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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DOUTORADO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE ALINE SANTANA DOSEA DA IDEOLOGIA À PRÁTICA: PERCEPÇÕES SOBRE O PROFISSIONALISMO FARMACÊUTICO NO MERCADO VAREJISTA DE MEDICAMENTOS DO BRASIL ARACAJU 2022 A L IN E S A N T A N A D O S E A D A ID E O L O G IA À P R Á T IC A : P E R C E P Ç Õ E S S O B R E O P R O F IS S IO N A L IS M O F A R M A C Ê U T IC O N O M E R C A D O V A R E JIS T A D E M E D IC A M E N T O S D O B R A S IL 2 0 2 2 ALINE SANTANA DOSEA DA IDEOLOGIA À PRÁTICA: PERCEPÇÕES SOBRE O PROFISSIONALISMO FARMACÊUTICO NO MERCADO VAREJISTA DE MEDICAMENTOS DO BRASIL Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Sergipe como requisito à obtenção do grau de Doutor em Ciências da Saúde. Orientador: Divaldo Pereira de Lyra Júnior ARACAJU 2022 FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA DA SAÚDE – BISAU UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE CRB-5: 1866 Dosea, Aline Santana D722i Da ideologia à prática: percepções sobre o profissionalismo farmacêutico no mercado varejista de medicamentos do Brasil / Aline Santana Dosea ; orientador Divaldo Pereira de Lyra Júnior. – Aracaju, 2022. 222 f. : il. Tese (doutorado em Ciências da Saúde) – Universidade Federal de Sergipe, 2022. 1. Autonomia. 2. Farmácia. 3. Problemas éticos. 4. Farmacêutico. 5. Profissionalismo. I. Lyra Júnior, Divaldo Pereira de, orient. II. Título. CDU 615.15 ALINE SANTANA DOSEA DA IDEOLOGIA À PRÁTICA: PERCEPÇÕES SOBRE O PROFISSIONALISMO FARMACÊUTICO NO MERCADO VAREJISTA DE MEDICAMENTOS DO BRASIL Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Sergipe como requisito à obtenção do grau de Doutor em Ciências da Saúde. Orientador: Divaldo Pereira de Lyra Júnior Aprovada em: 19/05/2022 ______________________________________________ Orientador: Prof. Dr. Divaldo Pereira de Lyra Júnior Universidade Federal de Sergipe _____________________________________________ 1º Examinador: Prof. Dr. Wellington Barros da Silva Universidade Federal de Sergipe _____________________________________________ 2º Examinador: Prof. Dr. Alfredo Dias Oliveira Filho Universidade Federal de Alagoas ______________________________________________ 3º Examinador: Prof. Dra. Patrícia de Melo Aguiar Universidade de São Paulo ______________________________________________ 4º Examinador: Prof. Dra. Jullyana de Souza Siqueira Universidade Federal de Sergipe ARACAJU 2022 Agradecimentos Na graduação, quando eu pensava em doutorado, imaginava alguém super “hiperinteligente” que tinha atingido o ápice da sabedoria acadêmica. Era algo surreal para mim. Não imaginava que chegaria “nesse patamar”. Ao longo do caminho, entendi que não era sobre ser inteligente ou sábio, mas sobre ser curioso, disciplinado e persistente. É algo realmente grandioso e muito maior do que já imaginei conseguir. Inimaginável para mim há alguns anos...somente ao final da graduação, descobrir a Clínica me “salvou” da vontade de desistir do curso de Farmácia. Ali eu encontrei o propósito da minha profissão, e foi nessa área que entendi a importância mais palpável do farmacêutico na sociedade. A Clínica Farmacêutica para mim, é o pilar da profissão e a salvadora do meu propósito em ser farmacêutica. Diferente da minha experiência pessoal como farmacêutica, com esta tese, entendi o quão complexo é tentar “salvar” uma profissão... Minha tese foi como abrir uma ferida, grande, profunda. Olhar de perto, sentir as dores, encarar o problema, a verdade nua e crua em minha frente. Senti tristeza, revolta, falta de esperança, impotência e vontade de desistir de tudo! Foi muito difícil entender que nossa profissão no Varejo é muitas vezes como um boneco de fantoche na mão do sistema...foi muito duro sentir essa ficha caindo. Mas, como muitas coisas na vida...respirei fundo, busquei apoio (alô Fernando e Franci :)) e segui em frente! Cuidei da ferida, “mediquei”, aliviei, respirei fundo mais umas mil vezes e finalizei o ciclo que iniciei. Entendi que esta tese me trouxe um intenso processo de amadurecimento profissional, onde não há espaço para utopias, mas muito espaço de trabalho! E assim, sinto que consegui colher todo o aprendizado desses 5 anos e eles preencheram todos os espaços de incertezas e inseguranças. Sobrevivi e cresci! Aqui estou, prestes a me tornar Doutora em Ciências da Saúde. E apesar de exausta mentalmente desta trajetória que se iniciou em 2013 no mestrado, me sinto leve com a sensação de dever cumprido. Eu aprendi muita coisa, muita mesmo! Aprendi que ser farmacêutica de verdade é ser resiliente, é lutar contra o sistema, é amar o paciente com todas as forças e fazer de tudo pra tornar o uso do medicamento o mais seguro, eficiente e conveniente possível. É ensinar sobre saúde e protagonismo, e empoderar o outro sobre a sua saúde. É compartilhar e traduzir conhecimento técnico, com altruísmo real, com a vontade genuína de ajudar as pessoas. E não menos importante, ser farmacêutico é exigir valorização, é lutar por uma profissão próspera e consciente do seu valor, que cada vez mais entendo como é alto. E é pelo tanto que cresci e aprendi, que preciso agradecer a todos e todas que me apoiaram para conquistar esse título, afinal, um doutorado não se constrói sozinho. Agradeço a Deus, que me deu saúde e suporte espiritual sempre. A minha fé sempre me deu a energia que eu precisava para continuar seguindo em frente. À minha base, meus pais Ana e Eugênio, por me ensinarem ao longo da vida sobre amor, respeito e o valor do trabalho. Vocês são o meu melhor exemplo de que com estudo e dedicação, somos capazes de realizar muito mais do que imaginamos! Sigo em frente por vocês, para vocês. Essa conquista é nossa! Sou grata todos os dias de ter pais tão maravilhosos. Amo vocês! Aos meus irmãos, André e Giselle, meus grandes companheiros e incentivadores. Em breve seremos três doutores! Que privilégio! Eu amo compartilhar tudo com vocês e agradeço do fundo do coração pelo apoio e amor que recebo. Vocês são incríveis e me estimulam sempre a ser alguém melhor. Obrigada por tanto! Ao meu esposo Adelson, meu parceiro de todas as horas. Você foi meu braço direito e esquerdo nessa jornada rs Nos conhecemos ainda na graduação, formamos juntos e não tem como não misturar nossa história com minha vida acadêmica. Quantas vezes você enxugou minhas lágrimas e me fez enxergar que eu era capaz de enfrentar tudo e todos? Você sempre foi um dos meus maiores incentivadores! Sua compreensão em todos os momentos foi imprescindível. Seu amor e cuidado comigo sempre me deram muita força para continuar. Dedico grande parte deste título a você, ele também é seu. Obrigada por ser o melhor amigo, esposo e pai. Te amo! Ao meu filhote Inácio, que com apenas 3 aninhos, já me ensinou tanto! Olho pra sua carinha e só penso como sou sortuda, como quero ser um bom exemplo para você. Não foi nada fácil conciliar o papel de mãe com o de pesquisadora em meio a uma pandemia...mas seu sorriso é meu combustível a cada amanhecer. Um dia você vai entender o que é um doutorado e tudo que passamos para conquistá-lo. Eu te amo tanto que nem sei explicar. Obrigada Inácio, esse título é muito seu! Preciso agradecer especialmente à Ana Lucia, minha companheira nos cuidados de Ináciodesde que ele tinha 6 meses. Todo o meu trabalho não teria sido possível sem o seu apoio substancial. Você tem sido uma segunda mãe para o meu filho, meus olhos e ouvidos quando não estou presente. Isso tem um valor muito, mas muito alto. Por isso, também dedico esta tese a você Aninha, obrigada por tudo! Aos meus amigos da família LEPFS! Minha base, meu espaço, minha segunda casa. Como eu fui feliz com vocês. Que honra foi dividir e compartilhar tanto aprendizado. Nesta casa eu fiz amigos de uma vida inteira, vivi momentos inesquecíveis, conquistei sonhos e me tornei uma pessoa melhor. Amo cada um de vocês, Chica, Genival, Carina, Rafa, Lincoln, Kérilin, Vanessa Alves, Vanessa Lima, Sabrina, Dyego, Sheilinha, Giu, Thaci e Alessandra. De um jeitinho especial, neste doutorado agradeço aos meus amores Fernando e Francielly, que dividiram angústias e alegrias no estudo sobre Profissionalismo. Sobrevivemos amigos, vejam só o que conseguimos!! Que orgulho da gente :) Com vocês, tudo ficou mais leve e divertido. Obrigada, obrigada e obrigada! À minha mãe científica, Giselle Brito, meu abraço bem forte. Obrigada por ter me iniciado à pesquisa qualitativa, minha paixão. Na minha história como pesquisadora e apoiadora da implantação de Serviços Farmacêuticos, você sempre se fará presente. Eu te amo amiga! À minha amiga Luana Macêdo, que dividiu comigo a delícia do Café com Ciência e tantos outros aprendizados. Nossa amizade se tornou inabalável e meu amor e admiração por você só crescem. Obrigada por ter vivido tantos momentos incríveis comigo. Te amo! Um agradecimento especial à professora Déborah Pimentel, que com sua delicadeza e classe, me ensinou as bases da pesquisa qualitativa de um jeito tão carinhoso. Obrigada por ser minha referência nesta área. À Amália Machado, da empresa Acadêmica Pesquisa, pela generosidade em partilhar conhecimentos sobre Análise de Conteúdo. Hoje me sinto muito mais segura enquanto pesquisadora qualitativa graças ao que aprendi com você. Obrigada! Ao gigante, professor Wellington! Tratar desse tema e ter o privilégio de aprender tanto com você foi realmente um presente. Sua disciplina durante a pandemia era o meu ponto de apoio mais importante. Quantas aulas assisti enquanto amamentava Inácio...a tecnologia te trouxe para perto de mim, Fernando e Franci e somos muito gratos por isso! Obrigada por ser nossa referência e um dos maiores incentivadores. Que maravilhoso foi aprender tanto com você professor! Ao meu pai, irmão, amigo, orientador, mentor, apoiador e mestre, professor Divaldo. Você não imagina como me sinto honrada de ter sido sua aprendiz. Você me ensinou muuuuuito mais do que ser professora e pesquisadora, você me ensinou o que é ser uma referência. Sua dedicação é ímpar e louvável. Muitos mestrandos e doutorandos desejam viver o que vivi ao seu lado. Você foi meu guia, daqueles que segura na mão e leva até o fim. Aquele que senta na primeira fila para aplaudir de pé. Que elogia de forma sincera em público (e eu finalmente aprendi a aceita-los :D). Vou sentir muita falta das nossas conversas, viagens, aulas...você deixou sua marca na minha história. E eu prometo que vou levar tudo que aprendi adiante. Obrigada por tanta generosidade! Foi um prazer inenarrável! Agradeço a todos que participaram desta pesquisa, farmacêuticos, mentores e gestores do Varejo Farmacêutico, pelo tempo e atenção concedidos. Que os aprendizados colhidos nesta tese sejam importantes para o fortalecimento da nossa profissão no Brasil. Obrigada por cada minuto concedido nas entrevistas, foi muito gratificante! À Universidade Federal de Sergipe, que foi minha casa desde 2008. Aqui eu fui acolhida e me transformei em todos os sentidos. Que Deus me faça instrumento de partilha de tanto conhecimento que recebi, e que assim eu possa oferecer à sociedade o retorno por tudo que a universidade me proporcionou. Ao Programa de Pós Graduação em Ciências da Saúde, por ter me oferecido ferramentas e apoio para que essa conquista fosse possível. Aos professores do PPGCS, pela partilha e suporte. À CAPES que fomentou minha bolsa de estudos, essencial nesta caminhada. Sem todo esse apoio institucional, essa conquista não seria possível. Obrigada! Por fim, agradeço à minha profissão, a Farmácia. Tenho orgulho em ser farmacêutica e em lutar por autonomia e respeito. Ainda que eu saiba que há muito trabalho pela frente, jamais esquecerei do valor que a profissão possui. Não me arrependo de ter vivido nada, por mais difícil que tenha sido. Como disse antes, ser farmacêutica é ser resiliente e não desistir nas adversidades. Por isso, meu desejo agora é que os percalços do caminho não nos desanimem colegas, e que a população receba tudo de melhor que nós temos a oferecer. Obrigada! RESUMO Introdução: O varejo de medicamentos do Brasil é um dos maiores e mais lucrativos do mundo. A subordinação do farmacêutico às “leis do mercado” e com o modelo capitalista de comercialização de medicamentos controlado majoritariamente por proprietários leigos em saúde, o profissional enfrenta dilemas éticos que reduzem sua credibilidade com a população e a autonomia ao longo dos anos. Neste cenário, stakeholders gestores e mentores de redes de farmácias são o elo entre a profissão farmacêutica e as necessidades de usuários de medicamentos, sendo responsáveis pela tomada de decisões em aspectos técnicos e gerenciais, sustentabilidade econômica e adaptação do modelo de prática farmacêutica aos interesses das empresas. No entanto, há poucos estudos que abordem a opinião destes sobre a Farmácia neste cenário. Objetivo: Compreender como os princípios da ética e da autonomia do farmacêutico são percebidos por stakeholders do mercado varejista de medicamentos do Brasil. Metodologia: A partir de um roteiro de nove perguntas sobre profissionalismo farmacêutico, foram realizadas 19 entrevistas semiestruturadas, de forma online, entre agosto e outubro de 2020. Foram coletados dados sociodemográficos como ocupação, sexo, idade, tempo de experiência profissional, região do país e titulação máxima. As entrevistas foram transcritas e analisadas com triangulação de analistas pela Análise de Conteúdo Categorial, por meio do software ATLAS.ti. Foram elaboradas nuvens de palavras, rede de categorias e tabelas que comparavam o número e conteúdo de categorias reportadas entre os grupos de gestores e mentores. Resultados: Com duração média de 42 min, foram realizadas entrevistas com nove mentores e dez gestores com atuação no varejo de medicamentos. Eles relataram aspectos relacionados às garantias e limitações da autonomia técnica, limitações da autonomia gerencial (ser prestador de serviços, autodesvalorização e gestores que não compreendem seu papel) e estratégias para aprimorá-las (atitude ownership e harmonia com código de conduta); bem como aspectos éticos como o aliciamento de indústrias de medicamentos, a “empurroterapia”; e estratégias como “assimilar que vender não é antiético”, compliance, metas coletivas e gerar lucros por meio de serviços. A autonomia de forma geral foi considerada limitada principalmente pela dependência da empregabilidade e pela autodesvalorização do farmacêutico. O controle do mercado causa incongruência de autoridades e expõe as fragilidades do profissionalismo farmacêutico, como as leis e a atitude submissa e conivente do profissional. As estratégias sobre empreendedorismo e atitude ownership parecem fazer sentido apenas no contexto micropolítico do varejo. Os stakeholders assumem que ainda há espaço para o aliciamento das indústrias farmacêuticas e para condutas antiéticas de balconistas em busca de comissões financeiras. Logo, é complexo desmistificar dilemas éticos no varejo quando o atual modelo de negócios é centrado no produto. A pequena difusão de programas de compliance mantéma prática farmacêutica na “corda bamba”, sendo que a rentabilidade dos serviços pode equilibrar este cenário. A variação das categorias entre os grupos foi pequena, demonstrando que o discurso dos mentores estava mais alinhado aos interesses das empresas do que aos da profissão. Conclusão: Os princípios da ética e autonomia devem ser alinhados à clareza de papel social e a construção de uma identidade profissional. O futuro da profissão no varejo é incerto, e por isso, é necessário que as estratégias apontadas sejam alinhadas ao propósito clínico e construção de uma identidade profissional estável. Pesquisas futuras sobre aplicação destas estratégias são necessárias para equilibrar e fortalecer a profissão farmacêutica, bem como garantir a segurança de seus clientes. Descritores: Autonomia. Farmácia Comunitária. Dilemas éticos. Farmacêutico. Farmácia de varejo. Profissionalismo. Stakeholders. ABSTRACT Introduction: Brazil's drug retailer market is one of the largest and most profitable in the world. In this scenario, with the subordination of the profession to the "laws of the market" and with the capitalist model of drug marketing mostly controlled by a lay owner, the pharmacist faces ethical dilemmas that decrease his credibility with the population, and the autonomy was weakened throughout of years. Stakeholders how managers and mentors of pharmacy chains are the links between the pharmaceutical profession and the needs of drug users, however, few studies address their opinion about Pharmacy in this scenario. Objective: To understand the perceptions of pharmaceutical retail stakeholders about what influences the pharmacist's autonomy and how to improve it in this scenario, as well as about the influences, causes, and strategies to minimize ethical dilemmas in pharmaceutical practice. Methods: Based on a script of nine questions about pharmaceutical professionalism, 19 semi-structured online interviews were conducted between August and October 2020. Sociodemographic data such as occupation, gender, age, length of professional experience, region of the country were collected and titration maximum.The interviews were transcribed and analyzed with triangulation by analysts by Categorical Content Analysis, using the ATLAS.ti software. Word clouds, a network of categories and tables were created that compared the number of categories reported between the groups of managers and mentors. Results: With an average duration of 42 minutes, interviews were conducted with nine mentors and ten managers working in the drug retail business. They reported aspects related to the guarantees and limitations of technical autonomy, limitations to managerial autonomy (being a service provider, self-devaluation and managers who do not understand their role), and strategies to improve them (ownership attitude and harmony with the code of conduct); as well as ethical aspects such as enticing drug industries, “empurroterapia”; and strategies such as “taking in that selling is not unethical”, compliance, collective goals and generating profits through services. Autonomy in general was considered limited mainly by the dependence on employability and the pharmacist's self-devaluation. Control of the market causes incongruity among authorities and exposes the weaknesses of pharmaceutical professionalism, such as the laws and the submissive and conniving attitude of the professional. Strategies on entrepreneurship and ownership attitude seem to make sense only in the micropolitical context of retail. Stakeholders assume that there is still room for pharmaceutical companies' enticement and for unethical behavior by clerks in search of financial commissions. Therefore, it is complex to demystify ethical dilemmas in retail when the current business model is centered on the product. The small diffusion of compliance programs keeps the pharmaceutical practice on the “tightrope”, and the profitability of services can balance this scenario. The variation in categories between groups was small, demonstrating that the mentors' discourse was more aligned with the interests of companies than those of the profession. Conclusion: The ideas must be aligned with the clarity of social role and the construction of a professional identity. The future of the retail profession is uncertain, and for this reason, it is necessary that the indicated strategies are aligned with the clinical purpose and construction of a stable professional identity. Future research into the application of these strategies is needed to balance and strengthen the pharmaceutical profession, as well as ensure the safety of its clients. Descriptors: Retail Pharmacy. Community pharmacies. Pharmacist. Professionalism. Autonomy. Ethical dilemmas. Stakeholders. LISTA DE TABELAS TABELA 1 Características sociodemográficas dos participantes 68 TABELA 2 Número de vezes que as categorias sobre “Autonomia do farmacêutico no varejo” foram abordadas entre os grupos de gestores e mentores 74 TABELA 3 Número de vezes que as categorias sobre “Aspectos éticos nas farmácias de varejo” foram abordadas entre os grupos de gestores e mentores 81 LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 1 Etapas da Análise Categorial Temática 151 FIGURA 2 Nuvem de palavras sobre o tema “Autonomia do farmacêutico no varejo” 69 FIGURA 3 Categorias relacionadas ao tema “Autonomia do farmacêutico no varejo” 70 FIGURA 4 Nuvem de palavras sobre o tema “Aspectos éticos nas farmácias de varejo”. 75 FIGURA 5 Categorias relacionadas ao tema “Aspectos éticos nas farmácias de varejo”. 76 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO......................................................................................................... 177 2 REVISÃO DE LITERATURA ................................................................................... 21 2.1 TRABALHO E PROFISSÃO ................................................................................ 21 2.2 SOCIOLOGIA DAS PROFISSÕES E PROFISSIONALISMO .............................. 24 2.3 NASCIMENTO, CRISE E PROPOSTA DE RENASCIMENTO DA FARMÁCIA ....................................................................................................................................28 2.4 CONTEXTO DO FARMACÊUTICO NA FARMÁCIA COMUNITÁRIA NO BRASIL ........................................................................................................................... 36 2.5 O MERCADO VAREJISTA DE MEDICAMENTOS E SUAS PERSPECTIVAS..................................................................................................................42 2.6 TEORIAS DO PROFISSIONALISMO APLICADAS A FARMÁCIA E SUAS IMPLICAÇÕES AO CONTEXTO DO VAREJO FARMACÊUTICO ............................. 44 2.7 O PAPEL DOS STAKEHOLDERS NO VAREJO FARMACÊUTICO ................... 50 2.8 ELABORAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA .............................................. 52 3 OBJETIVOS ................................................................................................................... 56 3.1 Objetivo geral ........................................................................................................ 56 3.2 Objetivos específicos ............................................................................................. 56 4 PERCURSO METODOLÓGICO .............................................................................. 58 4.1 Escolha da abordagem de pesquisa ......................................................................... 58 4.2 Delineamento do estudo ......................................................................................... 58 4.3 Características dos participantes da pesquisa .......................................................... 59 4.4 Desenvolvimento do roteiro das entrevistas ............................................................60 4.5 Recrutamento dos participantes .............................................................................. 61 4.6 Coleta de dados ...................................................................................................... 61 4.7 Análise dos dados .................................................................................................. 62 4.8 Credibilidade e confiabilidade ................................................................................ 65 4.9 Aspectos éticos ...................................................................................................... 65 5 RESULTADOS ........................................................................................................... 67 5.1 Autonomia do farmacêutico em farmácias do varejo .............................................. 69 5.2 Aspectos éticos nas farmácias de varejo ................................................................. 75 6 DISCUSSÃO ............................................................................................................... 84 6.1 Autonomia do farmacêutico no varejo .................................................................... 84 6.2 Aspectos éticos nas farmácias de varejo ................................................................. 89 7 CONCLUSÃO ............................................................................................................. 98 8 REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 102 APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido .................................... 141 APÊNDICE B – Roteiro das entrevistas ......................................................................... 143 APÊNDICE C – Artigo 1 ................................................................................................. 145 APÊNDICE D – Artigo 2 ................................................................................................. 169 Introdução 17 1 INTRODUÇÃO A profissão farmacêutica nasceu oficialmente no século XIII e, ao longo da sua história, tem passado por transformações sensíveis nas competências, relações interpessoais, na forma, no conteúdo e modus operandi do trabalho. Na era tradicional da profissão, o status e a autoridade da Farmácia eram associados à imagem secular do boticário, a produção manufaturada de medicamentos e as orientações sobre o seu uso (BEALES; AUSTIN, 2006; HIGBY, 1986; NASCIMENTO; PEREIRA, 2011a). Essas transformações têm sido influenciadas por múltiplos fatores como novas práticas de produção, comercialização de bens e serviços, competição entre grandes corporações do mercado varejista de medicamentos, bem como maior acesso e uso da informação (PEREIRA; CUNHA, 2007; RÊGO, 2000; TRAULSEN; DRUEDAHL, 2018a) O processo histórico da Farmácia trouxe discussões sobre sua profissionalização ser marginal ou incompleta, pois os interesses não altruístas relacionados a sua prática e as barreiras para exercer sua autonomia se mantêm presentes até os dias atuais (BIRENBAUM, 1982a; SILVA; DELIZOICOV, 2009; TRAULSEN; BISSELL, 2004; TRAULSEN; DRUEDAHL, 2018b; TURNER, 2016). Por isso, autores sugerem que verificações internas com indicadores de produtividade da prestação de serviços profissionais são raras, bem como a avaliação do efeito e o custo total do seu processo de trabalho nos resultados do cuidado (BAINES et al., 2018; MAGUIRE, 2020; SCHAFHEUTLE et al., 2011). No século XX, por sua vez, a expansão da industrialização de medicamentos redirecionou o foco das farmácias comunitárias para o comércio, que fez o farmacêutico assumir atividades administrativas e burocráticas, distanciando-se do cuidado aos pacientes (JENKINSON, 2012; UNDERHILL, 1992; ZACKER; MUCHA, 1998). Em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, a ocupação das farmácias por proprietários majoritariamente leigos também reduziu a autoridade dos farmacêuticos, que passaram de profissionais protagonistas, responsáveis técnicos pela orientação sobre o uso racional de medicamentos, a trabalhadores coadjuvantes, assalariados, com pouca autonomia e compulsoriamente impostos por lei (PEREIRA, 2016; SANTOS, 1999; VOGLER; HABIMANA; ARTS, 2014a). Importante ressaltar que no Brasil, um dos dez maiores mercados varejistas de medicamentos do mundo, apesar de recentes mobilizações políticas que visaram reforçar o caráter ético e sanitário das farmácias comunitárias, este cenário ainda é considerado 18 palco de práticas mercantilistas e antiéticas que favorecem a automedicação e seus riscos associados (AITKEN; KLEINROCK; MUÑOZ, 2021a; ARRAIS et al., 2016a; BRASIL, 2014c; SOBRAL et al., 2018a). Um exemplo é a “empurroterapia” (estratégia agressiva de imposição de vendas), que ainda é comum e contribui para uma cultura que abala a reputação do farmacêutico perante a população (GABRIEL et al., 2019; VIEIRA; FREITAS, 2021). Segundo a literatura, a dependência pela ampla empregabilidade do varejo e a competitividade do mercado, sujeitam o farmacêutico ao dilema ético de “comércio” versus “saúde” e o pressionam a concentrar suas atividades na gestão do negócio (RAPPORT; DOEL; JERZEMBEK, 2009a; REIS et al., 2015; VETTORAZZI, 2009). Por isso, ainda que a morbimortalidade relacionada aos medicamentos sinalize para que a profissão farmacêutica reoriente seu papel social para o cuidado, estudos consideram que farmacêuticos brasileiros ainda não tem autonomia para assumir este modelo de prática (CERQUEIRA-SANTOS et al., 2020a; MELO et al., 2021a; MOTA et al., 2020a). Diante disso, é perceptível que a ética e a autonomia do farmacêutico são princípios profissionais desafiados pelo varejo. Maguire (2020) ao refletir sobre o futuro da profissão, relata que o farmacêutico comunitário ideal deve mesclar visão comercial e profissionalismo, sendo capaz de ofertar novos serviços de cuidado ao paciente, de forma financeiramente sustentável. Apesar de haver um crescente investimento do setor na capacitação de farmacêuticos para o cuidado, o modus operandi do varejo é conflituoso para a Farmácia e dificulta o controle do seu próprio trabalho (ALTMAN; MANDY; GARD, 2019a; GERNANT, 2018a; MALIK, 2021a). Tais serviços devem ser alinhados com as políticas nacionais de saúde, o que requer visão para as novas oportunidades que surgem e liderança forte para confrontar os interesses que resistem as mudanças (CARTER, 2016; LORIA, 2021). A teoria dos stakeholders se mostra adequada para abordar as influências de cada “ator” no cenário do varejo de medicamentos. Assim, é possível equilibrar os interesses de clientes, força de trabalho, fornecedores e sociedade, o que faz sentido na responsabilidade social das farmácias enquanto estabelecimentos de saúde (FREEMAN, 1998; IRIGARAY; VERGARA; ARAUJO, 2017). Como peças-chave deste cenário, stakeholders como proprietários, gerentes, mentores e consultores são o elo entre a profissão farmacêutica e as necessidades de usuários de medicamentos, bem como concebem códigos de conduta que regem relações entre farmácias e profissionais (JEBARA et al., 2021a; STEEN; FRANCK, 2020). 19 As perspectivas de gestores como proprietários e gerentes são valorizadas na maior parte das teorias da administração, pois sua influência direta nos resultados das empresas é vastamente estudada na literatura (ALCANIZ; AGUADO; RETOLAZA, 2020). Os mentores tem um serviço consolidado em muitos países e de crescente ascensão no Brasil, com fortes influências na adaptação do modelo de prática farmacêutica aos interesses das empresas (DRŽAIĆ et al., 2018; RUEBEN; FORSYTH; THOMSON, 2020a; SCHINDEL et al., 2019a). A mentoria pode alterar comportamentos que são essenciais na visão e valorização do farmacêutico pela sociedade (ALLEN; LENTZ; DAY, 2016;MORAN et al., 2014). Logo, as perspectivas de mentores poderão colaborar na compreensão de desafios da profissão no varejo de medicamentos. Apesar da relevância do tema, a literatura tem lacunas para a compreensão da influência destes stakeholders no futuro da profissão neste cenário. 20 Revisão de Literatura 21 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 TRABALHO E PROFISSÃO A concepção de trabalho é influenciada por marcos históricos da humanidade, mas pode ser definida de ocupação básica para o homem, a fator de produção em uma sociedade. Na perspectiva fenomenológica de Hegel (HEGEL, 1991), o trabalho é a interação do homem com a natureza e meio de ascensão à liberdade. Não apenas para satisfazer as necessidades do homem, o trabalho manifesta a consciência pessoal e social. Por meio do trabalho, o homem transforma a natureza de forma a traduzir a cultura em que se insere e de forma simbólica, esta relação “humaniza”, revela e educa o homem (HEGEL, 1995). Influenciado por Hegel, Marx avança em sua percepção sobre o trabalho e o entende como a essência do homem, por meio do qual cria o mundo e devolve sua consciência (SEMERARO, 2013). Para Marx, o homem é o resultado do próprio trabalho, pois produz seu sustento, relaciona-se com outros homens e transforma a vida humana. Mais do que uma atividade realizada, o trabalho é visto como vital para a existência da sociedade. Para além da visão espiritual de Hegel, Marx (1983) ressalta a materialidade e as contradições do trabalho, como a humanização, e em contraste, os significados de fadiga, dominação, exploração do trabalhador pela burguesia e a alienação ao trabalho. Em oposição a era artesanal, quando o sistema de economia era familiar, as relações de trabalho na era da industrialização foram precarizadas e tomadas pela exploração da força de trabalho (TEIXEIRA, 2012). Ao contrário de teorias clássicas que apontam o lucro como fruto da troca de mercadorias, para Marx era necessário combater o modo de produção capitalista que concentra a “mais-valia” em posse da burguesia e usa superexploração da força de trabalho como mercadoria humana (SEMERARO, 2013). O trabalho feito por homens passa a ser comparado a produção de máquinas, colocando-os como frágeis e sujeitos ao adoecimento pelas suas funções ocupacionais (SILVA; BARRETO, 2012). 22 O saber científico em contraposição ao modo empírico, arraigado no ocultismo e religiosidade, justifica fenômenos da natureza, o fazer saúde e o processo de adoecimento, cura e morte (ANGELIN, 2010a). Como forte influência religiosa, Weber (2004) inspirou sociólogos com sua visão de “profissionalização” como processo de racionalização da sociedade ocidental moderna. Para isso, ser profissional é definido como “predestinação”, a burocratização contribui para o desenvolvimento da profissão e esta é sinônimo de poder, privilégios, ética e qualificação. Assim, com “espírito capitalista”, o profissional deveria ter qualificação, assumir a técnica dos procedimentos e a execução dos meios de produção (SCHMITZ, 2014a; WEBER, 2004). Em busca de superação de barreiras do modelo de trabalho capitalista, indivíduos que produzem itens e serviços em comum, passaram a compartilhar, nos centros urbanos, clientela, reconhecimento e aspectos de seus processos de trabalho que são intangíveis ao público (PEREIRA; DA CUNHA, 2007). Independente, a sociedade de seu grau de especialização, divide o trabalho, atribui funções a cada integrante e define o processo deste trabalho, da matéria à sua transformação (MARX; DEVILLE; MORAES, 2017). Com a evolução das sociedades agrárias para industriais e de consumo, a profissões surgem dos ofícios, deixando para trás o que era considerado leigo, imoral e acessível ao saber popular (LIMA, 2013). No pressuposto funcionalista, o elemento fundamental para existência de uma profissão, é a necessidade social (HALL, 1968). Ademais, profissionais buscam obter conhecimentos especializados em determinada área, possuir autonomia técnica e política e vocação para servir (WILENSKY, 1964a). Para organizar seus interesses e prezar pelo bem estar social, as profissões se organizam em associações profissionais, definem códigos de conduta, zelam pela autonomia e fiscalizam o exercício da prática sob prerrogativa de defender a sociedade de charlatões ou maus profissionais (RODRIGUES, 2002a; SCHACK; HEPLER, 1979). O fenômeno da profissionalização não ocorre em todas as ocupações e muitos trabalhadores continuaram em empregos mal remunerados, precarizados, pouco reconhecidos e sem encontrar sua própria identidade profissional (DUBAR, 2005). Em crítica a visão funcionalista e elitista que delimita ocupações de atividades profissionais pela qualidade do profissional, desde a década de 1950 a teoria da socialização profissional é proposta por Hughes (1955) e sociólogos interacionistas. Para estes sociólogos, a profissionalização não deve ser limitada pelo acúmulo de conhecimento e todos os trabalhadores teriam o direito de lutar para se tornarem profissionais. 23 Segundo Abbott (1988), a socialização profissional propõe que há sistemas de trabalho, que organizam hierarquias entre empregos a partir de exigências específicas, sendo variáveis pela história e cultura no qual se inserem. Assim, nada que garanta sua durabilidade, os ofícios podem ascender profissões, desde que sua atividade seja decorrente da certificação específica. Em detrimento a transmissão hereditária de conhecimento, estes grupos de trabalhadores passam a produzir, por mandato e diploma, o controle social (WILENSKY, 1964a). Hughes (1958) afirma que embora neste sistema todos possam adquirir êxito e identidade profissional, atividades com menor prestígio e complexidade são preteridas e delegadas pela elite. Esta “divisão moral do trabalho” segrega atividades por “saberes culpáveis”, classes sociais, etnias e gênero, perpetuando a discriminação nas hierarquias entre os trabalhadores. Com caráter misto, novas teorias das profissões evidenciaram outros aspectos das profissões como controle da divisão de trabalho, limites jurisdicionais e relações de trabalho (FREIDSON, 1996a). No entanto, os elementos que caracterizam as profissões ainda são produtos de divergências (WURM-SCHAAR, 2015). O impacto do avanço da tecnologia nos últimos anos, a divisão do trabalho e a busca por qualificação profissional gerou uma reestruturação produtiva do capital, que levou muitas empresas a modificar suas formas de organização social do trabalho (PEDROSO, 2007). Assim, a partir de uma lógica taylorista e neoliberal de lucro pela produtividade, em detrimento da proteção legal do trabalhador, as profissões vivenciaram consequências como a flexibilização, a informalidade e a precarização. Este fenômeno de “desqualificação” do trabalho, muda não só o trabalho em si, mas suas relações de contrato, duração e vínculo, gerando a expansão de um novo proletariado, terceirizado, subcontratado e informal (ANTUNES, 2018). O aumento no número de trabalhadores precarizados, com trabalhos desregulamentados, aproxima-os do desemprego estrutural. Enquanto isso, há redução no número de profissionais mais qualificados em empresas, cada vez mais exigidos pela multifuncionalidade (ANTUNES, 2018). Na década de 1960, a profissionalização invade o campo do trabalho e desloca ocupações menos qualificadas a ganhar salários mais baixos em países pobres (WILENSKY, 1964a). Além disso, o desejo de ter ofícios reconhecidos socialmente e com melhores condições de trabalho impulsionou o crescimento da escolarização por parte de jovens assalariados (DUBAR, 2012). 24 Algumas ocupações se tornaram obsoletas à medida que outras entraram em ascensão por meio do impacto das inovações tecnológicas (AUED, 1997). Como exemplo, ocupações hoje inexistentes como acendedoresde lampião, telefonistas, tipógrafos, datilógrafos, rebocadores de embarcação, leiteiros, tinham seu papel reconhecido em sociedade pouco industrializada e artesanal. Dessa forma, o trabalho muda à medida que novas necessidades sociais surgem, bem como este passa a ser forte instrumento de controle social e não mais a atender somente às necessidades técnicas da sociedade (SUSSKIND; SUSSKIND, 2015). A adaptação à realidade traz um caráter mutável as profissões, sendo àquelas consideradas obsoletas, um retrato do modelo econômico e social vigente. Por isso, a análise de crises profissionais e do impacto do aumento do desemprego em uma sociedade se torna importante para elaborar estratégias de reestruturação profissional e de combate a precarização do trabalho (SALGUEIRO et al., 2017). Logo, novos modelos econômicos e iniciativas de reinvenção de competências profissionais podem adequar e estender o “ciclo de vida” da profissão (ANDREWS, 2015; PEDROSO, 2007). A análise histórica e sociológica sobre o trabalho e as profissões é complexa, bem como suas perspectivas futuras são indefinidas. No entanto, a evolução humana é essencial, por isso, ainda que o declínio de algumas profissões seja inevitável, a investigação sobre as consequências destas transformações nas diversas camadas sociais é importante. Ademais, há espaço para pesquisas sobre os diferentes sentidos do trabalho e sobre os caminhos de ascensão de trabalhos essencialmente humanos que atendam autênticas necessidades sociais. 2.2 SOCIOLOGIA DAS PROFISSÕES E PROFISSIONALISMO Em busca da compreensão dos fenômenos socioculturais, a sociologia estuda, por meio de correntes como as profissões se estruturam e o que produzem, por meio de seus atores, ao sistema social (ALMEIDA, 2010; GONÇALVES, 2007). A corrente funcionalista é a mais tradicional, na qual as profissões se estabelecem a partir do tipo ideal ou a coletânea de atributos que estruturem o processo de ascensão ocupacional de um ofício até ser chamado de profissão (RODRIGUES, 2002). As profissões são caracterizadas quando o grupo de trabalhadores atende novas necessidades sociais por meio da técnica que é essencialmente transmitida ou ensinada em escolas de formação (CARR-SAUNDERS; WILSON, 1933; PARSONS, 1991). 25 Nesta perspectiva, as profissões derivam de uma especialização constante da prestação de serviços e da efetivação de associações profissionais (RODRIGUES, 2002b). Assim, por meio do ensino do “saber inconfessável”, as profissões detêm corpo teórico ideológico que permite aquisição da cultura que protege de pressões externas e leigas da clientela, Estado ou outras profissões (DUBAR, 2005). A proposta utilitária das profissões, a partir da institucionalização da autoridade e confiança, justifica a escalada ocupacional de práticas tradicionais como a justiça, Medicina e religião (CARR-SAUNDERS; WILSON, 1933). É importante ressaltar, que esta lógica nasce do recorte anglo-saxão que analisa profissões, em que o Estado possui influência ativa no controle de modo de vida e na produção de bens e serviços (GONÇALVES, 2007). Isto não se aplicava à realidade oriental, pois o Estado tinha pouca influência e a divisão do trabalho em saúde da época, por exemplo, profissionalizava determinadas práticas tradicionais (ANGELIN, 2010a). Sob o contexto de críticas à corrente funcionalista, outras concepções sobre profissões e profissionalismo surgiram desde segunda metade do século XX (KHALILI; HALL; DELUCA, 2014). A perspectiva teórica do Interacionismo Simbólico passou a analisar as profissões como produto da sociedade, na qual a divisão do trabalho implica na hierarquização de funções, a partir de duas operações que orientam a seleção dos profissionais: licença e mandato (HUGHES, 1958). Em contraponto ao modo funcionalista, esta perspectiva considerou que profissões são ocupações que mantêm posse de títulos honoríficos (DUBAR, 2005). A profissionalização foi considerada o processo das ocupações que desejam se afirmar na sociedade, ao se afastarem de práticas tradicionais ou charlatãs (ANGELIN, 2010a). O afastamento de modos amadores de exercer ofício foi acompanhado pela aquisição de novos aparatos tecnológicos e organizacionais, as qualificações, saberes e divisão de trabalho (RODRIGUES, 2002a). 26 A corrente interacionista também abordou o contexto no qual as ocupações se transformaram em profissões, definindo requisitos por meio de uma abordagem processual e relacional (MENEGHETTI, 2009). Outrossim, enfatizou as interações, conflitos, reivindicações e discursos sobre o saber na profissionalização (ANGELIN, 2010b). Para Hughes (1958), um grupo profissional deveria desenvolver uma filosofia, valores e a “visão de mundo”. Alinhado a esta corrente, Wilensky (1964a) afirmou que apesar da tendência das profissões buscarem status social, poucas atingem este reconhecimento. Segundo o autor, ameaças à autonomia, ao ideal de serviço e à jurisdição exclusiva (monopólio de habilidades e conhecimentos) podem ser barreiras à profissionalização. A partir do final da década de 1960 trabalhos do paradigma funcionalista que dominaram o período anterior, foram atingidos por um movimento crítico, influenciado por forças internas e externas à própria sociologia das profissões (MENEGHETTI, 2009). Para Haug (1972a), a maior criticidade da clientela e o avanço tecnológico levariam profissões ao declínio, propondo a tese da desprofissionalização. Para a autora, o processo envolve a perda do controle sobre o conhecimento, o desenvolvimento da educação e tecnologia para a sociedade, e as divisões de trabalho criariam demandas por práticas autônomas na mesma profissão. Segundo Sciulli (2007), ao observar exemplos exitosos do Direito, Engenharias e Medicina, muitas teorias consideraram que esta evolução levaria à profissionalização. Mais perspectivas nesta linha neomarxista contestaram que os profissionais seriam autorregulados, pois quando submetidos ao controle por grandes organizações, trabalhadores perdem poder e autonomia, e a tese proletarização das profissões é enfatizada (OPPENHEIMER, 1972a). Braverman (1987) contribuiu para esta perspectiva, quando abordou a divisão e simplificação do processo de trabalho pelo capitalismo industrial. Para o autor, o monopólio de grandes empresas tem efeito degradante a técnica do trabalhador, pois a mecanização e automação podem reduzir a qualificação profissional, salários e à alienação do trabalho. A relação entre estado, profissão e mercado então perderia, gradativamente, o caráter unificado de interdependência e passaria a ser cada vez hierárquico (MENEGHETTI, 2009). 27 Os abalos estruturais distorceram a visão estática, burocratizante ou elitizada das profissões, bem como processos que fazem que estas profissões alcancem este ideal (ANGELIN, 2010b). Em contrapartida, críticas às teorias de declínio profissional mostraram que o impacto de novas tecnologias não promove à degradação do trabalho (GILL, 1984; KERN; SCHUMANN, 1984). Este contraponto acredita que o processo de reprofissionalização, a “utilização mais completa das qualificações” do trabalhador, bem como a criação de novas demandas, pode gerar consequentemente novas profissões que nascem assalariadas (DINIZ, 1998). Para Dowbor (2002), a profissão deveria ser compreendida pelos trabalhadores como carreira (trajetória profissional), na qual suas atividades poderão ser extintas ou modificadas com o tempo, exigindo educação continuada e reinvenções profissionais. Neste sentido crítico, Freidson revisou e atualizou o pensamento de Weber sobre a profissionalização, sendo um dos principais nomes da corrente neoweberiana (SCHMITZ, 2014a). Segundo o mesmo, ainda que os profissionais sejam assalariados, e que gestores tenham poder na lógica capitalista industrial, o controle será do profissionalse este ainda determina e avalia a forma como este trabalho é realizado (ANGELIN, 2010b; FREIDSON, 1984). Pautado no exemplo exitoso da Medicina, Freidson (2009a) acredita que o profissionalismo existe à medida em que profissões, por meio de seus organismos corporativos, buscam o controle pela organização do próprio trabalho por meios de especialização em determinado campo do conhecimento e autorregulação. Para os neoweberianos, o poder profissional alia expertise, autonomia e credibilidade (LINDEN, 2017). Dentre esses fatores, a autonomia profissional é descrita como mutável e regulada pelo Estado, enquanto provedor dos bens e dos serviços, para que a sociedade tenha suas necessidades (reais ou sugestionadas) atendidas de modo contínuo (KHALILI; HALL; DELUCA, 2014). Assim, as profissões que desejarem manter sua reserva de mercado, devem se submeter ao Estado que regula o trabalho e sua oferta, agindo a favor de uma corporação e em detrimento de outra (FREIDSON, 2009a). Ademais, em nações que a presença de governos para a provisão de recursos é controladora, as profissões tendem a assumir o discurso ideológico voltado não apenas ao cidadão, mas ao Estado e mercados que requisitam, normatizam e fiscalizam a produção de bens e serviços (SCHMITZ, 2014a; SILVA; DELIZOICOV, 2009). 28 Segundo Larson (1977a), ícone da sociologia das profissões, o profissionalismo é uma estratégia de poder assumida em busca de prestígio, autonomia técnica, controle do acesso à ocupação, monopólio sob determinado campo do conhecimento e divisão do trabalho. Assim, o êxito da profissionalização se dá na oferta de serviços necessários à sociedade em um mercado restrito, distanciando-se de leigos e charlatões com a manutenção de privilégios e prestígio social (LARSON, 1977a; MARTIMIANAKIS; MANIATE; HODGES, 2009). Em determinados aspectos, esta definição corrobora com teses neoweberianas, mas Larson debate questões conflituosas estabelecidas entre profissões e seus projetos para conquistar monopólio e privilégios (LARSON, 1977a; PEREIRA-NETO, 1995a; SCHMITZ, 2014a). Para Larson (1977a), o poder de uma profissão depende mais da influência do Estado para proteger e legitimar suas atividades, do que do domínio social de determinado conhecimento técnico-científico. Em suma, o significado de profissionalismo é mutável e multifatorial ao longo do tempo. Assim, todas as interpretações são necessárias para compreender como as profissões se estabelecem, se consolidam ou declinam (EVETTS, 2003a). Ao buscar pontos em comum nas teorias, é possível destacar os mecanismos de negociação da jurisdição profissional e a criação de meios para reserva de mercado como fundamentais para fortalecer uma profissão (NASCIMENTO, 2007). Não haverá teoria que se aplique as profissões e contextos, assim é impossível prever seu futuro e suas transformações. Porém, é relevante que as profissões sejam analisadas em si mesmas, para interpretação pertinente (PEREIRA; DA CUNHA, 2007). Portanto, é preciso estabelecer programas de qualificação contínua e componentes ideológicos que guiem os comportamentos de um profissional (VAN MOOK et al., 2009a). 2.3 NASCIMENTO, CRISE E PROPOSTA DE RENASCIMENTO DA FARMÁCIA 29 Historicamente, o trabalho em saúde existe a partir da necessidade em remediar ou curar males que acometem as pessoas (DONANGELO; PEREIRA, 1976; MACHADO, 1995). Entretanto, a reflexão atual sobre o que é doença se distancia das concepções usadas pelas civilizações antigas que recorriam as forças da natureza e ao curandeirismo como tratamentos (FREIDSON, 2009a). Por definição, a doença, assim como o crime, era considerada um desvio, porém de ordem biológica (PARSONS, 1991). Por analogia, a religião trouxe esta concepção, justificando que a doença é o castigo divino e o tratamento, o arrependimento dos pecados (FOUCAULT, 2015). Ao contrário de quem fere a lei, doentes em geral não são culpados por seus desvios, porém devem colaborar com o tratamento imposto para viabilizar a melhora e a cura “normal” (ADAMS; MILLER, 2001). Ao partir deste pressuposto, a Medicina, ao se afastar do curandeirismo e do clero, ascendeu ao se transformar em instrumento do Estado para o controle social (HABERMAS, 2004). Desde as primeiras civilizações, a concepção e manufatura de formulações terapêuticas se mostraram necessárias para controlar e curar doenças, motivando a profissionalização da Farmácia (ALMEIDA, 1965; MACHADO, 1995). A criação da profissão ocorreu no século XIII quando o Frederico II, Rei da Sicília e Imperador da Germânia, em 1240, assinou a carta magna que separou a Farmácia da Medicina (BASSO, 2004; NASCIMENTO; PEREIRA, 2011b). Como profissão independente a Farmácia, necessitou desenvolver competências específicas. A partir de 1777, rei Luís XV da França, obrigou a substituição de apotecários ou boticários que realizavam informalmente a manipulação, comércio e provisão de informações em saúde por farmacêuticos formados que gozavam de status e autonomia junto a população (ALTMAN, 2017; NASCIMENTO; PEREIRA, 2011b; PITA; PEREIRA, 2012; SPARY, 2014). Vale ressaltar que nesta época havia “químicos práticos” oportunistas que reivindicavam direitos de exercer as atividades comerciais dos boticários tradicionais, sem treinamentos ou formação (ANDERSON, 2015; HOLLOWAY, 1991; WORLING, 2005). Com o aumento dos cursos de Farmácia, esses práticos deixaram grandes cidades e se exilaram em vilas do interior da Europa até seu desaparecimento. Concomitantemente, ocorreu a transição da estrutura da apoteca ou botica (com característica de armazém de medicamento) à farmácia comunitária (com adoção dos primeiros requisitos sanitários, com balcão e laboratório de manipulação dos medicamentos (RIBEIRO, 2009a). O novo modelo de prática possibilitou o avanço de experimentações alquímicas que isolaram e purificaram substâncias para o controle e cura 30 das doenças, diminuindo a utilização empírica de extratos brutos obtidos de animais, minerais e plantas retirados da natureza (PITA; PEREIRA, 2012). A maior efetividade dos tratamentos estimulou a comercialização dos novos medicamentos ampliando a visibilidade do farmacêutico frente aos médicos e a sociedade, ao transformar as farmácias em pontos de encontro para discussões políticas, filosóficas e científicas (COSTA, 2007b; SARMIENTO, 1996). Tais inovações influenciaram as práticas de cuidado, inclusive nos hospitais que eram geridos por religiosos, que redirecionaram o foco de fazer caridade a órfãos e viúvas para assumirem o papel de restauração e devolução dos pacientes curados à sociedade, neutralizando a saúde proveniente apenas por “desígnios divinos” para justificar doenças (CATÃO, 2011; FOUCAULT, 2015). Com o passar do tempo, aumentou significativamente o número de farmacêuticos formados, de artigos publicados sobre os novos fármacos e foram elaboradas farmacopeias oficiais para balizar o ensino e regulamentar a prática manufatureira dos medicamentos (BASSO, 2004). Porém, divisões políticas na criação de associações e na luta por direitos jurisdicionais fragilizaram a formação e o corporativismo, revelando a necessidade de definir a identidade profissional (ALTMAN, 2017; ELVEY et al., 2015; KOUCHAKI, 2015). Uma hipótese para explicar essas diferenças era o fato de farmácias serem estabelecimentos dirigidos por diferentes famílias de farmacêuticos que competiam pelo mesmo mercado ao longo de séculos por meio do lançamento de medicamentos exclusivos. Um marco do final do século XIX foi a realização de conflitos armados importantes, como a Guerra da Crimeia (1853-1856) e a Guerra da secessão (1861-1865), nas quais foi possível perceber o papel importante dos médicos, bem como dos farmacêuticos e da nova profissão da Enfermagem (FLORIANO et al., 2020; HASEGAWA, 2000). Assim, ficou evidenciado que aparticipação dos profissionais de saúde era fundamental para a recuperação dos soldados e seu retorno aos campos de batalha (HIGBY, 1986; REILLY, 2016). O início do século XX, além de espaço de produção artesanal e a provisão de informações sobre medicamentos, as farmácias comunitárias eram locais de divulgação cultural e palco de importantes discussões e reuniões científicas da época (COSTA, 2007a; HEPLER; STRAND, 1990; SARMIENTO, 1996). Em geral, farmacêuticos prepararam os medicamentos prescritos por médicos, mas na ausência desses em determinadas regiões ou quando os pacientes não tinham condições de pagar pela consulta médica, os primeiros avaliavam sinais e sintomas, 31 recomendando tratamentos medicamentosos ou não medicamentosos (HERMANN, 1898; TURNER, 2016). Entre 1914-1918, na 1ª Guerra Mundial, muitas farmácias se transformaram em laboratórios farmacêuticos a fim de produzirem grandes quantidades de medicamentos para atender tanto soldados quanto civis feridos durante os combates (PITA; PEREIRA, 2014). Logo, foi possível perceber o progresso vertiginoso das áreas de pesquisa, inovação, produção, em especial de anestesia e imunoterapia, e logística de insumos, medicamentos e correlatos, como no caso da máscara de gás (DOUGHTY; HEYDON, 2015). No front havia poucos farmacêuticos, que não eram oficiais, e alguns soldados foram treinados para entregar medicamentos na guerra. Apesar de Krantz (1922) sugerir pela primeira vez a aproximação à Clínica, a avaliação positiva das intervenções dos poucos farmacêuticos durante a Primeira Guerra e a nova exigência do diploma de bacharel estabelecido em 1932, as farmácias militares ainda estavam focadas na organização logística dos serviços, sem realizarem práticas colaborativas e nem melhorarem os resultados clínicos dos pacientes (SAMMARCO, 2007). Todavia, um erro de dispensação realizado por um cabo do exército não treinado resultou na morte de dois filhos de dois soldados, alertando a sociedade que o exército deveria ter dispensadores oficiais do Exército. Influenciada por esses fatores, em 1936, a American Pharmacists Association, criou a subseção de farmácia hospitalar que iniciou os estudos para a organização dos sistemas de distribuição de medicamentos nos hospitais (BETHUNE; ZELLMER; SAGE-GAGNE, 2012). Uma consequência negativa da descoberta de novos fármacos, como a penicilina, e da expansão da indústria é que os medicamentos passaram a ser mais valorizados que os farmacêuticos (FREITAS; CHAUD; SHUHAMA, 2002; SEVALHO, 2001). Concomitantemente, ainda nas décadas de 1930 e 1940, o medicamento padronizado em “caixinhas industrializadas” e com eficácia comprovada por estudos clínicos ocupou o espaço das formulações magistrais (ANGONESI; SEVALHO, 2010a; NASCIMENTO; PEREIRA, 2011b). Assim, os médicos do Reino Unido, por exemplo, que compartilhavam atividades clínicas com farmacêuticos, começaram a dissociar tais práticas com a justificativa de que o “estigma de comércio” atribuído à farmácia reduzia sua credibilidade e status profissional (JENKINSON, 2012; UNDERHILL, 1992). Durante a 2ª Guerra Mundial, um número significativo de farmacêuticos serviu as forças armadas, desta vez como oficiais, nos cenários de pesquisas e logística de medicamentos, tanto nas indústrias quanto em hospitais e farmácias localizados nos teatros de operações (WORTHEN, 2001). Na guerra, a necessidade dos profissionais ficou 32 evidenciada pelo esforço das universidades em minimizar o tempo de formação para aliviar a escassez de mão de obra e aumentar o número de convocados (MORAWSKI, 2001). Logo, o incremento da indústria farmacêutica introduziu novos medicamentos com efetividade comprovada por meio de ensaios clínicos, curando doenças até então fatais (HEPLER; STRAND, 1990; SEVALHO, 2003). A partir das inovações tecnológicas e a fabricação de grande quantidade de fármacos químico-sintéticos, foi observado escalonamento negativo da manufatura de medicamentos com o distanciamento de profissionais que atuavam nas farmácias comunitárias (DUPUY; KARSENT, 1974; HEPLER; STRAND, 1990; REIS, 2003; RIBEIRO FILHO; BATISTA, 2011). Diante da perda do vínculo com a sociedade, o farmacêutico comunitário teve sua visibilidade social e seu status diminuído e a sociedade não percebeu qual o propósito da profissão longe da manufatura dos medicamentos (ALTMAN, 2017; ZACKER; MUCHA, 1998). Assim, o modo de produção industrial causou profunda mudança do paradigma que transformou a farmácia em estabelecimento comercial de medicamentos e outros correlatos (PEREIRA, 2016; SANTOS, 1999). Este cenário desprofissionalizou a prática farmacêutica, reduzindo suas atividades à funções burocráticas e comerciais, e seu protagonismo de referência sanitária a posição de coadjuvante assalariado, presente apenas por imposições legais (PEREIRA, 2016; SANTOS, 1999; SEVALHO, 2001; VALLADÃO, 1981). Em consequência, entre as décadas de 1950 e 1970 foram travados intensos debates sobre o rumo da profissão na comunidade farmacêutica norte-americana (ODDIS, 1967). Em 1952, o Código de Ética da American Pharmacists Association (APhA) proibiu os farmacêuticos de discutirem os efeitos dos medicamentos com os pacientes, sendo que esta responsabilidade passou para médicos e dentistas (HIGBY, 2002; HOLLAND; NIMMO, 1999a). Em contrapartida, no mesmo ano foi criada a Joint Commission on Acreditation of Hospitals, visando otimizar a qualidade dos processos hospitalares, inclusive nas farmácias (HIMMELSBACH, 1955). Na década de 1960, com a perda de poder na farmácia comunitária, o avanço da industrialização e o surgimento de reações adversas aos novos medicamentos, favoreceu a busca pelo farmacêutico no âmbito hospitalar (FRANCKE, 1969a; SMITH, 1967a). Vale ressaltar que a farmácia hospitalar, que vinha em crescimento desde a Guerra da Secessão (1861-1865), era considerada um ambiente fértil e com poucas barreiras, para o desenvolvimento de serviços farmacêuticos para além da logística (ARCHAMBAULT, 1967; PARKER, 1968). Em busca de espaço e propósito profissional, bem como impedidos do acesso a prescrições médicas, farmacêuticos hospitalares iniciaram estudos sobre 33 possíveis erros de medicação, reações adversas e iatrogenias naquele cenário (LEVY, 1963; PEREIRA, 2016). A abordagem interprofissional, estabelecida nas guerras, facilitou a atuação do farmacêutico na prevenção e solução de problemas causados pelo uso de medicamentos (FLANNERY, 2004; SAMMARCO, 2007). Por meio de estudos que comprovaram as melhorias na farmacoterapia após o trabalho colaborativo clínico dos farmacêuticos, médicos e enfermeiros envolvem este profissional na equipe de saúde e abriu-se um espaço de prestígio e ascensão profissional (SMITH, 1967b; SMITH et al., 2015). Portanto, acadêmicos e docentes University of San Francisco promoveram a filosofia da Farmácia Clínica que enfatiza o paciente e não mais o produto como centro da prática, por meio de atividades que visam o uso seguro dos medicamentos (MEHL et al., 1968; OWYANG; MILLER; BRODIE, 1968). A mobilização de farmacêuticos hospitalares trazia algo revolucionário à profissão, e nestes centros, estes atuavam como consultores e monitoravam a logística do medicamento da sua aquisição até a administração nos pacientes (LEVY, 1963; MEHL et al., 1968; OWYANG; MILLER; BRODIE, 1968). Este contexto era favorável para a expansão da atuação do farmacêutico na atenção primária em saúde, tendo o medicamento como insumo estratégico e o paciente como foco principal de sua prática (BRODIE, 1967). Com crescente reconhecimento de sociedades farmacêuticas como a American Society of Health System Pharmacists (ASHP), e a European Society of Clinical Pharmacy, os cursos de Farmácia começaram a adequar as matrizes curriculares com disciplinas clínicas (EMMANUEL S., 1968; FRANKLIN, 2005).Como destaque à época, Gloria Francke ficou conhecida como a primeira-dama da Farmácia, por sete décadas de extensa contribuição à Farmácia Hospitalar e Clínica desde a década de 1940 (FRANCKE, 1969b; HELLER; FRANCKE, 1957; WORTHEN, 2010). Ela ocupou cargos de liderança na ASHP, APhA, dentre outras, além de difundir seu legado de educadora internacionalmente (MAINE; O’BRIEN, 2008). Seu esposo, Donald Francke foi considerado um grande visionário da Farmácia, ao defender e incentivar do papel do farmacêutico junto à equipe no gerenciamento da farmacoterapia, pelo engajamento sobre mudanças curriculares, formação de Residências Hospitalares, entre outras contribuições (FRANCKE, 1961, 1963; MCLEOD; WHITNEY, 1979; STEVENSON; BEHAM; WEBER, 2013). Juntos, seus trabalhos na literatura fortaleceram a oportunidade de avanço na área e subsidiaram um grande incentivo à liderança de farmacêuticos hospitalares da época. 34 Para Donald Brodie (1976), a Farmácia Clínica não é necessariamente algo novo, mas fruto de uma extensão da prática tradicional da Farmácia e das demandas em saúde da sociedade. A profissão estava diante de um propósito social sólido, pelo qual era necessário um pacto entre farmacêutico e a sociedade, para que o compromisso da Farmácia enquanto profissão clínica fosse estabelecido (HEPLER, 1985). A construção inconsciente do conceito de Pharmaceutical Care foi proposta por Mikeal e colaboradores (1975), visando nortear e estender a atuação do profissional, mas só foi adaptada e ampliada por Brodie (1980), com a orientação sobre todos os serviços adequados para garantir a efetividade da farmacoterapia. Em 1986, o professor Robert Cipolle publica a afirmação “Medicamentos não tem doses, pessoas tem doses”, que marcou esse momento de transição paradigmática (CIPOLLE, 1986). Por conseguinte, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reforçou a demanda por farmacêuticos na atenção primária de saúde e o termo Pharmaceutical Care é publicado pela primeira vez em 1990, definido como “a provisão responsável do farmacoterapia com o objetivo de alcançar resultados satisfatórios na saúde, melhorando a qualidade de vida do paciente” (HEPLER; STRAND, 1990; OMS, 1978; PEREIRA, 2016). Tal conceito deu início à “era do cuidado” da Farmácia e fomentou a definição oficial do farmacêutico clínico enquanto papel-chave para prevenir e promover saúde junto à equipe (OMS, 1994). 35 Com o intuito de profissionalizar a prática da Atenção Farmacêutica, Nimmo e Holland (1999b, 1999c; 1999a, 1999b, 2000) publicam uma série de estudos remodelam cinco modelos de prática existentes, conforme as necessidades dos pacientes e perfil de aptidão dos farmacêuticos. Este movimento culminou em mudanças curriculares e a criação de novas estratégias de ensino farmacêutico voltadas ao manejo de doenças (FLANNERY et al., 2020; JUNGNICKEL et al., 2009; KATOUE; SCHWINGHAMMER, 2020). Ademais, um número extenso de publicações foi observado nas últimas décadas sobre o impacto positivo dos serviços clínicos providos por farmacêuticos no controle de doenças, melhora na qualidade de vida de pacientes e redução de custos em saúde (BUSS et al., 2018a; CALFAT et al., 2021; PAYNE; UNNI; JOLLEY, 2019a; WANG; YEO; KO, 2016). Três décadas após a difusão mundial do Pharmaceutical Care, Hepler (2010a) relata que o sonho da Farmácia em ser uma profissão clínica foi adiado e que seu potencial de contribuição é subutilizado pela sociedade. Barreiras como a competências clínicas e identidade profissional consolidada têm tornado complexo o desafio de fortalecimento da profissão (FRISK et al., 2019a; HERMANSYAH; SAINSBURY; KRASS, 2018; KELLAR et al., 2020a; RUEBEN; FORSYTH; THOMSON, 2020b). Devido ao progresso irregular da atuação clínica do farmacêutico, publicações como o relatório “Now more than ever: Why pharmacy needs to act” da Royal Pharmaceutical Society, convocam e orientam farmacêuticos a assumir as oportunidades de se tornarem cuidadores em saúde de forma mais ampla (AUSTRALIAN SELF-MEDICATION INDUSTRY, 2009; CHISHOLM-BURNS et al., 2010; SMITH; PICTON; DAYAN, 2014). No âmbito da farmácia comunitária o desafio parece ser maior, pois diante do baixo controle sobre a propaganda e a comercialização de medicamentos, ocorreu incentivo a medicamentalização da população e, consequentemente, os relatos de problemas relacionados ao uso de medicamentos (PEREIRA, 2016; PORTO et al., 2020a). Ademais, o modelo de prática farmacêutica é influenciado por condutas de organizações privadas que empregam a maioria dos farmacêuticos do mundo (ALTMAN; MANDY; GARD, 2019a; DOBSON; PEREPELKIN, 2011a; HIBBERT; BISSELL; WARD, 2002a). Publicações mais recentes mostram que esse contexto exerce influência no status profissional do farmacêutico comunitário (ABRAHAM, 2010a; HOHMEIER et al., 2020; LEMOS et al., 2020; ROSSONI; LAMPERT, 2004). 36 Como perspectivas, o mercado de automação tem crescido em redes de farmácia desde a década de 1990 e pode aumentar seu valor nos próximos anos (DICKINSON, 2017; ZALESKI, 2016). Para melhorar a confiabilidade na distribuição de medicamentos e acelerar o seu processo, hospitais e redes de farmácias de varejo americanas tem adotado o uso de robôs para fracionar e entregar os medicamentos conforme a prescrição. Estudos que discutem a probabilidade de extinção de profissões pela automação tecnológica, mostram que a substituição do farmacêutico é improvável desde que este profissional reoriente suas atividades àquelas de maior complexidade e cognição (FREY; OSBORNE, 2013). Neste sentido, a automação tem potencial de estimular a evolução profissional, pois reduz atividades mecânicas e o tempo de dispensação, permitindo que sua prática seja melhor direcionada (DICKINSON, 2017; RUSSO, 2017). Os farmacêuticos devem possuir habilidades que os robôs nunca terão e assim, as orientações aos pacientes e gestão da terapia deverão ser o centro da prática destes profissionais em um cenário automatizado (DICKINSON, 2017; RUSSO, 2017; ZALESKI, 2016). Este panorama sobre o percurso histórico de crise da Farmácia foi importante para apontar caminhos para o “renascimento da profissão”, porém mostra que novas rupturas de paradigmas podem ser necessárias superar desafios do presente. 2.4 CONTEXTO DO FARMACÊUTICO NA FARMÁCIA COMUNITÁRIA NO BRASIL Para compreender o contexto histórico e político das farmácias comunitárias do Brasil, como este ainda dificulta a promoção da saúde atualmente, foi necessário resgatar os principais acontecimentos que atravessaram a Farmácia desde o início de suas atividades no Brasil. As primeiras boticas surgiram com os jesuítas e, em 1640, tiveram seu comércio por boticários autorizado no país (DEL CORRAL; SOUZA; NEGRÃO, 2009; SÃO BENTO; SANTOS, 2015). Em zonas remotas, as drogas eram levadas por meio de “mascates”, curandeiros ambulantes que negociavam e indicavam remédios (FERNANDES, 2004). 37 Os boticários atendiam à domicílio junto aos médicos e preparavam os medicamentos com auxílio de farmacopeias portuguesas (VAROTTO; VAROTTO, 2018). No entanto, meros comerciantes, sem a mínima formação poderiam dirigir boticas e obter “carta de aprovação” como boticários ao Físico-Mor de Coimbra, que concedia as autorizações sem qualquer critério (RIBEIRO FILHO; BATISTA, 2011). Apenas em 1744, a publicação de um regimento concedeu a distribuição de medicamentos como privativa aos boticários habilitados, com uma série de exigências e fiscalização (COSTA; SOUZA; VIEIRA, 2019; FERNANDES, 2004). Este panorama foi modificado com a vinda da família real para o Brasil que impulsionou o ensino de Farmácia no país (COSTA; SOUZA; VIEIRA, 2019). Inicialmente como disciplina do curso de Medicina nas escolas do Rio de Janeiro e da Bahia, o primeiro curso de Farmácia do país formou os seis primeiros farmacêuticosbrasileiros em 1837 (VELLOSO, 2007; VOTTA, 1965). Dois dos diplomados, fundaram em 1839 a primeira Escola de Farmácia de Ouro Preto, em Minas Gerais (GODOY, 2019; PEREIRA, 2016). Desde então, as legislações sanitárias têm concedido o direito ao exercício da profissão aos farmacêuticos formados, este foi o primeiro passo que reconheceu a necessidade social de um profissional especializado em medicamentos (PEREIRA, 2016; ZUBIOLI, 1992a). Nessa época, a dualidade entre área profissional e a área de comércio de medicamentos nas boticas, pois os próprios currículos mesclavam as práticas, causando confusão sobre o papel do farmacêutico para a população (PERUCHI, 2021). Esse contexto causou também disputas entre boticários comerciantes e farmacêuticos, o que dificultou a transição das boticas para farmácias e o espaço de prática se tornou exclusivo do farmacêutico apenas em 1886 (NASCIMENTO; PEREIRA, 2011b; PEREIRA, 2016). Posteriormente, o Decreto 19.606/1931 e suas estabeleceu requisitos para o exercício da profissão, medidas de controle de venda de medicamentos e normas para o licenciamento e funcionamento das farmácias (ALVIM, 2004a). 38 Com pouca clareza em suas disposições, uma retificação do decreto permitiu a posse das farmácias por comerciantes leigos, desde que 30% da sociedade fosse de farmacêuticos (BRASIL, 1931). Isso permitiu que muitos proprietários leigos negociassem com farmacêuticos apenas pelo cumprimento mínimo da lei, sendo vista como imprudente, pois abriu precedentes desastrosos a profissão (CRF-SP, 2019a). Desse modo, a legislação que iniciou o afastamento e a perda do controle das farmácias por farmacêuticos vigorou por 43 anos, e facilitou a ampliação do poder indústrias farmacêuticas multinacionais (ZUBIOLI, 1992a). Após a Segunda Guerra Mundial, a modernização na produção em larga escala de medicamentos chegou ao Brasil, mesmo que de forma mais lenta que em outros países (FERNANDES, 2004). Os medicamentos magistrados foram substituídos quase que inteiramente pelos industrializados, e a farmácia do Brasil também começou a se apresentar como estabelecimento comercial de medicamentos e correlatos (SANTOS, 1999; VAROTTO; VAROTTO, 2018). Com a atualização de legislações, em 1960, foi criado o Conselho Federal de Farmácia (CFF) que trouxe benefícios a profissão ao formalizar atribuições profissionais e fiscalizar a atuação do farmacêutico (BRASIL, 1960a). Em contraste, a profissão perdeu completamente o controle sobre a farmácia com a Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973, ao permitir que “comércio farmacêutico” fosse exercido por qualquer indivíduo, cabendo ao farmacêutico apenas a responsabilidade técnica pelo local (BRASIL, 1973a; CUNHA, 1981). Ao subordinar o farmacêutico aos interesses econômicos de proprietários leigos, a lei agravou o cenário de ascensão da medicalização atravessado pela profissão, o que trouxe riscos e prejuízos à saúde da população (ANGONESI, 2008; VIEIRA, 2007). Além disso, a imagem do farmacêutico foi gradativamente desvalorizada e seu status profissional entra em erosão pela abreviação de sua concepção original (FREITAS; RAMALHO-DE OLIVEIRA; PERINI, 2006; GOUVEIA, 1999). Este contexto desfavorável para a Farmácia também era resultado da invisibilidade do profissional na equipe de saúde pelo sistema de saúde vigente, que além disso, não considerava o medicamento como insumo estratégico (PEREIRA, 2016). 39 Mesmo após a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), pelo qual houve muitos avanços para a sociedade e as profissões em saúde, grande parte dos farmacêuticos se deslocou para área industrial, o que contribuiu com a consolidação das indústrias farmacêuticas no país (PEREIRA; FREITAS, 2008a). Na década de 1990, com pouca fiscalização efetiva e ingerência política por parte do estado, o mercado de medicamentos no Brasil seguiu como um dos maiores e mais liberais do mundo no que concerne a compra e venda de medicamentos (COUTINHO JÚNIOR et al., 2018). Nesta mesma década, foi desencadeada uma profunda crise da profissão farmacêutica no país que durou cerca de 20 anos (SANTOS, 2003a; ZUBIOLI, 1992a). Este cenário permitiu longo tempo de descumprimento de leis e normas técnicas por farmácias comunitárias privadas, o que culminou no aumento no comércio de medicamentos vencidos, falsificados ou sem garantia de qualidade (ARRAIS; SOUSA; ZANNIN, 2016; LUIZ, 1997a). Muitos destes medicamentos eram providos por laboratórios clandestinos, encobertados por órgãos fiscalizatórios do governo, que se envolviam em casos de corrupção, resultado do controle precário das Vigilâncias Sanitárias estaduais (NISHIJIMA; BIASOTO JR.; LAGROTERIA, 2014). Em 1994, esta fase foi evidenciada pelo uso de medicamentos como o principal responsável por casos de intoxicações no país (MOTA et al., 2012). Outra barreira enfrentada pela profissão foi o projeto de Lei 4.385/1994 da ex- senadora Marluce Pinto que previa desobrigar a atuação do farmacêutico em farmácias e drogarias, abrindo espaço para requisição mínima de auxiliares de farmácia como responsáveis técnicos (BRASIL, 2009). Ainda no mesmo ano, a Medida Provisória 592/1994 autorizou por um ano, a venda de medicamentos de venda livre em supermercados e similares, subsequentemente, diversas tentativas de legalizar esta prática de forma definitiva foram apresentadas no cenário político (MELO; TEIXEIRA; MÂNICA, 2007a). Diante da alta dependência do mercado de indústrias multinacionais, a hegemonia destas empresas foi ampliada e dificultou a disponibilidade de medicamentos seguros a preços mais baixos à população (BERMUDEZ, 1994; NISHIJIMA; BIASOTO JR.; LAGROTERIA, 2014; PINHEIRO, 1997). 40 Neste ínterim, inspiradas no modelo drugstore, o número de redes de farmácia brasileiras originadas de empresas atacadistas crescia de forma célere (MONTE; DE SOUZA FILHO, 1998). Diante da competitividade do mercado e estimuladas por bonificações da indústria farmacêutica, ficou mais comum a prática lastimável da “empurroterapia” em farmácias (BERMUDEZ, 1995; LUIZ, 1997a; ZUBIOLI, 1992a). Em 1997 a crise chega ao ápice, quando fraudes e irregularidades corriqueiras, causavam questionamentos da população e repercussão na mídia (BRASIL, 2009; IVAMA; HOFMEISTER; NORONHA, 2005). Assim, laboratórios denominados de “fundo de quintal”, com desvios de conduta e infraestrutura precária, representavam boa parte da indústria farmacêutica brasileira em ascensão (IVAMA; HOFMEISTER; NORONHA, 2005; LUIZ, 1997a). O Ministério da Saúde (MS) recebeu um número elevado de denúncias sobre medicamentos falsificados (NOGUEIRA; VECINA NETO, 2011). Assim, em 1998, eclodiu o maior escândalo de falsificação de medicamentos do país conhecido como “Caso da pílula de farinha”, quando cerca de 60 miL comprimidos de anticoncepcionais produzidos apenas para teste industrial, foram desviados do descarte e vendidos em farmácias (SILVA, 2018). O mesmo laboratório foi envolvido em outro caso de falsificação de um medicamento antineoplásico no mesmo ano, com grande repercussão nacional (ECHEGARAY; CORDEIRO, 2006). Após cobranças da sociedade, mídia, conselhos e associações farmacêuticas, o governo acelerou diversas reformas legais e estruturais na saúde. Como uma das principais medidas de combate, o Código Penal passou a enquadrar a falsificação de medicamentos como crime hediondo (AUGUSTO; GUIMARÃES, 2013). Enquanto isso, a falta de políticas eficazes de controle de preço, ressaltou a importância da legalização de medicamentos genéricos para garantir um acesso equilibrado aos medicamentos enquanto insumos estratégicos à população (DIAS; ROMANO-LIEBER, 2006). Os acontecimentos reforçaram a necessidade da edição do projeto de Lei 4.385/94 e a apresentação de um substitutivo de autoria do deputado Ivan Valente, o PL 13.021 foi apresentado para estabelecero farmacêutico como agente fundamental na Assistência Farmacêutica, dispor sobre o controle sanitário e comércio de drogas e propor caráter de unidade de saúde à farmácia (BRASIL, 2009). O projeto também previa uma Política Nacional de Medicamentos, que foi homologada em 1999, com o objetivo de garantir segurança, efetividade e qualidade, promover o acesso e uso racional aos medicamentos essenciais à população (BRASIL, 1998). Esta proposta adotou a Atenção Farmacêutica 41 como estratégia na promoção do uso racional de medicamentos (OLIVEIRA; ASSIS; BARBONI, 2010). No mesmo ano, a Lei 9.782/1999 criou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para garantir a segurança na produção e venda de medicamentos (BRASIL, 1999). Após esforços, a promulgação da Lei dos Genéricos 9.787/99, aplicada em 2000, trouxe estrutura para aprimorar a concorrência no mercado farmacêutico do país e cumprir o princípio da universalidade da saúde, por meio de medicamentos intercambiáveis, bioequivalentes e seguros à população (FONSECA, 2015; NISHIJIMA; BIASOTO JR.; LAGROTERIA, 2014). Poucos anos após a lei, o crescimento nas vendas de medicamentos genéricos transformou o perfil de consumo de medicamentos no Brasil (DIAS; ROMANO- LIEBER, 2006). Com forte pressão política, foi formada uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar fraudes, recomendar políticas de controle de preços, normatizações na produção e embalagens de medicamentos e ampliar a participação dos genéricos no mercado brasileiro (BARBERATO-FILHO; LOPES, 2007; BRASIL, 2000; DIAS; ROMANO- LIEBER, 2006). Houve também publicações de manuais de Boas Práticas em Farmácia, a criação da Política Nacional de Assistência Farmacêutica, conferências sobre reorientações da Assistência Farmacêutica e diante destas demandas, mudanças nos currículos de Farmácia (formação generalista) (BRASIL, 2009). Outro marco estratégico para promoção da saúde em farmácias comunitárias, desta vez proposto pela Anvisa, foi a publicação da Resolução 44/2009. Por orientar dentre outras medidas, o maior controle ao acesso de medicamentos no espaço físico das farmácias, a fim de prevenir a automedicação não orientada, a resolução foi alvo de críticas por empresários do varejo (ESTEVES PINTO, 2011). Ainda que a lei tenha sido efetiva ao que se propõe, estudos ressaltam que a redução dos riscos associados a automedicação só é possível se associada com a orientação do farmacêutico no ato dispensação e estratégias de educação em saúde (MIRANDA FILHO; ANDRADE JÚNIOR; MONTENEGRO, 2021; OLIVEIRA et al., 2020; TEIXEIRA et al., 2020a). O CFF seguiu atualizando normativas e promovendo mobilizações em favor da atuação mais participativa do farmacêutico como agente essencial na assistência à saúde. Foram publicadas resoluções que definem as atribuições clínicas do farmacêutico (RDC 585/2013) e a regulação da prescrição farmacêutica (RDC 586/2013), para orientar e estimular os profissionais à qualificação e reestruturação de sua assistência (CFF, 2013a, 2013b). Neste sentido, após 20 anos de tramitação, entrou em vigor a Lei 13.021/2014, 42 considerada uma das maiores conquistas da profissão farmacêutica (BRASIL, 2014c). Ela definiu as farmácias como “unidade de prestação de serviços destinada a prestar assistência farmacêutica, assistência à saúde e orientação sanitária individual e coletiva”. Mais recentemente, o Código de Ética Farmacêutico foi atualizado prevendo atenuantes e agravantes às penas, inserindo a tecnologia no rito processual disciplinar e separa direitos e deveres dos farmacêuticos, dos demais inscritos nos conselhos (CFF, 2021). Os marcos legais para a profissão no Brasil trouxeram avanços, mas estudos recentes mostram que os interesses do mercado varejista, a medicalização da saúde e a insuficiência de serviços de cuidados farmacêuticos são barreiras que dificultam a aplicação prática da lei (ALENCAR, 2016; MELO et al., 2021a). As associações farmacêuticas brasileiras continuam orientando mudanças em busca de melhoras para profissão, mas enfrentam desafios que podem colocar a profissão em posição de desvantagem, frente aos interesses do mercado varejista de medicamentos. 2.5 O MERCADO VAREJISTA DE MEDICAMENTOS E SUAS PERSPECTIVAS Para compreender a forte influência do poder político do mercado farmacêutico no modelo de negócios centrado no produto que predomina nas farmácias comunitárias, é importante conhecer as principais características deste setor e suas perspectivas. Durante a segunda guerra mundial (1939-1945), um extenso número de farmacêuticos foi recrutado como soldados e sua contribuição na provisão de medicamentos aprimorou seu status profissional (SAMMARCO, 2007). Porém, o êxodo destes profissionais dos países europeus causou o encerramento de atividades em muitas farmácias independentes, bem como a fusão de outras com empresas de comércio atacadista (MORAWSKI, 2001; WORTHEN, 2001). Historicamente, as farmácias de varejo independentes eram maioria do mercado, mas a sustentabilidade destas empresas têm sido ameaçada pela concorrência de preços, políticas de reembolso pelo Estado e mix de produtos oferecidos pelas redes de maior magnitude (BROOKS et al., 2008; BUSH; LANGLEY; WILSON, 2009a; SABOIA, 2021). Assim, cada vez mais, é possível observar um aumento na abertura de redes de farmácias e de fusões de empresas independentes (KLEPSER et al., 2011; RIBEIRO; PRIETO, 2013a; SALAKO; ULLRICH; MUELLER, 2017). Desde então, mundialmente as redes de farmácia de varejo representam uma grande potência econômica, movimentando US$ 1,2 trilhões ao ano e são a principal fonte de acesso aos medicamentos da população (AITKEN, 2020). 43 As farmácias comunitárias são o maior campo de atuação de farmacêuticos em todo mundo (FIP, 2017a). Atualmente, os EUA lidera o mercado mundial com as maiores redes de farmácia, Walgreens e CVS Health, com faturamento anual de US$ 110 milhões e 83 milhões respectivamente (DELOITTE, 2020). Este país emprega neste setor 57% dos farmacêuticos do país, com média salarial de US$103.982 mil ao ano (OSTER et al., 2020; PAYSCALE, 2020). Na Europa, o mercado de farmácias independentes apesar de ser mais presente pela regulação de mercado, tem diminuído frente ao crescimento das redes e a Turquia é o país europeu com maior número de farmácias (CAREERSMART, 2019; VOGLER; HABIMANA; ARTS, 2014a). Na Ásia, muitas farmácias privadas em países de baixa e média renda tem estrutura precária e sem a presença do farmacêutico, o que corrobora com práticas inadequadas e uso irracional de medicamentos (MILLER; GOODMAN, 2016). No continente Africano, a venda de medicamentos em supermercados e a má gestão de redes por proprietários leigos trouxe caráter mercantilista ao setor, bem como baixa qualidade de serviços e produtos e preços pouco acessíveis (LOWE; MONTAGU, 2009; OZAWA et al., 2018; SMITH, 2009). Em contraste, na Austrália, as farmácias de varejo são acessíveis à população e oferecem serviços farmacêuticos de monitoramento clínico, vacinação e terapias complementares (HERMANSYAH; SAINSBURY; KRASS, 2017; POPATTIA; HATTINGH; LA CAZE, 2021a). No Brasil, as primeiras redes de farmácias de varejo se desenvolvem na década de 1930, com a expansão dos laboratórios multinacionais (SILVA, 2019a). O país é o 8° maior mercado farmacêutico do mundo, com faturamento anual de R$139,7 bilhões em 2020 e quase 90 mil farmácias, sendo mais de 90% privadas (AITKEN; KLEINROCK; MUÑOZ, 2021b; CFF, 2020). As três maiores redes de farmácia estão entre as dez empresas com maior faturamento do varejo em geral, com faturamento conjunto total em 2019 de R$ 703 bilhões (SABOIA, 2021; VAROTTO; VAROTTO, 2018). Este mercado concentra a maioria dos farmacêuticos brasileiros, empregando 81,1% destes (SERAFIN; CORREIA JÚNIOR; VARGAS, 2015a). A maioria queatua neste setor tem salário médio de R$ 3 mil e, em relação às atribuições, 89,6% atuam na dispensação e 64,1% na gestão de medicamentos e área técnica (controle de estoque e compra) (CARVALHO; LEITE, 2016; SERAFIN; CORREIA JÚNIOR; VARGAS, 2015a). As atividades clínicas são exercidas por parte de farmacêuticos (17,8%), mas a implantação de consultórios para este propósito tem crescido 130% nos dois últimos anos, representando cerca de três mil consultórios (CRF- 44 SP, 2019b; PAIVA; ANJOS, 2021; SERAFIN; CORREIA JÚNIOR; VARGAS, 2015a). Apesar deste ser um campo estratégico para este fim, as redes de farmácia do Brasil estão longe de serem pontos de promoção de serviços farmacêuticos (CERQUEIRA-SANTOS et al., 2020b; DALY et al., 2021; MELO et al., 2021b). Durante a pandemia de COVID-19, o mercado varejista cresceu, se adaptou às novas regulações e o papel do farmacêutico comunitário foi evidenciado em muitos países desenvolvidos como peça-chave no combate à doença (MILLER et al., 2021; OKORO, 2021; SAMI et al., 2021). Ainda no contexto pandêmico, tem sido evidenciado o oferecimento de serviços de saúde (exames e vacinas), o comércio eletrônico e a telefarmácia (LUKIANCHUK et al., 2020; SHIRDEL et al., 2021). Em contrapartida, a infodemia sobre medicamentos e o uso indiscriminado de off labels têm sido um desafio para os farmacêuticos varejistas (ELBEDDINI et al., 2020; ERKU et al., 2021; PAUMGARTTEN; DE OLIVEIRA, 2020). Ao mostrar as principais tendências para o futuro das farmácias de varejo, estudos apontam a automação de serviços como uma das principais estratégias para acelerar atividades e controlar processos (DICKINSON, 2017; DONEPUDI, 2018; LEMBI; SABEC; KAWAMOTO, 2020a). O lançamento da Amazon Pharmacy trouxe perspectivas ao mercado eletrônico de medicamentos e pressionou as maiores redes de farmácia pela competitividade (NAKAGAWA; KVEDAR; YELLOWLEES, 2018; SHAYA; EDDINGTON, 2020). Estudos mostram desvantagens do avanço de tecnologias, comércio online e adaptações do mercado em favor do lucro, com o enfraquecimento de controle nas vendas de medicamentos e do trabalho da equipe de farmácia (ASHAMES et al., 2019; LIANG; MACKEY; LOVETT, 2013). Em um cenário de baixa literacidade em saúde da população, a automedicação promovida pelo comércio online de medicamentos pode gerar mais riscos (ORIZIO et al., 2011). Apesar de interesses mercantilistas ressaltarem o uso de novas tecnologias, ainda é incerto dizer que farmácias virtuais substituirão as tradicionais. Para que o mercado e a profissão farmacêutica estejam em atualização, é preciso refletir sobre a forma de adaptar esse contexto sem reduzir a qualidade de serviços em saúde e manter a segurança da população. 45 2.1 TEORIAS DO PROFISSIONALISMO APLICADAS A FARMÁCIA E SUAS IMPLICAÇÕES AO CONTEXTO DO VAREJO FARMACÊUTICO O mercado varejista de medicamentos tem sido um campo de trabalho que sugere questionamentos sobre a futuro da profissão neste cenário. O cenário é representado de um lado, por um mercado regulado por leigos em saúde que depende legalmente da presença do farmacêutico para o seu funcionamento, e de outro, pela profissão que depende de se sua ampla empregabilidade para se manter ativa e acessível à população (JACKSON, 2019; MCPHERSON; FONTANE, 2011a; TURNER, 2016). Entretanto, é possível observar que os interesses das duas partes têm divergido ao longo dos anos, culminando com dilemas sobre o papel social do farmacêutico, a autonomia do profissional neste setor e conflitos éticos na dualidade “comércio” versus “saúde” (GIAM; MCLACHLAN; KRASS, 2011; SITKIN; SUTCLIFFE, 1991; YONG et al., 2020). Para compreender estas questões, as teorias sociológicas das profissões podem ser uma forma de elucidar sobre as ameaças e oportunidades que atravessam a Farmácia neste cenário. Bissell, Traulsen e Haugbolle (2002a) mostraram como a contribuição das teorias de origem marxista foi importante para compreender aspectos como a profissionalização incompleta, a associação da profissão ao mercantilismo, falta de autonomia, pouca coesão ocupacional e a imagem do medicamento como commodities. Eles acreditam que, apesar das mudanças ao longo da história na relação capitalista discutida por Marx, sua sociologia pode ajudar a compreender como a prática farmacêutica ainda é moldada por interesses comerciais. 46 Os mesmos autores dão destaque também às teorias da desprofissionalização, que mostram que a Farmácia pode ferir “traços” do profissionalismo estabelecidos em outras teorias, ao reduzir seu status pela subordinação à Medicina e guiar sua prática por interesses não altruístas (TRAULSEN; BISSELL, 2004). Do mesmo modo, apontam que apesar da reorientação de objeto social ter potencial de aprimorar seu status profissional, nem sempre a educação farmacêutica acompanha o ritmo desta mudança. Ao refletir sobre o engajamento social da profissão, corroborando com a visão de Holland e Nimmo (1999b), Bissell (2007a) fala sobre a preocupação pela falta de farmacêuticos conscientes da mudança de comportamento e adequação de personalidade frente ao papel social. 2.1.1 A autonomia do farmacêutico no varejo A autonomia é essencial para uma profissão, como um dos domínios do profissionalismo, de forma legítima e organizada, diferencia profissão de ocupação (ENGEL, 1970; FREIDSON, 2009a; SCHUTZENHOFER, 1987). Esta é definida como poder que o profissional exerce sobre seu próprio trabalho, na interferência sobre prioridades, sobre o processo de trabalho e na tomada de decisões. Autores da área da Enfermagem a reconhecem como sinônimo de liberdade de ação sem coações internas ou externas, mas em respeito às leis e princípios as quais a profissão está inserida (BALLOU, 1998; BUENO; QUEIROZ, 2006; RIBEIRO, 2009b). 47 Desde a concepção de Weber (2004) de burocracia no trabalho, como estrutura administrativa, os profissionais que são prestadores de serviço a organizações burocráticas fazem parte de uma hierarquia rígida e, portanto, podem sofrer perdas na autonomia profissional (SCHMITZ, 2014a). Nessa estrutura, a autonomia poderia ser fundamentada em características do indivíduo (pessoal), em cultura, costumes (tradicional) e regida por lei (técnica) (FREIDSON, 1974a; WEBER, 1971). Se o sistema de trabalho prevê progressão de carreira para o profissional (seja por tempo de serviço, cargos, qualificações profissionais), sua autonomia poderá aumentar (ENGEL, 1970). Ao refletir sobre a autonomia do farmacêutico, ressalta-se o contexto histórico da profissão, de modo que o seu nível de autonomia sofre influências e muda ao longo dos contextos macropolíticos em que a profissão se inseriu. Traulsen e Bissell (2004) sugerem a perda do monopólio dos farmacêuticos pela propriedade da farmácia e a divisão do trabalho com técnicos de farmácia, como pontos que trazem conflitos ao profissionalismo. No varejo, o farmacêutico ocupa um espaço técnico, em uma divisão de trabalho imprecisa, acima hierarquicamente somente de auxiliares e trabalhadores ocupacionais. Na década de 1980, quando a burocratização das atividades nas redes de farmácia foi ampliada, este fenômeno era relatado por farmacêuticos que comparavam este cenário ao de hospitais e farmácias independentes (CARROLL; JOWDY, 1986; SEGAL; JACOBS; FUNK, 1987). A abertura do controle do mercado a empresários leigos subordinou o farmacêutico aos interesses da empresa e promoveu incongruência de autoridades (MALIK, 2021a; RAUCH, 2018a). Por isso, esta perda de monopólio foi associada à falta de autonomia do profissional (CLARK, 1991a; DOBSON; PEREPELKIN, 2011a; WALLACE, 1995). Por lei, no Brasil, a autonomia técnica do farmacêutico não deve ser desrespeitada, mas pode ser questionada e não será absoluta (BRASIL, 2014a; CFF, 2014). Princípios e normas da empresa de varejoconferem autonomia gerencial aos cargos hierarquicamente superiores, como gerentes e proprietários. Ademais, à medida que o profissional, no contexto individual, sente pressões de demandas mercadológicas, poderá ter pouca autoridade prática no trabalho. A dispensação de medicamentos é a principal atividade do farmacêutico varejista, entretanto, suas atribuições são variáveis e pouco específicas. Estas podem ser consideradas fragilidades da jurisdição da Farmácia e subutilizadas no varejo (ALTMAN; MANDY; GARD, 2019a; GILBERT, 1998; SMITH; PICTON; DAYAN, 2014). 48 Para Abbott (1988), a jurisdição profissional (área controlada pela profissão) é o elo entre a profissão e sua prática, e, por isso, estudos recomendam que a Farmácia assuma o controle sobre as atribuições clínicas, para aprimorar e fortalecer seu modelo de prática (ALTMAN; MANDY; GARD, 2019a; ATKIN et al., 2021a). Por exercer muitas atividades que não são de sua exclusividade, os próprios farmacêuticos compreendem pouco sobre o seu papel social (OLIVEIRA et al., 2005a; RAPPORT; DOEL; JERZEMBEK, 2009b; SILVA, 2015a). O foco em atividades técnicas e a distribuição de medicamentos em detrimento da dispensação, passa a imagem para a população que o farmacêutico não atua como profissional de saúde, mas como gestor ou vendedor (FERREIRA, 2017; OLIVEIRA et al., 2017a; TURNER, 2016). Por isso, autores consideram negativa a associação da dispensação de medicamentos às atividades técnicas e de baixa complexidade (como atividades de gestão de estoque de medicamentos, compra e venda) (ALAQEEL; ABANMY, 2015; FERREIRA et al., 2016; IBRAHIM et al., 2016). Vale ressaltar que o “isolamento” do farmacêutico de outros profissionais e serviços de atenção primária a saúde, contribuiu para a crise de identidade profissional (KELLAR et al., 2021a; MOSSIALOS et al., 2015a). A resistência dos farmacêuticos em abandonar a identidade de “farmacêutico distribuidor” para assumir a de “farmacêutico clínico” agravou esta crise (GREGORY; AUSTIN, 2019; KELLAR et al., 2020a). O modelo de prática farmacêutica no varejo além de ser confuso para o próprio profissional, muitas vezes fica “nas mãos” do proprietário da farmácia, que passa a direcionar como profissional deve dedicar seu tempo de trabalho e o poder de avaliar sua produtividade (BUSH; LANGLEY; WILSON, 2009a). Alguns autores acreditam que a urgência do mercado varejista pelo lucro impulsiona a precarização do trabalho nas farmácias, pois promove divisão técnica do trabalho, rotinização de atividades e torna o profissional “alienado” (distante e inconsciente) de suas funções (SILVA, 2015b; TRAULSEN; BISSELL, 2010). Ademais, esta precarização promoveu o aumento de “empregos temporários”, sem direitos trabalhistas, mesmo em países desenvolvidos (TRAULSEN; DRUEDAHL, 2018b). Portanto, o processo de trabalho do varejo pode tornar a autonomia deste profissional inconstante e, muitas vezes, aquém do desejado para que atenda às necessidades sociais e profissionais na atualidade. 2.1.2 Conflitos éticos para o farmacêutico no varejo 49 A ética faz parte do estudo de valores da filosofia, e definida como a compreensão dos sistemas morais da sociedade e suas organizações. A moral é um conjunto de costumes (leis morais), mutável pelo tempo e espaço, que envolve a sociedade, pela perspectiva da coletividade, influenciada por convenções sociais e culturais (PEDRO, 2014). A moral define o que é certo e errado no âmbito social, e direciona a ação em si do indivíduo. Aquele que fere as leis morais do ambiente poderá ser considerado imoral e passível de punição. A constituição de um país é um exemplo de moralidade da sociedade (FOUCAULT, 2014; RACHELS; RACHELS, 2013). A ética reflete, questiona e busca compreender os valores morais, levando o indivíduo a agir não somente a partir de hábitos e tradição, mas pela convicção do que é eticamente aceito pela sociedade (PEDRO, 2014). Esta é interligada a moral e, por isso, também pode se modificar. Neste sentido, a ética pode ser individual ou coletiva, como por exemplo a ética de uma profissão, como conjunto de regras (código de ética) sobre valores morais que tem o objetivo de padronizar ações individuais pelo bem da sociedade (SÁ, 2009). O filósofo alemão Kant (1724-1804) desenvolveu uma das mais aceitas e referenciadas concepções sobre ética do mundo. Para ele, a ética denominada deontológica, baseia-se no dever e na universalidade, pois o ser humano seria capaz de agir motivado pelo dever, em busca de uma ação moralmente correta a todos (HERRERO, 2001). A partir desta perspectiva da ética kantiana e do profissionalismo, a ética também é um princípio orientador, e a partir dela que é possível criar a cultura de valores da profissão (MACHADO, 1995). No trabalho em saúde, a ética é mais do que a organização de normas profissionais, mas uma iniciativa que deve ser permanentemente atualizada em busca de respeito ao ser humano (AMENDOEIRA, 2012). Com as inovações científicas, principalmente pós Segunda Guerra Mundial, a bioética nasce para proteger a saúde humana que se tornava cada vez mais vulnerável. Na década de 1970, os princípios que baseiam a bioética são difundidos: a beneficência (fazer o bem), a não-maleficência (não causar danos), a autonomia (dignidade da pessoa) e a justiça (equidade) (GERBER; ZAGONEL, 2013; LEPARGNEUR, 2009). 50 Como em todas as profissões de saúde, a formação acadêmica do farmacêutico deve conter disciplinas que discutam os princípios éticos e legais para a atuação profissional. As diretrizes nacionais curriculares do Brasil preconizaram a formação crítica, reflexiva e humanista por meio de disciplinas como Deontologia e Legislação Farmacêutica. Neste sentido, a formação deve estimular reflexões no discente sobre preceitos éticos e morais que definem ações profissionais justas e humanizadas, bem como respeitar os princípios bioéticos de cuidado em saúde (CRF-SP, 2019a; MAYERNYIK; OLIVEIRA, 2016). Nesse contexto, o código de ética em saúde orienta sobre condutas profissionais benéficas ao paciente em detrimento de benefício próprio do profissional, porém, o contexto da mercantilização da saúde traz implicações éticas complexas (CHAAR, 2009b; ROWE; MOODLEY, 2013a). Com a medicalização da sociedade, a visão do medicamento como fim e commoditie e não como insumo estratégico para promoção da saúde, é o ponto principal desta problematização. A moralidade em saúde é afetada quando atos não- altruístas são estimulados pela lógica capitalista, e dessa forma, conflitos de interesses abalam a Farmácia e seu profissionalismo (BISSELL; TRAULSEN; HAUGBØLLE, 2002b). Estudos mostram que é a comum a prática persuasiva de indústrias farmacêuticas por meio marketing, bem como o oferecimento de benefícios financeiros que visam a indução de prescrições e vendas de medicamentos (AL-QUDAH et al., 2019a; BHASKARABHATLA, 2020a; BRODY; LIGHT, 2011). Neste contexto, o Estado intervém em espaços como o do varejo de medicamentos, e apesar da visão estigmatizada de “farmacêutico fiscalizador” ou “que impede as vendas”, esta é de fato uma das funções da profissão no comércio de medicamentos pela garantia da segurança do usuário de medicamentos. As estratégias comerciais do mercado varejista tem sido regulamentadas de forma lenta, muitas vezes com normas éticas frágeis, principalmente em países de baixa e média renda (AL-ARIFI, 2014a; ARSLAN et al., 2018a; ASTBURY; GALLAGHER; O’NEILL, 2015). Em contextos pouco regulados, o varejo pressiona profissionais cumprir metas ostensivas de venda, além de induzir a população a adquirir medicamentos sem avaliação da sua real necessidade (BHASKARABHATLA, 2020a; MATHEWS et al., 2020a). Tais conflitos de interesses podem prejudicar a autonomia do profissional, pois o mesmo poderá ser coagido a consentir sobre práticasantiéticas pela manutenção do vínculo com o empregador (PAIVA, 2014a). 51 A pressão por vendas sentida por muitos farmacêuticos, cria uma “cultura” nas farmácias de varejo que pode dificultar denúncias de práticas antiéticas aos órgãos reguladores (GATT, 2019a; RODRÍGUEZ; JURIČIĆ, 2018a). A ética farmacêutica deve ser estimulada, exercitada e avaliada, a partir de instituições de ensino superior, associações, conselhos profissionais e vigilâncias sanitárias (AL-ARIFI, 2014b; CRF-SP, 2019a). Ademais, a presença regulatória do estado é salutar devido a contínuas atualizações de normas e ampliação de fiscalizações mais rígidas para indústrias farmacêuticas e o mercado varejista de medicamentos. 2.2 O PAPEL DOS STAKEHOLDERS NO VAREJO FARMACÊUTICO Para compreender melhor as responsabilidades de cada “ator” que interage no varejo de medicamentos, é importante abordar a Teoria dos Stakeholders proposta por Eduard Freeman (1998). Para o autor, stakeholder seria “qualquer grupo ou indivíduo que afeta ou é afetado pelo alcance dos objetivos da empresa”. Esta abordagem teve o objetivo de enfatizar o papel de “partes interessadas” em uma empresa, não apenas dos acionistas, para compreender como estas impactam nos resultados da empresa e vice-versa. Para o sucesso das empresas, Freeman lançou em sua teoria que estas deveriam levar em consideração o equilíbrio entre interesses de stakeholders como clientes, força de trabalho, fornecedores e a sociedade (FREEMAN, 2010a). Em crítica a esta teoria, Jensen (2010) aponta que a teoria dos stakeholders não deveria ser aplicada em qualquer circunstância. Inicialmente, a empresa deve refletir sobre o seu modelo de gestão, ou seja, qual o principal objetivo da empresa, quais os interesses que devem gerir a empresa, critérios para tomada de decisão e avaliação de desempenho, entre outras (BOAVENTURA et al., 2009). A depender desta reflexão, a teoria dos stakeholders pode gerar múltiplos objetivos às empresas e isso traria conflitos de interesses matematicamente impossíveis de resolver (SUNDARAM; INKPEN, 2004). Por isso, para estudos que defendem esta perspectiva, a empresa deveria discutir a relevância em atender um único objetivo corporativo versus múltiplos interesses (SILVEIRA; YOSHINAGA; BORBA, 2005). Freeman (2010a) acredita que sua teoria pode ser útil em algumas linhas de pesquisa sobre Administração de Empresas e no caso de farmácias de varejo, é possível considerar sua relevância a partir da linha da responsabilidade social corporativa. Esta linha de pesquisa ressalta que, para algumas empresas, é relevante construir relacionamentos confiáveis e reputação frente a sociedade para o sucesso de sua 52 administração (IRIGARAY; VERGARA; ARAUJO, 2017). As farmácias privadas podem ser compreendidas como estratégicas diante de políticas públicas insuficientes e, por isso, têm responsabilidade pela incorporação de normas éticas e cidadania corporativa (ANDERSON; THORNLEY, 2014; SANTOS-PINTO; ROSÁRIO COSTA; OSORIO-DE- CASTRO, 2011) Outro argumento que favorece a compatibilidade da teoria dos stakeholders com o contexto das farmácias de varejo são as três principais potencialidades da teoria. Esta é caracterizada como descritiva (explica características específicas da empresa), instrumental (demonstra as conexões entre stakeholders e objetivos da empresa) e normativa (define valores morais e filosóficos que guiam a administração da empresa) (DONALDSON; PRESTON, 1995; EGELS-ZANDÉN; SANDBERG, 2010). Diante do caráter de estabelecimento de saúde das farmácias, estas características da teoria dos stakeholders podem fortalecer sua legitimidade moral e alinhar a administração de farmácias privadas aos interesses dos usuários de medicamentos (BARAKAT et al., 2016). No caso das redes de farmácia de varejo, podemos considerar como principais stakeholders os gestores, prestadores de serviço e consumidores (MALIK, 2021a). A literatura aborda a percepção de farmacêuticos neste cenário, demonstrando seus desafios e demandas profissionais (CERQUEIRA-SANTOS et al., 2020a; DOSEA et al., 2017a; MINARD et al., 2016; SCHINDEL et al., 2019b). Os farmacêuticos atuam no varejo, em sua maioria, como responsáveis técnicos, principalmente na dispensação de medicamentos, por isso, o cumprimento de normas técnicas e o bom atendimento podem gerar melhores resultados para serviços farmacêuticos (ADEOYE et al., 2018). Apesar do respaldo legal, estudos mostram que a atitude dos farmacêuticos do varejo ainda é pouco protagonista por fatores como insatisfação com o trabalho, podendo refletir negativamente no sucesso da empresa (YONG et al., 2020). Também há estudos de percepção dos clientes sobre questões como o acesso e satisfação com serviços (BRATKOWSKA et al., 2020; FERREIRA; MOURA; SOUKI, 2016a; SOEIRO et al., 2017). Uma revisão recente mostra que a satisfação dos clientes tem impacto altamente positivo no desempenho de farmácias comunitárias (BARGHOUTH; AL-ABDALLAH; ABDALLAH, 2021). Além da maximização do lucro, os interesses da empresa na visão dos clientes tem feito o modelo de farmácias ser modificado, a partir do maior oferecimento de serviços e do investimento em qualidade de atendimento (LEMBI; SABEC; KAWAMOTO, 2020a). Compreender as necessidades e visões do público-alvo da 53 empresa e considerá-los como stakeholders pode ser estratégia para gestores aprimorarem sua administração. A visão de gestores (desde proprietários a gerentes) e mentores (consultores de farmacêuticos prestadores de serviço) ainda é pouco estudada em pesquisas sobre a Farmácia (FRANCO-TRIGO et al., 2017; JEBARA et al., 2021b). Com influência direta na empresa, os gestores são stakeholders responsáveis pela tomada de decisões em aspectos técnicos e gerenciais, bem como pela sustentabilidade econômica (EDMUNDS; CALNAN, 2001; MOULLIN; SABATER-HERNÁNDEZ; BENRIMOJ, 2016). Diante das teorias tradicionais da administração, os gestores (principalmente acionistas) são a principal parte interessada das empresas e, por isso, suas perspectivas ainda são muito valorizadas para o sucesso das empresas (ALCANIZ; AGUADO; RETOLAZA, 2020). Diante da concorrência no setor, gestores de redes de farmácia têm dedicado esforços para a capacitação de farmacêuticos, em busca de um profissional que tenha maior produtividade, com perfil competitivo, que tenha não apenas competências clínicas, mas também gerenciais (GERNANT, 2018b; LEMBI; SABEC; KAWAMOTO, 2020b; OLIVEIRA et al., 2017b). A mentoria tem sido uma estratégia bastante utilizada com este propósito (DRŽAIĆ et al., 2018; RUEBEN; FORSYTH; THOMSON, 2020a; SCHINDEL et al., 2019a). Assim, os farmacêuticos mentores fazem a “ponte” entre gestores e farmacêuticos, ao adaptar o modelo de prática farmacêutica aos interesses da empresa. Esta atuação direta no processo de trabalho do farmacêutico impacta nas respostas ao seu serviço e, consequentemente, no sucesso da empresa e na satisfação dos clientes (NIEUWSTRATEN et al., 2011). Assim, os farmacêuticos mentores podem ser considerados também como stakeholders. Ao considerar os desafios do setor para a Farmácia no Brasil e a escassez de estudos com este escopo, é importante compreender os interesses e opiniões desses dois grupos de stakeholders apresentados, para elucidar sobre as perspectivas da profissão farmacêutica no mercado varejista. 2.8 ELABORAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA O mercado varejista de medicamentos é uma instituição de grande poder econômico na sociedade que contribui com a difusão da imagem do medicamento como bem de consumo (DIAS RENOVATO, 2008; MACHADO STURZA; ANDRADE BARRIQUELLO, 2018). Ademais, estudos mostram que farmacêuticos que atuam neste mercado vivenciam desafios relacionados à falta de autonomia, dilemas éticos devido a dualidade “saúde” versus “comércio”, falta de identidade profissional,falta de 54 competências para implantação de serviços e baixa satisfação no trabalho (EDMUNDS; CALNAN, 2001; MOSSIALOS et al., 2015b; RAPPORT; DOEL; JERZEMBEK, 2009a; SZEINBACH et al., 2011). Todo esse contexto torna o varejo de medicamentos um cenário de prática desafiador à profissão farmacêutica. Diante da necessidade iminente de abordar aspectos que influenciam o profissionalismo farmacêutico neste mercado, o nosso trabalho aborda de maneira pioneira a percepção de stakeholders que assumem posições de poder neste cenário de prática. Para tanto, foi elaborado o seguinte problema de pesquisa: Como os princípios do profissionalismo farmacêutico são compreendidos por stakeholders do mercado varejista de medicamentos do Brasil? Ao considerar a grande quantidade de temas gerados e da complexidade em discutir em profundidade em um único material, opta-se por enfatizar dois temas principais nesta tese: a ética e a autonomia. Estudos mostram que esses dois temas são frequentemente associados a demandas e dilemas profissionais na Farmácia, além de possuírem aspectos que ainda necessitam de maior discussão, aprofundamento e produção científica (JACOBS; ASHCROFT; HASSELL, 2011; KRUIJTBOSCH et al., 2017; RODRÍGUEZ; JURIČIĆ, 2018b; SALMAN POPATTIA; WINCH; LA CAZE, 2018; SZEINBACH et al., 2011). Portanto, a pergunta secundária de pesquisa se focou em: Como a ética e a autonomia do farmacêutico são compreendidas por stakeholders do mercado varejista de medicamentos do Brasil? . 55 Objetivos 56 3 OBJETIVOS 3.1 Objetivo geral Compreender as percepções de stakeholders sobre o profissionalismo farmacêutico no mercado varejista de medicamentos do Brasil. 3.2 Objetivos específicos • Analisar as percepções de stakeholders do varejo farmacêutico sobre influências na autonomia do farmacêutico comunitário. • Analisar as percepções de stakeholders do varejo farmacêutico sobre a influência de dilemas éticos profissionais neste cenário. 57 Percurso Metodológico 58 4 PERCURSO METODOLÓGICO Neste tópico, é descrito o percurso metodológico da pesquisa, bem como cada uma de suas etapas. Inicialmente, é apresentada uma breve contextualização, demonstrando as características da abordagem e dos participantes da pesquisa. Em seguida, descreve-se as técnicas que foram adotadas para a coleta, análise e representação dos dados. 4.1 Escolha da abordagem de pesquisa Existem formas de compreender temas e contextos que a abordagem quantitativa não consegue alcançar. A abordagem qualitativa é um “olhar através das cortinas” do espetáculo da pesquisa exploratória. É uma ciência baseada em textos que visa investigar aquilo que não é apresentado quando se publicam dados numéricos, como percepções e a compreensão sobre a natureza geral de uma questão (CRESWELL, 2014). A abordagem qualitativa foi a mais apropriada neste trabalho, pois, a finalidade deste é compreender os significados de um fenômeno vivido pelos participantes da pesquisa. Desta forma, é possível dar ênfase a experiências e visões dos participantes por meio da investigação do contexto social vivido, e assim, compreender de forma detalhada o problema de pesquisa (MOITA LOPES, 1994). 4.2 Delineamento do estudo Para compreender como são as conjunturas práticas do varejo farmacêutico pelo olhar de gestores e mentores de grandes empresas, foi necessário falar diretamente com estas pessoas, por meio de entrevistas. Para tanto, foi realizado um estudo de abordagem qualitativa e exploratória, por meio de entrevistas semiestruturadas em profundidade, focadas nas perspectivas de informantes-chave e seus significados sobre os princípios do profissionalismo farmacêutico no mercado varejista de medicamentos do Brasil. O cenário pandêmico que assola o Brasil desde março de 2020, tornou inviável a coleta de dados de forma presencial, logo, as entrevistas online, face a face, foram a oportunidade mais adequada para coleta dos dados. O papel do pesquisador neste processo é fundamental, pois sua experiência e visão de mundo podem interferir na interpretação dos resultados. Ainda que os autores desse trabalho sigam a perspectiva construtivista (na qual a realidade é construída pelo indivíduo), buscamos atenuar, por meio de uma detalhada descrição dos procedimentos metodológicos, quaisquer interferências da participação dos pesquisadores na interpretação e análise dos resultados 59 (DIVAN; OLIVEIRA, 2008). Não houve grau de relação entre os pesquisadores e os participantes da pesquisa, ou com o cenário de prática abordado na pesquisa. 4.3 Características dos participantes da pesquisa Para responder o problema de pesquisa “Como a ética e a autonomia do farmacêutico são compreendidas por stakeholders do mercado varejista de medicamentos do Brasil?”, buscamos informantes-chave que atuassem como stakeholders no cenário do varejo de medicamentos do Brasil. Stakeholder é um termo vastamente usado para denominar pessoas que ocupam espaços de importância considerável nos processos e resultados de um ambiente, e no caso de empresas, são pessoas cuja atuação afeta diretamente à organização da mesma (FREEMAN, 2010b). Buscar estes stakeholders foram apropriados para este estudo, por possuírem prestígio frente ao mercado do varejo de medicamentos, além de informações profundas e amplas sobre o tema (LAVRAKAS, 2013). Diante disso, as seguintes características como critérios de inclusão nos dois grupos de participantes: Grupo 1- Ser gestor/gerente ou proprietário de drogaria brasileira de grande porte ou drogaria que estivesse no Ranking IBEVAR 2020 (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo), que ordena as companhias pelo faturamento (IBEVAR, 2020). Grupo 2 – Ser farmacêutico que presta serviço de mentoria a equipes de drogarias brasileiras de grande porte e/ou para farmacêuticos individualmente que atuam em drogarias. Como um grupo capaz de iluminar de forma profunda o tema em questão, os gestores de drogarias de grande porte, tem significativa responsabilidade pela sustentabilidade da empresa, bem como pela prestação de serviços nesta. Além disso, conhecem de perto as demandas do mercado em relação às competências e atitudes profissionais do farmacêutico (EDMUNDS; CALNAN, 2001; MOULLIN; SABATER- HERNÁNDEZ; BENRIMOJ, 2016). Este grupo de participantes foi essencial para responder o problema de pesquisa, pois farmacêuticos que atendem a população neste cenário são subordinados hierarquicamente aos gestores e influenciados pelos mentores. Outra perspectiva importante para responder o problema de pesquisa, foi a visão de farmacêuticos mentores que atuam neste cenário. A mentoria tem sido uma estratégia 60 bastante utilizada por empresas e profissionais para aprimorar competências, alcançar resultados e melhorar a satisfação no trabalho (GRANKO; MORTON; SCHAAFSMA, 2013; ROBERTS et al., 2008; VAN MOOK et al., 2009b). Por definição, a mentoria é um processo no qual uma pessoa mais qualificada ou experiente, serve de referência, ensina e orienta outra pessoa com menos experiência, com o propósito de promover seu desenvolvimento pessoal e profissional (ANDERSON; SHANNON, 1988). Este grupo de participantes tem a visão intermediária que liga as demandas dos gestores das empresas sobre os farmacêuticos que lhes prestam serviços. 4.4 Desenvolvimento do roteiro das entrevistas Foi desenvolvido um roteiro semiestruturado com perguntas abertas sobre aplicações práticas e desafios relacionados ao profissionalismo farmacêutico no mercado varejista de medicamentos do Brasil (APÊNDICE A). A ordem das perguntas poderia ser alterada de acordo com a percepção do entrevistador, a partir linha de raciocínioconduzida nas respostas do entrevistado. Para embasar a elaboração do roteiro das entrevistas, os autores identificaram em reuniões de brainstorming, dimensões na literatura que se apresentam como lacunas importantes na compreensão sobre o profissionalismo farmacêutico no mercado varejista do Brasil (FERREIRA; MOURA; SOUKI, 2016b; REIS, 2013; SZEINBACH et al., 2011; TERAJIMA et al., 2020). Para tanto, o roteiro abordou em nove perguntas os seguintes temas relacionados ao profissionalismo farmacêutico no varejo de medicamentos: definições de profissionalismo, demandas do mercado sobre as competências do farmacêutico, identidade e imagem profissional, valorização profissional, autonomia, ética e formação profissional. Como dito anteriormente, para esta tese, optamos por enfatizar dois temas principais neste trabalho: a ética e a autonomia. Por isso, para compreender a opinião dos stakeholders sobre a autonomia do farmacêutico, questões que possam influenciar na autonomia e como aprimorá-la, foram feitas as seguintes perguntas norteadoras: - Como você acha que é e que deveria ser a autonomia do farmacêutico neste cenário? - O que pode ser feito para aprimorar a autonomia deste profissional? Para compreender a opinião dos stakeholders sobre as causas de dilemas éticos no varejo e medidas para preveni-los, foram feitas as seguintes perguntas norteadoras: - Na sua opinião, o farmacêutico deve cumprir metas de venda? Por quê? 61 - Qual seria o limite ético entre cumprir metas de venda e fazer avaliação das necessidades do paciente? 4.5 Recrutamento dos participantes A seleção dos participantes da pesquisa foi intencional (baseada no julgamento do pesquisador), uma das técnicas mais utilizadas na pesquisa qualitativa (SAUNDERS; TOWNSEND, 2018). Inicialmente foi feito contato com possíveis participantes (via e-mail, whatsapp, ligação telefônica e redes sociais), para saber se mostravam interesse em participar da pesquisa. Com aceite prévio foi enviado o convite formal via email, com orientações sobre o objetivo da pesquisa, termo de consentimento livre e esclarecido (APÊNDICE B) e formulário online com informações sociodemográficas via plataforma Google Docs. Após realizadas as entrevistas iniciais, novos participantes foram incluídos pela técnica bola de neve, em que o entrevistado indicou outro subsequente (BISOL, 2012; SAUNDERS; TOWNSEND, 2018). A intenção de uso desta técnica também foi abranger todo território nacional. A proposta de saturação da amostra foi utilizada como critério para suspensão de novos participantes na pesquisa. A medida que os pesquisadores notaram, em leituras prévias após a realização de cada entrevista, que os temas atingiam repetição e redundância, era considerado relevante finalizar a coleta de dados (FONTANELLA; RICAS; TURATO, 2008). Além disso, o número de entrevistas cumpriu o tamanho médio necessário de amostra (9 a 24 entrevistas) para atingir a saturação dos dados (HENNINK; KAISER; MARCONI, 2017a). 4.6 Coleta de dados Nesta etapa foi utilizada a entrevista semiestruturada em profundidade, que aprofunda um assunto, de maneira que seu guia de perguntas abertas busca compreender situações, analisar, discutir e fazer prospectivas. Esta possibilita identificar problemas, padrões, detalhes, obter juízos de valor e interpretações que caracterizam a riqueza de um tema (DUARTE, 2005). As entrevistas foram agendadas e realizadas de maneira remota pelo programa de videoconferência Zoom. A condução das entrevistas foi realizada por uma única entrevistadora (ASD), pois nesta posição há um saber específico sobre quais assuntos precisam de maior esclarecimento, além da mesma ter vasta experiência prévia com esta metodologia. Foi solicitado aos participantes que mantivessem o ambiente da entrevista privativo e livre de 62 interferências externas. Foram reforçados também, todos os acordos firmados no termo de consentimento livre e esclarecido sobre a gravação em vídeo e tratamento dos dados (TONG; SAINSBURY; CRAIG, 2007). Inicialmente foi exposto como a entrevista seria conduzida, bem como os objetivos do estudo. Os entrevistados foram estimulados a falar espontaneamente e pelo tempo que julgassem necessário. Neste momento foi importante enfatizar aos participantes que o ambiente ali proposto seria seguro e livre de julgamentos, assim como, a entrevistadora iria manter neutralidade, sem expor sua opinião sobre os temas abordados (COLLADO; SAMPIERI; LUCIO, 2013). Após a realização, as gravações audiovisuais foram transcritas e indexadas no software ATLAS.ti para posterior análise. Para obter dados sociodemográficos dos participantes foi elaborado um formulário do Google Docs que buscou as seguintes variáveis: sexo, idade, região do país, ocupação, tempo de experiência profissional e titulação máxima. Os dados recolhidos foram organizados por frequência simples. 4.7 Análise dos dados A técnica de análise estruturada de dados utilizada foi a Análise de Conteúdo (AC) que busca dos significados das mensagens dos participantes: Pela natureza do tema e familiaridade com o método, optamos por seguir das etapas da Análise de Conteúdo Categorial Temática, que se constitui em três etapas principais, ilustradas na Figura 1: (a) pré-análise; (b) codificação e (c) categorização (BARDIN, 2016). “conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens.” Bardin, 2016, p.48. 63 Figura 1. Etapas da Análise Categorial Temática. Fonte: Elaborado pela autora, baseado em Bardin (2016) e Gibbs (2009). (a) Pré-análise – esta etapa visou organizar o material antes de realizar a codificação, é guiada por três atividades que são interrelacionadas e não-sucessivas: • Escolha dos documentos alinhados ao objetivo da pesquisa - os documentos (transcrições das entrevistas) foram escolhidos a priori, pois na elaboração do objetivo da pesquisa, ficou evidente que as entrevistas aos stakeholders nos trariam os dados necessários. • Leitura Flutuante – foram feitas leituras do material transcrito para contato inicial dos pesquisadores que irão fazer a análise. Ademais, foram feitas formatações no texto buscando padronização dos documentos. • Constituição do Corpus (transcrições) – os pesquisadores analisaram os documentos em relação aos critérios de exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência. Assim, as entrevistas foram consideradas adequadas para o corpus da pesquisa. (b) Codificação – como o corpus da pesquisa foi codificado, ou seja, recortes dos textos foram selecionados e transformados em códigos, que representaram o conteúdo ou a expressão do texto. Foi utilizado a unidade de registro temática, ou seja, foram codificados trechos do texto que representassem temas relativos à pergunta de pesquisa. 64 Assim, os códigos criados foram documentados no software ATLAS.ti (nome, definição e notas esclarecedoras) a partir de destaques e rotulagem de trechos das entrevistas (citações). A codificação foi feita de forma indutiva, na qual os códigos emergem dos relatos dos participantes. A codificação indutiva foi apropriada neste estudo, pois o tema proposto é pouco discutido na literatura, com lacunas que se mostram como oportunidades de discussão sobre a realidade do varejo farmacêutico do Brasil (GIBBS, 2009). Para realizar a codificação indutiva, com auxílio do software ATLAS.ti, foi utilizada a ferramenta memo que é um “memorando”, um quadro visual elaborado pelos autores, com orientações sobre regras de codificação. Na memo, os pesquisadores tinham acesso àpergunta central de pesquisa, ao roteiro de perguntas das entrevistas, os objetivos específicos de cada pergunta e exemplos de trechos de fala que seriam relevantes para guiar a codificação. Esta ferramenta do software foi importante para balizar a análise entre pesquisadores, trazendo o máximo de neutralidade na análise dos dados (GIBBS, 2009). Após a codificação foi feita a releitura dos códigos elaborados de forma a analisar se os mesmos mostraram repetição exaustiva (saturação), trouxe profundidade para compreensão dos temas e seus significados, não havendo subsídio, portanto, para criação de novos códigos (GIBBS, 2009; HENNINK; KAISER; WEBER, 2019). (c) Categorização – opou-se pela categorização semântica, pois as unidades de registro adotadas foram temas. Nesta etapa, os códigos foram organizados e separados por diferenciação (inventário) e em seguida foram agrupados por padrões semelhança e causalidade (classificação) (BARDIN, 2016). A partir disso, os códigos foram transformados em categorias, para trazer abstração para os temas. De acordo com o processo de codificação indutiva, os códigos foram transformados de mais concretos e descritivos a mais conceituais e teóricos. (OLIVEIRA, 2008). Em seguida, foram criadas relações e hierarquias entre as categorias. No software ATLAS.ti foi possível criar com a ferramenta “redes” imagens que organizaram relações visuais entre as categorias, facilitando a compreensão do resultado e favoreceu insights para a discussão dos dados. Os pesquisadores utilizaram critérios de qualidade para elaboração e consenso sobre as categorias (pertinência, objetividade, homogeneidade, exclusão mútua e produtividade), para que as mesmas estivessem alinhadas ao problema de pesquisa (BARDIN, 2016; OLIVEIRA, 2008). Esta etapa foi realizada em reuniões de consenso. 65 4.8 Credibilidade e confiabilidade As etapas metodológicas da pesquisa foram conduzidas de acordo coms recomendações de qualidade em pesquisa qualitativa propostas pelo Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research e pelo Standards for Reporting Qualitative Research (O’BRIEN et al., 2014; TONG; SAINSBURY; CRAIG, 2007). Ademais, análise dos dados foi feita com triangulação de analistas por três pesquisadores com experiência nesta abordagem; sendo uma envolvida diretamente na coleta dos dados (ASD) e dois pesquisadores externos (FCAN, FLF), com experiência no tema. Divergências ocorridas na análise foram resolvidas em reuniões de consenso e ao final, os dados foram revisados por um pesquisador sênior, com expertise na área de profissionalismo farmacêutico e pesquisa qualitativa (DPLJ). Estas medidas foram realizadas para alcançar credibilidade e confiabilidade metodológica (FLICK, 2009). 4.9 Aspectos éticos Os participantes assinaram o TCLE, concordando com a gravação das entrevistas e a publicação dos dados gerados a partir destas. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Sergipe, com o número do parecer 4.169.752. Para identificar e proteger a identidade dos participantes neste estudo, durante as análises, cada entrevista era identificada com as siglas “G1”; “G2”; “G3” (...) para gestores e “M1”; “M2”; “M3” (...) para mentores. Ao decorrer dos resultados, referenciamos trechos de transcrições das entrevistas com as mesmas siglas. 66 Resultados 67 5 RESULTADOS Foram realizadas 19 entrevistas entre agosto e outubro de 2020, com dez mentores e nove gestores farmacêuticos, no tempo médio de 42 minutos e tempo total de 805 minutos. As características sociodemográficas dos participantes foram descritas na tabela 1. A maioria dos participantes era do sexo masculino (52,6%) e com idade acima de 40 anos. O tempo de experiência profissional variou entre seis e 32 anos, a maioria com mais de 15 anos de atuação. A maioria dos participantes fez pós-graduação lato sensu (61%), a maior parte em Gestão empresarial e de negócios (gestores) e Farmácia Clínica (mentores). 68 Tabela 1. Características sociodemográficas dos participantes. Fonte: Elaborado pela autora. Gestores (n=9) Mentores (n=10) Característica No. (%) Característica No. (%) Ocupação Ocupação CEO 3 (33,3) Consultoria de empresas 5 (50) Gestores/Gerentes 6 (66,6) Consultoria individual 2 (20) Consultoria individual e de empresas 3 (30) Sexo Sexo Masculino 4 (44,4) Masculino 5 (50) Feminino 5 (55,6) Feminino 5 (50) Idade Idade <30 1 (11,1) <30 0 (0) <40 2 (22,2) <40 3 (30) <50 2 (22,2) <50 6 (60) >50 4 (44,4) >50 1 (10) Tempo de experiência profissional (anos) Tempo de experiência profissional (anos) 5-15 1 (11,1) 5-15 2 (20) 26-30 6 (66,6) 26-30 7 (70) >30 2 (22,2) >30 1 (10) Região do país Região do país Norte 0 (0) Sul 6 (60) Sudeste 0 (0) Sudeste 2 (20) Centro-oeste 1 (11,1) Nordeste 1 (10) Sul 2 (22,2) Centro-oeste 1 (10) Nordeste 5 (55,5) Norte 0 (0) Titulação máxima Titulação máxima Graduação 1 (11,1) Graduação 0 (0) Mestrado 0 (0) Mestrado 3 (30) Doutorado 1 (11,1) Doutorado 3 (30) 69 5.1 Autonomia do farmacêutico em farmácias do varejo Figura 2. Nuvem de palavras sobre ao tema “Autonomia do farmacêutico em farmácias do varejo”. Fonte: Elaborado pela autora. As palavras de maior tamanho na nuvem de palavras (figura 2) foram expressas em maior quantidade nas entrevistas. Nesta nuvem, as palavras com maior frequência são: Empresa (56) e autoridade (25). Ao considerar o termo “autonomia” para assuntos de responsabilidade técnica (realização, supervisão e coordenação dos serviços técnico- científicos) como compra e venda de medicamentos, gerenciamento de produtos sujeitos a controle especial e dispensação; e “autonomia gerencial”, referente a tomadas de decisão que afetam a gestão da farmácia, como treinamento e composição da equipe, organização do sistema de trabalho e serviços prestados pelo estabelecimento (CFF, 2013c). Ao serem questionados sobre autonomia do farmacêutico, os informantes-chave trouxeram aspectos relacionados à (a) “Autonomia técnica” regulamentada por lei, (b) “Autonomia gerencial” e (c) Estratégias que eles julgavam importantes para aprimorá-la neste cenário de prática. Tais categorias estão representadas na figura 03. 70 Figura 3. Categorias relacionadas ao tema “Autonomia do farmacêutico no varejo”. Fonte: Elaborado pela autora. (a) Autonomia técnica – Os stakeholders relataram que a legislação brasileira confere garantias para a “autonomia técnica” do farmacêutico e que cabe ao estabelecimento que contrata seus serviços cumpri-la. Também reportaram que o farmacêutico possui responsabilidade técnica pelo estabelecimento, bem como competências para tomar decisões e buscar os melhores resultados para o paciente. G: quando o farmacêutico entende que o medicamento vai fazer mal ao paciente, tem o direito de evitar que seja dispensado. Duvido que alguém seja contra um profissional técnico habilitado em uma farmácia que pode orientar o melhor tratamento. 71 Apesar disso, os stakeholders também acreditaram que a legislação traz limitações a autonomia técnica do farmacêutico frente a situações específicas de dispensação de medicamentos, como dito por um gestor: G: Quando há uma prescrição médica incorreta, quando o médico esquece de uma data, o farmacêutico sabe que o paciente não pode ficar sem aquele tratamento e a lei não permite que faça declaração se responsabilizando pela dispensação. Deveria haver critérios, uma legislação que desse autonomia para o farmacêutico fazer isso. (a) “Autonomia gerencial” limitada - após reconhecera “autonomia técnica”, os gestores relataram em diversas situações, que esta não era soberana, pois existe o conceito da “autonomia gerencial” que atende os interesses da empresa ou do superior hierárquico ao farmacêutico. G: é uma autonomia limitada, não há como o farmacêutico ter autonomia total, há muitos processos e legislações em uma farmácia que precisam ser seguidos (...). G: quando o farmacêutico diz: “vou tomar uma decisão, porque posso tecnicamente, estou correto e tenho autonomia”, mas não considera a gestão do negócio, essa decisão fica muitas vezes desconectada da realidade. M: (...) o farmacêutico tem total autonomia para decidir questões relacionadas às prescrições e aos tratamentos. Porém, quando as decisões interferem no funcionamento e nas regras de uma empresa, é um pouco diferente. Alguns aspectos foram citados como causas ou justificativas que explicam a limitação da “autonomia gerencial” do farmacêutico. Ser um prestador de serviços assalariado que vende sua força de trabalho para a empresa, segundo os stakeholders, confere ao farmacêutico a posição de subordinação. Assim, não ocupa posição de poder ou autoridade máxima e, por isso, sua autonomia tem limitações. M: o farmacêutico é autoridade técnica na farmácia, mas não é o dono. Além disso, alguns mentores relataram que a subordinação pressiona o farmacêutico, o que poderia trazer sentimentos de impotência, medo e introspecção. M: Vi colegas que são influenciados pela necessidade do emprego. Alguns dizem “tentei muito e de várias formas... mas por medo de perder o emprego, receber advertência ou não ser bem aceito, fiquei mais introspectivo” 72 M: (...) o farmacêutico fica entre “preciso de um emprego” e “não posso falar”... Então, vejo profissionais extremamente desconfortáveis, porque por um lado tem essa questão de que precisam do emprego, por outro não tem autonomia para tomar decisões. M: quando você fica nas mãos do varejo, pode se sentir um robô (...) De modo semelhante, os stakeholders apontaram que em algumas empresas a autonomia do farmacêutico é menor, especialmente quando o proprietário ou gestor não compreende seu papel e o da farmácia enquanto estabelecimento de saúde. Nestes casos, o farmacêutico pode ser visto pelos gestores como “fiscal de vendas”, que traz barreiras à sustentabilidade da empresa. G: alguns pensam que o farmacêutico é um “estorvo” ou obrigação legal. M: Enquanto o varejo não enxergar que é um mercado regulado, que não é um varejo comum (...) o farmacêutico não será visto como profissional de saúde e sim como fiscal de vendas. G: alguns donos de farmácia pensam que farmacêutico é um mal necessário, “tenho que pagar porque a legislação obriga”. Segundo os stakeholders, se o farmacêutico deseja conquistar mais autonomia, é preciso mostrar em atitudes e resultados. M: faltam argumentos para ganhar autonomia, é preciso ter resultados, fatos, dinheiro e números no papel. Com iniciativa, o gestor vai perceber o esforço do farmacêutico e ele vai conseguir mostrar seu trabalho. M: vejo que os farmacêuticos que têm habilidades de comunicação e sabem colocar suas questões, conseguem ter mais autonomia e uma gestão compartilhada. M: Não ganhamos autonomia, conquistamos, é diferente. Então, percebo muitos profissionais querendo autonomia, sem apresentarem resultados. Do mesmo modo, os stakeholders relataram que é comum que farmacêuticos tenham dificuldades em manter atitudes positivas neste contexto, pois segundo os mesmos, há falta de consciência sobre seu papel e autovalorização profissional. G: o farmacêutico não tem um papel definido, isso talvez dificulte sua autonomia. M: estão faltando farmacêuticos que entendam que são profissionais de saúde e isso tem valor, inclusive financeiro. M: tem farmacêutico que diz que não tem autonomia e isso é quase uma justificativa, uma desculpa para a falta de competências e de criatividade. M: (...) essas crenças limitantes do farmacêutico não saber o que pode fazer e refletir na visão do proprietário da farmácia. Então, se a legislação não dá autonomia e 73 o farmacêutico não crê na sua competência, não vai ser o dono da farmácia que vai valorizar. (b) Estratégias para aprimorar a autonomia – a maioria dos stakeholders enfatizou o quanto a atitude positiva do farmacêutico poderia ser estratégica para melhorar sua autonomia. A postura de protagonismo, autoconfiança e ownership traz confiança para a equipe e amplia seu poder de decisão gerencial. Assim, agir como se fosse proprietário o estimularia a ter visão sistêmica sobre a empresa e sua criatividade diante de problemas: M: quanto mais ampla for essa visão empreendedora (...) mais o farmacêutico será visto como alguém que faz a diferença naquele negócio. Alguém que não só cumpre ordens, consegue liderar um time e ser o braço direito do dono daquele estabelecimento. G: um farmacêutico que tenha visão sistêmica que consegue propor melhoras contínuas e a análise crítica dos processos (...) tem segurança para dizer “dessa forma vamos reduzir custo, solucionar os problemas do paciente”. G: (...) resumiria as atitudes em uma só, desenvolva senso de ownership, pensamento de dono. Além disso, algumas citações feitas por gestores sugerem o sentido de que a busca por mais autonomia a partir a postura de ownership pode estar relacionada ao almejo de promoções de carreira. G: queremos que o farmacêutico seja igual o dono, pois então, é possível fazer ele crescer dentro da nossa empresa. Se passa a ser um franquiado, terá autonomia total. G: se o farmacêutico traz esse conhecimento, com essa competência, para mim é o profissional que prospera mais rápido. Outras estratégias citadas para aprimorar a autonomia do farmacêutico foram o diálogo aberto e espaço para acordos sobre aspectos técnicos e gerenciais. Os stakeholders consideram que esta é a forma de harmonizar a autonomia do profissional com o código de conduta da empresa, de maneira que as normas sejam elaboradas de forma conjunta, garantindo decisões compartilhadas e coerentes. M: o farmacêutico precisa trabalhar de forma que não seja visto como profissional que bloqueia tudo, mas como alguém que, mediante acordos, cria regras com a gestão. Se tiver embates, que seja antes, junto com a direção da empresa, definindo o que pode e não pode. 74 G: o farmacêutico pode discordar da gestão. Na nossa rede, temos um comitê, com coordenadores farmacêuticos que se reúnem, questionam, discutem e criam normas, para garantir que tudo funcione sob ponto de vista técnico, legal e de gestão. Com auxílio do software ATLAS.ti foi possível construir a Tabela 2 com o número de vezes que as categorias sobre “Autonomia do farmacêutico no varejo” foram abordadas entre os grupos de gestores e mentores. Tabela 2. Número de vezes que as categorias sobre “Autonomia do farmacêutico no varejo” foram abordadas entre os grupos de gestores e mentores. Fonte: Elaborado pelo software ATLAS.ti. Na tabela 2 é possível perceber diferenças entre os grupos de entrevistados. Os gestores falaram mais sobre as garantias legais da “autonomia técnica” do farmacêutico e sobre como sua “autonomia gerencial” tem limitações. Os mentores, por sua vez, concentraram suas discussões na influência da posição do farmacêutico, como prestador de serviços assalariado, na sua autonomia. Categorias Gestores Mentores Autonomia técnica (garantias) 28 12 Autonomia técnica (limitações) 11 01 Autonomia gerencial limitada 28 16 Autodesvalorização do farmacêutico 6 05 Gestores que não compreendem o papel do farmacêutico 03 09 Ser prestador de serviços 03 27 Atitude ownership 10 01 Harmonia com código de conduta 03 03 TOTAL 92 74 75 5.2 Aspectos éticos nas farmácias de varejo Figura 4. Nuvem de palavras sobre o tema “Aspectos éticos nas farmáciasde varejo”. Elaborado pela autora. Nesta nuvem, as palavras com maior frequência e expressas com maior tamanho nas entrevistas foram (Figura 4): Venda (71), meta (63), produto (55). Assim, as categorias elaboradas e representadas na figura 5 foram: Causa principal de dilemas éticos (a) Aliciamento de indústrias de medicamentos, principal consequência (b) “Empurroterapia”; e as estratégias para minimizar estes dilemas – (c) Assimilar que vender não é antiético, (d) Compliance, (e) Metas coletivas, (f) Gerar lucros por meio de serviços. 76 Figura 5. Categorias relacionadas ao tema “Aspectos éticos nas farmácias de varejo”. Elaborado pela autora. Ao abordar os limites éticos em relação à venda de medicamentos e a avaliação das necessidades dos pacientes, os stakeholders relataram que é preciso definir tais limites para que a segurança do paciente não seja prejudicada. Um dos mentores fez crítica à forma de pensar de muitos proprietários de farmácias, que focam apenas lucro: M: (...) se o proprietário de farmácia soubesse o quanto ser ético dá lucro. Ele seria ético por malandragem. (a) Aliciamento das farmácias comunitárias pelas indústrias de medicamentos – como principal causa de dilemas éticos neste cenário, foi citada a influência das comissões oferecidas pelas indústrias. Apontada pelos stakeholders como agressiva, essa relação foi denominada de aliciamento. Apesar de compreenderem que esta relação pode ser prejudicial para os pacientes e antiética para a profissão, os informantes relatam que é comum entre as redes de farmácias e as indústrias: M: Eu vejo essa relação de aliciamento entre a indústria e as farmácias, médicos ou outro prescritor. A indústria é muito agressiva, sempre foi. 77 G: A indústria diz: “venda um medicamento por 20 reais e eu te dou 100 reais”, nós sabemos que isso existe. Mas o limite quem impõe somos nós, o propagandista vai fazer de tudo para vender o produto, mas o limite é nosso. Alguns stakeholders afirmam que o limite ético é uma questão de responsabilidade do farmacêutico e não condena a conduta dos laboratórios em oferecer comissões pelas vendas de medicamentos: G: Sobre essa conduta, acredito que o laboratório está fazendo seu papel, acho que quem deve se responsabilizar é o farmacêutico. M: Penso que a moral está em cada um, na índole. Honestidade é algo que vem da educação em casa. É preciso exercer a ética que aprendemos na faculdade, na nossa formação. É preciso julgar e ter equilíbrio. G: Costumo falar para os meus farmacêuticos, que ética é tudo que você pode falar alto o que você está fazendo. Por outro lado, apenas um gestor afirmou que não aceita o oferecimento de comissões de laboratórios, pois acredita pode influenciar na conduta ética do farmacêutico. G: (...) nós aqui não pagamos comissão. No varejo, em geral, os laboratórios ficam “em cima”, vemos campanhas de vitaminas, chás. Acho errado o farmacêutico atuar como vendedor e receber comissão individual, mas pode atuar como líder e ser remunerado pela produtividade da empresa, não necessariamente pela venda do medicamento. Para outro mentor, é possível que as farmácias comunitárias de varejo atuem de forma ética, mesmo com o aliciamento da indústria, impondo limites claros nesta relação: M: é possível trabalhar com a indústria? Acredito que sim, desde que você, o profissional, defina as regras e não a indústria. (b) “Empurroterapia’ – como principal consequência do aliciamento das indústrias, um exemplo de prática que ainda existe no Brasil, mas que os entrevistados relataram combater em suas empresas é a “empurroterapia”. Quando o farmacêutico ou balconista induzem a compra de um medicamento ao cliente, sem avaliar sua necessidade. Ademais, entrevistados relataram que em muitas empresas, gerentes, farmacêuticos e balconistas recebem bonificações financeiras por maiores vendas. Alguns mentores relataram que a causa do problema não está no repasse de comissões ou nas metas, mas na forma como o profissional age para garantir as vendas: M: o limite não é ter ou não ter comissão, mas o que faço para cumprir a meta. O farmacêutico deve saber quais princípios e regras da empresa, não indo além, apesar 78 das metas. Uma empresa em que vale tudo para cumprir as metas de vendas, terá muitos desvios e a ‘empurroterapia’, prejudicando o paciente. M: ter meta não significa que você tem que ser antiético! Você pode cumprir suas metas acolhendo esse paciente, atendendo suas necessidades e vendendo aquilo que ele precisa. Ter metas não significa fazer ‘empurroterapia’. Alguns mentores afirmam que a “empurroterapia” é praticada na maior parte das vezes por balconistas. Alegaram que, muitas vezes, balconistas indicam medicamentos sem critérios, apenas para serem bonificados. Nestes casos, um dos mentores sugeriu que farmacêutico deve agir com neutralidade, orientando eticamente o balconista. M: O farmacêutico vê balconistas fazendo “empurroterapia” e muitas vezes precisa agir com neutralidade. Não incentiva, nem impede a venda. Deve orientar para que a venda seja feita da forma correta, avaliando as necessidades daquele paciente; e não “empurrar” o produto apenas pela venda. c) Assimilar que vender não é antiético – a estratégia mais comentada nas entrevistas foi a necessidade de o farmacêutico compreender que a farmácia comunitária é um estabelecimento comercial e que depende da rentabilidade dos serviços e produtos. Muitos mentores acreditam que o farmacêutico teria vergonha de associar sua profissão ao comércio e ao lucro. As entrevistas sugerem que o farmacêutico deve assimilar que a venda em si, não é uma prática antiética. M: Vejo que farmacêuticos sentem vergonha em falar que a farmácia é um comércio, em reconhecer que é um negócio, que é varejo, vergonha da palavra lucro. Lucro não é pecado, é dinheiro conquistado honestidade e com trabalho, é dignificante. M: Se farmacêutico quer ter melhor remuneração, não é possível alcançar somente com o salário, precisa ter comprometimento. Goste ou não, é um negócio. A farmácia é um estabelecimento de saúde? Sim, mas também é um negócio. G: Há muito julgamento com o varejo, os próprios farmacêuticos não entendem a necessidade do capital. Parece que tem que ser filantrópico porque vendemos medicamentos, mas não é assim. Isso tem que ser ponderado. Mentores e gestores relataram que o farmacêutico precisa compreender sobre a gestão do negócio, para buscar sustentabilidade da empresa e da própria carreira neste mercado. 79 M: O estabelecimento depende da venda para pagar as despesas. Só é possível pagar fornecedores, aluguel, água e energia, se houver lucro que justifique a estrutura da farmácia. Caso contrário, a empresa vai à falência. M: (...) quando compreende, direciona sua energia para maximizar as oportunidades de atendimento, porque dali sairá o sustento da empresa e seu salário. (f) Compliance – os stakeholders citaram esta estratégia como forma de garantir práticas éticas nas farmácias do varejo. Segundo eles, o programa visa definir regras de conduta para empresa, com normas anticorrupção, auditorias e treinamentos à equipe. Os stakeholders relataram que programas de compliance são recentes e mais comuns em grandes redes de farmácia do que em farmácias independentes no Brasil. M: (...) os limites são dados por escrito, com normas, conduta ética, treinamento, comunicação, auditoria sobre os processos e as empresas precisam delimitar o que pode e o não acontecer. M: O grande problema, é que na maioria das vezes as empresas não têm programa de compliance definidos. Isso é uma exigência nas indústrias farmacêuticas internacionais. Isso não é comum nas farmácias do Brasil, mas deveria ser. (g) Metas coletivas – foi relatado que as empresas utilizam metas de vendas de produtos e medicamentospara equipe, como parte do planejamento para garantir a sustentabilidade do negócio. Porém, muitos stakeholders acreditam que o farmacêutico não deveria ter metas iguais às dos balconistas, pois é mais especializado e outras atribuições a cumprir. Além disso, como explanado anteriormente, alguns entrevistados são contrários a cobrança abusiva que os farmacêuticos sofrem: G: o farmacêutico tem que cumprir metas, mas é necessário definir as metas e não pode ser igual aos balconistas. Ele precisa contribuir e trazer retorno financeiro. M: Não podemos exigir que farmacêutico se comporte como um vendedor. Isso precisa ser definido entre o profissional e o gestor... Na nossa empresa, exigimos metas pequenas, porque precisa de tempo para desenvolver as outras funções. Por isso, a atribuição de metas coletivas foi sugerida como estratégia para minimizar pressões excessivas por vendas e, consequentemente, dilemas éticos. G: Quando temos metas, são compartilhadas para trazer consciência à equipe. Isto estimula a equipe a agir como “dona do negócio”. Porque se a farmácia não tem lucratividade pode ser fechada. Ninguém atinge resultados sozinho. 80 M: (...) é uma maneira compartilhada de ganho que possibilita criar uma metodologia de trabalho na equipe. Não é só vender hoje, mas cativar aquele cliente para que continue vindo à empresa. (h) Gerar lucros por meio de serviços – para garantir lucros sem gerar pressões antiéticas, também foi sugerido que os farmacêuticos desenvolvam a habilidade de gerar lucros de outras formas, como por exemplo, na rentabilização de serviços clínicos. Dessa forma, compreenderam que, as necessidades do paciente precisam ser o centro das atividades do farmacêutico. Ao atender prioritariamente estas necessidades, os dilemas éticos se minimizam, pois não há margem para oferecer produtos ou serviços desnecessários. G: Nossos farmacêuticos têm metas, precisam produzir um valor mínimo ao dia em venda de serviços. Isso estimula, pois estão conseguindo atingir objetivos. M: O farmacêutico precisa ter visão ampla do ser humano, enxergar a pessoa que está ali na sua frente, o que precisa para o tratamento ser mais efetivo. Precisa olhar pessoas e não receitas, assim o limite ético fica muito claro. M: Quando você sabe ouvir as necessidades do paciente, não está empurrando, mas suprindo uma necessidade. Os entrevistados abordaram o fato de que em algumas farmácias comunitárias, o serviço farmacêutico é oferecido sem custos, apenas como estratégia de fidelização. Todavia, enfatizam que é importante atribuir valor ao serviço. M: O farmacêutico vive disso, do seu conhecimento técnico. Precisamos saber como monetizar esse conhecimento. G: Temos que pensar na rentabilidade do serviço. Defendo que precisamos cobrar pelos serviços farmacêuticos, pois acredito que tudo que é de graça tem pouco valor. M: Quando cobro pelo meu serviço, tiro o foco do produto. A relação de consumo com o paciente fica mais transparente, não há justificativa para não cobrar. Também foi sugerido que o farmacêutico deve considerar a venda de medicamentos e produtos uma consequência e não o objetivo principal da sua prática. Assim, é possível equilibrar as oportunidades de lucratividade e o atendimento às necessidades do paciente, de maneira indireta, a partir da sua fidelização. G: o serviço traz lucro, gera ótima experiência para o paciente e fideliza. O paciente vai a farmácia não apenas pelo serviço, mas para comprar medicamentos que precisa todo mês e leva outros produtos... Então, traz lucro direto e indireto à farmácia. 81 G: temos produtos com margens de lucro maiores e menores. No momento da consulta do farmacêutico, se houver necessidade, poderá prescrever medicamentos isentos de prescrição médica, que agregam valor à empresa. M: mesmo que não venda, o farmacêutico gera confiança, fidelidade e, assim, o paciente irá retornar ou indicar nosso serviço para um vizinho, para um parente, etc. No estudo, com auxílio do software ATLAS.ti, foi possível construir a Tabela 3 com o número de vezes que as categorias sobre “Aspectos éticos nas farmácias de varejo” foram abordadas entre os grupos de gestores e mentores. Tabela 03. Número de vezes que as categorias sobre “Aspectos éticos nas farmácias de varejo” foram abordadas entre os grupos de gestores e mentores. Fonte: Elaborado pelo software ATLAS.ti. Na tabela 3, foi possível observar poucas diferenças entre os grupos de entrevistados. O tema mais discutido entre os grupos foi sobre as estratégias para minimizar dilemas éticos. Mentores e gestores (com uma quantidade ligeiramente menor) citaram mais vezes sobre como “assimilar que vender não é antiético” e “gerar lucros por meio de serviços” poderiam ser uma estratégia. Categorias Gestores Mentores Aliciamento de indústrias de medicamentos 04 01 “Empurroterapia” 08 13 Assimilar que vender não é antiético 13 16 Compliance 05 09 Metas coletivas 11 11 Gerar lucros por meio de serviços 13 15 TOTAL 81 86 82 83 6 DISCUSSÃO As características dos participantes mostraram que, pelos cargos de gestão e mentoria que exigem vasta experiência, foi esperado que a maioria dos stakeholders tivessem acima de 30 anos (CEPELLOS et al., 2017). Embora a região Norte seja a maior em extensão territorial, é pouco populosa e representa apenas 7,5% dos farmacêuticos inscritos no órgão Discussão 84 regulador da profissão (SERAFIN; CORREIA JÚNIOR; VARGAS, 2015b). Esse dado pode explicar a falta de stakeholders atuantes nesta região incluídos neste estudo. Apesar disso, estas características não são determinantes para influenciar no conteúdo das entrevistas. 6.1 Autonomia do farmacêutico no varejo Na nuvem de palavras (figura 2), “empresa” e “autoridade” foram as palavras mais citadas pelos stakeholders, pois acreditam que seu significado influencia na autonomia do farmacêutico. Isso pode demonstrar a importância que eles atribuem para estas palavras. A palavra “empresa” foi o principal ponto relacionado à autonomia, visto que subordinação do farmacêutico reduz sua capacidade de tomar decisões. A palavra “autoridade” é o status de quem tem mais conhecimento técnico, pode fazer escolhas e liderar a equipe que compõe o serviço, o que é fundamental para a construção da autonomia do farmacêutico. Os stakeholders relataram que existem limitações à autonomia do farmacêutico e suas causas deste problema. Algumas correntes do profissionalismo mostram causas para o arrefecimento da autonomia da profissão: controle externo, proletarização e precarização, falta de controle sobre a divisão do trabalho, rotinização de atividades e de reserva de mercado, etc. (FREIDSON, 1996b; HAUG, 1972b; LARSON, 1980; OPPENHEIMER, 1972b). Estes aspectos estiveram presentes na história da profissão farmacêutica como desafios que fragilizaram o seu status profissional (ALTMAN; MANDY; GARD, 2019b; BIRENBAUM, 1982b; DENZIN, 1968; KELLAR et al., 2020b; TRAULSEN; BISSELL, 2010). Outros estudos mostram que uma profissão não deve almejar autonomia absoluta, mas condicional a depender do contexto político e social (BLACK, 1993; CARDOSO, 2005; FREIDSON, 2009b). Portanto, futuros estudos devem explorar esta temática, avaliando as contradições deste comportamento no varejo farmacêutico. Neste estudo, a categoria “prestador de serviços” foi compreendida como fator de proletarização e precarização do trabalho e, consequentemente, enfraquecimento da profissão (BISSELL; TRAULSEN; HAUGBOLLE, 2002; BISSELL; TRAULSEN, 2005). A teoria da proletarização das profissões elucida que as grandes redes varejistas são organizações de manutenção da saúde queusam estratégias de monopólio do mercado, de capitalização da relação medicamento-paciente e de controle do processo de trabalho dos farmacêuticos (ANGONESI; SEVALHO, 2010b; BISSELL, 2007b; LARSON, 1980; MCKINLAY, 1977; OPPENHEIMER, 1972b). Portanto, estudos ressaltam que a dependência de empregabilidade pelo varejo, enfraquece a autonomia do farmacêutico (BISSELL; JESSON, 2002; DOBSON; PEREPELKIN, 2011b). 85 Para Larson (1977b), esse profissional liberal é um “especialista assalariado”, com poder ilusório e subordinado a interesses capitalistas. No Brasil, este fenômeno foi evidenciado quando a legislação de 1973 conferiu caráter mercantilista às farmácias, revogando a obrigatoriedade do farmacêutico a ser um proprietário à prestador de serviços assalariado (BARROS NETO; JACOB, 2020b; BRASIL, 1973b; SANTOS, 2003b). Assim como em outros países, o acesso de proprietários leigos a esse mercado, minimizou o poder e a manutenção da autoridade profissional do farmacêutico (BARROS NETO; JACOB, 2020b; DOBSON; PEREPELKIN, 2011b; GIDMAN, 2010). No Brasil, apenas 16,7% das farmácias comunitárias é de propriedade de farmacêuticos, sendo que este cenário pode ser reflexo da legislação conflituosa e da falta de cultura empreendedora (MARTINS; VAN MIL; DA COSTA, 2015; SERAFIN; CORREIA JÚNIOR; VARGAS, 2015b; TIM; MICHAELA, 2020). Assim, as decisões e a orientação do serviço do farmacêutico podem se distanciar do objeto social de cuidado ao paciente, aproximando-se dos interesses mercantilistas dessas farmácias comerciais (EDMUNDS; CALNAN, 2001; QUINNEY, 1963; SZEINBACH et al., 2011; TRAULSEN; BISSELL, 2010). De acordo com o número de citações na tabela 2 (elaborado pelo ATLAS.ti), o tema predominante dos mentores (ser prestador de serviços) pode gerar a hipótese de que, o contato próximo destes com a realidade dos farmacêuticos, suas angústias, pressões e medos, traz uma percepção mais robusta da realidade. Por outro lado, os gestores falaram pouco sobre este tema, considerando apenas que se o farmacêutico ocupar uma posição hierárquica maior na rede de farmácias, pode ter maior a autonomia e ser promovido na carreira. Ao longo dos últimos 48 anos, as universidades e instituições representativas da profissão não incentivaram o empreendedorismo farmacêutico, por meio de disciplinas específicas ou incentivos fiscais (MATTINGLY et al., 2019; MENEGHATTI; DE FARIÑA, LUCIANA OLIVEIRA BERTOLINI, 2018). No Brasil, o farmacêutico autônomo ainda sofre com burocracias e pouco apoio do Estado. Além disso, o discurso neoliberal do empreendedorismo pouco protege o profissional, pois exime as estruturas sociais de responsabilidade, enfraquecendo vínculos trabalhistas e promovendo a precarização do trabalho (CARMO et al., 2021; ROSENFIELD, 2018). Em 2010, um dos pioneiros do movimento clínico ressaltou que enquanto a profissão continuar valorizando a prática comercial, o sonho de transformar o cuidado ao paciente no propósito principal da Farmácia estará adiado (HEPLER, 2010b). Em países em que o acesso aos serviços de saúde é amplo, os serviços clínicos do farmacêutico são consolidados e sua autoridade social é fortalecida (LUETSCH; ROWETT; PUNCHARD, 2016; MCPHERSON; 86 FONTANE, 2011b; SMITH; PICTON; DAYAN, 2013). No Brasil, por sua vez, as farmácias comunitárias que poderiam ocupar locais estratégicos de cuidado à saúde ainda estão longe de ofertarem serviços clínicos (CERQUEIRA-SANTOS et al., 2020b; CORRER; PONTAROLO; RIBEIRO, 2013; DALY et al., 2021; DOSEA et al., 2017b). Em 2014, a legislações brasileiras fortaleceram a imagem da farmácia comunitária como estabelecimento de saúde e a autonomia técnica do farmacêutico (BRASIL, 2014b, 2014d). Entretanto, embora esta legislação ordene o proprietário da farmácia a acatar as orientações técnicas do farmacêutico, os interesses do mercado se sobrepõem as necessidades em saúde e a segurança da população, bem como esbarram em questões ideológicas e do processo de trabalho da profissão (CLARK, 1991b; DOBSON; PEREPELKIN, 2011b; JACOBS; ASHCROFT; HASSELL, 2011; TRAULSEN; BISSELL, 2010; WILENSKY, 1964b). Logo, a ascensão da profissão clínica poderá guiar as estratégias para ampliar sua autoridade diante de mercados burocráticos como o varejo. A literacidade em saúde da população foi um dos fatores que reforçaram a demanda por profissionais de saúde acessíveis e capacitados para a oferta de serviços, como os farmacêuticos, essencialmente em regiões distantes dos centros urbanos e em países subdesenvolvidos (ALJASSIM; OSTINI, 2020). Esta incapacidade do usuário interpretar informações sobre sua condição de saúde tem impacto no contexto do uso racional de medicamentos (BERKMAN et al., 2011). Durante a pandemia de COVID-19, o uso indiscriminado e a infodemia sobre medicamentos, têm causado danos aos pacientes e prejuízos aos sistemas de saúde, reforçando a necessidade de farmacêuticos atuarem de forma autônoma e isenta (ELBEDDINI et al., 2020; ERKU et al., 2021; PAUMGARTTEN; DE OLIVEIRA, 2020). Segundo os stakeholders, a profissão enfrenta desafios à sua autonomia devido a outras estratégias de expansão do mercado de medicamentos. Por exemplo, desde a década de 1990, as indústrias farmacêuticas brasileiras têm tentado politicamente autorizar a venda de medicamentos isentos de prescrição médica em supermercados, com a justificativa de ampliar o acesso para camadas mais pobres (MELO; TEIXEIRA; MÂNICA, 2007b; PRESTES et al., 2019). Este modelo de negócio é comum em países em que as redes fazem parte de empresas atacadistas, mas não se explica no Brasil, onde há cerca de três vezes mais farmácias do que o mundialmente recomendado (DE FREITAS, 2006; FIP, 2017b; JACOBS; ASHCROFT; HASSELL, 2011; TELES et al., 2013). Portanto, o excesso de pontos de venda, os altos índices de automedicação e a baixa literacidade em saúde apontam para um possível problema de saúde pública (PALUMBO, 2017; SILVA et al., 2017; TEIXEIRA et al., 2020b) 87 A autodesvalorização foi citada como outra limitação da “autonomia gerencial” que pode obscurecer o objeto social da profissão, pois quando o farmacêutico não compreende plenamente seu papel ocorre insatisfação, falta de autoestima e autoconfiança (BRAZINHA; FERNANDEZ-LLIMOS, 2014; DOBSON; PEREPELKIN, 2011b; FRANKEL; AUSTIN, 2013). Segundo Silva (2015b), esta falta de clareza foi fruto da relação de trabalho que coloca o medicamento como principal instrumento da profissão farmacêutica. Isso mostra que o grau de essencialidade do profissional neste cenário não é nítido para os próprios profissionais, o que afeta sua autoimagem, autoestima e sua segurança para resolver problemas. Neste estudo, foi possível propor a hipótese de que a falta de nitidez do papel social do farmacêutico e do controle externo da profissão pode influenciar a falta de compreensão dos gestores sobre seu papel. Esta indefinição do papel social e autodesvalorização deixaram os gestores livres para definir quais as funções do profissional e para submetê-lo a metas de vendas de produtos, avaliações de desempenho e produtividade comerciais (ALTMAN; MANDY; GARD, 2019b; BUSH; LANGLEY; WILSON, 2009b). Na lógica do lucro como prioridade, o farmacêutico não participa da definição dessas metas e nem tem autonomia para ofertar serviços de cuidado ao paciente, sendo subordinado ao mercado. Desde a década de 1970, a profissionalização da Farmácia foi considerada incompleta e marginalizada devido à falta de clareza e controle sobre seu objeto social (BIRENBAUM, 1982b; DENZIN, 1968; HARDING; NETTLETON; TAYLOR, 1990; HOLLOWAY; JEWSON; MASON, 1986; KRONUS, 1975). No estudo de Rapport (2009a), os farmacêuticos de varejo relataram que a ambivalência do papel social (dispensação e vendas) afeta negativamente sua autoestima e satisfação profissional. Embora dados da International PharmaceuticalFederation (2017) mostrem que a farmácia comunitária corresponde a mais de 70% dos postos de trabalho, a revisão de Kellar (2021b) mostra que farmacêuticos ainda não tem uma identidade profissional homogênea e nem orientada de forma ampla para o cuidado ao paciente. Segundo os stakeholders a escassez de farmacêuticos com competência clínica adequada pode estar ligada à identidade profissional heterogênea. A insegurança do farmacêutico frente às demandas do mercado afetam sua autoridade, autoimagem, autoestima e sua segurança para resolver problemas, tornando-o “invisível” em seu local de prática (DEWULF et al., 2009; ZELLMER, 1985). No Brasil, Mota e col. (2020b) afirmam que após a atualização das diretrizes curriculares dos cursos de Farmácia, as novas gerações de farmacêuticos poderão ter maior capacidade de cuidar de pacientes. Ainda que tais atualizações sejam importantes, para a esperada transformação profissional, é preciso mais 88 que mudanças na formação e atualizações legais (DAWODU; RUTTER, 2016; KELLAR et al., 2020b) Neste contexto, a avaliação da produtividade, metas de vendas de produtos e indicadores são priorizadas a partir de interesses comerciais das redes de farmácia, deixando os serviços clínicos em segundo plano (OLIVEIRA et al., 2005b; ROUGH; MCDANIEL; RINEHART, 2010). Com as novas tecnologias digitais, as grandes redes de farmácias maximizam lucros, automatizam e aceleram os processos de trabalho dos farmacêuticos (BUSH; LANGLEY; WILSON, 2009a; TREIBER, 2013a). Ritzer (2019) Isto conduz o farmacêutico à alienação, pois direciona seu objeto de trabalho ao medicamento e as metas de vendas e precariza o trabalho (menos direitos trabalhistas, menor remuneração) (SILVA, 2009; TREIBER, 2013b). Logo, a Farmácia é uma profissão produtiva, com respaldo técnico, mas pouca autoridade prática no “mundo real”. (HALLIT et al., 2019; TRAULSEN; DRUEDAHL, 2018b). As estratégias para aprimorar a autonomia do farmacêutico, sem a profissionalização, farão sentido apenas na micropolítica das farmácias de varejo. A atitude de ownership, encorajada pelos stakeholders, pode estimular a visão sistêmica do negócio e as competências ligadas ao empreendedorismo, gestão de lucratividade e sustentabilidade de serviços (ASIEBA; NMADU, 2018; JACOBS; ASHCROFT; HASSELL, 2011; RAUCH, 2018b). Uma revisão sistemática sobre empreendedorismo mostra que esta atitude faz sentido quando o farmacêutico está consciente da sua responsabilidade social e inspira confiança na equipe (MATTINGLY et al., 2019). Entretanto, como apontado por Larson (1977a), ter atitude ownership sem autonomia prática pode ter o caráter ilusório de poder, ou seja, o profissional “reina, mas não governa”. A estratégia para aliar seus interesses profissionais com as regras de conduta da empresa apontam a necessidade de desenvolver competências políticas do farmacêutico, protegendo suas autonomias “técnica” e “gerencial” (FEUERWERKER, 2014). A literatura aponta que o poder de persuasão política do farmacêutico enquanto prestador de serviços assalariado, pode facilitar a implantação de serviços clínicos em farmácias comunitárias e hospitais (CERQUEIRA-SANTOS et al., 2020b; DOSEA et al., 2017b; HATTINGH et al., 2020; ONOZATO, 2018). Portanto, o interesse das empresas em dialogar com a profissão gera uma aliança estratégica e política, aprimorando a autonomia do profissional e a qualidade de oferta de serviços farmacêuticos (FRISK et al., 2019b). A autonomia do farmacêutico, baseados em evidências internacionais, não deve ser absoluta, mas pode ser ampliada quando o profissional se reconheça como autoridade em 89 saúde e o varejo compreenda seu papel social. Entretanto, nenhuma estratégia é determinante para que se obtenha respeito e autonomia. Ademais, o discurso dos mentores pareceu mais alinhado aos interesses da empresa, do que aos da profissão. Diante disso, ainda que o varejo possa oferecer espaço de crescimento e respeito à autonomia do farmacêutico, o modelo de empresa comercial ainda é pouco congruente com os aspectos éticos e o propósito clínico da profissão. 6.2 Aspectos éticos nas farmácias de varejo De acordo com o número de citações da tabela 3 (elaborado pelo ATLAS.ti), apesar de haver poucas diferenças quando os mentores abordaram mais sobre “assimilar que vender não é antiético” como estratégia. Assim, pode-se gerar a hipótese de que os mentores poderiam abordar mais esse tema com os farmacêuticos do que os gestores na rotina da farmácia comunitária. Ademais, os mentores poderiam receber demandas dos farmacêuticos sobre como lidar com o dilema saúde versus comércio na profissão. A nuvem de palavras sobre este tema (figura 4) aponta a importância que os entrevistados atribuem às palavras “venda”, “meta” e “produto”. Assim, os stakeholders enalteceram a importância das metas de venda de produtos e que ser priorizadas pela sustentabilidade financeira da empresa. Este contexto se torna problemático e reforça o dilema do farmacêutico em fazer vendas de produtos versus promover serviços de saúde. Ademais, é esperado que a maior parte de gestores e mentores enfatizem essas palavras em seu discurso, pois a farmácia ainda é vista como comércio de produtos de saúde. Estudos mostram que farmácias comunitárias do varejo, associam a imagem do medicamento como bem de consumo o farmacêutico ao lucro pela venda de produtos, enquanto que o papel de cuidador da saúde fica “à sombra” do vendedor (OLIVEIRA et al., 2017b; RAPPORT; DOEL; JERZEMBEK, 2009a). Outros autores referiram que a saúde do paciente deve ser o propósito da farmácia, dissociando a imagem mais mercadológica, confiando autoridade ao farmacêutico e na qualidade de serviços clínicos farmacêuticos (ALTMAN; MANDY; GARD, 2019b; FERREIRA; MOURA; SOUKI, 2016b; MOSSIALOS et al., 2015b)(CAMPEAU CALFAT et al., 2021; MELO et al., 2021b). Apesar da expectativa do Estado para que o farmacêutico proteja e fiscalize, enquanto os gestores e proprietários focarem no lucro pela venda de produtos, o modelo de negócios do varejo ainda é um ambiente incongruente com o cuidado ao paciente (BRAZINHA; FERNANDEZ-LLIMOS, 2014; PAYNE; UNNI; JOLLEY, 2019b; SPINELLO, 1992). Os resultados do estudo apontaram que, as redes de farmácias privadas são 90 influenciadas por modus operandi não altruístas, colocam o farmacêutico na “corda bamba” para tomada de decisões (PAIVA, 2014b; RESNIK; RANELLI; RESNIK, 2000). Os stakeholders assumiram que existência do aliciamento do varejo pelas indústrias a fim de cumprirem metas de vendas “a qualquer custo”, induzindo farmacêuticos e balconistas a fortes dilemas éticos (ARSLAN et al., 2018a; BARBOSA, 2016; FENG JING; AVERY; BERGSTEINER, 2011; MENDES; FARIA, 2004; RODRÍGUEZ; JURIČIĆ, 2018b; SILVA, 2019b). Nas décadas de 1960 e 1970, este modelo de prática comercial ganhou força quando a lei ampliou o controle de farmácias por proprietários não-farmacêuticos (BARROS NETO; JACOB, 2020a; BRASIL, 1973b; SANTOS, 2003b). Esta fase foi influenciada pelo modelo de drugstore, com expansão competitiva das redes, liberação de vendas de produtos não relacionados à saúde e criação da imagem de estabelecimentos comerciais (HASHIMOTO; SILVA DA FONSECA, 2009; LORAND, 2013; REIS, 2013; ZUBIOLI, 1992b). Importante destacar que o modelo de negócios que liga indústrias farmacêuticas e varejo gera dilemas éticos e é lucrativo para ambos (CORRÊA; DE OLIVEIRA, 2008). Na mesma década, o acordo do Ministério da Educação e Cultura e United States Agency for International Development propôs a extinção dos cursos de Farmácia a fim de atender os interesses das indústrias farmacêuticas, influenciando o sistema educacional brasileiro de forma negativa (ARAÚJO; PRADO, 2008; ESTEFAN, 1986; ZUBIOLI, 1992b). Assim, a orientação tecnicista dos cursos superiores tem afastado farmacêuticosde pacientes, criando dilemas éticos na prática. Para os stakeholders é preciso que a formação seja mais prática, atenda limites éticos por venda, garantam a sustentabilidade comercial das farmácias e reduzam possíveis danos aos pacientes.(CORRER; PONTAROLO; RIBEIRO, 2013)(FERREIRA, 2015). Em países como Austrália e Inglaterra, muitas redes de farmácias mantêm sua rentabilidade com normas éticas rígidas que controlam as relações com a indústria (ASTBURY; GALLAGHER; O’NEILL, 2015; POPATTIA; HATTINGH; LA CAZE, 2021b). Políticas de regulamentação sobre quantidade e propriedade de farmácias, política de preços e remuneração de serviços são estratégias adotadas em países como Espanha, Áustria, Dinamarca e Finlândia em busca de uma a competitividade saudável no mercado e para manter o foco das empresas na fidelização do cliente (ANELL, 2005; COSTA et al., 2017; LARSEN; VRANGBÆK; TRAULSEN, 2006). Desta forma, estas ações ajudam a definir limites éticos e evitar a política do “lucro à qualquer custo”. 91 Segundo a literatura, a fixação de preços ajuda na “sobrevivência” de farmácias independentes e em áreas remotas, impede o aumento abusivo nos preços dos medicamentos (GILLIGAN; SKREPNEK, 2013). Apesar do livre mercado poder gerar maior competitividade e acesso aos medicamentos, em países desenvolvidos, a desregulamentação e o excesso de concorrência em farmácias não trouxe os benefícios esperados, bem como favoreceu desequilíbrios éticos para a prática farmacêutica (BERGMAN; GRANLUND; RUDHOLM, 2016; GORECKI, 2011; LLUCH; COLOMER- LLUCH, 2009). (GATT, 2019b; MOURA; BARROS, 2020; VOGLER; HABIMANA; ARTS, 2014b). Para ter atitudes morais, o farmacêutico deve ter a habilidade de equilibrar a índole e valores pessoais com a ética profissional, tomando atitudes em prol do bem estar dos pacientes (CHAAR, 2009a; CRUESS; CRUESS, 2020). Neste estudo, um dos stakeholders apontou que a ética ensinada na formação acadêmica deve ser aplicada na rotina do trabalho, pois a moral do mercado diverge em muitos pontos da moralidade do profissional de saúde (AL-QUDAH et al., 2019a; ARSLAN et al., 2018b; POPATTIA; HATTINGH; LA CAZE, 2021a; SAW; CHUAH; LEE, 2018a). Esta discussão tem relevância, pois as empresas difundem valores morais que são importantes para o sucesso comercial e, por isso, os conselhos profissionais devem investir no treinamento e fiscalização dos farmacêuticos, a fim de garantir segurança do paciente. Em países europeus, apenas uma pequena parcela de farmacêuticos vende medicamentos sem receita de forma desnecessária (ARSLAN et al., 2018a; DEANS, 2007; RODRÍGUEZ; JURIČIĆ, 2018b). Por outro lado, em países em desenvolvimento como Arábia Saudita, Brasil, Índia, e Malásia, a venda de medicamentos em troca de benefícios pessoais é atraente e pode levar a práticas antiéticas (AL-ARIFI, 2014a; ARRAIS et al., 2016c; BHASKARABHATLA, 2020b; MATHEWS et al., 2020b; PORTO et al., 2020b). Logo, o farmacêutico sem princípios como honestidade, responsabilidade e a beneficência para os pacientes, pode cair da “corda bamba” ao enfrentar dilemas éticos no trabalho. Neste estudo, os stakeholders apontaram que o contexto de aliciamento de indústrias é mais comum em farmácias independentes. Para “sobreviverem” à competitividade do mercado, algumas farmácias independentes cedem às pressões de indústrias e laboratórios e fragilizam suas normas éticas de vendas, em nome da sua lucratividade (HASHIMOTO; SILVA DA FONSECA, 2009; PAIVA, 2014b; RAJIAH; VENKATARAMAN, 2018; RODRÍGUEZ; JURIČIĆ, 2018b). Em contrapartida, a maior associação de farmácias independentes do país tem estimulado a instituição do 92 compliance, a fim de consolidar as relações éticas com parceiros, concorrentes, sociedade e governo (FEBRAFAR, 2020). Portanto, é preciso investir na regulamentação das práticas para garantir o comportamento ético equânime dos profissionais que trabalham em redes, farmácias independentes ou suas associações. No cenário internacional, o compliance é uma prática rigorosa e exigida legalmente que regula o combate à corrupção nas relações entre a indústria farmacêutica e as redes de farmácias (FERREIRA, 2015; MALIK, 2021b; OLIVEIRA, 2018). Dessa forma, é possível proibir benefícios financeiros pessoais frente a prejuízos coletivos (LEE; AROKIASAMY; MARN, 2018; LEUTERIO, 2020; MARMAT; JAIN; MISHRA, 2020). De acordo com código de ética, o farmacêutico deve ter obrigações morais com a sociedade, e não deve agir com fins meramente comerciais, pois o recebimento de bonificações por vendas de produtos gera conflito de interesses e é incompatível com esta premissa (BRASIL, 2014b). Os stakeholders relataram que na mesma situação, seus auxiliares são menos éticos, trazendo à tona a discussão sobre a responsabilidade pelas atitudes desses profissionais. Por lei, o farmacêutico é o único responsável técnico pela farmácia comunitária e deveria assumir o treinamento técnico e ético da sua equipe (BRASIL, 2014b). Do mesmo modo, proprietários e gestores deveriam ter e estabelecer limites éticos para a bonificação do cumprimento de metas de vendas (SANTOS JÚNIOR et al., 2014; VETTORAZZI, 2009; ZUBIOLI, 1992b). Logo, ambos devem buscar amparo técnico e ético para harmonizar os interesses comerciais e sanitários, em prol da segurança dos pacientes. Neste estudo, os stakeholders não assumiram a responsabilidade ética pelo comportamento mercantilista dos auxiliares, bem como relataram que farmacêuticos têm dificuldades de exercer liderança sobre a equipe. O estudo de Bastos e Caetano (2010) relatou a dificuldade dos farmacêuticos disseminarem preceitos éticos para os seus auxiliares devido à falta de liderança, credibilidade e resistência às suas orientações. No estudo de Paiva (2014b), os auxiliares destacaram que a pressão psicológica, o ritmo de trabalho abusivo, a concorrência desleal entre colegas e ameaças de demissão motivam atitudes antiéticas. Exemplos internacionais mostram que o equilíbrio de objetivos sanitários e comerciais pode vir da transformação das farmácias comunitárias em estabelecimentos de saúde (CAMPEAU CALFAT et al., 2021; HATTINGH et al., 2020; MOULLIN; SABATER- HERNÁNDEZ; BENRIMOJ, 2016). No Brasil, as pressões por vendas e a prática da “empurroterapia” poderiam ser combatidas pela fiscalização educativa de órgãos 93 reguladores sanitários, mas há dificuldade de adesão por parte de farmacêuticos e auxiliares (ALVIM, 2004b; BRASIL, 2005; PAIVA, 2014b; VETTORAZZI, 2009). Logo, é preciso sensibilizar farmacêuticos, auxiliares, gestores e órgãos reguladores sobre a necessidade de adaptar estratégias à realidade brasileira, garantindo o cuidado sem prejuízos comerciais. Outro ponto a ser discutido é a falta de regulamentação oficial do técnico de farmácia. Apesar de haver cursos profissionalizantes para esta ocupação, poucos estabelecimentos exigem a qualificação desses trabalhadores (BRASIL, 1960b; CORRER; OTUKI, 2013; GRECO, 2009). Na realidade, a maioria das farmácias utiliza como força de trabalho, balconistas leigos, muitas vezes com pouca experiência prática (BARROS NETO; JACOB, 2020b; GONÇALVES, 2017; SABINO; CARDOSO, 2010). Esta situação coloca trabalhadores pouco instruídos, sem obrigações morais, em um contexto que trata medicamentos como meras mercadorias. Alguns estudos no Brasil problematizam a falta de capacitação técnica de balconistas, bem como as barreiras para regulamentação de técnicos pelo Conselho Federal de Farmácia (OLIVEIRA et al., 2017b; PAIVA, 2014b; PIMENTEL, 2014; STEPHANELLI, 2015). Diante de falhas na compreensão do farmacêutico na execução do seu processo de trabalho, é possível supor que esta medida poderia criar uma distorção e facilitar interesses mercantilistas, e enfraquecimento legal da responsabilidade técnica do farmacêutico nas farmácias (BEZZEGH; GOLDENBERG, 2011;GRECO, 2009; SANTOS JÚNIOR et al., 2014; SILVA, 2015b). Isto significa que, a regulamentação do técnico, isoladamente, só pode não resolver a demanda por práticas mais éticas, e ainda gerar descrédito sobre a importância do farmacêutico como responsável técnico. O ensino técnico-profissional em saúde no Brasil ainda mantém uma visão taylorista de trabalho, que objetiva a formação em curto tempo, a baixo custo, de uma ocupação de nível médio para atender necessidades mercadológicas (INGER; MACHADO; AMÂNCIO FIHO, 2010; MACHADO et al., 2020). Por isso, esse processo de regulamentação de ocupações técnicas pode servir meramente como mecanismo de divisão do trabalho pelo conhecimento, sem fortalecer estratégias que atendam às necessidades de formação profissional em saúde que são mais complexas, como a humanização e a ética no cuidado (PEREIRA, 2004). Atualmente, a discussão da regulamentação dos técnicos de farmácia pelo Conselho Federal de Farmácia está em consulta pública. 94 Em países como Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, a atuação regulamentada dos técnicos de farmácia contribuiu para que o farmacêutico pudesse delegar funções administrativas e concentrar suas atividades no cuidado aos pacientes. Além disso, nestes países a maior parte das farmácias é ligada às redes de atenção à saúde e a literacidade em saúde da população é maior (ALKHATEEB et al., 2011; JETHA et al., 2020). No Brasil, a qualidade dos modelos de negócios das farmácias não favorece a promoção de saúde. Por isso, é importante que as estratégias em busca de práticas éticas por auxiliares, passem primeiro pela remodelação das redes de saúde, bem como da reorientação das atribuições do farmacêutico. Em alternativa ao modelo de comissões individuais por vendas de produtos, os stakeholders sugeriram a definição de metas coletivas, para que a equipe da farmácia seja responsável pelos objetivos comerciais do estabelecimento. Apesar dos stakeholders compreenderem que desta forma, a pressão por vendas é reduzida, não há estudos que mostrem como esta alternativa seria capaz de reduzir práticas antiéticas nas farmácias de varejo. Além disso, o uso de metas coletivas em grandes corporações tem sido associado atualmente a situações de estresse físico e psicológico, gerando problemas de saúde pública como a “síndrome de burnout” (CAIXETA et al., 2021; OZTURK, 2021). Ao orientar que é preciso “desmistificar” a imagem do varejo como ambiente antiético, os stakeholders afirmaram que não deveria haver o dilema ético da saúde versus comércio. Porém, o percurso histórico da Farmácia mostra que este dilema ético acompanha a profissão há muitas décadas, e nasce no momento em que a industrialização de medicamentos convoca o profissional a ressignificar seu papel social (ABRAHAM, 2010b; KRONUS, 1975; MOSSIALOS et al., 2015b). A naturalização desta mudança de postura do farmacêutico não é simples. Diante de tantos dilemas morais e éticos, o profissional tem dificuldade em manter sua autonomia e conduta ética, ao passo que o mercado descaracteriza e enfraquece sua profissão (LATIF, 2000; RODRÍGUEZ; JURIČIĆ, 2018b; WINGFIELD; BISSELL; ANDERSON, 2004). Neste estudo, os stakeholders ainda creem que o farmacêutico pode gerar lucro para a farmácia por meio de serviços, compreendendo a venda de produtos como uma consequência. Quando se oferta serviços farmacêuticos monetizados, as necessidades dos pacientes são avaliadas e respeitadas, sendo possível lucrar com produtos e serviços de forma ética, responsável e transparente (TONG; ASLANI; KRASS, 2017). O discurso dos stakeholders é corroborado pela literatura, que mostra que a priorização das necessidades do paciente em suas atividades, gera resultados clínicos e econômicos positivos tanto para 95 o paciente, quanto para farmácias, sistemas e planos de saúde (BUSS et al., 2018b; JEBARA et al., 2021a; MOTA et al., 2020b). Melhor difundidas em outros países, mas também em poucas farmácias privadas do Brasil, indicadores clínicos e econômicos avaliam a produtividade dos farmacêuticos e fidelizam pacientes (CHING; EL-KHATIB; PATTIN, 2019; DOONG et al., 2019; STAFFORD et al., 2017; VALENTIN, 2020). Dessa forma, as farmácias poderiam mostrar que tais resultados em saúde representam o maior valor para estabelecimento e abrir oportunidades para novos financiadores dos serviços como os sistemas e planos de saúde (HINDI; SCHAFHEUTLE; JACOBS, 2019; HOULE et al., 2014; POLICARPO et al., 2019; STAFFORD et al., 2017). O que a literatura ainda não foi capaz de responder, é o quanto as redes de farmácias estão dispostas a investir em serviços de saúde em detrimento do lucro focado no produto, pois, o modelo de negócios predominante, ainda é um dos mais fortes economicamente no mundo (JOKINEN; PUUMALAINEN; AIRAKSINEN, 2019). Apesar do contexto pandêmico, em 2020, o varejo farmacêutico brasileiro cresceu 15,6% e ampliou seu faturamento anual de 120,54 bilhões de 2019, para 139,7 bilhões em 2020 (AITKEN et al., 2019; ICTQ, 2021; REVISTA DE FARMÁCIA, 2020). Além disso, as vendas de todos os laboratórios farmacêuticos do país tiverem crescimento de 11,4% em 2020, chegando a faturar 102,8 bilhões neste ano (INTERFARMA, 2020). Esta potência econômica mostra que muitas vezes, os limites morais do mercado varejista de medicamentos no Brasil serão duvidosos. Dessing e Flameling (2003) afirmam que apesar da profissão farmacêutica ainda ser subordinada às “leis comerciais”, para garantir a responsabilidade ética na venda de medicamentos, precisa representar parte de um processo de cuidado, não sendo reduzida a um único produto material a ser vendido. No entanto, como a Farmácia é uma profissão que possui pouco poder e prestígio político, enfrenta, e enfrentará disputas pelo controle deste mercado e de suas atividades. Para garantir seu poder de mercado, a indústria farmacêutica atua de modo competitivo e influente, investe bilhões em marketing, propõe bonificações a prescritores e faz alianças com grandes empresas de saúde (CORRÊA; DE OLIVEIRA, 2008; MALIK, 2021b). O mercado do varejo depende desse tipo de relação com a indústria, e por isso, nas últimas décadas, o cenário político brasileiro tem sido palco de disputas pelo controle do comércio de medicamentos. De forma recorrente, grandes associações comerciais pleiteiam a venda de medicamentos isentos de prescrição em supermercados e há ameaças 96 a obrigatoriedade do farmacêutico como responsável técnico (CFF, 2004, 2018; MELO; TEIXEIRA; MÂNICA, 2007b; PRESTES et al., 2019; STEPHANELLI, 2015). Diante disso, é importante que o papel do Estado seja exercido mais fortemente, por meio de conselhos profissionais, para regulamentar de maneira mais rígida o mercado, e fortalecer a autoridade do profissional do farmacêutico. Além disso, futuras pesquisas devem incentivar estratégias de promoção de práticas éticas no varejo, como também, apoiar mudanças de perspectiva do varejo para ampliar o papel do medicamento como insumo estratégico de saúde. Como limitações do estudo, devido a pandemia de COVID-19, não foi possível investigar por meio de triangulação de metodologias, com coletas de dados presenciais, aspectos que trouxessem ainda mais clareza e problematizações sobre a opinião de stakeholders sobre autonomia e aspectos éticos da prática farmacêutica no varejo. Além disso, o foco na realidade de grandes redes de farmácia não permitiu compreender o contexto de farmácias independentes. Apesar disso, este é o primeiro estudo deste tipo no país, e pode incentivar estudos no futuro que levantem novas questões a esta discussão. 97 Conclusão 98 7 CONCLUSÃO Esta tese trouxe insights sobre como a profissão farmacêutica se estabelece no mercado varejista de medicamentos à luz do profissionalismo, e as opiniões dos stakeholders são questionáveispela literatura. Os resultados sobre a autonomia do farmacêutico apontam que os gestores e mentores do varejo têm discurso mais alinhado aos interesses das empresas do que aos da profissão. Além do que, têm consciência sobre fatores que limitam a autonomia do profissional, mas, não se compreendem como parte responsável pelo contexto. Diante disso, é importante alertar para a submissão do farmacêutico a trabalhos alienados pela dependência de empregabilidade, muitas vezes conivente com autoridade profissional reduzida. Sobre a ética, os resultados neste cenário mostram que o farmacêutico no varejo vive pressões que o colocam na “corda bamba” em busca do equilíbrio entre a prática ética e a sustentabilidade financeira do negócio. O discurso dos stakeholders se mantém no campo ideológico e distante da prática do varejo, influenciado pela pressão dos fornecedores da indústria e de proprietários de farmácias que impõem metas de venda ostensivas. E embora haja exemplos internacionais de regulação de mercado e investimentos em serviços farmacêuticos, esta evolução ainda é lenta no varejo brasileiro. A priorização de investimentos do varejo e esforços da profissão podem tornar a farmácia de fato um ponto de promoção à saúde, porém, ainda não há estudos que mostrem o quanto este mercado investirá em serviços de saúde em detrimento do lucro focado no produto. Neste sentido, pesquisas são necessárias para demonstrar como aspectos ideológicos da Farmácia poderão se consolidar na prática do mercado varejista de medicamentos. 99 Referências 100 8 REFERÊNCIAS ABBOTT, A. The System of Professions. An Essay on the Division of Expert Labour. Chicago, IL: University of Chicago Press, 1988. ABRAHAM, J. Pharmaceuticalization of society in context: Theoretical, empirical and health dimensions. Sociology, v. 44, n. 4, p. 603–622, 9 ago. 2010a. ABRAHAM, J. Pharmaceuticalization of society in context: Theoretical, empirical and health dimensions. Sociology, v. 44, n. 4, p. 603–622, 9 ago. 2010b. ADAMS, D.; MILLER, B. K. Professionalism in nursing behaviors of nurse practitioners. Journal of Professional Nursing, v. 17, n. 4, p. 203–210, 1 jul. 2001. ADEOYE, O. A. et al. What predicts medication therapy management completion rates? The role of community pharmacy staff characteristics and beliefs about medication therapy management. 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Profissão: farmacêutico. E agora? Curitiba: Lovise, 1992a. ZUBIOLI, A. Profissão: farmacêutico. E agora? Curitiba: Lovise, 1992b. 140 Apêndices 141 APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE DEPARTAMENTO DE FARMÁCIA LABORATÓRIO DE ENSINO E PESQUISA EM FARMÁCIA SOCIAL Pesquisador Responsável: Divaldo Pereira de Lyra Júnior End: Av. Marechal Rondon, Jardim Rosa Elze, 49100-000 - São Cristóvão, SE – Brasil Fone: (079) 3194-6876 E-mail: lyra_jr@hotmail.com TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO O Senhor (a) está convidado (a) como voluntário (a) a participar da pesquisa intitulada “AVALIAÇÃO DO PROFISSIONALISMO NA ÁREA DE FARMÁCIA”. Neste estudo pretendemos compreender percepções de informantes-chave sobre o profissionalismo em Farmácia. O motivo que nos motivou a realizar este projeto é que na literatura são escassos os estudos que compreendem estas percepções a fim de auxiliar em estratégias para aperfeiçoar a qualidade dos serviços prestados pelo farmacêutico. Para este estudo, de abordagem qualitativa, serão adotados os seguintes procedimentos: 1) realização das entrevistas, com gravação do conteúdo por áudio e vídeo; 2) transcrição e análise dos dados por meio da análise de conteúdo de Bardin (2011). Os riscos mínimos são esperados no seu envolvimento nesse estudo. Você poderá se sentir desconfortável para apresentar sua sincera opinião diante do que lhe for questionado, uma vez que precisaremos de sua opinião para a construção do instrumento. Assim, na situação do (a) Senhor (a) não se sentir à vontade (risco de constrangimento) o pesquisador mudará a forma de fazer a pergunta. Os riscos também envolvem a possível revelação de informações pessoais, por isso, esses dados serão substituídos por códigos nos questionários de avaliação, para preservar a confidencialidade dos dados. Caso haja danos decorrentes dos riscos previstos, os pesquisadores assumirão a responsabilidade. Você também, ao expor sua opinião que será mensurada por meio de uma escala nominal, sim ou não, estará contribuindo para que o instrumento seja validado com qualidade e que a representatividade dos itens expresse um conteúdo. Em consequência, o instrumento pode ser útil a pratica para a nossa profissão. Esclarecemos que sua participação na pesquisa é voluntária e que o (a) Senhor não é obrigado (a) a fornecer as informações e/ou colaborar com as atividades solicitadas pelo Pesquisador, bem como não terá qualquer despesa para participar desta pesquisa. Caso não queira participar do estudo ou desistir a qualquer momento do mesmo, não haverá qualquer prejuízo. Os pesquisadores estarão a sua disposição para qualquer esclarecimento que considere necessário em qualquer etapa da pesquisa. Os pesquisadores irão garantir o sigilo da sua identidade e os resultados da pesquisa estarão à sua disposição quando finalizada. O (A) Senhor (a) não será identificado na(s) publicação(ões) que possa(m) resultar deste estudo. Este termo de consentimento se encontra impresso em duas vias, rubricadas em todas as suas páginas, sendo que uma via será arquivada pelo pesquisador responsável, no Laboratório de mailto:lyra_jr@hotmail.com 142 Ensino e Pesquisa em Farmácia Social (LEPFS/UFS) e a outra será fornecida ao (a) Senhor (a). Em caso de dúvidas, pode entrar em contato com um dos responsáveis por esta pesquisa: Divaldo Pereira de Lyra Júnior (lyra_jr@hotmail.com ou (079) 3194-6876. O Senhor (a) ainda pode contatar o(s) seguinte(s) endereço(s): Universidade Federal de Sergipe, Departamento de Farmácia, Av. Marechal Rondon, Jardim Rosa Elze, 49.100- 000 - São Cristóvão, SE – Brasil ou Comitê de Ética em Pesquisa HU/UFS, localizado no Hospital Universitário de Sergipe, Rua Cláudio Batista, s/n - Cidade Nova, 49060-108- Aracaju, SE- Brasil, telefone (079) 3194 -7208. CAAE: 31726820.7.0000.5546. AUTORIZAÇÃO Eu, (nome completo), portador do CPF nº declaro, por meio deste termo, que concordei em participar da pesquisa referente ao projeto intitulado “AVALIAÇÃO DO PROFISSIONALISMO NA ÁREA DE FARMÁCIA”, desenvolvido sob a orientação do prof. Dr. Divaldo Lyra-Jr, da Universidade Federal de Sergipe. Ao concordar com os termos desta pesquisa, declaro ciência quanto à confidencialidade dos dados aqui apresentados, bem como a utilização dos mesmos apenas para fins acadêmicos. Minha colaboração se fará de forma anônima, por meio de participação em entrevistas a serem gravadas, a partir da assinatura desta autorização. O acesso, a análise e a apresentação dos dados coletados se farão apenas pelo pesquisador e seu orientador. Adicionalmente, fica assegurado meudireito de retirar o consentimento e participação a qualquer momento se julgar necessário; e da segurança da não divulgação de dados pessoais que possam me identificar. Fui também esclarecido (a) de que os usos das informações por mim oferecidas estão submetidos às normas éticas destinadas à pesquisa envolvendo seres humanos, de acordo com a Resolução CNS nº 466/12. Recebi uma via deste termo de consentimento livre e esclarecido e me foi dada à oportunidade de ler e esclarecer as minhas dúvidas. E assim, ciente do proposto, assino e rubrico o documento em todas as páginas e em 02 (duas) vias, juntamente com o pesquisador. Firmo o presente, , de de 2020. ASSINATURA DO (A) PARTICIPANTE DA PESQUISA PROF.DR. DIVALDO PEREIRA DE LYRA JÚNIOR PESQUISADOR RESPONSÁVEL Impressão Datiloscópica mailto:(lyra_jr@hotmail.com 143 APÊNDICE B – Roteiro das entrevistas Metadados e orientações Nome do entrevistado: Data da entrevista: / / Contato inicial: ❑ Agradecer a disponibilidade em receber o(a) pesquisador(a). ❑ Apresentar, de forma breve, os objetivos da pesquisa. ❑ Explicar as informações contidas no termo de consentimento de entrevista. ❑ Solicitar a assinatura aceite da gravação falada (entrevista virtual). ❑ Enviar por email uma cópia assinada pelo pesquisador para o(a) entrevistado(a). Questões para entrevista Observação: Os textos em itálico se referem aos objetivos de cada questão. 1. Pensando no farmacêutico, para você qual a melhor definição de profissionalismo? O que é o profissionalismo farmacêutico para um gestor como senhor/a à luz dos interesses da sua empresa? Coletar definições, elementos, princípios ou atributos que o entrevistado considera que podem definir o profissionalismo. 2. Pensando no mercado de trabalho do varejo farmacêutico, como seria pra você o farmacêutico “ideal” (o que você acha que ele deveria saber, como atuar/se comportar, que competências, habilidades ou atitudes ele deveria ter)? Elencar o máximo de características possível sobre o perfil “ideal” do farmacêutico. 3. Você acha que os clientes da drogaria na qual você atua conseguem identificar quem é o farmacêutico e diferenciá-lo de outros funcionários? Por quê? Como você acha que ele é visto pela população? Conhecer o que o entrevistado pensa sobre a imagem que o farmacêutico do varejo apresenta à população. 4. Como a atuação professional do farmacêutico e/ou os serviços que ele oferece podem agregar valor à sua empresa/empresa a qual você presta serviço? Conhecer o que o entrevistado pensa sobre o valor dos serviços prestados pelo farmacêutico e estratégias para valorização do profissional neste cenário. 5. Por que você acredita que muitos farmacêuticos/empresas ainda têm dificuldade em cobrar pelos serviços farmacêuticos? Conhecer o que o entrevistado pensa sobre os motivos que levam um profissional ou empresa a não rentabilizar/colocar os serviços farmacêuticos na margem de lucro da empresa. 144 6. Como você acha que é e que deveria ser a autonomia do farmacêutico neste cenário? O que pode ser feito para aprimorar a autonomia deste profissional? Conhecer o que o entrevistado pensa sobre a autonomia do farmacêutico, questões que possam influenciar na autonomia e como aprimorá-la. 7. Na sua opinião, o farmacêutico deve cumprir metas de venda? Por quê? Qual seria o limite ético entre cumprir metas de venda e fazer avaliação das necessidades do paciente? Conhecer o que o entrevistado pensa sobre as causas de conflitos éticos no varejo e medidas para preveni- los. 8. Na segunda pergunta, você descreveu o farmacêutico ideal. Pensando no que falta a estes farmacêuticos para se aproximarem do que você descreveu, o que você pode sugerir às instituições de ensino superior sobre a formação do farmacêutico? Conhecer as estratégias que o entrevistado sugere às instituições de ensino superior para aproximar a formação do farmacêutico das demandas do varejo de medicamentos. 9. A nossa profissão tem múltiplas e diversas áreas de atuação, você acredita que esta característica é uma vantagem ou desvantagem? Por quê? Conhecer o que o entrevistado pensa sobre as vantagens e desvantagens da quantidade de áreas de atuação do farmacêutico. Perguntar se o(a) entrevistado(a) tem algo que gostaria de acrescentar. Considerações finais: ❑ Perguntar ao entrevistado(a) se há alguma informação adicional que gostaria de acrescentar em relação aos assuntos abordados durante a entrevista. ❑ Perguntar se ficou com alguma dúvida. 145 APÊNDICE C – Artigo 1 “Reigns but does not govern”: a reflection on professionalism and pharmacist autonomy ABSTRACT Introduction: In recent decades, the professionalization of pharmacy has been debated worldwide. With the advent of industrialization, pharmacist autonomy has weakened, especially in the retail pharmacy market. Manegers and mentors of pharmacy chains serve as links between the profession and drug users. This study sought to understand the perceptions of retail pharmacy stakeholders regarding pharmacist autonomy and how to improve it, and to reflect on theories of professionalism. Method: 19 semi-structured interviews were conducted. The interviews were transcribed and analyzed through analyst triangulation and categorical content analysis, using the ATLAS.ti software. Results: Interviews were conducted with nine mentors and ten managers in retail medicine. They reported aspects related to managerial and technical autonomy regulated by law, and strategies for enhancing professional autonomy in retail pharmacy. Autonomy was considered limited by pharmacists’ dependence on employability and self-devaluation; and market control exposed the weaknesses in pharmaceutical professionalism. Entrepreneurship and ownership attitude strategies were feasible only in a retail micro-political context. Conclusion: The retail medicine continues to have business model centered on the product and controlling the pharmaceutical practice model. To ensure autonomy and professional strengthening, it is necessary that pharmacy recognizes itself as a clinical profession and develops a stable professional identity. as a clinical profession and develops a stable professional identity; otherwise, it will continue to “reign but not govern.” Descriptors: Autonomy. Community Pharmacy. Pharmacist. Retail pharmacy. Professionalism. Stakeholders 146 1. INTRODUCTION Autonomy is a fundamental principle of professionalism and provides a sense of control, power, dominion, and authority to professionals (Angelin, 2010; Evetts, 2003; Freidson, 1974; Ritzer, 1975; Schmitz, 2014). In the 1920s and ‘30s, the status and authority of pharmacists were associated with culture, the centuries-old image of the apothecary, and the manufacture of medicines (Holland & Nimmo, 1999; Nascimento & Pereira, 2011). Although the pharmaceutical market is currently one of the most influential in the world, with transactions worth US$ 1.2 trillion per year, the pharmacist is not considered a protagonist, but rather, as a silent or invisible professional (Aitken, 2020). In Brazil, since the 1960s, the industrialization of medicines, hierarchization of labor, and bureaucratization of community pharmacies have rendered the pharmacist’s authority within the community precarious. Rather than being recognized as a health professional and pharmacy owner, the pharmacist’s identity remains merely that of a salaried drug delivery person (Barbosa, 2003; Cardoso, 2005; Carroll & Jowdy, 1986; Pereira-Neto, 1995). Currently, there are almost 90,000 private pharmacies in the country, with annual revenues of 139.7 billion reais (Aitken et al., 2019; CFF, 2020). This sector controls the profession, as it employs the majorityof the pharmacists registered with federal regulatory agencies (Serafin et al., 2015). In 2014, political mobilizations in the country legalized pharmacies as health facilities and accorded more power to pharmacists, although they have not been able to reduce the interference of owners and managers, mostly owing to pharmacists’ lack of autonomy (Atkin et al., 2021; Brasil, 2014., 2014; CFF, 2018; Dobson & Perepelkin, 2011; Harding & Taylor, 1997). Investigations regarding the perceptions of pharmacists in community pharmacies show that the professional pharmacist desires more autonomy and visibility as a health professional, and has faced barriers in the process (Altman et al., 2019; Edmunds & Calnan, 2001; Rapport et al., 2009). Large pharmaceutical retail chains dominate this sector, and stakeholders—such as managers and mentors—are the link between pharmacists’ autonomy and drug users’ needs (Jebara et al., 2021; Steen & Franck, 2020). However, few studies have analyzed the demands and opinions of these retail stakeholders in relation to pharmaceutical practice, leaving gaps that must be investigated to improve the quality of practice and the services provided. Thus, there is a need to understand retail pharmacy stakeholders’ perceptions of the factors that influence or enhance professional autonomy, in light of theories of professionalism. 147 2. METHODOLOGICAL APPROACH 2.1 Study design A qualitative and exploratory study was conducted using semi-structured in-depth interviews, focusing on the perspectives of key informants and their interpretations of the autonomy of pharmacists in Brazil’s retail drug market. For this purpose, it was necessary to directly interview managers and mentors of large companies (stakeholders) in the pharmaceutical retail market using open-ended questions to understand situations, analyze, discuss, and create prospects. This enabled the identification of problems, patterns, details, value judgments, and interpretations, adding richness to the theme (Duarte, 2005). However, the COVID-19 pandemic in Brazil since March 2020 made it unfeasible to collect data in person; therefore, the interviews were conducted online. In this process, the role of the researcher is fundamental, as their experience and worldview can interfere with the interpretation of the results. From a constructivist perspective (in which reality is constructed by the individual), any interference by the researchers' participation in the interpretation and analysis of the results can be attenuated through a detailed description of the methodological procedures (Divan & Oliveira, 2008). There was no relationship between the researchers and the participants or with the practice setting addressed in the present research. 2.2 . Elaboration of interview questions Studies show that pharmacists’ autonomy in retail stores is a topic requiring a greater amount of scientific research (Jacobs et al., 2011; Kruijtbosch et al., 2017; Szeinbach et al., 2011). Literature that elucidates the perspectives of managers and mentors on this topic is scarce, especially in Brazil; therefore, this study can deepen the discussion and present strategies for strengthening the pharmaceutical profession (Feng Jing et al., 2011; Ribeiro & Prieto, 2013). To support the development of the interview script, the authors brainstormed and identified dimensions in the literature that present important gaps in the understanding of pharmacists’ autonomy in Brazil’s retail market (Ferreira et al., 2016; Reis, 2013; Szeinbach et al., 2011; Terajima et al., 2020). The following questions were included to understand the stakeholders’ views on the factors influencing pharmacist autonomy and ways of enhancing autonomy: 148 What do you think the pharmacist’s autonomy looks like and should look like in this scenario? What can be done to improve pharmacists’ professional autonomy? This study is part of a doctoral thesis that analyzes the elements of pharmacist professionalism in the retail drug market. The questions formed a part of an interview script that also addresses the definitions of professionalism, market demands on pharmacist competencies, identity, ethics, image, valuation, and professional training. 2.3. Characteristics of the research participants To answer the question “how is pharmacist autonomy understood by stakeholders in Brazil’s retail market?”, key informants who were stakeholders in Brazil’s retail drug trade were chosen. A stakeholder is a person who enjoys considerable importance within the organization, processes, and results of an environment (Freeman, 2010). In this scenario, stakeholders such as owners, managers, mentors, and consultants act to develop competencies and improve the productivity of pharmacists, as well as directly influence the work process of these professionals (Držaić et al., 2018; Gernant, 2018; Lavrakas, 2013; Oliveira et al., 2017). As a group capable of deeply illuminating the theme in question, managers of large pharmacies are responsible for service delivery and the sustainability of pharmacy chains. Moreover, they are closely aware of the demands of the market regarding the professional competencies of pharmacists (Edmunds & Calnan, 2001; Moullin et al., 2016). Listening to this group of participants was essential for addressing the research problem because they are directly manage community pharmacists who serve the population. The views of mentor pharmacists were also considered. Companies and professionals use mentoring to improve skills, results, and job satisfaction (Granko et al., 2013; Roberts et al., 2008; van Mook et al., 2009). By definition, mentoring is a process in which a more qualified or experienced professional serves as a reference and guides another person with less experience to promote the latter’s personal and professional development (Anderson & Shannon, 1988). This group of participants has an intermediate view that links the demands of company managers to the pharmacists who provide them with services. The following inclusion criteria were devised for the two groups of participants: Group 1: Being a manager/manager or owner of a large Brazilian pharmacy or one in the Brazilian Institute of Retail & Consumer Market Executives 2020 Ranking, which ranks companies by revenue (IBEVAR, 2020). 149 Group 2: - Being a pharmacist who provides personalized mentoring to pharmacists or groups of professionals working in large Brazilian pharmacies. 2.4.Recruitment of participants The selection of research participants was intentional (based on the researcher’s judgment); this technique is commonly used in qualitative research (Saunders & Townsend, 2018). Initially, contact was made with potential participants (via e-mail, WhatsApp, phone calls, or social networks) to confirm their availability to participate in the research. After the initial contact, a formal invitation was sent by e-mail, with guidance on the research objective, informed consent form (ICF), and an online form for collecting sociodemographic information using the Google Docs platform. After the initial interviews, new participants were included using the snowball technique, in which an interviewee indicated a subsequent potential one (Bisol, 2012; Saunders & Townsend, 2018). The intention of using this technique was to cover the entire national territory. The proposed saturation of the sample was used as a criterion to suspend further participation in the study. After the initial interviews were conducted, the researchers noticed repetitive and redundant themes, indicating that the process had reached saturation (Fontanella et al., 2008). Thus, the number of interviews reached the average sample size (9–24 interviews) until data saturation was reached, as proposed by Hennink et al. (2017).2.5. Data collection The interviews were conducted online, using the Zoom videoconferencing platform, only by the main author of this study (ASD), due to her specific knowledge about the theme and previous experience with this methodology. The participants were asked to keep the interview environment private and free of external interference, reinforcing agreements signed in the consent form regarding video recording and data treatment (Tong et al., 2007). Initially, we explained how the interviews would be conducted, as well as the objectives of the study. The interviewees were encouraged to speak spontaneously and for as long as they deemed it necessary. At this juncture, it was emphasized to the participants that the proposed environment would be safe and free of judgment, and that the interviewer would maintain neutrality, refraining from giving her opinion about the topics discussed (Collado et al., 2013). Subsequently, the audiovisual recordings were transcribed and indexed in the ATLAS.ti software for further analysis. To obtain the sociodemographic data of the participants, we prepared a Google Docs form that sought information on the following variables: gender, age, region, occupation, 150 professional experience, and highest educational qualification. The collected data were organized using simple frequency. 2.6. Data analysis The study employed content analysis (CA) to determine the implications of the participants’ messages. Due to the nature of the theme and familiarity with the method, we chose to follow the three stages of thematic categorical content analysis listed below and illustrated in Figure 1 (Bardin, 2016). (d) Pre-analysis: This step aims to organize the material before performing coding, guided by three activities that are interrelated and nonsuccessive: • Choice of documents aligned to the research objective–The transcripts of the interviews were chosen a priori because, from the elaboration of the research objective, it was evident that the speech of the stakeholders would generate the necessary data. • Floating readings were conducted of the transcribed material for initial contact by the researchers who performed the analysis, with the text being formatted for document standardization. • Constitution of the corpus (transcriptions): The documents were analyzed for completeness, representativeness, homogeneity, and relevance. Thus, the interviews were considered adequate for the research corpus. (e) Coding: Clippings were selected and transformed into codes related to the research question. The codes that emerged inductively from the participants’ reports were documented using ATLAS.ti software (Gibbs, 2009). After the codification, the codes were reread to analyze if they showed exhaustive repetition (saturation), bringing depth to the understanding of the themes and their meanings; therefore, there was no subsidy for the creation of new codes (Gibbs, 2009; Hennink et al., 2019). (f) Categorization: Semantic categorization was performed because the units of record adopted were themes. In this step, the codes were organized and separated by differentiation (inventory) and grouped by similarity and causality patterns (classification) (Bardin, 2016). Thus, they were transformed via inductive coding into categories characterized by further abstraction—from themes that were more concrete and descriptive to those that were more conceptual and theoretical (D. C. de Oliveira, 2008). Next, the categories were related and hierarchized. In the ATLAS.ti software, it was possible to create “networks” of images to organize and create visual relationships among the categories, facilitating insights and understanding of the results. The researchers used quality criteria for elaboration and consensus 151 about the categories (pertinence, objectivity, homogeneity, mutual exclusion, and productivity) to align them to the research problem (Bardin, 2016; D. C. de Oliveira, 2008). Figure 1: Stages of Thematic Categorical Analysis. Source: Elaborated by the author based on Bardin (2016) and Gibbs (2009). 2.7. Credibility and reliability All stages of the research were conducted according to the recommendations for quality in qualitative research proposed by the Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research and the Standards for Reporting Qualitative Research (O’Brien et al., 2014; Tong et al., 2007). In addition, data analysis was performed with triangulation of analysts by three researchers with expertise in this approach: one researcher (ASD) who was directly involved in data collection and two external researchers with expertise in the topic (FCAN, FLF). Divergences during the analysis were resolved through consensus, and the data obtained were meticulously reviewed by a senior researcher with expertise in the field of pharmaceutical professionalism and qualitative research (DPLJ). These steps were taken to achieve methodological credibility and reliability . 2.8. Ethical aspects 152 All participants signed an informed consent form, agreeing to the recording of the interviews and publication of the data generated from them. This study was approved by the Ethics Committee of the Federal University of Sergipe nº 4.102.149. To protect the identity of the participants in this study, during the analyses, each interview was identified with the acronyms “G” (...) for managers and “M” (...) for mentors. Throughout the results, we refer to excerpts from the interview transcripts with the same acronyms. 3. RESULTS Nineteen interviews were conducted between August and October 2020 with ten mentors and nine pharmaceutical managers, with an average time of 42 min each and a total time of 805 min. The sociodemographic characteristics of the participants are presented in Table 1. Most of the participants were male (52.6%) and aged over 40 years. The duration of professional experience ranged from 6 to 32 years, with most having more than 15 years of practice. Most participants had specialized graduate degrees (61%)—mostly in either corporate and business management (managers) or clinical pharmacy (mentors). Table 1. Sociodemographic characteristics of the participants 153 Source: Prepared by the author. Managers (n=9) Mentors (n=10) Feature No. (%) Feature No. (%) Occupation Occupation CEO 3 (33.3) Business consulting 5 (50) Managers 6 (66.6) Individual consulting 2 (20) Individual and company consulting 3 (30) Sex Sex Male 4 (44.4) Male 5 (50) Female 5 (55.6) Female 5 (50) Age Age <30 1 (11.1) <30 0 (0) <40 2 (22.2) <40 3 (30) <50 2 (22.2) <50 6 (60) >50 4 (44.4) >50 1 (10) Professional experience (years) Professional experience (years) 5–15 1 (11.1) 5–15 2 (20) 26–30 6 (66.6) 26–30 7 (70) >30 2 (22,.2) >30 1 (10) Country region Country region North 0 (0) South 6 (60) Southeast 0 (0) Southeast 2 (20) Midwest 1 (11.1) North East 1 (10) South 2 (22.2) Midwest 1 (10) North East 5 (55.5) North 0 (0) Education Education University graduate 1 (11.1) University graduate 0 (0) Master's degree 0 (0) Master's degree 3 (30) Doctorate degree 1 (11.1) Doctorate degree 3 (30) Postgraduate (specialization) 7 (77.7) Postgraduate (specialization) 4 (40) 154 Figure 2. Word cloud on the theme “pharmacist autonomy in retail pharmacies” Source: Prepared by the author The larger words in the word cloud (Figure 2) represent terms that were used more frequently in the interviews. In this cloud, the words with the highest frequency were “company” (56) and “authority” (25). We considered both “autonomy in matters of technical responsibility” (performance, supervision, and coordination of technical-scientific services, such as purchase and sale of medicines, management of products subject to specialcontrol and dispensing) as well as “managerial autonomy” (referring to decision-making that affects the management of the pharmacy, such as training and team composition, organization of the work system and services provided by the establishment) (CFF, 2013). When asked about pharmacist autonomy, the stakeholders brought up aspects related to (a) “technical autonomy” regulated by law, (b) “managerial autonomy,” and (c) strategies they considered important to enhance it. These categories are illustrated in Figure 3. Figure 3: Categories related to pharmacist autonomy. 155 Source: Prepared by the author. (a) Technical autonomy: The stakeholders reported that the Brazilian legislation guarantees the “technical autonomy” of the pharmacist and that it is up to the establishment that hires their services to comply with it. They also reported that the pharmacist has technical responsibility for the establishment as well as competencies to make decisions and seek the best results for the patient. G: When the pharmacist understands that the medication will harm the patient, he/she has the right to prevent it from being dispensed. I doubt that anyone would oppose a qualified technical professional in a pharmacy who can guide the best treatment. Despite this view, the stakeholders also believed that the legislation brings limitations to the pharmacist’s technical autonomy when facing specific situations of medication dispensing, as stated by one manager: G: When there is an incorrect medical prescription, or when the doctor forgets a date, the pharmacist knows that the patient cannot go without that treatment, but the law does not 156 allow him to make a declaration taking responsibility for the dispensation. There should be criteria and legislation that gives autonomy to the pharmacist to do this. (b) “Limited managerial autonomy”: Although they acknowledged pharmacists’ “technical autonomy,” the managers reported that, in several situations, this autonomy was not sovereign, because of “managerial autonomy,” which prioritizes the interests of the company or the pharmacist’s superior in the organizational hierarchy. G: It is limited autonomy. The pharmacist can, under no circumstances have total autonomy, and there are many processes and legislations in a pharmacy that need to be followed (...). G: When the pharmacist says: “I will make a decision, because I can, technically; I am correct and I have autonomy” but does not consider the management of the business, this decision is often disconnected from reality. M: (...) The pharmacist has total autonomy to decide a question related to a prescription for treatment. However, when decisions can interfere with the operation and rules of a company, the case is different. Some aspects were cited as causes or justifications of the pharmacist’s limited “managerial autonomy.” According to the stakeholders, being a salaried service provider who sells labor to the company places the pharmacist in a position of subordination. Thus, the pharmacist does not occupy a position of power or ultimate authority, thereby limiting their autonomy. M: The pharmacist is the technical authority but not the owner of the pharmacy. In addition, some mentors reported that subordination puts pressure on pharmacists, which could arouse feelings of powerlessness, fear, and introspection. M: I have seen colleagues who are influenced by the need for a job. Some said, “I tried very hard and in many ways... but for fear of losing my job, getting a warning, or not being accepted well, I became more introspective.” M: (...) the pharmacist is torn between feeling “I need a job” and “I can't talk”... So, I see extremely uncomfortable professionals, because—on the one hand—they have this issue that they need a job and—on the other—they don't have the autonomy to make decisions. M: When you are in the hands of retail stores, you can feel like a robot (...). Similarly, stakeholders pointed out that, in some companies, the autonomy of the pharmacist is even lower, especially when the owner or manager does not fully understand their 157 role and that of the pharmacy as a health facility. In these cases, the pharmacist may be seen by the managers as a sales “inspector,” which creates barriers to the sustainability of the company. G: Some people think that the pharmacist is a “hindrance” or a legal obligation. M: As long as the retail market does not see itself as a regulated market—that it is not a common retail market (...)—the pharmacist will not be seen as a health professional but as a sales inspector. G: Some pharmacy owners think that the pharmacist is a necessary evil, “I have to pay because the legislation obliges.” According to the stakeholders, if the pharmacist wants to achieve more autonomy, it is necessary to reflect this desire in terms of attitudes and results. M: There is a lack of arguments to justify autonomy; it is necessary to have results, facts, money, and numbers on paper. With this initiative, the manager will realize the pharmacist's effort and will be able to acknowledge their work. M: I see that pharmacists who have communication skills and know-how to ask questions can have more autonomy and shared management. M: We do not gain autonomy; we conquer it; it’s different. I see many professionals wanting autonomy without presenting results. Likewise, the stakeholders reported that it is common for pharmacists to encounter difficulties in maintaining positive attitudes in this context, because according to them, there is a lack of awareness about their role and of professional self-worth. G: The pharmacist does not have a defined role, which may hinder their autonomy. M: There is a lack of pharmacists who understand that they are health professionals and that this has value, including financial value. M: Some pharmacists say they do not have autonomy, and this is almost a justification, an excuse for the lack of skills and creativity. M: (...) These limiting beliefs of the pharmacist not knowing what they can do can influence the pharmacy owner's view. Therefore, if the legislation does not provide autonomy and the pharmacist does not believe in his/her competence, the pharmacy owner is not going to value it. (c) Strategies to improve autonomy: Most stakeholders emphasized how the positive attitude of the pharmacist could be strategic in improving their autonomy. By positioning themselves a protagonists or active players, exhibiting self-confidence, and taking 158 ownership, pharmacists can build confidence in the team and amplify managerial decision power. Thus, acting as if they were the owners would stimulate the pharmacist to develop a vision for the company and be more creative when facing problems. M: The broader the entrepreneurial vision (...) the more the pharmacist will be seen as someone who makes a difference in that business; someone who not only follows orders but can also lead a team and be the right-hand man of the owner of that establishment. G: a pharmacist who has systemic vision, who can propose continuous improvements and undertake critical analysis of the processes (...) has the security to say, “this way we will reduce costs, and solve the patient's problems.” G: (…) To summarize, pharmacists should develop a sense of ownership and cultivate an ownership mindset. In addition, some managers suggest that the search for more autonomy from the ownership cadre may be related to the desire for career promotions. G: We want the pharmacist to be the same as the owner because they can grow within our company. If he or she becomes a franchisee, they will have complete autonomy. G: If the pharmacist brings this knowledge with this competence, for me, they can prosper quickly. Other strategies toimprove the autonomy of the pharmacist are: open dialogue and room for agreement on technical and managerial aspects. The stakeholders consider this to be a way to harmonize the professional’s autonomy with the company’s code of conduct so that norms are elaborated jointly, guaranteeing shared and coherent decisions. M: The pharmacist needs to work in a way that they are not seen as a professional hindrance, but as someone that, through agreements, co-creates the rules with the management. If there is a clash, let it be before, together with the company's management, defining what is allowed and what is not. G: The pharmacist can disagree with the management. In our network, we have a committee of pharmaceutical coordinators that meets, questions, discusses, and creates norms to guarantee that everything works from a technical, legal, and management point of view. With the help of the ATLAS.ti software, we constructed Table 2, which shows the number of times each category related to pharmacist autonomy was mentioned by managers and mentors. 159 Table 2. Number of times each category of pharmacist autonomy was addressed by managers and mentors. Source: Prepared by the ATLAS.ti software. From Table 2, it is possible to see differences between the groups of interviewees. The managers talked more about the legal guarantees of the pharmacists’ “technical autonomy” and about how their “managerial autonomy” has limitations. By contrast, the mentors focused their discussions on the influence of the pharmacist’s position as a salaried service provider on their autonomy. 4. DISCUSSION In the word cloud (Figure 2), “company” and “authority” were the words most frequently used by the stakeholders because they believe that these terms influence the autonomy of the pharmacist. This demonstrates the importance they attribute to these words. The word “company” was the main point related to autonomy, since the pharmacist's subordination reduces his or her ability to make decisions. The word “authority” suggests that the pharmacist is viewed as someone who has more technical knowledge, can make choices, Categories Managers Mentors Technical autonomy (guarantees) 28 12 Technical autonomy (limitations) 11 1 Limited managerial autonomy 28 16 Self-devaluation of the pharmacist 6 5 Managers who do not understand the role of the pharmacist 3 9 Being a service provider 3 27 Attitude ownership 10 1 Harmony with code of conduct 3 3 TOTAL 92 74 160 and lead the team that makes up the service, a factor that is fundamental for the construction of the pharmacist’s autonomy. The stakeholders reported that there were limitations to the autonomy of the pharmacist, and also elaborated on the causes of this problem. These include: external control; proletarianization and precarization; lack of control over the division of labor; and routinization of activities, market reserves, etc. (Freidson, 1996; Haug, 1972; Larson, 1980; Oppenheimer, 1972). These aspects have historically challenged the pharmaceutical profession and weakened its professional status (Altman et al., 2019; Birenbaum, 1982; Denzin, 1968; Kellar et al., 2020; Traulsen & Bissell, 2010). Other studies show that a profession should not aim for absolute autonomy, but conditional autonomy depending on the political and social context (Black, 1993; Cardoso, 2005; Freidson, 2009). Therefore, future studies should explore this theme and evaluate the contradictions in this behavior in pharmaceutical retail. In this study, the category “service provider” was understood as a factor of proletarianization and work precarization, and consequently, weakening of the profession (Bissell et al., 2002; Bissell & Traulsen, 2005). The theory of proletarianization of professions argues that large retail chains are health maintenance organizations that use strategies of market monopoly, capitalization of the drug–patient relationship, and control of the pharmacists' work process (Angonesi & Sevalho, 2010; Bissell, 2007; Larson, 1980; McKinlay, 1977; Oppenheimer, 1972). Therefore, studies have pointed out that dependence on retail employment weakens pharmacists’ autonomy (Bissell & Jesson, 2002; Dobson & Perepelkin, 2011). For Larson (1977a), this liberal professional is a “salaried specialist” with illusory power and is subordinate to capitalist interests. In Brazil, this phenomenon became evident when the 1973 legislation conferred a mercantilist character on pharmacies, revoking the obligation of the pharmacist to participate in their corporate boards and changing their status from owner to salaried service provider (Barros Neto & Jacob, 2020; Brasil, 1973; Santos, 2003). As in other countries, lay owners’ access to this market has minimized the power and professional authority of the pharmacist (Barros Neto & Jacob, 2020; Dobson & Perepelkin, 2011; Gidman, 2010). In Brazil, only 16.7% of community pharmacies are owned by pharmacists, which may reflect conflicting legislation and a lack of an entrepreneurial culture (Martins et al., 2015; Serafin et al., 2015; Tim & Michaela, 2020). Thus, pharmacists’ decisions and service orientation may not reflect the social object of patient care, and instead, may serve the mercantilist interests of commercial pharmacies (Edmunds & Calnan, 2001; Quinney, 1963; Szeinbach et al., 2011; Traulsen & Bissell, 2010). 161 In Table 2 (elaborated by ATLAS.ti), the predominant theme among the mentors (being a service provider) may suggest that their close contact with the reality of pharmacists, their anguish, pressures, and fears facilitates a more robust perception of reality. By contrast, the managers talked little about this theme, only arguing that if the pharmacist occupies a higher hierarchical position in the pharmacy network, he/she can have more autonomy and benefit from career progression. Over the past 48 years, universities and institutions representing this profession have not encouraged pharmaceutical entrepreneurship through specific courses or tax incentives (Mattingly et al., 2019; Meneghatti & de Fariña, Luciana Oliveira Bertolini, 2018). In Brazil, self-employed pharmacists encounter bureaucratic procedures and receive little support from the state. Moreover, the neoliberal discourse on entrepreneurship does little to protect the profession, as it exonerates social structures from responsibility, weakens labor relations, and promotes job insecurity (CARMO et al., 2021; Rosenfield, 2018). In 2010, one of the pioneers of the clinical movement pointed out that, as long as the profession continues to value commercial practice, the dream of making patient care the primary purpose of the pharmacy sector will be postponed (Hepler, 2010). In countries where access to health services is broad, pharmacists’ clinical services are consolidated, and their social authority is strengthened (Luetsch et al., 2016; McPherson & Fontane, 2011; Smith et al., 2013). In Brazil, community pharmacies that could occupy strategic healthcare positions are still far from offering clinical services (Cerqueira-Santos et al., 2020; Correr et al., 2013; Daly et al., 2021; Dosea et al., 2017). In 2014, Brazilian legislation strengthened the image of community pharmacies as health establishments and the technical autonomy of pharmacists (Brasil, 2014; CFF, 2014). However, although this legislation orders the pharmacy owner to follow the pharmacists’ technical guidelines, the interests of the market override the health needs and safety of the population, as well as ideological issues and the profession's work processes (Clark, 1991; Dobson & Perepelkin, 2011; Jacobs et al., 2011; Traulsen & Bissell, 2010; Wilensky, 1964). Soon, the rise of the clinical profession may guide strategies to extend its authority in the face of bureaucraticmarkets, such as retail. Literacy regarding the health of the population was one of the factors that reinforced the demand for accessible and trained health professionals to provide services, such as pharmacists, especially in regions distant from urban centers and in underdeveloped countries (Aljassim & Ostini, 2020). This inability of users to interpret information about their health condition 162 impacts rational medication use (Berkman et al., 2011). During the COVID-19 pandemic, the indiscriminate use and infodemic of medications caused harm to patients and damage to health systems, reinforcing the need for pharmacists to act in an autonomous manner (Elbeddini et al., 2020; Erku et al., 2021; Paumgartten & de Oliveira, 2020). According to stakeholders, the profession faces challenges to its autonomy owing to other strategies for expanding the drug market. For example, since the 1990s, Brazilian pharmaceutical industries have politically attempted to authorize the sale of over-the-counter medicines in supermarkets, justifying it as the expansion of access to poorer classes (Melo et al., 2007; Prestes et al., 2019). This business model is common in countries where the chains are part of wholesale companies, but it may not be practical in Brazil, where there are about three times more pharmacies than are recommended worldwide (de Freitas, 2006; FIP, 2017; Jacobs et al., 2011; Teles et al., 2013). Therefore, the excess of outlets, high rates of self- medication, and low health literacy point to a possible public health problem (Palumbo, 2017; R. M. da Silva et al., 2017; Teixeira et al., 2020) Self-devaluation was cited as another limitation of “managerial autonomy” that can obscure the social object of the profession—when pharmacists do not fully understand their role, they may experience dissatisfaction, lack of self-esteem, and lack of self-confidence (Brazinha & Fernandez-Llimos, 2014; Dobson & Perepelkin, 2011; Frankel & Austin, 2013). According to Silva (2015), this lack of clarity is the result of the working relationship, which places the drug as the main instrument of the pharmaceutical profession. This shows that the degree of essentiality of the professional in this scenario is not clear to the professionals themselves, which affects their self-image, self-esteem, and confidence in solving problems. This study found that the lack of clarity regarding the pharmacist’s social role and external control of the profession may influence managers’ lack of understanding of the pharmacist’s role. This blurring of their social role and pharmacists’ self-devaluation have left managers free to define pharmacists’ professional functions and emphasize product sales goals, performance evaluations, and business productivity (Altman et al., 2019; Bush et al., 2009a). With profit as a priority, the pharmacist neither participates in the definition of these goals nor has the autonomy to offer patient care services, being subordinated to the market. Since the 1970s, the professionalization of pharmacy has been considered incomplete and marginalized because of a lack of clarity and control over its social object (Birenbaum, 1982; Denzin, 1968; Harding et al., 1990; Holloway et al., 1986; Kronus, 1975). In Rapport's (2009) study, retail pharmacists reported that social role ambivalence (dispensing and sales) 163 negatively affected self-esteem and job satisfaction. Although data from the International Pharmaceutical Federation (2017) show that community pharmacies account for more than 70% of jobs, Kellar’s (2021) review shows that pharmacists have neither a homogeneous nor broadly oriented professional identity in relation to patient care. According to stakeholders, the shortage of pharmacists with adequate clinical competence may be linked to this heterogeneous professional identity. The insecurity of the pharmacist affects their authority, making them “invisible” in their place of practice (Dewulf et al., 2009; Zellmer, 1985). Mota et al. (2020) state that, in Brazil, after updating the curricular guidelines for pharmacy courses, new generations of pharmacists may have a greater ability to care for patients. Although such updates are important for expected professional transformation, the latter process will take more than changes in training and legal updates (Dawodu & Rutter, 2016; Kellar et al., 2020). In this context, productivity evaluation, product sales targets, and indicators are prioritized based on the commercial interests of pharmacy chains, with clinical services taking a backseat (A. B. Oliveira et al., 2005; Rough et al., 2010). With new digital technologies, large pharmacy chains maximize profits, automate, and speed up pharmacists’ work processes (Bush et al., 2009b; Treiber, 2013a; Ritzer, 2019). This creates a sense of alienation among pharmacists, as it implies that the object of their work is drug and sales goals, making their work precarious (fewer labor rights and lower pay) (W. B. da Silva, 2009; Treiber, 2013b). Pharmacy is a productive profession with technical backing, but little practical authority in the “real world” (Hallit et al., 2019; Traulsen & Druedahl, 2018). Strategies to enhance pharmacists’ autonomy without professionalization will make sense only in the micro politics of retail pharmacies. The ownership attitudes encouraged by stakeholders can stimulate pharmacists to develop a systemic vision of the business and the competencies linked to entrepreneurship, profitability management, and service sustainability (Asieba & Nmadu, 2018; Jacobs et al., 2011; Rauch, 2018). A systematic review of entrepreneurship shows that this attitude makes sense when the pharmacist is aware of their social responsibility and inspires confidence in the team (Mattingly et al., 2019). However, as pointed out by Larson (1977b), having an ownership attitude without practical autonomy creates an illusion of power—that is, the professional “rules but does not rule.” The strategy to combine their professional interests with the company’s rules of conduct points to the need to develop pharmacists’ political competencies, and to protect their “technical” and “managerial” autonomies (Feuerwerker, 2014). Literature suggests that the 164 political persuasive power of pharmacists as salaried service providers can facilitate the implementation of clinical services in community pharmacies and hospitals (Cerqueira-Santos et al., 2020; Dosea et al., 2017; Hattingh et al., 2020; Onozato, 2018). Therefore, companies’ interest in dialoguing with the profession generates a strategic and political alliance, enhancing the autonomy of the professional and the quality of pharmaceutical service offerings (Frisk et al., 2019). The autonomy of the pharmacist, based on international evidence, should not be absolute, but can be extended when the professional recognizes himself/ herself as an authority in health and the retailer understands the pharmacist’s social role. However, no strategy is a determinant of respect or autonomy. Moreover, mentors’ discourse seemed more aligned with the interests of the company than with those of the profession. Therefore, even though retail may offer space for growth and respect for the pharmacist’s autonomy, the commercial company model is still not very congruent with the ethical aspects and clinical purpose of the profession. As a limitation of the study, due to the COVID-19 pandemic, it was not possible to triangulate methodologies or collect data face-to-face, aspects that would bring even more clarity and problematizations regarding the opinions of stakeholders on the autonomy and ethical aspects of pharmacy practice in retail. In addition, focusing on the reality of large pharmacy chains did not allow us to understand the context of independent pharmacies. Nevertheless,this is the first study of its kind in the country and may encourage future research that raises new questions. 5. CONCLUSION Throughout their professional history, retail managers have been aware of the factors that limit the autonomy of the professional pharmacist, such as the market’s control over their work process. However, in general, they do not understand themselves as being responsible for this situation. Mentors, in turn, believe that failures in autonomy and self-devaluation are linked to the pharmacist’s low competence and professional identity. Thus, despite their idealistic professional discourse, they are aligned with managers and with the interests of the companies. Such data alert us to the dependence of the pharmacist on job security, further alienating them from social obligations. These limitations often work in tandem with reduced professional authority. 165 To improve autonomy, stakeholders’ managers and mentors reported that the market invests in the training of pharmacists and considers their ownership and entrepreneurial attitude important. Although these strategies favor career advancement within the company, they do little to strengthen the macro profession politically due to their disconnection with the clinical purpose of pharmacy. The strategy of harmonizing the code of conduct is relevant to maintaining strategic alliances, but requires improvement in the dialogue between companies and pharmacists. To this end, pharmacists must develop communication skills, thereby expanding their negotiation capacities. The autonomy of the retail pharmacist will not be broadened while there are weak laws, a lack of clarity about pharmacists’ social role, and incongruent interests between the retail market and the profession. Therefore, the strengthening of pharmacy, and consequently, its autonomy will depend on its next actions toward development, the rise of a business model centered on pharmaceutical services, and a more uniform professional identity; otherwise, pharmacy will continue to be “in the hands of retail.” 6. REFERENCES Aitken, M., Kleinrock, M., Simorellis, A., & Nass, D. (2019). The Global Use of Medicine in 2019 and Outlook to 2023. In IQVIA Institute for Human Data Science (pp. 1–56). https://www.iqvia.com/insights/the-iqvia-institute/reports/the-global-use-of-medicine-in- 2019-and-outlook-to-2023 Altman, I. L., Mandy, P. J., & Gard, P. R. (2019). Changing status in health care: community and hospital pharmacists’ perceptions of pharmacy practice. International Journal of Pharmacy Practice, 27(3), 249–255. https://doi.org/10.1111/ijpp.12505 Angelin, P. E. (2010). Profissionalismo e profissão: teorias sociológicas e o processo de profissionalização no Brasil. 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Laboratory of Teaching and Research in Social Pharmacy (LEPFS), Federal University of Sergipe, São Cristóvão, Sergipe, Brazil E-mail: alinedosea2@gmail.com Phone: +55 79 9 99749505 https://orcid.org/0000-0003-2816-6558 Fernando de Castro Araújo-Neto MSc Health Sciences Graduate Program. Laboratory of Teaching and Research in Social Pharmacy (LEPFS), Federal University of Sergipe, São Cristóvão, Sergipe, Brazil E-mail: fcaneto0@gmail.com Phone: +55 79 9 91212331 https://orcid.org/0000-0001-5180-1463 Francielly Lima da Fonseca MSc Student Graduate Program in Pharmaceutical Sciences. Laboratory of Teaching and Research in Social Pharmacy (LEPFS), Federal University of Sergipe, São Cristóvão, Sergipe, Brazil E-mail: franciellylimaufs@hotmail.com Phone: +55 79 9 96344711 https://orcid.org/0000-0003-2816-6558 https://orcid.org/0000-0001-5180-1463 170 https://orcid.org/0000-0002-2477-2684 Lívia Gois dos Santos Undergraduate Pharmacy Laboratory of Teaching and Research in Social Pharmacy (LEPFS), Federal University of Sergipe, São Cristóvão, Sergipe, Brazil E-mail: liviagois_@academico.ufs.br Phone: +55 79 9 9821 7229 https://orcid.org/0000-0002-7776-8769 Déborah Mônica Machado Pimentel PhD Departament of Medicine, Hospital Universitary of Sergipe – Federal University of Sergipe, Aracaju, Sergipe, Brazil E-mail: deborah@infonet.com.br Phone: +55 79 9 99821714 https://orcid.org/0000-0003-2102-7125 Alessandra Rezende Mesquita PhD Laboratory of Teaching and Research in Social Pharmacy (LEPFS), Federal University of Sergipe, São Cristóvão, Sergipe, Brazil E-mail: alessandra_pharmacia@hotmail.com Phone: +55 79 3194 6319 https://orcid.org/0000-0003-2988-5829 Divaldo Pereira de Lyra Jr https://orcid.org/0000-0002-2477-2684 mailto:liviagois_@academico.ufs.br https://orcid.org/0000-0003-2102-7125 https://orcid.org/0000-0003-2988-5829 171 PhD Health Sciences Graduate Program. Laboratory of Teaching and Research in Social Pharmacy (LEPFS), Federal University of Sergipe, São Cristóvão, Sergipe, Brazil E-mail: lepfs.ufs@gmail.com Phone: +55 79 3194 6319 https://orcid.org/0000-0002-0266-0702 Corresponding author: Divaldo P Lyra Jr. Laboratory of Teaching and Research in Social Pharmacy (LEPFS), Department of Pharmacy, Federal University of Sergipe, São Cristóvão, Sergipe, Brazil Address: Cidade Universitária “Prof. José Aloísio Campos”, Jardim Rosa Elze, São Cristóvão, CEP: 49100-000, Brazil. E-mail: lyra_jr@hotmail.com / lepfs.ufs@gmail.com/ lyra_jr@academico.ufs.br Phone: +55 79 3194 6319 Funding :This study was financed in part by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Finance Code 001. Conflict of interest: 'The Author(s) declare(s) that there is no conflict of interest'. Ethical considerations: All participants provided informed consent and agreed to record the interviews as well as publish the data generated. This study was approved by the Ethics Committee of the Federal University of Sergipe nº1 4169752. Author contributions: Aline Santana Dosea Conceptualization, Methodology, Investigation, Formal analysis, Data Curation, Writing - Review & Editing. https://orcid.org/0000-0002-0266-0702 mailto:lepfs.ufs@gmail.com/ 172 Fernando de Castro Araujo Neto Conceptualization, Methodology, Investigation, Formal analysis, Data Curation, Writing - Review & Editing. Francielly Lima da Fonseca Conceptualization, Methodology, Investigation, Formal analysis, Data Curation, Writing - Review & Editing. Lívia Gois dos Santos Conceptualization, Methodology, Investigation, Formal analysis, Data Curation, Writing - Review & Editing. Deborah Monica Machado Pimentel Conceptualization, Methodology, Investigation, Formal analysis, Data Curation, Supervision Alessandra Rezende Mesquita Conceptualization, Methodology, Investigation, Formal analysis, Data Curation, Supervision. Divaldo Pereira de Lyra Junior Conceptualization, Methodology, Investigation, Formal analysis, Data Curation, Supervision, Project administration. ABSTRACT Introduction: Brazil has one of the largest drug retail markets globally and more than three times the recommended number of pharmacies per inhabitant. In this scenario, the pharmacists have ethical dilemmas that lead to reduced credibility within the population. As stakeholders are essentials in delineating the codes of conduct in this scenario and due to the lack of studies that address their view, this study aimed to understand the perceptions of retail drug stakeholders regarding the influences, causes, and strategies needed to minimizeethical 173 dilemmas in pharmacy practice. Methods: Nineteen semi-structured interviews were conducted online, transcribed and analyzed by category content analysis. Word cloud and categories were created to compare the number of categories reported by the groups of managers and mentors. Results: The results of the perceptions were classified into the following categories: (a) Industry Enticement–main consequence, (b) “Empurroterapia” and strategies to minimize these dilemmas, (c) Assimilate that selling is not unethical, (d) Compliance, (e) Collective goals, (f) Generate profits through services. The small diffusion of compliance programs and the fragile autonomy of the pharmacist keep the profession on the "tightrope,” and the greater investment in services than in products and state action for patient safety could balance this scenario. Conclusion: The ethical discourse of stakeholders remains ideological and is not consolidated in pharmacy practice. The acceleration of market regulation through compliance and effective state action, as well as the monetization of pharmaceutical services, could create a more ethical environment for the sector. Descriptors: Ethical dilemmas. Community pharmacy. Pharmaceutical. Retail Pharmacy. Professionalism. Stakeholders. 1. INTRODUCTION Since the industrialization of medicines, pharmacies have experienced an imbalance between acting as a commercial profession and implementing patient care (Ancuceanu & Bogdan, 2016; Zubioli, 1992). However, subordination to “commercial laws” has created ethical dilemmas in community pharmacists (Hibbert et al., 2002; Resnik et al., 2000; Rodríguez & Juričić, 2018). Since the 1960s, Brazilian pharmacists redirected their skills to managerial activities, distancing themselves from patient care (Farina & Romano-Lieber, 2009; Ibrahim, 2018; M. da S. Santos et al., 2005). Simultaneously, the pharmaceutical market, one 174 of the most profitable worldwide, has set unlimited targets for sales of medicines in the country (Oliveira et al., 2017; Silva, 2019; Silva & Sampaio, 2016). It is worth mentioning that 85% of the medicines are consumed by 15% of the population in Brazil. This imbalance raises important questions regarding the medicine's access and information. This was compounded by more than 87,000 community pharmacies as well as the majority of Brazilians (77%) who are on self-medication despite having a prescription (CFF, 2020; FIP, 2017; Pons et al., 2017). In addition, a strong competition causes owners and managers to pressurize community pharmacists, thus avoiding professional autonomy and creating ethical conflicts between the two services: managing the business and offering clinical services to the patients (Rapport et al., 2009; Reis et al., 2015; Vettorazzi, 2009). As a result, the shift of the responsibility for as sales to pharmacy assistants, without much technical training and only motivated by bonuses, has enabled the pernicious practice of “push therapy” (aggressive strategy of inducing or “pushing” sales) (Arrais et al., 2016; Barakat et al., 2016; Luiz, 1997; L. R. L. Pereira & Freitas, 2008; Sobral et al., 2018). Such situations and dilemmas generate instabilities that weaken the pharmaceutical profession, thus diverting from its responsibility to patient care. In this scenario, owners, managers, mentors, and consultants (stakeholders) act as key members balancing their role betem community pharmacists and the needs of patients, as well as designing rules of conduct that govern the relationships between industries, pharmacies, and professionals (Jebara et al., 2021; Leuterio, 2020; Malik, 2021; Steen & Franck, 2020). Despite the importance of the topic, there are only a few reports on how stakeholders perceive the ethical dilemmas faced by pharmacy professionals occurring due to imbalancing between patient care, which is recommended by the pharmaceutical ethics code and the commercial retail interests, as well losses for both parties (stakeholders and patients). Therefore, the objective of this study 175 was to understand the perceptions of pharmaceutical retail stakeholders regarding ethical dilemmas in pharmaceutical practice. 2. METHODOLOGICAL COURSE 2.1. Study design A qualitative and exploratory study was conducted through semi-structured in-depth interviews online due to the pandemic, which started in March 2020, making it impossible to collect data in person. It focused on comprehending the perspectives of key informants and their understanding regarding the ethical aspects of pharmaceutical practice in the drug retail market in Brazil. Interviews were also conducted directly with managers and mentors from multinational companies to understand the pharmaceutical practices in drug retails from the stakeholder's perspective. The researcher's roles in this process were fundamental due to their prior experience in interpreting the results. From a constructivist perspective, any interferences during the researchers' participation in the interpretation and analysis of the results were reduced through a detailed description of methodological procedures (Divan & Oliveira, 2008). There was no relationship between the researchers and participants or with the practice scenario addressed in the research. 2.2. Elaboration of the research problem and interview questions Studies have shown that pharmacists have limited autonomy to balance their decisions in the face of ethical dilemmas in pharmaceutical retail (Rapport et al., 2009). To elaborate the interview script, the authors identified dimensions in the published literature that present themselves as important gaps in the understanding of ethical dilemmas in pharmaceutical retail in Brazil (C. L. Ferreira et al., 2016; Reis, 2013; Szeinbach et al., 2011; Terajima et al., 2020). Therefore, to understand stakeholders’ opinions on the influences, causes, and measures to avoid ethical conflicts in pharmaceutical retail, the following questions were asked: 176 - In your opinion, should pharmacists meet the sales targets? Why? -What would be the ethical boundary between meeting sales targets and assessing patient needs? This study is part of a doctoral thesis that analyzes the elements of pharmaceutical professionalism in the retail drug market. These questions were a part of an interview script that also addressed definitions of professionalism, market demands on the pharmacist's skills, professional identity and image, professional valuation, autonomy, and training. 2.3. Characteristics of the research participants To answer the research problem, “how are the ethical dilemmas faced by retail pharmacists interpreted by stakeholders in Brazilian community pharmacies?” Key informants who were stakeholders in the current scenario of drug retail in Brazil were selected based on convenience. A stakeholder is a person who occupies spaces of significant importance in the organization, processes, and results of an environment (Freeman, 2010). Such stakeholders (owners, managers, mentors, and consultants) work in the development of skills and productivity of pharmacists, as well as directly influence the work process of these professionals (Držaić et al., 2018; Gernant, 2018; Lavrakas, 2013; N. V. B. V. de Oliveira et al., 2017). Listening to these groups of participants helped answer research problems, as they were hierarchical superior to pharmacists serving as representative members of Brazilian community pharmacies. The opinions of the mentor pharmacists who worked in this scenario were also considered to address the research problem. By definition, mentoring is a process in which a more qualified or experienced person serves as a reference, who teaches and guides an unskilled individual, promoting personal and professional development (Anderson& Shannon, 1988). Companies and professionals have widely used mentoring to improve skills, achieve results, and enhance job satisfaction (Granko et al., 2013; Roberts et al., 2008; van Mook et al., 2009). 177 This group of participants have an intermediate view, linking the demands of company managers to that of pharmacists who provide them with services. Thus, the following inclusion criteria were developed for the two groups of participants: Group 1: Be a manager or owner of a large Brazilian pharmacy or ranked by the Brazilian Institute of Retail & Consumer Market Executives 2020, which classifies companies by revenue (IBEVAR, 2020). Group 2: Pharmacists who provide personalized mentoring to other pharmacists or groups of professionals working in large Brazilian pharmacies. 2.4. Recruitment of participants The selection of participants was intentional (Saunders & Townsend, 2018). Initially, potential participants were contacted by e-mail, WhatsApp, phone calls, or through social networks to confirm their availability. After prior acceptance, a formal invitation was sent to the participants by e-mail, along with the guidelines explaining the purpose of the research. An informed consent form, and a document where they should fill up their sociodemographic information on the Google Docs platform was also provided. New participants were included at the end of the initial interviews using the snowball technique (Bisol 2012; Saunders and Townsend 2018). The sample saturation proposal was used as a criterion to suspend new participants in the study. After listening to previous recordings of the interviews, the researchers noticed that there was a saturation point as the themes were being repeated, concluding the completion of the data collection (Fontanella et al., 2008). Therefore, the number of interviewees reached an average sample size (9–24) until data saturation, as proposed by Hennink et al. (2017). 2.5. Data collect The interviews were conducted remotely using the Zoom Video Conferencing platform by the lead author of the current work (ASD) due to her intensive knowledge and previous 178 expertise with this research methodology. Participants were requested to keep the environment private and free from external interferences; the agreements were signed on the consent form through video recording, reinforcing the data processing (A. Tong et al., 2007). After the interviews, the audiovisual recordings were transcribed and indexed in the ATLAS.ti software for further analysis. To obtain sociodemographic data from the participants, we created a form on the Google Docs platform that examined the following variables: gender, age, region of the country, occupation, length of professional experience, and maximum degree. The collected data were organized using simple frequency distribution. 2.6. Data analysis The structured data analysis technique was used for content analysis (CA) to interpret the intended meaning of the participants' messages. Owing to the nature of the topic and the authors' familiarity with the method, we decided to follow the three steps of thematic categorical CA: (a) pre-analysis, (b) coding, and (c) categorization (Bardin, 2016). (a) Pre-analysis: the material was organized before coding, guided by three activities mentioned below that were interrelated and unsuccessful. • Selection of the documents in line with the research objective: The interviews' transcripts were considered as a priori to obtain the necessary data. • Floating reading: The researchers performed initial readings of the transcribed material. Formatting was done during the text-seeking standardization of the documents to be analyzed. • Constitution of the corpus (transcriptions): The documents were analyzed in terms of exhaustiveness, representativeness, homogeneity, and relevance. The interviews were considered adequate to generate the research corpus. 179 (b) Coding: The clippings were selected and inductively transformed into codes related to the research question and documented in the ATLAS.ti software (ATLAS.ti Scientific Software Development GmbH, Berlin, Germany)(Gibbs, 2009). These codes were re- read by exhaustive repetition (saturation), deepening the understanding of the themes and their meanings without creating new codes (Gibbs, 2009; Hennink et al., 2019). (c) Categorization: Semantic categorization was performed, since the registration units adopted were themes. In this step, the codes are organized and separated by differentiation (inventory) and grouped by similarity and causality patterns (classification) (Bardin, 2016). Further, they were transformed into categories to bring abstraction to the themes. In this process, inductive coding went from more concrete and descriptive to more conceptual and theoretical (Oliveira, 2008). These categories were then ranked. We also created “networks” of images that established visual relationships between the categories in the ATLAS.ti software, facilitating insights and understanding of the results. During meetings, the researchers used quality criteria for elaboration and reaching a consensus on the categories (relevance, objectivity, homogeneity, mutual exclusion, and productivity) to align the research problems (Bardin, 2016; Oliveira, 2008). The stages of Thematic Categorial Analysis was illustrated in Figure 1: Figure 1. Stages of Thematic Categorical Analysis: [INSERT FIGURE 1] Source: Prepared by the author. 2.7. Credibility and reliability All stages of the research were conducted according to the recommendations of qualitative research proposed by the Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research 180 and the Standards for Reporting Qualitative Research (O’Brien et al., 2014; A. Tong et al., 2007). In addition, analyst triangulation was performed with three researchers having experience in this approach, where one researcher (ASD) was directly involved in data collection, and two acted as external researchers with experience in this field (FCAN, FLF). Disagreements that occurred during the analysis were resolved through consensus meetings, and finally, the data obtained were meticulously reviewed by a senior researcher with expertise in pharmaceutical professionalism and qualitative research (DPLJ). These measures were used to ensure the credibility and reliability of the study. 2.8. Ethical Aspects All participants provided informed consent and agreed to record the interviews as well as publish the data generated. This study was approved by the Ethics Committee of the Federal University of Sergipe nº1 4169752. To identify and protect the identity of the participants in this study during the analyses, each interviewee was designated with an acronym: "G” (...) for managers and "M" (...) for mentors. We referred to excerpts from the interview transcripts with the same acronyms during the interpretation of the results. 3. RESULTS Nineteen interviews were conducted between August and October 2020 with 10 mentors and 9 pharmaceutical managers for a period of 42 min on average and 805 min in total. The sociodemographic characteristics of the participants are presented in Table 1. Most participants were male (52.6%) and over 40 years old. The length of professional experience ranged from 6 to 32 years, with more than 15 years of experience. Most participants were graduates with specialized degrees (61%), majorly in business and business management (managers) and clinical pharmacy (mentors). [INSERT TABLE 1] Figure 2. Cloud of words on the topic “Ethical aspects in retail pharmacies.” 181 [INSERT FIGURE 2] Source: Prepared by the author. In this cloud, as shown in Figure 4, the words that were most frequently used and expressed extensively in the interviews were: sale (71), goal (63), andproduct (55). Therefore, the categories classified in Figure 5 detailing the main causes of ethical dilemmas are, (a) Industry Enticement–the main consequence, (b) “Empurroterapia” and strategies to minimize these dilemmas, (c) Assimilate that selling is not unethical, (d) Compliance, (e) Collective goals, (f) Generate profits through services. Figure 3. Categories related to ethical aspects in retail pharmacies. [INSERT FIGURE 3] Source: Prepared by the author. While addressing ethical limits on the sale of medicines and assessing patient needs, stakeholders reported that it is necessary to define such limits, so that patient safety is not compromised. One mentor criticized the belief of many pharmacy owners, who focused only on gaining profit: M: (...) If the pharmacy owner only knew how profitable being ethical was. He would be ethical for this trickery. (c) Enticement of community pharmacies by drug industries – the main cause of ethical dilemmas in this scenario, where the influence of commissions offered by industries was identified. As defined by stakeholders as an aggressive practice, this action is called enticement. Despite knowing that this could be harmful to the patients and unethical for the profession, informants reported that it is common between pharmacy chains and industries. 182 M: I see this relationship of enticement between the industry and pharmacies, doctors, or other prescribers. The industry is aggressive and has always been. G: The industry says: “sell a drug for 20 reais, and I will give you 100 reais” we know that this exists. However, the limit is imposed by us; the propagandist will do everything to sell the product, but the limit is our own. Some stakeholders claim that the ethical threshold is the pharmacist’s responsibility and do not condemn the conduct of laboratories in offering commissions for drug sales: G: Regarding this conduct, I believe that the laboratory is doing its role; I think the pharmacist should be responsible. M: I think that the moral is in each one, in nature. Honesty originates from homeschooling. In our training, it is necessary to exercise the ethics that we have learned in college. You must judge and maintain a balance. G: I often tell my pharmacists that ethics is all you can say out loud what you are doing. However, only one manager stated that he did not accept the offer of laboratory commissions, as he believed it could influence the ethical conduct of the pharmacist. G: (...) We do not pay a commission. In retail, in general, laboratories are “on top,” and we see campaigns for vitamins and teas. I think it is wrong for the pharmacist to act as a salesperson and receive an individual commission, but he or she can act as a leader and be paid for the company's productivity, not necessarily for the sale of medicine. For another mentor, community retail pharmacies can act ethically, even with industry enticement, imposing clear limits on this relationship. M: Is it possible to work with the industry? I believe so, as long as you, the professionals, set the rules and not the industry. 183 (b) “Empurroterapia”: It is the main consequence of the industry’s enticement. It is one practice that still exists in Brazil, where respondents reported conflicts in their companies due to “empurroterapia.” When the pharmacist or assistant initiates the purchase of medication from the client without evaluating its need, many companies, managers, pharmacists, and assistants receive financial bonuses for higher sales, as reported by the respondents. Some mentors suggested that the cause of the problem is not the transfer of commissions or goals but the way the professionals act to guarantee sales: M: The limit is not having a commission, but what I do to meet the goal. The pharmacist must know the principles and rules of the company, not going beyond them, despite their goals. A company where anything goes to meet sales targets will have many deviations and empurroterapia, harming the patient. M: Having a goal does not mean you must be unethical. You can meet your goals by welcoming the patient, meeting their needs, and selling what they need. Having goals does not mean doing “empurroterapia.” Some mentors claim that “empurroterapia” is mostly practiced by assistants. They assert that auxiliaries are often indicated as medicines without criteria in order to be subsidized. In such cases, one of the mentors suggested that the pharmacist should act neutrally and ethically to guide the assistant. M: The pharmacist sees assistants doing “empurroterapia” and often needs to act neutrally. It neither encourages nor prevents sales. He/she should guide so that the sale is done correctly, assessing the needs of that patient, and not “push” the product just for sale. c) Assimilating that selling is not unethical: The most common strategy discussed in the interviews was the need for the pharmacist to understand that the community pharmacy is a commercial establishment and that it depends on the profitability of services and products. 184 Many mentors believe that pharmacists are ashamed to associate their profession with commerce and profit. The interviewees suggested that the pharmacist must understand that the sale itself is not an unethical practice. M: I see that pharmacists are ashamed to say that the pharmacy is a trade. They fail to recognize that it is a business, retail, and ashamed of the word profit. Profit is not a sin; it is money earned honesty, and with work, it is dignified. M: If a pharmacist wants to have better remuneration, it is not possible to achieve it only with the salary; he/she needs to be committed. Similarly, it is a business. Is pharmacy a health facility? Yes, it is also a business. G: There is much judgment with retail; pharmacists themselves do not understand the need for capital. It seems to be philanthropic because we sell medicines, but it is not so. This should be considered in future studies. Mentors and managers reported that pharmacists need to understand the profession of business management to maintain the sustainability of the company and their careers in this market. M: The establishment depends on sales to pay its expenses. It is only possible to pay suppliers, rent, water, and energy if there is profit that justifies the structure of the pharmacy. Otherwise, the company would go bankrupt. M: (...) When he/she understands, he/she directs his energy to maximize service opportunities because the company's livelihood and salary depend on this. (l) Compliance: stakeholders stated this strategy as a way to ensure ethical practices in retail pharmacies. They suggest that the program aims to define rules of conduct for the company, including anti-corruption rules, audits, and training for the team. Stakeholders 185 reported that compliance programs are more recent and common in large pharmacy chains than in independent pharmacies in Brazil. M: (...) limits are given in writing, with rules, ethical conduct, training, communication, auditing of processes, and companies need to delimit what can and cannot happen. M: The major problem is that most companies do not have a defined compliance program. This is a requirement of the international pharmaceutical industry. Although this is not common in Brazilian pharmacies, it should be. (m) Collective goals: Companies use sales goals for their staff to grow their products and medicines as a part of planning to ensure the sustainability of the business. However, many stakeholders believe that pharmacists should not have the same goals as assistants, as they are more specialized and have other duties to fulfill. In addition, as explained earlier, some interviewees were against the abusive charges that pharmacists suffer: G: The pharmacistmust meet the goals, but it is necessary to define the goals and cannot be the same as the assistants. They need to contribute to and bring financial returns. M: We cannot make a pharmacist behave like a salesperson. This needs to be defined between the professional and the manager. In our company, we demand small goals because it takes time to develop other functions. Therefore, the assignment of collective goals was suggested as a strategy to minimize excessive pressure on sales and, consequently, reduce ethical dilemmas. G: When we have goals, they are shared to bring awareness to the team. This encourages the team to act as “business owners.” If a pharmacy is not profitable, it can be closed. Nobody has achieved these results alone. 186 M: (...) It is a collaborative way of earning that makes it possible to create a teamwork methodology. It does not just involve selling but captivating the customer so that you keep them coming back. (f) Generate profits through services – to gain profits without creating unethical pressure. It has been suggested that pharmacists develop the ability to generate profits in other ways, such as by monetization of clinical services. This way, they understand that the patient's needs need to be central to the pharmacist's activities. By primarily meeting these needs, ethical dilemmas are minimized as there is no room to offer unnecessary products or services. G: Our pharmacists have goals; they need to produce a minimum amount per day through the sale of services. This encourages them to achieve their goals. M: The pharmacist needs to have a broad view of the patient, see the person in front of him, and decide what he needs for the treatment to be more effective. You need to look at people, not recipes, to clarify the ethical boundary. M: When you know how to listen to the patient's needs, you are not pushing but filling a need. Respondents stated that pharmaceutical services are offered for free in some community pharmacies only for loyalty. However, they emphasize that it is important to attribute value to a service. M: The pharmacist lives with this in his technical knowledge. We need to understand how to monetize this knowledge. G: We have to think about the profitability of the service. I argue that we need to charge pharmaceutical services, as I believe that everything free is of little value. M: When I charge for my service, I focus on the product. The relationship with the patient becomes more transparent, and there is no justification for not charging. 187 It was also suggested that pharmacists should consider the sale of medicines and products as a consequence and not as the main objective of their practice. Therefore, it is possible to balance opportunities for profitability and meet patients’ needs indirectly, based on their loyalty. G: The service brings profits, generates a great experience for the patient, and builds loyalty. The patient goes to the pharmacy not only for the service, but to buy medicines he needs every month along with other products. So, it brings direct and indirect profits to the pharmacy. G: Products with higher and lower profit margins. At the time of consultation with the pharmacist, if necessary, he or she can prescribe medicines without a medical prescription, which adds value to the company. M: Even if they do not sell, the pharmacist builds trust and loyalty, which will then allow the patient to return or recommend our service to a neighbor, relative, etc. In the study, with the support of the ATLAS.ti software, it was possible to construct Table 3, denoting the number of times the categories on “Ethical aspects in community pharmacies” were addressed among the groups of managers and mentors. [INSERT TABLE 2] We can observe a few differences in opinions between the groups of interviewees in Table 2. The most discussed topic among the groups was strategies to minimize ethical dilemmas. The categories such as “to assimilate that selling is not unethical” and “generate profits through services” were cited the most by mentors and managers (relatively small in number) as important strategies. 4. DISCUSSION 188 According to the number of citations in Table 3 (prepared by ATLAS.ti), there were a few instances when mentors discussed more on “assimilate that selling is not unethical” as a strategy. Therefore, it can be hypothesized that mentors could address this issue more with pharmacists rather than with managers of community pharmacies. Furthermore, mentors could receive ideas from pharmacists on how to deal with the health versus trade dilemma in their profession. The word cloud on this topic (Figure 4) shows the importance of the words that respondents attribute to, i.e., “sale,” “goal,” and “product.” This allows the stakeholders to understand the importance of product sales targets and prioritize the maintenance of the company's financial sustainability. This context becomes challenging and reinforces the pharmacist's dilemma of selling products and promoting health services. In addition, it is anticipated that most managers and mentors emphasize these words in their speech, as the pharmacy is still seen as a trade in health service. Studies show that community pharmacies associate the image of the drug to a consumer good, the pharmacist to the one who generates profit from the sale of products, and the role of healthcare professional “in the shadow” of the seller (Oliveira et al., 2017; Rapport et al., 2009). Other authors mentioned that taking care of patient health should be the main purpose of the pharmacy. Along with this, disconnecting from the marketing image, building trust in pharmacists by the authority, and improving the quality of clinical pharmacy services should also be considered (Altman et al., 2019; Campeau Calfat et al., 2021; C. L. Ferreira et al., 2016; A. C. Melo et al., 2021; Mossialos et al., 2015). Despite the state’s belief in the pharmacist to protect and monitor, while allowing managers and owners to focus on profit from the sale of products, the retail business model is still incongruous with patient care (Brazinha & Fernandez-Llimos, 2014; Payne et al., 2019; Spinello, 1992). The results of the study showed that private pharmacy chains are influenced 189 by non-altruistic modus operandi, putting the pharmacist on the "tightrope" for decision-making (Paiva, 2014; Resnik et al., 2000). Stakeholders assumed that the existence of retail enticement by industries to meet sales targets “at any cost” induce strong ethical dilemmas among pharmacists and assistants (ARSLAN et al., 2018; Barbosa, 2016; Feng Jing et al., 2011; Mendes & Faria, 2004; Rodríguez & Juričić, 2018; Silva, 2019). In the 1960s and the 1970s, this model of business practice gained traction as the law expanded to control pharmacies by non-pharmaceutical owners (Barros Neto & Jacob, 2020b; Brasil, 1973, 1973; J. de S. Santos, 2003). This phase was influenced by the drugstore model, with a competitive expansion of networks, the release of sales of non-health-related products, and the creation of an image of commercial establishments (Hashimoto & Fonseca, 2009; Lorand, 2013; Reis, 2013; Zubioli, 1992). It is important to highlight that a business model that links pharmaceutical industries and retail pharmacies generates ethical dilemmas and is profitable for both (Corrêa & de Oliveira, 2008). In the same decade, the agreement between the Ministry of Education and Culture and the United States Agency for International Development proposed the removal of pharmacy courses to meet the interests of the pharmaceutical industries, negatively influencing the Brazilian educational system (Araújo & Prado, 2008; Estefan, 1986; Zubioli, 1992). The technical orientation of higher education courses has distanced