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Texto 4- Lidando com a morte e o 
sentimento de perda
Cap. 19
Papalia, Diane E. – Desenvolvimento Humano. 14ª. Edição. Porto Alegre. 
2022.
Os significados e os contextos da morte
• A morte é um fato biológico, social, cultural, histórico, religioso, legal, 
psicológico, clínico, ético e de desenvolvimento.
• O contexto histórico e os valores e crenças sociais afetam a maneira 
como as pessoas encaram a própria morte.
• A revolução da mortalidade: em décadas anteriores, era comum que 
as pessoas falecessem em suas casas, muitas vezes, de forma 
precoce. Com o avanço da medicina e do saneamento básico, as 
pessoas sobreviviam mais tempo. Tornou-se mais raro o fato de 
mulheres morrerem no parto; os bebês sobreviviam aos primeiros 
anos de vida e os adultos podiam superar e obter a cura de algumas 
doenças, antes fatais.
O lidar com a morte na atualidade
• Cada vez mais ocorre a institucionalização diante da morte; a assistência de 
cuidados paliativos, a morte no contexto hospitalar, afasta as pessoas de um 
contato mais direto com a morte e o morrer.
• Em virtude deste contexto, tenta-se evitar e negar a morte, atribuindo-se a falhas 
na assistência médica, o óbito, que na realidade, é decorrente do fim natural da 
vida.
• A assistência ao doente terminal : os cuidados paliativos visam amenizar o 
sofrimento, controlar alguns sintomas e manter uma qualidade de vida 
satisfatória para o doente. 
• Esta assistência proporciona também uma preparação para os familiares, uma vez 
que uma parcela destes cuidados acontece no domicílio da família. É necessário 
que o doente terminal identifique que os seus familiares o reconhecem como 
digno de estima e honra e esta atitude é fundamental para uma morte digna.
Enfrentando a morte e as perdas
• Mudanças físicas e cognitivas que antecedem a morte : algumas 
pessoas recusam alimentação, denotando um progressivo processo 
de introversão e desligamento da realidade externa.
• Os estágios de confronto com a própria morte (Kübler-Ross):
▪Negação (Isto não está acontecendo comigo !)
▪ Raiva (Por que eu ?)
▪ Barganhar um tempo extra (se eu pudesse viver um pouco mais, 
faria..)
▪ Depressão
▪ Aceitação.
Enfrentando a morte e as perdas
• Padrões de luto : a perda de um ente querido acarreta mudanças no papel 
e no status de cada integrante da família. O luto se expressa através da 
resposta emocional vivenciada nos primeiros estágios da perda.
• Cada pessoa irá vivenciar o seu processo de luto de forma particular.
• O modelo clássico de elaboração do luto envolve :
➢Choque e descrença (entorpecimento, tristeza e choro);
➢Preocupação com a memória da pessoa falecida (recordar experiências e 
como foi o convívio com o falecido)
➢Resolução (retomada das atividades cotidianas; sentimentos de tristeza em 
substituição a dor aguda e ansiedade).
Luto : múltiplas variações
• Padrões de luto : normalmente esperado (a pessoa enlutada 
demonstra um sofrimento intenso que é amenizado ao longo do 
tempo); luto ausente (a pessoa não demonstra sofrimento em 
nenhum período após o falecimento) e luto crônico (a pessoa pode 
vivenciar a perda ao longo de todo o ciclo vital).
• Destaca-se a angústia da vivência do luto para pessoas que têm 
familiares desaparecidos e não conseguem concluir esta fase (perda 
ambígua).
Atitudes em relação à morte e ao morrer ao 
longo do ciclo vital
• A maneira como crianças compreendem a morte : segundo J. Piaget, 
a partir de 7 anos a criança compreende a morte como um fenômeno 
irreversível, universal e inevitável.
• Antes desta idade a criança demonstra um pensamento mágico para 
compreender a experiência da morte (professores, pais e crianças não 
morrem; ela própria será capaz de viver para sempre; quem é esperto 
consegue fugir da morte).
• É necessário que a criança tenha oportunidade para falar sobre a 
morte; com isso ela está sendo preparada para lidar com a situação, 
seja em relação a uma pessoa, animal de estimação ou ela mesma.
Atitudes em relação à morte e ao morrer ao 
longo do ciclo vital.
• A criança pode expressar a dor da perda de forma peculiar: algumas demonstram 
raiva; podem fingir que a morte não aconteceu; é difícil compreender os 
eufemismos que os adultos utilizam (ele se foi, a família perdeu um ente querido, 
descansou, virou estrelinha, foi morar com o Papai do Céu, dentre outros).
• A maneira como ocorreu a morte do ente querido também pode intensificar 
estados de confusão e angústia: ter se tido um relacionamento conturbado com a 
pessoa que faleceu; a morte por suicídio ou assassinato promove ansiedade.
• É importante ouvir e tentar tranquilizar a criança, afirmando que a morte da 
pessoa não ocorreu devido a algo errado que ela tenha feito; que continuará 
recebendo apoio dos demais familiares; respeitar a sua necessidade de falar o 
que sente em relação a essa perda. É importante procurar manter a rotina e o 
ambiente com o mínimo de mudanças possíveis.
Atitudes em relação à morte e ao morrer ao 
longo do ciclo vital.
• Quanto aos adolescentes, não se observa uma preocupação específica em 
relação à morte, ao menos que o jovem tenha que confrontá-la 
diretamente. É comum, inclusive, que adolescentes pratiquem atos que 
podem colocar suas vidas em risco, demonstrando que eles buscam 
expressar a sua identidade, investindo em como vivem e não por quanto 
tempo estarão vivos.
• Na idade adulta jovem, o risco de morte compromete seriamente a 
concretização de muitos sonhos e objetivos, provocando intensa 
frustração.
• Na idade adulta intermediária pode ocorrer uma compreensão mais 
realista do fim da vida, em parte devido às alterações físicas e em parte 
pela necessidade de conquistar o que falta para a auto realização.
Atitudes em relação à morte e ao morrer ao 
longo do ciclo vital.
• Alguns idosos, inclusive, podem se preparar para a morte, 
providenciando um testamento, planejando o próprio funeral e 
explicitando seus desejos para familiares e amigos.
• Já os idosos tardios, podem vivenciar sentimentos confusos, 
perdendo um pouco o prazer de viver em razão das limitações físicas 
que o envelhecimento impõe. Reavaliar de forma positiva a trajetória 
da vida (reconhecendo erros e acertos) pode ser um bom recurso 
para amenizar essa angústia diante da morte.
Perdas significativas
• Perda do cônjuge: o stress da viuvez afeta a saúde física e mental. 
Algumas pessoas apresentam uma redução importante da imunidade, 
comprometendo-se o sistema de defesa do organismo, facilitando o 
acesso de doenças oportunistas. A ausência da presença física da 
pessoa induz o viúvo/viúva a recordação desse convívio, o que 
intensifica a dor da perda.
• A mulher viúva pode contar com dificuldades adicionais, 
especialmente se o companheiro era o provedor financeiro da família 
e se somente ele soubesse lidar com as despesas, comprometendo a 
renda e até mesmo a sobrevivência da pessoa.
Perdas significativas
• Perda de um dos pais na idade adulta: apesar da dor, alguns adultos 
adquirem certo amadurecimento, podendo compreender melhor o sentido 
da finitude da vida, assumindo maior responsabilidade diante da própria 
vida, estabelecendo vínculos afetivos mais gratificantes com outras 
pessoas.
• A perda de um dos pais desencadeará a necessidade de cuidado e 
assistência para o parental vivo; em relação aos irmãos, poderá ocorrer um 
fortalecimento do vínculo entre eles ou se intensificarão os conflitos, em 
função da herança e cuidados que devem ser compartilhados em relação 
ao parental vivo.
• A perda de um dos pais pode alertar o adulto para expressar a sua 
afetividade enquanto ainda é tempo.
Perdas significativas
• A perda de um filho: esta experiência inverte o curso natural das 
coisas; os pais podem pensar que falharam, sem reconhecer o quanto 
o amaram e fizeram o que foi possível. Quando o casamento dos pais 
é sólido, esta perda pode fortalecê-los ainda mais; porém, há casos 
em que a perda enfraquece e rompe o vínculo. O estresse da morte 
de umfilho pode apressar a morte de um dos pais.
• Quando a perda de um filho ocorre em unidades de tratamento 
intensivo, é comum os pais mencionarem que a fé e o apoio da crença 
religiosa pode aliviar o sofrimento desta forma de luto.
Perdas significativas
• O luto de um aborto espontâneo : esta perda pode envolver muito 
sofrimento, receio de não conseguir engravidar novamente e um 
sentimento de frustração, especialmente nos casos de abortos 
consecutivos, levantando a suspeita que as gestações ocorrem com 
embriões com sérias deformidades, incompatíveis com a vida.
• Para alguns pais, especialmente aqueles que já se encontram em uma 
idade mais avançada, o aborto pode ser uma prova de inviabilidade 
de terem filhos biológicos.
• Embora o casal possa estar sofrendo intensamente, é necessário 
destacar o valor do apoio do companheiro para a mulher que 
abortou.
O direito à morte
• A questão do suicídio: tem-se observado um número crescente de 
suicídios (embora as estatísticas não retratem a totalidade dos casos) 
e este ato é facilmente associado a transtornos psiquiátricos e 
proibições religiosas.
• Outro dado importante é reconhecer que os dados estatísticos só 
revelam os atos consumados, sem apontar as tentativas frustradas 
que algumas pessoas praticam.
• Ainda assim, o número de casos de suicídio é significativamente 
maior entre os homens, que recorrem a meios mais agressivos (armas 
de fogo, enforcamento), enquanto as mulheres utilizam 
envenenamento.
O direito à morte
• Antecedentes para se compreender os riscos de suicídio : histórico e 
tentativas de suicídio na família podem ser um sinal de alerta; 
alterações comportamentais podem sinalizar ideação e planejamento 
de um suicídio (desfazer-se de objetos que a pessoa tem apreço, 
abuso de álcool e outras drogas; raiva, tristeza, tédio ou apatia 
incomuns; redução da auto estima, desamparo, desesperança e 
pânico).
• Destaca-se ainda as demais “vitimas do suicídio” – parentes e amigos 
que se culpam por não terem percebido as intenções da pessoa e 
evitado o suicídio.
O direito à morte
• Eutanásia: no Brasil o atual código penal (1940) não elenca de forma 
explícita e objetiva a prática da eutanásia.
• Teoricamente definem-se dois tipos de eutanásia : passiva (retirada dos 
medicamentos e sistemas de suporte à vida do paciente terminal) e ativa 
(assassinato por misericórdia).
• O paciente deve explicitar a sua vontade para autorizar a interrupção de 
tratamentos que prolonguem a sua vida.
• Em alguns países há o suicídio assistido – o paciente ingere uma 
substância, por vontade própria, documentada através de vídeos.
• Argumentos éticos e clínicos contestam o suicídio assistido, afirmando que 
se deve tentar tudo o que é possível para salvar uma vida e se não for 
possível, aguardar a morte naturalmente.
Reavaliação da vida
• A consciência da finitude da vida nos oferece a possibilidade de 
investir em oportunidades de crescimento e amadurecimento de 
forma intensa e profunda.
• As recordações da trajetória da vida nem sempre são agradáveis, 
porém, a autocompreensão contribui para um fortalecimento diante 
das dificuldades e uma valorização dos recursos positivos de que 
dispomos para superar dificuldades.
• Enfim, o desenvolvimento humano é um processo para a vida toda.
	Slide 1: Texto 4- Lidando com a morte e o sentimento de perda
	Slide 2: Os significados e os contextos da morte
	Slide 3: O lidar com a morte na atualidade
	Slide 4: Enfrentando a morte e as perdas
	Slide 5: Enfrentando a morte e as perdas
	Slide 6: Luto : múltiplas variações
	Slide 7: Atitudes em relação à morte e ao morrer ao longo do ciclo vital
	Slide 8: Atitudes em relação à morte e ao morrer ao longo do ciclo vital.
	Slide 9: Atitudes em relação à morte e ao morrer ao longo do ciclo vital.
	Slide 10: Atitudes em relação à morte e ao morrer ao longo do ciclo vital.
	Slide 11: Perdas significativas
	Slide 12: Perdas significativas
	Slide 13: Perdas significativas
	Slide 14: Perdas significativas
	Slide 15: O direito à morte
	Slide 16: O direito à morte
	Slide 17: O direito à morte
	Slide 18: Reavaliação da vida

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