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m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Sangramento da primeira metade da gestação 2OBSTETRÍCIA PROF. MARINA AYABE GOMES DE MORAES @dra.marinamoraes APRESENTAÇÃO: Eu sou a professora Marina Ayabe G. de Moraes. É uma honra fazer parte da equipe Estratégia MED e poder colaborar em sua preparação para enfrentar as provas de Residência Médica. Eu já estive aí em seu lugar, estudando como louca, à procura de um material bem elaborado, combinado com uma boa didática para ajudar na compreensão de um tema que às vezes parece impossível, seja por falta de afinidade ou seja por uma leitura pesada e pouco atrativa. Assim, esta será minha missão: oferecer a você um conteúdo de qualidade para que consiga a tão sonhada aprovação na Residência Médica. E ainda quero que se sinta confortável e à vontade para voltar e me avisar que esse sonho aconteceu e eu lhe ajudei nessa trajetória. Olá, doutor(a), como você está? m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://www.instagram.com/dra.marinamoraes m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Sangramento da primeira metade da gestação 3OBSTETRÍCIA @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed Agora, peço licença a você, hoje um querido aluno, mas em breve um especialista, para contar um pouco de minha trajetória profissional. Sou formada com muito orgulho e esforço em Medicina pela Faculdade de Medicina de Botucatu, a gloriosa UNESP (cada um “puxa a sardinha” e leva no peito o nome de sua instituição, não é?). Durante meus 5º e 6º anos, estudei desesperadamente para passar direto na Residência Médica, já que minha meta era deixar de decorar Preventiva e Saúde Pública (ops, falei!) e focar os meus estudos de uma vez, na minha paixão, a ginecologia e obstetrícia. Não contente com o término do curso, passei direto na Residência Médica na UNESP-Botucatu e na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e optei para a Residência Médica em minha querida universidade de formação acadêmica, a UNESP-Botucatu. Realizei diversos cursos de aprimoramento na área de ginecologia e obstetrícia, entre eles, a experiência em simulações realísticas em ginecologia e obstetrícia, além de formulação e aplicação de estações no modelo OSCE (exame clínico objetivo e estruturado). Há mais de 10 anos, com muito orgulho e carinho, sou docente de Medicina de uma Universidade do interior de São Paulo. Já fui paraninfa de turma e professora homenageada. Hoje minha meta é ajudar você, de uma maneira eficaz, a alcançar sua aprovação na tão sonhada vaga de Residência Médica e ser muito feliz. Claro que, além disso, vou fornecer uma bagagem de conteúdos médicos seguros em obstetrícia para um raciocínio clínico mais limpo e eficiente. Estudamos, por meio da engenharia reversa, a teoria focada na maneira como são cobrados os conteúdos. Jamais estou aqui para escrever ou substituir livros renomados, mas vou facilitar a você aquela visão para a qual eu, quando aluna, não encontrava a lógica do raciocínio. Acredito que, ao término do livro, você estará preparado para enfrentar as questões de obstetrícia sem a necessidade de material complementar. Vou aproveitar a oportunidade e deixar alguns “macetes”, pois, para ser aprovado, não basta apenas conhecimento teórico, faz-se necessário SABER REALIZAR UMA PROVA. Mas, além de estar mais preparado, você levará esse conhecimento adquirido para sua vida profissional. Atenção para algumas dicas de estudo: 1º Não leia este material apenas 1 vez. Faça seus resumos e volte a ler para a FIXAÇÃO do conteúdo daqui a alguns dias ou meses. 2º Resolva MUITAS QUESTÕES: método Dr. Joshua de estudo “3Qs”: após a leitura, resolva QUESTÃO, QUESTÃO E QUESTÃO. 3º Faça RESUMOS da matéria. Não grife tudo, grife o que não pode faltar para ser compreendido e decorado (já deixei pontos em negrito para ajudar). 4º Vai ter que DECORAR porque a chance é alta de cair na prova: escreva em uma folha e COLE NA PAREDE DO QUARTO OU NO BANHEIRO e olhe todos os dias. Certeza de que uma hora entra na cabeça. 4º Se necessário, pode me procurar pelo FÓRUM DE DÚVIDAS e em nossas redes sociais: não vá para a prova com dúvidas, sendo que posso ajudá-lo. 6º NÃO PERCA TEMPO: se seu objetivo é passar, vamos, então, conquistar essa vaga. 7º Não gosta de estudar OBSTETRÍCIA? Estude então aqui comigo, de ódio mesmo! Eu vou facilitar seu estudo para sua aprovação, para sua especialidade e na instituição que desejar. Conte comigo! Pronto? Então, separe seus materiais, concentração e vamos começar! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw?sub_confirmation=1 https://t.me/estrategiamed m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED 4 Sangramento da primeira metade da gestaçãoOBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 6 1.0 ABORTAMENTO 8 1.1 DEFINIÇÕES 8 1.2 CLASSIFICAÇÃO 8 1.3 EPIDEMIOLOGIA 10 1.4 ETIOLOGIA 12 1.4.1 ALTERAÇÕES CROMOSSÔMICAS 12 1.4.2 DOENÇAS ENDÓCRINAS 13 1.4.3 INFECÇÕES 14 1.4.4 CAUSAS UTERINAS 14 1.4.5 FATORES IMUNOLÓGICOS 17 1.4.6 TABACO, ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS 18 1.4.7 TRAUMA 18 1.5 FORMAS CLÍNICAS DE ABORTAMENTO E CONDUTAS ESPECÍFICAS 19 1.5.1 AMEAÇA DE ABORTAMENTO 19 1.5.2 ABORTAMENTO INEVITÁVEL 23 1.5.3 ABORTAMENTO COMPLETO 24 1.5.4 ABORTAMENTO INCOMPLETO 25 1.5.5 ABORTAMENTO INFECTADO 27 1.5.6 ABORTO RETIDO E GESTAÇÃO ANEMBRIONADA 29 1.6 CARACTERÍSTICAS ULTRASSONOGRÁFICAS DO ABORTAMENTO 34 1.7 TÉCNICAS PARA ESVAZIAMENTO UTERINO 36 1.7.1 ASPIRAÇÃO INTRAUTERINA 36 1.7.2 CURETAGEM UTERINA 37 1.8 LISTA DE QUESTÕES 39 2.0 GESTAÇÃO ECTÓPICA 40 2.1 DEFINIÇÃO 40 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED 5 Sangramento da primeira metade da gestaçãoOBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 2.2 LOCALIZAÇÃO 41 2.3 QUADRO CLÍNICO 42 2.4 FATORES DE RISCO 43 2.5 DIAGNÓSTICO 43 2.6 TRATAMENTO 45 2.6.1 CONDUTA EXPECTANTE 46 2.6.2 TRATAMENTO MEDICAMENTOSO 46 2.6.3 TRATAMENTO LOCAL COM METOTREXATO 51 2.6.4 TRATAMENTO CIRÚRGICO 51 2.7 GESTAÇÃO ECTÓPICA DE LOCALIZAÇÃO ATÍPICA 54 2.8 LISTA DE QUESTÕES 56 3.0 DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL 57 3.1 MOLA HIDATIFORME 59 3.1.1 FATORES DE RISCO 59 3.1.2 PATOGÊNESE 61 3.1.3 QUADRO CLÍNICO 67 3.1.4 TRATAMENTO 74 3.1.5 SEGUIMENTO PÓS-MOLAR 78 3.1.6 MOLA HIDATIFORME RECORRENTE FAMILIAR 83 3.2 NEOPLASIA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL 84 3.2.1 TRATAMENTO 86 3.2.2 MOLA INVASORA (CORIOADENOMA DESTRUENS) 87 3.2.3 CORIOCARCINOMA 88 3.2.4 TUMOR TROFOBLÁSTICO DO SÍTIO PLACENTÁRIO (TTSP) 88 3.2.5 TUMOR TROFOBLÁSTICO EPITELIOIDE (TTE) 88 3.2.6 SEGUIMENTO APÓS NEOPLASIA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL 91 3.3 LISTA DE QUESTÕES 92 4.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 93 5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 94 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 6 INTRODUÇÃO Pare! Saiba por que você não deve pular este tema! O sangramento da primeira metade da gestação é um dos principais motivos de procura aos prontos-socorros obstétricos. Por sua elevada prevalência e importância clínica, é um dos TOP TEMAS e está entre os mais abordados pelas bancas de Residênciadeve ser realizada laparotomia exploradora devido ao extravasamento de sangue para a cavidade abdominal, provocado pela perfuração. Vou aproveitar o “gancho” e relembrá-los de que, após a 12ª semana de gestação, o feto apresenta espículas ósseas e a curetagem uterina direta provoca risco de perfuração uterina. Você deve primeiro induzir com misoprostol, aguardar a expulsão e, somente após, iniciar a curetagem. Ufa! Terminamos o primeiro tema. Parabéns! Sei que estou detalhando um tema triste da obstetrícia, porém muito cobrado pelas bancas. Mas dê um voto de confiança para o útero. Acredite no potencial de uma gestação saudável. Preciso, de verdade, que você leia com muita atenção e carinho. Agora, peço para você não perder sua atenção para a segunda etapa deste livro. Se está cansado, não pare agora! Faça um intervalo, tome uma água e não deixe de terminar os 3 tópicos de estudo. Todos os 3 grandes temas são cobrados pelas bancas! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED 39 Sangramento da primeira metade da gestaçãoOBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/33vE m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://estr.at/33vE m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 40 2.0 GESTAÇÃO ECTÓPICA CAPÍTULO Vamos para a segunda parte das hipóteses que você deve sempre excluir quando uma gestante se queixa de sangramento do primeiro trimestre da gestação e não se encontra imagem intrauterina na ultrassonografia. A gestação ectópica continua sendo uma patologia com elevada morbimortalidade materna, sendo a principal causa de mortalidade materna no primeiro trimestre da gestação. Com o acesso mais precoce da dosagem da fração beta da gonadotrofina coriônica humana (β-hCG) e também da ultrassonografia transvaginal (USTV), o diagnóstico está cada vez mais precoce e está sendo realizado em uma fase mais inicial, antes que ocorra a ruptura tubária. A gestação ectópica é responsável por 6 a 13% das mortes no período gestacional e a principal causa de mortalidade materna no primeiro trimestre da gestação. 2.1 DEFINIÇÃO A gestação ectópica é definida quando a implantação e desenvolvimento do embrião ocorre fora da cavidade corporal uterina. A gestação ectópica pode ser diagnosticada na forma ÍNTEGRA ou ROTA, o que vai diferenciar principalmente a clínica e a conduta. Além disso, o termo "ABORTAMENTO TUBÁRIO" é dado para as gestações ectópicas que evoluíram naturalmente para a eliminação espontânea em uma conduta expectante. GRAVIDEZ HETEROTÓPICA: é definida quando ocorre uma gestação intrauterina combinada com uma extrauterina. Houve um aumento da incidência dos casos com as técnicas de reprodução assistida, elevando para 1% dos casos de gestações ectópicas pós- FIV. Figura 16. Gestação heterotópica.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 41 2.2 LOCALIZAÇÃO Figura 17. Principais localizações da gestação ectópica. A gestação ectópica TUBÁRIA ocorre entre 90 e 95% dos casos, sendo que a porção AMPOLAR da tuba uterina é a localização mais comum. Porém, outras localizações também podem ocorrer e são de localizações atípicas em 10% dos casos: porção intersticial da tuba, ovário, cérvix, cicatriz da cesárea ou na cavidade abdominal. Figura 18. Gestação ectópica à direita. (Fonte: acervo dos professores do EMED). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 42 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 2.3 QUADRO CLÍNICO A suspeita clínica irá depender da evolução da gestação ectópica. O mais comum é a gestação ectópica ser diagnosticada na forma ÍNTEGRA ou ROTA. No ABORTAMENTO TUBÁRIO, a paciente apresenta clínica de sangramento vaginal discreto e queda dos níveis de beta-hCG. A resolução da gestação é espontânea e a conduta expectante. Na gestação ectópica ÍNTEGRA, a dor geralmente é em cólicas e a história clínica pouco esclarecedora. Porém pode cursar com a tríade clássica de DOR ABDOMINAL, ATRASO MENSTRUAL e SANGRAMENTO GENITAL. Como os sinais e sintomas são pouco esclarecedores, pode lançar mão de exames subsidiários como o β-hCG e a USTV. ATRASO MENSTRUAL TRÍADE CLÁSSICA SANGRAMENTO GENITAL DOR ABDOMINAL Indo um pouco mais a fundo, um sinal sugestivo de gestação ectópica é o fenômeno ou a reação de Arias-Stella. Essa é uma reação endometrial encontrada na gestação ectópica devido a uma resposta fisiológica da mucosa endometrial à presença de tecido corial. Isto é, uma reação intrauterina (endometrial) de uma gestação de localização fora da cavidade uterina. Os sintomas mais intensos estão relacionados à ROTURA TUBÁRIA, então atenção ao quadro clínico da gestante. A característica da dor, na gestação ectópica ROTA, é SINCOPAL e LANCINANTE. Quanto ao estado hipovolêmico da gestação ectópica rota, a gestante apresenta palidez, taquicardia e hipotensão arterial sem perda sanguínea visível. Já no ABDOME, é encontrado descompressão brusca positiva (Blumberg positivo), diminuição de ruídos hidroaéreos intestinais e HEMOPERITÔNIO. E, neste ponto, vamos relembrar os sinais clínicos do hemoperitônio: • Sinal de Laffont: dor escapular devido à irritação diafragmática pelo hemoperitônio. • Sinal de Proust: também conhecido como grito de Douglas, é a dor intensa à palpação do fundo de saco posterior vaginal. • Sinal de Cullen: é a presença de equimose periumbilical devido ao sangramento retroperitoneal. Pode ser acompanhada pelo sinal de Grey-Turner (equimose dos flancos). O útero apresenta-se ligeiramente aumentado e amolecido e, em metade dos casos, pode ser palpável tumoração anexial. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 43 Para que você possa fixar, relato um momento de experiência pessoal: nunca me esqueço isto que aprendi na Residência Médica, quando uma gestante chegou carregada no colo pelo marido, desacordada, pálida e quase inconsciente, trazendo o cartão de pré-natal na mão e beta-hCG positivo. Nesse instante, ouvi meu chefe gritar: Sinais de choque hipovolêmico em uma gestante no primeiro trimestre é igual à LAPAROTOMIA EXPLORADORA DE EMERGÊNCIA. Quer saber o final da história? Muito sangue em cavidade e salpingectomia da tuba acometida, mas a paciente sobreviveu e, após 2 anos, retornou grávida com evolução intrauterina normal. Um final feliz que poderia ser catastrófico se ocorresse um atraso diagnóstico. Chega de nostalgia e vamos continuar com os fatores de risco? 2.4 FATORES DE RISCO Veja que, nessa etapa, a recorrência da doença é comum e geralmenteinfecções e patologias que afetam o endométrio e a tuba uterina podem ser fatores de risco para a gestação ectópica. Veja abaixo os fatores de risco: 2.5 DIAGNÓSTICO O objetivo é diagnosticar o mais precocemente, ainda na gravidez ectópica íntegra, para reduzir o risco de rotura tubária e aumentar o sucesso da conduta conservadora. Na vigência de atraso menstrual, dor abdominal e sangramento genital, deve ser levantada a suspeita de gestação ectópica e o diagnóstico complementado com β-hCG e ultrassonografia transvaginal. - Gestação ectópica prévia (recorrência de 15%). - Cirurgia tubária prévia (laqueadura tubária, reanastomose tubária). - Infertilidade (técnicas de fertilização assistida). - Doença inflamatória pélvica (principalmente a infecção por Clamydia). - Endometriose. - Usuárias de dispositivo intrauterinos (DIU). - Anticoncepção de emergência. - Tabagismo. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 44 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 A ultrassonografia transvaginal é o exame de preferência, utilizado para confirmar uma gestação tópica com a visualização de saco gestacional ou de restos ovulares. Geralmente, a ultrassonografia consegue visualizar o saco gestacional intrauterino na 5ª semana de gestação e, no ovário, a presença de corpo lúteo. Na gestação ectópica, o exame consiste em avaliar a massa anexial conforme seu aspecto (hematossalpinge, presença de anel tubário e de embrião vivo). Alguns pontos para os quais preciso que você fique atento: No caso de beta-hCG positivo > 2.000 mUI/mL, devemos visualizar uma gestação intrauterina na ultrassonografia transvaginal. Exceto nos casos de gestações gemelares, que podem aumentar o valor para 3.500 mUI/mL. Se acaso os valores do beta-hCG foremMASSA ANEXIAL DESEJO DE GRAVIDEZ FUTURA � Termo de consentimento assinado ECTÓPICA ÍNTEGRA * Zugaib Obstetrícia, 2020, Tratado de Obstetrícia da FEBRASGO, 2021. ESTABILIDADE HEMODINÂMICA PACIENTEBCF m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 48 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Abaixo, descrevo os esquemas terapêuticos recomendados que você deve saber. Geralmente, o mais utilizado é o esquema em DOSE ÚNICA, já que são necessários menos dias de internação, e ele apresenta poucos efeitos colaterais. ESQUEMA DOSE ÚNICA: METOTREXATO: 50 mg/m2 por via intramuscular em dose única*. *Controlar com dosagem do β-hCG no 4º e no 7º dia após a dose. Se ocorrer redução de 15% do valor do β-hCG entre o 4º e o 7º dia, é sinal de bom prognóstico e de que se deve seguir com dosagens de beta-hCG semanais até negativar. Se redução menor que 15% no 7º dia, deve-se repetir nova dose de MTX. Se não houver queda dos títulos, realizar cirurgia. O esquema em múltiplas doses é uma opção. Apesar de geralmente não ser a primeira escolha, você pode deparar-se com ela em alguma questão. Geralmente é uma opção terapêutica para casos de critérios para o tratamento medicamentoso mais próximos do limite. ESQUEMA MÚLTIPLAS DOSES: METOTREXATO: 1 mg/kg (nos dias 1, 3, 5 e 7) + LEUCOVIRINA (ácido folínico) 0,1 mg/kg (nos dias alternados 2, 4, 6 e 8). * Controle com dosagem do β-hCG no primeiro dia da aplicação e antes de aplicar nova dose. Avaliar a redução de 15%, nesse intervalo, para considerar tratamento adequado. Não se deve dar mais que 4 doses de MTX. Outro ciclo de 4 doses poderá ser repetido apenas após 14 dias. ACOMPANHAMENTO É realizado por meio da dosagem semanal do β-hCG até ficar NEGATIVO. Em geral, ficam negativos em torno de 4 a 6 semanas. Você pode perguntar agora qual é a chance de essa forma de tratamento dar certo. A taxa de sucesso do tratamento com MTX, independentemente da via de administração, varia de 75% a 96% (média de 80%). Porém a falha do tratamento é muito preocupante, pelo risco da rotura tubária. Lembre-se de que NÃO está recomendada a ultrassonografia transvaginal seriada para controle de tratamento, pois ela é incapaz de detectar resposta ou falha do tratamento. Exceção está nos casos de suspeita de rotura tubária. NÃO ESQUEÇA: está recomendada a profilaxia com a imunoglobulina anti-D em TODAS as gestantes Rh negativo com gravidez ectópica. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 49 Devido à relevância do tópico abordado, vou comentar sobre algumas opções para a indicação da conduta medicamentosa e outros esquemas terapêuticos. São consideradas uma alternativa para orientação da conduta as recomendações indicadas pelo NICE (National Collaborating Centre for Women’s and Children’s Health): • β-hCG 5.000 mUI/mL: indicado cirurgia. • β-hCG entre 1.500 e 5.000 mUI/mL: indicado MTX ou cirurgia. Ou, também, foi elaborado o índice de Elito-Camano, que utiliza um score para orientar a conduta entre videolaparoscopia ou medicamentosa pelo metotrexato com dose única. Quanto às alternativas terapêuticas, estão sendo estudados outros protocolos com o metotrexato, como o esquema em dose dupla, esquemas em múltiplas doses, porém esses esquemas apresentaram eficácia semelhante ao esquema em dose única. Existem, também, estudos com a associação da MIFEPRISTONA e o GEFITINIBE, diminuindo o tempo para o β-hCG negativar, além de estudos com outros fármacos, como as prostaglandinas e a glicose hipertônica utilizada por laparoscopia ou ultrassonografia transvaginal. Além disso, pode associar a utilização do cloreto de potássio com o objetivo de provocar assistolia em embriões com BCF presentes de gestações ectópicas. É uma alternativa para gestações de cicatrizes de cesáreas, na gestação cervical ou até nos casos de gestações heterotópicas, como fármaco isolado. Veja abaixo como cai nas provas! Vamos treinar algumas questões? CAI NA PROVA (SUS-SP, 2020) Para tratamento conservador da gravidez ectópica íntegra, é correto afirmar que: A) a embolização de artérias uterinas é indicada nos casos de massa anexial em expansão. B) o cloreto de potássio pode ser injetado em massa anexial que for menor que 3 cm. C) o misoprostol pode ser empregado por via vaginal nos casos em que a massa anexial é inferior a 3 cm e não há batimentos cardíacos fetais. D) o metotrexato pode ser usado por via intramuscular se a massa tubária for menor que 3,5 cm e o beta-hCG menor que 5.000 mUI/mL. E) a exérese do segmento tubário afetado por meio de videolaparoscopia preserva mais adequadamente o futuro reprodutivo. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. A embolização das artérias uterinas não é indicada nos casos de gestação anexial. Incorreta a alternativa B. O cloreto de potássio é uma opção para gestações ectópicas com BCF presentes. Diante de massa anexial menor do que 3,5 cm e ausência de batimentos cardíacos embrionários, é possível realizar conduta expectante. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 50 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Incorreta a alternativa C. Diante de massa anexial menor do que 3,5 cm e ausência de batimentos cardíacos embrionários, é possível realizar conduta expectante. Vale ressaltar que misoprostol não é utilizado no tratamento da gestação ectópica, uma vez que é indicado para auxiliar no esvaziamento uterino. Correta a alternativa D. Diante de massa anexial menor do que 3,5 cm e β-HCG menor do que 5.000 mUI/mL, assim como ausência de batimentos cardíacos embrionários e estabilidade hemodinâmica, é possível optar por conduta conservadora com tratamento com metotrexato. Incorreta a alternativa E. A salpingectomia do segmento tubário afetado não tem maior benefício em preservar o futuro reprodutivo. (UNICAMP, 2019) Mulher, 20a, G1P0A0C0, idade gestacional 8 semanas e 3 dias, comparece ao pronto atendimento com queixa de sangramento vaginal em pequena quantidade e dor em fossa ilíaca esquerda há 1 dia. Traz beta-HCG sérico coletado há dois dias de 1.800 mUI/mL. Exame físico: Abdome: pouco doloroso à palpação com descompressão brusca dolorosa negativa; Toque vaginal: útero discretamente aumentado de volume e anexo esquerdo palpável e doloroso. Ultrassonografia transvaginal: saco gestacional de 3 cm em anexo à esquerda, sem visualização de batimentos cardiofetais, sem líquido livre na cavidade. β-HCG sérico, colhido hoje, é de 4.000 mUI/mL. A CONDUTA É: A) Expectante com retorno em 24 horas para ultrassonografia. B) Expectante com retorno em 72 horas para beta-HCG. C) Prescrever metotrexato e colher beta-HCG em 72 horas. D) Cirurgia salpingectomia à esquerda. COMENTÁRIO Separando os dados de importância da questão: gestante com sangramento vaginal pequeno, estável e sem sinais clínicos de rotura (sem líquido livre na cavidade, beta-hCG de 4.000 mUI/mL (e pode ocorrer a rotura da gestação ectópica. Nesse caso, a paciente apresenta critérios para o tratamento medicamentoso com metotrexato. Correta a alternativa C. Paciente apresenta critérios para o tratamento medicamentoso com metotrexato e, após iniciado o tratamento em dose única, deve-se controlar o β-hCG no 4º e no 7º dia após a aplicação. Incorreta a alternativa D. Paciente primigesta, sugestivo de gestação ectópica íntegra, apresenta critérios para conduta por tratamento medicamentoso com objetivo de preservação da tuba uterina acometida. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 51 (SURCE, 2018) Paciente procura emergência referindo atraso menstrual, sangramento transvaginal em pequena quantidade e dor abdominal. Após propedêutica diagnóstica, evidencia-se beta-hCG quantitativo de 900 mUI/ml em curva decrescente, ultrassonografia transvaginal sem evidência de imagem sugestiva de gestação intrauterina, massa anexial de 2,8 cm e ausência de líquido livre. Durante toda a avaliação, ela manteve-se estável hemodinamicamente e sem sinais de peritonite. Qual a melhor conduta a ser adotada? A) Laparoscopia. B) Laparotomia. C) Expectante. D) Metotrexato. COMENTÁRIO Incorretas as alternativas A e B. Diante de paciente com gestação ectópica estável hemodinamicamente, com curva descrescente de β-hCG, com valor menor que 1.000 mUI/mL, massa anexial menor que 4 cm, pode ser adotada a conduta conservadora expectante. Correta a alternativa C. Com paciente com estabilidade hemodinâmica, massa anexial menor que 4 cm, β-hCG menor que 1.000 mUI/mL em curva decrescente, pode ser optado por conduta expectante por diagnóstico de abortamento tubário. Incorreta a alternativa D. Paciente apresenta diagnóstico de abortamento tubário devido a valores decrescentes de β-hCG e estabilidade hemodinâmica. Como há efeitos colaterais pelo uso do metotrexato, pode-se optar pela conduta expectante. 2.6.3 TRATAMENTO LOCAL COM METOTREXATO Essa é uma opção de tratamento guiado por ultrassonografia transvaginal. Sua principal indicação é para os casos de EMBRIÃO VIVO e LOCALIZAÇÃO ATÍPICA da gravidez ectópica. É realizado introduzindo uma sonda vaginal com uma agulha calibre 20 ou 22, com a paciente sedada, e injeção de metotrexato na dose de 1 mg/kg. Como o tratamento local tem resultados semelhantes ao tratamento sistêmico (mais prático, fácil de ministrar, não depende de habilidades e não é invasivo), o tratamento sistêmico com o metotrexato ficou como a principal opção entre os tratamentos conservadores. 2.6.4 TRATAMENTO CIRÚRGICO É considerado o tratamento padrão no tratamento de gravidez ectópica rota com abdome agudo hemorrágico e instabilidade hemodinâmica. A cirurgia clássica é a SALPINGECTOMIA TOTAL (tipo Fritsch), pinçando o arco vascular tubo-ovárico do mesossalpinge. A principal indicação de LAPAROTOMIA é nos casos em que há INSTABILIDADE HEMODINÂMICA. Geralmente, nas demais situações, a indicação pode ser VIA LAPAROSCÓPICA. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 52 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Indicações de laparotomia Choque hipovolêmico Massa anexial > 5 cm Localização não tubária (cervical, abdominal) Múltiplas aderências Figura 20. Tratamento cirúrgico de gestação ectópica por via laparoscópica. A pergunta seguinte, após a decisão da laparotomia ou laparoscopia, fica entre a opção pela salpingectomia (retirada de toda a tuba uterina) ou pela salpingostomia (preservação da tuba uterina). Veja abaixo quando devemos decidir pela SALPINGECTOMIA: • Prole constituída. • Lesão tubária irreparável ou rota. • Salpingostomia com sangramento persistente. • Recidiva de gestação ectópica na mesma tuba. • β-hCG muito elevados (> 5.000 mUI/mL), com invasão do trofoblasto na serosa. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 53 Agora, entendendo um pouco sobre a SALPINGOSTOMIA, ela está indicada principalmente nos casos em que se pretende preservar a fertilidade. É realizada uma incisão de 2 cm no ponto de maior abaulamento da borda antimesentérica da tuba e é realizado o esvaziamento. A incisão não é suturada e é fechada por segunda intenção. Figura 21. Salpingostomia por laparoscopia. Qual é o RISCO da salpingostomia? O maior risco é a persistência do tecido trofoblástico local (3 a 20%). Logo, deve-se acompanhar, no pós-operatório, o declínio dos títulos do β-hCG. Se ocorrer aumento, está indicado esquema em dose única de metotrexato (50 mg/m2 intramuscular) na tentativa da preservação da tuba uterina. CAI NA PROVA (Hospital Oftalmológico de Sorocaba – HOS, 2021) J.G.A., nulípara, com diagnóstico de prenhez ectópica íntegra a E, com embrião vivo, apresenta-se como antecedente de salpingectomia D por gestação ectópica há 4 anos e salpingostomia a E por gestação tubária há 8 meses. Assinale a alternativa que apresenta a conduta correta nesse caso: A) Salpingectomia. B) Salpingostomia. C) Tratamento medicamentoso com metotrexato. D) Controle ultrassonográfico em 7 dias. E) Controle com beta-HCG quantitativo em 24/48 horas. COMENTÁRIO Correta a alternativa A. Como a paciente já teve uma gestação ectópica nessa mesma tuba e foi submetida a uma salpingostomia prévia, a conduta é realizar salpingectomia. Incorreta a alternativa B. A paciente já realizou uma salpingostomia prévia na mesma tuba, portanto o procedimento está contraindicado. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 54 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Incorreta a alternativa C. Gestações ectópicas que apresentem embrião vivo contraindicam o uso de metotrexato. Além disso, a recidiva na mesma tuba contraindica essa conduta. Incorreta a alternativa D. A presença de embrião vivo contraindica a conduta expectante. Incorreta a alternativa E. Já temos o diagnóstico de gestação ectópica e a única conduta aceitável, nesse caso, é a salpingectomia, não havendo necessidade de novas dosagens de HCG. Não esqueci não! São questões mais raras, mas podem ser encontradas em alternativas. Vou deixar abaixo as características principais e sua conduta. Mas, professora, e quanto à gestação ectópica de localização atípica? 2.7 GESTAÇÃO ECTÓPICA DE LOCALIZAÇÃO ATÍPICA Figura 22. Localizações das gestações ectópicas. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 55 GRAVIDEZ TUBÁRIA INTERSTICIAL OU CORNUAL: é a implantação próxima ao óstio tubário com o útero. Se o embrião estiver vivo, indica- se tratamento local com cloreto de potássio e MTX. Se dose elevada de β-hCG, estão indicadas múltiplas doses de MTX. A ressecção cornual ou a histerectomia são indicadas em situações de emergência. GRAVIDEZ CERVICAL: é a implantação e desenvolvimento da gestação no canal cervical. Devido à intensa vascularização, pode levar à hemorragia intensa. Os fatores de risco estão ligados a manipulações uterinas (cirurgias de útero e colo uterino, curetagem prévia, cesáreas, síndrome de Asherman, FIV). O diagnóstico clínico é difícil e geralmente érealizado por meio da avaliação ultrassonográfica. A necessidade de tratamentos por histerectomia vem diminuindo, e têm aumentado as opções de tratamentos conservadores (balão intracervical após curetagem, cerclagem, ressecção histeroscópica do tecido trofoblástico, cervicotomia). O tratamento medicamentoso também pode ser realizado de forma conservadora e efetiva por meio da injeção local com metotrexato (1 mg/kg), com a punção do saco gestacional guiado por USTV, evitando-se outras intervenções. GRAVIDEZ ECTÓPICA DE CICATRIZ DE CESÁREA: é a forma mais rara de gravidez ectópica. Tende a ser mais agressiva devido ao risco de ruptura uterina e sangramento no primeiro e segundo trimestre de gestação. Os principais fatores de riscos são o número de cesáreas anteriores, o intervalo curto entre a cesárea e a gestação e o útero retrovertido. O diagnóstico é realizado pela ultrassonografia. O tratamento pode ser cirúrgico, por meio da curetagem uterina, pela histerectomia ou por meio da embolização das artérias uterinas. Já o tratamento conservador pode ser realizado pela conduta expectante ou pelo tratamento medicamentoso com metotrexato. GESTAÇÃO OVARIANA: é a localização mais comum quando fora da cavidade uterina e da tuba uterina. Devido a sua pequena capacidade de distensão, a rotura é precoce. Existe forte associação entre uso de DIU e essa forma de gestação ectópica. O tratamento pode ser medicamentoso ou cirúrgico por ooforectomia ou cistectomia por laparoscopia ou laparotomia. GESTAÇÃO ABDOMINAL: é quando a implantação ocorre livre na cavidade peritoneal (1,5% dos casos de gestação ectópica). A gestação, na maioria das vezes, não evolui. Porém, no caso de evolução, possui alta mortalidade materna (90 vezes maior que a gestação tópica), a placenta invade órgãos abdominais e surgem quadros de suboclusão e dor excessiva à movimentação fetal abdominal. Pela ultrassonografia, observa-se feto livre no abdome e útero vazio. No caso de diagnóstico de gestação precoce, devido ao alto risco de complicação materna, indica-se a interrupção da gravidez por laparotomia. Se o diagnóstico for tardio e o feto estiver vivo, a depender das condições maternas e dos riscos da prematuridade, realiza-se a laparotomia. Quanto à abordagem da placenta, a princípio, deve ser removida, exceto na implantação de vasos de grade calibre e estruturas vitais. Diante do risco, a placenta pode ser deixada in situ e sua reabsorção pode ser acompanhada por meio da ultrassonografia e beta-hCG seriado. GRAVIDEZ HETEROTÓPICA: quando ocorre simultaneamente uma gestação intrauterina e outra ectópica. Sua incidência pode ser alta, chegando até 1:100 gestações após a fertilização in vitro. A conduta mais utilizada é a CIRURGIA. Se tuba íntegra, está indicada a laparoscopia. Uma alternativa terapêutica é o uso do cloreto de potássio direto no embrião ectópico ou da glicose hipertônica. É de se entender que o tratamento com metotrexato está contraindicado, pois existe uma gestação intrauterina viável. Encerramos mais um dos grandes tópicos do sangramento de primeira metade da gestação. Mas não desista de estudar aqui comigo! Se você deu uma olhada em provas anteriores, sabe que a doença trofoblástica gestacional está tanto nas alternativas como corresponde a quase em equilíbrio ao número de questões de abortamento e gestação ectópica, dependendo da instituição que você deseja. Aproveite e já estique o corpo. Se estiver cansado, coloque uma música agitada para acordar, mas não pare por aqui, please! Mais um pouquinho e concluímos todo o tópico. Pegue uma água, mais um pouco de cafezinho ou um suco mais gelado e concentração! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED 56 Sangramento da primeira metade da gestaçãoOBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/FTvu m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://estr.at/FTvu m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 57 CAPÍTULO 3.0 DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL É o termo genérico utilizado para uma gestação que evoluiu de forma anormal, cuja característica principal é a proliferação anormal e desordenada do TECIDO PLACENTÁRIO. Existe uma proliferação anormal e desordenada de diferentes epitélios trofoblásticos (sinciciotrofoblasto, citotrofoblasto viloso e trofoblasto intermediário). A incidência mundial da doença trofoblástica gestacional (DTG) é de 1:1.000 ou 2.000 gestações, sendo 1 mola completa para cada 3 molas parciais em cada 1.000 gestações. Porém essa incidência varia entre regiões e países, sendo maior na América Latina e em países asiáticos. No Brasil, estima- se que ocorra entre 1:200–400 gestações, porém isso pode estar ligado a dados de locais de centro de referência para o tratamento, não traduzindo a verdadeira incidência da população geral. A doença trofoblástica gestacional apresenta a forma benigna (mola hidatiforme – MH) e maligna (neoplasia trofoblástica gestacional). A mola hidatiforme é a forma clínica mais comum e divide- se em dois tipos distintos: mola hidatiforme completa (MHC) e mola hidatiforme parcial (MHP) com diferenças histopatológicas, genéticas, clínicas e evolutivas. A mola hidatiforme apresenta complicações clínicas e pode apresentar, apesar de incomum, potencial maligno. O grande desafio é manter o seguimento adequado pós-molar garantindo a vigilância e o controle hormonal do hCG. O termo neoplasia trofoblástica gestacional (NTG) é dado às alterações que possuem potencial maligno, com invasão local e risco de metástases. Ela ocorre geralmente após uma gestação molar, mas também pode ocorrer após a evolução de gestação normal, que evoluiu a termo. A NTG divide-se em: mola invasora, coriocarcinoma, tumor trofoblástico do sítio placentário e tumor trofoblástico epitelioide. DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL BENIGNA MOLA HIDATIFORME MOLA INVASORA MALIGNA NEOPLASIA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL MOLA HIDATIFORME COMPLETA MOLA HIDATIFORME INCOMPLETA OU PARCIAL CORIOCARCINOMA TUMOR TROFOBLÁSTICO DO SÍTIO PLACENTÁRIO TUMOR TROFOBLÁSTICO EPITELIOIDE Figura 23. Fluxograma da forma benigna e maligna da doença trofoblástica gestacional. (Fonte: criado pela autora). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 58 O grande marcador biológico da doença é a gonadotrofina coriônica humana (hCG), produzida principalmente pelo sinciciotrofoblasto. Se você já começar a imaginar que eu tenho uma proliferação desordenada e acelerada de citotrofoblasto e sinciciotrofoblasto, começa a entender que um dos grandes achados são valores elevados do hCG. Além disso, o maior acesso à ultrassonografia fez com que cerca de 90% dos diagnósticos fossem realizados por esse recurso. CAI NA PROVA (AMP-PR, 2021) As doenças trofoblásticas gestacionais (DTGs) constituem grupo heterogêneo de doenças raras originadas da proliferação atípica do epitélio trofoblásticoplacentário. Sua patogênese é peculiar, uma vez que as lesões maternas são originárias dos tecidos resultantes da fertilização e não de tecidos maternos. Sobre essa situação, analise as afirmativas abaixo: I - As molas hidatiformes são normalmente benignas, mas podem adquirir potencial maligno em algumas circunstâncias, como nas molas invasivas. II - Em termos de gestações molares, estimam-se uma completa e três parciais em cada 1.000 gestações. III - Pacientes com gestação molar apresentam-se com sangramento a partir do terceiro trimestre da gravidez e a ultrassonografia (US) falha muitas vezes em detectá-la. IV - O risco de nova gravidez molar, caso haja anterior, é de 1–2%, subindo para 15–20% se duas previamente. Estão corretas apenas as afirmativas: A) I e IV. B) I, II e III. C) I, II e IV. D) II, III e IV. E) I, II, III e IV. COMENTÁRIO Afirmativa I - CORRETA. A mola hidatiforme tem comportamento benigno, em sua grande maioria, porém pode evoluir para a forma maligna (neoplasia trofoblástica gestacional), mas é incomum. O seguimento pós-molar adequado com acompanhamento clínico da mulher e da curva de regressão do hCG pode sugerir a remissão e cura da mola hidatiforme ou a suspeita de evolução para a neoplasia trofoblástica gestacional. Afirmativa II - CORRETA. Em termos de gestações molares, estimam-se uma completa e três parciais em cada 1.000 gestações. A incidência mundial da DTG é de 1:1.000 gestações. Afirmativa III – INCORRETA. A mola hidatiforme é um diagnóstico diferencial nos quadros de sangramento de primeira metade da gestação, junto com abortamento e gestação ectópica. O sangramento geralmente ocorre entre a 6ª e a 16ª semana de gestação em 80/90% dos casos. A ultrassonografia tem papel fundamental no diagnóstico molar. Observa-se um padrão vesicular característico com múltiplas áreas anecogênicas na massa placentária. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 59 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Afirmativa IV - CORRETA. O risco de nova gravidez molar, caso haja anterior, é de 1–2%, subindo para 15–20% se duas previamente. O risco de recorrência molar é maior em pacientes que já apresentaram a doença anteriormente. Correta a alternativa C. Afirmativas I, II e IV. Incorretas as alternativas A, B, D e E. 3.1 MOLA HIDATIFORME Figura 24. Gestação molar. A mola hidatiforme é a placenta que apresenta aumento anormal das vilosidades com vilos coriônicos vesiculares acompanhados por proliferação trofoblástica. 3.1.1 FATORES DE RISCO Os fatores de risco mais comuns associados à mola hidatiforme são: - Antecedente de gestação molar prévia. - Extremos de vida reprodutiva (adolescentes ou acima de 40 anos). A idade materna avançada tem risco 10 vezes maior que entre 20 e 40 anos de idade. Já a chance de recorrência está em 1 a 2% de chance, porém é muito maior após 2 gestações molares anteriores (16 a 18%). Além disso, podem ocorrer pelo estado nutricional, paridade, consanguinidade, contracepção oral, infecções virais, porém o papel de cada fator é pouco conhecido.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 60 CAI NA PROVA (AMP–PR, 2021) As doenças trofoblásticas gestacionais (DTGs) constituem grupo heterogêneo de doenças raras originadas da proliferação atípica do epitélio trofoblástico placentário. Sua patogênese é peculiar, uma vez que as lesões maternas são originárias dos tecidos resultantes da fertilização, e não de tecidos maternos. Sobre essa situação, analise as afirmativas abaixo: I - As molas hidatiformes são normalmente benignas, mas podem adquirir potencial maligno em algumas circunstâncias, como nas molas invasivas. II - Em termos de gestações molares, estimam-se uma completa e três parciais em cada 1.000 gestações. III - Pacientes com gestação molar apresentam-se com sangramento a partir do terceiro trimestre da gravidez e a ultrassonografia (US) falha muitas vezes em detectá-la. IV - O risco de nova gravidez molar, caso haja anterior, é de 1–2%, subindo para 15–20% se duas previamente. Estão corretas apenas as afirmativas: A) I e IV. B) I, II e III. C) I, II e IV. D) II, III e IV. E) I, II, III e IV. COMENTÁRIO Afirmativa I - CORRETA. O seguimento pós-molar adequado com acompanhamento clínico da mulher e da curva de regressão do hCG pode sugerir a remissão e cura da mola hidatiforme ou a suspeita de evolução para a neoplasia trofoblástica gestacional. Afirmativa II - CORRETA. Em termos de gestações molares, estimam-se uma completa e três parciais em cada 1.000 gestações. A incidência mundial da DTG é de 1:1.000 ou 2.000 gestações. Afirmativa III - INCORRETA. O sangramento geralmente ocorre entre a 6ª e a 16ª semana de gestação em 80 e 90% dos casos. A ultrassonografia tem papel fundamental no diagnóstico molar. Observa-se um padrão vesicular característico com múltiplas áreas anecogênicas na massa placentária. Afirmativa IV - CORRETA. O risco de nova gravidez molar, caso haja anterior, é de 1–2%, subindo para 15–20% se duas previamente. O risco de recorrência molar é maior em pacientes que já apresentaram a doença anteriormente. Correta a alternativa C. As afirmativas I, II e IV estão corretas. Incorretas as alternativas A, B, D e E. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 61 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 3.1.2 PATOGÊNESE Opa!!! Não pule esta parte do texto! Não parece, mas as bancas cobram a genética da mola hidatiforme. Não deixe de ler e até, talvez, decorar esta parte da aula! Mas, calma, vou ajudá-lo facilitando esta etapa de sua leitura e memorização. MOLA COMPLETA A característica da mola completa é a proliferação exagerada e anormal do tecido trofoblástico, NÃO desenvolve embrião, membranas e cordão umbilical. Macroscopicamente, a placenta perde aquele aspecto de formato ovalado bem definido e a visualização dos cotilédones. O aspecto fica de um material totalmente heterogêneo com múltiplas vesículas pelas vilosidades coriônicas edemaciadas, com dilatação hidrópica e formação de cisterna central repleta de líquido. Na imagem ultrassonográfica, as múltiplas vesículas são descritas com aspecto em “cachos de uva” ou “flocos de neve”. Figura 25. Imagem macroscópica e ultrassonográfica da mola hidatiforme completa. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 62 A principal característica histológica é a hiperplasia difusa do citotrofoblasto e do sinciciotrofoblasto. Quando é uma mola precoce (no início do 1º trimestre), o diagnóstico é mais difícil e é possível diferenciar pelo marcador p57. Na mola completa, o marcador p57KIP2 está ausente, porém está presente na mola hidatiforme parcial (expressão pelo alelo materno). E, por incrível que pareça, você deve saber a diferença genética da mola hidatiforme completa e parcial. Do ponto de vista genético, a mola completa origina-se por um ÓVULO “VAZIO” fecundado por espermatozoide 23X. Logo, observe que o material genético é exclusivamente PATERNO, sendo duplicado e originando uma célula 46XX (90% das vezes). Veja como pode ser formada pelo esquema abaixo. MNEMÔNICO RÁPIDO: Figura 26. Genética da mola hidatiforme completa (Fonte: baseado em livro e modificado pela autora). MOLA HIDATIFORME COMPLETAÓVULO “VAZIO” 46 XX MOLA HIDATIFORME COMPLETA MONOSPÉRMICA Perda de cromossomos maternos 90 - 95% Cromossomo exclusivo paterno Duplicação de cromossomos paternos 23 X 23 X ou Y 46 XY MOLA HIDATIFORME COMPLETA DISPÉRMICA DIPLOIDE 23 X ou Y 23 X Perda de cromossomos maternos ÓVULO “VAZIO” Cromossomo exclusivo paterno 23 X 23 X 23 X 23 X 5 - 10% CD COMPLETA Mnemônico Mola hidatiforme DIPLOIDE m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 63 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 MOLA PARCIAL OU INCOMPLETA Para o raciocínio da mola parcial ou incompleta, pense em “quase” uma gestação normal. Macroscopicamente, existe a proliferação anormal difusa ou parcial do tecido trofoblástico com formação de múltiplas vesículas e pode ser encontrado embrião com múltiplas malformações e restrição do crescimento fetal. Na microscopia, existem vilosidades normais com hidrópicas e a inclusão do trofoblasto dentro do estroma. Figura 27. Imagem macroscópica e utrassonográfica da mola hidatiforme parcial. Uma característica que pode ser cobrada nas provas e que diferencia a mola parcial da mola completa é o marcador p57. Na mola parcial, o marcador p57KIP2 está presente devido a sua expressão pelo alelo materno, e, na mola completa, está ausente por ser formada apenas pela genética paterna. Em 90% das vezes, a mola parcial origina-se por DISPERMIA, que consiste na fecundação de um ÓVULO NORMAL por 2 espermatozoides, gerando uma célula triploide (69,XXX ou 69,XXY) e 10% tetraploide. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 64 MOLA HIDATIFORME PARCIAL 23 X 23 X ou Y 23 X ou Y 23 X 69,XXY MOLA HIDATIFORME PARCIAL origem materna e paterna TRIPLOIDE OU TETRAPLOIDE 23 X ou Y 23 X ou Y Figura 28. Genética da mola hidatiforme parcial (Fonte: baseado em livro e modificado pela autora). RISCO DE EVOLUÇÃO PARA NTG A mola COMPLETA tem maior chance de progressão para a forma maligna (NTG) em 15 a 20% dos casos. Já a mola hidatiforme PARCIAL tem menos risco de evolução para neoplasia trofoblástica gestacional (em 5% dos casos). Abaixo, deixo aquele quadro que ajuda a relembrar as principais diferenças entre a mola hidatiforme completa e a parcial. Preciso que você pense um pouco sobre este quadro, não corra para terminar a leitura sem decorar ou realmente fixar as diferenças. Senão novamente será aquela leitura em que você só perdeu tempo e em que ficou com a sensação de que não vai adiantar para nada. Mas, sim, este é um conteúdo que vai fazer a diferença para uma questão que muitos irão errar. Sabe aqueles quadros para os quais de nada adianta olhar e que não despertam seu interesse? Então está na hora de parar e fixar com calma essas diferenças. Elas costumam estar nas alternativas, o que gera muita insegurança em sua resposta caso não domine a diferença. PT PARCIAL Mnemônico Mola hidatiforme TRIPLOIDE / TETRAPLOIDE m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 65 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 MOLA COMPLETA GENÉTICA DIPLOIDE DIFERENÇAS ENTRE MOLA COMPLETA E PARCIAL MOLA PARCIAL TRIPLOIDE OU TETRAPLOIDE EMBRIÃO Ausente PRESENÇA de concepto malformado ou perda precoce RISCO DE NEOPLASIA Maior (15-20%) Raro (5%) hCG ALTOS VALORES de hCG Valores de hCG mais BAIXOS HISTOLOGIA Hiperplasia trofoblástica difusa Hiperplasia trofoblástica focal p57 AUSENTE PRESENTE Figura 29. Quadro com as principais diferenças entre a mola hidatiforme completa e parcial. CAI NA PROVA (AMRIGS, 2021) Em relação às doenças trofoblásticas gestacionais (DTGs), analise as seguintes assertivas: I. As DTGs são eventos patológicos relacionados a erros de fertilização. II. Na mola hidatiforme parcial, é possível encontrar macroscopicamente embrião e membrana amniótica. III. São consideradas complicações possíveis: pré-eclâmpsia, hipotireoidismo, anemia e hiperêmese gravídica. IV. A aspiração a vácuo é o principal método de esvaziamento uterino nas gestações molares. Quais estão corretas? A) Apenas I e II. B) Apenas III e IV. C) Apenas I, II e IV. D) I, II, III e IV. COMENTÁRIO I – CORRETA. A doença trofoblástica gestacional relaciona-se a erros de fertilização, sendo erro diploide no caso das molas completas, e triploides no caso das parciais. II – CORRETA. Na mola hidatiforme parcial, é possível identificar a presença de embrião ou feto, além da placenta com presença de vesículas. Vale ressaltar que, na mola hidatiforme completa, não se desenvolve embrião ou membranas. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 66 III – INCORRETA. Embora a doença trofoblástica gestacional possa relacionar-se à hiperêmese gravídica devido aos níveis elevados de gonadotrofina coriônica humana (hCG), à doença hipertensiva específica da gestação (DHEG) antes de 20 semanas e à anemia se ocorrerem sangramentos volumosos, ela relaciona-se ao hipertireoidismo, e não ao hipotireoidismo, devido ao estímulo cruzado dos receptores de TSH pelo hCG. CUIDADO com a pegadinha! IV – CORRETA. Aspiração a vácuo é o método de escolha para o esvaziamento da cavidade uterina nos casos de doença trofoblástica gestacional. (Secretaria Municipal da saúde de São Paulo – SMS, 2021) Com relação à doença trofoblástica gestacional, assinale a alternativa correta: A) A presença de cistos tecaluteínicos, na ultrassonografia, está mais comumente associada à mola hidatiforme incompleta. B) Deve-se avaliar a função tireoidiana, pois o hCG pode ligar-se a receptores de TSH localizados na tireoide, provocando hipotireoidismo. C) As pacientes que tiveram gestação molar no passado e engravidaram novamente deverão realizar o exame do β-hCG quantitativo quatro semanas depois do término da gravidez atual, para identificar a ocorrência de neoplasia trofoblástica gestacional. D) Pacientes com Rh negativo deverão realizar imunoglobulina anti-Rh após a aspiração intrauterina, mesmo quando a suspeita é de mola hidatiforme completa. E) A presença do marcador p57 sugere a ocorrência de mola hidatiforme completa. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. Os cistos tecaluteínicos estão mais presentes na mola hidatiforme completa avançada. Esses cistos ovarianos surgem devido à hiperestimulação ovariana pelos altos níveis de hCG. Uma vez a mola esvaziada, os cistos regridem espontaneamente. Incorreta a alternativa B. Os sinais clínicos de HIPERTIREOIDISMO podem ser encontrados na doença trofoblástica gestacional. Eles incluem: tremores, taquicardia, pele úmida e extremidades quentes. Isso ocorre devido ao fato de os altos níveis de hCG (cadeia alfa) levarem a estimulação cruzada dos receptores do hormônio estimulante da tireoide (TSH). Incorreta a alternativa C. As pacientes que apresentaram gestação molar no passado possuem maior risco de recorrência da doença. As pacientes devem manter o seguimento pós-molar com acompanhamento da curva de regressão do hCG semanal ou quinzenal até sua negativação. Ela continua em acompanhamento mensal por 6 meses após a negativação, e, após 6 meses de hCG negativo, ela está liberada para uma próxima gestação. Se ocorrer uma nova gestação, a paciente necessita de avaliação ultrassonográfica no primeiro trimestre da gestação subsequente para confirmar o desenvolvimentonormal da gestação. Correta a alternativa D. Todas as pacientes Rh negativo, com diagnóstico de doença trofoblástica da gestação (NTG), devem receber a imunoglobulina anti-Rh, independentemente de qual é o tipo de NTG (mola completa ou parcial ou as variantes mais raras malignas). Incorreta a alternativa E. No caso de dúvida diagnóstica, o estudo imuno-histoquímico com o marcador p57 pode ser uma opção. Ele está AUSENTE nos casos de mola completa. Correta a alternativa C. Apenas a I, II e IV estão corretas. Incorretas as alternativas A, B e D. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 67 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 3.1.3 QUADRO CLÍNICO Aqui eu preciso que você pare, respire e tente entender o quadro clínico típico da gestação molar! Outro ponto que as bancas adoram cobrar é a suspeita diagnóstica por meio da descrição do quadro clínico da gestante. Não é difícil, mas existem sinais e sintomas típicos para você definir a hipótese diagnóstica como gestação molar. O quadro clínico vai depender de se o diagnóstico ocorreu em idade gestacional precoce ou não. Quanto mais tardio o diagnóstico, maior será a sintomatologia. Vou colocar abaixo os sinais e sintomas característicos da doença para ajudar a entendê-los. Sangramento vaginal Altura uterina > que o esperado para IG Eliminação de vesículas Hipertireoidismo Hiperêmese gravídica ↑hCG Cistos tecaluteínicos DHEGC) Hipotireoidismo. D) Cistos ovarianos tecaluteínicos. E) Útero aumentado em relação à idade gestacional. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. A hiperêmese gravídica pode ser um sinal clínico característico da mola hidatiforme com grande volume de material placentário ou quando os níveis de hCG estão muito elevados. Incorreta a alternativa B. Quando você se deparar com uma paciente previamente normotensa e que, na gestação, apresenta aumento dos níveis pressóricos antes de 20 semanas, fique atento com a hipótese diagnóstica de gestação molar. Esse aumento do nível pressórico pode evoluir chegando até a quadro de eclâmpsia. Correta a alternativa C. A questão pediu qual NÃO é manifestação clínica. São os sintomas de HIPERTIREOIDISMO que podem surgir na gestação molar, como taquicardia, pele úmida e com extremidades quentes e tremores finos. Esses sintomas ocorrem devido ao hCG em altos níveis atuarem como “tireolike”, pela cadeia alfa do hCG, levando aos sinais clínicos de hipertireoidismo e exame laboratorial com níveis baixos de TSH. Incorreta a alternativa D. Os cistos ovarianos tecaluteínicos são cistos benignos nas gestações molares e regridem espontaneamente após o esvaziamento molar. Eles formam-se devido à hiperestimulação ovariana pelas altas doses de hCG. Incorreta a alternativa E. A segunda queixa mais comum percebida pelo exame clínico é a discordância entre a altura uterina e a idade gestacional pelo atraso menstrual. O tecido trofoblástico prolifera-se exageradamente em alta velocidade levando a um volume uterino maior do que o esperado para a idade gestacional. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 72 (SUS-SP 2021) Com relação à doença trofoblástica gestacional, assinale a alternativa correta: A) A presença de cistos tecaluteínicos, na ultrassonografia, está mais comumente associada à mola hidatiforme incompleta. B) Deve-se avaliar a função tireoidiana, pois o hCG pode ligar-se a receptores de TSH localizados na tireoide, provocando hipotireoidismo. C) As pacientes que tiveram gestação molar no passado e engravidaram novamente deverão realizar o exame do β-hCG quantitativo quatro semanas depois do término da gravidez atual, para identificar a ocorrência de neoplasia trofoblástica gestacional. D) Pacientes com Rh negativo deverão realizar imunoglobulina anti-Rh após a aspiração intrauterina, mesmo quando a suspeita é de mola hidatiforme completa. E) A presença do marcador p57 sugere a ocorrência de mola hidatiforme completa. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. Os cistos tecaluteínicos estão mais presentes na mola hidatiforme completa avançada. Esses cistos ovarianos surgem devido à hiperestimulação ovariana pelos altos níveis de hCG. Uma vez a mola esvaziada, os cistos regridem espontaneamente. Incorreta a alternativa B. Os sinais clínicos de hipertireoidismo podem ser encontrados na doença trofoblástica gestacional. Eles incluem: tremores, taquicardia, pele úmida e extremidades quentes. Isso ocorre devido ao fato de os altos níveis de hCG (cadeia alfa) levarem à estimulação cruzada dos receptores do hormônio estimulante da tireoide (TSH). Incorreta a alternativa C. As pacientes que apresentaram gestação molar no passado possuem maior risco de recorrência da doença. As pacientes devem manter o seguimento pós-molar com acompanhamento da curva de regressão do hCG semanal ou quinzenalmente até sua negativação. Ela continua em acompanhamento mensal por 6 meses após o título de hCG se tornar negativo. Se ocorrer uma nova gestação, a paciente necessita de avaliação ultrassonográfica no primeiro trimestre da gestação subsequente para confirmar o desenvolvimento normal da gestação. Correta a alternativa D. Todas as pacientes Rh negativo, com diagnóstico de doença trofoblástica da gestação (NTG), devem receber a imunoglobulina anti-Rh, independentemente de qual é o tipo de NTG (mola completa ou parcial ou as variantes mais raras malignas). Incorreta a alternativa E. No caso de dúvida diagnóstica, o estudo imuno-histoquímico com o marcador p57 pode ser uma opção. Ele está AUSENTE nos casos de mola completa. (UFAL, 2019) Em que consiste o tratamento de cistos tecaluteínicos, frequentemente encontrados na vigência de doença trofoblástica gestacional? A) Ooforectomia total bilateral. B) Ooforoplastia parcial bilateral. C) Ooforectomia parcial bilateral. D) Seguimento ultrassonográfico mensal. E) Monoquimioterapia semanal com MTX. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 73 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. A visualização ultrassonográfica de cistos tecaluteínicos ovarianos é comum nas gestações molares. Isso ocorre devido à hiperestimulação ovariana provocada pelo grande aumento dos níveis de hCG. São cistos benignos, que regridem espontaneamente após o esvaziamento molar e não necessitam ser removidos. Incorretas as alternativas B e C. Os cistos tecaluteínicos decorrentes da hiperestimulação ovariana na gestação molar são cistos benignos, que regridem espontaneamente após o esvaziamento molar e não necessitam ser removidos. Correta a alternativa D. É necessário apenas o acompanhamento ultrassonográfico no seguimento pós-molar da regressão espontânea dos cistos tecaluteínicos. Incorreta a alternativa E. Os cistos tecaluteínicos em ambos os ovários surgem devido à hiperestimulação ovariana e altas concentrações de hCG. Após o esvaziamento molar, é realizado o controle por avaliação ultrassonográfica e acompanhamento de sua regressão espontânea. (SES PE, 2021) NÃO é manifestação clínica da mola hidatiforme: A) Útero diminuído de volume para a idade gestacional. B) Sangramento transvaginal de repetição e intensidade variável. C) Cistos tecaluteínicos. D) Hipertireoidismo. E) Sinais de pré-eclâmpsia. COMENTÁRIO: Incorreta a alternativa A. Como ocorre uma proliferação rápida e desordenada do tecido trofoblástico, a altura uterina é maior do que a esperada para a idade gestacional. Corretas as alternativas B, C, D e E. O sangramento vaginal é a queixa mais comum e geralmente é indolor e de coloração escura, além disso, são sinais sugestivos os cistos ovarianos tecaluteínicos, sinais de hipertireoidismo e aumento dos níveis pressóricos antes da 20ª semana de gestação. Estão firmes nos sinais e sintomas da gestação molar? Então vamos entender o tratamento e o seguimento pós-molar. Também questão de prova!! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 74 3.1.4 TRATAMENTO Deve-se internar a gestante logo ao diagnóstico e programar o esvaziamento molar. Para a programação do esvaziamento molar, deve-se estabilizar a paciente quanto aos sintomas clínicos, além da solicitação de alguns exames laboratoriais: dosagem sérica do hCG, hemograma, coagulograma, função tireoidiana, tipagem sanguínea e radiografia de tórax. No caso de grande quantidade de conteúdo intrauterino, com altura uterina superior à estimada de 14 semanas de gestação, recomenda-se a reserva de concentrado de hemácias devido ao risco aumentado de sangramento. A administração de betabloqueadores para controle dos sintomas de hipertireoidismo pode ser necessária para prevenir crise tireotóxica induzida pela anestesia no esvaziamento molar. O controle pressórico adequado também deve ser outro ponto de atenção, já que algumas pacientes com gestações molares avançadas podem apresentarpré-eclâmpsia grave ou até eclâmpsia. • ESVAZIAMENTO MOLAR A ASPIRAÇÃO A VÁCUO é o tratamento de eleição por ser um procedimento de menor risco. Nas molas de menor volume, pode-se optar pela aspiração manual intrauterina (AMIU) e, para facilitar a aspiração de conteúdo molar em útero de maior volume, pode-se optar por aspiradores elétricos. A aspiração a vácuo pode ser completada por CURETAGEM com cureta romba ou fenestrada se opção do cirurgião. Figura 31. Aspiração manual intrauterina (AMIU). Não é aconselhável a utilização de misoprostol devido ao risco de embolização trofoblástica e hemorragia. A dilatação do colo deve ser realizada com as velas de Hegar e, após, iniciar a infusão de ocitocina para provocar a contração uterina e diminuir o risco de perfuração durante o esvaziamento molar. A histerectomia é reservada para mulheres com idade superior a 40 anos e prole constituída. O risco de neoplasia trofoblástica diminui consideravelmente após a histerectomia quando comparado ao esvaziamento molar por aspiração a vácuo. A histerotomia (esvaziamento uterino por via abdominal) apresenta indicações restritas devido a maiores taxas de neoplasia trofoblástica gestacional pela abertura uterina e manipulação abdominal. Lembrar que os ovários devem ser preservados, mesmo que na presença de cistos tecaluteínicos volumosos, uma vez que sua regressão ocorre espontaneamente após o esvaziamento molar e normalização no hCG. Pode-se tornar uma urgência no caso de torção dos ovários, na presença de cistos volumosos. Além disso, não se esqueça da incompatibilidade Rh, quando é indicada a imunoglobulina anti-D a todas as pacientes RhD negativo que não foram sensibilizadas.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 75 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 CAI NA PROVA (PSU-MG, 2019) Paciente com 15 anos, hígida, G1P0A0, idade gestacional nove semanas e dois dias, comparece à segunda consulta de pré- natal na Unidade Básica de Saúde com queixa de sangramento genital. Ultrassonografia transvaginal realizada hoje revelou cavidade uterina distendida, com a presença de múltiplas vesículas em forma de "flocos de neve", embrião não identificado e ovários aumentados de volume, repletos de cistos com diâmetro médio de 2,0 cm. Diante dessa situação, assinale a conduta MAIS ADEQUADA: A) Encaminha a paciente à maternidade para realização de esvaziamento intrauterino. B) Encaminhar a paciente ao serviço de pré-natal de alto risco para seguimento adequado. C) Repetir a ultrassonografia obstétrica em aproximadamente 15 dias para confirmação diagnóstica. D) Solicitar semanalmente exame de beta-hCG quantitativo para acompanhamento da evolução da gestação. COMENTÁRIO Correta a alternativa A. A presença de múltiplas vesículas na cavidade uterina à ultrassonografia pélvica caracteriza o diagnóstico de doença trofoblástica gestacional. A paciente deve ser encaminhada à maternidade para realização do esvaziamento uterino por vácuo-aspiração pelo menor risco de perfuração uterina. Incorreta a alternativa B. A presença de múltiplas vesículas na cavidade uterina à ultrassonografia pélvica caracteriza o diagnóstico de doença trofoblástica gestacional. A paciente deve ser encaminhada à maternidade para realização do esvaziamento uterino por vacuoaspiração pelo menor risco de perfuração uterina. Após, a paciente deverá ser encaminhada ao serviço especializado para o seguimento adequado. Incorreta a alternativa C. A presença de múltiplas vesículas na cavidade uterina à ultrassonografia pélvica caracteriza o diagnóstico de doença trofoblástica gestacional. A paciente deve ser encaminhada à maternidade para realização do esvaziamento uterino por vacuoaspiração pelo menor risco de perfuração uterina. Não é necessário repetir ultrassonografia para confirmação diagnóstica. Incorreta a alternativa D. A presença de múltiplas vesículas na cavidade uterina à ultrassonografia pélvica caracteriza o diagnóstico de doença trofoblástica gestacional. A paciente deve ser encaminhada à maternidade para realização do esvaziamento uterino por vacuoaspiração pelo menor risco de perfuração uterina. Após, a paciente deverá ser encaminhada ao serviço especializado para seguimento adequado com dosagem seriada de beta-hCG. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 76 (Universidade Federal de Alagoas-UFAL, 2018) M.S.P.,16 anos, vem à Unidade de Emergência da Maternidade do HUPAA/UFAL por apresentar sangramento transvaginal volumoso, há cerca de 2 horas. Relata início de atividade sexual, há cerca de 6 meses, sem uso de métodos contraceptivos, além de amenorreia há cerca de 12 semanas. Traz exame de β-HCG sérico qualitativo com resultado positivo realizado 1 semana antes desse atendimento, porém nega ter iniciado pré-natal ou realizado quaisquer outros exames complementares. Ao exame físico: estado geral regular, hipocorada (2+/4+); pressão arterial de 90/40 mmHg, frequência cardíaca de 105 bpm, ausculta cardiovascular e pulmonar sem alterações; abdome flácido, levemente doloroso à palpação em hipogástrio e com identificação de massa pélvica a 2 cm abaixo da cicatriz umbilical. Exame especular: colo uterino aberto, sangramento vaginal moderado com eliminação de vesículas. Assinale a alternativa que afirma corretamente a hipótese mais provável e a primeira conduta para o caso descrito: A) Gravidez ectópica; laparotomia exploradora. B) Abortamento em curso; estabilização clínica com reposição volêmica e esvaziamento de cavidade uterina. C) Abortamento molar; estabilização clínica com reposição volêmica e esvaziamento de cavidade uterina. D) Abortamento molar; estabilização clínica com reposição volêmica e realização de ultrassonografia pélvica. E) Abortamento em curso; estabilização clínica com reposição volêmica e realização de ultrassonografia pélvica. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. A eliminação de vesículas espontaneamente não é muito frequente, mas patognomônica de doença trofoblástica gestacional, também chamada de mola hidatiforme, e não de gestação ectópica. Embora a laparotomia exploradora fosse a conduta adequada diante de hipótese diagnóstica de gestação ectópica rota, a conduta diante do quadro apresentado no enunciado deve ser reposição volêmica para estabilização hemodinâmica materna e esvaziamento da cavidade uterina. Incorreta a alternativa B. Embora esteja correto que a conduta diante do quadro apresentado no enunciado deve ser reposição volêmica para estabilização hemodinâmica materna e esvaziamento da cavidade uterina, a eliminação de vesículas espontaneamente não é muito frequente, mas patognomônica de doença trofoblástica gestacional, também chamada de mola hidatiforme, e não de abortamento em curso. Correta a alternativa C. A eliminação de vesículas espontaneamente não é muito frequente, mas patognomônica de doença trofoblástica gestacional, também chamada de mola hidatiforme. Além disso, observa-se útero aumentado em relação ao esperado para idade gestacional do caso descrito no enunciado. A conduta diante desse quadro deve ser reposição volêmica para estabilização hemodinâmica materna e esvaziamento da cavidade uterina. Incorreta a alternativa D. No caso descrito no enunciado, deve-se realizar o esvaziamento da cavidade uterina para controle do sangramento, sem necessidade de ultrassonografia pélvica para elucidação diagnóstica, embora esteja correto que o diagnóstico é de doença trofoblástica gestacional, também chamada de mola hidatiforme. A eliminação de vesículas espontaneamente não é muito frequente, mas patognomônica de doença trofoblásticade todo o país. 4% 25% 15% 13% Intercorrências obstétricas Medicina fetal Parto Doenças associadas à obstetrícia Pré-natal Obstetrícia fisiológica Puerpério 11% 7% 25% 34% 20% 12% 12% 9% 4% 3% 2% 2% 2% Sangramento primeira metade Rotura prematura de membranas Trabalho de parto prematuro Sangramento segunda metade Morte materna Gestação múltipla Abortamento de repetição Aborto legal Morte fetal Pós-datismo m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 7 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Deu para entender o porquê de eu querer sua atenção neste tema? Eu preciso que você garanta um ponto fundamental da prova. Ao deparar-se com uma gestante com menos de 20 semanas ou na primeira metade da gestação, com queixa de sangramento vaginal, fique atento aos três principais diagnósticos: ABORTAMENTO GESTAÇÃO ECTÓPICA DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL Em nossa revisão, todos esses 3 temas têm uma participação importante no total de questões. É importante ressaltar que as questões, na maior parte das vezes, misturam os diagnósticos diferenciais nas alternativas e, por isso, é necessário conhecer bem todas as patologias. Para facilitar seu estudo, dividirei a abordagem do tema nesses três grandes tópicos. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 8 CAPÍTULO 1.0 ABORTAMENTO 1. A definição de abortamento. 2. Os fatores de risco para abortamento. 3. Quais são as formas clínicas de abortamento e suas manifestações. 4. A conduta específica para cada uma das formas. Você precisa saber: 1.1 DEFINIÇÕES ABORTAMENTO: é a interrupção da gestação antes de que o produto conceptual tenha atingido a viabilidade. Definição segundo a OMS: - expulsão ou extração do feto antes de 20 semanas ou com menos de 500 g. Além disso, o termo "abortamento" refere-se ao processo de eliminação do concepto, enquanto "aborto" se refere ao produto conceptual eliminado. Os termos "aborto" e "abortamento" costumam ser empregados como sinônimos pelas provas de Residência e assim os utilizaremos. 1.2 CLASSIFICAÇÃO O abortamento pode ser classificado quanto à intenção e à cronologia da seguinte maneira: Precoce x Tardio Os abortamentos com menos de 12 semanas são considerados precoces, sendo responsáveis por mais de 80% de todas as perdas, enquanto aqueles que ocorrem entre as 13a e a 20a semana de gestação são considerados tardios. E a principal causa de abortamento precoce são as anomalias cromossômicas, e a do abortamento tardio é a incompetência istmocervical, que ocorre geralmente no segundo trimestre da gestação. ABORTAMENTO 500 gramas 20 semanas 12 semanas), o feto já apresenta espículas ósseas! Assim, seu raciocínio para a conduta deve basear-se no MAIOR RISCO DE PERFURAÇÃO pelas espículas, evitando-se a curetagem como método único de tratamento. Figura 1. Risco da curetagem uterina como procedimento isolado na conduta de abortamento maior que 12 semanas de gestação e presença de espículas ósseas. Eu sei que essa imagem impressionou você de uma forma triste ou gerou aflição. O que eu quero com ela? Preciso que você entenda o risco de perfuração por curetagem uterina isolada em feto acima de 12 semanas pela presença de espículas ósseas. Então vamos prosseguir os estudos entendendo as diferentes definições de abortamento. Isso será importante para você definir as causas, os riscos e as condutas. Espontâneo x Provocado O abortamento espontâneo é aquele que ocorre sem nenhuma intervenção externa, podendo ser causado por condições maternas ou por anormalidade do embrião ou do feto. Já o aborto provocado é aquele em que há intenção de provocá-lo e em que ocorre uma intervenção externa. Vale ressaltar que o aborto provocado pode ocorrer dentro da legalidade e das condições sanitárias adequadas ou não. Se você deseja aprofundar-se e saber detalhes sobre a interrupção legal na gestação, veja o livro digital de ginecologia Assistência à vítima de violência sexual. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 10 Seguro x Inseguro A OMS utiliza esses termos em seus documentos internacionais. O aborto seguro é aquele realizado por médico habilitado, em ambiente adequado e com os meios necessários, a fim de minimizar os riscos para a paciente. Já o aborto inseguro é um procedimento empregado a fim de interromper uma gestação indesejada, realizado fora do ambiente hospitalar e/ou por profissional sem habilidades necessárias, implicando elevados riscos para a paciente, como sangramentos e infecções, podendo levar à morte. Esporádico X Repetição O abortamento de repetição ou habitual é definido como a ocorrência de três ou mais abortamentos consecutivos. Em geral, sua etiologia difere dos abortamentos esporádicos, devendo haver uma investigação mais completa nesses casos. Fique atento, pois muitas questões abordam esse tema e, se você deseja revisar com maior profundidade, não deixe de ler o livro digital Abortamento habitual e insuficiência cervical . Os abortamentos esporádicos são aqueles que não se encaixam nos critérios acima, geralmente estando associados a anomalias cromossômicas e NÃO acarretando aumento de risco de um novo abortamento para a mulher. Assim, fique atento para as pegadinhas de algumas bancas que podem cobrar esses conceitos. Se questionarem sobre o risco de uma gestante que refere história de 1ª gestação: abortamento espontâneo com 5 semanas; 2ª gestação: abortamento espontâneo após 5 dias do diagnóstico e a 3ª gestação com evolução normal até o termo. Veja que a gestante não é definida como abortamento habitual ou de repetição porque não ocorreram 3 abortamentos consecutivos e ela pode prosseguir para uma nova gestação sem aumento de risco. Ficou claro esse conceito? Não se sinta sozinho ou angustiado, porque estarei sempre disponível para ajudá-lo. Não se esqueça disso. Então, vamos prosseguir para um outro ponto interessante, que é a epidemiologia do abortamento? 1.3 EPIDEMIOLOGIA O abortamento é considerado a complicação mais comum da gestação. Aproximadamente uma em cada quatro mulheres apresentará um aborto espontâneo em sua vida, sendo que 15 a 20% de todas as gestações diagnosticadas clinicamente evoluirão para abortamento. Muito triste saber disso, não é? Às vezes, a estatística assusta um pouco, mas ela é importante para sabermos lidar com o problema. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 11 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Os abortamentos precoces, isto é, aqueles que ocorrem antes de 12 semanas de gestação, representam 80% dos abortamentos. Veja que é exatamente o que faziam os nossos parentes mais velhos. Eram orientadosgestacional. Além disso, observa-se útero aumentado em relação ao esperado para idade gestacional do caso descrito no enunciado. A conduta diante desse quadro deve ser reposição volêmica para estabilização hemodinâmica materna e esvaziamento da cavidade uterina. Incorreta a alternativa E. Embora esteja correto que a conduta diante do quadro apresentado no enunciado deve ser reposição volêmica para estabilização hemodinâmica materna, a eliminação de vesículas espontaneamente não é muito frequente, mas patognomônica de doença trofoblástica gestacional, também chamada de mola hidatiforme, e não de abortamento em curso. Além disso, deve-se realizar o esvaziamento da cavidade uterina para controle do sangramento, sem necessidade de ultrassonografia pélvica para elucidação diagnóstica. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 77 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 (UNIFESP. 2017) Paciente com 19 anos de idade refere que estava grávida de 10 semanas, quando teve, há 30 dias, sangramento abundante interpretado como abortamento espontâneo, sem necessidade de curetagem uterina. Continuou apresentando sangramento vaginal, sendo submetida à ultrassonografia pélvica por via transvaginal, que mostrou a seguinte imagem em cavidade uterina (VER IMAGEM): COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. Na imagem ultrassonográfica, identificam-se imagens císticas na cavidade uterina, típicas da mola hidatiforme completa. O tratamento indicado é o esvaziamento uterino por vacuoaspiração, pelo menor risco de perfuração uterina. Vale ressaltar que, no abortamento incompleto, seria visualizado apenas o eco endometrial, sem imagens anecoicas, com mais de 15 mm. Incorreta a alternativa B. Na imagem ultrassonográfica, identificam-se imagens císticas na cavidade uterina, típicas da mola hidatiforme completa. O tratamento indicado é o esvaziamento uterino por vacuoaspiração, pelo menor risco de perfuração uterina. Vale ressaltar que o diagnóstico de mola hidatiforme invasora relaciona-se a níveis persistentemente altos de beta-hCG após o esvaziamento uterino. Incorreta a alternativa C. Na imagem ultrassonográfica, identificam-se imagens císticas na cavidade uterina, típicas da mola hidatiforme completa. O tratamento indicado é o esvaziamento uterino por vacuoaspiração, pelo menor risco de perfuração uterina. Vale ressaltar que a mola hidatiforme parcial caracteriza-se por imagens císticas associadas à presença de embrião. Correta a alternativa D. Na imagem ultrassonográfica, identificam-se imagens císticas na cavidade uterina, típicas da mola hidatiforme completa. O tratamento indicado é o esvaziamento uterino por vacuoaspiração, pelo menor risco de perfuração uterina. Incorreta a alternativa E. Na imagem ultrassonográfica, identificam-se imagens císticas na cavidade uterina, típicas da mola hidatiforme completa. O tratamento indicado é o esvaziamento uterino por vacuoaspiração, pelo menor risco de perfuração uterina. Vale ressaltar que, no abortamento retido, seria visualizado embrião com mais de 7 mm sem atividade cardíaca. Indique a alternativa que contém, RESPECTIVAMENTE, a principal hipótese diagnóstica e conduta: A) Abortamento incompleto / Esvaziamento uterino por vacuoaspiração. B) Mola hidatiforme invasora / Estadiamento e tratamento quimioterápico. C) Mola hidatiforme parcial / Esvaziamento uterino com uso de misoprostol. D) Mola hidatiforme completa / Esvaziamento uterino por vacuoaspiração. E) Abortamento retido / Esvaziamento uterino por curetagem uterina. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 78 Parabéns, você chegou até aqui. NÃO PARE agora! Se precisar, tome uma água, coloque uma música e vamos estudar mais um pouquinho. Este é um ponto também muito cobrado nas provas, já que existe o risco de evolução maligna após uma gestação molar. 3.1.5 SEGUIMENTO PÓS-MOLAR Veja que o seguimento pós-molar se baseia em dois pilares que você deve saber: Qual é a frequência de acompanhamento? O título sérico do hCG deve ser avaliado SEMANALMENTE ou, em alguns serviços, a cada 15 dias, até se tornar indetectável (regular, em Centro de Referência, evolui com os seguintes valores consecutivos de beta-hCG: 129 UI/L; 64 UI/L; 1,9UI/L. A interpretação correta desses resultados indicam: A) remissão espontânea B) mola parcial persistente C) neoplasia trofoblástica gestacional de baixo risco D) neoplasia trofoblástica gestacional de alto risco COMENTÁRIO Correta a alternativa A. Os níveis de beta-hCG em declínio, após o esvaziamento uterino, sugerem remissão espontânea da mola hidatiforme. Incorreta a alternativa B. Os níveis de beta-hCG em declínio, após o esvaziamento uterino, sugerem remissão espontânea da mola hidatiforme. A mola parcial persistente caracteriza-se por níveis persistentemente altos de beta-hCG. Suspeita de NTG CURVA hCG EM ASCENSÃO (>10%) CURVA hCG EM PLATÔ PRESENÇA DE METÁSTASES DIAGNÓSTICO HISTOLÓGICO DE NTG m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 81 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Incorreta a alternativa C. Os níveis de beta-hCG em declínio, após o esvaziamento uterino, sugerem remissão espontânea da mola hidatiforme. A neoplasia trofoblástica gestacional de baixo risco caracteriza-se por níveis persistentemente altos de beta-hCG. Incorreta a alternativa D. Os níveis de beta-hCG em declínio, após o esvaziamento uterino, sugerem remissão espontânea da mola hidatiforme. A neoplasia trofoblástica gestacional de alto risco caracteriza-se por níveis persistentemente altos de beta-hCG. (HIAE, 2018) Faz-se diagnóstico de neoplasia trofoblástica gestacional quando, após esvaziamento uterino por mola hidatiforme, ocorre: A) Elevação aguda do beta-hCG no 10º mês, após estar negativo desde o 6º mês. B) beta-hCG detectável após 3 meses (dois valores). C) Elevação aguda do beta-hCG no primeiro mês. D) beta-hCG em títulos maiores que 1.000 mUI/ml na primeira semana. E) Manutenção de beta-hCG por três semanas consecutivas (quatro valores). COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. O diagnóstico da neoplasia trofoblástica gestacional caracteriza-se quando os níveis de beta-hCG se mantêm estáveis ou elevam-se em quatro dosagens por três semanas consecutivas após o esvaziamento uterino por mola hidatiforme. Incorreta a alternativa B. O diagnóstico da neoplasia trofoblástica gestacional caracteriza-se quando os níveis de beta-hCG se mantêm estáveis ou elevam-se em quatro dosagens por três semanas consecutivas após o esvaziamento uterino por mola hidatiforme. Incorreta a alternativa C. O diagnóstico da neoplasia trofoblástica gestacional caracteriza-se quando os níveis de beta-hCG se mantêm estáveis ou elevam-se em quatro dosagens por três semanas consecutivas após o esvaziamento uterino por mola hidatiforme. Incorreta a alternativa D. O diagnóstico da neoplasia trofoblástica gestacional caracteriza-se quando os níveis de beta-hCG se mantêm estáveis ou elevam-se em quatro dosagens por três semanas consecutivas após o esvaziamento uterino por mola hidatiforme. Correta a alternativa E. O diagnóstico da neoplasia trofoblástica gestacional caracteriza-se quando os níveis de beta-hCG se mantêm estáveis ou elevam-se em quatro dosagens por três semanas consecutivas após o esvaziamento uterino por mola hidatiforme. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 82 (UNIFESP, 2016) Primigesta foi submetida à aspiração manual intrauterina em 07/05/2015 e anatomopatológico do material aspirado compatível com mola hidatiforme completa. Apresentou esta curva de hCG, e ultrassonografia pélvica em 29/05/15 evidenciou lesão expansiva e heterogênea na cavidade uterina sem plano de clivagem nítido com o miométrio. Qual o diagnóstico mais provável? (VER IMAGEM) COMENTÁRIO Incorretas as alternativas A, B, C e E. Diante da estabilização e aumento dos níveis de beta-hCG, faz-se o diagnóstico de neoplasia trofoblástica gestacional. Correta a alternativa D. Diante da estabilização e aumento dos níveis de beta-hCG, faz-se o diagnóstico de neoplasia trofoblástica gestacional. (SANTA CASA DE LIMEIRA–SCML, 2016) Após realização de curetagem uterina por suposto abortamento, o médico verifica o resultado anatomopatológico, que confirma o diagnóstico de mola hidatiforme completa. Imediatamente está recomendado(a): A) Nova curetagem uterina para eliminar eventuais focos de neoplasia trofoblástica gestacional. B) Prescrição de metotrexato 50 mg/m². C) Controle clínico com beta-hCG seriado com intervalos de 7 a 15 dias. D) Histeroscopia cirúrgica para avaliação da cavidade endometrial. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. Não é necessária nova curetagem. O seguimento pós-molar é realizado principalmente com reavaliação semanal da paciente e com controle da curva de regressão do hCG. Incorreta a alternativa B. O metotrexato está indicado no caso de confirmação diagnóstica durante o seguimento pós-molar de neoplasia trofoblástica gestacional de baixo risco como terapia com agente único após estadiamento. A) Mola hidatiforme em regressão. B) Restos molares pós-aspiração. C) Mola hidatiforme recidivante. D) Neoplasia trofoblástica gestacional. E) Neoplasia germinativa primária. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 83 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Correta a alternativa C. Uma vez que já foi realizado o esvaziamento uterino, deve-se fazer o seguimento pós-molar com novas dosagens de beta-hCG semanais. Os níveis devem estar em queda, caso contrário, deve-se aventar a hipótese de malignização da doença. Incorreta a alternativa D. Após o esvaziamento molar, está indicado o seguimento pós-molar com controle do hCG semanal, e não nova histeroscopia. 3.1.6 MOLA HIDATIFORME RECORRENTE FAMILIAR O antecedente pessoal de mola hidatiforme na gestação anterior é o principal fator de risco para uma nova gestação molar. Isso se deve ao fato de que algumas pacientes apresentam a mola hidatiforme recorrente familiar. Observa-se a ocorrência de mutações nos genes NLRP7 e KHDC3L. Porém seu risco não se encontra aumentado de evolução para a NTG. CAI NA PROVA (Hospital oftalmológico de Sorocaba – HOS, 2021) B.M.V., 20 anos, deu entrada no PSGO com quadro de sangramento vaginal, náuseas e vômitos, emagrecimento e cefaleia occipital. Apresentou beta-hCG qualitativo positivo. Ao EF: volume abdominal aumentado, PA 170 x 110 mmHg, FC: 90 bpm e obnubilação de consciência. A ultrassonografia pélvica achou o ilustrado na figura a seguir. Diante da suspeita referida, indique a primeira conduta para a paciente do caso clínico, a melhor técnica cirúrgica para a resolução do caso e a orientação correta para o seguimento da doença, respectivamente. A) Prescrever soro fisiológico; histerectomia; iniciar o segmento pós-molar após o resultado do AP. B) Prescrever antieméticos; administração de misoprostol; repetir o USG 7 dias após, para avaliar a existência de restos molares. C) Prescrever metildopa; curetagem; realizar o acompanhamento com dosagens mensais de beta-hCG, para detectar a presença de NTG. D) Prescrever sulfato de magnésio; AMIU; realizar a contracepção hormonal rigorosa e acompanhar o beta-hCG semanal. E) Prescrever hidralazina; administração de dinoprostona; repetir USG 3 dias após, para avaliar a existência de restos molares. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. Paciente com diagnóstico de doença trofoblástica deve ser internada para o esvaziamento molar por aspiração associada à curetagem. O seguimento pós-molar semanalmente com anticoncepção rigorosa éindicado desde a alta hospitalar. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 84 Incorreta a alternativa B. A conduta após a internação da paciente é o esvaziamento molar por meio de aspiração pela AMIU ou por aspirador elétrico associado ou não à curetagem uterina. Não é indicada a indução com misoprostol, pelo risco de embolização trofoblástica. E, após o esvaziamento, deve ser mantido o seguimento pós-molar com contracepção rigorosa e seguimento semanal da curva de regressão do hCG. Incorreta a alternativa C. Não está indicado o uso de metildopa para o controle pressórico, já que a regressão dos sintomas da doença ocorre após o esvaziamento molar. Como a paciente apresenta pico hipertensivo (PA > ou igual a 160 x 110 mmHg) e queixas de eclâmpsia iminente, a pressão arterial pode ser prontamente controlada com hidralazina e o uso de sulfato de magnésio para prevenção da eclâmpsia. A dosagem de hCG no seguimento pós-molar deve ser realizada semanal ou quinzenalmente para acompanhar a curva de regressão do hCG até sua negativação. Correta a alternativa D. À presença de sintomas de iminência de eclâmpsia devido à gestação molar, deve ser prescrito sulfato de magnésio e hidralazina pelo pico hipertensivo apresentado pela paciente. No seguimento pós-molar, é importante a contracepção rigorosa para que não ocorra nova gestação e avaliação da curva de regressão do hCG semanal até sua negativação. Após sua negativação, seguir mensalmente por 6 meses. Incorreta a alternativa E. A indução com dinoprostona (pessário vaginal) não é indicada para expulsão de conteúdo molar. A dilatação cervical deve ser realizada por meio das velas de Hegar. 3.2 NEOPLASIA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL A neoplasia trofoblástica gestacional (NTG) é a forma maligna da doença trofoblástica gestacional. A detecção precoce da forma maligna, com o tratamento adequado, leva à cura de quase todas as pacientes, com retorno até de sua capacidade reprodutiva. Antes de iniciar o tratamento da NTG, é necessário ESTADIAR a paciente para orientar o tratamento mais adequado por meio da quimioterapia por agente único ou pela poliquimioterapia. A Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) 2000 determinou, em uma tabela, os grupos prognósticos de baixo ou alto risco para a resistência à quimioterapia com agente único. O score ≤ 6 indica BAIXO RISCO, e a paciente é tratada com quimioterapia por agente único. Já o score de risco > 6 significa ALTO RISCO e grande risco de quimiorresistência. Nesse caso, está indicado tratamento com múltiplos agentes antineoplásicos. Veja, na tabela abaixo, como é realizado o estadiamento por meio da pontuação pela FIGO 2000. Estadiamento anatômico da NTG Estádio I Doença restrita ao corpo uterino Estádio II Doença estendendo-se para os anexos ou vagina, mas limitando-se a estruturas genitais Estádio III NTG com extensão para os pulmões, com ou sem envolvimento genital Estádio IV Outros sítios de metástases m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 85 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Escore 0 1 2 4 Idade (anos) 104 a 105 > 105 Maior tumor, incluindo útero (cm) 8 Falha em quimioterapia prévia - - Agente único 2 ou mais agentes BAIXO RISCO: total de score até 6. ALTO RISCO: total de score ≥ 7. ULTRA-ALTO RISCO: total de escore ≥ 13. Outro ponto a ser lembrado são os principais focos de metástases. FIQUE ATENTO PARA OS PRINCIPAIS FOCOS DE METÁSTASES: - Pulmonar: radiografia de tórax detecta 40% das metástases ou por meio da TC de tórax. - Cerebral: pesquisa por RNM ou TC de crânio. - Hepática: avaliação por ultrassonografia de abdome. Se visualizada imagem metastática, deve ser avaliada por TC ou RNM de abdome. - Vaginal: caracteriza-se como nódulo violáceo ou escurecido, sangrante à manipulação.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 86 3.2.1 TRATAMENTO Para o início do tratamento, não é necessário realizar a biópsia do tumor. É necessário iniciar o estadiamento pela FIGO 2000 para orientar o tratamento quimioterápico com agente único ou com poliquimioterapia. A quimioterapia apresenta índices de cura elevados com taxas de recorrência baixa, inferiores a 5%. Tratamento da NTG de BAIXO RISCO: é indicado o tratamento por agente único, e a escolha é o METOTREXATO (MTX) ou também a opção do uso da actinomicina D (ACTD). Geralmente os protocolos com MTX são preferidos para o tratamento de primeira linha na NTG de BAIXO RISCO por terem eficácia, menor toxicidade e baixo custo. Em geral, a ACTD é escolha na contraindicação para o uso do MTX. Após o hCG tornar-se negativo, devem-se repetir mais 2 ciclos de quimioterapia para consolidação e diminuição das taxas de recidivas da doença. A histerectomia é uma alternativa como tratamento inicial para as pacientes com idade avançada (superior a 40 anos) e prole definida. Tratamento da NTG de ALTO RISCO: está indicado o tratamento com poliquimioterapia. O esquema de primeira linha é o chamado EMA-CO (etoposide, metotrexato, actinomicina D, ciclofosfamida e vincristina). As pacientes de alto risco tratadas com poliquimioterapia apresentaram taxa de sobrevida de 80%, e 30% apresentam resistência ou recidiva. Outros especialistas preferem o protocolo EP/EMA modificado (etoposídeo, cisplatina e etoposídeo, metotrexato e actinomicina D) ou utilizado também como segunda linha. Devido à elevada chance de cura pelo tratamento quimioterápico, a histerectomia tem sido indicada em poucos casos. Está indicada nos casos de perfuração uterina, hemorragia uterina grave, quimiorresistência, tumor trofoblástico do sítio placentário e tumor trofoblástico epitelioide. O tumor trofoblástico do sítio placentário e o tumor trofoblástico epitelioide são POUCO RESPONSIVOS À QUIMIOTERAPIA. Assim, o estadiamento classificado pela OMS e pela FIGO não é utilizado para escolha terapêutica e para predizer o prognóstico. O melhor tratamento indicado, nesse caso, é a HISTERECTOMIA. CAI NA PROVA (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS–UFAL, 2017) Após três meses de seguimento de Mola Hidatiforme Completa, aumentam os níveis séricos de beta-hCG. Qual a conduta para essa intercorrência? A) Dosar beta-hCG por três semanas consecutivas para início do tratamento. B) Monoquimioterapia (MTX), seguida de rastreamento de metástases. C) Iniciar somente o rastreamento/estadiamento. D) Poliquimioterapia (EMA-CO). E) Poliquimioterapia (EP-EMA). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 87 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. Diante do aumento dos níveis de beta-hCG durante o seguimento pós-molar, é realizado o diagnóstico da neoplasia trofoblástica gestacional (NTG). Deve ser, então, iniciado o estadiamento pela FIGO 2000 para orientar o tratamento com quimioterapia por agente único na NTG de baixo risco ou poliquimioterapiapara NTG de alto risco. Correta a alternativa B. Diante do aumento dos níveis de beta-hCG, após o esvaziamento uterino por doença trofoblástica gestacional, também chamada mola hidatiforme, faz-se o diagnóstico de neoplasia trofoblástica gestacional, ou mola invasora, e o tratamento deve ser quimioterápico, com metotrexato, e rastreamento de metástases. Vale ressaltar que a quimioterapia deve ser iniciada sem resultado histopatológico, uma vez que a biópsia é desaconselhada pelo alto risco de sangramento. Incorreta a alternativa C. O rastreamento já é realizado por meio do beta-hCG e sua elevação indica diagnóstico e avaliação do tratamento por meio do estadiamento pela FIGO 2000 em baixo risco e indicação de monoquimioterapia, ou alto risco por meio da poliquimioterapia. Incorretas as alternativas D e E. A poliquimioterapia está indicada para pacientes com NTG de alto risco por meio do estadiamento pela FIGO 2000. NÃO DESISTA… E, para encerrar, vou detalhar as principais características das formas histológicas da NTG: mola invasora, coriocarcinoma, tumor trofoblástico do sítio placentário e tumor trofoblástico epitelioide. Essas hipóteses costumam estar nas alternativas e podem gerar certa confusão. Vou descrever abaixo as características principais de cada uma: 3.2.2 MOLA INVASORA (CORIOADENOMA DESTRUENS) Geralmente ocorre após uma gestação molar completa. Em torno de 12 a 15% dos casos evoluem para a mola invasora. Sua característica principal é a imagem de invasão da parede do miométrio pelo trofoblasto e extensa proliferação trofoblástica. Seu diagnóstico pode passar despercebido se não for corretamente seguido e se ocorrer intensa invasão miometrial, chegando à invasão de vasos sanguíneos, porém a serosa uterina usualmente está intacta, com maior característica de ser restrita ao útero. Apresenta baixo risco de metástase. Sua confirmação diagnóstica é feita pelo exame histopatológico, porém traz muita semelhança ao tecido molar original, e vai diferenciar-se por sua invasão miometrial em camadas mais profundas. Figura 33: Mola invasora. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 88 3.2.3 CORIOCARCINOMA É a forma maligna MAIS AGRESSIVA e corresponde a 2–5% das gestações molares. A maioria dos casos ocorre após a mola hidatiforme completa (50% dos casos), porém pode originar-se após uma gestação normal (25%), gestação ectópica e abortamentos (25%). Cursa com rápida disseminação hematogênica e envia METÁSTASES principalmente para pulmões, vagina, fígado, cérebro. Característica histológica: massa tumoral vermelha escura, com aspecto hemorrágico e necrótico com invasão miometrial e atingindo até o peritônio. Não há evidências de vilosidade coriônica como na mola invasora. Característica ultrassonográfica: ecogenicidade variável, áreas de necrose, de hemorragia e císticas mescladas. O tratamento é realizado principalmente pela quimioterapia, e seu controle é realizado por meio da ultrassonografia com o seguimento da remissão das metástases. 3.2.4 TUMOR TROFOBLÁSTICO DO SÍTIO PLACENTÁRIO (TTSP) É uma forma tumoral mais RARA e derivada da proliferação do TROFOBLASTO INTERMEDIÁRIO e ausência de vilosidades coriônicas. Apresenta-se como MASSA SÓLIDA CIRCUNSCRITA NO MIOMÉTRIO de padrão interdigitante ou até polipoide, podendo projetar-se para dentro da cavidade uterina. Em 75%, vem decorrente de uma gestação normal, e 5% provenientes de uma gestação molar. A maioria apresenta a doença confinada ao útero e as metástases são infrequentes. Além disso, apresenta BAIXOS NÍVEIS DE beta-hCG, há níveis mais altos do lactogênio placentário humano por suas características celulares, ausência de p63 e alto índice de proliferação (Ki-67 > 10%). 3.2.5 TUMOR TROFOBLÁSTICO EPITELIOIDE (TTE) É um tipo de tumor trofoblástico raro. Ocorre por histórico de gestação pregressa (recente ou remota) associada a ELEVADOS NÍVEIS de beta-hCG. Pode acometer qualquer área do útero, inclusive o colo. Sua característica é a presença de trofoblastos intermediários agrupados, formando ninhos e massas sólidas de células neoplásicas, acompanhados por necrose. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica e adiciona mais dois tumores trofoblásticos diversos: - Sítio placentário exagerado: é uma lesão benigna, sem risco de evoluir para NTG, com infiltração do trofoblasto intermediário no miométrio. Geralmente se resolve espontaneamente após o parto ou curetagem pós-aborto. - Nódulo do sítio placentário: também é uma lesão benigna encontrada por um achado incidental de curetagens uterinas, biópsias de colo uterino e histerectomias. Pode representar sítios não involuídos de áreas placentárias de gravidez remota. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 89 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 CAI NA PROVA (QUESTÃO FUNDAÇÃO HOSPITAL DO ACRE – FUNDHACRE, 2020) Mulher com 20 anos de idade desenvolveu quadro de doença trofoblástica gestacional em sua primeira gestação. Foi submetida a esvaziamento uterino por vacuoaspiração e iniciou o seguimento pós-molar. Após quatro semanas de acompanhamento, apresentou vários episódios de sangramento vaginal moderado, com três níveis ascendentes das dosagens de gonadotrofina coriônica humana. Procurou a Emergência Obstétrica, onde foi prontamente atendida, após episódio de sangramento vaginal intenso. Na ocasião, ao exame pélvico, não foi evidenciada lesão genital. Radiografia simples do tórax foi normal. Ultrassonografia transvaginal mostrou cavidade endometrial distendida por material amorfo sugestivo de coágulos sanguíneos e miométrio heterogêneo, com vascularização exuberante à dopplerfluxometria. Assinale a alternativa que contém diagnóstico e conduta indicados para esse caso: A) Mola hidatiforme parcial; indicar cirurgia conservadora (endometrectomia por via histeroscópica) a fim de retirar a área de lesão tumoral. B) Mola hidatiforme completa; realizar novo esvaziamento uterino a fim de retirar o material molar residual intrauterino. C) Tumor trofoblástico do sítio placentário; indicar histerectomia. D) Mola invasora; iniciar quimioterapia. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. A mola hidatiforme parcial ou incompleta é uma triploidia em que se observam imagens císticas associadas a tecido trofoblástico normal, e pode ser encontrada a presença de embrião ao exame ultrassonográfico. Deve ser tratada com esvaziamento uterino, por curetagem ou aspiração manual intrauterina (AMIU) e seguida com a realização de beta-hCG, como citado no enunciado. Vale ressaltar que o aumento dos níveis de beta-hCG, após o esvaziamento uterino por mola, faz o diagnóstico de neoplasia trofoblástica gestacional. Incorreta a alternativa B. A mola hidatiforme completa é a forma mais comum de doença trofoblástica gestacional, caracterizada por imagens císticas semelhantes a “cachos de uva” ao exame ultrassonográfico, ausência de embrião e níveis de beta-hCG muito elevados, chegando acima de 200.000 mUI/mL. Deve ser tratada com esvaziamento uterino, por curetagem ou aspiração manual intrauterina (AMIU) e, após, acompanhada pelo seguimento pós-molar por meio da titulação do hCG. Incorreta a alternativa C. O tumor trofoblástico de sítio placentário é um tipo de neoplasia trofoblástica gestacional que se relaciona com níveis baixos de hCG e, em geral, apresenta-se como massas miometriais bem delimitadas, enquanto, no enunciado, o exame ultrassonográfico revelou miométrio heterogêneo e imagens sugestivas de coágulos na cavidade. Correta a alternativa D. Após o esvaziamento uterino por mola hidatiforme,faz-se o diagnóstico de neoplasia trofoblástica gestacional devido ao aumento do título do hCG no seguimento pós-molar e a descrição ultrassonográfica com cavidade endometrial distendida por material amorfo sugestivo de coágulos sanguíneos e miométrio heterogêneo, com vascularização exuberante à Dopplerfluxometria. Faz-se descrição de doença local, sem metástases, sugestiva de mola invasora, e o tratamento indicado deve ser quimioterápico. Vale ressaltar que a quimioterapia deve ser iniciada sem resultado histopatológico, uma vez que a biópsia é desaconselhada pelo alto risco de sangramento. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 90 (AMRIGS, 2020) - Em relação à doença trofoblástica gestacional, assinale a alternativa INCORRETA: A) Representa diagnóstico diferencial com prevalência rara dos sangramentos de primeiro trimestre gestacional. B) A eliminação via vaginal de vesículas em meio a sangramento constitui forte indício da presença de gestação molar. C) Achado de embrião com vitalidade exclui a possibilidade de mola hidatiforme. D) Coriocarcinoma é precedido em 50% dos casos por uma gestação molar e em 50% de uma gestação não molar. COMENTÁRIO Correta a alternativa A. A doença trofoblástica gestacional é de ocorrência rara, na prevalência de 1:1.000-2.000 gravidezes em países desenvolvidos e em 1:200-400 gravidezes no Brasil. Correta a alternativa B. A eliminação espontânea de vesículas pela vagina, em meio ao sangramento, é de ocorrência mais rara atualmente pelo diagnóstico da doença cada vez mais precoce, pela ultrassonografia, porém sua visualização é patognomônica da doença. Incorreta a alternativa C. Na mola hidatiforme parcial ou incompleta, pode ser encontrado o embrião geralmente com múltiplas malformações e com restrição de crescimento. Correta a alternativa D. O coriocarcinoma geralmente é precedido por uma gestação molar em 50% das vezes, de uma gestação normal em 25% das vezes e de um abortamento ou de uma gestação ectópica em 25%. (Hospital de Olhos de Brasília HOB, 2016) O coriocarcinoma desenvolve-se mais comumente após: A) Evacuação de uma mola parcial. B) Evacuação de uma mola completa. C) Parto de uma gravidez a termo normal. D) Abortamento de um aborto geneticamente normal. E) Ressecção de uma gravidez tubária. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. O coriocarcinoma desenvolve-se mais comumente em gestação molar prévia. Vale ressaltar que a gestação molar completa tende a evoluir com mais frequência para neoplasia trofoblástica gestacional do que a molar parcial. Correta a alternativa B. O coriocarcinoma desenvolve-se mais comumente em gestação molar prévia. Vale ressaltar que a gestação molar completa tende a evoluir com mais frequência para neoplasia trofoblástica gestacional do que a molar parcial. Incorreta a alternativa C. Embora o coriocarcinoma possa se desenvolver após gestação normal, relaciona-se com mais frequência à gestação molar prévia. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 91 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Incorreta a alternativa D. Embora o coriocarcinoma possa se desenvolver após aborto geneticamente normal, relaciona-se com mais frequência à gestação molar prévia. Incorreta a alternativa E. Embora o coriocarcinoma possa se desenvolver após gestação ectópica, relaciona-se com mais frequência à gestação molar prévia. 3.2.6 SEGUIMENTO APÓS NEOPLASIA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL Após hCG tornar-se negativo nas pacientes classificadas como baixo risco, deve-se seguir dosagem a cada 2 semanas por 3 meses e, após, mensalmente após completar 1 ano. Geralmente após 1 ano, o risco de recidiva é menor que 1%. Se pacientes forem de alto risco, deve ser indicado seguimento por 18 meses e, se de ultra-alto risco, por 5 anos após hCG negativo. Nesse período, é fundamental a orientação da ANTICONCEPÇÃO para o controle da remissão do hCG. CAI NA PROVA (SUS-SP, 2017) Em relação à mola hidatiforme, é CORRETO afirmar que: A) A incidência de mola é de 1:1000 gestações no Brasil. B) Na mola hidatiforme parcial, observa-se placenta espessada com saco gestacional e, em seu interior, embrião com ou sem batimentos cardíacos. C) A mola hidatiforme completa é observada na ultrassonografia como pequenas áreas hiperecogênicas que lembram cacho de uva. D) O metotrexato cura 50% dos casos com neoplasia trofoblástica de baixo risco. E) Deve-se aguardar 5 anos para uma nova gestação após uma gestação molar, pois antes o risco é muito alto de repetir-se o quadro. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. A incidência da mola mundial é de 1:1.000 a 2.000 gestações, mas, no Brasil é de 1:200-400 gestações. Essa diferença dá-se provavelmente devido à estatística ser baseada em centros de referência de tratamentos de doença trofoblástica. Correta a alternativa B. A mola parcial é uma triploidia em que se observam imagens císticas associadas a tecido trofoblástico normal e presença de embrião com BCF ou não. Incorreta a alternativa C. As imagens observadas na mola hidatiforme, que lembram cachos de uva, são anecogênicas (preto) e não hiperecogênicas. CUIDADO com essa pegadinha! Incorreta a alternativa D. O índice de cura dos casos de neoplasia trofoblástica de baixo risco com metotrexato é alto, 95%. Incorreta a alternativa E. O seguimento pós-molar é feito pela titulação do hCG semanalmente até negativar. Mantendo 3 valores negativos, realizar o seguimento mensal por 6 meses e então liberar para nova gestação. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED 92 Sangramento da primeira metade da gestaçãoOBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/62Hh m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://estr.at/62Hh m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 93 CAPÍTULO 4.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. FERNANDES C. E.; SILVA DE SÁ, M. F. Tratado de obstetrícia FEBRASGO. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021. 2. ZUGAIB, M. Zugaib Obstetrícia. Editora Manole. 4ª. Ed. 2020. 3. BELFORT, P.; MADI, J.M.; GRILLO, B.; VIGGIANO M. Neoplasia trofoblástica gestacional: CONTROVÉRSIAS. Rio de Janeiro: Rubio; 2007. 4. LAUFER, MARC R., ALAN H. DECHERNEY, AND DEBORAH LEVINE. "Congenital uterine anomalies: Clinical manifestations and diagnosis.". UptoDate; mar, 2021. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 94 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 CAPÍTULO 5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ufa, terminamos um capítulo cheio de detalhes e um tema obstétrico mais denso e triste, porém ele pode garantir aqueles pontos extras, fundamentaispara sua aprovação, e também ajudá-lo, e muito, nas condutas de plantões em pronto atendimento. Eu espero que você tenha gostado da leitura e que eu o tenha ajudado. Esteja preparado para esses 3 temas, que são cobrados de forma semelhante e intercalados pela banca. Aguardo seu comentário ou suas dúvidas. Estou disponível tanto no fórum de dúvidas do Estratégia MED quanto nas redes sociais. Não vá para a prova com dúvidas sobre sangramento de primeira metade, pois a chance é altíssima de esse tema estar em sua prova. Faça agora sua organização de resumos e resolva o máximo de questões sobre o tema que você conseguir. Entender como ele é cobrado e a profundidade de detalhes pode ajudar no detalhamento e fixação. Conte comigo! Estou na torcida por você! Um abraço! PROFESSORA MARINA AYABE m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://med.estrategia.com INTRODUÇÃO 1.0 ABORTAMENTO 1.1 DEFINIÇÕES 1.2 CLASSIFICAÇÃO 1.3 EPIDEMIOLOGIA 1.4 ETIOLOGIA 1.4.1 ALTERAÇÕES CROMOSSÔMICAS 1.4.2 DOENÇAS ENDÓCRINAS 1.4.3 INFECÇÕES 1.4.4 CAUSAS UTERINAS 1.4.5 FATORES IMUNOLÓGICOS 1.4.6 TABACO, ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS 1.4.7 TRAUMA 1.5 FORMAS CLÍNICAS DE ABORTAMENTO E CONDUTAS ESPECÍFICAS 1.5.1 AMEAÇA DE ABORTAMENTO 1.5.2 ABORTAMENTO INEVITÁVEL 1.5.3 ABORTAMENTO COMPLETO 1.5.4 ABORTAMENTO INCOMPLETO 1.5.5 ABORTAMENTO INFECTADO 1.5.6 ABORTO RETIDO E GESTAÇÃO ANEMBRIONADA 1.6 CARACTERÍSTICAS ULTRASSONOGRÁFICAS DO ABORTAMENTO 1.7 TÉCNICAS PARA ESVAZIAMENTO UTERINO 1.7.1 ASPIRAÇÃO INTRAUTERINA 1.7.2 CURETAGEM UTERINA 1.8 LISTA DE QUESTÕES 2.0 GESTAÇÃO ECTÓPICA 2.1 DEFINIÇÃO 2.2 LOCALIZAÇÃO 2.3 QUADRO CLÍNICO 2.4 FATORES DE RISCO 2.5 DIAGNÓSTICO 2.6 TRATAMENTO 2.6.1 CONDUTA EXPECTANTE 2.6.2 TRATAMENTO MEDICAMENTOSO 2.6.3 TRATAMENTO LOCAL COM METOTREXATO 2.6.4 TRATAMENTO CIRÚRGICO 2.7 GESTAÇÃO ECTÓPICA DE LOCALIZAÇÃO ATÍPICA 2.8 LISTA DE QUESTÕES 3.0 DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL 3.1 MOLA HIDATIFORME 3.1.1 FATORES DE RISCO 3.1.2 PATOGÊNESE 3.1.3 QUADRO CLÍNICO 3.1.4 TRATAMENTO 3.1.5 SEGUIMENTO PÓS-MOLAR 3.1.6 MOLA HIDATIFORME RECORRENTE FAMILIAR 3.2 NEOPLASIA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL 3.2.1 TRATAMENTO 3.2.2 MOLA INVASORA (corioadenoma destruens) 3.2.3 CORIOCARCINOMA 3.2.4 TUMOR TROFOBLÁSTICO DO SÍTIO PLACENTÁRIO (TTSP) 3.2.5 TUMOR TROFOBLÁSTICO EPITELIOIDE (TTE) 3.2.6 SEGUIMENTO APÓS NEOPLASIA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL 3.3 LISTA DE QUESTÕES 4.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 5.0 CONSIDERAÇÕES FINAISa dar uma notícia de gestação somente após o 3º mês, porque sabiam do risco da perda precoce. Além disso, saiba que, diante de um abortamento esporádico, a principal causa está associada às anomalias cromossômicas. E por que você deve entender isso? Porque a família irá questionar sobre o medo de nova perda gestacional. E a resposta é que NÃO há aumento de risco de novo abortamento no caso do aborto esporádico. Ainda bem, não é? Mas e quanto às gestações bioquímicas, professora? Essa é uma condição em que ocorre apenas uma elevação hormonal, que ocasiona um teste de gravidez positivo, porém sem diagnóstico de qualquer sinal clínico de gestação inicial. Estima- se que 60% delas evoluam para abortamentos, porém muitas passarão despercebidas, como um atraso menstrual que evoluiu com uma menstruação mais importante. E você sabe qual é uma situação comum para ocorrência da gestação bioquímica? Após uma gestação por reprodução assistida. A gestação é identificada pelo aumento do beta-hCG, porém sem detecção ao exame de ultrassom. Estrategista, vamos ver como a epidemiologia pode aparecer em sua prova? CAI NA PROVA (SCMM, 2020) Uma gestante G3 P1 A1, com idade gestacional de 6 semanas, procura o ginecologista para tirar uma dúvida a respeito do risco de um novo abortamento. Não apresentou intercorrências nas gestações anteriores e o aborto aconteceu no primeiro trimestre da gestação anterior. A orientação mais correta nesse caso é: A) o risco de abortamento nessa gestação aumenta e chega a cifras de 50%. B) o risco de abortamento é muito grande, principalmente porque a gestante não está fazendo profilaxia com progesterona micronizada. C) o risco de abortamento é baixo, porém é o dobro de uma primeira gestação. D) o risco de abortamento é baixo, semelhante a uma primeira gestação. COMENTÁRIO Estrategista, veja que é uma questão de epidemiologia, mas cobrada por meio de uma questão comum na prática clínica. As pacientes desejam saber o risco de um novo abortamento na próxima gestação. Incorretas as alternativas A, B e C. O risco de abortamento para mulheres com história de um abortamento anterior é baixo, cerca de 15% a 20% após a confirmação da gravidez, semelhante a uma primeira gestação. Lembrando que o abortamento habitual ou de repetição é quando ocorrem 3 abortamentos consecutivos. Além disso, estudos com a utilização da progesterona, de forma profilática, nos abortamentos esporádicos, não apresentaram impacto no desfecho do abortamento. Correta a alternativa D. O risco de abortamento para mulheres com história de um abortamento anterior é baixo, cerca de 15 a 20% após a confirmação da gravidez, semelhante a uma primeira gestação. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 12 1.4 ETIOLOGIA 1.4.1 ALTERAÇÕES CROMOSSÔMICAS A ALTERAÇÃO CROMOSSÔMICA é a principal etiologia em 50 a 80% dos abortamentos precoces (antes da 12ª semana de gestação). As TRISSOMIAS são as alterações mais comuns associadas às perdas precoces, correspondendo a 50% dos abortamentos de causa genética. A trissomia do cromossomo 16 é a mais frequente. Apesar de as causas cromossômicas serem frequentes, elas são decorrentes de erros ou mutações pontuais. A monossomia do cromossomo X é a segunda maior causa genética de abortamento devido à falta do cromossomo paterno e sem correlação com a idade materna. O risco de alterações cromossômicas é maior com o avançar da idade da gestante, pois as divisões genéticas anômalas são mais frequentes. Vamos resolver mais uma questão? CAI NA PROVA (HMAR, 2020) Assinale a alternativa incorreta a respeito de abortamento: A) A maioria dos casos de síndrome de Down acaba em abortamento. B) Praticamente metade dos casos de abortamento é consequente a anomalias cromossômicas. C) As malformações uterinas representam outros 50% dos casos de abortamento. D) Das trissomias que cursam com aborto, a 16 é a mais frequente. COMENTÁRIO: Incorreta a alternativa A. Está CORRETO. As trissomias são as anormalidades cromossômicas mais relacionadas ao abortamento, inclusive a do cromossomo 21, que caracteriza a síndrome de Down. Incorreta a alternativa B. Está CORRETO. Cerca de 50% a 70% dos abortamentos relacionam-se com anomalias cromossômicas. Correta a alternativa C. Atenção, que a pergunta é a alternativa INCORRETA. Cerca de 50% a 70% dos abortamentos relacionam-se com anomalias cromossômicas, sendo que os 30% restantes estão associados a malformações uterinas, infecções, distúrbios endocrinológicos ou imunológicos. Incorreta a alternativa D. Está CORRETO. As trissomias são as anormalidades cromossômicas mais relacionadas ao abortamento, sendo que, entre elas, a mais frequente é a do cromossomo 16. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 13 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 1.4.2 DOENÇAS ENDÓCRINAS • Insuficiência de corpo lúteo A progesterona é produzida pelo corpo lúteo até a oitava semana de gestação, quando o trofoblasto placentário passa a assumir essa produção e manutenção hormonal. A produção deficiente desse hormônio está associada à geração de um endométrio pouco preparado para a recepção do embrião. Por muito tempo, associou-se uma insuficiência da produção de progesterona pelo corpo lúteo aos abortamentos espontâneos e de repetição. ATENÇÃO DA CORUJA: atualmente, a literatura não demonstra que a deficiência lútea esteja associada aos abortamentos nem que a suplementação de progesterona previna abortamentos. • Diabetes mellitus Pacientes com diabetes mellitus pré-gestacional do tipo 1, com descontrole glicêmico, têm uma taxa aumentada de abortamento. Em geral, recomenda-se manter a hemoglobina glicada inferior a 7,0% para que a paciente engravide, pois diminui-se o risco de perda fetal e malformações, tornando-se semelhante ao risco da população geral. Vamos apenas fazer uma breve recordação aqui? Diante de feto com a síndrome de regressão caudal, uma malformação congênita lombossacra, você deve associar com o diabetes pré-gestacional e maior risco de evolução para abortamentos. Lembrou-se dessa relação? Se foi uma novidade, lembre-se de revisar essa relação no livro digital Diabetes na gestação. • Tireoidopatias Há uma incidência maior de abortamentos em pacientes com hipotireoidismo e naquelas com anticorpos antitireoidianos, mesmo na ausência de doença tireoidiana. Os estudos não demonstraram uma relação causal entre os anticorpos e o abortamento. • Síndrome dos ovários policísticos (SOP) A síndrome dos ovários policísticos tem sido considerada como uma das causas de abortamento espontâneo ou de repetição. Aventa-se que os mecanismos responsáveis pelo abortamento são: maior resistência insulínica, com hiperinsulinemia e aumento do LH, obesidade e hiperandrogenismo. Figura 2. Comparativo entre ovário policístico e ovário normal. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 14 1.4.3 INFECÇÕES Em teoria, todas as infecções virais ou bacterianas podem ocasionar abortamento por lesões na decídua da placenta, nas membranas ovulares e no concepto. Em especial o Treponema pallidum, agente etiológico da sífilis, está envolvido tanto no abortamento tardio como na infecção materna. Outros agentes que você deve saber que também estão implicados no abortamento espontâneo são: clamídia, gonococo, herpes, CMV, listeria e estreptococo do grupo B. 1.4.4 CAUSAS UTERINAS •Sinéquias uterinas (síndrome de Asherman) A síndrome de Asherman ocorre pela formação de aderências uterinas após agressão endometrial principalmente após a curetagem uterina. Essas aderências podem interferir na implantação do embrião. Acredita-se que 15 a 30% das mulheres com essa patologia apresentem abortamento de repetição. A lise das aderências pode ser realizada por meio da histeroscopia, e 50% das pacientes conseguem engravidar após o tratamento. Figura 3. Sinéquias uterinas. • Miomas Os miomas, além de serem uma causa de infertilidade, também são uma causa de abortamento. Os miomas mais envolvidos no abortamento são aqueles que distorcem a cavidade uterina, como os SUBMUCOSOS e até os intramurais, dificultando o processo de implantação do embrião. Além disso, a necrose desses miomas, por falta de fluxo vascular, promove a liberação de citocinas inflamatórias que promovem contrações uterinas e podem levar ao abortamento. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 15 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 É mais importante a LOCALIZAÇÃO do mioma do que seu tamanho. Logo, é maior o risco para abortamento com um mioma submucoso de 1 cm do que com um mioma subseroso de 3 cm de diâmetro. Figura 4. Miomas uterinos. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 16 • Incompetência cervical A incompetência cervical é uma causa importante de perdas fetais tardias, correspondendo a 10-20% dos abortamentos de repetição. Esse tema será discutido de maneira detalhada no livro digital sobre Abortamento habitual e insuficiência cervical. • Malformações uterinas As malformações uterinas associadas aos defeitos de fusão dos ductos de Müller, como útero bicorno, didelfo, septado ou arqueado, estão associadas ao aumento de risco de abortamento. Atenção especial, pois essas anormalidades uterinas não dificultam a concepção e a implantação. Entretanto podem provocar complicações obstétricas, como: abortos de repetição, partos prematuros, restrição de crescimento fetal e distocias no parto. Entre as malformações, a que apresenta pior prognóstico é o ÚTERO SEPTADO. No entanto não foi encontrada base biológica clara para resultados reprodutivos prejudicados nas mulheres afetadas. Mulheres com útero septado têm risco aumentado de aborto espontâneo (21 a 44%) e parto prematuro (12 a 33%), e a taxa de nascimentos vivos varia de 50 a 72%. Aproveite para revisar as principais malformações müllerianas pela figura abaixo. Figura 5. Principais características das malformações müllerianas. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 17 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 CAI NA PROVA (IFF-RJ, 2021) Malformações uterinas são importantes causas de abortamento habitual. Elas deformam a cavidade uterina e prejudicam o desempenho reprodutivo, aumentando o risco de abortamento, parto prematuro, restrição de crescimento fetal, ruptura prematura das membranas e apresentação anômala. Marque a opção abaixo que configura o tipo de malformação com pior prognóstico obstétrico: A) útero didelfo; B) útero arqueado; C) útero bicorno; D) útero septado; E) útero unicorno. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A: O útero didelfo provoca taxa de aborto espontâneo de 32% e taxas de nascimento prematuro de 28%. Incorreta a alternativa B. O útero arqueado é considerado uma variação anatômica e não está associado a desfechos obstétricos desfavoráveis. Incorreta a alternativa C. Revisões da literatura relataram aborto espontâneo em 36%, parto prematuro em 21 a 23% e sobrevida fetal em 50 a 60% dos pacientes com útero bicorno. Correta a alternativa D. É mais provável que o útero septado esteja associado a resultados adversos na gravidez do que outras anomalias uterinas. No entanto não foi encontrada base biológica clara para resultados reprodutivos prejudicados nas mulheres afetadas. Incorreta a alternativa E. Em uma revisão de resultados da gravidez, em mulheres com útero unicorno, observaram-se as seguintes taxas de complicações obstétricas: 2,7% de gravidez ectópica, 24,3% de aborto no primeiro trimestre, 9,7% de aborto no segundo trimestre, 20,1% de parto prematuro, 3,8% de morte fetal e 51,5% nascidos vivos. 1.4.5 FATORES IMUNOLÓGICOS As causas imunológicas estão relacionadas ao abortamento de repetição e têm sido amplamente estudadas nos últimos anos. A síndrome do anticorpo antifosfolípide (SAAF) é a principal causa autoimune abordada pelas provas. A SAAF e as demais trombofilias adquiridas envolvidas com o abortamento serão abordadas em detalhes no livro digital sobre trombose e hemostasia.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 18 1.4.6 TABACO, ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS Os estudos demonstram que mulheres que fumam mais de 10 cigarros por dia apresentam maior risco de abortamento; acredita-se que a vasoconstrição e os danos placentários estejam envolvidos nesse processo. O uso de álcool também parece contribuir para o aumento de risco para abortamento, apesar de os estudos serem inconsistentes. 1.4.7 TRAUMA Em geral, o trauma de menor gravidade e intensidade não está associado ao abortamento, pois, no início da gestação, o feto está bem protegido dos traumas abdominais devido a sua localização intrapélvica e central. Quando o útero sai da pelve, após a 12ª semana de gestação, ele fica mais exposto ao trauma externo direto. No trauma grave, pode ocorrer trauma direto ou ação pela alteração do estado hemodinâmico materno. Os traumas estão mais associados ao descolamento prematuro de placenta em gestações mais avançadas. Deixo abaixo uma figura para ajudá-lo a resumir as principais etiologias: Alterações cromossômicas (Trissomia) Doenças endócrinas (Insuficiência de corpo lúteo, diabetes mellitus, tireoidopatias, SOP) Infecções (Treponema pallidum - sífilis, clamídia, gonococo, herpes, CMV, listeria, enterococo do grupo B) Fatores imunológicos (SAAF) Tabaco, álcool e outras drogas Trauma ETIOLOGIA DO ABORTAMENTO Causas uterinas (Sinéquias uterinas, miomas, incompetência cervical, malformações uterinas) Figura 6. Principais etiologias do abortamento. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 19 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 1.5 FORMAS CLÍNICAS DE ABORTAMENTO E CONDUTAS ESPECÍFICAS FIQUE ATENTO: As diferentes formas de apresentação clínica dos abortamentos e suas condutas específicas são os tópicos mais abordados em abortamentos pelas provas de Residência. Vou detalhar de uma maneira direta e objetiva as formas clínicas. Depois vou ajudá-lo a raciocinar de uma maneira prática para simplificar o raciocínio. Vamos lá? 1.5.1 AMEAÇA DE ABORTAMENTO A ameaça de abortamento ou abortamento evitável é a principal entidade clínica que leva à procura de serviços de urgência. Trata-se de uma complicação frequente, que acomete de 15 a 20% das mulheres. Aproximadamente 40 a 50% das mulheres que sangram no início da gestação evoluem para perda gestacional. Após ser evidenciada a atividade cardíaca na ultrassonografia, esserisco reduz para valores entre 4 e 10%. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 20 Como a paciente se apresenta? A paciente refere, em geral, um sangramento em pequena quantidade associado à cólica abdominal. No exame ginecológico, o útero tem tamanho compatível com a idade gestacional, o colo uterino encontra-se impérvio e, no exame especular, pequena quantidade de sangue coletado em fundo de saco posterior. Como é o achado ultrassonográfico? A ultrassonografia é compatível com a normalidade para a idade gestacional. É visualizada a presença de saco gestacional regular e, a depender da idade gestacional, embrião com batimentos cardíacos fetais presentes. Sempre que houver relato de sangramento vaginal, sem que haja uma ultrassonografia prévia com gestação tópica, suspeitar também de gestação ectópica. O quadro clínico vai guiá-lo para a principal hipótese, mas a ultrassonografia deve ser realizada sempre que possível. Algumas questões de prova de Residência falam sobre um achado ultrassonográfico específico, que é o hematoma subcoriônico. Ele aparece em 4 a 40% dos casos de ameaça de abortamento e, quando envolve mais de 40% do saco gestacional, está associado com maior risco de perda fetal. A imagem ao lado ilustra esse achado. Como tratar a paciente? Diante de um quadro de ameaça de abortamento, não existe uma conduta específica para o sangramento. O uso de progesterona não tem impacto no desfecho do quadro e a indicação de repouso relativo não tem comprovação científica. A conduta mais importante, nesses casos, é checar a tipagem sanguínea, assim como em qualquer sangramento durante a gestação. Caso a paciente seja Rh negativo, deve ser empregada a imunoglobulina anti-D, a fim de prevenir a aloimunização dessa paciente. Para efeito, nas provas, essa é uma conduta, em geral, obrigatória. Porém, fique atento, pois, segundo o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG), a aplicação da imunoglobulina somente deve ser feita em casos com mais de 12 semanas. Mas, no geral, as provas cobram a conduta da imunoglobulina como obrigatória. Figura 7. Hematoma subcoriônico. HEMATOMA SUBCORIÔNICO m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 21 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 É uma prática comum entre os obstetras indicar a suplementação de progesterona em pacientes que apresentaram sangramentos no primeiro trimestre de gestação, a fim de prevenir desfechos desfavoráveis. Em 2019, a New England Journal of Medicine, uma conceituada revista científica, publicou um estudo com mais de 4.000 pacientes que apresentaram sangramentos até a 12ª semana de gestação. Um grupo recebeu progesterona, e o outro, não. Os dados do estudo demonstram que não houve diferença no número de nascidos vivos com mais de 34 semanas entre os dois grupos. Apenas houve diferença estatística quando empregado em mulheres com três ou mais abortamentos de repetição. Por esse estudo, não há aumento da taxa de nascidos vivos pelo uso de progesterona em mulheres com sangramentos anteriores a 12ª semana de gestação. CAI NA PROVA (UEL, 2020) Em relação ao abortamento espontâneo, considere as afirmativas a seguir. I. O repouso no leito tem benefício comprovado nos casos de ameaças de abortamento. II. Não há redução do risco de abortamento com a suplementação aleatória de progesterona vaginal. III. A conduta expectante é uma opção terapêutica para as pacientes com abortamento retido ou incompleto. IV. Estão liberadas a engravidar novamente antes de 3 meses decorridos do abortamento anterior. Assinale a alternativa correta. A) Somente as afirmativas I e II são corretas. B) Somente as afirmativas I e IV são corretas. C) Somente as afirmativas III e IV são corretas. D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. COMENTÁRIO Incorreta a afirmativa I. O repouso no leito não tem benefícios comprovados com a redução de abortamentos nem comprovação científica de sua recomendação. Correta a afirmativa II. Não houve redução de abortamentos com uso aleatório de progesterona em pacientes com sangramento de primeiro trimestre. Mas houve diferença nos casos de abortamento de repetição. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 22 Correta a afirmativa III. A conduta expectante é uma opção terapêutica para as pacientes com abortamento retido, sendo que aproximadamente 30 a 50% das pacientes com gestações não evolutivas terão um abortamento completo após 15 dias do diagnóstico, sendo esse período bem tolerado pelas pacientes. Correta a afirmativa IV. No caso de evolução expectante do abortamento espontâneo, as pacientes podem ser liberadas a nova gestação antes de 3 meses do abortamento anterior. Correta a Alternativa E. Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. Incorretas as alternativas A, B, C e D. (Santa Casa de Misericórdia de São Paulo – SCMSP, 2015) Preocupada por estar apresentando sangramento vaginal, uma primigesta com idade gestacional de 7 semanas e 5 dias procurou o pronto-socorro. Ao exame especular, apresentava pequena quantidade de sangue coletado em fundo de saco posterior e ao toque vaginal colo impérvio. Como praxe, foi solicitada ultrassonografia que revelava saco gestacional regular localizado em fundo uterino e contendo no seu interior embrião único e vivo com comprimento crânio-nádega de 15 mm (compatível com 7 semanas e 6 dias) e frequência cardíaca de 172 bpm. Notava-se ainda, no interior do saco gestacional, adjacente ao embrião, pequena estrutura arredondada e regular de conteúdo anecoico e paredes finas, além de hematoma subcoriônico periférico, ocupando cerca de 50% da área ovular. Apesar de diagnosticar ameaça de abortamento, o médico responsável pelo atendimento ficou preocupado, pois detectou achado que sugere mau prognóstico. Tal achado é: A) Taquicardia embrionária. B) Hematoma subcoriônico superior a 40% da área ovular. C) Imagem cística próxima ao embrião. D) Comprimento crânio-nádega incompatível com a idade gestacional. E) Localização fúndica do saco gestacional. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. A taquicardia embrionária é um sinal ultrassonográfico normal em gestações iniciais. A frequência cardíaca embrionária pode estar abaixo de 100 bpm com 5 ou 6 semanas, podendo chegar até 90 bpm ou alcançar uma média de 175 bpm com 9 semanas. Correta a alternativa B. A presença de hematoma subcoriônico superior a 40% é sugestivo de mau prognóstico (Zugaib Obstetrícia, 2020). Incorreta a alternativa C. A imagem cística próxima ao embrião é a presença da vesícula vitelínica. É uma estrutura presente após o saco gestacional, visível no início da 5ª semana de gestação e começa a desaparecer ao redor da 12ª semana de gestação. Incorreta a alternativa D. O comprimento crânio-nádega (CCN) pode ser incompatível devido a erro da data da última menstruação. Geralmente é por meio de sua medida a melhor avaliação do cálculo da idade gestacional. Incorreta a alternativa E. O saco gestacional de localização fúndica uterina é compatível com a melhor localização e evolução de uma gestação. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 23 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | CursoExtensivo | Junho 2022 A gestação inicial ou incipiente pode gerar confusão por não haver visualização de todos os componentes necessários para uma gestação viável e evolutiva. Por isso a conduta é repetir a ultrassonografia em 7 a 10 dias para reavaliação. 1.5.2 ABORTAMENTO INEVITÁVEL Algumas provas de Residência trazem esse termo em suas questões. Considera-se um abortamento inevitável aquele em que ainda não houve eliminação do material ovular ou do embrião pelo colo, porém o processo já é irreversível. Em algumas questões, mesmo com a eliminação de restos, dá-se o nome de abortamento inevitável. A nomenclatura mais correta nesses casos é de abortamento em curso, porém podem ser empregados como sinônimos (em curso ou inevitável). Como a paciente se apresenta? Em geral, a paciente apresenta sangramento em moderada a grande quantidade, associado à dor pélvica. Ao exame ginecológico, há presença de sangue coletado, podendo haver sangramento ativo. Um ponto importante é que, ao toque vaginal, o colo uterino geralmente está PÉRVIO, podendo haver herniação da bolsa em gestações mais avançadas. Como já dissemos, as provas podem considerar que um abortamento em curso, com saída de restos no momento da avaliação, seja um abortamento inevitável. Como é o achado ultrassonográfico? Pode ser visualizado o saco gestacional ou o embrião com batimentos cardíacos ou não, porém há descolamento ovular significativo, associado a coágulos ou a hematoma. Em geral, o quadro evolui espontaneamente, podendo tornar-se um abortamento completo ou incompleto. Como tratar a paciente? A paciente deve ser internada para estabilização clínica e, sobretudo nos casos em que houver sangramento importante, deve ser realizada expansão volêmica. Caso não haja resolução espontânea, deve ser realizado o esvaziamento uterino. Sempre lembrar de realizar imunoglobulina anti-D nas pacientes Rh negativo. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 24 CAI NA PROVA (USP-SP, 2020) Paciente secundigesta, com 9 semanas de gravidez pela data da última menstruação, refere cólica abdominal de forte intensidade e sangramento vaginal volumoso e espontâneo. Ao exame especular, moderada quantidade de sangue em fundo de saco posterior, com sangramento ativo. Toque vaginal com colo pérvio para 2 cm. Qual é a principal hipótese diagnóstica? A) Abortamento retido. B) Gestação incipiente. C) Abortamento inevitável. D) Incompetência cervical. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. Aborto retido caracteriza-se pela visualização de embrião sem atividade cardíaca e colo uterino impérvio. Incorreta a alternativa B. Gestação incipiente caracteriza-se por colo uterino impérvio e sinais ultrassonográficos que não permitem confirmar que se trata de gestação evolutiva, sendo necessário o seguimento ultrassonográfico para observar se será visualizado embrião com batimentos cardíacos. Correta a alternativa C. Sangramento vaginal ativo e colo uterino pérvio caracterizam o abortamento inevitável. Incorreta a alternativa D. Incompetência cervical caracteriza-se por dilatação cervical espontânea e perdas gestacionais tardias de repetição. 1.5.3 ABORTAMENTO COMPLETO Quando ocorre a eliminação completa do produto concepcional, dizemos que houve um abortamento completo. Em gestações mais iniciais, em geral é um processo comum. Como a paciente se apresenta? A paciente costuma procurar o pronto-socorro dizendo que apresentou um sangramento em grande quantidade, geralmente referindo eliminação de um material amorfo e que, após esse processo, o sangramento diminuiu e as cólicas reduziram a intensidade. Após a eliminação completa, o colo uterino fecha-se e geralmente está impérvio ou fechando-se ao toque vaginal, e o útero apresenta-se diminuído em relação à idade gestacional. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 25 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Como é o achado ultrassonográfico? O diagnóstico de certeza somente pode ser obtido por meio da realização de ultrassonografia transvaginal. Apesar de não haver consenso na literatura, a maioria das referências considera que a presença de eco endometrial com espessura inferior a 15 mm, no corte longitudinal do útero, indica um abortamento completo, sem a necessidade de procedimentos terapêuticos. A imagem abaixo apresenta uma ultrassonografia transvaginal com o endométrio de 9 mm de espessura, confirmando o abortamento completo. Como tratar a paciente? Diante do diagnóstico de abortamento completo, não há necessidade de condutas terapêuticas de urgência. Caso a paciente se encontre estável hemodinamicamente e sem queixas, deve-se realizar orientação e alta hospitalar com medicamentos sintomáticos. Vale lembrar que deve ser colhida tipagem sanguínea e, em caso de Rh negativo, realizar imunoglobulina anti-D. Nos casos de abortamento completo, pode haver casos em que não há a possibilidade de enviar material para análise anatomopatológica. Nesses casos, a paciente deve ser orientada a retornar ao serviço em 15 dias para coleta de HCG urinário, a fim de avaliar a negativação e descartar o diagnóstico de doença trofoblástica gestacional. Figura 8. Ultrassonografia pós-abortamento completo com medida do endométrio menor que 15 mm. EE 1.5.4 ABORTAMENTO INCOMPLETO O abortamento incompleto ocorre quando há eliminação parcial dos produtos da concepção, sendo mais comum em abortos mais tardios. Como a paciente se apresenta? Na maior parte dos casos, a paciente refere um sangramento de moderada a grande quantidade, podendo haver eliminação de material amorfo. O sangramento persiste em menor volume após esse episódio. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 26 Ao exame físico, o útero encontra-se com volume menor do que o esperado para a idade gestacional e o colo uterino encontra- se pérvio na maior parte dos casos. Em poucos casos, o colo pode estar fechado. Em alguns casos, como já foi citado anteriormente, a paciente pode chegar eliminando o material, recebendo o nome de abortamento em curso. Como é o achado ultrassonográfico? O diagnóstico de certeza, assim como no abortamento completo, deve ser realizado por meio da ultrassonografia. Nesse caso, espera-se encontrar a presença de material amorfo, com espessura do eco endometrial superior a 15 mm, como pode ser evidenciado na imagem abaixo: Como tratar a paciente? A conduta clássica é o esvaziamento uterino. E, em geral, essa é a resposta cobrada pelas bancas com o objetivo de resolutividade dos restos intrauterinos. Porém existe a possibilidade de tratamento expectante, que deverá ser discutida com a paciente – após avaliar os riscos e benefícios –, a qual deverá tomar sua decisão. Expectante Aguardar a expulsão dos restos ovulares. Nos casos de abortamento incompleto, alcança uma taxa de sucesso de 95% em 15 dias, sem aumentar a taxa de complicações. Deve-se adotar a conduta expectante, observando alguns cuidados: ausência de sangramento importante, ausência de sinais de infecção, presença de pouca quantidade de material (em geral com eco endometrial menor que 50 mm) e desejo por parte da paciente, que deve ser bem esclarecida. Ativa - Medicamentosa Consiste na administração do misoprostol, que é um análogo da prostaglandina que promove esvaecimento do colo uterino e contração do útero. Aguarda-se a eliminação dos restos e, após sua ocorrência, realiza-seuma ultrassonografia para confirmar se o abortamento foi completo (eco endometrial inferior a 15 mm). - Cirúrgica Como o colo uterino encontra-se dilatado, na maior parte dos casos, o esvaziamento uterino com curetagem ou aspiração manual intrauterina (AMIU) são as opções. Lembre-se de que a AMIU é recomendada para gestações iniciais e de pequeno volume. Sempre deve ser avaliada a tipagem sanguínea e, se a paciente apresentar Rh negativo, deve ser realizada imunoglobulina anti-D. Figura 9. Aborto incompleto. Observe a espessura endometrial de 23 mm. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 27 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 1.5.5 ABORTAMENTO INFECTADO O abortamento infectado, em geral, é uma complicação do abortamento retido. Em países em que o aborto não é legalizado, muitas vezes está associado à prática de abortamento inseguro, fora do ambiente hospitalar. A flora bacteriana envolvida, assim como em todos os processos do trato genital superior feminino, envolve bactérias Gram- positivas e negativas, além de anaeróbias. Assim como na doença inflamatória pélvica (veja o livro digital sobre esse assunto), a doença pode propagar-se do útero para os anexos e para a cavidade pélvica, além de haver disseminação hematogênica, levando a quadros sépticos. Como a paciente se apresenta? O quadro clínico da paciente depende do grau de comprometimento. Nos casos mais leves de mioendometrite, a paciente apresenta dor abdominal, febre, sangramento vaginal e saída de secreção purulenta pela vagina. Ao exame físico, a paciente pode encontrar-se febril e taquicárdica por quadro séptico. O útero encontra-se doloroso e o colo uterino encontra-se geralmente pérvio. Ao exame especular, pode ser evidenciada saída de sangue e de secreção purulenta. Em casos mais graves, a paciente pode evoluir com choque séptico e com disfunção de múltiplos órgãos. Como tratar a paciente? Vamos para um raciocínio prático? Sempre que você se deparar com um foco infeccioso, raciocine de forma semelhante aos casos de abscesso: conduta ativa para retirar a fonte infecciosa pelo esvaziamento do conteúdo uterino e antibioticoterapia. Antibioticoterapia intravenosa Sabe aquele esquema terapêutico que você precisa decorar? Ele é indicado para abortamento infectado, corioamnionite, infecção puerperal e na doença inflamatória pélvica, isto é, para ginecologia e obstetrícia. Mioendometrite Salpingooforite Pelviperitonite Sepse Antibioticoterapia Esvaziamento uterino+ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 28 Então, se não decorou até hoje, coloque entre suas prioridades de estudo. Abaixo, a combinação terapêutica querida da obstetrícia: Abaixo seguem alguns esquemas alternativos: AMPICILINA 1 g IV 6/6 h + GENTAMICINA 3–5 mg IV 1x ao dia + METRONIDAZOL 500 mg IV 8/8 h ou CEFTRIAXONE 1 g IV 12/12 h + CLINDAMICINA 600 mg IV 8/8 h. A antibioticoterapia intravenosa, nos casos de endometrite não complicada, deve ser mantida por 48 horas com a paciente afebril e assintomática e, após, não há necessidade de manutenção de antibióticos por via oral ou de internação. Nos casos de sepse, deve ser mantida por mais tempo, o que varia, de acordo com os protocolos, entre 7 e 14 dias. Esvaziamento intrauterino Nos casos em que haja confirmação da presença de restos ovulares ou de abscesso, deve ser realizado o esvaziamento com curetagem ou aspiração manual intrauterina. Fique atento a 4 pontos importantes: Obs. 1: nos casos de sangramento importante, pode ser empregada a metilergometrina intramuscular para controle antes da abordagem cirúrgica. Obs. 2: em casos de perfuração uterina, deve ser realizada laparotomia exploradora. Obs. 3: nos casos refratários ao tratamento com esvaziamento e antibioticoterapia, pode haver a necessidade de realização de histerectomia. Obs. 4: nos casos de sepse, deve ser realizado o tratamento adequado direcionado ao quadro com expansão volêmica e antibioticoterapia. A conduta, nos quadros de sepse, está detalhada no livro digital sobre o assunto. E para encerrar e não ser diferente do restante, checar a tipagem sanguínea e, se o Rh for negativo, deve ser administrada imunoglobulina anti-D. CLINDAMICINA 600 mg IV 6/6h 900 mg IV 8/8h C GENTAMINICINA 3 A 5 mg/kg INTRAVENOSO 1 VEZ AO DIA G + m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 29 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 1.5.6 ABORTO RETIDO E GESTAÇÃO ANEMBRIONADA Figura 10. Imagem de embrião com CCN maior que 7 mm e ausência de batimento cardioembrionário (Fonte: arquivo pessoal dos professores EMED). Figura 11. Gestação anembrionada (Fonte: arquivo pessoal dos professores do EMED). Denomina-se aborto retido a ocorrência de morte embrionária ou fetal antes da 20ª semana de gestação, com retenção do produto conceptual por tempo prolongado (dias a semanas). Do ponto de vista ultrassonográfico, faz-se o diagnóstico de aborto retido ou óbito embrionário quando há presença de embrião com comprimento cabeça-nádega maior do que 7 mm e sem atividade cardíaca. Já a gestação anembrionada ou “ovo cego” é a presença de saco gestacional sem embrião em seu interior, em geral, após 6 semanas de gestação. Isso pode ocorrer por ausência de desenvolvimento ou por reabsorção do embrião. O principal critério ultrassonográfico para definição diagnóstica é a ausência de embrião na presença de saco gestacional com diâmetro interno médio maior que 25 mm. Como a paciente se apresenta? Em ambas as situações, a paciente, em geral, encontra-se assintomática e acaba realizando o diagnóstico durante uma ultrassonografia. Pode haver desaparecimento dos sintomas associados à gestação, tais como náuseas, vômitos e ingurgitamento mamário, além de pequenos sangramentos vaginais. Ao exame físico, o útero pode estar menor para a idade gestacional e o colo encontrar-se impérvio. Diante do exposto acima, muitas vezes a confirmação de uma gestação anembrionada ou de um aborto retido dependerá da repetição do exame ultrassonográfico, e isso pode ser cobrado pelas provas de Residência. Como tratar a paciente? Existem algumas possibilidades de tratamento para a gestação anembrionada e para o aborto retido. Elas deverão ser discutidas com a paciente, que, após avaliar os riscos e benefícios, deverá tomar sua decisão. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 30 Expectante: Aproximadamente 30 a 50% das pacientes com gestações não evolutivas terão um abortamento completo após 15 dias do diagnóstico, sendo esse período bem tolerado pelas pacientes. Pode-se aguardar até 4 semanas para a eliminação, pois, após esse período, o risco de coagulação intravascular disseminada e de infecção torna-se alto. Em geral, não se aguarda mais do que 15 dias, pois a taxa de sucesso, após esse período, é muito baixa. Ativa: Medicamentosa Esse esquema pode ser realizado com a paciente internada ou ambulatorialmente. Consiste na administração do misoprostol. Aguarda-se a eliminação do concepto e, quando ela ocorrer, realiza-se uma ultrassonografia para confirmar se o abortamento foi completo (eco endometrial inferior a 15 mm). Cirúrgica Como o colo se encontra impérvio, em geral, administram-se 400 mcg de misoprostol e realiza-seo esvaziamento uterino com curetagem ou AMIU. Obs.: é importante lembrar que, em gestações com mais de 12 semanas, há a presença de estruturas ósseas, então recomenda- se realizar a conduta cirúrgica apenas após a eliminação do concepto. Depois de detalhar as formas clínicas, vamos praticar com algumas questões? CAI NA PROVA (USP-SP, 2020) Paciente secundigesta com 9 semanas de gravidez pela data da última menstruação, refere cólica abdominal de forte intensidade e sangramento vaginal volumoso e espontâneo. Ao exame especular, moderada quantidade de sangue em fundo de saco posterior, com sangramento ativo. Toque vaginal com colo pérvio para 2 cm. Qual é a principal hipótese diagnóstica? A) Abortamento retido. B) Gestação incipiente. C) Abortamento inevitável. D) Incompetência cervical. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 31 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 COMENTÁRIO Estrategista, você está diante de uma questão-padrão das bancas que, por meio do caso clínico, questiona qual é a forma clínica. Incorreta a alternativa A. Aborto retido caracteriza-se pela visualização de embrião sem atividade cardíaca e colo uterino impérvio. Incorreta a alternativa B. Gestação incipiente caracteriza-se por colo uterino impérvio e sinais ultrassonográficos que não permitem confirmar que se trata de gestação evolutiva, sendo necessário o seguimento ultrassonográfico para observar se será visualizado embrião com batimentos cardíacos. Correta a alternativa C. Sangramento vaginal ativo e colo uterino pérvio caracterizam o abortamento inevitável. Incorreta a alternativa D. Incompetência cervical caracteriza-se por dilatação cervical espontânea e perdas gestacionais tardias de repetição. (SUS-SP, 2020) Considera-se conduta adequada no aborto retido na 8ª semana de gestação: A) Orientar a paciente para aguardar a eliminação fisiológica por até 40 dias em uso de antibioticoprofilaxia. B) Indicar curetagem uterina pelo risco de fenômenos tromboembólicos nos primeiros 7 dias. C) Orientar a paciente em relação à possibilidade de aguardar a eliminação fisiológica ou esvaziamento uterino com ou sem preparo do colo uterino. D) Repetir a ultrassonografia semanalmente para observar absorção fisiológica do feto, por até 40 dias. E) Prescrever misoprostol diariamente até a eliminação espontânea dos restos placentários. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. Quando se opta pela conduta expectante, nos casos de abortamento, não é indicado o uso da antibioticoprofilaxia. Incorreta a alternativa B. O risco de coagulopatia associada ao aborto retido aumenta por volta da 4ª semana. Correta a alternativa C. Diante do diagnóstico de aborto retido, a paciente deve ser orientada sobre os riscos e benefícios de cada uma das condutas para que possa optar pela conduta ativa ou expectante. Incorreta a alternativa D. Quando se opta pela conduta expectante, nos casos de abortamento, não é indicado realizar ultrassonografia seriada a menos que a paciente apresente sangramento sugestivo de que ocorreu o esvaziamento uterino. Incorreta a alternativa E. Caso a paciente opte por conduta ativa para esvaziamento uterino, o misoprostol será usado para dilatação do colo uterino, sem indicação de doses diárias.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 32 (Hospital Alvorada – HA-SP, 2018) Paciente, bastante aflita, procura obstetra referindo gestação de aproximadamente 6 semanas, tendo realizado o primeiro ultrassom obstétrico, que evidenciou saco gestacional sem embrião visualizado. A conduta mais adequada a esse caso é: A) Informar da perda fetal e internar para curetagem o mais breve possível. B) Informar da perda fetal, referindo que isso é muito comum, e aguardar a resolução espontânea. C) Informar a paciente que se trata de ovo cego e a melhor conduta é induzir a eliminação do material com misoprostol. D) Tranquilizar a paciente e solicitar novo ultrassom em 1 a 2 semanas. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. É necessário tranquilizar a gestante, indicando que pode se tratar de gestação incipiente, em que o embrião ainda não foi visualizado devido às limitações próprias da ultrassonografia transvaginal e idade gestacional precoce. Incorreta a alternativa B. Pela idade gestacional, pode-se estar diante de um erro de cálculo da idade gestacional pela data da última menstruação e diante de ultrassonografia precoce. Deve-se repetir a ultrassonografia entre 1 a 2 semanas e fazer o diferencial de uma gestação evolutiva. Incorreta a alternativa C. Deve-se repetir o exame em uma ou duas semanas para ser possível fazer o diagnóstico diferencial entre uma gestação evolutiva, situação em que se observará o surgimento do embrião no saco gestacional, ou uma gestação anembrionada, em que o saco gestacional permanecerá sem embrião em seu interior. O critério diagnóstico de gestação anembrionada é a visualização do saco gestacional com diâmetro interno médio maior ou igual a 25 mm sem embrião em seu interior. Correta a alternativa D. É necessário tranquilizar a gestante, indicando que pode se tratar de gestação incipiente, em que o embrião ainda não foi visualizado devido às limitações próprias da ultrassonografia transvaginal e idade gestacional precoce. Deve-se repetir o exame em uma ou duas semanas para ser possível fazer o diagnóstico diferencial entre uma gestação evolutiva, situação em que se observará o surgimento do embrião no saco gestacional, ou uma gestação anembrionada, em que o saco gestacional permanecerá sem embrião em seu interior. Claro que, diante de tudo isso, não vou abandoná-lo! Deixo, abaixo, um quadro com o resumo das características principais de cada forma clínica. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 33 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 FORMAS CLÍNICAS DO ABORTAMENTO CLÍNICA (sangramento, cólicas) CARACTERÍSTICA DO COLO EXAME DE IMAGEM AMEAÇA DE ABORTAMENTO Sangramento intermitente,em pequena quantidade Fechado Embrião vivo (hematoma subcoriônico-40%) ABORTAMENTO EM CURSO Sangramento moderado a intenso Orifício interno do colo geralmente dilatado Descolamento ovular Saco gestacional baixo ABORTAMENTO INCOMPLETO Sangramento intermitente Geralmente pérvio Material amorfo e heterogêneo (espessura endometrial > 15 mm) ABORTAMENTO COMPLETO Diminui de intensidade Fechado (fecha poucas horas após expulsão completa) Endométrio fino ou material mínimo (espessura endometrial até 15 mm) ABORTAMENTO RETIDO Cessação dos sintomas da gestação, sangramento discreto Fechado Morte conceptual (ausência BCF em embrião ≥ 7 mm) ABORTAMENTO INFECTADO Retenção prolongada (> 4 semanas) Pode ocorrer sangramento discreto, purulento ou não, febre Geralmente pérvio e doloroso à mobilização Restos ovulares Endométrio irregular Figura 12. Tabela com as principais diferenças entre as formas clínicas. Como é uma das etapas que eu mais quero que você grave e fixe sobre abortamento, veja abaixo um fluxograma muito prático que você pode realizar para classificar as formas clínicas pela ultrassonografia. Faça 3 perguntas principais: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 34 Figura13. Fluxograma das principaisdiferenças das formas clínicas pela ultrassonografia. Saco gestacional? SIM FORMAS CLÍNICAS Embrião? Batimentos cardíacos? Abortamento completo Abortamento incompleto Colo Impérvio Colo geralmente pérvio Abortamento inevitável ou em cursoColo pérvio Abortamento infectadoFebre NÃO EE 15mm SIM SIM Gestação anembrionada Aborto retido Ameaça de abortamento Gestação incipiente? NÃO NÃO Diam SG > 25mm CCN > 7mm Considerar se medidas menores Você está firme na diferença das formas clínicas do abortamento e em sua conduta? Se está inseguro, recomendo que você retorne ao texto e revise. Não tenha pressa. Não saia com a sensação de que leu, mas que daqui a dois dias esquecerá. Como é um tema que é muito cobrado nas provas, sugiro voltar ou colocar um quadro de resumo na parede até ficar firme. Se estiver seguro nessa parte dos estudos, prossiga a leitura. Vou continuar a detalhar assuntos interessantes e bastante cobrados em provas, que são as características ultrassonográficas do abortamento. 1.6 CARACTERÍSTICAS ULTRASSONOGRÁFICAS DO ABORTAMENTO As provas de Residência gostam de cobrar os critérios sugestivos d eque uma gestação não está evoluindo de forma adequada e apresentando mau prognóstico. Para facilitar seu aprendizado, trago, no quadro abaixo, as principais definições ultrassonográficas para definir gestações não evolutivas: 1. Embrião com CCN > 7 mm sem atividade cardíaca. 2. Ausência de embrião na presença de saco gestacional com diâmetro interno médio maior que 25 mm; alguns autores consideram que se o saco gestacional tem diâmetro maior do que 20 mm, já deve ser observado embrião. 3. Ausência de embrião com atividade cardíaca após 2 semanas de ultrassonografia que evidenciou saco gestacional sem vesícula vitelínica. 4. Ausência de embrião com atividade cardíaca 11 dias após USG que evidenciou saco gestacional com vesícula vitelínica. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 35 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 Abaixo, vou colocar alguns critérios que sugerem mau prognóstico. Atenção especial aos primeiros 4 critérios, que são os mais cobrados nas provas: - Embrião com comprimento cabeça-nádegas (CCN) maior ou igual a 7 mm sem atividade cardíaca (critério mais utilizado). - Saco gestacional: maior ou igual a 25 mm e sem embrião (gestação anembrionada). maior que 10 mm e ausência de vesícula vitelínica (VV). - Bradicardia embrionária ou fetal ( 40% da área ovular. - Descolamento central (retrovular). - Presença de malformações fetais. - Desenvolvimento embrionário anormal (CCN 5 mm sem embrião. B) SG (saco gestacional > 10 mm de diâmetro sem embrião. C) SG > 7 mm sem VV. D) embrião > 7 mm sem batimentos cardíacos. E) embrião > 3 mm sem VV. COMENTÁRIO Incorreta a alternativa A. Quando o saco gestacional está com diâmetro médio de 8 mm ou mais, a vesícula vitelínica (VV) deve ser visualizada. Usualmente a medida da VV não deve exceder 6 mm de diâmetro até 10 semanas de gestação. Sinal de mau prognóstico quando a VV passa de valores acima do percentil 95, está com aspecto "hidrópico", encontra-se desproporcional ao tamanho do saco gestacional ou de aspecto calcificado. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 36 Incorreta a alternativa B. Segundo o UpToDate, deve ser visualizado embrião quando o diâmetro do saco gestacional está de 16 a 24 mm. Incorreta a alternativa C. É considerado sinal de mau prognóstico o saco gestacional maior que 10 mm e a não visualização da vesícula vitelínica. Correta a alternativa D. Na avaliação pela ultrassonografia transvaginal, denomina-se óbito conceptual a ausência de batimento cardíaco fetal em embriões com comprimento cabeça-nádega maior ou igual a 7 mm. Incorreta a alternativa E. A vesícula vitelínica é a primeira estrutura anatômica a ser encontrada no interior do saco gestacional. Sua identificação no interior do saco gestacional confirma o diagnóstico de gestação intrauterina inicial. Logo, a VV aparece antes do embrião. 1.7 TÉCNICAS PARA ESVAZIAMENTO UTERINO O tratamento clássico e mais cobrado pelas provas de Residência nos casos de abortamento é a curetagem uterina. Nos últimos anos, surgiram novas técnicas de esvaziamento uterino e mais protocolos passaram a adotar as condutas expectantes ou medicamentosas para o tratamento do abortamento. O intuito dessas novas modalidades é reduzir as complicações associadas à curetagem uterina, como perfuração e formação de sinéquias (síndrome de Asherman). 1.7.1 ASPIRAÇÃO INTRAUTERINA O esvaziamento uterino por aspiração é considerado atualmente uma opção mais segura e tão eficaz quanto a curetagem. É a técnica de escolha nas gestações precoces, até 12 semanas. É um instrumento barato, de simples manuseio e com uma técnica de fácil aplicação. A aspiração pode ser realizada através de vácuo elétrico, chamada de aspiração elétrica, ou através de um vácuo manual produzido por uma seringa e chamado de AMIU. Figura 14. Aspiração manual intrauterina (AMIU). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Sangramento da primeira metade da gestação 37 OBSTETRÍCIA Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 A técnica de preparação da paciente é semelhante à da curetagem, com a vantagem de que, em alguns serviços, o procedimento pode ser realizado sem a necessidade de anestesia geral ou bloqueio de neuroeixo. As complicações, como perfuração e sinéquias, são bem pouco frequentes, por tratarem-se de um material rombo e que não “raspa” as paredes uterinas. A imagem mostra o dispositivo de AMIU montado. 1.7.2 CURETAGEM UTERINA A curetagem uterina somente deve ser empregada nos abortamentos com menos de 12 semanas na indisponibilidade de material para aspiração. Já nas gestações com mais de 12 semanas ou com material muito abundante, ela é a primeira opção. Antes da curetagem em si, pode haver a necessidade de dilatar o orifício do colo uterino para a passagem da cureta. Para esse procedimento, empregam-se as chamadas velas de dilatação de Hegar, que são introduzidas no colo (imagem abaixo, à esquerda). Após a dilatação, procede-se com a retirada mecânica dos restos ovulares com a cureta (imagem abaixo, à direita). Figura 15. Figura à esquerda: velas de Hegar. Figura à direita: curetas. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento da primeira metade da gestação Prof. Marina Ayabe Gomes de Moraes | Curso Extensivo | Junho 2022 38 A perfuração uterina é a complicação mais frequente na curetagem. Caso ela ocorra, o procedimento deve ser interrompido, e a paciente deve ser observada. Caso ela apresente instabilidade hemodinâmica,