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Caro aluno Ao elaborar o seu material inovador, completo e moderno, o Hexag considerou como principal diferencial sua exclusiva metodologia em período integral, com aulas e Estudo Orientado (E.O.), e seu plantão de dúvidas personalizado. O material didático é composto por 6 cadernos de aula e 98 livros, totali- zando uma coleção com 104 exemplares. O conteúdo dos livros é organizado por aulas temáticas. Cada assunto contém uma rica teoria que contempla, de forma objetiva e transversal, as reais necessidades dos alunos, dispensando qualquer tipo de material alternativo complementar. Para melhorar a aprendizagem, as aulas possuem seções específicas com determinadas finalidades. A seguir, apresentamos cada seção: De forma simples, resumida e dinâmica, essa seção foi desen- volvida para sinalizar os assuntos mais abordados no Enem e nos principais vestibulares voltados para o curso de Medicina em todo o território nacional. INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS Todo o desenvolvimento dos conteúdos teóricos de cada co- leção tem como principal objetivo apoiar o aluno na resolu- ção das questões propostas. Os textos dos livros são de fácil compreensão, completos e organizados. Além disso, contam com imagens ilustrativas que complementam as explicações dadas em sala de aula. Quadros, mapas e organogramas, em cores nítidas, também são usados e compõem um conjunto abrangente de informações para o aluno que vai se dedicar à rotina intensa de estudos. TEORIA No decorrer das teorias apresentadas, oferecemos uma cui- dadosa seleção de conteúdos multimídia para complementar o repertório do aluno, apresentada em boxes para facilitar a compreensão, com indicação de vídeos, sites, filmes, músicas, livros, etc. Tudo isso é encontrado em subcategorias que fa- cilitam o aprofundamento nos temas estudados – há obras de arte, poemas, imagens, artigos e até sugestões de aplicati- vos que facilitam os estudos, com conteúdos essenciais para ampliar as habilidades de análise e reflexão crítica, em uma seleção realizada com finos critérios para apurar ainda mais o conhecimento do nosso aluno. MULTIMÍDIA Atento às constantes mudanças dos grandes vestibulares, é elaborada, a cada aula e sempre que possível, uma seção que trata de interdisciplinaridade. As questões dos vestibulares atuais não exigem mais dos candidatos apenas o puro co- nhecimento dos conteúdos de cada área, de cada disciplina. Atualmente há muitas perguntas interdisciplinares que abran- gem conteúdos de diferentes áreas em uma mesma questão, como Biologia e Química, História e Geografia, Biologia e Ma- temática, entre outras. Nesse espaço, o aluno inicia o contato com essa realidade por meio de explicações que relacionam a aula do dia com aulas de outras disciplinas e conteúdos de outros livros, sempre utilizando temas da atualidade. Assim, o aluno consegue entender que cada disciplina não existe de forma isolada, mas faz parte de uma grande engrenagem no mundo em que ele vive. CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS Um dos grandes problemas do conhecimento acadêmico é o seu distanciamento da realidade cotidiana, o que difi- culta a compreensão de determinados conceitos e impede o aprofundamento nos temas para além da superficial me- morização de fórmulas ou regras. Para evitar bloqueios na aprendizagem dos conteúdos, foi desenvolvida a seção “Vi- venciando“. Como o próprio nome já aponta, há uma preo- cupação em levar aos nossos alunos a clareza das relações entre aquilo que eles aprendem e aquilo com que eles têm contato em seu dia a dia. VIVENCIANDO Essa seção foi desenvolvida com foco nas disciplinas que fa- zem parte das Ciências da Natureza e da Matemática. Nos compilados, deparamos-nos com modelos de exercícios re- solvidos e comentados, fazendo com que aquilo que pareça abstrato e de difícil compreensão torne-se mais acessível e de bom entendimento aos olhos do aluno. Por meio dessas resoluções, é possível rever, a qualquer momento, as explica- ções dadas em sala de aula. APLICAÇÃO DO CONTEÚDO Sabendo que o Enem tem o objetivo de avaliar o desem- penho ao fim da escolaridade básica, organizamos essa seção para que o aluno conheça as diversas habilidades e competências abordadas na prova. Os livros da “Coleção Vestibulares de Medicina” contêm, a cada aula, algumas dessas habilidades. No compilado “Áreas de Conhecimento do Enem” há modelos de exercícios que não são apenas resolvidos, mas também analisados de maneira expositiva e descritos passo a passo à luz das habilidades estudadas no dia. Esse recurso constrói para o estudante um roteiro para ajudá-lo a apurar as questões na prática, a identificá-las na prova e a resolvê-las com tranquilidade. ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM Cada pessoa tem sua própria forma de aprendizado. Por isso, criamos para os nossos alunos o máximo de recursos para orientá-los em suas trajetórias. Um deles é o ”Diagrama de Ideias”, para aqueles que aprendem visualmente os conte- údos e processos por meio de esquemas cognitivos, mapas mentais e fluxogramas. Além disso, esse compilado é um resumo de todo o conteúdo da aula. Por meio dele, pode-se fazer uma rápida consulta aos principais conteúdos ensinados no dia, o que facilita a organização dos estudos e até a resolução dos exercícios. DIAGRAMA DE IDEIAS © Hexag SiStema de enSino, 2018 Direitos desta edição: Hexag Sistema de Ensino, São Paulo, 2023 Todos os direitos reservados. Coordenador-geral Murilo Almeida Gonçalves reSponSabilidade editorial, programação viSual, reviSão e peSquiSa iConográfiCa Hexag Editora editoração eletrôniCa Letícia de Brito Matheus Franco da Silveira projeto gráfiCo e Capa Raphael de Souza Motta imagenS Freepik (https://www.freepik.com) Shutterstock (https://www.shutterstock.com) Pixabay (https://www.pixabay.com) iSbn 978-85-9542-269-8 Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, tendo por fim único e exclusivo o ensino. Caso exista algum texto a respeito do qual seja necessária a in- clusão de informação adicional, ficamos à disposição para o contato pertinente. Do mesmo modo, fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre as imagens pu- blicadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições. O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra é usado apenas para fins didáticos, não repre- sentando qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora. 2023 Todos os direitos reservados para Hexag Sistema de Ensino. Rua Luís Góis, 853 – Mirandópolis – São Paulo – SP CEP: 04043-300 Telefone: (11) 3259-5005 www.hexag.com.br contato@hexag.com.br ENTRE LETRAS GRAMÁTICA 5 AULAS 27 E 28: PERÍODO COMPOSTO: ORAÇÕES COORDENADAS E SUBORDINADAS ADJETIVAS 007 AULAS 29 E 30: PERÍODO COMPOSTO: ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS 010 AULAS 31 E 32: PERÍODO COMPOSTO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS 012 AULAS 33 E 34: COLOCAÇÃO PRONOMINAL 014 LITERATURA 17 AULAS 27 E 28: PRÉ-MODERNISMO 019 AULAS 29 E 30: TEORIA DA VANGUARDA 026 AULAS 31 E 32: MODERNISMO PORTUGUÊS I 038 AULAS 33 E 34: MODERNISMO PORTUGUÊS II 044 SUMÁRIO Co m pe tê n Ci a 1 Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida. H1 Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação. H2 Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais. H3 Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas. H4 Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação. Co m pe tê n Ci a 2 Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) como instrumento de acesso a informações e a outras culturas e grupos sociais. H5 Associarque exigem a dedi- cação total do artista à realidade, mesmo que o primeiro a resolva no plano do conhecimento e o segundo, no pla- no da ação” (Arte moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1993. p. 227). Dentre os principais fundamentos do Expressionismo, des- tacam-se: § A arte não é imitação, mas criação subjetiva, livre. A arte é expressão dos sentimentos. § A realidade que circunda o artista é horrível; por isso, ele a deforma ou a elimina, criando a arte abstrata. § A razão é objeto de descrédito. § A arte é criada sem obstáculos convencionais; repre- senta repúdio à repressão social. § A intimidade e a vivência da dor derivam do sentido trágico da vida e causam uma deformação significativa, torturada. § A arte desvincula-se do conceito de belo e feio e torna- -se uma forma de contestação. As características da literatura expressionista são mani- festadas por: § linguagem fragmentada, elíptica, frases nominais sem sujeito, aglomeração de substantivos e adjetivos; § despreocupação com a organização do poema em es- trofes, rimas ou musicalidade; e § temas voltados para o combate à fome, à inércia e aos valores do mundo burguês. Dentre os artistas ligados ao Expressionismo, destacam- -se: Kandinsky, Paul Klee, Chagall, Munch, na pintura; Erich Mendelsohn, na arquitetura; August Stramm, Ka- simir Edschmid e, mais tarde, Hermann Hesse e Thomas Mann, na literatura; Kayser e Brecht (fase inicial), no teatro, Schoenberg, na música; e Wiene, no cinema. Leia abaixo um fragmento do poema expressionista O meu tempo, do poeta alemão Wilhelm Klemm. Observe como a aglomeração de frases nominais realçam a externalização das sensações do poeta: Cantos e metrópoles, lavinas febris, Terras descoradas, polos sem glória, Miséria, heróis e mulheres da escória, 30 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 Sobrolhos espectrais, tumulto em carris. Soam ventoinhas em nuvens perdidas. Os livros são bruxas. Povos desconexos. A alma reduz-se a mínimos complexos. A arte está morta. As horas reduzidas. (apud lúcia Helena. MoviMentos da vanguarda europeia são paulo: scipione, 1993. p. 33.) 2.4. Dadaísmo 2.4.1. A antiarte Durante a Primeira Guerra Mundial, a Suíça, que tinha se mantido neutra no conflito, recebeu em Zurique artistas e intelectuais de todos os pontos da Europa. Esses “fugidos da guerra” reuniam-se no “Cabaret Voltaire”, ponto de encon- tro e espaço cultural no qual nasceu o movimento dadaísta. Criado a partir do clima de instabilidade, medo e revolta provocados pela guerra, o movimento dadá pretendia ser uma resposta à nítida decadência da civilização represen- tada pelo conflito. Dessa postura, provêm a irreverência, o deboche, a agressividade e o ilogismo dos textos e mani- festações dadaístas. le violon d’ingres. Man raY. 1924. O que significa dadá? Segundo Tristan Tzara, líder dadaísta, a palavra dadá não significa nada: “Encontrei o nome casualmente ao meter uma es- pátula num tomo fechado do Petit Larousse. Ao abrir o livro, a primeira linha que me saltou à vista foi DADÁ.” Um fragmento do “Manifesto do Senhor Antipirina” da primeira exposição pública do pensamento dadaísta dizia: “Dadá permanece no quadro europeu das fraquezas, no fundo é tudo merda, mas nós queremos doravante cagar em cores diferentes para ornar o jardim zoológi- co da arte de todas as bandeiras dos consulados”. Para os dadás, com a Europa banhada em sangue, o cultivo da arte não passava de hipocrisia e presunção. Em razão disso, adotaram procedimentos que tinham em vista ridi- cularizá-la, agredi-la, destruí-la. Foram muitas as atitudes demolidoras dos artistas dada- ístas a partir de 1916: noitadas em que predominavam palhaçadas, declamações absurdas, exposições inusitadas, além de espetáculos relâmpagos que faziam de improviso nas ruas, em meio a urros, vaias, gritos, palavrões e à total incompreensão da plateia. O Dadaísmo suíço produziu um pequeno acervo de obras artísticas, mas o movimento foi reforçado pelas montagens e colagens de Max Ernst e Hans Arp, e pela técnica do ready-made desenvolvida por Marcel Duchamp, que satiri- za o mito mercantilista da civilização capitalista. Essa téc- nica consiste em extrair um objeto do seu uso cotidiano e, sem alguma ou com pequenas alterações, atribuir-lhe um valor. Ficaram famosos certos objetos, como um urinol de porcelana, uma roda de bicicleta enxertada numa cadeira, um rolo de corda, uma ampola de vidro, um suporte para garrafa, todos elevados por Duchamp à condição de objetos de arte. Na literatura, o Dadaísmo caracteriza-se pela agressivi- dade, improvisação, desordem, rejeição a todo tipo de ra- cionalização e equilíbrio, bem como pela livre associação de palavras – técnica da “escrita automática”, mais tarde aproveitada pelo Surrealismo – e pela invenção de pala- vras com base na exploração de seu significante. Este poe- ma fonético Die Schlacht (A batalha), de Ludwig Kassak, é um bom exemplo dessas propostas: urinol de porcelana. ducHaMp. LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 31 V O LU M E 4 Berr... bum, bumbum, bum... Ssi... bum, papapa bum, bumm Zazzau... Dum, bum, bumbumbum Prã, prà, prã... ra, hã-hã, aa... Hahol... A poesia sonora e o Dadaísmo A poesia sonora, composta de sons apenas, sem palavras, nasceu com os dadaístas no começo do século XX. Depois de oitenta anos desaparecida, re- nasceu na década de 1990 entre poetas brasileiros e portugueses. Em agosto de 2000, foi realizado em São Paulo o Ciclo Internacional de Poesia Experi- mental Sonora. Francis Picabia, Philippe Soupault e André Breton des- tacaram-se como dadaístas. De orientação anarquista e niilista sem um programa de arte, o movimento não teve longa duração. Tristan Tzara e André Breton desentende- ram-se. Como o fim da guerra, era hora de reconstruir o que fora demolido: a Europa e a arte. Tzara insistia em manter a linha original do movimento. Breton rompeu com o Dadaísmo e abandonou o grupo para criar o mo- vimento surrealista, uma das mais importantes correntes artísticas do século XX. 2.5. Surrealismo 2.5.1. O combate à razão Nascido na França, o movimento surrealista apareceu com a publicação do “Manifesto do Surrealismo” (1924), de André Breton. Interessados nas propostas de Breton, que, psicana- lista, procurava unir arte e psicanálise, diversos pintores ade- riram ao movimento, que optou por experiências criadoras automáticas e pelo imaginário extraído do sonho como linhas de atuação. Freud, na psicanálise, e Bergson, na filosofia, já haviam destacado a importância do mundo interior do ser humano, as zonas pouco ou propriamente desconhecidas da mente humana. Encaravam o inconsciente, o subconsciente e a intuição como fontes inesgotá- veis e superiores de conhecimento humano, legando a segundo plano o pensamento sensível, racional e consciente. O automatismo artístico consiste em extravasar sem controle algum da razão ou do pensamento os impulsos criadores do subconsciente. Ao proceder assim, o artista leva para a tela ou para o papel seus desejos interiores profundos sem se importar com coerência, significados, adequação etc. Na literatura, esse procedimento recebeu o nome de escrita automática. Outra linha de atuação surrealista, a onírica, busca a trans- posição do universo dos sonhos para o plano artístico. o surrealisMo. Max ernst. A necessidade da arte – Ernst Fisher Muito utilizada na disciplina História da Arte, nos cursos de História, Turismo e Design, a nona edição brasileira dessa excelente obra concebe a arte como substituto da vida, como uma forma de colocar o homem em estado de equilíbrio. multimídia: livro Na concepção freudiana, o sonho é a manifestação das zo- nas ocultas da mente, do inconsciente e do subconsciente. Os surrealistas pretendiam criar uma arte livre da razão, que correspondesse à transferência direta das imagens ar- tísticas do inconsciente para a tela ou para o papel, uma arte produzidanum estado de consciência em que o artista estaria “sonhando acordado”. Nessas duas linhas de pesquisa e trabalho predominam o ilogismo, o devaneio, o sonho, a loucura, a hipnose, o humor negro, as imagens surpreendentes, o impacto do inusitado, a livre expressão dos impulsos sexuais, etc. O Surrealismo teve repercussão na literatura, com André Breton, Louis Aragon, Antonin Artaud; nas artes plásticas, com Salvador Dali, Max Ernst, Joan Miró, Jean Harp; no cinema, com o cineasta espanhol Luis Buñuel. 32 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 A bela da tarde Esse é o titulo de um filme de Luis Buñel, premiado no Festival de Veneza, em 1967, cuja protagonista é Catherine Deneuve. Trata-se de um debate sobre a relação entre repressão sexual rígida e moral burguesa. O filme narra as aventuras amorosas de Séverine, uma jovem rica e infeliz no casamento, que busca realizar suas fantasias num discreto bordel da cidade. cena do FilMe a bela da tarde. Outros critérios – Leo Steinberg Os treze ensaios escritos entre 1955 e 1972 do crítico novaiorquino Leo Steinberg, reunidos nessa obra e pre- faciados pelo autor especialmente para essa edição, tra- zem uma contribuição singular aos estudos sobre artes moderna e contemporânea. Um dos renovadores da crítica de arte, Steinberg mis- tura a visão do scholar à do crítico militante, em uma vibrante vocação interpretativa. Com uma leitura crítica (ou autocrítica), vinculada aos problemas da história da arte moderna, ele estabelece o que seria a tarefa histó- rica da crítica, do meio do convívio com as obras. multimídia: livro Vanguarda europeia e Modernismo brasileiro – Gilberto Mendonça Teles Nick Hart é um artista estadunidense que se esforça, que vive entre a comunidade de expatriados na dé- cada de 1920, em Paris. Ele passa a maior parte do tempo bebendo e socializando-se nos cafés locais e irritando o dono da galeria Libby Valentin para vender suas pinturas. Envolve-se em uma trama da rica patro- na de arte Nathalie de Ville para forjar três pinturas. Isso leva a vários episódios com o magnata da borra- cha estadunidense Bertram Stone, que se casou com a ex-esposa de Hart, Rachel. multimídia: livro LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 33 V O LU M E 4 VIVENCIANDO Conhecer sobre arte é conhecer o próprio ser humano. Quem interpreta o mundo sob a óptica da arte tem mais noção crítica sobre quem é e o que está fazendo no mundo. Noções estéticas em mimeses com a realidade dão dimensão e clareza do mundo, fazem sujeitos críticos afastados do mal da alienação e da massa de manobra. Os movimentos artísticos do início do século XX registram o processo de fragmentação do sujeito que a violência das guerras e da busca irremediável por poder e dinheiro trouxe ao mundo pós-industrialização. o cavalo azul. Franz Marc. 1911. casas d’estaque. george braque. 1908 quadro i. piet Mondrian. 1921 estado de espírito ii. uMberto boccioni. 1911. a persistência da MeMória. salvador dali. 1931 34 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 VIVENCIANDO Mesa posta ou HarMonia eM verMelHos. Henri Matisse. 1908. Fonte: Youtube Nós que aqui estamos por vós esperamos Um filme documentário/cinema memória de Marcelo Masagão, de 1999, sobre o século XX, a partir de uma poética e criativa linguagem de montagem de recortes biográficos reais e ficcionais (como fotografias, filmes clássicos e outros tipos de registros audiovisuais) de pequenos e grandes personagens que viveram no sé- culo passado, de forma a resumir e definir o espírito dessa época. multimídia: vídeo Fonte: Youtube O discreto charme da burguesia Um embaixador rico (Fernando Rey) e um grupo de amigos burgueses se reúnem para jantar, mas a anfitriã (Stéphane Audran) estava esperando por eles em uma noite diferente. O grupo, então, tenta jantar em um res- taurante, só para encontrar os garçons de luto pela mor- te repentina de seu gerente. Logo fica claro que o grupo sofisticado está fadado a ter a sua refeição interrompida por ocorrências cada vez mais bizarras. multimídia: vídeo LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 35 V O LU M E 4 Fonte: Youtube Meia-noite em Paris Gil (Owen Wilson) sempre idolatrou os grandes escri- tores estadunidenses e sonhou ser como eles. A vida o levou a trabalhar como roteirista em Hollywood, o que fez com que fosse muito bem remunerado, mas que também lhe rendesse uma boa dose de frustração. Ago- ra, ele está prestes a ir a Paris ao lado de sua noiva, Inez (Rachel McAdams), e dos pais dela, John (Kurt Fuller) e Helen (Mimi Kennedy). multimídia: vídeo Fonte: Youtube 1900 Na Itália, a vida de dois amigos de infância separados por seus destinos. Olmo Dalcò (Gérard Depardieu), filho bastardo de um camponês, é um trabalhador inverter: politicamente consciente. Alfredo Berlinghieri (Robert De Niro), filho de um proprietário de terras, vive do dinheiro da família, sem maiores preocupações. De classes opos- tas, os dois compartilham um contexto: o crescimento do fascismo e do comunismo. multimídia: vídeo Fonte: Youtube Metropolis Metrópolis, ano 2026. Uma cidade dividida em duas: de um lado estão os operários, em regime de escravi- dão, vivendo na miséria e explorados por máquinas. Do outro, estão os poderosos, os políticos, que desfrutam de um jardim idílico, o Jardim dos Prazeres. Uma história de amor surge entre os dois extremos da cidade. multimídia: vídeo Fonte: Youtube The moderns Nick Hart é um artista estadunidense que se esforça, que vive entre a comunidade de expatriados na dé- cada de 1920, em Paris. Ele passa a maior parte do tempo bebendo e socializando-se nos cafés locais e irritando o dono da galeria Libby Valentin para vender suas pinturas. Envolve-se em uma trama da rica patro- na de arte Nathalie de Ville para forjar três pinturas. Isso leva a vários episódios com o magnata da borra- cha estadunidense Bertram Stone, que se casou com a ex-esposa de Hart, Rachel. multimídia: vídeo 36 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM HABILIDADE 12 Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. Esta competência trata de um conhecimento humano fundamental que é dominar as generalidades das expressões artísticas existentes. Entender que a arte é um tentáculo da cultura e, assim sendo, como se comporta em sua concepção levando em consideração o autor, seu processo criativo (estética, técnica, suporte, objetivo, etc.) e relação como o contexto de produção. Estudar esta competência na disciplina de Literatura faz parte de um movimento contemporâneo das bases educativas que buscam interdisciplinari- dade entre os conteúdos, sobretudo por conta do fato de que a literatura é arte. A partir dessa premissa, infere-se que também recebe as mesmas influências que os artistas de outros gêneros (como é o caso da pintura) e de movimentos artísticos receberam, como aconteceu com as vanguardas artísticas europeias. Estas habilidades pressupõem que o aluno tenha conhecimento das concepções artísticas, no caso o con- ceito de uma vanguarda artística do século XX específica: o Surrealismo. A construção dos procedimentos artísticos e sua função está ligada aos fatores estéticos que podem levar em consideração a forma e/ou conteúdo do texto em relação à concepção artística do contexto (meios culturais). MODELO 1 (Enem) O Surrealismo configurou-se como uma das vanguardas artísticas euro- peias do início do século XX. René Magritte, pintor belga, apresenta elementos dessa vanguarda em suas produções. Um traço do Surrealismo presente nessa pintura é o(a): a) justaposição de elementos díspares, observada na imagem do homem no espelho; b) crítica ao passadismo, exposta na dupla imagem do homem olhando sempre para frente; c) construção de perspectiva, apresentadana sobreposição de planos visuais; d) processo de automatismo, indicado na repetição da imagem do homem; e) procedimento de colagem, identificado no reflexo do livro no espelho; ANÁLISE EXPOSITIVA O movimento surrealista apresenta como principais características a ausência da lógica, a fusão consciente da realidade com a ficção, a exploração do mundo onírico e a exaltação da liberdade de criação, entre outros. Magritte é conhecido pelas obras provocadoras que desafiam as percepções dos observadores, como a tela “A reprodução proibida”, em que a imagem do homem refletida no espelho contraria a lógica. RESPOSTA Alternativa A LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 37 V O LU M E 4 DIAGRAMA DE IDEIAS VANGUARDAS EUROPEIAS DO SÉCULO XX AS VANGUARDAS ARTÍSTICAS EUROPEIAS PREGAVAM UM MESMO IDEAL: ERA PRECISO DERRUBAR A TRADIÇÃO POR MEIO DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS INOVADORAS, CAPAZES DE SUBVERTER O SENSO COMUM E CAPTAR AS TENDÊNCIAS DO FUTURO. PARA LEMBRAR SOBRE AS VANGUARDAS ARTÍSTICAS: • Representação dos sentimentos humanos através de linhas e cores. • Deformação e fragmentação do homem moderno. • Deformação da realidade; Pessimismo e negatividade. • Abandono ou fuga das regras tradicionais da arte. • Melancolia e tristeza. • Retrato do mundo interior (aspecto psicológico registrado em seus imediatismos caóticos. A PALAVRA VANGUARDA, DO FRANCÊS AVANT- GARDE, SIGNIFICA A “GUARDA AVANÇADA”, O QUE PRESSUPÕE, NESSE CONTEXTO, UM MOVIMENTO PIONEIRO DAS ARTES. O PRINCIPAL OBJETIVO DAS VANGUARDAS ERA LEVAR PARA A ARTE O SENTIMENTO DE LIBERDADE CRIADORA, A SUBJETIVIDADE, CERTO IRRACIONALISMO E, FUNDAMENTALMENTE, A MIMESE DE UM MUNDO VIOLENTO, VELOZ E FRAGMENTADO. 38 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 1. Contexto histórico Os primeiros anos do século XX em Portugal foram conturba- dos. Com a descrença na monarquia, em 1910 foi proclama- da a República, mas as mudanças sociais que eram esperadas não aconteceram. Desse modo surgiram dissidências inter- nas, o que levou à instabilidade da democracia portuguesa. essa litograFia popular representa os principais eventos da revolução que levaraM portugal à proclaMação da república. no priMeiro plano, cHeFes e civis que toMaraM parte na luta. aciMa, o boMbardeio do palácio real pelos navios de guerra, o eMbarque da FaMília real para o exílio e os Jesuítas sendo presos por revolucionários. Em 1916, a Alemanha declarou guerra a Portugal. No ano seguinte, ao lado dos países aliados, um corpo expedicioná- rio de 55 mil portugueses e muitas tropas seguiram para Angola e Moçambique, países africanos, limítrofes com colônias da Alemanha. Tanto na Europa quanto na África a guerra causou enormes perdas, mas permitiu que Portugal se incluísse entre os vencedores no Tratado de Versalhes. 1.1. Orfismo O primeiro tempo do Modernismo português, conhecido como Orfismo, associou-se à profunda instabilidade polí- tico-social da primeira República, e recebeu esse nome por- que, à luz das modernas vanguardas europeias, em 1915, alguns jovens – Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Raul Leal, Luís de Montalvor, Almada Negreiros e o brasileiro Ronald de Carvalho, entre outros – resolveram fundar uma revista que os congregasse. Surgiu a revista Orpheu. A Orpheu era uma publicação porta-voz dos ideais de renovação futurista desejados pelo grupo. Ela teve dois números. No primeiro, Luis de Montalvor e Ronald de Car- valho pretenderam aproximar o Modernismo português do Modernismo brasileiro. Além disso, a revista tinha como proposta tirar Portugal de seu descompasso em relação à Europa. Sua poesia, irreverente e alucinada, tinha por obje- tivo preciso irritar o burguês. No segundo número, sob a direção de Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, declarou-se o fim do Simbolismo. Em decorrência de questões financeiras e de outras situ- ações, a revista não prosseguiu, encerrando-se em 1916. capa do priMeiro exeMplar da revista orpHeu, publicada no priMeiro triMestre de 1915, coM 83 páginas e iMpressa eM papel de excelente qualidade. 2. Características do modernismo em Portugal retrato de Fernando pessoa. óleo sobre tela, 201 cM x 201 cM.1954. MODERNISMO PORTUGUÊS I COMPETÊNCIA(s) 5 HABILIDADE(s) 15, 16 e 17 LC AULAS 31 E 32 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 39 V O LU M E 4 2.1. Crise do progressismo burguês e Intuicionismo A instabilidade europeia do início do século XX atingiu Por- tugal e representou um período de grande insatisfação e também de crise da sociedade liberal burguesa. Nessa época imperou um novo individualismo, que os primeiros modernistas cultivaram como determinação do próprio eu e não como algo imposto pela sociedade. Surgiu também o Intuicionismo, como um conhecimento do mundo que vem da espontaneidade, de forma natural, e não pela ci- ência ou pela técnica, como é possível perceber neste poema de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa: “O que nós vemos das cousas são as cousas. Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra? Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos Se ver e ouvir são ver e ouvir? O essencial é saber ver, Saber ver sem estar a pensar, Saber ver quando se vê, E nem pensar quando se vê Nem ver quando se pensa. Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!), Isso exige um estudo profundo, Uma aprendizagem de desaprender E uma sequestração na liberdade daquele convento De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas E as flores as penitentes convictas de um só dia, Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas Nem as flores senão flores.” (pessoa, Fernando. poeMas de alberto caeiro. obra coMpleta de Fernando pessoa. rio de Janeiro. aguilar. 1977.) Nesse poema, o eu poético questiona e aponta uma relação de sensações com o mundo e a natureza, ne- gando qualquer sentido profundo nas coisas que for- mam a realidade. É nítida também a postura de não aceitar a raciona- lidade e a ordenação das coisas, características do progressismo burguês. A sabedoria está em descons- truir, desaprender. 2.2. Vanguardismo: O Cubofuturismo e o Surrealismo Entre os movimentos europeus de vanguarda que influen- ciaram o Modernismo português, devem ser citados o Cubismo e o Futurismo que, já de início, foram adotados principalmente pelos poetas. A Primeira Guerra Mundial havia assolado a Europa, e mui- tos artistas portugueses regressaram a Portugal. alMada negreiros Em 1917, o poeta e pintor Almada Negreiros ressaltou a necessidade de transformações e, vestido de operário, apresentou no Teatro da República, a conferência “Ultima- tum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX”. Ultimatum futurista às gerações portuguesas do século xxi “Acabemos com este maelstrom de chá morno! Mandem descascar batatas simbólicas a quem disser que não há tempo para a criação! Transformem em bonecos de palha todos os pessimistas e desiludidos! Despejem caixotes de lixo à porta dos que sofrem da impo- tência de criar! Rejeitem o sentimento de insuficiência da nossa época! 40 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 Cultivem o amor do perigo, o hábito da energia e da ousadia! Virem contra a parede todos os alcoviteiros e invejosos do dinamismo! Declarem guerra aos rotineiros e aos cultores do hipnotismo! Livrem-se da choldra provinciana e da safardanagem intelectual! Defendam a fé da profissão contra atmosferas de tédio ou qualquer resignação! Façam com que educar não signifique burocratizar! Sujeitem a operação cirúrgica todos os reumatismos espirituais! Mandem para a sucata todas as ideias e opiniões fixas! Mostrem que a geração portuguesa do século XXI dispõe de toda a força criadora e construtiva! Atirem-se independentes prá sublime brutalidade da vida! Dispensem todas as teorias passadistas! Criem o espírito de aventura e matem todos os sentimentos passivos! Desencadeiem uma guerra sem tréguas contra todos os “botas deelástico”! Coloquem as vossas vidas sob a influência de astros divertidos! Desafiem e desrespeitem todos os astros sérios deste mundo! Incendeiem os vossos cérebros com um projecto futurista! Criem a vossa experiência e sereis os maiores! Morram todos os derrotismos! Morram! PIM!” (alMada negreiros. José de. Obras cOmpletas. lisboa: iMprensa nacional.1989 v. iv. (col. biblioteca de autores portugueses.) Naquele mesmo ano, Almada Negreiros publicou o conto K4, o quadrado azul, que inspirou este quadro homônimo de Eduardo Viana: K4, o quadrado azul. óleo sobre tela, 47,5 x 56 cM. eduardo viana. 1917. O título desse quadro é o mesmo do conto de Almada Ne- greiros, de característica cubofuturista. Fonte: Youtube Entrevista de Almada Negreiros - 1968 multimídia: vídeo 3. Etapas do modernismo em Portugal 3.1. Primeiro momento (1915-1927) Após o impacto provocado pelo lançamento da revista Orpheu, em 1915, o grupo fundador resolveu trazer Por- tugal ao compasso das vanguardas europeias, das quais o grupo recebeu grande influência. Destacam-se, nesse primeiro momento, Fernando Pessoa, Mário da Sá-Car- neiro e Almada Negreiros. Florbela espanca Há escritores e poetas portugueses que não se filiaram a nenhum desses momentos, permanecendo independentes em suas criações. Foi o caso da poeta Florbela Espanca (1894-1930), dona de lirismo neorromântico, e do escritor José Saramago, cuja obra está em particular evidência atu- almente, com a retomada ficcional da história de Portugal, em livros como Jangada de Pedra, Memorial do Convento e História do cerco de Lisboa. LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 41 V O LU M E 4 Os anos vinte em Portugal – José Augusto França “Este livro é, como o que o autor publicou há 25 anos sobre ‘O Romantismo em Portugal’, um estudo de fatos socioculturais, de informação e de reflexão sobre um pe- ríodo da história nacional – arredado e ainda perto de nós. A primeira data que nele nos aparece é, ao fim da guerra, o assassinato de Sidónio Pais, e a última, a ins- talação de Salazar no poder, a meio de 1932, ao termo de um lento processo de seis anos.” multimídia: livro 3.2. Segundo momento (1927-1940) Com a fundação da revista Presença, em 1927, surgiu um grupo que pretendia fazer uma literatura mais intimista e artística sem se opor, contudo, ao orfismo. Destacaram-se, como presencistas, José Rodrigues Miguéis, Branquinho da Fonseca, José e Irene Lisboa. 3.3. Terceiro momento (1940-1947) Ao propor uma literatura de caráter social, o grupo que se reuniu no terceiro momento por apenas sete anos preten- deu afastar-se do intimismo e do subjetivismo e fazer uma literatura marcadamente social. É o chamado neorrealismo dos anos 1940, que veiculou principalmente romances de denúncia da miséria social. O mais marcante livro desse momento foi Gaibéus, de Alves Redol. Destacaram-se tam- bém Vergílio Ferreira e Fernando Namora. 3.4. Quarto momento (1947 à atualidade) Em antagonismo à literatura de caráter engajado, surgiu um grupo surrealista cujas obras foram expostas em Lis- boa em 1949. Como a estética surrealista é totalmente subjetivista, a denúncia social ficou pálida e desapareceu. Pertencem a esse grupo os escritores-artistas José Augusto França e Mário Cesariny de Vasconcelos. 4. Fernando Pessoa, ortônimo Poeta lírico e nacionalista, Fernando Pessoa, ele mesmo, cul- tivou uma poesia voltada aos temas tradicionais de Portugal e ao seu lirismo saudosista, que expressa reflexões sobre seu eu profundo, suas inquietações, sua solidão, seu tédio. 4.1. Nacionalista místico Em Mensagem, de 1934, o poeta faz uma réplica de Os Lusíadas a partir de uma perspectiva nacionalista mística. Atuando como um verdadeiro sebastianista, prega a volta de el-rei D. Sebastião – morto na África em 1578 – para restaurar Portugal e o Quinto Império. Divide-se em três partes: Brasão, Mar português e O encoberto. Brasão tem como referência o brasão português, representado por sete castelos amarelos em um campo vermelho e cinco quinas azuis. Cada castelo equivale a uma figura historicamente ligada à formação do Estado português. Abrange desde Ulisses – o fundador de Lisboa, segundo o mito – até D. João I, o mestre de Avis, responsável pelas grandes navega- ções. Mar português focaliza os navegadores e o desejo de conquistar os mares. O encoberto, última parte, concentra- -se no mito do Sebastianismo e do Quinto Império, que re- tirariam Portugal da decadência experimentada a partir do século XVIIII até o momento da enunciaçaõ, o século XX. 4.2. Poeta da mágoa Em Cancioneiro, identifica-se com a produção lírica portugue- sa, desde a Idade Média, revelando-se um poeta da mágoa. “Boiam leves, desatentos Meus pensamentos de mágoa, Como no sono dos ventos, As algas, cabelos lentos [...] Sono de ser, sem remédio, Vestígio do que não foi, Leve mágoa, breve tédio, Não sei se para, se flui; Não sei se existe ou se dói.” poesias. Fernando pessoa. lisboa: ática, 1942 (15ª ed. 1995). Dentro da produção de Fernando Pessoa ortônimo, os poemas de Cancioneiro são aqueles que mais fixam o lirismo tradicio- nal português, repleto de saudades, de mágoas, de piedade. O Cancioneiro traz também um Fernando Pessoa que re- flete sobre o ato de escrever, com grande espírito crítico e uma organização intelectual incomum. Fernando pessoa na baixa de lisboa, onde costuMava passear e toMar uM caFé na caFeteria a brasileira, no cHiado. 42 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 “Autopsicografia O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que leem o que escreve, Da dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só os que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração.” (Obra pOética. rio de Janeiro: nova aguilar, 1992.) 5. Mário de Sá-Carneiro Conflituoso, Mario de Sá-Carneiro (1890-1916) sustentou sua poesia sobre a memória do passado e a projeção do futuro. Viveu parte de sua vida em Paris. Em 1914, no começo da Primeira Guerra Mundial, uniu-se a Fernando Pessoa e ou- tros intelectuais, participando, em 1915, da fundação da re- vista Orpheu. Nessa permanência em Lisboa publicou duas obras: Dispersão e A Confissão de Lúcio. Viveu um tempo de grande euforia em torno dos compa- nheiros e da agitação modernista. Morreu muito jovem e foi um inadaptado. Poeta angustiado, estranho à vida, re- pele a condição de existir com grande veemência, como se a vida lhe fosse incômoda. Herdeiro do Decadentismo/Simbolismo, seu modo de en- xergar a vida não aceitava os limites. Isso é o que se pode depreender da leitura de alguns de seus poemas. A morte de Mário de Sá-Carneiro – João Pinto de Figueiredo Apesar do seu título, é da vida de Mário de Sá-Carneiro que nos fala esse livro. Efetivamente, para o autor de ”Céu em fogo” a vida não passou de uma morte pro- longada, de uma morte vivida. (...) Na escassa bibliogra- fia sobre o grande poeta, A morte de Mário de Sá-Car- neiro constituirá doravante uma referência obrigatória. multimídia: livro Dispersão “Perdi-me dentro de mim Porque eu era labirinto, E hoje, quando me sinto, É com saudades de mim. Passei pela minha vida Um astro doido a sonhar. Na ânsia de ultrapassar, Nem dei pela minha vida... [...] LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 43 V O LU M E 4 Não sinto o espaço que encerro Nem as linhas que projecto: Se me olho a um espelho, erro – Não me acho no que projecto. Regresso dentro de mim, Mas nada me fala, nada! Tenho a alma amortalhada, Sequinha, dentro de mim. [...] E tenho pêna de mim, Pobre menino ideal... Que me faltou afinal? Um elo? Um rastro?... Ai de mim!... “Quase Um pouco mais de sol – eu era brasa. Um pouco mais de azul – eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém... Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído Num baixo mar enganador d’espuma;E o grande sonho despertado em bruma, O grande sonho – ó dor! – quase vivido... Quase o amor, quase o triunfo e a chama, Quase o princípio e o fim – quase a expansão... Mas na minh’alma tudo se derrama... Entanto nada foi só ilusão! De tudo houve um começo... e tudo errou... — Ai a dor de ser-quase, dor sem fim... – Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim, Asa que se elançou mas não voou... [...]” (Moisés, Massaud. a literatura pOrtuguesa através dOs textOs. são paulo: cultrix, 1991.) Obras § Amizade, peça em três atos (com Tomás Cabreira Ju- nior), 1912. § Dispersão, 12 poemas, 1914. § A Confissão de Lúcio, narrativa, 1914. § Céu em Fogo, novelas, 1915. Obras inéditas § Indícios de ouro, poemas. § Primeiro capítulo de um novela intitulada Mundo interior. 44 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 1. Os heterônimos de Fernando Pessoa Verdadeiro mestre da poesia, a genialidade de Fernando Pessoa evidenciou-se também com seus heterônimos: Al- berto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Desse modo, o poeta assumia outras personalidades lite- rárias ao compor, como se fossem pessoas reais. Ou seja, heterônimos são os vários nomes usados por ele. Não se trata de pseudônimos, mas heterônimos, pois são várias projeções do eu, cada qual com personalidade, biografia, estilo e características específicas e distintas do seu brilhan- te criador, Fernando Pessoa. O próprio Fernando Pessoa assim se expressa a respeito de sua heteronímia “Por qualquer motivo temperamental que me não proponho analisar, nem importa que analise, construí dentro de mim várias personagens distintas entre si e de mim, personagens essas a que atribuí poemas vários que não são como eu, nos meus sentimentos e ideias, os escreveria. Assim têm estes poemas de Caeiro, os de Ricardo Reis e os de Álvaro de Campos que ser considerados. Não há que buscar em quaisquer deles ideias ou sentimen- tos meus, pois muitos deles exprimem ideias que não aceito, sentimentos que nunca tive. Há simplesmente que os ler como estão, que é aliás como se deve ler.” Fernando pessoa - HeterôniMo. 1978. costa pinHeiro. “A única maneira de teres sensações novas é construíres-te uma alma nova. [...] E o único meio de haver coisas novas, de sentir coisas novas é haver novidade no senti-las. Muda de alma como? Descobre-o tu.” MODERNISMO PORTUGUÊS II COMPETÊNCIA(s) 5 HABILIDADE(s) 15, 16 e 17 LC AULAS 33 E 34 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 45 V O LU M E 4 Ode triunfal “À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica Tenho febre e escrevo. Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos. Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! Em fúria fora e dentro de mim, Por todos os meus nervos dissecados fora, Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto! Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos, De vos ouvir demasiadamente de perto, E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso De expressão de todas as minhas sensações, Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas! [...] Eia todo o passado dentro do presente! Eia todo o futuro já dentro de nós! eia! Eia! eia! eia! Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita! Eia! eia! eia! eia-hô-ô-ô! Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me. Engatam-me em todos os comboios. Içam-me em todos os cais. Giro dentro das hélices de todos os navios. Eia! eia-hô! eia! Eia! sou o calor mecânico e a eletricidade! Eia! e os rails e as casas de máquinas e a Europa! Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia! Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá! Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá! Hé-la! He-hô! Ho-o-o-o-o! Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z! Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!” Situando a relação entre o homem do começo do século XX e o mundo tecnicizado, a Ode triunfal tem um ritmo nervoso e trepidante. Trata-se de um poema futurista, assi- nado pelo heterônimo Álvaro de Campos, que demonstra completa adesão à proposta de Marinetti, que integra à poesia elementos da civilização industrial: motores, máqui- nas, Ferri, velocidade, automóveis. Fonte: Youtube O Desassossego Pessoano - Teresa Rita Lopes multimídia: vídeo 1.1. Alberto Caeiro Dentro da heteronímia, o poeta Alberto Caeiro tem uma trajetória de vida e características que o identificam. Era ór- fão de pai e mãe, só teve instrução primária e viveu quase toda a vida no campo, sob a proteção de uma tia. Poeta bucólico, em contato direto com a natureza, Caeiro dá importância às sensações, registrando-as sem a media- ção do pensamento. Para Caeiro, “tudo é como é”, todo “é assim porque assim é” – o poeta reduz tudo à objetividade, sem nenhuma ne- cessidade de pensar. O guardador de rebanhos “[...] Sou um guardador de rebanhos O rebanho é os meus pensamentos E os meus pensamentos são todos sensações. Penso com os olhos e com os ouvidos E com as mãos e os pés E com o nariz e a boca. Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la E comer um fruto é saber-lhe o sentido. Por isso quando num dia de calor Me sinto triste de gozá-lo tanto. E me deito ao comprido na erva, E fecho os olhos quentes, Sinto todo o meu corpo deitado na realidade, Sei a verdade e sou feliz.” (obra poética. rio de Janeiro: nova aguilar, 1984.) caricatura de alberto caeiro. Mário botas. 46 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 O espelho e a esfinge – Massaud Moisés Essa obra reúne em nova edição, revisada e aumenta- da, alguns ensaios que Massaud Moisés escreveu com o propósito de divulgar aspectos menos conhecidos da produção literária de Fernando Pessoa. Desde 1957, o autor vinha se dedicando à interpretação das múltiplas facetas desse grande poeta português da modernidade. multimídia: livro 1.2. Álvaro de Campos Álvaro de Campos nasceu no extremo sul de Portugal, em Tavira, a 15 de outubro de 1890. Estudou Engenharia na- val, na Escócia. Todavia, não exerceu a profissão por não suportar viver confinado em escritórios. Homem sujeito à máquina, à cegueira de seus semelhantes, de espírito inconformado com o tempo, é completamente inadaptado ao mundo que o rodeia; vive marginalizado, sendo uma personalidade do não. caricatura de álvaro de caMpos. alMada negreiros. 1958. Tabacaria é um dos mais importantes poemas de Álva- ro de Campos, em que ele faz jus à ideia de um poeta inadaptado, negativo. O longo poema é exemplo marcante do desalento que o caracteriza. Tabacaria “Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém [sabe quem é] (E se soubessem quem é, o que saberiam?), Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente [por gente,] Para uma rua inacessível a todos os pensamentos, [...] Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu. Estou hoje dividido entre a lealdade que devo À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro. Falhei em tudo. [...] Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar? Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode [haver tantos!] [...] Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama; Mas acordamos e ele é opaco, Levantamo-nos e ele é alheio, [...] (Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a [confeitaria.] Come, pequena suja, come! Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com [que comes!] Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha [de estanho,] Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.) [...] Mas o Dono da Tabacaria chegou àporta e ficou à porta. Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada E com o desconforto da alma mal-entendendo. Ele morrerá e eu morrerei. Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos. A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também. LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 47 V O LU M E 4 Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta, E a língua em que foram escritos os versos. [...] Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos. Sigo o fumo como uma rota própria, E gozo, num momento sensitivo e competente, A libertação de todas as especulações E a consciência de que a metafísica é uma consequência [de estar mal disposto.] Depois deito-me para trás na cadeira E continuo fumando. Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando. (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira Talvez fosse feliz.) Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela. O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira [das calças?).] Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica. (O Dono da Tabacaria chegou à porta.) Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me. Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da [Tabacaria sorriu.”] (obra poética. rio de Janeiro: nova aguilar, 1992.) 1.3. Ricardo Reis Ricardo Reis é natural do Porto; nasceu a 19 de setembro de 1887. Teve formação em escolas de jesuítas e estudou Medicina. Monarquista, autoexilou-se no Brasil por não concordar com a Proclamação da República em Portugal. Foi profundo admirador da cultura clássica, tendo estuda- do latim, grego e mitologia. O poeta latino Horácio foi um grande inspirador de sua poesia, principalmente no que diz respeito à filosofia do carpe diem, isto é, de usufruir o mo- mento. Sua musa inspiradora se chamava Lídia. caricatura de ricardo reis. alMada-negreiros. “Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlacemos as mãos.) Depois pensemos, crianças adultas, que a vida Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado, Mais longe que os deuses. [...] Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos, Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias, Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro Ouvindo correr o rio e vendo-o. [...]” (obra poética. rio de Janeiro: nova aguilar, 1992.) Dicionário de Fernando Pessoa – Fernando Cabral Martins Esse volume de quase mil páginas reúne a soma dos conhecimentos sobre Fernando Pessoa, a sua obra e o Modernismo. Um conjunto de mais de 80 especialistas oferecem quase 600 artigos de síntese aos principais nomes, títulos, imagens e temas relacionados a Fernan- do Pessoa, ou que ajudam a definir os traços culturais do seu tempo – e marcam, sobretudo, o período da sua atividade pública entre 1912 e 1935. multimídia: livro O ano da morte de Ricardo Reis – José Saramago Nesse magnífico romance, o heterônimo mais clássico do grande poeta português Fernando Pessoa, o ho- raciano Ricardo Reis, acha-se novamente em Lisboa, depois de uma temporada no Brasil, onde se autoe- xilara. O ano é 1936. Médico, educado pelos jesuítas e monarquistas, ele é um sábio capaz de se contentar em assistir ao espetáculo do mundo, como diz numa das epígrafes do livro. multimídia: livro 48 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 Fonte: Youtube Biografia - Fernando Pessoa multimídia: vídeo Fernando Pessoa: uma quase autobiografia – José Paulo Cavalcanti Filho A primeira biografia escrita no Brasil sobre o poeta por- tuguês Fernando Pessoa traz a mais completa obra de referência das muitas personalidades assumidas pelo autor de Tabacaria. Seus heterônimos, muitos deles des- conhecidos do grande público, revelam-se no livro de José Paulo Cavalcanti com riqueza de detalhes, apresen- tando as produções e as origens de cada um desses que habitaram o imaginário e a escrita de Fernando Pessoa. multimídia: livro Introdução aos estudos de Fernando Pessoa – Fernando Cabral Martins Além de uma nova leitura do intrincado poema cujo fa- c-símile vem reproduzido no prefácio, Fernando Cabral Martins faz, em sua obra, importante contribuição sobre a teoria e a história da heteronímia. multimídia: livro LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 49 V O LU M E 4 VIVENCIANDO Pintura As banhistas / Retrato de Fernando Pessoa (1964) – Almada Negreiros as banHistas, alMada negreiros retrato de Fernando pessoa. alMada negreiros.1964 50 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 Pintura o cHapéu-HeterôniMo do poeta Fernando pessoa, óleo sobre tela (1979-1980). pintura de antónio costa pinHeiro. coleção do artista. Fernando pessoa – HeterôniMo. costa pinHeiro.1978. Fernando pessoa. Júlio poMar (portuguese, b. 1926). LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 51 V O LU M E 4 DIAGRAMA DE IDEIAS HETERÔNIMOS DE FERNANDO PESSOA A QUESTÃO DA HETERONÍMIA EM FERNANDO PESSOA RESULTA DE CARACTERÍSTICAS PESSOAIS REFERENTES À SUA PERSONALIDADE, UMA ESPÉCIE DE DESDOBRAMENTO DO “EU” MODERNO E FRAGMENTADO, À MULTIPLICAÇÃO DE IDENTIDADES E À SINCERIDADE DO FINGIMENTO. ALBERTO CAEIRO NASCEU EM LISBOA. É O MESTRE DOS HETERÔNIMOS, VIVEU SUA VIDA NO CAMPO E FICOU ÓRFÃO DE PAI E MÃE MUITO CEDO, PASSANDO A VIVER COM UMA TIA-AVÓ. MORREU DE TUBERCULOSE. SUA POESIA VALORIZA A SIMPLICIDADE, NA QUAL MAIS IMPOR- TANTE QUE PENSAR É SENTIR. SEGUNDO ELE, TODO O CONHECIMENTO SE DÁ A PARTIR DA EXPERIÊNCIA SENSORIAL, SOBRETUDO JUNTO À NATUREZA. FERNANDO PESSOA ESCREVEU “MENSAGEM” E CRIOU OS HETERÔNIMOS ALBERTO CAEIRO (“PASTOR AMOROSO”, “POEMAS INCONJUNTOS”), RICARDO REIS (“PREFIRO ROSAS”, “BREVE O DIA”) E ÁLVARO DE CAMPOS (“ODE MARÍTIMA”, “TABACARIA”). OS PRINCIPAIS E MAIS CONSISTENTES HETERÔNIMOS DE FERNANDO PESSOA FORAM ALBERTO CAEIRO, ÁLVARO DE CAMPOS, RICARDO REIS E BERNARDO SOARES. O HETERÔNIMO BERNARDO DE CAMPOS É CONSIDERADO UM “SEMI-HETERÔNIMO” POR CONTA DE SUA PERSONALIDADE APRESENTAR CARACTERÍSTICAS MUITO SEMELHANTES ÀS DE FERNANDO PESSOA, SENDO, MUITAS VEZES, CONFUNDIDO COM O PRÓPRIO ESCRITOR. RICARDO REIS NASCEU EM 1887, NO PORTO, E NÃO SE SABE A DATA DE SUA MORTE, O QUE FAZ O LEITOR PENSAR QUE ELE TERIA MORRIDO APÓS A MORTE DE FERNANDO PESSOA. ESTU- DOU EM COLÉGIO DE JESUÍTAS E SE FORMOU EM MEDICINA. FOI VIVER NO BRASIL APÓS A INS- TAURAÇÃO DA REPÚBLICA EM PORTUGAL, POIS ERA MONARQUISTA. TRADICIONAL, HELENISTA, LATINISTA, PARA ELE, A MODERNIDADE É UMA MOSTRA DE DECADÊNCIA. SUA LINGUAGEM É CLÁSSICA E SEU VOCABULÁRIO, ERUDITO. SUA MUSA É LÍDIA. ÁLVARO DE CAMPOS NASCEU EM TAVIRA, EM 1890. A DATA DO SEU FALECIMENTO, TAL QUAL DE RICARDO REIS, NÃO É CONHECIDA. CAMPOS É FORMADO EM ENGENHARIA, NA ESCÓCIA, E NÃO EXERCEU A PROFISSÃO. É O MAIS MODERNO DOS HETERÔNIMOS, VALORIZA A MODER- NIDADE. É UM PESSIMISTA, POIS APESAR DO GOSTO PELO PROGRESSO, O TEMPO PRESENTE O ANGUSTIA. SUA OBRA É DIVIDIDA EM TRÊS FASES: DECADENTISTA, FUTURISTA E PESSIMISTA. ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ____________________________________________________________ ANOTAÇÕES 52 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema. H6 Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas. H7 Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social. H8 Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade cultural e linguística. Co m pe tê n Ci a 3 Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da identidade. H9 Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social. H10 Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas. H11 Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para diferentes indivíduos. Co m pe tê n Ci a 4 Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade. H12 Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. H13 Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos. H14 Reconhecer o valor da diversidade artística e das inter-relações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos. Co m pe tê n Ci a 5 Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção. H15 Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político. H16 Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário. H17 Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional. Co m pe tê n Ci a 6 Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constitui- ção de significados, expressão, comunicação e informação. H18 Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos. H19 Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução. H20 Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional. Co m pe tê n Ci a 7 Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. H21 Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos. H22 Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos. H23 Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados. H24 Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção, chantagem, entre outras. Co m pe tê n Ci a 8 Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. H25 Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro. H26 Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social. H27 Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação. Co m pe tê n Ci a 9 Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida pessoal e social, no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos científicos, às linguagens que lhes dão suporte, às demais tec- nologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar. H28 Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e informação. H29 Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação. H30 Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem. MATRIZ DE REFERÊNCIA DO ENEM GRAMÁTICA ENTRE LETRAS LIVRO TEÓRICO INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS CIÊNCIAS MÉDICAS CMMG Todos os temas deste livro têm alta inci- dência no Enem. Compreender como os pronomes fun- cionam dentro do período, contribuindo para sustentar as relações de coordena- ção e subordinação dentro dos períodos pode ser um diferencial ao candidato. Aborda o uso dos pronomes apresenta- dos neste livro. Além disso, perceber a importância das relações de coordena- ção e subordinação dentro dos períodos será um diferencial para questões que envolvam textos, literários ou não. Compreender a importância das conjun- ções em relação ao estudo dos períodos simples e compostos coordenados e subordinados será a chave para o bom desempenho. Ocorre com certa frequência as fun- ções pronominais dentro de orações e períodos. Assim, o conteúdo deste livro aborda os elementos que constituem o período e as relações de coordenação e subordinação. A resolução dos exercícios exige conhe- cimentos sobre a especificidade de cada classe gramatical. É relevante, então, saber reconhecer como as próclises e ên- clises atuam, bem como as conjunções para efeitos distintos de sentido dentro de um período. Além de saber reconhecer as regras da colocação pronominal, o candidato deverá reunir a maior quantidade de conhecimento sobre as construções sin- táticas de coordenação e subordinação. Aborda os sentidos possíveis decor- rentes das relações de subordinação e coordenação. Compreender como essas relações se constituem e por meio de quais termos elas se estabelecem será de grande ajuda ao candidato. A objetividade de que se compõe dá margem para questões bastante diretas sobre os usos dos pronomes e os efeitos de sentido decorrentes das relações den- tro do período composto. Frequentemente apresenta textos con- figurados por linguagens verbal e não verbal. Assim, compreender como os pronomes e as relações dentro do perí- odo produzem determinados efeitos de sentido será essencial ao candidato. A relação entre linguagens verbal e não verbal é uma constante neste vestibular. Propagandas e charges, então, acabam sendo fonte para questões. Reescrever frases pode ser comum, para tanto, saber utilizar corretamente os pronomes será um diferencial. É comum questões que se atentem aos elementos sintáticos de que um texto se vale para a sua composição. Portanto, convém estar seguro sobre o uso correto dos termos que compõem os períodos compostos. O uso dos pronomes pode aparecer em questões de aplicação direta, por isso, compreender as funções e regras de ênclise e próclise será muito importan- te. Ademais, este caderno traz estudos sobre os períodos simples e compostos. A abordagem deste vestibular ampa- ra-se na atenção aos diferentes usos das conjunções, de modo a construir efeitos de sentido dentro de um período composto. Ademais, entender o uso dos pronomes trabalhados neste caderno poderá ser de grande ajuda. Bastante direto, apresenta muitas ques- tões a respeito de conhecimentos sobre a colocação pronominal. É comum, tam- bém, que questões ligadas aos efeitos de sentido advindos das relações de subor- dinação apareçam. LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 7 V O LU M E 4 1. Noções preliminares 1. Oração é um enunciado linguístico que apresenta uma estrutura caracterizada pela presença de um verbo.2. Chama-se período composto aquele que apresenta mais de um verbo dentro do mesmo conjunto de enunciação. Se se tratar de período simples, há apenas um único verbo dentro do período, sinalizado pelo ponto final. Exemplos: Falou com a menina hoje cedo. (estrutura com apenas um único verbo à qual se dá o nome de oração absoluta.) Falou com a menina hoje cedo e percebeu que ela estava nervosa. (nessa estrutura, há mais de um verbo no mesmo período; a ela se dá o nome de período composto.) Em língua portuguesa, as orações podem ser subdivididas em dois grupos: orações coordenadas e orações su- bordinadas. a) orações coordenadas: são colocadas lado a lado na fra- se e não desempenham qualquer função sintática como termo de outra oração. Encontram-se, portanto, no mesmo nível sintático. Costumam ser classificadas por conta da ausência (assindéticas) ou presença (sindéticas) de conectivos. b) orações subordinadas: são orações que estabelecem funções sintáticas em relação a outras orações (são orações que dependem de outras para que ocorra a configuração de sentido). Dependendo da função que desempenham na sentença, podem ser classificadas como adjetivas, subs- tantivas ou adverbiais. Nessa aula, especificamente, conheceremos o funcionamen- to das orações coordenadas e de uma das subordinadas (a subordinada adjetiva). As demais orações subordinadas (subordinadas substantivas e subordinadas adverbiais), por serem mais extensas, serão trabalhadas nas próximas aulas. 1.1. Orações coordenadas assindéticas São chamadas de orações coordenadas assindéticas aquelas que não são introduzidas por conjunção. São ora- ções coordenadas, postas lado a lado e separadas por sinais de pontuação. Exemplos: Abriu a porta, entrou em casa, acendeu as luzes. Esquece isso. Vamos dar uma volta. 1.2. Orações coordenadas sindéticas Conforme o tipo de conjunção que as introduz, as orações coordenadas sindéticas podem ser aditivas, adversati- vas, alternativas, conclusivas ou explicativas. a) As aditivas expressam ideia de adição, de acréscimo. Regularmente indicam fatos, acontecimentos ou pensa- mentos dispostos em sequência. As conjunções coorde- nativas aditivas típicas são e e nem (e + não). Exemplos: Viajaram e trouxeram muitas fotos de lembrança. Não trouxeram presentes nem fotos da última viagem. Observação: As orações sindéticas aditivas podem também estar ligadas pelas locuções “não só... mas (também)”; “tan- to... como” e semelhantes. Essas estruturas costumam ser usadas quando se pretende enfatizar o conteúdo da segunda oração. Ele não só canta, mas também (ou como também) interpreta muito bem. Ela sabe tanto matemática como português. b) As adversativas exprimem fatos ou conceitos que se opõem ao que foi declarado na oração coordenada ante- rior, estabelecendo entre elas contraste ou compensação. O mas é a conjunção adversativa mais utilizada. Além dela, empregam-se os vocábulos porém, contudo, todavia, entretanto e as locuções no en tanto, não obstante e nada obstante. PERÍODO COMPOSTO: ORAÇÕES COORDENADAS E SUBORDINADAS ADJETIVAS COMPETÊNCIA(s) 1, 6 e 8 HABILIDADE(s) 1, 18 e 27 LC AULAS 27 E 28 8 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 Exemplos: Eles embarcariam para a Europa dentro de uma hora, mas perderam o voo. O cachorro não é bonito; no entanto, é simpático. O problema é grave; contudo, há solução. Importante Dependendo do contexto em que for empregada, a conjunção “e” pode indicar ideia de adversidade. Exemplo: Resolveu deitar mais cedo e não conseguiu dormir. c) As alternativas expressam ideia de alternância de fatos ou escolha. Regularmente é usada a conjunção ou. Além dela, empregam-se também os pares ora... ora; já... já; quer... quer e seja... seja. Exemplos: Diga agora ou cale-se para sempre. Atenção: apenas a segunda oração é sindética, mas am- bas são alternativas, dada a ideia de escolha.) Ora mostra-se alegre, ora expressa tristeza profunda. Estarei lá, quer você aceite, quer não. Atenção: nesse último exemplo, a segunda oração fica su- bentendida, para evitar a redundância do mesmo verbo.) d) As conclusivas exprimem conclusão ou consequên- cia referentes à oração anterior. As conjunções típicas são: logo, portanto e pois (pospostos ao verbo). Usa-se ainda então, assim, por isso, por conseguinte, de modo que, em vista disso etc. Exemplos: Tenho prova amanhã, portanto não posso ir ao show. A situação econômica é delicada; devemos, pois, agir com cautela. O time jogou bem, por isso foi vencedor. Aquela substância é toxica, logo deve ser manuseada com cuidado. e) As explicativas Indicam uma justificativa ou uma ex- plicação referente ao fato expresso na declaração anterior. As conjunções que merecem destaque são: que, porque e pois (obrigatoriamente antepostos ao verbo). Exemplos: Vá com cuidado, que o caminho é perigoso. Mudou de emprego, porque estava farto da rotina. Ligue para ela, pois hoje é o seu aniversário. 1.3. Orações subordinadas adjetivas Uma oração subordinada adjetiva tem valor e função de adjetivo, ou seja, equivale a essa classe de palavras. As orações adjetivas vêm introduzidas por pronome relativo e exercem a função de adjunto adnominal do antecedente. Exemplo: Este é o livro que te indiquei como referência. No exemplo apresentado, a conexão entre a oração su- bordinada adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é feita pelo pronome relativo “que”. O poema a seguir, de Carlos Drummond de Andrade, é constituído por meio de um encadeamento de diversas orações adjetivas. Avalie o tipo de oração adjetiva que foi usado e os sentidos que ela incorpora ao poema. Quadrilha João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história. multimídia: poema Importante O pronome relativo “que” pode ser substituído por suas formas com gênero (o qual, a qual, os quais, as quais), desde que obedeça ao sistema de concordância nominal com o substantivo a que se refere: LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 9 V O LU M E 4 DIAGRAMA DE IDEIAS Exemplo: Refi ro-me ao livro que é referência. (ou) Refiro-me ao livro o qual é referência. 1.3.1. Classificação das orações subordinadas adjetivas Na relação que estabelecem com o termo que caracterizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de duas maneiras diferentes. Há as que restringem ou especificam o sentido do termo a que se referem, individualizando-o. Nes- sas orações, não há marcação de pausa; são as chamadas orações subordinadas adjetivas restritivas. Há também as orações que realçam um detalhe ou am- plificam dados sobre o antecedente, já suficientemente definido; são as denominadas orações subordinadas adjetivas explicativas. Exemplo: O homem que trabalha é útil à sociedade. A ausência de vírgula restringe o sentido da palavra homem, designando um tipo de homem entre vários. Trata-se de oração subordinada restritiva que apre- senta valor sintático de adjunto adnominal, uma vez que qualifica o termo anterior. Exemplo: O homem, que trabalha, é útil à sociedade. A presença de vírgula amplia o sentido da palavra homem, que pode ser entendida como todo homem. Trata-se de oração subordinada explicativa, pois acres- centa uma informação acessória; desempenha também va- lor sintático de adjunto adnominal, uma vez que qualifica o termo anterior. Observação: A oração subordinada adjetiva explicativa é separada da oração principal por uma pausa, que, na es- crita, é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a pontuação seja indicada como forma de diferenciar as orações explicativas das restritivas. De fato, as explicativas vêm sempre isoladaspor vírgulas; as restritivas, não. ASSINDÉTICASSINDÉTICAS ORAÇÕES COORDENADAS COM CONJUNÇÕES Eles desceram do carro porque o trânsito estava parado. SEM CONJUNÇÕES Chegamos na praia, nadamos, comemos. RESTRITIVASEXPLICATIVAS ORAÇÕES ADJETIVAS COM VÍRGULAS OBRIGATÓRIAS A professora, que é uma das mais novas da escola, é adorada pelos alunos. SEM VÍRGULAS Ele é um dos poucos diretores que é admirado pelos funcionários. 10 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 1. Orações subordinadas substantivas A oração subordinada substantiva trata-se de uma construção com verbo que possui valor de substantivo (esta oração fica posicionada onde, habitualmente, deveria haver um substanti- vo) e vem introduzida, geralmente, pelas conjunções integran- tes que ou se. Sintaticamente, podem exercer a função de: § sujeito § objeto direto § objeto indireto § complemento nominal § predicativo do sujeito § aposto Atenção É importante, nesse momento, que sejam recuperados os conceitos de identificação de conjunções integran- tes anteriormente aprendidos. Lembremos que, para localizarmos uma conjunção integrante, devemos substituir os elementos “que” ou “se” pelo pronome demonstrativo “isso”. A função que couber a esse pronome indicará a função exercida pela oração. Exemplos: É importante que chegue cedo ao atendimento. Substituindo a oração subordinada em destaque pelo pronome “isso”, temos: É importante isso (ou, na ordem direta: Isso é impor- tante). Percebemos então que a função sintática do pronome “isso” na construção é de sujeito. Vejamos outro exemplo: Não sei se entregaremos a encomenda hoje. Substituindo a oração subordinada em destaque pelo pronome “isso”, temos: Não sei isso (o pronome “isso” completa o sentido do verbo “ser”). Percebemos então que a função sintáti ca do pronome “isso” na construção é de objeto direto. 1.1. Classificação das orações subordinadas substantivas De acordo com a função que exerce no período, a oração subordinada substantiva pode ser: a) subjetiva: exerce a função sintática de sujeito do verbo da oração principal: Exemplo: É importante que investiguemos o caso. § Oração principal: É importante § Oração subordinada: que investiguemos o caso. (sin- taticamente exerce função de sujeito da oração principal). b) objetiva direta: exerce a função de objeto direto do verbo da oração principal: Exemplo: Eu percebo que ficarei com bastante sono hoje. § Oração principal: Eu percebo § Oração subordinada: que ficarei com bastante sono hoje (sintaticamente exerce função de objeto direto da oração principal). c) objetiva indireta: exerce a função de objeto indireto do verbo da oração principal (a conjunção integrante vem precedida de preposição). Exemplo: Tudo depende de que ela se esforce. § Oração principal: Tudo depende § Oração subordinada: de que ela se esforce. (sintatica- mente exerce função de objeto indireto da oração principal.) PERÍODO COMPOSTO: ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS COMPETÊNCIA(s) 1, 6 e 8 HABILIDADE(s) 1, 18 e 27 LC AULAS 29 E 30 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 11 V O LU M E 4 DIAGRAMA DE IDEIAS d) completiva nominal: exerce a função de comple- mento nominal (complementa o sentido de um elemento não-verbal que pertença à oração principal; também vem marcada por preposição). Exemplo: Sou favorável a que o absolvam. § Oração principal: Sou favorável § Oração subordinada: a que o absolvam. (sintati- camente exerce função de complemento nominal da oração principal.) Importante Não podemos esquecer que as orações subordinadas substantivas objetivas indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto as orações subordinadas subs- tantivas completivas nominais integram o sentido de um nome. Para distinguir uma da outra, é necessário levar em conta o termo complementado. e) predicativa: exerce o papel de predicativo do sujeito do verbo da oração principal e vem sempre depois do verbo “ser”. Exemplo: O grande mal é que me esqueço das coisas. § Oração principal: O grande mal é § Oração subordinada: que me esqueço das coisas. (sintaticamente exerce função de predicativo da oração principal.) f) apositiva: exerce a função de aposto de algum termo da oração principal. Exemplo: Eu espero a seguinte solução: que religuem a energia elétrica em casa. § Oração principal: Eu espero a seguinte solução § Oração subordinada: que religuem a energia elétri- ca da casa. (sintaticamente exerce função de aposto da oração principal). Atenção: a oração subordinada substantiva apositiva é a única que pode prescindir da conjunção integrante. Isso ocorre por conta do sinal de "dois pontos" que a introduz funcionar também, como elemento integrante. Fonte: Youtube Eu sei que vou te amar – Tom Jobim Eu sei que vou te amar Por toda a minha vida eu vou te amar Em cada despedida eu vou te amar Desesperadamente, eu sei que vou te amar E cada verso meu será Pra te dizer que eu sei que vou te amar Por toda minha vida Eu sei que vou chorar A cada ausência tua eu vou chorar Mas cada volta tua há de apagar O que esta ausência tua me causou Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver A espera de viver ao lado teu Por toda a minha vida Na canção apresentada, de Tom Jobim, vemos que o autor mobiliza orações substantivas na composição de certos versos, como “Eu sei que vou te amar”. multimídia: música ORAÇÕES SUBSTANTIVAS POSSUEM VALOR DE SUBSTANTIVO SÃO INTRODUZIDAS POR CONJUNÇÃO INTEGRANTE Eu desejo que eles sejam felizes. oração substantiva objetiva direta 12 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 1. Orações subordinadas adverbiais Uma oração subordinada adverbial exerce a função de ad- junto adverbial do verbo da oração principal. Dessa forma, pode exprimir circunstância de tempo, modo, fim, causa, condição, etc. Classifica-se de acordo com a conjunção ou locução conjuntiva que a introduz. Exemplo: Quando vi a pintura do artista, senti uma das maio- res emoções de minha vida. A primeira oração, “Quando vi a pintura do artista”, atua como um adjunto adverbial de tempo, que modifica a for- ma verbal “senti”. Trata-se de uma oração subordinada adverbial tempo- ral, uma vez que indica uma circunstância temporal acresci- da ao verbo da segunda oração. É importante lembrar que a classificação das orações subordinadas adverbiais é feita do mesmo modo que a classificação dos adjuntos adverbiais (e no sentido das conjunções que introduzem a oração). A seguir, temos as circunstâncias expressas pelas orações subordinadas adverbiais: a) causa Exemplo: Como ninguém se interessou pelo projeto, não houve alternativa a não ser cancelá-lo. § Oração principal: não houve alternativa a não ser cancelá-lo. § Oração subordinada: Como ninguém se interessou pelo projeto (assume valor de adjunto adverbial de cau- sa, uma vez que provoca um determinado fato, ao mo- tivo do que se declara na oração principal.) b) consequência Exemplo: Sua fome era tanta que comeu com casca e tudo. § Oração principal: Sua fome era tanta § Oração subordinada: que comeu com casca e tudo (assume valor de adjunto adverbial de consequência, uma vez que declara o efeito na oração principal.) c) condição Exemplo: Se o torneio for bem estruturado, todos sairão ganhando. § Oração principal: todos sairão ganhando. § Oração subordinada: Se o torneio for bem estrutura- do (assume valor de adjunto adverbial de condição, uma vez que a oração subordinada impõe-se como necessária para a realização ou não de um fato sobre a principal.) d) concessão Exemplo: Embora não goste de cogumelos, irei provar o prato. § Oração principal: irei provar o prato § Oração subordinada: Embora não goste de cogu- melos (assume valor de adjunto adverbial de conces- são, uma vez que admite uma ideia de cessão a algum fato,ou mesmo anormalidade em relação a esse fato). e) comparação Exemplo: Andava rápido como um foguete. § Oração principal: Andava rápido § Oração subordinada: como um foguete (assume va- lor de adjunto adverbial de comparação, uma vez que estabelece uma comparação com a ação indicada pelo verbo da oração principal). f) conformidade Exemplo: Fez o bolo conforme a receita. § Oração principal: Fez o bolo PERÍODO COMPOSTO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS COMPETÊNCIA(s) 1, 6 e 8 HABILIDADE(s) 1, 18 e 27 LC AULAS 31 E 32 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 13 V O LU M E 4 DIAGRAMA DE IDEIAS § Oração subordinada: conforme a receita (assume va- lor de adjunto adverbial de conformidade, pois exprime uma regra, um modelo adotado para a execução do que se declara na oração principal). g) finalidade Exemplo: Li o manual a fim de aprender mais sobre como usar o produto. § Oração principal: Li o manual § Oração subordinada: a fim de aprender mais sobre como usar o produto (assume valor de adjunto adver- bial final, pois expressa a intenção, a finalidade daquilo que se declara na oração principal). h) proporção Exemplo: Viaja ao exterior à medida que a empresa soli- cita seu trabalho. § Oração principal: Viaja ao exterior § Oração subordinada: à medida que a empresa so- licita seu trabalho (assume valor de adjunto adverbial proporcional, pois exprime ideia de proporção, ou seja, um fato simultâneo ao expresso na oração principal). i) tempo Exemplo: Quando você for a Londres, traga-me um presente. § Oração principal: traga-me um presente. § Oração subordinada: Quando você for a Londres (assume valor de adjunto adverbial temporal, uma vez que acrescenta uma ideia de tempo ao fato expresso na oração principal, podendo exprimir noções de simul- taneidade, anterioridade ou posterioridade). Importante Não confundir as orações coordenadas explicativas com as subordinadas adverbiais causais. As orações coordenadas explicativas caracterizam-se por forne- cer um motivo que explica a oração anterior. Exemplo: A criança devia estar doente, porque chora- va muito. (o choro da criança poderia não ser a causa de sua doença.) As orações subordinadas adverbiais causais expri- mem a causa do fato. Exemplo: Ele está triste porque perdeu seu emprego. (a perda do emprego é a causa da tristeza dele.) § Observe também que há pausa – vírgula, na escrita – entre a oração explicativa e a precedente e que ele trabalha com sistemas imperativos (verbos no impe- rativo) ou hipotéticos (marcadores de dúvida como “talvez”, verbo “dever”). ORAÇÕES ADVERBIAIS POSSUEM VALOR DE ADVÉRBIO OU ADJUNTO ADVERBIAL E SÃO INTRODUZIDAS POR CONJUNÇÃO SUBORDINATIVAS A questão era tão difícil que ele não conseguiu resolver. oração adverbial consecutiva 14 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 1. Sintaxe de colocação A colocação de pronomes oblíquos átonos em português pode ser realizada em três posições, obedecendo a regras e condições específicas. Essas três posições são a próclise, a mesóclise e a ênclise. 1.1. Próclise Temos próclise quando o pronome surge antes do verbo. Suas condições de colocação são: a) Nas orações que contenham uma palavra ou expressão de valor negativo. Exemplos: Ninguém me ajuda. Não me fale de problemas hoje. Nunca se esqueça do que lhe disse b) Nas conjunções subordinativas: Exemplos: Voltarei a fazer contato se me interessar. Ela não quis jantar, embora lhe servissem o me- lhor prato. É necessário que o vendamos por um bom preço. c) Nas orações em que existam pronomes indefinidos ou advérbios, sem marcas de pausa. Exemplos: Tudo me irrita nessa cidade. (pronome indefinido) Hoje se vive melhor no Brasil. (advérbio) Observação: caso tenhamos marcas de pausa depois do advérbio, emprega-se ênclise. Exemplo: Hoje, vive-se melhor no Brasil. (advérbio) d) Nas orações iniciadas por pronomes ou advérbios de tipo interrogativo. Exemplos: Quem te chamou até aqui? (pronome interrogativo) Por que o convidaram? (advérbio interrogativo) e) Com gerúndio precedido de preposição “em”. Exemplo: Em se tratando de pesquisas, melhor utilizar a biblioteca. f) Nas orações introduzidas por pronomes relativos. Exemplos: Foi aquele rapaz quem me pediu para falar com você. Há situações que nos constrangem. Essa foi a festa onde te conheci. g) Com a palavra “só” (no sentido de “apenas” ou “somente”) e com as conjunções coordenativas al- ternativas. Exemplos: Só se lembram dos pais quando precisam de dinheiro. Ou vai embora, ou se prepare para a bronca. h) Nas orações iniciadas por palavras exclamativas e nas optativas (que exprimem desejo). Exemplos: Deus o ilumine! (oração optativa) Como te admiro! (oração exclamativa) COLOCAÇÃO PRONOMINAL COMPETÊNCIA(s) 1 e 8 HABILIDADE(s) 1 e 27 LC AULAS 33 E 34 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 15 V O LU M E 4 Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro (oswald de andrade) O poema de Oswald de Andrade, publicado no início do século, coloca em cena a discussão a respeito dos usos linguísticos coloquiais e não-coloquiais que faze- mos dos pronomes oblíquos. É importante perceber que esse assunto ultrapassa o campo linguístico e literário e problematiza o que seriam as possíveis relações entre uma cultura fundamentalmente brasileira e os dados culturais aqui inseridos pelo colonizador português. multimídia: poesia 1.2. Mesóclise Temos mesóclise quando o verbo estiver em algum dos tempos futuros do indicativo (futuro do presente ou futu- ro do pretérito), desde que não existam condições para a próclise. O pronome é colocado no meio do verbo. Exemplos: Comprar-lhe-ei umas roupas novas. (compra- rei + lhe) Encontrar-me-iam se realmente quisessem. (en- contrar + me) Observações: a) Havendo condições para a próclise, esta prevalece sobre a mesóclise: Exemplo: Sempre lhe contarei os meus segredos. (O ad- vérbio “sempre” exige o uso de próclise.) b) A mesóclise é uso exclusivo da língua culta e da mo- dalidade literária. Não a encontramos na comunicação oral mais básica. c) Com esses tempos verbais (futuro do presente e futu- ro do pretérito) jamais ocorrerá a ênclise. 1.3. Ênclise Temos ênclise quando o pronome surge depois do verbo. Seu emprego obedece às seguintes regras: a) Nos períodos iniciados por verbos (desde que não este- jam no tempo futuro), pois, segundo a gramática normati- va, não podemos iniciar frases com pronome oblíquo. Exemplos: Fale-me o que está acontecendo. Compravam-se muitos produtos antes da crise. b) Nas orações imperativas afirmativas. Exemplos: Ligue para seu primo e avise-o do horário Ei, ajude-me com essa receita! c) Nas orações reduzidas de infinitivo. Exemplos: Convém dar-lhe um pouco mais de tempo. Espero enviar-lhe isto até amanhã cedo. d) Nas orações reduzidas de gerúndio (desde que não ve- nham precedidas de preposição “em”). Exemplos: A mãe adotiva ajudou a criança, dando-lhe cari- nho e proteção. Ele se desesperou, deixando-se levar pela situação. Observação: Se o verbo não estiver no início da frase, nem conjugado nos tempos Futuro do Presente ou Futuro do Pretérito, é possível usar tanto a próclise como a ênclise. Exemplos: Eu me encontrei com ela. Eu encontrei-me com ela. 16 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 DIAGRAMA DE IDEIAS No artigo apresentado, o Linguista Marcos Bagno nos apresenta uma visão histórica e crítica a respeito dos motivos que obrigariam os brasileiros a utilizarem, ain- da, em textos normativos, os parâmetros de colocação pronominal fundados no português europeu. multimídia: site MESÓCLISE ÊNCLISEPRÓCLISE SINTAXE DE COLOCAÇÃO PRONOME OBLÍQUO ANTECEDE O VERBO.Não me desrespeite! PRONOME OBLÍQUO É COLOCADO NO IN- TERIOR DO VERBO. Far-me-ia um favor? PRONOME OBLÍQUO É COLOCADO APÓS O VERBO. Deixe-me em paz! LITERATURA ENTRE LETRAS LIVRO TEÓRICO INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS CIÊNCIAS MÉDICAS CMMG O Enem exige que o candidato tenha co- nhecimento das diferentes escolas lite- rárias. Neste livro, encontram-se alguns exercícios a respeito de dois assuntos recorrentes nessa prova: Modernismo e vanguardas do século XX. A maior parte das questões de Literatura se refere às obras de leitura obrigató- ria. Neste livro, encontram-se alguns exercícios a respeito do Modernismo português, movimento do qual algumas das leituras exigidas pelo exame fazem parte. A maior parte das questões de Literatura se refere às obras de leitura obrigatória. Neste livro, encontram-se alguns exer- cícios a respeito do Modernismo portu- guês, movimento do qual faz parte “O marinheiro”, de Fernando Pessoa. As questões contemplam o conheci- mento acerca das escolas literárias, bem como de seus principais representantes. Neste livro, encontram-se alguns exer- cícios a respeito da estética modernista europeia e das vanguardas europeias que a influenciaram. As questões contemplam o conheci- mento acerca das escolas literárias, bem como de seus principais represen- tantes. Neste livro, encontram-se alguns exercícios a respeito do Modernismo português. Parte das questões de literatura dessa prova se baseia nas obras de leitura obrigatória da Fuvest. Neste livro, en- contram-se alguns exercícios sobre o Modernismo português, estética literária que aparece com alguma frequência neste exame. A prova exige conhecimentos acerca dos diversos movimentos literários. Neste livro, estão presentes questões sobre a estética modernista europeia, conteúdo bastante frequente nesse vestibular. As questões contemplam o conheci- mento acerca das escolas literárias, bem como de seus principais representantes. Neste livro, encontram-se alguns exercí- cios a respeito da estética modernista e das vanguardas europeias que a influen- ciaram. A prova exige conhecimentos acerca dos movimentos literários no Brasil e em Por- tugal. Neste livro, estão presentes ques- tões que abordam como o Modernismo se desenvolveu em território nacional e lusitano. A maior parte das questões de Literatura se refere às obras de leitura obrigatória. Neste livro, encontram-se alguns exercí- cios a respeito das vanguardas europeias e do modernismo europeu. A maior parte das questões de Literatura se refere às obras de leitura obrigatória. Entretanto, para interpretar corretamen- te tais obras, é essencial conhecer bem os movimentos literários e seus princi- pais representantes. A prova avalia os conhecimentos acerca dos gêneros literários e dos movimentos literários brasileiros. Neste livro, encon- tram-se alguns exercícios a respeito da estética modernista, em suas bases eu- ropeias, e das vanguardas europeias que a influenciaram. As questões desse exame vestibular con- templam o conhecimento acerca dos di- ferentes gêneros literários e das escolas literárias brasileiras, bem como de seus principais representantes. A prova avalia os conhecimentos acerca dos gêneros literários e dos movimentos literários brasileiros. Este livro contém exercícios sobre a estética modernista, em suas bases europeias, as vanguardas e o estilo de seus principais represen- tantes. A maior parte das questões de Literatura se refere às obras de leitura obrigatória. No entanto, também são comuns exercí- cios que cobrem o conhecimento do can- didato acerca dos movimentos literários em geral, bem como de seus principais representantes. LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 19 V O LU M E 4 O termo Pré-modernismo foi criado em 1939 por Tris- tão de Athayde (pseudônimo de Alceu Amoroso Lima, 1893-1983) para denominar o “momento de alvoroço intelectual, marcado pelo fim da grande guerra [1914- 1918] e, entre nós, por toda uma ansiedade de renova- ção intelectual, que alguns anos mais tarde redundaria no movimento modernista” – Jean Marcel oliveira arauJo 1. O pré-modernismo O pré-modernismo compreende um período histórico. Por isso, é importante compreendê-lo como um mo- mento de transição, em vez de uma escola literária, de fato. Há de se perceber, assim, dois fatores que podem provocar unidade no conjunto selecionado e estudado comumente: a recusa aos modelos passados, o realis- mo, o romantismo, entre outros, seja ela em partes ou total, o que resulta em uma inventividade e uma plu- ralidade ideológica nunca antes vista, e, também, na proclamação do Modernismo com a semana de vinte e dois, a recusa ao modernismo, em si, como é o caso do polêmico Monteiro Lobato. Assim, é comum que o aluno encontre características bas- tante "modernistas", nas obras de Lima Barreto ou de Eucli- des da Cunha, mas uma vez que os movimentos históricos marcaram o início do Modernismo no Brasil com grandes pompas em uma semana de arte, não cabe a classificação. De forma geral, compreenderemos como pré-modernistas algumas das obras publicadas entre 1902, ano de publica- ção de Os Sertões, de Euclides da Cunha, e 1922, ano da Semana de Arte Moderna e de falecimento de Lima Barreto. 2. Euclides da Cunha Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha (1866-1909) termi- nou o curso de Engenharia Militar na Escola Superior de Guerra, em 1892. Trabalhou na construção da Estrada de Ferro Central do Brasil e, mais tarde, atuou na cidade de São Carlos do Pinhal (SP) como engenheiro-assistente, na Superintendência de Obras. Ao mesmo tempo colaborava com artigos para o jornal O Estado de S. Paulo, que o con- vidou para ser correspondente em Canudos – cidade do interior da Bahia – durante o conflito entre o líder Antonio Conselheiro e as forças governistas. Permaneceu no ser- tão baiano de agosto a outubro de 1897 e testemunhou o massacre de Canudos. Ao regressar, em 1899, foi transferido para o município de São José do Rio Pardo, no interior de São Paulo, onde de- veria construir uma ponte sobre o rio Pardo. Lá escreveu Os sertões, obra que publicaria em 1902 e que o consagraria no panorama cultural brasileiro. Perfil de Euclides e outros perfis – Gilberto Freyre Gilberto Freyre foi um dos maiores intérpretes da realida- de brasileira e, nesse livro, revela um lado seu bastante perspicaz: o de grande observador do gênero humano. Em Perfil de Euclides e outros perfis, Freyre nos brinda com textos instigantes sobre personalidades importan- tes da história e da literatura brasileiras, como Euclides da Cunha, Augusto dos Anjos, D. Pedro II, Oliveira Lima, Manuel Bandeira, Nina Rodrigues e outros. multimídia: livro PRÉ- -MODERNISMO COMPETÊNCIA(s) 5 HABILIDADE(s) 15, 16 e 17 LC AULAS 27 E 28 20 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 2.1. Os sertões Os sertões situa-se entre a literatura, a sociologia e a ci- ência. Trata-se de uma análise sociocultural que revelou ao brasileiro um mundo desconhecido, de miséria abso- luta. O rigor científico de Euclides da Cunha – de linha cientificista do final do século XIX, que analisa o ser hu- mano em razão de seu ambiente –, aliado à linguagem vibrante e pomposa, faz do livro uma fonte preciosa de informação e de expressão. Serviram de roteiro as reportagens que Euclides da Cunha, como correspondente especial, escrevera no dia a dia da Guerra de Canudos. Armado de cultura técnico-científica, o engenheiro trouxe para Os sertões o vocabulário preciso de seu ofício e or- ganizou o livro em três partes – a terra, o homem e a luta –, com o intuito de trazer ao leitor uma visão completa do que se passava em Canudos. Na primeira parte, o narrador descreve a terra, palco onde foi representada a trágica peleja entre brasileiros-ir- mãos que se desconheciam e que o destino colocou no papel de antagonistas. Na segunda parte, retrata o homem brasileiro que se de-fronta naquele palco: de um lado, o sertanejo resistente; de outro, o militar incumbido de domá-lo. Emerge nessa parte a figura do chefe da revolta, Antônio Conselheiro, o ser- tanejo que representava todos os combatentes/lutadores, ponto de agregação para o qual convergiam as caracterís- ticas da sociedade sertaneja. Nessa parte, alguns personagens secundários do sertão são trazidos à cena: Volta-Grande, Pajeú, Pedrão, João Abade, Trança-Pés, Boca-Torta, Chico-Ema, bem como os coronéis Moreira César e Tamarindo, o general Machado Bitencourt e muitos militares. as Forças governistas acabaraM por aniquilar o priMitivo exército de Jagunços. Na terceira parte, finalmente, desenrola-se a luta, organi- zada em seis episódios: Preliminares, Travessia do comboio, Expedição Moreira César, Quarta expedição, Nova fase da luta e Últimos dias. Trecho da segunda parte, "O homem", de Os sertões. xilogravura de gabriel arcanJo Capítulo III O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitis- mo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desem- peno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas. É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gigante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava-o a postura normalmente abatida, num manifestar de displicência que lhe dá um caráter de humildade deprimente. A pé, quando parado, recosta-se invariavelmente ao primeiro umbral ou parede que encontra; a cavalo, se sofreia o animal para tro- car duas palavras com um conhecido, cai logo sobre um dos estribos, descansado sobre a espenda da sela. Caminhan- do, mesmo a passo rápido, não traça trajetória retilínea e firme. Avança celeremente, num bambolear característico, de quem parece ser o traço geométrico os meados das trilhas sertanejas. E se na marcha estaca pelo motivo mais vulgar, para enrolar um cigarro, bater o isqueiro, ou travar ligeira conversa com um amigo, cai logo – cai é o termo – de có- coras, atravessando largo tempo num posição de equilíbrio instável, em que todo seu corpo fica suspenso pelos dedos LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 21 V O LU M E 4 grandes dos pés, sentado sobre os calcanhares, com uma simplicidade a um tempo ridícula e adorável. É o homem permanentemente fatigado. Reflete a preguiça invencível, a atonia muscular perene, em tudo: na palavra remorada, no gesto contrafeito, no andar desaprumado, na cadência langorosa das modinhas, na tendência constante à imobilidade e à quietude. Entretanto, toda esta aparência de cansaço ilude. Nada é mais surpreendedor do que vê-la desaparecer de improviso. Naquela organização combalida operam-se, em segundos, transmutações completas. Basta o aparecimen- to de qualquer incidente exigindo-lhe o desencadear das energias adormidas. O homem transfigura-se. [...] Fonte: Youtube Deus e o Diabo na terra do sol Manuel (Geraldo Del Rey) é um vaqueiro que se revolta contra a exploração imposta pelo coronel Moraes (Míl- ton Rosa) e acaba matando-o numa briga. Ele passa a ser perseguido por jagunços, o que faz com que fuja com sua esposa Rosa (Yoná Magalhães). O casal se jun- ta aos seguidores do beato Sebastião (Lídio Silva), que promete o fim do sofrimento através do retorno a um catolicismo místico e ritual. Porém, ao presenciar a mor- te de uma criança, Rosa mata o beato. Simultaneamen- te, Antônio das Mortes (Maurício do Valle), um matador de aluguel a serviço da Igreja católica e dos latifundiá- rios da região, extermina os seguidores do beato. multimídia: vídeo Capítulo IV os sertões – carlos Ferreira e rodrigo rosa. Fonte: Youtube Guerra de Canudos Em 1893, Antônio Conselheiro (José Wilker) e seus se- guidores começam a tornar um simples movimento em algo grande demais para a República, que acabara de ser proclamada e decidira por enviar vários destacamen- tos militares para destruí-los. Os seguidores de Antônio Conselheiro apenas defendiam seus lares, mas a nova ordem não podia aceitar que humildes moradores do sertão da Bahia desafiassem a República. multimídia: vídeo É natural que estas camadas profundas da nossa estratifi- cação étnica se sublevassem numa anticlinal extraordinária – Antônio Conselheiro... A imagem é corretíssima. Da mesma forma que o geólogo interpretando a inclinação e a orientação dos estratos truncados de antigas forma- ções esboça o perfil de uma montanha extinta, o historia- dor só pode avaliar a altitude daquele homem, que si nada valeu, considerando a psicologia da sociedade que o criou. Isolado, ele se perde na turba dos neuróticos vulgares. Pode ser incluído numa modernidade qualquer de psicose progressiva. Mas posto em função do meio, assombra. É uma diátese, e é uma síntese. [...] É difícil traçar no fenômeno a linha divisória entre as tendên- cias pessoais e as tendências coletivas; a vida resumida do homem é um capítulo instantâneo da vida de sua sociedade. Acompanhar a primeira é seguir paralelamente e com mais rapidez a segunda, acompanhá-las juntas é observar a mais completa mutualidade de influxos. 3. Lima Barreto Lima Barreto foi um importantíssimo escritor brasileiro, “o romancista da primeira república''. Sua obra antecede o movimento modernista, caracterizando-se, assim, como uma pré-modernista. No entanto, isso não quer dizer que seus textos não se alinhem com as implicações políticas típicas dos grupos modernistas e nem que não obtivessem êxito em realização estética e formal da literatura moderna. Filho de um tipógrafo e de uma professora, ambos pobres e, à época, designados como mestiços, Lima Barreto sofre 22 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 preconceito durante toda sua vida. Seja pela cor de pele, seja pela questão financeira. Temas que o autor irá abordar de maneira intrínseca em sua obra. Sua mãe morre quando o autor tem apena sete anos. Por ser afilhado do Visconde de Ouro Preto, pode ter acesso a uma educação de quali- dade, estudando no Colégio Pedro II e, seguidamente, na Politécnica do Rio de Janeiro. aFonso Henriques de liMa barreto (laranJeiras, rJ 1881 - rio de Janeiro, rJ 1922). Lima Barreto: triste visionário – Lilia Schwarcz Durante mais de dez anos, Lilia Moritz Schwarcz mergu- lhou na obra de Afonso Henriques de Lima Barreto, com seu afiado olhar de antropóloga e historiadora, para realizar um perfil biográfico que abrangesse o corpo, a alma e os livros do escritor de Todos os Santos. Essa, que é a mais completa biografia de Lima Barreto des- de o trabalho pioneiro de Francisco de Assis Barbosa, lançado em 1952, resulta da apaixonada intimidade de Schwarcz com o criador de Policarpo Quaresma, e de um olhar aguçado que busca compreender a trajetória do biografado a partir da questão racial, ainda pouco discutida nos trabalhos sobre sua vida. multimídia: livro Durante o terceiro ano do curso de Engenharia, em 1903, Lima Barreto se viu obrigado a largar o curso. Seu pai ha- via enlouquecido e cabia a ele sustentar os irmãos. No ano seguinte, tornou-se escriturário do Ministério da Guerra. Permanece na função até se aposentar. Em 1905, adentra a área do jornalismo com algumas reportagens escritas para o Correio da Manhã. Funda a revista "Floreal", em 1907, que lança apenas quatro números. Sua estréia literária é marcada pelo romance Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909). O texto conta a história de um jovem afrodescendente que vem do interior para a cidade e sofre sérios preconceitos raciais. Há alto tom auto- biográfico bem como uma bela satira do jornalismo carioca. Fonte: Youtube Policarpo Quaresma, herói do Brasil O major Policarpo Quaresma é um sonhador. Um visio- nário que ama o seu país e deseja vê-lo tão grandioso quanto, acredita, o Brasil pode ser. Asua luta se inicia no Congresso. Policarpo quer que o tupi-guarani seja adota- do como idioma nacional. Ele tem o apoio de sua afilha- da Olga, por quem nutre um afeto especial, e de Ricardo Coração dos Outros, trovador e compositor de modinhas que contam a história do nosso herói do Brasil. multimídia: vídeo Triste fim de Policarpo Quaresma é lançado em 1915. É con- siderada a obra-prima do autor. Destaca-se, também, em sua carreira, a publicação de Clara dos Anjos (1922), exímio con- to em que destrincha a problemática do colorismo no Brasil, associando a temática à questão de classe. Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois que fos- sem... Em que lhe contribuía para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada... O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das coisas do tupi, do folk-lore, das suas tentativas agrí- colas... Restava disso tudo em sua alma uma satisfa- ção? Nenhuma! Nenhuma! O tupi encontrou a incredulidade geral, o riso, a mofa, o escárnio; e levou-o à loucura. Uma decepção. E a agricul- tura? Nada. As terras não eram ferazes e ela não era fácil como diziam os livros. Outra decepção. E, quando o seu patriotismo se fizera combatente, o que achara? Decep- ções. Onde estava a doçura de nossa gente? Pois ele a viu combater como feras? Pois não a via matar prisioneiros, inúmeros? Outra decepção. A sua vida era uma decepção, uma série, melhor, um encadeamento de decepções. LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 23 V O LU M E 4 A pátria que quisera ter era um mito; um fantasma cria- do por ele no silêncio de seu gabinete. barreto, l. triste FiM de policarpo quaresMa. disponível eM: www.doMiniopublico.gov.br. acesso eM: 8 nov. 2011. 4. Monteiro Lobato Monteiro Lobato é José Bento Renato Monteiro Lobato, filho de fazendeiros e nascido em Taubaté, no interior paulista. Desde criança se apaixonou pela literatura, pois, além de ter sido alfabetizado cedo, coisa rara no país até então, tinha acesso irrestrito à biblioteca de seu avô. Esse fator, talvez o tenha incentivado à produção de uma obra precursora da literatura infantil no país: O Sítio do Pica-Pau-Amarelo. A literatura de Lobato não para por aí, porém. Dono de editora, foi autor de obras que tratavam o regionalismo no país, como Urupês (1918), conto em que se encontra o fa- moso personagem Jeca Tatu: […] a verdade nua manda dizer que entre as raças va- riadas do matiz, formadoras da nacionalidade e metidas entre o estrangeiro recente e o aborígene de tabuinha no beiço, uma existe a vegetar de cócoras, incapaz de evolução, impenetrável ao progresso. Feia e sorna, nada a põe de pé. […] Jeca Tatu é um piraquara do Paraíba, maravilhoso epitome de carne onde se resumem todas as características da espécie. […] De pé ou sentado, as ideias se lhe entramam, a língua emperra e não há de dizer coisa com coisa. De noite, na choça de palha, aco- cora-se em frente ao fogo para “aquentá-lo, imitado da mulher e da prole. […] Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade! (lobato, 2004. p. 166-168.) Hoje, a literatura de Lobato parece estar sendo revista, uma vez que se percebe a reprodução de certos preconcei- tos (étnicos e regionais) dentro de suas obras. Além disso, os mais atentos às polêmicas sabem que foi confirmado documentalmente que o autor era filiado a um grupo paulista de eugenia. A revisão necessária, contudo, não anula o fato de que por anos o autor foi estudado dentro do pré-modernismo brasileiro, seja como autor, seja como ponto polêmico, seja como conservador, seja como um in- centivador da literatura infantil. 5. Augusto dos Anjos caricatura de augusto dos anJos Augusto dos Anjos (1884-1914) cursou Direito, em Reci- fe. No contato com o ambiente acadêmico, familiarizou-se com a ciência e absorveu de tal maneira termos científicos que passou a usá-los cotidianamente, até mesmo em seus poemas. Sempre voltado para a literatura, publicou em edi- ção particular o livro de poemas Eu, que causou enorme polêmica, pois o público, acostumado com a linguagem parnasiana, julgou a obra, à primeira vista, de mau gosto. A poética de Augusto dos Anjos nasceu de uma situação histórica híbrida. Influenciado pelas ciências da época, o poeta parecia encantado com o uso de termos científicos. Seria uma forma de inovar a poesia. Embora empregasse conceitos de origem científica, traduziu para o leitor verda- deiras essências misteriosas, despertando-lhe um fascínio por aquilo que ele não conhecia. Pode-se considerar Augusto dos Anjos como um poeta de tran- sição entre o Simbolismo decadente e a modernidade, muito identificado sempre com os sofrimentos da população do cam- po e da cidade marginalizada pelo progresso capitalista. A doença, a dor e a desilusão de viver estão muito presentes em seus poemas. 24 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 Antologia poética de Augusto dos Anjos – Ivan Cavalcanti Proença Augusto dos Anjos é um poeta estranho, perturbador, in- quietante e, como não poderia deixar de ser, capaz de grande sedução. O vocabulário pouco comum, a multipli- cidade de influências literárias que recebe e recria, tornan- do-se inclassificável, e principalmente, o desespero radical com que tematiza o fim de todas as ilusões românticas são alguns motivos de sua rejeição e paradoxal aceitação. multimídia: livro 5.1. Eu Obra composta de 58 poemas, quase todos com rima e em verso decassílabo, Eu é o único livro que Augusto dos Anjos publicou em vida, em 1912, escandalizando o público leitor da época pela insistência na temática da podridão, da morte, do sofrimento e do terror. Nele, predomina a linguagem científica e extravagante, aliada à temática da morte e da degradação em seus es- tágios mais avançados: a putrefação, a decomposição da matéria. Seus versos refletem a descrença e o pessimismo frente ao ser e à sociedade. Trata-se, portanto, de uma poesia de negação. Versos íntimos Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão – esta pantera – Foi tua companheira inseparável! Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera. Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja. Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija. (augusto dos anJos) euclides da cunHa LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 25 V O LU M E 4 DIAGRAMA DE IDEIAS PRÉ-MODERNISMO UM PERÍODO DE TRANSIÇÃO EUCLIDES DA CUNHA OS SERTÕES 1902 AUGUSTO DOS ANJOS EU 1912 LIMA BARRETO TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA 1915 MONTEIRO LOBATO URUPÊS 1918 LIMA BARRETO CONCLUI "CLARA DOS ANJOS"; FALECE POUCO DEPOIS SEMANA DE ARTE MODERNA 1922 ESCRITORES DE CARÁTER MODERNISTA CRITICOU O MODERNISMO 26 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 4 1. O conceito de vanguarda guernica. picasso. Na Europa, não houve uma arte moderna uniforme, mas um conjunto de tendências artísticas – provenientes de pa- íses diferentes – com propostas específicas, embora certos traços as aproximassem, como o sentimento de liberdade criadora, o desejo de romper com o passado, a expressão da subjetividade e certo irracionalismo. Paris era o principal centro cultural europeu da época, onde as novas ideias artísticas irradiavam para o resto do mundo ocidental. Essas tendências surgidas na Europa antes, du- rante e depois da Primeira Guerra Mundial foram conside- radas correntes de vanguarda. No Brasil não poderia ser diferente. Víamos o exato mo- mento da história em que as manifestações artísticas vi- nham crescendo no país, espelhadas nas tendências euro- peias, fossepara imitá-las, fosse para combatê-las. As vanguardas europeias passaram pela Literatura Brasilei- ra e deixaram sua contribuição. A Semana de Arte Moderna e o movimento modernista vieram romper com a antiga estética que até então reinava por aqui. Vanguardas: o futuro é agora! Do francês avant-garde, a palavra vanguarda significa “o que marcha na frente”. Artística ou politicamente, vanguardas são grupos ou correntes que apresentam uma proposta e/ou uma prática inovadora. Como se tivessem “antenas” que captam as tendências do fu- turo, as vanguardas acreditam perceber, ou compreen- der antes de todos aquilo que mais tarde será o senso comum. Sua intenção é fazer o futuro acontecer agora, por isso, suas ações muitas são incompreendidas. o grito. edvard MuncH. 1893. 2. As vanguardas 2.1. Futurismo 2.1.1. Arte em movimento Publicado em 1909, o Manifesto Futurista definiu o perfil ideológico do movimento. Em 1912, Marinetti lançou o Manifesto Técnico da Literatura Futurista cujas propostas representaram uma verdadeira revolução literá- ria, dentre elas: TEORIA DA VANGUARDA COMPETÊNCIA(s) 4 e 5 HABILIDADE(s) 12, 15, 16 e 17 LC AULAS 29 E 30 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 27 V O LU M E 4 § destruição da sintaxe e da disposição das “palavras em liberdade”; § emprego de verbos no infinitivo com vistas à substanti- vação da linguagem; § abolição dos adjetivos e dos advérbios; § emprego de substantivo composto por substantivos em lugar de substantivo acompanhado de adjetivo: praça-funil, mulher-golfo; § abolição da pontuação e substituição por sinais da ma- temática (+, -, :, =, >,