tecido conjuntivo e vasos sanguíneos 
do tubo. 
 • Ectoderma: contribui para porções extremas (boca e ânus) e estruturas nervosas. 
2. Formação do Intestino Primitivo 
O intestino primitivo se forma durante o dobramento do embrião (3ª-4ª semana) e se divide em três 
partes: 
➤ Intestino Anterior 
 • Origem: porção cefálica do tubo. 
 • Dá origem à: faringe, esôfago, estômago, duodeno proximal, fígado, pâncreas, vesícula biliar. 
 • Irrigado por: tronco celíaco. 
➤ Intestino Médio 
 • Origem: porção média do tubo. 
 • Dá origem à: duodeno distal, jejuno, íleo, ceco, apêndice, cólon ascendente e parte do 
transverso. 
 • Irrigado por: artéria mesentérica superior. 
➤ Intestino Posterior 
 • Origem: porção caudal do tubo. 
 • Dá origem à: cólon transverso distal, cólon descendente, sigmoide, reto e parte superior do 
canal anal. 
 • Irrigado por: artéria mesentérica inferior. 
3. Formação da Boca e Ânus 
 • Estomodeu (ectodérmico): origina a boca. 
 • Proctodeu (ectodérmico): origina a porção terminal do ânus. 
 • As membranas bucofaríngea (cranial) e cloacal (caudal) rompem-se para permitir 
comunicação com o meio externo. 
4. Diferenciação de Estruturas Específicas 
● Esôfago 
 • Inicialmente curto; alonga-se com o crescimento do pescoço. 
 • Epitélio endodérmico → substituído por epitélio estratificado. 
 • Músculo esquelético (proximal) e músculo liso (distal) vêm do mesoderma. 
● Estômago 
 • Surge como dilatação do intestino anterior. 
 • Gira 90° no sentido horário (eixo longitudinal), definindo curvatura maior (esquerda) e 
menor (direita). 
● Duodeno 
 • Origem: intestino anterior e médio. 
 • Gira em forma de C e fica retroperitoneal. 
 • Revestido por epitélio endodérmico. 
5. Derivados Endodérmicos Importantes 
 Fígado e Vesícula Biliar 
 • Surgem do broto hepático, no intestino anterior. 
 • Crescem em direção ao septo transverso (mesoderma → diafragma). 
 • Canal colédoco se forma e brota a vesícula biliar. 
 Pâncreas 
 • Origem: dois brotos (ventral e dorsal). 
 • Se fundem com a rotação do duodeno. 
 • Forma cabeça, corpo e cauda pancreática. 
6. Hérnia Fisiológica e Rotação Intestinal 
 • Durante a 6ª semana, o intestino médio se projeta para o cordão umbilical (hérnia 
fisiológica). 
 • Entre a 10ª e a 12ª semana, o intestino retorna para o abdome e faz rotação de 270° no 
sentido anti-horário em torno da artéria mesentérica superior. 
 • Define a posição final de cólons, jejuno e íleo. 
7. Canal Anal 
 • Porção superior: origem endodérmica (intestino posterior). 
 • Porção inferior: origem ectodérmica (proctodeu). 
 • Linha pectínea marca essa transição embriológica (relevante anatomicamente e clinicamente: 
inervação, vascularização e epitélio são diferentes acima e abaixo dela). 
8. Anomalias Comuns 
 • Atresias e estenoses (esôfago, duodeno): falhas na recanalização. 
 • Onfalocele e hérnia umbilical: falha no retorno ou fechamento da parede abdominal. 
 • Mal-rotação intestinal: rotação incompleta ou reversa do intestino médio. 
 • Fístula traqueoesofágica: falha na separação do esôfago e traqueia. 
 • Doença de Hirschsprung: ausência de gânglios nervosos na parede intestinal distal (problema 
na migração de células da crista neural). 
2. Discutir a formação e classificação das fissuras labiopalatinas 
1. Formação Normal do Lábio Superior e Palato 
A fusão das estruturas faciais ocorre entre a 4ª e a 12ª semana de gestação. A não fusão adequada de 
alguns desses processos pode causar as fissuras labiopalatinas. 
 Lábio superior: 
 • Formado pela fusão do processo maxilar (bilateral) com o processo nasal medial. 
 • Ocorre entre a 4ª e 6ª semana. 
 Palato: 
 • Palato primário: 
 • Deriva do processo intermaxilar (origem: processos nasais mediais). 
 • Forma a parte anterior do palato (até os incisivos centrais). 
 • Palato secundário: 
 • Formado pelos processos palatinos laterais (extensões dos processos maxilares). 
 • Elevam-se, aproximam-se e se fundem na linha média, entre a 7ª e 12ª semanas. 
 • Também se fundem com o sétimo ponto importante: o septum nasal (parte do teto da 
cavidade nasal). 
 Qualquer falha nesse processo de fusão pode resultar em uma fissura. 
 2. Formação das Fissuras Labiopalatinas 
As fissuras surgem por falhas na fusão entre os processos faciais embrionários, geralmente causadas 
por fatores genéticos, ambientais ou multifatoriais. 
 • Fissura labial: falha entre o processo maxilar e o nasal medial. 
 • Fissura palatina: falha entre os processos palatinos laterais ou entre eles e o septo 
nasal/processo intermaxilar. 
 • Pode ocorrer isoladamente ou em combinação. 
 3. Classificação das Fissuras Labiopalatinas 
As fissuras podem ser classificadas quanto a: 
 A) Extensão 
 • Incompletas: não atingem toda a estrutura. 
 • Completas: envolvem toda a extensão até a base do nariz ou até a úvula. 
 B) Localização 
 • Fissura labial unilateral (direita ou esquerda). 
 • Fissura labial bilateral. 
 • Fissura palatina isolada. 
 • Fissura labiopalatina: afeta lábio e palato simultaneamente. 
 C) Lado afetado 
 • Unilateral (mais comum do lado esquerdo). 
 • Bilateral. 
 • Mediana (rara; associada a anomalias graves como holoprosencefalia). 
 4. Importância Clínica e Embriológica 
 • A fissura do palato primário afeta a parte anterior ao forame incisivo. 
 • A fissura do palato secundário envolve estruturas posteriores a esse ponto. 
 • A fissura completa envolve o lábio, alvéolo dentário e palato. 
 • Frequentemente associadas a outras síndromes (ex: síndrome de Pierre Robin, síndrome de 
Van der Woude). 
3. Entender a anatomia e fisiologia do trato digestório alto 
1. Estruturas do Trato Digestório Alto 
O trato digestório alto compreende: 
 • Boca 
 • Faringe 
 • Esôfago 
 • Estômago 
Essas estruturas são responsáveis pelas etapas iniciais da digestão: ingestão, trituração, propulsão e 
digestão química inicial. 
 2. BOCA (Cavidade Oral) 
 Anatomia: 
 • Delimitada pelos lábios (anteriormente), bochechas (lateralmente), palato (superiormente), 
língua (inferiormente). 
 • Contém dentes, língua, glândulas salivares e abertura para a faringe. 
 • Palato duro (ósseo) e palato mole (posterior, com úvula). 
 • Revestida por epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado. 
 Fisiologia: 
 • Início da digestão mecânica: mastigação (dentes + músculos da mastigação). 
 • Digestão química inicial: 
 • Saliva contém amilase salivar (ptialina) que inicia digestão de amido. 
 • Lubrificação do alimento. 
 • Deglutição voluntária: formação do bolo alimentar e direcionamento à faringe. 
 3. LÍNGUA 
 Anatomia: 
 • Músculo esquelético revestido por mucosa. 
 • Contém papilas gustativas (fungiformes, filiformes, circunvaladas). 
 • Dividida em raiz, corpo e ápice. 
 Fisiologia: 
 • Ajuda na mastigação, deglutição e fonação. 
 • Papilas gustativas → percepção dos sabores. 
 • Mistura alimentos com saliva → formação do bolo alimentar. 
 4. GLÂNDULAS SALIVARES 
 Principais glândulas: 
 • Parótidas (posterior à mandíbula): amilase salivar. 
 • Submandibulares: mista (muco + enzimas). 
 • Sublinguais: secreção predominantemente mucosa. 
 Fisiologia: 
 • Produzem cerca de 1 a 1,5 L de saliva por dia. 
 • Funções: 
 • Início da digestão (amilase). 
 • Lubrificação. 
 • Defesa (lisozima, IgA). 
 • Manutenção do pH bucal. 
 5. FARINGE 
 Anatomia: 
 • Comum aos sistemas digestivo e respiratório. 
 • Divide-se em: nasofaringe, orofaringe e laringofaringe. 
 • Conecta a cavidade oral ao esôfago. 
 Fisiologia: 
 • Participa da fase faríngea da deglutição (involuntária):• Fechamento da nasofaringe e da laringe para evitar aspiração. 
 • Propulsão do bolo para o esôfago com ajuda da contração muscular. 
 6. ESÔFAGO 
 Anatomia: 
 • Tubo muscular de cerca de 25 cm, estendendo-se da faringe até o estômago. 
 • Passa atrás da traqueia e através do hiato esofágico no diafragma. 
 • Camadas: 
 • Mucosa 
 • Submucosa 
 • Muscular (terço superior: músculo esquelético; inferior: liso) 
 • Adventícia 
 • Tem dois esfíncteres fisiológicos: 
 • EES (esfíncter esofágico superior): impede entrada de ar. 
 • EEI (esfíncter esofágico inferior): previne refluxo gástrico. 
 Fisiologia: 
 • Deglutição esofágica (fase involuntária): 
 • Peristaltismo primário e secundário empurram o bolo até o estômago. 
 • Relaxamento coordenado do EEI permite entrada do bolo. 
 7. ESTÔMAGO 
 Anatomia: 
 • Dividido em: 
 • Cárdia: região próxima ao esôfago. 
 • Fundo gástrico: porção superior. 
 • Corpo: principal região secretora. 
 • Antro pilórico e piloro: regula esvaziamento gástrico. 
 • Camadas musculares: 
 • Longitudinal 
 • Circular 
 • Oblíqua (única no trato GI) 
 • Mucosa rica em glândulas e pregas (rugae). 
 Fisiologia: 
 • Armazenamento: capacidade de até 1,5-2 L. 
 • Digestão mecânica: mistura e trituração (retropulsão). 
 • Digestão química: 
 • Ácido clorídrico (HCl): ativa pepsinogênio → pepsina, desnatura proteínas. 
 • Pepsina: digestão inicial de proteínas. 
 • Muco: proteção contra o HCl. 
 • Fator intrínseco: absorção de vitamina B12 no íleo. 
 • Regulação por: 
 • Sistema nervoso (vago) 
 • Hormônios: gastrina, histamina, somatostatina

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