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Psicodiagnós~co 
em psicologia clínica 
1. Considerações gerais 
ISABEL AORAOOS* 
1. Considerações gerais; 2. O papel do 
psic6logo. 
O psicodiagn6stico, seu enfoque, abordagem e tudo quanto se refere a este pro­
cesso evoluiu e foi transformando-se paralelamente ao desenvolvimento da pr6pria 
psicologia. Não é mais um compartimento estanque, um aspecto isolado dentro da 
psicologia clínica, mas um processo nela inserido vivo e dinâmico; . 
Esse processo, nos casos menos graves, pode ter sua gestalt fechada no ftm do 
psicodiagn6stico. A entrevista informativa, também chamada devolutiva ou de 
devolução, quando bem conduzida pode ser tão c1ariftcadora e tranqüilizante qúe 
o paciente experimente uma queda no nível de ansiedade e mobilize seus recursos 
de forma a poder resolver o conflito e os problemas a ele inerentes. 
O caso pode ser mais grave e os aspectos sadios do ego não terem força 
suftciente para solucionar a problemática. Quando tal acontece, o psicodiagn6stico 
prepara o paciente para dar início ao tratamento psicoterápico. 
Durante a terapia as conclusões levantadas no diagnóstico continuam a intera­
gir no psicoterapeuta e no paciente. O paciente já tomou consciência durante o 
psicodiagn6stico de que a doença não é ele, que tem aspectos doentes mas 
também possui áreas livres de conflitos e recursos que o terapeuta poderá utilizar 
para resolver de maneira mais rápida, acertada e eficiente suas perturbações emo­
cionais. Na fase final do processo-diagnóstico, a estratégia terapêutica já foi plane­
jada e explicada ao paciente de tal forma que o incremento de ansiedade que 
costuma surgir na fase inicial do tratamento fica bastante atenuada. 
* Psicóloga do ISOP. 
Arq. bras. Psic., Rio de Janeiro, 32 (1): 423-430, jan./mar. 1980 
· 2. O papel do psicólogo 
Para o psicólogo ter um bom desempenho durante o processo-diagnóstico precisa 
de preparação e treinamento eficiente. Ele galgou novas posições e maior status, 
não é mais um testólogo como nas primeiras décadas da psicologia, deixou de ser 
dependente de outros especialistas para com eles trabalhar em equipe a nível 
multidisciplinar. Ao ter maior liberdade, automaticamente passou a ter maior 
responsabilidade, mas uma responsabilidade compartilhada por outros profissio­
nais e por eles respeitada. 
O psicólogo que vai trabalhar nesta área necessita conscientizar-se de que vai 
ser depositário dos problemas íntimos do paciente. Para poder suportar essa sobre­
carga afetiva, tem de estar preparado de forma a saber lidar com as emoções que o 
processo indefectivelmente acarreta e poder elaborar a ansiedade que desperta. 
Espera-se que na transmissão dos resultados demonstre um conhecimento inte­
grado, vivo e dinâmico do indivíduo que examinou. Isto no que diz respeito à 
pessoa que solicitou o laudo-diagnóstico. 
O paciente, por sua vez, deseja ter uma informação dos exames realizados 
dentro de seu nível de compreensão. A informação precisa ser transmitida sem 
mobilizar ansiedade. 
Se o psicólogo responsável pelo psicodiagnóstico está preparado para essa 
tarefa é, em nosso conceito, a pessoa mais indicada para levá-la a termo. Caso 
contrário, o próprio psicoterapeuta ou outro psicólogo com bons conhecimentos 
de psicologia clínica será o responsável por essa entrevista. 
Embora não se transmita o conteúdo dos testes de exploração de personali­
dade na sua totalidade e diretamente, ao menos parte da informação obtida, 
considerada acessível ao paciente, precisa ser devolvida. 
Na entrevista informativa ou devolutiva que encerra o processo, cada caso tem 
suas peculiaridades, sendo todos diferentes entre si; ep.tretanto, certas normas 
costumam ser seguidas. Em geral se começa a entrevista fazendo-se referência à 
esfera intelectual, em seguida pode-se falar das áreas mais sadias e menos compro­
metidas da personalidade. Quando o paciente está ciente dos seus recursos, é mais 
fácil explicar o conflito e conversar sobre os determinantes dos seus problemas. . 
Em relação aos familiares do paciente, a neutralidade mais absoluta se faz 
necessária; nl[o podemos ser manipulados, seduzidos, e muito menos tomar par­
tido a favor ou contra. O paciente é o centro maior de interesse; o respeito e o 
sigilo são a primeiia norma a ser seguida mesmo quando se trata de menores. 
Também é importante para o psicólogo no desempenho do seu papel saber 
lidar com o requerente do laudo. Esse relacionamento costuma ser experimentado 
pelo psicólogo incipiente como pressionante ou ameaçador. Para diminuir sua 
própria ansiedade, quase sempre apela para soluções extremas na elaboração do 
laudo-diagnóstico. Ou .o faz demasiado sucinto, com medo de errar se entrar em 
maiores explicações, ou se estende num relatório minucioso, esquecendo que o 
profissional que solicita o exame, a maior parte das vezes, desconhece nossa termi-
424 A.B.P.1/80 
'nologia e dificilmente conse'guirá obter conclusões úteis do laudo laboriosamente 
trabalhado. O equilíbrio se consegue' mediante treinamento supervisionado, entre­
vistas gravadas, etc. 
Quando o psicólogo inicia seu trabalho com pacientes, o enquadre é. sempre 
mais objetivo se ele familiarizou-se previamente com a tarefa de "avaliação de 
recursos humanos" de pessoas consideradas normais. Caso contrário, é fácil cair na 
tentação de, dar início ao processo-diagn'óstico influenciado pela idéia de "vamos 
ver o que há de errado com este caso". 
O papel do psicólogo nã'o é o de pesquisar o que o indivíduo tem de negativo. 
Todos os homens, por maior que seja seu comprometimento emocional ou mental, 
possuem áreas sadias e não-comprometidas que devem ser cuidadosamente estuda­
das. 
Nas suas mãos, o psicólogo não tem um caso, mas uma pessoa e, como tal, 
dinâmica, . transcendente, sempre em evolução. Se no momento se encontra em 
'dificuldades, nada impede que futuramente supere seus problemas e venha a ter 
um desempenho mais sadio. 
Penso que não devemos partir do ponto de vista de que o indivíduo que 
estamos examinando necessariamente tem de ser desajustado, neurótico ou psic6-
tico, mas colocar-nos frente a ele, desde os primeiros contatos, isentos de qualquer 
preconceito. Por outro lado, os testes e técnicas de investigação da personalidade, 
por mais aprimorados que sejam, não têm poderes para dar informações conclusi­
vas, decisórias e totalmente yerdadeiras a respeito da pessoa examinada. S neces­
sário meditar sobre as informações que vêm da própria pessoa a nível direto, 
vivencial, pois costumam ser da maior importância, e após cuidadoso estudo das 
, mesmas, checá-las com os dados obtidos mediante os testes. 
Também é bom frisar que os testes de personalidade e principalmente as 
técnicas projetivas, justamente pela capacidade que têm de investigar os aspectos 
mais profundos da personalidade, agem como uma lupa colocando em destaque o 
que de mais negativo o ser humano possa ter. Na comunicação que fiz ao I 
Congresso Interamericaoo de Psicologia Clínica, já falei sobre este assunto cha­
mando a atenção para o fato de que, nas técnicas projetivas .. mesmo os indivíduos 
normais, desde que o exame seja profundo, revelam a patologia subjacente. 
Finalmente, temos podido observar que nos últimos anos o especialista em 
psicodiagnóstico, fugindo da indesejável condição de testólogo, propende a adotar 
uma atitude estritamente psicanalítica, partindo para interpretações arriscadas e 
desprezando por obsoletos os dados conseguidos mediante os testes. Entretanto, 
as entrevistas livres, abertas, dificultam a consecução da verdadeira fmalidade do 
psicodiagnóstico. 
Um marco de referência tem de existir; a adesão a uma determinada teoria, 
quando válida, só pode enriquecer o processo, mas deve haver limites especial­
mente em relação ao tempo. 
Cada psicólogo, enfun, vai encontrando aos pQUcos seu caminho e identificao­
do-se CO,m o papel que realmente deseja desempenhar. Seja qual for esse papel, 
Psicologia clfnica 425 
desde que pretenda trabalhar em psicodiagnóstico,tarde ou cedo precisará enfren­
tar uma destas situações: a) fazer uma avaliação de recursos humanos; b) dar sua 
opinião em forma de psicodiagnóstico; c) fazer um diagnóstico diferencial. São 
três aspectos do processo-psicodiagnóstico que vão num crescendo quanto ao nível 
de dificuldade na sua execuçã'o. 
Levando em consideração a brevidade desta comunicação, tentarei fazer 
apenas uma referência à última alternativa. 
Da mesma forma como a febre é comum a um sem-número de doenças e 
costuma ter sua origem numa infecçã'o qualquer, assim acontece na vida emocional 
com a ansiedade em relação ao conflito. Ambos são comuns a praticamente todas 
as perturbações psicológicas. A sintomatologia, por sua vez, pode ser bastante 
similar em determinadas síndromes ao ponto de gerar confusão. 
Em certos casos nã'o tem a menor importância o nome ou o rótulo que se dá a 
doença. O paciente está sofrendo, o terapeuta sabe como cuidar dele e resolver seu 
problema, e tudo fica por isso mesmo. Entretanto, existem síndromes muito 
parecidas sintomatologicamente, mas o enfoque terapêutico para uma melhor e 
mais rápida abordagem ao problema poderá ser muito diferente. Apesar da Ojeriza 
que nós, psicólogos clínicos, temos em relação ao tratamento medicamentoso nas 
doenças emocionais, precisamos reconhecer que em algumas o tratamento quimio­
terápico é básico e, por vezes, único; em outras, a assistência psicológica é essen­
cial, e ainda existem os casos que exigem um tratamento misto. 
Aqui a necessidade do diagnóstico diferencial. Ele é de grande utilidade em 
psicologia clínica, inclusive para o psicólogo ter uma noção concreta sobre se está 
.lidando com um desajustamento, uma neurose, ou se o caso em estudo encontra-se 
situado na esfera psicótica. Sendo que o diagnóstico diferencial nã'o pode limitar­
se a dizer "trata-se disto, QU daquilo", o psicodiagnóstico diferencial não pode ser 
apenas nominativo, precisa ser também compreensivo. É preciso acrescentar a 
forma provável e natureza do distúrbio, esclarecer, entre outras coisas, em que 
circunstâncias a patologia, escapando aos controles, poderá aparecer no comporta­
mento. De que forma a ansiedade poderá extrapolar os limites toleráveis e quais 
são esses limites para o indivíduo em estudo; qual seu limiar de resistência às 
frustrações, enfim, os dados essenciais relativos à dinâmica da personalidade. 
Por outro lado, o diagnóstico diferencial pode poupar muitas horas de terapia 
e o psicólogo clínico também pode beneficiar-se de diversas formas,~ inclusive 
ficando livre do compromisso de aceitar determinado caso por nã'o considerá-lo da 
sua alçada. 
Para melhor entender esta última colocação, tentaremos expor duas sín­
dromes que, do ponto de vista sintomatológico, são praticamente iguais e, entre­
tanto, são completamente diferentes na sua etiologia, estruturação, tratamento e 
prognóstico. 
Estou-me referindo à depressão endógena e à depressão psicógena. Sob o . 
título de depressão podemos encontrar quadros diferentes, sendo os mais conheci­
dos os seguintes: 
426 A.B.P.1/80 
1. A tristeza. Caracteriza-se por leves sintomas depressivos justificados pelas ciro" 
cunstâncias ambientais. 
2. Depressão reativa. Também surge em decorrência de um motivo externo do 
qual depende. Desaparecendo este, a depressão termina. Sua diferença com relação 
à tristeza é uma questão de grau, talvez por esse motivo não seja aceita pela 
maioria dos estudiosos, sendo mais significativa a depressão neurótica. 
3. Depressão neurótica ou psicógena. Ela é compreensível dentro do histórico do 
paciente; seu começo é insidioso, lento, oscila em intensidade, às vezes em qllestão 
de dias e até de horas. Acontecimentos externos, desde que positivos, têm poder 
para remover os sintomas. 
Os pacientes, quando portadores de insônia, experimentam-na no período 
inicial; custam muito a dormir e, uma vez que dormem, a acordar. Não apresentam 
idéias delirantes e costumam sentir-se pior à noite. Quer dizer, na depressão reativa 
é suficiente umadescompensação; o limiar de resistência ultrapassado, surge o 
estado de ânimo disfórico. Na depressão neurótica é preciso que existam condi­
ções predisponentes, conflito básico e uma estrutura neurótica determinada, quase 
sempre, por uma neurose infantil mal-resolvida e reativada perante pressões de 
todo tipo. No enfoque psicanalítico, o distúrbio teria origem na fase edipiana 
como decorrência de um conflito sexual entre as pulsões edípicas e a censu~a do 
superego determinando medo e culpa. 
Como diz E. Ey, "a relação do neurótico com os outros que dessa forma ficou 
erotizada se encontra também alterada em relação ao próprio ego, de onde resulta 
um sentimento de insegurança permanente em relação aos demais." 
A ansiedade nestes casos é intensa e o sentimento de impotência muito forte. 
Todas essas manifestações psíquicas às vezes vêm acompanhadas de "lentificação" 
no setor da motricidade. 
Abraham foi quem deu início à explicação psicanalítica da depressão, que ele 
considerava uma decorrência da perda do objeto amado. Mais tarde, Freud reco­
nheceu que o objeto amado é reconstruído no ego e as acusações dirigidas a si 
mesmo refletem a agressão dirigida ao objeto, e destacou a ambivalência que 
transforma o amor em ódio. 
Abraham acentuou a incapacidade de amar como uma conseqüência da ambi­
valência do paciente e salientou que, de modo geral, o neurótico-depressivo tende 
a esconder sua falta de auto-estima. Paradoxalmente, o ego do depressivo caracte­
riza-se por jlma intensa intolerância narcisística. Os fracassos e frustrações que um 
ego normal tolera facilmente &a"o considerados graves pelo depressivo. 
Perante a perda de amor, reagem violentamente com forte sentimento-de 
frustração e, em decorrência de agressividade, embora se considerem pessoas 
pouco dignas, adotam atitudes de ofendidas como se estivessem sendo vítim!lS de 
grave injustiça. Abraham pensava que esta reação teria sua origem no período de 
rebeldia e oposição que precede a depressão propriamente dita. Esta seria a tal fase 
de rebelião que precederia a fase de agressão contra o próprio ego. Mais tarde, o 
Psicologia clfnica 427 
arrependido ego se deixa castigar pelo superego que dirige toda a sua agressividade 
contra ele, agora substituto do objeto amado. 
Dessa forma, o ego do depressivo perde sua autonomia e fica inteiramente 
dominado pelo superego. 
Melanie Klein fez várias contribuições nesta área, criou novos termos e frisou 
o papel da reparaçã'o. 
4. Depressão endógena. Teríamos, enfim, a depressão endógena .que seria tipica­
mente psicótica. Costuma ter um começo súbito, os motivos do estado disfórico 
não têm explicação a nível do histórico do indivíduo; aparece~ idéias delirantes, 
insônia terminal, o paciente acorda ao amanhecer e não concilia mais o sono, sen­
te-se mal disposto de manhã e a depressão é acompanhada de sentimento de culpa. 
Nessa síndrome há influência da herança e da constituição genotípica. A 
depressão é, entre as doenças mentais, a que apresenta o determinismo heredoge­
nético mais evidente (24 a 50% nos filhos). Caracterua-se por uma diminuição da 
energia global, tristeza vital profunda e um pessimismo geral. 
Os sintomas depressivos atingem sua máxima intensidade e o paciente se anu­
la, não querendo alimentar-se e procurando insistentemente a morte. A maioria, 
quando não cuidadosamente protegida durante as crises, consuma o suicídio após 
um impulso brutal, súbito, configurando uma auto-agressão brusca. Embora exista 
alguma causa remota à qual o paciente atribui seu estado, a verdade é que nesses 
casos a tristeza surge do fundo da personalidade não tendo as circunstâncias 
externas poder para modificar o estado depressivo. 
Uma vez que a depressão se estrutura, permanece impermeável a quaisquer 
métodos psicoterápicos. Recomendar psicoterapia nesses casos é perder contato 
com a realidade clínica. O tratamento da depressão endógena é fundamentalmente 
quirnioterápico, à base de antidepressivos,que costumam ser bastante eficientes. 
Nos demais casos de depressão, os remédios podem agravar a crise. 
Tentaremos sistematizar os dados relativos ao diagnóstico diferencial da de­
pressão end6gena e psicógena a nível imediato ou vivencial, a nível dinâmico, 
mediante uma técnica projetiva de exploração da personalidade, e a nível estrutu­
ral, mediante um teste expressivo, no presente caso, o Psicodiagnóstico Miociné­
tico (quadros 1, 2 e 3). 
Contudo, convém lembrar que as pessoas são únicas, individuais, e essas 
síndromes dificilmente se apresentarão puras. Determinado paciente não é um 
depressivo, mas um paciente que adquiriu urna depressão e cuja individualidade 
imprimirá características específicas à doença. Cabe ao psicólogo a difícil tarefa de 
integrar os dados todos do processo e, aplicando seus conhecimentos básicos de 
psicologia profunda e psicopatologia, chegar cautelosamente à conclusão acertada. 
Obviamente, no diagnóstico desta síndrome o que interessa do é "se o indiví­
duo tem uma depressão"; isto, sintomatologicamente, é óbvio. Mas desde que o 
tratamento a respeito é muito diferente, o diagnóstico diferencial se faz necessário 
e o especialista em psicodiagnóstico deve tentar chegar a conclusões adequadas. 
428 A.D.P.1/80 
QUadro 1 
Diagnóstico diferencial da depressio 
Abordagem a nível direto . 
Depressão endógena 
1. Início súbito 
2. Auto-acusação 
3. Ausência de reatividade 
4. Insônia terminal 
5/ Pior disposição de manhi 
6. Motivos não-(X)mpreensíveis 
7. Idéias delirantes 
8. Intensa intolerância narcisística 
9. Contato com a realidade debilitado 
10. Acontecimentos positivos não mudam 
a depressão 
11. Cede mediante tratamento quimiote­
rápico 
12. A psicoterapia nas crises é inoperante 
Depressão eXÕgena (newótica) 
Início insidioso, lento 
Culpa no objeto externo 
Reatividade 
Insônia inicial 
Intensificação do mal~star à noite 
Motivos compreensíveis pelo histórico 
Ausência de idéias delirantes 
Nem sempre presente 
Nio perde o contato com a realidade 
A depressão pode desaparecer por influência 
de acontecimentos positivos 
O tratamento quimioterápico não está pres­
crito (piora a situação) 
A psicoterapia é o tratamento de escolha 
Quadro 2 
Diagnóstico diferencial da depressão 
Técnica de Rorschach 
Depressão endÕgena . 
1. N.o de respostas inferior à média 
2. Percepção D, Dd, Do 
3. F + % na média ou acima 
4. Ausência de perceptos M 
5. Ausência de perceptos cromáticos 
6. Ausência de choque 
7. Tempo reacional e total muito dilatado 
8. Presença de rejeição (nem sempre su­
perada) 
9. A % quase sempre acima de 60% 
10. Escassas respostas vulgares 
Psicologia clinica 
Depressão exógena 
N.o de resposta na média ou acima 
Percepção D, Dd 
F + % mais elevado que na DE (entre 90 e 
100) 
Presença de percepto M 
Pode aparecer alguma resposta de cor 
Choque de cor 
Reações "lentificadas" 
Ausência de rejeição 
A % acima de 40% e inferior a 60% 
Número normal de respostas vulgares 
429 
Quadro 3 
Psicodiagnóstico Miocinético 
Depressão endógena, melancolia 
Queda dos lineogramas verticais 
Desvio primário negativo do círculo e dos 
us 
Aglutinação dos elos de cadeia ascendente 
Precipitação dos degraus descendentes da 
escada 
Traços auto-agressivos 
lntrotensão 
Depressão exógena (neurótica) 
Desvios primários negativos nos lineogramas 
da mão dominante 
Intensa introtensão nos traçados da mão do-
minante 
A hipotensão aparece também nos círculos 
e nos us verticais, principalmente da mão di­
reita (se o indivíduo for dextro) 
A diferença básica em relação ao PMK entre as duas síndromes, além de que a 
hipotenslo se manifesta, principalmente na mão direita na depressão psicógena, é 
o fato de que na endógena aparecem também traços auto-agressivos. Contudo, em 
relaçlo a este teste carecemos de pesquisas científicas, sistemáticas, que repetindo 
a prova ~tas vezes quantas forem necessárias durante o curso depressivo, 
apontem dados significativos e constantes em relação ao diagnóstico e prognóstico 
da doença. 
430 A.B.P.l/80

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