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Autoras: Profa. Daniela Emilena Santiago
 Profa. Luciana Helena Mariano Lopes Mattos
 Profa. Silmara Cristina Ramos Quintana
Colaboradoras: Profa. Amarilis Tudella
 Profa. Christiane Mazur Doi
Direitos da Criança, 
do Adolescente e 
da Pessoa Idosa 
Professoras conteudistas: Daniela Emilena Santiago / 
 Luciana Helena Mariano Lopes Mattos / Silmara Cristina Ramos Quintana 
Daniela Emilena Santiago
Graduada em Serviço Social pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em Violência Doméstica 
contra Crianças e Adolescentes pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Psicologia pela Universidade Estadual 
Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). É docente na Universidade Paulista (UNIP).
Luciana Helena Mariano Lopes Mattos
Graduada em Serviço Social pela Pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), especialista em direitos sociais e 
competências profissionais pela Universidade de Brasília (UNB) e mestre em políticas sociais pela Unicsul. Tem ampla 
experiência na área de Serviço Social, com ênfase em política social e políticas públicas, assistência social, territorialidade, 
sociojurídico e terceiro setor. Atualmente, trabalha no terceiro setor como assistente social no sistema sociojurídico, 
junto a um serviço de acolhimento institucional para crianças e adolescentes. É docente na Universidade Paulista (UNIP).
Silmara Cristina Ramos Quintana
Graduada em Serviço Social (1983) e em Pedagogia (2018), especialista em psiquiatria e psicologia de adolescentes, 
psicodrama pedagógico, psicopedagogia, orientação educacional e para o mundo do trabalho. Mestre em políticas 
públicas para adolescentes em conflito com a lei. Experiência na política de assistência social, proteção social básica e 
especial de média complexidade. Facilitadora de práticas restaurativas. Atuou em conselhos municipal dos direitos da 
criança e do adolescente, da pessoa com deficiência, Conselho da Assistência Social. Docente no Ensino Superior nas 
modalidades presencial e a distância, com experiência na gestão de cursos nas duas modalidades.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
U519.72 – 24
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
S235d Santiago, Daniela Emilena.
Direitos da Criança, do Adolescente e da Pessoa Idosa. / Daniela 
Emilena Santiago; Luciana Helena Mariano Lopes; Silmara Cristina 
Ramos Quintana. – São Paulo: Editora Sol, 2024.
180 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230.
1. Ação social. 2. Política social. 3. Pessoa idosa. I. Mattos, Luciana 
Helena Mariano Lopes. II. Quintana, Silmara Cristina Ramos. III. Título.
CDU 362
Profa. Sandra Miessa
Reitora
Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo
Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini
Vice-Reitora de Administração e Finanças
Prof. Dr. Paschoal Laercio Armonia
Vice-Reitor de Extensão
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora das Unidades Universitárias
Profa. Silvia Gomes Miessa
Vice-Reitora de Recursos Humanos e de Pessoal
Profa. Laura Ancona Lee
Vice-Reitora de Relações Internacionais
Prof. Marcus Vinícius Mathias
Vice-Reitor de Assuntos da Comunidade Universitária
UNIP EaD
Profa. Elisabete Brihy
Profa. M. Isabel Cristina Satie Yoshida Tonetto
Prof. M. Ivan Daliberto Frugoli
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Material Didático
Comissão editorial: 
 Profa. Dra. Christiane Mazur Doi
 Profa. Dra. Ronilda Ribeiro
Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista
 Profa. M. Deise Alcantara Carreiro
 Profa. Ana Paula Tôrres de Novaes Menezes
Projeto gráfico: Revisão:
 Prof. Alexandre Ponzetto Aline Ricciardi
 Vera Saad
Sumário
Direitos da Criança, do Adolescente e da Pessoa Idosa 
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................8
Unidade I
1 A CRIANÇA E O ADOLESCENTE E SUA CONSTRUÇÃO HISTÓRICA COMO SUJEITO 
SOCIAL DE DIREITO ................................................................................................................................................9
1.1 A infância em civilizações antigas ................................................................................................ 10
1.2 A infância no Renascimento – séculos XIV-XVI ....................................................................... 11
1.3 A infância no período de colonização pelos portugueses ................................................... 12
1.4 A infância no período filantrópico-higienista (1874-1924) ............................................... 13
1.5 A infância no período assistencial (1924-1964) .................................................................... 21
1.6 A infância na fase institucional (1964-2000) ........................................................................... 27
2 AS ESPECIFICIDADES DA ATENÇÃO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE ........................................ 34
2.1 A proteção prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente ......................................... 34
2.1.1 A primazia da proteção integral – medidas protetivas e socioeducativas ...................... 40
2.2 CRIANÇA E ADOLESCENTE EM SUAS DIVERSIDADES ............................................................ 48
2.2.1 Crianças e adolescentes com deficiência ...................................................................................... 48
2.2.2 Crianças e adolescentes indígenas .................................................................................................. 49
2.2.3 Crianças e adolescentes em situação de rua ............................................................................... 49
2.2.4 Crianças e adolescentes com um de seus pais privados de liberdade ............................. 50
2.2.5 Crianças e adolescentes negras ........................................................................................................ 51
2.2.6 Crianças e adolescentes quilombolas ............................................................................................. 51
3 A COMPREENSÃO HISTÓRICA DA PESSOA IDOSA ............................................................................. 52
3.1 Envelhecimento .................................................................................................................................... 52
3.2 Envelhecimento ativo ......................................................................................................................... 61
3.3 Envelhecimento no Brasil ................................................................................................................. 65
3.4 A população brasileira e a dinâmica demográfica ................................................................ 68
3.5 Direitos conquistados pelas pessoas idosas a partir da Constituição de 1988 ........... 78
3.5.1 Política Nacional da Pessoa Idosa .................................................................................................... 93
3.5.2 Estatuto da Pessoa Idosa ..................................................................................................................... 96
4 A SINGULARIDADE DA PROTEÇÃO FRENTE A SITUAÇÕES DE VIOLAÇÃO DE DIREITOS 
DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ..............................................................................................................102
4.1 Violação de direitos e violências contra criança e adolescente ......................................102Estado devia prestar 
assistência à maternidade, à infância, à adolescência e à pessoa com deficiência. Contudo, isso só se 
consolidou no âmbito legal, porque não houve ações que colocassem em prática o que estava disposto 
na Constituição. 
30
Unidade I
 Observação
A Funabem foi criada com o objetivo de formular e implantar a Política 
Nacional do Bem-Estar do Menor (PNBEM).
A CPI apresentou em 1976 um diagnóstico revelando que havia no Brasil cerca de 25 milhões de 
menores carentes e/ou abandonados, ou seja, um terço da população infantojuvenil. Diante desse quadro, 
cabia ao órgão competente, nesse caso, a Funabem, a implementação da PNBEM. No entanto, até aquele 
momento, a entidade não apresentava condições para solucionar essa questão, que encontrava as suas 
raízes na péssima distribuição da riqueza produzida socialmente. 
O relatório ainda constatou que as Febems também não dispunham de recursos suficientes para 
enfrentar a questão, o que confirma o caráter de descaso que foi dado às políticas sociais brasileiras 
(Rizzini; Pilotti, 2009). 
Ao fim da CPI, foi recomendada ao presidente da República a criação do Sistema de Proteção do Menor, 
o que implicaria a criação de um ministério extraordinário, coordenando os demais órgãos envolvidos, e 
que teria apoio financeiro de um Fundo Nacional de Proteção do Menor, com autonomia administrativa 
e financeira cuja função seria mobilizar a comunidade em relação ao assunto. Estimulava-se, assim, 
uma ação integrada entre governo-empresa-comunidade no sentido de promover “o recolhimento dos 
menores abandonados que perambulam pelas ruas das nossas principais cidades – principalmente nas 
regiões metropolitanas, densas de marginalização social” (Rizzini; Pilotti, 2009, p. 315).
No entanto, esse projeto não foi concretizado. A Funabem permaneceu no atendimento à “questão 
do menor” e, após a reforma ocorrida em 1974, a entidade passou a ser subordinada ao Ministério da 
Previdência e Assistência Social (MPAS). 
Em 1967, a Lei n. 5.258 estabeleceu o Sistema de Recolhimento Provisório, que abrigava os menores de 
18 anos que cometiam infrações penais. Também havia uma lei que dispunha sobre as condições 
para o trabalho de menores entre 12 e 14 anos, os quais não poderiam receber menos que um salário 
mínimo mensal.
Durante os anos 1970, travaram-se intensos debates jurídicos entre juristas do Rio de Janeiro e de 
São Paulo sobre a definição das bases do direito do menor. 
Em 1973, o estado de São Paulo resolveu criar a Fundação Paulista de Promoção Social do Menor 
(Promenor), trazendo a importância da participação comunitária, ou seja, ações que setores organizados 
da sociedade poderiam empreender a fim de complementar as iniciativas governamentais, assim como 
a sua mobilização para a formulação e a execução de políticas públicas.
Em 1979, foi aprovada a revisão do Código de Menores, que era configurado na doutrina da situação 
irregular, mas que trazia em seu bojo uma roupagem doutrinária de proteção aos direitos da criança 
para que fosse assegurada a ela a satisfação de todas as suas necessidades, em seus aspectos gerais, 
incluindo aqueles já relacionados no documento da ONU.
31
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
De acordo ao art. 1º do Código de Menores de 1979, essa legislação dispunha sobre assistência, 
proteção e vigilância a menores até 18 anos que se encontrassem em situação irregular e, em casos 
expressos, a menores entre 18 e 21 anos. As medidas de caráter preventivo, no entanto, poderiam se 
aplicar a quaisquer menores de 18 anos de idade, independentemente de sua situação (Brasil, 1979). 
A lei definia em situação irregular o menor: 
 
I – privado de condições essenciais à sua subsistência, saúde e instrução 
obrigatória, ainda que eventualmente; 
Il – vítima de maus-tratos ou castigos imoderados impostos pelos pais ou 
pelo responsável; 
III – em perigo moral; 
IV – privado de representação ou assistência legal, pela falta eventual dos 
pais ou do responsável; 
V – Com desvio de conduta, em virtude de grave inadaptação familiar 
ou comunitária; 
VI – autor de infração penal (Brasil, 1979).
Por um lado, tal legislação mantinha a idade penal em 18 anos, por outro, dispunha de mecanismos 
nos quais o menor acusado de delitos, mesmo sem provas, era passível de detenção, a não ser que 
sua família designasse um advogado para defendê-lo. Seguiu-se a mesma política filantrópica e 
assistencialista das legislações anteriores, com quase nenhuma modificação no Código de 1927, o que 
mostra que não houve à época mudança expressiva quanto ao conceito de infância.
Segundo o art. 14, eram medidas aplicáveis aos menores: 
 
I – advertência; 
II – entrega aos pais ou responsável, ou a pessoa idônea, mediante termo de 
responsabilidade; 
III – colocação em lar substituto; 
IV – imposição do regime de liberdade assistida; 
V – colocação em casa de semiliberdade; 
VI – internação em estabelecimento educacional, ocupacional, psicopedagógico, 
hospitalar, psiquiátrico ou outro adequado (Brasil, 1979). 
32
Unidade I
É no Título II, capítulo II, “Da apuração da infração penal”, que se encontram as orientações sobre a 
aplicabilidade de medidas aos autores de infração penal. Uma vez apresentado à autoridade competente 
um menor de 10 anos, a lei pareceria sugerir a não determinação de penalidade. 
O novo Código de Menores (1979) e o menor em situação de risco ganharam visibilidade no início dos 
anos 1980. Com isso, a concentração do poder de decisão sobre os destinos dos menores nas mãos 
dos juízes teve vida curta. 
Frente às estatísticas sociais, que retratavam uma realidade alarmante – revelando cerca de 
30 milhões de abandonados e marginalizados –, novos atores políticos entraram em cena nesse período. 
Houve reivindicação dos direitos de cidadania para as crianças e os adolescentes por parte de 
movimentos sociais. 
Os anos 1980 tornaram-se mais pródigos em relação à política social, tendo em vista que foi 
promulgada a Constituição Federal (CF). Por meio da carta constitucional, definiu-se que as políticas 
sociais de saúde, educação, assistência social e previdência social seriam de responsabilidade do 
Estado e direito de todo cidadão brasileiro. 
A partir da CF, delimitou-se a composição da seguridade social, composta de uma série de ações e 
serviços integralizados entre as políticas sociais de saúde, assistência social e previdência social. Essas 
políticas passaram, então, a integrar o rol de serviços que são de primazia do Estado, e não dependeriam 
apenas da caridade de grupos particulares.
A CF incorporou vários dispositivos que garantiram a defesa dos direitos do cidadão, por isso ficou 
conhecida como a Constituição Cidadã. Em seu art. 227, conseguiu regulamentar a proteção dos direitos 
da criança e do adolescente, designando-os como sujeitos de direitos e com absoluta prioridade, não 
menores, protegendo-os de qualquer forma de abuso. 
O art. 227 ainda promoveu o ECA, abrigando sob sua tutela não mais apenas a criança em situação 
social de risco, mas toda “pessoa em fase de desenvolvimento [...]” (Silva, 1997, p. 34-35).
Os direitos das crianças foram fixados nos arts. 227, 228, 229 da CF. Nessa década houve vários 
projetos de atendimento à criança, os quais articulavam as instâncias estatal e pública, que iam contra 
a estratégia de internação e repressão. 
Em 1989 foi redigida a Convenção Internacional sobre os Direitos das Crianças, adotada pela 
Resolução n. L 44 (XLIV) da Assembleia Geral das Nações Unidas, tendo em vista a necessidade de 
garantir a proteção e cuidados especiais à criança, incluindo proteção jurídica em todos os ciclos de vida, 
em virtude de sua condição de hipossuficiente, imaturidade física e mental, e ponderando que em todos 
os países do mundo existiam crianças vivendo em condições extremamente adversas e necessitando 
de proteção.
33
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Essa convenção foi ratificada pelo Brasil.Nesse contexto, as pressões sociais pela democratização 
e pelo reconhecimento dos direitos das crianças promoveram, em julho de 1990, a criação do Estatuto 
da Criança de do Adolescente (ECA), que revogou o Código de Menores de 1979, rompendo com seus 
paradigmas e a lei de criação da Funabem, adotando a doutrina de proteção integral, que reconhece a 
criança e o adolescente como sujeitos de direitos, cidadãos, e não mais objeto de intervenção do Estado.
Dois anos mais tarde, sob um novo paradigma jurídico, político e administrativo, o ECA (Brasil, 1990) 
vem reafirmando essa defesa, considerando o atendimento a esses sujeitos como parte integrante das 
políticas sociais, muito embora ainda hoje sua aceitação esteja longe de ser uma unanimidade. Após o 
ECA, surgiram os conselhos municipais de direito (CMDCA) e os conselhos tutelares (CT) e, com eles, a 
necessidade de revisão de princípios relativos às políticas de assistência.
Nos anos 1980, o foco foi a problemática da construção de uma concepção de infância com 
novos paradigmas que completassem em todas as áreas o atendimento da criança e do adolescente, 
o que resultou no art. 227 da CF e os princípios básicos da Declaração dos Direitos da Criança, 
conteúdo que foi ratificado pelo ECA. Assim, substituiu-se a doutrina da situação irregular pela 
doutrina da proteção integral, inserindo a corresponsabilidade da família, da sociedade e do Estado 
dentro da garantia de direitos da infância.
 Saiba mais
Para ter uma visão geral sobre esses períodos, assista ao filme:
O MENINO que não queria nascer. Direção: Estela Renner. Brasil: Maria 
Farinha Filmes, 2013. 8 min.
Com essas perspectivas, a criança e o adolescente passaram da condição de meros destinatários 
de ordens dos adultos a sujeitos de direitos, sendo-lhes atribuídas algumas garantias, prerrogativas e 
direitos concernentes aos institutos antes pertencentes a direitos somente de adultos. 
A palavra sujeito traduz a concepção da criança e do adolescente como indivíduos autônomos e 
íntegros, dotados de personalidade e vontade próprias que, na sua relação com o adulto, não podem 
ser tratados como seres passivos, subalternos ou meros objetos, devendo participar das decisões que 
lhes dizem respeito, sendo ouvidos e considerados em conformidade com suas capacidades e grau 
de desenvolvimento. 
Em 2006, com o Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC), a palavra sujeito 
traduz a concepção da criança e do adolescente como indivíduos autônomos e íntegros, dotados de 
personalidade e vontade próprias que, na sua relação com o adulto, não podem ser tratados como seres 
passivos, subalternos ou meros objetos, devendo participar das decisões que lhes dizem respeito, sendo 
ouvidos e considerados em conformidade com suas capacidades e grau de desenvolvimento. 
34
Unidade I
Entretanto, de acordo com o PNCFC (BRASIL, [s.d.]), o fato de terem direitos significa que são 
beneficiários de obrigações por parte de terceiros. A família, a sociedade e o Estado, dessa forma, precisam 
propiciar condições para o seu pleno desenvolvimento no seio de uma família e de uma comunidade. 
Eles são, antes de tudo e na sua essência, para além de meros atos de generosidade, beneficência, 
caridade ou piedade, o cumprimento de deveres para com a criança e o adolescente e o exercício da 
responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
Segundo Oliva (2009), no Brasil, o tratamento destinado às crianças e aos jovens só encontrou 
grandes modificações no final da década de 1980 com o fim da ditadura militar e o grande movimento 
envolvendo a sociedade civil organizada na mobilização pelo reconhecimento dos direitos da criança e 
do adolescente, reflexo de um movimento internacional.
As crianças e os adolescentes são sujeitos de direitos universalmente reconhecidos, não apenas 
de  direitos comuns aos adultos, mas além destes. Assim, são detentores de direitos especiais, 
provenientes de sua condição peculiar de pessoas em desenvolvimento, consolidado com a adoção 
pela ONU, em Assembleia Geral na Convenção dos Direitos da Criança, ratificada pelo Brasil e pela 
quase totalidade dos países hoje existentes no mundo.
De acordo com Oliva (2009), houve muitos avanços com o ECA, o que ficou demonstrado em algumas 
das capitais brasileiras analisadas que incorporaram seus princípios ao seu planejamento. Porém, num 
país com tantas diferenças e contrastes culturais, o gestor municipal deve estar atento para perceber 
as peculiaridades locais, adequando estratégias e ações adaptadas à realidade da infanto-adolescência, 
reconhecendo-os, no lugar que merecem, como novos sujeitos de direitos.
2 AS ESPECIFICIDADES DA ATENÇÃO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE
2.1 A proteção prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente
A Convenção sobre os Direitos da Criança (ONU, 1989), ratificada pelo Brasil em 24 de setembro de 
1990, teve um papel importante na construção e na efetivação da proteção à criança e ao adolescente, 
a qual trouxe o embasamento legal para a criação e a reforma de toda e qualquer norma reguladora, 
no campo da família e no embasamento de processos de reforma administrativa, de execução de 
políticas, programas, serviços e ações públicas. A Convenção assegura as duas prerrogativas maiores que 
a sociedade e o Estado devem conferir à criança e ao adolescente, para operacionalizar a proteção dos 
seus direitos humanos: cuidados e responsabilidades.
Esse documento destaca os direitos subjetivos de crianças e adolescentes quanto à liberdade, 
à dignidade, à integridade física (psíquica e moral), à educação, à saúde, à proteção no trabalho, à 
assistência social, à cultura, ao lazer, ao desporto, à habitação, a um meio ambiente de qualidade e traz 
outros direitos individuais indisponíveis, sociais, difusos e coletivos (ONU, 1989). 
Em seu preâmbulo, a Convenção define os direitos da criança num sentido realmente próximo 
da Declaração dos Direitos da Criança da ONU (1959), apenas como direito a uma proteção especial: 
35
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
“a criança tem necessidade de uma proteção especial e de cuidados especiais, notadamente de uma 
proteção jurídica, antes e depois de seu nascimento” (ONU, 1989). 
Todavia, em outros pontos, a Convenção (ONU, 1989) avançou e acresceu a esse direito à proteção 
especial outros tipos de direitos que só podem ser exercidos pelos próprios beneficiários: o direito à liberdade 
de opinião (art. 12), à liberdade de expressão (art. 13), à liberdade de pensamento, de consciência e de religião 
(art. 14), à liberdade de associação (art. 15). Trata-se de direitos que pressupõem certo grau de capacidade, 
de responsabilidade, isto é, que implicam sujeitos de direitos como titulares. As crianças e os adolescentes 
são seres essencialmente autônomos, mas com capacidade limitada de exercício da sua liberdade e dos seus 
direitos (Brasil, 1990).
A fim de regulamentar todos os direitos elencados pela Convenção destacada anteriormente, em 
13 de julho de 1990, foi promulgada a Lei n. 8.069, conhecida como ECA, já mencionada anteriormente.
Como vimos, o ECA revogou o antigo Código de Menores, que era centrado na repressão e na 
discriminação da infância pobre, e trouxe inovações, introduzindo a doutrina da proteção integral. 
Dessa maneira, o Estatuto mudou a concepção de criança e de adolescente. A concepção histórica 
de menor abandonado e delinquente foi questionada, e este passou a ser considerado sujeito de direitos, 
pois vivia em um Estado Democrático de Direito, em condição peculiar de desenvolvimento, já que ainda 
estaria em processo de desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social. Assim, passou a ser 
tratado com prioridade absoluta. 
A CF, em seu art. 227, trata do segmento infantojuvenil, acentuando que é “[...] dever da família, da 
sociedade e do Estado assegurar à criança os seus direitos com absoluta prioridade” (Brasil, 1988). 
O ECA reforçou o papel da família na vida da criança edo adolescente como elemento primordial 
no processo de proteção integral e como um dos objetivos vitais do sistema de promoção e defesa 
dos direitos da criança e do adolescente. Reforçou, ainda, que cabe ao poder público e à sociedade a 
complexa tarefa de governar suas crianças. 
O Estatuto também introduziu algumas mudanças no conteúdo, no método e na gestão das ações 
destinadas à criança e ao adolescente. Criou-se, portanto, a doutrina da proteção integral, prevendo-se 
nova perspectiva ao tratamento dispensado a crianças e adolescentes, significando reconhecer que, 
perante a lei, todo e qualquer jovem merece atenção especial do Estado, da família e da sociedade, 
sendo dever de todos observar a legislação, especificamente voltada à garantia do bem-estar e do 
desenvolvimento saudável desse público. 
A introdução da doutrina de proteção integral gerou mudanças expressivas na essência da 
formulação das políticas sociais, que passaram a abranger as políticas sociais básicas, como educação, 
saúde, habitação, lazer, profissionalização e outras, consideradas direito de todos e dever do Estado; as 
políticas de assistência social, voltadas para o atendimento compensatório a todos que dela necessitem; 
as políticas de proteção especial, que envolvem crianças e adolescentes em situação de risco pessoal 
e social; e as políticas de garantias, que atendem a crianças e adolescentes envolvidos em conflitos 
36
Unidade I
de natureza jurídica. O conjunto articulado dessas ações configura o que denominamos sistema de 
garantias de direitos. 
Considerando o postulado, todas as políticas públicas voltadas ao amparo, à assistência e à 
inclusão social dessas crianças e adolescentes devem considerar sua condição peculiar de “pessoa em 
desenvolvimento”, devendo ser tratadas com absoluta prioridade, como já mencionado.
Entende-se que todo trabalho social destinado a essa população deve estar baseado na noção de 
cidadania e emancipação. Isso significa que a criança e o adolescente não poderão mais ser tratados 
como objetos passivos da intervenção da família, da sociedade e do Estado. As ações devem ter 
caráter emancipatório, capazes de transformar crianças e adolescentes em sujeitos históricos, capazes 
de manejar seu próprio destino, respeitando suas potencialidades e limitações em cada fase de seu 
desenvolvimento pessoal e social.
Com a adoção da nova doutrina da proteção integral, que repercutiu tanto na CF como na criação do 
ECA (Brasil, 1990), o Poder Judiciário considerou por bem implantar varas especializadas no atendimento 
à garantia dos direitos da criança e do adolescente. 
Essa doutrina incorporada pelo ECA tem como princípio que todas as crianças e os adolescentes 
desfrutem dos mesmos direitos, com obrigações compatíveis com a peculiar condição de desenvolvimento, 
rompendo definitivamente as ideias preceituadas pelos Juizados de Menores e pelo Código de Menores 
a respeito da noção de direito e justiça. 
O direito à vida e à saúde tem como objetivo eliminar ou diminuir a mortalidade infantil e envolve o 
desenvolvimento biopsicossocial, de modo a dar à criança e ao adolescente uma oportunidade de vida. 
Por conta dos dispositivos tratados, criaram-se ações para garantir a efetivação desses direitos, 
como acompanhamento pré-natal pelo SUS; possibilidade de o mesmo médico acompanhar o parto; 
a alimentação do recém-nascido; a oportunidade de alimentação do recém-nascido por presidiárias 
ou mesmo por mães no mercado de trabalho. Os direitos fundamentais devem ser acessados desde 
o pré-natal (direito à vida). Assegura-se, também, o direito pós-parto como inerente ao processo da 
primeira infância.
O Estatuto da Primeira Infância, criado em 2016, reafirma a prioridade absoluta nas atenções 
e a  responsabilidade do Estado em estabelecer políticas, planos, programas, projetos e serviços que 
assegurem  a proteção integral. Nas disposições preliminares, dispõe para quem essa lei se aplica, 
explicitando quanto aos direitos fundamentais inerentes à pessoa, sem prejuízos da proteção integral. 
Fomenta a participação da criança na formulação de políticas públicas e nas ações que lhe dizem 
respeito. Destaca-se que as políticas também devem incluir o apoio à família (orientações). Elucida 
a preocupação com a criança desde a gestação, devendo a gravidez ser devidamente acompanhada, 
garantindo o direito a um acompanhante no período pós-parto (Brasil, 2016). 
O ECA traz a corresponsabilidade da família no cuidado, sendo dever da família, da comunidade, 
da sociedade em geral e do poder público assegurar a efetivação dos direitos à vida, à saúde, à 
37
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito 
e à liberdade de convivência familiar e comunitária.
O direito à dignidade é um dos que atua na proteção da integridade da criança e do adolescente 
contra tratamentos desumanos, violentos, aterrorizantes, vexatórios e constrangedores. 
Houve algumas mudanças ligadas à condição de sujeitos de direitos, podendo-se exemplificar duas 
situações: uma relacionada à idade da infância, quando foi definida a fase de criança (0 a 12 anos 
incompletos) e adolescentes (12 a 18 anos incompletos), o que foi baseado em estudos biológico e 
sociais, respeitando sempre seu desenvolvimento; e outra relacionada à substituição do termo menor, 
que se ligava à questão do abandono e da delinquência na infância, por criança e adolescente, em 
âmbito geral. 
No que se referia às garantias básicas de crianças e adolescentes, o ECA estabeleceu três: respeito aos 
direitos e garantias fundamentais; proteção integral; acesso aos instrumentos necessários para a efetivação 
de direitos. 
A proteção integral da criança e do adolescente tem por escopo garantir que uma pessoa, com 
menos de 18 anos, possa exigir e ter assegurados quaisquer direitos inerentes do ser, ou seja, mesmo que 
não atingido seu desenvolvimento mental e psíquico completamente, essa pessoa tem direito à vida, à 
saúde, à educação, à liberdade, ao respeito, à cultura e a viver com dignidade (Brasil, 1990). 
O ECA enfatiza a importância dos vínculos familiares e comunitários – diferentes dos grandes 
internatos –, prevendo uma série de medidas, que, articuladas, visam principalmente à manutenção 
e ao fortalecimento desses vínculos. Prima pelo direito à convivência familiar e comunitária e, dentro 
dessa perspectiva, tem-se como exemplo o fato de a carência de recursos materiais não constituir causa 
de perda ou suspensão do poder familiar. 
A lei é clara quando explicita que o atendimento em instituição deve ser realizado de forma 
individualizada e em pequenos grupos, com características familiares. Fixa o direito à convivência 
familiar como um dos direitos fundamentais da criança e do adolescente, determinando que os esforços 
das políticas devem visar ao fortalecimento dos vínculos com a família de origem (Brasil, 1990). 
Ao priorizar a convivência familiar, o ECA estabelece políticas de atendimento articuladas, procurando 
garantir que toda criança seja criada em sua família e, excepcionalmente, em família substituta. Assim, 
as medidas previstas para tal são aquelas que constam no art. 101, cabendo ao Conselho Tutelar garantir 
que elas sejam efetivamente aplicadas. Porém, em casos excepcionais e de violação de direitos, é prevista 
a aplicação de medidas de proteção de acolhimento institucional. 
Tais medidas devem ser aplicadas em ordem crescente, conforme a gravidade da infração e da 
capacidade do adolescente em cumprir a proferida medida socioeducativa. Pode-se ainda aplicar as 
seguintes ações protetivas, de maneira prévia, complementar ou substitutiva às anteriores.
38
Unidade I
Art. 101. 
I – encaminhamento aos pais ou responsáveis; 
II – orientação, apoio e acompanhamento temporários; 
III – matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de Ensino 
Fundamental; 
IV – inclusão em programacomunitário ou oficial de auxílio à família, à 
criança e ao adolescente; 
V – requisição de tratamento médico psicológico ou psiquiátrico, em regime 
hospitalar ou ambulatorial; 
VI – inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e 
tratamento a alcoólatras e taxicômanos; 
VII – acolhimento institucional;
VIII – inclusão em programa de acolhimento familiar;
IX – colocação em família substituta (Brasil, 1990).
Quanto ao acolhimento institucional, tal medida de proteção, juntamente com o acolhimento familiar, 
são medidas provisórias e excepcionais, utilizáveis como forma de transição para a reintegração familiar ou, 
não sendo esta possível, para colocação em família substituta, não implicando privação de liberdade. 
A legislação reconhece a importância da família e da comunidade para o desenvolvimento da criança.
Assim, a pobreza não é motivo para o afastamento entre pais e filhos, devendo o Estado incluir a 
família em programas sociais que garantam a sobrevivência e a manutenção desta sem que os direitos 
das crianças e dos adolescentes sejam abdicados. 
A questão da internação, ou seja, do recolhimento de adolescentes em instituições, foi um elemento 
importante no rompimento com o estigma de “menor” e da doutrina de situação irregular no ECA. A 
partir da concepção da criança e do adolescente como sujeitos em condição peculiar de desenvolvimento, 
o ECA instaura um novo paradigma: a partir dele, não se refere ao autor de ato infracional como 
delinquente, pervertido ou criminoso, termos presentes em legislações anteriores. 
Considera-se para fins jurídicos e sociais a criança e o adolescente autores de ato infracional como 
em situação de conflito com a lei. Houve importante mudança também a respeito da confusão com o 
público adulto, pois a criança e o adolescente não devem ser considerados criminosos, vetando-se sua 
permanência em instituições penitenciárias ou policiais voltadas à população adulta. 
39
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
O art. 112 do ECA define como medidas socioeducativas a advertência, a obrigação de reparar o dano; 
a prestação de serviços à comunidade; a liberdade assistida; a inserção em regime de semiliberdade; a 
internação em estabelecimento educacional, além de outras medidas de proteção (Brasil, 1990).
A advertência consiste em uma repreensão verbal ao adolescente, que será lavrada em um termo 
próprio, podendo ser aplicada sempre que o ato infracional for de menor gravidade.
A reparação dos danos causados apenas será imposta nas situações de atos infracionais que 
ocasionarem prejuízos materiais. Essa reparação pode se dar a partir da restituição da coisa, do 
ressarcimento do dano ou da compensação do prejuízo de outra forma.
A prestação de serviços à comunidade pode ser exercida de variadas formas, preferencialmente 
junto a entidades assistenciais, e não pode ultrapassar o prazo máximo de seis meses de duração.
A liberdade assistida consiste no acompanhamento do adolescente por pessoa capacitada. Essa 
medida, composta pela orientação de um agente, possui o prazo mínimo de seis meses e visa impedir 
que o adolescente pratique novos atos infracionais.
Por sua vez, a semiliberdade funciona como um regime de transição da medida de internação e 
autoriza que o adolescente pratique atividades em ambiente externo. Não possui um prazo específico 
de duração e deve ser revista a cada seis meses.
Finalmente, a internação é a medida socioeducativa mais grave, por isso considerada excepcional e 
breve, e conduz o adolescente à custódia em estabelecimento próprio. O prazo máximo dessa medida é 
de três anos, que, assim que concluídos, determinam a imediata colocação do adolescente em liberdade.
Independentemente da medida aplicada, é sempre possível a remissão (perdão), que pode ser 
autorizada pelo Ministério Público, antes de iniciado o processo, ou pelo juiz de direito, quando o 
processo já estiver em curso.
Segundo o art. 106 do ECA, “nenhum adolescente autor de ato infracional será privado de sua 
liberdade senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade jurídica 
competente”. O art. 110 acentua que fica “impossibilitada a apreensão de adolescente senão mediante o 
devido processo legal” (Brasil, 1990). 
 Observação
A internação antes da sentença só poderá ser determinada pelo prazo 
máximo de 45 dias e só deve ser aplicada em extrema necessidade.
Com a promulgação do ECA, superou-se a situação irregular, promovendo-se uma doutrina 
de proteção integral, colocando a criança como centro das atenções, tornando-a mais visível para 
a sociedade.
40
Unidade I
De fato, o ECA representa uma inovação no campo da proteção infantojuvenil. Em sintonia com o 
marco regulatório internacional, o ECA e os esforços que vêm sendo empreendidos por sua regulação, 
expressos no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) e no Plano Nacional de 
Convivência Familiar e Comunitária, constituem um significativo passo na proposição dos diversos planos 
e programas em várias frentes de direitos ameaçados ou violados, como trabalho infantil, exploração 
sexual e violência doméstica. Contudo, ainda há contradição, porque os tempos difíceis em que vivemos 
são de profundo ataque aos direitos no país. 
2.1.1 A primazia da proteção integral – medidas protetivas e socioeducativas
Segundo Marques (2019), o sistema de garantias de direitos consiste num importante instrumento 
capaz de transformar a realidade social de crianças e adolescentes. Entretanto é absolutamente 
necessário, a partir de uma nova consciência, perseguir ações e tratamentos que levem à ressocialização 
em vez de seguir com práticas que visem unicamente a repressão e punição.
As medidas socioeducativas previstas no ECA são aplicáveis aos adolescentes que cometerem atos 
infracionais, ou seja, atos análogos ao crime e à contravenção penal.
Portanto, deve-se notar as medidas socioeducativas como resposta do Estado à prática do 
ato infracional cometido por adolescentes, visando a não reincidência destes ao cometimento de 
novas infrações. 
Com a CF de 1988 iniciou-se uma nova fase política no Brasil, pautada pela democracia e o respeito 
à dignidade da pessoa humana. Nesse contexto, o tratamento dispensado às crianças e aos adolescentes 
sofreu profundas mudanças, agora tendo por fundamento a doutrina da proteção integral.
O ECA prevê em seu bojo diversas medidas socioeducativas, expressas no art. 112: a advertência, a 
obrigação de reparar o dano, a prestação de serviço à comunidade, a inserção em regime de semiliberdade, 
a internação em estabelecimento educacional e a liberdade assistida.
O ECA incorpora na prática o conjunto de normas do ornamento jurídico com o objetivo de 
proteção integral da criança e do adolescente, considerando que são pessoas em desenvolvimento, 
bem como titulares de direitos. Assim, prevê as chamadas medidas socioeducativas aplicadas pelo juiz 
aos adolescentes que incidirem na prática de atos infracionais. Possuidoras de caráter pedagógico, tais 
medidas não visam punir os jovens, mas reeducá-los para o convívio em sociedade.
De acordo Veronese (apud Marques, 2019), o verdadeiro desafio enfrentado pelo ECA é regulamentar 
e efetivar as normas constitucionais a fim de garantir que as premissas e princípios da doutrina da 
proteção integral não sejam simplesmente “letra morta”.
Desse modo, não há que se falar em reduzir a maioridade penal tendo em vista o encarceramento 
em massa de adolescentes. A diminuição da violência passa pela implementação de um conjunto de 
atividades pedagógicas prescritas pelo ECA, que têm o condão de reeducar o jovem infrator em vez 
de simplesmente apartá-lo da sociedade, punindo-o com o encarceramento.
41
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Em sua pesquisa, Marques (2019) traz à luz, por meio da Constituição e do ECA, a maioridade penal, 
em que considerou que a redução vai em contrário à prioridade absoluta concedida às criançase aos 
adolescentes pelo art. 227 da CF, fundada no princípio da dignidade da pessoa humana e na doutrina 
da proteção integral.
Salienta que as medidas socioeducativas são instrumentos mais aptos e dignos para promover a 
ressocialização de adolescentes autores de ato infracional, não devendo sair de seu alcance os maiores 
de 14 e menores de 18 anos de idade pela falha do Estado em acompanhar os avanços legislativos, 
implementando políticas que assegurem a efetivação dos direitos conquistados pelos adolescentes, 
conforme disposto no ECA (1990).
 
Art. 103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou 
contravenção penal.
Art. 104. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos 
às medidas previstas nesta Lei.
Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, deve ser considerada a idade do 
adolescente à data do fato.
Art. 105. Ao ato infracional praticado por criança corresponderão as medidas 
previstas no art. 101.
Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente 
poderá aplicar ao adolescente as seguintes medidas:
I - advertência;
II - obrigação de reparar o dano;
III - prestação de serviços à comunidade;
IV - liberdade assistida;
V - inserção em regime de semi-liberdade;
VI - internação em estabelecimento educacional;
VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI.
§ 1º A medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade 
de cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração.
42
Unidade I
§ 2º Em hipótese alguma e sob pretexto algum, será admitida a prestação 
de trabalho forçado.
§ 3º Os adolescentes portadores de doença ou deficiência mental receberão 
tratamento individual e especializado, em local adequado às suas condições.
Art. 113. Aplica-se a este Capítulo o disposto nos arts. 99 e 100.
Art. 114. A imposição das medidas previstas nos incisos II a VI do art. 112 
pressupõe a existência de provas suficientes da autoria e da materialidade 
da infração, ressalvada a hipótese de remissão, nos termos do art. 127.
Parágrafo único. A advertência poderá ser aplicada sempre que houver prova 
da materialidade e indícios suficientes da autoria (Brasil, 1990).
O PNCFC constitui um marco nas políticas públicas no Brasil ao romper com a cultura da 
institucionalização de crianças e adolescentes e ao fortalecer o paradigma da proteção integral e da 
preservação dos vínculos familiares e comunitários preconizados pelo ECA. 
A manutenção dos vínculos familiares e comunitários, como abordado no ECA, reforça o papel 
da família na vida da criança e do adolescente como elemento imprescindível dentro do processo 
de proteção integral e fundamenta para a estruturação das crianças e adolescentes como sujeitos e 
cidadãos, está diretamente relacionada ao investimento nas políticas públicas de atenção à família.
O PNCFC
 
é resultado de um processo participativo de elaboração conjunta, envolvendo 
representantes de todos os poderes e esferas de governo, da sociedade 
civil organizada e de organismos internacionais, os quais compuseram 
a Comissão Intersetorial que elaborou os subsídios apresentados ao 
Conselho Nacional dos Direitos das Crianças e Adolescentes – Conanda e 
ao Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS (AEW-PR, 2024).
Rememorando os avanços percorridos após a CF, o plano se constitui como um marco nas 
políticas públicas brasileiras, pois foi a partir dele que se rompeu com a cultura da institucionalização 
de crianças e adolescentes, fortalecendo a proteção integral e a preservação de vínculos familiares 
e comunitários preconizados pelo ECA. A manutenção desses vínculos são elementos vitais para a 
estruturação de crianças e adolescentes como sujeitos e cidadãos, muito relacionada ao investimento 
nas políticas públicas de atenção à família.
O PNCFC se consolidou como um grande instrumento para o planejamento de ações para a reversão 
do quadro de violações do direito à convivência familiar e comunitária, determinando que estados e 
municípios elaborem planos próprios de atendimento a fim de planejar suas ações e estratégias para a 
efetivação dos direitos de crianças e adolescentes à convivência familiar e comunitária. 
43
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Assim, o PNCFC estabelece objetivos gerais, competências e atribuições para a implementação, o 
monitoramento e a avaliação de cada um dos entes federativos, além de um plano de ação com previsão 
de ações, responsabilidades e tempo previsto para a execução.
O plano traz como diretrizes: 
•	 Centralidade da família nas políticas públicas. 
•	 Primazia da responsabilidade do Estado no fomento de políticas integradas de apoio à família.
•	 Reconhecimento das competências da família na sua organização interna e na superação de 
suas dificuldades.
•	 Respeito à diversidade étnico-cultural, à identidade e orientação sexual, à equidade de gênero e 
às particularidades das condições físicas, sensoriais e mentais. 
•	 Fortalecimento da autonomia da criança, do adolescente e do jovem adulto na elaboração de seu 
projeto de vida. 
•	 Garantia dos princípios de excepcionalidade e provisoriedade dos programas de famílias 
acolhedoras e de acolhimento institucional de crianças e de adolescentes.
•	 Reordenamento dos programas de acolhimento institucional, adoção centrada no interesse da 
criança e do adolescente.
A convivência familiar e comunitária é um direito fundamental de crianças e adolescentes garantido 
pela CF (Brasil, 1988, art. 227) e pelo ECA. Em seu art. 19, o ECA (Brasil, 1990) estabelece que toda criança 
e adolescente tem direito a ser criado e educado por sua família e, na falta desta, por família substituta. 
 Observação
Esgotadas todas as possibilidades, a colocação em família substituta 
por meio de decisão judicial é a melhor medida para a proteção e o 
desenvolvimento de crianças e adolescentes.
O direito à convivência familiar e comunitária é tão importante quanto o direito à vida, à saúde, à 
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito e à liberdade. 
A CF diz que a “família é a base da sociedade” e que compete a ela, ao Estado, à sociedade em geral 
e às comunidades “assegurar à criança e ao adolescente o exercício de seus direitos fundamentais” 
(Brasil, 1988, arts. 226-227). 
A família é evidenciada como base nos novos aparatos legais, entendida como sendo a “entidade 
familiar a comunidade formada por qualquer um dos pais e seus descendentes” (Brasil, 1988, art. 226, § 4). 
44
Unidade I
Tais definições colocam a ênfase na existência de vínculos de filiação legal, de origem natural ou adotiva, 
independentemente do tipo de arranjo familiar onde essa relação de parentalidade e filiação estiver 
inserida. Em outras palavras, não há uma caracterização específica para família, não importando o tipo 
de família, nuclear, monoparental, reconstituída etc.
 Lembrete
O vínculo de parentalidade/filiação respeita a igualdade de direitos dos 
filhos, independentemente de sua condição de nascimento.
A família se apresenta como núcleo de referência e de proteção social, sendo, desde o seu 
nascimento, o principal núcleo de socialização da criança. Diante de sua condição social e de existência, 
esta pode expor seus membros a situações de vulnerabilidade social e imaturidade, protegendo-os 
ou desprotegendo-os. 
Como a família é a referência para seus membros, a relação entre os pais ou substitutos é vital para a 
constituição do sujeito, seu desenvolvimento afetivo, aquisições, condição de saúde e desenvolvimento 
físico e psicológico. A família é o melhor lugar para o desenvolvimento da criança e do adolescente.
Mesmo sendo um núcleo de proteção e cuidado, nem sempre as famílias possuem recursos (sociais, 
materiais, afetivos, protetivos), pode se tornar um espaço de conflito, abusos e de violação de direitos. 
Nessas situações, medidas de apoio à família deverão ser tomadas para assegurar o direito da criança e do 
adolescentede se desenvolver no seio de uma família, prioritariamente a de origem e, excepcionalmente, 
a substituta.
O § 8º do art. 226 da CF também determina que o Estado deve dar assistência aos membros da 
família e impedir a violência dentro dela. O art. 229 diz que “os pais têm o dever de assistir, criar e educar 
os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou 
enfermidade” (Brasil, 1988).
Quando a família, em vez de proteger a criança e o adolescente, violar seus direitos, uma das medidas 
previstas no ECA (Brasil, 1990, art. 101) para impedir a violência e a negligência contra eles é o 
acolhimento institucional. Essa decisão é aplicada pelo Conselho Tutelar por determinação judicial e 
implica a suspensão temporária do poder familiar sobre crianças e adolescentes em situação de risco 
e no seu afastamento de casa.
De acordo com os arts. 22 e 24 do ECA (Brasil, 1990), a medida extrema de suspensão do poder 
familiar deverá ser aplicada apenas nos casos em que, injustificadamente, os pais ou responsáveis 
deixarem de cumprir os deveres de sustentar e proteger seus filhos, quando crianças e adolescentes 
forem submetidos a abusos ou maus-tratos ou devido ao descumprimento de determinações judiciais. 
Nos casos de violação, aplicam-se medidas de proteção especial, prevista no ECA e definida como 
“provisória e excepcional” (Brasil, 1990, art. 101, § único). 
45
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
O PNCFC adotou o termo “acolhimento institucional” para designar os programas de abrigo em 
entidade como aqueles que atendem crianças e adolescentes que se encontram sob medida protetiva 
de abrigo, aplicadas nas situações dispostas no art. 98 do ECA. 
O acolhimento institucional deve ser uma medida excepcional e provisória, e o ECA obriga que se 
assegurem a “preservação dos vínculos familiares e a integração em família substituta quando esgotados 
os recursos de manutenção na família de origem” (arts. 92 a 100). Nessa hipótese, a lei prevê que a 
colocação em família substituta se dê em definitivo, por meio da adoção ou, provisoriamente, via tutela 
ou guarda (arts. 28 a 52), sempre por decisão judicial (Brasil, 1990).
Os serviços de acolhimento institucional são descritos pela tipificação nacional dos serviços 
socioassistenciais – CNAS, 2009 e 2014 –, a qual promoveu importantes avanços para a política 
de assistência social como um todo, redefinindo suas competências, descrevendo os serviços, o 
público-alvo e seus objetivos. 
A tipificação nacional estabelece os serviços de acolhimento institucional como proteção social 
especial de alta complexidade, dentro da PNAS, que ofertam 
 
Acolhimento em diferentes tipos de equipamentos, destinado a famílias 
e/ou indivíduos com vínculos familiares rompidos ou fragilizados, a fim de 
garantir proteção integral. 
A organização do serviço deverá garantir privacidade, o respeito aos 
costumes, às tradições e à diversidade: ciclos de vida, arranjos familiares, 
raça/etnia, religião, gênero e orientação sexual (Sigas, 2017).
Entre os serviços de acolhimento institucional, são previstos os equipamentos específicos 
para crianças e adolescentes, nas seguintes modalidades: Abrigo Institucional, Casa-Lar, Família 
Acolhedora, República. 
O CNAS e o Conanda (2009) aprovaram a Resolução Conjunta n. 1 iniciando a proposta de 
regulamentação dos serviços, rompendo com a lógica da institucionalização. 
O processo de reordenamento e expansão qualificada dos serviços de acolhimento ganhou força 
em 2013 a partir das Resoluções n. 15 e n. 17 da CIT e sua posterior aprovação pelo CNAS, através das 
Resoluções CNAS n. 23 e n. 31, de 2013.
Fundamentando-se nas diferentes legislações, normativas e resoluções que regem a proteção social 
especial de alta complexidade e a oferta de serviços de acolhimento para crianças e adolescentes, foram 
fixados princípios a serem prezados na execução das ações:
•	 Excepcionalidade do afastamento do convívio familiar.
•	 Provisoriedade do afastamento do convívio familiar.
46
Unidade I
•	 Preservação e fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
•	 Garantia de acesso, respeito à diversidade e não discriminação.
•	 Oferta de atendimento personalizado e individualizado.
•	 Garantia de liberdade de crença e religião.
•	 Respeito à autonomia da criança, do adolescente e do jovem.
Tais princípios são essenciais para garantir a crianças e adolescentes o direito de viver em um 
ambiente que lhes ofereça suporte, proteção, cuidado, viabilizando o desenvolvimento pleno de 
seus potenciais.
Crianças e adolescentes em situação de acolhimento muitas vezes provêm de um ambiente familiar 
conflituoso e violador. A situação do acolhimento, ainda que para sua proteção, promove o rompimento 
de relações familiares, comunitárias e de sua rotina, interrompendo sua vida. Tal rompimento pode 
levar a um prejuízo para seu desenvolvimento, sendo necessário um trabalho minucioso do serviço 
de acolhimento para atender as especificidades do sujeito em desenvolvimento, a fim de afiançar a 
segurança de acolhida e trabalho com as famílias de origem de crianças e adolescentes em situação de 
acolhimento.
 Observação
Se o acolhimento de uma criança ou um adolescente for resultante de 
situação de violência e violação de direitos, o caso deverá ser encaminhado 
diretamente ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).
As propostas operacionais do PNCFC estão organizadas em quatro eixos estratégicos:
Eixo 1 – Análise da situação e sistemas de informação
O Eixo 1 consiste em:
•	 Aprofundamento do conhecimento em relação à situação familiar de crianças e adolescentes, 
identificando os fatores que favorecem ou ameaçam a convivência familiar e comunitária 
(levantamento de dados, realização de pesquisas).
•	 Mapeamento e análise das iniciativas de apoio sociofamiliar, programas de famílias acolhedoras, 
acolhimento institucional e adoção e sua adequação aos marcos legais.
•	 Aprimoramento e valorização da comunicação entre os sistemas de informação sobre crianças, 
adolescentes e família.
47
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Eixo 2 – Atendimento
Já o Eixo 2 é composto por:
•	 Articulação e integração entre as políticas públicas de atenção a crianças, adolescentes e famílias 
para a garantia do direito à convivência familiar e comunitária.
•	 Sistematização e difusão de metodologias de trabalho com famílias e comunidades.
•	 Ampliação e estruturação da oferta de serviços de apoio sociofamiliar que contribuam para o 
empoderamento das famílias.
•	 Reordenamento dos serviços de acolhimento institucional e implementação de programas de 
famílias acolhedoras.
•	 Ampliação e execução de programas e serviços de preparação de adolescentes e jovens, em 
acolhimento institucional, para a autonomia.
•	 Fortalecimento de vínculos familiares de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa, 
sobretudo privativas de liberdade, bem como de filhos com pais privados de liberdade.
•	 Articulação entre os serviços de acolhimento institucional e o SGD, em particular o Judiciário, de 
modo a evitar o esquecimento de crianças e adolescentes nessas instituições.
•	 Aprimoramento dos procedimentos de adoção nacional e internacional, garantindo a prevalência 
da adoção nacional em relação à adoção internacional. 
•	 Capacitação e assessoramento aos municípios para a implementação de ações de apoio 
sociofamiliar, reordenamento institucional, reintegração familiar, famílias acolhedoras e 
alternativas para preparação de adolescentes e jovens para a autonomia.
•	 Consolidação de uma rede nacional de identificação e localização de crianças e adolescentes 
desaparecidos e de pais e responsáveis.
Eixo 3 – Marcos normativos e regulatórios
O Eixo 3 se caracteriza por:
•	 Parametrização e regulamentação dos programas de apoio sociofamiliar, de acolhimento familiar 
e institucional (abrigo em entidade) e de apadrinhamento.•	 Regulamentação e aplicação dos conceitos de excepcionalidade e provisoriedade.
•	 Regulamentação de programas e serviços de acolhimento familiar.
•	 Aprimoramento de instrumentos legais de proteção social que ofereçam alternativas e a 
possibilidade do contraditório à suspensão ou a destituição do poder familiar. 
48
Unidade I
Eixo 4 – Mobilização, articulação e participação
O Eixo 4 envolve:
•	 Estratégias de comunicação social para mobilização da sociedade (adoções necessárias, 
acolhimento familiar, direito à convivência familiar, controle social das políticas públicas etc.) e 
afirmação de novos valores.
•	 Mobilização e articulação para a garantia da provisoriedade e excepcionalidade do acolhimento 
institucional.
•	 Produção e divulgação de material de orientação e capacitação.
•	 Articulação e integração de ações entre as três esferas de Poder.
•	 Garantia de recursos para viabilização do plano.
•	 Segundo a consideração do MDS, a previsão de implementação de ações no período 2007-2015. 
Em 2018, a necessidade de atualizar o PNCFC passou a ser enfatizada pelo Movimento Nacional 
Pró-Convivência Familiar e Comunitária e tornou-se prioridade para os Ministérios e Secretarias.
•	 Realização de seis estudos que permitiram identificar avanços no período, desafios e perspectivas 
futuras, com o objetivo de subsidiar os trabalhos para sua atualização, etapa em curso. Os estudos 
foram apresentados ao Conanda, ao CNAS, outras Secretarias Nacionais de diversos Ministérios, 
Organizações da Sociedade Civil e de instituições com expertise na área, além de serem amplamente 
divulgados em lives realizadas no Canal da Rede Suas no Youtube. 
•	 O objetivo de trabalhar de forma colaborativa na elaboração do Plano de Ação do Plano Nacional 
de Convivência Familiar e Comunitária – com objetivos, ações, metas e responsáveis. Para tanto, 
foram realizadas 15 oficinas e reuniões preparatórias que contaram com relatos de boas práticas 
nacionais e até internacionais.
•	 Aprimoramento dos resultados dos trabalhos nas oficinas colaborativas. Os próximos passos 
envolvem a atualização do documento do PNCFC como um todo, seu encaminhamento ao 
Conanda e ao CNAS e sua disponibilização para consulta pública.
2.2 CRIANÇA E ADOLESCENTE EM SUAS DIVERSIDADES
2.2.1 Crianças e adolescentes com deficiência
Segundo a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança, publicada pelo Ministério da 
Saúde (Brasil, 2018), ao se analisarem os dados da Fundação das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 
pelo menos 10% das crianças nascem ou adquirem algum tipo de deficiência de natureza física, mental, 
intelectual ou sensorial – com repercussão no desenvolvimento neuropsicomotor. Por outro lado, cerca 
49
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
de 70% a 80% das sequelas podem ser evitadas ou minimizadas por meio de condutas e procedimentos 
simples de baixo custo e de possível operacionalização com diagnóstico oportuno e medidas preventivas 
adequadas em todos os níveis de atenção à saúde.
A introdução dessas medidas preventivas deve ser compromisso prioritário dos gestores estaduais e 
municipais, a começar pela garantia da oferta das triagens neonatais universais: teste do pezinho (triagens 
biológicas), orelhinha (triagem auditiva neonatal), olhinho (triagem ocular neonatal – teste do reflexo 
vermelho) e teste do coraçãozinho (triagem de cardiopatias congênitas críticas – oximetria de pulso).
2.2.2 Crianças e adolescentes indígenas
A Política Nacional de Atenção aos Povos Indígenas tem como propósito garantir o acesso à atenção 
integral à saúde, de acordo com os princípios e as diretrizes do SUS, contemplando a diversidade 
social, cultural, geográfica, histórica e política, de modo a favorecer a superação dos fatores que 
tornam essa população mais vulnerável aos agravos à saúde de maior magnitude e transcendência 
entre os brasileiros, reconhecendo o direito desses povos à sua cultura (Brasil, 2018).
Entre os principais agravos que acometem a população infantil indígena, se encontram as doenças 
respiratórias, desnutrição e outras deficiências nutricionais, saúde bucal, doenças diarreicas e 
doenças infectoparasitárias (DIP).
2.2.3 Crianças e adolescentes em situação de rua
A pesquisa sobre crianças e adolescentes em situação de rua, realizada em 2011, em 17 capitais 
brasileiras, aponta que há, aproximadamente, 24 mil crianças e adolescentes dormindo e/ou trabalhando 
nas ruas (Brasil, 2018). 
Essas crianças enfrentam dificuldades para acessar os serviços de saúde, entre os quais se destacam a 
vergonha de procurar ajuda, dificuldades em relação ao autocuidado e em relação à adesão aos 
tratamentos, mesmo tendo os serviços disponíveis na saúde: Consultório na Rua, Caps, Capsad e Capsi 
e da Assistência Social, o Creas Pop têm como característica o atendimento da população adulta em 
situação de rua (Brasil, 2018). E muitas vezes há resistências em atender crianças e adolescentes.
As diretrizes da Atenção Básica convergem com as da atenção psicossocial, com o propósito de 
trabalhar a redução de danos, de forma transversal ao cuidado integral de saúde.
Portanto, a saída da rua é um processo a ser construído que envolve o restabelecimento de laços 
familiares fragilizados ou rompidos. Porém, a alternativa, em última instância, pode ser os serviços de 
acolhimento. Enquanto isso ocorre, a criança deve ter a saúde e a dignidade asseguradas. 
Segundo a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (Brasil, 2018), as crianças em 
situação de rua estão mais expostas a traumas e violências em geral, ao consumo de álcool e outras 
drogas, a relações sexuais precoces e às doenças sexualmente transmissíveis.
50
Unidade I
Assim, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) têm importante papel na prevenção de novos casos 
de crianças e adolescentes nas ruas antes do rompimento dos laços familiares, por meio da equipe de 
Saúde da Família (ESF), que está mais próxima das comunidades, podendo identificar (busca ativa) 
famílias com crianças ou adolescentes que começam a passar dias na rua, seja no próprio bairro de 
moradia, seja na região central da cidade.
É importante destacar que a família também merece cuidados, portanto a escuta sem julgamento é 
fundamental, considerando que, em geral, essas famílias também podem estar enfrentando dificuldades, 
como desemprego, uso abusivo de álcool, drogas, ou doença grave na família etc. (Brasil, 2018).
Assim, é importante contar com o envolvimento de outros membros da família ampliada, avós, 
irmãos, colegas, tios, padrinhos, vizinhos, e outros atores que tenham algum vínculo com a família, para 
que ela se sinta envolvida pela rede de apoio social de cuidado e proteção.
Os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicados em março de 2020 são de 
221.869 como número estimado de pessoas que vivem hoje nas ruas no Brasil, com aumento de 139% 
quando comparado com os de setembro de 2012 (SBC, [s.d.]).
De acordo com os dados disponibilizados por Natalino (2020) da ONG Visão Mundial, organização 
que atua no Brasil desde 1975, são mais de 70 mil crianças em situação de rua no país. Segundo o 
estudo, 51% das crianças têm seus direitos bruscamente violados. 
Assim, investir no cuidado infantil e no seu acesso de forma qualificada é o passo mais importante 
para gerar oportunidades de sair da pobreza.
2.2.4 Crianças e adolescentes com um de seus pais privados de liberdade 
A situação de crianças cujos pais se encontram privados de liberdade tem sido foco de preocupação, 
considerando o crescente número de crianças acompanhando suas mães nos estabelecimentos 
prisionais, submetidas a um ambiente inadequado e insalubre ou em sofrimento devido ao rompimento 
do vínculo de convivência familiar de forma brusca com a mãe ou pai que cometeu delito.
Assim, é direito da criança, em qualquer idade, a proteção à vida, à saúde, à liberdade, ao respeito e 
dignidade, à convivência familiar e comunitária, à educação,ao esporte e lazer, ao pleno desenvolvimento 
como sujeito de diretos e pessoa em condição peculiar de formação para a cidadania (Brasil, 2018).
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema 
Prisional (Pnaisp), mediante a Portaria Interministerial n. 1, de 2 de janeiro de 2014 (Brasil, 2014c), prevê 
a inclusão das unidades prisionais no território da Rede de Atenção à Saúde e a implantação de UBS nos 
estabelecimentos penais, com a inserção de uma equipe multiprofissional composta minimamente por 
cinco profissionais de nível superior: médico, enfermeiro, psicólogo, assistente social e cirurgião-dentista; 
e um profissional de nível médio: técnico de enfermagem.
51
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Essa equipe desenvolve ações de promoção da saúde, prevenção, tratamento e recuperação 
de doenças e agravos em todos os ciclos de vida, em especial das mães privadas de liberdade e de 
suas crianças.
2.2.5 Crianças e adolescentes negras
Segundo a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (Brasil, 2018), a população 
negra apresenta indicadores socioeconômicos desfavoráveis em relação às outras. Reconhecidamente 
é a mais suscetível a algumas doenças e agravos prevalentes, estas podem ser adquiridas em condições 
desfavoráveis, como a desnutrição, a anemia ferropriva, o sofrimento psíquico, o estresse, a depressão, 
entre outros. 
Portanto, observa-se que as iniquidades vividas pela população negra causam impactos negativos na 
saúde e no desenvolvimento saudável da criança, daí a importância de investir em ações intersetoriais 
no território, articuladas com as demais políticas públicas sociais, além da atenção integral à saúde, na 
Atenção Básica, complementada na Rede de Atenção à Saúde e da formação e educação permanente 
para trabalhadores de saúde, incorporando as reivindicações dos movimentos sociais, dos fóruns de 
participação popular e controle social.
2.2.6 Crianças e adolescentes quilombolas
De acordo com a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (Brasil, 2018), a 
população quilombola é reconhecida como remanescentes das comunidades dos quilombos. “Os grupos 
étnico-raciais, segundo critérios de autoatribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações 
territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra, relacionada com a resistência à opressão 
histórica sofrida” (Brasil, 2003, art. 2º). Estima-se que há, aproximadamente, 3 mil comunidades 
quilombolas em todo o território nacional. 
Em pesquisa realizada (Brasil, 2008), existem aproximadamente 200 mil crianças quilombolas com 
idade entre 0 a 5 anos. Trata-se de universo significativo de meninos e meninas em desenvolvimento, 
que necessitam de inclusão nas políticas sociais.
Assim, apesar dos esforços governamentais por meio do Programa Brasil Quilombola, Decreto n. 4.887, 
de 20 de novembro de 2003, para garantir sua participação nos programas federais, crianças e famílias 
quilombolas ainda encontram dificuldades de acesso e discriminação positiva nas políticas públicas 
integrais (Brasil, 2018). Sua condição de invisibilidade social gera grande preocupação, principalmente 
pelo alto índice de mortalidade infantil, de prematuridade, de desnutrição e de doenças infecciosas.
52
Unidade I
3 A COMPREENSÃO HISTÓRICA DA PESSOA IDOSA
Destacando o poema “Quando eu tiver setenta anos”, de Paulo Leminski (1994):
 Destaque 
quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta adolescência
vou largar da vida louca 
e terminar minha livre-docência
vou fazer o que meu pai quer
Começar a vida com passo perfeito
vou fazer o que a minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades 
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito
então ver tudo em sã consciência
Quando acabar esta adolescência
A percepção da idade é subjetiva. Para muitos, ter 50 anos é já ter “virado a curva”, gíria que significa 
estar próximo ou a caminho da morte, sem direito a emoções positivas. Para outros, é iniciar uma fase 
nova da vida; e há quem diga que se trata de um período para continuar a vida de forma tranquila, 
buscando viver da melhor forma possível. 
A seguir, será traçado um panorama geral da pessoa idosa, inclusive no Brasil, a fim de elucidar os 
avanços legais para esse segmento. 
3.1 Envelhecimento
O ser humano, como todo o ser vivo, nasce, cresce, envelhece e morre, trata-se de um processo 
natural de sua vivência. 
A infância e a adolescência estão relacionadas às questões de produtividade e dependência. Na 
juventude e na idade adulta, o ser humano se torna produtivo, gozando de autonomia. Uma última 
etapa, antes da morte, é a velhice. 
O termo velhice é um conceito que surgiu após as revoluções burguesas e a Revolução Industrial, 
época em que só havia interesse pela população economicamente ativa, que dispusesse de vigor 
físico para trabalhar. Quando essas pessoas não podiam mais exercer suas funções com o avançar da 
idade, passavam a ser consideradas velhas pela sociedade, em especial para o mercado de trabalho. 
Esse momento, associado à chegada da aposentadoria, faz com que muitas vezes o indivíduo, com a 
perda do papel de trabalhador, deixe ou reduza os seus relacionamentos com a comunidade, já que 
passa boa parte de seu tempo no ambiente de trabalho.
53
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Ao longo da história, a velhice foi vista de diferentes maneiras, conforme a cultura e os hábitos de 
vida de cada povo. Há algumas sociedades em que os velhos não são apreciados, porém há outras em 
que são muito valorizados. 
As pessoas idosas na Grécia antiga eram muito respeitadas. Naquela época, homenageava-se a 
pessoa idosa, com o neto recebendo o nome do avô. Todavia, no atual sistema capitalista, o que se 
vê é o preconceito e desrespeito à pessoa idosa, que é considerada inútil, incapaz. Esse fato acaba 
influenciando a negação da velhice e o culto à juventude.
Para Oliveira (1999, p. 23), terceira idade é uma fase na qual se encontra “toda pessoa que esteja 
numa alta faixa etária, em que se evidenciam mudanças naturais e específicas de ordem física e psíquica”. 
 Observação
A expressão terceira idade surgiu na França em 1962 em virtude da 
introdução de uma política de integração social da velhice visando à 
transformação da imagem das pessoas envelhecidas.
Bee (1997, p. 516) afirma não existir um consenso para determinar a faixa etária que compõe a 
terceira idade; considera que terceira idade estará situada acima dos 60 anos. “O período da velhice é o 
último período da fase de vida humana”. A autora deixa claro que a velhice existe, apesar de ser vista e 
percebida de forma diferente por cada indivíduo. 
O envelhecimento é parte inerente do processo da vida, assim como a infância, a adolescência e a 
maturidade, é marcado por mudanças biopsicossociais específicas, associadas à passagem do tempo. No 
entanto, esse fenômeno varia de indivíduo para indivíduo; pode ser determinado geneticamente ou ser 
influenciado pelo estilo de vida, pelas características do meio ambiente e pela situação social.
A abordagem do conceito de envelhecimento inclui a análise de aspectos culturais, políticos 
e econômicos relativos a valores, preconceitos e sistemas simbólicos que permanecem na história 
da sociedade.
O envelhecimento é compreendido como um processo vitalício, intimamente ligado aos padrões de 
vida e saúde. Contudo, vale salientar que fatores socioculturais definem o olhar que a sociedade tem 
sobre a pessoa idosa e o tipo de relação que ela estabelece com esse segmento populacional. 
 Lembrete
O envelhecimento é um processo; a velhice, uma fase da vida; o velho; 
a pessoa idosa, o resultado final.
54
Unidade I
O termo velho estava fortemente associado aos sinais de decadência física e incapacidade produtiva, 
sendo utilizado para designar, de modo pejorativo, sobretudo, os velhos pobres. 
Na década de 1960, o termo começou a desaparecer da redação dos documentosoficiais franceses, 
que o substituíram por pessoa idosa, menos estereotipado. Ao mesmo tempo, o estilo de vida das camadas 
médias começou a se disseminar para todas as classes de aposentados, que passaram a assimilar as 
imagens de uma velhice associada à arte do bem viver; então, apareceu o termo terceira idade, que 
tornou pública e legitimou a nova sensibilidade investida sobre os jovens e respeitados aposentados. 
O termo velho está associado a designações de negatividade, como o indivíduo que não tinha um 
estatuto social. Neri (2002), por sua vez, relata que os velhos são quase sempre vistos como consumidores 
de verbas públicas. Envelhecer é considerado um processo universal, dinâmico, progressivo, lento e 
gradual, sendo atrelado a fatores genéticos, biológicos, sociais, ambientais, psicológicos e culturais.
 Observação
O termo velho pode significar a condição de inválido, mas há raízes 
ligadas, por exemplo, à pobreza, à alimentação, à moradia e à saúde durante 
as diferentes fases da vida. 
Pode-se dizer que ser velho é tornar-se velho, ou melhor, que envelhecer significa tornar-se mais 
velho. Com essa expressão, entende-se que a pessoa viveu ou está vivendo há muitos anos, já que só 
envelhece aquele que vive.
Considerando velhice e envelhecimento como realidades heterogêneas, estudiosos afirmam as 
possíveis variações em sua concepção e vivência conforme tempos históricos, culturas, classes sociais, 
histórias de vida pessoais, condições educacionais, estilos de vida, gêneros, profissões e etnias etc. É 
consenso entre os pesquisadores que é vital compreender que tais processos são o acúmulo de fatos 
anteriores, em permanente interação com dimensões diversas da vida. 
Desse modo, coexistem diferentes imagens de velhos na sociedade contemporânea. Nesse contexto, 
a teoria das representações sociais, cuja contribuição tem sido significativa para compreender 
diversos fenômenos, apresenta-se como um referencial importante para o estudo dos significados 
atribuídos ao envelhecimento e à pessoa idosa. Essa teoria foi elaborada pelo psicólogo romeno Serge 
Moscovici, com o intuito de explicar e compreender a  realidade social, considerando a dimensão 
histórico-crítica-indissociação entre o individual e o social.
Ao explorar as representações sociais de uma pessoa idosa, promove-se o contato com imagens e 
conteúdo, e elas expressam, de certa forma, suas necessidades psicossociais, aspectos determinantes 
na construção de um planejamento de ações em prol de um envelhecimento saudável e bem-sucedido.
 
55
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
O modo de envelhecer depende de como o curso de vida de cada pessoa, 
grupo etário e geração é estruturado pela influência constante e interativa 
de suas circunstâncias histórico-culturais, da incidência de diferentes 
patologias durante o processo de desenvolvimento e envelhecimento, de 
fatores genéticos e do ambiente ecológico (Neri; Cachione, 1999, p. 121).
Entre as questões que cercam o envelhecimento, agravadas em sociedades excludentes e desiguais, 
a saúde ocupa um lugar estratégico pelo seu forte impacto sobre a qualidade de vida das pessoas idosas 
e por ser alvo de estigmas e preconceitos em relação à velhice reproduzidos socialmente.
Os fatores determinantes do envelhecimento, em nível da população de um país, são, 
fundamentalmente, ditados pelo comportamento de suas taxas de fertilidade e, de modo menos 
importante, de suas taxas de mortalidade. Para que uma população envelheça, é necessário, primeiro, 
que haja uma queda da fertilidade.
Santos (2010), ao conceituar pessoa idosa, defende que ela pode ser vista sob dois prismas, a depender 
do país em que está localizada. O autor ainda acentua:
 
O conceito de pessoa idosa é diferenciado para países em desenvolvimento 
e para países desenvolvidos. Nos primeiros, são consideradas idosas aquelas 
pessoas com 60 anos e mais; nos segundos, são idosas as pessoas com 65 anos 
e mais. Essa definição foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas, 
por meio da Resolução n. 39/125, durante a Primeira Assembleia Mundial das 
Nações Unidas sobre o Envelhecimento da População, relacionando-se com 
a expectativa de vida ao nascer e com a qualidade de vida que as nações 
propiciam aos seus cidadãos (Santos, 2010, p. 1).
Para Agustini (2003, p. 25), 
 
não existe um ser “pessoa idosa” [...] é apenas um termo social que não 
tem realidade humana. O que não impede que descrevam com seus usos 
e costumes, seu temperamento, seus defeitos. Tudo isso projeta, para os 
mais jovens, uma imagem de velhice bastante ameaçadora, incapaz de 
corresponder a um ideal atingível, como acontece em outras civilizações e 
em outras culturas. Esse ideal de ego que envelhece adquire um aspecto de 
bicho-papão do ego, contra o qual vai se quebrar mais de um espelho.
O envelhecimento da população é um fenômeno mundial nos países desenvolvidos. Destacam-se 
alguns fatores que contribuem para tal:
•	 Queda de mortalidade. 
•	 Grandes conquistas do conhecimento médico. 
56
Unidade I
•	 Urbanização adequada das cidades. 
•	 Melhoria nutricional. 
•	 Elevação dos níveis de higiene pessoal e ambiental, tanto em residências como no trabalho. 
•	 Avanços tecnológicos.
O crescimento da população idosa está intimamente ligado a dois processos: à alta fecundidade no 
passado, ocorrida sobretudo nos anos 1950 e 1960, e à redução da mortalidade.
A vida da pessoa idosa faz parte de um processo natural de seu envelhecimento, por fatores genéticos, 
fragilização (natural com o avanço da idade), levando-o a um estado de incapacidade e dependência de 
outrem para os cuidados de atividades simples, do cotidiano.
 
O estatuto da velhice é imposto ao ser humano pela sociedade à qual 
pertence, sendo influenciado pelos valores culturais, sociais, econômicos e 
psicológicos de uma sociedade que determina o papel e o status que o velho 
terá (Silva, 2003, p. 96).
Em processos de envelhecimento, a família se torna partícipe e tem um papel vital para proteger 
e assegurar o direito da pessoa idosa, sendo uma alternativa no sistema de suporte informal às 
pessoas idosas. 
A família, como unidade social, enfrenta uma série de tarefas de desenvolvimento; há diferenças 
quanto aos parâmetros culturais, mas as raízes são universais. A qualidade de vida e o suporte familiar 
são essenciais. Não importa se a pessoa idosa mora sozinha ou divide o espaço com um familiar, sempre 
deve-se considerar seu bem-estar, além de questões como economia, lazer, educação e saúde.
 
Art. 3º. É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder 
público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito 
à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao 
trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência 
familiar e comunitária (Brasil, 2003). 
Assim, Duarte e Alencar (2008) acentua que a família é a centralidade no âmbito da sobrevivência 
material, uma vez que há a ausência de direitos sociais. É nessa instituição que os indivíduos tendem a 
buscar recursos para lidar com as situações adversas, como desemprego, doença e velhice.
Destaca-se a relação do Estado, da família e da pessoa idosa conforme a visão de Mioto (apud 
Rezende, 2012, p. 53), que compreende haver três interpretações: 
 
57
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
1. Vê a família numa perspectiva de perda de autonomia, de funções e da 
própria capacidade de ação. Em contrapartida, vê um Estado cada vez mais 
intrusivo, cada vez mais regulador da vida privada.
2. Pensa que a invasão do Estado na família tem se realizado através não de 
uma redução de funções, mas, ao contrário, de uma sobrecarga de funções. 
3. Vê o Estado como um recurso para a autonomia da família em referência 
à parentela e à comunidade, e autonomia dos indivíduos em relação à 
autoridade da família.
Outro aspecto relevante do processo de envelhecimento está relacionadoàs questões de aspecto 
cronológico, biológico, psicológico e social, conforme versa Oliveira (1999).
O aspecto cronológico está ligado à passagem do tempo, e este explicita a transição do novo para o 
velho, marcada pelo desgaste, por mudanças de comportamentos e expectativas. Portanto, a infância, a 
adolescência, a maturidade e a velhice constituem diferentes momentos, que supõem formas e dimensões 
distintas de encarar e interpretar os acontecimentos que ocorrem ao longo da vida do indivíduo.
 Observação
A maioria dos conceitos de velhice recai sobre o tempo de vida de cada 
indivíduo. Quanto mais se avança em anos, menos tempo se possui para viver. 
A perspectiva cronológica da velhice é relativa, devendo ser considerada a partir da individualidade 
de cada um, suas características especiais, seus interesses e necessidades, desmistificando o estereótipo 
da pessoa idosa apenas segundo a faixa etária. Ainda é marcada por uma série de estágios que se 
organizam em torno de características físicas, psicológicas e sociais, os quais se relacionam com o 
processo de vivência pessoal e social da vida adulta.
Assim, é possível afirmar que as pessoas envelhecem de forma coerente com a história de sua vida. 
 Lembrete
A idade cronológica serve apenas como marcador da idade objetiva. 
A idade cronológica, portanto, é o tempo transcorrido a partir de um momento específico: a data de 
nascimento do indivíduo.
Por sua vez, o aspecto biológico está ligado ao envelhecimento físico, formado pelos três estágios 
vivenciados pelos indivíduos. O primeiro deles é a juventude, época de progresso, desenvolvimento e 
evolução; o segundo é a fase adulta e de maturidade, período de estabilização e equilíbrio; e o terceiro 
é a velhice, época de regressão.
58
Unidade I
O envelhecer biológico compreende progressivas e complexas alterações na composição celular, 
na estrutura e na função dos tecidos, no endurecimento do sistema neuromuscular e na redução da 
capacidade de integração do sistema orgânico. É processo multifatorial, abrangendo desde o nível 
molecular ao morfofisiológico, com importante modulação do meio sobre o conteúdo genético, 
influenciado por modificações psicológicas, funcionais e sociais que ocorrem com o passar do tempo.
Uma vez que o organismo passa por mudanças caracterizadas por crescimento, desenvolvimento, 
 maturidade e, por fim, senilidade, o envelhecer representa um amplo problema biológico. Ou seja, 
esse processo é marcado pela perda progressiva da capacidade de adaptação do organismo. 
No aspecto social, evidencia-se a questão da utilidade social do indivíduo em processo de 
envelhecimento. A sociedade confere a esse indivíduo o status de inutilidade, relacionando-o à questão 
econômica e social.
O processo de envelhecimento é marcado, portanto, por fatores socioeconômicos, ambientais e de 
saúde, sendo influenciado não apenas pela idade, mas, em grande medida, pelo modo como o indivíduo 
vive e as relações que estabelece.
Nesse aspecto, destaca-se que há uma série de preconceitos sociais marginalizando a pessoa 
idosa e afastando-a do convívio social, não valorizando sua experiência, o que gera a incapacidade de 
reconhecimento do valor de sua própria velhice. 
Quanto aos aspectos psicológicos, a etapa de vida velhice é marcada por mudanças no sistema 
nervoso central, na capacidade sensorial e perceptual e na habilidade de organizar e utilizar 
informações. Existem influências externas, como expectativas culturais e fatores ambientais, que vão 
refletir sobre a inteligência e a aprendizagem.
O envelhecimento fisiológico, portanto, é definido como um conjunto de alterações que ocorrem no 
organismo humano e implica a perda progressiva da reserva funcional, sem comprometer as necessidades 
básicas de manutenção da vida. Em contrapartida, o envelhecimento patológico denomina-se como 
conjunto de alterações que ocorrem no organismo por causa de doenças e do estilo de vida que o 
indivíduo teve até essa fase. 
Entende-se que as doenças (senilidade) associadas às perdas fisiológicas (senescência) em idade 
avançada poderão levar à insuficiência de órgãos, à incapacidade funcional e ao óbito. 
Do ponto de vista sociocultural, o envelhecimento reflete uma inter-relação de fatores individuais, 
sociais e econômicos, fruto de educação, trabalho, experiência de vida e cultura. A sociedade determina a 
cada idade funções adequadas que o indivíduo deve desempenhar, como estudo, trabalho, matrimônio e 
aposentadoria. A forma como o indivíduo se autodefine depende das referências dadas pela cultura 
e pela sociedade, isto é, o indivíduo é receptor e emissor de valores que podem ser modificados. Hoje 
as pessoas idosas vivenciam um momento de mudança cultural cujas referências transformam-se: a 
pessoa idosa começa a exercer um papel como ator social, e as expectativas do envelhecimento e da 
velhice alcançam novas dimensões.
59
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
A dimensão social refere-se aos papéis e aos hábitos que a pessoa, ao longo do seu ciclo vital, 
assume na sociedade e na família, a partir de um padrão culturalmente estabelecido. O envelhecimento 
agregado à vulnerabilidade social pode, muitas vezes, manifestar-se pela diminuição ou perda do papel 
desempenhado por longos anos, na esfera familiar, social e profissional. 
Sob o prisma do contexto mundial, o envelhecimento tornou-se um fenômeno novo, e mesmo os 
países mais ricos e poderosos não estão preparados ou adaptados para tal realidade. No tocante ao 
envelhecimento populacional, os países desenvolvidos diferem substancialmente dos subdesenvolvidos, 
já que os mecanismos que levam a tal envelhecimento são distintos. 
Na Europa, por exemplo, o aumento na expectativa de vida ao nascimento já havia sido substancial 
à época em que ocorreram importantes conquistas do conhecimento médico em meados do século 
passado. Um excelente exemplo é a redução da mortalidade por tuberculose. Nos Estados Unidos, no 
início do século anterior, a taxa de mortalidade por essa doença era de 194 mortes para cada 100 mil 
indivíduos em um ano. 
Em países do terceiro mundo, por outro lado, o aumento substancial na expectativa de vida ao 
nascimento foi ser observado a partir de 1960. Desse período até 2020, as estimativas são de um 
crescimento bastante acentuado; “a expectativa média de vida ao nascimento no terceiro mundo nesses 
60 anos terá aumentado mais de 23 anos, atingindo 68,9 anos em 2020” (Hoover; Siegel, 1986, p. 133).
Segundo Berzins (2003, p. 19-33), 
 
o Japão é o país que possui maior expectativa de vida ao nascer. No período 
correspondente entre 2000 a 2005, a expectativa era de 81,5 anos. Estima-se 
que, entre 2045 a 2050, a esperança de vida ao nascer suba para 88 anos. Já 
o país com a menor expectativa de vida, no período entre 2000 a 2005, era 
Botsuana, localizado ao sul da África, sendo esta de apenas 36,1 anos. Entre 
2045 e 2050, estima-se que o país com menor esperança de vida seja Serra 
Leoa, com 61,5 anos. 
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), caso o processo de envelhecimento da população 
mundial permaneça num ritmo acelerado, a previsão para 2050 é que a quantidade de pessoas idosas 
supere a de menores de 14 anos, fato que seria inédito. 
A ONU (2002) ainda acentua o seguinte: 
 
O número global de pessoas idosas – com 60 ou mais anos de idade – está 
projetado para aumentar de 962 milhões em 2017 para 1,4 bilhão em 2030 
e 2,1 bilhões em 2050, quando todas as regiões do mundo, exceto a África, 
terão quase um quarto ou mais de suas populações com 60 anos de idade 
ou mais. Em 2100, o número de pessoas idosas pode alcançar 3,1 bilhões.
60
Unidade I
A população com 60 anos ou mais está crescendo a uma taxa de cerca de 
3% por ano. Globalmente, a população com 60 anos ou mais está crescendo 
mais rápido que todos os grupos etários mais jovens. Atualmente, a Europa 
tem a maior porcentagem de população com 60 anos ou mais (25%).
A Organização Mundial de Saúde4.2 Demandas por atendimento: violência e maus-tratos contra a pessoa idosa ..........107
Unidade II
5 REDE DE PROTEÇÃO SOCIAL .....................................................................................................................116
5.1 Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA) .....................119
6 A INTERSETORIALIDADE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NA ATENÇÃO À CRIANÇA E 
AO ADOLESCENTE .............................................................................................................................................126
6.1 Política de assistência social ..........................................................................................................129
6.2 Política de educação .........................................................................................................................133
6.3 Política de saúde .................................................................................................................................136
6.3.1 Saúde da criança e do adolescente ..............................................................................................141
6.3.2 Saúde mental ....................................................................................................................................... 142
7 INTERSETORIALIDADE NAS POLÍTICAS DE ATENDIMENTOS PARA PESSOA IDOSA 
NO BRASIL ............................................................................................................................................................144
8 INTERDISCIPLINARIDADE PARA ATENÇÃO A CRIANÇA, ADOLESCENTE E 
PESSOA IDOSA .................................................................................................................................................148
8.1 O papel do assistente com a criança, adolescente e a pessoa idosa .............................148
8.2 O papel do psicólogo com a criança, adolescente e a pessoa idosa .............................150
8.3 A intervenção interdisciplinar ......................................................................................................153
8.3.1 O papel do assistente social na alta complexidade .............................................................. 155
7
APRESENTAÇÃO
A trajetória da proteção social no Brasil está intimamente ligada à da formação das políticas sociais 
e seus inúmeros desdobramentos.
Proteger crianças e adolescentes cujos direitos estejam ameaçados, de forma que possam desfrutar 
do direito a viver junto à sua família e à comunidade, é um grande desafio. 
Com a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescentes (ECA), acentuou-se o quão importante 
é apoiar a convivência familiar e comunitária, destacando o caráter de brevidade e excepcionalidade na 
aplicação da medida de proteção e, no caso de adolescentes, as medidas socioeducativas. 
Pensando nos ciclos de vida, há também uma nova trajetória a ser traçada, que separa segmentos 
extremos, como é o caso de pessoas idosas. O envelhecimento é parte desse processo de vivência e pode 
ser conceituado como um conjunto de modificações morfológicas, bioquímicas, fisiológicas e psicológicas, 
as quais determinam a perda progressiva da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente.
As questões do envelhecimento no Brasil evidenciam um avanço quanto às legislações e à necessidade 
de estabelecer políticas de proteção social.
Para tal, o estudo deste livro-texto será iniciado a partir da evolução sócio-histórica da criança 
e do adolescente, avaliando-se a trajetória de uma teoria da situação irregular a uma teoria da 
proteção integral. 
Nesse sentido, será enfatizada a condição peculiar de desenvolvimento, bem como a garantia de 
proteção integral ofertada pelas medidas protetivas e socioeducativas para crianças e adolescentes. 
Serão examinadas as questões do cuidado e da proteção para a pessoa idosa. E, por fim, a atuação em 
rede de proteção intersetorial e interdisciplinar.
8
INTRODUÇÃO
Inicialmente, será estudado o percurso da trajetória da criança e do adolescente como sujeitos 
sociais de direitos. Para tal, será feito um panorama geral da trajetória dessa formação, a fim de 
subsidiar a compreensão da criação dos sistemas de proteção social e de garantia de direitos destinadas 
a segmentos específicos, tais como criança, adolescente e pessoa idosa.
As políticas intersetoriais serão exploradas a partir dos marcos da Constituição Federal (CF) de 1988 
e das legislações subsequentes. Após acentuar as bases que fundamentam a origem da formação da 
criança como sujeitos sociais de direito será abordada a trajetória específica da proteção social junto 
de crianças, adolescentes e pessoas idosas. Essa análise será feira a partir de uma revisão sócio-histórica 
até a contemporaneidade.
Serão destacadas a efetividade do Sistema de Garantia de Direitos (SGD) para a criança e para o 
adolescente, as legislações que atendem esse segmento e a primazia da proteção integral prevista pelo 
ECA. Subsequentemente, serão elencadas as legislações, a exemplo do Plano Nacional de Convivência 
Familiar e Comunitária.
Trataremos de políticas de proteção social para pessoas idosas, destacando a ação intersetorial 
das políticas públicas na efetivação da proteção social para a pessoa idosa. Os desdobramentos do 
envelhecimento no aspecto biopsicossocial e a demanda por direitos, o atendimento e os cuidados 
também serão ponderados.
Serão analisadas as questões de intersetorialidade das políticas públicas na atenção à criança, 
ao adolescente e à pessoa idosa. Nesse contexto, serão abordados os diversos serviços, programas e 
projetos correlatos. A proteção contra situações de violação de direitos da criança, do adolescente e 
da pessoa idosa receberá atenção especial.
Bons estudos!
9
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Unidade I
1 A CRIANÇA E O ADOLESCENTE E SUA CONSTRUÇÃO HISTÓRICA COMO 
SUJEITO SOCIAL DE DIREITO
 
Segundo Magalhães,
Quando recolhemos um pequeno ser atiradom sozinho nas tumultuosas 
maretas dos refolhos sociais, vítimas de pais indignos ou de taras 
profundas, não é ele que nós protegemos, são as pessoas honestas 
que defendemos; quando tentamos voltar a saúde física ou moral 
seres decadentes e fracos, ameaçados pela contaminação do crime, é a 
própria sociedade que defendemos contra agressões das quais, para ela 
mesma, o abandono das crianças constitui uma ameaça ou um presságio 
(Magalhães apud Rizzini, 1995, p. 133).
É apresentado um panorama geral da infância e da juventude no país. Inicialmente são abordadas 
as questões sócio-históricas da visibilidade e da invisibilidade, os principais fatos de mudanças nesse 
segmento e as respostas em forma de políticas sociais ao longo da história. 
A infância é considerada um período importante na vida do ser humano para a qual há várias definições, 
com modos específicos de sentimentos, ações e comportamentos que devem ser compreendidos 
respeitando as diferentes culturas de determinado tempo e espaço, mencionando, ainda, a troca de 
conhecimentos que se estabelecem entre crianças, adolescentes e adultos. 
Quanto ao tempo e ao espaço da infância, deve-se considerar as relações históricas, políticas e 
culturais de cada sociedade, que acabam por produzir diferentes transformações na construção da visão 
da criança e do adolescente e, consequentemente, no modo de tratá-los.
A infância deve ser desenvolvida, analisada e contextualizada dentro da sociedade na qual 
está inserida.
Historicamente, verifica-se que a evolução tanto da concepção da infância quanto de sua legislação 
pertinente é a ligação entre o desenvolvimento infantil e o modo de tratar a criança e o espaço que ela 
ocupa em âmbito familiar e social.
No Brasil, foi no começo do século XX que a infância passou a ser conhecida e construída como um 
período da vida em que o ser humano tem necessidades específicas dessa fase.
Estefany Plewka
10
Unidade I
1.1 A infância em civilizações(OMS) evidencia que nas próximas décadas a “população mundial 
com mais de 60 anos vai passar dos atuais 841 milhões para 2 bilhões até 2050, tornando as doenças 
crônicas e o bem-estar da terceira idade novos desafios de saúde pública global” (ONU, 2014).
Segundo a OMS, 
 
o aumento da longevidade se deve, especialmente nos países de alta renda, 
principalmente ao declínio nas mortes por doenças cardiovasculares – como 
acidente vascular cerebral e doença cardíaca isquêmica –, passando por 
intervenções simples e de baixo custo para reduzir o uso do tabaco e a 
pressão arterial elevada (ONU, 2014).
 Observação
Segundo a Organização Mundial de Saúde, entre 1970 e 2025, espera-se 
um crescimento de 223%, 694 milhões idosos. Em 2025, serão 1,2 bilhões, 
e até 2050 haverá 2 bilhões, sendo 80% nos países em desenvolvimento” 
(OMS, 2005, p. 8).
No processo de envelhecimento, há várias contribuições, tais como o desenvolvimento tecnológico 
e científico, principalmente da medicina, a redução das taxas de fecundidade e de mortalidade, a 
melhoria dos setores de infraestrutura sanitária, a entrada da mulher no mercado de trabalho. 
Mesmo esses fatores sendo comuns em várias sociedades, a manifestação do processo de 
envelhecimento ocorre de diferentes formas entre os países. Nos países chamados desenvolvidos, 
o envelhecimento da população se apresentou de forma lenta e contínua. 
 
No bloco dos chamados países desenvolvidos, tal processo se deu de 
forma lenta, ao longo de mais de cem anos. Países como a Inglaterra, 
por exemplo, iniciaram o processo de envelhecimento de sua população, 
ainda em curso, após a Revolução Industrial, no período áureo do Império 
Britânico, dispondo de recursos necessários para fazer frente às mudanças 
advindas desta informação demográfica. Atualmente, alguns destes países 
apresentam inclusive um crescimento negativo da sua população, com taxas 
de natalidade mais baixas que as de mortalidade (Veras, 2003, p. 6).
61
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Observe o trecho a seguir:
 
Em 2002, quase 400 milhões de pessoas com 60 anos ou mais viviam no 
mundo em desenvolvimento. Até 2025, este número terá aumentado para 
aproximadamente 840 milhões, o que representa 70% das pessoas na 
terceira idade em todo o mundo (OMS, 2005, p. 11). 
Em termos de regiões, mais da metade da população de pessoas mais velhas vive na Ásia. Esse 
percentual da Ásia aumentará ainda mais, enquanto a participação da Europa na população mundial 
mais velha diminuirá. 
Na maior parte do mundo desenvolvido, o envelhecimento da população foi um processo gradual 
acompanhado de crescimento socioeconômico constante durante muitas décadas e gerações. Já 
nos países em desenvolvimento, esse processo de envelhecimento está sendo reduzido há duas ou 
três décadas. Assim, enquanto os países desenvolvidos se tornaram ricos antes de envelhecerem, os 
países em desenvolvimento envelheceram antes de obterem um aumento substancial em sua riqueza 
(Kalache; Keller, 2000).
O envelhecimento nos países em desenvolvimento é acompanhado por mudanças dramáticas 
nas estruturas e nos papéis da família, assim como nos padrões de trabalho e na migração. Fatores 
como urbanização, migração de jovens para cidades à procura de trabalho, famílias menores e mais 
mulheres tornando-se força de trabalho formal significam que menos pessoas estão disponíveis para 
cuidar de pessoas mais velhas quando necessário.
Para a OMS (2005), é necessário interpretar o envelhecimento ativo para obter êxito.
3.2 Envelhecimento ativo
O envelhecimento ativo aplica-se tanto a indivíduos quanto a grupos populacionais. Permite que 
as pessoas percebam o seu potencial para o bem-estar físico, social e mental ao longo do curso da vida, 
e que essas pessoas participem da sociedade de acordo com suas necessidades, desejos e capacidades; 
ao mesmo tempo, propicia proteção, segurança e cuidados adequados, quando necessário.
O objetivo do envelhecimento ativo é aumentar a expectativa de uma vida saudável e a qualidade 
de vida para todas as pessoas que estão envelhecendo, inclusive as que são frágeis, fisicamente 
incapacitadas e que requerem cuidados.
A abordagem do envelhecimento ativo baseia-se no reconhecimento dos direitos humanos 
das pessoas mais velhas e nos princípios de independência, participação, dignidade, assistência e 
autorrealização estabelecidos pela ONU.
Com esse cenário, as políticas sociais de saúde, o mercado de trabalho e a educação entenderam a 
necessidade de apoiar a questão a fim de diminuir mortes prematuras em estágios da vida altamente 
produtivos, bem como subtrair as deficiências associadas às doenças crônicas na terceira idade. Se os 
62
Unidade I
indivíduos participarem ativamente de aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos da sociedade, 
em atividades remuneradas ou não, e na vida doméstica, familiar e comunitária, os gastos com 
tratamentos médicos e serviços de assistência médica diminuiriam substancialmente. 
Programas e políticas de envelhecimento ativo reconhecem a necessidade de incentivar e equilibrar 
responsabilidade pessoal (cuidado consigo mesmo), ambientes amistosos para a faixa etária e 
solidariedade entre gerações. Ainda destacam as famílias e os indivíduos como corresponsáveis em 
planejar e auxiliar no preparo para a velhice. 
O envelhecimento ativo depende de uma diversidade de fatores determinantes que envolvem 
indivíduos, famílias e países. Estes aplicam-se à saúde de pessoas de todas as idades. Por exemplo, 
há evidências de que o estímulo e as relações afetivas seguras na infância influenciam a capacidade 
individual de aprendizagem e de convívio em sociedade durante todos os estágios posteriores da vida.
O emprego, que é um fator determinante por toda a vida adulta, tem grande influência sobre a 
preparação, sob o aspecto financeiro, do indivíduo para a velhice.
 Observação
Os fatores determinantes podem ser transversais, formados pela 
cultura e pelo gênero; relacionados aos sistemas de saúde e serviço social, 
bem como aos comportamentais; e relacionados a aspectos pessoais, ao 
ambiente físico, social e econômico. 
A cultura, que abrange todas as pessoas e populações, modela nossa forma de envelhecer, pois 
influencia todos os outros fatores determinantes do envelhecimento ativo.
Os valores culturais e as tradições interferem muito no modo como uma sociedade encara as pessoas 
idosas e o processo de envelhecimento. Quando as sociedades atribuem sintomas de doença ao processo 
de envelhecimento, elas têm menor probabilidade de oferecer serviços de prevenção, detecção precoce e 
tratamento apropriado.
A cultura também é determinante no modo como as demais gerações convivem com a pessoa em 
processo de envelhecimento. 
A questão de gênero é considerada como primordial no entendimento dos determinantes de 
envelhecimento e bem-estar de homens e mulheres. Evidencia o papel que eles ocupam na sociedade, 
seu status social.
No tocante à questão de saúde e serviço social enquanto fatores determinantes, são necessárias 
ações integradas a fim promover a saúde, prevenir doenças e proporcionar o acesso equitativo e de 
qualidade ao cuidado primário e de longo prazo. 
63
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Para tal, são efetivadas ações de promoção em saúde e prevenção de doenças, pois, na medida em 
que a população envelhece, a demanda por medicamentos que retardem e tratem doenças crônicas, 
aliviem a dor e melhorem a qualidade de vida vai continuar a aumentar.
São ações de promoção em saúde e prevenção de doenças ações coletivas como prevenção primária, 
a exemplo de campanhas contra o tabagismo; secundária, como é o caso de constatação precoce de 
doenças; terciária, que já é o próprio tratamento. 
Nesse percurso, enquadram-se as questões de cuidado e assistência a longo prazo.
Segundo a OMS, a assistência a longo prazo é definida como um
 
sistema de atividades empreendidas por cuidadores informais (família, 
amigose/ou vizinhos) e/ou profissionais (de serviços sociais e de saúde) a 
uma pessoa não plenamente capaz de se cuidar, para que esta tenha a melhor 
qualidade de vida possível, de acordo com suas preferências individuais, com 
o maior nível possível de independência, autonomia, participação, satisfação 
pessoal e dignidade humana (OMS, 2000a). 
Portanto, a assistência em longo prazo abrange sistemas de apoio informais e formais. Estes podem 
incluir uma ampla variedade de serviços comunitários (saúde pública, cuidados básicos, tratamento 
domiciliar, serviços de reabilitação e tratamento paliativo), assim como tratamento institucional em 
asilos e hospitais para doentes terminais. Os sistemas formais referem-se também aos tratamentos que 
interrompem ou revertem o curso da doença e da deficiência.
Os fatores determinantes comportamentais se relacionam ao estilo de vida e seus hábitos, como 
opção ou não pelo tabagismo, álcool e outras drogas; realização de atividades físicas; opção por 
alimentação saudável.
Por sua vez, os fatores determinantes associados a aspectos pessoais se relacionam a questões 
biológicas e de genética por causa de sua grande influência sobre o processo de envelhecimento. Este 
representa um conjunto de processos geneticamente determinados e pode ser definido como uma 
deterioração funcional progressiva e generalizada, resultando em uma perda de resposta adaptativa às 
situações de estresse e em um aumento no risco de doenças ligadas à velhice.
Há evidências de que a longevidade humana tende a ocorrer em famílias. Portanto, a influência da 
genética no desenvolvimento de problemas crônicos, como diabete, doença cardíaca, mal de Alzheimer 
e certos tipos de câncer, varia bastante entre os indivíduos. Para muitas pessoas, comportamentos como 
não fumar, habilidade de enfrentar problemas e uma rede de amigos e parentes próximos pode modificar 
efetivamente a influência da hereditariedade no declínio funcional e no aparecimento da doença.
Os fatores psicológicos, que incluem a inteligência e a capacidade cognitiva (por exemplo, a aptidão 
de resolver problemas e de se adaptar a mudanças e perdas), são indícios fortes de envelhecimento 
ativo e longevidade. Durante o processo de envelhecimento normal, algumas capacidades cognitivas 
64
Unidade I
(inclusive a rapidez de aprendizagem e memória) diminuem, naturalmente, com a idade. Contudo, essas 
perdas podem ser compensadas por ganhos em sabedoria, conhecimento e experiência. O declínio no 
funcionamento cognitivo é provocado por desuso (falta de prática), doenças (como depressão), fatores 
comportamentais (como consumo de álcool e medicamentos), psicológicos (falta de motivação, de 
confiança e baixas expectativas) e fatores sociais (solidão e o isolamento) mais do que o envelhecimento 
em si. Nesse quesito, destacam-se fatores psicológicos como autossuficiência, autoeficiência e superação 
de adversidade.
Os fatores determinantes relacionados ao ambiente físico podem representar a diferença entre a 
independência e a dependência para todos os indivíduos. Eles envolvem questões de moradia (urbana 
ou rural); acessibilidade; moradia segura, que abrange a localização, incluindo a proximidade de 
membros da família; serviços e transporte, o que pode significar a diferença entre uma interação 
social positiva e o isolamento. Os padrões de construção devem levar em conta as necessidades de 
saúde e de segurança da pessoa idosa, como os obstáculos nas residências, que devem ser corrigidos 
ou removidos para evitar quedas.
 Observação
Em muitos países em desenvolvimento, a proporção de pessoas idosas 
vivendo em cortiços e favelas tem aumentado. Pessoas idosas vivem nesses 
lugares sob o risco de isolamento social e com saúde precária.
Já os fatores determinantes quanto ao ambiente social, ou seja, a necessidade de apoio social 
adequado, são importantes para não aumentar a mortalidade, a morbidade e os problemas psicológicos, 
incluindo diminuição da saúde e do bem-estar em geral. O rompimento de laços pessoais, solidão e 
interações conflituosas são as maiores fontes de estresse, enquanto relações sociais animadoras e 
próximas são fontes vitais de força emocional. 
As pessoas idosas apresentam maior probabilidade de serem expostas a perdas, são mais vulneráveis 
à solidão, ao isolamento social e a ter um menor grupo social. O isolamento social e a solidão na 
velhice estão ligados a um declínio de saúde tanto física como mental. 
Quanto aos fatores econômicos, três aspectos têm um efeito particularmente relevante sobre o 
envelhecimento ativo: a renda, o trabalho e a proteção social.
As políticas de envelhecimento ativo precisam se cruzar com projetos mais amplos para reduzir 
a pobreza em todas as idades. Os pobres de todas as idades apresentam um risco maior de doenças 
e deficiências e as pessoas idosas estão particularmente vulneráveis. A ausência de renda ou 
renda hipossuficiente afetam seriamente o acesso a alimentos nutritivos, à moradia adequada e a 
cuidados de saúde.
Enquanto proteção social, a família se coloca com uma via de proteção, provendo parte do auxílio 
para as pessoas idosas. Contudo, à medida que as sociedades se desenvolvem e a tradição de convivência 
65
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
entre as gerações no mesmo ambiente muda, exige-se cada vez mais que os países desenvolvam 
mecanismos de proteção social às pessoas idosas incapazes de ganhar a vida e que estejam sozinhas 
e vulneráveis. Em países em desenvolvimento, as pessoas idosas que precisam de assistência tendem a 
confiar na ajuda da família, em transferências de serviços informais e em economias pessoais.
 Observação
Países como a África do Sul e a Namíbia possuem uma pensão nacional 
para a velhice, sendo os benefícios fonte de renda de muitas famílias pobres 
e das pessoas idosas.
Em países desenvolvidos, as medidas de seguridade social podem incluir pensão para a 
velhice, aposentadoria por motivos ocupacionais, incentivos para a poupança voluntária, fundos 
compulsórios de poupança e programas de seguro para deficiências, doenças, tratamentos a longo 
prazo e desemprego.
Todavia, ainda em alguns países menos desenvolvidos, as pessoas idosas tendem a se manter 
economicamente ativas na velhice pela necessidade, responsabilizam-se pela administração do lar e 
pelo cuidado com crianças, de forma que os adultos jovens possam trabalhar fora de casa.
3.3 Envelhecimento no Brasil
No Brasil, pode-se dizer que o marco inicial da construção da categoria social velhice remonta ao ano 
de 1890, quando foi fundado no Rio de Janeiro o Asilo São Luiz para a Velhice Desamparada. Em 1909, 
foi inaugurado nessa instituição um pavilhão para velhos não desamparados (Groissman, 1999). Esses 
eventos assinalaram uma desvinculação da noção de velhice das noções de mendicância, vadiagem, 
pobreza e desamparo, o que ocorria desde a abolição da escravatura. 
Em paralelo, se nos remetermos às questões de institucionalização da pessoa idosa, o olhar para o 
envelhecimento no Brasil na data de 1790. 
Segundo Lima (2005, p. 26), a primeira instituição destinada as pessoas idosas Brasil foi uma 
 
chácara construída em 1790 para acolher soldados portugueses que 
participaram da campanha de 1792 e que, naquela ocasião, encontravam-se 
“avançados em anos e cansados de trabalhos”, que, pelos seus serviços 
prestados, “se faziam dignos de uma descansada velhice”. A chamada casa dos 
inválidos foi construída por decisão do 5º Vice-Rei, Conde de Resende, que, 
contrariando todas as normas da época, cria esta instituição, inspirando-se 
na obra de Luís XIV (Hôtel des Invalides), destinada aos heróis [...]. Como 
podemos ver, a primeira instituição criada no Brasil era restrita a soldados 
militares, e não à velhice em geral. Com a vinda da Família Real Portuguesa, 
em 1808, a casa que abrigava essas pessoas foi “cedida” ao médico particular 
do Rei e os internos foram transferidos para a Casa de Santa Misericórdia.
66
UnidadeI
As instituições de longa permanência tinham o objetivo de cuidar de pessoas com idade avançada, 
dignas de um envelhecimento saudável e com cuidados. Nesse aspecto, destaca-se o papel de cuidado 
da Casa de Santa Misericórdia, que se refere a uma forma de serviço de hospitalização que ocorria ainda 
na época colonial. 
Os asilos, como eram chamadas as instituições nesse período, tinham por objetivo prevenir as 
situações de mendicância, pois o número de pessoas envelhecidas das ruas aumentava.
Em 1961, foi fundada a primeira sociedade científica brasileira no campo da velhice, a Sociedade 
Brasileira de Geriatria. Esta, em 1978, começou a acolher também os não médicos, por isso passou a se 
chamar Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). 
No fim dos anos 1960, o Serviço Social do Comércio (Sesc) começou a desenvolver um trabalho 
pioneiro com pessoa idosa por meio de programas de preparação para a aposentadoria, de 
divulgação científica sobre cuidados com a saúde no envelhecimento, de lazer, de atividades físicas 
e de educação para pessoas da terceira idade nos mesmos moldes dos que existiam na Europa. 
Em 1982, foi fundada a Associação Nacional de Gerontologia (ANG), congregando principalmente 
profissionais da área social.
Diante dos avanços dos processos de envelhecimento, num contexto contemporâneo, o Brasil 
vem ganhando o título de um país com uma população jovem que está passando por um processo de 
envelhecimento nos últimos anos.
No início do século XX, um brasileiro vivia em média 33 anos, ao passo que hoje sua expectativa de 
vida ao nascer é de 68 anos (Veras, 2003). 
Tal condição era justificada por conta de precariedade das condições sanitárias, alta taxa de 
mortalidade infantil e baixa expectativa de vida. Com o avanço da medicina e a melhoria da qualidade 
de vida, a mortalidade infantil diminuiu e, consequentemente, a expectativa de vida aumentou. Assim, 
o envelhecimento populacional atingiu vários países, exigindo políticas para cuidar e abrir espaço para 
esse novo contingente populacional. 
Desde os anos 1940, é entre a população idosa que são observadas as taxas mais altas de crescimento 
populacional, e, já na década de 1950, esse crescimento superou 3% ao ano, chegando a 3,4% entre 
1991 e 2000 (Veras, 2003). 
De acordo com Santos e Silva (2013, p. 362), o crescimento da população idosa no Brasil, portanto, 
foi uma consequência da “diminuição da fecundidade, da redução da mortalidade da população e do 
aumento da expectativa de vida”.
Segundo Rodrigues (2001, p. 149), foi no início da década de 1970 que “começou a surgir um número 
significativo de idosos em nossa sociedade, preocupando alguns técnicos da área governamental e do 
setor privado, o que provocou o despertar dessas pessoas para a questão social do idoso”. 
67
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Em decorrência, 
 
na década de 1970, precisamente no ano de 1976, por inspiração e 
coordenação do gerontólogo Marcelo Salgado e com o apoio do então 
ministro da Previdência e Assistência Social, Luiz Gonzaga do Nascimento e 
Silva, realizaram-se três seminários regionais, em São Paulo, Belo Horizonte 
e Fortaleza, e um nacional, em Brasília, [...] buscando um diagnóstico para 
a questão da velhice em nosso país e apresentar as linhas básicas de uma 
política de assistência e promoção social do idoso (Rodrigues, 2001, p. 150).
No Brasil,
 
são consideradas pessoas idosas, segundo o marco legal estabelecido na 
Política Nacional do Idoso (1994) e no Estatuto da Pessoa Idosa (2003), os 
indivíduos de 60 anos ou mais. Esse marco legal abrange uma população que 
tem pela frente um intervalo vital maior do que trinta anos. Por exemplo, no 
último censo, o IBGE constatou que já temos quase 30 mil pessoas com mais 
de 100 anos no país, sendo 2/3 delas mulheres (Brasil, 2004, p. 17).
O Estatuto assegura o direito de todas as pessoas envelhecerem com dignidade e respeito. Dispõe 
sobre a responsabilidade do Estado na garantia de segurança, saúde e a obrigação de formulação de 
novas políticas públicas: 
 
Art. 8º. O envelhecimento é um direito personalíssimo e a sua proteção um 
direito social, nos termos desta Lei e da legislação vigente. 
Art. 9º. É obrigação do Estado garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à 
saúde, mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um 
envelhecimento saudável e em condições de dignidade (Brasil, 2003).
Envelhecer em nossa sociedade é uma expressão da questão social a ser discutida com muito cuidado, 
dado o momento em que vivemos. 
O processo de envelhecimento é algo comum a todos e com ele surgem as complicações biológicas. 
Esse processo torna a pessoa idosa um sujeito em situação de risco, portanto, um cidadão com 
necessidade de atenção especial.
O Brasil é um país que envelhece a passos largos. Apesar de iniciativas do governo federal nos anos 
1970 voltadas para pessoas idosas, apenas em 1994 foi instituída uma política nacional que atende esse 
grupo. Antes, as ações governamentais tinham cunho caritativo e filantrópico. Nos anos 1970, foram 
criados benefícios não contributivos, como as aposentadorias para os trabalhadores rurais e a renda 
mensal vitalícia para os necessitados urbanos e rurais com mais de 70 anos que não recebiam benefício 
da Previdência Social (Teixeira, 2008).
68
Unidade I
Como observa Neri (2007), diante do crescimento do segmento da pessoa idosa no Brasil e do 
consequente surgimento de suas demandas em diversas esferas, foram fixados os instrumentos legais 
de proteção às pessoas idosas com o objetivo de garantir, por exemplo, o direito à igualdade e superar a 
marginalização da pessoa idosa na sociedade. 
Especialmente nas décadas de 1980 e 1990, o envelhecimento em nosso país acarretou uma 
inversão na pirâmide etária brasileira. Antes, a base da pirâmide era representada pela população 
jovem, considerada a mais numerosa. Passando a assumir uma nova forma, a população adulta vem 
aumentando gradativamente para a população mais velha. Há alguns anos, o Brasil era caracterizado 
como um país de jovens, mas hoje o cenário é outro.
De acordo com a síntese de indicadores sociais divulgada pelo IBGE, a esperança de vida ao nascer, 
no Brasil, cresceu três anos no período entre 1999 e 2009. Em 1999, a esperança de vida do brasileiro 
correspondia a 70 anos, em 2009, subiu para 73,1 anos (IBGE, 2010).
No que se refere à esperança de vida ao nascer, para as mulheres, o índice passou de 73, 9 para 
77 anos. Já para os homens, a evolução foi de 66,3 para 69,4, confirmando maior esperança de vida 
para o sexo feminino (IBGE, 2010).
A população de pessoas idosas é a que mais cresce no Brasil, configurando um fenômeno novo e 
desafiador para a sociedade, para as famílias e para os governos. Para ilustrar, no início do século XX, a 
esperança de vida do brasileiro não passava dos 33,5 anos, chegando aos 50 na metade desse mesmo 
século. Em 2011, o nível de idade chegou a 74,8 anos, sendo que as mulheres estão vivendo sete anos a 
mais do que os homens (IBGE, 2010).
3.4 A população brasileira e a dinâmica demográfica 
Camarano (2023) aborda as mudanças demográficas no mundo, pois elas precisam ser exploradas 
para melhor entendimento do fenômeno e de suas implicações em outros fenômenos sociais (pressões 
trazidas pelo avanço da digitalização e da pandemia de Covid-19).
Para compreender a evolução demográfica atual, é preciso racionalizar o que está ocorrendo e 
também como as teorias estruturam o pensamento sobre o objeto de análise. 
Para além, entre outros fenômenos, é possível observar a formação de diferentes formatos de 
família, o crescimento de mães e pais solteiros e uniões homoafetivas, sintomas da sociedade atual. 
A estruturação, a regularidade no comportamento dos indivíduos e nas relações que mantemos é tratada 
como estrutura social (Camarano, 2023, p. 5). Em outra visão, mais detalhada, o que nós fazemos é 
considerado estrutura.
O Índice de Desenvolvimento Humano(IDH), de acordo com Dourado et al. (2021), foi idealizado 
para enfatizar que as pessoas e suas capacidades devem ser o melhor critério a fim de avaliar o 
desenvolvimento de um país, estado ou município, não apenas o crescimento econômico. Ele é aferido 
a partir da média geométrica entre índices que medem cada um dos seguintes fatores considerados 
69
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
pontos-chave no desenvolvimento humano: ter uma vida longa e saudável, adquirir conhecimentos e 
ter um padrão de vida decente (Rodrigues; Lima, 2020). 
Pandemias, a mais recente vivenciada no período de 2020 até 2022, o Covid-19, raramente afetam 
as pessoas de forma uniforme. A maior incidência se dá junto às populações mais pobres e de maneira 
mais drástica. Considerando que as populações mais pobres são mais propensas a ter condições crônicas, 
isso as coloca em maior risco de mortalidade.
 
Torkian e colaboradores (2020) afirmam que os resultados obtidos fornecem 
evidências limitadas de que o nível de desenvolvimento dos países pode 
influenciar diretamente a morbidade e mortalidade por Covid-19 e que 
o motivo de tal associação é difícil de determinar devido à natureza do 
estudo desenvolvido (Dourado et al., 2021, p. 2).
Como os países com IDH mais elevado têm uma maior expectativa de vida, a população idosa 
dessas nações é maior. Uma vez que o grupo das pessoas idosas é o mais vulnerável às formas 
graves da infecção pelo SARS-CoV-2. Esse fato faz com que a mortalidade seja maior onde o IDH for 
mais elevado.
De acordo com Marcolin (2022), o objetivo da pesquisa realizada era explanar e discutir a importância 
dos direitos e das políticas públicas no enfrentamento das vulnerabilidades da população idosa, 
particularizando o contexto da pandemia da Covid-19. Para tanto, inicialmente, contextualiza-se o 
processo de envelhecimento, demarcando os direitos da pessoa idosa, para, na sequência, explicitar a 
pandemia da Covid-19, seus impactos na vida da pessoa idosa, discutindo a importância dos direitos 
e das políticas públicas sociais no enfrentamento das vulnerabilidades.
Por meio dos gráficos seguintes, analisados por Marcolin (2022), é possível observar 
comparativamente em duas projeções (anos 2020 e 2060) a quantidade de pessoas por gênero e por 
idade, em três faixas subdivididas em 0 a 19 anos, 20 a 59 anos e acima dos 60 anos, denotando uma 
alteração significativa da pirâmide etária no Brasil devido ao crescimento da população idosa.
70
Unidade I
90+ anos
85 a 89 anos
80 a 84 anos
75 a 79 anos
70 a 74 anos
65 a 69 anos
60 a 64 anos
55 a 59 anos
50 a 54 anos
45 a 49 anos
40 a 44 anos
35 a 39 anos
30 a 34 anos
25 a 29 anos
20 a 24 anos
15 a 19 anos
10 a 14 anos
5 a 9 anos
0 a 4 anos
90+ anos
85 a 89 anos
80 a 84 anos
75 a 79 anos
70 a 74 anos
65 a 69 anos
60 a 64 anos
55 a 59 anos
50 a 54 anos
45 a 49 anos
40 a 44 anos
35 a 39 anos
30 a 34 anos
25 a 29 anos
20 a 24 anos
15 a 19 anos
10 a 14 anos
5 a 9 anos
0 a 4 anos
MulheresHomens MulheresHomens
0,1%
0,2%
0,3%
0,4%
0,4% 0,7%
0,7% 1,0%
1,1% 1,4%
2,4%
1,9%1,6%
2,1%
2,5%
2,9% 3,1%
3,1%
3,6%
3,9%
4,0%
4,0% 4,0%
4,1%
4,1%
3,3%
3,8%
3,8% 3,7%
3,4%
3,4%
3,4%3,6%
3,5%
3,6%
2,8%
4,0%4,1%
0,7% 1,6%
1,0% 1,5%
1,7% 2,3%
2,4% 3,0%
2,8% 3,2%
3,4% 3,6%
3,5% 3,6%
3,4% 3,4%
3,2% 3,2%
3,1% 3,0%
3,0% 2,9%
2,8% 2,8%
2,7% 2,6%
2,6% 2,5%
2,5% 2,4%
2,3% 2,2%
2,2% 2,1%
2,1% 2,0%
3,1% 3,4%
Gráfico 1 Gráfico 2
Figura 3 – Pirâmide etária do Brasil em 2020 (com % da população total, por sexo – gráfico 1); 
pirâmide etária do Brasil em 2060 (com % da população total, por sexo – gráfico 2)
Fonte: Marcolin (2022, p. 19).
Em outra demonstração gráfica, Marcolin (2022) observa que o crescimento registrado e projetado 
é impressionante no período de 150 anos, sendo que o ritmo do envelhecimento na segunda metade 
do século XX, que ainda se dava de forma lenta, se transformou em crescimento acelerado ao longo do 
século XXI, conforme dados do IBGE.
Entretanto Marcolin (2022) apresenta evidências importantes quanto ao processo do envelhecimento, 
considerando que este depende da qualidade de vida (premissas do Envelhecimento Ativo1 formulado 
pela OMS). Portanto, para proporcionar melhorias da qualidade de vida da pessoa idosa, é preciso 
garantir a otimização das oportunidades de saúde, participação, segurança e aprendizagem. 
Com base nas reflexões apresentadas, podemos inferir que o envelhecimento global causa um 
aumento das demandas sociais e econômicas em todo o mundo. Ao mesmo tempo que o envelhecimento 
da população é um dos maiores triunfos da humanidade, traz consigo grandes desafios. 
De acordo Marcolin (2022), é importante refletir que, embora os direitos tenham sido instituídos 
em prol da proteção à pessoa idosa, ainda persistem várias violações nessa parcela da população, como 
assinala Marcolin (2022, p. 30): 
71
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Pessoas idosas têm direitos enunciados e definidos, mas a violação desses 
direitos é um dos principais obstáculos à inserção social da pessoa idosa, com 
destaque para a discriminação e o preconceito. A luta contra a discriminação 
é fundamental num processo de educação para o envelhecimento e sobre 
o envelhecimento e a velhice. É preciso romper o silêncio sobre a velhice 
e abrir espaços na escola, na família, nas pesquisas e na sociedade para se 
falar abertamente dessa questão (Marcolin, 2022, p. 30).
Porém pode-se evidenciar com base no exposto que o Estatuto da Pessoa Idosa é uma grande 
conquista na esfera dos direitos à pessoa idosa, mas a sua implementação precisa avançar para que 
de fato seja concretizado o sistema de garantias proposto. Há muitos desafios ao olhar o modelo de 
sociedade que se pauta pela primazia dos interesses econômicos, já que a população idosa está:
 
estreitamente vinculada à transformação do nosso modelo de produção 
econômica, assim como de criação de aposentadorias recompensadoras, 
benefícios sociais adequados, programas de conservação da saúde, 
estruturas institucionais compensadoras da perda de sociabilidade, formas 
de preservação da autonomia vital e assistência progressiva e evolutiva, na 
medida da perda da capacidade e funções biológicas (Marcolin, 2022, p. 30).
Segundo o Marcolin (2022), de acordo com Brasil (2020) 
 
os dados da Covid-19 no período de julho (2020) apontam que entre as 
pessoas com 80 anos ou mais 18,8% dos infectados morreram, comparado 
a 12% entre as pessoas idosas de 70 a 79 anos e 10% entre aqueles 
de 60 a 69 anos. 
Os óbitos pela Covid-19 têm afetado o tempo vivido pelos brasileiros e o crescimento da população 
idosa em curto e médio prazo. 
Embora os óbitos estejam concentrados nas idades avançadas, o aumento das taxas de mortalidade 
da população idosa já está provocando um impacto tanto na expectativa de vida ao nascer como na das 
demais idades. 
A pandemia de Covid-19 determinou centenas de milhares de mortes, trazendo drásticas 
consequências para a saúde da população e, principalmente, para as pessoas idosas, que são as mais 
afetadas:
 
tal vulnerabilidade se justifica por alterações decorrentes da senescência 
ou senilidade, sendo que aqueles que apresentam comorbidades prévias 
têm maior probabilidade de complicações da doença bem como maior 
possibilidade de sequelas pós-infecção (Chen et al., 2020). Também uma 
das explicações para as maiores taxas de mortalidade por Covid-19 entre 
idosos diz respeito à própria dificuldade de acesso e disponibilidade 
72
Unidade I
de serviços de saúde, além das evidências do alto e desigual impacto 
da pandemia na saúde, relacionado às questões de renda e da falta de 
cuidados (Marcolin, 2022, p. 30).
Marcolin (2022) observa outras consequências, entre elas as causadas pelo isolamento social no que 
diz respeito à saúde física e mental da população idosa devido à limitação da liberdade e do convívio 
social. Com isso, os períodos de distanciamento social, mudanças na rotina e a diminuição da práticade 
atividades físicas e atividades da vida diária também foram comprometidas, causando grande impacto 
na saúde mental.
E diante do isolamento social, muitos se viram solitários, considerando que nem todas as pessoas 
idosas têm acesso à tecnologia digital, que, para alguns, pode minimizar a falta ou ausência de 
convivência social.
Assim, de acordo com Marcolin (2022), com base nesses breves apontamentos acerca da pandemia, 
pode-se concluir que a crise do coronavírus potencializou vulnerabilidades e desigualdades já existentes, 
além de desencadear novas situações e desafios, particularmente no que concerne a populações e 
grupos mais suscetíveis, como é o caso das pessoas idosas.
O envelhecimento populacional é a transformação da estrutura etária que acontece em decorrência 
do aumento da proporção de pessoa idosa no conjunto da população e a consequente diminuição da 
proporção de jovens. Durante mais de 500 anos, o Brasil teve uma estrutura etária rejuvenescida, porém 
esse quadro se modificou no decorrer do século XXI.
De acordo com o IBGE (2022), em consonância com os resultados do Censo Demográfico 
2022, o número de pessoas com 65 anos cresceu 57,4% na população do país em 12 anos. O total 
de pessoas dessa faixa etária chegou a cerca de 22,2 milhões de pessoas (10,9%) em 2022 contra 
14 milhões (7,4%) em 2010 (IBGE Educa, 2024).
Por outro lado, o total de crianças com até 14 anos de idade decresceu 12,6%, mudando de 
45,9 milhões (24,1%) em 2010 para 40,1 milhões (19,8%) em 2022 (IBGE Educa, 2024).
73
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
100 anos ou mais
95 a 99 anos
90 a 94 anos
85 a 89 anos
80 a 84 anos
50 a 54 anos
45 a 49 anos
40 a 44 anos
35 a 39 anos
30 a 34 anos
25 a 29 anos
20 a 24 anos
15 a 19 anos
10 a 14 anos
5 a 9 anos
0 a 4 anos
0
2022 - Homens 2022 - Mulheres
2010 - Homens 2010 - Mulheres
0 112 23 34 45 5
75 a 79 anos
70 a 74 anos
65 a 69 anos
60 a 64 anos
55 a 59 anos
Figura 4 – População residente no Brasil (%) segundo sexo e grupo de idade, em 2010 e 2022 
Fonte: IBGE Educa (2024).
Em 1980, a população brasileira com 65 anos ou mais representava 4,0%. Em 2022, esse grupo 
atingiu 10,9%, o maior registro nos Censos Demográficos. Já a proporção de crianças com até 14 anos, 
que era de 38,2% em 1980, caiu para 19,8% em 2022 (IBGE Educa, 2024).
Segundo a gerente de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE, Izabel Marri, ao longo do 
tempo, a base da pirâmide etária foi se estreitando devido à redução da fecundidade e dos nascimentos 
no Brasil. Essa mudança no formato da pirâmide etária passa a ser visível a partir dos anos 1990 e a 
pirâmide etária do Brasil perde, claramente, seu formato piramidal a partir de 2000. O que se observa ao 
longo dos anos é a redução da população jovem, com aumento da população em idade adulta e também 
do topo da pirâmide até 2022 (Gomes; Britto, 2023).
74
Unidade I
1980
1991
2000
2010
2022
38,2 57,7 4,0
34,7 60,4 4,8
29,6 64,5 5,9
24,1 68,5 7,4
19,8 69,3 10,9
De 0 a 14 anos De 15 a 64 anos 65 anos ou mais
Figura 5 – Proporção da população residente no Brasil, segundo grupos de idade (%), 
por grupos etários específicos, de 1980 a 2022
Fonte: IBGE Educa (2024).
Ao avaliar as proporções desses grupos etários específicos por grandes regiões, a região Norte é a 
mais jovem entre as demais, com 25,2% de sua população com até 14 anos, seguida pelo Nordeste, com 
21,1%. O Sudeste e o Sul têm estruturas mais envelhecidas, com 18% e 18,2% de jovens de 0 a 14 anos, 
e 12,2% e 12,1% de pessoas com 65 anos ou mais, respectivamente (Gomes; Britto, 2023).
A região Centro-Oeste apresenta uma estrutura intermediária, sendo a sua distribuição etária 
próxima da média do país.
A idade mediana divide uma população em 50% mais jovens e 50% mais velhos. No Brasil, de 2010 
a 2022, a idade mediana aumentou de 29 para 35 anos, refletindo o envelhecimento da população. 
Nas cinco grandes regiões, houve crescimento: Norte (de 24 para 29 anos), Nordeste (de 27 para 
33 anos), Sudeste (de 31 para 37 anos), Sul (de 31 para 36 anos) e Centro-Oeste (de 28 para 33 anos) 
(Gomes; Britto, 2023).
75
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
AM
23
AM
27
RR
23
RR
26
AC
22
AC
27
AP
22 AP
27
RO
26
RO
32
PA
24
PA
29
MA
24
MA
20
TO
25
TO
31
MT
27
MT
32GO
29
GO
34
ES 29 ES 36
MG
30
MG
36MS
28
MS
33
DF 28 DF 34
SE 26 SE 33
AL 25 AL 32
PE 28 PE 34
PB 28 PB 34
RN 28 RN 34
BA
28
BA
35
PI 27 PI 34
CE 27 CE 33
PR
30
PR
35
SP
31
SP
36
SC 30 SC 35
RS
32
RS
38
RJ 32 RJ 37
2010 Idade mediana 
22 anos 38 anos 2022
Brasil 35Brasil 29
Figura 6 – Idade mediana da população residente no Brasil, 
por unidades de Federação, em 2010 e 2022
Fonte: IBGE Educa (2024).
Em 2022, o total de pessoas com 65 anos ou mais no país (22.169.101) chegou a 10,9% da população, 
com alta de 57,4% frente a 2010, quando esse contingente era de 14.081.477, ou 7,4% da população. É 
o que revelam os resultados do universo da população do Brasil desagregada por idade e sexo, do Censo 
Demográfico 2022. Essa segunda apuração do Censo mostra uma população de 203.080.756 habitantes, 
com 18.244 pessoas a mais do que na primeira apuração (Gomes; Britto, 2023).
TerritórioCrescimento populacional
População: 203.080.756 pessoas
250 M
200 M
150 M
100 M
50 M
1872 18901900 1920 1940 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2010 2022
Área: 8.51.418 km2
Densidade demográfica: 
23.86 hab/km2
Mais de 20 milhões de pessoas
10 milhões a 20 milhões de pessoas
5 milhões a 10 milhões de pessoas
1 milhão a 5 milhões de pessoas
Menos de 1 milhão de pessoas
Figura 7 – População brasileira em 2022
Disponível em: https://rb.gy/lj1koj. Acesso em: 18 jan. 2024.
76
Unidade I
Do total da população residente no país, 51,5% (104.548.325) eram mulheres e 48,5% (98.532.431) 
eram homens, ou seja, havia cerca de 6 milhões de mulheres a mais do que homens em 2022, como 
explica Izabel Marri, gerente de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE, em reportagem 
para a Agência IBGE de Notícias (Gomes; Britto, 2023):
A maior incidência de homens nas primeiras idades é uma consequência 
do maior nascimento de crianças do sexo masculino em relação àquelas do 
sexo feminino. O maior contingente de homens diminui com a idade devido 
à sobremortalidade masculina, mais intensa na juventude devido às mortes 
por causas externas (Gomes; Britto, 2023).
 Observação
Envelhecimento ativo expressa o processo de otimização das 
oportunidades de saúde, participação e segurança, objetivando melhoria 
na qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas.
O envelhecimento atinge principalmente a parcela da população que vive de modo muito vulnerável. 
O impacto dessa nova “ordem demográfica” no Brasil, associado a fatores como subdesenvolvimento, 
falta de assistência, condições de saúde e lazer, são aspectos necessários para o bem viver de uma 
população e exigem que os aparatos de atenção e proteção social sejam repensados. 
Cada vez mais as pessoas mais velhas têm sido vistas como contribuintes para o desenvolvimento. 
Assim, as habilidades para melhorar suas vidas e sua sociedade devem ser transformadas em políticas e 
programas em todos os níveis. 
A compreensão da longevidade como conquista da humanidade requer um redirecionamento das 
ações do Estado destinadas ao segmento social da pessoa idosa e a todas as gerações.
Diante desse quadro, as necessidades da população da pessoa idosa, cujo contingente populacional 
cresce em ritmo bastante acelerado no Brasil, passam a ser compreendidas como uma das expressões da 
questão social contemporânea. 
 
Isto requer do Estado e governos o redimensionamento da agenda pública 
e dos investimentos, de forma a superar ações pontuais e localizadas, por 
políticas públicas de alcance social, com demarcação orçamentária concreta, 
e diretrizes institucionais nos diversos níveis administrativos que compõem 
a República Federativa (Silva, 2012, p. 206).
Ficar velho no século XXInão será semelhante a envelhecer no século XX. Por um lado, os direitos 
já adquiridos são questionados diante do processo de transição demográfica, da política neoliberal de 
redução dos direitos sociais e da mudança nas condições de vida da família e da sociedade. Por outro, 
há organizações e mobilização para assegurar direitos e pô-los em prática e uma presença ativa da 
pessoa idosa na família e na sociedade. 
77
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Tal situação denota que o processo de envelhecimento brasileiro vem passando por profundas 
desigualdades sociais, com diferentes formas de envelhecer. Estão presentes nesse processo os aspectos 
culturais, sociais, econômicos e políticos, fatores determinantes de acesso a bens e serviços sociais 
disponibilizados, revelando uma situação de exclusão de grande parte da população idosa dos bens 
essenciais à existência humana (Silva, 2016).
A satisfação das necessidades individuais de homens e mulheres idosas representa um dos grandes 
desafios da agenda pública, pois supõe considerar as especificidades de cada gênero. A conquista da 
longevidade traz um importante dado quanto ao envelhecimento, sobretudo o processo de feminização 
do envelhecimento, uma vez que as mulheres estão em maioria em todas as regiões do mundo 
(Silva, 2016).
As condições estruturais e econômicas são responsáveis pelas desigualdades entre os sexos, 
implicando situações que alteram as condições de renda, saúde e a própria dinâmica familiar, exigindo 
demandas por políticas públicas e prestação de serviços de proteção social (Berzins, 2003, p. 28). De 
acordo com a autora, viver mais não tem sido necessariamente sinônimo de viver melhor. 
 Observação
Mesmo sendo as mulheres que vivem mais, elas estão mais expostas a 
situações de violências, discriminações, salários inferiores (em comparação 
aos dos homens) e dupla jornada de trabalho, além da solidão.
Segundo Veras (2003, p. 8),
 
as desigualdades sociais não podem ser atribuídas meramente ao sexo, 
mas também à classe social e à raça. As pessoas pertencentes às classes 
sociais menos aquinhoadas e a certos grupos étnicos e raciais, tanto 
mulheres quanto homens, são mais suscetíveis de vivenciar o desemprego, 
subemprego, emprego instável de baixos salários, do que as brancas de 
classes mais abastadas. Em suma, a classe social e a raça são estratificadores 
primários da vida das pessoas, tanto quanto o sexo.
Todo cidadão tem direito ao envelhecimento, e a proteção desse direito engloba o compartilhamento 
de responsabilidades entre a família, o Estado e a sociedade. 
 Lembrete
Envelhecer com cidadania é regra básica no acesso aos direitos humanos 
como direitos de cidadania, e esta não tem idade.
78
Unidade I
O direito a envelhecer com dignidade é um direito humano básico que se fundamenta na 
compreensão da velhice como uma etapa natural da existência humana, o que requer atenção 
prioritária, cuidados e assistência; embora sejam direitos sociais já reconhecidos, ainda não são 
necessariamente efetivados.
3.5 Direitos conquistados pelas pessoas idosas a partir da Constituição 
de 1988
Segundo Silva (2016), a existência de um instrumento legal no Brasil vem confirmar esses direitos 
retratados neste livro-texto. De fato, trata-se de um grande avanço para uma sociedade que se 
desenvolveu sem atentar para a importância de um princípio básico de civilidade, que é valorizar a 
sabedoria dos mais velhos e proteger as suas necessidades. No entanto, apesar do marco legal e suas 
medidas de efetivação, há muito o que percorrer para que tais ações sejam concretizadas.
A III Conferência Regional Intergovernamental sobre Envelhecimento na América Latina e Caribe, 
realizada em 2012, ressalta as obrigações dos Estados com relação ao envelhecimento com dignidade 
e direitos, sobretudo na obrigação de procurar erradicar as múltiplas formas de discriminação 
baseando-se no recorte de gênero. Nesse sentido, recomenda-se:
a. Prevenir, sancionar e erradicar todas as formas de violência contra as 
mulheres idosas, incluindo a violência sexual; 
b. Promover o reconhecimento do papel que as pessoas idosas desempenham 
no desenvolvimento político, social, econômico e cultural de suas comunidades, 
destacando as mulheres idosas; 
c. Assegurar a incorporação e a participação equitativa de mulheres 
e homens idosos no desenho e na aplicação das políticas, dos programas e 
planos que lhes dizem respeito; 
d. Garantir o acesso equitativo de mulheres e homens idosos na Previdência 
Social e em outras medidas de proteção social, principalmente quando eles 
não gozem dos benefícios da aposentadoria; 
e. Proteger os direitos sucessórios de mulheres viúvas e idosas, em especial 
os direitos de propriedade e de posse (Cepal, 2012, p. 16).
No Brasil, o sistema de proteção social destinado ao segmento social da pessoa idosa se encontra 
estruturado em termos de mecanismos legais que visam garantir proteção social básica e especial, através 
de políticas de seguridade social, além de outras políticas setoriais que visam assegurar bem-estar aos 
cidadãos que atingem a velhice.
Os direitos das pessoas idosas já estão estabelecidos no sistema legal e os avanços já alcançados 
em relação à proteção da pessoa idosa são frutos de pressões sociais nacionais e internacionais. Tais 
direitos foram consubstanciados na legislação brasileira, na Constituição Federal (CF), reafirmados na Lei 
Orgânica de Assistência Social (Loas), reforçados na Política Nacional do Pessoa Idosa (PNI) e no Estatuto 
da Pessoa Idosa. 
79
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
No entanto, são grandes os desafios para fazer frente à mudança no perfil demográfico brasileiro, 
que, como em todo o mundo, se depara com um crescimento acelerado no número de pessoas idosas.
Estudos em diversos países indicam que até o século XIX, quando o trabalhador chegava na velhice, 
era expulso do seu local de trabalho, ou seja, abandonado à própria sorte, pois não possuía um amparo 
devido para prover a sua subsistência em idade mais avançada (Beauvoir apud Ottoni, 2012). 
Em países desenvolvidos, buscou-se a manutenção do papel social e a reinserção das pessoas 
idosas, sendo a questão da renda resolvida por meio de sistemas de seguridade social. Nos países 
em desenvolvimento e no Brasil, várias questões ficaram pendentes, como a pobreza e a exclusão da 
população anciã; somente após muitas décadas, o Brasil começou a tomar medidas para compensar 
a situação de descaso com a população idosa (Beauvoir apud Ottoni, 2012). 
Sobre o início do sistema de proteção brasileiro das pessoas idosas, existem relatos durante o período 
colonial de que o Estado patrimonial português incorporou ao seu projeto de colonização práticas 
assistencialistas através da Santa Casa de Misericórdia de Santos, que era uma instituição assistencial 
a pessoas idosas, e somente em 1888 (Decreto n. 9.912-A), os trabalhadores dos Correios passaram a 
ter direito à aposentadoria. Para isso, deveriam ter 30 anos de trabalho e, no mínimo, 60 anos de idade 
(Brasil, 1888).
No século XX, foram iniciadas as políticas previdenciárias estatais para trabalhadores privados. Em 
1919, criou-se o seguro de acidentes do trabalho e, em 1923, a Caixa de Aposentadorias e Pensões (CAPs), 
a qual foi regulamentada pela Lei Eloy Chaves (Brasil, 1923). 
A legislação buscava disciplinar o direito à pensão e também a possibilidade de organização das 
caixas de socorro para outras categorias de trabalhadores. Assim, a Lei Eloy Chaves obrigou a criação 
de CAPs para determinadas categorias de trabalhadores, não apenas caixas de socorro. Nesse novo 
formato, as CAPs recebiam a contribuição dos trabalhadores, dos empregadores e do Estado e buscavam 
socorrer os trabalhadores em momentos de dificuldade, como doenças, acidentes ou mesmo pela idade. 
As primeiras CAPs criadas foram a de ferroviários e a de marítimos (Behring; Boschetti, 2010). 
À época, foram garantidas novas conquistaspara a classe trabalhadora, como autorização de 
pensões e férias no período, ao menos no que concerne ao aspecto legal. Em 1891, criou-se a lei que 
regulamentava o trabalho infantil e, em 1911, a lei que reduzia a jornada de trabalho para 12 horas 
diárias. Por fim, no ano de 1919, inaugurou-se a lei que regulamentava os acidentes de trabalho cuja 
responsabilidade passou a ser do empregador.
 Observação
Foi a partir de 1930 que o Estado e também os trabalhadores passaram 
a se interessar pelo sistema previdenciário brasileiro.
80
Unidade I
Vargas desenvolveu um governo de regime ditatorial e assentado no militarismo. Contudo, é a partir 
de seu governo que tivemos as primeiras ações do Estado compreendidas como política social. 
Behring e Boschetti (2010) e Couto et al. (2010) entenderam que esse seria o primeiro estágio da 
política social brasileira, compreendido pelas autoras como o período de introdução da política social 
no Brasil. Todavia, essa política social não seria extensiva a todos os que dela necessitavam (como é 
esperado hoje), mas especialmente idealizada para atender a classe trabalhadora brasileira. 
Assim, em 1930, temos a criação do Ministério do Trabalho e, em 1932, da Carteira de Trabalho (CTPS). 
Então, consolidou-se uma série de direitos e proteções para a classe trabalhadora: regulação dos 
acidentes de trabalho; ampliação das aposentadorias e pensões; auxílio-doença; auxílio-maternidade; 
auxílio-família; seguro-desemprego. 
 
Em 1930, foi criado o Ministério do Trabalho, e em 1932, a Carteira 
de Trabalho, a qual passa a ser documento da cidadania no Brasil: eram 
portadores de alguns direitos aqueles que dispunham de emprego 
registrado em carteira. Essa é uma das características do desenvolvimento 
do Estado social brasileiro: seu caráter corporativo e fragmentado, 
distante da perspectiva da universalização de inspiração beveridgiana 
(Behring; Boschetti, 2010, p. 106).
Entretanto, grande parte da população brasileira não trabalhadora ou sem registro em carteira 
permanecia à margem do acesso aos direitos. 
Cabe destacar que a partir da Era Vargas, houve uma ampliação significativa das CAPs, o que 
motivou a consolidação dos Institutos de Aposentadoria e Pensões Sociais (IAPs). Por meio das CAPs, 
o empregado contribuía com uma parcela mensal do seu salário enquanto estava na ativa, como 
acontece na aposentadoria privada.
Os IAPs eram a congregação de várias CAPs de acordo com a categoria de trabalhadores. O primeiro 
IAP criado foi o dos marítimos, em 1933. Esses institutos não estavam restritos a prestar cuidado 
aos segmentos de trabalhadores desvalidos por meio da concessão de pensões sociais, mas também 
prestando cuidados à saúde e empréstimos para a classe trabalhadora alcançar a casa própria. 
O Estado não possuía uma política social de saúde, logo, tinha acesso à saúde apenas quem contribuía 
com algum instituto. O Estado apenas organizava campanhas sanitárias para conter endemias e epidemias, 
portanto, atuava de forma pontual e residual. Quem tinha necessidade de atendimento médico e não 
estava vinculado a nenhum instituto deveria procurar as Santas Casas, instituições mantidas pela Igreja 
Católica que prestavam atenção a doentes e pessoas em situação de rua. 
Em 1930, o país já possuía uma política de bem-estar social, com previdência, educação, saúde 
e habitação. Nesse ano, foi criado o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, e as Caixas foram 
substituídas pelos Institutos de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (Iapas); 
nestes, estados e sindicatos detinham maior autonomia na gestão de recursos (Simões apud Ottoni, 2012).
81
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
No ano de 1934, foi instituída uma constituição cujo art. 121 se referia à categoria idosa, “[...] 
instituição de previdência, mediante atribuição igual da União, do empregador e do empregado, 
a favor da velhice, da invalidez, da maternidade e nos campos de acidente de trabalho ou por morte”, 
e assegurava alguns direitos para esta categoria (Brasil, 1934). 
Na Constituição de 1934, encontramos a expressão dessa pactuação social no que se refere à velhice 
e à infância como uma situação que merecia favor, com apoio das instituições de caridade para a 
pessoa idosa e entidades de filantropia. No entanto, os direitos das pessoas idosas só foram claramente 
mencionados quando houve inserção produtiva da pessoa no trabalho industrial. 
Os direitos da pessoa idosa foram inscritos na Constituição de 1934 (Brasil, 1934, art. 121, item h) 
como direitos trabalhistas, na implementação da Previdência Social “a favor da velhice”, com contribuição 
tripartite do empregador, do empregado e da União, numa clara referência à transição industrial. Ao se 
tornar improdutivo, o sujeito era considerado velho a partir do pressuposto de sua exclusão da esfera 
do trabalho, como operário. 
Naquela época, o trabalhador rural não tinha direitos trabalhistas, pois ficava na esfera do “aluguel 
de mão de obra”, sob a tutela da oligarquia rural (Faleiros, 2008). Reafirma-se na Constituição de 1937 
(art. 137) o seguro de velhice para o trabalhador, na lógica do seguro pré-pago, mas garantido pelo Estado. 
Na Constituição de 1934, o amparo aos desvalidos previa serviços especializados e “animação de 
serviços sociais” (Brasil, 1934, art. 138), dentro da visão eugênica e higienista, de socorro às famílias de 
prole numerosa e no combate “aos venenos sociais”. 
Em ambas as Constituições, pode-se invocar a proteção do Estado para a subsistência e educação 
de sua prole numerosa, mas a de 1937 assinalou que esse recurso cabia aos “pais miseráveis” 
(Brasil, 1937, art. 127). 
A Constituição de 1946 não incorporou o conceito de seguridade social, e os trabalhadores rurais 
permaneceram excluídos e com continuidade do modelo filantrópico. No art. 157, a Constituição de 
1946 (Brasil, 1946) dispõe sobre a formulação de previdência “contra as consequências da velhice”, 
ampliando a ideia de um seguro social somente para trabalhadores industriais. 
Em 1960 foi promulgada a Lei n. 3.807, a chamada Lei Orgânica da Previdência Social, que previa 
35 anos de contribuição para obter a aposentadoria integral aos 55 anos de idade (Brasil, 1960). Grandes 
pressões sindicais conseguiram a aposentadoria por tempo de serviço em 1962, sem limite de idade. 
Já durante o período de redemocratização, entre 1946 e 1964, foi definido o perfil das políticas 
públicas de assistência social para as pessoas idosas (Escobar, 2010). Depois do golpe militar de 1964, 
a política econômica favoreceu o tripé (Estado, multinacionais e burguesia nacional), com forte 
participação do Estado na economia, mas com repressão aos movimentos sociais e sindicais e arrocho 
salarial, conforme relata Faleiros (1995). 
82
Unidade I
Com a publicação do Livro branco da previdência social, o governo criticou a pluralidade dos 
institutos e forçou a unificação da Previdência Social, já prevista na Lei Orgânica. Assim, a Constituição 
de 1967 já falava de previdência social “nos casos de velhice” (Brasil, 1960, art. 158). 
Nessas Constituições (de 1934 e 1946), contemplou-se a assistência à maternidade, à infância e à 
adolescência. É no bojo do sistema previdenciário que ficou garantida a assistência à saúde, a alguns 
benefícios pecuniários e a pensões, que são regulamentados por lei, mas dentro da esfera contributiva. 
Para os não contribuintes, prevaleceu o modelo filantrópico, no qual era exigido o atestado de pobreza 
para ser atendido. 
Nesse contexto, destaca-se o Sesc, uma entidade patronal, financiada pelos trabalhadores e 
consumidores, com atividades iniciadas em 1963, através de centros de convivência abertos as pessoas 
idosas, fora do âmbito filantrópico, religioso ou estatal. Essa atividade com pessoa idosa representou, no 
entanto, um espaço de consideração da velhice como um momento da vida, como uma esfera especial, 
embora destinada a trabalhadores e seus dependentes,e não à população em geral (Faleiros, 1995). 
Nesse mesmo período, vários grupos e movimentos suscitavam o estabelecimento de atenções 
diferenciadas ao segmento da pessoa idosa, como era o caso do grupo de convivência do Sesc 
na década de 1960. Assim, destacaram-se duas iniciativas de impacto no desenvolvimento das 
políticas brasileiras para a população idosa. 
A primeira foi a criação da SBGG, em 1961. Um de seus objetivos era estimular iniciativas e 
obras sociais de amparo à velhice e cooperar com outras organizações interessadas em atividades 
educacionais, assistenciais e de pesquisas relacionadas com geriatria e gerontologia.
A segunda teve início em 1963, por iniciativa do Sesc, dada a sua preocupação com o desamparo 
e a solidão entre as pessoas idosas. Consistiu de um trabalho com um pequeno grupo de comerciários 
na cidade de São Paulo. A ação do Sesc revolucionou o trabalho de assistência social à pessoa idosa, 
sendo decisiva na deflagração de uma política dirigida a esse segmento.
 Lembrete
A velhice passou de questão filantrópica e privada para pública, quando 
a inclusão de direitos é feita por meio da incorporação do direito do 
trabalhador, e não do direito da pessoa de envelhecer. 
Em 1966, ocorreu a unificação do regime previdenciário por meio da congregação dos IAPs, com 
a criação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Desde então, os trabalhadores perderam 
totalmente a capacidade de gestão de sua aposentadoria, o que passou a ser controlado pelo Estado. 
Em 1967, o INPS assumiu também as intervenções necessárias para os casos de trabalhadores que se 
envolviam em acidentes de trabalho. No mesmo ano foi ampliada a possibilidade de aposentadoria 
para os trabalhadores rurais, com a criação do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural). 
83
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Este, no entanto, exigia dos trabalhadores apenas algumas taxas provenientes do preço do que cada um 
comercializava (Behring; Boschetti, 2010; Couto et al., 2010). 
Nos anos 1970, em plena ditadura, a Lei n. 6.119 instituiu a Renda Mensal Vitalícia, que fixava o 
valor de 50% do salário mínimo para maiores de 70 anos que houvessem contribuído, ao menos um 
ano, para a Previdência. Acentua-se que havia críticas ao sistema, guerrilha e perda de legitimidade do 
modelo autoritário. 
O período da ditadura militar foi uma época de expansão do Estado na área social; o governo 
procurava ter apoio social da população, por isso adotou certas medidas sociais nas áreas de saúde, 
educação, habitação e também conferiu nova configuração às tradicionais políticas de segurança, 
justiça e promoção humanas. 
 Saiba mais
Para saber mais sobre o período estudado, são indicados os 
seguintes filmes: 
O APITO da panela de pressão. Direção: Sérgio Tufik. Brasil: DCE Livre da 
USP; DCE Livre da PUC, 1977. 26 min.
GETÚLIO Vargas. Direção: Nei Sroulevich. Brasil: Zoom Cinematográfica, 
1974. 76 min. 
JANGO. Direção: Silvio Tendler. Brasil: Caliban Produções 
Cinematográficas; Embrafilme, 1984. 117 min.
Na mesma década, por meio da Portaria n. 82, foi assinada pelo Ministério do Trabalho e da 
Previdência Social a primeira medida de assistência às pessoas idosas, sendo restrita aos beneficiários 
do sistema previdenciário. 
A velhice despossuída, dependente historicamente da ação caritativa dos indivíduos, das Santas 
Casas de Misericórdia, foi contemplada, alguns meses após, com a renda mensal vitalícia pela Lei 
n. 6.179/1974. No mesmo ano, houve a separação da Previdência do Trabalho pelo Estado, criando-se 
o Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) – Lei n. 6062/74 (Haddad apud Escobar, 2010).
Portanto, foi no início da década de 1970 que começou a surgir um número significativo de pessoas 
idosas em nossa sociedade, preocupando alguns técnicos da área governamental e do setor privado, o 
que provocou o despertar dessas pessoas para a questão social da pessoa idosa. 
Em 1974, foi criado o Ministério da Previdência Social, composto pela Legião Brasileira de Assistência 
Social, pela Funabem e pela Central de Medicamentos. Esse Ministério também incorporou a Empresa de 
84
Unidade I
Processamento de Dados da Previdência Social (Dataprev). Essa estrutura foi transmutada e, em 1977, 
foi criado o Sistema Nacional de Assistência e Previdência Social (Sinpas). Assim, houve a agregação de 
ações relacionadas à saúde, à previdência social e à assistência social por meio do Sinpas e dos serviços 
prestados na área de abrangência desse sistema. 
 
Nessa associação entre previdência, assistência e saúde, impôs-se uma forte 
medicalização da saúde, com ênfase no atendimento curativo, individual e 
especializado, em detrimento da saúde pública, em estreita relação com o 
incentivo à indústria de medicamentos e equipamentos médico-hospitalares, 
orientados pela lucratividade (Behring; Boschetti, 2010, p. 137).
Não havia ações definidas e específicas, mas sim uma série de ações combinadas e organizadas por 
meio do Sinpas.
O INPS, em 1974, uma das primeiras iniciativas do governo federal na prestação de assistência à 
pessoa idosa, consistiu em ações preventivas realizadas em centros sociais do INPS e da sociedade civil, 
bem como de internação custodial dos aposentados e pensionistas do INPS. No fim dos anos 1970, as 
pessoas idosas começaram a se organizar em associações, chamando a atenção de outras instâncias, 
como foi o caso do Ministério da Saúde. 
O primeiro programa de assistência a pessoa idosa surgiu em 1975 por iniciativa do INPS. Intitulado 
PAPI (Programa de Assistência à Pessoa Idosa), visava à organização e formação de “grupos de 
convivência” para pessoas idosas vinculadas ao sistema previdenciário. Esses encontros aconteciam nos 
postos de serviços do INPS e se desenvolveram por todo o Brasil nos dois anos seguintes.
A partir da reforma da Previdência Social em 1977 e da criação do Sinpas, a questão da assistência à 
pessoa idosa no Brasil passou a ser de responsabilidade da LBA, que atuava em dois níveis: direto e indireto. 
O direto era executado pela equipe técnica da LBA, contando com 2 mil unidades de atendimento em 
todo o território brasileiro. Nesses locais, eram distribuídos alimentos e havia a concessão de próteses, 
órteses, materiais e documentos. Já no nível indireto, realizavam-se convênios com as instituições 
que abrigavam pessoas idosas, pagando um valor per capita por certa quantidade de vagas para essas 
pessoas idosas.
Em 1979, a Portaria n. 82/1974 foi revogada pela Portaria n. 25, de 9 de novembro de 1979, quando, 
então, as pessoas idosas não previdenciárias passaram também a contar com a assistência social. 
Na década de 1980, foram criadas várias associações e federações de aposentados e pensionistas, 
as quais ganharam grande visibilidade, despertando em aposentados e pensionistas a consciência de 
seus direitos.
Em 1982, surgiram as primeiras universidades da terceira idade. Durante a década, houve a expansão 
dos grupos de convivência articulados a várias organizações, mas somente em 1990, no contexto 
democrático, foi organizada a Confederação Brasileira de Aposentados (Cobap), que se lançou na luta 
pelos valores das aposentadorias, pelos direitos sociais e pela cidadania da pessoa idosa (Rodrigues, 2006). 
85
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
 Observação
A crise da ditadura, causada pela pressão da Igreja, de movimentos 
sociais, intelectuais e empresários que se viam engessados, expressou um 
processo de “abertura lenta, gradual e segura” para mudanças estruturais.
Até meados da década de 1980, as políticas do governo federal para a população idosa consistiam 
apenas no provimento de renda e serviços médicos especializados, predominando a visão de 
vulnerabilidade e dependência desse segmento da população. Quanto à questão do cuidado com 
a pessoa idosa frágil, os esforços eram no sentido de enfatizar que o cuidado deveria ser feito pela 
família. Mudanças paulatinas navisão da pessoa idosa como um indivíduo frágil ocorreram ao longo 
dos anos 1980, por influência de um debate internacional. 
O Plano Internacional de Ação para o Envelhecimento (1982) trouxe mudanças expressivas, e o 
Brasil passou a incorporar esse tema de forma mais assertiva em sua agenda política. O momento 
coincidiu com o período de redemocratização do país, o que possibilitou um amplo debate por ocasião 
do processo constituinte, resultando na incorporação do tema no capítulo referente às questões 
sociais do texto constitucional de 1988.
 Observação
O Plano (1982) versa sobre saúde e nutrição; proteção de consumidores 
de pessoas idosas; habitação e meio ambiente; família, bem-estar 
social; segurança de renda; emprego; educação; e coleta e análise de 
dados de pesquisa.
Ainda em 1982, foi realizada a I Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, organizada pela ONU, 
a qual ocorreu em Viena, marcando um importante momento de atenção à pessoa idosa, pois nesse 
encontro foram traçadas as diretrizes acerca do Plano de Ação Mundial sobre o Envelhecimento, sendo 
o teor do texto publicado em 1983, na cidade de Nova Iorque.
A partir da década de 1980, as políticas destinadas à população idosa no Brasil se centraram na 
garantia de renda e de assistência social para as pessoas em risco social. 
O grande avanço em políticas de proteção social às pessoas idosas brasileiras ocorreu apenas com 
a CF. Assim, introduziu-se o conceito de seguridade social e foi criada uma rede de proteção social, 
que deixaria de estar vinculada apenas ao contexto estritamente social-trabalhista e assistencialista, 
passando a adquirir uma conotação de direito de cidadania. 
86
Unidade I
A CF instaurou um percurso de mudanças e avanços ao tratar de todos os segmentos sociais. 
Estabeleceu-se uma gama de direitos sociais, os quais dizem respeito à proibição de diferenças de 
salário, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil. 
A CF pondera sobre a proteção jurídica à pessoa idosa, a qual impõe à família, à sociedade e ao 
Estado o dever de amparar as pessoas idosas. Também fixou a denominação de seguridade social, um 
conceito amplo de proteção social, compreendendo “um conjunto integrado de iniciativas dos poderes 
públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência 
social” (Brasil, 1988, art. 194). 
 Observação
Nas Constituições anteriores, as pessoas idosas só foram reconhecidas 
como trabalhadores fora do mercado ou desvalidos.
No capítulo da “Seguridade Social”, são tratadas questões específicas a respeito da “maior idade”, o 
que constitucionalmente favoreceu e incentivou a elaboração de legislação complementar a respeito de 
pessoa idosa e melhorias em sua condição de vida (Brasil, 1988).
Os direitos da pessoa idosa estão presentes nos vários capítulos da CF, considerando a mudança de 
paradigma da pessoa idosa assistido para o ativo, da pessoa idosa improdutiva, excluída do mercado 
de trabalho, para o sujeito de direitos como pessoa. Antes, os cuidados com as pessoas idosas eram 
exclusivamente voltados para a família; depois, a pessoa idosa passou a ser protegida pelo Estado e 
pela sociedade, e a pessoa idosa marginalizada passou a ser a pessoa participante. Esses direitos se 
fazem presentes nos capítulos da assistência, da família, do trabalho e da previdência, considerando 
tanto a cobertura de necessidades (de forma não contributiva) como em decorrência da contribuição e 
do trabalho.
 
A Constituição Federal de 1988 não se limitou apenas a apresentar 
disposições genéricas nas quais pudessem ser incluídos os idosos. Mas, 
ao se observar o artigo 229, que estabelece aos filhos maiores o dever 
de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade, bem 
como o artigo 230, que estipula que a família, a sociedade e o Estado têm 
o dever de amparar as pessoas idosas. Assegurando sua participação na 
comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes 
o direito à vida, surpreende o enorme avanço na área de proteção aos 
direitos dos idosos, dado pelo constituinte de 1988 ao contemplar os 
idosos, garantindo assim a sua cidadania (Cielo; Vaz, 2009, p. 34).
O direito à vida não engloba apenas a longevidade, mas envelhecer com dignidade, respeito, proteção 
e assistência social. 
87
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
No que se refere ao direito à liberdade, ele deve ser propiciado à pessoa idosa por meio de 
providências reais por parte do Estado e da sociedade, principalmente a independência familiar 
e social, através de prestações previdenciárias e assistenciais eficazes. 
O direito à igualdade deve ser garantido às pessoas idosas nas mesmas condições de outras pessoas. 
Quanto ao direito à cidadania, sua importância está em permitir à pessoa idosa a capacidade de analisar 
e compreender a realidade política e social, criticar e atuar sobre ela.
A pessoa idosa deve ser contemplada com todas as demais garantias constitucionais, em especial 
aquele que não tem condições econômicas para se manter, (Brasil, 1988, art. 201). A legislação isenta 
as pessoas idosas do imposto sobre a renda recebida, garante a ele o direito ao seguro social, ou 
aposentadoria, de acordo idade, sexo e tipo de trabalho que exerce (urbano rural). 
 Observação
Os direitos da pessoa idosa representam uma questão política.
O impacto do envelhecimento está fazendo com que haja um incentivo ao requerimento da 
aposentaria numa idade mais avançada, o que está explícito no caput do art. 201. Cada vez mais os 
governos estão considerando não o conceito de improdutividade, mas o de idade avançada, ou seja, a 
maior longevidade.
A CF assegura ainda a prestação de assistência social às pessoas idosas, art. 203, V, e art. 204. Garante 
ainda um salário mínimo mensal à pessoa idosa que comprove não possuir meios de prover a própria 
manutenção ou por sua família. O benefício é concedido e pago pelo INSS, é pessoal, intransferível, não 
podendo ser acumulado a qualquer outro benefício concedido pela Previdência Social. Inicialmente, o 
benefício era vitalício, mas com a entrada em vigor da Loas (Lei Orgânica de Assistência Social – 1993), 
o direito a ele termina se a família adquire condições de cuidar do assistido ou se ele próprio passa a ser 
capaz de prover o seu sustento. Por essa razão, tal benefício deve ser revisto a cada dois anos, podendo 
ser suspenso. 
A pessoa idosa abrigada em asilo, mesmo sem qualquer custo para ela, tem direito ao benefício de 
prestação continuada, e os dirigentes de tais instituições podem atuar como procuradores com o INSS. 
A CF trouxe o conceito de seguridade social, fazendo com que a rede de proteção social alterasse o seu 
enfoque estritamente assistencialista, passando a ter uma conotação ampliada de cidadania.
A CF prevê que a assistência social deve ser descentralizada e participativa, com coordenação 
e normas gerais de competência da esfera federal, mas com “a coordenação e a execução dos 
respectivos programas às esferas estadual e municipal, bem como a doze entidades beneficentes e de 
assistência social”. Está clara a “participação da população por meio de organizações representativas, 
na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis”, ou seja, as pessoas idosas 
também são protagonistas da política de assistência. São sujeitos políticos, portanto, cidadãos 
politicamente ativos (Brasil, 1988, art. 204). 
88
Unidade I
Por falta de recursos financeiros, impedindo a contratação de cuidadores especializados para atender 
no ambiente familiar, os cuidados da pessoa idosa geralmente são realizados por um membro da família; 
em sua grande maioria, uma mulher que reside no mesmo domicílio ou próximo do domicílio das 
pessoas idosas é quem fica responsável por essa tarefa (Kuchemann, 2012).
No Brasil, é possível identificar vários marcos legais que transformaram o cenário sobre a questão doenvelhecimento: a CF e a PNI (1994). Na década de 1990, no âmbito do governo federal, instituíram-se 
programas de benefícios que foram ampliados significativamente pelo Programa Bolsa-Família, 
expandido em 2004, com uma cobertura social que atende, com pelo menos um benefício, oito de cada 
dez pessoas idosas no Brasil.
Após a CF, criaram-se várias políticas e programas nacionais de saúde e direito das pessoas idosas, 
além de políticas e programas internacionais, conforme destacado a seguir. 
•	 Política Nacional da Pessoa Idosa (Lei n. 8.842, de 4 de janeiro de 1994). Segundo seu art. 1º, é 
preciso “[...] assegurar os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia, 
integração e participação efetiva na sociedade“ (Brasil, 1994).
•	 Programa Nacional de Cuidadores das Pessoas Idosas (Portaria Interministerial MPAS/MS 
n. 5.153, de 7 de abril de 1999). Cria alternativas que proporcionem às pessoas idosas melhor 
qualidade de vida. 
•	 Advertências e recomendações sobre usos de medicamentos (Lei n. 8.926, de 9 de agosto de 1994). 
Esta torna obrigatória a inclusão, nas bulas de medicamento, de advertências e recomendações 
sobre seu uso por pessoas com mais de 65 anos. 
•	 Acompanhante hospitalar de pacientes (Portaria MS/GM n. 280, de 8 de abril de 1999). Torna 
obrigatória em todos os hospitais a presença do acompanhante de pacientes maiores de 60 anos, 
quando internados.
•	 Normas de funcionamento de serviços de atenção à pessoa idosa no Brasil (Portaria MPAS/Seas 
n. 73, de 10 de maio 2001). Estabelece normas de funcionamento de serviços de atenção à pessoa 
idosa no Brasil.
•	 Normas para cadastramento de centros de referência em assistência à saúde da pessoa idosa 
(Portaria MS/SAS n. 249, de 16 de abril de 2002). Aprova normas referentes ao cadastramento de 
centros de referência em assistência à saúde da pessoa idosa. 
•	 Redes estaduais de assistência à saúde da pessoa idosa (Portaria MS/GM n. 702, de 16 de abril de 
2002). Cria mecanismos para organização e implantação de redes estaduais de assistência à saúde 
da pessoa idosa. 
89
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
•	 Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para o tratamento da osteoporose (Portaria MS/SAS 
n. 470, de 24 de julho de 2002). Contém o conceito geral da doença e esquemas terapêuticos 
preconizados para o tratamento da osteoporose.
•	 Plano de Ação Internacional para o Envelhecimento (ONU, 2002). Criado com o objetivo de 
garantir que, em todas as partes, a população possa envelhecer com segurança e dignidade. 
•	 Programa de Assistência aos Portadores da Doença de Alzheimer (Portaria MS/GM n. 703, de 16 de 
abril de 2002). Determina que o tratamento da doença de Alzheimer deve ser realizado conforme 
o protocolo clínico e diretrizes terapêuticas publicados pela Secretaria de Assistência à Saúde. 
•	 Estatuto da Pessoa Idosa (Lei n. 10.741, de 1º de outubro de 2003). Além de assegurar os direitos à 
população idosa, garantindo prioridades e proporcionando seu bem-estar, determina penas para 
crimes realizados contra as pessoas idosas. 
•	 Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (Decreto n. 5.109, de 17 de junho de 2004). Dispõe 
sobre a composição, a estruturação, as competências e o funcionamento desse conselho (CNDI).
•	 Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (2004). Estipula princípios e diretrizes 
para promover a atenção à saúde da mulher na terceira idade. 
•	 Plano de Ação para o Enfrentamento da Violência Contra a Pessoa Idosa. Criado pela Subsecretaria 
de Direitos Humanos (2005), fixa ações de prevenção e enfrentamento da violência contra a 
pessoa idosa.
•	 Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (Portaria n. 2.528/2006). Objetiva recuperar, manter 
e promover a autonomia e a independência da pessoa idosa, direcionando medidas coletivas e 
individuais de saúde para esse fim, em consonância com os princípios e diretrizes do SUS. 
•	 Pacto pela Saúde 2006 (Portaria MS/GM n. 399, de 23 de fevereiro de 2006). Nesse documento, 
a saúde da pessoa idosa aparece como uma das seis prioridades pactuadas entre as três esferas 
de governo. 
•	 Política Nacional de Atenção Básica – PNAB (Portaria MS/GM n. 648, de 29 de março de 2006). 
Dispõe a revisão de diretrizes e normas para a organização da Atenção Básica para o Programa 
de Saúde da Família. A saúde da pessoa idosa é uma das áreas definidas como estratégicas para a 
operacionalização da Atenção Básica no que se refere à atuação em todo o território nacional. 
•	 Dia Nacional da Pessoa Idosa (Lei n. 11.433, de 28 de dezembro de 2006). Institui o dia 1º de 
outubro como o Dia Nacional da Pessoa Idosa. 
•	 Benefício de Prestação Continuada – BPC (Decreto n. 6.214, de 26 de setembro de 2007). 
Regulamenta o BPC da assistência social devido à pessoa idosa.
90
Unidade I
•	 Lista Brasileira de Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (Portaria MS/SAS 
n. 221, de 18 de abril de 2008). Na lista, constam doenças comuns em pessoas idosas, tais como 
pneumonia, hipertensão e diabetes.
•	 Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (Portaria MS/GM n. 1944, de 28 de 
agosto de 2009). Está alinhada com a Política Nacional de Atenção Básica e com as estratégias 
de  humanização em saúde.
•	 Plano de Ação sobre a Saúde das Pessoas Idosas, incluindo o envelhecimento ativo e saudável, 
promovido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Washington, 2009. Nesse plano, 
abordam-se as necessidades de saúde cada vez maiores da população, que está envelhecendo 
rapidamente na América Latina e no Caribe.
•	 Fundo Nacional da Pessoa Idosa (Lei n. 12.213, de 20 de janeiro de 2010). Institui o financiamento 
de programas e as ações relativas à pessoa idosa. 
•	 Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para a Doença de Parkinson (Portaria MS/SAS n. 228, 
de 11 de maio de 2010). O protocolo contém o conceito geral da doença e os critérios de 
inclusão/exclusão de pacientes no tratamento. 
•	 Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o Tratamento da Doença de Alzheimer (Portaria 
MS/SAS n. 491, de 24 de setembro de 2010). Traz o conceito geral da doença de Alzheimer, os 
critérios de diagnóstico, os critérios de inclusão e de exclusão. 
•	 Programa Nacional de Imunizações (Portaria n. 3.318, de 28 de outubro de 2010). Institui, em 
todo o território nacional, os calendários de vacinação da criança, do adolescente, do adulto e da 
pessoa idosa.
A CF e suas revisões posteriores representam um pacto de direitos para os idosos. Por um lado, há 
pressão do neoliberalismo e da longevidade, por outro, ascensão dos movimentos sociais, da aliança 
de vários setores do Estado com esses movimentos e das representações de um envelhecimento ativo, 
digno e participativo.
O Brasil está vivenciando uma transição para o reconhecimento, no contexto democrático, dos 
direitos da pessoa idosa enquanto sujeito de direitos à cobertura das necessidades, à dignidade, à 
velhice, à proteção e ao protagonismo (Faleiros, 2008). A CF foi consolidada, rompendo-se com uma 
representação de velhice sem produção e incapaz, com um dispositivo filantrópico para as pessoas idosas.
 Lembrete
A CF 1988 assegurou e regulamentou os direitos da pessoa idosa por 
meio da Loas (Brasil, 1993). 
91
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
É preciso destacar que a CF evidenciou a cobertura das necessidades por meio da proteção social, 
exposta pela seguridade social. A seguridade, na própria legislação, está definida como direito à 
assistência, à previdência e à saúde, com ações dos poderes públicos e da sociedade, que devem 
conformar um conjunto integrado (Brasil, 1988, art. 194). 
A proteção social, no âmbito da assistência social, implica a garantia de renda e de serviços 
especializados, conforme a Loas (2003) e a PNAS (2004).
De acordo com a Loas, em seu art. 2º, a assistência social tem entre seus objetivos a proteção 
“à família, à maternidade, à infância,antigas
As grandes civilizações de maneira geral compreendiam a infância como propriedade do pai, a 
criança era objeto, serva exclusiva da vontade dele.
Na Grécia antiga, era explícito o tratamento de inferioridade aplicado às crianças. “Aristóteles 
descreveu a criança como um ser irracional, portador de uma avidez próxima da loucura, com capacidade 
natural para adquirir razão do pai ou do educador” (Lima, 2001, p. 11-12).
No sistema social grego, apenas os meninos poderiam alcançar o título de cidadão. As mulheres, 
independentemente da idade, deveriam, sob o comando do chefe da família, ocupar-se apenas das 
atividades domésticas, do culto ao lar.
Em razão das guerras e conquistas militares que marcaram a civilização grega, os meninos, 
quando atingiam a puberdade, eram separados de suas famílias para ingressar em um rígido sistema 
de educação. Eram-lhes ministradas atividades que cultuavam o corpo e a mente, quase sempre com 
intenções militares. Os jovens tinham uma relação de submissão ao seu mestre (este, um cidadão 
grego, muito mais velho), com quem mantinham relações íntimas.
No Império Romano, o pátrio poder era absoluto. O filho não emancipado poderia, pela simples 
vontade de seu pai, ser vendido, ou mesmo morto, uma vez que era sua propriedade.
Na Idade Média, o modo de produção era o feudalismo, no qual a família era, igualmente, 
comandada pelo pai, o chefe da família. Observou-se, num primeiro momento, que a figura da criança e 
do adolescente não estava presente na estrutura social medieval, ou seja, não havia distinção clara das 
peculiaridades da criança e do adulto, reservando-lhes a posição de “adultos em miniatura”. Não havia 
sentimento quanto à infância, ou seja, as crianças não eram consideradas.
O destino das crianças estava traçado de acordo com a sua casta social. Aos filhos dos servos, era 
certa a função de dar continuidade dos serviços dos pais em atendimento aos mesmos senhores feudais. 
Os filhos dos senhores, por sua vez, deveriam passar por um austero sistema religioso e educacional, 
para, em seguida, concretizarem o casamento comercializado pelos pais. Os jovens que não observassem 
os costumes eram recriminados socialmente e tidos como cristãos infiéis. 
A Idade Moderna ficou marcada pelo fim do sistema feudal e o início do mercantilismo. As mudanças 
sociais desse período permitiram maior espaço para a infância na sociedade.
Enquanto durante toda a Idade Média apenas o filho primogênito herdava nomes e títulos, carregando 
sozinho a responsabilidade de perpetuação da família, e as filhas eram destinadas aos conventos ou ao 
casamento; ao longo da Idade Moderna, a situação dos demais filhos foi, aos poucos, sendo equilibrada.
Nessa sociedade a educação tornou-se um dos pontos importantes na vida da criança, pois ela 
prorroga a duração da infância. Todavia, até o século XVII, a escolarização foi monopólio do sexo 
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DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
masculino. Às meninas eram destinados os ensinamentos domésticos, e até mesmo aquelas de famílias 
nobres eram semianalfabetas (Aries, 1981, p. 189-190).
Assim, o destino das meninas era o casamento, e a infância feminina era mais curta em relação 
à masculina.
A Idade Moderna se iniciou com a Tomada da Bastilha (1789) e está presente até hoje. A partir dessa 
época, a criança e o adolescente ficaram em destaque na sociedade, ocupando, de um lado, a posição 
de mão de obra barata e, de outro, o de impulsionadores da economia, na medida em que compreendem 
importante público de consumo. 
O sistema educacional obtém notoriedade dentro da sociedade contemporânea, porém no início a 
escola se assemelhava a um centro de correção de caráter.
A família e a escola retiraram juntas a criança da sociedade dos adultos. A escola confinou uma 
infância outrora livre num regime disciplinar cada vez mais rigoroso, que nos séculos XVIII e XIX 
resultou no enclausuramento total no internato. A solicitude da família, da Igreja, dos moralistas 
e dos administradores privou a criança da liberdade que ela gozava entre os adultos. Infligiu-lhe o 
chicote, a prisão, em suma, as correções reservadas aos condenados das condições mais baixas 
(Aries, 1981, p. 277-278).
A divisão e a organização do trabalho, típicas do sistema capitalista, implicaram novas atribuições a 
crianças e adolescentes, tornando-os fontes de exploração e consumo.
A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra após a segunda metade do século XVIII, teve como 
grande reflexo social a exploração do trabalho operário, em especial o trabalho infantil. Crianças muito 
novas eram submetidas a extensas jornadas de trabalho, mais de quinze horas diárias, sendo expostas a 
inúmeros acidentes.
1.2 A infância no Renascimento – séculos XIV‑XVI
No Renascimento (meados do século XIV e fim do século XVI), não havia o conceito específico de 
infância, ela era considerada um período de transição sem importância, não havia instituições escolares 
e os educadores ministravam aulas em lugares públicos, igrejas, mercados, praças etc. para grupos de 
estudantes que não se dividiam por idade.
No decorrer do século XVII, a escolarização foi iniciada devido ao surgimento da escola, o processo 
era caracterizado em turma ou série, as crianças foram separadas dos adultos e enclausuradas em 
espaços chamados de quarentena. Entretanto o conceito de infância ainda não era claro, somente no 
final do século começou a mudar em decorrência da Igreja, da família no processo de escolarização, das 
descobertas sobre as práticas de higiene e de vacinação, que aumentaram a expectativa de vida.
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12
Unidade I
A evolução na percepção da criança foi adquirindo sentido devido à preocupação relativa à saúde 
física e à higiene, reduzindo a mortalidade infantil. Com isso, ela se torna destaque e é reconhecida 
merecedora de orientação e educação.
1.3 A infância no período de colonização pelos portugueses
Segundo Melo (2020), oficialmente, a história do Brasil começa com o seu “descobrimento” em 1500, 
apenas 30 anos depois se iniciaria o processo de colonização pelos portugueses, no qual um número 
majoritário de homens e algumas mulheres se dispuseram a aventurar-se nas águas do Atlântico rumo 
ao “Novo Mundo”, entretanto muitos desconhecem que:
 
nas embarcações lusitanas do século XVI havia certa quantidade de crianças 
na tripulação, as crianças subiam a bordo somente na condição de grumetes 
ou pajens, como órfãs do rei enviadas ao Brasil para se casar com os súditos 
da Coroa ou como passageiros embarcados em companhia dos pais ou de 
algum parente. Essas crianças navegavam em condições extremamente 
adversas; ao longo da viagem, sofriam abusos sexuais de marujos rudes 
e violentos. Muitas eram levadas como escravas por navios piratas, sendo 
entregues à prostituição e, quando não, acabavam morrendo de exaustão. 
A viagem era marcada por uma dramática história de violência sexual, 
trabalhos forçados e riscos constantes de falecimento, sendo poucas as 
crianças que sobreviviam e chegavam ao Brasil (Melo apud Ramos, 2015, p. 19).
Nesse período era evidente que essas crianças tinham fragilidades. Apesar de necessitarem de 
cuidados e proteção, já enfrentavam o inverso do tratamento merecido, pois não eram vistas como 
crianças, e sim adultos em corpos infantis, caracterizando um retrato real da ausência da percepção do 
adulto sobre a infância no mundo ocidental.
Durante o período de colonização, tivemos uma realidade um tanto diferente, com novos personagens 
históricos, agora não pajens ou grumetes,à adolescência e à velhice” (inciso I) e “a garantia de um salário 
mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e à pessoa idosa que comprovem 
não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família” (Brasil, 2017). 
Entre os benefícios mais importantes proporcionados pela CF, destaca-se o BPC, regulamentado 
em seu art. 20, que consiste no repasse de um salário mínimo mensal dirigido às pessoas idosas e às 
portadoras de deficiência que não tenham condições de sobrevivência, tendo como princípio central 
de elegibilidade a incapacidade para o trabalho com o objetivo da universalização dos benefícios, a 
inclusão social (Gomes, 2011).
A proteção se efetiva pela garantia de renda às pessoas idosas mais pobres. No entanto, o 
conceito de proteção envolve não somente a renda, como serviços, que devem ser prestados de 
forma integrada, descentralizada e participativa, não só para o enfrentamento da pobreza como para 
“provimento de condições para atender contingências sociais e à universalização dos direitos sociais” 
(Brasil, 1988, art. 2º).
De acordo com a Loas, em seu art. 1º: 
 
A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é política 
de seguridade social não contributiva, que provê os mínimos sociais, 
realizada através de um conjunto integrado de ações, de iniciativa pública 
e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas 
(Brasil, 1993). 
Assim, a assistência social se coloca no patamar de igualdade, ou seja, sem contrapartidas ou 
contribuições prévias. Como política não contributiva, é constituída como uma obrigação do Estado 
em prol dos necessitados, que devem alcançar um patamar de vida mais digna. Deve haver estímulo 
à integração ao mercado de trabalho e, assim, tentar reduzir as situações de desemprego, a falta de 
qualificação profissional, a deficiência e a falta de lazer (Leite, 2011).
Os benefícios de assistência social são um direito de quem dela necessitar, independentemente de 
contribuição à seguridade social, conforme prevê o art. 203, V (Brasil, 1988). A regulamentação desse 
benefício foi efetivada pela Lei n. 8.742/1993, conhecida como Loas, e pelo Decreto n. 1.744/1995, 
dispositivos que fixaram os seguintes requisitos para concessão: ser portador de deficiência ou ter 
idade mínima de 65 anos (se a renda familiar mensal for inferior a um quarto do salário mínimo); 
92
Unidade I
não estar vinculado a nenhum regime de Previdência Social e não receber benefício de espécie alguma, 
salvo o de assistência médica, e comprovar não possuir meios de prover a própria manutenção nem 
de tê-la provida por sua família (Brasil, 1993). 
No art. 23 da Loas (Brasil, 1993), reafirma-se a proteção, por meio de serviços que nada mais são do 
que “atividades continuadas que visem à melhoria de vida da população e cujas ações, voltadas para 
as necessidades básicas, observem os objetivos, princípios e diretrizes estabelecidas nesta lei”, inclusive 
“programas de amparo às pessoas que vivem em situação de rua” (incluído pela Lei n. 11.258, de 2005).
A proteção se vincula a um sistema de garantias de direitos, com participação da sociedade e dos 
sujeitos de direitos.
 Observação
Na PNAS de 2004, a proteção é definida como segurança de rendimento, 
autonomia, convívio ou vivência familiar, cuidados e serviços e de projetos 
em rede.
A proteção se dispõe em rede e supõe um sistema, embora sistema e rede sejam formas distintas de 
organização, como já estudamos neste livro-texto.
A Loas assinala ainda que “os programas serão definidos pelos respectivos Conselhos de Assistência 
Social, obedecidos os objetivos e princípios que regem esta lei, com prioridade para a inserção profissional 
e social” (Brasil, 1993, art. 24).
Nos últimos anos, as instituições governamentais brasileiras, organismos da sociedade civil e 
movimentos sociais conquistaram uma gama de leis, decretos, propostas e medidas que estabeleceram 
direitos voltados para a pessoa idosa, referenciados pelas diretrizes internacionais – Plano de Ação 
Internacional sobre o Envelhecimento (ONU, 2002). Contabilizam-se conquistas democráticas 
importantes, como a criação do CNDPI (Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, 2002) e a 
elaboração e publicação do Estatuto da Pessoa Idosa (2003), que regulamenta os direitos das pessoas 
com idade igual ou superior a 60 anos.
Entre 2006 e 2011, foram realizadas no Brasil três conferências nacionais de direitos da pessoa idosa, 
que contaram, de forma progressiva, com uma expressiva participação da sociedade civil e do governo.
Em relação à definição de políticas públicas e planos setoriais propostos de forma conjunta (governo 
e sociedade), destacam-se: 
•	 Política Nacional de Prevenção a Morbimortalidade por Acidentes e Violência (2001). 
•	 Plano de Ação para o Enfrentamento da Violência Contra a Pessoa Idosa (2004). 
•	 Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (2006). 
•	 II Plano de Ação para o Enfrentamento da Violência Contra a Pessoa Idosa (2007).
93
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
De forma concomitante, busca-se o fortalecimento da Rede Nacional de Proteção e Defesa dos 
Direitos da Pessoa Idosa por meio das seguintes ações: Programa Bolsa-Família, Programa Brasil Sem 
Miséria e Programa Minha Casa Minha Vida. Em resposta às demandas da sociedade civil, o governo 
federal propõe uma série de serviços e programas de atendimento às pessoas idosas. A fim de dar voz 
às vítimas que tiveram e têm seus direitos violados, foi implantado em 2011 o módulo pessoa idosa do 
Disque Direitos Humanos (DDH 100).
Conforme Silva (2007), o direito da pessoa idosa deve ser compreendido de forma abrangente, não 
apenas como políticas para os maiores de 60 ou 65 anos, mas de maneira que todos possam ter direitos, 
sendo que a pessoa idosa deve ter o direito de envelhecer, de manter-se vivo, o direito à integração e 
à independência, os direitos a novos padrões de mercado, consumo, trabalho e também direitos que 
devem ser gozados antes da velhice e para que cada indivíduo tenha a capacidade de preparar-se para 
o futuro com dignidade e respeito.
3.5.1 Política Nacional da Pessoa Idosa
A CF, em seu art. 230, inovou ao exigir a efetiva proteção à pessoa idosa por parte do Estado, da 
sociedade e da família. A velhice digna é um direito humano fundamental, trata-se de expressão do 
direito à vida com dignidade.
Instituída pela Lei n. 8.842/1994 (Brasil, 1994) e regulamentada pelo Decreto n. 1948/1996, a 
PNI ampliou significativamente os direitos das pessoas idosas, já que, desde a Loas, as prerrogativas 
de atenção a esse segmento haviam sido garantidas de forma restrita. De fato, surgiu num cenário de 
crise no atendimento à pessoa idosa, exigindo uma reformulação em toda estrutura disponível 
de responsabilidade do governo e da sociedade civil (Costa, 1996). 
Essa política está norteada por cinco princípios:
 
I – a família, a sociedade e o Estado têm o dever de assegurar à pessoa idosa 
todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na comunidade, 
defendendo sua dignidade, bem-estar e o direito à vida; 
II – o processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral, devendo 
ser objetivo de conhecimento e informação para todos; 
III – a pessoa idosa não deve sofrer discriminação de qualquer natureza;
IV – a pessoa idosa deve ser o principal agente e o destinatário das 
transformações a serem efetivadas através dessa política; 
V – as diferenças econômicas, sociais, regionais e, particularmente, as 
contradições entre o meio rural e o urbano do Brasil deverão ser observadas 
pelos poderes públicos e pela sociedade em geral na aplicação dessa lei 
(Brasil, 1994, art. 3º). 
94
Unidade I
Ao analisar os princípios, pode-se afirmar que a lei atende à moderna concepção de assistência 
social como política de direito, o que implica não apenas a garantia de uma renda, mas também vínculos 
relacionais e de pertencimento que assegurem mínimosde proteção social, visando à participação, à 
emancipação e à construção da cidadania e de um novo conceito social para a velhice.
Ainda segundo esses princípios, combinam-se as dimensões de assegurar direitos e de exercer o 
protagonismo ou a participação na definição de políticas de envelhecimento.
Portanto, a PNI veio normatizar os direitos sociais das pessoas idosas, garantindo autonomia, 
integração e participação efetiva como instrumento de cidadania. Tem como objetivo criar condições 
para  promover a longevidade com qualidade de vida, colocando em prática ações voltadas não 
apenas para os que estão velhos, mas também para aqueles que vão envelhecer, procurando impedir 
qualquer forma de discriminação contra a pessoa idosa, pois ela é a principal agente e a destinatária das 
transformações a serem efetivadas através dessa política.
A lei é composta de 22 artigos, estruturados nos seguintes capítulos: 
•	 Capítulo 1 – “Da Finalidade”.
•	 Capítulo 2 – “Dos Princípios e das Diretrizes”.
•	 Capítulo 3 – “Da Organização e Gestão”.
•	 Capítulo 4 – “Das Ações Governamentais”.
•	 Capítulo 5 – “Do Conselho Nacional”. 
•	 Capítulo 6 – “Das Disposições Gerais”. 
A finalidade da lei é assegurar os direitos sociais da pessoa idosa, criando condições para promover 
sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade (Brasil, 1994, art. 1º). 
Para a PNI, é considerada idosa a pessoa maior de 60 anos de idade (art. 2º). Ela reafirma os preceitos 
elencados pela CF, elegendo a família, a sociedade e o Estado como responsáveis pela efetiva participação 
da pessoa idosa na comunidade, bem como na defesa de sua dignidade e bem-estar e direito à vida 
(Brasil, 1994, art. 3º, I). 
A PNI é explícita quanto ao processo de envelhecimento como um fenômeno social. Assim, todos 
devem ter informações sobre esse processo (Brasil, 1994, art. 3º, II).
95
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Leia a seguir as diretrizes a serem observadas pelos responsáveis (família, sociedade e Estado): 
 
Art. 4º.
I – viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio da 
pessoa idosa que proporcionem sua integração às demais gerações; 
II – participação da pessoa idosa, através de suas organizações representativas, 
na formulação, na implementação e na avaliação de políticas, planos, 
programas e projetos a serem desenvolvidos; 
III – priorização do atendimento a pessoa idosa através de suas próprias 
famílias, em detrimento do atendimento asilar, à exceção das pessoas idosas 
que não possuam condições que garantam sua própria sobrevivência; 
IV – descentralização político-administrativa; 
V – capacitação e reciclagem dos recursos humanos nas áreas de geriatria e 
gerontologia e na prestação de serviços; 
VI – implementação de sistema de informações que permita a divulgação da 
política, dos serviços oferecidos, dos planos, dos programas e dos projetos 
em cada nível de governo; 
VII – estabelecimento de mecanismos que favoreçam a divulgação de 
informações de caráter educativo sobre os aspectos biopsicossociais 
do envelhecimento;
VIII – priorização do atendimento a pessoa idosa em órgãos públicos e 
privados prestadores de serviços, quando desabrigados e sem família; 
IX – apoio a estudos e pesquisas sobre as questões relativas ao 
envelhecimento. 
Parágrafo único. É vedada a permanência de portadores de doenças que 
necessitem de assistência médica ou de enfermagem permanente em 
instituições asilares de caráter social (BRASIL, 1994).
A PNI foi publicada no governo Itamar Franco e regulamentada pelo Decreto n. 1.948. Nesse 
decreto, foram estabelecidas as funções de cada órgão implicado na PNI, numa ótica de competências 
gerenciais, cabendo ao então MPAS coordenar essa política.
96
Unidade I
O Decreto n. 1.948/1996 (Brasil, 1996a) esvazia, de certo modo, importantes diretrizes de participação 
previstas na PNI, como se destaca a seguir, assinalando-se aquelas presentes na lei e não contempladas 
no referido decreto: 
•	 A participação da pessoa idosa e a integração intergeracional (o decreto menciona apenas o 
estímulo ao ingresso na universidade). 
•	 A participação da pessoa idosa, de sua família e de entidades na formulação de políticas (o 
decreto menciona apenas o estímulo à participação da pessoa idosa no controle social dos 
conselhos de saúde). 
•	 A descentralização político-administrativa. 
•	 A adequação de currículos (o decreto menciona apenas a inclusão de disciplinas de gerontologia 
e geriatria nos currículos dos cursos superiores). 
•	 A implementação de um sistema de informação para divulgar a política para pessoa idosa. 
•	 A execução dos conselhos da pessoa idosa (o decreto remete-se apenas ao Conselho Nacional 
da Seguridade Social e aos conselhos setoriais, aos quais compete, no âmbito da seguridade, a 
formulação, a coordenação, a supervisão e a avaliação da PNI).
Assim, o decreto foi, de certa forma, um retrocesso à lei de 1994.
A proteção social se coloca como direito e garantia da longevidade e da dignidade, mas entra em 
contradição com o desmonte neoliberal do Estado de direito. A adequação das instituições à realidade 
do envelhecimento está ocorrendo de forma muito lenta e ainda faltam condições para a aplicação da 
legislação. Essa legislação possibilita a consciência da cidadania em todas as idades, mas precisa ser 
efetivada no pacto federativo e na intersetorialidade com trabalhos em rede.
3.5.2 Estatuto da Pessoa Idosa
Criado pela Lei n. 10.741, de 1º de outubro de 2003, estabelece prioridade absoluta às normas 
protetivas à pessoa idosa, elencando novos direitos e definindo vários mecanismos específicos 
de proteção, que vão desde precedência no atendimento ao permanente aprimoramento de suas 
condições de vida até a inviolabilidade física, psíquica e moral.
O Estatuto assegura e regulamenta os direitos a todos os cidadãos a partir dos 60 anos de idade, 
fixando deveres e medidas de punição. É a forma legal de maior potencial da perspectiva de proteção e 
regulamentação dos direitos da pessoa idosa.
97
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Observe a seguir o que a lei evidencia:
 
Art. 1º. É instituído o Estatuto da Pessoa Idosa, destinado a regular os direitos 
assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. 
Art. 2º. A pessoa idosa goza de todos os direitos fundamentais inerentes 
à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta lei, 
assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades 
e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu 
aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de 
liberdade e dignidade (Brasil, 2003). 
Em suas normas, encontram-se preceitos amplamente debatidos pela sociedade, revelando um 
caráter protetivo dos direitos fundamentais da parcela da população com idade igual ou superior a 
60 anos, cuja situação sempre foi extremamente precária, por exemplo, obtenção de aposentadoria, 
dificuldade de transportes ou falta de recursos básicos para sobrevivência, como moradia, saúde, lazer 
e educação (Mendonça, 2008).
O Estatuto corrobora os princípios que nortearam as discussões sobre os direitos humanos 
da  pessoa idosa. Trata-se de uma conquista para a efetivação de tais direitos, especialmente por 
tentar proteger e formar uma base para a reivindicação de atuação de todos (família, sociedade e 
Estado) para o amparo e o respeito às pessoas idosas.
No art. 3º, destacam-se as obrigações familiares e sociais em relação à pessoa idosa. 
 
É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Estado 
assegurar à pessoa idosa a efetivação dos direitos à vida, à educação, 
à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à 
cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e 
comunitária (Brasil, 2003).
O grande avanço do Estatuto está na previsão do estabelecimento de crimes e sanções 
administrativas para o não cumprimentodos ditames legais, cabendo ao Ministério Público agir para 
a sua garantia.
No art. 4º, ressalta-se que é proibido qualquer tipo de discriminação, violência, negligência ou 
crueldade que atinja ou afronte os direitos da pessoa idosa, seja por ação, seja por omissão, e, se isso 
acontecer, há punição prevista em lei. Aqueles que não cumprirem com esse dever serão responsabilizados, 
sejam pessoas físicas, sejam pessoas jurídicas; essa responsabilidade não é apenas criminal, mas também 
civil (Brasil, 1993).
De acordo com Freitas (2006), após a promulgação do Estatuto, passou a ser mandatória pelos 
profissionais de saúde a comunicação à autoridade competente de qualquer suspeição ou confirmação de 
98
Unidade I
maus-tratos testemunhados (art. 19) por eles, com consequências judiciais e administrativas em caso de 
não prestarem as devidas informações. 
Os arts. 8º e 9º versam sobre o direito à vida, fixando a obrigatoriedade do Estado em garantir 
à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde por meio de políticas sociais públicas que permitam um 
envelhecimento saudável e digno: “[...] é obrigação do Estado garantir à pessoa idosa a proteção à vida 
e à saúde, mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e 
em condições de dignidade” (Brasil, 2003).
O Estatuto busca, portanto, a promoção e a regularização dos direitos da pessoa idosa em seus 
desdobramentos, tais como a saúde, a assistência e a educação, que passam a ser consideradas prioridade 
diante desse segmento.
No art. 10 são assegurados à pessoa idosa, como pessoa humana e sujeito de direitos civis, políticos, 
individuais e sociais, contidos na CF e demais leis, a liberdade, o respeito e a dignidade (Brasil, 2003). 
O Estatuto destaca a participação na vida familiar, comunitária e política como uma dimensão do 
direito à liberdade, mas é preciso considerar que a experiência e o exercício da política implicam o direito 
de votar e de ser votado, de ser politicamente ativo, de intervir nas organizações e nas manifestações 
políticas. Fica evidente nessa lei a descentralização das políticas para o envelhecimento, com maior peso 
para as municipalidades, inclusive na criação dos conselhos de direitos da pessoa idosa. 
O Estatuto veio priorizar tanto seu atendimento de um modo geral, como também aquela clientela 
que já apresenta algum grau de dependência. É com essas ações fundamentais de prevenção secundária, 
de reabilitação, de promoção da saúde, além do cuidado e do tratamento, que é possível garantir melhor 
qualidade de vida para pessoas idosas na vida em família e em sociedade.
De acordo com Freitas (2006), os casos de suspeita ou de confirmação de maus-tratos contra a 
pessoa idosa serão obrigatoriamente comunicados pelos profissionais de saúde a quaisquer dos 
seguintes órgãos:
•	 Autoridade policial.
•	 Ministério Público.
•	 Conselho Municipal da Pessoa Idosa.
•	 Conselho Estadual da Pessoa Idosa.
•	 Conselho Nacional da Pessoa Idosa. 
99
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
No que diz respeito à assistência social, acentua-se: 
 
Art. 34. Aos idosos, a partir de 65 anos, que não possuam meios para 
prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família, é assegurado 
o benefício mensal de um salário mínimo, nos termos da Lei Orgânica da 
Assistência Social (Loas). 
Parágrafo único. O benefício já concedido a qualquer membro da família 
nos termos do caput não será computado para os fins do cálculo da renda 
familiar per capita a que se refere a Loas (Brasil, 2003).
O resultado imediato desse artigo foi a redução da idade mínima para o requerimento do benefício 
assistencial de 67 para 65 anos, o que foi implantado já em 2004. Em resumo, o BPC tem a função de 
repor renda para os que perderam a capacidade laborativa.
Segundo Veras, “A questão social da pessoa idosa, face à sua dimensão, exige uma política ampla 
e articulada entre os vários órgãos de governo e organização não governamental” (Veras, 2003, p. 14).
Assim, com o aumento da expectativa de vida, criaram-se novas demandas para as políticas públicas. 
No que diz respeito à saúde, podem surgir algumas doenças crônicas, tornando-se necessário mais 
atenção e cuidados no âmbito familiar. É preciso haver investimentos e políticas públicas na área da saúde.
Conforme a PNAS de 1998, diante do progressivo envelhecimento populacional, pode-se esperar 
uma redução na demanda de serviços de saúde materno-infantil e um aumento da demanda por 
benefícios previdenciários e assistenciais para o segmento da pessoa idosa. 
 
A evolução da taxa de dependência de idosos aponta para a absoluta 
necessidade de adequar as políticas sociais a um contexto marcado por 
uma população envelhecida. Dentre os problemas a serem inevitavelmente 
gerados por esse processo, tem enorme importância aqueles referentes 
ao sistema de previdência social e ao benefício de prestação continuada 
(PNAS, 1998, p. 35). 
Diante das limitações das políticas sociais e de sua deficiência em garantir os direitos estabelecidos, 
grande parte da atenção à pessoa idosa recai sobre a família, que também tem suas limitações pela 
redução do número de filhos, pela inserção de seus membros no trabalho ou no estudo, e, ainda, 
pelo desemprego. 
Apesar das mudanças na família, as pessoas idosas com 60 anos ou mais ainda são pessoas de 
referência em 64,1% dos domicílios, sendo cônjuges em 23,8% e em outra condição em 12,1% 
(IBGE, 2010). A longevidade junto à família e os novos papéis a serem exercidos pelos seus membros 
implicam maior atenção à fragilidade e à dependência do segmento pessoa idosa e, por consequência, 
o aumento do estresse. Assim, as famílias se apresentam com menos possibilidade de cuidado, em 
contradição às expectativas dos textos legais.
100
Unidade I
Quanto ao direito, em especial os direitos específicos das pessoas idosas, pode-se relacionar o 
atendimento preferencial, imediato e individualizado em órgãos públicos e privados prestadores de 
serviços à população; o direito de ser bem cuidado e atendido por sua própria família, em detrimento 
à internação em asilos; o direito de receber pensão alimentícia de seus familiares e, na ausência 
destes, de ter suas necessidades básicas satisfeitas pelo governo; o direito de receber do poder público, 
gratuitamente, medicamentos e outros recursos relativos ao tratamento de saúde; o direito de não ser 
discriminado nos planos de saúde pela cobrança de valores diferenciados em razão da idade etc. 
O direito das pessoas idosas depende das políticas públicas, que têm por finalidade estabelecer 
metas e encaminhar soluções para resolver problemas sociais nas mais diversas áreas, como educação, 
saúde, assistência social, habitação, lazer, transporte, segurança e meio ambiente. Tais atividades devem 
relacionar o diagnóstico e o planejamento, bem como a execução e a avaliação de ações e políticas 
fixadas pelo governo nas esferas federal, estadual e municipal, de prestação de serviços para a sociedade 
em geral e para as pessoas idosas.
A pessoa idosa goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa, sendo-lhe asseguradas 
todas as oportunidades e facilidades para a preservação de sua saúde física e mental e seu 
aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social. 
No que tange às questões ao seu direito à saúde, a pessoa idosa tem direito a atendimento 
preferencial no SUS e acesso à distribuição gratuita de próteses e remédios, principalmente os de uso 
contínuo. Quanto à saúde privada, os planos de saúde não podem ajustar as mensalidades utilizando 
como critério a idade.
Em situações específicas como a internação, a pessoa idosa tem direito à acompanhante, pelo tempo 
determinado pelo profissional de saúde que o atende. Toda pessoa idosa goza do direito a tratamento 
sem violência ou abandono. Para tal, o Estatuto torna claro que nenhuma pessoa idosa poderá ser 
objeto de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão (Brasil,2003).
 Lembrete
Nos casos de pessoas idosas submetidas a condições consideradas 
desumanas, privação de alimentação e de cuidados indispensáveis, também 
há previsão de penalidade.
O Estatuto inicia um diálogo no tocante às instituições de longa permanência como uma estratégia 
de atendimento à pessoa idosa. 
 
Art. 35. Todas as entidades de longa permanência, ou casa-lar, são obrigadas 
a firmar contrato de prestação de serviços com a pessoa idosa abrigada. 
§ 1º. No caso de entidades filantrópicas, ou casa-lar, é facultada a cobrança 
de participação da pessoa idosa no custeio da entidade. 
101
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
§ 2º. O conselho municipal da pessoa idosa ou o conselho municipal da 
assistência social estabelecerá a forma de participação prevista no § 1º, 
que não poderá exceder a 70% de qualquer benefício previdenciário ou de 
assistência social percebido pela pessoa idosa. 
§ 3º. Se a pessoa idosa for incapaz, caberá a seu representante legal firmar 
o contrato a que se refere o caput deste artigo (Brasil, 2003). 
O art. 46 do Estatuto (Brasil, 2003) acentua que o acolhimento de pessoas idosas em situação de 
risco social, por adultos ou núcleo familiar, caracteriza a dependência econômica, para os efeitos legais.
O Estatuto ainda preceitua: 
 
Art. 49. As entidades que desenvolvam programas de institucionalização de 
longa permanência adotarão os seguintes princípios: 
I – preservação dos vínculos familiares; 
II – atendimento personalizado e em pequenos grupos; 
III – manutenção da pessoa idosa na mesma instituição, salvo em caso de 
força maior; 
IV – participação da pessoa idosa nas atividades comunitárias, de caráter 
interno e externo; 
V – observância dos direitos e garantias das pessoas idosas; 
VI – preservação da identidade da pessoa idosa e oferecimento de ambiente 
de respeito e dignidade. 
Parágrafo único. O dirigente de instituição prestadora de atendimento 
à pessoa idosa responderá civil e criminalmente pelos atos que praticar 
em detrimento a pessoa idosa, sem prejuízo das sanções administrativas 
(Brasil, 2003).
Para a pessoa idosa em condição de institucionalizado, as entidades deverão primar pelo acesso 
e pleno gozo dos direitos das pessoas idosas. Os dirigentes das instituições de atendimento serão 
responsáveis civil e criminalmente pelos atos praticados contra as pessoas idosas sob seus cuidados, 
sendo sujeitos a penalidades.
O Estatuto também garante à pessoa idosa o direito à moradia digna, no âmbito de sua família, ou 
desacompanhado desta, quando ele assim desejar, ou em instituição pública ou privada. Estabelece 
regras de funcionamento e outros direitos no tocante à habitação nos arts. 37 e 38. Descreve que 
102
Unidade I
programas habitacionais públicos ou subsidiados com recursos públicos deverão conceder-lhe 
prioridade na aquisição de imóvel para moradia, observando a acessibilidade à pessoa idosa, 
com reserva de 3% das unidades e critérios de financiamento, de acordo com os rendimentos de 
aposentadoria ou pensão (Brasil, 2003).
Diante desse prisma, é obrigatória a reserva de 30% das unidades residenciais para pessoas idosas 
nos programas habitacionais públicos ou subsidiados com recursos públicos.
É assegurado a pessoa idosa o acesso à justiça, com prioridade na tramitação dos processos e 
procedimentos e na execução dos atos de diligências judiciais em que configure como parte ou 
interessado pessoa com idade igual ou superior a 60 anos em qualquer instância; a prioridade não 
cessará com a morte do beneficiário, estendendo-se em favor do cônjuge ou companheiro (Brasil, 2003).
Apesar da importância dos aspectos explícitos no Estatuto, Neri (2007), ao analisar as políticas 
de atendimento aos direitos da pessoa idosa expressos nesse marco legal, concluiu que o documento 
é revelador de uma ideologia negativa da velhice, na qual o envelhecimento é compreendido por perdas 
físicas, intelectuais e sociais, negando análise crítica, dependendo, principalmente, do estilo de vida e 
do ambiente ao qual a pessoa idosa foi exposto ao longo do seu desenvolvimento e de sua maturidade. 
Assim, Neri (2007) ressalta que políticas de proteção social, baseadas em suposições e generalizações 
indevidas, podem contribuir para o desenvolvimento ou a intensificação de preconceitos negativos 
e para a ocorrência de práticas sociais discriminatórias em relação às pessoas idosas. A consideração 
dos direitos das pessoas idosas deve ocorrer no âmbito da noção de universalidade do direito de 
cidadãos de todas as idades à proteção social quando se encontrarem em situação de vulnerabilidade. 
O Estatuto representa uma mudança, pois amplia o sistema protetivo dessa camada da sociedade, 
caracterizando verdadeira ação afirmativa em prol da efetivação da igualdade material, tendo em vista a 
sua relevância para a sociedade atual e para a futura, sendo extremamente necessária a conscientização 
da população no sentido de respeitar os direitos, a dignidade e a sabedoria de vida desse público tão 
vulnerável e até bem pouco tempo desprezado pela sociedade (Mendonça, 2008).
Em julho de 2022, o Estatuto do Idoso alterou a nomenclatura para Estatuto da Pessoa Idosa, pela 
Lei n. 14.423 de 2022. Seu conteúdo se manteve, mas todos os serviços, programas, projetos, benefícios 
e o atendimento passaram a ser realizados considerando a nova nomenclatura – Pessoa Idosa.
4 A SINGULARIDADE DA PROTEÇÃO FRENTE A SITUAÇÕES DE VIOLAÇÃO DE 
DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
4.1 Violação de direitos e violências contra criança e adolescente
A Unicef visa a proteção de crianças e adolescentes contra as violências. Dando visibilidade ao tema, 
influencia mudanças na legislação e nas políticas públicas e apoia serviços de prevenção e resposta 
à violência.
103
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Analisa que as violências contra crianças e adolescentes são um fenômeno complexo e multifacetado, 
ligado a fatores culturais, sociais e econômicos. São praticadas em qualquer contexto geográfico, em 
qualquer classe social, em qualquer idade, e podem partir de pessoas próximas e da confiança das 
crianças e adolescentes.
No Brasil, as violências atingem milhares de meninos e meninas cotidianamente, comprometendo sua 
qualidade de vida e seu desenvolvimento físico, emocional e intelectual. Assim observa-se a importância 
de  entender os conceitos de violências contra crianças e adolescentes para conseguir identificá-las, 
preveni-las e responder a elas. 
Os tipos de violências contra crianças e adolescentes são variados e muitas vezes apresentam 
conceitos diversos. Para facilitar a compreensão do que constitui uma violência, costumamos nos basear 
pelo que diz a legislação nacional, em especial a Lei n. 13.431/2017 (Lei da Escuta Protegida). Assim, a 
área de proteção de crianças e adolescentes contra as violências da Unicef trabalha para:
 
(1) dar visibilidade ao tema da violência, por meio da produção e 
disseminação de conteúdo, da realização de diálogos nacionais e locais e 
a realização de advocacy e parcerias com diversos setores; (2) ofertar apoio 
técnico especializado em nível nacional e local; (3) promover a melhoria 
dos serviços públicos de prevenção e resposta às violências por meio do 
fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos, por exemplo, em sua 
atuação nos municípios inscritos no Selo UNICEF e nas capitais participantes 
das #AgendaCidadeUNICEF (UNICEF, [s.d.]).
Na área de proteção contra as violências, essas ações incluem a realização de ações e/ou campanhas 
para a prevenção das violências, a criação de um mecanismo de coordenação intersetorial para o 
atendimento integrado de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência e de seus 
documentos norteadores, e a promoção do uso do Sistema de Informação para a Infância e Adolescência 
(Sipia) pelos conselheiros tutelares. 
Para que os municípios tenham condições de realizar essas ações e alcançar o resultado de prevençãoe resposta às violências, a Unicef oferta apoio técnico por meio de capacitações, produção de materiais, 
disseminação de informações, ações de mobilização e tira dúvidas.
Diante da complexidade das violências que impactam crianças e adolescentes, a proposta da 
#AgendaCidadeUNICEF é atuar em grandes cidades brasileiras e construir uma iniciativa que integre 
ações e políticas de proteção contra as violências. 
A proposta é que os municípios construam uma agenda positiva ancorada em ações de educação, 
de saúde integral e bem-estar de crianças e adolescentes, de participação cidadã de adolescentes, de 
fortalecimento de mecanismos de proteção e de inclusão socioprodutiva de adolescentes e jovens com 
o intuito de quebrar o ciclo da pobreza, exclusão, racismo e violência.
104
Unidade I
Para contribuir com essas ações, é preciso que todos façam a sua parte, assim é importante 
reconhecer a multidimensionalidade e a multifatoriedade das situações de vulnerabilidade e violência, 
compreendendo como fatores pessoais, sociais, econômicos, culturais e territoriais influenciam 
essas situações.
Isso é fundamental para desnaturalizar a violência contra crianças e adolescentes e para promover 
ações de prevenção que sejam eficazes. Além disso, é preciso fortalecer o SGD para responder às 
violências contra crianças e adolescentes de maneira eficiente.
Conclui que a prevenção deve andar lado a lado com a resposta às violências contra crianças 
e adolescentes, uma vez que uma visa coibir que novos casos aconteçam, enquanto a outra busca 
solucionar incidentes já ocorridos. Logo, prevenção e resposta se complementam e mostram-se 
igualmente importantes na proteção de crianças e adolescentes contra as violências.
Com a pandemia do Covid-19, houve um aumento nos casos de violação dos direitos da criança 
e do adolescente. Quem geralmente denuncia essas violações são professores e cuidadores, mas com 
escolas e creches fechadas, as crianças e os adolescentes passaram a ficar em casa trancados com seus 
agressores, sendo necessárias redes comunitárias e vizinhos para ajudarem nas denúncias.
Em 2020, o Governo Federal mostrou alguns desses dados: a maioria das vítimas são do sexo 
feminino e cerca de 55% negras e 42% brancas. A negligência é o maior fator de violação desses 
direitos, em 39% dos casos. A proporção de denúncias é de 41,3 por 100 mil habitantes. Os estados 
mais populosos estavam no topo da lista: São Paulo com 20,4 mil denúncias, Minas Gerais com 
10,6 mil, Rio de Janeiro com 9 mil e Bahia com 4,5 mil, constaram os maiores números de denúncias 
feitas (Marketing amigos do HC, 2023). 
Segundo o Instituto Alana (2022), os dois anos de pandemia de Covid-19 impactaram a vida de 
crianças e dos adolescentes, muitas foram afetadas em diversas escalas, gerando inúmeros desafios no 
que diz respeito à garantia de seus direitos. Vimos o aumento da pobreza, da fome e de questões de 
saúde mental.
Esse resultado ocasionou o impacto na redução do desempenho escolar e a quebra da convivência 
familiar e social. O Brasil entrou negativamente em evidência no cenário mundial da pandemia, sendo 
o segundo país com mais mortes por Covid-19 de crianças na faixa de 0 a 9 anos.
Os dados apresentados pelo Instituto Alana e o Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário 
(Cepedisa) mostraram que os impactos para essa população poderiam ter sido minimizados não fosse a 
má gestão da pandemia. 
105
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
As implicações dessa gestão ineficiente estão reunidas no Dossiê Infâncias e Covid-19, em que 
é possível compreender quais foram as medidas efetivas adotadas para proteger esse público com 
absoluta prioridade durante a pandemia, os resultados apresentados estão a seguir.
 
O governo federal deixou ações de enfrentamento à pandemia voltadas para 
as crianças por último. Elas tiveram seu direito à saúde negado, quando 
deveriam ser a prioridade. Ainda, elas possuem o direito de ser protegidas 
contra uma doença que pode levar à morte e deixar sequelas. A saúde 
individual e coletiva é uma condição para que elas tenham acesso a outros 
direitos, como à educação e à convivência em sociedade”, destaca Ana 
Claudia Cifali, coordenadora jurídica do Instituto Alana (Alana, 2022).
Segundo o instituto, o dossiê, principalmente no que se refere ao desenvolvimento integral de 
crianças e adolescentes, demostrou que os impactos atingiram o acesso a serviços de saúde, à proteção 
contra outras doenças, à saúde mental, à educação, entre outros destacados na publicação.
Entretanto, os impactos não distribuem por igual as crianças em situação de vulnerabilidade, 
especialmente crianças e adolescentes negros, residentes em comunidades periféricas, indígenas e 
quilombolas, cujas famílias se encontram em situação de pobreza, foram mais expostos à Covid-19.
Segundo Pedro Hantung, diretor de políticas e direitos das crianças do Instituto Alana, os dados 
apresentados não são inéditos, mas, observados em conjunto, buscam oferecer um panorama 
dos  impactos da pandemia nos direitos das crianças e adolescente. Assim, o registro do que ocorreu 
nesses cerca de 18 meses de pandemia é valioso para a reflexão presente e futura (Alana, 2022).
Já os dados do governo federal, Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por meio 
do Disque 100, registram mais de 17,5 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes nos quatro 
primeiros meses de 2023. O aumento é de 68% em relação ao mesmo período do ano passado, há 
maior participação da sociedade na mobilização e denúncia. Sendo a casa da vítima, do suspeito ou 
de familiares o pior cenário, com quase 14 mil violações (Brasil, 2023a).
A divulgação dos números integra as ações da campanha do 18 de maio – Dia Nacional de Combate 
ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, do Ministério dos Direitos Humanos e 
da Cidadania (MDHC). Com o tema “Faça bonito. Proteja nossas crianças e adolescentes”, o objetivo da 
iniciativa é promover a data e sensibilizar a sociedade para ações preventivas e pedagógicas (Brasil, 2023a).
Assim, é necessária a contribuição de toda a sociedade para prevenir e enfrentar os crimes que 
assolam a infância e a adolescência.
O pedido de colaboração feito pelos profissionais da Segurança Pública com atuação em Sergipe é 
compartilhado pelo Governo Federal:
 
106
Unidade I
Denunciem casos de violações contra crianças e adolescentes. O Disque 100 
pode ser acionado por meio de ligação gratuita, WhatsApp (61)99611-0100, 
site da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), videochamada 
em Língua Brasileira de Sinais (Libras), aplicativo Direitos Humanos Brasil, 
Telegram (Alves Júnior, 2023).
Outra iniciativa é a Campanha Faça Bonito, que ocorre de forma digital e divulga postagens sobre 
como identificar abusos por meio de mudanças de comportamentos, incentivo ao diálogo e como as 
crianças e os adolescentes podem se proteger de possíveis ameaças. 
Tem-se assim um universo de violação de direitos e violência contra criança e adolescente, tais como 
(PÊGO, 2014):
•	 Negligência: tipo de violência doméstica que pode se manifestar pela ausência dos cuidados 
físicos, emocionais e sociais em função da condição de desassistência da qual a família é vítima. 
Pode ser expressão de um desleixo.
•	 Abuso/violência física: atos de agressão praticados pelos pais e/ou responsáveis que podem ir de 
uma palmada até o espancamento.
•	 Abuso/violência psicológica: manifestam-se na depreciação da criança ou do adolescente pelo 
adulto, por humilhações, ameaças, impedimentos, ridicularizações, que minam a sua autoestima.
•	 Abuso/violência sexual: geralmente praticados por adultos que gozam da confiança da criança 
ou do adolescente, tendo também a característica de, em sua maioria, serem incestuosos. 
•	 Trabalho infantil: imbuído à condição de pobreza em que vivem suas famílias, necessitam da 
participação dos filhos para complementar a renda familiar, resultando noprocesso de vitimização.
Os dados apresentados mostram que a casa da vítima, do suspeito ou de familiares está entre os 
piores cenários, com quase 14 mil violações. Ainda nos quatro primeiros meses do ano, foram registradas 
763 denúncias e 1,4 mil violações sexuais ocorridas na internet. Em todo o ambiente virtual, houve 
registros de exploração sexual, com 316 denúncias e 319 violações; estupro, com 375 denúncias e 
378 violações; abuso sexual físico, com 73 denúncias e 74 violações; e violência sexual psíquica, com 
480 denúncias e 631 violações (Albuquerque, 2023).
Na casa da vítima ou na casa onde reside a vítima e o suspeito, os números são ainda maiores. 
Houve 837 denúncias e 856 violações de exploração sexual; de estupro, sendo 4,3 mil denúncias e 
4,4 mil violações; 1,4 mil denúncias e 1,4 mil violações de abuso sexual físico; e 2,7 mil denúncias 
e 3,5 mil violações de violência sexual psíquica. No total, 5,7 mil denúncias e 10,3 mil violações 
(Fraga, 2023).
Já na casa de familiares, de terceiro ou do suspeito, os casos de exploração sexual tiveram 
304 denúncias e 312 violações registradas; sendo de estupro, 1,5 mil denúncias e 1,5 mil violações; 
107
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
abuso sexual físico, 480 denúncias e 487 violações; e violência sexual psíquica, com 898 denúncias e 
1,1 mil violações. O total é de 1,8 mil denúncias e 3,5 mil violações (Fraga, 2023).
Também constam entre os cenários das violações sexuais: berçário e creche; instituições de 
ensino; estabelecimentos comerciais; de saúde; órgãos públicos; transportes públicos; vias públicas; 
instituições financeiras; eventos e ambientes de lazer, esporte e entretenimento; local de trabalho da 
vítima ou do agressor; táxi; transporte de aplicativo.
Os dados mostram que ainda há muito para fazer na prática, apesar de existirem legislações que 
asseguram a proteção e os direitos da criança e do adolescente e que todas as ações e divulgações 
contribuem para prevenir e sanar a violência contra as crianças e adolescentes.
4.2 Demandas por atendimento: violência e maus‑tratos contra a pessoa 
idosa
A fragilidade da pessoa idosa pode piorar em situações de abandono ou quando vive sozinha, ficando 
exposta a agressões e a crimes como furto. 
Uma forma bastante comum de violência (especialmente contra mulheres) é o abuso da pessoa 
idosa, cometido por membros da família ou por acompanhantes formais conhecidos da vítima. 
Os maus-tratos contra pessoas idosas ocorrem em famílias de todos os níveis econômicos. Sua 
escala aumenta com mais frequência em sociedades que experimentam problemas econômicos e 
desorganização social, quando a taxa de crime e de exploração tendem a crescer. 
As pessoas idosas tornam-se mais vulneráveis à violência quando precisam de mais cuidados 
físicos ou apresentam dependência física ou mental. Quanto maior a dependência, maior o grau de 
vulnerabilidade. O  convívio familiar estressante e cuidadores despreparados agravam essa situação. 
Apenas recentemente os maus-tratos contra as pessoas idosas passaram a ser reconhecidos como 
violência doméstica.
Conforme a Rede Internacional para a Prevenção do Abuso a Pessoa Idosa, esse abuso é “um ato 
único ou repetido, ou a falta de uma ação apropriada, que ocorre no âmbito de qualquer relacionamento 
em que haja uma expectativa de confiança, que cause danos ou angústia a uma pessoa mais velha” 
(AEA, 1995). 
Ainda de acordo com a Rede Internacional de Prevenção do Abuso a Pessoa Idosa, a OMS elencou 
alguns tipos de violências: abuso físico ou maus-tratos físicos, em que há o uso da força física para 
obrigar as pessoas idosas a fazer algo que não desejam, para feri-los, provocar dor, incapacidade ou 
morte; abuso ou maus-tratos psicológicos, representando agressões verbais ou gestuais com o intuito 
de aterrorizar, humilhar, restringir a liberdade ou isolar do convívio social (AEA, 1995). 
108
Unidade I
Os maus-tratos contra pessoas idosas incluem abuso físico, sexual, psicológico, financeiro, inclusive 
negligência. Por exemplo: negligência (exclusão social e abandono); violação (de direitos humanos, 
legais e médicos); privação (de escolhas, decisões, status, dinheiro e respeito) (OMS, 2005). 
O abuso a pessoa idosa é uma violação dos direitos humanos e uma causa relevante de lesões, doenças, 
perda de produtividade, isolamento e desespero. Em geral, em todas as culturas, é pouco denunciado. 
Combater e reduzir os maus-tratos contra pessoa idosa demandam uma abordagem multisetorial, 
multidisciplinar, que envolve vários atores sociais e instâncias governamentais, órgãos de defesa. 
Nesse contexto, é importante destacar alguns conceitos. 
•	 Negligência: recusa de cuidados necessários as pessoas idosas por parte de responsáveis familiares 
ou institucionais. 
•	 Autonegligência: conduta da pessoa idosa que ameaça sua própria saúde ou segurança, pela 
recusa de prover cuidados necessários a si mesmo. 
•	 Abandono: ausência ou deserção de responsáveis governamentais, institucionais ou familiares de 
prestarem socorro a uma pessoa idosa que precise de proteção e assistência. 
•	 Abuso financeiro: exploração imprópria ou ilegal ou ao uso não consentido pela pessoa idosa de 
seus recursos financeiros e patrimoniais. 
•	 Abuso sexual: ato ou jogo sexual utilizando pessoas idosas. 
 Lembrete
A violência contra a pessoa idosa se define como qualquer ato, único ou 
repetitivo, ou omissão, que ocorra em qualquer relação supostamente de 
confiança, que cause dano ou incômodo à pessoa idosa. 
Conceitualmente, existem três fatores determinantes:
•	 Um vínculo significativo e pessoal que gera expectativa e confiança. 
•	 O resulto de uma ação, dano ou o risco significativo de dano.
•	 A intencionalidade ou não intencionalidade.
109
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
A violência é um fenômeno mundial e existe desde o início da civilização. 
 
A violência existe desde os tempos primordiais e assumiu novas formas à 
medida que o homem construiu as sociedades. Inicialmente foi entendida 
como agressividade instintiva, gerada pelo esforço do homem para sobreviver 
na natureza. A organização das primeiras comunidades e, principalmente, a 
organização de um modo de pensar coerente, que deu origem às culturas, 
gerou também a tentativa de um processo de controle da agressividade 
natural do homem (Souza, 2010, p. 1). 
A OMS (Brasil, 2014b) define a violência contra a pessoa idosa: 
 
São ações ou omissões cometidas uma vez ou muitas vezes, prejudicando 
a integridade física e emocional da pessoa idosa, impedindo o 
desempenho de seu papel social. A violência acontece como uma quebra 
de expectativa positiva por parte das pessoas que a cercam, sobretudo dos 
filhos, dos cônjuges, dos parentes, dos cuidadores, da comunidade e da 
sociedade em geral.
Para Minayo (2005, p. 48), “o maltrato à pessoa idosa é um ato (único ou repetido) ou omissão que 
lhe cause danos ou aflição e que se produz em qualquer relação na qual exista expectativa de confiança”. 
Para a autora, a violência contra a pessoa idosa é um dilema universal e as pessoas idosas mais 
vulneráveis à violência são os dependentes física e mentalmente, em especial aqueles que apresentam 
agravantes como esquecimento, confusão mental, incontinência e dificuldades de locomoção 
(Minayo, 2005). 
A pesquisadora define a natureza da violência e a divide da seguinte forma: 
 
As violências contra as pessoas idosas se manifestam de forma: 
(a) estrutural, aquela que ocorre pela desigualdade social e é naturalizada 
nas manifestações de pobreza, de miséria e de discriminação; 
(b) interpessoal, nas formas de comunicação e de interação cotidiana; e 
(c) institucional, na aplicação ou omissão na gestão das políticas sociais 
pelo Estado e pelas instituições de assistência, maneira privilegiada de 
reprodução das relações assimétricas de poder, de domínio, de menosprezo 
e de discriminação (Minayo, 2005, p. 48).
A violência contra pessoasidosas é uma violação aos direitos humanos e é uma das causas mais 
importantes de lesões, doenças, perda de produtividade, isolamento e desesperança.
110
Unidade I
Essa violência pode ser visível ou invisível: a primeira envolve mortes e lesões; a segunda abrange 
lesões que não machucam o corpo, mas provocam sofrimento, desesperança, depressão e medo.
Os custos da violência contra pessoas idosas, ainda que não estejam suficientemente documentados, 
têm implicações diretas e indiretas. 
Os custos diretos podem estar associados a prevenção e intervenção, assim como a prestação de 
serviços, processos jurídicos, assistência institucional e programas de prevenção, educação e intervenção. 
Os custos indiretos referem-se a questões como menor produtividade, baixa qualidade de vida, dor e 
sofrimento emocional, perda de confiança e autoestima, incapacidades e morte prematura. 
 Observação
A violência contra a pessoa idosa é uma violação dos direitos humanos. 
Enfrentar a violência à pessoa idosa requer um enfoque multidisciplinar.
Há múltiplas situações, condutas, sintomas e sinais que podem levar a suspeitas da existência de 
violência. A própria queixa por parte da pessoa idosa é um dos indicadores mais sensíveis e específicos, 
comum a todos os tipos de violências. 
O Brasil começou a tratar do assunto apenas nas duas últimas décadas devido ao aumento do 
número da população idosa no país, que tornou irreversível a sua presença em todos os âmbitos da 
sociedade. Houve crescimento no protagonismo de movimentos realizados pela própria população 
idosa ou por instituições aliadas, seja em associações de aposentados, nos conselhos específicos ou em 
movimentos políticos, sociais e de direitos. 
Essas ações repercutiram tanto na promulgação da Política Nacional da Pessoa Idosas (1994) como 
no Estatuto da Pessoa Idosa (2003), os quais serão estudados a seguir. 
A Lei n. 12.461 (Brasil, 2011), que reformulou o art. 19 do Estatuto, Lei n. 10.741 (Brasil, 2003), 
ressaltou a obrigatoriedade da notificação dos profissionais de saúde, de instituições públicas 
ou privadas, às autoridades sanitárias quando constatarem casos de suspeita ou confirmação de 
violência contra pessoas idosas, bem como a sua comunicação aos seguintes órgãos: autoridade 
policial; Ministério Público; Conselho Municipal da Pessoa Idosa; Conselho Estadual da Pessoa 
Idosas; Conselho Nacional da Pessoa Idosa. 
111
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
 Resumo
Discutiu-se a trajetória da construção da doutrina de proteção 
integral para crianças e adolescentes e o reconhecimento da criança 
e do adolescente enquanto sujeitos de direitos. Assim, foi estudado o 
percurso de formação e construção sócio-histórica da política da criança 
e do adolescente.
Posteriormente, abordou-se a questão da atenção a crianças e 
adolescentes  por meio dos seguintes períodos: a infância no período 
da colonização pelos portugueses; a infância em civilizações antigas; 
o século XIV – XVI, marcado pelo Renascimento; o período higienista, 
assistencial caritativo (1554-1874), marcado pelas primeiras iniciativas 
de atenção ao “menor”; o filantrópico (1874-1924), com destaque para 
a ação de higienistas e filantropos no controle de doenças; o assistencial 
(1924-1964), acentuado por muitas mudanças legais, como o Código 
de Menores de 1927 e instituições de atendimento, a exemplo do SAM 
(1941); o institucional (1964-1990), época de expansão do número de 
instituições de atendimento, como a Funabem.
Foi abordada a trajetória da infância e juventude e da proteção social no 
Brasil, como também a criança e suas diversidades (pessoa com deficiência, 
indígenas, situação de rua, privadas de liberdade, negras, quilombolas). 
Além do direito da criança e dos adolescentes na saúde, saúde mental, 
educação e assistência social.
A década de 1990 se iniciou com a mudança de paradigma, de 
doutrina de situação irregular para doutrina de proteção integral, que foi 
promovida pelo ECA. Com o ECA, foram criadas políticas de atendimento 
específicas, considerando-se situações de vivência, medidas de proteção, 
ações socioeducativas, planos e programas, todos sendo operacionalizados 
através de uma rede de atendimento.
Por meio de uma breve retrospectiva histórica, foram elencadas as 
principais formas de intervenção, constituídas para oferecer à população 
do país o socorro a suas necessidades básicas, parte da organização 
econômica e política do Brasil, desde o regime colonial até os dias atuais.
Por meio das legislações que asseguram os direitos da criança 
e adolescentes, foram significativos para mudanças de paradigmas, 
consequentemente em atitudes da sociedade, porém ainda estamos 
112
Unidade I
caminhando para maior segurança, com a elaboração e efetividade do SGD, 
por meio do sistema (SGDCA) e (PNCFC) 
Também foi abordada a primazia da proteção integral (medidas 
protetivas e socioeducativas), na atenção à criança e ao adolescente, 
especialmente a proteção frente à situação de violência. 
Conceituaram-se o envelhecimento e os processos envolvidos nesse 
segmento. Ao longo da história humana, a velhice foi vista de diferentes 
maneiras, conforme a cultura e os hábitos de vida de cada povo. 
Parte inerente do processo da vida, o envelhecimento é marcado por 
mudanças biopsicossociais específicas. No entanto, esse fenômeno varia 
de indivíduo para indivíduo, podendo ser determinado geneticamente ou 
influenciado pelo estilo de vida, pelas características do meio ambiente e 
pela situação social.
A abordagem do conceito envelhecimento inclui a análise de aspectos 
culturais, políticos e econômicos relativos a valores, preconceitos e sistemas 
simbólicos da sociedade.
O envelhecimento ativo depende de vários fatores determinantes, 
que envolvem indivíduos, famílias e países. Eles podem ser transversais, 
formados pela cultura e pelo gênero, envolvendo os sistemas de saúde e de 
serviço social, aspectos comportamentais, o ambiente físico, o ambiente 
social e o ambiente econômico. 
Destacou-se que o envelhecimento ativo aumenta a expectativa de 
uma vida saudável e de qualidade, inclusive para as pessoas que são frágeis, 
fisicamente incapacitadas e que requerem cuidados.
Para estudar o envelhecimento no Brasil, foram analisados dados 
estatísticos, que evidenciaram uma inversão da pirâmide etária. Constatou-se 
que houve avanço quanto às legislações e inserção de políticas de proteção 
social.
Traçou-se um panorama da construção de políticas de atenção que 
primam pelos direitos das pessoas idosas no Brasil antes e após a Constituição 
Federal de 1988.
113
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
 Exercícios
Questão 1. Acerca do tema “a trajetória do reconhecimento da criança e do adolescente enquanto 
sujeitos de direito”, avalie as asserções e a relação proposta entre elas.
I – O período assistencial caracterizou-se pelo aumento do número de leis que tinham como 
finalidade abranger a maioria dos aspectos da assistência à infância, sob o bojo da Declaração dos 
Direitos da Criança, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1959.
porque
II – Nesse período, foram criadas a Política Nacional do Bem-Estar do Menor (PNBEM) e a Funabem, 
que tinham seus objetivos voltados exclusivamente para o atendimento de crianças e de 
adolescentes que cometessem atos infracionais.
É correto afirmar que:
A) As duas asserções são verdadeiras, e a segunda asserção justifica a primeira.
B) As duas asserções são verdadeiras, e a segunda asserção não justifica a primeira.
C) A primeira asserção é verdadeira, e a segunda asserção é falsa.
D) A primeira asserção é falsa, e a segunda asserção é verdadeira.
E) As duas asserções são falsas.
Resposta correta: alternativa E.
Análise da questão
A primeira asserção é falsa. Apesar de o início do período assistencial (1924) ter sido caracterizado 
pelo aumento no volume de leis que tinham por objetivo cobrir o máximo possível dos aspectos ligados 
à assistênciaà infância, a Declaração dos Direitos da Criança foi subscrita pela Assembleia Geral das 
Nações Unidas somente 35 anos depois (1959).
A segunda asserção é falsa, pois a Política Nacional do Bem-Estar do Menor (PNBEM) e a Funabem 
foram criadas no período institucional (1964-1990); seus objetivos não se limitavam ao atendimento 
de crianças e adolescentes que cometessem atos infracionais, eles também eram voltados às crianças e 
adolescentes que vivenciassem situação de vulnerabilidade social.
114
Unidade I
Questão 2. Leia o texto a seguir.
Acolhimento Institucional
No PNCFC, adotou-se o termo Acolhimento Institucional para designar os programas de abrigo em 
entidade, definidos no Art. 90, Inciso IV, do ECA, como aqueles que atendem crianças e adolescentes 
que se encontram sob medida protetiva de abrigo, aplicadas nas situações dispostas no Art. 98. 
Segundo o Art. 101, Parágrafo Único, o abrigo é uma medida provisória e excepcional, não implicando 
privação de liberdade. O Acolhimento Institucional para crianças e adolescentes pode ser oferecido em 
diferentes modalidades como: Abrigo Institucional para pequenos grupos, Casa Lar e Casa de Passagem. 
Independentemente da nomenclatura, todas estas modalidades de acolhimento constituem “programas 
de abrigo”, previstos no artigo 101 do ECA, inciso VII, devendo seguir os parâmetros dos artigos 90, 91, 
92, 93 e 94 (no que couber) da referida Lei.
Todas as entidades que desenvolvem programas de abrigo devem prestar plena assistência à criança 
e ao adolescente, ofertando-lhes acolhida, cuidado e espaço para socialização e desenvolvimento.
Disponível em: http://tinyurl.com/3cyyvnfj. Acesso em: 16 dez. 2023 (com adaptações).
Com base no termo “Acolhimento Institucional” adotado pelo Plano Nacional de Convivência Familiar 
e Comunitária (PNCFC) para denominar os programas de abrigo em entidades e nas modalidades e 
características dos serviços de acolhimento para crianças, adolescentes e jovens, assinale com V as 
afirmativas verdadeiras e com F as afirmativas falsas:
( ) O público constituído por jovens de 18 a 21 anos deve ser, em termos de acolhimento, 
encaminhado para o serviço intitulado “República”, em número de até seis jovens por unidade.
( ) O serviço denominado “Família acolhedora” prevê, como capacidade de atendimento, até 
20 crianças e adolescentes.
( ) Para que o serviço “Casa-lar” possa ser oferecido em unidades residenciais, é necessário que pelo 
menos uma pessoa ou um casal trabalhe como educador ou cuidador residente.
( ) O “Abrigo Institucional” é o serviço oferecido em sistema de autogestão ou cogestão, com 
capacidade de atendimento para até seis jovens por unidade, destinado somente a adolescentes.
( ) O serviço destinado prioritariamente a jovens egressos de serviços de acolhimento para crianças 
e adolescentes é o “Casa-lar”, uma vez que permite a gradual autonomia de seus moradores.
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DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
A sequência correta das marcações, de cima para baixo, é
A) V – F – V – V – F.
B) F – V – F – V – F.
C) V – F – V – F – F.
D) F – F – V – V – F.
E) V – V – F – V – F.
Resposta correta: alternativa C.
Análise das afirmativas
De acordo com a tipificação nacional dos serviços socioassistenciais (CNAS, 2009), o serviço de 
acolhimento institucional denominado “República” é previsto para o público de jovens de 18 a 21 anos 
e deve ter capacidade de atendimento de até seis jovens por unidade.
O serviço de acolhimento intitulado “Família Acolhedora”, voltado para crianças e adolescentes 
(0 a 18 anos), tem como capacidade de atendimento uma criança ou um adolescente para cada família, 
exceto no caso de grupos de irmãos, que devem ficar juntos na mesma família acolhedora.
Os diferenciais do serviço de acolhimento “Casa-lar” são a presença de um educador ou cuidador 
residente e o menor número de crianças e adolescentes acolhidos (até dez crianças e adolescentes 
por unidade).
O serviço de acolhimento denominado “Abrigo Institucional” é inserido na comunidade em áreas 
residenciais, deve ter aspecto semelhante ao de uma residência e é voltado para o atendimento de até 
20 crianças e adolescentes.
A “República” é o serviço que se destina majoritariamente a jovens egressos de serviços de acolhimento 
para crianças e adolescentes, permite a gradual autonomia de seus moradores e funciona em sistema 
de autogestão.
Fonte: CNAS. Resolução Conjunta n. 1, de 18 de junho de 2009. Aprova o documento Orientações Técnicas: 
Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes. Brasília, 2009.mas as crianças autóctones e os missionários jesuítas que, 
sob a ideologia missionária, evangelizadora, educacional e assistencialista, dedicavam-se à infância 
indígena. Nos primeiros anos da chegada dos jesuítas ao Brasil, o ensino das crianças era uma das 
primeiras e principais preocupações dos padres da Companhia de Jesus.
De acordo com o Melo (2020), a instrução a crianças e adolescentes “da terra” veio acompanhada de 
inúmeros desafios, haja vista que os processos que envolviam a instrução aos indígenas encontrariam 
primeiramente dificuldades de comunicação e alteridade cultural.
Assim, os jesuítas enxergaram nas crianças indígenas uma espécie de tábula rasa capazes de 
aprender os conceitos cristãos mais facilmente que os índios adultos, visavam tirá-las do paganismo e 
discipliná-las, inculcando-lhes normas e costumes cristãos, como o casamento monogâmico, a confissão 
dos pecados, o medo do inferno. Convertendo-as e disciplinando-as, haveria “futuros súditos dóceis” do 
Estado português e que ainda influenciariam a conversão dos adultos às estruturas sociais e culturais 
recém-importadas.
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DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Desenvolveram-se novos olhares para a criança, eram um papel em branco, fruto das novas 
concepções de infância que surgiam na Europa, construindo também o conceito de infância no Brasil, 
que viria acompanhado das influências do velho mundo. Tais influências atuavam fortemente nas 
políticas educacionais e assistencialistas da Igreja para a infância ameríndia e portuguesa.
Nos primeiros anos do período colonial, apesar de um dos marcos ser a implantação da educação 
(embora de cunho cristão), durante muito tempo, foram percebidas disparidades gritantes no tratamento 
direcionado a crianças de dois grupos sociais distintos: as de famílias de elite e as de origem pobre. 
1.4 A infância no período filantrópico‑higienista (1874‑1924)
Esse período corresponde ao fim do Brasil Império e à República Velha (1874-1922): 
 
A intensa imigração estrangeira para o Brasil suscitou a criação de 
diversas sociedades científicas, que trabalharam, sobretudo, no controle 
das doenças epidêmicas e na ordenação dos espaços públicos e coletivos, 
inclusive escolas, internatos e prisões. Nesse período deu-se a supremacia 
do médico sobre o jurista no tratamento dos assuntos referentes ao 
amparo à criança [...] (Silva, 1997, p. 34-35). 
Na República Velha, os asilos mantiveram-se e ainda foram criados outros, conforme destacado 
no excerto: 
 
A República herda do Império dezesseis instituições asilares para a 
infância no Rio de Janeiro, e entre 1889 e 1930 são criadas quatorze 
instituições de tipo asilos, abrigos, orfanatos, escolas para abandonados 
e seis instituições ligadas à saúde da criança (dispensários, policlínicas, 
instituições de assistência à saúde), sendo do Estado o Abrigo de Menores 
e a Escola 15 de Novembro no Rio de Janeiro, o Instituto João Pinheiro, em 
Minas Gerais, e o Instituto Disciplinar, em São Paulo (Faleiros apud Rizzini; 
Pilotti, 2009, p. 42). 
Couto et al. (2010) relatam que a República Velha demarca mais de uma mudança na organização 
política. Ela funda também alterações na organização econômica do Brasil. 
Em sua análise, Couto et al. (2010) dizem que, com o avanço das forças produtivas em nosso país, 
relacionadas ao desenvolvimento capitalista, já não havia mais como o Estado ser representado pelo 
Império. Note-se que o fato de vivenciar a organização política imperial ainda deixava o Brasil com uma 
vinculação direta a Portugal, o que dificultava o livre-comércio da produção capitalista. Assim, a República 
era condição imprescindível para dar sequência ao desenvolvimento capitalista brasileiro. 
Desse modo, partindo das definições de Couto et al. (2010), pode-se concluir que temos na República 
Velha a instituição do sistema capitalista de produção. Ainda nesse período, as atividades agrícolas eram 
referência na economia do país. A adesão ao sistema capitalista de produção não resultou, no entanto, 
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Unidade I
na superação das atividades agrícolas. Mas foi a partir de então que a imagem do burguês, gestada 
durante o Império, assumiu relevância na sociedade brasileira. Como nesse período foram criadas as bases 
iniciais do processo de industrialização, a figura do industriário ou burguês assumiu grande destaque. 
O processo de industrialização estimulou ainda a urbanização de alguns dos principais centros de 
comércio. Como as indústrias e os empregos estavam em determinadas regiões centrais, houve grande 
trânsito das pessoas para esses locais. Com isso, ocorreu progressiva ampliação da população urbana em 
detrimento da que residia na zona rural. 
Em relação à organização política, foi nesse aspecto que ocorreram mais mudanças, pois, a partir 
da República, não haveria mais a figura do imperador, da Corte e dos representantes do Estado, tão 
comuns no período antecessor. O comum é que também na República Velha o poder seria privilégio dos 
segmentos mais abastados economicamente; depois, haveria a figura do presidente. 
Durante a República Velha, houve ausência por parte do Estado quanto à intervenção organizada 
junto aos segmentos sociais empobrecidos. Assim, a ação propriamente dita ocorreu pela caridade 
privada e a ação da Igreja Católica, sendo mantida a prática que já vinha sendo executada durante os 
períodos da Colônia e do Império. Nesse momento houve significativa ampliação das Rodas dos Expostos 
e também das Santas Casas, que se tornaram instituições hegemônicas (Araújo; Souza; Faro, 2010).
As Rodas assim como as Santas Casas foram mantidas durante muitos anos em nosso país. Como 
exemplo de acolhimento, instaura-se no período colonial um asilo para atender pessoas idosas, criado por 
indicação do conde Resende, com o objetivo de acolher apenas aqueles que tinham servido na chamada 
Guarda Nacional, similar ao Exército. Essa instituição localizava-se no Rio de Janeiro, que no momento 
era a capital do país, e recebeu o nome de Casa dos Inválidos. Com o tempo, essa instituição começou 
a atender outras pessoas idosas e também a cobrar pelos serviços. Existe até hoje e é especialmente 
destinada a atender pessoas idosas ricas, dado o valor cobrado (Araújo; Souza; Faro, 2010). 
 Saiba mais
Para ampliar o conhecimento sobre o exposto, recomenda-se o seguinte 
curta-metragem:
RODAS dos expostos. Direção: Maria Emília Azevedo. Brasil: Synapse 
Produções Ltda, 2001. 20 min.
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DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Veja o texto. Trata-se de uma descrição da intervenção nas Rodas dos Expostos:
 Destaque
A infância pobre e estigmatizada na Roda dos Expostos
Há aproximadamente cem anos, autoridades diagnosticaram o “problema da infância”, 
uma grave questão social brasileira. Trata-se do grande número de crianças em estado de 
miséria ou abandono, principalmente nas grandes cidades.
O diagnóstico, porém, não era novo: há mais de trezentos anos, desde o início do 
período colonial, meninos e meninas de diferentes raças e idades já vinham sendo 
colocados à margem da sociedade. As circunstâncias variavam, mas os motivos eram 
quase sempre os mesmos, isto é, abandono e orfandade vinculados à pobreza, à 
escravidão ou aos códigos morais, que não admitiam mães solteiras. O histórico da 
assistência ao “problema da infância” no país é, portanto, tão antigo como o próprio 
problema – e, de certa forma, como o próprio Brasil.
Em meados do século XVI, o início do processo colonial europeu na América valia-se 
de dois “argumentos” para submeter populações nativas: a pólvora e a Bíblia. Pela guerra, 
soldados e colonos dizimavam as tribos inimigas, onde também obtinham a necessária 
mão deobra escrava para suas obras e plantações. Em paralelo, o trabalho de catequese 
dos jesuítas ocupava-se das tribos aliadas – os índios “mansos”, eles próprios já então 
também entendidos, de certa forma, como um povo “infantilizado”. Nesse início da 
história, foram os padres que primeiro se ocuparam das crianças índias, abandonadas 
depois que seus pais haviam sido mortos ou escravizados.
Os jesuítas não recebiam apenas índios, mas também os filhos e as filhas de colonos, 
bem como mestiços pobres. Todos eram alvo da catequese jesuítica e, eventualmente, 
do ensino do idioma escrito e de ofícios considerados condizentes a sua condição social. 
Segundo a lei, as crianças abandonadas, incluídas nesse contingente, deveriam ser 
acolhidas pela municipalidade, mas essa difícil tarefa foi em grande parte assumida pela 
Irmandade da Santa Casa de Misericórdia.
“Nos séculos XVI e XVII, tanto as câmaras municipais como as misericórdias prestaram 
alguma assistência a crianças abandonadas e enjeitadas, adotando ambas a ‘colocação’ 
destes em casa particulares, onde deveriam ser cuidados e amamentados por amas de 
leite até 3 anos, mediante pagamento”, afirma a mestra em Serviço Social, Eva Faleiros.
O século XVIII, porém, iria assistir não apenas ao grande crescimento das cidades – mas 
também, em paralelo, ao aumento no número de crianças abandonadas, superando em 
muito a assistência que as câmaras ou Casas De Misericórdia podiam oferecer. Começava, 
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Unidade I
então, a prática de abandonar recém-nascidos em locais públicos – eram os expostos, 
que só podiam contar com a compaixão das famílias que os encontravam.
Era uma questão de “sorte”: cronistas da época contam que muitas crianças 
abandonadas nas ruas e estradas, e não assistidas a tempo, morriam até mesmo devoradas 
por animais.
Em 1726, o vice-rei Vasco Meneses determinou que todas as crianças expostas fossem 
abrigadas em asilos. Foi a partir daí que a Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro 
adotou o sistema da Roda, já utilizado na Europa desde a Idade Média, que iria funcionar 
por mais de duzentos anos. Outras rodas seriam instaladas nas casas de assistência do 
Rio, Salvador e do Recife nas décadas seguintes. Até o fim do segundo reinado, seriam 
treze em funcionamento em todo o país.
Embora tenha se tornado um mecanismo tristemente famoso, a Roda era a maior 
esperança de sobrevivência para os “enjeitados e expostos”. Tratava-se do “dispositivo 
onde se colocavam os bebês que se queriam abandonar. Sua forma cilíndrica, dividida 
ao meio por uma divisória, era fixada no muro ou na janela da instituição. No tabuleiro 
interior e em sua abertura externa, o expositor depositava a criancinha que enjeitava. 
A seguir, ele girava a roda e a criança já estava do outro lado do muro. Puxava-se uma 
cordinha, com uma sineta, para avisar a vigilante ou rodeira que um bebê acabava de ser 
abandonado, e o expositor furtivamente se retirava do local sem ser identificado”, explica 
a presidente da Comissão de Direitos Humanos da USP, Maria Luiza Marcílio.
O Rio chegou a ter até mesmo uma “Casa da Roda”, depois chamada “Casa dos 
Expostos”, hoje Educandário Romão de Mattos Duarte, uma homenagem ao seu fundador.
“O atendimento a números tão elevados de bebês era possibilitado pelo sistema da 
criação externa por amas de leite, contratadas pela Santa Casa de cada cidade”, informam 
Irma Rizzini – pesquisadora na área de História da Educação – e Irene Rizzini – diretora 
do Ciespi. “A criação coletiva de crianças pequenas nas Casas de Expostos, em um período 
anterior às descobertas de Pasteur e da microbiologia, resultava em altíssimas taxas de 
mortalidade. A amamentação artificial era um risco sério para as crianças, obrigando 
as instituições a manterem em seu quadro de pessoal amas de leite, responsáveis pela 
amamentação de um grande número de lactentes”, afirmam. Era comum que escravas, 
alugadas por seus proprietários, fossem empregadas nesta tarefa.
Frequentemente, era deixado um bilhete junto à criança, em geral escrito pela mãe, 
no qual constavam algumas informações: nome do bebê, se foi ou não batizado e data 
de nascimento. “Nos bilhetinhos, os familiares da criança expunham os motivos que os 
levaram a procurar o hospital; neles, o abandono é apresentado como um paradoxal 
gesto de amor, uma maneira de proteger o menino ou a menina que corria risco de 
vida”, afirma Renato Pinto Venâncio, doutor em História do Brasil Colônia e historiador 
especialista na Roda dos expostos. Algumas vezes, esses dados eram acompanhados de 
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DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
pedidos de perdão – reforçando que a prática, embora comum, também podia ser um 
peso na consciência.
Machado de Assis, na crônica “Pai contra mãe”, expressa esse sentimento a partir 
da literatura, quando conta a história de um jovem casal que aguarda ansiosamente 
a chegada de um filho, mas a difícil situação financeira apresenta um futuro diferente 
do esperado: “Foi na última semana do derradeiro mês que a tia Mônica deu ao casal o 
conselho de levar a criança que nascesse à Roda dos enjeitados. Em verdade, não podia 
haver palavra mais dura de tolerar a dois jovens pais que espreitavam a criança, para 
beijá-la, guardá-la, vê-la rir, crescer, engordar, pular...”.
Havendo bilhete acompanhando a criança enjeitada ou não, dados sobre a criança 
eram anotados em livros de registros das casas de assistência. Alguns deles ainda existem 
e dão uma ideia das condições em que as crianças chegavam. Como neste termo, extraído 
do livro Educandário Romão de Mattos Duarte, de Dahas Zarur, de 1843:
“Às duas horas da tarde lançaram na Roda uma menina crioula, que tinha dois meses 
de idade, muito enferma, com as orelhas furadas; no pescoço, uma enfiadura (espécie de 
colar) de missangas, com duas figas de pau”.
Problemas físicos eram registrados em detalhes:
“Às nove horas da noite lançaram na Roda uma menina que parece branca, 
recém-nascida, com dois dedos na mão esquerda, outros dois no pé direito” (1843).
E às vezes eram depositados na Roda dos falecidos, não chegando a sobreviver para 
receber a assistência:
“Às nove horas da noite foi lançado na Roda o cadáver de um menino de cor parda, 
que parece ter três dias de nascido. Sendo examinado pelo doutor, diz este que é falecido 
de desvaído (não socorrido). Veio vestido com uma camisa de cambrainha” (1864).
“A Roda dos expostos foi uma das instituições brasileiras de mais longa vida, 
sobrevivendo aos três grandes regimes de nossa história. Criada na Colônia, perpassou 
e multiplicou-se no período imperial, conseguiu manter-se durante a República e só 
foi extinta definitivamente na década de 1950! Sendo o Brasil o último país a abolir a 
chaga da escravidão, foi ele igualmente o último a acabar com o triste sistema da Roda 
dos enjeitados”, afirma Marcos Freitas, doutor em História e Filosofia da Educação pela 
PUC-SP e professor do Departamento de Educação da Unifesp. Ainda assim, avalia o 
pesquisador, “essa instituição cumpriu importante papel. Quase por século e meio a Roda 
dos expostos foi praticamente a última instituição de assistência à criança abandonada 
em todo o Brasil”.
Fonte: Lyra; Oliveira (2010).
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Unidade I
Exemplo de aplicação
Esse texto foi propositalmente escolhido porque as Rodas foram as instituições que mais se 
expandiram em nosso país. Hoje temos alguns lugares que querem recuperar essa prática. 
Como você compreende o suposto desejo de reviver essa instituição? Repense, reflita e argumente 
sobre o assunto. 
 Lembrete
Na República Velha, houve uma intervenção voltada à legislação para 
regulamentar o trabalho.
Esse período foi marcado por omissão, repressão e paternalismo na proteção à infância, e as iniciativas 
ficavam por conta do setor privado.
No que se refere ao trabalho infantil, o Estado o apoiava, qualificando-o como mão de obra útil 
nessa época. Em 1891foi criada uma lei referente ao trabalho de menores que impedia esse tipo de 
trabalho; embora não tenha sido regulamentada na época, permitia o trabalho de crianças, limitando 
apenas a idade e a carga horária.
A extinção da escravidão em 1888 trouxe expressiva alteração no panorama social brasileiro: a 
crescente onda imigratória – a industrialização e urbanização aceleradas estavam inserindo o país no 
cenário mundial como um lugar de grandes possibilidades de realizações econômicas. No entanto, 
mesmo com o fim do período escravocrata e do regime monárquico, a sociedade ainda mantinha forte 
mentalidade rural e agrária, embora percebendo fazer-se necessário repensar aquele quadro social, no 
qual ainda predominavam os senhores de terras e os escravos.
 Observação
A República Velha tem seu início estimado a partir de 1889.
No século XX, entraram em cena com toda a força os higienistas e os filantropos frente à necessidade 
incontestável dos preceitos higiênicos e da importância dos médicos nas instituições. Inicialmente, esse 
período foi marcado pela distinção entre filantropia e caridade, porém, com o passar dos anos, os 
seus discursos foram afinados e os conflitos superados, visto que ambas tinham o mesmo objetivo: a 
preservação da ordem social. 
Os conhecimentos sobre higiene e o controle sobre doenças infectocontagiosas ganhavam em 
todo o mundo a atenção dos médicos, inclusive no Brasil, devido ao aumento das doenças tropicais, 
um real perigo às populações que adentravam áreas urbanas. Os higienistas perceberam que, sendo a 
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DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
família o alvo a ser atingido na profilaxia das doenças, a criança representava a ponte ideal de acesso 
a ela (Rizzini, 1995, p. 108).
Em torno da metade do século XIX, os médicos brasileiros já mostravam nítida preocupação com 
a infância. Atentavam para os altos índices de mortalidade infantil dos asilos e das casas da Roda, 
procurando descobrir os motivos do fenômeno na tentativa de minimizá-lo. Nessa época, fundaram-se 
as bases da puericultura no Brasil. Apesar disso, a necessidade de um reordenamento político e social 
na nascente República somado ao recrudescimento das mazelas da infância abandonada fizeram 
oscilar os discursos políticos entre a defesa da criança e a defesa da sociedade contra a criança, vista 
como uma ameaça à ordem pública.
Foi nessa época que a sociedade iniciou as discussões sistemáticas sobre a responsabilidade do poder 
público na formulação de políticas sociais voltadas para a infância.
Assim, a judicialização da infância nesse período foi notória, baseando-se na ideia da necessidade 
do Estado de intervir para educar e corrigir as crianças, a fim de se transformarem em cidadãos úteis 
e produtivos, tudo em nome da paz social. Foi nesse tempo que nasceu o termo menor, referindo-se 
“à criança em risco social e normalmente acompanhada de outro adjetivo, que podia ser: delinquente, 
abandonado, desvalido, vicioso etc.” (Rizzini, 1995, p. 115).
No fim do século XIX, era crescente o número de crianças abandonadas no Rio de Janeiro e a 
criminalidade infantojuvenil era cada vez maior. Embora os avanços científicos e sociais destacassem a 
necessidade da oferta da educação infantil no lugar da repressão, mesmo assim, foi promulgado às pressas 
o Código Criminal de 1890, o qual rebaixou a idade penal de 14 para 9 anos, reduzindo em 5 anos a fixada 
pelo Código Criminal de 1830. Tal medida foi justificada como sendo necessária para “salvar o menor” e 
atuava através de ações coercitivas e correcionais, aparentemente de aplicação mais fácil, rápida e eficaz 
que as educacionais.
Segundo o Código de 1890, não eram considerados criminosos os menores de 9 anos completos 
e os maiores de 9 e menores de 14 anos que “obrassem sem discernimento”. Dessa maneira, o 
discernimento, tal como poderia ser entendido a partir da lei, enquanto idade da razão, levou à prisão 
muitas crianças, as quais cumpriram pena de prisão disciplinar em estabelecimentos industriais.
 
Art. 30. Os maiores de 9 anos e menores de 14 que tiverem obrado com 
discernimento serão recolhidos a estabelecimentos disciplinares industriaes, 
pelo tempo que ao juiz parecer, com tanto que o recolhimento não exceda 
a idade de 17 anos (Brasil, 1890). 
Conforme o art. 49, nesses estabelecimentos deveriam ser recolhidos os menores de até 21 anos 
de idade; o art. 400, por sua vez, anunciou a intenção e a necessidade de criar novas colônias penais 
em ilhas marítimas ou nas fronteiras do território nacional. A recuperação desses jovens dar-se-ia pela 
disciplina de uma instituição de caráter industrial, no qual o trabalho seria o principal recurso para 
enquadrar, no regime produtivo vigente, aqueles menores (Brasil, 1890).
20
Unidade I
Na verdade, o que havia por trás disso era uma tentativa de fazer trabalhar o ex-escravo ou imigrante 
numa época de transição para o capitalismo, e as novas relações de produção assumiam uma conotação 
utilitarista e civilizadora. Para pôr em prática essa visão, era necessário reprimir a ociosidade, o que 
significava a condenação de crianças que perambulavam nas ruas. Assim, elas eram recolhidas na Casa 
de Detenção do Rio de Janeiro e colocadas junto de presos adultos. Embora o Código de 1830 já previsse 
a separação entre jovens delinquentes e adultos nas prisões, isso não era observado porque não havia 
instituições com essa finalidade, misturando-se ali presos adultos, crianças delinquentes e também 
aquelas que eram simplesmente abandonadas.
No início do século XX, era clara a demanda para que se aprovasse legislação voltada especificamente 
para o menor de idade e que o Estado assumisse a responsabilidade na proteção e defesa da criança. 
O tema tornou-se objeto de preocupação em diversos países, tendo sido amplamente discutido nos 
congressos internacionais sobre direito criminal. 
Pesquisas dessa época revelaram que era preciso definir critérios para classificar os menores a fim de 
dar-lhes o tratamento adequado. Acreditando ser o internamento a medida mais coerente e que salvaria 
a dignidade social, era necessário que houvesse uma lei que atendesse a questão de regulamentação a 
partir das seguintes fases: classificar, recolher e internar as crianças. Surgiram então alguns projetos de 
lei que tratavam da criança sob essa nova abordagem dicotomizadora: a abandonada e a delinquente; 
projetos esses que, durante as duas primeiras décadas do século XX, iriam desdobrar-se em inúmeras 
leis e decretos. 
Em 1903, foi criada a Escola Correcional. Essa instituição, os asilos e os orfanatos tinham o objetivo 
de treinar os “menores” abandonados e recolhidos para encaminhá-los ao trabalho. Os “delinquentes” 
eram tratados com repressão, “integrar pelo trabalho ou dominar pela repressão eram as estratégias 
dominantes” (Faleiros, apud Rizzini; Pilotti, 2009, p. 43). Os juristas lutavam para suprimir o critério do 
discernimento na aplicação de penas a menores que definia a inimputabilidade até os 9 anos de idade.
Em 1906, atento ao perigo em potencial que representavam as crianças entregues ao ócio e o 
conhecimento de que seria a infância a época ideal para moldar sua personalidade, surgiu o projeto do 
senador Alcindo Guanabara, o qual tratava da regulamentação da “infância moralmente abandonada 
e delinquente”. Seus principais pontos eram o controle da autoridade judiciária sobre o menor em 
situação de abandono, podendo essa autoridade colocá-lo sob a sua “proteção”; dispositivos para 
suspensão/devolução do pátrio poder e medidas de prevenção e tratamento, com a previsão de criação 
de instituições de prevenção para os moralmente abandonados e de reforma para os delinquentes. 
A idade penal seria alterada de 9 para 12 anos e entre a faixa de 12 a 17 anos, segundo o critério 
do discernimento. 
Assim, as crianças eram recolhidas, classificadas e encaminhadas para as escolas de prevenção ou de 
reforma, conforme a execução do ato praticado, com ou sem discernimento.Despontaram no cenário brasileiro os reformatórios e as casas de correção, ou seja, a 
infância/adolescência desvalida estaria nas mãos dos tribunais, que na passagem do século XIX para 
21
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
o XX, trouxe a ideia de um “novo direito”, pautando-se numa justiça que “revelasse a reeducação, em 
detrimento da punição”. 
Embora esses projetos procurassem tratar de múltiplos aspectos da assistência à infância, a legislação 
efetivamente promulgada em 1927 parece ter aproveitado “recortes” desses projetos, por exemplo: 
nova regulamentação da casa de detenção; reorganização do ensino da Escola Quinze de Novembro 
(internato de referência da época); criação de patronatos agrícolas; regulamentação da assistência a 
menores abandonados e delinquentes; e reorganização da Justiça Federal.
Em 5 de janeiro de 1921, foi promulgada a Lei n. 4.242, que tratava da assistência e proteção de 
“menores abandonados” e “menores delinquentes”, sendo regulamentada em 1923 por um decreto. Para a 
lei, os jovens autores ou cúmplices de crime ou contravenção eram considerados “menores delinquentes”, 
se tornaram imputáveis até os 14 anos, não valendo mais a teoria do discernimento, de 1890.
Desse modo, a idade mínima para responder criminalmente passou a ser de 14 anos. 
O art. 24 da Lei n. 4.242 afirmava o seguinte:
 
O menor de 14 anos, indigitado autor ou cúmplice de fato qualificado 
crime ou contravenção, não será submetido a processo penal de espécie 
alguma; a autoridade competente tomará somente as informações precisas, 
registrando-as, sobre o fato punível e seus agentes, o estado físico, mental e 
moral do menor, e a situação social, moral e econômica dos pais, ou do tutor, 
ou de pessoa em cuja guarda viva (Brasil, 1890).
A infância e a adolescência tornaram-se caso de segurança nacional, competindo à polícia fazer 
a “limpeza das ruas”, retirando elementos considerados indesejáveis à sociedade, recolhendo-os em 
delegacias especiais para abrigar menores enquanto aguardavam encaminhamento judicial. Tal prática 
também persistiu até a década de 1980, sendo questionada pelo advento da nova legislação.
Nessa época, o uso do termo menor já estava estabelecido, designava aquela criança cuja família 
mostrava-se incapaz de educá-la segundo os padrões vigentes, tornando-a por isso passível de sofrer 
intervenção judiciária. Assim, infere-se que a ideologia do Estado tutelar surgiu com esse emaranhado 
legal, cuja cultura atualmente ainda permeia a ideologia de técnicos e juristas.
1.5 A infância no período assistencial (1924‑1964) 
A partir de 1923, houve um aumento no volume de leis que procuravam cobrir o máximo possível 
todos os pontos relativos à assistência à infância. 
Em 1923, bojo da reorganização do Poder Judiciário, surgiu a figura do juiz de menores, cuja 
atribuição seria administrar o problema do menor. 
22
Unidade I
Em 1927, pautando-se na doutrina da situação irregular, foi instituído o Código de Menores. 
Segundo essa mesma doutrina, os menores tornavam-se sujeitos de direito apenas no momento em 
que se encontrassem em estado de patologia social, o que era definido na mesma lei. 
O Código de Menores apresentava amplo espectro de assuntos, pois sua intenção era resolver o 
problema dos menores, embora com dispositivos de marcante tutela sobre eles. Assim, embora os 
menores de 14 anos estivessem imunes a qualquer tipo de processo penal, sua vida e a de sua família 
seriam devassadas, conforme fosse julgado necessário. 
Um ponto interessante a observar nesse código é o dispositivo que tratava da internação de menores 
abandonados, pervertidos ou que estivessem “em perigo de o ser”, o que se baseava nas eventuais 
desconfianças ou suspeitas de alguma autoridade para que o menor fosse privado de sua liberdade 
(Rizzini, 1995). 
 Observação
O Código de Menores de 1927 foi a primeira lei brasileira de proteção 
para crianças e adolescentes.
Estudiosos como Behring, Boschetti (2010) e Couto et al. (2010) entendem que a única 
legislação mais voltada para a assistência social foi o Código de Menores, aprovado em 1927. Esse 
documento propunha ações e intervenções junto a crianças e adolescentes, na época conhecidos 
com a denominação “menor”, sendo marcadas pelo caráter extremamente punitivo, ou seja: “[...] 
o famoso Código de Menores, de conteúdo claramente punitivo da chamada delinquência juvenil” 
(Behring; Boschetti, 2010, p. 80).
Durante a República Velha, houve uma série de eventos, mudanças econômicas e culturais que 
prepararam o país para o surgimento de uma nova ordem econômica e política, que influenciou 
substancialmente a política social, inclusive a de assistência social.
A imagem da criança e do adolescente como potenciais trabalhadores surgiu em meados do 
século XIX, mesmo contrariando o Código de Menores, que definia o início do trabalho aos 12 anos. 
Diante dessa situação, o governo começou a implantar as escolas de ensino profissionalizante, mas 
quem realmente assumiu essa função foram os empresários, em especial, no início dos anos 1940, com 
a abertura do Senai e do Senac.
23
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Figura 1 – Crianças trabalhadoras na fábrica de sapatos
Disponível em: http://tinyurl.com/mryfet7t. Acesso em: 10 jan. 2024.
Durante os anos 1930, todas as medidas corretivas e educativas aplicadas à criminalidade infantil 
estavam ligadas à pobreza, apontada como a principal causa desse mal por alguns juristas. Nesse sentido, 
a questão acabou sendo redirecionada de um enfoque jurídico para outro, agora social. Em 1938, 
fundou-se o Conselho Nacional de Serviço Social (CNSS), cujo objetivo era “suprimir os sofrimentos 
causados pela pobreza e pela miséria” (Rizzini, 1995, p. 137). 
Assim, em 1941, foi criado o Serviço de Assistência a Menores (SAM), com a finalidade de assistir aos 
menores desvalidos, transviados e delinquentes. Os adolescentes transviados, segundo a compreensão 
da época, eram aqueles considerados como tendo problemas que os levariam a cometer algo que 
contrariasse os valores da sociedade; eram também denominados delinquentes. Acreditava-se que o 
pobre, ou o desvalido, era uma criança ou um adolescente propenso a cometer algum ato ilícito. Então 
foi fixada uma forma de compreensão que relacionava a prática tida como assistencial à possibilidade 
de moldar as pessoas conforme a ordem social estabelecida (Rizzini, 2004).
Devido a essa prática, no SAM, tanto havia crianças e adolescentes que cometiam atos infracionais 
como os pertencentes a famílias pobres. Isso porque se acreditava que o pobre era propenso a cometer 
atos infracionais. Os atendidos nesse sistema eram penalizados com uma política pautada na agressão 
e em práticas extremamente severas. Rizzini (2004) intitula a expressão “o famigerado SAM” por 
causa do grau de penalização comum nas práticas desse serviço. No caso, imaginava-se que, por meio 
dessa prática, seria possível moldar a personalidade dos atendidos. 
Rizzini (2004) relata que havia ainda pais e mães que acreditavam que seria melhor deixar os filhos 
nessas instituições, assim como era comum em relação às Rodas dos Expostos. Entende-se que isso 
era potencializado porque o SAM criou uma série de educandários. Neles, os atendidos permaneciam 
segregados e sem qualquer atividade educativa. O SAM acabou sendo um depósito de crianças e 
adolescentes, já que nesses espaços, como vimos, eram atendidos tanto os que cometiam atos infracionais 
24
Unidade I
quanto os que eram pobres, sem qualquer metodologia específica de ação. Os atendidos simplesmente 
eram deixados aos cuidados do SAM.
Em 1944, o SAM já contava com trinta e três educandários, sendo quatro oficiais, estes somente 
para o sexo masculino. Uma década depois, pelo processo de expansão nacional, os estabelecimentos 
particulares articulados com o SAM eram em número de 300.
Após duas décadas de sua fundação, o SAM foi considerado uma fábrica de delinquentes por algunsjuízes, sendo altamente criticado, visto como um sistema desumano, ineficaz e perverso por permanecer 
com superlotação, falta de higiene e falta de cuidados. Contudo, o Supremo Tribunal Federal se 
pronunciou contra a situação e nomeou em 1963 uma comissão para reformular o SAM. Entretanto tal 
medida não funcionou e foi criada uma comissão para encaminhar à Câmara um projeto que propunha 
a extinção do SAM e a criação de um novo órgão que tivesse autonomia.
 Lembrete 
O SAM foi criado em 1941 pelo então presidente Getúlio Vargas.
A situação da infância abandonada continuava crescente. No início dos anos 1940, diagnosticou-se 
(novamente) o problema dos menores como sendo de cunho basicamente assistencial e a delinquência 
infantil como consequência do abandono material e moral das crianças. No entanto, embora o discurso 
permanecesse o mesmo, os tempos estavam mudando: o novo Código Penal de 1940, ao estender a 
idade penal para 18 anos, acabou criando uma situação de fato, em que urgiam medidas mais rápidas 
e práticas. 
Assim, promulgou-se um decreto em 1944 para efetivar uma reorganização jurídico-social do sistema 
de assistência, atribuindo novas funções ao SAM e subordinando-o ao Executivo, porém articulado com 
o juiz de menores. Isso foi o estopim para que até o fim dos anos 1950, fossem travadas intermináveis 
discussões entre juristas: uns defendiam o juizado judicial, outros, o juizado executivo. Houve uma 
extenuante querela sobre a concepção de menor: se objeto de direito ou sujeito de direito. 
Por conta dessas questões, foi promulgada em 1957 uma lei que atualizava o instituto da adoção, 
criando instrumentos de administração de subsídios à família, programas de colocação familiar, 
legitimação adotiva e de adoção. O espírito da lei parecia finalmente caminhar na direção de uma maior 
justiça social para a infância e as ideias sobre como tratá-la eram muitas. 
Em 1959, uma portaria passou a dispor sobre a colaboração da sociedade civil na assistência social 
prestada pelo SAM, tratando da criação de uma rede de creches, escolas maternais e parques infantis. 
No entanto havia um consenso no seio da sociedade: a necessidade da extinção do SAM, dado o alarde 
que a imprensa fazia sobre a criminalidade envolvendo menores egressos daquela instituição. 
Em 1942 foi criada a Legião Brasileira de Assistência (LBA), cujo estatuto previa o amparo a vários 
aspectos da miserabilidade social, como a educação popular, a saúde, a alimentação e a habitação. 
25
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
Seu maior intuito foi de oferecer viabilidade concreta ao que era posto na Constituição de 1937 e no 
Decreto n. 525 (1938). Inicialmente, foi presidida por Darcy Vargas, esposa do então presidente. Isso 
trouxe uma carga histórica à instituição, que desde então foi presidida pelas esposas dos presidentes. 
Para tal, deve-se destacar o patrocínio da Confederação Nacional da Indústria e da Associação Comercial 
do Brasil, o apoio das senhoras da caridade, mulheres pertencentes às classes sociais mais abastadas da 
sociedade e que atuavam em práticas caritativas junto à sociedade. 
A LBA, em suas protoformas iniciais, buscava atender as famílias dos pracinhas (soldados) 
envolvidos com a Segunda Guerra Mundial. Seu objetivo declarado era “[...] promover as necessidades 
das famílias cujos chefes hajam sido mobilizados, e, ainda, prestar decidido concurso ao governo em 
tudo que se relaciona ao esforço da guerra” (Iamamoto; Carvalho, 2001, p. 257). 
Esses autores relatam que essa entidade, na verdade, era usada como um mecanismo para justificar 
a entrada do país na Segunda Guerra Mundial, ou seja, um mecanismo que possibilita mostrar que o 
país cuidava de seus soldados e de suas famílias. Os soldados envolvidos diretamente com a guerra, 
quando retornavam, eram atendidos com programas de lazer, como cantinas e espetáculos, já as 
famílias tinham atendimento por meio de benefícios, por exemplo, a concessão de cestas básicas. 
A prática voltada aos soldados e a seus familiares fez com que a LBA montasse uma quantidade 
enorme de escritórios em todo o país. Consta que no ano de sua criação, só no Rio de Janeiro, tenham 
sido montados mais de 100 postos de atendimento. 
Segundo Fonseca e Almeida (2016), a Divisão de Maternidade e Infância e a Divisão de Serviço 
Social eram os braços ativos da LBA no campo assistencial e materno-infantil porque executoras de 
políticas assistenciais, especialmente para a infância, com destaque para aquelas identificadas com a 
puericultura e com o combate à desnutrição infantil, no caso da primeira, e o apoio à sopa escolar, 
à realização de variadas ações de assistência aos pobres e ao relacionamento com instituições assistenciais 
da sociedade civil, sob a responsabilidade e execução da segunda. 
A LBA, desde a sua origem, sempre teve pés nos dois campos, público e privado, e assim se afirmou 
no território das atenções dirigidas à criança e à pobreza das classes populares, destinatários centrais de 
suas ações, tanto em termos estaduais quanto nacionalmente. 
Considerando as características estruturais da LBA enquanto organização – concentração de 
poder decisório nas instâncias hierárquicas superiores, dirigismo, capilaridade, combinação com as 
organizações filantrópicas da sociedade civil e acentuada territorialização de seus escritórios pelo 
interior do Estado – as políticas implantadas pela LBA em São Paulo seguiram vias de interiorização 
ou foram concebidas para alcançar determinados segmentos da população, compreendidos e 
representados como problemas sociais, em áreas urbanas e rurais do interior. 
Na Segunda Guerra Mundial, a mulher brasileira se sacrificava em nome da pátria, cedendo seus 
pais, seus filhos, seus maridos, seus noivos e, ainda, disponibilizando-se para trabalhar pela vitória 
do país na LBA, compondo o batalhão feminino, onde se alistaram no serviço de costura, na defesa 
26
Unidade I
passiva-antiaérea, na alimentação, são as samaritanas socorristas, as auxiliares e visitadoras sociais e as 
educadoras sociais.
Assim, trabalhavam para a instituição, transformando-se numa das modas no período da guerra, 
criada pelas e para as mulheres, aumentando consideravelmente o número de madrinhas conquistadas 
pela LBA. Conduzindo condutas, comportamentos e formas de atuação e de participação, passaram a 
ter o papel de madrinhas dos e para os soldados, sendo escritoras de cartas, de modo a ampará-los no 
front com palavras de conforto e apoio.
Segundo Fonseca (2016), vê-se claramente pelos cartazes os mecanismos criados pela LBA em 
função da guerra para a participação feminina e que teve nos ideais de cooperação, no conceito de luta 
pela vitória do país, os ingredientes para o surgimento de educação e moda na Segunda Guerra Mundial, 
novos comportamentos, novas atitudes e condutas femininas. Inseridas na luta, na LBA, em nome da 
guerra, as mulheres aprenderam que o conflito mundial é uma questão de gênero, que envolve tanto o 
masculino quanto o feminino e, para ambos, significa aprendizado. 
Segundo Simili (2007), a história da assistência foi da LBA ao Suas por meio da Carta Magna de 88, 
saindo da característica esmolada para histórias de lutas, grandes conquistas, para um sistema único no 
país, o Suas-Sistema Único de Assistência Social, que garante proteção social para os cidadãos que dele 
precisarem. 
Assim, muitas mudanças contribuíram para que os municípios brasileiros tivessem acesso aos serviços 
da assistência social e para que milhares de pessoas saíssem da linha de pobreza. Entretanto sabemos 
que melhorias ainda são necessárias, como a definição de um percentual mínimo de repasse para o Suas 
e educação das pessoas para o entendimento da importância dessas políticas públicas. 
Ao analisarmos a extinção da LBA, podemos ver que fora criada por Darcy Vargas, esposa de Getúlio 
Vargas, para dar suporte às famílias dos brasileiros que foram para a guerra. Ela foi a grande mentora da 
Legião,por isso o assistencialismo da época é comumente chamado de primeiro-damismo.
Portanto a Assistência era vista como um Estado de benevolência, e não de direito, por ser 
associado na época aos pobres, à caridade, e não a formar pautas políticas. Distribuíam de tudo, desde 
próteses à comida. 
Segundo Portábilis (2024), depois de certo tempo, a LBA passou a atender as expressões da pobreza, 
buscando assim contemplar os objetivos para os quais fora criada. A mudança motivou a ampliação 
das unidades em todo o território nacional, fazendo com que a organização recorresse a comandos 
nos estados e nos municípios, firmando parcerias com instituições particulares e públicas, por meio de 
convênios conseguiam verbas vultosas para o desenvolvimento das ações.
A Legião da Boa Vontade (LBV) foi a grande instituição executora de assistência social no Brasil 
durante muitos anos, sendo extinta em meados da década de 1990, quando a então primeira-dama, 
Rosane Collor, foi acusada de mau uso do recurso destinado a essa entidade. 
27
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
1.6 A infância na fase institucional (1964‑2000)
A década de 1960 inaugurou-se sob o impacto causado pela Declaração dos Direitos da Criança, 
aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1959. Confrontando as disputas jurídicas havidas 
até então, a Declaração passou a considerar a criança como sendo sujeito de direitos, atribuindo ao 
Estado e à sociedade o dever de garanti-los, quais sejam: direito à saúde, educação, profissionalização, 
ao lazer e à segurança social. O Brasil parecia direcionar-se a uma política de bem-estar social, pois 
nesse período estavam sendo discutidas amplas reformas de base. 
À época, novamente, crianças e adolescentes foram motivo de segurança nacional, e as Forças 
Armadas assumiram a questão da assistência à infância em 1964 (período ditatorial). Competia ao 
governo militar a intervenção e normalização da sociedade, para tanto, haveria a necessidade de “velar 
para que a massa crescente de menores abandonados não viesse a transformar-se em presa fácil de 
consumismo e das drogas, associados no empreendimento de desmoralização e submissão nacional” 
(Rizzini; Pilotti, 2009, p. 126). 
Frente a isso, criou-se a Funabem e a Política Nacional do Bem-Estar do Menor (PNBEM). Tais 
instâncias mantiveram e aprimoraram o modelo carcerário e repressivo do início da década anterior, 
entrando em crise somente quando os militares cederam lugar aos primeiros governos democráticos. 
 Saiba mais
Para ampliar seus conhecimentos, assista ao seguinte filme:
O CONTADOR de histórias. Direção: Luiz Vilaça. Brasil: Warner Bros, 
2009. 110 min.
Nos estados, foram criadas as Fundações Estaduais de Bem-Estar do Menor (Febems).
A função da instituição era: 
 
Art. 5. Formular e implantar a Política Nacional do Bem-Estar do Menor, 
mediante o estudo do problema e planejamento das soluções, a orientação, a 
coordenação e a fiscalização das entidades que executem essa política (Brasil 
apud Rizzini; Pilotti, 2009, p. 300).
A Funabem tinha o trabalho orientado para atender crianças e adolescentes que cometessem 
algum ato infracional e que tivessem vivenciado situação de vulnerabilidade social. Eram considerados 
como tais os moradores em situação de rua, tidos como pessoas com risco potencial para cometer atos 
infracionais, e crianças e adolescentes pertencentes a famílias pobres. De acordo com Rizzini (2004), 
após o primeiro ano de funcionamento da instituição, apenas 5% dos atendidos tinham cometido atos 
infracionais, e a grande demanda provinha de moradores em situação de rua e de famílias pobres.
28
Unidade I
Apesar de a Funabem ter nascido de um movimento de oposição ao sistema 
repressivo anterior, ela se integra no sistema repressivo e tecnocrático 
da ditadura com um sistema centralizador que se ramifica nos estados 
através das Febens [...] (Faleiros apud Rizzini; Pilotti, 2009, p. 90).
Figura 2 – Menores na Febem
Disponível em: http://tinyurl.com/3ej9vmc3. Acesso em: 10 jan. 2024.
Os princípios fixados na política da Funabem eram os seguintes: prioridade para programas de 
assistência à família e colocação em lares substitutos; criação de instituições com características de  ida 
familiar; e respeito às peculiaridades das comunidades das diversas regiões do país. Apesar disso, a Política 
de Segurança Nacional elevou o menor à categoria de problema de segurança nacional, alegando que 
tal segmento estava pondo em risco a ordem pública, pois estava envolvido em várias ações criminosas. 
Assim, apesar das boas intenções das diretrizes norteadoras da Funabem, postergou-se a implantação 
desse novo modelo de política social: em vez de normas que regulamentassem as prioridades eleitas 
como finalidades pela fundação, a legislação trataria de assuntos que inibissem a conduta antissocial 
do menor, por exemplo: proibição de elaboração e circulação de publicações que tratassem de temas de 
crimes, terror ou violência, além da incitação à prática autoritária, com medidas de adoção de castigos 
físicos aos internados. 
As práticas internas da instituição reproduziam a lógica do regime militar vigente na época: repressão, 
confinamento e violência. A internação mostrou-se mais uma vez como um sistema degradante e que 
agravou a situação de milhares de crianças/adolescentes brasileiros, produzindo e reproduzindo entre 
eles a marginalidade.
Rizzini (2004) relata que a Funabem foi criada para substituir o SAM, do qual herdou todos os bens 
móveis e imóveis, e a utilização de práticas punitivas e coercitivas, além da combinação de atendimento 
em um mesmo espaço de adolescentes pobres, moradores de rua e de envolvidos com ato infracional. 
29
DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA PESSOA IDOSA
O serviço foi executado, sobretudo, por meio do acolhimento dos atendidos em instituições, na maioria 
das vezes de regime fechado. 
Becher (2011), analisando de forma crítica a Funabem, revela que essa instituição foi organizada 
pelo Estado apenas para poder atender aos objetivos do regime militar, à frente do poder na época. A 
prática de recolhimento de crianças e de adolescentes que haviam cometido ato infracional e dos que 
eram tidos como propensos a isso, como crianças e adolescentes pobres e ainda aqueles que residiam 
na rua, era analisada como uma medida de segurança nacional, aliás, palavra comum nos governos de 
ditadura política. 
 Observação
Havia a culpabilização da família pelo “estado de abandono do menor”, 
ou seja, a ideia de proteção à infância era, antes de tudo, proteção 
contra a família.
Muitas famílias buscavam internar seus filhos em idade escolar na Funabem, desejando um local 
seguro, onde eles pudessem estudar, se alimentar, serem educados. A preocupação era garantir a 
formação escolar e profissional dos filhos, e o uso da instituição para controle dos filhos rebeldes era de 
incidência muito pequena. 
Em síntese, a falta de recursos era um dos elementos determinantes das internações. 
A proposta da Funabem de atendimento à criança e ao adolescente considerados menores era pautada 
em campanhas preventivas e na descentralização de suas atividades, mas não obteve bons resultados, 
aumentando o número de internações. Diante desse quadro, foi instaurada uma Comissão Parlamentar 
de Inquérito (CPI), que ficou conhecida como a CPI do Menor. Esta funcionou como um laboratório de 
pesquisas e busca de soluções para os problemas relacionados ao menor (Rizzini; Pilotti, 2009).
Se o Estado brasileiro conseguiu ou não manter a ordem esperada? Pode-se responder que não, visto 
que seus mecanismos de controle começaram a dar sinais de esgotamento a partir de meados da década 
de 1970. Mas o fato é que essa instituição foi marcada pela prática agressiva e extremamente coercitiva. 
Após a criação dessas entidades, somente a partir da Constituição de 1969 que o Estado brasileiro 
voltou a pensar e a refletir sobre a assistência social, quando foi determinado que o

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