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Caro aluno 
Ao elaborar o seu material inovador, completo e moderno, o Hexag considerou como principal diferencial sua exclusiva metodologia em período integral, 
com aulas e Estudo Orientado (E.O.), e seu plantão de dúvidas personalizado. O material didático é composto por 6 cadernos de aula e 98 livros, totali-
zando uma coleção com 104 exemplares. O conteúdo dos livros é organizado por aulas temáticas. Cada assunto contém uma rica teoria que contempla, 
de forma objetiva e transversal, as reais necessidades dos alunos, dispensando qualquer tipo de material alternativo complementar. Para melhorar a 
aprendizagem, as aulas possuem seções específicas com determinadas finalidades. A seguir, apresentamos cada seção:
De forma simples, resumida e dinâmica, essa seção foi desen-
volvida para sinalizar os assuntos mais abordados no Enem e 
nos principais vestibulares voltados para o curso de Medicina 
em todo o território nacional.
INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS 
Todo o desenvolvimento dos conteúdos teóricos de cada co-
leção tem como principal objetivo apoiar o aluno na resolu-
ção das questões propostas. Os textos dos livros são de fácil 
compreensão, completos e organizados. Além disso, contam 
com imagens ilustrativas que complementam as explicações 
dadas em sala de aula. Quadros, mapas e organogramas, em 
cores nítidas, também são usados e compõem um conjunto 
abrangente de informações para o aluno que vai se dedicar 
à rotina intensa de estudos.
TEORIA
No decorrer das teorias apresentadas, oferecemos uma cui-
dadosa seleção de conteúdos multimídia para complementar 
o repertório do aluno, apresentada em boxes para facilitar a
compreensão, com indicação de vídeos, sites, filmes, músicas, 
livros, etc. Tudo isso é encontrado em subcategorias que fa-
cilitam o aprofundamento nos temas estudados – há obras
de arte, poemas, imagens, artigos e até sugestões de aplicati-
vos que facilitam os estudos, com conteúdos essenciais para 
ampliar as habilidades de análise e reflexão crítica, em uma
seleção realizada com finos critérios para apurar ainda mais
o conhecimento do nosso aluno.
MULTIMÍDIA
Atento às constantes mudanças dos grandes vestibulares, é 
elaborada, a cada aula e sempre que possível, uma seção que 
trata de interdisciplinaridade. As questões dos vestibulares 
atuais não exigem mais dos candidatos apenas o puro co-
nhecimento dos conteúdos de cada área, de cada disciplina.
Atualmente há muitas perguntas interdisciplinares que abran-
gem conteúdos de diferentes áreas em uma mesma questão, 
como Biologia e Química, História e Geografia, Biologia e Ma-
temática, entre outras. Nesse espaço, o aluno inicia o contato 
com essa realidade por meio de explicações que relacionam 
a aula do dia com aulas de outras disciplinas e conteúdos de 
outros livros, sempre utilizando temas da atualidade. Assim, 
o aluno consegue entender que cada disciplina não existe de 
forma isolada, mas faz parte de uma grande engrenagem no 
mundo em que ele vive.
CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS
Um dos grandes problemas do conhecimento acadêmico 
é o seu distanciamento da realidade cotidiana, o que difi-
culta a compreensão de determinados conceitos e impede 
o aprofundamento nos temas para além da superficial me-
morização de fórmulas ou regras. Para evitar bloqueios na
aprendizagem dos conteúdos, foi desenvolvida a seção “Vi-
venciando“. Como o próprio nome já aponta, há uma preo-
cupação em levar aos nossos alunos a clareza das relações
entre aquilo que eles aprendem e aquilo com que eles têm
contato em seu dia a dia.
VIVENCIANDO
Essa seção foi desenvolvida com foco nas disciplinas que fa-
zem parte das Ciências da Natureza e da Matemática. Nos 
compilados, deparamos-nos com modelos de exercícios re-
solvidos e comentados, fazendo com que aquilo que pareça 
abstrato e de difícil compreensão torne-se mais acessível e 
de bom entendimento aos olhos do aluno. Por meio dessas 
resoluções, é possível rever, a qualquer momento, as explica-
ções dadas em sala de aula.
APLICAÇÃO DO CONTEÚDO
Sabendo que o Enem tem o objetivo de avaliar o desem-
penho ao fim da escolaridade básica, organizamos essa 
seção para que o aluno conheça as diversas habilidades e 
competências abordadas na prova. Os livros da “Coleção 
Vestibulares de Medicina” contêm, a cada aula, algumas 
dessas habilidades. No compilado “Áreas de Conhecimento 
do Enem” há modelos de exercícios que não são apenas 
resolvidos, mas também analisados de maneira expositiva e 
descritos passo a passo à luz das habilidades estudadas no 
dia. Esse recurso constrói para o estudante um roteiro para 
ajudá-lo a apurar as questões na prática, a identificá-las na 
prova e a resolvê-las com tranquilidade.
ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM
Cada pessoa tem sua própria forma de aprendizado. Por isso, 
criamos para os nossos alunos o máximo de recursos para 
orientá-los em suas trajetórias. Um deles é o ”Diagrama de 
Ideias”, para aqueles que aprendem visualmente os conte-
údos e processos por meio de esquemas cognitivos, mapas 
mentais e fluxogramas.
Além disso, esse compilado é um resumo de todo o conteúdo 
da aula. Por meio dele, pode-se fazer uma rápida consulta 
aos principais conteúdos ensinados no dia, o que facilita a 
organização dos estudos e até a resolução dos exercícios.
DIAGRAMA DE IDEIAS
© Hexag SiStema de enSino, 2018
Direitos desta edição: Hexag Sistema de Ensino, São Paulo, 2023
Todos os direitos reservados.
Coordenador-geral
Murilo Almeida Gonçalves
reSponSabilidade editorial, programação viSual, reviSão e peSquiSa iConográfiCa
Hexag Editora
editoração eletrôniCa
Letícia de Brito
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projeto gráfiCo e Capa
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imagenS
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iSbn
978-85-9542-269-8
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por fim único e exclusivo o ensino. Caso exista algum texto a respeito do qual seja necessária a in-
clusão de informação adicional, ficamos à disposição para o contato pertinente. Do mesmo modo, 
fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre as imagens pu-
blicadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições.
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2023
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ENTRE LETRAS
GRAMÁTICA 5
AULAS 27 E 28: PERÍODO COMPOSTO: ORAÇÕES COORDENADAS E SUBORDINADAS ADJETIVAS 007
AULAS 29 E 30: PERÍODO COMPOSTO: ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS 010
AULAS 31 E 32: PERÍODO COMPOSTO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS 012
AULAS 33 E 34: COLOCAÇÃO PRONOMINAL 014
LITERATURA 17
AULAS 27 E 28: PRÉ-MODERNISMO 019
AULAS 29 E 30: TEORIA DA VANGUARDA 026
AULAS 31 E 32: MODERNISMO PORTUGUÊS I 038
AULAS 33 E 34: MODERNISMO PORTUGUÊS II 044
SUMÁRIO
Co
m
pe
tê
n
Ci
a
 1 Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida.
H1 Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação.
H2 Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais.
H3 Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas.
H4 Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação.
Co
m
pe
tê
n
Ci
a
 2 Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) como instrumento de acesso a informações e a outras culturas e grupos sociais.
H5 Associarque exigem a dedi-
cação total do artista à realidade, mesmo que o primeiro 
a resolva no plano do conhecimento e o segundo, no pla-
no da ação” (Arte moderna. São Paulo: Companhia das 
Letras, 1993. p. 227).
Dentre os principais fundamentos do Expressionismo, des-
tacam-se:
 § A arte não é imitação, mas criação subjetiva, livre. A 
arte é expressão dos sentimentos.
 § A realidade que circunda o artista é horrível; por isso, 
ele a deforma ou a elimina, criando a arte abstrata.
 § A razão é objeto de descrédito.
 § A arte é criada sem obstáculos convencionais; repre-
senta repúdio à repressão social.
 § A intimidade e a vivência da dor derivam do sentido 
trágico da vida e causam uma deformação significativa, 
torturada.
 § A arte desvincula-se do conceito de belo e feio e torna-
-se uma forma de contestação.
As características da literatura expressionista são mani-
festadas por:
 § linguagem fragmentada, elíptica, frases nominais sem 
sujeito, aglomeração de substantivos e adjetivos;
 § despreocupação com a organização do poema em es-
trofes, rimas ou musicalidade; e
 § temas voltados para o combate à fome, à inércia e aos 
valores do mundo burguês.
Dentre os artistas ligados ao Expressionismo, destacam-
-se: Kandinsky, Paul Klee, Chagall, Munch, na pintura; 
Erich Mendelsohn, na arquitetura; August Stramm, Ka-
simir Edschmid e, mais tarde, Hermann Hesse e Thomas 
Mann, na literatura; Kayser e Brecht (fase inicial), no teatro, 
Schoenberg, na música; e Wiene, no cinema.
Leia abaixo um fragmento do poema expressionista O meu 
tempo, do poeta alemão Wilhelm Klemm. Observe como a 
aglomeração de frases nominais realçam a externalização 
das sensações do poeta:
Cantos e metrópoles, lavinas febris,
Terras descoradas, polos sem glória,
Miséria, heróis e mulheres da escória,
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Sobrolhos espectrais, tumulto em carris.
Soam ventoinhas em nuvens perdidas.
Os livros são bruxas. Povos desconexos.
A alma reduz-se a mínimos complexos.
A arte está morta. As horas reduzidas.
(apud lúcia Helena. MoviMentos da vanguarda europeia
 são paulo: scipione, 1993. p. 33.)
2.4. Dadaísmo
2.4.1. A antiarte
Durante a Primeira Guerra Mundial, a Suíça, que tinha se 
mantido neutra no conflito, recebeu em Zurique artistas e 
intelectuais de todos os pontos da Europa. Esses “fugidos da 
guerra” reuniam-se no “Cabaret Voltaire”, ponto de encon-
tro e espaço cultural no qual nasceu o movimento dadaísta.
Criado a partir do clima de instabilidade, medo e revolta 
provocados pela guerra, o movimento dadá pretendia ser 
uma resposta à nítida decadência da civilização represen-
tada pelo conflito. Dessa postura, provêm a irreverência, o 
deboche, a agressividade e o ilogismo dos textos e mani-
festações dadaístas.
le violon d’ingres. Man raY. 1924.
O que significa dadá?
Segundo Tristan Tzara, líder dadaísta, a palavra dadá 
não significa nada:
“Encontrei o nome casualmente ao meter uma es-
pátula num tomo fechado do Petit Larousse. Ao abrir o 
livro, a primeira linha que me saltou à vista foi DADÁ.”
Um fragmento do “Manifesto do Senhor Antipirina” da 
primeira exposição pública do pensamento dadaísta dizia:
“Dadá permanece no quadro europeu das fraquezas, 
no fundo é tudo merda, mas nós queremos doravante 
cagar em cores diferentes para ornar o jardim zoológi-
co da arte de todas as bandeiras dos consulados”. 
Para os dadás, com a Europa banhada em sangue, o cultivo 
da arte não passava de hipocrisia e presunção. Em razão 
disso, adotaram procedimentos que tinham em vista ridi-
cularizá-la, agredi-la, destruí-la.
Foram muitas as atitudes demolidoras dos artistas dada-
ístas a partir de 1916: noitadas em que predominavam 
palhaçadas, declamações absurdas, exposições inusitadas, 
além de espetáculos relâmpagos que faziam de improviso 
nas ruas, em meio a urros, vaias, gritos, palavrões e à total 
incompreensão da plateia.
O Dadaísmo suíço produziu um pequeno acervo de obras 
artísticas, mas o movimento foi reforçado pelas montagens 
e colagens de Max Ernst e Hans Arp, e pela técnica do 
ready-made desenvolvida por Marcel Duchamp, que satiri-
za o mito mercantilista da civilização capitalista. Essa téc-
nica consiste em extrair um objeto do seu uso cotidiano e, 
sem alguma ou com pequenas alterações, atribuir-lhe um 
valor. Ficaram famosos certos objetos, como um urinol de 
porcelana, uma roda de bicicleta enxertada numa cadeira, 
um rolo de corda, uma ampola de vidro, um suporte para 
garrafa, todos elevados por Duchamp à condição de 
objetos de arte.
Na literatura, o Dadaísmo caracteriza-se pela agressivi-
dade, improvisação, desordem, rejeição a todo tipo de ra-
cionalização e equilíbrio, bem como pela livre associação 
de palavras – técnica da “escrita automática”, mais tarde 
aproveitada pelo Surrealismo – e pela invenção de pala-
vras com base na exploração de seu significante. Este poe-
ma fonético Die Schlacht (A batalha), de Ludwig Kassak, é 
um bom exemplo dessas propostas:
urinol de porcelana. ducHaMp.
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Berr... bum, bumbum, bum...
Ssi... bum, papapa bum, bumm 
Zazzau... Dum, bum, bumbumbum 
Prã, prà, prã... ra, hã-hã, aa...
Hahol...
A poesia sonora e o Dadaísmo
A poesia sonora, composta de sons apenas, sem 
palavras, nasceu com os dadaístas no começo do 
século XX. Depois de oitenta anos desaparecida, re-
nasceu na década de 1990 entre poetas brasileiros 
e portugueses. Em agosto de 2000, foi realizado em 
São Paulo o Ciclo Internacional de Poesia Experi-
mental Sonora.
Francis Picabia, Philippe Soupault e André Breton des-
tacaram-se como dadaístas. De orientação anarquista e 
niilista sem um programa de arte, o movimento não teve 
longa duração. Tristan Tzara e André Breton desentende-
ram-se. Como o fim da guerra, era hora de reconstruir o 
que fora demolido: a Europa e a arte. Tzara insistia em 
manter a linha original do movimento. Breton rompeu 
com o Dadaísmo e abandonou o grupo para criar o mo-
vimento surrealista, uma das mais importantes correntes 
artísticas do século XX.
2.5. Surrealismo
2.5.1. O combate à razão
Nascido na França, o movimento surrealista apareceu com a 
publicação do “Manifesto do Surrealismo” (1924), de André 
Breton. Interessados nas propostas de Breton, que, psicana-
lista, procurava unir arte e psicanálise, diversos pintores ade-
riram ao movimento, que optou por experiências criadoras 
automáticas e pelo imaginário extraído do sonho como linhas 
de atuação.
Freud, na psicanálise, e Bergson, na filosofia, já haviam destacado 
a importância do mundo interior do ser humano, as zonas pouco 
ou propriamente desconhecidas da mente humana. Encaravam o 
inconsciente, o subconsciente e a intuição como fontes inesgotá-
veis e superiores de conhecimento humano, legando a segundo 
plano o pensamento sensível, racional e consciente.
O automatismo artístico consiste em extravasar sem controle 
algum da razão ou do pensamento os impulsos criadores do 
subconsciente. Ao proceder assim, o artista leva para a tela ou 
para o papel seus desejos interiores profundos sem se importar 
com coerência, significados, adequação etc. Na literatura, esse 
procedimento recebeu o nome de escrita automática.
Outra linha de atuação surrealista, a onírica, busca a trans-
posição do universo dos sonhos para o plano artístico.
o surrealisMo. Max ernst.
A necessidade da arte – Ernst Fisher
Muito utilizada na disciplina História da Arte, nos cursos 
de História, Turismo e Design, a nona edição brasileira 
dessa excelente obra concebe a arte como substituto da 
vida, como uma forma de colocar o homem em estado 
de equilíbrio.
multimídia: livro
Na concepção freudiana, o sonho é a manifestação das zo-
nas ocultas da mente, do inconsciente e do subconsciente. 
Os surrealistas pretendiam criar uma arte livre da razão, 
que correspondesse à transferência direta das imagens ar-
tísticas do inconsciente para a tela ou para o papel, uma 
arte produzidanum estado de consciência em que o artista 
estaria “sonhando acordado”.
Nessas duas linhas de pesquisa e trabalho predominam 
o ilogismo, o devaneio, o sonho, a loucura, a hipnose, o 
humor negro, as imagens surpreendentes, o impacto do 
inusitado, a livre expressão dos impulsos sexuais, etc.
O Surrealismo teve repercussão na literatura, com André 
Breton, Louis Aragon, Antonin Artaud; nas artes plásticas, 
com Salvador Dali, Max Ernst, Joan Miró, Jean Harp; no 
cinema, com o cineasta espanhol Luis Buñuel.
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A bela da tarde
Esse é o titulo de um filme de Luis Buñel, premiado no Festival de Veneza, em 1967, cuja protagonista é Catherine Deneuve. 
Trata-se de um debate sobre a relação entre repressão sexual rígida e moral burguesa. O filme narra as aventuras amorosas 
de Séverine, uma jovem rica e infeliz no casamento, que busca realizar suas fantasias num discreto bordel da cidade.
cena do FilMe a bela da tarde.
Outros critérios – Leo Steinberg
Os treze ensaios escritos entre 1955 e 1972 do crítico 
novaiorquino Leo Steinberg, reunidos nessa obra e pre-
faciados pelo autor especialmente para essa edição, tra-
zem uma contribuição singular aos estudos sobre artes 
moderna e contemporânea. 
Um dos renovadores da crítica de arte, Steinberg mis-
tura a visão do scholar à do crítico militante, em uma 
vibrante vocação interpretativa. Com uma leitura crítica 
(ou autocrítica), vinculada aos problemas da história da 
arte moderna, ele estabelece o que seria a tarefa histó-
rica da crítica, do meio do convívio com as obras.
multimídia: livro
Vanguarda europeia e Modernismo 
brasileiro – Gilberto Mendonça Teles
Nick Hart é um artista estadunidense que se esforça, 
que vive entre a comunidade de expatriados na dé-
cada de 1920, em Paris. Ele passa a maior parte do 
tempo bebendo e socializando-se nos cafés locais e 
irritando o dono da galeria Libby Valentin para vender 
suas pinturas. Envolve-se em uma trama da rica patro-
na de arte Nathalie de Ville para forjar três pinturas. 
Isso leva a vários episódios com o magnata da borra-
cha estadunidense Bertram Stone, que se casou com a 
ex-esposa de Hart, Rachel.
multimídia: livro
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VIVENCIANDO
Conhecer sobre arte é conhecer o próprio ser humano. Quem interpreta o mundo sob a óptica da arte tem mais 
noção crítica sobre quem é e o que está fazendo no mundo. Noções estéticas em mimeses com a realidade dão 
dimensão e clareza do mundo, fazem sujeitos críticos afastados do mal da alienação e da massa de manobra. Os 
movimentos artísticos do início do século XX registram o processo de fragmentação do sujeito que a violência 
das guerras e da busca irremediável por poder e dinheiro trouxe ao mundo pós-industrialização.
 
o cavalo azul. Franz Marc. 1911. casas d’estaque. george braque. 1908 quadro i. piet Mondrian. 1921
 
estado de espírito ii. uMberto boccioni. 1911. a persistência da MeMória. salvador dali. 1931
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VIVENCIANDO
Mesa posta ou HarMonia eM verMelHos. Henri Matisse. 1908.
Fonte: Youtube
Nós que aqui estamos por vós esperamos
Um filme documentário/cinema memória de Marcelo 
Masagão, de 1999, sobre o século XX, a partir de uma 
poética e criativa linguagem de montagem de recortes 
biográficos reais e ficcionais (como fotografias, filmes 
clássicos e outros tipos de registros audiovisuais) de 
pequenos e grandes personagens que viveram no sé-
culo passado, de forma a resumir e definir o espírito 
dessa época.
multimídia: vídeo
Fonte: Youtube
O discreto charme da burguesia
Um embaixador rico (Fernando Rey) e um grupo de 
amigos burgueses se reúnem para jantar, mas a anfitriã 
(Stéphane Audran) estava esperando por eles em uma 
noite diferente. O grupo, então, tenta jantar em um res-
taurante, só para encontrar os garçons de luto pela mor-
te repentina de seu gerente. Logo fica claro que o grupo 
sofisticado está fadado a ter a sua refeição interrompida 
por ocorrências cada vez mais bizarras.
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Fonte: Youtube
Meia-noite em Paris
Gil (Owen Wilson) sempre idolatrou os grandes escri-
tores estadunidenses e sonhou ser como eles. A vida o 
levou a trabalhar como roteirista em Hollywood, o que 
fez com que fosse muito bem remunerado, mas que 
também lhe rendesse uma boa dose de frustração. Ago-
ra, ele está prestes a ir a Paris ao lado de sua noiva, Inez 
(Rachel McAdams), e dos pais dela, John (Kurt Fuller) e 
Helen (Mimi Kennedy). 
multimídia: vídeo
Fonte: Youtube
1900
Na Itália, a vida de dois amigos de infância separados 
por seus destinos. Olmo Dalcò (Gérard Depardieu), filho 
bastardo de um camponês, é um trabalhador inverter: 
politicamente consciente. Alfredo Berlinghieri (Robert De 
Niro), filho de um proprietário de terras, vive do dinheiro 
da família, sem maiores preocupações. De classes opos-
tas, os dois compartilham um contexto: o crescimento do 
fascismo e do comunismo.
multimídia: vídeo
Fonte: Youtube
Metropolis
Metrópolis, ano 2026. Uma cidade dividida em duas: 
de um lado estão os operários, em regime de escravi-
dão, vivendo na miséria e explorados por máquinas. Do 
outro, estão os poderosos, os políticos, que desfrutam 
de um jardim idílico, o Jardim dos Prazeres. Uma história 
de amor surge entre os dois extremos da cidade.
multimídia: vídeo
Fonte: Youtube
The moderns
Nick Hart é um artista estadunidense que se esforça, 
que vive entre a comunidade de expatriados na dé-
cada de 1920, em Paris. Ele passa a maior parte do 
tempo bebendo e socializando-se nos cafés locais e 
irritando o dono da galeria Libby Valentin para vender 
suas pinturas. Envolve-se em uma trama da rica patro-
na de arte Nathalie de Ville para forjar três pinturas. 
Isso leva a vários episódios com o magnata da borra-
cha estadunidense Bertram Stone, que se casou com a 
ex-esposa de Hart, Rachel.
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ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM
HABILIDADE 12
Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais.
Esta competência trata de um conhecimento humano fundamental que é dominar as generalidades das 
expressões artísticas existentes. Entender que a arte é um tentáculo da cultura e, assim sendo, como se 
comporta em sua concepção levando em consideração o autor, seu processo criativo (estética, técnica, 
suporte, objetivo, etc.) e relação como o contexto de produção. Estudar esta competência na disciplina de 
Literatura faz parte de um movimento contemporâneo das bases educativas que buscam interdisciplinari-
dade entre os conteúdos, sobretudo por conta do fato de que a literatura é arte. A partir dessa premissa, 
infere-se que também recebe as mesmas influências que os artistas de outros gêneros (como é o caso da 
pintura) e de movimentos artísticos receberam, como aconteceu com as vanguardas artísticas europeias.
Estas habilidades pressupõem que o aluno tenha conhecimento das concepções artísticas, no caso o con-
ceito de uma vanguarda artística do século XX específica: o Surrealismo. A construção dos procedimentos 
artísticos e sua função está ligada aos fatores estéticos que podem levar em consideração a forma e/ou 
conteúdo do texto em relação à concepção artística do contexto (meios culturais).
MODELO 1
(Enem) O Surrealismo configurou-se como uma das vanguardas artísticas euro-
peias do início do século XX. René Magritte, pintor belga, apresenta elementos 
dessa vanguarda em suas produções. Um traço do Surrealismo presente nessa 
pintura é o(a): 
a) justaposição de elementos díspares, observada na imagem do homem no espelho;
b) crítica ao passadismo, exposta na dupla imagem do homem olhando sempre para frente;
c) construção de perspectiva, apresentadana sobreposição de planos visuais;
d) processo de automatismo, indicado na repetição da imagem do homem;
e) procedimento de colagem, identificado no reflexo do livro no espelho;
ANÁLISE EXPOSITIVA
 O movimento surrealista apresenta como principais características a ausência da lógica, a fusão consciente 
da realidade com a ficção, a exploração do mundo onírico e a exaltação da liberdade de criação, entre 
outros. Magritte é conhecido pelas obras provocadoras que desafiam as percepções dos observadores, 
como a tela “A reprodução proibida”, em que a imagem do homem refletida no espelho contraria a lógica.
RESPOSTA Alternativa A
 
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DIAGRAMA DE IDEIAS
VANGUARDAS EUROPEIAS 
DO SÉCULO XX
AS VANGUARDAS ARTÍSTICAS EUROPEIAS PREGAVAM UM MESMO 
IDEAL: ERA PRECISO DERRUBAR A TRADIÇÃO POR MEIO DE 
PRÁTICAS ARTÍSTICAS INOVADORAS, CAPAZES DE SUBVERTER 
O SENSO COMUM E CAPTAR AS TENDÊNCIAS DO FUTURO.
PARA LEMBRAR SOBRE AS VANGUARDAS ARTÍSTICAS: 
• Representação dos sentimentos humanos através de linhas e cores.
• Deformação e fragmentação do homem moderno.
• Deformação da realidade; Pessimismo e negatividade.
• Abandono ou fuga das regras tradicionais da arte.
• Melancolia e tristeza.
• Retrato do mundo interior (aspecto psicológico registrado em seus imediatismos caóticos.
A PALAVRA VANGUARDA, DO FRANCÊS AVANT-
GARDE, SIGNIFICA A “GUARDA AVANÇADA”, 
O QUE PRESSUPÕE, NESSE CONTEXTO, UM 
MOVIMENTO PIONEIRO DAS ARTES.
O PRINCIPAL OBJETIVO DAS VANGUARDAS ERA 
LEVAR PARA A ARTE O SENTIMENTO DE LIBERDADE 
CRIADORA, A SUBJETIVIDADE, CERTO IRRACIONALISMO 
E, FUNDAMENTALMENTE, A MIMESE DE UM 
MUNDO VIOLENTO, VELOZ E FRAGMENTADO.
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1. Contexto histórico
Os primeiros anos do século XX em Portugal foram conturba-
dos. Com a descrença na monarquia, em 1910 foi proclama-
da a República, mas as mudanças sociais que eram esperadas 
não aconteceram. Desse modo surgiram dissidências inter-
nas, o que levou à instabilidade da democracia portuguesa.
essa litograFia popular representa os principais eventos da revolução 
que levaraM portugal à proclaMação da república. no priMeiro 
plano, cHeFes e civis que toMaraM parte na luta. aciMa, o boMbardeio 
do palácio real pelos navios de guerra, o eMbarque da FaMília real 
para o exílio e os Jesuítas sendo presos por revolucionários.
Em 1916, a Alemanha declarou guerra a Portugal. No ano 
seguinte, ao lado dos países aliados, um corpo expedicioná-
rio de 55 mil portugueses e muitas tropas seguiram para 
Angola e Moçambique, países africanos, limítrofes com 
colônias da Alemanha. Tanto na Europa quanto na África a 
guerra causou enormes perdas, mas permitiu que Portugal 
se incluísse entre os vencedores no Tratado de Versalhes.
1.1. Orfismo
O primeiro tempo do Modernismo português, conhecido 
como Orfismo, associou-se à profunda instabilidade polí-
tico-social da primeira República, e recebeu esse nome por-
que, à luz das modernas vanguardas europeias, em 1915, 
alguns jovens – Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, 
Raul Leal, Luís de Montalvor, Almada Negreiros e o brasileiro 
Ronald de Carvalho, entre outros – resolveram fundar uma 
revista que os congregasse. Surgiu a revista Orpheu.
A Orpheu era uma publicação porta-voz dos ideais de 
renovação futurista desejados pelo grupo. Ela teve dois 
números. No primeiro, Luis de Montalvor e Ronald de Car-
valho pretenderam aproximar o Modernismo português do 
Modernismo brasileiro. Além disso, a revista tinha como 
proposta tirar Portugal de seu descompasso em relação à 
Europa. Sua poesia, irreverente e alucinada, tinha por obje-
tivo preciso irritar o burguês.
No segundo número, sob a direção de Fernando Pessoa e 
Mário de Sá-Carneiro, declarou-se o fim do Simbolismo. 
Em decorrência de questões financeiras e de outras situ-
ações, a revista não prosseguiu, encerrando-se em 1916.
capa do priMeiro exeMplar da revista orpHeu, publicada no priMeiro triMestre 
de 1915, coM 83 páginas e iMpressa eM papel de excelente qualidade.
2. Características do 
modernismo em Portugal
retrato de Fernando pessoa. óleo sobre tela, 201 cM x 201 cM.1954.
MODERNISMO 
PORTUGUÊS I
COMPETÊNCIA(s)
5
HABILIDADE(s)
15, 16 e 17
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2.1. Crise do progressismo 
burguês e Intuicionismo
A instabilidade europeia do início do século XX atingiu Por-
tugal e representou um período de grande insatisfação e 
também de crise da sociedade liberal burguesa.
Nessa época imperou um novo individualismo, que os 
primeiros modernistas cultivaram como determinação do 
próprio eu e não como algo imposto pela sociedade. Surgiu 
também o Intuicionismo, como um conhecimento do mundo 
que vem da espontaneidade, de forma natural, e não pela ci-
ência ou pela técnica, como é possível perceber neste poema 
de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa:
“O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores.”
(pessoa, Fernando. poeMas de alberto caeiro. obra coMpleta 
de Fernando pessoa. rio de Janeiro. aguilar. 1977.)
Nesse poema, o eu poético questiona e aponta uma 
relação de sensações com o mundo e a natureza, ne-
gando qualquer sentido profundo nas coisas que for-
mam a realidade.
É nítida também a postura de não aceitar a raciona-
lidade e a ordenação das coisas, características do 
progressismo burguês. A sabedoria está em descons-
truir, desaprender.
2.2. Vanguardismo: O 
Cubofuturismo e o Surrealismo
Entre os movimentos europeus de vanguarda que influen-
ciaram o Modernismo português, devem ser citados o 
Cubismo e o Futurismo que, já de início, foram adotados 
principalmente pelos poetas.
A Primeira Guerra Mundial havia assolado a Europa, e mui-
tos artistas portugueses regressaram a Portugal.
alMada negreiros
Em 1917, o poeta e pintor Almada Negreiros ressaltou 
a necessidade de transformações e, vestido de operário, 
apresentou no Teatro da República, a conferência “Ultima-
tum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX”.
Ultimatum futurista
às gerações portuguesas do século xxi
“Acabemos com este maelstrom de chá morno!
Mandem descascar batatas simbólicas a quem disser que 
não há tempo para a criação!
Transformem em bonecos de palha todos os pessimistas e 
desiludidos!
Despejem caixotes de lixo à porta dos que sofrem da impo-
tência de criar!
Rejeitem o sentimento de insuficiência da nossa época!
40  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias
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Cultivem o amor do perigo, o hábito da energia e da ousadia!
Virem contra a parede todos os alcoviteiros e invejosos do 
dinamismo!
Declarem guerra aos rotineiros e aos cultores do hipnotismo!
Livrem-se da choldra provinciana e da safardanagem 
intelectual!
Defendam a fé da profissão contra atmosferas de tédio ou 
qualquer resignação!
Façam com que educar não signifique burocratizar!
Sujeitem a operação cirúrgica todos os reumatismos 
espirituais!
Mandem para a sucata todas as ideias e opiniões fixas!
Mostrem que a geração portuguesa do século XXI dispõe 
de toda a força criadora e construtiva!
Atirem-se independentes prá sublime brutalidade da vida!
Dispensem todas as teorias passadistas!
Criem o espírito de aventura e matem todos os sentimentos 
passivos!
Desencadeiem uma guerra sem tréguas contra todos os 
“botas deelástico”!
Coloquem as vossas vidas sob a influência de astros 
divertidos!
Desafiem e desrespeitem todos os astros sérios deste mundo!
Incendeiem os vossos cérebros com um projecto futurista!
Criem a vossa experiência e sereis os maiores!
Morram todos os derrotismos! Morram! PIM!”
(alMada negreiros. José de. Obras cOmpletas. lisboa: iMprensa 
nacional.1989 v. iv. (col. biblioteca de autores portugueses.)
Naquele mesmo ano, Almada Negreiros publicou o conto 
K4, o quadrado azul, que inspirou este quadro homônimo 
de Eduardo Viana:
K4, o quadrado azul. óleo sobre tela, 47,5 
x 56 cM. eduardo viana. 1917.
O título desse quadro é o mesmo do conto de Almada Ne-
greiros, de característica cubofuturista.
Fonte: Youtube
Entrevista de Almada Negreiros - 1968
multimídia: vídeo
3. Etapas do modernismo 
em Portugal
3.1. Primeiro momento (1915-1927)
Após o impacto provocado pelo lançamento da revista 
Orpheu, em 1915, o grupo fundador resolveu trazer Por-
tugal ao compasso das vanguardas europeias, das quais 
o grupo recebeu grande influência. Destacam-se, nesse 
primeiro momento, Fernando Pessoa, Mário da Sá-Car-
neiro e Almada Negreiros.
Florbela espanca
Há escritores e poetas portugueses que não se filiaram a 
nenhum desses momentos, permanecendo independentes 
em suas criações. Foi o caso da poeta Florbela Espanca 
(1894-1930), dona de lirismo neorromântico, e do escritor 
José Saramago, cuja obra está em particular evidência atu-
almente, com a retomada ficcional da história de Portugal, 
em livros como Jangada de Pedra, Memorial do Convento 
e História do cerco de Lisboa.
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Os anos vinte em Portugal – José Augusto França
“Este livro é, como o que o autor publicou há 25 anos 
sobre ‘O Romantismo em Portugal’, um estudo de fatos 
socioculturais, de informação e de reflexão sobre um pe-
ríodo da história nacional – arredado e ainda perto de 
nós. A primeira data que nele nos aparece é, ao fim da 
guerra, o assassinato de Sidónio Pais, e a última, a ins-
talação de Salazar no poder, a meio de 1932, ao termo 
de um lento processo de seis anos.”
multimídia: livro
3.2. Segundo momento (1927-1940)
Com a fundação da revista Presença, em 1927, surgiu um 
grupo que pretendia fazer uma literatura mais intimista e 
artística sem se opor, contudo, ao orfismo. Destacaram-se, 
como presencistas, José Rodrigues Miguéis, Branquinho da 
Fonseca, José e Irene Lisboa.
3.3. Terceiro momento (1940-1947)
Ao propor uma literatura de caráter social, o grupo que se 
reuniu no terceiro momento por apenas sete anos preten-
deu afastar-se do intimismo e do subjetivismo e fazer uma 
literatura marcadamente social. É o chamado neorrealismo 
dos anos 1940, que veiculou principalmente romances de 
denúncia da miséria social. O mais marcante livro desse 
momento foi Gaibéus, de Alves Redol. Destacaram-se tam-
bém Vergílio Ferreira e Fernando Namora.
3.4. Quarto momento (1947 à atualidade)
Em antagonismo à literatura de caráter engajado, surgiu 
um grupo surrealista cujas obras foram expostas em Lis-
boa em 1949. Como a estética surrealista é totalmente 
subjetivista, a denúncia social ficou pálida e desapareceu. 
Pertencem a esse grupo os escritores-artistas José Augusto 
França e Mário Cesariny de Vasconcelos.
4. Fernando Pessoa, ortônimo
Poeta lírico e nacionalista, Fernando Pessoa, ele mesmo, cul-
tivou uma poesia voltada aos temas tradicionais de Portugal 
e ao seu lirismo saudosista, que expressa reflexões sobre seu 
eu profundo, suas inquietações, sua solidão, seu tédio.
4.1. Nacionalista místico
Em Mensagem, de 1934, o poeta faz uma réplica de Os 
Lusíadas a partir de uma perspectiva nacionalista mística. 
Atuando como um verdadeiro sebastianista, prega a volta 
de el-rei D. Sebastião – morto na África em 1578 – para 
restaurar Portugal e o Quinto Império. Divide-se em três 
partes: Brasão, Mar português e O encoberto. Brasão tem 
como referência o brasão português, representado por sete 
castelos amarelos em um campo vermelho e cinco quinas 
azuis. Cada castelo equivale a uma figura historicamente 
ligada à formação do Estado português. Abrange desde 
Ulisses – o fundador de Lisboa, segundo o mito – até D. 
João I, o mestre de Avis, responsável pelas grandes navega-
ções. Mar português focaliza os navegadores e o desejo de 
conquistar os mares. O encoberto, última parte, concentra-
-se no mito do Sebastianismo e do Quinto Império, que re-
tirariam Portugal da decadência experimentada a partir do 
século XVIIII até o momento da enunciaçaõ, o século XX.
4.2. Poeta da mágoa
Em Cancioneiro, identifica-se com a produção lírica portugue-
sa, desde a Idade Média, revelando-se um poeta da mágoa.
“Boiam leves, desatentos
Meus pensamentos de mágoa,
Como no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos
[...]
Sono de ser, sem remédio,
Vestígio do que não foi,
Leve mágoa, breve tédio,
Não sei se para, se flui;
Não sei se existe ou se dói.”
poesias. Fernando pessoa. lisboa: ática, 1942 (15ª ed. 1995).
Dentro da produção de Fernando Pessoa ortônimo, os poemas 
de Cancioneiro são aqueles que mais fixam o lirismo tradicio-
nal português, repleto de saudades, de mágoas, de piedade.
O Cancioneiro traz também um Fernando Pessoa que re-
flete sobre o ato de escrever, com grande espírito crítico e 
uma organização intelectual incomum.
Fernando pessoa na baixa de lisboa, onde costuMava passear 
e toMar uM caFé na caFeteria a brasileira, no cHiado.
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“Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Da dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só os que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.”
(Obra pOética. rio de Janeiro: nova aguilar, 1992.)
5. Mário de Sá-Carneiro
Conflituoso, Mario de Sá-Carneiro (1890-1916) sustentou sua 
poesia sobre a memória do passado e a projeção do futuro.
Viveu parte de sua vida em Paris. Em 1914, no começo da 
Primeira Guerra Mundial, uniu-se a Fernando Pessoa e ou-
tros intelectuais, participando, em 1915, da fundação da re-
vista Orpheu. Nessa permanência em Lisboa publicou duas 
obras: Dispersão e A Confissão de Lúcio.
Viveu um tempo de grande euforia em torno dos compa-
nheiros e da agitação modernista. Morreu muito jovem e 
foi um inadaptado. Poeta angustiado, estranho à vida, re-
pele a condição de existir com grande veemência, como se 
a vida lhe fosse incômoda.
Herdeiro do Decadentismo/Simbolismo, seu modo de en-
xergar a vida não aceitava os limites. Isso é o que se pode 
depreender da leitura de alguns de seus poemas.
A morte de Mário de Sá-Carneiro 
– João Pinto de Figueiredo
Apesar do seu título, é da vida de Mário de Sá-Carneiro 
que nos fala esse livro. Efetivamente, para o autor de 
”Céu em fogo” a vida não passou de uma morte pro-
longada, de uma morte vivida. (...) Na escassa bibliogra-
fia sobre o grande poeta, A morte de Mário de Sá-Car-
neiro constituirá doravante uma referência obrigatória.
multimídia: livro
Dispersão
“Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.
Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...
[...]
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Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projecto:
Se me olho a um espelho, erro –
Não me acho no que projecto.
Regresso dentro de mim,
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.
[...]
E tenho pêna de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...
“Quase
Um pouco mais de sol – eu era brasa.
Um pouco mais de azul – eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador d’espuma;E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – ó dor! – quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim – quase a expansão...
Mas na minh’alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
— Ai a dor de ser-quase, dor sem fim... –
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
[...]”
(Moisés, Massaud. a literatura pOrtuguesa através 
dOs textOs. são paulo: cultrix, 1991.)
Obras
 § Amizade, peça em três atos (com Tomás Cabreira Ju-
nior), 1912.
 § Dispersão, 12 poemas, 1914.
 § A Confissão de Lúcio, narrativa, 1914.
 § Céu em Fogo, novelas, 1915.
Obras inéditas
 § Indícios de ouro, poemas.
 § Primeiro capítulo de um novela intitulada Mundo interior.
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1. Os heterônimos de 
Fernando Pessoa
Verdadeiro mestre da poesia, a genialidade de Fernando 
Pessoa evidenciou-se também com seus heterônimos: Al-
berto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.
Desse modo, o poeta assumia outras personalidades lite-
rárias ao compor, como se fossem pessoas reais. Ou seja, 
heterônimos são os vários nomes usados por ele. Não se 
trata de pseudônimos, mas heterônimos, pois são várias 
projeções do eu, cada qual com personalidade, biografia, 
estilo e características específicas e distintas do seu brilhan-
te criador, Fernando Pessoa.
O próprio Fernando Pessoa assim se 
expressa a respeito de sua heteronímia
“Por qualquer motivo temperamental que me não 
proponho analisar, nem importa que analise, construí 
dentro de mim várias personagens distintas entre si 
e de mim, personagens essas a que atribuí poemas 
vários que não são como eu, nos meus sentimentos e 
ideias, os escreveria.
Assim têm estes poemas de Caeiro, os de Ricardo Reis 
e os de Álvaro de Campos que ser considerados. Não 
há que buscar em quaisquer deles ideias ou sentimen-
tos meus, pois muitos deles exprimem ideias que não 
aceito, sentimentos que nunca tive. Há simplesmente 
que os ler como estão, que é aliás como se deve ler.”
Fernando pessoa - HeterôniMo. 1978. costa pinHeiro.
“A única maneira de teres sensações novas
é construíres-te uma alma nova. [...]
E o único meio de haver coisas novas,
de sentir coisas novas é haver novidade no senti-las.
Muda de alma como? Descobre-o tu.”
MODERNISMO 
PORTUGUÊS II
COMPETÊNCIA(s)
5
HABILIDADE(s)
15, 16 e 17
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33 E 34
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Ode triunfal
“À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
[...]
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!
Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!
Eia! eia! eia! eia-hô-ô-ô!
Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.
Engatam-me em todos os comboios.
Içam-me em todos os cais.
Giro dentro das hélices de todos os navios.
Eia! eia-hô! eia!
Eia! sou o calor mecânico e a eletricidade!
Eia! e os rails e as casas de máquinas e a Europa!
Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia!
Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!
Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!
Hé-la! He-hô! Ho-o-o-o-o!
Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!
Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!”
Situando a relação entre o homem do começo do século 
XX e o mundo tecnicizado, a Ode triunfal tem um ritmo 
nervoso e trepidante. Trata-se de um poema futurista, assi-
nado pelo heterônimo Álvaro de Campos, que demonstra 
completa adesão à proposta de Marinetti, que integra à 
poesia elementos da civilização industrial: motores, máqui-
nas, Ferri, velocidade, automóveis.
Fonte: Youtube
O Desassossego Pessoano - Teresa Rita Lopes
multimídia: vídeo
1.1. Alberto Caeiro
Dentro da heteronímia, o poeta Alberto Caeiro tem uma 
trajetória de vida e características que o identificam. Era ór-
fão de pai e mãe, só teve instrução primária e viveu quase 
toda a vida no campo, sob a proteção de uma tia.
Poeta bucólico, em contato direto com a natureza, Caeiro 
dá importância às sensações, registrando-as sem a media-
ção do pensamento.
Para Caeiro, “tudo é como é”, todo “é assim porque assim 
é” – o poeta reduz tudo à objetividade, sem nenhuma ne-
cessidade de pensar.
O guardador de rebanhos
“[...]
Sou um guardador de rebanhos
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.”
(obra poética. rio de Janeiro: nova aguilar, 1984.)
caricatura de alberto caeiro. Mário botas.
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O espelho e a esfinge – Massaud Moisés
Essa obra reúne em nova edição, revisada e aumenta-
da, alguns ensaios que Massaud Moisés escreveu com 
o propósito de divulgar aspectos menos conhecidos da 
produção literária de Fernando Pessoa. Desde 1957, o 
autor vinha se dedicando à interpretação das múltiplas 
facetas desse grande poeta português da modernidade.
multimídia: livro
1.2. Álvaro de Campos
Álvaro de Campos nasceu no extremo sul de Portugal, em 
Tavira, a 15 de outubro de 1890. Estudou Engenharia na-
val, na Escócia. Todavia, não exerceu a profissão por não 
suportar viver confinado em escritórios.
Homem sujeito à máquina, à cegueira de seus semelhantes, 
de espírito inconformado com o tempo, é completamente 
inadaptado ao mundo que o rodeia; vive marginalizado, 
sendo uma personalidade do não.
caricatura de álvaro de caMpos. alMada negreiros. 1958.
Tabacaria é um dos mais importantes poemas de Álva-
ro de Campos, em que ele faz jus à ideia de um poeta 
inadaptado, negativo. O longo poema é exemplo marcante 
do desalento que o caracteriza.
Tabacaria
“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém 
[sabe quem é]
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente
 [por gente,]
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
[...]
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
[...]
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode 
[haver tantos!]
[...]
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
[...]
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a 
[confeitaria.]
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com 
[que comes!]
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha 
[de estanho,]
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
[...]
Mas o Dono da Tabacaria chegou àporta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
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Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
[...]
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência 
[de estar mal disposto.]
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira 
[das calças?).]
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da 
[Tabacaria sorriu.”]
(obra poética. rio de Janeiro: nova aguilar, 1992.)
1.3. Ricardo Reis
Ricardo Reis é natural do Porto; nasceu a 19 de setembro 
de 1887. Teve formação em escolas de jesuítas e estudou 
Medicina. Monarquista, autoexilou-se no Brasil por não 
concordar com a Proclamação da República em Portugal. 
Foi profundo admirador da cultura clássica, tendo estuda-
do latim, grego e mitologia. O poeta latino Horácio foi um 
grande inspirador de sua poesia, principalmente no que diz 
respeito à filosofia do carpe diem, isto é, de usufruir o mo-
mento. Sua musa inspiradora se chamava Lídia.
caricatura de ricardo reis. alMada-negreiros.
“Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
[...]
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
[...]”
(obra poética. rio de Janeiro: nova aguilar, 1992.)
Dicionário de Fernando Pessoa – 
Fernando Cabral Martins
Esse volume de quase mil páginas reúne a soma dos 
conhecimentos sobre Fernando Pessoa, a sua obra e o 
Modernismo. Um conjunto de mais de 80 especialistas 
oferecem quase 600 artigos de síntese aos principais 
nomes, títulos, imagens e temas relacionados a Fernan-
do Pessoa, ou que ajudam a definir os traços culturais 
do seu tempo – e marcam, sobretudo, o período da sua 
atividade pública entre 1912 e 1935.
multimídia: livro
O ano da morte de Ricardo Reis – José Saramago
Nesse magnífico romance, o heterônimo mais clássico 
do grande poeta português Fernando Pessoa, o ho-
raciano Ricardo Reis, acha-se novamente em Lisboa, 
depois de uma temporada no Brasil, onde se autoe-
xilara. O ano é 1936. Médico, educado pelos jesuítas 
e monarquistas, ele é um sábio capaz de se contentar 
em assistir ao espetáculo do mundo, como diz numa 
das epígrafes do livro. 
multimídia: livro
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Fonte: Youtube
Biografia - Fernando Pessoa
multimídia: vídeo
Fernando Pessoa: uma quase autobiografia 
– José Paulo Cavalcanti Filho
A primeira biografia escrita no Brasil sobre o poeta por-
tuguês Fernando Pessoa traz a mais completa obra de 
referência das muitas personalidades assumidas pelo 
autor de Tabacaria. Seus heterônimos, muitos deles des-
conhecidos do grande público, revelam-se no livro de 
José Paulo Cavalcanti com riqueza de detalhes, apresen-
tando as produções e as origens de cada um desses que 
habitaram o imaginário e a escrita de Fernando Pessoa. 
multimídia: livro
Introdução aos estudos de Fernando 
Pessoa – Fernando Cabral Martins
Além de uma nova leitura do intrincado poema cujo fa-
c-símile vem reproduzido no prefácio, Fernando Cabral 
Martins faz, em sua obra, importante contribuição sobre 
a teoria e a história da heteronímia. 
multimídia: livro
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VIVENCIANDO
Pintura
As banhistas / Retrato de Fernando Pessoa (1964) – Almada Negreiros
as banHistas, alMada negreiros
retrato de Fernando pessoa. alMada negreiros.1964
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Pintura
o cHapéu-HeterôniMo do poeta Fernando pessoa, 
óleo sobre tela (1979-1980). pintura de antónio 
costa pinHeiro. coleção do artista.
Fernando pessoa – HeterôniMo. costa pinHeiro.1978.
Fernando pessoa. Júlio poMar (portuguese, b. 1926).
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DIAGRAMA DE IDEIAS
HETERÔNIMOS DE
FERNANDO PESSOA
A QUESTÃO DA HETERONÍMIA EM FERNANDO PESSOA RESULTA DE CARACTERÍSTICAS PESSOAIS 
REFERENTES À SUA PERSONALIDADE, UMA ESPÉCIE DE DESDOBRAMENTO DO “EU” MODERNO 
E FRAGMENTADO, À MULTIPLICAÇÃO DE IDENTIDADES E À SINCERIDADE DO FINGIMENTO.
ALBERTO CAEIRO NASCEU EM LISBOA. É O MESTRE DOS HETERÔNIMOS, VIVEU SUA VIDA NO 
CAMPO E FICOU ÓRFÃO DE PAI E MÃE MUITO CEDO, PASSANDO A VIVER COM UMA TIA-AVÓ. 
MORREU DE TUBERCULOSE. SUA POESIA VALORIZA A SIMPLICIDADE, NA QUAL MAIS IMPOR-
TANTE QUE PENSAR É SENTIR. SEGUNDO ELE, TODO O CONHECIMENTO SE DÁ A PARTIR DA 
EXPERIÊNCIA SENSORIAL, SOBRETUDO JUNTO À NATUREZA.
FERNANDO PESSOA ESCREVEU “MENSAGEM” E CRIOU OS HETERÔNIMOS ALBERTO CAEIRO 
(“PASTOR AMOROSO”, “POEMAS INCONJUNTOS”), RICARDO REIS (“PREFIRO ROSAS”, “BREVE 
O DIA”) E ÁLVARO DE CAMPOS (“ODE MARÍTIMA”, “TABACARIA”).
OS PRINCIPAIS E MAIS CONSISTENTES HETERÔNIMOS DE FERNANDO PESSOA FORAM ALBERTO 
CAEIRO, ÁLVARO DE CAMPOS, RICARDO REIS E BERNARDO SOARES.
O HETERÔNIMO BERNARDO DE CAMPOS É CONSIDERADO UM “SEMI-HETERÔNIMO” POR 
CONTA DE SUA PERSONALIDADE APRESENTAR CARACTERÍSTICAS MUITO SEMELHANTES ÀS DE 
FERNANDO PESSOA, SENDO, MUITAS VEZES, CONFUNDIDO COM O PRÓPRIO ESCRITOR.
RICARDO REIS NASCEU EM 1887, NO PORTO, E NÃO SE SABE A DATA DE SUA MORTE, O QUE 
FAZ O LEITOR PENSAR QUE ELE TERIA MORRIDO APÓS A MORTE DE FERNANDO PESSOA. ESTU-
DOU EM COLÉGIO DE JESUÍTAS E SE FORMOU EM MEDICINA. FOI VIVER NO BRASIL APÓS A INS-
TAURAÇÃO DA REPÚBLICA EM PORTUGAL, POIS ERA MONARQUISTA. TRADICIONAL, HELENISTA, 
LATINISTA, PARA ELE, A MODERNIDADE É UMA MOSTRA DE DECADÊNCIA. SUA LINGUAGEM É 
CLÁSSICA E SEU VOCABULÁRIO, ERUDITO. SUA MUSA É LÍDIA.
ÁLVARO DE CAMPOS NASCEU EM TAVIRA, EM 1890. A DATA DO SEU FALECIMENTO, TAL QUAL 
DE RICARDO REIS, NÃO É CONHECIDA. CAMPOS É FORMADO EM ENGENHARIA, NA ESCÓCIA, 
E NÃO EXERCEU A PROFISSÃO. É O MAIS MODERNO DOS HETERÔNIMOS, VALORIZA A MODER-
NIDADE. É UM PESSIMISTA, POIS APESAR DO GOSTO PELO PROGRESSO, O TEMPO PRESENTE O 
ANGUSTIA. SUA OBRA É DIVIDIDA EM TRÊS FASES: DECADENTISTA, FUTURISTA E PESSIMISTA.
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ANOTAÇÕES
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4vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema.
H6 Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas.
H7 Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social.
H8 Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade cultural e linguística.
Co
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 3 Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da identidade.
H9 Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social.
H10 Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas.
H11
Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para 
diferentes indivíduos.
Co
m
pe
tê
n
Ci
a
 4 Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade.
H12 Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais.
H13 Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos.
H14
Reconhecer o valor da diversidade artística e das inter-relações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e 
étnicos.
Co
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tê
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Ci
a
 5 Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função,
organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
H15 Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.
H16 Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
H17 Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.
Co
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 6 Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constitui-
ção de significados, expressão, comunicação e informação.
H18 Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos.
H19 Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução.
H20 Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional.
Co
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tê
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Ci
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 7
Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas.
H21
Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e 
hábitos.
H22 Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos.
H23 Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados.
H24
Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção, 
chantagem, entre outras.
Co
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tê
n
Ci
a
 8 Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da
própria identidade.
H25 Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro.
H26 Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.
H27 Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.
Co
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tê
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Ci
a
 9
Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida pessoal e social, 
no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos científicos, às linguagens que lhes dão suporte, às demais tec-
nologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar.
H28 Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e informação.
H29 Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação.
H30 Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem.
MATRIZ DE REFERÊNCIA DO ENEM 
GRAMÁTICA
ENTRE 
LETRAS
LIVRO 
TEÓRICO
INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS
CIÊNCIAS MÉDICAS
CMMG
Todos os temas deste livro têm alta inci-
dência no Enem.
Compreender como os pronomes fun-
cionam dentro do período, contribuindo 
para sustentar as relações de coordena-
ção e subordinação dentro dos períodos 
pode ser um diferencial ao candidato.
Aborda o uso dos pronomes apresenta-
dos neste livro. Além disso, perceber a 
importância das relações de coordena-
ção e subordinação dentro dos períodos 
será um diferencial para questões que 
envolvam textos, literários ou não.
Compreender a importância das conjun-
ções em relação ao estudo dos períodos 
simples e compostos coordenados e 
subordinados será a chave para o bom 
desempenho.
Ocorre com certa frequência as fun-
ções pronominais dentro de orações e 
períodos. Assim, o conteúdo deste livro 
aborda os elementos que constituem o 
período e as relações de coordenação e 
subordinação.
A resolução dos exercícios exige conhe-
cimentos sobre a especificidade de cada 
classe gramatical. É relevante, então, 
saber reconhecer como as próclises e ên-
clises atuam, bem como as conjunções 
para efeitos distintos de sentido dentro 
de um período.
Além de saber reconhecer as regras 
da colocação pronominal, o candidato 
deverá reunir a maior quantidade de 
conhecimento sobre as construções sin-
táticas de coordenação e subordinação.
Aborda os sentidos possíveis decor-
rentes das relações de subordinação e 
coordenação. Compreender como essas 
relações se constituem e por meio de 
quais termos elas se estabelecem será 
de grande ajuda ao candidato.
A objetividade de que se compõe dá 
margem para questões bastante diretas 
sobre os usos dos pronomes e os efeitos 
de sentido decorrentes das relações den-
tro do período composto.
Frequentemente apresenta textos con-
figurados por linguagens verbal e não 
verbal. Assim, compreender como os 
pronomes e as relações dentro do perí-
odo produzem determinados efeitos de 
sentido será essencial ao candidato.
A relação entre linguagens verbal e não 
verbal é uma constante neste vestibular. 
Propagandas e charges, então, acabam 
sendo fonte para questões. Reescrever 
frases pode ser comum, para tanto, saber 
utilizar corretamente os pronomes será 
um diferencial.
É comum questões que se atentem aos 
elementos sintáticos de que um texto se 
vale para a sua composição. Portanto, 
convém estar seguro sobre o uso correto 
dos termos que compõem os períodos 
compostos.
O uso dos pronomes pode aparecer em 
questões de aplicação direta, por isso, 
compreender as funções e regras de 
ênclise e próclise será muito importan-
te. Ademais, este caderno traz estudos 
sobre os períodos simples e compostos.
A abordagem deste vestibular ampa-
ra-se na atenção aos diferentes usos 
das conjunções, de modo a construir 
efeitos de sentido dentro de um período 
composto. Ademais, entender o uso dos 
pronomes trabalhados neste caderno 
poderá ser de grande ajuda.
Bastante direto, apresenta muitas ques-
tões a respeito de conhecimentos sobre 
a colocação pronominal. É comum, tam-
bém, que questões ligadas aos efeitos de 
sentido advindos das relações de subor-
dinação apareçam.
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1. Noções preliminares 
1. Oração é um enunciado linguístico que apresenta uma 
estrutura caracterizada pela presença de um verbo.2. Chama-se período composto aquele que apresenta mais 
de um verbo dentro do mesmo conjunto de enunciação. 
Se se tratar de período simples, há apenas um único verbo 
dentro do período, sinalizado pelo ponto final. 
Exemplos: 
Falou com a menina hoje cedo. (estrutura com 
apenas um único verbo à qual se dá o nome de 
oração absoluta.) 
Falou com a menina hoje cedo e percebeu que 
ela estava nervosa. (nessa estrutura, há mais de 
um verbo no mesmo período; a ela se dá o nome 
de período composto.) 
Em língua portuguesa, as orações podem ser subdivididas 
em dois grupos: orações coordenadas e orações su-
bordinadas.
a) orações coordenadas: são colocadas lado a lado na fra-
se e não desempenham qualquer função sintática 
como termo de outra oração. Encontram-se, portanto, 
no mesmo nível sintático. Costumam ser classificadas por 
conta da ausência (assindéticas) ou presença (sindéticas) 
de conectivos. 
b) orações subordinadas: são orações que estabelecem 
funções sintáticas em relação a outras orações (são orações 
que dependem de outras para que ocorra a configuração 
de sentido). Dependendo da função que desempenham na 
sentença, podem ser classificadas como adjetivas, subs-
tantivas ou adverbiais.
Nessa aula, especificamente, conheceremos o funcionamen-
to das orações coordenadas e de uma das subordinadas 
(a subordinada adjetiva). As demais orações subordinadas 
(subordinadas substantivas e subordinadas adverbiais), por 
serem mais extensas, serão trabalhadas nas próximas aulas. 
1.1. Orações coordenadas assindéticas 
São chamadas de orações coordenadas assindéticas 
aquelas que não são introduzidas por conjunção. São ora-
ções coordenadas, postas lado a lado e separadas por 
sinais de pontuação.
Exemplos:
Abriu a porta, entrou em casa, acendeu as luzes.
Esquece isso. Vamos dar uma volta.
1.2. Orações coordenadas sindéticas 
Conforme o tipo de conjunção que as introduz, as orações 
coordenadas sindéticas podem ser aditivas, adversati-
vas, alternativas, conclusivas ou explicativas. 
a) As aditivas expressam ideia de adição, de acréscimo. 
Regularmente indicam fatos, acontecimentos ou pensa-
mentos dispostos em sequência. As conjunções coorde-
nativas aditivas típicas são e e nem (e + não). 
Exemplos: 
Viajaram e trouxeram muitas fotos de lembrança. 
Não trouxeram presentes nem fotos da última viagem.
Observação: 
As orações sindéticas aditivas podem também estar 
ligadas pelas locuções “não só... mas (também)”; “tan-
to... como” e semelhantes. Essas estruturas costumam 
ser usadas quando se pretende enfatizar o conteúdo da 
segunda oração. Ele não só canta, mas também (ou 
como também) interpreta muito bem. Ela sabe tanto 
matemática como português. 
b) As adversativas exprimem fatos ou conceitos que se 
opõem ao que foi declarado na oração coordenada ante-
rior, estabelecendo entre elas contraste ou compensação. O 
mas é a conjunção adversativa mais utilizada. Além dela, 
empregam-se os vocábulos porém, contudo, todavia, 
entretanto e as locuções no en tanto, não obstante e 
nada obstante. 
PERÍODO 
COMPOSTO: 
ORAÇÕES 
COORDENADAS E 
SUBORDINADAS 
ADJETIVAS
COMPETÊNCIA(s)
1, 6 e 8
HABILIDADE(s)
1, 18 e 27
LC
AULAS 
27 E 28
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Exemplos: 
Eles embarcariam para a Europa dentro de uma 
hora, mas perderam o voo. 
O cachorro não é bonito; no entanto, é simpático. 
O problema é grave; contudo, há solução. 
Importante 
Dependendo do contexto em que for empregada, a 
conjunção “e” pode indicar ideia de adversidade. 
Exemplo:
Resolveu deitar mais cedo e não conseguiu dormir.
c) As alternativas expressam ideia de alternância de 
fatos ou escolha. Regularmente é usada a conjunção ou. 
Além dela, empregam-se também os pares ora... ora; já... 
já; quer... quer e seja... seja.
Exemplos:
Diga agora ou cale-se para sempre. 
Atenção: apenas a segunda oração é sindética, mas am-
bas são alternativas, dada a ideia de escolha.)
Ora mostra-se alegre, ora expressa tristeza profunda. 
Estarei lá, quer você aceite, quer não.
Atenção: nesse último exemplo, a segunda oração fica su-
bentendida, para evitar a redundância do mesmo verbo.)
d) As conclusivas exprimem conclusão ou consequên-
cia referentes à oração anterior. As conjunções típicas são: 
logo, portanto e pois (pospostos ao verbo). Usa-se 
ainda então, assim, por isso, por conseguinte, de 
modo que, em vista disso etc. 
Exemplos: 
Tenho prova amanhã, portanto não posso ir ao show. 
A situação econômica é delicada; devemos, pois, agir 
com cautela. 
O time jogou bem, por isso foi vencedor. 
Aquela substância é toxica, logo deve ser manuseada 
com cuidado. 
e) As explicativas Indicam uma justificativa ou uma ex-
plicação referente ao fato expresso na declaração anterior. 
As conjunções que merecem destaque são: que, porque 
e pois (obrigatoriamente antepostos ao verbo). 
Exemplos: 
Vá com cuidado, que o caminho é perigoso. 
Mudou de emprego, porque estava farto da rotina. 
Ligue para ela, pois hoje é o seu aniversário.
1.3. Orações subordinadas adjetivas 
Uma oração subordinada adjetiva tem valor e função 
de adjetivo, ou seja, equivale a essa classe de palavras. 
As orações adjetivas vêm introduzidas por pronome 
relativo e exercem a função de adjunto adnominal do 
antecedente. 
Exemplo: 
Este é o livro que te indiquei como referência. 
No exemplo apresentado, a conexão entre a oração su-
bordinada adjetiva e o termo da oração principal que ela 
modifica é feita pelo pronome relativo “que”.
O poema a seguir, de Carlos Drummond de Andrade, é 
constituído por meio de um encadeamento de diversas 
orações adjetivas. Avalie o tipo de oração adjetiva que 
foi usado e os sentidos que ela incorpora ao poema.
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
multimídia: poema
Importante
O pronome relativo “que” pode ser substituído por 
suas formas com gênero (o qual, a qual, os quais, as 
quais), desde que obedeça ao sistema de concordância 
nominal com o substantivo a que se refere: 
LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias  9
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DIAGRAMA DE IDEIAS
Exemplo:
Refi ro-me ao livro que é referência. 
(ou)
Refiro-me ao livro o qual é referência.
1.3.1. Classificação das orações 
subordinadas adjetivas 
Na relação que estabelecem com o termo que caracterizam, 
as orações subordinadas adjetivas podem atuar de duas 
maneiras diferentes. Há as que restringem ou especificam o 
sentido do termo a que se referem, individualizando-o. Nes-
sas orações, não há marcação de pausa; são as chamadas 
orações subordinadas adjetivas restritivas. 
Há também as orações que realçam um detalhe ou am-
plificam dados sobre o antecedente, já suficientemente 
definido; são as denominadas orações subordinadas 
adjetivas explicativas. 
Exemplo: 
O homem que trabalha é útil à sociedade. 
A ausência de vírgula restringe o sentido da palavra homem, 
designando um tipo de homem entre vários. 
Trata-se de oração subordinada restritiva que apre-
senta valor sintático de adjunto adnominal, uma vez que 
qualifica o termo anterior. 
Exemplo: 
O homem, que trabalha, é útil à sociedade. 
A presença de vírgula amplia o sentido da palavra homem, 
que pode ser entendida como todo homem. 
Trata-se de oração subordinada explicativa, pois acres-
centa uma informação acessória; desempenha também va-
lor sintático de adjunto adnominal, uma vez que qualifica o 
termo anterior. 
Observação: A oração subordinada adjetiva explicativa é 
separada da oração principal por uma pausa, que, na es-
crita, é representada pela vírgula. É comum, por isso, que 
a pontuação seja indicada como forma de diferenciar as 
orações explicativas das restritivas. De fato, as explicativas 
vêm sempre isoladaspor vírgulas; as restritivas, não.
ASSINDÉTICASSINDÉTICAS
ORAÇÕES 
COORDENADAS
COM CONJUNÇÕES
Eles desceram do carro porque 
o trânsito estava parado.
SEM CONJUNÇÕES
Chegamos na praia, 
nadamos, comemos.
RESTRITIVASEXPLICATIVAS
ORAÇÕES 
ADJETIVAS
COM VÍRGULAS OBRIGATÓRIAS
A professora, que é uma 
das mais novas da escola, 
é adorada pelos alunos.
SEM VÍRGULAS
Ele é um dos poucos 
diretores que é admirado 
pelos funcionários.
10  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias
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

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1. Orações subordinadas 
substantivas 
A oração subordinada substantiva trata-se de uma construção 
com verbo que possui valor de substantivo (esta oração fica 
posicionada onde, habitualmente, deveria haver um substanti-
vo) e vem introduzida, geralmente, pelas conjunções integran-
tes que ou se. Sintaticamente, podem exercer a função de: 
 § sujeito 
 § objeto direto 
 § objeto indireto 
 § complemento nominal 
 § predicativo do sujeito 
 § aposto
Atenção
É importante, nesse momento, que sejam recuperados 
os conceitos de identificação de conjunções integran-
tes anteriormente aprendidos. Lembremos que, para 
localizarmos uma conjunção integrante, devemos 
substituir os elementos “que” ou “se” pelo pronome 
demonstrativo “isso”. A função que couber a esse 
pronome indicará a função exercida pela oração. 
Exemplos: 
É importante que chegue cedo ao atendimento. 
Substituindo a oração subordinada em destaque pelo 
pronome “isso”, temos:
É importante isso (ou, na ordem direta: Isso é impor-
tante). Percebemos então que a função sintática do 
pronome “isso” na construção é de sujeito. Vejamos 
outro exemplo: 
Não sei se entregaremos a encomenda hoje. 
Substituindo a oração subordinada em destaque pelo 
pronome “isso”, temos: 
Não sei isso (o pronome “isso” completa o sentido do 
verbo “ser”). Percebemos então que a função sintáti ca 
do pronome “isso” na construção é de objeto direto. 
1.1. Classificação das orações 
subordinadas substantivas 
De acordo com a função que exerce no período, a oração 
subordinada substantiva pode ser: 
a) subjetiva: exerce a função sintática de sujeito do verbo 
da oração principal: 
Exemplo: 
É importante que investiguemos o caso. 
 § Oração principal: É importante 
 § Oração subordinada: que investiguemos o caso. (sin-
taticamente exerce função de sujeito da oração principal).
b) objetiva direta: exerce a função de objeto direto do 
verbo da oração principal: 
Exemplo: 
Eu percebo que ficarei com bastante sono hoje.
 § Oração principal: Eu percebo 
 § Oração subordinada: que ficarei com bastante sono 
hoje (sintaticamente exerce função de objeto direto da 
oração principal). 
c) objetiva indireta: exerce a função de objeto indireto 
do verbo da oração principal (a conjunção integrante vem 
precedida de preposição). 
Exemplo: 
Tudo depende de que ela se esforce. 
 § Oração principal: Tudo depende 
 § Oração subordinada: de que ela se esforce. (sintatica-
mente exerce função de objeto indireto da oração principal.) 
PERÍODO 
COMPOSTO: 
ORAÇÕES 
SUBORDINADAS 
SUBSTANTIVAS
COMPETÊNCIA(s)
1, 6 e 8
HABILIDADE(s)
1, 18 e 27
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AULAS 
29 E 30
LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias  11


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DIAGRAMA DE IDEIAS
d) completiva nominal: exerce a função de comple-
mento nominal (complementa o sentido de um elemento 
não-verbal que pertença à oração principal; também vem 
marcada por preposição). 
Exemplo: 
Sou favorável a que o absolvam. 
 § Oração principal: Sou favorável 
 § Oração subordinada: a que o absolvam. (sintati-
camente exerce função de complemento nominal da 
oração principal.) 
Importante 
Não podemos esquecer que as orações subordinadas 
substantivas objetivas indiretas integram o sentido de 
um verbo, enquanto as orações subordinadas subs-
tantivas completivas nominais integram o sentido de 
um nome. Para distinguir uma da outra, é necessário 
levar em conta o termo complementado. 
e) predicativa: exerce o papel de predicativo do sujeito do 
verbo da oração principal e vem sempre depois do verbo “ser”.
Exemplo:
 O grande mal é que me esqueço das coisas. 
 § Oração principal: O grande mal é 
 § Oração subordinada: que me esqueço das coisas. 
(sintaticamente exerce função de predicativo da oração 
principal.) 
f) apositiva: exerce a função de aposto de algum termo 
da oração principal. 
Exemplo: 
Eu espero a seguinte solução: que religuem a 
energia elétrica em casa. 
 § Oração principal: Eu espero a seguinte solução 
 § Oração subordinada: que religuem a energia elétri-
ca da casa. (sintaticamente exerce função de aposto da 
oração principal).
Atenção: a oração subordinada substantiva apositiva é 
a única que pode prescindir da conjunção integrante. Isso 
ocorre por conta do sinal de "dois pontos" que a introduz 
funcionar também, como elemento integrante.
Fonte: Youtube
Eu sei que vou te amar – Tom Jobim
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
 
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
Na canção apresentada, de Tom Jobim, vemos que o 
autor mobiliza orações substantivas na composição de 
certos versos, como “Eu sei que vou te amar”.
multimídia: música
ORAÇÕES 
SUBSTANTIVAS
POSSUEM VALOR DE SUBSTANTIVO
SÃO INTRODUZIDAS POR CONJUNÇÃO INTEGRANTE
Eu desejo que eles sejam felizes.
 oração substantiva objetiva direta
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1. Orações subordinadas 
adverbiais 
Uma oração subordinada adverbial exerce a função de ad-
junto adverbial do verbo da oração principal. Dessa forma, 
pode exprimir circunstância de tempo, modo, fim, causa, 
condição, etc. Classifica-se de acordo com a conjunção ou 
locução conjuntiva que a introduz. 
Exemplo: 
Quando vi a pintura do artista, senti uma das maio-
res emoções de minha vida. 
A primeira oração, “Quando vi a pintura do artista”, atua 
como um adjunto adverbial de tempo, que modifica a for-
ma verbal “senti”. 
Trata-se de uma oração subordinada adverbial tempo-
ral, uma vez que indica uma circunstância temporal acresci-
da ao verbo da segunda oração. É importante lembrar que a 
classificação das orações subordinadas adverbiais é feita do 
mesmo modo que a classificação dos adjuntos adverbiais (e 
no sentido das conjunções que introduzem a oração).
A seguir, temos as circunstâncias expressas pelas orações 
subordinadas adverbiais: 
a) causa 
Exemplo: 
Como ninguém se interessou pelo projeto, não 
houve alternativa a não ser cancelá-lo. 
 § Oração principal: não houve alternativa a não ser 
cancelá-lo. 
 § Oração subordinada: Como ninguém se interessou 
pelo projeto (assume valor de adjunto adverbial de cau-
sa, uma vez que provoca um determinado fato, ao mo-
tivo do que se declara na oração principal.) 
b) consequência 
Exemplo: 
Sua fome era tanta que comeu com casca e tudo. 
 § Oração principal: Sua fome era tanta 
 § Oração subordinada: que comeu com casca e tudo 
(assume valor de adjunto adverbial de consequência, 
uma vez que declara o efeito na oração principal.) 
c) condição 
Exemplo: 
Se o torneio for bem estruturado, todos sairão 
ganhando. 
 § Oração principal: todos sairão ganhando. 
 § Oração subordinada: Se o torneio for bem estrutura-
do (assume valor de adjunto adverbial de condição, uma 
vez que a oração subordinada impõe-se como necessária 
para a realização ou não de um fato sobre a principal.) 
d) concessão 
Exemplo: 
Embora não goste de cogumelos, irei provar 
o prato. 
 § Oração principal: irei provar o prato
 § Oração subordinada: Embora não goste de cogu-
melos (assume valor de adjunto adverbial de conces-
são, uma vez que admite uma ideia de cessão a algum 
fato,ou mesmo anormalidade em relação a esse fato).
e) comparação 
Exemplo: 
Andava rápido como um foguete. 
 § Oração principal: Andava rápido 
 § Oração subordinada: como um foguete (assume va-
lor de adjunto adverbial de comparação, uma vez que 
estabelece uma comparação com a ação indicada pelo 
verbo da oração principal). 
f) conformidade 
Exemplo: 
Fez o bolo conforme a receita. 
 § Oração principal: Fez o bolo 
PERÍODO 
COMPOSTO: 
ORAÇÕES 
SUBORDINADAS 
ADVERBIAIS
COMPETÊNCIA(s)
1, 6 e 8
HABILIDADE(s)
1, 18 e 27
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DIAGRAMA DE IDEIAS
 § Oração subordinada: conforme a receita (assume va-
lor de adjunto adverbial de conformidade, pois exprime 
uma regra, um modelo adotado para a execução do que 
se declara na oração principal).
g) finalidade 
Exemplo: 
Li o manual a fim de aprender mais sobre como 
usar o produto. 
 § Oração principal: Li o manual 
 § Oração subordinada: a fim de aprender mais sobre 
como usar o produto (assume valor de adjunto adver-
bial final, pois expressa a intenção, a finalidade daquilo 
que se declara na oração principal).
h) proporção
Exemplo: 
Viaja ao exterior à medida que a empresa soli-
cita seu trabalho. 
 § Oração principal: Viaja ao exterior 
 § Oração subordinada: à medida que a empresa so-
licita seu trabalho (assume valor de adjunto adverbial 
proporcional, pois exprime ideia de proporção, ou seja, 
um fato simultâneo ao expresso na oração principal). 
i) tempo
Exemplo:
Quando você for a Londres, traga-me um presente. 
 § Oração principal: traga-me um presente. 
 § Oração subordinada: Quando você for a Londres 
(assume valor de adjunto adverbial temporal, uma vez 
que acrescenta uma ideia de tempo ao fato expresso 
na oração principal, podendo exprimir noções de simul-
taneidade, anterioridade ou posterioridade). 
Importante
Não confundir as orações coordenadas explicativas 
com as subordinadas adverbiais causais. As orações 
coordenadas explicativas caracterizam-se por forne-
cer um motivo que explica a oração anterior. 
Exemplo: 
A criança devia estar doente, porque chora-
va muito. (o choro da criança poderia não ser 
a causa de sua doença.) 
As orações subordinadas adverbiais causais expri-
mem a causa do fato. 
Exemplo: 
Ele está triste porque perdeu seu emprego. 
(a perda do emprego é a causa da tristeza dele.) 
 § Observe também que há pausa – vírgula, na escrita 
– entre a oração explicativa e a precedente e que ele 
trabalha com sistemas imperativos (verbos no impe-
rativo) ou hipotéticos (marcadores de dúvida como 
“talvez”, verbo “dever”).
ORAÇÕES 
ADVERBIAIS
POSSUEM VALOR DE ADVÉRBIO OU ADJUNTO ADVERBIAL E SÃO INTRODUZIDAS POR CONJUNÇÃO SUBORDINATIVAS
A questão era tão difícil que ele não conseguiu resolver.
 oração adverbial consecutiva
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1. Sintaxe de colocação
A colocação de pronomes oblíquos átonos em português 
pode ser realizada em três posições, obedecendo a regras 
e condições específicas. Essas três posições são a próclise, 
a mesóclise e a ênclise.
1.1. Próclise
Temos próclise quando o pronome surge antes do verbo. 
Suas condições de colocação são:
a) Nas orações que contenham uma palavra ou expressão 
de valor negativo.
Exemplos: 
Ninguém me ajuda.
Não me fale de problemas hoje.
Nunca se esqueça do que lhe disse
b) Nas conjunções subordinativas:
Exemplos: 
Voltarei a fazer contato se me interessar.
Ela não quis jantar, embora lhe servissem o me-
lhor prato.
É necessário que o vendamos por um bom preço.
c) Nas orações em que existam pronomes indefinidos ou 
advérbios, sem marcas de pausa.
Exemplos: 
Tudo me irrita nessa cidade. (pronome indefinido)
Hoje se vive melhor no Brasil. (advérbio)
Observação: caso tenhamos marcas de pausa depois do 
advérbio, emprega-se ênclise.
Exemplo: Hoje, vive-se melhor no Brasil. (advérbio)
d) Nas orações iniciadas por pronomes ou advérbios de 
tipo interrogativo.
Exemplos: 
Quem te chamou até aqui? (pronome interrogativo)
Por que o convidaram? (advérbio interrogativo)
e) Com gerúndio precedido de preposição “em”.
Exemplo: 
Em se tratando de pesquisas, melhor utilizar a 
biblioteca.
f) Nas orações introduzidas por pronomes relativos.
Exemplos: 
Foi aquele rapaz quem me pediu para falar com você.
Há situações que nos constrangem.
Essa foi a festa onde te conheci.
g) Com a palavra “só” (no sentido de “apenas” ou 
“somente”) e com as conjunções coordenativas al-
ternativas.
Exemplos: 
Só se lembram dos pais quando precisam de 
dinheiro.
Ou vai embora, ou se prepare para a bronca.
h) Nas orações iniciadas por palavras exclamativas e nas 
optativas (que exprimem desejo).
Exemplos: 
Deus o ilumine! (oração optativa)
Como te admiro! (oração exclamativa)
COLOCAÇÃO 
PRONOMINAL
COMPETÊNCIA(s)
1 e 8
HABILIDADE(s)
1 e 27
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AULAS 
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Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
(oswald de andrade)
O poema de Oswald de Andrade, publicado no início 
do século, coloca em cena a discussão a respeito dos 
usos linguísticos coloquiais e não-coloquiais que faze-
mos dos pronomes oblíquos. É importante perceber que 
esse assunto ultrapassa o campo linguístico e literário e 
problematiza o que seriam as possíveis relações entre 
uma cultura fundamentalmente brasileira e os dados 
culturais aqui inseridos pelo colonizador português.
multimídia: poesia
1.2. Mesóclise
Temos mesóclise quando o verbo estiver em algum dos 
tempos futuros do indicativo (futuro do presente ou futu-
ro do pretérito), desde que não existam condições para a 
próclise. O pronome é colocado no meio do verbo.
Exemplos: 
Comprar-lhe-ei umas roupas novas. (compra-
rei + lhe)
Encontrar-me-iam se realmente quisessem. (en-
contrar + me)
Observações:
a) Havendo condições para a próclise, esta prevalece 
sobre a mesóclise:
Exemplo:
Sempre lhe contarei os meus segredos. (O ad-
vérbio “sempre” exige o uso de próclise.)
b) A mesóclise é uso exclusivo da língua culta e da mo-
dalidade literária. Não a encontramos na comunicação 
oral mais básica.
c) Com esses tempos verbais (futuro do presente e futu-
ro do pretérito) jamais ocorrerá a ênclise.
1.3. Ênclise
Temos ênclise quando o pronome surge depois do verbo. 
Seu emprego obedece às seguintes regras:
a) Nos períodos iniciados por verbos (desde que não este-
jam no tempo futuro), pois, segundo a gramática normati-
va, não podemos iniciar frases com pronome oblíquo.
Exemplos: 
Fale-me o que está acontecendo.
Compravam-se muitos produtos antes da crise.
b) Nas orações imperativas afirmativas.
Exemplos: 
Ligue para seu primo e avise-o do horário
Ei, ajude-me com essa receita!
c) Nas orações reduzidas de infinitivo.
Exemplos: 
Convém dar-lhe um pouco mais de tempo.
Espero enviar-lhe isto até amanhã cedo.
d) Nas orações reduzidas de gerúndio (desde que não ve-
nham precedidas de preposição “em”).
Exemplos:
A mãe adotiva ajudou a criança, dando-lhe cari-
nho e proteção.
Ele se desesperou, deixando-se levar pela situação.
Observação: Se o verbo não estiver no início da frase, nem 
conjugado nos tempos Futuro do Presente ou Futuro do 
Pretérito, é possível usar tanto a próclise como a ênclise. 
Exemplos: 
Eu me encontrei com ela.
Eu encontrei-me com ela.
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DIAGRAMA DE IDEIAS
No artigo apresentado, o Linguista Marcos Bagno nos 
apresenta uma visão histórica e crítica a respeito dos 
motivos que obrigariam os brasileiros a utilizarem, ain-
da, em textos normativos, os parâmetros de colocação 
pronominal fundados no português europeu. 
multimídia: site
MESÓCLISE ÊNCLISEPRÓCLISE
SINTAXE DE 
COLOCAÇÃO
PRONOME OBLÍQUO 
ANTECEDE O VERBO.Não me desrespeite!
PRONOME OBLÍQUO 
É COLOCADO NO IN-
TERIOR DO VERBO.
Far-me-ia um favor?
PRONOME OBLÍQUO É 
COLOCADO APÓS O VERBO.
Deixe-me em paz!
LITERATURA
ENTRE 
LETRAS
LIVRO 
TEÓRICO
INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS
CIÊNCIAS MÉDICAS
CMMG
O Enem exige que o candidato tenha co-
nhecimento das diferentes escolas lite-
rárias. Neste livro, encontram-se alguns 
exercícios a respeito de dois assuntos 
recorrentes nessa prova: Modernismo e 
vanguardas do século XX.
A maior parte das questões de Literatura 
se refere às obras de leitura obrigató-
ria. Neste livro, encontram-se alguns 
exercícios a respeito do Modernismo 
português, movimento do qual algumas 
das leituras exigidas pelo exame fazem 
parte.
A maior parte das questões de Literatura 
se refere às obras de leitura obrigatória. 
Neste livro, encontram-se alguns exer-
cícios a respeito do Modernismo portu-
guês, movimento do qual faz parte “O 
marinheiro”, de Fernando Pessoa.
As questões contemplam o conheci-
mento acerca das escolas literárias, bem 
como de seus principais representantes. 
Neste livro, encontram-se alguns exer-
cícios a respeito da estética modernista 
europeia e das vanguardas europeias 
que a influenciaram.
As questões contemplam o conheci-
mento acerca das escolas literárias, 
bem como de seus principais represen-
tantes. Neste livro, encontram-se alguns 
exercícios a respeito do Modernismo 
português.
Parte das questões de literatura dessa 
prova se baseia nas obras de leitura 
obrigatória da Fuvest. Neste livro, en-
contram-se alguns exercícios sobre o 
Modernismo português, estética literária 
que aparece com alguma frequência 
neste exame.
A prova exige conhecimentos acerca dos 
diversos movimentos literários. Neste 
livro, estão presentes questões sobre a 
estética modernista europeia, conteúdo 
bastante frequente nesse vestibular.
As questões contemplam o conheci-
mento acerca das escolas literárias, bem 
como de seus principais representantes. 
Neste livro, encontram-se alguns exercí-
cios a respeito da estética modernista e 
das vanguardas europeias que a influen-
ciaram.
A prova exige conhecimentos acerca dos 
movimentos literários no Brasil e em Por-
tugal. Neste livro, estão presentes ques-
tões que abordam como o Modernismo 
se desenvolveu em território nacional e 
lusitano.
A maior parte das questões de Literatura 
se refere às obras de leitura obrigatória. 
Neste livro, encontram-se alguns exercí-
cios a respeito das vanguardas europeias 
e do modernismo europeu.
A maior parte das questões de Literatura 
se refere às obras de leitura obrigatória. 
Entretanto, para interpretar corretamen-
te tais obras, é essencial conhecer bem 
os movimentos literários e seus princi-
pais representantes.
A prova avalia os conhecimentos acerca 
dos gêneros literários e dos movimentos 
literários brasileiros. Neste livro, encon-
tram-se alguns exercícios a respeito da 
estética modernista, em suas bases eu-
ropeias, e das vanguardas europeias que 
a influenciaram.
As questões desse exame vestibular con-
templam o conhecimento acerca dos di-
ferentes gêneros literários e das escolas 
literárias brasileiras, bem como de seus 
principais representantes.
A prova avalia os conhecimentos acerca 
dos gêneros literários e dos movimentos 
literários brasileiros. Este livro contém 
exercícios sobre a estética modernista, 
em suas bases europeias, as vanguardas 
e o estilo de seus principais represen-
tantes.
A maior parte das questões de Literatura 
se refere às obras de leitura obrigatória. 
No entanto, também são comuns exercí-
cios que cobrem o conhecimento do can-
didato acerca dos movimentos literários 
em geral, bem como de seus principais 
representantes.
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O termo Pré-modernismo foi criado em 1939 por Tris-
tão de Athayde (pseudônimo de Alceu Amoroso Lima, 
1893-1983) para denominar o “momento de alvoroço 
intelectual, marcado pelo fim da grande guerra [1914-
1918] e, entre nós, por toda uma ansiedade de renova-
ção intelectual, que alguns anos mais tarde redundaria 
no movimento modernista”
– Jean Marcel oliveira arauJo
1. O pré-modernismo
O pré-modernismo compreende um período histórico. 
Por isso, é importante compreendê-lo como um mo-
mento de transição, em vez de uma escola literária, de 
fato. Há de se perceber, assim, dois fatores que podem 
provocar unidade no conjunto selecionado e estudado 
comumente: a recusa aos modelos passados, o realis-
mo, o romantismo, entre outros, seja ela em partes ou 
total, o que resulta em uma inventividade e uma plu-
ralidade ideológica nunca antes vista, e, também, na 
proclamação do Modernismo com a semana de vinte e 
dois, a recusa ao modernismo, em si, como é o caso do 
polêmico Monteiro Lobato.
Assim, é comum que o aluno encontre características bas-
tante "modernistas", nas obras de Lima Barreto ou de Eucli-
des da Cunha, mas uma vez que os movimentos históricos 
marcaram o início do Modernismo no Brasil com grandes 
pompas em uma semana de arte, não cabe a classificação. 
De forma geral, compreenderemos como pré-modernistas 
algumas das obras publicadas entre 1902, ano de publica-
ção de Os Sertões, de Euclides da Cunha, e 1922, ano da 
Semana de Arte Moderna e de falecimento de Lima Barreto.
2. Euclides da Cunha
Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha (1866-1909) termi-
nou o curso de Engenharia Militar na Escola Superior de 
Guerra, em 1892. Trabalhou na construção da Estrada de 
Ferro Central do Brasil e, mais tarde, atuou na cidade de 
São Carlos do Pinhal (SP) como engenheiro-assistente, na 
Superintendência de Obras. Ao mesmo tempo colaborava 
com artigos para o jornal O Estado de S. Paulo, que o con-
vidou para ser correspondente em Canudos – cidade do 
interior da Bahia – durante o conflito entre o líder Antonio 
Conselheiro e as forças governistas. Permaneceu no ser-
tão baiano de agosto a outubro de 1897 e testemunhou o 
massacre de Canudos.
Ao regressar, em 1899, foi transferido para o município de 
São José do Rio Pardo, no interior de São Paulo, onde de-
veria construir uma ponte sobre o rio Pardo. Lá escreveu Os 
sertões, obra que publicaria em 1902 e que o consagraria 
no panorama cultural brasileiro.
Perfil de Euclides e outros perfis – Gilberto Freyre
Gilberto Freyre foi um dos maiores intérpretes da realida-
de brasileira e, nesse livro, revela um lado seu bastante 
perspicaz: o de grande observador do gênero humano. 
Em Perfil de Euclides e outros perfis, Freyre nos brinda 
com textos instigantes sobre personalidades importan-
tes da história e da literatura brasileiras, como Euclides 
da Cunha, Augusto dos Anjos, D. Pedro II, Oliveira Lima, 
Manuel Bandeira, Nina Rodrigues e outros.
multimídia: livro
PRÉ- 
-MODERNISMO
COMPETÊNCIA(s)
5
HABILIDADE(s)
15, 16 e 17
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2.1. Os sertões
Os sertões situa-se entre a literatura, a sociologia e a ci-
ência. Trata-se de uma análise sociocultural que revelou 
ao brasileiro um mundo desconhecido, de miséria abso-
luta. O rigor científico de Euclides da Cunha – de linha 
cientificista do final do século XIX, que analisa o ser hu-
mano em razão de seu ambiente –, aliado à linguagem 
vibrante e pomposa, faz do livro uma fonte preciosa de 
informação e de expressão.
Serviram de roteiro as reportagens que Euclides da Cunha, 
como correspondente especial, escrevera no dia a dia da 
Guerra de Canudos.
Armado de cultura técnico-científica, o engenheiro trouxe 
para Os sertões o vocabulário preciso de seu ofício e or-
ganizou o livro em três partes – a terra, o homem e a luta 
–, com o intuito de trazer ao leitor uma visão completa do 
que se passava em Canudos.
Na primeira parte, o narrador descreve a terra, palco 
onde foi representada a trágica peleja entre brasileiros-ir-
mãos que se desconheciam e que o destino colocou no 
papel de antagonistas.
Na segunda parte, retrata o homem brasileiro que se de-fronta naquele palco: de um lado, o sertanejo resistente; de 
outro, o militar incumbido de domá-lo. Emerge nessa parte 
a figura do chefe da revolta, Antônio Conselheiro, o ser-
tanejo que representava todos os combatentes/lutadores, 
ponto de agregação para o qual convergiam as caracterís-
ticas da sociedade sertaneja.
Nessa parte, alguns personagens secundários do sertão 
são trazidos à cena: Volta-Grande, Pajeú, Pedrão, João 
Abade, Trança-Pés, Boca-Torta, Chico-Ema, bem como os 
coronéis Moreira César e Tamarindo, o general Machado 
Bitencourt e muitos militares.
as Forças governistas acabaraM por aniquilar 
o priMitivo exército de Jagunços.
Na terceira parte, finalmente, desenrola-se a luta, organi-
zada em seis episódios: Preliminares, Travessia do comboio, 
Expedição Moreira César, Quarta expedição, Nova fase da 
luta e Últimos dias.
Trecho da segunda parte, "O homem", de Os sertões.
xilogravura de gabriel arcanJo
Capítulo III
O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitis-
mo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral.
A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, 
revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desem-
peno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas.
É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, 
reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem 
firmeza, sem aprumo, quase gigante e sinuoso, aparenta a 
translação de membros desarticulados. Agrava-o a postura 
normalmente abatida, num manifestar de displicência que 
lhe dá um caráter de humildade deprimente. A pé, quando 
parado, recosta-se invariavelmente ao primeiro umbral ou 
parede que encontra; a cavalo, se sofreia o animal para tro-
car duas palavras com um conhecido, cai logo sobre um dos 
estribos, descansado sobre a espenda da sela. Caminhan-
do, mesmo a passo rápido, não traça trajetória retilínea e 
firme. Avança celeremente, num bambolear característico, de 
quem parece ser o traço geométrico os meados das trilhas 
sertanejas. E se na marcha estaca pelo motivo mais vulgar, 
para enrolar um cigarro, bater o isqueiro, ou travar ligeira 
conversa com um amigo, cai logo – cai é o termo – de có-
coras, atravessando largo tempo num posição de equilíbrio 
instável, em que todo seu corpo fica suspenso pelos dedos 
LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias  21
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grandes dos pés, sentado sobre os calcanhares, com uma 
simplicidade a um tempo ridícula e adorável.
É o homem permanentemente fatigado.
Reflete a preguiça invencível, a atonia muscular perene, em 
tudo: na palavra remorada, no gesto contrafeito, no andar 
desaprumado, na cadência langorosa das modinhas, na 
tendência constante à imobilidade e à quietude.
Entretanto, toda esta aparência de cansaço ilude.
Nada é mais surpreendedor do que vê-la desaparecer de 
improviso. Naquela organização combalida operam-se, em 
segundos, transmutações completas. Basta o aparecimen-
to de qualquer incidente exigindo-lhe o desencadear das 
energias adormidas. O homem transfigura-se. [...]
Fonte: Youtube
Deus e o Diabo na terra do sol
Manuel (Geraldo Del Rey) é um vaqueiro que se revolta 
contra a exploração imposta pelo coronel Moraes (Míl-
ton Rosa) e acaba matando-o numa briga. Ele passa a 
ser perseguido por jagunços, o que faz com que fuja 
com sua esposa Rosa (Yoná Magalhães). O casal se jun-
ta aos seguidores do beato Sebastião (Lídio Silva), que 
promete o fim do sofrimento através do retorno a um 
catolicismo místico e ritual. Porém, ao presenciar a mor-
te de uma criança, Rosa mata o beato. Simultaneamen-
te, Antônio das Mortes (Maurício do Valle), um matador 
de aluguel a serviço da Igreja católica e dos latifundiá-
rios da região, extermina os seguidores do beato.
multimídia: vídeo
Capítulo IV
os sertões – carlos Ferreira e rodrigo rosa.
Fonte: Youtube
Guerra de Canudos
Em 1893, Antônio Conselheiro (José Wilker) e seus se-
guidores começam a tornar um simples movimento em 
algo grande demais para a República, que acabara de 
ser proclamada e decidira por enviar vários destacamen-
tos militares para destruí-los. Os seguidores de Antônio 
Conselheiro apenas defendiam seus lares, mas a nova 
ordem não podia aceitar que humildes moradores do 
sertão da Bahia desafiassem a República. 
multimídia: vídeo
É natural que estas camadas profundas da nossa estratifi-
cação étnica se sublevassem numa anticlinal extraordinária 
– Antônio Conselheiro...
A imagem é corretíssima.
Da mesma forma que o geólogo interpretando a inclinação 
e a orientação dos estratos truncados de antigas forma-
ções esboça o perfil de uma montanha extinta, o historia-
dor só pode avaliar a altitude daquele homem, que si nada 
valeu, considerando a psicologia da sociedade que o criou. 
Isolado, ele se perde na turba dos neuróticos vulgares. 
Pode ser incluído numa modernidade qualquer de psicose 
progressiva. Mas posto em função do meio, assombra. É 
uma diátese, e é uma síntese. [...]
É difícil traçar no fenômeno a linha divisória entre as tendên-
cias pessoais e as tendências coletivas; a vida resumida do 
homem é um capítulo instantâneo da vida de sua sociedade.
Acompanhar a primeira é seguir paralelamente e com mais 
rapidez a segunda, acompanhá-las juntas é observar a 
mais completa mutualidade de influxos.
3. Lima Barreto
Lima Barreto foi um importantíssimo escritor brasileiro, “o 
romancista da primeira república''. Sua obra antecede o 
movimento modernista, caracterizando-se, assim, como 
uma pré-modernista. No entanto, isso não quer dizer que 
seus textos não se alinhem com as implicações políticas 
típicas dos grupos modernistas e nem que não obtivessem 
êxito em realização estética e formal da literatura moderna.
Filho de um tipógrafo e de uma professora, ambos pobres 
e, à época, designados como mestiços, Lima Barreto sofre 
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preconceito durante toda sua vida. Seja pela cor de pele, 
seja pela questão financeira. Temas que o autor irá abordar 
de maneira intrínseca em sua obra. Sua mãe morre quando 
o autor tem apena sete anos. Por ser afilhado do Visconde 
de Ouro Preto, pode ter acesso a uma educação de quali-
dade, estudando no Colégio Pedro II e, seguidamente, na 
Politécnica do Rio de Janeiro.
aFonso Henriques de liMa barreto (laranJeiras, 
rJ 1881 - rio de Janeiro, rJ 1922).
Lima Barreto: triste visionário – Lilia Schwarcz
Durante mais de dez anos, Lilia Moritz Schwarcz mergu-
lhou na obra de Afonso Henriques de Lima Barreto, com 
seu afiado olhar de antropóloga e historiadora, para 
realizar um perfil biográfico que abrangesse o corpo, a 
alma e os livros do escritor de Todos os Santos. Essa, 
que é a mais completa biografia de Lima Barreto des-
de o trabalho pioneiro de Francisco de Assis Barbosa, 
lançado em 1952, resulta da apaixonada intimidade de 
Schwarcz com o criador de Policarpo Quaresma, e de 
um olhar aguçado que busca compreender a trajetória 
do biografado a partir da questão racial, ainda pouco 
discutida nos trabalhos sobre sua vida.
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Durante o terceiro ano do curso de Engenharia, em 1903, 
Lima Barreto se viu obrigado a largar o curso. Seu pai ha-
via enlouquecido e cabia a ele sustentar os irmãos. No ano 
seguinte, tornou-se escriturário do Ministério da Guerra. 
Permanece na função até se aposentar. Em 1905, adentra a 
área do jornalismo com algumas reportagens escritas para o 
Correio da Manhã. Funda a revista "Floreal", em 1907, que 
lança apenas quatro números.
Sua estréia literária é marcada pelo romance Recordações 
do Escrivão Isaías Caminha (1909). O texto conta a história 
de um jovem afrodescendente que vem do interior para a 
cidade e sofre sérios preconceitos raciais. Há alto tom auto-
biográfico bem como uma bela satira do jornalismo carioca.
Fonte: Youtube
Policarpo Quaresma, herói do Brasil
O major Policarpo Quaresma é um sonhador. Um visio-
nário que ama o seu país e deseja vê-lo tão grandioso 
quanto, acredita, o Brasil pode ser. Asua luta se inicia no 
Congresso. Policarpo quer que o tupi-guarani seja adota-
do como idioma nacional. Ele tem o apoio de sua afilha-
da Olga, por quem nutre um afeto especial, e de Ricardo 
Coração dos Outros, trovador e compositor de modinhas 
que contam a história do nosso herói do Brasil.
multimídia: vídeo
Triste fim de Policarpo Quaresma é lançado em 1915. É con-
siderada a obra-prima do autor. Destaca-se, também, em sua 
carreira, a publicação de Clara dos Anjos (1922), exímio con-
to em que destrincha a problemática do colorismo no Brasil, 
associando a temática à questão de classe.
Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe absorvia 
e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. Que 
lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois que fos-
sem... Em que lhe contribuía para a felicidade saber o 
nome dos heróis do Brasil? Em nada... O importante 
é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das 
coisas do tupi, do folk-lore, das suas tentativas agrí-
colas... Restava disso tudo em sua alma uma satisfa-
ção? Nenhuma! Nenhuma!
O tupi encontrou a incredulidade geral, o riso, a mofa, o 
escárnio; e levou-o à loucura. Uma decepção. E a agricul-
tura? Nada. As terras não eram ferazes e ela não era fácil 
como diziam os livros. Outra decepção. E, quando o seu 
patriotismo se fizera combatente, o que achara? Decep-
ções. Onde estava a doçura de nossa gente? Pois ele a viu 
combater como feras? Pois não a via matar prisioneiros, 
inúmeros? Outra decepção. A sua vida era uma decepção, 
uma série, melhor, um encadeamento de decepções.
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A pátria que quisera ter era um mito; um fantasma cria-
do por ele no silêncio de seu gabinete.
barreto, l. triste FiM de policarpo quaresMa. disponível 
eM: www.doMiniopublico.gov.br. acesso eM: 8 nov. 2011.
4. Monteiro Lobato
Monteiro Lobato é José Bento Renato Monteiro Lobato, filho 
de fazendeiros e nascido em Taubaté, no interior paulista. 
Desde criança se apaixonou pela literatura, pois, além de ter 
sido alfabetizado cedo, coisa rara no país até então, tinha 
acesso irrestrito à biblioteca de seu avô. Esse fator, talvez o 
tenha incentivado à produção de uma obra precursora da 
literatura infantil no país: O Sítio do Pica-Pau-Amarelo.
A literatura de Lobato não para por aí, porém. Dono de 
editora, foi autor de obras que tratavam o regionalismo no 
país, como Urupês (1918), conto em que se encontra o fa-
moso personagem Jeca Tatu:
[…] a verdade nua manda dizer que entre as raças va-
riadas do matiz, formadoras da nacionalidade e metidas 
entre o estrangeiro recente e o aborígene de tabuinha 
no beiço, uma existe a vegetar de cócoras, incapaz de 
evolução, impenetrável ao progresso. Feia e sorna, nada 
a põe de pé. […] Jeca Tatu é um piraquara do Paraíba, 
maravilhoso epitome de carne onde se resumem todas 
as características da espécie. […] De pé ou sentado, as 
ideias se lhe entramam, a língua emperra e não há de 
dizer coisa com coisa. De noite, na choça de palha, aco-
cora-se em frente ao fogo para “aquentá-lo, imitado da 
mulher e da prole. […] Pobre Jeca Tatu! Como és bonito 
no romance e feio na realidade!
 (lobato, 2004. p. 166-168.)
Hoje, a literatura de Lobato parece estar sendo revista, 
uma vez que se percebe a reprodução de certos preconcei-
tos (étnicos e regionais) dentro de suas obras. Além disso, 
os mais atentos às polêmicas sabem que foi confirmado 
documentalmente que o autor era filiado a um grupo 
paulista de eugenia. A revisão necessária, contudo, não 
anula o fato de que por anos o autor foi estudado dentro 
do pré-modernismo brasileiro, seja como autor, seja como 
ponto polêmico, seja como conservador, seja como um in-
centivador da literatura infantil.
5. Augusto dos Anjos
caricatura de augusto dos anJos
Augusto dos Anjos (1884-1914) cursou Direito, em Reci-
fe. No contato com o ambiente acadêmico, familiarizou-se 
com a ciência e absorveu de tal maneira termos científicos 
que passou a usá-los cotidianamente, até mesmo em seus 
poemas. Sempre voltado para a literatura, publicou em edi-
ção particular o livro de poemas Eu, que causou enorme 
polêmica, pois o público, acostumado com a linguagem 
parnasiana, julgou a obra, à primeira vista, de mau gosto.
A poética de Augusto dos Anjos nasceu de uma situação 
histórica híbrida. Influenciado pelas ciências da época, o 
poeta parecia encantado com o uso de termos científicos. 
Seria uma forma de inovar a poesia. Embora empregasse 
conceitos de origem científica, traduziu para o leitor verda-
deiras essências misteriosas, despertando-lhe um fascínio 
por aquilo que ele não conhecia.
Pode-se considerar Augusto dos Anjos como um poeta de tran-
sição entre o Simbolismo decadente e a modernidade, muito 
identificado sempre com os sofrimentos da população do cam-
po e da cidade marginalizada pelo progresso capitalista.
A doença, a dor e a desilusão de viver estão muito presentes 
em seus poemas.
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Antologia poética de Augusto dos 
Anjos – Ivan Cavalcanti Proença
Augusto dos Anjos é um poeta estranho, perturbador, in-
quietante e, como não poderia deixar de ser, capaz de 
grande sedução. O vocabulário pouco comum, a multipli-
cidade de influências literárias que recebe e recria, tornan-
do-se inclassificável, e principalmente, o desespero radical 
com que tematiza o fim de todas as ilusões românticas 
são alguns motivos de sua rejeição e paradoxal aceitação.
multimídia: livro
5.1. Eu
Obra composta de 58 poemas, quase todos com rima e em 
verso decassílabo, Eu é o único livro que Augusto dos Anjos 
publicou em vida, em 1912, escandalizando o público 
leitor da época pela insistência na temática da podridão, 
da morte, do sofrimento e do terror.
Nele, predomina a linguagem científica e extravagante, 
aliada à temática da morte e da degradação em seus es-
tágios mais avançados: a putrefação, a decomposição da 
matéria. Seus versos refletem a descrença e o pessimismo 
frente ao ser e à sociedade. Trata-se, portanto, de uma 
poesia de negação.
Versos íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija.
(augusto dos anJos) euclides da cunHa
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DIAGRAMA DE IDEIAS
PRÉ-MODERNISMO
 
UM PERÍODO DE TRANSIÇÃO
 
EUCLIDES DA CUNHA
OS SERTÕES
1902
 
AUGUSTO DOS ANJOS
EU
1912
 
LIMA BARRETO
TRISTE FIM DE 
POLICARPO 
QUARESMA
1915
 
MONTEIRO LOBATO
URUPÊS
1918
 LIMA BARRETO CONCLUI 
"CLARA DOS ANJOS"; 
FALECE POUCO DEPOIS
SEMANA DE 
ARTE MODERNA
1922
ESCRITORES DE CARÁTER MODERNISTA
CRITICOU O 
MODERNISMO
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1. O conceito de vanguarda
guernica. picasso.
Na Europa, não houve uma arte moderna uniforme, mas 
um conjunto de tendências artísticas – provenientes de pa-
íses diferentes – com propostas específicas, embora certos 
traços as aproximassem, como o sentimento de liberdade 
criadora, o desejo de romper com o passado, a expressão 
da subjetividade e certo irracionalismo.
Paris era o principal centro cultural europeu da época, onde 
as novas ideias artísticas irradiavam para o resto do mundo 
ocidental. Essas tendências surgidas na Europa antes, du-
rante e depois da Primeira Guerra Mundial foram conside-
radas correntes de vanguarda.
No Brasil não poderia ser diferente. Víamos o exato mo-
mento da história em que as manifestações artísticas vi-
nham crescendo no país, espelhadas nas tendências euro-
peias, fossepara imitá-las, fosse para combatê-las.
As vanguardas europeias passaram pela Literatura Brasilei-
ra e deixaram sua contribuição. A Semana de Arte Moderna 
e o movimento modernista vieram romper com a antiga 
estética que até então reinava por aqui.
Vanguardas: o futuro é agora!
Do francês avant-garde, a palavra vanguarda significa 
“o que marcha na frente”. Artística ou politicamente, 
vanguardas são grupos ou correntes que apresentam 
uma proposta e/ou uma prática inovadora. Como se 
tivessem “antenas” que captam as tendências do fu-
turo, as vanguardas acreditam perceber, ou compreen-
der antes de todos aquilo que mais tarde será o senso 
comum. Sua intenção é fazer o futuro acontecer agora, 
por isso, suas ações muitas são incompreendidas.
o grito. edvard MuncH. 1893.
2. As vanguardas
2.1. Futurismo
2.1.1. Arte em movimento
Publicado em 1909, o Manifesto Futurista definiu o 
perfil ideológico do movimento. Em 1912, Marinetti lançou 
o Manifesto Técnico da Literatura Futurista cujas 
propostas representaram uma verdadeira revolução literá-
ria, dentre elas:
TEORIA DA 
VANGUARDA
COMPETÊNCIA(s)
4 e 5
HABILIDADE(s)
12, 15, 16 e 17
LC
AULAS 
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 § destruição da sintaxe e da disposição das “palavras em 
liberdade”;
 § emprego de verbos no infinitivo com vistas à substanti-
vação da linguagem;
 § abolição dos adjetivos e dos advérbios;
 § emprego de substantivo composto por substantivos 
em lugar de substantivo acompanhado de adjetivo: 
praça-funil, mulher-golfo;
 § abolição da pontuação e substituição por sinais da ma-
temática (+, -, :, =, >,

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